JANEIRO DE 2014


Papa Francisco: sem Deus, perdemos o sentido do pecado

Cidade do Vaticano, 31.janeiro.2014 (RV) - Quando Deus não está presente entre os homens, “se perde o sentido do pecado”, e assim podemos fazer com que os outros paguem o preço da nossa “mediocridade cristã”. Foi o que afirmou nesta sexta-feira o Papa Francesco na sua homilia durante a Missa na Casa Santa Marta. Peçamos a Deus, disse o Papa, a graça de que jamais diminuía em nós a presença “do Seu Reino”.

Um pecado grave como, por exemplo, o adultério, classificado como “problema a ser resolvido”. A escolha que faz o Rei Davi, narrada na primeira Leitura de hoje, torna-se o espelho diante do qual o Papa Francisco coloca a consciência de cada cristão. Davi se apaixona por Betsabeia, esposa de Urias, um dos seus generais, ele a toma e envia o marido para a linha de frente na batalha, causando sua morte e, de fato, perpetrando um assassinato. No entanto, o adultério e o homicídio não o agitam muito. “Davi está diante de um grande pecado, mas ele não o vê como pecado”, observa o Papa: “Não passa por sua mente pedir perdão. ‘O que lhe vem em mente é: “Como faço para corrigir isso?’”

“A todos nós pode ocorrer isso. Todos nós somos pecadores e todos nós somos tentados, e a tentação é o pão nosso de cada dia. Se qualquer um de nós dissesse: ‘Mas eu nunca tive tentações', ou você é um querubim ou você é um pouco estúpido, não é? Entenda-se... é normal na vida a luta, e o diabo não está tranquilo, ele quer a sua vitória. Mas o problema - o problema mais grave nessa passagem - não é tanto a tentação e o pecado contra o nono mandamento, mas é como Davi age. E Davi aqui não fala de pecado, fala de um problema que precisa resolver. Este é um sinal! Quando o Reino de Deus não existe, quando o Reino de Deus diminui, um dos sinais é que você perde o sentido do pecado”.

Todos os dias, recitando o “Pai Nosso”, pedimos a Deus, “Venha o teu Reino...”, o que - explica o Papa Francisco – significa dizer “cresça o Teu Reino”. Mas quando você perde o sentido do pecado, você também perde o “sentido do Reino de Deus” e no seu lugar - sublinhou o Papa - emerge uma “visão antropológica super-potente”, daquele que diz “eu posso fazer tudo”.

“É o poder do homem, ao invés da glória de Deus! Este é o pão de cada dia. Por isso, a oração de todos os dias a Deus “Venha o teu Reino, cresça o Teu Reino”, pois a salvação não virá das nossas espertezas, das nossas astúcias, da nossa inteligência em fazer negócios. A salvação virá pela graça de Deus e através do treinamento cotidiano que nós fazemos desta graça na vida cristã”.

“O maior pecado de hoje é que os homens perderam o sentido do pecado”. Papa Francisco citou esta famosa frase do Papa Pio XII e, em seguida, dirigiu o olhar para Urias, o homem inocente condenado à morte por culpa de seu rei. Urias, disse o Papa, torna-se o emblema de todas as vítimas do nosso inconfessado orgulho:

“Confesso a vocês que quando vejo essas injustiças, este orgulho humano, também quando vejo o perigo que isso ocorra também a mim, o perigo de perder o sentido do pecado, me faz bem pensar nos muitos Urias da história, nos muitos Urias que também hoje sofrem a nossa mediocridade cristã, quando perdemos o sentido do pecado, quando deixamos que o Reino de Deus diminua ... Estes são os mártires dos nossos pecados não reconhecidos. Irá nos fazer bem hoje rezar por nós, para que o Senhor nos dê sempre a graça de não perder o sentido do pecado, para que o Reino não diminua em nós. Também levar uma flor espiritual ao túmulo dos Urias contemporâneos, que pagam a conta do banquete dos seguros, daqueles cristãos que se sentem seguros”.
"Pensem no bem das crianças e dos jovens", pede Francisco aos membros da Congregação para a Doutrina da Fé

Cidade do Vaticano, 31.janeiro.2014 (RV) – O Papa Francisco recebeu em audiência esta manhã, na Sala Clementina, os membros da Congregação para a Doutrina da Fé, no encerramento de sua Assembleia Plenária.

Em seu discurso, o Pontífice recordou a função desse dicastério, que é “promover e tutelar a doutrina sobre a fé e os costumes em todo o mundo católico (Constit. ap. Pastor bonus, 48)”. Todavia, observou, desde os primeiros tempos da Igreja existe a tentação de entender a doutrina num sentido ideológico ou de reduzi-la a um conjunto de teorias abstratas e cristalizadas. Na realidade, a doutrina tem como único fim servir a vida do Povo de Deus e garantir à nossa fé um fundamento seguro. “De fato, é grande a tentação de nos apropriar dos dons da salvação que vem de Deus, para domesticá-los – talvez com boas intenções – às visões e ao espírito do mundo. E esta é uma tentação que se repete continuamente.”

Para o Pontífice, zelar pela integridade da fé é uma tarefa muito delicada, que deve ser feita sempre em colaboração com os Pastores locais e com as Comissões Doutrinais das Conferências Episcopais.
 
“Isso é importante para salvaguardar o direito de todo o Povo de Deus a receber o depósito da fé na sua pureza e na sua integralidade.”

Por isso, Francisco pediu aos membros da Congregação que mantenham uma atitude de diálogo e colegialidade para que a luz da nossa fé brilhe sempre mais diante do mundo.

A seguir, o Papa mencionou o tema em debate na Plenária, que foi a relação entre fé e o Sacramento do matrimônio. “Trata-se de uma reflexão de grande relevância”, destacou o Pontífice, recordando que já Bento XVI havia formulado a necessidade de se interrogar mais profundamente acerca da relação entre fé pessoal e celebração do Sacramento do matrimônio, sobretudo no atual contexto cultural.

Por fim, Francisco agradeceu aos membros da Congregação para a Doutrina da Fé pelo empenho em tratar dos chamados delitos mais graves, em especial dos casos de abuso sexual de menores por parte de clérigos. “Pensem no bem das crianças e dos jovens, que na comunidade cristã sempre devem ser protegidos e amparados em seu crescimento humano e espiritual.”

Neste sentido, o Papa anunciou que se estuda a possibilidade de que a Comissão para a proteção dos menores que ele criou colabore com a Congregação para a Doutrina da Fé.

31 de Janeiro: A Igreja celebra a memória de Dom Bosco - São João Bosco

Na festa de Dom Bosco, o Papa Francisco twittou:



31/01/2014
Ninguém se salva sozinho. A dimensão comunitária é essencial na vida cristã.


Papa à Universidade "Notre Dame", EUA: coragem na defesa da identidade católica

Cidade do Vaticano, 30.janeiro.2014 (RV) - O Santo Padre recebeu em audiência ao meio-dia desta quinta-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, uma delegação da Universidade Católica "Notre Dame", proveniente do estado de Indiana, EUA, por ocasião da inauguração, em Roma, de uma nova sede do Ateneu. O Papa Francisco manifestou seu agradecimento ao Conselho diretivo da instituição acadêmica, fundada em 1842 por Pe. Edward Sorin, membro da Congregação da Santa Cruz:

"Desde a sua fundação, a Universidade Notre Dame deu uma notável contribuição para a Igreja no país de vocês, com o seu empenho na educação religiosa dos jovens e no ensinamento de um saber inspirado pela confiança na harmonia entre fé e razão na busca da verdade e da retidão."

Um empenho relançado agora com a abertura da sede romana do Ateneu, ocasião para os estudantes – observou o Bispo de Roma – entrarem em contato com "as riquezas históricas, culturais e espirituais da Cidade Eterna", "abrindo suas mentes e corações" para a continuidade entre a fé de Pedro e Paulo, dos confessores e mártires de todos os tempos, e a fé "a eles transmitida em suas famílias, nas escolas e nas paróquias".

Recordamos que em anos recentes a Universidade Notre Dame suscitou amplo debate no âmbito acadêmico católico, por em 2009 ter concedido o título de Doutor Honoris Causa em Direito ao presidente estadunidense Obama, apesar de sua posição política em favor do aborto.

A inspiração que conduziu Pe. Edward Sorin permanece central, nas transformadas circunstâncias do Séc. XXI, para a identidade que caracteriza a Universidade e o seu serviço à Igreja e à sociedade estadunidense, ressaltou o Papa.

"A esse respeito, é essencial um corajoso testemunho das Universidades católicas no âmbito do ensinamento moral da Igreja e da defesa da liberdade de manter tais ensinamentos."

Ensinamentos "proclamados – recordou o Papa Francisco – com autoridade pelo Magistério dos Pastores", "nas e através das instituições formativas da Igreja".

"Faço votos de que a Universidade Notre Dame continue oferecendo o seu indispensável e inquivocável testemunho a esse aspecto da sua fundamental identidade católica, especialmente diante das tentativas, de onde quer que venham, de diluí-la."

Nesta quinta-feira, Papa Francisco escreveu em seu twitter:

30/01/2014
Não consigo imaginar um cristão que não saiba sorrir. Procuremos dar um testemunho alegre da nossa fé.

Amar Cristo sem a Igreja é uma dicotomia absurda – o Papa na missa em Santa Marta

A homilia do Papa na Missa desta quinta-feira, 30.janeiro.2014, na Casa de Santa Marta partiu da figura do rei David que nos é apresentada pelas leituras do dia como um homem que fala com o Senhor que fala com o Pai e, mesmo quando recebe um não, aceita-o com alegria. David tinha um sentimento forte de pertença ao Povo de Deus – afirmou o Papa Francisco – e esta sua atitude faz-nos pensar sobre o nosso sentido de pertença à Igreja, o nosso sentir com a Igreja e na Igreja – considerou o Santo Padre:

“O cristão não é um batizado que recebe o Batismo e depois segue o seu caminho. O primeiro fruto do Batismo é fazer-te pertencer à Igreja, ao Povo de Deus. Não se entende um cristão sem Igreja. E por isto o grande Paulo VI diz que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem a Igreja; escutar Jesus mas não a Igreja. Não se pode. É uma dicotomia absurda.”

Segundo o Papa Francisco há três pilares de pertença à Igreja, de sentir-se Igreja. São eles a humildade, a fidelidade e a oração pela Igreja. Referiu-se em primeiro lugar à humildade, considerando que cada um de nós é uma pequena parte de um grande povo. Depois a fidelidade à Igreja como vínculo aos seus ensinamentos. Finalmente, abordou o pilar da oração pela Igreja:

“Uma pessoa que não é humilde, não pode sentir com a Igreja, sentirá aquilo que lhe agrada. E esta humildade que se vê em David: ‘ Quem sou eu, Senhor Deus, e que coisa é a minha casa?’. Com aquela consciência que a história da salvação não começou comigo e não terminará quando eu morro. Não, é toda uma história da salvação: eu venho, o Senhor pega em ti, faz-te andar para a frente e depois chama-te e a história continua. A história da Igreja começou antes de nós e continuará depois de nós. Humildade: somos uma pequena parte de um grande povo, que vai pelo caminho do Senhor.”

“Fidelidade à Igreja; fidelidade ao seu ensinamento; fidelidade ao Credo; fidelidade à doutrina, conservar esta doutrina. Humildade e fidelidade. Também Paulo VI nos recordava que nós recebemos a mensagem do Evangelho como um dom e devemos transmiti-lo como um dom, mas não como uma coisa nossa: é um dom recebido que damos. E nesta transmissão ser fieis. Porque nós recebemos e devemos dar um Evangelho que não é nosso, que é de Jesus e não devemos – dizia ele – ser donos do Evangelho, donos da doutrina recebida, para utiliza-la ao nosso prazer.”

O Papa Francisco terminou a sua meditação desta manhã afirmando que o terceiro pilar do sentimento de pertença à Igreja é a oração pela Igreja. Desta forma, o Santo Padre exortou os cristãos a rezarem pela Igreja presente em todas as partes do mundo e pediu ao Senhor que nos ajude a ir por este caminho para aprofundarmos a nossa pertença e o nosso sentir com a Igreja.

Radio Vaticano

Ação da Igreja do Brasil

Vez por outra se pergunta: “Afinal, o que faz a Igreja do Brasil, na sua ação evangelizadora, em prol da educação e da civilização?”

Em carta apresentando a Campanha de Evangelização 2013, Dom Raymundo Damasceno Assis, Cardeal Arcebispo de Aparecida e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), explana a ação da Igreja católica no Brasil e no mundo, em sua missão e propagação do Evangelho, lembrando que no Brasil, a estrutura da Igreja Católica forma uma das maiores bases sociais para a população:

“Assim como o Apóstolo Paulo que evangelizou com amor e dedicação, somos chamados a evangelizar com esta grandiosa ação em nossas dioceses, paróquias e comunidades que promovem a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Nossa Igreja é formada por homens e mulheres; jovens e idosos; religiosos e religiosas; leigos e leigas. Juntos, somos a maior instituição benfeitora e promotora de caridade do Brasil. Alimentamos quem tem fome e tratamos quem procura por nossos hospitais. Ninguém distribui mais alimentos do que nossa gente, o povo de Deus!”

“Educamos mais alunos que qualquer outra instituição de ensino desse país, como as crianças em nossas creches e os idosos em nossos lares de convivência. Ninguém distribui mais bolsas para a educação do que nossos colégios e faculdades com mais de 2 milhões de alunos. Por isso, estamos presentes em todos os municípios do Brasil levando amor, unidade e esperança para todas as pessoas de fé, de todas as raças, guiados pela Boa Nova da verdade e da paz, sempre na defesa do bem e da dignidade da pessoa humana e firmes no propósito de evangelizar, como nos ordenou o Mestre”.

“Acolhemos milhões de pessoas em nossas casas, trazidas pela fé que anima a nossa Igreja. Nossos carismas são inspirados pelo Espírito Santo e estão presentes em mais de duzentas mil comunidades pregando o Evangelho, sob a intercessão e proteção de Maria, nossa Mãe e Mãe de todos os povos. Por isso, como batizados, somos convidados a favorecer cada vez mais o bem comum e colaborar com a nossa Igreja. Precisamos da sua ajuda. Venha dividir um pouco do que é só seu para multiplicar o que podemos fazer por todos”.

“Lembre-se que há mais de 500 anos evangelizamos o Brasil, guiados pela nossa profissão de fé em Cristo Jesus. Nossas missões estão nos quatro cantos do país e do mundo. Enquanto todos já se esqueceram do Haiti, nossos missionários e nossas missionárias permanecem por lá ajudando quem necessita, sob o Evangelho de Jesus Cristo.

Somos mais de 130 milhões unidos em uma só família: a Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil. Este é o sinal que nos faz criar laços de comunhão fraterna, favorecendo uma Igreja presente e atuante em nossos tempos. E todos devem conhecer e colaborar com isso. É um compromisso de solidariedade e fraternidade com os nossos irmão e irmãs em Cristo!”
Dom Fernando Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Audiência: Papa ressalta a Crisma, "dom de Deus que nos ajuda a viver como cristãos"

Cidade do Vaticano, 29.janeiro.2014 (RV) – Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Nesta terceira catequese sobre os Sacramentos, concentremo-nos na Confirmação ou Crisma, que é entendida em continuidade com o Batismo, ao qual está ligada de modo inseparável. Estes dois sacramentos, junto com a Eucaristia, formam um único evento salvífico que se chama “iniciação cristã”, na qual somos inseridos em Jesus Cristo morto e ressuscitado e nos tornamos novas criaturas e membros da Igreja. Eis porque na origem estes três sacramentos se celebravam em um único momento, ao término do caminho catecumenal, normalmente na Vigília Pascal. Assim era selado o percurso de formação e de gradual inserção na comunidade cristã que poderia durar também alguns anos. Fazia-se passo a passo para chegar ao Batismo, depois à Crisma e à Eucaristia.

Comumente se fala de sacramento da “Crisma”, palavra que significa “unção”. E, de fato, através do óleo chamado “Sagrado Crisma” somos confirmados, no poder do Espírito, em Jesus Cristo, o qual é o único e verdadeiro “ungido”, o “Messias”, o Santo de Deus. O termo “Confirmação” recorda-nos então que este Sacramento leva a um crescimento da graça batismal: une-nos mais firmemente a Cristo; cumpre a nossa ligação com a Igreja; dá-nos uma especial força do Espírito Santo para difundir e defender a fé, para confessar o nome de Cristo e para não nos envergonharmos nunca da sua cruz (cfr Catecismo da Igreja Católica, n. 1303).

Por isto é importante cuidar para que nossas crianças, nossos jovens, recebam este Sacramento.  Todos nós cuidamos para que sejam batizados e isto é bom, mas talvez não cuidamos tanto para que recebam a Crisma. Deste modo, ficam no meio do caminho e não receberão o Espírito Santo, que é tão importante na vida cristã, porque nos dá a força para seguir adiante. Pensemos um pouco, cada um de nós: de fato temos a preocupação que as nossas crianças, os nossos jovens recebam a Crisma? É importante isto, é importante! E se vocês, em suas casas, têm crianças, jovens que ainda não a receberam e têm idade para recebê-la, façam tudo o possível para que esses terminem a iniciação cristã e recebam a força do Espírito Santo. É importante!

Naturalmente, é importante oferecer aos crismandos uma boa preparação, que deve buscar conduzi-los a uma adesão pessoal à fé em Cristo e a despertar neles o sentido de pertença à Igreja.

A Confirmação, como todo Sacramento, não é obra dos homens, mas de Deus, que cuida da nossa vida de modo a plasmar-nos à imagem e semelhança de seu Filho, para nos tornar capazes de amar como Ele. Ele o faz infundindo em nós o seu Espírito Santo, cuja ação permeia toda a pessoa e toda a vida, como refletido pelos sete dons que a Tradição, à luz da Sagrada Escritura, sempre evidenciou. Estes sete dons: eu não quero perguntar a vocês se vocês se lembram dos sete dons. Talvez vocês todos o sabem…Mas os digo eu em nome de vocês. Quais são estes dons? Sabedoria, Inteligência, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus. E estes dons nos foram dados propriamente com o Espírito Santo no sacramento da Confirmação. A estes dons pretendo então dedicar as catequeses que seguirão àquelas sobre os Sacramentos.

Quando acolhemos o Espírito Santo no nosso coração e O deixamos agir, o próprio Cristo se torna presente em nós e toma forma na nossa vida; através de nós, será Ele o próprio Cristo a rezar, a perdoar, a infundir esperança e consolação, a servir os irmãos, a fazer-se próximo aos necessitados e aos últimos, a criar comunhão, a semear paz. Pensem em quão importante é isto: por meio do Espírito Santo, o próprio Cristo vem fazer tudo isso em meio a nós e por nós. Por isso é importante que as crianças e os jovens recebam o Sacramento da Crisma.

Queridos irmãos e irmãs, recordemo-nos de que recebemos a Confirmação! Todos nós! Recordemos antes de tudo para agradecer ao Senhor por este dom, e depois para pedir-lhe que nos ajude a viver como verdadeiros cristãos a caminhar sempre com alegria segundo o Espírito Santo que nos foi dado.


Papa Francisco: "Também as Pontifícias Academias são chamadas a ser missionárias"

Cidade do Vaticano, 28.janeiro.2014 (RV) – “Também as Academias Pontifícias estão a serviço da missão de toda a Igreja”. Foi o que escreveu o Papa Francisco na mensagem por ocasião da XVIII Sessão Pública das Pontifícias Academias, realizada em Roma nesta terça-feira – memória Litúrgica de São Tomás de Aquino -, sob o tema ‘Oculata fide. Ler a realidade com os olhos de Cristo’.

