MARÇO.2014


Missa em Santa Marta – Para não ser turistas existenciais

Nem «cristãos errantes como turistas existenciais» nem «cristãos parados», mas testemunhas de uma «fé que caminha» seguindo as promessas de Deus. Foi a identidade cristã traçada pelo Papa Francisco esta manhã, segunda-feira 31 de Março, durante a missa celebrada na capela da Casa de Santa Marta.

O Pontífice falou do valor que tem, na vida de um cristão, a confiança em Jesus «que nunca desilude». Para ajudar a compreender melhor o valor da confiança, o Papa fez referência ao episódio narrado pelo Evangelho de João (4, 43-54) acabado de proclamar, no qual se narra do funcionário do rei que, tendo sabido da chegada de Jesus a Caná, vai ao seu encontro para lhe pedir que salve o filho doente e em fim de vida em Cafarnaum. Foi suficiente, recordou o Pontífice, que Jesus dissesse: «Vai, o teu filho vive» para que aquele homem acreditasse na sua palavra e se pusesse a caminho: «esta é a nossa vida: crer e pôr-se a caminho». Como fez Abraão, que teve «confiança no Senhor e caminhou também nos momentos difíceis», quando por exemplo a sua fé «foi posta à prova» com o pedido do sacrifício do filho. Também naquele caso ele «caminhou. Confiou no Senhor – frisou o Pontífice – e foi em frente. A vida cristã é assim: caminhar rumo às promessas». Por isso «a vida cristã é esperança».

Mas também se pode não caminhar na vida. «E de fato – observou o bispo de Roma – há tantos, também cristãos e católicos de comunidades, que não caminham. Há a tentação de parar», de considerar que se é um bom cristão só porque, esclareceu, se está inserido nos movimentos eclesiais e se sente como na própria «casa espiritual», quase «cansados» de caminhar.

«Temos tantos cristãos parados. Têm uma esperança débil. Sim, acreditam que existe o céu mas não o procuram. Seguem – observou o Pontífice – os mandamentos, cumprem os preceitos, tudo; mas estão parados. E o Senhor não pode extrair deles o fermento para fazer crescer o seu povo. Este é um problema: os parados».

«Depois – acrescentou – há outros, os que erram o caminho. todos nós algumas vezes enganamo-nos no caminho, isso já o sabemos. O problema não é enganar no caminho; o problema é não voltar para trás quando reparamos que nos enganamos.” E há depois «outro grupo que é mais perigoso – disse – porque se engana a si mesmo». São «os que caminham mas não percorrem a estrada: rodam, rodam como se a vida fosse um turismo existencial, sem meta, sem levar a sério as promessas. Aqueles que rodam e que se enganam porque dizem: «Eu caminho...». Não; tu não caminhas, tu rodas! Ao contrário, o Senhor pede-nos que não paremos, que não erremos caminho e que não rodemos pela vida. Pede que olhemos para as promessas, que vamos em frente com as promessas», como o homem do evangelho de João, o qual «acreditou nas promessas de Jesus e se pôs a caminho». E a fé põe-se a caminho.

A quaresma, disse em conclusão, é um tempo propício para pensar se estamos a caminho ou se estamos «demasiado parados» e então devemos converter-nos; ou se «erramos caminho» e neste caso devemos ir confessar-nos «para retomar o caminho»; por fim, se somos «turistas teologais», como os que rodam na vida «mas que nunca dão um passo em frente».

«Peçamos ao Senhor a graça – foi a exortação do Papa Francisco - de retomar a estrada, de nos pormos a caminho rumo às promessas. Enquanto meditamos sobre isto, far-nos-á bem reler aquele capítulo onze da carta aos Hebreus, para compreender bem o que significa caminhar rumo às promessas que o Senhor nos fez».
L'Osservatore Romano
Francisco aos Salesianos: "Essencial falar aos jovens com o coração"

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta segunda-feira, 31.março.2014, o Papa recebeu na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 250 participantes do Capítulo Geral da Sociedade Salesiana de São João Bosco.

Os salesianos elegeram há poucos dias o seu novo Conselho Geral, que deverá orientar, acompanhar e apoiar a Congregação em seu caminho nos próximos anos. Com o seu novo Reitor-mor, Angel Fernàndez Artime, o grupo ouviu o Papa, que abriu seu discurso citando o lema de Dom Bosco, “Dai-me almas e ficai com o resto”.

O Papa lembrou que o fundador reforçou este programa com dois elementos: trabalho e temperança. Trabalho exclusivamente para chegar a Deus, e temperança para se contentar, para ser simples. “A pobreza de Dom Bosco e de Mãe Margarida inspire todos os salesianos e suas comunidades a uma vida essencial e austera, de proximidade aos pobres, transparência e responsabilidade na gestão dos bens”.

Francisco desenvolveu seu discurso a partir de três pontos, começando pela missão própria dos salesianos: a evangelização dos jovens, unida à educação. “Na atual emergência educativa, disse, é fundamental aplicar com o “sistema preventivo” de Dom Bosco e experimentar novas linguagens, bem sabendo que a do coração é a mais direta para se aproximar e ser amigos dos jovens”.

Em seguida, o Papa mencionou a dimensão vocacional, particularmente em destaque em 2015, Ano dedicado à Vida Consagrada. O zelo vocacional requer atenções como a oração, atividades e percursos pessoais, coragem para propor, acompanhar e envolver as famílias. “É preciso evitar visões parciais para não suscitar respostas vocacionais frágeis, com motivações vacilantes”, recomendou.

Em segundo lugar, o Papa citou o mundo da exclusão juvenil e do desemprego e suas consequências. Falou do problema das dependências e de suas raízes, que derivam da falta de amor; e disse que trabalhar com jovens marginalizados requer coragem, maturidade e muita oração. “Por isso, é necessário um atento discernimento e um constante acompanhamento”.

No último ponto, Francisco lembrou o papel de trabalhar em comunidade, mesmo que estas vivam, por vezes, tensões causadas pelo individualismo e pela dispersão: “Acolhimento, respeito, ajuda recíproca, compreensão, cortesia, perdão e alegria”, aconselhou, ressaltando que o espírito de família deixado por Dom Bosco ajuda neste sentido, pois favorece a perseverança e cria atrativos para a vida consagrada.

Antes de se despedir, o Papa fez votos que o bicentenário de nascimento de Dom Bosco seja um momento propício para repropor o carisma do Fundador.

Tweet do Papa Francisco no último dia de Março:

31/03/2014
A Quaresma é o tempo para mudar de rumo, para reagir perante o mal e a miséria.


O drama da "cegueira interior" de quem recusa ser iluminado por Jesus: Papa ao Angelus, comentando o episódio do cego de nascença (João 9).

Queridos irmãos e irmãs, bom dia (texto completo)

O Evangelho de hoje nos apresenta o episódio do homem cego de nascença, ao qual Jesus doa a visão. A longa história começa com um cego que começa a ver e se fecha – é curioso isto – com as supostas pessoas que veem que continuam a permanecer cegas na alma. O milagre é narrado por João em apenas dois versículos, porque o evangelista quer atrair a atenção não sobre o milagre, mas sobre o que acontece depois, sobre as discussões que suscita; também sobre as fofocas, tantas vezes uma obra boa, uma obra de caridade suscita fofocas e discussões, porque há alguns que não querem ver a verdade. O evangelista João quer atrair a atenção sobre isso que acontece também nos nossos dias quando se faz uma obra boa. O cego curado primeiro é interrogado pela multidão atônita – viram o milagre e o interrogam – depois pelos doutores da lei; e estes interrogam também seus pais. Ao final, o cego curado  chega à fé, e esta é a maior graça que lhe é feita por Jesus: não somente de ver, mas de conhecê-Lo, vê-Lo como “luz do mundo” (Jo 9, 5).

Enquanto o cego se aproximava gradualmente da luz, os doutores da lei, ao contrário, caíam sempre mais em sua cegueira interior. Fechados em suas presunções, acreditam já ter a luz; e por isso não se abrem à verdade de Jesus. Fizeram de tudo para negar a evidência. Colocaram em dúvida a identidade do homem curado; depois negaram a ação de Deus na cura, adotando como desculpa que Deus não age de sábado; chegaram até a duvidar que aquele homem tivesse nascido cego. O seu fechamento à luz torna-se agressivo e acaba na expulsão do homem curado do templo.

O caminho do cego, em vez disso, é um percurso de etapas, que parte do conhecimento do nome de Jesus. Não conhece outro além Dele; de fato diz: “Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos” (v. 11). Seguindo as insistentes perguntas dos doutores da lei, considera-O antes de tudo um profeta (v. 17) e depois um homem próximo a Deus (v. 31). Depois que se afastou do templo, excluído da sociedade, Jesus encontra-o de novo e lhe “abre os olhos” pela segunda vez, revelando-lhe a própria identidade: “Eu sou o Messias”, assim lhe diz. Neste momento, aquele que estava cego exclama: “Creio, Senhor!” (v. 38), e se prostra diante de Jesus. Este é um trecho do Evangelho que faz ver o drama da cegueira interior de tanta gente, também a nossa, porque nós, algumas vezes, temos momentos de cegueira interior.

A nossa vida às vezes é similar àquela do cego que se abriu à luz, que se abriu a Deus, que se abriu à sua graça. Às vezes, infelizmente, é um pouco como a dos doutores da lei: do alto do nosso orgulho, julgamos os outros, e até mesmo o Senhor! Hoje somos convidados a nos abrirmos à luz de Cristo para levar frutos à nossa vida, para eliminar os comportamentos que não são cristãos; todos nós somos cristãos, mas todos nós, algumas vezes, temos comportamentos não cristãos, comportamentos que são pecados. Devemos nos arrepender disso, eliminar estes comportamentos para caminhar decididamente no caminho da santidade. Esse tem a sua origem no Batismo. Também nós, de fato, fomos “iluminados” por Cristo no Batismo, a fim de que, como nos recorda São Paulo, possamos nos comportar como “filhos da luz” (Ef 5, 8), com humildade, paciência, misericórdia. Estes doutores da lei não tinham nem humildade, nem paciência, nem misericórdia!

Eu sugiro a vocês, hoje, quando voltarem para casa, peguem o Evangelho de João e leiam este trecho do capítulo 9. Fará bem a vocês, porque assim vocês verão este caminho da cegueira à luz e o outro caminho mal rumo a uma mais profunda cegueira. Perguntemo-nos: como está o nosso coração? Tenho um coração aberto ou um coração fechado? Aberto ou fechado para Deus? Aberto ou fechado para o próximo? Sempre temos em nós algum fechamento nascido do pecado, dos erros. Não devemos ter medo! Abramo-nos à luz do Senhor, Ele nos espera sempre para nos fazer ver melhor, para nos dar mais luz, para nos perdoar. Não esqueçamos isto! À Virgem Maria confiemos o caminho quaresmal, para que também nós, como o cego curado, com a graça de Cristo, possamos ‘seguir rumo à luz’, andar mais adiante rumo à luz e renascer para uma vida nova.

De entre os muitos grupos de peregrinos presentes hoje na praça de São Pedro saudados pelo Papa, não faltou hoje um grupo de “emigrados portugueses de Londres”…Mencionados também, com apreço, militares italianos que realizaram uma longa peregrinação a pé do santuário de Loreto a Roma, rezando pela resolução justa e pacífica dos contenciosos. “Felizes os construtores da paz!” – foi a bem-aventurança evocada a este propósito pelo Papa, que se despediu sugerindo aos presentes que, ao voltar a casa, tomassem o Evangelho para ler e meditar integralmente o episódio evangélico hoje proposto pela liturgia: o capítulo 9 de São João.
Radio Vaticano

Papa Francisco na celebração penitencial: "Jesus nos espera nos últimos, nos pobres"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu a celebração penitencial na tarde desta sexta-feira, 28.março.2014, na Basílica de São Pedro. A cerimônia marcou o início da iniciativa "24 horas para o Senhor", promovida pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, neste tempo quaresmal.

O Papa se confessou e depois confessou alguns fiéis. O evento "24 horas para o Senhor" está sendo realizado em várias dioceses do mundo, em vista do IV Domingo da Quaresma, Dominica Laetare, 30 de março.

Eis a homilia do Papa Francisco, na íntegra.

No período da Quaresma, a Igreja, em nome de Deus, renova o apelo à conversão. É um chamado a mudar de vida. Converter-se não é questão de um momento ou de um período do ano... é um compromisso que dura toda a vida. Quem, entre nós, pode pensar que não é pecador? Ninguém. O Apóstolo João escreve: “Se dissermos: ‘Não temos pecado’, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele, que é fiel e justo, perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda injustiça”. (1 Jo 1,8-9). É o que acontece também aqui nesta celebração e em toda esta ‘jornada’ penitencial. A Palavra de Deus que acabamos de ouvir nos apresenta dois elementos essenciais da vida cristã.

O primeiro é “Revestir-nos do Homem Novo, criado segundo Deus” (Ef 4,24), que nasce no Batismo, quando recebemos a própria vida de Deus que faz de nós seus filhos e nos incorpora a Cristo e à sua Igreja. Esta vida nova nos permite ver a realidade com olhos diferentes, sem nos deixar distrair por coisas que não contam nada e que não podem durar no tempo. Por isso, somos chamados a renunciar a comportamentos do pecado e dirigir nossos olhos ao essencial.

«O homem vale mais por aquilo que é do que por aquilo que tem» (Gaudium et spes, 35). Eis a diferença entre a vida deformada pelo pecado e a vida iluminada pela graça. Do coração do homem renovado por Deus, provêm bons comportamentos: falar sempre a verdade e evitar toda mentira; não roubar, mas compartilhar aquilo que se tem com os outros, especialmente com quem precisa; não ceder à ira, ao rancor e à vingança, mas ser dócil, generoso e pronto ao perdão; não fazer calúnias que arruínam a fama das pessoas, mas ver mais o lado positivo de cada um.

O segundo elemento é: Permanecer no amor. O amor de Jesus Cristo dura para sempre, nunca terá fim, porque é a própria vida de Deus. Este amor vence o pecado e dá a força para nos reerguermos e recomeçar, porque com o perdão, o coração se renova e rejuvenesce. O nosso Pai nunca se cansa de amar e seus olhos não se cansam de olhar para a rua de casa para ver se o filho que se perdeu está voltando à casa. E este Pai não se cansa também de amar o outro filho, que embora esteja sempre em casa com ele, não é partícipe da sua misericórdia e da sua compaixão. Deus não está somente na origem do amor, mas, em Jesus Cristo, nos chama a imitar o seu mesmo modo de amar: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. (Jo 13,34). Na medida em que os cristãos vivem este amor, se tornam discípulos críveis de Cristo no mundo. O amor não consegue ficar fechado em si mesmo. É aberto por natureza, se difunde e é fecundo, gera sempre novo amor.

Queridos irmãos e irmãs, depois desta celebração, muitos entre vocês serão missionários e proporão a outros a experiência da reconciliação com Deus. “24 horas para o Senhor” é uma iniciativa à qual aderiram muitas dioceses, em várias partes do mundo. A todos que encontrarem, vocês podem transmitir a alegria de receber o perdão do Pai e de reencontrar a amizade plena com Ele. Quem vivencia a misericórdia divina é incentivado a ser artífice de misericórdia em meio aos últimos e aos pobres. Jesus nos aguarda nestes “irmãos menores”! Vamos ao encontro deles e celebraremos a Páscoa na alegria de Deus!
Radio Vaticano

Eis a mensagem do Papa Francisco, hoje, em seu Twitter:

29/03/2014
Vivemos numa sociedade que exclui Deus do seu horizonte; e isto, dia após dia, narcotiza o coração.

Deus espera-nos sempre. Deus não se cansa de perdoar – o Papa na Missa em Santa Marta

Nesta sexta-feira, 28.março.2014, na Missa na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco, tomando como primeiro estímulo da sua homilia a leitura do Livro do Profeta Oseias, evidenciou o coração de Deus-Pai que nunca se cansa de esperar por nós.

“É o coração do nosso Pai, é assim Deus: não se cansa, não se cansa! E por tantos séculos fez isto, com tanta apostasia do povo. E Ele sempre volta, porque o nosso Deus é um Deus que espera. Desde aquela tarde no Paraíso terrestre, Adão saiu do Paraíso com uma pena e também uma promessa. E Ele é fiel, o Senhor é fiel à sua promessa, porque não pode renegar-se a si próprio. É fiel. E assim esperou por todos nós ao longo da história. É o Deus que nos espera, sempre.”

De seguida o Santo Padre recordou a parábola do filho pródigo. O Evangelho de Lucas conta-nos nessa parábola que o pai vê e reconhece o filho ao longe porque o esperava. Andava todos os dias no terraço para ver se o filho voltava. Esperava-o: “Este é o nosso Pai, o Deus que nos espera. Sempre. ‘Mas padre, eu tenho tantos pecados, não sei se Ele ficará contente’. Mas experimenta ! Se tu queres conhecer a ternura deste Pai, vai ter com Ele e experimenta, e depois contas-me’. O Deus que nos espera. Deus que nos espera e também Deus que perdoa. É o Deus da misericórdia: não se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir o perdão, mas Ele não se cansa. Setenta vezes sete: sempre para a frente com o perdão. E do ponto de vista de uma empresa, o balanço é negativo. Ele sempre perde: perde no balanço das coisas, mas ganha no balanço do amor.”

“Assim, que esta palavra nos ajude a pensar no nosso Pai que nos espera sempre, que nos perdoa sempre e que faz festa quando voltamos.”
Radio Vaticano

Mensagem de hoje no Twitter do Papa Francisco:

28/03/2014
Todos temos necessidade de melhorar, de mudar para melhor. A Quaresma ajuda-nos a lutar contra os nossos defeitos.
Perserverar no trabalho de Evangelização - Papa aos bispos do Madagascar

Encorajamento na sua ação e algumas recomendações, são os eixos do discurso denso e abrangente que o Papa Francisco dirigiu aos bispos do Madagáscar.

Ao recebê-los esta manhã de 28.março.2014 em audiência, no âmbito da visita quinquenal ad limina que estão a realizar à Sé de Pedro, o Papa enalteceu o dinamismo da Igreja naquela grande ilha africana encorajando os bispos a perseverarem no trabalho de evangelização, imbuídos da alegria do encontro com Cristo e da sua mensagem de misericórdia.

Os bispos malgaches foram também encorajados pelo Papa a ocuparem o lugar que lhes compete na reconstrução social do país, que disse, tem passado por períodos difíceis e está em graves dificuldades sócio-econômicas.

O Papa recordou-lhes ainda a importância de manterem boas relações com as Autoridades do país, recusando, todavia, qualquer implicação em querelas políticas em detrimento do bem comum. “A procura da unidade, da justiça e da paz incumbe a fim de melhor servir o povo” – frisou o Pontífice sem deixar de lado a necessidade duma comunhão profunda entre os próprios bispos.

A conexão íntima entre evangelização e promoção humana foi também sublinhada pelo Papa que, sempre no espírito da “Alegria do Evangelho” convidou os bispos a perseverarem na atenção aos pobres.

“Convido-vos a interpelar sem receio o conjunto da sociedade malgache, e de modo particular os seus responsáveis, no que toca à questão da pobreza, que é devido em grande parte à corrupção e à falta de atenção ao bem comum”.

O esforço que os bispos estão a fazer no âmbito da educação católica foi também apreciado pelo Papa que exortou a fazer com um numero maior de crianças, sobretudo as de famílias modestas, possam usufruir dessa educação, e que os sãos valores da cultura malgache continuem a ser transmitidos e iluminados pelo Evangelho, assim como os valores da paz, do diálogo e da reconciliação, tudo a favor duma sociedade melhor...

O Pontífice regozijou-se pelo ambicioso e dinâmico programa de formação à vida e ao amor que os prelados malgaches erigiram na ilha, recomendando-lhes que dêem muita atenção à preparação ao matrimónio a fim de que a família possa desempenhar na sociedade o papel que dela se espera.

No que toca aos novos desafios no campo inter-religioso, o Papa sublinhou a urgência de desenvolver ou mesmo iniciar um diálogo lúcido e construtivo a fim de mater a paz entre as comunidades e favorecer o bem comum. E convidou-os a nunca duvidarem da força do Evangelho na conversão dos corações. Daí o seu apelo aos cristãos a darem testemunho de coerência entre fé e vida. E convidou os bispos a um trabalho de aprofundamento da fé. Um convite que vai antes de mais - disse – aos sacerdotes e aos consagrados. A este respeito recordou que o sacerdócio e vida consagrada não são um meio de ascensão social, mas sim um serviço a Deus e aos homens. Por isso recomendou uma atenção especial no discernimento das vocações sacerdotais e religiosas, e recordou que a castidade e a obediência devem ser constantemente recordadas pelos bispos e consideradas com muita estima e sem ambiguidade.

O Papa convidou os bispos a manifestarem sempre proximidade em relação a cada um dos sacerdotes, cujas condições de vida são por vezes muito difíceis devido à solidão, à falta de meios, à amplitude da tarefa e que se encontram particularmente expostos.

“Amai os vossos padres” – exortou-lhes o Papa, agradecendo a todos e encorajando a viver na esperança que vem de Cristo ressuscitado.
Radio Vaticano

Abrir o coração ao Senhor – o Papa Francisco na missa com os parlamentares italianos

No tempo de Jesus havia uma classe dirigente que se tinha distanciado do povo, que o tinha abandonado e que seguia a sua ideologia deslizando até à corrupção – esta a mensagem principal do Papa Francisco na homilia da missa desta quinta-feira que o Santo Padre celebrou no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro com a presença de 493 parlamentares, entre deputados, senadores e ministros do governo italiano.

“Interesses partidários e lutas internas: nisso pensavam aqueles que comandavam, ao ponto que quando Messias apareceu diante deles, não o reconheceram e o acusaram de ser um curandeiro do bando de Satanás”.

A primeira leitura desta dia é do Livro de Jeremias, que nos mostra o profeta a dar voz ao ‘lamento de Deus’ acerca de uma geração que – segundo observou o Santo Padre – não acolheu os mensageiros de Deus. Voltaram-lhes as costas – continuou o Papa – que considerou ser esta também uma situação presente no Evangelho desta quinta-feira, retirada do texto de S. Lucas em que, sobretudo, os líderes do povo não acolheram Jesus.

“O coração desta gente. Este grupinho com o tempo tinha-se endurecido de tal forma que era impossível ouvir a voz do Senhor. E como pecadores deslizaram até à corrupção, tornaram-se corruptos. É muito difícil que um corrupto consiga voltar para trás. O pecador sim, porque o Senhor é misericordioso e espera-nos a todos. Mas o corrupto é fixado nas suas coisas, e estes eram corruptos.”

Estas pessoas enganaram-se no caminho – afirmou o Papa Francisco – recusaram uma lógica de liberdade que lhes oferecia o Senhor, para uma lógica de necessidade, onde não há lugar para Deus...

“Recusaram o amor do Senhor e esta recusa fez com que eles fossem por um caminho que não era aquele da dialética da liberdade oferecida pelo Senhor, mas era aquele da lógica da necessidade, onde não há lugar para o Senhor. Na dialética da liberdade está o Senhor bom que nos ama, ama-nos tanto! Ao contrário, na lógica da necessidade não há lugar para Deus: deve-se fazer, deve-se ... Tornaram-se comportamentais... Homens de boas maneiras, mas de maus hábitos. Jesus chama-lhes sepulcros caiados...”

“Fará bem a todos nós pensar no convite do Senhor ao amor e nos questionarmos se estamos caminhando neste sentido, ou estamos ‘correndo o risco de nos justificar e escolhermos outro caminho?’ Rezemos ao Senhor para que nos dê a graça de optar sempre pela estrada da salvação, que nos abra à salvação que vem somente de Deus e da fé, e não das propostas dos ‘doutores do dever’ que perderam a fé e regiam o povo com a teologia pastoral do dever”.
Radio Vaticano

Últimos Tweets do Santo Padre, o Papa Francisco:

25/03/2014
Não podemos ser discípulos tíbios. A Igreja precisa da nossa coragem para dar testemunho da verdade.

27/03/2014
A Quaresma é um tempo de graça, um tempo para uma pessoa se converter e viver de maneira coerente com o próprio Batismo.

O sacerdote sirva a sua comunidade com amor, senão não serve – o Papa Francisco na audiência geral

Nesta quarta-feira, 26.março.2014 foi com frio que um enorme calor humano recebeu o Papa Francisco para a audiência geral. Dezenas de milhares de peregrinos saudaram e ouviram o Santo Padre. Hoje a catequese foi sobre o Sacramento da Ordem.

Queridos irmãos e irmãs, (texto completo)

Já tivemos oportunidade de referir que os três sacramentos, do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia, constituem juntos o mistério da “iniciação cristã”, um único grande evento de graça que nos regenera em Cristo. É esta a vocação fundamental que une todos na Igreja, como discípulos do Senhor Jesus. Há depois dois sacramentos que correspondem a duas vocações específicas: trata-se da Ordem e do Matrimônio. Esses constituem dois grandes caminhos através dos quais o cristão pode fazer da própria vida um dom de amor, a exemplo e em nome de Cristo, e assim cooperar à edificação da Igreja.

