98° Viagem Apostólica do Santo Padre:

Dedicação do Santuário da Divina Misericórdia em Lagiewniki em 17 de agosto;

Homilia da Santa Missa de beatificação  em 18 de agosto no Parque de Blonia em Cracóvia

400° aniversário da Dedicação do Santuário de Kalwaria Zebrzydowska em 19 de agosto;

Cerimônia de despedida em 19 de agosto no aeroporto de Cracóvia .

 

 

HOMILIA DO SANTO PADRE DURANTE A SOLENE CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA PARA A DEDICAÇÃO DO SANTUÁRIO DA DIVINA MISERICÓRDIA, EM LAGIEWNIKI

Hoje neste Santuário
quero solenemente confiar o mundo
à Divina Misericórdia


Na manhã de sábado 17 agosto João Paulo II presidiu a solene Concelebração Eucarística para a dedicação do Santuário da Divina Misericórdia, em Lagiewniki. Depois da saudação litúrgica inicial, o Cardeal Franciszek Macharski, Arcebispo de Cracóvia, dirigiu  ao Santo Padre uma mensagem de homenagem. Esta é uma tradução italiana da homilia pronunciada pelo Papa: 
"Ó inconcebível e insondável Misericórdia de Deus,
Quem pode Te adorar e exaltar de modo digno?
O máximo atributo de Deus Onipotente,
Tu és a doce esperança dos pecadores" (Diário, 951 - ed. it. 2001, p. 341).
Caríssimos Irmãos e Irmãs!
1. Repito hoje estas simples e sinceras palavras de Santa Faustina, para adorar junto a ela e a todos vós o mistério inconcebível e insondável da Misericórdia de Deus. Como ela queremos professar que não existe para o homem outra fonte de esperança fora da Misericórdia de Deus. Desejamos repetir com fé:  Jesus confio em Ti!
Deste anuncio que exprime a confiança no Amor onipotente de Deus, temos particularmente necessidade nos nossos tempos, em que o homem prova desorientação diante das inúmeras manifestações do mal. É preciso que as invocações à Misericórdia de Deus brotem do fundo dos corações repletos de sofrimento, de apreensão e de incerteza, mas ao mesmo tempo à procura de uma fonte infalível de esperança. Por isso viemos hoje aqui, no Santuário de Lagiewniki, para redescobrir em Cristo a face do Pai:  daquele que é "Pai Misericordioso e Deus de toda consolação" (2 Cor 1, 3). Com os olhos da alma desejamos fixar os olhos de Jesus misericordioso para encontrar na profundidade deste olhar o reflexo da sua vida, igualmente a luz da graça que já tantas vezes recebemos, e que Deus nos reserva para todos os dias e para o último dia.
2. Estamos para dedicar este novo templo à Misericórdia de Deus. Antes deste ato quero agradecer de coração àqueles que contribuíram para a sua construção. Agradeço de modo especial ao Cardeal Franciszek Macharski, que tanto se empenhou para esta iniciativa, manifestando a sua devoção à Divina Misericórdia. Com afeto abraço as Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia e as agradeço pela obra de difusão da mensagem deixada por Santa Irmã Faustina. Saúdo os Cardeais e Bispos da Polônia, encabeçados pelo Cardeal Primaz, igualmente os Bispos provenientes de várias partes do mundo. Alegra-me a presença dos sacerdotes diocesanos, religiosos e seminaristas.
Saúdo de coração todos os participantes desta celebração, e, em modo particular, os representantes da Fundação do Santuário da Divina Misericórdia que cuidaram da construção, e a administração das várias empresas. Sei que muitos aqui presente sustentaram materialmente esta construção. Rogo a Deus  que os recompense pela  magnitude e empenho, com a sua benção!
3. Irmãos e Irmãs! Enquanto dedicamos esta nova Igreja, colocamos a pergunta que afligia o rei Salomão, quando estava consagrando como habitação de Deus o templo de Jerusalém:  "Mas é realmente verdade que Deus habita sobre a Terra? Se os Céus, e os Céus dos Céus, não podem conter-Te, quanto menos esta casa que eu construí!" (1 Re 8, 27). Se, a primeira vista, legar determinados "espaços" à presença de Deus pode parecer inoportuno, todavia é preciso recordar que o tempo e o espaço pertencem inteiramente a Deus. Mesmo que possa-se considerar o tempo e todo o mundo seu "templo", existe, todavia, tempos e lugares que Deus escolhe, afim que nestes os homens experimentem de modo especial a sua presença e a sua graça. E o povo,movido por um senso de fé, vem a estes locais, seguro de colocar-se diante de Deus presente aí.
Com este mesmo espírito de fé cheguei a Lagiewniki para dedicar este novo templo, convencido de que ele seja um lugar especial escolhido por Deus para derramar a graça da sua Misericórdia. Rogo para que esta igreja seja sempre um lugar de anúncio da mensagem do Amor Misericordioso de Deus; um lugar de conversão e de penitência; um lugar de celebração da Eucaristia, fonte da misericórdia; um lugar de oração e de assídua imploração da misericórdia para nós e para o mundo. Rogo com as palavras de Salomão:  "Olhai para oração do teu servo e para sua súplica. Senhor meu Deus, escuta o grito e a oração que o teu servo hoje eleva diante de Ti! Estejam abertos os seus olhos noite e dia para esta casa... Escuta a oração que teu servo eleva neste lugar. Escuta a súplica de teu servo e de Israel teu povo, quando pregarem neste lugar. Escuta do lugar da sua morada, no Céu; escuta e perdoa!" (1 Re 8, 28-30).
4. "Chegou o momento, e é agora, em que os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai em espírito de verdade; porque o Pai procura tais adoradores" (Jo 4, 23). Quando lemos estas palavras do Senhor Jesus no Santuário da Divina Misericórdia, damos conta de modo todo particular que não podemos nos apresentar aqui se não em espírito de verdade. É o Espírito Santo, Consolador e Espírito de Verdade, que nos conduz pelos caminhos da Divina Misericórdia. Ele, convencendo o mundo "quanto ao pecado, à justiça e ao juízo" (Jo 16, 8), ao mesmo tempo revela a plenitude da salvação em Cristo. Este convencer quanto ao pecado tem uma dupla relação com a Cruz de Cristo. De um lado o Espírito Santo nos permite, mediante a Cruz de Cristo, reconhecermos o pecado, todo pecado, em toda a dimensão do mal, que em si contém, e esconde. Por outro o Espírito Santo nos permite sempre mediante a Cruz de Cristo, vermos o pecado à luz do "mysterium pietatis",  isto é do Amor Misericordioso e indulgente de Deus (cfr Dominum et vivificantem, 32).
E assim o "convencer quanto ao pecado" torna-se ao mesmo tempo um convencer que o pecado pode ser remido e o homem pode de novo corresponder à dignidade de filho predileto de Deus. A Cruz de fato, "é o mais profundo inclinar-se da Divindade sobre o homem [...]. A Cruz é como um toque do Eterno Amor sobre as feridas mais dolorosas da existência terrena do homem" (Dives in Misericórdia, 8). Esta verdade será sempre recordada pela pedra angular deste Santuário, retirada do monte Calvário, de um certo modo de debaixo da Cruz da qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Creio firmemente que este novo templo permanecerá para sempre um lugar onde as pessoas se apresentarão diante de Deus em Espírito e verdade. Virão com a confiança dos que humildemente abrem o coração à Ação Misericordiosa de Deus, àquele amor que mesmo o maior pecado não pode derrotar. Aqui no fogo do Amor Divino, os corações arderão ansiando a conversão, e quem procura esperança encontrará alívio.
5. "Eterno Pai, Te ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade do teu diletíssimo Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos pecados nossos e do mundo inteiro; pela Sua dolorosa Paixão, tenha misericórdia de nós e do mundo inteiro" (Diário, 476 - ed. it. p. 193). De nós e do mundo inteiro... . Quanta necessidade da Misericórdia de Deus tem o mundo de hoje! Em todos os continentes, das profundezas do sofrimento humano, parece elevar-se a invocação da Misericórdia. Onde dominam o ódio e a sede de vingança, onde a guerra traz a dor e a morte dos inocentes é necessário a Graça da Misericórdia para aplacar as mentes e os corações, e para fazer brotar a paz. Onde não existe o respeito pela vida e a dignidade do homem, é necessário o Amor Misericordioso de Deus, e desta Luz se manifesta o  inexprimível valor de cada ser humano. É necessário a Misericórdia para que toda injustiça no mundo encontre o seu fim no esplendor da Verdade.
Por isso hoje, neste santuário, quero confiar o mundo à Divina Misericórdia. Eu o faço com o desejo ardente que a mensagem do Amor Misericordioso de Deus, aqui proclamada por Santa Faustina, chegue a todos os habitantes da Terra e lhes reencha os corações de esperança. Esta mensagem se difunda deste lugar para toda nossa amada Pátria e para o mundo. Cumpra-se a  promessa paga do Senhor Jesus:  daqui deve sair "a faísca que preparará o mundo para a sua última vinda" (cfr Diário, 1732 - ed. it. p. 568). É necessário acender esta faísca da Graça de Deus. É necessário transmitir ao mundo este Fogo da Misericórdia. Na Misericórdia de Deus o mundo encontrará a paz, e o homem a felicidade! Confio esta missão a vós, caríssimos Irmãos e Irmãs, à Igreja que esta em    Cracóvia e na Polônia, e a todos os devotos da Divina Misericórdia que aqui chegarão da Polônia e do mundo intero. Sejais testemunhas da Misericórdia!
6. Deus, Pai Misericordioso,
que revelou o Teu Amor no Teu Filho Jesus Cristo,
e derramou-o sobre nós no Espírito Santo, Consolador,
hoje confiamos a Ti o destino do mundo e de cada homem.
inclina-Te sobre nós pecadores,
cura a nossa fraqueza,
derrota todo mal,
faz com que todos os habitantes da Terra
experimentem a Tua Misericórdia,
para que em Ti, Deus Uno e Trino,
encontrem sempre a fonte da esperança.
Eterno Pai,
pela dolorosa Paixão e Ressurreição do Teu Filho,
tenha misericórdia de nós e do mundo inteiro!
Amém.