A mensagem foi lida pelo Secretário de Estado Dom Pietro Parolin, na Sala Magna do Palácio São Pio X, na Via da Conciliação e os trabalhos foram introduzidos pelo Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura e do Conselho de Coordenação entre as Academias Pontifícias.

O Santo Padre iniciou sura mensagem, refletindo sobre a Carta Encíclia Lumen fidei e a recente Exortação Apostólica Evangelii gaudium, que convidam a refletir sobre “a dimensão luminosa da fé e sua ligação entre fé e verdade, de indagar não somente com os olhos da mente com também com aqueles do amor, na perspectiva do amor”.

A perspectiva de “uma Igreja toda a caminho e toda missionária – prossegue o Papa – é aquela que se desenvolve na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. O ‘sonho de uma escolha missionária capaz de renovar todas as coisas’ (Evangelii gaudium, 27) diz respeito a toda a Igreja e a todas as suas partes. Também as Academias Pontifícias são chamadas a esta transformação, para que não falte a sua contribuição ao corpo eclesial. Não se trata, porém, de fazer operações exteriores, de ‘fachada’. Trata-se, ao invés disto, também para vocês, de concentrar-se ainda mais ‘no essencial, naquilo que é mais bonito, maior, mais atraente, mas também necessário’”.

“De tal modo – continuou o Pontífice – que a proposta seja simplificada, sem perder por isto profundidade e a verdade, e assim se torne mais convincente e radiosa. Por isto, queridos e ilustres Irmãos, peço a vossa qualificada colaboração, a serviço da missão de toda a Igreja”.

Para encorajar, “especialmente os jovens estudiosos de teologia que querem oferecer a própria contribuição à promoção e à realização de um novo humanismo cristão por meio de suas pesquisas”, o Papa Francisco anunciou ex aequo o Prêmio das Pontifícias Academias, dedicado este ano à pesquisa teológica e ao estudo das obras de São Tomás de Aquino.

Os dois contemplados com a distinção foram dois jovens estudiosos: o Reverendo Prof. Alessandro Clemenzia, pela obra intitulada “Na Trindade como Igreja. Em diálogo com Heribert Muhlen” e a Professora Maria Silvia Vaccarezza, pela obra “As razões do contingente. A sabedoria entre Aristóteles e Tomás de Aquino”.

Papa: exultamos por um gol, mas louvamos a Deus com frieza

Cidade do Vaticano, 28.janeiro,2014 (RV) – A oração de louvor nos faz fecundos: foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta.

O Papa desenvolveu sua homilia a partir da primeira leitura, extraída do segundo Livro de Samuel, que narra a dança de Davi diante do Senhor.

Todo o povo de Deus estava em festa, porque a Arca da Aliança havia regressado à casa. A oração de louvor de Davi o levou a perder a compostura e dançar diante do Senhor com todas as suas forças. Este trecho, comentou o Pontífice, o levou a pensar em Sara, que dançou de alegria depois de dar à luz. Para nós, comentou Francisco, é fácil entender a oração para pedir uma coisa ao Senhor, ou mesmo para agradecer-Lhe, mas a oração de louvor não nos vem de maneira tão espontânea:

“‘Mas, Padre, isso é para aqueles da Renovação no Espírito, não para todos os cristãos!’. Não, a oração de louvor é uma oração cristã para todos nós! Na Missa, todos os dias, quando cantamos o Santo… Esta é uma oração de louvor: louvamos a Deus pela sua grandeza, porque é grande! E dizemos a Ele coisas belas, porque gostamos disso. ‘Mas, Padre, eu não sou capaz…’ – alguém pode dizer. Mas se é capaz de gritar quando seu time marca um gol, não é capaz de louvar ao Senhor? De perder um pouco a compostura para cantar? Louvar a Deus é totalmente gratuito! Não pedimos, não agradecemos: louvamos!”

Devemos rezar “com todo o coração”, prosseguiu o Papa: “É um ato inclusive de justiça, porque Ele é grande! É o nosso Deus!”.

“Uma boa pergunta que nós podemos nos fazer hoje: ‘Mas como vai a minha oração de louvor? Eu sei louvar ao Senhor? Sei louvar ao Senhor quando rezo o Glória ou o Sanctus, ou movo somente a boca sem usar o coração?’. O que me diz Davi, dançando? E Sara, dançando de alegria? Quando Davi entra na cidade, começa outra coisa: uma festa!”

“A alegria do louvor nos leva à alegria da festa, acrescentou Francisco. A festa da família. Quando Davi entra no palácio, recordou o Papa, a filha do Rei Saul, Micol, o repreende e lhe pergunta se não sente vergonha por ter dançado daquela maneira diante de todos, já que ele era o rei. Micol “desprezou Davi”:

“Eu me pergunto quantas vezes nós desprezamos no nosso coração pessoas boas, que louvam ao Senhor como bem entendem, assim espontaneamente, porque não são cultas, não seguem atitudes formais? Mas, desprezo! E diz a Bíblia que Micol ficou estéril por toda a vida devido a isso! O que quer dizer a Palavra de Deus aqui? Que a alegria, que a oração de louvor nos torna fecundos! Sara dançava no auge da sua fecundidade, aos 90 anos! Aquele homem ou aquela mulher que louva ao Senhor, que reza louvando Ele, que que reza com alegria, é um homem ou uma mulher fecundo”.

Pelo contrário, advertiu Francisco, “os que se fecham na formalidade de uma oração fria, comedida, talvez acabem como Micol: na esterilidade de sua formalidade”. O Papa então convidou a imaginar Davi que dança com todas as suas forças diante do Senhor e concluiu: “Nos fará bem repetir as palavras do Salmo 23 que rezamos hoje: “Levantai, ó portas, os vossos frontões, elevai-vos antigos portais, para que entre o rei da glória!”.

Mensagem de hoje do Santo Padre no Twitter:

28/01/2014
Rezemos pela unidade dos cristãos. Muitas e preciosas são as coisas que nos unem!

Papa Francisco: agradecimento aos sacerdotes que doam suas vidas no silêncio

Cidade do Vaticano, 27.janeiro.2014 (RV) - A Igreja não pode ser entendida simplesmente como uma organização humana, o que faz a diferença é a unção que dá a bispos e sacerdotes o poder do Espírito para servir o povo de Deus: foi o que afirmou o Papa Francisco durante a homilia da Santa Missa na manhã desta segunda-feira na capela da Casa Santa Marta. O Pontífice agradeceu aos numerosos sacerdotes santos, que no anonimato, dão suas vidas no serviço diário.

Comentando a primeira leitura do dia, que fala das tribos de Israel, que ungem Davi como seu rei, o Papa explica o significado espiritual da unção. “Sem esta unção - disse -, Davi teria sido apenas o chefe” de “uma empresa” de uma “sociedade política, que era o Reino de Israel”, teria sido apenas um “organizador político”. Em vez disso, “após a unção, o Espírito do Senhor” desce sobre Davi e permanece com ele. E a Escritura diz: “Davi estava cada vez mais crescendo em poder, e o Senhor Deus dos exércitos estava com ele”. “Esta, – observa o Papa Francisco -, é precisamente a diferença da unção”. O ungido é uma pessoa escolhida pelo Senhor. Assim é na Igreja para bispos e sacerdotes:

“Os bispos não são eleitos apenas para levar avante uma organização, que se chama Igreja particular; são ungidos, eles têm a unção e o Espírito do Senhor está com eles. Mas todos os bispos, todos nós somos pecadores, todos! Mas somos ungidos. Mas todos nós queremos ser mais santos a cada dia, mais fiéis a esta unção. E o que faz a Igreja realmente, e o que dá unidade à Igreja, é a pessoa do bispo, em nome de Jesus Cristo, porque ele é ungido, não porque ele foi eleito pela maioria. Porque é ungido. É nesta unção que uma Igreja particular tem a sua força. E por participação também os sacerdotes são ungidos”.

A unção - continuou o Papa - aproxima os bispos e os sacerdotes ao Senhor, e dá a eles a alegria e a força “para levar para frente um povo, a viver ao serviço de um povo”. Doa a alegria de sentirem-se “escolhidos pelo Senhor, seguidos pelo Senhor, como aquele amor com que o Senhor olha para nós, para todos nós”. Assim, “quando pensamos nos bispos e sacerdotes, devemos pensá-los assim: ungidos”

“Ao contrário, não se entende a Igreja, mas não só não a entendemos como não se consegue explicar como a Igreja vai avante somente com as forças humanas. Esta diocese vai avante porque tem um povo santo, tantas coisas, e também um ungido que é a conduz, que a ajuda a crescer. Esta paróquia vai para frente porque há muitas organizações, tantas coisas, mas também tem um sacerdote, um ungido que a leva para frente. E nós na história conhecemos uma mínima parte: quantos bispos santos, quantos sacerdotes, quantos padres santos que deixaram as suas vidas e dedicaram-se ao serviço da diocese, da paróquia; quantas pessoas receberam a força da fé, a força do amor, a esperança desses párocos anônimos, que nós não conhecemos. Existem muitos deles”.

São tantos - disse o Papa Francisco –, “os párocos do interior ou da cidade, que com a sua unção deram força ao povo, transmitiram a doutrina, deram os sacramentos, isto é a santidade”:

“Mas, padre, eu li em um jornal que um bispo fez tal coisa, ou que um padre fez tal coisa. Oh sim, também eu li, mas, me diga, os jornais dão também notícias daquilo que fazem tantos sacerdotes, tantos padres em muitas paróquias da cidade ou do interior, que fazem tanta caridade, tanto trabalho para levar avante o seu povo? Isso, não! Isso não é notícia. É sempre assim: faz mais barulho uma árvore que cai, do que uma floresta que cresce. Hoje, pensando na unção de Davi, nos faz bem pensar em nossos bispos e nos nossos sacerdotes corajosos, santos, bons, fiéis, e rezar por eles. Graças a eles hoje nós estamos aqui”.

Papa Francisco, tweet do dia:

27/01/2014
Queridos jovens, não vos contenteis com uma vida medíocre. Deixai-vos fascinar pelo que é verdadeiro e belo, por Deus!


Angelus: Não ceder à tentação de construir recintos. A Boa Nova deve ser comunicada a todos. Papa pede a conversão de mafiosos

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

O Evangelho deste domingo conta o início da vida pública de Jesus nas cidades e nos vilarejos da Galileia. A sua missão não parte de Jerusalém, isso é, do centro religioso, centro também social e político, mas parte de uma zona periférica, uma zona desprezada pelos judeus mais observadores, por motivo da presença naquela região de diversas populações estrangeiras; por isto o profeta Isaías a indica como “Galileia dos gentios” (Is 8, 23).

É uma terra de fronteira, uma zona de trânsito onde se encontram pessoas diferentes por raças, culturas e religiões. A Galileia torna-se assim o lugar simbólico para a abertura do Evangelho a todos os povos. Deste ponto de vista, a Galileia assemelha-se ao mundo de hoje: com presença de diversas culturas, necessidade de paralelo e de encontro. Também nós estamos imersos a cada dia em uma “Galileia dos gentios”, e neste tipo de contexto podemos nos assustar e ceder à tentação de construir cercas para estar mais seguros, mais protegidos. Mas Jesus nos ensina que a Boa Nova, que Ele traz, não é reservada a uma parte da humanidade, é para comunicar-se a todos. É um bom anúncio destinado a quantos o esperam, mas também a quantos talvez não esperam mais nada e não têm sequer a força de procurar e de pedir.

Partindo da Galileia, Jesus nos ensina que ninguém está excluído da salvação de Deus, antes, que Deus prefere partir da periferia, dos últimos, para alcançar todos. Ensina-nos um método, o seu método, que porém exprime o conteúdo, isso é, a misericórdia do Pai. “Cada cristão e cada comunidade discernirá qual seja o caminho que o Senhor pede, mas todos somos convidados a aceitar este chamado. Sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que têm necessidade da luz do Evangelho” (Exort.ap. Evangelii gaudium, 20).

Jesus começa a sua missão não somente de um lugar descentralizado, mas também por homens que se diriam, assim, “de baixo perfil”. Para escolher os seus primeiros discípulos e futuros apóstolos, não se dirige às escolas dos escribas e dos doutores da Lei, mas às pessoas humildes e simples, que se preparam com empenho à vinda do Reino de Deus. Jesus vai chamá-los lá onde trabalham, na margem do lago: são pescadores. Chama-lhes, e esses O seguem, imediatamente. Deixam as redes e vão com Ele: as suas vidas se tornarão uma aventura extraordinária e fascinante.

Queridos amigos e amigas, o Senhor chama também hoje! O Senhor passa pelos caminhos da nossa vida cotidiana. Também hoje, neste momento, aqui, o Senhor passa pela praça. Chama-nos para andar com Ele, para trabalhar com Ele pelo Reino de Deus, as “Galileias” dos nossos tempos. Cada um de vocês pense: o Senhor passa hoje, o Senhor me olha, está me olhando! O que me diz o Senhor? E se algum de vocês ouve que o Senhor lhe diz “siga-me”, seja corajoso, vá com o Senhor. O Senhor não desilude jamais. Sintam em seu coração se o Senhor vos chama para segui-Lo. Deixemo-nos alcançar pelo seu olhar, pela sua voz e O sigamos!  “Para que a alegria do Evangelho alcance até os confins da terra e nenhuma periferia seja privada da sua luz” (ibid, 288).

Ao saudar os grupos presentes na Praça, recordou que nos próximo dias os povos orientais celebrarão o Ano Novo lunar. Aos milhões de pessoas que vivem no Extremo Oriente ou espalhadas em várias partes do mundo, entre os quais chineses, coreanos e vietnamitas, “a todos eles desejo uma existência repleta de alegria e de esperança”, disse o Papa.

Ao ver tantas crianças na Praça, o Pontífice pediu orações por um menino de três anos, Cocò (Nicola) Campolongo que morreu carbonizado uma semana atrás, com outras duas pessoas (seu avô e companheira) dentro de um carro, na localidade de Cassano allo Jonio, na província de Cosenza (Calábria), num ajuste de contas da máfia local. “Esta brutalidade contra uma criança tão pequena parece não ter precedentes na história da criminalidade. Rezemos com Cocò, que certamente está com Jesus no céu, e pelas pessoas que cometeram este crime, para que se arrependam e se convertam ao Senhor”.

Com dois jovens a seu lado, Francisco saudou tambémos membros da Ação Católica da Diocese de Roma, que concluíram a iniciativa “Caravana da Paz”. Depois da leitura de uma mensagem de agradecimento ao Santo Padre, os jovens soltaram duas pombas, como símbolo de paz.
Radio Vaticano

Papa: Cristo é princípio, causa e motor da unidade dos cristãos

Cidade do Vaticano, 25.janeiro.2014 (RV) – O Papa Francisco presidiu às vésperas na tarde deste sábado, na Basílica de S. Paulo Fora dos Muros, por ocasião da festa da Conversão do Apóstolo e no encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Antes de iniciar a celebração, Francisco desceu ao túmulo do Apóstolo Paulo para rezar com o arcebispo metropolita ortodoxo e representante do Patriarcado ecumênico de Constantinopla, Gennadios Zervos, e o representante do arcebispo de Cantuária e chefe da Comunhão Anglicana em Roma, o Pastor David Moxon.

A Basílica estava repleta de fiéis e nos bancos da frente destacavam-se alguns cardeais colaboradores e ex-colaboradores da Cúria Romana, como os dois ex-Secretários de Estado, Angelo Sodano, (atual decano do Colégio Cardinalício) e Tarcisio Bertone, camerlengo da Santa Romana Igreja.

Na presença de representantes ortodoxos, anglicanos e de outras comunidades cristãs, em sua homilia o Papa comentou o tema escolhido para a edição deste ano da Semana: «Estará Cristo dividido?» (1 Cor 1, 13).

Com grande tristeza, comentou o Pontífice, o Apóstolo soube que os cristãos de Corinto estavam divididos em várias facções. Uns afirmavam: «Eu sou de Paulo»; outros diziam: «Eu sou de Apolo»; e outros: «Eu sou de Cefas»; e há ainda quem sustentasse: «Eu sou de Cristo». Até mesmo quem apelava a Cristo o fazia para se distanciar dos irmãos.

Diante desta divisão, Paulo exorta os cristãos de Corinto a serem todos unânimes, para que haja perfeita união de pensar e sentir. Mas a comunhão a que chama o Apóstolo, notou Francisco, não poderá ser fruto de estratégias humanas.

“Nesta tarde, encontrando-nos aqui reunidos em oração, sentimos que Cristo – que não pode ser dividido – quer atrair-nos a Si, aos sentimentos do seu coração, ao seu abandono total e íntimo nas mãos do Pai, ao seu esvaziar-se radicalmente por amor da humanidade. Só Ele pode ser o princípio, a causa, o motor da nossa unidade.”

As divisões na Igreja – prosseguiu o Papa – não podem ser consideradas como um fenômeno natural ou inevitável. “As nossas divisões ferem o corpo de Cristo, ferem o testemunho que somos chamados a prestar-Lhe no mundo”, acrescentou.

A seguir, o Pontífice mencionou o Decreto do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo (Unitatis redintegratio), em que se afirma que Cristo “fundou uma só e única Igreja” e acrescentou: “Queridos amigos, Cristo não pode estar dividido! Esta certeza deve incentivar-nos e suster-nos a continuar, com humildade e confiança, o caminho para o restabelecimento da plena unidade visível entre todos os crentes em Cristo.”

Improvisando, o Papa acrescentou que “todos fomos prejudicados pelas divisões entre os cristãos; não queremos ser um escândalo!”, frisou. “Caminhemos fraternamente juntos no caminho da unidade, na unidade ‘reconciliada’, para a qual o Senhor nos acompanha”, exortou, explicando que “a unidade não vai cair do céu como um milagre, mas será o Espírito Santo a propiciá-la, em nosso caminho. Se não caminharmos juntos, uns para os outros, e não trabalharmos juntos, a unidade não virá. É o Espírito Santo que a faz, ao ver a nossa boa-vontade”.

Francisco citou ainda seus predecessores, os Beatos João XXIII e João Paulo II e Paulo VI, para afirmar que a obra desses pontífices fez com que a dimensão do diálogo ecumênico se tornasse um aspecto “essencial do ministério do Bispo de Roma, que hoje não se compreenderia plenamente o serviço petrino sem incluir nele esta abertura ao diálogo com todos os crentes em Cristo”.

Por fim, exortou: “Amados irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor Jesus que nos conserve profundamente unidos a Ele, nos ajude a superarmos os nossos conflitos, as nossas divisões, os nossos egoísmos e a vivermos unidos uns aos outros por uma única força, a do amor, que o Espírito Santo derrama nos nossos corações.”

O cardeal Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Kurt Koch, não pôde participar da cerimônia, devido a um resfriado, e sua saudação foi lida pelo secretário do dicastério, Dom Brian O'Farrell.

Pe. Lombardi: Papa Francisco trabalha em possível Encíclica sobre 'ecologia do homem'

Cidade do Vaticano (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, fez uma declaração sobre um texto do Papa Francisco sobre ecologia.

“A propósito do que afirmou o Presidente francês Hollande após a audiência com o Santo Padre, posso confirmar que o Papa começou a trabalhar o projeto de um texto sobre temas da ecologia. A perspectiva é de uma Encíclica. Mas atualmente se trata de um projeto, em estado ainda inicial, de forma que é prematuro fazer previsões sobre tempos de uma possível publicação. Em todo o caso, é importante observar que o Papa Francisco pretende dar um particular destaque ao tema da “ecologia do homem”".

