Dom Bosco - HISTÓRIA ECLESIÁSTICA

 

CAPÍTULO VII

 

São Cleto, Segunda Perseguição - São Clemente e o Cisma de Corinto - Terceira Perseguição - Desterro e martírio de São Clemente.

 

São Cleto, Segunda Perseguição - Os cristãos gozavam de alguma tranqüilidade no reinado de Tito e de Vespasiano, posto que ainda não tivessem sido revogados os sangrentos decretos de Nero pelos quais todo aquele que tinha alguma autoridade podia perseguir, a seu capricho, os fiéis de Jesus Cristo.

 

Domiciano, a quem a história apelida de segundo Nero, ordenou que vigorassem novamente, e com maior rigor as leis de perseguição. No seu reinado São Cleto governou a Igreja doze anos. Este Pontífice nasceu em Roma, e ali o instruiu São Pedro na fé; trabalhou muito durante o pontificado deste e o de São Lino. Entre as obras que se lhe atribuem, acha-se a divisão da cidade de Roma em 25 quartéis ou secções; em cada uma das secções estabeleceu um sacerdote ou na sua falta um diácono, para que cuidasse das necessidades espirituais e temporais dos fiéis. Achava-se ocupado em propagar o Evangelho dentro e fora da cidade de Roma, quando Domiciano ordenou que se buscasse o chefe dos cristãos e que se lhe desse a morte. A impaciência do tirano em dar-lhe a morte poupo-lhe muitos e grandes suplícios; martirizaram-no no ano de 93. Autores dignos de fé dizem que São Cleto foi o primeiro que usou a fórmula: <<Saúde e benção apostólica>>, com que os Papas soem começar suas cartas.

 

São Clemente e o Cisma de Corinto - O quarto Pontífice é São Clemente; este era filho de um Senador romano chamado Faustino. Foi eleito para governar a Igreja depois do martírio de São Cleto. Entre as belas instituições deste Pontífice conta-se a dos notários ou escreventes, que se encarregavam de escrever com o maior cuidado a ordem dos sofrimentos dos mártires, e de todas as coisas que eles diziam ou faziam em presença dos juizes ou dos imperadores: esses escritos chamavam-se "Atas dos mártires". Causou-lhe muitos trabalhos e sofrimentos o cisma de Corinto, onde as discórdias intestinas tinham chegado a tal ponto que muitos dos fiéis, negando-se a acatar a autoridade da igreja, pretendiam eleger e consagrar sacerdotes à sua vontade. Crescendo o mal, pensou-se em apelar para a Igreja de Roma, mãe e mestra de todas as outras Igrejas, por uma extensa carta dirigida ao Sumo Pontífice. São Clemente depois de ter lido, respondeu aos Coríntios outra que constitui um importante documento da antiguidade cristã, e que como tal convém seja conhecida em seus pontos principais: " À Igreja de Deus que está em Roma, à de Corinto e aos chefes que são chamados e santificados pela vontade de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo. Que a graça do Senhor onipotente se aumente sempre em vós." Fala-lhes em seguida da paciência, da doçura e dos benefícios de Deus criador, e continua da maneira seguinte: " Se considerarmos quanto Deus está próximo de nós, e como nenhum pensamento pode ficar-lhe oculto, devemos certamente tratar de não fazer o que é contrário à sua Divina Vontade, e sujeitarmo-nos ao que Ele colocou sobre nós: devemos refrear nossa língua e dominá-la com o amor do silêncio." Segue recomendando-lhes que fujam do ócio e da moleza porque somente quem trabalha tem direito à vida, e continua assim: "Portanto devemos fazer com zelo todo o bem que pudermos, porque Deus Criador se compraz em nossas obras. Cada um permaneça na ordem e no grau em que Deus por sua bondade o colocou. O fraco respeite o mais forte, o rico socorra o pobre, e o pobre bendiga a Deus pelo modo com que o provê. O sábio faça conhecer a sua sabedoria não por palavras, porém por boas obras. O humilde não fale com jactância de si mesmo, nem faça alarde de suas ações. Quem for casto não se orgulhe, pois o dom da castidade não provém dele. Os grandes não podem existir sem os pequenos, nem os pequenos sem os grandes. No corpo humano a cabeça nada pode sem os pés, nem os pés sem a cabeça. O corpo não pode passar sem o serviço dos mais pequenos membros". Expõe em seguida as virtudes e as obrigações próprias de todo o cristão para conservar mutuamente a caridade, e passa a fazer-lhes esta doce admoestação. "Porque há entre vós divisões e rixas? Acaso não temos todos igualmente o mesmo Deus, o mesmo Jesus Cristo, o mesmo Espírito de graça derramado sobre nós, a mesma vocação em Jesus Cristo? Porque pois sendo seus membros fazemos guerra ao nosso próprio corpo? Somos tão insensatos que esquecemos que uns somos membros dos outros? Vossa divisão, ó fiéis! Tem desanimado alguns, pervertido muitos e nos tem mergulhado a todos na aflição. Cesse depressa este escândalo, prostremo-nos aos pés do Senhor; supliquemo-lhe com abundantes lágrimas, que nos perdoe e restabeleça a caridade fraterna."

