FEVEREIRO DE 2014


Papa: "Acompanhar, e não condenar, casais que fracassam no amor"

Cidade do Vaticano (RV) – A capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, estava repleta na manhã desta sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014, como todos os dias em que o Papa celebra a missa da manhã. Comentando a leitura do Evangelho, Francisco dedicou sua homilia à beleza do matrimônio e advertiu que se deve acompanhar – e não condenar – aqueles que fracassam no amor.
O Pontífice iniciou relatando que no Evangelho de Marcos, os fariseus vão a Jesus e lhes apresentam o problema do divórcio, questionando se era lícito ou não.
“Jesus respondeu explicando aos fariseus porque Moisés havia feito aquela lei. Deixando a casuística de lado, ele vai ao centro do problema e chega aos dias da Criação. A casuística é uma armadilha: "por detrás da mentalidade de reduzir tudo a casos, existe sempre uma armadilha contra as pessoas e contra Deus, sempre!”.
O Papa citou depois a referência ao Gênesis: “Desde o princípio da Criação, ele os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe, e os dois serão uma só carne”.
“Deus – disse o Papa – não queria que o homem ficasse sozinho, queria uma companheira para seu caminho. O encontro de Adão com Eva é ‘momento poético’. Por outro lado, esta obra de arte do Senhor não acaba ali, nos dias da Criação, porque o Senhor escolheu este ícone para explicar o seu Amor pelo povo”.
“Quando Paulo deve explicar o mistério de Cristo, se refere à sua Esposa, porque Cristo é casado, casado com a Igreja, seu povo. Como o Pai havia se casado com o Povo de Israel, Cristo se casou com o seu povo. Esta é a história do amor, e diante deste caminho de amor, deste ícone, a casuística decai e se transforma em dor. “Quando deixar o pai e a mãe e unir-se numa só carne se transforma num fracasso – e isso pode acontecer – devemos acompanhar as pessoas que sofrem por terem fracassado no próprio amor. Não condenar, mas caminhar com eles e não fazer casuística com eles”.
“Deus abençoou esta obra de arte de sua Criação, e nunca retirou a sua benção.. nem o pecado original a destruiu! Quando se pensa nisso, se vê “como é lindo o amor, o matrimônio, a família; como é bonito este caminho e como devemos estar próximos de nossos irmãos e irmãs que tiveram a desgraça de um fracasso no amor”.

Papa Francisco – últimos tweets:

28/02/2014
A Eucaristia é essencial para nós: é Cristo que quer entrar na nossa vida e enchê-la com a sua graça.
27/02/2014
Numa família, é normal cuidar de quem está necessitado. Não tenhais medo da fragilidade!
Papa à CAL: acolher, escutar e convidar os jovens a seguir a Cristo

Cidade do Vaticano, 28.fevereiro.2014 (RV) – No final da manhã desta sexta-feira, o Papa Francisco recebeu, na Sala Clementina, no Vaticano, 45 membros da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), na conclusão da sua Assembléia plenária, que teve como tema: “Emergência educativa e transmissão da fé à juventude latino-americana”.
No discurso que pronunciou aos membros da CAL, o Santo Padre disse que, seguindo as pegadas da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, quiseram refletir sobre os milhões de jovens da América Latina e Caribe, que vivem em condições de “emergência educacional” e que suscita a questão fundamental da tradição da fé.
A Igreja quer imitar Jesus que se aproxima dos jovens; quer repetir-lhes que vale a pena seguir o exemplo que ele nos deu: exemplo de dedicação, de serviço, de amor desinteressado e luta pela justiça e pela verdade. E o Papa acrescentou:
“A Santa Mãe Igreja está ciente de que o melhor Mestre dos jovens é Jesus Cristo. Ela quer incutir, em todos eles, os mesmos sentimentos, mostrando-lhes quanto é belo viver como ele, banindo o egoísmo e deixando-se atrair pela beleza da bondade. Quem conhece Jesus profundamente não fica sentado no sofá. Pelo contrário, se adapta ao seu estilo de vida e se torna um discípulo missionário do seu Evangelho, dando testemunho entusiasmado da sua fé, sem poupar sacrifícios”.
O Pontífice disse que o encontro de Jesus com o Jovem Rico do Evangelho sempre o impressionou, por seu um lindo exemplo da pedagogia viva do Senhor. Assim, se deteve em três aspectos desta narração: Cristo acolhe, escuta e convida o jovem a segui-lo. Falando da acolhida do jovem, o Papa explicou:
“Este é o primeiro gesto de Jesus e nosso também, que vem antes qualquer ensinamento ou missão apostólica. Cristo parou para conversar com aquele jovem, o olhou com carinho e muito amor. Eis o abraço da caridade incondicional. O Senhor se coloca no lugar de cada um, até daqueles que o rejeitam. Ele não paga com a mesma moeda”.
Isto significa, frisa o Pontífice, estar ao lado da juventude em todos os momentos da sua vida: na escola, na família, no trabalho... ficar atento às suas necessidades e aspirações, não só materiais. Muitos passam por sérios problemas: o fracasso escolar, o desemprego, a solidão, a tristeza pela desunião familiar. E ponderou:
“Estes são momentos difíceis, que os fazem sentir frustração e vulnerabilidade, os torna vulneráveis ​​às drogas, ao sexo sem amor, à violência... Isso exige o nosso esforço para não abandonarmos os jovens, não deixá-los à beira da estrada; eles precisam se sentir valorizados na sua dignidade, circundados de carinho, compreendidos”.
Depois, o Santo Padre explicou o segundo aspecto da narração evangélica do Jovem Rico: a escuta. Jesus manteve um diálogo franco e cordial com aquele jovem; ouviu as suas preocupações e as esclareceu à luz das Escrituras. No início, Jesus não o condenou, não teve preconceitos, não caiu nos clichês de sempre.
Por outro lado, afirmou o Bispo de Roma, os jovens devem sentir-se na Igreja como se sentem em casa; devemos abrir-lhes as suas portas; temos que ir procurá-los, dando importância às suas reivindicações e espaço para serem ouvidos.
A Igreja é uma mãe e não pode ficar indiferente, mas deve descobrir suas preocupações e apresentá-las ao Coração de Deus. Dito isto, o Pontífice falou do terceiro aspecto do encontro de Jesus com o Jovem Rico: o convida a segui-lo:
“Estas palavras não perderam a sua atualidade. Os jovens têm que ouvi-las de nós. Devem saber que Cristo não é um personagem de novela, mas uma pessoa viva, que quer compartilhar seu desejo irrenunciável que têm de vida, de compromisso, de dedicação. Temos que oferecer-lhes o melho0r que temos: Jesus Cristo e o seu Evangelho”.
Os jovens vêem os males do mundo e não ficam quietos, mas os denunciam, a fim de tornar um mundo melhor. Eles querem ser protagonistas do seu presente e construtores de um futuro, onde não haja mentiras, corrupção, falta de solidariedade.
A Igreja na América Latina, afirmou depois o Santo Padre, não pode desperdiçar o tesouro de sua juventude, com todas as suas potencialidades de crescimento, com o seu grande desejo de forjar uma grande família de irmãos reconciliados no amor.
Desta forma, Jesus estende a mão aos nossos jovens, os chama e lhes dá a sua força, a sua palavra e inspiração para enfrentar seus desafios. Eles precisam ser amigos de Cristo, para sair pelas ruas, como testemunhas da fé, levando-o a todas as partes do mundo. Eles devem sentir o calor da Santa Mãe Igreja. E o Papa concluiu com a seguinte exortação:
“Convido-lhes a assumir este desafio com determinação. Que as comunidades cristãs da América Latina e do Caribe saibam ser acompanhantes, mestras e mães de todos e de cada um de seus jovens. Eduquem os jovens, os evangelize e os converta em discípulos missionários. Esta é uma tarefa árdua, paciente, mas muito urgente e necessária. Porém, tenho a certeza de que vale a pena”.


O CARNAVAL
 
                                                        
 
Dom Fernando Arêas Rifan*

Estamos próximos do Carnaval, atualmente uma festa totalmente profana e nada edificante. Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com todo o seu requinte, riqueza de detalhes, fantasias fascinantes, desperdício de dinheiro, exposição de luxo, vaidade e também despudor, presencia-se paralelamente uma verdadeira bacanal de orgias e festas mundanas, cheias de licenciosidade, onde se pensa que tudo é permitido. Nesses dias, a moral vem abaixo: até as pessoas mais sérias se mostram debochadas, a imoralidade e a libertinagem campeiam, a pureza perece e a tranquilidade desaparece. Infelizmente, há muito tempo que o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente, uma brincadeira de rua, uma diversão até certo ponto sadia.
           
Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, comendo carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, o acaba abafando e profanando. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.
       
A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, que precede a Quarta-Feira de Cinzas, caindo sempre este 47 dias antes da Páscoa.
       
Devido à devassidão que acontecem nesses dias de folia, os cristãos mais conscientes preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales.

           
J
á nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).
          
Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!

                                               *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Na catequese, Papa fala da Unção dos Enfermos Compaixão de Deus
Francisco lembrou que a Unção dos Enfermos é o sacramento da compaixão de Deus com o sofrimento humano

Rádio Vaticano

Unção dos Enfermos. Este foi o sacramento sobre o qual o Papa Francisco refletiu na catequese desta quarta-feira, 26, na Praça São Pedro. Trata-se do sacramento da compaixão de Deus com o sofrimento do homem no momento da doença e da velhice, explicou o Santo Padre.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Hoje gostaria de falar a vocês do Sacramento da Unção dos Enfermos, que nos permite tocar com a mão a compaixão de Deus pelo homem. No passado, era chamado “Extrema unção”, porque era entendido como conforto espiritual na iminência da morte. Falar, em vez disso, de “Unção dos enfermos” ajuda-nos a alargar o olhar à experiência da doença e do sofrimento, no horizonte da misericórdia de Deus.

1. Há um ícone bíblico que exprime em toda a sua profundidade o mistério que transparece na Unção dos enfermos: é a parábola do “bom samaritano”, no Evangelho de Lucas (10, 30-35). Toda vez que celebramos tal sacramento, o Senhor Jesus, na pessoa do sacerdote, faz-se próximo a quem sofre e está gravemente doente, ou idoso. Diz a parábola que o bom samaritano cuida do homem sofredor derramando sobre suas feridas óleo e vinho. O óleo nos faz pensar naquele que é abençoado pelo bispo todos os anos, na Missa do Crisma da Quinta-Feira Santa, propriamente em vista da Unção dos enfermos. O vinho, em vez disso, é sinal do amor e da graça de Cristo que surge da doação de sua vida por nós e se exprimem em toda a sua riqueza na vida sacramental da Igreja. Enfim, a pessoa que sofre é confiada a um hospedeiro, a fim de que possa continuar a cuidar dele, sem poupar despesas. Ora, quem é este hospedeiro? É a Igreja, a comunidade cristã, somos nós, aos quais, todos os dias, o Senhor Jesus confia aqueles que estão aflitos, no corpo e no espírito, para que possamos continuar a derramar sobre eles, sem medida, toda a Sua misericórdia e a Sua salvação.

2. Este mandado é confirmado de modo explícito e preciso na Carta de Tiago, onde recomenda: “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhes-ão perdoados” (5, 14-15). Trata-se então de uma prática que já estava em vigor no tempo dos apóstolos. Jesus, de fato, ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma predileção pelos doentes e pelos que sofrem e transmitiu a eles a capacidade e a tarefa de continuar difundindo em seu nome e segundo o seu coração alívio e paz, através da graça especial de tal sacramento. Isso, porém, não nos deve levar a uma busca obsessiva pelo milagre ou na presunção de poder obter sempre e seja como for a cura. Mas é a segurança da proximidade de Jesus ao doente e também ao idoso, porque todo idoso, toda pessoa com mais de 65 anos, pode receber este Sacramento, mediante o qual é o próprio Jesus que se aproxima.

3. Mas quando há um doente às vezes se pensa: “chamemos o sacerdote para que venha”; “Não, pois traz má sorte, não o chamemos”, ou “depois assusta o doente”. Por que se pensa isso? Porque há um pouco a ideia de que depois do sacerdote chegam os ritos funerais. E isto não é verdade. O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso; por isto é tão importante a visita dos sacerdotes aos doentes. É preciso chamar o sacerdote junto ao doente e dizer: “venha, dê-lhe a unção, abençoe-o”. É o próprio Jesus que chega para aliviar o doente, para dar-lhe força, para dar-lhe esperança, para ajudá-lo; também para perdoar-lhe os pecados. E isto é belíssimo! E não é preciso pensar que isto seja um tabu, porque é sempre bonito saber que no momento da dor e da doença nós não estamos sozinhos: o sacerdote e aqueles que estão presentes durante a Unção dos enfermos representam de fato toda a comunidade cristã que, como um único corpo, se reúne em torno de quem sofre e dos familiares, alimentando nesse a fé e a esperança, e apoiando-lhe com a oração e o calor fraterno. Mas o conforto maior vem do fato de que ao tornar-se presente no Sacramento é o próprio Jesus que nos toma pela mão, acaricia-nos como fazia com os doentes e nos recorda que lhe pertencemos e que nada – nem o mal e a morte – poderá nos separar Dele. Temos este hábito de chamar o sacerdote para que venha aos nossos doentes – não digo doentes de gripe, de três, quatro dias, mas quando é uma doença séria – e também aos nossos idosos e dê a eles este Sacramento, este conforto, esta força de Jesus para seguir adiante? Façamos isso!


No momento das saudações, Francisco dirigiu algumas palavras aos peregrinos de língua portuguesa. “Em cada um dos sacramentos da Igreja, Jesus está presente e nos faz participar da sua vida e da sua misericórdia. Procurem conhecê-Lo sempre mais, para poderem servi-Lo nos irmãos, especialmente nos doentes. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!”.

O Papa Francisco encerrou a catequese desta quarta-feira, 26, na Praça São Pedro com seu  olhar de preocupação para a Venezuela, país latino-americano que vem sofrendo uma onda de violência nas últimas semanas. Os conflitos já deixaram mortos e feridos.

“Desejo realmente que cessem o quanto antes as violências e a hostilidade e que todo o povo venezuelano, a partir dos responsáveis políticos e institucionais, esforcem-se para favorecer a reconciliação, através do perdão recíproco e um diálogo sincero, com respeito à verdade e à justiça, capaz de lidar com temas concretos para o bem comum”.

Francisco concluiu o apelo com uma oração a Deus, pela intercessão da Virgem de Coromoto, Padroeira da Venezuela, pelas vítimas dos confrontos e suas famílias.

Papa escreve às famílias do mundo: "Unamo-nos em oração pelo Sínodo"

Cidade do Vaticano, 25.fevereiro.2014 (RV) – “Unamo-nos todos em oração para que a Igreja realize um verdadeiro caminho de discernimento e adote os meios pastorais adequados para ajudarem as famílias a enfrentar os desafios atuais”: com uma carta, o Papa Francisco se dirige às famílias de todo o mundo, pedindo orações em vista do Sínodo extraordinário de outubro próximo.

O texto foi assinado por Francisco em 2 de fevereiro – festa da Apresentação do Senhor –, mas foi divulgado esta manhã pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Leia a íntegra da mensagem de Francisco às famílias:

Queridas famílias,

apresento-me à porta da vossa casa para vos falar de um acontecimento que vai realizar-se, como é sabido, no próximo mês de Outubro, no Vaticano: trata-se da Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, convocada para discutir o tema «Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização». Efetivamente, hoje, a Igreja é chamada a anunciar o Evangelho, enfrentando também as novas urgências pastorais que dizem respeito à família.

Este importante encontro envolve todo o Povo de Deus: Bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos das Igrejas particulares do mundo inteiro, que participam ativamente, na sua preparação, com sugestões concretas e com a ajuda indispensável da oração. O apoio da oração é muito necessário e significativo, especialmente da vossa parte, queridas famílias; na verdade, esta Assembleia sinodal é dedicada de modo especial a vós, à vossa vocação e missão na Igreja e na sociedade, aos problemas do matrimônio, da vida familiar, da educação dos filhos, e ao papel das famílias na missão da Igreja. Por isso, peço-vos para invocardes intensamente o Espírito Santo, a fim de que ilumine os Padres sinodais e os guie na sua exigente tarefa. Como sabeis, a esta Assembleia sinodal extraordinária, seguir-se-á – um ano depois – a Assembleia ordinária, que desenvolverá o mesmo tema da família. E, neste mesmo contexto, realizar-se-á o Encontro Mundial das Famílias, na cidade de Filadélfia, em Setembro de 2015. Por isso, unamo-nos todos em oração para que a Igreja realize, através destes acontecimentos, um verdadeiro caminho de discernimento e adote os meios pastorais adequados para ajudarem as famílias a enfrentar os desafios atuais com a luz e a força que provêm do Evangelho.

Estou escrevendo-vos esta carta no dia em que se celebra a festa da Apresentação de Jesus no templo. O evangelista Lucas conta que Nossa Senhora e São José, de acordo com a Lei de Moisés, levaram o Menino ao templo para oferecê-Lo ao Senhor e, nessa ocasião, duas pessoas idosas – Simeão e Ana –, movidas pelo Espírito Santo, foram ter com eles e reconheceram em Jesus o Messias (cf. Lc 2, 22-38). Simeão tomou-O nos braços e agradeceu a Deus, porque tinha finalmente «visto» a salvação; Ana, apesar da sua idade avançada, encheu-se de novo vigor e pôs-se a falar a todos do Menino. É uma imagem bela: um casal de pais jovens e duas pessoas idosas, reunidos devido a Jesus.

Verdadeiramente Jesus faz com que as gerações se encontrem e se unam! Ele é a fonte inesgotável daquele amor que vence todo o isolamento, toda a solidão, toda a tristeza. No vosso caminho familiar, partilhais tantos momentos belos: as refeições, o descanso, o trabalho em casa, a diversão, a oração, as viagens e as peregrinações, as ações de solidariedade... Todavia, se falta o amor, falta a alegria; e Jesus é quem nos dá o amor autêntico: oferece-nos a sua Palavra, que ilumina a nossa estrada; dá-nos o Pão de vida, que sustenta a labuta diária do nosso caminho.Queridas famílias, a vossa oração pelo Sínodo dos Bispos será um tesouro precioso que enriquecerá a Igreja. Eu vo-la agradeço e peço que rezeis também por mim, para que possa servir o Povo de Deus na verdade e na caridade. A proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José acompanhe sempre a todos vós e vos ajude a caminhar unidos no amor e no serviço recíproco. De coração invoco sobre cada família a bênção do Senhor.

Vaticano, 2 de Fevereiro – festa da Apresentação do Senhor – de 2014.

Francisco: crianças famintas nos campos de refugiados, enquanto fabricantes de armas fazem festa

Cidade do Vaticano, 25.fevereiro.2014 (RV) – Crianças famintas nos campos de refugiados, enquanto os fabricantes de armas fazem festa: na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta, o Papa falou da paz e do escândalo da guerra.

“De onde vêm as guerras e as lutas entre vós?”, este versículo da primeira leitura, extraída da Carta do Apóstolo Tiago, inspirou a homilia do Papa, em que os discípulos de Jesus brigam para esclarecer quem era o maior entre eles. O Pontífice evidenciou que quando “os corações se afastam, nasce a guerra”. Todos os dias, constatou, “encontramos nos jornais guerras que produzem vítimas".

E os mortos parecem fazer parte de uma contabilidade cotidiana. Estamos acostumados a ler essas coisas! E se tivéssemos a paciência de contar todas as guerras que neste momento existem no mundo, certamente teríamos muitas folhas escritas. Parece que o espírito da guerra se apoderou de nós. Fazem-se atos para comemorar o centenário daquela Grande Guerra, tantos milhões de mortos… E todos escandalizados! Mas hoje é a mesma coisa! Ao invés de uma grande guerra, há pequenas guerras em todos os lugares, povos divididos... E para preservar o próprio interesse, se matam entre si.

“De onde vêm as guerras e as lutas entre vós?”, repetiu o Papa. “As guerras, o ódio, a inimizade – respondeu – não se compram no mercado: estão aqui, no coração.” E lembrou que quando criança, no catecismo, “explicavam a história de Caim e Abel e todos ficavam escandalizados”, não se podia aceitar que alguém matasse o irmão. Hoje, porém, “tantos milhões se matam entre irmãos, entre si, mas estamos acostumados”. A Primeira Guerra Mundial, disse ainda, “nos escandaliza, mas esta grande guerra um pouco escondida, em todos os lugares, não! E tantas pessoas morrem por um pedaço de terra, por uma ambição, por ódio, por ciúme racial. Os prazeres nos levam à guerra, ao espírito do mundo”:
Habitualmente, mesmo diante de um conflito, nos encontramos numa situação curiosa: brigamos para resolvê-lo. Com a linguagem da guerra. A linguagem de paz não vem antes! E as consequências? Pensem nas crianças famintas nos campos de refugiados… Pensem somente nisto: este é o fruto da guerra! E se quiserem, pensem nas festas que fazem os que são os proprietários das indústrias das armas, que fabricam as armas, as armas que acabam lá. A criança doente, faminta, num campo de refugiados e as grandes festas, a vida boa que fazem os que fabricam as armas.

“Que acontece no nosso coração?”, insistiu o Papa, que propôs o conselho do Apóstolo Tiago: “Aproximem-se de Deus e Ele se aproximará de vocês”. E advertiu que “espírito de guerra, que nos afasta de Deus, não está distante de nós, mas em nossa casa”.

Quantas famílias destruídas porque o pai, a mãe não são capazes de encontrar o caminho da paz e preferem a guerra, fazer causa… A guerra destrói! ‘De onde vêm as guerras e as lutas entre vós?’. No coração! Eu lhes proponho que rezem hoje pela paz, por aquela paz que se tornou somente uma palavra, nada mais. Para que esta palavra tenha a capacidade de agir, sigamos o conselho do Apóstolo Tiago: ‘Reconheçais vossa miséria!’

Aquela miséria da qual provêm as guerras, explicou Francisco: “As guerras nas famílias, as guerras no bairro, as guerras em todos os lugares”. “Quem de nós chora quando lê um jornal, quando vê aquelas imagens na tv? Tantos mortos”. Retomando o Apóstolo, disse: “Transforme-se o vosso riso em luto e vossa alegria em desalento …”. Isso é o que deve fazer hoje, 25 de fevereiro, um cristão diante de tantas guerras, em todos os lugares”: “Chorar, fazer luto, humilhar-se”. “Que o Senhor nos faça entender isso e nos salve do habituar-nos às notícias de guerra”.

Esta foi a mensagem do Papa, hoje, no twitter:

25/02/2014
Todos nós, batizados, somos discípulos missionários. Somos chamados a nos tornar um Evangelho vivo no mundo.

Francisco: Jesus jamais nos deixa sós. A nossa casa é a Igreja

Cidade do Vaticano, 24.fevereiro.2014 (RV) – Seguir Jesus não é “uma ideia”, mas um “contínuo permanecer em casa”, a Igreja. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa desta manhã, na capela da Casa Santa Marta.

Na homilia, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, da cura do epilético endemoninhado que agitou a multidão. Jesus expulsa o espírito e ajuda o menino a se levantar.

Toda aquela desordem, aquela discussão acaba num gesto: Jesus que se abaixa e pega o menino. Esses gestos de Jesus nos fazem pensar.

Jesus quando cura, quando vai em meio à multidão e cura uma pessoa, jamais a deixa só. Não é um mago, um bruxo, um curandeiro que vai, cura e continua: a cada um leva de volta ao seu lugar, não o abandona pelo caminho. E são gestos belíssimos do Senhor.


Eis o ensinamento, explicou o Papa: “Jesus sempre nos faz regressar à casa. Jamais nos deixa sós na estrada”. O Evangelho, recorda ele, está repleto desses gestos: a ressurreição de Lázaro, a vida doada à filha de Jairo e aquela ao jovem de uma mãe viúva. Mas também a ovelha perdida levada de volta ao ovil ou a moeda perdida e encontrada pela mulher.