A Ordem, caracterizado nas três grades do episcopado, presbiterato e diaconato, é o Sacramento que habilita ao exercício do ministério, confiado pelo Senhor Jesus aos apóstolos, de apascentar o seu rebanho, no poder do seu Espírito e segundo o seu coração. Apascentar o rebanho de Jesus não com o poder da força humana ou com o próprio poder, mas aquela do Espírito e segundo o seu coração, o coração de Jesus que é um coração de amor. O sacerdote, o bispo, o diácono deve apascentar o rebanho do Senhor com amor. Se não o faz com amor não serve. E nesse sentido, os ministros que são escolhidos e consagrados para este serviço prolongam no tempo a presença de Jesus, se o fazem com o poder do Espírito Santo em nome de Deus e com amor.

1. Um primeiro aspecto. Aqueles que são ordenados são colocados como líderes da comunidade. São “a cabeça” sim, porém para Jesus isso significa colocar a própria autoridade a serviço, como Ele mesmo mostrou e ensinou a seus discípulos com estas palavras: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça o vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por uma multidão” (Mt 20,25-28 // Mc 10,42-45). Um bispo que não está a serviço da comunidade não faz bem; um sacerdote, um padre que não está a serviço da sua comunidade não faz bem, erra.

2. Uma outra característica que sempre deriva desta união sacramental com Cristo é o amor apaixonado pela Igreja. Pensemos no trecho da Carta aos Efésios, na qual São Paulo diz que Cristo “amou a Igreja e se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a  água, mediante a palavra, para a apresentar a si mesmo uma Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga, ou qualquer outra coisa “(5:25-27). Por força da Ordem, o ministro dedica-se totalmente  à sua comunidade e a ama de todo o coração coração: é a sua família. O bispo, o padre amam a Igreja em sua própria comunidade, fortemente. Como? Assim como Cristo ama a Igreja. O mesmo dirá São Paulo do casamento: o marido ama sua esposa como Cristo ama a Igreja. É um grande mistério de amor: o ministério sacerdotal e o matrimônio, dois sacramentos, que são a maneira pela qual as pessoas costumam ir para o Senhor.

3. Um último aspecto. O apóstolo Paulo aconselha seu discípulo Timóteo a não descuidar, mais do que isso,  a reavivar sempre  o dom que há nele. O dom que lhe foi dado através da imposição das mãos (cf. 1 Tm 4, 14, 2 Tm 1,6). Quando  não se alimenta o ministério, o ministério do bispo, o ministério do sacerdote com a oração, com a escuta da Palavra de Deus, e com a celebração diária da Eucaristia e também com a presença do sacramento da Penitência, é inevitável perder de vista o o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria que deriva de uma comunhão profunda com Jesus.

4. O bispo que não reza, o bispo que não escuta da Palavra de Deus, que não celebra todos os dias,  que não se confessa regularmente, e o mesmo para o padre que não faz estas coisas, com o tempo, perdem a sua união com Jesus e vivem uma mediocridade que não é boa para a Igreja. Por  isso, devemos ajudar os bispos e padres a rezarem, a ouvirem a Palavra de Deus que é o alimento diário,  a celebrarem a Eucaristia todos os dias e irem à confissão regularmente. Isto é tão importante porque diz respeito à santificação dos sacerdotes e bispos.

5. Gostaria de terminar com uma coisa que me vem à mente: mas como se deve fazer para se tornar um sacerdote, onde são vendidos os acessos ao sacerdócio? Não. Não se vendem. Esta é uma iniciativa do Senhor. O Senhor chama. Ele chama cada um daqueles que Ele quer que se torne sacerdote. Talvez existam alguns jovens aqui que sentiram este chamado em seu coração, o desejo de se tornar padre, o desejo de servir aos outros nas coisas de Deus, o desejo de estar por toda a  vida a serviço para catequizar, batizar, perdoar, celebrar a Eucaristia, cuidar dos doentes … e toda a vida dessa forma. Se algum de vocês já sentiu isso no coração,  é Jesus quem a colocou ai. Prestem atenção a este convite e rezem para que ele possa crescer e dê fruto em toda a Igreja.

No final da catequese o Papa Francisco pediu ao Senhor que nunca faltem nas nossas comunidades pastores autênticos e exortou os jovens a discernirem no seu coração o chamamento de Deus para uma vida de serviço total aos outros como sacerdotes.

O Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Queridos amigos de língua portuguesa, que hoje tomais parte neste Encontro com o Sucessor de Pedro: Obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações! A todos saúdo, especialmente ao grupo de Brasília, encorajando-vos a apostar em ideais grandes de serviço, que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor!”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção!
Radio Vaticano

Francisco: somente com um coração humilde como o de Maria, podemos nos aproximar de Deus

Cidade do Vaticano (RV) - O Senhor caminha conosco para amaciar o nosso coração. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa, nesta manhã de terça-feira, 25.março.2014, na Casa Santa Marta. Na Solenidade de hoje da Anunciação, o Papa destacou que somente com um coração humilde como o de Maria, podemos nos aproximar de Deus. A salvação, observou em seguida, não se compra e não se vende: se doa.

Para onde leva o orgulho do coração? Papa Francisco desenvolveu a sua homilia, concentrando-se em Adão e Eva que, cedendo à sedução de Satanás, acreditaram ser como Deus. Aquele “orgulho suficiente” faz com eles sejam expulsos do Paraíso. Mas o Senhor não os deixa caminhar sozinhos, faz a eles uma promessa de redenção e caminha com eles. “O Senhor - disse ainda o Papa - acompanhou a humanidade neste longo caminho. Fez dela um povo. Estava com eles”. E aquele “caminho que teve início com uma desobediência, termina com uma obediência”, com o sim de Maria no Anúncio do anjo. “O nó que Eva fez com a sua desobediência - disse recordando Santo Irineu de Lyon - foi dissolvido por Maria com a sua obediência”. É um caminho, acrescentou, “no qual as maravilhas de Deus se multiplicam”:

“O Senhor caminha com seu povo. E por que caminhava com o seu povo, com tanta ternura? Para amaciar o nosso coração. Explicitamente Ele diz: ‘Eu vou fazer do seu coração de pedra um coração de carne’. Amaciar o nosso coração para receber a promessa que ele havia feito no Paraíso. Através de um homem entrou o pecado, e através de outro homem chega a salvação. E este caminho tão longo ajudou todos nós a termos um coração mais humano, mais próximo de Deus, não tão orgulhoso, não tão suficiente”.

E hoje, continuou, a liturgia nos fala “desta etapa no caminho de restauração”, “nos fala de obediência, de docilidade à Palavra de Deus”:

“A salvação não se compra, não se vende: se doa. É grátis. Nós não podemos nos salvar sozinhos: a salvação é um dom, totalmente gratuito. Não se compra com o sangue nem de touros nem de cabras: não se pode comprar. Para entrar em nós esta salvação somente pede um coração humilde, um coração dócil, um coração obediente. Como o de Maria. E, o modelo deste caminho de salvação é o mesmo Deus, Seu filho, que não se apegou a um direito inalienável, ser igual a Deus, Paulo o diz”.

O Papa colocou ênfase no “caminho de humildade, de humilhação”. Isso, disse ele, “significa simplesmente dizer: Eu sou homem, eu sou mulher e Tu és Deus, e ir adiante, à presença de Deus”, “na obediência, na docilidade de coração”. E por isso, exortou o Papa na Solenidade da Anunciação, “vamos fazer festa: a festa deste caminho, de uma mãe para outra mãe, de um pai para outro pai”:

“Hoje podemos abraçar o Pai que, graças ao sangue de Seu Filho, se tornou como um de nós, nos salva. Este pai está esperando por nós todos os dias ... Vamos olhar para o ícone de Eva e Adão, olhar para o ícone de Maria e Jesus, olhar para o caminho da História com Deus que caminhava com o seu povo. E vamos dizer: ‘Obrigado. Obrigado, Senhor, porque hoje Tu dizes a nós que nos doaste a salvação’. Hoje é um dia para dar graças ao Senhor”.

Francisco aos agentes de saúde: "Não esquecer da carne de Cristo nos sofredores"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu esta manhã, 24.março.2014, no Vaticano, os cerca de 80 participantes da Plenária do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde.

Este ano, o tema da Plenária foi inspirado num trecho da Carta Apostólica Salvifici doloris, do Beato João Paulo II: “fazer bem com o sofrimento e fazer bem a quem sofre” (n. 30).

Essas palavras, disse Francisco, João Paulo II as viveu e as testemunhou de maneira exemplar. “O seu foi um magistério vivente, que o Povo de Deus retribuiu com tanto afeto e tanta veneração, reconhecendo que Deus estava com ele.”

De fato, acrescentou o Pontífice, no sofrimento ninguém está só, porque Deus no seu amor misericordioso pelo homem e pelo mundo abraça inclusive as situações mais desumanas, nas quais a imagem do Criador presente em cada pessoa parece ofuscada ou desfigurada – como foi o caso de Jesus. A Paixão de Cristo, disse Francisco, é a maior escola para quem quer se dedicar a serviço dos irmãos doentes e sofredores.

O Papa citou ainda Maria como modelo para quem tem a missão de cuidar dos outros, recordando que no dia 25 de março a Igreja celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor. “Foi Ela quem acolheu “a Vida” em nome de todos e em benefícios de todos”, disse.

Para o Pontífice, a experiência da compartilha fraterna com quem sofre nos abre à verdadeira beleza da vida humana, que compreende a sua fragilidade. E exortou: “Na proteção e na promoção da vida, em qualquer fase e condição se encontre, possamos reconhecer a dignidade e o valor de cada ser humano, da concepção até a morte”.
Francisco concluiu: “Queridos amigos, no desempenho cotidiano do nosso serviço, tenhamos sempre presente a carne de Cristo nos pobres, nos sofredores, nas crianças, mesmo as indesejadas, nas pessoas com problemas físicos e psíquicos e nos idosos”.
Paixao de Jesus: escola para quem se dedica aos irmãos doentes e sofredores: Papa ao Conselho Pontifício da pastoral da saúde

No encontro tido nesta segunda-feira de manhã com os participantes na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Pastoral no campo da Saúde, o Papa Francisco recordou a figura do Beato João Paulo II, que escrevia há 30 anos, na Carta Apostólica que criava este organismo da Cúria Romana: “Fazer bem com o sofrimento e fazer bem a quem sofre”. Palavras que ele própria viveu e testemunhou de modo exemplar.

“Até no sofrimento – recordou o Santo Padre – ninguém está nunca só, porque Deus no seu misericordioso pelo homem e pelo mundo abraça mesmo as situações mais desumanas, em que a imagem do Criador presente em cada pessoa aparece ofuscada ou desfigurada”. “Como aconteceu a Jesus na sua Paixão”.

É precisamente na Paixão de Jesus que se encontra a grande escola para quem quer que deseje dedicar-se ao serviço dos irmãos doentes e sofredores” - recordou o Papa, que exortou a nunca esquecer “no exercício da atividade de cada dia, a carne de Cristo, presente nos pobres, nos que sofrem, nas crianças (mesmo não desejadas), nas pessoas com deficiências físicas ou psíquicas, e nos idosos”.
Radio Vaticano

Deus salva-nos nos nossos erros, não nas nossas seguranças –o Papa na Missa em Santa Marta

Não nos salva a nossa segurança de cumprirmos os mandamentos, mas a humildade de ter sempre necessidade de sermos curados por Deus. Esta a principal ideia da homilia do Papa Francisco na Missa em Santa Marta na manhã desta segunda-feira, 24.março.2014.

‘Nenhum profeta é bem aceito na sua pátria’: a homilia do Papa parte destas palavras de Jesus dirigidas aos seus conterrâneos, os habitantes de Nazaré, junto dos quais não pode fazer milagres porque não tinham fé. Jesus recorda dois episódios bíblicos: o milagre da cura de Náaman, o sírio, no tempo do profeta Eliseu e o encontro do profeta Elias com a viúva de Sarepta de Sídon, que foi salva da carestia. Estes marginalizados, acolhendo os profetas foram salvos, ao contrário os nazarenos não aceitam Jesus, porque eram muito seguros da sua fé, tão seguros da sua observância dos mandamentos que não precisavam de ser salvos:“É o drama da observância dos mandamentos sem fé: ‘Eu salvo-me sozinho, porque vou à sinagoga todos os sábados, tento obedecer aos mandamentos, mas que não venha este dizer-me que eram melhores do que eu o leproso e a viúva!’ Aqueles eram marginalizados! E Jesus diz: ‘ mas olha que se tu não te marginalizas, não te sentes nas margens, não terás salvação’. Esta é a humildade, o caminho da humildade: sentir-se tão marginalizado que temos necessidade da salvação do Senhor. Apenas Ele salva, não a nossa observância dos preceitos.”

Segundo o Santo Padre esta é a mensagem desta 3ª Semana da Quaresma: se nós queremos ser salvos devemos escolher o caminho da humildade:“Maria no seu Canto não diz que está contente porque Deus olhou para a sua virgindade, a sua bondade e a sua doçura, tantas virtudes que tinha ela, não: mas porque o Senhor olhou a humildade da sua serva, a sua pequenez, a humildade. É aquilo que olha o Senhor.”

“A humildade cristã não é a virtude de dizer: ‘Mas eu não sirvo para nada! E esconder a soberba aí, não! A humildade cristã é dizer a verdade: ‘Sou pecador, sou pecadora’. Dizer a verdade: é esta a nossa verdade. Mas há a outra: Deus salva-nos. Mas salva-nos lá, quando nós somos marginalizados; não nos salva nas nossas seguranças. Peçamos esta graça de ter esta sabedoria de marginalizarmo-nos, a graça da humildade para receber a salvação do Senhor.”
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco, hoje:

24/03/2014
Jesus nunca está longe de nós, pecadores. Ele quer derramar sobre nós, sem medida, toda a sua misericórdia.

Papa no Angelus: cada encontro com Jesus muda a nossa vida; cada encontro com jesus enche-nos de alegria. A misericórdia é maior que os preconceitos

Cidade do Vaticano (RV) – Ao meio dia deste domingo, 23.março.2014, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar, com os cerca de 40 mil de fiéis reunidos na Praça São Pedro, a tradicional oração mariana do Angelus. A “água viva da misericórdia que jorra até a vida eterna”, representada pelo encontro de Jesus com a Samaritana junto ao poço em Sicar, esteve no centro da reflexão do Pontífice neste terceiro domingo da Quaresma.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! (Texto integral)

O Evangelho de hoje nos apresenta o encontro de Jesus com a mulher samaritana, acontecido em Sicar, junto a um antigo poço para onde a mulher ia todos os dias para pegar água. Naquele dia, encontrou Jesus, sentado, “fatigado da viagem” (Jo 4, 6). Ele logo lhe disse: “Dá-me de beber” (v.7). Deste modo, supera as barreiras de hostilidade que existiam entre judeus e samaritanos e rompe o esquema de preconceito contra as mulheres.

O simples pedido de Jesus é o início de um diálogo franco, mediante o qual Ele, com grande delicadeza, entra no mundo interior de uma pessoa à quem, segundo os esquemas sociais, não deveria nem dirigir a palavra. Mas Jesus o faz! Jesus não tem medo. Jesus, quando vê uma pessoa segue adiante, porque ama. Ama todos nós. Não para diante de uma pessoa por preconceitos. Jesus coloca-a diante da sua situação, não a julgando, mas fazendo-a sentir-se considerada, reconhecida e suscitando, assim, nela o desejo de ir além da rotina cotidiana.

Aquela sede de Jesus não era tanto de água, mas de encontrar uma alma seca. Jesus precisava encontrar a samaritana para abrir-lhe o coração: pede a ela de beber para colocar em evidência a sede que havia nela mesma. A mulher fica tocada por este encontro: dirige a Jesus aquelas perguntas profundas que todos temos dentro de nós, mas que muitas vezes ignoramos. Também nós temos tantas perguntas a fazer, mas não encontramos a coragem de dirigi-las a Jesus!

A Quaresma, queridos irmãos e irmãs, é o tempo oportuno para olharmos dentro de nós, para fazer emergir as nossas necessidades espirituais mais verdadeiras e pedir a ajuda do Senhor na oração. O exemplo da samaritana convida-nos a nos exprimirmos assim: “Jesus, dá-me aquela água que me saciará para sempre”.

O Evangelho diz que os discípulos ficaram maravilhados com o fato de o seu Mestre estar falando com aquela mulher. Mas o Senhor é maior que os preconceitos, por isto não teve medo de parar com a samaritana: a misericórdia é maior que o preconceito. Devemos aprender bem isso! A misericórdia é maior que o preconceito, e Jesus é tão misericordioso, tanto!

O resultado daquele encontro no poço foi que a mulher foi transformada: “deixou o seu cântaro” (v.28), com o qual tinha ido pegar água, e correu à cidade para contar a sua experiência extraordinária. “Encontrei um homem que me disse todas as coisas que eu fiz. Seria o Messias?”. Estava entusiasmada. Tinha ido pegar água do poço e encontrou outra água, a água viva da misericórdia que jorra para a vida eterna. Encontrou a água que procurava desde sempre! Corre ao vilarejo, aquele vilarejo que a julgava, condenava-a e a rejeitava e anuncia que encontrou o Messias: um que mudou sua vida. Porque cada encontro com Jesus muda a nossa vida, sempre. É um passo adiante, um passo mais próximo a Deus. E assim cada encontro com Jesus muda a nossa vida. Sempre, é sempre assim.

Neste Evangelho, encontramos também nós o estímulo para “deixar o nosso cântaro”, símbolo de tudo aquilo que aparentemente é importante, mas que perde valor diante do “amor de Deus”. Todos temos um, ou mais de um! Eu pergunto a vocês, também a mim: “Qual é o seu cântaro interior, aquele que te pesa, aquele que te afasta de Deus?”. Deixemo-no um pouco à parte e com o coração escutemos a voz de Jesus que nos oferece uma outra água, uma outra água que nos aproxima do Senhor.

Somos chamados a redescobrir a importância e o sentido da nossa vida cristã, iniciada no Batismo e, como a samaritana, testemunhar aos nossos irmãos. O que? A alegria! Testemunhar a alegria do encontro com Jesus, porque eu disse que cada encontro com Jesus muda a nossa vida, e também cada encontro com Jesus nos enche de alegria, aquela alegria que vem de dentro. E assim é o Senhor. E contar quantas coisas maravilhosas o Senhor sabe fazer no nosso coração quando nós temos a coragem de deixar de lado o nosso cântaro.

Após o Angelus deste domingo, 23, Papa Francisco continuou: "Queridos irmãos e irmãs, agora, recordemos as duas frases – 'Cada encontro com Jesus, muda nossa vida' – e – 'Cada encontro com Jesus nos enche de alegria' – então, convidou a multidão a repetir com ele as duas frases. Depois recordou que nesta segunda-feira, 24, celebra-se o Dia Mundial da Tuberculose. Ele dirigiu, então, suas orações a todos os doentes.

“Rezemos por todas as pessoas atingidas por esta doença e por todos os que, de diversos modos, as apóiam”, pediu o Santo Padre.

Francisco também recordou que na sexta-feira, 28, e no sábado, 29, será realizado no Vaticano um momento especial de penitência, chamado “24 horas para o Senhor”.

Trata-se de um momento que começará com a celebração, presidida por ele, na Basílica de São Pedro na sexta-feira à tarde. À noite, algumas Igrejas do centro de Roma estarão abertas para a oração e as Confissões.

“Será – podemos chamá-la assim – a festa do perdão, que acontecerá também em muitas dioceses e paróquias do mundo. O perdão que nos dá o Senhor deve ser festejado, como fez o pai da parábola do filho pródigo, que quando o filho voltou pra casa, fez festa, esquecendo-se de todos os seus pecados. Será a festa do perdão”

O PAPA FRANCISCO ACORDA ÀS QUATRO E MEIA E AINDA USA SUA MÁQUINA DE ESCREVER

ROMA, 19.Março.2014 (ACI).- Quando muito cedo de manhã se escuta na Casa Santa Marta o barulho das teclas de uma máquina de escrever, é sinal de que o Papa Francisco já iniciou o seu trabalho. O Santo Padre “acorda às quatro e meia da manhã, prepara-se, reza até as sete na Santa Marta e logo celebra a missa. Depois, o café da manhã, e recebe em audiência no Palácio Apostólico até meio-dia”. Assim assinala ao jornal L’Osservatore Romano (LOR), seu ex-porta-voz em Buenos Aires, Guillermo Marcó.

O Pontífice não usa nenhum tipo de aparelhos eletrônicos para realizar seu trabalho, faz os seus escritos através de uma máquina de escrever antiga. O Papa não deixou seu estilo austero que continua surpreendendo o mundo, sobretudo, os jornalistas.

Marcó disse ao LOR que o Santo Padre trabalha muito “passa a tarde na Santa Marta, até as nove, quando vai dormir. Santa Marta é uma residência construída originalmente para que os cardeais possam estar cômodos durante o conclave. Francisco mora lá com os seus secretários. No seu quarto há uma escrivaninha e um banheiro”.

Indicou que “no Vaticano estão surpreendidos por sua capacidade de trabalho. Lembro-me de uma frase que me disse há um ano quando foi embora daqui: ‘Nunca perdi a paz’”.

Marcó destacou a maneira de trabalhar do Santo Padre, já que ele por oito anos trabalhou junto com Jorge Mario Bergoglio quando era Arcebispo de Buenos Aires. Disse também que “o Papa tem essa autoridade e sabe impô-la. Por exemplo, quando designou os novos cardeais, disse-lhes que recordem que não são príncipes, mas servidores. Ser cardeal não é um privilégio, mas um compromisso maior, com maior responsabilidade e trabalho”.

Recordou também que “eu estava com ele quando foi criado cardeal (em 2001). Havia grandes delegações que chegavam com um grande séquito. E depois as festas, que eram majestosas. Mas este Papa está marcando o fim da corte pontifícia”.

Sobre o pensamento do Papa Francisco disse que “insiste muito sobre a misericórdia. Não quer mudar a doutrina, é um homem conservador, mas mudará a forma de aproximar-se a um problema. A condenação em si mesma não serve, é preciso aproximar-se às pessoas sem ser muito rígidos nem permissivos”.

Ao referir-se ao encontro que teve com o Papa Francisco no dia 27 de fevereiro deste ano, respeito à viagem a Terra Santa no próximo mês de maio, Marcó indicou que “fomos uma delegação de 45 pessoas composta por 15 judeus, 15 muçulmanos e 15 católicos que tínhamos visitado os mesmos lugares onde estará ele: Belém, Jerusalém e Jordânia”.

Marcó estimou que o Pontífice tenha o mesmo objetivo quanto ao diálogo, porque realiza “ações conjuntas que não são para discutir teologia. O Papa Francisco sabe bem que as relações não costumam dar certo se se discute de política ou de teologia”.

Discurso do Papa à rede radiofônica e televisiva "Corallo!"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu, no final da manhã deste sábado - 22.março.2014, na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 400 membros da Associação “Corallo”, uma rede de comunicação na Itália, que expressa o compromisso da Igreja de estar próxima a todas as pessoas, onde quer que estejam, vivam, trabalhem, amem e sofram.

Em seu discurso, entregue aos numerosos presentes, ao término da audiência, o Papa partiu da expressão “rede” de comunicação. Esta imagem nos leva a pensar nos primeiros discípulos de Jesus, que trabalhavam como pescadores, que utilizavam redes para pescar. Jesus os convidou para segui-lo, tornando-os “pescadores de homens”. E o Pontífice exortou:

“Vocês também podem ser ‘pescadores de homens’ com esta sua rede de rádios e televisões locais, que envolve toda a Itália: uma rede simples, popular, e é bom que permaneça como tal. Atingindo todas as cidades e todos os cantos do país, que suas emissoras possam ser instrumentos, para que a voz do Senhor possa ser ouvida por todos”.

As suas rádios e televisões podem transmitir, através das ondas magnéticas, a voz do Senhor, que fala aos homens e às mulheres que buscam uma palavra de esperança e de confiança para as suas vidas.

Neste sentido, afirmou o Bispo de Roma, vocês podem ser a voz de uma Igreja que “não tem medo de entrar nos desertos do homem, de ir ao seu encontro, buscá-lo nas suas inquietudes, nas suas perturbações, dialogando com todos, também com aqueles que, por tantos motivos, se afastaram da comunidade cristã e se sentem distante de Deus.


