TEMPO COMUM

DUC IN ALTUM, 15 anos.


Hoje, na festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, nosso site completa 15 anos. Agradecemos a Deus por intercessão do Coração Imaculado de Maria, poder nestes anos ter divulgado um pouco da Face de Cristo a muita gente. Obrigado, també
m a você que prestigia o Duc in Altum. Estamos aqui para levar Cristo aos outros e os outros a Cristo.


Tweets do Santo Padre, a Divina Misericórdia expressa em palavras:


23/07/2017
Quando precisamos de ajuda, vamos nos dirigir ao Pai que sempre olha para nós com amor e nunca nos abandona.
18/07/2017
É preciso superar todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana.
16/07/2017
Deixemo-nos guiar pela Virgem Maria no caminho que conduz à sagrada montanha que é Cristo, onde se encontram Deus e o homem.
11/07/2017
A Europa tem um patrimônio ideal e espiritual único no mundo que merece ser reproposto com paixão e renovado frescor.
09/07/2017
Confio os marítimos, os pescadores e todos aqueles que estão em dificuldades e longe de casa à materna proteção de Maria, Estrela do Mar.
08/07/2017
Os migrantes são nossos irmãos e irmãs que buscam uma vida melhor longe da pobreza, da fome e da guerra.
02/07/2017
Que bom que os jovens sejam “peregrinos da fé”, felizes de levar Jesus a todas as estradas, a todos os cantos da terra!
01/07/2017
A missão do cristão é uma missão maravilhosa, destinada a todos, sem exceção!
30/06/2017
Há tanta necessidade de nutrir a esperança cristã, a esperança que dá um olhar novo, capaz de descobrir e ver o bem.
29/06/2017
Vamos nos confiar à intercessão dos Santos Pedro e Paulo para testemunhar a ação libertadora de Deus sobre nós.
28/06/2017
Deus coloca o seu olhar amoroso sobre cada um de nós.
23/06/2017

Vão, cheguem a todas as periferias! Vão, e lá sejam Igreja, com a força do Espírito Santo.
22/06/2017
Não nos deixemos distrair pelas falsas sabedorias deste mundo, mas sigamos Jesus como único guia seguro que dá sentido à nossa vida.
21/06/2017
Não vamos virar o rosto diante das novas formas de pobreza e marginalização que impedem às pessoas de viver com dignidade.
20/06/2017
O encontro pessoal com os refugiados dissipa medos e ideologias distorcidas e torna-se fator de crescimento em humanidade. @M_RSeccao
19/06/2017
Nenhum de nós é uma ilha, autônomo e independente dos outros: só podemos construir o futuro juntos, sem excluir ninguém.



Em cada Tweet do Papa Fracisco, ele nos prova quão atual é o Evangelho:




18/06/2017
Jesus Se repartiu, e reparte, por nós. É a Eucaristia. Ele pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros.
17/06/2017
A preocupação ecológica é sempre também uma preocupação social. Escutemos o grito da terra, mas também o grito dos pobres.
16/06/2017
O amor pede uma resposta criativa, concreta. Não são suficientes boas intenções, os outros não são números, mas irmãos de quem cuidar.
15/06/2017
A existência de cada um de nós está ligada a dos outros: a vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro.
14/06/2017
Há tanta necessidade de oração e de penitência para implorar a graça da conversão e o fim de tantas guerras no mundo.

13/06/2017
Em sua Paixão Jesus tomou sobre si todos os nossos sofrimentos. Ele sabe o que significa a dor, nos compreende, nos conforta e nos dá força.
12/06/2017
A Igreja resplandece quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica de amor.


Na homilia de hoje, Papa Francisco afirmou que ninguém ‘pode se salvar sozinho’, mas somente com a graça de Deus

“Tomar consciência de sermos frágeis, vulneráveis e pecadores: somente a potência de Deus salva e cura”. Esta foi a exortação do Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na manhã de sexta-feira, 16.junho.2017, na Casa Santa Marta.

O Santo Padre destacou que ninguém ‘pode se salvar sozinho’, pois precisa do poder de Deus para ser salvo. Francisco refletiu sobre a Segunda carta aos Coríntios, em que o apóstolo fala do mistério de Cristo dizendo “temos um tesouro em vasos de barro” e exorta todos a tomar consciência de serem ‘barro, frágeis e pecadores’: sem o poder de Deus não se pode prosseguir.

“Temos este tesouro de Cristo em nossa fragilidade… nós somos barro”, porque é o poder, a força de Deus que nos salva, que nos cura, que nos ergue. É esta, no fundo, a realidade de nossa fraqueza”, explicou o Papa.

Dificuldade de admitir a fragilidade

“Todos nós somos vulneráveis, frágeis, fracos, e precisamos ser curados. Ele nos diz: somos afligidos, abalados, perseguidos, atingidos: é a manifestação da nossa fraqueza, é a nossa vulnerabilidade. E uma das coisas mais difíceis na vida é admitir a própria fragilidade. Às vezes, tentamos encobri-la para que não se veja; ou mascará-la, ou dissimular… O próprio Paulo, no início deste capítulo, diz: ‘Quando caí em dissimulações vergonhosas’. Dissimular é vergonhoso sempre. É hipocrisia”, destacou o Pontífice.

Além da ‘hipocrisia com os outros’ – prosseguiu Francisco – existe também a ‘comparação com nós mesmos’, ou seja, quando acreditamos ‘ser outra coisa’, pensando ‘não precisar de curas ou apoio’. Quando dizemos: “não sou feito de barro, tenho um tesouro meu”.

“Este é o caminho, é a estrada rumo à vaidade, à soberba, à autorreferencialidade daqueles que não se sentindo de barro, buscam a salvação, a plenitude de si mesmos. Mas o poder de Deus é o que nos salva, porque Paulo reconhece a nossa vulnerabilidade:

Paulo e a vergonha da dissimulação

‘Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia. Existe algo em Deus que nos dá esperança. Somos postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados’. É o poder de Deus que nos salva. Sempre existe esta relação entre o barro e o poder, o barro e o tesouro. Nós temos um tesouro em vasos de barro, mas a tentação é sempre a mesma: cobrir, dissimular, não admitir que somos barro… a hipocrisia em relação a nós mesmos”.

O apóstolo Paulo – destacou o Papa – com este modo de pensar, de raciocinar, de pregar a Palavra de Deus, nos conduz a um diálogo entre o tesouro e a argila. Um diálogo que continuamente devemos fazer para sermos honestos”. Francisco citou o exemplo da confissão, ‘quando dizemos os pecados como se fossem uma lista de preços no supermercado’, pensando em “clarear um pouco o barro” para sermos mais fortes. Ao invés, temos que aceitar a fraqueza e a vulnerabilidade, mesmo que seja difícil fazê-lo: é aqui que entra em jogo a ‘vergonha’.

“É a vergonha, aquilo que aumenta o coração para deixar entrar o poder de Deus, a força de Deus. A vergonha de ser barro e não um vaso de prata ou de ouro. De ser de argila. E se chegarmos a este ponto, seremos felizes. O diálogo entre o poder de Deus e o barro. Por exemplo, no lava-pés, quando Jesus se aproxima de Pedro e este lhe diz: ‘Não, a mim não Senhor, por favor’. O que? Pedro não tinha entendido que era de barro, que precisava do poder do Senhor para ser salvo”.

Reconhecer nossas fragilidades e obter a salvação

É na generosidade que reconhecemos ser vulneráveis, frágeis, fracos, pecadores. Somente quando aceitamos ser de barro – concluiu o Papa – “o extraordinário poder de Deus virá a nós e nos dará a plenitude, a salvação, a felicidade, a alegria de sermos salvos, recebendo assim a alegria de sermos ‘tesouro’ do Senhor.


Papa: corrupção, câncer que mata o homem e a sociedade

Cidade do Vaticano (RV) - Foi lançado nesta quinta-feira(15/06/2017), o livro-entrevista do prefeito do dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Peter Turkson, e Vittorio V. Alberti, com o prefácio do Papa Francisco, intitulado “Corrosão”.

“A corrupção, na sua raiz etimológica, define uma dilaceração, uma ruptura, decomposição e desintegração. A corrupção revela uma conduta antissocial tão forte que dissolve as relações e os pilares sobre os quais se fundam uma sociedade: a coexistência entre as pessoas e a vocação a desenvolvê-la”, escreve o Papa.

Coração corrupto

Segundo o Pontífice, “a corrupção quebra tudo isso, substituindo o bem comum com o interesse pessoal que contamina toda perspectiva geral. Nasce de um coração corrupto. É a pior praga social, pois cria problemas graves e crimes que envolvem todas as pessoas”.

“A palavra corrupção recorda o coração fragmentado e manchado por algo, como um corpo arruinado que entra num processo de decomposição e exala mau cheiro”, sublinha Francisco.

A seguir, o Papa faz uma série de perguntas: “O que há na origem da exploração do ser humano contra outro ser humano? O que há  na origem da degradação e da falta de desenvolvimento? O que há na origem do tráfico de pessoas, de armas e drogas? O que há na origem da injustiça social e da mortificação do merecimento? O que há na origem da ausência de serviços para as pessoas? O que há na raiz da escravidão, do desemprego, da negligência das cidades, do bem comum e da natureza? O que destrói o direito fundamental do ser humano e a integridade do ambiente? A corrupção é a arma, a linguagem mais comum das máfias e das organizações criminosas do mundo.”

Cultura de morte

Segundo Francisco, “a corrupção é um processo de morte que dá linfa à cultura de morte das máfias e organizações criminosas. Existe uma profunda questão cultural que deve ser enfrentada. Hoje, muitas pessoas não conseguem imaginar o futuro. Para um jovem, hoje, é difícil crer realmente em seu futuro, em qualquer futuro, e o mesmo para sua família. Essa nossa mudança de época, tempo de crise muito vasto, mostra a crise mais profunda que envolve a nossa cultura. Nesse contexto, a corrupção deve ser enquadrada e entendida em seus vários aspectos. Todos estamos expostos à tentação da corrupção”.

“A corrupção tem na origem o cansaço da transcendência, como a indiferença. Por isso, o corrupto não pede perdão. A Igreja deve ouvir, elevar-se e inclinar-se sobre a dor e sofrimento das pessoas segundo a misericórdia e deve fazer isso sem ter medo de purificar-se, buscando sempre o caminho para se melhorar”, ressalta o Papa, citando o teólogo francês Henri de Lubac: “O maior perigo para a Igreja é a mundanidade espiritual, portanto, a corrupção, que é mais desastrosa que a lepra infame.”

“A nossa corrupção é a mundanidade espiritual, a tepidez,  a hipocrisia, o triunfalismo, o fazer prevalecer somente o espírito do mundo em nossas vidas e o sentido de indiferença”, destaca Francisco.

Beleza

Segundo o Pontífice, o antídoto contra a corrupção é a "beleza", que “não é um acessório cosmético, mas algo que coloca no centro a pessoa humana para que ela possa levantar a cabeça contra todas as injustiças. Essa beleza deve casar-se com a justiça”.

“Nós, cristãos e não cristãos, somos flocos de neve, mas se nos unirmos, podemos nos tornar uma avalanche: um movimento forte e construtivo”, ressalta Francisco. “Eis o novo humanismo, este renascimento, esta recriação contra a corrupção que podemos realizar com audácia profética.”
  “Devemos trabalhar todos juntos, cristãos e não cristãos, pessoas de todos os credos e ateus para combater esta forma de blasfêmia, este câncer que mata as nossas vidas. É preciso tomar consciência urgentemente. Para isso, são necessárias educação e cultura da misericórdia. É necessária também a colaboração de todos, segundo as próprias possibilidades, talentos e criatividade”, conclui o Papa.


O amor de Deus é incondicional, lembra Papa na catequese

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 14.junho.2017, foi inspirada na parábola do Filho Pródigo e na necessidade que todos têm de ser amados.

“Ninguém pode viver sem amor e não devemos crer que o amor deva ser merecido, que se não formos belos, atraentes e fortes, ninguém pensará em nós”, afirmou Francisco diante das cerca de 20 mil pessoas presentes na Praça.

Integra da Catequese do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje fazemos esta audiência em dois lugares, mas ligados pelas telas: os doentes, para que não sofram tanto no calor, estão na Sala Paulo VI, e nós aqui. Mas permanecemos todos juntos e nos conecta o Espírito Santo, que é aquele que sempre faz a unidade. Saudemos aqueles que estão na Sala!

Ninguém de nós pode viver sem amor. E uma bruta escravidão em que podemos cair é aquela de acreditar que o amor deve ser merecido. Talvez boa parte da angústia do homem contemporâneo deriva disso: acreditar que se não somos fortes, atraentes e belos, então ninguém se ocupará de nós. Tantas pessoas hoje procuram uma visibilidade somente para preencher um vazio interior: como se fôssemos pessoas eternamente necessitadas de confirmações. Porém, imaginem um mundo onde todos mendigam motivos para suscitar atenção dos outros e ninguém, em vez disso, está disposto a querer o bem gratuitamente a uma outra pessoa? Imaginem um mundo assim: um mundo sem a gratuidade de querer bem! Parece um mundo humano, mas na verdade é um inferno. Tantos narcisismos do homem nascem de um sentimento de solidão e de orfandade. Por trás de tantos comportamentos aparentemente inexplicáveis está uma pergunta: é possível que eu não mereça ser chamado pelo nome, isso é, ser amado? Porque o amor sempre chama pelo nome…

Quando a não ser amado ou não sentir-se amado é um adolescente, então pode nascer a violência. Por trás de tantas formas de ódio social e de delinquência muitas vezes há um coração que não foi reconhecido. Não existem crianças más, como não existem adolescentes malvados, mas existem pessoas infelizes. E o que pode nos tornar felizes se não a experiência do amor dado e recebido? A vida do ser humano é uma troca de olhares: alguém que nos olhando nos arranca um sorriso e nós gratuitamente sorrimos a quem está fechado na tristeza e assim lhe abrimos um caminho de saída. Troca de olhares: olhar nos olhos e se abrem as portas do coração.

O primeiro passo que Deus dá para nós é aquele de um amor antecipado e incondicionado. Deus ama primeiro. Deus não nos ama porque em nós há qualquer razão que suscita amor. Deus nos ama porque Ele mesmo é amor, e o amor tende, por sua natureza, a difundir-se, a doar-se. Deus não liga nem mesmo a sua benevolência à nossa conversão: essa é uma consequência do amor de Deus. São Paulo diz de maneira perfeita: “Deus demonstra o seu amor por nós no fato de que, enquanto éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5, 8). Enquanto ainda éramos pecadores. Um amor incondicional. Éramos “distantes”, como o filho pródigo da parábola: “Quando ainda estava distante, seu pai o viu, teve compaixão…” (Lc 15, 20). Por amor nosso Deus realizou um êxodo de Si mesmo para vir nos encontrar nesse lugar onde era insensato que Ele passasse. Deus nos quis bem também quando estávamos errados.

Quem de nós ama dessa maneira, se não quem é pai ou mãe? Uma mãe continua a querer bem seu filho mesmo quando este filho está no cárcere. Eu recordo tantas mães, que faziam fila para entrar na prisão, na minha diocese anterior. E não se envergonhavam. O filho estava na prisão, mas era seu filho. E sofriam tantas humilhações nas pesquisas, antes de entrar, mas: “É o meu filho!”. “Mas, senhora, seu filho é um delinquente!” – “É o meu filho!”. Somente este amor de mãe e de pai nos faz entender como é o amor de Deus. Uma mãe não pede o cancelamento da justiça humana, porque todo erro exige uma redenção, porém uma mãe nunca deixa de sofrer pelo próprio filho. Ama-o mesmo quando é pecador. Deus faz a mesma coisa conosco: somos os seus filhos amados! Mas pode ser que Deus tenha alguns filhos que não ame? Não. Todos somos filhos amados de Deus. Não há maledição alguma sobre nossa vida, mas só uma benévola palavra de Deus, que deu sentido à nossa existência. A verdade de tudo é aquela relação de amor que liga o Pai com o Filho mediante o Espírito Santo, relação em que nós somos acolhidos pela graça. Nele, em Cristo Jesus, nós fomos queridos, amados, desejados. Há Alguém que imprimiu em nós uma beleza primordial, que nenhum pecado, nenhuma escolha errada poderá jamais cancelar completamente. Nós somos sempre, diante dos olhos de Deus, pequenas fontes feitas para jorrar água boa. Disse Jesus à mulher samaritana: “A água que eu [te] darei se tornará em [ti] uma fonte de água que brota para a vida eterna” (Jo 4, 14).

Para mudar o coração de uma pessoa infeliz, qual é o remédio? Qual é o remédio para mudar o coração de uma pessoa que não é feliz? [respondem: o amor] Mais forte! [gritam: o amor] Bravo! Bravo, bravo, todos! E como se faz uma pessoa sentir que alguém a ama? É preciso antes de tudo abraçá-la. Fazê-la sentir que é desejada, que é importante, e não será mais triste. Amor chama amor, de modo muito mais forte de quanto o ódio chama a morte. Jesus não morreu e ressuscitou por si mesmo, mas por nós, para que os nossos pecados sejam perdoados. É, portanto, tempo de ressurreição para todos: tempo de se elevar os pobres do desânimo, sobretudo aqueles que estão no sepulcro de um tempo muito maior do que três dias. Sopra aqui, sobre nossos rostos, um vento de libertação. Germina aqui o dom da esperança. E a esperança é aquela de Deus Pai que nos ama como nós somos: nos ama sempre e todos. Obrigado!


Homilia: Papa exorta fiéis a ser sal e luz no mundo

Na Missa desta terça-feira, 13.junho.2017, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco refletiu sobre a mensagem evangélica “ser sal e luz” do mundo, exortando os fiéis a não buscar seguranças artificiais, mas a confiar na ação do Espírito Santo.

“Em Jesus não há um ‘não’, mas sempre ‘sim’ para a glória do Pai. Mas, também nós participamos deste ‘sim’ de Jesus, porque Ele nos conferiu a unção, nos imprimiu o sigilo, que nos foram antecipados pelo Espírito. É o Espírito que nos levará ao ‘sim’ definitivo, até à nossa plenitude. É o Espírito que nos ajuda a tornar-nos ‘sal e luz’, ou seja, a sermos testemunhas cristãs”.

Nessa lógica, Francisco ressaltou que quem esconde a luz dá um contratestemunho, refugiando-se um pouco no “sim” e um pouco no “não”. São pessoas que possuem a luz, mas não a doam, e não a faz ver e se não a faz ver não glorifica o Pai que está nos céus.

O Papa destacou que Deus confiou à Igreja e a todos os batizados a atitude de segurança e de testemunho: segurança na plenitude das promessas em Cristo; testemunho aos outros. “E isso é ser cristão: iluminar, ajudar para que a mensagem e as pessoas não se corrompam (…) se se esconde a luz o sal torna-se insípido, sem força, enfraquece – o testemunho será fraco. Mas isso ocorre quando eu não aceito a unção, não aceito o sigilo, não aceito a ‘antecipação’ do Espírito que está em mim. E isso ocorre quando eu não aceito o ‘sim’ em Jesus Cristo”.

A proposta cristã, disse Francisco, é simples, mas decisiva e bela e traz esperança. “Eu sou a luz – podemos nos perguntar – para os outros? Eu – disse ainda o Papa – sou sal para os outros? Que dá sabor à vida e a defende da corrupção? Estou agarrado em Jesus Cristo, que é o ‘sim’? Sinto-me ungido, selado? Eu sei que eu tenho essa segurança que será plena no céu, mas pelo menos é ‘antecipação’, agora, o Espírito?”.

O Papa concluiu a homilia convidando os fiéis a pedir essa graça, de ser enraizado na plenitude das promessas em Cristo Jesus e levar essa plenitude com o sal e a luz do testemunho aos outros para dar glória ao Pai que está nos céus.


Experiência da consolação foi o centro da homilia do Papa Francisco nesta segunda-feira

Na Missa desta segunda-feira, 12.junho.2017, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco focou sua homilia na experiência da consolação. Ele frisou que a Primeira Leitura do dia fala oito vezes de consolação, uma ocasião para refletir sobre qual é a consolação à qual São Paulo se refere.

Segundo Francisco, a primeira característica da consolação é não ser “autônoma”.
“A experiência da consolação, que é uma experiência espiritual, precisa sempre da alteridade para ser plena: ninguém pode consolar-se a si mesmo. Ninguém. E quem procura fazê-lo termina olhando-se no espelho. Olha-se no espelho, procura maquiar-se, se aparecer. Consola-se com essas coisas fechadas que não o deixam crescer e o ar que respira é o ar narcisista da autorrefencialidade. Esta é uma consolação maquiada porque é fechada, falta-lhe a alteridade.”

“No Evangelho se encontra muita gente assim”, sublinhou o Papa na homilia. Por exemplo, os doutores da Lei, cheios da própria suficiência, o homem rico que vivia sempre em festas, pensando em se consolar, mas sobretudo o que expressa melhor este comportamento é a oração do fariseu diante do altar. Ele diz: “Eu te agradeço porque não sou como os outros”. Ele se olhava no espelho, disse Francisco, olhava a própria alma maquiada por ideologias e agradecia ao Senhor. Jesus mostra esta possibilidade de ser gente que com este modo de viver “nunca alcançará a plenitude”, mas a vanglória.

Para ser verdadeira, a consolação precisa de uma alteridade, frisou o Papa. Primeiramente, se recebe, pois é Deus quem consola, que dá este dom. Depois, a verdadeira consolação amadurece também outra alteridade, ou seja, a de consolar os outros. Francisco explicou que a consolação é uma passagem do dom recebido ao serviço doado.

“A consolação verdadeira tem dupla alteridade: é dom e serviço. Assim, se eu deixo a consolação do Senhor entrar como dom é porque eu preciso ser consolado. Para ser consolado é necessário reconhecer-se necessitado. Somente assim, o Senhor vem, nos consola e nos dá a missão de consolar os outros. Não é fácil ter o coração aberto para receber o dom e fazer o serviço, duas alteridades que tornam possível a consolação”.

O Papa destacou ainda que é preciso ter um coração aberto e para isso é preciso um coração feliz. O Evangelho de hoje, das Bem-aventuranças, diz quem são os felizes, quem são os beatos. “Os pobres, o coração se abre com uma atitude de pobreza, de pobreza de espírito. Os que sabem chorar, os mansos, a mansidão do coração; os que têm fome de justiça, que lutam pela justiça; os que são misericordiosos, que têm misericórdia pelos outros; os puros de coração; os agentes de paz e os que são perseguidos pela justiça, por amor à justiça. Assim o coração se abre e o Senhor vem com o dom da consolação e a missão de consolar os outros”.

Em vez disso, são fechados os que se sentem “ricos de espírito”, isto é, “suficientes”, “os que não sentem necessidade de chorar porque se sentem justos, os violentos que não sabem o que é a mansidão, os injustos que cometem injustiça, os que não têm misericórdia, que jamais precisam perdoar porque não sentem a necessidade de serem perdoados, “os sujos de coração”, os “agentes de guerras” e não de paz e os que jamais são criticados ou perseguidos porque não se preocupam com as injustiças contra as outras pessoas. Essas pessoas, disse o Papa, têm um coração fechado: não são felizes porque não pode entrar o dom da consolação para, depois, dá-lo aos demais.

Francisco convidou os fiéis a se questionarem como está seus corações, se aberto e capaz de pedir o dom da consolação para depois dá-lo aos outros como um dom do Senhor. Durante o dia, pensar e agradecer ao Senhor que “sempre tenta nos consolar”. “Ele somente nos pede que a porta do nosso coração esteja aberta pelo menos um pouquinho”, concluiu o Papa. “Assim, Ele depois encontra o modo para entrar”.


Na Missa de hoje, na Casa Santa Marta, foco da homilia do Papa foi a hipocrisia

Na Missa desta terça-feira, 6.junho.2017, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre a hipocrisia entre os doutores da Lei. Ele reiterou que a hipocrisia não deve fazer parte da vida do cristão.

“A hipocrisia não era a linguagem de Jesus e tampouco deve ser a dos cristãos. Logo a sua linguagem deve ser verdadeira. Por isso, advertiu os fiéis para as tentações da hipocrisia e da adulação. Um cristão não pode ser hipócrita e um hipócrita não é cristão. O hipócrita é sempre um adulador, quem mais, quem menos”.

Os Doutores da Lei procuravam adular Jesus, explicou o Papa, e por este motivo Jesus os chamava hipócritas. Os hipócritas sempre começam com a adulação e a adulação é não dizer a verdade, é exagerar e aumenta a vaidade.

Assim, Francisco comentou o caso de uma padre, que conheceu há muito tempo, que aceitava todas as adulações que lhe faziam; tais adulações eram a sua fraqueza.
Jesus faz ver a realidade que é o contrário da hipocrisia e da ideologia. A adulação, frisou Francisco, começa com a má intenção.

Era o caso dos Doutores da Lei, que colocavam Jesus à prova, começando com a adulação e, depois, fazendo-lhe a pergunta: “É justo pagar a Cesar”? E o Papa respondeu:
“O hipócrita tem duas caras. Mas, Jesus conhecendo a sua hipocrisia, disse claramente: ‘Por que vocês me colocam à prova? Tragam-me uma moeda, quero vê-la. Assim Jesus responde sempre aos hipócritas e responde concretamente à realidade das ideologias”.
A realidade é assim, bem diferente da hipocrisia ou da ideologia. Eles entregam a moeda a Jesus e Ele lhes responde com sabedoria, partindo da imagem de Cesar na moeda: “Dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

A seguir, Francisco refletiu sobre um terceiro aspecto: a linguagem da hipocrisia é a linguagem do engano; é a mesma linguagem da serpente com Eva. Começa-se com a adulação para depois destruir as pessoas, a ponto de “extirpar a personalidade e a alma de uma pessoa”. Logo, a hipocrisia mata as comunidades. Quando há hipócritas em uma comunidade, ela corre um grande perigo, um perigo terrível.

O Santo Padre convidou os fiéis a seguir os conselhos de Jesus: “Que seu modo de falar seja “sim, sim, “não, não”. O supérfluo pertence ao maligno. Assim, afirmou com amargura, a hipocrisia mata a comunidade cristã e faz tanto mal à Igreja e adverte aqueles cristãos que têm este comportamento pecaminoso, que mata.

“O hipócrita é capaz de matar uma comunidade. Fala com docilidade, mas julga brutalmente as pessoas. O hipócrita é um assassino, pois começa com a adulação. No final, utiliza a mesma linguagem do diabo para destruir as comunidades”.

O Papa concluiu sua homilia convidando os presentes a pedir ao Senhor a graça “de jamais sermos hipócritas, mas que saibamos dizer a verdade. Se não pudermos dizê-la, calemos. O importante é nunca ser hipócritas”.


As obras de misericórdia não são para “descarregar” a consciência, disse Francisco, é preciso compadecer, partilhar e arriscar

As obras de misericórdia não sejam um “dar esmolas” para descarregar a consciência, mas um participar do sofrimento dos outros, mesmo a seu próprio risco e deixando-se incomodar. Esse foi o ensinamento central do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 5.junho.2017, na Casa Santa Marta.

O ponto de partida da homilia foi a primeira leitura, do Livro de Tobias. Os hebreus foram deportados para a Assíria: um homem justo, chamado Tobias, ajuda compatriotas pobres e – com o risco da própria vida – secretamente enterra os hebreus que são mortos impunemente. Tobias fica triste diante do sofrimento dos outros. Daqui a reflexão sobre 14 obras de misericórdia corporais e espirituais. Realizá-las, explicou o Papa, não significa somente compartilhar o que se tem, mas compadecer.

“Isto é, sofrer com quem sofre. Uma obra de misericórdia não é fazer algo para descarregar a consciência: uma boa ação, assim estou mais tranquilo, tiro um peso das costas… Não! É também sofrer a dor dos outros. Compartilhar e compadecer: caminham juntos. É misericordioso aquele que sabe compartilhar e também se compadecer dos problemas de outras pessoas. E aqui a pergunta: “Eu sei compartilhar? Eu sou generoso? Eu sou generosa? Mas também, quando vejo uma pessoa que está sofrendo, que está em dificuldade, também eu sofro? Sei colocar-me nos sapatos dos outros? Na situação de sofrimento?”.

Aos judeus era proibido enterrar seus compatriotas: eles mesmos poderiam ser mortos. Então Tobias corria perigo. Realizar obras de misericórdia – disse o Papa – não significa apenas partilhar e ter compaixão, mas também arriscar.

“Mas, muitas vezes se corre o risco. Pensemos aqui, em Roma. Em plena guerra: quantos se arriscaram, começando por Pio XII, para esconder os hebreus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados. Eles arriscaram a sua pele! Mas era uma obra de misericórdia, salvar a vida daquelas pessoas! Arriscar”.

O Papa enfatizou dois outros aspectos. Quem faz obras de misericórdia pode ser ridicularizado por outros – como aconteceu com Tobias – porque é considerado uma pessoa que faz coisas loucas, em vez de estar tranquilo. E é alguém que se incomoda. “Fazer obras de misericórdia é desconfortável. Mas, eu tenho um amigo, um amigo doente, gostaria de visitá-lo, mas … não tenho vontade … prefiro descansar ou assistir TV … tranquilo…”. Fazer obras de misericórdia é sempre desconfortável. É inconveniente. Mas o Senhor sofreu a inconveniência por nós: foi para a cruz. Para nos dar misericórdia”.

Quem é capaz de fazer uma obra de misericórdia, disse o Papa, é porque sabe que recebeu misericórdia antes; que foi o Senhor a conceder misericórdia a ele. “As obras de misericórdia – concluiu Francisco – são as que tiram você do egoísmo e nos fazem imitar Jesus mais de perto”.



Papa Francisco presidiu a Santa Missa pela Solenidade de Pentecostes neste domingo, na Praça de São Pedro

O Papa Francisco presidiu este domingo, 04.junho.2017, na Praça São Pedro a Santa Missa pela Solenidade de Pentecostes.

Eis sua homilia na íntegra:

“Chega hoje ao seu termo o tempo de Páscoa, desde a Ressurreição de Jesus até ao Pentecostes: cinquenta dias caracterizados de modo especial pela presença do Espírito Santo. De fato, o Dom pascal por excelência é Ele: o Espírito criador, que não cessa de realizar coisas novas. As Leituras de hoje mostram-nos duas novidades: na primeira, o Espírito faz dos discípulos um povo novo; no Evangelho, cria nos discípulos um coração novo.

Um povo novo. No dia de Pentecostes o Espírito desceu do céu em «línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas» (At 2, 3-4). Com estas palavras, é descrita a ação do Espírito: primeiro, pousa sobre cada um e, depois, põe a todos em comunicação. A cada um dá um dom e reúne a todos na unidade. Por outras palavras, o mesmo Espírito cria a diversidade e a unidade e, assim, molda um povo novo, diversificado e unido: a Igreja universal. Em primeiro lugar, com fantasia e imprevisibilidade, cria a diversidade; com efeito, em cada época, faz florescer carismas novos e variados. Depois, o mesmo Espírito realiza a unidade: liga, reúne, recompõe a harmonia. «Com a sua presença e ação, congrega na unidade espíritos que, entre si, são distintos e separados» (CIRILO DE ALEXANDRIA, Comentário ao Evangelho de João, XI, 11). E desta forma temos a unidade verdadeira, a unidade segundo Deus, que não é uniformidade, mas unidade na diferença.

Para se conseguir isso, ajuda-nos o evitar duas tentações frequentes. A primeira é procurar a diversidade sem a unidade. Sucede quando se quer distinguir, quando se formam coligações e partidos, quando se obstina em posições excludentes, quando se fecha nos próprios particularismos, porventura considerando-se os melhores ou aqueles que têm sempre razão. Desta maneira escolhe-se a parte, não o todo, pertencer primeiro a isto ou àquilo e só depois à Igreja; tornam-se «adeptos» em vez de irmãos e irmãs no mesmo Espírito; cristãos «de direita ou de esquerda» antes de o ser de Jesus; inflexíveis guardiães do passado ou vanguardistas do futuro em vez de filhos humildes e agradecidos da Igreja. Assim, temos a diversidade sem a unidade. Por sua vez, a tentação oposta é procurar a unidade sem a diversidade. Mas, deste modo, a unidade torna-se uniformidade, obrigação de fazer tudo juntos e tudo igual, de pensar todos sempre do mesmo modo. Assim, a unidade acaba por ser homologação, e já não há liberdade. Ora, como diz São Paulo, «onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17).

Então a nossa oração ao Espírito Santo é pedir a graça de acolhermos a sua unidade, um olhar que, independentemente das preferências pessoais, abraça e ama a sua Igreja, a nossa Igreja; pedir a graça de nos preocuparmos com a unidade entre todos, de anular as murmurações que semeiam cizânia e as invejas que envenenam, porque ser homens e mulheres de Igreja significa ser homens e mulheres de comunhão; é pedir também um coração que sinta a Igreja como nossa Mãe e nossa casa: a casa acolhedora e aberta, onde se partilha a alegria multiforme do Espírito Santo.

E passemos agora à segunda novidade: um coração novo. Quando Jesus ressuscitado aparece pela primeira vez aos seus, diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20, 22-23). Jesus não condenou os seus, que O abandonaram e renegaram durante a Paixão, mas dá-lhes o Espírito do perdão. O Espírito é o primeiro dom do Ressuscitado, tendo sido dado, antes de mais nada, para perdoar os pecados. Eis o início da Igreja, eis a cola que nos mantém unidos, o cimento que une os tijolos da casa: o perdão. Com efeito, o perdão é o dom elevado à potência infinita, é o amor maior, aquele que mantém unido não obstante tudo, que impede de soçobrar, que reforça e solidifica. O perdão liberta o coração e permite recomeçar: o perdão dá esperança; sem perdão, não se edifica a Igreja.

O Espírito do perdão, que tudo resolve na concórdia, impele-nos a recusar outros caminhos: os caminhos apressados de quem julga, os caminhos sem saída de quem fecha todas as portas, os caminhos de sentido único de quem critica os outros. Ao contrário, o Espírito exorta-nos a percorrer o caminho com duplo sentido do perdão recebido e dado, da misericórdia divina que se faz amor ao próximo, da caridade como «único critério segundo o qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, alterado ou não» (ISAAC DA ESTRELA, Discurso 31). Peçamos a graça de tornar o rosto da nossa Mãe Igreja cada vez mais belo, renovando-nos com o perdão e corrigindo-nos a nós mesmos: só então poderemos corrigir os outros na caridade.

Peçamos ao Espírito Santo, fogo de amor que arde na Igreja e dentro de nós, embora muitas vezes o cubramos com a cinza das nossas culpas: «Espírito de Deus, Senhor que estais no meu coração e no coração da Igreja, Vós que fazeis avançar a Igreja, moldando-a na diversidade, vinde! Precisamos de Vós, como de água, para viver: continuai a descer sobre nós e ensinai-nos a unidade, renovai os nossos corações e ensinai-nos a amar como Vós nos amais, a perdoar como Vós nos perdoais. Amém»”.



A cada manhã, o Papa nos presenteia com uma mensagem em seu Twitter, que é como uma faísca para Jesus incendiar nosso coração:



11/06/2017
A festa da Santíssima Trindade nos convida a sermos fermento de comunhão, de consolação e de misericórdia.
10/06/2017
A vida pode sobreviver somente graças à generosidade de outra vida.
09/06/2017
Cada um de nós, como membro vivo do Corpo de Cristo é chamado a promover a unidade e a paz.
08/06/2017
A humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes.
07/06/2017
A Igreja precisa dos santos de todos os dias, os da vida ordinária, conduzida com coerência.
06/06/2017
Recordemos sempre que a nossa fé é real: o Verbo se fez carne, não se fez ideia!
05/06/2017
Nunca esqueçamos de que o ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos.
04/06/2017
Deixemo-nos guiar com docilidade pelo Espírito Santo para não errar a estrada e não cair no fechamento do coração.
03/06/2017
Vamos promover com coragem todos os meios necessários para proteger a vida de nossas crianças.
02/06/2017
Na escuridão dos conflitos que estamos atravessando, podemos ser velas acesas para recordar que a luz prevalece sobre as trevas.


Aos jovens sacerdotes, Papa fala sobre vocação, vida de oração e partilha

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira, 1º de junho de 2017, na Sala do Consistório, no Vaticano, cerca de cem participantes da plenária da Congregação para o Clero.

O Santo Padre iniciou seu discurso manifestando a alegria de dialogar com eles sobre o ministério ordenado e recordando “a promulgação da nova Ratio Fundamentalis, documento que fala sobre a formação integral, capaz de incluir todos os aspectos da vida; e que indica o caminho para formar o discípulo missionário”. “Uma estrada fascinante e exigente”, sublinhou o Papa.

Refletindo sobre o fascínio do chamado e sobre o compromisso que ele exige, o Papa pensou sobretudo nos “sacerdotes jovens, que vivem a alegria do início do ministério, mas também o peso”.

Responsabilidade

“O coração de um jovem sacerdote vive entre o entusiasmo dos primeiros projetos e a ânsia das fatigas apostólicas, nas quais se imerge com um certo temor, sinal de sabedoria. Ele sente profundamente a alegria e a força da unção recebida, mas sente também gradualmente o peso da responsabilidade, dos vários compromissos pastorais e das expectativas do Povo de Deus.”

O Santo Padre disse ainda que “muitas vezes os jovens são julgados de forma superficial e são etiquetados como geração líquida, sem paixões e ideais”.

“Certamente, existem jovens frágeis, desorientados, fragmentados ou contagiados pela cultura do consumismo e do individualismo. Mas isso não deve nos impedir de reconhecer que os jovens são capazes de apostar firmemente sua vida e de se envolver com generosidade, de voltar o olhar para o futuro e ser um antídoto contra a resignação e a perda de esperança que marca a nossa sociedade; de ser criativos e alegres, corajosos na mudança, magnânimos na dedicação aos outros ou luta por ideais como a solidariedade, a justiça e a paz. Com todos os seus limites, eles são sempre um recurso.”

O Papa disse aos sacerdotes jovens que “Deus olha para eles com a ternura de Pai e não deixa os seus passos vacilar. Aos seus olhos vocês são importantes e Ele sabe que estariam à altura da missão à qual os chamou. Como é importante que os sacerdotes jovens encontrem párocos e bispos que os incentivem nesta perspectiva e não somente os esperem porque é preciso mudar e preencher os lugares vazios!”

“Alegro-me sempre quando encontro sacerdotes jovens, porque neles vejo a juventude da Igreja. Por isso, pensando na nova Ratio, que fala sobre o sacerdote como um discípulo missionário em formação permanente, desejo indicar, sobretudo, aos sacerdotes jovens, alguns comportamentos importantes como: rezar sem cessar, caminhar sempre e partilhar com o coração.”

Rezar sem cessar

“Rezar sem cessar porque podemos ser ‘pescadores de homens’ somente se nós por primeiros reconhecemos ter sido pescadores da ternura do Senhor. A nossa vocação começou quando, abandonada a terra do nosso individualismo e de nossos projetos pessoais, nos encaminhamos para a santa viagem, entregando-nos ao Amor que nos procurou e à Voz que fez vibrar o nosso coração. Assim, como os pescadores da Galileia, deixamos as nossas redes agarramos aquelas que o Mestre nos entregou.”

“Aquilo que aprendemos no tempo do seminário, vivendo a harmonia entre oração, trabalho e descanso, é um recurso precioso para enfrentar as fadigas apostólicas. Todos os dias precisamos parar, colocar-nos à escuta da Palavra de Deus e nos deter diante do Tabernáculo”, disse o Papa.

“A oração, a relação com Deus, o cuidado da vida espiritual dão alma ao ministério, e o ministério dá corpo à vida espiritual: o sacerdote se santifica e santifica os outros no exercício concreto do ministério, especialmente rezando e celebrando os Sacramentos.”

Caminhar sempre

“Caminhar sempre, porque um sacerdote permanece sempre um discípulo, peregrino nas estradas do Evangelho e da vida, olhando para o limiar do mistério de Deus e para a terra sagrada do povo a ele confiado. Portanto, atualizar-se sempre e permanecer abertos às surpresas de Deus”, sublinhou o Papa Francisco.

“Na abertura ao novo, os sacerdotes jovens poder ser criativos na evangelização, frequentando com discernimento os novos lugares da comunicação, onde encontrar rostos, histórias e perguntas das pessoas, desenvolvendo a capacidade de se socializar, se relacionar e anunciar a fé. Da mesma forma, eles podem ‘estar em rede’ com os outros presbíteros e impedir que o caruncho da auto-referência freie a experiência regeneradora da comunhão sacerdotal.”

Partilhar com o coração

Enfim, “partilhar com o coração, porque a vida sacerdotal não é um escritório burocrático ou um conjunto de práticas religiosas ou litúrgicas para atender”.

“Ser sacerdote significa arriscar a vida pelo Senhor e pelos irmãos, carregando na própria carne as alegrias e angústias do povo, dedicando tempo e escuta para curar as feridas dos outros, oferecendo a todos a ternura do Pai”, disse ainda o Santo Padre.

“Os jovens sacerdotes têm a grande oportunidade de viver essa partilha com os jovens e adolescentes. Trata-se de estar no meio deles, não somente como um amigo entre amigos, mas como aquele que sabe partilhar com o coração a sua vida, ouvir e participar concretamente das vicissitudes de suas vidas.”

“Os jovens não precisam de um profissional do sagrado ou de um herói que responda às suas perguntas. Eles são atraídos sobretudo por aqueles que sabem se envolver sinceramente em suas vidas, com respeito e ouvi-los com amor. Para isso, é preciso ter um coração cheio de paixão e compaixão pelos jovens”, concluiu o Papa.


Os mais recentes tweets do Santo Padre:



01/06/2017
Agradeço a Deus pelos pais que procuram viver no amor e vão em frente mesmo se caem muitas vezes ao longo do caminho.
31/05/2017
Aprendamos da fé forte e prestativa de nossa Mãe Maria, para nos tornarmos sinais vivos da misericórdia de Deus.
30/05/2017
A alegria cristã vem do Espírito Santo, que nos dá a verdadeira liberdade e o dom de levar Jesus aos irmãos.


Papa: não transformar a fé em ideologia, anunciar Cristo nas perseguições

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira (1º/06/2017).
 
“A vida do apóstolo Paulo é uma vida sempre em movimento. Difícil imaginar Paulo tomando sol na praia, se repousando. É um homem que sempre estava em movimento”, disse o Pontífice.

O Papa se deteve na leitura do dia dos Atos dos Apóstolos para acentuar “três dimensões desta vida de Paulo em movimento, sempre a caminho”.

São Paulo, uma vida sempre em movimento para anunciar Cristo
A primeira “é a pregação, o anúncio”. “Paulo vai de um lugar para outro anunciar Cristo e quando não prega num lugar, trabalha:
“Mas o que ele mais faz é a pregação: quando é chamado a pregar e a anunciar Jesus Cristo, é uma paixão sua! Não fica sentado diante de uma escrivaninha, não. Ele sempre, sempre está em movimento. Sempre levando adiante o anúncio de Jesus Cristo. Tinha dentro de si um fogo, um zelo, um zelo apostólico que o impelia. Não voltava para trás. Sempre para frente. Esta é uma das dimensões que lhe traz problemas, realmente.”

Com o apoio do Espírito Santo é possível enfrentar as perseguições
A segunda dimensão desta vida de Paulo são “as dificuldades, mais claramente as perseguições”. Na Primeira Leitura de hoje lemos que todos estão unidos em acusá-lo. Paulo deve ser julgado, pois é considerado um perturbador:
“E o Espírito deu a Paulo um pouco de esperteza e ele sabia que não era um, que dentre eles existiam muitas lutas internas. Sabia que os saduceus não acreditavam na Ressurreição e que os fariseus acreditavam. Então, para sair daquele momento, disse em alta voz: ‘Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos.' Quando disse isso armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, pois os saduceus não acreditavam. E eles que pareciam unidos, se dividiram.”
“Eles eram os custódios da lei, os custódios da doutrina do Povo de Deus, os custódios da fé. Porém, acreditavam em coisas diferentes. Essas pessoas tinham perdido a Lei, tinham perdido a doutrina, tinham perdido a fé, pois a transformaram em ideologia”, e fizeram “o mesmo com a doutrina”.

A força de São Paulo é a oração, o encontro com o Senhor
São Paulo, portanto, recordou o Papa, “teve que lutar muito” sobre este assunto. A primeira dimensão da vida de Paulo, continuou Francisco, “é o anúncio, o zelo apostólico: levar Jesus Cristo”. “O segundo é: sofrer as perseguições, as lutas”, Enfim, a terceira dimensão: a oração. “Paulo - disse o Pontífice - tinha essa intimidade com o Senhor”:
“Ele vinha ao seu lado várias vezes. Uma vez ele diz que é levado quase até ao sétimo céu, na oração, e não sabia como dizer as coisas bonitas que tinha ouvido lá. Mas este lutador, este anunciador sem limite de horizonte, sempre mais, tinha aquela dimensão mística do encontro com Jesus. A força de Paulo era este encontro com o Senhor, que ele fazia na oração, como foi o primeiro encontro no caminho para Damasco, quando ele ia para perseguir os cristãos. Paulo é o homem que encontrou o Senhor, e não se esqueçe disso, e se deixa encontrar pelo Senhor e busca o Senhor para encontrá-lo. Homem de oração”.

Estas, afirmou o Papa, “são as três atitudes de Paulo que nos ensina esta passagem: o zelo apostólico para anunciar Jesus Cristo, a resistência - resistir às perseguições - e a oração: encontrar-se com o Senhor e deixar-se encontrar pelo Senhor”. E assim, disse, Paulo ia para frente “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”. “Que o Senhor nos dê a graça - concluiu o Papa - a todos nós batizados, a graça de aprender essas três atitudes na nossa vida cristã: anunciar Jesus Cristo, resistir” às perseguições “e às seduções que nos levam a nos distanciarmos de Jesus Cristo, e a graça do encontro com Jesus Cristo na oração”.


Catequese: O Espírito Santo nos faz abundar na Esperança

QUARTA-FEIRA, 31 DE MAIO DE 2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Na véspera da Solenidade de Pentecostes não podemos não falar sobre a relação que existe entre a esperança cristã e o Espírito Santo. O Espírito é o vento que nos impulsiona para a frente, que nos mantém em caminho, nos faz sentir peregrinos e estrangeiros, e não nos permite parar e nos tornar um povo “sedentário”.

A carta aos Hebreus compara esperança a uma âncora (cf. 6,18-19); e nesta imagem podemos acrescentar a vela. Se a âncora é o que dá a segurança ao barco e mantém “ancorado” no balanço do mar, a vela é o que faz caminhar e avançar sobre as águas. A esperança é realmente como uma vela; ela recolhe o vento do Espírito Santo e o transforma em uma força motriz que impulsiona o barco, conforme a necessidade, para o mar ou para a terra.

O apóstolo Paulo conclui sua Carta aos Romanos com este desejo, ouçam bem, escutem bem que belo desejo: “Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo (15,13). Vamos pensar um pouco sobre o conteúdo desta bela palavra.

A expressão “Deus da esperança” não significa apenas que Deus é o objeto de nossa esperança, Aquele que um dia esperamos alcançar na vida eterna; quer dizer também que Deus é aquele que agora nos faz esperar, mais ainda, nos torna “alegres na esperança” (Rm 12:12): felizes enquanto esperam, e não apenas esperar para ser feliz. É a alegria de esperar e não esperar para ter alegria. “Enquanto há vida, há esperança”, diz um ditado popular; e também é verdade o contrário : enquanto há esperança, há vida. Os homens precisam de esperança para viver e precisam do Espírito Santo para esperar.

São Paulo – nós ouvimos – atribui ao Espírito Santo a capacidade de nos fazer “abundantes na esperança”. Abundar na esperança significa não se desencorajar jamais; significa “esperar contra toda a esperança” (Rm 4,18), ou seja, esperar quando toda a razão humana não tem motivo para esperar, como foi para Abraão quando Deus lhe pediu para sacrificar seu único filho, Isaac, e como foi ainda para a Virgem Maria sob a cruz de Jesus.

O Espírito Santo torna possível esta esperança invencível dando-nos o testemunho interior de que somos filhos de Deus e seus herdeiros (Rm 8,16). Como poderia Aquele que nos deu seu Filho único não nos dar tudo ou mais junto com ele? (Cf. Rom 8,32) “a esperança- irmãos e irmãs – não decepciona: a esperança não nos decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que foi dado a nós” (Rm 5, 5). Por isso, não nos decepciona, porque é o Espírito Santo dentro de nós que nos impulsiona a seguir em frente, sempre! E por isto a esperança não decepciona.

Ainda tem mais: o Espírito Santo não nos torna capazes só de esperar, mas também de ser semeadores de esperança, de sermos também – como Ele e graças a Ele – “paráclitos”, ou seja consoladores e defensores dos irmãos, semeadores de esperança. Um cristão pode semear amargura, pode semear perplexidade, e isso não é cristão, e quem faz isso não é um bom cristão. Semeia esperança: semeia óleo de esperança, semeia perfume de esperança e não vinagre de amargura e desesperança. O Beato Cardeal Newman, em seu discurso, dizia aos fiéis: “Instruídos por nosso próprio sofrimento, pela nossa própria dor, mais ainda , pelos nossos próprios pecados, temos a mente e o coração exercitados com toda obra de amor para aqueles que precisam.

Seremos, na medida de nossa capacidade, consoladores à imagem do Paráclito – isto é,d o Espírito Santo – e em todos os sentidos que esta palavra implica: advogados, assistentes, portadores de conforto. Nossas palavras e os nossos conselhos, a forma como fazemos, a nossa voz, o nosso olhar serão tão gentis e tranquilizantes” (Parochial and Plain Sermons, Vol. V, Londres, 1870, pp. 300s.). E são principalmente os pobres, os excluídos, os não amados que precisam de alguém que se faça por eles “paráclito”, isto é, consolador e defensor, como o Espírito Santo faz com cada um de nós que estamos aqui na praça, consolador e defensor, Nós devemos fazer o mesmo com os mais necessitados, aqueles descartados, os que mais precisam, os que sofrem. Defensores e consoladores !

Os Espírito Santo alimenta a esperança não somente no coração dos homens, mas também em toda a criação. Diz o Apóstolo Paulo – isto parece um pouco estranho, mas é verdade: que a criação “está chegando com grande expectativa para a libertação, geme e sofre, como as dores de parto (Rm 8,20- 22). “A energia capaz de mover o mundo não é uma força anônima e cega, mas é a ação do Espírito de Deus que `pairava sobre as águas` (Gen 1,2) no início da criação” (Bento XVI, Homilia, 31 Maio de 2009). Isso também nos leva a respeitar a criação: você não pode desfigurar um quadro sem ofender o artista que o criou.

Irmãos e irmãs, a próxima festa de Pentecostes – que é o aniversário da Igreja – nos encontre concorde em oração, com Maria, a Mãe de Jesus e nossa. E o dom do Espírito Santo nos faça abundar na esperança. Vos digo mais: nos faça desperdiçar esperança com todos aqueles que são mais necessitados, mais descartados e por todos aqueles que têm necessidade. Obrigado.


Papa: um pastor deve preparar-se para se despedir bem

Cidade o Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou na manhã desta terça-feira a Santa Missa na Capela da Casa Santa Marta. No centro da sua homilia esteve a primeira Leitura tirada dos Atos dos Apóstolos, que se pode intitular - disse Francisco – “A despedida de um bispo”. Paulo se despede da Igreja de Éfeso, que ele havia fundado. “Agora deve ir:

“Todos os pastores devem se despedir. Chega um momento em que o Senhor nos diz: vai para outro lugar, vai para lá, vem para cá, venha a mim. E um dos passos que deve fazer um pastor é também preparar-se para se despedir bem, não se despedir à metade. O pastor que não aprende a se despedir é porque tem alguma ligação não boa com o rebanho, um vínculo que não é purificado pela Cruz de Jesus”.
Paulo, então, chama todos os presbíteros de Éfeso e em uma espécie de “conselho presbiteral” se despede. O Papa destaca “três atitudes” do apóstolo. Primeiro, ele diz que nunca abandonou a luta: “Não é um ato de vaidade”, “porque ele diz que é o pior dos pecadores, sabe disso e diz”, mas simplesmente “conta a história”. E “uma das coisas que dará tanta paz ao pastor quando se despede - explicou o Papa - é recordar-se que nunca foi um pastor de compromissos”, ele sabe “que não guiou a Igreja com compromissos. Ele nunca abandonou a luta. “E é preciso coragem para isso”. Segundo ponto. Paulo diz que ele vai a Jerusalém “compelido pelo Espírito”, não sabe o que vai acontecer lá”. Ele obedece ao Espírito. “O pastor sabe que está em caminho”:
“Enquanto guiava a Igreja era com a atitude de não fazer compromissos; agora, o Espírito pede a ele para se colocar em caminho, sem saber o que vai acontecer. E continua, porque ele não possui nada seu, ele não fez do seu rebanho uma apropriação indevida. Ele serviu. 'Agora Deus quer que eu vá embora? Vou embora sem saber o que vai acontecer comigo. Sei somente - o Espírito tinha feito ele saber - que o Espírito Santo de cidade em cidade me confirma que me esperam correntes e tribulações’. Isso ele sabia. Não vou me aposentar. Vou para outro lugar para servir outras Igrejas. Sempre o coração aberto à voz de Deus: deixo isso, vou ver o que o Senhor me pede. E aquele pastor sem compromissos é agora um pastor em caminho”.
O Papa explica por que não se apropriou do rebanho. Terceiro ponto. Paulo diz: “Eu não considero de nenhum modo preciosa a minha vida”: não é “o centro da história, da história grande ou da história pequena”, não é o centro, é “um servo”. Francisco cita um ditado popular: “Como você vive, você morre; como você vive, você se despede”. E Paulo se despede com uma “liberdade sem compromissos” e em caminho. “Assim se despede um pastor”:
“Com este exemplo tão bonito rezemos pelos pastores, pelos nossos pastores, pelos párocos, pelos bispos, pelo Papa, para que a sua vida seja uma vida sem conluios, uma vida em caminho, e uma vida onde eles não pensem estar no centro da história e assim aprendam a se despedir. Rezemos pelos nossos pastores”.


Papa: aprender a ouvir o Espírito antes de tomar decisões

Cidade do Vaticano (RV) - É preciso deixar-se interpelar pelo Espírito Santo, apender a ouvi-lo antes de tomar decisões. Esta foi a exortação que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis na homilia da Missa desta segunda-feira (29/05/2017) na capela da Casa Santa Marta.

Nesta semana que antecede Pentecostes, afirmou  o Papa, a Igreja pede que rezemos para que o Espírito venha no coração, na paróquia, na comunidade. Francisco inspirou-se na Primeira Leitura, que poderíamos chamar de “Pentecostes de Éfeso". De fato, a comunidade de Éfeso tinha recebido a fé, mas não sabia nem mesmo que existisse o Espírito  Santo. Eram “pessoas boas, de fé”, mas não conheciam este dom do Pai. Depois, Paulo impôs as mãos sobre eles, desceu o Espírito Santo e começaram a falar em línguas.

O Espírito Santo move o coração
O Espírito Santo, de fato, move o coração, como se lê nos Evangelhos, onde tantas pessoas - Nicodemos, a samaritana, a pecadora  - são impulsionados a se aproximar de Jesus justamente pelo Espírito Santo. O Pontífice então convidou a nos questionar qual o lugar que o Espírito Santo tem em nossa vida:

“Eu sou capaz de ouvi-lo? Eu sou capaz de pedir inspiração antes de tomar uma decisão ou dizer uma palavra ou fazer algo? Ou o meu coração está tranquilo, sem emoções, um coração fixo? Certos corações, se nós fizéssemos um eletrocardiograma espiritual, o resultado seria linear, sem emoções. Também nos Evangelhos há essas pessoas, pensemos nos doutores da lei: acreditavam em Deus, todos sabiam os mandamentos, mas o coração estava fechado, parado, não se deixavam inquietar”.

Não à fé ideológica
A exortação central do papa, portanto, é deixar-se inquietar, isto è, interpelar pelo Espírito Santo que faz discernir e não ter uma fé ideológica:

“Deixar-se inquietar pelo Espírito Santo: “Eh, ouvi isso… Mas, padre, isso é sentimentalismo?” - “Pode ser, mas não. Se você for pela estrada justa não é sentimentalismo”. “Senti a vontade de fazer isso, de visitar aquele doente ou mudar de vida ou abandonar isso …”. Sentir e discernir: discernir o que sente o meu coração, porque o Espírito Santo é o mestre do discernimento. Uma pessoa que não tem esses movimentos no coração, que não discerne o que acontece, é uma pessoa que tem uma fé fria, uma fé ideológica. A sua fé é uma ideologia, é isso”.

Interrogar-se sobre a relação com o Espírito Santo
Este era o “drama” daqueles doutores da lei que  eram contrários a Jesus. O Papa exortou a se interrogar sobre a própria relação com o Espírito Santo:

“Peço que me guie pelo caminho que devo escolher na minha vida e também todos os dias? Peço que me dê a graça de distinguir o bom do menos bom? Porque o bem do mal se distingue logo. Mas há aquele mal escondido, que é o menos bom, mas esconde o mal. Peço essa graça? Esta pergunta eu gostaria de semeá-la hoje no coração de vocês.”

Portanto, é preciso se interrogar se temos um coração irrequieto porque movido pelo Espírito Santo ou se fazemos somente “cálculos com a mente” . No Apocalipse, o apóstolo João inicia convidando as “sete Igrejas” – as sete dioceses daquele tempo, disse o Papa Francisco – a ouvir o que o Espírito Santo lhes diz. “Peçamos também nós esta graça de ouvir o que o Espírito diz à nossa Igreja, à nossa comunidade, à nossa paróquia, à nossa família e cada um de nós, a graça de aprender esta linguagem de ouvir o Espírito Santo”.

No seu Twitter, hoje, o Papa Francisco nos convida a lembrar-nos das palavras de Jesus crucificado: – Eis tua Mãe!



29/05/2017
A presença materna de Maria nos recorda que Deus nunca se cansa de inclinar-se com misericórdia sobre a humanidade.


Tweets do Papa Francisco, nos ensinando e rezando conosco ao Pai:



28/05/2017
Exorto todos a uma comunicação construtiva que rejeite os preconceitos para com o outro e transmita esperança e confiança ao nosso tempo.
27/05/2017
Rezemos juntos pelos nossos irmãos coptas egípcios que foram mortos porque não quiseram regenar a fé.


Regina Coeli. A Igreja existe para anunciar o Evangelho - Papa recordou vítimas dos atentados no Egipto e Manchester

Domingo 28 de Maio de 2017. Sol brilhante em Roma. Uma grande multidão reuniu-se na Praça de São Pedro para recitar, ao meio dia, a oração do Regina Coeli com o Santo Padre. Antes porém, Francisco fez uma reflexão sobre o significado cristão deste domingo que, em Itália e vários outros países, é dedicado à Ascensão de Jesus ao Céu, 40 dias depois da Páscoa.

O Papa partiu da página bíblica que encerra o Evangelho de São Mateus para descrever a cena da despedida de Jesus dos seus discípulos.

Tudo se passa na Galileia, onde Jesus os tinha convidado a segui-Lo e a formar o primeiro núcleo da sua nova comunidade. Depois de ter passado através do “fogo” da paixão e da ressurreição, os discípulos ao ver Jesus prostram-se perante Ele, embora alguns tivessem ainda dúvidas - disse o Papa que acrescentou:

“É a essa comunidade temerosa que Jesus deixa a imensa tarefa de evangelizar o mundo; e concretiza este encargo com a ordem de ensinar e batizar em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo” .

A Ascensão de Jesus ao Céu – explicou o Papa – constitui, portanto, o fim da missão que o Filho recebera do Pai e o início da continuação dessa missão pela Igreja. A partir desse momento a missão de Jesus na terra é mediada por aqueles que acreditam n’Ele e O anunciam aos outros. É uma missão que durará até ao fim dos tempos como disse o próprio Jesus.

É uma presença que traz fortaleza, conforto, apoio nas situações em que o anúncio do Evangelho comporta dificuldades. A Ascensão recorda precisamente esta assistência de Jesus e do seu Espírito que dão confiança e segurança ao nosso testemunho cristão no mundo. Rerevela-nos porque é que a Igreja existe:

“A Igreja existe para anunciar o Evangelho! Só para isto. E a alegria da Igreja é anunciar o Evangelho. A Igreja somos todos nós batizados. Hoje somos convidados a compreender melhor que Deus nos deu a grande dignidade e responsabilidade de O anunciar ao mundo, de O tornar acessível à humanidade. Esta é a nossa dignidade, este é a maior honra de cada um de nós, de todos os batizados!”

O Papa convidou a reforçarmos, com os olhos elevados ao Céu nesta festa da Ascensão, os nossos passos na terra para continuar com entusiasmo e coragem o nosso caminho, a nossa missão de dar testemunho e de viver o Evangelho no nosso meio ambiente. Advertiu, porém, a termos a consciência de que tudo isso não depende em primeiro lugar das nossas forças, capacidade organizativa e recursos humanos, mas sim da luz do Espirito Santo…

“Somente com a luz e a força do Espirito Santo é que podemos desempenhar eficazmente a nossa missão de dar a conhecer e fazer experimentar cada vez mais aos outros o amor e a ternura de Deus.”

Francisco concluiu pedindo a Nossa Senhora para nos ajudar a contemplar os bens do Céu, que o Senhor nos promete e a tornarmo-nos testemunhos cada vez mais credíveis da sua Ressureição, da verdadeira Vida.

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Depois da oração do Regina Coeli, o Papa exprimiu a sua proximidade ao “caro irmão Papa Tawadros II e à comunidade copta ortodoxa no Egipto, que há dois dias foi vítima de mais um ato feroz de violência. As vítimas, entre as quais crianças, são fiéis que se dirigiam a um santuário para rezar, e foram mortos depois de se terem recusado a renegar a sua fé cristã. O Senhor acolha na sua paz estes corajosos testemunhos destes mártires, e converta o coração dos terroristas.”

Seguidamente, o Papa convidou a “rezar pelas vítimas do horrível atentado de segunda-feira passada em Manchester, onde tantas jovens vidas foram cruelmente interrompidas” .

Francisco declarou-se próximo dos familiares e de quantos choram o desaparecimento dessas vidas.

A seguir Bergoglio recordou que hoje se celebra o Dia Mundial das Comunicações Sociais, sobre o tema “Não temas porque eu estou contigo”.

“Os meios de comunicação social – prosseguiu – dão a possibilidade de partilhar e difundir instantaneamente a notícia de forma capilar. Essas notícias podem ser belas ou tristes, verdadeiras ou falsas; rezemos para que a comunicação, em todas as formas, seja efetivamente construtiva, ao serviço da verdade, recusando os preconceitos, e difunda a esperança e a confiança no nosso tempo”.

A concluir o Papa saudou diversos grupos da Itália e de outros países, presentes na Praça. De entre eles os Missionários Combonianos que estão a comemorar 150 anos de fundação.

Uma menção especial e um encorajamento foi para os representantes das associações de voluntariado que promovem a doação de órgãos, “um ato nobre e meritório” , disse Francisco.

Depois saudou os trabalhadores da cadeia televisiva Mediaset/Roma, desejando que a sua situação de trabalho se possa resolver, tendo como finalidade o verdadeiro bem da empresa e não limitando-se ao mero lucro, mas respeitando os direitos de todas as pessoas envolvidas.

O Papa concluiu a sua alocução dominical recordando a sua visita ontem a Genova e agradecendo aos genoveses.

"Quero concluir com uma grande saudação aos genoveses e uma grande obrigado pelo caloroso acolhimento que me reservaram ontem. Que o Senhor os abençoe abundantemente e Nossa Senhora da Guarda os proteja"


Papa: missão do cristão: poder de intercessão e anúncio

Cidade do Vaticano, 27.maio.2017 (RV) – O Santo Padre concluiu sua Visita Pastoral a Gênova, presidindo a uma solene concelebração Eucarística, no Largo Kennedy da cidade.

Além dos milhares de fiéis genoveses, participaram da Santa Missa cerca de 40 pessoas excepcionais dos Centros da Obra Don Orione, como também os religiosos, religiosas e voluntários da “constelação de solidariedade” da Congregação Orionita de Gênova.

Em sua homilia aos milhares de fiéis presentes, o Papa citou as palavras de Jesus antes da sua Ascensão ao Céu: “Foi-me dado todo poder no céu e na terra”.

O poder de Jesus e a força de Deus são temas que permeiam as leituras da Liturgia de hoje sobre a Ascensão do Senhor. Mas, no que consistem esta força e este poder? Falando de poder de ligar o Céu e a Terra, o Papa respondeu:

“Quando Jesus subiu ao Pai, a nossa carne humana cruzou o limiar da porta do Céu; a nossa humanidade está em Deus, para sempre. Deus jamais se separará dos homens. Jesus prepara o lugar para cada um de nós no Céu. Eis o poder de Jesus: manter-nos ligados com o Céu”.

Porém, - acrescentou o Papa - este poder de Jesus não acaba com a sua Ascensão ao Céu, mas continua hoje e sempre: “Eu estarei com vocês até o fim do mundo”. Logo, Jesus está conosco e intercede por nós junto do Pai. Eis, então, que a palavra-chave do seu “poder” é “intercessão” por nós. E acrescentou:

“Esta capacidade de interceder, Jesus deu também a nós, à sua Igreja, que tem o poder e o dever de interceder e rezar por todos. Ele é a nossa âncora! Na oração, confiamos o nosso mundo a Deus. Intercessão é caridade, é pedir, bater à porta, buscar e colocar-se em jogo. Logo, interceder, sem cessar, é a nossa primeira responsabilidade de cristãos; é a nossa missão!”.

Além da intercessão, o Papa acrescentou outra palavra-chave do poder de Jesus: o “anúncio”. O Senhor envia seus discípulos a anunciar a sua Mensagem, com o poder do Espírito Santo. Trata-se de um ato de extrema confiança. Ele confia em nós, apesar das nossas faltas e de não sermos perfeitos. Mas, podemos superar uma nossa grande “imperfeição”: o “fechamento”. E explicou:

“O Evangelho não pode ser fechado e sigilado, porque o amor de Deus é dinâmico e deve chegar a todos. Para anunciar é preciso ir com confiança, sair de si mesmos, livres de qualquer tentação de comodismo. Com o Batismo, Jesus conferiu a cada um de nós o poder de anunciar. Eis a identidade do cristão!”.

O cristão - disse ainda Francisco - é um peregrino, um missionário, um maratonista esperançoso, confiante e ativo, criativo e respeitoso, empreendedor e aberto, laborioso e solidário. Com este estilo, como fizeram os discípulos, – frisou – o cristão deve percorrer as estradas do mundo transmitindo a Mensagem de Jesus, com a força límpida e mansa do seu alegre testemunho.

O Papa concluiu sua homilia pedindo ao Senhor a graça de dedicar-nos plenamente à urgente missão, trabalhando concretamente pelo bem comum e pela paz!


Encontro com as crianças no Hospital: assistência generosa e caritativa

Cidade do Vaticano, 27.maio.2017 (RV) – O penúltimo encontro que o Papa manteve em sua Visita Pastoral a Gênova foi com as Crianças das várias repartições do Hospital Pediátrico “Giannina Gaslini” e com o pessoal que se dedica, há mais de 80 anos, à assistência da infância.

Em sua breve saudação, Francisco recordou, inicialmente, a função especial deste conhecido Hospital, fundado pelo Senador Gerolamo Gaslini, em honra da sua filha morta em tenra idade: continuar sendo símbolo de generosidade e solidariedade com base na fé católica.

A seguir, detendo-se no aspecto do sofrimento das crianças, que não é fácil aceitar, o Pontífice disse que “a fé sem a caridade é morta”.

Por fim, Francisco encorajou os presentes a desempenhar esta nobre obra com caridade, como “bons samaritanos”, atentos às necessidades dos pequenos pacientes e das suas fragilidades”.

O Papa Francisco assinou o Livro de honra do Hospital Pediátrico "Giannina Gaslini" e escreveu as seguintes palavras:

“A todos aqueles que trabalham neste hospital, onde a dor encontra ternura, amor e cura, agradeço de coração pelo seu trabalho, sua humanidade e pelo carinho a muitas crianças que, desde pequenas, carregam a cruz. Com admiração e gratidão. Por favor, não se esqueçam de rezar por mim.”


Papa encontra os Jovens em Missão Diocesana: transformação e fraternidade

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco encontrou-se, no final da manhã deste sábado (27/5/2017), no Santuário de Nossa Senhora da Guarda, em Gênova, com os Jovens da Missão Diocesana. O encontro foi acompanhado pela televisão pelos presos do Cárcere da Cidade.

Após ter feito um breve Ato de Consagração a Nossa Senhora e após as palavras de saudação do Cardeal Angelo Bagnasco, quatro jovens, duas moças e dois rapazes, pediram conselhos ao Papa.

Respondendo à representante da Missão Diocesana, que tem como título “A Alegria plena”, Francisco deu algumas sugestões de como ser missionários, sobretudo entre os seus coetâneos que vivem em situações difíceis.

Recordando que a experiência da Missão é seguir o Senhor, dando aos outros respostas concretas que tocam o coração, Francisco disse que a missão deve ser transformadora. E acrescentou:

“Mas há também outro tipo de transformação que muitas vezes não se vê, que é oculta, que nasce na vida de cada um de nós: é a missão; ser missionários nos leva a olhar a nossa realidade com os olhos de Jesus”.

De fato, a experiência missionária – explicou ainda o Papa – abre nossos olhos e nossos corações; não devemos olhar os outros como turistas, com superficialidade. A missão nos aproxima das pessoas, às quais devemos falar com autenticidade e transparência; não devemos ser hipócritas, pois a hipocrisia é um suicídio.

É Jesus que nos envia à missão. Por isso, somos transformados e damos testemunhos da sua Palavra. A missão, além da transformação, também é fraternidade, purificação.

Enfim, respondendo ainda às questões levantadas pelos jovens, o Santo Padre disse que “ser missionários entre os coetâneos é amá-los, olhar em seus olhos, dar-lhes a mão e esperança como se fossem o próprio Jesus.


Papa aos trabalhadores: o trabalho é uma prioridade humana, uma prioridade cristã

Gênova (RV) - O Papa Francisco deixou o Vaticano, na manhã deste sábado (27/5/2017), às 7h30 (2h30 de Brasília), e se dirigiu ao aeroporto romano de Ciampino, de onde partiu para mais uma Visita Pastoral, que o levou a Gênova.

Numa mensagem publicada pelo Secolo XIX, o Pontífice dirige-se assim aos "queridos genoveses": "Venho visitar-vos como peregrino de paz e esperança. Sei que Génova é uma cidade generosa, que não fecha as suas portas, que se compromete em acolher e integrar os que fogem da fome, da pobreza e das guerras. Não posso não pensar que a partir do porto da vossa cidade, no dia 1 de fevereiro de 1929, embarcaram no navio 'Giulio Cesare' os meus avós Giovanni e Rosa, e o meu pai Mario, que na altura tinha 21 anos.

Volto ao lugar donde eles partiram, como filho de migrantes e agradeço-vos pelo acolhimento. Sei que os problemas não faltam. Sei quanto é pesado o desemprego, a falta de emprego que atinge jovens e menos jovens, e condiciona a vida de muitas famílias. Mas também sei que os genoveses não são apenas habitantes de uma cidade à beira-mar e, portanto, habituados a lidar com os barcos e as redes. Eles também são capazes de 'fazer redes' e viver em solidariedade”.

Ao chegar ao aeroporto da cidade de Gênova, Francisco foi recebido por autoridades religiosas, entre as quais o Cardeal Angelo Bagnasco, arcebispo da cidade, e outros representantes políticos e civis de Gênova.

A primeira atividade do Santo Padre, às 8h30, foi o encontro com o mundo do trabalho na Siderúrgica Ilva, a segunda mais importante indústria da Itália, depois de Taranto, no sul do país.

No encontro com os trabalhadores, o Papa respondeu espontaneamente a algumas perguntas que lhe foram dirigidas por um operário, uma desempregada, um empresário e um representante sindical.

Empresário

O Santo Padre fez uma promessa: “O mundo do trabalho é uma prioridade humana. Portanto, é uma prioridade cristã, uma nossa prioridade; e também uma prioridade do Papa.”

O Pontífice ressaltou que “sempre houve uma amizade entre a Igreja e o mundo do trabalho, começando por Jesus trabalhador. Onde há um trabalhador, ali há interesse e o olhar de amor do Senhor e da Igreja”, frisou.

O Papa falou também sobre as virtudes do empresário: “A criatividade, o amor pela própria empresa, a paixão e o orgulho pela obra de suas mãos, de sua inteligência e a dos trabalhadores. O empresário é a peça fundamental de toda boa economia: não há boa economia sem um bom empresário, sem a sua capacidade de criar, criar trabalho e criar produtos.”

Virtudes

“O importante é reconhecer as virtudes dos trabalhadores e das trabalhadoras. Trabalhadores e trabalhadoras devem fazer bem o seu trabalho, porque o trabalho deve ser bem feito. Às vezes se pensa que um trabalhador trabalha porque é bem pago: esta é uma grave falta de estima dos trabalhadores e do trabalho, pois nega a dignidade do trabalho que inicia com o trabalhar bem pela dignidade e pela honra”.

“O empresário verdadeiro conhece os seus trabalhadores, porque trabalha junto com eles, trabalha com eles. Não nos esqueçamos de que o empresário deve ser primeiramente um trabalhador. Se ele não tem esta experiência da dignidade do trabalho, não será um bom empresário. Partilha as fadigas dos trabalhadores e partilha as alegrias do trabalho, de resolver juntos os problemas, de criar algo juntos. Nenhum bom empresário ama demitir a sua gente.”

Para Francisco, “quem pensa de resolver o problema de sua empresa demitindo as pessoas, não é um bom empresário: é um comerciante. Hoje, vende a sua gente, amanhã, vende a sua dignidade”.

Especuladores

Segundo o Papa, “uma doença da economia é a transformação progressiva dos empresários em especuladores. O empresário não deve absolutamente ser confundido com especulador: são dois tipos diferentes. O especulador é uma figura parecida com aquela que Jesus no Evangelho chama de ‘mercenário’, em oposição ao Bom Pastor. O especulador não ama a sua empresa, não ama os trabalhadores, mas vê a empresa e os trabalhadores como meios para obter lucro. Demitir, fechar, mudar a empresa não criam nenhum problema para ele, porque o especulador usa, instrumentaliza, se alimenta de pessoas e meios para alcançar seus objetivos de lucro”.

“Quando a economia é habitada por bons empresários, as empresas são amigas das pessoas e também dos pobres. Quando passa para as mãos de especuladores, tudo se arruína. Com o especulador, a economia perde o rosto e os rostos. É uma economia sem vulto. Uma economia abstrata. Por trás das decisões do especular não há pessoas.”

“Às vezes o sistema político parece incentivar quem especula sobre o trabalho e não quem investe e acredita no trabalho. Por que? Porque cria burocracia e controles, partindo da hipótese de que os atores da economia sejam especuladores, e assim quem não é fica em desvantagem e quem é consegue encontrar os meios para evitar os controles e alcançar os seus objetivos. Sabe-se que os regulamentos e as leis pensadas para os desonestos terminam por penalizar os honestos. Hoje, existem verdadeiros empresários, empresários honestos que amam os seus trabalhadores, que ama a empresa, que trabalha junto com eles para levar adiante a empresa. Esses são os mais prejudicados pelas políticas que favorecem os especuladores, mas os empresários honestos e virtuosos vão adiante, não obstante tudo.”

Democracia

O Papa citou uma frase de Luigi Einaudi, economista e presidente da República Italiana: “Milhares, milhões de indivíduos trabalham, produzem e economizam não obstante tudo o que nós podemos inventar para incomodá-los, fazê-los tropeçar e desencorajar. É a vocação natural que os impulsiona e não apenas a sede de lucro.”

“Tirar o trabalho das pessoas ou explorar as pessoas no trabalho indigno e mal pago é inconstitucional. Se a República Italiana não fosse fundada no trabalho não seria uma democracia”, disse o Papa.

Ainda citando a Constituição italiana, o Papa disse que “o trabalho é amigo do homem e o homem é amigo do trabalho e por isso não é fácil vê-lo como inimigo porque se apresenta como uma pessoa de família até mesmo quando nos fere. Homens e mulheres se nutrem com o trabalho e com o trabalho são ungidos de dignidade. Por esta razão, em torno do trabalho se edifica o pacto social porque quando não se trabalha ou se trabalha pouco, mal, ou muito, é a democracia que entra em crise.”

Dignidade

Respondendo à pergunta de uma desempregada, o Papa disse que “quem perde o trabalho e não consegue encontrar outro trabalho bom sente que perde a dignidade, como perde a dignidade quem é obrigado por necessidade a aceitar trabalhos ruins e errados.   Nem todos os trabalhos são bons, existem trabalhos ruins, como o tráfico de armas, a pornografia, o jogo de azar, mas também o trabalho de quem não respeita os direitos dos trabalhadores, a natureza ou quem não coloca limites aos horários”.

“Nas famílias onde há pessoas desempregadas, nunca é realmente domingo e as festas se tornam às vezes dias de tristeza porque falta o trabalho na segunda-feira. Para celebrar a festa, é necessário celebrar o trabalho. Ao trabalhar nos tornamos mais pessoa, a nossa humanidade floresce, os jovens se tornam adultos somente trabalhando”.

“Um mundo que não conhece mais os valores e o valor do trabalho, não entende mais a Eucaristia, a oração verdadeira e humilde dos trabalhadores e trabalhadoras. Os campos, o mar e as fábricas sempre foram altares de onde se elevaram orações bonitas e puras, que Deus acolheu. Orações ditas por quem sabia e queria rezar, mas também orações feitas com as mãos, com o suor, com a fadiga do trabalho de quem não sabia rezar com a boca. Deus acolheu estas e continua acolhendo estas orações também hoje.”


"Ato de ódio insensato", diz o Papa sobre ataque contra cristãos no Egito

Cidade do Vaticano, 26.maio.2017 (RV) – O Papa Francisco ficou profundamente chocado pelo “bárbaro ataque” contra os coptas egípcios, que provocou mortos e feridos, vítimas de um “ato de ódio insensato”.

O Santo Padre, por meio de um telegrama enviado pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin ao Presidente egípcio Al-Sisi, expressou sua profunda solidariedade a todas as pessoas atingidas por este “violento ultraje”, em modo particular “as crianças que perderam a vida”.

Assegurando sua oração às famílias enlutadas, o Pontífice confirma sua “contínua intercessão pela paz e a reconciliação em todas as nações”.


Papa: "Cristãos olhem para o Céu e anunciem Jesus ao mundo"

Nesta sexta-feira, 26.maio.2017, o Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta e na homilia, afirmou que “as Escrituras nos indicam três pontos de referência no caminho cristão”.

O primeiro é a memória. Jesus ressuscitado diz aos discípulos que o precedam na Galileia: este foi o primeiro encontro com o Senhor. E “cada um de nós tem a sua própria Galileia”, aquele lugar aonde Jesus se manifestou pela primeira vez, o conhecemos e “tivemos a alegria e o entusiasmo de segui-lo”. Para ser um bom cristão, precisamos sempre nos lembrar do primeiro encontro com Jesus ou dos seguintes”. Esta é “a graça da memória”, que “no momento da provação, me dá a certeza”.

O segundo ponto de referência é a oração. Quando Jesus sobe ao Céu, ele não se separa de nós: “fisicamente sim, mas fica sempre ligado, para interceder por nós. Mostra ao Pai as chagas, o preço que pagou por nós e pela nossa salvação”. Assim, “devemos pedir a graça de contemplar o Céu, a graça da oração, a relação com Jesus na oração que neste momento nos ouve, está conosco”:

“Enfim, o terceiro: o mundo. Antes de ir, Jesus diz aos discípulos: ‘Ide mundo afora e façam discípulos’. Ide. O lugar dos cristãos é o mundo no qual anunciar a Palavra de Jesus, para dizer que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar com Ele diante do Pai”.

Esta é – observou Francisco – a “topografia do espírito cristão”, os três lugares de referência de nossa vida: a memória, a oração e a missão; e as três palavras de nosso caminho: Galileia, Céu e Mundo:

“Um cristão deve agir nestas três dimensões e pedir a graça da memória: “Que não me esqueça do momento que me elegeu, que não esqueça do momento em que nos encontramos”, dizendo ao Senhor. Depois, rezar e olhar ao Céu, porque Ele está ali para interceder. Ele intercede por nós. E depois, sair em missão… não quer dizer que todos devem ir ao exterior; ir em missão é viver e dar testemunho do Evangelho; é fazer saber aos outros como é Jesus. Mas fazer isso com o testemunho e com a Palavra, porque se eu falar como Jesus e como a vida cristã, mas viver como um pagão, não adianta. A missão não funciona”.

Se, ao contrário, vivermos na memória, na oração e em missão – concluiu Francisco – a vida cristã será bela e também alegre:

“E esta é a última frase que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “Naquele dia, no dia em que viverem a vida cristã assim, vocês saberão tudo e ninguém poderá lhes tirar a alegria”. Ninguém, porque terei a memória do encontro com Jesus e a certeza que Jesus está no Céu e intercede por mim, está comigo, eu rezo e tenho a coragem de dizer, de sair de mim, dizer aos outros e dar testemunho com a minha vida que o Senhor ressuscitou, está vivo. Memória, oração e missão. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta topografia da vida cristã e seguir adiante com alegria, aquela alegria que ninguém pode nos tirar”.
Radio Vaticano



Na audiência geral o Papa indicou a missão da Igreja no encontro de Emaús - O caminho cenário evangélico

Audiência Geral, 24.maio.2017



Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Hoje gostaria de me deter sobre a experiência dos dois discípulos de Emaús, dos quais fala o Evangelho de Lucas (cfr. 24,13-35). Imaginemos a cena: dois homens caminham decepcionados, tristes, convencidos a deixar pra traz a amargura de uma situação que não acabou bem.

Antes daquela Páscoa eram cheios de entusiasmo: convencidos de que aqueles dias seriam decisivos para aquilo que aguardavam e para a esperança de todo o povo. Jesus, a quem tinham confiado a sua vida, parecia ter chegado a batalha decisiva: agora teria mostrado a sua potência, após um longo período de preparação e escondimento. Era isso o que eles esperavam. E não foi assim.

Os dois peregrinos cultivavam uma esperança somente humana, que agora estava em pedaços. Aquela cruz erguida no Calvário era o sinal mais eloquente de um fracasso que não poderiam prever. Se verdadeiramente aquele Jesus era segundo o coração de Deus, deveriam concluir que Deus era inerme, indefeso nas mãos dos violentos, incapaz de opor resistência ao mal.