Após a audiência privada com o Papa Francisco, que durou 35 minutos, o Presidente François Hollande participou de uma coletiva de imprensa, onde revelou o teor dos colóquios com o Pontífice. Em relação ao Tratado sobre o Meio-ambiente, Hollande comentou que o Papa Francisco sentenciou: “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, a natureza nunca, se não é cuidada”. “Trabalhemos – acrescentou – para que a Conferência sobre o Clima de 2015 tenha um bom êxito”.

Em novembro passado, o senador argentino Pino Solanas, após ser recebido pelo Santo Padre na Casa Santa Marta, declarou que “tivemos um diálogo muito amplo e profundo sobre os danos ambientais que estão se produzindo no nosso país e no mundo. Papa Francisco me revelou que está trabalhando em uma grande Encíclica sobre o ambiente”.

25 DE JANEIRO - CELEBRAÇÃO DA CONVERSÃO DE SÃO PAULO

A conversão de São Paulo

DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.

 
No dia 25 de janeiro se celebra a conversão de São Paulo que, de perseguidor tornou-se o maior anunciador do Cristianismo. Contemplar uma conversão é contemplar a misericórdia de Deus agindo no mundo. Conversão é ato de amor do Pai do céu.

É claro que depende de nossa vontade, mas o que nós fazemos, quando nos convertemos, é deixar agir a graça de Deus em nós.

Somos obstinados, teimosos, fracos, mas o Senhor sempre aparece, estendendo-nos a mão e, de uma maneira ou de outra, apontando-nos um novo e verdadeiro caminho a seguir.

O exemplo de São Paulo nos leva a perceber a luz de Deus em nossa vida, ainda que fechemos os olhos e os ouvidos para o seu plano de amor.

São Paulo é conhecido por suas cartas, lidas frequentemente nas celebrações eucarísticas, na Liturgia da Palavra. Através de suas cartas, sabemos muita coisa a respeito de sua vida e das verdades fundamentais de nossa fé.

Ele nasceu em Tarso da Cilícia, por volta do ano 10 da era cristã. Além de ser judeu, era também cidadão romano. Desde a infância, foi educado conforme a doutrina dos fariseus por um sábio chamado Gamaliel. Destacou-se inicialmente como um implacável perseguidor das primeiras comunidades cristãs. Foi conivente com o assassinato de Santo Estevão.

Sua conversão ocorreu de modo inesperado a caminho de Damasco, quando liderava uma perseguição contra os cristãos daquela cidade. Jesus Ressuscitado apareceu-lhe e o derrubou do cavalo, transformando-o de cruel perseguidor dos cristãos em ardoroso apóstolo dos gentios.

Ele consagrou a sua vida ao serviço de Cristo, viajando por todo o mundo conhecido de então, anunciando o Evangelho de Jesus Cristo e o mistério de sua paixão, morte e ressurreição. É sem dúvida uma das principais colunas do cristianismo.

A conversão de São Paulo é muito significativa no contexto pessoal de todos nós. Que também nós possamos nos converter de coração sincero a viver uma vida conforme a vontade de Deus abandonando os erros e procurando a virtude e a graça de Deus!
FONTE: catequisar.com.br

Francisco pede mais espaço para a mulher na Igreja e na sociedade

Cidade do Vaticano – Papa Francisco recebeu, no final da manhã deste sábado, 25.janeiro.2014, na Sala Clementina, cerca de 300 participantes no Congresso nacional do Centro Feminino Italiano, reunidos em Roma, de 24 a 26 do corrente, para aprofundar o tema: “Aquele passo a mais: regenerar a vida, cultivar a esperança”.

O objetivo desta Associação feminina é trabalhar para a construção civil, social e cultural de uma democracia unida e a convivência, baseada no respeito dos direitos humanos e da dignidade da pessoa, segundo o espírito e os princípios cristãos.

Em seu discurso aos presentes, o Santo Padre recordou os quase 70 anos de atividades do Centro feminino Italiano, em prol da formação e da promoção humana, além do testemunho sobre o papel da mulher na sociedade e na comunidade eclesial. E, ao citar o documento do Beato João Paulo II “Mulieris dignitatem”, sobre a dignidade e a vocação da mulher, o Papa disse:

“Eu também quero destacar a indispensável contribuição da mulher na sociedade, de modo particular a sua sensibilidade e intuição em relação ao próximo, ao fraco e indefeso. Alegro-me ao ver o grande número de mulheres, que compartilha de algumas responsabilidades pastorais, mediante o acompanhamento de pessoas, famílias e grupos e a reflexão teológica”.

Neste sentido, o Bispo de Roma fez votos de que “tais espaços possam se ampliar e contar com uma maior e incisiva participação da presença feminina no seio da Igreja”. Estes espaços novos e responsabilidades – recomendou - devem expandir-se, não apenas na esfera eclesial, mas também na esfera pública, civil, profissional e familiar:

“A presença da mulher, no âmbito familiar, se revela ainda mais necessário na transmissão dos sólidos princípios morais às gerações futuras, como também na transmissão da própria fé. Isto só é possível com o discernimento e a reflexão sobre a realidade da mulher na sociedade, que pressupõe uma oração assídua e perseverante”.

Com efeito, - concluiu o Pontífice - é no diálogo com Deus, iluminado pela sua Palavra e irrigado pela graça dos Sacramentos, que a mulher cristã procura sempre responder ao chamado de Deus, sustentado pela presença materna de Maria. Que Ela possa indicar o caminho para descobrir e aprofundar o significado e o papel da mulher na sociedade e na Igreja e sua missão no mundo!

Neste sábado, o Papa Francisco twittou:

25/01/2014
Dirigir-se a Deus para pedir, é fácil… todos nós o fazemos! Quando aprenderemos também a agradecer-Lhe e a adorá-Lo?

Papa aos membros da Rota Romana: "Por detrás de cada causa, existem pessoas que aguardam justiça"

Cidade do Vaticano, 24.janeiro.2014 (RV) – O Papa Francisco recebeu esta manhã, no Vaticano, os juízes, advogados, auditores e funcionários do Tribunal Apostólico da Rota Romana, por ocasião da inauguração do ano judiciário.

Em seu discurso, o Pontífice traçou um perfil do juiz eclesiástico. Antes de tudo, destacou o seu aspecto humano, que se expressa na serenidade de juízo, deixando de lado visões pessoais. Para Francisco, exige-se maturidade humana desse profissional para que seja capaz de captar as aspirações legítimas da comunidade junto à qual trabalha.

O segundo aspecto é o judiciário. Além dos requisitos da doutrina jurídica e teológica, afirmou o Papa, no exercício do seu ministério o juiz se caracteriza pela perícia no direito, a objetividade de juízo e a equidade, julgando de maneira imperturbável e imparcial. Além disso, na sua atividade, é guiado pela intenção de tutelar a verdade, no respeito da lei, sem ignorar a delicadeza e a humanidade que são próprias do pastor de almas.

O pastoral foi o terceiro aspecto identificado por Francisco. Enquanto expressão da solicitude pastoral do Papa e dos Bispos, requer-se do juiz não somente competência, mas também um genuíno espírito de serviço.

“Ele é o servidor da justiça, chamado a tratar e julgar a condição dos fiéis que, com confiança, se dirigem a ele, imitando o Bom Pastor que cuida da ovelha ferida”, afirmou o Pontífice. A caridade – escreve São Paulo – “é o vínculo da perfeição» (Col 3,14), e constitui a alma também da função do juiz eclesiástico.

“O vosso ministério, queridos juízes e membros do Tribunal da Rota Romana, é um serviço peculiar a Deus Amor. Sois essencialmente pastores. Enquanto desempenhais o trabalho judiciário, não esqueçais que sois pastores! Por detrás de cada juízo, de cada causa, existem pessoas que aguardam justiça. Eu vos encorajo a prosseguirem vosso múnus com escrúpulo e mansidão”, saudou Francisco.

Não podemos construir um "Muro de Berlim" no nosso coração, adverte Francisco

Cidade do Vaticano, 24.janeiro.2014 (RV) – Dialogar com humildade e bondade: em síntese, este foi o conteúdo da homilia da Missa celebrada pelo Papa Francisco na manhã desta sexta-feira, na capela da Casa Santa Marta.

Assim como na missa do dia anterior, no centro da reflexão do Pontífice esteve o confronto entre o Rei Saul e Davi. A um certo ponto, Davi tem a possibilidade de matar o Rei, mas – observou Francisco – escolhe “outra estrada”: a estrada da aproximação, do esclarecimento, da explicação. Enfim, o caminho do diálogo para fazer as pazes:

Para dialogar, é preciso calma, sem gritar. É necessário pensar também que a outra pessoa tem algo a mais em relação a mim, e Davi pensava isso: ‘Ele é o ungido do Senhor, é mais importante do que eu’. A humildade, a tranquilidade… Para dialogar, é preciso fazer o que pedimos hoje na oração, no início da Missa: fazer-se tudo a todos. Humildade, tranquilidade, fazer-se tudo a todos e também – mas isso não está escrito na Bíblia – todos sabemos que para fazer essas coisas é preciso engolir muitos sapos. Mas é preciso fazê-lo, porque a paz se faz assim: com humildade, a humilhação, buscando sempre ver no outro a imagem de Deus.

“Dialogar é difícil”, reconheceu o Papa. Mas pior do que tentar construir uma ponte com o adversário é deixar crescer no coração o rancor por ele. Agindo desta maneira, afirmou o Pontífice, permanecemos “isolados na amargura do nosso ressentimento”. Um cristão, ao invés, tem Davi como modelo, que vence o ódio com “um ato de humildade”:

Humilhar-se, e sempre criar pontes, sempre. Sempre. E isso é ser cristão. Não é fácil. Jesus conseguiu: se humilhou até o fim, nos mostrou o caminho. E é necessário que não passe muito tempo: quando existir um problema, depois que a tempestade passar, o mais rápido possível, na primeira oportunidade deve-se recorrer ao diálogo, porque o tempo aumenta o muro, assim como aumenta a erva daninha que impede o crescimento do trigo. E quando os muros crescem, a reconciliação se torna mais difícil: é muito difícil!.

Não é um problema se “algumas vezes voam pratos” – “na família, nas comunidades, nos bairros” – repetiu Francisco. O importante é “tentar fazer as pazes o mais rápido possível”, com uma palavra, um gesto. Uma ponte mais do que um muro, como aquele que por tantos anos dividiu Berlim. Porque “também no nosso coração podemos ter um Muro de Berlim com os outros”:

Eu tenho medo desses muros, desses muros que crescem a cada dia e favorecem os ressentimentos. Inclusive o ódio. Pensemos neste jovem Davi: poderia perfeitamente ter se vingado, expulsado o rei, mas ele escolheu o caminho do diálogo, com humildade, bondade e doçura. Hoje, peçamos a São Francisco de Sales, Doutor da doçura, que nos dê a todos a graça de fazer pontes com os outros, jamais muros.

Tweet do Papa Francisco nesta sexta-feira:

24/01/2014
Como novas criaturas, somos chamados a viver o nosso Batismo, cada dia, revestidos de Cristo.

Estudada possível viagem do Papa Francisco à Coreia do Sul

Cidade do Vaticano, 23.janeiro.2014 (RV) - O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, disse que está sendo estudada uma possível viagem apostólica do Papa Francisco à Coreia do Sul, por ocasião do grande encontro dos jovens asiáticos que se realizará em meados de agosto próximo.

Interpelado por jornalistas sobre as próximas viagens internacionais do Santo Padre, Pe. Lombardi disse ainda que o Papa Francisco foi convidado a visitar Sarajevo, mas ainda não foi decidido nada pelo pontífice.

O Papa Francisco foi convidado também a visitar outros dois países: Sri Lanka e Filipinas. Essa proposta ainda está sendo estudada, mas não está no programa para 2014.

Corações livres de invejas e ciúmes

Com a oração a fim de que a «semente do ciúme não seja lançada» nas comunidades cristãs e a inveja não se instale no coração dos crentes, o Papa Francisco concluiu a homilia da missa celebrada na manhã de quinta-feira, 23 de Janeiro, em Santa Marta.

Toda a reflexão do Pontífice focalizou o tema da inveja e do ciúme, definidos como as portas através das quais o diabo entrou no mundo. O bispo de Roma inspirou-se na primeira leitura, tirada do primeiro livro de Samuel (18, 6-9; 19, 1-7), onde se narra a respeito de algumas mulheres que, depois da vitória do povo de Deus contra os filisteus, obtida sobretudo graças à coragem de David, saíram de todas as cidades de Israel a cantar e a dançar para ir ao encontro do rei Saul. Também ele – comentou – «estava feliz, mas ouvia algo que não lhe agradava, quando as mulheres louvavam David por ter matado o Filisteu»; alguma coisa lançou «amargura e tristeza» no coração do soberano. E ao ouvir os cantos das mulheres «ficou muito irritado e as palavras neles contidas pareciam-lhe negativas».

O Santo Padre afirmou que «uma grande vitória começou a tornar-se uma derrota no coração do rei. Começou aquela amargura» que traz à mente «o que acontecia no coração de Caim: insinuou-se aquele verme do ciúme e da inveja». Assim, decidiu matar David.

Uma realidade que se repete também hoje, disse o Pontífice, «nos nossos corações. É uma inquietação, que não tolera que um irmão ou irmã tenham algo que eu não tenho». E «em vez de louvar a Deus, como faziam as mulheres de Israel pela vitória», prefere-se o fechamento em si mesmo, «amargurar-se e cozinhar os próprios sentimentos, cozê-los no caldo da amargura».

Depois, o Santo Padre evidenciou o que acontece concretamente «no coração de uma pessoa quando sente ciúme ou inveja». As principais consequências são duas e a primeira é a amargura: «O invejoso e ciumento é uma pessoa amarga, não sabe cantar, nem louvar, não sabe o que é a alegria; observa sempre» o que os outros têm. E infelizmente esta amargura «difunde-se em toda a comunidade», porque quantos são vítimas deste veneno se tornam «semeadores de amargura».

A segunda consequência são os mexericos. Há quem não suporta que o outro tenha algo – explicou o Papa – e então «a solução é rebaixar o outro, para que eu esteja mais alto. E o instrumento são os mexericos: se procurarmos veremos que por detrás dos mexericos há sempre ciúmes e inveja».

Portanto, «os mexericos dividem a comunidade, destroem a comunidade: são armas do diabo».

Eis os votos do Papa no final da celebração: «Hoje, nesta missa, rezemos pelas nossas comunidades cristãs; para que esta semente do ciúme não seja lançada entre nós. Para que a inveja não se instale no nosso coração, no coração das nossas comunidades. E assim podemos ir em frente com o louvor ao Senhor, honrando o Senhor com alegria. É uma grande graça: que nos impede de cair na tristeza, no ressentimento, no ciúme e na inveja».
L’Osservatore Romano

Tweet de hoje do Papa Francisco:

23/01/2014
Como Maria, guardemos em nós a luz acesa no Natal; irradiemo-la por toda a parte, na vida de cada dia.

Apresentação da Mensagem do Papa para a 48º Jornada Mundial das Comunicações Sociais

Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais 48º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro 1º de Junho de 2014
Mensagem do Santo Padre Francisco

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas económicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.

Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.

No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correcta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e económicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído.

Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimónio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».

Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não vêem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de auto-referencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efectiva e afectivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana (BENTO XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria. A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

 FRANCISCUS

Audiência, 22.janeiro.2014: "As divisões entre os cristãos são um escândalo a superar"

Queridos irmão e irmãs,

Sábado passado iniciou-se a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se concluirá sábado próximo, festa da conversão de São Paulo apóstolo. Esta iniciativa espiritual, mais do que nunca preciosa, envolve as comunidades cristãs há mais de cem anos. Trata-se de um tempo dedicado à oração pela unidade de todos os batizados, segundo a vontade de Cristo: “que todos sejam um” (Jo 17, 21). Todos os anos, um grupo ecumênico de uma região do mundo, sob a condução do Conselho Ecumênico das Igrejas e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, sugere um tema e prepara subsídios para a Semana de Oração. Este ano, tais subsídios são provenientes das Igrejas e comunidades eclesiais do Canadá, e fazem referência à pergunta dirigida por Paulo aos cristãos de Corinto: “Então estaria Cristo dividido?” (1 Cor 1, 13).

Certamente Cristo não está dividido. Mas devemos reconhecer sinceramente e com dor que as nossas comunidades continuam a viver divisões que são um escândalo. As divisões entre nós cristãos são um escândalo. Não há outra palavra: um escândalo. “Cada um de vós – escrevia o apóstolo – diz: “Eu sou de Paulo”, “Eu sou de Apolo”, “E eu de Cefas”, “E eu de Cristo”” (1, 12). Mesmo aqueles que professavam Cristo como seu líder não são aplaudidos por Paulo, porque usavam o nome de Cristo para separar-se dos outros dentro da comunidade cristã. Mas o nome de Cristo cria comunhão e unidade, não divisão! Ele veio para fazer comunhão entre nós, não para dividir-nos. O Batismo e a Cruz são elementos centrais do discipulado cristão que temos em comum. As divisões, em vez disso, enfraquecem a credibilidade e a eficácia do nosso compromisso de evangelização e arriscam esvaziar a Cruz do seu poder (cfr 1,17).

Paulo repreende os coríntios pelas suas disputas, mas também dá graças ao Senhor “por causa da graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus, porque Nele fostes enriquecidos de todos os dons, aqueles da palavra e aqueles do conhecimento” (1, 4-5). Estas palavras de Paulo não são uma simples formalidade, mas o sinal que ele vê antes de tudo – e disto se alegra sinceramente – os dons feitos por Deus à comunidade. Esta atitude do Apóstolo é um encorajamento para nós e para cada comunidade cristã a reconhecer com alegria os dons de Deus presentes nas outras comunidades. Apesar do sofrimento das divisões, que infelizmente ainda permanecem, acolhemos as palavras de Paulo como um convite a alegrar-nos sinceramente pelas graças concedidas por Deus a outros cristãos. Temos o mesmo Batismo, o mesmo Espírito Santo que nos deu a Graça: reconheçamos isso e nos alegremos.

É belo reconhecer a graça com a qual Deus nos abençoa e, ainda mais, encontrar nos outros cristãos algo de que necessitamos, algo que podemos receber como um dom dos nossos irmãos e irmãs. O grupo canadense que preparou os subsídios desta Semana de Oração não convidou as comunidades a pensarem naquilo que poderiam dar a seus vizinhos cristãos, mas os exortou a encontrar-se para entender aquilo que todos podem receber de tempos em tempos dos outros. Isso requer algo a mais. Requer muita oração, requer humildade, requer reflexão e contínua conversão. Sigamos adiante neste caminho, rezando pela unidade dos cristãos, para que este escândalo seja exterminado e não esteja mais entre nós.

No final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco fez um apelo aos participantes, na Suíça, da conferência internacional de apoio à paz na Síria.

“Peço ao Senhor que toque o coração de todos para que, buscando unicamente o bem maior do povo sírio, tão provado, não poupem nenhum esforço para alcançar com urgência o fim da violência e do conflito, que já causou muito sofrimento.”

O Pontífice se dirigiu também aos cidadãos sírios, fazendo votos de que a nação empreenda um caminho de reconciliação, de concórdia e de reconstrução com a participação de todos, “onde cada um possa encontrar no outro não um inimigo, não um concorrente, mas um irmão para acolher e abraçar”.
Radio Vaticano

Papa ao Fórum de Davos: a humanidade seja servida pela riqueza e não governada por ela

Cidade do Vaticano, 21.janeiro.2014 (RV) – Dignidade do homem, economia a serviço do bem comum, inclusão social, luta contra a fome e atenção aos refugiados: esses são os principais temas da mensagem enviada, nesta terça-feira, pelo Papa Francisco ao Fórum Econômico Mundial, que se realiza em Davos, na Suíça, até o próximo sábado, dia 25. No documento pontifício, endereçado ao Presidente executivo do Fórum, Klaus Schwab, o Santo Padre faz votos de que o encontro se torne “ocasião para uma reflexão aprofundada sobre as causas da crise econômica mundial”, porque – escreve –, apesar de em alguns casos a pobreza ter sido reduzida, “por vezes permaneceu mesmo assim uma ampla exclusão social”, e ainda hoje, “a maioria de homens e mulheres continua a experimentar todos os dias a insegurança, muitas vezes com consequências dramáticas”. Daí, o convite do Papa a fim de que a política e a economia trabalhem para a promoção de “uma abordagem inclusiva que leve em consideração a dignidade da pessoa e o bem comum”.

