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A resposta que damos a Deus hoje incide no nosso futuro - Papa no Te Deum de ação de graças pelo ano de 2013


Neste dia 31 de Dezembro, como é tradição, o Papa Francisco presidiu às 17 horas, na Basílica de São Pedro, à celebração das primeiras Vésperas da celebração litúrgica do dia 1 de Janeiro concluindo com o cântico de Te Deum em ação de graças pelo ano de 2013.

Este momento de oração final do ano está tradicionalmente ligado à capital italiana, pelo que nela participou o Vigário para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, com todos os bispos auxiliares.

Na homilia que proferiu, o Papa Francisco disse que o Apóstolo João define o tempo presente como “a última hora”. E o Papa explicou que isto significa que, com a vinda de Deus na História, estamos já nos últimos tempos depois dos quais será a segunda e definitiva vinda de Jesus. Não haverá, contudo - disse - uma segunda revelação, mas sim a plenitude dos tempos, plenitude de significado e salvação, ou seja a manifestação plena daquilo que Jesus nos revelou; significa que ”cada momento da nossa vida é definitivo e cada uma das nossas ações estão carregadas de eternidade. Com efeito – prosseguiu o Papa - "a resposta que damos hoje a Deus que nos ama em Jesus Cristo, incide no nosso futuro”.

A visão cristã do tempo e da História – disse Francisco – não é cíclica, mas sim linear, é um caminho que vai em direcção à realização plena. “Cada ano que passa nos leva para essa meta de esperança e felicidade, porque encontraremos Deus, razão da nossa esperança e fonte da nossa letícia”.

Depois destas reflexões de caráter teológico o Papa frisou que nesta chegada de fim de ano nos perguntamos como vivemos o tempo que Deus nos deu, usamo-lo só para os nossos interesses ou para os irmãos, e quanto tempo dedicamos a Deus em oração, no silêncio?

E tratando-se duma cerimônia dedicada essencialmente, como dizíamos, à cidade de Roma, o Papa recordou que a qualidade de vida na cidade depende dos seus cidadãos – acrescentando:
“Roma é uma cidade de uma beleza única. O seu patrimônio espiritual e cultural é extraordinário. No entanto, também em Roma há pessoas marcadas pela miséria material e moral, pessoas pobres, infelizes, sofredoras, que interpelam a consciência não só dos responsáveis públicos, mas também de cada cidadão.”

E o Papa prosseguiu:
“Roma é uma cidade cheia de turistas, mas também de refugiados. Roma está cheia de gente que trabalha, mas também de pessoas que não têm trabalho ou que desempenham trabalhos mal pagos e por vezes indignos: Mas todos têm direito a ser tratados com a mesma atitude de acolhimento e equidade, porque cada um é portador da dignidade humana”.

O Papa Francisco concluiu a sua homilia dizendo que a Roma do novo ano terá um rosto mais belo, se for mais rica em humanidade, hospitalidade, acolhimento, se todos – sublinhou - “formos mais atentos e generosos em relação às pessoas em dificuldade; se soubermos colaborar com espírito construtivo e solidário para o bem de todos. (…) Se não houver pessoas que olham tudo da varanda sem se deixar envolver nas vicissitudes da humanidade.”

E o Papa incitou a Igreja de Roma a empenhar-se em dar o próprio contributo para o melhoramento da vida na cidade, animando-a com o fermento do Evangelho, e ajudando-a a ser sinal e instrumento da misericórdia de Deus.

Por fim o Papa encorajou todos a concluir o Ano de 2013 agradecendo ao Deus, pedindo perdão e iniciando uma nova etapa da nossa peregrinação terrena com a ajuda de Nossa Senhora Mãe de Deus, cujo nome se celebra no dia 1º de Janeiro.

No final do Te Deum, o Papa deslocou-se à Praça de São Pedro para uma homenagem orante ao Presépio instalado no centro da mesma.
Radio Vaticano


Neste último dia do ano de 2013, o Papa Francisco também nos escreveu uma mensagem em seu twitter:




31/12/2013
Do presépio tiremos a alegria e paz profunda, que Jesus vem trazer ao mundo.



MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO  XLVII DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2014


FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ

1. Nesta minha primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz, desejo formular a todos, indivíduos e povos, votos duma vida repleta de alegria e esperança. Com efeito, no coração de cada homem e mulher, habita o anseio duma vida plena que contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar.

Na realidade, a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor.

O número sempre crescente de ligações e comunicações que envolvem o nosso planeta torna mais palpável a consciência da unidade e partilha dum destino comum entre as nações da terra. Assim, nos dinamismos da história – independentemente da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas –, vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros. Contudo, ainda hoje, esta vocação é muitas vezes contrastada e negada nos factos, num mundo caracterizado pela «globalização da indiferença» que lentamente nos faz «habituar» ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos.

Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante disso mesmo é o dramático fenómeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos. Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas.

A globalização, como afirmou Bento XVI, torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos.[1] As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência duma cultura de solidariedade. As novas ideologias, caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados «inúteis». Assim, a convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des pragmático e egoísta.

Ao mesmo tempo, resulta claramente que as próprias éticas contemporâneas se mostram incapazes de produzir autênticos vínculos de fraternidade, porque uma fraternidade privada da referência a um Pai comum como seu fundamento último não consegue subsistir.[2] Uma verdadeira fraternidade entre os homens supõe e exige uma paternidade transcendente. A partir do reconhecimento desta paternidade, consolida-se a fraternidade entre os homens, ou seja, aquele fazer-se «próximo» para cuidar do outro.

«Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9)

2. Para compreender melhor esta vocação do homem à fraternidade e para reconhecer de forma mais adequada os obstáculos que se interpõem à sua realização e identificar as vias para a superação dos mesmos, é fundamental deixar-se guiar pelo conhecimento do desígnio de Deus, tal como se apresenta de forma egrégia na Sagrada Escritura.

Segundo a narração das origens, todos os homens provêm dos mesmos pais, de Adão e Eva, casal criado por Deus à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26), do qual nascem Caim e Abel. Na história desta família primigénia, lemos a origem da sociedade, a evolução das relações entre as pessoas e os povos.

Abel é pastor, Caim agricultor. A sua identidade profunda e, conjuntamente, a sua vocação é ser irmãos, embora na diversidade da sua actividade e cultura, da sua maneira de se relacionarem com Deus e com a criação. Mas o assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos. A sua história (cf. Gn 4, 1-16) põe em evidência o difícil dever, a que todos os homens são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros. Caim, não aceitando a predilecção de Deus por Abel, que Lhe oferecia o melhor do seu rebanho – «o Senhor olhou com agrado para Abel e para a sua oferta, mas não olhou com agrado para Caim nem para a sua oferta» (Gn 4, 4-5) –, mata Abel por inveja. Desta forma, recusa reconhecer-se irmão, relacionar-se positivamente com ele, viver diante de Deus, assumindo as suas responsabilidades de cuidar e proteger o outro. À pergunta com que Deus interpela Caim – «onde está o teu irmão?» –, pedindo-lhe contas da sua acção, responde: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Depois – diz-nos o livro do Génesis –, «Caim afastou-se da presença do Senhor» (4, 16).

É preciso interrogar-se sobre os motivos profundos que induziram Caim a ignorar o vínculo de fraternidade e, simultaneamente, o vínculo de reciprocidade e comunhão que o ligavam ao seu irmão Abel. O próprio Deus denuncia e censura a Caim a sua contiguidade com o mal: «o pecado deitar-se-á à tua porta» (Gn 4, 7). Mas Caim recusa opor-se ao mal, e decide igualmente «lançar-se sobre o irmão» (Gn 4, 8), desprezando o projeto de Deus. Deste modo, frustra a sua vocação original para ser filho de Deus e viver a fraternidade.

A narração de Caim e Abel ensina que a humanidade traz inscrita em si mesma uma vocação à fraternidade, mas também a possibilidade dramática da sua traição. Disso mesmo dá testemunho o egoísmo diário, que está na base de muitas guerras e injustiças: na realidade, muitos homens e mulheres morrem pela mão de irmãos e irmãs que não sabem reconhecer-se como tais, isto é, como seres feitos para a reciprocidade, a comunhão e a doação.

«E vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8)

3. Surge espontaneamente a pergunta: poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?

Parafraseando as palavras do Senhor Jesus, poderemos sintetizar assim a resposta que Ele nos dá: dado que há um só Pai, que é Deus, vós sois todos irmãos (cf. Mt 23, 8-9). A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens (cf. Mt 6, 25-30). Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha activa.

Em particular, a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o «lugar» definitivo de fundação da fraternidade que os homens, por si sós, não são capazes de gerar. Jesus Cristo, que assumiu a natureza humana para a redimir, amando o Pai até à morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 8), por meio da sua ressurreição constitui-nos como humanidade nova, em plena comunhão com a vontade de Deus, com o seu projecto, que inclui a realização plena da vocação à fraternidade.

Jesus retoma o projecto inicial do Pai, reconhecendo-Lhe a primazia sobre todas as coisas. Mas Cristo, com o seu abandono até à morte por amor do Pai, torna-Se princípio novo e definitivo de todos nós, chamados a reconhecer-nos n’Ele como irmãos, porque filhos do mesmo Pai. Ele é a própria Aliança, o espaço pessoal da reconciliação do homem com Deus e dos irmãos entre si. Na morte de Jesus na cruz, ficou superada também a separação entre os povos, entre o povo da Aliança e o povo dos Gentios, privado de esperança porque permanecera até então alheio aos pactos da Promessa. Como se lê na Carta aos Efésios, Jesus Cristo é Aquele que reconcilia em Si todos os homens. Ele é a paz, porque, dos dois povos, fez um só, derrubando o muro de separação que os dividia, ou seja, a inimizade. Criou em Si mesmo um só povo, um só homem novo, uma só humanidade nova (cf. 2,14-16).

Quem aceita a vida de Cristo e vive n’Ele, reconhece Deus como Pai e a Ele Se entrega totalmente, amando-O acima de todas as coisas. O homem reconciliado vê, em Deus, o Pai de todos e, consequentemente, é solicitado a viver uma fraternidade aberta a todos. Em Cristo, o outro é acolhido e amado como filho ou filha de Deus, como irmão ou irmã, e não como um estranho, menos ainda como um antagonista ou até um inimigo. Na família de Deus, onde todos são filhos dum mesmo Pai e, porque enxertados em Cristo, filhos no Filho, não há «vidas descartáveis». Todos gozam de igual e inviolável dignidade; todos são amados por Deus, todos foram resgatados pelo sangue de Cristo, que morreu na cruz e ressuscitou por cada um. Esta é a razão pela qual não se pode ficar indiferente perante a sorte dos irmãos.

A fraternidade, fundamento e caminho para a paz

4. Suposto isto, é fácil compreender que a fraternidade é fundamento e caminho para a paz. As Encíclicas sociais dos meus Predecessores oferecem uma ajuda valiosa neste sentido. Basta ver as definições de paz da Populorum progressio, de Paulo VI, ou da Sollicitudo rei socialis, de João Paulo II. Da primeira, apreendemos que o desenvolvimento integral dos povos é o novo nome da paz[3] e, da segunda, que a paz é opus solidaritatis, fruto da solidariedade.[4]

Paulo VI afirma que tanto as pessoas como as nações se devem encontrar num espírito de fraternidade. E explica: «Nesta compreensão e amizade mútuas, nesta comunhão sagrada, devemos (...) trabalhar juntos para construir o futuro comum da humanidade».[5] Este dever recai primariamente sobre os mais favorecidos. As suas obrigações radicam-se na fraternidade humana e sobrenatural, apresentando-se sob um tríplice aspecto: o dever de solidariedade, que exige que as nações ricas ajudem as menos avançadas; o dever de justiça social, que requer a reformulação em termos mais correctos das relações defeituosas entre povos fortes e povos fracos; o dever de caridade universal, que implica a promoção de um mundo mais humano para todos, um mundo onde todos tenham qualquer coisa a dar e a receber, sem que o progresso de uns seja obstáculo ao desenvolvimento dos outros.[6]

Ora, da mesma forma que se considera a paz como opus solidarietatis, é impossível não pensar que o seu fundamento principal seja a fraternidade. A paz, afirma João Paulo II, é um bem indivisível: ou é bem de todos, ou não o é de ninguém. Na realidade, a paz só pode ser conquistada e usufruída como melhor qualidade de vida e como desenvolvimento mais humano e sustentável, se estiver viva, em todos, «a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum».[7] Isto implica não deixar-se guiar pela «avidez do lucro» e pela «sede do poder». É preciso estar pronto a «“perder-se” em benefício do próximo em vez de o explorar, e a “servi-lo” em vez de o oprimir para proveito próprio (...). O “outro” – pessoa, povo ou nação – [não deve ser visto] como um instrumento qualquer, de que se explora, a baixo preço, a capacidade de trabalhar e a resistência física, para o abandonar quando já não serve; mas sim como um nosso “semelhante”, um “auxílio”».[8]

A solidariedade cristã pressupõe que o próximo seja amado não só como «um ser humano com os seus direitos e a sua igualdade fundamental em relação a todos os demais, mas [como] a imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objeto da ação permanente do Espírito Santo»,[9] como um irmão. «Então a consciência da paternidade comum de Deus, da fraternidade de todos os homens em Cristo, “filhos no Filho”, e da presença e da ação vivificante do Espírito Santo conferirá – lembra João Paulo II – ao nosso olhar sobre o mundo como que um novo critério para o interpretar»,[10] para o transformar.

A fraternidade, premissa para vencer a pobreza

5. Na Caritas in veritate, o meu Predecessor lembrava ao mundo que uma causa importante da pobreza é a falta de fraternidade entre os povos e entre os homens.[11] Em muitas sociedades, sentimos uma profunda pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias; assistimos, preocupados, ao crescimento de diferentes tipos de carências, marginalização, solidão e de várias formas de dependência patológica. Uma tal pobreza só pode ser superada através da redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos presentes na vida das pessoas.

Além disso, se por um lado se verifica uma redução da pobreza absoluta, por outro não podemos deixar de reconhecer um grave aumento da pobreza relativa, isto é, de desigualdades entre pessoas e grupos que convivem numa região específica ou num determinado contexto histórico-cultural. Neste sentido, servem políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos «capitais», aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projecto de vida e possa desenvolver-se plenamente como pessoa.

Reconhece-se haver necessidade também de políticas que sirvam para atenuar a excessiva desigualdade de rendimento. Não devemos esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social, segundo a qual, se é lícito – como diz São Tomás de Aquino – e mesmo necessário que «o homem tenha a propriedade dos bens»,[12] quanto ao uso, porém, «não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros».[13]

Por último, há uma forma de promover a fraternidade – e, assim, vencer a pobreza – que deve estar na base de todas as outras. É o desapego vivido por quem escolhe estilos de vida sóbrios e essenciais, por quem, partilhando as suas riquezas, consegue assim experimentar a comunhão fraterna com os outros. Isto é fundamental, para seguir Jesus Cristo e ser verdadeiramente cristão. É o caso não só das pessoas consagradas que professam voto de pobreza, mas também de muitas famílias e tantos cidadãos responsáveis que acreditam firmemente que a relação fraterna com o próximo constitua o bem mais precioso.

A redescoberta da fraternidade na economia

6. As graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável. Já, em 1979, o Papa João Paulo II alertava para a existência de «um real e perceptível perigo de que, enquanto progride enormemente o domínio do homem sobre o mundo das coisas, ele perca os fios essenciais deste seu domínio e, de diversas maneiras, submeta a elas a sua humanidade, e ele próprio se torne objecto de multiforme manipulação, se bem que muitas vezes não directamente perceptível; manipulação através de toda a organização da vida comunitária, mediante o sistema de produção e por meio de pressões dos meios de comunicação social».[14]

As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida. A crise actual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza. Elas podem ajudar-nos a superar os momentos difíceis e a redescobrir os laços fraternos que nos unem uns aos outros, com a confiança profunda de que o homem tem necessidade e é capaz de algo mais do que a maximização do próprio lucro individual. As referidas virtudes são necessárias sobretudo para construir e manter uma sociedade à medida da dignidade humana.

A fraternidade extingue a guerra

7. Ao longo do ano que termina, muitos irmãos e irmãs nossos continuaram a viver a experiência dilacerante da guerra, que constitui uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade.

Há muitos conflitos que se consumam na indiferença geral. A todos aqueles que vivem em terras onde as armas impõem terror e destruição, asseguro a minha solidariedade pessoal e a de toda a Igreja. Esta última tem por missão levar o amor de Cristo também às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror. De igual modo a Igreja levanta a sua voz para fazer chegar aos responsáveis o grito de dor desta humanidade atribulada e fazer cessar, juntamente com as hostilidades, todo o abuso e violação dos direitos fundamentais do homem.[15]

Por este motivo, desejo dirigir um forte apelo a quantos semeiam violência e morte, com as armas: naquele que hoje considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! Renunciai à via das armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação para reconstruir a justiça, a confiança e esperança ao vosso redor! «Nesta óptica, torna-se claro que, na vida dos povos, os conflitos armados constituem sempre a deliberada negação de qualquer concórdia internacional possível, originando divisões profundas e dilacerantes feridas que necessitam de muitos anos para se curarem. As guerras constituem a rejeição prática de se comprometer para alcançar aquelas grandes metas económicas e sociais que a comunidade internacional estabeleceu».[16]

Mas, enquanto houver em circulação uma quantidade tão grande como a actual de armamentos, poder-se-á sempre encontrar novos pretextos para iniciar as hostilidades. Por isso, faço meu o apelo lançado pelos meus Predecessores a favor da não-proliferação das armas e do desarmamento por parte de todos, a começar pelo desarmamento nuclear e químico.

Não podemos, porém, deixar de constatar que os acordos internacionais e as leis nacionais, embora sendo necessários e altamente desejáveis, por si sós não bastam para preservar a humanidade do risco de conflitos armados. É precisa uma conversão do coração que permita a cada um reconhecer no outro um irmão do qual cuidar e com o qual trabalhar para, juntos, construírem uma vida em plenitude para todos. Este é o espírito que anima muitas das iniciativas da sociedade civil, incluindo as organizações religiosas, a favor da paz. Espero que o compromisso diário de todos continue a dar fruto e que se possa chegar também à efectiva aplicação, no direito internacional, do direito à paz como direito humano fundamental, pressuposto necessário para o exercício de todos os outros direitos.

A corrupção e o crime organizado contrastam a fraternidade

8. O horizonte da fraternidade apela ao crescimento em plenitude de todo o homem e mulher. As justas ambições duma pessoa, sobretudo se jovem, não devem ser frustradas nem lesadas; não se lhe deve roubar a esperança de podê-las realizar. A ambição, porém, não deve ser confundida com prevaricação; pelo contrário, é necessário competir na mútua estima (cf. Rm 12, 10). Mesmo nas disputas, que constituem um aspecto inevitável da vida, é preciso recordar-se sempre de que somos irmãos; por isso, é necessário educar e educar-se para não considerar o próximo como um inimigo nem um adversário a eliminar.

A fraternidade gera paz social, porque cria um equilíbrio entre liberdade e justiça, entre responsabilidade pessoal e solidariedade, entre bem dos indivíduos e bem comum. Uma comunidade política deve, portanto, agir de forma transparente e responsável para favorecer tudo isto. Os cidadãos devem sentir-se representados pelos poderes públicos, no respeito da sua liberdade. Em vez disso, muitas vezes, entre cidadão e instituições, interpõem-se interesses partidários que deformam essa relação, favorecendo a criação dum clima perene de conflito.

Um autêntico espírito de fraternidade vence o egoísmo individual, que contrasta a possibilidade das pessoas viverem em liberdade e harmonia entre si. Tal egoísmo desenvolve-se, socialmente, quer nas muitas formas de corrupção que hoje se difunde de maneira capilar, quer na formação de organizações criminosas – desde os pequenos grupos até àqueles organizados à escala global – que, minando profundamente a legalidade e a justiça, ferem no coração a dignidade da pessoa. Estas organizações ofendem gravemente a Deus, prejudicam os irmãos e lesam a criação, revestindo-se duma gravidade ainda maior se têm conotações religiosas.

Penso no drama dilacerante da droga com a qual se lucra desafiando leis morais e civis, na devastação dos recursos naturais e na poluição em curso, na tragédia da exploração do trabalho; penso nos tráficos ilícitos de dinheiro como também na especulação financeira que, muitas vezes, assume caracteres predadores e nocivos para inteiros sistemas económicos e sociais, lançando na pobreza milhões de homens e mulheres; penso na prostituição que diariamente ceifa vítimas inocentes, sobretudo entre os mais jovens, roubando-lhes o futuro; penso no abomínio do tráfico de seres humanos, nos crimes e abusos contra menores, na escravidão que ainda espalha o seu horror em muitas partes do mundo, na tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade. A este respeito escreveu João XXIII: «Uma convivência baseada unicamente em relações de força nada tem de humano: nela vêem as pessoas coarctada a própria liberdade, quando, pelo contrário, deveriam ser postas em condição tal que se sentissem estimuladas a procurar o próprio desenvolvimento e aperfeiçoamento».[17] Mas o homem pode converter-se, e não se deve jamais desesperar da possibilidade de mudar de vida. Gostaria que isto fosse uma mensagem de confiança para todos, mesmo para aqueles que cometeram crimes hediondos, porque Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cf. Ez 18, 23).

No contexto alargado da sociabilidade humana, considerando o delito e a pena, penso também nas condições desumanas de muitos estabelecimentos prisionais, onde frequentemente o preso acaba reduzido a um estado sub-humano, violado na sua dignidade de homem e sufocado também em toda a vontade e expressão de resgate. A Igreja faz muito em todas estas áreas, a maior parte das vezes sem rumor. Exorto e encorajo a fazer ainda mais, na esperança de que tais acções desencadeadas por tantos homens e mulheres corajosos possam cada vez mais ser sustentadas, leal e honestamente, também pelos poderes civis.

A fraternidade ajuda a guardar e cultivar a natureza

9. A família humana recebeu, do Criador, um dom em comum: a natureza. A visão cristã da criação apresenta um juízo positivo sobre a licitude das intervenções na natureza para dela tirar benefício, contanto que se actue responsavelmente, isto é, reconhecendo aquela «gramática» que está inscrita nela e utilizando, com sabedoria, os recursos para proveito de todos, respeitando a beleza, a finalidade e a utilidade dos diferentes seres vivos e a sua função no ecossistema. Em suma, a natureza está à nossa disposição, mas somos chamados a administrá-la responsavelmente. Em vez disso, muitas vezes deixamo-nos guiar pela ganância, pela soberba de dominar, possuir, manipular, desfrutar; não guardamos a natureza, não a respeitamos, nem a consideramos como um dom gratuito de que devemos cuidar e colocar ao serviço dos irmãos, incluindo as gerações futuras.

De modo particular o sector produtivo primário, o sector agrícola, tem a vocação vital de cultivar e guardar os recursos naturais para alimentar a humanidade. A propósito, a persistente vergonha da fome no mundo leva-me a partilhar convosco esta pergunta: De que modo usamos os recursos da terra? As sociedades actuais devem reflectir sobre a hierarquia das prioridades no destino da produção. De facto, é um dever impelente que se utilizem de tal modo os recursos da terra, que todos se vejam livres da fome. As iniciativas e as soluções possíveis são muitas, e não se limitam ao aumento da produção. É mais que sabido que a produção actual é suficiente, e todavia há milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome, o que constitui um verdadeiro escândalo. Por isso, é necessário encontrar o modo para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não só para evitar que se alargue o fosso entre aqueles que têm mais e os que devem contentar-se com as migalhas, mas também e sobretudo por uma exigência de justiça e equidade e de respeito por cada ser humano. Neste sentido, gostaria de lembrar a todos o necessário destino universal dos bens, que é um dos princípios fulcrais da doutrina social da Igreja. O respeito deste princípio é a condição essencial para permitir um acesso real e equitativo aos bens essenciais e primários de que todo o homem precisa e tem direito.

Conclusão

10. Há necessidade que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade.

O necessário realismo da política e da economia não pode reduzir-se a um tecnicismo sem ideal, que ignora a dimensão transcendente do homem. Quando falta esta abertura a Deus, toda a actividade humana se torna mais pobre, e as pessoas são reduzidas a objecto passível de exploração. Somente se a política e a economia aceitarem mover-se no amplo espaço assegurado por esta abertura Àquele que ama todo o homem e mulher, é que conseguirão estruturar-se com base num verdadeiro espírito de caridade fraterna e poderão ser instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz.

Nós, cristãos, acreditamos que, na Igreja, somos membros uns dos outros e todos mutuamente necessários, porque a cada um de nós foi dada uma graça, segundo a medida do dom de Cristo, para utilidade comum (cf. Ef 4, 7.25; 1 Cor 12, 7). Cristo veio ao mundo para nos trazer a graça divina, isto é, a possibilidade de participar na sua vida. Isto implica tecer um relacionamento fraterno, caracterizado pela reciprocidade, o perdão, o dom total de si mesmo, segundo a grandeza e a profundidade do amor de Deus, oferecido à humanidade por Aquele que, crucificado e ressuscitado, atrai todos a Si: «Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34-35). Esta é a boa nova que requer, de cada um, um passo mais, um exercício perene de empatia, de escuta do sofrimento e da esperança do outro, mesmo do que está mais distante de mim, encaminhando-se pela estrada exigente daquele amor que sabe doar-se e gastar-se gratuitamente pelo bem de cada irmão e irmã.

Cristo abraça todo o ser humano e deseja que ninguém se perca. «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 17). Fá-lo sem oprimir, sem forçar ninguém a abrir-Lhe as portas do coração e da mente. «O que for maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve – diz Jesus Cristo –. Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 26-27). Deste modo, cada actividade deve ser caracterizada por uma atitude de serviço às pessoas, incluindo as mais distantes e desconhecidas. O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz.

Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que jorra do coração do seu Filho, para levar a paz a todo o homem que vive nesta nossa amada terra.

Vaticano, 8 de Dezembro de 2013.



 
[1]Cf. Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 19: AAS 101 (2009), 654-655.

[2]Cf. Francisco, Carta enc. Lumen fidei (29 de Junho de 2013), 54: AAS 105 (2013), 591-592.

[3]Cf. Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio (26 de Março de 1967), 87: AAS 59 (1967), 299.

[4]Cf. João Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 39: AAS 80 (1988), 566-568.

[5]Carta enc. Populorum progressio (26 de Março de 1967), 43: AAS 59 (1967), 278-279.

[6]Cf. ibid., 44: o. c., 279.

[7]Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 38: AAS 80 (1988), 566.

[8] Ibid., 38-39: o. c., 566-567.

[9] Ibid., 40: o. c., 569.

[10] Ibid., 40: o. c., 569.

[11]Cf. Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 19: AAS 101 (2009), 654-655.

[12] Summa theologiae, II-II, q. 66, a. 2.

[13] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 69; cf. Leão XIII, Carta enc. Rerum novarum (15 de Maio de 1891), 19: ASS 23 (1890-1891), 651; João Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 42: AAS 80 (1988), 573-574; Pont. Conselho «Justiça e Paz», Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 178.

[14] Carta enc. Redemptor hominis (4 de Março de 1979), 16: AAS 61 (1979), 290.

[15]Cf. Pont. Conselho «Justiça e Paz», Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 159.

[16] Francisco, Carta ao Presidente Vladimir Putin (4 de Setembro de 2013): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 8/IX/2013), 5.

[17] Carta enc. Pacem in terris (11 de Abril de 1963), 17: AAS 55 (1963), 265.

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Mensagem do Papa Francisco, em seu twitter, neste 6º dia da Oitava de Natal:



30/12/2013
No rosto do Menino Jesus, contemplamos o rosto de Deus. Vinde, adoremos!


SOLENIDADE DA SAGRADA FAMÍLIA

Tal como a Família de Nazaré, muitas outras se encontram hoje em exílio, mesmo dentro das próprias famílias - Papa no Angelus


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste primeito domingo depois do Natal, a Liturgia nos convida a celebrar a festa da Sagrada Família de Nazaré. De fato, todo presépio mostra Jesus junto com Nossa Senhora e São José, na gruta de Belém. Deus quis nascer em uma família humana, quis ter uma mãe e um pai, como nós.

E hoje o Evangelho nos apresenta a Sagrada Família no caminho doloroso do exílio, em busca de refúgio no Egito. José, Maria e Jesus experimentam a condição dramática dos refugiados, marcada por medo, incertezas, necessidades (Mt 2, 13-15. 19-23). Infelizmente, nos nossos dias, milhões de famílias podem reconhecer-se nesta triste realidade. Quase todos os dias a televisão e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si e para as próprias famílias.

Em terras distantes, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os refugiados e os imigrantes encontram acolhimento verdadeiro, respeito, apreço pelos valores de que são portadores. As suas legítimas expectativas se confrontam com situações complexas e dificuldades que parecem às vezes insuperáveis. Por isso, enquanto fixamos o olhar na Sagrada Família de Nazaré no momento em que foi forçada a fazer-se refugiada, pensemos no drama de quantos migrantes e refugiados que são vítimas de rejeição e da escravidão, que são vítimas do tráfico de pessoas e do trabalho escravo. Mas pensemos também nos outros “exilados”: eu os chamarei de “exilados escondidos”, aqueles exilados que podem existir dentro das próprias famílias: os idosos, por exemplo, que às vezes são tratados como presenças incômodas. Muitas vezes penso que um sinal para saber como vai uma família é ver como são tratados nessa as crianças e os idosos.

Jesus quis pertencer a uma família que experimentou estas dificuldades para que ninguém se sinta excluído da proximidade amorosa de Deus. A fuga ao Egito por causa das ameaças de Herodes nos mostra que Deus está lá onde o homem está em perigo, lá onde o homem sofre, lá onde é fugitivo, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas Deus está também lá onde o homem sonha, espera voltar à pátria na liberdade, projeta e escolhe pela vida e dignidade sua e dos seus familiares.

Este nosso olhar hoje para a Sagrada Família se deixa atrair também pela simplicidade da vida que essa conduz em Nazaré. É um exemplo que faz tanto bem às nossas famílias, ajuda-as a se tornarem sempre mais comunidades de amor e de reconciliação, na qual se experimenta a ternura, a ajuda mútua, o perdão recíproco. Recordemos as três palavras-chave para viver em paz e alegria em família: com licença, obrigado, desculpa. Quando em uma família não se é invasor e se pede “com licença”, quando em uma família não se é egoísta e se aprende a dizer “obrigado” e quando em uma família um percebe que fez algo ruim e sabe pedir “desculpa”, naquela família há paz e alegria. Recordemos estas três palavras. Mas podemos repeti-las todos juntos: com licença, obrigado, desculpa. (Todos: com licença, obrigado, desculpa!). Gostaria também de encorajar as famílias a tomar consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade. O anúncio do Evangelho, de fato, passa antes de tudo pelas famílias, para depois alcançar os diversos âmbitos da vida cotidiana.

Invoquemos com fervor Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, e São José, seu esposo. Peçamos a eles para iluminar, confortar, guiar cada família do mundo, para que possa cumprir com dignidade e serenidade a missão que Deus lhes confiou.

Depois da oração mariana do Angelus, o Papa recordou que o próximo Sínodo dos Bispos enfrentará o tema da família e, neste dia da Festa da Sagrada Família confiou à Família de Nazaré os trabalhos do Sínodo, dirigindo a Ela, juntamente como os fiéis, uma oração a favor de todas as famílias do mundo.

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José,
em Vós, contemplamos o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais se faça, nas famílias, experiência
de violência, egoísmo e divisão: quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré, que o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar, em todos, a consciência do caráter sagrado e inviolável da família,
a sua beleza no projeto de Deus.

Jesus, Maria e José, escutai, atendei a nossa súplica.

Por fim o Santo Padre dirigiu uma saudação especial aos fiéis que estavam em ligação com a Praça de São Pedro naquele momento a partir da Basílica da Anunciação em Nazaré, para onde se deslocou o Secretário Geral do Sínodo dos Bispos; a partir da Basílica da Sagrada Família em Barcelona, onde se encontra o Presidente do Conselho Pontifício para a Família; a partir da Basílica Santuário da Santa Casa, em Loreto, Itália; e a quantos se encontravam reunidos em várias partes do mundo para celebrações em que a família estava no centro da atenção.

O Papa concluiu saudando os peregrinos que enchiam verdadeiramente a Praça, especialmente as famílias… e ainda diversos outros grupos vindos essencialmente de diversas partes da Itália…
Radio Vaticano

TWEET DO PAPA FRANCISCO, HOJE:





28/12/2013
Toda formosa é Maria, nossa Mãe, porque cheia de graça.

Papa Francisco atingiu os 11 milhões de seguidores no Twitter

O Papa Francisco atingiu já os 11 milhões de seguidores no account Twitter@Pontifex em nove línguas. Quase 4 milhões e meio são de língua espanhola, 3,4 milhões são de língua inglesa, 1,3 são italianos, em língua portuguesa são quase um milhão, em francês pouco mais de 200 mil, alemães 163 mil, polacos 158 mil e, finalmente em língua árabe são cerca de 100 mil os seguidores do Papa na rede social Twitter.
Entretanto, o Papa Francisco lançou hoje mais um tweet, desta vez com uma mensagem para este tempo de Natal que estamos a viver:

27/12/2013
“A alegria do Evangelho esteja sempre nos vossos corações, especialmente neste tempo de Natal.”


No Angelus de ontem Memória Litúrgica de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja, o Papa Francisco recordou todos os cristão que são discriminados e perseguidos pela sua fé em Jesus Cristo:

"Por isso rezemos hoje em modo particular pelos cristãos que sofrem discriminações por causa do seu testemunho por Cristo e pelo Evangelho. Estamos unidos as estes irmãos e irmãs que, como Santo Estevão, são acusados injustamente e feitos objeto de violências de vário tipo."

O Papa propôs uma oração silenciosa por todos os cristãos perseguidos no mundo, terminando com uma oração a Nossa Senhora.
Radio Vaticano

Papa Francisco almoça com Bento XVI

O Papa Francisco e Bento XVI almoçaram juntos hoje, sexta-feira 27 de Dezembro, em Santa Marta. O convite tinha sido feito pelo Papa Francisco ao seu Predecessor quando o visitou para o cumprimentar por ocasião das festas do Natal na tarde de segunda-feira 23 de Dezembro.

No almoço de hoje participaram também os respectivos secretários, o secretário para as Relações com os Estados, arcebispo Dominique Mamberti, e mons. Bryan Wells, assessor para os Assuntos gerais da Secretaria de Estado.

O encontro de segunda-feira passada (na foto) durou cerca de quarenta e cinco minutos. Bento XVI recebeu o Papa Francisco à entrada da sua residência. Depois de uma breve oração juntos na Capela, teve lugar o encontro privado. Depois o Papa Francisco, que estavaacompanhado pelos seus secretários, saudou também os outros membros da família de Bento XVI.
L’Osservatore Romano

Papa Francisco: rezemos pelos cristãos discriminados por causa do testemunho do Evangelho

Queridos irmãos e irmãs,

Vocês não têm medo da chuva, são valentes!


A liturgia prolonga a Solenidade do Natal por oito dias: um tempo de alegria para todo o povo de Deus! E neste segundo dia da oitava, na alegria do Natal se insere a festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja. O livro dos Atos dos Apóstolos o apresenta como “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (6, 5), escolhido com outros seis para o serviço às viúvas e aos pobres na primeira comunidade de Jerusalém. E nos conta o seu martírio: quando, depois de um discurso inflamado que suscitou a ira dos membros do Sinédrio, foi arrastado para fora da cidade e apedrejado. Estêvão morre como Jesus, pedindo o perdão pelos seus assassinos (7, 55-60).

No clima alegre do Natal, esta comemoração poderia parecer fora de contexto. O Natal, na verdade, é a festa da vida e nos infunde sentimentos de serenidade e de paz; por que perturbar seu encanto com a recordação de uma violência tão atroz? Na realidade, na ótica da fé, a festa de Santo Estêvão está em plena sintonia com o significado profundo do Natal. No martírio, de fato, a violência é vencida pelo amor, a morte pela vida. A Igreja vê no sacrifício dos mártires seu “nascimento ao céu”. Celebramos, então, hoje o “natal” de Estêvão, que em profundidade nasce do Natal de Cristo. Jesus transforma a morte de quantos o amam em aurora de vida nova!

No martírio de Estêvão se reproduz o mesmo confronto entre o bem e o mal, entre o ódio e o perdão, entre a brandura e a violência, que teve o seu ponto alto na Cruz de Cristo. A memória do primeiro mártir vem assim, imediatamente, dissolver uma falsa imagem do Natal: a imagem “mágica” e “adocicada”, que no Evangelho não existe! A liturgia nos leva ao sentido autêntico da Encarnação, ligando Belém ao Calvário e recordando-nos que a salvação divina implica a luta ao pecado, passa pela porta estreita da Cruz. Este é o caminho que Jesus indicou claramente aos seus discípulos, como atesta o Evangelho de hoje: “Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10, 22).

Por isso hoje rezemos de modo particular pelos cristãos que sofrem discriminações por causa do seu testemunho dado de Cristo e do Evangelho. Sejamos próximos a estes irmãos e irmãs que, como santo Estêvão, são acusados injustamente e feitos objeto de violências de vários tipos. Estou certo de que, infelizmente, são mais numerosos hoje que nos primeiros tempos da Igreja. Há tantos! Isto acontece especialmente lá onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou não é plenamente realizada. Acontece, porém, também em países e ambientes que, no papel, protegem a liberdade e os direitos humanos, mas onde de fato os crentes e, especialmente os cristãos, encontram limitações e discriminações. Eu gostaria de pedir para vocês rezarem pos estes irmãos e irmãs um instante em silêncio [...] E os confiemos à Nossa Senhora (Ave Maria…).

Para o cristão, isso não causa surpresa, porque Jesus já o havia preanunciado como ocasião propícia para dar testemunho. Todavia, na esfera civil, a injustiça deve ser denunciada e eliminada.

Maria Rainha dos Mártires nos ajude a viver o Natal com aquele ardor de fé e de amor que brilha em Santo Estêvão e em todos os mártires da Igreja.

Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Antes de se despedir dos fiéis reunidos na Praça São Pedro, saudou as famílias, os grupos paroquiais, as associações e os fiéis provenientes de Roma, Itália, e de todas as partes do mundo:

"A pausa destes dias junto ao presépio para contemplar Maria e José ao lado do Menino, possa suscitar em todos um generoso compromisso de amor recíproco, para que dentro das famílias e das várias comunidades se viva aquele clima de cordialidade e de fraternidade que tanto beneficia o bem comum. Boas Festas Natalinas!"

Também hoje, Papa Francisco twittou logo cedo, às 6:00h de Roma:

26/12/2013
Diante do Presépio, rezemos de modo especial por aqueles que sofrem perseguição por causa da fé.
Radio Vaticano/vatican.va

MENSAGEM URBI ET ORBI DO PAPA FRANCISCO

NATAL 2013

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013

«Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, bom dia e feliz Natal!

Faço meu o cântico dos anjos que apareceram aos pastores de Belém, na noite em que nasceu Jesus. Um cântico que une céu e terra, dirigindo ao céu o louvor e a glória e, à terra dos homens, votos de paz.

Convido todos a unirem-se a este cântico: este cântico é para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever.

Glória a Deus.

A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo.

Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.

Paz aos homens.

A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo.

Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!

Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração! E fico contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro. E convido também os não crentes a desejarem a paz, com o seu anelo, aquele anelo que alarga o coração: todos unidos, ou com a oração ou com o desejo. Mas todos, pela paz.

Ó Deus Menino, dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver. Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram demasiadas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado.

Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo. Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados.

Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo. Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa.

Ó Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância.

Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão.

Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo que o nosso coração se comova! Precisamos que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.

Votos de um Natal feliz no termo da Mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre

A vós, queridos irmãos e irmãs, vindos de todo o mundo e reunidos nesta Praça, e a quantos estão em ligação connosco nos diversos países através dos meios de comunicação, dirijo os meus votos de um Natal Feliz!

Neste dia, iluminado pela esperança evangélica que provém da gruta humilde de Belém, invoco os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal para todos!
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SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica Vaticana
Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013


1. «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1).

Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas dum facto emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz. Uma luz que nos faz reflectir sobre este mistério: o mistério do andar e do ver.

Andar. Este verbo faz-nos pensar no curso da história, naquele longo caminho que é a história da salvação, com início em Abraão, nosso pai na fé, que um dia o Senhor chamou convidando-o a partir, a sair do seu país para a terra que Ele lhe havia de indicar. Desde então, a nossa identidade de crentes é a de pessoas peregrinas para a terra prometida. Esta história é sempre acompanhada pelo Senhor! Ele é sempre fiel ao seu pacto e às suas promessas. Porque fiel, «Deus é luz, e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas» (1 Jo 1, 5). Diversamente, do lado do povo, alternam-se momentos de luz e de escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião; momentos de povo peregrino e momentos de povo errante.

E, na nossa historia pessoal, também se alternam momentos luminosos e escuros, luzes e sombras. Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz; mas, se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e ao nosso redor. «Aquele que tem ódio ao seu irmão – escreve o apóstolo João – está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos» (1 Jo 2, 11). Povo em caminho, mas povo peregrino que não quer ser povo errante.

2. Nesta noite, como um facho de luz claríssima, ressoa o anúncio do Apóstolo: «Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens» (Tt 2, 11).

A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós.

3. Os pastores foram os primeiros a ver esta «tenda», a receber o anúncio do nascimento de Jesus. Foram os primeiros, porque estavam entre os últimos, os marginalizados. E foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. É lei do peregrino velar, e eles velavam. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade: Nós Vos bendizemos, Senhor Deus Altíssimo, que Vos humilhastes por nós. Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino; sois rico, e fizestes-Vos pobre; sois omnipotente, e fizestes-Vos frágil.

Nesta Noite, partilhamos a alegria do Evangelho: Deus ama-nos; e ama-nos tanto que nos deu o seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. O Senhor repete-nos: «Não temais» (Lc 2, 10). Assim disseram os anjos aos pastores: «Não temais». E repito também eu a todos vós: Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a misericórdia: o nosso Pai perdoa-nos sempre. Ele é a nossa paz. Amen.
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Esta foi a mensagem que o Papa Francisco escreveu hoje no seu Twitter:

25/12/2013
No Natal, Cristo vem para o meio de nós: é o momento propício para um encontro pessoal com o Senhor.


24 de dezembro







Cidade do Vaticano (RV) - "Vem o Senhor. Aguardemo-Lo de coração aberto!". (Tweet do Papa Francisco)


Francisco visita o Papa emérito para fazer-lhe as felicitações natalinas

Cidade do Vaticano (RV) - Na tarde desta segunda-feira, por volta das 17h locais, o Papa Francisco visitou o Papa emérito Bento XVI para as felicitações natalinas. Bento XVI acolheu Francisco na entrada de sua residência (ex-mosteiro Mater Ecclesiae).

Após uma breve oração juntos na Capela, realizou-se numa sala da residência o encontro privado, que durou cerca de meia hora. Depois o Papa Francisco, que estava acompanhado de seus secretários pessoais, saudou também os outros membros da "família" do Papa emérito, Dom Gaenswein e as Memores Domini. Ao todo, a visita durou cerca de 45 minutos.

Horário de Missa





Quantas vezes gostariamos de saber se naquele horário não haveria uma igreja próxima que tivesse a Santa Missa?

Agora isso já é possível, basta acessar o "horariodemissa.com.br". Confira!

Papa Francisco: vamos dar espaço para Jesus que vem

Cidade do Natal, 23.dezembro.2013 (RV) - No Natal, como Maria, vamos dar espaço para Jesus que vem. É a exortação do Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta. O Papa sublinhou que o Senhor visita todos os dias a sua Igreja e alertou contra uma atitude de fechamento da nossa alma. O cristão, reiterou, deve sempre viver em vigilante espera do Senhor.

O Natal está próximo. Nestes dias que antecedem o nascimento do Senhor, o Papa Francisco destacou que a Igreja, como Maria, está à espera de um parto. Também ela, observou, “sentia o que sentem todas as mulheres neste período”. Sente essas “percepções interiores em seu corpo, em sua alma”, de que o filho está chegando. Maria, disse o Papa, sente em seu coração que quer olhar para o rosto de seu Menino. Nós, como Igreja, acrescentou, “acompanhamos Nossa Senhora neste caminho de espera” e quase “queremos apressar este nascimento” de Jesus. O Senhor vem duas vezes, disse o Papa Francisco, “a que agora comemoramos, o nascimento físico” e aquela em que “virá no final para fechar a história”. Mas, como diz São Bernardo, há também um terceiro nascimento:

“Há uma terceira vinda do Senhor: a de cada dia. O Senhor todos os dias visita a sua Igreja! Visita cada um de nós e também a nossa alma entra esta semelhança: a nossa alma se assemelha à Igreja, a nossa alma se assemelha a Maria. Os Padres do deserto dizem que Maria, a Igreja e a nossa alma são femininas e o que se diz sobre uma, analogamente se pode dizer da outra. A nossa alma também está à espera, nesta expectativa pela vinda do Senhor; uma alma aberta que chama: ‘Vem, Senhor’”.

E também a cada um de nós, nestes dias, continuou, “o Espírito Santo nos leva a fazer esta oração: Vem! Vem”. Todos os dias do Advento, recordou, “dissemos no prefácio que nós, a Igreja, como Maria, estamos vigilantes, à espera”. E a vigilância, ressaltou, “é a virtude” do peregrino. Todos nós “somos peregrinos”!

“E me pergunto: estamos esperando ou estamos fechados? Estamos vigilantes ou estamos seguros em um albergue, ao longo do caminho e não queremos mais ir avante? Somos peregrinos ou somos, errantes? Por esta razão, a Igreja nos convida a pedir este 'Vem!', a abrir a nossa alma e que a nossa alma esteja, nestes dias, vigilante, à espera. Vigiar! O que acontece em nós se o Senhor vem ou não vem? Há lugar para o Senhor, ou há lugar para festas, para fazer compras, fazer barulho... A nossa alma está aberta, como está aberta a Santa Mãe Igreja, e como estava aberta Nossa Senhora? Ou a nossa alma está fechada e colocamos na porta um aviso, muito educado, que diz: 'Por favor, não perturbe!'”.

“O mundo - advertiu o Papa - não acaba conosco, nós não somos mais importante que mundo: é o Senhor, com Nossa Senhora e com a Mãe Igreja!” Eis, então, disse ainda, “que nos fará bem repetir” a invocação: “Ó Sabedoria, ó chave de Davi, ó Rei das nações, vem”.

“E hoje repetir muitas vezes: 'Vem!', e procurar que a nossa alma não seja uma alma que diz: 'Não perturbe'. Não! Que seja uma alma aberta, que seja uma alma grande, para receber o Senhor nestes dias e que comece a ouvir o que amanhã na antífona nos dirá a Igreja: “Saibam que hoje vem o Senhor! E amanhã vocês irão ver a sua glória”.

Tweet do Papa Francisco nesta segunda-feira:

23/12/2013
Muitas vezes o Natal é uma festa rumorosa: far-nos-á bem estar um pouco em silêncio, para ouvirmos a voz do Amor.

Braga, Natal 2013
Caros Amigos!

Natal! O mundo em que nós vivemos fez do Natal do Senhor uma “festa dos sentidos”. Tanta coisa gostosa para comer, tocar, olhar, experimentar.

Ao chegar à pobre gruta de Belém o que fizerem os pastores e os três reis magos, sim até também os Anjos, e, sobretudo José e Maria? No primeiro lugar olharam; olharam fascinados para o Menino JESUS, experimentaram a presença do DEUS invisível que se fez visível. Devemos fazer o mesmo: olhar para o Menino no presépio e contemplar o mistério inefável de DEUS feito homem e - com a graça de DEUS - também experimentar sua presença cheia de amor.

Quando a Imagem de Nossa Senhora de Fátima esteve em Roma no último dia 12 de Outubro nosso Santo Padre exclamou:

“O olhar! Como é importante! Quanta coisa se pode dizer com um olhar! Estima, encorajamento, compaixão, amor, ... Para quem olha a Virgem Maria? Olha para todos nós, cada um de nós. E como é que nos olha? Olha-nos como Mãe, com ternura, com misericórdia, com amor. Assim olhou para o Filho JESUS, em todos os momentos da sua vida, gozosos, luminosos, dolorosos, gloriosos, como contemplamos nos Mistérios do Santo Rosário,
simplesmente com amor” (Vigília de Oração, 12/10/2013, Videomensagem).

Enquanto Maria olhava no presépio para seu amado Filho e falava com Ele nós olhamos para uma simples imagem. Ora bem, na EUCARISTIA não olhamos para um simples pão, mas encontramos JESUS e devemos olhar para ELE como olhava Maria. Por isso o Santo Padre nos convida para a Adoração do Santíssimo Sacramento onde Maria nos diz:

“Olha para o meu Filho JESUS, mantém o olhar fixo n’Ele, escuta-O, fala com Ele. Ele te olha com amor. Não tenhas medo! Ele ensinar-te-á a segui-Lo para dares testemunho d’Ele nas grandes e pequenas acções da tua vida, nas relações familiares, no teu trabalho, nos momentos de festa; ensinar-te-á a saires de ti mesmo, de ti mesma, para olhares para os outros com amor, como Aquele que te amou e te ama, não com palavras, mas com obras”.


Neste contexto lembremo-nos de uma expressão magnifica do Beato João Paulo II da sua última Encíclica:

“E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de CRISTO recém-nascido e O estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?” (Ecclesia de Eucaristia 55, 17/04/2003).


Desejo a todos a profunda experiência deste olhar de Maria:

olhemos para JESUS, olhemos para os irmãos – e como o Santo Padre sempre insiste - para os Irmãos mais necessitados “na periferia” e isto sempre em união com os Santos Anjos, com nosso bom Santo Anjo da Guarda.

“Ó Maria, fazei-nos sentir o teu olhar. Mãe guie-nos para o teu Filho, fazei que não sejamos cristãos «de vitrina», mas saibamos «meter mãos à obra» para construir com o teu Filho JESUS, o seu Reino de amor, de alegria e de paz.”


Faço votos de um feliz e santo Natal e abençoado Ano Novo!
Bem haja!

P. Bonifatius


Nota: A imagem nesta folha de Nossa Senhora (“Mutter mit dem geneigten Haupt”) tem uma história magnífica e encorajadora. No século XVIII Pe. Martin Schwarz SJ recebeu esta imagem, cópia do original de Landshut / Baviera, de presente na sua primeira Santa Missa. Ele foi transferido para o Norte do Brasil para trabalhar nas Missões dos Jesuitas. O cruel Marques de Pombal conseguiu destruir as obras dos Jesuitas e de prendê-los. 124 Jesuitas, sobretudo superiores, foram encarcerados na horrivel prisão “São Julião da Barra” em Lisboa. Pe. Schwarz conseguiu levar a imagem sempre consigo; Nossa Senhora ajudou aos Jesuitas encarcerados de não apostatar e de celebrar clandestinamente a Santa Missa. Depois de aguentar muitos anos (até 18!) em péssimas condições (“Tudo aqui apodrece, menos os Jesuitas!”) alcançaram a liberdade. A imagem actualmente se encontra em Essen / Alemanha.

Que este olhar maternal e alegre de Nossa Senhora nos inspire sempre!





Papa no Angelus: "Casa e família estão unidos"


Cidade do Vaticano, 22.dezembro.2013 (RV)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Neste quarto domingo do Advento, o Evangelho nos conta os fatos que precederam o nascimento de Jesus e o evangelista Mateus os apresenta do ponto de vista de São José, o prometido esposo da Virgem Maria.

José e Maria viviam em Nazaré; ainda não moravam juntos, porque o casamento ainda não havia sido realizado. Naquele meio tempo, Maria, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo, torna-se grávida por ação do Espírito Santo. Quando José percebe este fato, fica perturbado. O Evangelho não explica quais foram os seus pensamentos, mas nos diz o essencial: ele procura fazer a vontade de Deus e está pronto para a renúncia mais radical. Em vez de defender-se e de fazer valer os próprios direitos, José escolhe uma solução que para ele representa um enorme sacrifício: “José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo” (1, 19).

Esta breve frase resume um verdadeiro e próprio drama interior, se pensamos no amor que José tinha por Maria! Mas mesmo em tal circunstância, José pretende fazer a vontade de Deus e decide, seguramente com grande dor, abandonar Maria em segredo. É preciso meditar sobre estas palavras para entender qual foi a prova que José teve que suportar nos dias que precederam o nascimento de Jesus. Uma prova similar ao sacrifício de Abraão, quando Deus lhe pede o filho Isaac (cfr Gen 22): renunciar à coisa mais preciosa, à pessoa mais amada.

Mas, como no caso de Abraão, o Senhor intervém: encontrou a fé que procurava e abre um caminho diferente, um caminho de amor e de felicidade: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (Mt 1,20).

Este Evangelho nos mostra toda a grandeza da alma de São José. Ele estava seguindo um bom projeto de vida, mas Deus reservava para ele um outro projeto, uma missão maior. José era um homem que dava sempre ouvido à voz de Deus, profundamente sensível à sua secreta vontade, um homem atento às mensagens que lhe chegavam do fundo do coração e do alto. Não teimou em perseguir aquele seu projeto de vida, não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma, mas esteve pronto para se colocar à disposição da novidade que, de modo perturbante, lhe era apresentada. E assim, era um homem bom. Não odiava e não permitiu que o rancor lhe envenenasse a alma. Mas quantas vezes o ódio, a antipatia, o rancor nos envenenam a alma! E isto faz mal. Não permitam isso nunca: ele é um exemplo disto. E assim, José tornou-se ainda mais livre e grande. Aceitando-se segundo o projeto do Senhor, José encontra plenamente a si mesmo, além de si. Esta sua liberdade de renunciar àquilo que é seu, à posse de sua própria existência e esta sua plena disponibilidade interior à vontade de Deus nos interpelam e nos mostram o caminho.

Vamos nos dispor, então, a celebrar o Natal contemplando Maria e José: Maria, a mulher cheia de graça que teve a coragem de confiar totalmente na Palavra de Deus; José, homem fiel e justo que preferiu acreditar no Senhor em vez de escutar a voz da dúvida e do orgulho humano. Com eles, caminhemos juntos rumo a Belém.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco leu uma frase escrita numa faixa que alguns peregrinos expuseram na Praça São Pedro.

"Leio ali, escrito grande: Os pobres não podem esperar. É bonito! Isso me faz pensar que Jesus nasceu num estábulo, não nasceu numa casa. Depois teve de fugir, ir para o Egito para salvar sua vida. Mais tarde, voltou para sua casa, em Nazaré. Penso hoje, lendo essa frase, em muitas famílias que não têm casa, ou porque nunca a tiveram, ou porque a perderam por vários motivos. Família e casa estão unidas. É muito difícil levar adiante uma família sem morar numa casa. Nestes dias de Natal, convido pessoas, entidades sociais e autoridades a fazerem todo o possível para que cada família tenha uma casa", disse o pontífice.

A seguir, o Francisco saudou com afeto os peregrinos provenientes de vários países, famílias, grupos paroquiais, associações e fiéis. O Papa saudou a comunidade do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME), a banda musical de San Giovanni Valdarno, os adolescentes da Paróquia San Francesco Nuovo, em Rieti, e os atletas da corrida de revezamento que partira de Alessandria até Roma para testemunhar o compromisso em favor da na Somália.

Aos italianos que se reuniram hoje para manifestar seu compromisso social, o Santo Padre espera que dêem uma contribuição construtiva, rejeitando as tentações de confronto e violência e seguindo sempre o caminho do diálogo.

O Papa concluiu desejando a todos um bom domingo e um "Natal de esperança, justiça e fraternidade", e como sempre: "um bom almoço".

Papa Francisco visita crianças doentes: "Jesus está sempre perto de vocês"

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitou na tarde de sábado, 21 de dezembro, os pequenos pacientes do Hospital Pediátrico Menino Jesus de Roma, localizado no Janículo.

Fora do hospital, quatro mil pessoas acolheram o Santo Padre. Quinto pontífice a visitar essa estrutura hospitalar, pertencente à Santa Sé, o Papa surpreendeu quando recusou fazer o discurso oficial para ficar mais tempo com as crianças doentes e seus pais.

"Especialmente com vocês, crianças, Jesus tem uma ligação especial: está sempre perto de vocês", disse Francisco aos pequeninos.

Como São Francisco de Assis, o Papa prega o Evangelho com a sua pessoa. O Santo Padre visitou várias alas do hospital, como a de Terapia Intensiva onde encontrou dez crianças e teve um encontro especial com a pequena Giorgia Bernadette, de cinco meses, que nasceu sem intestino. A seguir, o pontífice visitou oito crianças na Reanimação Pediátrica e depois 18 crianças na ala de Nefrologia.

Ao chegar à Capela do hospital, depois de ter abençoado uma nova ambulância para Reanimação Pediátrica, o Papa Francisco se encontrou com trinta crianças, que sofrem de vários tipos de câncer, e seus pais. Uma menina leu o versículo 1 do Salmo 27 que diz: "O Senhor é minha luz e salvação: de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida: frente a quem tremerei"?

A seguir, as crianças doaram ao Papa Francisco uma cesta cheia de bilhetinhos onde estavam escritos seus sonhos e orações. E o pontífice disse:

"Obrigado pelos seus sonhos e orações que vocês depositaram nesta cesta e deram a mim. Muito obrigado. Nós apresentamos juntos todos eles a Jesus: Ele conhece o que está no fundo do nosso coração."

Ao lado da capela havia mães e pais do grupo "Filhos do Céu" que perderam seus filhos. Uma mãe deu ao Papa de presente um anjinho, simbolizando as crianças que morreram. O Diretor do Hospital Pediátrico Menino Jesus, Giuseppe Profiti, deu de presente ao Bispo de Roma uma nova estrutura, um projeto de acolhimento para mães e crianças carentes em colaboração com a Caritas diocesana.

"A realização desse local é o nosso presente ao Senhor para o Natal. Gostaríamos que, com a sua bênção, ele pudesse se chamar 'Casa Francisco' e fosse o primeiro de uma longa série", disse Profiti.

Após esse momento, o Papa fugiu do microfone preparado para ouvir seu discurso previsto. O pontífice preferiu continuar sua visita aos doentes e não as formalidades. Junto com o Santo Padre estava o Secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, e seu antecessor, Cardeal Tarcisio Bertone. Estava também presente a Duquesa Maria Grazia Salviati, cuja família fundou e depois doou o hospital à Santa Sé, em 1924.

Mensagem do Papa aos Mercedários pelos 800 anos da morte do fundador, S. João da Mata

Na Igreja todos devem aprender que o serviço do Evangelho deve ser “despido” de toda a gloria ou interesses pessoais.

Um dos pilares do magistério do Papa Francisco aparece também entre as linhas da sua longa Mensagem enviada à Ordem da Santíssima Trindade, que festeja os 800 anos da morte do fundador, S. Juan de Mata, e os 400 do reformador, S. Giovanni Batista della Concezione. ambos protagonistas de uma vida religiosa “respeitável, mesmo se, talvez, um pouco tranquila e segura” receberam de Deus – escreve o Papa – uma chamada que “revolveu” a sua existência, impelindo-os a “doar-se a favor dos mais necessitados”.

Para o Papa Francisco, este é o exemplo a imitar: os dois Santos, observa, “souberam aceitar o desafio” e portanto “se hoje nós celebramos o nascimento do vosso fundador e do reformador, fazemo-lo precisamente porque estiveram à altura de renegar-se a si mesmos, de levar com simplicidade e doçura a cruz de Cristo e de estar totalmente, sem condições, nas mãos de Deus, para que Ele construísse a sua obra”.

E, como eles - continua o Papa Francisco - “todos são chamados a experimentar a alegria que brota do encontro com Jesus, para superar o nosso egoísmo, sair da nossa comodidade e aviar-se com coragem em direcção a todas as regiões que têm necessidade da luz do Evangelho”.

O Papa recorda como através dos séculos, a da Santíssima Trindade tenha sido “casa do pobre, um lugar onde curar as feridas do corpo e da alma”, antes de mai

Com efeito - afirma o Papa Francisco - “ os Trinitários têm isso presente - e todos devemos aprender - que na Igreja, cada responsabilidade ou autoridade deve ser vivida como serviço.

Daí que a nossa acção deve ser despida de todo o desejo de lucro pessoal ou de promoção e deve sempre procurar partilhar todos os talentos recebidos de Deus, para destina-los como bons administradores, ao objectivo para o qual foram concebidos, isto é, a ajuda aos pobres”. Pobres, insiste, que existem também hoje e “são muitos. Vemo-los todos os dias e não podemos passar ao largo, contentando-nos com uma boa palavrinha. Cristo não fez isso”.

A mensagem do Papa conclui-se com um pedido: o de “rezar pelo Papa. “Agrada-me pensar que vós, na oração colocais o Bispo de Roma juntamente com os pobres, porque isso recorda-me que não posso esquecer-me deles, como também Jesus não se esqueceu deles, que os trazia no profundo do seu coração, enviado para levar-lhes a Boa Nova e que através da sua pobreza, enriqueceu todos nós”.

Profissionalismo, serviço, santidade: características de quem trabalha na Cúria Romana apontadas pelo Papa Francisco em seu discurso de Natal. "Objeção de consciência" às murmurações. 21.dezembro.2013

Senhores Cardeais,

Amados irmãos no episcopado e no sacerdócio, Amados irmãos e irmãs!

O Senhor concedeu-nos a graça de fazermos uma vez mais o caminho do Advento, tendo rapidamente chegado aos últimos dias que precedem o Natal, dias permeados dum clima espiritual único, feito de sentimentos, recordações, sinais litúrgicos e não litúrgicos, como o presépio... Neste clima, situa-se também o tradicional encontro convosco, Superiores e Oficiais da Cúria Romana que prestais diariamente a vossa colaboração para o serviço da Igreja. A todos vos saúdo cordialmente; seja-me permitido que saúde de modo particular o Arcebispo Pietro Parolin, que há pouco começou o seu serviço como Secretário de Estado e precisa das nossas orações!

Ao mesmo tempo que temos os nossos corações repletos de gratidão a Deus, que nos amou até ao ponto de entregar o Filho Unigênito por nós, é bom dar espaço à gratidão também entre nós. E, neste meu primeiro Natal como Bispo de Roma, sinto necessidade de vos dizer um grande «obrigado» a todos, como comunidade de trabalho, e a cada um pessoalmente. Agradeço-vos pelo vosso serviço de cada dia: pelo cuidado, a diligência, a criatividade; pelo empenho, nem sempre fácil, em colaborardes no departamento ouvindo-vos, confrontando-vos, valorizando as diferentes personalidades e qualidades no respeito recíproco.

De forma particular, desejo exprimir a minha gratidão àqueles que, neste período, terminam o seu serviço e passam à reforma. Bem sabemos que, como presbíteros e bispos, nunca se vai para a reforma; mas do serviço, sim. E é justo; até para se dedicar mais à oração e ao cuidado das almas, a começar pela própria! Assim, um «obrigado» especial, que me vem do coração, para vós, amados irmãos que deixais a Cúria, sobretudo para vós que aqui trabalhastes durante tantos anos e com grande dedicação, sem dar nas vistas. Isto é verdadeiramente digno de admiração. Muito admiro estes Monsenhores que seguem o modelo dos antigos curiais, pessoas exemplares… Mas hoje também os temos! Pessoas que trabalham com competência, precisão, abnegação, realizando cuidadosamente o seu dever quotidiano. A minha vontade era nomear aqui algum destes nossos irmãos para lhes exprimir a minha admiração e gratidão, mas sabemos que, numa lista, os primeiros que se notam são aqueles que faltam e, ao fazê-lo, corro o risco de esquecer alguém e cometer assim uma injustiça e uma falta de caridade. Contudo quero dizer a estes irmãos que constituem um testemunho muito importante no caminho da Igreja.

A partir deste modelo e deste testemunho deduzo as características do Oficial de Cúria, e mais ainda do Superior, que gostaria de sublinhar: o profissionalismo e o serviço. O profissionalismo, que significa competência, estudo, atualização… Isto é um requisito fundamental para trabalhar na Cúria. Naturalmente, o profissionalismo vai-se formando e, pelo menos em parte, adquire-se; mas, precisamente para que se forme e seja adquirido, penso que é preciso haver, desde o início, uma boa base.

E a segunda característica é o serviço, serviço ao Papa e aos bispos, à Igreja universal e às Igrejas particulares. Na Cúria Romana, de um modo especial aprende-se, «respira-se» precisamente esta dupla dimensão da Igreja, esta interpenetração entre universal e particular; e penso que esta seja uma das mais belas experiências de quem vive e trabalha em Roma: «sentir» assim a Igreja. Quando não há profissionalismo, lentamente vai-se escorregando para o nível da mediocridade. A resolução dos casos reduz-se a informações estereotipadas e comunicações sem fermento de vida, incapazes de gerar horizontes grandes. Por outro lado, quando o procedimento não é de serviço às Igrejas particulares e seus bispos, então cresce a estrutura da Cúria como uma alfândega pesadamente burocrática, inspectora e inquisidora, que não permite a ação do Espírito Santo e o crescimento do povo de Deus. A estas duas qualidades, profissionalismo e serviço, gostaria de acrescentar uma terceira, que é a santidade de vida. Bem sabemos que esta é a mais importante na hierarquia dos valores. Efetivamente, está na base também da qualidade do trabalho, do serviço. Santidade significa vida imersa no Espírito, abertura do coração a Deus, oração constante, humildade profunda, amor fraterno nas relações com os colegas. Significa também apostolado, serviço pastoral discreto, fiel, realizado com zelo no contato direto com o povo de Deus. Isto é indispensável para um sacerdote.

