REVEJA AGOSTO DE 2014

No Angelus, Papa Francisco explica o caminho para que o cristão não se torne mundano, mas seja renovado continuamente pelo Senhor

No Angelus deste domingo, 31.agosto.2014, o Papa Francisco comentou o Evangelho de hoje (cf. Mt 16, 21-27) que relata o ponto crucial em que Jesus, depois de ter verificado que Pedro e os outros 11 tinham acreditado nEle como Messias e Filho de Deus, “começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que Ele fosse a Jerusalém e sofresse muito…, fosse morto e ressuscitasse ao terceiro dia”.

Um momento crítico de aparente contraste entre a maneira de pensar de Jesus e seus discípulos, afirma o Papa. A passagem mostra ainda que Pedro se sente obrigado a repreender o Mestre, porque não pode ser atribuído ao Messias um fim tão vergonhoso. Por sua vez, Jesus repreende severamente Pedro, porque ele não pensa “segundo Deus, mas segundo os homens”.

Sobre esse aspecto, a segunda de leitura de hoje (cf. Rm 12, 1-2) insiste que “também o apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, diz a eles: ‘Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus’”.

O Santo Padre disse que os cristãos vivem em um mundo totalmente integrado na realidade social e cultural, “e é certo assim. Mas isso traz o risco de nos transformarmos em ‘mundanos’, o risco de que ‘o sal perca o sabor’”.

Francisco explicou que se isso acontece, significa que o cristão não tem consistência e perdeu a “carga da novidade” que lhe vem do Senhor e o Espírito Santo. “Deveria ser o contrário: quando os cristãos permanecem vivos na força do Evangelho, ele pode transformar ‘os critérios de juízo, os valores determinantes, os pontos de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida’”, enfatizou.

Para exemplificar essa realidade, o Papa usou a imagem do vinho e da água. “É triste encontrar cristãos sem consistência, que parecem vinho aguado e não se sabe se são cristãos ou mundanos, como o vinho aguado que não se sabe se é vinho ou água. É triste isso”.

Para evitar isso, o Papa ensina que é preciso renovar-se continuamente, atingindo a seiva do Evangelho. “Como se pode fazer isso na prática? Antes de mais nada, lendo e meditando o Evangelho todos os dias, para que a Palavra de Jesus esteja sempre presente na nossa vida; além disso, participando da Missa dominical, onde encontramos o Senhor na comunidade, escutando a sua Palavra e recebendo a Eucaristia que nos une a Ele e entre nós; e, ainda, são muito importantes para a renovação espiritual, os dias de retiro e de exercícios espirituais”.

“Evangelho, Eucaristia e oração”, reforçou o Santo Padre. “Graças a esses dons do Senhor, podemos nos conformar não ao mundo, mas a Cristo, e segui-lo sobre sua estrada, a estrada do ‘perder a própria vida’ para reencontrá-la”.

‘Perdê-la’ no sentido de doá-la, oferecê-la por amor e no amor, explicou Francisco. Isso quer dizer, “o sacrifício, a cruz – para recebê-la novamente purificada, livre do egoísmo e da dívida da morte, cheia de eternidade”.
Radio Vaticano

Papa telefona ao sacerdote iraquiano que lhe escreveu uma carta dramática

Cidade do Vaticano, 30.agosto.2014 (RV) – O Papa Francisco telefonou ao sacerdote iraquiano, Pe. Behnam Benoka, em resposta a uma carta dramática. O vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Ciro Benedettini, informou que a ligação aconteceu logo depois que o Santo Padre voltou da sua Viagem Apostólica à Coréia, na manhã do dia 19. O sacerdote vive em Bartella, uma pequena cidade cristã perto de Mosul, no norte do Iraque.

No telefonema, o Santo Padre manifestou profunda comoção pela carta recebida do vice-reitor do Seminário católico de Ankawa. O Papa também expressou gratidão aos voluntários que trabalham nos campos de refugiados e deu pleno apoio, participação espiritual, solidariedade e proximidade aos cristãos perseguidos. O Santo Padre prometeu, ainda, que continuará a fazer o melhor possível para proporcionar alívio aos seus sofrimentos.

O telefonema foi finalizado com uma Bênção Apostólica concedida pelo Papa ao sacerdote e a sua comunidade iraquiana, pedindo ao Senhor para que lhes dê o dom da perseverança na fé.

A carta do sacerdote era intitulada: “Uma carta de lágrimas". No texto, o sacerdote explicou ao Santo Padre a trágica situação de centenas de milhares de cristãos: "Santidade, a situação das suas ovelhas é miserável. Eles morrem e têm fome. Seus pequenos têm medo e não aguentam mais. Nós, sacerdotes, religiosos e religiosas, somos poucos e tememos não conseguir responder às exigências físicas e psíquicas dos filhos deles, que também são nossos".

O sacerdote expressou ainda seus temores e pediu bênçãos: "Escrevo com as minhas lágrimas, porque estamos em um vale escuro no meio de uma grande alcateia de lobos ferozes. Santidade, tenho medo de perder os seus pequenos, em especial os recém-nascidos que, a cada dia, se cansam e se debilitam mais; temo que a morte leve embora alguns deles. Mande-nos a sua bênção para termos a força de seguir em frente e, quem sabe, resistir ainda mais ".

Este foi o tweet que o Papa Francisco publicou hoje:

30/08/2014
O Senhor sempre nos perdoa e sempre nos acompanha. Cabe a nós deixar-nos perdoar e deixar-nos acompanhar.


Tweet de hoje do Papa Francisco:



28/08/2014
Cristo, na cruz, ensina-nos a amar até mesmo aqueles que não nos amam.

Papa: Fofoca é pecado!

Cidade do Vaticano, 27.agosto.2014 (RV) – A audiência geral do Papa com os fiéis se realizou esta quarta-feira, 27, na Praça São Pedro, ao ar livre, sob um sol de verão e temperatura amena. Participaram do encontro, como sempre, grupos de vários países. Do Brasil, assinala-se a presença de peregrinos de Porto Alegre (RS) e de Santo André (SP).

Retomando o ciclo de catequeses sobre a Igreja, Francisco refletiu junto aos 12 mil presentes sobre a profissão de fé e o ‘Credo’, ressaltando a importância de sermos “artífices de paz e reconciliadores” em nossas comunidades.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Toda vez que renovamos a nossa profissão de fé recitando o “Credo”, nós afirmamos que a Igreja é “una” e “santa”. É una porque tem a sua origem em Deus Trindade, mistério de unidade e de comunhão plena. Depois, a Igreja é santa, enquanto fundada sobre Jesus Cristo, animada pelo seu Espírito Santo, repleta do seu amor e da sua salvação. Ao mesmo tempo, porém, é santa e composta de pecadores, todos nós, pecadores, que fazemos experiência cada dia das nossas fragilidades e das nossas misérias. Então, esta fé que professamos nos impele à conversão, a ter a coragem de viver cotidianamente a unidade e a santidade, e se nós são somos unidos, se não somos santos, é porque não somos fiéis a Jesus. Mas ele, Jesus, não nos deixa sozinhos, não abandona a sua Igreja! Ele caminha conosco, Ele nos entende. Entende as nossas fraquezas, os nossos pecados, perdoa-nos, sempre que nós nos deixamos perdoar. Ele está sempre conosco, ajudando-nos a nos tornarmos menos pecadores, mais santos, mais unidos.

1. O primeiro conforto vem do fato de que Jesus rezou tanto pela unidade dos discípulos. É a oração da Última Ceia, Jesus pediu tanto: “Pai, que sejam uma só coisa”. Rezou pela unidade, e o fez propriamente na iminência da Paixão, quando estava para oferecer toda a sua vida por nós. É aquilo que somos convidados continuamente a reler e meditar, em uma das páginas mais intensas e comoventes do Evangelho de João, o capítulo dezessete (cfr vv. 11.21-23). Como é belo saber que o Senhor, pouco antes de morrer, não se preocupou consigo mesmo, mas pensou em nós! E no seu diálogo sincero com o Pai, rezou justamente para que pudéssemos ser uma só coisa com Ele e entre nós. Bem: com estas palavras, Jesus se fez nosso intercessor junto ao Pai, para que possamos entrar também nós na plena comunhão de amor com Ele; ao mesmo tempo, confia-lhe a nós como seu testamento espiritual, para que a unidade possa se tornar sempre mais a nota distintiva das nossas comunidades cristãs e a resposta mais bela a qualquer um que nos pergunte a razão da esperança que há em nós (cfr 1 Pe 3, 15).

2. “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21). A Igreja procurou desde o início realizar este propósito que está no coração de Jesus. Os Atos dos Apóstolos nos recordam que os primeiros cristãos se distinguiam pelo fato de terem “um só coração e uma só alma” (At 4, 32); o apóstolo Paulo, depois, exortava as suas comunidades a não esquecerem que são “um só corpo” (1 Cor 12, 13). A experiência, porém, nos diz que são tantos os pecados contra a unidade. E não pensemos só nos cismas, pensemos em faltas muito comuns nas nossas comunidades, em pecados “paroquiais”, aqueles pecados nas paróquias. Às vezes, de fato, as nossas paróquias, chamadas a serem lugares de partilha e de comunhão, são tristemente marcadas por inveja, ciúmes, antipatia… E as fofocas são acessíveis a todos. Como se fofoca nas paróquias! Isto não é bom. Por exemplo, quando alguém é eleito presidente daquela associação, fofoca-se contra ele. E se aquela outra é eleita presidente da catequese, as outras fofoca contra ela. Mas, esta não é a Igreja. Não se deve fazer isto, não devemos fazê-lo! É preciso pedir ao Senhor a graça de não fazê-lo. Isto é humano, sim, mas não é cristão! Isto acontece quando almejamos os primeiros lugares; quando colocamos no centro nós mesmos, com as nossas ambições pessoais e os nossos modos de ver as coisas, e julgamos os outros; quando olhamos aos defeitos dos irmãos, em vez de olhar para suas competências; quando damos mais peso àquilo que nos divide, em vez de olhar para o que nos une…

Uma vez, na outra diocese em que eu estava antes, ouvi um comentário interessante e belo. Falava-se de uma idosa que por toda a vida tinha trabalhado na paróquia e uma pessoa que a conhecia bem disse: “Esta mulher nunca falou mal dos outros, nunca fofocou, sempre estava com um sorriso”. Uma mulher assim pode ser canonizada amanhã! Este é um belo exemplo. E se olhamos para a história da Igreja, quantas divisões entre nós cristãos. Também agora estamos divididos. Também na história nós cristãos fizemos guerra entre nós por divisões teológicas. Pensemos naquela dos 30 anos. Mas isto não é cristão. Devemos trabalhar também pela unidade de todos os cristãos, seguir pelo caminho da unidade que é aquele que Jesus quer e pelo qual rezou.

3. Diante de tudo isso, devemos fazer seriamente um exame de consciência. Em uma comunidade cristã, a divisão é um dos pecados mais graves, porque a torna sinal não da obra de Deus, mas da obra do diabo, que é por definição aquele que separa, que arruína as relações, que insinua preconceitos… A divisão em uma comunidade cristã, seja essa uma escola, uma paróquia ou uma associação é um pecado gravíssimo, porque é obra do Diabo. Deus, em vez disso, quer que cresçamos na capacidade de nos acolhermos, de nos perdoarmos e de nos querermos bem, para nos assemelharmos sempre mais a Ele que é comunhão e amor. Nisto está a santidade da Igreja: em reconhecer-se à imagem de Deus, repleta da sua misericórdia e da sua graça.

Queridos amigos, façamos ressoar no nosso coração estas palavras de Jesus: “Bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9). Peçamos sinceramente perdão por todas as vezes em que fomos ocasião de divisão ou de incompreensão dentro das nossas comunidades, bem sabendo que não se chega à comunhão se não através de uma contínua conversão. O que é a conversão? É pedir ao Senhor a graça de não falar mal, de não criticar, de não fofocar, de querer bem a todos. É uma graça que o Senhor nos dá. Isto é converter o coração. E peçamos que a base cotidiana das nossas relações possa se tornar uma reflexão sempre mais bela e alegre da relação entre Jesus e o Pai.

Santa Monica - 27.agosto
Santo Agostinho - 28.agosto

MÔNICA E AGOSTINHO
       
Dois santos admiráveis celebramos nessa semana: Santa Mônica (dia 27) e Santo Agostinho (dia 28), do século IV.
     
Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, na Região de Cartago, na África, filho de Patrício, pagão, e Mônica, cristã fervorosa. Segundo narração dele próprio, Agostinho bebeu o amor de Jesus com o leite de sua mãe. Infelizmente, porém, como acontece muitas vezes, a influência do pai fez com que se retardasse o seu batismo, que ele acabou não recebendo na infância nem na juventude. Estudou literatura, filosofia, gramática e retórica, das quais foi professor. Afastou-se dos ensinamentos da mãe e, por causa de más companhias, entregou-se aos vícios. Cometeu maldades, viveu no pecado durante toda a juventude, teve uma amante e um filho, e, pior, caiu na heresia gnóstica dos maniqueus, para os quais trabalhou na tradução de livros.
     
Sua mãe, Santa Mônica, rezava e chorava por ele todos os dias. “Fica tranquila”, disse-lhe certa vez um bispo, “é impossível que pereça um filho de tantas lágrimas!” E foi sua oração e suas lágrimas que conseguiram a volta para Deus desse filho querido transviado.
     
Agostinho dizia-se um apaixonado pela verdade, que, de tanto buscar, acabou reencontrando na Igreja Católica: “ó beleza, sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te amei!”; “fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós!”: são frases comoventes escritas por ele nas suas célebres “Confissões”, onde relata a sua vida de pecador arrependido.
     
Transferiu-se com sua mãe para Milão, na Itália. Dotado de inteligência admirável, a retórica, da qual era professor, o fez se aproximar de Santo Ambrósio, Bispo de Milão, também mestre nessa disciplina. Levado pela mãe a ouvir os célebres sermões do santo bispo e nutrido com a leitura da Sagrada Escritura e da vida dos santos, Agostinho converteu-se realmente, recebeu o Batismo aos 33 anos e dedicou-se a uma vida de estudos e oração. Ordenado sacerdote e bispo, além de pastor dedicado e zeloso, foi intelectual brilhantíssimo, dos maiores gênios já produzidos em dois mil anos da História da Igreja. Escreveu numerosas obras de filosofia, teologia e espiritualidade, que ainda exercem enorme influência. Foi, por isso, proclamado Doutor da Igreja. De Santo Agostinho, disse o Papa Leão XIII: “É um gênio vigoroso que, dominando todas as ciências humanas e divinas, combateu todos os erros de seu tempo”. Sua vida demonstra o poder da graça de Deus que vence o pecado e sempre, como Pai, espera a volta do filho pródigo.
     
Sua mãe, Santa Mônica, é o exemplo da mulher forte, de oração poderosa, que rezou a vida toda pela conversão do seu filho, o que conseguiu de maneira admirável. Exemplo para todas as mães que, mesmo tendo ensinado o bom caminho aos seus filhos, os vêm desviados no caminho do mal. A oração e as lágrimas de uma mãe são eficazes diante de Deus. E a vida de Santo Agostinho é uma lição para nunca desesperarmos da conversão de ninguém, por mais pecador que seja, e para sempre estarmos sinceramente à procura da verdade e do bem.
Dom Fernando Rifan

O Papa Francisco, hoje, escreveu uma mensagem em seu twitter:




26/08/2014
Não se pode medir o amor de Deus: é sem medida!

Papa Francisco no Angelus: "Fé, relação de amor e confiança com Deus"

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (Mt 16, 13-20) é a célebre passagem, central na história de Mateus, na qual Simão, em nome dos Doze, professa a sua fé em Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”; e Jesus chama Simão “feliz” por esta fé, reconhecendo nessa um dom especial do Pai e lhe diz: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.

Paremos um momento justamente neste ponto, no fato de que Jesus atribui a Simão este novo nome: “Pedro”, que na língua de Jesus soa “Kefa”, uma palavra que significa “rocha”. Na Bíblia, este termo, “rocha”, refere-se a Deus. Jesus o atribui a Simão não por suas qualidades ou seus méritos humanos, mas por sua fé genuína e firme, que lhe vem do alto.

Jesus sente no seu coração uma grande alegria, porque reconhece em Simão a mão do Pai, a ação do Espírito Santo. Reconhece que Deus Pai deu a Simão uma fé “confiável”, sobre a qual Ele, Jesus, poderá construir a sua Igreja, isso é, a sua comunidade, isso é, todos nós. Jesus tem em mente dar vida à “sua” Igreja, um povo fundado não mais na descendência, mas na sé, vale dizer na relação com Ele mesmo, uma relação de amor e de confiança. A nossa relação com Jesus constroi a Igreja. E, portanto, para iniciar a sua Igreja, Jesus precisou encontrar nos discípulos uma fé sólida, uma fé “confiável”. É isto que Ele deve verificar a este ponto do caminho.

O Senhor tem em mente a imagem do construir, a imagem da comunidade como um edifício. Eis porque, quando ouve a profissão de fé sincera de Simão, chama-o “rocha” e manifesta a intenção de construir a sua Igreja sobre esta fé.

Irmãos e irmãs, isso que aconteceu de forma única em São Pedro acontece também em cada cristão que desenvolve uma fé sincera em Jesus o Cristo, o Filho do Deus vivo. O Evangelho de hoje interpela também cada um de nós. Como vai a tua fé? Cada um dê a resposta no próprio coração. Como vai a tua fé? Como o Senhor encontra os nossos corações? Um coração firme como a pedra ou um coração de areia, isso é, duvidoso, desconfiado, incrédulo? Fará bem a nós hoje pensar nisto. Se o Senhor encontra no nosso coração uma fé, não digo perfeita, mas sincera, genuína, então Ele vê também em nós pedras vivas com as quais construir a sua comunidade. Desta comunidade, a pedra fundamental é Cristo, pedra angular e única. Da sua parte, Pedro é pedra, enquanto fundamento visível da unidade da Igreja; mas cada batizado é chamado a oferecer a Jesus a própria fé, pobre, mas sincera, para que Ele possa continuar a construir a sua Igreja, hoje, em cada parte do mundo.

Também nos nossos dias, tanta gente pensa que Jesus seja um grande profeta, um mestre de sabedoria, um modelo de justiça… E também hoje Jesus pergunta aos seus discípulos, isso é, a todos nós: “Mas vós, quem dizeis que eu sou?”. O que responderemos? Pensemos. Mas, sobretudo, rezemos a Deus Pai, por intercessão da Virgem Maria; rezemos para que nos dê a graça de responder, com coração sincero: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Esta é uma confissão de fé, este é o próprio “o credo”. Repitamos juntos por três vezes: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Boletim da Santa Sé
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O Papa Francisco voltou a rezar pela paz na Ucrânia. Após o Angelus deste domingo, 24.agosto.2014, ele pediu orações pelo país que celebra hoje a festa nacional, porém ainda vive em situação de conflito, o que ameaça a paz.

“O meu pensamento vai hoje de forma especial à amada terra da Ucrânia, cuja festa nacional acontece hoje, a todos os seus filhos e filhas, aos seus desejos de paz e serenidade, ameaçados por uma situação de conflito que não indica se acalmar, gerando tanto sofrimento entre a população civil”, disse o Papa.

O Santo Padre contou que recebeu uma carta de um bispo relatando toda esta dor do povo ucraniano. Então ele confiou a Jesus e a Nossa Senhora toda a nação, rezando sobretudo pelas vítimas, familiares e todos os que sofrem.

“Rezemos juntos à Nossa Senhora por esta amada terra da Ucrânia no dia da festa nacional: Ave Maria…. Maria, Rainha da Paz, rogai por nós!”.

Radio Vaticano

Francisco escreve ao 35º Encontro pela Amizade entre os Povos

Por meio de uma carta assinada pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o Papa Francisco manifestou sua unidade ao 35° Encontro pela Amizade entre os Povos. O tema escolhido para o evento deste ano, sobre as periferias do mundo e da existência, quer fazer ecoar o ministério do Santo Padre.

Segundo o Cardeal Parolin, quando ainda era bispo em Buenos Aires, Bergoglio percebia que as periferias não são apenas locais, mas, também e acima de tudo, feitas por pessoas. Foi o que disse em seu discurso durante as Congregações gerais antes do Conclave, em março de 2013: “a Igreja é chamada a sair de si mesma e ir para as periferias, não somente as geográficas, mas aquelas existenciais”.

Por isso, ainda na carta direcionada ao bispo de Rimini, Dom Francesco Lambiasi, o Papa Francisco agradece os responsáveis do evento por terem aceito o desafio de caminhar nessa perspectiva, num retorno ao essencial, que é o Evangelho de Jesus Cristo.

O Santo Padre ainda faz duas ressalvas: convida a nunca perder o contato com a realidade. “Isso também faz parte do testemunho cristão: na presença de uma cultura dominante que coloca em primeiro lugar a aparência, aquilo que é superficial e provisório, o desafio é escolher e amar a realidade”.

O outro ponto é em relação ao essencial, no qual, segundo o Papa, deve se manter sempre o olhar fixo. “Os problemas mais graves surgem quando a mensagem cristã é identificada com aspectos secundários que não refletem o coração do anúncio. Por isso, num mundo em rápida transformação, os cristãos precisam procurar formas e modos de se comunicar, com linguagem compreensível para a perene novidade do Cristianismo”.