 

HOMILIA DA SANTA MISSA DE BEATIFICAÇÃO
CELEBRADA NO PARQUE DE BLONIA EM CRACÓVIA DIANTE DE 2,5 MILHÕES DE FIÉIS

Quatro novos Beatos testemunhas da

“fantasia da caridade”

 

Quatro testemunhas intrépidas do amor misericordioso - Mons. Sigismondo Felice Felinski, o reverendo João Adalberto Balicki, o padre João Beyzym e o Sancja Szymkowiak religioso - eles foram elevados às honras dos altares por João Paul II durante a solene Concelebração Eucarística presidiu pela manhã de domingo 18 agosto, no Parque de Blonia, na presença de mais de dois milhões de fiéis. No início da Santa Missa o Cardeal Franciszek Macharski, Arcebispo de Cracóvia, dirigiu ao Santo Padre uma saudação. Esta é uma tradução portuguesa da homilia pronunciada pelo Papa:
"Este é o meu mandamento:
”que amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”(Jo 15, 12).
Queridos Irmãos e Irmãs!
1. As palavras do Senhor Jesus que nós há pouco escutamos, é associada de modo particular no tema da assembléia litúrgica de hoje em Blonia de Cracóvia: "Deus rico de misericórdia." Este tema reassume de um certo modo toda a verdade do amor de Deus que redimiu a humanidade. "Deus, rico de misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, da morte em que estávamos devido aos pecados, nos fez reviver com Cristo" (Ef 2, 4-5). A plenitude deste amor é revelada no sacrifício da Cruz. Na realidade: "Ninguém tem um maior amor que este: dar a vida pelos próprios amigos" (Jo 15, 13). Eis a medida do amor de Deus! Eis a medida da misericórdia de Deus!
Quando nós estivermos conscientes desta verdade, nos daremos conta que o convite de Cristo para amar os outros, como Ele nos amou, propõe a todos nós esta mesma medida. De um certo modo nos sentimos levados a oferecer nossa vida dia a dia, usando misericórdia para os irmãos, valendo-se do dom do amor misericordioso de Deus. Damos conta que Deus, nos concedendo misericórdia, espera que nós sejamos testemunhas da misericórdia no mundo de hoje.
2. O convite para testemunhar a misericórdia ressoa com eloqüência incomum aqui, na amada Cracóvia, dominada pelo Santuário da Divina Misericórdia de Lagiewniki e do templo novo que eu ontem tive a alegria de consagrar. Aqui, este convite ressoa familiar, porque nos recorda à tradição secular da Cidade da qual nota particular sempre foi a disponibilidade para ajudar os necessitados. Não pode ser esquecido que desta tradição fazem parte numerosos Santos e Beatos – sacerdotes, pessoas consagradas e leigos - que dedicaram a vida às obras de misericórdia. Começando do Bispo Stanislaw, da Rainha Edvige, de João de Kety e de Piotr Skarga, até Fra' Alberto, Angela Salawa e o Cardeal Sapieha, as gerações de fiéis desta Cidade ao longo dos séculos foram dadas como herança da misericórdia. Hoje esta herança foi entregue em nossas mãos e não devem cair no esquecimento.
Eu agradeço ao Cardeal Franciszek Macharski que, com suas palavras de saudação, quis recordar esta tradição. Eu sou grato pelo convite a visitar minha Cracóvia e pela hospitalidade que me ofereceu. Eu cumprimento todos os presentes, a começar pelos Cardeais e Bispos, como também essas pessoas que participam desta Eucaristia pelo rádio e a televisão.
Eu cumprimento a Polônia inteira. Percorro idealmente o itinerário luminoso, com que Santa Faustina Kowalska se preparou para acolher a mensagem da misericórdia - de Varsóvia, por Plock, Vilnius, até Cracóvia - também se lembrando de quantos neste itinerário cooperaram com o Apostola da Misericórdia. Desejo cumprimentar nossos hospedes. Dirijo palavras de saudação ao Sr. Presidente da República polonesa, ao Sr. Primeiro Ministro, como também para os representantes do governo e Autoridades territoriais. Abraço com o coração meus compatriotas, e particularmente aos golpeados pelo sofrimento e pela doença; quantos são experimentados por dificuldades múltiplas, o desempregado, o sem teto, as pessoas de idade avançada e em solidão, as famílias com muitos filhos. Asseguro-lhes que estou espiritualmente perto e constantemente os acompanho com a oração. Minha saudação se estende aos compatriotas espalhados pelo mundo. Saúdo de coração também os peregrinos que aqui convergem dos diversos Países da Europa e do mundo. Uma saudação particular dirijo aos Presidentes de Lituânia e da Eslovênia aqui presentes.
3. Desde o princípio da sua existência a Igreja, recordando-se do mistério da Cruz e da Ressurreição, prega a misericórdia de Deus, penhor de esperança e fonte de salvação para o homem. Parece, não obstante, que é chamada hoje particularmente para anunciar esta mensagem ao mundo. Não pode negligenciar esta missão, se para isto a chama o próprio Deus com o testemunho de Santa Faustina.