E o Papa se perguntou: “Em que modo, com esta sua “rede”, vocês poderiam colaborar com Jesus Cristo na sua missão, ao anunciar, hoje, o Evangelho do Reino de Deus? E respondeu:

“Antes de tudo, diria, dando ‘atenção às temáticas importantes da vida das pessoas, das famílias, da sociedade’, tratando esses assuntos, não de modo sensacionalista, mas responsável, com sincera paixão pelo bem comum e pela verdade... Muitas vezes, tais temáticas são abordadas de modo espetacular, sem o devido respeito pelas pessoas e seus valores, pois os feitos humanos jamais devem ser instrumentalizados”.

A seguir, o Pontífice apresentou o segundo aspecto de como colaborar com o anúncio evangélico nas transmissões radiofônicas e televisivas: a “qualidade humana e ética”, ou seja, ajudar a formar aquele “ecossistema mediático”, que saiba equilibrar o silêncio, as imagens e os sons. E acrescentou:

“Hoje, há muita poluição e o clima mediático também tem suas formas de poluição, os seus ‘venenos”. As pessoas sabem, percebem, mas, depois, infelizmente, se acostumam a respirar transmissões poluídas, que não fazem bem. É preciso fazer circular ar puro entre as pessoas, para que possam respirar, livremente, o verdadeiro oxigênio para as suas mentes e as suas almas”.

Tudo isso, porém, frisou o Papa Francisco, exige um adequado profissionalismo, uma comunicação em termos de proximidade, que exorta os membros da rede “Corallo” a se tornar rosto de uma Igreja, que seja “bom samaritano”, mediante seus rádios e televisões.

A parábola do “Bom Samaritano”, concluiu o Santo Padre, poderia ser a “parábola do comunicador”. Por isso, faz votos de que a rede “Corallo” possa se tornar sempre mais uma experiência de proximidade com as pessoas, capaz de dar voz ao Senhor, que aquece o coração e difunde esperança e alegria!
Santo Padre instituiu a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre instituiu neste sábado (22) a Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, anunciada em 5 de dezembro de 2013. A tarefa principal do grupo constituído será a de preparar os Estatutos da Comissão, que definirão as competências e as funções do organismo.

Por ocasião da publicação do comunicado sobre a Comissão para a Tutela dos Menores, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, explicou que “continuando o empenho de seus Predecessores e tendo ouvido o parecer de diversos Cardeais, de outros membros do episcopado e de especialistas na matéria, o Papa Francisco decidiu constituir uma Comissão para a tutela dos menores”.

“O Santo Padre deixa claro que a Igreja deve ter a proteção dos menores entre as suas mais altas prioridades – disse Lombardi - e para promover a iniciativa neste campo hoje, o Papa indicou os nomes de diversas personalidades altamente qualificadas e conhecidas pelo seu empenho sobre este tema”.

“Este grupo inicial – continuou o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé - é agora chamado a trabalhar expedita e colaborar em diferentes tarefas, entre as quais: elaborar a estrutura final da Comissão, definindo qual o seu objetivo e responsabilidades e propor os nomes de ulteriores candidatos, em particular de outros continentes e países, que possam ser chamados a trabalhar nesta comissão”.

Pe. Federico Lombardi reiterou que “na certeza de que a Igreja deve desenvolver um papel crucial neste campo, e olhando o futuro sem esquecer o passado, a Comissão adotará uma abordagem múltipla para promover a proteção dos menores, o que compreenderá a educação para prevenir o abuso de menores, os procedimentos penais contra as agressões aos menores, os deveres e responsabilidades civis e canônicas e o desenvolvimento das “melhores práticas” que foram individuadas e desenvolvidas na sociedade no seu conjunto”.

“Neste modo e com a ajuda de Deus – concluiu o jesuíta – esta Comissão contribuirá à missão do Santo Padre em responder à sagrada responsabilidade de assegurar a segurança da juventude”.

Tweet do Papa Francisco neste sábado:

22/03/2014
Jesus é a nossa esperança. Não há nada – nem o mal, nem mesmo a morte – que nos possa separar da força salvífica do seu Amor.

Ainda há tempo para conversão, diz Papa aos mafiosos 

Papa participa de vigíla de oração pelas vítimas da máfia
“Quero expressar a minha solidariedade aos que são vitimas da violência mafiosa”, declarou o Papa

O Papa Francisco participou nesta sexta-feira, 21, da Vigília de Oração pelas vítimas da máfia. O encontro foi promovido pela Fundação “Libera” na Igreja de São Gregório VII, ao lado do Vaticano. O evento faz parte das iniciativas da 19ª Jornada pelas vítimas inocentes das máfias.

O idealizador da Vigília, padre Luigi Ciotti, fez a saudação inicial aos participantes e deu as boas-vindas ao Papa Francisco. “Temos não somente um pai entre nós, mas o sentimos como um irmão que nos entende”, declarou sobre a visita do Pontífice.

O sacerdote destacou que a Máfia tenta “assassinar a esperança” e por esse motivo é necessário ter atenção aos que sofrem, vítimas dos criminosos. Pediu que as autoridades políticas tomem medidas concretas para evitar que novas mortes aconteçam.

Durante o encontro foram lidos 900 nomes das vítimas do tráfico italiano, entre os quais, 80 crianças assassinas por criminosos.

O Papa, em sua breve colocação, afirmou que estava na vigília para dividir com todos a esperança que é capaz de vencer o mal e a corrupção. “Eu sei que vocês têm muita esperança e eu quero partilhá-la com vocês e garantir-lhes a minha proximidade”, declarou.

“Quero expressar a  minha solidariedade aos que são vítimas da violência mafiosa: Obrigado pelo testemunho, porque vocês não se fecharam, mas se abriram para contar a vossa história de dor e de esperança”, afirmou o Papa.

Francisco recordou, com pesar, a morte cruel de um menino de oito anos, vítima da máfia na província de Taranto. “Quero rezar com vocês para que não percam a força de ir adiante e não desanimem na luta contra a corrupção”, enfatizou.

“Sinto que não posso terminar sem dizer uma palavra aos protagonistas desse mal, aos homens e mulheres mafiosos: Por favor, mudem de vida, convertam-se, parem de fazer o mal!”, pediu Francisco.

O Papa afirmou ainda, que iria rezar pela conversão dos mafiosos e destacou a ilusão do prazer, alegria e felicidade trazidos pelo crime.

“O poder e o dinheiro  que vocês têm agora, de tantos negócios sujos e crimes mafiosos, um dinheiro ensaguentado, um poder ensaguentado, vocês não poderão levar para a vida eterna. Ainda há tempo para vocês se converterem e não terminarem no inferno”, exortou.

No final da Vigília, o Papa pediu a todos que rezassem juntos por todas as vítimas do crime e violência. Após a bênção, cumprimentou alguns familiares de pessoas que perderam a vida por causa da máfia.
Radio Vaticano

Para não sermos patrões da Palavra de Deus, é preciso humildade e oração – o Papa em Santa Marta

Para não sermos patrões da palavra de Deus é preciso humildade e oração – esta mensagem resume o essencial da homilia do Papa na Missa desta sexta-feira em Santa Marta. Estas duas atitudes, oração e humildade permitem ao cristão ser capaz de estar desperto para a Palavra e para a vontade de Deus. O Evangelho de S. Mateus conta-nos neste dia a parábola dos vinhateiros que matam primeiro os servos e depois o filho do patrão da vinha com intenções de se apoderarem da herança. A escutar esta parábola estavam com Jesus fariseus, anciãos e sacerdotes. A estes – explica o Santo Padre – Jesus fala-lhes para os fazer compreender no que tinham caído por não terem o coração aberto à Palavra de Deus.

“Este é o drama desta gente, e também o nosso drama! Apoderaram-se da Palavra de Deus. E a Palavra de Deus torna-se palavra deles, uma palavra segundo os seus próprios interesses, as suas ideologias, as suas teologias... mas ao seu serviço. E cada um interpreta-a segundo a própria vontade, segundo os seus próprios interesses. Este é o drama deste povo. E para conservarem isto matam. Isto sucedeu a Jesus.”

Os chefes dos sacerdotes e dos fariseus – continuou o Papa Francisco – tinham percebido que Jesus falava deles e procuravam capturá-lo e matá-lo. Estavam presos nos desejos de cada um deles. Isto pode acontecer a cada um de nós – explicou o Santo Padre – quando não estamos abertos à novidade da Palavra de Deus. Fazemos como os fariseus e os sacerdotes. Para não cairmos nesta tentação devemos cultivar duas atitudes fundamentais: a humildade e a oração:“Esta é a atitude daquele que quer escutar a Palavra de Deus: em primeiro humildade; em segundo oração. Esta gente não rezava. Não tinha necessidade de rezar. Sentiam-se seguros, sentiam-se fortes, sentiam-se ‘deuses’. Humildade e oração: com a humildade e a oração vamos em frente para escutar a Palavra de Deus e obedecer-lhe. Na Igreja. Humildade e oração na Igreja.
Radio Vaticano


O desemprego é fruto da glorificação do dinheiro, afirma o Papa

Cidade do Vaticano (RV) - O problema do desemprego foi o tema do discurso que o Papa Francisco dirigiu na manhã de quinta-feira - 20.março.2014, a cerca de sete mil funcionários de siderúrgicas da região italiana da Úmbria – que atravessam uma grave crise que levou a demissões em massa.

Provenientes em especial da Diocese de Terni, o Pontífice recordou que as dificuldades atuais são causadas por um sistema econômico incapaz de criar emprego porque coloca no centro um ídolo, o dinheiro.

Perante a atual evolução da economia, o Papa fez questão de “reafirmar que o trabalho é uma realidade essencial para a sociedade, para as famílias e para os indivíduos”.

O trabalho não tem apenas uma finalidade econômica e de lucro, mas sobretudo uma finalidade que diz respeito ao homem e à sua dignidade. Se faltar o trabalho, fere-se esta dignidade.

Interrogando-se sobre o que se deve dizer perante o “gravíssimo problema do desemprego que afeta diversos países europeus”, Francisco observou:

(O desemprego) é a consequência de um sistema econômico que se tornou incapaz de criar trabalho porque colocou no centro um ídolo, o dinheiro!”

É preciso adotar uma posição diferente, baseada na justiça e na solidariedade.

O trabalho é um bem de todos, que deve estar disponível para todos. A fase de grave dificuldade e desemprego tem que ser enfrentada com os instrumentos da criatividade e da solidariedade... – a solidariedade entre todas as componentes da sociedade, que renunciam a alguma coisa e adotam um estilo de vida mais sóbrio, para ajudar a todos os que se encontram em situação de dificuldade.

Na parte final do seu discurso a esta numerosa peregrinação de Terni, o Santo Padre dirigiu-se especialmente aos fiéis da Diocese, sublinhando “o empenho primário” de reavivar as raízes da fé e da adesão a Jesus Cristo. Uma fé que seja “viva e vivificante”.

É aqui que está o princípio inspirador das opções de um cristão: a sua fé. A fé move montanhas! … Uma fé acolhida com alegria, vivida a fundo e com generosidade pode conferir à sociedade uma força humanizante.

E o Papa concluiu exortando a continuar sempre a “esperar num futuro melhor”, sem cair no “vórtice do pessimismo”. Se cada um fizer a parte que lhe toca, consolidando uma atitude de solidariedade e partilha fraterna, há-de se conseguir “sair do pântano de uma fase econômica e laboral árdua e difícil”.

Papa Francisco celebrará Missa pela canonização de Anchieta

Cidade do Vaticano (RV) - Papa Francisco celebrará, em 24 de abril, uma Santa Missa na igreja de Santo Inácio de Loyola, em Roma, em ação de graças pela canonização do Beato José de Anchieta, religioso fortemente ligado à evangelização no Brasil e que será proclamado Santo no dia 2 de abril, por meio de um decreto papal.

Nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), o jovem jesuíta desembarcou em solo brasileiro em julho de 1553, onde fundou junto com o Padre Manoel da Nóbrega um colégio em Piratininga, que deu origem à cidade de São Paulo. Assim como Anchieta, Papa Francisco é membro da Companhia de Jesus, ordem fundada por Inácio de Loyola.

A beatificação de Anchieta foi feita por João Paulo II em 1980. O Papa Francisco também vai assinar decretos de canonização de dois beatos franceses que promoveram a evangelização no Canadá: François de Montmorency-Laval e Maria da Encarnação Guyart.

Tweets do Papa Francisco:

21/03/2014
A doença e a morte não são tabus. São realidades que devemos enfrentar na presença de Jesus.

20/03/2014
Aprendamos a dizer «obrigado» a Deus e aos outros. Ensinamo-lo às crianças, mas depois esquecemo-lo!



Papa: "Quem confia em si mesmo, e não em Deus, está fadado à infelicidade"

Cidade do Vaticano (RV) – O homem que confia em si mesmo, nas próprias riquezas ou nas ideologias, está fadado à infelicidade: palavras do Papa na manhã desta quinta-feira, 20.março.2014, durante a Missa na Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa comentou a primeira leitura do dia, extraída do Livro de Jeremias, que declara “bendito o homem que se fia no Senhor”: “é como uma árvore plantada junto da água”, que não para de produzir frutos no ano da seca.

A nossa confiança está somente no Senhor, disse Francisco. Não precisamos de outras coisas, de outras ideologias. Do contrário, o homem se fecha em si mesmo, “sem horizontes, sem portas abertas e sem salvação”. É o que acontece ao rico do Evangelho, eu não percebeu que ao lado de sua casa havia um pobre. O pobre sabemos que se chamava Lázaro, mas o rico “não tem nome”.

E esta é a maldição mais forte de quem confia em si mesmo ou em suas forças, nas possibilidades dos homens e não em Deus: perder o nome. Qual seu nome? Conta número tal, no banco tal. Qual seu nome? Muitas propriedades, muitas casas... Qual seu nome? As coisas que temos, os ídolos. É amaldiçoado o homem que confia nisso.

“Todos nós temos esta fraqueza – afirmou o Papa –, esta fragilidade de depositar as nossas esperanças em nós mesmos ou nos amigos, ou somente nas possibilidades humanas e nos esquecemos do Senhor. E isso nos leva ao caminho da infelicidade”.

Hoje, neste dia de Quaresma, nos fará bem questionar: onde está a minha confiança? No Senhor, ou sou um pagão que confio nas coisas, nos ídolos que fiz? Ainda tenho um nome ou comecei a perder o nome e me chamo ‘Eu? Eu, mim, comigo, para mim, somente eu? Para mim, para mim… sempre aquele egoísmo: ‘Eu’. Isso não nos dá a salvação.

Todavia, observou Francisco, “no final há uma porta de esperança” para os que confiam em si mesmos e “perderam o nome”.

No final, no final sempre existe uma possibilidade. E este homem, quando percebeu que tinha perdido o nome, tinha perdido tudo, tudo, levanta os olhos e diz um só palavra: ‘Pai’. E a resposta de Deus é uma só palavra: ‘Filho!’. Se alguns de nós na vida, de tanto confiar no homem e em nós mesmos, acabamos por perder o nome, por perder esta dignidade, ainda existe a possibilidade de dizer esta palavra que é mais do que mágica, é mais forte: ‘Pai’. Ele sempre nos espera para abrir uma porta que nós não vemos, e nos dirá: ‘Filho’. Peçamos ao Senhor a graça que a todos nós dê a sabedoria de confiar somente Nele, não nas coisas, nas forças humanas, somente Nele”.

Quinta-feira, hoje temos mais uma mensagem do Papa Francisco em seu Twitter:

19/03/2014
Uma saudação para a Rede Mundial de Escolas para o Encontro. Plantamos hoje a primeira oliveira virtual pela paz. @infoscholas

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19.março - SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ, PATRONO DA IGREJA


O PATRONO DOS JOSÉS


Dom Fernando Arêas Rifan*

Tão comum entre nós o nome de José! É um nome hebraico, cujo significado é “aumento, acréscimo, Deus dê aumento” (Gn 30,24). E que belo nome! Nome honrado, sobretudo por dois grandes personagens bíblicos: no Antigo Testamento, José, o grande provedor do Egito, vendido por seus irmãos e depois vice-rei, figura de Jesus Cristo, e no Novo, São José, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus. Hoje celebramos sua festa.
          
São José era de família nobre, a família real de Davi. Se a sua família ainda estivesse reinando, ele seria um príncipe. Mas a sua nobreza veio principalmente por ter sido escolhido para esposo e guarda da honra e virgindade daquela que viria a ser a mãe do Filho de Deus feito homem, Jesus.
        
Quando ele tinha apenas desposado Maria, primeira parte do casamento hebraico, mas antes de recebê-la em casa, ocorreu a Anunciação e a Encarnação do Filho de Deus. Maria objetou ao Anjo mensageiro a impossibilidade de ter um filho, pois “não conhecia varão” (Lc 1,34), isso apesar de ser noiva de José, o que claramente indica o seu voto de virgindade, de pleno conhecimento do seu futuro esposo. O Anjo, da parte de Deus, lhe garantiu que a concepção daquele filho não seria por obra humana, mas sim “por virtude do Espírito Santo” (Mt 1,18). O próprio José, em sonho, foi advertido pelo anjo do que ocorrera. E ele teria como missão ser o guarda daquela Virgem Mãe e pai nutrício daquele Filho, que era realmente o Filho de Deus. E Jesus lhe dava o nome de pai, sendo conhecido como “o filho do carpinteiro” (Mt 13,55), tido por todos “como sendo filho de José” (Lc 3,23).
           
São José protegeu a Sagrada Família, sobretudo na fuga para o Egito, quando da perseguição de Herodes ao Menino Jesus. Como chefe e protetor da Sagrada Família, ele se tornou o patrono de todas as famílias. E seu modelo de amor, humildade, paciência e obediência a Deus. : “Do exemplo de São José chega a todos um forte convite a desenvolver com fidelidade, simplicidade e modéstia a tarefa que a Providência nos designou” (Bento XVI).
           
São José é também o padroeiro dos trabalhadores porque, como carpinteiro, sustentava a Sagrada Família com o seu suor e o trabalho de suas mãos. A festa de São José, como padroeiro dos trabalhadores, se comemora no dia 1º de maio, dia do trabalho.
           
Antigamente havia uma festa especial para honrar o Patrocínio de São José, ou seja, sua proteção, seu amparo. Daí o nome muito comum a pessoas e cidades, Patrocínio e José do Patrocínio, em honra do patrocínio de São José.
        
Tendo tido a mais bela das mortes, pois morreu assistido por Jesus, que ainda não tinha começado a sua vida pública, e por Maria Santíssima, São José é invocado como padroeiro dos moribundos e patrono da boa morte.
           
O Papa Pio IX proclamou São José patrono da Igreja, que é a família de Deus. Por tantos gloriosos motivos, São José faz jus à honra e à devoção especial que lhe tributamos.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

São José educador: tema da audiência geral do Papa Francisco, no aniversário do início oficial do seu ministério. Recordado o Dia do Pai

Precisamente há um ano, nesta solenidade de São José, o Papa Francisco dava oficialmente início ao seu ministério de sucessor de Pedro. E foi a São José Educador que o Papa dedicou a sua catequese na audiência geral desta quarta-feira, com uma praça de São Pedro repleta com dezenas de milhares de peregrinos. A seguir o texto da Catequese na íntegra:

São José Educador

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, 19 de março, celebramos a festa solene de São José, Esposo de Maria e Patrono da Igreja universal. Dediquemos, então, esta catequese a ele, que merece todo o nosso reconhecimento e a nossa devoção por como soube proteger a Virgem Santa e o Filho Jesus. O ser guardião é a característica de José: é a sua grande missão, ser guardião.

Hoje gostaria de retomar o tema da proteção segundo uma perspectiva particular: a perspectiva educativa. Olhemos para José como o modelo de educador, que protege e acompanha Jesus em seu caminho de crescimento “em sabedoria, idade e graça”, como diz o Evangelho. Ele não era pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele cumpria o papel de pai de Jesus, fazia-se pai de Jesus para fazê-lo crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça.

Partamos da idade, que é a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. José, junto com Maria, tomou conta de Jesus antes de tudo deste ponto de vista, isso é, “criou-o”, preocupando-se que não lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio. Não esqueçamos que o cuidado fiel da vida do Menino incluiu também a fuga ao Egito, a dura experiência de viver como refugiados – José foi um refugiado, com Maria e Jesus – para escapar da ameaça de Herodes. Depois, uma vez de volta à pátria e estabelecidos em Nazaré, há todo o longo período da vida de Jesus em sua família. Naqueles anos, José ensinou a Jesus também o seu trabalho e Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José. Assim, José criou Jesus.

Passemos à segunda dimensão da educação, aquela da “sabedoria”. José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se nutre da Palavra de Deus. Podemos pensar em como José educou o pequeno Jesus a escutar as Sagradas Escrituras, sobretudo acompanhando-O de sábado à sinagoga de Nazaré. E José o acompanhava para que Jesus escutasse a Palavra de Deus na sinagoga.

E, enfim, a dimensão da “graça”. São Lucas sempre diz referindo-se a Jesus: “A graça de Deus era sobre Ele” (2, 40). Aqui, certamente, a parte reservada a São José é mais limitada em relação aos âmbitos da idade e da sabedoria. Mas seria um grave erro pensar que um pai e uma mãe não podem fazer nada para educar os filhos a crescer na graça de Deus. Crescer em idade, crescer em sabedoria, crescer na graça: este é o trabalho que José fez com Jesus, fazê-Lo crescer nestas três dimensões, ajudá-lo a crescer.

Queridos irmãos e irmãs, a missão de São José é certamente única e irrepetível, porque absolutamente único é Jesus. E, todavia, em seu proteger Jesus, educando-o para crescer em idade, sabedoria e graça, ele é modelo para todo educador, em particular para todo pai. São José é o modelo de educador e de pai, de pai. Confio, então, à sua proteção todos os pais, os sacerdotes – que são pais – e aqueles que têm um dever educativo na Igreja e na sociedade. De modo especial, gostaria de saudar hoje, dia do pai, todos os pais, todos os pais: saúdo-vos de coração! Vejamos: há alguns pais na Praça? Levantem a mão, os pais! Mas quantos pais! Parabéns, parabéns pelo vosso dia! Peço para vocês a graça de ser sempre muito próximos aos seus filhos, deixando-os crescer, mas próximos, próximos! Eles precisam de vocês, da vossa presença, da vossa proximidade, do vosso amor. Sejam para eles como São José: guardiões do seu crescimento em idade, sabedoria e graça. Guardiões do seu caminho; educadores, e caminhem com eles. E com esta proximidade, vocês serão verdadeiros educadores. Obrigado por tudo aquilo que fazem pelos vossos filhos: obrigado. A vocês parabéns, e boa festa do pai a todos os pais que estão aqui, a todos os pais. Que São José vos abençoe e vos acompanhe. E alguns de nós perdemos o pai, se foi, o Senhor o chamou; tantos que estão na Praça não têm pai. Podemos rezar por todos os pais do mundo, pelos pais vivos e também pelos falecidos e pelos nossos, e podemos fazê-lo juntos, cada um recordando o seu pai, se está vivo ou morto. E rezemos ao grande Pai de todos nós, o Pai. Um “Pai nosso” pelos nossos pais: Pai Nosso….

E parabéns aos pais!


Não faltou uma saudação especial aos peregrinos de língua portuguesa:
Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos brasileiros da Diocese de Botucatu, e confio à proteção de São José todos os educadores, em particular os pais, para que, com o seu exemplo, ajudem os mais jovens a crescerem em sabedoria, estatura e graça. Que Deus vos abençoe.

Antes da audiência, pelas 9.15, o Santo Padre acolheu, na Casa de Santa Marta, uma delegação de 20 pessoas, representação dos 250 participantes de um Congresso promovido nestes dias em Castelgandolfo pelos Focolares, tendo como tema “Clara e as religiões: juntos a caminho da unidade da família humana”. A iniciativa conta com a participação de 250 pessoas, de variadas tradições religiosas, provenientes de 20 nações. O grupo era acompanhado pelo cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.

Papa: que na Quaresma tenhamos a coragem de mudar de vida

Cidade do Vaticano (RV) - A Quaresma é um tempo para “ajustar a vida”, “para aproximar-se do Senhor”. Foi o que destacou o Papa Francisco na Missa desta manhã de 18.março.2014, na Casa Santa Marta.

O Papa Francisco iniciou a sua homilia destacando a palavra-chave da Quaresma: conversão. Comentando a primeira Leitura, extraída do Livro de Isaías, observou que o Senhor chama à conversão duas “cidades pecadoras” como Sodoma e Gomorra. Isso significa que todos “precisamos mudar de vida”. Todavia, advertiu, o Senhor pede uma aproximação sincera e nos adverte quanto à hipocrisia.

Que fazem os hipócritas? Maquiam-se de pessoas boas: rezam olhando para o céu, mostrando-se, sentem-se mais justos do que os outros, desprezam os outros.

Ás vezes, essas pessoas se comportam assim só porque conhecem um bispo, um cardeal ou porque alguém na família é benfeitor. “Mas isso é hipocrisia” – reiterou o Papa. “Ninguém é justo por si mesmo, todos precisamos ser justificados. E o único que justifica é Jesus Cristo.”