“É intolerável – escreve Francisco -, que milhares de pessoas continuem a morrer todos os dias de fome, apesar de serem disponíveis notáveis quantidades de alimento que frequentemente são desperdiçadas”. Ao mesmo tempo, o Papa sublinha que “não podemos ficar indiferentes diante de tantos refugiados em busca de condições de vida minimamente dignas e que não só não encontram hospitalidade, mas às vezes, tragicamente, morrem durante o percurso de um lugar para outro”. “Sei que essas são palavras fortes e até mesmo dramáticas – destaca o Santo Padre –, mas elas querem tanto afirmar quanto desafiar a habilidade deste encontro a fazer a diferença”. O que é necessário, reafirma o Pontífice, é “um sentido de responsabilidade renovado, profundo e amplo da parte de todos”, para “servir mais eficazmente ao bem comum e tornar os bens deste mundo mais acessíveis a todos”.

Fazendo suas as palavras de Bento XVI na Caritas in veritate, o Papa Francisco sublinha, ainda, que a igualdade não dever ser somente econômica, mas também deve basear-se em uma “visão transcendente da pessoa”, de modo que se possa obter “uma melhor distribuição da riqueza, a criação de fontes de emprego e uma promoção integral dos pobres que vá além de uma mentalidade puramente assistencialista”.

A mensagem do Pontífice se conclui com um forte apelo: “Peço a todos – escreve – que façam de modo que a humanidade seja servida pela riqueza e não governada por ela”, na ótica de “uma abordagem ética que seja verdadeiramente humana”, levada avante por pessoas “de grande honestidade e integridade”, guiadas por “altos ideais de equidade, generosidade e cuidado pelo autêntico desenvolvimento da família humana”.

Sejamos pequenos para dialogar com a grandeza do Senhor – o Papa na Missa em Santa Marta

Na Missa desta terça-feira, 21.janeiro.2014 na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco, partindo da leitura do Livro de Samuel que nos relata a unção de David por Samuel, sublinhou que o Senhor escolhe sempre os pequenos desenvolvendo com o Seu povo uma relação pessoal:

“Nunca o Senhor fala à gente assim à massa, nunca. Fala sempre pessoalmente, com os nomes. E escolhe pessoalmente. O relato da criação faz-nos ver isto: é o próprio Senhor que com as suas mãos artesanalmente faz o homem e lhe dá um nome: ‘Tu chamas-te Adão’. E assim começa aquela relação entre Deus e a pessoa. E há uma outra coisa, há uma relação entre Deus e nós pequenos: Deus, o grande, e nós pequenos. Deus, quando deve escolher as pessoas, também o seu povo, sempre escolhe os pequenos.”

“Todos nós com o Batismo fomos eleitos. Todos somos eleitos. Escolheu-nos um por um. Deu-nos um nome e olha para nós. Há um diálogo, porque assim ama o Senhor. Também David depois se tornou rei e errou. Talvez tenha feito tantos, mas a Bíblia conta-nos dois erros fortes, dois erros daqueles pesados. O que é que fez David? Humilhou-se. Tornou à sua pequenez e disse: ‘Sou pecador’. E pediu perdão e fez tanta penitência.”

David pediu ao Senhor que o punisse a ele e não ao seu povo. Segundo o Papa Francisco, David guardou a sua pequenez com o pensamento, com o arrependimento, com a oração, com o choro. E pensando neste diálogo entre o Senhor e a nossa pequenez o Santo Padre perguntou-se onde está a fidelidade cristã?

“A fidelidade cristã, a nossa fidelidade, é simplesmente conservar a nossa pequenez, para que possa dialogar com o Senhor. Guardar a nossa pequenez. Por isto a humildade, a mansidão são tão importantes na vida do cristão, porque é a conservação da pequenez, a qual é do agrado do Senhor. E será sempre o diálogo entre a nossa pequenez e a grandeza do Senhor. Que o Senhor nos dê, por intercessão de São David – também por intercessão de Nossa Senhora que cantava alegremente a Deus, porque tinha guardado a sua humildade – nos dê o Senhor a graça de guardar a nossa pequenez perante Ele.”

Mensagem do Papa Francisco, hoje, em seu twitter:

21/01/2014
Se vivemos a fé na vida diária, o próprio trabalho torna-se uma oportunidade para transmitir a alegria de sermos cristãos.
vaticano.va

Papa agradece aos policiais por vigilância 'eficaz e dicreta'

Cidade do Vaticano (RV) – No fim da manhã desta segunda-feira, 20, Francisco recebeu na Sala Clementina, no Vaticano, a diretoria e os agentes da Inspetoria de Segurança Pública do Vaticano, ou seja, da delegacia policial italiana que cuida do serviço de proteção do Estado da Cidade do Vaticano, fora dos muros.

Este é um encontro tradicional que se insere na série de início de ano; e para Francisco, trata-se do primeiro. Em um breve discurso, o Papa enalteceu o trabalho dos policiais que “tutelam a peculiaridade deste lugar, preservando seu caráter de espaço sagrado e universal e propiciando aos visitantes uma ‘sensação de paz’ e tranquilidade”.

Citando o incremento de trabalho dos agentes, por exemplo, nos dias de audiência geral, Francisco ressaltou a preparação técnica e profissional necessária para atender peregrinos e turistas também na assistência junto aos escritórios da Santa Sé.

O Bispo de Roma agradeceu especialmente ao grupo por sua eficaz atividade durante os dias que precederam o Conclave, depois da renúncia de Bento XVI, quando os policiais contribuíram para que tudo ocorresse com ordem.

Terminando, o Papa fez votos de que o período passado no Vaticano seja uma oportunidade para crescer na fé, “o tesouro mais precioso oferecido pelas famílias a ser transmitido aos filhos”.

“É importante redescobrir a mensagem do Evangelho e acolhê-la em profundidade na própria consciência e concretamente na vida cotidiana, testemunhando com coragem o amor de Deus em todos os lugares, inclusive no trabalho”.

Este foi o tweet do Papa Francisco, desta segunda-feira
:

20/01/2014
Não basta dizer que somos cristãos; é preciso viver a fé, e não apenas em palavras, mas com as obras.

Sejamos abertos à novidade do Evangelho – o Papa Francisco na missa em Santa Marta

Na Missa desta segunda-feira na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco afirmou que a Palavra de Deus é viva e eficaz e ajuda a discernir os sentimentos e os pensamentos do coração. “Deus faz as coisas novas” continuou o Santo Padre que considerou que Jesus no Evangelho deste dia é muito claro. Tomando como estímulo de reflexão o Capítulo II do Evangelho de São Marcos, que a liturgia do dia nos propõe, o Papa Francisco esclareceu:

“O Evangelho é novidade: A Revelação é novidade. O nosso Deus é um Deus que sempre faz as coisas novas e pede-nos esta docilidade à sua novidade. No Evangelho, Jesus é claro nisto, é muito claro: vinho novo em odres novos. O vinho trá-lo Deus, mas tem que ser recebido com esta abertura à novidade. E isto chama-se docilidade. Nós podemos perguntar-nos: eu sou dócil à Palavra de Deus ou faço sempre aquilo que eu creio que seja a Palavra de Deus? Ou faço passar a Palavra de Deus para um alambique e afinal é uma outra coisa em relação àquilo que Deus quer fazer?”

“Quando eu quero tirar eletricidade de uma fonte elétrica, se o aparelho que eu tenho não funciona, procuro um adaptador. Nós devemos sempre procurar adaptarmo-nos a esta novidade da Palavra de sermos abertos à novidade. Saul, precisamente o eleito de Deus, o ungido de Deus, tinha esquecido que Deus é surpresa e novidade. Tinha-se esquecido, tinha-se fechado nos seus pensamentos, nos seus esquemas e assim, raciocinou humanamente.”

O Papa Francisco refletiu, assim, sobre a Primeira Leitura retirada do Livro de Samuel em que Saul – segundo o comentário do Santo Padre - raciocina com “o seu próprio pensamento, com o seu coração, fechado nos seus hábitos, não obedecendo à Palavra de Deus, não sendo dócil à Palavra de Deus”. É uma passagem importante do Antigo Testamento em que oelemento mais considerável da narrativa está na declaração de Samuel: a obediência vale mais do que o sacrifício. E esta afirmação de Samuel fez o Papa pensar sobre o que são a liberdade e a obediência cristãs:

“A liberdade cristã e a obediência cristã são a docilidade à Palavra de Deus, é ter aquela coragem de tornar-se em odres novos, para este vinho novo que vem continuamente. Esta coragem de discernir sempre: discernir, digo eu, não relativizar: Discernir sempre que coisa faz o Espírito no meu coração, o que quer o Espírito do meu coração, o que quer o Espírito no meu coração, onde me leva o Espírito no meu coração. E obedecer. Discernir e obedecer. Peçamos hoje a graça da docilidade à Palavra de Deus, a esta Palavra que é viva e eficaz, que discerne os sentimentos e os pensamentos do coração.”

O Papa em visita a uma paróquia de sua diocese: confiem em Jesus, Ele jamais decepciona

Cidade do Vaticano, 19.janeiro.2014 (RV) - Um convite a ter confiança em Jesus, Aquele que jamais decepciona e que veio tirar todos os pecados do mundo. Essa é a chave do bom êxito, indicada pelo Santo Padre na tarde deste domingo durante a visita à paróquia romana do Sagrado Coração de Jesus, situada no bairro Castro Pretorio, administrada pelos Salesianos.

Foram quase quatro horas marcadas por um clima familiar e cadenciadas por muitos momentos significativos: o encontro com os refugiados, os sem-teto, as crianças, os recém-casados e a comunidade religiosa.

Alegria, calor e acolhimento num clima familiar. Os numerosos fiéis da comunidade paroquial do Sagrado Coração de Jesus abraçaram assim o seu Bispo, que desenvolveu a homilia em torno da imagem do Evangelho dominical: João Batista dá testemunho de Jesus "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Como um cordeiro em sua fragilidade pode tirar todos os pecados e as maldades do mundo? "Com a mansidão e com o amor", foi a resposta de Francisco:

"Tão frágil Jesus, como um cordeiro. Mas teve a força de carregar sobre Si todos os nossos pecados: todos. "Mas, Padre, o senhor não sabe da minha vida: tenho um pecado que não posso carregá-lo nem mesmo com um caminhão..." Quantas vezes, quando olhamos para a nossa consciência, encontramos alguns pecados que são grandes, hein? Mas Jesus os carrega!"

Jesus perdoa tudo, erradica o pecado, João o Batista convida todo homem a crescer na confiança em Jesus. "A confiança no Senhor – explicou o Papa – é a chave do bom êxito na vida":

"Essa é uma aposta que devemos fazer: confiar n'Ele e Ele jamais decepciona. Jamais, hein? Ouçam bem, vocês rapazes e moças, que estão começando a vida agora: Jesus jamais decepciona. Jamais!"

Em seguida, o Santo Padre ajudou os fiéis que lotavam a igreja a "encontrar" Jesus às margens do rio Jordão, onde dois mil anos atrás João O encontrou:

"Convido-os agora a fazer uma coisa: fechemos os olhos; imaginemos aquela cena ali, às margens do rio, João batizando e Jesus que passa. E ouçamos a voz de João: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". Olhemos Jesus em silêncio, cada um de nós, de seu coração, diga algo a Jesus, em silêncio. O Senhor Jesus, que é manso, é bom – é um cordeiro –, que veio para tirar os pecados, nos acompanhe na estrada da nossa vida. Assim seja."

A visita à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Castro Pretório, foi a quarta do Papa Francisco, a primeira no centro de Roma, confiada aos Salesianos que administram também uma Obra querida por Don Bosco numa realidade de "periferia existencial".

O Santo Padre, ao chegar sob a chuva, por ele definida "uma bênção", encontrou primeiro cerca de 60 sem-teto; em seguida, uma centena de jovens refugiados, alguns dos quais chegaram à Itália pela ilha de Lampedusa; depois foi a vez das crianças recentemente batizadas e dos recém-casados.

O Papa fez um apelo à partilha das necessidades materiais e espirituais, à partilha também entre pessoas de religiões diferentes, porque "Deus – disse – é um só e sempre o mesmo".

Outro momento vivido com intensidade espiritual foi o da Confissão. De fato, Francisco ouviu a confissão de cinco pessoas.

Um canto em espanhol durante a missa, o chimarrão oferecido pela comunidade religiosa e a imagem, no presbitério, da Virgem de Luján, padroeira da Argentina: sinais de calor e afeto da paróquia ao Santo Padre, que disse sentir-se em casa, "em família":

"Obrigado pelo acolhimento hein! Muito obrigado. Sinto-me em casa, entre vocês. Porque se pode fazer uma visita e encontrar muita educação, todo o protocolo, mas não haver calor. Entre vocês encontrei o calor do acolhimento, como numa família. E hoje fui eu que entrei, e me sinto em casa, como em família. Muito obrigado!"


Francisco encoraja os migrantes: "não percam a esperança de um mundo melhor"

Cidade do Vaticano, 19.janeiro.2014 (RV) - Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Com a Festa do Batismo do Senhor,  celebrada no domingo passado,  entramos no tempo litúrgico chamado “comum”. Neste segundo domingo,  o Evangelho nos  apresenta a cena do encontro entre Jesus e João Batista no rio Jordão. Quem conta é  testemunha ocular, João Evangelista, que antes de ser um discípulo de Jesus foi um discípulo de João Batista, juntamente com o seu irmão Tiago,  com Simão e André, todos da Galileia, todos pescadores. O Batista vê Jesus  avançar por entre a multidão e,  inspirado pelo alto, reconhece nele o mensageiro de Deus, e por isso o indica com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele  que tira o pecado do mundo!” (Jo 1,29)

O verbo que é traduzido como “tirar” significa literalmente “levantar”, “tomar para si”. Jesus veio ao mundo com uma missão específica: libertar da escravidão do pecado, carregando os  pecados da humanidade. De que maneira? Amando. Não há outra maneira de vencer o mal e o pecado, se não for com o amor que leva ao dom da própria vida aos outros. No testemunho de João Batista, Jesus tem os traços do Servo do Senhor, que “tomou sobre si os nossos sofrimentos, tomou sobre si as nossas dores” (Is 53,4), para morrer na cruz. Ele é o verdadeiro cordeiro pascal, que está imerso no rio do nosso pecado, para nos purificar.

O Batista vê diante de si um homem que entra na fila com os pecadores para ser batizado, mesmo não tendo necessidade. Um homem que Deus enviou ao mundo como um cordeiro imolado. No Novo Testamento, a palavra “cordeiro” é usada várias vezes e sempre em referência a Jesus. Essa imagem do cordeiro pode surpreender, de fato, um animal que não se caracteriza pela força e robustez , carrega sobre seus ombros um peso opressivo. A enorme massa do mal é removida e levada por uma criatura fraca e frágil, um símbolo de obediência, docilidade e amor indefeso, que chega ao sacrifício de si mesmo. O cordeiro não é um dominador, mas é dócil, não é agressivo, mas pacífico, não mostra as garras ou dentes em face a qualquer ataque, mas suporta e é submisso. E assim é Jesus! Assim é Jesus, como um cordeiro.

O que significa para a Igreja, para nós, hoje,  sermos discípulos de Jesus, o Cordeiro de Deus? Significa colocar no lugar da malícia a inocência, no lugar da força o amor, no lugar do orgulho a humildade, no lugar do prestígio o serviço. É um bom trabalho! Nós cristãos, devemos fazer isso: colocar no lugar de malícia a inocência, no lugar da força o amor,  no lugar do orgulho a humildade, no lugar do prestígio o serviço. Ser um discípulo do Cordeiro significa não viver como uma “cidade cercada”, mas como uma cidade edificada sobre um monte, aberta,  acolhedora, solidária. Isso significa não assumir uma atitude de fechamento, mas levar o Evangelho a todos, testemunhando com a nossa vida, que seguir Jesus nos  faz mais livres e mais alegres.

Após o Angelus
Caros irmãos e irmãs,

Hoje celebramos o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, sobre o tema “Os migrantes e refugiados: em busca de um mundo melhor”, que desenvolvi em minha Mensagem enviada há algum tempo. Dirijo uma saudação especial aos representantes das diferentes comunidades étnicas aqui reunidos, em particular a comunidade católica de  Roma.
Queridos amigos, vocês estão perto do coração da Igreja, porque a Igreja é um povo que caminha em direção ao Reino de Deus, que Jesus Cristo trouxe para o nosso meio. Não percam a esperança de um mundo melhor! Desejo que vocês vivam em paz nos países que os acolhe, mantendo os valores de sua cultura de origem. Eu gostaria de agradecer a todos aqueles que trabalham com os migrantes para os acolher e os acompanhar em seus momentos difíceis, para defender daqueles que o Beato Scalabrini definia de “traficantes de carne humana”, que querem escravizar os migrantes! Em particular, gostaria de agradecer à Congregação dos Missionários de São Carlos, os padres e irmãs scalabrinianos que fazem muito bem para a Igreja e se fazem migrantes com os migrantes.

Neste momento pensemos em tantos migrantes, tantos refugiados, em seu sofrimento, em suas vidas, muitas vezes sem um emprego, sem documentos, tanta dor. E juntos todos nós podemos fazer uma oração para os migrantes e refugiados que vivem situações graves e difíceis :  Ave Maria …

Saúdo com afeto todos vós, queridos fiéis provenientes de diferentes paróquias da Itália e de outros países, bem como associações e vários grupos. Em particular, saúdo os peregrinos espanhóis de  Pontevedra, La Coruña, Murcia e estudantes de Badajoz. Saúdo aos alunos da Obra de Dom Orione, a Associação de Leigos Amor Misericordioso e o coral “São Francisco” de Montelupone.

A todos desejo um bom domingo e um bom almoço. Até breve !


Papa à Rádio e Televisão italiana RAI: jamais abdicar ao serviço público, informar respeitando as pessoas

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu em audiência, no final da manhã deste sábado, 18.janeiro.2014, na Sala Paulo VI, no Vaticano, cerca de oito mil pessoas, entre dirigentes, membros e funcionários da RAI, Rádio e Televisão Italiana. O encontro realiza-se por ocasião do 90º aniversário do início das transmissões radiofônicas e do 60º de início das transmissões televisivas.

Antes da audiência papal, os presentes participaram, na Sala de Audiências Paulo VI, de uma celebração Eucarística, presidida pelo cardeal Angelo Comastri, Vigário do Papa para o Estado da Cidade do Vaticano.

Em seu discurso o Santo Padre cumprimentou os numerosos membros da RAI, mas também outros representantes de redes televisivas públicas e de Associações de outros países. E destacando os dois aniversários, o Papa refletiu sobre as relações entre a Santa Sé e a RAI ao longo destes decênios:

“A palavra-chave que gostaria logo de colocar em evidência é a colaboração, tanto em relação ao rádio como à televisão. O povo italiano sempre pôde ter acesso à palavra e, sucessivamente, às imagens do Papa e dos eventos eclesiais na Itália, através do serviço da RAI. Esta colaboração se realiza mediante duas entidades vaticanas: a Rádio Vaticano e o Centro Televisivo Vaticano”.