O evento que acontece na ‘Rimini Fiera’, no nordeste da Itália, começa neste domingo, 24, e termina só no próximo sábado, 30.
Santa Sé

Tweet de hoje do Papa Francisco:

23/08/2014
Um cristão sabe dar. A sua vida é cheia de atos generosos – mas escondidos – para com o próximo.

Papa telefona aos pais do jornalista decapitado por jihadistas

Papa Francisco telefonou, na noite desta quinta-feira, 21.agosto.2014, para os pais de James Foley, jornalista americano assassinado pelos jihadistas do Estado Islâmico. O Pontífice está impressionado com a fé dos familiares da vítima.

“O Santo Padre quis demonstrar a sua proximidade a essa família provada pela dor. Em particular, falou no início com a mãe, que é católica e demonstrou uma grande fé, que de alguma forma impressionou também o Santo Padre. Falou depois com o pai e com um membro da família de língua espanhola. Obviamente, o desejo de todos, do Santo Padre e da família, é que esses trágicos acontecimentos não se repitam”, contou o vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Ciro Benedettini.

Segundo informações do padre jesuíta americano James Martin, os pais de Foley, que vivem em Richmond, em New Hampshire (EUA), estão comovidos e gratos pela proximidade do Papa.

James Foley, 40 anos, católico, estudou na “Marquette University” dos jesuítas no estado americano de Wisconsin. Sempre permaneceu em contato com eles, informando-os sobre sua movimentação em zonas de guerra, das missões humanitárias de que participava, mas sobretudo pedia para ser acompanhado na oração. O Rosário – como chegou a escrever em uma carta – já o havia salvado antes nos meses de cárcere na Líbia, depois na Síria onde havia sido sequestrado em 2012.

A mãe de Foley afirmou estar orgulhosa do filho e da coragem que ele demonstrou sacrificando a sua vida para mostrar ao mundo o sofrimento daqueles povos. Ela deixou um apelo aos sequestradores a fim de que poupem a vida dos outros reféns.

A Universidade dos Jesuítas organizou para o próximo dia 26 de agosto uma cerimônia religiosa em memória do jornalista.
Radio Vaticano

Jesus é o caminho para encontrar Deus, diz Papa

“Jesus é o caminho aberto diante de cada homem para encontrar Deus”, foi o que afirmou o Papa Francisco no encontro com os membros da Obra de Nazaré realizado no fim da tarde dessa quarta-feira, 20.agosto.2014. A Obra é uma Associação Internacional de Fiéis engajados em obras apostólicas, caritativas e missionárias.

Francisco disse que a história da Obra de Nazaré é marcada por dois aspectos. O primeiro é a descoberta de Jesus como caminho do homem em direção ao Pai.

“Jesus é o caminho aberto diante de cada homem para encontrar Deus, para entrar em relação e comunhão com Ele e, assim, encontrar-se verdadeiramente. Nós encontramos nós mesmos quando nos tornamos totalmente filhos de nosso Pai, e isso ocorre graças a Jesus: por isso Ele morreu na cruz”.

O segundo aspecto que marca a história da Associação é a alegria. “Quando alguém descobre Jesus como o caminho, a alegria entra em sua vida. Entra para sempre, e é uma alegria enraizada em nós, e que ninguém pode tirar, como o Senhor prometeu. E essa alegria de ser discípulos de Jesus se torna testemunho, isto é, apostolado, missionariedade”.

Segundo o Santo Padre, essa alegria de ter descoberto em Jesus o caminho, leva os homens a se tornarem testemunhas, apóstolos, missionários. “Vocês o fazem com um estilo de presença discreta, humilde e simples – o espírito de Nazaré – nos ambientes onde vocês vivem e trabalham, em particular no ambiente universitário. Encorajo vocês nisso, e agradeço pelo bem que já fizeram com a graça de Deus.”

O objetivo principal da Obra de Nazaré, fundada em 1964, em Reggio Emilia, é que a face de Cristo seja encontrada por cada um na vida de todos os dias. A Obra também incentiva o desenvolvimento de experiências de caridade ativa que, contribuindo a novas iniciativas sociais, atendam às necessidades materiais das pessoas, dos lugares e dos tempos.

Radio Vaticano

"Já não escravos, mas irmãos" - Mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial da Paz, 1º janeiro 2015

Cidade do Vaticano, 21.agosto.2014 (RV) – “Não mais escravos, mas irmãos”: este é o título da Mensagem para o 48º Dia Mundial da Paz, a segunda do Papa Francisco. Geralmente pensa-se que a escravatura é um fato do passado. Na verdade, esta chaga social continua muito presente no mundo de hoje.

A Mensagem para o 1º de Janeiro passado era dedicada à fraternidade: “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”. De fato, uma vez que todos são filhos de Deus, os seres humanos são irmãos e irmãs com uma igual dignidade. A escravatura representa um golpe de morte para uma tal fraternidade universal e, por conseguinte, para a paz. Na verdade, a paz existe quando o ser humano reconhece no outro um irmão ou irmã com a mesma dignidade. Persistem no mundo múltiplas formas abomináveis de escravatura: o tráfico de seres humanos, o comércio dos migrantes e da prostituição, o trabalho-escravo, a exploração do ser humano por outro ser humano, a mentalidade escravocrata para com as mulheres e as crianças. Há indivíduos e grupos que se aproveitam vergonhosamente desta escravatura, tirando partido dos muitos conflitos desencadeados no mundo, do contexto de crise econômica e da corrupção.

A escravatura é uma terrível ferida aberta no corpo da sociedade contemporânea, é uma chaga gravíssima na carne de Cristo! Para a combater eficazmente, há que reconhecer acima de tudo a inviolável dignidade de cada pessoa. Além disso, importa ancorar firmemente esse reconhecimento na fraternidade, que exige a superação de todas as desigualdades, as quais permitem que uma pessoa escravize outra. Ainda nos é pedido que o nosso agir seja próximo e gratuito para promover a libertação e inclusão para todos. O objetivo a alcançar é a construção de uma civilização fundada sobre a igual dignidade de todos os seres humanos, sem qualquer discriminação. Para isso, é necessário o compromisso da informação, da educação, da cultura em favor de uma sociedade renovada e que se assinale pela liberdade, pela justiça e, logo, pela paz.

O Dia Mundial da Paz resultou da vontade de Paulo VI e é celebrado todos os anos no primeiro dia de Janeiro. A Mensagem do Papa é enviada aos Ministros dos Negócios Estrangeiros de todo o mundo e indica também a linha diplomática da Santa Sé para o ano que se inicia.
Radio Vaticano

Também nesta quinta-feira o Papa Francisco twittou:

21/08/2014
Peçamos ao Senhor esta graça: Que o nosso coração se torne livre e luminoso, para gozar a alegria dos filhos de Deus.

As vocações
            
O mês de agosto é o mês das vocações, especialmente as sacerdotais, pois nele se comemora o dia do padre, dia de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, patrono dos párocos e modelo para todos os padres do mundo.
     
Vocação vem do latim “vocare”, chamar. É um chamado de Deus para uma vida a ele consagrada. A vocação sacerdotal é um chamado de Deus para a vida no sacerdócio, cujo carisma especial é a dedicação ao ministério do culto divino e da salvação das almas. Jesus mesmo nos mandou rezar pelas vocações: “Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois ao Senhor da messe que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 36-37).
           
Na Missa com os Bispos, Sacerdotes, religiosos e seminaristas na Catedral do Rio, durante a JMJ, o Papa Francisco nos falou sobre a necessidade de ter sempre presente a nossa vocação: “Creio que é importante reavivar sempre em nós este fato, para o qual amiúde fazemos vistas grossas entre tantos compromissos cotidianos: ‘Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi’, diz Jesus (Jo 15,16). É um caminhar de novo até a fonte de nosso chamado. Por isso um bispo, um sacerdote, um consagrado, uma consagrada, um seminarista, não pode ser um desmemoriado. Perde a referência essencial do início de seu caminho. Pedir a graça, pedir à Virgem Maria - ela tinha boa memória - a graça de termos na memória esse primeiro chamado. Fomos chamados por Deus e chamados para permanecer com Jesus (cf. Mc 3, 14), unidos a ele... É precisamente a ‘vida em Cristo’ que garante nossa eficácia apostólica e a fecundidade de nosso serviço... Não é a criatividade, por mais pastoral que seja, não são os encontros ou os planejamentos que garantem os frutos, embora ajudem e muito, mas o que garante o fruto é sermos fiéis a Jesus, que nos diz com insistência: ‘Permanecei em mim, como eu permaneço em vós’ (Jo 15,4)”.
           
Há muitas vocações especiais na Igreja. Na vida religiosa, temos o chamado à profissão dos conselhos evangélicos, na qual se segue mais de perto a Cristo, numa vida totalmente consagrada a Deus, à construção da Igreja e à salvação do mundo, a fim de se alcançar a perfeição da caridade, preanunciando assim a glória celeste.
         
O Concílio Vaticano II sublinhou uma verdade da Tradição da Igreja: a vocação universal à santidade: “O Senhor Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição que fossem, a santidade de vida, de que ele próprio é autor e consumador... Todos os fiéis, seja qual for o seu estado ou classe, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade..., são convidados e obrigados a tender para a santidade e perfeição do próprio estado... ‘Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois passa a figura deste mundo’ (1 Cor 7,31)” (Lumen Gentium, cap. V).
Dom Fernando Rifan

Papa: "Cristo não anula culturas; combate divisão entre os povos"

Cidade do Vaticano, 20.agosto.2014 (RV) –  O Papa Francisco compareceu na manhã desta quarta-feira, 20, na Sala Paulo VI, para conceder a audiência geral, com fisionomia serena e sorridente. O fuso horário e a fadiga da recente viagem à Coréia parecem não ter deixado sequelas na condição física do Pontífice.

Chegando à Sala Paulo VI, a pé, da Casa Santa Marta, onde reside, o Pontífice entrou às 10h (no horário de Roma) no adro, lotado por mais de 2 mil peregrinos que não cabiam mais na Sala, já completa com mais de 8 mil pessoas.

Depois de saudar todos com o habitual carinho e espontaneidade, o Papa se sentou no centro do palco e começou a sua catequese, focada integralmente na recente viagem à Coréia:

Queridos irmãs e irmãos, bom dia!

Nos dias passados, realizei uma viagem apostólica à Coreia e hoje, junto com vocês, agradeço ao Senhor por este grande presente. Pude visitar uma Igreja jovem e dinâmica, fundada no testemunho dos mártires e animada pelo espírito missionário, em um país onde se encontram antigas culturas asiáticas e a perene novidade do Evangelho: encontram-se ambas.

Desejo novamente exprimir a minha gratidão aos queridos irmãos bispos da Coreia, à senhora Presidente da República, às outras autoridades e a todos aqueles que colaboraram para esta visita.

O significado desta viagem apostólica pode ser condensado em três palavras: memória, esperança, testemunho.

A República da Coreia é um país que teve um notável e rápido desenvolvimento econômico. Os seus habitantes são grandes trabalhadores, disciplinados, organizados e devem manter a força herdada dos seus antepassados.

Nesta situação, a Igreja é guardiã da memória e da esperança: é uma família espiritual na qual os adultos transmitem aos jovens a chama da fé recebida pelos idosos; a memória dos testemunhos do passado se torna novo testemunho no presente e esperança de futuro. Nessa perspectiva, podem-se ler os dois eventos principais desta viagem: a beatificação dos 124 mártires coreanos, que se somam àqueles já canonizados há 30 anos por São João Paulo II; e o encontro com os jovens por ocasião da 6ª Jornada da Juventude Asiática.

O jovem é sempre uma pessoa em busca de algo pelo qual valha a pena viver, e o mártir dá testemunho de algo, antes, de Alguém por quem vale a pena dar a vida. Esta realidade é o Amor de Deus, que se fez carne em Jesus, a Testemunha do Pai. Nos dois momentos da viagem dedicados aos jovens, o Espírito do Senhor Ressuscitado nos encheu de alegria e de esperança, que os jovens levarão a seus diversos países e que farão tão bem!

A Igreja na Coreia guarda também a memória do papel primário que tiveram os leigos, seja nos primórdios da fé, seja na obra de evangelização. Naquela terra, de fato, a comunidade cristã não foi fundada por missionários, mas por um grupo de jovens coreanos da segunda metade de 1700, os quais ficaram fascinados com alguns textos cristãos, os estudaram a fundo e os escolheram como regra de vida. Um deles foi enviado a Pequim para receber o Batismo e depois este leigo batizou na sua volta os companheiros. Daquele primeiro núcleo, desenvolveu-se uma grande comunidade que, desde o início e por cerca de um século, sofreu violentas perseguições, com milhares de mártires. Deste modo, a Igreja na Coreia se baseia na fé, no engajamento missionário e no martírio dos fiéis leigos.

Os primeiros cristãos coreanos foram propostos como modelo à comunidade apostólica de Jerusalém, praticando o amor fraterno que supera toda diferença social. Por isso, encorajei os cristãos de hoje a serem generosos na partilha com os mais pobres e os excluídos, segundo o Evangelho de Mateus no capítulo 25: “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (v. 40).

Queridos irmãos, na história da fé na Coreia, vê-se como Cristo não anula as culturas, não suprime o caminho dos povos que através dos séculos e dos milênios procuram a verdade e praticam o amor por Deus e pelo próximo. Cristo não extingue aquilo que é bom, mas o leva adiante, leva-o a seu cumprimento.

Em vez disso, aquilo que Cristo combate e vence é o maligno, que semeia a discórdia entre os homens, entre os povos; que gera exclusão por causa da idolatria do dinheiro; que semeia o veneno do nada nos corações dos jovens. Isto sim, Jesus Cristo o combateu e o venceu com o seu sacrifício de amor. E se permanecermos n’Ele, em Seu amor, nós também, como os mártires, poderemos viver e testemunhar Sua vitória. Com essa fé, rezamos e também agora rezemos por todos os filhos e filhas da terra coreana que sofrem as consequências de guerras e divisões, para que possam realizar um caminho de fraternidade e plena reconciliação.

Esta viagem foi iluminada pela festa de Maria Assunta ao Céu. Do alto, onde reina com Cristo, a Mãe da Igreja acompanha o caminho do povo de Deus, apoia os passos mais cansativos, conforta quantos estão à prova e tem aberto o horizonte da esperança. Por sua materna intercessão, o Senhor abençõe sempre o povo coreano, dê-lhe paz e prosperidade; e abençõe a Igreja que vive naquela terra, para que seja sempre fecunda e cheia da alegria do Evangelho.

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“Cumprimento os campeões da América, o meu time San Lorenzo, que faz parte da minha identidade cultural.” Assim o Papa Francisco saudou o time de futebol argentino San Lorenzo Almagro, que acaba de vencer a Copa Sul-americana Libertadores da América.

O Santo Padre dirigiu as palavras, em espanhol, aos jogadores no final da audiência geral desta quarta-feira, 20. “Que a peregrinação ao Sepulcro dos Apóstolos Pedro e Paulo aumente sua fé e estimule sua caridade para com os pobres e necessitados”, disse o Pontífice.

No início do encontro, Francisco saudou individualmente os jogadores. No fim da audiência, o grupo levou ao Pontífice uma camisa, o troféu original e uma cópia, doada a Francisco. Enfim, tiraram uma foto de grupo com o ‘torcedor número 1’.

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Durante a Audiência na manhã desta quarta-feira, 20, o papa recebeu aplausos de solidariedade do público presente na Sala Paulo VI, quando o leitor espanhol recordou brevemente a morte de alguns familiares de Jorge Bergoglio em um acidente de carro ocorrido nesta terça-feira, 19, na Argentina. Em seguida, também os leitores italiano, português e polonês apresentaram pêsames ao Pontífice.

Ontem, um sobrinho do Papa, Emanuel Horacio Bergoglio, ficou gravemente ferido, enquanto a esposa Valeria Carmona e os dois filhos, Antonio de meses, e José, de 2 anos, faleceram.

Concluindo a audiência, Francisco agradeceu pelas orações e os pêsames de todos “pelo que aconteceu em sua família”:
“O Papa também tem uma família. Nós éramos cinco irmãos; tenho 16 sobrinhos e um deles teve um acidente automobilístico: sua esposa e os dois filhinhos morreram, e ele está em estado crítico. Agradeço muito por suas orações”, finalizou Francisco.


Hoje o Santo Padre escreveu em seu Twitter:




19/08/2014
Obrigado, amigos coreanos! Com a ajuda de Deus, muito em breve voltarei à Ásia! #Philippines #SriLanka

 

O perdão é a porta que leva à reconciliação: Papa na Missa conclusiva da viagem, na catedral de Seul.



Seul, 18.agosto.2014 – A “Missa pela paz e pela reconciliação na Coreia”, celebrada esta manhã na catedral de Seul, na presença da Presidente coreana, Park Geun-hye, concluiu a 2ª viagem internacional do Papa Francisco. Como disse o próprio Papa na homilia, tratou-se de “uma oração pela reconciliação nesta família coreana”.

Eis sua homilia, na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs!

A minha estadia na Coreia está a chegar ao fim e não posso deixar de agradecer a Deus pelas muitas bênçãos que concedeu a este amado país e, de maneira particular, à Igreja na Coreia. De entre tais bênçãos, conservo de modo especial a experiência, que vivemos juntos nestes últimos dias, da presença de tantos jovens peregrinos originários de todas as partes da Ásia. O seu amor por Jesus e o seu entusiasmo pela propagação do seu Reino foram uma inspiração para todos.

A minha visita culmina agora nesta celebração da Santa Missa, em que imploramos de Deus a graça da paz e da reconciliação. Esta oração reveste-se de particular ressonância na Península Coreana. A Missa de hoje é, sobretudo e principalmente, uma oração pela reconciliação nesta família coreana. Jesus diz-nos, no Evangelho, como é poderosa a nossa oração, quando dois ou três se reúnem em seu nome para pedir qualquer coisa (cf. Mt 18, 19-20). Muito mais o será, quando um povo inteiro eleva a sua instante súplica ao céu!

A primeira leitura apresenta a promessa feita por Deus de restaurar na unidade e na prosperidade um povo disperso pela desgraça e a divisão. Para nós, como para o povo de Israel, é uma promessa cheia de esperança: indica um futuro que Deus está desde já a preparar para nós. Mas esta promessa está inseparavelmente ligada com um mandamento: o mandamento de retornar a Deus e obedecer de todo o coração à sua lei (cf. Dt 30, 2-3). O dom divino da reconciliação, da unidade e da paz está inseparavelmente ligado à graça da conversão: trata-se de uma transformação do coração, que pode mudar o curso da nossa vida e da nossa história, como indivíduos e como povo.

Nesta Missa, naturalmente escutamos essa promessa no contexto da experiência histórica do povo coreano, uma experiência de divisão e conflito que já dura há mais de 60 anos. Mas o premente convite de Deus à conversão chama também os seguidores de Cristo na Coreia a examinarem-se sobre a qualidade da sua contribuição para a construção duma sociedade justa e humana. Chama cada um de vós a reflectir sobre o testemunho que dá, como indivíduo e como comunidade, de compromisso evangélico com os desfavorecidos, os marginalizados, com aqueles que não têm emprego ou estão excluídos da prosperidade que muitos usufruem. Chama-vos, como cristãos e como coreanos, a repelir com firmeza uma mentalidade fundada sobre a suspeita, a confrontação e a competição, optando antes por favorecer uma cultura plasmada pelo ensinamento do Evangelho e pelos mais nobres valores tradicionais do povo coreano.

No Evangelho de hoje, Pedro pergunta ao Senhor: «Quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» O Senhor responde: «Digo-te, não até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (Mt 18, 21-22). Estas palavras tocam o coração da mensagem de reconciliação e de paz indicada por Jesus. Obedientes ao seu mandamento, pedimos diariamente ao nosso Pai do Céu que perdoe os nossos pecados, «assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Mas, se não estivéssemos prontos a fazer o mesmo, como poderíamos honestamente rezar pela paz e a reconciliação?

Jesus pede-nos para acreditar que o perdão é a porta que leva à reconciliação. Quando nos manda perdoar aos nossos irmãos sem qualquer reserva, pede-nos para fazer algo de totalmente radical, mas dá-nos também a graça de o cumprir. Aquilo que, visto duma perspectiva humana, parece ser impossível, impraticável e às vezes até repugnante, Jesus torna-o possível e frutuoso com a força infinita da sua cruz. A cruz de Cristo revela o poder que Deus tem de superar toda a divisão, curar toda a ferida e restaurar os vínculos originais de amor fraterno.

Assim, a mensagem que vos deixo no final da minha visita a Coreia é esta: tende confiança na força da cruz de Cristo; acolhei nos vossos corações a sua graça reconciliadora e partilhai-a com os outros. Peço-vos que deis um testemunho convincente da mensagem reconciliadora de Cristo nas vossas casas, nas vossas comunidade e em todas as esferas da vida nacional. Estou confiante que vós, num espírito de amizade e cooperação com os outros cristãos, com os seguidores de outras religiões e com todos os homens e mulheres de boa vontade que têm a peito o futuro da sociedade coreana, sereis fermento do Reino de Deus nesta terra. Então as nossas orações pela paz e a reconciliação subirão até Deus de corações mais puros e, pelo dom da sua graça, hão-de alcançar aquele bem precioso por que todos suspiramos.