Por isso, precisamos nos aproximar do Senhor, que, na primeira Leitura, nos pede: “Lavai-vos, purificai-vos! Tirai da minha vista as vossas más ações! Cessai de praticar o mal, aprendei a fazer o bem”. Este é o convite. Mas, pergunta Francisco, “qual é o sinal de que estamos no caminho certo?”

Socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva. Cuidar do próximo: do doente, do pobre, do necessitado, do ignorante. Esta é a medida de comparação. Os hipócritas não sabem fazer isso, não podem, porque estão tão preocupados com si mesmos que estão cegos para olhar para os outros. Quando alguém caminha um pouco e se aproxima do Senhor, a luz do Senhor o faz ver essas coisas e vai ajudar os irmãos. Este é o sinal, este é o sinal da conversão.

Eis que a Quaresma é o tempo propício para esta conversão, como nos relata também o capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

A Quaresma é para ajustar a vida, arrumá-la, mudar de vida para aproximar-se do Senhor. O sinal de que estamos distantes do Senhor é a hipocrisia. O hipócrita não necessita do Senhor, pensa que se salva sozinho, e se fantasia de santo. O sinal de que nós nos aproximamos do Senhor com a penitência, pedindo perdão, é que nós cuidamos dos irmãos necessitados. Que o Senhor nos dê a todos luz e coragem: luz para conhecer o que acontece dentro de nós e coragem para nos converter, para nos aproximar do Senhor. É belo estar próximo do Senhor.

O Papa Francisco twittou nesta manhã:

18/03/2014
O amor cristão é um amor que não olha ao custo. Esta é a lição do Bom Samaritano; esta é a lição de Jesus.

Papa Francisco à Conferência Episcopal de Timor Leste (17 março 2014)

Amados irmãos no episcopado!
No amor de Cristo, saúdo cordialmente toda a Igreja de Deus em Timor Leste, aqui representada por vós, seus pastores, que viestes «conhecer Pedro» na pessoa do seu Sucessor e «pôr à sua apreciação» o vosso serviço à causa do Evangelho (cf. Gal 1, 18; 2, 2). Agradeço a D. Basílio, bispo de Baucau e presidente da Conferência Episcopal, as amáveis palavras que me dirigiu em nome de todos e que manifestam o crescimento admirável das vossas comunidades e o seu anseio de serem fiéis ao Evangelho. Alegro-me convosco, porque a sementeira da Boa Nova de Jesus, iniciada na vossa terra há quase quinhentos anos, cresceu e frutificou num povo que, desde a grande provação do último quartel do século XX, decidida e corajosamente se confessa católico. A criação da nova diocese de Maliana, nos princípios de 2010, e a instituição da Conferência Episcopal Timorense, nos fins de 2011, são sinais positivos da obra que o Senhor iniciou entre vós e quer levar a bom termo (cf. Flp 1, 6).

Estes sinais, ao mesmo tempo que exprimem a radicação da Igreja em Timor, convidam os seus filhos e filhas a um testemunho alto de vida cristã e a um redobrado esforço de evangelização para levarem a Boa Nova a todos os estratos da sociedade, transformando-a a partir de dentro (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 18). Pelos vossos relatórios quinquenais e demais notícias, pude dar-me conta do espírito fraterno que anima o povo timorense e os seus líderes na construção duma nação livre, solidária e justa para todos. Ao longo destes anos que vos separam da última visita ad limina – realizada em Outubro de 2002, ou seja, poucos meses depois do suspirado e venturoso nascimento da vossa Pátria –, não faltaram dolorosas surpresas de ajustamento nacional, com a Igreja a recordar as bases necessárias duma sociedade que pretenda ser digna do homem e do seu destino transcendente. Estou certo de que vós, com os sacerdotes, continuareis a desempenhar a função de consciência crítica da nação, mantendo para isso a devida independência do poder político numa colaboração equidistante que lhe deixe a responsabilidade de cuidar e promover o bem comum da sociedade.

De fato, a Igreja pede apenas uma coisa no âmbito da sociedade: a liberdade de anunciar o Evangelho de modo integral, mesmo quando vai contra corrente defendendo valores que ela recebeu e a que deve permanecer fiel. E vós, queridos irmãos, não tenhais medo de oferecer esta contribuição da Igreja para bem da sociedade inteira. Faz-nos bem lembrar estas palavras do Concílio Vaticano II: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (Const. past. Gaudium et spes, 1). Na verdade o Pai do Céu, ao enviar seu Filho na nossa carne, pôs em nós as suas entranhas de misericórdia. E, sem a misericórdia, poucas possibilidades temos hoje de nos inserir num mundo de “feridos” que tem necessidade de compreensão, de perdão, de amor. Por isso, não me canso de chamar a Igreja inteira à «revolução da ternura» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 88). Os agentes de evangelização devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de dialogar com as suas ilusões e desilusões, de recompor as suas desintegrações.

Sem diminuir o valor do ideal evangélico, é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as etapas possíveis de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia. Por isso, na partilha fraterna e solidária da Conferência Episcopal, voltai repetidamente sobre este desafio duma sólida formação de sacerdotes, religiosos e fiéis leigos. Grandes esperanças depositais nos vossos Seminários, Noviciados e, ultimamente, no Instituto Superior de Filosofia e Teologia «Dom Jaime Garcia Goulart»; mas não deixeis de provocar e fazer crescer a corrente de solidariedade também entre outras Igrejas locais, nomeadamente com o envio de seminaristas maiores para fazerem seus estudos em universidades eclesiásticas ou – talvez com maior proveito – sacerdotes para as especializações mais necessárias aos diversos serviços da comunidade eclesial de Timor Leste. Fazem falta formadores e professores qualificados de teologia nomeadamente para consolidarem os resultados alcançados no campo da evangelização enriquecendo a Igreja com o seu “rosto timorense”.

Naturalmente não se pretende uma evangelização realizada apenas por agentes qualificados, enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas acções. Pelo contrário, temos de fazer de cada cristão um protagonista. «Se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que a salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe dêem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus» (Ibid., 120). E, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, não poderá conter o desejo de o comunicar aos outros. Aqui está a fonte da acção evangelizadora. O coração crente sabe que, sem Jesus, a vida não é a mesma coisa. Pois bem! Aquilo que descobriu, o que o ajuda a viver e lhe dá esperança, isso deve comunicar aos outros.

Como sabemos, amados irmãos, em todos os baptizados – desde o primeiro ao último – actua o Espírito que impele a evangelizar. Esta «presença do Espírito confere aos cristãos uma certa conaturalidade com as realidades divinas e uma sabedoria que lhes permite captá-las intuitivamente, embora não possuam os meios adequados para expressá-las com precisão» (Ibid., 119). Nestas limitações da linguagem, vemos aflorar a necessidade de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho, porque «uma fé que não se torna cultura – como escrevia João Paulo II – é uma fé não plenamente acolhida, não inteiramente pensada e não fielmente vivida» (Carta de fundação do Conselho Pontifício da Cultura, 20/5/1982, 2). Se, nos vários contextos culturais de Timor Leste, a fé e a evangelização não forem capazes de dizer Deus, anunciar a vitória de Cristo sobre o drama da condição humana, abrir espaços para o Espírito renovador, é porque não estão suficientemente vivas nos fiéis cristãos, que necessitam de um caminho de formação e amadurecimento. Isto «implica tomar muito a sério em cada pessoa o projeto que Deus tem para ela. Cada ser humano precisa sempre mais de Cristo, e a evangelização não deveria deixar que alguém se contente com pouco, mas possa dizer com plena verdade: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20)» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 160).

E, se vive no crente, Cristo abrirá as páginas com o desígnio de Deus ainda seladas para as culturas locais, fazendo despontar outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado. No livro do Apocalipse (cf. 5, 1-10), há uma página elucidativa: fala-se de um livro fechado com sete selos, que só Cristo é capaz de abrir; Ele é o Cordeiro imolado, que, com o seu sangue, resgatou para Deus, homens de todas as tribos, línguas, povos e nações. Timor Leste, o Céu resgatou-te, para que te abras ao Céu. Tudo isto representa uma série de desafios para permitir uma compreensão mais fácil da Palavra de Deus e melhor recepção dos Sacramentos. Mas um desafio não é uma ameaça. A consciência missionária supõe hoje possuir o valor humilde do diálogo e a convicção firme de apresentar uma proposta de plenitude humana no vosso contexto cultural.

Amados irmãos no episcopado, quis limitar-me a três pontos, objecto das vossas preocupações: o primeiro, a vossa contribuição como consciência crítica da nação; o segundo, movida por entranhas de misericórdia, a Igreja inteira sai em missão; e, enfim, exprimir a Boa Nova da salvação nas línguas locais. Parece-me poder reconduzir tudo a esta imagem que vos é familiar e amada: o povo fiel em peregrinação aos santuários marianos, sob a guia do Bispo (digo «guiar», que não é sinónimo de comandar, dominar). E o lugar do Bispo pode ser triplo: à frente, para indicar o caminho ao seu povo; no meio, para o manter unido e neutralizar debandadas; ou atrás, para evitar que alguém se atrase ou desgarre, mas, fundamentalmente, porque o próprio rebanho é dotado de olfacto para encontrar novos caminhos: o sentido da fé. Em todo o caso, sede homens capazes de sustentar, com amor e paciência, os passos de Deus em seu povo e valorizai tudo aquilo que o mantém unido, acautelando de eventuais perigos, mas sobretudo fazendo crescer a esperança: haja sol e luz nos corações! Ao mesmo tempo que vos agradeço todos os esforços realizados ao serviço do Evangelho, peço ao povo timorense que reze por mim; eu confio-o à proteção da Imaculada Conceição – invocada carinhosamente sob o título de «Virgem de Aitara» – por cuja intercessão imploro para vós, para os sacerdotes, os religiosos e religiosas, para os seminaristas, noviços e noviças, para os catequistas, os animadores dos movimentos eclesiais e a briosa juventude, para as famílias com as suas crianças e os seus idosos e todos os restantes membros do povo de Deus, a abundância das graças do Céu, em penhor das quais lhes concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 17 de Março de 2014.

[Franciscus]

Foto: D. Basílio do Nascimento, bispo de Baucau e presidente da Conferência Episcopal de Timor Leste
Radio Vaticano

O primeiro dever de cada cristão é alimentar a própria fé: Papa Francisco aos fiéis da paróquia romana visitada neste domingo, 16.março.2014

O primeiro dever de cada cristão é nutrir a própria fé. Esta a recomendação do Papa na Missa de ontem à tarde, na igreja de Santa Maria da Oração de Setteville di Guidonia, paróquia a cerca de vinte quilómetros a nordeste de Roma, a quinta visita do Papa Francisco neste primeiro ano de pontificado, ao longo da qual se encontro com pessoas idosas, deficientes físicos e com as comunidades neocatecumenais.

Deve-se escutar Jesus para tornar mais forte a fé, e olhar para Jesus para preparar os olhos para a bela contemplação da sua face. O Papa, no dia do Evangelho da Transfiguração, recordou aos fiéis o primeiro dever dos cristãos.

Quais são os deveres do cristão? Eventualmente me direis: ir à Missa nos domingos; fazer o jejum e a abstinência na Semana Santa; fazer isso… Mas, o primeiro dever do cristão é escutar a Palavra de Deus, escutar Jesus, porque Ele nos fala e nos salva com a sua Palavra. E Ele faz também mais robusta e mais forte a nossa fé, com aquela Palavra. Escutar Jesus! “Mas, Padre, eu escuto Jesus, escuto-o tanto”. “Sim? O que é que escutas?”. “Mas escuto a rádio, escuto a televisão, escuto o palavreado das pessoas…”.

São tantas as coisas que nós escutamos durante o dia, tantas coisas… Mas faço-vos uma pergunta: tomamos um pouco de tempo, cada dia, para escutar Jesus, para escutar a Palavra de Jesus?


Como dissera já ao Angelus, o Papa sugeriu um modo de alimentar a fé, todos os dias: trazendo sempre consigo um Evangelho, lendo todos os dias uma passagem, para fazer entrar a palavra de Jesus no coração e nos revigorar na fé.

O Santo Padre passou em seguida à segunda das duas graças que se pedem, na oração: a graça da purificação dos olhos, dos olhos no nosso espírito, para os preparar para a vida eterna.

"Eu sou convidado a escutar Jesus e Jesus manifesta-se, e com a sua Transfiguração convida-nos a olhar para Ele. E olhar para Jesus purifica os nossos olhos e prepara-os para a vida eterna, para a contemplação do Céu. Talvez os nossos olhos estão um tanto quanto doentes, porque vemos tantas coisas que não são de Jesus, e que eventualmente são contra Jesus: coisas mundanas, coisas que não fazem bem à luz da alma. E assim essa luz apaga-se lentamente e, sem saber, acabamos por cair na escuridão interior, na escuridão espiritual, na escuridão da fé: uma escuridão, porque não estamos habituados a olhar, a imaginar as coisas de Jesus."

“Perdoai e sereis perdoados” – o Papa Francisco na missa em Santa Marta nesta segunda-feira, 17.março.2014

Perdoar para encontrar misericórdia - esta a principal mensagem do Papa Francisco na homilia desta segunda-feira. Partindo do capítulo 6 do Evangelho de São Lucas em que Jesus exorta os seus discípulos a serem ‘misericordiosos como o vosso Pai é Misericordioso’ o Santo Padre valorizou a vergonha como o primeiro passo para julgarmos menos os outros e examinarmos melhor a nossa consciência. Principalmente dos pequenos pecados de todos os dias.

“É verdade que nenhum de nós matou ninguém, mas tantas pequenas coisas, tantos pecados quotidianos, de todos os dias... E quando pensamos: ‘Mas que coisa, que coração pequenino: eu fiz isto ao Senhor!’ E envergonhar-se! Envergonhar-se perante Deus e esta vergonha é uma graça: é a graça de ser pecador. ‘Eu sou pecador e envergonho-me perente Deus e peço perdão.’ É simples, mas é tão difícil dizer: Eu pequei.”

Segundo o Papa Francisco, é frequente justificarmos os nossos pecados descarregando sobre os outros, dando mesmo a culpa a outras pessoas.

Essa não é a atitude correta e não permite cumprir a prece do Pai Nosso: ‘Perdoai as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido’. Porque é preciso perdoar para sermos perdoados – afirmou o Santo Padre.

“ E o Senhor diz: ‘Não julgueis e não sereis julgados! Não condeneis e não sereis condenados! Perdoais e sereis perdoados! Dai e vos será dado!’. Esta generosidade do coração!

“O homem e a mulher misericordiosos têm um coração largo: sempre desculpam os outros e pensam nos seus pecados. Viste o que aquele fez? Mas eu já tenho que chegue com o que fiz e não me meto nisso. Este é o caminho da misericórdia que devemos ter. Mas se todos nós, todos os povos, as pessoas, as famílias, os bairros, tivessem esta atitude, quanta paz existiria no mundo, quanta paz nos nossos corações! Porque a misericórdia leva-nos à paz. Recordai-vos sempre: Quem sou eu para julgar? Envergonhar-se e alargar o coração. Que o Senhor nos dê esta graça.“

Tweet do Papa Francisco:

17/03/2014
Obrigado por todas as manifestações de carinho no aniversário de pontificado. Por favor, continuai a rezar por mim.


Papa Emérito Bento XVI sobre Papa Francisco




"Estou muito contente com a minha renúncia, porque Deus preparou, depois de mim, um fenômeno".

Escutar a Palavra de Jesus e transmiti-la aos irmaos confortando-os: ao Angelus deste domingo, 16.março.2014, Papa Francisco sugere trazer sempre no bolso um Evangelho, para ler cada dia uma passagem

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje o Evangelho nos apresenta o evento da Transfiguração. É a segunda etapa do caminho quaresmal: a primeira, as tentações no deserto, domingo passado; a segunda: a Transfiguração. Jesus “tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha” (Mt 17, 1). A montanha na Bíblia representa o lugar da proximidade com Deus e do encontro íntimo com Ele; o lugar da oração, onde estar na presença do Senhor. Lá no alto da montanha, Jesus se mostra aos três discípulos transfigurado, luminoso, belíssimo; e depois aparecem Moisés e Elias, que conversam com Ele. A sua face é tão brilhante e as suas vestes tão brancas que Pedro permanece deslumbrado, tanto que queria permanecer ali, quase parar aquele momento. De repente, ressoa do alto a voz do Pai que proclama Jesus como seu Filho amado, dizendo: “Escutai-o” (v. 5). Esta palavra é importante! O nosso Pai que disse a estes apóstolos, e diz também a nós: “Escutai Jesus, porque é o meu Filho amado”. Tenhamos, esta semana, esta palavra na cabeça e no coração: “Escutai Jesus!”. E isto não o diz o Papa, diz Deus Pai, a todos: a mim, a vocês, a todos, todos! É como uma ajuda para seguir adiante no caminho da Quaresma. “Escutai Jesus!”. Não esquecer.

É muito importante este convite do Pai. Nós, discípulos de Jesus, somos chamados a ser pessoas que escutam a sua voz e levam a sério suas palavras. Para escutar Jesus, é preciso ser próximo a Ele, segui-Lo, como faziam as multidões do Evangelho que o seguiam pelos caminhos da Palestina. Jesus não tinha uma cátedra, ou um púlpito fixo, mas era um mestre itinerante, que propunha os seus ensinamentos, que eram os ensinamentos que o Pai lhe havia dado, ao longo dos caminhos, percorrendo trajetos nem sempre previsíveis e às vezes pouco fácil. Seguir Jesus para escutá-Lo. Mas também escutamos Jesus na sua Palavra escrita, no Evangelho. Faço uma pergunta a vocês: vocês leem, todos os dias, um trecho do Evangelho? Sim, não…sim, não…Meio a meio… Alguns sim e alguns não. Mas é importante! Vocês leem o Evangelho? É uma coisa boa; é uma coisa boa ter um pequeno Evangelho, pequeno, e levá-lo conosco, no bolso, na bolsa, e ler um pequeno trecho em qualquer momento do dia. Em qualquer momento do dia, eu pego do bolso o Evangelho e leio alguma coisinha, um pequeno trecho. Ali é Jesus que nos fala, no Evangelho! Pensem nisto. Não é difícil, nem necessário que sejam os quatro: um dos Evangelhos, pequenino, conosco. Sempre o Evangelho conosco, porque é a Palavra de Jesus para poder escutá-Lo.

Deste episódio da Transfiguração, gostaria de colher dois elementos significativos, que sintetizo em duas palavras: subida e descida. Nós temos necessidade de ir além, de subir a montanha em um espaço de silêncio, para encontrar nós mesmos e perceber melhor a voz do Senhor. Isto fazemos na oração. Mas não podemos permanecer ali! O encontro com Deus na oração nos impele novamente a “descer da montanha” e retornar para baixo, à planície, onde encontramos tantos irmãos sob o peso do cansaço, das doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual. A estes nossos irmãos que estão em dificuldade, somos chamados a levar os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando com eles a graça recebida. E isto é curioso. Quando nós ouvimos a Palavra de Jesus, escutamos a Palavra de Jesus e a temos no coração, aquela Palavra cresce. E vocês sabem como cresce? Dando-a ao outro! A Palavra de Cristo em nós cresce quando nós a proclamamos, quando nós a damos aos outros! E este é o caminho cristão. É uma missão para toda a Igreja, para todos os batizados, para todos nós: escutar Jesus e oferecê-Lo aos outros. Não esquecer: esta semana, escutem Jesus! E pensem nesta questão do Evangelho: vocês o farão? Farão isto? Depois, no próximo domingo, vocês me dirão se fizeram isto: ter um pequeno Evangelho no bolso ou na bolsa para ler um pequeno trecho no dia.

E agora dirijamo-nos à nossa Mãe Maria, e confiemo-nos à sua orientação para poder seguir com fé e generosidade este itinerário da Quaresma, aprendendo um pouco mais de “subir” com a oração e escutar Jesus e “descer” com a caridade fraterna, anunciando Jesus.

Nas saudações aos variadíssimos grupos de peregrinos presentes na Praça, o Papa mencionou também a Comunidade Papa João XXIII, fundada pelo padre Oreste Benzi, que na próxima sexta-feira organiza pelas ruas do centro de Roma uma “Via Sacra” especial, pelas mulheres vítimas do tráfico.

O Santo Padre recordou ainda os passageiros e tripulantes do avião da Malásia desaparecido na semana passada, assim como os familiares, deixando uma palavra de proximidade e afeto para com todos os que mais sofrem por este motivo.
Radio Vaticano

Ideologia de Gênero na educação? Não! Obrigado!

By Guilherme Ferreira · Belo Horizonte, Brasil · 10 mar 2014

No final do ano passado, voi votado no Senado Federal o projeto para o Plano Nacional de Educação. O PNE contém as diretrizes para todo o sistema educaional brasileiro para os próximos anos. Dentre os diversos problemas que se encontram no texto, o mais grave deles é a inserção da Ideologia de Gênero em nosso sistema educacional. Na ocasião, os senadores rejeitaram a tentativa de tornar obrigatório o ensino dessa ideologia em nosso sistema educacional.

Após a votação no Senado, o PNE foi para a Câmara dos Deputados, onde será votado por uma Comissão Especial. A votação final ocorrerá no dia 19, na próxima semana. Vários deputados afirmaram que são favoráveis à obrigatoriedade da insersação da Ideologia de Gênero. Além disso, o relator da comissão, o deputado Álvaro Vanhoni, do PT do Paraná, adotou a mesma posição defendida pelo presidente da ABGLT, ou seja, a defesa da inclusão da Ideologia de Gênero no sistema educacional brasileiro.

Como já foi explicado em outra ocasião, a Ideologia de Gênero é uma técnica idealizada para destruir a família como instituição social. Ela é apresentada sob a maquiagem da "luta contra o preconceito", mas na verdade o que se pretende é subverter completamente a sexualidade humana, desde a mais tenra infância, com o objetivo de abolir a família.

Além disso, a palavra “gênero”, segundo os criadores da Ideologia de Gênero, deve substituir o uso corrente de palavra “sexo” e referir-se a um papel socialmente construído, não a uma realidade que tenha seu fundamento na biologia. Desta maneira, por serem papéis socialmente construídos, poderão ser criados gêneros em número ilimitado, e poderá haver inclusive gêneros associados à pedofilia ou ao incesto. É o que diz, por exemplo, a feminista radical Shulamith Firestone: “O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família; então, se nós nos desfizermos da família, iremos de fato desfazer-nos das repressões que moldam a sexualidade em formas específicas”. Ora, uma vez que a sexualidade seja determinada pelo "gênero" e não pela biologia, não haverá mais sentido em sustentar que a família é resultado da união estável entre homem e mulher.

Se estes novos conceitos forem introduzidos na legislação, estará comprometido todo o edifício social e legal que tinha seu sustento sobre a instituição da família. Os princípios legais para a construção de uma nova nova sociedade, baseada na total permissividade sexual, terão sido lançados. A instituição familiar passará a ser vista como uma categoria “opressora” diante dos gêneros novos e inventados, como a homossexualidade, bissexualidade, transexualidade e outros. Para que estes novos gêneros sejam protegidos contra a discriminação da instituição familiar, kits gays, bissexuais, transexuais e outros poderão tornar-se obrigatórios nas escolas. Já existe inclusive um projeto de lei que pretende inserir nas metas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional a expressão “igualdade de gênero”.

Por isso, temos de nos manifestar imediatamente e pedir aos deputados que rejeitem completamenta a introdução da Ideologia de Gênero em nosso sistema educacional.
CitzenGo.org

Que deturpações dos valores inerentes do mais profundo do ser humano,  deviam estar sendo engenhadas e postas em prática em perversões, no tempo do Dilúvio, no tempo de Sodoma e Gomorra, no tempo de Nínive? Aqueles valores expressos por Deus no Decálogo, mas que antes de imprimir nas pedras dadas a Moisés, Ele próprio imprimiu e imprime, desde o início, no coração de qualquer pessoa humana.

Seriam estas perversões, mais abomináveis do que as que ocorrem nos tempos atuais? Penso que se tais deturpações dos valores fossem, hoje, retratadas em um filme, tal película seria censurada para menores de 10 anos. Em nossos tempos, nos encontramos num abismo infinitamente mais profundo.

Portanto, é importante que nos manifestemos imediatamente, pedindo aos deputados que rejeitem completamente a introdução da Ideologia de Gênero em nosso sistema educacional. Mas até quanto esses parlamentares estão preocupados com a nossa opinião?

No tempo de Nínive, Deus escolheu Jonas para advertir os ninivitas, mas Jonas fugiu, talvez por se achar inapto e não acreditar que os ninivitas merecessem tal chance de Deus ou desistiriam de suas iniquidedes (como disse o Papa Francisco), mas Deus o perseguiu e Jonas, por fim, O obedeceu e advertiu  os ninivitas, que arrependeram-se de seus pecados, converteram-se, fizeram penitência e Deus perdoou e não destruiu Nínive.