Deus escolheu para isto os nossos tempos. Talvez porque o vigésimo século, apesar de sucessos indiscutíveis em muitos campos, foi marcado, em modo particular, pelo "mistério da injustiça". Com esta herança de bem mas também de mal entramos no milênio novo. Diante da humanidade se  abrem perspectivas novas de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, perigos inéditos até agora. O homem vive freqüentemente como se Deus não existisse, e por fim se põe no lugar de Deus. Arroga o direito do Criador de interferir no mistério da vida humana. Quer decidir, por manipulações genéticas, a vida do homem e determinar o limite da morte. Rejeitando as leis divinas e os princípios morais, atenta abertamente à família. De vários modos tenta f manter silenciosa a voz de Deus no coração dos homens; Quer fazer de Deus o "grande ausente" na cultura e na consciência das pessoas. O "mistério da iniqüidade" contínua a marcar a realidade do mundo.
Experimentando este mistério, o homem vive o medo do futuro, do vazio, do sofrimento, da aniquilação. Talvez realmente para isto é como se Cristo, pelo testemunho de uma freira humilde, tivesse entrado em nossas vezes para mostrar claramente a fonte de alívio e de esperança que se encontra na misericórdia eterna de Deus.
É preciso se fazer ressoar a mensagem do amor misericordioso  com vigor novo. O mundo precisa deste amor. Chegou a hora de fazer a mensagem de Cristo alcançar a todos: especialmente para essas pessoas cuja humanidade e dignidade parecem perder-se no “mysterium iniquitatis” (mistério da iniqüidade). Chegou a hora na qual a mensagem da Divina Misericórdia aflui os corações novamente a esperança e se torna faísca de uma civilização nova: a civilização do amor.
4. A Igreja deseja anunciar incansavelmente esta mensagem, não só com palavras fervorosas, mas com uma zelosa prática da misericórdia. Para isto ininterruptamente mostra exemplos estupendos de pessoas que, em nome do amor de Deus e do homem, “saíram e deram fruto." Hoje se acrescentam a eles quatro novos beatos. Diferentes são os tempos nos quais eles viveram, diferentes são as histórias pessoais de cada um deles. Porém, os une aquela linha de particular santidade que é a dedicação à causa da misericórdia.
O Beato Sigismondo Felice Felinski, Arcebispo de Varsóvia, em um período difícil marcado pela falta de liberdade nacional, convidou a perseverar no serviço generoso aos pobres, a abrir instituições educativas e estruturas caritativas. Ele mesmo fundou um orfanato e uma escola, e fez vir para a Capital as Freiras da Beata Virgem Maria da Misericórdia, continuando a obra por ele iniciada. Depois da queda da insurreição em 1863, dirigido por sentimentos de misericórdia para com os irmãos defendeu abertamente os perseguidos. O preço pago por esta fidelidade foi a deportação para o interior da Rússia, que durou vinte anos. Lá também continuou se lembrando das pessoas pobres e perdidas, lhes mostrando grande amor, paciência e compreensão. Foi escrito dele que, "durante seu exílio, oprimido por todos os lados, na pobreza de oração, permaneceu sempre sozinho aos pés da Cruz, recomendando-se à Divina Misericórdia."
É um exemplo de ministério pastoral que hoje de modo especial eu quero submeter a meus Irmãos no episcopado. Caríssimos, o arcebispo Felinski sustente os vossos esforços para criar e implantar um programa pastoral da misericórdia. Este programa constitua o vosso compromisso, na vida da Igreja antes de tudo e então, como necessário e oportuno, na vida social e política da Nação, da Europa e do mundo.
Movido por este espírito de caridade social, o arcebispo Felinski se empenhou profundamente na defesa da liberdade nacional. Isto também é hoje necessário, quando forças diferentes, freqüentemente dirigidas por uma falsa ideologia de liberdade, procuram apropriar-se deste terreno. Quando uma propaganda ruidosa de liberalismo, de liberdade sem verdade e responsabilidade, também se intensifica em nosso País, os Pastores da Igreja não podem deixar de anunciar a única e infalível filosofia da liberdade que é a verdade da Cruz de Cristo. Tal filosofia de liberdade está estruturalmente ligada à história de nossa nação.
5. O desejo para levar a misericórdia para os mais necessitados conduziu o beato João Beyzym – o grande missionário Jesuíta – ao distante Madagascar, onde para amor de Cristo dedicou a vida aos leprosos. Serviu dia e noite aqueles que viviam marginalizados e afastados da vida da sociedade. Com suas obras de misericórdia em favor das pessoas abandonadas e desprezadas, deu um testemunho extraordinário. Testemunho que se fez sentir primeiramente em Cracóvia, então na Polônia e então entre polonês no exterior. Foram recolhidos fundos para construir o hospital intitulado à Madonna de Czestochowa que até hoje existe. Um dos promotores desta ajuda foi o Santo Fratel Alberto.
Eu estou alegre que este espírito de solidariedade na misericórdia continue vivo na Igreja polonesa; o demonstram as numerosas obras de ajuda para as comunidades golpeadas por catástrofes naturais em diferentes regiões do mundo, como também a recente iniciativa de adquirir a sobreprodução de cereais para destinar a quem sofre a fome na África. Eu espero que esta idéia nobre possa se tornar realidade.
O trabalho benevolente do beato João Beyzym foi associado em sua missão fundamental: levar o evangelho aos que não o conhecem. Eis o maior dom de misericórdia: levar os homens a Cristo e lhes permitir conhecer e provar seu amor. Por isso peço: rezai afim que nasça na Igreja da Polônia vocações missionárias. Sustentem ininterruptamente os missionários com a ajuda e com a oração.
