Dom Bosco - HISTÓRIA ECLESIÁSTICA

 

CAPÍTULO XIII

 

São Vitor e Tertuliano - Os dois Teódotos - Septimio Severo e quinta perseguição - Martírio de São Vitor, Irineu, Felicidade e Perpétua - São Zeferino e o herege Natal.

 

São Vitor e Tertuliano - São Vitor I, Áfricano, sucedeu a São Eleutério no ano de 193. Em princípios de seu pontificado foi a Roma Tertuliano, homem de grande engenho, conhecido já pelos seus escritos cheios de profunda doutrina, benemérito da religião cristã por tê-la defendido vigorosamente contra os idólatras e os hereges, e por ter cientificamente exposto algumas de suas doutrinas. Porém quer porque São Vitor não lhe desse o bispado de Cartago, que segundo parece ele desejava, quer porque o mesmo romano pontífice condenasse, a heresia de Montano, para o qual ele já começava a inclinar-se, o certo é que saiu de Roma irritado, e voltando  à sua pátria declarou-se abertamente contra  a Igreja. Tremamos  pela queda de Tertuliano, e nos persuadamos de que não é a ciência que faz os santos, porém sua humildade e submissão aos nossos legítimos superiores, especialmente ao vigário de Jesus Cristo. Achando-se Tertuliano despido destas duas virtudes, caiu em heresia e morreu, quanto é possível conjeturar, sem dar sinais de arrependimento.                      

 

Os dois Teódotos - Dois hereges, ambos chamados Teódoto, deram muito trabalho ao novo pontífice. Um deles se apelidava Teódoto. Nascera em Bizâncio, cidade que mais tarde chamou-se Constantinopla. Ainda que dedicado aos misteres de seu ofício, comerciante de peles, era, contudo, muito instruído nas Sagradas Escrituras. Tendo sido acusado como cristão na perseguição de Marco Aurélio, ofereceu-se denodadamente a sofrer o martírio; porém infelizmente não sentiu-se com ânimo bastante para sustentar com fatos o que afirmava com palavras, e negando sua fé, perdeu a coroa com que foram cingidos seus companheiros. Para fugir ao opróbrio em que tinha caído, foi a Roma, pensando que viveria ali desconhecido; porém o badão de sua ignomínia nunca abandono o culpado; reconhecido pelos romanos, todos fugiam e ninguém queria participar com ele nas coisas sagradas. Irritadíssimo por isto Teódoto, começou a pregar claramente o erro, ensinando que Jesus Cristo não era Deus, o que equivalia a negar o Evangelho e a todas as verdades. Uniu-se a este outro herege igualmente chamado Teódoto, ourives de profissão. Como é de supor-se, ó leitor, dois operários, peleiro um, e outro ourives, deviam ter poucos sectários! Porém não foi assim, porque a novidade, quando afaga as paixões, sempre atrai aos incautos e aos ignorantes; por isso foram muitos os sectários dos dois Teódotos, que se chamaram depois Teodocianos, devido ao nome de seus autores.  São Vitor dirigiu suas solicitudes contra eles; condenou sua heresia, excomungou seus autores, e declarou que já não pertenciam à Igreja de Jesus Cristo todos os que seguissem os erros desses dois desgraçados.

 

Desta maneira a Igreja Católica triunfava da heresia e dava a conhecer ao mundo a verdade daquelas palavras que dirigiu Jesus Cristo a São Pedro, nele a  todos seus sucessores: Roguei por ti, ó Pedro, para que não desfaleças na fé! (V. Eusébio, lib. 5).

 

Septimio Severo e a quinta perseguição - A perseguição de Septimio Severo, que é a quinta contra os cristãos, começou no ano de 202. Atribui-se sua origem ao terem os cristãos se recusado a tomar parte em certa festa dos deuses, pelo que os pagãos os acusaram ao imperador, dizendo-lhe que eram eles seus maiores inimigos. Este, demasiado crédulo em os escutar, ordenou que todos os cristãos deviam jurar pelo nome do imperador e oferecer-lhe honras divinas. Negando os cristãos a obedecer-lhe, foi declarada aberta a perseguição. Tertuliano afirma que as cruzes, o ferro e o fogo, a água fervendo, as espadas e as feras se achavam todos os dias em exercício contra os cristãos para fazê-los apostatar ou dar-lhes a morte, caso permanecessem firmes na fé.

 

Martírio de São Vitor, Irineu, Felicidade e Perpétua - No meio de tantos males, São Vitor trabalhou sem descanso, até que abatido pelas fadigas e pela idade depois de um pontificado de mais de dez anos, ganhou a palma do martírio no ano de 203 a 28 de julho.

 

A perseguição estendeu-se também nas Galias principalmente em Lion, onde São Irineu selou com seu sangue seu trabalhoso ministério. Sabendo o Imperador que a cidade permanecia firme na fé por obra de seu zeloso pastor, ordenou que fosse cercada de soldados e que se matassem os cidadãos. A matança foi geral, e uma inscrição antiga que ainda existe em Lion, nos diz que o número dos mártires subiu aos dezenove mil, sem contar as mulheres e as crianças. Não foi menos violenta a perseguição em Cartago, onde Santa Perpétua e Santa Felicidade, acompanhadas de um grande número de mártires, foram morrer com tanta alegria que só pode ser inspirada por aquele Deus por cujo amor davam sua vida.

 

 São Zeferino e o herege Natal - São Zeferino, sucessor de São Vitor, teve o consolo de se conciliar com a Igreja o herege Natal. Este já tinha confessado valorosamente sua fé em presença dos juízes; porém posto em liberdade, deixou-se seduzir por uma soma considerável de dinheiro que lhe ofereceram os Teodocianos, dos quais se havia feito chefe. Porém Jesus Cristo para não permitir que já tinha confessado sua fé, apareceu-lhe repetidas vezes em sonho, repreendendo-o do seu enorme crime. Não fazendo Natal muito caso destas aparições, uma noite foi bruscamente açoitado por mão invisível. Este prodigioso castigo trocou-se para ele em medicina saudável, pois que na manhã seguinte se vestiu com um saco, cobriu a cabeça de cinza e foi ajoelhar-se aos pés do Papa, e derramando lágrimas confessou todos os seus pecados. Em seguida, abraçando os joelhos de quantos que se achavam presentes, clérigos e leigos, mostrou-lhes os sinais dos açoites com que tinha castigado e as cicatrizes das chagas recebidas por confessar o nome de Jesus, e pediu com grande humildade a clemência da Igreja e a misericórdia divina. Semelhante prodígio, que, que se tivesse tido lugar em Sodoma, disse Eusébio de Cesaréia, teria levado a fazer penitência todos os habitantes daquela infeliz cidade, comoveu todos os circunstantes. O Pontífice recebeu com carinho a Natal, absolveu-o da excomunhão e o admitiu  novamente à comunhão dos fiéis.

 

Este fato nos demonstra claramente, como desde os primeiros tempos da Igreja se acreditou que aquele que apostatava caindo na heresia, se arrependia-se de sua falta e desejava entrar novamente para Igreja devia ir a Roma para reconciliar-se com o Chefe supremo da religião e receber a absolvição do delito. O Papa São Zeferino morreu pela fé no ano 220 depois de quase dezoito anos de glorioso pontificado.