Desta forma, a RAI ofereceu e ainda oferece aos ouvintes e telespectadores a possibilidade de seguir os eventos ordinários e extraordinários da Santa Sé, como o Concílio Vaticano II, o Jubileu do ano 2000, as diversas celebrações e as Visitas pastorais na Itália e no mundo. O Papa não deixou de recordar ainda as diversas transmissões e os filmes de cunho religioso e moral.

A RAI, com suas inúmeras iniciativas, também é testemunha dos processos de mudança e de transformação na sociedade italiana, e contribui, de modo especial, para o processo de unificação linguístico e cultural da Itália. E o Bispo de Roma acrescentou:

“Agradeçamos ao Senhor por tudo isso e continuemos a levar adiante este processo de mútua colaboração. Mas, a recordação de um passado, rico de conquistas, deve ser um convite ao senso de responsabilidade de todos, presentes e ausentes. O serviço público da RAI, além de ser informativo, é também formativo para o bem comum”.

Portanto, afirmou o Papa, a RAI é uma entidade que produz cultura e educação, formação e espetáculo. Trata-se de uma responsabilidade imprescindível. A qualidade da ética da comunicação é fruto, em última análise, de consciências atentas, não superficiais, no devido respeito às pessoas.

Neste sentido, o Bispo de Roma recordou que, “cada um, na sua própria função e responsabilidade, é chamado a vigiar, para manter alto o nível ético da comunicação.

O Papa Francisco concluiu seu discurso aos numerosos membros da RAI, Rádio e Televisão Italiana, fazendo votos de que possam prosseguir seu precioso serviço ao bem comum, depositando confiança e esperança em seu trabalho de transmissão da palavra e das imagens, a serviço do crescimento humano, cultural e civil da sociedade.

Neste sábado, o Papa Francisco twittou:

18/01/2014
As guerras destroçam tantas vidas. Penso especialmente nas crianças depredadas da sua infância.

O ecumenismo é um processo espiritual – Papa à delegação ecumênica da Finlândia na festa de Santo Henrique …

O Papa recebeu nesta sexta-feira de manhã em audiência uma Delegação Ecumênica da Finlândia por ocasião da festa de Santo Henrique, padroeiro daquele país do norte da Europa.

No discurso que lhes dirigiu o Papa começou por recordar as palavras do apóstolo Paulo que, aos membros da Comunidade de Coríntio, marcados pela divisão disse: “Cristo foi porventura dividido?”.

Esta pergunta que constitui o tema da “Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos” que amanhã inicia – disse Francisco – “é hoje dirigida a nós”, convidando “a não desistir do esforço ecumênico, pois que “todos somos uma coisa só em Cristo”.

O Pontífice fez notar que nos tempos atuais mesmo as relações entre cristãos estão atravessando mudanças significativas devido ao fato de, sobretudo na Europa, mas não só, as sociedades e culturas se referirem cada vez menos a Deus e à dimensão transcendental da vida em geral. Precisamente por isso, prosseguiu o Papa, “é necessário que o nosso testemunho se concentre no centro da nossa fé, no anúncio do amor de Deus que se manifestou em Cristo, seu Filho. Encontramos aqui espaço para crescer na comunhão e na unidade entre nós, promovendo o ecumenismo espiritual que nasce diretamente do mandamento de amor deixado por Deus aos seus discípulos”.

O Papa concluiu citando o Concílio Vaticano II que, no Decreto “Unitatis Redintegratio” recordava que a conversão dos corações e a santidade de vida, juntamente com as orações privadas e públicas “devem ser consideradas como a alma de todo o movimento ecumênico e podem ser, justamente, designadas de ecumenismo espiritual, que se realiza na obediência fiel ao Pai, no cumprimento da vontade de Cristo e sob o guia do Espírito Santo”


O Papa apoia a Marcha pela vida na França: mantenham viva a atenção

O Papa Francisco apoia a Marcha pela Vida programada para este Domingo, em Paris. Numa mensagem aos organizadores, o Núncio na França, Mons. Luigi Ventura, escreve que o Papa foi informado da iniciativa e apoia os participantes da marcha, "convidando-os a manter viva a atenção para um tema assim tão importante".

O Papa convida-os também a retomarem a sua homilia de 16 de Junho de 2013, por ocasião do Dia da Evangelium Vitae.

No seu discurso ao Corpo diplomático, na segunda-feira passada, o Papa tinha afirmado que "desperta horror apenas o pensar que há crianças que nunca verão a luz.


Missa do Papa: não acreditar nas novelas, mas na Palavra de Deus

A «mundanidade espiritual» é uma tentação perigosa porque «amolece o coração» com o egoísmo e insinua nos cristãos um «complexo de inferioridade» que os leva a uniformizar-se com o mundo, a agir «como fazem todos» seguindo «a moda mais divertida». Foi um convite a viver a «docilidade espiritual» sem «vender» a própria identidade cristã que o Papa Francisco expressou na missa celebrada sexta-feira 17 de Janeiro na capela da casa de Santa Marta:

"A normalidade da vida exige do cristão fidelidade à sua eleição e a não vendê-la para andar em direção a uma uniformidade mundana. Esta é a tentação do povo e também a nossa. Tantas vezes, esquecemos a Palavra de Deus, aquilo que nos diz o Senhor e pegamos a palavra que está mais na moda? Mesmo aquela da telenovela está na moda, podemos seguí-la, é mais divertida. Nota-se claramente a apostasia própria do pecado de ruptura com o Senhor. Eis o perigo da mundanidade!"

Como nos dias passados, para a reflexão o Pontífice partiu da leitura litúrgica tirada do primeiro livro de Samuel. «Vimos – explicou – como o povo se tinha afastado de Deus, tinha perdido o conhecimento da palavra de Deus: não o ouvia, não o meditava». E «quando não há a palavra de Deus – disse – o lugar é ocupado por outra palavra: a própria palavra, a palavra do egoísmo, a palavra das próprias vontades. E também a palavra do mundo».

Meditando quanto é narrado no livro de Samuel «vimos – prosseguiu – como o povo, afastado da palavra de Deus, tinha sofrido aquelas derrotas» que tinham provocado muitíssimos mortos e deixado «viúvas e órfãos». Eram «as derrotas» de um povo que «se tinha afastado» do caminho indicado pelo Senhor.

Sem dúvida, esclareceu o Papa, «é verdade que o cristão deve ser normal, como são normais as pessoas. Já a Carta a Diogneto diz isto, nos primeiros tempos da Igreja. Mas - admoestou – há valores que o cristão não pode ficar com eles». Com efeito, ele «deve preservar para si a palavra de Deus que lhe diz: tu és meu filho, tu és eleito, eu estou contigo, eu caminho contigo». E «a normalidade da vida exige que o cristão seja fiel à sua eleição». Esta sua eleição nunca deve «ser vendida para se encaminhar rumo a uma uniformidade mundana: é esta a tentação do povo e também a nossa».

«A tentação – frisou o Pontífice – endurece o coração. E quando o coração é duro, quando não está aberto, a palavra de Deus não pode entrar». Não é ocasional que Jesus tenha dito «aos de Emaús: néscios e tardos de coração!»; tendo «o coração duro, não compreendiam a palavra de Deus».

Precisamente «a mundanidade amolece o coração». Mas faz-lhe «mal». Porque, observou o Papa, «nunca é uma coisa boa o coração mole. É bom o coração aberto à palavra de Deus, que a recebe. Como Nossa Senhora que meditava todas estas coisas no seu coração, diz o Evangelho». Eis a prioridade: «Receber a palavra de Deus para não se afastar da eleição».

Na oração no início da missa – recordou o Pontífice – pedimos a graça de superar os nossos egoísmos», em particular o de querer fazer a própria vontade. O Papa Francisco sugeriu, em conclusão, que renovássemos ao Senhor o pedido desta graça. E que invocássemos também «a graça da docilidade espiritual, ou seja, de abrir o coração à palavra de Deus». Para «não fazer como estes nossos irmãos que fecharam o coração porque se tinham afastado de Deus e há muito tempo não ouviam ou não compreendiam a Sua palavra». Que «o Senhor nos dê a graça – desejou – de um coração aberto para receber a palavra de Deus», para a «meditar sempre» e para «enveredar pelo caminho verdadeiro».

L'Osservatore Romano e Radio Vaticano

Na sua mensagem de hoje no Twitter, o Papa disse:

17/01/2014
Como é poderosa a oração! Não percamos jamais a coragem de dizer: Dai-nos, Senhor, a vossa paz!


Homilia de Francisco na Santa Marta: "O Povo de Deus quer o pão da vida, e não pão envenenado"

Cidade do Vaticano (RV) – Os escândalos da Igreja ocorrem porque não existe uma relação viva com Deus e com a sua Palavra. Assim, sacerdotes corrompidos, ao invés de dar o pão da vida, dão um alimento envenenado ao santo povo de Deus: foi o que afirmou o Papa Francisco na sua homilia matutina, durante a Missa presidida na Casa Santa Marta.

Comentando a leitura do dia e o salmo responsorial, que narram uma dura derrota dos israelitas diante dos filisteus, o Papa observa que o povo de Deus naquela época tinha abandonado o Senhor. Dizia-se que a Palavra de Deus era “rara” naquele tempo. Para combater os filisteus, os israelitas usavam a arca da aliança, mas como uma coisa “mágica”, “uma coisa externa”. Por isso, são derrotados e a arca é tomada pelos inimigos:

Este trecho da Escritura nos faz pensar como é a nossa relação com Deus, com a Palavra de Deus: é uma relação formal? É uma relação distante? A Palavra de Deus entra no nosso coração, o transforma, tem este poder ou não? Mas o coração está fechado para a Palavra! E nos leva a pensar nas muitas derrotas da Igreja, do povo de Deus, simplesmente porque não ouve o Senhor, não O busca, não se deixa buscar por Ele!

Depois da tragédia, perguntamos ao Senhor o que aconteceu, pois Ele fez de nós o desprezo dos nossos vizinhos. O Papa pensa nos escândalos da Igreja:

Mas nos envergonhamos? Tantos escândalos que eu não quero mencionar singularmente, mas que todos nós conhecemos... Sabemos onde estão! Escândalos, alguns que fizeram gastar tanto dinheiro: tudo bem! Deve-se fazer assim…. A vergonha da Igreja! Mas nos envergonhamos daqueles escândalos, daquelas derrotas de padres, de bispos, de leigos? A Palavra de Deus naqueles escândalos era rara; naqueles homens e naquelas mulheres a Palavra de Deus era rara! Não tinham um elo com Deus! Tinham uma posição na Igreja, um lugar de poder, inclusive de comodidade. Mas a Palavra de Deus, não! ‘Mas, eu carrego uma medalha’; ‘Eu carrego uma Cruz’… Sim, assim como eles carregavam a arca! Sem uma relação viva com Deus e com a Palavra de Deus! Vem-me à mente aquela Palavra de Jesus para quem comete escândalos … E aqui ocorreu escândalo: toda uma decadência do povo de Deus, até o enfraquecimento, a corrupção dos sacerdotes.

O Papa Francisco concluiu sua homilia dirigindo o seu pensamento ao povo de Deus:

Pobre gente! Pobre gente! Não damos de comer o pão da vida; não damos de comer – nesses casos – a verdade! E damos de comer até mesmo alimento envenenado, muitas vezes! ‘Acorda, porque dormes Senhor!’. Que esta seja a nossa oração! ‘Desperta! Não nos rejeites para sempre! Por que escondes a tua face? Por que esquecer a nossa miséria e opressão?’. Peçamos ao Senhor que jamais esqueçamos a Palavra de Deus, que está viva, que entre no nosso coração e não se esqueça mais o santo povo fiel de Deus, que nos pede alimento forte!

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16/01/2014
Rezemos pela paz e procuremos construí-la, a começar por casa!
Mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações

Cidade do Vaticano (RV) – Foi publicada nesta quinta-feira, a mensagem do Papa Francisco para o 51º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no dia 11 de maio de 2014, IV Domingo de Páscoa. O tema é: “Vocações, testemunho da verdade”. Publicamos a seguir o texto da mensagem na íntegra:

Amados irmãos e irmãs!

1.    Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5).

Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino.

São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9).

Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.

2.    Muitas vezes rezamos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus:
através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33).

Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projecto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.

3.    Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica.

Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)

4.    Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cómodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013).

A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).

Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Janeiro de 2014

[Franciscus]

15 de Janeiro - São Mauro (Amaro) e São Plácido

São Mauro
A grande devoção a Santo Amaro em nossa região é explicada pela presença dos monges beneditinos que foram os valorosos missionários da zona rural de Campos dos Goytacazes, em cujo município se situa o célebre Mosteiro de São Bento, em Mussurepe. Por isso, vale a pena recordar um pouco a sua vida, por muitos desconhecida.

Santo Amaro, ou São Mauro, foi monge e abade beneditino, ou seja, da Ordem de São Bento. Nascido em Roma, de família senatorial, Amaro, quando tinha apenas doze anos, foi entregue no mosteiro por seu pai, Egrico, homem ilustre pela virtude e pela nobreza do nascimento, confiando-o aos cuidados de São Bento, em 522.
Correspondeu tão bem à afeição e à solicitude do mestre, que foi em breve proposto como modelo aos outros religiosos. São Gregório exaltou-o por se ter distinguido no amor da oração e do silêncio. Sempre se lhe notou profunda humildade e admirável simplicidade de coração. Mas nele sobressaia a virtude da obediência, sendo por isso recompensado por Deus, com o milagre semelhante ao de São Pedro no lago de Tiberíades, caminhando sobre as águas. Foi o caso de um jovem chamado Plácido, que caiu num lago perto de Subiaco, onde ficava o mosteiro. São Bento soube-o por revelação e, chamando Amaro, disse-lhe: “Irmão Amaro, vai depressa procurar Plácido, que está prestes a se afogar”. Munido com a bênção do mestre, o discípulo correu sobre a água a socorrer Plácido, a quem agarrou pelos cabelos e trouxe para a margem, não se apercebendo Amaro ter saído da terra firme. Quando deu pelo milagre, atribuiu-o aos méritos de São Bento. Mas este o atribuiu à obediência do discípulo.

“O homem obediente contará vitórias” (Pr 21,28). A obediência é a virtude cristã pela qual a pessoa sujeita sua própria vontade à de seu superior, no qual vê um representante de Deus. O maior exemplo de obediência temos em Jesus Cristo, obediente até a morte de Cruz (Fl 2, 8), reparando assim a desobediência de Adão (Rm 5, 19-20). Assim, o conselho evangélico da obediência, professado na vida consagrada, assumido livremente com espírito de fé e amor no seguimento de Cristo obediente até a morte, leva o consagrado à submissão da vontade aos legítimos superiores, que fazem as vezes de Deus quando ordenam de acordo com as próprias constituições (cf. CDC cân. 601).

Santo Amaro foi fiel ao seu ideal monástico, a ponto de todos o considerarem o perfeito herdeiro espiritual de São Bento. Segundo uma tradição, foi Santo Amaro que substituiu São Bento quando este se transferiu para Monte Cassino. Consta também que Santo Amaro se distinguiu particularmente por sua aplicação aos estudos. Sendo enviado à França, lá fundou o Mosteiro de Glanfeuil, em Anjou, vindo a falecer em 15 de janeiro de 584.

Possa o exemplo de Santo Amaro levar os filhos a serem mais obedientes aos seus pais, os alunos aos seus mestres, os cidadãos às leis e superiores civis, os católicos aos seus superiores hierárquicos. “Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5, 21).
Dom Fernando Arêas Rifan

São Plácido
A vida de Plácido está ligada à do seu primo Mauro, também chamado de Amaro, por várias circunstâncias. Primeiro, porque ambos aos sete anos de idade foram entregues, pelos pais ao amigo Bento de Nórcia, celebrado pela Igreja como o "pai dos monges ocidentais", para serem oblados à Cristo. Depois, porque Amaro o salvou da morte, na infância. Nesta ocasião, Bento, teve uma visão onde Plácido se afogava dentro de um lago, por isto mandou o pequeno Amaro correr para impedir o acidente. De fato, ele o salvou prodigiosamente, andando sobre as águas e o retirando com vida. Porém, após se tornarem sacerdotes, suas vidas se separam, e de maneira distinta cada um testemunhou sua fé em Cristo. Vejamos a trajetória de Plácido.

Plácido nasceu no ano de 514, em Roma. Os pais, nobres e ricos, eram Tertulo e Faustina, e os irmãos se chamavam Eutíquio, Flávia e Vitório. Plácido foi entregue a são Bento, que o tomou como discípulo e lhe dispensou um afeto paterno. O menino cresceu bondoso e assimilou os ensinamentos do Evangelho e o espírito ecumênico da mensagem beneditina. Tornou-se sacerdote e foi enviado para a cidade italiana de Messina, na Sicilia, para construir um mosteiro, do qual foi eleito o abade. Plácido o construiu fora dos muros da cidade. Ao lado do mosteiro ele também construiu uma igreja, dedicada a são João Batista.

Plácido, certa vez, recebeu a visita de seus irmãos, os três saudosos, decidiram ir para Messina, onde ficaram por um longo período, hospedados no mosteiro. Até que em setembro de 541, os árabes sarracenos, invadiram o mosteiro, destruindo tudo e matando os monges que encontravam pela frente. Depois, se voltaram contra os quatro irmãos, que seriam poupados se renegassem o seu Deus. Plácido falou por todos: "jamais trairemos a fé em Cristo e por isto estamos prontos para morrer". Foram arrastados até a praia vizinha e brutamente mortos, tendo as cabeças decepadas. Os corpos foram recolhidos pelos monges sobreviventes e sepultados na igreja semidestruída.

Este mosteiro e a igreja foram destruídos e reconstruídos várias vezes por conta destes bárbaros. Só em 1099, a paz voltou a reinar na Sicília, com a sua expulsão definitiva . O então imperador Rugero, católico, mandou reconstruir tudo. No final da construção do grande edifício, o mosteiro foi elevado à condição de Priorado Geral. Mas o fato sensacional, ocorreu em 1588, quando o superior do mosteiro,vendo que o interior da igreja não tinha ventilação nem luz, mandou abrir três grandes portas. Para isto, tiveram que deslocar o altar maior, e foi aí que encontraram as relíquias dos quatro irmãos. A festa foi grande porque ao retirarem o corpo de são Plácido surgiu de improviso uma fonte de água puríssima, que os devotos atribuíram como milagrosa.

A igreja e o mosteiro foram totalmente destruídos, em 1918, quando ocorreu o maior terremoto de Messina. Mas as relíquias de são Plácido já estavam guardadas pelos beneditinos na Cripita da Capela do mosteiro de Montecassino, onde também estão as de seu primo.

A Igreja, em 1962, determinou que os dois primos sejam festejados no mesmo dia 15 de janeiro. Entretanto, o culto a são Plácido é muito intenso e os devotos o celebram também em 5 de outubro, data que lhe era dedicada anteriormente.

Portal Paulinas

Ninguém se salva sozinho. A dimensão comunitária é parte integrante da vida cristã - Papa na audiência geral - 15.JAN.2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Quarta-feira passada iniciamos um breve ciclo de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Batismo. E sobre o Batismo gostaria de concentrar-me ainda hoje, para destacar um fruto muito importante deste Sacramento: esse nos torna membros do Corpo de Cristo e do Povo de Deus. São Tomás de Aquino afirma que quem recebe o Batismo é incorporado a Cristo quase como seu próprio membro e é agregado à comunidade dos fiéis (cfr Summa Theologiae, III, q. 69, art. 5; q. 70, art. 1), isso é, ao Povo de Deus. Na escola do Concílio Vaticano II, nós dizemos hoje que o Batismo nos faz entrar no Povo de Deus, nos torna membros de um Povo em caminho, um Povo peregrino na história.