Assim, naquela manhã de domingo, estes dois foram à Jerusalém. Nos olhos têm ainda os acontecimentos da paixão, a morte de Jesus; e no ânimo o penoso angustiar-se sobre aqueles acontecimentos, durante o forçado repouso de sábado. Aquela festa de Páscoa, que deveria entoar o canto da libertação, ao invés de disso transformou-se no dia mais doloroso da vida deles.

Deixam Jerusalém para ir para outro lugar, um vilarejo tranquilo. Têm o aspecto de pessoas que querem remover uma recordação que queima. Estão, portanto, na estrada, e caminham tristes. Este cenário – a estrada – já era importante na narração evangélica; agora se tornará sempre mais importante, do momento em que se começa a contar a história da Igreja.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece simplesmente coincidência: se assemelha a tantos encontros que acontecem na vida. Os dois discípulos caminham pensativos e um desconhecido os alcança. É Jesus; mas os olhos deles não são capazes de reconhecê-Lo. Então Jesus começa a sua “terapia da esperança”. O que acontece nessa estrada é uma terapia da esperança. Quem a faz? Jesus.

Antes de tudo, pergunta e escuta: o nosso Deus não é um Deus invasivo. Mesmo se já conhece o motivo da desilusão daqueles dois, deixa a eles o tempo para poder medir a profundidade da própria amargura. Então surge uma confissão que é um “refrão” da existência humana: “Nós esperávamos, mas… Nós esperávamos, mas…” (v. 21). Quanta tristeza, quanta derrota, quantos fracassos existem na vida de cada pessoa ! No fundo somos todos um pouco como aqueles dois discípulos.

Quantas vezes na vida esperamos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade, e depois nos vemos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas que perderam a confiança que caminham com a cabeça baixa. E caminhando com eles, de modo discreto, consegue fazer retornar a esperança.

Jesus fala a eles, antes de tudo, através das Escrituras. Quem toma nas mãos o livro de Deus não encontrará histórias de heroísmo fácil, grandes campanhas de conquista. A verdadeira esperança não é nunca a pouco preço: passa sempre através das derrotas. A esperança de quem não sofre, talvez não seja nem mesmo esperança. A Deus não agrada ser amado como se amaria um condutor que leva a vitória o seu povo destruindo no sangue os seus adversários. O nosso Deus é uma luz discreta que arde no dia de frio e de vento, e mesmo que pareça frágil a sua presença neste mundo, Ele escolheu o lugar que todos desdenhamos.

Depois Jesus repete aos dois discípulos o gesto central de cada Eucaristia: toma o pão, o abençoa, o parte e o dá. Nesta série de gestos, não está contida toda a história de Jesus? E não há, em cada Eucaristia, também um sinal de que coisa deve ser a Igreja? Jesus nos toma, nos abençoa, “parte” a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e oferece aos outros, a oferece a todos.

É um encontro rápido o de Jesus com os dois discípulos de Emaús. Mas nisso está todo o destino da Igreja. Nos diz que a comunidade cristã não está fechada em uma cidadela fortificada, mas caminha em seu ambiente mais vital, vale dizer, a estrada. E ali encontra as pessoas, com as suas esperanças e suas desilusões, as vezes muito pesadas. A Igreja escuta a história de todos, como emergem do baú da consciência pessoal; para depois oferecer a Palavra de Vida, o testemunho do amor, amor fiel até o fim. E então, o coração das pessoas volta a arder de esperança.

Todos nós, na nossa vida, tivemos momentos difíceis, escuros; momentos nos quais caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, somente com uma parede diante. E Jesus está sempre ao nosso lado para nos dar a esperança, para aquecer o coração e dizer: Vá em frente, eu estou contigo. Vá em frente”.

O segredo da estrada que conduz a Emaús está todo aqui: mesmo diante das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados, e Deus nunca deixará de nos amar. Deus caminhará sempre conosco, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, também nos momentos mais feios, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança. Caminhamos adiante com esta esperança ! Porque Ele está conosco e caminha conosco, sempre!




Papa: converter-se é passar da vida morna ao anúncio de Jesus

Muitas pessoas consagradas foram perseguidas por terem denunciado atitudes de mundanidade: o espírito mau prefere uma Igreja sem risco e morna. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta, nesta terça-feira, 23.
maio.2017.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o capítulo 16 dos Atos dos Apóstolos, que narra Paulo e Silas em Filipos. Uma escrava que tinha um espírito de adivinhação começou a segui-los e, gritando, os indicou como “servos de Deus”. Era um louvor, mas Paulo, sabendo que esta mulher estava possuída por um espírito maligno, um dia o expulsou. Paulo – notou o Papa – entendeu que “aquele não era o caminho da conversão daquela cidade, porque tudo permanecia tranquilo”. Todos aceitavam a doutrina, mas não havia conversões.

Muitos consagrados perseguidos por terem dito a verdade

Isto se repete na história da salvação: quando o povo de Deus estava tranquilo, não arriscava ou servia – não “digo aos ídolos” – mas “à mundanidade”, explica Francisco. Então o Senhor enviava os profetas que eram perseguidos “porque incomodavam”, como ocorreu com Paulo: ele entendeu o engano e mandou embora esse espírito que, apesar de dizer a verdade – isto é, que ele e Silas eram homens de Deus – no entanto, era “um espírito de torpor, que tornava a igreja morna”. “Na Igreja – afirma – quando alguém denuncia tantos modos de mundanidade é encarado com olhos tortos, não deve ser assim, melhor que se distancie”:

“Eu lembro na minha terra, tantos, tantos homens e mulheres, consagrados bons, não ideólogos, mas que diziam: ‘Não, a Igreja de Jesus…’ – ‘Ele é comunista, fora!’, e os expulsavam, os perseguiam. Pensemos no beato Romero, não?, o que aconteceu por dizer a verdade. E muitos, muitos na história da Igreja, também aqui na Europa. Por quê? Porque o espírito maligno prefere uma Igreja tranquila sem riscos, uma Igreja dos negócios, uma Igreja cômoda, na comodidade do torpor, morna”.

No capítulo 16, se fala ainda dos patrões dessa escrava, que ficaram bravos com ela porque não podiam mais ganhar dinheiro às suas custas por ter perdido o poder de adivinhação. O Papa destacou que “o espírito maligno sempre entra pelo bolso”. “Quando a Igreja está morna, tranquila, toda organizada, não existem problemas, mas olhem onde há negócios”, afirmou Francisco.

Mas além do dinheiro, há outra palavra ressaltado pelo Pontífice, que é a “alegria”. Paulo e Silas são arrastados pelos patrões da escrava diante dos juízes, que ordenaram que fossem açoitados e levados à prisão. O carcereiro os leva para a parte mais escondida da prisão. Paulo e Silas cantavam. Por volta da meia-noite, há um forte tremor de terremoto e todas as portas da prisão se abrem. O carcereiro está para se matar antes que fosse assassinado por ter deixado os prisioneiros escaparem, mas Paulo o exorta a não se machucar, porque – disse – “estamos todos aqui”. Então o carcereiro pede explicações e se converte. Lava as feridas deles, é batizado e fica cheio de alegria”:

“E este é o caminho da nossa conversão diária: passar de um estado de vida mundano, tranquilo, sem riscos, católico, sim, sim, mas assim, morno, a um estado de vida de verdadeiro anúncio de Jesus Cristo, à alegria do anúncio de Cristo. Passar de uma religiosidade que olha demasiado para os lucros para uma religiosidade de fé e de proclamação: ‘Jesus é o Senhor’”.

Este é o milagre que o Espírito Santo faz. O Papa exortou então a ler o capítulo 16 dos Atos para ver como o Senhor “com os seus mártires” leva a Igreja para frente:

“Uma Igreja sem mártires não dá nenhuma confiança; uma Igreja que não se arrisca provoca desconfiança; uma Igreja que tem medo de anunciar Jesus Cristo e afugentar os demônios, os ídolos, o outro senhor, que é o dinheiro, não é a Igreja de Jesus. Na oração pedimos a graça e também agradecemos o Senhor pela renovada juventude que nos dá com Jesus e pedimos a graça que ele mantenha esta renovada juventude. Esta Igreja de Filipos foi renovada e tornou-se uma Igreja jovem. Que todos nós tenhamos isso: uma renovada juventude, uma conversão do modo de viver morno ao anúncio alegre que Jesus é o Senhor”.
Radio Vaticano

Papa: abrir o coração ao Espírito Santo para testemunhar Jesus

Somente o Espírito Santo nos ensina a dizer: “Jesus é o Senhor”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa na manhã desta segunda-feira, 22.maio.2017, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que devemos abrir o coração para ouvir o Espírito Santo e, assim, poder testemunhar Jesus Cristo.

Francisco desenvolveu sua homilia a partir do longo discurso de Jesus aos seus discípulos na Última Ceia. O Papa falou de modo especial sobre o Paráclito, o Espírito Santo, que – observou – nos acompanha e “nos dá a segurança de sermos salvos por Jesus”. O Espírito Santo é o Defensor enviado por Jesus para nos defender diante do Pai.

O Espírito Santo, companheiro de caminhada da Igreja

Francisco recordou que é o Espírito Santo que nos ensina a dizer: ‘Jesus é o Senhor”:

“Sem o Espírito, nenhum de nós é capaz de dizer, ouvir e viver Jesus. Em outras partes deste longo discurso, Jesus diz do Espírito: ‘Ele os conduzirá à plena Verdade’, nos acompanhará rumo à plena Verdade. ‘Ele lhes fará lembrar de todas as coisas que eu disse; lhes ensinará tudo’. Isto é, o Espírito Santo é o companheiro de caminhada de todo cristão, é o também o companheiro de caminhada da Igreja. E este é o dom que Jesus nos dá”.

Abrir o coração ao Espírito Santo para que possa entrar

O Espírito Santo, disse, é “um dom: o grande dom de Jesus”, “aquele que não nos deixa errar”. Mas onde mora o Espírito?, perguntou o Papa. Na Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, encontramos a figura de Lídia, “comerciante de púrpura”, alguém que “sabia fazer as coisas”, a quem “o Senhor abriu o coração para aderir à Palavra de Deus”:

“O Senhor abriu o seu coração para que o Espírito Santo entrasse e ela se tornasse discípula. É justamente no coração que levamos o Espírito Santo. A Igreja o chama como ‘o doce hóspede do coração’: está aqui. Mas num coração fechado ele não pode entrar. ‘Ah, então onde se compram as chaves para abrir o coração?’. Não: também este é um dom. É um dom de Deus. ‘Senhor, abra-me o coração para que entre o Espírito e me faça entender que Jesus é o Senhor’”.

O Papa reiterou que esta é uma oração que devemos fazer nesses dias: “Senhor, abra-me o coração para que eu possa entender aquilo que Tu nos ensinaste. Para que eu possa recordar as Tuas palavras. Para que eu chegue à plena verdade”.

Abrir realmente o coração

Portanto, coração aberto “para que o Espírito entre, e nós, ouvir o Espírito”. Dessas duas Leituras é possível fazer duas perguntas:

“Primeira: eu peço ao Senhor a graça de ter um coração aberto? Segunda pergunta: eu busco ouvir o Espírito Santo, as suas inspirações, as coisas que Ele diz ao meu coração para que eu prossiga na vida cristã, e possa testemunhar também eu que Jesus é o Senhor? Pensem nessas duas coisas hoje: o meu coração está aberto e eu faço o esforço de ouvir o que o Espírito de me diz. E assim iremos avante na vida cristã e daremos também nós testemunho de Jesus Cristo.”
Radio Vaticano

Papa: o Evangelho une e a ideologia divide


A graça da conversão “à unidade da Igreja, ao Espírito Santo e à verdadeira doutrina”. Esta foi a oração do Papa na homilia da missa celebrada na manhã desta sexta-feira, 19.maio.2017, na Casa Santa Marta.

Francisco comentou a Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, e observou que também na primeira comunidade cristã “havia ciúmes, lutas de poder, algum espertinho que – explicou – queria ganhar e comprar o poder”. Portanto, “sempre houve problemas”: “somos humanos, somos pecadores” e as dificuldades existem, inclusive na Igreja, mas ser pecadores nos leva à humildade e a nos aproximar do Senhor, “como salvador dos nossos pecados”. A propósito dos pagãos que o Espírito Santo convida à conversão, o Pontífice recordou que, no trecho, os apóstolos e os anciãos escolhem alguns deles para ir até Antioquia com Paulo e Barnabé. Os grupos descritos são dois:

“O grupo dos apóstolos que quer discutir o problema e os outros que criam problemas, dividem, dividem a Igreja, dizem que aquilo que os apóstolos pregam não é o que disse Jesus, que não é a verdade”.

Os apóstolos discutem entre si e, no final, entram num acordo:

“Mas não é um acordo politico, é a inspiração do Espírito Santo que os leva a dizer: nada de coisas, nada de exigências. Mas só o que dizem: não comer carne naquele período, a carne sacrificada aos ídolos porque era fazer comunhão com os ídolos, abster-se do sangue, dos animais sufocados e das uniões ilegítimas”.

O Papa destacou a “liberdade do Espírito” que leva ao “acordo”: assim, diz, os pagãos podem entrar na Igreja. Tratou-se, no fundo, de um “primeiro Concílio” da Igreja – “o Espírito Santo e eles, o Papa com os bispos, todos juntos” – reunidos “para esclarecer a doutrina” e seguido, no decorrer dos séculos, por exemplo pelo de Éfeso e do Vaticano II, porque “é um dever da Igreja esclarecer a doutrina” para “se entender bem o que Jesus disse nos Evangelhos, qual é o Espírito dos Evangelhos”.

“Mas sempre existiram essas pessoas que, sem qualquer autoridade, turbam a comunidade cristã com discursos que transtornam as almas: “Eh, não. Isso que foi dito é herético, não se pode dizer, isso não, a doutrina da Igreja é esta…”. E são fanáticos por coisas que não são claras, como esses fanáticos que semeavam intrigas para dividir a comunidade cristã. E este é o problema: quando a doutrina da Igreja, a que vem do Evangelho, que o Espírito Santo inspira, esta doutrina se torna ideologia. E este é o grande erro dessas pessoas”.

Esses indivíduos – explicou – “não eram fiéis, eram ideologizados”, tinham uma ideologia “que fechava o coração para a obra do Espírito Santo”. Ao invés, os apóstolos certamente discutiram de maneira enérgica, mas não eram ideologizados: “tinham o coração aberto ao que o Espírito dizia.

A exortação final do Papa foi para não se deixar intimidar diante das “opiniões dos ideólogos da doutrina”. A Igreja, concluiu Francisco, tem “o seu próprio magistério, o magistério do Papa, dos bispos, dos concílios”, e devemos caminhar nesta estrada “que vem da pregação de Jesus e do ensinamento e da assistência do Espirito Santo”, que está “sempre aberta, sempre livre”, porque a doutrina une, os concílios unem a comunidade cristã”, enquanto “a ideologia divide”.
Radio Vaticano

Papa: o amor de Jesus é sem medida, não seguir os “amores” mundanos

“Assim como o Pai me amou, também eu vos amei”: o Pontífice desenvolveu sua homilia de 18.maio.2017 partindo da afirmação de Jesus, que destaca como o seu amor seja infinito. O Senhor, observou ainda, nos pede que permaneçamos no Seu amor “porque é o amor do Pai” e nos convida a observar os Seus mandamentos. Para Francisco, “certamente os Dez Mandamentos são a base, o fundamento, mas é preciso seguir todas as coisas que Jesus nos ensinou, os mandamentos da vida cotidiana”, que representam “um modo de viver cristão”.

Uma coisa é querer bem, outra é amar

A lista dos mandamentos de Jesus é muito ampla, afirmou Francisco, mas “o cerne é um: o amor do Pai por Ele o amor Dele por nós”:

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder… São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar.”

O amor de Deus é sem medida

“Amar – destacou – é mais do que querer bem”. Qual é, portanto, “a medida do amor”, se pergunta Francisco: “A medida do amor é amar sem medida”:

“E assim, realizando esses mandamentos que Jesus nos deixou, permaneceremos no Seu amor, que é o amor do Pai, é o mesmo. Sem medida. Sem este amor morno ou interesseiro. ‘Mas porque, Senhor, nos lembra dessas coisas?’, podemos perguntar. ‘Para que a minha alegria esteja em vocês e esta alegria seja plena’. Se o amor do Pai vai até Jesus, Jesus nos ensina o caminho do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores”.

A missão do cristão é obedecer a Deus e doar alegria às pessoas

“O grande amor por Ele – acrescentou o Papa – é permanecer neste amo e se há alegria”; “o amor e a alegria são um dom”. Dons que devemos pedir ao Senhor:

“Pouco tempo atrás, um sacerdote foi nomeado bispo. Foi visitar seu pai, já idoso, para dar-lhe a notícia. Este homem idoso, aposentado, homem humilde, um operário durante toda a vida, não tinha frequentado a universidade, mas tinha a sabedoria da vida. Deu somente dois conselhos para o filho: ‘Obedeça e dê alegria às pessoas’. Este homem tinha entendido isso: obedeça ao amor do Pai, sem outros amores, obedeça a este dom e, depois, dê alegria às pessoas. E nós, cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados, bispos, devemos dar alegria às pessoas. Mas por que? Por isso, pelo caminho do amor, sem qualquer interesse, somente pelo caminho do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas.”

O Papa concluiu: “Que o Senhor proteja, como pedimos nas orações, este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas”.
Radio Vaticano


Como Maria, o Papa também orienta seus filhos, seus tweets são lições de vida:



26/05/2017
O futuro das nossas sociedades exige de todos nós, especialmente das instituições, uma atenção concreta à vida.
25/05/2017
Na Ascensão de Jesus à glória do Céu, participamos na plenitude de vida junto de Deus. Levemos isso já hoje no coração pelas ruas do mundo.
24/05/2017
Rezamos com os católicos na China, vamos confiar-nos a Maria, para ter a graça de suportar com paciência e vencer as dificuldades com amor.
23/05/2017
É no diálogo que se pode projetar um futuro compartilhado. É através do diálogo que construímos a paz, cuidando de todos.
22/05/2017
Somos chamados a viver não uns sem os outros, sobre ou contra os outros, mas uns com os outros, para os outros e nos outros.
21/05/2017
Maria nos ensina a esperar em Deus mesmo quando tudo parece sem sentido, mesmo quando Ele parece estar escondido.
20/05/2017
A paz deve ser construída sobre a justiça, o desenvolvimento integral, o respeito pelos direitos humanos, a proteção da criação.
19/05/2017
Procuremos manter sempre elevado o "tom" de nossas vidas, recordando para qual imenso prêmio existimos, trabalhamos, lutamos, sofremos.
18/05/2017
Deus faz crescer as suas flores mais belas em meio às pedras mais áridas.
17/05/2017
A nossa esperança é o Senhor Jesus, que reconhecemos vivo e presente em nós e nos nossos irmãos.


Audiência: Deus é um sonhador, porque sonha a transformação do mundo

Cidade do Vaticano (RV) - Maria Madalena, apóstola da esperança: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral de quarta-feira (17/05/2017).

Aos cerca de 20 mil fiéis presentes na Praça S. Pedro, entre os quais brasileiros da Bahia, de Fortaleza e Brasília, o Pontífice deu prosseguimento ao ciclo sobre a esperança no contexto do mistério pascal, falando daquela que, por primeiro, viu Jesus ressuscitado.

Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Nestas semanas a nossa reflexão se move, por assim dizer, na órbita do mistério pascal. Hoje encontramos alguém que, de acordo com os Evangelhos, foi a primeira pessoa a ver Jesus ressuscitado: Maria Madalena. Havia terminado o descanso de sábado. No dia da paixão não tinha havido tempo para completar os ritos funerários; por isso, naquele amanhecer cheio de tristeza, as mulheres vão ao sepulcro de Jesus com unguentos perfumados. A primeira a chegar é ela: Maria Madalena, uma das discípulos que tinham acompanhado Jesus desde a Galileia, mantendo-se a serviço da Igreja nascente. Em seu caminho para o túmulo se reflete a lealdade de muitas mulheres que dedicam anos indo ao cemitério, em memória de alguém que não está mais entre nós. Os laços mais autênticos não são quebrados até mesmo por morte: há aqueles que continuam a amar, mesmo se o se a pessoa amada se foi para sempre.

O Evangelho (cf. Jo 20,1-2.11-18) descreve Maria Madalena colocando logo em evidência que ela não era uma mulher entusiasmo fácil. De fato, após a primeira visita ao túmulo, ela volta decepcionada para lugar onde os discípulos estavam escondidos; relatos de que a pedra foi movida da entrada do sepulcro, e sua primeira opção é a mais simples que pode ser formulada: alguém deve ter roubado o corpo de Jesus. Assim, o primeiro anúncio que Maria traz não é o da ressurreição, mas de um roubo de autores desconhecidos, enquanto toda Jerusalém estava dormindo.

Em seguida, os Evangelhos falam de uma segunda viagem da Madalena ao túmulo de Jesus. Ela era teimosa! Ela foi, ela voltou … porque não estava convencida! Desta vez, o seu passo é lento, muito pesado. Maria sofre duplamente: em primeiro lugar pela morte de Jesus, e depois pelo desaparecimento inexplicável de seu corpo.

É enquanto ela está inclinada perto da sepultura, com os olhos cheios de lágrimas, que Deus a surpreende da maneira mais inesperada. O evangelista João enfatiza como era persistente sua cegueira: não nota a presença de dois anjos que a interrogam, e nem mesmo desconfiado ao ver o homem atrás dela, quem ela acredita ser um jardineiro. Mas descobre o acontecimento mais marcante da história humana quando finalmente é chamada pelo seu nome: “Maria” (V. 16).

Como é belo pensar que a primeira aparição de Cristo ressuscitado – de acordo com os Evangelhos – tenha ocorrido de forma tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e decepção, e que se comove por nós, e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Ao redor de Jesus, existem muitas pessoas que buscam a Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há em primeiro lugar Deus que se preocupa com nossas vida, que a quer levantar, e para fazer isso nos chama pelo nome, reconhecendo o rosto pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra.

Cada um de nós é uma história de amor de Deus. Cada um de nós é chamado, por Deus, pelo próprio nome: nos conhece pelo nome, nos olha, nos espera, nos perdoa, é paciente conosco. É verdade ou não é verdade? Cada um de nós faz esta experiência.

E Jesus a chama: “Maria!”, a revolução de sua vida, a revolução destinada a transformar a existência de cada homem e mulher, começa com um nome que ecoa no jardim do sepulcro vazio. Os Evangelhos nos descrevem a felicidade de Maria: a ressurreição de Jesus não é umaalegria dada com conta-gotas, mas uma cascata que afeta toda a vida.

A vida cristã não é tecida com a felicidade suave, mas de ondas que transformam tudo. Tentem pensar também vocês neste instante, com a bagagem de decepção e derrota que cada um de nós carrega em seu coração, que há um Deus próximo de nós, que nos chama pelo nome e nos diz: “Levanta-te, pare de chorar, porque Eu vim para libertá-lo “. E isso é belo.

Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdure a morte, tristeza, ódio, a destruição moral de pessoas … Nosso Deus não é inerte, mas o nosso Deus – permito-me a palavra – é um sonhador: sonha a transformação do mundo e realizou no mistério da Ressurreição.

Maria gostaria de abraçar o seu Senhor, mas Ele está agora orientado ao Pai celeste, enquanto ela é enviada a levar o anúncio aos irmãos. E assim a mulher, que antes de conhecer Jesus estava em poder do maligno (cf. Lc 8,2), agora se tornou uma apóstola da nova e maior esperança.

A sua intercessão nos ajude também a viver esta experiência: na hora do pranto, na hora do abandono, ouvir Jesus ressuscitado que nos chama pelo nome, e com o coração cheio de alegria ir e anunciar: “Eu vi o Senhor “(v. 18). Eu mudei de vida porque eu vi o Senhor! Agora sou diferente, sou uma outra pessoa. Eu mudei porque eu vi o Senhor. Esta é a nossa força e esta é a nossa esperança. Obrigado.


Papa: a paz de Deus não se pode comprar, sem Cruz não é verdadeira paz

Cidade do Vaticano (RV) - A verdadeira paz não podemos fabricá-la nós mesmos. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa da manhã de terça-feira (16.05.2017), na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que “uma paz sem Cruz não é a paz de Jesus” e lembrou que só o Senhor pode nos dar a paz no meio das tribulações.

“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”. Francisco desenvolveu a sua homilia, partindo das palavras de Jesus aos seus discípulos na Última Ceia. O Papa se deteve em seguida sobre o significado da paz dada pelo Senhor. A passagem dos Atos dos Apóstolos da Primeira Leitura de hoje, - destacou o Papa -, fala das muitas tribulações sofridas por Paulo e Barnabé em suas viagens para proclamar o Evangelho. “Esta é a paz que Jesus dá?”, pergunta-se o Papa. E em seguida observou que a paz que Ele dá não é aquela que o mundo dá.

O mundo quer uma paz anestesiada para não nos fazer ver a Cruz

“A paz que nos dá o mundo – comentou - é uma paz sem tribulações; oferece-nos uma paz artificial” uma paz que se reduz à “tranquilidade”. É uma paz, - disse ainda -, “que somente olha para seus próprios interesses, suas próprias certezas, que não falte nada”, um pouco como era a paz do homem rico. Uma tranquilidade que nos torna “fechados”, que não se vê “além”:

“O mundo nos ensina o caminho da paz com a anestesia: nos anestesia para não ver outra realidade da vida: a Cruz. Por isso Paulo diz que se deve entrar no Reino dos céus através do caminho com tantas tribulações. Mas se pode ter paz na tribulação? De nossa parte, não: nós não somos capazes de fazer uma paz de tranquilidade, uma paz psicológica, uma paz feita por nós porque há tribulações: há quem tenha uma dor, uma doença, uma morte ... existem. A paz que Jesus dá é um presente: é um dom do Espírito Santo. E esta paz está no meio das tribulações e segue em frente. Não é uma espécie de estoicismo, o que faz o faquir: não. É outra coisa”.

A paz de Deus não se pode comprar, sem Cruz não é verdadeira paz

A paz de Deus, - retomou o Papa - é “um dom que nos faz seguir em frente”. Jesus, depois de ter dado a paz aos discípulos, sofre no Jardim das Oliveiras e ali “oferece tudo à vontade do Pai e sofre, mas não falta o consolo de Deus”. O Evangelho, de fato, narra que “lhe apareceu um anjo do céu para consolá-lo”.

“A paz de Deus é uma paz real, que está na realidade da vida, que não nega a vida: a vida é assim. Há sofrimento, há os doentes, há tantas coisas ruins, há guerras... mas a paz de dentro, que é um dom, não se perde, mas se vai em frente carregando a Cruz e o sofrimento. Uma paz sem Cruz não é a paz de Jesus: é uma paz que se pode comprar. Podemos fabricá-la nós mesmos. Mas não é duradoura: termina”.

Peçamos a graça da paz interior, dom do Espírito Santo

Quando alguém fica com raiva, - observou Francisco -, “perde a paz”. Quando meu coração “fica turbado - acrescentou - é porque não está aberto à paz de Jesus”, porque eu não sou capaz de “levar a vida como ela vem, com as cruzes e as dores que vêm”. Em vez disso, devemos ser capazes de pedir a graça, de pedir ao Senhor a Sua paz:

“Devemos entrar no Reino de Deus através de muitas tribulações. A graça da paz, de não perder a paz interior. Um Santo dizia, falando sobre isso: 'A vida do cristão é um caminho entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus' (Santo Agostinho, De Civitate Dei XVIII, 51 nota). O Senhor nos faça compreender como é esta paz que Ele nos dá com o Espírito Santo”.


Papa: Telegrama ao Presidente francês Emmanuel Macron

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco enviou um telegrama ao Presidente francês, Emmanuel Macron, por ocasião da sua tomada de possa ocorrida neste domingo, dia 14 de Maio de 2017. “Por ocasião da vossa tomada de posse como Presidente da República francesa, afirma Francisco na mensagem, faço os meus cordiais votos para o bom exercício das vossas altas funções ao serviço de todos os vossos compatriotas. Rezo a Deus para que vos assista por forma a que o vosso país, na fidelidade à rica diversidade das suas tradições morais e da sua herança espiritual marcada também pela Tradição cristã, tenha sempre a preocupação da edificação de uma sociedade mais justa e fraterna. No respeito das diferenças e na atenção às pessoas em situação de precariedade e de exclusão, que possa contribuir para cooperação e a solidariedade entre as nações. Que a França continue a favorecer, no seio da Europa e do mundo, a busca da paz e do bem comum, o respeito da vida assim como a defesa da dignidade de cada pessoa e de todos os povos. Sobre a vossa pessoa e sobre todos os habitantes da França, invoco com todo o coração a Bênção do Senhor.


Papa no Regina Coeli: "Igreja cuide das crianças"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa dedicou seu encontro com os fiéis na manhã deste domingo (14/05/2017) à peregrinação realizada em Fátima (Portugal) nos últimos dias. Cedo pela manhã, o Pontífice manteve o seu hábito de ir à Basílica de Santa Maria Maior, onde permaneceu por cerca de 20 minutos diante do ícone de Maria Salus Popoli Romani, em ação de graças pelo êxito da peregrinação.

Papa recorda peregrinação a Fátima

Na Praça São Pedro, antes de rezar a oração Mariana do Regina Coeli, Francisco fez um relato dos momentos mais salientes desta visita aos pés da Virgem Mãe, realizada ‘como peregrino de esperança e de paz’.

Iniciando, o Papa falou do momento de silêncio, em contemplação, que viveu na Capela das Aparições, sexta-feira (12/05), logo após a chegada:

“No centro de tudo esteve e está o Senhor Ressuscitado, presente em meio a seu Povo na Palavra e na Eucaristia. Presente em meio aos muitos doentes, protagonistas da vida litúrgica e pastoral de Fátima, como em todo Santuário mariano”.

Em seguida, o Papa lembrou que a Virgem, em Fátima, quis escolher o coração inocente e a simplicidade dos pequenos Francisco, Jacinta e Lucia para depositar sua mensagem:

“Estas crianças a acolheram dignamente, e foram reconhecidas como testemunhas críveis, ao ponto de ser modelos de vida cristã. Sua santidade não é consequência das aparições, mas da fidelidade e do ardor com que corresponderam ao privilégio recebido de ver Maria. Depois do encontro com a ‘bela Senhora’, rezavam frequentemente o terço, faziam penitência e ofereciam sacrifícios pelo fim da guerra e pelas almas mais necessitadas da divina misericórdia”.

“Com a canonização de Francisco e Jacinta, quis propor a toda a Igreja o seu exemplo de adesão a Cristo e de testemunho evangélico, e recomendar a toda a Igreja que cuide das crianças”.

Convidando os fiéis a se deixarem guiar pela luz que provém de Fátima, o Papa lembrou:

“Ainda em nossos dias, precisamos muito de orações e penitência para implorar a graça da conversão, assim como o fim das muitas guerras em tantos lugares do mundo, que se estendem sempre mais, assim como o fim dos absurdos conflitos, grandes e familiares, que desfiguram o rosto da humanidade”.

“Que o Coração Imaculado de Maria seja sempre o nosso refúgio, a nossa consolação e o caminho que nos conduz a Cristo”.

Depois da oração mariana do Regina Coeli, o Papa manifestou mais uma vez a sua solidariedade em relação às populações do mundo afligidas por guerras e conflitos.

“Caros irmão e irmãs, confio a Maria, Rainha da paz, a sorte das populações aflitas por guerra e conflitos, de modo particular no Médio Oriente. Tantas pessoas inocentes são duramente provadas, seja cristãos, seja muçulmanos, seja pertencentes a minorias como os Yazidi, que passam por trágicas violências e discriminações.”

O Papa exprimiu a sua solidariedade acompanhada de orações  e agradeceu a quantos se empenham em ir ao encontro das necessidades humanitárias. E não deixou de encorajar ao diálogo:

“Encorajo as diversas comunidades a percorrer o caminho do diálogo e da reconciliação para construir um futuro de respeito, de segurança e de paz”

O Papa recordou depois que ontem em Dublim, na Irlanda do Sul, foi proclamado beato o sacerdote jesuíta, John Sullivan. Ele viveu na Irlanda entre os seculos XIX e XX e dedicou-se ao ensino e à formação espiritual dos jovens. Era muito amado e procurado como padre pelos pobres e os que sofriam. O Papa deu graças a Deus pelo seu testemunho.

A seguir, Francisco saudou os peregrinos da Itália e de vários outros países presentes na Praça de São Pedro, referiu-se de modo particular aos participantes na iniciativa “Passeggini vuoti” (carrinhos vazios) contra a diminuição da natalidade em Itália, um grupo de mãe italianas de Bordighera e disse:

“O futuro das nossas sociedades requer da parte de todos, especialmente das instituições, uma atenção concreta á vida e à maternidade. Este apelo é particularmente significativo hoje quando se celebra, nalguns Países, a festa da Mãe; recordemos com gratidão todas as mães, mesmo as que estão no Céu, confiando-as a Maria, Mãe de Jesus”.

E aqui o Papa convidou a um momento de silencio para que cada um rezasse pela própria mãe.

E terminou desejando bom domingo a todos e pedindo que não nos esqueçamos de rezar por ele.


PEREGRINAÇÃO DO PAPA FRANCISCO

AO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
por ocasião do centenário das Aparições da Bem-Aventurada Virgem Maria na Cova da Iria

12-13 DE MAIO DE 2017


Saudação aos jornalistas durante o voo para Portugal



12.Maio.2017

Boa tarde e obrigado por esta companhia, e pelo trabalho que farão nesta viagem, que, como disse Greg, é um pouco especial: é uma viagem de oração, de encontro com o Se.nhor e com a Santa Mãe de Deus.

Obrigado pela companhia e vamos em frente.

Oração do Papa na Capelinha das Aparições



12.Maio.2017

Santo Padre:

Salve Rainha,
bem-aventurada Virgem de Fátima,
Senhora do Coração Imaculado,
qual refúgio e caminho que conduz até Deus!
Peregrino da Luz que das tuas mãos nos vem,
dou graças a Deus Pai que, em todo o tempo e lugar, atua na história humana;
peregrino da Paz que neste lugar anuncias,
louvo a Cristo, nossa paz, e para o mundo peço a concórdia entre todos os povos;
peregrino da Esperança que o Espírito alenta,
quero-me profeta e mensageiro para a todos lavar os pés, na mesma mesa que nos une.

Refrão cantado pela assembleia:

Ave o clemens, ave o pia!
Salve Regina Rosarii Fatimæ.
Ave o clemens, ave o pia!
Ave o dulcis Virgo Maria.

Santo Padre:

Salve Mãe de Misericórdia,
Senhora da veste branca!
Neste lugar onde há cem anos
a todos mostraste os desígnios da misericórdia do nosso Deus,
olho a tua veste de luz
e, como bispo vestido de branco,
lembro todos os que,
vestidos da alvura batismal,
querem viver em Deus
e rezam os mistérios de Cristo para alcançar a paz.

Refrão…

Santo Padre:

Salve, vida e doçura,
Salve, esperança nossa,
ó Virgem Peregrina, ó Rainha Universal!
No mais íntimo do teu ser,
no teu Imaculado Coração,
vê as alegrias do ser humano
quando peregrina para a Pátria Celeste.
No mais íntimo do teu ser,
no teu Imaculado Coração,
vê as dores da família humana
que geme e chora neste vale de lágrimas.
No mais íntimo do teu ser,
no teu Imaculado Coração,
adorna-nos do fulgor de todas as joias da tua coroa
e faz-nos peregrinos como peregrina foste Tu.
Com o teu sorriso virginal
robustece a alegria da Igreja de Cristo.
Com o teu olhar de doçura
fortalece a esperança dos filhos de Deus.
Com as mãos orantes que elevas ao Senhor
a todos une numa só família humana.

Refrão…

Santo Padre:

Ó clemente, ó piedosa,
ó doce Virgem Maria,
Rainha do Rosário de Fátima!
Faz-nos seguir o exemplo dos Bem-aventurados Francisco e Jacinta,
e de todos os que se entregam à mensagem do Evangelho.
Percorreremos, assim, todas as rotas,
seremos peregrinos de todos os caminhos,
derrubaremos todos os muros
e venceremos todas as fronteiras,
saindo em direção a todas as periferias,
aí revelando a justiça e a paz de Deus.
Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco,
da alvura branqueada no sangue do Cordeiro
derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos.
E assim seremos, como Tu, imagem da coluna luminosa
que alumia os caminhos do mundo,
a todos mostrando que Deus existe,
que Deus está,
que Deus habita no meio do seu povo,
ontem, hoje e por toda a eternidade.

Refrão…

O Santo Padre junto com os fiéis:

Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre o assalto do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protetor.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a Ti me entrego.
Unido aos meus irmãos, por Ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, finalmente envolvido na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

Amen.

Refrão…


BÊNÇÃO DAS VELAS

SAUDAÇÃO DO SANTO PADRE



Capelinha das Aparições, Fátima
Sexta-feira, 12 de maio de 2017

Amados peregrinos de Maria e com Maria!

Obrigado por me acolherdes entre vós e vos associardes a mim nesta peregrinação vivida na esperança e na paz. Desde já desejo assegurar a quantos estais unidos comigo, aqui ou em qualquer outro lugar, que vos tenho a todos no coração. Sinto que Jesus vos confiou a mim (cf. Jo 21, 15-17) e, a todos, abraço e confio a Jesus, «principalmente os que mais precisarem» ― como Nossa Senhora nos ensinou a rezar (Aparição de julho de 1917). Que Ela, Mãe doce e solícita de todos os necessitados, lhes obtenha a bênção do Senhor! Sobre cada um dos deserdados e infelizes a quem roubaram o presente, dos excluídos e abandonados a quem negam o futuro, dos órfãos e injustiçados a quem não se permite ter um passado, desça a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça! O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26).

Esta bênção cumpriu-se cabalmente na Virgem Maria, pois nenhuma outra criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Ela, que deu um rosto humano ao Filho do eterno Pai, podendo nós agora contemplá-Lo nos sucessivos momentos gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos da sua vida, que repassamos na recitação do Rosário. Com Cristo e Maria, permaneçamos em Deus. Na verdade, «se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que leva a Ele» (Paulo VI, Alocução na visita ao Santuário de Nossa Senhora de Bonaria-Cagliari, 24/IV/1970). Assim, sempre que rezamos o Terço, neste lugar bendito como em qualquer outro lugar, o Evangelho retoma o seu caminho na vida de cada um, das famílias, dos povos e do mundo.

Peregrinos com Maria… Qual Maria? Uma «Mestra de vida espiritual», a primeira que seguiu Cristo pelo caminho «estreito» da cruz dando-nos o exemplo, ou então uma Senhora «inatingível» e, consequentemente, inimitável? A «Bendita por ter acreditado» (cf. Lc 1, 42.45) sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma «Santinha» a quem se recorre para obter favores a baixo preço? A Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja orante, ou uma esboçada por sensibilidades subjetivas que A veem segurando o braço justiceiro de Deus pronto a castigar: uma Maria melhor do que Cristo, visto como Juiz impiedoso; mais misericordiosa que o Cordeiro imolado por nós?

Grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma em primeiro lugar que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor – como mostra o Evangelho – que são perdoados pela sua misericórdia! Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia. Naturalmente a misericórdia de Deus não nega a justiça, porque Jesus tomou sobre Si as consequências do nosso pecado juntamente com a justa pena. Não negou o pecado, mas pagou por nós na Cruz. Assim, na fé que nos une à Cruz de Cristo, ficamos livres dos nossos pecados; ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado (cf. 1 Jo 4, 18). «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes (…). Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho ao encontro dos outros é aquilo que faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288). Possamos, com Maria, ser sinal e sacramento da misericórdia de Deus que perdoa sempre, perdoa tudo.

Tomados pela mão da Virgem Mãe e sob o seu olhar, podemos cantar, com alegria, as misericórdias do Senhor. Podemos dizer-Lhe: A minha alma canta para Vós, Senhor! A misericórdia, que usastes para com todos os vossos santos e com todo o vosso povo fiel, também chegou a mim. Pelo orgulho do meu coração, vivi distraído atrás das minhas ambições e interesses, mas não ocupei nenhum trono, Senhor! A única possibilidade de exaltação que tenho é que a vossa Mãe me pegue ao colo, me cubra com o seu manto e me ponha junto do vosso Coração. Assim seja.


SANTA MISSA COM O RITO DA CANONIZAÇÃO
DOS BEATOS FRANCISCO MARTO E JACINTA MARTO



HOMILIA DO SANTO PADRE

Adro do Santuário de Fátima
Sábado, 13 de maio de 2017

 «Apareceu no Céu (…) uma mulher revestida de sol»: atesta o vidente de Patmos no Apocalipse (12, 1), anotando ainda que ela «estava para ser mãe». Depois ouvimos, no Evangelho, Jesus dizer ao discípulo: «Eis a tua Mãe» (Jo 19, 26-27). Temos Mãe! Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia treze de maio de há cem anos atrás. E, à noite, a Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora». Tinham visto a Mãe do Céu. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas… estes não A viram. A Virgem Mãe não veio aqui, para que A víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu.

Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida – tantas vezes proposta e imposta – sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouvíamos na Primeira Leitura, «o filho foi levado para junto de Deus» (Ap 12, 5). E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus».

Queridos peregrinos, temos Mãe, temos Mãe! Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus, pois, como ouvíamos na Segunda Leitura, «aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo» (Rm 5, 17). Quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – a nossa humanidade – que tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará. Como uma âncora, fundeemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai (cf. Ef 2, 6). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro.

Com esta esperança, nos congregamos aqui para agradecer as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra. Como exemplo, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-Lo. Daqui lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos. A presença divina tornou-se constante nas suas vidas, como se manifesta claramente na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a «Jesus Escondido» no Sacrário.

Nas suas Memórias (III, n. 6), a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara duma visão: «Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?» Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irmãos, rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus.

Pois Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.

Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor.


SAUDAÇÃO DO SANTO PADRE
AOS DOENTES NO FINAL SANTA MISSA



Adro do Santuário, Fátima
Sábado, 13 de maio de 2017
 
Queridos irmãos e irmãs doentes!

Como disse na homilia, o Senhor sempre nos precede: quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Na sua Paixão, tomou sobre Si todos os nossos sofrimentos. Jesus sabe o que significa o sofrimento, compreende-nos, consola-nos e dá-nos força, como fez a São Francisco Marto e a Santa Jacinta, aos Santos de todos os tempos e lugares. Penso no apóstolo Pedro, acorrentado na prisão de Jerusalém, enquanto toda a Igreja rezava por ele. E o Senhor consolou Pedro. Isto é o mistério da Igreja: a Igreja pede ao Senhor para consolar os atribulados como vós e Ele consola-vos, mesmo às escondidas; consola-vos na intimidade do coração e consola com a fortaleza.

Amados peregrinos, diante dos nossos olhos, temos Jesus escondido mas presente na Eucaristia, como temos Jesus escondido mas presente nas chagas dos nossos irmãos e irmãs doentes e atribulados. No altar, adoramos a Carne de Jesus; neles encontramos as chagas de Jesus. O cristão adora Jesus, o cristão procura Jesus, o cristão sabe reconhecer as chagas de Jesus. Hoje a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta que fez, há cem anos, aos Pastorinhos: «Quereis oferecer-vos a Deus?» A resposta – «Sim, queremos!» – dá-nos a possibilidade de compreender e imitar as suas vidas. Viveram-nas, com tudo o que elas tiveram de alegria e de sofrimento, em atitude de oferta ao Senhor.

Queridos doentes, vivei a vossa vida como um dom e dizei a Nossa Senhora, como os Pastorinhos, que vos quereis oferecer a Deus de todo o coração. Não vos considereis apenas recetores de solidariedade caritativa, mas senti-vos inseridos a pleno título na vida e missão da Igreja. A vossa presença silenciosa mas mais eloquente do que muitas palavras, a vossa oração, a oferta diária dos vossos sofrimentos em união com os de Jesus crucificado pela salvação do mundo, a aceitação paciente e até feliz da vossa condição são um recurso espiritual, um património para cada comunidade cristã. Não tenhais vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja.

Jesus vai passar junto de vós no Santíssimo Sacramento para vos mostrar a sua proximidade e o seu amor. Confiai-Lhe as vossas dores, os vossos sofrimentos, o vosso cansaço. Contai com a oração da Igreja que de todo o lado se eleva ao Céu por vós e convosco. Deus é Pai e nunca vos esquecerá.


DIÁLOGO DO SANTO PADRE COM OS JORNALISTAS
DURANTE O VOO DE REGRESSO A ROMA



 Sábado, 13 de maio de 2017

Greg Burke

Obrigado, Santidade. Foram vinte e quatro horas muito intensas. Vinte e quatro horas dedicadas a Nossa Senhora. Os portugueses sentiram-se muito comovidos quando o Santo Padre disse: «Temos Mãe». Vossa Santidade sente-o duma maneira especial. Há cem anos, Nossa Senhora não apareceu a três jornalistas importantes; apareceu a três pastorinhos. Mas vimos como eles, com a sua simplicidade e santidade, conseguiram fazer chegar esta mensagem a todo o mundo. Também os jornalistas fazem chegar uma mensagem e, pelo número de países donde provêm, vê-se que estão muito curiosos sobre esta sua viagem. Se o Santo Padre quiser dizer alguma coisa antes...

Papa Francisco

Antes de mais nada, boa tarde. Obrigado! Gostaria de responder ao maior número possível de perguntas, pelo que convinha despacharmo-nos. Tenho pena quando estamos ainda a meio e me dizem que é hora do lanche; procuremos fazer ambas as coisas. Obrigado!

Greg Burke

Pois bem, comecemos pelo grupo português, com Fátima Campos Ferreira, da Radiotelevisão Portuguesa.

Fátima Campos Ferreira

Não sei que me parece ficar sentada diante do Santo Padre! Bem, em primeiro lugar, muito obrigada pela sua viagem. Santo Padre, veio a Fátima como peregrino para canonizar Francisco e Jacinta, no ano em que se completa o centenário das aparições. Deste ponto de vista histórico, que resta agora para a Igreja e para o mundo inteiro? Depois, Fátima tem uma mensagem de paz e, nos próximos dias (24 de maio), o Santo Padre vai receber no Vaticano o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: que pode esperar o mundo deste encontro? E que espera o Santo Padre deste encontro? Muito obrigada!

Papa Francisco

Fátima tem, sem dúvida, uma mensagem de paz; e levada à humanidade por três grandes comunicadores que tinham menos de treze anos. Isto é interessante. Que eu vim como peregrino, é verdade; quanto à canonização, não estava prevista inicialmente, porque o processo do milagre estava em andamento, mas registou uma inesperada aceleração quando se viu que todas as perícias resultaram positivas... assim juntaram-se as duas coisas. E isso deixou-me muito feliz. Que pode esperar o mundo? – Paz. E de que vou falar, daqui para diante, com quem quer que seja? – Da paz.

Fátima Ferreira

E que resta então deste momento histórico para a Igreja e para o mundo?

Papa Francisco

Uma mensagem de paz. E queria dizer uma coisa que me tocou o coração. Horas antes de embarcar, recebi alguns cientistas de várias religiões que estavam a fazer investigação no Observatório Vaticano de Castel Gandolfo; incluindo agnósticos e ateus. E um ateu disse-me: «Eu sou ateu – não me disse de que etnia era, nem donde vinha; falava em inglês, e assim não consegui saber, nem lho perguntei –. Peço-lhe um favor: diga aos cristãos que amem mais os muçulmanos». Isto é uma mensagem de paz.

Fátima Ferreira

É isso que vai dizer a Trump?

Papa Francisco

[limitou-se a sorrir]

Greg Burke

E agora Aura Miguel

Aura Miguel

Posso fazer a pergunta em português, ou italiano?

Papa Francisco

Melhor em italiano.

Aura Miguel

Santidade, em Fátima, apresentou-se como «o Bispo vestido de branco». Até agora, esta expressão aplicava-se sobretudo à visão da terceira parte do segredo, a São João Paulo II e aos mártires do século XX. Que significa agora a sua identificação com esta expressão?

Papa Francisco

É verdade, aparece na oração; esta, não a fiz eu, fê-la o Santuário. E também eu me interroguei: porque disseram isto? E há uma ligação na cor branca: o Bispo vestido de branco, a Senhora vestida de branco, a alvura da inocência das crianças depois do Batismo; naquela oração, há uma ligação na cor branca. Creio – visto que não fui eu que a fiz – creio que, literariamente, procuraram expressar com o branco aquele desejo de inocência, de paz: inocência, não fazer mal ao outro, não fazer guerra...

Aura Miguel

Há uma revisão da interpretação da mensagem?

Papa Francisco

Não. Quanto àquela visão, creio que o então Cardeal Ratzinger, quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, explicara tudo claramente. Obrigado!

Greg Burke

A próxima pergunta é de Cláudio Lavagna, de NBC.

Cláudio Lavagna, de NBC

Salve, Santo Padre! Ontem pediu aos fiéis para derrubarem todos os muros. E todavia, no dia vinte e quatro de maio, Vossa Santidade encontra um Chefe de Estado que ameaça construir os muros: é um pouco contrário à sua palavra, mas parece que ele possua também opiniões e opções diferentes das suas noutros temas, como, por exemplo, a necessidade de agir sobre o aquecimento global, ou o acolhimento dos migrantes. Nas vésperas deste encontro, Santo Padre, que opinião se formou acerca das políticas adotadas até agora pelo Presidente Trump sobre estes temas, e que esperanças deposita num encontro com um Chefe de Estado que parece pensar e agir ao contrário de Vossa Santidade?

Papa Francisco

Quanto à primeira pergunta – mas posso responder a ambas –, eu nunca faço um juízo sobre uma pessoa sem a ouvir. Acho que não o devo fazer. Enquanto falamos um com o outro, esclarecem-se as coisas: eu direi o que penso, ele dirá aquilo que pensa. Mas eu nunca, nunca quis fazer um juízo sem ouvir a pessoa. E a segunda pergunta era sobre o que penso...

Cláudio Lavagna

...o que pensa, em particular, sobre temas como o acolhimento dos migrantes...

Papa Francisco

Mas, isso, já o sabeis muito bem!

Cláudio Lavagna

Ao passo que a segunda era esta: Que espera dum encontro com um Chefe de Estado que pensa ao contrário de Vossa Santidade?

Papa Francisco

Há sempre portas que não estão fechadas. É preciso procurar as portas que estão pelo menos um pouco abertas, para entrar e falar sobre as coisas comuns e avançar. Passo a passo. A paz é artesanal: constrói-se todos os dias. Também a amizade entre as pessoas, o conhecimento mútuo, a estima são artesanais: constroem-se todos os dias. O respeito pelo outro, dizer o que se pensa (mas com respeito), caminhar juntos... Alguém pensa duma certa maneira; pois diga-o. Há que ser muito sincero naquilo que cada um pensa.

Cláudio Lavagna

O Santo Padre espera que ele amoleça as suas decisões depois de...

Papa Francisco

Isso é um cálculo político, que não me permito fazer. Mesmo no plano religioso, não sou proselitista. Obrigado!

Greg Burke

Obrigado, Santidade. Agora temos Elisabetta Piqué.

Elisabetta Piqué, «La Nación»

Obrigada, antes de tudo, por esta viagem breve e muito intensa. Queria perguntar-lhe: hoje é o centenário das aparições da Virgem de Fátima, mas é também um aniversário importante dum facto da sua vida, sucedido há vinte e cinco anos, quando o Núncio Calabresi lhe disse que iria ser Bispo Auxiliar de Buenos Aires: um facto que representou o fim do seu exílio em Córdoba e uma grande mudança na sua vida. A pergunta é esta: Já alguma vez associou com a Virgem de Fátima este facto que mudou a sua vida? E, nestes dias em que rezou diante d’Ela, pensou nisso e pode-no-lo contar? Obrigada!

Papa Francisco

As mulheres sabem tudo! Não pensei na coincidência; só ontem, enquanto rezava diante de Nossa Senhora, me apercebi de que foi num treze de Maio que recebi o telefonema do Núncio, há vinte e cinco anos. É verdade. Não sei como me veio; e disse para comigo: «Olha a coincidência!» E, com Nossa Senhora, falei um pouco disso, pedi-Lhe perdão para todos os meus erros, incluindo um pouco de má apreciação na escolha das pessoas... Mas, ontem, apercebi-me da coincidência.

Greg Burke

Nicholas Senèze, de «La Croix».

Nicholas Senèze

Obrigado, Santo Padre. Voltemos a Fátima, pela qual tem uma grande devoção a Fraternidade de São Pio X. Fala-se muito de um acordo que daria um estatuto oficial à Fraternidade na Igreja. Alguns imaginaram mesmo que este anúncio pudesse ter sido dado hoje. Santidade, pensa que seja possível a curto prazo este acordo? E quais são ainda os obstáculos? Para o Santo Padre, qual é o sentido desta reconciliação? O sinal que demonstre serem verdadeiramente católicos será o regresso triunfal dos fiéis ou outra coisa?

Papa Francisco

Eu descartaria toda a forma de triunfalismo; isso não. Há poucos dias, a sessão da «feria quarta» da Congregação para a Doutrina da Fé (chamam-na «feria quarta», porque tem lugar à quarta-feira) estudou um documento, e o documento – quero dizer, o estudo do documento – ainda não me chegou. Esta é a primeira coisa. Segunda: as relações atuais são fraternas. No ano passado, dei licença de confessar a todos eles, e também uma forma de jurisdição para os matrimónios. Mas, já antes, os próprios problemas – por exemplo, casos que tinham e que deviam ser resolvidos pela Congregação para a Doutrina da Fé – era a própria Congregação que os resolvia. Por exemplo, os casos de abuso traziam-nos a nós; o mesmo se passa com a Penitenciaria Apostólica; também na redução ao estado laical de um sacerdote, trazem o caso a nós... Existem relações fraternas. Com D. Fellay, tenho um bom relacionamento, falei várias vezes... Não gosto de apressar as coisas. Caminhar, caminhar, caminhar... depois se verá. Para mim, não é uma questão de vencedores ou de vencidos, não. É um problema de irmãos que devem caminhar juntos, procurando a fórmula para dar passos em frente.

Greg Burke

Obrigado, Santidade. Agora Tassilo Forchheimer, de ARD

Tassilo Forchheimer

Santo Padre, por ocasião do aniversário da Reforma, os cristãos evangélicos e católicos podem fazer juntos outro pedaço de estrada? Haverá a possibilidade de participar na mesma Mesa Eucarística? Há alguns meses, o Cardeal Kasper disse que se poderia dar um passo em frente, já durante este ano...

Papa Francisco

Já se deram grandes passos em frente! Pensemos na primeira Declaração sobre a Justificação: desde então não se parou de caminhar. A viagem à Suécia foi muito significativa, porque era precisamente o início [das celebrações] e uma comemoração mesmo com a Suécia. E também foi significativa para o ecumenismo do caminho, isto é, o caminhar juntos com a oração, com o martírio e com as obras de caridade, com as obras de misericórdia. Lá a Cáritas luterana e a Cáritas católica concordaram em trabalhar juntas: este é um grande passo! Mas esperam-se novos passos, sempre. O senhor sabe que Deus é o Deus das surpresas. Nunca devemos parar, mas avançar sempre. Rezar juntos, testemunhar juntos, praticar juntos as obras de misericórdia, que é anunciar a caridade de Jesus Cristo, anunciar que Jesus Cristo é o Senhor, o único Salvador, e que a graça só vem d’Ele... E, neste caminho, os teólogos continuarão a estudar, mas caminhando... Com o coração aberto às surpresas…

Greg Burke

Obrigado, Santidade. Agora temos Mimmo Muolo, de «Avvenire»:

Mimmo Muolo

Boa tarde, Santidade. Faço-lhe uma pergunta em nome do grupo italiano. Ontem e hoje, em Fátima, vimos um grande testemunho de fé popular, unida ao Santo Padre; o mesmo, aliás, que se encontra noutros santuários marianos como, por exemplo, em Medjugorje. Que pensa destas aparições – se foram aparições – e do fervor religioso que suscitaram, dado que decidiu nomear um Bispo delegado para os aspetos pastorais? E, se me permite, uma segunda questão que sei estar muito a peito também a Vossa Santidade, bem como a nós italianos: as ONGs foram acusadas de conluio com os contrabandistas traficantes de seres humanos; queria saber que pensa disto. Obrigado.

Papa Francisco

Começo pela segunda. Li no jornal, que folheio de manhã, que havia este problema, mas ainda não conheço como são os detalhes. E, por isso, não posso dar opinião. Sei que há um problema e que as investigações continuam. Espero que continuem e que toda a verdade venha ao de cima. Quanto à primeira: Medjugorje. Todas as aparições ou alegadas aparições pertencem à esfera privada, não fazem parte do Magistério público ordinário da Igreja. Quanto a Medjugorje: fez-se uma comissão presidida pelo Cardeal Ruini. Fê-la Bento XVI. Eu, no final de 2013 ou princípios de 2014, recebi do Cardeal Ruini o resultado. Uma comissão de bons teólogos, bispos, cardeais. Bons, bons, bons... O relatório-Ruini é muito, muito bom. Mas havia algumas dúvidas na Congregação para a Doutrina da Fé, e a Congregação julgou oportuno enviar a cada um dos membros do congresso, da tal «feria quarta», toda a documentação incluindo as coisas que pareciam estar contra o relatório-Ruini. Recebi a notificação: lembro-me que era uma tarde de sábado, no final da tarde. Não me pareceu justo: era como pôr em leilão – desculpem a palavra – o relatório-Ruini, que estava muito bem feito. E, no domingo de manhã, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé recebeu uma carta minha, pedindo-lhe para comunicar que, em vez de enviarem as opiniões à «feria quarta», as enviassem pessoalmente para mim. Estas opiniões foram estudadas, e todas sublinhavam a densidade do relatório-Ruini. A verdade é que se devem distinguir principalmente três coisas. Sobre as primeiras aparições, quando [os «videntes»] eram adolescentes, o relatório diz mais ou menos que se deve continuar a investigar. Sobre as alegadas aparições atuais, o relatório tem as suas dúvidas. Eu, pessoalmente, sou mais «ruim»: prefiro Nossa Senhora mãe, nossa mãe, e não uma Nossa Senhora chefe dum departamento telegráfico que todos os dias, a determinada hora, envia uma mensagem; esta não é a Mãe de Jesus. E estas alegadas aparições não possuem tanto valor. Isto, digo-o como opinião pessoal. Mas quem pensa que Nossa Senhora diga: «Vinde que amanhã, a tal hora, direi uma mensagem àquele vidente»; isso não. [No relatório-Ruini] distinguem-se as duas espécies de aparições. E, terceiro, o cerne verdadeiro e próprio do relatório-Ruini: o facto espiritual, o facto pastoral, pessoas que vão lá e se convertem, pessoas que encontram Deus, que mudam de vida... Para isso, não há uma varinha mágica, e este facto espiritual-pastoral não se pode negar. Agora, para ver a realidade com todos estes dados, com as respostas que me enviaram os teólogos, nomeou-se este Bispo – bom, bom porque tem experiência – para ver como anda a parte pastoral. E, no fim, qualquer palavra será dita.

Mimmo Muolo

Santidade, obrigado também pela bênção aos meus concidadãos que Lhe agradecem: viram-no e ficaram muito contentes.

Papa Francisco

Obrigado!

Greg Burke

Santidade, agora se me permite fazer o mau da fita… Acabamos de passar todos os grupos linguísticos e são... seis horas.

Papa Francisco

Ah, ainda temos tempo.

Greg Burke

Há uma pergunta.

Papa Francisco

Uma ou duas.

Greg Burke

Joshua McElwee, de «National Catholic Reporter»

Joshua McElwee

Obrigado, Santo Padre. A minha pergunta: o último membro da Comissão para a Tutela dos Menores, que foi abusado por um padre, demitiu-se em março. A senhora Marie Collins disse que devia demitir-se porque os funcionários do Vaticano não punham em prática os conselhos da Comissão que Vossa Santidade aprovara. Tenho duas perguntas. De quem é a responsabilidade? E que está a fazer, Santo Padre, para garantir que os padres e os bispos no Vaticano ponham em prática as suas recomendações, sugeridas pela sua Comissão?

Papa Francisco

É verdade. Marie Collins explicou-me bem a situação. Falei com ela: é uma boa senhora. Continua a trabalhar na formação com os sacerdotes sobre este ponto. É uma boa mulher, que quer trabalhar. Fez essa acusação; e um pouco de razão tem-na. Porquê? Porque existem muitos casos atrasados, que se foram acumulando... Entretanto teve de se fazer a legislação para isto: que devem fazer os bispos diocesanos? Hoje, em quase todas as dioceses, há o Regulamento a seguir nestes casos: é um grande avanço. Deste modo, os dossiês elaboram-se corretamente. Este é um passo. Outro passo: havia pouco pessoal, há necessidade de mais pessoas capacitadas para o efeito; o Secretário de Estado e o próprio Cardeal Müller estão procurando arranjar novas pessoas. Num dia destes, foram admitidas mais duas ou três. Mudou-se o diretor do Departamento Disciplinar, que era bom, era muito bom, mas estava um pouco cansado; regressou ao seu país para fazer o mesmo trabalho com o seu episcopado. E o novo – é um irlandês, Mons. Kennedy – é uma pessoa muito boa, muito eficiente, despachada; e isto ajuda bastante. Há ainda outra coisa: por vezes os Bispos enviam [o dossiê]; se tudo está conforme o Regulamento, passa imediatamente à «feria quarta», e a «feria quarta» estuda e decide. Se o Regulamento não foi respeitado, o dossiê tem de voltar atrás e é preciso refazê-lo. Para isso, pensa-se em apoios continentais, um ou dois por continente: por exemplo, na América Latina, um na Colômbia, outro no Brasil... Seriam uma espécie de pré-tribunais ou tribunais continentais. Isto, porém, está ainda em planificação. E depois os trâmites normais: estuda o caso a «feria quarta» e retira-se o estado clerical do sacerdote, que retorna à diocese e faz recurso. Antes, o recurso era estudado pela mesma «feria quarta» que dera a sentença, mas isto não é justo. E criei outro tribunal que coloquei a cargo duma pessoa indiscutível: o Arcebispo de Malta, D. Scicluna, que é um dos mais empenhados contra os abusos. E neste segundo tribunal – porque devemos ser justos –, a pessoa que recorre tem direito a ter um defensor. Se aprovar a primeira sentença, termina o caso. Só resta [a faculdade de escrever] uma carta, pedindo a graça ao Papa. Eu nunca assinei uma graça. É assim como estão as coisas, e vamos avançando. Naquele ponto, Marie Collins tinha razão; mas nós também estávamos a caminhar. O problema é que há dois mil casos acumulados … Obrigado!

Greg Burke

Agora porém, Santidade, devemos acabar…

Papa Francisco

Mas quem era aquele, quem estava à espera?

Greg Burke

Uma portuguesa.

Papa Francisco

Eh, coitada!

Greg Burke

Está bem.

Joana Haderer, da agência portuguesa «Lusa»

Obrigado, Santo Padre. Vou falar em espanhol, porque é mais fácil para mim. Vou fazer uma pergunta sobre o caso de Portugal, mas creio que se aplica a muitas das nossas sociedades ocidentais. Em Portugal, quase todos os portugueses se identificam como católicos – quase todos, quase 90% –, mas a forma como se organiza a sociedade, as decisões que tomamos são muitas vezes contrárias às orientações da Igreja. Refiro-me ao casamento dos homossexuais, à despenalização do aborto. Agora vamos começar a discutir a eutanásia. Como vê isto?

Papa Francisco

Creio que é um problema político, mas também que a consciência católica por vezes não é uma consciência totalmente aderente à Igreja; e que, por trás disso, falta uma catequese matizada, uma catequese humana... Um exemplo duma catequese séria e matizada é o Catecismo da Igreja Católica. Creio que é falta de formação e também de cultura. Pois é curioso um fenómeno que se verifica… noutras regiões (penso na Itália, algures na América Latina): são muito católicos, mas são anticlericais. «I mangiaprêti»: isso mesmo!

Joana Haderer

E isso preocupa-o?

Papa Francisco

Claro que me preocupa! Por isso, digo aos sacerdotes (já o tereis lido!): «Fugi do clericalismo». Porque o clericalismo afasta as pessoas. «Fuji do clericalismo». E acrescento: é uma peste na Igreja. Mas também aqui se trata de trabalho de catequese, de consciencialização, de diálogo, inclusive de valores humanos. Obrigado!

Muito lhes agradeço o trabalho feito, e a agudez das perguntas. Obrigado!

Greg Burke

Obrigado a Vossa Santidade!

Papa Francisco

E rezem por mim; não se esqueçam!



Com seus tweets diários, o Santo Padre orienta, como bom pastor, seu rebanho formado por todo o mundo:




16/05/2017
Jesus nos pede para ser contemplado, reconhecido e amado.
15/05/2017
Para seguir fielmente Jesus, peçamos a graça de fazê-lo não com as palavras, mas com os fatos, e ter a paciência de suportar a nossa cruz.
13/05/2017
Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir: mostrai-nos Jesus.
13/05/2017
Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho.
12/05/2017
Aqui em Fátima louvo a Cristo, nossa paz, e para o mundo peço a concórdia entre todos os povos.
11/05/2017
Com Maria, amanhã em Fátima, peregrino na esperança e na paz. Olhemos para ela: tudo é dom de Deus, nossa força.
10/05/2017
Deus é maior do que qualquer coisa, e basta somente uma vela acesa para vencer a mais escura das noites.
09/05/2017
Todos têm uma contribuição para dar à sociedade, ninguém está excluído de fazer algo pelo bem de todos.
05/05/2017
Ao longo dos tempos, Cristo não se cansa de nos procurar, seus irmãos perdidos nos desertos do mundo.
04/05/2017
Deixemo-nos surpreender pela novidade que somente Cristo pode dar. Que a sua ternura e o seu amor movam os nossos passos.
03/05/2017
Que o nosso comportamento seja simples e humilde, atento ao cuidado dos pobres.
02/05/2017
Façamos crescer a fraternidade e a partilha: é a colaboração que ajuda a construir sociedades melhores e pacíficas.
01/05/2017
Que São José dê aos jovens a capacidade de sonhar, de se arriscar por grandes coisas, as coisas que Deus sonha para nós.
30/04/2017
Na ressurreição, Jesus libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos o caminho à vida eterna.
29/04/2017
A presença de Jesus se transmite com a vida e fala a linguagem do amor gratuito e concreto.
28/04/2017
O Senhor nos conceda a graça de recomeçar hoje, juntos, como peregrinos de comunhão e arautos de paz.
28/04/2017
Somos chamados a caminhar juntos, na convicção de que o futuro de todos depende também do encontro entre religiões e culturas.
27/04/2017
Amanhã irei como peregrino da paz ao Egito da paz.
26/04/2017
Vamos promover a amizade e o respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas para construir um mundo de paz.
25/04/2017
Ele morreu, foi sepultado, ressuscitou e apareceu. Ou seja, Jesus está vivo! É este o cerne da mensagem cristã.
24/04/2017
Se tivéssemos sempre a Palavra de Deus no coração, nenhuma tentação poderia nos separar de Deus.
23/04/2017
Pedimos a graça de jamais nos cansarmos de haurir de Jesus a misericórdia do Pai e de levá-la ao mundo.
23/04/2017
A misericórdia de Deus é eterna: não termina, não acaba, não cede diante dos fechamentos, e não se cansa jamais.
22/04/2017
Senhor cure a nossa vida, para que possamos proteger o mundo e não o depredemos, semeando beleza e não poluição e destruição.
21/04/2017
Quando chegamos ao fundo da nossa fraqueza, Cristo ressuscitado nos dá a força para nos levantarmos.
20/04/2017
Se Cristo ressuscitou, podemos olhar com olhos e corações novos para todos os eventos das nossas vidas, também os mais negativos.
19/04/2017
Reflitamos com admiração e gratidão o grande mistério da Ressurreição do Senhor.
18/04/2017
Nesta semana de Páscoa nos fará bem ler todos os dias uma passagem do Evangelho que fala da ressurreição de Cristo.
17/04/2017
Sim, temos certeza: Cristo ressuscitou verdadeiramente!
16/04/2017
Boa Páscoa! Levem a todos a alegria e a esperança de Cristo Ressuscitado!
15/04/2017
Esta é a festa de nossa esperança, a celebração da certeza de que nada e ninguém poderão jamais nos separar do amor de Deus.
14/04/2017
Cruz de Cristo, ensina-nos que a autora do sol é mais forte do que a escuridão da noite e que o amor eterno de Deus vence sempre.
13/04/2017
Faz-nos bem sair de nossos limites, pois é típico do Coração de Deus transbordar de misericórdia, espalhando a sua ternura.
12/04/2017
Se é abissal o mistério do mal, infinita é a realidade do Amor de Deus, que o atravessou e venceu.
11/04/2017
Jesus vem nos salvar e somos chamados a percorrer o seu caminho: o caminho do serviço, do dom, do esquecimento de si.
10/04/2017
Dirijamos o olhar a Jesus, nesta Semana Santa peçamos a graça de compreender melhor o mistério de seu sacrifício por nós.
09/04/2017
Cruz de Cristo, suscite em nós o desejo de Deus, do bem e da luz.
08/04/2017
Queridos jovens, não tenham medo de dizer ‘sim’ a Jesus com todo o ímpeto do coração, de lhe responder generosamente e de segui-lo!
07/04/2017
A Quaresma é um período de penitência finalizado a fazer-nos ressurgir com Cristo, a renovar a nossa identidade batismal.
06/04/2017
A esperança abre o fiel às surpresas de Deus.
05/04/2017
Tentemos seguir concretamente os passos de Cristo, dedicando-nos aos irmãos e irmãs carentes.
04/04/2017
Hoje é o Dia Mundial contra as minas terrestres. Por favor, renovemos o compromisso por um mundo sem minas!
03/04/2017
A Quaresma é, por sua natureza, tempo de esperança, porque nos conduz a renascer ‘do alto’, do amor de Deus.
02/04/2017
Quando o Espírito Santo habita em nossos corações, nos faz entender que o Senhor está próximo, e cuida de nós.
01/04/2017
Mesmo nos momentos mais difíceis e conturbados, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores do que qualquer coisa.
30/03/2017
A oração é poderosa, a oração vence o mal, a oração traz a paz.
29/03/2017
A paz que vem da fé é um dom: é a graça de experimentar que Deus nos ama e que está sempre perto de nós.
28/03/2017
Se aprendermos a ler tudo com a luz do Espírito Santo, perceberemos que tudo é graça!
27/03/2017
Proteger o sagrado tesouro de cada vida humana, desde a concepção até o fim, é a melhor maneira para prevenir todas as formas de violência.


Catequese: A mãe da Esperança



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 10 de maio de 2017

Boletim da Santa Sé


Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Em nosso itinerário de catequeses sobre a esperança cristã, hoje olhamos para Maria, Mãe da esperança. Maria atravessou mais de uma noite em seu caminho de mãe. Desde a primeira aparição nas histórias do Evangelho, sua figura aparece como se fosse personagem de um drama. Não era simples responder com um “sim” o convite do anjo: e mesmo assim, ela, mulher ainda no florescer de sua juventude, responde com coragem, não obstante não soubesse de nada que a aguardava. Maria, naquele instante nos aparece como tantas mães de nosso mundo, corajosa até o extremo quando se trata de acolher no próprio ventre a história de um novo homem que nasce.

Aquele “sim” é o primeiro passo de uma longa lista de obediências – longa lista de obediências! – que acompanharemos em seu itinerário de mãe. Nos Evangelhos ela parece como uma mulher silenciosa, que frequentemente não compreende tudo o que acontece ao seu redor, mas que medita cada palavra e cada acontecimento em seu coração.

Nesta disposição tem um traço belíssimo da psicologia de Maria: não é uma mulher que se deprime diante das incertezas da vida, especialmente quando nada parece ser justo. Não é nem mesmo uma mulher que protesta com violência, que interfere contra o destino da vida que se revela frequentemente hostil. É, ao invés, uma mulher que escuta: não esqueçam que há sempre  uma relação entre esperança e escuta, e Maria é uma mulher que escuta. Maria acolhe a existência assim como ela nos é apresentada, com seus dias felizes, mas também com suas tragédias que nunca gostaríamos de ter encontrado. Até a suprema noite de Maria, quando o seu Filho é pregado sobre o lenho da cruz.

Até naquele dia, Maria quase desaparece das tramas do Evangelho, os escritores sagrados deixam a entender este lento eclipsar de sua presença, o seu permanecer muda diante do mistério de um Filho que obedece ao Pai. Mas Maria reaparece no momento crucial: quando boa parte dos amigos desapareceram por medo. As mães não traem, naquele instante, aos pés da cruz, nenhum de nós pode dizer qual foi a paixão mais cruel: se aquela de um homem inocente que morre na cruz, ou a agonia de uma mãe que acompanha os últimos instantes da vida de um filho. Os evangelhos são lacônicos, e extremamente discretos.

Registram com um simples verbo a presença da Mãe: ela “estava” (Jo 19,25), Ela estava. Nada dizem de sua reação, se chorava, se não chorava… nada; nem mesmo uma palavra para descrever a sua dor. Sobre estes detalhes depois inventou a imaginação dos poetas e pintores, nos presenteando imagens que entraram na história da arte e da literatura. Mas os evangelhos somente dizem: ela “estava”. Estava alí, no pior momento, no momento mais cruel, e sofria com o filho. “Estava”. Maria “estava”, simplesmente estava ali. Ei-la novamente, a jovem mulher de Nazaré, agora com cabelos grisalhos devido o passar dos anos, mas ainda diante de um Deus que deve ser apenas abraçado, e com uma vida que chegou ao limiar da pior escuridão. Maria “estava” na pior escuridão, mas “estava”. Não foi embora. Maria estava alí, fielmente presente, cada vez que era necessária manter uma vela acesa em um lugar de nevoeiro e neve. Nem mesmo ela conhece o destino de ressurreição que seu Filho estava abrindo naquele momento para todos os homens: estava ali por fidelidade ao plano de Deus, de quem se proclamou serva desde o primeiro dia de sua vocação, mas também por seu instinto materno que simplesmente sofre, toda vez que  um filho atravessa uma paixão. Os sofrimentos das mães: todos nós conhecemos mães fortes, que enfrentaram tantos sofrimentos dos filhos!

A reencontraremos  no primeiro dia da Igreja, ela,  a  Mãe da esperança, no meio da comunidade dos discípulos tão frágeis: um tinha negado, muitos fugiram, todo mundo tinha medo (cf. Atos 1,14). Mas ela simplesmente estava ali, na forma mais simples, como se fosse algo muito natural: na Igreja primitiva envolvido pela luz da Ressurreição, mas também pelos tremores dos primeiros passos que tiveram que cumprir no mundo.

Por isso todos nós a amamos como mãe. Não somos órfãos: temos uma mãe no céu, que é a Santa Mãe de Deus. Porque nos ensina a virtude da espera, mesmo quando tudo parece privado de sentido, ela sempre confiante no mistério de Deus, mesmo quando Ele pare derrotado pela culpa do mal do mundo. Nos momentos de dificuldade, Maria, a Mãe que Jesus presenteou a todos nós, possa sempre sustentar os nossos passos, possa sempre dizer ao nosso coração: “Levanta-te ! Olhe adiante, olhe o horizonte”, porque Ela é Mãe de esperança. Obrigado !


Catequese do Papa Francisco: Egito é sinal de esperança



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 03 de maio de 2017

Boletim da Santa Sé

Viagem Apostólica ao Egito

Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Hoje quero falar a vocês da Viagem apostólica que, com a ajuda de Deus, eu realizei nos últimos dias ao Egito. Eu fui ao país após ter recebido um convite quadruplo: do Presidente da República, de sua Santidade o Patriarca Copto ortodoxo, do Grande Imã de Al- Azhar e do Patriarca Copto Católico. Agradeço a cada um deles pela acolhida que me deram, verdadeiramente calorosa. E agradeço a todo povo egípcio pela participação e afeto com que viveram esta visita do Sucessor de Pedro.

O presidente e as autoridades civis se empenharam de modo extraordinário para que este evento pudesse acontecer do melhor modo; para que pudesse ser um sinal de paz, um sinal de paz para o Egito e para toda aquela região, que infelizmente sofre com os conflitos e o terrorismo. De fato, o tema da viagem era “O Papa da paz no Egito da paz”.

A minha visita à Universidade de Al-Azhar, a mais antiga universidade islâmica e máxima instituição acadêmica do Islã sunita, teve um duplo horizonte: o diálogo entre cristãos e muçulmanos e, ao mesmo tempo, a promoção da paz no mundo. E em Al-Azhar aconteceu o encontro com o Grande Imã, encontro que se alargou na Conferência Internacional para a Paz.

Em tal contexto, eu ofereci uma reflexão que valorizou a história do Egito como terra de civilidade e terra de alianças. Para toda a humanidade, o Egito é sinônimo de antiga civilização, de tesouros de arte e conhecimento; e isso nos recorda que a paz se constrói mediante a educação, a formação da sabedoria, de um humanismo que compreende como parte integrante a dimensão religiosa, o relacionamento com Deus, como recordou o Grande Imã em seu discurso. A paz se constrói também partindo da aliança entre Deus e o homem, fundamento da aliança entre todos os homens, baseada no Decálogo escrito em tábuas de pedra no Sinai, mas muito mais profundamente no coração de cada homem de cada tempo e lugar, lei que se resume nos dois mandamentos do amor a Deus e ao próximo.

Este mesmo fundamento está também na base da ordem da construção social e civil, na qual são chamados a colaborar todos os cidadãos, de cada origem, cultura e religião. Tal visão de sã laicidade, emergiu na troca de discursos com o presidente da República do Egito, em presença das autoridades do país e Corpo diplomático. O grande patrimônio histórico e religioso do Egito e o seu papel na região meridional lhe conferem um dever no caminho em direção a uma paz estável e duradoura, que se apoie não no direito da força, mas na força do direito.

Os cristãos, no Egito como em cada nação da terra, são chamados a ser fermentos de fraternidade. E isso é possível se vivem entre eles a comunhão de Cristo. Um forte sinal de comunhão, graças a Deus, pudemos dar junto com o meu caro irmão Papa Tawadros II, patriarca dos coptas ortodoxos. Renovamos o empenho, também assinando uma Declaração Comum, de caminhar juntos e de nos esforçarmos para não repetir o batismo administrado nas duas Igrejas. Juntos rezamos pelos mártires dos recentes atentados que atingiram tragicamente aquela venerável Igreja; e o sangue deles fecundou este encontro ecumênico, do qual participou também o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu: o patriarca ecumênico, meu caro irmão.

O segundo dia de viagem foi dedicado aos fiéis católicos. A Santa Missa celebrada no Estádio, colocado à disposição pelas autoridades egípcias, foi uma festa de fé e fraternidade, na qual sentimos a presença do Senhor Ressuscitado. Comentando o Evangelho, exortei a pequena comunidade católica do Egito a reviver a experiência dos discípulos de Emaús: a encontrar sempre no Cristo, palavra e pão da vida, a alegria da fé, o ardor da esperança e a força de testemunhar no amor que “encontramos o Senhor”.

O último momento vivi junto com os sacerdotes, religiosos e religiosas e seminaristas, no Seminário Maior. Há tantos seminaristas: e isso é uma consolação! Foi uma bela liturgia da Palavra, durante a qual foram renovadas as promessas de vida consagrada. Nesta comunidade de homens e mulheres que escolheram dar a vida a Cristo pelo seu Reino, eu vi a beleza da Igreja no Egito, e rezei por todos os cristãos do Oriente Médio, para que guiados por seus pastores e acompanhados pelos consagrados, sejam sal e luz nestas terras, em meio ao povo. O Egito, para nós, foi um sinal de esperança, refugio e auxílio. Quando aquela parte do mundo era inflamada, Jacó, com os seus filhos, foi embora de lá; e depois, quando Jesus foi perseguido, foi até lá. Por isso contar a vocês sobre esta viagem significa percorrer o caminho da esperança: para nós o Egito é aquele sinal de esperança, seja pela história seja pelo hoje, desta fraternidade que eu desejei contar a vocês.

Agradeço novamente àqueles que tornaram possível esta Viagem e a todos que, de diversos modos, deram a sua contribuição, especialmente a tantas pessoas que ofereceram as suas orações e seus sofrimentos. A Família de Nazaré, que emigrou pelas margens do rio Nilo para fugir da violência de Herodes, abençoe e proteja sempre o povo egípcio e o guie sobre o caminho da prosperidade, da fraternidade e da paz.

Obrigado !


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO AO EGITO
28-29 DE ABRIL DE 2017


Sexta-feira, 28 de abril de 2017

10.45    Partida do Aeroporto de Roma/Fiumicino para o Cairo
Saudação aos jornalistas durante o voo Roma-Cairo     
14.00    Chegada ao Aeroporto Internacional do Cairo     
     Recepção oficial     
     Cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial em Heliópolis     
     Visita de cortesia ao Presidente da República     
     Visita de cortesia ao Grão-Imã de Al-Azhar     
     Discurso aos participantes na Conferência Internacional em prol da Paz
Discurso do Grão-Imã
Discurso do Santo Padre
 
16.40    Encontro com as Autoridades
Discurso do Presidente
Discurso do Santo Padre
 
     Visita de cortesia a S.S. Papa Tawadros II
Discurso do Papa Tawadros II
Discurso do Santo Padre
Declaração Comum

Encontro com um grupo de jovens

 
Sábado, 29 de abril de 2017

10.00    Santa Missa     
12.15    Almoço com os Bispos egípcios e a Comitiva Papal     
15.15    Encontro de oração com o clero, religiosos e seminaristas     
     Cerimônia de despedida     
17.00    Partida em avião do Aeroporto do Cairo
Encontro com os jornalistas durante o voo de regresso do Egito     
20.30    Chegada ao Aeroporto de Roma/Ciampino


Catequese do Papa: a promessa que dá esperança



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 26 de abril de 2017

Boletim da Santa Sé

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

“Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Estas últimas palavras do Evangelho de Mateus recordam o anúncio profético que encontramos no início: “A ele será dado o nome de Emanuel, que significa Deus conosco” (Mt 1, 23; cfr Is 7, 14). Deus estará conosco, todos os dias, até o fim do mundo. Jesus caminhará conosco, todos os dias, até o fim do mundo. Todo Evangelho está em torno destas duas citações, palavras que comunicam o mistério de Deus cujo nome, cuja identidade é estar-com: não é um Deus isolado, é um Deus-com, em particular conosco, isso é, com a criatura humana. O nosso Deus não é um Deus ausente, levado por um céu distante; é, em vez disso, um Deus “apaixonado” pelo homem, tão ternamente amante a ponto de ser incapaz de se separar dele. Nós humanos somos hábeis em cortar ligações e pontos. Ele, em vez disso, não. Se o nosso coração se esfria, o seu permanece sempre incandescente. O nosso Deus nos acompanha sempre, mesmo se por ventura nós nos esquecêssemos Dele. Na linha que divide a incredulidade da fé, decisiva é a descoberta de ser amados e acompanhados pelo nosso Pai, de não sermos nunca deixados sozinhos por Ele

A nossa existência é uma peregrinação, um caminho. Também quantos são movidos por uma esperança simplesmente humana percebem a sedução do horizonte, que os leva a explorar mundos que ainda não conhecem. A nossa alma é uma alma migrante. A Bíblia está cheia de histórias de peregrinos e viajantes. A vocação de Abraão começa com este comando: “Saia da tua terra” (Gen 12, 1). E o patriarca deixa aquele pedaço de mundo que conhecia bem e que era um dos berços da civilização do seu tempo. Tudo conspirava contra o significado daquela viagem. No entanto, Abraão parte. Não se torna homens e mulheres maduros se não se percebe a atração do horizonte: aquele limite entre o céu e a terra que pede para ser alcançado por um povo de caminhantes.