Santidade, na Cúria, significa também objeção de consciência às murmurações! Nós, justamente, insistimos muito sobre o valor da objeção de consciência, mas talvez devamos exercitá-la também para nos defendermos de uma lei não escrita que, infelizmente, existe nos nossos ambientes: a das murmurações. Então, façamos todos objeção de consciência! E olhai que não pretendo, com isto, fazer apenas um discurso moral; as murmurações lesam a qualidade das pessoas, do trabalho e do ambiente.

Queridos irmãos, sintamo-nos todos unidos neste último pedaço de estrada para Belém. Nisto pode fazer-nos bem meditar sobre o papel de São José, tão silencioso e tão necessário junto de Nossa Senhora. Pensemos n’Ele, na sua solicitude pela Esposa e o Menino. Isto é de grande inspiração para o nosso serviço à Igreja! Por isso, vivamos este Natal espiritualmente unidos a São José.

Muito obrigado pelo vosso trabalho e, sobretudo, pelas vossas orações. Sinto-me deveras «levado» pelas orações, e peço-vos que continueis a sustentar-me desse modo. Também eu vos recordo ao Senhor e abençoo, desejando um Natal de luz e de paz para cada um de vós e vossos entes queridos. Feliz Natal!

Também neste sábado, o Papa Francisco twittou:


21/12/2013
O Advento é um caminho para Belém. Deixemo-nos atrair pela luz de Deus feito homem.


Papa enaltece trabalho da diplomacia ao favorecer a cultura do encontro

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu na manhã de sexta-feira, 20, no Vaticano, um grupo de cerca 200 funcionários da Embaixada Italiana junto à Santa Sé e do cerimonial diplomático.

“Vocês são também responsáveis por um trabalho ‘invisível e precioso’”, disse o Pontífice, agradecido pela imensa atividade realizada no início de seu Pontificado, quando na missa do dia 19 de março, chefes de Estado e embaixadores de todo o mundo vieram ao Vaticano saudar o novo Papa.

Dois aspectos específicos da diplomacia foram ressaltados por Francisco, ao discursar ao grupo: a sua condição de favorecer o encontro, e o ‘trunfo’ que o patrimônio cultural italiano oferece neste âmbito.

“A Itália sempre foi sinônimo de cultura, de arte e de civilização no mundo, e vocês contribuem para que isto seja valorizado, para que este patrimônio seja um bem comum em prol do encontro: para a civilização do amor”.

Entrando numa atmosfera natalina, o Papa disse que o Menino Jesus é o símbolo da plenitude deste encontro. “Que cada um de vocês possa viver intensamente este mistério de amor e que ele anime profundamente também o seu serviço”, concluiu Francisco, fazendo votos de paz e serenidade a todos e pedindo, como sempre, que rezem por ele.


Papa visitará "Chiesa del Gesù", histórica igreja da Companhia de Jesus

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitará em 3 de janeiro próximo, no centro de Roma, a "Chiesa del Gesù" (Igreja de Jesus) – templo símbolo da Companhia de Jesus. Particularmente significativa para a história da Ordem, nele se encontram o corpo de seu fundador, Santo Inácio de Loyola, e um braço de São Francisco Xavier, excelso missionário jesuíta, evangelizador no Continente asiático.

Em 3 de janeiro a Igreja celebra em seu calendário litúrgico o "Santíssimo Nome de Jesus". Trata-se de uma celebração de grande importância para os jesuítas, vez que ao "Santíssimo Nome de Jesus" está ligado o nome da Companhia.

Bergoglio, primeiro Papa jesuíta na história da Igreja, visitará a "Chiesa del Gesù" pela segunda-fez desde sua eleição à Cátedra de Pedro. A primeira teve lugar em 31 de julho passado, data em que a Igreja celebra Santo Inácio de Loyola.

Papa: "Reciclar: criatividade no cuidado com a Terra"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco enviou uma mensagem aos catadores e recicladores de papel argentinos convidando-os a continuar desempenhando formas dignas de trabalho a partir de sua função ecológica e lhes pediu para gerar uma consciência sobre o desperdício de alimentos que “a cultura do descarte produz”.

Francisco gravou um vídeo durante uma audiência no Vaticano, no último dia 5, com um dirigente do Movimento de Trabalhadores Excluídos, e a mensagem foi difundida numa assembleia da Federação de catadores e recicladores.

O Pontífice os convidou a refletir sobre o trabalho que realizam: “Pensem como prosseguir no trabalho de reciclar – perdoem-me a palavra - o que sobra, o que sobra do rico. Hoje em dia não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar os restos”.

“Estamos vivendo uma cultura do descarte, onde facilmente deixamos sobrar não só coisas, mas pessoas”, advertiu o Papa, lembrando que “com o alimento produzido, poderia se dar comida a todos os famintos do mundo”.

“Quando reciclam, vocês fazem duas coisas: um trabalho ecológico necessário e uma produção que fraterniza e oferece dignidade a este trabalho. São criativos na produção e criativos no cuidado com a Terra”, acrescentou.

Francisco: "Testemunho dos jovens difunda espírito de paz e reconciliação"

Cidade do Vaticano (RV) – “O Papa conta com vocês para que com a sua fé e seu testemunho, o espírito de paz e reconciliação do Evangelho se espalhe entre seus coetâneos”. É o que diz o Papa aos 30 mil jovens da Comunidade de Taizé que se reunirão de 28 de dezembro a 1º de janeiro em Estrasburgo, na França. O encontro será a 36ª edição da “Peregrinação da Confiança” animada pela Comunidade.

“Roma – escreve Francisco – lembra com alegria seu encontro do ano passado e da linda oração que fizeram com o Papa Bento XVI na Praça São Pedro”.

Chegaram à Comunidade várias mensagens de incentivo aos participantes e devem ainda chegar outras, especialmente das Igrejas ortodoxas. “Obter a comunhão visível de todos os que amam Cristo” é o tema da reflexão que o Prior, Irmão Alois, dirigirá aos jovens, indicando-lhes quatro propostas para 2014. “Aqueles que amam Cristo em todo o mundo – escreve o irmão – formam uma grande comunidade de amizade. Têm uma contribuição para oferecer e podem curar as feridas da Humanidade: sem se impor, podem favorecer a mundialização da solidariedade, que não exclui nenhum povo e nenhuma pessoa”.

Cada manhã, os jovens se reunirão em mais de 200 paróquias anfitriãs, na França e na Alemanha, para um momento de oração e compartilha. Nas tardes de domingo, 29, e segunda, 30, o programa propõe encontros temáticos como “crise, desemprego e precariedade”, “justiça e direitos do homem” e “diálogo ecumênico”.

Por ser uma comunidade ecumênica, haverá orações comuns duas vezes por dia, na catedral de Estrasburgo e na igreja protestante São Paulo.

Papa Francisco telefona a Bento XVI para desejar-lhe Feliz Natal

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco telefonou ao Papa emérito Bento XVI para desejar-lhe Feliz Natal, informou nesta quarta-feira, 18, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi.

O telefonema foi feito pelo Papa Francisco nesta terça-feira. Tratou-se de uma conversa breve. Francisco e Bento XVI conversaram por alguns minutos e trocaram felicitações natalinas.

Não foi a primeira vez que o Pontífice argentino contatou Joseph Ratzinger por telefone. No último dia 19 de março, Francisco ligou para felicitá-lo por seu onomástico e manifestou a gratidão sua e da Igreja por seu serviço, um mês depois de sua renúncia ao Pontificado.

Desde a renúncia, no último dia 28 de fevereiro, e depois de dois meses de estadia no Palácio Pontifício de Castel Gandolfo (sul de Roma), o Papa emérito mora no mosteiro "Mater Ecclesiae", nos Jardins do Vaticano, a poucos metros da residência Santa Marta, onde está alojado o atual Pontífice.

Francisco: "Nossa relação com Deus gosta do silêncio"

Cidade do Vaticano, 20.dezembro.2013 (RV) – “Somente o silêncio pode guardar o mistério do caminho que o homem percorre com Deus. E que o Senhor nos dê a graça de amar o silêncio, longe de qualquer publicidade”: este foi o fulcro da homilia proferida pelo Papa na missa da manhã de sexta-feira, 20, na Casa Santa Marta. A reflexão de Francisco se inspirou nos momentos da Anunciação, proposta no Evangelho do dia.

“O Senhor sempre cobriu o mistério, nunca fez publicidade dele; isto não seria cristão. E também o mistério da maternidade virginal de Maria foi coberto, por toda a vida! A sombra de Deus em nossas vidas nos ajuda a descobrir o nosso mistério do encontro com o Senhor, do caminho da vida com Ele”.

“Cada um de nós – disse ainda o Papa – sabe como o Senhor age misteriosamente em nosso coração e em nossa alma. E qual seria a nuvem, o poder, o estilo do Espírito Santo para cobrir o nosso mistério?”, questionou, respondendo:

“Esta nuvem em nossa vida se chama silêncio, aquilo que se estende sobre o mistério da nossa relação com o Senhor, da nossa santidade e dos nossos pecados. Não se pode explicar este mistério, mas quando não existe silêncio em nossas vidas, o mistério se perde”.

“A Mãe de Jesus foi o perfeito ícone do silêncio, desde o anúncio de sua maternidade ao Calvário”, apontou o Papa, lembrando de quantas vezes ela não revelou seus sentimentos para guardar o mistério da relação com o seu Filho, até o silêncio mais cruento, “aos pés da Cruz”.

“O Evangelho não nos diz se ela pronunciou ou não alguma palavra... estava silente, mas dentro de seu coração, quantas coisas dizia ao Senhor:

‘Você me disse que ele seria grande, que teria reinado para sempre e agora... o vejo ali’. Maria era humana! E talvez tivesse vontade de dizer: ‘

'Fui enganada!, mas Ela, com o silêncio, ocultou o mistério que não entendia e com seu silêncio, deixou que seu mistério crescesse e florescesse na esperança”, concluiu o Papa.

Esta é a mensagem que o Santo Padre nos deixou hoje em seu twitter:

20/12/2013
Procuremos viver o Natal de maneira coerente com o Evangelho, acolhendo Jesus no centro da nossa vida.

UM NATAL FELIZ E ALEGRE!

                                                        Dom Fernando Arêas Rifan*            

Em companhia de Maria e José, ouvindo as palavras do profeta Isaías e de João Batista: “Preparai o caminho para a vinda do Senhor” (Is 40, 3) e incentivados por São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fl 4,4), estamos nos preparando para um Natal feliz e alegre, como foi o primeiro Natal. Nasceu Jesus, o Messias! Deus se fez homem! E os anjos anunciaram aos pastores essa felicidade. A reaparição da estrela misteriosa fez renascer a alegria e a felicidade no coração dos Magos que vieram do Oriente (Mt 2, 10).

Segundo a filosofia (Cícero e Boécio), felicidade é o estado constituído pelo acúmulo de todos os bens com a ausência de todos os males. Então, como poderemos chamar feliz um Natal onde houve desprezo, rejeição – Jesus nasceu numa estrebaria por falta de lugar para Ele nas casas e nas hospedarias -, lágrimas, gritos, morte, luto – Herodes, perseguindo Jesus, mandou matar as crianças de Belém – fuga, desterro, pobreza, sacrifícios? Realmente, felicidade perfeita, na definição filosófica, só se encontrará no Céu, na Jerusalém celeste, onde Deus “enxugará toda a lágrima dos seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque tudo isto passou” (Ap 21,4).

É a grande lição do Natal: é possível ser feliz na dor, no desprezo, no luto, aqui na terra. Aqui, a felicidade consiste em ter Jesus, em estar com Jesus, em amar Jesus de todo o coração, com a esperança de tê-lo perfeitamente um dia no Céu. Talvez tenha sido essa a felicidade que Assis Valente, autor de “Anoiteceu”, não conhecia quando a pediu ao Papai Noel. Talvez por isso tenha se matado, pois ele e ela, como ele imaginava, não vieram.

O cristão é otimista e feliz, por causa da esperança. Mesmo quando sofre. Por isso, o primeiro Natal foi cheio de felicidade. A pobre estrebaria de Belém era o Céu. Ali faltava tudo e não faltava nada. Ali estava a felicidade que a todos encheu de alegria: Jesus.
    

“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Papa Francisco, Evangelii gaudium, 1). O presépio de Belém é o princípio da pregação de Jesus, o resumo do seu Evangelho. Daquele pequeno púlpito, silenciosamente, ele nos ensina o desprezo da vanglória desse mundo, o valor da pobreza e do desprendimento, o nada das riquezas, a necessidade da humildade, o apreço das almas simples, a paciência, a mansidão, a caridade para com o próximo, a harmonia na convivência humana, o perdão das ofensas, a grandeza de coração, enfim, as virtudes cristãs que fariam o mundo muito melhor, se as praticasse.
 
É por isso que o Natal cristão é festa de paz e harmonia, de confraternização em família, de troca de presentes entre amigos, de gratidão e de perdão. Pois é a festa daquele que, sendo Deus, tornou-se nosso irmão aqui na terra, ensinando-nos o que é a felicidade.

  
É assim que desejo a você, caro/a leitor/a, um verdadeiro ALEGRE E FELIZ NATAL!

 
                                                                *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                                                http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Papa Francisco: a humildade nos torna fecundos, a soberba estéreis

Cidade do Vaticano, 19.dezembro.2013 (RV) - “A humildade é necessária para a fecundidade”. Foi o que destacou o Papa Francisco na Missa desta manhã de quinta-feira, na Casa Santa Marta. O Santo Padre afirmou que a intervenção de Deus vence a esterilidade da nossa vida e a torna fecunda. Em seguida, chamou a atenção para o comportamento de soberba que nos tornam estéreis.

Tantas vezes, na Bíblia, encontramos mulheres estéreis às quais o Senhor dá o dom da vida. Francisco iniciou assim a sua homilia comentando as leituras do dia e especialmente o Evangelho de hoje que fala de Isabel que era estéril e que teve um filho, João. “A partir da impossibilidade de dar vida - constatou o Papa - vem a vida”. E isso, prosseguiu, também “aconteceu não a mulheres estéreis”, mas que “não tinham esperança de vida”, como Noemi que acabou tendo um neto.

“O Senhor intervém na vida dessas mulheres para nos dizer: ‘Eu sou capaz de dar vida’. Também nos Profetas há a imagem do deserto, a terra deserta incapaz de fazer crescer uma árvore, uma fruta, de fazer brotar alguma coisa. ‘Mas o deserto será como uma floresta - dizem os profetas - será grande, florescerá’. Mas o deserto pode florescer? Sim. A mulher estéril pode dar à luz? Sim. A promessa do Senhor: Eu posso! Eu posso da secura, da secura de vocês, fazer crescer a vida, a salvação! Eu posso da aridez fazer crescer os frutos!”

E a salvação, afirmou o Papa Francisco, é isso: “É a intervenção de Deus que nos torna fecundos, que nos dá a capacidade de dar vida”. Nós, advertiu o Santo Padre, “não podemos fazer isso sozinhos”. Mesmo assim, acrescentou, “muitos provaram pensar na nossa capacidade de se salvar”:

“Até mesmo os cristãos, hein! Pensemos nos pelagianos, por exemplo. (segundo os pelagianos, o homem era totalmente responsável por sua própria salvação e minimizava o papel da graça divina). Tudo é graça. É a intervenção de Deus que traz a salvação. É a intervenção de Deus que nos ajuda no caminho da santidade. Somente Ele pode. Mas, nós o que fazemos? Em primeiro lugar: devemos reconhecer a nossa secura, a nossa incapacidade de dar vida. Reconhecer isso. Em segundo lugar, pedir: “Senhor, eu quero ser fecundo. Eu quero que a minha vida dê vida, que a minha fé seja fecunda e vá avante e possa transmiti-la aos outros’. 'Senhor, eu sou estéril, eu não posso, Tu podes. “Eu sou um deserto: eu não posso, Tu podes’”.

E essa, acrescentou, pode ser precisamente a oração destes dias antes do Natal. “Pensemos - observou – a como os soberbos, aqueles que acreditam que podem fazer tudo sozinhos, são atingidos”. O Papa voltou seus pensamentos para Micol, filha de Saul. Uma mulher, recordou, “que não era estéril, mas era soberba, e não entendia o que era louvar a Deus”, ao contrário, “ria do louvor”. “E foi punida com a esterilidade”.

“A humildade é necessária para a fecundidade. Quantas pessoas acreditam serem justas, como ela, e no fim são pobrezinhas. A humildade de dizer ao Senhor: ‘Senhor, sou estéril, sou um deserto e repetir nestes dias as belas antífonas que a Igreja nos faz rezar: ‘ Ó filho de Davi, ou Adonai, ou Sabedoria, ou raiz de Jesse, ou Emmanuel..., venha nos dar vida, venha nos salvar, porque só Tu podes, eu não posso!’ E com esta humildade, a humildade do deserto, a humildade de alma estéril, receber a graça, a graça de florescer, de dar frutos e dar vida”.

Também, no final da manhã de hoje, o Papa Francisco escreveu em seu Twitter:

19/12/2013
Peçamos a Deus que nos conceda a graça de ver um mundo onde mais ninguém tenha que morrer de fome.




No Natal Deus torna-se como um de nós - o Papa na audiência geral exortou os cristãos a serem humildes e pobres como os pobres

Queridos irmãos e irmãs bom dia,

Este nosso encontro se desenvolve no clima espiritual do Advento, tornado ainda mais intenso pela Novena do Santo Natal, que estamos vivendo nestes dias e que noz conduz às festas natalícias. Por isso, hoje gostaria de refletir convosco sobre o Natal de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é esta: Deus está conosco e confia ainda em nós. É generoso este Deus Pai! Ele vem morar com os homens, escolhe a terra como sua morada para estar junto ao homem e fazer-se encontrar lá onde o homem passa os seus dias na alegria ou na dor. Portanto, a terra não é mais somente um “vale de lágrimas”, mas é o lugar onde o próprio Deus colocou a sua tenda, é o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus com os homens.

Deus quis partilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma só coisa conosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus em meio à humanidade não foi realizada de modo ideal, sereno, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldade, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar a nossa história assim como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Assim fazendo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor para com as criaturas humanas. Ele é o Deus-conosco; Jesus é Deus-conosco. Vocês acreditam nisso? Façamos juntos esta profissão: Jesus é Deus-conosco! Jesus é Deus-conosco desde sempre e para sempre conosco nos nossos sofrimentos e nas dores da história. O Natal de Jesus é a manifestação de que Deus colocou-se de uma vez por todas do lado do homem, para nos salvar, para nos levantar do pó das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.

Daqui vem o grande “presente” do Menino de Belém: Ele nos traz uma energia espiritual, uma energia que nos ajuda a não nos abatermos com os nossos cansaços, os nossos desesperos, as nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração. O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o doa, comunica-o!

Da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus nascido por nós, podemos tirar duas considerações.

A primeira é que se no Natal Deus se revela não como um que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se rebaixa, vem à terra pequeno e pobre, significa que para sermos similares a Ele nós não devemos nos colocar sobre os outros, mas antes rebaixar-nos, colocarmo-nos a serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres. Mas é uma coisa ruim quando se vê um cristão que não quer rebaixar-se, que não quer servir. Um cristão que se exibe sempre é ruim: aquele não é cristão, aquele é pagão. O cristão serve, rebaixa-se. Façamos com que estes nossos irmãos e irmãs não se sintam nunca sozinhos!

A segunda consequência: se Deus, por meio de Jesus, envolveu-se com o homem a ponto de tornar-se como um de nós, quer dizer que qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã a teremos feito a Ele. Recordou isso o próprio Jesus: quem tiver alimentado, acolhido, visitado, amado um dos mais pequeninos e dos mais pobres entre os homens, terá feito isso ao Filho de Deus.

Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, para que nos ajude neste Santo Natal, agora próximo, a reconhecer na face do nosso próximo, especialmente das pessoas mais frágeis e marginalizadas, a imagem do Filho de Deus feito homem.

No final da audiência o Papa Francisco saudou e abençoou também os peregrinos de língua portuguesa nomeadamente os fiéis brasileiros vindos de Chapecó. Ouçamos as palavras do Santo Padre em italiano e a tradução que logo a seguir foi feita em português pelo Monsenhor Ferreira da Costa na Praça de São Pedro:

“Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha cordial saudação para todos, em particular para os fiéis brasileiros de Chapecó, com votos de um santo Natal repleto de consolações e graças do Deus Menino. Nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Ele vos abençoe com um Ano Novo sereno e feliz!”

Papa Francisco twittou no dia do aniversário:

17/12/2013
O amor de Deus não é vago. Deus pousa o seu olhar de amor sobre cada homem e cada mulher, com seu nome e sobrenome.

PAPA FRANCISCO COMEMORA SEU 77º ANIVERSÁRIO COM 4 MENDIGOS E OS FUNCIONÁRIOS DA CASA SANTA MARTA: SANTA MISSA E CAFÉ DA MANHÃ

“O nome de Deus é cada um de nós”

Esta manhã no dia do seu 77º aniversário o Papa Francisco quis celebrar a Missa na Casa de Santa Marta com o pessoal desta Casa, por forma a viver a celebração num clima particularmente familiar. O Evangelho de hoje com a genealogia de Jesus deu ocasião ao Papa para recordar afetuosamente durante a homilia alguns nomes dos funcionários presentes. Concelebrou a Eucaristia o Cardeal Sodano, decano do Colégio Cardinalício. Após a celebração o Secretário de Estado D. Pietro Parolin saudou o Papa em nome dos colaboradores da Secretaria de Estado, tendo-se unido a estes votos de felicidades o elemosineiro vaticano D. Konrad Krajewski que apresentou ao Papa quatro pessoas sem-abrigo que também cumprimentaram o Santo Padre. Todos participaram no pequeno-almoço que se seguiu no Refeitório da Casa de Santa Marta.

Na sua homilia o Papa Francisco revelou que Deus quis fazer caminho conosco, quis fazer caminho com os pecadores centrou a sua atenção no Evangelho e na genealogia de Jesus, uma lista cheia de nomes...

“Uma vez ouvi alguém que dizia: ‘Mas esta passagem do Evangelho parece a lista telefônica! E não, é outra coisa: esta passagem do Evangelho é pura história é um argumento importante. É pura história, porque Deus, como dizia São Leão Papa, Deus enviou o seu Filho. E Jesus é consubstancial ao Pai, Deus, mas também consubstancial à Mãe, uma mulher. E esta é aquela consubstancialidade da Mãe. Deus fez-se história. Deus quis fazer-se história. Está conosco. Fez o caminho conosco.”

“Os pecadores de alto nível, que fizeram grandes pecados. E Deus fez história com eles. Pecadores, que não responderam a tudo aquilo que Deus pensava para eles. Pensemos em Salomão, tão grande, tão inteligente e acabou pobrezinho, ali, que não sabia como se chamava! Mas Deus estava com ele. E isto é belo! Deus é consubstancial a nós. Faz história conosco. Mais: quando Deus quer dizer quem é, diz ‘Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob.’ Mas qual é o nome de Deus? Somos nós, cada um de nós. Ele toma de nós o nome, para fazer-lo o seu nome. ‘Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacob, de Pedro, de Marietta, de Armony, de Marisa, de Simone (o Papa citou o nome de alguns dos funcionários presentes), de todos.’ Toma o nosso nome. O nome de Deus é cada um de nós”.

Deus fez-se escrever a história por nós – disse o Papa Francisco - porque Deus é humildade, é paciente é...amor. Um Deus que nos dá tanto amor e ternura:

“A sua alegria, foi partilhar a sua vida conosco. O Livro da Sabedoria diz que a alegria do Senhor está entre os filhos do homem, conosco.

Aproximando-se o Natal, podemos pensar:
se Ele fez a sua história conosco, se Ele ficou com o nosso apelido, se Ele deixou que nós escrevêssemos a sua história, pelo menos deixemos que Ele escreva a nossa história, E aquela é a santidade: ‘Deixar que o Senhor nos escreva a nossa história’. E este é um voto de Natal para todos nós. Que o Senhor te escreva a história e que tu deixes que Ele a escreva, Assim seja!”


Papa Francisco Twittou hoje:


16/12/2013
Não nos resignemos com a ideia dum Médio Oriente sem os cristãos. Rezemos diariamente pela paz.


Leia em Matérias:


O Universo não é regido pelo acaso
– Michio Kaku

Papa Francisco: "Quando falta a profecia na Igreja, toma lugar o clericalismo"

Cidade do Vaticano, 16.dezembro.2013 (RV) - "Quando falta a profecia na Igreja, toma lugar o clericalismo", disse o Papa Francisco na missa celebrada esta manhã na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Comentando as leituras do dia, o Santo Padre frisou que "o profeta é aquele que escuta as palavras de Deus, sabe ver o momento e projetar o futuro. Ele tem dentro de si estes três momentos: passado, presente e futuro".

"O passado: o profeta é consciente da promessa e tem em seu coração a promessa de Deus. Ele vive, recorda e repete essa promessa. Depois olha o presente, olha o seu povo e sente a força do Espírito para dizer uma palavra que ajude o povo a se levantar, a continuar o caminho em direção ao futuro. O profeta é um homem de três tempos: promessa do passado, contemplação do presente e coragem para indicar o caminho rumo ao futuro. O Senhor sempre protegeu o seu povo, com os profetas, nos momentos difíceis, nos momentos em que o povo estava desencorajado ou destruído, quando não havia o Templo, quando Jerusalém estava sob o poder dos inimigos, quando o povo se perguntava: O Senhor nos prometeu isso! O que acontece agora"?

"Foi o que aconteceu no coração de Maria quando estava aos pés da Cruz", prosseguiu Francisco. Nestes momentos, "é necessária a intervenção do profeta e nem sempre o profeta é recebido, muitas vezes é rejeitado. Jesus disse aos fariseus que seus pais tinham matado os profetas, porque eles diziam coisas que não eram agradáveis: diziam a verdade, recordavam a promessa! Quando no povo de Deus falta profecia, está faltando alguma coisa: falta a vida do Senhor. Quando não há profecia a força recai sobre a legalidade, toma lugar o legalismo", frisou o pontífice.

"No Evangelho, os sacerdotes foram a até Jesus para pedir o passe da legalidade: Com que autoridade você faz estas coisas? Nós somos os donos do Templo. Não entendiam as profecias. Tinham se esquecido da promessa! Não sabiam ler os sinais dos tempos, eles não tinham olhos penetrantes, nem ouvidos da Palavra de Deus. Tinham somente a autoridade", disse o Papa que acrescentou:

"Quando no Povo de Deus não há profecia o vazio causado é ocupado pelo clericalismo. É este clericalismo que pergunta a Jesus: Com que autoridade você faz estas coisas? Com que legitimidade? E assim, a memória da promessa e a esperança de ir em frente são reduzidas apenas ao presente: nem passado e nem futuro esperançoso. O presente é legítimo e se é legítimo vai em frente."

Quando reina o legalismo, a Palavra de Deus não encontra espaço e o Povo de Deus que crê, chora no seu coração, porque não encontra o Senhor. Falta-lhe a profecia. Chora "como chorava Ana, mãe de Samuel, pedindo a fecundidade do povo, a fecundidade que vem da força de Deus, quando Ele nos desperta a memória de sua promessa e nos impulsiona para o futuro com esperança. Este é o profeta! Este é o homem dos olhos penetrantes e que ouve as palavras de Deus":

"A nossa oração nesses dias em que nos preparamos para o Natal do Senhor deve ser: Senhor, que não faltem os profetas em seu povo! Todos nós batizados somos profetas. Senhor, que não nos esqueçamos de sua promessa! Que não nos cansemos de ir adiante! Que não nos fechemos nas legalidades que cerram as portas. Senhor, liberta o teu povo do espírito do clericalismo e ajude o teu povo com o espírito da profecia."

Papa no Angelus deste Domingo - 15.dezembro.2013: a Igreja não é um refúgio para o povo triste, a Igreja é a casa da alegria! E aqueles que estão tristes encontram nessa a alegria, encontram nessa a verdadeira alegria!

Obrigado!

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!


Hoje é o terceiro domingo do Advento, dito também domingo Gaudete, isso é, domingo da alegria. Na liturgia, ressoa várias vezes o convite à alegria, a alegrar-se, por que? Porque o Senhor está próximo. O Natal está próximo. A mensagem cristã se chama “evangelho”, isso é, “boa notícia”, um anúncio de alegria para todo o povo; a Igreja não é um refúgio para o povo triste, a Igreja é a casa da alegria! E aqueles que estão tristes encontram nessa a alegria, encontram nessa a verdadeira alegria!

Mas aquela do Evangelho não é uma alegria qualquer. Encontra a sua razão no saber-se acolhido e amado por Deus. Como nos recorda hoje o profeta Isaías (cfr 35, 1-6.8ª.10), Deus é aquele que vem para nos salvar, e presta socorro especialmente aos desanimados de coração. A sua vinda em meio a nós nos fortalece, torna sãos, dá coragem, faz exultar e florir o deserto e o estepe, isso é, a nossa vida quando se torna árida. E quando a nossa vida se torna árida? Quando está sem a água da Palavra de Deus e do seu Espírito de amor. Por mais que sejam grandes os nossos limites e os nossos desânimos, não nos é permitido sermos fracos e vacilantes diante das dificuldades e das nossas próprias fraquezas. Ao contrário, somos convidados a robustecer as mãos, a firmar os joelhos, a ter coragem e não temer, porque o nosso Deus nos mostra sempre a grandeza da sua misericórdia. Ele nos dá a força para seguir adiante. Ele está sempre conosco para nos ajudar a seguir adiante. É um Deus que nos quer tanto bem, nos ama e por isto está conosco, para nos ajudar, para nos robustecer e seguir adiante. Coragem! Sempre avante! Graças à sua ajuda nós podemos sempre começar de novo. Como? Começar de novo? Alguém pode me dizer: “Não, padre, eu fiz tantas coisas…Sou um grande pecador, uma grande pecadora…Eu não posso recomeçar!”. Você está errado! Você pode recomeçar! Por que? Porque Ele te espera, Ele está próximo a você, Ele te ama, Ele é misericordioso, Ele te perdoa, Ele te dá a força de recomeçar! A todos! Então somos capazes de reabrir os olhos, de superar tristeza e choro e entoar um canto novo. E esta alegria verdadeira permanece também na prova, também no sofrimento, porque não é uma alegria superficial, mas desce no profundo da pessoa que se confia a Deus e confia Nele.

A alegria cristã, como a esperança, tem o seu fundamento na fidelidade de Deus, na certeza de que Ele mantém sempre as suas promessas. O profeta Isaías exorta aqueles que perderam o caminho e estão no desânimo a terem confiança na fidelidade do Senhor, porque a sua salvação não tardará a irromper nas suas vidas. Quantos encontraram Jesus ao longo do caminho, experimentam no coração uma serenidade e uma alegria da qual nada e ninguém poderá privá-los. A nossa alegria é Jesus Cristo, o seu amor fiel e inesgotável! Por isso, quando um cristão se torna triste, quer dizer que se afastou de Jesus. Mas então não é preciso deixá-lo sozinho! Devemos rezar por ele e fazê-lo sentir o calor da comunidade.

A Virgem Maria nos ajude a apressar o passo rumo a Belém, para encontrar o Menino que nasceu para nós, para a salvação e a alegria de todos os homens. A ela o Anjo disse: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28). Ela nos ajude a viver a alegria do Evangelho na família, no trabalho, na paróquia e em todo lugar. Uma alegria íntima, feita de admiração e ternura. Aquela que experimenta uma mãe quando olha para a sua criança recém-nascida e sente que é um dom de Deus, um milagre pelo qual só agradecer!

E muita alegria se viu nos olhos das crianças, voltados para a janela do Papa, presentes na Praça São Pedro para que Francisco abençoasse os "bambinelli" (os meninos-Jesus) de seus presépios. E sentiu-se também grande ternura nas palavras do Papa, que as saudou após a oração mariana:

"Caras crianças, quando rezarem diante do presépio de vocês, lembrem-se também de mim, como me recordo também de vocês. Agradeço-lhes, e bom Natal!"

O Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção apostólica.


Mensagem do Santo Padre em seu twitter:



14/12/2013
Eis a esperança cristã: o futuro está nas mãos de Deus.


Papa recebe Prêmio internacional como "Comunicador Global"

Roma' 14.dezembro.2013 (RV) – O Papa Francisco recebeu, na noite desta sexta-feira, um reconhecimento extraordinário como “Comunicador Global”, por ocasião da premiação dos vencedores da IV Edição do Prêmio Jornalístico Internacional “Argil: homem europeu”.

A cerimônia teve lugar no “Espaço Europa”, em Roma, local de uma Representação da Comissão Européia, onde a Juria do Prêmio quis prestar homenagem a uma “Personalidade de relevo Mundial”.

Eis o motivo apresentado pelos organizadores do Prêmia sobre o reconhecimento extraordinário do Papa como “Comunicador Global”:

“Em apenas dez meses, Papa Francisco revolucionou o estilo de comunicação do Pontificado: instantaneidade, espontaneidade, sinceridade, convicção. A sua comunicação é global: Papa Francisco fala a todos, não tem preferências, porque todos precisam da sua palavra, que se transforma em mensagem”.

Na sua comunicação, continuam os organizadores, o Papa não gosta de utilizar intermediários: ele mesmo se torna comunicação, de forma direta e mediante seus gestos e espontaneidade. A sua mensagem universal é dirigida sobretudo às periferias existenciais do mundo. As suas viagens nacionais e internacionais testemunham esta força comunicativa, que é mais extraordinária que ordinária”.

Em uma nota, os Organizadores do Prêmio Jornalístico Internacional afirmaram que “a Prefeitura da Casa Pontifícia diz que um representante dos organizadores, a título extraordinário, fará homenagem ao Santo Padre durante uma oportuna audiência particular.

Rezo todos os dias pelo Oriente, diz Bento XVI a patriarcas

O Papa emérito Bento XVI recebeu no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, a visita de alguns Patriarcas das Igrejas Orientais no dia 23 de novembro. O encontro ocorreu após a plenária da Congregação para as Igrejas Orientais, realizada em Roma.

A informação foi divulgada pelo Patriarca Caldeu, Sua Beatitude Louis Raphaël I Sako, no site da arquidiocese de Bagdá, Iraque. "Tivemos uma reunião amigável, perguntamos a ele sobre sua saúde e ele nos perguntou sobre o Oriente Médio e a situação dos cristãos do Oriente", destaca.

O Patriarca conta que, ao chegar no mosteiro, pediu a bênção do Papa emérito. "Disse a ele: Sua Santidade, chegamos aqui debaixo de chuva como peregrinos e, portanto, merecemos uma bênção especial e uma oração especial para o Iraque. Bento XVI respondeu: Eu rezo todos os dias para o Iraque, Síria e por todo o Oriente".

Sua Beatitude conta ainda que fez um convite ao Papa emérito para que ele visite o Iraque e, em tom descontraído, Bento XVI respondeu que já não tem idade para uma viagem e agora sua missão é dedicar-se à oração.
Canção Nova

Papa recebe peregrinos da Baviera e agradece a Árvore deste Natal

Cidade do  vaticano, 14.dezembro.2013 (RV) – Desde há dias que se encontra montada na praça de São Pedro, como é tradição, a Árvore de Natal, este ano oferecida pela cidade Waldmunchen, da Baviera. Ao anoitecer, pelas 16.30, procedeu-se-á ao acender das luzes que a ornamentam.

Ao meio-dia, o Santo Padre recebeu no Palácio do Vaticano umas 350 alemães da Baviera, vindos a Roma em peregrinação, nesta circunstância. Para além das autoridades civis, presentes também o bispo de Regensburg, na Alemanha, e o da diocese checa do outro lado da fronteira, a diocese de Plzen. Isto porque – como teve ocasião de observar o Papa – esta árvore é “internacional” – tendo crescido mesmo na zona fronteiriça.

Agradecendo este dom – assim como outros pinheiros mais pequenos, destinados a diferentes locais do Vaticano – o santo Padre evocou “a proximidade espiritual e a amizade que ligam toda a Alemanha, e em particular a Baviera, à Santa Sé, no suco da tradição cristã que fecundou a cultura, a literatura e a arte – disse – da vossa nação e de toda a Europa”.

O Papa Francisco quis desejar, desde já, a todos feliz Natal. Os pastores que receberam o anúncio do nascimento do Salvador foram –segundo o Evangelho – envolvidos numa grande luz…

“Também hoje Jesus continua a dissipar as trevas do erro e do pecado, para comunicar à humanidade a alegria da fulgurante luz divina, da qual a árvore natalícia é sinal e apelo. Deixemo-nos envolver pela luz da sua verdade, para que ‘a alegria do Evangelho encha o coração e toda a vida daqueles que se encontram com Jesus”.

A árvore de Natal é um abeto, que tinha chegado há uma semana à Praça de São Pedro. Com 25 metros de altura, com 98 cm de base e 7,2 toneladas de peso, foi cortado na segunda-feira (02).

Após o Natal a árvore será desmontada e a madeira do tronco, como acontece há já alguns anos, será utilizada para realizar pequenos objetos de uso quotidiano e brinquedos.

Em seu primeiro Natal, Francisco - que comemorará seus 77 anos na próxima terça-feira - usou o pinheiro bávaro para homenagear o papa emérito Bento XVI.

Tweet do Papa Francisco, ontem às 23h de Roma:

13/12/2013
Não tenhas medo de aproximar-te da Confissão: neste sacramento, encontras Jesus que te perdoa.


Os cristão alérgicos aos pregadores fecham-se ao Espírito Santo – o Papa na missa desta sexta-feira

Nesta sexta-feira dia 13 de dezembro de 2013 comemoram-se 44 anos da ordenação presbiteral de Jorge Mario Bergoglio. Hoje investido das suas funções de Bispo de Roma e de Pastor Universal da Igreja, o Papa Francisco continua a cumprir a sua missão sacerdotal a começar pela missa matinal na Capela da Casa de Santa Marta.

A Palavra de Deus no Evangelho deste dia propõe a passagem em que Jesus compara a geração do seu tempo às crianças sempre descontentes, que não sabem jogar com felicidade, não tocam , não dançam... nada lhes está bem...! Aquela gente não era aberta à Palavra de Deus – afirma o Papa - recusavam o mensageiro e não a mensagem. Recusaram João Batista porque diziam que ele não comia nem bebia e era um endemoniado! Recusam Jesus porque comia e bebia era amigo de publicanos e pecadores. Segundo o Santo Padre têm sempre um motivo para criticar.

“...a gente daquele tempo preferia refugiar-se numa religião mais elaborada: nos preceitos morais como os fariseus; no compromisso político como os saduceus; na revolução social como os zelotes. Também Jesus lhes faz avivar a memória: ‘Os vossos pais fizeram o mesmo com os profetas’. O Povo de Deus tem uma certa alergia para com os pregadores da Palavra: os profetas, perseguiu-os e matou-os.”

“Estes cristão que são fechados, que estão engaiolados, estes cristãos tristes... não são livres. Porquê? Porque têm medo da liberdade do Espírito Santo, que vem através da pregação. E este é o escândalo da pregação, do qual falava São Paulo: o escândalo da pregação que acaba no escândalo da Cruz. Escandaliza que Deus nos fale através de homens com limites, homens pecadores: escandaliza! E escandaliza mais que Deus no fale e nos salve através de um homem que diz que é o Filho de Deus mas acaba como um criminoso. Aquilo escandaliza.”

“Estes cristãos tristes” – disse o Papa Francisco – “não acreditam no Espírito Santo, não acreditam naquela liberdade que vem da pregação, que te repreende, ensina-te, esbofeteia-te; mas é precisamente a liberdade que faz crescer a Igreja” – afirmou ainda o Santo Padre:

“Vendo estas crianças que têm medo de dançar, de chorar, têm medo de tudo, que pedem segurança em tudo, penso nestes cristãos tristes que sempre criticam os pregadores da Verdade, porque têm medo de abrir a porta ao Espírito Santo. Rezemos por eles e também por nós, para que não nos tornemos cristãos tristes que cortam ao Espírito Santo a liberdade de vir até nós através do escândalo da pregação.”

Fazer silêncio para escutar a ternura de Deus – o Papa na missa desta quinta-feira

Na missa desta quinta-feira na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco afirmou que nos fará bem neste Advento um pouco de silêncio e, tomando como estímulo da sua homilia a leitura do Livro do Profeta Isaías, sublinhou não tanto o que o Senhor nos diz mas sim, como nos diz. Fala-nos como um pai e uma mãe falam ao seu menino.

“Quando um menino tem um pesadelo, acorda, chora ... o pai vai e diz: não temas, não temas, eu estou aqui. Assim fala-nos o Senhor. ‘Não temas vermezinho de Jacob, larva de Israel’ O Senhor tem este modo de falar: aproxima-se...Quando vemos um pai e uma mãe que falam com os seus filhos, nós vemos que eles tornam-se pequenos e falam com voz de criança e fazem gestos de criança. Quem olha de fora até pode pensar: Mas estes são ridículos! Porque o amor do pai e da mãe tem necessidade de aproximar-se e de baixar-se ao mundo do menino. E assim é o Senhor.”

“E depois o pai e a mãe dizem coisas um pouco ridículas ao menino: ‘Ah, meu amor, meu brinquedinho...’ e essas coisas assim. Também o Senhor o diz: ‘vermezinho de Jacob’, tu és como um vermezinho para mim, uma coisinha pequena, mas amo-te tanto. Esta é a linguagem do Senhor, a linguagem do amor de pai e de mãe. Palavra do Senhor? Sim ouvimos aquilo que diz mas também como o diz e nós devemos fazer aquilo que faz o Senhor: com amor, com ternura, com aquela condescendência para com os irmãos.”

Deus - explicou o Santo Padre citando o encontro de Elias com o Senhor – é como a brisa suave, ou, como diz o texto original, um ‘fio sonoro de silêncio’ e assim – continuou o Papa Francisco – o Senhor aproxima-se com aquela sonoridade do silêncio própria do amor. É a música da linguagem do Senhor.

“Esta é a música da linguagem do Senhor, e nós na preparação para o Natal devemos ouvi-la: devemos ouvi-la, vai fazer-nos bem, muito bem. Normalmente, o Natal parece uma festa de muito barulho: faz-nos bem um pouco de silêncio e escutar estas palavras de amor, estas palavras de tanta proximidade, estas palavras de ternura... ‘Tu és um vermezinho, mas eu amo-te tanto!’ Por isto. E fazer silêncio, neste tempo em que, como diz o prefácio, nós somos vigilantes à espera.”
Papa Francisco: "Tráfico de pessoas, derrota para o mundo"

Cidade do Vaticano, 12.dezembro.2013 (RV) – Após celebrar a missa matutina na Casa Santa Marta, o Papa Francisco foi à Sala Clementina, onde acolheu um grupo de diplomatas que estão começando sua missão na Santa Sé. Os embaixadores provêm de países diversos e distantes entre si: Argélia, Islândia, Dinamarca, Lesoto, Serra Leoa, Cabo Verde, Burundi, Malta, Suécia, Paquistão, Zâmbia, Noruega, Kuwait, Burquina-Fasso, Uganda e Jordânia. Estava também presente o representante do Estado da Palestina.

Discursando brevemente ao grupo, Francisco abordou um tema que muito o preocupa e que interessa todos os países, inclusive os mais desenvolvidos: o tráfico de pessoas, cujas vítimas são sempre os mais vulneráveis da sociedade. Mulheres e jovens, meninas e meninos, portadores de deficiências, pessoas pobres e provenientes de situações de desagregação familiar e social são alvo – disse o Papa – de uma verdadeira “escravidão”.

“Fala-se de milhões de vítimas de trabalhos forçados num tráfico de mão de obra e exploração sexual. Isto não pode continuar; seria uma derrota para o mundo permitir que seres humanos sejam tratados como objetos, enganados, violentados, vendidos, ou até mortos ou feridos no corpo e na alma, sendo por fim descartados e abandonados. É uma vergonha” – disse o Papa, “um crime contra a humanidade”.

Francisco chamou a atenção para a necessidade de vontade política para conseguir vencer a luta ao tráfico, tutelar os direitos das vítimas; impedir a impunidade dos corruptos e criminosos. E lembrou que frequentemente, o tráfico de pessoas está relacionado ao comércio de drogas, armas, transporte de migrantes e máfia. E que por vezes, até membros de missões de paz e funcionários públicos se envolveram no crime. Partindo daí, questionou sobre a exigência de um exame de consciência, lembrando que a pessoa humana não é mercadoria. “Quem a usa ou a explora se torna cúmplice deste crime”.

Concluindo, o Papa pediu aos embaixadores que unifiquem seus esforços na estratégia contra o tráfico de pessoas, para que jamais sejam usadas como meios, mas respeitadas em sua inviolável dignidade.




O Papa Francisco twittou hoje, primeiro aniversário do @PONTIFEX_PT:


12/12/2013
Não se pode imaginar uma Igreja sem alegria. A alegria da Igreja é esta: anunciar a todos o nome de Jesus.

"Fraternidade, fundamento e caminho para a paz". A mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

Cidade do Vaticano (RV) - Foi divulgada na manhã desta quinta-feira, 12, a mensagem do Santo Padre Francisco para a celebração do Dia Mundial da Paz, que se celebra em 1º de janeiro de 2014. O tema é "Fraternidade, fundamento e caminho para a paz", e abaixo, publicamos a íntegra do texto, publicado pela Secretaria de EStado do Vaticano.

FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ

1. Nesta minha primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz, desejo formular a todos, indivíduos e povos, votos duma vida repleta de alegria e esperança. Com efeito, no coração de cada homem e mulher, habita o anseio duma vida plena que contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar.

Na realidade, a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor.

O número sempre crescente de ligações e comunicações que envolvem o nosso planeta torna mais palpável a consciência da unidade e partilha dum destino comum entre as nações da terra. Assim, nos dinamismos da história – independentemente da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas –, vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros. Contudo, ainda hoje, esta vocação é muitas vezes contrastada e negada nos factos, num mundo caracterizado pela «globalização da indiferença» que lentamente nos faz «habituar» ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos.

Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante disso mesmo é o dramático fenómeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos. Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas.

A globalização, como afirmou Bento XVI, torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos. As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência duma cultura de solidariedade. As novas ideologias, caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados «inúteis». Assim, a convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des pragmático e egoísta.Ao mesmo tempo, resulta claramente que as próprias éticas contemporâneas se mostram incapazes de produzir autênticos vínculos de fraternidade, porque uma fraternidade privada da referência a um Pai comum como seu fundamento último não consegue subsistir. Uma verdadeira fraternidade entre os homens supõe e exige uma paternidade transcendente. A partir do reconhecimento desta paternidade, consolida-se a fraternidade entre os homens, ou seja, aquele fazer-se «próximo» para cuidar do outro.

«Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9)

2.    Para compreender melhor esta vocação do homem à fraternidade e para reconhecer de forma mais adequada os obstáculos que se interpõem à sua realização e identificar as vias para a superação dos mesmos, é fundamental deixar-se guiar pelo conhecimento do desígnio de Deus, tal como se apresenta de forma egrégia na Sagrada Escritura.

Segundo a narração das origens, todos os homens provêm dos mesmos pais, de Adão e Eva, casal criado por Deus à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26), do qual nascem Caim e Abel. Na história desta família primigénia, lemos a origem da sociedade, a evolução das relações entre as pessoas e os povos.

Abel é pastor, Caim agricultor. A sua identidade profunda e, conjuntamente, a sua vocação é ser irmãos, embora na diversidade da sua actividade e cultura, da sua maneira de se relacionarem com Deus e com a criação. Mas o assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos. A sua história (cf. Gn 4, 1-16) põe em evidência o difícil dever, a que todos os homens são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros. Caim, não aceitando a predilecção de Deus por Abel, que Lhe oferecia o melhor do seu rebanho – «o Senhor olhou com agrado para Abel e para a sua oferta, mas não olhou com agrado para Caim nem para a sua oferta» (Gn 4, 4-5) –, mata Abel por inveja. Desta forma, recusa reconhecer-se irmão, relacionar-se positivamente com ele, viver diante de Deus, assumindo as suas responsabilidades de cuidar e proteger o outro. À pergunta com que Deus interpela Caim – «onde está o teu irmão?» –, pedindo-lhe contas da sua acção, responde: «Não sei dele. Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Depois – diz-nos o livro do Génesis –, «Caim afastou-se da presença do Senhor» (4, 16).

É preciso interrogar-se sobre os motivos profundos que induziram Caim a ignorar o vínculo de fraternidade e, simultaneamente, o vínculo de reciprocidade e comunhão que o ligavam ao seu irmão Abel. O próprio Deus denuncia e censura a Caim a sua contiguidade com o mal: «o pecado deitar-se-á à tua porta» (Gn 4, 7). Mas Caim recusa opor-se ao mal, e decide igualmente «lançar-se sobre o irmão» (Gn 4, 8), desprezando o projecto de Deus. Deste modo, frustra a sua vocação original para ser filho de Deus e viver a fraternidade.

A narração de Caim e Abel ensina que a humanidade traz inscrita em si mesma uma vocação à fraternidade, mas também a possibilidade dramática da sua traição. Disso mesmo dá testemunho o egoísmo diário, que está na base de muitas guerras e injustiças: na realidade, muitos homens e mulheres morrem pela mão de irmãos e irmãs que não sabem reconhecer-se como tais, isto é, como seres feitos para a reciprocidade, a comunhão e a doação.

«E vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8)

3.    Surge espontaneamente a pergunta: poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?

Parafraseando as palavras do Senhor Jesus, poderemos sintetizar assim a resposta que Ele nos dá: dado que há um só Pai, que é Deus, vós sois todos irmãos (cf. Mt 23, 8-9). A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens (cf. Mt 6, 25-30). Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa.

Em particular, a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o «lugar» definitivo de fundação da fraternidade que os homens, por si sós, não são capazes de gerar. Jesus Cristo, que assumiu a natureza humana para a redimir, amando o Pai até à morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 8), por meio da sua ressurreição constitui-nos como humanidade nova, em plena comunhão com a vontade de Deus, com o seu projecto, que inclui a realização plena da vocação à fraternidade.

Jesus retoma o projecto inicial do Pai, reconhecendo-Lhe a primazia sobre todas as coisas. Mas Cristo, com o seu abandono até à morte por amor do Pai, torna-Se princípio novo e definitivo de todos nós, chamados a reconhecer-nos n’Ele como irmãos, porque filhos do mesmo Pai. Ele é a própria Aliança, o espaço pessoal da reconciliação do homem com Deus e dos irmãos entre si. Na morte de Jesus na cruz, ficou superada também a separação entre os povos, entre o povo da Aliança e o povo dos Gentios, privado de esperança porque permanecera até então alheio aos pactos da Promessa. Como se lê na Carta aos Efésios, Jesus Cristo é Aquele que reconcilia em Si todos os homens. Ele é a paz, porque, dos dois povos, fez um só, derrubando o muro de separação que os dividia, ou seja, a inimizade. Criou em Si mesmo um só povo, um só homem novo, uma só humanidade nova (cf. 2,14-16).

Quem aceita a vida de Cristo e vive n’Ele, reconhece Deus como Pai e a Ele Se entrega totalmente, amando-O acima de todas as coisas. O homem reconciliado vê, em Deus, o Pai de todos e, consequentemente, é solicitado a viver uma fraternidade aberta a todos. Em Cristo, o outro é acolhido e amado como filho ou filha de Deus, como irmão ou irmã, e não como um estranho, menos ainda como um antagonista ou até um inimigo. Na família de Deus, onde todos são filhos dum mesmo Pai e, porque enxertados em Cristo, filhos no Filho, não há «vidas descartáveis». Todos gozam de igual e inviolável dignidade; todos são amados por Deus, todos foram resgatados pelo sangue de Cristo, que morreu na cruz e ressuscitou por cada um. Esta é a razão pela qual não se pode ficar indiferente perante a sorte dos irmãos.

A fraternidade, fundamento e caminho para a paz

4.    Suposto isto, é fácil compreender que a fraternidade é fundamento e caminho para a paz. As Encíclicas sociais dos meus Predecessores oferecem uma ajuda valiosa neste sentido. Basta ver as definições de paz da Populorum progressio, de Paulo VI, ou da Sollicitudo rei socialis, de João Paulo II. Da primeira, apreendemos que o desenvolvimento integral dos povos é o novo nome da paz e, da segunda, que a paz é opus solidaritatis, fruto da solidariedade.

Paulo VI afirma que tanto as pessoas como as nações se devem encontrar num espírito de fraternidade. E explica: «Nesta compreensão e amizade mútuas, nesta comunhão sagrada, devemos (...) trabalhar juntos para construir o futuro comum da humanidade». Este dever recai primariamente sobre os mais favorecidos. As suas obrigações radicam-se na fraternidade humana e sobrenatural, apresentando-se sob um tríplice aspecto: o dever de solidariedade, que exige que as nações ricas ajudem as menos avançadas; o dever de justiça social, que requer a reformulação em termos mais correctos das relações defeituosas entre povos fortes e povos fracos; o dever de caridade universal, que implica a promoção de um mundo mais humano para todos, um mundo onde todos tenham qualquer coisa a dar e a receber, sem que o progresso de uns seja obstáculo ao desenvolvimento dos outros.

Ora, da mesma forma que se considera a paz como opus solidarietatis, é impossível não pensar que o seu fundamento principal seja a fraternidade. A paz, afirma João Paulo II, é um bem indivisível: ou é bem de todos, ou não o é de ninguém. Na realidade, a paz só pode ser conquistada e usufruída como melhor qualidade de vida e como desenvolvimento mais humano e sustentável, se estiver viva, em todos, «a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum». Isto implica não deixar-se guiar pela «avidez do lucro» e pela «sede do poder». É preciso estar pronto a «“perder-se” em benefício do próximo em vez de o explorar, e a “servi-lo” em vez de o oprimir para proveito próprio (...). O “outro” – pessoa, povo ou nação – [não deve ser visto] como um instrumento qualquer, de que se explora, a baixo preço, a capacidade de trabalhar e a resistência física, para o abandonar quando já não serve; mas sim como um nosso “semelhante”, um “auxílio”».

A solidariedade cristã pressupõe que o próximo seja amado não só como «um ser humano com os seus direitos e a sua igualdade fundamental em relação a todos os demais, mas [como] a imagem viva de Deus Pai, resgatada pelo sangue de Jesus Cristo e tornada objecto da acção permanente do Espírito Santo», como um irmão. «Então a consciência da paternidade comum de Deus, da fraternidade de todos os homens em Cristo, “filhos no Filho”, e da presença e da acção vivificante do Espírito Santo conferirá – lembra João Paulo II – ao nosso olhar sobre o mundo como que um novo critério para o interpretar», para o transformar.

A fraternidade, premissa para vencer a pobreza

5.    Na Caritas in veritate, o meu Predecessor lembrava ao mundo que uma causa importante da pobreza é a falta de fraternidade entre os povos e entre os homens. Em muitas sociedades, sentimos uma profunda pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias; assistimos, preocupados, ao crescimento de diferentes tipos de carências, marginalização, solidão e de várias formas de dependência patológica. Uma tal pobreza só pode ser superada através da redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos presentes na vida das pessoas.

Além disso, se por um lado se verifica uma redução da pobreza absoluta, por outro não podemos deixar de reconhecer um grave aumento da pobreza relativa, isto é, de desigualdades entre pessoas e grupos que convivem numa região específica ou num determinado contexto histórico-cultural. Neste sentido, servem políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos «capitais», aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projecto de vida e possa desenvolver-se plenamente como pessoa.

Reconhece-se haver necessidade também de políticas que sirvam para atenuar a excessiva desigualdade de rendimento. Não devemos esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social, segundo a qual, se é lícito – como diz São Tomás de Aquino – e mesmo necessário que «o homem tenha a propriedade dos bens», quanto ao uso, porém, «não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros».

Por último, há uma forma de promover a fraternidade – e, assim, vencer a pobreza – que deve estar na base de todas as outras. É o desapego vivido por quem escolhe estilos de vida sóbrios e essenciais, por quem, partilhando as suas riquezas, consegue assim experimentar a comunhão fraterna com os outros. Isto é fundamental, para seguir Jesus Cristo e ser verdadeiramente cristão. É o caso não só das pessoas consagradas que professam voto de pobreza, mas também de muitas famílias e tantos cidadãos responsáveis que acreditam firmemente que a relação fraterna com o próximo constitua o bem mais precioso.

A redescoberta da fraternidade na economia

6.    As graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável. Já, em 1979, o Papa João Paulo II alertava para a existência de «um real e perceptível perigo de que, enquanto progride enormemente o domínio do homem sobre o mundo das coisas, ele perca os fios essenciais deste seu domínio e, de diversas maneiras, submeta a elas a sua humanidade, e ele próprio se torne objecto de multiforme manipulação, se bem que muitas vezes não directamente perceptível; manipulação através de toda a organização da vida comunitária, mediante o sistema de produção e por meio de pressões dos meios de comunicação social».

As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida. A crise actual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza. Elas podem ajudar-nos a superar os momentos difíceis e a redescobrir os laços fraternos que nos unem uns aos outros, com a confiança profunda de que o homem tem necessidade e é capaz de algo mais do que a maximização do próprio lucro individual. As referidas virtudes são necessárias sobretudo para construir e manter uma sociedade à medida da dignidade humana.

A fraternidade extingue a guerra

7.    Ao longo do ano que termina, muitos irmãos e irmãs nossos continuaram a viver a experiência dilacerante da guerra, que constitui uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade.

Há muitos conflitos que se consumam na indiferença geral. A todos aqueles que vivem em terras onde as armas impõem terror e destruição, asseguro a minha solidariedade pessoal e a de toda a Igreja. Esta última tem por missão levar o amor de Cristo também às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror. De igual modo a Igreja levanta a sua voz para fazer chegar aos responsáveis o grito de dor desta humanidade atribulada e fazer cessar, juntamente com as hostilidades, todo o abuso e violação dos direitos fundamentais do homem. Por este motivo, desejo dirigir um forte apelo a quantos semeiam violência e morte, com as armas: naquele que hoje considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! Renunciai à via das armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação para reconstruir a justiça, a confiança e esperança ao vosso redor! «Nesta óptica, torna-se claro que, na vida dos povos, os conflitos armados constituem sempre a deliberada negação de qualquer concórdia internacional possível, originando divisões profundas e dilacerantes feridas que necessitam de muitos anos para se curarem. As guerras constituem a rejeição prática de se comprometer para alcançar aquelas grandes metas económicas e sociais que a comunidade internacional estabeleceu».

Mas, enquanto houver em circulação uma quantidade tão grande como a actual de armamentos, poder-se-á sempre encontrar novos pretextos para iniciar as hostilidades. Por isso, faço meu o apelo lançado pelos meus Predecessores a favor da não-proliferação das armas e do desarmamento por parte de todos, a começar pelo desarmamento nuclear e químico.

Não podemos, porém, deixar de constatar que os acordos internacionais e as leis nacionais, embora sendo necessários e altamente desejáveis, por si sós não bastam para preservar a humanidade do risco de conflitos armados. É precisa uma conversão do coração que permita a cada um reconhecer no outro um irmão do qual cuidar e com o qual trabalhar para, juntos, construírem uma vida em plenitude para todos. Este é o espírito que anima muitas das iniciativas da sociedade civil, incluindo as organizações religiosas, a favor da paz. Espero que o compromisso diário de todos continue a dar fruto e que se possa chegar também à efectiva aplicação, no direito internacional, do direito à paz como direito humano fundamental, pressuposto necessário para o exercício de todos os outros direitos.

A corrupção e o crime organizado contrastam a fraternidade

8.    O horizonte da fraternidade apela ao crescimento em plenitude de todo o homem e mulher. As justas ambições duma pessoa, sobretudo se jovem, não devem ser frustradas nem lesadas; não se lhe deve roubar a esperança de podê-las realizar. A ambição, porém, não deve ser confundida com prevaricação; pelo contrário, é necessário competir na mútua estima (cf. Rm 12, 10). Mesmo nas disputas, que constituem um aspecto inevitável da vida, é preciso recordar-se sempre de que somos irmãos; por isso, é necessário educar e educar-se para não considerar o próximo como um inimigo nem um adversário a eliminar.

A fraternidade gera paz social, porque cria um equilíbrio entre liberdade e justiça, entre responsabilidade pessoal e solidariedade, entre bem dos indivíduos e bem comum. Uma comunidade política deve, portanto, agir de forma transparente e responsável para favorecer tudo isto. Os cidadãos devem sentir-se representados pelos poderes públicos, no respeito da sua liberdade. Em vez disso, muitas vezes, entre cidadão e instituições, interpõem-se interesses partidários que deformam essa relação, favorecendo a criação dum clima perene de conflito.Um autêntico espírito de fraternidade vence o egoísmo individual, que contrasta a possibilidade das pessoas viverem em liberdade e harmonia entre si. Tal egoísmo desenvolve-se, socialmente, quer nas muitas formas de corrupção que hoje se difunde de maneira capilar, quer na formação de organizações criminosas – desde os pequenos grupos até àqueles organizados à escala global – que, minando profundamente a legalidade e a justiça, ferem no coração a dignidade da pessoa. Estas organizações ofendem gravemente a Deus, prejudicam os irmãos e lesam a criação, revestindo-se duma gravidade ainda maior se têm conotações religiosas.

Penso no drama dilacerante da droga com a qual se lucra desafiando leis morais e civis, na devastação dos recursos naturais e na poluição em curso, na tragédia da exploração do trabalho; penso nos tráficos ilícitos de dinheiro como também na especulação financeira que, muitas vezes, assume caracteres predadores e nocivos para inteiros sistemas económicos e sociais, lançando na pobreza milhões de homens e mulheres; penso na prostituição que diariamente ceifa vítimas inocentes, sobretudo entre os mais jovens, roubando-lhes o futuro; penso no abomínio do tráfico de seres humanos, nos crimes e abusos contra menores, na escravidão que ainda espalha o seu horror em muitas partes do mundo, na tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade. A este respeito escreveu João XXIII: «Uma convivência baseada unicamente em relações de força nada tem de humano: nela vêem as pessoas coarctada a própria liberdade, quando, pelo contrário, deveriam ser postas em condição tal que se sentissem estimuladas a procurar o próprio desenvolvimento e aperfeiçoamento». Mas o homem pode converter-se, e não se deve jamais desesperar da possibilidade de mudar de vida. Gostaria que isto fosse uma mensagem de confiança para todos, mesmo para aqueles que cometeram crimes hediondos, porque Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cf. Ez 18, 23).

No contexto alargado da sociabilidade humana, considerando o delito e a pena, penso também nas condições desumanas de muitos estabelecimentos prisionais, onde frequentemente o preso acaba reduzido a um estado sub-humano, violado na sua dignidade de homem e sufocado também em toda a vontade e expressão de resgate. A Igreja faz muito em todas estas áreas, a maior parte das vezes sem rumor. Exorto e encorajo a fazer ainda mais, na esperança de que tais acções desencadeadas por tantos homens e mulheres corajosos possam cada vez mais ser sustentadas, leal e honestamente, também pelos poderes civis.

A fraternidade ajuda a guardar e cultivar a natureza

9.    A família humana recebeu, do Criador, um dom em comum: a natureza. A visão cristã da criação apresenta um juízo positivo sobre a licitude das intervenções na natureza para dela tirar benefício, contanto que se actue responsavelmente, isto é, reconhecendo aquela «gramática» que está inscrita nela e utilizando, com sabedoria, os recursos para proveito de todos, respeitando a beleza, a finalidade e a utilidade dos diferentes seres vivos e a sua função no ecossistema. Em suma, a natureza está à nossa disposição, mas somos chamados a administrá-la responsavelmente. Em vez disso, muitas vezes deixamo-nos guiar pela ganância, pela soberba de dominar, possuir, manipular, desfrutar; não guardamos a natureza, não a respeitamos, nem a consideramos como um dom gratuito de que devemos cuidar e colocar ao serviço dos irmãos, incluindo as gerações futuras.

De modo particular o sector produtivo primário, o sector agrícola, tem a vocação vital de cultivar e guardar os recursos naturais para alimentar a humanidade. A propósito, a persistente vergonha da fome no mundo leva-me a partilhar convosco esta pergunta: De que modo usamos os recursos da terra? As sociedades actuais devem reflectir sobre a hierarquia das prioridades no destino da produção. De facto, é um dever impelente que se utilizem de tal modo os recursos da terra, que todos se vejam livres da fome. As iniciativas e as soluções possíveis são muitas, e não se limitam ao aumento da produção. É mais que sabido que a produção actual é suficiente, e todavia há milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome, o que constitui um verdadeiro escândalo. Por isso, é necessário encontrar o modo para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não só para evitar que se alargue o fosso entre aqueles que têm mais e os que devem contentar-se com as migalhas, mas também e sobretudo por uma exigência de justiça e equidade e de respeito por cada ser humano. Neste sentido, gostaria de lembrar a todos o necessário destino universal dos bens, que é um dos princípios fulcrais da doutrina social da Igreja. O respeito deste princípio é a condição essencial para permitir um acesso real e equitativo aos bens essenciais e primários de que todo o homem precisa e tem direito.