De fato, como de geração em geração se transmite a vida, assim também de geração em geração, através do renascimento na fonte batismal, transmite-se a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha no tempo, como um rio que irriga a terra e difunde no mundo a benção de Deus. Do momento em que Jesus disse o que escutamos no Evangelho, os discípulos foram batizar; e daquele tempo até hoje há uma sequência na transmissão da fé mediante o Batismo. E cada um de nós é um elo dessa sequência: um passo adiante, sempre; como um rio que irriga. Assim é a graça de Deus e assim é a nossa fé, que devemos transmitir aos nossos filhos, transmitir às crianças, para que essas, uma vez adultas, possam transmiti-la a seus filhos. Assim é o Batismo. Por que? Porque o Batismo nos faz entrar neste Povo de Deus que transmite a fé. Isto é muito importante. Um Povo de Deus que caminha e transmite a fé.

Em virtude do Batismo, nós nos tornamos discípulos missionários, chamados a levar o Evangelho no mundo (cfr Exort. ap. Evangelii gaudium, 120). “Cada batizado, qualquer que seja a sua função na Igreja e o grau de instrução da sua fé é um sujeito ativo de evangelização… A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo” (ibid) de todos, de todos o povo de Deus, um novo protagonismo de cada um dos batizados. O Povo de Deus é um Povo discípulo – porque recebe a fé – e missionário – porque transmite a fé. E isto faz o Batismo em nós. Doa-nos a Graça e transmite a fé. Todos na Igreja somos discípulos, e o somos sempre, para toda a vida; e todos somos missionários, cada um no lugar que o Senhor lhes atribuiu. Todos: o menor é também missionário; e aquele que parece maior é discípulo. Mas alguém de vocês vai dizer: “Os bispos não são discípulos, os bispos sabem tudo; o Papa sabe tudo, não é discípulo”. Não, mesmos os bispos e o Papa devem ser discípulos, porque se não são discípulos não fazem o bem, não podem ser missionários, não podem transmitir a fé. Todos somos discípulos e missionários.

Existe uma ligação indissolúvel entre a dimensão mística e aquela missionária da vocação cristã, ambas enraizadas no Batismo. “Recebendo a fé e o Batismo, nós cristãos acolhemos a ação do Espírito Santo que conduz a confessar Jesus Cristo como Filho de Deus e a chamar Deus ‘Abba’, Pai. Todos os batizados e as batizadas…somos chamados a viver e transmitir a comunhão com a Trindade, porque a evangelização é um apelo à participação na comunhão trinitária” (Documento final de Aparecida, n. 157).

Ninguém se salva sozinho. Somos comunidade de crentes, somos Povo de Deus e nesta comunidade experimentamos a beleza de partilhar a experiência de um amor que precede a todos, mas que ao mesmo tempo nos pede para sermos “canais” da graça uns para os outros, apesar dos nossos limites e dos nossos pecados. A dimensão comunitária não é só uma “moldura”, um “contorno”, mas é parte integrante da vida cristã, do testemunho e da evangelização. A fé cristã nasce e vive na Igreja e no Batismo as famílias e as paróquias celebram a incorporação de um novo membro a Cristo e ao seu corpo que é a Igreja (cfr ibid.; n. 175b).

A propósito da importância do Batismo para o Povo de Deus, é exemplar a história da comunidade cristã do Japão. Essa sofreu uma dura perseguição no início do século XVII. Foram numerosos mártires, os membros do clero foram expulsos e milhares de fiéis foram mortos.  Não permaneceu no Japão nenhum padre, todos foram expulsos. Então a comunidade se retirou na clandestinidade, conservando a fé e a oração em reclusão. E quando nascia uma criança, o pai ou a mão a batizavam, porque todos os fiéis podem batizar em particulares circunstâncias. Quando, depois de dois séculos e meio, 250 anos depois, os missionários retornaram ao Japão, milhares de cristãos saíram da clandestinidade e a Igreja pôde reflorescer. Tinham sobrevivido com a graça de seu Batismo! Isto é grandioso: o Povo de Deus transmite a fé, batiza os seus filhos e segue adiante. E mantiveram, mesmo em segredo, um forte espírito comunitário, porque o Batismo os tornou um só corpo em Cristo: foram isolados e escondidos, mas foram sempre membros do Povo de Deus, membros da Igreja. Podemos aprender tanto com esta história! Obrigado.


Aos peregrinos lusófonos presentes, Papa Francisco dirigiu-lhes uma especial saudação (em italiano, logo traduzida em português):

"Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, presentes nesta Audiência, especialmente aos grupos vindos do Brasil.
 
Queridos amigos, todos os batizados estão chamados a ser discípulos missionários, vivendo e transmitindo a comunhão com Deus. Em todas as circunstâncias, procurai oferecer um testemunho alegre da vossa fé. Que Deus vos abençoe!"

Radio Vaticano

Os cristãos não sejam legalistas nem hipócritas – o Papa na missa em Santa Marta

Na Missa desta terça-feira, 14 de janeiro de 2014, na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco refletiu sobre o verdadeiro testemunho do cristão, sublinhando que a novidade trazida por Jesus é o amor de Deus por cada um de nós.

Tomando como inspiração as leituras da liturgia do dia o Santo Padre apresentou a atitude de Jesus em comparação com aquela dos escribas. Segundo o Evangelho – observou o Papa Francisco – a atitude de Jesus na sua catequese era a de alguém que tem autoridade, ao contrário dos escribas que falavam muito mas agiam pouco:

“E o próprio Jesus diz que eles não mexiam estas coisas nem sequer com um dedo! E depois dirá à gente: ‘Fazei aquilo que dizem, mas não aquilo que fazem!’ Gente incoerente... Mas sempre estes escribas, estes fariseus, é como se dessem pancadas nas pessoa! Tendes que fazer isto, isto e isto, àquela pobre gente. E Jesus disse-lhes: Mas assim vós fechais a porta do Reino dos Céus. Não deixais entrar e nem vós entrais! É uma maneira, um modo de pregar, de ensinar, de dar testemunho da própria fé... E assim, quantos há que pensam que a fé seja uma coisa assim...”

O Papa Francisco, recordando a Primeira Leitura, proposta pelo Livro de Samuel, referiu a figura do sacerdote Eli e os seus dois filhos, também eles sacerdotes mas corruptos. Em particular referiu este sacerdote Eli, que era um morno e débil sacerdote que desprezou uma pobre mulher que estava a rezar no Templo:

“Quantas vezes o Povo de Deus sente-se não bem-querido por aqueles que devem dar testemunho: pelos cristãos, pelos cristãos leigos, os padres, os bispos... ‘Mas, pobre gente, não percebem nada...Devem fazer um curso de teologia para compreenderem bem.’ Mas, porque tenho uma certa simpatia por este homem? Porque no coração ainda tinha a unção, porque quando a mulher lhe explica a sua situação, Eli diz-lhe: Vai em paz e o Deus de Israel te conceda aquilo que pediste. Aparece a unção sacerdotal: pobre homem, tinha-a escondida dentro da sua preguiça... é um morno. E depois acaba mal, coitadinho”.

Jesus tem uma atitude nova, aproxima Deus às pessoas aproximando-se Ele das pessoas, pois só lhe interessam duas coisas: a pessoa e Deus – disse o Papa Francisco – que pediu ao Senhor para que cada um de nós procure levar para a sua vida a novidade de Jesus que é a transparência evangélica:

“Peçamos ao Senhor... de não sermos legalistas puros, hipócritas como os escribas e fariseus. A não sermos corruptos como os filhos de Eli. A não sermos mornos como Eli, mas a sermos como Jesus, com aquele zelo de procurar, de curar, de amar a gente e com isto dizer: ‘Mas, se eu faço isto assim tão pequeno, pensa como te ama Deus, que é teu Pai!’ Este é o ensinamento novo que Deus nos pede. Peçamos esta graça.”
Radio Vaticano

Esta é a mensagem de hoje do Papa Francisco, em seu Twitter:





14/01/2014
Digamos sempre obrigado a Deus, antes de mais nada pela sua paciência e misericórdia.

Vaticano – Carta do Papa Francisco aos novos cardeais

«O Cardinalato não significa uma promoção, uma honra, nem uma condecoração; é simplesmente um serviço que exige que se amplie o olhar e se alargue o coração».

Escreveu o Papa numa carta pessoal enviada aos novos cardeais que serão criados durante o Consistório de 22 de Fevereiro. «Apesar de parecer um paradoxo – continuou o Papa Francisco – este poder olhar para mais longe e amar mais universalmente com mais intensidade só pode ser adquirido se seguirmos o mesmo caminho do Senhor: o caminho da humilhação e da humildade, tornando-nos servidores (cf. Fl 2, 5-8). Portanto, peço-te, por favor, que recebas esta designação com um coração simples e humilde. E, mesmo que tu o faças com júbilo e alegria, faz de modo que este sentimento esteja longe de qualquer expressão de mundanidade, de qualquer comemoração diferente do espírito evangélico de austeridade, sobriedade e pobreza».


No item 'LITURGIA', o "Duc in Altum!" apresenta a vocês um novo sub-item: 'Calendário Litúrgico', extraído do Código Canônico, indicando os períodos, chamados 'Tempos Litúrgicos', os 'Domingos Especiais', as 'Festas de Guarda' e muito mais informações. Conheça!

Calendário Litúrgico


Quando as coisas não estão bem o Senhor mistura-se e corrige o caminho – o Papa na missa desta segunda-feira

Na missa desta segunda-feira, 13.janeiro,2014, na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco afirmou que o Senhor vem ao nosso encontro e prepara o nosso caminho. Tal como nos diz o Evangelho, que nos relata o chamamento dos discípulos Pedro, André, Tiago e João, o Senhor prepara as nossas vidas, já há muito tempo:

“Parece que Simão, André, Tiago, João foram aqui definitivamente eleitos. Sim eles foram eleitos, mas eles, neste momento, não foram definitivamente fieis! Depois desta eleição enganaram-se, fizeram propostas que não eram cristãs ao Senhor: renegaram o Senhor! Pedro em grau superlativo, os outros por temor: assustaram-se e foram-se embora. Abandonaram o Senhor. O Senhor prepara. E depois da Ressurreição, o Senhor teve que continuar este caminho de preparação até ao dia de Pentecostes. E depois do Pentecostes também alguns – Pedro por exemplo – erraram e Paulo teve que o corrigir. Mas o Senhor prepara.”

“E quando as coisas não estão bem, Ele mistura-se na história e arranja a situação continuando o caminho. Mas pensemos na genealogia de Jesus Cristo, naquela lista: este gera aquele; aquele gera este... naquela lista de História há pecadores e pecadoras. Mas como é que fez o Senhor? Misturou-se, corrigiu o caminho, regulou as coisas. Pensemos no grande David, um grande pecador e depois um grande santo. O Senhor sabe! Quando o Senhor nos diz: ‘Com amor eterno eu te amei’ refere-se a isto. Há tantas gerações o Senhor pensou em nós, em cada um de nós.”

O Senhor com o seu amor concreto, eterno e até um pouco artesanal – disse o Santo Padre – prepara o nosso caminho:

“Porque o nosso racionalismo diz: ‘Mas, como o Senhor, com tantas pessoas no mundo, pensa em mim? Preparou esse caminho para mim?’ Com as nossas mães, com nossos avós, pais e bisavós o Senhor fez assim. É este o Seu verdadeiro amor: concreto, eterno e artesanal.”

Rezemos, pedindo esta graça de perceber o amor de Deus. Mas nunca se percebe! Sente-se, chora-se mas perceber não. Também isto nos diz como é grande este amor. O Senhor que nos prepara há tanto tempo, caminha conosco, preparando os outros. Está sempre conosco! Peçamos a graça de perceber com o coração este grande amor.”

Também nesta segunda-feira o Papa Francisco twittou:

13/01/2014
O Senhor bate à porta do nosso coração. Será que temos nela afixado um cartãozinho com a escrita: «Não perturbe»?
Favorecer uma cultura do encontro e da paz, valorizando família, idosos e jovens: Papa Francisco ao Corpo Diplomático

Leia o texto na íntegra

Segundo uma tradição consolidada, o Santo Padre recebeu nesta segunda-feira, 13 de janeiro de 2014, todo o Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé para a apresentação de votos de Ano Novo. Uma ocasião para o Papa Francisco apresentar algumas reflexões sobre a situação actual do mundo, neste início de 2014. Reflexões que - disse – “brotam primariamente do seu coração de pastor, atento às alegrias e sofrimentos da humanidade”.

Na primeira parte de um extenso e denso discurso, o Papa chamou a atenção para a situação da família, dos idosos e dos jovens, pedindo que se favoreça “uma cultura do encontro”. Citando a sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, Papa Francisco sublinhou que «a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família», a qual, «por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor» e contribuir para fazer maturar aquele espírito de serviço e partilha que edifica a paz.

O Santo Padre recordou que, infelizmente, “aumenta o número das famílias divididas e dilaceradas não só pela frágil consciência do sentido de pertença que caracteriza o mundo actual, mas também pelas difíceis condições em que muitas delas são forçadas a viver, chegando ao ponto de lhes faltarem os meios de subsistência. Por isso – advertiu - tornam-se necessárias políticas adequadas que apoiem, promovam e consolidem a família.Passando então à situação dos idosos e jovens, o Papa Francisco lembrou que os primeiros são muitas vezes “considerados um peso, enquanto os jovens não vêem à sua frente perspectivas seguras para a sua vida”. Ora – sublinhou – “idosos e jovens são a esperança da humanidade: os primeiros trazem a sabedoria da experiência, enquanto os segundos nos abrem ao futuro, impedindo de nos fecharmos em nós mesmos.”

“Sábia opção é não marginalizar os idosos da vida social, para se manter viva a memória dum povo. De igual modo, é bom investir nos jovens, com iniciativas adequadas que os ajudem a encontrar trabalho e fundar um lar doméstico. É preciso não apagar o seu entusiasmo!”
  
O Papa evocou, a este propósito, a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, onde encontrou – disse – tantos jovens contentes, cheios de esperança e de expectativas, com desejo de se abrirem aos outros.

“O egoísmo e o isolamento criam sempre uma atmosfera asfixiante e pesada, que mais cedo ou mais tarde acaba por estiolar e sufocar. Ao contrário, serve um compromisso comum de todos para favorecer uma cultura do encontro, porque só quem consegue ir ao encontro dos outros é capaz de dar fruto, criar vínculos de comunhão, irradiar alegria, construir a paz”.    A partir daqui, o Santo Padre passou em resenha os pontos do globo que se confrontam com problemas mais sérios de justiça e de paz, começando pela Síria.
 

Dom Orani: mais um Cardeal brasileiro

Cidade do Vaticano (RV) - Após a oração mariana do Angelus, neste domingo, 12, o Santo Padre anunciou que no próximo dia 22 de fevereiro, festa da Cátedra de São Pedro, terá a alegria de presidir a um Consistório, durante o qual vai criar 16 novos cardeais, pertencentes a 12 nações de todas as partes do mundo.

A nomeação dos novos cardeais, disse o Papa Francisco, representa uma profunda relação eclesial entre a Igreja de Roma e as outras Igrejas espalhadas pelo mundo. No dia seguinte, 23, o Santo Padre vai presidir a uma solene concelebração Eucarística com os novos cardeais.

Nos dias 20 e 21 de fevereiro, anunciou ainda o Papa, haverá o Consistório com todos os cardeais, “para refletir sobre o tema da família”.

Entre os 16 novos Cardeais, o Papa Francisco nomeou Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.

Este é o tempo da misericórdia! Este nosso tempo tem necessidade de partilha fraterna e de amor

Com o nascimento de Jesus, os céus abrem-se para nós! Deixemo-nos invadir pelo amor de Deus que nos é dado pela primeira vez no baptismo por meio do Espírito Santo: esta a mensagem do Papa Francisco, neste domingo do Baptismo de Jesus, dirigindo-se ao meio-dia, na Praça de São Pedro, às pessoas ali reunidas para a recitação do Angelus e a quantos o seguiam através dos meios de comunicação.

O Papa comentava a expressão do Evangelho do dia – que refere que, depois de Jesus ter recebido o baptismo de João no rio Jordão, “os céus se abriram para ele”. Realizavam-se assim as profecias. Como invoca Isaías: “Ah, se tu (Senhor) abrisses os céus e descesses!”.

“Se os céus permanecem cerrados, o nosso horizonte nesta vida terrena é obscuro, sem esperança. Mas celebrando o Natal, a fé deu-nos mais uma vez a certeza de que os céus se abriram com a vinda de Jesus”.

“A manifestação do Filho de Deus sobre a terra marca o início do grande tempo de misericórdia, enquanto que antes o pecado tinha fechado os céus, elevando como que uma barreira entre o ser humano e o seu Criador”.

“Com o nascimento de Jesus, abrem-se os céus! Deus dá-nos a certeza de um amor indestrutível. Desde que o Verbo se fez carne, é possível ver os céus abertos”.

Foi possível para os pastores de Belém, para os Magos do Oriente, para João Baptista, para os Apóstolos, para Santo Estêvão – o primeiro mártir, que exclamou ‘Vejo os céus abertos’…

“E é possível também para cada um de nós, se nos deixarmos invadir pelo amor de Deus, que nos foi dado pela primeira vez no Batismo, por meio do Espírito Santo”.

Quando Jesus recebeu o baptismo de penitência das mãos de João Baptista, solidarizando-se com o povo penitente, Deus fez ouvir a sua voz, do céu: “Este é o meu Filho, o amado!”. O Pai celeste enviou-o precisamente para que partilhasse a nossa condição, a nossa pobreza.

“Partilhar é o verdadeiro modo de amar. Jesus não se dissocia de nós, considera-nos irmãos e partilha connosco. E é assim que nos torna filhos, juntamente com Ele, de Deus Pai. É esta a revelação e a fonte do verdadeiro amor. E este é tempo da misericórdia”.

“Não vos parece que no nosso tempo temos necessidade de um suplemento de partilha fraterna e de amor?

Não vos parece que temos todos necessidade de um suplemento de caridade? Não daquele que se contenta com uma ajuda ocasional que não nos compromete, não nos põe em jogo, mas aquela caridade que compartilha, que faz seu o problema e o sofrimento do irmão.Que saber adquire a vida quando nos deixamos inundar pelo amor de Deus!”
Vós, pais, sois transmissores da fé, a vossa mais bela herança: Papa Francisco na celebração de baptismos na Capela Sistina

Seguindo a tradição, neste domingo do Batismo do Senhor, o Santo Padre baptizou na Capela Sistina trinta e duas crianças, na maioria filhos de funcionários do Vaticano. Uma celebração que decorreu com grande simplicidade e participação de todos.

Como homilia, o Papa pronunciou uma brevíssima alocução, comentando o Evangelho e evocando também o mandato de Jesus, ao despedir-se dos seus discípulos, enviando-os por todo o mundo a fazer discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Também cada uma destas crianças, observou, constitui um elo na imensa cadeia de membros do Povo de Deus, renascidos pela água e pelo Espírito Santo.

O Papa insistiu sobre a transmissão da fé, responsabilidade que toca antes de mais aos pais das crianças. A mais bela herança que deixareis aos vossos filhos - sublinhou - é a fé.

Tweet do Papa Francisco no sábado:

11/01/2014
Não deveria haver nenhum idoso «exilado» nas nossas famílias. Os idosos são um tesouro para a sociedade.