Por isso, rezemos pelo aparecimento de novas oportunidades de diálogo, encontro e superação das diferenças, por uma incessante generosidade na prestação de assistência humanitária aos necessitados, e por um reconhecimento sempre mais vasto de que todos os coreanos são irmãos e irmãs, membros duma única família e dum único povo.

Antes de deixar a Coreia, quero agradecer à Senhora Presidente da República, às Autoridades civis e eclesiásticas e a todos aqueles que de alguma forma ajudaram a tornar possível esta visita. De modo especial, quero dirigir uma palavra de gratidão pessoal aos sacerdotes da Coreia, que diariamente se empenham no serviço do Evangelho e na edificação da fé, da esperança e da caridade do Povo de Deus. A vós, como embaixadores de Cristo e ministros do seu amor de reconciliação (cf. 2 Cor 5, 18-20), peço que continueis a construir laços de respeito, confiança e cooperação harmoniosa nas vossas paróquias, entre vós e com os vossos Bispos. O vosso exemplo de um amor sem reservas ao Senhor, a vossa fidelidade e dedicação ao ministério, bem como o vosso empenhamento caritativo com os necessitados contribuem enormemente para a obra de reconciliação e paz neste país.

Queridos irmãos e irmãs, Deus chama-nos a voltar para Ele e a escutar a sua voz, e promete estabelecer-nos sobre a terra numa paz e prosperidade maiores, como os nossos antepassados nunca conheceram. Possam os seguidores de Cristo na Coreia preparar a alvorada daquele dia novo em que esta terra do calmo amanhecer gozará das mais ricas bênçãos divinas de harmonia e de paz! Ámen.

Boletim da Santa Sé
Papa aos líderes religiosos coreanos: caminhemos juntos em Deus



Seul, 18.agosto.2014 (RV) - Um dos últimos compromissos do Papa na Coreia foi o encontro, na manhã desta segunda-feira, com as lideranças religiosas do País. Francisco aproveitou a ocasião para fazer um breve discurso improvisado.

"Quero agradecer-vos pela gentileza e pelo afeto que demonstraram vindo aqui para encontrar-me. A vida é um caminho, um caminho longo, mas um caminho que não se pode percorrer sozinho. É preciso caminhar com os irmãos na presença de Deus. Por isso agradeço vosso gesto de caminhar juntos na presença de Deus: é isso que pedira Deus a Abraão. Somos irmãos, reconheçamo-nos como irmãos e caminhemos juntos. O Senhor nos abençoe. E, por favor, peço-vos que rezem por mim. Muito obrigado!"


Papa Francisco consola ex-escravas sexuais da II Guerra Mundial



Num momento comovente, no início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18.agosto.2014, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O Papa passou vários minutos segurando a mão de Kim Bok-dong, de 89 anos, que foi à missa em cadeira de rodas, e era uma das sete "escravas sexuais" que participaram da cerimônia. Kim, conhecida ativista pelos direitos deste grupo, entregou um ‘pin’ com uma borboleta a Francisco, que o colocou na sua lapela.

A borboleta é o símbolo das meninas e adolescentes que o Império Japonês recrutou nos países colonizados na Ásia como escravas sexuais para os seus soldados durante a Segunda Guerra Mundial, conhecidas eufemisticamente como "mulheres de conforto".

Estima-se que até 200 mil mulheres, na sua maioria coreanas, foram vítimas da escravidão sexual do Japão, embora pouco mais de meia centena delas permaneçam vivas e todas têm mais de 80 anos. Estas, juntamente com outros seguidores da causa, se manifestam todas as quartas-feiras há 24 anos para exigir de Tóquio desculpas "sinceras", apesar de o país vizinho já se ter desculpado oficialmente em 1993.


Papa Francisco conclui sua viagem apostólica à Coréia do Sul. Do voo para Roma, o Papa envia mensagem à China



O Papa Francisco partiu esta segunda-feira, 18.agosto.2014, para Roma depois de finalizar a histórica visita de cinco dias à Coreia do Sul. O avião do Pontífice, um Boeing 777 da companhia Korean Air, decolou da base aérea de Seongnam (sul de Seul) às 13.03 (horário local, 06.03 em Roma), para chegar em Roma às 17.45 horas.

O Primeiro Ministro sul-coreano, Chung Hong-won, e o Cardeal Andrew Yeom Soo-jung, arcebispo de Seul, juntamente com os bispos das 16 dioceses da Coreia do Sul, se despediram do Papa Francisco numa breve cerimônia no aeroporto que pôs fim à primeira viagem à Ásia do Pontífice argentino.

No seu último dia na Coreia do Sul, o Papa confirmou que irá retornar à Ásia no próximo ano. O Papa deverá visitar as Filipinas e o Sri Lanka em janeiro próximo.

Do avião que o transporta a Roma, o Papa enviou uma mensagem ao Presidente da República Popular Chinesa, ao sobrevoar o território do país.

“Renovo ao Senhor Presidente e a todos os cidadãos chineses a certeza dos meus melhores votos e invoco a divina bênção sobre a vossa terra”.

É a segunda vez que isto acontece, porque nenhum outro Papa, até a última quarta-feira, havia sobrevoado a China.

Também nenhum grupo de jovens chineses havia participado antes de um encontro com o Papa, como ocorreu durante a Jornada da Juventude Asiática. Deste evento, além dos 60 jovens vindos oficialmente da China, participaram ainda outros 240 jovens da China Popular, 400 de Taiwan, 550 de Hong Kong e 20 de Macau.
Radio Vaticano


Tambem hoje o Papa Francisco publicou Tweets:

18/08/2014
Tantos inocentes foram expulsos de suas casas no Iraque. Senhor, pedimos-vos que eles possam em breve retornar.

18/08/2014
Tende confiança na força da cruz de Cristo. Acolhei a sua graça reconciliadora e partilhai-a com os outros.


Papa diz que é preciso travar a violência no Iraque



O Papa Francisco admitiu nesta segunda-feira, 18, o uso da força para travar a crise no Iraque, uma decisão que tem de ser tomada pela ONU, e mostrou-se pronto para ir ao país, se isso for necessário.

“Quando há uma agressão injusta, posso apenas dizer que é lícito travar o agressor injusto. Sublinho o verbo travar, não digo bombardear, fazer a guerra, mas travá-lo”, disse aos jornalistas, no voo de regresso a Roma após uma viagem de cinco dias à Coreia do Sul.

O Papa tem repetido nas últimas semanas vários apelos em favor das populações perseguidas pelos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS), que tomaram várias cidades iraquianas.

Francisco sublinhou que é necessário avaliar quais os “meios” que se devem usar para agir de forma lícita, sem promover uma “guerra de conquista” por parte das nações mais poderosas, porque “um país, só por si, não pode decidir como travar isto, como travar um agressor injusto”.

“Após a II Guerra Mundial houve a ideia das Nações Unidas, é aí que se deve discutir e dizer: ‘Há um agressor injusto? Parece que sim. Então, como o travamos?’ Apenas isto, nada mais”, precisou.

O Papa chamou a atenção para as minorias religiosas perseguidas e para os “mártires” desta violência.

“Travar o agressor injusto é um direito que a humanidade tem, mas também o agressor tem o direito de ser travado, para que não provoque mal”, realçou.

Francisco admitiu uma visita ao Curdistão, confessando que discutiu “muitas coisas” com os seus colaboradores quando se começou a ter noção da dimensão da situação. “Estou disponível para ir ao Iraque”, revelou, apesar de ter consciência de que “neste momento, não é a melhor coisa a fazer”.

O Papa falou numa “terceira guerra mundial, mas feita aos bocados”, lamentando a “crueldade” de um mundo em que “as crianças não contam” e da “tortura”, usada como meios “quase ordinários nos comportamentos dos serviços de inteligência e nalguns processos judiciais”.

“A tortura é um pecado contra a humanidade, um delito contra a humanidade”, sustentou.
Agência Ecclesia



Papa Francisco se dirigiu à Basílica de Santa Maria Maggiore de Roma após sua chegada para agradecer à Virgem por sua viagem



Papa Francisco se dirigiu à Basílica de Santa Maria Maggiore de Roma após sua chegada para agradecer à Virgem por sua viagem.
Como tem por costume após suas viagens internacionais, Francisco se dirigiu à Basílica de Santa Maria Maggiore de Roma após sua chegada para agradecer à Virgem por sua viagem.

Nesta ocasião, como informou o Vaticano, Francisco levava como oferenda à Virgem o ramo de flores que lhe foi entregue por uma menina coreana, Mary Sol, de 7 anos, em Seul.

O pontífice, após ver a menina com as flores, pediu que o "papamóvel" parasse para recolher o ramo oferecido pela pequena, a quem prometeu que o levaria até Roma para depositá-lo aos pés do "Salus Populi Romani", o ícone bizantino de Nossa Senhora com o menino Jesus que se encontra na Basílica de Santa Maria Maggiore.

EFE | ROMA

Papa aos bispos na Ásia: não cair na tentação do relativismo, superficialidade e "aparente segurança"



Haemi, 17.agosto.2014 (RV) – No penúltimo dia da Viagem Apostólica do Papa Francisco à Coréia. Na manhã deste domingo, o Pontífice deixou a Nunciatura Apostólica, em Seul, dirigindo-se, de helicóptero, para Haemi, a 102 km da capital coreana, onde se encontra o Santuário do “Mártir desconhecido”.

O Santuário de Haemi é dedicado "ao mártir desconhecido" porque a identidade da maior parte dos 132 mártires coreanos mortos naquele lugar na metade do Séc. XIX é desconhecida. Ali, o Santo Padre manteve um encontro com os Bispos do Continente Asiático, eis o seu discurso:

Queridos Irmãos Bispos!


Dirijo-vos uma fraterna e cordial saudação no Senhor, que nos reuniu neste lugar sagrado onde numerosos cristãos deram a sua vida pela fidelidade a Cristo. O seu testemunho de caridade trouxe graças e bênçãos para a Igreja na Coreia e mesmo para além das suas fronteiras: as suas orações nos ajudem a ser pastores fiéis das almas confiadas aos nossos cuidados! Agradeço ao Cardeal Gracias as amáveis palavras de boas-vindas e o trabalho desenvolvido pela Federação das Conferências Episcopais da Ásia para dar impulso à solidariedade e promover a ação pastoral nas vossas Igrejas locais.

Neste vasto Continente, onde vive uma grande variedade de culturas, a Igreja é chamada a ser versátil e criativa no seu testemunho do Evangelho, através do diálogo e da abertura a todos. Na verdade, o diálogo é parte essencial da missão da Igreja na Ásia (cf. Ecclesia in Asia, 29). Mas, ao empreendermos o caminho do diálogo com indivíduos e culturas, qual deve ser o nosso ponto de partida e o ponto de referência fundamental que nos guia para a nossa meta? Tal ponto é, sem dúvida, a nossa identidade própria, a nossa identidade de cristãos. Não podemos comprometer-nos num verdadeiro diálogo, se não estivermos conscientes da nossa identidade. E, por outro lado, não pode haver diálogo autêntico, se não formos capazes de abrir a mente e o coração, com empatia e sincera receptividade, àqueles com quem falamos. Por conseguinte, um sentido claro da identidade própria de cada um e a capacidade de empatia constituem o ponto de partida para qualquer diálogo. Se queremos comunicar de forma livre, franca e frutuosa com os outros, devemos ter bem claro aquilo que somos, aquilo que Deus fez por nós e aquilo que Ele exige de nós. E se a nossa comunicação não quer ser um monólogo, deve haver abertura de mente e coração para aceitar indivíduos e culturas.

Todavia nem sempre se revela fácil esta tarefa de nos apropriarmos da nossa identidade e de a exprimirmos, pois, uma vez que somos pecadores, sempre nos sentiremos tentados pelo espírito do mundo, que se manifesta de variados modos. Queria assinalar aqui três. O primeiro deles é o deslumbramento enganador do relativismo, que obscurece o esplendor da verdade e, abalando a terra sob os nossos pés, impele-nos para areias movediças: as areias movediças da confusão e do desespero. É uma tentação que, no mundo atual, atinge também as comunidades cristãs, levando as pessoas a esquecerem-se de que, “subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Gaudium et spes, 10; cf. Heb 13, 8). Não falo aqui do relativismo entendido apenas como um sistema de pensamento, mas daquele relativismo prático quotidiano que, de forma quase imperceptível, enfraquece qualquer identidade.

Um segundo modo pelo qual o mundo ameaça a solidez da nossa identidade cristã é a superficialidade: a tendência a entreter-se com as coisas de moda, quinquilharias e distrações, em vez de se dedicar a coisas que contam realmente (cf. Fil 1, 10). Numa cultura que exalta o efêmero e oferece numerosos lugares de evasão e fuga, isto representa um grave problema pastoral. Para os ministros da Igreja, esta superficialidade pode manifestar-se também em deixar-se fascinar pelos programas pastorais e pelas teorias, em detrimento do encontro direto e frutuoso com os nossos fiéis, especialmente os jovens, que necessitam antes de uma catequese sólida e uma orientação espiritual segura. Sem um enraizamento em Cristo, as verdades, que são a razão da nossa vida, acabam por ficar abaladas, a prática das virtudes torna-se formalista e o diálogo fica reduzido a uma forma de negociação ou ao acordo no desacordo.

Há depois uma terceira tentação, que é a aparente segurança de se esconder atrás de respostas fáceis, frases feitas, leis e regulamentos. A fé, por sua natureza, não se concentra em si mesma, mas tende a “sair”: procura fazer-se compreender, faz nascer o testemunho, gera a missão. Neste sentido, a fé torna-nos capazes de ser ao mesmo tempo corajosos e humildes no nosso testemunho de esperança e amor. São Pedro diz-nos que devemos estar sempre prontos a responder a qualquer pessoa que nos peça a razão da esperança que há em nós (cf. 1 Ped 3, 15). A nossa identidade de cristãos consiste, em última análise, no compromisso de adorar unicamente a Deus e de nos amarmos uns aos outros, de estar ao serviço uns dos outros e mostrar, com o nosso exemplo, não só aquilo em que acreditamos, mas também aquilo em que esperamos e quem é Aquele no qual pusemos a nossa confiança (cf. 2 Tim 1, 12).

Resumindo, é a fé viva em Cristo que constitui a nossa identidade mais profunda. É dela que parte o nosso diálogo e é esta fé que somos chamados a partilhar, de modo sincero, honesto e sem presunção, por meio do diálogo da vida quotidiana, do diálogo da caridade e em todas as ocasiões mais formais que possam surgir. Uma vez que Cristo é a nossa vida (cf. Fil 1, 21), falamos sobre Ele e partindo d’Ele, sem hesitação nem medo. A simplicidade da sua palavra torna-se evidente na simplicidade da nossa vida, na simplicidade do nosso modo de comunicar, na simplicidade das nossas obras de serviço e caridade aos nossos irmãos e irmãs.

Gostaria agora de referir outro elemento da nossa identidade de cristãos: ela é fecunda. Uma vez que deriva e se alimenta continuamente da graça do nosso diálogo com o Senhor e dos impulsos do Espírito, ela produz um fruto de justiça, bondade e paz. Permiti-me, pois, uma pergunta sobre os frutos que a identidade de cristãos está a produzir na vossa vida e na vida das comunidades confiadas ao vosso cuidado pastoral: Será que aparece claramente a identidade cristã das vossas Igrejas particulares nos vossos programas de catequese e de pastoral juvenil, no vosso serviço aos pobres e a quantos desfalecem à margem das nossas sociedades ricas, e nos vossos esforços por alimentar as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa?

Por fim, juntamente com um claro sentido da nossa própria identidade de cristãos, o diálogo autêntico requer também capacidade de empatia. O desafio que se nos coloca é o de não nos limitarmos a ouvir as palavras que os outros pronunciam, mas individuar a comunicação não-verbal das suas experiências, esperanças e aspirações, das suas dificuldades e daquilo que lhes está mais a peito. Uma tal empatia deve ser fruto do nosso olhar espiritual e da experiência pessoal, que nos leva a ver os outros como irmãos e irmãs, a “escutar”, através e para além das suas palavras e ações, aquilo que os seus corações desejam comunicar. Neste sentido, o diálogo exige de nós um autêntico espírito “contemplativo” de abertura e receptividade do outro. Esta capacidade de empatia torna-nos capazes de um verdadeiro diálogo humano, no qual palavras, ideias e perguntas brotam de uma experiência de fraternidade e humanidade compartilhada; leva a um encontro genuíno, no qual o coração fala ao coração. Somos enriquecidos pela sabedoria do outro e tornamo-nos disponíveis para percorrer juntos a estrada de um conhecimento mais profundo, de amizade e solidariedade. Como justamente observou São João Paulo II, o nosso compromisso em prol do diálogo baseia-se na própria lógica da Encarnação: em Jesus, o próprio Deus tornou-Se um de nós, partilhou a nossa existência e falou-nos com a nossa linguagem (cf. Ecclesia in Asia, 29). Num tal espírito de abertura aos outros, espero firmemente que os países do vosso Continente, com os quais a Santa Sé ainda não tem plenas relações, não hesitarão em promover um diálogo para benefício de todos.

Queridos Irmãos no episcopado, agradeço o vosso acolhimento fraterno e cordial. Quando olhamos para o grande Continente Asiático, com a sua vasta extensão de terras, as suas antigas culturas e tradições, tomamos consciência de que, no plano de Deus, as vossas comunidades cristãs são verdadeiramente um pusillus grex, um pequeno rebanho, ao qual, porém, foi confiada a missão de levar a luz do Evangelho até aos confins da terra. O Bom Pastor, que conhece e ama cada uma das suas ovelhas, guie e robusteça os vossos esforços para reuni-las na unidade com Ele e com todos os outros membros do seu rebanho espalhado pelo mundo. Confio cada um de vós à intercessão de Maria, Mãe da Igreja, e de coração concedo a minha bênção, como penhor de graça e paz no Senhor.
Papa batiza pai de jovem morto em naufrágio na Coreia



Uma ação inesperada do Papa Francisco durante sua viagem à Coreia do Sul: ele batizou Lee Ho Jin, pai de um dos jovens mortos no naufrágio da balsa Sewol em abril deste ano, deixando quase 300 mortos. O sacramento foi administrado neste domingo, 17, na Capela da Nunciatura Apostólica de Seul.

“O Papa interveio pessoalmente no batismo com a infusão da água e na unção com o Sagrado Crisma. O Papa ficou feliz em poder participar assim – de maneira não prevista – no grande ministério do batismo de adultos da Igreja na Coreia”, informa uma nota do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

Lee Ho Jin recebeu como nome de batismo “Francisco”. Ele estava acompanhado por um filho e uma filha e pelo sacerdote que o tinha apresentado ao Papa. O padrinho foi um leigo que faz parte da equipe da Nunciatura de Seul.

A celebração se desenvolveu de forma simples, dirigida em coreano pelo padre John Chong Che-chon, jesuíta, que acompanha o Santo Padre nesta viagem como intérprete da língua coreana.


Também neste domingo, o Papa Francisco deixou mensagens em seu Twitter:

17/08/2014
Senhor, diante de tanta violência no Iraque, ajudai-nos a perseverar na oração e na generosidade.

17/08/2014
A misericórdia de Deus nos salva: nunca nos cansemos de espalhar pelo mundo esta jubilosa mensagem.

17/08/2014
Rezemos para que a Igreja seja mais santa e mais humilde, e saiba amar a Deus servindo os pobres e as pessoas abandonadas e doentes.

Papa aos leigos: ajudar os pobres é bom, mas não o suficiente

Seul, 16,agosto.2014 (RV) - O Papa Francisco, após o aguardado encontro – na "School of Love" (Escola do Amor) de Kkttongnae – com as comunidades religiosas na Coréia, com a participação de cinco mil religiosos e religiosas que realizam o serviço pastoral no país asiático, transferiu-se para o Centro de Espiritualidade de Kkttongnae, onde teve um encontro com os líderes do Apostolado Laico, encontro este que constituiu seu último compromisso deste sábado em terras coreanas.

Fazendo de papamóvel o percurso de 2Km até o Centro de Espiritualidade, calorosamente saudado pela multidão que o aguardava ao longo do trajeto, mais uma vez o Santo Padre pôde sentir o entusiasmo, o calor humano e afeto dos coreanos ao Sucessor de Pedro, embora os católicos representem somente 10% da população.

Queridos irmãos e irmãs!

Sinto-me grato por ter esta oportunidade de me encontrar convosco, que representais as múltiplas expressões do florescente apostolado dos leigos na Coreia. Agradeço ao Presidente do Conselho do Apostolado Laical Católico, o senhor Paul Kwon Kil-joog, as amáveis palavras de boas-vindas que me dirigiu da vossa parte.

Como sabemos, a Igreja na Coreia é herdeira da fé de gerações de leigos que perseveraram no amor de Jesus Cristo e na comunhão com a Igreja, apesar da escassez de sacerdotes e da ameaça de graves perseguições. O Beato Paul Yun Ji-chung e demais mártires hoje beatificados representam um capítulo extraordinário desta história. Eles deram testemunho da fé não só através dos seus sofrimentos e da morte, mas também com a sua vida de mútua solidariedade amorosa nas comunidades cristãs, caracterizadas por uma caridade exemplar.