Conclusão

10.    Há necessidade que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade.

O necessário realismo da política e da economia não pode reduzir-se a um tecnicismo sem ideal, que ignora a dimensão transcendente do homem. Quando falta esta abertura a Deus, toda a actividade humana se torna mais pobre, e as pessoas são reduzidas a objecto passível de exploração. Somente se a política e a economia aceitarem mover-se no amplo espaço assegurado por esta abertura Àquele que ama todo o homem e mulher, é que conseguirão estruturar-se com base num verdadeiro espírito de caridade fraterna e poderão ser instrumento eficaz de desenvolvimento humano integral e de paz.

Nós, cristãos, acreditamos que, na Igreja, somos membros uns dos outros e todos mutuamente necessários, porque a cada um de nós foi dada uma graça, segundo a medida do dom de Cristo, para utilidade comum (cf. Ef 4, 7.25; 1 Cor 12, 7). Cristo veio ao mundo para nos trazer a graça divina, isto é, a possibilidade de participar na sua vida. Isto implica tecer um relacionamento fraterno, caracterizado pela reciprocidade, o perdão, o dom total de si mesmo, segundo a grandeza e a profundidade do amor de Deus, oferecido à humanidade por Aquele que, crucificado e ressuscitado, atrai todos a Si: «Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34-35). Esta é a boa nova que requer, de cada um, um passo mais, um exercício perene de empatia, de escuta do sofrimento e da esperança do outro, mesmo do que está mais distante de mim, encaminhando-se pela estrada exigente daquele amor que sabe doar-se e gastar-se gratuitamente pelo bem de cada irmão e irmã.

Cristo abraça todo o ser humano e deseja que ninguém se perca. «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3, 17). Fá-lo sem oprimir, sem forçar ninguém a abrir-Lhe as portas do coração e da mente. «O que for maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve – diz Jesus Cristo –. Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 26-27). Deste modo, cada actividade deve ser caracterizada por uma atitude de serviço às pessoas, incluindo as mais distantes e desconhecidas. O serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz.

Que Maria, a Mãe de Jesus, nos ajude a compreender e a viver todos os dias a fraternidade que jorra do coração do seu Filho, para levar a paz a todo o homem que vive nesta nossa amada terra.
Vaticano, 8 de Dezembro de 2013.



12.DEZEMBRO – NOSSA SENHORA DE GUADALUPE
Padroeira das Américas

Não estou Eu aqui, que sou tua Mãe?
Não estás debaixo de minha proteção?
Não sou tua saúde?
Não estás feliz com o meu abraço?
O que mais podes querer?
Não temas, nem te perturbes com qualquer outra coisa.



...Quando apareceu a São Juan Diego, seu rosto era o de uma mulher mestiça e suas vestes estavam cheias de símbolos da cultura indígena. Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está perto de seus filhos, como uma mãe carinhosa acompanha o seu caminho, partilha as alegrias e as esperanças, os sofrimentos e as angústias dos homens de Deus, que são chamados a fazer parte de todos os povos da terra.

A aparição da imagem da Virgem na tilma (manto) de Juan Diego era um sinal profético de um abraço, o abraço de Maria a todos os habitantes das vastas terras americanas, que já estavam lá e os que virão depois.

Este abraço de Maria apontou o caminho que sempre caracterizou a América: uma terra onde povos diferentes podem conviver, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as fases, desde a concepção até a velhice, capaz de acolher os migrantes, assim como os pobres e marginalizados de todas as idades. Uma terra generosa.

Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e esta é a minha mensagem, a mensagem da Igreja. Encorajo todos os habitantes do continente americano a ter os braços abertos como a Virgem Maria, com amor e ternura.

Rezo por todos vocês, queridos irmãos e irmãs em todas as Américas, e peço que oreis por mim. Que a alegria do Evangelho esteja sempre em seus corações. O Senhor os abençoe e Nossa Senhora os acompanhe.
Papa Francisco – 11.dezembro.2013

NOSSA SENHORA DO Ó

Dom Fernando Rifan*
            
Advento é o tempo da expectativa e preparação do Natal. Nas Vésperas dos dias que antecedem a grande festa natalina, cantam-se as belíssimas antífonas latinas que começam com a exclamação de desejo “Ó!”: Ó Sabedoria, Ó Adonai, Ó Raiz de Jessé, Ó Chave de Davi, Ó Oriente, Ó Rei das Nações, Ó Emanuel, palavras das antigas profecias bíblicas, referentes ao Salvador cujo nascimento celebraremos no Natal.
          
O modelo para nós de expectativa do Messias é a sua Mãe, Maria Santíssima. Por causa dessas antífonas da expectação, o povo deu a ela o título de Nossa Senhora do Ó. É uma devoção muito antiga, surgida na Espanha e em Portugal. Aqui no Brasil, em São Paulo, temos a “Freguesia (paróquia) do Ó”, bairro, onde se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Expectação do Ó, cuja construção começou em 1610.
             
 A devoção a Nossa Senhora é inata no povo católico. Enquanto os teólogos, durante séculos, discutiam a base teológica da Imaculada Conceição da Virgem Maria – o dogma de fé só foi proclamado por Pio IX no dia 8 de dezembro de 1864 -, o povo católico já a cultuava por toda a parte. Desde os primeiros séculos, os cristãos já honravam essa prerrogativa de Maria. No século VIII, o culto foi autorizado nas igrejas. A partir do século XII, espalhou-se a celebração dessa festa. Clemente XI, em 1708, a elevou a festa de preceito. Fizeram há pouco uma pesquisa na França sobre quem acreditava no pecado original. 70% afirmaram que não. Mas à pergunta sobre quem acreditava na Imaculada Conceição, 70% afirmaram que sim!

Amanhã celebraremos Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. Sob diversos nomes, Maria Santíssima é patrona de muitos países do Novo Mundo, e sua devoção está no coração de todos. Mas, no discurso inaugural da Conferência do CELAM, em Aparecida, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, constatava: “Percebe-se certo enfraquecimento da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica”. Em cima dessa afirmação, os Bispos da América Latina e do Caribe, reconhecendo os aspectos positivos da evangelização do nosso continente, que nos alegram, não deixaram de reconhecer algumas sombras: “Observamos que o crescimento percentual da Igreja não segue o mesmo ritmo que o crescimento populacional... Verificamos, deste modo, uma mentalidade relativista no ético e no religioso.... Nas últimas décadas vemos com preocupação, que numerosas pessoas perdem o sentido transcendental de suas vidas e abandonam as práticas religiosas...”. Estamos em “um novo período da história, caracterizado pela desordem generalizada..., pela difusão de uma cultura distante e hostil à tradição cristã e pela emergência de variadas ofertas religiosas que tratam de responder, à sua maneira, muitas vezes errônea, à sede de Deus que nossos povos manifestam”.

A graça que pedimos a Deus, por meio da Senhora de Guadalupe: que o nosso povo não tenha só o verniz cristão de uma devoção superficial, mas que viva em coerência com a sua Fé.

                                                        *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                 http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Papa Francisco eleito 'Homem do Ano' pela revista Time

Cidade do Vaticano, 11.dezembro.2013 (RV) – A revista norte-americana Time elegeu o Papa Francisco como ‘Homem do ano’. O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, comentando a escolha, afirmou que representa “um sinal positivo”, pois o título é atribuído a quem anuncia no mundo valores espirituais, e trabalha em favor da paz e da justiça.

“A escolha não surpreende - disse Lombardi - dada a repercussão e a grande atenção da eleição do Papa Francisco e do início do Pontificado. É um sinal positivo, que um dos reconhecimentos mais prestigiosos no âmbito da imprensa internacional seja atribuído a quem anuncia no mundo valores espirituais, religiosos e morais e fala com eficiência a favor da paz e de uma justiça maior”.

Padre Lombardi observou que o Papa Francisco “não busca fama e sucesso, pois faz o seu serviço do anúncio do Evangelho por amor a Deus e por todos. Se isto atrai homens e mulheres e lhes dá esperança, o Papa está contente.”. “Se esta escolha de ‘homem do ano’ – acrescenta o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé - significa que muitos entenderam, ao menos implicitamente esta mensagem, ele certamente se alegra por isto”.

Ao dar a notícia no seu site, a revista norte-americana sublinhou como “o primeiro Papa não europeu em 1.200 anos, poderia transformar um lugar onde as mudanças ocorrem nos séculos”.

“Mas o que torna este Papa assim importante – continua o artigo - é a velocidade com a qual ele atraiu a imaginação de milhares de pessoas que haviam perdido todas as esperanças em relação à Igreja. Em poucos meses, Papa Francisco elevou a missão de uma Igreja que leva conforto às pessoas necessitadas em um mundo sempre mais duro”.

O Papa Bergoglio é o terceiro Pontífice da história a ser eleito ‘Homem do ano’ pela revista Time, após João XXIII em 1962 e João Paulo II em 1994.


"Creio na vida eterna" - Na audiência geral, Papa Francisco convida a não recear o "juízo final"

Cidade do Vaticano, 11.dezembro.2013 (RV) – Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Hoje gostaria de iniciar a última série de catequeses sobre nossa profissão de fé, tratando sobre a afirmação “Creio na vida eterna”. Em particular, concentro-me no juízo final. Mas não devemos ter medo: ouçamos aquilo que diz a Palavra de Deus. A respeito, lemos no Evangelho de Mateus: então Cristo “voltará na sua glória e todos os anjos com ele…Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda…E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna” (Mt 25, 31-33. 46). Quando pensamos no retorno de Cristo e no seu juízo final, que manifestará, até suas últimas consequências, o bem que cada um terá cumprido ou terá omitido de cumprir durante a sua vida terrena, percebemos nos encontramos diante de um mistério que paira sobre nós, que não conseguimos sequer imaginar. Um mistério que quase instintivamente suscita em nós um sentimento de temor, e talvez também de preocupação. Se, porém, refletimos bem sobre esta realidade, essa só pode alargar o coração de um cristão e constituir um grande motivo de consolação e de confiança.

A este propósito, o testemunho das primeiras comunidades cristãs ressoa muito fascinante. Essas, de fato, eram habituais ao acompanhar as celebrações e as orações com a aclamação Maranathà, uma expressão constituída por duas palavras aramaicas que, do modo como são construídas, podem ser entendidas como uma súplica: “Vem, Senhor!”, ou como uma certeza alimentada pela fé: “Sim, o Senhor vem, o Senhor está próximo”. É a exclamação na qual culmina toda a Revelação cristã, ao término da maravilhosa contemplação que nos é oferecida no Apocalipse de João (cfr Ap 22, 20). Naquele caso, é a Igreja-esposa que, em nome de toda a humanidade e enquanto sua primícia, dirige-se a Cristo, seu esposo, não vendo a hora de ser envolvida por seu abraço: o abraço de Jesus, que é plenitude de vida e plenitude de amor. Assim nos abraça Jesus. Se pensamos no julgamento com esta perspectiva, todo medo e hesitação é menor e deixa espaço à espera e a uma profunda alegria: será justamente o momento no qual seremos julgados finalmente prontos para ser revestidos da glória de Cristo, como de uma veste nupcial, e ser conduzidos ao banquete, imagem da plena e definitiva comunhão com Deus.

Um segundo motivo de confiança nos vem oferecido pela constatação de que, no momento do julgamento, não estaremos sozinhos. É o próprio Jesus, no Evangelho de Mateus, a preanunciar como, no fim dos tempos, aqueles que o tiverem seguido tomarão lugar na sua glória, para julgar junto a Ele (cfr Mt 19, 28). O apóstolo Paulo, depois, escrevendo à comunidade de Corinto, afirma: “Não sabeis que os santos julgarão o mundo? Quanto mais as pequenas questões desta vida!” (1 Cor 6,2-3). Que belo saber que naquele momento, bem como com Cristo, nosso Paráclito, nosso Advogado junto ao Pai (cfr 1 Jo 2, 1), poderemos contar com a intercessão e com a benevolência de tantos nossos irmãos e irmãs maiores que nos precederam no caminho da fé, que ofereceram a sua vida por nós e que continuam a nos amar de modo indescritível! Os santos já vivem na presença de Deus, no esplendor da sua glória rezando por nós que ainda vivemos na terra. Quanta consolação suscita no nosso coração esta certeza! A Igreja é verdadeiramente uma mãe e, como uma mãe, procura o bem dos seus filhos, sobretudo aqueles mais distantes e aflitos, até encontrar a sua plenitude no corpo glorioso de Cristo com todos os seus membros.

Uma outra sugestão nos vem oferecida pelo Evangelho de João, onde se afirma explicitamente que “Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem Nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho único de Deus” (Jo 3, 17-18). Isto significa então que aquele juízo final já está em vigor, começa agora no curso da nossa existência. Tal juízo é pronunciado a cada instante da vida, como verificação do nosso acolhimento com fé da salvação presente e operante em Cristo, ou da nossa incredulidade, com o consequente fechamento em nós mesmos. Mas se nós nos fechamos ao amor de Jesus, somos nós mesmos que nos condenamos. A salvação é abrir-se a Jesus, e Ele nos salva; se somos pecadores – e o somos todos – peçamos-lhe perdão e se vamos a Ele com o desejo de ser bons, o Senhor nos perdoa. Mas, para isso, devemos abrir-nos ao amor de Jesus, que é mais forte que todas as outras coisas. O amor de Jesus é grande, o amor de Jesus misericordioso, o amor de Jesus perdoa; mas você deve se abrir e se abrir significa arrepender-se, acusar-se das coisas que não são boas e que fizemos. O Senhor Jesus se doou e continua a se doar a nós, para nos encher de toda a misericórdia e a graça do Pai. Somos nós também que podemos nos tornar em um certo sentido juízes de nós mesmos, nos auto-condenando à exclusão da comunhão com Deus e com os irmãos.  Não nos cansemos, portanto, de vigiar sobre nossos pensamentos e sobre nossas atitudes, para experimentar desde já o calor e o esplendor da face de Deus – e isso será belíssimo – que na vida eterna contemplaremos em toda a sua plenitude. Avante, pensando neste juízo que começa agora, e já começou. Avante, fazendo com que o nosso coração se abra a Jesus e à sua salvação; avante sem medo, porque o amor de Jesus é maior e se nós pedimos perdão dos nossos pecados Ele nos perdoa. Jesus é assim. Avante então com esta certeza, que nos levará à glória do céu.



Mensagem do Papa ao continente americano:" Acolher migrantes e pobres, como a Virgem de Guadalupe"

Cidade do Vaticano, 11.dezembro.2013 (RV) – Em vista da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, que a Igreja celebra no dia 12, o Papa Francisco aproveitou a Audiência Geral desta quarta-feira para enviar uma mensagem para todo o continente americano.

Eis as palavras do Santo Padre:

Amanhã é a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira de toda a América. Nesta ocasião, quero saudar os irmãos e irmãs do continente, e o faço pensando em Nossa Senhora de Tepeyac.

Quando apareceu a São Juan Diego, seu rosto era o de uma mulher mestiça e suas vestes estavam cheias de símbolos da cultura indígena. Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está perto de seus filhos, como uma mãe carinhosa acompanha o seu caminho, partilha as alegrias e as esperanças, os sofrimentos e as angústias dos homens de Deus, que são chamados a fazer parte de todos os povos da terra.

A aparição da imagem da Virgem na tilma (manto) de Juan Diego era um sinal profético de um abraço, o abraço de Maria a todos os habitantes das vastas terras americanas, que já estavam lá e os que virão depois.

Este abraço de Maria apontou o caminho que sempre caracterizou a América: uma terra onde povos diferentes podem conviver, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as fases, desde a concepção até a velhice, capaz de acolher os migrantes, assim como os pobres e marginalizados de todas as idades. Uma terra generosa.

Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e esta é a minha mensagem, a mensagem da Igreja. Encorajo todos os habitantes do continente americano a ter os braços abertos como a Virgem Maria, com amor e ternura.

Rezo por todos vocês, queridos irmãos e irmãs em todas as Américas, e peço que oreis por mim. Que a alegria do Evangelho esteja sempre em seus corações. O Senhor os abençoe e Nossa Senhora os acompanhe.


O convite de Francisco a aderir à "onda de solidariedade"

Cidade do Vaticano, 11.dezembro.2013 (RV) – O Papa Francisco voltou a falar do “escândalo da fome” na Audiência Geral desta quarta-feira.

O Pontífice recordou o lançamento, nesta terça, 10 de dezembro, da campanha global contra a fome promovida pela Caritas Internacional.

Aos fiéis presentes na Praça, Francisco pediu que repetissem com ele a frase de que somos “uma só família humana”. Eis o que disse:

Ontem, a Caritas lançou uma campanha mundial contra a fome e o desperdício de alimentos, com o tema: “Uma só família humana, alimento para todos”. O escândalo para os milhões de pessoas que sofrem a fome não nos deve paralisar, mas impulsionar-nos a agir, todos, indivíduos, famílias, comunidades, instituições e governos, para eliminar essa injustiça. O Evangelho de Jesus nos indica o caminho: entregar-nos à providência do Pai e compartilhar o pão cotidiano sem desperdiçá-lo. Encorajo a Caritas a levar avante este empenho, e convido todos a se unirem a esta “onda” de solidariedade.


Francisco: "O Senhor nos consola com a ternura. Sejamos abertos a ela"

Cidade do Vaticano, 10.dezembro.2013 (RV) – “Quando Jesus se aproxima de nós, sempre abre as portas e nos dá esperança”, afirmou o Pontífice na missa celebrada na manhã desta terça-feira, 10, na Casa Santa Marta. Na homilia, Francisco reiterou que não devemos ter medo da consolação do Senhor, mas pedi-la e procurá-la. Este consolo nos faz sentir a ternura de Deus.

Papa Francisco começou sua homilia com a passagem de Isaías, quando o Senhor se aproxima de seu povo para consolá-lo, para lhe “dar paz”. Este gesto de consolação – explicou – é tão forte que “refaz todas as coisas”.

“O Senhor recria as coisas, e a Igreja não se cansa de dizer que esta recriação é mais maravilhosa do que a criação. E este “refazer”, disse ainda o Papa, “tem duas dimensões importantes”.

“Quando o Senhor se aproxima, nos dá esperança, sempre abre uma porta; sempre. E esta proximidade e esperança são uma verdadeira força para a vida cristã, elas são uma graça, um dom”.

“Quando, ao contrário, um cristão se esquece da esperança, ou pior, perde a esperança, sua vida não tem sentido. É como se sua vida fosse diante de um muro, do nada”.

Em seguida, o Papa chamou a atenção para a beleza da leitura do dia: “Como pastor, ele levou seu rebanho ao pasto, o reuniu, pegou a ovelhinha no ombro e conduziu as mães com doçura. Esta é uma imagem de ternura; o Senhor nos conforta com ternura”.

“Ele, que é poderoso, não tem medo da ternura; se faz pequeno”, prosseguiu. “No Evangelho, o próprio Jesus diz: “A vontade do Pai é que nenhum dos pequenos se perca, recordou o Papa, lembrando que “aos olhos do Senhor, cada um de nós é muito importante”.

“Nos 40 dias entre a Ressurreição e a Ascensão, o principal trabalho de Jesus foi consolar os discípulos, aproximar-se deles e dar-lhes consolo”, recordou ainda, terminando com uma prece:

“Que o Senhor nos dê a graça de não termos medo da consolação, mas de sermos abertos a ela, que nos dá esperança e nos faz sentir o carinho de Deus-Pai”.

Tweet do Papa Francisco:

10/12/2013
Maria, nossa Mãe, sustentai-nos nos momentos de escuridão, de dificuldade, de aparente derrota!

Campanha da Caritas contra a fome no mundo. Papa: "Não ignorar um bilhão de famintos"

Cidade do Vaticano, 10.dezembro.2013 (RV) - Em vídeo realizado para a campanha da organização católica Caritas Internacional contra a fome no mundo, o Papa apela aos católicos, governos e à sociedade em geral para erradicar “o escândalo da fome”, aderindo à campanha da Caritas ‘Uma só família humana, alimento para todos’.

Queridos irmãos e queridas irmãs,

Hoje anuncio com prazer a “Campanha contra a fome no mundo”, lançada pela nossa Caritas Internacional, à qual darei todo o meu apoio.

Esta confederação, junto com suas 164 organizações-membro, se empenha em 200 países e territórios do mundo e o seu trabalho está no coração da missão da Igreja e de sua atenção para com os que sofrem o escândalo da fome, com o qual o Senhor se identificou quando disse: “Tinha fome e me destes de comer”.

Quando os apóstolos revelaram a Jesus que as pessoas que foram ouvir suas palavras estavam famintas, ele os incitou a ir procurar comida. Sendo eles mesmos pobres, encontraram apenas cinco pães e dois peixes, mas com a graça de Deus, puderam saciar uma multidão de pessoas, juntar os restos e evitar qualquer desperdício.
Estamos diante do escândalo mundial de cerca de um bilhão, um bilhão de pessoas que ainda hoje têm fome. Não podemos virar as costas e fazer de conta que isto não existe. O alimento que o mundo tem à disposição pode saciar todos.
A parábola da multiplicação dos pães e dos peixes nos ensina justamente que se houver vontade, o que temos não vai acabar, ao contrário, vai sobrar, e não deve ser perdido.
Por isso, queridos irmãos e queridas irmãs, convido-os a abrir um espaço em seus corações para esta urgência, respeitando o direito dado por Deus a todos de ter acesso a uma alimentação adequada.
Compartilhemos o que temos, em caridade cristã, com os que são obrigados a enfrentar muitos obstáculos para satisfazer uma necessidade tão primária; e ao mesmo tempo, promovamos uma autêntica cooperação com os pobres para que, através dos frutos do seu e do nosso trabalho, possamos viver uma vida digna.
Convido todas as instituições do mundo, toda a Igreja e cada um de nós, como uma única família humana, a dar voz a todas as pessoas que passam fome silenciosamente, a fim de que esta voz se torne um grito que possa sacudir o mundo.
Esta campanha quer ser também um convite a todos nós para sermos mais conscientes de nosso regime alimentar, que muitas vezes comporta desperdício de comida e má-utilização dos recursos de que dispomos. Ela é também uma exortação a pararmos de pensar que nossos gestos cotidianos não têm impacto na vida de quem – seja perto, seja longe de nós – sofre a fome na própria pele.
Peço-lhes, com todo o coração, que ajudem a nossa Caritas nesta nobre Campanha, agindo como uma única família que se empenha em garantir o alimento para todos.
Rezemos para que Deus nos dê a graça de ver um mundo no qual ninguém jamais deva morrer de fome. Ao pedir esta graça, concedo-lhes a minha bênção.

Papa Francisco escreveu em seu Twitter, hoje à noite:


09/12/2013
Se virmos alguém que pede ajuda, paramos? Há muito sofrimento e pobreza, e tanta necessidade de bons samaritanos.

“Coragem: Não temais!” – o Papa celebrou com o Patriarca Sidrak de Alexandria dos Coptas Católicos

Cidade do Vaticano, 9.dezembro.2013 (RV) – É preciso pôr fim às divisões e inimizades na Terra Santa e no Médio Oriente. Este o apelo que na manhã desta segunda-feira se ouviu na missa na Casa de Santa Marta em que com o Santo Padre concelebrou o Patriarca dos Coptas Católicos de Alexandria Ibrahim Isaac Sidrak por ocasião da manifestação pública da comunhão eclesial com o Sucessor de Pedro. Foi um momento de grande intensidade espiritual em que o Papa Francisco na sua homilia, pegando nas palavras do Profeta Isaías na primeira leitura, logo lançou palavras de encorajamento aos irmãos do Egito:

“Coragem: Não temais! Eis a consolantes palavras que encontram confirmação na fraterna solidariedade. Sou grato a Deus por este encontro que me dá modo de reforçar a vossa e a nossa esperança, porque é a mesma.”

“Rezemos com confiança para que na Terra Santa e em todo o Médio Oriente a paz possa sempre reerguer-se das paragens demasiado recorrentes e dramáticas. Parem para sempre as inimizades e as divisões. Recomecem rapidamente as conversações de paz, muitas vezes paralisadas por contrapostos e obscuros interesses. Sejam dadas finalmente reais garantias de liberdade religiosa a todos, juntamente com o direito para os cristãos de viverem serenamente lá onde nasceram, na pátria que amam como cidadãos há dois mil anos, para contribuírem como sempre para o bem de todos.”

O Papa recordou que também Jesus experimentou a fuga com a Sagrada Família precisamente para o Egito. O Santo Padre invocou o Senhor para que os egípcios encontrem caminhos novos de dignidade e segurança:

“E andemos para a frente, procurando o Senhor, procurando novos caminhos para nos aproximarmos do Senhor. E se fosse necessário abrir um buraco no teto para nos aproximarmos todos do Senhor, que a nossa imaginação e criatividade da caridade nos leve a isto: a encontrar, a fazer caminhos de encontro, de fraternidade e de paz.”

Por sua vez o Patriarca Sidrak expressou toda a sua alegria por ter podido celebrar com o Papa e sublinhou que a Igreja no Egito neste delicado momento precisa do apoio paterno do sucessor de Pedro. Invocou, assim, o dom da paz:

“Possa a luz do Santo Natal ser a estrela que revela o caminho do amor, da unidade, da reconciliação e da paz, dons de que a minha Terra tem tanta necessidade. Pedindo a sua benção, Padre Santo, aguardamo-lo no Egito.”



Oração à Imaculada (Praça de Espanha, domingo 8 Dezembro 2013)

Virgem Santa e Imaculada,
a Ti, que és a honra do nosso povo,e a defensora atenta da nossa cidade,
nos dirigimos com confiança e amor.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti não há pecado.

Suscita em todos nós um renovado desejo de santidade,
brilhe na nossa palavra o esplendor da caridade,
habitem no nosso corpo pureza e castidade,
torne-se presente na nossa vida toda a beleza do Evangelho.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti se fez carne a Palavra de Deus.

Ajuda-nos a permanecer na escuta atenta da voz do Senhor,
nunca nos deixe indiferentes ao grito dos pobres,
não nos encontre distraídos o sofrimento dos doentes e dos carecidos,
comovam-nos a solidão dos idosos e a fragilidade das crianças,
seja sempre amada e venerada por todos nós cada vida humana.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Em Ti, a alegria plena da vida bem-aventurada, com Deus.

Faz com que não percamos o significado do nosso caminho terreno,
ilumine os nossos dias a luz gentil da fé,
oriente os nossos passos a força consoladora da esperança,
anime o nosso coração o calor contagioso do amor,
permaneçam os olhos de todos nós bem fixos em Deus, onde se encontra a verdadeira alegria.

Tu és a Toda Bela, ó Maria!
Escuta a nossa oração, escuta a nossa súplica.

haja em nós a beleza do amor misericordioso de Deus em Jesus,
seja esta divina beleza a salvar-nos e a salvar a nossa cidade, o mundo inteiro.
Amém!

Como Deus pousou o seu olhar sobre Maria, jovenzinha da periferia de Israel, assim também sobre nós Deus pousa o seu olhar de amor e salvação: Papa ao Angelus

Caros irmãos e irmãs,

Este segundo domingo do Advento cai no dia da festa da Imaculada Conceição de Maria, e então,   o  nosso olhar é atraído pela beleza da Mãe de Jesus, a nossa Mãe! Com grande alegria a Igreja contempla a  “cheia de graça” (Lc 1, 28), assim como Deus olhou para ela desde o primeiro momento em seu desígnio de amor. Maria nos sustenta em nossa jornada rumo a Natal, porque nos ensina a viver este  tempo do Advento, na espera do Senhor.

O Evangelho de São Lucas nos apresenta uma jovem de Nazaré, uma pequena cidade da Galiléia, na periferia do Império Romano e também na periferia de Israel. No entanto, sobre ela posuou o  olhar do Senhor, que a escolheu para ser a mãe de seu Filho. Em vista dessa maternidade, Maria foi preservada do pecado original, ou seja, daquela quebra na comunhão com Deus, com os outros e com a criação,  que fere em profundidade, cada ser humano. Mas essa ruptura foi curada em antecipação na  Mãe d’Aquele que veio para nos libertar da escravidão do pecado. A Imaculada está inscrita no desígnio de Deus, é o fruto do amor de Deus que salva o mundo.

E Nossa Senhora nunca se afastou deste  amor: toda a sua vida, todo o seu ser é um “sim” a Deus.  Mas certamente não foi fácil para ela! Quando o Anjo a chama de “cheia de graça” (Lc 1, 28), ela fica “muito perturbada”, porque na sua humildade se sente  pequena diante de Deus.  O  Anjo  a conforta: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus; E eis que conceberás um filho, e o chamars com o nome de  Jesus” (v. 30). Esse anúncio a perturba ainda mais, porque ainda não é casada com José, mas o Anjo acrescenta: “O Espírito Santo virá sobre ti , e Aquele que nascer  será santo e será chamado Filho de Deus” (v. 35) . Maria escuta, obedece interiormente e responde: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (v. 38).

O mistério desta menina de Nazaré, que está no coração de Deus, nãonos é um estranho. Na verdade, Deus coloca o seu olhar amoroso sobre  cada homem e mulher! O apóstolo Paulo afirma que Deus “nos escolheu Nele antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis” (Efésios 1, 4). Também nós, desde sempre, fomos escolhidos por Deus para viver uma vida santa, livre de pecado. É um projeto de amor que Deus renova cada vez que nos aproximamos Dele,  especialmente nos sacramentos.

Nesta festa, contemplando a nossa Mãe Imaculada, também reconhecemos o nosso destino mais verdadeiro, a nossa mais profunda vocação: sermos  amados,  transformados pelo amor. Olhemos  para ela,  e deixemos que ela nos olhe. Aprendamos  a ser  mais humildes, e termos ainda mais coragem para seguir a Palavra de Deus, para receber o abraço carinhoso de seu Filho Jesus, um abraço que nos dá  vida, esperança e  paz.

Após o Angelus

Caros irmãos e irmãs,
Saúdo todos vós com afeto, especialmente , as famílias, grupos paroquiais e associações. Saúdo so fiéis de Cossato, Bianzé, Lomazzo, Livorno Ferraris, Rocca di Papa, San Marzano sul Sarno e Pratola Serra.

Nos unamos espiritualmente à Igreja que vive na  América do Norte, que hoje recorda a fundação de sua primeira paróquia, há cerca de 350 anos: Notre-Dame de Québec. Rendamos graças pelo caminho percorrido, especialmente pelos santos e mártires que enriqueceram aquelas terras. Abençoo de coração a todos os fiéis que celebram este jubileu.

Dirijo um pensamento especial para os membros da Ação Católica Italiana, que hoje renovam a sua adesão à  Associação: Desejo a vocês todo o bem no compromisso  formativo e apostólico.

Hoje, na parte da  tarde, seguindo uma antiga tradição,  irei à Praça Espanha  para rezar aos pés do monumento à Imaculada. Vos peço para se juntarem a mim nesta peregrinação espiritual, que é um ato de devoção filial a Maria, para confiar a cidade de Roma, a Igreja e toda a humanidade.

A todos desejo um bom domingo e uma boa festa de nossa Mãe.


Tweet do Papa Francisco neste domingo:

07/12/2013
Queridos jovens, convido-vos a colocar os vossos talentos ao serviço do Evangelho, com criatividade e um amor sem fronteiras.


Papa encoraja leigos a estar presentes na rede internet para encontrar os homens feridos e desorientados e dar-lhes a esperança cristã

Cidade do Vaticano, 7.dezembro.2013 (RV) – Com o Concílio Vaticano “soou a hora dos leigos”: a expressão é de João Paulo II, mas foi hoje recordada pelo Papa Francisco, ao receber os 80 participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício para os Leigos, que decorreu nos últimos dias em Roma.

O Santo Padre congratulou-se com diversas iniciativas recentes deste Dicastério da Cúria Romana, nomeadamente o Congresso Pan-africano de Setembro do ano passado sobre a formação do laicado em África, e também o Seminário de Estudo por ocasião dos 25 anos da Encíclica “Mulieris dignitatem”, de João Paulo II.

Não faltou uma alusão e um agradecimento pela Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro – “uma verdadeira festa da fé”, que (disse) “pôs em evidência a dimensão missionária da vida cristã, a exigência de sair ao encontro dos que esperam a água viva do Evangelho, ao encontro dos mais pobres e excluídos”.

Detendo-se especificamente sobre o tema desta plenária – “Anunciar Cristo na era digital”. Trata-se de um campo privilegiado para a ação dos jovens – observou o Papa, que reconheceu que Internet, realidade complexa e em contínua evolução, relança a “questão sempre actual da relação entre fé e cultura”.

Como aconteceu nos primeiros séculos, no confronto com a cultura grega, em que os autores cristãos, sem ceder a um compromisso com algumas ideias em contraste com a fé, aceitaram o confronto, sabendo “reconhecer e assimilar os conceitos mais elevados, transformando-os a partir de dentro à luz da Palavra de Deus”.

Conscientes das oportunidades e dos perigos da “rede” digital, sabendo que aí se encontram “moedas falsas, ilusões perigosas e armadilhas que há que evitar”, o Papa encorajou um uso positivo dos novos meios de comunicação:

“é indispensável estar presente, sempre com estilo evangélico, naquilo que para tantos, especialmente jovens, se tornou numa espécie de ambiente de vida, para despertar as perguntas irreprimíveis do coração sobre o sentido da existência e indicando o caminho que leva àquele que é a resposta… o Senhor Jesus”.

Para tal, “não basta adquirir competências tecnológicas, por muito importantes que sejam”. “Trata-se antes de mais de encontrar homens e mulheres reais, muitas vezes feridos ou desorientados, para lhes oferecer autênticas razões de esperança”


Mensagem para o Dia Mundial do Enfermo: encorajamento aos doentes e aos seus assistentes

Cidade do Vaticano, 7.dezembro.2013 (RV) – Foi publicada, neste sábado, a Mensagem do Papa Francisco para o XXII Dia Mundial do Enfermo, que se celebra no dia 11 de fevereiro de 2014, festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Partindo do tema central do Dia Mundial do Enfermo “Fé e caridade: também nós devemos dar a vida pelos irmãos”, o Santo Padre se dirige, de modo particular, às pessoas doentes e a todos aqueles que lhes prestam assistência e cuidados.

A eles o Papa diz: “A Igreja reconhece em vocês, queridos doentes, uma especial presença de Cristo sofredor. O sofrimento de Jesus acompanha o nosso sofrimento; ele carrega conosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus assumiu a Cruz, destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua obscuridade”.

“Desta forma, continua a Mensagem, encontramo-nos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio do amor de Deus, também a obscuridade da dor se abre à luz pascal; coragem, para que possamos enfrentar toda adversidade em sua companhia, unidos a Ele”.

O Filho de Deus feito Homem não eliminou a doença e o sofrimento da experiência humana. Pelo contrário, as assumiu, as transformou e as redimensionou. Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cuidados, levamos a esperança e o sorriso de Deus. Quando a dedicação generosa aos outros se torna estilo próprio das nossas ações, abrimos alas ao Coração de Cristo e contribuímos para o Reino de Deus.

Para crescer na ternura e na caridade respeitosa e delicada, afirma o Santo Padre, precisamos de um modelo cristão, ao qual dirigir o nosso olhar: é a Mãe de Jesus e nossa Mãe, sempre atenta à voz de Deus e às necessidades e dificuldades dos seus filhos.

Maria, impelida pela misericórdia divina, vai ajudar a sua prima Isabel; intercede, junto ao seu Filho, nas Núpcias de Cana; carrega consigo as palavras do velho Simeão que “uma espada iria transpassar o seu coração”; permanece, com coragem, aos pés da Cruz de Jesus. Ela é a Mãe de todos os doentes e sofredores!

Quem está aos pés da Cruz, como Maria, aprende a amar como Jesus. A Cruz de Cristo nos convida a nos deixar contagiar pelo seu amor, nos ensina a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo quem sofre e precisa de ajuda.

Por isso, o Santo Padre confia o próximo Dia Mundial do Enfermo à intercessão de Maria, para que ajude os enfermos a viver o seu sofrimento em comunhão com Jesus; ajude aqueles que lhes prestam assistência, os agentes da saúde e os voluntários.

Audiência aos membros do Instituto sobre a Dignidade Humana:a defesa da pessoa

Cidade do Vaticano, 7.dezembro.2013 (RV) – Papa Francisco recebeu, no final da manhã deste sábado, na Sala Clementina do Vaticano, uma delegação de cerca de 200 pessoas do Instituto “Dignitatis Humanae”, acompanhados pelo Cardeal Renato Raffaele Martino, que lhe fez uma saudação, em nome dos presentes.
Em seu pronunciamento, o Bispo de Roma destacou o objetivo do Instituto: “Promover a dignidade humana com base na verdade fundamental de que o homem é criado à imagem e semelhança de Deus. Logo, uma dignidade original e insuprível de cada homem e mulher, que não pode ser submetida a nenhum poder ou ideologia”.
Neste sentido, o Pontífice frisou que “na nossa época, tão rica de conquistas e esperanças, não faltam poderes e forças que acabam produzindo uma “cultura do descartável”, que tende a se tornar mentalidade comum”. E o Papa acrescentou:
“As vítimas de tal cultura são os seres humanos mais fracos e frágeis – os nascituros, os pobres, os idosos doentes, os portadores de deficiência – que correm o risco de ser excluídos e expulsos de uma engrenagem que deveria ser eficiente a todo custo. Este falso modelo de homem e de sociedade prega um ateísmo prático, que nega a Palavra de Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’.”
O Papa exortou os presentes, dizendo que “a Doutrina Social da Igreja, com a sua visão integral do homem, como ser pessoal e social, deve ser a bússola de todos. Tal Doutrina contém o fruto, particularmente significativo, do longo caminho do Povo de Deus na história moderna e contemporânea; contém a defesa da liberdade religiosa, da vida em todas as suas fases, do direito ao trabalho decente, da família, da educação. E o Pontífice concluiu:
“Sejam bem vindas todas aquelas iniciativas como a de vocês, que tendem a ajudar as pessoas, as comunidades e as instituições a redescobrir o alcance ético e social do princípio da dignidade humana, raiz da liberdade e da justiça”.
Mas, para que isso se torne realidade, explicou o Papa, é preciso uma obra de sensibilização e de formação, para que os fiéis leigos, especialmente os que trabalham em campo político, saibam agir, segundo o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja; porém, o façam com coerência, dialogando e colaborando com aqueles que, com sinceridade e honestidade intelectual, compartilham pelo menos da visão do homem e da sociedade, com suas consequências éticas.










O teólogo é "pioneiro" do diálogo entre a Igreja e as culturas - Papa à Comissão Teológica Internacional

6.dezembro.2013 – O Papa recebeu ao fim da manhã desta sexta-feira, em audiência, juntamente com o Presidente, D. Muller, os Membros da Comissão Teológica Internacional, que acabavam de terminar a sua Sessão Plenária.

No discurso que lhes dirigiu, o Papa pôs em realce a importância do serviço eclesial dos teólogos para a vida e missão do Povo de Deus. Citando o recente documento dessa mesma Comissão “A Teologia hoje: perspectivas, princípios, critérios” Francisco disse que a teologia é ciência e sapiência e que, como ciência “utiliza todos os recursos da razão iluminada pela fé a fim de penetrar na inteligência do mistério de Deus revelado em Jesus Cristo”.

No aspecto da sapiência, tal como Nossa Senhora que “meditava tudo no seu coração, também o teólogo – prosseguiu o Papa - procura trazer à tona a unidade do projeto do amor de Deus e se empenha em mostrar como as verdades da fé formam uma unidade harmonicamente articulada”.

Além disso, o teólogo tem também a tarefa de “ouvir atentamente, discernir e interpretar as diversas linguagens do nosso tempo, e saber avaliá-los à luz da Palavra de Deus, a fim de que a verdade revelada seja compreendida”.

Os teólogos são portanto – prosseguiu o Papa – os “pioneiros” do dialogo entre a Igreja e as culturas. Um diálogo que deve ser ao mesmo tempo crítico e benévolo, e favorecer o acolhimento da Palavra de Deus por parte dos homens de todas as nações raças, povos e línguas”.

Temas como as relações entre o monoteísmo e a violência, atualmente no centro da atenção dos teólogos - disse o Papa – vão nesta linha, isto é, a revelação de Deus é realmente um Boa Nova para todos, não uma ameaça.

A fé no Deus único não pode gerar violência e intolerância. A Revelação de Deus em Jesus Cristo torna impossível qualquer recurso à violência em seu nome - frisou o Papa Francisco, recordando que a Doutrina Social da Igreja baseia-se precisamente na Palavra de Deus, acolhida, celebrada e vivida na Igreja. E a Igreja deve dar testemunho disso, vivendo-a antes de mais nada no seu seio, e construindo um modelo de vida atrativo para todas as comunidades humanas.

A Igreja pelo dom do Espírito Santo possui o sentido da fé e é tarefa dos teólogos - disse o Papa – “elaborar os critérios que permitem discernir as expressões autenticas do sentido da fé. Por outro lado o Magistério tem o dever de estar atento ao que o Espírito diz à Igreja através das manifestações autenticas do sentido da fé".

O Papa concluiu dizendo aos teólogos que a sua missão é ao mesmo tempo “fascinante e arriscada”, na medida em que, se por um lado e ensino da Teologia pode tornar-se num caminho de santidade, por outro comporta a tentação da aridez do coração, o orgulho e mesmo a ambição, relegando para segundo plano a oração, a devoção, a humildade.
L'Osservatore Romano
Telegrama do Papa Francisco pela morte de Nelson Mandela - O exemplo do presidente

6.dezembro.2013 – O Papa Francisco manifestou o seu pesar pela morte de Nelson Mandela, ocorrida no dia 5 de Dezembro, mediante um telegrama enviado ao presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma. Eis a tradução das suas palavras:

Foi com tristeza que recebi a notícia do falecimento do ex-presidente Nelson Mandela, e transmito fervorosas condolências a toda a família Mandela, aos membros do Governo e a todo o povo da África do Sul.

Enquanto confio a alma do defunto à misericórdia infinita de Deus Todo-Poderoso, peço ao Senhor que console e sustenha todos aqueles que choram a sua morte. Presto homenagem ao compromisso firme demonstrado por Nelson Mandela na promoção da dignidade humana de todos os cidadãos da nação e na construção de uma nova África do Sul, edificada sobre os fundamentos sólidos da não-violência, da reconciliação e da verdade, e rezo a fim de que o exemplo do saudoso presidente inspire gerações de sul-africanos a pôr a justiça e o bem comum na primeira linha das suas aspirações políticas. Com estes sentimentos, invoco sobre toda a população da África do Sul os dons divinos da paz e da prosperidade.
L'Osservatore Romano

Tweet do Papa Francisco:

06/12/2013
A cruz é o preço do verdadeiro amor. Senhor, dai-nos a força de aceitar e carregar a nossa cruz!

Pregação de Advento ao Papa e à Cúria Romana: "Francisco de Assis e a reforma da Igreja"

Cidade do Vaticano, 6.dezembro.2013 (RV) – O Santo Padre participou, na manhã desta sexta-feira, na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, da primeira pregação de Advento, pronunciada pelo Padre Raniero Cantalamessa, pregador oficial da Casa Pontifícia.

Foram convidados para a meditação, também os Cardeais, Arcebispos, Bispos, os Secretários das Congregações, os membros da Cúria Romana e do Vicariato de Roma, Superiores gerais e procuradores das Ordens religiosas, que fazem parte da Capela Pontifícia.


Durante as três primeiras sextas-feiras de Advento, em preparação ao Natal, Padre Cantalamessa, da Ordem dos Frades Capuchinhos, escolheu meditar sobre os seguintes temas: “Francisco de Assis e a reforma da Igreja: o caminho da santidade”, “A humildade de Francisco de Assis: o caminho evangélico de fraternidade e de paz”, “Com São Francisco diante do mistério da Encarnação: a pobreza de Cristo e a de Francisco.

Na sua primeira pregação, hoje, Padre Raniero meditou sobre o tema: “Francisco de Assis e a reforma da Igreja: o caminho da santidade”, colocando em evidência a natureza do retorno de Francisco de Assis ao Evangelho, ou seja, Francisco como exemplo típico da reforma da Igreja, através do caminho de santidade.

O Frei Capuchinho dividiu o tema desta sua primeira reflexão em quatro pontos: “a conversão de Francisco”; “Francisco e a reforma da Igreja”; “Francisco e o retorno ao Evangelho”; e “Como imitar Francisco”.

A “conversão de Francisco” dependeu da sua decisão de mudar completamente de vida, a partir do mandamento evangélico: “Ama ao próximo como a ti mesmo” e “se quiser ser perfeito, vai e vende tudo e dá aos pobres e, depois, vem e segue-me”. Logo, o Pobrezinho de Assis passou de uma vida de riqueza social a uma pobreza radical, compartilhando da vida dos últimos, dos excluídos, dos aflitos e necessitados.

Ao ter optado por Cristo, na pessoa dos pobres, Francisco reuniu alguns companheiros, com os quais procurou “reformar a Igreja”, a partir do seu aspecto institucional: “Vai e constrói a minha Igreja, que está em ruína”. Ele, então, começou com a reconstrução material da igrejinha de São Damião. Mas, Deus queria dele uma reforma, no sentido mais profundo e institucional, mediante o caminho da santidade.

Desta forma, Francisco de Assis levou a sério o Evangelho: “Vá anunciar a todos o Reino de Deus e curar os doentes... sem levar nada consigo”. Logo, um “retorno simples e radical ao Evangelho”, pregado pelo próprio Jesus: restabelecer a forma e o estilo de vida de Jesus e dos Apóstolos no mundo. Eis o verdadeiro programa de Francisco para renovar o rosto da Igreja, através da santidade e da penitência.

Por fim, Padre Raniero Cantalamessa apresentou, para a reflexão do Papa e da Cúria Romana, um último ponto: “Como imitar Francisco” em nossos dias. Para uma verdadeira reforma da Igreja, o pregador sugeriu começar por uma “conversão pessoal, renegando-se a si mesmo e seguindo a Cristo”. Para atingir a alegria e a paz da vida cristã, no seio da Igreja e no mundo, concluiu o Capuchinho, é preciso dizer: “Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim!”.

Papa institui Comissão contra abusos e define 22 de fevereiro data do Consistório para a criação de novos Cardeais

Cidade do Vaticano, 6.dezembro.2013 (RV) – Nesta quinta-feira, último dia de trabalhos para o Conselho de Cardeais com o Papa Francisco no Vaticano, os purpurados iniciaram o dia concelebrando a Missa com o Pontífice na Casa Santa Marta. Sobre a importante reunião, foi realizado um briefing na Sala de Imprensa da Santa Sé, do qual participou o Cardeal Seán Patrick O'Malley, Arcebispo de Boston e membro do Conselho de Cardeais, que anunciou as duas principais resoluções: a instituição de uma Comissão para a proteção das crianças e o Consistório para a criação de novos Cardeais em 22 de fevereiro.

“O Santo Padre decidiu constituir uma específica comissão para a proteção das crianças, com a finalidade de aconselhar o Papa Francisco sobre o empenho da Santa Sé na proteção das crianças e na atenção pastoral às vítimas dos abusos”, disse o Cardeal O’Malley.
Especificamente – observou o Cardeal - a Comissão vai informar sobre o estado atual dos programas para a proteção da infância; formular sugestões para novas iniciativas por parte da Cúria, em colaboração com bispos, conferências episcopais, superiores religiosos e conferências dos superiores religiosos; propor nomes de pessoas adequadas para a sistemática atuação destas novas iniciativas, incluindo leigos, religiosos, religiosas e sacerdotes com competência na segurança das crianças, nas relações com as vítimas, na saúde mental, na aplicação das leis, etc.

“A composição e as competências da comissão serão indicadas proximamente com maiores detalhes pelo Santo Padre, com um documento apropriado”, afirmou O’Malley.

Algumas linhas de ação da Comissão terão como linhas mestras a proteção das crianças, os programas de formação, protocolos para um ambiente seguro e ainda a cooperação com as autoridades civis, pastoral em apoio às vítimas e aos familiares, colaboração com especialistas para pesquisas, colaboração com bispos e superiores religiosos, entre outras.

Padre Lombardi, por sua vez, afirmou que também ficou decidido que o próximo encontro do “Conselho dos oito” será nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro e precederá imediatamente o Consistório do Colégio Cardinalício nos dias 20 e 21. No dia 22 de fevereiro será realizado o Consistório para a criação dos novos Cardeais e no dia seguinte está programada uma grande concelebração com os novos purpurados e o Colégio Cardinalício.

Ao final do briefing, o Cardeal O’Malley sintetizou os trabalhos de três dias, reiterando que ainda tem muito a ser feito: “Estudamos os diversos dicastérios; começamos a fazer algumas recomendações, mas o nosso trabalho apenas começou”.
Secretário de Estado Vaticano: Igreja seja sempre mais transparência de Cristo

Cidade do Vaticano, 6.dezembro.2013 (RV) - Os votos são de que "a Igreja seja cada vez mais transparência de Cristo". Foi o que disse o Secretário de Estado Pietro Parolin, respondendo a algumas perguntas dos jornalistas ao término da apresentação, em Roma, do livro "Papa Francisco. Minha porta está sempre aberta", do diretor da revista jesuíta "La Civiltà Cattolica", Pe. Antonio Spadaro.

O texto traz uma mais completa edição da conversação do Papa Francisco com o autor do livro.

"É muito fácil colaborar" com o Papa Francisco, "há muita sintonia e isso é alvissareiro para o futuro", disse Dom Parolin, fazendo votos de que a Igreja seja cada vez mais transparência de Cristo e de que essas reformas se encaminhem no sentido de mostrar um rosto sempre mais autêntico de Igreja.

"Espero que seja realmente uma reforma do Espírito. Certamente as estruturas devem ser reformadas para ser mais transparência do Evangelho e para ser também mais eficazes no exercício concreto do serviço que devem prestar, porém o importante é que todos nos comprometamos, como o Papa nos pede, nesta dimensão de renovação pessoal, para usar uma palavra cristã de conversão contínua."

Respondendo o que este Pontificado do Papa Francisco significa para a Igreja e qual é a esperança, disse Dom Parolin:
"Creio que a esperança é de que o Evangelho possa realmente chegar a todas as pessoas: essa dimensão missionária que foi ressaltada também hoje, que é fundamental nas palavras e no estilo do Papa Francisco, e que vem justamente também da América Latina. A Conferência de Aparecida evidenciou esta dimensão missionária da Igreja, a necessidade de ir às periferias, de se chegar a todos, e de levar a todos a riqueza da alegria do Evangelho. Também isso é muito bonito e é a nota dominante da Evangelii Gaudium. O Evangelho é alegria e somos convidados a alegrar o mundo levando essa Boa Notícia."

Também perguntado por jornalistas acerca da Conferência de Genebra sobre a Síria, Dom Parolin disse esperar que os obstáculos sejam superados e que se possa encontrar uma solução.

Homilia do Papa na Casa Santa Marta: "Rezar com insistência"

Cidade do Vaticano, 6.dezembro.2013 (RV) – Como todas as manhãs, o Papa Francisco celebrou Missa, na Capela Santa Marta, no Vaticano, durante a qual meditou, em sua homilia, sobre “a oração insistente”.

O Santo Padre partiu da narração evangélica dos “Cegos de Jericó”, que gritam ao Senhor para ser curados e exortou “a rezar com insistência, cientes de que Deus nos escuta”. A oração cristã representa as nossas necessidades, mas, ao mesmo tempo, a certeza de que Deus atende o nosso pedido, segundo seus tempos e modos. Quem reza sabe que não perturba a Deus, pelo contrário, o faz com confiança.

Como os cegos de Jericó, devemos gritar a Jesus, sem temer de incomodá-lo, para que venha ao nosso socorro; é “bater à porta”, com confiança e fé, para que nos seja aberta, na esperança de sermos atendidos. E o Papa perguntou: será que Jesus nos pode curar? E respondeu:
“Ele pode fazê-lo, mas quando o fará, não podemos saber. Eis a segurança da oração: a necessidade de pedirmos com sinceridade ao Senhor, como um cego, que tem necessidade e está enfermo. Deus sabe o que precisamos, mas vê também o modo como lhe pedimos: com confiança, convicção e certeza, cientes de que Ele pode fazer tudo”.

Na noite de quinta-feira, o Santo Padre escreveu em seu twitter:

05/12/2013
A santidade não significa fazer coisas extraordinárias, mas fazer as coisas ordinárias com amor e fé.

ADVENTO
                                                      
Dom Fernando Arêas Rifan*           

Palavra oriunda do latim, significando “vinda”, Advento é o tempo litúrgico de preparação para o Natal, sendo, na expressão do Papa Francisco, “um novo caminho do Povo de Deus com Jesus Cristo, o nosso Pastor, que nos guia na história para o cumprimento do Reino de Deus e nos faz experimentar um sentimento profundo do sentido da história. Redescobrimos a beleza de estar todos em caminho: a Igreja, com a sua vocação e missão, e toda a humanidade, os povos, as culturas, todos em caminho pelos caminhos do tempo”.

“Mas em caminho para onde? Há uma meta comum? E qual é esta meta?”, pergunta o Papa. “Este caminho não está nunca concluído. Como na vida de cada um de nós, há sempre necessidade de começar de novo, de levantar-se, de reencontrar o sentido da meta da própria existência, assim, para a grande família humana é necessário renovar sempre o horizonte comum rumo ao qual somos encaminhados. O horizonte da esperança! Este é o horizonte para fazer um bom caminho. O tempo do Advento, que começamos de novo, nos restitui o horizonte da esperança, uma esperança que não desilude porque é fundada na Palavra de Deus. Uma esperança que não desilude, simplesmente porque o Senhor não desilude nunca! Ele é fiel! Ele não desilude! Pensemos e sintamos esta beleza” (Angelus, 1/12/2013).

Por isso, a Igreja nos convida à mudança de vida, ou seja, à conversão, a “despertarmos do sono” (Rm 13,11), a sairmos da mediocridade.

Celebramos duas vindas de Jesus Cristo ao mundo. A primeira, com a sua encarnação, ocorrida historicamente há cerca de dois mil anos, celebraremos no Natal. A segunda, em que meditamos no tempo do Advento, é o retorno glorioso no fim dos tempos. Como disse o Papa Bento XVI, “esses dois momentos, que cronologicamente são distantes – e não se sabe o quanto -, tocam-se profundamente, porque com sua morte e ressurreição Jesus já realizou a transformação do homem e do cosmo que é a meta final da criação. Mas antes do final, é necessário que o Evangelho seja proclamado a todas as nações, disse Jesus no Evangelho de São Marcos (cf. Mc 13,10). A vinda do Senhor continua, o mundo deve ser penetrado pela sua presença. E esta vinda permanente do Senhor no anúncio do Evangelho requer continuamente nossa colaboração; e a Igreja, que é como a Noiva, a esposa prometida do Cordeiro de Deus crucificado e ressuscitado (cf. Ap 21,9), em comunhão com o Senhor colabora nesta vinda do Senhor,  na qual já inicia o seu retorno glorioso”(Angelus, 2/12/2012).

Há ainda uma terceira vinda de Cristo, também celebrada no Natal. Acontece em nosso coração, pela sua graça. Essa será a grande alegria do Natal: “O encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva... A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Francisco, Evangelii Gaudium).
                                                                                           *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                                                              http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

A palavra cristã sem Cristo leva à vaidade e ao orgulho – o Papa na missa desta quinta-feira afirmou que é preciso escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática

Cidade do Vaticano, 5.dezembro.2013 (RV) – A palavra cristã sem Cristo leva à vaidade e ao orgulho – o Papa na missa desta quinta-feira afirmou que é preciso escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática.

Quem pronuncia palavras cristãs sem colocá-las em prática faz mal a si próprio e aos outros. Esta a principal mensagem do Papa Francisco na missa desta quinta-feira na Capela da Casa de Santa Marta. Escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática é como construir a sobre a rocha.
 
O Santo Padre explicou a parábola evangélica do dia dizendo que Jesus chamava a atenção dos fariseus de conhecerem os mandamentos mas de não os colocarem em prática. Desta forma, boas palavras sem ação não servem e até fazem mal porque não estão bem alicerçadas na rocha:“Esta figura da rocha refere-se ao Senhor. Isaías, na primeira leitura, di-lo: Confiai sempre no Senhor, porque o Senhor é uma rocha eterna.’ A rocha é Jesus Cristo! A rocha é o Senhor! Uma palavra é forte, dá vida, pode andar para a frente, pode tolerar todos os ataques, se esta palavra tiver as suas raízes em Jesus Cristo. Uma palavra cristã que não tem as suas raízes vitais, na vida de uma pessoa, em Jesus Cristo, é uma palavra cristã sem Cristo! E as palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal! Um escritor inglês, uma vez, falando das heresias dizia que uma heresia é uma verdade, uma palavra, uma verdade que ficou louca. Quando as palavras cristãs não são de Cristo começam a ir pelo caminho da loucura.”

O Papa Francisco afirmou, então, que as palavras cristãs sem Jesus Cristo geram a a divisão entre os cristãos e levam à vaidade e ao orgulho:“Uma palavra cristã sem Cristo leva-te à vaidade, à segurança de ti próprio, ao orgulho, ao poder pelo poder. O Senhor abate estas pessoas. Esta é uma constante na história da Salvação. Di-lo Ana, a mãe de Samuel; di-lo Maria no Magnificat: o Senhor abate a vaidade, o orgulho destas pessoas que acreditam de serem rocha. Estas pessoas que apenas vão atrás de uma palavra, mas sem Jesus Cristo: uma palavra cristã mas sem Jesus Cristo, sem a relação com Jesus Cristo, sem a oração com Jesus Cristo, sem o serviço a Jesus Cristo, sem o amor a Jesus Cristo. Isto é aquilo que o Senhor hoje nos diz: de construir a nossa vida sobre esta rocha e a rocha é Ele.”


"Creio na ressurreição da carne": tema da catequese do Papa na audiência geral

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje retorno ainda com a afirmação “Creio na ressurreição da carne”. Trata-se de uma verdade não simples e longe de ser óbvia, porque, vivendo imersos neste mundo, não é fácil compreender as realidades futuras. Mas o Evangelho nos ilumina: a nossa ressurreição está estreitamente ligada à ressurreição de Jesus; o fato de que Ele ressuscitou é a prova de que existe a ressurreição dos mortos. Gostaria, então, de apresentar alguns aspectos que dizem respeito à relação entre a ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição. Ele ressuscitou e porque Ele ressuscitou também nós ressuscitaremos.

Antes de tudo, a própria Sagrada Escritura contém um caminho para a fé plena na ressurreição dos mortos. Esta se exprime como fé em Deus criador de todo o homem – alma e corpo – e como fé em Deus libertador, o Deus fiel à aliança com o seu povo. O profeta Ezequiel, em uma visão, contempla os sepulcros dos deportados que são re-abertos e os ossos secos voltando a viver graças à infusão de um espírito vivificante. Esta visão exprime a esperança na futura “ressurreição de Israel”, isso é, no renascimento do povo dizimado e humilhado. (cfr Ez 37,1-14).

Jesus, no Novo Testamento, cumpre esta revelação, e liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa e diz: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11, 25). De fato, será Jesus o Senhor que ressuscitará no último dia quantos acreditaram Nele. Jesus veio entre nós, fez-se homem como nós em tudo, exceto no pecado; deste modo, levou-nos consigo em seu caminho de retorno ao Pai. Ele, o Verbo encarnado, morto por nós e ressuscitado, doa aos seus discípulos o Espírito Santo como penhor da plena comunhão no seu Reino glorioso, que esperamos vigilantes. Esta espera é a fonte e a razão da nossa esperança: uma esperança que, se cultivada e protegida – a nossa esperança, se nós a cultivamos e a protegemos – torna-se luz para iluminar a nossa história pessoal e também a história comunitária. Recordemos isso sempre: somos discípulos d’Aquele que veio, vem todos os dias e virá no final. Se conseguirmos ter mais presente essa realidade, estaremos menos cansados do cotidiano, menos prisioneiros do efêmero e mais dispostos a caminhar com coração misericordioso na via da salvação

Um outro aspecto: o que significa ressuscitar? A ressurreição de todos nós virá no último dia, no fim do mundo, por obra da onipotência de Deus, O qual restituirá a vida ao nosso corpo reunindo-o à alma, em força da ressurreição de Jesus. Esta é a explicação fundamental: porque Jesus ressuscitou, nós ressuscitaremos; nós temos a esperança na ressurreição porque Ele nos abriu a porta para esta ressurreição. E esta transformação, esta transfiguração do nosso corpo é preparada nesta vida de relacionamento com Jesus, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. Nós, que nesta vida somos alimentados pelo seu Corpo e Sangue, ressuscitaremos como Ele, com Ele e por meio Dele. Como Jesus ressuscitou com o seu próprio corpo, mas não retornou a uma vida terrena, assim nós ressurgiremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos. Mas isto não é uma mentira! Isto é verdade. Nós acreditamos que Jesus ressuscitou, que Jesus está vivo neste momento. Mas vocês acreditam que Jesus está vivo? E se Jesus está vivo, vocês pensam que nos deixará morrer e não nos ressuscitará? Não! Ele nos espera, e porque Ele ressuscitou, a força da sua ressurreição ressuscitará todos nós.

Um último elemento: já nesta vida, temos em nós uma participação na Ressurreição de Cristo. Se é verdade que Jesus nos ressuscitará no fim dos tempos, é também verdade que, por um certo aspecto, com Ele já ressuscitamos. A vida eterna começa já neste momento, começa durante toda a vida, que é orientada para aquele momento da ressurreição final. E já ressuscitamos, de fato, mediante o Batismo, fomos inseridos na morte e ressurreição de Cristo e participamos da vida nova, que é a sua vida. Portanto, à espera do último dia, temos em nós mesmos uma semente de ressurreição, aquela antecipação da ressurreição plena que receberemos por herança. Por isto, o corpo de cada um de nós é ressonância de eternidade, então deve ser sempre respeitado; e, sobretudo; deve ser respeitada e amada a vida de quantos sofrem, para que sintam a proximidade do Reino de Deus, daquela condição de vida eterna para a qual caminhamos. Este pensamento nos dá esperança: estamos em caminho rumo à ressurreição. Ver Jesus, encontrar Jesus: esta é a nossa alegria! Estaremos todos juntos – não aqui na praça, mas em outro lugar – mas alegres com Jesus. Este é o nosso destino!

Presentes nesta audiência, para além de peregrinos provenientes do Brasil, um grupo de fiéis de Leça da Palmeira, da diocese do Porto, em Portugal. Esta a saudação do Papa aos peregrinos lusófonos:

Com sentimentos de gratidão e estima, saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente os grupos brasileiros de Criciúma e Ribeirão Preto e os fiéis de Leça da Palmeira, invocando sobre os vossos passos a alegria do encontro com Deus: Jesus Cristo é a Tenda divina no meio de nós; ide até Ele, vivei na sua graça e tereis a vida eterna. Desça sobre vós e vossas famílias a Bênção de Deus.

Ao final da catequese desta quarta-feira, 4, Papa Francisco fez um apelo em virtude do sequestro de monjas do mosteiro greco-ortodoxo de Santa Tecla, em Maalula, na Síria. Ele pediu que todos os fiéis rezem pelas religiosas que há dois dias foram levadas à força por homens armados.

“Rezemos por estas monjas, por estas irmãs e por todas as pessoas sequestradas por causa do conflito em curso. Continuemos a rezar e a trabalhar juntos pela paz”
Radio Vaticano

Ontem à noite, Papa Francisco deixou uma mensagem em seu twitter:

03/12/2013
Todos somos chamados à amizade com Jesus. Não tenhais medo de vos deixar amar pelo Senhor.

Papa: impensável uma Igreja sem alegria, anunciar Cristo com sorriso

Radio Vaticano, 03.dezembro.2013 - A Igreja deve ser sempre alegre como Jesus, disse o Papa Francisco na Missa celebrada nesta terça-feira, 3, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que a Igreja é chamada a transmitir a alegria do Senhor aos seus filhos, uma alegria que dá a verdadeira paz.


A homilia do Santo Padre concentrou-se no binômio paz e alegria. Da primeira leitura, vinda do Livro do profeta Isaías, ele observou o desejo de paz que todos têm. Trata-se de uma paz que, como diz o profeta, levará a Cristo. Do Evangelho, Francisco destacou que se pode ver um pouco da alma de Jesus, do seu coração alegre.

Este lado de Jesus nem sempre é alvo do pensamento dos fiéis, observou Francisco, dizendo que é comum pensar em Jesus rezando, curando, caminhando, mas não há o hábito de pensar em Jesus sorrindo, alegre. Mas Cristo era cheio de alegria, uma alegria interior que Ele dá a cada um.

“Esta alegria é a verdadeira paz: não é uma paz estática, quieta, tranquila. Não. A paz cristã é uma paz alegre, porque o nosso Senhor é alegre. E também é alegre quando fala do Pai: ama tanto o Pai que não pode falar Dele sem alegria”.

E sendo alegre, Jesus quis que a Igreja também o fosse. Dessa forma, o Santo Padre disse que não se pode pensar em uma Igreja sem alegria, alegria esta que é justamente anunciar o nome de Jesus. Ele recordou as palavras do Papa Paulo VI, que dizia que a alegria da Igreja é evangelizar.