6. Pelo serviço à misericórdia foi assinalada a vida do beato João Balicki. Como sacerdote ele teve sempre um coração aberto aos necessitados. O seu ministério de misericórdia, além da ajuda aos doentes e aos pobres, expressou com energia particular o ministério confessional, cheio de paciência e humildade, sempre aberto a reaproximar o pecador arrependido do trono da graça divina.
Recordando-o, eu gostaria de falar para os padres e para seminaristas: Peço-vos, Irmãos, não esqueceis que, em quanto distribuidores da Divina Misericórdia, tenhais uma grande responsabilidade; lembrai-vos também que o próprio Cristo vos conforta com a promessa feita a Santa Faustina: "Diga aos meus sacerdotes que os pecadores endurecidos amolecerão às palavras deles, quando eles falarem de minha Misericórdia ilimitada e da compaixão que eu tenho por eles em meu Coração" (Diário, 1521 - e. isto. 2001, pág. 504).
7. A obra da misericórdia traçou o seu itinerário na vocação religiosa da beata Sancja Giannina Szymkowiak, Irmã "Seráfica". Já de família recebeu um amor fervoroso ao Sagrado Coração de Jesus, e neste espírito foi cheia de bondade para todo o mundo, especialmente para os mais pobres e necessitados. Começou a ajudar aos pobres como membro da Associação Mariana e da associação da Misericórdia de São Vicente, depois se dedicou, quando abraçou a vida religiosa, ao serviço dos outros com mais fervor. Aceitou os tempos duros da ocupação Nazista que foi ocasião para dedicar-se completamente aos necessitados. Considerava sua vocação religiosa um dom da Divina Misericórdia.
Saudando a Congregação da Beata Virgem Maria dolorosa - as Irmãs "Seráficas" -, me dirijo a todas as religiosas e as pessoas consagradas. A beata Sancja seja o vosso exemplo, vossa patrona. Apropriai-vos do seu testamento espiritual resumido em uma simples frase: "Se nos dedicamos a Deus, precisamos doar-nos até nos perdermos totalmente".
8. Irmãos e Irmãs, contemplando as figuras destes Beatos, quero recordar ainda mais uma vez o que escrevi na encíclica sobre a Divina Misericórdia: "O homem alcança o amor misericordioso de Deus, a sua misericórdia, quando ele mesmo interiormente se transforma no espírito de tal amor para o próximo" (Dives in misericórdia, 14). Podemos redescobrir nesta estrada, cada vez mais profundamente, o mistério da Divina Misericórdia, e vive-lo cotidianamente!
Diante às formas modernas de pobreza que, como notei, não faltam em nosso País, é necessário hoje - como eu a defini na carta Novo Millennio Ineunte - uma "fantasia da caridade" no espírito de solidariedade para com o próximo, de forma que a ajuda seja um testemunho de "fraternal repartição" (cfr n. 50). Não falte esta “fantasia" para os habitantes de Cracóvia e de toda nossa Pátria. Seja ela a balizadora do programa pastoral da Igreja na Polônia. Possa a mensagem da misericórdia de Deus sempre refletir nas obras de misericórdia do homem!
Há necessidade deste olhar de amor para reconhecer o irmão junto de nós, que com a perda do trabalho, da casa, da possibilidade manter a família dignamente e dar educação aos filhos, experimenta um senso de abandono, espanto e desconfiança. Há necessidade da "fantasia da caridade" para poder ajudar uma criança negligenciada materialmente e espiritualmente; para não virar os ombros ao rapaz ou à moça enfronhados no mundo das várias dependências ou do crime; para levar conciliação, consolação, sustentação espiritual e moral a quem empreende um combate interior com o mal. Não falte a "fantasia" onde um necessitado suplica: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje." Graças ao amor fraterno, não falte mais este pão. "Bem-aventurado os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia" (Mt 5, 7).
9. Durante minha primeira peregrinação na Pátria em 1979, aqui em Blonia eu disse que "quando somos fortes do Espírito de Deus, também somos fortes da fé no homem - fortes da fé, da esperança e da caridade - que são indissolúveis - e estamos prontos a dar testemunho à causa do homem diante daquele  que tem verdadeiramente no coração esta causa." Por isso vos pedi: "Não desdenheis jamais  a Caridade que é a "maior" coisa, que se manifesta pela Cruz, e sem a qual a vida humana não tem nem raízes nem senso" (10.06.1979; Ensinamentos de João Paulo II, II, pág. 1521-1522).
Irmãos e Irmãs, repito hoje este convite: abri-vos ao maior dom de Deus, ao seu amor que, pela Cruz de Cristo, se manifestou ao mundo como Amor Misericordioso. Hoje, que vivemos em outros tempos, no amanhecer do novo século e milênio, continuai estando "prontos a dar testemunho à causa do homem." Hoje, com toda a força, eu imploro aos filhos e filhas da Igreja e aos homens de boa vontade para nunca e por nada separar a "causa do homem” do “amor de Deus”. Ajudai o homem moderno a experimentar o amor misericordioso de Deus! Que no seu esplendor e calor salve a sua humanidade!