Esta preciosa herança prolonga-se nas vossas obras de fé, de caridade e de serviço. Hoje, como sempre, a Igreja precisa que os leigos prestem um testemunho credível à verdade salvífica do Evangelho, ao seu poder de purificar e transformar o coração humano e à sua fecundidade na edificação da família humana na unidade, justiça e paz. Sabemos que há uma única missão da Igreja de Deus, e cada cristão batizado tem um papel vital nesta missão. Os vossos dons de fiéis leigos, homens e mulheres, são múltiplos, tal como é variado o vosso apostolado; e tudo o que fazeis destina-se à promoção da missão da Igreja, garantindo que a ordem temporal seja permeada e aperfeiçoada pelo Espírito de Cristo e orientada para a vinda do seu Reino. De modo particular, desejo agradecer a obra de tantas associações diretamente empenhadas em ir ao encontro dos pobres e necessitados.

Como demonstra o exemplo dos primeiros cristãos coreanos, a fecundidade da fé expressa-se na solidariedade concreta para com os nossos irmãos e irmãs, independentemente da sua cultura ou condição social, porque em Cristo «não há judeu nem grego» (Gal 3, 28). Sinto-me profundamente grato a quantos de vós, com o trabalho e o testemunho, levam a presença consoladora do Senhor às pessoas que vivem nas periferias da nossa sociedade. Esta atividade não se limita à assistência caritativa, mas deve estender-se também a um compromisso com o crescimento humano. Dar assistência aos pobres é coisa boa e necessária, mas não é suficiente. Encorajo-vos a multiplicar os vossos esforços no campo da promoção humana, de modo que cada homem e cada mulher possa conhecer a alegria que deriva da dignidade de ganhar o pão de cada dia, sustentando assim a própria família.

Desejo ainda agradecer a preciosa contribuição das mulheres católicas coreanas para a vida e a missão da Igreja neste país, como mães de família, catequistas e professoras, e de vários outros modos. Da mesma forma, não posso deixar de destacar a importância do testemunho prestado pelas famílias cristãs. Numa época de crise da vida familiar, as nossas comunidades cristãs são chamadas a apoiar os casais e as famílias no cumprimento da sua missão na vida da Igreja e da sociedade. A família permanece a unidade basilar da sociedade e a primeira escola onde as crianças aprendem os valores humanos, espirituais e morais que as tornam capazes de ser faróis de bondade, integridade e justiça nas nossas comunidades.

Queridos amigos, qualquer que seja a contribuição particular que dais à missão da Igreja, peço-vos que continueis a promover nas vossas comunidades uma formação mais completa dos fiéis leigos, através duma catequese permanente e da direção espiritual. Em tudo o que fizerdes, peço-vos que atueis em completa harmonia de mente e coração com os vossos pastores, procurando colocar as vossas intuições, talentos e carismas ao serviço do crescimento da Igreja na unidade e no espírito missionário. A vossa contribuição é essencial, pois o futuro da Igreja na Coreia, como aliás em toda a Ásia, dependerá em grande parte do desenvolvimento duma visão eclesiológica alicerçada numa espiritualidade de comunhão, participação e partilha dos dons (cf. Ecclesia in Asia, 45).

Uma vez mais exprimo a minha gratidão por tudo o que fazeis pela edificação da Igreja na Coreia na santidade e no zelo. Possais vós obter constante inspiração e força para o vosso apostolado do Sacrifício Eucarístico, onde é comunicado e alimentado o amor de Deus e da humanidade, que é a alma do apostolado, (cf. Lumen gentium, 33). Sobre vós, vossas famílias e quantos participam nas obras corporais e espirituais das vossas paróquias, das associações e dos movimentos, invoco alegria e paz no Senhor Jesus Cristo e na carinhosa protecção de Maria, nossa Mãe.

Boletim da Santa Sé
Papa às Comunidades Religiosas da Coreia: dar alegre testemunho de Cristo

Kkottongnae (RV) - Na parte da tarde, deste sábado, o Santo Padre se dirigiu, de helicóptero, para Kkottongnae, a 90 km. de Seul, onde, visitou o Centro de reabilitação, chamado “Casa da Esperança, que hospeda cerca de 150 pacientes adultos.

A seguir, o Papa Francisco se dirigiu, em papamóvel, ao vizinho Centro de Treinamento, denominado “Escola do Amor”, onde se encontrou com as Comunidades Religiosas da Coréia.

Participaram do encontro, no centro “Escola do Amor”, cerca de cinco mil religiosos e religiosas, que prestam serviço pastoral na Coréia. Devido ao atraso no programa papal, não houve a celebração das Vésperas, durante a qual estavam previstas orações especiais pela reconciliação e unidade das duas Coreias.

No início do encontro, o Santo Padre foi saudado pelos dois Presidentes das Conferências coreanas dos Superiores Maiores, masculinos e femininos, dos Institutos Religiosos e das Sociedades de Vida Apostólica e das Associações dos Superiores Maiores do país.


Depois, tomando a palavra, o Bispo de Roma pronunciou seu discurso aos numerosos presentes:

Queridos irmãos e irmãs em Cristo!

Saúdo-vos a todos com afeto no Senhor: é bom estar convosco hoje e partilhar este momento de comunhão. A grande variedade de carismas e atividades apostólicas que representais enriquece, de forma maravilhosa, a vida da Igreja na Coreia e para além dela. Nesta celebração das Vésperas, em que cantamos os louvores da infinita bondade e misericórdia de Deus, agradeço-vos, a vós e a todos os vossos irmãos e irmãs, pelo empenho posto na edificação do Reino de Deus nesta amada nação. Agradeço ao Padre Hwang Seok-mo e à Irmã Scholastica Lee Kwang-ok, Presidentes das conferências coreanas dos Superiores Maiores masculinos e femininos dos Institutos Religiosos e das Sociedades de Vida Apostólica, as amáveis palavras de boas-vindas.

As palavras do Salmo – “Minha carne e meu coração desfalecem; rochedo do meu coração e minha porção é Deus para sempre!” (Sl 73, 26) – fazem-nos pensar na nossa vida. O Salmista expressa jubilosa confiança em Deus. Todos sabemos que, mesmo se a alegria não se expressa da mesma forma em todos os momentos da vida, especialmente nos momentos de grande dificuldade, «sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de sermos infinitamente amados» (Evangelii gaudium, 6).

A firme certeza de ser amados por Deus está no centro da vossa vocação: ser para os outros um sinal tangível da presença do Reino de Deus, uma antecipação das alegrias eternas do céu. Somente se o nosso testemunho for alegre é que poderemos atrair homens e mulheres para Cristo; e esta alegria é um dom que se alimenta de uma vida de oração, da meditação da Palavra de Deus, da celebração dos Sacramentos e da vida comunitária. Quando faltam estas coisas, aparecerão as fraquezas e dificuldades que obscurecem a alegria conhecida tão intimamente no início do nosso caminho.

Para vós, homens e mulheres consagrados a Deus, tal alegria está enraizada no mistério da misericórdia do Pai revelada no sacrifício de Cristo sobre a cruz. Quer o carisma do vosso instituto se oriente mais para contemplação, quer se volte mais para a vida ativa, o vosso desafio é tornar-vos «especialistas» na misericórdia divina precisamente através da vida em comunidade. Sei, por experiência, que a vida comunitária nem sempre é fácil, mas é um terreno providencial para a formação do coração. Não é realista esperar que não haja conflitos: surgirão incompreensões e será preciso enfrentá-las. Mas, apesar destas dificuldades, é na vida comunitária que somos chamados a crescer na misericórdia, na paciência e na caridade perfeita.

A experiência da misericórdia de Deus, alimentada pela oração e pela comunidade, deve plasmar tudo o que sois e tudo o que fazeis. A vossa castidade, pobreza e obediência tornar-se-ão um testemunho jubiloso do amor de Deus, na medida em que permanecerdes firmes sobre a rocha da sua misericórdia. Verifica-se isto particularmente no que se refere à obediência religiosa. Uma obediência madura e generosa exige que adirais na oração a Cristo, o qual, assumindo a forma de servo, aprendeu a obediência por meio do sofrimento (cf. Perfectae caritatis, 14). Não há atalhos: Deus quer os nossos corações por inteiro, e isso significa que temos de nos «desapegar» e «sair de nós mesmos» sempre mais.

Uma experiência viva da primorosa misericórdia de Deus sustenta também o desejo de alcançar aquela caridade perfeita que brota da pureza de coração. A castidade exprime a vossa doação exclusiva ao amor de Deus, que é a rocha dos nossos corações. Todos sabemos quanto empenhamento pessoal e exigente isso comporta! As tentações neste campo requerem confiança humilde em Deus, vigilância e perseverança.

Através do conselho evangélico da pobreza, sereis capazes de reconhecer a misericórdia de Deus não apenas como fonte de fortaleza, mas também como um tesouro. Mesmo se estamos cansados, podemos oferecer-Lhe os nossos corações carregados de pecados e fraquezas; nos momentos em que nos sentimos mais fracos, podemos encontrar Cristo, que Se fez pobre para que nos tornássemos ricos (cf. 2 Cor 8, 9). Esta necessidade fundamental que temos de ser perdoados e curados é, em si mesma, uma forma de pobreza que nunca deveríamos esquecer, não obstante todos os progressos feitos para a virtude. Além disso, a pobreza deve encontrar expressão concreta no vosso estilo de vida, tanto pessoal como comunitário; penso de modo particular na necessidade de evitar todas as coisas que vos possam distrair e causar confusão e escândalo nos outros. Na vida consagrada, a pobreza tanto é um «muro» como uma «mãe»: um «muro» porque protege a vida consagrada, e uma «mãe» porque a ajuda a crescer e a conduz pelo justo caminho. A hipocrisia de quantos – homens e mulheres consagrados – professam o voto de pobreza mas vivem como ricos, fere as almas dos fiéis e prejudica a Igreja. Pensai também como é perigosa a tentação de adotar uma mentalidade puramente funcional e mundana, que induz a colocar a nossa esperança apenas nos recursos humanos e destrói o testemunho de pobreza que Nosso Senhor Jesus Cristo viveu e nos ensinou.

Queridos irmãos e irmãs, com grande humildade, fazei tudo o que puderdes para demonstrar que a vida consagrada é um dom precioso para a Igreja e para o mundo. Não o guardeis só para vós mesmos; partilhai-o, levando Cristo a todos os cantos deste amado país. Deixai que a vossa alegria continue a encontrar expressão nos vossos esforços por atrair e cultivar vocações, reconhecendo que todos vós colaborais para formar os homens e mulheres consagrados de amanhã. Quer vos dediqueis à vida contemplativa, quer à vida apostólica, sede zelosos no amor pela Igreja na Coreia e no desejo de contribuir, através do vosso carisma específico, para a missão de proclamar o Evangelho e edificar o povo de Deus na unidade, na santidade e no amor.

Confio-vos a todos, especialmente aos membros idosos e enfermos das vossas comunidades, aos cuidados amorosos de Maria, Mãe da Igreja, e de coração concedo-vos a minha bênção, como penhor de graça e paz constante em Cristo Jesus seu Filho.

Papa visita portadores de deficiência e reza por crianças abortadas

O Papa visitou neste sábado, 16.agosto.2014, um centro de recuperação para pessoas com deficiência genética na localidade coreana de Kkottongnae, instituição fundada pelo padre Oh Woong Jin.

Após uma Missa que reuniu cerca de 800 mil pessoas em Seul, Francisco seguiu de helicóptero para a ‘House of Hope’ (Casa da Esperança), 130 quilômetros ao sul da capital sul-coreana, onde foi recebido pelo referido sacerdote, o bispo de Cheongju, D. Gabriel Chang Bong-hun e autoridades locais, para além de milhares de pessoas.

O Papa, que entrou descalço no local em sinal de respeito, cumprimentou um a um os cerca de 150 pacientes adultos e 50 crianças com deficiência, vindas de outro centro, e mais de 70 profissionais da instituição.

As crianças apresentaram a Francisco uma pequena coreografia e ofereceram-lhe alguns trabalhos manuais, além de um colar de flores; o Pontífice argentino retribuiu com a oferta de um mosaico da Natividade de Nossa Senhora.

Após deixar o local, o Papa parou para uma oração em silêncio no ‘jardim das crianças abortadas’.

O Papa Francisco, em geral, evita pronunciar-se sobre temas como o aborto, argumentando que a doutrina da Igreja para a santificação da vida é bastante clara e conhecida e, por isso, ele prefere enfatizar outros aspectos do ensinamento da Igreja.

No entanto, o Papa fez um forte pronunciamento, apesar de silencioso, contra o aborto, ao reter-se em oração diante de um monumento para crianças que jamais viram a luz do mundo. O local faz parte da comunidade dedicada aos cuidados de pessoas com deficiências genéticas que, frequentemente, são utilizadas para justificar os abortos.

O Papa baixou a cabeça em oração diante das centenas de cruzes brancas do monumento e conversou com um ativista anti-aborto que não tem nem os braços e nem as pernas.
Canção Nova/Radio Vaticano



O Papa Francisco escreveu dois tweets neste sábado:

16/08/2014
Não esqueçamos o grito dos cristãos e de todas as populações perseguidas no Iraque.

16/08/2014
Os mártires nos ensinam que as riquezas, o prestígio e a honra têm pouca importância: Cristo é o único verdadeiro tesouro.

Papa celebra beatificação de 124 mártires coreanos

O coreano Paul Yun Ji-Chung e seus 123 companheiros mártires foram beatificados nesta manhã de sábado, 16.agosto.2014, pelo Papa Francisco, na Santa Missa celebrada na Porta de Gwanghwamun, em Seul, Coreia do Sul.

Cerca 800 mil fiéis, vindos de toda a Coreia, participaram da celebração que beatificou cristãos da primeira geração de vítimas da perseguição religiosa no país.

Esta foi a homilia do Santo Padre:

«Quem nos separará do amor de Cristo?» (Rm 8, 35). Com estas palavras, São Paulo fala-nos da glória da nossa fé em Jesus: Cristo não só ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu, mas uniu-nos a Si mesmo, tornando-nos participantes da sua vida eterna. Cristo é vitorioso e a sua vitória é nossa!

Hoje celebramos esta vitória em Paulo Yun Ji-chung e nos seus 123 companheiros. Os seus nomes vêm juntar-se aos dos Santos Mártires André Kim Taegon, Paulo Chong Hasang e companheiros, aos quais pouco antes prestei homenagem. Todos viveram e morreram por Cristo e agora reinam com Ele na alegria e na glória. Com São Paulo, dizem-nos que Deus, na morte e ressurreição de seu Filho, nos deu a maior de todas as vitórias. De fato, «nem a morte, nem a vida, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rm 8, 38-39).

A vitória dos mártires, o testemunho por eles prestado à força do amor de Deus, continua ainda hoje a dar frutos na Coreia, na Igreja que recebe incentivo do seu sacrifício. A celebração do Beato Paulo e dos seus companheiros nos dá oportunidade de voltar aos primeiros momentos, aos alvores da Igreja na Coreia. Convido-vos, católicos coreanos, a lembrar as grandes coisas que Deus realizou nesta terra e a guardar, como um tesouro, o legado de fé e caridade que vos foi confiado pelos vossos antepassados.

Na providência misteriosa de Deus, a fé cristã não chegou às costas da Coreia por intermédio de missionários; mas entrou através dos corações e das mentes do próprio povo coreano. Este foi estimulado à fé pela curiosidade intelectual, pela busca da verdade religiosa. Foi através dum encontro inicial com o Evangelho que os primeiros cristãos coreanos abriram as suas mentes a Jesus. Queriam saber mais sobre este Cristo que sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos; e este aprender algo sobre Jesus bem depressa levou a um encontro com o próprio Senhor, aos primeiros batismos, ao desejo duma vida sacramental e eclesial plena e aos inícios dum compromisso missionário. Além disso, frutificou em comunidades que se inspiravam na Igreja primitiva, onde os fiéis formavam verdadeiramente um só coração e uma só alma, sem olhar às diferenças sociais tradicionais, e possuíam tudo em comum (cf. Act 4, 32).

Esta história é muito elucidativa sobre a importância, a dignidade e a beleza da vocação dos leigos. Dirijo a minha saudação a tantos fiéis leigos aqui presentes, especialmente às famílias cristãs que diariamente, com o seu exemplo, educam os jovens para a fé e o amor reconciliador de Cristo. De modo especial, saúdo os inúmeros sacerdotes aqui presentes: através do seu ministério generoso, transmitem o rico patrimônio de fé cultivado pelas passadas gerações de católicos coreanos.

O Evangelho de hoje contém uma mensagem importante para todos nós. Jesus pede ao Pai que nos consagre na verdade e nos guarde do mundo. Antes de mais nada, é significativo que Jesus, ao pedir ao Pai que nos consagre e guarde, não Lhe pede para nos tirar do mundo. Sabemos que envia os seus discípulos para serem fermento de santidade e verdade no mundo: o sal da terra e a luz do mundo. Nisto, os mártires mostram-nos o caminho.

Algum tempo depois que as primeiras sementes de fé foram lançadas nesta terra, os mártires e a comunidade cristã tiveram que escolher entre seguir Jesus ou o mundo. Tinham escutado a advertência do Senhor, ou seja, que o mundo os odiaria por causa d’Ele (cf. Jo 17, 14); sabiam qual era o preço de ser discípulo. Para muitos, isso significou a perseguição e, mais tarde, a fuga para as montanhas, onde formaram aldeias católicas. Estavam dispostos a grandes sacrifícios e a deixar-se despojar de tudo o que pudesse afastá-los de Cristo: os bens e a terra, o prestígio e a honra, porque sabiam que somente Cristo era o seu verdadeiro tesouro.

Hoje, muitas vezes, experimentamos que a nossa fé é posta à prova pelo mundo, sendo-nos pedido de muitíssimas maneiras para condescender no referente à fé, diluir as exigências radicais do Evangelho e conformar-nos com o espírito do tempo. Mas os mártires chamam-nos a colocar Cristo acima de tudo, considerando todas as demais coisas neste mundo em relação a Ele e ao seu Reino eterno. Os mártires levam-nos a perguntar se há algo pelo qual estamos dispostos a morrer.

Além disso, o exemplo dos mártires ensina-nos a importância da caridade na vida de fé. Foi a pureza do seu testemunho de Cristo, manifestada na aceitação da igual dignidade de todos os batizados, que os levou a uma forma de vida fraterna que desafiava as rígidas estruturas sociais do seu tempo. Foi a sua recusa de separar o duplo mandamento do amor a Deus e do amor ao próximo que os levou a tão grande solicitude pelas necessidades dos irmãos. O seu exemplo tem muito a dizer a nós que vivemos numa sociedade onde, ao lado de imensas riquezas, cresce silenciosamente a pobreza mais abjeta; onde raramente se escuta o grito dos pobres; e onde Cristo continua a chamar, pedindo-nos que O amemos e sirvamos, estendendo a mão aos nossos irmãos e irmãs necessitados.

Se seguirmos o exemplo dos mártires e acreditarmos na palavra do Senhor, então compreenderemos a sublime liberdade e a alegria com que eles foram ao encontro da morte. Além disso, veremos que a celebração de hoje abraça os inúmeros mártires anônimos, neste país e no resto do mundo, que, especialmente no século passado, ofereceram a sua própria vida por Cristo ou sofreram duras perseguições por causa do seu nome.

Hoje é um dia de grande alegria para todos os coreanos. O legado do Beato Paulo Yun Ji-chung e dos seus Companheiros – a sua retidão na busca da verdade, a sua fidelidade aos supremos princípios da religião que tinham escolhido abraçar, bem como o seu testemunho de caridade e solidariedade para com todos – tudo isso faz parte da rica história do povo coreano. O legado dos mártires pode inspirar todos os homens e mulheres de boa vontade a trabalharem harmoniosamente por uma sociedade mais justa, livre e reconciliada, contribuindo assim para a paz e a defesa dos valores autenticamente humanos neste país e no mundo inteiro.

Possam as orações de todos os mártires coreanos, em união com as de Nossa Senhora, Mãe da Igreja, obter-nos a graça de perseverar na fé e em toda a boa obra, na santidade e pureza de coração e no zelo apostólico de testemunhar Jesus nesta amada Nação, em toda a Ásia e até aos confins da terra. Amém.


Santo Padre destacou o que é a verdadeira liberdade e convidou todos a olharem para Maria como a mãe da esperança, na Santa Missa em Daejeon na solenidade da Assunção de Maria

No segundo dia de viagem à Coreia do Sul, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa, nesta sexta-feira, 15, Solenidade da Assunção de Maria. Hoje também é um dia especial para os coreanos: celebra-se o Dia Nacional da Libertação da República da Coreia.


Amados irmãos e irmãs em Cristo!

Em união com toda a Igreja, celebramos a Assunção de Nossa Senhora, em corpo e alma, à glória do Paraíso. A Assunção de Maria mostra-nos o nosso destino como filhos adoptivos de Deus e membros do Corpo de Cristo: como Maria, nossa Mãe, somos chamados a participar plenamente na vitória do Senhor sobre o pecado e a morte e a reinar com Ele no seu Reino eterno.