“Mesmo na sua viuvez – porque a Igreja tem uma parte de viúva que espera o seu esposo voltar –  a Igreja é alegre na esperança. O Senhor dê a todos nós esta alegria, esta alegria de Jesus, louvando o Pai no Espírito. Esta alegria da nossa mãe Igreja na evangelização, no anunciar o seu Esposo”.

Papa aos bispos holandeses: "A Igreja é convidada a todos os lugares para despertar e manter a esperança"

Cidade do Vaticano, 2.dezembro.2013 (RV) - "Numa sociedade fortemente marcada pela secularização, em circunstâncias muitas vezes difíceis não é fácil manter a esperança. Mas a tarefa da Igreja é a do bem humano e do desenvolvimento social", recordou o Papa Francisco em seu discurso que entregou, nesta segunda-feira, aos bispos holandeses, em visita ad Limina.

"Para os cristãos a educação das consciências se torna uma prioridade, especialmente mediante a formação do juízo crítico, mesmo tendo uma abordagem positiva sobre as realidades sociais. Evita-se assim a superficialidade dos julgamentos e a resignação à indiferença", destacou o pontífice.

O Santo Padre convidou os bispos holandeses a "estarem presentes no debate público para que se torne visível a misericórdia de Deus, a sua ternura por toda criatura. A Igreja se expande não para fazer proselitismo, mas por atração. A Igreja é convidada a todos os lugares para despertar e manter a esperança", frisou o pontífice.

Os fiéis holandeses devem ser encorajados a aproveitar as oportunidades de diálogo, tornando-se presentes nos lugares onde se decide o futuro. "Dessa forma poderão dar sua contribuição nos debates sobre as grandes questões sociais relativas, por exemplo, à família, matrimônio e fim da vida", sublinhou.

"Para que a Igreja com paciência materna prossiga nos esforços a fim de responder às preocupações de muitos homens e mulheres angustiados e desanimados diante do futuro, é necessário que os sacerdotes, consagrados e leigos adquiram uma formação sólida e de qualidade a fim de proporem a fé de maneira autêntica, compreensível e pastoral", disse ainda o Papa Francisco.

Segundo o Santo Padre, "a antropologia cristã e a Doutrina Social da Igreja fazem parte do patrimônio de experiência e de humanidade sobre a qual se funda a civilização européia. Elas podem realmente ajudar a reafirmar concretamente a primazia do ser humano sobre a técnica e estruturas. Esta primazia pressupõe a abertura à transcendência. Se faltar esta dimensão, a cultura empobrece ao invés de mostrar a possibilidade de unir em constante harmonia fé e razão, verdade e liberdade".

Num país rico sob vários aspectos, a pobreza afeta um número cada vez maior de pessoas. "Valorizem a generosidade dos fiéis para levar a luz e a compaixão de Cristo aos lugares onde as esperam, em particular, às pessoas marginalizadas", disse o Papa aos bispos holandeses.

O Santo Padre falou também sobre o futuro da Igreja. "É urgente promover uma pastoral vocacional vigorosa e atraente, bem como a redescoberta da oração. Uma função especial cabe aos leigos, que devem ser fortemente encorajados, e à escola católica que continuará favorecendo a formação humana e espiritual, através do diálogo e da fraternidade".

O pontífice destacou a necessidade de avançar no caminho do ecumenismo e fez um convite ao acolhimento, indo ao encontro daqueles que não se aproximam.

O Santo Padre expressou compaixão e garantiu suas orações em favor das vítimas de abuso sexual e suas famílias. Francisco pediu aos bispos holandeses para que eles continuem acompanhando essas pessoas em seu doloroso caminho de cura, realizado com coragem na perspectiva de defender e fazer crescer a unidade em tudo e entre todos.

Papa Francisco twittou nesta segunda-feira:



02/12/2013
Os teus pecados são grandes? Diz ao Senhor: Perdoai-me, ajudai-me a levantar, transformai o meu coração!

Beata Chiara Luce:


"Eu redescobri aquela frase que diz: Dai e vos será dado. Tenho que aprender a ter mais fé em Jesus, a crer em seu imenso amor. " 




Leia a sua história

Papa: "Natal é abrir o coração para receber Jesus"

Cidade do Vaticano, 2.dezembro.2013 (RV) – “Preparar-se para o Natal com a oração, a caridade e o louvor: com o coração aberto ao encontro com o Senhor, que tudo renova”: foram as palavras do Papa na missa presidida na Casa Santa Marta, nesta primeira segunda-feira de Advento.

Comentando o trecho do Evangelho do dia, em que o centurião romano pede com fé a Jesus a cura de seu servo, o Papa Francisco recordou que nestes dias se inicia um novo caminho, um caminho de Igreja rumo ao Natal. Trata-se de ir ao encontro do Senhor, pois o Natal, como enfatizou o Papa, não é somente uma recorrência temporal ou uma recordação de algo belo.

“O Natal é mais: nós vamos por este caminho para encontrar o Senhor. O Natal é um encontro! E caminhamos para encontrá-Lo, com o coração, com a vida, encontrá-Lo vivo, como Ele é, encontrá-Lo com fé”.

Francisco concentrou-se ainda sobre o exemplo do oficial romano descrito no Evangelho do dia, destacando a sua fé, o que maravilhou Jesus. A partir da fé, não só o oficial romano encontrou Deus, mas foi encontrado por Deus.

“Quando nós somente encontramos o Senhor, somos nós – entre aspas, digamos – os patrões deste encontro, mas quando nós nos deixamos encontrar por Ele, é Ele que entra em nós, é Ele que nos refaz tudo, porque esta é a vinda, aquilo que significa quando vem o Cristo: refazer tudo, refazer o coração, a alma, a vida, a esperança, o caminho”.

E ao longo de todo esse processo, o Papa ressaltou a importância de manter o coração aberto, para que Deus encontre o homem e lhe diga o que for preciso. Dessa forma, Francisco falou, por fim, de alguns comportamentos que ajudam neste caminho rumo ao Natal.

“A perseverança na oração, rezar mais; o trabalho na caridade fraterna, aproximar-se um pouco mais daqueles que precisam; e a alegria no louvor do Senhor. Então, a oração, a caridade e o louvor, com o coração aberto, para que o Senhor nos encontre”.



Papa Francisco: um caminho sem Jesus não é um caminho de cristãos


Cidade do Vaticano, 1º.dezembro.2013 (RV) - O Papa Francisco visitou na tarde deste domingo, 1° de dezembro, a Paróquia de São Cirilo de Alexandria, localizada no bairro Tor Sapienza, em Roma. Como previsto o Santo Padre encontrou brevemente as crianças da Primeira Comunhão, os doentes, os batizados, com os seus pais, do ano pastoral em andamento, e os 9 adolescentes que receberam o Sacramento da Confirmação. Enfim confessou alguns dos paroquianos.

No final da missa, que teve início meia hora antes do previsto, o Papa se encontrou com o Conselho Pastoral formado por trinta agentes paroquiais e voluntários.

Na sua homilia o Papa Francisco destacou que um caminho no qual não é contemplado Jesus “não é um caminho de cristãos”. Falando aos 9 crismandos perguntou: “e depois da Crisma, adeus, não se vai mais à Igreja? E verdade ou não? Esta não seja a cerimônia do adeus”.

Após a Crisma – continuou o pontífice -, toda a vida, também um encontro com Jesus na oração, quando vamos a Missa, e quando fazemos boas obras, quando visitamos os doentes, quando ajudamos um pobre, quando pensamos nos outros, quando não somos egoístas, quando somos amáveis... encontramos sempre Jesus!. E o caminho da vida é precisamente este: caminhar para encontrar Jesus.

O Santo Padre recorda que “as pessoas que Jesus procurava mais” eram os pecadores, e era repreendido, e diziam que não era um verdadeiro profeta. Jesus perdoa os nossos pecados – recorda o Papa – e nos perdoa na confissão. “Sejam corajosos, exortou. Não tenham medo! Encontrar Jesus é o presente mais bonito”.

A paróquia de São Cirilo de Alexandria foi construída 50 anos atrás, em 23 de março de 1963, quando o bairro ainda era pouco desenvolvido e uma pequena capela era usada para funções litúrgicas.

Não obstante se encontre na área de importantes empresas romanas, falta trabalho e a paróquia está fazendo o que pode para atender as dificuldades das famílias.

Esta foi a segunda visita do Papa Franciso a uma paróquia romana desde quando foi eleito.

Em breve: texto da homilia na íntegra


Papa Francisco - Angelus, 1º de dezembro de 2013
o Advento nos dá um horizonte de esperança

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!


Iniciamos hoje, Primeiro Domingo do Advento, um novo ano litúrgico, isso é, um novo caminho do Povo de Deus com Jesus Cristo, o nosso Pastor, que nos guia na história para o cumprimento do Reino de Deus. Por isto, este dia tem um encanto especial, nos faz experimentar um sentimento profundo do sentido da história. Redescobrimos a beleza de estar todos em caminho: a Igreja, com a sua vocação e missão, e toda a humanidade, os povos, as culturas, todos em caminho pelos caminhos do tempo.

Mas em caminho para onde? Há uma meta comum? E qual é esta meta? O Senhor nos responde através do profeta Isaías, e diz assim: “No fim dos tempos acontecerá/ que o monte da casa do Senhor/ estará colocado à frente das montanhas/ e dominará as colinas./ Para aí correrão todas as gentes,/ e os povos virão em multidão:/ “Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor,/ à casa do Deus de Jacó:/ ele nos ensinará seus caminhos,/ e nós trilharemos as suas veredas”” (2, 2-3). Isto é aquilo que nos diz Isaías sobre a meta para onde vamos. É uma peregrinação universal para uma meta comum, que no Antigo Testamento é Jerusalém, onde surge o templo do Senhor, porque dali, de Jerusalém, veio a revelação da face de Deus e da sua lei. A revelação encontrou em Jesus Cristo o seu cumprimento, e o “templo do Senhor” tornou-se Ele mesmo, o Verbo feito carne: é Ele o guia e junto à meta da nossa peregrinação, da peregrinação de todo o Povo de Deus; e à sua luz também outros povos possam caminhar rumo ao Reino da justiça, rumo ao Reino da paz. Diz ainda o profeta: “De suas espadas forjarão relhas de arados,/ e de suas lanças, foices./ Uma nação não levantará a espada contra a outra,/ e não se arrastarão mais para a guerra” (2, 4). Permito-me repetir isto que nos diz o Profeta, escutem bem: “De suas espadas forjarão relhas de arados,/ e de suas lanças, foices./ Uma nação não levantará a espada contra a outra,/ e não se arrastarão mais para a guerra”. Mas quando acontecerá isto? Que belo dia será, no qual as armas serão desmontadas, para se transformar em instrumentos de trabalho! Que belo dia será aquele! Que belo dia será aquele! E isto é possível! Apostemos na esperança, na esperança da paz, e será possível!

Este caminho não está nunca concluído. Como na vida de cada um de nós, há sempre necessidade de começar de novo, de levantar-se, de reencontrar o sentido da meta da própria existência, assim, para a grande família humana é necessário renovar sempre o horizonte comum rumo ao qual somos encaminhados. O horizonte da esperança! Este é o horizonte para fazer um bom caminho. O tempo do Advento, que hoje começamos de novo, nos restitui o horizonte da esperança, uma esperança que não desilude porque é fundada na Palavra de Deus. Uma esperança que não desilude, simplesmente porque o Senhor não desilude nunca! Ele é fiel! Ele não desilude! Pensemos e sintamos esta beleza.

O modelo desta atitude espiritual, deste modo de ser e de caminhar na vida é a Virgem Maria. Uma simples moça do campo, que leva no coração toda a esperança de Deus! Em seu ventre, a esperança de Deus tomou carne, fez-se homem, fez-se história: Jesus Cristo. O seu Magnificat é o cântico do Povo de Deus em caminho, e de todos os homens e mulheres que esperam em Deus, no poder da sua misericórdia. Deixemo-nos guiar por ela, que é mãe, é mãe e sabe como guiar-nos. Deixemo-nos guiar por ela neste tempo de espera e de vigilância ativa.

A todos desejo um bom início de Advento. Bom almoço e até mais!
vatican.va

Papa aos universitários: "Não sejam espectadores, mas protagonistas dos desafios contemporâneos"

Cidade do Vaticano, 30.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco presidiu a oração das Primeiras Vésperas do I Domingo de Advento, na tarde deste sábado, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, com os estudantes das Universidades de Roma.

Segue, na íntegra, a homilia do Santo Padre

Renova-se hoje o tradicional encontro de Advento com os estudantes das Universidades de Roma, aos quais se unem os reitores e professores das Universidades romanas e italianas. Saúdo cordialmente a todos: o Cardeal Vigário, os Bispos, as autoridades acadêmicas e institucionais, os assistentes das Capelanias e grupos universitários. Saúdo particularmente vocês, queridos universitários e universitárias.

O augúrio que São Paulo dirige aos cristãos de Tessalônica, para que Deus possa santificá-los até a perfeição, por um lado mostra a sua preocupação com sua santidade de vida colocada em perigo, e de outro uma grande confiança na intervenção do Senhor. Esta preocupação do Apóstolo é válida também para nós cristãos de hoje.
 
A plenitude da vida cristã que Deus realiza nos homens, na verdade, está sempre ameaçada pela tentação de ceder ao espírito mundano. Por isso, Deus nos doa a sua ajuda mediante a qual podemos preservar os dons do Espírito Santo, a nova vida no Espírito que Ele nos deu. Conservando esta "linfa" saudável em nossa vida, todo o nosso ser, espírito, alma e corpo, se conserva irrepreensível, na posição vertical. Mas por que Deus, depois de ter concedido seus tesouros espirituais, ainda tem de intervir para mantê-los íntegros? Porque somos fracos, a nossa natureza humana é frágil e os dons de Deus são preservados em nós como em "vasos de argila".

A intervenção de Deus em favor de nossa perseverança até o fim, até o encontro definitivo com Jesus, é expressão de sua fidelidade. Ele é fiel primeiramente a si mesmo. Portanto, a obra que começou em cada um de nós, com seu chamado, Ele a levará até o fim. Isso nos dá segurança e grande confiança: uma confiança que se apoia em Deus e exige nossa colaboração ativa e corajosa para enfrentar os desafios do momento presente. Queridos jovens universitários, a sua vontade e suas capacidades, unidas ao poder do Espírito Santo que habita dentro de cada um de vocês desde o dia de seu Batismo, permitem que vocês sejam não espectadores, mas protagonistas dos acontecimentos contemporâneos.

São vários os desafios que vocês jovens estudantes universitários são chamados a enfrentar com coragem interior e audácia evangélica. O contexto sociocultural em que vocês estão inseridos às vezes sofre o peso da mediocridade e do tédio. Não é necessário se resignar à monotonia da vida cotidiana, mas cultivar grandes projetos, ir além do comum: não lhes deixem roubar o entusiasmo juvenil! Seria um erro também deixar-se aprisionar pelo pensamento fraco e pelo pensamento uniforme, bem como pela globalização entendida como homologação. Para superar estes riscos, o modelo a seguir não é da esfera na qual está nivelada toda saliência e desaparece toda diferença; o modelo é do poliedro que inclui uma multiplicidade de elementos e respeita a unidade na variedade.

O pensamento, de fato, é fecundo quando é expressão de uma mente aberta, que discerne sempre iluminada pela verdade, pelo bem e pela beleza. Se vocês não se deixarem condicionar pela opinião dominante, mas permanecerem fiéis aos princípios éticos e religiosos cristãos, vocês encontrarão a coragem para caminhar até mesmo contracorrente. Num mundo globalizado, vocês poderão contribuir para salvar peculiaridade e características próprias, buscando, porém não baixar o nível ético. De fato, a pluralidade de pensamento e de individualidade reflete a multiforme sabedoria de Deus, quando se aproxima da verdade com honestidade e rigor intelectual, de modo que cada um pode ser um dom para o benefício de todos.

O compromisso de caminhar na fé e se comportar de maneira coerente com o Evangelho acompanhe vocês neste tempo de Advento, para viver de maneira autêntica a festa do Natal do Senhor. Pode ajudá-los o belo testemunho do Beato Pier Giorgio Frassati, que dizia: "Viver sem uma fé, sem um patrimônio para defender, sem apoiar numa luta contínua a verdade, não é viver, mas com viver com dificuldade. Nós não deveríamos viver com dificuldade, mas viver".
Obrigado e boa caminhada rumo a Belém!

O Papa Francisco também escreveu em seu Twitter:

30/11/2013
A Igreja chama a todos a deixar-se envolver pela ternura e o perdão do Pai.

Papa Francisco anuncia que o ano de 2015 será dedicado à vida consagrada

L'Osservatore Romano, 30.11.2013 -
«Homens e mulheres que despertam o mundo»: para descrever a missão dos religiosos no mundo contemporâneo o Papa Francisco escolheu esta imagem significativa, anunciando que o ano de 2015 será dedicado à vida consagrada. Foi anunciado por um comunicado da União dos superiores gerais (Usg), no final da audiência pontifícia que teve lugar na manhã de sexta-feira, 29 de Novembro, na Sala do Sínodo.

O Santo Padre encontrou-se por três horas com os 120 participantes na 82ª assembleia geral, realizada nos dias 27 a 29 no Salesianum. Caracterizou o encontro um longo diálogo fraterno e cordial feito de perguntas e respostas. O primeiro grupo de respostas referiu-se à identidade e à missão da vida consagrada. A radicalidade é exigida a todos os cristãos, afirmou o Pontífice, mas os religiosos são chamados a seguir o Senhor de modo especial: «são homens e mulheres que podem despertar o mundo. A vida consagrada é profecia. Deus pede-nos para sair do nicho que nos contém para irmos às fronteiras do mundo, evitando a tentação de as domesticar. É este o modo mais concreto de imitar o Senhor.

À pergunta sobre a situação das vocações, o Papa sublinhou que existem Igrejas jovens que estão a dar frutos renovados. Isto obriga a reconsiderar a inculturação do carisma. A Igreja deve pedir perdão e olhar com muita vergonha para os insucessos apostólicos devidos aos desentendimentos neste campo, como no caso de Matteo Ricci. O diálogo intercultural deve estimular a introduzir no governo das instituições religiosas pessoas de várias culturas que expressem modos diversos de viver o carisma.

Por conseguinte, o Papa insistiu sobre a formação que a seu parecer se baseia em quatro pilares fundamentais: formação espiritual, intelectual, comunitária e apostólica. É imprescindível evitar qualquer forma de hipocrisia e clericalismo através de um diálogo sincero e aberto sobre todos os aspectos da vida: «a formação é uma obra artesanal, não policial – afirmou – e o objetivo é formar religiosos que tenham um coração terno e não azedo como o vinagre. Todos somos pecadores, mas não corruptos. Aceitem-se os pecadores, mas não os corruptos».

Questionado sobre a fraternidade, o Pontífice afirmou que ela tem uma grande força de atração. Supõe a aceitação das diferenças e dos conflitos. Por vezes é difícil vivê-la, mas se não a vivermos não seremos fecundos. Contudo «nunca devemos comportar-nos como gerentes face a um conflito de um irmão: é preciso acariciar o conflito.

Por fim foram feitas algumas perguntas sobre as relações entre os religiosos e as Igrejas particulares nas quais eles estão inseridos. O Santo Padre afirmou que conhece por experiência os possíveis problemas: «nós, bispos, devemos compreender que as pessoas consagradas não são material de ajuda, mas são carismas que enriquecem as dioceses».

As últimas perguntas referiram-se às fronteiras da missão dos consagrados. «Elas devem ser procuradas com base nos carismas», respondeu o Papa. Em paralelo com estes desafios citou o cultural e o educativo nas escolas e nas universidades. Por fim, deixando a sala o Pontífice afirmou: «Obrigado pelo vosso testemunho e também pelas humilhações que sofreis».
Mensagem de "paz e fraternidade" do Papa a Bartolomeu I

Cidade do Vaticano, 30.novembro.2013 (RV) – O Papa Francisco enviou uma Mensagem ao Patriarca Ecumênico, Bartolomeu I, por ocasião da festa de Santo André Apóstolo, irmão de São Pedro, que se celebra neste sábado, 30.

Em sua Mensagem a Bartolomeu I, o Santo Padre destaca o “diálogo, perdão e reconciliação como meios possíveis para resolver o conflito no Oriente Médio”, como também a dramática situação de tantas pessoas, que sofrem por causa da violência, da guerra, da fome, da pobreza e de desastres naturais, e o direito dos cristãos médio-orientais de permanecer na própria pátria.

Por isso, o Bispo de Roma faz seu premente apelo “a rezar pela paz na região” e insiste para que “se continue a trabalhar pela reconciliação e o justo reconhecimento dos direitos dos povos”.

Dirigindo, depois, seu pensamento ao martírio de Santo André, irmão de São Pedro, o Pontífice recorda “todos aqueles cristãos que, no mundo, sofrem por tantas formas de discriminação e, às vezes, até pagam com o próprio sangue o alto preço da sua profissão de fé”.

Como o Edito de Constantino, que há 1.700 anos pôs um ponto final à perseguição religiosa no Império Romano do Oriente e do Ocidente, também hoje, frisa o Papa, “os cristãos do Oriente e do Ocidente devem dar testemunho comum, para difundir a mensagem da salvação do Evangelho ao mundo inteiro”.

Logo, torna-se urgente e necessária “uma cooperação eficaz e diligente entre os cristãos, a fim de tutelar, por toda a parte, o direito de manifestar a própria fé, publicamente”, e ainda para que os cristãos “sejam tratados com igualdade, ao propagarem o cristianismo na sociedade e na cultura contemporânea”.

A seguir, o Papa Francisco fala, em sua Mensagem a Bartolomeu I, sobre o caminho ecumênico, que, no próximo ano, 2014, comemora o 50° aniversário do encontro histórico, em Jerusalém, entre Paulo VI e o Patriarca Ecumênico, Atenágoras.

O Pontífice frisa que “os cristãos são membros de uma mesma família, experimentam a alegria da autêntica fraternidade em Cristo”, apesar de estarem cientes de que “a plena comunhão ainda não foi plenamente atingida”. Neste sentido, o Papa chama a atenção dos cristãos, “a fim de se preparar para receber este dom de Deus mediante a oração, a conversão interior, a renovação da vida e o diálogo fraterno”.

Por fim, o Bispo de Roma confirma a intenção de “prosseguir as relações fraternas entre a Igreja de Roma e o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla”; e concluiu sua Mensagem com palavras de “profunda estima e calorosa amizade, em Cristo, enviando a Bartolomeu I um abraço fraterno de paz”!

Tweet do Papa Francisco:

29/11/2013
Para nós, é difícil perdoar os outros. Senhor, dai-nos a vossa misericórdia para perdoarmos sempre.
Homilia Papa em Santa Marta: o pensamento do cristão é livre não uniforme

Cidade do Vaticano, 29.novembro.2013 (RV) – O Santo Padre celebrou Missa, na manhã desta sexta-feira, na Capela da Casa Santa Marta no Vaticano, onde reside.

Partindo da Liturgia do dia, o Papa explicou qual deve ser “o modo de pensar de um cristão”. O cristão, disse, deve pensar segundo Deus e, por isso, rejeitar um pensamento frágil e uniforme. Quem segue Jesus, não pensa só com a própria cabeça, mas com o coração e o espírito, dentro de si, para poder entender a ação de Deus na história.

Jesus ensina seus discípulos a compreender os sinais dos tempos, que os fariseus não conseguiam. Ele quer que entendamos o que realmente acontece no coração, na vida, no mundo, na história. Eis os sinais dos tempos! Pelo contrário, o espírito do mundo nos faz outras propostas e nos sugere seguir o caminho da uniformidade, sem pensamento e sem liberdade. E o Papa continuou:

“O pensamento uniforme, o pensamento igual e frágil é um pensamento difundido... O espírito deste mundo tenta impedir o que Jesus nos pede: um pensamento livre por parte do homem, que faz parte do Povo de Deus. Eis o significado da salvação: ser povo, ser povo de Deus, viver na liberdade”.

Com efeito, recordou o Pontífice, Jesus quer que pensemos livremente, para entender o que acontece em nós e ao nosso redor. Devemos saber qual é a verdade. Para que isto aconteça, não podemos agir sozinhos, mas precisamos da ajuda do Senhor. Somente assim podemos entender os sinais dos tempos, sobretudo através da inteligência, que nos foi dada como dom do Espírito Santo. Então, qual o meio que o Senhor nos propõe? E o Papa respondeu:

“Sempre através do espírito de inteligência, para entender os sinais dos tempos. É belo pedir ao Senhor Jesus esta graça: que nos envie o seu espírito de inteligência, afim de que não tenhamos um pensamento frágil, um pensamento uniforme... mas um pensamento que brota da alma, do coração e que dá o verdadeiro sentido dos sinais dos tempos”.

Os trabalhadores do Vaticano terão que marcar ponto por decisão do Papa.
A partir do 1 de Janeiro se avaliará o seu rendimento. A medida servirá também para recuperar algum sacerdote para a atividade pastoral.

Roma, 27 de Novembro de 2013 (Zenit.org) Ivan de Vargas

Todos os funcionários do Estado do Vaticano, com exceção dos arcebispos e cardeais, terão que marcar ponto com o cartão magnético que já têm, para registrar assim a sua jornada de trabalho. O farão a partir do 1 de Janeiro de 2014, de acordo com uma informação que será publicada amanhã pelo semanário italiano Panorama.


Apesar de já ter ficado para trás os tempos em que João XXIII respondeu com uma piada ao jornalista que lhe perguntou quantas pessoas trabalhavam no Vaticano: indicando “Mais ou menos a metade”, o registro das entradas e saídas servirá para medir o nível de trabalho de cada um dos seus quase 3 mil dependentes.

A decisão foi promovida pelo próprio Papa e contou com a colaboração do serviço da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica ( APSA ), que é quem paga os salários .

Durante anos tentou-se colocar este controle de assistência, mas o projeto sempre fracassava devido ao obstrucionismo dos interessados. Dessa forma, o pontífice argentino passou das palavras aos fatos na sua própria casa, onde já é conhecido o seu hobby de ir apagando as luzes dos corredores das casas. “Economizando luz se paga um salário a um pároco”, afirmou mais de uma vez Francisco.

Aqueles que conhecem o Santo Padre dizem que esta medida permitirá principalmente otimizar o uso do pessoal na Curia romana e recuperar algum sacerdote para a atividade pastoral.

A obrigação de Marca ponto suscitou o descontentamento, especialmente entre aqueles que temem um controle muito rígido e não leve em conta outras atividades fora dos muros do Vaticano.

Equipada com um chip capaz de localizar a qualquer momento onde se encontra o seu proprietário, o cartão serve também para ter acesso aos serviços de assistência sanitária, os caixas eletrônicos, o mercado, os refeitórios e os postos de gasolina dentro do Estado da Cidade do Vaticano.

A religião não é um fato privado: adoremos Jesus até ao fim com confiança e fidelidade - o Papa na missa desta quinta-feira

28.novembro.2013 (RV) – Existem poderes mundanos que gostariam que a religião fosse uma coisa privada. Mas Deus, que venceu o mundo, deve-se adorar até ao fim com confiança e fidelidade.

Esta a mensagem principal do Papa Francisco na missa desta quinta-feira na Casa de Santa Marta.

Tal como as provas passadas por Jesus durante a sua vida: os insultos, as calúnias, a cruz – também todos os que n’Ele acreditam terão que enfrentar provações em nome da fé.

“Quando Jesus fala desta calamidade, noutra passagem diz-nos que será uma profanação do templo, uma profanação da fé, do povo: será a abominação, será a desolação da abominação. O que significa aquilo? Será como o triunfo do príncipe deste mundo: a derrota de Deus.”

Recordando a primeira leitura que nos conta o martírio de Daniel que é atirado para a fossa dos leões por ter adorado a Deus e não ao seu rei, o Papa Francisco considerou ser esta uma das provações que estamos a viver nos nossos dias - a proibição de adoração:“ Não se pode falar de religião, é uma coisa privada, não é? Disto publicamente não se fala. Os símbolos religiosos são tolos. Temos que obedecer às ordens que vêm dos poderes mundanos. Podem-se fazer tantas coisas, coisas lindas, mas adorar Deus não. Proibição de adoração. Os cristãos que sofrem tempos de perseguição, tempos de proibição de adoração são uma profecia daquilo que nos acontecerá a todos.”

“Não tenhamos medo, apenas Ele nos pede fidelidade e paciência. Fidelidade como Daniel, que foi fiel ao seu Deus e adorou o seu Deus até ao fim. E paciência, porque os cabelos da nossa cabeça não caírão. Adorar até ao fim com confiança e fidelidade: esta a graça que devemos pedir esta semana.”

Papa Francisco em seu Twitter, há poucos instantes:

28/11/2013
Aprendamos a ser dóceis à Palavra de Deus, prontos para as surpresas do Senhor que nos fala.
Não à homologação de um pensamento único pretensamente neutro: Papa à Plenária do Conselho para o Diálogo inter-religioso

Radio Vaticano, 28.nombro.2013 – Dialogar não significa renunciar à própria identidade, nem muito menos ceder a compromissos sobre a fé e sobre a moral cristã. A verdadeira abertura implica manter-se firme nas próprias convicções, mas ao mesmo tempo aberto a compreender as razões do outro, capaz de relações humanas respeitosas. Palavras do Papa Francisco, ao receber nesta quinta-feira os participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, que teve desta vez como tema “Membros de diferentes tradições religiosas na sociedade civil”.

O Papa observou que o nosso mundo se tem tornado, num certo sentido, cada vez “mais pequeno”. De fato, o fenômeno das migrações aumenta os contatos entre pessoas e comunidades de tradição, cultura e religião diversa.

“Esta realidade interpela a nossa consciência de cristãos, é um desafio para a compreensão da fé e para a vida concreta das Igrejas locais, das paróquias e de muitíssimos crentes”.

O Papa Francisco evocou mesmo algumas passagens da sua Exortação Apostólica ontem mesmo publicada e em que considera que há de ser “uma atitude de abertura na verdade e no amor “ a “caracterizar o diálogo com os crentes das várias religiões não cristãs, e isso não obstante diversos obstáculos e dificuldades, particularmente os fundamentalismos de ambas as partes”.

“O encontro com quem é diverso de nós pode ser ocasião de crescimento na fraternidade, de enriquecimento e de testemunho. É por isso que diálogo inter-religioso e evangelização não se excluem, mas se alimentam reciprocamente”.

O Santo Padre advertiu para o fato de hoje em dia, nas sociedades fortemente secularizadas, “a religião é vista como algo de inútil ou mesmo perigoso”. Por vezes, pretende-se que os cristãos renunciem às próprias convicções religiosas e morais, no exercício da profissão” e difunde-se a mentalidade segunda a qual a convivência só seria possível dissimulando a própria pertença religiosa, encontrando-se (todos) numa espécie de espaço neutro, isento de referências à transcendência”. Uma atitude que precisa de ser revista e superada.

Se “é necessário que tudo ocorra no respeito pelas convicções dos outros, mesmo de quem não crê”, em todo o caso, “precisamos de ter a coragem e a paciência de irmos ao encontro uns dos outros com aquilo que somos”.

“O futuro está na convivência respeitadora das diversidades, não na homologação de um pensamento único teoricamente neutro. É imprescindível o reconhecimento do direito fundamental à liberdade religiosa”.

“Temos a convicção de que é por este caminho que passa a edificação da paz do mundo”.

Quem pratica a misericórdia não teme a morte – o Papa Francisco na audiência-geral desta quarta-feira

Cidade do Vaticano, 27.novembro.2013 (RV) -

Queridos irmãos e irmãs,

Bom dia e parabéns porque vocês são corajosos com este frio na praça. Parabéns!

Quero concluir as catequeses sobre “Credo”, desenvolvidas durante o Ano da Fé, que se concluiu domingo passado. Nesta catequese e na próxima, gostaria de considerar o tema da ressurreição da carne, capturando dois aspectos como os apresenta o Catecismo da Igreja Católica, isso é, o nosso morrer e o nosso ressurgir em Jesus Cristo. Hoje, concentro-me no primeiro aspecto, “morrer em Cristo”.

1. Entre nós, comumente, há um modo errado de olhar para a morte. A morte diz respeito a todos, e nos interroga de modo profundo, especialmente quando nos toca de modo próximo, ou quando atinge os pequenos, os indefesos de maneira que nos resulta “escandalosa”.  A mim sempre veio a pergunta: por que sofrem as crianças? Por que morrem as crianças? Se entendida como o fim de tudo, a morte assusta, aterroriza, transforma-se em ameaça que infringe todo sonho, toda perspectiva, que rompe toda relação e interrompe todo caminho. Isso acontece quando consideramos a nossa vida como um tempo fechado entre dois pólos: o nascimento e a morte; quando não acreditamos em um horizonte que vai além daquele da vida presente; quando se vive como se Deus não existisse. Esta concepção da morte é típica do pensamento ateu, que interpreta a existência como um encontrar-se casualmente no mundo e um caminhar para o nada. Mas existe também um ateísmo prático, que é um viver somente para os próprios interesses e viver somente para as coisas terrenas. Se nos deixamos levar por esta visão errada da morte, não temos outra escolha se não ocultar a morte, negá-la ou banalizá-la, para que não nos cause medo.

2. Mas a essa falsa solução se rebela o “coração” do homem, o desejo que todos nós temos de infinito, a nostalgia que todos temos do eterno. E então qual é o sentido cristão da morte? Se olhamos para os momentos mais dolorosos da nossa vida, quando perdemos uma pessoa querida – os pais, um irmão, uma irmã, um cônjuge, um filho, um amigo – nos damos conta de que, mesmo no drama da perda, mesmo dilacerados pela separação, sai do coração a convicção de que não pode estar tudo acabado, que o bem dado e recebido não foi inútil. Há um instinto poderoso dentro de nós que nos diz que a nossa vida não termina com a morte.

Esta sede de vida encontrou a sua resposta real e confiável na ressurreição de Jesus Cristo. A ressurreição de Jesus não dá somente a certeza da vida além da morte, mas ilumina também o próprio mistério da morte de cada um de nós. Se vivemos unidos a Jesus, fiéis a Ele, seremos capazes de enfrentar com sabedoria e serenidade mesmo a passagem da morte. A Igreja, de fato, prega: “Se nos entristece a certeza de dever morrer, consola-nos a promessa da imortalidade futura”. Uma bela oração esta da Igreja! Uma pessoa tende a morrer como viveu. Se a minha vida foi um caminho com o Senhor, um caminho de confiança na sua imensa misericórdia, estarei preparado para aceitar o último momento da minha existência terrena como o definitivo abandono confiante em suas mãos acolhedoras, à espera de contemplar face-a-face o seu rosto. Essa é a coisa mais bela que pode nos acontecer: contemplar face-a-face aquele rosto maravilhoso do Senhor, vê-Lo como Ele é, belo, cheio de luz, cheio de amor, cheio de ternura. Nós caminhamos para este ponto: ver o Senhor.

3. Neste horizonte se compreende o convite de Jesus a estar sempre prontos, vigilantes, sabendo que a vida neste mundo nos foi dada também para preparar a outra vida, aquela com o Pai Celeste. E para isto há um caminho seguro: preparar-se bem para a morte, estando próximo a Jesus. Esta é a segurança: o meu preparo para a morte estando próximo a Jesus. E como se fica próximo a Jesus? Com a oração, nos Sacramentos e também na prática da caridade. Recordemos que Ele está presente nos mais frágeis e necessitados. Ele mesmo identificou-se com eles, na famosa parábola do juízo final, quando disse: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes, nu e me vestistes, enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim…Tudo aquilo que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 35-36. 40). Portanto, um caminho seguro é recuperar o sentido da caridade cristã e da partilha fraterna, cuidar das feridas corporais e espirituais do nosso próximo. A solidariedade no partilhar a dor e infundir esperança é premissa e condição para receber por herança aquele Reino preparado para nós. Quem pratica a misericórdia não teme a morte. Pensem bem nisto: quem pratica a misericórdia não teme a morte! Vocês estão de acordo? Digamos juntos para não esquecê-lo? Quem pratica a misericórdia não teme a morte. E por que não teme a morte? Porque a olha em face das feridas dos irmãos e a supera com o amor de Jesus Cristo.

Se abrirmos a porta da nossa vida e do nosso coração aos irmãos mais pequeninos, então também a nossa morte se tornará uma porta que nos introduzirá no céu, na pátria bem aventurada, para a qual estamos caminhando, desejando habitar para sempre com o nosso Pai, Deus, com Jesus, com Nossa Senhora e com os santos.

Missa do Papa em Santa Marta - O Dono do tempo

Cidade do Vaticano, 26.novembro.2013 (RV) - Ai de quem se ilude que é dono do nosso tempo. Podemos ser donos do momento no qual  vivemos, mas o tempo pertence a Deus e ele doa-nos a esperança para o viver. Há muita confusão hoje para determinar  efectivamente  a quem pertence o tempo, mas – advertiu o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de terça-feira, 26 de Novembro, na capela de Santa Marta – não nos devemos deixar enganar. Explicou o  porquê e o como, reflectindo  sobre quanto propõem as leituras deste último período do ano litúrgico, durante o qual  «a Igreja nos faz meditar sobre o fim».

São Paulo, observou o Papa, «fala muitas vezes sobre isto e  de modo claro: “A fachada deste mundo desaparecerá”. Mas isto é outra coisa. As leituras com frequência falam de destruição, de fim, de calamidade». Aquele é um caminho rumo ao fim que todos nós temos que percorrer, todos os homens, toda a humanidade. Mas enquanto a percorremos «o Senhor aconselha-nos duas coisas – especificou o Pontífice. Duas coisas que são diferentes  segundo o modo como vivemos. Porque é diferente viver no momento e viver no tempo». E frisou que «o cristão é, homem ou mulher, aquele que sabe viver o momento e  o tempo».

O momento, acrescentou o bispo de Roma, é aquele que temos nas mãos no instante em que vivemos. Mas não deve ser confundido com o tempo porque o momento passa. «Talvez nós – frisou – possamos sentir-nos donos do momento». Mas, acrescentou, «o engano é crer que somos donos do tempo. O tempo não é nosso. O tempo é de Deus». Certamente o momento está nas nossas mãos e temos também a liberdade de o viver como mais  nos agrada, explicou o Papa. Aliás, «podemos tornar-nos soberanos do momento. Mas do tempo, há um só soberano: Jesus Cristo. Por isso o Senhor aconselha-nos: “Não vos deixeis enganar. De facto muitos virão em meu nome dizendo: Sou eu, e o tempo está próximo! Não andeis atrás deles (Daniel 2, 31-45). Não vos deixeis enganar pela confusão».

Mas como é possível superar estes enganos? O cristão, explicou o Santo Padre, para viver o momento sem se deixar enganar deve orientar-se com a oração e o discernimento. «Jesus repreende os que não sabiam discernir o momento», acrescentou o Papa que se referiu em seguida à parábola do figo (Marcos 13, 28-29), na qual Cristo repreende quantos são capazes de intuir a chegada do Verão através do florescer da figueira  e, ao contrário, não sabem reconhecer os sinais deste «momento, parte do tempo de Deus».

Eis para que serve o discernimento, explicou: «para conhecer os verdadeiros sinais, para conhecer a estrada que devemos empreender neste momento». A oração, prosseguiu o Pontífice, é necessária para viver bem este momento.

No que diz respeito ao tempo, «do qual só o Senhor é o Dono», nós – afirmou o Pontífice – nada podemos fazer. De facto, não há virtude humana que  sirva para exercer poder algum  sobre o tempo. A única virtude possível para encarar o tempo «deve ser um dom de Deus: é a esperança».

Oração e discernimento para o momento; esperança para o tempo: «desta forma o cristão caminha na estrada do momento, com a oração e o discernimento. Mas deixa o tempo à esperança. O cristão sabe esperar o Senhor em todos os momentos; mas espera no Senhor até ao fim dos tempos. Homem e mulher de momentos e de tempo, de oração, discernimento e  esperança».

A invocação final do Papa foi: «o Senhor nos dê a graça de caminhar com a sabedoria. Também ela é um dom: a sabedoria que no momento nos leva  a rezar e a discernir, e no tempo, que é mensageiro de Deus,  nos faz viver com esperança».
Do coração do bispo de Roma

Cidade do Vaticano, 27.novembro.2013 (RV) - Volta de novo no título de um documento pontifício a dimensão da alegria,  sinal característico do testemunho cristão. Nela está como que incluído o Vaticano II, desde o início até à conclusão. De facto, com as palavras Gaudet mater ecclesia («alegra-se a mãe Igreja») começava o memorável discurso de abertura com o qual João XXIII apresenta o concílio e Gaudium et spes, a constituição sobre a Igreja no mundo contemporâneo, expressava no incipit a partilha da alegria e da esperança das mulheres e dos homens do nosso tempo.

Dez anos depois da conclusão do Vaticano II, é com o convite apaixonado da Carta aos filipenses que se abre o único texto papal totalmente dedicado à alegria, a exortação Gaudete in Domino de Paulo VI: «Alegrai-vos no Senhor, porque ele está próximo de quantos o invocam com coração sincero». E não é ocasional que o texto de Montini seja o primeiro citado pelo Papa Francisco na sua Evangelii gaudium, para frisar que «ninguém está excluído da alegria que o Senhor trouxe».

Entregue na conclusão de um ano da fé querido por Bento XVI para recordar o concílio que providencialmente renovou a Igreja, a exortação apostólica é um documento extraordinário. Antes de tudo porque nasce do coração do bispo de Roma, fruto de uma experiência em primeira linha e da sua prolongada meditação sobre a urgência de anunciar o Evangelho no mundo de hoje. Com efeito, o conteúdo e o estilo inconfundíveis do Papa Francisco caracterizam  o texto e atraem quem o lê.

Sem dúvida, nas páginas iniciais o Pontífice recorda o sínodo sobre a «nova evangelização» e declara que recolhe a sua riqueza, mas o documento – que aliás não tem a especificação «pós-sinodal», como que frisando a origem pessoal – expressa as suas preocupações «neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja». Mesmo se «não é oportuno que o Papa substitua os Episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que se apresentam nos seus territórios» e é preciso ao contrário «proceder a uma “descentralização” saudável».

O bispo de Roma afirma que não teve a intenção de escrever um tratado teórico, mas de «mostrar a importante incidência prática» dos temas tratados no texto. Com uma finalidade bem clara: ajudar a «traçar um determinado estilo evangelizador» que o Papa Francisco convida a assumir «em cada actividade que se realiza». Um estilo que se pode representar na imagem de uma Igreja que seja realmente aberta: para anunciar o Evangelho acompanhando a humanidade de hoje «em todos os seus processos, por muito árduos e longos que sejam».

E surpreende a prosa arrebatadora desta magna charta para a Igreja de hoje, texto que declara explicitamente ter «um significado programático e consequências importantes» porque não é possível «deixar as coisas como estão» e é necessário constituir-se num «estado permanente de missão». Com a finalidade, implorada na oração final à Virgem, de «procurar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se extingue».

"A alegria do Evangelho": publicada a Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual

"A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus": assim inicia a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" com a qual o Papa Francisco desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo por outro lado a contribuição dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de Outubro de 2012, com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé". "Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos - escreve o Papa - para os convidar a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indicar direcções para o caminho da Igreja nos próximos anos" (1).

O Papa convida a "recuperar a frescura original do Evangelho”, encontrando "novas formas" e "métodos criativos", sem deixarmos enredar Jesus nos nossos "esquemas monótonos" (11). Precisamos de uma "uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão" (25). Requer-se uma "reforma das estruturas" eclesiais para que "todas se tornem mais missionárias" (27) . O Pontífice pensa também numa "conversão do papado", para que seja "mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades actuais da evangelização". A esperança de que as Conferências Episcopais pudessem dar um contributo para que "o sentido de colegialidade" se realizasse “concretamente” – afirma o Papa - "não se realizou plenamente" (32). E’ necessária uma “saudável descentralização" (16). Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja "não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos quais profundamente enraizados ao longo da história" (43) .

Sinal de acolhimento de Deus é "ter por todo o lado igrejas com as portas abertas" para que os que vivem uma situação de procura não encontrem "a frieza de uma porta fechada". "Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo". O Papa Francisco reafirma preferir uma Igreja "ferida e suja por ter saído pelas estradas, em vez de uma Igreja... preocupada em ser o centro e que acaba por ficar prisioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se algo nos deve santamente perturbar ... é que muitos dos nossos irmãos vivem "sem a amizade de Jesus” (49).

O Papa aponta as "tentações dos agentes da pastoral": o individualismo, a crise de identidade, o declínio no fervor (78). "A maior ameaça" é "o pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede na faixa normal, quando na realidade a fé se vai desgastando" (83). Exorta a não se deixar levar por um "pessimismo estéril " (84 ) e a sermos sinais de esperança (86) aplicando a "revolução da ternura" (88).

O Papa lança um apelo às comunidades eclesiais para não caírem em invejas e ciúmes: “dentro do povo de Deus e nas diversas comunidades, quantas guerras!" (98). "A quem queremos nós evangelizar com estes comportamentos?" (100). Sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos "à margem nas decisões" por um "excessivo clericalismo" (102). Afirma que "ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja", em particular "nos diferentes lugares onde são tomadas as decisões importantes" (103). "As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres ... não se podem sobrevoar superficialmente" (104). Os jovens devem ter "um maior protagonismo" (106). (…)

Abordando o tema da inculturação, o Papa lembra que "o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural" e que o rosto da Igreja é "multiforme" (116). "Não podemos esperar que todos os povos ... para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da história" (118). O Papa reitera "a força evangelizadora da piedade popular" (122) e incentiva a pesquisa dos teólogos.

O Papa detém-se depois, "com uma certa meticulosidade, na homilia", porque "são muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos" (135). A homilia "deve ser breve e evitar de parecer uma conferência ou uma aula " (138), deve ser capaz de dizer "palavras que façam arder os corações", evitando uma "pregação puramente moralista ou para endoutrinar" (142). Sublinha a importância da preparação." (…) O próprio anúncio do Evangelho deve ter características positivas: "proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena" (165).

Falando dos desafios do mundo contemporâneo, o Papa denuncia o actual sistema económico, que "é injusto pela raiz" (59). "Esta economia mata" porque prevalece a "lei do mais forte". A actual cultura do "descartável" criou "algo de novo": “os excluídos não são ‘explorados’, mas ‘lixo’, 'sobras'" (53). Vivemos uma "nova tirania invisível, por vezes virtual" de um "mercado divinizado", onde reinam a "especulação financeira", "corrupção ramificada", "evasão fiscal egoísta" (56). Denuncia os "ataques à liberdade religiosa" e as "novas situações de perseguição dos cristãos ... Em muitos lugares trata-se pelo contrário de uma difusa indiferença relativista" (61). A família - continua o Papa - "atravessa uma crise cultural profunda.

O Papa reafirma "a íntima conexão entre evangelização e promoção humana" (178 ) e o direito dos Pastores a "emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas" (182). "Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas, sem qualquer influência na vida social". "A política, tanto denunciada" - diz ele - "é uma das formas mais preciosas de caridade". "Rezo ao Senhor para que nos dê mais políticos que tenham verdadeiramente a peito ... a vida dos pobres!" Em seguida, um aviso: "qualquer comunidade dentro da Igreja" que se esquecer dos pobres corre "o risco de dissolução" (207) .

O Papa convida a cuidar dos mais fracos: "os sem-tecto, os dependentes de drogas, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados" e os migrantes, em relação aos quais o Papa exorta os Países "a uma abertura generosa" (210 ). "Entre estes fracos que a Igreja quer cuidar" estão "as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana" (213) . "Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre esta questão ... Não é progressista fingir resolver os problemas eliminando uma vida humana" (214). Neste contexto, um apelo ao respeito de toda a criação: "somos chamados a cuidar da fragilidade das pessoas e do mundo em que vivemos" ( 216) .

Quanto ao tema da paz, o Papa afirma que é "necessária uma voz profética" quando se quer implementar uma falsa reconciliação "que mantém calados" os pobres, enquanto alguns "não querem renunciar aos seus privilégios" (218). Para a construção de uma sociedade "em paz, justiça e fraternidade" indica quatro princípios: "trabalhar a longo prazo, sem a obsessão dos resultados imediatos"; "operar para que os opostos atinjam "uma unidade multifacetada que gera nova vida"; "evitar reduzir a política e a fé à retórica; colocar em conjunto globalização e localização.

"A evangelização - prossegue o Papa - também implica um caminho de diálogo", que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais (238). O ecumenismo é "uma via imprescindível da evangelização". Importante o enriquecimento recíproco: "quantas coisas podemos aprender uns dos outros!". Por exemplo, “no diálogo com os irmãos ortodoxos, nós os católicos temos a possibilidade de aprender alguma coisa mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e a sua experiência de sinodalidade" (246). "O diálogo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos discípulos de Jesus" (248). "O diálogo inter-religioso", que deve ser conduzido "com uma identidade clara e alegre", é "condição necessária para a paz no mundo" e não obscurece a evangelização (250-251). "Diante de episódios de fundamentalismo violento", a Exortação Apostólica convida a "evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma adequada interpretação do Alcorão se opõem a toda a violência" (253). Contra a tentativa de privatizar as religiões em alguns contextos, o Papa afirma que "o respeito devido às minorias de agnósticos ou não-crentes não se deve impor de forma arbitrária, que silencie as convicções das maiorias de crentes ou ignore a riqueza das tradições religiosas" (255). Reafirma, assim, a importância do diálogo e da aliança entre crentes e não-crentes (257) .

O último capítulo é dedicado aos "evangelizadores com o Espírito", aqueles "que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo", que "infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo em contracorrente" (259). Trata-se de "evangelizadores que rezam e trabalham" (262), na certeza de que "a missão é uma paixão por Jesus mas, ao mesmo tempo, uma paixão pelo seu povo" (268): "Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros" (270). "Na nossa relação com o mundo – esclarece o Papa - somos convidados a dar a razão da nossa esperança, mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam" (271). "Pode ser missionário - acrescenta ele - apenas quem busca o bem do próximo, quem deseja a felicidade dos outros" (272): "se eu conseguir ajudar pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida" (274)


EVANGELII GAUDIUM na íntegra, leia

Hoje o Papa Francisco escreveu em seu Twitter:

26/11/2013
A Igreja é missionária. Cristo nos envia a levar a alegria do Evangelho por todo o mundo.


Mais de um bilhão de migrantes no mundo

Leopoli, 25.novembro.2013 (RV) – Cerca de um bilhão de seres humanos vive na própria pele o fenômeno da migração. O número foi revelado pelo Cardeal Antonio Maria Vegliò, Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, falando aos alunos do Instituto teológico de Leopoli, na Ucrânia.

Segundo as Nações Unidas, os migrantes internacionais podem ser cerca de 232 milhões, o equivalente a 3% da população mundial. A Organização Mundial das Migrações (OIM) estima que o número de migrantes internos chegue a 740 milhões de pessoas. “Somando as duas contas, vemos que cerca de um bilhão de seres humanos, ou seja, um sétimo da população global, vive hoje como migrante. Sem contar os marítimos, pescadores, estudantes e pessoas sem-casa”, afirmou Dom Vegliò.

Ainda existem “mais de 27 milhões vivendo em condição de escravidão: um dado atroz, em constante aumento. O tráfico de mulheres, homens e crianças é um fenômeno que envolve hoje quase todos os países do mundo como terra de origem, de trânsito ou de destino das vítimas. É a terceira fonte de renda da criminalidade organizada, depois das drogas e das armas”.

O Cardeal Vegliò disse aos estudantes que além da Santa Sé, as Conferências Episcopais, dioceses e paróquias mantêm várias iniciativas de acolhimento, acompanhamento e ajuda concreta. E lembrou a Mensagem do Papa Francisco para o Dia mundial do migrante e do refugiado, que se celebra no próximo dia 19 de janeiro, no trecho em que diz que “cada pessoa pertence à humanidade e compartilha a esperança de um futuro melhor com toda a família dos povos”.

Papa na Santa Marta: "Os cristãos devem fazer escolhas definitivas"

Cidade do Vaticano, 25.novembro.2013 (RV) – Entregar-se ao Senhor, inclusive na situações mais difíceis: esta é a exortação do Papa Francisco, na Missa desta manhã na Casa Santa Marta. O Papa afirmou que os cristãos são chamados a escolhas definitivas, como nos ensinam os mártires de todos os tempos. Também hoje, observou ele, existem irmãos perseguidos que são exemplos para nós e nos encorajam a nos entregar totalmente ao Senhor.

O Papa Francisco desenvolveu sua homilia a partir das figuras que nos apresentam a Primeira Leitura, extraída do Livro de Daniel, e o Evangelho: os jovens hebreus escravos na corte de Nabucodonosor e a viúva que vai ao Templo para adorar o Senhor. Em ambos os casos, afirmou o Pontífice, estão no limite: a viúva em condição de miséria; os jovens, de escravidão. A viúva entrega tudo o que tem ao tesouro do Templo, os jovens permanecem fiéis ao Senhor arriscando a vida.

Os dois – a viúva e os jovens – arriscaram. Em seu risco, escolherem o Senhor, com um coração grande, sem interesse pessoal, sem mesquinhez. Não tinham uma atitude mesquinha. O Senhor é tudo. O Senhor é Deus e se entregaram ao Senhor. E isso não o fizeram por uma força – permito-me a palavra – fanática, não: 'Devemos fazer isso Senhor’, não! Há outra coisa: se entregaram porque sabiam que o Senhor é fiel. Entregaram-se a esta fidelidade que existe sempre, porque o Senhor não pode se transformar: é fiel sempre, não pode não ser fiel, não pode renegar a si mesmo.

Esta confiança no Senhor, acrescentou o Santo Padre, os levou “a fazer esta escolha por Ele”. Uma escolha que vale seja nas pequenas coisas, seja nas grandes e difíceis escolhas.

Também na Igreja, na história da Igreja se encontram homens, mulheres, idosos, que fazem esta escolha. Quando nós ouvimos a vida dos mártires, quando nós lemos nos jornais as perseguições contra os cristãos, hoje, pensamos nesses irmãos e irmãs em situações-limite, que fazem esta escolha. Eles vivem neste tempo. São um exemplo para nós e nos encorajam a entregar ao tesouro da Igreja tudo o que temos para viver.
O Senhor, afirmou ainda o Papa, ajuda os jovens hebreus escravos a saírem das dificuldades e também a viúva.

Nos fará bem pensar nesses irmãos e irmãs que, em toda a nossa história, também hoje fazem escolhas definitivas. Mas pensemos também em tantas mães, tantos pais de família que todos os dias fazem escolhas definitivas para levar avante sua família, seus filhos. E isso é um tesouro na Igreja. Eles nos oferecem um testemunho. Peçamos ao Senhor a graça da coragem, da coragem de prosseguir na nossa vida cristã, nas situações habituais, comuns, de todos os dias, mas também nas situações-limite.

Tweet do Santo Padre nesta segunda-feira:

25/11/2013
Viver a caridade significa não procurar o próprio interesse, mas levar os pesos dos mais fracos e pobres.
Peregrinação de greco-católicos ucranianos nos 50 anos da deposição das relíquias de S. Josafat na basílica de São Pedro. Papa exorta à comunhão e colaboração com todos











Cidade do Vaticano, 25.novembro,2013 (RV) – Ao fim da manhã, no altar central da basílica de São Pedro, o Arcebispo Maior da Igreja Católica Ucraniana, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk presidiu, juntamente com o cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, a uma Divina Liturgia em honra de São Josafat, bispo e mártir, no quinquagésimo aniversário da deposição das respectivas relíquias, na basílica de São Pedro. Concelebraram os bispos do Sínodo da Igreja Greco-católica ucraniana e participaram alguns milhares de peregrinos provenientes da Ucrânia e da Bielorrússia.

No final desta celebração, o Papa Francisco deslocou-se à basílica de São Pedro para saudar os presentes.

O Papa observou que “a memória deste santo Mártir (Josafat) nos fala da comunhão dos santos, da comunhão de vida entre todos os que pertencem a Cristo.” Uma realidade que nos faz provar a jubilosa fraternidade de todos os santos. Daqui uma consequência muito prática para a vida de cada dia:

“cada aspecto da nossa vida cristã pode ser animado pelo desejo de construir conjuntamente, de colaborar, de aprender uns com os outros, de testemunhar conjuntamente a fé”.

Um caminho todo ele centra em Jesus Cristo, o Ressuscitado, que se faz nosso companheiro, sempre ao nosso lado.

“o melhor modo para celebrar S. Josafat é amarmo-nos entre nós e amar e servir da unidade da Igreja. Que nos apoie neste caminho o corajoso testemunho de tantos mártires dos tempos mais recentes, que constituem uma grande riqueza e conforto para a vossa Igreja.




SANTA MISSA NA CONCLUSÃO DO ANO DA FÉ
NA SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Praça de São Pedro
Domingo, 24 de Novembro de 2013


A solenidade de Cristo Rei do universo, que hoje celebramos como coroamento do ano litúrgico, marca também o encerramento do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, para quem neste momento se dirige o nosso pensamento cheio de carinho e de gratidão por este dom que nos deu. Com esta iniciativa providencial, ele ofereceu-nos a oportunidade de redescobrirmos a beleza daquele caminho de fé que teve início no dia do nosso Baptismo e nos tornou filhos de Deus e irmãos na Igreja; um caminho que tem como meta final o encontro pleno com Deus e durante o qual o Espírito Santo nos purifica, eleva, santifica para nos fazer entrar na felicidade por que anseia o nosso coração.

Desejo também dirigir uma cordial e fraterna saudação aos Patriarcas e aos Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais Católicas, aqui presentes. O abraço da paz, que trocarei com eles, quer significar antes de tudo o reconhecimento do Bispo de Roma por estas Comunidades que confessaram o nome de Cristo com uma fidelidade exemplar, paga muitas vezes por caro preço.

Com este gesto pretendo igualmente, através deles, alcançar todos os cristãos que vivem na Terra Santa, na Síria e em todo o Oriente, a fim de obter para todos o dom da paz e da concórdia.

As Leituras bíblicas que foram proclamadas têm como fio condutor a centralidade de Cristo: Cristo está no centro, Cristo é o centro. Cristo, centro da criação, do povo e da história.

1. O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura tirada da Carta aos Colossenses, dá-nos uma visão muito profunda da centralidade de Jesus. Apresenta-O como o Primogénito de toda a criação: n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas. Ele é o centro de todas as coisas, é o princípio: Jesus Cristo, o Senhor. Deus deu-Lhe a plenitude, a totalidade, para que n’Ele fossem reconciliadas todas as coisas (cf. 1, 12-20). Senhor da criação, Senhor da reconciliação.

Esta imagem faz-nos compreender que Jesus é o centro da criação; e, portanto, a atitude que se requer do crente – se o quer ser de verdade - é reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus Cristo, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. uando se peE, assim, os nossos pensamentos serão pensamentos cristãos, pensamentos de Cristo. As nossas obras serão obras cristãs, obras de Cristo, as nossas palavras serão palavras cristãs, palavras de Cristo. Diversamente, qrde este centro, substituindo-o por outra coisa qualquer, disso só derivam danos para o meio ambiente que nos rodeia e para o próprio homem.

2. Além de ser centro da criação e centro da reconciliação, Cristo é centro do povo de Deus. E hoje mesmo Ele está aqui, no centro da nossa assembleia. Está aqui agora na Palavra e estará aqui no altar, vivo, presente, no meio de nós, seu povo. Assim no-lo mostra a primeira Leitura, que narra o dia em que as tribos de Israel vieram procurar David e ungiram-no rei sobre Israel diante do Senhor (cf. 2 Sam 5, 1-3). Na busca da figura ideal do rei, aqueles homens procuravam o próprio Deus: um Deus que Se tornasse vizinho, que aceitasse caminhar com o homem, que Se fizesse seu irmão.

Cristo, descendente do rei David, é precisamente o «irmão» ao redor do qual se constitui o povo, que cuida do seu povo, de todos nós, a preço da sua vida. N’Ele, nós somos um só; um só povo unido a Ele, partilhamos um só caminho, um único destino. Somente n’Ele, n’Ele por centro, temos a identidade como povo.

3. E, por último, Cristo é o centro da história da humanidade e também o centro da história de cada homem. A Ele podemos referir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de que está tecida a nossa vida. Quando Jesus está no centro, até os momentos mais sombrios da nossa existência se iluminam: Ele dá-nos esperança, como fez com o bom ladrão no Evangelho de hoje.

Enquanto todos os outros se dirigem a Jesus com desprezo – «Se és o Cristo, o Rei Messias, salva-Te a Ti mesmo, descendo do patíbulo!» –, aquele homem, que errou na vida, no fim agarra-se arrependido a Jesus crucificado suplicando: «Lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino» (Lc 23, 42). E Jesus promete-lhe: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (23, 43): o seu Reino. Jesus pronuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação; e quando o homem encontra a coragem de pedir este perdão, o Senhor nunca deixa sem resposta um tal pedido. Hoje todos nós podemos pensar na nossa história, no nosso caminho. Cada um de nós tem a sua história; cada um de nós tem também os seus erros, os seus pecados, os seus momentos felizes e os seus momentos sombrios. Neste dia, far-nos-á bem pensar na nossa história, olhar para Jesus e, do fundo do coração, repetir-lhe muitas vezes – mas com o coração, em silêncio – cada um de nós: «Lembra-Te de mim, Senhor, agora que estás no teu Reino! Jesus, lembra-Te de mim, porque eu tenho vontade de me tornar bom, mas não tenho força, não posso: sou pecador, sou pecadora. Mas lembra-Te de mim, Jesus! Tu podes lembrar-Te de mim, porque Tu estás no centro, Tu estás precisamente no teu Reino!». Que bom! Façamo-lo hoje todos, cada um no seu coração, muitas vezes: «Lembra-Te de mim, Senhor, Tu que estás no centro, Tu que estás no teu Reino!»

A promessa de Jesus ao bom ladrão dá-nos uma grande esperança: diz-nos que a graça de Deus é sempre mais abundante de quanto pedira a oração. O Senhor dá sempre mais – Ele é tão generoso! –, dá sempre mais do que se Lhe pede: pedes-Lhe que Se lembre de ti, e Ele leva-te para o seu Reino! Jesus é precisamente o centro dos nossos desejos de alegria e de salvação. Caminhemos todos juntos por esta estrada!
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Assinada a "A Alegria do Evangelho", primeira Exortação de Francisco

Cidade do Vaticano (RV) - Na missa conclusiva do Ano da Fé, domingo, 24, Francisco fez a entrega simbólica de sua primeira Exortação Apostólica,‘Evangelii gaudium’
(A Alegria do Evangelho).


De forma simbólica, o texto foi entregue 36 pessoas de 18 países: um bispo, um sacerdote e um diácono; além de religiosas, seminaristas, catequistas, uma família, um homem com deficiência visual (que recebeu uma versão em CD), jovens, confrarias e movimentos eclesiais. O grupo foi escolhido para evocar cada evento do Ano da Fé realizado no Vaticano.

Além destes representantes, foram também convidados dois jornalistas e dois artistas, para evidenciar “o valor da beleza como forma privilegiada de evangelização”.

A "Evangelii Gaudium", segundo o Presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, contém “uma missão que é confiada a cada pessoa batizada para se tornar evangelizador”.

Depois da Encíclica "Lumen Fidei", publicada no início de julho, assinada por Francisco, mas escrita a ‘quatro mãos’ com Bento XVI, este é o segundo grande documento do Papa argentino.

A Exortação traz as recomendações emersas no Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, realizado no Vaticano em outubro do ano passado, mas segundo antecipado pelo Vaticano, “terá um âmbito mais vasto”. O documento será apresentado segunda-feira, 25, à imprensa, mas a divulgação está autorizada somente a partir de terça-feira, 26 de novembro.

Na conclusão de seu encontro com os fiéis, este domingo, 24, o Papa fez uma saudação especial a todos os que trabalharam na realização do Ano da Fé:

“Uma saudação e um agradecimento de coração a Dom Rino Fisichella, que conduziu este caminho. Agradeço-lhe muito, e também a seus colaboradores”, disse Francisco. Dom Fisichella foi o responsável pela coordenação de todo o programa de eventos do Ano da Fé.
No Angelus, Francisco lembra o Holomodor, maior tragédia da História da Ucrânia.

Cidade do Vaticano, 24.novembro.2014 (RV) – Antes de rezar a oração do Angelus com os fiéis presentes na Praça São Pedro, o Pontífice cumprimentou do altar montado no adro da Basílica, todas as famílias, grupos paroquiais, associações e movimentos provenientes de vários países para participar do encerramento do Ano da Fé.

“Neste dia, agradecemos os missionários que ao longo dos séculos anunciaram o Evangelho plantando a semente da fé em diversas partes do mundo”, disse o Papa. Entre eles, recordou o Beato Junípero Serra, missionário franciscano espanhol do qual decorrem 300 anos de nascimento. Serra nasceu em 24 de novembro de 1713 em Mallorca e morreu em 28 de agosto de 1784 em Monterrey, no estado da Calofornia, EUA. Foi o fundador de várias missões em Los Angeles, São Francisco, Sacramento e San Diego.

Francisco saudou ainda os participantes do Congresso italiano da Misericórdia e se solidarizou com a comunidade ucraniana que recorda o 80º aniversário do Holodomor, a “Grande Fome”.