(©L'Osservatore Romano - agosto 19-20 . 2002)

 

400° ANIVERSÁRIO DA DEDICAÇÃO DO SANTUÁRIO
DE KALWARIA ZEBRZYDOWSKA

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Santuário de Kalwaria Zebrzydowska
Segunda-feira 19 de agosto de 2002

"Salve, Rainha, Mãe de Misericórdia
Salve, vida, doçura
e esperança nossa!".

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Venho hoje a este Santuário como peregrino, como eu fazia quando era criança e na minha juventude. Apresento-me diante de Nossa Senhora de Kalwaria como quando vinha de Cracóvia para lhe confiar os problemas da Arquidiocese e daqueles que Deus tinha confiado aos meus cuidados pastorais. Venho aqui e, como naquela época, repito:  Salve! Salve! Rainha, Mãe de Misericórdia!

Quantas vezes experimentei que a Mãe do Filho de Deus dirige os seus olhos misericordiosos para as preocupações do homem atormentado e obtém-lhe a graça de resolver os problemas difíceis e ele, com poucas forças, fica admirado com a força e com a sabedoria da Providencia Divina. Porventura não o conheceram gerações inteiras de peregrinos, que vem aqui desde há quatrocentos anos? Sim, sem dúvida. Se não fosse assim, não se realizaria hoje esta celebração.