Em seu caminho no mundo, o homem nunca está sozinho. Sobretudo o cristão nunca se sente abandonado, porque Jesus nos assegura de não nos esperar somente ao término da nossa longa viagem, mas de nos acompanhar em cada um dos nossos dias.

Até quando vai durar o cuidado de Deus para com o homem? Até quando o Senhor Jesus, que caminha conosco, até quando cuidará de nós? A resposta do Evangelho não deixa margem para dúvidas: até o fim do mundo! Passarão os céus, passará a terra, serão canceladas as esperanças humanas, mas a Palavra de Deus é maior que tudo e não passará. E Ele será o Deus conosco, o Deus Jesus que caminha conosco. Não haverá dia na nossa vida em que deixaremos de ser preocupação para o coração de Deus. Mas alguém poderia dizer: “Mas, o que está dizendo?” Digo isso: não haverá dia na nossa vida em que deixaremos de ser uma preocupação para o coração de Deus. Ele se preocupa conosco e caminha conosco. E porque faz isso? Simplesmente porque nos ama. Entende isso? Ama-nos! E Deus seguramente providenciará todas as nossas necessidades, não nos abandonará na hora da prova e da escuridão. Esta certeza pede para aninhar-se na nossa alma para não apagar jamais. Alguém a chama com o nome de “Providência”. Isso é, a proximidade de Deus, o amor de Deus, o caminhar de Deus conosco se chama também a “Providência de Deus”: Ele provê na nossa vida.

Não por acaso, entre os símbolos cristãos da esperança há um que eu gosto tanto: a âncora. Essa exprime que a nossa esperança não é vaga; não deve ser confundida com o sentimento momentâneo de quem quer melhorar as coisas deste mundo de forma irrealista, contando apenas com a própria força de vontade. A esperança cristã, de fato, encontra a sua raiz não na atração do futuro, mas da segurança daquilo que Deus nos prometeu e realizou em Jesus Cristo. Se Ele garantiu não nos abandonar nunca, se o início de toda vocação é um “Segue-me”, com que Ele nos assegura estar sempre diante de nós, por que, então, temer? Com esta promessa, os cristãos podem caminhar por toda parte. Mesmo atravessando porções de mundo ferido, onde as coisas não vão bem, nós estamos entre aqueles que mesmo lá continuam a esperar. Diz o salmo: “Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo” (Sal 23, 4). É justamente onde espalha a escuridão que é preciso ter acesa uma luz. Voltemos à âncora. A nossa fé é a âncora no céu. Nós temos a nossa vida ancorada no céu. O que devemos fazer? Segurar na corda: está sempre ali. E seguimos adiante porque estamos seguros de que a nossa vida tem como uma âncora no céu, sobre aquela costa onde chegaremos.

Certo, se fôssemos confiar somente nas nossas forças, teríamos razões para nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo muitas vezes se mostra refratário às ligações de amor. Prefere, tantas vezes, as leis do egoísmo. Mas se em nós sobrevive a certeza de que Deus não nos abandona, que Deus ama a nós e este mundo com ternura, então muda imediatamente a perspectiva. “Homo viator, spe erectus”, diziam os antigos. Ao longo do caminho, a promessa de Jesus “Eu estou convosco” nos faz ficar de pé, eretos, com esperança, confiando que o Deus bom já está trabalhando para realizar aquilo que humanamente parece impossível, porque a âncora está na praia do céu.

O santo povo fiel de Deus é gente que está em pé – “homo viator” – e caminha, mas em pé, “erectus”, e caminha na esperança. E onde quer que vá, sabe que o amor de Deus o precedeu: não há parte do mundo que escape da vitória de Cristo Ressuscitado. E qual é a vitória de Cristo Ressuscitado? A vitória do amor. Obrigado.


A nossa fé nasce na manhã de Páscoa, diz Papa na catequese



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 19 de abril de 2017

Boletim da Santa Sé


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Encontramo-nos hoje à luz da Páscoa, que celebramos e continuamos a celebrar com a Liturgia. Por isso, no nosso itinerário de catequese sobre esperança cristã, hoje gostaria de falar-vos de Cristo Ressuscitado, nossa esperança, assim como o apresenta São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (cfr cap. 15).

O apóstolo quer resolver uma problemática que seguramente na comunidade de Corinto estava no centro das discussões. A ressurreição é o último assunto abordado na Carta, mas provavelmente, em ordem de importância, é o primeiro: tudo, na verdade, se apoia sobre esse pressuposto.

Falando aos seus cristãos, Paulo parte de um dado incontestável, que não é o êxito de uma reflexão de qualquer homem sábio, mas um fato, um simples fato que interveio na vida de algumas pessoas. O cristianismo nasce daqui. Não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas é um caminho de fé que parte de um acontecimento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus. Paulo o resume deste modo: Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, e no terceiro dia ressuscitou e apareceu a Pedro e aos Doze (cfr 1Cor 15, 3-5). Este é o fato: morreu, foi sepultado, ressuscitou e apareceu. Isso é, Jesus está vivo! Este é o núcleo da mensagem cristã.

Anunciando este acontecimento, que é o núcleo central da fé, Paulo insiste sobretudo no último elemento do mistério pascal, isso é, sobre o fato de que Jesus ressuscitou. Se, de fato, tudo tivesse terminado com a morte, Nele teríamos um exemplo de dedicação suprema, mas isso não poderia gerar a nossa fé. Foi um herói. Não! Morreu, mas ressuscitou. Porque a fé nasce da ressurreição. Aceitar que Cristo morreu e morreu crucificado não é um ato de fé, é um fato histórico. Em vez disso, acreditar que ressuscitou sim. A nossa fé nasce na manhã de Páscoa. Paulo faz uma lista de pessoas a quem Jesus ressuscitado apareceu (cfr vv.5-7). Temos aqui uma pequena síntese de todos os relatos pascais e de todas as pessoas que entraram em contato com o Ressuscitado. No topo da lista temos Cefas, isso é, Pedro, e o grupo dos Doze, depois “quinhentos irmãos” muitos dos quais podiam ainda dar testemunho, depois é citado Tiago. Último da lista – como o menos digno de todos – está ele próprio. Paulo diz de si mesmo: “Como um aborto” (cfr v.8).

Paulo usa esta expressão porque a sua história pessoal é dramática: ele não era um coroinha, mas era um perseguidor da Igreja, orgulhoso das próprias convicções; sentia-se um homem que chegou, com uma ideia muito límpida do que fosse a vida com os seus deveres. Mas neste quadro perfeito – tudo era perfeito em Paulo, sabia tudo – neste quadro perfeito de vida, um dia acontece aquilo que era absolutamente imprevisível: o encontro com Jesus Ressuscitado, no caminho de Damasco. Ali não foi somente um homem que caiu por terra: foi uma pessoa que foi pega por um evento que mudaria o sentido da sua vida. E o perseguidor se torna apóstolo, por que? Porque eu vi Jesus vivo! Vi Jesus Cristo Ressuscitado! Este é o fundamento da fé de Paulo, como da fé dos outros apóstolos, como da fé da Igreja, como da nossa fé.

Que belo pensar que o cristianismo, essencialmente, é isso! Não é tanto a nossa busca em relação a Deus – uma busca, em verdade, assim, às vezes – mas, em vez disso, a busca de Deus em relação a nós. Jesus nos tomou, nos agarrou, nos conquistou para não nos deixar mais. O cristianismo é graça, é surpresa e por esse motivo pressupõe um coração capaz de maravilhas. Um coração fechado, um coração racionalista é incapaz de maravilha e não pode entender o que é o cristianismo. Porque o cristianismo é graça e a graça somente se percebe, se encontra na maravilha do encontro.

E então, mesmo se somos pecadores – todos nós o somos – se os nossos propósitos de bem ficaram somente no papel ou se, olhando para a nossa vida, nos damos conta de ter somado tantos insucessos…Na manhã de Páscoa podemos fazer como aquelas pessoas de que fala o Evangelho: ir ao sepulcro de Cristo, ver a grande pedra caída e pensar que Deus está realizando por mim, por todos nós, um futuro inesperado. Ir até o nosso sepulcro: todos o temos um pouquinho dentro. Ir ali e ver como Deus é capaz de ressurgir dali. Aqui há felicidade, aqui há alegria, vida, onde todos pensavam que houvesse somente tristeza, derrota e trevas. Deus faz crescer as suas flores mais belas em meio às pedras mais áridas.

Ser cristãos significa não partir da morte, mas do amor de Deus por nós, que derrotou a nossa grande inimiga. Deus é maior que qualquer coisa e basta somente uma vela acesa para vencer a mais obscura das noites. Paulo grita, recordando os profetas: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (v.55). Nestes dias de Páscoa, levemos esse grito no coração. E se nos perguntarem o porquê do nosso sorriso doado e da nossa paciente partilha, então poderemos responder que Jesus ainda está aqui, que continua a estar vivo entre nós, que Jesus está aqui, na praça, conosco: vivo e ressuscitado.


Catequese do Papa Francisco sobre a esperança da cruz



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 12 de abril de 2017

Boletim da Santa Sé


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Domingo passado fizemos memória do ingresso de Jesus em Jerusalém, entre as aclamações festivas dos discípulos e de grande multidão. Aquele povo colocava em Jesus muita esperança: tantos esperavam Dele milagres e grandes sinais, manifestações de poder e até mesmo a liberdade dos inimigos ocupantes. Quem deles teria imaginado que dali a pouco Jesus seria, em vez disso, humilhado, condenado e morto na cruz? As esperanças terrenas daquele povo abalaram-se diante da cruz. Mas nós acreditamos que justamente no Crucifixo a nossa esperança renasceu. As esperanças terrenas se abalam diante da cruz, mas renascem esperanças novas, aquelas que duram para sempre. É uma esperança diferente aquela que nasce na cruz. É uma esperança diferente daquelas que se abalam, daquelas do mundo. Mas de que esperança se trata? Que esperança nasce da cruz?

Pode ajudar a entendê-lo aquilo que o próprio Jesus diz depois de entrar em Jerusalém: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24). Pensemos em um grão ou em uma pequena semente, que cai no terreno. Se permanece fechado em si mesmo, nada acontece; se, em vez disso, se quebra, se abre, então dá vida a uma espiga, a um broto, depois a uma planta e a planta dará fruto.

Jesus trouxe ao mundo uma esperança nova e o fez ao modo da semente: se fez pequeno pequeno, como um grão de trigo; deixou a sua glória celeste para vir entre nós: “caiu na terra”. Mas ainda não bastava. Para dar fruto Jesus viveu o amor até o fim, deixando-se despedaçar pela morte como uma semente se deixa despedaçar sob a terra. Justamente ali, no ponto extremo do seu rebaixamento – que é também o ponto mais alto do amor – germinou a esperança. Se alguém de vocês pergunta: “Como nasce a esperança?”. “Da cruz. Olha para a cruz, olha o Cristo Crucificado e dali chegará a você a esperança que não desaparece mais, aquela que dura até a vida eterna”. E esta esperança germinou justamente pela força do amor: porque o amor que “tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13, 7), o amor que é a vida de Deus renovou tudo aquilo que alcançou. Assim, na Páscoa, Jesus transformou, tomando-o sobre si, o nosso pecado em perdão. Mas vejam bem como é a transformação que a Páscoa faz: Jesus transformou o nosso pecado em perdão, a nossa morte em ressurreição, o nosso medo em confiança. Eis porque ali, na cruz, nasceu e renasce sempre a nossa esperança; eis porque com Jesus toda nossa escuridão pode ser transformada em luz, toda derrota em vitória, toda desilusão em esperança. Toda: sim, toda. A esperança supera tudo, porque nasce do amor de Jesus que se fez como o grão de trigo na terra e morreu para dar vida e daquela vida plena de amor vem a esperança.

Quando escolhemos a esperança de Jesus, pouco a pouco descobrimos que o modo de viver é aquele da semente, aquele do amor humilde. Não há outro caminho para vencer o mal e dar esperança ao mundo. Mas vocês podem me dizer: “Não, é uma lógica perdedora!”. Parece assim, que seja uma lógica perdedora, porque quem ama perde poder. Pensaram nisso? Quem ama perde poder, quem doa, se priva de algo e amar é um dom. Na realidade, a lógica da semente que morre, do amor humilde, é o caminho de Deus e somente esta dá fruto. Vemos isso também em nós: possuir leva sempre a querer outra coisa: obtive uma coisa para mim e logo quero outra maior, e assim vai, e nunca estamos satisfeitos. É uma sede bruta! Quanto mais você tem, mais você quer. Quem é voraz nunca está saciado. E Jesus o diz claramente: “Quem ama a própria vida a perde” (Jo 12, 25). Você é voraz, procura ter tantas coisas, mas…perderá tudo, também a sua vida, isso é, quem ama o próprio e vive por seus interesses se enche apenas de si e perde. Quem, em vez disso, está disponível e serve, vive ao modo de Deus: então é bem sucedido, salva a si mesmo e aos outros; torna-se semente de esperança para o mundo. Mas é belo ajudar os outros, servir os outros…Talvez nos cansaremos! Mas a vida é assim e o coração se enche de alegria e de esperança. Isso é amor e esperança junto: servir e dar.

Certo, este amor verdadeiro passa pela cruz, pelo sacrifício, como para Jesus. A cruz é a passagem obrigatória, mas não é a meta, é uma passagem: a meta é a glória, como nos mostra a Páscoa. E aqui nos vem em auxílio outra imagem belíssima, que Jesus deixou aos discípulos durante a Última Ceia. Diz: “Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio sua hora. Mas, depois que deu à luz à criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo” (Jo 16, 21). Bem: doar a vida, não possuí-la. E isto é o que as mães fazem: dão outra vida, sofrem, mas depois são alegres, felizes porque deram à luz uma outra vida. Dá alegria; o amor dá à luz a vida e dá até mesmo sentido à dor. O amor é o motor que faz seguir adiante a nossa esperança. Repito: o amor é o motor que faz seguir adiante a nossa esperança. E cada um de nós pode se perguntar: “Amo? Aprendi a amar? Aprendo todos os dias a amar mais?”, porque o amor é o motor que faz seguir adiante a nossa esperança.

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias, dias de amor, deixemo-nos envolver pelo mistério de Jesus que, como grão de trigo, morrendo nos doa a vida. É Ele a semente da nossa esperança. Contemplemos o Crucifixo, fonte de esperança. Pouco a pouco entenderemos que esperar com Jesus é aprender a ver já agora a planta da semente, a Páscoa na cruz, a vida na morte. Gostaria agora de dar a vocês uma tarefa para fazer em casa. A todos, nos fará bem parar diante do Crucifixo – todos vocês têm um em casa – olhá-lo e dizer-lhe: “Contigo nada está perdido. Contigo posso sempre esperar. Tu és a minha esperança”. Imaginemos agora o Crucifixo e todos juntos digamos a Jesus Crucificado por três vezes: “Tu és a minha esperança”. Todos: “Tu és a minha esperança”. Mais forte! “Tu és a minha esperança”. Obrigado.


Catequese do Papa Francisco: dar a razão da esperança



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 5 de abril de 2017

Boletim da Santa Sé

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A Primeira Carta do Apóstolo Pedro leva em si um encargo extraordinário! É preciso lê-la uma, duas, três vezes para entender este encargo extraordinário: pode infundir grande consolo e paz, fazendo perceber como o Senhor está sempre próximo a nós e não nos abandona nunca, sobretudo nos momentos mais delicados e difíceis da nossa vida. Mas qual é o “segredo” desta Carta, e de modo particular do trecho que acabamos de ouvir (cfr 1Ped 3, 8-17)? Esta é uma pergunta. Sei que vocês hoje pegarão o Novo Testamento, procurarão a primeira Carta de Pedro e a lerão devagar, para entender o segredo e a força desta Carta. Qual é o segredo desta Carta?

1. O segredo está no fato de que este escrito tem suas raízes diretamente na Páscoa, no coração do mistério que estamos para celebrar, fazendo-nos, assim, perceber toda a luz e a alegria que surgem da morte e ressurreição de Cristo. Cristo está realmente ressuscitado e esta é uma bela saudação para nos dar no dia da Páscoa: “Cristo ressuscitou! Cristo ressuscitou!”, como tantos povos fazem. Recordar-nos que Cristo ressuscitou, está vivo entre nós, está vivo e habita em cada um de nós. É por isso que São Pedro nos convida com força a adorá-Lo nos nossos corações (cfr v. 16). Ali o Senhor fez morada no momento do nosso Batismo e dali continua a renovar a nós e a nossa vida, com o seu amor e a plenitude do Espírito. Eis porque, então, o apóstolo nos recomenda darmos razão da esperança que está em nós (cfr v. 16): a nossa esperança não é um conceito, não é um sentimento, não é um telefone, não é uma pilha de riquezas! A nossa esperança é uma Pessoa, é o Senhor Jesus que reconhecemos vivo e presente em nós e nos nossos irmãos, porque Cristo ressuscitou. Os povos eslavos, quando se saúdam, em vez de dizer “bom dia”, boa noite”, nos dias de Páscoa se saúdam com isso “Cristo ressuscitou!”, “Christos voskrese!”, dizem entre eles; e são felizes por dizê-lo! E este é o “bom dia” e a “boa noite” que se dão: “Cristo ressuscitou!”.

2. Compreendemos, então, que esta esperança não deve ser levada tanto em conta em nível teórico, em palavras, mas sobretudo com o testemunho de vida, e isso seja dentro da comunidade cristã, seja fora dela. Se Cristo está vivo e mora em nós, no nosso coração, então devemos também deixar que se torne visível, não escondê-lo, e que aja em nós. Isso significa que o Senhor Jesus deve se tornar sempre mais o nosso modelo: modelo de vida e que nós devemos aprender a nos comportarmos como Ele se comportou. Fazer o que Jesus fazia. A esperança que mora em nós, portanto, não pode permanecer escondida dentro de nós, do nosso coração: mas, seria uma esperança frágil, que não tem a coragem de sair e fazer-se ver; mas a nossa esperança, como evidencia o Salmo 33 citado por Pedro, deve necessariamente externar-se, tomando a forma delicada e inconfundível da doçura, do respeito e da bondade para com o próximo, chegando até mesmo a perdoar quem nos faz mal. Uma pessoa que não tem esperança não consegue perdoar, não consegue dar o consolo do perdão e ter o consolo de perdoar. Sim, porque assim fez Jesus e assim continua a fazer através daqueles que lhe dão espaço em seu coração e em sua vida, na consciência de que o mal não se vence com o mal, mas com a humildade, a misericórdia e a mansidão. Os mafiosos pensam que o mal pode ser vencido com o mal e assim fazem vingança e tantas coisas que todos sabemos. Mas não sabem o que é humildade, misericórdia e mansidão. E por que? Porque os mafiosos não têm esperança. Pensem nisso.

3. Eis porque São Pedro afirma que “é melhor sofrer fazendo o bem que fazendo o mal” (v. 17): não quer dizer que é bom sofrer, mas que, quando sofremos pelo bem, estamos em comunhão com o Senhor, que aceitou sofrer e ser colocado na cruz para a nossa salvação. Quando, então, também nós, nas situações menores ou maiores da nossa vida, aceitamos sofrer pelo bem, é como se semeássemos em volta de nós sementes de ressurreição, sementes de vida, e fizéssemos resplandecer na escuridão a luz da Páscoa. É por isso que o Apóstolo nos exorta a responder sempre “desejando o bem” (v. 9): a benção não é uma formalidade, não é só um sinal de cortesia, mas é um grande dom que nós primeiro recebemos e temos a possibilidade de partilhar com os irmãos. É o anúncio do amor de Deus, um amor imenso, que não termina, que não diminui e que constitui o verdadeiro fundamento da nossa esperança.

Queridos amigos, compreendamos também porque o Apóstolo Pedro nos chama “felizes”, quando devêssemos sofrer pela justiça (cfr v. 13). Não é somente por uma razão moral ou ascética, mas é porque toda vez que nós tomamos parte dos últimos e dos marginalizados ou que não respondemos ao mal com o mal, mas perdoando, sem vingança, perdoando e bendizendo, toda vez que fazemos isso nós resplandecemos como sinais vivos e luminosos de esperança, tornando-nos, assim, instrumento de consolação e de paz, segundo o coração de Deus. E assim seguimos adiante com a doçura, a mansidão, o ser amável e fazendo o bem também àqueles que não nos querem bem, ou nos fazem mal. Adiante!


Catequese do Papa: esperar contra toda esperança



Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 29 de março de 2017

Boletim da Santa Sé

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho da Carta de São Paulo aos Romanos que acabamos de ouvir nos dá um grande presente. De fato, estamos habituados a reconhecer em Abraão o nosso pai na fé; hoje, o Apóstolo nos faz compreender que Abraão é para nós pai na esperança; não somente pai da fé, mas pai na esperança. E isso porque no seu relato podemos já colher um anúncio da Ressurreição, da vida nova que vence o mal e a própria morte.

No texto se diz que Abraão acredita no Deus “que dá vida aos mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4, 17); e depois precisa: “Ele não vacilou na fé, mesmo vendo já como morto o próprio corpo e morto o seio de Sara” (Rm 4, 19). Bem, esta é a experiência que somos chamados a viver também nós. O Deus que se revela a Abraão é o Deus que salva, o Deus que faz sair do desespero e da morte, o Deus que chama à vida. Na história de Abraão tudo se torna um hino ao Deus que liberta e regenera, tudo se torna profecia. E o torna para nós, para nós que agora reconhecemos e celebramos o cumprimento de tudo isso no mistério da Páscoa. Deus, de fato, “ressuscitou Jesus dos mortos” (Rm 4, 24), para que também nós possamos passar Nele da morte à vida. E realmente, então, Abraão pode muito bem ser chamado “pai de muitos povos”, enquanto resplandece como anúncio de uma humanidade nova – nós! – resgatada por Cristo do pecado e da morte e introduzida de uma vez por todas no abraço do amor de Deus.

Neste ponto, Paulo nos ajuda a colocar em foco o laço estreitíssimo entre a fé e a esperança. Ele de fato afirma que Abraão “acreditou, firme na esperança contra toda esperança” (Rm 4, 18). A nossa esperança não se rege por raciocínios, previsões e seguranças humanas; e se manifesta lá onde não há mais esperança, onde não há mais nada em que esperar, justamente como acontece com Abraão, diante de sua morte iminente e da esterilidade da mulher Sara. Aproximava-se o fim para eles, não podiam ter filhos e naquela situação Abraão acreditou e teve esperança contra toda esperança. E isso é grande! A grande esperança se enraiza na fé, e justamente por isso é capaz de seguir além de toda esperança. Sim, porque não se baseia na nossa palavra, mas na Palavra de Deus. Também neste sentido, então, somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que, mesmo diante da evidência de uma realidade que parece destinada à morte, confia em Deus, “plenamente convencido de que o que ele havia prometido também era capaz de cumprir” (Rm 4, 21). Eu gostaria de fazer uma pergunta a vocês: nós, todos nós, estamos convencidos disso? Estamos convencidos de que Deus nos quer bem e que tudo aquilo que nos prometeu está disposto a cumprir? Mas, padre, quanto devemos pagar por isso? Há somente um preço: “abrir o coração”. Abram seus corações e esta força de Deus vos levará adiante, fará coisas milagrosas e vos ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração à fé e Ele fará o resto.

Este é o paradoxo e ao mesmo tempo o elemento mais forte, mais alto da nossa esperança! Uma esperança baseada sobre uma promessa que, do ponto de vista humano, parece incerta e imprevisível, mas que não diminui nem diante da morte, quando quem promete é o Deus da Ressurreição e da vida. Não é qualquer um que promete! Aquele que promete é o Deus da Ressurreição e da vida.

Queridos irmãos e irmãs, peçamos hoje ao Senhor a graça de permanecermos fundados não tanto sobre as nossas seguranças, sobre as nossas capacidades, mas sobre a esperança que decorre da promessa de Deus, como verdadeiros filhos de Abraão. Quando Deus promete, cumpre o que prometeu. Nunca falta à sua palavra. E então a nossa vida assumirá uma luz nova, na consciência que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará também a nós e nos tornará realmente uma só coisa com Ele, junto a todos os nossos irmãos na fé. Nós todos acreditamos. Hoje estamos todos na praça, louvamos ao Senhor, cantaremos o Pai Nosso, depois receberemos a benção…Mas isso passa. Mas essa é também uma promessa de esperança. Se hoje temos o coração aberto, asseguro-vos que todos nós nos encontraremos na praça do céu que nunca passa. Essa é a promessa de Deus e esta é a nossa esperança, se nós abrimos os nossos corações. Obrigado.


Tweets do Santo Padre:



26/03/2017
A Quaresma é o momento favorável para intensificar a vida do espírito através do jejum, da oração e da esmola.
25/03/2017
A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens.
24/03/2017
Recordamos tantos irmãos e irmãs cristãos que sofrem perseguições por causa de sua fé. Estamos unidos a eles.
24/03/2017
O jejum é fecundo se acompanhado do amor concreto pelo próximo, especialmente em dificuldade.
23/03/2017
A certeza da fé seja o motor da nossa vida.
22/03/2017


Papa no Angelus: viver como filhos da luz e caminhar na luz

Cidade do Vaticano (RV) – A cura do cego de nascença, narrada pelo Evangelho de João, proposto pela Liturgia do dia, inspirou a alocução do Papa – que precede a oração do Angelus -  neste IV Domingo da Quaresma, 26.março.2017.

“Com este milagre Jesus se manifesta e se manifesta a nós como luz do mundo” e que acolhendo novamente nesta Quaresma a luz da fé, “também nós, a partir da nossa pobreza”, sejamos “portadores de um raio da luz de Cristo”, disse Francisco, dirigindo-se aos milhares de fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

“O cego de nascença – explicou o Santo Padre -  representa cada um de nós que fomos criados para conhecer Deus, mas por causa do pecado somos como cegos, temos necessidade de uma nova luz, a da fé, que Jesus nos deu”.

Aquele cego do Evangelho, ao readquirir a visão, “abre-se ao mistério de Cristo”, disse o Pontífice, que explicou:

“Este episódio nos induz a refletir sobre nossa fé em Cristo, o Filho de Deus, e ao mesmo tempo refere-se também ao Batismo, que é o primeiro Sacramento da fé: o Sacramento que nos faz “vir à luz”, mediante o renascimento da água e do Espírito Santo; assim como acontece ao cego de nascença, ao qual se abrem os olhos após ter sido lavado na água da piscina de Siloé”.

“O cego de nascença curado – completou Francisco -  nos representa quando não nos damos conta que Jesus é a luz, “a luz do mundo”, quando olhamos para outros lugares, quando preferimos confiar nas pequenas luzes, quando tateamos no escuro”:

“O fato de que aquele cego não tenha um nome, nos ajuda a nos refletir com o nosso rosto e o nosso nome na sua história. Também nós fomos “iluminados” por Cristo no Batismo, e portanto somos chamados a comporta-nos como filhos da luz. E comportar-se como filhos da luz exige uma mudança radical de mentalidade, uma capacidade de julgar homens e coisas segundo uma outra escala de valores, que vem de Deus. O Sacramento do Batismo, de fato, exige a escolha firme e decidida de viver como filhos da luz e caminhar na luz”.

Mas, o que significa “ter a verdadeira luz, caminhar na luz?”:

“Significa, antes de tudo, abandonar as falsas luzes: a luz fria e fátua do preconceito contra os outros, porque o preconceito distorce a realidade e nos enche de aversão contra aqueles que julgamos sem misericórdia e condenamos sem apelo. Isto é pão de todo dia! Quando se fala mal dos outros, não se caminha na luz, se caminha na sombra”.

E Francisco completa:

“Outra luz falsa, porque sedutora e ambígua, é aquela do interesse pessoal: se valorizamos homens e coisas baseados em critérios de nossa utilidade, do nosso prazer, do nosso prestígio, não realizamos a verdade nos relacionamentos e nas situações. Se vamos por este caminho do buscar somente o interesse pessoal, caminhamos nas sombras”.

O Papa concluiu, pedindo que a Virgem Santa obtenha para nós “a graça de acolher novamente nesta Quaresma a luz da fé, redescobrindo o dom inestimável do Batismo, que todos nós recebemos. E esta nova iluminação nos transforme nas atitudes e nas ações, para sermos também nós, a partir da nossa pobreza, portadores de um raio da luz de Cristo”.

Após rezar o Angelus, o Papa saudou os presentes e agradeceu ao Cardeal Scola e aos milanese pela calorosa acolhida que teve durante sua visita a Milão no sábado: "Uma acolhida extraordinária, para um dia inesquecível. Realmente me senti em casa. E isto com todos, crentes e não-crentes. Vos agradeço muito queridos milaneses e digo uma coisa para vocês: constatei que é verdade aquilo que se diz: 'Em MIlão se recebe com o coração na mão". Obrigado!".


Encontro com crismandos conclui visita do Papa a Milão

Uma multidão de 80 mil jovens acolheu o Papa no Estádio de São Siro, em Milão, aos gritos de “Francisco, Francisco”, naquele que foi o seu último compromisso em terras ambrosianas antes de regressar a Roma. Uma verdadeira festa da fé, com muita música, cores e danças.

No encontro com os crismandos, o Santo Padre respondeu a algumas perguntas feitas por um jovem crismando, por um casal e por uma catequista.

Um jovem

O primeiro a interpelar Francisco foi um jovem: “Quando tinhas a nossa idade, o que te ajudou a fazer crescer a amizade com Jesus?”

“São três coisas, com um fio unindo as três”. Os avós podem ajudar  a crescer na amizade com Jesus, esta é a minha experiência, disse Bergoglio.  “A nona me ensinou a rezar, também minha mãe”. “Os avós tem a sabedoria da vida”, reiterou o Papa, e com esta sabedoria “nos ensinam como caminhar próximos a Jesus. A mim o fizeram”. “Falem com vossos avós. Perguntem a eles, escutem-nos, falem com eles”.

Depois, “brincar com os amigos também me ajudou muito” – acrescentou o Papa - pois é bom “sentir alegria nas brincadeiras com os amigos, sem insultos”, e pensar, “assim brincava Jesus”. “Nos faz bem brincar com os amigos, porque quando o jogo é limpo, se aprende a respeitar os outros, se aprende a fazer uma equipe, a trabalhar juntos. E isto nos une a Jesus”. E se houver brigas, “depois pedir perdão”.

Por fim, uma terceira coisa que o ajudou muito a crescer na amizade com Jesus: ir à paróquia, reunir-se com os outros. É algo importante. Estas três coisas...um conselho que dou a vocês. Vos farão crescer na amizade com Jesus. “Com estas três coisas tu rezarás mais. E a oração é aquele fio que une as três coisas”.

Um pai

Um pai, ao lado de sua esposa, foi o segundo a dirigir-se ao Pontífice: “Como transmitir aos nossos filhos a beleza da fé? Às vezes parece realmente difícil poder falar deste tema sem ser chatos e banais e partilhar com eles a fé? Que palavras usar?

Em resposta, o Papa convidou os pais a recordarem-se das pessoas “que deixaram uma marca” na fé deles e “o que deles ficou marcado”, pedindo que por alguns minutos “voltassem a ser filhos para recordar as pessoas” que os ajudaram a acreditar. “Todos trazemos na memória, mas especialmente no coração, alguém que nos ajudou a crer”, observou.

O Papa explica que as crianças, os filhos, observam o comportamento dos adultos, “captando tudo”, “tirando as suas conclusões e os seus ensinamentos”. Neste sentido, aconselha os pais “a terem cuidado deles, a ter cuidado de seus corações, de sua alegria e de sua esperança”.

Quando se coloca um filho no mundo se deve ter a consciência de que temos a responsabilidade de fazê-lo crescer na fé. E acrescentou, que quando os pais brigam, as crianças sofrem e não crescem na fé.

“Os “olhos” de vossos filhos pouco a pouco memorizam e lêem com o coração como a fé é uma das melhores heranças que vocês receberam de vossos pais, de vossos antepassados. Mostrar a eles como a fé nos ajuda a seguir em frente, a enfrentar os tantos dramas que temos, não com uma atitude pessimista, mas confiante, este é o melhor testemunho que podemos dar a eles”.

Existe um dito: “As palavras são levadas pelo vento”, mas aquilo que se semeia na memória, no coração, permanece para sempre.

O Papa observa que em muitos lugares, muitas famílias têm a bonita tradição de irem juntas à Missa e depois a um parque. Assim, que a fé se torna uma exigência da família com outras famílias. Neste sentido. Francisco também exorta os pais a brincarem com seus filhos, a “perderem tempo” com eles.

Também educar à solidariedade, às obras de misericórdia. Neste ponto o Papa coloca um acento na “festa, na gratuidade, no buscar outras famílias e viver a fé como um espaço de prazer familiar”. A isto deve ser acrescentado outro elemento:  “não existe festa sem solidariedade”. Não dar o supérfluo, “mas dividir com os outros aquilo que temos”.

Uma catequista

Por fim, uma catequista pede ao Papa um conselho sobre como abrir à escuta e ao diálogo com todos os educadores que trabalham com os jovens:

A educação deve ser harmônica, responde o Papa. Educar com o conteúdo, as atitudes na vida e os valores. Mas nunca educar somente, por exemplo, com noções, ideias. Também o coração se deve fazer crescer na educação, o fazer, o modo de caminhar na vida.

Uma educação baseada no pensar-fazer-sentir (cabeça-mãos-coração). O conhecimento é multiforme, nunca é uniforme. Não separar. Não educar somente o intelecto – dar noção intelectual é importante, mas isto, sem o coração e as mãos, não serve.

Os jovens/alunos tem interesses e facilidades diferentes.  Para isto – diz o Papa – o professor deve estimular as boas qualidades de seus alunos.

O Papa, por fim, chama a atenção para o bullying. “Estejam atentos!”.

Agora pergunto a vocês, crismandos...escutem em silêncio: na vossa escola, em vosso bairro, há alguém que você insulta, engana, porque ele/ela tem algum defeito, porque é gordo, magro, isto ou aquilo?...pensem! Vocês gostam de fazê-los passar vergonha e de bater neles por isto? Pensem! Isto se chama bullying. Por favor...ainda não acabei...Por favor! Para o Sacramento da santa Crisma, façam a promessa ao Senhor de nunca fazer isto e nunca permitir que se faça isto em vosso colégio, escola, bairro, entendido? E me prometam nunca enganar, insultar o companheiro de colégio, de bairro. Prometem isto hoje? (Siiim, respondem!). O Papa não está contente com a resposta. Prometem isto? (Siiim, respondem!). Este sim disseram ao Papa. Agora em silêncio, pensem que coisa ruim é isto e pensem se vocês são capazes de prometer isto a Jesus. Prometem a Jesus nunca fazer este bullying? ...siiim!.  Obrigado! E que o Senhor vos abençoe.

Com a oração do Pai Nosso e a bênção final, o Santo Padre deixou o Estádio de São Siro pouco depois das 19 horas (hora local), para dirigir-se ao aeroporto e retornar a Roma.


Papa: Deus continua a procurar aliados para cooperar com a criatividade do Espírito

Milão (RV) – Diante de um público estimado em 1 milhão de pessoas, o Papa Francisco presidiu na tarde deste sábado, 25/03/2017, no Parque de Monza, a Santa Missa na Solenidade da Anunciação. Francisco destacou que como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de sentir-se parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito".

“Acabamos de ouvir o anúncio mais importante de nossa história: a anunciação a Maria (cfr. Lc 1, 26-38). Uma passagem densa, cheia de vida, e que gosto de ler à luz de outro anúncio:  o do nascimento de João Batista (cfr Lc 1, 5-20). Dois anúncios que se seguem e que estão unidos; dois anúncios que, comparados entre eles, nos mostram o que Deus dá a nós em seu Filho.

A anunciação de João Batista ocorre quando Zacarias, sacerdote, pronto para dar início à ação litúrgica, entra no Santuário do Templo, enquanto toda a assembleia está do lado de fora, à espera. A anunciação de Jesus, ao invés disto, realiza-se em um lugar perdido da Galileia, em uma cidade periférica e com uma fama não particularmente boa (cfr Jo 1,46), no anonimato da casa de uma jovem chamada Maria.

Um contraste não sem pouca importância, que nos indica que o novo Templo de Deus, o novo encontro de Deus com o seu povo, terá lugar em locais onde normalmente não se espera, às margens, na periferia. Lá se marcarão os encontros, lá se encontrarão; lá Deus se fará carne para caminhar junto a nós desde o seio de sua Mãe. Já não será mais um lugar reservado a poucos, enquanto a maioria permanece fora, à espera. Nada e ninguém lhe será indiferente, nenhuma situação será privada da sua presença: a alegria da salvação tem início na vida cotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.

Deus mesmo é Aquele que toma a iniciativa e escolhe inserir-se, como fez com Maria, em nossas casas, nas nossas lutas cotidianas, cheias de ansiedades e desejos. E é precisamente dentro das nossas cidades, das nossas escolas e universidades, das praças e dos hospitais que se cumpre o anúncio mais belo que podemos ouvir: “Alegra-te, o Senhor é contigo!”. Uma alegria que gera vida, que gera esperança, que se faz carne no modo em que olhamos ao amanhã, na postura com que olharmos para os outros. Uma alegria que se torna solidariedade, hospitalidade, misericórdia para com todos.

Como Maria, também nós podemos ser tomados pela dúvida. “Como acontecerá  isto?” em tempos assim com tanta especulação? Se especula sobre a vida, o trabalho, a família. Se especula sobre os pobres e os migrantes; se especula sobre os jovens e sobre seu futuro. Tudo parece reduzir-se a cifras, deixando por outro lado, que a vida cotidiana de tantas famílias se tinja de precariedade e de insegurança. Enquanto a dor bate em muitas portas, enquanto em tantos jovens cresce a insatisfação pela falta de oportunidades reais, a especulação é abundante por tudo.

Certamente, o ritmo vertiginoso a que somos submetidos parece nos roubar a esperança e a alegria. As pressões e a impotência diante de tantas situações pareceriam quase nos tirar o ânimo e tornar-nos insensíveis diante de inúmeros desafios. E paradoxalmente quando tudo se acelera para construir – em teoria – uma sociedade melhor, no final não se tem tempo para nada e para ninguém. Perdemos o tempo para a família, o tempo para a comunidade, perdemos o tempo para a amizade, para a solidariedade e para a memória.

Nos fará bem perguntarmo-nos: Como é possível viver a alegria do Evangelho hoje nas nossas cidades? É possível a esperança cristã nesta situação, aqui e agora?

Estas duas perguntas dizem respeito à nossa identidade, a vida das nossas famílias, dos nossos países e das nossas cidades. Dizem respeito à vida de nossos filhos, de nossos jovens e exigem de nossa parte um novo modo de situar-nos na história. Se a alegria e a esperança cristã continuam a ser possíveis, não podemos, não queremos permanecer diante de tantas situações dolorosas como meros expectadores que olham para o céu esperando que “pare de chover”. Tudo aquilo que acontece exige de nós que olhemos para o presente com audácia, com a audácia de quem sabe que a alegria da salvação toma forma na vida cotidiana da casa de uma jovem de Nazaré.

Diante da dúvida de Maria, diante de nossas dúvidas, três são as chaves que o Anjo nos oferece para ajudar-nos a aceitar a missão que nos é confiada:

1.    Evocar a Memória

A primeira coisa que o Anjo faz é evocar a memória, abrindo assim o presente de Maria a toda história da salvação. Evoca a promessa feita a Davi como fruto da aliança com Jacó. Maria é filha da Aliança. Também nós hoje somos convidados a fazer memória, a olhar para o nosso passado para não esquecer de onde viemos. Para não nos esquecermos dos nossos antepassados, dos nossos avós e de tudo aquilo que passaram para chegarmos onde estamos hoje. Esta terra e a sua gente conheceram a dor de duas guerras mundiais; e às vezes viram a sua merecida fama de trabalhadores e de civilidade manchada por desregradas ambições. A memória nos ajuda a não permanecer prisioneiros de discursos que semeiam fraturas e divisões como único modo para resolver os conflitos. Evocar a memória é o melhor antídoto a nossa disposição diante das soluções mágicas da divisão e do afastamento.

2.    A pertença ao Povo de Deus

A memória permite a Maria de apropriar-se de sua pertença ao Povo de Deus. Nos faz bem recordar que somos membros do Povo de Deus! Milaneses, sim, ambrosianos, certo, mas parte do grande Povo de Deus. Um povo formado por mil rostos, histórias e proveniências, um povo multicultural e multiétnico. Esta é uma das nossas riquezas. É um povo chamado a acolher as diferenças, a integrá-las com respeito e criatividade e a celebrar a novidade que provém dos outros; é um povo que não tem medo de abraçar as fronteiras; é um povo que não tem medo de dar acolhida a quem tem necessidade porque sabe que ali está presente o seu Senhor.

3.    A possibilidade do impossível

“Nada é impossível para Deus” (Lc 1,37): assim termina a resposta do Anjo a Maria. Quando acreditamos que tudo depende exclusivamente de nós, permanecemos prisioneiros das nossas capacidades, das nossas forças, dos nossos míopes horizontes. Quando, pelo contrário, nos dispomos a deixar-nos ajudar, a deixar-nos aconselhar, quando nos abrimos à graça, parece que o impossível começa a se tornar realidade. Sabem bem estas terras que, no decorrer de sua história, geraram tantos carismas, tantos missionários, tanta riqueza para a vida da igreja! Tantos rostos que, superando o pessimismo estéril e divisor, abriram-se à iniciativa de Deus e tornaram-se sinal do quão fecunda possa ser uma terra que não se deixa fechar nas próprias ideias, nos próprios limites e nas próprias capacidades e se abrem aos outros.

Como ontem, Deus continua a procurar aliados, continua a procurar homens e mulheres capazes de acreditar, capazes de fazer memória, de sentir-se parte de seu povo para cooperar com a criatividade do Espírito. Deus continua a percorrer os nossos bairros e as nossas ruas, vai em cada lugar em busca de corações capazes de escutar o seu convite e de fazê-lo tornar carne aqui e agora. Parafraseando Santo Ambrósio em sua comentário a esta passagem podemos dizer: Deus continua a buscar corações como o de Maria, dispostos a acreditar até mesmo em condições  extraordinárias (cfr. Esposizione del Vangelo sec. Luca II, 17: PL 15, 1559). Que o senhor faça crescer em nós esta fé e esta esperança.


Papa aos detentos na prisão de San Vittore: "Me sinto em casa!"

Milão (RV) – O Papa Francisco visitou no final da manhã deste sábado, 25.março.2017, em Milão a prisão San Vittore, onde estão reclusos 900 presos. Depois de percorrer os diferentes pavilhões e saudar os detentos, almoçou com cerca de cem deles.

As autoridades da prisão pensaram que o Papa se sentiria mais à vontade se durante o almoço pudesse trocar algumas palavras com detentos que falassem seu próprio idioma. Por esta razão, colocaram em sua mesa algumas detentas latino-americanas, como a equatoriana Dalia, a argentina Mónica e a chilena Gemma.

Os demais lugares no improvisado refeitório foram ocupados por presos representando diferentes nacionalidades e religiões, que aguardam a sentença definitiva.

Francisco visitou o primeiro pavilhão onde se encontram as mulheres detidas com seus filhos pequenos. O Papa saudou as detentas e conversou com os voluntários que trabalham no local.

Jorge Bergoglio percorreu os diversos setores da prisão até chegar na “Rotonda”, a parte central do complexo prisional, que serve de praça para os reclusos e onde pode saudar e ouvir uma ampla explanação.

“Me sinto em casa”, disse Francisco aos presos, segundo informou o jornal Avvenire.

Um representante dos presos pediu ao Papa para rezar por eles para “que seus erros possam ser perdoados” e “as pessoas não olhem para eles com desprezo”.

O almoço foi preparado por detentas que frequentam o curso da chamada “Escola Livre de Cozinha”. No menu, pratos típicos da cozinha milanesa, como risoto, chuleta empanada acompanhada por batatas e sobremesa.

Os responsáveis da prisão haviam colocado à disposição do Papa, segundo seu desejo pessoal, o quarto do Capelão para um breve repouso, fato não realizado pela falta de tempo, visto que presidiria logo após a Santa Missa no Parque de Monza, distante 20 km.

Francisco é o primeiro Pontífice a entrar na Prisão San Vittore, um cárcere utilizado durante a ocupação nazista como centro de tortura e detenção de judeus antes de sua deportação para Auschwitz.


Na Catedral de Milão, Papa dialoga com sacerdotes e consagrados

Milão, 25.março.2017 (RV) - Ao se despedir dos moradores do bairro “Casas Brancas” na periferia de Milão, Francisco se dirigiu à famosa Catedral da Cidade para o encontro com os sacerdotes e consagrados.

O discurso do Santo Padre consistiu em respostas a três perguntas feitas por um sacerdote, um diácono permanente e uma freira.

Respondendo ao sacerdote, Padre Gabriel Gioia, que lhe perguntou sobre a secularização e a sociedade multiétnica, multirreligiosa e multicultural de Milão, Francisco disse que uma das primeiras coisas que lhe vem em mente é a palavra “desafio”. Todas as épocas históricas, desde o início do cristianismo, foram submetidas a numerosos desafios, tanto na comunidade eclesial como na social:

“Não devemos temer os desafios, aliás é bom que existam, porque são sinais de uma fé e de uma comunidades vivas que buscam o Senhor. Devemos temer quando uma fé não representa um desafio; elas fazem com que a fé não se torne ideologia”.

Depois, referindo-se à realidade multicultural, multireligiosa e multiétnica, contida na pergunta do Padre Gabriel Gioia, o Pontífice disse que a Igreja, em toda a sua história, sempre teve algo para nos ensinar em relação à cultura da diversidade: as dioceses, os presbíteros, as comunidades, as congregações.

A Igreja é “una” nos seus aspectos multiformes. O Evangelho é “uno”. Não devemos confundir unidade com deformidade; é preciso, com a graça do Espírito Santo, fazer discernimento de tudo aquilo que nos conduz à ressurreição e à vida, não a uma cultura de morte.

A seguir, respondendo à segunda pergunta que um diácono permanente lhe fez sobre a “contribuição que um diácono pode dar para delinear o rosto de uma Igreja feliz, desapegada e humilde”, o Santo Padre disse que “os diáconos têm sempre muito para dar. E aqui, voltou a esclarecer o valor do discernimento. O diácono não deve ser confundido como “meio padre” e como “meio leigo” e nem como intermediário entre os fiéis e os pastores:

“O diaconato é uma vocação específica, uma vocação familiar que evoca o serviço, como um dos dons característicos do Povo de Deus. O diácono é o defensor do serviço no âmbito da Igreja: servir ao Altar, servir à Palavra, servir aos Pobres. A sua contribuição e missão consiste em recordar a todos a dimensão do serviço à fé, em âmbito laical, clerical e familiar”.

O diácono, explicou ainda o Papa, é sacramento do serviço a Deus e aos irmãos na família e entre o Povo de Deus. O diaconato é uma vocação eclesial e um dom do Espírito Santo a serviço de Deus, dos irmãos, dos pobres e de uma comunidade solidária.

Por fim, dirigindo-se à religiosa, Madre Paola Paganini, que lhe perguntou “como ser sinais, hoje, de profecia e testemunhas de uma vida pobre, virgem, obediente e fraterna, sendo uma minoria no mundo”, Francisco respondeu-lhe, partindo precisamente da palavra “minoria” que, muitas vezes, é acompanhada pela “resignação”, por causa da fragilidade, da velhice:

“A maioria dos nossos padres e madres fundadores jamais pensaram em ser uma multidão ou uma grande maioria. Os nossos fundadores foram movidos, pela ação do Espírito Santo e em certo momento da história, para ser presença alegre do Evangelho entre os irmãos; renovar e edificar a Igreja como fermento na massa e como sal e luz do mundo”.

A realidade de hoje, explicou o Santo Padre, precisa de unidade, de fermento e de sabor religioso, sobretudo nas periferias, onde as pessoas são excluídas, abandonadas, pobres. Apesar de serem poucos, numericamente, os religiosos devem, segundo seus carismas, irem às periferias para dar esperança e alegria, que brotam da mensagem evangélica. Colocar Cristo ao centro de tudo. E o Bispo de Roma concluiu:

“A evangelização nem sempre é sinônimo de pescar peixes, mas é tomar o largo, ser testemunhas de Jesus Cristo. Mas, depois, é o Senhor que pesca peixes como, quando e onde não sabemos. Isso é muito importante!"


Papa nas Casas Brancas: a Igreja precisa sempre de ser restaurada

A primeira etapa da visita do Papa a Milão, neste sábado,
25.março.2017, foi, portanto, o encontro com os habitantes do bairro periférico de ‘Case Bianche’ (Casas Brancas). Francisco agradeceu o acolhimento caloroso. "Sois vós - disse - que me acolheis na entrada de Milão, e este é um grande dom para mim: entrar na cidade encontrando rostos, famílias, uma comunidade. E agradeço-vos pelos dois presentes particulares que me oferecestes”.

O primeiro - disse o Papa - é esta estola, um sinal tipicamente sacerdotal, que me toca de uma maneira especial porque me recorda que eu venho aqui entre vós como sacerdote, entro em Milão como sacerdote. Esta estola não a comprastes já feita, mas foi criada aqui, foi tecida por alguns de vós, de maneira artesanal. Isto torna-a muito mais preciosa; e recorda que o sacerdote cristão é escolhido pelo povo e ao serviço do povo; o meu sacerdócio, como o do vosso pároco e dos outros sacerdotes que trabalham aqui, é um dom de Cristo, mas é 'tecido' por vós, pela vossa gente, com a sua fé, as suas fadigas, as suas orações, as suas lágrimas ... Eu vejo isto no sinal da estola. O sacerdócio é dom de Cristo, mas tecido por vós e isto vejo neste sinal.

"E depois me oferecestes a imagem da vossa Mãezinha: como era antes e como é agora, após a restauração, a imagem da Virgem Maria. Obrigado!”

"Eu sei - continuou Francisco - que em Milão me acolhe a Virgem Maria, no topo do Duomo (Catedral); mas graças ao vosso dom a Virgem Maria me acolhe já a partir daqui, na entrada. E isto é importante porque me recorda a bondade de Maria, que corre ao encontro de Isabel. É a bondade, a solicitude da Igreja, que não permanece no centro à espera, mas vai ao encontro de todos, nas periferias, vai também ao encontro dos não-cristãos, e mesmo os não-crentes ...; e os leva a todos a Jesus, que é o amor de Deus feito carne, que dá sentido à nossa vida e a salva do mal”.

E falando espontaneamente o Papa acrescentou: "E a Virgem Maria vai ao encontro não para fazer proselitismo, não! Mas para nos acompanhar na viagem da vida e também o facto que tenha sido a Virgem Maria a esperar por mim no ingresso de Milão me fez recordar quando, como crianças, meninos, regressávamos do colégio e estava a mãe à porta esperando por nós. Oh, Nossa Senhora é Mãe! E sempre vai antes, passa em frente para nos acolher, para esperar por nós. Obrigado por isto!”

"E é também significativo o facto da restauração: esta vossa Mãezinha foi restaurada, como a Igreja sempre precisa de ser "restaurada", porque é feita de nós, que somos pecadores, todos, eh!, somos pecadores!. Deixemo-nos restaurar por Deus, pela Sua misericórdia. Deixemo-nos limpar no coração, especialmente neste tempo de Quaresma. A Virgem Maria está sem pecado, ela não precisa de restauração, mas a sua estátua sim, e, assim, como Mãe, ela nos ensina a deixar-nos limpar pela misericórdia de Deus, para testemunhar a santidade de Jesus”.

E espontaneamente disse o Papa: "E falando fraternalmente, uma boa confissão nos fará muito bem a todos, eh! Ou não? Mas também peço aos confessores para que sejam misericordiosos!”

"Muito obrigado por estes presentes! E sobretudo, obrigado por estarem aqui, pelo vosso acolhimento e a vossa oração, que me acompanha na entrada a Milão. O Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos proteja. E por favor não vos esqueças de rezar por mim. E agora rezemos à Virgem Maria  [Ave Maria …]


Papa: discurso aos Chefes de Estado da União Europeia - Texto integral

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu  na tarde desta sexta-feira (24/03/2017) no Vaticano, os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia por ocasião do 60° aniversário dos Tratados de Roma. Confira a íntegra de seu discurso:

"Ilustres hóspedes.

Agradeço-lhes pela sua presença esta tarde, às vésperas do 60° aniversário da assinatura dos Tratados institucionais da Comunidade Econômica Europeia e da Comunidade Europeia de Energia Atômica. Desejo manifestar a cada um o afeto que a Santa Sé nutre pelos seus respectivos Países e por toda a Europa, a cujos destinos está, por disposição da Providência, ligada indivisivelmente.

Expresso particular gratidão ao Primeiro Ministro, Paolo Gentiloni, Presidente do Conselho dos Ministros da República Italiana pelas obsequiosas palavras que me dirigiu, em nome de todos, e pelo esforço que a Itália empregou para a preparação deste encontro; como também ao Deputado Antonio Tajani, Presidente do Parlamento Europeu, que, nesta ocasião, deu voz às esperanças dos povos da União.

Voltar a Roma após sessenta anos, não pode ser apenas uma viagem de recordações, quanto pelo maior desejo de redescobrir a memória viva daquele evento para compreender o seu alcance. É preciso identificar-se com os desafios de então para enfrentar aqueles de hoje e de amanhã. Com suas narrações, repletas de reminiscências, a Bíblia nos oferece um método pedagógico fundamental: não se pode compreender o tempo em que vivemos sem o passado, entendido não como um conjunto de acontecimentos distantes, mas como a linfa vital que se destaca no presente. Sem esta consciência, a realidade perde a sua unidade, a história o seu fio (eixo) lógico e a humanidade perde o sentido das suas ações e a direção do seu porvir.

O dia 25 de março de 1957 foi uma data repleta de expectativas, esperanças, entusiasmo e trepidação; somente um evento excepcional, pelo seu alcance e consequências históricas, podia torná-la única na história. A memória daquele dia une-se às expectativas de hoje e às esperanças dos povos europeus, que almejam discernir o presente para prosseguir, com renovado impulso e confiança, o caminho iniciado.

Disso estavam bem cientes os Pais fundadores e os Líderes que, ao colocar a própria assinatura nos dois Tratados, deram vida àquela realidade política, econômica, cultural, mas, sobretudo, humana, que hoje é chamada União Europeia. Por outro lado, como disse o Ministro do Exterior belga, Spaak, tratava-se “na verdade, do bem-estar material dos nossos povos, da expansão das nossas economias, do progresso social e de possibilidades industriais e comerciais totalmente novas, mas, sobretudo, (...) [de] uma particular concepção da vida, fraterna e justa, à medida do homem” ¹.

Depois dos anos obscuros e cruentos da Segunda Guerra Mundial, os líderes da época acreditaram na possibilidade de um futuro melhor, “não deixaram de ousar e nem agiram muito tarde. A recordação das desventuras passadas e das suas culpas parece ter-lhes inspirado e dado a coragem necessária para esquecer as antigas rivalidades e pensar em agir, de modo verdadeiramente novo, para realizar a maior transformação [...] da Europa” ².

Os Pais fundadores recordam-nos que a Europa não é um conjunto de regras a serem observadas, nem um prontuário de protocolos e procedimentos a serem seguidos. Ela é uma vida, um modo de conceber o homem, a partir da sua dignidade transcendente e inalienável, e não apenas um conjunto de direitos a serem defendidos ou de pretensões a serem reivindicadas. À origem da ideia sobre a Europa, está “a figura e a responsabilidade da pessoa humana, com sua efervescência de fraternidade evangélica, [...] com o seu desejo de verdade e de justiça, adquirido de uma experiência milenária” ³. Roma, com a sua vocação de universalidade (4), é o símbolo desta experiência e, por isso, foi escolhida como lugar da assinatura dos Tratados, porque aqui – recordou o Ministro do Exterior holandês, Luns, - “foram lançadas as bases políticas, jurídicas e sociais da nossa civilização” (5).

Foi claro, desde o princípio, que o coração pulsante do projeto político europeu não podia não ser o homem; mas, da mesma forma, foi evidente o risco de que os Tratados permanecessem letra morta. Eles deviam ser repletos de espírito vital. O primeiro elemento da vitalidade europeia é a solidariedade. “A Comunidade Econômica Europeia – afirmava o Primeiro Ministro luxemburguês, Bech – viverá e terá sucesso somente se, durante a sua existência, permanecer fiel ao espírito de solidariedade europeia, que a criou, e se o desejo comum da Europa em gestação for mais forte que os desejos nacionais” (6). Este espírito é muito necessário, hoje, diante dos impulsos centrífugos, como também da tentação de reduzir os ideais básicos da União às necessidades produtivas, econômicas e financeiras.

Da solidariedade nasce a capacidade de abrir-se aos outros. “Os nossos planos não são de natureza egoística” (7), disse o Chanceler alemão, Adenauer. “Sem dúvida, os Países que estão para se unir (...) não querem se isolar do resto do mundo e erigir, em torno de si, barreiras instransponíveis” (8), acrescentou o Ministro do Exterior francês, Pineau. Em um mundo, que conhecia bem o drama dos muros e as divisões, era bem evidente a importância de trabalhar por uma Europeia unida e aberta e o desejo comum de remover aquela barreira inatural que, do Mar Báltico ao Adriático, dividia o continente. Quanto esforço para abater aquele muro! Não obstante, hoje, perdeu-se a memória daquele esforço. Perdeu-se até a consciência do drama das famílias separadas, da pobreza e da miséria que aquela divisão provocou. Onde as gerações tinham a ambição de ver abatidos os sinais de inimizade forçada, agora se discute como excluir os “perigos” do nosso tempo, a partir da longa fila de mulheres, homens e crianças, em fuga da guerra e da pobreza, que pedem somente a possibilidade de um futuro para si e para seus entes queridos.

No vazio da memória, que distingue os nossos dias, muitas vezes se esquece também outra grande conquista, fruto da solidariedade sancionada em 25 de março de 1957: o período mais longo de paz dos últimos séculos. “Povos, que ao longo do tempo, se encontraram, muitas vezes, em campos opostos, a combater uns contra os outros, (...) agora, ao invés, estão unidos por meio da riqueza das suas peculiaridades nacionais” (9). A paz se constrói sempre com a contribuição livre e consciente de cada um. Todavia, “para muitos, hoje [ela] parece, de qualquer forma, um bem descontado” (10) e, por isso, torna-se fácil considerá-la supérflua. Pelo contrário, a paz é um bem precioso e essencial, porque sem ela não se tem condições de construir um futuro para ninguém e se acaba por “viver dia após dia”.

A Europa unida nasce, de fato, de um projeto claro, bem definido, adequadamente ponderado, mesmo se, no princípio, apenas embrionário. Todo bom projeto visa o futuro e o futuro são os jovens, chamados a realizar as promessas do futuro (11). Para os Pais fundadores, era clara, portanto, a consciência de se fazer parte de uma obra comum, que não ia apenas além dos confins dos Estados, mas também aqueles do tempo, a ponto de unir as gerações entre si, todas igualmente partícipes da construção da Casa comum.

Ilustres hóspedes.

Dediquei esta primeira parte do meu pronunciamento aos Pais da Europa, para que nos deixássemos impulsionar pelas suas palavras, pela atualidade do seu pensamento, pelo apaixonado compromisso pelo bem comum, que os caracterizou, pela certeza de fazer parte de uma obra maior que as suas pessoas e pela amplidão do ideal que os animava. Seu denominador comum era o espírito de serviço, unido à paixão política e à consciência que “à origem da civilização europeia encontra-se o cristianismo” (12),  sem o qual os valores ocidentais de dignidade, liberdade e justiça se tornam mais incompreensíveis. “Ainda hoje – afirmava São João Paulo II – a alma da Europa permanece unida, porque, além das suas raízes comuns, vive os idênticos valores cristãos e humanos, como os da dignidade da pessoa humana, do profundo sentimento de justiça e liberdade, de laboriosidade, de espírito de iniciativa, de amor à família, de respeito pela vida, de tolerância e desejo de cooperação e de paz, que são notas que a caracterizam” (13). No nosso mundo multicultural, tais valores continuarão a encontrar plena sintonia se souberem manter o seu nexo vital com a raiz que os gerou. Na fecundidade deste nexo está a possibilidade de edificar sociedades autenticamente leigas, destituídas de contradições ideológicas, nas quais encontram igualmente lugar o oriundo e o autóctone, o crente e o não crente.

Nos últimos sessenta anos, o mundo mudou muito. Se os Pais fundadores, que sobreviveram de um conflito devastador, eram animados pela esperança de um futuro melhor e determinados pelo desejo de realizá-lo, evitando o surgimento de novos conflitos, o nosso tempo é mais dominado pelo conceito de crise: uma crise econômica, que se destacou no último decênio; uma crise familiar e de modelos sociais consolidados; uma difundida “crise entre as instituições” e a crise dos migrantes: tantas crises que ocultam o medo e o extravio profundo do homem contemporâneo, que exige uma nova hermenêutica para o futuro. Entretanto, o termo “crise” não tem, de per si, uma conotação negativa. Não indica apenas um triste momento, que deve ser superado. A palavra crise tem origem no verbo grego crino (κρίνω), que significa investigar, avaliar, julgar. Este, portanto, é um tempo de discernimento, que nos convida a avaliar o essencial e a construir sobre ele: logo, é um tempo de desafios e de oportunidades.

Qual é, então, a hermenêutica, a chave interpretativa com a qual podemos ler as dificuldades do presente e encontrar respostas para o futuro? A lembrança do pensamento dos Pais seria, de fato, estéril se não servisse para nos indicar um caminho e se não se tornasse estímulo para o futuro e fonte de esperança. Todo corpo que perde o sentido do seu caminho, ao qual falta este olhar para o futuro, sofre primeiro uma evolução e, com o passar do tempo, arrisca perecer. Logo, o que os Pais fundadores nos deixaram? Quais perspectivas nos indicam para enfrentar os desafios que nos esperam? Qual a esperança para a Europa de hoje e de amanhã?

As respostas podem ser encontradas precisamente nos pilares sobre os quais eles quiseram edificar a Comunidade Econômica Europeia e que já os recordei: centralidade do homem, solidariedade concreta, abertura ao mundo, busca da paz e do desenvolvimento, abertura ao futuro. Quem governa tem a tarefa de discernir os caminhos da esperança, identificar os percursos concretos para que, os passos significativos dados até aqui, não se dispersem, mas sejam penhor de um caminho longo e frutuoso.

A Europa reencontra esperança quando o homem é o centro e o coração das suas instituições. Considero que isto implique a escuta atenta e confiante das instâncias que provém tanto dos indivíduos, como da sociedade e dos povos que compõe a União. Infelizmente, se tem com frequência a sensação de que está em andamento um "isolamento emocional" entre os cidadãos e as Instituições europeias, frequentemente percebidas como distantes e não atentas às diversas sensibilidades que constituem a União. Afirmar a centralidade do homem significa também reencontrar o espírito de família, em que cada um contribui livremente segundo as próprias capacidades e dotes, à casa comum. É oportuno ter presente que a Europa é uma família de povos (14) e - como em toda boa família - existem susceptibilidades diferentes, mas todos podem crescer na medida em que se está unido. A União Europeia nasce como unidade das diferenças e unidade nas diferenças. As peculiaridades não devem por isto assustar, nem se pode pensar que a unidade seja preservada da uniformidade. Ela é antes a harmonia de uma comunidade. Os Pais fundadores escolheram precisamente esta expressão como fundamento das entidades que nasciam dos Tratados, colocando o acento no fato de que se colocavam em comum os recursos e os talentos de cada um. Hoje a União Europeia tem necessidade de redescobrir o sentido de ser, antes de tudo, "comunidade" de pessoas e de povos conscientes de que "o todo é mais do que a parte, e é também mais do que sua simples soma" (15) e portanto, que "é necessário sempre alargar o olhar para reconhecer um bem maior que trará benefícios a todos" (16). Os Pais fundadores buscavam aquela harmonia na qual o todo está em cada um das partes, e as partes estão - cada uma com a própria originalidade - no todo.

A Europa reencontra esperança na solidariedade, que é também o mais eficaz antídoto aos populismos modernos. A solidariedade comporta a consciência de ser parte de um só corpo e ao mesmo tempo implica a capacidade que cada membro tem de "simpatizar" com o outro e com o todo. Se um sofre, todos sofrem (cf 1 Cor 12,26). Assim também nós hoje choramos com o Reino Unido as vítimas do atentado que atingiu Londres há dois dias. A solidariedade não é somente um bom propósito: é caracterizada por fatos e gestos concretos, que aproximam ao próximo, em qualquer condição este se encontre. Ao contrário, os populismos nascem precisamente do egoísmo, que fecha em um círculo restrito e sufocante e que não permite de superar o limite dos próprios pensamentos e "olhar além". É preciso recomeçar a pensar de modo europeu, para esconjurar o perigo oposto de uma cinzenta uniformidade, ou mesmo o triunfo dos particularismos. À política cabe tal liderança ideal, que evite deixar-se levar pelas emoções para ganhar consenso, mas antes elabore, em um espírito de solidariedade e subsidiariedade, políticas que façam crescer toda a União em um desenvolvimento harmônico, de forma que quem consegue correr mais rápido possa estender a mão a quem vai mais devagar e quem tem mais dificuldades consiga alcançar quem está na frente.

A Europa reencontra esperança quando não se fecha no medo de falsas seguranças. Pelo contrário, a sua história é fortemente determinada pelo encontro com outros povos e culturas e a sua identidade "é, e sempre foi, uma identidade dinâmica e multicultural" (17). Existe interesse no mundo pelo projeto europeu. Houve desde o primeiro dia, com a multidão comprimida na Praça do Campidoglio e com as mensagens de congratulação que chegaram de outros Estados. Existe ainda mais hoje, a partir daqueles países que pedem para entrar e fazer parte da União, como também daqueles Estados que recebem as ajudas que, com viva generosidade, são a eles oferecidas para fazer frente às consequências da pobreza, das doenças e das guerras. A abertura ao mundo implica a capacidade de "diálogo como forma de encontro" (18) em todos os níveis, a começar por aquele entre os Estados membros e entre as Instituições e os cidadãos, até aquele com os numerosos imigrantes que chegam às costas da União. Não se pode limitar em administrar a grave crise migratória destes anos como se fosse somente um problema numérico, econômico ou de segurança. A questão migratória coloca uma pergunta mais profunda, que é antes de tudo cultural. Qual cultura propõe a Europa hoje? O medo que frequentemente se adverte encontra, de fato, na perda dos ideais, a sua causa mais radical. Sem uma verdadeira perspectiva ideal se acaba por ser dominados pelo temor que o outro nos  prive dos hábitos consolidados, nos prive dos confortos adquiridos, coloque em discussão um estilo de vida feito muito frequentemente somente de bem-estar material. Pelo contrário, a riqueza da Europa sempre foi a sua abertura espiritual e a capacidade de colocar-se perguntas fundamentais sobre o sentido da existência. À abertura ao sentido do eterno corresponde também uma abertura positiva, mesmo se não privada de tensões e de erros, pelo mundo. O bem-estar adquirido parece, pelo contrário, ter atado as asas, e feito abaixar o olhar. A Europa tem um patrimônio ideal e espiritual único ao mundo que merece ser reproposto com paixão e renovado frescor, o que é o melhor remédio contra o vazio dos valores de nosso tempo, fértil terreno para toda forma de extremismo. São estes os ideais que tornaram a Europa a "península da Ásia" que dos Urais chega até o Atlântico.

A Europa reencontra esperança quando investe no desenvolvimento e na paz. O desenvolvimento não é dado por um conjunto de técnica produtivas. Ele diz respeito a todo o ser humano: a dignidade de seu trabalho, condições de via adequada, a possibilidade de ter acesso à educação e aos necessários cuidados médicos. "O desenvolvimento é o novo nome da paz" (19), afirmava Paulo VI, pois não existe verdadeira paz quando existem pessoas marginalizadas ou obrigadas a viver na miséria. Não existe paz onde falta trabalho ou a perspectiva de um salário digno. Não existe paz nas periferias das nossas cidades, nas quais se dissemina droga e violência.

A Europa reencontra esperança quando se abre ao futuro. Quando se abre aos jovens, oferecendo a eles perspectivas sérias de educação, reais possibilidades de inserção no mundo do trabalho. Quando investe na família, que é a primeira e fundamental célula da sociedade. Quando respeita a consciência e os ideais de seus cidadãos. Quando garante a possibilidade de fazer filhos, sem o medo de não poder mantê-los. Quando defende a vida em toda a sua sacralidade.

Ilustres hóspedes

No geral aumento da perspectiva de vida, sessenta anos são hoje considerados o tempo da plena maturidade. Uma idade crucial na qual mais uma vez se é chamados a colocar-se em discussão. Também a União Europeia é chamada hoje a colocar-se em discussão, a cuidar das inevitáveis doenças que vem com os anos e a encontrar percursos novos para prosseguir o próprio caminho. À diferença, porém, de um ser humano de sessenta anos, a União Europeia não tem diante de si uma inevitável velhice, mas a possibilidade de uma nova juventude. O seu sucesso dependerá da vontade de trabalhar mais uma vez juntos e pelo desejo de apostar no futuro. À vocês, enquanto líderes, caberá discernir o caminho de um "novo humanismo europeu" (20), feito de ideais e concretudes. Isto significa não ter medo de assumir decisões eficazes, capazes de responder aos problemas reais das pessoas e de resistir à prova do tempo.

De minha parte não posso que assegurar a proximidade da Santa Sé e da Igreja à toda Europa, para cuja edificação sempre contribuiu e sempre contribuirá, invocando sobre ela a bênção do Senhor, para que a proteja e dê a ela a paz e progresso. Faço por isto minhas as palavras que Joseph Bech pronunciou no Campidoglio: Ceterum censeo Europa, esse aedificandam, aliás, penso que a Europa mereça ser construída. Obrigado.
Apesar de sermos homens de pouca fé o Senhor nos salva. Esperamos sempre no Senhor!


Papa: quando nos distanciamos de Deus o coração se endurece

Cidade do Vaticano (RV) - “Ouvir a Palavra de Deus para evitar o risco de endurecer o coração”, disse o Papa Francisco na missa celebrada, esta quinta-feira (23/03/2017), na Casa Santa Marta.

Quando o povo não escuta a voz de Deus e vira as costas para Ele, acaba se distanciando Dele. Baseando-se num trecho do Livro do Profeta Jeremias, o Papa desenvolveu a sua meditação sobre a escuta da Palavra de Deus.

“Quando não paramos para ouvir a voz do Senhor, nos distanciamos Dele, viramos as costas para Ele. E quando não ouvimos a voz de Deus, ouvimos outras vozes.”

Se não ouvimos a Palavra de Deus, ouvimos os ídolos do mundo

“No final”, constatou amargamente o Pontífice, “fechamos os ouvidos e nos tornamos surdos à Palavra de Deus”.

“Se hoje todos nós pararmos um pouco e olharmos para o nosso coração, veremos quantas vezes fechamos os ouvidos e quantas vezes nos tornamos surdos. Quando um povo, uma comunidade, mas também uma comunidade cristã, uma paróquia, uma diocese, fecha os ouvidos e se torna surda, não ouve a Palavra de Deus, procura outras vozes, outros senhores e acaba seguindo os ídolos, os ídolos que o mundo, a mundanidade, a sociedade lhes oferece. Se distancia do Deus vivo.”

Quando o coração se endurece, tornamo-nos católicos ateus

“Quando nos distanciamos do Senhor”, prosseguiu o Papa, “o nosso coração se endurece”. Quando não ouvimos, o coração se torna mais duro, mais fechado em si mesmo. Duro e incapaz de receber alguma coisa. Não só fechamento, mas dureza do coração. Vive então naquele mundo, naquela atmosfera que não lhe faz bem, que o distancia cada dia mais de Deus”.

“E estas duas coisas – não escutar a Palavra de Deus e ter o coração endurecido, fechado em si mesmo – fazem perder a fidelidade. Perde-se o sentido da fidelidade. O Senhor diz na Primeira Leitura: ‘A fidelidade desapareceu’ e nós nos tornamos católicos infiéis, católicos pagãos ou pior ainda, católicos ateus, porque não temos uma referência de amor ao Deus vivo. Não escutar e virar as costas – que nos endurece o coração – que nos conduz ao caminho da infidelidade”.

“Esta infidelidade, como se traduz esta infidelidade?”, perguntou o Papa. “Traduz-se com a confusão: não se sabe aonde está Deus, aonde não está, se confunde Deus com o diabo”. Francisco fez referência ao Evangelho do dia e observou que “a Jesus, que faz milagres, que faz tanto pela salvação e as pessoas estão felizes, as pessoas dizem: ‘E o faz isto porque é um filho do diabo. Faz o poder de Belzebu’”.

Escutamos realmente a Palavra de Deus?

“Esta – disse o Papa – é a blasfêmia. a blasfêmia é a palavra final deste percurso, que começa com o não-escutar, que endurece o coração, que ‘causa confusão’, que faz esquecer a fidelidade... e no fim, vem a blasfêmia”. Ai daquele povo que se esquece da surpresa do primeiro encontro com Jesus:

“Hoje, podemos todos nos perguntar: Eu paro para ouvir a Palavra de Deus, pego a Bíblia, que fala a mim? Meu coração se endureceu? Eu me afastei do Senhor? Perdi a fidelidade ao Senhor e vivo com os ídolos que a mundanidade me propõe todos os dias? Perdi a alegria da maravilha do primeiro encontro com Jesus? Hoje é um dia para ‘escutar’: ‘Escutem hoje a voz do Senhor’, rezamos antes. ‘Não endureçam seu coração’. Peçamos esta graça. A graça de escutar, para que nosso coração não se endureça”.


Audiência Geral: Todos temos necessidade de ser carregados pelo Bom Pastor
 
(ZENIT – Cidade do Vaticano, 22 Mar. 2017).- O Papa Francisco continuou na Audiência Geral desta quarta-feira, seu ciclo de catequeses sobre a esperança cristã, lembrando a perseverança e a consolação, tratadas pelo Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos.

“É nas Escrituras que o Pai do Senhor nosso Jesus Cristo se revela como Deus da perseverança e da consolação” disse o Papa aos cerca de 15 mil fieis presentes na Praça São Pedro.

E lembrou que “a perseverança ou paciência, é a capacidade de suportar, permanecer fiel, mesmo quando o peso é demasiado grande e somos tentados a abandonar tudo.”

A consolação, por sua vez, “é a graça de saber perceber e manifestar a presença e a ação compassiva de Deus, em todas as circunstâncias, mesmo quando marcadas pela decepção e sofrimentos. Deste modo nos tornamos fortes, a fim de poder permanecer próximos aos irmãos mais fracos, ajudando-os em suas fragilidades”.

“A Palavra de Deus, em primeiro lugar, nos leva a dirigir o olhar a Jesus, a conhecê-lo melhor a conformar-nos a Ele, a nos assemelhar a Ele. Em segundo lugar, a Palavra nos revela que o Senhor é realmente ‘o Deus da perseverança e da consolação’, que permanece sempre fiel ao seu amor por nós e que cuida de nós, cobrindo as nossas feridas com o carinho da sua bondade e da sua misericórdia”.

Explicou assim que a expressão de São Paulo ‘nós que somos fortes, devemos suportar a fraqueza dos fracos e não procurar o que nos agrada,’ poderia parecer presunçosa, “mas na lógica do Evangelho sabemos que não é assim, é justamente o contrário, pois sabemos que a nossa força não vem de nós, mas do Senhor”.

“Quem experimenta na própria vida o amor fiel de Deus e a sua consolação é capaz, ou melhor, tem a obrigação de estar próximo aos fieis mais frágeis, assumindo as suas fragilidades. E pode fazer isto sem autosatisfação, mas sentindo-se simplesmente como um ‘canal’ que transmite os dons do Senhor; e assim se torna concretamente um ‘semeador’ de esperança”.

E alerta que o fruto deste estilo de vida não é uma comunidade “em que alguns são de ‘série A’, isto é os fortes, e outros de ‘série B’, isto é, os fracos. O fruto, ao contrário, como diz São Paulo, ‘é ter os mesmos sentimentos uns com os outros’. A Palavra de Deus alimenta uma esperança que se traduz concretamente na partilha e no serviço recíproco”.

“Porque também quem é ‘forte’ experimenta cedo ou tarde a fragilidade e tem necessidade do conforto dos outros; e vice-versa na fraqueza se pode sempre oferecer um sorriso ou uma mão ao irmão em dificuldade. E é uma comunidade assim ‘que a uma só voz dá glória a Deus’. Mas tudo isto é possível somente se coloca no centro Jesus e a sua Palavra. Somente Ele é o ‘irmão forte’ que cuida de cada um de nós. De fato, todos temos necessidade de ser carregados pelo Bom Pastor e de sermos envolvidos pelo seu olhar terno e cuidadoso”.


Mais um Tweet quaresmal do Papa Francisco:



21/03/2017
É urgente semear o bem: cultivar a justiça, fazer crescer a concórdia, apoiar a integração, sem nunca se cansar.


Papa: confessionário não é lavanderia onde se tira manchas

Papa falou na Missa de hoje sobre o mistério do perdão e frisou necessidade de envergonhar-se dos pecados verdadeiramente.

“Ser perdoado e perdoar: um mistério difícil de entender. É preciso oração, arrependimento e vergonha”, disse o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 21.março.2017, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou a importância de estar consciente da maravilha que Deus realiza com a sua misericórdia e de exercê-la depois com os outros.

O perdão é um mistério difícil de se entender, ressaltou o Santo Padre. O primeiro passo para penetrar neste mistério, a grande obra de misericórdia de Deus, é envergonhar-se dos próprios pecados, uma graça que não se pode obter sozinhos. O povo de Deus, triste e humilhado por suas culpas, é capaz de senti-la, enquanto o protagonista do Evangelho do dia não consegue fazê-lo. É o servo que o patrão perdoa apesar de suas grandes dívidas, mas que por sua vez, é incapaz de perdoar seus devedores. “Ele não entendeu o mistério do perdão”, destacou Francisco, falando da realidade de hoje.

“Se eu pergunto: ‘Vocês são todos pecadores?’ – ‘Sim, padre, todos’ – ‘E para receber o perdão dos pecados?’- ‘Nos confessamos’ – ‘E como você se confessa?’- ‘Vou, digo meus pecados, o padre me perdoa, me dá três Ave Marias para rezar e vou embora em paz’.
“Você não entendeu! Fazendo assim, você foi ao confessionário fazer uma operação bancária ou um processo burocrático. Não foi lá envergonhado pelo que fez. Viu algumas manchas em sua consciência e errou, porque pensou que o confessionário fosse uma lavanderia para limpar as manchas. Você foi incapaz de envergonhar-se por seus pecados”.

Maravilha deve entrar na consciência

O perdão recebido de Deus, a maravilha que fez no coração deve poder entrar na consciência, frisou o Papa, caso contrário, a pessoa sai, encontra um amigo, uma amiga e começa e falar pelas costas de alguém, e continua a pecar. “Eu posso perdoar, somente se me sinto perdoado”.

“Se você não tem consciência de ser perdoado, nunca poderá perdoar, nunca. Sempre existe aquele comportamento de querer acertar as contas com os outros. O perdão é total. Mas somente se pode dar quando eu sinto o meu pecado, me envergonho, tenho vergonha e peço o perdão a Deus e me sinto perdoado pelo Pai e assim posso perdoar. Caso contrário, não se pode perdoar, somos incapazes disto. Por esta razão o perdão é um mistério”.

O servo, o protagonista do Evangelho – diz o Papa – tem a sensação de ter conseguido, ter sido esperto; mas pelo contrário, não entendeu a generosidade do patrão. É aquela que o Papa define como “a hipocrisia de roubar um perdão, um perdão fingido”.

“Peçamos hoje ao Senhor a graça de entender este “setenta vezes sete”. Peçamos a graça da vergonha diante de Deus. É uma grande graça! Envergonhar-se dos próprios pecados e assim receber o perdão e a graça da generosidade de dá-lo aos outros, porque se o Senhor me perdoou tanto, quem sou eu para não perdoar?”.


À Penitenciaria apostólica o Papa recorda a importância da oração e do discernimento - O bom confessor

L’Osservatore Romano

O confessionário deve representar uma prioridade pastoral, a mais importante no ministério sacerdotal, a ponto que deveriam ser eliminados os cartazes com o horário. Recomendou o Papa Francisco, ao delinear o retrato ideal do bom confessor, durante a audiência aos participantes num curso promovido pela Penitenciaria apostólica, recebidos na manhã de 17 de março de 2017.

Um retrato centrado em três elementos: estar «imersos na relação com Cristo, capazes de discernimento no Espírito e prontos para evangelizar». Antes de aprofundar cada um destes elementos o Pontífice confidenciou que «a Penitenciaria é o tipo de Tribunal que agrada» deveras. Porque, explicou, a ele «nos dirigimos para obter aquele remédio indispensável para a nossa alma que é a Misericórdia. Mesmo se, admoestou, «não somos bons confessores» só «graças a um curso»; aliás, «a do confessor é uma “longa escola”, que dura a vida toda».

Eis então os três aspetos analisados pelo Papa Francisco: antes de tudo o confessor está chamado a ser «um verdadeiro amigo de Jesus». E isto «significa cultivar a oração». Por conseguinte, é exigido «um ministério da Reconciliação “imbuído de oração”» como «reflexo credível da misericórdia de Deus». Com mais uma admoestação: «um confessor que reza sabe bem que ele mesmo é o primeiro pecador e o primeiro perdoado. Não se pode perdoar no Sacramento sem a consciência de ter sido perdoado primeiro».

Em segundo lugar o bom confessor deve ser «um homem do Espírito, do discernimento». E a propósito o Pontífice mencionou também o ministério dos exorcistas, que contudo, recomendou, «devem ser escolhidos com muito cuidado e prudência». Por fim o Papa frisou que não há «evangelização mais autêntica do que o encontro com o Deus da misericórdia». Eis por que «o confessionário é lugar de evangelização e por conseguinte de formação». E a propósito recomendou aos confessores que vão diariamente às «periferias do mal e do pecado».

