7 DE AGOSTO

SÃO CAETANO THIENE

APOSTÓLO DO SÉCULO XVI

Por Pe. Robson Antonio da Silva, CR



Por que o nome Caetano
São Caetano Thiene nasceu em Vicência, provavelmente em outubro do ano de 1480. Seu pai foi o Conde Gaspar Thiene e sua mãe a Condessa Maria da Porto; os dois pertenciam a duas famílias mais antigas e mais nobres daquela cidade. (1)

O nome Caetano foi uma homenagem feita a um seu tio renomado canônico e ilustre professor na Universidade de Pádua. Na história da Igreja Caetano foi o primeiro a ser canonizado com o esse nome.


São Caetano apenas tinha nascido foi consagrado por sua a mãe à Maria Santíssima, para ela ele sempre foi Caetano de Maria. Essa consagração foi feita na Igreja da Santa Coroa atendida pelos padres Dominicanos, onde Maria da Porto frequentava. Depois da benção que recém-nascido tinha recebido, se dirigiram ela com alguns parentes até a capela de Nossa Senhora da Misericórdia, também conhecida como Nossa Senhora das Estrelas e ofereceu o seu filho a materna proteção da Virgem Maria.  Todos a partir de então passaram a chamá-lo de Caetano de Santa Maria.(2)



Jovem estudante
O estudo Caetano os realizou na Universidade de Pádua. Ali se laureou em Direito (canônico e civil). Também em Pádua fez os cursos de filosofia e teologia. Logo após ter se formado voltou para Vicência para administrar os bens de sua família. Na cidade de Pádua ao mesmo tempo em que frequentava a Universidade, foi reforçando o costume religioso com orações. Foi neste período que o santo, intensificou as obras de caridade, como visita aos hospitais e aos doentes mais pobres e abandonados, a ponto de substituir os enfermeiros em suas funções.

Caetano se mostrou reto nos costumes, modesto no olhar, moderado no falar, sério no comportamento e amante das virtudes, o que o fez por todos estimado. Com seu exemplo de vida moderado – características que deixará como herança espiritual aos seus filhos Teatinos – lembrava um Anjo do Céu. (3)


Caetano Protonotário do Papa
No ano de 1507 Caetano se tranfere para a cidade eterna, Roma, onde viveu com Dom G. Pallavicini, que depois foi cardeal da Santa Igreja Romana. Acredita-se que tenha sido o próprio Cardeal Pallavicini a facilitar o seu ingresso no Vaticano. Na época o ambiente em Roma não era dos melhores. Porém Caetano na realidade sempre desejou ardentemente viver escondido aos olhos de todos, dedicando-se a obras de caridade piedosamente cristã e misericordiosa.

Em pouco tempo seu dom de inteligência, seu caráter amável, sua discrição e espírito gentil para com todos chegou ao conhecimento do Papa Júlio II, que o chamou para trabalhar na Cúria Romana, no ano de 1508, na função de Protonotário Apostólico (escritor das cartas do Papa). A função de um Protonotário Apostólico naquela época e, portanto, a de Caetano era de escrever as Bulas, documentos de concessões pontifícias, como por exemplo, nomeações de bispos, e outros documentos. (4)

Vivendo diretamente na Corte Pontifícia, Caetano teve a oportunidade de tomar conhecimento dos grandes males que infligiam a Cristandade, de modo muito particular, os males que diretamente afetavam o clero. Esta realidade negativa por muito tempo foi o seu ambiente, o que lhe ajudou a dar-se conta de que a causa principal dos males vivido pelo clero, mesmo que de forma maquiada, estava na corrida pelos bens materiais da terra. Todos procuravam acumular, não se confiava na Divina Providência, até mesmo as coisas mais santas eram sempre feitas, no fundo com interesse.