Hoje, vós não estaríeis aqui, caríssimos, que percorreis os Caminhos de Kalwaria, seguindo as pegadas da Paixão e da Cruz de Cristo e o itinerário da compaixão e da glória da sua Mãe. Este lugar, de maneira admirável, ajuda o coração e a mente a penetrar o mistério daquele vínculo que uniu o Salvador que sofria e sua Mãe que o confortava. No centro deste mistério de amor, quem vem aqui encontra-se a si próprio, a sua vida, o seu dia-a-dia, a sua debilidade e, ao mesmo tempo, a força da fé e da esperança:  aquela força que surge da convicção de que a Mãe nunca abandona o filho na desventura, mas condu-lo ao seu Filho e confia-o r sua misericórdia.

2. "Junto da cruz de Jesus estavam Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria de Magdala" (Jo 19, 25). Aquela que estava unida ao Filho por vínculos de sangue e de amor materno, lá, aos pés da Cruz, vivia esta união no sofrimento. Só ela, apesar do sofrimento do coração de mãe, sabia que esse sofrimento tinha um sentido. Ela tinha confiança confiança apesar de tudo que se estava a realizar a antiga promessa:  "Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça, ao tentares morde-la no calcanhar" (Gn 3, 15). E a sua confiança teve a sua confirmação, quando o Filho agonizante se dirigiu a ela:  "Mulher!".

Podia ela naquele momento, aos pés da Cruz, pensar que dali a pouco, passados três dias, a promessa de Deus se realizaria? Isto será para sempre um segredo do seu coração. Mas sabemos uma coisa:  ela, a primeira entre todos os seres humanos, participou na glória do Filho ressuscitado. Ela como cremos e professamos foi elevada ao céu em corpo e alma para viver a união na glória, para rejubilar ao lado do Filho com os frutos da Misericórdia Divina e obtê-los para aqueles que nela procuram refúgio.

3. O vínculo misterioso do amor. Como o exprime, este lugar, de maneira maravilhosa! A história afirma que no início do século XVII Mikolaj Zebrzydowski, o fundador do Santuário, lançou as bases para construir a capela do Gólgota, seguindo o modelo da igreja da Crucifixão de Jerusalém. Deste modo, desejava, acima de qualquer outra coisa, fazer com que o mistério da paixão e da morte de Cristo estivesse próximo de si próprio e dos outros. Todavia, mais tarde, ao projetar a construção do caminho da Paixão do Senhor, do Cenáculo ao Sepulcro de Cristo, levado pela devoção mariana e pela inspiração de Deus quis colocar naquele caminho capelas que recordavam os acontecimentos de Maria. E assim surgiram outros caminhos e uma nova prática religiosa que, de certa forma, completam a Via Sacra:  a celebração chamada Caminho da Compaixão da Mãe de Deus e de todas as mulheres que sofreram com ela. Há quatro séculos, sucedem-se gerações de peregrinos que voltam a percorrer aqui as pegadas do Redentor e de sua Mãe, obtendo abundantemente aquele amor que resistiu ao sofrimento e r morte, e na glória do céu encontrou a sua coroação.

Ao longo destes séculos, os peregrinos vieram acompanhados fielmente pelos Padres Franciscanos, chamados "Bernardinos", encarregados da assistência espiritual do Santuário de Kalwaria. Hoje quero exprimir-lhes a minha gratidão por esta predileção a Cristo que sofreu e por sua Mãe que confortou; uma predileção que derramou com fervor e dedicação nos corações dos peregrinos. Caríssimos Padres e Irmãos "Bernardinos", queira o bom Deus abençoar-vos neste ministério, agora e no futuro!

4. Em 1641 o Santuário de Kalwaria foi enriquecido por um dom particular. A Providencia dirigiu para Kalwaria os passos de Estanislau Paskowski de Brzezie, para que confiasse aos Padres "Bernardinos" a imagem da Mãe Santíssima, que já se tornou famosa devido rs suas graças quando estava na capela de família. Desde então, e sobretudo a partir do dia da coroação, realizada em 1887 pelo Bispo de Cracóvia, Albin Sas Dunajewski com a aprovação do Papa Leão XIII, os peregrinos acabam a sua peregrinação pelos seus caminhos. No início, vinham aqui de todas as partes da Polônia, mas também da Lituânia, da Rússia', da Eslováquia, da Boemia, da Hungria, da Moravia e da Alemanha. Afeiçoaram-se a ela particularmente os habitantes da Silésia, que ofereceram a coroa a Jesus, e a partir do dia da coroação participam todos os anos na procissão no dia da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Como foi importante este lugar para a Polônia dividida pelas separações! Exprimiu isto D. Dunajewski, que depois se tornou Cardeal, durante a coroação, rezando do seguinte modo:  "Neste dia Maria foi elevada ao céu e lá foi coroada. Na data comemorativa do aniversário deste dia, todos os Santos colocam as suas coroas aos pés da sua Rainha, e hoje também o povo polaco leva as coroas de ouro, para que, pelas mãos do Bispo, sejam colocadas na cabeça de Maria nesta imagem milagrosa. Recompensa-nos disto, ó Mãe, para que sejamos um só entre nós e contigo". Assim rezava pela unificação da Polônia dividida. Hoje, depois dela se ter tornado uma unidade territorial e nacional, as palavras daquele Pastor não perdem a sua atualidade, aliás, adquirem um novo significado. É preciso repeti-las hoje, pedindo a Maria que nos obtenha a unidade da fé, a unidade do espírito e do pensamento, a unidade das famílias e a unidade social. Por isso hoje rezo juntamente convosco:  faz, ó Mãe de Kalwaria, com "que sejamos um só entre nós e contigo".