O Papa concluiu com uma improvisação, encorajando a confiar em Maria, que segundo o ensinamento de Santo Afonso entra na vida das pessoas e resolve as situações. E mencionou também uma tradição do Sul da Itália, relativa a «Nossa Senhoras das tangerinas», venerada pelos ladrões porque segundo a devoção popular os ajudaria a entrar sem serem vistos no paraíso fazendo-os passar pela janela.


Papa: São José nos dê a capacidade de sonhar coisas grandes

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa começou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta (20/03/2017). Francisco dedicou sua homilia a São José, cuja solenidade foi transferida de 19 para 20 de março para não coincidir com o domingo de Quaresma.

São José obedece ao anjo que aparece em seu sonho e toma consigo Maria, grávida por obra do Espírito Santo, como narra o Evangelho de Mateus. Um homem silencioso, mas obediente. José é um homem que carrega sobre seus ombros as promessas de “descendência, de herança, de paternidade, de filiação e de estabilidade”:

“E este homem, este sonhador, é capaz de aceitar esta tarefa, esta tarefa difícil e que muito tem a nos dizer neste período de uma grande sensação de orfandade. E assim este homem toma a promessa de Deus e a leva avante em silêncio com fortaleza, a leva avante para aquilo que Deus quer que seja realizado”.

São José é um homem que pode “nos dizer muito, mas não fala”, “o homem escondido”, o homem do silêncio, “que tem a maior autoridade naquele momento, sem a demonstrar”. E o Papa destaca que aquilo que Deus confia ao coração de José são “coisas fracas”: “promessas” e uma promessa é fraca. E depois também o nascimento da criança, a fuga ao Egito, situações de fraqueza. José carrega no coração e leva avante “todas essas fraquezas” como se deve fazer: “com muita ternura”, “com a ternura com a qual se pega uma criança”:

“É o homem que não fala, mas obedece, o homem da ternura, o homem capaz de levar adiante as promessas para que se tornem firmes, seguras. O homem que garante a estabilidade do Reino de Deus, a paternidade de Deus, a nossa filiação como filho de Deus. Gosto de pensar José como guardião das fraquezas, de nossas fraquezas: é capaz de fazer nascer muitas coisas bonitas de nossas fraquezas, de nossos pecados.”

José é o custódio das fraquezas para que se tornem firmes na fé, mas esta tarefa ele recebeu durante um sonho: “É um homem capaz de sonhar”, observou o Papa. É também o “guardião do sonho de Deus”: o sonho de Deus de nos salvar, de nos redimir, foi confiado a ele”. “É grande este carpinteiro!”, exclamou o Papa: “silencioso, trabalhador e guardião que carrega as fraquezas e é capaz de sonhar. Uma figura que tem uma mensagem para todos”:

“Eu hoje quero lhe pedir que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”.


Os Tweets mais recentes do Papa Francisco:



19/03/2017
Que São José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja, abençoe e proteja vocês. E parabéns aos pais!
18/03/2017
Exorto vocês a não criarem muros, mas pontes, a vencerem o mal com o bem, a ofensa com o perdão, a viverem em paz com todos.
17/03/2017
Jejum não é só renunciar ao alimento, mas a todo apego mórbido, sobretudo ao pecado.
16/03/2017
A Igreja quer estar perto de cada pessoa com o amor, a compaixão, o conforto que vêm de Cristo.


Papa: sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente

Cidade do Vaticano (RV) - “Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, falando com Ele, e não o tenhamos ainda reconhecido como o nosso Salvador”: disse o Papa Francisco no Angelus, ao meio-dia deste domingo (19/03/2017), dirigindo-se aos cerca de 40 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Atendo-se ao Evangelho deste III Domingo da Quaresma, Francisco destacou que este nos apresenta o diálogo de Jesus com a Samaritana, contextualizando aquele encontro descrito numa das páginas mais bonitas do Evangelho.

O encontro se dá quando Jesus atravessava a Samaria, região entre a Judeia e a Galileia, habitada por pessoas que os Judeus desprezavam, “considerando-as cismáticas e heréticas”, frisou o Santo Padre, observando ter sido propriamente esta população uma das primeiras a aderir à pregação cristã dos Apóstolos.

Enquanto os discípulos vão à cidade procurar alimento, Jesus permanece onde se encontrava o poço de Jacó e ali pede água a uma mulher, que chegara para tirar água. Desse pedido tem início um diálogo.

“Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?” Jesus lhe respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva!”, uma água que sacia toda sede e se torna fonte inesgotável no coração de quem a bebe (Jo 4,10-14).”

Ir ao poço apanhar água é cansativo e monótono; seria bom ter a disposição uma fonte que jorra água! Mas Jesus fala de uma água diferente, evidenciou Francisco.

Quando a mulher se deu conta de que aquele homem com quem estava falando era um profeta, abriu-se a ele e lhe fez perguntas religiosas. “A sua sede de afeto e de vida repleta não lhe foi satisfeita pelos cinco maridos que teve, aliás, experimentou desilusões e enganos”, acrescentou o Pontífice.

“Por isso a mulher fica impressionada com o grande respeito que Jesus tem por ela e quando Ele lhe fala da verdadeira fé, como relação com Deus Pai ‘em espírito e verdade’, então intui que aquele homem poderia ser o Messias, e Jesus – coisa raríssima – o confirma: ‘Sou eu, que falo contigo’. Ele diz ser o Messias a uma mulher que tinha uma vida tão desordenada”, observou.

Francisco recordou ainda que “a água que dá a vida eterna foi infundida em nossos corações no dia do nosso Batismo”, mediante o qual nos transformou e encheu-nos com a sua graça. “Mas pode acontecer que este grande dom o tenhamos esquecido, ou reduzido a um mero acontecimento da nossa vida”, e talvez vamos em busca de “poços” cujas águas não nos saciam, frisou.

“Quando esquecemos a verdadeira água, vamos à procura de poços que não têm águas límpidas. Então esse Evangelho é propriamente para nós! Não somente para a Samaritana, mas para nós. Jesus nos fala como à Samaritana. É claro, já o conhecemos, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente.”

Dito isso, o Papa lembrou ainda que este tempo da Quaresma é ocasião propícia para aproximar-nos d’Ele, encontrá-lo na oração num diálogo de coração para coração, falar com Ele, escutá-lo; é a ocasião para ver o seu rosto também no rosto de um irmão ou de uma irmã que sofre.

“Desse modo podemos renovar em nós a graça do Batismo, saciar-nos na fonte da Palavra de Deus e de seu Espírito Santo; e assim descobrir também a alegria de tornar-nos artífices de reconciliação e instrumentos de paz na vida cotidiana.”

“Que a Virgem Maria nos ajude a haurir constantemente à graça, aquela graça que brota da rocha que é Cristo Salvador, a fim de que possamos professar com convicção a nossa fé e anunciar com alegria as maravilhas do amor de Deus, misericordioso e fonte de todo bem”, foi o pedido do Santo Padre concluindo a alocução que precedeu o Angelus.

Após a oração mariana, na saudação aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes o Pontífice dirigiu seu pensamento à população do Peru, castigada pelas graves enchentes destes dias:

“Quero assegurar minha proximidade à querida população do Peru, duramente atingida pelas devastadoras enchentes. Rezo pelas vítimas e por aqueles que estão engajados na prestação de socorro.”

O Papa recordou ainda neste 19 de março a festa litúrgica de São José, pai putativo de Jesus e patrono universal da Igreja. Saudou as comunidades neocatecumenais de Angola e da Lituânia, bem como os responsáveis da Comunidade de Santo Egídio da África e da América Latina.


Papa alerta sobre caminho que vai do pecado à corrupção

É preciso ter cuidado para não se fechar em si mesmo, ignorando os pobres e sem-teto, disse o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 16.março.2017, na Casa Santa Marta. Comentando a parábola do rico e do Lázaro, no Evangelho do dia, Francisco advertiu sobre o risco de tomar o caminho que vai do pecado à corrupção.

O Pontífice destacou que quem deposita o seu amparo na carne, isto é, nas coisas que pode administrar, na vaidade, no orgulho, nas riquezas, este homem se afasta de Deus. Trata-se de um caminho perigoso confiar somente no próprio coração, acrescentou.

“Quando uma pessoa vive no seu ambiente fechado, respira aquele ar próprio dos seus bens, da sua satisfação, da vaidade, de sentir-se seguro e confia somente em si mesmo, perde a orientação, perde a bússola e não sabe onde estão os limites”. É justamente aquilo que acontece com o rico de que fala o Evangelho de Lucas, que passava a vida dando festas e não se importava com o pobre que estava à porta de sua casa.

“Ele sabia quem era o pobre: sabia. Porque depois, quando fala com o pai Abraão, diz: ‘Envia-me Lázaro’. Ah, sabia inclusive como se chamava! Mas não lhe importava. Era um homem pecador? Sim. Mas do pecado se pode voltar atrás: pede-se perdão e o Senhor perdoa. O seu coração o levou a um caminho de morte a tal ponto que não se podia voltar atrás. Há um instante, um momento, há um limite do qual dificilmente se volta atrás: é quando o pecado se transforma em corrupção. E ele não era um pecador, era um corrupto. Porque sabia de tantas misérias, mas era feliz ali, não lhe importava nada”.

“Maldito o homem que confia em si mesmo, que confia em seu coração”, sublinhou o Papa citando o Salmo 1. “Nada é mais traiçoeiro do que o coração, e dificilmente se cura. Quando você percorre aquele caminho de doença, dificilmente irá se curar”.

Francisco convidou os fiéis a pensar no que sentem quando andam pelas ruas e veem os sem-teto, as crianças sozinhas que pedem esmola. Esta é uma realidade que faz parte do panorama da cidade, como uma estátua, disse o Papa. “Os sem-teto fazem parte da cidade? É normal isso? Fiquem atentos! Fiquemos atentos! Quando essas coisas em nosso coração passam como normais, quando penso: ‘mas a vida é assim, eu no entanto, como e bebo, e para tirar-me um pouco o sentimento de culpa dou uma oferta e sigo em frente. Se penso assim, este caminho não é bom”.

O Papa reiterou a necessidade de perceber quando se está no caminho escorregadio do pecado rumo à corrupção. “Peçamos ao Senhor: Escruta, ó Senhor, o meu coração! Vê se o meu caminho está errado, se estou no caminho escorregadio do pecado rumo à corrupção, do qual não se pode voltar atrás, habitualmente: o pecador, se se arrepende, volta atrás; o corrupto dificilmente, porque está fechado em si mesmo. Escruta, Senhor, o meu coração: que seja hoje esta oração. Faça-me entender em que caminho estou, qual estrada estou percorrendo”.


Papa Francisco no Twitter, hoje:



15/03/2017
A Palavra de Deus nos ajuda a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, especialmente quando é fraca.


Papa: o trabalho permite caminhar de cabeça erguida

Cidade do Vaticano (RV) - Ao final da catequese na Audiência Geral de quarta-feira (15/03/2017), Francisco saudou funcionários de uma empresa televisiva italiana que correm o risco de ficar sem trabalho. O Papa aproveitou para fazer um apelo em prol de todos os desempregados:

“O trabalho nos dá dignidade. E os responsáveis pelos povos, os dirigentes, têm a obrigação de fazer tudo para que todo homem e toda mulher possa trabalhar e, assim, poder ter a cabeça erguida e olhar os outros nos olhos, com dignidade. Quem por manobras econômicas, para fazer negociações não completamente claras, fecha fábricas, fecha iniciativas empresariais e tira o trabalho aos homens, esta pessoa comete um pecado gravíssimo.”

Na Praça S. Pedro, também havia grupos oriundos da China, da Síria, do Líbano e do Oriente Médio. "Mais grave do que o ódio, é o amor vivido com hipocrisia; é egoísmo mascarado e fantasiado de amor", disse o Papa ao saudá-los.

Texto integral da Catequese:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Sabemos bem que o grande mandamento que o Senhor Jesus nos deixou é aquele de amar: amar Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente e amar o próximo como a nós mesmos (cfr Mt 22, 37-39), isso é, somos chamados ao amor, à caridade. E essa é a nossa vocação mais alta, a nossa vocação por excelência; e a essa está ligada também a alegria da esperança cristã. Quem ama tem a alegria da esperança, de chegar a encontrar o grande amor que é o Senhor.

O apóstolo Paulo, no trecho da Leitura aos Romanos que ouvimos há pouco, coloca-nos em alerta: há o risco que a nossa caridade seja hipócrita, que o nosso amor seja hipócrita. Devemos nos perguntar, então: quando acontece essa hipocrisia? E como podemos estar seguros de que o nosso amor seja sincero, que a nossa caridade seja autêntica? De não fingir caridade ou que o nosso amor não seja uma telenovela: amor sincero, forte…

A hipocrisia pode penetrar em qualquer lugar, também no nosso modo de amar. Isso se verifica quando o nosso amor é interesseiro, movido por interesses pessoais; e quantos amores interesseiros existem…quando os trabalhos caritativos que parece que prestamos são realizados para colocar à mostra nós mesmos ou para sentir-se satisfeito: “Quão bravo eu sou!” Não, isso é hipocrisia! Ou ainda quando buscamos coisas que tenham “visibilidade” para mostrar nossa inteligência ou nossa capacidade. Por trás de tudo isso há uma ideia falsa, enganosa, isso é, se amamos, é porque somos bons; como se a caridade fosse uma criação do homem, um produto do nosso coração. A caridade, em vez disso, é antes de tudo uma graça, um presente; poder amar é um dom de Deus e devemos pedi-lo. E Ele o dará com prazer, se nós o pedirmos. A caridade é uma graça: não consiste em fazer transparecer aquilo que nós somos, mas aquilo que o Senhor nos dá e que nós livremente acolhemos; e não se pode expressar no encontro com os outros se antes não é gerada pelo encontro com a face mansa e misericordiosa de Jesus.

Paulo nos convida a reconhecer que somos pecadores e que também o nosso modo de amar é marcado pelo pecado. Ao mesmo tempo, porém, se faz portador de um anúncio novo, um anúncio de esperança: o Senhor abre diante de nós um caminho de libertação, uma via de salvação. É a possibilidade de vivermos também nós o grande mandamento do amor, de tornarmo-nos instrumentos da caridade de Deus. E isso acontece quando nos deixamos curar e renovar o coração por Cristo ressuscitado. O Senhor ressuscitado que vive entre nós, que vive conosco, é capaz de curar o nosso coração: o faz, se nós o pedimos. É Ele que nos permite, mesmo na nossa pequenez e pobreza, experimentar a compaixão do Pai e celebrar as maravilhas do seu amor. E se entende então que tudo aquilo que podemos viver e fazer pelos irmãos não é outra coisa que não a resposta àquilo que Deus fez e continua fazendo por nós. Antes, é o próprio Deus que, tomando morada no nosso coração e na nossa vida, continua a fazer-se próximo e a servir todos aqueles que encontramos a cada dia no nosso caminho, a começar pelos últimos e pelos mais necessitados nos quais Ele primeiro se reconhece.

O apóstolo Paulo, portanto, com estas palavras não quer nos repreender, em vez disso, nos encorajar a reavivar em nós a esperança. Todos, de fato, fazemos a experiência de não viver plenamente ou como devíamos o mandamento do amor. Mas também essa é uma graça, porque nos faz compreender que por nós mesmos não somos capazes de amar verdadeiramente: precisamos que o Senhor renove, continuamente, este dom no nosso coração, através da experiência da sua infinita misericórdia. E então sim voltaremos a apreciar as coisas pequenas, as coisas simples, cotidianas; voltaremos a apreciar todas essas coisas pequenas de todos os dias e seremos capazes de amar os outros como Deus os ama, querendo o bem deles, isso é, que sejam santos, amigos de Deus; e ficaremos contentes com a possibilidade de nos fazermos próximos a quem é pobre e humilde, como Jesus faz com cada um de nós quando estamos distantes Dele, de nos dobrarmos aos pés dos irmãos, como Ele, Bom Samaritano, faz com cada um de nós, com a sua compaixão e o seu perdão.

Queridos irmãos, isso que o Apóstolo Paulo nos recordou é o segredo para ser – uso suas palavras – é o segredo para ser “alegres na esperança” (Rm 12, 12): alegres na esperança. A alegria da esperança, porque sabemos que em cada circunstância, mesmo nas mais adversas, e também através dos nossos próprios fracassos, o amor de Deus não é menor. E então, com o coração visitado e habitado pela sua graça e pela sua fidelidade, vivamos na alegre esperança de retornar aos irmãos, por pouco que possamos, o tanto que recebemos todos os dias Dele. Obrigado.


Este foi ensinamento que o Santo Padre nos twittou hoje:



14/03/2017
Oremos uns pelos outros, para que saibamos abrir as nossas portas aos fracos e aos pobres.


Papa: aprender a fazer o bem com ações concretas, não com palavras

Cidade do Vaticano (RV) - Depois do retiro de Quaresma, o Papa retomou esta terça-feira (14/03/2017) a celebração da missa na capela da Casa Santa Marta.

Na sua homilia, Francisco indicou o caminho da conversão quaresmal, inspirando-se na primeira Leitura: fazer o bem com ações concretas, não com palavras.

O Profeta Isaías exorta a afastar-se do mal e a aprender a fazer o bem, um binômio inseparável neste percurso. “Cada um de nós, todos os dias, faz algo de mau”, disse o Papa. De fato, a Bíblia diz que “o mais santo peca sete vezes ao dia”. O problema, porém, está em “não se acostumar em viver nas coisas feias” e afastar-se daquilo que “envenena a alma”, a torna pequena. E, portanto, aprender a fazer o bem:

“Não é fácil fazer o bem: devemos aprendê-lo, sempre. E Ele nos ensina. Mas: aprendam. Como as crianças. No caminho da vida, da vida cristã se aprende todos os dias. Deve-se aprender todos os dias a fazer algo, a ser melhores do que o dia anterior. Aprender. Afastar-se do mal e aprender a fazer o bem: esta é a regra da conversão. Porque converter-se não é consultar uma fada que com a varinha de condão nos converte: não! É um caminho. É um caminho de afastar-se e de aprender”.

Portanto, necessita-se coragem para afastar-se e humildade para aprender a fazer o bem que se explicita em fatos concretos:

“Ele, o Senhor, aqui diz três ações concretas, mas existem muitas outras: busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva... mas, ações concretas. Aprende-se a fazer o bem com ações concretas, não com palavras. Com fatos… Por isso, Jesus, no Evangelho que ouvimos,  repreende esta classe dirigente do povo de Israel, porque ‘diz e não faz’, não conhecem a concretude. E se não há concretude, não pode haver a conversão”.

Depois, a primeira leitura prossegue com o convite do Senhor: “Vinde, debatamos”. “Vinde”: uma bela palavra, diz Francisco, uma palavra que Jesus dirigiu aos paralíticos, à filha de Jairo, assim como ao filho da viúva de Naim. E Deus nos dá uma mão para “ir”. E é humilde, se abaixa muito para dizer: “Vinde, debatamos”. O Papa ressalta o modo como Deus nos ajuda: “caminhando juntos para ajudar-nos, para nos explicar as coisas, para nos tomar pela mão”. O Senhor é capaz de “fazer este milagre”, isto é de “nos transformar”, não de um dia para outro, mas no caminho:

“Convite à conversão, afastem-se do mal, aprendam a fazer o bem … ‘Vinde, debatamos, vinde a mim, debatamos e prossigamos’. ‘Mas tenho muitos pecados …’ – ‘Mas não se preocupe: se os seus pecados são como escarlate, se tornarão brancos como a neve’. E este é o caminho da conversão quaresmal. Simples. É um Pai que fala, é um Pai que nos quer bem, nos quer bem, bem. E nos acompanha neste caminho de conversão. Ele nos pede somente que sejamos humildes. Jesus diz aos dirigentes: ‘Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilha será exaltado’”.

Este é, portanto, “o caminho da conversão quaresmal”: afastar-se do mal, aprender a fazer o bem”, levantar-se e ir com Ele. Então, “os nossos pecados serão todos perdoados”.


Caros amigos, hoje 13 de março de 2017, nosso querido Papa Francisco comemora 4 anos de Pontificado. Em seu bom humor, reflexo da Alegria de Jesus Ressuscitado, conquista os corações dos pequenos e dos humildes, dos fracos, dos afastados, dos pecadores, que veem e sentem no Santo Padre a segurança do Bom Pastor. É um pregador inspirado e incansável da Boa Nova do Cristo, do seu Amor Misericordioso.
Esta foi a mensagem que deixou-nos hoje em seu Twitter:




13/03/2017
O Espírito Santo nos guie para realizarmos um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus.


O Papa Francisco, também hoje, deixou-nos um tweet catequetico:




12/03/2017
A Quaresma é o tempo favorável para renovar-se encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo.


Papa às crianças: nunca blasfêmias, pior do que palavrões

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitou na tarde deste domingo, 12.mar.2017, a Paróquia romana de Santa Madalena de Canossa, situada no bairro Ottavia.  O Pontífice foi acolhido pelo Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, pelo bispo auxiliar do setor oeste da cidade, Dom Paolo Selvadagi, pelo Pároco Giorgio Spinello, e pelo Superior Geral da Congregação dos Filhos da Caridade (Canossianos), Pe. Giorgio Valente, aos quais a Paróquia de Santa Madalena de Canossa foi confiada desde a sua criação, em 1988.

Uma grande multidão de fiéis acolheu o Papa Francisco na sua chegada à Paróquia de Ottavia onde realizou hoje a sua 14ª visita a uma paróquia da Diocese de Roma.

Na sua chegada, com 10 minutos de antecipação, o Papa encontrou-se com as crianças e adolescente do catecismo e com o grupo de Escoteiros da Europa que fizeram algumas perguntas ao Santo Padre e entregaram ao Pontífice algumas cartas nas quais expressam a alegria pela visita, asseguram sua oração e pedem orações pela paz no mundo. O Papa respondeu algumas perguntas das crianças.

“Os palavrões não são bonitos, mas as blasfêmias são mais feias ainda, nunca uma blasfêmia”. Foi o que recomendou o Papa Francisco durante o diálogo com as crianças. “Quando vocês virem às vezes os pais discutirem, e isso é normal, vocês sabem o que devem fazer depois? Fazer as pazes e vocês mesmos digam aos pais, se vocês discutirem, façam as pazes antes que termine o dia”.

Uma menina, Sara, perguntou ao Papa do que ele tem medo, acrescentando que ela tem medo das bruxas. “Mas as bruxas não existem e não são assustadoras”, respondeu Francisco. “Fazem talvez 3 ou 4 coisas (rituais de magia, etc), mas isso são bobagens. As bruxas não têm nenhum poder. São uma mentira”. “Assusta-me – continuou ele – quando uma pessoa é má. A maldade das pessoas me dá medo. Quando uma pessoa escolhe ser má, pode fazer muito mal. E me assusta, quando, na paróquia ou no Vaticano há a fofoca”. Vocês - continuou o Papa – ouviram na televisão o que os terroristas fazem? Jogam uma bomba e fogem. A fofoca é assim. Jogar uma bomba e fugir".

"Destrói tudo. E, especialmente, o seu coração. Se é capaz de lançar a bomba, o seu coração torna-se corrupto: nunca as fofocas. Morder a língua antes de dizê-las. Vai doer, mas não vai fazer mal aos outros. Assusta-me a capacidade de destruição que tem o falar mal do outro. Isso é ser bruxa, ser um terrorista”, disse.

Francisco encontrou-se ainda com os jovens, as religiosas Filhas da Caridade (Canossianas) junto com a Superiora Geral, Annamaria Babbini, os doentes, idosos, casais cujos filhos foram batizados em 2016 (65 ao todo), agentes pastorais, catequistas e voluntários da Caritas.

O Santo Padre confessou quatro pessoas da paróquia: um adolescente, um jovem e dois adultos (um homem e uma mulher), e depois presidiu a missa. A celebração eucarística foi animada por cinquenta membros dos três coros da paróquia. Depois o retorno ao Vaticano.


Papa: a Cruz não é um ornamento, mas um símbolo de fé

Cidade do Vaticano (RV) – “A cruz cristã não é uma mobília da casa ou um ornamento para vestir”. O Papa Francisco quis deixar bem claro na alocução que precedeu neste domingo, 12.março.2017, na Praça São Pedro a oração mariana do Angelus que a Cruz, “é um chamado ao amor com o qual Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado”.

“Neste tempo quaresmal, contemplemos com devoção a imagem do crucifixo: esse é o símbolo da fé cristã, é o emblema de Jesus, morto e ressuscitado por nós. Façamos de modo que a cruz marque as etapas do nosso caminho quaresmal para compreender sempre mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o qual o Redentor nos salvou”.

Jesus a caminho de Jerusalém, onde deverá sofrer a condenação à morte por crucificação, quer preparar os seus discípulos para este escândalo muito forte para a fé deles e, ao mesmo tempo, preanunciar a sua ressurreição, manifestando-se como o Messias, o Filho de Deus. Na verdade, Jesus estava se demonstrando um Messias diferente do esperado:

“Não um rei poderoso e glorioso, mas um servo humilde, e desarmado; não um senhor de grande riqueza, sinal de bênção, mas um homem pobre que não tem onde reclinar a cabeça; não um patriarca com numerosa descendência, mas solteiro sem casa e sem ninho. É realmente uma revelação de Deus de cabeça para baixo, e o sinal mais desconcertante desta contradição é a cruz. Mas, precisamente por meio da cruz, Jesus chegará à gloriosa ressurreição”.

Esta é a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém. A cruz cristã não é uma mobília da casa ou um ornamento a ser usado, mas um chamado ao amor com que Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado.

A ressurreição que vai chegar “através da cruz", observou o Papa, “será em última análise, não como a transfiguração que durou um momento, um instante"; e "a Cruz é a porta da ressurreição”.

Recordando a narração da Transfiguração, o Papa explicou que “Jesus levou consigo três dos apóstolos, Pedro, Tiago e João, Ele subiu com eles numa alta montanha, e lá aconteceu este singular fenômeno”: o rosto de Jesus “brilhou como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. Assim, o Senhor fez resplandecer em sua própria pessoa a glória divina que se podia acolher com fé em sua pregação e em seus gestos milagrosos.

“A ‘luminosidade’ que caracteriza este evento extraordinário simboliza a finalidade: iluminar as mentes e os corações dos discípulos, para que possam compreender claramente quem é o seu Mestre. É um flash de luz que se abre de repente sobre o mistério de Jesus e ilumina toda a sua pessoa e toda a sua história”.

Jesus transfigurado no Monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória não para evitar a eles de passarem através da cruz, mas para indicar para onde leva a cruz. Quem morre com Cristo, com Cristo ressuscitará. Quem luta junto com Ele, com Ele triunfará.

O Papa Francisco concluiu invocando Nossa Senhora, Ela que “soube contemplar a glória de Jesus escondida na sua humanidade”. “Que Ela nos ajude a estar com Ele na oração silenciosa, a nos deixarmos iluminar pela sua presença, para levar no coração, através das noites escuras, um reflexo da sua glória”.

Logo após rezar o Angelus, o Papa Francisco expressou a sua dor pelas vítimas do incêndio de uma casa de acolhida para menores na Guatemala.

“Exprimo a minha proximidade ao povo da Guatemala, que vive em luto pelo grave e triste incêndio que teve início dentro da “Casa Refúgio Virgen de la Assunción”, causando vítimas e feridos entre as jovens que ali habitavam. O Senhor acolha as suas almas, cure os feridos, console suas famílias que sofrem e toda a nação”.

O grave incêndio na Casa de acolhida para menores na localidade de São José Pinula, 25 Km da capital guatemalteca, ocorreu no último dia 8 de março e causou a morte de 38 jovens, todas entre 14 e 17 anos. Outras quarenta jovens foram internadas no hospital local.

O Santo Padre rezou ainda pelos jovens vítimas das violências e das guerras:

“Rezo também e peço a todos vocês que rezem comigo por todas as jovens e os jovens vítimas de violências, de maus-tratos, de exploração e de guerras. Esta é uma chaga, este é um grito escondido que deve ser ouvido por todos nós e que não podemos continuar a fazer de conta de não vê-lo e de não escutá-lo”.


Mensagem do Papa francisco em seu Twitter:



11/03/2017
O caminho do amor ao ódio é fácil. O do ódio ao amor é mais difícil, mas leva à paz.


Papa Francisco: indispensável promover o diálogo e a escuta

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã deste sábado, 11.março.2017, no Vaticano, os voluntários do “Telefone Amigo Itália”, por ocasião dos seus 50 anos de atividades.

No seu discurso aos cerca de 400 presentes na Sala Clementina, no Palácio Apostólico o Santo Padre afirmou que essa Associação está comprometida a apoiar todos aqueles que se encontram em condições de solidão, confusão e que necessitam de escuta, compreensão e ajuda moral.

“Trata-se de um serviço importante, especialmente no contexto social de hoje,  - disse o Papa -, marcado por múltiplas dificuldades cujas origens muitas vezes se encontram no isolamento e na falta de diálogo”.

Indispensável promover o diálogo e a escuta

As grandes cidades, - continuou Francisco -, apesar de serem superpovoadas, são emblema de um gênero de vida pouco humano à qual os indivíduos estão se acostumando: indiferença generalizada, comunicação cada vez mais virtual e menos pessoal, falta de valores sólidos sobre os quais basear a existência, cultura do ter e do aparecer. Neste contexto, - reafirmou - é indispensável promover o diálogo e a escuta.

“O diálogo permite conhecer e entender as recíprocas necessidades. Primeiro, demostra um grande respeito, porque coloca as pessoas em um comportamento de abertura recíproca, para receber os aspectos melhores do interlocutor. Além disso, o diálogo é expressão de caridade, porque, mesmo não ignorando as diferenças, pode ajudar a buscar  e compartilhar caminhos em busca do bem comum”.

Dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações

Francisco acrescentou que através do diálogo, “podemos aprender a ver o outro não como uma ameaça, mas como um dom de Deus, que nos interpela e nos pede para ser reconhecido”. Dialogar ajuda as pessoas a humanizar as relações e a superar mal-entendidos. Se houvesse mais diálogo - um diálogo real! - nas famílias, no ambiente de trabalho, na política, seriam resolvidas mais facilmente tantas questões, afirmou o Santo Padre.

Ouvir o outro requer paciência

Mas a condição do diálogo - acrescentou o Pontífice - é a capacidade de escutar, que infelizmente não é muito comum. Ouvir o outro requer paciência e atenção. Somente quem sabe se calar sabe escutar: escutar Deus, escutar o irmão e a irmã que precisam de ajuda, escutar um amigo, um membro da família.

“O próprio Deus é o melhor exemplo de escuta: cada vez que rezamos, Ele nos ouve, sem pedir nada e até mesmo nos precede e toma a iniciativa em atender os nossos pedidos de ajuda. A atitude de escuta, da qual Deus é o modelo, exorta-nos a derrubar os muros dos mal-entendidos, a criar pontes de comunicação, superando o isolamento e o fechamento no nosso mundo pequeno”.

O Papa finalizou que através do diálogo e da escuta podemos contribuir à construção de um mundo melhor, tornando-o lugar de acolhida e respeito, contrastando assim as divisões e os conflitos.


Cinco dias em depois, terminado o Retiro Espiritual do Papa com os membros da Curia, Papa Francisco volta a twittar:



10/03/2017
Nesta Quaresma vamos tentar jejuar sem cara feia, mas sorrindo.



Papa retorna ao Vaticano e faz doação aos pobres de Aleppo

Cidade do Vaticano (RV) - O Santo Padre retornou ao Vaticano às 11h30 desta sexta-feira, depois de ter concluído os Exercícios Espirituais pregados pelo franciscano Padre Giulio Michelini.Nesta manhã, Francisco celebrou a Santa Missa em Ariccia pela Síria e enviou 100 mil euros aos pobres de Aleppo, graças também à contribuição da Cúria Romana. A doação será feita através da Esmolaria Apostólica e da Custódia da Terra Santa.

Ao término do Retiro Espiritual, o Santo Padre dirigiu um agradecimento especial ao pregador, Padre Michelini, “pelo bem que fez com suas reflexões normais e naturais, sem artifícios, partindo das suas experiências pessoais.

O Papa o agradeceu pela preparação do seu trabalho, feito com responsabilidade e seriedade:

“Há um monte de coisas para meditar. Mas, Santo Inácio diz que ‘quando alguém encontra os Exercícios Espirituais algo que causa consolação ou desolação’ deve deter-se nisso e não ir adiante. Certamente, não encontramos uma coisa, mas tudo. O resto permanece e serve para a próxima vez. Às vezes, as palavras mais simples são as que mais nos ajudam. O Senhor dá a cada um a palavra justa”.

O Santo Padre concluiu suas breves palavras de agradecimento encorajando o Padre Michelini a continuar seu trabalho pela Igreja e na Igreja. Mas, sobretudo, desejou-lhe ser um “bom frade”.

No final da tarde de hoje às 17h, hora de Roma, o Papa se dirigirá ao Vicariato de Roma para se encontrar com os párocos prefeitos da Diocese. Trata-se de um encontro privado, que faz parte da prática normal da vida da Igreja.


Papa agradece a Pe. Michelini pela pregação dos Exercícios espirituais

Ariccia (RV) - Os Exercícios espirituais da Quaresma propostos ao Papa e à Cúria Romana chegaram ao final na manhã desta sexta-feira (10/03/2017) com a nona meditação feita pelo pregador do Retiro, Pe. Giulio Michelini.

Tomando a palavra após a meditação que teve como tema “O túmulo vazio e a Ressurreição” segundo o Evangelho de São Mateus, o Pontífice agradeceu ao frade menor pela naturalidade e a preparação com a qual os guiou na reflexão fazendo-lhe votos de que, sobretudo, continue sendo um bom frade.












Papa ao Die Zeit: sou um pecador, limitado, um homem comum


Cidade do Vaticano, 9.março.2017 (RV) - O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao jornal Die Zeit de Hamburgo, na Alemanha.

A entrevista foi realizada em italiano pelo editor-chefe do jornal, Giovanni di Lorenzo.

O jornalista iniciou a conversa com o Pontífice ressaltando que se diz que o Papa tenha ficado fascinado, em Augsburgo, por um quadro de Nossa Senhora Desatadora dos Nós pintado por um artista barroco no século XVIII. Francisco respondeu que não é verdade, pois nunca foi a Augsburgo.

O repórter insistiu, afirmando que a fonte é crível. O Papa respondeu: “Os jornalistas são assim”, e sorriu. “A história é que uma religiosa que eu conhecia, me enviou um cartão de Natal com a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Eu vi e me interessei. O quadro retoma uma frase de Irineu de Lyon. O doador da obra enfrentava dificuldades com a esposa. Eles se queriam bem, mas alguma coisa não funcionava. Ele procurava o conselho de um sacerdote jesuíta. Esse padre pegou uma fita longa e branca que foi usada para a cerimônia do matrimônio e pediu a Nossa Senhora, porque tinha lido a frase de Irineu, que o nó de Eva foi desatado pela obediência de Maria. Então, pediu a Nossa Senhora para desatar esses nós”.

O jornalista então, prossegue: Os nós representam os problemas não resolvidos? “Sim”, responde o Papa. “O quadro foi pintado como ação de graças, porque no final, Nossa Senhora concedeu a graça ao casal”.

Die Zeit: O número de sacerdotes diminuiu. Cada vez menos fiéis, e cada vez menos padres e muita coisa para fazer.

Papa Francisco: “É um grande problema. Na Suíça é pior, não? Muitas paróquias estão nas mãos de mulheres dedicadas que nos domingos conduzem as orações. É um problema a falta de vocações. É um problema que a Igreja deve resolver, procurar como resolver isso”.

Die Zeit: Como?

Papa Francisco: “Acredito que em primeiro lugar esteja o pedido que Senhor nos faz para rezar. A oração. Depois, o trabalho com os jovens que são os grandes descartados na sociedade moderna, pois  não têm trabalho em vários países. Para as vocações também tem um problema.”

Die Zeit: Qual?

Papa Francisco: "O problema da natalidade".

Die Zeit: Na Alemanha é baixa, mas não mais do que, por exemplo, na Itália.

Papa Francisco: "Se não há crianças, não haverá sacerdotes. Acredito que este é um problema grave que devemos enfrentar no próximo Sínodo sobre os jovens, mas não é um problema de proselitismo, não. Não se obtém vocações com o proselitismo".

O Papa destacou que em relação à vocação, é importante fazer uma seleção. “Hoje, temos muitos jovens que depois arruínam a Igreja, porque não são sacerdotes por vocação. O problema das vocações é um problema grave”, destacou.

Sobre a crise de fé, o Papa respondeu que não é possível crescer sem crises. “Na vida humana acontece o mesmo. O crescimento biológico sempre é uma crise, não? A crise de uma criança que se torna adulta. Com a fé é o mesmo. Quando Jesus sente aquela segurança de Pedro que me faz pensar a muitos fundamentalistas católicos, quando Jesus sente isso, o que lhe diz? Você irá me renegar três vezes! E Pedro renegou Jesus. A crise faz parte da vida de fé. Uma fé que não entra em crise para crescer, permanece  infantil.”

Die Zeit: Como se volta à fé?

Papa Francisco: “A fé é um dom. É doada”.

Die Zeit: Volta sozinha?

Papa Francisco: “Eu peço e Ele responde. Às vezes temos de esperar numa crise. A fé não se compra”.

Die Zeit: O senhor acredita que o ser humano por natureza seja bom, ou é bom e mal?

Papa Francisco: “O homem é imagem de Deus. O homem é bom, mas também o homem é fraco, foi tentado e se feriu. É uma bondade ferida”. 

Die Zeit: Mas pode tornar-se mau?

Papa Francisco: “A maldade é outra coisa, mais feia, mais feia. Na Bíblia, a narração mítica do Gênesis. Adão não foi mau: foi fraco, foi tentado pelo diabo. Ao invés disto, a primeira maldade é a do filho, de Caim: não é por fraqueza ou por... É por ciúmes, por inveja, por desejo de poder... é a maldade das guerras. É a maldade que hoje encontramos na pessoa que mata: mata o outro. Para mim esta é a maldade, porque é quem fabrica as armas”.

(...)

Die Zeit: Mas quais são os limites da oração?

Papa Francisco:  “Rezar pelas coisas boas. Por exemplo: “Ajuda-me a ter o dinheiro necessário para acabar o mês com minha família, que não me falte...”: isto é justo. Mas “ajuda-me a ter muito dinheiro para ter muito poder”, isto não é correto. Pode-se pedir, mas.... Porque se está pedindo algo que vai pelo caminho da mundanidade, o poder do mundo. Jesus falou tanto, no final da Ceia, com os discípulos e disse que rezou por eles ao Pai. E o que pediu ao Pai? Não para tirá-los do mundo, mas para protegê-los do espírito do mundo. O espírito do mundo é aquilo que não devemos pedir; as coisas que são do espírito do mundo: o espírito da soberba, do poder para dominar... isto não é... Se deve pedir coisas que constroem o mundo, que criam fraternidade e que tragam a paz, que deem coisas boas; mas “ajuda-me a matar a minha mulher”, não pode”.

Die Zeit: O mafioso faz o sinal da cruz antes de matar...

Papa Francisco: “Sim, sim. Isto é uma doença. É uma doença religiosa, sim, e usa a religião, também fazem isto os mafiosos da América Latina. Se dizem cristãos e para resolver os problemas pagam um matador de aluguel, e depois vão à Igreja”.

Die Zeit: Ao ouvir estas coisas o senhor se embrabece?

Papa Francisco:  “Sim, um pouco. Mas fico brabo quando a Igreja, a Santa Madre Igreja, minha mãe, a minha Esposa, não dá um testemunho de fidelidade ao Evangelho. Isto me faz mal”.

Die Zeit: Ainda faz mal para o senhor? Neste momento, em todo o mundo, existe esta enorme preocupação que a coesão da sociedade não funcione mais. Temos uma onda de populismo, no geral de direita; temos fortes movimentos que ameaçam a democracia... Neste contexto, qual deve ser o  comportamento de um cristão?

Papa Francisco: “Sim... Para mim, a palavra populismo é equivocada, porque na América Latina tem um outro significado. Fiquei confuso, porque não entendia bem. Mas pense o senhor que no ano 1933, após a queda da República de Weimar: a Alemanha estava desesperada, a crise econômica de 30 era... e um jovem disse “eu posso, eu posso, eu posso!”, mas... e se chamava Adolf, e isto acabou assim, não?  Conseguiu convencer o povo de que ele podia. Por trás dos populismos sempre existe um messianismo, sempre. É também uma justificativa: preservamos a identidade do povo”.

Die Zeit: Um messianismo na falta de outro verdadeiro testemunho...

Papa Francisco:  “...de um verdadeiro testemunho. Talvez, não?”.

Die Zeit: Por que faltam os grandes modelos políticos?

Papa Francisco: “Quando os grandes do pós-guerra imaginaram a unidade europeia – pense em Schuman, Adenauer – imaginaram uma coisa não populista: imaginaram uma fraternidade de toda a Europa, do Atlântico aos Urais. E estes são os grandes líderes – os grandes líderes – que são capazes de levar em frente o bem do país em estarem eles no centro. Sem serem messias. O populismo é ruim, e no final acaba mal, como nos mostra o século passado”.

Die Zeit: O senhor vê a situação de hoje semelhante aos anos 30, do século passado? Pois  o senhor usa até mesmo a palavra da terceira guerra mundial que estamos vivendo...

Papa Francisco: “Sim, sim. Isto é óbvio. Porque realmente está assim”.

Die Zeit: Em que sentido?

Papa Francisco:  “Mas...todo o mundo está em guerra, mas, pense na África”.

Die Zeit: Mas são conflitos menores...

Papa Francisco: “Por isto digo: a terceira guerra mundial em pedaços. Pense na Ucrânia, que está na Europa; pense na Ásia, pense no drama de Sindshar no Iraque, na pobre gente que foi expulsa... Mas por que falo em guerra? Isto se faz com as armas modernas e existe toda uma estrutura de fabricantes de armas que ajuda isto. É uma guerra. Mas – isto o sublinho – não quero dizer que esta situação seja a mesma de 33, não! Este é um exemplo que dei para explicar o populismo”.

Die Zeit: Mas o senhor está preocupado, neste momento, com a onda de populismo em todo o mundo?

Papa Francisco: “Ao menos na Europa sim. Um pouco. E o que penso sobre a Europa é isto que não quero dizer a mais e nem a menos do que eu disse nos três discursos (sobre) a Europa: os dois discursos em Estrasburgo e o terceiro quando recebi o Karlspreis, em Aachen, sim, que o recebi aqui, e havia tantos Chefes de governo, alguns de Estado, que vieram. Não gosto de receber honorificências: esta é a única que recebi porque insistiram. Disseram: “A Europa tem necessidade que o senhor nos diga alguma coisa”, e eu aceitei; mas os três antes de mim - Juncker, Martin Schutz e também o Prefeito de Aachen - disseram coisas mais duras do que eu, mais fortes, mas enérgicas”.

Die Zeit: O então Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, falava da crise dos migrantes e refugiados, chamando-a de “desafio epocal”. Os valores da Europa sendo questionados, é urgente lutar pela Europa...

Papa Francisco: “Sim, foram também corajosos, hein!”

Die Zeit:  O senhor não se sente pressionado pelas expectativas que as pessoas de hoje tem por “homens-exemplo”, como é o seu caso?

Papa Francisco:  “Mas, eu não me sinto um homem excepcional.  Eu sinto que exageram com as expectativas, não fazendo justiça.  Eu não digo que sou um pobre, não; mas sou um homem comum que faz aquilo que pode, mas comum. Assim me sinto. E quando alguém diz: “Não, o senhor, o senhor é...”, isto não me faz bem”.

Die Zeit: O senhor diz isto, mesmo com o risco de desiludir muitos na Cúria que têm necessidade de um pai impecável?

Papa Francisco:  “Não existe um pai, existe somente um... Todos os pais são pecadores – graças a Deus – porque isto também nos encoraja a ir em frente e dar a vida, nesta época de orfandade, onde existe necessidade de paternidade. E eu sou um pecador, sou limitado. Mas não se esqueça que a idealização de uma pessoa é uma forma sutil de agressão, é um caminho para agredir sutilmente uma pessoa. E quando me idealizam, me sinto agredido”.

(...)

Die Zeit: Os ataque contra o senhor que provêm do Vaticano, lhe fazem mal pessoalmente?

Papa Francisco: “Não. Sobre isto eu farei uma confissão sincera. Desde o momento que fui eleito Papa não perdi a paz. Entendo que meu modo de agir não agrada a alguns, também justifico isto: existem tantos modos de pensar; é também lícito, é também humano e também uma riqueza”.

Die Zeit: É uma riqueza os cartazes que apareceram em Roma, acusando o senhor de não ser misericordioso? O L’Osservatore Romano falso onde o senhor responde “sim e não”, é uma riqueza, na sua opinião?

Papa Francisco: “O L’Osservatore Romano falso, não; mas o ‘romanaccio’ que havia naqueles cartazes, era belíssimo! Era um ‘romanaccio’, culto. Aquilo não foi escrito por alguém da rua!”.

Die Zeit: Mas foi escrito por alguém daqui?

Papa Francisco: “Não: alguém culto (risos). Mas aquele ‘romanaccio’ era belíssimo!”.

Die Zeit: É interessante que o senhor consiga rir a respeito disto...

Papa Francisco: “Mas sim! Eu, uma das coisas que rezo todos os dias com a oração de São Thomas Morus (Tomás More): peço o senso de humor. E o Senhor não me tirou a paz e me dá muito senso de humor. Não cheguei ainda a rir como o maravilhoso Padre Peter Hans Kolvenbach, por 25 anos Geral dos Jesuítas. Ele tinha um senso de humor, mas sempre construtivo e positivo, não?!”.

(...)

Die Zeit: Existe uma história muito complicada, mas que poderia ser reduzida. Na Ordem de Malta existe um Grão Chanceler, Albrecht von Boeselager. Foi acusado de não ter impedido a distribuição de preservativos em um projeto de ajuda em Myanmar. Acabou sendo demitido por um amigo do Cardeal Burke. O senhor rescindiu esta demissão.

Papa Francisco:  “Não, com a Ordem de Malta havia problemas, que ele talvez não tenha conseguido administrar, pois ele não era o único protagonista ali; e eu não tirei dele o título de Patrono da Ordem de malta: ele continua a ser Patrono de Malta. Mas ali havia necessidade de organizar a Ordem e por isto nomeei um delegado capaz de organizar, com um carisma que não tem o Cardeal Burle”.

Die Zeit: O senhor foi convidado pela Igreja Católica alemã, pela Igreja Protestante alemã, pelo Presidente da República alemã, para ir à Alemanha no Ano de Lutero, possivelmente este ano. O senhor irá?

Papa Francisco:  “Também a Chanceler convidou-me. Este ano será difícil, porque existem tantas viagens. Estudando, sim; mas com os luteranos quis antecipar esta questão e ir a Lund, na Suécia, no ano passado, para comemorar o início da comemoração dos 500 anos, e depois os 50 anos da fundação união católico-protestante, luterana. Existe uma agenda muito difícil este ano, para mim”.

Die Zeit:  Quem sabe existam países mais importantes, neste momento, como a Rússia a China...

Papa Francisco:  “Na Rússia não posso ir porque deveria ir também à Ucrânia. O importante seria ir no Sudão do Sul – coisa que não acredito possa fazer – estava em programa ir nos dois Congos: com Kabila as coisas não estão bem, acredito que não possa ir: mas irei sim, à Índia, Bangladesh, seguramente, Colômbia, depois um dia em Portugal, em Fátima, e depois acredito que há uma outra viagem em estudo, ao Egito. Parece que o calendário está cheio, não?”.

Die Zeit: Já que para a Alemanha não este ano. Em 2018, quem sabe?

Papa Francisco: “Não sei; não pensei ainda. Não foi programado”.(...)

Die Zeit: Mas o senhor entende bem ao alemão, não?

Papa Francisco: “Se falado lentamente, consigo, porque “ohne Übung habe ich es verlernt” (sem exercício, perdi um pouco). Desculpe-me se não correspondi às suas expectativas”.

Die Zeit: Estão mais do que superadas as expectativas.

Papa Francisco: “Reze por mim”.


Neste primeiro domingo da quaresma, o Papa Francisco nos deixou duas mensagens no twitter:



05/03/2017
Peço, por favor, uma recordação na oração por mim e meus colaboradores, que até sexta-feira faremos os Exercícios Espirituais.
05/03/2017
Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona: mesmo quando pecamos, espera com paciência que retornemos a Ele.


Ter a Bíblia sempre conosco como fazemos com o telefone celular

Domingos 5 de Março de 2017, tempo de Quaresma. Tempo em que – sublinhou o Papa Francisco na sua reflexão antes da oração mariana do Angelus – o Evangelho nos introduz no caminho da Páscoa. E nos mostra Jesus que permanece quarenta dias no deserto, submetido às tentações do diabo. Isto quando o Espírito de Deus tinha já descido sobre Ele e o Pai do Céu O tinha declaro seu Filho amado e estava para iniciar a sua missão. E Satanás, seu inimigo declarado, apoia-se precisamente sobre o título “Filho de Deus” para o tentar três vezes com estas palavras: “Se és filho de Deus, transforma a pedra em pão para saciares a tua fome; deita-te abaixo dos muros do templo, deixando-te salvar pelos anjos, ou ainda, adorar o diabo para ter o domínio do mundo. O que o diabo quer - sublinhou Francisco - é desviar Jesus do caminho da obediência e humilhação, levando-o pela falsa senda do sucesso e da glória.

Mas Jesus não responde com palavras próprias; usa apenas palavras de Deus que exprimem a vontade do Pai e, assim, sai vencedor das tentações no deserto.

E neste tempo de Quaresma – disse Francisco – somos convidados, enquanto cristãos, a “seguir as pegadas de Jesus e a enfrentar o combate espiritual contra o maligno com a força da Palavra de Deus” que dá força.

Para isso é preciso nos habituar-mos a ler a Bíblia, a meditar nela, a assimilá-la, pois contem a palavra de Deus que é sempre atual e eficaz. Enfim, o Papa convida a ter a Bíblia sempre conosco e abrirmo-la constantemente para ler as mensagens, precisamente como fazemos com o nosso celular:

“O que sucederia se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso celular? Se a tivéssemos sempre conosco; pelo menos uma pequena Bíblia de bolso; se voltássemos atrás quando a esquecemos; se a abríssemos diversas vezes por dia; se lessemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens do celular, o que aconteceria…? É claro que esta comparação é paradoxal, mas faz refletir. Com efeito, se tivéssemos a palavra de Deus sempre no coração, nenhuma tentação poderia afastar-nos de Deus e nenhum obstáculo nos poderia desviar do caminho do bem; saberíamos vencer as sugestões quotidianas do mal que está em nós e fora de nós; nos sentiríamos mais capazes de viver uma vida de sucesso segundo o Espirito, acolhendo e amando os nossos irmãos, especialmente os mais fracos e necessitados, e também os nossos inimigos.”

O Papa pediu depois a Nossa Senhora, ícone perfeita da obediência a Deus,  para que nos sustenha no caminho quaresmal, a fim de que nos ponhamos em dócil escuta da Palavra de Deus para realizar uma verdadeira conversão do coração.

Depois da reza das Ave Maria, o Papa saudou diversos grupos da Itália e de outros países presentes na Praça de São Pedro e anunciou que esta tarde, juntamente com os membros da Cúria Romana parte para Ariccia para uma semana de retiro espiritual.

“ Há poucos dias iniciamos a Quaresma, isto é o caminho do Povo de Deus em direção à Páscoa, um caminho de conversão, de luta contra o mal com as armas da oração, do jejum, das obras de caridade. Desejo a todos que o caminho quaresmal seja rico de frutos; e vos peço uma recordação na oração para mim e para os colaboradores da Cúria Romana que esta noite iniciaremos a semana dos Exercícios espirituais. Obrigado pela oração que fareis”

E mais uma vez o Papa pediu insistentemente o favor de não nos esquecermos do que sucederia se tratássemos a Bíblia como tratamos o nosso celular. “Pensai nisto. A Bíblia sempre conosco, perto de nós.”


Os tweets do Papa Francisco na Quaresma: orientando nossa ação rumo ao Pai:



04/03/2017
A Quaresma nos faz um forte convite à conversão: somos chamados a voltar a Deus com todo o coração.


Papa: "Modernizar a música nas igrejas, mas sem banalidades"

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de sábado (04/03/2017), o Pontífice recebeu no Vaticano cerca de 400 participantes de um congresso internacional organizado pelo Pontifício Conselho da Cultura e a Congregação para a Educação Católica em Roma. “Música e Igreja: culto e cultura, há 50 anos da Musicam sacram” é o nome do evento, uma experiência de encontro, diálogo e reflexão sobre a música sacra e seus aspectos culturais e artísticos.

O objetivo do congresso foi aprofundar, do ponto de vista interdisciplinar e ecumênico, a relação atual entre a música sacra e a cultura contemporânea; entre o repertório usado pela comunidade cristã e as atuais tendências musicais. Foi analisada ainda a formação estética e musical do clero e dos leigos engajados na vida pastoral.

O discurso do Papa ao grupo       

Discursando ao grupo, o Papa Francisco lembrou que o primeiro documento elaborado pelo Concílio Vaticano II foi precisamente a Constituição sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium. As Instruções nela contidas são ainda hoje atuais, principalmente a sua premissa: “A ação litúrgica tem uma forma mais nobre se celebrada em canto e com a participação dos fiéis”.  

Várias vezes, o Documento evidencia a importância da ‘teofania’ que se realiza em toda celebração eucarística em que o Senhor se manifesta em meio a seu povo, chamado a participar realmente da salvação atuada por Cristo, morto e ressuscitado.

“A participação ativa e consciente consiste em saber penetrar profundamente neste mistério, em saber contemplar, adorar e acolher; em sentir o seu significado, graças especialmente ao religioso silêncio e à ‘musicalidade da linguagem com que o Senhor nos fala’”.

Para o Papa, o desafio da Igreja neste campo é salvaguardar e valorizar o patrimônio herdado do passado utilizando-o com equilíbrio no presente e evitando o risco de uma visão ‘nostálgica ou arqueológica’.

A inculturação na atualidade

“A música sacra e o canto litúrgico devem ser plenamente inculturados nas linguagens artísticas e musicais da atualidade, encarnando e traduzindo a Palavra de Deus em cantos, sons e harmonias que façam vibrar o coração de nossos contemporâneos, criando um oportuno clima emotivo, que disponha à fé e suscite o acolhimento e a plena participação no mistério que se celebra”.

O encontro com o presente

O Pontífice advertiu os participantes para uma certa mediocridade, superficialidade e banalidade em detrimento da beleza e da intensidade das celebrações, devido ao encontro com a modernidade e a introdução das línguas faladas na Liturgia.

Neste sentido, segundo ele, músicos e compositores, diretores e coristas, animadores de liturgia, podem contribuir preciosamente com a renovação, principalmente qualitativa, da música sacra e do canto litúrgico. Para favorecer este percurso, é preciso promover uma adequada formação musical, inclusive dos sacerdotes, no diálogo com as correntes musicais dos nossos tempos e com atitude ecumênica

Concluindo o discurso, Francisco afirmou que “a música sacra e o canto litúrgico têm o dever de nos oferecer o sentido da glória de Deus, de sua beleza e de sua santidade que nos envolve como uma ‘nuvem luminosa’”.



Disse o Santo Padre em seu twitter, hoje:



03/03/2017
O jejum não é somente privar-se do pão. É também dividir o pão com o faminto.



Papa Francisco: verdadeiro jejum é ajudar os outros


Cidade do Vaticano (RV) - O verdadeiro jejum, agradável a Deus, foi o tema da homilia do Papa Francisco na missa celebrada manhã desta sexta-feira (03/03/2017), na Capela da Casa Santa Marta.

As leituras do dia falam do jejum, isto é – explica o Papa – “da penitência a que somos convidados a fazer no tempo da Quaresma” para aproximar-nos ao Senhor. A Deus agrada “o coração penitente” – diz o Salmo – “o coração que se sente pecador e sabe ser pecador”.

Na primeira leitura – tirada do Livro do Profeta Isaías – Deus repreende a falsa religiosidade dos hipócritas que jejuam enquanto cuidam dos próprios negócios, oprimem os operários e brigam “ferindo com punhos iníquos”.

Por um lado fazem penitência e por outro cometem injustiças, fazendo “negócios sujos”. O Senhor, ao contrário, pede um jejum verdadeiro, atento ao próximo:

“O outro é o jejum “hipócrita” – é a palavra que Jesus tanto usa – é um jejum para se mostrar ou para sentir-se justo, mas ao mesmo tempo cometem injustiças, não são justos, exploram as pessoas. “Mas eu sou generoso, farei uma bela oferta à Igreja” – 'Mas me diga, tu pagas o justo às tuas domésticas? Paga teus funcionários sem assinar a carteira? Ou como quer a lei, para que possam dar de comer aos seus filhos?’”.

Surpresas

O Papa Francisco fala de um caso ocorrido logo após a II Guerra Mundial com o Padre jesuíta Padre Arrupe, quando era missionário no Japão. Um rico homem de negócios fez a ele uma doação para atividades de evangelização, mas o acompanhava um fotógrafo e um jornalista. O envelope continha somente 10 dólares:

“Nós também fazemos o mesmo quando não pagamos o justo à nossa gente. Pegamos de nossas penitências, de nossos gestos, do jejum, da esmola, aceitamos uma propina: o suborno da vaidade, de se mostrar. Isso não é autenticidade, é hipocrisia. Por isso, quando Jesus diz ‘Quando vocês rezarem, entrem no seu quarto, fechem a porta, no escondido, quando derem esmola não faça soar a trombeta, quando jejuar não fiquem tristes. É o mesmo que dizer: Por favor, quando vocês fizerem uma boa obra não aceitem propina desta boa obra, é somente para o Pai.”

O Papa citou o Profeta Isaías, quando o Senhor fala aos hipócritas sobre o jejum verdadeiro. Palavras significativas também “para os nossos dias”:

“Não é este o jejum que escolhi: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, e romper todo tipo de sujeição? Não consiste talvez em dividir o pão com o faminto, deixar entrar em casa os pobres, os sem-teto, vestir o que está nu sem transcurar os próprios parentes? Pensemos nestas palavras, pensemos em nosso coração, como nós jejuamos, rezamos, damos esmolas. Nos ajudará também a pensar: o que sente um homem depois de um jantar, que custou 200 euros, por exemplo, e volta para casa, vê um faminto, não olha para ele e continua caminhando? Nos fará bem pensar nisso.”
   
Papa encontra os párocos de Roma: recordar, esperar e discernir

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de quinta-feira (02/03/2017) o Papa Francisco deixou o Vaticano e foi até a Basílica de São João de Latrão para encontrar os párocos da Diocese de Roma.

Trata-se de um evento tradicional realizado após a Quarta-feira de Cinzas, para ajudar o presbitério romano a percorrer de maneira frutífera o itinerário espiritual e pastoral da Quaresma. O retiro teve início com a Hora Média, seguida da liturgia penitencial guiada pelo Bispo Auxiliar Dom Angelo De Donatis. Francisco confessou 15 sacerdotes e, na sequência, fez a sua meditação.

O Papa propôs ao clero o tema do progresso da fé na vida do sacerdote, partindo da exortação dos discípulos contida no Evangelho de Lucas: “Senhor, aumenta-nos a fé!”.

A longa meditação do Pontífice teve como fio condutor a experiência de Simão Pedro, dividida em três momentos: a memória, a esperança e o discernimento.

Recordar

Para Francisco, é sempre importante recordar a promessa do Senhor. A cruz é um ponto firme, como o lema de São Bruno: “A Cruz está fixa enquanto o mundo gira”. É como um jogo de basquete, afirmou o Papa, o pé está firme no chão para proteger a bola. Fazer memória das graças recebidas confere à fé a solidez da encarnação.

Esperança

Já a esperança é o que abre a fé às surpresas de Deus. O nosso Deus é sempre maior do que tudo aquilo que podemos pensar e imaginar sobre Ele. A abertura da esperança confere à nossa fé frescor e horizonte. Não se trata de abrir a uma imaginação para projetar fantasias e desejos próprios, mas a abertura que provoca contemplar a espoliação de Jesus.

Discernimento

Por fim, o discernimento é o que concretiza a fé, que a torna “operosa por meio da caridade”, aquilo que permite dar um testemunho crível. “O discernimento do momento oportuno (kairos) é fundamentalmente rico de memória e de esperança: recordando com amor, fixa o olhar com lucidez àquilo que melhor guia rumo à Promessa.”

Neste caminho da progressão da fé, o mal está sempre à espreita, através das tentações e das provações. O mal, afirmou o Papa, tem a sua origem num ato de orgulho espiritual e nasce da soberba de uma criatura perfeita.

Em sua trajetória, Simão Pedro experimenta inúmeros momentos em sua vida, porém com uma única lição: aquela do Senhor que confirma a sua fé para que ele confirme a fé do seu povo. “Peçamos também nós a Pedro de nos confirmar na fé, para que nós possamos confirmar a fé de nossos irmãos.”

O Tweet do Papa nos orienta na caminhada quaresmal rumo à Pascoa:



02/03/2017
Deus é sempre fiel e jamais deixa de nos querer bem, de seguir os nossos passos e de nos buscar quando nos afastamos um pouco.


Papa: fé ideológica adora um deus que não possui as chagas dos irmãos

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou a missa matutina, desta quinta-feira (02/03/2017), na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que “ressoa forte, no início da Quaresma, o convite à conversão”.

A liturgia de hoje coloca esta exortação diante de três realidades: o homem, Deus e o caminho. A realidade do homem é a de escolher entre o bem e o mal: “Deus nos criou livres. A escolha é nossa”, disse o Pontífice, “mas não nos deixa sozinhos”, nos indica o caminho do bem com os Mandamentos. Depois, há a realidade de Deus: “para os discípulos era difícil entender” o caminho da cruz de Jesus:

Deus tomou sobre si toda a realidade humana, menos o pecado. Não há Deus sem Cristo. Um deus sem Cristo é desencarnado. Um deus que não é real.

“A realidade de Deus é Deus que se fez Cristo, por nós. Para nos salvar. Quando nos distanciamos dessa realidade e nos distanciamos da Cruz de Cristo, da verdade das chagas do Senhor, nos distanciamos também do amor, da caridade de Deus, da salvação e caminhamos numa estrada ideológica de Deus, distante do Deus que veio até nós para nos salvar, do Deus que morreu por nós. Esta é a realidade de Deus. Deus é Cristo. Não há Deus sem Cristo.”

O Papa citou o diálogo entre um agnóstico e um fiel que acreditava em Deus, criado por um escritor francês do século passado:
  “O agnóstico de boa vontade perguntava ao fiel: “Mas, como é possível! Para mim, o problema é como Cristo é Deus: Não posso entender isso. Como Cristo é Deus?”. E o fiel respondeu: Para mim, isso não é um problema. O problema seria se Deus não tivesse se tornado Cristo”. Esta é a realidade de Deus: Deus que se fez Cristo, Deus que se fez carne e este é o fundamento das obras de misericórdia. As chagas de nossos irmãos são as chagas de Cristo, são as chagas de Deus, porque Deus se fez Cristo. Esta é a segunda realidade. Não podemos viver a Quaresma sem esta realidade. Devemos nos converter não a um Deus abstrato, mas a um Deus concreto que se fez Cristo.”

Enfim, a terceira realidade, é a do caminho. Jesus diz: “Se alguém quer me seguir, renegue a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e me siga”

“A realidade do caminho é a de Cristo: seguir Cristo, fazer a vontade do Pai e como Ele pegar as cruzes de cada dia e renegar a si mesmo para seguir Cristo. Não fazer o que eu quero, mas o que Jesus quer. Seguir Jesus. Ele fala que nessa estrada nós perdemos a vida para ganhá-la depois. É perder a vida continuamente, deixar de fazer o que eu quero, perder as comodidades, estar sempre na estrada de Jesus que estava a serviço dos outros, e adorar Deus. Esta é a estrada certa.”

“O único caminho seguro é seguir Cristo crucificado, escândalo da Cruz. Estas três realidades, o homem, Deus e o caminho são a bússola que não deixa o cristão errar o caminho”, concluiu o Papa.


O Papa Francisco começa nesta Quarta-Feira de Cinzas em suas meditações diárias no Twitter, uma reflexão quaresmal, poderíamos dizer:



01/03/2017
A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte.


Francisco: Quaresma, tempo de dizer não à asfixia do Espírito

O Papa Francisco celebrou a Missa, na tarde desta Quarta-feira de Cinzas (01/03), na Basílica de Santa Sabina, no Aventino, em Roma.

O Santo Padre iniciou a homilia com uma passagem do Profeta Joel: «Voltai-vos para mim de todo o coração, e convertei-vos ao Senhor».

Este é o grito com o qual o profeta se dirige ao povo em nome do Senhor; ninguém podia sentir-se excluído: «Chamem os idosos, reúnam os jovens e crianças de peito, (…) o esposo (…) e a esposa». Todo o povo fiel é convocado para se pôr a caminho e adorar o seu Deus, porque «Ele é piedade e compaixão, paciente e rico em misericórdia».

“Queremos também nós fazer ecoar este apelo, queremos voltar ao coração misericordioso do Pai. Neste tempo de graça que hoje iniciamos, fixemos mais uma vez o nosso olhar na sua misericórdia”, sublinhou Francisco.

Quaresma, vitória da misericórdia

A seguir, o Papa disse: “A Quaresma é um caminho que nos conduz para a vitória da misericórdia sobre tudo o que procura esmagar-nos ou reduzir-nos a qualquer coisa que não corresponda à dignidade de filhos de Deus. A Quaresma é a estrada da escravidão para a liberdade, do sofrimento para a alegria, da morte para a vida. O gesto das cinzas, com que nos colocamos a caminho, nos lembra a nossa condição original: fomos tirados da terra, somos feitos de pó. Sim, mas pó nas mãos amorosas de Deus, que soprou o seu espírito de vida sobre cada um de nós e quer continuar a soprar; quer continuar a dar-nos aquele sopro de vida que nos salva de outros tipos de sopro: a asfixia sufocante causada pelos nossos egoísmos, asfixia sufocante gerada por ambições mesquinhas e silenciosas indiferenças; asfixia que sufoca o espírito, estreita o horizonte e anestesia o palpitar do coração. O sopro da vida de Deus nos salva desta asfixia que apaga a nossa fé, resfria a nossa caridade e cancela a nossa esperança. Viver a Quaresma é ter anseio por este sopro de vida que o nosso Pai não cessa de nos oferecer na lama da nossa história”.

Para Francisco, o sopro de vida que vem de Deus “nos liberta daquela asfixia de que muitas vezes nem estamos conscientes, habituando-nos a «olhá-la como normal», apesar dos seus efeitos que se fazem sentir; parece-nos «normal», porque nos habituamos a respirar um ar em que a esperança é rarefeita, ar de tristeza e resignação, ar sufocante de pânico e hostilidade”.

Quaresma, tempo de dizer não

“A Quaresma é o tempo para dizer não. Não à asfixia do espírito pela poluição causada pela indiferença, pela negligência de pensar que a vida do outro não me diz respeito; por toda a tentativa de banalizar a vida, especialmente daqueles que carregam na sua própria carne o peso de tanta superficialidade. A Quaresma significa não à poluição intoxicante das palavras vazias e sem sentido, da crítica grosseira e superficial, das análises simplistas que não conseguem abraçar a complexidade dos problemas humanos, especialmente os problemas de quem mais sofre. A Quaresma é o tempo de dizer não; não à asfixia duma oração que nos tranquilize a consciência, duma esmola que nos deixa satisfeitos, dum jejum que nos faça sentir bem. A Quaresma é o tempo de dizer não à asfixia que nasce de intimismos que excluem, que querem chegar a Deus esquivando-se das chagas de Cristo presentes nas chagas dos seus irmãos: espiritualidades que reduzem a fé a culturas de gueto e exclusão.”

Quaresma, tempo de memória

O Papa disse ainda que “a Quaresma é tempo de memória. É o tempo para pensar e nos perguntar: Que seria de nós se Deus nos tivesse fechado as portas? Que seria de nós sem a sua misericórdia, que não se cansou de nos perdoar e sempre nos deu uma oportunidade para começar de novo? A Quaresma é o tempo para nos perguntarmos: Onde estaríamos nós sem a ajuda de tantos rostos silenciosos que nos estenderam a mão de mil modos e, com acções muito concretas, nos devolveram a esperança e ajudaram a recomeçar?”

“A Quaresma é o tempo para voltar a respirar, é o tempo para abrir o coração ao sopro do Único capaz de transformar o nosso pó em humanidade. É o tempo não tanto para rasgar as vestes frente ao mal que nos rodeia, mas sobretudo para dar espaço na nossa vida a todo o bem que podemos realizar, despojando-nos daquilo que nos isola, fecha e paralisa. A Quaresma é o tempo da compaixão para dizer com o salmista: «Dai-nos [Senhor] a alegria da Vossa salvação, sustentai-nos com um espírito generoso», a fim de proclamarmos com a nossa vida o Vosso louvor e que o nosso pó – pela força do Vosso sopro de vida – se transforme em «pó enamorado».


Papa envia mensagem para a CF 2017: "O criador foi pródigo com o Brasil"

Cidade do Vaticano (RV) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, a Campanha da Fraternidade 2017 (CF 2017).  O tema  da Campanha: "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida",O lançamento foi na sede da entidade, em Brasília (DF).

O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2017. Eis a íntegra do texto:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Desejo me unir a vocês na Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2017, tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, lhes animando a ampliar a consciência de que o desafio global, pelo qual toda a humanidade passa, exige o envolvimento de cada pessoa juntamente com a atuação de cada comunidade local, como aliás enfatizei em diversos pontos na Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado de nossa casa comum.

O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação.

O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43), esta Campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus - através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais.

Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres.

Todos os anos, a Campanha da Fraternidade acontece no tempo forte da Quaresma. Trata-se de um convite a viver com mais consciência e determinação a espiritualidade pascal. A comunhão na Páscoa de Jesus Cristo é capaz de suscitar a conversão permanente e integral, que é, ao mesmo tempo, pessoal, comunitária, social e ecológica. Reafirmo, assim, o que recordei por ocasião do Ano santo Extraordinário: a misericórdia exige “restituir dignidade àqueles que dela se viram privados” (Misericordia vultus, 16). Uma pessoa de fé que celebra na Páscoa a vitória da vida sobre a morte, ao tomar consciência da situação de agressão à criação de Deus em cada um dos biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente.

Desejo a todos uma fecunda caminhada quaresmal e peço a Deus que a Campanha da Fraternidade 2017 atinja seus objetivos. Invocando a companhia e a proteção de Nossa Senhora Aparecida sobre todo o povo brasileiro, particularmente neste Ano mariano, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que não deixem de rezar por mim.

Vaticano, 15 de fevereiro de 2017.

[Franciscus PP.]


Tweets diários do Papa Francisco, nossa oração da manhã:



28/02/2017
A oração é a chave que abre o coração misericordioso de Deus.
27/02/2017
Quando o nosso caminho é marcado pela precariedade e quedas, Deus rico em misericórdia estende a mão para nos levantar.
26/02/2017
Vamos perseverar na oração, para que se realize o desejo de Jesus: "Que todos sejam um".


Papa concede entrevista a jornal de rua da Itália

Cidade do Vaticano, 28.fevereiro.2017 (RV) - A Rádio Vaticano publica a íntegra da entrevista concedida pelo Papa Francisco ao jornal “Scarp de’ tenis”, periódico italiano fundado em 1994 atualmente conhecido por ser uma “jornal de rua” sem fins lucrativos editado pela Cáritas italiana.

Os redatores são sem-teto e outras pessoas em dificuldades ou excluídas socialmente que encontram no jornal uma ocupação e uma complementação de renda.

Íntegra da matéria feita com o Papa:

Santo Padre, falamos do povo invisível, dos sem-teto. Algumas semanas atrás, com o início do inverno e com a chegada de uma grande frente fria, o senhor disse que era para que fossem abrigados no Vaticano, que se abrissem as portas da igrejas. Como foi recebido este seu apelo?

O apelo do Papa foi ouvido por muitas pessoas e muitas paróquias. Tantos escutaram. No Vaticano existem duas paróquias e cada uma delas abrigou uma família da síria. Muitas paróquias de Roma abriram as portas em acolhida, e sei que outras, sem lugares disponíveis, fizeram uma coleta para pagar o aluguel a pessoas e famílias necessitadas por um ano inteiro. O objetivo a ser alcançado deve ser aquele da integração, por isso é importante acompanhar-lhes por um período inicial. Em muitas regiões da Itália foi feito muito. Portas foram abertas em muitas escolas católicas, nos conventos, em tantas outras estruturas. Por isso digo que o apelo foi ouvido. Sei ainda de muitas pessoas que ofertaram dinheiro para que se possa pagar o aluguel aos sem-teto.

No passado o mundo inteiro falou sobre os sapatos do Papa, sapatos de trabalhador para caminhar e recentemente a mídia ficou surpresa, e contou sobre o Papa que foi até uma loja comprar novos sapatos. Porque tanta atenção? Talvez porque hoje seja difícil colocar-se – como convida Scarp de’ tenis – nos sapatos dos outros?

É muito difícil colocar-se “nos sapatos dos outros”, porque com frequencia somos escravos do nosso egoísmo. Em um primeiro nível, podemos dizer que as pessoas preferem pensar aos próprios problemas sem querer ver o sofrimento e as dificuldades dos outros. Depois, há um outro nível: colocar-se “nos sapatos dos outros” significa ter grande capacidade de compreensão, de entender o momento e as situações difíceis. Por exemplo: no momento de luto fazem-se as condolências, participa-se do velório ou da missa, mas são realmente poucos os que “se colocam nos sapatos” daquele viúvo ou daquela viúva ou daquele órfão. Certamente, não é fácil. Prova-se dor, mas tudo termina ali. Se pensamos então às existências que com frequencia são marcadas pela solidão, então colocar-se “nos sapatos dos outros” significa serviço, humildade, magnanimidade, que é também o sinal de uma necessidade. Eu preciso que além coloque-se “nos meus sapatos”. Porque todos nós precisamos de compreensão, de companhia e de alguns conselhos. Quantas vezes encontrei pessoas que, depois de ter procurado conforto em um cristão, seja esse leigo, um padre, uma freira, um bispo, me disse: “Sim, me ouviu mas não me entendeu”. Entender significa “colocar-se nos sapatos dos outros”. E não é fácil. Com frequência para suprimir essa falta de grandeza, de riqueza e de humanidade, perde-se nas palavras. Fala-se. Aconselha-se. Mas quando existem somente as palavras ou muitas palavras não há esta grandeza de “colocar-se nos sapatos dos outros”.

Santidade, quando o senhor encontra um sem-teto qual é a primeira coisa que lhe diz?

 «Bom dia». «Como vai?». Algumas vezes trocamos poucas palavras, outras vezes se cria uma relação e se ouvem histórias interessantes: «Estudei num colégio onde havia um padre muito bom…». Alguém poderia dizer: O que me interessa? As pessoas que vivem pelas ruas entendem logo quando existe realmente um interesse da parte da outra pessoa ou quando existe, não um sentimento de compaixão, mas certamente de pena. Podemos olhar para um sem-teto como uma pessoa ou como se fosse um cachorro e eles percebem essa maneira diferente de olhá-los. No Vaticano, é famosa a história de um sem-teto, de origem polonesa, que geralmente ficava na Piazza del Risorgimento a Roma, não falava com ninguém, nem com os voluntários da Caritas que levavam para ele comida. Somente depois de muito temo conseguiram fazer com que ele contasse a sua história a eles: «Sou um sacerdote, conheço bem o seu Papa, estudamos juntos no seminário». O assunto chegou a São João Paulo II que ouvindo o nome confirmou ter estudado com ele no seminário e quis encontrá-lo. Eles se abraçaram depois de quarenta anos e no final de uma audiência o Papa pediu para ser confessado pelo sacerdote que tinha sido seu companheiro. «Agora, porém, cabe a você», disse-lhe o Papa. E o companheiro de seminário foi confessado pelo Papa. Graças ao gesto de um voluntário, de uma comida quente, algumas palavras de conforto e um olhar de bondade, essa pessoa pode se reerguer e começar uma vida normal que o levou a se tornar um capelão de um hospital. O Papa o ajudou. Certamente, este é um milagre, mas é também um exemplo para dizer que os sem-teto têm uma grande dignidade. No adro do Arcebispado de Buenos Aires, debaixo de uma marquise, morava uma família e um casal. Eu os encontrava todas as manhãs quando saia. Os saudava e conversava um pouco com eles. Nunca pensei em expulsá-los dali. Mas alguém me dizia: «Eles sujam a Cúria», mas a sujeira está dentro. Penso que é preciso falar com as pessoas com grande humildade, não como se tivessem que nos pagar uma dívida e não tratá-las como se fossem cães.

Muitos se perguntam se é justo dar esmola às pessoas que pedem ajuda nas ruas. O que o senhor responde?

Existem muitos argumentos para se justificar quando não se dá esmola. «Mas como! Eu dou dinheiro e depois ele gasta para beber um copo de vinho?». Um copo de vinho é a única felicidade que ele tem na vida. Está bom assim. Pergunte-se o que você faz escondido? Qual felicidade você procura esconder? Ao contrário dele, você é mais sortudo, tem uma casa, uma esposa e filhos. O que leva você a dizer: «Cuidem vocês dele». Uma ajuda é sempre justa. Certo, não é uma coisa boa dar aos pobres somente uns trocados. É importante o gesto, ajudar quem pede e olhá-lo nos olhos, tocar suas mãos. Lançar o dinheiro e não olhar nos olhos, não é um gesto cristão. Como educar à esmola? Conto a história de uma senhora que conheci em Buenos Aires, mãe de cinco filhos (naquela época havia três). O pai estava no trabalho e ela e as crianças almoçando em casa. Sentem bater à porta. O maior vai abrir: «Mãe tem um homem que pede comida. O que fazemos?». Todos os três, a menor tinha quatro anos, estavam comendo um bife à milanesa. A mãe lhes disse: «Bem, cortamos a metade do bife». «Não mamãe, tem outro bife» disse a menina. «É para o papai, para hoje à noite. Se queremos doar, devemos dar a nossa parte». Com poucas palavras simples aprenderam que é preciso doar aquilo que a gente tanto quer. Duas semanas depois, a mesma senhora foi à cidade para resolver algumas questões e foi obrigada a deixar as crianças em casa. Tinham tarefa para fazer e deixou-lhes a merenda pronta. Quando voltou, encontrou os três na companhia do sem-teto à mesa que estava merendando. Aprenderam bem e rápido. Certamente, faltou-lhes um pouco de prudência. Educar para a caridade não é descarregar as próprias culpas, mas é tocar, olhar para uma miséria que tenho dentro e que o Senhor entende e salva, pois todos nós temos misérias dentro.

Outra pergunta dirigida a Francisco foi quando à acolhida aos migrantes: “Muitos se perguntam se realmente seja necessário acolher todos ou se não seja necessário impor limites.”

 “Os que chegam à Europa escapam da guerra ou da fome”, disse o Papa. “E nós somos de alguma maneira culpados porque exploramos suas terras, mas não fazemos nenhum tipo de investimento para que eles possam ter benefícios. Têm o direito a emigrar e têm o direito a serem acolhidos e ajudados. Isso, porém, deve ser feito com aquela virtude cristã que é a virtude que deveria ser própria dos governantes, isto é, a prudência. Que significa? Significa acolher todos aqueles que ‘podem’ ser acolhidos. E isso no que diz respeito aos números. Mas também é importante uma reflexão sobre “como” acolher. Porque acolher significa integrar. Esta é a coisa mais difícil se os migrantes não se integram, são guetizados. Lembro-me sempre do episódio de Zaventem (o atentado ao aeroporto de Bruxelas de 22 de março de 2016, ndr); aqueles jovens eram belgas, filhos de migrantes, mas moravam num bairro que era um gueto. E que significa integrar? Também neste caso faço um exemplo: de Lesbos vieram comigo à Itália 13 pessoas. No segundo dia de permanência, graças à comunidade de Santo Egídio, as crianças já frequentavam a escola. Depois, em pouco tempo, encontraram onde alojar, os adultos se mexeram para frequentar cursos para aprender a língua italiana e para procurar um trabalho. Certamente para as crianças é mais fácil: vão à escola e em poucos meses já sabem falar o italiano melhor do que eu. Os homens buscaram um emprego e conseguiram. Integrar então significa entrar na vida do país, respeitar a lei do país, respeitar a cultura do país, mas também fazer respeitar a própria cultura e as próprias riquezas culturais. A integração é um trabalho muito difícil. No período da ditadura militar em Buenos Aires olhávamos para a Suécia como um exemplo positivo. Os suecos são hoje nove milhões, mas destes, 890 mil são novos suecos, isto é, migrantes ou filhos de migrantes integrados. A Ministra da Cultura, Alice Bah Kuhnke, é filha de uma mulher sueca e de um homem proveniente da Gâmbia. Este é um belo exemplo de integração. Certamente, agora na Suécia estão em dificuldade: eles têm muitos pedidos e estão tentando entender o que fazer porque não tem lugar para todo mundo. Receber, acolher, consolar e integrar imediatamente. O que falta é justamente a integração. Cada país, então, deve ver qual número é capaz de acolher. Não se pode acolher se não há possibilidade de integração.”

Na história de sua família há a travessia do Oceano por parte de seu avô e de sua avó, com seu pai. Como é crescer como filho de migrantes? Já se sentiu um pouco desarraigado?

“Nunca me senti desarraigado. Na Argentina, somos todos migrantes. Por isso ali o diálogo inter-religioso é a norma. Na escola havia judeus que chegavam na maior parte da Rússia e muçulmanos sírios e libaneses, ou turcos com o passaporte do Império otomano. Havia muita fraternidade. No país, há um número limitado de indígenas, a maior parte da população é de origem italiana, espanhola, polonesa, médio-oriental, russa, alemã, croata, eslovena. Nos anos entre os dois séculos precedentes o fenômeno migratório foi de enorme alcance. Meu pai tinha 20 anos quando chegou à Argentina e trabalhava no Banco da Itália, e se casou ali.”

O que mais sente falta de Buenos Aires? Dos amigos, das visitas às “Villa miséria”, o futebol?

 “Há apenas uma coisa que me falta muito: a possibilidade de sair e caminhar pelas ruas. Eu gosto de visitar às paróquias e encontrar as pessoas. Eu não tenho nenhuma saudade em particular. Eu conto para vocês outra anedota: os meus avós e meu pai poderiam ter partido no final de 1928, eles tinham as passagens para o navio “Princesa Mafalda”, o navio que afundou nas costas do Brasil. Mas eles não conseguiram vender em tempo o que possuíam e por isso mudaram a passagem e embarcaram no “Giulio Cesare”, no dia 1º de fevereiro de 1929. Por isso, eu estou aqui”.

