Cardeais assinam carta pela beatificação do papa

Um grupo significativo de cardeais assinou uma carta na qual solicita ao futuro papa a beatificação "em um tempo breve" de João Paulo 2º, segundo informa nesta terça-feira (12) o jornal italiano "Corriere della Sera".

O jornal assegura que o documento "já está nas mãos do cardeal Joseph Ratzinger", o decano do Colégio Cardinalício, após ser assinada por "muitos, mas não por todos" os cardeais. Na carta, eles pedem ao futuro papa que acelere a beatificação de João Paulo 2º, que foi aclamado pela multidão com gritos de "santo" durante seu funeral.  

A mensagem dos prelados será entregue por Ratzinger ao sucessor de Karol Wojtyla, que será eleito no conclave que começará na próxima segunda-feira com a participação de 115 cardeais votantes -- pelas leis do Vaticano, apenas os cardeais com menos de 80 anos podem participar do processo de escolha do novo papa.

O "Corriere della Sera" não precisa quantos prelados assinaram a carta, mas informa que mesmo os que não a assinaram "não se opõem à idéia da beatificação de João Paulo 2º. Segundo o jornal, os cardeais que não deram seu apoio à rápida beatificação de Karol Wojtyla o fizeram para evitar pressão sobre o futuro papa.

O jornal destaca ainda que alguns cardeais desconfiam da expontaneidade dos gritos de "santo" lançadas pela multidão durante o funeral, já que foram vistos cartazes com esse lema nos dias anteriores tanto entre os fiéis congregados no Vaticano como em outros pontos de Roma.

A aclamação durante o funeral abriu o caminho para a idéia de uma beatificação rápida, ou inclusive para a canonização, ainda este ano, tal e como indicou ontem o secretário da Congregação para as Causas dos Santos, o arcebispo Edward Nowak.

No entanto, para que João Paulo 2º fosse proclamado santo ainda este ano o novo papa deveria reconhecer como válida a aclamação popular, uma regra da antiga Igreja hoje em desuso, e isso é algo que muitos cardeais consideram improvável.

Normalmente o processo de beatificação, prévio ao de canonização, só pode começar cinco anos depois da morte da pessoa à qual se deseja elevar à glória dos altares.

 Aposentos selados
Segundo o porta-voz vaticano, Joaquín Navarro Valls, os aposentos papais foram fechados nesta terça-feira e só voltarão a ser abertos pelo próximo papa.

Os aposentos que eram ocupados por João Paulo 2º foram fechados com os selos da Câmara Apostólica, segundo informou o Camerlengo, o cardeal espanhol Eduardo Martínez Somalo, à congregação de cardeais, reunida no Vaticano.

A constituição apostólica Universi Dominici Gregis estabelece que depois da morte do papa e durante a eleição do novo pontífice nenhuma parte do apartamento, no terceiro andar do Palácio Apostólico, deve ser habitada.

Fontes vaticanas afirmaram que o secretário do papa, o arcebispo Stanislaw Dziwisz, e as freiras polonesas que durante 26 anos e meio de pontificado, lideradas por soror Tobiana, cuidaram dos aposentos papais, já foram transferidos, provisoriamente, para um centro de uma congregação de religiosas polonesas situado na zona norte de Roma.

Missa solene
Para mostrar a comunhão necessária dentro da Igreja na hora de eleger um novo Papa, o Vaticano convidou bispos, padres, diáconos e todos os fiéis a participar em uma missa solene que será celebrada em Roma, na segunda-feira, horas antes do início do Conclave.

A cerimônia, presidida pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, leva o nome de Pro eligendo romano pontifice e nela se encomenda a Deus todos os 115 cardeais que participarão na eleição do novo Papa.

"Toda a Igreja está convocada a perseverar na oração, tomando como exemplo a primeira comunidade cristã, e a elevar suas súplicas ao Senhor para que ilumine o espírito dos eleitores e lhes conceda a unidade na hora de eleger o novo Papa", explica o Vaticano nesta terça-feira.

Às 16h30 locais (11h30 de Brasília), os cardeais ingressarão na Capela Sistina, precedidos por uma cruz.

Todos eles pronunciarão um juramento que lhe impõe total segredo sobre estas reuniões como está expressado no Ordo Rituum Conclavis, ou seja, o ritual do Conclave.

Além disso, os cardeais com direito a voto poderão deixar entrar na Capela Sistina algumas pessoas estritamente vigiadas, como o secretário do Conclave, o mestre de celebrações litúrgicas pontifícias, o secretário do cardeal decano, o eclesiástico para a meditação, o prefeito da casa pontifícia e o comandante da Guarda Suíça, além do pessoal médico e a imprensa do Vaticano.

As deliberações dos cardeais são sigilosas. Duas sessões diárias seguidas de votações e das tradicionais fumaças marcarão o ritmo dessa reunião, da qual sairá o 264º sucessor de Pedro. 

 

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