5. "Então, nossa Advogada
dirige para nós o teu olhar
misericordioso.
E mostra-nos, depois deste exílio
Jesus, o fruto bendito do teu ventre.
Ó clemente, ó pia
ó doce Virgem Maria!".
Dirige, ó Senhora das graças,
o teu olhar para este povo
que permaneceu fiel ao longo
dos séculos a ti e ao teu Filho.
Dirige o olhar para esta nação
que sempre teve esperança
no teu amor de Mãe.
Dirige para nós o olhar
os teus olhos misericordiosos
obtém-nos aquilo
de que os teus filhos mais precisam.
Abre os corações dos abastados
rs necessidades
dos pobres e dos que sofrem.
Faz com que os desempregados
encontrem um trabalho.
Ajuda os que estão desesperados
a encontrar uma casa.
Concede rs famílias o amor
que faz vencer todas as dificuldades.
Indica aos jovens o caminho
e as perspectivas para o futuro.
Abraça as crianças com o manto
da tua projeção
para que não sejam escandalizadas.
Anima as comunidades religiosas
com a graça da fé, da esperança
e da caridade.
Faz com que os sacerdotes
percorram as pegadas do teu Filho
oferecendo todos os dias
a vida pelo seu rebanho.
Obtém aos Bispos a luz
do Espírito Santo, para que guiem
a Igreja nestas terras
para o Reino do teu Filho
por um único caminho direito.
Mãe Santíssima, Nossa Senhora
de Kalwaria, obtém também
para mim as forças do corpo
e do espírito, para que possa
realizar até ao fim a missão que
me foi confiada pelo Ressuscitado.
A ti confio todos os frutos
da minha vida e do meu ministério.
A ti confio o destino da Igreja;
A ti entrego a minha nação

Em ti confio e declaro mais uma vez: 

Totus tuus, Maria!
Totus Tuus.
Amém.

No final da Concelebração eucarística, antes de conceder a Benção, o Papa dirigiu ainda a todos os cidadãos polacos a seguinte saudação: 

Eis que se está para concluir agora a minha peregrinação na Polônia, em Cracóvia. Estou contente porque a coroação desta visita se realiza precisamente em Kalwaria, aos pés de Maria. Desejo mais uma vez confiar-vos r sua projeção todos vós aqui reunidos, a Igreja na Polônia e todos os concidadãos. O seu amor seja fonte de graças abundantes para o nosso País e os seus habitantes.

Quando visitei este santuário em 1979 pedi-vos que rezásseis por mim, enquanto for vivo e depois da minha morte. Hoje agradeço-vos a vós e a todos os peregrinos de Kalwaria estas orações, o apoio espiritual que recebo continuamente. E continuo a pedir-vos:  não deixeis de rezar repito-o mais uma vez enquanto eu for vivo e depois da minha morte. E eu, como sempre, corresponderei à vossa benevolência recomendando-vos a todos a Cristo misericordioso e a sua Mãe

 

CERIMÔNIA DE DESPEDIDA

DISCURSO DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Aeroporto internacional de Cracóvia/Balice
Segunda-feira 19 de agosto de 2002

 

1. "Polônia, minha querida Pátria [...] Deus eleva-te e trata-te de maneira especial, mas tu deves saber ser-lhe reconhecida" (Diário, 1038). É com estas palavras, tiradas do Diário de Santa Faustina, que desejo despedir-me de todos vós, queridos Irmãos e Irmãs, meus Compatriotas!
No momento em que devo regressar ao Vaticano, uma vez mais, é com grande alegria que dirijo o meu olhar para todos vós e agradeço a Deus, que me permitiu renovar a minha estadia na Pátria. Com o pensamento, volto a percorrer as etapas da peregrinação destes três dias:  Lagiewniki, o Parque de Blonie em Cracóvia e Kalwaria Zebrzydowska. Conservo na memória a multidão orante de fiéis, testemunho da misericórdia de Deus. Ao despedir-me, quero saudar-vos a todos, meus caríssimos Compatriotas. Esperastes por mim tão numerosos. Muitos de vós quiseram encontrar-se comigo, mas nem todos conseguiram. Talvez na próxima ocasião...

Para as famílias polacas, formulo votos a fim de que encontrem na oração a luz e a força para cumprirem os seus deveres, semeando em todos os ambientes a mensagem do amor misericordioso. Deus, fonte da vida, vos abençoe a todos em cada dia. Saúdo aqueles que pude encontrar pessoalmente, durante a minha peregrinação, e as pessoas que quiseram participar nos encontros desta viagem apostólica, através dos meios de comunicação social. Estou grato, de maneira particular, aos enfermos e às pessoas idosas por terem apoiado a minha missão com a oração e com o sofrimento. Faço-lhes votos a todos, para que a união espiritual com Cristo misericordioso constitua para eles um manancial de alívio, tanto nos sofrimentos físicos como espirituais.

Com o olhar da alma, abraço toda a minha amada Pátria. Alegro-me com os seus bons êxitos, com as suas boas aspirações e com as suas iniciativas corajosas. Foi com inquietude que falei das dificuldades e do preço que se deve pagar pelas transformações que, dolorosamente, atingem as pessoas mais pobres e mais frágeis, os desempregados, os desabrigados e os indivíduos que são forçados a viver em condições cada vez mais difíceis e na incerteza em relação ao futuro.