Porque Jesus não veio sozinho do Céu, é Filho de um povo. Jesus é a promessa feita a um povo e a sua identidade é também pertença àquele povo, que de Abraão caminha rumo à promessa. E esses gestos de Jesus nos ensinam que cada cura, cada perdão sempre nos faz voltar ao nosso povo, que é a Igreja.

Jesus sempre perdoa – prosseguiu o Papa – e os seus gestos se tornam também “revolucionários” ou “inexplicáveis” quando o seu perdão alcança quem se afastou “muito”, como o publicano Mateus ou o seu colega Zaqueu. Além disso, repetiu Francisco, Jesus sempre “quando perdoa, faz regressar à casa. Deste modo, não se pode entender Jesus sem o povo de Deus. É “um absurdo amar Cristo sem a Igreja, sentir Cristo mas não a Igreja, segui-Lo à margem da Igreja”, reiterou o Papa Francisco, citando e parafraseando mais uma vez Paulo VI. “Cristo e a Igreja estão unidos”, e “toda vez que Cristo chama uma pessoa, a leva à Igreja”. Por isso, acrescentou, é importante que uma criança seja batizada na Igreja, a Igreja mãe.

E esses gestos de tanta ternura de Jesus nos fazem entender isso: que a nossa doutrina, digamos assim, ou o nosso seguir Cristo, não é uma ideia, é um contínuo permanecer em casa. E se cada um de nós tem a possibilidade e a realidade de sair de casa por um pecado, um erro – Deus sabe –, a salvação é voltar para casa, com Jesus na Igreja. São gestos de ternura. Um por um, o Senhor nos chama assim, ao seu povo, dentro da sua família, a nossa mãe, a Santa Igreja. Pensemos nesses gestos de Jesus.

Papa Francisco, tweet de hoje:

24/02/2014
Nossa Senhora está sempre ao nosso lado, sobretudo quando o peso da vida se faz sentir com todos os seus problemas.

"O Cardeal entra na Igreja de Roma, não entra numa corte" - Papa Francisco aos novos Cardeais, recomendando-lhes santidade e um estilo de vida centrado no serviço

Na manhã deste domingo, 23 de Fevereiro, o Papa Francisco presidiu à missa concelebrada com os novos Cardeais criados sábado no primeiro Consistório do seu pontificado. Foi na Basílica de São Pedro.

“A vossa ajuda, Pai misericordioso, sempre nos torne atentos à voz do Espírito” (Coleta).

Esta oração, pronunciada no início da Missa, convida-nos a uma atitude fundamental: a escuta do Espírito Santo, que vivifica a Igreja e a anima. Com a sua força criativa e renovadora, o Espírito sustenta sempre a esperança do povo de Deus que caminha na história, e sempre sustenta, como Paráclito, o testemunho dos cristãos. Neste momento, todos nós, juntamente com os novos Cardeais, queremos ouvir a voz do Espírito que nos fala através das Escrituras proclamadas.

Na primeira Leitura, ressoou este apelo do Senhor ao seu povo: «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo» (Lv 19, 2). E faz-lhe eco, Jesus, no Evangelho: «Haveis, pois, de ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48). Estas palavras interpelam-nos a todos nós, discípulos do Senhor; e hoje são dirigidas especialmente a mim e a vós, queridos Irmãos Cardeais, de modo particular a vós que ontem começastes a fazer parte do Colégio Cardinalício. Imitar a santidade e a perfeição de Deus pode parecer uma meta inatingível; contudo, a primeira Leitura e o Evangelho sugerem os exemplos concretos para que o comportamento de Deus se torne a regra do nosso agir. Lembremo-nos, porém, todos nós…., lembremo-nos de que o nosso esforço, sem o Espírito Santo, seria vão! A santidade cristã não é, primariamente, obra nossa, mas fruto da docilidade – deliberada e cultivada – ao Espírito do Deus três vezes Santo.

O Levítico diz: «Não odieis um irmão vosso no íntimo do coração (…). Não vos vingueis; não guardeis rancor (…). Amai o vosso próximo» (19, 17-18). Estas atitudes nascem da santidade de Deus. Nós, porém, habitualmente somos tão diferentes, tão egoístas e orgulhosos… e no entanto a bondade e a beleza de Deus atraem-nos, e o Espírito Santo pode purificar-nos, pode transformar-nos, pode moldar-nos dia após dia. Fazer este trabalho de conversão, conversão no coração, conversão que todos nós – especialmente vós, Cardeais, e eu – devemos fazer. Conversão!

No Evangelho, também Jesus nos fala da santidade e explica a nova lei – a sua. Fá-lo através de algumas antíteses entre a justiça imperfeita dos escribas e fariseus e a justiça superior do Reino de Deus. A primeira antítese do texto de hoje tem a ver com a vingança. «Ouvistes que foi dito aos antigos: “Olho por olho e dente por dente”. Pois Eu digo-vos: (…) se alguém te bater na face direita, apresenta-lhe também a outra» (Mt 5, 38-39). Não só não devemos restituir ao outro o mal que nos fez, mas havemos também de esforçar-nos por fazer o bem magnanimamente.

A segunda antítese refere-se aos inimigos: «Ouvistes que foi dito: “Hás-de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo”. Pois Eu digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem» (5, 43-44). A quem quer segui-Lo, Jesus pede para amar a pessoa que não o merece, sem retribuição, a fim de preencher as lacunas de amor que há nos corações, nas relações humanas, nas famílias, nas comunidades e no mundo. Irmãos Cardeais, Jesus não veio para nos ensinar as boas maneiras, as cortesias; para isso, não era preciso que descesse do Céu e morresse na cruz. Cristo veio para nos salvar, para nos mostrar o caminho, o único caminho de saída das areias movediças do pecado, e este caminho de santidade é a misericórdia, aquela que Ele usou e usa cada dia con nosco. Ser santo não é um luxo, é necessário para a salvação do mundo. Isto é o que Senhor nos pede.

Queridos Irmãos Cardeais, o Senhor Jesus e a mãe Igreja pedem-nos para testemunharmos, com maior zelo e ardor, estas atitudes de santidade. É precisamente neste suplemento de oblatividade gratuita que consiste a santidade de um Cardeal. Por conseguinte, amemos aqueles que nos são hostis; abençoemos quem fala mal de nós; saudemos com um sorriso a quem talvez não o mereça; não aspiremos a fazer-nos valer, mas oponhamos a mansidão à prepotência; esqueçamos as humilhações sofridas. Deixemo-nos guiar sempre pelo Espírito de Cristo: Ele sacrificou-Se a Si próprio na cruz, para podermos ser «canais» por onde passa a s ua caridade. Este é o comportamento, esta deve ser a conduta de um Cardeal. O Cardeal – digo-o especialmente a vós – entra na Igreja de Roma, Irmãos, não entra numa corte. Evitemos todos – e ajudemo-nos mutuamente a evitar – hábitos e comportamentos de corte: intrigas, críticas, facções, favoritismos, preferências. A nossa linguagem seja a do Evangelho: «Sim, sim; não, não»; as nossas atitudes, as das bem-aventuranças; e o nosso caminho, o da santidade. Rezemos mais uma vez: “A vossa ajuda, Pai misericordioso, sempre nos torne atentos à voz do Espírito”.

O Espírito Santo fala-nos , hoje, também através das palavras de São Paulo: «Sois templo de Deus (…); o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós» (1 Cor 3, 16-17). Neste templo que somos nós, celebra-se uma liturgia existencial: a da bondade, do perdão, do serviço; numa palavra, a liturgia do amor. Este nosso templo fica de certo modo profanado, quando descuidamos os deveres para com o próximo: quando no nosso coração encontra lugar o menor dos nossos irmãos, é o próprio Deus que aí encontra lugar; e, quando se deixa fora aquele irmão, é o próprio Deus que não é acolhido. Um coração vazio de amor é como uma igreja dessacralizada, subtraída ao serviço de Deus e destinada a outro fim.

Queridos Irmãos Cardeais, permaneçamos unidos em Cristo e entre nós! Peço-vos que me acompanheis de perto, com a oração, o conselho, a colaboração. E todos vós, bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e leigos, uni-vos na invocação do Espírito Santo, para que o Colégio dos Cardeais seja cada vez mais inflamado de caridade pastoral, cada vez mais cheio de santidade, para servir o Evangelho e ajudar a Igreja a irradiar pelo mundo o amor de Cristo.
Oração do Angelus na Praça São Pedro: rezem por mim e pelos novos Cardeais

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na Segunda Leitura deste domingo, São Paulo afirma: “Ninguém ponha sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: Paulo, Apolo, Cefas [isso é, Pedro], o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (1 Cor 3, 23). Por que o Apóstolo diz isso? Porque o problema ao qual o Apóstolo se encontra diante é aquele das divisões na comunidade de Corinto, onde se havia formado grupos que se referiam aos vários pregadores considerando-os seus chefes; diziam: “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefa…” (1, 12). São Paulo explica que este modo de pensar é errado, porque a comunidade não pertence aos apóstolos, mas são eles – os apóstolos – que pertencem à comunidade; porém, a comunidade, inteira, pertence a Cristo!

Desta pertença, deriva que nas comunidades cristãs – dioceses, paróquias, associações, movimentos – as diferenças não podem contradizer o fato de que todos, pelo Batismo, temos a mesma dignidade: todos, em Jesus Cristo, somos filhos de Deus. E esta é a nossa dignidade: em Jesus Cristo somos filhos de Deus! Aqueles que receberam um ministério de guia, de pregação, de administrar os Sacramentos não devem se considerar proprietários de poderes especiais, patrões, mas se colocar a serviço da comunidade, ajudando-a a percorrer com alegria o caminho da santidade.

A Igreja hoje confia o testemunho desse estilo de vida pastoral aos novos cardeais, com os quais celebrei esta manhã a Santa Missa. Podemos saudar todos os novos cardeais, com um aplauso. Saudemos todos! O consistório de ontem a celebração eucarística de hoje nos ofereceram uma ocasião preciosa para experimentar a catolicidade, a universalidade da Igreja, bem representada pela variada proveniência dos membros do Colégio Cardinalício, recebidos em estreita comunhão em torno do Sucessor de Pedro. E que o Senhor nos dê a graça de trabalhar pela unidade da Igreja, de construir esta unidade, porque a unidade é mais importante que os conflitos! A unidade da Igreja é de Cristo, os conflitos são problemas que não são sempre de Cristo..

Os momentos litúrgicos e de festa, que tivemos a oportunidade de viver ao longo dos dois últimos dias, reforcem em todos nós a fé, o amor por Cristo e pela sua Igreja! Convido-vos também a apoiar estes Pastores e a auxiliá-los com a oração, a fim de que guiem sempre com zelo o povo que lhes foi confiado, mostrando a todos a ternura e o amor do Senhor. Mas quanta necessidade de oração tem um bispo, um cardeal, um Papa, a fim de que possa ajudar a seguir adiante o Povo de Deus! Digo “ajudar”, isso é, servir o Povo de Deus, porque a vocação do bispo, do cardeal e do Papa é justamente essa: ser servidor, servir em nome de Cristo. Rezem por nós, para que sejamos bons servidores: bons servidores, não bons patrões! Todos juntos, bispos, presbíteros, pessoas consagradas e fiéis leigos devemos oferecer o testemunho de uma Igreja fiel a Cristo, animada pelo desejo de servir os irmãos e pronta a ir ao encontro com coragem profética às expectativas e exigências espirituais dos homens e mulheres do nosso tempo. Nossa Senhora nos acompanhe e nos proteja neste caminho.

Bispo evangélico grava mensagem com Papa Francisco Unidade dos cristãos
“Somos todos irmãos”, afirma Papa Francisco em videomensagem enviada ao encontro de pentecostais no Texas

Assista à Videomensagem

O Papa Francisco gravou uma videomensagem para o encontro de pastores e líderes pentecostais do Texas, Estados Unidos, presidido por Kenneth Coperland.

Em janeiro deste ano, o Santo Padre recebeu um amigo pessoal de longos anos, o bispo Tony Palmer, representante ecumênico internacional da Comunhão Independente das Igrejas Episcopais Evangélicas.

No término do encontro, o bispo pediu ao Papa se poderia enviar algo por escrito, sobre a unidade dos cristãos, para levar ao encontro.

E Francisco dá a sugestão: “por que você não faz um vídeo comigo?”, conta Palmer. “Então, eu tirei meu iphone do bolso”.

No início do vídeo, o Santo Padre fala um trecho inglês, mas apenas para dizer: “Desculpe se não falo em inglês”, e acrescenta: “Não falo inglês, não falo italiano, mas quero falar a linguagem do coração. Eu lhes falo como um irmão”.

Francisco afirma que o Senhor concluirá a obra da unidade entre cristãos, e que o milagre da unidade foi iniciado e o Senhor irá concluí-lo.

“Somos irmãos e nos damos um abraço espiritual e deixemos que o Senhor termine a obra que começou, porque isso é um milagre”.

O Papa destaca ainda sua alegria pelo encontro, por ser um momento de cristãos em louvor, e destaca seu desejo de que não haja mais divisões entre os cristãos.

Por fim, o Santo Padre pediu orações ao participantes do evento e que o abençoassem e disse que lhes dava sua benção.

“De irmão para irmão, um abraço”, conclui o Papa.

Card. Orani: "Represento todo o Brasil"

Cidade do Vaticano, 22.fevereiro.2014 (RV) – “Não represento só a mim mesmo, mas todo o Brasil”: este é o sentimento do recém-criado Cardeal, Orani João Tempesta, no Consistório desta manhã, na Basílica Vaticana, presidido pelo Papa Francisco.

Em entrevista a Silvonei José, o Cardeal Orani declarou: “Quando foi anunciado [Consistório], eu senti no Rio de Janeiro e no Brasil também que, de certa forma, todo mundo se sentiu nomeado junto comigo. Então eu trago o sentimento de quem não representa só a si mesmo, não só o Rio de Janeiro, mas muita gente no Brasil. Trago comigo muita gente que se sentiu agraciado com esse título e, é claro, alguém tem que representar este povo todo e coube a mim. Depois, uma grande responsabilidade, para a qual eu peço a Deus que me dê a capacidade de poder servir à Igreja e ao mundo, evidentemente a Igreja com sua responsabilidade mundial, para que possamos levar para frente esta grande missão”.

Aos pés do altar também Bento XVI

Um por um, todos os novos purpurados foram até ao altar da Confissão, ajoelharam-se diante do Papa e receberam das suas mãos as insígnias cardinalícias. Foi o momento culminante da celebração do consistório ordinário público para a criação de 19 cardeais, presidida na manhã de 22 de Fevereiro, festa da Cátedra de São Pedro, na basílica vaticana. À chamada só faltou o arcebispo Loris Capovilla, quase centenário, que receberá o barrete nos próximos dias na sua terra natal. Aos pés do altar, ao lado dos cardeais da ordem dos bispos, tomou lugar Bento XVI, recebido por um longo aplauso. O próprio Papa Francisco, ao entrar na basílica antes de começar a celebração, aproximou-se dele e abraçou-o.

No início do rito, o secretário de Estado Pietro Parolin – o primeiro dos cardeais – dirigiu ao Pontífice uma breve saudação em nome dos novos purpurados. Depois do secretário de Estado, foram até ao altar todos os outros. O cardeal Kutwa, de cadeira de rodas, esperou o Papa Francisco aos pés do altar. Em seguida, cada um deles recebeu do mestre-de-cerimónias litúrgicas pontifícias, monsenhor Guido Marini, a bula de criação cardinalícia e de atribuição do título, que significa participação na solicitude pastoral do bispo de Roma pela sua diocese. Poucos momentos antes, todos prestaram o juramento de fidelidade, segundo a fórmula litúrgica: «Eu, cardeal da Santa Igreja Romana, prometo e juro permanecer, desde já e para sempre, enquanto viver, fiel a Cristo e ao seu Evangelho... no meu serviço à Igreja».
L'Osservatore Romano

O Papa Francisco criou 19 cardeais – Jesus à nossa frente

No dia em que criou 19 cardeais – os primeiros do seu pontificado – Francisco manifestou de novo a sua preocupação pelas tragédias que continuam a mortificar populações inteiras no mundo, e voltou a pedir orações. Aos novos membros do Colégio cardinalício, recordando a missão que Cristo confiou aos seus discípulos – «caminhar após Ele» pela «senda da Cruz» – indicou as necessidades da Igreja nestes tempos de dor e sofrimento.

(Homilia na íntegra)
«Jesus caminhava à frente deles» (Mc 10, 32).

Também neste momento Jesus caminha à nossa frente. Ele está sempre à nossa frente. Precede-nos e abre-nos o caminho... E esta é a nossa confiança e a nossa alegria: ser seus discípulos, estar com Ele, caminhar atrás d’Ele, segui-Lo...

Quando eu e os Cardeais concelebrámos juntos a primeira santa Missa na Capela Sistina, «caminhar» foi a primeira palavra que o Senhor nos propôs: caminhar e, em seguida, construir e confessar.

Hoje volta aquela palavra, mas como um acto, como a acção de Jesus que continua: «Jesus caminhava…» Isto é uma coisa que impressiona nos Evangelhos: Jesus caminha muito e instrui os seus discípulos ao longo do caminho. Isto é importante. Jesus não veio para ensinar uma filosofia, uma ideologia... mas um «caminho», uma estrada que se deve percorrer com Ele; e aprende-se a estrada, percorrendo-a, caminhando. Sim, queridos Irmãos, esta é a nossa alegria: caminhar com Jesus.

E isso não é fácil, não é cómodo, porque a estrada que Jesus escolhe é o caminho da cruz. Enquanto estão a caminho, fala aos seus discípulos do que Lhe acontecerá em Jerusalém: preanuncia a sua paixão, morte e ressurreição. E eles ficam «surpreendidos» e «cheios de medo». Surpreendidos, sem dúvida, porque, para eles, subir a Jerusalém significava participar no triunfo do Messias, na sua vitória – como se vê em seguida pelo pedido de Tiago e João; e cheios de medo, por causa daquilo que Jesus haveria de sofrer e que se arriscavam a sofrer eles também.

Mas nós, ao contrário dos discípulos de então, sabemos que Jesus venceu e não deveríamos ter medo da Cruz; antes, é na Cruz que temos posta a nossa esperança. E, contudo, sendo também nós humanos, pecadores, estamos sujeitos à tentação de pensar à maneira dos homens e não de Deus.

E quando se pensa de maneira mundana, qual é a consequência? Diz o Evangelho: «Os outros dez indignaram-se com Tiago e João» (cf. Mc 10, 41). Indignaram-se. Se prevalece a mentalidade do mundo, sobrevêm as rivalidades, as invejas, as facções…

Assim, esta palavra que o Senhor nos dirige hoje, é muito salutar! Purifica-nos interiormente, ilumina as nossas consciências e ajuda a sintonizarmo-nos plenamente com Jesus; e a fazê-lo juntos, no momento em que aumenta o Colégio Cardinalício com a entrada de novos Membros.

Então «Jesus chamou-os...» (Mc 10, 42). Aqui temos o outro gesto do Senhor. Ao longo do caminho, dá-Se conta que há necessidade de falar aos Doze, pára e chama-os para junto de Si. Irmãos, deixemos que o Senhor Jesus nos chame para junto de Si! Deixemo-nos “con-vocar” por Ele. E ouçamo-Lo, com a alegria de acolhermos juntos a sua Palavra, de nos deixarmos instruir por ela e pelo Espírito Santo para, ao redor de Jesus, nos tornarmos cada vez mais um só coração e uma só alma.

E, enquanto nos encontramos assim convocados pelo nosso único Mestre, «chamados para junto d’Ele», digo-vos aquilo de que a Igreja precisa: precisa de vós, da vossa colaboração e, antes disso, da vossa comunhão comigo e entre vós. A Igreja precisa da vossa coragem, para anunciar o Evangelho a tempo e fora de tempo, e para dar testemunho da verdade. A Igreja precisa da vossa oração pelo bom caminho do rebanho de Cristo; a oração – não o esqueçamos! – que é, juntamente com o anúncio da Palavra, a primeira tarefa do Bispo. A Igreja precisa da vossa compaixão, sobretudo neste momento de tribulação e sofrimento em tantos países do mundo. Exprimamos juntos a nossa proximidade espiritual às comunidades eclesiais, e a todos os cristãos que sofrem discriminações e perseguições. Devemos lutar contra toda a discriminação! A Igreja precisa da nossa oração em favor deles, para que sejam fortes na fé e saibam reagir ao mal com o bem. E esta nossa oração estende-se a todo o homem e mulher que sofre injustiça por causa das suas convicções religiosas.

A Igreja precisa de nós também como homens de paz, precisa que façamos a paz com as nossas obras, os nossos desejos, as nossas orações. Fazer a paz! Artesãos da paz! Por isso invocamos a paz e a reconciliação para os povos que, nestes tempos, vivem provados pela violência, a exclusão e a guerra.

Obrigado, Irmãos muito amados! Obrigado! Caminhemos juntos atrás do Senhor e deixemo-nos cada vez mais convocar por Ele, no meio do povo fiel, do santo povo fiel de Deus, da Santa Mãe Igreja. Obrigado!
L'Osservatore Romano/Libreria Editrice Vaticana

Papa Francisco escreveu em seu twitter no dia da festa da Cátedra de São Pedro:

22/02/2014
Nunca percamos a esperança! Deus nos ama sempre, mesmo com os nossos erros e pecados.

Francisco: uma fé sem obras não é fé

Cidade do Vaticano, 21.fevereiro.2014 (RV) - “Uma fé que não dá fruto nas obras não é fé”: esta foi a afirmação com a qual o Papa Francisco iniciou sua homilia na Missa presidida esta manhã na Casa Santa Marta. O Papa ofereceu a celebração pelos 90 anos do Cardeal Silvano Piovanelli, Arcebispo emérito de Florença, agradecendo-lhe “pelo seu trabalho, seu testemunho e sua bondade”.

Em sua reflexão, o Pontífice recordou que o mundo é repleto de cristãos que recitam as palavras do Credo, mas não as colocam em prática. Ou de eruditos que catalogam a teologia numa série de possibilidades, sem que esta sabedoria tenha depois reflexos concretos na vida. É um risco para o qual S. Tiago já havia acenado dois mil anos atrás e que o Papa Francisco retomou na homilia, comentando o trecho da carta do Apóstolo. “A sua afirmação – observou – é clara: a fé que não dá fruto nas obras não é fé”.

Também nós erramos muitas vezes quanto a isto. Ouvimos pessoas que dizem: ‘Mas eu tenho tanta fé’, ‘eu acredito em tudo …’. E talvez esta pessoa que diz isso tenha uma vida morna, frágil. A sua fé é como uma teoria, mas não está viva em sua vida. O Apóstolo Tiago, quando fala de fé, fala justamente da doutrina, daquilo que é o conteúdo da fé. É possível conhecer todos os mandamentos, todas as profecias, todas as verdades de fé, mas se isso não é colocado em prática, não acaba em obras, não serve. Podemos recitar o Credo teoricamente, inclusive sem fé, e têm muitas pessoas que fazem assim. Também os demônios! Eles conhecem muito bem o que se diz no Credo e sabem que é Verdade.

No Evangelho – prosseguiu Francisco –, se encontram dois sinais reveladores de quem “sabe no que deve acreditar, mas não tem fé”. O primeiro sinal é a “casuística”, representado por aqueles que perguntavam a Jesus se era lícito pagar as taxas ou qual dos sete irmãos do marido deveria se casar com a mulher que ficou viúva. O segundo sinal é a “ideologia”.

(São) os cristãos que pensam a fé como um sistema de ideias, ideológico: existiam também no tempo de Jesus. O Apóstolo João os chama de anticristo, os ideólogos da fé, independente de sua proveniência. Naquele tempo havia os gnósticos, mas existirão muitos… E assim, esses que caem na casuística ou na ideologia são cristãos que conhecem a doutrina, mas sem fé, como os demônios. Com a diferença de que estes tremem, aqueles não: vivem tranquilos.