Creio que para as deturpações de valores, inúmeras e requintadas, de nossos tempos, temos que contrapor com a nossa conversão e penitência pessoal, em primeiro lugar. Pois, como tantos santos já nos disseram de várias maneiras: "o pecado social é fruto do pecado individual". Depois, e não menos importante e urgente, devemos parar de fugir de Deus como Jonas, não cair na tentação de achar que tudo já está perdido, que não adianta fazermos nada, que nada pode mudar e que o mundo pervertido atual não merece perdão, e, devemos sim,  como Jonas no final, anunciar a todos que a taça da Justiça de Deus está cheia e transbordante, e , devemos nos converter e fazer penitência, suplicando o perdão de Deus e sua misericórdia.

Nossa Senhora, no Movimento Sacerdotal Mariano, pede a Consagração ao seu Coração Imaculado e que levemos as pessoas em contato conosco a renovarem a sua devoção a Ela, e, nos ensina a fazer isso por meio de um instrumento muito simples "os cenáculos": a oração do Terço e a consagração ao seu Coração Imaculado, basicamente. Esse, não é um modo bem prático e eficaz, por que feito com Maria, de fazermos o que Jonas fez em Nínive?

E sem dúvida, por meio do Coração Imaculado de Maria, seu Filho Jesus, nosso Senhor, trará a salvação a este mundo pervertido.

O Editor

O Papa Francisco na conclusão dos exercícios espirituais em Ariccia

Concluíram-se esta manhã, sexta-feira 14 de Março, em Ariccia os exercícios espirituais nos quais participaram o Pontífice e membros da Cúria romana. As meditações foram propostas por monsenhor Angelo De Donatis, pároco de São Marcos Evangelista no Capitólio, na capela da casa do Divino Mestre dos religiosos paulinos. No final da reflexão desta manhã o Papa Francisco agradeceu o pregador dirigindo-lhe as seguintes palavras:

Padre Angelo, gostaria de lhe agradecer em meu nome e no nome de todos nós, a sua ajuda nestes dias, o seu acompanhamento e a sua escuta. Agora nós voltamos para casa com a boa semente: a semente da Palavra de Deus. Esta é uma boa semente. O Senhor enviará a chuva e aquela semente crescerá. Crescerá e dará fruto. Damos graças ao Senhor pela semente e pela chuva que nos enviar, mas também queremos agradecer o semeador. Porque o senhor foi o semeador, e sabe fazê-lo, sabe fazê-lo! Porque o senhor, laça aqui e ali sem se aperceber – ou fazendo de contas que não se apercebe – mas acerta, vai ao centro, acerta no alvo. Obrigado por isto. E peço-lhe que continue a rezar por este «sindicato de crentes» - todos somos pecadores, mas todos temos vontade de seguir Jesus mais de perto, sem perder a esperança na promessa, e também sem perder o sentido do humorismo – e por vezes saudá-los de longe. Obrigado, padre.

Pouco antes o pregador, monsenhor De Donatis, referindo-se ao momento da partida, tinha renovado para eles o convite que o Papa Francisco, exactamente há um ano (a 14 de Março de 2013, dia seguinte à eleição) dirigira aos cardeais eleitores durante a missa na Capela Sistina: «Saiamos desta experiência levando connosco a força daquele amor que nos ajudará a ir em frente do modo como nos foi pedido há exactamente um ano, para “caminhar, edificar, confessar”». E no início da meditação padre Angelo tinha aconselhado também um método, que ele experimentou, para sair ainda mais enriquecidos da semana de espiritualidade: avaliar atentamente pensamentos e sentimentos que surgiram nestes dias de oração e fazer deles um pequeno esquema escrito. Pensamentos e sentimentos suscitados quer pelo Espírito Santo, quer pelo inimigo «certamente antitéticos». No fim, explicou, depois de ter avaliado um por um pensamentos e sentimentos, deve ficar só um de cada lado, aquele que ocorreu mais vezes ou de modo mais intenso. Na coluna «inspirada pelo Espírito Santo» permanecerá aquele que se deve conservar e enriquecer; na suscitada pelo mal permanecerá o que é preciso combater; mas neste caso, acrescentou, «é preciso pedir uma graça particular» porque significa claramente «que ainda devemos ser completamente desenraizados do mal».
L'Osservatore Romano

Os exercícios espirituais da Cúria romana – Quando o medo bate à porta - 5º dia

Julgar cada gesto na lógica do mundo, ou melhor, da economia de mercado, significa correr o risco de não compreender o valor daquele amor que aproxima os homens a Deus, Deus aos homens e os homens entre si, de modo a criar a comunhão de amor que é uma Igreja acolhedora.

Uma criança – certamente de forma inconsciente e indirecta – inspirou esta manhã, quinta-feira 13 de Março, a reflexão do penúltimo dia de exercícios espirituais do Papa Francisco e da Cúria romana, que se concluirão amanhã, sexta-feira 14 de Março. De facto, monsenhor Angelo De Donatis deu início à sua pregação, na capela da Casa do Mestre Divino em Ariccia, reconhecendo na pergunta que lhe fizera um menino – que se preparava para a primeira comunhão – a capacidade que Deus tem de transformar um gesto simples, mas feito com amor, em algo que se difunde ao seu redor e cria comunhão: «Mas tu conheces tão bem Jesus por motivo de trabalho ou porque sois amigos?», foi a sua pergunta. O conhecimento profundo de Jesus que culmina na amizade, portanto no acolhimento e no amor, foi o tema da meditação.

O pregador comentou o episódio evangélico da mulher desconhecida que vai ter com Jesus na casa do leproso em Betânia e unge a sua cabeça com um óleo preciosíssimo, o óleo de nardo (Mc 14, 1-9). Uma narração, disse, densa de conteúdo tanto pelo lugar no qual se realiza como pelo período, e também pelos efeitos que produz. O lugar, explicou, é a casa do leproso, isto é um local no qual há o mal. Portanto, Jesus vai onde há o mal. Vai porque sabe que de qualquer modo é amado. De facto, a casa localiza-se em Betânia, símbolo de acolhimento. Jesus tinha muitos amigos em Betânia e sabia que era amado naquela cidade. Uma sensação à qual aspiram, frisou, todos os homens que deixam as suas cidades por outras.

O Senhor está à mesa com os seus amigos, isto é, no momento da partilha, quando a mulher chega, abre o frasco de alabastro e começa a ungir a sua cabeça com aquele óleo precioso. É um gesto de amor gratuito, explicou monsenhor De Donatis, que adquire ainda mais importância porque é realizado num tempo em que se respirava um clima de violência e de ódio contra Jesus: faltavam dois dias para a Páscoa e os escribas procuravam um motivo válido para o condenar à morte.
L'Osservatore Romano

13.março.2014 – PAPA FRANCISCO - UM ANO DE PONTIFICADO.


Parabéns Santo Padre, obrigado por nos amar tanto e vos doardes todo inteiro para salvar nossas almas. Nós vos amamos.

Por intercessão do Coração Imaculado de Maria, Deus vos abençoe. Estamos rezando por vossa Santidade.

Família "Duc in altum!"


1º aniversário: Papa tuíta pedindo orações aos fiéis

Ariccia (RV) - Da localidade de Ariccia, onde se encontra com seus colaboradores para realizar exercícios espirituais, o Papa pede orações aos fiéis no dia do primeiro aniversário de sua eleição. "Rezai por mim", tuíta Francisco a seus mais de 12 milhões de seguidores nesta rede social. Em sua conta em português, 975.600 pessoas acompanham o Pontífice.

Há cerca de um mês, Francisco pediu que os católicos rezassem por Bento XVI, na ocasião do primeiro aniversário de sua histórica renúncia após oito anos de pontificado.

"Hoje convido-vos a rezar juntos comigo por Sua Santidade Bento XVI, um homem de grande coragem e humildade", escreveu Francisco em sua conta na rede social Twitter.

Os exercícios espirituais da Cúria romana em Ariccia - 4º dia

A linguagem do mundo é uma armadilha na qual não deve cair quem quiser testemunhar o amor de Deus, aquele amor sobre o qual é possível construir a comunidade, viver em comunhão e glorificar Deus com a caridade. E o homem hoje, infelizmente, ainda está em busca da linguagem justa, ou seja, a linguagem de Cristo. Que não era a linguagem da força ou do poder, mas a linguagem da debilidade, facilmente compreensível a todos, sobretudo aos que fazem a experiência do sofrimento. Frisou esta manhã, quarta-feira 12 de Março, monsenhor Angelo De Donatis abrindo em Ariccia o quarto dia dos exercícios espirituais com o Papa Francisco e a Cúria romana.

«Jesus – observou o pregador – era um ótimo comunicador» mesmo se nunca fez «discursos que pretendiam persuadir por força»; e conseguia compreender e comunicar o amor profundo de Deus pelo homem, porque as suas palavras não se baseavam na «sabedoria do mundo» mas na sabedoria de Deus. A única sabedoria, disse, graças à qual podemos conseguir conhecer a grandeza dos dons que Deus nos fez. E por nossa vez, oferecê-los aos outros, testemunhando assim, com a caridade, a verdadeira glória de Jesus.

Na reflexão desta manha, Pe. Donatis propôs ao Papa e seus colaboradores uma reflexão sobre a linguagem e suas armadilhas. "O homem de hoje está ainda à procura da linguagem justa, a de Cristo, que não é a linguagem da força e do poder, mas a linguagem da fraqueza, que todos entendem, sobretudo, os que sofrem. Uma linguagem de caridade com a qual Jesus comunica ao homem a grandeza de Deus e permite ao ser humano testemunhar Cristo", disse ainda o pregador.

O amor entendido como misericórdia foi a chave de leitura da reflexão de Pe. Donatis na tarde desta terça-feira, inspirada na passagem do Evangelho de São Marcos em que a mulher que sofria de hemorragia fica curada somente por ter tocado o manto de Jesus, gesto em que ela colocou todas as suas esperanças.

"Considerada impura por sua religião a mulher vence o mal porque acreditou plenamente em Jesus. Hoje, isso também acontece quando a religião não ajuda a se salvar o ser humano que está morrendo por um pecado. Quem salva é Cristo, é a sua misericórdia, e ter fé significa ter um contato vivo com Ele. Constroem-se andaimes enormes para se chegar a Cristo, mas não se consegue alcançá-lo, talvez porque se seguem as coisas do mundo e se pensa pouco no sentido do Batismo, ou seja, no momento em que a Igreja nos acolheu quando estávamos mortos e nos restituiu vivos graças ao sangue de Jesus", frisou o pregador.

"Nós não fazemos nada para nos salvar. Deus faz tudo. Por isso, devemos agradecê-lo e nos lembrar de caminhar não diante de Cristo, mas com Ele", concluiu Pe. Donatis.

A DIGNIDADE DA MULHER

Dom Fernando Arêas Rifan*
          
Foi comemorado dia 8 passado o dia internacional da mulher, mas ainda é oportuno voltar ao tema. E digamos logo, sem rodeios, por amor à verdade: foi o cristianismo que salvou a dignidade da mulher! A história, nos testemunhos de Juvenal e Ovídio, nos conta que a moral sexual e a fidelidade conjugal, antes do cristianismo, estavam em extrema degradação. Constatamos isso, vendo atualmente a situação da mulher nos povos que não têm o cristianismo. No começo do século II, Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro. Galeno, o médico grego do século II, ficava impressionado com a retidão do comportamento sexual dos cristãos. Os próprios historiadores são obrigados a confessar que foram os cristãos que restauraram a dignidade do matrimônio. 
        
O cristianismo estendeu o conceito de adultério também à infidelidade do marido, pois no mundo antigo ele só se limitava à infidelidade da esposa. O cristianismo santificou o matrimônio, elevando-o à ordem de sacramento, proibindo o divórcio, que prejudica, sobretudo, a mulher. O cristianismo, ao contrário da mentalidade machista, iguala o pecado do homem e da mulher: o sexto e o nono mandamentos valem igualmente para os dois.
          
As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo (cf. Thomas E. Woods Jr, “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”).
       
Isso confere com o que ensina Papa Beato** João Paulo II: “Cristo se constituiu, perante os seus contemporâneos, promotor da verdadeira dignidade da mulher e da vocação correspondente a tal dignidade. Às vezes, isso provocava estupor, surpresa, muitas vezes raiando o escândalo: ‘ficaram admirados por estar ele conversando com uma mulher’ (Jo 4, 27), porque este comportamento se distinguia daquele dos seus contemporâneos. Em todo o ensinamento de Jesus, como também no seu comportamento, não se encontra nada que denote a discriminação
da mulher, própria do seu tempo. Devemos nos colocar no contexto do ‘princípio’ bíblico, no qual a verdade revelada sobre o homem como ‘ imagem e semelhança de Deus’ constitui a base imutável de toda a antropologia cristã. 'Deus criou o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou, criou-os homem e mulher’ (Gn 1, 27). Os dois são seres humanos, em grau igual, ambos criados à imagem de Deus” (Mulieris dignitatem, sobre a dignidade e a vocação da mulher).

Mas, “a igualdade de dignidade não significa ser idêntico aos homens. Isso só empobrece as mulheres e toda a sociedade, deformando ou perdendo a riqueza única e valores próprios da feminilidade. Na visão da Igreja, o homem e a mulher foram chamados pelo Criador para viver em profunda comunhão entre si, conhecendo-se mutuamente, para dar a si mesmos e agir em conjunto, tendendo para o bem comum com as características complementares do que é feminino e masculino” (João Paulo II, Mensagem sobre a mulher, 26/5/1995). 
 
                                                    *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
**Será canonizado no dia 27.abril.2014




Terceiro dia de exercícios espirituais da Cúria romana em Ariccia-Como uma romã


O homem é como uma romã: dentro tem muitas sementes pequeninas e suculentas, tantas quantas são os elementos da criação. Deus pô-las todas juntas amalgamando-as, sobre o qual depois infundiu o sopro da vida. Quando esta manhã, terça-feira 11 de Março – na abertura do terceiro dia de exercícios espirituais para Francisco e a Cúria romana na casa do Divino Mestre em Ariccia – monsenhor Angelo De Donatis oferecia esta imagem da criação do homem, mostrava precisamente uma linda romã, madura e compacta, como que para dar a ideia da beleza da criatura humana. Uma beleza que, contudo, disse, se destina a desfazer-se se se impede artificialmente que o sopro de Deus, isto é, o amor misericordioso que ele nos doa, penetre em profundidade. Então acontece que cada uma das pequenas sementes, explicou, colhida pela vontade «de auto-afirmação, procura expandir-se num confronto despótico com os outros, até provocar a explosão e portanto a desintegração do fruto.

O pregador usou esta metáfora para explicar o efeito do mal que se apodera do homem. Referiu-se inicialmente à narração do encontro de Jesus com o endemoninhado narrado pelo evangelista Marcos (5, 1-20), do qual voltou a propor os momentos salientes: o diálogo, a súplica do demónio para não ser expulso e por conseguinte obrigado a vaguear ainda no ar; a pergunta de Jesus para conhecer o seu nome; o definir-se «legião» da parte do demónio, para indicar um número enorme de quantos se tinham apoderado daquele homem e o governavam; o seu pedido para serem todos pelo menos transferidos para a vara de porcos que estava ali perto e que, uma vez obtido de Jesus o consentimento, fizeram enlouquecer até causar o suicídio de massa afogados no mar.

Um episódio, explicou, que para a reacção dos proprietários dos porcos nos aproxima a quanto acontece hoje no mundo. Com efeito ninguém, narra Marcos, se apercebeu daquele jovem que, libertado do demónio, voltava à vida, porque estavam bastante preocupados com o prejuízo económico causado pela morte daqueles dois mil porcos, a ponto de expulsar Jesus, o qual se foi embora, sem nada dizer. Portanto, observou, uma ideologia económica impediu que aqueles homens encontrassem Jesus.

A religião está diante desta ideologia económica pagã. Jesus expulsa o demónio. E o homem volta a ser livre, libertado por Cristo. Já não tem medo, está livre do medo. Deus salvou-o. Não o salvou para que fizesse algo extraordinário, mas para que chegasse ao amor misericordioso de Deus. E para chegar a este amor, disse monsenhor De Donatis, precisamos da ajuda do Espírito Santo. Sem ele seria um empreendimento impossível. Com efeito, não servem as nossas obras para chegar a Deus, explicou ainda. O que é necessário é a essência do amor em Cristo.

À relação entre obras do homem e graça de Deus o pregador já tinha dedicado grande parte da meditação de segunda-feira à tarde. Referindo-se ao trecho da carta de são Paulo aos Efésios (2, 1-10), monsenhor De Donatis tinha recordado sobretudo que a nossa tarefa não é mostrar ao mundo o que a Igreja faz, o que fazem os padres, o que fazem os cristãos, mas mostrar o que faz Deus através de nós. Quando, ao contrário, pomos no primeiro plano o nosso compromisso, as nossas obras, então corremos o risco de nos tornarmos mundanos.

Por isso devemos comprometer-nos por reconhecer que todos somos simplesmente «pecadores perdoados». Somos salvos «pela graça», como recorda várias vezes são Paulo, não pelas «obras da lei». É necessário portanto libertar-nos da tentação de ter que fazer sempre alguma coisa esquecendo que, na realidade, fomos salvos gratuitamente. Está muito difundida hoje esta fome de aparecer com as nossas obras. Mas a verdadeira «obra boa» é Cristo.

Eis o motivo do exame de consciência para o qual o pregador convidou os católicos, exortando-os a perguntar-se: por que as pessoas, ao ver a grande quantidade de trabalho e de obras que a Igreja faz, não louva ao Pai? Evidentemente alguma coisa não funciona. Portanto não se deve procurar continuamente os aplausos, nem alimentar invejas clericais. A pastoral de hoje – constatou o pregador – é em grande parte um esforço por fazer: na realidade tudo deveria brotar como fruto do Espírito.

Em síntese, estamos demasiado habituados a fazer projectos e depois a pedir ao Senhor que faça com que a missão não corra mal. Ao contrário, é indispensável mudar de perspectiva: começa-se por lavrar a terra, depois lança-se a semente, rega-se e no fim chega o grão. Deste modo, concluiu monsenhor De Donatis, os frutos da fé nascem realmente do encontro entre Deus e o homem.

Coragem, Papa Francisco, coragem!

São Paulo (RV) - Completa-se o primeiro ano de Pontificado do papa Francisco. A fumaça branca da Capela Sistina, na noite chuvosa e fria de 13 de março de 2013, preparou a multidão ansiosa da praça de São Pedro uma bela surpresa: o novo Bispo de Roma e Sucessor do apóstolo Pedro, colocado no centro da Igreja Católica, era um cardeal que vinha “quase do fim do mundo”! Jorge Mário Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, que escolheu para si o nome de Francisco.

Passados os primeiros momentos de encantamento, o papa Francisco começou logo a mostrar seu estilo, seu jeito latino-americano, seu desejo de servir a Igreja Católica e a humanidade de corpo e alma. Tantos detalhes chamaram a atenção, como a moradia na Casa Santa Marta, em vez do palácio apostólico; a dispensa de muitos protocolos; seu jeito de pastor de almas; a forma direta e simples de falar...

Mas tudo isso, embora significativo, ainda não diz tudo sobre a novidade do primeiro papa não europeu, depois de muitos séculos, primeiro latino-americano, primeiro papa jesuíta, com jeito de franciscano... Francisco tem clareza sobre sua missão mais urgente, na condição de Sucessor de Pedro: confirmar os irmãos na fé, reanimá-los, dar-lhes novamente certeza e segurança interior, superar certo desalento e baixa auto-estima na Igreja, restituir ao povo católico a alegria do Evangelho, a identificação com a própria Igreja e o senso de pertença a ela.

Sabe que sua missão é resgatar a credibilidade da Igreja, ferida por muitos escândalos decorrentes de pecados e fraquezas daqueles que deveriam ser reconhecidos como testemunhas fidedignas do Evangelho da vida e da esperança diante do mundo... Francisco sabe que esta credibilidade só é recuperada com a retidão de intenções e atitudes, amor à verdade e sincera humildade. E ele convidou todos os membros da Igreja a fazerem isso, empreendendo um verdadeiro caminho de conversão a Cristo e seu Evangelho.

Muitos, talvez, esperavam imediatas e até espetaculares reformas na Cúria Romana e nos organismos de governo, que ajudam o Papa em sua missão universal. Francisco começou pedindo reformas nas atitudes e nas disposições de todos os filhos da Igreja; as reformas administrativas da Santa Sé chegam aos poucos e as da Cúria romana ainda devem chegar. Ninguém tenha a ilusão de que, na Igreja, tudo depende só da Cúria romana; Francisco tem falado mais vezes da necessária participação de todos e que cada membro da Igreja faça bem a sua parte, em vista da saúde do corpo inteiro.

Francisco quer uma Igreja que não seja auto-referencial, nem fechada sobre si mesma, mas discípula de Cristo e servidora do Evangelho para o mundo. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (“A Alegria do Evangelho”), ele apresentou as prioridades da missão evangelizadora no mundo atual: católicos felizes e agradecidos pela fé, percebida como dom precioso a ser compartilhado generosamente; uma Igreja que se faz missionária e se coloca em estado permanente de missão; a conversão constante ao autêntico espírito do Evangelho e a superação do “espírito mundano”, constante tentação para os cristãos e a Igreja; a saída para as periferias humanas e sociais e a solidariedade concreta em relação aos pobres.
Há muito para se fazer! Coragem, Papa Francisco, coragem! Deus o ilumine e guarde! E nós, além da admiração pelo Papa vindo da América Latina, também o acompanhemos neste esforço. Coragem, povo de Deus, coragem!

Dom Odilo P. Scherer

Cardeal Arcebispo de São Paulo

Exercícios Espirituais para o Papa e Cúria: A fé é encontro com Deus

Ariccia (RV), 10.março.2014  - O Papa Francisco encontra-se em Ariccia, cidade localizada nos Castelos Romanos, desde à tarde do último domingo, para os Exercícios Espirituais junto com a Cúria Romana.

Os Exercícios Espirituais têm como tema "A purificação do coração", se realizam na Casa Divin Maestro dos religiosos Paulinos e estão sendo pregados pelo Pe. Angelo De Donatis, pároco da Igreja romana de São Marcos Evangelista.

Francisco partiu do Vaticano de ônibus, às 16h locais, de domingo, e chegou a Ariccia antes das 17h. O Papa junto com os membros da Cúria Romana participaram da meditação inicial que começou às 18h locais, e a seguir, da adoração eucarística.

Em sua reflexão, Pe. Donatis falou sobre os comportamentos interiores com os quais se entra nos Exercícios Espirituais, recordando "a necessidade de estar aberto à escuta do Espírito Santo a fim de se preparar para viver uma relação espiritual profunda e pessoal com Deus, para ver toda a realidade e reconhecer o lugar que nela nós ocupamos na perspectiva da luz que vem do Pai".

No final, acolhendo o convite de Pe. Donatis a viver a experiência dos exercícios em espírito quase monástico, os presentes deixaram a capela em silêncio.

Na meditação realizada na manhã desta segunda-feira, após a celebração eucarística, o pregador destacou a passagem evangélica da tempestade acalmada enfatizando como o mundo, ao invés de reconhecer a presença e a obra de Deus, se assusta, pois tem de Deus uma imagem assustadora, a mesma que tinham os discípulos que diante da tempestade não tiveram fé e foram tomados pelo medo.

"Isso acontece quando Cristo não habita em nosso coração, mas quando o nosso coração é habitado por uma religião estéril, a religião de um Deus terrível, horrível, que não tem misericórdia", disse Pe. Donatis.

"Da fé passamos a uma religião onde convivem a afirmação dos fariseus, segundo a qual nos levantamos sozinhos do pecado, e a prática da ascese e estoicismo: é preciso fazer isso, então vou fazer. Mas o Senhor vem através de outros caminhos e nos faz entender que os dois comportamentos não são o caminho certo. Por isso, é necessário purificar o nosso ânimo das falsas imagens de Deus, a fim de iniciar um verdadeiro caminho de vida autêntica", concluiu Pe. Donatis.
O primeiro ano "incansável" de Francisco segundo seu secretário particular, Mons. Xuereb

Cidade do Vaticano, 10.março.2014 (RV) – Celebra-se na próxima quinta-feira o primeiro aniversário da eleição do Papa Francisco à Cátedra de Pedro.

Entre as pessoas que acompanharam de perto o Santo Padre nesses doze meses está seu secretário particular, Mons. Alfred Xuereb, natural de Malta e recentemente nomeado pelo Papa como secretário-geral da Secretaria para a Economia. Nesta entrevista exclusiva à Rádio Vaticano, Mons. Xuereb recorda este primeiro ano com Francisco.