O termo Holodomor designa o genocídio praticado pela União Soviética nos anos 1932 e 1933 na Ucrânia após a coletivização forçada. Historiadores indicam que de 3 a 3,5 milhões de pessoas foram eliminadas sistematicamente através da supressão dos gêneros alimentícios produzidos pela Ucrânia e o seu desvio para outras repúblicas soviéticas a preços subsidiados.

A fome era o instrumento usado pela URSS para eliminar qualquer resistência ou oposição da população ucraniana, na época composta por 80% de camponeses, ao regime comunista.

Em 1998, foi instituído no quarto sábado do mês de novembro o "Dia da Memória das Vítimas da Fome e das Repressões Políticas" e as comunidades ucranianas implantadas em diversos países prestam homenagem às vítimas do Holomodor.

Em mensagem enviada ao povo ucraniano no 70° aniversário do Holodomor, em 23 de novembro de 2003, o Papa João Paulo II se referiu ao fato histórico como “um crime atroz cometido a sangue frio pelos governantes daquela época”.

Tweet do Papa Francisco neste sábado:


23/11/2013
Os Sacramentos são a presença de Jesus Cristo em nós. Por isso, é importante confessar-se e receber a Comunhão.

TEXTO INÉDITO DO PAPA BENTO XVI
PUBLICADO POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO
DO INÍCIO DO CONCÍLIO VATICANO II

Foi um dia maravilhoso aquele 11 de Outubro de 1962 quando, com a entrada solene de mais de dois mil Padres conciliares na Basílica de São Pedro em Roma, se abriu o Concílio Vaticano II. Em 1931, Pio XI colocara no dia 11 de Outubro a festa da Maternidade Divina de Maria, em recordação do facto que mil e quinhentos anos antes, em 431, o Concílio de Éfeso tinha solenemente reconhecido a Maria esse título, para expressar assim a união indissolúvel de Deus e do homem em Cristo. O Papa João XXIII fixara o início do Concílio para tal dia com o fim de confiar a grande assembleia eclesial, por ele convocada, à bondade materna de Maria e ancorar firmemente o trabalho do Concílio no mistério de Jesus Cristo. Foi impressionante ver entrar os bispos provenientes de todo o mundo, de todos os povos e raças: uma imagem da Igreja de Jesus Cristo que abraça todo o mundo, na qual os povos da terra se sentem unidos na sua paz.

Foi um momento de expectativa extraordinária pelas grandes coisas que deviam acontecer. Os concílios anteriores tinham sido quase sempre convocados para uma questão concreta à qual deviam responder; desta vez, não havia um problema particular a resolver. Mas, por isso mesmo, pairava no ar um sentido de expectativa geral: o cristianismo, que construíra e plasmara o mundo ocidental, parecia perder cada vez mais a sua força eficaz. Mostrava-se cansado e parecia que o futuro fosse determinado por outros poderes espirituais. Esta percepção do cristianismo ter perdido o presente e da tarefa que daí derivava estava bem resumida pela palavra «actualização»: o cristianismo deve estar no presente para poder dar forma ao futuro. Para que pudesse voltar a ser uma força que modela o porvir, João XXIII convocara o Concílio sem lhe indicar problemas concretos ou programas. Foi esta a grandeza e ao mesmo tempo a dificuldade da tarefa que se apresentava à assembleia eclesial.

Obviamente, cada um dos episcopados aproximou-se do grande acontecimento com ideias diferentes. Alguns chegaram com uma atitude mais de expectativa em relação ao programa que devia ser desenvolvido. Foi o episcopado do centro da Europa – Bélgica, França e Alemanha – que se mostrou mais decidido nas ideias. Embora a ênfase no pormenor se desse sem dúvida a aspectos diversos, contudo havia algumas prioridades comuns. Um tema fundamental era a eclesiologia, que devia ser aprofundada sob os pontos de vista da história da salvação, trinitário e sacramental; a isto vinha juntar-se a exigência de completar a doutrina do primado do Concílio Vaticano I através duma valorização do ministério episcopal. Um tema importante para os episcopados do centro da Europa era a renovação litúrgica, que Pio XII já tinha começado a realizar. Outro ponto central posto em realce, especialmente pelo episcopado alemão, era o ecumenismo: o facto de terem suportado juntos a perseguição da parte do nazismo aproximara muito os cristãos protestantes e católicos; agora isto devia ser compreendido e levado por diante a nível de toda a Igreja. A isto acrescentava-se o ciclo temático Revelação-Escritura-Tradição-Magistério. Entre os franceses, foi sobressaindo cada vez mais o tema da relação entre a Igreja e o mundo moderno, isto é, o trabalho sobre o chamado «Esquema XIII», do qual nasceu depois a Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo. Atingia-se aqui o ponto da verdadeira expectativa suscitada pelo Concílio. A Igreja, que ainda na época barroca tinha em sentido lato plasmado o mundo, a partir do século XIX entrou de modo cada vez mais evidente numa relação negativa com a era moderna então plenamente iniciada. As coisas deviam continuar assim? Não podia a Igreja cumprir um passo positivo nos tempos novos? Por detrás da vaga expressão «mundo de hoje», encontra-se a questão da relação com a era moderna; para a esclarecer, teria sido necessário definir melhor o que era essencial e constitutivo da era moderna. Isto não foi conseguido no «Esquema XIII». Embora a Constituição pastoral exprima muitas elementos importantes para a compreensão do «mundo» e dê contribuições relevantes sobre a questão da ética cristã, no referido ponto não conseguiu oferecer um esclarecimento substancial.

Inesperadamente, o encontro com os grandes temas da era moderna não se dá na grande Constituição pastoral, mas em dois documentos menores, cuja importância só pouco a pouco se foi manifestando com a recepção do Concílio. Trata-se antes de tudo da Declaração sobre a liberdade religiosa, pedida e preparada com grande solicitude sobretudo pelo episcopado americano. A doutrina da tolerância, tal como fora pormenorizadamente elaborada por Pio XII, já não se mostrava suficiente face à evolução do pensamento filosófico e do modo se concebia como o Estado moderno. Tratava-se da liberdade de escolher e praticar a religião e também da liberdade de mudar de religião, enquanto direitos fundamentais na liberdade do homem. Pelas suas razões mais íntimas, tal concepção não podia ser alheia à fé cristã, que entrara no mundo com a pretensão de que o Estado não poderia decidir acerca da verdade nem exigir qualquer tipo de culto. A fé cristã reivindicava a liberdade para a convicção religiosa e a sua prática no culto, sem com isto violar o direito do Estado no seu próprio ordenamento: os cristãos rezavam pelo imperador, mas não o adoravam. Sob este ponto de vista, pode-se afirmar que o cristianismo, com o seu nascimento, trouxe ao mundo o princípio da liberdade de religião. Todavia a interpretação deste direito à liberdade no contexto do pensamento moderno ainda era difícil, porque podia parecer que a versão moderna da liberdade de religião pressupusesse a inacessibilidade da verdade ao homem e, consequentemente, deslocasse a religião do seu fundamento para a esfera do subjectivo. Certamente foi providencial que, treze anos depois da conclusão do Concílio, tivesse chegado o Papa João Paulo II de um país onde a liberdade de religião era contestada pelo marxismo, ou seja, a partir duma forma particular de filosofia estatal moderna. O Papa vinha quase duma situação que se parecia com a da Igreja antiga, de modo que se tornou de novo visível o íntimo ordenamento da fé ao tema da liberdade, sobretudo a liberdade de religião e de culto.

O segundo documento, que se havia de revelar depois importante para o encontro da Igreja com a era moderna, nasceu quase por acaso e cresceu com sucessivos estratos. Refiro-me à declaração Nostra aetate, sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs. Inicialmente havia a intenção de preparar uma declaração sobre as relações entre a Igreja e o judaísmo – um texto que se tornou intrinsecamente necessário depois dos horrores do Holocausto (shoah). Os Padres conciliares dos países árabes não se opuseram a tal texto, mas explicaram que se se queria falar do judaísmo, então era preciso dedicar também algumas palavras ao islamismo. Quanta razão tivessem a este respeito, só pouco a pouco o fomos compreendendo no ocidente. Por fim cresceu a intuição de que era justo falar também doutras duas grandes religiões – o hinduísmo e o budismo – bem como do tema da religião em geral. A isto se juntou depois espontaneamente uma breve instrução relativa ao diálogo e à colaboração com as religiões, cujos valores espirituais, morais e socioculturais deviam ser reconhecidos, conservados e promovidos (cf. n. 2). Assim, num documento específico e extraordinariamente denso, inaugurou-se um tema cuja importância na época ainda não era previsível. Vão-se tornando cada vez mais evidentes tanto a tarefa que o mesmo implica como a fadiga ainda necessária para tudo distinguir, esclarecer e compreender. No processo de recepção activa, foi pouco a pouco surgindo também uma debilidade deste texto em si extraordinário: só fala da religião na sua feição positiva e ignora as formas doentias e falsificadas de religião, que têm, do ponto de vista histórico e teológico um vasto alcance; por isso, desde o início, a fé cristã foi muito crítica em relação à religião, tanto no próprio seio como no mundo exterior.

Se, ao início do Concílio, tinham prevalecido os episcopados do centro da Europa com os seus teólogos, nas sucessivas fases conciliares o leque do trabalho e da responsabilidade comuns foi-se alargando cada vez mais. Os bispos reconheciam-se aprendizes na escola do Espírito Santo e na escola da colaboração recíproca, mas foi precisamente assim que se reconheceram servos da Palavra de Deus que vivem e trabalham na fé. Os Padres conciliares não podiam nem queriam criar uma Igreja nova, diversa. Não tinham o mandato nem o encargo para o fazer: eram Padres do Concílio com uma voz e um direito de decisão só enquanto bispos, quer dizer em virtude do sacramento e na Igreja sacramental. Então não podiam nem queriam criar uma fé diversa ou uma Igreja nova, mas compreendê-las a ambas de modo mais profundo e, consequentemente, «renová-las» de verdade. Por isso, uma hermenêutica da ruptura é absurda, contrária ao espírito e à vontade dos Padres conciliares.

No cardeal Frings, tive um «pai» que viveu de modo exemplar este espírito do Concílio. Era um homem de significativa abertura e grandeza, mas sabia também que só a fé guia para se fazer ao largo, para aquele horizonte amplo que resta impedido ao espírito positivista. É esta fé que queria servir com o mandato recebido através do sacramento da ordenação episcopal. Não posso deixar de lhe estar sempre grato por me ter trazido – a mim, o professor mais jovem da Faculdade teológica católica da universidade de Bonn – como seu consultor na grande assembleia da Igreja, permitindo que eu estivesse presente nesta escola e percorresse do interior o caminho do Concílio. Este livro reúne os diversos escritos, com os quais pedi a palavra naquela escola; trata-se de pedidos de palavra totalmente fragmentários, dos quais transparece o próprio processo de aprendizagem que o Concílio e a sua recepção significaram e ainda significam para mim. Em todo o caso espero que estes vários contributos, com todos os seus limites, possam no seu conjunto ajudar a compreender melhor o Concílio e a traduzi-lo numa justa vida eclesial. Agradeço sentidamente ao arcebispo Gerhard Ludwig Müller e aos colaboradores do Institut Papst Benedikt XVI pelo extraordinário compromisso que assumiram para realizar este livro.

Castel Gandolfo, na memória do bispo Santo Eusébio de Vercelas, 2 de Agosto de 2012.






L'Osservatore Romano, 11 de outubro de 2012
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Papa aos catecúmenos: "Caminhar em alegria com Jesus!"

Cidade do Vaticano (RV) – Na tarde de sábado, 23, o Papa Francisco encontrou-se com os catecúmenos, num evento que se inseriu no âmbito do encerramento do Ano da Fé. O encontro teve como tema “Prontos a atravessar a Porta da fé”.

No início da tarde, os catecúmenos se reuniram e foram lidos testemunhos em várias línguas. O Papa pronunciou o rito de admissão ao catecumenato, celebrou uma Liturgia da Palavra e recebeu na porta da Basílica os 35 candidatos ao catecumenato. Estavam presentes cerca de 500 catequistas provenientes de 47 países. A todos, os Papa pronunciou uma catequese. Abaixo, uma tradução livre do texto distribuído pela Secretaria de Estado.

“Queridos catecúmenos.

Este momento conclusivo do “Ano da Fé” conta com a presença de vocês, aqui reunidos com seus catequistas e familiares, que representam também tantos outros homens e mulheres que, em diversas partes do mundo, estão fazendo este mesmo percurso de fé. Vocês vieram de vários países, de tradições culturais e de experiências diferentes. Entretanto, nesta tarde, sentimos ter tantas coisas em comum, sobretudo uma: o desejo de Deus.

Este desejo é evocado pelas palavras do Salmista: “Como o cervo anseia pelos cursos de água, assim a minha alma anseia por vós, ó Deus. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando verei a face de Deus?” (Sal 42,2-3). Como é importante manter vivo este desejo, este anseio de encontrar o Senhor e fazer experiência Dele, do Seu amor, da Sua misericórdia! Se faltar esta sede do Deus vivo, a fé arrisca se tornar costumeira, arrisca se apagar, como o fogo que não é fomentado.

A narração do Evangelho (cf. Jo 1,35-42) nos apresenta João Batista que indica Jesus aos seus discípulos como o Cordeiro de Deus. Dois deles seguem o Mestre e depois, por sua vez, se tornam “mediadores”, que permitem aos outros encontrarem o Senhor, conhecê-lo e segui-lo.

Há três momentos nesta narração que se referem à experiência do catecumenato: em primeiro lugar, a escuta. Os dois discípulos ouviram o testemunho de Batista. Vocês também, queridos catecúmenos, escutaram aqueles que lhes falaram sobre Jesus e lhes propuseram segui-Lo, tornando-se, assim, seus discípulos por meio do Batismo. No tumulto de tantas vozes que ressoam em torno de nós e dentro de nós, vocês ouviram e aceitaram a voz que lhes indicava Jesus como o único que pode dar pleno sentido às suas vidas.

O segundo momento é o encontro. Os dois discípulos encontram o Mestre e permanecem com Ele. Depois de encontrá-Lo, sentem logo uma coisa nova em seus corações: a exigência de transmitir a sua alegria também aos outros, para que todos O possam encontrar. De fato, André encontra seu irmão Simão e o conduz a Jesus. Quanto faz bem contemplar esta cena!

Recorda-nos que Deus não nos criou para ficarmos sós, fechados em nós mesmos, para poder encontrá-Lo e para nos abrir ao encontro com os outros. Deus vem primeiramente junto a cada um de nós; e isto é maravilhoso! Na Bíblia, aparece sempre como aquele que toma a iniciativa do encontro com o homem: é Ele que procura o homem, e normalmente o procura justamente enquanto o homem vive a amarga e trágica experiência de trair Deus e fugir Dele. Deus não espera pra ir procurá-lo: vai imediatamente. É um descobridor paciente o nosso Pai! Ele nos precede e nos espera sempre. Não se afasta de nós, mas tem a paciência para aguardar o momento favorável ao encontro com cada um de nós. E quando o encontro acontece, nunca é apressado, porque Deus quer ficar muito tempo conosco para nos apoiar, consolar, para doar-nos a sua alegria. Como nós rumamos a Ele e o desejamos, Ele também tem desejo de estar conosco porque pertencemos a Ele, somos uma sua “coisa”, somos suas criaturas. Ele também, podemos dizer, tem sede de nós, de nos encontrar.

O último trecho da narração é o caminhar. Os dois discípulos caminham rumo a Jesus e depois percorrem um pouco da estrada junto com Ele. É um ensinamento importante para todos nós. A fé é um caminho com Jesus... e dura toda a vida. No fim, estará lá. Certo, em alguns momentos deste caminho, nós nos sentimos cansados e confusos. A fé, porém, nos dá a certeza da presença constante de Jesus em toda situação, até mesmo na mais dolorosa ou difícil de entender. Somos chamados a caminhar para entrar sempre mais no profundo do mistério do amor de Deus, que é maior que nós, e nos permite viver com serenidade e esperança.

Queridos catecúmenos, vocês hoje iniciam o caminho do catecumenato. Espero que o percorram com alegria, certos do apoio de toda a Igreja, que deposita em vocês tanta confiança. Maria, a discípula perfeita, os acompanha: é bonito sentir que ela é a nossa Mãe na fé! Convido vocês a manterem o entusiasmo dos momentos que os fizeram abrir os olhos à luz da fé; a recordar, assim como o discípulo amado, o dia e a hora em que pela primeira vez vocês sentiram Jesus, Seu olhar sobre vocês. E assim, terão sempre certeza do amor fiel do Senhor. Ele nunca os trairá!

Papa adverte: "Atletas não podem ser mercadorias"

Cidade do Vaticano, 23.novembro.2013 (RV) – Na manhã de sábado, 23, o Papa deixou a sua residência, na Casa Santa Marta, e recebeu na Sala Clementina do Palácio Apostólico, um grupo de delegados dos Comitês Olímpicos Europeus.

Dirigindo-se a eles, Francisco enalteceu a prática esportiva, que “estimula a uma saudável superação de si mesmos e dos egoísmos, treina ao espírito de sacrifício e favorece a lealdade nas relações internacionais, a amizade e o respeito das regras”

O Papa ressaltou a capacidade de o esporte unir as pessoas, favorecendo o diálogo e o acolhimento: “uma grande riqueza!”, exclamou, explicando que isto é possível porque a linguagem esportiva é universal, pois ultrapassa confins, línguas, raças, religiões e ideologias.

“É típico da atividade esportiva unir e não dividir! Os cinco anéis do símbolo dos Jogos Olímpicos representam o espírito de fraternidade que deve caracterizar o evento e as competições esportivas em geral”.

Em seguida, o Pontífice alertou: “Quando o esporte é visto unicamente com critérios econômicos ou da ‘vitória a qualquer custo’, corre-se o risco de reduzir os atletas a simples mercadorias com as quais lucrar. Os próprios atletas entram num mecanismo que os engole; perdem o real sentido de sua atividade, a alegria de jogar que os atraiu na juventude e que os levou a fazer tantos sacrifícios e a se tornarem campeões. O esporte é harmonia, mas quando se transforma numa corrida desmedida pelo dinheiro e o sucesso, tal harmonia se rompe”.

O Papa chamou a atenção dos dirigentes olímpicos para seu dever de favorecer a função educativa do esporte. “É preciso formar atletas animados pela retidão, pelo rigor moral e a responsabilidade”, frisou.

O encontro terminou com a benção do Papa ao trabalho, às famílias e a todos os atletas que participarão dos Jogos.

Os idosos, protagonistas na Igreja. Assegurar os devidos cuidados, em atitude de respeito: Papa, aos participantes na Conferência Internacional sobre "A Igreja ao serviço do idoso doente" (em especial, doenças neurodegenerativas) 

Os idosos são, hão-de continuar a ser, protagonistas na Igreja. São “importantes, mais ainda, indispensáveis”, pois são “portadores da memória e da sabedoria da vida, para os transmitirem aos outros” – recordou o Papa Francisco, neste sábado de manhã, encontrando-se com os participantes na XXVIII Conferência Internacional promovida pelo Conselho Pontifício para os agentes no campo da saúde. Tema deste ano: “A Igreja ao serviço do idoso doente: o cuidado das pessoas afectadas por patologias neuro-degenerativas”.

O Santo Padre recordou que “a vida humana conserva sempre o seu valor aos olhos de Deus”. O prolongamento das expectativas de vida, no século XX – observou – comporta um crescente número de pessoas a braços com patologias neuro-degenerativas, muitas vezes com a deterioração das capacidades cognoscitivas.

“É importante o apoio de ajudas e de serviços adequados, visando o respeito da dignidade, da identidade, das necessidades da pessoa assistida, mas também daqueles que a assistem, tanto familiares como agentes profissionais. O que só é possível num contexto de confiança e no âmbito de uma relação reciprocamente respeitadora”.

O Papa concluiu este encontro com uma saudação a todos os idosos, convidando-os a serem sempre testemunhas de Cristo e do Evangelho, na família, na paróquia e em todos os ambientes.


O Papa Francisco twittou nesta sexta-feira:


22/11/2013

O Reino dos Céus é para aqueles que cuja segurança está colocada no amor de Deus, não nas coisas materiais.

Papa na Santa Marta: No templo não celebramos um rito, mas adoramos a Deus

Cidade do Vaticano, 22.novembro.2013 (RV) – O templo é um lugar sagrado onde o que é mais importante não é o rito, mas a “adoração ao Senhor”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na homilia celebrada esta manhã na Casa Santa Marta. O Papa ressaltou que o ser humano, enquanto “templo do Espírito Santo”, é chamado a ouvir Deus dentro de si, a pedir-Lhe perdão e a segui-Lo.

Para a sua homilia, o Papa se inspirou no trecho litúrgico do Antigo Testamento, em que Judas Macabeu reconsagra o Templo destruído pelas guerras. “O Templo – observou o Pontífice – é o ponto de referência da comunidade, do povo de Deus”, para onde nos dirigimos por vários motivos, mas um deles em particular:

O Templo é o local onde a comunidade vai rezar, louvar o Senhor, dar graças, mas sobretudo adorar: no Templo se adora o Senhor. E este é o ponto mais importante. Isso é válido também para as cerimônias litúrgicas: o que é mais importante? Os cantos, os ritos? O mais importante é a adoração: toda a comunidade reunida olha para o altar, onde se celebra o sacrifício, e adora. Mas, eu creio – humildemente o digo – que nós cristãos talvez tenhamos perdido um pouco o sentido da adoração.

O Papa então se pergunta: “Os nossos templos são locais de adoração, a favorecem? E as nossas celebrações?”. Citando o Evangelho de hoje, Francisco recordou que Jesus expulsa os vendedores que usavam o Templo como um local de negócios, mais do que para a adoração.

Mas há outro “Templo” e outra sacralidade a considerar na vida de fé:

São Paulo nos diz que nós somos templos do Espírito Santo. Eu sou um templo. O Espírito de Deus está em mim. Neste caso, talvez não podemos falar de adoração como antes, mas de uma espécie de adoração que é o coração que busca o Espírito do Senhor dentro de si, e sabe que Deus está ali, que o Espírito Santo está dentro de si. Ele O ouve e o segue.

Certamente, a sequela de Deus pressupõe uma contínua purificação, “porque somos pecadores”, reiterou o Papa Francisco, que insistiu:

"Purificar-nos com a oração, com a penitência, com o Sacramento da reconciliação, com a Eucaristia". E assim, “nesses dois templos – o templo material, o local de adoração, e o templo espiritual dentro de mim, onde habita o Espirito Santo – a nossa atitude deve ser a piedade que adora e escuta, que reza e pede perdão, que louva o Senhor”:


E quando se fala da alegria do Templo, se fala disso: toda a comunidade em adoração, em oração, em ação de graças, em louvor. Eu na oração com o Senhor, que está dentro de mim porque eu sou ‘templo’. Eu à escuta, disponível. Que o Senhor nos conceda este verdadeiro sentido do Templo, para poder prosseguir na nossa vida de adoração e de escuta da Palavra de Deus.

Francisco: "Para algumas economias, solidariedade é 'palavrão'"

Cidade do Vaticano,22.novembro.2013 (RV) – O Papa Francisco elogiou as empresas que durante a crise reduziram sua margem de lucro em benefício dos postos de trabalho e criticou as economias nas quais a palavra ‘solidariedade’ é quase um ‘palavrão’.

Em vídeomensagem enviada ao III Festival da Doutrina Social da Igreja, celebrado até domingo em Verona (norte da Itália), o Pontífice apostou nas cooperativas como forma de gestão empresarial e advertiu que deixar de lado os jovens desempregados é “uma hipoteca para o futuro”.

“A Doutrina Social não tolera que os benefícios sejam exclusivamente de quem produz; que a questão social seja delegada ao Estado ou às operações de assistência e voluntariado... É preciso coragem, decisão e a força da fé para estar dentro do mercado, mas colocando no centro a dignidade da pessoa e não o ídolo dinheiro. A solidariedade é uma palavra-chave na Doutrina Social da Igreja”, afirmou Francisco.

O tema do Festival de Verona é “Menos desigualdades, mais diferenças” e evidencia a riqueza da pluralidade das pessoas como expressão de talentos pessoais, tomando distância da homologação que mortifica e cria desigualdade.

"Papa Francisco assegura um tempo de surpresas e novos horizontes de esperança", disse o Cardeal Ouellet ao concluir encontro continental em Guadalupe

Cidade do México (RV) - “O sinal da Nova Evangelização deve se manifestar através da solidariedade das Igrejas com sua presença nas periferias da solidão ou das misérias que afligem o Continente Americano”. Foi o que afirmou o Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), Cardeal canadense Marc Ouellet, na Missa conclusiva da Peregrinação e Encontro “Nossa Senhora de Guadalupe, Estrela da Nova Evangelização no Continente Americano”, realizada na Cidade do México, de 16 a 19 de novembro.

Na solene celebração pela “Evangelização dos Povos”, realizada na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o Cardeal recordou que o Ano da Fé, que será concluído no próximo domingo (24) foi marcado por surpresas, como "a renúncia do Papa Bento XVI, que desejou um sucessor mais jovem para exercer o ministério petrino".

“O gesto de humildade de Bento XVI – observou o Cardeal – foi seguido pela eleição do Papa Francisco, que ao iniciar a condução da barca de Pedro com mãos firmes, assegura um tempo de surpresas e novos horizontes de esperança. “Agradecemos pelos sucessores de Pedro, os bons pastores que Deus tem nos concedido”, recordando ainda as figuras dos Papas João XXIII e João Paulo II, a serem canonizados no dia 27 de abril de 2014.

“Aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe, rezemos, de todo o coração, por Francisco, o primeiro Pontífice Latino-americano”, pediu o Cardeal Ouellet, assegurando ainda que o seu pontificado seguirá surpreendendo o mundo. “Tenhamos confiança no Espírito Santo”, por uma renovação de toda a Igreja e, especialmente, a da família, exercício que compete ao próximo Sínodo dos Bispos, marcado para outubro de 2014.

Ao ver a fé e o interesse de Zaqueu, disse o cardeal, recordando a leitura do Evangelho, Jesus o chama pelo nome e, num gesto de inclusão, visita a sua casa, o que demonstra que Ele veio salvar os pecadores.

“O Papa Francisco, com seus gestos de misericórdia e palavras inesperadas, vai além do círculo limitado das fronteiras da Igreja para alcançar os indiferentes, os excluídos, incomodando quem ainda está apegado a outro estilo papal. Ele que caminha como pastor vive a Nova Evangelização. Por isso, inspiramo-nos nele”, pontuou o Cardeal.

O Cardeal Ouellet pediu então, que o “Espírito Santo fecunde os atos de fé realizados até agora e que envie novamente a todos em missão, onde for de Sua vontade”. A Nossa Senhora de Guadalupe, pediu a graça e a energia para o compromisso missionário: “Que a sua imagem seja gravada em nossos corações assim como povo está gravado nas pupilas de seus olhos. Para que possamos levar a alegria e a salvação do Evangelho para toda a América”.

Ao concluir, o Cardeal recordou os missionários que colaboraram na evangelização da América, citando Alberto Hurtado, Rosa de Lima, Frei Galvão e Kateri Tekakwitha. A exemplo deles, desejou um grande sopro missionário em toda a América, com laços profundos de evangelização nas regiões menos favorecidas. “Ao concluir o Ano da Fé, tenhamos o mesmo gesto de esperança do grito dos mártires deste povo: Viva Cristo Rei!”

"A única lâmpada acesa no sepulcro de Jesus é a esperança da mãe", disse o Papa Francisco na visita ao Mosteiro Camaldulense

Cidade do Vaticano, 21.novembro.2013 (RV) – O Papa Francisco dirigiu-se na tarde desta quinta-feira (21), ao Mosteiro de Santo Antônio Abade, das Monjas Beneditinas Camaldulenses, localizado no Aventino, uma das sete colinas de Roma. A visita insere-se na conclusão do Ano da Fé e foi realizada no ‘Dia pela vida contemplativa’, instituído em 1953 pelo Papa Pio XII como Jornada Pro orantibus.

O Santo Padre foi acolhido pela Abadessa Irmã Michela Porcellato, dirigindo-se imediatamente à igreja onde estavam reunidas 21 Monjas da Comunidade. O Pontífice presidiu a Celebração das Vésperas segundo a regra camaldulense, seguida de um momento de Adoração. Após, falou aos presentes.

Partido do Evangelho lido na oração das Vésperas, Francisco centrou sua reflexão em Maria, mulher da esperança. A palavra ‘faça-se’ - usada por Maria na expressão ‘Faça-se em mim segundo a tua Palavra’ – “não é somente uma aceitação, mas também uma abertura confiante ao futuro. Este ‘faça-se’ – disse o Papa - é esperança”.

Após recordar que “Maria é a mãe da esperança, o ícone mais expressivo da esperança cristã”, o Papa Francisco percorreu brevemente alguns momentos marcantes da sua vida, observando que “diante de todas estas dificuldades e surpresas do projeto de Deus, a esperança da Virgem não vacilou nunca! Mulher de esperança! Isto nos diz que a esperança nutre-se da escuta, da contemplação, da paciência, para que os tempos de Deus amadureçam”.

Ao recordar o momento em que Maria estava aos pés da Cruz, o Santo Padre observou que ela “é a mulher da dor e ao mesmo tempo da vigilante espera de um mistério, maior que a dor, que está para se cumprir. Tudo parece ter acabado, se poderia dizer que toda esperança apagou-se”, e acrescentou: “Também ela, naquele momento, poderia ter exclamado, recordando as promessas da Anunciação: ‘Isto não é verdade! Fui enganada!”.

“Mas ela é bem-aventurada porque acreditou e desta fé vê nascer um futuro novo e aguarda com esperança o amanhã de Deus”. E então dirigiu-se ao presentes perguntando:

“Nós sabemos esperar o amanhã de Deus ou queremos o hoje, o hoje, o hoje? O amanhã de Deus é para Ele o amanhecer daquele dia, do primeiro da semana. Nos fará bem pensar, na contemplação, ao abraço do filho com a mãe. A única lâmpada acesa no sepulcro de Jesus é a esperança da mãe, que naquele momento é a esperança de toda a humanidade. Me pergunto e também a vocês: nos Mosteiros esta lâmpada ainda está acesa? Nos mosteiros se espera o amanhã de Deus?”.

O Papa Francisco conclui sua reflexão dizendo que “devemos muito a esta Mãe! Nela, presente em cada momento na história da salvação, vemos uma testemunha sólida de esperança. Que ela, mãe da esperança, nos sustente nos momentos de escuridão, de dificuldade, de desconforto, de aparente derrota, nas verdadeiras derrotas humanas”.

Ao final da Celebração das Vésperas, o Papa encontrou a Comunidade das Monjas na Sala Capitular, retornando a seguir para o Vaticano.

Tweet do Papa:

21/11/2013
Ser Santo não é um privilégio de poucos, mas uma vocação para todos.

Vaticano: Papa recebe comunidade filipina

Cidade do Vaticano, 21.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco encontrou-se na tarde desta quinta-feira, na Basílica de São Pedro, com a Comunidade Filipina que vive em Roma, por ocasião da bênção do mosaico de São Pedro Calungsod, catequista filipino e mártir, canonizado pelo Papa Bento XVI em 21 de outubro de 2012.

Em seu discurso, o Santo Padre recordou a tragédia do ciclone Haiyan. "Acontecem eventos trágicos, como o tufão nas Filipinas, que não têm explicações. Nesses momentos de sofrimento, precisamos fazer como as crianças que não se cansam de perguntar o por que das coisas", disse Francisco que acrescentou:

"Quando as crianças começam a crescer não entendem as coisas e começam a fazer perguntas para o pai ou para a mãe: Papai, por quê? Por quê? Por quê? Porque a criança não entende. Se estivermos atentos, veremos que a criança não espera a resposta de seu pai ou sua mãe. A criança precisa naquela insegurança que o pai e a mãe olhem para ela. Precisa do olhar de seus pais. Precisa do coração de seus genitores."

"Nesses momentos de dor não se cansem de perguntar a Deus o por quê. Assim, vocês atrairão o olhar de nosso Pai sobre seu povo. Vocês atrairão a ternura do Pai do Céu sobre vocês, como fazem as crianças", frisou Francisco.

"Eu acompanho vocês nessa oração do por quê", disse o Papa.


Antes do discurso do Santo Padre, o Arcebispo de Manila, Cardeal Luis Antonio Tagle, recordou São Pedro Calungsod e falou sobre devastação provocada pelo tufão que flagelou as Filipinas.

"O povo permaneceu firme na fé, movido pela oração e solidariedade. Vemos a fé surgir das ruínas. A esperança que surgiu da calamidade não pode ser destruída. Vemos o amor que é mais forte do que terremotos e tufões", concluiu o purpurado.



O relato da apresentação da Virgem Maria no Templo se baseia principalmente no proto–evangelho de Tiago, que tem sido datado pelos historiadores em por volta de 200 d.C. A história relata que para agradecer o nascimento da filha, Maria, Joaquim e Ana decidiram consagrá-la a Deus e a levaram, aos três anos, para o Templo em Jerusalém. A apresentação de Maria traça paralelos com a do profeta Samuel, cuja mãe, Ana (Hannah), como Sant'Ana, também acreditava ser estéril e ofertou o filho como presente a Deus em Siló.

Maria permaneceu no Templo até os doze anos. De acordo com a tradição copta, São Joaquim morreu quando Maria tinha seis anos de idade e sua mãe, Santa'Ana, quando ela tinha oito. Ainda que sem nenhum fundamento histórico, a tradição serve para demonstrar que Maria, mesmo na infância, já estava completamente dedicada a Deus. É deste relato que que surgiu a festa da Apresentação da Virgem Maria.

A festa teria surgido como resultado da dedicação da Basílica de Santa Maria, a Nova, construída em 543 pelos bizantinos e patrocinada pelo imperador Justiniano I perto do local do arruinado Templo de Jerusalém. Esta basílica foi destruída pelos persas sassânidas de Cosroes II após a conquista de Jerusalém em 614. A primeira celebração da festa documentada em um calendário é a menção à "Εἴσοδος τῆς Παναγίας Θεοτόκου" ("Entrada da Mais Sagrada"[no Templo]) no Menológio de Basílio II, um menológio do século XI do imperador Basílio II Bulgaróctone.

A festa continuou a ser celebrada por todo o oriente, com ocorrências também em mosteiros do sul da Itália no século IX e foi introduzida na nova capela papal em Avinhão em 1372 por decreto do papa Gregório IX. Ela finalmente foi incluída no Missal Romano em 1472, mas acabou suprimida por Pio V em 1568 e, por isso, não aparece no Calendário tridentino. O papa Sisto V reintroduziu-a no calendário romano em 1585 e Clemente VIII fez dela uma um festa dupla maior em 1597 . Ela continua como um memorial no Calendário Romano de 1969.

A Igreja Ortodoxa comemora a Apresentação de Maria em 21 de novembro como uma de suas Doze Grandes Festas. Para as igrejas que ainda seguem o calendário juliano, a data cai em 4 de dezembro. Contudo, independente disto, ela sempre cai durante o Jejum da Natividade mas, no dia da festa, as regras do jejum são flexibilizadas para que peixe, vinho e óleo possam ser consumidos.

Para a Igreja Católica, no dia da Apresentação de Maria, "nós celebramos a dedicação de si própria que Maria fez a Deus desde a sua tenra infância sob a inspiração do Espírito Santo, que preencheu-a com sua graça..."

No dia 21 de novembro de 1964 que o Papa Paulo VI, na clausura da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II, consagrou o mundo ao Coração de Maria e declarou Nossa Senhora Mãe da Igreja.

Também o Papa Paulo VI, em sua encíclica de 1974, Marialis Cultus, escreveu que "apesar de seu conteúdo apócrifo, [a história da Apresentação] apresenta elevados e exemplares valores e avança veneráveis tradições de origem nas igrejas orientais".
Fonte: Wikipédia

Santo Padre encoraja cristãos na Terra Santa: sejam testemunhas da paz e misericórdia

Jerusalém, 21.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem ao Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, encorajando os cristãos na Terra Santa a serem testemunhas da paz, da alegria e da misericórdia de Deus.

No documento enviado por ocasião do encerramento do Ano da Fé na terra de Jesus, o Santo Padre "agradece aos cristãos pelo zelo fiel dos lugares sagrados e seu testemunho no anúncio do Evangelho. Asseguro-lhes minha oração e agradeço a Deus por sua fé e perseverança".

"Este ano, nos deu a possibilidade de refletir sobre o mistério da fé e a santidade de Deus, partilhada conosco em Jesus Cristo. Fazemos isso como pecadores, conscientes de nossa indignidade, mas cada vez mais agradecidos pela misericórdia de Deus", destaca o Papa na mensagem.

O Santo Padre sublinha ainda que "a história de nossa fé encontra suas origens nesta terra. Antes de entender a nossa história pessoal de fé e a nossa necessidade da misericórdia de Deus, devemos voltar ao tempo e ao lugar em que Jesus caminhou entre nós, onde Ele assumiu a nossa natureza humana e nos revelou o Pai".

"Foi nessa terra que Jesus ensinou aos seus apóstolos e discípulos, viveu as alegrias e sofrimentos, as bênçãos e as dificuldades da vida humana e o amor. Foi nesse lugar que Ele nos doou sua Paixão, Morte e Ressurreição e nos garantiu a vida eterna", disse ainda Francisco.

As celebrações conclusivas do Ano da Fé na Terra Santa se realizaram no último domingo. Sete mil pessoas se reuniram em Nazaré, no Monte do Precipício, para a missa celebrada pelo Patriarca Twal.

Ano da Fé entra na reta final

Cidade do Vaticano (RV) - Estamos chegando na reta final do Ano da Fé. Iniciado em 11 de outubro de 2012, ele vai se concluir oficialmente no dia 24 deste mês.

A Carta Apostólica “Porta Fidei”, com a qual Bento XVI convocou este ano, nos acompanhou durante todo o percurso.

Na iminência de concluir este “Ano da Fé” – nota o Bispo de Jales (SP), Dom Demétrio Valentini, nos damos conta que a palavra “porta” se presta bem, não só para celebrar um ano, mas para designar o novo espírito, a nova postura, o novo clima de relacionamento e de confiança, trazido para dentro da Igreja, muito além das expectativas iniciais do Ano da Fé.

"Vivemos agora sob o signo da porta aberta. Se Bento 16, com a promulgação do Ano da Fé usou as chaves de Pedro para abrir de novo a porta da fé, o Papa Francisco veio escancarar todas as portas.

De fato, a Igreja é desafiada hoje a abrir as portas, sem receio de ser invadida e perder sua identidade. Ao contrário, a Igreja se sente desafiada a acolher todos os clamores que surgem das situações concretas. A Igreja se vê na obrigação, como portadora do Evangelho, de ter para com todas as pessoas uma palavra de ânimo, de esperança, e da certeza do amor de Deus."

E nada melhor do que a paróquia para abrir as portas à comunidade, através da catequese. Para o Arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto, a palavra-chave deste Ano foi “revitalizar”.

CNBB e Cáritas lançam campanha para apoio emergencial às Filipinas
Informações bancárias para ajudar o povo filipino


Brasília, 20 de Novembro de 2013 (Zenit.org)

Em consonância com a campanha emergencial lançada pela Caritas Internationalis ao povo filipino, a Rede Cáritas Brasileira e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançam uma campanha emergencial de arrecadação de recursos em solidariedade aos afetados pelo supertufão 'Haiyan' que devastou o arquipélago filipino na última sexta-feira (8).

De acordo com o governo local 3.976 pessoas foram mortas, 2.582 feridas e 82 estão desaparecidas. Os números podem ainda subir, pois, de acordo com relatório enviado pela Cáritas Filipinas, as operações de busca continuam e as comunicações estão se reestabelecendo. Em Tacloban, cidade localizada na ilha de Leyte, as tempestades provocaram ondas de até nove metros de altura e número de vítimas pode chegar a 1.200 , com 95 % da cidade  destruída.

Ainda conforme o relatório, um total de 6.937.229 pessoas teriam sido afetadas em 39 províncias. Deste número, cerca de 286.433 estão em centros de evacuação, enquanto 305.298 optam por ficar fora desses centros.

A Rede Cáritas Internacional está em pleno processo de mobilização. A Cáritas Filipinas e a igrela local, por meio das dioceses e das paróquias das áreas mais afetadas, estão arrecadando e distribuindo alimentos. Em breve, 18 mil tendas serão distribuidas para abrigos temporários.

Os recursos arrecadados pela campanha emergencial no Brasil serão destinados à Cáritas Filipinas que serão revertidos, nesse primeiro momento, em utensílios de primeira necessidade como comida, água potável e produtos de higiene pessoal. Após esta primeira etapa, os recursos serão destinados para apoiar a reconstrução do país.

Você pode contribuir com o povo filipino.

Banco do Brasil
Agência: 3475-4
Conta Corrente: 29368-7

Caixa Econômica Federal
Agência: 1041
Conta Corrente: 832-0
Operação: 003

Bradesco
Agência: 0606
Conta Corrente: 66000-0

Para DOC e TED, o CNJP da Cáritas Brasileira é 33654419/0001-16

Da cidade de Tacloban, Rey Barnido, membro da Cáritas Filipinas que está presente no local atingido informou que "o hospital regioanal está superlotado de pacientes que precisam de ajuda. Existem mortos por todas as partes. Não há água e nem energia. Os voluntários estão trabalhando para amenizar essa situação. É como se tivessem lançado bombas nucleares."

Equipes de Cáritas chegam a Leyte de barco

Uma equipe da Cáritas Filipinas e membros da Caritas Internationalis presentes na região chegaram nesta segunda-feira (11) a ilha de Leyte para avaliar as necessidades mais urgentes. A Cáritas está no local para a avaliação de danos em várias dioceses pertencentes da Arquidiocese de Palo (em Leyte), a Borongan (em Samar Oriental), ao Vicariato Apostólico de Calapan e a São José Mindoro.

Água potável, produtos de higiene e limpeza, alimentos, remédios e abrigos, são, segundo o governo filipino, as prioridades imediatas, assim como a retirada dos escombros e o restabelecimento das comunidades.

A Cáritas está coordenando seus esforços de ajuda com a colaboração das dioceses próximas com capacidade para fornecer os suprimentos de emergência.

O ESCÂNDALO DA CORRUPÇÃO

Dom Fernando Arêas Rifan*
 
Já falamos no assunto. Mas como a corrupção é um dos piores crimes, disseminada por toda a parte, o Papa Francisco voltou a tratar do assunto na semana passada.
 

Ainda quando Cardeal, o Papa falava de uma corrupção que é “o joio do nosso tempo”. E o pior: “o corrupto não percebe sua corrupção. Ocorre como com o mau hálito: dificilmente aquele que tem mau hálito o percebe. Os outros é que o sentem e têm que lhe dizer. Por isso, também, dificilmente o corrupto pode sair de seu estado por remorso interno. Seu bom espírito dessa área está anestesiado”. Falando agora, o Papa diferencia a corrupção do simples pecado. Segundo ele, “aquele que peca e se arrepende, pede perdão, se sente frágil, se sabe filho de Deus, se humilha e pede a salvação a  Jesus”. Mas quem é corrupto, “escandaliza”, não pelas suas culpas, mas porque “não se arrepende”, “continua a pecar e, mesmo assim, finge que é cristão”. É alguém que leva, enfim, uma “vida dupla”. E isso “faz muito mal” para a Igreja, para a sociedade e para o próprio homem.

“É inútil que alguém diga ‘Eu sou um benfeitor da Igreja! Eu coloco a mão no bolso e ajudo a Igreja’, se depois, com a outra mão, rouba do Estado, rouba dos pobres”. E o Papa recorda a afirmação de Jesus no Evangelho: “Mais vale a esse que lhe pendurem uma pedra de moinho ao pescoço e seja lançado ao mar!”. “Aqui não se fala de perdão”, observa o papa, o que esclarece ainda mais a diferença entre corrupção e pecado. Jesus “não se cansa de perdoar” e nos exorta a perdoar até sete vezes por dia o irmão que se arrepende. No mesmo Evangelho, porém, Cristo adverte: “Ai daquele que provoca escândalos!”. Jesus “não está falando de pecado, mas de escândalo, que é outra coisa”, ressalta o papa. Quem escandaliza engana, e “onde há engano não há o Espírito de Deus. Esta é a diferença entre o pecador e o corrupto”: quem leva “vida dupla é corrupto”; quem “peca, mas gostaria de não pecar”, é apenas “fraco”: este “recorre ao Senhor” e pede perdão. “Deus o ama, o acompanha, está com ele”.

Todos nós “devemos nos reconhecer pecadores. Todos nós”. Mas “o corrupto está amarrado a um estado de suficiência, não sabe o que é a humildade”. Jesus chamava esses corruptos de “hipócritas”, ou, pior ainda, de “sepulcros caiados”, que parecem “bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão. Uma podridão envernizada: esta é a vida dos corruptos. E um cristão, que se gaba de ser cristão, mas que não leva vida de cristão, é um desses corruptos”.

“Nós todos conhecemos alguém que está nesta situação: cristãos corruptos, padres corruptos... Quanto mal eles causam à Igreja, porque não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito do mundanismo”. Mundanismo é um perigo a respeito do qual São Paulo já alertava os cristãos de Roma, escrevendo: “Não se conformem com a mentalidade deste mundo”. E, comenta o Papa: “Na verdade, o texto original é mais forte, porque nos diz para não entrarmos nos esquemas deste mundo, nos parâmetros deste mundo, ou no mundanismo espiritual”.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                                                                                                                                               http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Os sacerdotes são instrumentos da misericórdia infinita de Deus – o Papa na audiência geral afirmou que os fieis têm o direito de encontrar nos sacerdotes servidores do perdão de Deus

Depois de uma noite de chuva intensa, Roma acordou para uma manhã cinzenta e com mais um banho de multidão na Praça de São Pedro para o Papa Francisco. O Santo Padre prosseguiu hoje a sua catequese sobre a “remissão dos pecados”, fazendo referência ao “poder das chaves” que é um símbolo bíblico da missão que Jesus deu aos Apóstolos.

Texto completo da catequese do Papa:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada falei da remissão dos pecados, referida de modo particular ao Batismo. Hoje prosseguimos no tema da remissão dos pecados, mas em referência ao chamado “poder das chaves”, que é um símbolo bíblico da missão que Jesus deu aos Apóstolos.

Antes de tudo, devemos recordar que o protagonista do perdão dos pecados é o Espírito Santo. Em sua primeira aparição aos Apóstolos, no cenáculo, Jesus ressuscitado fez o gesto de assoprar sobre eles dizendo: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). Jesus, transfigurado em seu corpo, agora é homem novo, que oferece os dons pascoais frutos da sua morte e ressurreição. Quais são estes dons? A paz, a alegria, o perdão dos pecados, a missão, mas, sobretudo, doa o Espírito Santo que de tudo isto é a fonte. O sopro de Jesus, acompanhado das palavras com as quais comunica o Espírito, indica o transmitir a vida, a vida nova regenerada pelo perdão.

Mas antes de fazer o gesto de soprar e doar o Espírito Santo, Jesus mostra as suas chagas, nas mãos e no peito: estas feridas representam o preço da nossa salvação. O Espírito Santo nos traz o perdão de Deus “passando através” das chagas de Jesus. Estas chagas que Ele quis conservar; também neste momento Ele no Céu faz ver ao Pai as chagas com as quais nos redimiu. Pela força dessas chagas, os nossos pecados são perdoados: assim Jesus deu a sua vida pela nossa paz, pela nossa alegria, pelo dom da graça na nossa alma, pelo perdão dos nossos pecados. É muito belo olhar assim para Jesus!

E chegamos ao segundo elemento: Jesus dá aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados. É um pouco difícil entender como um homem pode perdoar os pecados, mas Jesus dá este poder. A Igreja é guardiã do poder das chaves, de abrir ou fechar ao perdão. Deus perdoa cada homem em sua soberana misericórdia, mas Ele mesmo quis que quantos pertencem a Cristo e à Igreja recebam o perdão mediante os ministros da comunidade. Através do ministério apostólico, a misericórdia de Deus me alcança, as minhas culpas são perdoadas e me é dada a alegria. Deste modo, Jesus nos chama a viver a reconciliação também na dimensão eclesial, comunitária. E isto é muito bonito. A Igreja, que é santa e ao mesmo tempo necessitada de penitência, acompanha o nosso caminho de conversão por toda a vida. A Igreja não é mestre do poder das chaves, mas é serva do ministério da misericórdia e se alegra todas as vezes que pode oferecer este dom divino.

Tantas pessoas talvez não entendem a dimensão eclesial do perdão, porque domina sempre o individualismo, o subjetivismo, e também nós cristãos somos afetados por isso. Certo, Deus perdoa cada pecador arrependido, pessoalmente, mas o cristão está ligado a Cristo, e Cristo está unido à Igreja. Para nós cristãos, há um dom a mais, e há também um compromisso a mais: passar humildemente pelo ministério eclesial. Isto devemos valorizar; é um dom, uma cura, uma proteção e também é a segurança de que Deus me perdoou. Eu vou até o irmão sacerdote e digo: “Padre, fiz isto…”. E ele responde: “Mas eu te perdoo; Deus te perdoa”. Naquele momento, eu estou seguro de que Deus me perdoou! E isto é belo, isto é ter a segurança de que Deus nos perdoa sempre, não se cansa de perdoar. E não devemos nos cansar de ir e pedir perdão. Pode-se ter vergonha de dizer os pecados, mas as nossas mães e as nossas avós diziam que é melhor ficar vermelho uma vez que amarelo mil vezes. Fica-se vermelho uma vez, mas são perdoados os pecados e se segue adiante.

Enfim, um último ponto: o sacerdote instrumento para o perdão dos pecados. O perdão de Deus que vem dado na Igreja é transmitido por meio do ministério de um irmão nosso, o sacerdote; também ele um homem que como nós precisa de misericórdia, torna-se verdadeiramente instrumento de misericórdia, doando-nos o amor sem limites de Deus Pai. Também os sacerdotes precisam se confessar, mesmo os bispos: todos somos pecadores. Também o Papa se confessa a cada 15 dias, porque também o Papa é um pecador. E o confessor ouve as coisas que eu lhe digo, aconselha-me e me perdoa, porque todos precisamos deste perdão. Às vezes se ouve alguém dizer que se confessa diretamente com Deus… Sim, como disse primeiro, Deus te escuta sempre, mas no sacramento da Reconciliação envia um irmão para levar o perdão a você, a segurança do perdão, em nome da Igreja.

O serviço que o sacerdote presta como ministro, por parte de Deus, para perdoar os pecados é muito delicado e exige que o seu coração esteja em paz, que o sacerdote tenha o coração em paz; que não maltrate os fiéis, mas que seja brando, benevolente e misericordioso; que saiba semear esperança nos corações e, sobretudo, seja consciente de que o irmão ou a irmã que se aproxima do sacramento da Reconciliação procura o perdão e o faz como tantas pessoas se aproximavam de Jesus para que as curasse. O sacerdote que não tenha esta disposição de espírito é melhor que, até que se corrija, não administre este Sacramento. Os fiéis arrependidos têm o direito, todos os fiéis têm o direito de encontrar nos sacerdotes servos do perdão de Deus.

Queridos irmãos, como membros da Igreja, somos conscientes da beleza deste dom que o próprio Deus nos oferece? Sentimos a alegria desta cura, desta atenção materna que a Igreja tem conosco? Sabemos valorizá-la com simplicidade e assiduidade? Não nos esqueçamos de que Deus não se cansa nunca de nos perdoar; mediante o ministério do sacerdote nos dá um novo abraço que nos regenera e nos permite levantar e retomar o caminho. Porque esta é a nossa vida: levantar-se continuamente e retomar o caminho.


No final da audiência o Santo Padre recordou o dia 21 de novembro, memória litúrgica da Apresentação de Maria Santíssima no Templo, em que se celebra a Jornada Pro Orantibus, dedicada às comunidades religiosas de clausura. Para elas o Santo Padre dirigiu o seu pensamento e oração.
Por sua vez, no dia 22 comemora-se o Dia Internacional do Mundo Rural sob o alto patrocínio das Nações Unidas. O Santo Padre sublinhou os enormes benefícios que a família dá ao crescimento econômico, social, cultural e moral da inteira comunidade humana.

O Papa Francisco recordou e rezou também pelas vítimas do ciclone na Sardenha que nos últimos dias deixou um rasto de destruição naquela ilha italiana.

Como habitualmente a audiência geral terminou em ritmo de oração com o "Pai Nosso" e com a benção do Santo Padre.

Há poucas horas o Papa Francisco twittou de novo:

19/11/2013
Profundamente comovido pela tragédia terrível que atingiu a Sardenha, peço a todos que rezem pelas vítimas, especialmente para as crianças.

Tweet do Papa Franscisco na tarde desta terça-feira:

19/11/2013
Os Santos não são super-homens. São pessoas que têm o amor de Deus no coração, e transmitem esta alegria aos outros.

"Avós, tesouro para a sociedade": a homilia do Papa

Cidade do Vaticano, 19.novembro.2013 (RV) – “Um povo que não respeita os avós é um povo sem memória e consequentemente, sem futuro”. Este foi o ensinamento proposto pelo Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de terça-feira, 19, na Casa Santa Marta.

O Papa comentou o episódio bíblico de Eleazar, o idoso que optou pelo martírio em coerência com sua fé em Deus e para dar um testemunho de retidão aos jovens. Diante da escolha entre a apostasia e a fidelidade, não teve dúvidas e pensou que seu gesto de coragem poderia ser um exemplo para os mais jovens:

“Vivemos numa época em que os idosos não contam. É triste admitir, mas nós os ‘descartamos’ porque incomodam. Os idosos nos trazem a história, nos transmitem a doutrina, nos mostram a fé e a deixam como herança. Como um bom vinho envelhecido, têm uma força interior que nos propicia uma nobre herança”.

Papa Francisco contou aos presentes que quando era pequeno ouviu a história de uma família de pai, mãe, filhos e um avô, que quanto tomava sopa, se sujava. Incomodado, o pai comprou uma mesinha para que o idoso passasse a comer sozinho. Ao voltar a casa, à noite, este pai encontrou seu filho construindo uma mesinha de madeira. O menino lhe explicou que ela serviria ao pai, para quando envelhecesse como o avô.

“Esta história sempre me fez tão bem, toda a vida. Os avós são um tesouro. A memória de nossos antepassados leva à imitação da fé. A velhice às vezes é feia por causa das doenças e de todo o resto, mas a sabedoria de nossos avós é a herança que recebemos. Um povo que não resguarda e não os respeita os avós não tem futuro porque perde a memória”.

Enfim, o Papa Francisco recomendou que pensemos nos idosos e idosas que moram em casas de repouso e também nos muitos anciãos que foram abandonados por suas famílias. “Eles são um tesouro para nossa sociedade”, frisou, pedindo:

“Rezemos por nossos avós e avôs que muitas vezes tiveram um papel heróico na transmissão da fé em tempos de perseguição. Quando nossos pais não estavam em casa, ou tinham idéias estranhas como as que a política ensinava naquela época, foram as avós a nos transmitir a fé. O quarto mandamento, lembrou o Papa, é o único que promete algo em troca: é o mandamento da piedade. Peçamos hoje aos velhos Santos Simão, Ana, Policarpo e Eleazar a graça de proteger, escutar e venerar os nossos antepassados, nossos avós”.

Esta foi a mensagem que o Papa Francisco deixou em seu Twitter nesta segunda-feira à noite:

18/11/2013
Confessar os nossos pecados custa-nos um pouco, mas traz-nos a paz. Nós somos pecadores, e precisamos do perdão de Deus.

No próximo domingo, no encerramento do Ano da Fé, Papa Francisco entregará Exortação Apostólica "A alegria do Evangelho" (Evangelii gaudium)

Na Missa a que presidirá domingo, dia 24, na Praça de São Pedro, para encerrar o Ano da Fé, Papa Francisco fará a entrega da Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”. Se Bento XVI tinha publicado, em outubro de 2011, a Carta Apostólica “Porta fidei”, a ilustrar as razões e objectivos da iniciativa que agora chega a termo, o novo texto papal deverá antes relançar as conclusões da assembleia do Sínodo dos Bispos, de outubro do ano passado, sobre “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

Nesta celebração de domingo participam especialmente uns 500 catecúmenos, de 47 diferentes nacionalidades, dos quatro cantos do mundo, da China e Mongólia à Rússia, do Egipto e Marrocos a Cuba. Os responsáveis do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização (que coordenaram também as iniciativas, em Roma, do Ano da Fé), ilustraram segunda-feira, em conferência de imprensa, os principais momentos que o caracterizaram e os acontecimentos desta última semana. D. Rino Fisichella (foto), presidente daquele dicastério romano, referiu os mais de oito milhões e meio de peregrinos que ao longo destes doze meses rezaram junto do túmulo de São Pedro. Um pequeno dado, apenas, da multiplicidade de iniciativas que decorreram em todo o mundo, neste Ano da Fé. Na celebração deste próximo domingo, o Santo Padre fará a entrega simbólica da “Alegria do Evangelho” a 36 pessoas, de 17 diferentes países, representando a diversidade de situações no interior da Igreja e na sociedade: um bispo, um padre e um diácono; um religioso e uma religiosa; um seminarista e uma noviça; uma família; pessoas recentemente crismadas; catequistas; jovens; representantes de confrarias e de movimentos eclesiais; e finalmente, dois artistas (um escultor japonês e uma pintora polaca) e dois jornalistas. A um invisual, o Papa entregará a Exortação Apostólica em versão auditiva – um CD-rom.

Em Roma, nestes dias, de sublinhar a visita que o Papa fará ao Mosteiro das Monjas Camaldolesas, na colina do Aventino, na tarde de quinta-feira, 21 de novembro, Dia “Pro orantibus”, Jornada das Religiosas de Clausura. O Santo Padre deter-se-á em oração com aquelas religiosas, rezando Vésperas, que integrarão um tempo de adoração eucarística. Sábado, de tarde, na basílica de São Pedro, Papa Francisco terá um encontro com os catecúmenos, acompanhados dos respectivos catequistas. No âmbito de uma liturgia da Palavra, o Santo Padre falará do significado da vida nova em Cristo e do ser discípulo seu. Realizará também o rito de admissão ao Catecumenado de novos candidatos ao Baptismo. Na missa de domingo, na Praça de São Pedro (esperando que não chova), participarão os Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas (católicas) de rito e tradição oriental que tomam parte esta semana, no Vaticano, na Assembleia plenária da Congregação para as Igrejas Orientais, que tem como tema “A situação dos Cristãos orientais” (tendo presentes três áreas – Médio Oriente, Europa oriental e Índia, e as respectivas comunidades da diáspora). Estes Patriarcas e Arcebispo terão um encontro com o Papa na quinta-feira de manhã.

Entretanto entrou em funções o novo Secretário de Estado, D. Pietro Parolin, ao qual um inesperado problema de saúde tinha impedido de participar, a 15 de outubro, na cerimónia da passagem de responsabilidades da parte do cardeal Tarcisio Bertone, com a participação do Papa. Operado de urgência em Pádua, D. Parolin regressou a Roma ao fim de um mês de convalescença. Fica a morar com o Papa Francisco na Casa de Santa Marta. Já nesta segunda-feira exerceu as suas funções recebendo o primeiro-ministro das Bahamas, que acabava de ser recebido pelo Papa (foto 2).



Deus nos salve do espírito mundano – o Papa na missa desta segunda-feira reafirmou que a fidelidade ao Senhor não se negocia.

Há uma ameaça que percorre o mundo. É a «globalização da uniformidade hegemónica» caracterizada pelo «pensamento único», através da qual, em nome de um progressismo que depois se revela imaturo, não hesita em negar as próprias tradições e identidade. O que nos deve consolar é que diante de nós está sempre o Senhor fiel à sua promessa, que nos espera, ama e protege. Nas suas mãos iremos seguros pelo caminho. Foi esta a reflexão proposta pelo Papa Francisco, na manhã de segunda-feira, 18 de Novembro, durante a missa em Santa Marta. Concelebrou o arcebispo Pietro Parolin, secretário de Estado, que hoje iniciou o seu serviço no Vaticano.

O Pontífice iniciou a sua reflexão comentando a leitura tirada do primeiro livro dos Macabeus (1, 10-15; 41-43; 54-57; 62-64) «uma das páginas mais tristes da Bíblia», comentou, na qual se fala sobre «uma boa parte do povo de Deus que prefere afastar-se do Senhor diante de uma proposta de mundanidade». Trata-se, notou o Papa, de uma atitude típica da «mundanidade espiritual que Jesus não queria para nós. A tal ponto que pediu ao Pai a fim de que nos salvasse do espírito do mundo».

Esta mundanidade nasceu de uma raiz perversa «de homens insensatos capazes de uma persuasão inteligente: “Vamos e façamos aliança com os povos que nos circundam. Não podemos ficar isolados” nem parados nas nossas velhas tradições. “Façamos alianças porque desde quando nos afastámos deles aconteceram-nos muitos males”». Este modo de raciocinar, recordou o Papa, foi considerado bom e alguns tomaram «a iniciativa e foram ter com o rei, a negociar com o rei». Acrescentou, «estavam entusiasmados, acreditavam que com isto a nação, o povo de Israel se tornaria um grande povo». Certamente, frisou o Pontífice, não se questionaram se era justo ou não assumir esta atitude progressista, entendida como um ir em frente a qualquer preço. Aliás, diziam: «Não nos fechemos. Sejamos progressistas». Como acontece hoje, disse o bispo de Roma, com o afirmar-se do que definiu «o espírito do progressismo imaturo», segundo o qual, diante de qualquer escolha, pensamos que contudo é melhor ir em frente do que permanecer fiel às próprias tradições. «Estas pessoas – prosseguiu o Papa, voltando à narração bíblica – negociaram com o rei. Mas não negociaram hábitos... negociaram a fidelidade ao Deus sempre fiel. E isto chama-se apostasia. Os profetas, em relação à fidelidade, chamaram adultério, um povo adúltero. Jesus diz: «geração adúltera e malvada» que negocia uma coisa essencial ao próprio ser, a fidelidade ao Senhor». Talvez não negociem alguns valores, aos quais não renunciam; mas trata-se de valores, frisou o Pontífice, que no final são tão esvaziados de sentido que ficam só «valores nominais, não reais».

Mas, de tudo isto, depois pagamos as consequências. Ao referir-se à narração bíblica o Pontífice recordou que seguiram «os hábitos dos pagãos» e aceitaram a ordem do rei que «prescreveu que no seu reino todos formassem um só povo e que cada um abandonasse os próprios costumes». E certamente não se tratava, disse o Papa, da «globalização boa» que se exprime «na unidade de todas as nações», que contudo conservam os próprios costumes. Aquela de que se fala na narração é, ao contrário, a «globalização da uniformidade hegemónica». O «pensamento único, fruto da mundanidade».

Depois de ter recordado as consequências para aquela parte do povo de Israel que tinha aceite este «pensamento único» e cometia gestos sacrílegos, o Papa Francisco frisou que atitudes semelhantes ainda acontecem «porque o espírito de mundanidade também hoje nos leva a esta vontade de ser progressistas, ao pensamento único». Aliás: como acontecia então, quando quem era descoberto em posse do livro da aliança era condenado à morte, também hoje acontece assim em diversas partes do mundo «como lemos nos jornais nestes meses».

Negociar a própria fidelidade a Deus é como negociar a própria identidade. E a tal propósito o Pontífice recordou o livro Lord of the World de Robert Hugh Benson, filho do arcebispo de Canterbury Edward White Benson, no qual o autor fala do espírito do mundo e «como se fosse quase uma profecia, imagina o que acontecerá. Este homem converteu-se ao catolicismo e isto fez-lhe muito bem. Viu exactamente aquele espírito da mundanidade que nos leva à apostasia». Fará bem também a nós, sugeriu o Pontífice, pensar no que narrou o livro dos Macabeus, no que aconteceu, passo a passo, se decidirmos seguir o «progressismo imaturo» e fazer o que todos fazem. Far-nos-á bem também pensar no que aconteceu depois, na história sucessiva às «condenações à morte, aos sacrifícios humanos» que se seguiram. E perguntou: «Pensais que hoje não se fazem sacrifícios humanos?», respondendo: «Fazem-se muitos, muitos. E há leis que os protegem».

O que nos deve consolar, concluiu o Pontífice, é que «diante do caminho marcado pelo espírito do mundo, pelo príncipe deste mundo», um caminho de infidelidade, «sempre permanece o Senhor que nunca se nega a si mesmo, o fiel. Ele espera-nos sempre; ama-nos muito» e está pronto a perdoar-nos, até quando damos um pequeno passo neste caminho, e a tomar-nos pela mão, como fez com o seu povo dilecto para o tirar do deserto.

Card. Bergoglio antes do Conclave: "Impossível que me elejam"

Cidade do Vaticano, 16.novembro.2003 (RV) – Desde o dia em que soube da renúncia de Bento XVI, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio tinha a sensação de que a sua vida poderia mudar repentinamente, mas seu lado racional lhe dizia que seria impossível ser eleito, pois havia apresentado a sua renúncia ao cargo de Arcebispo de Buenos Aires por limite de idade, já que havia completado 75 anos e estava a ponto de aposentar-se.