Pelo contrário, recordou o Papa, no Evangelho existem também exemplos de “pessoas que não conhecem a doutrina, mas têm muita fé”. O Pontífice citou três episódios, sendo um deles o da Samaritana, que abre o seu coração porque encontrou Jesus Cristo, e não verdades abstratas.

A fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e dali nasce e leva ao testemunho. É isso que o Apóstolo quer dizer: uma fé sem obras, que não envolva, que não leve ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais que palavras.

Tweet do Papa francisco:

21/02/2014
A Confirmação é importante para um cristão; dá-nos a força para defender a fé e difundir o Evangelho com coragem.

Papa: idosos não sofrem com a doença, mas com o abandono e a exclusão

Cidade do Vaticano (RV) – Os idosos são as primeiras vítimas de uma lógica econômica que exclui e, às vezes, mata: é o que escreve o Papa Francisco na mensagem à Pontifícia Academia para a Vida, por ocasião dos seus 20 anos de atividade.

A mensagem, endereçada ao Presidente da Academia, Mons. Carrasco de Paula, recorda seu idealizador, o Beato João Paulo II, que instituiu o organismo com o Motu proprio “Vitae mysterium”. Como especificado neste documento, sua missão é mostrar aos homens de boa vontade que ciência e técnica contribuem ao bem comum se colocadas a serviço da pessoa humana e de seus direitos.

A seguir, o Pontífice comenta o tema da Assembleia em andamento nesses dias no Vaticano: “Envelhecimento e deficiência”.

“Com efeito, nas nossas sociedades se constata o domínio tirânico de uma lógica econômica que exclui e, às vezes, mata, da qual hoje muitas são as vítimas, a começar pelos nossos idosos”, escreve Francisco.

Citando sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, o Papa recorda que a cultura do descartável não somente explora e oprime, mas produz outro fenômeno: a exclusão. Os excluídos não são “explorados”, mas são “resíduos”, sobras. A situação sociodemográfica do envelhecimento revela claramente esta exclusão da pessoa idosa, principalmente se doente, deficiente ou vulnerável. “Com frequência, se esquece que as relações entre os homens são de dependência recíproca, que se manifesta em diferentes graus durante a vida e emerge de maneira mais evidente em situações de doença, deficiência e de sofrimento em geral.

Para o Pontífice, na base das discriminações e das exclusões há uma questão antropológica, do valor do homem e no que se baseia este valor – e a saúde não pode ser considerada um critério. “A falta de saúde ou a deficiência jamais são boas razões para excluir, ou pior, para eliminar uma pessoa; e a privação mais grave que os idosos sofrem não é o enfraquecimento do organismo e suas consequências, mas o abandono, a exclusão e a falta de amor.”

Francisco aponta a família como mestra de acolhimento e solidariedade, porque é em seu seio que se aprende a não cair no individualismo e a equilibrar as relações sociais. “O testemunho da família se torna crucial diante de toda a sociedade em reconfirmar a importância do idoso como sujeito de uma comunidade, que tem sua missão a cumprir”, afirma ainda o Papa, recordando que os anciãos são também “esperança dos povos”, contribuindo com sua memória e a sabedoria da experiência. E conclui:

“Queridos amigos, abençoo o trabalho da Academia para a Vida, muitas vezes difícil porque requer ir contracorrente, sempre precioso porque atento a conjugar rigor científico e respeito pela pessoa humana.”

Papa: "Seguir Jesus para conhecê-Lo"

Cidade do Vaticano (RV) – “É sendo discípulo e não estudioso, que se conhece Jesus”, disse na manhã dessa quinta-feira, 20, o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta. “Todo dia – explicou – Cristo nos pergunta quem Ele é para nós, mas podemos responder somente seguindo-O”.

“Para responder a esta pergunta, que todos sentimos em nosso coração, – ‘Quem é Jesus para nós’ – não é suficiente o que aprendemos no catecismo. É importante, sim, estudá-lo, mas não é suficiente. Para conhecer Jesus, é necessário fazer o caminho feito por Pedro: depois da humilhação, Pedro continuou com Jesus, viu seus milagres, viu seu poder; pagou os impostos como lhe disse Jesus, pescou um peixe, pegou-lhe a moeda da boca, viu muitos milagres como este. Mas a um certo ponto, Pedro renegou Jesus, o traiu e aprendeu a difícil ciência – a sabedoria – das lágrimas, do pranto”.

Pedro pede perdão a Jesus e não obstante isso, depois da Ressurreição, é questionado três vezes a propósito de seu amor, às margens do Lago Tiberíades.

“A primeira pergunta: ‘Quem sou eu para você?’ pode ser entendida somente depois de um longo caminho, de graça e de pecado – um caminho como discípulo. A seus Apóstolos e a Pedro, Jesus não disse ‘Conheçam-me!’, mas ‘Sigam-me!’. É este ‘seguir’ que nos faz conhecer Jesus; com nossas virtudes, com nossos pecados, mas segui-Lo sempre”.

“É necessário – insistiu Francisco – um encontro cotidiano com o Senhor, todos os dias, com nossas vitórias e nossas fraquezas”. Mas – acrescentou – “é um caminho que não podemos percorrer sozinhos. Precisamos da ação do Espírito Santo”.

“Conhecer Jesus é um dom do Pai; é Ele que nos faz conhecer Jesus; é um trabalho do Espírito Santo, que é um grande trabalhador. Não é um sindicalista, ele explica o mistério de Jesus e nos dá o sentido de Cristo. Olhemos Jesus, Pedro e os Apóstolos, e ponhamos em nosso coração esta pergunta: Quem sou eu para você? E como discípulos, peçamos ao Pai que nos faça conhecer Cristo no Espírito Santo, que nos explique este mistério”.

O Papa Francisco twittou hoje:

20/02/2014
Senhor Jesus, tornai-nos capazes de amar como Vós.

Papa Francisco: A riqueza e a propriedade são boas quando ajudam os outros
O papa escreve o prefácio do livro "Pobre e para os pobres: a missão da Igreja", escrito pelo cardeal Müller

Roma, 19 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org)

O papa Francisco escreveu o prefácio do livro “Povera per i poveri. La missione della Chiesa” [Pobre e para os pobres: a missão da Igreja], do cardeal Gerhard Müller, que será apresentado na próxima terça-feira. No prólogo, o Santo Padre fala sobre a pobreza não somente econômica, mas também social e moral, e nos convida a usar os bens não apenas para a satisfação das nossas próprias necessidades, mas também para ajudar as outras pessoas a “produzir frutos”. O papa afirma que a pobreza pode ser entendida como um recurso quando nos leva à solidariedade, a ponto de Jesus tê-la transformado em uma bem-aventurança.


“O dinheiro é um instrumento que, de alguma forma, como a propriedade, prolonga e aumenta a capacidade da liberdade humana”. Por isso, ele permite “agir no mundo, atuar e gerar fruto”. Mas o dinheiro é também um meio que afasta o homem do homem, encerrando-o num horizonte egoísta. O prefácio do livro do cardeal Müller foi publicado hoje pelo principal jornal italiano, o Corriere della Sera.

O Santo Padre cita, no prefácio, uma palavra aramaica que Jesus usa no evangelho, “mammona”, ou seja, “tesouro escondido”, e recorda que os bens “mantidos só para nós mesmos, escondidos dos outros, produzem iniquidade”. Ele cita ainda o termo grego usado por São Paulo, “arpagmos”, como um bem “guardado zelosamente para si mesmo, ou pior, como fruto do que foi roubado de outros”.

O papa também ressalta que a palavra “pobreza”, no mundo ocidental, é reduzida simplesmente a sinônimo de “mal-estar”, relacionando-se com a falta de poder econômico, o que significa irrelevância de poder político, social e humano, a ponto de que “aquele que não possui dinheiro só é levado em consideração na medida em que pode servir para outras finalidades”.

Isto ocorre quando o homem, “tendo perdido a esperança no transcendente”, “perde também a alegria da gratuidade”, de “fazer o bem pela simples beleza de fazer o bem”.

Francisco destaca que “a tarefa dos cristãos é redescobrir, viver e anunciar a todos esta preciosa e original unidade entre o ganho e a solidariedade”, e sublinha que, quanto mais o mundo contemporâneo descobrir esta verdade, mais se resolverão tantos problemas econômicos existentes hoje.

Nesta panorâmica, Bergoglio precisa que “não existem somente as pobrezas relacionadas com a economia. Jesus mesmo nos lembra, como advertência, que a nossa vida não depende apenas dos nossos bens”.

O Santo Padre fala da necessidade de solidariedade que todos experimentamos desde crianças. Primeiro, das atenções e cuidados dos pais; depois, em cada etapa da vida, sentimos a necessidade da ajuda de alguém, porque ninguém “conseguirá nunca afastar de si o limite da impotência diante de algo ou de alguém”.

Nesta ótica, a pobreza não deve ser sentida como uma limitação, mas como um recurso, já que o que é dado se transforma em um dom que é vantajoso para todos. E “esta é a luz positiva com que o evangelho nos convida a olhar para a pobreza” e o “porquê de Jesus a ter transformado em uma bem-aventurança”.

Um santo orgulho
                                                        
Dom Fernando Arêas Rifan*

Diante dos ataques contra a Igreja por causa da fraqueza humana e queda de seus membros, especialmente nos EE UU, cito trechos do discurso de Samuel H. Miller, grande empresário judeu de Cleveland, Ohio, proferido no City Club dessa cidade. “Talvez seja mais fácil para mim dizê-lo, porque não sou católico!”, disse, indignado por essa sede de vingança e preconceito contra “uma das mais importantes instituições da Humanidade, a Igreja Católica”.
     
“Poucos conhecem e menos ainda se divulga, que só nos Estados Unidos, a Igreja Católica educa 2.6 milhões de estudantes, o que lhe custa mais de dez milhões de dólares por ano, soma que o Estado economiza. Na Espanha, 5.141 centros católicos de ensino formam cerca de um milhão de alunos, aforrando ao Estado mais de três milhões de euros por ano!”

        
“A lista dos 100 hospitais mais cotados dos Estados Unidos não só é encabeçada pelo Saint Joseph’s Hospital and Medical Center de Phoenix, Arizona, entidade que tem prestado os seus serviços por mais de 115 anos contínuos, como 28 dos outros hospitais selecionados são também operados pela Igreja Católica. Nos Estados Unidos há mais de 260 centros médicos católicos, na Espanha 107 hospitais católicos, além dos 1.004 centros, entre ambulatórios, dispensários, asilos, centros de inválidos, de passantes e de doentes terminais de AIDS, com mais de 51.300 leitos. Há 365 centros de reeducação permanente para marginais sociais, ex-prostitutas, ex-presidiários e ex-toxicômanos, umas 53.100 pessoas. Isso, sem falar dos 937 orfanatos espanhóis que albergam 10.835 crianças abandonadas. No total, a Igreja Católica administra e serve 26 por cento dos centros hospitalares e de ajuda sanitária que existem em todo o mundo! E quase todos os que trabalham ou colaboram com as obras de caridade católicas, trabalham pelos outros sem pedir nada para si. Além disso, quanto custa manter para a Humanidade tantas e tão monumentais obras históricas e artísticas da cristandade?”

       
“Enquanto 1,7% do clero católico foi encontrado culpado de pedofilia, 10% dos ministros protestantes foram assinalados pela mesma conduta. Não é que o mal dos outros seja um consolo ou uma desculpa, mas este NÃO é um problema exclusivo dos católicos. A agonia que os católicos sentiram e sofreram não é necessariamente culpa da Igreja como um todo. Vós fostes atingidos por um muito pequeno número de sacerdotes desviados, que numa boa parte foram já suspensos e outros o serão a seguir. Um estudo acerca dos sacerdotes americanos mostrou que a maioria se encontra feliz no seu sacerdócio; e a maioria, se lhes apresentassem uma alternativa, voltaria a escolher o sacerdócio apesar dos ataques que a Igreja tem recebido”.

       
“A vossa religião ofereceu consolo e fortaleza a milhares de milhões de pessoas em todo o planeta, dando-lhes assim uma razão para seguir em frente quando já tudo parecia perdido”.

       
“Caminhem, pois, com os ombros erguidos e a vossa cabeça levantada. Defendam a vossa FÉ com orgulho e reverência, e dimensionem muito o que a vossa religião fez e continua a fazer por todas as outras religiões do mundo! Sintam-se orgulhosos de ser Católicos”.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Audiência: "Não ter medo da Confissão".

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Através dos Sacramentos da iniciação cristã, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, o homem recebe a vida nova em Cristo. Agora, todos sabemos disso, nós levamos essa vida “em vasos de barro” (2 Cor 4, 7), ainda estamos sujeitos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado, podemos até mesmo perder a nova vida. Por isto o Senhor Jesus quis que a Igreja continuasse a sua obra de salvação também através dos próprios membros, em particular o Sacramento da reconciliação e aquele da Unção dos enfermos, que podem ser unidos sob o nome de “Sacramentos da cura”. O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando eu vou confessar-me é para curar-me, curar a minha alma, curar o coração e algo que fiz e não foi bom. O ícone bíblico que o exprime melhor, em sua profunda ligação, é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela ao mesmo tempo médico das almas e dos corpos (cfr Mc 2,1-12 // Mt 9,1-8; Lc 5,17-26).

1. O Sacramento da Penitência e da Reconciliação surge diretamente do mistério pascal. De fato, na própria noite de Páscoa, o Senhor aparece aos discípulos, fechados no cenáculo, e depois de ter dirigido a eles a saudação “A paz esteja convosco”, soprou sobre eles e disse: “Recebeis o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,21-23). Esta passagem nos revela a dinâmica mais profunda que está contida neste Sacramento. Antes de tudo, o fato de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar a nós mesmos. Eu não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão se pede, se pede a uma outra pessoa e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas é um presente, é um dom do Espírito Santo, que nos enche com a misericórdia e a graça que surge incessantemente do coração aberto de Cristo crucificado e ressuscitado. Em segundo lugar, recorda-nos que somente se nos deixamos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos podemos estar verdadeiramente na paz. E todos sentimos isso no coração quando vamos confessar-nos, com um peso na alma, um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus estamos em paz, com aquela paz da alma tão bela que somente Jesus pode dar, somente Ele.

2. No tempo, a celebração deste Sacramento passou de uma forma pública – porque no início se fazia publicamente – àquela pessoal, à forma reservada da Confissão. Isto, porém, não deve fazer perder a matriz eclesial, que constitui o contexto vital. De fato, é a comunidade cristã o lugar no qual se torna presente o Espírito, o qual renova os corações no amor de Deus e faz de todos os irmãos uma só coisa, em Cristo Jesus. Eis então porque não basta pedir perdão ao Senhor na própria mente e no próprio coração, mas é necessário confessar humildemente e com confiança os próprios pecados ao ministro da Igreja. Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não representa somente Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade de cada um de seus membros, que escuta comovida o seu arrependimento, que se reconcilia com ele, que o encoraja e o acompanha no caminho de conversão e amadurecimento cristão. Alguém pode dizer: eu me confesso somente com Deus. Sim, você pode dizer a Deus “perdoa-me”, e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isto é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. “Mas, padre, eu me envergonho…”. Também a vergonha é boa, é saudável ter um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é saudável. Quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos que é um “sem vergonha”: um “sin verguenza”. Mas também a vergonha faz bem, porque nos faz mais humildes e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão e em nome de Deus perdoa. Também do ponto de vista humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que são tão pesadas no meu coração. E alguém sente que desabafa diante de Deus, com a Igreja, com o irmão. Não ter medo da Confissão! Alguém, quando está na fila para confessar-se, sente todas estas coisas, também a vergonha, mas depois quando termina a Confissão sai livre, grande, belo, perdoado, purificado, feliz. É este o bonito da Confissão! Eu gostaria de perguntar-vos – mas não digam em voz alta, cada um responda no seu coração – quando foi a última vez que você se confessou? Cada um pense… São dois dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga a si mesmo: quando foi a última vez que eu me confessei? E se passou tanto tempo, não perder um dia a mais, vá, que o sacerdote será bom. É Jesus ali, e Jesus é o melhor dos sacerdotes, Jesus te recebe, recebe-te com tanto amor. Seja corajoso e vá à Confissão!

3. Queridos amigos, celebrar o Sacramento da Reconciliação significa ser envolvido em um abraço caloroso: é o abraço da infinita misericórdia do Pai. Recordemos aquela bela, bela parábola do filho que foi embora de sua casa com o seu dinheiro da herança; gastou todo o dinheiro e depois quando não tinha mais nada decidiu voltar pra casa, não como filho, mas como servo. Tanta culpa tinha em seu coração e tanta vergonha. A surpresa foi que quando começou a falar, a pedir perdão, o pai não o deixou falar, abraçou-o, beijou-o e fez festa. Mas eu vos digo: toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça, Deus faz festa! Vamos adiante neste caminho. Que Deus vos abençoe!

Francisco recebeu na Casa Santa Marta um grupo de detentos: "Esta é a vossa casa"

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta quarta-feira (19.fevereiro.2014), antes de dirigir-se à Praça São Pedro para a Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu na Casa Santa Marta, no Vaticano, um grupo de 19 detentos dos Cárceres de Pisa e de Pianosa. “Esta é a vossa casa”, disse o Papa aos visitantes.

Os detentos realizavam uma peregrinação a Roma, no âmbito de um caminho espiritual, acompanhados pelos capelães Pe. Roberto Filippini e Pe. Luigi Gabriellini. O grupo participou da Missa celebrada nas Grutas Vaticanas às 7h15min, presidida pelo Arcebispo Dom Lorenzo Baldisseri.

Informado das suas presenças, o Pontífice manifestou desejo de encontrá-los pessoalmente, acolhendo-os então às 9 horas, na sua residência, a Casa Santa Marta, por 45 minutos. O Pontífice rezou com, e por eles, e os abençoou diante da imagem de “Nossa Senhora Desatadora dos Nós”.
A responsável pela área educativa do Cárcere Dom Bosco, de Pisa, Liberata Di Lorenzo, disse que o Papa lhes contou “a história de Nossa Senhora Desatadora dos Nós e diante daquela imagem, muito evocativa em função da situação, tiramos uma fotografia juntos”. “Um dos detentos – continuou Di Lorenzo – estava literalmente paralisado de medo e emoção, não tinha nem mesmo a coragem de aproximar-se, pois não se julgava à altura daquele encontro”. “Ele me disse – concluiu Di Lorenzo – que na sua vida nunca teve medo em situações muito perigosas e difíceis, mas estava agora, e me pediu para acompanhá-lo na saudação ao Papa, pois não tinha força de fazê-lo sozinho”.

O Arcebispo Baldisseri definiu o encontro como “belíssimo, comovente”. "O Papa – disse o prelado – quis saudar e abençoar um a um. Os encorajou muito. O seu foi um sinal de grande paternidade em relação às pessoas empenhadas em um percurso espiritual”.

Os detentos de Pisano que encontraram o Papa participam dos encontros de catequese promovidos no Instituto Dom Bosco. A delegação de Pisa era formada por 8 detentos, 7 homens e uma mulher, a única entre os 19 reclusos. Entre os detentos de Pianosa, por sua vez, estavam também latino-americanos.

Conselho dos Cardeais reunido com o Papa. As informações de Padre Lombardi, também sobre o Consistório de quinta e sexta

Decorre desde esta segunda-feira, dia 17, no Vaticano, prolongando-se até amanhã, quarta, a terceira reunião do Papa Francisco com o "Conselho de cardeais" criado em abril do ano passado para o ajudar no governo universal da Igreja e para estudar um projeto de revisão da Cúria Romana. A ilustrar os trabalhos, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, teve ontem um encontro com os jornalistas, que referiu que o encontro dos oito Cardeais conselheiros conta desta vez com a participação do Secretário de Estado, don Parolin, proximamente cardeal.

"Os purpurados concelebraram com o Papa, às 7h da manhã, como fazem habitualmente quando estão aqui em Roma; e depois começaram suas reuniões numa sala adjacente à capela da Casa Santa Marta.

Nesta segunda-feira de manhã – informou o porta-voz do Vaticano – tiveram lugar as audições dos representantes da Comissão referente de estudo e orientação sobre a organização da estrutura económico-administrativa da Santa Sé" (COSEA). Estavam presentes três representantes da Comissão: o presidente, Dr. Zahra; o secretário, Mons. Valejo Balda; e o alemão Jochen Messemer, que é também revisor internacional da Prefeitura dos Assuntos Económicos". Apresentaram o trabalho realizado pela Comissão nestes 7-8 meses de atividade. Fornecendo já, provavelmente, já algumas conclusões, ideias ou propostas possíveis”. O Conselho dos cardeais examinará as conclusões e propostas avançadas em ordem à decisão que o Santo Padre deverá tomar.

Nesta terça-feira de manhã – sempre segundo Padre Lombardi – previa-se a audição da outra Comissão sobre questões financeiras - a Comissão sobre o IOR (Instituto para Obras de Religião, normalmente designado Banco do Vaticano). Para a tarde de quarta-feira está previsto um encontro também com os cardeais membros do chamado “Conselho dos Quinze”, que supervisiona a administração financeira da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

Padre Lombardi recordou também que na quinta-feira, dia 20, às 9.30, tem início o Consistório extraordinário, reunião para a qual são convocados todos os cardeais. Essa reunião, de dois dias, terá lugar, como no passado, na Sala Nova do Sínodo. Após a saudação do Cardeal Decano, Angelo Sodano, ao Papa, em nome dos purpurados, e de uma saudação deste a todos os presentes, o cardeal Walter Kasper pronunciará uma conferência introdutória sobre “O Evangelho da família”. O tema indicado pelo Papa para este Consistório dos Cardeais é a família, também em vista da assembleia do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em outubro. Seguir-se-ão as intervenções livres dos cardeais, que se prolongarão até sexta de tarde, em duas sessões diárias: 9h30 às 12h30 e das 16h30 às 19h.
Radio Vaticano

As tentações matam. A Palavra de Jesus é que nos salva – o Papa em Santa Marta

Resistir à sedução das tentações é possível só quando se escuta a Palavra de Jesus – esta a principal mensagem do Papa Francisco na Missa em Santa Marta nesta terça-feira, 18.fevereiro.2014. Partindo daquilo que diz S. Tiago na liturgia de hoje ao afirmar: “Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém”, o Santo Padre deixou claro que as tentações nunca vêm de Deus mas das nossas paixões e debilidades.

“A tentação, de onde vem? Como age dentro de nós? O apóstolo diz-nos que não vem de Deus, mas das nossas paixões, das nossas debilidades interiores, das feridas que deixou em nós o pecado original: dali vêm as tentações, das nossas paixões. É curioso, a tentação tem três caraterísticas: cresce, contagia e justifica-se.

Inicialmente a tentação «começa com um ar tranquilizador»?, mas «depois aumenta. O próprio Jesus o dizia quando contou a parábola do trigo e do joio (Mt 13, 24-30). O grão crescia, mas crescia também o joio semeado pelo inimigo. E assim também a tentação, cresce, cresce, cresce. E se não a bloqueamos, invade tudo». Depois vem o contágio. A tentação «cresce mas não gosta da solidão»; portanto «procura companhia, contagia outro e assim acumula pessoas». Outro aspecto é a justificação, porque nós homens «para estarmos tranquilos justificamo-nos».