Mons. Xuereb: Eram momentos especiais, que certamente ficarão na história. Um Papa que deixa o seu Pontificado... Desde o dia 28 de fevereiro, o último dia do Pontificado do Papa Bento, quando deixamos definitivamente o Palácio Apostólico, até o dia 15 de março, portanto dois depois da eleição do novo Papa, eu permaneci com o Papa emérito em Castel Gandolfo para fazer-lhe companhia e também ajuda-lo no seu trabalho de secretaria. O momento do afastamento do Papa Bento foi para mim muito doloroso, porque tive a sorte de viver com ele durante cinco anos e meio, e deixá-lo, afastar-me dele foi um momento muito difícil. As coisas foram muito rápidas, eu não sabia que justamente naquele dia deveria fazer as malas e deixar Castel Gandolfo e deixar também o Papa Bento. Mas do Vaticano pediram que me apressasse, que fizesse as malas e fosse para a Casa Santa Marta porque o Papa Francisco estava até mesmo abrindo as correspondências, sozinho: não tinha um secretário que o ajudasse. Naquela manhã, passei várias vezes na capela para ter uma luz, porque me sentia um pouco confuso. Porém estava certo, tinha a clara sensação de que estava sendo guiado do Alto e tinha a percepção de que algo de extraordinário estava acontecendo, também para a minha vida. Depois, entrei chorando no escritório do Papa Bento e, com um nó na garganta, tentei dizer-lhe o quanto estava triste e quanto fosse difícil separar-me dele. Eu lhe agradeci por sua benévola paternidade. Confiei-lhe que todas as experiências vividas no Palácio Apostólico com ele me ajudaram muito a olhar melhor “para as coisas lá de cima”. Depois me ajoelhei para beijar-lhe o anel, que não era mais o do Pescador, e ele, com olhar de paternidade, de ternura, como ele sabe fazer, se levantou e me abençoou.

RV: Qual a lembrança do seu primeiro encontro com o Papa Francisco?

Mons. Xuereb:- Pediu-me que entrasse no seu escritório, me acolheu com sua já famosa cordialidade, e devo dizer que fez uma brincadeira, uma brincadeira – se assim posso defini-la – de Papa! Segurava uma carta e com um tom sério me disse: “Ah, mas aqui temos problemas, alguém não falou muito bem de você!”. Eu fiquei mudo, mas depois entendi que se referia à carta que o Papa Bento lhe enviou para informá-lo que tinha me dispensado e que podia me chamar a seu serviço. Nesta carta, o Papa Bento teve a bondade de listar algumas das minhas qualidades. Depois, o Papa Francisco me convidou a sentar-me no sofá e ele, a meu lado, em uma cadeira. Pediu-me – com muita fraternidade – de auxiliá-lo nesta dura tarefa. Por fim, quis saber qual é a minha relação com os Superiores e com as outras pessoas de certa responsabilidade. Respondi-lhe que tenho uma boa relação com todos, pelo menos no que me diz respeito.

RV: O que o impressiona da personalidade do Papa Francisco, tendo o privilégio de viver todos os dias ao lado dele?

Mons. Xuereb: A sua determinação. Uma convicção que estou certo lhe vem do Alto, porque é um homem profundamente espiritual que busca na oração a inspiração de Deus. Por exemplo, a visita a Lampedusa ele decidiu porque, depois de entrar algumas vezes na capela, lhe veio em continuação esta ideia: ir pessoalmente encontrar essas pessoas, esses náufragos, e chorar os mortos. E quando ele entendeu que essas ideias lhe vinham em mente várias vezes, então estava certo de que Deus queria esta visita. E a realizou mesmo com muito tempo para prepará-la. O mesmo método ele usa para a escolha das pessoas que chama para colaborar de perto com ele.

RV: O Papa Francisco parece incansável em seus encontros, nas audiências... Como vive o seu dia a dia, na Casa Santa Marta?

Mons. Xuereb: Acredite, ele não perde sequer um minuto! Trabalha incansavelmente. E quando sente a necessidade de fazer uma pausa, não é que fecha os olhos e não faz nada: senta e reza o Terço. Creio que reze pelo menos três Terços por dia. E me disse: “Isso me ajuda a relaxar”. Depois recomeça, retoma o trabalho. Recebe uma pessoa depois da outra: os funcionários da portaria da Santa Marta são testemunhas. Escuta com atenção e se lembra com extraordinária capacidade o que ouviu e viu. Dedica-se à meditação logo cedo, pela manhã, preparando também a homilia da Missa na Santa Marta. Depois, escreve cartas, faz ligações, saúda as pessoas que encontra e se informa sobre suas famílias.

Papa Francisco no Angelus: "Devemos nos desfazer de ídolos, de coisas vãs, e construir a nossa vida sobre o essencial"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 9 de março, da janela da residência pontifícia, no Vaticano, com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, num lindo dia de sol.

Queridos irmãos e irmãs,


O Evangelho deste primeiro domingo da Quaresma nos apresenta todos os anos o episódio das tentações de Jesus, quando o Espírito Santo, que desceu sobre Ele depois do Batismo no Rio Jordão, impeliu-o a enfrentar abertamente Satanás no deserto, por quarenta dias, antes de iniciar a sua missão pública.

O tentador procura desviar Jesus do projeto do Pai, isso é, do sacrifício, do amor que oferece a si mesmo em expiação, para fazer-lhe adotar um caminho fácil, de sucesso e de poder. O duelo entre Jesus e Satanás se realiza através de citações da Sagrada Escritura. O diabo, de fato, para desviar Jesus do caminho da cruz, apresenta-lhe as falsas esperanças messiânicas: o bem-estar econômico, indicado pela possibilidade de transformar as pedras em pão; o estilo espetacular e mirabolante, com a idéia de atirar-se do ponto mais alto do templo de Jerusalém e fazer-se salvar pelos anjos; e por fim um atalho do poder e do domínio, em troca de um ato de adoração a Satanás. São três os grupos de tentações: também nós o conhecemos bem!

Jesus resiste decididamente a todas estas tentações e confirma a firme vontade de seguir o caminho estabelecido pelo Pai, sem qualquer compromisso com o pecado e com a lógica do mundo. Reparem bem como responde Jesus. Ele não dialoga com Satanás, como tinha feito Eva no paraíso terrestre. Jesus sabe bem que com Satanás não se pode dialogar, porque é muito esperto. Por isto, Jesus, em vez de dialogar como tinha feito Eva, escolhe refugiar-se na Palavra de Deus e responde com a força desta Palavra. Lembremo-nos disso: no momento da tentação, das nossas tentações, nada de argumentos com Satanás, mas sempre defendidos pela Palavra de Deus! E isto nos salvará. Nas suas respostas a Satanás, o Senhor, usando a Palavra de Deus, recorda-nos, antes de tudo, que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 4; cfr Dt 8, 3); e isto nos dá força, apóia-nos na luta contra a mentalidade mundana que reduz o homem ao nível das necessidades primárias, fazendo-o perder a fome daquilo que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e de seu amor. Lembra também que “também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’” (v. 7), porque o caminho da fé passa também através da escuridão, da dúvida, e se alimenta de paciência e de espera perseverante. Jesus recorda, enfim, que “está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (v. 10), isso é, devemos livrar-nos dos ídolos, das coisas vãs, e construir a nossa vida sobre o essencial.

Estas palavras de Jesus encontrarão depois confirmação em suas ações. A sua absoluta fidelidade ao desígnio de amor do Pai o conduzirá depois de cerca de três anos ao confronto final com o “príncipe deste mundo” (Jo 16, 11), na hora da paixão e da cruz, e ali Jesus resgatará a sua vitória definitiva, a vitória do amor!

Queridos irmãos, o tempo da Quaresma é ocasião propícia para todos nós cumprirmos um caminho de conversão, confrontando-nos sinceramente com esta página do Evangelho. Renovemos as promessas do nosso Batismo: renunciemos a Satanás e a todas as suas obras e seduções – porque é um sedutor ele – para caminhar nas sendas de Deus e “chegar à Páscoa na alegria do Espírito” (Oração coleta do I Domingo da Quaresma Ano A).

Mensagem do Papa ao simpósio do dicastério para os religiosos

8.março.2014


Testemunhar e viver o princípio de gratuidade e a lógica do dom, opondo-se à economia da exclusão e da iniquidade. O Papa não tem dúvidas: «Diante da precariedade em que vive a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo, e perante as fragilidades espirituais e morais de muitas pessoas, em especial dos jovens, sentimo-nos interpelados como comunidade cristã». E por isso é de importância fundamental vigiar para que também os bens eclesiásticos dos institutos de vida consagrada e das sociedades de vida apostólica «sejam administrados com prudência e transparência, tutelados e preservados, unindo a prioritária dimensão carismático-espiritual à dimensão económica e à eficiência, que tem o seu húmus na tradição administrativa dos institutos que não tolera desperdícios e está atenta ao bom uso dos recursos».

É quanto frisa o Santo Padre na mensagem dirigida ao cardeal João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica, por ocasião do congresso internacional organizado pelo dicastério no Antonianum de Roma, durante o qual se medita precisamente sobre a gestão dos bens eclesiásticos de tais institutos.

Depois de citar Paulo VI e o seu apelo a «uma nova e autêntica mentalidade cristã» e a um «novo estilo de vida eclesial», o Papa convida antes de tudo à sobriedade como primeira expressão de «solidariedade amorosa, de partilha e de caridade», alertando contra os ídolos materiais «que ofuscam o sentido genuíno da vida». Uma «pobreza teórica» é inútil, frisa Francisco; ao contrário, é mister «a pobreza que se aprende tocando a carne de Cristo nos humildes, nos pobres, nos doentes, nas crianças».

«Sede ainda hoje, para a Igreja e para o mundo – concluiu – postos avançados de atenção a todos os pobres e a todas as misérias materiais, morais e espirituais, como superação de todo o egoísmo na lógica do Evangelho que ensina a confiar na Providência».
L’Osservatore Romano


Papa Francisco aos institutos religiosos: "Administrem os bens com prudência e transparência"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem, neste sábado, 8 de março, aos participantes do simpósio internacional promovido, em Roma, pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica sobre o tema "A gestão dos bens eclesiásticos, a serviço da humanidade e da missão da Igreja". O encontro reúne ecônomos de institutos e congregações religiosas provenientes de várias partes do mundo.

"O nosso tempo é caracterizado por mudanças relevantes e progressos em várias áreas, com consequências importantes para a vida dos seres humanos. Todavia, não obstante a redução da pobreza, os objetivos atingidos muitas vezes contribuíram para a construção de uma economia de exclusão e iniqüidade", afirma o Papa na nota, acrescentando um trecho de sua Exortação Apostólica Evangelli gaudium que diz: "Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco".

"Diante da precariedade em que vive a maior parte dos homens e mulheres de nosso tempo, como também diante das fragilidades espirituais e morais de muitas pessoas, em particular os jovens, como comunidade cristã, sentimo-nos somos interpelados", frisa ainda o pontífice.

Segundo o Santo Padre, "os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica podem e devem ser sujeitos protagonistas e ativos no viver e testemunhar que o princípio de gratuidade e a lógica do dom encontram o seu espaço na atividade econômica. O carisma de fundação cada instituto está inscrito nesta lógica: no ser dom, como consagrados, vocês dão uma verdadeira contribuição ao desenvolvimento econômico, social e político".

"A fidelidade ao carisma de fundação e ao patrimônio espiritual, e as finalidades próprias de cada instituto permanecem o primeiro critério de avaliação da administração, gestão e de todas as intervenções realizadas nos institutos, em vários níveis: "A natureza do carisma direciona as energias, sustenta a fidelidade e orienta o trabalho apostólico de todos numa única missão", destaca ainda o pontífice.

"É preciso vigiar atentamente para que os bens dos institutos sejam administrados com prudência e transparência, sejam tutelados e preservados, unindo a dimensão carismática e espiritual à dimensão econômica e eficiência, que tem seu próprio humus na tradição administrativa dos institutos que não tolera o desperdício e está atenta ao uso adequado dos recursos", frisa ainda o Santo Padre.

Após o encerramento do Concílio Vaticano II, o Servo de Deus Paulo VI convidou a uma nova e autêntica mentalidade cristã e um novo estilo de vida eclesial. "Notamos, com vigilante atenção, que, num período como o nosso, absorvido inteiramente pela conquista, pela posse e pelo gozo dos bens econômicos, se encontra na opinião pública, dentro e fora da Igreja, o desejo, e quase a necessidade, de ver a pobreza do Evangelho, principalmente onde o Evangelho é pregado e representado", ressalta o Papa Francisco na mensagem recordando as palavras do Papa Paulo VI.

Francisco disse enfatizou esta necessidade na Mensagem para a Quaresma deste ano. "Os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica sempre foram voz profética e testemunho vivo da novidade vibrante, que é Cristo, do configura-se a Ele que se fez pobre enriquecendo-nos com sua pobreza. Esta pobreza amorosa é solidariedade, partilha e caridade e se expressa na sobriedade, na busca da justiça e na alegria do essencial, para pôr-se alerta aos ídolos materiais que ofuscam o verdadeiro sentido da vida", sublinha ainda o Santo Padre.

O Papa conclui a mensagem afirmando que "não é necessária uma pobreza teórica, mas a pobreza que se aprende tocando a carne de Cristo pobre, nos humildes, nos pobres, nos doentes e nas crianças. Vocês são ainda hoje, para a Igreja e para o mundo, as sentinelas da atenção a todos os pobres e a todas as misérias, materiais, morais e espirituais, como superação de todo egoísmo na lógica do Evangelho que ensina a confiar na Providência de Deus".

Papa Francisco: "Leigos são protagonistas na obra de evangelização e promoção humana"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem, nesta sexta-feira, aos responsáveis por associações laicais eclesiais e de inspiração cristã que estão reunidos, até o próximo sábado, dia 8, na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, num encontro promovido pela Diocese de Roma sobre o tema "A missão dos leigos cristãos na cidade".

O Santo Padre frisa um elemento fundamental que pertence aos ensinamentos do Concílio Vaticano II: o fato de que "em virtude do Batismo recebido, os fiéis leigos são protagonistas na obra de evangelização e promoção humana". "Incorporado à Igreja, cada membro do Povo de Deus é inseparavelmente discípulo e missionário. É preciso sempre reiniciar dessa raiz comum a todos nós, filhos da Mãe Igreja", ressalta o Papa.

O pontífice sublinha na nota que "as agregações leigas são, em sua variedade e dinamicidade, um recurso para a Igreja com sua projeção nos vários ambientes e setores da vida social. É bom que elas mantenham um elo vital com as dioceses e paróquias, para não fazerem uma leitura parcial do Evangelho e não se distanciarem da Mãe Igreja".

"Pensando em sua missão na cidade, em contato com as problemáticas sociais e políticas, peço-lhes para fazerem bom uso do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, um instrumento completo e preciso", disse ainda Francisco.

O Papa conclui a mensagem encorajando os responsáveis por associações laicais eclesiais e de inspiração cristã a trabalharem em favor da inclusão social dos pobres, tendo sempre em relação a eles uma atenção religiosa e espiritual prioritária.

O encontro foi aberto pelo Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, com uma palestra sobre o tema "A missão dos leigos cristãos: a profecia do Concílio Vaticano II. A seguir, o Reitor da Universidade Lumsa, Prof. Giuseppe Dalla Torre, fez uma palestra sobre o tema "os leigos cristãos na cidade de Roma: protagonistas de um novo humanismo".

Papa deixa mensagem aos esposos cristãos, hoje em seu twitter:

08/03/2014
O desafio dos esposos cristãos: estar juntos, saber-se amar para sempre e viver de modo que o amor cresça.

Discurso do Papa Francisco ao Conselho Ecumênico de Igrejas

Sexta-feira, 7 de março de 2014

Querido irmão,
Distintos responsáveis pelo Conselho Ecumênico de Igrejas,

Desejo dar a todos as boas vindas. Agradeço ao Rev. Tveit pelas palavras que me dirigiu e por ter-se feito intérprete dos vossos sentimentos. Este encontro marca um importante capítulo das longas e proveitosas relações entre a Igreja Católica e o Conselho Ecumênico de Igrejas. O Bispo de Roma é grato pelo serviço que vocês prestam pela causa da unidade entre os que acreditam em Cristo.

Desde o início, o Conselho Ecumênico das Igrejas ofereceu uma grande contribuição em formar a sensibilidade de todos os cristãos acerca do fato de que as nossas divisões representam um obstáculo pesado ao testemunho do Evangelho no mundo. Essas não são aceitas com resignação, como se fossem simplesmente um componente inevitável da experiência histórica da Igreja. Se os cristãos ignoram o chamado à unidade dirigida a eles pelo Senhor, arriscam ignorar o próprio Senhor e a salvação por Ele oferecida através do seu Corpo, a Igreja: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4, 12).

As relações entre a Igreja Católica e o Conselho Ecumênico das Igrejas, desenvolvidas a partir do tempo do Concílio Vaticano II, fizeram com que, superando as incompreensões recíprocas, pudéssemos alcançar uma sincera colaboração ecumênica e uma crescente “troca de dons” entre as diversas comunidades. O caminho para a comunhão plena e visível é um caminho que resulta ainda hoje árduo e em crescimento. O Espírito, porém, convida-nos a não ter medo, a seguir adiante com confiança, a não nos contentarmos com progressos que pudemos experimentar nestas décadas.

Neste caminho é fundamental a oração. Somente com o espírito de oração humilde e insistente se poderá ter a necessária clarividência, o discernimento e as motivações para oferecer o nosso serviço à família humana, em todas as suas fraquezas e as suas necessidades, sejam espirituais ou materiais.

Queridos irmãos, asseguro-vos a minha oração a fim de que, durante o vosso encontro com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, seja possível identificar o modo mais eficaz para progredir juntos neste caminho. Possa o Espírito do Senhor apoiar cada um de vós e as vossas famílias, os vossos colegas do Conselho Ecumênico de Igrejas e todos aqueles que têm no coração a promoção da unidade. Rezem também vocês por mim, a fim de que o Senhor me conceda ser dócil instrumento de sua vontade e servo da unidade. A paz e a graça do Senhor vos acompanhe.
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Papa: "Jejum também é saber acariciar"

Cidade do Vaticano, 7.março.2014 (RV) - “Eu me envergonho da carne do meu irmão, da minha irmã?”: esta é uma das perguntas feitas pelo Papa Francisco na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta.

O Cristianismo, disse ele, não é uma regra sem alma, um prontuário de regras formais para pessoas que usam a máscara da hipocrisia para esconder um coração vazio de caridade. O Cristianismo é a própria “carne” de Cristo, que se curva sem se envergonhar sobre quem sofre. Para explicar esta contraposição, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia, o diálogo entre Jesus e os doutores da lei, os quais criticam os discípulos pelo fato de não respeitarem o jejum. A questão, afirmou o Papa, é que os doutores da lei transformaram o cumprimento dos Mandamentos numa “formalidade”, esquecendo sua raiz, ou seja, “de que é uma história de salvação, de eleição e de aliança”.

Receber do Senhor o amor de um Pai, receber do Senhor a identidade de um povo e depois transformá-la numa ética, é rejeitar aquele dom de amor. Essas pessoas hipócritas são pessoas boas, fazem tudo o que deve ser feito. Parecem boas! São eticistas, mas eticistas sem bondade, porque perderam seu sentido de pertença a um povo! O Senhor dá a salvação dentro de um povo, na pertença a um povo.

Segundo o Papa Francisco já o profeta Isaías na Primeira Leitura tinha deixado claro qual fosse o jejum na visão de Deus: ‘libertar os que foram presos injustamente, (…) pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, vestir quem está nu’. E o jejum mais difícil apresentou-o Jesus na Parábola do Bom Samaritano – referiu o Papa – ter a capacidade de se inclinar sobre o homem ferido. E não esqueçamos que o sacerdote passa, olha mas não pára, se calhar com medo de contaminar-se.

Este é o jejum que o Senhor quer! Jejum que se preocupa com a vida do irmão, que não sente vergonha – diz o próprio Isaias – da carne do irmão. A nossa perfeição, a nossa santidade vai avante com o nosso povo, no qual nós somos eleitos e inseridos. O nosso maior ato de santidade está justamente na carne do irmão e na carne de Jesus Cristo. O ato de santidade de hoje, nosso, aqui, no altar, não é um jejum hipócrita: não é nos envergonhar da carne de Cristo que vem aqui hoje! É o mistério do Corpo e do Sangue de Cristo. É dividir o pão com o faminto, cuidar dos doentes, dos idosos, daqueles que não podem dar nada em troca: isso é não sentir vergonha da carne!

Isso significa que o “jejum mais difícil”, afirmou ainda o Papa, é “o jejum da bondade”. É o jejum do qual é capaz o Bom Samaritano, que se curva sobre o homem ferido, e não o do sacerdote, que vê o necessitado mas segue avante, talvez com medo de se contaminar. E concluiu: “esta é a proposta da Igreja hoje: eu me envergonho da carne do meu irmão, da minha irmã?”

Quando dou esmola, deixo cair a moeda sem tocar sua mão? E se por acaso a toco, faço assim, logo? (o Papa faz o gesto de limpar a mão na veste). Quando dou esmola, olho nos olhos do meu irmão, da minha irmã? Quando sei que alguém está doente, vou visitá-lo? O saúdo com ternura? Há um sinal que talvez nos ajudará, é uma pergunta: sei acariciar os doentes, os idosos, as crianças, ou perdi o sentido do carinho? Esses hipócritas não sabiam acariciar! Tinham esquecido… Não ter vergonha da carne do nosso irmão: é a nossa carne! Seremos julgados pelo modo como tratamos este irmão, esta irmã.

Hoje o Papa Francisco nos deixou este tweet:

07/03/2014
A nossa alegria mais profunda vem de Cristo: estar com Ele, caminhar com Ele, ser seus discípulos.

Francisco: "Renunciar a si é caminho de vida contra o egoísmo"

Cidade do Vaticano (RV) - Humildade, doçura e generosidade: esse é o estilo cristão... um caminho que passa pela cruz e que leva à alegria, como o de Jesus. Este foi o teor da homilia proferida pelo Papa aos fiéis que na manhã desta quinta-feira, 06.março.2014, participaram da missa na Casa Santa Marta.

Como sempre, Francisco começou citando a liturgia do dia. No Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e me siga”. “É este – ressaltou Francisco – o ‘estilo cristão’, porque Jesus foi o primeiro a percorrer este caminho”.

“Não podemos pensar numa vida cristã fora deste caminho: de humildade, de humilhação, de renúncia a si mesmo para depois se reerguer. Sem a cruz, o estilo cristão não é cristão e se a cruz não tiver Jesus, não é cristã. O estilo cristão toma a cruz com Jesus e vai avante”.

Jesus deu o exemplo – prosseguiu o Pontífice – e mesmo sendo igual a Deus, despojou-se de si mesmo e se fez servo para todos nós.

“Este estilo nos salvará, nos dará alegria e nos fará fecundos, porque o caminho da renúncia de si é contrário ao caminho do egoísmo, do apego aos bens... Este caminho é aberto aos outros porque dá vida”.

Seguir Jesus é alegria desde que O sigamos com o seu estilo, e não com o estilo do mundo. Seguir o estilo cristão significa percorrer o caminho do Senhor, “cada um como pode, para dar vida a outros e não a si mesmos: é o espírito da generosidade”. O nosso egoísmo nos impele a querer aparecer importantes diante dos outros. “Pois bem, o livro da Imitação de Cristo” – observa o Papa - “nos dá um belo conselho: ‘Deseja ser desconhecido e tido por nada’. É a humildade cristã; foi o que Jesus fez, antes de todos”.

“E esta é a nossa alegria e fecundidade: caminhar com Jesus. Outras alegrias não são fecundas; pensam exclusivamente – como diz o Senhor – em conquistar o mundo inteiro, mas no fim, perdem e arruínam a vida. Neste início de Quaresma, peçamos ao Senhor que nos ensine o estilo cristão que implica em serviço, despojamento de nós mesmos e fecundidade com Ele, como Ele a quer”.

Esta foi a mensagem do Santo Padre, hoje em seu twitter:

06/03/2014
Rezemos pelos cristãos que são vítima de perseguição, para que saibam reagir ao mal com o bem.

Padre - homem de misericórdia e compaixão, como Jesus: Papa aos padres de Roma

«Choras? Ou perdemos as lágrimas? Choras pelo teu povo? Recitas a oração de intercessão diante do Tabernáculo? Lutas com o Senhor pelo teu povo? À noite, como concluis o dia? Com o Senhor ou com a televisão? Como é que te relacionas com as crianças, com os idosos, com os doentes? Sabes acariciá-los, ou envergonhas-te de acariciar um idoso?». E ainda: «Conheceis as feridas dos vossos paroquianos? Intuí-las? Estais próximos deles?» O bispo de Roma encontra os sacerdotes da sua diocese para iniciar o caminho quaresmal. Fala-lhes da misericórdia, fazendo uma série de perguntas directas e insistentes. E enriquece a sua reflexão com algumas recordações pessoais, relacionadas com a sua experiência de sacerdote e depois de bispo em Buenos Aires.