No momento de partir, quero recomendar à Providência Divina estas situações precárias por que a nossa Pátria está a passar, e convidar os responsáveis pela gestão do Estado a ser sempre cuidadosos quando se trata de salvaguardar o bem da República e dos seus concidadãos. O espírito de misericórdia, de solidariedade fraternal, de concórdia e de autêntica atenção ao bem da Pátria reine sempre no meio de vós.

Faço votos a fim de que, cultivando todos estes valores a sociedade polaca, que desde há séculos pertence à Europa, encontre um lugar apropriado nas estruturas da Comunidade Européia. E não só não perca a identidade que lhe é própria, mas também enriqueça a sua tradição, assim como a do Continente e do mundo inteiro.

2. Os dias desta minha breve peregrinação constituíram para mim uma ocasião para recordar e refletir profundamente. Agradeço a Deus que me concedeu a possibilidade de visitar Cracóvia e Kalwaria Zebrzydowska. Estou-lhe grato pela Igreja que se encontra na Polônia que, com espírito de fidelidade à Cruz e ao Evangelho, desde há mil anos, compartilha o destino da Nação, servindo-a com zelo e apoiando-a nos seus bons propósitos e aspirações. Estou grato pelo fato de que a Igreja que peregrina na Polônia permanece fiel a esta missão e peço que seja sempre assim.

Desejo exprimir a minha gratidão àqueles que contribuíram para a feliz realização desta peregrinação. Nas mãos do Senhor Presidente da República Polaca deponho, uma vez mais, o agradecimento pelo convite e o cuidado com que quis preparar a minha visita. Estou grato ao Senhor Primeiro-Ministro pela colaboração entre as Autoridades civis e os Representantes da Igreja. Agradeço-lhes todos os gestos de boa vontade.

Além disso, transmito o meu agradecimento às Autoridades administrativas, regionais e municipais - sobretudo às de Cracóvia e de Kalwaria Zebrzydowska - pela benevolência, o cuidado e os esforços contínuos que realizaram. Deus recompense todos aqueles que se comprometeram nas várias tarefas litúrgicas e pastorais, os operadores nos campos da televisão, da rádio e da imprensa, os serviços de ordem pública - os militares, os agentes policiais, os bombeiros e os operadores que trabalham no campo da saúde - assim como aqueles que, de alguma maneira, contribuíram para a realização desta peregrinação. Não quero esquecer ninguém. Por conseguinte, a todos, uma vez mais, repito do íntimo do coração:  Deus vos recompense!

3. É com particular gratidão que me volto para o Povo de Deus que está na Polônia. Agradeço à Conferência Episcopal Polaca e, em primeiro lugar, ao Cardeal Primaz, o convite que me quiseram transmitir, a preparação espiritual dos fiéis em geral e o esforço organizativo que a minha peregrinação acarretou. Dirijo palavras de especial agradecimento aos presbíteros, aos seminaristas e às religiosas. Obrigado pela preparação da Liturgia e pelo acompanhamento dos fiéis, durante os meus encontros. Obrigado a toda a Igreja que está na Polônia, pela perseverança conjunta na oração, pela calorosa hospitalidade e por todas as manifestações de benevolência para comigo. Cristo misericordioso recompense abundantemente a vossa generosidade com a sua Bênção.

Entre os agradecimentos que expresso, não posso deixar de dirigir uma saudação especial à amada Igreja que está em Cracóvia. Dirijo particulares e cordiais expressões de gratidão ao Senhor Cardeal Franciszek Macharski, Arcebispo Metropolitano de Cracóvia, pela sua hospitalidade e por ter preparado a Cidade de maneira tão magnífica, para as importantes celebrações que se realizaram nestes últimos dias. Obrigado de coração às Religiosas da Misericordiosa Mãe de Deus, em Lagiewniki, assim como a quantos, diariamente diante da figura de Cristo misericordioso, elevam orações segundo as intenções da minha missão apostólica.

Congratulo-me com a Arquidiocese de Cracóvia e com toda a Polônia pelo seu novo templo, que me foi concedido dedicar. Estou convencido de que o Santuário de Lagiewniki constituirá um significativo ponto de referência e um eficaz centro de culto à Misericórdia Divina. Os raios de luz que descem da torre do templo de Lagiewniki - que recordam os raios da imagem de Jesus misericordioso - irradiam com reflexo espiritual sobre toda a Polônia:  desde os Montes Tatra até ao Báltico, e de Bug do Óder para o mundo inteiro!

4. "Deus, rico em misericórdia!". Eis as palavras que constituíram a idéia-chave da minha visita. Quisemos lê-las como um convite dirigido à Igreja e à Polônia do novo milênio. Formulo votos a todos os meus Compatriotas, a fim de que saibam receber com o coração aberto esta mensagem de misericórdia e consigam levá-la a toda a parte, onde os homens tiverem necessidade da luz da esperança.

Conservo no meu coração o bem realizado durante estes dias da minha peregrinação e no qual pude participar. Agradecido por tudo, juntamente com toda a comunidade eclesial que está na Polônia, repito estas palavras diante de Cristo misericordioso: "Jesus, confio em ti!". Esta confissão sincera proporcione alívio às futuras gerações do novo milênio. E Deus, rico em misericórdia, vos abençoe a todos!

E para concluir, o que dizer? Sinto muito ter que partir!

 

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