 

Os Coríntios tinham mandado à Roma um fervoroso cristão chamado Fortunato, para que expusesse à Santa Sé a triste divisão daquela cidade. São Clemente encarregou o mesmo mensageiro e mais quatro pessoas que levavam a carta, recomendando-lhes que voltassem logo. Concluía a carta dizendo: "Mandai-nos o quanto antes, em paz com alegria Claudia, Efebo, Valério e Vitão, que vos enviamos com Fortunato para que nos tragam quanto antes a notícia da tão desejada, e por nós tão suspirada, paz e concórdia; deste modo nós também, mais prontamente gozaremos de vossa tranqüilidade." A carta impressionou tanto o ânimo dos Coríntios , que arrependendo-se de suas faltas, reconciliaram-se com seus pastores, pediram perdão e veneraram todos as palavras do Vigário de Jesus Cristo que se achava em Roma.

 

Terceira Perseguição - o imperador Trajano, embora elogiado por alguns historiadores, como príncipe sábio e clemente, foi o autor da terceira perseguição. Estamos certos disto por sua resposta a Plínio, o moço, governador da Bitínia. Escrevera-lhe este uma carta, consultando-o qual a conduta que deveria ter para com os cristãos, Toda a sua culpa, lhe dizia, consiste em cantar hinos em honra de Cristo; são eles númerosíssimos e os há de idade e condição, nas cidades e nos campos, de forma que os templos de nossos deuses têm ficado quase desertos. Por outra parte sua conduta é pura e inocente; porém sua pertinácia em não querem acatar as ordens do imperador no que diz respeito à religião, é bastante para fazê-los dignos do maior castigo.

 

Tal é testemunho que dava um perseguidor dos cristãos do seu número e de sua santidade, Trajano lhe respondeu que não era necessário pena de morte, segundo a lei, toda vez que fossem acusados ou conhecidos; resposta absurda, porque se os cristãos eram culpados, porque não se devia persegui-los? E se eram inocentes, porque deviam ser castigados com pena de morte?

 

Desterro e martírio de São Clemente - Entre os mártires que padeceram o martírio no reinado de Trajano, conta-se o Pontífice São Clemente. Como pertencia ele a família nobre, o imperador quis ter para com ele algumas condescendências; aduziu razões, promessas e ameaças para induzi-lo a abandonar a fé, porém tudo foi em vão. Irritado o imperador o condenou às minas de Quersoneso Táurico, chamado hoje Criméia. Depois de uma viagem longa e penosíssima, chegou o santo Pontífice ao lugar de seu desterro, e foi obrigado a trabalhar com uma turma de malfeitores. Muito o consolou a nova de que no meio dos condenados àqueles trabalhos achavam-se cerca de dois mil cristãos, somente culpados de publicamente terem professado sua fé, os quais desejavam ter entre si um ministro sagrado da Religião.

 

O Pontífice ocupou-se logo de ajudá-los e de prodigalizar-lhe os auxílios da religião, e mitigou não pouco os seus sofrimentos com o seguinte milagre: como não havia água naqueles lugares, deviam transportá-la com grande trabalho de mais de uma milha de distância. À vista disto, São Clemente rogou a Deus por eles e no mesmo instante, como nos tempos de Moisés, brotou ali mesmo uma fonte perene de água cristalina, que satisfez as necessidades dos cristãos e dos pagãos. Semelhante milagre operado em presença de tão grande multidão, comoveu aqueles infelizes desterrados, e um grande número de infiéis abraçou a fé. O imperador, inteirado deste fato, escreveu ao governador do Quersoneso, ordenando-lhe que reprimisse e fizesse voltar à idolatria os recém-convertidos; porém eles preferiram perder a vida antes de abandonar sua fé. Ao mesmo Pontífice, que era seu chefe, ataram uma barra de ferro ao pescoço e o atiraram ao Mar Negro. assim concluiu gloriosamente sua vida o quarto Pontífice., depois de ter governado a Igreja durante nove anos (anos 100). Conta lenda antiga, que as águas do mar, depois da morte de São Clemente, se retiraram três milhas para dentro, deixando ver aos fiéis na praia um pequeno templo de mármore que encerrava o corpo do santo mártir. Confirma esta tradição uma pintura antiqüíssima descoberta há anos em Roma, no subterrâneo da Igreja de São Clemente. (V. s. Efrem Siro).

 

CAPÍTULO VIII

 

Santo Anacleto - São Simeão de Jerusalém - Santo Inácio de Antioquia.