Entre outras coisas, conta a história de uma pequena cruz que leva sempre consigo, num saquinho de tecido que tem ao peito, por debaixo da veste, que pertenceu ao seu confessor. O religioso, recordou, morreu numa manhã de Páscoa com mais de 90 anos de idade. O então vigário-geral Bergoglio decidiu homenagear Pe. Aristi, cujos restos mortais encontravam-se na cripta de uma igreja, antes do funeral.

O Santo Padre contou que ali "se encontravam o caixão, somente duas idosas que rezavam, mas nenhuma flor". Para este homem, comentou, "que perdoou os pecados de todo o clero de Buenos Aires, a mim inclusive,
teve até o privilégio de confessar João Paulo II durante uma das suas duas viagens ao país, nem mesmo uma flor". Portanto, o futuro Papa tomou a iniciativa.

Eis como contou o ocorrido, partilhando com os sacerdotes do clero de Roma:

"Subi e fui a uma floricultura – porque em Buenos Aires nos cruzamentos temos floriculturas, nas ruas, nos lugares onde tem muita gente – e comprei flores, rosas... Voltei e comecei a preparar o caixão, com flores... Olhei para o Terço que tinha na mão... e logo me veio em mente – aquele ladrão que todos temos dentro de nós, não? –, e enquanto arrumava as flores peguei a cruz do Terço, com um pouco de força a arranquei. E naquele momento olhei para ele e disse: 'Dá-me a metade da tua misericórdia'. Senti uma coisa forte que me deu a coragem de fazer isso e de fazer essa oração! E depois, aquela cruz a coloquei aqui, no bolso. As vestes do Papa não têm bolsos, mas sempre tenho comigo um pequeno invólucro de tecido, e daquele momento até hoje, aquela cruz está comigo. E quando me vem em mente um pensamento ruim contra alguma pessoa, levo a mão a essa cruz. E sinto a graça! Sinto que me faz bem. Como faz bem o exemplo de um padre misericordioso, de um padre que se aproxima das feridas!..." 


“O padre é homem de misericórdia e compaixão”, próximo da sua gente e servidor de todos. Quem quer que se encontre ferido na própria vida, de qualquer modo que seja, pode nele encontrar atenção e escuta…”capaz de pôr as mãos na carne dos irmãos feridos para os curar. Mas para fazer isto, recorda, é preciso imitar Jesus, o qual «estava sempre a caminho». E era capaz, diz ainda o Papa, de se comover quando via «as pessoas cansadas e desnorteadas, como ovelhas sem pastor». como o bom samaritano, como Jesus o bom pastor. “O padre está chamado a ter um coração que se comove”. “Não ajudam a Igreja os padres assépticos, os padres de laboratório,”

O Papa insistiu que “em toda a Igreja, este é o tempo da misericórdia. E recordou a intuição do Beato João Paulo II, ao canonizar no ano 2000 a Irmã Faustina Kowalska, instituindo também a festa da Divina Misericórdia. Mensagens que nos foram deixadas e que vale a pena retomar. “Toca-nos, como ministros da Igreja – sublinhou – manter viva esta mensagem, sobretudo na pregação e nos gestos, nos sinais, nas opções pastorais”. Que significa “misericórdia”, para um padre? – interrogou-se o Papa, que convidou a aprender de Jesus, que se comovia ao ver o povo disperso e desalentado.

“Jesus tem as vísceras de Deus: está cheio de ternura para com as pessoas, especialmente para com os excluídos, os pecadores, os doentes…

Esta atitude há-de se ver especialmente no sacramento da Reconciliação, no modo de acolher, escutar, aconselhar, absolver…

Aliás, fez notar o Papa Francisco, isto depende do modo como cada um vive por si mesmo este sacramento, o modo “como se deixa abraçar por Deus na Confissão e permanece dentro deste abraço. Quem vive isto no seu coração, pode também dá-lo aos outros no ministério.

A Igreja pode ser pensada como um “hospital de campanha”. É preciso curar as feridas.

“Há tanta gente ferida, por problemas materiais, pelos escândalos, mesmo dentro da Igreja… Gente ferida pelas ilusões do mundo… Nós padres temos que estar ali, junto das pessoas. Misericórdia significa antes de mais curar as feridas.”

O Papa interpelou diretamente os seus padres de Roma, perguntando-lhes se conhecem mesmo as feridas dos seus paroquianos, se estão perto deles.

E concluiu voltando à questão do exercício do Sacramento da Reconciliação. Não se trata de ser laxista ou rigorista. “A verdadeira misericórdia toma a seu cargo a pessoa, escuta-a atentamente, aborda com respeito e com verdade a situação, acompanha-a no caminho de reconciliação. Comporta-se como o Bom Samaritano. O seu coração é capaz de compaixão, como o de Cristo.

Neste contexto, o Papa referiu o “sofrimento pastoral, que é uma forma de misericórdia”. Significa “sofrer por e com as pessoas, como um pai e uma mãe sofrem pelos filhos”. E dirigiu aos padres de Roma algumas perguntas interpeladoras:

“Choras pelo teu povo? Fazes oração de intercessão diante do Santíssimo? Lutas com o Senhor a favor do teu povo, como fez Abraão?”

Aludindo uma vez mais ao Bom Samaritano, o Papa concluiu exortando os padres de Roma a “não terem vergonha da carne do irmão”. “No final dos tempos, será admitido a contemplar a carne glorificada de Cristo só quem não tiver tido vergonha da carne do seu irmão ferido e excluído”.
Radio Vaticano e L'Osservatore Romano

Papa Francisco na missa de imposição das cinzas: "Escolher uma vida sóbria, que não desperdiça, que não descarta"

Cidade do Vaticano, 5.março.2014 (RV) - O Papa Francisco presidiu, na tarde desta quarta-feira, a procissão penitencial que partiu da Basílica de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina, no bairro Aventino, em Roma, onde celebrou a missa com a bênção e imposição das cinzas.

«Dilacerai os vossos corações e não as vossas vestes» (Jl 2, 13).

Com estas palavras penetrantes do profeta Joel, a liturgia introduz-nos hoje na Quaresma, indicando na conversão do coração a característica deste tempo de graça. O apelo profético constitui um desafio para todos nós, sem excluir ninguém, e recorda-nos que a conversão não se reduz a formas externas nem a propósitos indefinidos, mas compromete e transforma a existência inteira a partir do centro da pessoa, da sua consciência. Estamos convidados a empreender um caminho no qual, desafiando a rotina, nos devemos esforçar por abrir os olhos e os ouvidos, mas sobretudo o coração, para irmos além do nosso «pequeno horto».

Abrir-se a Deus e aos irmãos. Sabemos que este mundo cada vez mais artificial nos faz viver numa cultura do «fazer», do «útil», onde sem nos darmos conta excluímos Deus do nosso horizonte. Mas assim excluímos também o próprio horizonte! A Quaresma convida-nos a «despertar», a recordar-nos que somos criaturas, simplesmente que nós não somos Deus. Quando observo, no pequeno ambiente quotidiano, algumas lutas de poder para ocupar espaços, penso comigo mesmo: estas pessoas brincam de Deus Criador. Ainda não compreenderam que elas não são Deus!

E também em relação ao próximo, corremos o risco de nos fecharmos, de o esquecermos. Todavia, somente quando as dificuldades e os sofrimentos dos nossos irmãos nos interpelam, só então podemos encetar o nosso caminho de conversão rumo à Páscoa. Trata-se de um itinerário que abrange a cruz e a renúncia. O Evangelho de hoje indica os elementos deste percurso espiritual: a oração, o jejum e a esmola (cf. Mt 6, 1-6.16-18). Estes três elementos exigem a necessidade de não nos deixarmos dominar pelas aparências: o que conta não é a aparência; o valor da vida não depende da aprovação dos outros nem do sucesso, mas daquilo que temos dentro de nós.

O primeiro elemento é a oração. A oração é a força do cristão e de cada pessoa crente. Na debilidade e fragilidade da nossa vida, podemos dirigir-nos a Deus com confiança filial e entrar em comunhão com Ele. Diante de tantas feridas que nos angustiam e que poderiam tornar o nosso coração insensível, somos chamados a mergulhar no mar da oração, que é o oceano do Amor ilimitado de Deus, para saborear a sua ternura. A Quaresma é tempo de oração, de uma prece mais intensa, mais prolongada, mais assídua e mais capaz de nos tornar responsáveis pelas necessidades dos irmãos; prece de intercessão, a fim de rogar a Deus por tantas situações de pobreza e de sofrimento.

O segundo elemento qualificador do caminho quaresmal é o jejum. Devemos estar atentos a não praticar um jejum formal, ou que na verdade nos «sacia» porque nos faz sentir bons. O jejum só tem sentido se incide deveras sobre a nossa segurança, mas também se beneficiar o nosso próximo, se nos ajudar a cultivar o estilo do bom Samaritano, que se inclina sobre o irmão em dificuldade cuida dele. O jejum comporta a escolha de uma vida sóbria, segundo o seu estilo; uma existência que não desperdiça, uma vida que não «descarta». Jejuar ajuda-nos a treinar o coração para a essencialidade e a partilha. É um sinal de tomada de consciência e de responsabilidade perante as injustiças e os abusos, especialmente em relação aos pobres e aos mais pequeninos; é sinal da confiança que depositamos em Deus e na sua Providência.

Terceiro elemento, a esmola: ela indica a gratuidade, porque na esmola damos a alguém de quem nada esperamos receber em troca. A gratuidade deveria ser uma das características do cristão que, consciente de ter recebido tudo de Deus gratuitamente, ou seja, sem qualquer mérito, aprende também a doar aos outros de modo gratuito. Hoje muitas vezes a gratuidade não faz parte da vida diária, onde tudo se vende e tudo se compra. Tudo é cálculo e medida. A esmola ajuda-nos a viver a gratuidade do dom, que é liberdade da opressão da posse, do medo de perder aquilo que possuímos, da tristeza de quem não quer compartilhar o seu bem-estar com o próximo.

Com os seus convites à conversão, providencialmente, a Quaresma desperta-nos, acorda-nos do torpor e do risco de irmos em frente por inércia. A exortação que o Senhor nos dirige através do profeta Joel é vigorosa e clara: «Voltai para mim com todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Por que motivo devemos voltar para Deus? Porque algo não funciona em nós, na sociedade e na Igreja, e porque temos necessidade de mudar, de fazer uma transformação. E isto chama-se precisar de conversão! Mais uma vez, a Quaresma vem dirigir-nos o seu apelo profético, para nos recordar que é possível realizar algo de novo em nós mesmos ao nosso redor, simplesmente porque Deus é fiel, sempre fiel, porque não pode renegar-se a si mesmo, continua a ser rico de generosidade e de misericórdia, sempre pronto para perdoar e recomeçar de zero. Ponhamo-nos a caminho com esta confiança filial!

O meu primeiro ano como papa. Entrevista com o Papa Francisco


Um ano se passou desde aquele simples "boa noite" que comoveu o mundo. O arco de 12 meses, assim entendidos – não só para a vida da Igreja – custa para conter a grande quantidade de novidades e os muitos sinais profundos da inovação pastoral de Francisco. Estamos em uma salinha de Santa Marta. Uma única janela dá para um pequeno pátio interno que descerra um minúsculo canto de céu azul. O dia está belíssimo, primaveril, quente. O papa sai de repente, quase de súbito, de uma porta, e tem um rosto relaxado, sorridente. Olha divertido para os muitos gravadores que a ansiedade senil de um jornalista colocou sobre uma mesa. "Funcionam? Sim? Bom".






A reportagem é de Ferruccio De Bortoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 05-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


Eis a entrevista.

O balanço de um ano?

Não, os balanços não lhe agradam. "Eu os faço apenas a cada 15 dias, com o meu confessor."

O senhor, Santo Padre, de vez em quando, telefona para quem lhe pede ajuda. E às vezes não acreditam no senhor.

Sim, isso aconteceu. Quando alguém telefona, é porque tem vontade de falar, uma pergunta a fazer, um conselho a pedir. Como padre em Buenos Aires, era mais simples. E para mim continua sendo um hábito. Um serviço. Eu sinto isso dentro de mim. Certamente, agora não é tão fácil fazer isso, dada a quantidade de pessoas que me escrevem.

E há um contato, um encontro que recorda com afeto particular?

Uma senhora viúva, de 80 anos, que havia perdido o filho. Ela me escreveu. E agora eu lhe dou uma telefonadinha a cada mês. Ela está feliz. Eu sou padre. Eu gosto.

As relações com o seu antecessor. Nunca pediu algum conselho a Bento XVI?

Sim. O Papa Emérito não é uma estátua em um museu. É uma instituição. Não estávamos acostumados. Sessenta ou setenta anos, o bispo emérito não existia. Veio depois do Concílio. Hoje, é uma instituição. A mesma coisa deve acontecer para o Papa Emérito. Bento XVI é o primeiro, e talvez haverá outros. Não sabemos. Ele é discreto, humilde, não quer perturbar. Falamos a respeito e decidimos juntos que seria melhor que ele visse pessoas, saísse e participasse da vida da Igreja. Uma vez, ele veio aqui para a bênção da estátua de São Miguel Arcanjo, depois ao almoço em Santa Marta, e, depois do Natal, eu lhe dirigi o convite de participar do Consistório, e ele aceitou. A sua sabedoria é um dom de Deus. Alguns gostariam que ele se retirasse para uma abadia beneditina longe do Vaticano. Eu pensei nos avós que, com a sua sabedoria, os seus conselhos, dão força à família e não merecem acabar em uma casa de repouso.

O seu modo de governar a Igreja pareceu-nos isto: o senhor ouve todos e decide sozinho. Um pouco como o geral dos jesuítas. O papa é um homem sozinho?

Sim e não. Eu entendo o que você quer me dizer. O papa não está sozinho no seu trabalho, porque está acompanhado e é aconselhado por muitos. E seria um homem sozinho se decidisse sem ouvir ou fingindo ouvir. Mas há um momento, quando se trata de decidir, de colocar uma assinatura, em que ele está sozinho apenas o seu senso de responsabilidade.

O senhor inovou, criticou algumas atitudes do clero, sacudiu o Curia. Com alguma resistência, alguma oposição. A Igreja já mudou como o senhor gostaria há um ano?

Em março passado, eu não tinha nenhum projeto de mudança da Igreja. Eu não esperava essa transferência de diocese, digamos assim. Comecei a governar tentando colocar em prática o que havia surgido no debate entre cardeais nas várias Congregações. No meu modo de agir, espero que o Senhor me dê a inspiração. Dou-lhe um exemplo. Falou-se do cuidado espiritual das pessoas que trabalham na Cúria, e começaram-se a fazer retiros espirituais. Devia-se dar mais importância aos Exercícios Espirituais anuais: todos têm o direito de passar cinco dias em silêncio e meditação, enquanto antes, na Cúria, ouviam-se três pregações por dia, e depois alguns continuavam trabalhando.

A ternura e a misericórdia são a essência da sua mensagem pastoral...

E do Evangelho. É o centro do Evangelho. Caso contrário, não se entende Jesus Cristo, a ternura do Pai que o envia para nos ouvir, para nos curar, para nos salvar.

Mas essa mensagem foi compreendida? O senhor disse que a franciscomania não vai durar muito tempo. Há algo na sua imagem pública que não lhe agrada?

Eu gosto de estar entre as pessoas, junto com quem sofre, ir às paróquias. Não me agradam as interpretações ideológicas, uma certa mitologia do Papa Francisco. Quando se diz, por exemplo, que ele sai de noite do Vaticano para ir dar de comer aos sem-teto na Via Ottaviano. Isso nunca me veio à mente. Sigmund Freud dizia, se não me engano, que em toda idealização há uma agressão. Pintar o papa como uma espécie de super-homem, uma espécie de estrela, parece-me ofensivo. O papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilo e tem amigos, como todos. Uma pessoa normal.

Nostalgia pela sua Argentina?

A verdade é que eu não tenho nostalgia. Gostaria de ir encontrar a minha irmã, que está doente, a último de nós cinco. Gostaria de vê-la, mas isso não justifica uma viagem à Argentina: eu a chamo pelo telefone, e isso basta. Não penso em ir antes de 2016, porque na América Latina eu já fui ao Rio. Agora tenho que ir para a Terra Santa, para Ásia e depois para a África.

O senhor recém-renovou o passaporte argentino. O senhor, contudo, ainda é um chefe de Estado.

Eu o renovei porque venceu.

Desagradaram-lhe aquelas acusações de marxismo, especialmente norte-americanas, depois da publicação da Evangelii gaudium?

Nem um pouco. Nunca compartilhei a ideologia marxista, porque não é verdadeira, mas conheci muitas pessoas boas que professavam o marxismo.

Os escândalos que perturbaram a vida da Igreja, felizmente, ficaram para trás. Foi-lhe dirigido, sobre o delicado tema dos abusos de menores, um apelo publicado pelo jornal Il Foglio e assinado, dentre outros, pelos filósofos Besançon e Scruton, para que o senhor faça ouvir a sua voz contra os fanatismos e a má consciência do mundo secularizado que respeita pouco a infância.

Quero dizer duas coisas. Os casos de abuso são terríveis, porque deixam feridas muito profundas. Bento XVI foi muito corajoso e abriu um caminho. A Igreja, nesse caminho, fez muito. Talvez mais do que todos. As estatísticas sobre o fenômeno da violência contra as crianças são impressionantes, mas também mostram com clareza que a grande maioria dos abusos ocorre no ambiente familiar e na vizinhança. A Igreja Católica talvez seja a única instituição pública que se moveu com transparência e responsabilidade. Ninguém mais fez mais. No entanto, a Igreja é a única a ser atacada.

Santo Padre, o senhor diz "os pobres nos evangelizam". A atenção à pobreza, a marca mais forte da sua mensagem pastoral, é confundida por alguns observadores como uma profissão de pauperismo. O Evangelho não condena o bem-estar. E Zaqueu era rico e caridoso.

O Evangelho condena o culto ao bem-estar.O pauperismo é uma das interpretações críticas. Na Idade Média, havia muitas correntes pauperistas. São Francisco teve a genialidade de colocar o tema da pobreza no caminho evangélico. Jesus diz que não se pode servir a dois senhores, Deus e a Riqueza. E, quando formos julgados no juízo final (Mateus 25), vai importar a nossa proximidade com a pobreza. A pobreza afasta da idolatria, abre as portas para a Providência. Zaqueu devolve metade da sua riqueza aos pobres. E a quem têm os celeiros cheios do próprio egoísmo, o Senhor, no fim, apresenta a conta. O que eu penso da pobreza eu bem expressei na Evangelii gaudium.

O senhor indicou na globalização, sobretudo financeira, alguns dos males que agridem a humanidade. Mas a globalização arrancou milhões de pessoas da pobreza. Deu esperança, um sentimento raro que não deve ser confundido com o otimismo.

É verdade, a globalização salvou muitas pessoas da pobreza, mas condenou muitas outras a morrer de fome, porque, com esse sistema econômico, ela se torna seletiva. A globalização na qual a Igreja pensa não se assemelha a uma esfera, em que cada ponto é equidistante do centro e em que, portanto, se perde a peculiaridade dos povos, mas sim a um poliedro, com as suas diversas faces, pelas quais cada povo conserva a sua própria cultura, língua, religião, identidade. A atual globalização "esférica" econômica, e sobretudo financeira, produz um pensamento único, um pensamento fraco. No centro, não há mais a pessoa humana, somente o dinheiro.

O tema da família é central na atividade do Conselho dos oito cardeais. Desde a exortação Familiaris consortio, de João Paulo II, muitas coisas mudaram. Dois sínodos estão sendo programados. Esperam-se grandes novidades. O senhor disse sobre os divorciados: não devem ser condenados, devem ser ajudados.

É um longo caminho que a Igreja deve fazer. Um processo desejado pelo Senhor. Três meses depois da minha eleição, foram submetidos a mim os temas para o Sínodo. Propõe-se a discutir sobre qual era a contribuição de Jesus ao homem contemporâneo. Mas, no fim, com passagens graduais – que para mim foram sinais da vontade de Deus – escolheu-se discutir a família que atravessa uma crise muito séria. É difícil formá-la. Os jovens se casam pouco. Há muitas famílias separadas, nas quais o projeto de vida comum fracassou. Os filhos sofrem muito. Devemos dar uma resposta. Mas, para isso, é preciso refletir muito profundamente. É o que o Consistório e o Sínodo estão fazendo. É preciso evitar ficar na superfície. A tentação de resolver todos os problemas com a casuística é um erro, uma simplificação de coisas profundas, como faziam os fariseus, uma teologia muito superficial. É à luz da reflexão profunda que poderão ser enfrentadas seriamente as situações particulares, mesmo a dos divorciados, com profundidade pastoral.

Por que a conferência do cardeal Walter Kasper (foto) no último Consistório (um abismo entre doutrina sobre o matrimônio e a família, e a vida real de muitos cristãos) dividiu tanto os cardeais? Como o senhor acha que a Igreja pode percorrer esses dois anos de árduo caminho chegando a um amplo e sereno consenso? Se a doutrina é sólida, por que é necessário debate?

O cardeal Kasper fez uma belíssima e profunda apresentação, que em breve será publicada em alemão, e abordou cinco pontos; o quinto era o dos segundos matrimônios. Eu me preocuparia se, no Consistório, não houvesse uma discussão intensa, não serviria para nada. Os cardeais sabiam que podiam dizer o que queriam e apresentaram muitos pontos de vista diferentes, que enriquecem. Os debates fraternos e abertos fazem crescer o pensamento teológico e pastoral. Disso, eu não tenho medo, ao contrário, o busco.

No passado recente, era habitual o apelo aos chamados "valores inegociáveis", sobretudo em bioética e na moral sexual. O senhor não retomou essa fórmula. Os princípios doutrinais e morais não mudaram. Essa escolha significa, talvez, indicar um estilo menos prescritivo e mais respeitoso à consciência pessoal?

Eu nunca compreendi a expressão "valores inegociáveis". Os valores são valores, e basta, não posso dizer que entre os dedos de uma mão haja um menos útil do que os outros.Por isso, não entendo em que sentido possa haver valores inegociáveis. O que eu tinha a dizer sobre o tema da vida, eu escrevi na exortação Evangelii gaudium.

Muitos países regulam as uniões civis. É um caminho que a Igreja pode compreender? Mas até que ponto?

O matrimônio é entre um homem e uma mulher. Os Estados laicos querem justificar as uniões civis para regular diversas situações de convivência, impulsionados pela exigência de regular aspectos econômicos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assistência de saúde. Trata-se de pactos de convivência de várias naturezas, dos quais eu não saberia elencar as diversas formas. É preciso ver os diversos casos e avaliá-los na sua variedade.

Como será promovido o papel das mulheres na Igreja?

Aqui também a casuística não ajuda. É verdade que a mulher pode e deve estar mais presente nos lugares de decisão da Igreja. Mas eu chamaria isso de uma promoção de tipo funcional. Só assim não se faz um longo caminho. Ao contrário, é preciso pensar que a Igreja tem o artigo feminino "a": é feminina desde as suas origens. O grande teólogo Urs von Balthasar trabalhou muito sobre esse tema: o princípio mariano guia a Igreja ao lado do petrino. A Virgem Maria é mais importante do que qualquer bispo e de que qualquer apóstolo. O aprofundamento teologal está em andamento. O cardeal Rylko, com o Conselho dos Leigos, está trabalhando nessa direção com muitas mulheres especialistas em várias matérias.

A meio século da Humanae vitae, de Paulo VI, a Igreja pode retomar o tema do controle de natalidade? O cardeal Martini, seu coirmão, considerava que já havia chegado o momento.

Tudo depende de como é interpretada a Humanae vitae. O próprio Paulo VI, no fim, recomendava muito misericórdia aos confessores, atenção às situações concretas. Mas a sua genialidade foi profética, ele teve a coragem de se inclinar contra a maioria, de defender a disciplina moral, de exercer um freio cultural, de se opor ao neomalthusianismo presente e futuro. A questão não é a de mudar a doutrina, mas sim de ir fundo e fazer com que a pastoral leve em conta as situações e o que é possível fazer para as pessoas. Também sobre isso se falará no caminho do Sínodo.

A ciência evolui e redesenha os limites da vida. Faz sentido prolongar artificialmente a vida em estado vegetativo? O testamento biológico pode ser uma solução?

Eu não sou um especialista nos assuntos bioéticos. E temo que cada frase minha possa ser equivocada. A doutrina tradicional da Igreja diz que ninguém é obrigado a usar meios extraordinários quando se sabe que está em uma fase terminal. Na minha pastoral, nesses casos, eu sempre aconselhei cuidados paliativos. Em casos mais específicos, é bom recorrer, se necessário, ao conselho dos especialistas.

A próxima viagem à Terra Santa levará a um acordo de intercomunhão com os ortodoxos que Paulo VI, há 50 anos, quase tinha chegado a firmar com Atenágoras?