Quem conta estes detalhes é a amiga de Bergoglio e jornalista argentina Elisabetta Pique’, no capítulo do seu livro “Francisco, vida e revolução”, antecipado pelo L’Osservatore Romano. No livro, é contada “a conversa premonitória” do futuro Papa Francisco, na manhã de 11 de fevereiro, com o Padre Alejandro Russo, Reitor da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, que se encontraram no escritório da Catedral para comentar a notícia da demissão de Bento XVI.

“Ah, Deus meu, que desastre esta história de Sé Vacante!”, exclamou o Cardeal. “Pensava que em março poderíamos dar início aos procedimentos para a sucessão aqui em Buenos Aires... Agora teremos que adiar tudo para daqui 2 ou 3 meses...”. “Ou antecipar”, hipotizou o reitor.

“Pensas que o novo Papa vai me mandar de volta no dia seguinte?”, perguntou Bergolgio. “Não, não tencionava isto, estava pensando que o novo Papa poderia ser também você”, respondeu o Reitor. “Não, Alejandro! Recém renunciei à sede, e tenho 76 anos, não é possível”.

Papa no Angelus: não se deixar arrastar e enganar pelos falsos messias

Cidade do Vaticano, 17.novembro.2013 (RV) – Papa Francisco assomou, ao meio-dia, deste domingo (17), à janela da Residência Apostólica, no Vaticano, que dá para a Praça São Pedro, para rezar a oração mariana do Angelus, com os numerosos peregrinos e fiéis presentes.

Em sua alocução dominical, o Santo Padre partiu da Liturgia do dia, falando sobre a primeira parte de um discurso de Jesus, narrado no Evangelho, ou seja, sobre o fim dos tempos.

Jesus pronunciou este discurso no Templo de Jerusalém, inspirando-se nas pessoas que comentavam sobre a grandeza e beleza daquele Templo. Então, Jesus disse: "Dias virão em que, tudo o que se vê agora, não ficará pedra sobre pedra". Naturalmente, os discípulos lhe perguntaram: quando isso vai acontecer? Quais serão os sinais? Mas, Jesus, disse o Papa, desvia a atenção destes aspectos secundários “quando acontecerá”, “como será”, para falar de questões mais sérias.

“Primeiro, não se deixar enganar pelos falsos messias e não se deixar paralisar pelo medo. Segundo, viver o tempo de espera como tempo de testemunho e de perseverança”.

Este discurso de Jesus, explicou o Pontífice, é sempre atual, sobretudo para nós, que vivemos no século XXI. De fato, Jesus nos repete: "Cuidado para não se deixar enganar. Muitos virão em meu nome". Eis um convite ao discernimento:

“Ainda hoje, na verdade, existem falsos "salvadores", que tentam substituir Jesus: líderes deste mundo, santarrões, personagens que querem atrair os corações e as mentes, especialmente os jovens. Mas, Jesus nos adverte: "Não os sigam”!

O Senhor, acrescentou o Pontífice, nos ajuda a não termos medo diante das guerras, das revoluções, mas também das catástrofes naturais, das epidemias, pois nos livra do fatalismo e das falsas visões apocalípticas. E, explicando o segundo aspecto, ou seja, para viver o tempo de espera como tempo de testemunho e de perseverança, o Santo Padre disse:

“O segundo aspecto nos interpela, precisamente, como cristãos e como Igreja: Jesus preanuncia as provações dolorosas e as perseguições, pelas quais seus discípulos deveriam passar por sua causa. No entanto, ele nos assegura que estamos totalmente nas mãos de Deus!”.

Com efeito, precisou o Papa, as adversidades que encontramos, por causa da nossa fé e da nossa adesão ao Evangelho, são ocasiões de testemunho; elas não devem nos afastar do Senhor, pelo contrário, devem nos levar a nos abandonar ainda mais em suas mãos, no poder do seu Espírito e na sua graça.

Aqui, o Bispo de Roma dirigiu seu pensamento aos numerosos irmãos e irmãs cristãos, que sofrem perseguições, por causa da sua fé, em várias partes do mundo. São tantos, disse, talvez bem mais que nos primeiros séculos do cristianismo. Por isso, convidou os presentes a admirarem sua coragem e testemunho e a permanecerem unidos a eles na oração e na solidariedade.

Neste sentido, o Pontífice recordou a promessa que Jesus nos faz, que é uma verdadeira garantia de vitória:

“Pela sua perseverança vocês salvarão suas vidas. Quanta esperança nestas palavras! Elas são um convite à esperança e à paciência, a sermos capazes de esperar os frutos seguros da salvação, confiantes no sentido profundo da vida e da história”.

De fato, afirmou o Pontífice, as provações e as dificuldades fazem parte de um desígnio bem maior, pois o Senhor, dono da história, leva tudo a seu cumprimento. Apesar das desordens e das calamidades que se abatem sobre o mundo, o designo da bondade e de misericórdia de Deus se cumprirá.

Papa Francisco concluiu sua alocução dominical, afirmando que esta mensagem de Jesus nos faz refletir sobre o nosso presente e nos dá a força para enfrentá-lo, com coragem e esperança, na companhia de Nossa Senhora, que sempre caminha conosco.

Ao término da sua reflexão, o Bispo de Roma passou a cumprimentar alguns grupos de peregrinos, provenientes de diversas localidades. Mas, antes, convidou a todos a levarem para casa uma caixinha, chamada “Misericordina”, contendo um Terço, uma espécie de caixinha de remédio, que alguns voluntários distribuíam, gratuitamente, na Praça São Pedro, no final do encontro mariano.

Por fim, o Papa se despediu dos fiéis, desejando a todos “bom domingo e bom apetite”, concedendo-lhes a sua Bênção Apostólica!

MISERICORDINA

No Angelus deste domingo, antes de despedir-se e desejar um bom almoço, Papa Francisco receitou um remédio e brincou: "muita gente está pensando: mas agora o Papa é farmacêutico, também?".

E receitou a "Misericordina", com 59 comprimidos. "Na caixinha tem a coroa do Rosário, onde vocês podem rezar também o Terço da Misericórdia. Não vão embora sem levar uma caixinha!"



O 'medicamento' - como se lê na 'bula' - traz misericórdia à alma, sentida pela difusão de uma tranquilidade de coração. A sua eficácia é garantida pelas palavras de Jesus. É 'aplicado' quando se deseja a conversão dos pecadores, quando se sente necessidade de ajuda, quando falta a força para combater as tentações, quando não se consegue perdoar alguém, quando se deseja a misericórdia para um moribundo e quando se quer adorar a Deus por todas as graças recebidas. Não tem contra-indicações, podendo ser usado por crianças e adultos.

A iniciativa, que já teve precedentes na Polônia, foi patrocinada por Dom Konrad Krajevski, capelão pontifício.

"Igreja em estado permanente de missão". A vídeo-mensagem do Papa aos participantes no Congresso em Guadalupe, no México.

Cidade do Vaticano, 17.novembro.2013 (RV) – O Papa Francisco enviou uma vídeo-mensagem por ocasião do Encontro e Peregrinação, que se realiza, de hoje, sábado, até o dia 19 no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México.

O encontro, organizado pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), junto com os Cavaleiros de Colombo, tem como tema: “Nossa Senhora de Guadalupe, Estrela da Nova Evangelização no continente americano”.

Em sua vídeo-mensagem em espanhol, após saudar os presentes no Santuário de Guadalupe, o Santo Padre citou o Documento de Aparecida “que propõe colocar a Igreja em estado permanente de missão, realizar ações de índole missionária, mas, em contexto mais amplo, uma ação missionária global: que todas as atividades das Igrejas locais tenham caráter missionário".

Em primeiro lugar, disse o Papa, “a intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade itinerante e pressupõe sair de si mesmo e caminhar, semeando novamente e sempre até aonde for possível”. Logo, a Igreja não se deve fechar, mas sair das suas comunidades e ter a audácia de chegar até às periferias, que precisam da presença de Deus.

Como segundo ponto, o Pontífice coloca o objetivo de toda a atividade pastoral, que deve ser orientada pelo impulso missionário de atingir a todos, sem excluir ninguém. A tarefa da evangelização precisa de muita paciência. A mensagem cristã deve ser apresentada de modo sereno e gradual; deve ser sempre criativa em seus métodos.

O terceiro aspecto da missão, segundo o Papa Francisco, concerne ao Bispo, que acompanha a pastoral da Igreja, como pastor que sabe o nome das suas ovelhas e as guia com solidariedade, ternura e paciência, manifestando-lhes a maternidade da Igreja e a misericórdia de Deus. O papel do Bispo não deve ser o de um príncipe, mas, o de um bom Pastor, que tem discernimento, vigia seu rebanho, mantém a unidade e promove a esperança entre os fiéis.

O quarto ponto que o Santo Padre destacou na sua vídeo-mensagem diz respeito aos agentes de pastoral, sobretudo os presbíteros, que devem participar da missão do Bispo. A tentação do clericalismo, que causa tanto dano à Igreja na América Latina, é um obstáculo para o desenvolvimento da maturidade e da responsabilidade cristã de boa parte dos leigos.

O clericalismo, diz ainda o Papa, implica uma atitude auto-referencial, um comportamento de grupo, que dificulta o encontro com o Senhor. Eis a urgência de formar ministros, capazes de unir, propor encontros, dialogar, caminhar e inflamar o coração das pessoas, apesar dos desafios. A cultura de hoje exige uma formação séria.

Neste ponto, o Bispo de Roma dedicou uma palavra à Vida Consagrada, que é fermento na Igreja e a faz crescer. Por isso, exortou os consagrados e as consagradas a serem fiéis ao próprio carisma, que deve ser vivido e transmitido em toda a sua integridade, pelo bem da Igreja.

Papa Francisco concluiu sua vídeo-mensagem agradecendo a todos pelo seu empenho na missão continental. E exortou os discípulos missionários a manterem o tesouro da fé, que deve ser transmitido, e tornarem conhecido o nome de Jesus.

Papa é o número um na internet

Washington, 16.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco alcançou um posto almejado por celebridades do mundo todo: foi a pessoa de quem mais se falou na internet em 2013 - pelo menos, nos sites em inglês. O dado é fruto de uma pesquisa realizada pela Global Language Monitor (GLM). A empresa também concluiu que, além de ser o nome mais mencionado na rede, a conta do Papa no Twitter, @Pontifex, foi a quarta mais citada no mundo este ano.

Para ocupar o primeiro lugar, o Papa Francisco – destaca a pesquisa - desbancou nomes como Edward Snowden, Malala Yousufzai e Barack Obama. Para chegar a tal conclusão, a Global Language Monitor dividiu sua busca em categorias e rastreou blogs em inglês, redes sociais e 275 mil sites, de acordo com a rede de TV CNN.

Depois do Papa, as palavras que mais se repetiram na internet em inglês este ano foram NSA (a Agência de Segurança Nacional dos EUA, onde trabalhava Edward Snowden, responsável por tornar públicos detalhes dos programas de espionagem do governo americano) e Obamacare (a reforma no sistema de saúde dos EUA, defendida por Obama). Os três primeiros nomes citados na Internet em 2013 são: Papa Francisco; Edward Snowden; Kate Middleton.

Homilia do Papa em Santa Marta: "A força do homem consiste em bater à porta do coração de Deus"

Deus só é fraco diante da oração do seu povo. A oração é a força do homem: nunca devemos cansar-nos de bater à porta do coração de Deus, de pedir ajuda, pois quando é chamado a defender o seu povo, Deus é implacável, recordou o Papa na missa celebrada na manhã de 16 de Novembro  em Santa Marta.

Comentando as leituras do dia, o Pontífice quis frisar o amparo que o Senhor oferece aos seus filhos, quando eles o procuram: «Deus faz justiça aos seus eleitos que o invocam dia e noite. Assim fez quando Moisés o chamou» (cf. Lc 18, 1-8).

«Na primeira leitura – disse – ouvimos o que o Senhor fez: a sua palavra desce do céu como um guerreiro implacável. Quando o Senhor defende o seu povo é assim: ele salva o seu povo e renova tudo: toda a criação foi modelada de novo». Foi assim – recordou, citando o livro da Sabedoria (18, 14-16; 19, 6-9) – que «o mar Vermelho se tornou um percurso sem obstáculos e ondas violentas, uma planície; quantos a tua mão protegia passaram com todo o povo, contemplando prodígios maravilhosos». Assim «é o poder do Senhor, quando quer salvar o seu povo: forte. Ele é o Senhor, porque ouviu a oração do seu povo».

Mas se esta é a força de Deus, «qual é a força do homem?», perguntou o Pontífice. É a mesma testemunhada pela viúva da qual fala o Evangelho, explicou, que bate sempre à porta do juiz. «Bater à porta – recordou – queixar-se de tantos problemas e dores, pedir ao Senhor a libertação dos pecados e dos problemas». Esta é a força do homem, «a oração do homem humilde», pois se em Deus existe fragilidade, ela manifesta-se diante da prece do seu povo: «esta é a debilidade de Deus».

As leituras, ressaltou o bispo de Roma, levam a meditar oportunamente sobre «o poder de Deus, tão claro e forte», do qual a Igreja fala sobretudo no tempo de Natal, pois «o apogeu da força de Deus, da sua salvação, foi precisamente a Encarnação do Verbo: «Enquanto um silêncio profundo dominava tudo, no meio da noite, a tua palavra poderosa lançou-se do céu, do teu trono real como guerreiro implacável, sobre a terra de extermínio trazendo, como espada afiada, o teu decreto irrevogável». A Igreja usa este texto de libertação e força para explicar que a Encarnação do Verbo foi o ponto mais alto da nossa salvação».

Hoje «apraz-me ouvir estas leituras – revelou o Papa – diante de vós, cónegos de São Pedro. O vosso trabalho consiste em bater à porta do coração de Deus», «em rezar ao Senhor pelo povo de Deus. E precisamente nesta basílica mais próxima do Papa, onde convergem as súplicas do mundo, sois vós que as apresentais ao Senhor na oração».

E para fortalecer a ideia do serviço que eles são chamados a cumprir, o Pontífice voltou a falar da viúva que, obstinadamente, pede justiça: «O vosso é um serviço universal, de Igreja. Vós sois como a viúva: rezai, pedi, batei à porta do coração de Deus. Cada dia. E a viúva nunca adormecia quando pedia. Era corajosa».

«O Senhor – acrescentou – ouve a prece do seu povo. Vós sois representantes privilegiados do povo de Deus nesta função de rezar ao Senhor pelas necessidades da Igreja e da humanidade». E, concluindo, disse: «Agradeço-vos este trabalho. Recordemos sempre que Deus tem uma força que – quando Ele quer – transforma  tudo: «Tudo foi modelado de novo»; mas Ele tem também um ponto fraco, a nossa oração, a vossa oração universal, perto do Papa em São Pedro. Obrigado por este vosso serviço e ide em frente assim, para o bem da Igreja!».


Hoje o Papa francisco também twittou:

16/11/2013
Jesus quis conservar as suas chagas para nos fazer sentir a sua misericórdia. Esta é a nossa força, a nossa esperança.

Confederação dos Bispos de Portugal

 

Carta Pastoral da CEP: A propósito da ideologia do género



Difunde-se cada vez mais a chamada ideologia do género ou gender. Porém, nem todas as pessoas disso se apercebem e muitos desconhecem o seu alcance social e cultural, que já foi qualificado como verdadeira revolução antropológica. Não se trata apenas de uma simples moda intelectual. Diz respeito antes a um movimento cultural com reflexos na compreensão da família, na esfera política e legislativa, no ensino, na comunicação social e na própria linguagem corrente.

Mas a ideologia do género contrasta frontalmente com o acervo civilizacional já adquirido. Como tal, opõe-se radicalmente à visão bíblica e cristã da pessoa e da sexualidade humanas. Com o intuito de esclarecer as diferenças entre estas duas visões surge este documento. Move-nos o desejo de apresentar a visão mais sólida e mais fundante da pessoa, milenarmente descoberta, valorizada e seguida, e para a qual o humanismo cristão muito contribuiu. Acreditamos que este mesmo humanismo, atualmente, é chamado a dar contributo válido na redescoberta da profundidade e beleza de uma sexualidade humana corretamente entendida.

Trata-se da defesa de um modelo de sexualidade e de família que a sabedoria e a história, não obstante as mutações culturais, nos diferentes contextos sociais e geográficos, consideram apto para exprimir a natureza humana.
           
            1. A pessoa humana, espírito encarnado
Antes de mais, gostaríamos de deixar bem claro que, para o humanismo cristão, não há lugar a dualismos: o desprezo do corpo em nome do espírito ou vice-versa. O corpo sexuado, como todas as criaturas do nosso Deus, é produto bom de um Deus bom e amoroso. Uma segunda verdade a considerar na visão cristã da sexualidade é a da pessoa humana como espírito encarnado e, por isso, sexuado: a diferenciação sexual correspondente ao desígnio divino sobre a criação, em toda a sua beleza e plenitude: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1,27); «Deus, vendo toda sua obra, considerou-a muito boa» (Gn 1,31).

A corporalidade é uma dimensão constitutiva da pessoa, não um seu acessório; a pessoa é um corpo, não tem um corpo; a dignidade do corpo humano é corolário da dignidade da pessoa humana; a comunhão dos corpos deve exprimir a comunhão das pessoas.

Porque a pessoa humana é a totalidade unificada do corpo e da alma, existe necessariamente, como homem ou mulher. Por conseguinte, a dimensão sexuada, a masculinidade ou feminilidade, é constitutiva da pessoa, é o seu modo de ser, não um simples atributo. É a própria pessoa que se exprime através da sexualidade. A pessoa é, assim, chamada ao amor e à comunhão como homem ou como mulher. E a diferença sexual tem um significado no plano da criação: exprime uma abertura recíproca à alteridade e à diferença, as quais, na sua complementaridade, se tornam enriquecedoras e fecundas.

            2. Confrontados com uma forte mudança cultural
            Reconhecemos, sem dúvida, que, no longo caminho do amadurecimento cultural e civilizacional, nem sempre se atribuiu aos dois âmbitos do humano (o masculino e o feminino) o mesmo valor e semelhante protagonismo social. Especialmente a mulher, não raramente, foi vítima de forte sujeição ao homem e sofreu alguma menorização social e cultural. Graças a Deus, tais situações estão progressivamente a ser ultrapassadas e a condição feminina, antigamente conotada com a ideia de opressão, hoje está a revelar-se como enorme potencial de humanização e de desenvolvimento harmonioso da sociedade.

            No desejo de ultrapassar esta menoridade social da mulher, alguns procederam a uma distinção radical entre o sexo biológico e os papéis que a sociedade, tradicionalmente, lhe outorgou. Afirmam que o ser masculino ou feminino não passa de uma construção mental, mais ou menos interessada e artificial, que, agora, importaria desconstruir. Por conseguinte, rejeitam tudo o que tenha a ver com os dados biológicos para se fixarem na dimensão cultural, entendida como mentalidade pessoal e social. E, por associação de ideias, passou-se a rejeitar a validade de tudo o que tenha a ver com os tradicionais dados normativos da natureza a respeito da sexualidade (heterossexualidade, união monogâmica, limite ético aos conhecimentos técnicos ligados às fontes da vida, respeito pela vida intra-uterina, pudor ou reserva de intimidade, etc.). É todo este âmbito mental que se costuma designar por ideologia do género ou gender.

            A ideologia do género surge, assim, como uma antropologia alternativa, quer à judaico-cristã, quer à das culturas tradicionais não ocidentais. Nega que a diferença sexual inscrita no corpo possa ser identificativa da pessoa; recusa a complementaridade natural entre os sexos; dissocia a sexualidade da procriação; sobrepõe a filiação intencional à biológica; pretende desconstruir a matriz heterossexual da sociedade (a família assente na união entre um homem e uma mulher deixa de ser o modelo de referência e passa a ser um entre vários).

            3. Os pressupostos da ideologia do género
Esta teoria parte da distinção entre sexo e género, forçando a oposição entre natureza e cultura. O sexo assinala a condição natural e biológica da diferença física entre homem e mulher. O género baliza a construção histórico-cultural da identidade masculina e feminina. Mas, partindo da célebre frase de Simone de Beauvoir, «uma mulher não nasce mulher, torna-se mulher», a ideologia do género considera que somos homens ou mulheres não na base da dimensão biológica em que nascemos, mas nos tornamos tais de acordo com o processo de socialização (da interiorização dos comportamentos, funções e papéis que a sociedade e cultura nos distribui). Papéis que, para estas teorias, são injustos e artificiais. Por conseguinte, o género deve sobrepor-se ao sexo e a cultura deve impor-se à natureza.

Como, para esta ideologia, o género é uma construção social, este pode ser desconstruído e reconstruído. Se a diferença sexual entre homem e mulher está na base da opressão desta, então qualquer forma de definição de uma especificidade feminina é opressora para a mulher. Por isso, para os defensores do gender, a maternidade, como especificidade feminina, é sempre uma discriminação injusta. Para superar essa opressão, recusa-se a diferenciação sexual natural e reconduz-se o género à escolha individual. O género não tem de corresponder ao sexo, mas pertence a uma escolha subjetiva, ditada por instintos, impulsos, preferências e interesses, o que vai para além dos dados naturais e objetivos.

O gender sustenta a irrelevância da diferença sexual na construção da identidade e, por consequência, também a irrelevância dessa diferença nas relações interpessoais, nas uniões conjugais e na constituição da família. Se é indiferente a escolha do género a nível individual, podendo escolher-se ser homem ou mulher independentemente dos dados naturais, também é indiferente a escolha de se ligar a pessoas de outro ou do mesmo sexo. Daqui a equiparação entre uniões heterossexuais e homossexuais. Ao modelo da família heterossexual sucedem-se vários tipos de família, tantos quantas as preferências individuais, para além de qualquer modelo de referência. Deixa de se falar em família e passa a falar-se em famílias. Privilegiar a união heterossexual afigura-se-lhe uma forma de discriminação. Igualmente, deixa de se falar em paternidade e maternidade e passa a falar-se, exclusivamente, em parentalidade, criando um conceito abstrato, pois desligado da geração biológica.

            4. Reflexos da afirmação e difusão da ideologia do género
A afirmação e difusão da ideologia do género pode notar-se em vários âmbitos. Um deles é o dos hábitos linguísticos correntes. Vem-se generalizando, a começar por documentos oficiais e na designação de instituições públicas, a expressão género em substituição de sexo (igualdade de género, em vez de igualdade entre homem e mulher), tal como a expressão famílias em vez de família, ou parentalidade em vez de paternidade e maternidade. Muitas pessoas passam a adotar estas expressões por hábito ou moda, sem se aperceberem da sua conotação ideológica. Mas a generalização destas expressões está longe de ser inocente e sem consequências. Faz parte de uma estratégia de afirmação ideológica, que compromete a inteligibilidade básica de uma pessoa, por vezes, tendo consequências dramáticas: incapacidade de alguém se situar e definir no que tem de mais elementar.

Os planos político e legislativo são outro dos âmbitos de penetração da ideologia do género, que atinge os centros de poder nacionais e internacionais. Da agenda fazem parte as leis de redefinição do casamento de modo a nelas incluir uniões entre pessoas do mesmo sexo (entre nós, a Lei nº 9/2010, de 31 de maio), as leis que permitem a adoção por pares do mesmo sexo (em discussão entre nós, na modalidade de co-adoção), as leis que permitem a mudança do sexo oficialmente reconhecido, independentemente das caraterísticas fisiológicas do requerente (Lei nº 7/2011, de 15 de março), e as leis que permitem o recurso de uniões homossexuais e pessoas sós à procriação artificial, incluindo a chamada maternidade de substituição (a Lei nº 32/2006, de 26 de julho, não contempla a possibilidade referida).

Outro âmbito de difusão da ideologia do género é o do ensino. Este é encarado como um meio eficaz de doutrinação e transformação da mentalidade corrente e é nítido o esforço de fazer refletir na orientação dos programas escolares, em particular nos de educação sexual, as teses dessa ideologia, apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível. Esta estratégia tem dado origem, em vários países, a movimentos de protesto por parte dos pais, que rejeitam esta forma de doutrinação ideológica, porque contrária aos princípios nos quais pretendem educar os seus filhos. Entre nós, a Portaria nº 196-A/2010, de 9 de abril, que regulamenta a Lei nº 60/2009, de 6 de agosto, relativa à educação sexual em meio escolar, inclui, entre os conteúdos a abordar neste âmbito, sexualidade e género.

            5. O alcance antropológico da ideologia do género
Importa aprofundar o alcance da ideologia do género, pois ela representa uma autêntica revolução antropológica. Reflete um subjetivismo relativista levado ao extremo, negando o significado da realidade objetiva. Nega a verdade como algo que não pode ser construído, mas nos é dado e por nós descoberto e recebido. Recusa a moral como uma ordem objetiva de que não podemos dispor. Rejeita o significado do corpo: a pessoa não seria uma unidade incindível, espiritual e corpórea, mas um espírito que tem um corpo a ela extrínseco, disponível e manipulável. Contradiz a natureza como dado a acolher e respeitar. Contraria uma certa forma de ecologia humana, chocante numa época em que tanto se exalta a necessidade de respeito pela harmonia pré-estabelecida subjacente ao equilíbrio ecológico ambiental. Dissocia a procriação da união entre um homem e uma mulher e, portanto, da relacionalidade pessoal, em que o filho é acolhido como um dom, tornando-a objeto de um direito de afirmação individual: o “direito” à parentalidade.

No plano estritamente científico, obviamente, é ilusória a pretensão de prescindir dos dados biológicos na identificação das diferenças entre homens e mulheres. Estas diferenças partem da estrutura genética das células do corpo humano, pelo que nem sequer a intervenção cirúrgica nos órgãos sexuais externos permitiria uma verdadeira mudança de sexo.

É certo que a pessoa humana não é só natureza, mas é também cultura. E também é certo que a lei natural não se confunde com a lei biológica. Mas os dados biológicos objetivos contêm um sentido e apontam para um desígnio da criação que a inteligência pode descobrir como algo que a antecede e se lhe impõe e não como algo que se pode manipular arbitrariamente. A pessoa humana é um espírito encarnado numa unidade bio-psico-social. Não é só corpo, mas é também corpo. As dimensões corporal e espiritual devem harmonizar-se, sem oposição. Do mesmo modo, também as dimensões natural e cultural. A cultura vai para além da natureza, mas não se lhe deve opor, como se dela tivesse que se libertar.


            6. Homem e mulher chamados à comunhão
A diferenciação sexual inscrita no desígnio da criação tem um sentido que a ideologia do género ignora. Reconhecê-la e valorizá-la é assegurar o limite e a insuficiência de cada um dos sexos, é aceitar que cada um deles não exprime o humano em toda a sua riqueza e plenitude. É admitir a estrutura relacional da pessoa humana e que só na relação e na comunhão (no ser para o outro) esta se realiza plenamente.

Essa comunhão constrói-se a partir da diferença. A mais básica e fundamental, que é a de sexos, não é um obstáculo à comunhão, não é uma fonte de oposição e conflito, mas uma ocasião de enriquecimento recíproco. O homem e a mulher são chamados à comunhão porque só ela os completa e permite a continuação da espécie, através da geração de novas vidas. Faz parte da maravilha do desígnio da criação. Não é, como tal, algo a corrigir ou contrariar.

A sociedade edifica-se a partir desta colaboração entre as dimensões masculina e feminina. Em primeiro lugar, na sua célula básica, a família. É esta quem garante a renovação da sociedade através da geração de novas vidas e assegura o equilíbrio harmonioso e complexo da educação das novas gerações. Por isso, nunca um ou mais pais podem substituir uma mãe, e nunca uma ou mais mães podem substituir um pai.

            7. Complementaridade do masculino e do feminino
É um facto que algumas visões do masculino e feminino têm servido, ao longo da história, para consolidar divisões de tarefas rígidas e estereotipadas que limitaram a realização da mulher, relegada a um papel doméstico e circunscrita na intervenção social, económica, cultural e política. Mas, na visão bíblica, o domínio do homem sobre a mulher não faz parte do original desígnio divino: é uma consequência do pecado. Esse domínio indica perturbação e perda da estabilidade da igualdade fundamental, entre o homem e a mulher. O que vem em desfavor da mulher, porquanto somente a igualdade, resultante da comum dignidade, pode dar às relações recíprocas o carácter de uma autêntica communio personarum (comunhão de pessoas).

A ideologia do género não se limita a denunciar tais injustiças, mas pretende eliminá-las negando a especificidade feminina. Isso empobrece a mulher, que perde a sua identidade, e enfraquece a sociedade, privada dum contributo precioso e insubstituível, como é a feminilidade e a maternidade. Aliás, a nossa época reconhece – e bem! – a importância da presença equilibrada de homens e mulheres nos vários âmbitos da vida social, designadamente nos centros de decisão económica e política. Mesmo que essa presença não tenha de ser rigidamente paritária, a sociedade só tem a ganhar com o contributo complementar das específicas sensibilidades masculina e feminina.

            8. O "génio feminino"
Nesta perspetiva, há que pôr em relevo aquilo que o Papa João Paulo II denominou "génio feminino". Não se trata de algo que se exprima apenas na relação esponsal ou maternal, específicas do matrimónio, como pretenderia uma certo romantismo. Mas estende-se ao conjunto das relações interpessoais e refere-se a todas as mulheres, casadas ou solteiras. Passa pela vocação à maternidade, sem que esta se esgote na biológica. Nesta, entretanto, comprova-se uma especial sensibilidade da mulher à vida, patente no seu desvelo na fase de maior vulnerabilidade e na sua capacidade de atenção e cuidado nas relações interpessoais.

A maternidade não é um peso de que a mulher necessite de se libertar. O que se exige é que toda a organização social apoie e não dificulte a concretização dessa vocação, através da qual a mulher encontra a sua plena realização. É de reclamar, em especial, que a inserção da mulher numa organização laboral, concebida em função dos homens, não se faça à custa da concretização dessa vocação, e se adotem todos os ajustamentos necessários.


            9. O papel insubstituível do pai
Não pode, de igual modo, ignorar-se que o homem tem um contributo específico e insubstituível a dar à vida familiar e social, cumprindo a sua vocação à paternidade, que não é só biológica, assumindo a missão que só o pai pode desempenhar cabalmente. Talvez o âmbito em que mais se nota a ausência desse contributo seja o da educação, o que já levou a que se fale do pai como o “grande ausente”. Isto pode originar sérias consequências, tais como desorientação existencial dos jovens, toxicodependência ou delinquência juvenil. Se a relação com a mãe é essencial nos primeiros anos de vida, é também essencial a relação com o pai, para que a criança e o jovem se diferenciem da mãe e assim cresçam como pessoas autónomas. Não bastam os afetos para crescer: são necessárias regras e autoridade, o que é acentuado pelo papel do pai.

Num contexto em que se discute a legalização da adoção por pares do mesmo sexo, não é supérfluo sublinhar a importância dos papéis da mãe e do pai na educação das crianças e dos jovens: são papéis insubstituíveis e complementares. Cada uma destas figuras ajuda a criança e o jovem a construir a sua própria identidade masculina ou feminina. Mas também, e porque nem o masculino nem o feminino esgotam toda a riqueza do humano, a presença dessas duas figuras ajudam-nos a descobrir toda essa riqueza, ultrapassando os limites de cada um dos sexos. Uma criança desenvolve‑se e prospera na interação conjunta da mãe e do pai, como parece óbvio e estudos científicos comprovam.

            10. A resposta à afirmação e difusão da ideologia do género
            A ideologia do género não só contrasta com a visão bíblica e cristã, mas também com a verdade da pessoa e da sua vocação. Prejudica a realização pessoal e, a médio prazo, defrauda a sociedade. Não exprime a verdade da pessoa, mas distorce-a ideologicamente.
As alterações legislativas que refletem a mentalidade da ideologia do género -concretamente, a lei que, entre nós, redefiniu o casamento - não são irreversíveis. E os cidadãos e legisladores que partilhem uma visão mais consentânea com o ser e a dignidade da pessoa e da família são chamados a fazer o que está ao seu alcance para as revogar.

Se viermos a assistir à utilização do sistema de ensino para a afirmação e difusão dessa ideologia, é bom ter presente o primado dos direitos dos pais e mães quanto à orientação da educação dos seus filhos. O artigo 26º, nº 3, da Declaração Universal dos Direitos Humanos estatui que «aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação dos seus filhos». E o artigo 43º, nº 2, da nossa Constituição estabelece que «o Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas».

De qualquer modo, a resposta mais eficaz às afirmações e difusão da ideologia do género há de resultar de uma nova evangelização. Trata-se de anunciar o Evangelho como este é: boa nova da vida, do amor humano, do matrimónio e da família, o que corresponde às exigências mais profundas e autênticas de toda a pessoa. A esse anúncio são chamadas, em especial, as famílias cristãs, antes de mais, mediante o seu testemunho de vida.

Fátima, 14 de novembro de 2013

Papa na ordenação episcopal na Basílica vaticana: "O episcopado é serviço!"

Cidade do Vaticano, 15.novembro.2013 (RV) – Papa Francisco anulou todas as audiências previstas, para esta manhã de sexta-feira, no Vaticano, devido a um resfriado. No entanto, não deixou de presidir, nesta tarde, na Basílica de São Pedro, à celebração Eucarística de ordenação Episcopal de Dom Fernando Verge’z Alzaga, Secretário geral do Governatorato, sede da Administração do Estado da Cidade do Vaticano.

O Bispo de Roma iniciou sua homilia realçando a grande responsabilidade eclesial do neo-Bispo, segundo o mandato de Jesus que “enviou seus Doze Apóstolos, repletos do Espírito Santo, a fim que anunciassem o Evangelho a todos os povos, os reunissem, os santificassem e os guiassem à salvação eterna”.

Para perpetuar este ministério apostólico, de geração em geração, os Doze reuniram colaboradores, transmitindo-lhes, com a imposição das mãos o dom do Espírito, recebido de Cristo, que conferia a plenitude do Sacramento da Ordem. E o Papa acrescentou:

“Assim, mediante a interrupta sucessão dos Bispos, na tradição viva da Igreja, este ministério primordial e a obra do Salvador, se mantêm e se desenvolvem até o final dos tempos. O Bispo, circundado por seus presbíteros, representa o Senhor Jesus, Sumo e Eterno sacerdote em meio a nós”.

De fato, disse o Pontífice, “é Cristo que, mediante o ministério episcopal, continua a pregar o Evangelho da salvação e a santificar os fiéis, através dos Sacramentos da fé; é Cristo, que na paternidade episcopal, fomenta o seu corpo, que é a Igreja, com novos membros; é Cristo, que com a sabedoria e prudência episcopal, guia o povo de Deus na sua peregrinação terrena até à felicidade eterna”. E o Santo Padre explicou:

“O Episcopado, de fato, è o nome de um serviço, não de uma honra, porque cabe ao Bispo servir e não dominar, segundo o mandamento do Mestre, que diz: “Quem for o maior entre vocês, seja como o mais pequenino; e quem governar, seja aquele que serve”. O Bispo deve anunciar a Palavra, em todas as ocasiões, oportunas e inoportunas; deve admoestar, repreender, exortar com magnanimidade e doutrina”.

O Bispo, disse ainda o Papa, deve ser fiel custódio e dispensador dos mistérios de Cristo na Igreja.; deve seguir o exemplo do Bom Pastor; amar, como pai e irmão, todos os que Deus lhe confia, sobretudo os presbíteros e os diáconos, seus colaboradores no ministério, mas também os pobres, os indefesos e os que precisam de acolhimento e ajuda.

O Bispo de Roma concluiu sua homilia exortando os Bispos a vigiarem, com amor e grande misericórdia, sobre todo o rebanho a eles confiados!

Os últimos tweets do Santo Padre:

15/11/2013
Queridos jovens, sede missionários do Evangelho, sempre, todos os dias e em todos os lugares.
14/11/2013
Cuidai da criação. Mas sobretudo cuidai das pessoas que não têm o necessário para viver.

OS DIVORCIADOS RECASADOS

Dom Fernando Arêas Rifan*


A Igreja é mãe que recebe a todos, especialmente os pecadores, a exemplo de Jesus, que os recebia, tomava refeição com eles e até se hospedava em sua casa. Mas não para conservá-los no pecado, mas para a sua conversão: “Vai e não tornes a pecar”!

O Papa Francisco, fiel ao Divino Fundador da Igreja, segue o mesmo caminho, sobretudo quando exprime o desejo de querer integrar melhor à Igreja os divorciados recasados. Mas isso não deixou de suscitar uma discussão sobre se a Igreja mudaria sua posição, o que levou o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerard Ludwig Müller, a esclarecer a questão em um artigo sobre matrimônio, família e cuidado pastoral dos divorciados, publicado pelo Jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano.

Nesse artigo, ele relembra que Jesus foi claro quanto à indissolubilidade do matrimônio, querida por Deus: “Mas no início da criação varão e mulher os criou, por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois serão uma só carne... Por conseguinte, não separe o homem o que Deus uniu” (Mc. 10, 5-9). É um pacto instituído por Deus e que não está na disponibilidade dos homens.  E cita São Paulo: «Mando aos casados, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não separe do marido. Se, porém, se separar, que não torne a casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não repudie a mulher» (1 Cor 7, 10-11)”.

Na fidelidade a Jesus, aos Apóstolos e à Tradição cristã, o ensinamento dogmático da Igreja acerca do Matrimônio, foi bem expresso na Exortação apostólica Familiaris consortio, de João Paulo II, que, sob o ponto de vista pastoral, fala do cuidado dos fiéis recasados no civil, mais ainda vinculados por um matrimônio válido para a Igreja, expondo algumas normas: Os pastores e as comunidades são obrigados a ajudar «com caridade solícita» os fiéis concernidos; também eles pertencem à Igreja, têm direito à cura pastoral e devem poder participar da vida da Igreja. A admissão à Eucaristia não lhes pode, contudo, ser concedida, porque:

a) «o seu estado e condição de vida estão em contraste objetivo com aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e realizada pela Eucaristia»;
b) «se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio».

Uma reconciliação mediante o sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – só pode ser concedida com base no arrependimento em relação a quanto aconteceu, e com a disponibilidade «a uma forma de vida já não em contradição com a indissolubilidade do matrimônio». Isto comporta, em concreto, que quando a nova união não pode ser dissolvida por motivos sérios – como, por exemplo, a educação dos filhos – ambos os cônjuges «assumem o compromisso de viver em continência total». Por motivos teológico-sacramentais, e não por uma constrição legal, ao clero é expressamente feita a proibição, enquanto subsiste a validade do primeiro matrimônio, de concretizar «cerimônias de qualquer gênero» a favor de divorciados que se recasam civilmente.
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                                                   http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

O espírito de curiosidade afasta-nos da sabedoria e da paz de Deus – o Papa na missa desta quinta-feira

O espírito de curiosidade gera confusão e afasta-nos do Espírito de sabedoria que, pelo contrário, nos dá paz. Na sua homilia na missa desta quinta-feira, 14.novembro.2013, na Casa de Santa Marta o Papa Francisco comentou a Primeira Leitura do Livro da Sabedoria onde se descreve o estado de alma do homem e da mulher espiritual:

“Isto é caminhar na vida com este espírito: o espírito de Deus, que nos ajuda a julgar, a tomar decisões segundo o coração de Deus. E este espírito dá-nos paz, sempre! É o espírito de paz, o espírito de amor, o espírito de fraternidade. E a santidade é isto mesmo. Aquilo que Deus pede a Abraão – "Caminha na minha presença e sê irrepreensível" – é isto: esta paz.”
Prosseguir sob o impulso do Espírito de Deus e desta sabedoria. Os homens e mulheres que caminham assim são sábios, porque procedem sob a moção da paciência de Deus”.

No Evangelho, nos encontramos diante de um outro espírito, contrário a este da Sabedoria de Deus: o espirito da curiosidade, quando nós queremos tomar as rédeas dos projetos de Deus, do futuro das coisas, conhecer tudo, ter o controle de tudo. “Os fariseus perguntaram a Jesus: Quando virá o Reino de Deus? Curiosos!!! Queriam conhecer a data, o dia...O espírito de curiosidade afasta-nos do Espírito da sabedoria, porque apenas interessam os detalhes, as notícias, as pequenas notícias de cada dia. Como se fará isso? É o "como": o espírito do "como"! O espírito de curiosidade não é um bom espírito: é o espírito de dispersão, de afastar-se de Deus, o espírito de falar demais. E Jesus nos diz ainda uma coisa interessante: "este espírito de curiosidade, que é mundano, leva-nos à confusão.”

A curiosidade leva-nos a querer ouvir que o Senhor está aqui e ali – continuou o Papa Francisco – nos faz dizer: “mas eu conheço um vidente, uma vidente, que recebe cartas de Nossa Senhora, mensagens de Nossa Senhora”. O Santo Padre deixou claro que a Nossa Senhora “é Mãe e ama-nos a todos, mas não é, com certeza, o chefe da estação dos correios para enviar mensagens todos os dias”. "Essas novidades - diz ele - afasta-nos do Evangelho, afasta-nos do Espírito Santo, afasta-nos da paz e da sabedoria, da glória de Deus e da beleza de Deus". Porque "Jesus disse que o Reino de Deus não vem de modo a atrair a atenção, vem na sabedoria". "O Reino de Deus está no meio de vós", disse Jesus: é "esta ação do Espírito Santo, que nos dá a sabedoria, que nos dá a paz". "O Reino de Deus não vem na confusão, como Deus não falou com o profeta Elias no vento, na tempestade, mas falou na brisa suave, a brisa da sabedoria".

"Assim Santa Teresinha - Santa Teresa do Menino Jesus - dizia, que ela sempre parava diante do espírito de curiosidade. Quando falava com uma outra freira e esta contava uma história, alguma coisa da família, das pessoas, às vezes, passava para outro tópico , e Santa Teresinha queria saber o final da história. Mas sentia que aquele não era o espírito de Deus, porque era um espírito de dispersão, de curiosidade. O Reino de Deus está no meio nós. Não procurar coisas estranhas, não procurar novidade com esta curiosidade mundana. Deixemos que o Espírito nos leve adiante, com aquela sabedoria que é uma brisa suave. Este é o Espírito do Reino de Deus, de que nos fala Jesus. Assim seja."
Radio Vaticano, tradução do italiano

Esperança, fonte de energia e empenho para fazer face à crise - Papa encoraja a apoiar a família na visita ao Presidente italiano, Giorgio Napolitano

Roma, 14.novembro.2013 (RV) – O Santo Padre deslocou-se nesta quinta-feira, às 11 horas, ao Quirinale, Palácio Presidencial da República italiana, para uma visita ao Presidente Giorgio Napolitano, em reconhecimento da visita que o Chefe de Estado italiano fizera ao sucessor de Pedro em Junho passado no Vaticano.

No seu discurso o Papa Francisco sublinhou que esta troca de visitas é antes de mais um sinal de amizade, mas também do excelente estado das relações entre Estado e Igreja em Itália.

Bergoglio recordou a visita do seu predecessor, Bento XVI ao Quirinale em 2008, saudando-o, e retomando a sua definição – nessa ocasião – do Quirinale como “Casa simbólica de todos os italianos”. E deste “lugar cheio de símbolos e de história – disse Francisco - “desejo bater à porta de cada habitante deste país, onde se encontram as raízes da minha família terrena, e oferecer a todos a palavra curadora e sempre nova do Evangelho”.

No que toca estritamente às relações entre o Estado italiano e a Santa Sé, o Papa salientou a inserção na Constituição da República italiana dos Pactos de Latrão e do Acordo de revisão da Concordata assinado há trinta anos – instrumentos – prosseguiu o Papa Francisco – para o desenvolvimento sereno das relações entre Estado e Igreja em Itália, a favor da pessoa humana e do bem comum.

Pondo depois em realce as numerosas questões que preocupam tanto o Estado como a Igreja e em que as respostas podem ser convergentes, Papa Francisco disse que é necessário multiplicar os esforços para aliviar as consequências da crise econômica e do desemprego, e para captar e intensificar todo e qualquer sinal de retomada do crescimento econômico.

O Santo Padre frisou ainda que a missão primária da Igreja é dar testemunho da misericórdia de Deus e de encorajar generosas respostas de solidariedade a fim de levar a um futuro de esperança; esperança que é fonte de energia e empenho para a construção de uma ordem social e civil mais humana e mais justa e de um desenvolvimento sustentável e são.

Por fim o Papa recordou as visitas pastorais que já realizou à Itália, a começar por Lampedusa, Cagliari, Assis, visitas em que - disse - “viu de perto as feridas que afligem hoje em dia muita gente”.

No centro das dificuldades e esperanças está a família que a Igreja continua a apoiar com convicção, convidando indivíduos e instituições a fazerem o mesmo, pois que a família precisa de estabilidade para poder desenvolver-se plenamente e realizar a sua missão de célula primária de formação e crescimento da pessoa humana.

O Papa despediu-se do Presidente Napolitano exprimindo o desejo de que a Itália se sirva do seu patrimônio de valores civis e espirituais para promover o bem comum e a dignidade da pessoa humana, dando também o seu contributo para a paz e a justiça no mundo.

Audiência: devemos batalhar pela vida, jamais pela morte!

Cidade do Vaticano, 13.novembro.2013 (RV) – Fé, alegria, entusiasmo e esperança são alguns dos sentimentos que as multidões trazem à Praça de São Pedro nas audiências gerais de quarta-feira:

“no Credo, através do qual em cada domingo fazemos a nossa profissão de fé, nós afirmamos: ‘Professo um só batismo para o perdão dos pecados’. Trata-se da única referência explícita a um Sacramento no interior do Credo. Efetivamente o Batismo é a porta da fé e da vida cristã.”

A porta da fé e da vida cristã é o Batismo e este é o único Sacramento referido no Credo. O Papa Francisco apontou três elementos fundamentais: Professo; um só batismo; e remissão dos pecados. O primeiro elemento é – diz-nos o Papa Francisco – professo. Quando no Credo dizemos que “professo um só Batismo para a remissão dos pecados”, afirmamos que este sacramento é, em certo sentido, o bilhete de identidade do cristão: um novo nascimento, o ponto de partida de um caminho de conversão, que se estende por toda a vida.

“Neste sentido o dia do nosso Batismo é o ponto de partida de um caminho de conversão que dura toda a vida e que é continuamente sustentado pelo Sacramento da Penitência.”

O Santo Padre apresentou, então, o segundo elemento: um só batismo:

“Segundo elemento: ‘um só batismo’. Esta expressão recorda-nos aquela de S. Paulo: Um só Senhor, uma só fé, um só batismo. A palavra batismo significa literalmente ‘imersão’ e, com efeito, este sacramento constitui uma verdadeira imersão espiritual na morte de Cristo, da qual se ressuscita com Ele como novas criaturas.”

Este novo nascimento – afirmou o Santo Padre - dá-se através de uma verdadeira imersão espiritual na morte de Cristo, pois, batismo significa imersão, para que possamos ressuscitar com Ele para uma vida nova.

Terceiro e último elemento: a remissão dos pecados:

“Finalmente, um breve apontamento sobre o terceiro elemento: para a remissão dos pecados. No sacramento do Batismo são remidos todos os pecados, o pecado original e todos os pecados pessoais, como também todas as penas do pecado.”
Assim, o Batismo – continuou o Santo Padre - representa uma poderosa intervenção da misericórdia divina na nossa vida, que nos garante o perdão de todos os pecados: do pecado original e de todos os pecados pessoais. E como se fosse um novo batismo.

O Papa Francisco dirigiu nesta audiência uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente a uma delegação de Moçambique e a diversos grupos de brasileiros.

No final da audiência o Papa Francisco lançou um apelo pelas crianças mortas na Síria devido a tiros de morteiro que atingiram o autocarro que as transportava. O Papa pediu: Por favor, que estas tragédias não voltem a acontecer, rezemos fortemente.

O Santo Padre recordou ainda as vítimas do tufão nas Filipinas. E afirmou serem estas as batalhas a combater: pela vida e nunca pela morte!

Deus repreende-nos com uma carícia – o Papa Francisco na missa desta terça-feira convidou a confiarmos nas mãos de Deus

Confiemos em Deus como uma criança confia nas mãos do seu pai. Esta a mensagem principal da homilia de Papa Francisco na missa desta terça-feira, 12.novembro.2013 na Casa de Santa Marta. O Santo Padre desenvolveu a sua meditação partindo da Primeira Leitura retirada do Livro da Sabedoria: “ A inveja do diabo” – disse o Papa – “fez com que se iniciasse este caminho que acaba com a morte”. Mas, nós estamos nas mãos de Deus desde o início.

“Todos devemos passar pela morte, mas uma coisa é passar por esta experiência com uma pertença ao diabo e uma outra coisa é passar por esta experiência na mão de Deus. E eu gosto de ouvir isto: Estamos nas mãos de Deus desde o início. A bíblia explica-nos a Criação usando uma imagem bela: Deus que, com as suas mãos, nos faz da lama, da terra, à sua imagem e semelhança. Foram as mãos de Deus que nos criaram: o Deus artesão! Como um artesão fez-nos. Estas mãos do Senhor... As mãos de Deus, que não nos abandonaram.”

“O nosso Pai, como um Pai ao próprio filho, ensina-nos a caminhar. Ensina-nos a ir pelo caminho da vida e da salvação. São as mãos de Deus que nos acariciam nos momentos de dor, confortam-nos. É o nosso Pai que nos acaricia! Gosta tanto de nós. E também nestas caricias tantas vezes está o perdão. Faz-me bem pensar nisto. Jesus, Deus, trouxe consigo as suas chagas: mostra-as ao Pai. Este é o preço: as mãos de Deus são mãos chagadas por amor! E isto consola-nos tanto.”

As mãos de Deus curam os males. Nas mãos de Deus – disse o Papa Francisco – estamos em máxima segurança:“Pensemos nas mãos de Jesus quando tocava os doentes e os curava... São as mãos de Deus: curam-nos! Eu não imagino Deus a dar-nos uma bofetada! Não imagino. A repreender-nos sim imagino. Mas não nos fere! Fá-lo com uma carícia.Mesmo quando nos tem que repreender fá-lo com uma carícia, porque é Pai. São mãos chagadas que nos acompanham no caminho da vida. Confiemo-nos nas mãos de Deus, como uma criança confia na mão do seu papá. É uma mão segura aquela.”

Papa Francisco: Tweet de hoje:

12/11/2013
Lembremos as Filipinas, o Vietnam e toda a região atingida pelo furacão Haiyan. Sede generosos na oração e na ajuda concreta.

O efeito Francisco
Para 50,8% dos sacerdotes italianos, o papa traz mais fiéis à Igreja


Roma, 11 de Novembro de 2013 (Zenit.org)

O “efeito Francisco”, que incentivou um número notável de fiéis a voltar para a Igreja depois de anos de separação, comovidos com os apelos do novo papa a confiar na misericórdia divina, continua a ser percebido em mais da metade das comunidades católicas italianas. A pesquisa foi feita pelo sociólogo Massimo Introvigne e será apresentada hoje no instituto Cottolengo de Turim.


Introvigne testou a teoria do “efeito Francisco” em abril deste ano, um mês depois do início do pontificado do papa Bergoglio. Na época, 53% dos sacerdotes e religiosos afirmaram ter visto na sua comunidade um aumento de pessoas que se reaproximavam da Igreja ou se confessavam. O fenômeno foi observado ainda por 41,8% dos leigos. O sociólogo apresenta agora o livro "O segredo do papa Francisco", que lança um olhar sobre os antecendentes e sobre os primeiros meses deste pontificado. Introvigne retorna ao levantamento de abril, recebido com interesse por revistas e jornais de vários países. A proposta, aliás, foi repetida por sociólogos de outros lugares do mundo, com resultados em parte semelhantes e em parte diferentes dos verificados na Itália.

A nova pesquisa de Introvigne, seis meses após a primeira, tem uma amostragem maior. O efeito Francisco é agora percebido por 50,8% dos sacerdotes e religiosos. Como em abril, a percepção é maior entre os religiosos (79,37%), mas continua majoritária quando se considera o conjunto de religiosos e sacerdotes. Também como em abril, os leigos percebem o efeito Francisco menos intensamente que os religiosos, mas a porcentagem ainda é significativa: 44,8%.

"As flutuações são estatisticamente normais. O fato de que o número de sacerdotes e de religiosos que percebem o efeito tenha diminuído ligeiramente e que o dos leigos tenha aumentado um pouco não é decisivo. O fato importante é que, depois de seis meses desde a primeira pesquisa e sete depois do início do pontificado, o fenômeno do efeito Francisco não mostra sinais de refluxo, mas de consolidação", diz o sociólogo italiano. "Um pouco mais da metade dos sacerdotes e religiosos nota na própria comunidade que o efeito Francisco não se desvanece com o passar dos meses, mas persiste. Se tentássemos traduzir os dados em termos numéricos e em escala nacional, com referência apenas à metade das paróquias e das comunidades, teríamos que falar, na Itália, de centenas de milhares de pessoas que se reaproximaram da Igreja acolhendo os convites do papa Francisco. É um efeito enorme. Espetacular, até".

O estudioso prossegue: “É claro que o efeito Francisco aponta apenas um primeiro movimento de retorno à Igreja. Mas o próprio papa afirma, num discurso do dia 14 outubro, na sessão plenária do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, que, quando o primeiro anúncio se enraíza, é preciso começar uma segunda etapa, a da catequese. Ela não vai mais depender de uma comunicação eficaz do papa, mas das comunidades e paróquias. Se as consequências do efeito Francisco vão ser sólidas e duradouras, isso vai depender de como os sacerdotes, religiosos, leigos e movimentos desenvolverem a estratégia pastoral do papa".

Ano da Fé: veneração das relíquias de São Pedro

Cidade do Vaticano, 11.novembro.2013 (RV) – Pela primeira vez na história, o Vaticano apresentará publicamente para a veneração as relíquias de São Pedro. Será um acontecimento único para encerrar com chave de ouro o Ano da Fé. Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, deu a notícia através do jornal vaticano, L'Osservatore Romano.

As relíquias do Apóstolo se encontram nas Grutas Vaticanas, abaixo da Basílica de São Pedro e são veneradas pelos Papas, os bispos que realizam as visitas quinquenais “ad Limina” e visitantes ilustres, além dos fiéis durante todo o ano.

“A crise exige que se eliminem as barreiras da injustiça”: Papa Francisco no prefácio ao livro do Cardeal Bertone

Radio Vaticano - 11.novembro.2013


O verdadeiro desafio para o futuro da humanidade é a construção de uma paz e um desenvolvimento que não excluam ninguém - assim afirma o Papa Francisco no seu prefácio ao livro do Cardeal Bertone intitulado "A diplomacia pontifícia num mundo globalizado" (publicado pela Livraria Editora do Vaticano), que será apresentado na terça-feira às 17h , na Nova Sala do Sínodo, no Vaticano.

L'Osservatore Romano, ed. em português, 14 de novembro de 2013.

 

Com o presente volume, o cardeal Tarcisio Bertone transmite àqueles que estão comprometidos no serviço diplomático da Santa Sé, e não só, uma abundante séria de reflexões a propósito das principais questões que dizem respeito à vida da comunidade das Nações e que se referem de perto às aspirações mais profundas da família humana: a paz, o desenvolvimento, os direitos humanos, a liberdade religiosa e a integração supranacional.

Além disso, para a diplomacia pontifícia trata-se de indicações inestimáveis que permitem compreender a sua unicidade, a começar pela figura do diplomata, sacerdote e pastor, chamado a uma actividade que, embora conservando o rigoroso perfil institucional, está impregnada de respeito pastoral; uma actividade que caracterizou o período de sete anos de serviço prestado pelo cardeal Bertone como secretário de Estado, em benefício generoso e fiel do pontificado de Bento XVI. O seu serviço no vértice, tanto na esfera mais administrativa da Cúria romana, como na das relações internacionais da Santa Sé, prolongou-se oportunamente também durante os primeiros meses do meu pontificado. A sua experiência pacata e madura de servidor da Igreja ajudou-me, também a mim, chamado à Sé de Pedro de um país distante, no início de um conjunto de relações institucionais obrigatórias para um Pontífice.

O encontro com a figura do cardeal Tarcisio Bertone, conhecida pelo seu papel e pela sua personalidade jovial, teve para mim, no passado, três momentos particulares. Recordo antes de tudo a primeira aproximação à Torre de São João no Vaticano, no dia 11 de Janeiro de 2007, onde eu estive em visita com a Presidência da Conferência episcopal argentina: um intercâmbio muito tranquilo e ao mesmo tempo deveras construtivo acerca das problemáticas que então nos angustiavam. Quando, em 2007, ele visitou a Argentina como Legado pontifício para a celebração da beatificação de Zeferino Namuncurá, o seu perfil fraterno no encontro com os prelados da Conferência episcopal e a afabilidade inteiramente salesiana no relacionamento com as pessoas depois de cada celebração pública despertaram o meu interesse e a minha admiração. Nos seus diálogos com as maiores instâncias políticas da Nação, o cardeal Bertone ressaltou a contribuição da Igreja para a pacificação e a reconciliação, necessárias para regenerar o tecido social dilacerado por numerosas situações que tinham posto em perigo a concórdia nacional, e deste modo prestou uma ajuda inestimável à obra empreendida pelo episcopado argentino em vista de reconstruir o tecido ético, social e institucional do país.

Alguns meses antes, naquele mesmo ano, tinha sido realizada no Brasil a V Conferência geral do episcopado latino-americano e do Caribe (9-14 de Maio de 2007), na qual participei em qualidade de primaz da Igreja na Argentina. Ali voltei a encontrar-me com o cardeal Bertone, que então acompanhava o Papa Bento XVI, interessado não apenas nos aspectos eclesiais salientes, mas também nas dimensões sociais e culturais apresentadas no Documento final e confiadas em primeiro lugar às comunidades eclesiais latino-americanas.

Um interesse que volta a manifestar-se na análise do conjunto das suas intervenções pronunciadas em diversas áreas geográficas, proferidas tanto no interior da Igreja e das suas estruturas, como diante dos organismos políticos dos diversos Estados e perante plateias heterogéneas.

Observa-se imediatamente que dirige a sua atenção à crise que vivemos no presente, global e complexa, tornando concreta a ideia de um mundo sem fronteiras. No entanto a crise, embora seja uma certeza para todos, interroga-nos sobre as escolhas feitas até ao momento presente e sobre o rumo que tencionamos seguir no futuro, chamando a responsabilidade das pessoas e das instituições para eliminar as numerosas barreiras que substituíram os confins: desigualdades, corrida aos armamentos, subdesenvolvimento, violação dos direitos fundamentais, discriminações, impedimentos à vida social, cultural e religiosa.

Isto exige uma reflexão realista não apenas sobre o nosso pequeno mundo quotidiano, mas também sobre a natureza dos vínculos que unem a comunidade internacional e das tensões presentes no seu interior. Conhece-o bem a actividade da diplomacia que, através dos seus protagonistas, das suas regras e dos seus métodos, constitui um instrumento que concorre para a construção do bem comum, chamado em primeiro lugar a ler os acontecimentos internacionais, que de resto é um modo de interpretar a própria realidade. Esta realidade somos nós mesmos, a família humana em movimento, praticamente uma obra em construção contínua que inclui o lugar e o tempo em que se encarna a nossa história de mulheres e homens, de comunidades e povos. Por conseguinte, a diplomacia é um serviço, e não uma actividade refém de interesses particulares dos quais as guerras, os conflitos internos e as diferentes formas de violência constituem a consequência, lógica mas amarga; e nem sequer um instrumento da exigência de poucos, que excluem as maiorias, geram pobreza e marginalização, toleram todos os tipos de corrupção e produzem privilégios e injustiças.

A profunda crise de convicções, de valores e de ideias oferece à actividade diplomática uma oportunidade renovada, que é ao mesmo tempo um desafio. O desafio de concorrer para estabelecer entre os diversos povos relações novas, verdadeiramente justas e solidárias, pelas quais cada nação e todas as pessoas sejam respeitadas na sua identidade e dignidade, bem como promovidas na sua liberdade. Deste modo, os vários países terão a possibilidade de programar o próprio futuro, as pessoas poderão escolher as maneiras para realizar as suas aspirações de criaturas, feitas à imagem do criador.

Nesta fase histórica a comunidade internacional, as suas regras e as suas instituições encontram-se efectivamente obrigadas a escolher um rumo que recupere as suas respectivas raízes e conduza a família humana para um porvir que não fale só a linguagem da paz e do desenvolvimento, mas que seja concretamente capaz de incluir todos, evitando que alguém permaneça à margem. Isto significa ultrapassar a situação contemporânea na existência dos Estados e na vida internacional, que vê a ausência de convicções fortes e de programas a longo prazo entrelaçar-se com a profunda crise daqueles valores que, desde sempre, fundamentam os vínculos sociais.

Diante desta globalização negativa que é paralisante, a diplomacia está chamada a empreender uma tarefa de reconstrução, voltando a descobrir a sua dimensão profética, determinando aquela que poderíamos definir como utopia do bem e, se for necessário, reivindicando-a. Não se trata de abandonar aquele realismo sadio que é uma virtude e não uma técnica de cada diplomata, mas de superar o predomínio do contingente, o limite de uma acção pragmática que muitas vezes tem o sabor de uma involução. Uma maneira de pensar e de agir que, se prevalecer, limita qualquer actividade social e política, impedindo a construção do bem comum.

A verdadeira utopia do bem, que não é uma ideologia nem unicamente filantropia, através da acção diplomática pode expressar e consolidar aquela fraternidade presente nas raízes da família humana e a partir dali, chamada a crescer, a propagar-se para produzir os seus frutos.

Uma diplomacia renovada significa diplomatas autênticos, ou seja, capazes de restituir à vida internacional o sentido da comunidade, interrompendo a lógica do individualismo, da competição desleal e do desejo de ser sempre o primeiro, promovendo antes de tudo uma ética da solidariedade capaz de substituir a ética da potência, hoje reduzida a um modelo de pensamento para justificar a força. Precisamente aquela força que contribui para debilitar os vínculos sociais e estruturais entre os vários povos e, ao mesmo tempo, para destruir os laços que unem cada um de nós a outras pessoas, a ponto de compartilhar o seu próprio destino. Deste modo, o rumo que tomarem as relações internacionais estará vinculado à imagem que nós temos do outro como pessoa, povo, Estado.

Eis a chave do renascimento daquela unidade entre os povos que faz suas as diferenças, sem ignorar os elementos históricos, políticos, religiosos, biológicos, psicológicos e sociais que constituem expressão de diversidade. Também diante de limites, de condicionamentos e de obstáculos é possível fundir e integrar os comportamentos, os valores e as regras que se foram constituindo ao longo do tempo.

A perspectiva cristã sabe avaliar tanto o que é autenticamente humano como aquilo que deriva da liberdade da pessoa, da sua abertura ao novo, em última análise, do seu espírito que une a dimensão humana à dimensão transcendente. Esta é uma das contribuições que a diplomacia pontifícia oferece à humanidade inteira, trabalhando em vista de fazer renascer a dimensão moral nas relações internacionais, aquela que permite à família humana viver e desenvolver-se unida, sem se tornar inimigos uns dos outros. Se o homem manifesta a sua humanidade na comunicação, no relacionamento e no amor pelos seus próprios semelhantes, as várias nações podem unir-se em volta de objectivos e práticas compartilhados, gerando deste modo um sentimento comum bem arraigado. Ainda mais, podem dar vida a instituições unitárias no contexto da comunidade internacional, capazes de prestar um serviço sem que isto negue a identidade, a dignidade e a liberdade responsável de cada país. O serviço destas instituições consistirá em inclinar-se diante das necessidades dos vários povos, descobrindo precisamente as capacidades e as carências do outro. Trata-se da rejeição da indiferença ou de uma cooperação internacional, fruto do egoísmo utilitarista para fazer ao contrário, através de organismos comuns, alguma coisa pelos outros.

Desde modo o serviço não é simplesmente um compromisso ético, nem uma forma de voluntariado, e nem sequer um objectivo ideal, mas uma escolha que por sua vez é fruto de um vínculo social assente naquele amor capaz de construir uma humanidade nova, um modo renovado de viver. Não serão fazendo prevalecer a razão de Estado ou o individualismo que conseguiremos eliminar os conflitos ou que conferiremos a justa colocação aos direitos da pessoa. O direito mais importante de um povo e de uma pessoa não consiste em não ser impedido de realizar as suas próprias aspirações, mas sim em realizá-las de maneira efectiva e integral. Não é suficiente evitar a injustiça, se não se promove a justiça. Não é suficiente proteger as crianças contras o abandono, os abusos e os maus-tratos, se não se educam os jovens a um amor pleno e gratuito pela existência humana nas suas diferentes fases, se não se oferecem às famílias todos os recursos de que elas têm necessidade para cumprir a sua missão imprescindível, se não se favorece em toda a sociedade uma atitude de hospitalidade e de amor pela vida de todos e de cada um dos seus membros.

Uma comunidade dos Estados madura será aquela na qual a liberdade dos seus membros é plenamente responsável pela liberdade dos outros, com base no amor que é solidariedade activa. No entanto, não se trata de algo que cresce espontaneamente, mas implica a necessidade de investir esforço, paciência, compromisso quotidiano, sinceridade, humildade e profissionalidade. Não é porventura esta a via mestra que a diplomacia está chamada a percorrer neste século XXI?