Milão está pronta para receber o senhor no final do mês de março. Começamos pelas organizações de beneficência, associações de voluntários, daqueles que se preocupam em dar aos sem-teto um lugar onde passar a noite, alimentação, cuidados de saúde, oportunidades de se reerguerem. Em Milão, orgulhamo-nos de ser capazes de fazer isso e muito bem. É suficiente? Quais são as necessidades daqueles que acabaram nas ruas?

 “Como também para os migrantes muito simplesmente essas pessoas precisam da mesma coisa: ou seja, integração. Certamente não é fácil integrar uma pessoa que não possui uma casa, porque cada uma delas tem uma história particular. Por isso, temos de nos aproximar de cada um delas, encontrar maneiras de ajudá-las e dar-lhes uma mão”.

O senhor sempre diz que os pobres podem mudar o mundo. Mas é difícil existir solidariedade onde há pobreza e miséria, como nas periferias das cidades. O que o senhor acha?

 “Também aqui trago a minha experiência de Buenos Aires. Nas favelas, há mais solidariedade do que nos bairros centrais. Nas vilas miséria há muitos problemas, mas muitas vezes os pobres são mais solidários entre eles, porque sentem que eles precisam um do outro. Eu encontrei mais egoísmo em outros bairros, não quero dizer ricos, porque seria qualificar desqualificando, mas a solidariedade que vemos nos bairros pobres e nas favelas não se vê em outros lugares, embora a vida ali seja mais complicada e difícil. Nas favelas, por exemplo, a droga se vê mais, mas só porque em outros bairros é mais “escondida” e se usa com luvas brancas”.

Recentemente, procuramos ler a cidade de Milão de uma forma diferente, a partir dos últimos e da rua, e com os olhos das pessoas que moram nas ruas, que frequentam um centro diurno da Caritas Ambrosiana. Com elas, publicamos um guia da cidade, vista a partir da rua, do ponto de vista de quem a vive todos os dias. Santo Padre o que o senhor conhece da nossa cidade e o que espera da sua iminente visita?

“Eu não conheço Milão. Estive lá apenas uma vez, por algumas horas, nos anos setenta. Eu tinha algumas horas livres antes de pegar um trem para Turim e eu aproveitei a oportunidade para uma breve visita à Catedral. Em outra ocasião, com a minha família, eu almocei, num domingo, na casa de uma prima que morava em Cassina de ‘Pecchi. Milão não a conheço, mas eu tenho um grande desejo. Eu espero poder encontrar muita gente. Esta é a minha maior expectativa: sim, eu espero encontrar muita gente”.


Missa em Santa Marta - Tudo e nada

L’Osservatore Romano – «Contente, Senhor, contente!»: o rosto sorridente de um santo contemporâneo, o chileno Alberto Hurtado, o qual até nas dificuldades e sofrimentos garante ao Senhor que é «feliz», contrapôs-se àquele «entristecido» do «jovem rico» evangélico na meditação do Papa Francisco durante a missa celebrada em Santa Marta, na terça-feira 28 de fevereiro de 2017. São os dois modos de responder ao dom e à proposta de vida que Deus oferece ao homem e que o Pontífice sintetizou com a expressão: «Tudo e nada».

A homilia de Francisco inspirou-se numa consideração sobre a liturgia destes «três últimos dias antes da Quaresma» na qual é apresentada a «relação entre Deus e as riquezas». No Evangelho de domingo, recordou, «o Senhor foi claro: não se pode servir a Deus e às riquezas. Não se podem servir a dois patrões, a dois senhores: ou tu serves a Deus ou às riquezas». E na segunda-feira «foi proclamada a história daquele jovem rico, que queria seguir o Senhor mas no final era tão rico que escolheu as riquezas». Um trecho evangélico (Mc 10, 17-27) no qual se evidencia a advertência de Jesus: «Como é difícil que um rico entre no reino dos céus. É mais fácil que um camelo passe pelo fundo de uma agulha», e a reação dos discípulos «meio assustados: “Mas quem se pode salvar?”».

Hoje a liturgia continua a propor o trecho de Marcos, examinando a reação de Pedro (10, 28-31), que diz a Jesus: «Tudo bem e nós?». Parece quase, comentou o Papa, que Pedro com a sua pergunta – «Eis que deixamos tudo e te seguimos. O que nos cabe?» – apresente «a conta ao Senhor», como numa «conversa de negócios». Na realidade, explicou o Pontífice, provavelmente não era «aquela a intenção de Pedro», que evidentemente «não sabia o que dizer: “Sim, ele foi embora, mas nós?”». Em todo o caso, «a resposta de Jesus é clara: “Em verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado tudo sem receber tudo». Não há meias-medidas: «Eis, deixamos tudo», «Recebereis tudo». Ao contrário, há «aquela medida transbordante com a qual Deus concede os seus dons: “Recebereis tudo. Ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, e no século vindouro a vida eterna”. Tudo».

Esta é a resposta, disse o Pontífice: «O Senhor não sabe conceder menos que tudo. Quando ele concede algo, doa-se a si mesmo, que é tudo».

Contudo, uma resposta da qual emerge uma palavra que «nos faz refletir». De facto, Jesus afirma que «se recebe já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras com perseguições». Portanto «tudo e nada». Explicou o Papa: Tudo na cruz, tudo com perseguições, juntamente com as perseguições». Porque se trata de «entrar noutro modo de pensar, noutra maneira de agir». Com efeito, «Jesus doa-se totalmente a si mesmo, porque a plenitude de Deus é aniquilada na cruz». Eis então o «dom de Deus: a plenitude aniquilada». Eis então também o «estilo do cristão: procurar a plenitude, receber a plenitude aniquilada e seguir por aquele caminho». Certamente, um compromisso que «não é fácil».

Mas o Papa, seguindo a sua meditação, foi além e perguntou: «qual é o sinal que indica que progrido neste dar tudo e receber tudo?». O que faz compreender que estamos no caminho certo? A resposta, disse, encontra-se na primeira leitura do dia (Eclo 35, 1-15), onde se lê: «Dá glória a Deus de bom coração e nada suprimas das primícias das tuas mãos. Faz todas as tuas oferendas com um rosto alegre, consagra os dízimos com alegria. Dá ao Altíssimo conforme te foi dado por ele, dá de bom coração de acordo com o que as tuas mãos ganharam, pois o Senhor retribui a dádiva». Portanto, «de bom coração, rosto alegre, alegria...». Explicou o Pontífice: «O sinal que percorremos o caminho do tudo e nada, da plenitude aniquilada, é a alegria».

Não por acaso «o jovem rico abatido no semblante, foi embora entristecido». Não fora «capaz de receber, de acolher a plenitude aniquilada». Ao contrário, explicou o Papa, «os santos, o próprio Pedro, receberam-na. E no meio das provações, das dificuldades mantiveram o rosto alegre, os olhos contentes e a alegria no coração. Este é o sinal».

Neste ponto o Papa recorreu a um exemplo tirado da vida da Igreja contemporânea: «Recordo-me – disse – de uma frase pequenina de Santo Alberto Hurtado, chileno. Trabalhava sempre, com dificuldade após dificuldade... Trabalhava pelos pobres». É um santo que «foi perseguido» e teve que enfrentar «muitos sofrimentos». Mas «quando era aniquilado na cruz» dizia: «Contente, Senhor, contente». «Feliz, Senhor, feliz»

Que Santo Alberto, concluiu o Pontífice, «nos ensine a percorrer este caminho, nos conceda a graça de caminhar nessa estrada um pouco difícil do tudo e nada, da plenitude aniquilada de Jesus Cristo e de dizer sempre, sobretudo nas dificuldades: “Contente, Senhor, contente”».


Papa na Igreja Anglicana: testemunhar juntos o Evangelho da caridade

Na tarde deste domingo, 26 de fevereiro de 2017, o Papa Francisco realizou uma visita histórica, ao participar das celebrações dos 200 anos da Paróquia anglicana All Saints, em Roma. Foi o primeiro Pontífice a entrar no templo.

Eis na íntegra o discurso do Santo Padre:

“Queridos irmãos e irmãs,

Vos agradeço pelo gentil convite em celebrar juntos este aniversário paroquial. Transcorreram mais de duzentos anos desde que realizou-se o primeiro serviço litúrgico público anglicano em Roma, para um grupo de residentes ingleses que viviam nesta parte da cidade. Muita coisa mudou desde então, em Roma e no mundo. No decorrer destes dois séculos, muito também mudou entre anglicanos e católicos, que no passado olhavam-se com suspeita e hostilidade; hoje, graças a Deus, nos reconhecemos como verdadeiramente somos: irmãos e irmãs em Cristo, mediante o nosso batismo comum. Como amigos e peregrinos desejamos caminhar juntos, seguir juntos o nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês me convidaram para abençoar o novo ícone de Cristo Salvador. Cristo nos olha, e o seu olhar sobre nós é um olhar de salvação, de amor e de compaixão. É o mesmo olhar misericordioso que atravessou o coração dos Apóstolos, que iniciaram um novo caminho de vida nova para seguir e anunciar o Mestre. Nesta santa imagem, Jesus, olhando-nos, parece dirigir também a nós um chamado, um apelo: “Estás pronto a deixar alguma coisa do teu passado por mim? Queres ser mensageiro de meu coração, de minha misericórdia?”.

A misericórdia divina é a fonte de todo o ministério cristão. O diz o Apóstolo Paulo, dirigindo-se ao Coríntios, na leitura que acabamos de ouvir. Ele escreve: “Este é o nosso ministério, nós o temos pela misericórdia de Deus; por isto, não perdemos a coragem” (2 Cor 4,1).

Com efeito, São Paulo nem sempre teve uma relação fácil com a comunidade de Corinto, como demonstram as suas cartas. Houve também uma visita dolorosa a esta comunidade e palavras inflamadas foram trocadas por escrito. Mas esta passagem mostra o Apóstolo que supera as divergências do passado e, vivendo o seu ministério segundo a misericórdia recebida, não se resigna diante das divisões, mas trabalha pela reconciliação. Quando nós, comunidade de cristãos batizados, nos encontramos diante de desacordos e nos colocamos diante do rosto misericordioso de Cristo para superá-los, fazemos precisamente como fez São Paulo em uma das primeiras comunidades cristãs.

Como se compromete Paulo nesta missão, de onde começa? Da humildade, que não é somente uma bela virtude, é uma questão de identidade: Paulo se compreende como um servidor, que não anuncia a si mesmo, mas Cristo Jesus Senhor. E cumpre este serviço, este ministério, segundo a misericórdia que lhe foi dada; não com base em sua bravura e contando com suas forças, mas na confiança com que Deus o olha e apoia, com misericórdia a sua fraqueza. Tornar-se humilde é sair do centro, reconhecer-se necessitado de Deus, mendigo de misericórdia: é o ponto de partida para que seja Deus a operar.

Um Presidente do Conselho Ecumênico das Igrejas descreve a evangelização cristã como “um mendigo que diz a outro mendigo onde encontrar o pão”. Acredito que São Paulo teria aprovado. Ele se sentia “com fome de misericórdia” e a sua prioridade era compartilhar com os outros o seu pão: a alegria de ser amados pelo Senhor e de amá-lo.

Este é o nosso bem mais precioso, o nosso tesouro, e neste contexto Paulo introduz uma de suas imagens mais conhecidas, que podemos aplicar a todos nós: “Temos este tesouro em vasos de barro”. Somos somente vasos de barro, mas guardamos dentro de nós o maior tesouro do mundo. Os Coríntios sabiam bem que era tolice preservar algo de precioso em vasos de barro, que eram baratos, mas se quebravam facilmente. Ter dentro deles algo de precioso significava risco de perdê-lo. Paulo, pecador, agraciado, humildemente reconhece ser frágil como um vaso de barro. Mas experimentou e sabe que precisamente ali, onde a miséria humana se abre à ação misericordiosa de Deus, o Senhor opera maravilhas. Assim opera o “extraordinário poder de Deus”.

Confiante neste humilde poder, Paulo serve o Evangelho. Falando de alguns adversários seus em Corinto, os chamou “super-apóstolos”, talvez, e com uma certa ironia, porque o tinham criticado pelas suas fraquezas, das quais eles se consideravam isentos”. Paulo, pelo contrário, ensina que somente reconhecendo-nos frágeis vasos de barro, pecadores sempre necessitados de misericórdia, o tesouro de Deus se derrama em nós e sobre os outros mediante nós. De outra forma, seremos somente cheios de tesouros nossos, que se corrompem e apodrecem em vasos aparentemente bonitos. Se reconhecemos a nossa fraqueza e pedimos perdão, então a misericórdia restauradora de Deus resplandecerá dentro de nós e será também visível de fora; os outros irão experimentar de alguma forma, através de nós, a beleza gentil da face de Cristo.

A um certo ponto, talvez no momento mais difícil com a comunidade de Corinto, Paulo cancelou uma visita que havia programado, renunciando também às ofertas que teria recebido. Existiam tensões na comunhão, mas não tiveram a última palavra. A relação voltou ao normal e o Apóstolo aceitou a oferta para o sustento da Igreja de Jerusalém.

Os cristãos de Corinto voltaram a trabalhar junto às outras comunidades visitadas por Paulo, para apoiar quem era necessitado. Este é um sinal forte de comunhão restabelecida. Também a obra que a vossa comunidade desenvolve junto a outras de língua inglesa aqui em Roma, pode ser vista desta forma. Uma comunhão verdadeira e sólida cresce e se robustece quando se age juntos por quem tem necessidade. Por meio do testemunho concorde da caridade, a face misericordiosa de Jesus torna-se visível na nossa cidade.

Católicos e anglicanos, somos humildemente agradecidos porque, depois de séculos de recíproca desconfiança, somos agora capazes de reconhecer que a fecunda graça de Cristo está em ação também nos outros. Agradecemos ao Senhor porque entre os cristãos cresceu o desejo de uma maior proximidade, que se manifesta no rezar juntos e no comum testemunho ao Evangelho, sobretudo por meio das várias formas de serviço. Às vezes, o progresso no caminho rumo à plena comunhão pode parecer lento e incerto, mas hoje podemos tirar um encorajamento deste nosso encontro. Pela primeira vez um Bispo de Roma visita a comunidade de vocês. É uma graça e também uma responsabilidade: a responsabilidade de fortalecer as nossas relações em louvor a Cristo, a serviço do Evangelho e desta cidade.

Encorajando-nos uns aos outros a tornar discípulos sempre mais fieis a Jesus, sempre mais livres dos respectivos preconceitos do passado e sempre mais desejosos de rezar por e com os outros. Um bonito sinal desta vontade é a “parceria” concretizada entre a vossa paróquia All Saints e a católica, de Todos os Santos. Que os Santos de cada Confissão cristã, plenamente unidos na Jerusalém celeste, nos abram o caminho para percorrer aqui todas as possíveis vias de um caminho cristão fraterno e comum. Onde nos reunimos em nome de Jesus, ali Ele está presente, e dirigindo o seu olhar de misericórdia, chama a trabalharmos pela unidade e pelo amor. Que o rosto de Deus resplandeça sobre nós, sobre vossas famílias e sobre toda a comunidade!”.


Angelus: Colocar a confiança em Deus, o grande amigo, o aliado, o Pai

Cidade do Vaticano, 26.fevereiro.2017 (RV) – Diante das tantas preocupações que tiram a nossa serenidade e equilíbrio, devemos confiar-nos a Deus. “Ele não resolve magicamente os problemas, mas permite enfrentá-los com o espírito correto”.

Palavras do Papa Francisco na alocução que precedeu a Oração mariana do Angelus,  inspirada na leitura do Evangelho de Mateus - proposta pela Liturgia do dia - onde somos chamados a fazer uma escolha por Deus e pelo seu Reino, uma escolha “que nem sempre mostra imediatamente seus frutos” e que é feita na esperança.

Deus cuida dos seres da criação, “provê de alimento a todos os animais, preocupa-se pelos lírios e pela erva do campo; o seu olhar benéfico e solícito vigia cotidianamente a nossa vida”.

O Papa recorda que “a angústia” causada pelas preocupações “é muitas vezes inútil”, pois “não consegue mudar o curso dos acontecimentos”. Neste sentido, a insistente exortação de Jesus “a não nos preocupar-nos com o amanhã”, “existe um Pai amoroso que não se esquece nunca de seus filhos. Entregar-se a Ele não resolve magicamente os problemas, mas permite enfrentá-los com o espírito correto, corajosamente”:

“Deus não é um ser distante e anônimo: é o nosso refúgio, a fonte de nossa serenidade e de nossa paz. É a rocha da nossa salvação, a quem podemos agarrar-nos na certeza de não cair. Quem se agarra a Deus não cai, quem se agarra a Deus, não cai nunca! É a nossa defesa do mal, sempre à espreita. Deus é para nós o grande amigo, o aliado, o pai, mas nem sempre nos damos conta disto”.

Não nos damos conta disto, e “preferimos nos apoiar em bens imediatos que podemos tocar, bens contingentes – constata Francisco -  esquecendo, e às vezes rejeitando, o bem supremo, isto é, o amor paterno de Deus”:

“Senti-lo Pai, nesta época de orfandade é tão importante! Neste mundo órfão, senti-lo Pai. Nós nos afastamos do amor de Deus quando vamos em busca obsessiva dos bens terrenos e das riquezas, manifestando assim um amor exagerado por estas realidades”.

“Jesus – recordou o Santo Padre - nos diz que esta busca incansável é ilusória e motivo de infelicidade. E dá aos seus discípulos uma regra de vida fundamental: “Buscai, pelo contrário, o reino de Deus””:

“Trata-se de realizar o projeto que Jesus anunciou no Sermão da Montanha, confiando em Deus que não desilude - tantos amigos ou tantos que acreditávamos amigos, nos desiludiram; Deus nunca desilude - agir como administradores fieis dos bens que Ele nos deu, também os terrenos, mas sem “exagerar”, como se tudo, também a nossa salvação, dependesse somente de nós”.

“Esta atitude evangélica requer uma escolha clara, que a passagem de hoje indica com precisão: “Não podeis servir a Deus e à riqueza”. Ou o Senhor, ou os ídolos fascinantes, mas ilusórios”:

“Esta escolha que somos chamados a fazer, repercute depois em tantos de nossos atos, programas e compromissos. É uma escolha que deve ser feita de modo claro e renovada continuamente, porque as tentações de reduzir tudo a dinheiro, prazer e poder, estão sempre presentes. Existem tantas tentações neste sentido”.

“Enquanto honrar estes ídolos leva a resultados tangíveis, mesmo se fugazes, fazer a escolha por Deus e pelo seu Reino nem sempre mostra imediatamente os seus frutos”:

“É uma decisão que se toma na esperança e que deixa a Deus a plena realização. A esperança cristã é voltada ao cumprimento futuro da promessa de Deus e não se rende diante de alguma dificuldade, porque é fundada na fidelidade de Deus, que nunca falta. É fiel, é um pai fiel, é um amigo fiel, é um aliado fiel”.

A confiança no amor e na bondade do Pai celeste – concluiu o Papa – “é o pressuposto para superar os tormentos e as adversidades da vida, e também as perseguições, como nos mostra o testemunho de tantos nossos irmãos e irmãs”.

Ao saudar os inúmeros grupos e cerca de 30 mil fiéis  presentes na Praça São Pedro, o Papa recordou que na terça-feira, 28 de fevereiro, recorre o “Dia das doenças raras”. Neste sentido, “fez votos de que os pacientes e as suas famílias sejam adequadamente apoiados no difícil percurso, quer a nível médico como legislativo”.


Como Jesus, o Papa, com seus tweets, não se cansa de anunciar o Reino com o convite à conversão:



25/02/2017
Anunciando a todos o amor e a ternura de Jesus, nos convertemos em apóstolos da alegria do Evangelho. E a alegria é contagiosa!
24/02/2017
No coração do cristão há sempre alegria. Sempre. A alegria acolhida como um dom e conservada para ser compartilhada com todos.
23/02/2017
Não subestimemos o valor do exemplo pois tem mais força do que mil palavras, milhares de "curtidas" ou retuitadas, de mil vídeos no youtube.
22/02/2017
Jesus confiou a Pedro as chaves para abrir a porta do Reino dos Céus, não para fechá-la.


Papa à Comunidade de Capodarco: promover a dignidade dos marginalizados

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa concluiu sua série de audiências, na manhã deste sábado (25/02/2017), recebendo na Sala Paulo VI, cerca de 2.600 peregrinos da Comunidade italiana de Capodarco, que, ano passado, completou 50 anos de atividades.

Por isso, o Santo Padre agradeceu aos membros da Comunidade pelo serviço que prestam às pessoas com necessidades especiais, aos menores, aos que vivem em situações de dependência e de incômodo e às suas famílias.

“Vocês, disse o Papa, escolheram estar do lado de tais pessoas menos tuteladas, oferecendo-lhes acolhida, apoio, esperança e partilha. Deste modo, vocês contribuem para melhorar a sociedade”. E acrescentou:

“A qualidade da vida de uma sociedade é determinada, em boa parte, pela capacidade de incluir os mais frágeis e necessitados no respeito da sua dignidade de homens e mulheres. Também as pessoas excepcionais e com fragilidades físicas, psíquicas ou morais, devem poder participar da vida da sociedade e serem ajudadas a atuar suas potencialidades”.

Uma sociedade pode ser fundada no direito e na justiça, explicou Francisco, somente se forem reconhecidos os direitos dos mais frágeis. É deplorável a discriminação com base na ineficiência, na raça e na religião. E dirigindo-se ainda aos membros da Comunidade de Capodarco, o Papa disse:

“Diante dos problemas econômico e das consequências negativas da globalização, vocês procuram ajudar os que se sentem excluídos ou marginalizados, através do seu testemunho e experiência pessoais. Trata-se de promover a dignidade e o respeito por cada indivíduo, os últimos e os mais pequeninos”.

O Santo Padre concluiu seu discurso aos membros da Comunidade italiana de Capodarco, recordando as suas origens, ou seja, graças às suas peregrinações aos santuários de Lourdes e Loreto, nas quais seu fundador, Padre Franco, intuiu o modo de valorizar os recursos humanos e espirituais das pessoas excepcionais.


Papa aos Párocos: promoção e defesa do Sacramento do Matrimônio e da Família

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco encontrou na manhã deste sábado (25/02/2017), no Vaticano, os participantes do curso de formação para Párocos, promovido pelo Tribunal da Rota Romana. O Curso tratou sobre o “novo Processo matrimonial”, discutido e proposto pelo Sínodo dos Bispos sobre o “Matrimônio e a Família”, realizado no Vaticano em outubro de 2015.

Eis a íntegra do discurso do Santo Padre aos sacerdotes  presentes na Sala Clementina:

“Queridos irmãos,

Tenho a alegria de encontrá-los ao final do curso de formação para os párocos, promovido pela Rota Romana, sobre o novo processo matrimonial. Agradeço ao Decano e ao Pro Decano pelo empenho em favor destes cursos formativos.

O que foi discutido e proposto no Sínodo dos Bispos sobre o tema “Matrimônio e família”, foi recebido e integrado na Exortação Apostólica Amoris laetitia e traduzido em oportunas normas jurídicas contidas em dois específicos documentos: o motu proprio Mitis Iudex e o motu proprio Misericors Jesus. É uma coisa boa que vocês párocos, por meio destas iniciativas de estudo, possam aprofundar tal matéria, pois são sobretudo vocês a aplicá-la concretamente no contato cotidiano com as famílias.

Na maior parte dos casos, vocês são interlocutores dos jovens que desejam formar uma nova família e casar-se no Sacramento do Matrimônio. E ainda, se dirigem a vocês aqueles cônjuges que, devido a sérios problemas em seu relacionamento, encontram-se em crise, têm necessidade de reavivar a fé e redescobrir a graça do Sacramento; e em certos casos, pedem indicações para iniciar um processo de nulidade. 

Ninguém melhor do que vocês conhece e está em contato com a realidade do tecido social no território, experimentando a sua complexidade variegada: uniões celebradas em Cristo, uniões de fato, uniões civis, uniões fracassadas, famílias e jovens felizes e infelizes. De cada pessoa e de cada situação, vocês são chamados a ser companheiros de viagem para testemunhar e apoiar.

Antes de tudo, seja vossa preocupação testemunhar a graça do Sacramento do Matrimônio e o bem primordial da família, célula vital da Igreja e da sociedade, mediante a proclamação de que o matrimônio entre um homem e uma mulher é sinal da união esponsal entre Cristo e a Igreja.

Tal testemunho vocês dão quando preparam os noivos ao matrimônio, tornando-os conscientes do significado profundo do passo que estão para realizar, e quando acompanham com solicitude os jovens casais, ajudando-os a viver nas luzes e nas sombras, nos momentos de alegria e naqueles de cansaço, a força divina e a beleza de seu matrimônio.

Não deixem de recordar sempre aos esposos cristãos, que no Sacramento do Matrimônio Deus, por assim dizer, se reflete neles, imprimindo a sua imagem e o caráter inapagável de seu amor.

O matrimônio, de fato, é ícone de Deus, criado para nós por Ele, que é comunhão perfeita das três Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que o amor de Deus Uno e Trino e o amor entre Cristo e a Igreja, sua esposa, sejam o centro da catequese e da evangelização matrimonial: por meio de encontros pessoais ou comunitários, programados ou espontâneos, não vos cansai de mostrar a todos, especialmente aos esposos, este “grande mistério” (cfr Ef 5,32).

Enquanto oferecem este testemunho, seja vosso cuidado também sustentar aqueles que se deram conta do fato de que a sua união não é um verdadeiro matrimônio sacramental e querem sair desta situação. Nesta delicada e necessária obra, façam de modo que os vossos fiéis, vos reconheçam não tanto como especialistas de atos burocráticos ou de normas jurídicas, mas como irmãos que se colocam em atitude de escuta e de compreensão.

Ao mesmo tempo, fazei-vos próximos, com o estilo próprio do Evangelho, no encontro e na acolhida daqueles jovens que preferem conviver sem se casar. Eles, no plano espiritual e moral, estão entre os pobres e os pequenos, para os quais a Igreja, nas pegadas de seu Mestre e Senhor, quer ser mãe que não abandona, mas que se aproxima e cuida.

Também estas pessoas são amadas pelo coração de Cristo. Tenham por elas um olhar de ternura e de compaixão. Este cuidado pelos últimos, precisamente porque emana do Evangelho, é parte essencial da vossa obra de promoção e defesa do Sacramento do matrimônio.

A paróquia é de fato o lugar por antonomásia da salus animarum. Assim ensinava o Beato Paulo VI: “A paróquia (…) é a presença de Cristo na plenitude da sua função salvadora. (…) é a casa do Evangelho, a casa da verdade, a escola de Nosso Senhor”. (Discurso na Paróquia da Grande Mãe de Deus em Roma, 8 de março de 1964: Ensinamentos II (1964), 1077).

Queridos irmãos, falando recentemente à Rota Romana, recomendei para que desenvolvessem um verdadeiro catecumenato dos futuros casais, que incluísse todas as etapas do caminho sacramental: os tempos da preparação ao matrimônio, da sua celebração e dos anos imediatamente sucessivos. A vocês párocos, indispensáveis colaboradores dos Bispos, é principalmente confiado este catecumenato. Vos encorajo a concretizá-lo, não obstante as dificuldades que poderão encontrar.

Agradeço a vocês pelo empenho em favor do anúncio do Evangelho da família. Que o espírito Santo vos ajude a ser ministros de paz e de consolação em meio ao santo povo fiel de Deus, especialmente às pessoas mais frágeis e necessitadas da vossa solicitude pastoral. Enquanto peço a vocês para rezarem por mim, de coração abençoo a cada um de vocês e as vossas comunidades paroquiais”.


A uma delegação do episcopado francês comprometida na cooperação entre os povos - Não a um mundo que constrói muros

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco iniciou sua série de audiências coletivas, na manhã deste sábado (25/02), recebendo, na Sala do Papas, no Vaticano, 29 peregrinos da Delegação Católica para a Cooperação, da Conferência dos Bispos da França, que está comemorando 50 anos de atividades.

Através deles, o Santo Padre aproveitou para mandar sua saudação cordial a todos os voluntários em missão pelos mais de 50 países do mundo, como também a todas as pessoas que são beneficiadas pela sua presença e competência.

A Delegação Católica para a Cooperação foi criada pela Igreja na França, há cinquenta anos, fiel ao grande impulso missionário, a fim de oferecer sua generosa contribuição ao longo dos séculos. A propósito, o Papa disse:

“Com vocês, dou graças a Deus pela obra do seu Espírito manifestada no caminho humano e espiritual dos voluntários e no trabalho de acompanhamento dos projetos de desenvolvimento da sua Instituição. Assim, vocês promovem uma autêntica cooperação entre as Igrejas locais e os Povos, contrastando a miséria e atuando por um mundo mais justo e mais fraterno”.

Hoje, disse Francisco, a solidariedade está desgastada e até mal interpretada; é bem mais que um simples ato de generosidade. Ela requer uma nova mentalidade, em termos comunitários. A sua Instituição, por meio dos seus voluntários enviados pelo mundo, atua de comum acordo com as autoridades civis e com as pessoas de boa vontade.

A Delegação Católica para a Cooperação contribui para uma verdadeira conversão ecológica, que reconhece a dignidade de cada pessoa, seu valor, sua criatividade e capacidade de promover o bem comum.

Por fim, o Pontífice animou os membros desta Instituição francesa para fomentar a cultura da misericórdia. “Não tenham medo de percorrer os caminhos da fraternidade – exortou - e de construir pontes entre pessoas e povos, em um mundo onde ainda se constroem muros. E o Papa concluiu:

“Mediante as suas iniciativas, projetos e ações, vocês tornam visível a Igreja pobre com e pelos pobres; uma Igreja ‘em saída’ que se faz próxima das pessoas em estado de sofrimento, precariedade, marginalização e exclusão”.

Com estas palavras, Francisco incentivou a Instituição francesa a estar sempre ao serviço da Igreja, que permite reconhecer a surpreendente proximidade de Deus, sua ternura e seu amor, acolhendo a sua Palavra viva, para a salvaguarda da nossa Casa Comum.



Papa sobre direito à água: cultura do cuidado e do encontro pra não terminar em guerra

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco participou na tarde desta sexta-feira (24/02/2017), na Casina Pio IV, no Vaticano, do encontro sobre o direito à agua, promovido pela Pontifícia Academia das Ciências. Especialistas na área vieram do mundo inteiro para debater o tema inspirado, inclusive, em passagens da Encíclica Laudato si.

No seu discurso, o Papa Francisco começou saudando os participantes que se propuseram a enfrentar “a problemática do direito humano à água e a exigência de políticas públicas” no setor, para dar uma resposta à essa necessidade que vive o homem de hoje.

Em seguida, Francisco usou uma passagem do Livro do Gênesis para tratar a questão de maneira fundamental e urgente: “a água está no princípio de todas as coisas”, fonte de vida e de fecundidade.

“Fundamental porque onde tem água, tem vida, e assim a sociedade pode nascer e progredir. E é urgente porque a nossa casa comum tem necessidade de proteção e, também, que se compreenda que nem toda a água é vida: somente a água segura e de qualidade. Toda pessoa tem o direito ao acesso à água potável e segura; é um direito humano essencial e uma das questões cruciais no mundo atual. É triste ver quando, numa legislação de um país ou de um grupo de países, não se considera a água como um direito humano. É ainda mais triste quando se apaga aquilo que era escrito ali e se nega esse direito humano.”

O Papa Francisco novamente enfatizou que é um problema que diz respeito a todos nós, pois faz parte da nossa casa comum, aquela que “suporta tanta miséria e exige soluções efetivas, realmente capazes de superar os egoísmos que impedem a atuação desse direito vital para todos os seres humanos”. É necessário atribuir à água, acrescentou o Pontífice, “a centralidade que merece no âmbito das políticas públicas”.

“O nosso direito à água é também um dever com a água. Do direito que temos à ela vem a obrigação que é ligada à ela, e  não se pode separar. É imprescindível anunciar esse direito humano essencial e defendê-lo, como se está fazendo, mas também agir de maneira concreta, assegurando um empenho político e jurídico com a água. Nesse sentido, cada Estado é chamado a concretizar, também com instrumentos jurídicos, o que vem indicado nas resoluções aprovadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2010, sobre o direito humano à água potável e à higiene.”

O Papa continuou o seu discurso, sublinhando como “o direito à água é determinante para a sobrevivência das pessoas”, e como decide o futuro da humanidade. Por isso, continuou, é uma prioridade também “educar as próximas gerações sobre a gravidade dessa realidade”.

“A formação da consciência é uma tarefa difícil, requer convicção e dedicação. E eu me pergunto se, em meio a esta terceira guerra mundial em pedaços que estamos vivendo, não estamos caminhando em direção à grande guerra mundial pela água.”

Francisco citou dados “graves” das Nações Unidas que não podem nos deixar indiferentes e devem ser parados: “mil crianças morrem todos os dias por causa de doenças ligadas à água e milhões de pessoas consomem água contaminada”. “Ainda não é tarde”, disse o Papa, “mas é urgente estarmos cientes da necessidade da água e do seu valor essencial para o bem da humanidade”. O Pontífice também abordou o tema, do respeito à água, como “condição para o exercício dos outros direitos humanos”.

“Se respeitarmos esse direito como fundamental, estaremos colocando as bases para proteger os outros direitos. Mas se violarmos esse direito essencial, como poderemos vigiar os outros e lutar por eles! Nesse empenho de dar à água o lugar justo é necessária uma cultura do cuidado, parece uma coisa poética. A criação é uma poiesis, essa cultura do cuidado que é criativa. E também favorecer a cultura do encontro, em que se unem numa causa comum todas as forças necessárias de cientistas e empreendedores, governantes e políticos. Isso é poesia, como a criação. Precisamos unir todas as nossas vozes numa mesma causa. Não serão tantas vozes individuais e isoladas, mas o grito do irmão que protesta por nós, é o grito da terra que pede o respeito e o compartilhamento responsável de um bem, que é de todos. Nessa cultura do encontro, é imprescindível a ação de cada Estado para garantir o acesso universal à água segura e de qualidade.”

O Papa Francisco finalizou exortando o olhar de Deus Criador nesse trabalho, mas sublinhou que “o trabalho é nosso, a responsabilidade é nossa”. Uma ação prioritária para que “as pessoas possam viver”, um ideal pelo qual “vale a pena lutar e trabalhar. Com o nosso ‘pouco’”, disse Francisco, “contribuiremos para que a nossa casa comum seja mais habitável e mais solidária”.


Justiça com misericórdia, Papa Francisco na Casa
Santa Marta

L’Osservatore Romano – «Senhor, que eu seja justo, mas justo com misericórdia»: foi a oração sugerida pelo Papa Francisco para não cair no «engano hipócrita» da «casuística», na «lógica do “pode-se” e “não se pode”». Cientes de que «em Deus justiça é misericórdia e misericórdia é justiça». Foram estas as linhas essenciais da reflexão proposta pelo Pontífice na missa celebrada na manhã de sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017, em Santa Marta.

«Havia três grupos de pessoas que seguiam Jesus» realçou imediatamente Francisco, referindo-se ao trecho evangélico de Marcos (10, 1-12) proposto pela liturgia. E assim, em primeiro lugar, «a multidão seguia-o para aprender, porque ele falava com autoridade». Certamente, acrescentou, seguia-o «também, para se fazer curar». O segundo grupo é composto pelos «doutores da lei» que, ao contrário, «o seguiam para o pôr à prova: aproximavam-se e para o pôr à prova faziam perguntas». Há também «os discípulos, o terceiro grupo: seguiam-no porque estavam apegados a ele, o próprio Jesus os tinha chamado para que andassem com ele». E deste modo «estes três grupos seguiam sempre Jesus».

Marcos narra que «se aproximaram do Senhor estes doutores da lei: é claro, diz o Evangelho, para o pôr à prova perguntando a Jesus se era lícito que um marido repudiasse a própria esposa». Mas «Jesus – explicou o Papa – não responde se é lícito ou não; não entra na sua lógica casuística, porque eles pensavam na fé unicamente em termos de “pode-se” ou “não se pode”, até onde “se pode”, até onde “não se pode”». Contudo, «Jesus não se deixa levar por aquela lógica da casuística». Aliás, «dirige-lhes uma pergunta: “Que vos ordenou Moisés?». Concretamente, questiona «o que há na vossa lei?”».

Ao responder a esta pergunta de Jesus, observou Francisco, os doutores da lei «explicam a autorização que Moisés concedeu de repudiar a esposa, e são precisamente eles que caem na armadilha, porque Jesus os qualifica como “duros de coração”». E dirige-se a eles assim: «Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei». E deste modo Jesus «diz a verdade, sem casuística, sem permissões, a verdade: “Desde do princípio da criação, Deus os fez homem e mulher”». E continua: «Por isso, deixará o homem pai e mãe», «pôr-se-á a caminho», e «unir-se-á à sua mulher». Portanto, «os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne». E esta, afirmou o Papa, «não é nem casuística, nem permissão: é a verdade; Jesus diz sempre a verdade».

Marcos narra no seu Evangelho também a reação do «terceiro grupo, os discípulos, em casa: interrogam-no de novo sobre este argumento para compreender melhor, porque eles conheciam esta permissão de Moisés, esta lei de Moisés». E «Jesus mais uma vez é muito claro: “Quem repudia a sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira.E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério”».

Por conseguinte, Jesus diz «a verdade», afirmou o Pontífice. Ele «sai da lógica da casuística e explica as coisas como foram criadas, explica a verdade». Mas «sem dúvida, alguém pode pensar: “Sim, a verdade é esta, mas tu, Jesus, foste ali para falar com uma adúltera!”». Que «por várias vezes foi adúltera: cinco, acho». Portanto, agindo deste modo, «tornaste-te impuro. E tornaste-te impuro também porque ela era pagã, era uma samaritana. E falar com alguém que não era judeu tornava-te impuro e tornaste-te impuro, inclusive porque bebeste do mesmo copo, que não tinha sido purificado». Então, «por que razão afirmas que isto é adultério, que é grave, e depois falas com esta mulher, lhe explicas o catecismo e bebes também o que ela te oferece?». E ainda: «Uma vez trouxeram-te uma adúltera – era claro para todos: foi surpreendida em adultério – e tu, por fim, o que disseste? “Eu não te condeno, não voltes a pecar”. Mas como se explica isto?» poder-se-ia então objetar.

«É o caminho cristão» foi a resposta do Pontífice. Trata-se do «caminho de Jesus, porque também ele – pensemos em Mateus, em Zaqueu, nos banquetes que faz com todos os pecadores – ia ter com eles, para comer». E «o caminho de Jesus, vê-se claramente, é o caminho que vai da casuística à verdade e à misericórdia: Jesus deixa de lado a casuística». E qualifica «quantos o queriam pôr à prova, quantos pensavam com esta lógica do “pode-se” – não aqui, mas noutro trecho do Evangelho – como hipócritas». E isto é válido também «relativamente ao quarto mandamento: estes recusavam-se de assistir os pais com a desculpa de que tinham dado uma boa oferta à Igreja, hipócritas!». Porque, insistiu Francisco, «a casuística é hipócrita, é um pensamento hipócrita: “pode-se, não se pode”». Um pensamento «que depois se torna mais subtil, mais diabólico: “Mas até aqui posso? Mas daqui até ali, não posso”». É «o engano da casuística». Ao contrário, «não: da casuística à verdade, mas a verdade é esta». E «Jesus não negocia a verdade, nunca: diz a verdade tal como ela é».

Mas não existe «só a verdade», explicou o Papa. Há «também a misericórdia, porque Ele é a encarnação da misericórdia do Pai e não pode negar-se a si mesmo». E «não pode negar-se a si mesmo porque é a verdade do Pai, porque é a misericórdia do Pai». E «este – prosseguiu – é o caminho que Jesus nos ensina a percorrer: não é fácil, na vida, quando chegam as tentações: pensemos nas tentações de negócios». Naquele caso «os especuladores» dizem: «Posso fazer até aqui, vou despedir estes funcionários e ganho mais aqui». É precisamente «a casuística». «Quando a tentação chega ao coração – afirmou o Papa – este caminho que leva da casuística à verdade e à misericórdia não é fácil: precisamos da graça de Deus para que nos ajude a ir em frente. E devemos pedi-la sempre».

«Senhor, que eu seja justo, mas justo com misericórdia» foi a oração sugerida por Francisco. Mas «não justo, coberto pela casuística». Ao contrário, a oração que devemos fazer ao Senhor é para sermos «justos na misericórdia, como tu, justo na misericórdia». E «depois alguém com uma mentalidade casuística pode perguntar: o que é mais importante em Deus, justiça ou misericórdia?». Mas este «é um pensamento doentio, que procura sair: o que é mais importante?». Na realidade «não são dois: é só um, uma única coisa. Em Deus, justiça é misericórdia e misericórdia é justiça». E «o Senhor – concluiu o Papa – nos ajude a compreender este caminho, que não é fácil, mas nos vai fazer felizes, a nós, e a tanta gente».


Francisco recebe nova edição da Torá

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa recebeu em audiência na quinta-feira (23/02) um grupo editorial, liderado pelo rabino Abraham Skorka, que apresentou ao Pontífice uma nova edição da Torá.

“Essa publicação é fruto de uma ‘aliança’ entre pessoas de diferentes nacionalidades, idades e confissões religiosas que souberam trabalhar juntas”, disse Francisco.

Ao citar as palavras de São João Paulo II que em 1990 definiu a Torá como sendo o “ensinamento vivo do Deus vivente”, Francisco recordou que Deus chamou Abraão para formar um povo que “se transformasse em bênção para todos os povos da terra”.

União

“Em meio a tantas palavras humanas que infelizmente impelem à divisão e à competição, estas palavras divinas de aliança abrem a todos nós caminhos de bem a ser percorridos juntos”, sublinhou Francisco.

Ao reiterar que o diálogo entre judeus e cristãos está “consolidado e é eficaz”, Francisco afirmou que a parte introdutiva e a nota do editor da nova versão da Torá “destacam este diálogo, expressando uma visão cultural aberta, no respeito recíproco e na paz, em sintonia com a mensagem espiritual da Torá”.

E finalizou: “Toda edição da Sagrada Escritura contém um valor espiritual que supera infinitamente aquele material”


Papa ao time do Villareal: futebol é imagem da vida e da sociedade

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa iniciou sua série de audiências na manhã desta quinta-feira (23/02/2017) recebendo os jogadores e dirigentes do Villareal da Espanha.

Em sua breve saudação aos jogadores, técnicos e dirigentes da equipe espanhola, o Papa disse:

“O futebol, como os demais esportes, é imagem da vida e da sociedade. No campo, vocês precisam uns dos outros. Cada jogador coloca seu profissionalismo e habilidade em prol de um ideal comum: jogar bem para ganhar. Para se atingir esta meta é preciso de muito treino e esforço para fortalecer o espírito da equipe e criar uma conexão de ações: um olhar, um pequeno gesto são expressões de comunicação em campo”.

Isto, porém, só é possível, disse o Papa, mediante o espírito de companheirismo, deixando de lado o individualismo ou as aspirações pessoais. Joga-se pelo bem do grupo, motivo que pode levar à vitória. E Francisco acrescentou:

“Por outro lado, quando vocês jogam futebol estão, ao mesmo tempo, sendo educados e transmitindo valores. Muitas pessoas, especialmente os jovens, os admiram  e os observam. Por isso, através do seu profissionalismo, vocês transmitem um modo de vida aos que os seguem, sobretudo às novas gerações. Esta responsabilidade deve ajudá-los a melhorar e a exercer os valores, que devem ser palpáveis no futebol: o companheirismo, o esforço pessoal, a beleza do jogo, o jogo em equipe”.

Neste sentido, Francisco acrescentou outra característica de um esportista: o agradecimento, que envolve os companheiros de time ou as pessoas que os ajudaram a atingir a fama.

Por fim, o Papa exortou os presentes a dar o melhor de si, para que os outros possam aproveitar bem dos momentos agradáveis do esporte, e também a ser instrumentos de alegria e paz para os torcedores.


Papa: abandonar vida dupla, o escândalo destrói

Cidade do Vaticano (RV) - “Não escandalizar os pequeninos com a vida dupla, porque o escândalo destrói”, disse o Papa Francisco na homilia da missa matutina celebrada, nesta quinta-feira (23/02/2017), na Casa Santa Marta.

“Cortar a mão”, “arrancar o olho”, mas “não escandalizar os pequeninos”, ou seja, os justos, “os que confiam no Senhor, que simplesmente creem no Senhor”.

“Mas o que é o escândalo? O escândalo é dizer uma coisa e fazer outra; é ter vida dupla. Vida dupla em tudo: sou muito católico, vou sempre à missa, pertenço a esta e aquela associação; mas a minha vida não é cristã. Não pago o que é justo aos meus funcionários, exploro as pessoas, faço jogo sujo nos negócios, reciclo dinheiro, vida dupla. Muitos católicos são assim. Eles escandalizam. Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’. O escândalo é isso. Destrói. Joga você no chão. Isso acontece todos os dias, basta ver os telejornais e ler os jornais. Os jornais noticiam vários escândalos e fazem publicidade de escândalos. Com os escândalos se destrói.” 

O Papa citou o exemplo de uma empresa importante que estava à beira da falência. As autoridades queriam evitar uma greve justa, mas que não faria bem e queriam conversar com os chefes da empresa. As pessoas não tinham dinheiro para arcar com as despesas cotidianas, pois não recebiam o salário. O responsável, um católico, estava de férias numa praia no Oriente Médio e as pessoas souberam disso mesmo que a notícia não tenha saído nos jornais. “Estes são escândalos”, disse Francisco:
  “No Evangelho, Jesus fala daqueles que escandalizam, sem dizer a palavra escândalo, mas se entende: ‘Você chegará ao Céu, baterá à porta e: Sou eu, Senhor! Não se lembra? Eu ia à Igreja, estava sempre com você, pertencia a tal associação, fazia muitas coisas. Não se lembra de todas as ofertas que eu fiz? Sim, lembro-me! As ofertas! Lembro-me bem: todas sujas, roubadas aos pobres. Não o conheço. Esta será a resposta de Jesus aos escandalosos que fazem vida dupla.”
  “A vida dupla provém do seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original”, disse o Papa. A Primeira Leitura exorta a não se deixar levar pelas paixões do coração e a não confiar nas riquezas. A não dizer: “Contento-me de mim mesmo”. Francisco convidou a não adir a conversão:

“A todos nós, a cada um de nós, fará bem, hoje, pensar se há algo de vida dupla em nós, de parecer justos. Parecer bons fiéis, bons católicos, mas por baixo fazer outra coisa; se há algo de vida dupla, se há uma confiança excessiva: O Senhor me perdoará tudo. Então, continuo. Ok! Isso não é bom. Irei me converter, mas hoje não! Amanhã. Pensemos nisso. Aproveitemos da Palavra do Senhor e pensemos que o Senhor nisso é muito duro. O escândalo destrói.”


Na catequese, Papa fala sobre esperança cristã e Criação

O Papa Francisco se reuniu com cerca de 10 mil fiéis nesta quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017, para a tradicional audiência geral, a catequese. A reflexão de hoje foi sobre a esperança cristã e a criação.

Íntegra da catequese:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Muitas vezes somos tentados a pensar que a criação seja nossa propriedade, uma posse que podemos explorar a nosso gosto e da qual não precisamos dar conta a ninguém. No trecho da Carta aos Romanos (8, 19-27) da qual ouvimos uma parte, o Apóstolo Paulo nos recorda, em vez disso, que a criação é um dom maravilhoso que Deus colocou nas nossas mãos, para que possamos entrar em relação com Ele e possamos reconhecer em nós a marca do seu desígnio de amor, à cuja realização todos somos chamados a colaborar, dia após dia.

Quando, porém, se deixa tomar pelo egoísmo, o ser humano acaba por arruinar também as coisas mais belas que lhe foram confiadas. E assim aconteceu também para a criação. Pensemos na água. A água é uma coisa belíssima e tão importante; á água nos dá a vida, nos ajuda em tudo, mas para explorar os minerais se contamina a água, se suja a criação e se destrói a criação. Este é somente um exemplo. Há tantos. Com a experiência trágica do pecado, se quebra a comunhão com Deus, quebramos a comunhão originária com tudo aquilo que nos rodeia e acabamos por corromper a criação, tornando-a assim escrava, submetida à nossa transitoriedade. E infelizmente a consequência de tudo isso está dramaticamente sob os nossos olhos, todos os dias. Quando rompe a comunhão com Deus, o homem perde a própria beleza originária e acaba por desfigurar tudo ao seu redor; e onde antes tudo remetia ao Pai Criador e ao seu amor infinito, agora leva o triste e desolador sinal do orgulho e da voracidade humanos. O orgulho humano, explorando a criação, destrói.

O Senhor, porém, não nos deixa sozinhos e também nesse quadro desolador nos oferece uma perspectiva nova de libertação, de salvação universal. É aquilo que Paulo coloca em evidência com alegria, convidando-nos a ouvir os gemidos de toda a criação. Se prestamos atenção, de fato, ao nosso redor tudo geme: geme a própria criação, gememos nós seres humanos e geme o Espírito dentro de nós, no nosso coração. Ora, esses gemidos não são um lamento estéril, desconsolado, mas – como precisa o Apóstolo – são os gemidos de quem sofre, mas sabe que está por vir à luz uma vida nova. E no nosso caso é realmente assim. Ainda estamos lidando com as consequências do nosso pecado e tudo, ao nosso redor, ainda leva o sinal dos nossos cansaços, das nossas faltas, dos nossos fechamentos. Ao mesmo tempo, porém, sabemos que fomos salvos pelo Senhor e já nos foi dado contemplar e antecipar em nós e naquilo que nos rodeia os sinais da Ressurreição, da Páscoa, que trabalha uma nova criação.

Esse é o conteúdo da nossa esperança. O cristão não vive fora do mundo, sabe reconhecer na própria vida e naquilo que o rodeia os sinais do mal, do egoísmo e do pecado. É solidário com quem sofre, com quem chora, com quem está marginalizado, com quem se sente desesperado…Porém, ao mesmo tempo, o cristão aprendeu a ler tudo isso com os olhos da Páscoa, com os olhos de Cristo Ressuscitado. E agora sabe que estamos vivendo o tempo da espera, o tempo de um desejo que vai além do presente, o tempo da realização. Na esperança sabemos que o Senhor quer curar definitivamente com a sua misericórdia os corações feridos e humilhados e tudo aquilo que o homem deturpou na sua impiedade e que deste modo Ele regenera um mundo novo e uma nova humanidade, finalmente reconciliados no seu amor.

Quantas vezes nós cristãos somos tentados pela desilusão, pelo pessimismo…às vezes nos deixamos levar pelo lamento inútil, ou ficamos sem palavras e não sabemos nem o que pedir, o que esperar…Uma vez mais, porém, vem em nosso auxílio o Espírito Santo, respiro da nossa esperança, que mantém vivos o gemido e a espera do nosso coração. O Espírito vê por nós além das aparências negativas do presente e nos revela já agora os céus novos e a terra nova que o Senhor está preparando para a humanidade.

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Forte apelo do Papa, na audiência geral, para o Sudão do Sul, País devastado por um conflito que está pondo de joelhos uma população já esgotada pela carestia. Mais de 100 mil pessoas sofrem de fome, um milhão em risco e um milão e meio de refugiados, conforme denunciado pela ONU.

Ajudemos o Sudão do Sul, e não apenas por palavras. É forte o apelo do Papa para um país bem enraizado no seu coração, pelo qual tem mostrado preocupação e sofrimento. Uma terra devastada pela guerra, violência e carestia. Eis as palavras do Papa Francisco:

“Suscitam particular preocupação as dolorosas notícias que chegam do martirizado Sudão do Sul, onde ao conflito fratricida se junta agora a uma grave crise alimentar que condena à morte de fome milhões de pessoas, entre elas muitas crianças. Neste momento, é mais do que nunca necessário o empenho de todos a não limitar-se apenas em declarações, mas a tornar concretas as ajudas alimentares e a permitir que elas possam chegar às populações que sofrem. Que o Senhor sustente estes nossos irmãos e aqueles que trabalham para ajudá-los”.

Independente desde 2011, o Sudão do Sul em 2013 aprofundou mais uma vez numa guerra civil que, apesar dos acordos de paz, se reacendeu em julho passado entre os grupos que apoiam o presidente Salva Kiir e aqueles que estão ligados ao seu ex-presidente, Riek Machar, o primeiro do grupo étnico Dinka e o segundo da etnia Nuer. E o País entrou novamente numa espiral de "assassinatos deliberados de civis, violações e saques"


Há 16 anos, São João Paulo II criou Cardeal o agora Papa Francisco

VATICANO, 21.Fev.2017 (ACI).- No dia 21 de fevereiro de 2001, há 16 anos, São João Paulo II criou Cardeal o então Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, que fazia parte do primeiro grupo de 43 novos cardeais do terceiro milênio.

Alguns anos depois, em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco declarou santos São João Paulo II e São João XXIII, em uma cerimônia histórica e sem precedentes, na qual reuniu os quatro Pontífices, com a participação do Papa Emérito Bento XVI.

João Paulo II, que criou 231 cardeais durante aproximadamente 27 anos de pontificado, assinalou em 2001 que estes eram “os primeiros cardeais criados no novo milênio” e destacou que, “após ter bebido em abundância nas fontes da misericórdia divina durante o Ano Santo”, a barca mística da Igreja se preparava para “’novamente para navegar", para transmitir ao mundo a mensagem da salvação”.

Naquela ocasião, o Papa Wojtyla disse aos novos cardeais que "o mundo está se tornando cada vez mais complexo e mutável, e a consciência viva de discrepâncias existentes gera ou aumenta as contradições e os desequilíbrios".

"O enorme potencial do progresso científico e técnico, assim como o fenômeno da globalização, que ampliam continuamente novas áreas, nos exigem estar abertos ao diálogo com toda pessoa e com toda instância social a fim de dar a todos uma razão da esperança que levamos em nossos corações", expressou.

"A fim de responder adequadamente às novas tarefas, é necessário cultivar uma comunhão cada vez mais íntima com o Senhor. A própria cor púrpura de vossas vestes recorda- vos essa urgência. Essa cor não é o símbolo do amor apaixonado a Cristo? Nesse vermelho rutilante não está o fogo ardente do amor à Igreja que deve igualmente alimentar em vós a disponibilidade, se necessário, até o supremo testemunho do sangue?”.

"Ao contemplá-los, o povo de Deus deve poder encontrar um ponto de referência concreto e luminoso que o estimule a ser verdadeiramente luz do mundo e sal da terra", encorajou São João Paulo II.


Dia  20 de fevereiro a Igreja celebrou os Beatos Francisco e Jacinta, videntes da Virgem de Fátima

REDAÇÃO CENTRAL, 20.Fev.2017  (ACI).- “Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão ao inferno porque não há quem se sacrifique e peça por elas”, foi o que pediu a Virgem de Fátima a Francisco, Jacinta e Lúcia. E, neste dia 20 de fevereiro, a Igreja recorda a memória de dois desses videntes, os Beatos Francisco e Jacinta.

Francisco nasceu em 1908 e Jacinta, dois anos depois. Desde pequenos aprenderam a tomar cuidado com as más companhias e, por isso, preferiam estar com sua prima Lúcia, que costumava lhes falar sobre Jesus. Os três cuidavam das ovelhas, brincavam e rezavam juntos.

De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, a Virgem lhes apareceu em várias ocasiões na Cova de Iria (Portugal). Durante estes ocorridos, suportaram com valentia as calúnias, injúrias, más interpretações, perseguições e a prisão. Eles diziam: “Se nos matarem, não importa; vamos ao céu”.

Logo depois das aparições, Jacinta e Francisco seguiram sua vida normal. Lúcia foi para a escola, tal como pediu a Virgem, e era acompanhada por Jacinta e Francisco. No caminho, passavam pela Igreja e saudavam Jesus Eucarístico.

Francisco, sabendo que não viveria muito tempo, dizia a Lúcia: “Vão vocês ao colégio, eu ficarei aqui com o Jesus Escondido”. À saída do colégio, as meninas o encontravam o mais perto possível do Tabernáculo e em recolhimento.

O pequeno Francisco era o mais contemplativo e queria consolar a Deus, tão ofendido pelos pecados da humanidade. Em uma ocasião, Lúcia lhe perguntou: “Francisco, o que prefere, consolar o Senhor ou converter os pecadores?”. Ele respondeu: “Eu prefiro consolar o Senhor”.


“Não viu que triste estava Nossa Senhora quando nos disse que os homens não devem ofender mais o Senhor, que já está tão ofendido? Eu gostaria de consolar o Senhor e, depois, converter os pecadores para que eles não ofendam mais ao Senhor”. E continuou: “Logo estarei no céu. E quando chegar, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora”.

Jacinta participava diariamente da Santa Missa e tinha grande desejo de receber a Comunhão em reparação dos pobres pecadores. Atraía-lhe muito estar com Jesus Sacramentado. “Gosto tanto de dizer a Jesus que O amo”, repetia.

Certo dia, pouco depois da quarta aparição, Jacinta encontrou uma corda e concordaram em reparti-la em três e colocá-la na cintura, sobre a carne, como sacrifício. Isto os fazia sofrer muito, contaria Lúcia depois. A Virgem lhes disse que Jesus estava muito contente com seus sacrifícios, mas que não queria que dormissem com a corda. Assim o fizeram.

Concedeu a Jacinta a visão de ver os sofrimentos do Sumo Pontífice. “Eu o vi em uma casa muito grande, ajoelhado, com o rosto entre as mãos, e chorava. Fora, havia muita gente; alguns atiravam pedras, outros diziam imprecações e palavrões”, contou ela.

Por isso e outros feitos, as crianças tinham presente o Santo Padre e ofereciam três Ave Maria por ele depois de cada Rosário. Do mesmo modo, as famílias iam a eles para que intercedessem por seus problemas.

Em uma ocasião, uma mãe rogou a Jacinta que pedisse por seu filho que se foi como o filho pródigo. Dias depois, o jovem retornou para casa, pediu perdão e contou a sua família que depois de ter gastado tudo o que tinha, roubado e estado no cárcere, fugiu para bosques desconhecidos.

Quando se achou completamente perdido, ajoelhou-se chorando e rezou. Nisso, viu Jacinta que o pegou pela mão e o conduziu até um caminho. Assim, pôde retornar para casa. Logo interrogaram Jacinta se tinha se encontrado com o moço e ela disse que não, mas que tinha rogado muito à Virgem por ele.

Em 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram de uma terrível epidemia de broncopneumonia. Francisco foi piorando aos poucos durante os meses posteriores. Pediu para receber a Primeira Comunhão e, para isso, confessou-se e guardou jejum. Recebeu-a com grande lucidez e piedade. Depois, pediu perdão a todos.

“Eu vou ao Paraíso; mas de lá pedirei muito a Jesus e à Virgem para que os leve também logo”, disse para Lúcia e Jacinta. No dia seguinte, em 4 de abril de 1919, partiu para a casa do Pai com um sorriso angelical.

Jacinta sofreu muito pela morte de seu irmão. Mais tarde, sua enfermidade se complicou. Foi levada ao hospital da Vila Nova, mas retornou para casa com uma chaga no peito. Logo confiaria a sua prima: “Sofro muito; mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para desagravar o Coração Imaculado de Maria”.

Antes de ser levada ao hospital de Lisboa, disse para Lúcia: “Já falta pouco para ir ao céu… Diga a todos que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Que as peçam a Ela, que o Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Imaculado Coração de Maria, que peçam a paz ao Imaculado Coração, que Deus a confiou a Ela”.

Operaram Jacinta, tiraram-lhe duas costelas do lado esquerdo e ficou uma grande chaga como de uma mão. As dores eram espantosas, mas ela invocava a Virgem e oferecia suas dores pela conversão dos pecadores.

Em 20 de fevereiro de 1920, pediu os últimos sacramentos, confessou-se e rogou que a levassem o viático porque logo morreria. Pouco depois, partiu para a Casa do Pai com dez anos de idade.

Os corpos do Francisco e Jacinta foram transladados ao Santuário de Fátima. Quando abriram o sepulcro de Francisco, viram que o Rosário que colocaram sobre seu peito estava envolvido entre os dedos de suas mãos. Enquanto o corpo de Jacinta, 15 anos depois de sua morte, estava incorrupto.

No dia 13 de maio de 2000, o Papa João Paulo II esteve em Fátima e, do ‘Altar do Mundo’, beatificou Francisco e Jacinta, os mais jovens beatos cristãos não mártires.

Papa Francisco, contagiando o bem em seu Twitter:



21/02/2017
Deus sabe melhor do que nós do que precisamos; devemos confiar n’Ele, porque os seus caminhos são muito diferentes dos nossos.
20/02/2017
Se o mal é contagioso, o bem também é. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem!


Papa: "Pedir a graça da vergonha diante das tentações"

Cidade do Vaticano (RV) – Que o Senhor nos dê a graça da ‘santa vergonha’ diante da tentação da ambição que envolve todos, inclusive os bispos e as paróquias. Foi a exortação do Papa na homilia da missa matutina da terça-feira (21/02/2017), na Casa Santa Marta.

Francisco recordou que quem quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos.

“Todos seremos tentados”: é o ponto de partida da homilia, inspirada nas leituras do dia. A primeira lembra que quem quer servir o Senhor se deve preparar para a tentação. Já o Evangelho fala de Jesus quando anuncia aos discípulos a sua morte, eles não entendem e têm medo de interrogá-lo. “Esta é a tentação de não cumprir a missão”, disse o Papa. “Jesus também foi tentado: no deserto, três vezes pelo diabo, e depois por Pedro, ante o anúncio da sua morte.

Mas há outra tentação narrada no Evangelho: os discípulos discutem sobre quem deles é o maior e se calam quando Jesus os interpela sobre o motivo da discussão. Calam-se porque se envergonham:

“Mas eram pessoas boas, que queriam seguir o Senhor, servir o Senhor, mas não sabiam que o caminho do serviço ao Senhor não era assim tão fácil, não era como filiar-se numa organização, numa associação de beneficência, para fazer o bem. Não, é outra coisa. Eles temiam isso. E depois, a tentação da mundanidade: desde o momento que a Igreja é Igreja e até hoje isto aconteceu, acontece e acontecerá. Por exemplo, as lutas nas paróquias. ‘Eu quero ser presidente desta associação, quero me promover um pouco’. Quem é o maior, aqui? Quem é o maior nesta paróquia? Não, eu sou mais importante do que ele; aquele não porque fez aquilo... e assim por diante... a corrente dos pecados”.

A tentação que leva a ‘falar mal do outro’ e a ‘se promover’... Francisco fez outros exemplos concretos para explicar esta tentação:

“Algumas vezes nós, padres, dizemos com vergonha, nos presbitérios: ‘Eu gostaria daquela paróquia... Eu queria aquela...’. É o mesmo: este não é o caminho do Senhor, mas o caminho da vaidade, da mundanidade. Inclusive entre nós, bispos, acontece o mesmo: a mundanidade chega como tentação. Muitas vezes ‘Eu estou nesta diocese mas estou de olho naquela, porque é mais importante, e articulo buscando influências, faço pressão, empurro neste ponto para chegar lá’. ‘Mas o Senhor está lá’. O desejo de ser mais importante nos leva ao caminho da mundanidade.

O Papa exortou a pedir sempre ao Senhor ‘a graça de nos envergonharmos’  quando nos encontrarmos nestas situações:

Jesus inverte aquela lógica. Sentado entre eles, lhes recorda que ‘quem de vocês quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos’. E pega um menino e o coloca no meio deles.

O Papa pediu para rezar pela Igreja, ‘por todos nós’, para que o Senhor nos defenda ‘das ambições, da mundanidade e de nos sentirmos maiores do que os outros’:

“Que o Senhor nos dê a graça da vergonha, aquela santa vergonha, quando nos encontrarmos nesta situação, diante da tentação. ‘Sou capaz de pensar assim? Quando vejo meu Senhor na cruz e quero usar o Senhor para me promover? E nos dê a graça da simplicidade de uma criança: entender que somente o caminho do serviço... E ainda, imagino ainda outra pergunta: ‘Senhor, eu te servi toda a vida, fui o último toda a vida. E agora, o que nos diz o Senhor?’. ‘Diga de você mesmo: ‘sou um servo inútil’.


Papa visita Paróquia de Santa Josefa: a oração é antídoto contra ódio

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitou, na tarde deste domingo (19/02/2017), a Paróquia de Santa Maria Josefa do Coração de Jesus, no bairro romano de Castelverde, situado a cerca de 20 Km do centro de Roma. Trata-se da 13ª visita do Pontífice a uma paróquia romana.

O Papa Francisco saiu, do Vaticano, às 15h locais e chegou à Paróquia de Santa Maria Josefa do Coração de Jesus poucos minutos depois. Ao chegar, foi acolhido pelos fiéis que estavam à sua espera, pelo Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, pelo bispo auxiliar do setor leste da cidade, Dom Giuseppe Marciante, e pelo pároco Francesco Rondinelli.
  A Igreja estava repleta de fiéis e fora dela milhares de pessoas. Nas varandas dos apartamentos vizinhos foram colocadas várias faixas com as escritas “Viva o Papa”.

Momentos
  A seguir, o Papa se encontrou com as crianças de 6 a 11 anos, no salão paroquial, que fizeram várias perguntas ao Pontífice. Uma delas perguntou a Francisco como ele se tornou Papa. Outra perguntou se precisava pagar para ser Papa: “Não”, respondeu o Pontífice, “os cardeais me elegeram com a ajuda do Espírito Santo”.

Foi perguntado também ao Papa quais foram os momentos mais difíceis de sua vida. Ele respondeu que foram muitos, porém, o mais difícil foi quando ele teve uma infecção que causou a remoção de um pulmão quando tinha vinte anos. “Mas a vida é bela”, acrescentou, “e as dificuldades se superam”.

A seguir, o Santo Padre se encontrou com os idosos, os doentes, os casais que batizaram seus filhos no mês passado, e as famílias ajudadas pela Caritas.

Santidade

Depois, o Papa presidiu a celebração eucarística e em sua homilia frisou que “as leituras de hoje contêm uma mensagem única. A primeira leitura, nos diz para sermos santos, porque o nosso Deus é Santo. No Evangelho, Jesus nos diz para sermos perfeitos como o Pai do céu. “Este é um programa de vida”, disse o Papa.
  “Qual é o caminho para alcançar a santidade? Jesus explica bem no Evangelho de hoje e explica com coisas concretas: Primeiramente, foi dito olho por olho e dente por dente, mas eu lhes digo para não se opor ao inimigo. Nada de vingança. Se eu tenho no coração rancor por alguma coisa que alguém me fez, isso me distancia do caminho da santidade. Você me fez isso! Vai me pagar. Isso não é cristão. Você vai me pagar não é linguagem de um cristão. Se alguém lhe der um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! O rancor é algo feio.”

Perdão

Vemos nos jornais as grandes guerras, massacre de pessoas, de crianças. Quanto ódio! Rancor, desejo de vingança! Mas é o mesmo ódio que você tem no coração por algum parente.
  “Perdoar no coração. O perdão é o caminho da santidade. Isso distancia das guerras.  Se todos os homens e mulheres do mundo aprendessem isso não existiriam guerras. A guerra começa na amargura, no rancor, no desejo de vingança. E isso destrói famílias, amizades, bairros, destrói muito”.

Oração

“O que devo fazer: amar os inimigos e rezar por eles. Rezar por aquele que me fez mal para que mude de vida, para que o Senhor o perdoe. Esta é a magnanimidade de Deus, do Deus magnânimo que perdoa tudo, que é misericordioso. Você também é misericordioso com quem lhe fez o mal? Devemos fazer como Deus. Esta é a santidade. Rezar por aquele que não quer o nosso bem, pelo nosso inimigo. Talvez o rancor permaneça em nós, mas nós estamos fazendo um esforço para caminhar na estrada do Deus misericordioso, bom e perfeito”.

“Rezemos por aqueles que matam as crianças nas guerras. É difícil. Está muito distante, mas temos de aprender a fazer isso para que se convertam. Rezemos por aqueles que estão próximos a nós e querem o nosso mal. A oração é o antídoto contra o ódio, contra a guerra. Guerras que muitas vezes começam em casa, nos bairros, nas famílias por herança. Quantas famílias se destroem por causa de herança! A oração é potente, vence o mal e traz a paz.”


Tweets diários do Papa Francisco, orvalho de esperança:



19/02/2017
Vamos nos sentir movidos pelo Espírito Santo para encontrar com coragem estradas novas para o anúncio do Evangelho.
18/02/2017
Quantas vezes na Bíblia o Senhor nos pede para acolhermos os migrantes e estrangeiros, lembrando-nos que também nós somos estrangeiros!
17/02/2017
Um coração jovem não suporta a injustiça e não pode ceder à cultura do descarte nem ceder à globalização da indiferença.
16/02/2017
Convido todos a combater a pobreza material e espiritual. Vamos edificar juntos a paz e construir pontes.



É nosso dever praticar a justiça. A vingança é proibida - Papa no Angelus

Radio Vaticano 19.fevereiro.2017 (RV) – Dia quase primaveril em Roma, com céu limpo e sol brilhante sobre os numerosos fiéis e turistas que se reuniram na Praça de São Pedro com o olhar elevado à janela do terceiro andar do Palácio Apostólico, donde o Papa Francisco fez, como todos os domingos ao meio dia, a sua breve reflexão sobre o evangelho do dia. O de hoje, disse, oferece uma daquelas páginas que melhor exprimem a “revolução” cristã, ou seja o da verdadeira justiça e não a de “olho por olho, dente por dente”. É o evangelho de São Mateus, capítulo 5, versículos 38-48.  Perante a lei do talhão que era a de pagar com a mesma moeda, ou seja a morte ao assassino, a amputação a quem tinha ferido alguém, etc., Jesus ensina a pagar o mal com o bem. É só quebrando a cadeia do mal que se pode mudar realmente as coisas. A represália não leva nunca à resolução do conflito.

Para Jesus – disse o Papa – a recusa da violência pode mesmo comportar a renuncia ao legitimo direito, aceitar sacrifícios, mas esta renuncia não quer dizer que “as exigências da justiça sejam ignoradas ou contraditas; antes pelo contrário, o amor cristão que se manifesta de forma especial na misericórdia, representa uma realização superior da justiça”.

“O que Jesus nos quer ensinar é a “clara distinção que devemos fazer entre a justiça e a vingança”. “distinguir , a justiça da vingança, repetiu Francisco. E recordou que a justiça é consentida, enquanto que a vingança é proibida.

“É nosso dever  praticar a justiça. É-nos, pelo contrário, proibido vingar ou fomentar, de forma for, a vingança, enquanto expressão do ódio e da violência”

O que Jesus quer – prosseguiu o Papa – não é propor uma nova ordem civil, mas sim o mandamento do amor em relação ao próximo que compreende também o amor pelo inimigo, o que não significa aprovação do mal feito pelo inimigo, mas pôr-se num plano superior, de magnanimidade, semelhante ao do Pai celeste que “faz brilhar o seu sol sobre os maus e sobre os bons, e faz chover sobre os justo e sobre os injustos”. E o Papa recordou estas palavras de Jesus, que não são, todavia fáceis de pôr em prática, reconheceu:

“Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” – dizia Jesus”.  E isto não é fácil, ehn!.

Mas não devemos esquecer que também o inimigo é “uma pessoa humana” criada à imagem de Deus, só que ofuscada por uma conduta indigna”. E quando falamos de inimigos, não devemos pensar noutras pessoas, longínquas, não. Devemos pensar  também em nós mesmos, no facto que podemos também nós entrar em conflito com o nosso próximo e por vezes mesmo com os nossos familiares:

“Quantas inimizades nas famílias, quantas?! Pensemos nisso. Os inimigos são também aqueles que falam mal de nós, nos caluniam e nos fazem mal. E não é fácil digerir isso! A todos eles somos chamados a responder com o bem, que tem também ele as suas estratégias, inspiradas no amor”.

E o Papa concluiu pedindo a Nossa Senhora para que nos ajude a seguir Jesus nesta exigente caminhada que exalta verdadeiramente a dignidade humana e nos faz viver como filhos do nosso Pai que está nos Céus. Que nos ajude a praticar a paciência, o diálogo, o perdão e a ser artesão de comunhão e de fraternidade na nossa vida quotidiana, sobretudo nas nossas famílias.

Depois da reza das Ave Marias, o Papa recordou com estas palavras a República Democrática do Congo, o Paquistão e o Iraque...

“Caros irmãos e irmãs, continuam, infelizmente, a chegar notícias de recontros violentos e brutais na região do Kasai Central da República Democrática do Congo. Sinto forte a dor pelas vítimas, especialmente as crianças arrancadas às próprias famílias e à escola para ser usadas como soldados.  Asseguro a minha proximidade e oração, também pelo pessoal religioso e humanitário que actua naquela difícil região; e renovo um premente apelo à consciência e à responsabilidade das Autoridades nacionais e da Comunidade internacional, a fim de que se tomem decisões adequadas e tempestivas para socorrer esses nossos irmãos e irmãs. Rezemos por eles e por todas as populações que também noutras partes do Continente africano e do mundo sofrem devido à violência e à guerra. Penso, de modo particular, nas caras populações do Paquistão e do Iraque, atingido por cruéis actos terroristas nos dias passados. Rezemos pelas vítimas, pelos feridos e seus familiares. Rezemos ardentemente para que cada coração endurecido pelo ódio se converta à paz, segundo a vontade de Deus. Rezemos em silêncio por eles".

Seguiu-se silêncio e uma oração...

O Papa saudou depois os peregrinos da Itália e do mundo presentes na Praça de São Pedro e concluiu desejando a todos um bom domingo e pedindo para não nos esquecermos de rezar por ele.



O Papa aos clérigos marianos da Imaculada - Com simplicidade ao lado dos pobres

L’Osservatore Romano – O convite a aproximar-se dos que sofrem com simplicidade – «os doentes, as crianças, os idosos abandonados, os pobres» – foi dirigido pelo Papa Francisco aos participantes no capítulo geral dos Clérigos Marianos da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, recebidos em audiência na manhã de sábado 18 de fevereiro de 2017, na Sala do Consistório.

Aos religiosos o Pontífice recomendou que mantenham a fidelidade ao carisma originário, estando ao lado das pessoas com gestos humildes e linguagem compreensível. «Nós – recordou – não somos príncipes, filhos de príncipes ou condes e nem barões, somos gente simples, do povo. E por esta razão que nos aproximamos com esta simplicidade dos simples».

Recordando depois uma expressão do fundador São Estanislau de Jesus e Maria, canonizado no ano passado – o qual amava repetir: «Nada é impossível ao Omnipotente» – Francisco falou da «pequenez»: uma atitude, explicou, que nasce da consciência da exiguidade dos próprios meios, mas também «da nossa indignidade, por sermos pecadores». Precisamente aqui insere-se «o acto de fé no poder do Senhor: o Senhor pode, o Senhor é capaz».

Assim, prosseguiu o Papa, «a nossa pequenez é precisamente a semente, a semente pequenina, que depois brota, cresce, o Senhor irriga-a. O sentimento de pequenez é exatamente o primeiro impulso rumo à confiança no poder de Deus». Daqui o seu convite conclusivo: «Ide em frente por este caminho».



'Não há povo criminoso nem religião terrorista', diz Papa

O Papa Francisco enviou nesta sexta-feira, 17.fevereiro.2017, uma mensagem aos líderes religiosos e comunitários que participam do Encontro dos Movimentos Populares na cidade de Modesto, na Califórnia, nos Estados Unidos, e ressaltou que “nenhum povo é criminoso e nenhuma religião é terrorista”.

“Há indivíduos fundamentalista e violentos em todos os povos e religiões. Com generalizações intolerantes eles se tornam mais fortes porque se alimentam de ódio e xenofobia. Ao confrontar o terror com o amor, trabalhamos pela paz”, afirmou o líder da Igreja Católica.

Na mensagem, ele voltou a abordar os conceitos de “muros e medo”, “pontes e amor”. “Sem querer me repetir, essas questões desafiam nossos valores mais profundos. Sabemos que nenhum desse males começou ontem. Há algum tempo, a crise do paradigma predominante nos confrontou. Estou falando de um sistema que causa enormes sofrimentos à família humana, atacando simultaneamente a dignidade das pessoas e nossa Casa Comum, a fim de sustentar a tirania invisível do dinheiro que só garante os privilégios de alguns”, escreveu ele.

Francisco ainda pediu ajuda dos movimentos para tentarem acabar com as mazela e afirmou que o medo não deve paralisar as pessoas e é preciso enxergar as oportunidade que cada crise traz.

“As feridas estão lá, elas são uma realidade. O desemprego é real, a violência é real, a corrupção é real, a crise de identidade é real, o esvaziamento das democracias é real. Não vamos cais na negação. O tempo está se esgotando. Vamos agir”.

Além disso, o Pontífice afirmou que “as feridas sociais causadas por um sistema econômico desumano e generalizada pode ser tratada e curada com a atitude de um bom samaritano, tornando-se próximo das pessoas necessitadas”.

Segundo ele, as feridas causadas quando há o deus dinheiro no centro do sistema econômico são negligenciadas e causa um enorme sofrimento para a família humana porque se baseia na busca do lucro e não na solidariedade”, completou.

Nesta semana, Jorge Mario Bergoglio pediu respeito aos povos indígenas e disse que “não se pode permitir uma marginalização ou uma divisão de classes: primeira classe, segunda classe…integração tem que ter plena participação”.



Papa Francisco critica universidades que impõem ideologia e não ensinam a dialogar

VATICANO, 17.fev.2017 (ACI).- O Papa Francisco visitou nesta sexta-feira a Universidade Roma Ter, tal como fez São João Paulo II em 2002. Na mensagem que improvisou ante os estudantes, advertiu sobre os riscos de transmitir ideologias sem permitir o diálogo nos centro de estudo.

O Pontífice se referiu às chamadas “universidades de elite”, nas quais não se ensina a dialogar, mas ensinam ideologias. “Ensinam uma linha ideológica e te preparam para ser um agente dessa ideologia. Isso não é uma universidade”, indicou.

Nesse sentido, destacou o papel da universidade no desenvolvimento de uma correta cultura do diálogo. “A universidade é o lugar onde se aprende a dialogar, porque dialogar é próprio da universidade. Uma universidade onde se vai para a aula, escuta o professor e depois volta para casa, isso não é uma universidade. Uma universidade deve fazer um trabalho artesanal de diálogo”.

“A universidade é para viver a verdade, para viver a beleza e para viver a bondade. E isso se faz juntos, é um caminho que não termina nunca”, acrescentou.

Em sua visita à terceira universidade pública de Roma, que conta com 40 mil estudantes, o Pontífice respondeu as perguntas de alguns alunos sobre violência, diálogo, imigração e globalização. Como fez em outras ocasiões, decidiu deixar de lado seu discurso e improvisou cada uma de suas respostas.

Violência e diálogo

Giulia Trifilio, estudante de 25 anos que cursa Economia, perguntou qual é, em sua opinião, o remédio para combater as mortes por violência presentes sempre na história da humanidade. O Papa lhe respondeu que, “estamos vivendo uma verdadeira guerra mundial em pedaços”, mas advertiu que essas guerras começam nas relações pessoais, inclusive na família, com atitudes violentas, na linguagem cotidiana.


“Pensemos na linguagem – assinalou –, na tonalidade da linguagem que tanto ouvimos. Hoje, quando se fala na rua ou em casa, não se fala, se grita! E também se insulta, e se insulta com uma normalidade”, lamentou indignado. “Há muita violência no expressar-se, no falar. É uma realidade que todos vemos. Se há algo na rua, qualquer problema, antes de perguntar o que ocorreu, reage-se com violência”.

O Pontífice assinalou que a violência não está somente nas guerras da África ou do Oriente Médio. “Há uma onda de violência nas nossas cidades. A velocidade da vida nos torna violentos inclusive em casa. A violência é um processo que nos torna anônimos, tira o nome: converte-nos em ‘um anônimo’ contra os demais. Chegamos em casa e nos saudamos como se fôssemos coisas. Aí começa esse fenômeno que cresce, cresce e chega a se tornar uma guerra mundial”.

Francisco incentivou a mudar de atitudes cotidianas e desenvolver uma cultura de diálogo. “É necessário baixar um pouco o tom. É necessário falar menos e escutar mais. Antes de discutir, dialogar”.

“O diálogo aproxima, não aproxima apenas pessoas, mas aproxima corações. Com o diálogo, faz-se amizade, amizade social”, indicou e lamentou que com os insultos até a política se “rebaixou muito”.

O Bispo de Roma pediu que se busque a “paciência do diálogo” e reiterou que “quando não sou capaz de me abrir aos demais, de respeitar os demais, de falar com os outros, de dialogar com os outros, aí começa a guerra”.

Insistiu na necessidade de que o caminho se produza dentro de cada pessoa, na sua casa e em suas relações pessoais. “Quando, em vez de falar, se grita, aí começa a guerra. Ou, quando estamos na mesa e, em vez de falar, ficamos no celular. Essas coisas são o começo da guerra, porque não há diálogo”.

Globalização e identidade

Riccardo Zucchetti, estudante de Engenharia Eletrônica, de 23 anos, perguntou ao Santo Padre como podem contribuir para uma sociedade em mudança imersa em um processo de globalização. O Papa explicou que “vivemos em um mundo em constante mudança e devemos tomar as como elas vêm”, sem medo.

“Devemos buscar sempre a unidade, que é algo totalmente diferente da uniformidade”, disse e advertiu que o perigo hoje “é conceber uma unidade, uma globalização na uniformidade. E isso destrói. A verdadeira unidade se faz na diversidade”.

Sociedade “líquida”

Em resposta a Nous Essa, uma imigrante de 31 anos nascida na Síria, que foi obrigada a fugir de seu país por causa da guerra, e a Niccolò Antongiuliu Romano, jovem de 23 anos nascido em Roma, o Papa afirmou que a humanidade vive em uma “sociedade líquida, sem consistência”, e “este é um dos perigos”.

“Nós temos o desafio de transformar esta ‘liquidez’ em algo concreto”, afirmou. Francisco citou o exemplo do “drama da economia, que é uma economia ‘líquida’ e, quando isso existe, há falta de trabalho, há desemprego”.

O Papa criticou as altas taxas de desemprego juvenil em vários países da Europa. “Os jovens não sabem o que fazer e, ao final, a amargura do coração os leva aos vícios ou ao suicídio”, advertiu e considerou que, eventualmente, “esta falta de trabalho leva (os jovens) a se tornar membro de grupos terroristas porque, assim, têm algo a fazer. É terrível”.

As migrações são um desafio

Francisco propôs aos jovens recuperar a identidade cristã da Europa. “A Europa foi feita de invasões, de migrações. Foi feita artesanalmente. As migrações não são um perigo, são um desafio para crescer”, indicou.