 

CAPÍTULO XIV

 

Igreja de Santa Maria em além do Tevere - Cemitérios e túmulos - Catacumbas e Criptas - Martírio do Papa São Calixto.

 

Igreja de Santa Maria em além do Tevere - Três coisas especialmente fazem glorioso o pontificado de São Calixto, sucessor de São Zeferino: a basílica de Santa Maria, o cemitério chamado de São Calixto e seu martírio. Comecemos pela basílica Transtiberina.

 

Conta uma antiga tradição, que em uma parte de Roma no dia do nascimento do Salvador, brotou prodigiosamente uma fonte de azeite, que continuou saindo todo aquele dla. Os cristãos que conservavam viva a lembrança daquele prodígio, costumavam reunir-se ali para fazer suas práticas de piedade; porém alguns homens maus em seguida levantaram naquele lugar uma casa de dissolução. Abriram também algumas tavemas, e para chamar o povo exerciam ali toda sorte de especulações. Os pagãos faziam isto com tanto maior ousadia, por quanto os fiéis eram ainda o alvo dos insultos de todos. Porém tendo morrido a imperador Heliogábalo, por felicidade sucedeu­lhe outro chamado Alexandre Severo que não os perseguiu, antes porém em princípio de seu reinado os favoreceu de diferentes modos. Amava sua religião; ate mandou colocar uma imagem de Jesus Cristo em seu palácio, e alguns pensam que reconheceu e professou ocultamente a fé.

 

Os cristãos, depois de terem pedido repetidas vezes àqueles tabemeiros que não continuassem molestando-os, contando com o favor do imperador, apresentaram-lhe mais queixa: o mesmo fizeram os pagãos. Ambos os partidos pretendiam que o imperador decidisse a quem deles devia entregar aquele lugar: os cristãos na defesa de sua religião, e os tabemeiros em proveito de seus interesses.

 

O imperador ouviu com atenção uns e outros e depois perguntou: "Que Deus é que ali se quer adorar?" Responderam-lhe: "é o Deus dos cristãos." O imperador tomou: "é melhor que esse lugar seja destinado ao culto de qualquer Deus, do que ficar em mãos de tabemeiros." Por causa destas palavras os tabemeiros retiraram-se e deixaram livres os cristãos. Esta nova consolou muito a São Calixto, que para demonstrar sua gratidão para com Deus por tão grande benefício, animou os fiéis a levantar naquele mesmo lugar uma Igreja que foi a primeira que se construiu publicamente em Roma em honra da Bemaventurada Virgem Maria: e para conservar a memória do milagre do azeite, quis que se dedicasse ao nascimento de Jesus para honrar assim o nome de Jesus, o qual, a semelhança do azeite, comunica suas graças e benção aos nossos corações. Esta Igreja se considerou em seguida como uma das primeiras basílicas de Roma, próximo do altar mór ainda se vê um pequeno furo revestido de mármore, que mostra o lugar do prodígio. (V. Baronio ano 224 Boll. 14 de Outubro.)

 

Cemetérios e Túmulos - A memória dos mortos sempre foi considerada sagrada por todos os povos antigos e modernos, quer bárbaros quer civilizados. Esse afã em respeitar e fazer respeitar as cinzas dos defuntos nasce da convicção que todos temos de que depois da morte aguarda à alma uma eternidade feliz ou desgraçada, conforme seu mérito, tendo também o corpo de ressuscitar um dia, para voltar a reunir-se à alma para juntos gozarem ou padecerem eternamente.

Antigamente havia uma lei, entre os Romanos, que proibia sepultar os cadáveres dentro da cidade; por isso os sepultavam no campo e mata, às vezes depois de terem sido queimados ou reduzidos a cinza. Os cristãos, que sempre abominaram este desumano costume de queimar com fogo os corpos de seus semelhantes, especialmente se eram seus irmãos pelo batismo, prepararam lugares nos arredores da cidade, que se chamaram cemitérios, túmulos, catacumbas e criptas onde sepultavam os cadáveres dos fiéis.                       .

 

A palavra cemitério deriva-se do grego e significa dormitório: com este nome os cristãos dão a conhecer de uma maneira muito sensível sua fé na ressurreição universal de todos os corpos, no fim do mundo, para ir gozar de uma nova vida. Por isso eles não consideravam os cadáveres sepultados em tais lugares como mortos para sempre, porém tão somente como dormindo, devendo despertar um dia, ao som da trombeta dos anjos. Quão doce, quão consoladora e sublime é esta palavra cemitério, nome que damos ao lugar onde se sepultam os que morrem na paz de Jesus Cristo! Só esta palavra basta para mostrar a diferença que há entre a Igreja do Salvador, na qual tudo é vida e esperança de vida, e o paganismo e o protestantismo nos quais tudo é morte. Com a palavra túmulo, tão frequentemente usada na antiguidade, costumavam-se indicar os lugares onde se colocavam os corpos dos mártires, para os quais se faziam escavações particulares.

 

Catacumbas e Criptas - Catacumba também é uma palavra grega que entre nós quer dizer perto dos subterrâneos, porque os sepulcros dos cristãos em alguns lugares, e especialmente em Roma, foram estabelecidos em caminhos feitos de baixo da terra com o fim de receberem os corpos dos fiéis. Como frequentemente se faziam estas escavações próximas de certos lugares donde se extraia uma qualidade de areia, chamada porcelana, que servia para a composição do cimento, às vezes as catacumbas e os cemitérios chamavam-se também arenários. As catacumbas, porém ainda que estivessem por baixo ou por cima das escavações, contudo eram coisas mui diversas. A catacumba chamada de São Calixto, tomou o nome deste Papa pelas muitas obras que nela fez executar.

 

Sobre uma lápide de mármore colocada na entrada deste cemitério lê-se o seguinte: "este é o cemitério do inclito pontífice São Calixto Papa e mártir. Todo aquele que confessado e arrependido de seus pecados entrar nele obterá inteira remissão de seus pecados; e isto pelos méritos dos cento e setenta mil gloriosos mártires, e quarenta e seis Pontífices cujos corpos aqui em paz descansam. Eles, sofrendo grandes tribulações neste mundo, fizeram-se herdeiros da glória do Senhor, em cujo nome aceitaram a morte." (Boll. do dia 14 Outubro.)

 

Nestes subterrâneos encontram-se aposentos aos quais se dá o nome de Criptas, outra palavra grega que significa escondidas. Esses eram os oratórios dos primeiros cristãos, quando, por causa das perseguições, não podiam-se reunir publicamente, e eram obrigados a esconder-se. Em certos dias e horas marcadas reuniam-se ali para assistir a santa Missa, ouvir a palavra de Deus, receber o sacramento da penitência, receber a sagrada Eucaristia e fazer as demais práticas religiosas. 0 santo sacríficio oferecia-se geralmente sobre o túmulo de um mártir que fazia pouca tempo tinha morrido pela fé.