O Credo dos papagaios

O cristão não repete o Credo de cor como um papagaio e não vive como um eterno «derrotado», mas confessa a sua fé integramente e tem a capacidade de adorar a Deus, levantando assim o termómetro da vida da Igreja. Para o Papa Francisco «confessar e confiar-nos» são duas palavras-chave que alimentam e reforçam a atitude de quem crê, porque «a nossa fé é a vitória que venceu o mundo» como escreve o apóstolo João na sua primeira carta. O Pontífice afirmou-o na missa celebrada na manhã de sexta-feira, 10 de Janeiro, na capela da Casa de Santa Marta.

O Papa Francisco retomou o fio condutor da meditação do dia anterior, continuando a sua reflexão centrada na primeira carta de João. O qual, explicou, «insiste, evidencia muito aquela palavra que para ele é como a expressão da vida cristã: permanecer, permanecer no Senhor». E «nestes dias – prosseguiu – vimos o que» João entende com este permanecer: nós no Senhor e o Senhor em nós. Isto significa permanecer no amor, porque os dois principais mandamentos são os do amor a Deus e ao próximo».

Portanto, para João o centro da vida cristã é «permanecer no Senhor e o Senhor em nós, permanecer no amor. Portanto, a pergunta fundamental que devemos formular a nós mesmos é: «Que significa esta fé?». A propósito, o Papa Francisco recordou como Jesus falava da fé e demonstrava a sua força, como podemos deduzir dos episódios evangélicos da mulher hemorroíssa, da cananeia, do homem que se aproximava para pedir uma cura com fé – «é grande a tua fé!» – e do cego de nascença. O Senhor, recordou, «dizia também que o homem que tem uma fé como a semente de mostarda pode mover montanhas».

Portanto, devemos «confessar a fé». E confessá-la «integralmente, não uma parte. Toda!». Mas, acrescentou, dvemos também «conservá-la integralmente como chegou até nós pelo caminho da tradição. Toda a fé!». Depois o Pontífice indicou «o sinal» para reconhecer se confessamos «bem a fé». De facto «quem confessa bem a fé, toda a fé, tem a capacidade de adorar a Deus». É um «sinal» que pode parecer «um pouco estranho – comentou o Papa – porque sabemos como pedir a Deus, como dar graças a Deus. Mas adorar a Deus, louvar a Deus é algo mais. Só quem tem esta fé forte é capaz de adoração».

«Para permanecer no Senhor, para permanecer no amor – repetiu – é necessário o Espírito Santo, da parte de Deus. Mas da nossa parte: confessar a fé que é um dom e confiar-nos ao Senhor Jesus para adorar, louvar e sermos pessoas de esperança». O Papa Francisco concluiu a homilia com o pedido de que «o Senhor nos faça compreender e viver esta bonita frase» do apóstolo João apresentada pela liturgia: «E foi esta a vitória que venceu o mundo: a nossa fé».
L’Osservatore Romano


Hoje, o Papa Francisco twittou:

10/01/2014
Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que a ternura de Deus aqueça o nosso coração.


O amor cristão é concreto e generoso, não é como aquele das telenovelas – o Papa na missa desta quinta-feira

Na missa desta quinta-feira na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco deixando-se guiar pelas palavras da Primeira Carta de João em que o Apóstolo insiste em repetir que: “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e o amor d’Ele é perfeito em nós”, o Santo Padre afirmou que ou amor é altruísta e solícito, que arregaça as mangas e olha para os pobres e prefere mais dar do que receber ou, então, não é um amor cristão. Porque se Deus está connosco nós temos que estar com Deus:

“Nós em Deus e Deus em nós: esta é a vida cristã. Não permanecer no espírito do mundo, não permanecer na superficialidade, não permanecer na idolatria, não permanecer na vaidade. Não, não. Permanecer no Senhor. E Ele corresponde-nos: Ele permanece em nós. Mas, antes é Ele que permanece em nós.”

“Olhai que o amor de que nos fala João não é o amor das telenovelas! Não, é outra coisa. O amor cristão tem sempre uma qualidade: o concreto. O amor cristão é concreto. O próprio Jesus, quando fala do amor, fala-nos de coisas concretas: dar de comer aos esfomeados, visitar os doentes e tantas coisas concretas. O amor é concreto. A consistência cristã. E quando não existe esta consistência, pode-se viver um cristianismo de ilusões, porque não se percebe bem onde está o centro da mensagem de Jesus. Não chega este amor a ser concreto: é um amor de ilusões, como estas ilusões que tinham os discípulos quando, olhando Jesus, pensavam que fosse um fantasma.”

O amor cristão é concreto – insistiu o Papa Francisco na sua homilia e apontou dois critérios objetivos: amar com as obras e o dar deve ser mais importante do que o receber:

“Primeiro critério: amar com as obras, não com as palavras. As palavras leva-as o vento! Hoje estão e amanhã já não estão. Segundo critério do concreto: no amor é mais importante dar do que receber. Aquele que ama dá... Dá coisas, dá vida, dá-se a Deus e aos outros. Ao contrário, quem não ama, quem é egoísta, sempre tenta receber, sempre tenta ter coisas, ter vantagens. Permanecer com o coração aberto, não como era aquele dos discípulos, que era fechado, que não percebiam nada: permanecer em Deus e Deus permanece em nós; permanecer no amor.”

Tweet do Papa Francisco:


09/01/2014
Contemplemos a humildade do Filho de Deus, que nasceu pobre. Imitemo-Lo na partilha com as pessoas mais frágeis.


Audiência Geral: "É preciso despertar a memória do Batismo"

Cidade do Vaticano (RV) – Depois das festividades de Natal, o Papa Francisco acolheu esta manhã milhares de peregrinos, na Praça S. Pedro, para a primeira Audiência Geral de 2014.

O Pontífice anunciou o início de uma série de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Batismo.

O Batismo, juntamente com a Eucaristia e a Confirmação, forma a chamada “iniciação cristã”, que nos configura com o Senhor Jesus e faz de nós um sinal vivo da sua presença e do seu amor.

“O Batismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus?”, questionou o Papa, que respondeu:

Não se trata de mera formalidade! Uma criança batizada não é igual a uma criança não batizada. No Batismo, somos imersos naquela fonte inexaurível de vida que é a morte de Jesus, o maior ato de amor de toda a história; e, em virtude deste amor, podemos viver uma vida nova de comunhão com Deus e com os irmãos, e não ficar à mercê do mal, do pecado e da morte.

Muitos de nós não têm a menor lembrança da celebração deste dia, já que fomos batizados pouco depois do nascimento. E mais uma vez o Pontífice pediu aos fiéis que, ao regressarem a suas casas, procurem saber a data em que foram batizados.

O risco, advertiu Francisco, é perder a consciência daquilo que o Senhor fez em nós, do dom que recebemos. Então acabamos por considerá-lo somente como um evento que ocorreu no passado — e nem mesmo por nossa vontade, mas dos nossos pais —, motivo pelo qual não tem mais nenhuma incidência sobre o presente. Ao invés, somos chamados a viver o nosso Batismo todos os dias, como realidade atual na nossa existência. "Devemos despertar a memória do Batismo", pediu o Papa.

Se conseguimos seguir Jesus e permanecer na Igreja, não obstante os nossos limites e as nossas fragilidades, é por obra do Sacramento no qual nos tornamos novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Graças ao Batismo, somos portadores de uma esperança nova, que nada e ninguém pode apagar; somos capazes de perdoar e de amar inclusive quem nos ofende e nos faz mal; conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres a face do Senhor que nos visita e se faz próximo.

“Ninguém pode batizar-se a si mesmo”, concluiu. Podemos pedir e desejar o Batismo, mas sempre precisamos de alguém que nos administre este sacramento em nome do Senhor. É um dom concedido num contexto de solicitude e partilha fraterna.

Peçamos ao Senhor que nos faça experimentar cada vez mais, na vida diária, a graça recebida no Batismo. Quando os outros se cruzarem conosco, possam encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus, verdadeiros membros da Igreja.

Na saudação aos fiéis, o Papa assistiu a uma apresentação do "Golden Circus", que dedica esta temporada à cultura latino-americana. Entre os integrantes, havia um brasileiro.

PAZ NO ORIENTE MÉDIO
                                                                  
Dom Fernando Arêas Rifan*

 
Celebramos há pouco a Solenidade da Epifania do Senhor, dia de Reis. “Epifania” é uma palavra grega que significa “manifestação”. Foi o dia da manifestação de Jesus como Salvador de todos os povos, na pessoa dos Reis do Oriente, os Magos ou Sábios, que vieram visitar o Menino Jesus em Belém.
           
Deus usa de vários meios para chamar a si as pessoas, meios adaptados à personalidade e às condições de cada um. Aos pastores, judeus, já familiarizados com as revelações divinas do Antigo Testamento, Deus chamou através dos anjos, mensageiros da boa nova do nascimento de Jesus. Os Magos, porém, eram pagãos, da Arábia. Mas como eram astrônomos e astrólogos, Deus os chamou através de uma estrela misteriosa. Jesus não discrimina ninguém: no seu presépio vemos pobres e ricos, judeus e árabes. Todos são bem-vindos ao berço do pacífico Menino Deus. Já se vislumbra assim que Jesus é e será a fórmula da paz para o Oriente Médio.


Quando Jesus veio ao mundo, reinava uma relativa paz em todo o império romano. A paz pela força e domínio. Mas Ele veio nos trazer a paz, a sua paz, a verdadeira. “Dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14, 27).  “Príncipe da Paz” é o título que lhe dava o profeta Isaías: “seu nome será... Príncipe da Paz” (Is 9,5). Esse foi o cântico dos anjos na noite de Natal: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e, na terra, paz aos que são do seu agrado!” (Lc 2, 14). E a sua primeira saudação aos Apóstolos depois da Ressurreição foi: “A paz esteja convosco!” (Jo 20, 19 ss).
           
Em sua mensagem de Natal “Urbi et Orbi”, o Papa Francisco falou da paz no mundo, sobretudo no Oriente Médio, e pediu ao mundo inteiro a oração pela paz:


“A verdadeira paz não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela ‘fachada’, por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo. Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas! Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração!... Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro... Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo... Ó Menino de Belém, tocai o coração dos que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se deem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância”.                                      
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal  São João Maria Vianney                                                                                                                                                 
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

"Seguir Jesus na humildade": homilia do Papa na Casa Santa Marta

Cidade do Vaticano (RV) – “Permaneçam no Senhor”. O Papa desenvolveu sua homilia na missa celebrada na manhã desta terça-feira, 07, na Casa Santa Marta, a primeira de 2014, a partir desta exortação do Apóstolo João, contida na Primeira Leitura. O Apóstolo indica uma atitude para o cristão: vigiar e conhecer o que se passa no seu coração e adverte para o facto de não darmos valor a qualquer espírito. O Santo Padre concretizou dizendo que devemos saber se os espíritos provêm mesmo de Deus:

“Metei à prova os espíritos para saber se provêm verdadeiramente de Deus, porque muitos falsos profetas vieram ao mundo. Profetas ou profecias ou propostas: ‘Eu tenho vontade de fazer isto!’ Mas isto não te leva ao Senhor, afasta-te dele. Para isso é necessária vigilância. O cristão é um homem ou uma mulher que sabe vigiar o seu coração. E tantas vezes o nosso coração, com tantas coisas que vão e vêm, parece um mercado de bairro: há de tudo, encontras de tudo ali. E nós devemos testar: isto é do Senhor e isto não é, para permanecermos no Senhor.”


Qual seria o critério para entendermos o que é de Cristo ou do anticristo? São João, afirmou o Papa, tem uma idéia clara, “simples”: “Todo espírito que reconhece que Jesus Cristo, veio na carne, é de Deus. Todo espírito que não reconhece Jesus não é de Deus: é o espírito do anticristo”. Mas o que significa, portanto, “reconhecer que o Verbo veio na carne?” Quer dizer, observou o Papa, “reconhecer a estrada de Jesus Cristo”, reconhecer que Ele, “sendo Deus, se rebaixou e se humilhou até a morte de cruz:

“Aquele é o caminho de Jesus Cristo: o rebaixamento, a humildade e mesmo a humilhação. Se um pensamento, se um desejo te leva naquele caminho de humildade, de rebaixamento, de serviço aos outros, é de Jesus. Mas se te leva pelo caminho da suficiência, da vaidade, do orgulho, pelo caminho de um pensamento abstrato, não é de Jesus. Pensemos nas tentações de Jesus no deserto: as três propostas que faz o demônio a Jesus são propostas que queriam afastá-lo daquele caminho, o caminho do serviço, da humildade, da humilhação, da caridade. Mas a caridade feita com a sua própria vida, não é? Às três tentações Jesus disse não: 'Não, esta não é a minha estrada!'”

O Pontífice convidou todos a pensar no que acontece em nossos corações e se realmente sentimos o que queremos e desejamos:

“Escolho sempre coisas que provêm de Deus? Conheço o que vem de Deus, os verdadeiros critérios para discernir meus desejos? Pensemos nisso e não nos esqueçamos que o critério é a Encarnação do Verbo. O Verbo veio em carne: ele é Jesus Cristo, que se fez homem, se rebaixou e se humilhou por amor, para servir todos nós. Que o Apóstolo João nos conceda a graça de saber o que se passa em nosso coração e a sabedoria para discernir o que vem de Deus e o que não”.

Tweet do Papa Francisco, desta terça-feira:

07/01/2014
Deixemos um lugar vazio na mesa: um lugar para quem não tem o necessário, para quem ficou sozinho.

Papa ao Intereclesial: "Todos devemos ser romeiros, levando a alegria do Evangelho!"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do 13º Intereclesial das CEBs, em andamento desde terça-feira, 07 a sábado, 11, em Juazeiro do Norte. Abaixo, a íntegra do texto:

"Queridos irmãos e irmãs,

É com muita alegria que dirijo esta mensagem a todos os participantes no 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que tem lugar entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, sob o tema “Justiça e Profecia a Serviço da Vida”.

Primeiramente, quero lhes assegurar as minhas orações para que este Encontro seja abençoado pelo nosso Pai dos Céus, com as luzes do Espírito Santo que lhes ajudem a viver com renovado ardor os compromissos do Evangelho de Jesus no seio da sociedade brasileira. De fato, o lema deste encontro “CEBs, Romeiras do Reino, no Campo e na Cidade” deve soar como uma chamada para que estas assumam sempre mais o seu importantíssimo papel na missão Evangelizadora da Igreja.

Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo “chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos” (n.178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja”, mas, para isso é preciso que elas “não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular” (Exort. Ap. Evangelii gaudium, 29).

Queridos amigos, a evangelização é um dever de toda a Igreja, de todo o povo de Deus: todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher. Desejo do fundo do meu coração que as palavras de São Paulo: “Ai de mim se eu não pregar o Evangelho” (I Co 9,16) possam ecoar no coração de cada um de vocês!

Por isso, confiando os trabalhos e os participantes do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base à proteção de Nossa Senhora Aparecida, convido a todos a vivê-lo como um encontro de fé e de missão, de discípulos missionários que caminham com Jesus, anunciando e testemunhando com os pobres a profecia dos “novos céus e da nova terra”, ao conceder-lhes a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 17 de dezembro de 2013.
Papa Francisco
Papa visitando presépio de periferia: "Passou o Natal, mas Jesus permanece conosco"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitou segunda-feira, à tarde a paróquia romana de Santo Afonso Maria de Ligório, onde centenas de pessoas o aguardavam para ver o presépio vivo preparado por paroquianos com cerca de 200 figurantes. Ao chegar, o Pontífice passou pelas numerosas cenas da montagem, cumprimentando um a um todos os participantes. Alguns “pastores” chegaram até a colocar um cordeirinho sobre seus ombros.

O Papa fez a visita acompanhado do cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, atendendo ao convite do pároco, Pe. Dario Pompeo Criscuoli. Chegou pouco depois das 16h, a bordo de sua Ford Focus, e foi acolhido por um grupo de crianças que lhe ofereceram um maço de rosas brancas e uma meia cheia de chocolate e balas.

Depois de uma oração em forma privada, o Papa cumprimentou os portadores de deficiência, doentes e crianças que o aguardavam. Antes de regressar ao Vaticano, Francisco abençoou Maria, José e Jesus, que foi interpretado por um pequeno bebê de dois meses batizado como Francisco: “Eu os agradeço pelo acolhimento, pelo seu fervor cristão e por esse belo presépio que fizeram”, disse.

Despedindo-se dos fiéis, Francisco assegurou que “Jesus está sempre conosco”; e fez uma invocação a Jesus, José e Maria.

O pároco, emocionado, revelou à imprensa que o Papa o elogiou pessoalmente por conta da iniciativa: “Ele me disse que eu sou louco, mas que essa é uma loucura que Deus gosta”, contou o religioso.

No dia da solenidade da Epifania, 6 de janeiro, decorre na Itália a festa da Befana, uma personagem do folclore italiano. Representada como uma velhinha de xale negro, aparece coberta de fuligem porque entra nas casas na noite de 5 para 6 de janeiro pela chaminé. Ela voa montada numa vassoura, sempre sorridente, e carrega um cesto cheio de doces e presentes com os quais enche as meias da crianças bem-comportadas.

Papa Francisco – Homilia da Missa da Epifania do Senhor – 6 janeiro 2014

«Lumen requirunt lumine». Esta sugestiva frase dum hino litúrgico da Epifania refere-se à experiência dos Magos: seguindo uma luz, eles procuram a Luz. A estrela aparecida no céu acende, nas suas mentes e corações, uma luz que os move à procura da grande Luz de Cristo. Os Magos seguem fielmente aquela luz, que os penetra interiormente, e encontram o Senhor.

Neste percurso dos Magos do Oriente, está simbolizado o destino de cada homem: a nossa vida é um caminhar, guiado pelas luzes que iluminam a estrada, para encontrar a plenitude da verdade e do amor, que nós, cristãos, reconhecemos em Jesus, Luz do mundo. E, como os Magos, cada homem dispõe de dois grandes «livros» donde tirar os sinais para se orientar na peregrinação: o livro da criação e o livro das Sagradas Escrituras. Importante é estar atento, velar, ouvir Deus que nos fala. Como diz o Salmo, referindo-se à Lei do Senhor: «A tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sal 119/118, 105). E, de modo especial, o ouvir o Evangelho, lê-lo, meditá-lo e fazer dele nosso alimento espiritual permite-nos encontrar Jesus vivo, ter experiência d’Ele e do seu amor.

A primeira leitura faz ressoar, pela boca do profeta Isaías, este apelo de Deus a Jerusalém: «Ergue-te e sê iluminada!» (60, 1). Jerusalém é chamada a ser a cidade da luz, que irradia sobre o mundo a luz de Deus e ajuda os homens a seguirem os seus caminhos. Esta é a vocação e a missão do Povo de Deus no mundo. Mas Jerusalém pode falhar a esta chamada do Senhor. Diz-nos o Evangelho que, chegados a Jerusalém, os Magos deixaram de ver a estrela durante algum tempo. Em particular, a sua luz está ausente no palácio do rei Herodes: aquela habitação é tenebrosa; lá reinam a escuridão, a desconfiança, o medo. Efetivamente Herodes mostra-se apreensivo e preocupado com o nascimento de um frágil Menino, que ele sente como rival. Na realidade, Jesus não veio para derrubar um miserável fantoche como ele, mas o Príncipe deste mundo! Todavia o rei e os seus conselheiros sentem fender-se os suportes do seu poder, temem que sejam invertidas as regras do jogo, desmascaradas as aparências. Todo um mundo construído sobre o domínio, o sucesso e a riqueza é posto em crise por um Menino! E Herodes chega ao ponto de matar os meninos: «Matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração», escreve São Quodvultdeus (Sermão 2 sobre o Símbolo: PL 40, 655).