São numerosas e estimulantes as indicações deste trabalho, que demonstra como o cardeal Bertone soube apresentar o anúncio evangélico, os valores e as grandes instâncias da doutrina da Igreja, em conformidade com as linhas-guia do magistério de Bento XVI, com aquele equilíbrio e aquela sobriedade necessários para favorecer uma cultura do diálogo, própria da Santa Sé.

O parâmetro da vida dos servidores da Igreja não é ditado por aquela «impressão de uma notícia em manchetes, para que as pessoas pensem que é inquestionavelmente verdadeira» (Jorge Luís Borges), mas está impregnado, apesar dos limites inerentes das condições e das possibilidades de cada um, da sua dedicação silenciosa e generosa ao bem autêntico do Corpo de Cristo e ao serviço duradouro em prol da causa do homem. Por isso a história, cuja medida constitui a verdade da Cruz, tornará evidente a actividade intensa do cardeal Bertone, o qual demonstrou também que tem o temperamento piemontês do grande trabalhador que não poupa esforços na promoção do bem da Igreja, preparado cultural e intelectualmente, assim como animado por uma força interior tranquila que recorda estas palavras do Apóstolo dos gentios: «Quanto a mim, nunca pretendo gloriar-me, a não ser da Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo: Ele é a nossa salvação, vida e ressurreição; através dele fomos salvos e libertados» (Gl 6, 14).

Pecadores sim, corruptos não

«Pecadores sim, corruptos não». O Papa Francisco, durante a missa celebrada na manhã de segunda-feira, 11 de Novembro,  na capela de Santa Marta, voltou a falar sobre a corrupção, ou melhor, sobre os corruptos cuja «vida dupla» os torna semelhantes «a uma podridão envernizada».

A reflexão do Pontífice inspirou-se na leitura de um trecho do Evangelho de Lucas (17, 1-6): «Se o teu irmão cometer uma culpa, repreende-o; mas se se arrepender, perdoa-o. O mesmo Evangelho  contém outro trecho no qual, frisou o Bispo de Roma, Jesus diz: «Ai daquele que causar  escândalos». Jesus, explicou, «não fala do pecado mas do escândalo» e diz: «Melhor seria que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem ao mar do que escandalizar um só destes pequeninos. Tende cuidado convosco!». Depois, o Pontífice  se perguntou: «Mas que diferença há entre pecar e escandalizar? Qual a diferença entre cometer um pecado e fazer algo que causa escândalo e faz mal, muito mal?». A diferença, disse, é que «quem peca e se arrepende pede perdão, sente-se frágil, sente-se filho de Deus, humilha-se e pede a salvação de Jesus. Mas quem dá escândalo não se arrepende e  continua a pecar e finge que é cristão». É como se levasse uma «vida dupla» e, acrescentou, «a vida dupla de um cristão faz muito mal».

«Onde há engano – comentou o Papa Francisco – não há o Espírito de Deus. Esta é a diferença entre pecador e corrupto.  Quem leva uma vida dupla é um corrupto. Quem peca, ao contrário, gostaria de não pecar, mas é débil ou encontra-se numa condição na qual não pode achar uma solução mas vai ter com o Senhor e pede perdão. A este o Senhor ama, acompanha-o, está com ele. E nós devemos dizer, todos nós que estamos aqui: pecadores sim, corruptos não». Os corruptos,  explicou o Papa, não sabem o que é a humildade. Jesus comparava-os com os sepulcros caiados: bonitos por fora mas dentro cheios de ossos podres. «E um cristão que se vangloria de ser cristão mas não leva uma vida cristã – frisou – é um corrupto».

Todos conhecemos alguém que «está nesta situação e sabemos – acrescentou – quanto mal fazem à Igreja os cristãos corruptos, os sacerdotes corruptos. Quanto mal fazem à Igreja! Não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito da mundanidade. E são Paulo  diz claramente aos romanos: Não vos conformeis com este mundo (cf. Romanos 12, 2). Mas no texto original é ainda mais forte: não entreis nos esquemas deste mundo, nos parâmetros deste mundo, porque são precisamente estes, esta mundanidade, que levam à vida dupla».

Na conclusão o Papa disse: «Uma podridão envernizada: esta é a vida do corrupto. E a estes Jesus  não os chamava simplesmente  pecadores. Mas dizia-lhes hipócritas». Jesus, recordou ainda, perdoa sempre, não se cansa de perdoar. A única condição que pede é que não queiramos levar esta vida dupla: «Peçamos hoje ao Senhor  que evitemos todos os enganos, que nos reconheçamos pecadores. Pecadores sim, corruptos não».

L'Oservatore Romano

Esta foi a mensagem que o Papa Francisco deixou hoje em seu Twitter:

11/11/2013
Deus nos ama. Descubramos a beleza de amar e de nos sentirmos amados.


Papa reza no Angelus pelas vítimas do tufão nas Filipinas

Cidade do Vaticano, 10.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 10 de novembro, da janela da residência pontifícia, no Vaticano, com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

O Evangelho deste domingo nos apresenta Jesus lidando com os saduceus que negavam a ressurreição e sobre esse tema eles fazem uma pergunta a Jesus, para colocá-lo em dificuldade e ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos. Eles lhe propuseram um caso imaginário:

"Uma mulher tinha tido sete maridos, mortos um após o outro e perguntam a Jesus: De quem a mulher será esposa depois de sua morte? Jesus, sempre manso e paciente, primeiro responde que a vida depois da morte não tem os mesmos parâmetros que a vida terrena. A vida eterna é outra vida, numa outra dimensão em que não haverá matrimônio, que está ligado à nossa existência neste mundo. Os ressuscitados, disse Jesus, serão como anjos e viverão num estado diferente, que agora não podemos experimentar e nem imaginar."

Depois Jesus passa ao contra-ataque e "o faz citando a Sagrada Escritura, com uma simplicidade e originalidade que nos deixam cheios de admiração pelo nosso Mestre, o único Mestre! A prova da ressurreição Jesus a encontra no episódio de Moisés e da sarça ardente onde Deus se revela como o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. O nome de Deus está ligado aos nomes de homens e mulheres aos quais Ele se liga. Essa ligação é mais forte que a morte", disse o Santo Padre que acrescentou:

"É por isso que Jesus afirma: "Deus não é Deus dos mortos, mas de vivos, pois todos vivem para ele. Esta é uma ligação decisiva, a aliança fundamental, aliança com Jesus. Ele é a Aliança. Ele é a vida e a ressurreição, porque com o seu amor crucificado venceu a morte. Em Jesus, Deus nos doa a vida eterna, doa a todos, e todos graças a Ele possuem a esperança de uma vida ainda mais verdadeira do que esta. A vida que Deus nos prepara não é um simples embelezamento desta atual: ela supera a nossa imaginação, porque Deus nos surpreende continuamente com o seu amor e sua misericórdia."

O que vai acontecer é exatamente o contrário do que esperavam os saduceus. "Esta vida não é referência para a eternidade, para a outra vida que nos espera, mas é a eternidade que ilumina e dá esperança à vida terrena de cada um de nós! Se olharmos apenas com os olhos humanos, tendemos a dizer que o caminho do homem vai da vida para a morte", frisou o pontífice.

"Jesus inverte essa visão e afirma que a nossa peregrinação vai da morte para a vida: a vida plena! Nós estamos em caminho, em peregrinação para a vida plena e essa vida plena ilumina o nosso caminho! A morte está atrás, não diante de nós. Diante de nós está o Deus dos vivos, está a derrota definitiva do pecado e da morte, o início de um novo tempo de alegria e de luz infinita. Mas mesmo nesta terra, na oração, nos sacramentos e na fraternidade, encontramos Jesus e seu amor, e assim podemos saborear algo da vida eterna. A experiência que fazemos de seu amor e sua fidelidade se acendem como um fogo em nosso coração e aumenta a nossa fé na ressurreição. Se Deus é fiel e ama não pode ser a tempo limitado. Ele sempre é fiel, segundo o seu tempo, que é a eternidade," disse o Santo Padre.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco recordou que hoje em Paderborn, na Alemanha, será proclamada Beata Maria Teresa Bonzel, fundadora das Irmãs Franciscanas Pobres da Adoração Perpétua, que viveu no século XIX. A Eucaristia era a fonte de onde ela tirava a energia espiritual, para se dedicar com incansável caridade aos pobres.

O Santo Padre recordou as populações das Filipinas e região que foram atingidas pelo tufão Haiyan-Yolanda. O Papa pediu aos fiéis na Praça São Pedro para que rezassem um minuto em silêncio pelas vítimas e depois todos juntos rezaram a Ave Maria.

"Infelizmente, as vítimas são muitas e enormes os danos. Rezemos por esses nossos irmãos e irmãs, e façamos chegar a eles a nossa ajuda concreta."

O pontífice lembrou os setenta e cinco anos da "Kristallnacht" (Noite dos Cristais), recordado neste domingo:

"A violência da noite entre 9 e 10 de novembro de 1938 contra os judeus, sinagogas, casas e lojas marcou uma triste passo rumo ao Holocausto. Renovemos o nosso apoio e solidariedade ao povo judeu, nossos irmãos mais velhos, e peçamos a Deus para que a memória do passado, a memória dos pecados passados nos ajude a estar sempre vigilantes contra todas as formas de ódio e intolerância."

O Santo Padre recordou que neste domingo, celebra-se na Itália Dia de Ação de Graças. "Uno minha voz à voz dos bispos para manifestar minha proximidade ao mundo agrícola, especialmente aos jovens que escolheram trabalhar a terra. Encorajo aqueles que trabalham para que não falte a ninguém uma alimentação saudável e adequada", sublinhou.

O Papa Francisco saudou os peregrinos que vieram dos Estados Unidos, Taiti e vários outros países, as famílias, grupos paroquiais e associações, em particular, os fiéis das Dioceses da Liguria, acompanhados pelo Cardeal Angelo Bagnasco e outros bispos da região. Saudou também os jovens das Pontifícias Obras Missionárias.

Twitter do Papa Francisco:

09/11/2013
A nossa vida deve estar centrada no essencial: em Jesus Cristo. Todo o resto é secundário.


Pesar do Papa Francisco pelas vítimas do tufão nas Filipinas

Cidade do Vaticano, 9.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco manifestou seu pesar pelas vítimas do supertufão Haiyan-Yolanda que atingiu as Filipinas, nesta sexta-feira, causando pelo menos 10 mil mortos na província de Leyte, no centro do país, segundo um alto funcionário da polícia, citando o governador.

O Santo Padre foi informado sobre a trágica situação que a nação está vivendo e num tuíte em inglês manifesta sua proximidade aos filipinos e pede para rezar pelas vítimas: "Peço a todos para que rezem comigo pelas vítimas do tufão Haiyan-Yolanda, especialmente nas Filipinas".

A localidade mais afetada é Tacloban. O Haiyan teria arrasado entre 70% a 80% da cidade de Tacloban, capital da província de Leyte.

O Haiyan é esperado neste momento no Vietnã, onde as autoridades já evacuaram cerca de 600 mil pessoas.

Papa Francisco e “os valores dos italianos” (Sal da Terra)

A poucos meses da eleição do Papa Francisco, a sua influência faz-se sentir de tal maneira no comportamento dos italianos que mereceu mesmo uma referência expressa no Relatório do Estudo que uma conceituada empresa de análises sociológicas dedica anualmente, por encargo do Estado, ao comportamento dos cidadãos e aos “valores” evidenciados. Se nos últimos anos vinham aumentando sinais preocupantes de “egoísmo difuso, passividade, irresponsabilidade, materialismo radical”, desta vez a ampla sondagem realizada aponta para uma inversão de tendência, com a revalorização da espiritualidade e da interioridade e uma nova disponibilidade ao voluntariado e ao serviço dos outros.

Teve justificado destaque em Itália o Relatório publicado há dias pelo CENSIS (Centro Estudos e Investimentos Sociais) com o título de “Os valores dos italianos 2013. O retorno do pêndulo”. Segundo a análise interpretativa dos responsáveis do estudo, haveria indícios de um certo despertar de esperança, de positividade e de energia, não obstante o persistir de índices econômico-sociais deprimentes. E o que é mais surpreendente para nós nesta publicação “laica”, é a menção do Papa Francisco como tentativa de explicar a evolução em curso.

Um dos pontos da análise intitula-se “Papafranciscanismo”, neologismo que alude ao que parece ser um comportamento de massa suscitado pelo espírito e estilo do Papa Francisco. “A figura do Papa está a despertar o interesse não só pela fé, mas mais em geral pela vida espiritual e pelo gosto de certa frugalidade dos costumes” – lê-se no Relatório, que prossegue:

“É de notar que os crentes, quer se trate de um credo confessional ou não confessional, têm, mais do que os não crentes, a capacidade de cultivar no espírito pensamentos positivos. Os crentes mostram maior vitalidade dos não crentes, não só no que diz respeito à vida religiosa, mas também quando se trata de ajudar pessoas em dificuldade ou de realizar um trabalho importante”. Mais à frente, a concluir esta parte da análise, acrescenta-se: “Dir-se-ia que o hábito de uma vida espiritual, de interioridade e porventura também de uma pertença religiosa, tenha criado uma predisposição ao pensamento positivo”.


Estas observações retiveram a atenção de um editorialista do “Corriere della Sera” (o maior quotidiano de Itália, mais de 400.000 mil exemplares por dia), que confirma a existência de tal “papafranciscanismo”. Escreve Paolo Conti num Editorial do passado dia 7: “O fenômeno adverte-se bem e é muito difuso: papa Bergoglio, sem impor coisa nenhuma, propôs um velho-novo modelo profundamente humano, mais do que religioso em sentido estrito, e por isso mais fácil de advertir: imediatismo, simplicidade, ironia, recusa de circunlóquios e formalismos, abandono definitivo dos luxos destinados a sublinhar a sua condição de soberano.”

O Editorial do “Corriere della Sera” reconhece que este comportamento do Papa se estende também à “espiritualidade”, com “uma teologia propositadamente simplificada e uma ideia de fé ligada à alegria e não à culpa”. Observa-se justamente que o que conta para as grandes massas, mesmo não católicas, é o estilo de vida escolhido pelo Papa. O velho carro Renault, prenda de um pároco, usado no interior da Cidade do Vaticano, é mais eloquente do que todas as publicidades de automóveis de luxo - faz notar o jornal, que observa ainda que Papa Francisco calhou num momento da vida da Itália em que a recessão põe em causa a esperança no futuro. Sem qualquer calculismo, mantendo simplesmente o modo de viver que sempre foi o seu, tem mostrado que se pode ser Papa com um carro utilitário e comendo no refeitório de Santa Marta. Como um pai de família a braços com restrições para chegar ao fim do mês com o salário de que dispõe.
Radio Vaticano, 10.NOV.2013
Papa aos peregrinos da Ligúria: rezem por mim!

Cidade do Vaticano, 9.novembro.2013 (RV) – O Santo Padre iniciou sua série de atividades, na manhã deste sábado, recebendo um grupo de peregrinos provenientes da região da Ligúria, no norte da Itália.

A Audiência deveria se realizar amanhã, depois da Missa. Mas o Papa achou melhor antecipá-la para hoje. Assim, aos numerosos fiéis, agradeceu pela cordial visita ao Sucessor de Pedro e aproveitou para ressaltar o significado de uma peregrinação ou romaria:

“Quando se faz uma peregrinação è para crescer na fé e encontrar o Senhor. A peregrinação é um encontro com o Senhor: um encontro espiritual que nos ajuda a continuar no caminho da nossa existência; é bater à porta do coração do Senhor e apresentar-lhe as nossas necessidades. E o Senhor atende os nossos pedidos”.

Ao despedir-se dos peregrinos da Ligúria o Bispo de Roma pediu-lhes para levar a sua saudação às crianças, aos idosos e enfermos daquela região. Por fim, pediu também para rezar por sua pessoa e seu ministério petrino.



Os pobres de saúde são um precioso tesouro para a Igreja: Papa Francisco recebendo os membros da Unitalsi

Cidade do Vaticano, 9.novembro.2013 (RV) – Há que “valorizar realmente a presença e o testemunho das pessoas frágeis e sofredoras, não só como destinatários da obra evangelizadora , mas também como sujeitos ativos desta mesma ação apostólica”. Palavras do Papa Francisco, recebendo neste sábado de manhã, na vasta Sala Paulo VI, no Vaticano, milhares de membros, voluntários e colaboradores da UNITALSI – associação italiana criada há 110 anos para o transporte de doentes a Lourdes (e outros santuários marianos, incluindo Fátima).

O Santo Padre congratulou-se com o “estilo tipicamente evangélico” desta associação, sublinhando que a sua “obra não é assistencialismo ou filantropia, mas genuíno anúncio do Evangelho da caridade, mistério de consolação”.

"Sois homens e mulheres, mães e pais, tantos jovens, que, levados pelo amor de Cristo e a exemplo do Bom Samaritano, perante o sofrimento, não voltais a cara para o outro lado. Pelo contrário, procurai ser um olhar que acolhe, uma mão que levanta e acompanha, palavra de conforto, abraço de ternura."

Papa Francisco convidou os membros da UNITALSI a não desanimarem perante as dificuldades ou o cansaço, mas a continuarem a dar tempo, sorriso e amor aos irmãos e irmãs que disso têm necessidade.

Que cada pessoa doente e frágil possa ver no vosso rosto o rosto de Jesus. E também vós possais reconhecer na pessoa sofredora a carne de Cristo.

Os pobres, também os pobres de saúde, são uma riqueza para a Igreja; e vós – juntamente com tantas outras realidades eclesiais – recebestes o dom e o empenho de recolher esta riqueza, para ajudar a valorizá-la, não só para a própria Igreja, mas para toda a sociedade.

Dirigindo-se também aos “queridos irmãos e irmãs doentes”, o Papa Francisco convidou-os a não se considerarem apenas objeto de solidariedade e de caridade, mas a inserirem-se plenamente na vida e missão da Igreja.

"Vós tendes o vosso lugar, um papel específico na paróquia e em todos os meios da Igreja. A vossa presença, silenciosa mas mais eloquente do que tantas palavras, a vossa oração, a oferta quotidiana dos vossos sofrimentos em união com os de Jesus crucificado para a salvação do mundo, a aceitação paciente e também jubilosa da vossa condição, são um recurso espiritual, um patrimônio para cada comunidade cristã. Não vos envergonheis de ser um tesouro precioso da Igreja."

"Ecclesia semper reformanda": Papa na Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão

Breve foi a homilia do Papa nesta manhã de sexta-feira, 9.novembro.2013 em Santa Marta , na Missa celebrada na festa litúrgica da Dedicação da Basílica de Latrão. Papa Francisco ressaltou que a festa de hoje é a festa da cidade de Roma , a Igreja de Roma e a Igreja universal. A Basílica de Latrão , de fato, é a Catedral de Roma e da "mãe de todas as igrejas da "Urbe" e da "Orbe" (da cidade e do mundo).

O Papa retirou das leituras "três ícones" que falam da Igreja. Da primeira leitura de Ezequiel e do Salmo 45 , o ícone do rio de água que flui do templo e alegram a cidade de Deus , a imagem da graça que sustenta e nutre a vida da Igreja . A partir da segunda leitura, São Paulo aos Coríntios , o ícone da pedra , que é Jesus Cristo, o fundamento sobre o qual está construída a Igreja .

Do Evangelho da purificação do Templo, o ícone da reforma da Igreja : " Ecclesia semper reformanda ", porque os membros da Igreja são sempre pecadores e precisam de conversão. O Papa concluiu convidando os fiéis a rezar para que a Igreja possa sempre ser fonte donde flui a água da graça, seja sempre fundada em Cristo, e seus membros se deixem sempre converter por Jesus.

Papa exorta bispos franceses a testemunharem a misericórdia de Deus

Cidade do Vaticano, 8.novembro.2013 (RV) - Coloquem-se sempre a serviço do homem, de modo particular dos mais marginalizados. É a exortação que o Papa Francisco faz aos bispos franceses, numa mensagem a eles enviada por ocasião de sua assembleia plenária, em andamento em Lourdes.

O Papa encoraja os prelados a cuidarem da formação dos futuros sacerdotes, a fim de que sejam profundamente radicados em Cristo e próximos das pessoas a eles confiadas. A mensagem – endereçada ao arcebispo de Marselha e presidente do episcopado francês, Dom George Pontier – evidencia a tradição missionária da Igreja na França.

Que suas comunidades diocesanas – exorta o Pontífice – estejam num estado de conversão permanente a Cristo, de modo a realizar com credibilidade a missão evangelizadora.

Por fim, o Santo Padre aprecia a abertura da Plenária a bispos de outros países. Um sinal, escreve, do apego ao exercício colegial do ministério episcopal de vocês, em comunhão com o Bispo de Roma.

Papa destaca a obra dos Tribunais eclesiásticos

Cidade do Vaticano, 8.novembro.2013 (RV) – O Santo Padre recebeu, no final da manhã, desta sexta-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, os 55 participantes na Assembléia Plenária do Tribunal Supremo da Assinatura Apostólica.

Em seu discurso, o Papa expressou, antes de tudo, seu reconhecimento pela promoção da reta administração da justiça na Igreja, desenvolvida pelos membros do Tribunal Supremo do Vaticano.

A seguir, o Bispo de Roma recordou o verdadeiro significado da atividade do organismo vaticano:

“A sua atividade é favorecer a obra dos Tribunais eclesiásticos, chamados a responder adequadamente aos fiéis, que se dirigem à justiça da Igreja para obter uma justa decisão. Vocês trabalham para o seu bom funcionamento do organismo e apóiam os Bispos na sua responsabilidade de formar idôneos ministros da justiça”.

Neste sentido, o Papa falou do Defensor do vínculo, que desenvolve uma função importante, especialmente no processo de nulidade matrimonial: ele deve cumprir sua função com eficácia, a fim de chegar à verdade, com a sentença definitiva, em prol do bem pastoral das partes em causa.

Em relação ao tema da Assembléia Plenária, que colocou ao centro de seus trabalhos a promoção de uma defesa eficaz do vínculo matrimonial, nos processos canônicos de nulidade, o Pontífice afirmou que o ministério do Defensor do vínculo deve ser oportuno, mediante todo tipo de provas, exceções, recursos e apelações, que, no respeito à verdade, favorecem a defesa do próprio vínculo.

Por isso, disse o Papa, o Defensor do vínculo matrimonial não deve limitar-se à leitura apressada dos atos, nem a respostas burocráticas e genéricas. Pelo contrário, em sua tarefa delicada, deve procurar conciliar as prescrições do Código de Direito Canônico com as situações concretas da Igreja e da sociedade.

Por fim, o Santo Padre uma última anotação em relação aos agentes da justiça eclesial, que agem em nome da Igreja e fazem parte da Igreja: “Eles devem ter sempre presente a reação entre a Igreja que evangeliza e a sua ação ao administrar a justiça. O exercício da justiça é um compromisso com a vida apostólica: ele precisa ser exercido com os olhos fixos ao ícone do Bom Pastor, que se inclina para a ovelha perdida e ferida."

O Papa reza pelos filhos dos devotos da "deusa suborno", a corrupção tolhe a dignidade

Na Missa desta sexta-feira, 8.novembro.2013 na Casa de Santa Marta o Papa Francisco na sua homilia rezou pelos filhos que crescem em famílias e ambientes onde existe a corrupção e o “pão emporcalhado”. A parábola da administrador desonesto da liturgia de hoje foi o ponto de partida para a reflexão do Santo Padre que denunciou o espírito do mundo cheio de mundanidade, subernos e corrupção.

«O Senhor – disse o Papa – volta a falar-nos do espírito do mundo, da mundanidade; como age esta mundanidade e quanto é perigosa.  E Jesus, precisamente ele, na oração depois da ceia da quinta-feira santa rezava ao Pai para que os seus discípulos não caíssem na mundanidade»

“Quando nós pensamos nos nossos inimigos, verdadeiramente pensamos antes no demônio, porque é aquele que nos faz mal. A atmosfera, o estilo de vida é tanto do gosto do demônio e desta mundanidade: viver segundo os valores – entre aspas – do mundo. E este administrador é um exemplo de mundanidade. Alguns de vós podeis dizer: "Mas este homem, fez aquilo que fazem todos". Todos, não! Alguns administradores, adminstradores de empresa, administradores públicos; alguns administradores do governo... Talvez, nem são assim tantos. Mas é um pouco aquela atitude do caminho mais breve, mais cômodo para ganhar-se a vida.”

“Ah, sim, isto é um louvor ao suborno! E o hábito do suborno é um hábito mundano e fortemente pecador. É um hábito que não vem de Deus: Deus ensinou-nos a levar o pão de cada dia para casa com trabalho honesto! E este homem, administrador, levava-o mas como? Dava de comer aos seus filhos “pão emporcalhado”! E os seus filhos, quem sabe educados em colégios caros, talvez criados em ambientes cultos, tinham recebido do seu pai como alimento, "porcaria", porque o papai, levava “pão emporcalhado” para casa, tinha perdido a dignidade! E este é um pecado grave! Porque se começa talvez com um pequeno suborno, mas é como a droga, ein!”.

"Portanto, continuou, o Santo Padre, o hábito do suborno torna-se uma dependência. Mas, se existe uma "esperteza mundana", também existe a "esperteza cristã" de tornar as coisas mais leve... não com o espírito do mundo" mas honestamente. Tal como nos convida Jesus quando nos diz para sermos astutos como as serpentes mas simples como as pombas. E este é um dom que devemos pedir ao Senhor. O Santo Padre concluiu a homilia com uma prece especial:

“Talvez hoje nos faça bem a todos rezar por tantas crianças e jovens que recebem dos seus pais “pão emporcalhado”: também estes são esfomeados, são esfomeados de dignidade!” Rezar para que o Senhor possa mudar os corações destes devotos da "deusa suborno" e percebam  que a dignidade vem do trabalho digno, de um trabalho honesto, do trabalho de todos os dias e não destas estradas mais fáceis que, no final tiram tudo. E então eu acabaria como aquele outro do Evangelho que, tinha tantos celeiros, silos repletos e não sabia o que fazer: "Hoje à noite você vai morrer", disse o Senhor. Esta pobre gente que perdeu a sua dignidade na prática de subornos, traz consigo não só o dinheiro que ganhou, mas a falta de dignidade! Rezemos por eles."
Radio Vaticano - tradução do italiano

Tweet do Papa Francisco:

08/11/2013
Está chegando ao fim o Ano da Fé. Senhor, ajudai-nos neste tempo de graça a levar a sério o Evangelho.

OS JOVENS NA ESCOLA DAS BEM-AVENTURANÇAS

L’Osservatore Romano


Foram tirados das bem-aventuranças evangélicas os temas escolhidos pelo Papa Francisco para as próximas três edições da JMJ, que culminarão com o encontro internacional programado para Cracóvia (Polónia) de 25 de Julho a 1 de Agosto de 2016, com a participação do sucessor de Pedro.

Trata-se de um itinerário de preparação espiritual que no arco de três anos levará ao encontro na pátria de João Paulo II, idealizador das JMJ.
Em 2014, 29ª edição da Jornada, o tema para o encontro a nível diocesano será: «Felizes os pobres de espírito, porque deles é o Reino do Céu» (Mt 5, 3).

No ano seguinte, por ocasião da 30ª edição, também celebrada a nível diocesano, será: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8).

Enfim, para a Jornada internacional de Cracóvia, em 2016, será: «Felizes os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mt 5, 7).

No Rio de Janeiro, durante a JMJ presidida no passado mês de Julho, o Pontífice pediu aos jovens que voltem a ler as bem-aventuranças «com todo o coração», para fazer delas um programa de vida concreto.

«Olha, lê as bem-aventuranças que te farão bem!», exortou o Papa durante o encontro com os jovens argentinos reunidos na Catedral de São Sebastião no dia 25 de Julho.

Precisamente nos dias passados, o Pontifício Conselho para os Leigos, dicastério do Vaticano que organiza as JMJ, confiou ao brasileiro João Chagas a responsabilidade da secção dos jovens, substituindo o francês Eric Jacquinet, que desempenhou este cargo de 2008 a 2013, coadjuvado em 2011 pelo próprio Chagas em vista da JMJ carioca.

Sacerdote desde 21 de Dezembro de 2001, Chagas já conta com uma rica experiência pastoral, desempenhada sobretudo no contexto da comunidade internacional «Shalom». Após os estudos filosóficos em Fortaleza, sua cidade natal, chegou a Roma para o bacharelado no Angelicum e, depois de três anos passados no Brasil, voltou para a Urbe em vista da licenciatura em teologia espiritual no Teresianum, onde ainda estuda para o doutoramento. Por uma coincidência significativa, a sua nomeação como responsável da secção dos jovens teve lugar a 22 de Outubro, festa litúrgica do Beato João Paulo II.

Quarta-feira, 06 de novembro de 2013, 08h41

A santidade é para todos

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo


Quase no fim do Ano da Fé, a celebração da solenidade litúrgica de Todos os Santos nos deu a ocasião para recordar um dos artigos finais da Profissão de Fé da Igreja: “Creio na comunhão dos santos”. O Catecismo da Igreja Católica explica bem essa afirmação de nossa fé nos parágrafos 946 a 987.

A Igreja possui um “patrimônio comum”, do qual todos participamos: a santidade, dom do Espírito Santo dado aos discípulos de Cristo. Todos contribuímos para esse patrimônio com nossa vida santa e todos somos por ele também beneficiados. Na Igreja, ninguém é herói solitário: estamos em boa companhia!

Isso nos leva a ter uma atenção especial aos santos e santas, que são as testemunhas excelsas de Cristo; a Igreja, ao proclamar um santo, confirma que sua vida foi uma interpretação exemplar da vida cristã e um testemunho luminoso do Evangelho do Reino de Deus no mundo. E como os dons de Deus são inumeráveis, há também numerosas formas de santidade e de vidas santas. Cada santo, a seu modo, é um exemplo de vida segundo o Evangelho e pode ser imitado pelos outros, sem medo de errar.

Nossos santos católicos não são mitos criados pela fantasia humana. São pessoas que viveram num tempo e num espaço, tiveram uma história pessoal, que pode ser conhecida e verificada; eles são os membros da Igreja, que já chegaram lá, onde todos nós queremos chegar um dia. Mas pela “comunhão dos santos”, eles continuam ligados a nós e nós, a eles. Eles são mestres de vida cristã, testemunhas e exemplos de perseverança na fé, muitas vezes vivida em meio a inumeráveis dificuldades. Muitos deles morreram martirizados, proclamando essa fé, que também nós professamos.

Penso, por isso, que a vida dos santos seja parte importante da Catequese e da iniciação à vida cristã. Eles já percorreram a estrada que nós somos chamados a percorrer; eles foram discípulos exemplares de Cristo, foram bons cristãos e viveram de modo exemplar as virtudes, que também nós somos chamados a viver.

Gosto de retomar a Carta Apostólica Novo millennio ineunte (No início do novo milênio, 2001), do Papa João Paulo 2º. É breve, iluminada, programática. Ali se diz que a santidade é a prioridade das prioridades pastorais: “Não hesito em dizer que o horizonte para o qual deve tender todo o caminho pastoral é a santidade” (cf. n. 30).

A santidade é a vocação universal dos batizados, conforme nos ensina o Concílio, ao falar da Igreja (cf. Lumen Gentium, cap. V). A santidade não é uma ilustração opcional à vida cristã, mas a sua própria meta; pela fé e pelo Batismo, estamos em comunhão com aquele que é o santo e a fonte de toda santidade. A santidade é uma das qualidades da Igreja e deve também ser a marca de todos os seus membros: “Esta é a vontade de Deus a vosso respeito: a vossa santificação” (1Ts 4,3). É a vocação de todos os batizados.

A programação pastoral deve ser marcada pela busca da santidade. Por isso, diz ainda João Paulo 2º na mesma Carta Apostólica: “Perguntar a um catecúmeno – queres o Batismo? – significa ao mesmo tempo perguntar-lhe – queres ser santo?” (n. 32). A santidade, portanto, não é apenas para alguns poucos, mas para todos os discípulos de Cristo.

E o Papa Francisco, na homilia da solenidade de Todos os Santos, voltou a lembrar que a santidade tem um caminho, um rosto e um nome: Jesus Cristo. Estar em comunhão com Ele, seguir seus passos, imitar seu exemplo – eis o jeito da santidade.

Mensagem do Papa Francisco, hoje em seu twitter:

07/11/2013
Os santos são pessoas que se deixam possuir totalmente por Deus. Não têm medo de ser ridicularizados, incompreendidos ou marginalizados.

Mãe de futuro bispo ouviu de médico durante a gravidez: Seu filho vai ser um monstro
Ele sugeriu o aborto. Ela respondeu: É meu filho e nós vamos aceitar o que Deus nos enviar

Roma, 06 de Novembro de 2013 (Zenit.org)

Neste último dia 11 de outubro, o papa Francisco nomeou dom Andrew Cozzens como o novo bispo auxiliar de St. Paul, Minneapolis, nos Estados Unidos. É uma das tantas nomeações que o santo padre faz e que poderia ter passado despercebida se não fosse pelo fato de que a mãe do novo bispo, dona Judy, narrou a história da sua gravidez para o jornal The Catholic Spirit, revelando que Andrew teria sido abortado se ela tivesse ouvido os conselhos do próprio médico.


Ela não ouviu. E a história de Andrew não passou despercebida. Ele foi ordenado sacerdote em 1997, aos 28 anos, e agora é professor de Teologia Sacramental e responsável pela liturgia no seminário diocesano.

Quando estava grávida de cinco meses de Andrew, seu segundo filho, Judy começou a sentir dores que atribuiu inicialmente a um vírus pego no colégio onde dava aulas. Como as dores continuaram, ela pensou que podia ser um parto prematuro e correu para o hospital, acompanhada do marido, Jack. Conseguiram controlar a situação, mas, no dia seguinte, ao visitá-la, o médico afirmou: "O seu feto é deformado. Você não pode continuar esta gestação". Judy respondeu na hora: "O que você quer dizer? Ele é meu filho!".

"Não, eu acho que você não está me entendendo", insistiu o doutor. "O que você está carregando no útero é um monstro e você não pode continuar esta gravidez". A mãe replicou: "Ele é meu filho e nós vamos aceitar o que Deus nos enviar". O médico se recusou a continuar a atendê-la. A família teve que encontrar outro médico para acompanhar a gestação.

Andrew nasceu perfeitamente normal, a não ser por um eczema que afetava todo o seu corpo. Ele teve alergias que o incomodaram durante dois anos e provocaram uma asma crônica, que o acompanha até hoje.

Foi essa asma, em parte, que o levou a descobrir a vocação de entrega a Deus, quando tinha apenas 4 anos de idade.

Durante uma internação hospitalar em que precisou de respiração artificial, o pequeno Andrew olhou para o médico que tomava conta dele e disse:  "Pode ir dormir na sua cama. Vai ficar tudo bem comigo. Eu vou crescer e vou me dedicar às coisas de Deus".

O médico ficou perplexo e, conversando depois com Jack e Judy, contou-lhes que estava perdendo a fé em Deus por causa de um processo de divórcio muito doloroso, mas que as palavras do pequeno Andrew o tinham ajudado.

A vocação do menino foi se assentando graças também à amizade da família com um sacerdote de Denver, cidade onde viveram durante uma temporada para tratar do filho num centro especializado em asma.

Andrew leva hoje uma vida perfeitamente normal como adulto e como sacerdote. Com algumas peculiaridades, é claro: a exemplo do pai, ele também se tornou montanhista.

“A alegria de Deus não é a morte do pecador, mas a sua vida” – o Papa na missa desta quinta-feira, 7.novembro.2013

Na missa desta quinta-feira na Casa de Santa Marta o Papa Francisco comentou as parábolas da ovelha perdida e da dracma perdida e constatou a atitude dos fariseus que se escandalizavam com as coisas que Jesus fazia e murmaravam contra Ele dizendo: ‘Este homem é um perigo, come com os publicanos e os pecadores, ofende Deus’. Aos murmúrios Jesus responde com uma parábola:

“Aos murmúrios Ele responde com uma parábola cheia de alegria...’vós escandandalizais-vos disto, mas o meu Pai alegra-se’. Esta é a mensagem mais profunda: a alegria de Deus, que é um Deus que não gosta de perder, não é um bom perdedor e, para não perder, sai de si e vai à procura. É um Deus que procura todos aqueles que estão afastados d’Ele. Como o pastor que vai à procura da ovelha perdida.”

“Ele não tolera perder um dos seus. Mas esta será também a oração de Jesus, na Quinta-Feira Santa: ’Pai, que não se perda nenhum daqueles que tu me deste’. É um Deus que caminha para procurar-nos e tem uma predileção de amor por aqueles que mais se afastaram, que se perderam...Vai e procura-os. E como é que os procura? Procura-os até ao fim, como este pastor que vai na escuridão, procurando até encontrar; ou como a mulher que quando perde a moeda acende uma lâmpada, limpa a casa e procura-a cuidadosamente. É assim que Deus procura.”

E quando encontramos a ovelha que andava perdida e a colocamos junto das outras – explica o Papa Francisco – ninguém lhe pode dizer: ‘Tu estavas perdida’ mas deve dizer: ‘tu és uma de nós’ para que volte a ganhar a dignidade. Deus coloca tudo nos seus lugares e quando faz isto – diz o Santo Padre – é um Deus que se alegra:

“A alegria de Deus não é a morte do pecador, mas a sua vida: é a alegria. Como estavam longe estas pessoas que murmuravam contra Jesus, estavam longe do coração de Deus! Não o conheciam. Acreditavam que ser religiosos, que ser boas pessoas fosse andar sempre bem e educados e tantas vezes fazer de conta de ser educados, não é? Esta é a hipocrisia de murmurar. Ao contrário, a alegria do Pai é aquela do Amor: ama-nos. ‘Mas eu sou pecador, fiz isto, isto e aquilo...’ Mas eu amo-te na mesma e vou procurar-te e levo-te para casa. Este é o nosso Pai.”

III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos -Documento de preparação: Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização (5 de novembro de 2013)
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III ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS

OS DESAFIOS PASTORAIS SOBRE A FAMÍLIA
NO CONTEXTO DA EVANGELIZAÇÃO

Documento de preparação

Vaticano
2013

I – O Sínodo: família e evangelização

A missão de pregar o Evangelho a cada criatura foi confiada diretamente pelo Senhor aos seus discípulos, e dela a Igreja é portadora na história. Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da Igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial.

Propor o Evangelho sobre a família neste contexto é mais urgente e necessário do que nunca. A importância deste tema sobressai do facto que o Santo Padre decidiu estabelecer para o Sínodo dos Bispos um itinerário de trabalho em duas etapas: a primeira, a Assembleia Geral Extraordinária de 2014, destinada a especificar o "status quaestionis" e a recolher testemunhos e propostas dos Bispos para anunciar e viver de maneira fidedigna o Evangelho para a família; a segunda, a Assembleia Geral Ordinária de 2015, em ordem a procurar linhas de ação para a pastoral da pessoa humana e da família.

Hoje perfilam-se problemáticas até há poucos anos inéditas, desde a difusão dos casais de facto, que não acedem ao matrimónio e às vezes excluem esta própria ideia, até às uniões entre pessoas do mesmo sexo, às quais não raro é permitida a adoção de filhos. Entre as numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja, será suficiente recordar: os matrimónios mistos ou inter-religiosos; a família monoparental; a poligamia; os matrimónios combinados, com a consequente problemática do dote, por vezes entendido como preço de compra da mulher; o sistema das castas; a cultura do não-comprometimento e da presumível instabilidade do vínculo; as formas de feminismo hostis à Igreja; os fenómenos migratórios e reformulação da própria ideia de família; o pluralismo relativista na noção de matrimónio; a influência dos meios de comunicação sobre a cultura popular na compreensão do matrimónio e da vida familiar; as tendências de pensamento subjacentes a propostas legislativas que desvalorizam a permanência e a fidelidade do pacto matrimonial; o difundir-se do fenómeno das mães de substituição ("barriga de aluguel"); e as novas interpretações dos direitos humanos. Mas sobretudo no âmbito mais estritamente eclesial, o enfraquecimento ou abandono da fé na sacramentalidade do matrimónio e no poder terapêutico da penitência sacramental.

A partir de tudo isto compreende-se como é urgente que a atenção do episcopado mundial, "cum et sub Petro", enfrente estes desafios. Se, por exemplo, pensarmos unicamente no facto de que no contexto atual muitos adolescentes e jovens, nascidos de matrimónios irregulares, poderão nunca ver os seus pais aproximar-se dos sacramentos, compreenderemos como são urgentes os desafios apresentados à evangelização pela situação atual, de resto difundida em todas as partes da "aldeia global". Esta realidade encontra uma correspondência singular no vasto acolhimento que tem, nos nossos dias, o ensinamento sobre a misericórdia divina e sobre a ternura em relação às pessoas feridas, nas periferias geográficas e existenciais: as expectativas que disto derivam, a propósito das escolhas pastorais relativas à família, são extremamente amplas. Por isso, uma reflexão do Sínodo dos Bispos a respeito destes temas parece tanto necessária e urgente quanto indispensável, como expressão de caridade dos Pastores em relação a quantos lhes são confiados e a toda a família humana.

II – A Igreja e o Evangelho sobre a família

A boa nova do amor divino deve ser proclamada a quantos vivem esta fundamental experiência humana pessoal, de casal e de comunhão aberta ao dom dos filhos, que é a comunidade familiar. A doutrina da fé sobre o matrimónio deve ser apresentada de modo comunicativo e eficaz, para ser capaz de alcançar os corações e de os transformar segundo a vontade de Deus manifestada em Cristo Jesus.

A propósito das fontes bíblicas sobre o matrimónio e a família, nesta circunstância apresentamos somente as referências essenciais. Também no que se refere aos documentos do Magistério, parece oportuno limitar-se aos documentos do Magistério universal da Igreja, integrando-os com alguns textos emanados pelo Pontifício Conselho para a Família e atribuindo aos Bispos participantes no Sínodo a tarefa de dar voz aos documentos dos seus respectivos organismos episcopais.

Em todas as épocas e nas culturas mais diversificadas nunca faltou o ensinamento claro dos Pastores, nem o testemunho concreto dos fiéis, homens e mulheres que, em circunstâncias muito diversas, viveram o Evangelho sobre a família como uma dádiva incomensurável para a sua própria vida e para a vida dos sues filhos. O compromisso a favor do próximo Sínodo Extraordinário é assumido e sustentado pelo desejo de comunicar esta mensagem a todos, com maior incisividade, esperando assim que «o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens» (DV 26).

O projeto de Deus Criador e Redentor

A beleza da mensagem bíblica sobre a família tem a sua raiz na criação do homem e da mulher, ambos criados à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 24-31; 2, 4b-25). Ligados por uma vínculo sacramental indissolúvel, os esposos vivem a beleza do amor, da paternidade, da maternidade e da dignidade suprema de participar deste modo na obra criadora de Deus.

No dom do fruto da sua união, eles assumem a responsabilidade do crescimento e da educação de outras pessoas, para o futuro do género humano. Através da procriação, o homem e a mulher realizam na fé a vocação de ser colaboradores de Deus na preservação da criação e no desenvolvimento da família humana.

O Beato João Paulo II comentou este aspecto na Familiaris consortio: «Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26 s.): chamando-o à existência por amor, chamou-o ao mesmo tempo ao amor. Deus é amor (1 Jo 4, 8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão (cf. "Gaudium et spes", 12). O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação de cada ser humano» (FC 11).

Este projeto de Deus Criador, que o pecado original deturpou (cf. Gn 3, 1-24), manifestou-se na história através das vicissitudes do povo eleito, até à plenitude dos tempos, pois mediante a encarnação o Filho de Deus não apenas confirmou a vontade divina de salvação, mas com a redenção ofereceu a graça de obedecer a esta mesma vontade.

O Filho de Deus, Palavra que se fez carne (cf. Jo 1, 14) no seio da Virgem Mãe, viveu e cresceu na família de Nazaré, e participou nas bodas de Caná, cuja festa foi por Ele enriquecida com o primeiro dos seus "sinais" (cf. Jo 2, 1-11). Ele aceitou com alegria o acolhimento familiar dos seus primeiros discípulos (cf. Mc 1, 29-31; 2, 13-17) e consolou o luto da família dos seus amigos em Betânia (cf. Lc 10, 38-42; Jo 11, 1-44).

Jesus Cristo restabeleceu a beleza do matrimónio, voltando a propor o projeto unitário de Deus, que tinha sido abandonado devido à dureza do coração humano, até mesmo no interior da tradição do povo de Israel (cf. Mt 5, 31-32; 19.3-12; Mc 10, 1-12; Lc 16, 18). Voltando à origem, Jesus ensinou a unidade e a fidelidade dos esposos, recusando o repúdio e o adultério.

Precisamente através da beleza extraordinária do amor humano – já celebrada com contornos inspirados no Cântico dos Cânticos, e do vínculo esponsal exigido e defendido por Profetas como Oseias (cf. Os 1, 2-3,3) e Malaquias (cf. Ml 2, 13-16) – Jesus confirmou a dignidade originária do amor entre o homem e a mulher.

O ensinamento da Igreja sobre a família

Também na comunidade cristã primitiva a família se manifestava como "Igreja doméstica" (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1655): nos chamados "códigos familiares" das Cartas apostólicas neotestamentárias, a grande família do mundo antigo é identificada como o lugar da solidariedade mais profunda entre esposas e maridos, entre pais e filhos, entre ricos e pobres (cf. Ef 5, 21-6, 9; Cl 3, 18-4, 1; 1 Tm 2, 8-15; Tt 2, 1-10; 1 Pd 2, 13-3, 7; cf., além disso, também a Carta a Filémon). Em particular, a Carta aos Efésios identificou no amor nupcial entre o homem e a mulher «o grande mistério», que torna presente no mundo o amor de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 31-32).

Ao longo dos séculos, sobretudo na época moderna até aos nossos dias, a Igreja não fez faltar um seu ensinamento constante e crescente sobre a família e sobre o matrimónio que a fundamenta. Uma das expressões mais excelsas foi a proposta do Concílio Ecuménico Vaticano II, na Constituição pastoral Gaudium et spes que, abordando algumas problemáticas mais urgentes, dedica um capítulo inteiro à promoção da dignidade do matrimónio e da família, como sobressai na descrição do seu valor para a constituição da sociedade: «A família – na qual se congregam as diferentes gerações que reciprocamente se ajudam a alcançar uma sabedoria mais plena e a conciliar os direitos pessoais com as outras exigências da vida social – constitui assim o fundamento da sociedade» (GS 52). Particularmente intenso é o apelo a uma espiritualidade cristocêntrica dirigida aos esposos crentes: «Os próprios esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade, de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e dos sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e a sua ressurreição» (GS 52).

Também os Sucessores de Pedro, depois do Concílio Vaticano II, enriqueceram mediante o seu Magistério a doutrina sobre o matrimónio e a família, de modo especial Paulo VI com a Encíclica Humanae vitae, que oferece ensinamentos específicos a níveis de princípio e de prática. Sucessivamente, o Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris consortio, quis insistir na proposta do desígnio divino acerca da verdade originária do amor esponsal e familiar: «O "lugar" único, que torna possível esta doação segundo a sua verdade total, é o matrimónio, ou seja o pacto de amor conjugal ou escolha consciente e livre, com a qual o homem e a mulher recebem a comunidade íntima de vida e de amor, querida pelo próprio Deus (cfr. Gaudium et spes, 48), que só a esta luz manifesta o seu verdadeiro significado. A instituição matrimonial não é uma ingerência indevida da sociedade ou da autoridade, nem a imposição extrínseca de uma forma, mas uma exigência interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como único e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao desígnio de Deus Criador. Longe de mortificar a liberdade da pessoa, esta fidelidade põe-na em segurança em relação ao subjetivismo e relativismo, tornando-a participante da Sabedoria criadora» (FC 11).

O Catecismo da Igreja Católica reúne estes dados fundamentais: «A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunidade íntima de vida e de amor; foi fundada e dotada das suas leis próprias pelo Criador: Pela sua natureza, ordena-se ao bem dos cônjuges, bem como à procriação e educação dos filhos. Entre os baptizados, foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de sacramento» (CCC, n. 1660).

A doutrina exposta no Catecismo refere-se tanto aos princípios teológicos como aos comportamentos morais, abordados sob dois títulos distintos: O sacramento do matrimónio (nn. 1601-1658) e O sexto mandamento (nn. 2331-2391). Uma leitura atenta destas partes do Catecismo oferece uma compreensão atualizada da doutrina da fé, em benefício da atividade da Igreja diante dos desafios contemporâneos. A sua pastoral encontra inspiração na verdade do matrimónio visto no desígnio de Deus, que criou varão e mulher, e na plenitude dos tempos revelou em Jesus também a plenitude do amor esponsal, elevado a sacramento. O matrimónio cristão, fundamentado sobre o consenso, é dotado também de efeitos próprios, e no entanto a tarefa dos cônjuges não é subtraída ao regime do pecado (cf. Gn 3, 1-24), que pode provocar feridas profundas e até ofensas contra a própria dignidade do sacramento.

«O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf. Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projetos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada» (LF 52). «A fé não é um refúgio para gente sem coragem, mas a dilatação da vida: faz descobrir uma grande chamada — a vocação ao amor — e assegura que este amor é fiável, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que é mais forte do que toda a nossa fragilidade» (LF 53).

III – Questionário

As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família.

1 - Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família

a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da "Gaudium et spes", da "Familiaris consortio" e de outros documentos do Magistério pós-conciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja?

b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais?

c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovida?

d) Em que medida – e em particular sob que aspectos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extra-eclesiais? Quais são os fatores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?

2 - Sobre o matrimónio segundo a lei natural

a) Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família?

b) O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite, enquanto tal, por parte dos batizados?

c) Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais?

d) Quando a celebração do matrimónio é pedida por batizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que disto derivam?

3 – A pastoral da família no contexto da evangelização

a) Quais foram as experiências que surgiram nas últimas décadas em ordem à preparação para o matrimónio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo promover a consciência da família como "Igreja doméstica"?

b) Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e da cultural contemporânea?

c) Na atual situação de crise entre as gerações, como as famílias cristãs souberam realizar a própria vocação de transmissão da fé?

d) De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares?

e) Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer, em ordem à difusão de uma visão integral do casal e da família cristã, hoje credível?

f) Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise?

4 – Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis

a) A convivência ad experimentum é uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-la numericamente?

b) Existem uniões livres de facto, sem o reconhecimento religioso nem civil? Dispõem-se de dados estatísticos confiáveis?

c) Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na Igreja particular? Em que percentagem se poderia calculá-los numericamente? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados?

d) Em todos estes casos: como vivem os batizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos?

e) Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas que se encontram em tais situações, quantas pedem estes sacramentos?

f) A simplificação da praxe canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?

g) Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta atividade pastoral? Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como a misericórdia de Deus é anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja para o seu caminho de fé?

5 - Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo

a) Existe no vosso país uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparadas de alguma forma ao matrimónio?

b) Qual é a atitude das Igrejas particulares e locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?

c) Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união?

d) No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adotaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé?

6 - Sobre a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares

a) Qual é nestes casos a proporção aproximativa de crianças e adolescentes, em relação às crianças nascidas e educadas em famílias regularmente constituídas?

b) Com que atitude os pais se dirigem à Igreja? O que pedem? Somente os sacramentos, ou inclusive a catequese e o ensinamento da religião em geral?

c) Como as Igrejas particulares vão ao encontro da necessidade dos pais destas crianças, de oferecer uma educação cristã aos próprios filhos?

d) Como se realiza a prática sacramental em tais casos: a preparação, a administração do sacramento e o acompanhamento?

7 - Sobre a abertura dos esposos à vida

a) Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da Humanae vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral?

b) Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspectos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais?

c) Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da Humanae vitae?

d) Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia?

e) Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil?

f) Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos?

8 - Sobre a relação entre a família e a pessoa

a) Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça?

b) Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo?

c) Em que medida as crises de fé, pelas quais as pessoas podem atravessar, incidem sobre a vida familiar?

9 - Outros desafios e propostas

Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis por parte dos destinatários?

EVANGELIZAÇÃO NA ERA DIGITAL
                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
 
Estou em Recife PE, participando de um Curso de Comunicação para os Bispos da Igreja no Brasil, promovido pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, com o tema “Comunicação e evangelização na era digital: uma abordagem teórico-prática”, coordenado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB e sediado na Arquidiocese de Olinda e Recife.

O objetivo do curso é uma reflexão e um debate sobre a comunicação, a natureza de suas práticas e os desafios da evangelização da Igreja no Brasil no contexto da cultura gerada pelas novas tecnologias. Inclui laboratórios onde temos a oportunidade de manipular e conhecer as técnicas e linguagens da televisão e oratória, produção do jornal impresso e online, programas de rádios, internet e mídias sociais.

Entre as muitas palestras, ressalto a de Dom Cláudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, sobre “Comunicação e evangelização na era digital”. O prof. Moisés Sbardelotto, doutorando em Ciências da Comunicação, falou sobre “Comunicação e mudanças socioculturais provocadas pelas tecnologias digitais”. O Pe. Antônio Spadaro, SJ, diretor da revista Civiltà Catolica, aquele que fez a longa entrevista com o Papa Francisco, nos falará sobre “Ciberteologia: evangelização e espiritualidade para a comunicação em rede”.

Dom Cláudio Maria Celli tem ainda uma interessante conferência sobre “Discípulos missionários na era da cultura digital: perspectivas e ações para a evangelização”. Por isso, o curso compreende também exercícios práticos, onde aprendemos a utilizar as principais ferramentas de comunicação das “redes sociais digitais”, como sites, blog, MSN, Skype, twetter, facebook, entre outros.

Falando sobre os “mass media”, Paulo VI  já dizia: “ A Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-se deles que ela ‘proclama sobre os telhados’, (Mt 10,27) a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar às multidões” (Evangelii nuntiandi, 45).

A mensagem preparada pelo Papa Bento XVI para o 47º dia mundial das comunicações sociais, ocorrido no dia 12 de maio de 2013, teve como tema: “Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização”. Nessa mensagem, Bento XVI ensina que “procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital... Somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra”.
                                                                      *Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
                                                                                                   http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Papa na Audência Geral desta quarta-feira, 6.novembro.2013: "Os carismas são importantes, mas são sempre meios para crescer na caridade e no amor."

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada falei da comunhão dos santos, entendida como comunhão entre as pessoas santas, isso é, entre nós crentes. Hoje gostaria de aprofundar outro aspecto desta realidade: vocês se lembram de que eram dois aspectos: um a comunhão, a unidade entre nós, e o outro aspecto a comunhão nas coisas santas, nos bens espirituais. Os dois aspectos estão intimamente ligados entre si, de fato, a comunhão entre os cristãos cresce mediante a participação nos bens espirituais. Em particular, consideremos: os Sacramentos, os carismas e a caridade (cfr Catecismo da Igreja Católica nn 949-953). Nós crescemos em unidade, em comunhão, com: os Sacramentos, os carismas que cada um tem do Espírito Santo e com a caridade.

Antes de tudo, a comunhão aos sacramentos. Os sacramentos exprimem e realizam uma efetiva e profunda comunhão entre nós, porque neles encontramos Cristo Salvador e, através Dele, os nossos irmãos na fé. Os sacramentos não são aparência, não são ritos, mas são a força de Cristo; é Jesus Cristo presente nos sacramentos. Quando celebramos a Eucaristia é Jesus vivo, que nos une, que nos faz comunidade, que nos faz adorar o Pai. Cada um de nós, de fato, mediante o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia foi incorporado a Cristo e unido a toda a comunidade dos crentes. Portanto, se por um lado é a Igreja que “faz” os sacramentos, por outro são os sacramentos que “fazem” a Igreja, edificam-na, gerando novos filhos, agregando-os ao povo santo de Deus, consolidando a sua pertença.

Todo encontro com Cristo, que nos sacramentos nos dá a salvação, convida-nos a “ir” e comunicar aos outros uma salvação que pudemos ver, tocar, encontrar, acolher, e que é realmente credível porque é amor. Deste modo, os sacramentos nos impelem a ser missionários, e o empenho apostólico de levar o Evangelho a todo ambiente, mesmo naqueles mais hostis, constitui o fruto mais autêntico de uma assídua vida sacramental, enquanto é participação na iniciativa salvífica de Deus, que quer dar a todos a salvação. A graça dos sacramentos alimenta em nós uma fé forte e alegre, uma fé que sabe admirar as “maravilhas” de Deus e sabe resistir aos ídolos do mundo. Por isto é importante comungar, é importante que as crianças sejam batizadas cedo, que sejam crismadas, porque os sacramentos são a presença de Jesus Cristo em nós, uma presença que nos ajuda. É importante, quando nos sentimos pecadores, aproximar-nos do sacramento da Reconciliação. Alguém poderá dizer: “Mas tenho medo, porque o padre vai me repreender”. Não, não vai te repreender, você sabe quem você vai encontrar no sacramento da Reconciliação?  Encontrarás Jesus que te perdoa! É Jesus que nos espera ali; e este é um sacramento que faz crescer toda a Igreja.

Um segundo aspecto da comunhão nas coisas santas é aquele da comunhão dos carismas. O Espírito Santo distribui entre os fiéis uma infinidade de dons e de graças espirituais; esta riqueza, digamos, “fantasiosa” dos dons do Espírito Santo é destinada à edificação da Igreja. Os carismas – palavra um pouco difícil – são os presentes que nos dá o Espírito Santo, habilidades, possibilidades… Presentes dados não para que fiquem escondidos, mas para comunicar aos outros. Não são dados em benefício de quem os recebe, mas para a utilidade do povo de Deus. Se um carisma, em vez disso, um presente desses serve para afirmar a sim mesmo, deve-se duvidar que se trate de um autêntico carisma ou que seja fielmente vivido. Os carismas são graças particulares, dadas a alguns para fazer bem a tantos outros. São atitudes, inspirações e estímulos interiores que nascem na consciência e na experiência de determinadas pessoas, as quais são chamadas a colocá-los a serviço da comunidade. Em particular, esses dons espirituais beneficiam a santidade da Igreja e da sua missão. Todos somos chamados a respeitá-los em nós e nos outros, a acolhê-los como estímulos úteis para uma presença e uma obra fecunda da Igreja. São Paulo advertia: “Não extingais o Espírito” (1 Ts 5, 19). Não extingamos o Espírito que nos dá estes presentes, estas habilidades, estas virtudes tão belas que fazem a Igreja crescer.

Qual é o nosso comportamento diante destes dons do Espírito Santo? Somos conscientes de que o Espírito de Deus é livre para dá-los a quem quer? Nós os consideramos como uma ajuda espiritual, através do qual o Senhor apoia a nossa fé e reforça a nossa missão no mundo?

E chegamos ao terceiro aspecto da comunhão nas coisas santas, isso é, a comunhão da caridade, a unidade entre nós que faz a caridade, o amor. Os pagãos, observando os primeiros cristãos, diziam: mas, como se amam, como se querem bem! Não se odeiam, não falam uns contra os outros. Esta é a caridade, o amor de Deus que o Espírito Santo nos coloca no coração. Os carismas são importantes na vida da comunidade cristã, mas são sempre meios para crescer na caridade, no amor, que São Paulo coloca acima dos carismas (cfr 1 Cor 13, 1-13). Sem o amor, na verdade, mesmo os dons mais extraordinários são vãos; este homem cura o povo, tem esta qualidade, esta outra virtude… mas tem amor e caridade no seu coração? Se tem, tudo bem, mas se não tem, não serve à Igreja. Sem o amor todos estes dons e carismas não servem à Igreja, porque onde não há o amor há um vazio que vem preenchido pelo egoísmo. E me pergunto: se todos somos egoístas, podemos viver em comunhão e em paz? Não se pode, por isto é necessário o amor que nos une. O menor dos gestos de amor tem efeito bom para todos! Portanto, viver a unidade na Igreja e a comunhão da caridade significa não buscar o próprio interesse, mas partilhar os sofrimentos e as alegrias dos irmãos (cfr 1 Cor 12, 26), prontos a levar os fardos daqueles mais frágeis e necessitados. Esta solidariedade fraterna não é uma figura retórica, um modo de dizer, mas é parte integrante da comunhão entre os cristãos. Se a vivemos, nós somos no mundo sinal, “sacramento” do amor de Deus. Somos uns pelos outros e somos por todos! Não se trata somente daquela caridade pequena que podemos oferecer ao outro, trata-se de algo mais profundo: é uma comunhão que nos torna capazes de entrar na alegria e na dor dos outros para fazê-las nossas sinceramente.

E muitas vezes somos tão secos, indiferentes, distantes e em vez de transmitir fraternidade, transmitimos mal humor, frieza, egoísmo. E com mal humor, frieza, egoísmo não se pode fazer crescer a Igreja; a Igreja cresce somente com amor que vem do Espírito Santo. O Senhor nos convida a abrir-nos à comunhão com Ele, nos sacramentos, nos carismas e na caridade, para viver de maneira digna da nossa vocação cristã!

E agora me permito pedir a vocês um ato de caridade: fiquem tranquilos que não se fará coleta! Antes de vir aqui na praça fui encontrar uma menina de um ano e meio com uma doença gravíssima. Seu pai e sua mãe rezam e pedem ao Senhor a saúde desta bela criança. Chama-se Noemi. Sorria, pobrezinha! Façamos um ato de amor. Não a conhecemos, mas é uma menina batizada, é uma de nós, é uma cristã. Façamos um ato de amor por ela e em silêncio peçamos que o Senhor a ajude neste momento e lhe dê saúde. Em silêncio um momento e depois rezemos a Ave Maria. E agora todos juntos rezemos à Nossa Senhora pela saúde de Noemi. Ave Maria… Obrigado por este ato de caridade.
Tradução do original em italiano em www.vatican.va

Papa: "Todos somos convidados para participar da festa do Senhor. Não nos contentemos em estar somente na lista"

Cidade do Vaticano, 5.novembro.2013 (RV) - A essência do cristianismo é um convite para a festa. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa desta manhã, na Casa Santa Marta. O Papa reiterou que a Igreja “não é somente para as pessoas boas”, o convite a fazer parte dela é para todos. E acrescentou, que na festa do Senhor, “participa-se plenamente” e com todos, não se pode fazer seleção. “Que os cristãos – advertiu – não se contentem em estar na lista de convidados”, pois seria “como estar fora da festa”.

“As leituras do dia – disse o Papa no início da homilia – nos mostram a cédula de identidade do cristão”, sublinhando a seguir que “antes de tudo, a essência cristã é um convite: somente nos tornamos cristãos se somos convidados”. Trata-se, portanto, de “um convite gratuito” para participar, “que vem de Deus”. Para entrar nesta festa, “não se pode pagar: ou és convidado ou não podes entrar”. Se “na nossa consciência não temos esta certeza de sermos convidados”, então “não entendemos o que é um cristão”.

“Um cristão é alguém que é convidado. Convidado para que? Para um negócio? Convidado para fazer um passeio? O Senhor quer nos dizer algo a mais: ‘Tu és convidado para a festa!’. O cristão é aquele que é convidado à festa, à alegria, à alegria de ser salvo, à alegria de ser redimido, à alegria de participar da vida com Jesus. Isto é uma alegria! Tu és convidado para a festa! Se entende, uma festa é um encontro de pessoas que falam, riem, festejam, são felizes. Mas é um encontro de pessoas. Entre as pessoas normais, mentalmente normais, nunca vi alguém que faça festa sozinho, não é mesmo? Isto seria um pouco aborrecido! Abrir a garrafa de vinho... Isto não é uma festa, é uma outra coisa.

Festeja-se com os outros, festeja-se em família, festeja-se com os amigos, festeja-se com as pessoas que são convidadas, como fui convidado.

Para ser cristão é necessário uma pertença e se pertence a este Corpo, a esta gente que foi convidada para a festa: esta é a pertença cristã”.


Referindo-se à Carta aos Romanos, o Papa afirmou que esta festa é “uma festa de unidade”. E evidenciou que todos são convidados, “bons e maus”. E os primeiros a serem chamados são os marginalizados.

“A Igreja não é a Igreja somente para as pessoas boas. Quem pertence à Igreja, a esta festa? Os pecadores, todos nós pecadores somos convidados. E aqui o que se faz? Se faz uma comunidade que tem dons diversos: um tem o dom da profecia, o outro o ministério, um é professor... Todos têm uma qualidade, uma virtude. Mas a festa se faz levando isto que tenho em comum com todos...à festa se participa, se participa plenamente. Não se pode entender a essência cristã sem esta participação. É uma participação de todos nós. ‘Eu vou à festa mas vou ficar apenas na primeira sala, porque eu tenho que estar somente com três ou quatro que eu conheço e os outros ...". Isso não se pode fazer na Igreja! Ou tu entras com todos ou você fica de fora! Você não pode fazer uma seleção, a Igreja é para todos, começando por estes que eu falei, os mais marginalizados. É a Igreja de todos! "

É a “Igreja dos convidados” – acrescentou: “Ser convidado, ser participante de uma comunidade com todos”. Mas – observou o Papa – na parábola narrada por Jesus lemos que os convidados, um após outro, começam a encontrar desculpas para não ir à festa: “Não aceitam o convite! Dizem sim, mas fazem não”. Estes “são os cristãos que somente se contentam em estar na lista dos convidados: cristãos elencados”.