 

Martírio de São Calixto - Durante o pontificado de São Calixto a Igreja não teve de sofrer nenhuma perseguição geral, porque  imperador Alexandre Severo se mostrava benévolo para com os cristãos. Segundo parece venerava a Jesus Cristo, como digno de honras divinas, e conservava sua imagem em um pequeno templo que tinha em seu palácio, e teria feito edificar um templo público ao Deus dos cristãos, se os pagãos não lhe tivessem feito observar que assim fazendo, ficariam desertos os templos dos deuses. Não obstante achando-se ele fora de Roma, pereceram muitos cristãos, entre os quais se conta São Calixto vítima de uma insurreição popular. Posto em prisão, como chefe dos cristãos, foi açoitado com varas, quase até receber a morte; atiraram-no depois por uma janela e com uma pedra ao pescoço afundaram-no em um poço. Este martírio teve lugar pelo ano de 227. Próximo da basílica de Santa Maria em além do Tevere, acha-se ainda o poço em que atiraram o nosso santo (V. Artaud em S Cal.)

 

CAPÍTULO XV

 

São Urbano e Santa Cecilia - Seu martírio.

 

São Urbano e Santa Cecilia - A São Calixto sucedeu São Urbano que pertencia a uma rica e nobre família romana. Desde simples sacerdote tinha trabalhado com zelo pela fé durante o pontificado de seus três antecessores. Acusaram-no várias vezes como cnstão; levaram-no ao cárcere e perante os juizes; porém sempre venceu todos os sofrimentos, confessando intrepidamente a Jesus Cristo. Sua eleição para o pontificado teve lugar no ano 227. Enquanto se achava empenhado em ordenar a disciplina da Igreja, voltou a tomar vulto a persiguição de Alexandre Severo. Urbano prevendo o grave perigo que corria se continuasse cumprindo publicamente o sagrado ministério, escondeu-se nas catacumbas onde viveu ignorado dos perseguidores, porém conhecido dos Cristãos, que podiam recorrer a ele em todas as suas necessldades. Entre os que instruiu na fé achava-se uma dama romana, chamada Cecilia, que desde o momento em que recebeu o Batismo, concebeu tal amor à virtude, que fez voto a Deus de sua virgindade. Para guardar dignamente esta virtude, recomendava-se com frequência ao seu Anjo da Guarda que muitas vezes aparecia-lhe visivelmente. Na idade de vinte anos, seus pais quiseram obrigá-la a casar-se com um jovem muito rico chamado Valeriano; porém chegando o dia das bodas, Cecilia chamou ao jovem a quem tinha sido prometida e disse-lhe:                        .

- Valeriano; eu tenho um anjo que zela por meu corpo, porque está consagrado a Deus; ai de ti se te atreves a profaná-lo!             

 

Valeriano que desejava ver o anjo, respondeu-lhe:

- Só acredito no que me dizes, se eu vir o anjo de que me falas.                           

- Para ver este anjo tens de puriflcar-te, e acreditar que há um só Deus vivo e verdadeiro.

- 0 que devo fazer para purificar-me?

- Há um homem que sabe punflcar os outros fazê-los capazes de ver os anjos. Vai à via Apia a três milhas desta cidade, ali encontraras uma reunião de pobres, pergunta-lhes onde vive o velho Urbano; ele te purificará por meio de uma água misteriosa, e depois verás o anjo.              

 

Valeriano foi no mesmo instante procurar São Urbano e lhe expos tudo o que Cecilia lhe dissera. O Pontífice o recebeu com bondade, e deu graças a Deus com as seguintes palavras: "ó Senhor Jesus, verdadeiro Pastor e Redentor das almas! Abençoai vossa serva Cecilia que, qual abelha industriosa trabalha para vos servir, pois que seu prometido de leão furioso transformou-se em manso cordeiro. Agora dignai-vos, Senhor, completar vossa obra e fazer que seu coração se abra à graça, e Vos conheça a vós sumo Criador, renuncie ao demônio, às pompas e aos ídolos."

 

Enquanto o Papa assim falava, apareceu São Paulo Apóstolo sob o aspecto de um venerando ancião, e disse a Valeriano: "lê o livro que te entrego e se tiveres fé serás purificado e verás o anjo de que te falou Cecilia." Valeriano abriu o livro tremendo e leu estas palavras: "Há um só Deus Pai de todas as coisas, Senhor de tudo, que a todos nós govema."

- Acreditas no que leste? Perguntou-lhe São Paulo.

- Sim, e o creio firmemente. Dizendo estas palavras, desapareceu o ancião. Então Urbano animou Valeriano, instruiu-o nos mistérios da Religião, administrou-lhe em seguida o batismo, e depois de ter passado com ele a noite em oração, disse-lhe que voltasse para ver Cecilia. Foi Valeriano e a encontrou rezando, tendo a seu lado o anjo do Senhor em forma humana. Trazia em suas maos duas coroas entrelaçadas com rosas e assucenas, pôs uma delas sobre a cabeça de Cecilia e a outra sobre de Valeriano, dizendo-lhes:

- Trabalhai, jovens, para conservar estas coroas com pureza de coração e santidade de vida. Trouxe-as do jardim do Paraiso: estas flores jamais murcharão. Agora, Valeriano, venho da parte de Jesus para te conceder tudo o que pedires.

- Anjo de Deus! Exclamou Valeriano, não te peço mais do que a conversão de meu irmão Tibúrcio.

- Ser-te-a concedido o que pedes, respondeu­lhe o anjo; da mesma maneira que Cecilia te con­verteu a fé, tu converterás teu irmão Tibúrcio e ambos alcançareis a palma do martírio; e assim di­zendo, desapareceu.

 

Valeriano contou a seu irmão Tibúrcio as maravilhas que tinha visto, e depois o conduziu

ao Papa Urbano que o instruiu na fé e administrou-lhe batismo.

 

Martírio de Santa Cecilia e de seus companheiros - Quando chegaram aos ouvidos de Almáquio, prefeito de Roma, as novas da conversão e do zelo de Valeriano e Tibúrcio, chamou-os a sua presenga e fez-lhes um sem número de perguntas; porém, confundido com suas sabias respostas e não sabendo que partido tomar, disse-lhe um de seus acessores para tira-lo das dificuldades. "Condenai-os ambos à morte e ficai com seus bens." Seguindo este conselho, Almáquio os mandou levar ao templo de Júpiter, para serem ali decapitados se não oferecessem incenso a uma divindade. Maximo, secretário do prefelto, acompanhava-os ao lugar do suplício com uma escolta de soldados; contemplando, porém, aqueles nobres jovens indo à morte como se fossem para um grande festim, sentiu-se também ele com desejos de abraçar a fé. Com o fim, pois, de que o instruissem na Religião, levou-os à sua casa, onde a graça de Deus o venceu de tal modo que ele, sua família e outros acreditaram em Jesus Cristo. Tendo ido ali durante a noite o Papa Urbano com outros sacerdotes e Santa Cecilia, e encontrando-os suficientemente instruídos, lhes administrou logo o batismo. Poucos minutos depois chegou o verdugo, que com transporte de furor cortou a cabeça aos dois irmãos Valeriano e Tlburcio, cujas almas voaram a habitar etemamente o Céu. Nesse mesmo dia recebia Máximo a coroa do maríirio.

 

o prefeito, não encontrando dinheiro algum na casa de Tiburcio e Valeriano, voltou seu furor contra Urbano e Cecilia; e não podendo encontrar Urbano, enviou seus esbirros à casa de Cecilia.