A este propósito o Pontífice observou que a tentação se justifica desde sempre, «desde o pecado original», quando Adão dá a culpa a Eva por o ter convencido a comer o fruto proibido. E neste seu crescer, contagiar e justificar-se, ela «fecha-se numa ambiente do qual não se pode sair com facilidade». «Quando caímos em tentação não ouvimos a palavra de Deus.
S. Marcos relata-nos no Evangelho do dia a experiência dos Apóstolos que se culpavam uns aos outros por só terem um pão a bordo do barco. Jesus intervém e explica-lhes que devem confiar na sua Palavra , recordando-lhes o que tinha já acontecido no passado na multiplicação dos pães. Mas, eles continuavam mais tentados em não parar para pensar e acolher a Palavra de Jesus. “E assim, quando nós estamos em tentação, não ouvimos a Palavra de Deus: não ouvimos. Não percebemos. E Jesus teve que recordar a multiplicação dos pães para fazê-los sair daquele ambiente, porque a tentação fecha-nos, tira-nos a capacidade de ver largo, fecha-nos cada horizonte e, assim, leva-nos ao pecado. Quando nós estamos em tentação, apenas a Palavra de Deus, a Palavra de Jesus nos salva. Ouvir aquela Palavra que nos abre o horizonte... Ele sempre está disposto a ensinar-nos como sair das tentações. E Jesus é grande porque não só nos faz sair das tentações, mas dá-nos mais confiança.

Esta confiança que nos dá o Senhor – concluiu o Papa Francisco - abre-nos sempre horizontes, ao contrário das tentações que nos fazem viver em ambiente fechado. «Não nos deixemos aprisionar pela tentação» foi a exortação do bispo de Roma. Do círculo no qual a tentação nos fecha «só se sai ouvindo a Palavra de Jesus», recordou o bispo de Roma, concluindo: Peçamos ao Senhor que nos diga sempre, como fez com os discípulos, quando caímos em tentação: Pára. Fica tranquilo. Ergue os olhos, olha para o horizonte, não te feches, vai em frente. Esta palavra salvar-nos-á de cair no pecado no momento da tentação».
Radio Vaticano/L'Osservatore Romano

Tweet do Santo Padre:

18/02/2014
Aprendamos de Jesus a rezar, a perdoar, a semear paz, a estar junto de quem precisa.


Cardeais do "C8" iniciam reuniões no Vaticano

Cidade do Vaticano (RV) - A partir desta segunda-feira, 17.fevereiro.2014, tem início a terceira reunião do Conselho de Cardeais, o chamado “C8”, o grupo dos oito cardeais nomeados pelo Papa Francisco para propor reformas da Cúria Romana.

"Está sendo um trabalho sério, de pesquisa, por isso é preciso ter paciência. Trata-se de um trabalho que trará frutos, mas esta sociedade acelerada tem que ter paciência. As coisas do Senhor levam tempo”: foi o que afirmou o Card. Óscar Rodríguez Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, que é o coordenador do grupo.

Em declarações ao canal italiano Tgcom24, o Cardeal hondurenho afirmou que “o Papa vive de acordo com as palavras do Novo Testamento. Portanto, devemos trabalhar com discernimento. Isso significa que é necessário ouvir, rezar, dialogar e, depois, decidir. Nós estamos neste processo”.

Card. Maradiaga informou que durante as sessões do encontro, que serão realizadas até quarta-feira, serão ouvidas as comissões que se ocuparam do Ior (Instituto para Obras de Religião) e dos dicastérios econômicos da Santa Sé, que apresentarão seus resultados.

O Conselho decidiu se reunir nesses dias por ocasião do Consistório, que será realizado no próximo final de semana e trará a Roma inúmeros cardeais. Além do encontro do C8, haverá ainda uma reunião com todos os purpurados nos dias 20 e 21 (quinta e sexta), no Vaticano, para refletir sobre o tema da família, em vista do Sínodo Extraordinário programado para outubro.

Já na próxima segunda-feira, dia 24, está sendo analisada a possibilidade de os cardeais membros do “Conselho dos 15” se reunirem para analisar problemas econômicos e organizativos da Santa Sé.

Francisco: "A paciência do povo de Deus leva a Igreja avante"

Cidade do Vaticano (RV) – A paciência do povo de Deus foi o tema da homilia do Papa Francisco, na missa presidida esta manhã, 17.fevereiro.2014, na Casa Santa Marta.

“A paciência não é resignação, é outra coisa”: disse o Pontífice, comentando a Carta de S. Tiago onde diz: “Tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações”.

“Parece um convite a ser um faquir, mas não é assim”, observou Francisco. A paciência, saber suportar as provações, “as coisas que não queremos”, faz “amadurecer a nossa vida”. Quem não tem paciência quer tudo imediatamente, rápido. Quem não conhece a sabedoria da paciência é um pessoa manhosa, como as crianças que fazem manhas” e nada vai bem. “A pessoa que não tem paciência é uma pessoa que não cresce, que permanece nos caprichos de criança, que não sabe lidar com a vida: ou isso ou nada. Esta é uma das tentações: se tornar manhoso”. “Outra tentação dos que não têm paciência – afirmou o Papa – é a onipotência de querer uma coisa já, como acontece aos fariseus que pedem a Jesus um sinal do céu: “Eles queriam um espetáculo, um milagre”.

Confundem o modo de agir de Deus com o modo de agir de um bruxo. E Deus não age como um bruxo, mas com o seu modo de ir avante. A paciência de Deus. Ele também tem paciência. Toda vez que nós vivemos o sacramento da reconciliação, cantamos um hino à paciência de Deus! Mas com quanta paciência o Senhor nos carrega sobre seus ombros! A vida cristã deve desenrolar-se nesta música da paciência, porque foi justamente a música dos nossos pais, do povo de Deus, dos que acreditaram na Palavra Dele, que seguiram o mandamento que o Senhor deu ao nosso pai Abraão: ‘caminha na minha presença e sê irrepreensível’.

O povo de Deus – afirmou ainda o Papa Francisco citando a Carta aos Hebreus – “sofreu muito, foram perseguidos, mortos”, mas teve “a alegria de vislumbrar as promessas” de Deus. “Esta é a paciência” que “nós devemos ter nas provações: a paciência de uma pessoa adulta, a paciência de Deus” que nos carrega sobre seus ombros. E esta – prosseguiu – é “a paciência do nosso povo”.

Como o nosso povo é paciente! Ainda hoje! Quando vamos às paróquias e encontramos as pessoas que sofrem, que têm problemas, que têm um filho com deficiência ou têm uma doença, mas levam avante a vida com paciência. Não pedem sinais, como esses do Evangelho, que queriam um sinal. Não, não pedem, mas sabem ler os sinais dos tempos: sabem que quando o figo germina, chega a primavera; sabem distinguir isso. Ao invés, esses impacientes do Evangelho de hoje, que queriam um sinal, não sabiam ler os sinais dos tempos, e por isso não reconheceram Jesus.

O Papa concluiu sua homilia louvando as “pessoas do nosso povo, gente que sofre, que sofre tantas coisas, mas não perde o sorriso da fé, que tem a alegria da fé”.

E essa gente, o nosso povo, nas nossas paróquias, nas nossas instituições, é quem leva avante a Igreja, com a sua santidade, de todos os dias, de cada dia. ‘Irmãos, tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança; mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência’ (Tg 1, 2-4). Que o Senhor nos dê a todos nós a paciência, a paciência alegre, a paciência do trabalho, da paz, nos dê a paciência de Deus, aquela que Ele tem, e nos dê a paciência do nosso povo fiel, que é tão exemplar”.
Caloroso acolhimento na visita do Papa à paróquia do Apóstolo São Tomé

“Pautar pela verdade e sinceridade as relações com o próximo”: pediu o Papa Francisco, neste domingo à tarde, 16.fevereiro.2014, na Missa celebrada na paróquia do Apóstolo São Tomé, na zona sul de Roma. Caloroso o acolhimento que lhe foi reservado da parte de toda a comunidade e do pároco, padre Antonio D’Errico.

A primeira saudação, reservou-a o Papa às crianças, propondo-lhes uma receita infalível para iniciar um fecundo caminho de fé: “Vou dizer-vos um segredo para amar Jesus. Escutai bem: para amar Jesus, é preciso deixar-se amar por Ele. Percebestes? É Ele que faz o trabalho, não somos nós. É Ele o primeiro a amar-nos!”

Seguiu-se o encotnro com os batizados nos últimos meses e respectivos pais e padrinhos, e com os idosos, os doentes, os padres e a Associação das famílias, com os filhos deficientes. Finalmente, ainda antes da missa, o Santo Padre confessou alguns penitentes. E a celebração eucarística decorreu num clima de intenso recolhimento.

Na homilia, improvisada, o Papa Francisco, partindo do Evangelho dominical, sublinhou que as relações interpessoais, sobretudo no ambiente restrito do bairro se devem inspirar no critério da sinceridade e da verdade, uma verdade que vem diretamente do nosso coração.

(homilia na íntegra)
"Uma vez, os discípulos de Jesus estavam a comer trigo, porque tinham fome; no entanto, era sábado, e no sábado era proibido comer trigo. Pegavam nos grãos e faziam assim [esfrega as mãos]; depois, comiam o trigo. E [os fariseus] diziam: «Mas olha o que eles estão a fazer! Quem faz isto vai contra a lei e mancha a alma, porque deixa de cumprir a lei!». E Jesus respondeu: «Não mancha a alma aquilo que nós pegamos de fora. O que mancha a alma provém de dentro, do teu coração!». E julgo que hoje nos fará bem pensar não tanto se a minha alma é pura ou impura, mas pensar naquilo que se encontra no meu coração, o que conservo dentro de mim, aquilo que só eu e ninguém mais sabe que existe. Devemos dizer a verdade a nós mesmos: e isto não é fácil! Porque sempre procuramos esconder-nos, quando sentimos que algo não está bem dentro de nós, não? Para que isto não saia, não? O que se esconde no nosso coração: o amor? Pensemos: amo os meus pais, os meus filhos, a minha esposa, o meu marido, a gente do bairro, os doentes? ... amo? Há ódio? Odeio alguém? Pois muitas vezes descobrimos que há ódio, não? «Amo todos, excepto este, aquele, aquela!». Isto é ódio, não? O que se esconde no meu coração, o perdão? Há uma atitude de perdão em relação àqueles que me ofenderam, ou então uma atitude de vingança — «vais pagar-me por isso!». Devemos perguntar-nos o que temos dentro de nós, porque aquilo que está dentro sairá e fará mal, se for mal; e se for bom, sairá e fará bem. E é muito bonito dizer a verdade a nós mesmos, envergonhar-nos quando nos encontramos numa situação que não é como aquela que Deus quer, que não é boa; quando o meu coração se encontra numa situação de ódio, de vingança, de muitas situações pecaminosas. Como está o meu coração?...

Hoje Jesus dizia, por exemplo — só citarei um exemplo: «Ouvistes que aos antigos foi dito: “Não matarás!”. Mas Eu digo-vos, quem se ira contra o seu próprio irmão, mata-o no seu coração!». E quem quer que insulte o seu irmão, mata-o no seu coração; quem quer que odeie o seu irmão, mata-o no seu coração; quem quer que fale mal do seu irmão, mata-o no seu coração. Talvez não nos demos conta disto, e depois falamos, «mandamos» a um e ao outro, maldizemos este e aquele... E isto significa matar o irmão. Por isso, é importante saber o que temos dentro de nós, o que acontece no nosso coração. Se alguém entende o seu irmão, as pessoas, ama porque perdoa: compreende, perdoa, é paciente... Trata-se de amor ou de ódio? Devemos distinguir bem isto. E pedir ao Senhor duas graças. A primeira: saber o que se esconde no meu coração, para não errar, para não viver enganado. A segunda graça: fazer o bem que se encontra no nosso coração, e não o mal que ali se esconde. E a propósito de «matar», recordemo-nos que as palavras matam. Também os desejos negativos contra o próximo matam. Muitas vezes, quando ouvimos as pessoas falar mal dos outros, parece que o pecado da calúnia e o pecado da difamação foram eliminados do decálogo, mas falar mal de uma pessoa é pecado. E por que motivo falo mal de alguém? Porque no meu coração se escondem o ódio, a antipatia, e não o amor. Devemos pedir sempre esta graça: saber o que acontece dentro do meu coração, para fazer sempre a escolha recta, a escolha do bem. E que o Senhor nos ajude a amar-nos uns aos outros. E se eu não consigo gostar de uma pessoa, por que motivo não posso? Devo rezar por aquela pessoa, para que o Senhor me leve a gostar dela. E assim ir em frente, recordando que quanto mancha a nossa vida é aquilo que de negativo sai do nosso coração. E que o Senhor nos ajude!"

No final da Missa, o pároco saudou e agradeceu ao Papa a sua visita. Esta paróquia do Apóstolo São Tomé foi a quarta paróquia de Roma visitada pelo Papa Francisco. Uma comunidade paroquial que surgiu há 50 anos e que hoje em dia conta umas 25 mil pessoas. Há um ano, teve lugar a dedicação da igreja paroquial.
Radio Vaticano
/Libreria Editrice Vaticana

Tweet do Papa Francisco desta segunda-feira:


17/02/2014
Queridos doentes, não percais a esperança, mesmo nos momentos mais duros do sofrimento. Cristo está junto de vós.

"Nada de murmurações, de mexericos!" - pediu o Papa ao meio dia, comentando o Evangelho

ANGELUS
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 16 de fevereiro de 2014

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs,

O Evangelho deste domingo faz parte ainda do chamado “sermão da montanha”, a primeira grande pregação e Jesus. Hoje o tema é a atitude de Jesus com relação à Lei judaica. Ele afirma: “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição” (Mt 5, 17). Jesus, então, não quer cancelar os mandamentos que o Senhor deu por meio de Moisés, mas quer levá-los à sua plenitude. E logo depois acrescenta que este “cumprimento” da Lei requer uma justiça superior, uma observância mais autêntica. Diz de fato aos seus discípulos: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5,20).

Mas o que significa este “pleno cumprimento” da Lei? E esta justiça superior em que consiste? O próprio Jesus nos responde com alguns exemplos. Jesus era prático, falava sempre com os exemplos para se fazer entender. Começa pelo quinto mandamento do decálogo: “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo” (vv. 21-22). Com isto, Jesus nos recorda que também as palavras podem matar! Quando se diz que uma pessoa tem língua de serpente, o que quer dizer? Que as suas palavras matam! Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas também não lançar sobre ele o veneno da ira e atingi-lo com a calúnia. Nem falar mal dele. Chegamos às fofocas: as fofocas podem matar, porque matam a fama das pessoas! É tão bruto fofocar! No começo pode parecer uma coisa agradável, até divertida, como chupar uma bala. Mas no fim enche o coração de amargura e envenena também nós. Digo-vos a verdade, estou convencido de que se cada um de nós fizesse o propósito de evitar as fofocas, no fim se tornaria santo! É um belo caminho! Queremos nos tornar santos? Sim ou não? [Praça: Sim!] Queremos viver atrelados às fofocas como hábitos? Sim ou não? [Praça: Não!] Então estamos de acordo: nada de fofocas! Jesus propõe a quem O segue a perfeição do amor: um amor cuja única medida é não ter medida, ir além de todos os cálculos. O amor ao próximo é uma atitude tão fundamentada que Jesus chega a afirmar que a nossa relação com Deus não pode ser sincera se não queremos fazer as pazes com o próximo. E diz assim: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” (vv. 23-24). Por isso, somos chamados a reconciliar-nos com os nossos irmãos antes de manifestar a nossa devoção ao Senhor na oração.

De tudo isso, entende-se que Jesus não dá importância simplesmente à observância disciplinar e à conduta exterior. Ele vai à raiz da Lei, com foco, sobretudo, na intenção e, portanto, no coração do homem, de onde provêm as nossas ações boas ou más. Para ter comportamentos bons e honestos, não bastam as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria oculta, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à ação do Espírito, que nos torna capazes de viver o amor divino.

À luz deste ensinamento, cada preceito revela o seu pleno significado como exigência de amor, e todos se reúnem no maior mandamento: ama Deus com todo o coração e o próximo como a ti mesmo.






"Digamos a nós mesmos com toda a sinceridade: ‘Minha alma, até hoje não fizeste praticamente nada. Começa hoje mesmo a fazer o bem!’ ” São Padre Pio (1887-1968)

Papa Francisco em seu twitter, neste sábado:




15/02/2014
Rezemos pela paz na África, especialmente na República Centro-Africana e no Sudão do Sul. #prayforpeace

O Papa recomenda aos bispos da República checa sinergia entre clero, religiosos e leigos

Um diálogo construtivo com todos, inclusive com os que estão distantes dos sentimentos religiosos, a fim de que «as comunidades cristãs sejam sempre lugares de acolhimento, de confronto aberto e pacato».

Foi esta a indicação dada pelo Papa Francisco aos bispos da Conferência episcopal da República checa, recebidos em audiência na manhã de sexta-feira, 14.fevereiro.2014, por ocasião da visita «ad limina». «Justamente tendes orgulho – disse o Pontífice – das sólidas raízes cristãs do vosso povo, cuja fé remonta à evangelização dos santos Cirilo e Metódio; ao mesmo tempo estais cientes de que a adesão a Cristo não é só consequência de um passado, embora importante, mas é acto pessoal e eclesial que no hoje da história compromete cada pessoa e cada comunidade». «Para enfrentar os desafios contemporâneos e as novas urgências pastorais – prosseguiu o Papa – é necessária uma sinergia entre clero, religiosos e fiéis leigos. Cada um no próprio papel é chamado a oferecer um contributo generoso para que a Boa Nova seja anunciada em todos os âmbitos, inclusive nos mais hostis ou distantes da Igreja; a fim de que o anúncio possa chegar às periferias, às diversas categorias de pessoas, especialmente os mais débeis e os pobres de esperança».
L'Osservatore Romano

"O cristão é sempre cordeiro. Não deve ceder à tentação de ser lobo", afirma o Papa

Cidade do Vaticano (RV) –  cristão nunca para: ele caminha sempre para além das dificuldades. O papa Francisco nos reforçou essa atitude na homilia da missa de hoje, celebrada na residência de Santa Marta, nesta festa litúrgica dos santos padroeiros da Europa, Cirilo e Metódio.

O Evangelho, afirmou o papa, deve ser anunciado com alegria, pois quem se lamenta não ajuda o Senhor. E nos alertou contra a tentação de virarmos lobos em meio aos lobos.

Como deve ser um discípulo de Jesus? O papa Francisco apresentou como referência as figuras de Cirilo e Metódio para analisar a identidade do cristão. Comentando a primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, ele recordou que o cristão é um enviado. O Senhor envia os seus discípulos e pede que eles sigam em frente. “E isto quer dizer que o cristão é um discípulo do Senhor que caminha, que vai sempre adiante”.

“Não é possível pensar num cristão estático: um cristão que fica quieto está doente na sua identidade cristã, tem alguma enfermidade nessa identidade. O cristão é discípulo para caminhar, para avançar. Mas nosso Senhor, como escutamos no Salmo, na despedida do Senhor, também diz: ‘Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho’. Vão! Caminhem! Esta é uma primeira atitude da identidade cristã, que é caminhar, e caminhar mesmo que existam dificuldades, para ir além das dificuldades”.

Sabemos que foi isto o que aconteceu com Paulo em Antioquia da Pisídia, onde havia dificuldades com a comunidade judaica e os pagãos ganhavam espaço. Jesus, comentou o papa, nos “exorta a ir para as encruzilhadas do mundo”, para convidar “a todos, bons e maus”. É o que diz o Evangelho: “também os maus”. O Evangelho, portanto, vai além, para anunciar o Reino de Deus que está próximo.

Um segundo aspecto da identidade do cristão é que “ele tem que ser sempre como o cordeiro” e “conservar essa identidade”, porque nosso Senhor nos envia “como cordeiros em meio aos lobos”.

Mas, perguntou o papa, por que não usar a força contra eles? Pensemos em Davi, “quando teve que lutar contra o filisteu: queriam vesti-lo com a armadura de Saulo e ele não conseguia nem se mexer”. E isto aconteceu porque, com aquela armadura, “Davi não era ele mesmo, não era humilde, não era aquele simples Davi. No fim, ele usou a funda e venceu a batalha”.

“Como cordeiros... Não como lobos. Porque, às vezes, a tentação existe: 'Mas isso é difícil, porque os lobos são muito vivos e eu vou ser mais vivo do que eles! Cordeiro. Não tolo: cordeiro. Com a astúcia cristã, mas sempre cordeiro. Porque se você é cordeiro, Ele o defende, mas, se você se sente forte como um lobo, Ele não o defende; você fica sozinho e os lobos o devoram vivo”.

O terceiro aspecto desta identidade é o “estilo do cristão”, que é “a alegria”. Os cristãos, afirmou o papa, “são pessoas que exultam porque conhecem o Senhor e transmitem o Senhor. O cristão não pode caminhar sem alegria, como um cordeiro sem alegria”. Mesmo “nos problemas, nas dificuldades, nos próprios erros e pecados, nós temos a alegria de Jesus que sempre nos perdoa e nos ajuda”.

O Evangelho “tem que ir para frente, levado pelos cordeiros que são enviados pelo Senhor que caminha com alegria”.

“Não ajudam nosso Senhor nem a Igreja aqueles cristãos ‘lentos e lamentosos’, que vivem sempre assim, se lamentando de tudo, tristes. Esse não é o estilo do discípulo. Santo Agostinho diz para o cristão: ‘Vai em frente, canta e caminha!’. A tristeza, assim como a amargura, nos leva a viver um cristianismo sem Cristo: a cruz deixa os cristãos vazios diante do sepulcro, chorando como Maria Madalena, mas sem a alegria de ter encontrado o Ressuscitado”.

Na festa dos dois discípulos cristãos, Cirilo e Metódio, a Igreja nos faz refletir sobre a identidade cristã. O cristão caminha para além das dificuldades e, como o cordeiro, sabe que as suas próprias forças não são suficientes.

“Por intercessão desses dois irmãos santos, padroeiros da Europa, nosso Senhor nos conceda a graça de viver como cristãos que caminham como cordeiros e com alegria”.


Este foi o Tweet de hoje do Santo Padre:

14/02/2014
Jovens, não tenhais medo de vos casar: unidos num matrimônio fiel e fecundo, sereis felizes.
Papa recebe amigos argentinos exilados durante ditadura. Conversa sobre situação dos refugiados

O Papa Francisco recebeu na Casa Santa Marta dois amigos argentinos, os irmãos Carlos e Rodolfo, que fugiram para a Suécia, em 1970, como refugiados políticos durante a ditadura militar. O encontro, que durou quase uma hora,  aconteceu na tarde de quarta-feira, 12.

A conversa teve início com as recordações do Papa sobre a amizade e situações vividas pelos irmãos na Argentina. Na época, Jorge Mario Bergoglio trabalhava num laboratório de química.

O Pontífice lembrou de sua amizade com um Pastor Luterano, Anders Gutt, com o qual partilhou, em Buenos Aires, a cátedra de Teologia Espiritual. “Éramos um jesuíta e um luterano e nos entendíamos muito bem”, disse o Pontífice. O Pastor Gutt ensinava “espiritualidade da reforma” e Padre Bergoglio a “espiritualidade católica”.

O Papa elogiou o acolhimento da Suécia que abriu as fronteiras para os imigrantes, integrando-os na própria sociedade. “O mundo deve ser mais solidário com os refugiados. Alguns países fecham suas fronteiras e isso não é bom”, disse.

“Os refugiados hoje são muitos e ninguém os quer. São como um ‘palavrão’. Nós, em nossa fé cristã, sabemos que Jesus foi um refugiado quando era criança. É uma das primeiras mensagens do Evangelho. Jesus um refugiado e não um turista. Ele não fugiu por motivos de trabalho, mas fugiu da morte, como um refugiado”, disse o Papa Francisco.

Francisco falou ainda da globalização da indiferença que leva a sociedade a fechar os olhos para a causa dos refugiados, e deu exemplo da ilha italiana de Lampedusa. “O povo de Lampedusa junto com a prefeita, que é uma mulher forte e corajosa, entendeu que sua missão é acolher”, contou o pontífice.

Sobre os países europeus, Francisco disse que muitas vezes os refugiados não são bem acolhidos e correm o risco de ficarem pelas estradas, roubando ou se prostituindo.  Ele recordou o trabalho dos jesuítas iniciado por Padre Pedro Arrupe, fundador do “Serviço Jesuíta para Refugiados”, porém ressaltou a necessidade da Igreja  aumentar sua ação neste campo.