 

Santo Anacleto - No pontificado de Santo Anacleto sucessor de São Clemente, continuavam os estragos da perseguição. O imperador, muito ligado à idolatria, ocupava-se ele próprio, de vez em quando a interrogar os cristãos, com o fim de confundi-los, e os ameaçava com os mais horríveis tormentos e com a morte mais dolorosa para faze-los prevaricar. Em tão difíceis circunstâncias São Anacleto empregou os maiores esforços já para que permanecessem firmes na fé os condenados ao martírio, já para refutar as heresias e preparar missionários para enviar em propaganda do Evangelho. Entre as coisas que fez, conta-se a de ter escolhido um lugar particular no Vaticano, perto do túmulo de São Pedro, que destinou para sepultura dos Papas, fez além disso edificar uma capela sobre o túmulo dos Príncipe dos Apóstolos com esta inscrição: In memoriam Beati Petri construxit. Esta pequena Igreja, ampliada mais tarde, é o famoso templo de São Pedro no Vaticano. Santo Anacleto depois de doze anos de pontificado, terminou seus dias com o martírio. Cortaram-lhe a cabeça por ter ficado firme na fé, no ano 112.

 

São Simeão de Jerusalém - Poucos anos depois de Santo Anacleto concluía também sua carreira mortal São Simeão, bispo de Jerusalém. Durante vários dias fizeram-lhe padecer horríveis tormentos; porém sendo vão todos esforços que faziam, Trajano o condenou a ser crucificado, tendo 120 anos de idade. assim a última das testemunhas de vista de nosso Redentor padeceu um mesmo gênero de morte. (ano 114).

 

Santo Inácio de Antioquia - Santo Inácio, bispo de Antioquia era, havia 40 anos, a admiração da grei, que com grandes cuidados conservava na fé no meio das mais sangrentas perseguições. Trajano que se achava então no Oriente, quis discutir com ele sobre a Religião, porém ficando confundido, ordenou que o prendessem e o conduzissem à Roma afim de servir no anfiteatro de Flávio, de espetáculo público ao povo, e ser depois pasto das feras. Ouviu Inácio sua sentença com transporte de alegria, porque ardia de desejo de morrer por Jesus; porém temendo que os fiéis de Roma, por meio de suas orações, obtivessem de Deus a graça que as feras não o devorassem, escreveu-lhes uma carta muito comovedora, pedindo-lhes que não se opusessem a que ele fosse esmagado quanto antes entre os dentes das feras, como o trigo na roda do moinho, para que pudesse assim ser digno de reunir-se o mais depressa, qual alvo pão, a Jesus Cristo por todos os séculos.

 

Esta carta que contém palavra as mais honrosas para a Igreja de Roma assim principia: "Inácio, chamado também Teóforo, à Igreja que conseguiu misericórdia na magnificência do Pai Altíssimo, e de Jesus seu Filho unigênito; à Igreja querida e iluminada pela vontade d'Aquele que quer todas as coisas segundo a caridade de Jesus Cristo nosso Deus; a qual também preside no lugar das regiões dos Romanos; digna de Deus, digna por decoro, digna de ser chamada bem-aventurada, digna de louvor, digna de obter tudo o que deseja, castamente digna,que preside à ordem universal da caridade, adornada com o nome de Cristo e do Pai que eu também saúdo em nome de Jesus Cristo Filho do Pai; aos que, segundo a carne e o espírito, estão unidos em todos os seus mandamentos, cheios da graça de Deus indivisivelmente, e limpos de toda cor estranha, desejo abundantíssima e incontaminada saúde em Jesus Cristo nosso Deus." Além desta escreveu outras seis cartas cheias de máximas de fé e de caridade; que formam um dos mais preciosos documentos da antiguidade cristã. Chegando à Roma foi conduzido para o anfiteatro e atirado às feras, que o dilaceraram logo, não deixando dele mais do que alguns ossos.Estes restos de seu corpo precioso foram levados para Antioquia e depois devolvidos para Roma onde hoje se veneram na Igreja de São clemente. Seu martírio teve lugar no ano 107. Depois de conhecido isto quem se atreverá a elogiar a |Trajano, como filósofo justo e clemente? E quem não o colocará antes no catálogo destes tiranos cruéis, violadores dos mais sagrados direitos da justiça?

 

CAPÍTULO IX

 

Santo Alexandre 1º em presença de Aureliano - Interrogatório de Santo Alexandre - Martírio de Santo Alexandre e seus companheiros.