 

Esta, porém, que se tinha transformado em apóstola de Jesus Cristo, falou-lhes de tal modo, que os converteu a fé: em seguida mandou chamar Urbano que lhes administrou os sacramentos do batismo e da confirmação. Quase chega a quatrocentos o número das pessoas que se batizaram nessa ocasião, entre soldados e outra gente. Ao chegar ao conhecimento de Almáquio a conversão dos seus próprios emissários, mandou que conduzissem Cecilia ao seu tribunal, e começou por convida-la a que não se obstinasse, a Santa, porém, respondeu-lhe:

 

- Eu me considero ditosa em confessar Jesus Cristo em qualquer lugar e a despeito de todos os perigos: não tenho medo de poder algum contrário as leis do meu Deus .

 

- Ignoras acaso que nossos invictos imperadores e nossas leis castigam com a morte aos que se declaram cristãos, ao passo que premiam com muita liberalidade aos que renegam sua Religião?

 

- Vós e vossos imperadores cometeis um erro indizível; e a lei que proclamais não prova mais do que uma só coisa, é e que vós sois cruéis e nós inocentes, porque se o nome do cristão fosse um crime, nós mesmos fariamos o que pudessemos para nega-lo.

 

- Vamos, donzela miserável, não sabes que nossos invictos príncipes puseram em minhas mãos o poder de vida e morte? Como te atreves a falar­me com tanta arrogância?

 

- Falei-te com firmeza e não com arrogância; além disso disseste que teus príncipes deram­te o poder da vida e morte; isto é falso. Tu não tens mais do que o poder de dar a morte; podes tirar a vida aos vivos, porém não a podes dar aos mortos.

 

- Acaba; deixa teu atrevimento; sacrifica aos deuses e salva tua vida. Ali tens no pretório as estatuas que deves incensar.

 

- Como é isto, prefeito? Até falta-te o sentido da vista? Eu não vejo aqui mais do que pedras, bronzes e algum outro metal; estes por certo são divindades. Apalpa essas estátuas se e que as ves, e sentirás que são corpos, porém não espíritos, que não merecem mais honra do que a de serem atiradas ao fogo. Quanta a mim, creio que somente Jesus Cristo é o que pode livrar minha alma do fogo etemo.

 

Almáquio para evitar tumúltos no povo que amava muito Cecilia por suas obras de caridade, mandou que se the desse a morte ocultamente em sua casa. Os verdugos atiram-na dentro de uma estufa, que era uma espécie de aposento para tomar banhos a vapor, e aqueceram-na bastante para faze-la morrer sufocada; Cecilia, porém, não só saiu ilesa se não que Deus a confortou com sua prodigiosa presença como ja o tinha feito com os três meninos no fomo de Babilônia. Ao saber isto, Almáquio ordenou que imediatamente lhe cortassem a cabeça; porém, como não pudesse o verdugo nem ao terceiro golpe separa-la do tronco ficou ali Cecilia três dias agonizando e nadando em seu proprio sangue. Os pobres que tinham gozado de seus beneficios, com muitos outros cristãos, sem se importarem com o perigo a que se expunham iam valorosamente visita-la, e ela os exortava a que fossem constantes na fé. São Urbano também correu pressuroso a assisti-la durante aqueles prolongados sofrimentos, e ela vendo junto a si o Vigário deo Jesus Cristo exclamou: "Beatíssimo Padre, dou graças a Deus, que em sua grande misericórdia dignou-se ouvir minha oração. Eu lhe tinha pedido que me desse ainda três dias de vida para que pudesse ser consolada com vossa presença e recomendar-vos ao mesmo tempo algumas coisas. Peço-vos, pois, que cuideis de meus pobrezinhos, dai-lhes tudo que encontrardes em minha casa; esta transformai em Igreja para que possa servir para sempre aos fiéis, que ali se queiram reunir para cantar as glórias do Senhor." Dizendo estas palavras, sua alma voou ao céu a 22 de Novembro do ano 232, poucos meses antes da morte de São Urbano. A casa de Cecilia converteu-se realmente em capela, onde se ve ainda a estufa dentro da qual se queria sufocar esta santa virgem.

 

Martírio de São Urbano e de seus companheiros - Depois do martlrio de Santa Cecilia, São Urbano voltou as catacumbas; mas tendo sido descoberto pelos perseguidores, foi conduzido também ao tribunal de Almáquio, juntamente com três diáconos e dois sacerdotes. Sendo vãos todos os esforços que aquele fez para convence-los a incensar Júpiter, ordenou que os metessem em um escuro calabouço. Tiraram-os dai quatro vezes para os levar ante o tribunal do prefeito, onde foram interrogados e atormentados. 0 carcereiro Anolino, comovido pela firmeza de Urbano em suportar os tormentos, converteu-se, recebeu o batismo das mãos de São Urbano e pouco depois cortaram-lhe a cabeça.

 

Cansado, Almáquio disse a Carpásio seu emissário: "Conduzam estes pela última vez ao templo de Júpiter e se não oferecerem incenso, corte-se-lhes logo a cabeça." 0 mesmo quis acompanha-los com uma multidão de soldados. Os santos confessores, para manifestar a alegria que inundava seus corações, puseram-se a cantar: "Ó Senhor! Temos sido inundados de consolação confessando publicamente vossa santa lei; nossos corações estãos cheios de alegria qual não estariam gozando de todas as riquezas do mundo."

 

assim que Urbano viu a estátua de Júpiter, apoderou-se dele uma dor profunda, pelas abominações que diante dela se cometiam, e disse em voz alta: "Destrua-te o poder de nosso Deus"; e ao pronunciar estas palavras, caiu por terra a estátua, como ferida por um raio, e se reduziu a pó. Ao mesmo tempo cairam mortos os sacerdotes, que em número de vinte e dois, ministravam o fogo para o sacrifício.

Ao ver esse espetáculo, fugiram os soldados, e o próprio Almáquio espantado foi esconder-se em sua casa. Depois de algum tempo, ao considerar o fato, não sabia dar-se-lhe a razão de como sua ciência, com seu poder, com suas ameaças e suplícios não tinha podido induzir Urbano a que oferecesse incenso aos deuses. Para isso mandou-os trazer pela última vez ante seu tribunal e lhes disse:

- Ate quando abusarei de minha paciência, seguindo essa arte mágica? Acreditais talvez que ela sirva para vos livrar de minhas mãos?

 

Eles responderam-lhe: Sabemos que nosso Deus é poderoso. Se Ele quiser, pode livrar-nos de ti como livrou os meninos hebreus das mãos de Nabucodonosor e do fomo ardente. E se nos acha dignos d'Ele, e não quer nos livrar, garantimos-te que para nós será uma glória o dar a vida pelo nosso Criador; porém nunca obedeceremos as tuas ordens injustas.