O «grande sinal» apresentado na primeira leitura – uma mulher vestida de sol e coroada de estrelas (cf. Ap 12, 1) – convida-nos a contemplar Maria, entronizada na glória junto do seu divino Filho. Convida-nos ainda a tomar consciência do futuro que, já desde agora, abre diante de nós o Senhor Ressuscitado. Tradicionalmente, os coreanos celebram esta festa à luz da sua experiência histórica, reconhecendo a amorosa intercessão de Maria operante na história da nação e na vida do povo.

Na segunda leitura de hoje, ouvimos São Paulo afirmar que Cristo é o novo Adão, cuja obediência à vontade do Pai derrubou o reino do pecado e da escravidão e inaugurou o reino da vida e da liberdade (cf. 1 Cor 15, 24-25). A verdadeira liberdade encontra-se no amoroso acolhimento da vontade do Pai. De Maria, cheia de graça, aprendemos que a liberdade cristã é algo mais do que a mera libertação do pecado; é a liberdade que abre para um novo modo espiritual de considerar as realidades terrenas, a liberdade de amar a Deus e aos nossos irmãos e irmãs com um coração puro e viver na jubilosa esperança da vinda do Reino de Cristo.

Hoje, ao venerar Maria, Rainha do Céu, dirigimo-nos a Ela como Mãe da Igreja na Coreia para Lhe pedir que nos ajude a ser fiéis à liberdade régia que recebemos no dia do Baptismo; que guie os nossos esforços por transformar o mundo segundo o plano de Deus; e que torne a Igreja neste país capaz de ser, de uma forma mais plena, fermento do Reino de Deus na sociedade coreana. Possam os cristãos desta nação ser uma força generosa de renovação espiritual em todas as esferas da sociedade; combatam o fascínio do materialismo que sufoca os autênticos valores espirituais e culturais e também o espírito de desenfreada competição que gera egoísmo e conflitos; rejeitem modelos económicos desumanos que criam novas formas de pobreza e marginalizam os trabalhadores, bem como a cultura da morte que desvaloriza a imagem de Deus, o Deus da vida, e viola a dignidade de cada homem, mulher e criança.

Como católicos coreanos, herdeiros duma nobre tradição, sois chamados a valorizar esta herança e a transmiti-la às gerações futuras. Isto implica para cada um a necessidade duma renovada conversão à Palavra de Deus e uma intensa solicitude pelos pobres, os necessitados e os fracos que vivem no meio de nós.

Ao celebrar esta festa, unimo-nos a toda a Igreja espalhada pelo mundo e olhamos para Maria como Mãe da nossa esperança. O seu cântico de louvor lembra-nos que Deus nunca esquece as suas promessas de misericórdia (cf. Lc 1, 54-55). Maria é a cheia de graça, porque «acreditou no cumprimento daquilo que o Senhor lhe dissera» (Lc 1, 45). N’Ela, todas as promessas divinas se demostraram verdadeiras. Entronizada na glória, mostra-nos que a nossa esperança é real e que, já desde agora, esta esperança se estende, «como uma âncora segura e firme para as nossas vidas» (Heb 6, 19), até onde Cristo está sentado na glória.

Amados irmãos e irmãs, esta esperança – a esperança oferecida pelo Evangelho – é o antídoto contra o espírito de desespero que parece crescer como um câncer no meio da sociedade, que exteriormente é rica e todavia muitas vezes experimenta amargura interior e vazio. A quantos dos nossos jovens não fez pagar o seu tributo um tal desespero! Que os jovens, que nestes dias se reúnem ao nosso redor com a sua alegria e confiança, nunca lhes vejam roubada a esperança!

Dirijamo-nos a Maria, Mãe de Deus, e imploremos a graça de viver alegres na liberdade dos filhos de Deus, usar sabiamente esta liberdade para servirmos os nossos irmãos e irmãs, e viver e actuar de tal modo que sejamos sinais de esperança, aquela esperança que encontrará a sua realização no Reino eterno, onde reinar é servir. Amen.

Boletim da Santa Sé
Papa reza o Angelus em Daejeon: oração pelas vítimas do naufrágio na Coreia.

Ao término da celebração Eucarística, na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, o Bispo de Roma rezou a oração do Ângelus, por volta do meio dia, hora local.


Amados irmãos e irmãs!

No término da Santa Missa, dirigimo-nos uma vez mais a Nossa Senhora, Rainha do Céu. Oferecemos-Lhe as nossas alegrias, os nossos sofrimentos e as nossas esperanças. De modo particular, confiamos-Lhe todos aqueles que perderam a vida no naufrágio da balsa Sewol e quantos sofrem ainda as consequências deste grande desastre nacional. O Senhor acolha os falecidos na sua paz, console as pessoas que choram e continue a sustentar aqueles que tão generosamente acorreram em auxílio dos seus irmãos e irmãs. Este trágico acontecimento, que uniu todos os coreanos na dor, os confirme no seu compromisso de trabalhar juntos e solidários para o bem comum.

De igual modo pedimos à Virgem Maria que pouse o seu olhar misericordioso sobre quantos estão sofrendo entre nós, especialmente os doentes, os pobres e quem não possui um emprego digno.

Por fim, no dia em que a Coreia celebra a sua libertação, pedimos a Nossa Senhora que vele sobre esta nobre nação e seus cidadãos. Confiamos à sua protecção todos os jovens que se reuniram aqui vindos de toda a Ásia. Possam eles ser jubilosos arautos da alvorada de um mundo de paz, segundo o gracioso desígnio de Deus!

Boletim da Santa Sé

Estes foram os Twees publicados hoje pelo Papa Francisco:

15/08/2014
O meu coração sangra, quando penso nas crianças do Iraque. Nossa Senhora, Nossa Mãe, as proteja!

15/08/2014
Queridos jovens, Cristo vos chama a permanecer atentos e vigilantes para reconhecerdes aquilo que verdadeiramente conta na vida.

15/08/2014
Maria, Rainha do Céu, ajudai-nos a transformar o mundo segundo o projeto de Deus.
Francisco interrompeu discurso preparado para falar aos jovens “com o coração”

Rezar pela reunificação da única família da Coreia, feita de irmãos que falam a mesma língua. Este foi o convite deixado pelo Papa Francisco aos jovens que participam da Jornada da Juventude Asiática, que se encontraram com ele nesta sexta-feira, 15. Uma hora e meia de entusiasmo e de grande atenção às palavras do Papa, que interrompeu o discurso preparado (lido pela metade em inglês) pedindo permissão aos jovens para falar em italiano, o idioma que lhe permite falar com o coração.

“A culpa da divisão entre as duas Coreias é de uma só parte? Se Deus me pede para segui-lo em uma vocação e eu sinto outra coisa, isto é uma tentação ou não?” Perguntas feitas pelos jovens ao Papa, que não os desiludiu.

A primeira resposta foi para a jovem que está dividida entre seguir a voz que a impele à consagração religiosa ou uma outra que a leva ao laicato. Segundo Francisco, este é um conflito aparente, porque quando Deus chama sempre é para fazer o bem, seja na vida consagrada ou na vida de leigo.

“Mas o escopo é o mesmo: adorar Deus e fazer o bem aos outros (…) Mas você não deve escolher nenhum caminho! O Senhor deve fazê-lo! Jesus tem a escolha! Você deve ouvi-Lo e pedir: ‘Senhor, o que devo fazer?’”.

Francisco também mostrou atenção para com uma jovem que lhe recordou a existência de mártires cambojanos, pessoas, porém, ainda desconhecidas. Ele ressaltou que há sim santos no Camboja, e muitos, mas a Igreja ainda não os reconheceu, não os beatificou, não canonizou ninguém.

“Eu lhe prometo que me ocuparei disso quando voltar para casa, de falar com o encarregado dessas coisas, que é um bravo homem e se chama Angelo. Pedirei a ele que faça uma busca sobre isso para levar adiante”.

Cardeal Angelo Amato é prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. O empenho do Papa para com o assunto foi aplaudido pelos jovens.

Sobre a pergunta de uma jovem com relação à divisão da Coreia – qual o sentido do ódio que divide as Coreias? – Francisco foi claro: “Não há duas Coreias; há uma, mas está dividida, a família está dividida”.

“Antes de tudo, o conselho: rezar, rezar pelos nossos irmãos do Norte. ‘Senhor, somos uma família, ajuda-nos, ajuda-nos à unidade, Tu podes fazê-lo. Que não haja vencedores nem vencidos, somente uma família, que haja somente irmãos’. Francisco pediu, em seguida, um momento de oração silenciosa pela reunificação das Coreias, tendo seu convite acolhido pelos jovens.

Depois, Francisco falou da esperança. “Há tantas esperanças, mas há uma bela: a Coreia é uma, é uma família. (…) Pensem em vossos irmãos do Norte: eles falam a mesma língua e quando em uma família se fala a mesma língua, há também uma esperança humana”.

Concluindo, o Santo Padre deixou aos jovens uma reflexão inspirada na parábola do Filho Pródigo, confirmando a certeza que é a pedra angular do seu Pontificado, isso é, que Deus é misericórdia e paciência infinita.

“Nenhum de nós sabe o que esperar na vida. Nós podemos fazer coisas ruins, muito ruins, mas, por favor, não se desesperem, sempre há o Pai que nos espera! Voltar! Voltar! Aquela é a palavra. Come back! Voltar para casa, porque me espera o Pai. E se eu sou muito pecador, fará uma grande festa. E a vós, sacerdotes, por favor, abracem os pecadores e sejam misericordiosos”.

Radio Vaticano
(Leia também o discurso preparado)




Papa Francisco na Coreia: o mundo inteiro está cansado de guerras

Cidade do Vaticano, 14.ago.2014 (RV) – O Papa Francisco iniciou, na tarde desta quarta-feira, a terceira Viagem Apostólica internacional do seu Pontificado, à Coreia do Sul, após ter visitado o Brasil e a Terra Santa.

Antes de deixar a Itália, como fez nas viagens precedentes, o Santo Padre dirigiu-se à Basílica romana de Santa Maria Maior, onde se deteve, por alguns momentos, em oração diante da imagem de Nossa Senhora “Salvação do Povo Romano”, após ter depositado um ramalhete de flores aos seus pés. Assim, o Papa pediu a proteção materna de Maria para a sua visita à Coréia.

O Papa Francisco deixou o aeroporto romano de Fiumicino às 16 horas, hora local, com destino a Seul, capital da República da Coréia, onde chegou após 11 horas e 22 minutos de vôo. Durante a viagem, como de costume, o Pontífice enviou telegramas aos chefes de Estado, dos dez países sobrevoados: Itália, Croácia, Eslovênia, Áustria, Eslováquia, Polônia, Belarus, Rússia, Mongólia e China.

Durante a longa viagem, o Santo Padre fez uma breve saudação aos jornalistas, que o acompanhavam, agradecendo-os pela presença, como também pelo serviço jornalístico que prestarão nestes cinco dias de permanência em terras coreanas.

O Papa recomendou aos jornalistas que “a sua palavra possa sempre unir-nos ao mundo”, mas também que a sua palavra possa ser uma verdadeira “mensagem de paz”, da qual o mundo tanto precisa, hoje.


Ao chegar à Base Aérea de Seul, o Bispo de Roma foi acolhido pelas autoridades civis e religiosas, entre as quais o Núncio Apostólico, Dom Osvaldo Padilla, a Presidência dos Bispos da Coréia, o arcebispo de Seul, e a Presidente do país, Sra. Park Geun-hye.

Após a sua chegada a Seul, o Santo Padre lançou o seguinte tweet:

“Deus abençoe a Coréia, especialmente os seus idosos e os seus jovens”!

Depois da cerimônia de boas vindas, o Pontífice se dirigiu à Nunciatura Apostólica, onde celebrou uma Santa Missa, em forma privada. Em sua breve reflexão, o Papa falou em italiano e espanhol sobre a liturgia do dia. A seguir, transferiu-se ao Palácio Presidencial de Seul, para uma visita de cortesia à Presidente do país. Participaram do encontro dois Ministros coreanos, o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, e o Núncio Apostólico.

A seguir, o Papa Francisco manteve um encontro com as Autoridades governamentais e os representantes do Corpo Diplomático, no Palácio Presidencial de Seul. Depois das palavras de boas vindas da Presidente, Park Geun-hye, o Santo Padre pronunciou seu primeiro discurso, em inglês, dizendo:

“Queridos amigos! Para mim é uma grande alegria vir à Coreia, a ‘terra do calmo amanhecer’, e experimentar não só a beleza natural do país, mas também e, sobretudo, a beleza do seu povo e da sua riqueza histórica e cultural. No decurso dos anos, esta herança nacional foi colocada à prova pela violência, a perseguição e a guerra; mas, não obstante essas provações, sempre prevaleceu o ‘calmo amanhecer’, quando o calor do dia ainda não se fez sentir e a escuridão da noite já se foi, ou seja, uma inalterável esperança de justiça, paz e unidade. Que grande dom é a esperança! Não podemos desanimar na busca destas metas, que beneficiam não só o povo coreano mas também toda a região e o mundo inteiro”.

Após agradecer a presença das autoridades e representantes do governo, que contribuíram, com seus esforços, para a preparação da sua visita, o Papa expressou seu reconhecimento pela hospitalidade, sentindo-se como se estivesse em casa. Depois, explicou o motivo da sua visita ao país:

“A minha visita à Coreia realiza-se por ocasião da VI Jornada Asiática da Juventude, que reúne jovens católicos de todo este vasto Continente numa jubilosa celebração da fé comum. Além disso, no decurso da minha visita, proclamarei Beatos alguns coreanos martirizados pela fé cristã: Paul Yun Ji-chung e os seus 123 companheiros. Estes dois acontecimentos que celebramos completam-se reciprocamente. A cultura coreana possui uma boa compreensão da dignidade e sabedoria próprias dos antigos e honra o seu papel na sociedade. Nós, católicos, honramos os nossos antigos, que sofreram o martírio pela fé, porque se prontificaram a dar a vida pela verdade em que acreditaram e de acordo com a qual procuraram viver. Ensinam-nos a viver plenamente para Deus e para o bem do próximo”.

Um povo grande e sábio, disse o Papa, não se limita a amar as suas tradições ancestrais, mas valoriza também os seus jovens, procurando transmitir-lhes a herança do passado, que aplica aos desafios do presente. Sempre que os jovens se reúnem, como acontece nesta ocasião, oferecem a todos uma oportunidade preciosa para ouvirmos as suas esperanças e preocupações.

Mas, todos nós, explicou ainda o Pontífice, somos chamados também a refletir se estamos transmitindo, de modo adequado, os nossos valores às futuras gerações e qual tipo de sociedade nós preparamos para lhes entregar.

Neste contexto, o Santo Padre considera, particularmente importante, refletir sobre a necessidade de transmitir o dom da paz aos nossos jovens:

“Este apelo reveste-se de um significado muito especial aqui na Coreia, uma terra que sofreu longamente por falta de paz. Exprimo o meu apreço pelos esforços feitos a favor da reconciliação e da estabilidade na Península Coreana e encorajo tais esforços, que são o único caminho seguro para uma paz duradoura. A busca da paz, por parte da Coréia, é uma causa que nos preocupa, de modo particular, pois concorre para a estabilidade de toda a região e do mundo inteiro, cansados de guerras”.

A busca da paz, afirmou o Bispo de Roma, constitui um desafio também para cada um de nós e, de modo especial, para os que, entre os senhores, têm a tarefa de trabalhar pelo bem comum da família humana, mediante um paciente trabalho diplomático. Trata-se de um perene desafio de abater os muros da desconfiança e do ódio, promovendo uma cultura de reconciliação e solidariedade. E o Papa afirmou:

“A diplomacia, como arte possível, baseia-se na convicção firme e perseverante de que a paz pode ser alcançada, sobretudo, através do diálogo e da escuta atenta e discreta, ao invés de recriminações recíprocas, críticas inúteis e demonstrações de força. A paz não é simplesmente ausência de guerra, mas é obra da justiça. E a justiça, como virtude, faz apelo à tenacidade da paciência; ela não pretende fazer-nos esquecer as injustiças do passado, mas superá-las com o perdão, a tolerância e a cooperação. Ela requer ainda o desejo e o discernimento para alcançar os objetivos, reciprocamente vantajosos, e a construção dos alicerces do respeito mútuo, da compreensão e da reconciliação. Faço votos de que todos nós possamos dedicar-nos à construção da paz, à oração pela paz, redobrando o nosso compromisso para realizá-la”.

O Bispo de Roma convidou as autoridades e os diplomatas coreanos a reforçar seus esforços, como líderes políticos e civis, para a construção de um mundo melhor, mais pacífico, mais justo e próspero para os nossos filhos.

A experiência nos ensina, disse o Santo Padre, que, em um mundo cada vez mais globalizado, a compreensão do bem comum, do progresso e do desenvolvimento deve ser, em última análise, não só de caráter econômico, mas também humano. A Coreia, como a maioria das nações desenvolvidas, enfrenta relevantes problemáticas sociais, divisões políticas, desigualdades econômicas e preocupações na gestão responsável do meio ambiente.

O Papa Francisco fez sua exortação final dizendo:

“Como é importante que a voz de cada membro da sociedade seja ouvida ao promover um espírito de comunicação aberto, de diálogo e cooperação! É igualmente importante dedicar especial atenção aos pobres, aos mais vulneráveis e aos que não têm voz. O Santo Padre nutre a esperança de que a democracia coreana possa se fortalecer, cada vez mais, a fim de que esta nação demonstre sua primazia também na ‘globalização da solidariedade’ e no desenvolvimento integral de cada membro da família humana.


Por fim, o Santo Padre expressou o desejo de que a comunidade católica coreana possa participar plenamente da vida da nação:

“A Igreja quer contribuir para a educação dos jovens e para o crescimento de um espírito de solidariedade com os pobres e desfavorecidos; que contribuir para a formação das jovens gerações, pronta a oferecer a sabedoria e clarividência herdadas dos seus antepassados e nascidas da sua fé, para que possam enfrentar as grandes questões políticas e sociais da nação".

Discurso do Papa às Autoridades Coreanas (Seul, 14 agosto 2014)

Senhora Presidente, Distintos Membros do Governo e Autoridades Civis, Ilustres Membros do Corpo Diplomático, Queridos amigos!

Constitui para mim uma grande alegria vir à Coreia, a «terra do calmo amanhecer», e experimentar não só a beleza natural do país, mas também e sobretudo a beleza do seu povo e da sua riqueza histórica e cultural. No decurso dos anos, esta herança nacional foi posta à prova pela violência, a perseguição e a guerra; mas, não obstante essas provas, sempre prevaleceu o «calmo amanhecer», quando o calor do dia ainda não se impôs e a escuridão da noite já se foi, ou seja, uma inalterável esperança de justiça, paz e unidade. Que grande dom é a esperança! Não podemos desanimar na busca destas metas, que beneficiam não só o povo coreano mas também toda a região e o mundo inteiro.

Desejo agradecer-lhe, Senhora Presidente Park Geun-hye, a sua cordial recepção. Saúdo Vossa Excelência e os ilustres membros do Governo. Quero expressar o meu agradecimento também aos membros do Corpo Diplomático, às Autoridades civis e militares e a todos os presentes que contribuíram, com o melhor dos seus esforços, para a preparação da minha visita. Estou muito grato pela vossa hospitalidade, que imediatamente me fez sentir no vosso meio como em casa.

A minha visita à Coreia tem lugar por ocasião da VI Jornada Asiática da Juventude, que reúne jovens católicos de todo este vasto Continente numa jubilosa celebração da fé comum. Além disso, no decurso da minha visita, proclamarei Beatos alguns coreanos martirizados pela fé cristã: Paul Yun Ji-chung e os seus 123 companheiros. Estes dois acontecimentos que celebramos completam-se um ao outro. A cultura coreana possui uma boa compreensão da dignidade e sabedoria próprias dos antigos e honra o seu papel na sociedade. Nós, católicos, honramos os nossos antigos que sofreram o martírio pela fé, porque se prontificaram a dar a vida pela verdade em que acreditaram e de acordo com a qual procuraram viver. Ensinam-nos a viver plenamente para Deus e para o bem do próximo.

Um povo grande e sábio não se limita a amar as suas tradições ancestrais, mas valoriza também os seus jovens, procurando transmitir-lhes a herança do passado que aplica aos desafios do presente. Sempre que os jovens se reúnem, como sucede nesta ocasião, oferecem-nos a todos uma oportunidade preciosa para ouvirmos as suas esperanças e preocupações. E somos chamados também a reflectir se estamos a transmitir de modo adequado os nossos valores às futuras gerações e qual tipo de sociedade nos preparamos para lhes entregar. Neste contexto, considero que seja particularmente importante, para nós, reflectirmos sobre a necessidade de transmitir aos nossos jovens o dom da paz.

Este apelo reveste-se de um significado muito especial aqui na Coreia, uma terra que sofreu longamente por causa da falta de paz. Exprimo o meu apreço pelos esforços feitos a favor da reconciliação e da estabilidade na Península Coreana e encorajo tais esforços, que são o único caminho seguro para uma paz duradoura. A busca da paz por parte da Coreia é uma causa que nos está particularmente a peito, pois concorre para a estabilidade de toda a região e do mundo inteiro, cansado da guerra.