Por fim, o Papa recordou os quatro milhões de imigrantes na Argentina, dentre os quais os paraguaios e bolivianos são a maioria, e destacou  o grande papel das mulheres paraguaias na preservação do país.

“Para mim, a mulher paraguaia é a mais heroica da América. Depois da guerra, a cada dez pessoas, oito eram mulheres. Essas mulheres escolheram ter filhos para salvar a pátria, a língua, a cultura e a fé. Desejo que um dia o Comitê do Prêmio Nobel dê o prêmio à mulher paraguaia por salvar a cultura, a pátria. Ela foi heroica”, declarou.

O abraço do Papa Francisco aos namorados: "Senhor, dá-nos hoje o nosso amor de cada dia"

O Papa Francisco teve nesta sexta-feira, 14.fevereiro.2014, na Praça de S. Pedro um encontro com os namorados, consagrado ao tema "A alegria do Sim para sempre" e promovido pelo Conselho Pontifício para a Família. O encontro foi precedido por um momento de acolhimento, por parte dos namorados, mais de 25 mil casais de uns 30 Países, com testemunhos, música e vídeo.

Após uma breve saudação ao Papa pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, três casais de namorados apresentaram ao Santo Padre o seu testemunho e lhe fizeram perguntas sobre o valor do matrimônio, que o Papa respondeu pontualmente.

1ª Pergunta : O medo do “para sempre”

Santidade, muitos hoje pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil, muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.

Papa: É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, por toda a vida, parece impossível. Hoje tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo… E essa mentalidade leva muitos que estão se preparando para o matrimônio a dizerem: “estamos juntos enquanto durar o amor.” Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Certo, se é isso, você não pode construir em algo sólido. Mas se o amor é um relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.

A casa se constrói juntos, e não sozinhos!  Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela “cultura do provisório”!

Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Se cura dia por dia confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque, caros noivos, o “para sempre” não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.

Me vem a mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na Oração do Pai-Nosso nós dizemos: “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”.  Os esposos podem aprender a rezar assim: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano”, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será “para sempre”, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades.

2ª Pergunta : Viver juntos: o “estilo” da vida matrimonial

Santidade,  viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar.  Há um “estilo” de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso,  Santo Padre?

Papa: Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ela não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para às famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Permissão, obrigado e desculpa.

“Posso?”. É um pedido gentil para poder entrar na vida de outra pessoa com respeito e atenção. É preciso aprender a pedir: Eu posso fazer isso? Te agrada que façamos isso?  Tomamos essa iniciativa, para educarmos nossos filhos? Você quer sair essa noite ? … Em suma, significa ser capaz de pedir permissão para entrar na vida dos outros com gentileza.

Às vezes, se usa modos um pouco “pesados”, como as botas de montanha! O verdadeiro amor não se impõe com  dureza e agressividade. Nos escritos de  Francisco se encontra essa expressão: “Saibam que a gentileza é uma das propriedades de Deus…  é irmã da caridade, que apaga o ódio e conserva o amor” (cap. 37). Sim, a gentileza preserva o amor. E hoje em nossas famílias, em nosso mundo, muitas vezes violento e arrogante, nós precisamos muito de gentileza.

“Obrigado”. Parece  fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim… Mas é importante! A ensinamos às crianças, mas depois, a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante, lembram do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez leprosos e, em seguida, apenas um volta para agradecer a Jesus. O Senhor diz: e os outros nove, onde estão? Isso vale também para nós: sabemos agradecer? No relacionamento de vocês, e amanhã na vida conjugal, é importante para manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e dar graças sempre. E nesta atitude interior agradecer por tudo. Não é uma palavra amável para usar com estranhos, para ser educado. É necessário saber dizer obrigado, para caminhar bem juntos.

“Desculpe”.  Na vida nós cometemos tantos erros, tantos enganos. Todos nós . Talvez haja um dia em que nós não façamos algo errado. Eis, então, a necessidade de usar esta simples palavra: “desculpe”.

Em geral, cada um de nós está pronto para acusar os outros e justificar-se. É um instinto que está na origem de muitos desastres. Aprendamos a reconhecer nossos erros e pedir desculpas. “Desculpe se eu levantei a voz”. ” Desculpe-me se eu passei sem te cumprimentar; desculpe-me  pelo atraso; desculpe-me  por estar tão silencioso esta semana; se eu falei muito e não te ouvi; desculpe-me se eu esqueci”. Também assim cresce uma família cristã.

Nós todos sabemos que não há família perfeita, e até mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita. Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz retorne a nossa casa, em nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e a nos perdoar, o matrimônio irá durar, irá em frente.

3ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimônio

Santidade, nestes meses estamos nos preparativos para o nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Papa: Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos  indica o Evangelho de João: vocês se recordam o milagre das bodas de Caná? Em um certo momento o vinho faltou e a festa parecia arruinada.  Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho, e assim, salva a festa de núpcias.

O que aconteceu em Caná há dois mil anos, acontece na realidade em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o meu coração.

Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.
Radio Vaticano

 Papa Francisco: crentes trasformados em pagãos pela vaidade e pagãos que chegam à fé pela humildade

Cidade do Vaticano (RV) – Um cristão pode perder a fé por causa de suas paixões e da vaidade, enquanto um pagão pode se tornar cristão pela sua humildade: este foi o centro da homilia proferida pelo Papa na missa presidida quinta-feira, 13, na Casa Santa Marta.

A meditação do Papa se baseou no Evangelho do dia, em que “uma mulher corajosa” de Cananéia, ou seja, pagã, pediu a Jesus para libertar sua filha do demônio. “Era uma mãe desesperada - disse Francisco - e uma mãe, diante da saúde de seu filho, faz de tudo. Jesus lhe disse, duramente: ‘Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos’. A mulher, que certamente não era letrada, respondeu com o ânimo de uma mãe: ‘Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos’. A mulher – explicou o Papa –
“estava exposta ao risco de fazer uma má impressão, mas insistiu, e do paganismo e da idolatria encontrou a saúde para a sua filha e para ela encontrou o Deus vivo. Este é o caminho de uma pessoa de boa vontade, que procura Deus e O encontra. O Senhor a abençoa. Quanta gente faz esse caminho e o Senhor o espera!”.

“Este é o caminho de uma pessoa de boa vontade, que procura Deus e O encontra. O Senhor a abençoa. Cada dia, na Igreja do Senhor, muitas pessoas fazem este caminho de busca do Senhor, deixando-se conduzir pelo Espírito Santo”.

“No entanto, existe também o caminho oposto”, observou o Pontífice. “A primeira leitura narra que Salomão era o homem mais sábio da terra, havia recebido de Deus grandes bênçãos, tinha fama e todo o poder; acreditava Nele, mas o que aconteceu? Ele gostava demais de mulheres e suas concubinas lhe desviaram o coração, que começou a seguir outros deuses”.

“Seu coração se enfraqueceu tanto que ele perdeu a fé. O homem mais sábio do mundo se deixou levar por um amor indiscreto; se deixou levar por suas paixões. Ele era capaz de recitar a Bíblia, sim, mas ter fé não significa rezar o Credo. Você pode sabê-lo de cor e ter perdido a fé!”, alertou o Papa.

“Salomão era pecador como seu pai, Davi, mas o Senhor lhe havia perdoado porque ele era humilde e pediu perdão. Salomão, por sua vez, era ‘sábio’ mas tornou-se corrupto. A semente maligna de suas paixões cresceu no coração de Salomão e o levou à idolatria.
“O homem mais sábio do mundo deixou-se levar adiante por suas paixões. ‘Mas, padre, Salomão não perdeu a fé, ele acreditava em Deus e era capaz de recitar a Bíblia!’. Sim, é verdade, mas ter fé não significa ser capaz de recitar o Credo. Você pode recitar o Credo e ter perdido a fé”. “É no coração que se perde a fé!”, afirmou.

“Acolham com docilidade a Palavra” – aconselhou Francisco, lembrando o Aleluia. “A Palavra que foi plantada em vocês pode levá-los à salvação.
“Façamos o caminho daquela mulher cananéia, daquela mulher pagã, acolhendo a Palavra de Deus, que foi plantada em nós e que nos levará à salvação. Que a Palavra de Deus, poderoso, proteja-nos neste caminho e não permita que nós terminemos na corrupção e esta nos leve à idolatria”.

Tweet do Papa Francisco nesta quinta-feira:

13/02/2014
Rezemos pelos seminaristas, para que ouçam a voz do Senhor e a sigam com coragem e alegria.

Audiência: Francisco pede coerência entre liturgia e vida

Cidade do Vaticano (RV) – Quarta-feira é dia do encontro semanal do Papa com os fiéis na Praça S. Pedro, para a Audiência Geral.

Na Praça, esta manhã, 12.fevereiro.2014, havia cerca de 15 mil peregrinos, oriundos de vários países do mundo. Depois de saudá-los a bordo do seu papamóvel, recebendo e retribuindo o carinho dos fiéis, o Pontífice retomou sua catequese sobre os Sacramentos.


Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Na última catequese, destaquei como a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora podemos nos colocar algumas perguntas sobre a relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como cristãos individualmente. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a vivemos? É somente um momento de festa, é uma tradição consolidada, é uma ocasião para se encontrar ou para sentir-se bem, ou é algo a mais?

Há alguns sinais muito concretos para entender como vivemos tudo isso, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se nós vivemos bem a Eucaristia ou não a vivemos tão bem. O primeiro indício é o nosso modo de olhar e considerar os outros. Na Eucaristia, Cristo realiza sempre novamente o dom de si que fez na Cruz. Toda a sua vida é um ato de total partilha de si por amor; por isso Ele amava estar com os discípulos e com as pessoas que tinha oportunidade de conhecer. Isto significava para Ele partilhar os desejos deles, os seus problemas, aquilo que agitava as suas almas e suas vidas. Agora nós, quando participamos da Santa Missa, encontramo-nos com homens e mulheres de todo tipo: jovens, idosos, crianças, pobres e ricos; originários do lugar ou de fora; acompanhados por familiares ou sozinhos… Mas a Eucaristia que celebro leva-me a senti-los todos, realmente, como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de alegrar com quem se alegra, de chorar com quem chora? Impele-me a seguir rumo aos pobres, aos doentes, aos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles a face de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e queremos partilhar, na Eucaristia, a sua paixão e a sua ressurreição. Mas amamos, como quer Jesus, aqueles irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, em Roma, nestes dias vimos tantos problemas sociais ou pela chuva que fez tantos danos a bairros inteiros, ou pela falta de trabalho, consequência da crise econômica em todo o mundo. Pergunto-me, e cada um de nós se pergunte: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me de ajudar, de aproximar-me, de rezar por aqueles que têm este problema? Ou sou um pouco indiferente? Ou talvez me preocupo de fofocar: viu como está vestida aquela, ou como está vestido aquele? Às vezes se faz isso, depois da Missa, e não se deve fazer! Devemos nos preocupar com os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um problema. Hoje, fará bem a nós pensar nestes nossos irmãos e irmãs que têm este problema aqui em Roma: problemas pela tragédia provocada pela chuva e problemas sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los.

Um segundo indício, muito importante, é a graça de sentir-se perdoados e prontos a perdoar. Às vezes alguém pergunta: “Por que se deveria ir à igreja, visto que quem participa habitualmente da Santa Missa é pecador como os outros?”. Quantas vezes ouvimos isso! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se acredita ou quer parecer melhor que os outros, mas propriamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, feita carne em Jesus Cristo. Se algum de nós não se sente necessitado da misericórdia de Deus, não se sente pecador, é melhor que não vá à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar da redenção de Jesus, do seu perdão. Aquele “Confesso” que dizemos no início não é “pro forma”, é um verdadeiro ato de penitência!  Eu sou pecador e o confesso, assim começa a Missa! Não devemos nunca esquecer que a Última Ceia de Jesus aconteceu “na noite em que foi traído” (1 Cor 11, 23). Naquele pão e naquele vinho que oferecemos e em torno do qual nos reunimos se renova toda vez o dom do corpo e do sangue de Cristo para a remissão dos nossos pecados. Devemos ir à Missa humildemente, como pecadores e o Senhor nos reconcilia.

Um último indício precioso nos vem oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É necessário sempre ter em mente que a Eucaristia não é algo que fazemos nós; não é uma comemoração nossa daquilo que Jesus disse e fez. Não. É propriamente uma ação de Cristo! É Cristo que age ali, no altar. É um dom de Cristo, que se torna presente e nos acolhe em torno de si, para nutrir-nos da sua Palavra e da sua vida. Isto significa que a missão e a identidade própria da Igreja surge dali, da Eucaristia, e ali sempre toma forma. Uma celebração pode ser também impecável do ponto de vista exterior, belíssima, mas se não nos conduz ao encontro com Jesus Cristo arrisca não levar alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, em vez disso, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la pela sua graça, de forma que em toda comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.

O coração se enche de confiança e esperança pensando nas palavras de Jesus reportadas no Evangelho: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de alegria comunitária, de preocupação pelos necessitados e pelas necessidades de tantos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!


No final da catequese o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração desejo-vos as boas-vindas, com votos, para quantos participam da Eucaristia nos domingos, de a viverem com espírito de fé e de oração, sabendo que quem come a carne de Jesus tem a vida eterna e será ressuscitado por Ele no último dia. Sobre vós e sobre as vossas comunidades, desça a benção do Senhor.”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção.


11.FEVEREIRO – FESTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES – DIA MUNDIAL DO DOENTE



Reflexões sobre a mensagem do Papa para o XXIII Dia mundial do doente

Este ano celebramos o XXIII Dia mundial do doente sobre o tema: «Fé e caridade – “também nós devemos dar a vida pelos irmãos”» (1 Jo 3, 16). Este dia, instituído pelo Papa João Paulo II na memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, leva-nos a imitar Maria, nossa Mãe, mulher de fé, ao acolher a luz de Deus, que nos permite olhar para cada um dos nossos irmãos doentes como ela, com os olhos de Cristo.

Nesta ocasião o Papa Francisco dirigiu à Igreja, e de modo particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cuidado, uma mensagem na qual entre outras coisas, escreveu: «A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que juntamente connosco carrega o peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Assim estamos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, para que no desígnio de amor de Deus também a noite da dor se abra à luz pascal; e coragem, para enfrentar todas as adversidades na sua companhia, unidos a Ele». (leia a mensagem na íntegra)

Portanto, todos somos chamados a esta tarefa, mas é evidente que quantos desempenham uma profissão no âmbito da saúde não podem deixar de se sentir comprometidos a ser particularmente fiéis a esta dimensão fundamental da vocação cristã. A Igreja, na fidelidade à própria missão de apoio aos crentes, e também através de associações católicas próprias do mundo da saúde, prodigaliza-se na cura dos sofredores, oferecendo também a necessária ajuda espiritual a quantos se dedicam ao seu serviço. A assistência e a proximidade aos doentes é um caminho privilegiado de diálogo com todos os homens de boa vontade, além de uma ocasião única de testemunho da coerência da própria fé.
L’Osservatore Romano


Tweet do Papa Francisco:

11/02/2014
Saúdo todas as pessoas doentes e atribuladas. Junto de vós está Cristo crucificado: uni-vos a Ele!


Há um ano, Papa Bento XVI anunciava sua renúncia ao papado



11/02/2014
Hoje convido-vos a rezar juntos comigo por Sua Santidade Bento XVI, um homem de grande coragem e humildade.
(Papa Francisco no seu Twitter)

Bento XVI, humildade e coragem por amor à Igreja


Cidade do Vaticano, 11.fevereiro.2014 (RV) – No dia em que se recorda um ano da renúncia de seu antecessor, o Papa Francisco convidou os fiéis a rezar juntos com ele por Sua Santidade Bento XVI, “homem de grande coragem e humildade”. Dias atrás, em carta publicada pelo jornal italiano “La Repubblica” ao teólogo Hans Kung, Joseph Ratzinger se dizia grato pela grande semelhança de visões e pela amizade que o une ao Papa Francisco. O Papa Emérito afirma que seu único e último dever é encorajar o atual Pontificado com a oração. 

Um ano após sua renúncia, que surpreendeu o mundo, a atitude de Joseph Ratzinger é hoje vista como um ato de coragem, que abriu a Igreja para uma “primavera”. Já naquele dia, o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, disse esperar para a Igreja o Pontífice melhor para aquele momento. Entrevistado pela RV naquela mesma manhã, ele contou que a sua primeira reação ao ouvir a notícia da renúncia do Papa foi consultar o cardeal que estava ao seu lado para ter certeza de que tinha entendido direito.

“Foi uma surpresa para todos nós porque esta atitude da renúncia não é uma atitude muito comum na Igreja. É um ato de extrema humildade por parte do Papa, de extremo amor à Igreja e que nos colheu muito de surpresa, a gente via na própria sala esta surpresa. Não sabíamos de nada, só da questão do Consistório para os santos e não de sua renúncia. Nesse sentido, foi uma grande surpresa. Da nossa parte, queremos pedir pela Igreja, pedir também pelo novo Conclave e pedir para que o Senhor dê a nós o Pontífice que ele pensou para este momento”.

Já Dom Cláudio Hummes, que havia colaborado diretamente com Bento XVI como Prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, foi surpreendido em São Paulo com a notícia. Em exclusiva ao Programa Brasileiro, em sua chegada a Roma para o Conclave, Dom Cláudio ressaltou a humildade de Joseph Ratzinger, um homem “que não se agarrou ao poder e ao prestígio":

“A grandeza dele está em sua humildade, no despojamento. O Papa e um homem que não se aferra ao poder e ao prestígio, mas como ele mesmo dizia: eu vejo que não tenho mais suficientes forças humanas para continuar neste encargo, então para o bem da Igreja, eu renuncio. Ficou claro que o fez para o bem da Igreja. Talvez seja uma oportunidade para coisas novas acontecerem, para o bem da Igreja”.

Pe. Lombardi: Bento XVI vive o tempo da oração, sua renúncia incidiu na história da Igreja

Cidade do Vaticano (RV) - Celebra-se nesta terça-feira, 11 de fevereiro, o primeiro aniversário do anúncio da renúncia ao ministério petrino de Bento XVI. Um gesto destinado a permanecer no tempo, que foi tomado com imensa surpresa no mundo inteiro e não somente na Igreja. De fato, no momento da renúncia, muitos observadores admitiram que não se estava preparado para uma decisão de tal alcance. Para uma reflexão um ano após a renúncia do Papa Bento XVI, a Rádio Vaticano ouviu o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, também diretor da RV:

Pe. Federico Lombardi:- "Há séculos não se via uma renúncia por parte de um Papa e, portanto, para a grandíssima maioria das pessoas se tratava de um gesto inusitado e surpreendente. Na realidade, para quem acompanhava Bento XVI mais de perto, se entendia que havia uma reflexão sobre esse tema, e já o havia dito explicitamente em sua conversação com Peter Seewald, algum tempo antes – muito tempo antes. E, portanto, era um tema sobre o qual ele rezava, refletia e avaliava, fazia um discernimento espiritual. Foi o que colocou em prática ao nos comunicar e o fez de modo sintético no dia da sua renúncia, naquelas palavras breves, mas densíssimas que explicavam de modo absolutamente adequado e claro os critérios segundo os quais tomara a sua decisão. O que digo – e o disse já na ocasião – é que me parecia um grande ato de governo, ou seja, uma decisão tomada livremente que incide verdadeiramente na situação e na História da Igreja. Nesse sentido, é um grande ato de governo, feito com uma grande profundidade espiritual, uma grande preparação do ponto de vista da reflexão e da oração; uma grande coragem porque, efetivamente, tratando-se de uma decisão inusitada, podia haver problemas ou dúvidas sobre "o que teria" significado, como reflexos, como conseqüências para o futuro, como reação por parte do povo de Deus ou do público. A clareza com a qual Bento XVI se preparou para este gesto e, diria, a fé com a qual se preparou, deram-lhe a serenidade e a força necessárias para colocá-lo em prática, caminhando com coragem e serenidade, com uma visão verdadeiramente de fé e de expectativa do Senhor que acompanha continuamente a sua Igreja, diante dessa situação nova que ele viveu em primeira pessoa, durante várias semanas, e que depois a Igreja viveu com a sucessão, a eleição do novo Papa, como todos sabemos. Eis, portanto, verificou-se plenamente, por parte do Espírito do Senhor, este sentido de acompanhamento da Igreja em caminho."

RV: Um ano atrás, muitos se perguntavam como seria a inédita convivência entre dois Papas. Hoje se vê que tanto temor – talvez mais da parte de "especialistas" do que do Povo de Deus – era exagerado...

Pe. Federico Lombardi:- "Sim... deste ponto de vista, parecia-me absolutamente claro que não havia motivo para se ter nenhum temor. Por quê? Porque a questão é o fato de o papado ser um serviço e não um poder. Se os problemas são vividos em chave de poder, então é claro que duas pessoas podem ter dificuldade a conviver porque pode ser difícil renunciar a um poder e conviver com o sucessor. Mas se se vive tudo exclusivamente como serviço, então uma pessoa que cumpriu o seu serviço diante de Deus e em plena consciência passa o bastão deste serviço a outra pessoa que com atitude de serviço e de plena liberdade de consciência realiza esta tarefa, então o problema não existe absolutamente! Há uma solidariedade espiritual profunda entre os Servidores de Deus que buscam o bem do povo de Deus no serviço do Senhor."

RV: Bento XVI despediu-se ressaltando que teria continuado a servir a Igreja mediante a oração: essa foi uma contribuição realmente extraordinária que deu, e que ainda continua dando, não é isso mesmo?

Pe. Federico Lombardi:- "Sim... apresento apenas uma pequeníssima recordação pessoal: sobretudo nos primeiros tempos do Pontificado, toda vez que havia uma audiência e eu passava para saudar o Papa, como de costume, me dava um Terço, porque habitualmente se dá uma imagem, um Terço, uma medalha... e toda vez que o Papa me dava um Terço, dizia: "Também os padres devem se lembrar de rezar". Eis que jamais me esqueci disso, porque manifestava assim, de modo muito simples, a sua convicção e a sua atenção para o lugar da oração em nossa vida, inclusive e em particular na vida de quem tem tarefas de responsabilidade no serviço do Senhor. Bento XVI certamente sempre foi um homem de oração, em toda sua vida, e – provavelmente – desejava ter um tempo para viver essa dimensão da oração com mais espaço, totalidade e profundidade. E este agora é o seu tempo."

RV: Por outro lado, a vida de oração de Bento XVI não deixa de ter momentos de encontro, inclusive com o Papa Francisco, como sabemos. O que o senhor pode nos dizer sobre essa dimensão da vida distante dos olhos do mundo, mas não isolada de Joseph Ratzinger?

Pe. Federico Lombardi:- "Creio que é justo dar-se conta de que ele vive num modo discreto, sem uma dimensão pública; mas isso não significa que vive isolado, fechado como numa pequena clausura. Desempenha uma atividade normal para uma pessoa anciã – uma pessoa anciã religiosa: uma vida de oração, de reflexão, de leitura, de escritura no sentido que responde à correspondência que recebe; de colóquios, de encontros com pessoas que lhe estão próximas, que com satisfação encontra, com as quais considera útil manter um diálogo, que lhe pedem conselho ou proximidade espiritual. De fato, trata-se da vida de uma pessoa rica espiritualmente, de grande experiência, numa relação discreta com os outros... O que não existe é a dimensão pública com a qual estávamos acostumados, sendo o Papa, e, portanto, estava sempre nas telas, diante da atenção do mundo inteiro. Isto não há; mas fora isso é uma vida normal de relações. E entre essas relações encontra-se a relação com o seu sucessor, a relação com o Papa Francisco que, como sabemos, tem momentos inclusive de encontros pessoais, de diálogo... Um já esteve na casa dou outro. Ademais, existem outras formas de contato que podem ser o telefone ou mensagens que são enviadas: uma situação de relação totalmente normal, diria, e de solidariedade. Parece-me ser muito bonito para nós, quando temos aquelas raras imagens dos dois Papa juntos e que rezam juntos – o Papa atual e o Papa emérito: é um sinal muito bonito e encorajador, da continuidade do ministério petrino no serviço da Igreja."