Tendo perdido Almáquio toda esperança de os poder persuadir, mandou que os estendessem por' terra e os açoitassem por muito tempo. Foi tão cruel este castigo que um dos diáconos morreu entre os tormentos. São Urbano os animava e exortava a que não se assustassem com as penas passageiras, pois ver-se-lam livres das penas do infemo que nunca acabam e ganhariam a glória etema do céu. Vendo Almáquio que os açoites não produziam efeito algum, ordenou que os esfolassem com afiados garfos de ferros, de modo que suas cames caiam em pedaços. Entretanto os verdugos tiraram com tal furor do tribunal a dias depois Almáquio mandou levar Urbano e seu clero ao templo de Diana, para que fossem ali decapitados. Conhecendo que finalmente iam terminar seus sofrimentos, disse a seus companheiros:

- Coragem, meus filhos, o Senhor nos chama dizendo-nos: "Vinde a mim todos os que estais atribulados e oprimidos, que eu vos aliviarei." Até agora nós o temos visto somente como num espelho, porém já estamos próximos de ve-lo face a face.

 

Ao chegar ao lugar do suplício, estando impacientes para sofrer o martírio, disseram todos a uma voz aos seus verdugos: "Fazei logo o que quiserdes." 0 santo Pontífice deu-lhes a benção apostólica, e depois de terem feito todos o sinal da cruz, ofereceram a Deus suas vidas rogando desta maneira: "ó Senhor dignai-vos receber-nos segundo vossas promessas, para que possamos viver

por Vós, e com vosso adjuntório possamos chegar à posse daquela glória que em vosso reino se goza por todos os séculos." Dizendo estas palavras, ajoelharam-se e lhes foi cortada a cabeça. Este fato teve lugar a 25 de Maio do ano 233.

 

CAPÍTULO XVI

 

Sexta perseguição - São Ponciano, São Antero e Santa Barbara - Morte de Maximino - Sétima perseguição e São Fabiano - Fim da sétima perseguição - São Gregório Taumaturgo - São Paulo, primeiro eremita.

 

Sexta perseguição - A tolerância de Alexandre para com os cristãos, foi um motivo para que Maximino, seu assassino e sucessor, os odiasse com mais encarniçamento. Com o fim de ter um pretexto para persegui-los, lhes atribuia a derrota de seus exércitos, a peste, a carestia, os terremotos e outras coisas que naqueles tempos desolavam o império romano, como se esses males fossem o efeito da cólera dos deuses pela toleâancia que se tinha para com os fiéis de Cristo.

 

Porém o fato que mais excitou a indignação do imperador, foi o santo valor de um de seus soldados. Quando Maximino foi proclamado imperador fez, conforme se costumava então alguns presentes a seus soldados. Todos os homens que compunham o exército, deviam aparecer perante ele, para receber aqueles dons, com uma coroa de louro na cabeça; mas um dos soldados, suspeitando que essa prática, naquelas circunstâncias, importava um sinal de idolatria, levou a coroa na mãos. Perguntando-lhe um oficial a razão daque

 

singularidade, respondeu-lhe: "Sou cristão e minha religião me proibe levar na cabeça vossa coroa se fazendo, assim pudesse, eu parecer Idólatra." Tiraram-lhe no mesmo instante o uniforme militar e levaram-no preso. Alguns fiéis pensavam que se podia levar tal coroa como sinal de festa civica sem incorrer em culpa alguma. Nesta ocasião Tertuliano escreveu um livro intitulado: Da coroa do soldado; nele demonstra que naquele caso tal cerimônia era um ato de idolatria, e como tal ilícito, pois é fora de dúvida que muitas vezes, a moralidade das ações depende da interpretação exterior que lhes dão os homens.

 

São Ponciano, São Antéro e Santa Barbara - Maximino decretou no mesmo instante uma perseguição contra todos os cristãos. Quando porém soube que estes constituiam uma grande parte de seus suditos, limitou-se a proibir que se abraçasse a religião que eles professavam, e ao mesmo tempo deu ordens para que se desse morte particularmente aos Bispos, pois que eles eram os autores dos progressos do cristianismo. A vtima principal do furor de Maximino foi São Ponciano. Desterraram-no para a pequena ilha de Tavolara na Sardenha, e depois de dois anos de cadeia e sofrimentos, condenaram-no a morrer a pauladas. Sua morte teve lugar no ano 238. Sucedeu-lhe Santo Antero, ao qual cortaram a cabeça depois de um mês de pontificado.

Santa Barbara foi primeiramente provada com cruéis tormentos da parte de seu desnaturado pai e mais tarde condenada a morte na cidade de Nicomedia.

 

A perseguição teria sido muito mais longa se Deus não tivesse tirado do mundo  seu autor. Achava-se ele sitiando a cidade da Aquila que tinha rebelado e lhe havia fechado as portas. Tendo-o levado o assalto várias vezes, porém em vão, atribuia a seu soldados os seus infelizes insucessos, e deixando-se levar pelo seu furor, entregava-se a atos brutais contra os mesmos. Alguns deles, cansados de tanto maus tratos, atiraram-se sobre ele e o assassinaram em sua tenda.

 

Sétima perseguição e São Fabiano - A sétima perseguição suscitada pelo imperador Décio, foi uma das mais sanguinolentas. Êmulo de seus predecessores, Décio publicou um edito que foi executado com o maior rigor. Os açoites, os garfos de ferro, o fogo, as feras, a pez fervente, as tenazes incandescentes, tudo foi posto em obra para atormentar os confessores da fé.

 

É tão grande o número dos que padeceram o martírio nesta perseguição, que seria impossível numera-los. Distinguiam-se especialmente São Poliuto na Armênia, Santo Alexandre bispo da Capadócia, o magnanimo São. Piônio, sacerdote da Igreja de Smirna, Santa Águeda de Catânia, Santa Vitória de Toscana e São Fabiano. Este Pontífice trabalhou muito pela fé, até que finalmente o denunciaram como chefe dos cristãos. Depois de longos e graves padecimentos, cortaram-lhe a cabeça a 20 de Janeiro do ano 253; governou a Igreja cerca de 13 anos.

 

São Cipriano, tendo recebido do clero de Roma a relação da morte de São Fabiano, ao responder­lhe, expressou nestes termos: "Já havia corrido entre nós a notícia de que o Pontífice Fabiano tinha morrido; e, enquanto vagava incerta esta nova, recebi uma carta que me dá todas as minúcias de sua gloriosa morte. Muito me regozijei em meu coração por ter ele coroado tão gloriosamente as fadigas de seu apostólico ministério. Vós também deveis por esse motivo vos alegrar muito comigo. Desse modo a memória gloriosa do vosso bispo, será de glória para vós, e para nós um belíssimo exemplo de constância na fé e na virtude." (s. Cip., Ep. 4).

 

A perseguição de Décio cessou tão somente com sua morte. Enquanto combatia contra os bárbaros do Danubio, tendo por segura a vitória, intenou-se inconsideradamente em um pantano para ter melhor a sua vista os inimigos; porém oprimido pelo furor dos combatentes, pereceu miseravelmente afogado naquele pantano. Ano 253.

 

São Gregório Taumaturgo - Enquanto os mártires, sacrificando sua vida no meio de tormentos atrocíssimos, davam testemunho da verdade de sua fé, outras maravilhas eram operadas por outros heróis do cristianismo pela prática da virtude e por grandes prodígios. Entre estes sobressai São Gregório, chamado Taumaturgo, isto é, fazedor de milagres. Era sua patria Neo-Cesareia, no Ponto, e descendia de familia nobre. Na morte de seus pais desprezou os cargos honrosos que se lhe ofereciam, distribuiu sua fortuna aos pobres e, não confiando senão na Providência, retirou-se para a solidão afim de ai terminar seus dias num retiro. Mas suas preclaras virtudes atraiam-lhe as admirações do publico, que queria proclama-lo bispo, porém ele, espantado em presenc;a so da idéia de tão alta dignidade, mudou de moradia e andou errante de deserto em deserto. Encontraram-no sem embargo e, apesar da sua repugnância foi eleito bispo de sua patria (Ano 250).  