“Nosso mar, o mar Mediterrâneo, hoje é um cemitério”, disse.

O Papa falou sobre os migrantes, pediu que sejam acolhidos “como irmãos e irmãs humanos” e que se busque “integrá-los: que aprendam o idioma, encontrar-lhes um emprego”.

O Pontífice recordou sua viagem à ilha grega de Lesbos, em abril de 2016. “As pessoas fogem da guerra ou da fome” e “a solução seria que não existissem guerras e que não existisse a fome, fazer a paz e que tenham recursos para viver”.



Esporte difunde cultura do encontro e solidariedade, diz Papa

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta quinta-feira, 16.fevereiro.2017, uma delegação do Programa Olímpico Internacional Especial, de treinamento esportivo e competições atléticas para jovens e adultos com deficiências mentais. Hoje, mais de 170 países são afiliados ao Programa.

Em breve discurso, o Pontífice mencionou o lema dos atletas que aderem ao Programa: “Que eu possa vencer, mas se não conseguir, que possa tentar com todas as minhas forças”. Inspirado por estas palavras, Francisco enalteceu o esforço de preparação destes atletas, que requer fadigas e sacrifícios, mas faz crescer na paciência e na perseverança, gerando força e coragem para adquirir capacidades.

“Na base de qualquer atividade esportiva, está a alegria: de se movimentar e de estar juntos; a alegria pela vida e os dons que o Criador nos oferece, todo dia. Podemos aprender de vocês a nos alegrar pelas pequenas e simples coisas”, disse o Papa.

A mensagem que o Programa passa é a de um ‘mundo sem exclusões’, encorajou Francisco, pois ‘o esporte difunde a cultura do encontro e da solidariedade, mostrando um mundo no qual todo obstáculo e barreira podem ser superados.

“Vocês são um sinal de esperança para aqueles que querem uma sociedade mais inclusiva. Toda vida é preciosa, toda pessoa é um dom e a inclusão enriquece as comunidades”, concluiu.

A próxima competição internacional neste âmbito serão os Jogos Invernais de Stiria, na Áustria, em março. Assim, estava presente na audiência também o bispo de Graz-Seckau, Dom Wilhelm Krautwaschl.



Missa em Santa Marta - Guardiões da paz

L’Osservatore Romano – «A guerra terminou»: o grito jubiloso da vizinha de casa em Buenos Aires, e o abraço com a mãe Regina, surpreenderam e comoveram profundamente o pequeno Jorge Mário a ponto de estar ainda muito vivo na sua memória. E precisamente o grito «a guerra acabou» – disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017, na capela de Santa Marta – deveria ser repetido hoje por cada pessoa para ter finalmente a paz no coração mas também na família, no bairro, no posto de trabalho e, assim por diante, até chegar ao mundo inteiro. Porque os conflitos, admoestou o Pontífice, começam das pequenas coisas e desembocam, com «o tráfico das armas», nos «bombardeamentos de escolas e hospitais» para conquistar «poder» e «mais um pedaço de terra». Eis então que a paz, afirmou o Papa, é um trabalho artesanal que cada um de nós está chamado a construir todos os dias e a ser também invocada com a oração, que nunca é «uma formalidade».

Na primeira leitura, realçou imediatamente Francisco referindo-se ao trecho tirado do livro do Génesis (9, 1-13) e também do trecho de Marcos (8, 27-33), «há três palavras, três figuras, três imagens que nos ajudarão a refletir, a pensar e a compreender melhor o que Jesus explica no Evangelho aos seus discípulos: a imagem da pomba, do arco-íris e da aliança».

Com efeito, explicou o Papa, «depois do dilúvio, a primeira imagem é a pomba que, após de ter sobrevoado várias vezes, volta finalmente com um tenro raminho de oliveira no bico». E «naquele momento pensou-se que tivesse terminado a tragédia, a destruição e que voltasse a paz». Precisamente «por esta razão a pomba com a oliveira no bico é um sinal de paz, é a mensagem de Deus para a humanidade». Deus «arrependeu-se daquela destruição e prometeu que não a repetiria: “Eu desejo a paz”». Assim «esta pomba é o sinal daquilo que Deus queria depois do dilúvio: paz, que todos os homens estivessem em paz».

A «segunda figura», afirmou Francisco, é «o arco-íris». Sim, aquele «arco-íris que o próprio Senhor fez, afirmando que era o sinal da aliança que teria realizado: “Eis o sinal da aliança que estabeleço entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras. Ponho o meu arco-íris nas nuvens, para que seja sinal, recordação, desta paz que será aliança».

«A terceira palavra é aliança» prosseguiu o Pontífice. Com efeito «Deus promete: “Nunca destruirei, nunca, quero a paz, faço esta aliança convosco”, a aliança da paz». E, acrescentou, «Noé fez alguns sacrifícios e isto foi aprazível a Deus».

«A pomba e o arco-íris são frágeis» afirmou Francisco. «O arco-íris é bonito depois da tempestade, mas depois vem a nuvem, desaparece: é um sinal efémero». Também «a pomba é frágil porque é suficiente que passe uma ave de rapina faminta». Aliás, recordou o Papa, «vimos isto há dois anos da janela, no Angelus de domingo, quando as duas crianças lançaram duas pombas: veio uma gaivota e matou-nas». Portanto, «são sinais frágeis». Ao contrário, «a aliança que Deus faz é forte, mas a recebemos e aceitamos com debilidade». Assim «Deus faz a paz connosco, mas não é fácil preservar a paz: é um trabalho a ser feito todos os dias». Porque «dentro de nós ainda há aquela semente, aquele pecado original, o espírito de Caim que por inveja, ciúmes, cupidez e desejo de domínio, causa a guerra, uma guerra que faz desaparecer o arco-íris, a pomba e destrói a aliança com Deus».

«Há algo na aliança, uma palavra que se repete, o “sangue”» observou o Pontífice. A tal ponto que Deus diz «do vosso sangue eu pedirei contas; exigirei contas a cada ser vivo e pedirei contas da vida do homem ao homem, a cada um dos seus irmãos». Eis que, afirmou Francisco, «nós somos guardiões dos irmãos e quando há derramamento de sangue há pecado e Deus pedir-nos-á contas». Hoje, disse o Papa, «no mundo há derramamento de sangue, hoje o mundo está em guerra: muitos irmãos e irmãs morrem, ainda inocentes, porque os grandes e os poderosos querem mais um pedaço de terra, querem um pouco mais de poder e querem ganhar um pouco mais sobre o tráfico das armas». Mas «a palavra do Senhor é clara: “Do vosso sangue, ou seja, da vossa vida, pedirei contas; pedirei contas a cada ser vivo e pedirei contas da vida do homem ao homem, a cada irmão”». Portanto, «também a nós – parece que estamos em paz, aqui – o Senhor pedirá contas do sangue dos nossos irmãos e irmãs que sofrem a guerra».

A este propósito, o Pontífice sugeriu as orientações para um exame de consciência: «A pergunta que farei hoje é: como preservo a pomba? Como posso fazer para que o arco-íris seja sempre um guia? O que faço a fim de que não seja derramado sangue no mundo?». É evidente, acrescentou, que «todos nós estamos envolvidos nisto: a oração pela paz não é uma formalidade, o trabalho em prol da paz não é uma formalidade». Mais ainda, «a guerra começa no coração do homem, começa em casa, nas famílias, entre amigos e depois vai além, ao mundo inteiro». Por conseguinte, repropôs as orientações para a reflexão pessoal, «o que é que eu faço quando sinto que surge no meu coração algo de ávido que quer destruir a paz? Em família, no trabalho, no bairro, somos semeadores de paz?».

Pergunta crucial, advertiu o Papa, porque «a guerra começa aqui e acaba ali». Sim «seguimos as notícias nos jornais ou nos noticiários: hoje muita gente morre e aquela semente de guerra que causa inveja, ciúmes, cupidez no meu coração, é a mesma – crescida, tornou-se árvore – é como a bomba que cai em cima de um hospital, de uma escola e mata as criança, é a mesma coisa!». Porque realmente «a declaração de guerra começa aqui, em cada um de nós». Eis, então, a importância de se questionar «Como preservo a paz no meu coração, no meu íntimo, na minha família?». Porque se trata «não só de preservar a paz», mas também de «a fazer com as mãos, artesanalmente, todos os dias. Assim conseguiremos concretizá-la no mundo inteiro».

Portanto, «a pomba, o arco-íris, o sangue». E «não é necessário derramar sangue dos irmãos: só um sangue foi derramado uma vez para sempre, é aquele do qual fala Jesus no Evangelho: “O Filho do homem será assassinado”». E precisamente «é o sangue de Cristo que faz a paz, mas não o sangue que faço derramar ao meu irmão, à minha irmã ou aquele que causam os traficantes das armas ou os poderosos da terra nas grandes guerras». Eis, insistiu Francisco, «é preciso a paz», precisamos das «pombas, do arco-íris e da aliança de paz». A este propósito o Papa quis compartilhar uma sua recordação pessoal, uma «anedota, porque é algo que a mim faz bem lembrar: eu era criança, tinha cinco anos e, recordo-me, começou a tocar o alarme dos bombeiros, depois dos jornais e na cidade». E «isto fazia-se para chamar a atenção sobre um facto, uma tragédia ou outra coisa. E imediatamente ouvi a minha vizinha que chamava a minha mãe: “Dona Regina, venha, venha, venha!”. E a minha mãe saiu um pouco assustada: “O que aconteceu?”. E aquela mulher do outro lado do jardim dizia: “Terminou a guerra!” e chorava. E vi estas duas mulheres que se abraçavam, beijavam, choravam juntas porque aquela guerra tinha acabado».

Na conclusão, o Pontífice rezou a fim de «que o Senhor nos dê a graça de poder dizer «acabou a guerra” chorando: “Terminou a guerra no meu coração, acabou a guerra na minha família, acabou a guerra no meu bairro, acabou a guerra no posto de trabalho, acabou a guerra no mundo”». E assim serão mais fortes «a pomba, o arco-íris e a aliança».


Tweets do Papa Francisco, o Evangelho de Nosso Senhor em breves frases diárias:



15/02/2017
A cultura do descarte não é de Jesus. O outro é meu irmão, para além de toda barreira de nacionalidade, de classe social e de religião.


Papa na Audiência: a esperança cristã é sólida, não decepciona

Cidade do Vaticano (RV) - A esperança não decepciona: este foi o tema da catequese do Papa Francisco, na Audiência Geral desta quarta-feira (15/02/2017), na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Desde pequenos nos é ensinado que não é bonito vangloriar-se. Na minha terra, aqueles que se vangloriam são chamados “pavões”. E é justo, porque vangloriar-se daquilo que se é ou daquilo que se tem, além de uma certa soberba, denuncia também uma falta de respeito para com os outros, especialmente para com aqueles que são menos afortunados que nós. Neste trecho da Carta aos Romanos, porém, o Apóstolo Paulo nos surpreende, quando por duas vezes nos convida a nos vangloriarmos. Do que, então, é justo vangloriar-se? Porque se ele convida a vangloriar-se, de algo é justo fazê-lo. E como é possível fazer isso, sem ofender os outros, sem excluir ninguém?

No primeiro caso, somos convidados a nos vangloriarmos da abundância da graça da qual somos imbuídos em Jesus Cristo, por meio da fé. Paulo quer nos fazer entender que, se aprendemos a ler cada coisa com a luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça! Tudo é dom! Se prestamos atenção, de fato, a agir – na história, como na nossa vida – não somos somente nós, mas é antes de tudo Deus. É Ele o protagonista absoluto, que cria toda coisa como um dom de amor, que tece a trama do seu desígnio de salvação e que o leva a cumprimento por nós, mediante o seu Filho Jesus. A nós é pedido reconhecer tudo isso, acolhê-lo com gratidão e fazê-lo se tornar motivo de louvor, de benção e de grande alegria. Se fazemos isso, estamos em paz com Deus e fazemos experiência da liberdade. E esta paz se estende depois a todos os âmbitos e a todas as relações da nossa vida: estamos em paz conosco mesmo, estamos em paz em família, na nossa comunidade, no trabalho e com pessoas que encontramos todos os dias no nosso caminho.

Paulo, porém, convida a nos vangloriarmos também nas tribulações. Isto não é fácil de ser entendido. Isso é mais difícil e pode parecer que não tem nada a ver com a condição de paz há pouco descrita. Em vez disso, constitui o pressuposto mais autêntico, mais verdadeiro. De fato, a paz que o Senhor nos oferece e nos garante não deve ser entendida como ausência de preocupações, de desilusões, de falhas, de motivos de sofrimento. Se fosse assim, no caso em que conseguíssemos estar em paz, aquele momento acabaria logo e cairíamos inevitavelmente no desconforto. A paz que surge da fé é, em vez disso, um dom: é a graça de experimentar que Deus nos ama e que está sempre próximo a nós, não nos deixa sozinhos nem mesmo um minuto da nossa vida. E isso, como afirma o apóstolo, gera a paciência, porque sabemos que, também nos momentos mais duros e chocantes, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores que qualquer coisa e nada nos arrancará de suas mãos e da comunhão com Ele.

Eis porque a esperança cristã é sólida, eis porque não desilude. Nunca desilude. A esperança não desilude! Não é fundada naquilo que nós podemos fazer ou ser nem mesmo naquilo em que nós podemos acreditar. O seu fundamento, isso é, o fundamento da esperança cristã, é aquilo que de mais fiel e seguro pode existir, o amor que o próprio Deus alimenta por cada um de nós. É fácil dizer: Deus nos ama. Todos o dizemos. Mas pensem um pouco: cada um de nós é capaz de dizer: sou seguro de que Deus me ama? Não é tão fácil dizer isso. Mas é verdade. É um bom exercício, isso, dizer a si mesmo: Deus me ama. Esta é a raiz da nossa segurança, a raiz da esperança. E o Senhor infundiu abundantemente nos nossos corações o Espírito – que é o amor de Deus – como artífice, como garantia, justamente para que possa alimentar dentro de nós a fé e manter viva essa esperança. E essa segurança: Deus me ama. “Mas neste momento ruim?” – Deus me ama. “E a mim, que fiz essa coisa ruim?” – Deus me ama. Essa segurança ninguém nos tira. E devemos repetir isso como oração: Deus me ama. Sou seguro de que Deus me ama. Sou segura de que Deus me ama.

Agora compreendemos porque o apóstolo Paulo nos convida a nos vangloriarmos sempre de tudo isso. Eu me vanglorio do amor de Deus, porque me ama. A esperança que nos foi dada não nos separa dos outros, nem tão pouco nos leva a desacreditá-los ou marginalizá-los. Trata-se, em vez disso, de um dom extraordinário do qual somos chamados a ser “canais”, com humildade e simplicidade, para todos. E então o nosso orgulho maior será aquele de ter como Pai um Deus que não tem preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa a todos os seres humanos, a começar pelos últimos e distantes, para que como seus filhos aprendamos a nos consolar e a nos apoiar uns aos outros. E não se esqueçam: a esperança não desilude.

Papa: "Governos promovam plena inclusão dos povos indígenas"

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de quarta-feira (15/02/2017), antes da audiência geral com os peregrinos, o Papa recebeu na antessala Paulo VI um grupo de 40 representantes de povos indígenas. Membros Conselho dos Governadores do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD), estão reunidos para tentar identificar maneiras de responsabilizar economicamente os povos autóctones.

“O principal desafio é conciliar o direito ao desenvolvimento com a tutela dos povos e territórios indígenas”, sugeriu o Pontífice, falando ao grupo. “E isto fica ainda mais evidente quanto atividades econômicas interferem com as culturas indígenas e sua relação ancestral com a terra”.

Segundo Francisco, para garantir uma colaboração pacífica e sem conflitos entre governos e povos indígenas, deve prevalecer ‘o direito ao consenso prévio e informado’, assegurado na Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas.

Outro aspecto relevante para o Pontífice é o reconhecimento das comunidades autóctones como componente da população que deve ser ‘incluída’ e não apenas ‘considerada’. “Os indígenas devem ser valorizados e consultados; ter plena participação, local e nacionalmente”.

Neste sentido, o Papa afirmou que o IFAD pode contribuir com financiamentos e competência, pois “um desenvolvimento tecnológico e econômico que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior não se pode considerar progresso”. (Enc. Laudato si, 194).

Mãe-terra

“E vocês, em suas tradições, em suas culturas – porque o que vocês trazem na história é cultura – vivem o progresso com um cuidado especial pela mãe terra. Neste momento, em que a humanidade está pecando gravemente ao não cuidar da terra, eu vos exorto para que sigam dando testemunho disso e não permitam que novas tecnologias, que são lícitas e são boas, mas não permitam aquelas que destroem a terra, destruam a ecología, o equilibrio ecológico e que terminam por destruir a sabedoria dos povos”, concluiu o Papa.

A final do encontro, o Pontífice concedeu a sua benção aos integrantes do grupo, estendendo-a às suas comunidades.


Papa Francisco, testemunhando Cristo em seus tweets:



14/02/2017
É bom saber que o Senhor cuida das nossas fragilidades, nos coloca de pé com paciência e nos dá a força para recomeçar.
13/02/2017
Jamais imponha condições a Deus! Confiar no Senhor significa entrar nos seus desígnios sem nada exigir.
12/02/2017
A dignidade das crianças deve ser respeitada: peçamos que seja eliminada a escravidão de crianças-soldado em todo o mundo.
11/02/2017
Gostaria de encorajar todos a contemplar em Maria, Saúde dos Enfermos, a garante da ternura de Deus por cada ser humano.
10/02/2017
Estejamos perto de nossos irmãos e irmãs que vivem a experiência da doença e de suas famílias.
09/02/2017
A esperança abre novos horizontes, permite-nos sonhar o que não é sequer imaginável.
08/02/2017
Quem favorece o tráfico de pessoas é responsável diante de Deus. Rezemos pela conversão dos corações. @M_RSeccao
07/02/2017
Escutemos o grito de tantas crianças escravizadas. Ninguém fique indiferente a essa dor. @M_RSeccao
06/02/2017
Ser fiel significa aprender a enxergar com os olhos da fé.
05/02/2017
Quem não crê ou não busca Deus, talvez não sentiu a inquietude de um testemunho.
04/02/2017
Aja! Viva! E diante da sua vida, do seu testemunho, alguém irá lhe perguntar: por que você vive assim?
03/02/2017
Não nos esqueçamos nunca de rezar uns pelos outros. A oração é a nossa maior força.
02/02/2017
A vida consagrada é um grande dom de Deus: dom de Deus à Igreja, dom de Deus ao seu Povo.
01/02/2017
Deus deseja que todos os homens se reconheçam como irmãos e vivam como tais, formando a grande família humana na harmonia das diversidades.


Papa: coragem, oração e humildade para anunciar o Evangelho

Cidade do Vaticano (RV) – Coragem, oração e humildade: estes são os traços que caracterizam os grandes “arautos” que ajudaram a Igreja a crescer no mundo, que contribuíram à sua missionariedade. Foi o que disse o Papa na missa celebrada na manhã de terça-feira (14/02/2017) na capela da Casa Santa Marta.
 
Necessita-se de “semeadores de Palavra”, de “missionários, de verdadeiros arautos” para formar o povo de Deus, como foram Cirilo e Metódio, “irmãos intrépidos e testemunhas de Deus que fizeram da Europa mais forte", padroeiros do continente.  Na homilia, o Papa indicou as três características da personalidade de um “enviado” que proclama a Palavra de Deus, inspirando-se no Evangelho de Lucas que a liturgia propõe.

A primeira característica é a “franqueza”, que inclui força e coragem:
“A Palavra de Deus não pode ser levada como uma proposta – “bom, se você gostar...” – ou como uma ideia filosófica ou moral, boa – “você pode viver assim …” … Não. É outra coisa. Precisa ser proposta com esta franqueza, com aquela força, para que a Palavra penetre, como diz o próprio Paulo, até os ossos. A Palavra de Deus deve ser anunciada com esta franqueza, com esta força … com coragem. A pessoa que não tem coragem – coragem espiritual, coragem no coração, que não está apaixonada por Jesus, e dali vem a coragem! – não, dirá, sim, algo de interessante, algo moral, algo que fará bem, um bem filantrópico, mas não tem a Palavra de Deus. E esta palavra é incapaz de formar o povo de Deus. Somente a Palavra de Deus proclamada com esta franqueza, com esta coragem, é capaz de formar o povo de Deus”.

Do capítulo décimo do Evangelho de Lucas foram extraídas outras duas características próprias de um arauto da Palavra de Deus. Um Evangelho “um pouco estranho”, afirmou o Papa, porque rico de elementos acerca do anúncio. “A messe é abundante, mas são poucos os operários. Rezem portanto ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe”, repetiu Francisco, e é assim, portanto, que depois da coragem está a “oração”:
“A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração também, sempre. Sem oração, se pode fazer uma bela conferência, uma bela palestra: boa, boa; mas não é a Palavra de Deus. Somente de um coração em oração pode sair a Palavra de Deus. A oração, para que o Senhor acompanhe este ‘semear’ a Palavra, para que o Senhor regue a semente e ela brote, a Palavra. A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração: a oração daquilo que anuncia a palavra de Deus”.

No Evangelho consta também um terceiro ‘trecho interessante’. O Senhor envia os discípulos “como cordeiros em meio aos lobos”:
“O verdadeiro pregador é o que sabe ser fraco, sabe que não se pode defender sozinho. ‘Tu vais como cordeiro em meio aos lobos’. ‘Mas, Senhor, para que eles me comam?’. ‘Tu, vais, é este o caminho’. E creio que o Crisóstomo faz uma reflexão muito profunda quando diz: “Se tu não for como cordeiro, mas como lobo entre os lobos, o Senhor não te protegerá: defende-te sozinho”. Quando o pregador se acha muito inteligente ou quando quem tem responsabilidade de levar adiante a Palavra de Deus e quer dar uma de esperto... ‘Ah, eu sei me sair com esta gente!’, ele termina mal. Negociará com a Palavra de Deus: aos poderosos, aos soberbos...”.

E para ressaltar a humildade dos grandes arautos, Francisco cita um episódio que lhe contaram de um sacerdote que “se vangloriava de pregar bem a Palavra de Deus e se sentia um lobo”: depois de uma bela pregação – recorda o Papa, foi ao confessionário e encontrou um grande pecador que chorava... queria pedir perdão”. Este confessor – prossegue Francisco – ‘começou a encher-se de vaidade e a curiosidade o  levou a perguntar qual era a Palavra que o havia tocado ao ponto de leva-lo ao arrependimento. “Foi quando o senhor disse ‘mudemos de assunto’. “Não sei se é verdade” – esclareceu o Papa – “mas isto confirma que se acaba sempre mal quando a Palavra de Deus é usada ‘sentindo-se seguros de si’ e não como cordeiros, que o Senhor defenderá”.

“Esta é a missionariedade da Igreja; e os grandes arautos, “que semearam e ajudaram a crescer as Igrejas no mundo, foram homens corajosos, de oração e humildes”. A oração final é para que os Santos Cirilo e Metódio nos ajudem a proclamar a Palavra de Deus assim como eles o fizeram”, conclui o Pontífice.



Papa: "Perdão às vítimas e severidade com quem comete abusos sexuais"

Cidade do Vaticano, 13.fevereiro.2017 (RV) – “Como pode um padre que serve Cristo e sua Igreja causar tanto mal? Como pode ter consagrado sua vida para conduzir as crianças a Deus e terminar por devorá-las num ‘sacrifício diabólico’ que destrói seja sua vítima como a vida da Igreja?”: é o que questiona o Papa Francisco no prefácio do livro “Perdoo-lhe, padre”, escrito por Daniel Pittet, ex-sacerdote que quando jovem, foi vítima de abusos sexuais de um padre.

“Algumas vítimas – prossegue Francisco – chegaram ao suicídio. Estes mortos pesam no meu coração, na minha consciência e na consciência de toda a Igreja. Às suas famílias, apresento meus sentimentos de amor e de dor e peço humildemente perdão. Para quem foi vítima de um pedófilo, é difícil contar o que sofreu e descrever os traumas ainda presentes, mesmo depois de tantos anos”.

“Por isso, o testemunho de Daniel Pittet é necessário, precioso e corajoso”, escreve ainda o Papa, revelando: “Conheci Daniel no Vaticano em 2015; ele queria divulgar um livro intitulado “Amar é dar tudo”, uma coletânea de testemunhos de religiosos e religiosas, padres e consagrados. Eu nem podia imaginar que aquele homem entusiasta e apaixonado por Cristo fosse uma vítima de abusos de um padre; mas foi o que ele me contou; e seu sofrimento me tocou muito”.

“Notei mais uma vez – confessa ainda Francisco – os efeitos assustadores causados pelos abusos sexuais e o longo e doloroso caminho que quem os sofre deve percorrer. Fico feliz que outras pessoas possam hoje ler o seu testemunho e descobrir até que ponto o mal pode entrar no coração de um servidor da Igreja”.

Daniel Pittet, ex-sacerdote suíço, casado e com seis filhos, foi recebido pelo Papa em 2015 e lhe contou a sua história.

No prefácio, Francisco a define “uma monstruosidade absoluta, um horrendo pecado, radicalmente contrário a tudo o que Cristo nos ensina. Nossa Igreja, como recordei na carta apostólica “Como uma mãe amorosa”, de junho de 2016, deve cuidar e proteger os mais frágeis e indefesos com carinho especial. Declaramos – acrescenta o Papa – que o nosso dever é dar prova de severidade extrema com os sacerdotes que traem sua missão e com a jerarquia, bispos e cardeais que os protegem, como já aconteceu no passado”.

Em relação ao testemunho do ex-sacerdote, para Francisco, tem um valor enorme: “Em meio à desgraça, Daniel Pittet pôde encontrar também uma outra face da Igreja e isto não o deixou perder a esperança nos homens e em Deus. Decidiu encontrar o padre abusador 44 anos mais tarde e ver nos olhos o homem que feriu profundamente a sua alma. Estendeu-lhe a mão. O menino ferido é hoje um homem em pé, frágil, mas em pé”.



Papa Francisco: a dor é cristã, mas o ressentimento não

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta na segunda-feira (13/02/2017).
 
O Papa ofereceu a celebração por padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da Companhia de Jesus de 2008 a 2016, que na quarta retorna ao Oriente para o seu trabalho. “Que o Senhor – disse o Papa – retribua todo o bem feito e o acompanhe na nova missão. Obrigado, padre Nicolás”.

No centro da homilia de Francisco esteve a primeira Leitura, extraída do Livro do Gênesis, que fala de Caim e Abel.
Pela primeira vez na Bíblia “se diz a palavra irmão”. É a história de uma “fraternidade que devia crescer, ser bela e acaba destruída”. Uma história – disse o Papa – que começa “com um pouco de ciúme”: Caim fica irritado porque o seu sacrifício não é apreciado por Deus e começa a cultivar aquele sentimento dentro de si. Poderia controlá-lo, mas não o faz:
“E Caim preferiu o instinto, preferiu cozinhar dentro de si este sentimento, aumentá-lo, deixá-lo crescer. Este pecado que cometerá depois, que está oculto atrás do sentimento. E cresce. Cresce. Assim crescem as inimizades entre nós: começam com um pequena coisa, um ciúme, uma inveja e depois cresce e nós vemos a vida somente daquele ponto e aquele cisco se torna para nós uma trave, mas a trave nós que temos, está lá. E a nossa vida gira em volta daquilo e destrói o elo de fraternidade, destrói a fraternidade”.

Aos poucos se fica “obcecado, perseguido” por aquele mal, que cresce sempre mais:
“E assim cresce, cresce a inimizade e acaba mal. Sempre. Eu me distancio do meu irmão, ele não é meu irmão, é um inimigo, que deve ser destruído, expulso... e assim se destroem as pessoas, assim as inimizades destroem famílias, povos, tudo! Aquele corroer o fígado, sempre obcecado com aquilo. Isso aconteceu com Caim, e no final acabou com o irmão. Não: não há irmão. Somente eu. Não há fraternidade. Somente eu. Isso que aconteceu no início acontece a todos nós, a possibilidade; mas este processo deve ser detido imediatamente, no início, na primeira amargura, detido. A amargura não é cristã. A dor sim, a amargura não. O ressentimento não é cristão. A dor sim, o ressentimento não. Quantas inimizades, quantas rupturas”.

Na missa em Santa Marta concelebram com o Papa alguns novos párocos, e Francisco diz: também nos nossos presbitérios, nos nossos colégios episcopais: quantas rupturas começam assim! Mas por que deram a sede a ele e não a mim? E por que isso? E … pequenas coisinhas… rupturas… Destrói-se a fraternidade”. E Deus pergunta: “Onde está Abel, teu irmão?”.  A resposta de Caim “é irônica”: “Não sei: Acaso sou o guarda do meu irmão?”. “Sim, és tu o guarda do teu irmão”. E o Senhor diz: “A voz do sangue do teu irmão está clamando por mim, da terra”. Cada um de nós – afirmou o Papa, e também ele se coloca na lista – pode dizer que jamais matou alguém:  mas “se você tiver um sentimento ruim por seu irmão, você o matou; se insultar o seu irmão, você o matou no coração. O assassinato é um processo que começa com uma coisa pequena”.  Assim, sabemos “onde estão aqueles que foram bombardeados” ou “que foram expulsos”, mas “estes não são irmãos”:
“E quantos poderosos da Terra podem dizer isto … ‘Tenho interesse por este território, tenho interesse por aquele pedaço de terra, por aquele outro … se a bomba cair e matar 200 crianças não é culpa minha: é culpa da bomba. Tenho interesse naquele território …’. E tudo começa com aquele sentimento que o leva a se distanciar, a dizer ao outro: ‘Este é fulano, ele é assim, mas não irmão …’, e acaba na guerra que mata. Mas você matou no início. Este é o processo do sangue, e o sangue hoje de tantas pessoas no mundo clama a Deus da terra. Mas está tudo ligado, eh? Aquele sangue lá tem uma relação – talvez uma pequena gota de sangue – que com a minha inveja, o meu ciúme fiz derramar, quando destrói uma fraternidade”.

E esta é a oração conclusiva do Papa: "Que o senhor nos ajude a repetir esta sua palavra: ‘Onde está o teu irmão?’, nos ajude a pensar naqueles que “destruímos com a língua” e “a todos os que no mundo são tratados como coisas e não como irmãos, porque é mais importante um pedaço de terra do que o elo da fraternidade”.



Papa: não instrumentalizar a autoridade de Deus

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa rezou o Angelus com os fiéis e peregrinos neste domingo (12/02/2017), na Praça São Pedro. A partir do Evangelho do dia, Francisco falou sobre Jesus que analisa três aspectos difíceis em que, todavia, é possível realizar plenamente a vontade de Deus "sem cair em formalismos": o homicídio, o adultério e o juramento.

"Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia do dia nos apresenta uma outra página do discurso da montanha, que encontramos no evangelho de Mateus. Neste trecho, Jesus quer ajudar que O escuta a realizar uma releitura da lei de Moisés. Aquilo que foi dito na antiga aliança não era tudo: Jesus veio para cumprir e promulgar de maneira definitiva a lei de Deus. Ele manifesta a finalidade original e preenche os aspectos autênticos, e faz tudo isso com sua pregação e mais ainda com a entrega de si mesmo na cruz. Assim, Jesus ensina como realizar completamente a vontade de Deus, com uma “justiça superior” diante daquela dos escribas e fariseus. Uma justiça animada pelo amor, pela caridade, pela misericórdia, e por isso capaz de realizar a substância dos mandamentos, evitando o risco do formalismo.

De modo particular, no Evangelho de hoje Jesus analisa três aspectos: o homicídio, o adultério e o juramento.

Sobre o mandamento “não matarás”, Ele afirma que é violado não somente pelo homicídio efetivo, mas também por aqueles comportamentos que ofendem a dignidade da pessoa humana, incluídas as palavras injuriosas. Claro, esta não têm a mesma gravidade e culpabilidade do assassínio, mas se colocam na mesma linha, porque são premissas deste e revelam a mesma maldade. Jesus nos convida a não estabelecer uma graduação das ofensas, mas a considerá-las todas danosas, já que partem da intenção de fazer mal ao próximo.

Uma outra realização é trazida à lei matrimonial. O adultério era considerado uma violação do direito de propriedade do homem sobre a mulher. Jesus, ao contrário, vai à raiz do mal. Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias e ofensas, também se chega ao adultério com as intenções de posse em relação a uma mulher que não é a própria esposa. O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são antes concebidos em nosso íntimo e, uma vez realizada no coração a escolha errada, ganham forma no comportamento concreto.

Jesus ainda diz aos seus discípulos de não jurar, já que o juramento é sinal da insegurança e da duplicidade com as quais se desenrolam as relações humanas. Se instrumentaliza a autoridade de Deus para dar garantia às nossas coisas humanas. Em vez, somos chamados a instaurar entre nós, nas nossas famílias e nas nossas comunidades um clima de clareza e confiança recíproca, para sermos sinceros sem recorrer a intervenções superiores para sermos credíveis. A desconfiança e a suspeita recíproca sempre ameaçam a serenidade!

Que Nossa Senhora, mulher da doce escuta e da obediência jubilosa, nos ajude a nos aproximarmos sempre mais ao Evangelho, para sermos cristãos não “de fachada”, mas de substância! E isso é possível com a graça do Espírito Santo, que nos permite de fazer tudo com amor, e assim realizar totalmente a vontade de Deus".



Papa nomeia enviado especial a Medjugorje

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa determinou neste sábado (11/02/2017), que Dom Henryk Hoser, Arcebispo de Varsóvia-Praga, na Polônia, vá a Medjugorje na qualidade Enviado Especial da Santa Sé.

A missão tem o objetivo de obter informações mais aprofundadas da situação pastoral daquela realidade e, sobretudo, das exigências dos fiéis que chegam em peregrinação e, com base nisso, sugerir eventuais iniciativas pastorais para o futuro. Terá, portanto, um caráter exclusivamente pastoral.

Está previsto que Dom Hoser, que continuará a ser Arcebispo de Varsóvia-Praga, complete sua missão no segundo semestre de 2017.

"O enviado especial da Santa Sé não entrará nas questões das aparições marianas, que são de competência da Congregação para a Doutrina da Fé", esclareceu o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Greg Burke.

"A missão é um sinal de atenção do Papa para com os peregrinos. O objetivo não é inquisitório, mas estritamente pastoral", concluiu.



Papa: a saúde é um direito de todos

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (10/02/2017), na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de trezentos participantes do encontro promovido pela Comissão Caridade e Saúde da Conferência Episcopal Italiana, por ocasião dos 20 anos do Departamento Nacional da Pastoral da Saúde e do 25º Dia Mundial do Enfermo, celebrado neste sábado (11/02).

Francisco agradeceu a Deus pelo caminho realizado até hoje em prol da cura integral dos doentes e pela generosidade de muitos homens e mulheres que acolheram o convite de Jesus a visitá-lo na pessoa dos enfermos.

Missão

“Louvamos ao Senhor por muitos profissionais de saúde que com a ciência e a consciência vivem o seu trabalho como uma missão, ministros da vida e partícipes do amor efusivo de Deus Criador. As suas mãos tocam todos os dias a carne sofredora de Cristo e isto é uma grande honra e responsabilidade. Alegramo-nos pela presença de vários voluntários que, com generosidade e competência,  trabalham para aliviar e humanizar os longos e difíceis dias de muitos doentes e idosos sozinhos, sobretudo pobres e indigentes.”

Segundo o Papa, “o setor da saúde é aquele em que a cultura do descarte mostra claramente suas consequências dolorosas”.

Vigilância

“Quando a pessoa enferma não é colocada no centro e sua dignidade é desconsiderada, geram comportamentos que podem levar até mesmo a especular sobre as desgraças dos outros. Isso é muito grave! É preciso vigiar, sobretudo quando os pacientes são idosos com uma saúde debilitada, quando sofrem de doenças graves e o tratamento é caro ou quando são particularmente difíceis como no caso de doentes psiquiátricos.”

Para o Santo Padre, um modelo de assistência sanitária que não otimiza os recursos disponíveis corre o risco de produzir descartes humanos. “Otimizar recursos significa usá-los de forma ética e solidária e não penalizar os mais frágeis”, sublinhou.

Dignidade

Francisco destacou que em primeiro lugar está a dignidade inviolável de cada pessoa humana, desde a concepção até a morte natural. “Que não seja somente o dinheiro a orientar as escolhas políticas e administrativas chamadas a salvaguardar o direito à saúde sancionado pela Constituição Italiana, e as escolhas de quem administra as estruturas de tratamento. A pobreza crescente no campo da saúde entre as camadas desfavorecidas da população, devido à dificuldade de acesso aos tratamentos, não deixe ninguém indiferente e se multipliquem os esforços de todos para que os direitos dos vulneráveis sejam tutelados.”

O Papa lembrou também as várias estruturas sanitárias de inspiração cristã, verdadeiras pousadas do Bom samaritano onde os doentes recebem o óleo do consolo e o vinho da esperança. Francisco exortou os participantes "a não hesitar em repensar suas obras caritativas a fim de oferecer um sinal de misericórdia de Deus aos pobres que, com confiança e esperança, batem às portas de suas estruturas".

Consciência

Dentre os objetivos que São João Paulo II deu ao Dia Mundial do Enfermo, além da promoção da cultura da vida, está o de conscientizar as dioceses, comunidades cristãs e famílias religiosas sobre a importância da Pastoral da Saúde.

“Muitos doentes estão nos hospitais, mas muitos estão em casa, sempre sozinhos. Espero que sejam visitados com frequência para que não se sintam excluídos da comunidade e possam experimentar, através de quem os encontra, a presença de Cristo que passa hoje em meio aos doentes no corpo e no espírito. A pior discriminação que sofrem os pobres, e os doentes são pobres de saúde, é a falta de atenção espiritual. Os doentes são membros preciosos da Igreja”, concluiu Francisco.



Papa: na tentação não há diálogo, se reza

Cidade do Vaticano (RV) - Na fraqueza das tentações, que “todos” temos, a graça de Jesus nos ajuda a não nos escondermos do Senhor, mas a pedir perdão para nos levantar e ir em frente. Foi o que disse o Papa Francisco na missa da manhã desta sexta-feira, 10.fevereiro.2017 na Casa Santa Marta, refletindo sobre o diabo que tenta seja Adão e Eva, seja Jesus. Mas, recorda o Pontífice, com o Diabo não se dialoga, porque você acaba em pecado e corrupção.

As tentações levam a se esconder do Senhor, permanecendo com a nossa “culpa”, com o nosso “pecado”, com a nossa “corrupção”. Partindo da primeira leitura de hoje do Livro do Gênesis, o Papa Francisco se detém sobre a tentação de Adão e Eva, e em seguida, sobre a de Jesus no deserto. É o diabo - explica - que “se mostra sob a forma de uma serpente”: é “atraente” e com a sua astúcia tenta “enganar”, é “especialista” nisto, é o “pai da mentira”, é um “mentiroso”. Sabe, portanto como enganar, como “trapacear” as pessoas. Fá-lo com Eva: a faz “se sentir bem”, diz o Papa, e assim começa o “diálogo” e “passo a passo” o diabo a leva onde ele quer. Com Jesus é diferente, para o diabo “termina mal”, recorda Francisco. “Procura dialogar” com Cristo, porque “quando o diabo engana uma pessoa o faz com o diálogo”: tenta enganá-lo, mas Jesus não cede. Então o diabo se revelada por aquilo que é, mas Jesus dá uma resposta “que não é sua”, é a da Palavra de Deus, porque “com o diabo não se pode dialogar”: acaba-se como Adão e Eva, “nus”:
“O diabo é um mau pagador, não paga bem! É um trapaceiro! Ele promete tudo e deixa você nu. Também Jesus acabou nu mas na cruz, por obediência ao Pai, outra estrada. A serpente, o diabo é inteligente: você não pode dialogar com o diabo. Todos nós sabemos o que são as tentações, todos nós sabemos, porque todos nós temos. Muitas tentações de vaidade, de orgulho, cobiça, avareza ... Tantas”.

Hoje, acrescentou o Papa, se fala muito de corrupção. Também por isso, se deve pedir ajuda ao Senhor:
“Muitos corruptos, existem muitas pessoas importantes corruptas no mundo, que conhecemos suas vidas através dos jornais. Talvez começaram com uma pequena coisa, não sei, não ajustando bem o balanço e o que era um quilo façamos novecentos gramas, mas era um quilo! A corrupção começa de pequenas coisas como esta, com o diálogo: Não, não é verdade que esta fruta vai fazer mal a você! Coma! É boa! É pouca coisa, ninguém vai perceber! Faz, faz! E pouco a pouco cai-se no pecado, na corrupção.”

A Igreja nos ensina a “não ser ingênuos”, a não ser “tolos”, disse o Papa. Portanto, ter os “olhos abertos” e pedir ajuda a Deus “porque sozinhos não conseguimos”. Adão e Eva se escondem do Senhor, ao invés disso é preciso a graça de Jesus para “voltar e pedir perdão”:
“Na tentação não há diálogo, se reza: Ajuda-me Senhor, sou fraco. Não quero me esconder de você. Isso é coragem, isso é vencer. Quando você começa a dialogar terminará vencido, derrotado. Que o Senhor nos dê a graça e nos sustente nesta coragem e se formos enganados pela nossa fraqueza na tentação que Ele nos dê a coragem de nos levantar e seguir em frente. Jesus veio para isso.”



Papa Francisco ao jornal “La Stampa”: descrever o oceano de bem que age no mundo

Roma (RV) – O Papa Francisco enviou mensagem ao jornal italiano “La Stampa” em ocasião dos seus 150 anos. O texto foi publicado na edição desta quinta-feira (9) e o Santo Padre fez votos de que o quotidiano de Turim continue descrevendo o mundo em que vivemos na sua “complexidade, sem nunca esquecer aquele oceano de bem que nos faz olhar para o futuro com esperança”.

O Papa se referiu ao mundo deste início de ano que se apresenta com “conflitos, violência, ódio, terrorismo, ataques armados imprevisíveis”, mas que não podem “nos roubar a esperança. Porque se o mal aparece como uma ameaça e invasivo, existe o bem, um oceano de bem, que age no mundo”.

Vencer a “globalização da indiferença”, para o Papa, significa vencer “a petrificação do coração que faz a gente se acostumar com as auto bombas terroristas, onde quer que explodam e com a sua contabilidade brutal de morte, com os migrantes que se afogam no Mediterrâneo sobre os navios transformados em caixões, com os moradores de rua que morrem de frio nas nossas ruas sem nem mesmo virarem notícia. Assim vamos nos degradando pouco a pouco: ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém. Ao contrário, a vida nos foi dada e somos convidados a compartilhá-la nesta casa comum, interessando-nos uns pelos outros”, disse o Pontífice.

Papa Francisco concluiu dizendo que “é fundamental procurar soluções integrais para combater a pobreza, para restituir a dignidade aos excluídos e, ao mesmo tempo, cuidar da natureza a partir daquela que nela mora e que é mais preciosa, a vida humana”.



Papa: sem a mulher não há harmonia no mundo

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa iniciou suas atividades nesta quinta-feira (09/02/2017) celebrando a missa na capela da Casa Marta. “Sem a mulher não há harmonia no mundo”, disse o Papa na homilia, centralizada na figura da mulher a partir da Criação narrada no Livro do Gênesis.
 
O homem estava só, então o Senhor lhe tirou uma costela e fez a mulher, que o homem reconheceu como carne de sua carne. “Mas antes de vê-la – disse o Papa – a sonhou”: “para entender uma mulher é necessário antes sonhá-la”, explicou Francisco.
“Muitas vezes, quando nós falamos das mulheres falamos de modo funcional: “mas a mulher é para fazer isto, quando – ao invés – a mulher traz “uma riqueza que o homem e toda a criação e todos os animais não têm”: a mulher traz harmonia à Criação, somente com a mulher Adão podia ser uma única carne:

“Quando não há mulher, falta a harmonia. Nós dizemos, falando: mas esta é uma sociedade com uma forte atitude masculina, e isto, não? Falta a mulher. ‘Sim, sim: a mulher é para lavar a louça, para fazer…’ Não, não, não: a mulher é para trazer harmonia. Sem a mulher não há harmonia. Não são iguais, não são um superior ao outro: não. Só que o homem não traz harmonia: é ela. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”.

A homilia de Francisco se desenvolveu em três temas: a solidão do homem, o sonho, porque não se entende uma mulher sem sonhá-la antes, e o terceiro, o destino dos dois: ser “uma só carne”. O Papa citou um exemplo concreto. Contou quando numa audiência, enquanto saudava as pessoas, perguntou a um casal que celebrava 60 anos de matrimônio: Qual de vocês teve mais paciência?”

“Eles que me olhavam, se olharam nos olhos, não me esqueço nunca daqueles olhos, hein? Depois voltaram e me disseram os dois juntos: Somos apaixonados! Depois de 60 anos, isto significa uma só carne. Isso é o que traz a mulher: a capacidade de se apaixonar. A harmonia ao mundo. Muitas vezes, ouvimos: Não, é necessário que nesta sociedade, nesta instituição, que aqui tenha uma mulher para que faça isso ou aquilo. Não, não! A funcionalidade não é o objetivo da mulher. É verdade que a mulher deve fazer coisas e faz coisas, como todos nós fazemos. O objetivo da mulher é criar harmonia e sem a mulher não há harmonia no mundo. Explorar as pessoas é um crime que lesa a humanidade: é verdade. Mas explorar uma mulher é algo ainda pior: é destruir a harmonia que Deus quis dar ao mundo. É destruir.”

Explorar uma mulher não é somente “um crime”, mas é “destruir a harmonia”, reiterou Francisco que fez referência também ao Evangelho de hoje onde se fala da mulher sírio-fenícia. E concluiu com uma observação pessoal:
 
“Este é o grande dom de Deus: nos deu a mulher. No Evangelho, ouvimos do que é capaz uma mulher, hein? Aquela é corajosa! Foi adiante com coragem. Mas é algo mais: a mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza. Sem ela o mundo não seria bonito, não seria harmônico. Gosto de pensar, mas isso é algo pessoal


Papa: identidade, trabalho e amor são os dons de Deus ao homem

Cidade do Vaticano,
07.fevereiro.2017 (RV) – O homem feito à imagem de Deus, senhor da terra, tendo ao lado uma mulher para amar: a homilia do Papa na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta (07/02) foi dedicada aos três grandes dons de Deus ao homem no ato da Criação.
 
“Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes”. “Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor”. A reflexão do Papa foi inspirada no Salmo 8 e pela narração do Gênesis, para exaltar a admiração pela ”ternura” e pelo ”amor” de Deus que, na Criação, “deu tudo ao homem”.

O Papa destaca três grandes dons, começando pela identidade:
“Antes de tudo, nos deu o DNA, isto é, nos fez filhos, nos criou à Sua imagem, à Sua imagem e semelhança, como Ele. E quando alguém faz um filho, não pode dar para trás: o filho está feito, está ali. E que o assemelhe muito ou pouco, è seu filho; recebeu a identidade. E se o filho se torna bom, o pai fica orgulhoso, não?, “mas olhe, que bom filho!”. E se é um pouquinho feio, o pai diz: É bonito!”, porque é assim. Sempre. E se é mau, o pai o justifica, o aguarda.. Jesus nos ensinou como um pai sabe esperar os filhos. Ele nos deu esta identidade de filho: homem e mulher; devemos acrescentar: filhos. Somos como deuses, porque somos filhos de Deus”.

O Segundo dom de Deus na Criação é, para Francisco, uma “tarefa”: “nos deu toda a terra”, para dominar e subjugar, como diz o Gênesis. É uma “realeza”, acrescentou o Papa, porque Deus não quer o homem “escravo”, mas “senhor”, mas com uma tarefa:
“Assim como Ele trabalhou na Criação, deu a nós o trabalho, deu o trabalho de levar adiante a Criação. Não de destruí-la; mas fazê-la crescer, cuidar, proteger e fazê-la produzir fruto. Deu tudo. É curioso, penso eu: mas não nos deu dinheiro. Temos tudo. Quem deu o dinheiro? Eu não sei. Dizem as avós, que o diabo entra pelo bolso: pode ser … podemos pensar em quem deu dinheiro … Deu toda a Criação para preservá-la e levá-la adiante: este é o dom”.

Por fim, o Papa exaltou o terceiro e último dom contido no Gênesis: o amor.
“Homem e mulher Ele os criou. Não é bom que o homem viva sozinho. E fez a companheira”: um “diálogo de amor”, disse Francisco. Portanto “preservar a Criação e não destruí-la, levá-la adiante com o trabalho cuja ausência priva o homem de dignidade e, por fim, faz crescer o amor que tem início entre homem e mulher: esta é a imagem da Criação para o Papa, que fez sua exortação final:
“Agradeçamos ao Senhor por esses três presentes que nos deu: a identidade, o dom-tarefa e o amor. E peçamos a graça de proteger esta identidade de filhos, de trabalhar o dom que nos deu e levar avante com o nosso trabalho este dom, e a graça de aprender todos os dias a amar mais”.


Papa: não se refugiar na rigidez dos mandamentos

Cidade do Vaticano, 06.fevereiro.2017 (RV) – O Papa iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta. Francisco desenvolveu sua homilia partindo do Salmo 103, um canto de louvor a Deus por suas maravilhas.
 
“O Pai trabalha para fazer esta maravilha da criação e para fazer com o Filho esta maravilha da recriação. O Pontífice recordou que uma vez uma criança lhe perguntou o que Deus fazia antes de criar o mundo. E a sua resposta foi: “Ele amava”.

Não se refugiar na rigidez dos mandamentos
Por que então Deus criou o mundo? “Simplesmente para compartilhar a sua plenitude – afirmou o Papa – para ter alguém a quem dar e com o qual compartilhar a sua plenitude”. E na re-criação, Deus envia o seu Filho para “re-organizar”: faz “do feio, bonito; do erro, verdade; do mau, bom”.

“Quando Jesus diz: ‘O Pai sempre atua; também eu atuo sempre', os doutores da lei se escandalizaram e querem matá-lo por isso. Por quê? Porque não sabiam receber as coisas de Deus como um dom! Somente como justiça: ‘Estes são os mandamentos. Mas são poucos, vamos fazer mais. E ao invés de abrir o coração ao dom, se esconderam, procuraram refúgio na rigidez dos mandamentos, que eles tinham multiplicado por 500 vezes ou mais … Não sabiam receber o dom. E o dom somente se recebe com a liberdade. E esses rígidos tinham medo da liberdade que Deus nos dá; tinham medo do amor”.

O cristão é escravo do amor, não do dever
Por isso querem matar Jesus depois que diz isso, observou Francisco. "Porque Ele disse que o Pai fez esta maravilha como dom. Receber o dom do Pai!”:
“E por isso hoje louvamos o Pai: ‘És grande Senhor! Nós te queremos bem porque me destes este dom. Salvou-me, me criou’. E esta é a oração de louvor, a oração de alegria, a oração que nos dá a alegria da vida cristã. E não aquela oração fechada, triste, da pessoa que não sabe receber um dom porque tem medo da liberdade que um dom sempre traz consigo. Somente sabe fazer o dever, mas o dever fechado. Escravos do dever, mas não do amor. Quando você se torna escravo do amor, está livre! Esta é uma bela escravidão! Mas eles não entediam isso”.

Receber o dom da redenção
Eis as “duas maravilhas do Senhor”: a maravilha da criação e a maravilha da redenção, da re-criação. O Papa então se questionou: Como recebe essas maravilhas?”:
“Como eu recebo isto que Deus me deu – a criação – como um dom? E se o recebo como um dom, amo a criação, protejo a Criação? Porque foi um dom! Como recebo a redenção, o perdão que Deus me deu, o fazer-me filho com o seu Filho, com amor, com ternura, com liberdade ou me escondo na rigidez dos mandamentos fechados, que sempre sempre são mais seguros – entre aspas – mas não dão alegria, porque não o faz livre. Cada um de nós pode perguntar-se como vive essas duas maravilhas, a maravilha da criação e ainda mais a maravilha da re-criação. E que o senhor nos faça entender esta grande coisa e nos faça entender aquilo que Ele fazia antes de criar o mundo: amava! Nos faça entende o seu amor por nós e nós podemos dizer – como dissemos hoje - ‘És tão grande Senhor! Obrigado, obrigado!’. Vamos adiante assim”.


Papa adverte consagrados sobre “tentação da sobrevivência”
Santa Missa na Festa da Apresentação do Senhor e 21º Dia da Vida Consagrada
Basílica Vaticana
Quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017


Boletim da Santa Sé

Quando os pais de Jesus levaram o Menino ao Templo para cumprir as prescrições da lei, Simeão, «impelido pelo Espírito» (Lc 2, 27), toma nos seus braços o Menino e começa a louvar a Deus. Um cântico de bênção e de louvor: «Porque meus olhos viram a Salvação que ofereceste a todos os povos, Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo» (Lc 2, 30-32). Simeão não só pôde ver, mas teve também o privilégio de abraçar a esperança por que aspirava, e isto fá-lo exultar de alegria. O seu coração rejubila porque Deus habita no meio do seu povo; sente-O carne da sua carne.

A liturgia de hoje diz-nos que, com aquele rito (quarenta dias depois do nascimento), o Senhor «exteriormente cumpria as prescrições da lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel» (Missal Romano, 2 de fevereiro, Monição à procissão de entrada). O encontro de Deus com o seu povo desperta a alegria e renova a esperança.

O cântico de Simeão é o cântico do homem crente que, na reta final dos seus dias, pode afirmar: É verdade! A esperança em Deus nunca decepciona (cf. Rm 5, 5); Ele não engana. Na sua velhice, Simeão e Ana são capazes duma nova fecundidade e dão testemunho disso mesmo cantando: a vida merece ser vivida com esperança, porque o Senhor mantém a sua promessa; e será o próprio Jesus que explicará, mais tarde, esta promessa na sinagoga de Nazaré: os doentes, os presos, os abandonados, os pobres, os anciãos, os pecadores… também eles são convidados a entoar o mesmo cântico de esperança, ou seja, que Jesus está com eles, está conosco (cf. Lc 4, 18-19).

Este cântico de esperança recebemo-lo em herança dos nossos pais. Eles introduziram-nos nesta “dinâmica”. Nos seus rostos, nas suas vidas, na sua dedicação diária e constante, pudemos ver como este louvor se fez carne. Somos herdeiros dos sonhos dos nossos pais, herdeiros da esperança que não decepcionou as nossas mães e os nossos pais fundadores, os nossos irmãos mais velhos. Somos herdeiros dos nossos anciãos que tiveram a coragem de sonhar; e, como eles, também nós hoje queremos cantar: Deus não engana, a esperança n’Ele não decepciona. Deus vem ao encontro do seu povo. E queremos cantar embrenhando-nos na profecia de Joel: «Derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade. Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos e os vossos jovens terão visões» (3, 1).

Faz-nos bem acolher o sonho dos nossos pais, para podermos profetizar hoje e encontrar novamente aquilo que um dia inflamou o nosso coração. Sonho e profecia juntos. Memória de como sonharam os nossos anciãos, os nossos pais e mães, e coragem para levar por diante, profeticamente, este sonho.

Esta atitude tornar-nos-á fecundos, mas sobretudo preservar-nos-á duma tentação que pode tornar estéril a nossa vida consagrada: a tentação da sobrevivência. Um mal que pode instalar-se pouco a pouco dentro de nós, no seio das nossas comunidades. A atitude de sobrevivência faz-nos tornar reacionários, temerosos, faz-nos fechar lenta e silenciosamente nas nossas casas e nos nossos esquemas. Faz-nos olhar para trás, para os feitos gloriosos mas passados, o que, em vez de despertar a criatividade profética nascida dos sonhos dos nossos fundadores, procura atalhos para escapar aos desafios que hoje batem às nossas portas. A psicologia da sobrevivência tira força aos nossos carismas, porque leva-nos a «domesticá-los», a pô-los «ao nosso alcance» mas privando-os da força criativa que eles inauguraram; faz com que queiramos mais proteger espaços, edifícios ou estruturas do que tornar possíveis novos processos. A tentação da sobrevivência faz-nos esquecer a graça, transforma-nos em profissionais do sagrado, mas não pais, mães ou irmãos da esperança, que fomos chamados a profetizar. Este clima de sobrevivência torna árido o coração dos nossos anciãos privando-os da capacidade de sonhar e, assim, torna estéril a profecia que os mais jovens são chamados a anunciar e realizar. Em resumo, a tentação da sobrevivência transforma em perigo, em ameaça, em tragédia aquilo que o Senhor nos dá como uma oportunidade para a missão. Esta atitude não é própria apenas da vida consagrada, mas nós em particular somos convidados a precaver-nos de cair nela.

Voltemos ao Evangelho e contemplemos de novo a cena. O que suscitou o cântico de louvor em Simeão e Ana não foi, por certo, o olhar para si mesmos, o analisar e rever a própria situação pessoal. Não foi o permanecer fechados com medo de algo ruim que lhes pudesse acontecer. O que suscitou o cântico foi a esperança, aquela esperança que os sustentava na velhice. Aquela esperança viu-se recompensada no encontro com Jesus. Quando Maria coloca nos braços de Simeão o Filho da Promessa, o ancião começa a cantar os seus sonhos. Quando coloca Jesus no meio do seu povo, este encontra a alegria. Sim, só isto nos poderá restituir a alegria e a esperança, só isto nos salvará de viver numa atitude de sobrevivência, só isto tornará fecunda a nossa vida, e manterá vivo o nosso coração: colocar Jesus precisamente onde Ele deve estar, ou seja, no meio do seu povo.

Todos estamos conscientes da transformação multicultural que atravessamos, ninguém o põe em dúvida. Daqui a importância de o consagrado e a consagrada estarem inseridos com Jesus na vida, no coração destas grandes transformações. A missão – em conformidade com cada carisma particular – é aquela que nos lembra que fomos convidados a ser fermento desta massa concreta. Poderão certamente haver «farinhas» melhores, mas o Senhor convidou-nos a levedar aqui e agora, com os desafios que nos aparecem. E não com atitude defensiva, nem movidos pelos nossos medos, mas com as mãos no arado procurando fazer crescer o trigo muitas vezes semeado no meio do joio. Colocar Jesus no meio do seu povo significa ter um coração contemplativo, capaz de discernir como é que Deus caminha pelas ruas das nossas cidades, das nossas terras, dos nossos bairros. Colocar Jesus no meio do seu povo significa ocupar-se e querer ajudar a levar a cruz dos nossos irmãos. É querer tocar as chagas de Jesus nas chagas do mundo, que está ferido e anela e pede para ressuscitar.

Colocarmo-nos com Jesus no meio do seu povo! Não como ativistas da fé, mas como homens e mulheres que são continuamente perdoados, homens e mulheres ungidos no Batismo para partilhar esta unção e a consolação de Deus com os outros.

Colocarmo-nos com Jesus no meio do seu povo, porque «sentimos o desafio de descobrir e transmitir a “mística” de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que [com o Senhor] pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada. (…) Como seria bom, salutar, libertador, esperançoso, se pudéssemos trilhar este caminho! Sair de si mesmo para se unir aos outros» (Exort. ap. Evangelium gaudium, 87) não só faz bem, mas transforma a nossa vida e a nossa esperança num cântico de louvor. Mas isto só o poderemos fazer, se assumirmos os sonhos dos nossos anciãos e os transformarmos em profecia.

Acompanhemos Jesus que vem encontrar-Se com o seu povo, estar no meio do seu povo, não no lamento ou na ansiedade de quem se esqueceu de profetizar, porque não se ocupa dos sonhos dos seus pais, mas no louvor e na serenidade; não na agitação, mas na paciência de quem confia no Espírito, Senhor dos sonhos e da profecia. E, assim, compartilhamos o que nos pertence: o cântico que nasce da esperança.



Papa: "Não tenhamos medo de encontrar o olhar de Jesus sobre nós"

Cidade do Vaticano (RV) - As leituras do dia nesta 4ª semana no Tempo Comum inspiraram o Papa Francisco na homilia da missa matutina de terça-feira (31/01/2017), na Casa Santa Marta.

Dirigindo-se aos participantes, o Pontífice iniciou recordando que a Carta aos Hebreus nos exorta a correr na fé com “perseverança, mantendo o olhar fixo em Jesus”. Já no 5º capítulo Evangelho de Marcos, “é Jesus que nos olha e percebe que estamos ali. Ele nos está próximo, está sempre no meio da multidão”, explicou o Papa.

“Não está com os guardas que fazem escolta, para que ninguém o toque. Não, não! Ele fica ali, comprimido entre as pessoas. E toda vez que Jesus saia, tinha mais gente. Especialistas de estatísticas poderiam até ter noticiado: “Cai a popularidade do Rabí Jesus”... Mas ele procurava outra coisa: procurava as pessoas. E as pessoas o procuravam. O povo tinha os olhos presos Nele e Ele tinha os olhos presos nas pessoas. “Sim, sim, no povo, na multidão”, “Não, não, em cada um!” É esta a peculiaridade do olhar de Jesus. Jesus não massifica as pessoas; Ele olha para cada um”.

Pequenas alegrias

O Evangelho de Marcos narra dois milagres: Jesus cura uma mulher que tem hemorragias há 12 anos e que, no  meio da multidão, consegue tocar sua roupa. Ele percebe que foi tocado e depois, ressuscita a filha de 12 anos de Jairo, um dos chefes da Sinagoga. Ele observa que a menina está faminta e diz aos pais que lhe deem de comer:

“O olhar de Jesus passa do grande ao pequeno. Assim olha Jesus: olha para nós, todos, mas vê cada um de nós. Olha os nossos grandes problemas, percebe as nossas grandes alegrias e vê também as nossas pequenas coisas... porque está perto. Jesus não se assusta com as grandes coisas e leva em conta também as pequenas. Assim olha Jesus”.

Se corrermos “com perseverança, mantendo fixo o olhar em Jesus” – afirma o Papa Francisco – acontecerá conosco o que aconteceu com as pessoas depois da ressurreição da filha de Jairo, que ficaram todas admiradas:

“Vou, vejo Jesus, caminho avante, fixo o olhar em Jesus e o que vejo? Que Ele tem o olhar sobre mim! E isto me faz sentir um grande estupor: é a surpresa do encontro com Jesus. Mas não tenhamos medo! Não tenhamos medo, assim como não o teve aquela senhora que foi tocar o manto de Jesus. Não tenhamos medo! Corramos neste caminho, com o olhar sempre fixo em Jesus. E teremos esta bela surpresa, que nos encherá de estupor. O próprio Jesus com os olhos fixos em mim”.


Papa dedica homilia aos mártires e ressalta drama da perseguição

A maior força da Igreja hoje está nas pequenas Igrejas perseguidas. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 30.janeiro.2017, na Casa Santa Marta. A homilia do Pontífice foi dedicada aos mártires.

“Sem memória não há esperança”, afirmou o Papa comentando a Carta aos Hebreus, na qual se exorta a recordar toda a história do povo do Senhor. Antes de tudo, uma memória de docilidade, a memória da docilidade de tantas pessoas, começando por Abraão que, obediente, saiu de sua terra sem saber onde ia.

Em especial, no 11º capítulo da primeira leitura, se fala de outras duas memórias. A memoria dos grandes gestos do Senhor, realizado por Gedeão, Barac, Sansão, Davi, tantas pessoas – disse o Papa – que fizeram grandes gestos na história de Israel.

A mídia não fala dos mártires de hoje

Há um terceiro grupo do qual fazer memória, a memória dos mártires: “os que sofreram e deram a vida como Jesus, que foram lapidados, torturados, mortos na espada”. De fato, enfatizou Francisco, a Igreja é “este povo de Deus”, pecador, mas dócil” que faz grandes coisas e testemunha também Jesus Cristo até o martírio.

“Os mártires são aqueles que levam avante a Igreja, são os que a amparam, que a ampararam no passado e a ampararam hoje. E hoje existem mais mártires do que nos primeiros séculos. A mídia não fala porque não faz notícia, mas muitos cristãos no mundo hoje são bem-aventurados porque perseguidos, insultados, presos. Há muitos nas prisões, somente por carregar uma cruz ou por confessar Jesus Cristo! Esta é a glória da Igreja e o nosso amparo e também a nossa humilhação: nós que temos tudo, tudo parece fácil para nós e se nos falta alguma coisa reclamamos… Mas pensemos nesses irmãos e irmãs que hoje, num número maior do que nos primeiros séculos, sofrem o martírio!”.

Francisco recordou o testemunho de um sacerdote e de uma religiosa na catedral de Tirana, que ele pôde conhecer em sua viagem à Albânia em setembro de 2014: anos e anos de prisão, trabalho forçado e humilhação, para os quais não existiam os direitos humanos.

A força da Igreja são as pequenas Igrejas perseguidas

O Papa recordou que a maior força da Igreja hoje está nas “pequenas Igrejas perseguidas”.
“Também nós, é verdade e também justo, ficamos satisfeitos quando vemos uma ação eclesial grande, que teve muito sucesso, os cristãos que se manifestam. Isso é bonito! Esta é a força? Sim, é força, mas a força maior da Igreja hoje está nas pequenas Igrejas, pequeninas, com pouca gente, Igrejas perseguidas, com os seus bispos no cárcere. Esta é a nossa glória hoje. Esta é a nossa glória e a nossa força hoje.”

Sangue dos mártires é semente de cristãos

“Ousaria dizer: Uma Igreja sem mártires é uma Igreja sem Jesus”, afirmou e na conclusão o Papa convidou a rezar pelos mártires que sofrem muito, por aquelas Igrejas que não são livres de se expressar. “Elas são a nossa esperança”. O Papa recordou que nos primeiros séculos da Igreja um antigo escritor dizia: “O sangue dos cristãos, o sangue dos mártires, é semente dos cristãos”.

“Eles com o seu martírio, o seu testemunho, com o seu sofrimento, doando a vida, oferecendo a vida, semeiam cristãos para o futuro e em outras Igrejas. Ofereçamos esta missa pelos nossos mártires, por aqueles que agora sofrem, pelas Igrejas que sofrem, que não têm liberdade, e agradeçamos ao Senhor por Ele estar presente com a força de seu Espírito nesses nossos irmãos e irmãs que hoje dão testemunho D’Ele.”


Quotidianamente o Papa Francisco nos incentiva no caminho à conversão, através de seus tweets:



31/01/2017
Imitemos a atitude de Jesus para com os doentes: Ele cuida de todos, compartilha seus sofrimentos e abre o coração à esperança.
30/01/2017
Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podemos ser artesãos de paz.
29/01/2017
Senhor, Deus da Paz, escute a nossa prece e concede-nos a paz na Terra Santa. Shalom, salaam, paz!



Papa: o pobre em espírito sabe ser humilde e disponível à graça de Deus

Cidade do Vaticano (RV) - Quanto mais tenho, mais quero: isso mata a alma. E o homem ou a mulher que tem essa atitude não é feliz e não alcançará a felicidade: disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, 29.janeiro.2017, ao meio-dia, na alocução que precedeu a oração mariana.

Francisco havia partido das Bem-aventuranças, “carta magna” do Novo Testamento, que caracterizam a liturgia deste IV Domingo do Tempo Comum. No sermão da montanha “Jesus manifesta a vontade de Deus de conduzir os homens à felicidade”, destacou.

Nesta sua pregação Jesus segue um caminho particular: começa com o termo “bem-aventurados”, ou seja, “felizes”; prossegue com a indicação da condição para ser tais; e conclui fazendo uma promessa, explicou o Pontífice.

Francisco acrescentou que o motivo da bem-aventurança não está na condição de “pobres em espírito”, “aflitos”, “famintos de justiça”, “perseguidos”, mas na promessa sucessiva, a ser acolhida com fé como dom de Deus. “Parte-se da condição de dificuldade para abrir-se ao dom de Deus e aceder ao mundo novo, o ‘reino’ anunciado por Jesus.”

Não é um mecanismo automático, disse o Papa. “Não podem ser bem-aventurados se não se converteram”, se não se tornaram “capazes de apreciar e viver os dons de Deus”.

Francisco quis ater-se à primeira bem-aventurança: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,4), para em seguida explicitar quem são estes:

“O pobre em espírito é aquele que assumiu os sentimentos e a atitude daqueles pobres que em sua condição não se rebelam, mas sabem ser humildes, dóceis, disponíveis à graça de Deus.”

A felicidade dos pobres – dos pobres em espírito – tem uma dúplice dimensão: em relação aos bens e em relação a Deus, explicou o Santo Padre, acrescentando:

“Em relação aos bens, aos bens materiais, esta pobreza em espírito é sobriedade: não necessariamente renúncia, mas capacidade de experimentar o essencial, de partilha; capacidade de renovar todos os dias a admiração pela bondade das coisas, sem sucumbir na opacidade do consumo voraz."

“Quanto mais tenho, mais quero; mais tenho, mais quero: esse é o consumo voraz. E isso mata a alma. E o homem ou a mulher que faz isso, que tem essa atitude ‘mais tenho, mais quero’, não é feliz e não alcançará a felicidade.”

Em relação a Deus, afirmou, “é louvor e reconhecimento que o mundo é bênção e que na sua origem está o amor criador do Pai. Mas é também abertura a Ele, docilidade a sua senhoria: “é Ele, o Senhor, é Ele o Grande, não eu sou grande porque tenho tantas coisas! É Ele: Ele que quis o mundo para todos os homens e o quis para que os homens fossem felizes”, acrescentou.

O pobre em espírito é o cristão que não deposita sua confiança em si mesmo, nas riquezas materiais, não é obstinado nas próprias opiniões”, disse ainda o Papa fazendo em seguida uma observação pertinente à convivência nas comunidades cristãs:

“Se em nossas comunidades existissem mais pobres em espírito, haveria menos divisões, contrastes e polêmicas. A humildade, como a caridade, é uma virtude essencial para a convivência nas comunidades cristãs. Os pobres, nesse sentido evangélico, se mostram como aqueles que mantêm firme a meta do Reino dos céus, fazendo entrever que este é antecipado de forma germinal na comunidade fraterna, que privilegia a partilha à posse.”

Após a oração mariana, o Pontífice lembrou a celebração, neste domingo, do Dia mundial de luta contra a hanseníase, ressaltando que esta doença, mesmo em diminuição, encontra-se ainda entre as mais temidas e atinge os mais pobres e marginalizados. “É importante lutar contra esta enfermidade, mas também contra as discriminações que ela gera”, exortou.

Encontravam-se presentes na Praça São Pedro, em meio aos cerca de 25 mil fiéis e peregrinos, três mil jovens da Ação Católica de Roma, formando a “Caravana da Paz”. Dois deles, um garoto e uma garota, se juntaram ao Santo Padre durante a saudação do Pontífice aos diversos grupos de fiéis e peregrinos reunidos na Praça. O garoto leu uma breve mensagem aos presentes. Em seguida, foram soltos alguns balões, símbolo da paz.

O Papa lembrou mais uma vez as populações do centro da Itália, expressando sua proximidade a estes que ainda sofrem as consequências do terremoto e das difíceis condições atmosféricas deste inverno europeu.

O Pontífice despediu-se dos presentes pedindo que não se esquecessem de rezar por ele.



Papa aos membros de Vida Consagrada: fidelidade à vocação

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (28/01/2017), no Vaticano, recebendo na Sala Clementina, cerca de 100 participantes na Plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Em seu pronunciamento, o Papa expressou sua satisfação em receber os membros da Congregação que, nestes dias, em sua plenária, refletiram sobre o tema da “fidelidade e dos abandonos”:

“O tema que escolheram é importante. Podemos dizer que, neste momento, a fidelidade é colocada à prova: é o que demonstram as estatísticas que examinaram. Encontramo-nos diante de certa "hemorragia" que enfraquece a vida consagrada e a própria vida da Igreja. Os abandonos na vida consagrada nos preocupam muito. É verdade que alguns a deixam por um gesto de coerência, porque reconhecem, depois de um sério discernimento, que nunca teve vocação; outros, com o passar do tempo, faltam de fidelidade, muitas vezes a apenas alguns anos da sua profissão perpétua”.

Aqui, o Papa perguntou: o que aconteceu? Como vocês destacaram no seu encontro, são muitos os fatores que condicionam a fidelidade nesse tempo de mudança de época em que se torna difícil assumir compromissos sérios e definitivos. Neste sentido, Francisco destacou alguns desses fatores:

“O primeiro fator que não ajuda a manter a fidelidade é o contexto social e cultural em que vivemos. De fato, vivemos imersos na chamada “cultura do fragmento”, do  “provisório”, que pode levar a viver "à la carte" e ser escravo da moda. Esta cultura leva à necessidade de se manter sempre abertas as "portas laterais" para outras possibilidades, alimenta o consumismo e esquece a beleza de uma vida simples e austera, provocando muitas vezes um grande vazio existencial”.

Vivemos em uma sociedade onde as regras econômicas substituem as leis morais, ditam e impõem seus próprios sistemas de referência em detrimento dos valores da vida; uma sociedade onde a ditadura do dinheiro e do lucro defende sua visão de existência. Em tal situação, disse o Pontífice, é preciso primeiro deixar-se evangelizar e, depois, comprometer-se com a evangelização. Assim, apresentou outros fatores ao contexto sócio-cultural:

“Um deles é o mundo da juventude, um mundo complexo, rico e desafiador. Não faltam jovens generosos, solidários e comprometidos em nível religioso e social; jovens que buscam uma vida espiritual, que têm fome de algo diferente do que o mundo oferece. Mas, mesmo entre esses jovens, há muitas vítimas da lógica do mundanismo, como a busca do sucesso a qualquer preço, o dinheiro e o prazer fáceis”.

Essa lógica, advertiu o Papa, atrai muitos jovens, mas nosso compromisso é estar ao lado deles para contagiá-los com a alegria do Evangelho e de pertença a Cristo. Essa cultura deve ser evangelizada. Aqui, indicou um terceiro fator condicionante, que vem da própria vida consagrada, onde, além de uma grande santidade não faltam situações de contra testemunho que tornam difícil a fidelidade:

“Tais situações, entre outras, são: a rotina, o cansaço, o peso de gestão das estruturas, as divisões internas, a sede de poder... Se a vida consagrada quiser manter a sua missão profética e o seu encanto, continuando a ser escola de lealdade para os próximos e os distantes, deverá manter o frescor e a novidade da centralidade de Jesus, a atração pela espiritualidade e da força da missão, mostrar a beleza do seguimento de Cristo e irradiar esperança e alegria”.

Outro aspecto ao qual a vida consagrada deverá prestar especial atenção é a “vida fraterna comunitária”, que deve ser alimentada pela oração comum, a leitura da palavra, a participação ativa nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, o diálogo fraterno, a comunicação sincera entre os seus membros, a correção fraterna, a misericórdia para com o irmão ou a irmã que peca, a partilha das responsabilidades. A seguir, o Santo Padre recordou a importância da vocação:

“A vocação, como a própria fé, é um tesouro que trazemos em vasos de barro, que nunca deve ser roubado ou perder a sua beleza. A vocação é um dom que recebemos do Senhor, que fixou seu olhar sobre nós e nos amou, chamando-nos a segui-lo mediante a vida consagrada, como também uma responsabilidade para quem a recebeu”. 

Falando de lealdade e de abandono, disse ainda Francisco, “devemos dar muita importância ao acompanhamento. A vida consagrada deve investir na preparação de assistentes qualificados para este ministério. E concluiu dizendo que “muitas vocações se perdem por falta de bons líderes. Todas as pessoas consagradas precisam ser acompanhados em nível humano, espiritual e profissional. Aqui entra o discernimento que exige muita sensibilidade espiritual.


Papa: fundamentalismo cria desertos culturais e espirituais

Cidade do Vaticano (RV) – O ecumenismo de sangue foi o tema do discurso do Papa Francisco ao receber na manhã de sexta-feira (27/01), no Vaticano, os membros da Comissão mista Internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais.

“Muitos de vocês pertencem a Igrejas que assistem cotidianamente à expansão da violência e a atos terríveis, perpetrados pelo extremismo fundamentalista”, disse o Pontífice, que foi enfático ao criticar as situações que geram “sofrimento trágico”: são contextos de pobreza, injustiça e exclusão social gerados por interesses partidários, com frequência externos, e por conflitos antigos, que produziram condições “de vida miseráveis, desertos culturais e espirituais nos quais é fácil manipular e instigar ao ódio”. Neste cenário, os cristãos são chamados a oferecer juntos a paz que vem do Senhor um mundo ferido e dilacerado.

A exemplo do que escrevia São Paulo, afirmou ainda o Papa, o sofrimento de uma Igreja é o sofrimento de todas as Igrejas. Por isso, “uno-me a vocês na oração, invocando o fim dos conflitos e a proximidade de Deus às populações que sofrem, especialmente as crianças, os doentes e os idosos. De modo especial, me preocupo com os bispos, sacerdotes, consagrados e fiéis vítimas de sequestros cruéis, e todos os que foram feitos reféns ou reduzidos à escravidão.”

Em contextos onde “a violência chama a violência e a violência semeia morte”, para Francisco a resposta dos cristãos deve ser “o puro fermento do Evangelho” que, sem prestar-se às lógicas da força, faz surgir frutos de vida.

Neste esforço, os mártires indicam o caminho, concluiu o Papa: “Assim como na Igreja primitiva o sangue dos mártires foi semente de novos cristãos, que hoje o sangue de tantos mártires seja semente de unidade entre os fiéis”.

A Comissão mista Internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais foi criada em 2003 e acaba de realizar seu 14º encontro. Em estudo, estão os Sacramentos.


Papa: ser cristão é ser corajoso, não covarde

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou nesta sexta-feira (27/01/2017) a missa na capela da Casa Santa Marta.

A Carta aos Hebreus proposta pela liturgia do dia – afirmou o Papa – exorta a viver a vida cristã com três pontos de referência: o passado, o presente e o futuro. Antes de tudo, nos convida a fazer memória, porque “a vida cristã não começa hoje: continua hoje”. Fazer memória é “recordar tudo”: as coisas boas e menos boas, é colocar a minha história “diante de Deus”, sem cobri-la  ou escondê-la.

“Irmãos, evoquem na memória aqueles primeiros dias’: os dias do entusiasmo, de ir avante na fé, quando se começou a viver a fé, as tribulações sofridas … Não se entende a vida cristã, inclusive a vida espiritual de todos os dias, sem memória. Não somente não se entende: não se pode viver de modo cristão sem memória. A memória da salvação de Deus na minha vida, a memória dos problemas na minha vida; mas como o Senhor me salvou desses problemas? A memoria é uma graça: uma graça a ser pedida. ‘Senhor, que não esqueça o teu passo na minha vida, que não esqueça os bons momentos, inclusive os maus; as alegrias e as cruzes’. Mas o cristão é um homem de memória”.

Depois, o autor da Carta nos faz entender que “estamos em caminho a espera de algo”, a espera de “chegar a um ponto: um encontro; encontro com o Senhor”. “E nos exorta a viver por fé”:

“A esperança: olhar para o futuro. Assim como não se pode viver uma vida cristã sem a memória dos passos feitos, não se pode viver uma vida cristã sem olhar para o futuro com esperança... para o encontro com o Senhor. E ele diz uma bela frase: ‘Ainda bem pouco …’. Eh, a vida é um sopro, eh? Passa. Quando se é jovem, se pensa que temos tanto tempo pela frente, mas depois a vida nos ensina que aquela frase que todos dizemos: ‘Mas como passa o tempo! Eu o conheci quando era criança, e agora está casando! Como passa o tempo!’. Logo chega. Mas a esperança de encontrá-lo é uma vida em tensão, entre a memória e a esperança, o passado e o futuro”.

Por fim, a Carta convida a viver o presente, “muitas vezes doloroso e triste”, com “coragem e paciência”: isto é, com franqueza, sem vergonha, e suportando as vicissitudes da vida. Somos pecadores – explicou o Papa – “todos somos. Quem antes e quem depois… se quiserem, podemos fazer a lista depois, mas todos somos pecadores. Todos. Mas prossigamos com coragem e com paciência. Não fiquemos ali, parados, porque isso não nos fará crescer”. Por fim, o autor da Carta aos Hebreus exorta a não cometer o pecado que não nos deixa ter memória, esperança, coragem e paciência: a covardia. “É um pecado que não deixa ir para frente por medo”, enquanto Jesus diz: “Não tenham medo”. Covardes são “os que vão sempre para trás, que protegem demasiado a si mesmos, que têm medo de tudo”:

“‘Não arrisque, por favor, não…prudência…’ Os mandamentos todos, todos… Sim, é verdade, mas isso também paralisa, faz esquecer as muitas graças recebidas, tira a memória, tira a esperança porque não deixa ir. E o presente de um cristão, de uma cristã assim é como quando alguém está na rua e começa a chover de repente e o vestido não é bom e o tecido encurta... Almas pequenas … esta é a covardia: este é o pecado contra a memória, a coragem, a paciência e a esperança. Que o Senhor nos faça crescer na memória, nos faça crescer na esperança, nos dê todos os dias coragem e paciência e nos liberte daquilo que é a covardia, ter medo de tudo... Almas pequenas para preservar-se. E Jesus diz: ‘Quem quer preservar a própria vida, a perde’”.


Reconciliação entre cristãos é dom de Deus, diz Papa

O Papa Francisco presidiu nesta quarta-feira, 25, a celebração das Segundas Vésperas na Solenidade da Conversão de São Paulo, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, no Vaticano. A celebração conclui a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em curso desde o último dia 18 em países do hemisfério norte.

Foi propriamente a unidade dos cristãos o tema que perpassou a homilia de Francisco. Ele lembrou que São Paulo teve a vida transformada radicalmente após o encontro com Jesus e foi impelido, a partir de então, a proclamar o amor e a reconciliação que Deus oferece em Cristo à humanidade. E essa reconciliação é um dom que vem de Cristo, da mesma forma que acontece com a reconciliação entre os cristãos.

Homilia do Santo Padre:

O encontro com Jesus na estrada para Damasco transforma radicalmente a vida de São Paulo. A partir de então, para ele, o sentido da existência já não está em confiar nas próprias forças para observar escrupulosamente a Lei, mas em aderir com todo o seu ser ao amor gratuito e imerecido de Deus, a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Conhece, assim, a irrupção duma vida nova, a vida segundo o Espírito, na qual, pelo poder do Senhor ressuscitado, experimenta perdão, confidência e conforto. E Paulo não pode guardar para si mesmo esta novidade: é impelido pela graça a proclamar a feliz notícia do amor e da reconciliação que Deus oferece plenamente em Cristo à humanidade.