Constatando essa realidade Caetano escreve em uma de suas cartas – grande tesouro espiritual – com grande pesar: recomendo-vos a minha alma ferida e oprimida pelo inimigo (...), vós recomendo também esta cidade, antes cidade santa, agora Babilônia, (se referindo à confusão espiritual da cidade Roma) na qual repousam tantas santas relíquias. (5)
Reformar Reformando-se

Ele e tantos outros sentiam a exigência de uma reforma, a ponto de mudar a situação do Clero. Isto fica evidente na fala do Superior Geral dos Agostinianos na abertura do Concílio Lateranense V – Egidio Canisio da Viterbo – os homens devem ser reformados por meio da religião, e não a religião por meio dos homens! (6)

Caetano nutriu rápido em seu coração o conselho de Canisio. O Thiene foi considerado por muitos do seu tempo o reformador silencioso. Desejava reformar o mundo, sem que o mundo se desse conta dele. Assim diz em uma de suas cartas: Gostaria de transformar o mundo escondendo a minha mão. (7) Viveu na Corte de Júlio II como espectador e não como participante.



Viveu uma vida irrepreensível e piedosa, trabalhando com empenho, consciência e caridade exemplar dando assim, naquele ambiente, o testemunho que tanto se fazia necessário. O jovem Caetano, para todos os necessitados que dele se aproximavam tinha sempre um pão e uma palavra para aliviar a desolação animando à esperança.

Ao santo do pão e do trabalho se via caminhar pelas ruas de Roma, com uma roupa simples e pobre: humilde, composto, devoto, com admiração de todos os que conheciam a nobreza de sua família.

Em suas meditações São Caetano percebia que embora os tempos e as dificuldades para uma sólida reforma seria uma tarefa nada fácil, intui que para realizar um renovamento religioso necessitava-se re-fundar o império do espírito e abater o da carne. Como ele mesmo escreve em uma carta a religiosa Laura Mignani em 16 de junho de 1518: deixar as coisas terrenas, não dar tanto valor as coisas daqui de baixo, mas re-conquistar as lá de cima (se referia a busca do Reino de Deus). (8)
Campeão do Divino Amor

De fato, Caetano se torna membro de um movimento que muito contribui no inicio da reforma católica, participando do Oratório do Divino Amor, na Igreja de santa Dorotéia. Muitos funcionários da Cúria Romana também participavam deste grupo, incluindo cardeais, bispos, ilustres do Clero e também leigos. O grupo chegou ao número de 60 como era idealizado. Sua proposta fundamental era de irradiar o Divino Amor. (9)

Os membros do Oratório do Divino Amor procuravam atuar na santificação pessoal através de uma piedade intensa que a alimentavam com exercício do culto, com a oração em comum, frequentando os sacramentos e com o estudo da sagrada escritura; se dedicaram desde o inicio às obras de caridade a serviço dos peregrinos que vinham a Roma de modo especial os mais pobres, e visitas e serviços aos doentes do hospital São Tiago, que ainda hoje existe em Roma. (em destaque estão alguns traços característicos da futura Ordem fundada pelo Thiene).

Sua participação no Oratório do Divino Amor de Roma foi tão intensa e profunda que mereceu ser chamado pelo Papa Pio XII de: apostolo do Divino Amor e campeão insigne da misericórdia cristã. (10)

Caetano compreende que já era chegado o momento oportuno para concretizar a sua vocação ao sacerdócio, que há muito tempo manteve guardado em coração.