 

É impossível narrar aqui tudo o que fez o santo Bispo em prol do rebanho que lhe foi confiado.

 

Os Sahtos Padres comparam-no a Moisés e aos profetas pelo dom de profecia e de milagres, e aos apostólos pela virtude, zelo e trabalhos, e especialmente pela multidão de prodígios operados por ele. Com uma oração livrou seu povo de uma mortandade que horrivelmente o dizimava; com uma ordem dada mudou para outro lugar um monte que estorvava a ereção de uma Igreja, e servindo­se do mesmo recurso secou um pantano que era causa de uma discordia fraterna. Um rio inundava e devastava os campos causando grandíssimos estragos; corre o Santo para  lugar do desastre, finca na margem do rio o bastão em que se apoia, o qual logo transforma-se numa árvore verde e frondosa que serve de limite ao rio.

 

Estando proximo a morte, perguntou quantos infieés ainda existiam em Neo-Cesareia, e como se lhe respondesse que ainda havia dezessete, disse: "Graças sejam dadas a Deus; pois esse era justamente o número de fiéis quando fui eleito bispo." Morreu no ano 268.

 

São Paulo, primeiro eremita - Os estragos que a perseguição causou entre os cristãos foram, causa de que muitos deles seguissem o conselho do Salvador e fugissem das povoações onde a perseguição tomava maior incremento, para ir buscar um asilo nas vastas solidões que se estendem naquela parte do Alto Egito, chamada Tebaida, na Palestina e na Siria.

 

o primeiro eremita, isto é,  primeiro que foi , conhecido entre aqueles solitários, foi São Paulo. Este nasceu perto de Tebas no ano 229. Ali vivia levando uma vida cristã. Sua juventude, suas riquezas e seu nascimento não foram capazes de seduzi-lo, pois só amava a virtude; porém sua humildade que lhe fazia temer expor-se aos tormentos, induziu-o primeiramente a esconder-se numa casa de campo, e depois a retirar-se para as partes mais remotas do deserto (Ano 250). Deus que o guiava, fez-lhe encontrar uma rocha em que a natureza tinha formado uma espécie de aposento, belamente iluminado por uma abertura na parte superior. Do alto da montanha brotava uma fonte de água cristalina, que alimentava um claro regato que tornava mais amena aquela solidão. Nutria-se o Santo com os frutos de uma palmeira que sombreava a entrada da gruta, até que o Senhor, servindo-se de um corvo,  fez chegar a suas mãos meio pão cotidiano, alimento mais próprio para sua avançada idade. Ali viveu Paulo noventa e dois anos, sem outra companhia do que a das feras e quase desdeconhecido dos homens. Pouco tempo antes de sua morte, Deus lhe fez conhecer o grande Abade Santo Antão, que havia levado, igualmente, durante muitos anos uma vida solitária em outra parte daquele deserto. Sua morte teve lugar aos 113 anos de idade e no ano 342 de nossa era.

 

CAPÍTULO XVII

 

Origenes - Sede romana vacante ­ Lapsos - Sacrificados - Turificados - Idólatras - Libeláticos - Mártires - Confessores ­ Imigrado - Professores

 

Origenes - 0 célebre Origenes nasceu em Alexandria do Egito. Leonidas seu pai, cristão muito fervoroso, o educou com solicitude no santo temor de Deus, e desde a mais tenra idade o iniciou no estudo das divinas Escrituras. Tinha talvez dezessete anos quando seu pai, no imperio de Sétimio Severo, foi preso pela fé. Sabendo-o Origenes, queria a todo o custo ir ao martírio com ele, e era tal seu ardor, que sua mãe para impedir viu-se obrigada a esconder suas roupas, pondo-o assim na necessidade de desistir de seu propósito. Escreveu, não obstante, a seu pai uma carta formosíssima exortando-o a dar de bom grado sua vida pela fé, sem se deixar intimidar nem afligir-se por coisa alguma. Morto Leonidas, foram confiscados seus bens conforme costume, deixando sua família na miséria. Então Origenes, jovem como era, começou a dar lições de gramática e de literatura, para sustentar sua mãe e seus irmãos. Mais tarde o bispo de Alexandria ofereceu um campo vasto ao seu grande engenho, confiando-lhe a cadeira de Catequista naquela famosa escola do cristianismo, contando ele apenas dezoito anos.

 

Desejoso de compreender quanto melhor pudesse a doutrina de Jesus Cristo, fez uma viajem , a Roma, no ano 221, para observar atentamento os ensinos e costumes daquela Igreja, que ele chamava principal e mestra das outras Igrejas. De volta a sua patria, continuou a dar lições e fez tais progressos nas ciências, que, conforme narra, a história, parece-nos um portento. Não se compreende, por exemplo, como pudesse um só homem ditar, durante várias horas consecutivas de dia e de noite, para sete copistas ao mesmo tempo, coisas diversas e da mais alta e sublime teologia; nem como pudesse compor tantos livros de erudicão bíblica e eclesiastica, enquanto conferenciava ao mesmo tempo com uma turba de doutos e literatos, que recorriam a ele pedindo luzes e conselhos. Sua fama se tinha estendldo tanto, que ninguém ia a Alexandria, cristão ou pagão, sem que fosse visitá-lo. Os bispos o convldavam, e posto que não estivesse investido do caráter sacerdotal, faziam-no pregar; finalmente o bispo de Jerusalém o ordenou sacerdote. Maméia, mãe de Alexandre Severo, que se pensa ter recebido o batismo, serviu-se muito de seus conselhos e de suas luzes. 0 imperador Filipe e sua esposa Severa tliveram relações com Origenes, que dirigiu a cada um deles uma carta cheia de conselhos sublimes e de sentimentos de piedade.

 

Fim de Origenes - Não obstante estar no fim da vida, teve de padecer graves tribulações, motivadas por certas doutrinas erroneas, que lhe escaparam talvez inadvertidamente ao ditar suas

obras.

 

Tais são: os Comentários sobre as Santas Escrituras, os livros contra o filósofo Celso, e muito especialmente o que tem por título Periárcon, isto é, dos Princípios. Por outra parte quase não se pode por em dúvida que os hereges tlvessem falsificado aqui e acolá alguns pontos dos seus escritos, e que a falsificação teve lugar ainda em vida de Origenes, pois que ele mesmo se queixava disto. O certo é que ele entendia viver e morrer como católico, e que por isso dirigiu uma carta ao Papa São Fabiano, a qual não chegou até nós; porém sabemos conforme o testemunho de São Jerônimo (Ep. 74) que ainda a pode ler, que nela dava a conhecer seu arrependimento pelos erros em que tinha caído. Quanto aos dogmas da Unidade e Trmdade de Deus, da Encanação de nosso dIvino Salvador, do sacrifício da santa Missa, do sacramento da Confissão, da invocacão dos Santos, e da hierarquia da Igreja. Origenes foi um testemunho de muita importância para a doutrina cristã no terceiro século. Este insígne doutor sofreu muito na perseguição de Décio em que foi carregado de cadeias, encerrado em um cárcere, e sujeito a graves tormentos. Mas mesmo no cárcere não cessava de escrever cartas a seus discípulos, recomendando-lhes que perseverassem na fé. Morreu na cidade de Tiro aos 69 anos de idade no ano 253.