Para o Apóstolo dos Gentios, a reconciliação do homem com Deus, da qual foi feito embaixador (cf. 2 Cor 5, 20), é um dom que vem de Cristo. Vê-se isto claramente no texto da II Carta aos Coríntios, onde se foi buscar, este ano, o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: «O amor de Cristo impele-nos para a reconciliação» (cf. 2 Cor 5, 14-20). «O amor de Cristo»: não se trata do nosso amor por Cristo, mas do amor que Cristo tem por nós. Da mesma forma, a reconciliação para a qual somos impelidos não é simplesmente iniciativa nossa: é primariamente a reconciliação que Deus nos oferece em Cristo. Antes de ser esforço humano de crentes que procuram superar as suas divisões, é um dom gratuito de Deus. Como resultado deste dom, a pessoa perdoada e amada é chamada, por sua vez, a proclamar o evangelho da reconciliação em palavras e obras, a viver e dar testemunho duma existência reconciliada.

Nesta perspetiva, podemos hoje perguntar-nos: Como é possível proclamar este evangelho de reconciliação depois de séculos de divisões? O próprio Paulo nos ajuda a encontrar o caminho. Ele sublinha que a reconciliação em Cristo não se pode realizar sem sacrifício. Jesus deu a sua vida, morrendo por todos. De modo semelhante os embaixadores de reconciliação, em seu nome, são chamados a dar a vida, a não viver mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles (cf. 2 Cor 5, 14-15). Como ensina Jesus, só quando perdemos a vida por amor d’Ele é que verdadeiramente a temos ganha (cf. Lc 9, 24). É a revolução que Paulo viveu, mas é também a revolução cristã de sempre: deixar de viver para nós mesmos, buscando os nossos interesses e promoção da nossa imagem, mas reproduzir a imagem de Cristo, vivendo para Ele e de acordo com Ele, com o seu amor e no seu amor.

Para a Igreja, para cada Confissão Cristã, é um convite a não se basear em programas, cálculos e benefícios, a não se abandonar a oportunidades e modas passageiras, mas a procurar o caminho com o olhar sempre fixo na cruz do Senhor: lá está o nosso programa de vida. É um convite também a sair de todo o isolamento, a superar a tentação da autorreferência, que impede de individuar aquilo que o Espírito Santo realiza fora do nosso próprio espaço. Poderá realizar-se uma autêntica reconciliação entre os cristãos, quando soubermos reconhecer os dons uns dos outros e formos capazes, com humildade e docilidade, de aprender uns dos outros, sem esperar que primeiro sejam os outros a aprender de nós.

Se vivermos este morrer para nós mesmos por amor de Jesus, o nosso estilo velho de vida é relegado para o passado e, como aconteceu a São Paulo, entramos numa nova forma de existência e comunhão. Com Paulo, poderemos dizer: «O que era antigo passou» (2 Cor 5, 17). Olhar para trás é útil e muito necessário para purificar a memória, mas fixar-se no passado, delongando-se a lembrar as injustiças sofridas e cometidas e julgando com parâmetros apenas humanos, pode paralisar e impedir de viver o presente. A Palavra de Deus encoraja-nos a tirar força da memória, a recordar o bem recebido do Senhor; mas pede-nos também que deixemos o passado para trás a fim de seguir Jesus no presente e, n’Ele, viver uma vida nova. Àquele que renova todas as coisas (cf. Ap 21, 5), consintamos-Lhe de nos orientar para um futuro novo, aberto à esperança que não desilude, um futuro onde será possível superar as divisões e os crentes, renovados no amor, encontrar-se-ão plena e visivelmente unidos.

Enquanto avançamos pelo caminho da unidade, recordamos este ano de modo particular o quinto centenário da Reforma Protestante. O facto de católicos e luteranos poderem hoje recordar, juntos, um evento que dividiu os cristãos e de o fazerem com a esperança posta sobretudo em Jesus e na sua obra de reconciliação, constitui um marco significativo, alcançado – graças a Deus e à oração – através de cinquenta anos de mútuo conhecimento e de diálogo ecumênico.

Implorando de Deus o dom da reconciliação com Ele e entre nós, dirijo as minhas cordiais e fraternas saudações à Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado Ecumênico, a Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e a todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais aqui reunidos. Saúdo com particular alegria os membros da Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, a quem desejo um fecundo trabalho na Sessão Plenária que se desenrola nestes dias. Saúdo também os alunos do Instituto Ecumênico de Bossey, que visitam Roma para aprofundar o seu conhecimento da Igreja Católica, e os jovens ortodoxos e todos os ortodoxos orientais que estudam em Roma, graças às bolsas de estudo do Comitê de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas, sediado no Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Aos Superiores e a todos os Colaboradores deste Dicastério, exprimo a minha estima e gratidão.

Amados irmãos e irmãs, a nossa oração pela unidade dos cristãos é participação na oração que Jesus dirigiu ao Pai, antes da Paixão, “para que todos sejam um só” (Jo 17, 21). Nunca nos cansemos de pedir a Deus este dom. Na expectativa paciente e confiada de que o Pai conceda a todos os crentes o bem da plena comunhão visível, prossigamos o nosso caminho de reconciliação e diálogo, encorajados pelo testemunho heroico de tantos irmãos e irmãs, de ontem e de hoje, unidos no sofrimento pelo nome de Jesus. Aproveitemos todas as oportunidades que a Providência nos oferece para rezar juntos, anunciar juntos, amar e servir juntos sobretudo quem é mais pobre e negligenciado.


Papa: "Confiar em Deus; Ele sabe o que é melhor para nós"

Cidade do Vaticano (RV) – Cerca de 7 mil pessoas participaram do Auiência Geral semanal com o Papa nesta quarta-feira (25/01/2017) na Sala Paulo VI.

Após saudar os participantes, Francisco iníciou a audiência com uma catequese sobre Judite, a grande heroína de Israel que encorajou os chefes e o povo de Betúlia a esperarem incondicionalmente no Senhor e assim fazendo, libertou a cidade da morte.

Íntegra da Catequese:

Entre as figuras de mulheres que o Antigo Testamento nos apresenta, ressalta aquela de uma grande heroína do povo: Judite. O Livro bíblico que leva o seu nome narra a imponente campanha militar do rei Nabucodonosor, que, reinando em Nínive, alarga as fronteiras do império derrotando e escravizando todos os povos ao redor. O leitor entende encontrar-se diante de um grande invencível inimigo que está semeando morte e destruição e que chega à Terra Prometida, colocando em perigo a vida dos filhos de Israel.

O exército de Nabucodonosor, de fato, sob guia do general Holofernes, estabelece cerco a uma cidade da Judeia, Betulia, cortando o abastecimento de água e minando, assim, a resistência da população.

A situação se faz dramática, ao ponto que os habitantes da cidade se dirigem aos idosos pedindo para se renderem aos inimigos. Suas palavras são desesperadas: “Não há mais ninguém que possa nos ajudar, porque Deus nos vendeu em suas mãos para sermos abatidos diante deles pela sede e por terríveis males. Chegaram a dizer isso: “Deus nos vendeu”; o desespero era grande naquele povo. Agora o chameis e entregueis toda a cidade ao povo de Holofernes e a todo o exército para que a saqueiem” (Jud 7, 25-26). O fim parece agora inevitável, a capacidade de se confiar a Deus se exauriu. A capacidade de se confiar a Deus se exauriu. E quantas vezes nós chegamos a situações de limite onde não sentimos nem mesmo a capacidade de ter confiança no Senhor. É uma tentação ruim! E, paradoxalmente, parece que, para escapar da morte, não resta nada a não ser entregar-se nas mãos de quem mata. Eles sabem que estes soldados entrarão para saquear a cidade, tomar as mulheres como escravas e depois matar todos os outros. Esse é justamente “o limite”.

E diante de tanto desespero, o chefe do povo tenta propor um ponto de esperança: resistir ainda cinco dias, esperando a intervenção salvífica de Deus. Mas é uma esperança frágil, que o faz concluir: “E se passarem esses dias e não chegar ajuda, farei como vocês disseram” (7, 31). Pobre homem: estava sem saída. Cinco dias são concedidos a Deus – e aqui está o pecado – cinco dias são concedidos a Deus para intervir; cinco dias de espera, mas já na perspectiva do fim. Concedem cinco dias a Deus para salvá-los, mas sabem que não têm confiança, esperam o pior. Na realidade, ninguém mais, entre o povo, é ainda capaz de esperar. Estavam desesperados.

É em tal situação que aparece na cena Judite. Viúva, mulher de grande beleza e sabedoria, ela fala ao povo com a linguagem da fé. Corajosa, repreende o povo (dizendo): “Vós quereis colocar à prova o Senhor onipotente, […]. Não, irmãos, não provoqueis a ira do Senhor, nosso Deus. Se não vai nos ajudar nesses cinco dias, Ele tem pleno poder de nos defender nos dias que quer ou também de nos fazer destruir pelos nossos inimigos. […] Por isso esperemos confiantes a salvação que vem Dele, supliquemos que venha em nosso auxílio e escutará o nosso grito, se a ele agradar” (8, 13. 14-15. 17). É a linguagem da esperança. Batamos à porta do coração de Deus, Ele é Pai, ele pode nos salvar. Esta mulher, viúva, arrisca até mesmo fazer um papelão diante dos outros! Mas é corajosa! Vai adiante! Esta é uma opinião minha: as mulheres são mais corajosas que os homens (aplausos na sala).

E com a força de um profeta, Judite chama os homens do seu povo para reconduzi-los à confiança em Deus; com o olhar de um profeta, ela vê além do estreito horizonte proposto pelos chefes e que o medo torna ainda mais limitado. Deus agirá certamente – ela afirma – enquanto a proposta dos cinco dias de espera é um modo para tentá-lo e para escapar da sua vontade. O Senhor é Deus de salvação – e ela acredita nisso – seja ela qual for. É salvação libertar dos inimigos e fazer viver, mas, em seus planos impenetráveis, pode ser salvação também entregar à morte. Mulher de fé, ela o sabe. Depois conhecemos o fim, como terminou a história: Deus salva.

Queridos irmãos e irmãs, nunca coloquemos condições a Deus e deixemos, em vez disso, que a esperança vença os nossos medos. Confiar em Deus quer dizer entrar nos seus desígnios sem nada pretender, também aceitando que a sua salvação e a sua ajuda nos alcançam de modo diferente das nossas expectativas. Nós pedimos ao Senhor vida, saúde, afetos, felicidade; e é justo fazê-lo, mas na consciência de que Deus sabe tirar vida também da morte, que se pode experimentar a paz também na doença e que se pode ser sereno também na solidão e feliz no pranto. Não somos nós que podemos ensinar a Deus aquilo que deve fazer, aquilo de que precisamos. Ele o sabe melhor que nós e devemos confiar, porque os seus caminhos e os seus pensamentos são diferentes dos nossos.

O caminho que Judite nos indica é aquele da confiança, da espera na paz, da oração e da obediência. É o caminho da esperança. Sem nenhuma renúncia fácil, fazendo tudo quanto está nas nossas possibilidades, mas sempre permanecendo na sequência da vontade do Senhor, porque – sabemos disso – rezou tanto, falou tanto ao povo e, depois, corajosa, se foi, procurou o modo de se aproximar do chefe do exército e conseguiu cortar a cabeça, degolá-lo. É corajosa na fé e nas obras. E procura sempre o Senhor! Judite, de fato, tem o seu plano, o faz com sucesso e leva o povo à vitória, mas sempre na atitude de fé e de quem tudo aceita das mãos de Deus, segura de sua vontade.
Assim, uma mulher cheia de fé e de coragem restaura força ao seu povo em perigo mortal e o conduz nos caminhos da esperança, indicando-o também a nós. E nós, se fizermos um pouco de memória, quantas vezes ouvimos palavras sábias, corajosas, de pessoas humildes, de mulheres humildes que alguém pensa que – sem desprezá-las – são ignorantes… Mas são palavras de sabedoria de Deus! As palavras das avós… Quantas vezes as avós sabem dizer a palavra certa, a palavra de esperança, porque têm a experiência da vida, sofreram tanto, confiaram em Deus e o Senhor faz esse presente de nos dar o conselho de esperança. E, seguindo por aqueles caminhos, será alegria e luz pascoal confiar-se ao Senhor com as palavras de Jesus: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Todavia, não seja feita a minha, mas a tua vontade” (Lc 22, 42). E esta é a oração da sabedoria, da confiança e da esperança.



Papa enfatiza disposição para fazer vontade de Deus

O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta nesta terça-feira 24.jan.2017, e centralizou a sua homilia na Carta aos Hebreus proposta pela liturgia do dia.

O Papa explicou que quando Cristo vem ao mundo, diz: “Eu vim para fazer a tua vontade” e que esta afirmação desfecha uma história de “eis-me” concatenados. A história da salvação é uma história de “eis-me”, disse o Papa.

Depois de Adão, que se esconde porque tinha medo do Senhor, Deus começa a chamar e a ouvir a resposta daqueles homens e mulheres que dizem: “Eis-me, estou disposto, estou disposta”. Do eis-me de Abraão, Moisés, Elias, Isaías, Jeremias, até chegar ao grande “eis-me” de Maria e ao último, de Jesus, reflete Francisco. Ele explicou ainda que histórias assim não são automáticas porque o Senhor dialoga com aqueles que convida.

“O Senhor dialoga sempre com aqueles que convida a percorrer esta estrada e a dizer o eis-me. Há muita paciência, muita paciência. Quando lemos o Livro de Jó, todos esses raciocínios de Jó, que não entende, e as respostas, e o Senhor que fala, o corrige … e no final, qual é o eis-me de Jó? ‘Ah, Senhor, Tu tens razão: eu te conhecia somente por ouvir falar; agora os meus olhos te viram’. O eis-me quando existe a vontade, eh? A vida cristã é isto: um eis-me, um eis-me contínuo para fazer a vontade do Senhor. E um atrás do outro…. É belo ler a Escritura, a Bíblia, buscando as respostas das pessoas ao Senhor, como respondiam, e encontrar estas respostas é tão bonito. ‘Eis-me, eu vim para fazer a Tua vontade'”.

Reflexão pessoal

A liturgia de hoje nos exorta a refletir como vai o meu “eis-me”ao Senhor, exortou Francisco.

“Eu me escondo, como Adão, para não responder? Ou quando o Senhor me chama, ao invés de dizer ‘eis-me’ ou ‘o que quer de mim?’, fujo, como Jonas, que não queria fazer o que o Senhor lhe pedia? Ou faço de conta de fazer a vontade do Senhor, mas somente externamente, como os doutores da lei aos quais Jesus condena duramente? Faziam de conta: ‘Tudo bem, … nada de perguntas: eu faço isso e nada mais’. Ou olho para o outro lado, como fizeram o levita e o sacerdote diante daquele pobre homem ferido, agredido pelos brigantes, abandonado meio morto? Como é a minha resposta ao Senhor?”.

Discutir com Deus

Para concluir o Papa disse que o Senhor nos chama todos os dias e nos convida a dizer o nosso “eis-me”, mas que podemos “discutir” com Ele.

“Ele gosta de discutir conosco. Alguém me diz: ‘Mas, Padre, quando rezo, muitas vezes fico bravo com o Senhor…’: mas também isso é oração! Ele gosta quando você fica bravo e diz claramente aquilo que sente, porque é Pai! Mas isso é também um eis-me …. Ou me escondo? Ou fujo? Ou faço de conta? Ou olho para o outro lado? Cada um de nós pode responder: como é o meu eis-me ao Senhor, para fazer a Sua vontade na minha vida. Como é. Que o Espírito Santo nos dê a graça de encontrar a resposta”.


Papa: dinheiro da máfia é dinheiro ensanguentado

Cidade do Vaticano, 23.janeiro.2017 (RV) – Corrupção e violência: estes foram os temas do discurso do Papa Francisco aos membros da Direção Nacional italiana contra a Máfia e o Terrorismo.
Organizações como a camorra e ‘ndrangheta, disse o Papa, exploram carências econômicas, sociais e políticas para realizar seus “projetos deploráveis”, “manchados de sangue humano”. Além da máfia, também é competência da Direção o combate ao terrorismo, que está assumindo sempre mais um “aspecto cosmopolita e devastador”.

Francisco ampliou seu olhar para além da realidade local, para dizer que “a sociedade necessita ser curada da corrupção, das extorsões, do tráfico ilícito de entorpecentes e de armas e do tráfico de seres humanos, entre os quais muitas crianças reduzidas em regime de escravidão. São autênticas chagas sociais e, ao mesmo tempo, desafios globais que a coletividade internacional é chamada a enfrentar com determinação”.

O Pontífice pediu um esforço especial para combater o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes: “Estes são crimes gravíssimos que atingem os mais fracos entre os fracos!”. Francisco solicitou o incremento das atividades de proteção das vítimas, prevendo assistência legal e social. “Quem foge de seu país por causa de guerra, violência e perseguição tem o direito de encontrar um acolhimento adequado e proteção idônea nos países que se definem civis.”

Falando da máfia, o Papa a considera uma “expressão de uma cultura de morte”, que deve ser hostilizada e combatida sobretudo através da prevenção. Neste contexto, famílias, escolas, comunidades cristãs e realidades esportivas e culturais são chamadas a favorecer uma consciência de moralidade e de legalidade. “Trata-se de partir das consciências para recuperar os propósitos, as escolhas, as atitudes dos cidadãos de modo que o tecido social se abra à esperança de um mundo melhor.”

A máfia – prosseguiu – “se opõe radicalmente à fé e ao Evangelho, que são sempre a favor da vida”. Francisco enalteceu o trabalho de inúmeras paróquias e associações católicas que combatem o fenômeno mafioso através da promoção individual, cultural e social – um modo de a Igreja manifestar a sua proximidade a quem vive situações dramáticas e necessitam de ajuda para sair da espiral de violência.

Por fim, o Papa encorajou quem se esforça para combater a máfia e o terrorismo – um trabalho que comporta arriscar a própria vida e que requer um suplemento de “paixão, de sentido de dever e força de ânimo” – e pediu a Deus que toque o coração dos mafiosos, “para que parem de fazer o mal, se convertam e mudem de vida”. “O dinheiro dos negócios sujos e dos delitos mafiosos é dinheiro ensanguentado e produz um poder iníquo. Todos sabemos que o diabo entra a partir do bolso: esta é a primeira corrupção”.



Papa: jamais fechar o coração ao perdão do Senhor

O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a Missa na capela da Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 23.jan.2017. A homilia do Pontífice foi dedicada ao sacerdócio de Cristo, inspirando-se na Carta aos Hebreus proposta na Primeira Leitura.

Jesus é o sumo sacerdote. E o sacerdócio de Cristo é a grande maravilha, a maior maravilha que faz cantar um canto novo ao Senhor, como diz o Salmo responsorial. O sacerdócio de Cristo se realiza em três momentos, explicou o Papa. O primeiro é a Redenção: enquanto os sacerdotes na Antiga Aliança tinham que oferecer sacrifícios todos os dias, Cristo ofereceu a si mesmo, uma vez por todas, pelo perdão dos pecados. Com esta maravilha, Cristo levou ao Pai, recriou a harmonia da criação, destacou Francisco.

A segunda maravilha é a que o Senhor faz agora, isto é, rezar pela humanidade. “Enquanto nós rezamos aqui, Ele reza por nós, por cada um de nós”, ressaltou o Papa. “Agora, vivo, diante do Pai, intercede para que não falte a fé. Quantas vezes, de fato, se pede aos sacerdotes que rezem porque sabemos que a oração do sacerdote tem uma certa força, justamente no sacrifício da Missa”.

A terceira maravilha será quando Cristo voltar, mas esta terceira vez não será em relação ao pecado, será para “fazer o Reino definitivo”, quando levará a todos com o Pai. “Há esta grande maravilha, este sacerdócio de Jesus em três etapas – quando perdoa os pecados uma vez por todas; quando intercede agora por nós; e quando Ele voltar – mas tem também o contrário, ‘a blasfêmia imperdoável’. É duro ouvir Jesus dizer essas coisas, mas Ele falou disso e, se o diz, é porque é verdade. ‘Em verdade, Eu digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens – e nós sabemos que o Senhor perdoa tudo se abrirmos um pouco o coração. Tudo! – os pecados e também todas as blasfêmias serão perdoadas! – mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado eternamente’”.

Para explicar isso, o Papa fez referência à grande unção sacerdotal de Jesus: foi o que fez o Espírito Santo no seio de Maria, afirmou, e também os sacerdotes na cerimônia de ordenação são ungidos com o óleo.

“Também Jesus como Sumo Sacerdote recebeu esta unção. E qual foi a primeira unção? A carne de Maria com a obra do Espírito Santo. E quem blasfema contra isto, blasfema o fundamento do amor de Deus, que é a redenção, a re-criação; blasfema contra o sacerdócio de Cristo. ‘Mas como é ruim o Senhor, não perdoa?’ – ‘Não! O Senhor perdoa tudo! Mas quem diz essas coisas está fechado ao perdão. Não quer ser perdoado! Não se deixa perdoar!’. Este é o aspecto negativo da blasfêmia contra o Espírito Santo: não se deixar perdoar, porque renega a unção sacerdotal de Jesus, que fez o Espírito Santo”.

Concluindo, o Papa retomou as grandes maravilhas do sacerdócio de Cristo e também a “blasfêmia imperdoável”, não porque o Senhor não queira perdoar tudo, mas porque esta pessoa está tão fechada que não se deixa perdoar: a blasfêmia contra esta maravilha de Jesus.

“Hoje nos fará bem, durante a Missa, pensar que aqui sobre o altar se faz a memória viva, porque Ele estará presente ali, do primeiro sacerdócio de Jesus, quando oferece a sua vida por nós; há também a memória viva do segundo sacerdócio, porque Ele rezará aqui; mas também, nesta Missa – o diremos depois do Pai-Nosso – há aquele terceiro sacerdócio de Jesus, quando Ele voltará e a nossa esperança da glória. Nesta Missa, pensemos nessas belas coisas. E peçamos a graça ao Senhor de que o nosso coração jamais se feche – jamais se feche! – a esta maravilha, a esta grande gratuidade”.


Os Tweets de Francisco



28/01/2017
O Reino de Deus já está entre nós como uma semente escondida. Quem tem os olhos puros consegue vê-la germinar.
27/01/2017
Hoje eu desejo fazer memória no coração de todas as vítimas do Holocausto. Seu sofrimento, suas lágrimas, nunca sejam esquecidos.
26/01/2017
A esperança faz germinar a vida nova como a planta cresce a partir da semente caída na terra.
25/01/2017
Amo repetir que a unidade dos cristãos se faz caminhando juntos, com o encontro, a oração e o anúncio do Evangelho.
24/01/2017
Ofereçamos aos homens e mulheres do nosso tempo narrativas marcadas pela lógica da "boa notícia". https://t.co/Q2eBaDjA8S
23/01/2017
"Não temas, porque eu estou contigo" – Comunicar esperança e confiança no nosso tempo!
22/01/2017
A unidade de amor se realiza quando proclamamos juntos as maravilhas que Deus realizou por nós.
21/01/2017
Com São Domingos "vamos em frente com alegria, pensando em nosso Salvador." # OP800


Papa a El País: há tanta santidade na Igreja, é a revolução do Evangelho

Cidade do Vaticano (RV) - O jornal espanhol El País publicou neste domingo, 22.jan.2017 uma longa entrevista com o Papa Francisco, concedida ao jornalista Pablo Ordaz em 20 de janeiro. Muitos os assuntos abordados: desde questões pessoais à situação no mundo e na Igreja.

A Igreja esteja perto do povo

Uma entrevista que toca muitos assuntos. Em sua primeira resposta, Francisco afirma que não mudou desde quando se tornou Papa: “Mudar aos 76 anos é como colocar a maquiagem”. Claro, ele não pode fazer tudo aquilo que quer, mas ele manteve o que chama de alma "callejera", isto é do padre de rua que deseja estar com as pessoas. O que ele teme pela Igreja é precisamente a distância das pessoas, o clericalismo que é “o pior mal que pode ter hoje a Igreja”: um pastor anestesiado defende-se da realidade concreta do mundo e se torna um funcionário. “Uma Igreja que não está perto não é Igreja. É uma boa ONG ou uma boa e piedosa organização de pessoas que fazem caridade, se reúnem para tomar chá e fazer beneficência... porém o que identifica a Igreja é a proximidade: sermos irmãos próximos”. “A proximidade é tocar, tocar no próximo a carne de Cristo”. Como diz o capítulo 25 do Evangelho de Mateus: “tive fome e me destes de comer ...”.

A revolução é feita pelos santos

Critica o fato que se fale “com facilidade da corrupção da Cúria Romana”. “Há pessoas corruptas” - sublinha -, mas também há muitos santos, pessoas “que passaram uma vida inteira ao serviço do povo de forma anônima”. “Os verdadeiros protagonistas da história da Igreja são os santos” são aqueles que “queimaram a sua vida para que o Evangelho fosse concreto. E estes são aqueles que nos salvaram: os santos”. Esta é a verdadeira revolução, a dos santos. E os santos também são os pais, as mães e os avós que trabalham todos os dias com dignidade e com as suas vidas levam avante a Igreja. Francisco a define “a classe média da santidade” e “a santidade dessas pessoas é enorme”.

Sim às críticas abertas e fraternas

A uma pergunta sobre as reações dos setores tradicionalistas que vêem qualquer mudança como uma traição da doutrina, o Papa responde: “Não estou fazendo nenhuma revolução. Eu só estou tentando fazer com que o Evangelho vá avante”. “Mas a novidade do Evangelho cria temor porque é essencialmente escandalosa”. Afirma porém que não se sente “incompreendido”, mas “acompanhado de todos os tipos de pessoas, jovens, idosos...”. “Se alguém não está de acordo” - é o seu convite – “porém que dialoguem, que não atirem a pedra e escondam a mão”. Isto “não é humano, é delinquência. Todo mundo tem o direito de discutir, mas uma “discussão fraterna”, não com a calúnia.

A teologia da libertação

Sobre a teologia da libertação sublinha que “foi uma coisa positiva na América Latina. Foi condenada pelo Vaticano a parte que optou pela análise marxista da realidade”. O Cardeal Ratzinger escreveu duas instruções, uma “muito clara sobre a análise marxista” e a outra olhando para os aspectos positivos. “A teologia da libertação teve aspectos positivos e desvios”.

Uma economia que mata

Francisco reitera que “estamos vivendo na Terceira Guerra Mundial em pedaços”. “E ultimamente fala-se de uma possível guerra nuclear, como se fosse um jogo de cartas”. O que o preocupa são as desigualdades económicas: “que um pequeno grupo da humanidade detém 80% da riqueza”. Isso significa que “no centro do sistema econômico está o deus dinheiro e não o homem e a mulher”. Estamos em uma “economia que mata” e que cria “essa cultura do descarte”.

Não julgar antecipadamente Trump

Sobre a presidência de Trump afirma: “Vamos ver o que acontece. Eu não gosto de antecipar os fatos ou julgar as pessoas antecipadamente(...) Vamos ver o que fará e avaliaremos: Sempre o concreto. O cristianismo ou é concreto ou não é cristianismo....”

Nas crises buscamos um salvador: eis o populismo

Francisco fala com preocupação do populismo referindo-se mais ao europeu do que ao da América Latina. Ele cita o exemplo do nazismo na Alemanha: um país destruído que “procura a sua identidade” e procura um líder que a restitua. Encontra-o em Hitler que “foi eleito pelo seu povo e que depois o destruiu. Este é o perigo. Em tempos de crise não funciona o discernimento ... Procuramos um salvador que nos restitua a identidade e nos defendemos com muros, arames farpados, com qualquer coisa, de outros povos que possam tirar a nossa identidade. E isso é muito grave. Por isso eu repito sempre: dialoguem entre vocês”.

Salvar, acolher e integrar os migrantes

O Papa retorna sobre o drama dos refugiados: “Que o Mediterrâneo seja um cemitério, deve fazer-nos pensar”. Ele presta homenagem à Itália, que apesar de todos os problemas do terremoto continua a acolher os migrantes. São homens, mulheres e crianças que fogem da fome e da guerra. Primeiro de tudo - afirma – é preciso salvá-los, em seguida, “acolhê-los e integrá-los”. Cada país - sublinha -  “tem o direito de controlar o seus confins, porém, “nenhum país tem o direito de privar os seus cidadãos do diálogo com os vizinhos”. Recorda o compromisso da Igreja, muitas vezes silenciosa, na acolhida dos imigrantes.

Construir pontes não muros

A diplomacia do Vaticano - explica - constrói pontes, não muros, é mediadora não intermediária, no sentido que as suas ações para promover a paz e a justiça não são para seus interesses próprios, mas em prol do benefício dos povos.

O papel das mulheres

Recorda ainda Francisco o drama da escravidão das mulheres, exploradas sexualmente. E, em seguida, fala sobre o papel da mulher, que deve ser valorizado na Igreja. “A Igreja - repito - é feminina”: não se trata de uma “reivindicação funcional”, pois se correria o risco de criar um “machismo de saia”. Trata-se, em vez, de fazer muito mais para que as mulheres “possam dar à Igreja a originalidade do seu ser e do seu pensamento”.

Bento XVI tem uma grande memória

Respondendo a uma pergunta sobre a saúde de Bento XVI diz que “o problema são as pernas”. Caminha com ajuda. Mas ele tem uma “memória de elefante, até mesmo nos detalhes”.

Não vejo TV desde 1990

O Papa confessa que não assiste TV há mais de 25 anos: “Simplesmente - disse - porque em um certo momento senti que Deus me pediu isso. Fiz essa promessa no dia 16 de julho de 1990, e não sinto falta”.

Cardeais dos cinco continentes

Respondendo à pergunta sobre os Consistórios nos quais criou cardeais dos cinco continentes e como gostaria que fosse o Conclave que elegeria o seu sucessor, disse que gostaria de um conclave católico.

À pergunta se ele iria vê-lo disse: “Deus é quem sabe. Quando sentir que não consigo mais, o grande mestre Bento já me ensinou como tenho que fazer”.

Deus não me tirou o bom humor

O jornalista conclui dizendo vê-lo feliz de ser Papa. Francisco respondeu: “O Senhor é bom e não me tirou o bom humor”.


O Senhor se revela a nós na quotidianidade - Papa no Angelus

Domingo, 22 de Janeiro de 2017. Na sua reflexão antes da oração do ângelus da janela do Palácio Apostólico, o Papa Francisco falou da passagem do Evangelho que narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Jesus deixa a aldeia montanhosa de Nazaré e estabelece-se em Cafarnaum, importante centro urbano nas margens do Lago, habitado essencialmente por pagãos e ponto de encruzamento entre o Mediterrâneo e a Mesopotâmia. A “Galileia das gentes” como era chamada.

Vista de Jerusalém a Galileia era considerada uma periferia, religiosamente impura. Dela não se esperavam grandes coisas para a história da salvação. Mas paradoxalmente, precisamente dali, da periferia, veio a luz de Cristo.

O Papa continuou dizendo que a mensagem de Jesus anuncia o Reino de Deus que não comporta a instauração de um novo poder político, mas a concretização da aliança entre Deus e o seu povo que dará inicio a uma estação de paz e justiça. Uma aliança que requer a conversão de cada um transformando o próprio modo de pensar e de viver -  a transformação do pensamento e dos costumes - insistiu Francisco, dizendo que a diferença entre Jesus e o profeta João Baptista  - que nos foi apresentado nos domingos anteriores - está no estilo e o no método.

“Jesus opta por ser profeta itinerante. Não fica à espera das pessoas, mas vai ao seu encontro. As suas primeiras saídas missionárias  dão-se  ao longo das margens do lago da Galileia, em contacto com a multidão, de modo particular os pescadores” .

Ali Jesus proclama a vinda do Reino de Deus e procura companheiros para a sua missão de salvação. Ali encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João. Convida-os a segui-lo, pois que “os fará pescadores de homens”

A chamada – sublinhou Francisco chega enquanto estão em plena actividade quotidiana, porque “o Senhor se revela a nós não de forma extraordinária ou estrondosa, mas na quotidianidade da nossa vida”.

É ali que devemos encontrar o Senhor, dialogar com Ele na nossa quotidianidade e mudar a nossa vida – acrescentou,  fazendo notar que a resposta dos quatro pescadores foi imediata e sem hesitação: abandonaram as redes e seguiram Jesus. 

Assim, nas margens do lago, numa terra impensável, nasceu a primeira comunidade de discípulos de Cristo. E nós cristãos, temos  hoje a alegria de proclamar e dar testemunho da nossa fé, graças àquele primeiro anúncio e àqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente  à chamada de Jesus – disse o Papa, com este desejo:

“A consciência destes inícios suscite em nós o desejo de levar a palavra, o amor, a ternura de Jesus a todos os contextos, mesmo nas mais impérvias e refractárias. Levar a palavra a todas as periferias. Todos os espaços da vida humana são terrenos onde deitar a semente do Evangelho, a fim de que dê frutos de salvação”.

E terminou pedindo a Nossa Senhora que nos ajude, com a sua materna intercepção, a responder, com alegria, à chamada de Jesus a pormo-nos ao serviço do Reino de Deus.

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Depois da oração das Ave Marias, o Papa recordou que estamos a viver a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que este ano tem por tema um breve extracto da Carta de São Paulo aos Coríntios: “O amor de Cristo nos leva à reconciliação”.  Francisco anunciou que quarta-feira próxima, em conclusão da Semana de Oração, haverá uma celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo Fora de Muros em Roma, com a participarão de todos os irmãos e irmãs das outras Igrejas e comunidades cristãs presentes em Roma. E convidou a rezar para que se concretize o desejo de Cristo “Que todos sejam um”.

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O Papa exprimiu mais uma vez a sua proximidade em relação às populações da Itália central, afectadas nos dias passados por mais um terramoto e por fortes caídas de neve, o que as submeteu mais uma vez a uma dura provação.

“Estou próximo com a oração e com o afecto às famílias que tiveram vítimas entre os seus entes queridos. Encorajo aqueles que estão empenhados, com grande generosidade, nas obras de socorro e de assistência, assim como as igrejas locais que fazem de tudo para aliviar os sofrimentos e as dificuldades. Muito obrigada por esta proximidade e pelo vosso trabalho” .

E Francisco convidou a rezar uma Ave Maria pelas vítimas e pelos socorristas. 

O Papa recordou também que no Extremo Oriente, milhões de homens e mulheres se preparam para festejar no próximo dia 28 deste mês, a festa do fim do Ano Lunar. Enviou saudações e votos de que a alegria do amor possa difundir-se no seio de cada família e dali a toda a sociedade, esperando que haja respeito uns pelos outros, comunicação e o cuidar-se uns dos outros desinteressadamente.

Francisco concluiu o sua alocução dominical, saudando todos os fieis e peregrino reunidos na Praça de São Pedro para ouvir as suas palavras, referindo-se de modo particular a um grupo de meninas do Panamá [onde se vai realizar a próxima JMJ] e à União Católica de Professores, Dirigentes, Educadores e Formadores que estão a realizar o seus 25º Congresso, desejando que façam sempre um bom trabalho, sempre em colaboração com as famílias.

No final, despediu-se pedindo orações para ele.


Papa Francisco, em seu Twitter, diariamente dando o tom para nossa jornada



20/01/2017
A unidade dos cristãos não é fruto de nossos esforços humanos, mas é um dom que vem do alto.
19/01/2017
Invocamos a unidade dos cristãos, porque invocamos Cristo. Queremos viver a unidade, porque queremos seguir Cristo, e viver o seu amor.
18/01/2017
Do íntimo da nossa fé em Jesus Cristo brote a exigência de estar unidos a Ele.
17/01/2017
A paz é uma «virtude ativa», que requer o empenho e a cooperação de cada indivíduo e do corpo social no seu todo.



Papa: cristãos devem superar mentalidade egoísta

Cidade do Vaticano (RV) – Vencer a mentalidade egoísta dos doutores da lei, que condena sempre. Esta é a advertência de Francisco na Missa matutina na Casa Santa Marta (20/01/2017).

Inspirando-se na Primeira Leitura, extraída da Carta aos Hebreus, o Papa destacou que a nova aliança que Deus faz conosco em Jesus Cristo nos renova o coração e nos muda a mentalidade.

Deus renova tudo “na raiz, não somente na aparência”, disse o Papa, afirmando que esta nova aliança tem as suas características. A primeira: “a lei do Senhor não é um modo de agir externo”, entra no coração e “nos muda a mentalidade”. Na nova aliança, afirmou, “há uma mudança de mentalidade, há uma mudança de coração, uma mudança no sentir, no modo de agir”, “um modo diferente de ver as coisas”.

Superar e mentalidade egoísta

Francisco cita como exemplo uma obra à qual um arquiteto pode olhar com frieza, com inveja ou, pelo contrário, com uma atitude de alegria e “benevolência”:

“A nova aliança nos muda o coração e nos faz ver a lei do Senhor com este novo coração, com esta nova mente. Pensemos nos doutores da lei que perseguiam Jesus. Eles faziam tudo, tudo o que estava prescrito pela lei, tinham o direito em mãos, tudo, tudo, tudo. Mas sua mentalidade era uma mentalidade distante de Deus. Era uma mentalidade egoísta, centrada sobre si mesmos: o coração deles era um coração que condenava, sempre condenando. A nova aliança nos muda o coração e nos muda a mente. Há uma mudança de mentalidade”.

Deus perdoa os nossos pecados; a nova aliança muda a nossa vida

O Senhor, acrescentou o Papa, vai avante e nos garante que perdoará as iniquidades e não se recordará mais dos nossos pecados. Às vezes, comentou, “gosto de pensar, brincando um pouco com Deus: “O Senhor não tem boa memória”... É a fraqueza de Deus, explicou, que, quando perdoa, esquece:

“Ele esquece porque perdoa. Diante de um coração arrependido, ele perdoa e esquece: ‘Eu esquecerei e não lembrarei dos seus pecados’. Este também é um convite a não levar o Senhor a lembrar dos pecados, ou seja, não pecar mais. O Senhor me perdoou, esqueceu, mas eu tenho uma dívida com o Senhor... mudança de vida. A Nova Aliança me renova e me faz mudar de vida; não mudar apenas a mentalidade e o coração, mas a vida. Logo, viver sem pecado, distante do pecado. Eis a verdadeira recriação do Senhor”.

Enfim,  o Papa voltou a atenção ao terceiro ponto, a “mudança de pertença”. “Nós pertencemos a Deus, os outros deuses não existem”, “são bobeiras”. 

O Senhor muda o nosso coração para mudar a nossa mentalidade

“Mudança de mentalidade, mudança de coração, mudança de vida e mudança de pertença”. “Esta é a recriação que o Senhor faz melhor que a primeira criação”. “Peçamos ao Senhor para ir adiante nesta aliança de ser fiéis”, disse o Papa acrescentando:

“O sigilo desta aliança, desta fidelidade. Ser fiel a este trabalho que o Senhor faz para mudar a nossa mentalidade, mudar o nosso coração. Os profetas diziam: ‘O Senhor transformará o seu coração de pedra em coração de carne’. Mudar o coração, mudar a vida, não pecar mais ou não fazer o Senhor se lembrar do que já tinha se esquecido em relação aos nossos pecados de hoje e mudar de pertença: nunca pertencer à mundanidade, ao espírito do mundo, às coisas efêmeras do mundo, mas somente ao Senhor”.


Papa agradece e aprecia mostra sobre história dos Jubileus

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu na Sala do Consistório, no Vaticano, nesta quinta-feira (19/01/2017), cerca de sessenta organizadores da mostra ‘Antiquorum Habet’ sobre a história dos Jubileus.

Depois de saudar o Presidente do Senado italiano, Pietro Grasso, o Papa manifestou apreço pela mostra sobre a história dos Jubileus, realizada no Senado da República, no ano passado. Este evento “documentou vários aspectos dos Anos Santos, a partir do primeiro, convocado pelo Papa Bonifácio VIII com a Bula Antiquorum habet”.

“Do ano 1300 em diante, todo Jubileu marcou a história de Roma: da arquitetura ao acolhimento dos peregrinos; da arte às atividades assistenciais e caritativas. Porém, há um elemento essencial, o coração de todo Ano Santo que não deve ser perdido de vista: no Jubileu se encontram a bondade de Deus e a fragilidade do homem, que sempre precisa do amor e do perdão do Pai. É próprio de Deus usar misericórdia e nisso se manifesta a sua onipotência.”

“Em seu discurso, o senhor citou o acolhimento como ponto central de todo Jubileu. Este é o grande acolhimento: Quando Deus nos acolhe, sem perguntar muitas coisas, nos perdoa, nos abraça, nos beija e nos diz carinhosamente: meu filho, minha filha”, disse o Papa ao Presidente Grasso.

Francisco agradeceu os organizadores, voluntários e o Senado que hospedou a mostra em prol da conscientização histórica e cultural dos visitantes. Pediu a cada um para continuar extraindo da experiência jubilar frutos espirituais abundantes e duradouros.


Francisco: cristãos já estão unidos no serviço aos necessitados

Cidade do Vaticano, 19.JAN.2017 (RV) – Por ocasião da festa de Santo Henrique, o Papa recebeu no Vaticano uma delegação ecumênica da Finlândia.

Ao agradecer esta tradicional visita, que coincide com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Pontífice renovou seus votos em prol do ecumenismo.

“De fato, afirmou, o verdadeiro ecumenismo se baseia na conversão comum a Jesus Cristo. Se nos aproximamos Dele juntos, também nos aproximaremos uns dos outros.”

Neste caminho ecumênico, Francisco ressaltou um etapa significativa nos campos humano, teológico e espiritual realizada recentemente: sua visita a Lund, na Suécia, em 31 de outubro de 2016, para comemorar o início da Reforma. A intenção de Martinho Lutero 500 anos, ressaltou, era renovar a Igreja e não dividi-la.

Portanto, o encontro em Lund “nos deu a coragem e a força de olhar avante no caminho que somos chamados a percorrer juntos”. Depois de 50 anos de diálogo oficial entre católicos e luteranos, analisou o Papa, “conseguimos expor claramente as perspectivas sobre as quais hoje estamos de acordo. Ao mesmo tempo, mantemos vivo no coração o arrependimento sincero por nossas culpas”.

Para Francisco, este ano comemorativo da Reforma representa para católicos e luteranos uma ocasião privilegiada para viver de maneira mais autêntica a fé, de modo especial reforçando a parceria para amparar os que mais sofrem, quem se encontra em dificuldade e quem está exposto a perseguições e violências. “Ao fazer isto, como cristãos não estamos mais divididos, mas estamos unidos no caminho rumo à plena comunhão.”

Em seu discurso, o Papa mencionou ainda algumas datas significativas para a Finlândia em 2017. Além da Reforma, o país celebra o centenário do Conselho Ecumênico Finlandês e os 100 anos de independência como Estado.

“Que este aniversário possa encorajar todos os cristãos do país a professarem a fé no Senhor Jesus Cristo – como fez com grande zelo Santo Henrique – testemunhando-a hoje diante do mundo e traduzindo-a também em gestos concretos de serviço, de fraternidade e de compartilha”, foram os votos do Pontífice, que concluiu de maneira informal:

“Querido irmão Bispo, gostaria de lhe agradecer pelo bom gosto de ter trazido seus netos. Precisamos da simplicidade das crianças. Elas vão nos ensinar o caminho para Jesus Cristo!”


Papa: a vida cristã é uma luta contra as tentações

Cidade do Vaticano (RV) - “A vida cristã é uma luta. Deixemo-nos atrair por Jesus”, foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na Casa Santa Marta, na manhã desta quinta-feira (19/01/2017). 

O Pontífice se deteve na passagem do Evangelho do dia que fala sobre a grande multidão que seguia Jesus com entusiasmo e que vinha de todos os lugares. “Por que vinha essa multidão?”, perguntou o Papa. O Evangelho nos diz que havia “doentes que queriam ser curados”. Mas havia também pessoas que gostavam de “ouvir Jesus, porque falava não como os seus doutores, mas com autoridade” e “isso tocava o coração”. Essa multidão “vinha espontaneamente. Não era levada de ônibus, como vemos muitas vezes quando se organizam manifestações e muitos devem verificar a presença para não perder o trabalho”.

O Pai atrai as pessoas a Jesus

Essas pessoas iam porque sentiam alguma coisa a ponto de Jesus pedir um barco e ir um pouco distante da margem:

“Esta multidão ia até Jesus? Sim! Precisava? Sim! Alguns eram curiosos, mas esses eram os céticos, a minoria. Esta multidão era atraída pelo Pai: era o Pai que atraia as pessoas a Jesus a tal ponto que Jesus não ficava indiferente, como um mestre estático que dizia as suas palavras e depois lavava as mãos. Não! Esta multidão tocava o coração de Jesus. O Evangelho nos diz: Jesus se comoveu, porque via essas pessoas como ovelhas sem pastor. O Pai, através do Espírito Santo, atraia as pessoas a Jesus.”

O Papa disse que não sãos os argumentos que movem as pessoas, não são “os assuntos apologéticos”. “Não”, frisou, “é necessário que o Pai nos atraia a Jesus”.

A vida cristã é uma luta contra as tentações

Por outro lado, é “curioso” que este trecho do Evangelho de Marcos, que “fala de Jesus, da multidão, do entusiasmo” e do amor do Senhor, acabe com os espíritos impuros, que quando O viam, gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”:

“Esta é a verdade; esta é a realidade que cada um de nós sente quando Jesus se aproxima. Os espíritos impuros tentam impedi-lo, nos fazem guerra. ‘Mas, Padre, eu sou muito católico; sempre vou à missa… Mas jamais, jamais tenho essas tentações. Graças a Deus!’ – ‘Não! Reze, porque você está no caminho errado!’. Uma vida cristã sem tentações não é cristã: é ideológica, é gnóstica, mas não é cristã. Quando o Pai atrai as pessoas a Jesus, há outro que atrai de modo contrário e provoca a guerra interior! E por isso Paulo fala da vida cristã como uma luta: uma luta de todos os dias. Uma luta!”

Uma luta, retomou, “para vencer, para destruir o império de satanás, o império do mal”. E por isso, disse, “Jesus veio para destruir, para destruir satanás! Para destruir a sua influência nos nossos corações”. O Pai, retomou, “atrai as pessoas a Jesus”, enquanto “o espírito do mal tenta destruir, sempre!”.

Estamos lutando contra o mal?

A vida cristã, disse ainda o Papa, “é uma luta assim: ou você se deixa atrair por Jesus, para o Padre, ou pode dizer ‘eu fico tranquilo, em paz’”. Se quiser ir avante, “é preciso lutar!”, exortou o Papa. Sentir o coração que luta, para que Jesus vença”:

“Pensemos em como está o nosso coração: eu sinto esta luta no meu coração? Entre a comodidade ou o serviço aos outros, entre o divertir-me um pouco ou rezar e adorar o Pai, entre uma coisa e outra, sinto a luta? A vontade de fazer o bem ou algo me detém, me torna ascético? Eu acredito que a minha vida comova o coração de Jesus? Se eu não acredito nisto, devo rezar muito para acreditar, para que me seja concedida esta graça. Que cada um de nós busque no seu coração como está esta situação ali. E peçamos ao Senhor para sermos cristãos que saibam discernir o que acontece no próprio coração e escolher bem o caminho pelo qual o Pai nos atrai a Jesus”.


Esperança e oração caminham juntas - Papa na audiencia geral

Nesta quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017, o Papa realizou, como habitualmente, a sua catequese semanal, na Aula Paulo VI, falando da esperança cristã.

Francisco comentou o texto bíblico do Génesis sobre o episódio em que o Senhor envia o profeta Jonas a Nínive para converter os habitantes daquela grande cidade israelita que eram pagãos. Mas Jonas – disse o Papa - era uma figura um pouco anómala e perante esse pedido para ir para uma periferia hostil a Jerusalém, foge como quem em vez de ir para o Iraque (onde se encontra hoje Nínive) vai para Espanha. E durante a travessia do mar, há uma grande tempestade. Os marinheiros pagãos, põem-se, então, cada um, a rezar o seu próprio deus. E Jonas que estava na estiva a dormir, é acordado pelo capitão que lhe pergunta porque dormia em vez de rezar o seu deus para os salvar.

Perante o perigo, todos põem-se a rezar - retoma o Papa, mostrando como situações como esta,  em que a nossa vida é ameada, levam-nos a descobrir a oração, a esperança de salvação, a esperança no Deus da vida. A esperança torna-se oração.

“Muitas vezes, desdenhamos com facilidade o dirigir-se a Deus como se fosse só uma oração interessada, e por isso imperfeita. Mas Deus conhece a nossa fraqueza, sabe que nos recordamos d’Ele  para pedir ajuda, e com o sorriso indulgente de um pai, Deus responde com benevolência”.

Jonas acaba por assumir as suas responsabilidades – frisa o Papa - e atira-se ao mar para salvar os seus companheiros; deste modo a tempestade aplaca-se. A morte iminente que levou os pagãos à oração, fê-lo descobrir a sua vocação ao serviço dos outros, aceitando sacrificar-se por eles, e leva os sobreviventes a reconhecer o verdadeiro Deus; o único Senhor do céu e da terra.

A partir daí, os habitantes de Nínive, perante as ameaças de serem destruídos, rezam sempre, levados pela esperança no perdão de Deus. E acabam por se converter todos, a começar pelo rei que, como o capitão da nau, dá voz à esperança de que Deus não os deixará perecer. Ter enfrentado a morte e ter-se salvo, levou-os à verdade. A “irmã morte”, disse o Papa - citando São Francisco - de forma surpreendente, torna-se numa ocasião para conhecer a esperança e para encontrar o Senhor…

“Que o Senhor nos faça compreender isto, a ligação entre a oração e a esperança. A oração te leva para a frente na esperança e quando as coisas se tornam escuras… mais oração!. E haverá mais esperança”.

Depois o Santo Padre saudou os peregrinos de diversas línguas, entre os quais os de língua portuguesa:

“Com sentimentos de grata estima, vos saúdo, caríssimos peregrinos de língua portuguesa, em particular a vós, jovens do grupo «The Brazilian Tropical Violins», lembrando a todos que hoje tem início o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, um motivo mais de apelo à nossa comunhão de preces e de esperanças. O movimento ecuménico vai frutificando, com a graça de Deus. O Pai do Céu continue a derramar as suas bênçãos sobre os passos de todos os seus filhos. Irmãs e irmãos muito amados, servi a causa da unidade e da paz!”



Papa: os cristãos sejam corajosos e não estacionados

Cidade do Vaticano (RV) -  Sejam cristãos corajosos, ancorados na esperança e capazes de suportar momentos difíceis. Esta é a forte exortação do Papa na Missa matutina na Casa Santa Marta nesta terça-feira, (17/01/2017). Os cristãos preguiçosos, ao invés, são parados, destacou Francisco, e para eles a Igreja é um belo estacionamento.

O Papa desenvolve a sua homilia partindo da Leitura da Carta aos Hebreus. O zelo de que fala, a coragem de ir avante deve ser a nossa atitude diante da vida, como os que treinavam no estádio para vencer. Mas a Leitura fala também da preguiça, que é o contrário da coragem. “Viver na geladeira”, sintetizou o Papa, “para que tudo permaneça assim”:

“Os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de ir avante, os cristãos que não lutam para fazer as coisas mudarem, coisas novas, coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos… Todos. E como existem cristãos estacionados! Para eles, a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as garantias possíveis. Mas esses cristãos parados me fazem lembrar de uma coisa que nossos avós diziam quando éramos crianças: ‘Fique atento porque água parada, que não escorre, é a primeira a se corromper’”.

Ancorados na esperança

O que torna os cristãos corajosos é a esperança, enquanto “os cristãos preguiçosos” não têm esperança, estão “aposentados”, disse o Papa. É belo se aposentar depois de tantos anos de trabalho, mas – advertiu -, “passar toda a sua vida aposentado é ruim!”. Ao invés, a esperança é âncora à qual se agarrar para lutar inclusive nos momentos difíceis  :

“Esta é a mensagem de hoje: a esperança, aquela esperança que não desilude, que vai além. E diz: uma esperança que ‘é uma âncora segura e firme para a nossa vida’. A esperança é a âncora: nós a lançamos e ficamos agarrados na corda, mas ali, indo ali. Esta é a nossa esperança.  Não se deve pensar: ‘Sim, mas tem o céu, ah que belo, vou ficar aqui…’. Não. A esperança é lutar, agarrados na corda para chegar lá. Na luta de todos os dias, a esperança é uma virtude de horizontes, não de fechamentos! Talvez seja a virtude que menos se compreende, mas é a mais forte. A esperança: viver na esperança, viver de esperança, olhando sempre para frente com coragem. ‘Sim, padre –vocês podem me dizer -, mas existem momentos difíceis, o que devo fazer?’. Agarre-se à corda e suporte”.

Cristãos estacionados olham apenas a si mesmos, são egoístas

“A nenhum de nós a vida é presenteada”, observa Francisco, devemos ao invés ter a coragem de ir avante e aguentar. Cristãos corajosos, tantas vezes erram, mas “todos erram”, disse o Papa, “erra aquele que vai em frente”, enquanto “aquele que está parado parece não errar”. E quando “não se pode caminhar, porque tudo é escuro, tudo está fechado”, você tem que suportar, ter perseverança. Em conclusão, Francisco nos convida a nos perguntar se somos cristãos fechados ou de horizontes e se nos maus momentos somos capazes de suportar com a consciência de que a esperança não desilude: “porque eu sei - afirmou – que Deus não desilude”:

“Vamos nos fazer a pergunta: como sou eu? como é a minha vida de fé? é uma vida de horizontes, de esperança, de coragem, de ir para a frente ou uma vida morna que nem mesmo sabe suportar os maus momentos?

E que o Senhor nos dê a graça, como pedimos na Oração da coleta, para superar os nossos egoísmos, porque os cristãos estacionados, os cristãos parados, são egoístas. Olhando somente para si mesmos, não sabem levantar a cabeça para olhar para Ele. Que o Senhor nos dê esta graça”.


Leia os últimos Tweets do Papa Francisco



16/01/2017
Jamais poderá haver verdadeira paz enquanto existir um único ser humano que é violado na sua identidade pessoal.
15/01/2017
A Sagrada Família vigie sobre todos os migrantes menores e acompanhe aqueles mais vulneráveis e sem voz em seu caminho. @M_RSecção
14/01/2017
A exploração sem escrúpulos faz muito mal às crianças tratadas como mercadorias e escravizadas.Deus abençoe todos que as libertam.@M_RSecção
13/01/2017
Crianças obrigadas a fugir, especialmente se estão sozinhas,são as mais indefesas e vulneráveis.Vamos rezar por elas e ajudá-las. @M_RSecção
12/01/2017
Os migrantes menores de idade, especialmente sozinhos, são particularmente vulneráveis. Vamos todos oferecer a eles uma mão.


Papa em Guidonia: testemunhar Jesus, sem fofocar

Cidade do Vaticano (RV) - “Testemunhar Jesus” com exemplos de vida cristã, ações concretas e sem “fofocas”. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada, na tarde deste domingo (15/01/2017), na Paróquia de Santa Maria em Setteville, em Guidonia, Diocese de Roma.

O pontífice retomou suas visitas às paróquias romanas depois de uma pausa do ano jubilar. Recomeçou o ciclo de visitas encontrando na Paróquia de Santa Maria em Setteville o vice-pároco Pe. Giuseppe Berardino, 47 anos, que sofre gravemente de Esclerose Lateral Amiotrófica há mais de dois anos, e não se movimenta autonomamente.

Francisco se encontrou com os jovens que começaram cinco anos atrás seu percurso de formação para a Crisma com Pe. Giuseppe. Acompanhado pelo Pároco Pe. Luigi Tedoldi, o Papa solicitou os jovens a falar, a fazerem perguntas, a testemunhar com a sua presença na paróquia que é “uma graça do Senhor” aos jovens que abandonam a Igreja depois da Crisma.

Testemunho

Com as crianças, o Pontífice se deteve sobre o significado do testemunho como “exemplo de vida”:

“Posso falar do Senhor, mas se eu com a minha vida não falo dando testemunho, não serve! Padre, eu sou cristão, e falo do Senhor. Sim, mas você é um cristão papagaio: palavras, palavras e palavras, e nada mais. O testemunho cristão se faz com a palavra, com o coração e com as mãos.”

O Papa exortou a ouvir, ir ao encontro, pedir perdão e perdoar, realizar obras de misericórdia com os doentes, encarcerados e pobres. E ter fé, vivendo-a e demonstrando com os fatos o quando seja importante.

“Se você tem um amigo, uma amiga que não crê, não deve dizer-lhe: “Você tem de crer por isso e aquilo, e explicar todas as coisas. Isso não deve ser feito! Isso se chama proselitismo e nós cristãos não fazemos proselitismo. O que se deve fazer? Se não posso explicar, o que devo fazer? Viver de tal forma que seja ele ou ela a lhe perguntar: Por que você vive assim? Por que você fez isso? Aí sim, você explica.”



Francisco convidou a falar e a ter como exemplo os avós que “protegem a família”: “são a nossa memória, a nossa sabedoria, são também amigos”, sublinhou.

No encontro com os agentes pastorais, recordou o período em que em Buenos Aires fazia algumas catequeses “com um filme”, convidando a assistir o filme japonês de Kurosawa intitulado “Rapsódia em Agosto”, para explicar o diálogo entre avós e netos.

O Papa falou das vezes em que caminhou na “escuridão” da fé: “Existem dias em que não se vê nada, mas depois com a ajuda do Senhor a gente se reencontra.” Por exemplo, diante de uma calamidade: Francisco se referiu às 13 crianças nascidas depois do terremoto que abalou recentemente a região central da Itália, batizadas, no último sábado (14/01/2017), na Casa Santa Marta. Um homem disse ao Papa que perdeu sua esposa no terremoto.

“Respeita a escuridão da alma. Depois, o Senhor despertará a fé. A fé é um dom do Senhor. Cabe a nós somente protegê-la. Não se estuda para ter fé: a fé se recebe como um presente.”

No encontro com os doentes, Francisco refletiu sobre o sofrimento também das “crianças com problemas”:

“Existem coisas que não têm como explicar, acontecem. A vida é assim. Jesus quis estar próximo a nós com a sua dor, com a sua paixão, com seu sofrimento. Jesus está com todos vocês.”

Com os pais de 45 crianças batizadas na paróquia durante 2016, o Papa se deteve na “alegria da vida que segue adiante”, típica das crianças. A seguir, confessou quatro pessoas, e na homilia da missa, voltou a convidar a testemunhar Cristo: “Existem muitos cristãos que professam que Jesus é Deus; existem vários sacerdotes que confessam que Jesus é Deus, muitos bispos, mas todos testemunham Jesus? Ser cristão é uma maneira de viver? É como ser torcedor de um time? Ser cristão é primeiramente testemunhar Jesus.”

Paz

Uma paróquia é incapaz de testemunhar se nela existem fofocas. O Papa deu como exemplo os Apóstolos, que não obstante tenham traído Jesus, nunca “falavam mal” uns dos outros.

“Vocês querem uma paróquia perfeita? Não fofoquem. Se você tem alguma coisa contra uma pessoa, fale diretamente com ela ou converse com o pároco, mas não entre vocês. Este é o sinal de que o Espírito Santo está numa paróquia. Os outros pecados, todos temos. Existe um coleção de pecados: eu pego esse, você pega aquele, mas todos somos pecadores. Porém, o que realmente destrói uma comunidade, como o verme, são as fofocas.”

Antes de deixar Guidonia, Francisco saudou os fiéis que esperaram por ele do lado de fora da igreja. E deixou uma tarefa: Que este seja um “bairro de paz”.


Papa: "Igreja não anuncia si mesma, mas Jesus"

Cidade do Vaticano (RV) – Em seu encontro com os fiéis na Praça São Pedro, neste domingo (15/01/2017), o Papa explicou o sentido das palavras do Evangelho do dia proferidas por João Batista: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, às margens do Rio Jordão.

João sabe que o Messias está próximo

Enquanto João batiza as pessoas, homens e mulheres de várias idades, ele afirma que o reino dos céus está próximo e que o Messias está para se manifestar. “Para isso, é preciso se preparar, se converter e se comportar corretamente”. O batismo é um sinal concreto de penitência. João sabe que o Consagrado está chegando e o sinal para reconhecê-lo é que Nele se pousará o Espírito Santo, que trará o verdadeiro batismo.

“Eis que naquele momento Jesus se apresenta às margens do rio, no meio do povo, dos pecadores, como nós. É o seu primeiro ato público, a primeira coisa que faz quando deixa sua casa de Nazaré: desce à Judeia, vai ao Jordão e se faz batizar por João Batista. Naquele momento, sobre Jesus desce o Espírito Santo em forma de pomba e a voz do Pai o proclama Filho predileto”.

João entende que se realiza o plano divino

João fica desconcertado pelo fato de o Messias se ter manifestado de modo tão impensável, em meio aos pecadores. O Papa explicou que iluminado pelo Espírito, João entende que assim se realizava a justiça divina, o plano de salvação de Deus, que “como Cordeiro de Deus, toma para si os pecados do mundo”.

Esta cena, segundo o Pontífice, é decisiva para a nossa fé e para a missão da Igreja, que deve indicar Jesus às pessoas, como fazem os padres na missa, todos os dias, quando apresentam o pão e o vinho aos fiéis como o Corpo e o Sangue de Cristo:

Igreja deve anunciar sempre Jesus e não si mesma

“Este gesto litúrgico representa toda a missão da Igreja, que não anuncia si mesma, mas anuncia Cristo! Ai da Igreja quando anuncia si mesma... perde a bússola, não sabe para onde ir. Ela não leva si mesma, mas leva Cristo, porque é Ele e somente Ele que salva o povo do pecado, o liberta e o guia rumo à terra da vida e da liberdade”.

Concluindo, o Papa rezou a oração mariana do Angelus e pediu a Maria, Mãe do Cordeiro de Deus, que nos ajude a crer Nele e a Segui-Lo.


Papa: dar respostas ao drama de milhões de migrantes menores

Neste domingo, 15.jan.2017, a Igreja celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, sobre o tema "Migrantes menores, vulneráveis e sem voz". Na sua mensagem para esta ocasião, o Papa Francisco convida a comunidade cristã e toda a sociedade civil, a oferecer respostas para o drama de milhões de crianças e meninos, muitas vezes não acompanhados no fluxo global das migrações, e que fogem da guerra, a violência, a pobreza e as catástrofes naturais.

Fala com muita clareza Jesus: "Quem acolhe um sós destes pequenos em meu nome, acolhe a Mim", e também acrescenta: "Quem escandalizar um destes pequeninos que acreditam em mim, é melhor ... que seja lançado no fundo do mar". Palavras de advertência, sublinha Francisco, para "gente sem escrúpulos", que explora meninas e meninos "envolvidos na prostituição ou tomados nos ciclos da pornografia, feitos escravos do trabalho infantil ou alistados como soldados, envolvidos no tráfico de drogas e outras formas de delinquência, forçados a fugir de conflitos e perseguições, correndo o risco de se encontrarem  sozinhos e abandonados. "Por isso faço questão, escreve o Papa, "de chamar a atenção para a realidade dos migrantes menores, especialmente aqueles que se encontram sozinhos, exortando todos a cuidar das crianças que são três vezes mais indefesas, porque menores, porque estrangeiras e porque inermes quando, por várias razões, são forçadas a viver longe da sua terra de origem e separadas dos afetos da família”.

Como responder a esta realidade? "Focalizar na proteção, na integração e em soluções duradouras", sugere Francisco. Antes de tudo proteger, intervindo "com maior rigor e eficácia"  contra os "aproveitadores" para parar "as múltiplas formas de escravidão das quais são vítimas os  menores". Em seguida, intensificar a colaboração entre os migrantes e as comunidades que os acolhem, criando "redes capazes de assegurar intervenções rápidas e capilares”.

Para a integração são indispensáveis "recursos financeiros" para "adequadas políticas de acolhimento, assistência e inclusão". "Em vez de favorecer a inserção" dos menores migrantes ou "programas de devolução segura e assistida", denuncia o Papa, impede-se o seu ingresso, favorecendo a utilização de redes ilegais, ou se devolvem  ao País de origem, sem assegurar-se de que isso é do seu interesse. "O direito dos Estados de gerir os fluxos migratórios e  salvaguardar o bem comum nacional deve-se conjugar - reitera Francisco - com o dever de resolver e regularizar a posição dos migrantes menores, no pleno respeito pela sua dignidade”.

Soluções duradouras, indica a Mensagem, requerem "que se enfrentem nos Países de origem as causas que provocam as migrações". Isto exige, "o empenho de toda a comunidade internacional para resolver os conflitos e a violência que obrigam as pessoas a fugir" e "programas apropriados para as áreas afetadas por mais graves injustiças e instabilidade, de modo que a todos seja garantido o acesso ao desenvolvimento autêntico, que promova o bem das crianças e meninos, esperanças da humanidade". Por fim, um encorajamento do Papa aos que caminham ao lado de crianças e adolescentes nas vias da emigração: "Eles precisam da vossa preciosa ajuda, e também a Igreja precisa de vós e vos apoia no generoso serviço que prestais”.


Francisco: "Quem descarta os outros será também descartado"

Cidade do Vaticano (RV) – “É inaceitável e desumano um sistema econômico mundial que descarta homens, mulheres e crianças pelo fato que parecem ser ‘inúteis’ segundo os critérios de rentabilidade de empresas e outras organizações”: foi o que disse o Papa em discurso feito na manhã de sábado (14/01/2017), na Sala Clementina, recebendo uma delegação da ‘Mesa Redonda’ de Roma da “Global Foundation”.

O discurso do Papa

“Descartar as pessoas – acrescentou o Papa – constitui um retrocesso e uma desumanização de qualquer sistema político ou econômico. Quem causa ou permite o descarte de refugiados, o abuso ou a escravização de crianças, a morte de pobres nas ruas por frio e fome, se transformam em máquinas sem alma. Mais cedo ou mais tarde, eles também serão descartados... é um bumerangue; esta é a verdade, serão descartados quando não forem mais úteis a esta sociedade, que colocou em seu centro o deus-dinheiro”.

Quem são

A ‘Mesa Redonda’ é um encontro que está se realizando em Roma ao redor do tema da própria Fundação, “Juntos nos comprometemos com o bem comum global”. A Global Foundation foi criada na Austrália em 1998 e seu trabalho, sem fins lucrativos, é focado no serviço ao bem público de longo prazo e apoiado pelo setor privado e benfeitores. 

Wojtyla e Madre Teresa já haviam entendido

Francisco recordou aos 85 convidados que em 1991, o Papa Wojtyla havia já compreendido “o risco que a ideologia capitalista se difundisse e que isto comportaria uma escassa consideração pelos fenômenos da marginalização, da exploração e da alienação humana, ignorando as multidões que ainda vivem em condições de miséria material e moral e confiando numa solução ligada exclusivamente ao desenvolvimento das forças do mercado”.

“Infelizmente, os riscos anunciados por São João Paulo II se concretizaram. Entretanto, indivíduos e instituições foram desenvolvendo múltiplos esforços para recuperar os prejuízos de uma globalização irresponsável. A Santa Madre Teresa de Calcutá é um símbolo e um ícone de nossos tempos e de certa forma, representa e resume estes esforços”.

“Que a compaixão – concluiu o Papa – ajude lideranças econômicas e políticas a usarem sua inteligência e seus recursos não apenas para controlar e monitorar os efeitos da globalização, mas também para ajudar os responsáveis nos vários campos políticos a corrigirem o seu rumo toda vez que for necessário. A política e a economia, de fato, devem compreender o exercício da virtude da prudência”. 


Francisco recebe Presidente palestino Abbas no Vaticano

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de sábado (14/01/2017), o Papa recebeu no Vaticano Mahmoud Abbas, Presidente do Estado da Palestina.

No encontro, foram destacadas as boas relações entre Santa Sé e Palestina, estabelecidas no Acordo global de 2015, que abrange aspectos essenciais da vida e da atividade da Igreja na sociedade palestina. Neste contexto, foi recordada também a importante contribuição dos católicos em favor da promoção da dignidade humana e na ajuda aos mais carentes, especialmente nos campos da educação, saúde e assistência.

Os dois Chefes de Estado se detiveram ainda sobre o processo de paz no Oriente Médio, esperando que as negociações diretas entre as partes se reiniciem e resultem no fim da violência, que tem causado sofrimentos inaceitáveis às populações civis.

Comunicado informa sobre o conteúdo do encontro

Como afirma um comunicado divulgado após o encontro, o Papa e Abbas contam com o apoio da comunidade internacional no sentido de tomar medidas que favoreçam a confiança recíproca e contribuam para criar um clima que permita decisões corajosas em favor da paz.

Enfim, os dois ressaltaram a importância de salvaguardar o caráter sagrado dos Lugares Santos para as três religiões monoteístas e dedicaram atenção aos outros conflitos que afligem a região.

Entre os presentes trocados, Mahmud Abbas ofereceu a Francisco uma pedra da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, de acordo com Greg Burke, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Histórico

A audiência privada foi o terceiro encontro entre o Papa e Abbas depois da visita em 2014 do Pontífice a Israel e aos Territórios palestinos ocupados e da vinda do líder palestino ao Vaticano em 2015 para a canonização de duas religiosas palestinas, Mariam Bawardi (1846-1878) e Marie-Alphonsine Ghattas (1843-1927).

Ao sair do Vaticano, Abbas inaugurou a embaixada palestina junto à Santa Sé, na Via di Porta Angelica. A representação diplomática está localizada em um edifício que já abriga as embaixadas do Peru e Burkina Faso junto à Santa Sé.


Papa aos jovens: ouçam a voz de Deus, construam um mundo melhor

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou uma carta aos jovens, nesta sexta-feira (13/01/2017), de apresentação do documento preparatório do Sínodo dos Bispos de 2018.

  O Pontífice inicia a carta manifestando sua alegria de anunciar aos jovens que, em outubro de 2018, se realizará a 15ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O documento preparatório foi apresentado, esta manhã, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Um dos objetivos do texto é encontrar as melhores maneiras para acompanhar os jovens a reconhecer e acolher o chamado à vida plena e anunciar o Evangelho de maneira eficaz.

A carta dá início a uma fase de estudo da parte do Povo de Deus. É endereçada às Conferências Episcopais, aos Conselhos dos Hierarcas das Igrejas Orientais Católicas, aos departamentos da Cúria Romana e à União dos Superiores Gerais. Espera-se também a participação dos jovens através de um site.
  O Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, abriu a coletiva com os jornalistas apresentando a estrutura do documento que tem como objetivo recolher informações sobre a atual condição sociocultural dos jovens de 16 a 29 anos, nos vários contextos em que vivem, a fim de entendê-la, em vista dos passos preparatórios sucessivos para a assembleia dos bispos.

O texto é dividido em três partes: ver a realidade, a importância do discernimento, e ação pastoral da comunidade eclesial. A Igreja deseja acompanhar os jovens na descoberta e realização de sua vocação.
  “Deve ser esclarecido que o termo vocação deve ser entendido no sentido amplo e diz respeito a grande variedade de possibilidade de realização concreta da própria vida na alegria do amor e na plenitude decorrente do dom de si a Deus e aos outros. Trata-se de encontrar a forma concreta em que esta realização plena possa se realizar através de uma série de escolhas, que articulam estado de vida, matrimônio, ministério ordenado, vida consagrada, etc. profissão modalidade de compromisso social e político, estilo de vida, gestão do tempo e dinheiro, etc”, disse o Cardeal Baldisseri na coletiva.

Completa o documento preparatório um questionário que prevê a coleta de dados estatísticos sobre cada igreja local, a resposta a várias perguntas para entender melhor casa situação e a partilha de boas práticas pastorais em andamento para que possam ser de ajuda a toda a Igreja.

Os jovens serão plenamente envolvidos nesta fase preparatória através de um site a fim de recolher suas expectativas e vida.

“O próximo Sínodo não quer somente se interrogar sobre como acompanhar os jovens no discernimento de sua escolha de vida à luz do Evangelho, mas quer também colocar-se à escuta de seus desejos, projetos e sonhos que os jovens têm para sua vida, como também das dificuldades que encontram para realizar o seu projeto a serviço da sociedade à qual pedem para ser protagonistas ativos”, disse o Subsecretário do Sínodo dos Bispos, Mons. Fabio Fabene.

Para envolver os jovens serão criadas várias iniciativas, vigílias de oração, encontros internacionais e concertos. As respostas ao questionário do documento preparatório e as dos jovens serão a base para a redação do Documento de trabalho o Instrumentum laboris, que será o ponto de referência para o debate dos Padres sinodais.

A seguir, a carta do Papa aos jovens.

“Quis que vocês estivessem no centro das atenções, porque os tenho em meu coração. Exatamente hoje foi apresentado o Documento preparatório, que confio também a vocês como «bússola» ao longo deste caminho.”

Sair

“Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai de sua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei». Hoje, estas palavras são dirigidas também a vocês: são palavras de um Pai que os convida a «sair» a fim de serem lançados em direção a um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, encontro ao qual Ele mesmo os  acompanha. Convido-os a ouvir a voz de Deus que ressoa em seus corações através do sopro do Espírito Santo”, ressalta o Papa no texto.
     “Quando Deus disse a Abraão «Sai», o que queria lhe dizer? Certamente, não para fugir de sua família, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna que vocês almejam profundamente e desejam construir até às periferias do mundo?”
     “Mas hoje, infelizmente, o «Sai» adquire também um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vocês, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir de sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como o de Israel, escravo da opressão do Faraó”, destaca o Pontífice.

Discernir
     “Recordo-lhes também as palavras que certo dia Jesus proferiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!». Jesus dirige o seu olhar também a vocês, convidando-os a caminhar com Ele.”

“Queridos jovens, vocês encontraram este olhar? Ouviram esta voz? Sentiram este impulso a pôr-se a caminho? Estou convencido de que, não obstante a confusão e a perturbação deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua ressoando em seu espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, também através do acompanhamento de guias especializados, vocês souberem empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus em sua vida. Mesmo quando o seu caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para os erguer”, sublinha ainda o Papa.
    Agir

Na abertura da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-lhes várias vezes: «Podemos mudar as coisas?». E vocês gritaram juntos um «Sim!» retumbante. Aquele grito nasce do seu coração jovem, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descarte, nem ceder à globalização da indiferença. Escutem aquele clamor que vem do seu íntimo! Mesmo quando sentirem, como o profeta Jeremias, a inexperiência de sua jovem idade, Deus os encoraja a ir para onde Ele os envia: «Não tenha medo [...] pois eu estou com você para protegê-lo».
     Constrói-se um mundo melhor também graças a vocês, ao seu desejo de mudança e generosidade. Não tenham medo de ouvir o Espírito que lhes sugere escolhas audaciosas, não hesitem quando a consciência lhes pedir para arriscar a fim de seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta de sua voz, de sua sensibilidade, de sua fé; até de suas dúvidas e suas críticas. Façam ouvir o seu grito. Deixem ele ressoar nas comunidades e o façam chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução».
     “Assim, através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «colaborar para a sua alegria». Confio-lhes a Maria de Nazaré, uma jovem como vocês, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que os tome pela mão e os  guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso”, conclui o Papa.


Papa: para seguir Jesus é preciso se mexer, não ter a alma “parada”

Cidade do Vaticano (RV) - Para seguir Jesus, é preciso caminhar, não ficar parados com “a alma sentada”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na Casa Santa Marta (13/01/2017).

As pessoas seguem Jesus, o seguem por interesse ou por uma palavra de conforto. O Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho do dia para destacar que, embora a pureza de intenção não seja “total”, perfeita, é importante seguir Jesus, caminhar atrás Dele. As pessoas eram atraídas por sua autoridade, explicou o Papa, pelas “coisas que dizia e  como as dizia; ele também curava e muitas pessoas iam atrás Dele para serem curadas”. Certamente, observou o Papa, algumas vezes Jesus repreendeu as pessoas que o seguiam porque estavam mais interessadas em uma conveniência do que na Palavra de Deus.

Não aos cristãos parados

“Outras vezes”, disse ainda Francisco, as pessoas o queriam Rei, porque pensavam: ‘Ele é político perfeito!’”, mas as pessoas “erravam” e “Jesus foi embora, se escondeu”. O Senhor, porém, deixava que todos os seguissem, “porque sabia que todos somos pecadores”. O maior problema, afirmou portanto Francisco, “não eram os que seguiam Jesus”, mas os que ficavam “parados”:

“Os parados! Os que ficavam à beira do caminho. Ficavam sentados. Ficavam sentados lá alguns escribas: estes não seguiam, olhavam. Olhavam do balcão. Não caminhavam na própria vida: ‘balconavam’ a vida! Justamente ali: jamais arriscavam! Só sabiam julgar. Eram os puros e não se misturavam. Também os juízes eram duros, não? Em seu coração: ‘Que gente ignorante! Que gente supersticiosa!’. E quantas vezes também nós, quando vemos a piedade das pessoas simples nos vem em mente aquele clericalismo que tanto mal faz à Igreja”.

“Estes eram um grupo de parados”, advertiu o Papa. Aqueles que ficavam ali, no balcão, olhando e julgando”. Mas há outros que ficam parados, acrescentou Francisco falando do homem que “há 38 anos ficava perto da piscina: parado, amargurado pela vida, sem esperança”, e “digeria a própria amargura: também este é outro parado, que não seguia Jesus e não tinha esperança”.

Para encontrar Jesus é preciso arriscar

Ao invés, essas pessoas que seguiam Jesus se “arriscavam” para encontrá-Lo, “para encontrar aquilo que queriam”:

“Essas pessoas de hoje, que arriscaram quando abriram o teto: correram o risco de que o proprietário da casa os acusasse, os levasse até o juiz e os fizessem pagar. Arriscaram, mas queriam ver Jesus. Aquela mulher doente há 18 anos arriscou quando secretamente só queria tocar a barra do manto de Jesus: arriscou sentir vergonha. Arriscou: queria saúde, queria chegar até Jesus. Pensemos na Cananéia: e as mulheres arriscam mais do que os homens, eh! Isso é verdade: são mais corajosas! E isso devemos reconhecer”.

O Papa citou ainda o caso da Cananéia, da pecadora na casa de Simão e da Samaritana. Todas arriscaram e encontraram a Salvação. “Seguir Jesus – disse Francisco – não é fácil, mas é belo! E sempre se arrisca”. E muitas vezes nos tornamos ridículos. Mas se encontra aquilo que realmente conta: “os pecados são perdoados”. Porque atrás daquela graça que nós pedimos – a saúde ou a solução de um problema ou aquilo que for – há a vontade de ser curados na alma, de ser perdoados”. Todos nós, acrescentou, “sabemos ser pecadores. E por isso seguimos Jesus, para encontrá-Lo. E arriscamos”.

Evitar a alma “parada”

Devemos nos questionar, provocou o Papa: “Eu arrisco ou sempre sigo Jesus segundo as regras da casa de seguros?”, preocupados em não fazer uma coisa ou outra. “Não se segue Jesus deste jeito”, advertiu Francisco. Assim se fica sentado, como aqueles que julgavam”:

“Seguir Jesus porque precisamos de algo ou seguir Jesus arriscando, e isso significa seguir Jesus com fé: esta é a fede. Entregar-se a Jesus, confiar Nele e com esta fé na sua pessoa essas pessoas abriram o teto para que a cama do paralítico caísse diante de Jesus para que Ele o curasse. ‘Confio em Jesus, entrego a minha vida a Jesus? Estou a caminho atrás de Jesus, embora seja ridículo algumas vezes?  Ou fico sentado olhando como os outros fazem, olhando a vida ou fico sentado com a alma ‘sentada’ – digamos assim – com a alma fechada pela amargura, pela falta de esperança?’. Cada um de nós pode fazer essas perguntas hoje”.


Papa em Santa Marta: no coração se joga o hoje da nossa vida

“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações”. A homilia de Francisco desta quina-feira, 12.jan.2017, foi inspirada na primeira leitura, extraída da Carta aos Hebreus, e se desenvolveu em torno de duas palavras: “hoje” e “coração”.

O hoje do qual fala o Espírito Santo é “a nossa vida”, um hoje “repleto de dias”, mas “depois do qual não haverá um replay, um amanhã”, “um hoje no qual recebemos o amor de Deus”, a promessa de Deus de encontrá-lo”, explicou o Papa, “um hoje” no qual podemos renovar “a nossa aliança com a fidelidade de Deus”.

Porém, há “somente um só hoje na nossa vida” e a tentação é de dizer: “Sim, farei amanhã”. A tentação do amanhã que não haverá”, como o próprio Jesus explica nas parábolas das dez virgens: as cinco insensatas não levaram o óleo e as lâmpadas, e quando foram comprar, encontraram a porta fechada. Francisco fez referência também à parábola daquele que bate à porta pedindo ao Senhor: “Comi contigo, estive contigo …”. “Não te conheço: chegaste tarde …”:

“Eu digo isso não para assustar, mas simplesmente para dizer que a nossa vida é um hoje: hoje ou nunca. Eu penso nisto. O amanhã será o amanhã eterno, sem anoitecer, com o Senhor, para sempre. Se eu sou fiel a este hoje. E a pergunta que vos faço é esta que faz o Espírito Santo: ‘Como eu vivo este hoje?’”.

A segunda palavra que é repetida na leitura é “coração”. Com o coração, de fato, “encontramos o Senhor” e muitas vezes Jesus repreende, dizendo: “tardos de coração”, tardos no compreender. Portanto, o convite é para não induzir o coração e a questionar-se se não seja “sem fé” ou “seduzido pelo pecado””:

“No nosso coração se joga o hoje. O nosso coração é aberto ao Senhor? Sempre me impressiona quando encontro uma pessoa idosa – muitas vezes sacerdotes ou religiosas – que me dizem: ‘Padre, reze pela minha perseverança final’ – ‘Mas viveu bem toda a vida, todos os dias do seu hoje foram no serviço do Senhor, mas tem medo …?’ – ‘Não, não: a minha vida ainda não findou: eu gostaria de vivê-la plenamente, rezar para que o hoje chegue pleno, pleno, com o coração firme na fé, e não destruído pelo pecado, pelos vícios, pela corrupção…”.

Portanto, o Papa exorta a interrogar-nos sobre o nosso “hoje” e sobre o nosso coração. O “hoje” é repleto de dias, mas não se repetirá. Os dias se repetem até quando o Senhor dirá “chega”.

Mas o “hoje” não se repete: é esta a vida. O coração é aberto ao Senhor, não fechado, não endurecido, não sem fé, não perverso, não seduzido pelo pecado. O Senhor encontrou tantas pessoas que tinham o coração fechado: os doutores da Lei, todos os que o perseguiam, que o colocavam à prova para condená-lo... até que conseguiram. Voltemos para as nossas casas somente com estas duas perguntas: como está o meu “hoje”? O ocaso pode ser hoje mesmo, neste mesmo dia ou em tantos outros. Mas, como está o meu “hoje” na presença do Senhor? O meu coração, como está? Está aberto? Está firme na fé? Ele se deixa conduzir pelo amor do Senhor? Com estas duas perguntas peçamos ao Senhor a graça da qual cada um de nós necessita.



Marcando presença diária em seu Twitter, o Santo Padre deixa sua mensagem à Igreja e ao mundo

11/01/2017
Cada um pode contribuir para uma cultura de misericórdia, qual ninguém olhe para o outro com indiferença.
10/01/2017
Espero que possam aumentar entre os nossos países e seus povos as ocasiões para trabalhar juntos e construir uma paz autêntica.
09/01/2017
Não pode existir paz verdadeira, se cada um reclama sempre e somente o próprio direito, sem se preocupar com o bem dos outros.