 

Santo Alexandre 1º em presença de Aureliano - A Santo Anacleto sucedeu o Papa São Evaristo, natural de Belém, que ocupou o trono pontifício cerca de nove anos, sendo martirizado no ano de 121. A este sucedeu Santo Alexandre que, ainda muito jovem, pregava com tal eficácia que chegou a converter o prefeito de Roma, chamado Hermetes, sua família e 1250 criados seus. Chegada a notícia aos ouvidos do imperador, este irritou-se muitíssimo com ele, e desde a cidade de Selêucia, onde se achava então, mandou a Roma o conde Aureliano para que condenasse à morte todos os cristãos que descobrisse. Os primeiros encarcerados foram o prefeito e o Pontífice. Fizeram-lhes minuciosíssimos, longos e violentos interrogatórios; experimentou-se o cárcere, a fome, a sede, o ferro e o fogo, porém em vão; antes a pregação e os milagres que em todas as partes fazia o santo Pontífice contribuíam para trazer novas almas à fé.

 

Interrogatório de Santo Alexandre - "Eu quisera, lhe disse Aureliano, que me fizesses conhecer os mistérios de tua religião, e o prêmio pelo qual deixas tirar a vida com tanta indiferença.

Alexandre respondeu: "O que queres saber é coisa santa, e Jesus nos proíbe falar das verdades da fé aos que desejam saber não para acreditar nelas, porém para escarnecê-las. Não é conveniente, dizia o Salvador, dar as coisas santas aos cães e atirar as pedras preciosas aos porcos."

    - Como sou eu um cão? Replicou Aureliano encolerizado.

    - Tua sorte é inferior à dos brutos, respondeu Alexandre; pois estes, sendo irracionais, não podem venerar as verdades da fé que eles não conhecem, ao passo que o homem, feito à imagem e semelhança de Deus, se recusa conhecê-las ou as despreza, ofende ao Criador, e pagará sua culpa não só com as penas desta vida, mas também com as chamas eternas do inferno.

    - Responde ao que te pergunto: se assim não o fizeres condeno-te aos tormentos.

    - Aquele que quer instruir-se na Religião de Jesus cristo deve fazê-lo com humildade e não com ameaças.

    - Responde ao que te pergunto, e lembra-te que te achas em presença de um Juiz cujo poder é temido em todo o mundo.

    - Aquele que se jacta de seu poder, está perto de perdê-lo.

    - Infeliz! Tuas palavras e tua audácia serão castigadas com atrozes tormentos.

    - Nada fazes de novo fazendo-me atormentar. Porque, qual homem inocente que pode sair com vida de tuas mãos? Junto de ti, unicamente vivem tranqüilos os que renegam a Nosso Senhor Jesus Cristo; eu que espero morrer e padecer por Ele, certamente serei atormentado e morto, como o foram o glorioso Hermete e o intrépido Quirino, e todos aqueles que passaram com valor por meio de tormentos para chegar por eles à vida eterna.

    - Qual a razão que te impele à extravagância de deixar-te matar antes que obedecer às minhas ordens?

    - Já to disse e repito: não é lícito dar aos cães as coisas santas.

    - Voltas a me chamar de cão? Basta já de palavras; passemos aos tormentos.

    - Não temo os tormentos que passam, porém sim aqueles que tu não temes, isto é, os tormentos do inferno que não se acabarão jamais.

 

Compreendeu então Aureliano que falava inutilmente; por isso ordenou que despissem Alexandre e que o estendessem sobre o ecúleo (instrumento de tortura). Açoitaram-no com varas e o dilaceraram com unhas de ferro.

 

Enquanto suas carnes caiam em pedaços, punham tochas acesas debaixo de suas chagas; pareciam no entanto que aqueles agudos e penosos sofrimentos não serviam senão para aumentar as ânsias que o santo Pontífice tinha de padecer.

    - Porque não te queixas? Perguntou-lhe admirado Aureliano. Qual a razão do teu silêncio?

    - Quando o cristão reza, fala com Deus, e quando pensa n'Ele esquece tudo que aqui em baixo se padece.

    - Responde a tudo que te pergunto e farei suspender teus tormentos.

    - Estulto! Faze o que queres; não temo tua crueldade.

    - Considera ao menos tua idade, ainda não tem 30 anos, e já queres privar-te da vida?

    - Tem antes mais compaixão de tua alma; pois se eu perco o corpo, salvo a alma, porém se tu perdes a alma, com ela tudo perderás par sempre.

 

Martírio de Santo Alexandre e seus companheiros - Depois de ameaças, interrogatórios e tormentos inúteis, Aureliano ordenou se acendesse uma fogueira. Quando as chamas chagaram à sua maior intensidade, mandou que atassem juntos Alexandre e Evêncio, e os atirassem nas chamas. Quis também o imperador que um sacerdote chamado Teódulo se achasse presente ao suplício de seus companheiros para atemorizá-lo. Alexandre vendo-o triste, gritou em alta voz: "irmão Teódulo, vem aqui tu também, porque o quarto companheiro, isto é, aquele anjo que apareceu aos três meninos judeus no forno da Babilônia, se acha também conosco." Então Teódulo se atirou à fogueira. Deus operou então o mesmo milagre que fizera no tempo de Nabucodonosor, pois o fogo perdeu seu poder e não fez dano algum àqueles campeões de fé. Eles vendo-se tão prodigiosamente defendidos, puseram-se a cantar: "Ó Senhor, tu nos hás provado com fogo, e tendo-nos purificado de nossos pecados com tua misericórdia, já não encontraste em nós nenhuma iniqüidade".