Estamos todos impacientes para obter resultados "fechados". Mas o caminho da unidade com os ortodoxos significa, acima de tudo, caminhar e trabalhar juntos. Em Buenos Aires, nos cursos de catequese, vinham diversos ortodoxos. Eu passava o Natal e o dia 6 de janeiro junto com os seus bispos, que às vezes pediam também conselho aos nossos escritórios diocesanos. Eu não sei se é verdade o episódio que se conta sobre Atenágoras, que teria proposto a Paulo VI que caminhassem juntos e mandassem todos os teólogos a uma ilha para discutir entre si. É uma piada, mas o importante é que caminhemos juntos. A teologia ortodoxa é muito rica. E eu acredito que eles têm grandes teólogos neste momento. A sua visão da Igreja e da sinodalidade é maravilhosa.

Em alguns anos, a maior potência mundial será a China, com a qual o Vaticano não tem relações. Matteo Ricci era jesuíta como o senhor.

Estamos próximos da China. Eu enviei uma carta ao presidente Xi Jinping, quando ele foi eleito, três dias depois de mim. E ele me respondeu. Há relações. É um povo grande ao qual eu quero bem.

Por que, Santo Padre, o senhor nunca fala da Europa? O que não o convence do projeto europeu?

Você se lembra do dia em que eu falei da Ásia? O que eu disse? (Aqui o cronista se aventura em algumas explicações, recolhendo memórias vagas, para depois perceber que havia caído em uma simpática armadilha). Eu não falei nem na Ásia, nem da África, nem da Europa. Só na América Latina, quando estive no Brasil e quando tive que receber a Comissão para a América Latina. Ainda não houve a ocasião para falar da Europa. Ela virá.

Que livro o senhor está lendo nestes dias?

Pietro e Maddalena, de Damiano Marzotto, sobre a dimensão feminina da Igreja. Um belíssimo livro.

E o senhor não consegue ver alguns belos filmes, outra de suas paixões? A grande beleza ganhou o Oscar. O senhor vai vê-lo?

Não sei. O último filme que eu vi foi A vida é bela, de Benigni. E antes tinha revisto A estrada da vida, de Fellini. Uma obra-prima. Eu também gostava de Wajda...

São Francisco teve uma juventude despreocupada. Eu lhe pergunto: o senhor nunca se apaixonou?

No livro O jesuíta, eu conto sobre quando eu tinha uma namoradinha aos 17 anos. E eu também faço referência a isso em Sobre o céu e a terra (Companhias das Letras, 2013), o livro que eu escrevi com Abraham Skorka. No seminário, uma moça me fez virar a cabeça por uma semana.

E como isso acabou, sem querer ser indiscreto?

Eram coisas de jovens. Falei a respeito com o meu confessor (um grande sorriso).

Obrigado, Padre Santo.

Obrigado a você.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO AOS FIÉIS BRASILEIROS POR OCASIÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2014

Quarta-feira, 05 de março de 2014

Queridos brasileiros

Sempre lembrado do coração grande e da acolhida calorosa com que me estenderam os braços na visita de fins de julho passado, peço agora licença para ser companheiro em seu caminho quaresmal, que se inicia no dia 5 de março, falando-lhes da Campanha da Fraternidade que lhes recorda a vitória da Páscoa: «É para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gal 5,1). Com a sua Paixão, Morte e Ressurreição, Jesus Cristo libertou a humanidade das amarras da morte e do pecado. Durante os próximos quarenta dias, procuraremos conscientizar-nos mais e mais da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem: «Estás livre! Vai e ajuda os teus irmãos a serem livres!». Neste sentido, visando mobilizar os cristãos e pessoas de boa vontade da sociedade brasileira para uma chaga social qual é o tráfico de seres humanos, os nossos irmãos bispos do Brasil lhes propõem este ano o tema “Fraternidade e Tráfico Humano”.

Não é possível ficar impassível, sabendo que existem seres humanos tratados como mercadoria! Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz, etc. Isso é tráfico humano! «A este nível, há necessidade de um profundo exame de consciência: de fato, quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado como um objeto, exposto para vender um produto ou para satisfazer desejos imorais? A pessoa humana não se deveria vender e comprar como uma mercadoria. Quem a usa e explora, mesmo indiretamente, torna-se cúmplice desta prepotência» (Discurso aos novos Embaixadores, 12 de dezembro de 2013). Se, depois, descemos ao nível familiar e entramos em casa, quantas vezes aí reina a prepotência! Pais que escravizam os filhos, filhos que escravizam os pais; esposos que, esquecidos de seu chamado para o dom, se exploram como se fossem um produto descartável, que se usa e se joga fora; idosos sem lugar, crianças e adolescentes sem voz. Quantos ataques aos valores basilares do tecido familiar e da própria convivência social! Sim, há necessidade de um profundo exame de consciência. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa, sem se solidarizar com aqueles cuja liberdade aqui na terra é negada?

Queridos brasileiros, tenhamos a certeza: Eu só ofendo a dignidade humana do outro, porque antes vendi a minha. A troco de quê? De poder, de fama, de bens materiais… E isso – pasmem! – a troco da minha dignidade de filho e filha de Deus, resgatada a preço do sangue de Cristo na Cruz e garantida pelo Espírito Santo que clama dentro de nós: «Abbá, Pai!» (cf. Gal 4,6). A dignidade humana é igual em todo o ser humano: quando piso-a no outro, estou pisando a minha. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! No ano passado, quando estive junto de vocês afirmei que o povo brasileiro dava uma grande lição de solidariedade; certo disso, faço votos de que os cristãos e as pessoas de boa vontade possam comprometer-se para que mais nenhum homem ou mulher, jovem ou criança, seja vítima do tráfico humano! E a base mais eficaz para restabelecer a dignidade humana é anunciar o Evangelho de Cristo nos campos e nas cidades, pois Jesus quer derramar por todo o lado vida em abundância (cf. Evangelii gaudium, 75).

Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo sobre todos os brasileiros, para que a vida nova em Cristo lhes alcance, na mais perfeita liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8,21), despertando em cada coração sentimentos de ternura e compaixão por seu irmão e irmã necessitados de liberdade, enquanto de bom grado lhes envio uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 25 de fevereiro de 2014.

Franciscus PP.

Quaresma, tempo de conversão ao amor de Deus e ao amor do próximo: Papa na audiência geral

Nesta Quarta-feira de Cinzas, na audiência geral, na praça de São Pedro, Papa Francisco tratou naturalmente deste tempo "forte", de conversão - 40 dias a caminho da Páscoa. Eis a catequese na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Começa hoje, Quarta-Feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação. A Quaresma nos prepara para este momento tão importante, por isto é um tempo “forte”, um ponto de reviravolta que pode favorecer em cada um de nós a mudança, a conversão. Todos nós temos necessidade de melhorar, de mudar para melhor. A Quaresma nos ajuda e assim saímos dos hábitos cansados e do preguiçoso costume ao mal que nos engana. No tempo quaresmal, a Igreja nos dirige dois importantes convites: adotar uma consciência mais viva da obra redentora de Cristo; viver com mais empenho o próprio Batismo.

A consciência das maravilhas que o Senhor fez para a nossa salvação dispõe a nossa mente e o nosso coração a uma atitude de gratidão para Deus, por quanto Ele nos deu, por tudo aquilo que realiza em favor do seu povo e de toda a humanidade. Daqui parte a nossa conversão: essa é a resposta grata ao mistério maravilhoso do amor de Deus. Quando nós vemos este amor que Deus tem por nós, sentimos a vontade de nos aproximarmos Dele: esta é a conversão.

Viver a fundo o Batismo – eis o segundo convite – significa também não se habituar às situações de degradação e de miséria que encontramos caminhando pelos caminhos das nossas cidades e dos nossos países. Há o risco de aceitar passivamente certos comportamentos e de não se surpreender diante das tristes realidades que nos cercam. Nós nos acostumamos com a violência, como se fosse uma notícia cotidiana deduzida; habituamo-nos aos irmãos e irmãs que dormem pelas ruas, que não têm um teto para abrigar-se. Habituamo-nos aos refugiados em busca de liberdade e dignidade, que não são acolhidos como se deveria. Habituamo-nos a viver em uma sociedade que pretende fazer pouco de Deus, na qual os pais não ensinam mais aos filhos rezar nem fazer o sinal da cruz. Eu pergunto a vocês: os vossos filhos, as vossas crianças sabem fazer o sinal da cruz? Pensem. Os vossos netos sabem fazer o sinal da cruz? Vocês ensinaram a eles? Pensem e respondam no vosso coração. Sabem rezar o Pai Nosso? Sabem rezar à Nossa Senhora com a Ave Maria? Pensem e respondam. Este costume a comportamentos não cristãos e de comodismo narcotiza o nosso coração!

A Quaresma vem a nós como tempo providencial para mudar a rota, para recuperar a capacidade de reagir diante da realidade do mal que sempre nos desafia. A Quaresma seja vivida como tempo de conversão, de renovação pessoal e comunitária mediante a aproximação a Deus e a adesão confiante ao Evangelho. Deste modo, permite-nos também olhar com olhos novos para os irmãos e as suas necessidades. Por isto a Quaresma é um momento favorável para se converter ao amor para com Deus e para com o próximo; um amor que saiba fazer propriamente a atitude de gratuidade e de misericórdia do Senhor, que “fez-se pobre para enriquecer-nos com a sua pobreza” (cfr 2 Cor 8, 9). Meditando sobre os mistérios centrais da fé, a paixão, a cruz e a ressurreição de Cristo, perceberemos que o dom sem medida da Redenção nos foi dado por iniciativa gratuita de Deus.

Dar graças a Deus pelo mistério do seu amor crucificado; fé autêntica, conversão e abertura de coração aos irmãos: estes são elementos essenciais para viver o tempo da Quaresma. Neste caminho, queremos invocar com particular confiança a proteção e a ajuda da Virgem Maria: seja Ela, primeira crente em Cristo, a nos acompanhar nos dias de oração intensa e de penitência, para chegar a celebrar, purificados e renovados no espírito, o grande mistério da Páscoa do seu Filho.                                                                     

Não faltou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa, hoje presentes:
"Com ânimo feliz e agradecido, saúdo o grupo vindo de Ribeirão e Guimarães e também os professores e os alunos das comunidades escolares de Lourinhã e Viana do Castelo. Sobre vós e demais peregrinos de língua portuguesa, invoco a protecção da Virgem Maria. Que Ela vos tome pela mão durante os próximos quarenta dias, ajudando-vos a ficar mais parecidos com Jesus ressuscitado. Desejo-vos uma santa e frutuosa Quaresma!"

Tweet do Papa Francisco, hoje:

05/03/2014
A Quaresma é um tempo propício para a renúncia. Privemo-nos de algo todos os dias para ajudar os outros

Papa Francisco: "Hoje, existem cristãos condenados por possuírem uma Bíblia"

Cidade do Vaticano (RV) - "A cruz está sempre no caminho cristão", foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta terça-feira, 4.março.2014, na Casa Santa Marta, no Vaticano.

O Santo Padre centralizou a sua homilia nas perseguições dos cristãos e advertiu que hoje existem muito mais mártires do que nos primeiros tempos da Igreja.

Comentando a passagem do Evangelho de hoje, em que Pedro diz a Jesus: 'Eis que nós deixamos tudo e te seguimos', o Papa enfatizou a resposta de Jesus: "Eu garanto a vocês que quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim receberá cem vezes mais agora, durante esta vida", mas acrescentou "junto com perseguições".

"Como se quisesse dizer: Sim, vocês deixaram tudo e receberão aqui, na terra, muitas coisas, com perseguições. Como uma salada temperada com o óleo da perseguição, sempre! Este é o ganho do cristão e este é o caminho para quem deseja seguir Jesus, porque é o caminho criado por Ele. Ele foi perseguido! É o caminho do abaixamento, aquele caminho que Paulo disse aos Filipenses: Ele se abaixou. Se fez homem e se humilhou até a morte, morte de cruz'. Esta é a tonalidade da vida cristã."

Nas Bem-Aventuranças Jesus diz: "Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos por causa de mim". Os discípulos, logo depois da vinda do Espírito Santo, começaram a pregar o Evangelho e tiveram início as perseguições. Pedro foi preso, Estevão foi morto e ainda hoje morrem muitos outros discípulos. "A cruz sempre está no caminho cristão. Teremos muitos irmãos, irmãs, mães e pais na Igreja na comunidade cristã, mas teremos também perseguições", frisou ainda o Papa que acrescentou:

"Porque o mundo não tolera a divindade de Cristo. Não tolera o anúncio do Evangelho. Não tolera as Bem-Aventuranças. Eis a perseguição, com palavras, calúnias, com as coisas que diziam dos cristãos nos primeiros séculos, as difamações, o cárcere. Nós nos esquecemos facilmente. Pensemos nos cristãos, sessenta anos atrás, nos campos, nas prisões nazistas e comunistas. Eram muitos! Hoje temos mais cultura e não existem estas coisas? Existem! Hoje, existem muito mais mártires do que nos primeiros tempos da Igreja."

"Muitos irmãos e irmãs que testemunham Jesus são perseguidos. São cristãos que não podem nem ter a Bíblia consigo."

"São condenados porque possuem uma Bíblia. Não podem fazer o sinal da cruz. Este é o caminho de Jesus, mas é um caminho de alegria, porque o Senhor nunca nos prova além daquilo que podemos suportar. A vida cristã não é um obter vantagem comercial, não é uma carreira: é simplesmente seguir Jesus! Mas quando seguimos Jesus acontece isso. Pensemos se temos dentro de nós o desejo de ser corajosos no testemunho de Jesus. Pensemos nos irmãos e irmãs que hoje não podem rezar juntos, porque são perseguidos; não podem ter a Bíblia porque são perseguidos."

O Papa convidou a pensar nos irmãos que não podem ir à missa, porque é proibido. "Muitas vezes eles se reúnem em segredo com um sacerdote e fazem de conta que estão tomando um chá e ali celebram a missa. Isso acontece hoje", disse ainda Francisco.

O Santo Padre exortou a pensar se estamos dispostos a carregar a cruz como Jesus, como fazem muitos irmãos e irmãs que hoje são humilhados e perseguidos. "Este pensamento nos fará bem", concluiu o pontífice.

Leia os tweets do Papa Francisco nestes últimos dias:

04/03/2014
Na vida, todos cometemos tantos erros. Aprendamos a reconhecer os nossos erros e a pedir desculpa.

03/03/2014
Como viver bem o matrimônio? Unidos ao Senhor, que sempre renova o amor e o torna mais forte do que toda e qualquer dificuldade.
Anúncio corajoso e veraz do Evangelho, com as Igrejas em estado de missão - pede Papa Francisco aos Bispos espanhóis

Também na realidade atual, com uma cultura mundana que exclui Deus da vida pública, o Espírito Santo continua a atuar, semeando generosamente nos corações: sublinhou-o o Papa Francisco, recebendo nesta segunda-feira, 3.março.2014, pouco depois do meio-dia, em audiência conjunta, os cerca de 80 Bispos da Conferência Episcopal Espanhola, na conclusão da sua visita “ad limina Apostolorum”.

Num discurso não pronunciado, mas entregue aos Bispos presentes (foto), o Santo Padre exortou-os a um “anúncio corajoso e veraz do evangelho”, para fazer germinar as sementas lançadas pelo Espírito Santo, esmerando-se em “assegurar o seu crescimento com o exemplo, a educação e a proximidade”. Para tal – observou – há que “seguir os passos do Senhor, que veio para servir e não para ser servido, e que soube respeitar com humildade os tempos de Deus e, com paciência, o processo de maturação de cada pessoa”. Há que “escutar cada um com ternura e misericórdia, procurando o que verdadeiramente une e serve para a mútua edificação”.

O Papa Francisco reconheceu a “dura experiência” que constitui para os Bispos espanhóis o confronto com “a indiferença de muitos baptizados”. Precisamente nestes tempos, “em que as mediações da fé são cada vez mais escassas e não faltam dificuldades para a sua transmissão”, as Igrejas locais precisam de estar “num verdadeiro estado de missão permanente”. “A fé – recordou o Papa – não é uma mera herança cultural, mas sim uma prenda, um dom que nasce do encontro pessoal com Jesus e da aceitação livre e feliz da nova vida que nos oferece.”

O Santo Padre recordou, na parte final das suas palavras aos Bispos espanhóis, a actividade a desenvolver com as famílias, a pastoral vocacional e o serviço dos pobres como aspectos prioritários a não esquecer nunca. E concluiu com uma exortação à “colaboração franca e fraterna no seio da Conferência Episcopal”.

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O Papa recebeu também os 200 participantes da assembleia da Federação Italiana dos Exercícios Espirituais, criada há 50 anos para – como afirmam os seus Estatutos, citados pelo Santo Padre - “dar a conhecer os Exercícios Espirituais, entendidos como uma experiência forte de Deus, num clima de escuta da Palavra, em ordem a uma conversão e doação cada vez mais total a Cristo e à Igreja”.

“Propor os Exercícios Espirituais significa convidar a uma experiência de Deus, do seu amor, da sua beleza. Quem vive os Exercícios de modo autêntico experimenta a atração, a fascinação de Deus, e regressa à vida ordinária, ao ministério, às relações quotidianas, renovado, transfigurado, trazendo consigo o perfume de Cristo”.

O Papa fez votos de que não faltem “Casas de Espiritualidade”, com pessoas bem formadas e pregadores preparados, autênticos mestre de espírito. Embora não se deva nunca esquecer que “o protagonista da vida espiritual é o Espírito Santo. É Ele que sustenta todas as nossas iniciativas de bem e de oração”.

Recorde-se que na próxima semana, a partir do domingo dia 9, à tarde e até à sexta-feira, 13 de março, o Santo Padre e bom número dos seus colaboradores mais diretos da Cúria Romana, realizarão os Exercícios Espirituais, numa Casa de Retiros dos arredores de Roma. Pregará um pároco de Roma, mons. Angelo De Donatis.

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Sempre nesta segunda-feira de manhã, o Santo Padre recebeu em audiências sucessivas:- o cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos”;

- mais 10 bispos espanhóis, das províncias eclesiásticas de Oviedo e Santiago de Compostela, liderados pelos respectivos arcebispos metropolitas – D. Jesús Montes e D. Julian Barrio.
Papa: "Conhecer, e não só 'ouvir falar' de Cristo

Cidade do Vaticano (RV) – Francisco recebeu na manhã de segunda-feira, 03, a Federação que sustenta há 150 anos, na Itália, a prática dos Exercícios Espirituais pregados por Santo Inácio.

“Difundir, sustentar e valorizar os Exercícios Espirituais, pois os homens e as mulheres de hoje têm necessidade de encontrar Deus e conhecê-lo e não só de ‘ouvir falar”. Este foi o pedido do Papa aos participantes da Federação Italiana de Exercícios Espirituais, que está completando 50 anos de fundação.

Papa Bergoglio, jesuíta, conhecedor dos Exercícios Inacianos, convidou a Federação a viver este aniversário como uma ocasião para “fazer um balanço, para pensar novamente na história recordando-se das origens e lendo os novos sinais dos tempos”.

A finalidade da Federação, recordou em seu discurso ao grupo, é “difundir os exercícios espirituais como uma experiência forte de Deus em um clima de escuta da Palavra, levando à conversão e à doação sempre mais total a Cristo e à Igreja”.

Depois de recordar que hoje, homens e mulheres precisam conhecer Deus “não só de ouvir falar”, o Pontífice solicitou os pastores a se certificarem se há Casas de Exercícios em suas comunidades, nas quais agentes bem formados, dotados de qualidades doutrinais e espirituais, sejam verdadeiros mestres de espírito”.

“Um bom curso de Exercícios Espirituais – disse ainda Papa Bergoglio – contribui para renovar nos participantes a adesão incondicionada a Cristo e ajuda a entender que a oração é o meio insubstituível de união ao Crucificado”.

Dinheiro impede muitos jovens de seguir Jesus, afirma Papa
Francisco pede orações pelas vocações

“Rezar pelas vocações para que Deus mande sacerdotes e religiosas com o coração entregue a Ele, livres da idolatria da vaidade, do poder e do dinheiro”, foi a exortação do Papa Francisco durante a homilia nesta segunda-feira, 3.março.2014, na Casa Santa Marta.

O Pontífice , a partir da liturgia do dia, falou da figura do jovem que apresentou-se a Jesus e perguntou o que era necessário para ser perfeito e a ele é feita a proposta de vender tudo, dar ao pobres e ser discípulo. Porém, o jovem entristeceu-se pois tinha muitos bens, explica o Papa.

“Seu coração inquieto, por causa do Espírito Santo que o impelia a aproximar-se de  Jesus e segui-lo,  era um coração cheio, e ele não teve coragem de esvaziá-lo. Ele fez a escolha: o dinheiro.  Ele era um homem bom, nunca roubou, nunca! Nunca traiu: era dinheiro honesto. Mas seu coração estava preso lá, ele era apegado ao dinheiro e não teve a liberdade de escolher. O dinheiro escolheu por ele”, enfatizou.

Francisco afirma que nos dias de hoje muitos jovens são chamados ao seguimento de Jesus, mas não têm a coragem de deixar tudo e segui-Lo. A alegria – explica o Papa- que a princípio os impulsiona a aproximar-se de Jesus, torna-se tristeza, pois há algo que o paralisa e não os deixa seguir o Mestre.

“Devemos rezar para que o coração destes jovens possa esvaziar-se, esvaziar-se  de outros interesses, outros amores, para que eles sejam livres. E esta é a oração pelas vocações: “Senhor, envie freiras, envie sacerdotes e defenda-os da idolatria, da idolatria da vaidade, do orgulho, da idolatria do poder e do dinheiro”, ensinou Francisco.

Por fim, o Papa pediu orações pelas vocações, de modo que o “Senhor possa entrar nos corações  e dotar-lhes da  alegria indizível daqueles que  seguem Jesus de perto”.
L ´Osservatore Romano




Papa fala sobre a quaresma e faz apelo de paz para Ucrânia Angelus DOMINGO, 2 DE MARÇO DE 2014, 10H59
Francisco recordou  que a humanidade tem necessidade de justiça, reconciliação e paz, e pediu a todos uma atitude de  solidariedade fraterna.

O Papa Francisco  recordou que a Quaresma “é o caminho de conversão, de luta contra o mal, com as armas da oração, do jejum, da misericórdia”.

Antes do Angelus, o Papa comentou como de costume a liturgia desde domingo. Segundo Francisco esta liturgia evoca “uma das verdades mais reconfortantes: a Providência divina”.  Francisco explicou porém que a providência pode parecer ilusória a quem vive em situação de precariedade ou de miséria, mas que as palavras de Jesus são atuais, e recordam que não se pode servir a dois senhores: Deus e a riqueza.

“Enquanto cada um cuidar de acumular para si, nunca haverá justiça. Se, pelo contrário, confiando na providência de Deus, procurarmos conjuntamente o seu Reino, então não faltará a ninguém o necessário para viver de modo digno”.

“Um coração ocupado pela avidez de possuir é um coração vazio de Deus”, advertiu o Papa. “Num coração possuído pelas riquezas, não há muito lugar para a fé”. O Papa destacou que só dando a Deus o lugar que lhe compete, o primeiro lugar, é que somos levados pelo amor a partilhar os bens com quem precisa, ao serviço de projetos de solidariedade e de desenvolvimento.

“O caminho indicado por Jesus pode parecer pouco realista, em relação à mentalidade comum e aos problemas da crise económica, mas, pensando bem, conduz-nos à justa escala de valores. Diz Jesus ‘A vida não vale mais do que o alimento, mais do que a roupa?’ Para fazer com que a ninguém falte pão, água, roupa, casa, trabalho, saúde, é preciso que todos nos reconheçamos filhos do Pai que está nos céus, e portanto irmãos entre nós, e nos comportemos em conformidade”.

O Papa concluiu recordando o tema do Dia Mundial da Paz, celebrado 1 de janeiro: “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, dirigindo o olhar para Nossa Senhora, Mãe da divina providência: A ela confiamos a nossa existências, o caminho da Igreja e da humanidade.

Ucrânia

O Papa Francisco recordou hoje que “a humanidade tem necessidade de justiça, de reconciliação e de paz” e pediu a todos uma atitude de reconciliação e de solidariedade fraterna em relação a “todos os que, nestes tempos, são provados pela indigência e por conflitos armados”.}

Não faltou um apelo à oração pela Ucrânia: “Peço-vos que continueis a rezar pela Ucrânia, que está a viver uma situação delicada. Ao mesmo tempo que faço votos de que todas as componentes do país se empenhem em superar as incompreensões e em construir conjuntamente o futuro da Nação, dirijo à comunidade internacional um premente apelo para que apoie toda e qualquer iniciativa a favor do diálogo e da concórdia”.

O Papa Francisco twittou neste Domingo:

01/03/2014
Agradecemos a todos aqueles que ensinam nas escolas católicas. Educar é um ato de amor, é como dar a vida.