Caetano liga sua vida à cruz de Cristo
Ele após três meses de intensa preparação e sete dias de jejum, da outro passo decisivo em sua vida. Em 27 de setembro de 1516, um sábado dia de devoção a Nossa Senhora, Caetano recebe as quatro ordens menores; no outro dia domingo 28 de setembro foi lhe conferido o subdiaconato; 29 de setembro, dia de são Miguel recebeu a ordem do diaconato; enfim no dia de são Jerônimo 30 de setembro, contando com a idade de 36 anos Caetano foi ordenado sacerdote, e como ele mesmo afirma em uma carta sua, naquele dia ligou sua vida à cruz de Cristo. As celebrações ocorreram na capela residencial do bispo que o ordenou, Dom Francisco Berthelay. (11)
Caetano Fundador

Tanto ainda teríamos de escrever sobre o nosso querido são Caetano, algumas boas páginas deveriam ser acrescentadas, mas pelo momento ficaremos com essas, e passaremos a falar da família religiosa fundada por ele, a Ordem dos Clérigos Regulares, popularmente conhecidos como Padres Teatinos. Querendo Deus em outra oportunidade daremos algumas páginas a mais sobre a vida tão cristã e profunda do santo de providência.




Convencido que a instituição, boa por sinal, do Oratório do Divino Amor era inadequada para a tarefa da reforma da Igreja; entendia que uma simples confraria não podia oferecer garantia em longo prazo, devido ao vai e vem dos membros, as obras boas pelas quais se reuniam. Todos os decretos do Papa de reforma permaneciam quase sem efeito, pensou então, sobretudo junto ao clero secular, uma urgentíssima mudança mediante a força do exemplo. Reformar reformando-se. Foi ai que amadureceu a ideia de fundar ao invés de um Oratório, uma especial sociedade de Clérigos Regulares. Esta seria fundamenta por uma regra fixa, sob o princípio da vida comum, tendo, por exemplo, o modo de viver dos apóstolos e como não poderia ser diferente submissa a Santa Sé (ao Papa). No lugar das Ordens antigas, as quais pela suas organizações não correspondiam mais as necessidades daquela época, deveria surgir um instituto novo, com vida nova, no qual os membros, como simples padres, deveriam com a própria vida reta e com fiel adesão à vocação recebida, resplandecer como proposta diante da grande massa do clero secular, em parte profundamente corrompido.

Caetano estava convencido de que, como é o Sacerdote assim é o povo cristão. É por isso que deseja criar uma sociedade de padres para o cuidado das almas, que se interessasse em administrar os sacramentos, de pregar e de celebrar de forma exemplar. (12)
   
Nosso Santo, portanto, chegado o tempo designado pela Providencia, lança as bases da nova Ordem Religiosa. Encontrou colaboradores para realizar o seu projeto, entre os seus velhos amigos. Almas que tinham passado pela mesma crise de reforma que ele viveu.
   
A ideia de reformar o Clero foi por ele cultivada por muito tempo, e a expôs sob todos os aspectos possíveis. Por isso uma vez deixou escapar quase que por um sonho está luminosa proposta. “Se Deus me concedesse a graça de poder apresentar aos olhos do Clero Secular uma família religiosa de Clérigos Regulares, espero que com sua inocência, pobreza, modéstia e santidade poderão fazer sim que os padres deixem o vício e se empenhem em conquistar as virtudes”.


(1) F. ANDREU, S. Gaetano Thiene: itinerario di una vocazione,, in S. Gaetano Thiene e Vicenza nel V centenario della nascita 1480-1980, Vicenza 1981, p. 43.
(2) Igreja que segunda a Tradição guarda uma relíquia da Coroa de Cristo.
(3) P. CHIMINELLI, op. cit., p. 48.   
(4) P.CHIMINELLI, op. cit., p. 69.
(5) Carta a Irmã Laura Mignani Roma em 31 de julho de 1517.
(6) P. CHIMINELLI, op. cit., p. 114.
(7) Carta a Bartolomeo Stella em 02 de março de 1517.
(8) P.CHIMINELLI, op. cit., pp. 125-126.
(9) CHIMINELLI, op.cit., pp 182 e 165.
(10) Regnum Dei, Collectanea Teatina III 1947, p. 72.
(11) CHIMINELLI, op. cit., p. 143.
(12) CHIMINELLI, op. cit., p. 131 e 457.


VOLTAR