 

Furiosamente encolerizado, Aureliano ordenou que tirassem da fogueira Evêncio e Teódulo e que se lhes cortasse logo a cabeça e a Alexandre fez introduzir tantas pontas de ferro no corpo que em pouco tempo exalou o último suspiro. Este martírio teve lugar a 3 de maio de 132.

 

CAPÍTULO X

 

Quarta perseguição - São Policarpo em Roma - Santa Felicidade e seus filhos - Heresia de Montano.

 

Quarta perseguição - Esta perseguição se atribui em grande parte às calúnias que se espalharam contra os cristãos. Cometeram-se nela tais violências que muitas vezes os próprios verdugos se horrorizavam da atrocidade dos tormentos com que os martirizavam, e com grande repugnância cumpriam o bárbaro ofício que se lhes confiava. Governava então a Igreja Pio I que, depois de ter empregado os nove anos do seu pontificado em combater as heresias, em animar os mártires e promover as necessidades da cristandade, fez-se credor da palma do martírio. Cortaram-lhe a cabeça no ano 167. Conta-se entre os mais célebres mártires desta perseguição um jovenzinho chamado Germânico que animava os outros com o seu exemplo. Antes de expô-lo às feras tentou o juiz seduzi-lo; porém o magnânimo menino disse que preferia antes perder mil vidas, que conservar uma à custa de sua inocência; e dirigindo-se para um leão que se arrojava contra ele, terminou sua vida na boca daquele furioso animal apressurando-se a sair deste mundo para chegar o quanto antes ao Céu.

 

São Policarpo em Roma - Chegando ao conhecimento de São Policarpo, discípulo de São João Evangelista e bispo de Smirna, a notícia do grande número de hereges que tinham ido à Roma, dirigiu-se ele também para esta cidade no pontificado de São Aniceto, sucessor de São Pio I com o fim de dissipar seus erros. Sua ida à Roma foi muito oportuna, porque tendo sido ele um dos que conversaram com os Apóstolos, gozava sobre todos de uma grande autoridade, e como disse Santo Irineu, muitos dos que se tinham deixado seduzir pelos erros de Valentim e de Marcião voltaram para a Igreja de Jesus Cristo, mediante a eficácia de sua palavra. Persuadido o herege Marcião de que alcançaria uma grande vitória podendo contar o santo bispo como um de seus sectários, tratou de ganha-lo; e com este fim se lhe apresentou um dia e lhe disse com audácia: "Cognoscis nos?" Conhece-me, sabes quem eu sou? "Sim, respondeu-lhe incontinente Policarpo, conheço-te muito bem, e sei quem és Marcião, primogênito de Satanás".

 

Um dos principais pontos a que se dirigia o zelo de Policarpo, era o de segregar os católicos dos hereges para que permanecesse pura a fé dos primeiros. Eusébio de Cesárea acrescenta que São Policarpo foi a Roma também para  conferenciar com o Sumo Pontífice sobre algumas coisas concernentes ao bem da Igreja, conferências que terminaram com caridade de ambas as partes. Também foi à Cidade Eterna para determinar com o Papa, se devia se celebrar o dia da Páscoa no primeiro domingo, depois da lua cheia de março, como se tinha celebrado desde o tempo dos Apóstolos, ou antes do mesmo dia da lua de março, como se fazia em algumas Igrejas da Ásia. Aniceto, ainda que desejasse uniformidade em toda Igreja, julgou oportuno não desgostar aos bispos da Ásia, e tolerou que naqueles países se celebrasse a Páscoa no dito Plenilúnio. Essa tolerância tinha por fim contentar aos judeus recém-convertidos à fé. (Euseb. liv. 4.º). Aniceto deu prova de grande veneração à santidade e doutrina de São Policarpo, pois permitiu-lhe que celebrasse a Santa Missa vestido de pontifical e administrasse do mesmo modo a comunhão aos fiéis.

 

Durante sua estada em Roma, soube Policarpo que a perseguição tinha tornado a recrudescer em sua diocese; por isso apressou-se em voltar ao seu rebanho. Pouco tempo depois de ter chegado, foi preso pelos perseguidores e levado ao cárcere. Às  palavras do juiz que o exortava a que renegasse Jesus Cristo e o amaldiçoasse, respondeu: "Há 86 que me consagrei a sue divino serviço e nunca recebi dele injúria alguma. Como queres tu que maldiga meu Rei e Salvador?" Depois de muitos sofrimentos foi condenado às chamas em que consumou seu heróico sacrifício.