Os Magos souberam superar aquele perigoso momento de escuridão junto de Herodes, porque acreditaram nas Escrituras, na palavra dos profetas que indicava Belém como o local do nascimento do Messias. Assim escaparam do torpor da noite do mundo, retomaram a estrada para Belém e lá viram de novo a estrela, sentindo uma «enorme alegria» (Mt 2,10).

Entre os vários aspectos da luz, que nos guia no caminho da fé, inclui-se também uma santa «astúcia». Trata-se daquela sagacidade espiritual que nos permite reconhecer os perigos e evitá-los. Os Magos souberam usar esta luz feita de «astúcia» quando, no caminho de regresso, decidiram não passar pelo palácio tenebroso de Herodes, mas seguir por outra estrada. Estes sábios vindos do Oriente ensinam-nos o modo de não cair nas ciladas das trevas e defender-nos da obscuridade que teima em envolver a nossa vida. É preciso acolher no nosso coração a luz de Deus e, ao mesmo tempo, cultivar aquela astúcia espiritual que sabe combinar simplicidade e argúcia, como Jesus pede aos discípulos: «Sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas» (Mt 10, 16).

Na festa da Epifania, em que recordamos a manifestação de Jesus à humanidade no rosto dum Menino, sentimos ao nosso lado os Magos como sábios companheiros de estrada. O seu exemplo ajuda-nos a levantar os olhos para a estrela e seguir os anseios grandes do nosso coração.

Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, sem «grandes voos», mas a deixarmo-nos sempre fascinar pelo que é bom, verdadeiro, belo... por Deus, que é tudo isso elevado ao máximo! E ensinam-nos a não nos deixarmos enganar pelas aparências, por aquilo que, aos olhos do mundo, é grande, sábio, poderoso. É preciso não se deter aí. Não se deve contentar com a aparência, com a fachada. É preciso ir mais além, rumo a Belém, onde, na simplicidade duma casa de periferia, entre uma mãe e um pai cheios de amor e de fé, brilha o Sol nascido do alto, o Rei do universo. Seguindo o exemplo dos Magos, com as nossas pequenas luzes, procuramos a Luz.
Neste Domingo, Papa Francisco twittou:



05/01/2014
Queridos amigos, quero agradecer-vos os calorosos votos natalícios que me enviastes. Que o Deus Menino vos abençoe a todos!

Papa emérito visita irmão hospitalizado em Roma

Roma (RV) – Na manhã de sexta-feira, 03, Bento XVI foi à Clínica Gemelli, em Roma, onde seu irmão , Mons. Georg Ratzinger, está internado para exames. O Papa emérito foi acolhido pelo Reitor, Dr. Franco Anelli, e pelos médicos que assistem seu irmão.

Foi a segunda vez que Ratzinger deixou o mosteiro no Vaticano onde reside desde maio de 2012. Na primeira, em agosto de 2012, assistiu a um concerto musical em Castel Gandolfo, onde esteve por dois meses após renunciar ao Pontificado.

O motivo da saída desta sexta-feira foi estritamente pessoal e privado: o Papa emérito esteve todo o tempo na cabeceira do irmão, que completará 90 anos no próximo dia 15 de janeiro. Mons. Georg, que foi durante vários anos maestro do coro «Domspatzen» de Ratisbona, estava passando alguns dias no Vaticano para as festividades de Natal, quando foi hospitalizado.

Como Pontífice, Ratzinger esteve várias vezes na Clínica Gemelli. Em agosto de 2005, quando ao irmão foi implantado um marca-passo cardíaco, lhe fez uma visita privada, mas permaneceu algum tempo com um grupo de pacientes internados. Em seguida, retornou à Clínica para um encontro com crianças doentes e enfim, em 2009, visitou o cardeal francês Roger Etchegaray, ferido na noite de Natal quando uma mulher desequilibrada tentou agredir o então Papa Bento XVI.


Papa Francisco no Angelus de 5 de janeiro de 2014: "Pobres e frágeis, somos sempre amados por Deus"

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A liturgia deste domingo nos propõe, no Prólogo do Evangelho de São João, o significado mais profundo do Natal de Jesus. Ele é a Palavra de Deus que se fez homem e colocou a sua “tenda”, a sua morada entre os homens. Escreve o evangelista: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Nestas palavras que não cessam nunca de nos maravilhar, há todo o Cristianismo! Deus se fez mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, exceto o pecado, mas tomou sobre si os nossos, como se fossem Dele. Entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus conosco! O nascimento de Jesus, então, nos mostra que Deus quis unir-se a cada homem e a cada mulher, a cada um de nós, para nos comunicar a sua vida e a sua alegria.

Assim, Deus é Deus conosco, Deus nos chama, Deus que caminha conosco. Esta é a mensagem de Natal: o Verbo se fez carne. Assim, o Natal nos revela o amor imenso de Deus pela humanidade. Daqui deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na nossa pobreza sabemos ser amados, ser visitados, ser acompanhados por Deus; e olhamos ao mundo e à nossa história como o lugar em que caminhar junto com Ele e uns com os outros, rumo a céus novos e à terra nova. Com o nascimento de Jesus nasceu uma promessa nova, nasceu um mundo novo, mas também um mundo que pode ser sempre renovado. Deus está sempre presente para suscitar homens novos, para purificar o mundo do pecado que o envelhece, do pecado que o corrompe. Por mais que a história humana e aquela pessoal de cada um de nós possa ser marcada por dificuldades e fraquezas, a fé na Encarnação nos diz que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Essa proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que não se acaba nunca! Ele está conosco! Ele é Deus conosco! E esta proximidade não acaba nunca. Eis o alegre anúncio do Natal: a luz divina, que inundou os corações da Virgem Maria e de São José, e guiou os passos dos pastores e dos magos, brilha também hoje para nós.

No mistério da Encarnação do Filho de Deus há também um aspecto ligado à liberdade humana, à liberdade de cada um de nós. De fato, o Verbo de Deus coloca a sua tenda entre nós, pecadores e necessitados de misericórdia. E todos nós devemos nos apressar para receber a graça que Ele nos oferece. Em vez disso, continua o Evangelho de São João, “os seus não o acolheram” (v. 11). Também nós, tantas vezes, O rejeitamos, preferimos permanecer no fechamento dos nossos erros e na angústia dos nossos pecados. Mas Jesus não desiste e não deixa de oferecer a si mesmo e a sua graça que nos salva! Jesus é paciente, Jesus sabe esperar, espera-nos sempre. Esta é a sua mensagem de esperança, uma mensagem de salvação, antiga e sempre nova. E nós somos chamados a testemunhar com alegria esta mensagem do Evangelho da vida, do Evangelho da luz, da esperança e do amor. Porque a mensagem de Jesus é esta: vida, luz, esperança, amor.

Maria, Mãe de Deus e nossa amorosa Mãe, apoie-nos sempre, para que permaneçamos fiéis à vocação cristã e possamos realizar os desejos de justiça e de paz que trazemos em nós no início deste novo ano.

Após a oração do Angelus, Papa Francisco anunciou – “no clima de alegria típico deste tempo natalício” – que será de 24 a 26 de maio que, “se Deus quiser”, terá lugar a sua “peregrinação à Terra Santa”, tendo como “objectivo principal” comemorar o histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras.

Três as etapas desta sua viagem, que começará da Jordânia para se concluir em Jerusalém, passando pelos Territórios Palestinianos: “Amã, Belém e Jerusalém”.

O Santo Padre anunciou que junto do Santo Sepulcro haverá um encontro ecumênico com os representantes das Igrejas cristãs de Jerusalém, juntamente com o Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla. E pediu a todos orações por esta peregrinação.

O Papa Francisco referiu também às muitíssimas mensagens de boas festas recebidas de todas as partes do mundo por ocasião do Natal e do Ano Novo. Impossível responder a todos e cada um. Agradeceu, portanto, “de todo o coração” a todos: “crianças, jovens, idosos, famílias, comunidades paroquiais e religiosas, associações, movimentos e diferentes grupos que lhe quiseram manifestar afeto e proximidade”. A todos, como sempre, pediu que continuem a rezar pelo seu serviço à Igreja.

Tweet do Papa Francisco neste 1º sábado do mês e do ano:





04/01/2014
Queridos jovens, Jesus deseja ser vosso amigo, e quer que transmitais por todo o lado a alegria desta amizade.


HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Santa Missa na Igreja de Jesus em Roma
Sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

São Paulo nos diz, ouvimos: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo” (Fil 2, 5-7). Nós, jesuítas, queremos ser reconhecidos com o nome de Jesus, servir sob a bandeira da sua Cruz, e isto significa: ter os mesmos sentimentos de Cristo. Significa pensar como Ele, querer o bem como Ele, ver como Ele, caminhar como Ele. Significa fazer aquilo que Ele fez e com os seus mesmos sentimentos, com os sentimentos do seu coração.

O coração de Cristo é o coração de um Deus que, por amor, se “aniquilou”. Cada um de nós, jesuítas, que segue Jesus deveria estar disposto a aniquilar a si mesmo. Somos chamados a este rebaixamento: ser uns “aniquilados”. Ser homens que não devem viver centrados em si mesmos porque o centro da Companhia é Cristo e a sua Igreja. E Deus é o Deus semper maior, o Deus que nos surpreende sempre. E se o Deus das surpresas não está no centro, a Companhia se desorienta. Por isto, ser jesuíta significa ser uma pessoa de pensamento incompleto, de pensamento aberto: porque pensa sempre olhando para o horizonte que é a glória de Deus sempre maior, que nos surpreende sem interrupção. E esta é a inquietude do nosso abismo. Esta santa e bela inquietude!

Mas, porque pecadores, podemos nos perguntar se o nosso coração conservou a inquietude da busca ou se, em vez disso, se atrofiou; se o nosso coração está sempre em tensão: um coração que não descansa, não se fecha em si mesmo, mas que bate o ritmo de um caminho a cumprir junto a todo o povo fiel de Deus. É preciso procurar Deus para encontrá-Lo e encontrá-Lo para buscá-Lo ainda e sempre. Somente esta inquietude dá paz ao coração de um jesuíta, uma inquietude também apostólica, não deve nos fazer cansar de anunciar o querigma, de evangelizar com coragem. É a inquietude que nos prepara para receber o dom da fecundidade apostólica. Sem inquietude somos estéreis.

É esta inquietude que tinha Pedro Fabro, homem de grandes desejos, um outro Daniel. Fabro era um “homem modesto, sensível, de profunda vida interior e dotado do dom de traçar relações de amizade com pessoas de todo tipo” (Bento XVI. Discurso aos jesuítas, 22 de abril de 2006). Todavia, era também um espírito inquieto, indeciso, nunca satisfeito. Sob a orientação de santo Inácio aprendeu a unir a sua sensibilidade inquieta mas também doce, diria delicada, com a capacidade de tomar decisões. Era um homem de grandes desejos; encarregou-se de seus desejos, reconheceu-os. De fato, para Fabro, é propriamente quando se propõem coisas difíceis que se manifesta o verdadeiro espírito que move a ação (cfr Memoriale, 301). Uma fé autêntica implica sempre um profundo desejo de mudar o mundo.  Eis a pergunta que devemos nos fazer: temos também nós grandes visões e entusiasmo? Também nós somos audazes? O sonho voa alto? O zelo nos consome (cfr Sal 69, 10)? Ou somos medíocres e nos contentamos com nossas programações apostólicas de laboratório?  Recordemos sempre: a força da Igreja não está em si mesma e na sua capacidade organizativa, mas se esconde nas águas profundas de Deus. E estas águas agitam os nossos desejos e os desejos alargam o coração. É aquilo que diz Santo Agostinho: rezar para desejar e desejar para alargar o coração. Propriamente nos desejos Fabro podia discernir a voz de Deus. Sem desejo não se vai a lugar algum e é por isto que é preciso oferecer os próprios desejos ao Senhor. Nas Constituições se diz que “se ajuda o próximo com os desejos apresentados a Deus nosso Senhor” (Constituições, 638).

Fabro tinha o verdadeiro e profundo desejo de “ser dilatado em Deus”: era completamente centrado em Deus, e por isto podia seguir, em espírito de obediência, muitas vezes a pé, em qualquer lugar da Europa, a dialogar com todos com doçura e a anunciar o Evangelho. Me ocorre pensar na tentação, que talvez podemos ter nós e que tantos têm, de vincular o anúncio do Evangelho com pancadas inquisitórias, de condenação. Não, o Evangelho se anuncia com doçura, com fraternidade, com amor. A sua familiaridade com Deus o levava a entender que a experiência interior e a vida apostólica vão sempre juntas. Escreve em seu Memorial que o primeiro movimento do coração deve ser aquele de “desejar aquilo que é essencial e originário, isso é, que o primeiro lugar seja deixado à solicitude perfeita de encontrar Deus nosso Senhor” (Memorial, 63). Fabro prova o desejo de “deixar que Cristo ocupe o centro do coração” (Memorial, 68). Somente se se está centrado em Deus é possível andar para as periferias do mundo! E Fabro viajou sem interrupções também nas fronteiras geográficas tanto que se dizia dele: “parece que nasceu para não ficar parado em parte alguma” (MI, Epistolae I, 362). Fabro foi devorado pelo intenso desejo de comunicar o Senhor. Se nós não temos o seu mesmo desejo, então temos necessidade de parar em oração e, com fervor silencioso, pedir ao Senhor, por intercessão do nosso irmão Pedro, que volte a nos fascinar: aquele fascínio do Senhor que levava Pedro a todas estas “loucuras” apostólicas.

Nós somos homens em tensão, somos também homens contraditórios e incoerentes, pecadores, todos. Mas homens que querem caminhar sob o olhar de Jesus. Nós somos pequenos, somos pecadores, mas queremos servir sob a bandeira da Cruz na Companhia reconhecida pelo nome de Jesus. Nós que somos egoístas, queremos, todavia, viver uma vida agitada por grandes desejos. Renovemos então a nossa oblação ao Eterno Senhor do universo para que com a ajuda de sua Mãe gloriosa possamos querer, desejar e viver os sentimentos de Cristo que aniquilou a si mesmo. Como escrevia São Pedro Fabro, “Jamais busquemos nesta vida um nome a não ser o nome de Jesus” (Memorial, 205). E rezemos à Nossa Senhora para sermos colocados com o seu Filho.
Boletim da Santa Sé – Tradução: Jéssica Marçal – Canção Nova

Tweet do Papa Francisco, hoje:

03/01/2014
Jesus Menino revela a ternura do amor imenso com que Deus envolve cada um de nós.


MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO EM SEU TWITTER:




02/01/2014
Deus não Se revela na força nem no poder, mas na fraqueza e vulnerabilidade de um recém-nascido.


Mais uma vez Papa Francisco se deslocou à basílica de Santa Maria Maior para rezar à Mãe de Deus

Na tarde deste dia 1º de janeiro, o Santo Padre deslocou-se de forma privada à basílica de Santa Maria Maior, onde permaneceu em oração silenciosa ao longo de uns vinte minutos, perante a imagem - o ícone - da Mãe de Deus, venerado sob o título "Salus populi romani" (Salvação do povo romano).

Como o Papa Francisco sublinhou na homilia da Missa, 1º de janeiro é a festa litúrgica da Maternidade Divina. O Papa fez mesmo uma referência expressa à basílica de Santa Maria Maior e a esta imagem mariana, pela qual demonstra grandíssima devoção. Recorde-se que logo a 14 de março, na manhã a seguir à sua eleição, o Papa Bergoglio realizou este mesmo gesto, deslocando-se àquela basílica mariana para confiar a Nossa Senhora a Igreja e o seu ministério petrino, o seu pontificado. E ali voltou já mais alguma vez.

Na basílica de Santa Maria Maior encontravam-se hoje muito fiéis, nomeadamente grande número de jovens, profundamente surpreendidos e felizes por se cruzarem ali com o Papa Francisco. Em todo o caso, como não podia deixar de ser, todos respeitaram cuidadosamente o recolhimento do Papa, no tempo de oração na capela de Nossa Senhora.
Radio Vaticano

Oração do Angelus: "Construir uma sociedade mais justa e solidária!"

“Caros irmãos e irmãs, no início do novo ano a todos dirijo os mais cordiais votos de paz e de todos os bens. A todos faço votos de um ano de paz, na graça do Senhor e com a proteção materna de Maria.”

Estes foram os votos de Ano Novo do Papa Francisco no Angelus desta quarta-feira, 1º, Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e também 47º Dia Mundial da Paz.

Dirigindo-se à imensa multidão reunida na Praça de São Pedro, o Santo Padre observou que os seus votos de bom ano são os votos da Igreja, votos cristãos, não ligados a um sentido um tanto mágico e fatalista de um novo ciclo que agora inicia…

“Nós sabemos que a história tem um centro: Jesus Cristo, encarnado, morto e ressuscitado; tem um fim: o Reino de Deus, Reino de paz, de justiça, de liberdade, de amor; e tem uma força que a move em direção àquele fim: o Espírito Santo”, destacou o Pontífice.

angelusFrancisco explicou que este Espírito é a potência de amor que fecundou o ventre da Virgem Maria e é o mesmo que anima os projetos e as obras de todos os construtores de paz.

“Duas estradas se entrecruzam hoje – a festa de Maria Santíssima Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz”, ressaltou o Papa.

Sobre o Dia Mundial da Paz, o Santo Padre recordou o tema deste ano  – “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”–, e a mensagem a todos dirigida a esse propósito.

“Na base está a convicção de que somos todos filhos do único Pai celeste, fazemos parte da mesma família humana e partilhamos um destino comum”.

Daqui deriva para cada um a responsabilidade de atuar para que o mundo se torne uma comunidade de irmãos que se respeitam, se aceitam na sua diversidade e cuidam uns dos outros.

“Somos também chamados a darmo-nos conta das violências e das injustiças presentes em tantas partes do mundo e que não nos podem deixar indiferentes e imóveis: é necessário o empenho de todos para construir uma sociedade verdadeiramente mais justa e solidária”.
O Santo Padre fez votos de que todos os crentes peçam ao Senhor o dom da paz.

“Neste primeiro dia do ano, que o Senhor nos ajude a encaminharmo-nos mais decididamente pelos caminhos da justiça e da paz; que o Espírito Santo atue nos corações, desfaça a rigidez e durezas e nos conceda a graça de nos enternecermos diante da fragilidade do Menino Jesus. A paz, de fato, exige a força da doçura, a força não violenta da verdade e do amor”.
Radio Vaticano
O nosso caminho de fé é ligado ao de Maria, "Mãe de Deus" e nossa Mãe: Papa Francisco na Missa, em São Pedro

Amados Irmãos e Irmãs,

A primeira leitura propôs-nos a antiga súplica de bênção que Deus sugerira a Moisés, para que a ensinasse a Aarão e seus filhos: “O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz” (Nm 6, 24-26).

É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no início de um novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assentada em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingênua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da proteção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.

Os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.

Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu.

Lembremos aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: “Mãe de Deus!” Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura.

Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão. “A Igreja caminha no tempo (…). Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria” (JOÃO PAULO II, Enc. Redemptoris Mater, 2). O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! No que diz respeito à fé, que é o fulcro da vida cristã, a Mãe de Deus partilhou a nossa condição, teve de caminhar pelas mesmas estradas, às vezes difíceis e obscuras, trilhadas por nós, teve de avançar pelo “caminho da fé” (CONC. ECUM. VAT. II, Const. Lumen gentium, 58).

O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: “Eis a tua mãe!” (Jo 19, 27). Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe!

Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a “mulher” torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus.

A mulher que, nas bodas de Caná da Galileia, dera a sua colaboração de fé para a manifestação das maravilhas de Deus na mundo, no Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho, e comunica-a aos outros com carinho maternal. Assim Maria torna-Se fonte de esperança e de alegria verdadeira.

A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho.

Deste modo, a nossa missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria. A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus!

Radio Vaticano