Mas a busca da paz constitui um desafio também para cada um de nós e, particularmente, para quantos de entre vós têm a tarefa de procurar o bem comum da família humana através do paciente trabalho da diplomacia. Trata-se do desafio perene de derrubar os muros da difidência e do ódio, promovendo uma cultura de reconciliação e solidariedade. De facto, enquanto arte do possível, a diplomacia baseia-se numa convicção firme e perseverante de que a paz pode ser melhor alcançada pelo diálogo e a escuta atenta e discreta, do que com recriminações recíprocas, críticas inúteis e demonstrações de força. A paz não é simplesmente ausência de guerra, mas obra da justiça (cf. Is 32, 17). E a justiça, como virtude que é, faz apelo à tenacidade da paciência; não nos pede para esquecermos as injustiças do passado, mas que as superemos através do perdão, da tolerância e da cooperação. Exige a vontade de discernir e alcançar os objectivos reciprocamente vantajosos, construindo os alicerces do respeito mútuo, da compreensão e da reconciliação. Faço votos de que todos nós possamos dedicar-nos à construção da paz, à oração pela paz, reforçando o nosso compromisso de a realizar.

Queridos amigos, os vossos esforços como líderes políticos e civis visam, em última análise, construir um mundo melhor, mais pacífico, mais justo e próspero para os nossos filhos. A experiência ensina-nos que, num mundo cada vez mais globalizado, a nossa compreensão do bem comum, do progresso e do desenvolvimento deve ser, em última análise, não só de carácter económico mas também humano. A Coreia, como a maioria das nações desenvolvidas, enfrenta relevantes problemáticas sociais, divisões políticas, desigualdades económicas e preocupações na gestão responsável do meio ambiente. Como é importante que a voz de cada membro da sociedade seja ouvida, promovendo-se um espírito de comunicação aberta, de diálogo e cooperação! É igualmente importante que se dedique especial atenção aos pobres, àqueles que são vulneráveis e a quantos não têm voz, não somente indo ao encontro das suas necessidades imediatas mas também promovendo-os no seu crescimento humano e espiritual. Nutro a esperança de que a democracia coreana se há-de fortalecer cada vez mais e que esta nação demonstrará primar também na «globalização da solidariedade» que é hoje particularmente necessária: a solidariedade que tem como objectivo o desenvolvimento integral de cada membro da família humana.

Vinte e cinco anos atrás, na sua segunda visita à Coreia, São João Paulo II manifestou a convicção de que «o futuro da Coreia dependerá da presença entre o seu povo de muitos homens e mulheres sábios, virtuosos e profundamente espirituais» (8 de Outubro de 1989). Hoje, fazendo-me eco de tais palavras, asseguro-vos o desejo constante da comunidade católica coreana de participar plenamente na vida da nação. A Igreja deseja contribuir para a educação dos jovens e para o crescimento de um espírito de solidariedade para com os pobres e desfavorecidos, contribuir para a formação de jovens gerações de cidadãos prontos a oferecer a sabedoria e clarividência herdadas dos seus antepassados e nascidas da sua fé a fim de se enfrentarem as grandes questões políticas e sociais da nação.

Senhora Presidente, Senhoras e Senhores, agradeço-vos mais uma vez a vossa recepção e hospitalidade. O Senhor vos abençoe a vós e ao querido povo coreano. De modo especial, o Senhor abençoe os idosos e os jovens que, preservando a memória e inspirando coragem, são o nosso maior tesouro e a nossa esperança para o futuro.
Radio Vaticano

Tweets do Papa Francisco hoje:

14/08/2014
Maria, Rainha da Paz, ajudai-nos a desenraizar o ódio e a viver em harmonia.

14/08/2014
São João Paulo II, intercedei por nós e, de modo especial, pelos nossos jovens.

14/08/2014
Deus abençoe a Coreia, especialmente os seus idosos e os seus jovens.
Papa aos Bispos da Coreia: sejam guardiões da memória e da esperança

O segundo enconro do Papa, em terras coreanas, foi com as autoridades e diplomatas do país. De fato, ao deixar o Palácio Presidencial de Seul dirigiu-se à sede da Conferência Episcopal Coreana, onde se reuniu com todos os 35 Bispos das 16 dioceses existentes no país.

Queridos Irmãos Bispos!


Com grande afeto, a todos vos saúdo e agradeço a Dom Peter U-il Kang as palavras fraternas de boas-vindas que me dirigiu em vosso nome. É uma benção para mim estar aqui e poder conhecer pessoalmente a vida dinâmica da Igreja na Coreia. A vós, como pastores, compete a tarefa de guardar o rebanho do Senhor. Sois os guardiões das maravilhas que Ele realiza no seu povo. Guardar é uma das tarefas confiadas especificamente ao Bispo: cuidar do povo de Deus. Hoje quero refletir convosco, como irmão no episcopado, sobre dois aspectos centrais da guarda do povo de Deus neste país: ser guardiões da memória e guardiões da esperança.

Ser guardiões da memória. A beatificação de Paul Yun Ji-chung e dos seus companheiros é uma ocasião para agradecer ao Senhor que, a partir das sementes lançadas pelos mártires, fez brotar uma colheita abundante de graça nesta terra. Vós sois os descendentes dos mártires, herdeiros do seu heróico testemunho de fé em Cristo. Além disso, sois herdeiros de uma tradição extraordinária, que teve início e cresceu amplamente graças à fidelidade, perseverança e trabalho de gerações de leigos. É significativo que a história da Igreja na Coreia tenha começado por um encontro direto com a Palavra de Deus. Foi a beleza intrínseca e a integridade da mensagem cristã – o Evangelho e o seu apelo à conversão, à renovação interior e a uma vida de caridade – que impressionaram a Yi Byeok e aos nobres anciãos da primeira geração, sendo a essa mesma mensagem, à sua pureza, que a Igreja na Coreia olha, como num espelho, para se descobrir autenticamente a si mesma.

Hoje, a fecundidade do Evangelho na terra coreana e a grande herança transmitida por vossos antepassados na fé podem-se reconhecer no florescimento de paróquias ativas e movimentos eclesiais, nos sólidos programas de catequese, na solicitude pastoral pelos jovens e nas escolas católicas, nos seminários e nas universidades. A Igreja na Coreia é estimada pelo seu papel na vida espiritual e cultural da nação e pelo seu vigoroso impulso missionário: de terra de missão, a Coreia tornou-se hoje terra de missionários; e a Igreja universal continua a beneficiar de tantos sacerdotes e religiosos que enviastes pelo mundo.

Ser guardiões da memória significa algo mais que recordar e aprender com as graças do passado; significa também tirar dela os recursos espirituais para enfrentar, com clarividência e determinação, as esperanças, as promessas e os desafios do futuro. Como vós mesmos observastes, a vida e a missão da Igreja na Coreia não se medem, em última análise, em termos exteriores, quantitativos e institucionais; mas antes devem-se julgar à luz clara do Evangelho e do seu apelo a converter-se à pessoa de Jesus Cristo. Ser guardiões da memória significa dar-se conta de que o crescimento vem de Deus (cf. 1 Cor 3, 6) e, ao mesmo tempo, é fruto de um trabalho paciente e perseverante, tanto no passado como no presente. A nossa memória dos mártires e das gerações passadas de cristãos deve ser realista, não idealizada nem «triunfalista». Olhar para o passado sem ouvir a chamada de Deus à conversão no presente não nos ajuda a prosseguir na caminhada; antes, pelo contrário, acabará por travar ou até mesmo deter o nosso progresso espiritual.

Além de ser guardiões da memória, vós, queridos irmãos, sois chamados também a ser guardiões da esperança: a esperança oferecida pelo Evangelho da graça e da misericórdia de Deus em Jesus Cristo, a esperança que inspirou os mártires. É esta esperança que somos chamados a proclamar a um mundo que, apesar de sua prosperidade material, busca algo mais, algo maior, algo mais autêntico e que dá plenitude. Vós e os vossos irmãos sacerdotes ofereceis esta esperança com o vosso ministério de santificação, que não apenas conduz os fiéis às fontes da graça na liturgia e nos sacramentos, mas constantemente os impele a agir em resposta a Deus que chama a tender para a meta (cf. Fil 3, 14). Guardais esta esperança, mantendo viva a chama da santidade, da caridade fraterna e do zelo missionário na comunhão eclesial. Por esta razão, peço-vos que permaneçais sempre ao lado dos vossos sacerdotes, encorajando-os no seu trabalho diário, na sua busca da santidade e na proclamação do Evangelho de salvação. Peço-vos que lhes transmitais a minha saudação afetuosa e a minha gratidão pelo generoso serviço em favor do povo de Deus.

Se abraçarmos o desafio de ser uma Igreja missionária, uma Igreja constantemente em saída para o mundo e, em particular, para as periferias da sociedade contemporânea, teremos necessidade de cultivar aquele «prazer espiritual» que nos torna capazes de acolher e identificar-nos com cada membro do Corpo de Cristo (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268). Neste sentido, é preciso mostrar particular solicitude, nas nossas comunidades, pelas crianças e os idosos. Como podemos ser guardiões de esperança, se negligenciamos a memória, a sabedoria e a experiência dos idosos e as aspirações dos jovens? A este respeito, quero pedir-vos que cuideis de modo especial da educação dos jovens, sustentando na sua indispensável missão não apenas as universidades, mas também as escolas católicas de todos os graus, a começar pelas escolas primárias, onde as mentes e os corações jovens são formados no amor de Deus e da sua Igreja, no bem, no verdadeiro e no belo, para serem bons cristãos e honestos cidadãos.

Ser guardiões da esperança implica também garantir que o testemunho profético da Igreja na Coreia continue a expressar-se na sua solicitude pelos pobres e nos seus programas de solidariedade especialmente a favor dos refugiados e migrantes e daqueles que vivem à margem da sociedade. Esta solicitude deveria manifestar-se não somente através de iniciativas concretas de caridade – que são muito necessárias –, mas também no trabalho constante de promoção a nível social, ocupacional e educativo. Podemos correr o risco de reduzir o nosso empenhamento com os necessitados simplesmente a uma dimensão assistencial, ignorando a necessidade que tem cada um de crescer como pessoa e poder expressar com dignidade a sua própria personalidade, criatividade e cultura. A solidariedade com os pobres deve ser considerada como um elemento essencial da vida cristã; através da pregação e da catequese, fundadas sobre o rico património da doutrina social da Igreja, essa solidariedade deve permear os corações e as mentes dos fiéis e refletir-se em todos os aspectos da vida eclesial. O ideal apostólico de uma Igreja dos pobres e para os pobres encontrou uma expressão eloquente nas primeiras comunidades cristãs da vossa nação. Espero que este ideal continue a moldar o caminho da Igreja coreana na sua peregrinação para o futuro. Estou convencido de que, se sobressair na Igreja o rosto do amor, cada vez mais jovens se sentirão atraídos para o coração de Jesus, sempre inflamado de amor divino na comunhão do seu místico Corpo.

Queridos irmãos, um testemunho profético do Evangelho apresenta alguns desafios especiais para a Igreja na Coreia, uma vez que esta vive e trabalha no meio duma sociedade próspera mas cada vez mais secularizada e materialista. Em tais circunstâncias, os agentes de pastoral são tentados a adotar não apenas modelos eficazes de gestão, programação e organização, inspirados no mundo dos negócios, mas também um estilo de vida e uma mentalidade guiados mais por critérios mundanos de sucesso e até mesmo de poder do que pelos critérios enunciados por Jesus no Evangelho. Ai de nós, se a cruz ficar esvaziada do seu poder de julgar a sabedoria deste mundo (cf. 1 Cor 1, 17)! Exorto-vos, a vós e aos vossos irmãos sacerdotes, a rejeitar esta tentação em todas as suas formas. Queira o Céu que possamos salvar-nos da mundanidade espiritual e pastoral que sufoca o Espírito, substitui a conversão com a condescendência e acaba por dissipar todo o fervor missionário (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 93-97).

Queridos Irmãos Bispos, com estas reflexões sobre a vossa missão como guardiões da memória e da esperança, quis encorajar-vos nos vossos esforços por aumentar a unidade, santidade e zelo dos fiéis na Coreia. A memória e a esperança nos inspiram e guiam para o futuro. Recordo-vos a todos nas minhas orações e exorto-vos a confiar sempre no poder da graça de Deus: «O Senhor é fiel: Ele vos sustentará e guardará do Maligno» (2 Tes 3, 3). Possam as súplicas de Maria, Mãe da Igreja, levar ao seu pleno florescimento nesta terra as sementes lançadas pelos mártires, irrigadas por gerações de fiéis católicos e transmitidas a vós como uma promessa para o futuro do país e do mundo. A vós e a quantos estão confiados ao vosso cuidado pastoral e à vossa guarda, concedo de coração a Bênção Apostólica.


Papa Francisco à caminho da Coréia

Cidade do Vaticano, 13.agosto.2014 (RV) – O Papa Francisco já está a caminho da Coréia do Sul. Às 16h14min desta quarta-feira (hora italiana), o Airbus 330 "Michelangelo Buonarroti", da Alitália, decolou do Aeroporto de Fiumicino - levando o Papa Bergoglio e sua comitiva até Seul -, onde deverá chegar às 10h30min, hora local, (22h30min hora de Brasília).

O Pontífice deixou a Praça Petriana, na frente da Casa Santa Marta, às 15h30, em automóvel, e seguiu diretamente para o Aeroporto de Fiumicino. O Premiê italiano, Matteo Renzi, esteve presente, representando o governo italiano.

O avião levando o Papa sobrevoará o espaço aéreo de nove países: Croácia, Eslovênia, Áustria, Eslováquia, Polônia, Bielorrússia, Rússia, Mongólia e China. Com a terceira viagem apostólica fora da Itália, Jorge Mario Bergoglio, será o primeiro Papa a sobrevoar a China. O Chefe de Estado de cada país sobrevoado receberá um telegrama do Pontífice.

A Rádio Vaticano vai transmitir o encontro do Papa com as autoridades coreanas nesta quinta-feira, com comentários em português, a partir das 4h15min – horário de Brasília.



Papa Francisco, nesta manhã, escreveu em seu twitter
:

13/08/2014
Agradeço a todos os que corajosamente estão ajudando as nossas irmãs e os nossos irmãos no Iraque.
13/08/2014
No dia da minha partida, convido a unir-vos comigo em oração pela Coreia e por toda a Ásia.


A Semana da Família
      
Teve início com o dia dos pais, a Semana Nacional da Família, de 10 a 16 de agosto. O tema deste ano é “A espiritualidade cristã na família: um casamento que dá certo”. “São gestos de espiritualidade que podem fazer a grande diferença na convivência dos esposos, no crescimento dos filhos na fé, na renovação da alegria pelo amor que se renova no dia a dia pelo dom da graça de Deus”, explica Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB.  
         
A Igreja sempre deu enorme importância à família, tratando-a como “Igreja doméstica e santuário da fé, para nos introduzir na inteligência e na vida da fé” (C.I.C. n.171). da vida”, porque ambas nos transmitem a Fé: “tal como uma mãe ensina os seus filhos a falar e, dessa forma, a compreender e a comunicar, a Igreja, nossa Mãe, ensina-nos a linguagem
        
“A família é a base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem pela primeira vez os valores que os guiarão durante toda a vida”, dizia São João Paulo II.  O Papa Bento XVI, no Encontro Mundial das Famílias, em Valência, Espanha, afirmou que “esta é uma instituição insubstituível segundo os planos de Deus e cujo valor fundamental a Igreja não pode deixar de anunciar e promover, para que seja vivido sempre com sentido de responsabilidade e alegria”.
      
Naquele memorável encontro mundial das famílias, refletiu-se no tema “a transmissão da Fé na família”. “Nenhum homem se deu o ser a si mesmo nem adquiriu sozinho os conhecimentos elementares da vida. Todos recebemos de outros a vida e as verdades básicas para ela, e estamos chamados a alcançar a perfeição em relação e comunhão amorosa com os demais. A família, fundada no matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher, expressa esta dimensão relacional, filial e comunitária, e é o âmbito no qual o homem pode nascer com dignidade, crescer e desenvolver-se de maneira integral”. E o Papa emérito corroborava seu ensinamento com os exemplos bíblicos de Ester e de São Paulo: “Ester confessa: ‘No seio da família, ouvi desde criança, Senhor, escolheste Israel entre todos os povos’ (4, 16). Paulo segue a tradição dos seus antepassados judeus prestando culto a Deus com consciência pura. Louva a fé sincera de Timóteo e recorda-lhe: ‘a tua fé, que se encontrava já na tua avó, Loide, e na tua mãe Eunice e que, estou seguro, se encontre também em ti’ (2 Tm 1, 5). Nestes testemunhos bíblicos a família compreende não só pais e filhos, mas também avós e antepassados. Assim, a família se nos apresenta como uma comunidade de gerações e garantia de um patrimônio de tradições”.
      
E o Papa Francisco nos recorda o quanto “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento da fé dos filhos” (Carta Enc. Lumem Fidei, 53). E nos ensinou a rezar assim: “Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas”.
Dom Fernando Rifan

Santo Padre enviou mensagem para coleta em prol dos mais pobres realizada anualmente na Argentina

Terça-feira, 12 de agosto de 2014

Papa Francisco saúda os participantes da 45ª edição da coleta “Mais por menos”, que todo ano envolve os católicos argentinos em uma iniciativa de solidariedade para com os mais pobres do país. O evento deste ano tem como lema “Obrigado por tua ajuda”.

Em uma mensagem, assinada pelo secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, o Pontífice encoraja a viver o convite de Jesus: ser sal na terra e luz no mundo pelo testemunho da fé, do amor fraterno, da solidariedade e da partilha com os mais necessitados, vendo neles a face de Cristo. Tal vivência deve acontecer com gestos simples e concretos, com desprendimento dos bens materiais e generosidade.

Francisco também pede que não deixem de rezar por ele e por seu serviço à Igreja. Ao mesmo tempo, ele confia à intercessão de Nossa Senhora de Luján os frutos desta iniciativa e todos os que dela participam.

A mensagem foi enviada ao bispo de Añatuya, Adolfo Armando Uriona, que é presidente da Comissão Episcopal de ajuda às regiões mais necessitadas.
Radio Vaticano


Videomensagem do Papa Francisco aos coreanos por ocasião da viagem apostólica à Coreia do Sul
Segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Queridos irmãos e irmãs!

Dentro de poucos dias, com a ajuda de Deus, estarei com vocês na Coreia. Agradeço desde já pela sua recepção e convido todos a rezarem comigo para que esta viagem apostólica dê bons frutos para a Igreja e a sociedade coreana.

“Levanta-te, resplandece” (Is 60, 1): com estas palavras, dirigidas pelo profeta em Jerusalém, eu me dirijo a vocês. É o Senhor que os convida a acolher a sua luz, a acolhê-la em seus corações, para que reflita em uma vida plena de fé, de esperança e de amor, repleta da alegria do Evangelho.

Como sabem, virei por ocasião da 6ª Jornada Asiática da Juventude. Aos jovens, de modo especial, levarei o apelo do Senhor: “Juventude da Ásia, levanta-te! A glória dos mártires resplandece em ti”. A luz de Cristo ressuscitado brilha como num espelho no testemunho de Paul Yun Ji-chung e de 123 companheiros, todos mártires da fé, que proclamarei beatos no dia 16 de agosto, em Seoul.

Os jovens são portadores de esperança e de energias para o futuro; mas são também vítimas da crise moral e espiritual de nosso tempo. Por isso, quero anunciar a eles e a todos o único nome que pode nos salvar: Jesus, o Senhor.

Queridos irmãos e irmãs coreanos, a fé em Cristo criou raízes profundas em sua terra e deu frutos abundantes. Os mais idosos são custódios desta herança: sem eles, os jovens não teriam memória. O encontro entre idosos e jovens é a garantia do caminho dos povos. E a Igreja é a grande família na qual somos todos irmãos em Cristo. Em seu nome, venho junto a vocês com a alegria de compartilhar o Evangelho do amor e da esperança.

O Senhor vos abençõe e a Virgem Mãe vos proteja.
Rádio Vaticano


Nesta tarde, o Papa Francisco publicou mais um Tweet:



10/08/2014

Um apelo a todas as famílias:no momento da oração, lembrai-vos daqueles que são obrigados a abandonar as suas casas no Iraque. #prayforpeace

Papa no Angelus: "Igreja, barco que enfrenta tempestades com a fé"

Cidade do Vaticano, 10.agosto.2014 (RV) – Como habitualmente, o Papa Francisco rezou a oração mariana de seu balcão na Praça São Pedro e comentou o Evangelho deste domingo.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!


O Evangelho de hoje nos apresenta o episódio de Jesus que caminha sobre as águas do mar (cfr Mt 14, 22-33). Depois da multiplicação dos pães e dos peixes, Ele convida os discípulos a entrarem no barco e O seguirem para o outro lado, enquanto Ele se despedia da multidão e depois se retira sozinho para rezar no monte até tarde da noite. Enquanto isso, no mar há uma forte tempestade e justamente no meio da tempestade Jesus chega ao barco dos discípulos, caminhando sobre as águas do mar. Quando O veem, os discípulos se assustam, pensam em um fantasma, mas Ele os tranquiliza: “Coragem, sou eu, não tenhais medo!” (v. 27). Pedro, com seu típico entusiasmo, pede-lhe quase uma prova: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”; e Jesus lhe diz “Vem”!” (vv. 28-29). Pedro desce do barco e se coloca a caminhar sobre as águas; mas o vento forte o investe e ele começa a afundar. Então grita: “Senhor, salva-me!” (v. 30), e Jesus lhe estende a mão e o levanta.