 

Santa Felicidade e seus filhos - Santa Felicidade verdadeiro modelo das mães cristãs, pertencia a uma das principais famílias de Roma. Enviuvando resolveu dedicar-se unicamente à sua santificação e à seus filhos. Acusada como cristã foi conduzida perante o prefeito público, que lançou mão de toda sorte de indústrias para fazê-la prevaricar. "O Espírito de Deus, respondia a santa, me faz superior a todo engano e sedução, e enquanto viva não poderás vencer-me, porque se tu me tiras a vida, morrendo eu será muito mais gloriosa a minha vitória. No dia seguinte o prefeito fez conduzir Felicidade e seus filhos a seu tribunal, e disse à mãe: "Se a ti não importa a vida, compadece-te ao menos de teus filhos"; porém ela respondeu-lhe: "A compaixão que tu pedes seria atroz crueldade". Voltando-se logo a seus filhos e mostrando-lhes o céu, disse-lhes: "Vede lá em cima, lá vos espera Jesus Cristo com seus santos, que vos têm aberto o caminho. Mostrai-vos agradecidos a tão magnânimo remunerador, e combatei com um valor digno do prêmio que se vos promete".

 

O prefeito a fez esbofetear, chamou em seguida seus sete filhos, que, depois de confessar Jesus Cristo com firmeza heróica, morreram um depois do outro em horríveis tormentos. A mãe assistiu com intrepidez a seu martírio, animando-os a perseverar na fé. Por último cortaram-lhe também a cabeça e misturou assim seu sangue com o de seus filhos na terra, para ir reunir-se com eles na glória do Céu. Pouco depois o Papa Aniceto também sofreu o martírio. Cortaram-lhe a cabeça no ano de 175.

 

Heresia de Montano - Montano começou a propagar sua heresia no pontificado de Santo Aniceto. Nascido na Frigia e educado na religião cristã foi tomado do espírito da vaidade, e desejou ardentemente ser Bispo; porém como se lhe negasse esta dignidade por sua má conduta, rebelou-se contra a Igreja e começou a pregar mil torpezas.

 

Suas extravagâncias chegaram a tal ponto que se vendeu ao demônio, o qual o possuía realmente. Acompanhava-o duas mulheres dissolutas e endemoniadas como ele; uma se chamava Prisca e outra Maximila.

 

Convocou-se na Ásia uma reunião de Bispos e Sacerdotes que depois de um maduro exame, condenou como herege Montano e seus sectários. Então o astuto Montano dirigiu-se a Roma com suas falsas profetizas e conseguiu seduzir vários cristãos incautos; foi tão audaz que se apresentou ao próprio Aniceto para se fazer agregar ao Clero Romano. Conhecendo o Pontífice a sua hipocrisia, excomungou-o como já o tinham feito os Bispos da Ásia. Depois disto Montano e suas profetizas, cedendo ao espírito maligno, se estrangularam por suas próprias mãos.

 

CAPÍTULO XI

 

Legião fulminante - São Fotino - Heresia de Marcos e a confissão dos pecados.

 

Legião fulminante - A São Aniceto sucedeu São Sotero que se distinguiu muito pelos benefícios que fez aos romanos e a todos os fiéis da cristandade. Durante seu pontificado, fez Deus um milagre que foi causa de que o imperador Marco Aurélio olhasse com melhores vistas aos cristãos. Achava-se este príncipe em guerra com uns povos bárbaros, quando estes o cercaram entre as áridas montanhas da Boêmia; seu exército estava rodeado de todas as partes e a falta de água punha seus soldados em iminente perigo de morrer de sede. Afortunadamente achavam-se naquele exército muito cristãos, que sabendo que o Evangelho diz, que se deve recorrer a Deus em todas as necessidades da vida, puseram-se a rezar na presença do inimigo. Este, vendo-os como em um estado de imobilidade enquanto rezavam, pensou que chegara o momento oportuno para atacar; porém no mesmo instante cobriu-se o Céu de nuvens e caiu uma chuva abundantíssima ali onde estavam os romanos, ao mesmo tempo que uma espantosa chuva de pedras acompanhada de freqüentes raios caiu sobre os bárbaros e os dispersou deixando um grande números de mortos e a vitória aos romanos. Estes já estavam a ponto de render-se pela grande sede que sofriam; mas sentindo chover, levantaram seus olhos para o céu afim de dar graças a Deus, e conjuntamente com a água receberam novas forças e valor. Narram este acontecimento todos os escritores cristãos e gentios daquele tempo. (V Capitolino, Decio, Tertuliano). O imperador reconheceu que este favor foi devido às orações dos cristãos, e para conservar sua memória fez esculpir o fato em baixo relevo em uma coluna de mármore que se levantou em Roma, e que ainda existe e se conhece com o nome de Coluna Antonina. Também escreveu uma carta ao senado, participando-lhe o acontecimento e proibiu ao mesmo tempo que se perseguissem os cristãos; porém depressa esqueceu o imperador o favor que recebera.