RV: Uma última questão: Pe. Lombardi, o senhor acompanhou Bento XVI durante os seus quase oito anos de Pontificado. O que o Papa emérito está lhe dando agora, pessoalmente, espiritualmente, desde 11 de fevereiro do ano passado?

Pe. Federico Lombardi:- "Sinto muito a presença do Papa Bento XVI, como uma presença espiritual forte que acompanha, que serena... Penso nas grandes figuras de anciãos da História da Igreja e da História sagrada; em particular, todos pensamos – por exemplo – em Simeão, que acolhe Jesus no Templo e que olha com alegria também para seu destino eterno e inclusive para o futuro da comunidade que continua caminhando nesta terra. Todos sabemos o grandíssimo valor de termos conosco anciãos, anciãos ricos de sabedoria, ricos de fé, serenos: são verdadeiramente uma grandíssima ajuda para quem é mais jovem, para seguir adiante olham para o futuro com confiança e com esperança. É o que Bento XVI é para mim – e creio para a Igreja: o Grande Ancião, sábio, digamos – inclusive – santo. É sereno, porque é bonito, quando o vemos, dá verdadeiramente uma impressão de grande serenidade espiritual. Conservou o seu sorriso com o qual nos acostumamos, nos momentos bonitos em que o encontrávamos – e que, portanto, nos convidam a seguir adiante no caminho, confiantes e com esperança."

Missa em Santa Marta não é uma etapa turística; mas viver o mistério da presença de Deus – o Papa na missa desta segunda-feira

A Missa em Santa Marta não é uma etapa turística, mas viver o mistério da presença de Deus – esta a principal mensagem do Papa Francisco na missa desta segunda-feira.

Partindo da Primeira Leitura do dia que nos fala de uma teofania de Deus no tempo do rei Salomão, quando uma nuvem desce sobre o Templo, o Santo Padre afirmou que Deus fala-nos através dos profetas, dos sacerdotes, da Sagrada Escritura, mas com as teofanias o Senhor fala de uma outra maneira, diferente da Palavra, é uma outra presença, mais próxima, sem mediação. E isto acontece na celebração litúrgica – afirmou o Papa Francisco:“Quando nós celebramos a Missa, nós não fazemos uma representação da Última Ceia: não, não é uma representação. É outra coisa: é mesmo a Última Ceia. É mesmo viver outra vez a Paixão e a Morte Redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor faz-se presente sobre o altar para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo. Nós ouvimos e dizemos: ‘Mas, eu não posso, agora, tenho que ir ouvir a Missa’.

A Missa não se ouve, participa-se nesta teofania, neste mistério da presença do Senhor entre nós.”

“A liturgia é precisamente entrar no mistério de Deus, deixar-se levar ao mistério e ser no mistério. Por exemplo, eu estou seguro que todos vós vindes aqui para entrar no mistério; mas, se calhar, algum diz:’Ah, eu tenho que ir à missa a Santa Marta porque na visita a Roma tem: ir visitar o Papa em Santa Marta, todas as manhãs – é um lugar turístico! Todos vós vindes aqui, nós reunimo-nos aqui para entrar no mistério: é esta a liturgia. É o tempo de Deus, é o espaço de Deus, é a nuvem de Deus que nos envolve a todos.”

O presépio ou a Via-Sacra são representações, mas a Missa é uma comemoração real, ou seja, uma teofania – afirmou o Santo Padre. Às vezes, somos levados a olhar para o relógio e contamos os minutos, mas essa não é a atitude certa na liturgia – salientou o Papa Francisco que considerou ser bom pedirmos ao Senhor o sentido do sagrado sobretudo na celebração eucarística.“Vai-nos fazer bem hoje pedir ao Senhor que dê a todos nós este ‘sentido do sagrado’, este sentido que nos faz perceber que uma coisa é rezar em casa, rezar na Igreja, rezar o rosário, fazer a Via-Sacra, ler a Bíblia, fazer tantas lindas orações... mas uma outra coisa é a celebração eucarística. Na celebração entramos no mistério de Deus, naquele caminho que nós não podemos controlar: apenas é Ele o Único, Ele é a Glória, Ele é o poder, Ele é tudo. Peçamos esta graça: que o Senhor nos ensine a entrar no mistério de Deus.”


Tweet do Santo Padre:

10/02/2014
Rezemos por todos os sacerdotes bons e fiéis que se dedicam ao seu povo com generosidade e sacrifício silencioso.


Papa no Angelus: "Cristãos devem viver como lâmpadas acesas e dar sabor aos ambientes"

Cidade do Vaticano, 9.fevereiro.2014 (RV) – Ao meio-dia deste domingo o Papa Francisco assomou à janela do apartamento pontifício - que dá para a Praça São Pedro - para a tradicional Oração Mariana do Angelus. Na sua reflexão, o Pontífice meditou sobre o Evangelho do dia, no qual Jesus pede aos discípulos para serem ‘Sal da terra e luz do mundo”.

Ao iniciar sua meditação, Francisco observou que os discípulos de Jesus eram pescadores, pessoas simples, “mas Jesus os vê com os olhos de Deus” e a exortação para eles serem “sal da terra e luz do mundo” é uma conseqüência das Bem-aventuranças. Então explicou o significado disto no contexto da época:

“Para compreender melhor estas imagens, tenhamos presente que a Lei judaica prescrevia a colocação de um pouco de sal sobre cada oferta apresentada a Deus, como sinal de aliança. A luz, assim, era para Israel o símbolo da revelação messiânica que triunfa sobre as trevas do paganismo. Os cristãos, novo Israel, recebem então a missão diante de todos os homens: com a fé e com a caridade podem orientar, consagrar, tornar fecunda a humanidade”.

“Todos nós batizados somos discípulos missionários – enfatizou o Santo Padre – e somos chamados a nos tornar no mundo um Evangelho vivo”:
“Com uma vida santa, daremos sabor aos diversos ambientes e os defenderemos da corrupção, como faz o sal; e levaremos a luz de Cristo com o testemunho de uma caridade autêntica. Mas se nós cristãos perdemos o sabor, apagamos a nossa presença de sal e luz, perdemos a eficácia. Mas, que bonita é esta missão que temos”.

E falando de improviso, continuou:

“É também muito bonito conservar a luz que recebemos de Jesus. Guardá-la. Conservá-la. O cristão deveria ser uma pessoa luminosa, que traz a luz, que sempre dá luz. Uma luz que não é sua, mas é um presente de Deus, o presente de Jesus. E nós levamos em frente esta luz. Se o cristão apaga esta luz, a sua vida não tem sentido: é um cristão somente de nome, que não leva a luz, uma vida sem sentido”.

Neste ponto, o Papa Francisco dirige-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro e pergunta reiteradamente se querem ser uma lâmpada acesa ou apagada: “Como vocês querem viver Como uma lâmpada acesa ou como uma lâmpada apagada? Acesa ou apagada?, perguntou. “É justamente Deus que nos dá esta luz e nos a damos aos outros. Lâmpada acesa. Esta é a vocação cristã”, afirmou.

Após recitar a Oração Mariana do Angelus na Praça São Pedro, neste domingo (9), o Papa Francisco recordou que no próximo dia 11 de fevereiro, será celebrado o Dia Mundial do Enfermo.

O Santo Padre observou ser esta “uma ocasião propícia para colocar no centro da comunidade as pessoas doentes. Rezar com e por elas, estar próximo a elas” e explicou que “a Mensagem para este dia foi inspirada numa expressão de São João: ‘Fé e Caridade: também nós devemos dar a vida pelos irmãos’ (1 Jo3,16).

A seguir, Francisco exortou a todos a imitar o comportamento de Jesus para com os doentes de todo o tipo. “O Senhor cuida de todos – disse – partilha o seu sofrimento e abre o coração à esperança”. Então, dirigiu suas palavras aos profissionais da saúde:

“Penso também a todos os profissionais da saúde. Que trabalho precioso que fazem! Muito obrigado pelo vosso precioso trabalho. Eles encontram todos os dias nos doentes não somente corpos marcados pela fragilidade, mas pessoas, às quais oferecem atenção e respostas adequadas. A dignidade da pessoa humana não se reduz nunca às suas faculdades ou capacidades e não diminui quando a pessoa está debilitada, inválida e necessitada de ajuda”.

A seguir, o Santo Padre dirigiu-se às tantas famílias, onde é normal cuidar de quem está doente, mas às vezes “as situações podem ser muito difíceis”:

“Tantos me escrevem e hoje gostaria de assegurar a minha oração para todas estas famílias e digo a elas: não tenham medo da fragilidade! Não tenham medo da fragilidade! Ajudai-vos uns aos outros com amor e sentireis a presença consoladora de Deus”.

Por fim, lembrou que a atitude generosa dos cristãos para com os doentes é ser “sal da terra e luz do mundo”. “Que a Virgem Maria nos ajude a praticar isto e dê a paz e conforto a todos os sofredores”, concluiu.

Ao final do encontro dominical, o Santo Padre enviou sua saudação aos participantes dos Jogos de Inverno que se realizam em Sochi, na Rússia, saudou todos os presentes na Praça São Pedro, provenientes de diversas partes do mundo e da Itália e recordou de forma especial os afetados pelas catástrofes naturais:

“Rezo por todos que estão sofrendo danos e desconforto devido às calamidades naturais, em diversos países - também aqui em Roma. A natureza nos desafia a sermos solidários e atentos à custódia da Criação, também para prevenir, o quanto possível, conseqüências mais graves”.

Antes da tradicional despedida ‘bom domingo e bom almoço”, Francisco dirigiu-se à multidão reunida na Praça São Pedro e perguntou novamente: “Quereis ser lâmpada acesa ou apagada?”.

A ONU declara guerra à Igreja

A Igreja há muito reconheceu a responsabilidade de certo número de padres e bispos no vergonhoso drama da pedofilia, e executou medidas drásticas que tem se revelado eficazes.

Este documento, no entanto, é a prova de como a tragédia de padres pedófilos é usada como uma desculpa e como um porrete para atacar a Igreja Católica.

Em 05 de fevereiro de 2014, o Comitê para Direitos da Infância das Nações Unidas divulgou um relatório de seis páginas acerca do desajuste do Vaticano em relação à convenção das Nações Unidas no que diz respeito aos direitos da infância, à qual a Santa Sé aderiu “com reservas”. A adesão com reserva – que o porta-voz da Santa Sé afirmou ser passível de futura revogação – se deve ao temor de que a convenção autorize uma excessiva ingerência das Nações Unidas nos assuntos internos dos estados subscritores. Por essa simples razão, o parlamento dos Estados Unidos não ratificou a convenção, que o governo americano havia firmado em 1995, por isso nos EUA a resolução não está mais em vigor.

Antes de examinar o documento - cuja superficialidade e partidarismo ideológico causam verdadeira perplexidade,- e justificamos amplamente as reservas quanto aos riscos de que haja interferência e violação aos direitos Soberanos dos Estados subscritores – é fundamental precisar como é o “Comitê para os Direitos da Infância”. Trata-se de um corpo de dezoito especialistas, eleitos por Estados que tenham aderido à Convenção, cujas recomendações não são juridicamente vinculantes. Trata-se de uma das inumeráveis “comissões de especialistas” das Nações Unidas, relacionadas ao “Manual Cencelli” da ONU, que dá as diretrizes para a atuação dessas comissões em todos os Estados.

Para que se tenha uma idéia, um dos dezoito membros foi nomeado pelo governo da Síria e outro foi como representante da Arábia Saudita, países que não são exemplo dos Direitos Humanos em geral, muito menos dos direitos de meninos - e meninas – em especial. A personalidade mais proeminente e influente do famoso Comitê é a peruana Susana Villarán, prefeita de Lima e católica "adulta" em travar constantes polêmicas com os bispos de seu país, em particular com o Cardeal Arcebispo de Lima, Monsenhor Juan Luis Cipriani, devido ao asseverado ativismo dela em favor do “matrimônio” homossexual, da ideologia de gênero e do aborto.

Apoiadora “benemérita” do “orgulho gay”, La Villarán está sob os holofotes por estar sempre atacando a Igreja em matérias como o aborto e homossexualidade, e porque praticou um “casamento simbólico” - o "casamento homossexual” no Peru ainda não é permitido – com pares de pessoas do mesmo sexo, incluindo sua parceira e colaboradora próxima Susel Paredes com a "noiva" Carolina. Provocativamente, as cerimônias foram realizadas no Parque do Amor, em Lima, Peru, onde tradicionalmente o noivo e a noiva são fotografados sob a famosa estátua "O Beijo", do escultor Victor Delfin.

Para esclarecer os motivos que podem levar a Santa Sé a agir em relação a isso, leiamos juntos o bizarro documento. O Comitê observa uma série de áreas nas quais a Santa Sé “não está em conformidade com a Convenção sobre os Direitos da Infância” , e recomenda ao Vaticano as oportunas reformas. Vamos examinar as principais áreas.

Em primeiro lugar: a homossexualidade – assunto que nada tem a ver com direitos da infância, mas o relatório afirma que o Comitê da ONU se preocupa em tutelar “os adolescentes e crianças gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros".

Com a justificativa de defender precocemente essas crianças, a Comissão convida a Igreja a seguir "a declaração emitida pelo Papa progressista Francisco em julho de 2013”, o famoso: Quem sou eu para julgar - o que, porém, se referia às pessoas que, certamente, nunca devem ser julgadas, e não a leis ou a comportamentos, muito menos a assertiva do papa se destinava a repudiar “documentos ou declarações anteriores sobre a homossexualidade". Ademais, não é convincente a explicação sobre como essa temerária interferência no campo da doutrina moral católica pode estar vinculada à competência de um “Comitê sobre os Direitos da Infância” .

Segundo: igualdade entre homens e mulheres. A Santa Sé é criticada porque não usa sempre uma “linguagem inclusiva” e porque fala de “complementaridade” do papel masculino em relação ao feminino e vice-versa, o que implica que os dois papéis são diversos, o que é contrário à ideologia que o Comitê quer impor.

Terceiro: o castigo corporal. Depois de uma menção às “Casas de Madalena” [1],da Irlanda, que mostra como os membros da Comissão passam muito tempo no cinema, e que viram o péssimo filme de Peter Mullan – à parte as imprecisões, o tema não parece colocar uma questão de pungente atualidade, visto que a última dessas casas foi fechada em 1996 . O relatório se opõe a qualquer forma de punição corporal, não só com a componente pedagógica - o que pode ser em parte compartilhado - mas também à possibilidade de punições na alçada da própria teologia. Queremos que a Santa Sé "certifique-se de que uma interpretação da Escritura que não justifica a punição corporal se reflete na doutrina da Igreja e [...] seja incorporada no ensino e na educação teológica." Sem entrar nos méritos da discussão propriamente teológica, é interessante notar que o Comitê se arroga o direito de ditar para a Santa Igreja como a Sagrada Escritura deve ser interpretada.

Quarto: a pedofilia. Mediante completa ausência de notas e referências precisas, o comitê fala de "dezenas de milhares" de crianças que são vítimas de padres pedófilos. Seria interessante saber de onde vêm essas estatísticas, assim como saber de onde procedem certas informações contidas no relatório de uma suposta intervenção de 1997 do núncio apostólico na Irlanda, o arcebispo Luciano Storero (1926-2000), em função de os bispos irlandeses terem supostamente escondido padres pedófilos das autoridades civis. Os dados vêm de um ataque feito pelo governo irlandês em 2011 à Santa Sé, cheia de imprecisões, que a Santa Sé - como já documentado tempestivamente nesta coluna - respondeu de modo detalhado.

Lembrem-se: este jornal está sempre aberto a qualquer discussão acerca de padres pedófilos, pois, infelizmente, como nos foi ensinado pelos Papas Bento XVI e Francisco, a pedofilia no clero é um drama real, não inventado, que não é para ser escondido, cujas causas devem ser investigadas, mas que decorrem essencialmente da propagação de uma moral negligente e progressista nos seminários e entre os sacerdotes.

No entanto , o relatório contém estatísticas folclóricas e acusações indiscriminadas. Louva medidas introduzidas pela Santa Sé em 2013 , mas esquece de todas as anteriores , numa tentativa equivocada de opor o Vaticano quando sob o pontificado do Papa Bento XVI ao atual, que é o do Papa Francisco . Acima de tudo, eles se esquecem de dizer que as medidas punitivas adotadas têm funcionado , e podem ser de fato um modelo para outras instituições que têm os mesmos problemas de abuso de crianças e que são muito menos vigorosas do que a Santa Sé para combatê-los .

Desculpo-me pela inserção publicitária, mas eu devo mencionar o livro recém-publicado que eu escrevi com o psicólogo Roberto Marchesini “Pedofilia. Uma batalha que a Igreja está ganhando” (Sugarco , Milão 2014) , no qual se pode encontrar informações e números precisos.

Quinto: o aborto. Depois de ter evocado o caso lamentável da menina brasileira de nove anos que teve um aborto em 2009, o Comitê "requer urgentemente que a Santa Sé reconsidere a sua posição sobre o aborto e modifique o Canon 1398, do Código de Direito Canônico, com a finalidade de precisar em quais circunstâncias o aborto deve ser permitido.” A respeito dessa “urgência” exigida pelo comitê da ONU já respondeu o Papa Francisco na carta Apostólica Evangelium Gaudium: <<ilude-se quem espera que a Igreja vá mudar sua posição acerca dessa questão. Eu quero ser completamente honesto quanto a isso. Essa não é uma questão que está sujeita a supostas reformas ou "modernização". Não é progressista querer resolver os problemas com a eliminação de uma vida humana >>.

Sexto: a contracepção. A Santa Sé é convidada a "garantir que os adolescentes tenham acesso à contracepção", que não seria uma alternativa ao aborto [2], visto que contemporaneamente deve ser garantida a "saúde reprodutiva", o que, como vimos, implica mudar a doutrina católica sobre o aborto.

A Igreja – o temos dito – há muito reconheceu a responsabilidade de certo número de padres e bispos no vergonhoso drama da pedofilia, e executou medidas drásticas que tem se revelado eficazes. Este documento, no entanto, é a prova de como a tragédia de padres pedófilos é usada como uma desculpa e como um porrete para atacar a Igreja Católica e impor-lhe "com urgência" a mudança de sua doutrina no que diz respeito à homossexualidade, o aborto e à contracepção, contando com comitês de “especialistas” politicamente corretos até mesmo para a interpretação da Sagrada Escritura.

Em 18 de novembro de 2013, citando o romance “O senhor do Mundo”, de Robert Hugh Benson (1871-1914), o Papa Francisco denunciou a tentativa totalitária de impor à Igreja a "hegemonia global" do "pensamento único". Os poderes constituídos – que certamente incluem comitês de certas organizações internacionais – são contados, disse o Papa, exigindo que "precisamos ser como todos os outros, temos que ser mais normais, como todo mundo, com este progressismo adolescente”. Então, infelizmente, segue a história : “para aqueles que não se adaptam ao pensamento único que é chegado, como nos tempos dos antigos pagãos, é imposta a pena de morte, os sacrifícios humanos” . Está errado quem pensa que isso é coisa de um passado distante : "Mas vocês – disse o Papa – pensam que hoje não são feitos sacrifícios humanos? Se fazem muitos e muitos ! E existem leis que os protegem.”

É porque a Igreja se opõe a essas leis que, usando a tragédia –verdadeira - da pedofilia entre o clero como um ponto de partida e como um pretexto , fazem bater-lhe com ataques que agora estão se tornando intoleráveis.


Notas:
[1] Casas de Magdalena são reformatórios para moças cuja administração foi assumida pela Igreja Católica em meados do séc.XX e que acabaram por se transformar em lavanderias lucrativas. Supostos depoimentos de ex-integrantes teriam motivado o cineasta Peter Mullan a dirigir o filme “The Magdalene Sisters” (Irmãs de Madalena),em português “Em nome de Deus”. O filme é uma peça de propaganda anticatólica repleta de calúnias rancorosas, mas aclamada por Cannes. (Nota do tradutor)

[2] A contracepção é desestimulada pela Santa Sé por ser uma espécie de aborto. (nota do tradutor)

Publicado no La Nuova Bussola Quotidiana.

Tradução: Dante Mantovani


Francisco encontra fiéis do Sri Lanka

Cidade do Vaticano, 8.fevereiro.2014 (RV) – O Papa Francisco recebeu em audiência, no final da manhã deste sábado, na Basílica vaticana, um grupo de peregrinos da Comunidade do Sri Lanka, presente na Itália, que participou da Santa Missa celebrada pelo Cardeal Malcolm Ranjith junto com outros Bispos do país.

Em sua saudação aos fiéis cingaleses, que recordam o 75° aniversário da Consagração do Sri Lanka a Nossa Senhora, o Papa destacou que, na época, o conflito mundial causava graves consequências à humanidade; portanto, eles não podiam ter feito escolha melhor que recorrer a um ato de Consagração à Mãe de Deus, que sempre defende seus filhos dos perigos.

Em 1940, durante as dramáticas circunstâncias da Guerra Mundial, o então arcebispo de Colombo, Dom Jean-Marie Masson, prometeu construir um santuário em honra de Nossa Senhora, em Tewate, no Sri Lanka. E o Santo Padre ponderou:

“Queridos irmãos e irmãs, Nossa Senhora está sempre ao nosso lado, nos olha com amor materno e nos acompanha sempre em nosso caminho. Não hesitem em recorrer a ela em todas as necessidades, sobretudo quando sentimos o peso da vida, com todos os seus problemas”.

A sua Pátria, disse ainda o Pontífice aos cingaleses, é chamada “Pérola do Oceano Índico” pelas suas belezas naturais e a sua conformação. Dizem que “a pérola é formada com as lágrimas da ostra”. E o Papa explicou:

“Infelizmente, muitas lágrimas foram derramadas nos últimos anos, por causa dos conflitos internos, que provocaram tantas vítimas e incontáveis prejuízos. Não é fácil sarar as feridas e colaborar com os adversários do passado para construir o futuro, mas é o único meio que nos dá esperança em vista do desenvolvimento e da paz”.

O Bispo de Roma concluiu seu breve pronunciamento aos peregrinos cingaleses assegurando-lhes suas orações, a fim de que o Senhor possa conceder o dom da paz e da reconciliação aos habitantes do Sri Lanka, para que tenham um futuro melhor, com a proteção materna de Maria.

Tweet do Papa Francisco deste sábado:

08/02/2014
Os Sacramentos, sobretudo a Confissão e a Eucaristia, são lugares privilegiados de encontro com Cristo.

Ser cristão não é um privilégio – na missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que se deve anunciar o Evangelho com humildade

Na missa desta sexta-feira, 7.fevereiro.2014, na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco afirmou que se deve anunciar o Evangelho com humildade pois ser cristão não é um privilégio.

O Evangelho de hoje relata-nos a trágica morte de João Batista. Herodes manda-o matar para agradar à sua amante Herodíade. João – considerou o Papa Francisco - teve um tempo breve de vida, ele que tinha vindo para preparar o caminho para o Messias. João acaba nas mãos da corte de Herodes que estava em pleno banquete:“Quando existe a corte é possível fazer de tudo: a corrupção, os vícios, os crimes. As cortes favorecem estas coisas. Anunciou que estava próximo o Salvador, o Senhor e estava próximo o Reino de Deus. E tinha-o feito com força. E batizava. Exortava todos a converterem-se. Era um homem forte. E anunciava Jesus Cristo.”

“Mortes humilhantes. Mas também João teve o seu Jardim das Oliveiras, a sua angústia na prisão, quando acreditava ter-se enganado e manda os seus discípulos perguntar a Jesus: Mas diz-me, és tu ou enganei-me e é outro? A escuridão da alma, aquela escuridão que purifica, tal como Jesus no Jardim das Oliveiras. E Jesus respondeu a João como o pai respondeu a Jesus, confortando. Aquela escuridão do homem e da mulher de Deus. Penso neste momento na escuridão da alma da Beata Teresa de Calcutá? Ah a mulher que todo o mundo louvava, Premio Nobel! Mas ela sabia que num momento da sua vida, longo, havia só a escuridão dentro.”