 

Alguns bispos, ainda em vida de Origenes; iniciaram contra ele uma perseguição, por que se deixara ordenar pelo bispo de Jerusalém sem ter conseguido antes licença do seu próprio bispo, que era o de Alexandria; e também porque tinha compreendido e práticado mal as palavras de Jesus Cristo relativamente à castidade perfeita (Sao Mat., cap. 19.). São Jerônimo, conquanto combata acerbamente os erros de Origenes, fala muito sobre suas virtudes, e deixa entrever grande esperança em relação a sua etema salvação.

 

Sede romana vacante - 0 assanhamento contra os cristãos durante a perseguição de Décio, foi a dolorosa causa de não se poder eleger o novo Papa senão dezesseis meses depois da morte de São Fabiano; e isso porque o jmperador preferia, conforme diz São Cipriano, ter antes um competidor no império, do que ter em Roma um sacerdote de Deus. Isto nos demonstra como já conhecia Décio quão grande era a autoridade que tinha o bispo de Roma sobre toda a Igreja. Esse espaço de tempo chamou-se Sede vacante, porque não havia nenhum Papa. Quase se pode dizer que é o tempo mais longo da história eclesiástica, durante o qual faltou Pontífice à Santa Sé. Representava então o Chefe visível da Igreja o clero romano, que, como observa São Cipriano, tomou temporariamente as rédeas do govemo; e com efeito os diversos paises da cristandade, em suas graves necessidades espirituais, continuaram a recorrer a Igreja de Roma, ainda em tempo de Sede vacante.

 

Os inauditos tormentos que se puseram em prática durante esta perseguição fizeram prevaricar muitos fiéis, e São Cipriano nos diz os motivos dessas deploráveis defeções. Muitos fiéis eram demasiado apegados aos bens da terra e as riquezas lhes ataram de tal modo os pés, que quando chegou o tempo de correr valorosamente para o martírio, acharam-se enlaçados e calram miseravelmente negando a Jesus Cristo.

 

Lapsos - Aos que prevaricavam davam-se vários nomes. Chamavam-se lapsos em geral os que de qualquer maneira tivessem negado a fé, porque do estado de filhos de Deus, a que tinham sido elevados pelo batismo, tinham caido miseravelmente para ser escravos de satanás, perdendo todo o direito a felicidade do céu.


Sacrificados - Os lapsos costumavam chamar-se sacrificados, quando tinham sacrificado aos ídolos, ou comido alguma coisa oferecida aos mesmos; pois que naquele infortunado tempo de prevaricação somente o comer essas coisas era considerado pelos gentios como sinal de ter negada a fé.

 

Turijicados - Chamavam-se os que para fugir os tormentos, consentiam em queimar incenso aos idolos ainda que sem fazer ato algum de idolatria.
 

Idólatras - Eram os que por meio de sacrifícios ou de palavra declaravam ter renegado a fé católica para adorar os deuses.

 

Libeláticos - Compreendiam-se debaixo deste nome aqueles que tinham em seu poder uma carta dos magistrados; bastando-lhes mostrá-la para que fossem postos em liberdade. Os libeláticos se dividiam em duas classes: uns eram os que, entregando certa quantia de dinheiro, conseguiam uma carta em que se declarava que tinham sacrificado aos ídolos, ainda que não fosse verdade; e os outros eram os que pagavam para obter um certificado em que nada se dizia do que tinham feito ou dito e somente se notificava aos soldados e juízes que não os incomodassem. A conduta dos libeláticos da primeira classe foi altamente reprovada pela Igreja, pois ainda que fosse verdade que eles nada dissessem ou fizessem contrário a fé, contudo fazia crer aos pagãos que a haviam negado. Tinham feito escrever além disso naquela carta uma mentira injuriosa a Nosso Senhor Jesus Cristo, que disse: "Aquele que se envergonhar de confessar-me diante dos homens, me envergonharei eu de confessá-lo diante de meu Pai celeste". (Luc., 9-26). Mas os da segunda categoria não foram condenados pela Igreja, porque não faziam mais do que comprar com dinheiro o privilégio de não se lhes molestar.

 

Mártires - assim como aos que abandonaram a fé davam-se vários nomes que indicavam sua fraqueza e culpa, também aos que com animo varonil padeciam por Jesus Cristo davam-se títulos gloriosos, conforme o modo e o tempo em que confessavam a fé, e suportavam os trabalhos das perseguições. Chamavam-se mártires os que constantemente toleravam os suplícios pela fé ainda que não morressem nos tormentos. Por isto costuma-se chamar mártir a São Joao Evangelista, porque, para confessar sua fé, foi arrojado, em Roma, numa caldeira de azeite fervendo, da qual saiu milagrosamente intato. Morreu muitos anos depois na paz do Senhor. Do mesmo modo chama-se mártir a Santa Técia pelos muitos e atrozes suplícios que padeceu por Jesus, ainda que não morresse neles; pois terminou sua vida pacificamente. Também merece o nome de mártir aquele que padece pela fé, ainda que não morra no suplício; porque a palavra mártir significa testemunha e os mártires, confessando fé entre os sofrimentos do cárcere, das cadeias e dos suplícios, dão público testemunho da verdade da religião católica.

 

Confessores - Chamavam-se assim os que confessavam em presença dos juízes seu caráter de cristãos, com perigo próximo de serem atormentados e mandados à morte, ainda que às vezes não sofressem mais do que o cárcere.

 

Extorres - Extorres é uma palavra latina que slgnifica imigrado, nome que se dava aos que temendo não suportar os tormentos abandonavam suas riquezas, sua pátria, seus pais e amigos e iam estabelecer-se em paises estrangeiros. Estes davam testemunho de sua fé antes com fatos do que com palavras, seguindo o conselho de Jesus Cristo que disse: "Quando fordes perseguidos numa cldade, fugi para outra".

 

assim o fizeram São Paulo, primeiro eremita, São Atanasio bispo de Alexandria e outros.

 

Professores - Eram estes os que levados pelo amor de Deus animados pelo desejo de morrer pela fé, ofereciam-se espontaneamente aos verdugos e arrostavam todo genero de tormentos. Entre estes tão somente são dignos de admiração e glória os que chegavam a este excesso de heroísmo, guiados por uma graça especial do Espírito Santo; porém os que o fizeram levados unicamente por certo entusiasmo, ou por tal ímpeto da natureza, tonaram-se culpados; pelo que a Igreja mais os reprovou como audazes, de que os louvou como fervorosos.

 

CAPÍTULO XVIII

Cisma de Novaciano - Primeiro anti-Papa - Interrogatório de São Cornélio - Prisão e martírio de São Cornélio.