 

São Fotino - Alguns anos mais tarde se atiçou novamente a perseguição, e muitos cristãos receberam a coroa do martírio. Entre estes distingue-se São Fotino, Bispo de Lion. Este fora enviado pelo Papa às Galias juntamente com outros eclesiásticos, para pregar o Evangelho. Havia já quarenta anos que ocupava aquela sede, quando seus zelo e os progressos que fazia a palavra de Deus, atraiam para ele a inveja e o ódio dos idólatras. Ainda que enfermo e sem forças arrastaram-no ao tribunal do prefeito e depois de ter sustentado com heróica firmeza um penoso interrogatório, conseguiu a palma do martírio aos 90 anos de idade.

 

Heresia de Marcos e a confissão dos pecados - Entre os mais famosos sectários de Valentim, já citados mais atrás, distingue-se o herege Marcos, homem muito astuto e prático na arte de enganar. Jatava-se de possuir o poder de Deus, e também ao de conceder aos outros o poder de fazer milagres, e conhecer o futuro. Levando uma vida devota em aparência, ganhou a estima de muitos que se deixaram arrastar a cometer os maiores excessos de impiedade e libertinagem. Alguns dos enganados tendo mais tarde conhecido o mal em que haviam caído, renunciaram a Marcos e voltaram para a Igreja Católica. "Marcos, disse São Irineu, adotou certas artes para acender as paixões e fascinar... algumas mulheres, que voltando mais tarde para Igreja de Deus o confessaram..., de modo que, certa pessoa da Ásia também caiu nesta desgraça... porque sua mulher... tendo sido pervertida por este mágico... depois tendo se convertido, não cessou de confessar entre lágrimas e gemidos durante o resto de sua vida, o pecado cometido". (Santo Irineu, lib. 1, c. 13). Este é um dos fatos da Igreja primitiva, que nos dá a conhecer como já existia então a prática da confissão sacramental e a crença de que esta tinha sido instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, em virtude da capacidade que tinha dado aos Apóstolos de perdoar os pecados. (São João, 20). Dão-nos outra prova desta santa prática as multidões de fiéis que, a contar do tempo dos Apóstolos, iam desde Éfeso ajoelhar-se aos pés dos sagrados ministros, confessando e declarando seus feitos. (Atos dos Apóstolos, 19).

 

CAPÍTULO XII

 

Santo Eleutério e os mártires de Lion - São Irineu em Roma - Fim de Marcião e de outros hereges - Conversão dos Bretões ao cristianismo.

 

Santo Eleutério e os mártires de Lion - Depois do martírio de São Sotero foi eleito para governar a Igreja São Eleutério de Nicópolis, cidade da Grécia. No princípio de seu pontificado, os cristãos de Lion que se achavam presos e carregados de cadeias por confessar sua fé, escreveram-lhe uma carta, e para que fosse mais aceita ao pontífice, enviaram-na por Santo Irineu, discípulo de Policarpo a quem este tinha enviado às Galias para que ajudasse São Fotino na pregação do Evangelho. O fim da carta era pedir ao Papa que se dignasse interpor seus bons ofícios para restituir a paz à Igreja, que então se achava dividida por Montano e seus sectários, dando assim conhecer que os cristãos de Lion reconheciam a eficácia da autoridade do Romano Pontífice sobre toda a Igreja. Nela também se recomendava São Irineu como um sacerdote adornado de preclaras virtudes pois assim dizia: "desejamos que tu, ó Padre Eleutério, sempre e em todas as coisas te portes bem no Senhor. Temos exortado o nosso colega e irmão Irineu para que te levasse esta carta, e te rogamos que nos permitas que to recomendemos como zelador da lei de Cristo. Se nós opinássemos que o grau augenta a santidade, to recomendaríamos como sacerdote da Igreja, pois que ocupa esse cargo". (Euseb. H. Ecl., 5. c. 4).

 

São Irineu em Roma - A estada de Irineu em Roma não ficou sem resultado. Pouco tempo antes de sua chegada, o pontífice tinha deposto a dois sacerdotes da Igreja romana, chamados Blasto e Florino, por terem caído na heresia de Simão Mágico, que ensinava que Deus é autor do mal. Santo Irineu teve ocasião de falar com eles e empregou todos os meios que estavam ao seu alcance para trazê-los a melhores sentimentos. Escreveu mais tarde uma carta em forma de livro, na qual refutando seus erros, demonstrava que Deus, fonte de toda a santidade, não pode absolutamente ser autor do mal, conforme aquelas palavras da Escritura: "Não sois um Deus que ama a iniqüidade. (Salmo, 5).

 

À vista das recomendações e dos louvores que o clero e o povo de Lion faziam da santidade e zelo de Santo Irineu, o Sumo Pontífice o consagrou Bispo daquela cidade. Ali se ocupou com a maior solicitude, em difundir o Evangelho por palavra e por escrito.  Um de seus escritos, intitulado "Contra as heresias" chegou até nós.