João Batista não se apoderou da profecia – salientou o Papa Francisco – João é o homem que anuncia Jesus Cristo. E tudo começou com um encontro, aquele entre Isabel e Maria em que João dançou de alegria no seio de sua mãe. Segundo o Santo Padre João não se mete no lugar de Jesus fazendo-se ele próprio discípulo de Jesus Cristo.“Vai-nos fazer bem hoje, a nós, perguntarmo-nos sobre o nosso discipulado: anunciamos Jesus Cristo? Aproveitamos ou não aproveitamos da nossa condição de cristãos como se fosse um privilégio? João não se apoderou da profecia. Vamos pelo caminho de Jesus Cristo? O caminho da humilhação, da humildade, do rebaixamento para o serviço? E se nós acharmos que não estamos firmes nisto, perguntemo-nos: ‘Mas quando foi o meu encontro com Jesus Cristo, aquele encontro que me encheu de alegria?’ E voltar ao encontro, voltar à primeira Galileia do encontro, Todos nós temos uma! Voltar lá! Reencontrarmo-nos com o Senhor e andar para a frente neste caminho tão belo, no qual Ele deve crescer e nós diminuir.
Radio Vaticano
João Paulo II, "luminoso exemplo de dedicação completa a Deus e ao homem": Papa Francisco, recebendo os Bispos da Polônia

A “unidade dos Pastores, na fé e na caridade”; uma especial “atenção à família” e à preparação para o matrimônio; o cuidado a reservar sempre aos jovens, mesmo na perspectiva do Encontro Mundial de Cracóvia, em 2016; e uma “renovada conversão missionária”: estes os aspetos sublinhados pelo Papa Francisco, ao receber conjuntamente, nesta sexta-feira, os 97 Bispos que constituem a Conferência Episcopal da Polónia, na conclusão da respectiva visita ad limina Apostolorum.

O Santo Padre evocou a próxima canonização do beato João Paulo II – “luminoso exemplo (disse) de abandono total a Deus e à sua Mãe, e de completa dedicação à Igreja e ao homem”. Reconhecendo e dando graças a Deus pelas “grandes potencialidades de fé, de oração, de caridade e de prática cristã” da Igreja na Polónia, o Papa Francisco convidou ainda assim a um esforço de “discernimento” para “enfrentar os novos desafios” que se colocam à Igreja. E concluiu exortando à “solicitude pelos pobres”. “Não obstante o atual desenvolvimento económico do país – observou – muitos são os necessitados, desempregados, desalojados, abandonados, assim como também tantas famílias – sobretudo as numerosas – sem meios suficientes para viver e educar os filhos”. O Papa Francisco pediu-lhes que lhes estejam sempre “próximos”, continuando a encorajar os padres, religiosos e todos os fiéis a porem em prática a “fantasia da caridade”.
Radio Vaticano

Tweet de hoje do Papa Francisco:


07/02/2014
Que sabor estupendo adquire a vida, quando nos deixamos inundar pelo amor de Deus!

Mensagem do Papa para a XXIX Jornada Mundial da Juventude (Domingo de Ramos, 13 Abril 2014)

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3)

Queridos jovens,

Permanece gravado na minha memória o encontro extraordinário que vivemos no Rio de Janeiro, na XXVIII Jornada Mundial da Juventude: uma grande festa da fé e da fraternidade. A boa gente brasileira acolheu-nos de braços escancarados, como a estátua de Cristo Redentor que domina, do alto do Corcovado, o magnífico cenário da praia de Copacabana. Nas margens do mar, Jesus fez ouvir de novo a sua chamada para que cada um de nós se torne seu discípulo missionário, O descubra como o tesouro mais precioso da própria vida e partilhe esta riqueza com os outros, próximos e distantes, até às extremas periferias geográficas e existenciais do nosso tempo. A próxima etapa da peregrinação intercontinental dos jovens será em Cracóvia, em 2016. Para cadenciar o nosso caminho, gostaria nos próximos três anos de refletir, juntamente convosco, sobre as Bem-aventuranças que lemos no Evangelho de São Mateus (5, 1-12). Começaremos este ano meditando sobre a primeira: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3); para 2015, proponho: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8); e finalmente, em 2016, o tema será: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7).

1. A força revolucionária das Bem-aventuranças

É-nos sempre muito útil ler e meditar as Bem-aventuranças! Jesus proclamou-as no seu primeiro grande sermão, feito na margem do lago da Galileia. Havia uma multidão imensa e Ele, para ensinar os seus discípulos, subiu a um monte; por isso é chamado o «sermão da montanha». Na Bíblia, o monte é visto como lugar onde Deus Se revela; pregando sobre o monte, Jesus apresenta-Se como mestre divino, como novo Moisés. E que prega Ele? Jesus prega o caminho da vida; aquele caminho que Ele mesmo percorre, ou melhor, que é Ele mesmo, e propõe-no como caminho da verdadeira felicidade. Em toda a sua vida, desde o nascimento na gruta de Belém até à morte na cruz e à ressurreição, Jesus encarnou as Bem-aventuranças. Todas as promessas do Reino de Deus se cumpriram n’Ele.

Ao proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o único que conduz à vida eterna. Não é uma estrada fácil, mas o Senhor assegura-nos a sua graça e nunca nos deixa sozinhos. Na nossa vida, há pobreza, aflições, humilhações, luta pela justiça, esforço da conversão quotidiana, combates para viver a vocação à santidade, perseguições e muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos que Ele esteja dentro da nossa história, se partilharmos com Ele as alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que só Deus, amor infinito, pode dar. As Bem-aventuranças de Jesus são portadoras duma novidade revolucionária, dum modelo de felicidade oposto àquele que habitualmente é transmitido pelos mass media, pelo pensamento dominante. Para a mentalidade do mundo, é um escândalo que Deus tenha vindo para Se fazer um de nós, que tenha morrido numa cruz. Na lógica deste mundo, aqueles que Jesus proclama felizes são considerados «perdedores», fracos. Ao invés, exalta-se o sucesso a todo o custo, o bem-estar, a arrogância do poder, a afirmação própria em detrimento dos outros.

Queridos jovens, Jesus interpela-nos para que respondamos à sua proposta de vida, para que decidamos qual estrada queremos seguir a fim de chegar à verdadeira alegria. Trata-se dum grande desafio de fé. Jesus não teve medo de perguntar aos seus discípulos se verdadeiramente queriam segui-Lo ou preferiam ir por outros caminhos (cf. Jo 6, 67). E Simão, denominado Pedro, teve a coragem de responder: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68). Se souberdes, vós também, dizer «sim» a Jesus, a vossa vida jovem encher-se-á de significado, e assim será fecunda.

2. A coragem da felicidade

O termo grego usado no Evangelho é makarioi, «bem-aventurados». E «bem-aventurados» quer dizer felizes. Mas dizei-me: vós aspirais deveras à felicidade? Num tempo em que se é atraído por tantas aparências de felicidade, corre-se o risco de contentar-se com pouco, com uma ideia «pequena» da vida. Vós, pelo contrário, aspirai a coisas grandes! Ampliai os vossos corações! Como dizia o Beato Pierjorge Frassati, «viver sem uma fé, sem um patrimônio a defender, sem sustentar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas ir vivendo. Não devemos jamais ir vivendo, mas viver» (Carta a I. Bonini, 27 de Fevereiro de 1925). Em 20 de Maio de 1990, no dia da sua beatificação, João Paulo II chamou-lhe «homem das Bem-aventuranças» (Homilia na Santa Missa: AAS 82 [1990], 1518). Se verdadeiramente fizerdes emergir as aspirações mais profundas do vosso coração, dar-vos-eis conta de que, em vós, há um desejo inextinguível de felicidade, e isto permitir-vos-á desmascarar e rejeitar as numerosas ofertas «a baixo preço» que encontrais ao vosso redor. Quando procuramos o sucesso, o prazer, a riqueza de modo egoísta e idolatrando-os, podemos experimentar também momentos de inebriamento, uma falsa sensação de satisfação; mas, no fim de contas, tornamo-nos escravos, nunca estamos satisfeitos, sentimo-nos impelidos a buscar sempre mais. É muito triste ver uma juventude «saciada», mas fraca.

Escrevendo aos jovens, São João dizia: «Vós sois fortes, a palavra de Deus permanece em vós e vós vencestes o Maligno» (1 Jo 2, 14). Os jovens que escolhem Cristo são fortes, nutrem-se da sua Palavra e não se «empanturram» com outras coisas. Tende a coragem de ir contra a corrente. Tende a coragem da verdadeira felicidade! Dizei não à cultura do provisório, da superficialidade e do descartável, que não vos considera capazes de assumir responsabilidades e enfrentar os grandes desafios da vida.

3. Felizes os pobres em espírito…

A primeira Bem-aventurança, tema da próxima Jornada Mundial da Juventude, declara felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Num tempo em que muitas pessoas penam por causa da crise econômica, pode parecer inoportuno acostar pobreza e felicidade. Em que sentido podemos conceber a pobreza como uma bênção? Em primeiro lugar, procuremos compreender o que significa «pobres em espírito». Quando o Filho de Deus Se fez homem, escolheu um caminho de pobreza, de despojamento. Como diz São Paulo, na Carta aos Filipenses: «Tende entre vós os mesmos sentimentos que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens» (2, 5-7). Jesus é Deus que Se despoja da sua glória. Vemos aqui a escolha da pobreza feita por Deus: sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). É o mistério que contemplamos no presépio, vendo o Filho de Deus numa manjedoura; e mais tarde na cruz, onde o despojamento chega ao seu ápice.

O adjetivo grego ptochós (pobre) não tem um significado apenas material, mas quer dizer «mendigo». Há que o ligar com o conceito hebraico de anawim (os «pobres de Iahweh»), que evoca humildade, consciência dos próprios limites, da própria condição existencial de pobreza. Os anawim confiam no Senhor, sabem que dependem d’Ele. Como justamente soube ver Santa Teresa do Menino Jesus, Cristo na sua Encarnação apresenta-Se como um mendigo, um necessitado em busca de amor. O Catecismo da Igreja Católica fala do homem como dum «mendigo de Deus» (n. 2559) e diz-nos que a oração é o encontro da sede de Deus com a nossa (n. 2560).

São Francisco de Assis compreendeu muito bem o segredo da Bem-aventurança dos pobres em espírito. De fato, quando Jesus lhe falou na pessoa do leproso e no Crucifixo, ele reconheceu a grandeza de Deus e a própria condição de humildade. Na sua oração, o Poverello passava horas e horas a perguntar ao Senhor: «Quem és Tu? Quem sou eu?» Despojou-se duma vida abastada e leviana, para desposar a «Senhora Pobreza», a fim de imitar Jesus e seguir o Evangelho à letra. Francisco viveu a imitação de Cristo pobre e o amor pelos pobres de modo indivisível, como as duas faces duma mesma moeda. Posto isto, poder-me-íeis perguntar: Mas, em concreto, como é possível fazer com que esta pobreza em espírito se transforme em estilo de vida, incida concretamente na nossa existência? Respondo-vos em três pontos.

Antes de mais nada, procurai ser livres em relação às coisas. O Senhor chama-nos a um estilo de vida evangélico caracterizado pela sobriedade, chama-nos a não ceder à cultura do consumo. Trata-se de buscar a essencialidade, aprender a despojarmo-nos de tantas coisas supérfluas e inúteis que nos sufocam. Desprendamo-nos da ambição de possuir, do dinheiro idolatrado e depois esbanjado. No primeiro lugar, coloquemos Jesus. Ele pode libertar-nos das idolatrias que nos tornam escravos. Confiai em Deus, queridos jovens! Ele conhece-nos, ama-nos e nunca se esquece de nós. Como provê aos lírios do campo (cf. Mt 6, 28), também não deixará que nos falte nada! Mesmo para superar a crise econômica, é preciso estar prontos a mudar o estilo de vida, a evitar tantos desperdícios. Como é necessária a coragem da felicidade, também é precisa a coragem da sobriedade. Em segundo lugar, para viver esta Bem-aventurança todos necessitamos de conversão em relação aos pobres. Devemos cuidar deles, ser sensíveis às suas carências espirituais e materiais. A vós, jovens, confio de modo particular a tarefa de colocar a solidariedade no centro da cultura humana. Perante antigas e novas formas de pobreza – o desemprego, a emigração, muitas dependências dos mais variados tipos –, temos o dever de permanecer vigilantes e conscientes, vencendo a tentação da indiferença. Pensemos também naqueles que não se sentem amados, não olham com esperança o futuro, renunciam a comprometer-se na vida porque se sentem desanimados, desiludidos, temerosos. Devemos aprender a estar com os pobres. Não nos limitemos a pronunciar belas palavras sobre os pobres! Mas encontremo-los, fixemo-los olhos nos olhos, ouçamo-los. Para nós, os pobres são uma oportunidade concreta de encontrar o próprio Cristo, de tocar a sua carne sofredora.

Mas – e chegamos ao terceiro ponto – os pobres não são pessoas a quem podemos apenas dar qualquer coisa. Eles têm tanto para nos oferecer, para nos ensinar. Muito temos nós a aprender da sabedoria dos pobres! Pensai que um Santo do século XVIII, Bento José Labre – dormia pelas ruas de Roma e vivia das esmolas da gente –, tornara-se conselheiro espiritual de muitas pessoas, incluindo nobres e prelados. De certo modo, os pobres são uma espécie de mestres para nós. Ensinam-nos que uma pessoa não vale por aquilo que possui, pelo montante que tem na conta bancária. Um pobre, uma pessoa sem bens materiais, conserva sempre a sua dignidade. Os pobres podem ensinar-nos muito também sobre a humildade e a confiança em Deus. Na parábola do fariseu e do publicano (cf. Lc 18, 9-14), Jesus propõe este último como modelo, porque é humilde e se reconhece pecador. E a própria viúva, que lança duas moedinhas no tesouro do templo, é exemplo da generosidade de quem, mesmo tendo pouco ou nada, dá tudo (Lc 21, 1-4).

4. … porque deles é o Reino do Céu

Tema central no Evangelho de Jesus é o Reino de Deus. Jesus é o Reino de Deus em pessoa, é o Emanuel, Deus conosco. E é no coração do homem que se estabelece e cresce o Reino, o domínio de Deus. O Reino é, simultaneamente, dom e promessa. Já nos foi dado em Jesus, mas deve ainda realizar-se em plenitude. Por isso rezamos ao Pai cada dia: «Venha a nós o vosso Reino».

Há uma ligação profunda entre pobreza e evangelização, entre o tema da última Jornada Mundial da Juventude – «Ide e fazei discípulos entre todas as nações» (Mt 28, 19) – e o tema deste ano: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3). O Senhor quer uma Igreja pobre, que evangelize os pobres. Jesus, quando enviou os Doze em missão, disse-lhes: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; pois o trabalhador merece o seu sustento» (Mt 10, 9-10). A pobreza evangélica é condição fundamental para que o Reino de Deus se estenda. As alegrias mais belas e espontâneas que vi ao longo da minha vida eram de pessoas pobres que tinham pouco a que se agarrar. A evangelização, no nosso tempo, só será possível por contágio de alegria. Como vimos, a Bem-aventurança dos pobres em espírito orienta a nossa relação com Deus, com os bens materiais e com os pobres. À vista do exemplo e das palavras de Jesus, damo-nos conta da grande necessidade que temos de conversão, de fazer com que a lógica do ser mais prevaleça sobre a lógica do ter mais. Os Santos são quem mais nos pode ajudar a compreender o significado profundo das Bem-aventuranças. Neste sentido, a canonização de João Paulo II, no segundo domingo de Páscoa, é um acontecimento que enche o nosso coração de alegria. Ele será o grande patrono das Jornadas Mundiais da Juventude, de que foi o iniciador e impulsionador. E, na comunhão dos Santos, continuará a ser, para todos vós, um pai e um amigo.

No próximo mês de Abril, tem lugar também o trigésimo aniversário da entrega aos jovens da Cruz do Jubileu da Redenção. Foi precisamente a partir daquele ato simbólico de João Paulo II que principiou a grande peregrinação juvenil que, desde então, continua a atravessar os cinco continentes. Muitos recordam as palavras com que, no domingo de Páscoa do ano 1984, o Papa acompanhou o seu gesto: «Caríssimos jovens, no termo do Ano Santo, confio-vos o próprio sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a ao mundo como sinal do amor do Senhor Jesus pela humanidade, e anunciai a todos que só em Cristo morto e ressuscitado há salvação e redenção».

Queridos jovens, o Magnificat, o cântico de Maria, pobre em espírito, é também o canto de quem vive as Bem-aventuranças. A alegria do Evangelho brota dum coração pobre, que sabe exultar e maravilhar-se com as obras de Deus, como o coração da Virgem, que todas as gerações chamam «bem-aventurada» (cf. Lc 1, 48). Que Ela, a mãe dos pobres e a estrela da nova evangelização, nos ajude a viver o Evangelho, a encarnar as Bem-aventuranças na nossa vida, a ter a coragem da felicidade.

Vaticano, 21 de Janeiro – Memória de Santa Inês, virgem e mártir - de 2014.
Radio Vaticano - 06.fevereiro.2014

Pedir a graça de morrer na Igreja, na esperança e deixando a herança de uma vida cristã – o Papa em Santa Marta

Na missa desta quinta-feira, 6.fevereiro.2014, na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco na sua homilia comentou a Primeira leitura do dia que nos relata a morte de David depois de uma vida ao serviço do seu povo. Uma reflexão do Santo Padre sobre o mistério da morte da qual se pode extrair três ideias: permanecer até ao fim com o Povo de Deus no seio da Igreja; morrer conscientes da esperança e deixar um testemunho cristão como herança. Desde logo, as duas primeiras:

“Pecador sim , traidor não! É esta é uma graça: permanecer até ao fim no Povo de Deus. Ter a graça de morrer no seio da Igreja. E este é o primeiro ponto que eu gostaria de sublinhar. Também para nós pedir a graça de morrer em casa. Morrer em casa, na Igreja. E esta é uma graça! Isto não se compra! É um presente de Deus e devemos pedi-lo: ‘Senhor, dá-me a prenda de morrer em casa, na Igreja!’. Pecadores sim, todos somos! Mas traidores não! E a Igreja é tão mãe que nos quer assim, tantas vezes sujos, mas a Igreja limpa-nos: é mãe!”

“Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que , nos seus últimos tempos, na sua alma havia uma luta e quando ela pensava no futuro, àquilo que a esperava depois da morte, no céu, ouvia como que uma voz que dizia: “Mas não sejas tonta, espera-te a escuridão. Espera-te apenas a escuridão no nada!’ É a voz do diabo, do demônio, que não queria que ela confiasse em Deus! E pedir esta graça. Mas confiar em Deus começa agora, nas pequenas coisas da vida, mesmo nos grandes problemas: confiar sempre no Senhor e assim ficamos com este hábito de confiar sempre no Senhor e cresce a esperança. Morrer em casa, morrer na esperança.”

A terceira ideia da reflexão do Papa Francisco é sobre a herança que deixa David. Recordando que tantos são os problemas e escândalos que existem em muitas famílias sobre as heranças, o Santo Padre afirmou que a melhor herança que podemos deixar aos outros é o testemunho cristão:“Esta é a herança: o nosso testemunho de cristãos deixado aos outros. E alguns de nós deixam uma grande herança: pensemos nos santos que viveram o Evangelho com tanta força, que nos deixam um caminho de vida e modo de viver como herança. Eis as três coisas que me vêm ao coração na leitura desta passagem sobre a morte de David: pedir a graça de morrer em Igreja; morrer na esperança, com esperança; e pedir a graça de deixar uma bela herança, uma herança humana, uma herança feita com o testemunho da nossa vida cristã. Que São David nos conceda a todos nós estas três graças!”

Esta é a mensagem que o Papa Francisco nos deixou hoje em seu Twitter:

06/02/2014
O mundo fixa o nosso olhar em nós mesmos, no ter, no prazer. O Evangelho convida a abrir-nos aos outros, a partilhar com os pobres.
Radio Vaticano

A Igreja e a propaganda

Dom Fernando Arêas Rifan*

Propaganda vem do latim propagare, propagar. É a missão da Igreja: propagar a fé, a boa nova do Evangelho: “ide e ensinai”, “ide e fazei discípulos entre todas as nações!”.

Vale a propósito recordar alguns trechos da curiosa palestra, proferida na CNBB, em 1977, pelo famoso publicitário Alex Periscinotto, um dos pioneiros da propaganda no Brasil.

Ele começou agradecendo à Igreja, por ter inventado todas as ferramentas de trabalho, usadas hoje na comunicação:

“O primeiro veículo de comunicação de massa inventado até hoje, o mais forte de todos, foi o sino. O sino, que tinha mensagem nas suas batidas, atingia, na ocasião das aldeias, 80, 90% das pequenas cidades. Ele não só atingia como modificava o comportamento físico e mental de 80, 90% das aldeias cada vez que ele batia”.


Outra ferramenta moderna de comunicação, inventada pelos religiosos, diz ele, é o display, o destaque. “Nós usamos o display para destacar uma informação. Quando todos os telhados das aldeias eram baixinhos, vocês construíram um telhado altíssimo, 4, 5 vezes maior e em forma de ponta... Isso era para se avistar ao longe a torre da igreja, logo que se entrasse na aldeia. Por esse display, a gente com facilidade localizava a igreja. Mais do que isso, vocês inventaram o primeiro logotipo, o mais feliz deles, a cruz. A cruz que nunca foi esquecida de ser colocada no alto do display e que permitia que, além de se identificar que ali era uma igreja, também se identificava que ela pertencia àquela marca, àquela religião...”

“Hoje, uma das ferramentas mais preciosas para se usar nas campanhas é a pesquisa. O primeiro departamento de pesquisa de que se sabe foi inventado por vocês, é o confessionário. Era então um santo departamento de pesquisa. Digo santo porque hoje quando a gente faz um ibope qualquer é possível que a pessoa minta, mas no santo departamento de pesquisa a coisa não só era espontânea, mas necessária e verdadeira. Por exemplo, se eu quero me reconstruir de dentro para fora, eu vou a um analista pago mil dinheiros e ele me ajuda um pouco, mas a minha mãe vai a um confessionário, sai reconstruída de dentro para fora, sai de lá aliviada e perdoada, coisa que nenhum analista faz nem que você pague o dobro”.

“Vocês mudaram o sistema da missa, a missa não é mais em latim e o padre não fica mais de costas para o público. Mas minha mãe nunca achou que vocês estavam de costas para ela, achou que vocês estavam de frente para Deus e ela gostava do latim, embora não entendesse bem as palavras, porque era uma linguagem mística que fazia se entender por Deus... Mas o que quero dizer é que toda essa máquina de comunicação que vocês inventaram não foi à toa. Vocês não inventaram sinos e aquela indumentária toda, que eu chamo de embalagem religiosa simplesmente por nada. Não! Vocês tinham o mesmo problema que nós temos agora: vocês tinham uma coisa a ser propagada, o produto de vocês chamava-se fé. Eu tenho uma boa notícia para vocês, esse produto, a fé, está em falta no mercado, mas hoje vocês não propagam mais fé (!)... Fé era o que minha mãe ia buscar na igreja...”.

*Bispo da Adm. Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

O Papa na audiência geral: é muito importante ir à Missa ao Domingo; a Eucaristia é salvação

Roma acordou com frio e chuva nesta quarta-feira, 5.fevereiro.2014, para a audiência geral na Praça de São Pedro na qual o Papa Francisco desenvolveu uma catequese sobre a Eucaristia:

“A Eucaristia coloca-se no coração da iniciação cristã, juntamente com o Batismo e a Confirmação e constitui a fonte da própria vida da Igreja. Deste Sacramento do amor parte cada autêntico caminho de fé, de comunhão e de testemunho”.