Esta história é um belo ícone da fé do apóstolo Pedro. Na voz de Jesus que lhe diz: “Vem!”, ele reconhece o eco do primeiro encontro na margem daquele mesmo mar, e logo, uma vez mais, deixa o barco e vai rumo ao Mestre. E caminha sobre as águas! A resposta confiante e pronta ao chamado do Senhor realiza sempre coisas extraordinárias. Mas Jesus mesmo nos disse que nós somos capazes de fazer milagres com a nossa fé, a fé Nele, a fé na sua palavra, a fé na sua voz. Em vez disso, Pedro começa a afundar no momento em que tira o olhar de Jesus e se deixa levar pelas adversidades que o cercam. Mas o Senhor está sempre ali e quando Pedro O invoca, Jesus o salva do perigo. No personagem de Pedro, com os seus entusiasmos e as suas fraquezas, é descrita a nossa fé: sempre frágil e pobre, inquieta e, todavia, vitoriosa, a fé do cristão caminha ao encontro do Senhor ressuscitado, em meio às tempestades e aos perigos do mundo.

É muito importante também a cena final. “Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” (vv 32-33). No barco estão todos os discípulos, unidos pela experiência da fraqueza, da dúvida, do medo, da “pouca fé”. Mas quando Jesus volta ao barco, o clima logo muda: todos se sentem unidos na fé Nele. Todos pequenos e amedrontados, tornam-se grandes no momento em que se colocam de joelhos e reconhecem em seu mestre o Filho de Deus. Quantas vezes também acontece isso conosco! Sem Jesus, distantes de Jesus, nós nos sentimos amedrontados e inadequados, a ponto tal de pensar não podermos fazer. Falta a fé! Mas Jesus está sempre conosco, escondido, talvez, mas presente e pronto para nos apoiar.

Esta é uma imagem eficaz da Igreja: um barco que tem que enfrentar as tempestades e que por vezes parece estar sendo arrastada pelas ondas. Aquilo que a salva não são as qualidades e a coragem de seus homens, mas sim a fé que permite caminhar mesmo na escuridão, em meio às dificuldades. A fé nos dá a segurança da presença de Jesus sempre próximo, de sua mão que nos segura para nos salvar dos perigos. Todos nós estamos neste barco, e aqui nos sentimos seguros apesar dos nossos limites e das nossas fraquezas. Estamos seguros, sobretudo, quando sabemos nos  colocar de joelho e adorar Jesus, o único Senhor da nossa vida. A isto nos chama sempre nossa Mãe, Nossa Senhora. A ela nos dirijamos confiantes.

A grave situação de violência e precariedade que se vive no norte do Iraque, assim como de novo na Faixa de Gaza, foi evocada em termos sentidos pelo Papa Francisco, neste domingo, ao meio-dia, depois da recitação do Angelus, na Praça de São Pedro.

O Papa exprimiu o sentimento de “incredulidade e perplexidade” que suscitam as notícias que chegam do Iraque:
Milhares de pessoas , entre os quais muitos cristãos, expulsos de maneira brutal das próprias casas, crianças morte de sede e de fome durante a fuga, mulheres sequestradas; violências de todos os tipos; destruições de patrimónios religiosos, históricos e culturais. Tudo isto ofende gravemente Deus e ofende gravemente a humanidade. Não se é odeia em nome de Deus! Não se faz guerra em nome de Deus!

Neste contexto, o Papa pediu aos milhares de presentes um momento de silêncio de recolhimento e oração, pensando naquelas pessoas que sofrem… E agradeceu os que, com coragem (disse) estão a levar socorro a estes irmãos e irmãs e declarou confiar que se restabeleça o direito:
Confio que uma solução política eficaz, a nível internacional e local, possa deter estes crimes e restabelecer o direito.

O Papa Francisco recordou ainda que, para melhor assegurar a sua proximidade àquelas caras populações, nomeou seu enviado pessoal ao Iraque o cardeal Fernando Filoni, que já amanhã (disse) partirá de Roma.

Não faltou igualmente uma referência a Gaza:
Também em Gaza, após uma trégua, recomeçou a guerra, que ceifa vítimas inocentes e mais não faz do que piorar o conflito entre Israelitas e Palestinianos.

E pediu que se reze conjuntamente ao Deus da paz, por intercessão da Virgem Maria: Dá a paz, Senhor, nos nossos dias e torna-nos construtores de justiça e de paz.

No final deste intenso mas breve encontro dominical com os fiéis, para além das já referidas palavras sobre o Iraque e Gaza, o Santo Padre pediu também orações pelas vítimas do vírus “ébola” e por quantos estão lutando para o deter.

A concluir, uma referência à sua partida, na quarta-feira, para a Coreia, para a viagem apostólica que ali realizará até ao dia 18. Como sempre o Papa pediu orações e a todos desejou bom domingo e… um bom almoço.

Papa em seu twitter, hoje:

10/08/2014
As notícias que chegam do Iraque nos causam dor. Senhor, ensinai-nos a viver em solidariedade com os irmãos que sofrem.
10/08/2014
As pessoas que foram privadas de suas casas no Iraque dependem de nós. Convido a todos a rezar e, quem puder, a oferecer uma ajuda concreta.

O Papa Francisco participou de programa de rádio argentina e falou sobre a convivência na Igreja e vocação

O Papa Francisco participou nesta sexta-feira, 8.ago.2014, de um programa transmitido ao vivo pelas rádios locais Campo Gallo e Huachana, de duas paróquias localizadas a cerca de 200 km da capital de Santiago del Estero, na província de mesmo nome, uma das mais pobres da Argentina.

A entrevista foi concedida aos dois ‘padres de rua’ Joaquín Giangreco e Juan Ignacio Liébana, que conhecem Jorge Bergoglio desde que era arcebispo de Buenos Aires. “Tenho vocês dentro do meu coração. O trabalho que vocês fazem me faz feliz. Por isso começo com uma forte saudação e a minha benção”, disse-lhes o Papa.

Usando uma linguagem muito coloquial, Francisco disse que “quando uma comunidade cristã anda quieta é como uma água estagnada, que é a primeira a ser corrompida. Quando uma comunidade não peregrina, não só a pé, mas com o coração, e não tem um coração peregrino para ir além de si mesma, seja para adorar a Deus ou para ajudar os seus irmãos, essa Igreja está moribunda e tem que ser ressuscitada rápido”.

Na Igreja, disse, “cada um tem a sua função, cada um tem o seu trabalho a fazer, a sua vocação. A Igreja se mantém com a oração dos fiéis. O coração de Deus não é indiferente ao seu povo”, continuou, explicando:

“Trabalhar pela unidade sempre vai ser importante. Sempre vai haver diferenças e brigas; a questão é não deixá-las crescer. Fazer que as coisas se resolvam entre irmãos. É preciso conversar sim, mas com Deus. Não depreciar o outro com as palavras. O que mais destrói a Igreja, os povos e a Nação é a crítica destrutiva. Ou seja, ficar falando mal um do outro. Isso não é cristão”.

Questionado sobre a falta de sacerdotes na diocese de Añatuya disse:

“Como disse Jesus, rezem para que Deus envie pastores para a messe. O coração de Deus não é indiferente às orações de seu povo. Orem para que o Senhor envie pastores. E eu diria aos jovens que se sentem o chamado de Jesus, que não tenham medo. Que vejam todo o bem que podem fazer, todo o consolo que podem dar, toda a mensagem cristã que podem transmitir e não tenham medo. A vida é para ser arriscada, não para ser guardada. Jesus disse “quem cuida muito da sua vida acaba perdendo-a”.

“A vida é para ser dada. É necessário apostar em coisas grandes e não em pequenas coisinhas. E se sentir que Jesus o chama para formar uma família, que seja uma família cristã, grande, linda, com muitos filhos que levem a fé adiante”.

O Santo Padre concluiu lembrando que “Jesus é muito bom. Deus nos ama. Deus nos espera sempre. Deus não se cansa de perdoar-nos. Devemos ser humildes e pedir perdão, para seguirmos em frente. Deus quer que sejamos felizes. E Ele está conosco. Quando passamos momentos difíceis, de cruz, de dor, temos que lembrar que Ele passou antes e nos compreende de coração. Peço ao Senhor para que todos os que estão ouvindo sejam muito abençoados por Ele, que Deus lhes dê força, vontade de viver, a coragem de não se deixar roubar a esperança e, especialmente, lhes dê uma carícia e lhes faça sorrir”.
Radio Vaticano

O Santo Padre continua muito preocupado com a situação dos cristão no Iraque e voltou a pedir orações, leiam suas mensagens em tweets de hoje:


09/08/2014
Não se vence a violência com mais violência. Senhor, dai-nos a paz em nossos dias. #PrayForPeace
09/08/2014
Peço à Comunidade internacional que proteja todas as vítimas da violência no Iraque.
09/08/2014
Peço a todas as paróquias e comunidades católicas que, neste final de semana, dediquem uma oração especial aos cristãos do Iraque.

Hoje o Papa Francisco deixou 3 mensagens em seu Twitter, todas sobre a trágica situação dos cristãos no Iraque, pedindo que rezemos por eles:

08/08/2014
Senhor, pedimos-Vos que deis forças àquelas pessoas que se encontram privadas de tudo no Iraque. #prayforpeace
08/08/2014
Peço-vos que dediqueis hoje um momento à oração por todos aqueles que são obrigados a deixar a sua casa no Iraque.
08/08/2014
Peço a todos os homens de boa vontade que se unam às minhas orações pelos cristãos do Iraque e por todas as comunidades perseguidas.

Mensagem do Papa Francisco enviada por ocasião da 132ª Convenção anual da Ordem dos Cavaleiros de Colombo, que termina hoje, quinta-feira nos Estados Unidos

“A fé nos ensina que a Igreja é chamada a ser uma comunidade de irmãos e irmãs que se aceitam, cuidam uns dos outros e servem como fermento de reconciliação e unidade para toda a família humana”. É o que diz o Papa Francisco em mensagem assinada pelo secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, e dirigida aos Cavaleiros de Colombo. O texto foi enviado por ocasião da 132ª Convenção anual da Ordem, evento que termina nesta quinta-feira, 7, nos Estados Unidos.

O tema escolhido nesta última edição foi: “Serão todos irmãos: a nossa vocação à irmandade”. Uma vocação que, conforme destaca a mensagem, a Ordem soube seguir desde as origens, no fim do século XIX. A fidelidade dos Cavaleiros aos “ideais de fé, irmandade e serviço” não somente assegurou a contínua vitalidade da Ordem, mas também contribuiu e continua a contribuir com a missão da Igreja em todos os níveis.

A carta elogia ainda o compromisso dos Cavaleiros “em contrastar as tentativas de limitar a religião à esfera puramente pessoal, na defesa do papel que esta tem na sociedade e no encorajar os fiéis leigos na missão de fazer com que a sociedade seja reflexo da verdade de Cristo”.

Como esclareceu o Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, “a terra é a nossa casa comum e todos somos irmãos” e, como consequência, “ninguém pode exigir que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocuparmos com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos”.

Por fim, é expressa uma grande satisfação pelo apoio dos Cavaleiros ao próximo Sínodo extraordinário sobre a família, em outubro, e ao Encontro Mundial para as Famílias, previsto para 2015 na Filadélfia. “A família, de fato, é a primeira mestra daquela irmandade que une e constrói a sociedade sobre os sólidos alicerces do respeito recíproco, da justiça, da misericórdia e da verdade”.

Sobre a Ordem

Os Cavaleiros de Colombo é uma associação que nasceu, nos Estados Unidos, em 1882, por iniciativa do sacerdote católico Michael McGivney. Ele quis fundar uma sociedade católica que pudesse socorrer os mais necessitados, o que a tornou a mais numerosa associação católica do mundo, com mais de 1 milhão e 800 mil membros.

Tweet de hoje do Santo Padre:

07/08/2014
O cristão é alguém que sabe diminuir para que o Senhor cresça em seu coração e no coração dos outros.

Papa aos coroinhas alemães: Deus quer pessoas livres; não usem mal a liberdade de vocês

Cidade do Vaticano, 5.agosto.2014 (RV) - Num clima de festa, mais de 50 mil ministrantes ou coroinhas de língua alemã encontraram o Papa Francisco no final da tarde desta terça-feira, na Praça São Pedro. Após a celebração das Vésperas e a saudação ao Santo Padre feita pelo presidente da Conferência Episcopal Alemã, o Pontífice respondeu às perguntas de alguns jovens coroinhas.

"Livres! Porque é lícito fazer o bem". O tema da peregrinação a Roma dos ministrantes alemães esteve presente na celebração das Vésperas. Na homilia, feita em alemão, o Santo Padre disse que o Senhor quer pessoas livres. "Deus nos mostra que Ele é o bom Pai". E o faz mediante a encarnação de seu Filho. Através de Jesus "podemos entender aquilo que Deus verdadeiramente quer:

"Ele quer pessoas humanas livres, a fim de que se sintam como filhas de um bom Pai. Para realizar esse desígnio, Deus precisa somente de uma pessoa humana. Precisa de uma mulher, uma mãe, que coloque o Filho no mundo. Ela é a Virgem Maria, que honramos com essa celebração vespertina. Maria foi totalmente livre. Em sua liberdade disse sim."

Após a homilia, o Pontífice respondeu a algumas perguntas. Como os jovens – perguntou um ministrante – podem ser mais protagonistas na vida da Igreja?

Francisco respondeu recordando que o "mundo precisa de pessoas que testemunhem aos outros que Deus nos ama". Não basta "colocar-se a serviço do bem comum oferecendo coisas necessárias para a existência", como o alimento, as vestes, os cuidados médicos, a instrução, a informação e a justiça.

"Nós, discípulos do Senhor, temos uma missão a mais: a de sermos 'canais' que transmitem o amor de Jesus. E nessa missão, vocês, adolescentes e jovens, têm um papel particular. Vocês são chamados a falar sobre Jesus a seus coetâneos, não somente no seio da comunidade paroquial ou da associação de vocês, mas sobretudo aos de fora. Este é um compromisso reservado especialmente a vocês, porque com a coragem, o entusiasmo de vocês, a espontaneidade e a facilidade para o encontro podem chegar mais facilmente à mente e ao coração daqueles que se distanciaram do Senhor."

"Muitos adolescentes e jovens da idade de vocês – acrescentou o Papa – têm uma imensa necessidade de alguém que com a própria vida lhes diga que Jesus nos conhece, nos ama, nos perdoa, partilha conosco nossas dificuldades e nos sustenta com a sua graça":

"Mas para falar aos outros de Jesus é preciso conhecê-lo e amá-lo, fazer experiência d'Ele na oração, na escuta de sua Palavra. Nisso vocês são facilitados pelo serviço litúrgico que prestam, que lhes permite estar próximo de Jesus Palavra e Pão da vida. Dou-lhes um conselho: o Evangelho que vocês ouvem na liturgia, releiam-no pessoalmente, em silêncio, e apliquem-no à vida de vocês; e com o amor de Cristo, recebido na santa Comunhão, vocês podem colocá-lo em prática. O Senhor chama cada um de vocês a trabalhar em seu campo; chama-os a serem alegres protagonistas de sua Igreja, prontos a comunicar a seus amigos aquilo que Ele lhes comunicou."

Outro ministrante perguntou como é possível conciliar várias atividades, entre as quais a atividade esportiva ou a paixão pela música, com o compromisso de ministrante. O Papa disse que é preciso saber planificar, entender o que é realmente importante e recordar-se do Senhor:

"É preciso organizar-se um pouco, programar as coisas de modo equilibrado... mas vocês são alemães, e isso não é difícil para vocês! Nossa vida é feita de tempo e o tempo é dom de Deus, portanto é necessário empregá-lo em ações boas e frutuosas.

Como experimentar – perguntou por fim um terceiro ministrante – que a fé significa liberdade? Recebemos de Deus o grande dom da liberdade – respondeu Francisco.

"Se não é exercida bem, porém, a liberdade pode nos levar para longe de Deus, pode fazer-nos perder a dignidade da qual Ele nos revestiu. Por isso são necessárias orientações, indicações e também regras, tanto na sociedade quanto na Igreja, para ajudar-nos a fazer a vontade de Deus, vivendo assim segundo a nossa dignidade de homens e de filhos de Deus. Quando não é plasmada pelo Evangelho, a liberdade pode transformar-se em escravidão: a escravidão do pecado."

Por fim, o Papa acrescentou: "Caros adolescentes e jovens, não usem mal a liberdade de vocês! Não desperdicem a grande dignidade de filhos de Deus que lhes foi dada! Se Seguirem Jesus e o seu Evangelho, suas vidas desabrocharão como uma planta em flor, e dará frutos bons e abundantes! Vocês encontrarão a alegria autêntica, porque Ele nos quer homens e mulheres plenamente felizes e realizados. Somente aderindo à vontade de Deus podemos realizar o bem e ser luz do mundo e sal da terra."

TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

“UM SENHOR PADROEIRO!”
    
Hoje, festa da Transfiguração do Senhor, celebramos o Santíssimo Salvador ou Senhor Bom Jesus, padroeiro de várias cidades e Dioceses do Brasil, e, especialmente, da nossa cidade e Diocese de Campos. "Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, reza o Salmo 32. Feliz, portanto, nossa cidade! Nosso padroeiro é o próprio Jesus Cristo, filho de Deus feito homem, enquanto considerado como nosso Redentor, aquele que pagou o nosso resgate, morrendo por nós na cruz, salvando-nos da eterna condenação.

O pecado original do primeiro homem foi exatamente não reconhecer a Deus como seu Senhor, querendo ele mesmo ser o senhor do bem e do mal. Jesus, Senhor e Deus como o Pai, feito homem pela nossa salvação, o novo Adão, veio nos ensinar a reconhecer a Deus como Nosso Senhor. Por isso ele é o nosso Salvador.

O grande dogma do “povo da primitiva aliança”, na introdução aos Mandamentos, começa com as palavras: “Ouve, Israel! O SENHOR nosso Deus é o único SENHOR” (Dt 6,4). Obedecemos a Deus porque o reconhecemos como o Senhor. Essa é a primeira oração que uma criança judia aprende e é parte integral do culto de Israel. É uma profissão de fé, expressão da convicção da soberania de Deus. Jesus, o Salvador, que muitas vezes repetiu essa profissão de fé, veio ensinar esse caminho da humildade, fazendo-se Ele mesmo obediente até à morte.

O Papa São João Paulo II, na sua exortação apostólica “Ecclesia in Europa”, nos apontava Jesus Cristo como fundamento único e indefectível da verdadeira esperança, num mundo que, esquecido de sua herança cristã, mergulha no agnosticismo prático e no indiferentismo religioso, no nihilismo filosófico, no relativismo gnoseológico, moral e jurídico, no pragmatismo e hedonismo cínico na configuração da vida quotidiana, que constituem a apostasia silenciosa do homem saciado que vive como se Deus não existisse.
          
O mesmo nos ensinava o Papa Bento XVI: “Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira. Quem faz entrar Cristo, nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta” (24/4/2005).
         
Esse é o nosso tesouro. “Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo!” (Papa Francisco, na chegada ao Rio, JMJ).

No contexto do relativismo atual, é preciso, portanto, confessar e repropor a verdade de Cristo, como único Salvador, solução e esperança para o mundo. Quando nossos concidadãos reconhecerem a Deus como seu Senhor, obedecendo aos seus mandamentos, aí então seremos felizes e teremos uma cidade e uma nação felizes. Que esta festa do Santíssimo Salvador sirva de reflexão de humildade e reconhecimento da soberania de Deus em nossas vidas, nossas leis, nossas instituições, na educação de nossos jovens e na convivência de nossas famílias.
Dom Fernando Rifan

Seguir Jesus nas bem-aventuranças – o Papa Francisco na audiência geral

Esta audiência geral do Papa Francisco teve lugar na Aula Paolo VI devido ao forte calor que se fazia sentir em Roma na manhã deste dia 6 de agosto. Grandíssimo entusiasmo dos oito mil peregrinos ali presentes. Contudo, foram muitos os que seguiram este encontro com o Santo Padre na Praça de S. Pedro através das grandes telas ali instaladas. Tema da catequese: a Igreja, como já tinha sido iniciado em junho pelo Santo Padre. Hoje em particular o Papa apresentou a novidade deste novo povo que se funda na nova aliança estabelecida por Jesus com o dom da sua vida.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia !

Nas catequeses anteriores vimos como a Igreja é um povo, um povo preparado com paciência e amor de Deus, e ao qual todos nós somos chamados a pertencer. Hoje eu gostaria de destacar a novidade que caracteriza este povo:  é realmente um novo povo que se fundamenta na nova aliança estabelecida pelo Senhor Jesus com o dom de sua vida. Esta novidade não nega o caminho anterior, ou se opõe a ele, mas sim o leva adiante, o leva ao cumprimento.