 

O Santo Bispo afirma nele a necessidade que temos de estar unidos com a Igreja Romana, se quisermos ser católicos; e diz ainda, que para saber a verdade, conviria recorrer às igrejas fundadas e governadas pelos Apóstolos; porém sendo muito árdua esta tarefa de consultá-las uma por uma, é suficiente recorrer por todas à Igreja maior, mais antiga, e mais conhecida no mundo, isto é, à igreja fundada em Roma pelos gloriosos Apóstolos São Pedro e São Paulo, pois conserva a tradição recebida de seus fundadores e tem chegado até nós por uma sucessão não interrompida. Com isso confundimos a todos que abraçam o erro por amor próprio, por vanglória, por cegueira ou por qualquer outra causa: é pois necessário que toda a Igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, se dirijam a esta igreja, pois que por motivo de sua principal preeminência, nela sempre conservou-se a tradição que deriva dos Apóstolos.

 

Fim de Marcião e de outros hereges - Marcião, como todos os outros chefes de heresias, era de uma conduta inexplicável. Tão pronto se arrependia de suas torpezas como se manchava com elas difundindo seus erros; por isso São Eleutério o expulsou definitivamente da comunidade dos fiéis. Passado algum tempo, fingiu novamente voltar ao seio da Igreja, e fez uma exomologese pública, isto é, uma confissão de seus crimes; porém em lugar de apresentar ao pontífice almas convertidas, julgou mais conveniente levar-lhe a soma de 25 mil francos, como um castigo e resgate de seus pecados, acreditando seduzi-lo e atraí-lo a seu partido; mas o santo pontífice, verdadeiro discípulo de São Pedro, recusou o dinheiro, e o rechaçou dizendo-lhe: "Eu quero almas e não riquezas", e não levantou-lhe a excomunhão. A morte não tardou muito a arrebatar deste mundo a Marcião obrigando-o a apresentar-se perante o tribunal de Deus. A mesma excomunhão caiu também sobre Valentim e Cerdão que terminaram miseravelmente seus dias. Ainda estão em Roma os sectários de Montano, que na confiança de poder enganar o povo com excessos de penitência exterior, tinham introduzido a prática das três quaresmas, juntando-lhes fins supersticiosos. Santo Eleutério, para ter de sobre-aviso os fiéis, confirmou a condenação que tinha pronunciado Santo Anacleto contra eles e definiu que todos os alimentos, em si, eram lícitos, porque todos foram criados por Deus em benefício do homem. Esse decreto em forma de carta, se dirigia especialmente aos fiéis da Galia que mandaram a Roma Santo Irineu para consultar sobre as citadas sobreditas dúvidas. (Barc. sec. 2).

 

Conversão dos Bretões ao cristianismo - Durante o pontificado de Santo Eleutério, no reinado de Cômodo, a Igreja de Jesus Cristo gozou de suficiente paz. Este imperador, ainda que inimigo dos cristãos, ocupou-se de outros assuntos relativos a seus estados, sem imiscuir-se na religião; por isso a fé cristã pode dilatar-se e levar seu influxo benéfico até os mais longínquos paises.

 

A ilha da Grã-Bretanha (que como veremos, chamou-se depois Inglaterra), recebeu neste tempo o Evangelho. Acredita-se que os primeiros germens do cristianismo foram levados à aqueles habitantes por José de Arimatéia que para ali fora com o fim de pregar com alguns companheiros; porém as superstições pagãs e as longas guerras os sufocaram de tal modo que quase não deixaram fruto algum. Existiu porém, neste tempo um rei daquela nação chamado Lúcio, que tinha sido deixado ali pelos romanos como príncipe tributário, e que resolveu-se fazer-se cristão, admirado da santidade de alguns cristãos que foram àqueles países, e recordando o que seus antecessores haviam dito, ou quiçá deixado escrito sobre a religião católica.

 

Neste objetivo mandou ao Papa Santo Eleutério dois embaixadores com uma carta, em que pedia-lhe mandasse alguns missionários, para que pregassem o Santo Evangelho a seu povo. O Sumo Pontífice recebeu com bondade os embaixadores, e correspondeu aos desejos do rei enviando-lhe como apóstolos os sacerdotes Fugácio e Damião.

 

Lúcio os recebeu com transportes de alegria; instruíram-no estes na fé conjuntamente com a rainha, a família real e muitos do povo, e deram-lhes o batismo, estabelecendo assim o cristianismo naquela ilha. (V. Gildas e o veneravel Beda, hist. C. 1)

 

Não sobreviveu muito Santo Eleutério à conversão dos Bretões. Consumido pela idade, e pelos sofrimentos anexos a seu ministério, foi gozar da verdadeira felicidade no ano 193 depois de um pontificado de mais de quinze anos.

 

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