Audiência: depositar a esperança em Deus, não nos falsos ídolos

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco se reuniu com cerca de seis mil fiéis na Sala Paulo VI para a Audiência Geral de quarta-feira (11/01/2017). Em sua catequese, o Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre a esperança cristã, advertindo desta vez sobre as falsas esperanças depositadas nos ídolos de que fala o Salmo 115.

Esperar é uma necessidade primária do homem, explicou o Papa. Mas é importante que esta esperança seja colocada em quem verdadeiramente possa ajudar a viver e dar sentido à nossa existência.

Diante das dificuldades da vida, podemos sentir a tentação de buscar consolações efêmeras para preencher o vazio da solidão. O perigo está em buscar uma segurança imediata. E nos iludimos de poder encontrar segurança no dinheiro, nas alianças com os poderosos, na mundanidade e nas ideologias. Estes são os falsos ídolos.

“Mas nós gostamos dos ídolos”, constatou Francisco, contando que em Buenos Aires, quando atravessava um parque para ir de uma igreja a outra, via inúmeros cartomantes. “Faziam até fila”, lembrou. “Você dá a mão e ouve: há uma mulher na sua vida, tem uma sombra, mas tudo acabará bem. Isso dá segurança”, disse o Papa. “É a segurança de uma estupidez. Este é o ídolo. ‘Ah, fui na cartomante e ela leu as cartas’. Sei que ninguém de vocês faz isso”, brincou Francisco com os fiéis. “Você paga para ter uma falsa esperança: compramos falsas esperanças” ao invés de confiar na esperança da gratuidade de Jesus.

Deste modo, reduzimos Deus aos nossos esquemas e ideias de divindade: um deus à nossa medida, que satisfaz as nossas exigências e intervém magicamente para mudar a realidade e torná-la como a queremos. Neste caso, o homem, feito à imagem de Deus, fabrica um deus à sua própria imagem e uma imagem mal acabada.

“Mas ficamos mais felizes em confiar nos falsos ídolos do que esperar no Senhor”, lamentou mais uma vez o Papa. À esperança no Senhor da vida, contrapomos a confiança em imagens mudas. Quando se tornam ídolos aos quais tudo se sacrifica, disse ainda o Pontífice, valores como o sucesso, o poder ou a beleza física confundem a mente e o coração e, em vez de favorecer a vida, conduzem à morte. Francisco citou o exemplo de uma mulher, muito bonita, que contava – como se fosse natural – que fez um aborto para preservar a beleza. “Estes são os ídolos que o levam para o caminho errado e não levam a lugar nenhum.”

Por isso, a mensagem do Salmo é clara. Se depositarmos a esperança nestes ídolos, ficaremos como eles: imagens vazias, com mãos que não tocam, pés que não caminham e bocas que não falam. Não temos nada para dizer, tornamo-nos incapazes de ajudar, mudar as coisas, sorrir, doar-se e amar. E também os homens de Igreja correm este risco quando se ‘mundanizam’: “É preciso estar no mundo, mas defender-se das ilusões do mundo”.

Concluindo, o Papa recordou que a esperança em Deus jamais desilude. “Já os ídolos desiludem sempre. São fantasias, não realidades.” Se depositarmos a nossa esperança em Deus, vamos nos tornar como Ele, partilhando a sua vida e irradiando a sua bênção. “E neste Deus confiamos. E este Deus, que não é um ídolo, jamais desilude.”


Em homilia, Papa fala das características da autoridade de Jesus

Jesus tinha autoridade porque servia as pessoas, estava próximo das pessoas e era coerente, ao contrário dos doutores da lei que se sentiam príncipes. Estas três características da autoridade de Jesus foram destacadas pelo Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 10.jan.2017, na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que os doutores da lei ensinavam com autoridade “clericarística”, afastados das pessoas, não viviam aquilo que pregavam.

A autoridade de Jesus e aquela dos fariseus foram os dois eixos centrais para a homilia do Papa. Uma é autoridade real, a outro formal. O Evangelho do dia fala do estupor das pessoas porque Jesus ensinava “como alguém que tem autoridade” e não como os escribas. Estes, ressaltou Francisco, eram as autoridades do povo, mas aquilo que ensinavam não entrava no coração, enquanto Jesus tinha uma autoridade real: não era “um sedutor”, ensinava a Lei até o último detalhe, ensinava a Verdade com a autoridade.

“Jesus servia as pessoas, explicava as coisas para que as pessoas entendessem bem: estava ao serviço das pessoas. Havia um comportamento de servidor, e isto Lhe dava autoridade. Ao invés, os doutores da lei que as pessoas… sim, escutavam, respeitavam mas não reconhecia que tivessem autoridade sobre eles, estes tinham uma psicologia de príncipes: ‘Somos os mestres, os príncipes, e nós ensinamos vocês. Não serviço: nós mandamos, vocês obedecem”. E Jesus nunca se fez passar por um príncipe: era sempre servidor de todos e isto é o que Lhe dava autoridade”.

É o estar próximo das pessoas, na verdade, que confere autoridade. A proximidade é a segunda característica que diferencia a autoridade de Jesus daquela dos fariseus. “Jesus não era alérgico às pessoas: tocava os leprosos, os doentes, não lhe dava repugnância”, explicou Francisco, enquanto os fariseus desprezavam as pobres pessoas, ignorantes, eles gostavam de passear pelas praças, bem vestidos.

“Eram distantes das pessoas, não eram próximos; Jesus era muito próximo das pessoas, e isso dava autoridade. Os distantes, aqueles doutores, tinham uma psicologia clericalística: ensinavam com uma autoridade clericalística, isto é, o clericalismo. Eu gosto tanto quando leio a proximidade às pessoas que tinha o Beato Paulo VI; no número 48 da ‘Evangelii Nuntiandi’ se vê o coração do pastor próximo: ali está a autoridade daquele Papa, a proximidade”.

Mas há um terceiro ponto que diferencia a autoridade dos escribas daquela de Jesus, e é a coerência. O Papa destacou que Jesus vivia o que pregava, enquanto quem se sente príncipe tem uma atitude clericalística, isto é hipócrita, diz uma coisa e faz outra.

“Ao invés, essas pessoas não eram coerentes e sua personalidade era dividida a ponto que Jesus aconselhava seus discípulos: ‘Façam o que dizem, mas não o que fazem’. Diziam uma coisa e faziam outra. Incoerência. Eram incoerentes. E o adjetivo que Jesus usa muitas vezes é hipócrita. E dá para entender que quem se sente príncipe, que tem uma atitude clericalística, que é uma hipócrita, não tem autoridade! Dirá verdades, mas sem autoridade. Jesus, ao invés, que é humilde, que está a serviço, que está próximo, que não despreza as pessoas e que é coerente, tem autoridade. E esta é a autoridade que o povo de Deus sente”.

Concluindo, o Papa recordou a parábola do Bom Samaritano. Francisco ligou este episódio com o estupor das pessoas do Evangelho de hoje diante da autoridade de Jesus. “Uma autoridade humilde, de serviço, uma autoridade próxima das pessoas e coerente”.


Missa em Santa Marta- Com o Evangelho no bolso

«Conhecer e reconhecer Jesus, adorá-lo, segui-lo»: só assim o Senhor será verdadeiramente «o centro da nossa vida». E para fazer isto existem alguns pequenos gestos ao alcance de todos: ter sempre consigo uma edição de bolso do Evangelho para o poder facilmente ler no dia a dia, juntamente com a recitação de breves preces de adoração, com o Glória, mas prestando muita atenção a não repetir as palavras «como papagaios». São estas as coordenadas da «simplicidade da vida cristã» — com efeito, é inútil recorrer a «coisas estranhas ou difíceis» — que o Pontífice voltou a propor na missa celebrada na manhã de 9 de janeiro de 2017, na capela da Casa Santa Marta.

O tempo litúrgico que acabamos de viver, observou o Papa, «tinha no centro a espera de Jesus e depois a sua vinda: o nascimento e os mistérios do nascimento até ao batismo». Assim «hoje começa um novo tempo litúrgico — explicou — e a Igreja faz-nos ver no centro deste início também Jesus». Portanto «o centro da liturgia de hoje é Jesus: Jesus como a primeira e a última palavra do Pai». Com efeito «Deus, que muitas vezes e de vários modos nos tempos antigos tinha falado aos padres por meio dos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio do Filho que Ele estabeleceu como herdeiro de todas as coisas e mediante o qual criou também o mundo: Jesus, o Filho, o Salvador, o Senhor, Ele é o Senhor do universo».

«Foi um longo caminho a fim de que chegasse este momento da manifestação de Jesus que celebramos no tempo de Natal», afirmou. Mas, acrescentou, «continua a ser o centro da vida cristã: Jesus Cristo, Filho do Pai, Salvador do mundo. Não há outro, é o único». E «é este o centro da nossa vida: Jesus Cristo que se manifesta, que se mostra, e nós estamos convidados a conhecê-lo, a reconhecê-lo na vida, nas numerosas circunstâncias da vida».

Eis o ponto: «Reconhecer Jesus, conhecê-lo». E se é bom conhecer «a vida daquele santo, daquela santa ou as aparições deste e daquele», contudo nunca devemos perder de vista que «o centro é Jesus Cristo: sem Ele não há santos». Sem dúvida, esclareceu Francisco, «os santos são santos, são grandes», são «importantes», mas «nem todas as aparições são verdadeiras».

Nesta perspetiva, sugeriu o Papa, é oportuno «perguntar: é Jesus Cristo o centro da minha vida? Qual é a minha relação com Jesus Cristo?». Francisco observou que no início da celebração, na oração da coleta, «pedimos a graça de ver, de conhecer o que devemos fazer, a graça de ter a força para o fazer». Mas «a primeira coisa que devemos fazer é olhar para Jesus Cristo». E «há três coisas, digamos três deveres, para garantir que Jesus está no centro da nossa vida».

«Antes de tudo — explicou o Papa — reconhecer Jesus, conhecê-lo e reconhecê-lo. Por sua vez, o apóstolo João no início do seu Evangelho diz que muitos não o reconheceram: os doutores da lei, os sumos sacerdotes, os escribas, os saduceus, alguns fariseus». Além disso, «perseguiram-no, mataram-no». Portanto, «a primeira atitude é conhecer e reconhecer Jesus; procurar saber como era Jesus: interessa-me isto?». Trata-se, afirmou, de «uma pergunta que todos devemos fazer: interessa-me conhecer Jesus ou interessa-me mais a telenovela, os mexericos, as ambições, a vida alheia?».

Em síntese, deve-se «conhecer Jesus para o poder reconhecer». E «para conhecer Jesus há a oração, o Espírito Santo, sim»; mas um bom sistema é «ler o Evangelho todos os dias». E o Papa confidenciou que tem «vontade de perguntar: quantos de vós pegam no Evangelho todos os dias e leem um trecho? Ia dizer para levantar a mão: mas não o farei, tranquilos!». É importante, disse, trazer sempre consigo uma cópia do Evangelho, talvez «o de bolso, que é pequenino, para o ter no bolso, na bolsa, sempre comigo». Narra-se, prosseguiu, que «Santa Cecília levava o Evangelho perto do coração: perto, perto!». E assim, tendo-o sempre ao seu alcance, pode-se «ler todos os dias um trecho do Evangelho: é o único modo de conhecer Jesus», de saber «o que fez, o que disse».

É fundamental «ler a história de Jesus: sim, o Evangelho é a história de Jesus, a sua vida, é o próprio Jesus, é o Espírito Santo que nos faz ver Jesus ali». Por esta razão, Francisco quis renovar o seu conselho: «Por favor, fazei isto: todos os dias, um trecho do Evangelho, pequenino, três, quatro, cinco minutos». Entende-se lendo o Evangelho; «e ele age dentro: é o Espírito Santo que faz o trabalho depois. Esta é a semente. Quem faz a semente germinar e crescer é o Espírito Santo».

Se o primeiro dever é «reconhecer Jesus, conhecê-lo», o segundo é proposto também na «liturgia, no início, antes da oração da coleta, e depois no salmo responsorial: adorar Jesus, é Deus!». É preciso «adorar Jesus», afirmou acrescentando: «No salmo rezamos: “Adoramos o Senhor com os seus anjos”» (Sl 96). E se «os anjos o adoram» realmente, é bom perguntar «se também nós o adoramos». Na maioria das vezes, disse, nós rezamos a Jesus para lhe pedir algo ou agradecer por alguma coisa. E «tudo isto é bom», mas a verdadeira pergunta é se adoramos Jesus.

«Pensemos em dois modos de adorar Jesus», propôs Francisco. Há «a prece de adoração em silêncio: “Tu és Deus, és o Filho de Deus, eu adoro-te”». Isto é «adorar Jesus». Mas devemos também «tirar do nosso coração as outras coisas que “adoramos”, que mais nos interessam». Só deve estar «Deus, e as outras coisas só servem se visarem Deus, servem se eu for capaz de adorar só Deus». Por isso devemos «adorar Deus, Jesus, conhecer Jesus com o Evangelho, adorar Jesus».

A este propósito, o Papa não deixou de oferecer outra sugestão prática: «Há uma pequena oração que nós recitamos, o Glória — “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo” — mas muitas vezes dizemo-la mecanicamente, como papagaios». Ao contrário, «esta prece é adoração, glória: adoro o Pai, o Filho e o Espírito Santo». Eis então a sugestão do Papa, a «adorar com pequenas preces, com o silêncio diante da grandeza de Deus, adorar Jesus e dizer: Tu és o único, o princípio e o fim, e contigo quero permanecer a vida inteira, toda a eternidade. Tu és o único». E assim também «expulsar as coisas que me impedirem de adorar Jesus».

«O terceiro dever que vos sugiro para ter Jesus no centro da nossa vida — referindo-se a Marcos (1, 14-20) — é o que nos diz o Evangelho de hoje: seguir Jesus». Quando o Senhor «vê Pedro e André a trabalhar, eram pescadores, diz-lhe: “Vinde após mim”». Portanto, devemos «seguir Jesus, o que Ele nos ensinou, o que nós encontramos todos os dias quando lemos este trecho do Evangelho». E perguntar: «Senhor, o que queres que eu faça? Mostra-me o caminho».

Concluindo, Francisco repetiu que o essencial é manter sempre «Jesus no centro». E «isto significa conhecer, reconhecer Jesus, adorá-lo e segui-lo: a vida cristã é muito simples, mas precisamos da graça do Espírito Santo para que desperte em nós este desejo de conhecer, adorar e seguir Jesus». Exatamente por isso, frisou, «pedimos ao Senhor no início na oração da coleta, para saber o que devemos fazer e ter a força para o fazer». E, auspiciou, «na simplicidade de cada dia — pois cada dia, para ser cristão, não são necessárias coisas estranhas, difíceis, supérfluas, não, é simples — o Senhor nos conceda a graça de conhecer Jesus, de adorar Jesus e de seguir Jesus».


Papa: que Deus aqueça o nosso coração para ajudarmos quem passa frio

Cidade do Vaticano, 8.janeiro.2017 (RV) - Ao final do Angelus, o Papa Francisco pediu a todos solidariedade  pelos que vivem nas ruas e passam frio devido às baixas temperaturas:

“Nestes dias de tanto frio, penso e vos convido a pensar em todas as pessoas que vivem pelas ruas, atingidas pelo frio e muitas vezes pela indiferença. Infelizmente alguns não conseguiram. Rezemos por eles e peçamos ao Senhor para aquecer o nosso coração e ajudá-los”.

De fato, as baixas temperaturas verificadas em todas a Itália e em diversos países, tem provocado vítimas entre as pessoas que não tem uma moradia. Até o momento, somente na Itália, cinco pessoas morreram de frio.

Algumas estações de metrô em Roma tem permanecido abertas durante a noite para oferecer abrigo aos necessitados. Grupos de solidariedade percorrem as ruas e distribuem cobertores e alimentos aos milhares de sem-teto espalhados por toda a cidade de Roma.


Papa: anunciar o Evangelho com ternura e firmeza, sem arrogância ou imposição

Cidade do Vaticano,
8.janeiro.2017 (RV) – “A verdadeira missão nunca é proselitismo, mas atração a Cristo, a partir da forte união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta”.

Ao encontrar milhares de fieis na Praça São Pedro, a uma temperatura de 1°C, para a oração do Angelus, Francisco falou sobre “o estilo missionário dos discípulos de Jesus: anunciar o Evangelho com brandura e firmeza, sem arrogância ou imposição”.

O evangelho de Matheus, da Liturgia do dia, narra o Batismo de Jesus, que marca o início de sua vida pública. João quis impedir Jesus de ser batizado, dizendo ser ele a ter necessidade de receber o Batismo do Mestre. “Batista, de fato – explicou o Papa – tem consciência da grande distância que existe entre ele e Jesus. Mas Jesus veio para preencher a distância entre o homem e Deus: se Ele é totalmente da parte de Deus”, também o é da parte do homem, “reunindo assim o que estava dividido”.

Com o Batismo de Jesus por João, cumpre-se o desígnio do Pai que “passa pelo caminho da obediência e da solidariedade com o homem frágil e pecador, o caminho da humildade e da plena proximidade de Deus aos seus filhos. Porque Deus é tão próximo a nós, tão!”.

“Este é meu Filho muito amado, em quem coloco todo o meu favor”, diz o Pai, quando Jesus é batizado e sai do Jordão e sobre ele desce o Espírito Santo em forma de pomba, “dando início à sua missão de salvação”. “Missão caracterizada pelo estilo do servo humilde e brando, munido somente com a força da verdade, como havia profetizado Isaías”:

“Eis o estilo de Jesus, e também o estilo missionário dos discípulos de Cristo: anunciar o Evangelho com ternura e firmeza, sem gritar, sem censurar ninguém, mas com ternura e firmeza, sem arrogância ou imposição. A verdadeira missão não é nunca proselitismo, mas atração a Cristo. Mas como? Como se atrai a Cristo? Com o próprio testemunho, a partir da forte união com Ele na oração, na adoração e na caridade concreta, que é serviço a Jesus presente nos menores dos irmãos”.

“À imitação de Jesus pastor bom e misericordioso, e animados pela sua graça – prosseguiu o Santo Padre -   somos chamados a fazer de nossa vida um testemunho alegre que ilumina o caminho, que leva esperança e amor”:

“Esta festa nos faz redescobrir o dom e a beleza de ser um povo de batizados, isto é, de pecadores salvos pela graça de Cristo, inseridos realmente, por obra do Espírito Santo, na relação filial de Jesus com o Pai, acolhidos no seio da mãe Igreja, capazes de uma fraternidade que não conhece limites e barreiras”.

Ao concluir sua reflexão, Francisco pediu que a “Virgem Maria ajude a todos nós cristãos a conservar uma consciência sempre viva e reconhecida do nosso Batismo e a percorrer com fidelidade o caminho inaugurado por este Sacramento de nosso renascimento. E sempre humildade, brandura e firmeza”.

Após rezar o Angelus, o Papa recordou que recém havia batizado “um bom grupo de recém nascidos - 28 -”, pedindo oração por eles e por suas famílias. "Também ontem batizei um jovem catecúmeno. E gostaria de estender a minha oração a todos os pais que neste período estão se preparando para o Batismo de um filho, ou há pouco o festejaram.

“Invoco o Espírito Santo sobre eles e seus filhos, para que este Sacramento, tão simples e ao mesmo tempo tão importante, seja vivido com fé e com alegria”.

Francisco, a seguir, convidou a todos para unirem-se “à Rede Mundial de Oração do Papa, que difunde, também pelas redes sociais, as intenções de oração que proponho a cada mês, a toda a Igreja. Assim se leva em frente o apostolado da oração e se faz crescer a comunhão”.


Papa batiza e diz aos pais: proteger a fé, fazê-la crescer...

Neste domingo, 8 de Jeneiro de 2017, o Papa Francisco presidiu na Capela Sistina, no Vaticano, à Eucarisita por ocasião do Batismo do Senhor. E como já é tradição, neste dia, o Papa baptizou algumas crianças: 28 ao todo, 13 de sexo feminino e 15 de sexo masculino.

Na sua breve homilia, dirigindo-se aos pais dessas crianças, o Papa disse:

“Vós pedistes para as vossas crianças, a fé que será dada pelo baptismo. A fé: isto significa vida de fé, porque a fé deve ser vivida. Caminhar pelos caminhos da fé e dar testemunho da fé. A fé não é recitar o “Credo” domingo, quando vamos à Missa: não é só isto. A fé é acreditar naquilo que é a Verdade: Deus Pai que enviou o seu Filho e o Espírito que nos vivífica. Mas a fé é também confiar-se a Deus, e deveis ensinar isto às vossas crianças, com o vosso exemplo, com a vossa vida. E a fé é luz: na cerimónia do baptismo vos será dada uma vela acesa, como nos primeiros dias da Igreja. E por isso, o baptismo, naqueles tempos, se chamava “a iluminação”, porque a fé ilumina o coração, faz ver as coisas com uma outra luz. Vós pedistes a fé: a Igreja dá a fé aos vossos filhos com o baptismo, e vós tendes a tarefa de a fazer crescer, de a proteger a fim de que se torne testemunho para todos os outros. Este é o sentido desta cerimónia. E é só isto que vos queria dizer: proteger a fé, fazê-la crescer, a fim de que seja testemunho para os outros.

E agora… começou o concerto, eh! (as crianças choram): é porque as crianças estão num lugar que não conhecem, levantaram-se, talvez, mais cedo do que o costume, começa uma, dá a nota, e depois todas as outras copiam e todas…. algumas choram simplesmente porque chorou a outra e…. Jesus fez o mesmo eh! Gosto de pensar que a primeira pregação de Jesus na manjedoura foi o pranto: a primeira. E depois… como a cerimónia é um pouco longa, alguém chora pela fome: se é assim, vós mamãs aleitai-as, eh!, sem medo, com toda a normalidade. Assim como Nossa Senhora aleitava Jesus…

Não esquecer: pedistes a fé, a vós a tarefa de proteger a fé, de a fazer crescer, a fim de que sirva de testemunho para todos nós, para todos nós: também para nós, padres, sacerdotes, bispos, todos. Obrigada.” 


Papa: Coragem, a luz de Jesus vence as trevas mais obscuras!

Cidade do Vaticano, 06.janeiro.2017 (RV) – Cabe a nós escolher qual estrela seguir. Mas saindo de nossa acomodação e buscando a luz de Jesus, encontraremos a alegria verdadeira. Na Solenidade da Epifania, o Papa Francisco rezou o Angelus com cerca de 35 mil peregrinos e fieis, convidando a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”. A sensação térmica na Praça São Pedro era abaixo de zero.

“O símbolo desta luz que resplandece no mundo e quer iluminar a vida de cada um – disse o Papa no início de sua reflexão – é a estrela que guiou os Magos a Belém”. Eles a viram despontar no horizonte e “decidiram segui-la, deixaram-se guiar pela estrela de Jesus”, “uma luz estável, uma luz gentil, que não se apaga, porque não é deste mundo, vem do céu, e resplandece no coração”:

“Também na nossa vida existem diversas estrelas, luzes que brilham e orientam. Cabe a nós escolher quais seguir. Por exemplo, existem luzes intermitentes, que vão e vem, como as pequenas satisfações na vida: ainda que boas, não são suficientes, porque duram pouco e não deixam a paz que buscamos. Existem depois as luzes deslumbrantes do dinheiro e do sucesso, que prometem tudo e logo: são sedutoras, com a sua força cegam e fazem passar dos sonhos de glória à escuridão mais densa”.

A luz verdadeira – reiterou o Papa – é o próprio Jesus, “ele é a nossa luz, uma luz que não ilude, mas acompanha e dá uma alegria única. Esta luz é para todos e chama a cada um: Levanta-te, reveste-te de luz”. Uma luz – a de Jesus - à qual somos chamados a seguir no início de cada novo dia, “entre as tantas estrelas cadentes no mundo (...). Seguindo-a, teremos a alegria, como acontece aos Reis Magos, que ao ver a estrela experimentaram uma alegria grandíssima, porque onde está Deus, ali há alegria”:

“Quem encontrou Jesus, experimentou a alegria da luz que ilumina as trevas e conhece esta luz que ilumina e irradia. Gostaria, com muito respeito, convidar a todos a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor. Sobretudo gostaria de dizer a quem perdeu a força, está cansado, a quem, sobrecarregado pelas obscuridades da vida, perdeu o ânimo: levanta-te, coragem, a luz de Jesus sabe vencer as trevas mais obscuras, levanta-te, coragem”.

Para encontrar esta luz – recomendou o Papa -  devemos seguir o exemplo dos Magos, que o Evangelho descreve como “sempre em movimento”, “sair de si e buscar, não ficar fechado olhando o que acontece ao redor, mas arriscar a própria vida”:

“A vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e feito de busca; um caminho que, como o dos Magos, prossegue também quando a estrela desaparece momentaneamente da vista. Neste caminho existem também insídias que devem ser evitadas: as conversas superficiais e mundanas, que freiam o passo; os caprichos paralisantes do egoísmo; o pessimismo, que aprisiona a esperança”.

“Não basta saber que Deus nasceu, se não se faz com Ele Natal no coração”, alertou Francisco. Os Magos fizeram isto, prostraram-se e o adoraram. “Não olharam para ele somente, não fizeram somente uma oração circunstancial e foram embora, mas o adoraram, “entraram em comunhão pessoal de amor com Jesus. Depois, deram a ele ouro, incenso e mirra, isto é, os bens mais preciosos”.

Neste sentido, o Papa exorta a aprendermos dos Magos a não dedicar a Jesus somente os “retalhos de tempo e algum pensamento de vez em quando, pois assim não teremos a sua luz”, mas devemos sim, “nos colocar a caminho, revestindo-nos de luz seguindo a estrela de Jesus e adorar o Senhor com todo nosso ser”.

Ao final do Angelus o Santo Padre, ao saudar os grupos presentes na Praça São Pedro, felicitou as comunidades eclesiais do Oriente, que seguem o calendário Juliano e que celebram o Natal neste sábado, 7 de janeiro: “Em espírito de jubilosa fraternidade, faço votos de que o nascimento do Senhor Jesus os preencha de luz e de paz”.


Íntegra: reflexão do Papa na Solenidade da Epifania do Senhor

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa presidiu na manhã da sexta-feira (06/01/2017) a Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro.

Em sua reflexão, Francisco falou de uma "nostalgia" que impeliu os reis magos a colocarem-se a caminho e seguir a estrela de Belém.

"Lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo", refletiu o Pontífice.

Abaixo, a íntegra da reflexão do Papa:

“Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”. (Mt 2, 2).

Com estas palavras, os Magos, que vieram de terras distantes, explicam o motivo da sua longa caminhada: adorar o Rei recém-nascido. Ver e adorar são duas ações que sobressaem na narração evangélica: vimos uma estrela e queremos adorar.

Estes homens viram uma estrela, que os pôs em movimento. A descoberta de algo fora do comum, que aconteceu no céu, desencadeou uma série inumerável de acontecimentos. Não era uma estrela que brilhou exclusivamente para eles, nem possuíam um DNA especial para a descobrir.

Como justamente reconheceu um Pai da Igreja, os Magos não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho (cf. João Crisóstomo). Mantinham o coração fixo no horizonte, podendo assim ver aquilo que lhes mostrava o céu, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade.

Os Magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração.

Esta nostalgia santa de Deus brota no coração que acredita, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória fiel que se rebela contra tantos profetas de desgraça. É esta nostalgia que mantém viva a esperança da comunidade fiel que implora, semana após semana, com estas palavras: «Vinde, Senhor Jesus!»

Era precisamente esta nostalgia que impelia o velho Simeão a ir ao Templo todos os dias, tendo a certeza de que a sua vida não acabaria sem ter nos braços o Salvador. Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair de uma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara.

E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos.

A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o fiel «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e não o faz, seguramente, com uma atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Entretanto no palácio de Herodes que distava poucos quilômetros de Belém, animados de procedimento oposto, não se tinham apercebido do que estava a acontecer. Enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia; dormia em conluio com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. Dormia sob a anestesia de uma consciência cauterizada.

E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos. A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os “vencedores” e a qualquer preço.

Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida. E Herodes teve medo, e aquele medo levou-o a procurar segurança no crime: «Necas parvulos corpore, quia te necat timor in corde – matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração» (São Quodvultdeus, Sermo 2 de Symbolo: PL 40, 655).

Queremos adorar. Aqueles homens vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio. Aqui chegaram eles com a sua busca; era o lugar idôneo, porque é próprio de um rei nascer em um palácio, ter a sua corte e os seus súditos. É sinal de poder, de êxito, de vida bem-sucedida.

E pode-se esperar que o rei seja reverenciado, temido e lisonjeado; mas não necessariamente amado. Estes são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos a quem prestamos culto: o culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza e escravidão.

E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial.

Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania; descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona.

Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia.

Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!

Herodes não pode adorar, porque não quis nem pôde mudar o seu olhar. Não quis deixar de prestar culto a si mesmo, pensando que tudo começava e terminava nele. Não pôde adorar, porque o seu objetivo era que o adorassem a ele. Nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar.

Os Magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo.

Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus.


Às populações vítimas do sismo na Itália central o Papa pediu para não perder a esperança- Mãos e corações para reconstruir

Reconstruir os corações antes ainda que as casas: o Papa Francisco confiou esta recomendação às vítimas do sismo nas regiões do centro da Itália recebendo-as em audiência na manhã de quinta-feira, 5 de janeiro de 2017, na sala Paulo VI.

Um encontro marcado por gestos de ternura e afeto, não só por palavras, durante o qual o Pontífice se entreteve por longo tempo com quantos perderam os seus entes queridos no trágico sismo da madrugada de 24 de agosto passado. Crianças, idosos, mulheres e homens ulteriormente provados por outro forte tremor de terra no dia 30 de outubro seguinte, que mesmo não tendo provocado vítimas causou mais danos imensos. Inspirando-se nos testemunhos de uma família e de um pároco, o Papa desenvolveu a sua reflexão frisando alguns termos como reconstrução, corações, mãos, feridas, virtudes, proximidade e sonho.

«Na vossa situação – disse – o pior que se possa fazer é um sermão; é melhor ouvir o que diz o vosso coração». Eis então o «refrão da reconstrução» que ritmou as palavras das testemunhas e que Francisco associou não tanto à construção civil quanto aos corações, ao tecido social e humano, à própria comunidade eclesial. E a propósito evocou a visita que realizou a 4 de outubro passado aos lugares devastados pelo sismo e o encontro com um homem que lhe confidenciou a própria dor por ser obrigado a reconstruir a sua casa pela terceira vez. Mas para o Papa dor significa sobretudo a recordação da pequena Giorgia – que veio com os pais à audiência geral de 26 de outubro – que perdeu a irmãzinha Giulia de onze anos; e do casal (presentes na audiência geral de 23 de novembro) que perdeu os filhos gémeos Andrea e Simone de apenas sete anos. Referindo-se às suas histórias o Pontífice falou sobre «corações feridos» e como nestas circunstâncias, mesmo que não haja lugar para um otimismo genérico, deve haver espaço para a esperança.

Um convite a esperar não obstante tudo, que segundo o Papa pode tornar-se concreto, tangível, graças às «mãos»: mãos que abraçam, acariciam para confortar e consolar; mas também que libertam de escombros e detritos, que escavam, como as dos bombeiros e dos voluntários; mãos que curam, como as de médicos e enfermeiros.

E isto remete ao tema das «feridas», porque – disse o Papa – cada um «sofreu algo, alguns perderam tudo». A este propósito Francisco recordou que se chorar sozinho faz bem, chorar junto é ainda melhor. De resto, a vida das vítimas do sismo nunca poderá ser a mesma de antes. É algo novo – explicou – porque as feridas saram mas as cicatrizes permanecem para sempre.

Depois, uma menção às «virtudes» destas pessoas: fortaleza de ânimo, tenacidade, paciência e solidariedade. As mesmas que o Pontífice encontrou nos sacerdotes que não abandonaram aquelas terras e que o deixam satisfeito: pastores que não fogem diante do lobo, definiu-os.

E inspirado pelo seu exemplo, Francisco exortou à «proximidade» que nos torna mais humanos e corajosos: porque uma coisa é ir sozinhos pela estrada da vida e outra é ir com os outros, de mãos dadas. Uma proximidade experimentada pelas vítimas do sismo, que permite – concluiu – ter a coragem de sonhar.


Papa: levar às comunidades cristãs uma nova cultura vocacional

Cidade do Vaticano  (RV) - O Papa Francisco recebeu, nesta quinta-feira (05/01/2017), na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de oitocentos participantes do encontro nacional promovido pela Pastoral Vocacional da Conferência Episcopal Italiana (CEI) sobre o tema “Levanta-te, vá e não tenhas medo”.

O Pontífice entregou o discurso preparado e falou espontaneamente, convidando os jovens a não terem medo de se levantar e aceitar o convite de Jesus que diz: Segui-me.

Francisco convidou os sacerdotes, consagrados e religiosas a abrirem as portas de seus institutos aos jovens. “As portas se abrem com a oração, a boa vontade e o risco. Arriscar-se com os jovens”, disse o Santo Padre.

“Jesus nos disse que o primeiro método para obter vocações é a oração, e nem todos são convencidos disso. Rezar pelas vocações. Com as portas fechadas ninguém pode entrar para encontrar o Senhor. É preciso abrir as portas para que eles possam entrar nas igrejas. Os bispos devem procurar uma maneira de acompanhar a oração da comunidade”, sublinhou Francisco.

O Papa chamou a atenção para o anúncio do Evangelho. Falou também sobre a importância do acolhimento. “Para ter vocações é preciso acolher os jovens.”

“Se queremos vocações devemos abrir as portas, rezar e nos sentar para ouvir os jovens. Fazer o apostolado do ouvido. Ter paciência, ouvir, fazer com que se sintam em casa, acolhidos. Muitas vezes eles fazem molecagem: Graças a Deus! Porque não são velhos. É importante perder tempo com os jovens.”

Segundo Francisco, o testemunho é outro elemento importante para a Pastoral Vocacional. “É verdade que o jovem sente o chamado do Senhor, mas o chamado é concreto, e na maioria das vezes é: Quero me tornar como ele ou ela. Existem testemunhos que atraem os jovens. Os testemunhos dos bons sacerdotes e das boas religiosas.”

A seguir, o resumo do discurso entregue pelo Papa aos participantes do encontro.

No discurso entregue aos participantes, o pontífice se congratula pela realização desse encontro anual “onde se partilha a alegria da fraternidade e a beleza de várias vocações”.

No texto, Francisco recorda a Assembleia sinodal de 2018 sobre o tema ‘Jovens, fé e discernimento vocacional’. “O sim total e generoso de uma vida que se doa é semelhante a uma fonte de água, escondida por muito tempo nas profundezas da terra, que espera para jorrar e escorrer num fluxo de pureza e frescor. Os jovens hoje precisam de uma fonte de água fresca para saciar a sede e prosseguir o seu caminho de descoberta. Os jovens têm o desejo de uma grande vida. O encontro com Cristo, o deixar-se atrair e guiar pelo seu amor amplia o horizonte da existência e doa uma esperança sólida que não decepciona".

Segundo o Papa, o serviço de anúncio e acompanhamento vocacional “requer paixão e gratuidade”. “A paixão do envolvimento pessoal, do saber cuidar das vidas que lhes são entregues como um baú que possui um tesouro precioso a ser preservado. A gratuidade de um serviço e ministério na Igreja que exige respeito por aqueles que são seus companheiros de caminhada. É o compromisso de buscar sua felicidade, e isso vai além de suas preferências e expectativas.”

Confiança e esperança

Francisco cita as palavras do Papa Bento XVI: “Sejam semeadores de confiança e esperança. É profundo o sentido de confusão em que muitas vezes vive a juventude contemporânea. Não raro, as palavras humanas são desprovidas de futuro e de perspectiva, despojadas também de sentido e de sabedoria. [...] E no entanto, esta pode ser a hora de Deus”.

“Para ser críveis e entrar em sintonia com os jovens é preciso privilegiar o caminho da escuta, do saber perder tempo em acolher as suas perguntas e seus desejos.”

“A prioridade do anúncio vocacional não é a eficiência do que fazemos, mas atenção privilegiada à vigilância e ao discernimento. É ter um olhar capaz de ver o lado positivo nos eventos humanos e espirituais que encontramos”, sublinha o Francisco.

Cultura vocacional

Segundo o Papa, “hoje é necessária uma Pastoral Vocacional de horizontes amplos e com o espírito de comunhão, capaz de ler com coragem a realidade assim como ela é, com suas fadigas e resistências, reconhecendo os sinais de generosidade e beleza do coração humano. É preciso levar novamente para dentro das comunidades cristãs uma nova cultura vocacional”.

“Não se cansem de repetir: ‘eu sou uma missão’ e não simplesmente ‘tenho uma missão’. Estar em estado permanente de missão requer coragem, audácia, criatividade e desejo de ir além.”

“Sintamo-nos impelidos pelo Espírito Santo a encontrar, com coragem, novos caminhos de anúncio do Evangelho da vocação, para ser homens e mulheres que, como sentinelas, sabem capturar os raios de luz de um novo amanhecer, numa experiência renovada de fé e paixão pela Igreja e pelo Reino de Deus.”


Papa: "Diante da dor, palavras de coração, silêncio, gestos e carinho"

Cidade do Vaticano (RV) – Prosseguindo seu ciclo de catequeses semanais sobre a esperança cristã, o Papa Francisco recebeu na Sala Paulo VI milhares de fiéis e peregrinos para a audiência geral. “O choro de Raquel por seus filhos” foi o tema do encontro na manhã desta quarta-feira (04/01/2017).

O Papa iniciou antecipando sua intenção de refletir sobre uma figura de mulher que fala da esperança vivida no pranto: a de Raquel, esposa de Jacó e mãe de José e de Benjamim. Aquela que, como nos ilustra o Genesis, morreu ao dar à luz o segundo filho.

“Um clamor se ouve em Ramá, de lamento, de choro, de amargura. É Raquel que chora seus filhos e recusa ser consolada, porque eles já não existem!”

“Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso compartilhar o seu desespero; para enxugar as lágrimas do rosto de quem sofre, é preciso unir o nosso pranto ao seu. Só assim podem as nossas palavras ser realmente capazes de dar um pouco de esperança”.

Nós vemos isto acontecer na profecia de Jeremias quando se dirige ao povo exilado na Babilônia e personificado em sua matriarca Raquel, esposa do patriarca Jacó e mãe dos seus filhos, José e Benjamim.

Ela morreu precisamente ao dar à luz este segundo filho: morreu para que Benjamim vivesse. O profeta imagina Raquel, ou seja, um povo deportado em lágrimas pelos filhos que já não existem, desapareceram para sempre. Mas Deus, na sua delicadeza e no seu amor, responde ao pranto de Raquel com a promessa: “Haverá recompensa para as tuas penas. Eles voltarão do país inimigo”. 

“Descansa tua voz do gemido, poupa os olhos das lágrimas! Pois há uma paga por teus trabalhos: – oráculo do Senhor – eles voltarão da terra inimiga! Há esperança para tua descendência: – oráculo do Senhor – teus filhos voltarão para a terra que é deles.

Justamente pelo pranto da mãe, há ainda uma esperança para os filhos. Suas lágrimas geraram esperança: o povo retornará do exílio e poderá livremente viver, na fé, a sua relação com Deus.

Como sabemos, o evangelista Mateus vê estas lágrimas de Raquel nos rostos das mães de Belém que choram os filhos mortos pelos sicários de Herodes, quando este se propôs matar Jesus. As crianças de Belém morreram por causa de Jesus. Mas Ele haveria, por sua vez, de morrer por todos.

O Filho de Deus entrou na dor dos homens, compartilhou e aceitou a morte; a sua palavra é definitivamente palavra de consolação, porque nasce do pranto. E, na cruz, será Ele, o Filho moribundo, a dar uma nova fecundidade à sua Mãe, confiando-Lhe o discípulo João e tornando-A mãe do povo dos crentes.

A morte está vencida e a profecia de Jeremias chega assim ao seu pleno cumprimento. Também as lágrimas de Maria, como as de Raquel, geram esperança e nova vida.


Papa Francisco continua nos presenteando com seus tweets diários:



08/01/2017
Que a Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus no caminho da fé e da caridade, o caminho traçado pelo nosso Batismo.
07/01/2017
Recordemos os irmãos e as irmãs do Oriente cristão, católicos e ortodoxos, que hoje celebram o Santo Natal.
06/01/2017
Como os Magos, também nós caminhemos atentos, incansáveis e corajosos, para encontrar o Deus invisível que nasceu para nós.
05/01/2017
Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros.
04/01/2017
Ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência.
03/01/2017
Possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações.
02/01/2017
No início deste novo ano, formulo sinceros votos de paz aos povos e nações do mundo inteiro.
01/01/2017
Confiemos a Maria Santíssima, Mãe de Deus, o novo ano, para que cresçam a paz e a misericórdia em todo o mundo.
31/12/2016
No final de um ano, recordemos os dias, as semanas, os meses que vivemos, para dar graças e oferecer tudo ao Senhor.
30/12/2016
Sagrada Família de Nazaré, faça com que todos nós reconheçamos a santidade da família, a sua beleza no plano de Deus.
29/12/2016
Deixemo-nos tocar pela ternura que salva. Aproximemo-nos de Deus que Se faz próximo, detenhamo-nos a olhar o presépio.
28/12/2016
Enamorado por nós, Deus atrai-nos com a sua ternura, nascendo pobre e frágil no nosso meio, como um de nós.
27/12/2016
O Natal tem sobretudo um sabor de esperança, porque, não obstante as nossas trevas, resplandece a luz de Deus.
26/12/2016
Na festa de Santo Estevão recordamos os mártires de ontem e de hoje. Vençamos o mal com o bem, o ódio com o amor.



Carta do Papa aos Bispos na Festa dos Santos Inocentes - Texto integral

Radio Vaticano – Na Carta escrita aos Bispos na Festa dos Santos Inocentes, celebrada a 28 de dezembro de 2016,, o Papa Francisco convida a proteger as crianças, vítimas de tanta violência. A Igreja também pede perdão pelos menores que foram abusados sexualmente por sacerdotes.

Já a seguir o texto integral:

Querido irmão!

Hoje, dia dos Santos Inocentes, enquanto continuam a ressoar nos nossos corações as palavras do anjo aos pastores «anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador» (Lc 2, 10-11), senti necessidade de te escrever. Faz-nos bem ouvir uma vez mais este anúncio; ouvir dizer de novo que Deus está no meio do nosso povo. Esta certeza, que renovamos de ano para ano, é fonte da nossa alegria e da nossa esperança.

Nestes dias, podemos experimentar como a liturgia nos toma pela mão e conduz ao coração do Natal, introduzindo-nos no Mistério e levando-nos pouco a pouco à fonte da alegria cristã.

Como pastores, fomos chamados para ajudar a fazer crescer esta alegria no meio do nosso povo. É-nos pedido que cuidemos desta alegria. Desejo, contigo, renovar o convite a que não nos deixemos roubar esta alegria, pois muitas vezes desiludidos – não sem razão – com a realidade, com a Igreja, ou mesmo desiludidos com nós próprios, sentimos a tentação de nos apegar a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera dos corações (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 83).

A nosso malgrado, o Natal é acompanhado também pelo pranto. Os evangelistas não se permitiram mascarar a realidade para a tornar mais credível ou atraente; não se permitiram criar um fraseado «bonito», mas irreal; para eles, o Natal não era um refúgio imaginário onde esconder-se perante os desafios e injustiças do seu tempo. Ao contrário, anunciam-nos o nascimento do Filho de Deus envolvido também numa tragédia de dor. No-lo apresenta com grande crueza o evangelista Mateus, citando o profeta Jeremias: «Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto; é Raquel que chora os seus filhos» (2, 18). É o gemido de dor das mães que choram a morte de seus filhos inocentes, causada pela tirania e desenfreada sede de poder de Herodes.

Um gemido que podemos continuar a ouvir também hoje, que nos toca a alma e que não podemos nem queremos ignorar ou silenciar. Hoje, entre o nosso povo, infelizmente – escrevo-o com profundo pesar –, ouve-se ainda a lamentação e o pranto de tantas mães, de tantas famílias, pela morte dos seus filhos, dos seus filhos inocentes.

Contemplar o presépio é também contemplar este pranto, é também aprender a escutar o que acontece em redor e ter um coração sensível e aberto à dor do próximo, especialmente quando se trata de crianças, e é também ser capaz de reconhecer que ainda hoje se está a escrever este triste capítulo da história. Contemplar o presépio, isolando-o da vida que o circunda, seria fazer do Natal uma linda fábula que despertaria em nós bons sentimentos, mas privar-nos-ia da força criadora da Boa Nova que o Verbo Encarnado nos quer dar. E a tentação existe...

Pode-se viver a alegria cristã, voltando as costas a estas realidades? Pode-se realizar a alegria cristã, ignorando o gemido do irmão, das crianças?

O primeiro chamado a guardar a alegria da Salvação foi São José. Perante os crimes atrozes que estavam a acontecer, São José – exemplo de homem obediente e fiel – foi capaz de ouvir a voz de Deus e a missão que o Pai lhe confiava. E porque soube ouvir a voz de Deus e se deixou guiar pela sua vontade, tornou-se mais sensível àquilo que o rodeava e soube ler, com realismo, os acontecimentos.

Hoje é pedido o mesmo também a nós, pastores: ser homens capazes de ouvir sem ser surdos à voz do Pai e, deste modo, poder ser mais sensíveis à realidade que nos rodeia. Hoje, tendo por modelo São José, somos convidados a não deixar que nos roubem a alegria; somos convidados a defendê-la dos Herodes dos nossos dias. E precisamos de coragem, como São José, para aceitar esta realidade, levantar-nos e meter-lhe mãos (cf. Mt 2, 20). A coragem para a proteger dos novos Herodes dos nossos dias, que malbaratam a inocência das nossas crianças. Uma inocência dilacerada sob o peso do trabalho ilegal e escravo, sob o peso da prostituição e da exploração. Inocência destruída pelas guerras e pela emigração forçada com a perda de tudo o que isso implica. Milhares de crianças nossas caíram nas mãos de bandidos, de máfias, de mercadores de morte cuja única coisa que fazem é malbaratar e explorar as suas necessidades.

Hoje, apenas como exemplo, 75 milhões de crianças – por causa das emergências e das crises prolongadas – tiveram de interromper a sua instrução. Em 2015, 68% da totalidade das pessoas objeto de tráfico sexual no mundo eram crianças. Por outro lado, um terço das crianças que tiveram de viver fora do seu país, fê-lo por deslocamento forçado. Vivemos num mundo onde quase metade das crianças que morrem com menos de 5 anos é por desnutrição. Calcula-se que, no ano de 2016, 150 milhões de crianças realizaram um trabalho infantil, muitas delas vivendo em condições de escravidão. Segundo o último relatório elaborado pela UNICEF, se a situação mundial não mudar, em 2030 serão 167 milhões as crianças que viverão em pobreza extrema, 69 milhões de crianças com menos de 5 anos morrerão entre 2016 e 2030, e 60 milhões de crianças não frequentarão a escolaridade básica.

Ouçamos o pranto e a lamentação destas crianças; ouçamos também o pranto e a lamentação da nossa mãe Igreja, que chora não apenas pela dor provocada aos seus filhos mais pequeninos, mas também porque conhece o pecado de alguns dos seus membros: o sofrimento, a história e a dor dos menores que foram abusados sexualmente por sacerdotes. Pecado que nos cobre de vergonha. Pessoas que tinham à sua responsabilidade o cuidado destas crianças, destruíram a sua dignidade. Deploramos isso profundamente e pedimos perdão. Solidarizamo-nos com a dor das vítimas e, por nossa vez, choramos o pecado: o pecado que aconteceu, o pecado de omissão de assistência, o pecado de esconder e negar, o pecado de abuso de poder. Também a Igreja chora amargamente este pecado dos seus filhos e pede perdão. Hoje, recordando o dia dos Santos Inocentes, quero que renovemos o nosso empenho total para que tais atrocidades não voltem a acontecer entre nós. Revistamo-nos da coragem necessária para promover todos os meios necessários e proteger em tudo a vida das nossas crianças, para que tais crimes nunca mais se repitam. Assumamos, clara e lealmente, a determinação «tolerância zero» neste campo.

A alegria cristã não é uma alegria que se constrói à margem da realidade, ignorando-a ou fazendo de conta que não existe. A alegria cristã nasce duma chamada – a mesma que recebeu São José – para «tomar» e proteger a vida, especialmente a dos santos inocentes de hoje. O Natal é um tempo que nos desafia a guardar a vida e ajudá-la a nascer e crescer; a renovar-nos como pastores corajosos. Esta coragem que gera dinâmicas capazes de tomar consciência da realidade que estão a viver hoje muitas das nossas crianças e de trabalhar por lhes garantir as condições necessárias para que a sua dignidade de filhos de Deus seja não só respeitada, mas também e sobretudo defendida.

Não deixemos que lhes roubem a alegria. Não nos deixemos roubar a alegria, guardemo-la e ajudemo-la a crescer.

Façamos isto com a mesma fidelidade paterna de São José e deixando-nos guiar pela mão de Maria, a Mãe da ternura, para que não se endureça o nosso coração.

Com fraterna estima

Francisco

Vaticano, Festa dos Santos Inocentes, Mártires,

28 de dezembro de 2016


Papa: Angelus no Dia Mundial da Paz

Vaticano (RV) – Ás 12 horas locais de Roma, deste primeiro dia do novo ano 2017, o Santo Padre procedeu a celebração mariana do Ângelus na Praça de S. Pedro, hoje repleta de peregrinos e fiéis provenientes de diversas partes do mundo para assistir à esta cerimónia, neste dia especial de solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e dia mundial da paz.

Partindo do Evangelho deste domingo, Francisco concentrou a sua mensagem sobre a estreita relação que existe entre o “sim” de Maria, Mãe de Deus, e o mistério da encarnação, o nascimento em Belém do Menino Jesus que os nossos olhos contemplaram nestas festividades natalícias e os pastores adoraram como Filho de Deus, o Salvador, o Príncipe daquela Paz que celebramos neste dia 1 de Janeiro de 2017.

Deus, disse Francisco, pediu a Maria para ser não somente a Mãe do seu Filho Unigénito, mas de cooperar também com o próprio Filho na realização do plano da salvação, por forma a que através dela, serva humilde, cumpram-se as grandes obras da misericórdia divina. Daí que hoje, primeiro dia do novo Ano 2017, como os pastores de Belém, enquanto contemplamos, disse o Papa, a ícone do Menino deitado nos braços da sua Mãe, sejamos capazes de sentir crescer nos nossos corações, um sentido de imensa gratidão para com Aquela que deu ao mundo o Salvador: Obrigado, ó Santa Mãe do Filho de Deus Jesus! Obrigado pela tua humildade, pela tua fé, pela tua coragem! Rezai por nós, peregrinos no tempo, ajudai-nos a caminhar nas sendas da paz ! Ámen.

Após a recitação da oração mariana do Ângelus, Francisco, dirigiu-se mais uma vez aos presentes congregados na Praça de S. Pedro, recordando que o ano 2017 que estamos a iniciar hoje, só “será bom, na mediada em que cada um de nós, com a ajuda de Deus, procurará fazer o bem, dia após dia. Só assim acrescentou o Papa, se constrói a paz, dizendo “não” mediante factos concretos, ao ódio e à violência; e dizer “sim” à fraternidade e à reconciliação. E Francisco recordou que passaram cinquenta anos, desde que o seu predecessor, Papa Paulo VI, inaugurou a celebração do Dia Mundial da Paz, que também celebramos hoje, com o objectivo de reforçar o empenho comum e pessoal de construir um mundo pacífico e fraterno.

Na mensagem deste ano, disse o Papa, propus de assumir a não-violência como estilo para uma política de paz”. Mas infelizmente, constatou o Pontífice, a violência foi, mais uma vez, protagonista nesta noite de augúrios e de esperança mediante um grave atentado em Istambul, na Turquia.  E o Papa exprimiu a sua proximidade na oração aos defuntos e aos seus familiares, aos feridos e à todo o povo turco.

Francisco agradeceu em seguida o Presidente da República italiana pelos augúrios de bom ano que lhe dirigiu, ao mesmo tempo que exprimiu a sua gratidão “por tantas iniciativas de oração e de empenho para a paz que se realizam em todos os cantos do mundo inteiro”. Neste sentido, Francisco saudou, de modo particular os participantes da manifestação “Paz por toda Terra”, presentes na Praça de S. Pedro. Obrigado, disse o Papa, pela vossa presença e pelo vosso testemunho. E a todos, Francisco augurou um ano de paz na graça do Senhor, com a protecção materna de Maria, Mãe de Deus. Boas Festas, e por favor, não esqueçais de rezar por mim. Bom almoço e até breve, concluiu dizendo o Santo Padre.


Francisco: homilia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou esta manhã, 1º de Janeiro de 2017, às 10 horas de Roma, na Basílica de S. Pedro, repleta de fiéis e peregrinos vindos de diversos cantos da Itália e do mundo, a Santa Missa por ocasião da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Publicamos na íntegra, a esplêndida homilia pronunciada pelo Santo Padre:

«Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Assim descreve Lucas a atitude com que Maria acolhe tudo aquilo que estava a viver naqueles dias. Longe de querer compreender ou dominar a situação, Maria é a mulher que sabe conservar, isto é, proteger, guardar no seu coração a passagem de Deus na vida do seu povo. Aprendeu a sentir a pulsação do coração do seu Filho, ainda Ele estava no seu ventre, ensinando-Lhe a descobrir, durante toda a vida, o palpitar de Deus na história. Aprendeu a ser mãe e, nesta aprendizagem, proporcionou a Jesus a bela experiência de saber-Se Filho. Em Maria, o Verbo eterno não só Se fez carne, mas aprendeu também a reconhecer a ternura maternal de Deus. Com Maria, o Deus-Menino aprendeu a ouvir os anseios, as angústias, as alegrias e as esperanças do povo da promessa. Com Ela, descobriu-Se a Si mesmo como Filho do santo povo fiel de Deus.

Nos Evangelhos, Maria aparece como mulher de poucas palavras, sem grandes discursos nem protagonismos, mas com um olhar atento que sabe guardar a vida e a missão do seu Filho e, consequentemente, de tudo o que Ele ama. Soube guardar os alvores da primeira comunidade cristã, aprendendo deste modo a ser mãe duma multidão. Aproximou-Se das mais diversas situações, para semear esperança. Acompanhou as cruzes, carregadas no silêncio do coração dos seus filhos. Muitas devoções, muitos santuários e capelas nos lugares mais remotos, muitas imagens espalhadas pelas casas lembram-nos esta grande verdade. Maria deu-nos o calor materno, que nos envolve no meio das dificuldades; o calor materno que não deixa, nada e ninguém, apagar no seio da Igreja a revolução da ternura inaugurada pelo seu Filho. Onde há uma mãe, há ternura. E Maria, com a sua maternidade, mostra-nos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes; ensina-nos que não há necessidade de maltratar os outros para sentir-se importante (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 288). E o santo povo fiel de Deus, desde sempre, A reconheceu e aclamou como a Santa Mãe de Deus.

Celebrar, no início de um novo ano, a maternidade de Maria como Mãe de Deus e nossa mãe significa avivar uma certeza que nos há de acompanhar no decorrer dos dias: somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos.

As mães são o antídoto mais forte contra as nossas tendências individualistas e egoístas, contra os nossos isolamentos e apatias. Uma sociedade sem mães seria não apenas uma sociedade fria, mas também uma sociedade que perdeu o coração, que perdeu o «sabor de família». Uma sociedade sem mães seria uma sociedade sem piedade, com lugar apenas para o cálculo e a especulação. Com efeito as mães, mesmo nos momentos piores, sabem testemunhar a ternura, a dedicação incondicional, a força da esperança. Aprendi muito com as mães que, tendo os filhos na prisão ou estendidos numa cama de hospital ou subjugados pela escravidão da droga, esteja frio ou calor, faça chuva ou sol, não desistem e continuam a lutar para lhes dar o melhor; ou com as mães que, nos campos de refugiados ou até no meio da guerra, conseguem abraçar e sustentar, sem hesitação, o sofrimento dos seus filhos. Mães que dão, literalmente, a vida para que nenhum dos filhos se perca. Onde estiver a mãe, há unidade, há sentido de pertença: pertença de filhos.

Começar o ano lembrando a bondade de Deus no rosto materno de Maria, no rosto materno da Igreja, nos rostos das nossas mães, protege-nos daquela doença corrosiva que é a «orfandade espiritual»: a orfandade que a alma vive quando se sente sem mãe e lhe falta a ternura de Deus; a orfandade que vivemos quando se apaga em nós o sentido de pertença a uma família, a um povo, a uma terra, ao nosso Deus; a orfandade que se aninha no coração narcisista que sabe olhar só para si mesmo e para os seus interesses, e cresce quando esquecemos que a vida foi um dom – dela somos devedores a outros – e somos convidados a partilhá-la nesta casa comum.

Foi esta orfandade autoreferêncial que levou Caim a dizer: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Como se declarasse: ele não me pertence, não o reconheço. Tal atitude de orfandade espiritual é um câncer que silenciosamente enfraquece e degrada a alma. E assim, pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém: degrado a terra, porque não me pertence; degrado os outros, porque não me pertencem; degrado a Deus, porque não Lhe pertenço; e, por fim, acabamos por nos degradar a nós próprios, porque esquecemos quem somos e o «nome» divino que temos. A perda dos laços que nos unem, típica da nossa cultura fragmentada e desunida, faz com que cresça esta sensação de orfandade e, por conseguinte, de grande vazio e solidão. A falta de contacto físico (não o virtual) vai cauterizando os nossos corações (cf. Carta enc. Laudato si’, 49), fazendo-lhes perder a capacidade da ternura e da maravilha, da piedade e da compaixão. A orfandade espiritual faz-nos perder a memória do que significa ser filhos, ser netos, ser pais, ser avós, ser amigos, ser crentes; faz-nos perder a memória do valor da diversão, do canto, do riso, do repouso, da gratuidade.

Celebrar a festa da Santa Mãe de Deus faz despontar novamente no rosto o sorriso de nos sentirmos povo, de sentir que nos pertencemos; saber que as pessoas, somente dentro duma comunidade, duma família, podem encontrar a «atmosfera», o «calor» que permite aprender a crescer humanamente, e não como meros objetos destinados a «consumir e ser consumidos». Celebrar a festa da Santa Mãe de Deus lembra-nos que não somos mercadoria de troca nem terminais receptores de informação. Somos filhos, somos família, somos povo de Deus.

Celebrar a Santa Mãe de Deus impele-nos a criar e cuidar espaços comuns que nos dêem sentido de pertença, de enraizamento, que nos façam sentir em casa dentro das nossas cidades, em comunidades que nos unam e sustentem (cf. ibid., 151).

Jesus Cristo, no momento do dom maior que foi o da sua vida na cruz, nada quis reter para Si e, ao entregar a sua vida, entregou-nos também sua Mãe. Disse a Maria: Eis o teu filho, eis os teus filhos. E nós queremos acolhê-La nas nossas casas, nas nossas famílias, nas nossas comunidades, nos nossos países. Queremos encontrar o seu olhar materno: aquele olhar que nos liberta da orfandade; aquele olhar que nos lembra que somos irmãos, isto é, que eu te pertenço, que tu me pertences, que somos da mesma carne; aquele olhar que nos ensina que devemos aprender a cuidar da vida da mesma maneira e com a mesma ternura com que Ela o fez, ou seja, semeando esperança, semeando pertença, semeando fraternidade.

Celebrar a Santa Mãe de Deus lembra-nos que temos a Mãe; não somos órfãos, temos uma mãe. Professemos, juntos, esta verdade! Convido-vos a aclamá-La três vezes como fizeram os fiéis de Éfeso: Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus.

A Igreja Católica Construtora da Civilização

No Domingo de Pácoa de 2010, o "Duc in altum!" trouxe para VOCÊ, amigo
frequentador do site, este belo presente, a esclarecedora série da EWTN "A Igreja Católica Construtora da Civilização" apresentada pelo Prof. Dr. Thomas E. Woods Jr., autor do livro "Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental".

Thomas Woods graduou-se na Universidade de Harvard e é doutor em História pela Universidade de Columbia.

Nesta inspirada série de 13 episódios, o professor doutor nos mostra, por diversos ângulos e na visão de historiadores, filósofos e personagens históricas católicas e não católicas, a enorme contribuição da Igreja Católica no desenvolvimento da Ciência e da Técnica, da Arte e dos Costumes, baseando e construindo a Civilização moderna, e também, principalmente a partir do período do chamado Iluminismo, o esforço sistemático,  para desacreditá-la e mostrá-la como retrógrada, inimiga do progresso e do desenvolvimento. Veja e reveja.

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XXIV Viagem Apostólica Internacional do Santo Padre o Papa Bento XVI
Libano, (14-16 de setembro de 2012)


XXIII Viagem Apostólica Internacional do Santo Padre o Papa Bento XVI.
México e à República de Cuba, (23-29 de março de 2012) 

XXII Viagem Apostólica Internacional do Padre o Papa Bento XVI.
Benin–Africa, (18-20 de novembro de 2011)


 

 

 XVII VIAGEM APOSTÓLICA INTERNACIONAL DO PAPA BENTO XVI -

REINO UNIDO - 16 a 19.SETEMBRO.2010 -

<<O "CORAÇÃO" FALA AO CORAÇÃO>>

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XVI VIAGEM APOSTÓLICA INTERNACIONAL DO SANTO PADRE, O PAPA, BENTO XVI - CHIPRE - (4-6.junho.2010)

Tudo sobre a histórica viagem do primeiro papa a visitar Chipre - CLIQUE AQU


ENCERRAMENTO DO ANO SACERDOTAL: TRÍDUO DE LITURGIAS

Cidade do Vaticano, 10.jun.2010 (Rádio Vaticano) - Tiveram início na manhã de ontem as celebrações para o encerramento do Ano Sacerdotal convocado pelo Papa Bento XVI no dia 19 de Junho de 2009, por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura D’Ars. Trata-se de um tríduo de liturgias, reflexões e testemunhos que tem com ápice dois eventos principais: na noite de hoje às 20h30 a vigília dos sacerdotes com o Santo Padre na Praça São Pedro. Amanhã, sexta-feira, 11 de junho DE 2010, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a missa conclusiva presidida pelo Santo Padre, às 10 da manhã, hora de Roma, na Praça São Pedro. Presentes nestes dias mais de 14 mil presbíteros, provenientes de todo o mundo.

As celebrações conclusivas do Ano Sacerdotal tiveram início na manhã de ontem na Basílica de São Paulo Fora dos Muros com a meditação do arcebispo de Colônia, Cardeal Joachim Meisner, seguida em vídeo-conferência pelos presbíteros reunidos na Basílica de São João de Latrão.

O Arcebispo de Colônia recordou aos sacerdotes dos cinco continentes que para um presbítero não pode haver algo mais importante do que a conversão do próprio coração porque só assim cumprirá com sua missão de transmitir a Cristo.

O Cardeal ofereceu a meditação “Conversão e Missão” diante de uns quatro mil presbíteros de todo o mundo reunidos na Basílica de São Paulo Extramuros, uma das três sedes do Encontro Internacional com o qual termina o Ano Sacerdotal.

O Arcebispo destacou a importância de que os sacerdotes dediquem tempo à confissão – tanto para administrar como receber o sacramento - e considerou que uma das perdas “mais trágicas que a Igreja sofreu na segunda metade do século XX” é a perda “do Espírito Santo no sacramento da reconciliação”.

“Quando os fiéis me perguntam: 'Como podemos ajudar os nossos sacerdotes?’ Eu sempre respondo: ‘Vá e se confesse’”, acrescentou o Arcebispo e precisou que “quando o sacerdote já não é o confessor se converte em um trabalhador religioso”.

Para o Cardeal não basta querer “fazer somente correções às estruturas de nossa Igreja, para poder fazer um show mais atrativo. Não é suficiente! O que se precisa é uma mudança de coração, do meu coração. Só um Paulo convertido podia mudar o mundo, não um engenheiro de estruturas eclesiásticas”.

Quando o sacerdote leva “o estilo de vida de Jesus”, chega “a ser recebido por outros. O obstáculo maior para permitir que Cristo seja recebido por nós, por outros, é o pecado. Previne a presença do Senhor em nossas vidas e, portanto, para nós não há nada mais necessário para a conversão, e isto, também para a missão”, destacou o Cardeal.

Ainda na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, o Prefeito da Congregação para o Clero, o Cardeal brasileiro, Dom Cláudio Hummes, presidiu a Santa Missa. Na sua homilia, Dom Cláudio sublinhou que o presbítero é “um discípulo de Jesus” e os destinatários da sua missão são em particular os pobres,, “os prediletos de Deus” que “têm necessidade se sentir a proximidade da Igreja, seja na ajuda para as necessidades mais urgentes” seja na promoção de uma sociedade “fundada na justiça e na paz”.

 

MAIS UMA VEZ, OUTRA VERGONHA INTERNACIONAL QUE FICARÁ POR ISSO MESMO

CARITAS: ATAQUE CORTOU LINHA VITAL COM POPULAÇÃO DE GAZA

Gaza, 02 jun (Rádio Vaticano) - A Caritas de Gaza se manifestou a respeito da polêmica blitz israelense contra uma frota de navios que transportavam ajudas humanitárias aos palestinos.

"Estávamos esperando com impaciência a chegada da frota para dar-lhe as boas-vindas. Havíamos preparado encontros, conferências e visitas a hospitais e centros de acolhimento. Era a nossa oportunidade para ensinar ao mundo os efeitos do bloqueio em um milhão e meio de pessoas" – declarou Ameen Sabbagh, membro da Caritas em Gaza. 

Para a Secretária-Geral da Caritas Jerusalém, Claudette Habesch, o ataque cortou uma linha vital de esperança e solidariedade com a população de Gaza. 

A Caritas Jerusalém administra desde 2003 um centro de saúde que atende mais de 2000 pacientes de Gaza. Além disso, gere um dispensário ambulante que está a serviço da população que não tem acesso à assistência médica, com a distribuição inclusive de materiais de primeiros-socorros. 

Por sua vez, a Caritas Internacional condenou todo tipo de violência na Terra Santa e afirmou que segue trabalhando pela paz, pela justiça e pela reconciliação. 

A Secretária-Geral da instituição, Lesley-Anne Knight, afirmou: "Entristece-me profundamente que um comboio humanitário destinado aos pobres de Gaza tenha provocado violência e perdas de vidas humanas. É necessário usar primeiro o diálogo, a fim de evitar enfrentamentos"



 

 

XV VIAGEM APOSTÓLICA DO SANTO PADRE O PAPA BENTO XVI - PORTUGAL - 11a14.MAIO.2010 - 10º ANIVERSÁRIO DA BEATIFICAÇÃO DOS PASTORINHOS, JACINTA E FRANCISCO - 5º ANIVERSÁRIO DA SERVA DE DEUS LÚCIA E 93º ANIVERSÁRIO DA 1ª APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA EM FÁTIMA

<<POR FIM O MEU CORAÇÃO IMACULADO TRIUNFARÁ>>

RELATO COMPLETO DA VIAGEM - CLIQUE AQUI


PAPA ACOLHE NOVOS CONVITES, AMPLIANDO PARA CINCO O NÚMERO DE VIAGENS INTERNACIONAIS DE 2010

Cidade do Vaticano, 08 mar (RÁDIO VATICANO) - A notícia da viagem pastoral que Bento XVI realizará a Santiago de Compostela e Barcelona, em novembro próximo, foi o tema escolhido pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Frederico Lombardi, para o seu editorial de cada sábado, "Octava Dies". 

"Julgávamos que a agenda das viagens internacionais do Papa, para 2010, se encontrasse já definida com o habitual número de quatro, e eis que, de modo decidido e surpreendente, Bento XVI acolheu outros dois convites provenientes da Espanha" – afirma Pe. Lombardi, comentando o anúncio divulgado no dia 3 de março. 

Assim, para além de Malta, Portugal, Chipre e Grã-Bretanha, o número de viagens sobe para cinco, abarcando o Mediterrâneo e o Oriente Médio, a Península Ibérica e a Europa setentrional. 

"É verdade que não são distâncias enormes, mas ambientes bastante diversos entre si. Muito haverá a escutar, a participar e a aprender" – considera o sacerdote jesuíta. 

Por um lado, Barcelona, com a Igreja da Sagrada Família, que o Arcebispo Sistach define como um templo "de significado artístico, bíblico, teológico, espiritual e catequético, único no mundo". 

Síntese original de arte e fé nascida do gênio de Gaudì, esta etapa em Barcelona dará ao Papa uma preciosa ocasião para continuar a refletir sobre o diálogo com a arte, tema por ele já tratado, de modo intenso, no recente encontro com os artistas, na Capela Sistina.

Por sua vez, Santiago de Compostela, meta secular de peregrinos, oriundos de muitos países e variadas direções, é lugar onde o tema das raízes cristãs da Europa demonstra não ser uma teoria abstrata, mas experiência concreta de todo e qualquer gênero de pessoas, das mais variadas proveniências, que convergem movidas por uma espiritualidade comum. 

"É com elas que o Papa Bento XVI prossegue a sua peregrinação, para falar de Deus a cada homem do nosso tempo, disposto a procurar o seu rosto" – conclui Pe. Lombardi.

 

XIV viagem apostólica internacional do santo padre o papa bento XVI, 17 e 18. abril. 2010 - ilha de malta

Bento XVI visitou a Ilha de Malta nos dias 17 e 18 de abril de 2010. A visita pastoral do pontífice foi oportuna ocasião para recordar os 1950 anos do naufrágio de São Paulo no arquipélago. A tradição indica que o evento, registrado nas cartas paulinas, tenha acontecido no ano 60, durante sua viagem em direção a Roma.

O papa chegou à ilha na tarde do dia 17 de abril, sendo recebido pelas autoridades civis e visitando em seguida a Gruta de São Paulo, na localidade de Rabat. Na manhã do dia seguinte, o Santo Padre celebrou uma missa na cidade de Floriana. Pela tarde, encontrou os jovens malteses em Valetta, logo após retornando a Roma. 

Esta foi a 14ª viagem apostólica internacional de Bento XVI, o terceiro pontífice a visitar o arquipélago mediterrâneo, após as duas visitas de João Paulo II (em 1990 e em 2001).

Veja todos os detalhes da viagem, fotos, homilias e discursos do Santo Padre. CLIQUE AQUI


 

 

 

 

 

 

 

DOMINGO, O DIA DO SENHOR 

 

 


 

 

 

 

Na comemoração da Festa da Assunção de Nossa Senhora  e no ano do seu 7º aniversário o

"DUC IN ALTUM!" apresenta a transcrição completa da

"HISTÓRIA ECLESIÁSTICA DE DOM BOSCO


 

 

 

 

 

 

 




Quando a Igreja alemã excomungou o nazismo 

"Os documentos encontrados pela PTWF são de notável importância porque põem um fim às repetidas calúnias que pretenderam manchar a Igreja Católica como diligente colaboradora do nazismo, quando na verdade foi a primeira em denunciar sua periculosidade." 



 

 

 

 

 

 



XII
I VIAGEM APOSTÓLICA INTERNACIONAL - REPÚBLICA TCHECA (26 - 29.SETEMBRO.2009) 

"BOM E HONESTO É AQUELE QUE NÃO COBRE COM O SEU EU A LUZ DE DEUS, NÃO COLOCA A FRENTE A SI PRÓPRIO, MAS DEIXA TRANSPARECER DEUS."



 

 

 

 

 

 

 


XII VIAGEM APOSTÓLICA INTERNACIONAL - TERRA SANTA (08 - 15.MAIO.2009)
Papa bento xvi, o peregrino da paz na terra santa

 


 

 



XI Viagem Apostólica Internacional à ÁFRICA - Camarões e Angola 17-23.março.2009
 

discursos, homilias e mensagens do Santo Padre o Papa Bento XVI 

 

 



I
X Viagem Apostólica Internacional à Austrália para a XXIII Jornada Mundial da Juventude  

discursos, homilias e mensagens do Santo Padre o Papa Bento XVI

 

 

 


viii Viagem Apostólica Internacional de Bento XVI 
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – Leia, releia, veja e reveja em todos detalhes esta magnífica viagem do Santo Padre  

 


 

 


vii
VIAGEM APOSTÓLICA 

AUSTRIA -   850 anos da fundação do Santuário de Mariazell - 7-9.setembro.2007  - Homilias e Discursos na integra


 

 

 

 

 

 

 


ano sacerdotal
o santo padre  abriu na sexta-feira, 19.junho.2009, solenidade  do sagrado coração de jesus o ano santo sacerdotal que vai até 19.jun.2009

 

 

 

 

 

 




rabino pede beatificação de pio xii
o rabino  erich a. silver de connecticut pede que o Papa pio xii seja beatificado, para que todos possam conhecer sua história

CONGRESSO DE FUNDAÇÃO JUDAICA REABILITA PIO XII

 

 

 



MILAGRE EUCARÍSTICO DE LANCIANO 
o mais antigo milagre eucarístico, datado do século viii (dc)

 






 

 

 

Objetos, vestes e cores litúrgicas 
conheça um pouco mais sobre os objetos e vestes litúrgicas, seus nomes e funções. e também quais são e o que simbolizam as cores dos paramentos.

 



Carta do Santo Padre aos Bispos da Igreja Católica a respeito da Remissão da Excomunhão dos 4 Bispos consagrados pelo Arcebispo Lefebvre

Leia, sinta todo amor de um pai preocupado com a salvação das almas de seus filhos e com a Igreja confiada a ele, sucessor de Pedro, pelo próprio Senhor.
Sinta a pesada Cruz que carrega nosso amado Papa Bento XVI, com determinação, Fé inabalável, Esperança heróica e extrema Caridade.
multipliquemos nossas orações por ele e dilatemos nossos corações para confortá-lo, sempre mais, com o nosso amor filial . 
Virgem Mãe do Cristo Sacerdote volvei ao Santo Padre o mesmo olhar que tanto confortou Jesus carregando a Cruz a caminho do cume do Calvário.


 

 

 


 O PAPA, O ISLÃ ÁRABE E O OCIDENTE
As críticas da mídia islâmica contra Bento XVI são nulas diante à toda riqueza de sua proposta
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BENTO XVI, O MÁRTIR DA IMPRENSA
MATÉRIA SOBRE BENTO XVI


  

 

 

 

 

 

 

O MISTÉRIO DO Papa
MATÉRIA SOBRE BENTO XVI


 


 

 

 

GALERIA DE FOTOS 
MAIS FOTOS DO Papa BENTO XVI

 

 

 


CARTA ENCÍCLICA - "SPE SALVI"
SEGUNDA CARTA ENCÍCLICA DO Papa BENTO XVI




CARTA ENCÍCLICA - "DEUS CARITAS EST" 
PRIMEIRA CARTA ENCÍCLICA DO Papa BENTO XVI


 

 

 

"SACRAMENTUM CARITATIS"  
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE O Papa BENTO XVI - TEXTO INTEGRAL


 

 

 

 

MENSAGEM URBI ET ORBI - PÁSCOA 2008

 

 

 
MENSAGEM DE BENTO XVI PARA QUARESMA 2008






 
 
 



FAMÍLIA HUMANA, COMUNIDADE DE PAZ - Mensagem de Ano Novo do nosso Papa Bento XVI


 



 
 
 
 


Papa BENTO XVI - HOMILIA DA MISSA DO GALO - NATAL - 2007


 
 



 
 

MENSAGEM URBI ET ORBI DE SUA SANTIDADE BENTO XVI - PÁSCOA 2007  



BENTO XVI NA MISSA PELO V ANIVERSÁRIO DE MORTE DE JOÃO PAULO II: UMA TESTEMUNHA DE CRISTO QUE SE DOOU SEM MEDIDAS

Cidade do Vaticano, 29 mar
(Rádio Vaticano) - Bento XVI presidiu no final da tarde desta segunda-feira, na Basílica de São Pedro, à Santa Missa pelo 5º aniversário de morte do Venerável Servo de Deus João Paulo II, que voltou à Casa do Pai no dia 2 de abril de 2005, quando a Igreja já celebrava a Festa do Domingo da Divina Misericórdia.

O Santo Padre iniciou a homilia ressaltando o fato de a Missa em sufrágio pela alma de seu Venerável predecessor ser celebrada com alguns dias de antecipação porque o 2 de abril deste ano será Sexta-feira Santa.

O Pontífice agradeceu a todos os presentes pela participação, em especial ao Arcebispo de Cracóvia Stanislao Dziwisz – ex-secretário pessoal de João Paulo II – aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas; como também aos peregrinos vindos da Polônia, os muitos jovens e os numerosos fiéis que desejaram participar da Celebração.

Comentando a liturgia da celebração em cuja primeira leitura o profeta Isaías apresenta a figura de um "Servo de Deus", que é ao mesmo tempo o seu eleito, no qual se compraz, Bento XVI afirmou que o que o profeta inspirado disse do Servo, podemos aplicar a João Paulo II:

"O Senhor o chamou ao seu serviço e, ao confiar-lhe tarefas de grande responsabilidade, também o acompanhou com a sua graça e com a sua contínua assistência. Durante o seu longo Pontificado ele se empenhou em proclamar o direito com firmeza, sem fraquezas ou dúvidas, sobretudo quando devia enfrentar resistências, hostilidades e rejeições. Sabia que o Senhor o segurava pela mão, e isso lhe permitiu exercer um ministério muito fecundo, para o qual, mais uma vez, rendemos fervorosas graças a Deus."

Em seguida, referindo-se à proclamação do Evangelho, no qual Lázaro, Marta e Maria oferecem um jantar ao Mestre, o Papa quis chamar a atenção para um gesto singular: Maria de Betânia “pegou 300 gramas de perfume de puro nardo, tão precioso, e derramou nos pés de Jesus, depois enxugou com os seus cabelos”.

Santo Agostinho – observou Bento XVI – no Sermão no qual comenta esse trecho evangélico, dirige a cada um de nós, com palavras duras, o convite a entrar neste circuito de amor, imitando o gesto de Maria e colocando-se concretamente no seguimento de Jesus. Escreve Agostinho:

“Cada coração que deseja ser fiel, se une a Maria para ungir com precioso perfume os pés do Senhor... Unge os pés de Jesus: segue as pegadas do Senhor levando uma vida digna. Enxuga-lhe os pés com os cabelos: se você tem algo de supérfluo dê aos pobres, e você terá enxugado os pés do Senhor.”

Caros irmãos e irmãs – prosseguiu – "toda a vida do Venerável João Paulo II é vivida no sinal desta caridade, da capacidade de se doar de modo generoso, sem reserva, sem medida, sem cálculo. O que o movia era o amor por Cristo, a quem havia consagrado sua vida, um amor superabundante e incondicional.

Ao saudar os poloneses presentes na celebração, o Santo Padre frisou:

"A vida e a obra de João Paulo II, grande polonês, pode ser para vocês motivo de orgulho. Precisa, porém, que vocês recordem que a sua vida é também um grande chamado a sermos fiéis testemunhas da fé, da esperança e do amor, que ele nos ensinou ininterruptamente. Por intercessão de João Paulo II os sustente sempre a bênção do Senhor."

Concluindo, Bento XVI ressaltou: "Enquanto prosseguimos a celebração eucarística nos aproximamos para viver os dias gloriosos da paixão, morte e ressurreição do Senhor, confiando-nos com fé, seguindo o exemplo do Venerável João Paulo II, à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, para que nos sustente no compromisso de sermos, em todas as circunstâncias, apóstolos incansáveis de seu Filho Divino e de seu amor misericordioso."

Durante a oração dos fiéis foi recordado o serviço prestado pelo Papa Wojtyla à Igreja "até o extremo limite das suas forças... testemunhando a fé em Deus e o amor para com todos"

Leia a homilia na integra CLIQUE AQUI


 

 

 

 

 


HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI NA SANTA MISSA DO IV ANIVERSÁRIO DA MORTE DO SERVO DE DEUS Papa JOÃO PAULO II

 
 



 
 
 
 
HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI NA SANTA MISSA DO III ANIVERSÁRIO DA MORTE DO SERVO DE DEUS Papa JOÃO PAULO II

 



 

 

 

HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI NA SANTA MISSA DO II ANIVERSÁRIO DA MORTE DO SERVO DE DEUS Papa JOÃO PAULO II



 

 

 

 
página especial do site do Vaticano em memória do Santo Padre o Papa João Paulo II

 




 
 
 

ORAÇÃO PEDINDO GRAÇAS PELA INTERCESSÃO DO SERVO DE DEUS - Papa JOÃO PAULO II
 -  COM APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA


 


 

 

Você conheceu o Padre Afonso? 

Estamos levantando dados para o dossiê que deve ser apresentado para abrir-se a causa de sua beatificação, caso você tenha convivido com ele, recebido alguma graça por sua intercessão ou tenha algum fato interessante com ele para contar, envie sua história para o e-mail: padreafonso@duc-ln-altum.com.br

Lembre-se que são dados para compor o dossiê e por isso só serão levados em consideração os e-mails com nome e endereço completos.

Visite seu site oficial: http://www.padreafonsorodrigues.org/

 

 

 

 

dom Odilo pedro Scherer, cardeal arcebispo de são paulo
UM POUCO DE SUA HISTÓRIA








 


HISTÓRIA DA IGREJA

COMPLETAmos a transcrIÇÃO Da "História Eclesiástica de Dom Bosco", NA SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA. (15.AGOSanto2009)  - Obrigado Mãezinha por esta graça!

 
 


 

13 DE MAIO DE 2014
97 ANOS DA PRIMEIRA APARIÇÃO DA VIRGEM DE FÁTIMA AOS PASTORINHOS


 

 


CONGREGATIO PRO CLERICIS

Link para o site da "Congregação para o Clero" um instrumento de pesquisa e atualização para os Sacerdotes, Diáconos, catequistas e toda a Igreja



 

 

 

 

RETIRO COM SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD  - CONSELHOS DE VIDA ESPIRITUAL EXTRAÍDOS DAS CARTAS DE SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD

 


 

 

 


RELIGIOSIDADE POPULAR - MATÉRIA SOBRE A PIEDADE POPULAR

 

 

 


GENTILEZAS DA MAMMA 
MATÉRIA SOBRE O MIMO  SUTIL DE NOSSA SENHORA AOS SEUS FILHOS

 

 

 

 

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

 


 


BÍBLIA SAGRADA


 


DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA 
Link para o Compêndio da Doutrina Social da Igreja no site oficial do Vaticano

 

 

 

 

 

 

 

 


MÚSICA
UMA SELEÇÃO ESPECIAL QUE O "Duc in altum!"  PREPAROU PARA VOCÊ.