1. Há uma figura muito significativa, que atua como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento: a de João Batista. Para os Evangelhos Sinóticos, ele é o “precursor”, aquele que prepara a vinda do Senhor, predispondo o povo à conversão do coração e a receber o consolo de Deus que está próximo. No Evangelho de João é a “testemunha”, pois permite-nos reconhecer em Jesus, Aquele que vem do alto para perdoar os nossos pecados e fazer de seu povo a sua esposa, primícias da nova humanidade. Como um “precursor” e “testemunha”, João Batista desempenha um papel central em toda a Escritura, pois atua como uma ponte entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento, entre as profecias e a realização em Jesus Cristo . Com o seu testemunho, João nos mostra Jesus e nos convida a segui-Lo, e nos diz, sem meio termo, que isso requer humildade, arrependimento e conversão: é um convite que faz se à humildade, arrependimento e conversão.

2. Assim como Moisés realizou uma aliança com Deus em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, em uma colina à beira do lago da Galiléia, entrega aos seus discípulos e à multidão um novo ensinamento, que começa com as bem-aventuranças. Moisés deu a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, dá a lei na montanha, à beira do lago da Galiléia. As bem-aventuranças são o caminho que Deus mostra como uma resposta ao desejo de felicidade que é inerente ao homem, e aperfeiçoa os mandamentos da Antiga Aliança. Estamos acostumados a aprender os Dez Mandamentos – é claro, todos vocês sabem, aprenderam na catequese – mas não estamos acostumados a repetir as bem-aventuranças. Vamos memorizá-las e imprimi-las em nosso coração. Façamos uma coisa: eu vou dizer uma depois da outra e vocês repetem. Concordam?

Primeira: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa.” Eu ajudo vocês: [o Papa repete com as pessoas] “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa”.

“Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso recompensa nos céus”.

Bravo! Mas vamos fazer uma coisa: eu vou dar uma lição de casa, uma tarefa para fazer em casa. Peguem o Evangelho, aquele que vocês têm … Lembrem-se que vocês devem sempre levar um pequeno Evangelho com vocês, no seu bolso, bolsa, sempre; aquele que vocês têm em casa. Peguem o Evangelho, e nos primeiros capítulos de Mateus – creio que no capítulo quinto – estão as bem-aventuranças. E hoje, amanhã, vocês leem em casa. Vocês irão ler? [O povo responde: Sim] Não se esqueçam, porque é a lei que Jesus nos dá! Vocês irão fazer? Obrigado.

Nestas palavras, há toda a novidade trazida por Cristo, e toda a novidade de Cristo está nestas palavras. De fato, as bem-aventuranças são o retrato de Jesus, seu modo de vida; é o caminho para a verdadeira felicidade, que também nós podemos trilhar com a graça que Jesus nos dá.

3. Além da nova Lei, Jesus nos dá também o “protocolo” com o qual seremos julgados. No fim do mundo seremos julgados. E quais são as perguntas que vão nos fazer lá? Quais são essas questões? Qual é o protocolo com o qual o juiz vai nos julgar? É isso o que encontramos no vigésimo quinto capítulo do Evangelho de Mateus. Hoje a tarefa é ler o quinto capítulo do Evangelho de Mateus, no qual existem as bem-aventuranças e ler o 25º capítulo, no qual existe o protocolo, as perguntas que farão no dia do julgamento. Nós não teremos títulos, créditos ou privilégios para nos garantir. O Senhor vai reconhecer-nos se, por nossa vez,  O tivermos reconhecido nos pobres, nos que passam fome, nos indigentes e marginalizados, em quem sofre e está sozinho … Este é um dos critérios fundamentais de verificação da nossa vida cristã, com os quais Jesus nos convida a medir-nos a cada dia. Eu leio as bem-aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço um exame de consciência com o capítulo 25 de Mateus. Todos os dias: eu fiz isso, eu fiz isso, eu fiz isso … Nos fará bem! Essas coisas são simples, mas concretas !

Queridos amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-se em Cristo, envolvido na misericórdia e compaixão de Deus. É isso que enche o nosso coração de alegria, e é isso que torna a nossa vida bela e crível do amor de Deus por todos os nossos irmãos e irmãs que encontramos todos os dias. Lembrem do dever de casa! O quinto capítulo de Mateus e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!


Saudando os fiéis de língua árabe, Francisco deu as boas-vindas especialmente aos provenientes do Oriente Médio.

Em italiano, no final do encontro, o Pontífice expressou sua solidariedade aos moradores da província chinesa de Yunnan, atingidos domingo, 03, por um terremoto que deixou muitos mortos e feridos, além de ingentes prejuízos: “Rezo pelos mortos e por suas famílias, pelos feridos e por aqueles que perderam suas casas. Que o Senhor dê conforto, esperança e solidariedade neste momento de provação”.


Antes de conceder a bênção final, na catequese desta quarta-feira, 6, o Papa Francisco dedicou algumas palavras ao servo de Deus Paulo VI, no aniversário de sua morte, ocorrida em 6 de agosto de 1978.

“Nós o recordamos com carinho e admiração, pois ele viveu totalmente a serviço da Igreja, amando-a de todo coração. Que seu exemplo de fiel servidor de Cristo e do Evangelho seja de encorajamento e estímulo para todos nós”.

Radio Vaticano
Mensagem do Papa Francisco ao I Congresso Latino-americano para a Pastoral Familiar (Cidade do Panamá, 4 a 9 de agosto de 2014)

Queridos irmãos,

Uno-me de coração a todos os participantes neste I Congresso latino-americano de Pastoral Familiar, organizado pelo Celam, e os parabenizo por esta iniciativa em favor de um valor tão querido e importante hoje em nossos povos.

O que é a família? Para além de seus prementes problemas e de suas necessidades urgentes, a família é um “centro de amor”, onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos “centros de poder” mundanos. Na casa familiar, a pessoa se integra natural e harmonicamente em um grupo humano, superando a falsa oposição entre indivíduo e sociedade. No seio da família, ninguém é descartado: tanto o idoso como a criança são bem vindos. A cultura do encontro e o diálogo, a abertura à solidariedade e à transcendência têm nela o seu berço.

Por isso, a família constitui uma grande “riqueza social” (cf Bento XVI, Cart. Enc. Caritas in veritate, 44). Neste sentido, gostaria de destacar duas contribuições primordiais: a estabilidade e a fecundidade.

As relações baseadas no amor fiel, até a morte, como o matrimônio, a paternidade, a filiação ou a irmandade, aprendem-se e se vivem no núcleo familiar. Quando estas relações formam o tecido básico de uma sociedade humana, dão-lhe coesão e consistência. Pois não é possível formar parte de um povo, sentir-se próximo, ter em conta os mais distantes e desfavorecidos, se no coração do homem estão quebradas estas relações básicas, que lhes oferecem segurança em sua abertura aos demais.

Além disso, o amor familiar é fecundo, e não somente porque gera novas vidas, mas porque amplia o horizonte da existência, gera um mundo novo; faz-nos acreditar, contra toda desesperança e derrotismo, que uma convivência baseada no respeito e na confiança é possível. Frente a uma visão materialista do mundo, a família não reduz o homem ao estéril utilitarismo, mas dá canal aos seus desejos mais profundos.

Finalmente, queria dizer-lhes que, desde a experiência fundante do amor familiar, o homem cresce também em sua abertura a Deus como Pai. Por isso, o Documento de Aparecida indicou que a família não deve ser considerada só como objeto de evangelização, mas também agente evangelizador (cf. nn. 432, 435). Nela se reflete a imagem de Deus que em seu mistério mais profundo é uma família e, deste modo, permite ver o amor humano como sinal e presença do amor divino (Carta Enc. Lumen fidei, 52). Na família, a fé se mescla com o leite materno. Por exemplo, esse sincero e espontâneo gesto de pedir a benção, que se conserva em muitos de nossos povos, reflete perfeitamente a convicção de que a benção de Deus se transmite de pais para filhos.

Conscientes de que o amor familiar enobrece tudo o que o homem faz, dando-lhe um valor agregado, é importante incentivar as famílias a cultivarem relações sadias entre seus membros, como dizer uns aos outros “perdão”, obrigada”, “por favor”, e a se dirigir a Deus com o belo nome de Pai.
Que Nossa Senhora de Guadalupe alcance de Deus abundantes bençãos para os lares da América e os faça sementes de vida, de concórdia e de uma fé robusta, alimentada pelo Evangelho e as boas obras. Peço-lhes o favor de rezar por mim, pois necessito.

Fraternalmente,

FRANCISCO
Boletim da Santa Sé


Mais do que uma encíclica

Tinha passado pouco mais de um ano do conclave, do qual a 21 de Junho de 1963 saiu com o nome de Paulo VI, quando Montini concluiu a sua primeira encíclica, programática do pontificado, que ele começou a escrever imediatamente depois da eleição. Com efeito, a intenção era publicá-la antes da reabertura do concilio, interrompido segundo o direito com a morte do predecessor e que o novo Papa retomou com urna das suas primeiras decisões, já no dia 29 de Setembro seguinte.

O tempo não foi suficiente. Mas basta um rápido confronto entre o longo discurso proferido naquele dia por Paulo VI diante dos padres conciliares e a Ecclesiam suam, publicada quase um ano mais tarde, a 10 de Agosto de 1964, para nos darmos conta de que, em grandes linhas, esta encíclica foi antecipada naquela intervenção. O discurso traçava com lúcida energia o percurso do Vaticano II, e não por acaso, ao texto de 29 de Setembro o novo Papa referiu-se nas primeiras linhas do seu documento programático.

Além de urna série de apontamentos preparatórios, da encíclica conserva-se (e em 1998 foi reproduzido em fac-símile), o texto autógrafo, escrito na íntegra por Paulo VI. São oitenta folhas, longamente meditadas e depois redigidas nos primeiros meses de 1964, após a inesperada viagem à Terra Santa, realizada para «assumir o compromisso da autenticidade cristã» e da qual no texto recorda «o encontro cheio de caridade e não menos de nova esperança» com o patriarca Atenágoras em Jerusalém.

A encíclica manifesta o pensamento do Papa e apresenta-o segundo urna dupla tripartição. Com efeito, na visão montiniana a Igreja deve aprofundar a consciência de si mesma. comprometer-se na renovação e abrir-se ao «diálogo». Tema que ocupa quase metade do texto, o diálogo estende-se a três grandes círculos concêntricos ao seu redor: o primeiro, imenso, constituído pela humanidade enquanto tal; o segundo, vasto mas menos distante, pelos crentes não cristãos; e o terceiro, mais próximo, pelos não-católicos.

A meio século de distância, para além de persistentes ideologizações e resistências, foram em grande parte diluídos os contrastes sobre o Vaticano II. E se os debates do concilio, inevitavelmente, ofuscaram a meditação apaixonada de Montini, parece cada vez mais evidente o seu papel, respeitoso mas decisivo. Diante da «surpreendente novidade do tempo moderno», escreve o Papa, «a Igreja debruça-se com cândida confiança sobre os caminhos da história, dizendo aos homens: tenho o que procurais».

Ler cinquenta anos depois a Ecclesiam suam e a redacção nítida de Paulo VI leva a compreender que é mais do que uma encíclica, muito mais do que um documento programático. Confirma-o outro apontamento autógrafo escrito pouco depois: «Talvez a nossa vida – anota o Papa – não tenha uma característica mais clara do que a definição do amor pelo nosso tempo, pelo nosso mundo, pelas almas das quais pudemos aproximar-nos e das quais nos aproximaremos: mas na lealdade e na convicção de que Cristo é necessário e verdadeiro».

Meditação coerente, nascida de uma vida inteira, o texto montiniano foi concluído no dia 11 de Julho de 1964. «A data oficial – anotou Paulo VI no fim do manuscrito – poderia ser: Vaticano, 6 de Agosto de 1964, festa da Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo». Quatorze anos mais tarde, em 1978, na noite daquele mesmo dia o Papa adormecia placidamente, depois de se ter despedido com um aceno de mão, rezando até ao fim com as palavras do Pater noster.
L’Osservatore Romano


Hoje o Papa Francisco escreveu um tweet:

05/08/2014
Se acumulas as riquezas como um tesouro, elas roubam-te a alma.


Papa Francisco no Angelus: compaixão, partilha, Eucaristia; este é o caminho de Jesus

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste domingo, 3.agosto.2014, o Evangelho nos apresenta o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes (Mt 14, 13-21). Jesus o realiza ao longo do lago da Galileia, em um lugar isolado onde havia se retirado com os seus discípulos depois de saber da morte de João Batista. Mas tantas pessoas os seguiram e os alcançaram; e Jesus, vendo-as, sentiu compaixão e curou os doentes até a noite. Então os discípulos, preocupados com a hora tardia, sugeriram-lhe despedir a multidão para que pudesse ir aos povoados comprar algo para comer. Mas Jesus, tranquilamente, respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14, 16); e fazendo-se levar cinco pães e dois peixes, abençoou-os e começou a fracioná-los e a dá-los aos discípulos, que os distribuíam ao povo. Todos comeram e ficaram satisfeitos e mesmo assim sobrou!

Neste acontecimento, podemos ver três mensagens. A primeira é a compaixão. Diante da multidão que O segue e – por assim dizer – “não O deixa em paz”, Jesus não reage com irritação, não diz: “Este povo me cansa”. Não, não. Mas reage com um sentimento de compaixão, porque sabe que não o procuram por curiosidade, mas por necessidade. Mas estejamos atentos: compaixão – aquilo que sente Jesus – não é simplesmente sentir piedade; é mais! Significa com-paixão, isso é, identificar-se no sofrimento do outro a ponto de tomá-lo para si. Assim é Jesus: sofre junto a nós, sofre conosco, sofre por nós. E o sinal dessa compaixão são as numerosas curas por Ele realizadas. Jesus nos ensina a colocar as necessidades dos pobres antes das nossas. As nossas necessidades, por mais legítimas, não serão nunca tão urgentes como aquelas dos pobres, que não têm o necessário para viver. Nós falamos dos pobres. Mas quando falamos dos pobres, sentimos que aquele homem, aquela mulher, aquelas crianças não têm o necessário para viver? Que não têm o que comer, não têm o que vestir, não têm a possibilidade de remédios… Também que as crianças não têm a possibilidade de irem à escola. E por isto, as nossas necessidades, por mais legítimas, nunca serão tão urgentes como aquelas dos pobres que não têm o necessário para viver.

A segunda mensagem é a partilha. A primeira é a compaixão, aquilo que sentia Jesus, a segunda é a partilha. É útil confrontar a reação dos discípulos, diante do povo cansado e faminto, com aquela de Jesus. São diferentes. Os discípulos pensam que seja melhor dispensá-lo, para que possa ir procurar comida para si. Jesus, em vez disso, diz: dai-lhe vós mesmos de comer. Duas reações diferentes, que refletem duas lógicas opostas: os discípulos raciocinam segundo o mundo, para o qual cada um deve pensar em si mesmo; raciocinam como se dissessem: “Arranjem-se sozinhos”. Jesus raciocina segundo a lógica de Deus, que é aquela da partilha. Quantas vezes nós nos viramos para outro lado para não vermos os irmãos necessitados! E este olhar para outra parte é um modo educado para dizer, em luvas brancas, “arranjem-se sozinhos”. E isto não é de Jesus: isto é egoísmo. Se tivesse dispensado a multidão, tantas pessoas teriam ficado sem comer. Em vez disso, aqueles poucos pães e peixes, compartilhados e abençoados por Deus, foram suficientes para todos. E atenção! Não é uma magia, é um “sinal”: um sinal que convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos deixa faltar o “nosso pão cotidiano” se nós sabemos compartilhá-lo como irmãos.

Compaixão, partilha. E a terceira mensagem: o milagre dos pães preanuncia a Eucaristia. Vê-se isso no gesto de Jesus que “pronunciou a benção” (v. 19) antes de fracionar os pães e distribui-los ao povo. É o mesmo gesto que Jesus fará na Última Ceia, quando instituirá o memorial perpétuo do seu Sacrifício redentor. Na Eucaristia, Jesus não dá um pão, mas O pão de vida eterna, doa a Si mesmo, oferecendo-se ao Pai por amor nosso. Mas nós devemos ir para a Eucaristia com aqueles sentimentos de Jesus, isso é, a compaixão e aquela vontade de compartilhar. Quem vai à Eucaristia sem ter compaixão pelos necessitados e sem compartilhar não se encontra bem com Jesus.

Compaixão, partilha, Eucaristia. Este é o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho. Um caminho que nos leva a enfrentar com fraternidade as necessidades deste mundo, mas que nos conduz além deste mundo, porque parte do Pai e retorna a Ele. A Virgem Maria, Mãe da divina Providência, acompanhe-nos neste caminho.
Boletim da Santa Sé

Papa celebra Missa com jovens jesuítas

O Papa Francisco presidiu na manhã de sábado, 2.agosto.2014, na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, a Santa Missa, da qual participou um grupo de jovens jesuítas. Eles também haviam participado do almoço com o Pontífice no último dia 31 de julho na Cúria Geral da Companhia de Jesus.

Na sua homilia, o Papa falou da figura de São Pedro Fabro, do qual se recorda a memória litúrgica em 2 de agosto. Companheiro de Santo Inácio de Loyola e primeiro jesuíta a ser ordenado sacerdote, Fabro foi declarado santo pelo Papa Francisco, com canonização equipolente, em 17 de dezembro do ano passado.
Rádio Vaticano

Papa Francisco dá 10 conselhos para uma vida feliz

O Papa Francisco concedeu uma entrevista à revista argentina Viva, e entre as respostas deixou aos leitores alguns conselhos para uma vida feliz.

Os “10 conselhos do Papa” foram publicados,  em espanhol,  no domingo passado, 27.julho.2014.

1) Viver e deixar viver, primeiro passo para a felicidade
“Aqui os romanos têm um ditado e podemos levá-lo em consideração para explicar a fórmula que diz: ‘Vá em frente e deixe as pessoas irem junto’.” Viva e deixe viver é o primeiro passo da paz e da felicidade.

2) Doar-se aos outros para não deixar o coração dormindo
“Se alguém fica estagnado, corre o risco de ser egoísta. E água parada é a primeira a ser corrompida.”

3) Mover-se com humildade, com benevolência entre as pessoas e as situações
O Papa usa o termo “remansadamente”, de um clássico da literatura argentina. “No [romance] ‘Dom Segundo Sombra’ há uma coisa muito linda, de alguém que relê a sua vida. Diz que em jovem era uma corrente rochosa que levava tudo à frente; quando adulto, era um rio que andava para frente; na velhice, sentia-se em movimento, mas remansado. Eu utilizaria essa imagem do poeta e romancista Ricardo Guiraldes, este último adjetivo, remansado. A capacidade de se mover com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os anciãos têm essa sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não se importa com os mais velhos não tem futuro.”

4) Preservar o tempo livre como uma sadia cultura do ócio
“O consumismo levou-nos a essa ansiedade de perder a sã cultura do ócio, desfrutar a leitura, a arte e as brincadeiras com as crianças. Agora confesso pouco, mas, em Buenos Aires, confessava muito e quando via uma mãe jovem perguntava: Quantos filhos tens? Brincas com os teus filhos? E era uma pergunta que não se esperava, mas eu dizia que brincar com as crianças é a chave, é uma cultura sã. É difícil, os pais vão trabalhar e voltam às vezes quando os filhos já dormem. É difícil, mas é preciso fazê-lo”.

5) O domingo é para a família
“Um outro dia, em Campobasso (Itália), fui a uma reunião entre o mundo universitário e mundo trabalhador, todos reclamavam que o domingo não era para trabalhar. O domingo é para a família”.

6) Ajudar, de forma criativa, os jovens a conseguirem um emprego digno
“Temos de ser criativos com este desafio. Se faltam oportunidades, caem na droga. E é muito elevado o índice de suicídios entre os jovens sem trabalho. Outro dia li, mas não me fio, porque não é um dado científico, que havia 75 milhões de jovens com menos 25 anos desempregados. Não basta lhes dar de comer, tem que se inventar cursos de um ano de encanador, eletricista, costureiro. A dignidade de levar o pão para casa”.

7) Cuidar da natureza, amar a criação
“É preciso cuidar da criação e não estamos fazendo isso. É um dos maiores desafios que temos.”

8) Esquecer-se rapidamente do negativo que afeta a vida
“A necessidade de falar mal de alguém indica uma baixa autoestima. É como dizer: sinto-me tão em baixo que, em vez de subir, rebaixo o outro. Esquecer-se rapidamente do negativo é muito mais saudável”.

9) Respeitar o pensamento dos outros
“Podemos inquietar o outro com o testemunho para que ambos progridam com essa comunicação, mas a pior coisa que se pode fazer é o proselitismo religioso, que paralisa: ‘Eu converso contigo para te convencer’. Não. Cada um dialoga sobre a sua identidade. A Igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10) Buscar a paz é um compromisso
“Vivemos uma época de muitas guerras. Na África, parecem guerras tribais, mas são algo mais. A guerra destrói. E o clamor pela paz é preciso ser gritado. A paz, às vezes, dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, é sempre uma paz ativa”.
Canção Nova

Papa Francisco, neste primeiro sábado de agosto, registrou em seu twitter:


02/08/2014
Quando não se adora a Deus, torna-se adorador de outra coisa. Dinheiro e poder são ídolos que muitas vezes tomam o lugar de Deus.