Segundo o Papa Francisco, na Igreja todo o caminho autêntico de fé, comunhão e testemunho parte do sacramento da Eucaristia. A palavra “Eucaristia” significa agradecimento – continuou o Santo Padre - porque, nela, está presente e perdura o gesto mais sublime de ação de graças que alguma vez se elevou da humanidade ao Pai pela sua misericórdia e o seu amor.

“Palavra e Pão na Missa, tornam-se num só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que tinha feito, condensaram-se no gesto de partir o pão e oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz com aquelas palavras «Tomai e comei: Isto é o meu corpo (…). Tomai e bebei: Este é o cálice do meu sangue”.

Com aquele gesto – continuou o Papa Francisco - o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor e, deste modo, renova o nosso coração, a nossa vida e o nosso modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos.

“Assim, a celebração eucarística é bem mais que um simples banquete: é o memorial da Páscoa de Jesus, o mistério central da salvação. Memorial não significa só recordação, mas quer dizer que cada vez que celebramos este sacramento participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo”.

Por isso, quando nos abeiramos deste sacramento – continuou o Papa Francisco - é costume dizer-se que vamos «receber a Comunhão»: na verdade, pela graça e virtude do Espírito Santo, esta participação na Mesa Eucarística configura-nos de forma tão profunda com Cristo que nos faz saborear desde já aquela comunhão plena com o Pai que se vive no banquete do Céu.

O Papa Francisco no final da sua catequese convidou todos os cristãos a participarem na missa dominical não só para rezar mas também para receber a comunhão, este pão que é o Corpo de Jesus Cristo. Afirmou ainda que todas as crianças devem fazer a comunhão e prepararem-se bem para esse sacramento.

No final da audiência o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, desejando-vos que cresçais sempre mais no amor e na adoração da Eucaristia, para que este Sacramento possa continuar a plasmar as vossas comunidades na caridade e na comunhão, segundo o coração do Pai. De bom grado vos abençoo a vós e aos vossos entes queridos!”

Durante as saudações em língua italiana o Papa Francisco, invocando as virtudes heróicas de Santa Ágata, virgem e mártir, dirigiu-se aos jovens, exortando-os a compreenderem a importância da pureza e da virgindade; aos doentes encorajando-os a aceitarem a cruz em união espiritual com o coração de Cristo e ainda aos jovens noivos para que compreendam cada vez melhor o papel da mulher na vida familiar.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!
Radio Vaticano

Mensagem do Santo Padre para a Quaresma de 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo?

Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013 Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

Francisco
Radio Vaticano

Deus chora, porque é um pai que ama e espera sempre os seus filhos – Papa na missa desta terça-feira, 4.fevereiro.2014

Também Deus chora e o seu choro é como aquele de um pai que ama e espera sempre os seus filhos mesmo que sejam rebeldes – esta a principal mensagem da homilia do Papa Francisco nesta terça-feira em Santa Marta. As leituras do dia apresentam as figuras de dois pais: o rei David que chora a morte de seu filho Absalão e Jairo, chefe da Sinagoga, que pede a Jesus para lhe curar a filha.

O exército do rei David mata Absalão e David perde o seu filho que se tinha rebelado contra si. O rei não se interessa pela vitória mas sim pelo seu filho Absalão e sofre e chora por ele:

“Dizia ele: ‘Meu filho, Absalão. Meu filho! Fosse morto eu em vez de ti! Absalão, meu filho!’ Este é o coração de um pai que nunca renega o seu filho. ‘É um rebelde, é um inimigo, mas é meu filho!’ E não renega a paternidade: chora...Duas vezes chorou David por um filho: esta e a outra quando estava para morrer o filho do adultério. Mesmo naquela vez fez jejum, penitência para salvar a vida do filho. Era pai!”

O outro pai é Jairo o chefe da Sinagoga, uma pessoa importante – afirma o Papa Francisco – que perante a doença da filha não tem vergonha de atirar-se aos pés de Jesus, implorando a sua ajuda. No episódio que nos é relatado no capítulo V do Evangelho de S. Marcos, Jairo não pensa ao que os outros possam dizer dele. Ele é pai e isso é o mais importante. David e Jairo são dois exemplos de paternidade - como nos refere o Santo Padre – e que nos fazem pensar no amor de Deus por nós:

“Para eles o que é mais importante é o filho ou a filha! A única coisa importante! Faz-nos pensar na primeira coisa que nós dizemos a Deus no Credo: ‘Creio em Deus Pai...’ Faz-nos pensar na paternidade de Deus. Mas Deus é assim. Deus é assim conosco! ‘Mas Padre Deus não chora!’ Quem disse que não? Recordemos Jesus, quando chorou olhando Jerusalém: ‘Jerusalém, quantas vezes quis recolher os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintainhos sob as suas asas.’ Deus chora! Jesus chorou por nós! E aquele choro de Jesus é mesmo a figura do choro do Pai, que nos quer a todos consigo.”

Terça-feira, tweet do Papa Francisco:

04/02/2014
Queridos jovens, Jesus dá-nos a vida, e vida em abundância. Unidos a Ele, teremos a alegria no coração e um sorriso nos lábios.

Um homem de governo não instrumentaliza Deus e o seu povo – o Papa na missa em Santa Marta

Nos momentos difíceis da vida não se deve «negociar Deus» usando os outros para se salvar a si mesmo: a atitude justa é fazer penitência, reconhecendo os próprios pecados e confiando-se ao Senhor, sem ceder à tentação de «fazer justiça com as próprias mãos». Na missa celebrada na manhã de segunda-feira, 3 de Fevereiro, na capela da Casa de Santa Marta, o Papa Francisco voltou a propor o testemunho do rei David, «santo e pecador», no «momento escuro» da fuga de Jerusalém devido à traição do filho Assalão.

Na sua meditação o Pontífice partiu da primeira leitura, tirada do segundo livro de Samuel (15, 13-14.30; 16, 5-13a). «Ouvimos – disse – a história daquele momento tão triste de David, quando teve que fugir porque o seu filho o traiu». São eloquentes as palavras de David, que chama Assalão «o filho que saiu das minhas vísceras». Estamos diante de «uma grande traição»: também a maior parte do povo se declara a favor «do filho contra o rei». Lê-se de facto na Escritura: «O coração dos Israelitas está com Assalão». Deveras para David é «como se este filho tivesse morrido».

Mas o que faz David diante da traição do Filho? O Papa indicou «três atitudes». Antes de tudo, explicou, «David, homem de governo, encara a realidade tal como ela é». Sabe que esta guerra será muito dura, sabe que haverá muitos mortos do povo», porque «uma parte do povo é contra a outra». E com realismo faz «a escolha de não deixar morrer o seu povo». Sem dúvida, teria podido «lutar em Jerusalém contra as forças do seu filho. Mas disse: não, não quero que Jerusalém seja destruída!». E opôs-se também aos seus que queriam levar embora a arca, ordenando-lhes que a deixassem no seu lugar: «Que a arca de Deus permaneça na cidade!». Tudo isto mostra «a primeira atitude» de David, que «para se defender não usa nem Deus nem o seu povo», porque sente por ambos um «grande amor».

A segunda é uma «atitude penitencial», que David assume quando foge de Jerusalém. Lê-se no trecho do livro de Samuel: «Subia chorando» ao monte «e caminhava com a cabeça coberta e os pés descalços». Mas, comentou o Papa, «imaginai o que significa subir ao monte descalço!». O mesmo fazia o povo que estava com ele: «Tinha a cabeça coberta e, subindo, chorava».

Por conseguinte, David vive uma «atitude penitencial». Ao contrário, quando acontece a nós, disse o Papa, «uma coisa semelhante na nossa vida, procuramos sempre – é o nosso instinto – justificar-nos». Ao contrário, «David não se justifica. É realista. Procura salvar a arca de Deus, o seu povo. E faz penitência» subindo ao monte. Por esta razão «é grande: um grande pecador e um grande santo». Sem dúvida, acrescentou o Santo Padre, «como se podem conciliar estas duas coisas» só «Deus sabe. Mas esta é a verdade!».

No caminho percorrido por David aparece um outro personagem que é Chimei que atira pedras contra ele e todos os seus servos considerando-o inimigo. Mas o rei David não escolhe o caminho da vingança mas confia no Senhor. E esta confiança em Deus é a terceira atitude que apresenta o Papa Francisco: confiar em Deus não procurando fazer justiça pelas suas próprias mãos.

Precisamente estas três atitudes de David no momento da escuridão, no momento da prova, podem ajudar todos nós» quando nos encontramos em situações difíceis. Não se deve «negociar a nossa pertença». Depois, repetiu o Pontífice, devemos aceitar a penitência», compreender as razões pelas quais se «precisa de fazer penitência», e deste modo saber «chorar sobre os nossos erros, sobre os nossos pecados». Por fim, não se deve procurar fazer justiça com as próprias mãos mas devemos «confiar-nos a Deus».

O Papa concluiu a homilia convidando a invocar David, que «veneramos como santo», pedindo-lhe que nos ensine a viver «estas atitudes nos momentos maus da vida». Para que cada um possa ser «um homem que ama a Deus, ama o seu povo e não o negocia; um homem que sabe que é pecador e faz penitência; um homem que tem a certeza do seu Deus e a ele se entrega».
Radio Vaticano/L'Osservatore Romano

Tweet do Papa Francisco nesta segunda-feira:

03/02/2014
É importante ter amigos de quem nos possamos fiar. Essencial, porém, é ter confiança no Senhor, que nunca nos desilude.

A Igreja tem sempre necessidade de purificação-O Papa Francisco aos bispos austríacos em visita ad limina

«A santa Igreja tem sempre necessidade de purificação». Falando aos bispos austríacos – recebidos em audiência na manhã de quinta-feira, 30 de Janeiro, para a visita «ad limina Apostolorum» – o Papa Francisco evocou os ensinamentos do concílio Vaticano II para renovar o convite a «não nos resignarmos ao pecado», mesmo se, disse, «a Igreja inclui no seu seio os pecadores».

«Ser Igreja – explicou – não significa gerir, mas sair, ser missionários, levar aos homens a luz da fé e a alegria do Evangelho. Não esqueçamos que o impulso do nosso compromisso de cristãos no mundo não é a ideia de uma filantropia, de um humanismo vago, mas um dom de Deus, isto é, a oferenda da filiação divina que recebemos no Baptismo. E este dom, ao mesmo tempo, é uma tarefa».

Depois o Pontífice indicou a família «como campo importante do nosso trabalho de pastores». No nosso tempo – acrescentou – «vemos que a família e o matrimónio, nos países do mundo ocidental, sofrem uma crise interior profunda»; a globalização e o individualismo pós-moderno «favorecem um estilo de vida que torna muito mais difícil o desenvolvimento e a estabilidade dos vínculos entre as pessoas e não é favorável para promover uma cultura da família». Portanto, «abre-se aqui um novo campo missionário para a Igreja, por exemplo nos grupos de famílias onde se cria espaço para as relações interpessoais e com Deus, onde pode crescer uma comunhão autêntica onde todos são acolhidos do mesmo modo e não se fecha em grupos de elite, que cura as feridas, constrói pontes, vai em busca dos distantes e ajuda».
Radio Vaticano

Festa da Apresentação do Senhor
Dia Mundial da Vida Consagrada

Basílica Vaticana
Domingo, 2 de fevereiro de 2014

Homilia do Santo Padre

A festa da Apresentação de Jesus ao Templo é chamada também de festa do encontro: na liturgia, no início se diz que Jesus vai ao encontro do seu Povo, é o encontro entre Jesus e o seu povo; quando Maria e José levaram o seu menino ao Templo de Jerusalém, acontece o primeiro encontro entre Jesus e o seu povo, representado pelos dois anciãos Simeão e Ana.

Aquele foi também um encontro dentro da história do povo, um encontro entre os jovens e os idosos; os jovens eram Maria e José, com o seu recém-nascido; e os idosos eram Simeão e Ana, dois personagens que frequentavam sempre o Templo.

Observemos o que o evangelista Lucas diz deles, como os descreve. De Nossa Senhora e de São José, repete quatro vezes que queriam fazer aquilo que estava prescrito na Lei do Senhor (cfr Lc 2,22.23.24.27). Percebe-se que os pais de Jesus têm a alegria de observar os preceitos de Deus, sim, a alegria de caminhar na Lei do Senhor! São dois esposos novos, recém tiveram a criança e estão animados pelo desejo de cumprir aquilo que está prescrito. Não é um fato exterior, não é para sentir-se com o dever cumprido, não! É um desejo forte, profundo, cheio de alegria. É aquilo que diz o Salmo: “Na observância dos teus ensinamentos eu me alegro… A vossa lei é a minha delícia” (119,14.77).

E o que São Lucas diz dos idosos? Destaca mais de uma vez que eram guiados pelo Espírito Santo. De Simeão afirma que era um homem justo e religioso, que esperava a consolação de Israel, e que “o Espírito Santo estava sobre ele” (2, 25); diz que “o Espírito Santo lhe havia anunciado” que antes de morrer iria ver o Cristo, o Messias (v. 26); e enfim que se dirigiu ao Templo “movido pelo Espírito” (v. 27). De Ana, depois, diz que era uma “profetisa” (v. 36), isso é, inspirada por Deus; e que estava sempre no Templo “servindo Deus com jejum e oração” (v. 37). Em suma, estes dois anciãos são cheios de vida! São cheios de vida porque animados pelo Espírito Santo, dóceis à sua ação, sensíveis aos seus chamados…

E então o encontro entre a Sagrada Família e estes dois representantes do povo santo de Deus. No centro está Jesus. É Ele que move tudo, que atrai uns e outros ao Templo, que é a casa de seu Pai.

É um encontro entre os jovens cheios de alegria no observar a Lei do Senhor e os idosos cheios de alegria pela ação do Espírito Santo. É um singular encontro entre a observância e a profecia, onde os jovens são os observadores e os idosos são os proféticos! Na realidade, se refletimos bem, a observância da Lei é animada pelo mesmo Espírito e a profecia se move no caminho traçado pela Lei. Quem mais que Maria é cheia do Espírito Santo? Quem mais que ela é dócil à sua ação?

À luz desta cena evangélica olhamos à vida consagrada como a um encontro com Cristo: é Ele que vem a nós, trazido por Maria e José, e somos nós que vamos a Ele, guiados pelo Espírito Santo. Mas no centro está Ele. Ele move tudo, Ele nos atrai ao Templo, à Igreja, onde podemos encontrá-Lo, reconhecê-Lo, acolhê-Lo, abraçá-Lo.
Jesus vem ao nosso encontro na Igreja através do carisma fundacional de um Instituto: é belo pensar assim na nossa vocação! O nosso encontro com Cristo tomou a sua forma na Igreja mediante o carisma de um seu testemunho, de uma sua testemunha. Isto sempre nos surpreende e nos faz dar graças.

E também na vida consagrada se vive o encontro entre os jovens e os idosos, entre a observância e a profecia. Não os vejamos como duas realidades opostas! Deixemos, em vez disso, que o Espírito Santo anime ambos, e o sinal disto é a alegria: a alegria de observar, de caminhar em uma regra de vida; e a alegria de ser guiados pelo Espírito, nunca rígidos, nunca fechados, sempre abertos à voz de Deus que fala, que abre, que conduz, que nos convida a seguir para o verdadeiro horizonte.

Faz bem aos idosos comunicar a sabedoria aos jovens; e faz bem aos jovens acolher este patrimônio de experiência e de sabedoria, e levá-lo adiante, não para protegê-lo em um saco, mas para levá-lo adiante enfrentando os desafios que a vida nos apresenta, levando adiante pelo bem das respectivas famílias religiosas e de toda a Igreja.

A graça deste mistério, o mistério do encontro, ilumine-nos e nos conforte no nosso caminho. Amém.
Radio Vaticano
Papa no Angelus: Consagrados, ícone da bondade de Deus. A solidariedade às vítimas das chuvas na Itália

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje celebramos a festa da Apresentação de Jesus no templo. Nesta data, ocorre também o Dia da Vida Consagrada, que sublinha a importância para a Igreja de quantos acolheram a vocação a seguir Jesus de perto no caminho dos conselhos evangélicos. O Evangelho do dia conta que, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino ao templo para oferecê-lo e consagrá-lo a Deus, como prescrito pela lei judaica.  Este episódio evangélico constitui também um ícone da doação da própria vida por parte daqueles que, por um dom de Deus, assumem os traços típicos de Jesus casto, pobre e obediente.

Esta oferta de si mesmo a Deus diz respeito a cada cristão, porque todos somos consagrados a Ele mediante o Batismo. Todos somos chamados a oferecer-nos ao pai com Jesus e como Jesus, fazendo da nossa vida um dom generoso, na família, no trabalho, no serviço à Igreja, nas obras de misericórdia. Todavia, tal consagração é vivida de modo particular pelos religiosos, pelos monges, pelos leigos consagrados, que com a profissão dos votos pertencem a Deus de modo pleno e exclusivo. Esta pertença ao Senhor permite a quantos a vivem de modo autêntico oferecer um testemunho especial ao Evangelho do Reino de Deus. Totalmente consagrados a Deus, são totalmente entregues aos irmãos, para levar a luz de Cristo lá onde mais densas são as escuridões e para difundir a sua esperança nos corações desanimados.

As pessoas consagradas são sinal de Deus nos diversos ambientes da vida, são fermento para o crescimento de uma sociedade mais justa e fraterna, são profecia de partilha com os pequenos e os pobres. Assim entendida e vivida, a vida consagrada nos parece propriamente como ela realmente é: é um dom de Deus, um dom de Deus à Igreja, um dom de Deus ao seu Povo! Cada pessoa consagrada é um dom para o Povo de Deus em caminho. Há tanta necessidade destas presenças, que reforçam e renovam o empenho da difusão do Evangelho, da educação cristã, da caridade para com os mais necessitados, da oração contemplativa; o empenho na formação humana, na formação espiritual dos jovens, das famílias; o empenho pela justiça e a paz na família humana. Mas pensemos um pouco o que seria se não fossem as irmãs nos hospitais, as irmãs nas missões, as irmãs nas escolas. Mas pensem em uma Igreja sem as irmãs! Não se pode pensar: estes são esse dom, esse fermento que leva adiante o Povo de Deus. São grandes estas mulheres que consagram a sua vida a Deus, que levam adiante a mensagem de Jesus.

A Igreja e o mundo precisam deste testemunho de amor e da misericórdia de Deus. Os consagrados, os religiosos, as religiosas são o testemunho de que Deus é bom e misericordioso. Por isso é necessário valorizar com gratidão as experiências de vida consagrada e aprofundar o conhecimento dos diversos carismas e espiritualidade. É preciso rezar para que tantos jovens respondam “sim” ao Senhor que os chama a consagrar-se totalmente a Ele para um serviço desinteressado aos irmãos; consagrar a vida para servir Deus e os irmãos.

Por todos esses motivos, como já foi anunciado, o próximo ano será dedicado de modo especial à vida consagrada. Confiemos desde já esta iniciativa à intercessão da Virgem Maria e de São José que, como pais de Jesus, foram os primeiros a serem consagrados por Ele e a consagrar as suas vidas a Ele.

Após rezar o Angelus, Papa Francisco deixou aos fiéis um apelo em prol da vida. Na Itália, é celebrado hoje o Dia pela Vida, ocasião que o Santo Padre aproveitou para pedir que esse dom seja respeito, amado, acolhido e promovido.

Francisco encorajou movimentos, associações e centros culturais empenhados na defesa e promoção da vida. Ele se uniu aos bispos italianos para confirmar que cada filho é uma face de Deus que ama a vida, presente para a família e a sociedade.

“Cada um, no próprio papel e no próprio âmbito, sinta-se chamado a amar e servir a vida, a acolhê-la, respeitá-la e promovê-la, especialmente quando ela é frágil e necessitada de atenções e cuidados, do ventre materno até o seu fim nesta terra”.

Antes de se despedir dos fiéis, o Papa dirigiu seu pensamento às vítimas das chuvas em Roma e Toscana. O tempo ruim tem causado alagamentos e inundações. “Não falte a esses nossos irmãos que estão na provação a nossa solidariedade concreta, a nossa oração. Estou próximo a vocês”, disse.
Radio Vaticano

Papa Francisco, Tweet deste domingo:

02/02/2014
Que o Dia Mundial da Vida Consagrada seja uma ocasião propícia para redescobrirmos a centralidade de Jesus Cristo na nossa vida!


Vibrante encontro do Papa com a Comunidade Neocatecumenal. Três suas "recomendações"

“Caminhar conjuntamente, como único rebanho, sob a guia dos Pastores das Igrejas locais” – esta uma das “recomendações” deixadas pelo Papa Francisco, “em nome da Igreja, nossa Mãe”, aos membros do Caminho Neocatecumenal, num encontro realizado neste sábado de manhã, no Vaticano, no Auditório Paulo VI. O Papa deu o “mandato missionário” a umas 1.500 pessoas do “Caminho” que partirão para 40 diferentes “missões” através do mundo, 17 das quais na Ásia. Cada uma destas “missões” é constituída por quatro ou cinco famílias (com os respectivos filhos) e ainda um padre, um seminarista e três religiosas em missão.

Dirigindo-se especialmente a estes grupos que partem em missão, a primeira recomendação do Papa Francisco foi a de “porem o máximo cuidado em construir e conservar a comunhão no interior das Igrejas particulares” em que vão atuar. O que significa “colocar-se à escuta das Igrejas” aonde são enviados, valorizando as riquezas das mesmas, sofrendo mesmo – se for preciso – as suas debilidades, e caminhando juntamente” com elas.

“A comunhão é essencial: por vezes pode ser melhor renunciar a viver em todos os pormenores o que o vosso itinerário exigiria, de modo a garantir a unidade entre os irmãos que formam a única comunidade eclesial, de que sempre vos deveis sentir parte”.

Uma segunda indicação do Papa Francisco aos Neocatecumenais que partem em missão é a consciência de que “o Espírito do Senhor chega sempre antes de nós”.

“O Senhor precede-nos sempre! Mesmo nos lugares mais distantes, mesmo nas culturas mais diversas. Deus espalha por toda a parte as sementes do seu Verbo”.

Daqui a importância de dedicarem “especial atenção ao contexto cultural” que irão encontrar, tantas vezes “muito diferente daquele de onde provêm”. Para além do esforço de falar a língua local, importante será também “o esforço de aprender as culturas que encontrarem, reconhecendo ao mesmo tempo a necessidade do Evangelho que nelas existe e a ação que o Espírito Santo tem realizado na vida e na história de cada povo”.

Finalmente – última exortação do Papa – cuidarem “com amor uns dos outros, em particular dos mais débeis”. Pode acontecer que algum irmão ou irmã encontre dificuldades imprevistas no exigente caminho a percorrer. A Comunidade terá então que “exercitar a paciência e a misericórdia”. Será um “sinal de maturidade”.

“Não se deve forçar a liberdade de ninguém. Há que respeitar mesmo a eventual decisão de procurar, fora do Caminho, outras formas de vida cristã que ajudem a crescer na resposta à chamada do Senhor”.

Segundo informa a agência Ecclesia, encontravam-se presentes também neste encontro com o Papa nove famílias e quatro jovens portugueses que partem em missão para diversas partes do mundo. Duas destas famílias provêm da Diocese de Lisboa, uma de Setúbal, outra de Aveiro, outra ainda da diocese de Portalegre-Castelo Branco, duas da arquidiocese de Évora. Quanto aos mais novos, trata-se de duas jovens de Lisboa, uma de Angra (Açores) e um jovem de Setúbal. Os destinos da missão são diferentes, mas é para a Ásia que “vai a maior parte das pessoas”.
Radio Vaticano

Papa Francisco escreveu-nos, nesta manhã, em seu twitter:



01/02/2014
Às vezes estamos tristes por causa do peso dos nossos pecados. Não desanimemos! Foi para tirar tudo isso que Cristo veio; Ele dá-nos a paz.