Cisma de Novaciano - 0 autor do primeiro cisma ou, o que significa a mesma coisa primeiro rompimento da unidade da Igreja Católica, foi Novaciano. Um tal Novato de Cartago, tinha semeado a discordia naquela Igreja, enquanto São Cipriano se achava desterrado pelas perseguições. Cioso de gloria, Novato dirigiu-se a Roma para espalhar seus erros; ali se encontrou com Novaciano que desejava ser Papa em lugar de São Cornélio. Novaciano durante sua mocidade, sendo ainda idólatra, tinha sido possesso pelo demonio; porém livre já dele pelos exorcismos, determinou abraçar a fé. Enquanto era catecumeno e se fazia instruir no Evangelho, enfermou e se lhe administrou o Batismo estando na cama. Tendo melhorado, não recebeu  sacramento da Confirmação, nem as demais cerimônias do Batismo, que tinham sido postergadas porque parecia muito inconstante na Religião. Conseguiu não obstante, fazer-se ordenar sacerdote, contra o costume de então de não ordenar aos que tinham sido batizados na cama por motivo de grave enfermidade.

Sobrevindo a perseguição, Novaciano ficou encerrado em sua casa. Os diáconos o convidavam para que saisse assistir a seus irmãos que perigavam, porém ele deixando-se arrastar pela cólera, separou-se deles dizendo que já não queria ser sacerdote. Novato, que não desejava mais do que encontrar um homem turbulento, juntou-se com ele e começou a ensinar o contrário do que até então tinha ensinado. Em Cartago tinha sustentado que se deviaa absolver aos apóstatas e agora em Roma se doia da demasiada facilidade com que se lhes permitia fazer penitência.

Primeiro anti-Papa - Cornélio foi eleito Papa a despeito das dificuldades de Novato e de seus amigos. Novaciano vendo burladas suas esperanças, protestou que não tinha ambicionado o pontificado; porém suas obras, prontamente, desmentiram sua asserção. Quando viu Cornélio na posse da Santa Sé, associou-se a Novato com o fim de excitar tumúltos.

Querendo ser Papa a todo custo, reunio em Roma alguns bispos, e tendo conseguido encerrá-los em sua casa, a altas horas da noite, com ameaças os obrigou a consagrá-lo, como se a Sede Romana se achasse vaga. Deste modo se efetuou a ordenação de Noviciano, primeiro anti-Papa e primeiro chefe do cisma, na Igreja Católica.

Ao cisma juntou a heresia, afirmando que a Igreja não podia dar a paz nem absolver aos que tinham caido em tempo de perseguição, ainda que fizessem penitência de seu pecado e suplicassem à Igreja que lhes perdoasse em nome de Jesus Cristo. Condenava também as segundas núpcias, motivo pelo qual seus discípulos foram chamados taros, isto é, puros ou puritanos, porque vestiam­se de branco, afetando observar a virtude da continência, a qual por outra parte ultrajavam escandalosamente.

 

Novaciano para ligar mais seus setários no cisma, ao administrar-lhes a santa Eucaristia, tomava-os pelas duas mãos e os fazia jurar nestes termos: "Jura-me pelo corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo não abandonar-me jamais para voltar a Cornélio"; e tão somente aos desgraçados que respondiam: "Não voltarei a Cornélio", dava sacrilegamente a santa hóstia e lhes permitia enguli-la.

 

Interrogatório de São Cornélio - A perseguição, que ainda continuava fazendo estragos, e as turbulencias suscitadas por Noviciano, obrigaram ao Pontífice Cornélio a retirar-se de Roma e refugiar-se em Civitaveccia; onde eram tantas as cartas que diariamente escrevia, e a afluência de gente que de todas as partes a ele acudia, que parecia ter-se translalado Roma para ali. Foi este o motivo pelo qual o imperador mandou voltar Cornélio a capital afim de pedir-lhe contas das desordens que, seguindo dizia ele, diariamente suscitava. Mandou que comparecesse a sua presença durante a noite e 0 interrogava da maneira seguinte:

- Padece-te, ó Cornélio, que fazes o que deves? Qual a razão que te leva a não respeitar nossos deuses, e a não temer minhas ameaças, escrevendo, ao contrário cartas aos inimigos da república, em prejuízo da mesma?

Cornélio lhe respondeu com calma: - As cartas que tenho escrito, e as respostas que recebi, em nada afetam os interesses da república; tão somente falam de Jesus Cristo meu Deus. Posso garantir-te que tudo o que tenho dito e feito não tem outro fim se não a salvação das almas.

O imperador mandou que se tirasse o Papa de sua presença e que se açoitasse seu rosto com um manojo de cordas, em cujas extremidades se haviam atado bolinhas de chumbo: ut os ejus plumbatis coederetur. (Acta mart. s. Com.).

Prisão e martírio de São Cornélio - Logo mandou o imperador que conduzissem Cornélio ao cárcere, onde a divina Providência dispos que convertesse a fé o seu carcereiro chamado Cereal. Movido este pela santidade que o Vigário de Jesus Cristo manifestava em suas palavras e em suas obras pediu-lhe que fosse a sua casa para visitar sua mulher Salústia, que havia quinze anos jazia parAlitica no leito. Consentiu Cornélio e foi a sua casa, acompanhado de seus sacerdotes e um leitor; e levantando os olhos para o céu, rezou da seguinte maneira: "Senhor Deus, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, vós que em vossa grande misericordia tendes baixado do céu à terra para nos salvar a todos miseráveis pecadores, restitui sua primeira saúde a esta serva enferma, e tende miserlcórdia dela como tivestes do cego de nascimento de que nos fala o Evangelho, para dar a conhecer vossa glória e exaltar vosso santo nome". Em seguida tomando-a pela mão lhe disse: "Em nome de Jesus Nazareno levanta-te e caminha"; e assim como o cego de nascimento obteve a vista às palavras do Salvador, assim também Salústia, perfeitamente curada, se levantou exclamando em alta voz: "Verdadeiramente Jesus Cristo é Deus e Filho de Deus". E iluminada pela graça do Senhor, disse a São Cornélio: "Peço-te por amor a Jesus Cristo que nos administres o batismo"; e dizendo isto, foi buscar água e a deu ao Pontífice para que a batizasse, dando então os primeiros passos depois de quinze anos de parAlitica. Muitos soldados e os mesmos carcereiros, testemunhas deste milagre, pediram que se lhes administrasse o batismo. assim o fez Cornélio depois de te-los iniciado suficientemente. e para agradecer dignamente ao Senhbr, ofereceu por eles o sacrificium laudis, isto é, o santo sacrifício da Missa, e todos eles participaram do corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tendo noticia o Imperador de tudo que tinha acontecido em casa de Cereal, encheu-se de indignação, e ordenou que se levassem todos aqueles cristãos à via Apia, para que fizessem um sacrifício a Marte sob pena de morte ao que se negasse fazê-lo.

 

Durante o caminho, encontrou São Cornélio o Arcediago Estevão e lhe recomendou que distribuisse aos pobres o pouco dinheiro que ainda ficava à disposição da Igreja. Ao chegar ao lugar designado, os guardas vendo que eram inúteis todos os seus esforços, cumpriram as ordens recebidas. Ao santo Pontífice cortaram a cabeça a 14 de setembro do ano 255, depois de ter governado a santa Sé cerca de dois anos. Cereal, Salústia e mais outros vinte, foram martirizados na mesma ocasião.

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