Mas – advertiu Francisco – isto “não é o suficiente” porque se não se entra na festa não se é cristão. “Tu estarás na lista, mas isto não serve para a tua salvação! Esta é a Igreja: entrar na Igreja é uma graça; entrar na Igreja é um convite”. “E este direito não se pode comprar”, advertiu.


“Entrar na Igreja – reiterou - é fazer comunidade, comunidade da Igreja; entrar na Igreja é participar com tudo o que nós temos de virtudes, das qualidades que o Senhor nos deu, no serviço de uns pelos outros. E ainda: “Entrar na Igreja significa estar disponível àquilo que o Senhor Jesus nos pede”. “Entrar na Igreja é fazer parte deste Povo de Deus, que caminha para a Eternidade”. “Ninguém é protagonista na Igreja – observou - mas temos um protagonista que fez tudo. Deus é o protagonista!”. Todos nós O seguimos e quem não O segue, é alguém que se desculpa” e não vai à festa.

“O Senhor é muito generoso. O Senhor abre todas as portas e também entende aquele que Lhe diz: ‘Não, Senhor, não quero ir contigo!’. Entende e o espera, porque é misericordioso. Mas ao Senhor não agrada aquele homem que diz ‘sim’ e faz ‘não’; que finge agradecer-lhe por tantas coisas bonitas, mas em verdade segue seu próprio caminho; que tem boas maneiras, mas faz a própria vontade e não a do Senhor: estes que sempre se desculpam, que não conhecem a alegria, que não experimentam a alegria do pertencer. Peçamos ao Senhor esta graça: de entender bem quão belo é ser convidado para a festa, quão belo é estar com todos e partilhar com todos as próprias qualidades, quão belo é estar com Ele e que ruim é jogar entre o “sim” e o “não”, de dizer “sim” mas contentar-me somente em fazer parte da lista dos cristãos”.

Confira os últimos tweets do Papa Francisco:

05/11/2013
É preciso coragem para permanecer fiéis e coerentes ao Evangelho.
04/11/2013
Obrigado a todos os missionários, homens e mulheres que, sem fazer barulho, tanto trabalham pelo Senhor e pelos irmãos.

O Amor de Deus é invencível – o Papa celebrou missa em sufrágio pelos Cardeais e Bispos falecidos durante este ano

Na manhã desta segunda-feira o Papa Francisco celebrou na Basílica de S.Pedro uma missa em sufrágio pelos Cardeais e Bispos falecidos no último ano. Seguindo a tradição o Papa Francisco na sequência da recente comemoração dos Fiéis Defuntos, celebrou pelos 9 cardeais e pelos 136 bispos falecidos nos últimos doze meses.

Na sua homilia partiu das palavras de S. Paulo que garantem que nada nem ninguém nos poderá separar do Amor de Deus que é Jesus Cristo. Segundo o Santo Padre, o Apóstolo Paulo apresenta o Amor de Deus como o motivo mais profundo e invencível da confiança e da esperança cristãs. Ele elenca as forças contrárias e misteriosas que possam ameaçar o caminho da fé, mas S. Paulo afirma com segurança – continuou o Papa Francisco – que mesmo que toda a nossa existência esteja circundada de ameaças, nada poderá separar-nos do amor que o próprio Cristo mereceu por nós, dando-se totalmente.

O Papa referiu-se, desta forma, na sua homilia ao amor fiel que Deus tem por cada um de nós e que nos ajuda a enfrentar com serenidade e força o caminho de cada dia. Afirmou ainda que só o pecado poderá interromper esta ligação, mas mesmo aí o Senhor nos procura e restabelece a união que perdurará após a morte. Aliás – recordou o Santo Padre - é normal que, perante a morte de uma pessoa que nos seja querida, nos interroguemos sobre o que sucederá à sua vida de trabalho e de serviço à Igreja. O Livro da Sabedoria, Primeira Leitura desta Eucaristia, dá-nos a resposta: “eles estão nas mãos de Deus!”.

“Também os nossos pecados estão nas mãos de Deus” – assegurou o Papa Francisco – “Aquelas são mãos misericordiosas, mãos chagadas de amor. Jesus quis conservar as chagas nas suas mãos para fazer-nos sentir a sua misericórdia.”

O Santo Padre terminou a sua breve homilia recordando os irmãos Cardeais e Bispos falecidos. Homens dedicados à sua vocação a ao serviço da Igreja, que amaram como se ama uma esposa. Na oração confiamo-los à misericórdia do Senhor, por intercessão de Nossa Senhora e de São José, para que os acolha no seu reino de luz e de paz, lá onde vivem eternamente os justos e aqueles que foram fieis testemunhas do Evangelho - concluiu o Papa Francisco.

Dos países lusófonos, para além de nove bispos brasileiros foram expressamente sufragados nesta celebração dois portugueses e dois moçambicanos:
- D. João Alves, bispo emérito de Coimbra, falecido a 28 de junho;
- D. Luís Gonzaga Ferreira da Silva, bispo emérito de Lichinga, que faleceu a 7 de agosto;
- D. António Baltasar Marcelino, bispo emérito de Aveiro, falecido a 9 de outubro; e
- D. Bernardo Filipe Governo, bispo emérito de Quelimane, falecido a 20 de outubro.

Recordemos que já no passado sábado, 2 de novembro, o Santo Padre desceu à cripta da basílica de São Pedro, para se deter em oração pelos Papas (e outros defuntos) ali sepultados. E na sexta-feira, 1 de novembro, de tarde, junto do Cemitério romano de Verano, o Papa Francisco celebrou uma Eucaristia por todos os fiéis defuntos.

Papa pede transformação dos corações. Francisco diz que misericórdia de Deus vai para lá de profissões ou «condição social»

“Não há pecado ou crime que possa cancelar um homem do coração de Deus”: a misericórdia divina foi a tônica da alocução pronunciada pelo Papa Francisco antes do Angelus deste domingo, dia 3 de novembro de 2013.

Comentando a conversão de Zaqueu, o Pontífice recorda que este trecho narrado no Evangelho de Lucas resume em si o sentido de toda a vida de Jesus, ou seja, procurar e salvar as ovelhas perdidas.

Zaqueu é uma delas. É desprezado porque é o chefe dos publicanos da cidade de Jericó, amigo dos odiados invasores romanos. É ladrão e explorador.

Impedido de se aproximar de Jesus, provavelmente por causa de sua má fama, e sendo pequeno de estatura, Zaqueu sobe em cima de uma árvore para poder ver melhor o Mestre que passa.

“Este gesto exterior, um pouco engraçado, expressa porém o ato interior do homem que tenta elevar-se sobre a multidão para ter um contato com Jesus”, explicou o Papa.

O próprio Zaqueu não sabe o sentido profundo do seu gesto; nem mesmo ousa esperar que possa ser superada a distância que o separa do Senhor; se resigna a vê-lo somente de passagem.

Mas Jesus, quando passa perto desta árvore, o chama por nome: «Zaqueu, desça da árvore porque hoje quero jantar na sua casa» (Lc 19,5). Zaqueu, aliás, é um nome significativo, pois quer dizer “Deus lembra”.

Já naquela época, comenta o Pontífice, existiam os “fofoqueiros”, pois este gesto de Jesus suscitou as críticas de toda a população de Jericó: “Mas como? Com todas as pessoas boas que existem na cidade, escolhe justamente um publicano? Sim, porque ele estava perdido; e Jesus diz: «Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é filho de Abraão» (Lc 19,9).

Não existe profissão ou condição social, não há pecado ou crime de qualquer gênero que possa cancelar da memória e do coração de Deus um só filho sequer. “Deus recorda”, não esquece nenhum daqueles que criou; Ele é Pai, sempre à espera de ver com atenção e com amor que renasça no coração do filho o desejo de regressar à casa. E quando reconhece este desejo, mesmo que simplesmente manifestado, imediatamente põe-se a seu lado, e com o seu perdão lhe torna mais leve o caminho da conversão e do regresso.

O gesto de Zaqueu, disse ainda o Papa, é um gesto de salvação. “Se há um peso na consciência ou algo do qual se envergonhar, não se preocupe. Suba na árvore ‘da vontade de ser perdoado’. Eu garanto que não se desiludirá. Jesus é misericordioso e jamais se cansa de perdoar.”

Francisco concluiu pedindo que cada um de nós ouça a voz de Jesus que nos diz: “Hoje quero passar na sua casa”, ou seja, na nossa vida.

Ele pode nos mudar, pode transformar o nosso coração de pedra em coração de carne, pode nos libertar do egoísmo e fazer da nossa vida um dom de amor.

Após a oração, o Papa saudou os presentes e deixou os habituais votos de “bom domingo e bom almoço”.
Radio Vaticano, 3.novembro.2013

Dia de Finados é dia de esperança. A oração do Papa Francisco na Cripta Vaticana

Cidade do Vaticano, 2.novembro.2013 (RV) – Neste dia de Finados, o Papa Francisco presidiu no final da tarde, às 18h (hora local), a um momento de oração na Cripta Vaticana, em forma estritamente privada, pelos Sumos Pontífices mortos.

Não é a primeira vez que o Santo Padre visita a Cripta. Em 1º de abril passado, segunda-feira de Páscoa, Francisco rezou diante dos túmulos dos Papas do século passado que ali se encontram: Bento XV, Pio XI, Pio XII, Paulo VI e João Paulo I.

Na breve oração, Francisco confiou à misericórdia do Pai “os Sumos Pontífices que desempenharam o serviço de pastores da Igreja, para que sejam partícipes da eterna liturgia do céu”. E conclui com essas palavras:

“Seja abençoado Deus Pai do Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos regenerou mediante a ressurreição de Jesus dos mortos a uma esperança viva por uma herança que não se corrompe e não se decompõe. Ouça a nossa oração por todos os que deixaram este mundo. Abra os braços de sua misericórdia e os receba na assembleia gloriosa da Santa Jerusalém.”

Na segunda-feira, dia 4, o Papa Francisco preside no Altar na Cátedra na Basílica Vaticana à Santa Missa em sufrágio dos Cardeais e Bispos mortos no decorrer do último ano.

Tweet do Papa:

02/11/2013
A luta contra o mal é dura e longa; é essencial rezar com constância e paciência.


Papa no Cemitério Verano de Roma: olhemos com esperança para o ocaso da nossa vida

Cidade do Vaticano, 1º.novembro.2013 (RV) - O Papa Francisco presidiu na tarde desta sexta-feira, na entrada do monumental Cemitério do Verano (principal necrópole de Roma), à santa missa, na Solenidade de todos os Santos, cuja festa a Igreja no Brasil celebrará no próximo domingo. Ao término, houve um momento de oração pelos fiéis defuntos, com a bênção dos túmulos.

Concelebraram com o Pontífice, o Cardeal vigário Agostino Vallini; o vice-gerente da Diocese de Roma, Dom Filippo Iannone; os bispos auxiliares e o pároco da antiga Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, Pe. Armando Ambrosi.

HOMILIA na íntegra:

Neste momento, antes do pôr do sol, neste Cemitério, nos reunimos e pensamos no nosso futuro, pensamos em todos aqueles que já partiram, todos aqueles que nos precederam na vida e estão com o Senhor. É tão bonita esta visão do céu que nós ouvimos na primeira leitura (cf. Ap 7,2-4.9-14).  Senhor Deus a beleza, a bondade, a verdade, a ternura, o amor total, aquilo que nos espera e aqueles que nos precederam, que morreram no Senhor e estão lá. Proclamam que foram santos, não pelas suas obras, fizeram obras boas, mas foram salvos pelos Senhor, a salvação pertence ao nosso Deus, é Ele que nos salva, é Ele que nos leva, como um Pai, pela mão, no final da nossa vida. Precisamente naquele Céu onde estão nossos antepassados.

Um dos anciãos faz uma pergunta: quem são esses vestidos de branco, esses justos, esses santos, que estão no céu? São aqueles que vêm de uma grande tribulação e lavaram suas vestes, tornando-as cândidas no sangue do Cordeiro. Somente entraram no céu, graças ao sangue do Cordeiro, graças ao sangue de Cristo. É o sangue de Cristo que nos justificou, que abriu as portas do Céu, e se hoje recordamos esses nossos irmãos que nos precederam na vida, que estão no Céu, é porque eles foram lavados pelo sangue de Cristo. Essa é nossa esperança. A esperança do sangue de Cristo. Essa esperança não dá desilusão. Esperamos na vida, como o Senhor. Ele não cria nenhuma desilusão, não nos dá desilusão, jamais.

João dizia aos seus apóstolos e seus discípulos: veja que grande amor Ele deu, o Pai, para sermos chamados filhos de Deus (cf. 1 Jo 3, 1-3). Por isso, o mundo não nos conhece, somos filhos de Deus, mas o que seremos ainda não nos foi revelado, é muito mais. Quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é. Ver Deus, ser semelhante a Deus, essa é a nossa esperança. E hoje, no dia de todos os santos, antes do dia dos mortos, é necessário pensar um pouco na esperança. Essa esperança que nos acompanha na vida.

Os primeiros cristãos falam da esperança e a pintavam como uma âncora, como se a vida fosse a âncora naquela margem, onde todos nós, andando, indo, segurando a corda. É uma belíssima imagem, essa esperança. O coração ancorado lá, onde estão os nossos antepassados, os santos, onde se encontra Jesus, onde está Deus. Esta é a esperança, esta é a esperança que não cria desilusão.

Hoje e amanhã são dias de esperança. A esperança é como o fermento que faz ampliar a alma, mas também existem momentos difíceis na vida, mas com a esperança a alma vai avante, avante. Olha, olha aquilo que te espera! Hoje é um dia de esperança, os nossos irmãos e irmãs estão na presença de Deus, também nós, estaremos ali por graça do Senhor, se nós caminharmos na estrada de Jesus.

E conclui o apóstolo: cada um que tem essa esperança n’Ele purifica a sim mesmo. Também a esperança nos purifica, nos faz ir mais depressa. Nesse pré pôr do sol, cada um de nós pode pensar no pôr do sol de cada um, no meu, no seu, no nosso. Todos nós termos esse pôr do sol, mas eu olho para ele com esperança? Olho com aquela alegria de ser recebido pelo Senhor? Esse é o olhar cristão, isso nos dá paz. Hoje é dia de alegria, mas de uma alegria serena, tranquila, alegria da paz.

Vamos pensar no pôr do sol de tantos irmãos que nos precederam, o nosso pôr do sol que virá, vamos pensar no nosso coração, e vamos nos perguntar: onde está ancorado o meu coração? Se ele não está ancorado bem, vamos ancorá-lo lá, lá em cima sabendo que a esperança não nos dá desilusão, porque o Senhor Jesus jamais irá nos desiludir.
(Tradução do texto em italiano publicado em vaticano.va)

Após a oração de bênção, o Santo Padre disse querer "rezar de modo especial por estes nossos irmãos e irmãs que nestes dias morreram buscando uma libertação, uma vida mais digna."

"Vimos as fotografias, a crueldade do deserto, vimos o mar onde muitos se afogaram. Rezemos por eles!" – exortou o Papa Francisco, referindo-se tanto aos mortos destes dias no deserto do Níger, quanto às contínuas mortes no Mediterrâneo.

E rezemos "também por aqueles que se salvaram e que neste momento se encontram nas várias estruturas de acolhimento, amontoados, esperando que os trâmites possam logo ser feitos para poderem ir para outros lugares, mais cômodos, para outros centros de acolhimento", acrescentou.

Já no Angelus desta sexta-feira, ao meio-dia, na Praça São Pedro, o Santo Padre os recordara na oração mariana.


SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS - 1º DE NOVEMBRO



Os Santos não são super-homens, nem nasceram perfeitos – disse o Papa no Angelus nesta Festa de Todos os Santos


Cidade do Vaticano, 1º.novembro.2013 (RV) – Os Santos não são super-homens, nem nasceram perfeitos – disse o Papa no Angelus nesta Festa de Todos os Santos.

Um dia de sol em Roma para um dia de Festa de Todos os Santos. Na Praça de São Pedro, milhares de fieis acompanharam o Papa Francisco na oração do Angelus:

“A Festa de Todos os Santos que hoje celebramos, recorda-nos que o desafio da nossa existência não é a morte, é o Paraíso!”

Na sua mensagem no Angelus deste dia o Papa Francisco afirmou que os Santos, que são os amigos de Deus, na sua existência terrena viveram em comunhão profunda com Deus, tanto que se tornaram parecidos com Ele. No rosto dos irmãos mais pequenos e desprezados viram o rosto de Deus – continuou o Santo Padre – e agora podem contempla-lo face a face na sua beleza gloriosa.

“Os Santos não são super-homens, nem nasceram perfeitos. São pessoas que antes de atingir a gloria do céu viveram uma vida normal, com alegrias e dores, canseiras e esperanças. Mas, quando conheceram o amor de Deus, seguiram-no com todo o coração, sem condições nem hipocrisias; consumaram a sua vida ao serviço dos outros, suportaram sofrimentos e adversidades sem odiar e respondendo ao mal com o bem, difundindo alegria e paz. Os santos são homens e mulheres que têm a alegria no coração e transmitem-na aos outros.”

O Papa Francisco considerou que ser santos não é um privilégio de poucos mas uma vocação para todos. Todos somos chamados sermos santos – disse o Santo Padre – que apontou as Bem-Aventuranças como o caminho para a santidade. Assim , afirmou que o “Reino dos Céus é para todos aqueles que têm coração simples e humilde, não julgam os outros, sabem sofrer com quem sofre e alegrar-se com quem se alegra, não são violentos mas misericordiosos e tentam ser artifices de reconciliação e de paz.”

O Papa Francisco terminou a sua mensagem declarando que os Santos através do seu testemunho dizem-nos para confiarmos no Senhor, a não termos medo de andarmos contra a corrente e demonstram-nos com a sua vida que quem permanece fiel a Deus e à sua Palavra experimenta o conforto do Seu amor.

Recordando a Comemoração dos Fieis Defuntos do dia amanhã o Santo Padre propôs uma oração de sufrágio por todos os que nos precederam na fé e confiou a oração à intercessão de Maria, Rainha de Todos os Santos.

No final da oração o Santo Padre saudou os participantes na “Corrida dos Santos” organizada pela Fundação “Dom Bosco no Mundo” que decorreu durante esta manhã em Roma. Referiu-se ainda à sua visita ao Cemitério do Verano onde celebrará Missa e rezará por todos os que nos precederem na fé e também fará uma oração especial por todos os que morrem de fome e sede no mundo, nomeadamente, aqueles morrrem em busca de uma vida melhor.

Papa Francisco twittou:

31/10/2013
Um cristão sabe enfrentar as dificuldades, as provações e também as derrotas, com serenidade e esperança no Senhor.

Homilia do Papa: S. Paulo, exemplo de amor a Cristo

Cidade do Vaticano, 31.outubro.2013 (RV) – Papa Francisco celebrou uma Santa Missa, na manhã desta quinta-feira, na Capela São Sebastião, no interior da Basílica Vaticana, onde está sepultado o bem-aventurado João Paulo II.

Todas as quintas-feiras, um grupo de fiéis poloneses participa da celebração Eucarística, na Capela São Sebastião, onde descansam os restos mortais de seu compatriota Karol Wojtyla. Mas, hoje, a celebração foi presidida pelo Papa Francisco, que pronunciou uma homilia, partindo das leituras da Liturgia do dia.

Em sua reflexão, o Santo Padre destacou dois aspectos principais: a “segurança de São Paulo”, em relação ao amor a Cristo, e a “tristeza de Jesus” em relação a Jerusalém.

A respeito da “segurança de Paulo”, o Bispo de Roma citou as palavras do próprio Apóstolo: “Ninguém poderá me separar do amor de Cristo”, Com efeito, Paulo amava tanto o Senhor, porque o havia visto, encontrado e mudado a sua vida por ele, a ponto de declarar este seu amor inseparável a Cristo.

Por causa deste amor, o Senhor tornou-se o centro da sua vida; nada o separou do amor a Cristo: nem as perseguições, as enfermidades, as traições, todas as vicissitudes da sua vida. O amor a Cristo era seu ponto de referência. E o Papa acrescentou:

“Sem o amor de Cristo, sem viver este amor, sem reconhecê-lo, nutrir-nos deste amor, não podemos ser cristãos. O cristão é aquele que se sente atraído pelo olhar do Senhor, se sente amado e salvo pelo Senhor até o fim”.

Depois desta relação de amor de Paulo com Cristo, o Pontífice citou um segundo aspecto, extraído da Liturgia da Palavra de hoje: a “tristeza de Jesus” ao olhar Jerusalém e ao chorar por ela. Jerusalém não havia entendido o amor e a ternura de Deus. Ela não soube ser fiel a Jesus, não se deixou amar e tampouco amou o Senhor. Aliás, o rejeitou. E o Papa explicou:

“Estes dois ícones de hoje: por um lado, Paulo, que permaneceu fiel ao amor de Jesus, até o fim, suportando tudo por amor. Não obstante, sentia-se pecador, mas, ao mesmo tempo amado pelo Senhor. Por outro, a cidade e o povo infiel, que não aceita o amor de Jesus ou o aceita à metade, segundo a própria conveniência”.

Por isso, o Bispo de Roma exortou os fiéis presentes na celebração Eucarística, a imitarem a figura de São Paulo, a sua coragem, que vem do amor a Jesus; a contemplarem a fidelidade do Apóstolo e a infidelidade de Jerusalém. E concluiu: que o bem-aventurado João Paulo II nos ajude a imitar o amor que o Apóstolo Paulo nutria por Jesus.

Representante vaticano na ONU defende inclusão social para combater a fome no mundo

Cidade do Vaticano, 29.outubro.2013 (RV) - Debelar a fome no mundo superando as exclusões sociais, promovendo justiça e respeito por todo ser humano: foi a recomendação do observador permanente da Sana Sé na ONU, Dom Francis Chullikatt, expressa nesta terça-feira à segunda comissão da 68ª sessão da Assembleia Geral, em Nova York.

"A fome, como todas as formas de pobreza, é causada pela exclusão social", explicou e denunciou o arcebispo:

"Os atuais níveis de produção são suficientes para que todos possam se alimentar, mas milhões de pessoas ainda padecem a fome".

"Isso é verdadeiramente vergonhoso", comentou o representante vaticano, acrescentando: "1,3 bilhão de tonelada de alimento é desperdiçado a cada ano e, citando palavras do Papa Francisco, ressaltou que "quando o alimento é desperdiçado, é roubado da mesa dos pobres".
Citando ainda o Pontífice, Dom Chullikatt pediu que se "supere as tentações do poder, da riqueza e do interesse pessoal para servir à família humana". Significa trabalhar para "promover uma vida digna para todos". Significa "pensar nos que vivem à margem da sociedade – explicou – e no bem-estar das gerações presentes e futuras".

O observador vaticano convidou a entrelaçar os temas da segurança alimentar com a não discriminação e acesso ao alimento para todos.

"Muitas vezes – denunciou – o acesso ao alimento se torna uma arma para controlar ou subjugar os povos, ao invés de ser um instrumento para construir comunidades pacíficas e prósperas."

Daí, alguns princípios orientadores para uma efetiva distribuição do alimento: em primeiro lugar, o princípio da subsidiariedade, que significa conceber "as atividades humanas em nível mais local e direto possível a fim de assegurar o máximo da participação", explicou.

Nisso, "as realidade maiores têm a responsabilidade de dar apoio às menores", recomendou. Em seguida, evidenciou que subsidiariedade significa não somente dar alimento às pessoas, mas ajudá-las a ser autossuficientes. Por fim, Dom Chullikkatt ressaltou que "a fome é um problema humano que requer soluções baseadas na comum humanidade".

SANTO AFONSO RODRIGUES - 31.OUTUBRO

“Agradar somente a Deus, cumprir sempre e em toda parte a Vontade Divina”

Santo Afonso Rodriguez SJ, nascido Alonso Rodríguez, (Segóvia, 25 de Julho de 1532 — Palma de Maiorca, 31 de outubro de 1617) foi um leigo consagrado jesuíta espanhol.

Pertencente a uma família cristã, foi filho de Diego Rodríguez e Maria Gómez. Segundo de onze irmãos. teve que interromper seus estudos no primário, pois com a morte do pai, assumiu os compromissos com o comércio. Casou-se com Maria Suarez, com quem teve três filhos, perdendo dois, ficando viúvo aos 32 anos. Ao entrar em crise espiritual por esse motivo, Afonso entrega-se à oração, à penitência e dirigido por um sacerdote, descobriu o seu chamado a ser irmão religioso e assim, assumiu grandes dificuldades como a limitação dos estudos. Superando isso, Afonso foi recebido na Companhia de Jesus como irmão, e depois do noviciado, foi enviado para o colégio de formação.

No colégio, desempenhou os ofícios de porteiro e a todos prestava vários serviços, e dentre as virtudes que conquistou, foi, para os fiéis, a obediência a sua prova de verdadeira "humildade".

Tinha como regra: "Agradar somente a Deus, cumprir sempre e em toda parte a vontade divina". Este "Santo", com sua "espiritualidade", alegadamente ajudou a muitos, principalmente São Pedro Claver, que viveu algum tempo em Maiorca, quanto ao futuro apostolado na Colômbia.

Se fizera famosa a austeridade e o rigor de sua vida, sua entrega à oração, a obediência absoluta e a absorção pelos assuntos espirituais. Difundiu e popularizou o Oficio Menor da Imaculada Conceição.

Santo Afonso Rodrigues, sofreu muito antes de morrer em 31 de outubro de 1617. A sua festa celebra-se no dia 31 de Outubro, dia da sua morte, sendo sepultado na igreja de Monte Sião em Mallorca. É considerado símbolo da espiritualidade dos irmãos Auxiliares jesuítas.

Santo Afonso Rodriguez não foi ordenado sacerdote. Irmão leigo é uma pessoa que faz os votos religiosos numa ordem Religiosa, no caso dele, A Companhia de Jesus, porem não é sacerdote ou padre. Corresponde ao frei ou monge. Embora muitos frades e monges depois sejam ordenados sacerdotes.

Foi declarado venerável em 1626. Em 1633, O Conselho Geral de Mallorca escolheu-o como um dos padroeiros da cidade e da ilha. Em 1760, Clemente XIII decretou que "as virtudes do venerável Afonso se tinham provado que eram dum grado heroico", mas a supressão de Companhia de Jesus na Espanha em 1773 atrasou a sua beatificação até 1825, ocorrendo no dia 15 de Janeiro, pelo papa Leão XII. Foi canonizado a 15 de Janeiro de 1888 pelo papa Leão XIII.
Wikipédia

Periferias existenciais e família: a mensagem do Papa à Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas

Busan, 30.outubro.2013 (RV) – Teve início esta quarta-feira em Busan, na Coreia do Sul, a X Assembleia Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

Até o dia 8 de novembro, os membros do Conselho debaterão o tema “Deus da Vida, leva-nos à justiça e à paz”. A Assembleia é o órgão de gestão mais importante do CMI e é convocada a cada sete anos. Participam mais de três mil representantes de 345 Igrejas e comunidades eclesiais. A Assembleia precedente foi realizada em 2006 em Porto Alegre (RS).

O Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Card. Kurt Koch, leu esta manhã a mensagem do Papa Francisco, em que reitera o empenho da Igreja Católica a continuar a cooperação de longa data com o Conselho. O Pontífice destaca que “o mundo globalizado requer dos cristãos o testemunho do valor da dignidade da pessoa que vem de Deus”, defendendo a educação integral dos jovens e uma promoção da pessoa que permita aos indivíduos e às comunidades crescerem em liberdade.

O Papa Francisco pede apoio às famílias, célula fundamental da sociedade, e garantias para que não seja impedido o exercício da liberdade religiosa.

“Em fidelidade ao Evangelho – explica o Francisco – somos chamados a alcançar todos os que se encontram nas periferias existenciais da sociedade e a levar solidariedade aos irmãos e às irmãs mais vulneráveis”. E o Papa cita nomeadamente “os pobres, os deficientes, os nascituros e os doentes, os migrantes e os refugiados, os idosos e os jovens sem emprego”.

Por fim, o Pontífice garante a sua oração para que a “Assembleia contribua a dar novo impulso vital e nova visão a todos os que estão empenhados na causa sagrada da unidade dos cristãos”.

O Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Brian Farrell, guia a delegação oficial católica, composta por 25 pessoas. A Igreja Católica, mesmo não sendo membro do CMI, colabora ativamente com o organismo, através principalmente do “Grupo Misto de Trabalho”, instituído em 1965. A Rádio Vaticano acompanha os trabalhos da Assembleia com a enviada, Philippa Hitchen.



Comunhão dos Santos, "o homem não está só
, existe uma comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo" - Papa Francisco na Audiência Geral

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de falar de uma realidade muito bela da nossa fé, ou seja, da “comunhão dos santos”. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que com esta expressão se entendem duas realidades: a comunhão nas coisas santas e a comunhão entre as pessoas santas (n. 948). Concentro-me no segundo significado: trata-se de uma verdade entre as mais consoladoras da nossa fé, pois nos recorda que não estamos sozinhos, mas existe uma comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo. Uma comunhão que nasce da fé; de fato, o termo “santos” refere-se àqueles que acreditam no Senhor Jesus e estão incorporados a Ele na Igreja mediante o Batismo. Por isto, os primeiros cristãos eram chamados também “os santos” (cfr At 9,13.32.41; Rm 8,27; 1 Cor 6,1).

1. O Evangelho de João mostra que, antes da sua Paixão, Jesus rezou ao Pai pela comunhão entre os discípulos, com estas palavras: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (17, 21). A Igreja, em sua verdade mais profunda, é comunhão com Deus, familiaridade com Deus, comunhão de amor com Cristo e com o Pai no Espírito Santo, que se prolonga em uma comunhão fraterna. Esta relação entre Jesus e o Pai é a “matriz” do vínculo entre nós cristãos: se estamos intimamente inseridos nesta “matriz”, nesta fornalha ardente de amor que é a Trindade, então podemos nos tornar verdadeiramente um só coração e uma só alma entre nós, porque o amor de Deus queima os nossos egoísmos, os nossos preconceitos, as nossas divisões interiores e exteriores. O amor de Deus queima também os nossos pecados

2. Se há este enraizamento na fonte do Amor, que é Deus, então se verifica também o movimento recíproco: dos irmãos a Deus; a experiência da comunhão fraterna me conduz à comunhão com Deus.  Estar unidos entre nós nos leva a estar unidos com Deus, leva-nos a esta ligação com Deus que é o nosso Pai. Este é o segundo aspecto da comunhão dos santos que gostaria de destacar: a nossa fé precisa do apoio dos outros, especialmente nos momentos difíceis. Se nós estamos unidos a fé se torna forte. Quanto é belo apoiar-nos uns aos outros na aventura maravilhosa da fé! Digo isto porque a tendência a se fechar no privado influenciou também o âmbito religioso, de forma que muitas vezes é difícil pedir a ajuda espiritual de quantos partilham conosco a experiência cristã. Quem de todos nós não experimentou inseguranças, perdas e ainda dúvidas no caminho da fé? Todos experimentamos isto, também eu: faz parte do caminho da fé, faz parte da nossa vida. Tudo isso não deve nos surpreender, porque somos seres humanos, marcados por fragilidades e limites; todos somos frágeis, todos temos limites. Todavia, nestes momentos de dificuldade é necessário confiar na ajuda de Deus, mediante a oração filial e, ao mesmo tempo, é importante encontrar a coragem e a humildade de abrir-se aos outros, para pedir ajuda, para pedir para nos darem uma mão. Quantas vezes fizemos isto e então saímos do problema e encontramos Deus uma outra vez! Nesta comunhão – comunhão quer dizer comum-união – somos uma grande família, onde todos os componentes se ajudam e se apoiam entre eles.

3. E chegamos a outro aspecto: a comunhão dos santos vai além da vida terrena, vai além da morte e dura para sempre. Esta união entre nós vai além e continua na outra vida; é uma união espiritual que nasce do Batismo e não vem separada da morte, mas, graças a Cristo ressuscitado, é destinada a encontrar a sua plenitude na vida eterna. Há um vínculo profundo e indissolúvel entre quantos são ainda peregrinos neste mundo – entre nós – e aqueles que atravessaram o limiar da morte para entrar na eternidade. Todos os batizados aqui na terra, as almas do Purgatório e todos os beatos que estão já no Paraíso formam uma só grande família. Esta comunhão entre terra e céu se realiza especialmente na oração de intercessão.

Queridos amigos, temos esta beleza! É uma realidade nossa, de todos, que nos faz irmãos, que nos acompanha no caminho da vida e nos faz encontrar-nos de novo no céu. Sigamos por este caminho com confiança, com alegria. Um cristão deve ser alegre, com a alegria de ter tantos irmãos batizados que caminham com ele; apoiado pela ajuda dos irmãos e das irmãs que fazem esta estrada para ir para o céu; e também com a ajuda dos irmãos e das irmãs que estão no céu e rezam a Jesus por nós. Avante por este caminho com alegria!
Tradução do texto integral em italiano publicado pela Santa Sé

Missa do Papa em Santa Marta - A esperança, esta desconhecida

Nada de clericalismo, comodismo e nem mesmo um otimismo genérico: a esperança cristã é algo maior. Durante a missa celebrada esta manhã, 29.outubro.2013 em Santa Marta, Papa Francisco volta a mais um de seus pontos fortes. A esperança, explicou o Pontífice, é antes de tudo uma "ardente expectativa" em direção à revelação do Filho de Deus.

Na trilha de São Paulo aprendemos que a esperança "nunca desilude", mas, ao mesmo tempo, não é "fácil de entender ", acrescentou o Papa. E continuamos a cair no equivoco de que esperança é sinônimo de otimismo.

Falar de esperança não significa simplesmente "olhar para as coisas com bom ânimo, e continuar em frente" ou ter uma "atitude positiva diante das coisas". A esperança é, antes de tudo, “a mais humilde das três virtudes, porque está escondida na vida". Enquanto a fé "vemos" e "sentimos" e a caridade "se faz”, a esperança é "uma virtude arriscada", mas "não é uma ilusão".

A esperança é, sobretudo, estar “na tensão” para a "revelação do Filho de Deus" e para "a alegria que enche a nossa boca com sorrisos". Os primeiros cristãos tomaram a âncora como um símbolo de esperança, "uma âncora na margem” além da vida.

E nós, cristãos, onde estamos ancorados? Podemos estar ancorados "na margem do oceano", ou num "lago artificial que nós construímos, com as nossas regras, os nossos comportamentos, os nossos horários, os nossos clericalismos, as nossas atitudes eclesiásticas e não eclesiais".

Para São Paulo, no entanto, o ícone de esperança é o nascimento. A vida é uma contínua expectativa e a esperança está na dinâmica de "dar a vida”. E, como a "primazia do Espírito" não se vê, o Espírito "trabalha" como o grão de mostarda do Evangelho, muito pequeno, mas "cheio de vida" e de "força" para crescer até se tornar uma árvore.

Papa Francisco destacou os critérios reais para a vida cristã: "Uma coisa é viver na esperança, porque na esperança somos salvos, e outra coisa é viver como bons cristãos, nada mais". Uma coisa é estar “ancorado na margem Além", outra coisa é permanecer "estacionado na lagoa artificial".

É importante, nesse sentido, olhar para o exemplo da Virgem Maria que, desde o momento da sua maternidade, muda de atitude, e canta um hino de louvor a Deus. A esperança, portanto, é também esta mudança de atitude: "somos nós, mas não somos nós; somos nós, olhando lá, ancorados lá".

O Santo Padre concluiu a homilia, dirigindo-se a um grupo de sacerdotes mexicanos, presentes na missa por ocasião do 25 º aniversário de sacerdócio, e exortou-os a pedir a Maria para que seus anos sejam “anos de esperança, de viver como sacerdotes da esperança","dando esperança".
zenit.org

Esta foi a mensagem do Papa Francisco em seu Twitter, nesta terça-feira:

29/10/2013
Se os bens materiais e o dinheiro tornam-se o centro da vida, eles apoderam-se de nós e nos escravizam

Papa aos funcionários do CTV: Sejam profissionais a serviço da Igreja

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa recebeu em audiência, esta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, os funcionários do Centro Televisivo Vaticano (CTV) e seus familiares, por ocasião do 30º aniversário de fundação desse organismo. Participaram cerca de 150 pessoas.

"Agora se abrem importantes desafios tecnológicos, como eu tive a oportunidade de ressaltar na mensagem enviada a vocês por ocasião do recente congresso do CTV. São desafios aos quais não devemos fugir, para manter firmemente a perspectiva do Evangelho nessa espécie de rodovia global da comunicação", destacou Francisco.

"Sejam profissionais a serviço da Igreja. O seu trabalho é de grande qualidade e assim deve ser pela tarefa a vocês atribuída, mas o profissionalismo para vocês deve ser sempre o serviço à Igreja, em tudo: na filmagem, na direção, nas escolhas editoriais, administração e demais tarefas. Tudo deve ser feito com um estilo, uma perspectiva que é a eclesial, a da Santa Sé. É necessário que a comunicação do CTV saiba infundir nos telespectadores, nos fiéis e nas pessoas distantes, o perfume e a esperança do Evangelho", frisou o pontífice.

"Nascido há 30 anos, por intuição e vontade de João Paulo II, o Centro Televisivo Vaticano tem como rota e missão, manter firmemente a perspectiva evangélica", afirmou o Papa Francisco, num setor, o midiático, em que essa perspectiva é desconhecida ou ignorada. E para se sobressair é necessário um grupo unido e responsável:

"Joguem como uma equipe. A eficácia da pastoral da comunicação é possível criando vínculos, fazendo convergir em torno de projetos partilhados uma série de sujeitos; uma união de propósitos e forças. Sabemos que isso não é fácil, mas se houver ajuda recíproca o jogo de equipe se torna mais leve, e também o estilo de seu trabalho será um testemunho de comunhão", sublinhou Francisco.

O Papa agradeceu aos funcionários do CTV não somente pelo profissionalismo hoje reconhecido em todo o mundo, mas especialmente pela disponibilidade e discrição com as quais todos os dias eles testemunham e acompanham o pontífice. O Santo Padre mostrou atenção também para com os familiares dos funcionários:

"Porque, como recordou o diretor do CTV, Mons. Viganò, as famílias vivem a agenda semanal dos compromissos do Papa! É um sacrifício não indiferente, imagino, e não só por isso eu sou grato a vocês, mas lhes asseguro uma oração por todos, especialmente para seus filhos. O Papa não quer importunar a vida de família, hein? Obrigado pela paciência", disse ainda.

Enfim, o Santo Padre se dirigiu "aos amigos que estão envolvidos em várias funções na grande família da CTV". "Sozinhos não podemos fazer muito, mas juntos podemos estar a serviço do mundo inteiro, difundindo a verdade e a beleza do Evangelho até os confins da terra", concluiu. 

Papa Francisco em seu Twitter:

28/10/2013

Somos todos pecadores. Mas Deus nos cura com uma abundância de graça, misericórdia e ternura.

27/10/2013
Queridos Seguidores, soube que já sois mais de 10 milhões! Agradeço-vos do fundo do coração e peço que continueis a rezar por mim.

SÃO JUDAS E SÃO SIMÃO – APÓSTOLOS - 28 DE OUTUBRO

São Judas – Apóstolo, foi chamado nos evangelhos de Judas Tadeu. O nome Judas vem de Judá e significa festejado. Tadeu quer dizer peito aberto, destemido, melhor ainda, magnânimo.

 
Era natural de Caná da Galiléia, na Palestina, filho de Alfeu, também chamado Cléofas, e de Maria Cléofas, ambos parentes de Jesus. O pai era irmão de são José; a mãe, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto Judas era primo-irmão de Jesus e irmão de Tiago, chamado o Menor, também discípulo de Jesus.
 
Os escritos cristãos dessa época revelam mesmo esse parentesco, uma vez que Judas Tadeu seria um dos noivos do episódio que relata as bodas de Caná, por isso Jesus, Maria e os apóstolos estariam lá.
 
Na Bíblia, ele é citado pouco, mas de maneira importante.
No evangelho de Mateus, vemos que Judas Tadeu foi escolhido por Jesus. Enquanto nas escrituras de João ele é narrado mais claramente. Na ceia, Judas Tadeu perguntou a Jesus: "Mestre, por que razão deves manifestar-te a nós e não ao mundo?" Jesus respondeu-lhe que a verdadeira manifestação de Deus está reservada para aqueles que o amam e guardam a sua palavra.
 
Também faz parte do Novo Testamento a pequena Carta de São Judas, a qual traz os fundamentos para perseverar no amor de Jesus e adverte contra os falsos mestres.
Após ter recebido o dom do Espírito Santo, Judas Tadeu iniciou sua pregação na Galiléia. Realizou inúmeros milagres em sua caminhada pelo Evangelho. Depois, foi para a Samaria e, próximo do ano 50, tomou parte no primeiro Concílio, em Jerusalém. Em seguida, continuou a evangelizar na Mesopotâmia, Síria, Armênia e Pérsia, onde encontrou Simão, e passaram a viajar juntos.
 
A tradição conta que São Judas Tadeu percorreu as doze províncias do Império Persa, nas quais pregou a Boa Nova do Evangelho e converteu muitos pagãos.
Ao certo, o que sabemos é que o apóstolo Judas Tadeu tornou-se um mártir da fé, isto é, morreu por amor a Jesus Cristo. A sua pregação e o seu testemunho eram tão intensos que os pagãos se convertiam.
Os sacerdotes pagãos, furiosos, mandaram assassinar o apóstolo, a golpes de bastões, lanças e machados. Tudo teria acontecido no dia 28 de outubro de 70.
 
Seus restos mortais, guardados primeiro no Oriente Médio e depois na França, agora são venerados em Roma, na Basílica de São Pedro. Considerado pelos cristãos o santo intercessor das causas impossíveis, foi a partir da devoção de santa Gertrudes que essa fama ganhou força no mundo católico. Ela, em sua biografia, relatou que Jesus lhe aconselhou invocar São Judas Tadeu até nos "casos mais desesperados".
Depois disso, aumentou o número de devotos do seu poder de resolver as causas que parecem sem solução. Conta a tradição que não se encontra um devoto que tenha pedido sua ajuda e não tenha sido atendido.

São Simão – Apóstolo, dito Simão, o Zelote ou Simão, o Cananeu, foi um dos discípulos de Jesus Cristo que fazia parte do grupo dos doze apóstolos. É referido como o Cananeu de acordo com o Livro de Mateus e como o Zelote no Livro de Lucas e em Atos dos Apóstolos.

A palavra grega Cananeu e a palavra Zelote, derivada do aramaico, significam a mesma coisa: "zeloso". Supõe-se por esse apelido que Simão pertencia à seita judaica conhecida como zelotes.

Como os outros apóstolos, também percorreu os caminhos da Palestina pregando o Evangelho. Da mesma forma que Felipe, parece ter ido primeiro ao Egito, seguindo a tradição sinóptica de que Jesus enviava seus discípulos aos pares. No entanto, parece ter voltado através da África do Norte, Espanha e Bretanha, chegando à Ásia Menor. Deste ponto pode ter viajado com Judas pela Mesopotâmia e Síria, juntado-se à outros Apóstolos orientais na Pérsia. Segundo uma notícia de Egésipo, o apóstolo teria sofrido o  martírio durante o império de Trajano, contando já com a avançada idade de 120 anos, foi crucificado e serrado ao meio.

Jesus continua a rezar por nós mostrando ao Pai as suas chagas – o Papa na missa desta segunda-feira

Jesus continua a rezar e a interceder por nós, mostrando ao Pai o preço da nossa salvação que são as suas chagas. O Papa Francisco na sua homilia na Casa de Santa Marta na manhã desta segunda-feira colocou no centro da sua reflexão a passagem do Evangelho em que Jesus reza toda a noite antes de escolher os doze apóstolos. Segundo o Santo Padre são as três relações de Jesus: Jesus com o Pai; Jesus com os Apóstolo e Jesus com a gente. Jesus rezava ao Pai para os Apóstolos e pela gente:

“É o intercessor, aquele que reza, e reza a Deus connosco e perante nós. Jesus salvou-nos, fez esta grande oração, o seu sacrifício, a sua vida, para salvar-nos, para justificar-nos: somos justos graças a Ele. Agora foi-se e reza. Mas Jesus é um espírito? Jesus não é um espírito! Jesus é uma pessoa, é um homem, com carne como a nossa, mas na glória. Jesus tem as chagas nas suas mãos, nos seus pés, nos seu lado e quando reza mostra ao Pai este preço da justificação e reza por nós como se dissesse: Mas Pai que não se perca isto!”

“Num primeiro tempo, Ele fez a redenção, justificou-nos a todos: mas agora o que é que faz? Intercede, reza por nós. Eu penso naquilo que terá sentido Pedro quando renegou Jesus e depois ao olhar para Ele chorou. Sentiu que aquilo que Jesus tinha dito era verdade: tinha rezado por ele e por isso podia chorar, podia arrepender-se. Tantas vezes, entre nós dizemos: Reza por mim! Preciso disso, tenho tantos problemas, tantas coisas, reza por mim. E isto é bom, porque nós irmãos devemos rezar uns pelos outros.”


A Jesus devemos confiar os nosso problemas e a nossa vida - disse o Papa Francisco – que afirmou que o Senhor reza ao Pai mostrando as suas chagas que são o preço da nossa justiça:

“Ele reza por mim; Ele reza por todos nós e reza corajosamente porque mostra ao Pai o preço da nossa justiça: as suas chagas. Pensemos muito nisto e agradeçamos ao Senhor. Rezemos por termos um irmão que reza connosco, por nós e intercede por nós. E falemos com Jesus dizendo: Senhor tu és o intercessor, Tu salvaste-me e justificaste-me. Mas agora reza por mim. É confiar os nossos problemas, a nossa vida, tantas coisas a Ele, para que Ele os leve ao Pai.”


Papa Francisco: Bento XVI fez Teologia "de joelhos", seus livros despertam a fé

Cidade do Vaticano, 26.outubro.2013 (RV) - Os livros sobre Jesus escritos por Bento XVI permitiram descobrir ou reforçar a fé em muitas pessoas e abriu uma nova estação de estudos sobre o Evangelho. Foi a consideração central expressa este sábado pelo Papa Francisco, que condecorou dois teólogos – um inglês e um alemão – com o "Prêmio Ratzinger". Promovido pela Fundação Vaticana "Joseph Ratzinger-Bento XVI", o Prêmio este ano chega à sua terceira edição.

Não há dúvida que fizeram bem a muitos, quer estudiosos ou pessoas simples, próximos ou distantes de Cristo. Esse é o resultado dos três livros sobre Jesus de Nazaré, escritos por Bento XVI entre 2007 e 2012, e em geral o bem feito por sua sabedoria teológica, antes fruto de oração que de empenho intelectual.

Francisco reconheceu isso e o celebrou publicamente no dia e no contexto mais apropriados, junto a dois teólogos – o inglês Richard Burridge e o alemão Christian Schaller – que receberam das mãos do Pontífice o Prêmio dedicado ao Papa emérito.

A entrega do chamado "Nobel da Teologia – como desde a sua instituição, em 2010, é considerado o Prêmio Ratzinger –, ofereceu ao Santo Padre a ocasião para uma reflexão pessoal sobre o valor da trilogia escrita por Bento XVI-Joseph Ratzinger.

Recordando a admiração de alguns diante de textos que não eram exatamente do magistério ordinário, o Papa Francisco observou:

"Certamente o Papa Bento se interrogou sobre a questão, mas também nesse caso, como sempre, ele seguiu a voz do Senhor em sua consciência iluminada. Com esses livros ele não fez um magistério em sentido próprio, e não fez um estudo acadêmico.
Ofereceu à Igreja e a todos os homens o que tinha de mais precioso: seu conhecimento acerca de Jesus, fruto de anos e anos de estudo, de aprofundamento teológico e de oração – porque Bento XVI fazia teologia de joelhos, e todos sabemos disso –, e colocou esse conhecimento à disposição na forma mais acessível."

"Todos nós temos uma certa percepção, por ter ouvido muitas pessoas que graças aos livros sobre Jesus de Nazaré alimentaram a sua fé, a aprofundaram, ou até mesmo pela primeira vez se aproximaram de Jesus de modo adulto, conjugando as exigências da razão com as da busca do rosto de Deus.

Francisco parabenizou os vencedores do Prêmio Ratzinger 2013, e o fez também em nome de Bento XVI – com o qual disse ter-se encontrado "quatro dias atrás" –, despedindo-se deles com as seguintes palavras: "O Senhor abençoe sempre vocês e seu trabalho a serviço de Seu Reino".
Angelus: Papa confia famílias do mundo inteiro a Maria, sobretudo as que se encontram em dificuldades

Cidade do Vaticano, 27.outubro.2013 (RV) - Pouco antes do término da missa celebrada na manhã deste domingo no adro da Basílica Vaticana, Francisco fez uma oração diante do ícone da Sagrada Família:

"Sagrada Família de Nazaré, dai-nos o olhar límpido que sabe reconhecer a obra da Providência nas realidades cotidianas da vida (...), transformai as nossas famílias em pequenas Igrejas domésticas, renovai o desejo da santidade, sustentai a nobre fadiga do trabalho, da educação, da escuta, da recíproca compreensão e do perdão"...

"Santa Família de Nazaré, despertai em nossa sociedade a consciência do caráter sagrado e inviolável da família, bem inestimável e insubstituível. Que toda família seja morada acolhedora de bondade e de paz."

E antes da oração mariana do Angelus, recitada no adro da Basílica, o Santo Padre saudou e agradeceu a todos os peregrinos e às famílias provenientes de vários países. Para elas e, de modo particular, para as famílias que vivem situações de maiores dificuldades, invocou a proteção de Maria.

Enfim, saudou os bispos e fiéis da República da Guiné Equatorial, presentes por ocasião da ratificação do Acordo entre o Estado africano e a Santa Sé.

"Que a Virgem Imaculada proteja o vosso amado povo e obtenha para vós progredir no caminho da concórdia e da justiça."

Ao concluir, antes de desejar a todos um bom domingo e bom almoço, agradeceu pela festa de sábado à tarde e pela missa desta manhã no adro da Basílica de São Pedro.




Papa Francisco: As famílias que rezam unidas são fortes e levam a toda parte a alegria que vem de Deus


Rezar juntos na família, com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. Esta foi a mensagem que o Papa Francisco deixou às famílias durante homilia na Missa celebrada por ele neste domingo, 27, por ocasião da peregrinação das famílias no Vaticano.


Partindo do Evangelho do dia, o Santo Padre falou de duas maneiras de rezar: uma falsa, a do fariseu, e outra autêntica, a do publicano. Enquanto o fariseu faz uma oração sobrecarregada pelo peso da vaidade, o publicano reconhece-se pecador diante de Deus e faz uma oração simples, que vem do coração.

“O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras; sua oração é humilde, sólida, permeada pela consciência de suas misérias. Este homem reconhece que precisa do perdão de Deus, da misericórdia de Deus”.

Esse foi o modelo indicado pelo Papa às famílias. Ele recomendou a oração do Pai Nosso e falou da necessidade de um rezar pelo outro: pai rezar pela mãe, pelos filhos, e vice-versa. “Isso é rezar em família, torna a família forte (…) Todas as famílias precisam de Deus, de sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia”.

Um segundo aspecto destacado pelo Pontífice foi a conservação da fé na família. Francisco citou o exemplo do apóstolo Paulo, que não conservou sua fé em um cofre, mas a irradiou, levando-a adiante.

“Falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque como ele a recebeu ele a doou indo às periferias sem se apegar a posições defensivas. Nós podemos nos perguntar: em família, como mantemos a nossa fé? Nós a mantemos como uma conta em banco ou sabemos partilhá-la?”

Recordando suas palavras às famílias durante o encontro deste sábado, 26, ele voltou a destacar que as famílias cristãs são missionárias todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé.

Uma última reflexão do Santo Padre na homilia foi sobre a família que vive a alegria. Ele convidou cada um a refletir em silêncio sobre a alegria em seu lar, lembrando que a alegria da família não vem das coisas, de bens secundários, mas sim da harmonia entre as pessoas, da beleza que é estar junto. E a base desse sentimento é a presença de Deus na família.

“Só Deus pode criar harmonia nas diferenças. Se falta o amor de Deus, até mesmo a família perde a alegria (…) Queridas famílias, vivam sempre com fé e simplicidade como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre com vocês”.

Ao final da Missa, o Sumo Pontífice colocou-se diante do ícone da Apresentação do Menino Jesus ao Templo e fez uma oração por todas as famílias. E antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis, ele agradeceu pela participação de todos na Jornada das Famílias.
Radio Vaticano

Íntegra da homilia do Papa Francisco.

Papa às famílias: muitas vezes a vida é árdua, mas o que mais pesa é a falta de amor

Cidade do Vaticano (RV) - A Praça São Pedro foi cenário, na tarde deste sábado, de um grande encontro de festa que reuniu famílias do mundo inteiro no âmbito da peregrinação "Família, vive a alegria da Fé". Às 14h locais abriram-se as entradas da Praça São Pedro para acolher milhares de pessoas que já numerosas afluíam ao Vaticano.

O encontro desenvolveu-se com cantos e manifestações musicais, apresentação de grupos à espera do Papa Francisco, que às 17h20 locais chegou à Praça após passar pela Basílica Vaticana, sendo calorosamente acolhido pela multidão que o aguardava.

O Papa foi recebido por um grupo de dez crianças e por seus avós, sendo saudado por uma criança acompanhada da avó. Após as boas-vindas ao Santo Padre feitas pelo presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, seguiram-se os testemunhos sobre as alegrias e as dificuldades da vida familiar, o discurso do Papa e o ato de Profissão de Fé, representando as famílias do mundo inteiro.

A seguir, na íntegra, o discurso que o Papa dirigiu aos presentes:

"Queridas famílias, boa tarde!

Bem-vindas a Roma!

Viestes, como peregrinas, de muitas partes do mundo, para professar a vossa fé diante do túmulo de São Pedro. Esta praça acolhe-vos e abraça-vos: somos um só povo, com uma só alma, convocados pelo Senhor, que nos ama e sustenta. Saúdo também a todas as famílias que estão unidas através da televisão e da internet: uma praça que se espraia sem confins!

Quisestes chamar a este momento «Família, vive a alegria da fé!» Gosto deste título! Entretanto escutei as vossas experiências, os casos que contastes. Vi tantas crianças, tantos avós... Pressenti a tristeza das famílias que vivem em situação de pobreza e de guerra. Ouvi os jovens que se querem casar, mesmo por entre mil e uma dificuldades. E então surge-nos a pergunta: Como é possível, hoje, viver a alegria da fé em família?

1.    No Evangelho de Mateus, há uma palavra de Jesus que vem em nossa ajuda: «Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Muitas vezes a vida é gravosa. Trabalhar é fatigante; procurar trabalho é fatigante. Mas, aquilo que mais pesa na vida é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada. Penso nos idosos sozinhos, nas famílias em dificuldade porque sem ajuda para sustentarem quem em casa precisa de especiais atenções e cuidados. «Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos», diz Jesus.

Queridas famílias, o Senhor conhece as nossas canseiras e os pesos da nossa vida. Mas conhece também o nosso desejo profundo de achar a alegria do lenitivo. Lembrais-vos? Jesus disse: «A vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11). Disse-o aos apóstolos, e hoje repete-o a nós. Assim, esta é a primeira coisa que quero partilhar convosco nesta tarde, e é uma palavra de Jesus: Vinde a Mim, famílias de todo o mundo, e Eu vos hei de aliviar, para que a vossa alegria seja completa.

2.    A segunda palavra, tomo-a do rito do Matrimônio. Neste sacramento, quem se casa diz: «Prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida». Naquele momento, os esposos não sabem quais são as alegrias e as tristezas que os esperam. Partem, como Abraão; põem-se juntos a caminho. Isto é o matrimônio! Partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor.

Com esta confiança na fidelidade de Deus, tudo se enfrenta, sem medo, com responsabilidade. Os esposos cristãos não são ingênuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade. Sem fugir nem isolar-se, sem renunciar à missão de formar uma família e trazer ao mundo filhos. - Mas hoje, Padre, é difícil… - Sem dúvida que é difícil! Por isso, vale a graça do sacramento! Os sacramentos não servem para decorar a vida; o sacramento do Matrimônio não se reduz a uma linda cerimônia! Os cristãos casam-se sacramentalmente, porque estão cientes de precisarem do sacramento! Precisam dele para viver unidos entre si e cumprir a missão de pais. «Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença». Eles, no seu Matrimônio, rezam juntos e com a comunidade, porquê? Só porque é costume fazer assim? Não! Fazem-no, porque lhes serve para a longa viagem que devem fazer juntos: precisam da ajuda de Jesus, para caminharem juntos com confiança, acolherem-se um ao outro cada dia e perdoarem-se cada dia.

Na vida, a família experimenta muitos momentos felizes: o descanso, a refeição juntos, o passeio até ao parque ou pelos campos, a visita aos avós, a uma pessoa doente... Mas, se falta o amor, falta a alegria, falta a festa; ora o amor é sempre Jesus quem no-lo dá: Ele é a fonte inesgotável, e dá-Se a nós na Eucaristia. Nela, Jesus dá-nos a sua Palavra e o Pão da vida, para que a nossa alegria seja completa.

3.    Está aqui, diante de nós, este ícone da Apresentação de Jesus no Templo. É um ícone verdadeiramente belo e importante. Fixemo-lo e deixemo-nos ajudar por esta imagem. Como todos vós, também os protagonistas da cena têm o seu caminho: Maria e José puseram-se a caminho, indo como peregrinos a Jerusalém, obedecendo à Lei do Senhor; e o velho Simeão e a profetisa Ana, também ela muito idosa, vêm ao Templo impelidos pelo Espírito Santo. A cena mostra-nos este entrelaçamento de três gerações: Simeão segura nos braços o menino Jesus, em quem reconhece o Messias, e Ana é representada no gesto de louvar a Deus e anunciar a salvação a quem esperava a redenção de Israel. Estes dois anciãos representam a fé como memória. Maria e José são a Família santificada pela presença de Jesus, que é o cumprimento de todas as promessas. Cada família, como a de Nazaré, está inserida na história de um povo e não pode existir sem as gerações anteriores.

Queridas famílias, também vós fazeis parte do povo de Deus. Caminhai felizes, juntamente com este povo. Permanecei sempre unidas a Jesus e levai-O a todos com o vosso testemunho. Obrigado por terdes vindo. Juntos, façamos nossas estas palavras de São Pedro, que nos têm dado força e continuarão a dar nos momentos difíceis: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68). Com a graça de Cristo, vivei a alegria da fé! O Senhor vos abençoe e Maria, nossa Mãe, vos acompanhe!"

O encontro concluiu-se com a Profissão de Fé, seguida da oração do Pai-Nosso e a Ave-Maria.

E as famílias têm novo encontro marcado para este domingo, na Praça São Pedro, prosseguindo assim a festa da Família neste Ano da Fé. De fato, pela manhã às 10h (6h do horário brasileiro de verão) o Pontífice presidirá à santa missa.

A celebração será transmitida pela Rádio Vaticano, ao vivo, via satélite, para todo o Brasil e demais países de língua portuguesa cujas emissoras nos retransmitem, a partir das 5h50 do horário brasileiro de verão.

Papa Francisco no Twitter:

26/10/2013
Com muita frequência, temos colaborado para a globalização da indiferença; procuremos, em vez disso, viver uma solidariedade global.

Milhares de famílias hoje e amanhã, na Praça de São Pedro. O Papa: “sois o motor do mundo!”

O Ano da Fé está prestes a experimentar um dos seus momentos mais belos e alegres: a Jornada da Família, que será celebrada neste Domingo. Na tarde deste sábado e no Domingo de manhã afluirão na Praça de São Pedro milhares de núcleos familiares para um encontro com o Papa Francesco: às 17h00 deste sábado terá, pois, lugar a profissão de fé, e no Domingo às 10h30, o Papa presidirá a Missa. Durante o seu encontro, nesta sexta-feira com os participantes na Plenária do Pontifício Conselho para a Família, o Pontífice recordou que é exactamente a família o motor do mundo e da história

Uma "comunidade" onde "se aprende a amar", composta de rostos e pessoas "que dialogam, se sacrificam pelos outros e defendem a vida", especialmente "a vida mais frágil " – o Papa Francisco descreve assim a singularidade da família que, acrescenta, se poderia definir "sem exagero", "o motor do mundo e da história”. A família, continuou o Papa, é o lugar onde "a pessoa toma consciência da sua dignidade", e "se a educação é cristã", reconhece "a dignidade de cada pessoa, de modo particular dos doentes, dos fracos e marginalizados".
"Tudo isto é a comunidade-família, que pede para ser reconhecida como tal, tanto mais hoje, quando predomina a tutela dos direitos individuais. Eh, devemos defender o direito desta comunidade: a família! Por isso, fizestes bem em prestar uma atenção particular para a Declaração dos Direitos da Família, apresentada exactamente há trinta anos, a 22 de Outubro de 1983" – sublinhou o Papa Francisco

Tweet do Papa Francisco:

25/10/2013
A cultura do descartável produz muitos frutos amargos, desde o desperdício de alimentos até ao isolamento de tantos idosos.

JORNADA DA FAMÍLIA 26-27/OUTUBRO

Neste sábado à tarde as famílias se reunirão na Praça São Pedro para dar testemunho e rezar juntas. Também o Santo Padre participará da segunda parte da grande festa da Família. A Rádio Vaticano transmitirá este evento ao vivo, com comentários em português, a partir das 14h20 (10h20 – de Brasília).

A luta dos cristãos contra o mal é também confessar sinceramente e no concreto os seus pecados – o Papa na missa desta sexta-feira

Ter a coragem de chamar os pecados pelo seu nome perante o confessor. Esta a ideia principal da homilia desta manhã na Missa celebrada pelo Papa Francisco na Casa de Santa Marta que foi inteiramente dedicada ao Sacramento da Reconciliação. Segundo o Santo Padre, para muitos adultos confessar os pecados perante um sacerdote é um esforço insustentável que pode transformar um momento de verdade num exercício de ficção. O Papa Francisco comentou a Carta de S. Paulo aos Romanos em que o Apóstolo admite publicamente perante toda a comunidade que na “sua carne não habita o bem” e ainda admitiu ser um “escravo” que não faz o bem que quer, mas cumpre o mal que não quer. O Papa diz-nos que esta é a luta dos cristãos:

“E esta é a luta dos cristãos. É a nossa luta de todos os dias. E nós nem sempre temos a coragem de falar como fala Paulo sobre esta luta. Sempre tentamos uma via de justificação: ‘Mas sim, somos todos pecadores. Dizemos assim , não é? Isto dizêmo-lo dramaticamente: é a nossa luta. E se nós não reconhecermos isto nunca poderemos ter o perdão de Deus.”

“Alguns dizem: ‘Ah, eu confesso-me com Deus!. Mas, é fácil, é como confessar por email, não é? Deus está lá longe, eu digo as coisas e não há um face a face, não há um olhos nos olhos. Paulo confessa as suas debilidades diretamente aos irmãos, face a face. Há ainda outros que dizem: eu vou confessar-me; mas confessam-se de coisas tão etéreas, tanto no ar que não são concretas. E isso é a mesma coisa que não o fazer. Confessar os nossos pecados não é como ir ao psiquiatra, ou ir para uma sala de tortura: é dizer ao Senhor; eu sou pecador, mas dizê-lo através do irmão, para que seja concreto.”

O cristão deve lidar com o seu pecado de uma forma concreta, honesta e ter a capacidade de se envergonhar perante Deus, pedindo perdão e reconciliando-se confessando os seus pecados. E, segundo o Papa Francisco, o melhor mesmo é imitarmos as crianças:

“ Os pequenos têm aquela sabedoria: quando uma criança vem confessar-se nunca diz coisas genéricas. ‘Mas Padre eu fiz isto à minha tia, eu disse aquela palavra!’ São concretos. Têm aquela simplicidade da verdade. E nós temos sempre a tendência de escondermos a realidade e as nossas misérias. Mas, há uma coisa bela: quando confessamos os nossos pecados, como estamos na presença de Deus, sentimos sempre vergonha. Envergonharmo-nos perante Deus é uma graça. Recordemos Pedro quando depois do milagre de Jesus no Lago diz: ‘Senhor afasta-te de mim que sou pecador’. Envergonha-se do seu pecado perante a santidade de Jesus Cristo.”

Radio Vaticano

SANTO ANTONIO DE SANT'ANNA GALVÃO - 25.OUTUBRO
"Frei Galvão: o arquiteto da luz": filme sobre a vida do primeiro santo brasileiro é lançado em DVD

"Frei Galvão: o arquiteto da luz". O filme foi idealizado a partir de uma promessa. Sua pré-estreia ocorreu na cidade do Rio de Janeiro (RJ) durante o "Festival de Cinema" da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) realizada em julho deste ano com a presença do Santo Padre, o Papa Francisco. A distribuição nacional do filme é realizada pela Editora Paulinas. A memória de São Frei Galvão é celebrada em 25 de outubro.

O diretor do filme é Malcolm Forest, cantor, compositor (com mais de cinco milhões de discos vendidos) e escritor. Malcolm é devoto de São Frei Galvão desde a infância e, após alcançar uma graça - que acredita ter sido um milagre -, decidiu produzir um longa metragem sobre a vida do santo.

O filme

O documentário relata a história e os milagres do primeiro santo brasileiro e conta a origem das suas famosas pílulas. Transmite conhecimentos de fé e elevação espiritual para todos os públicos, independentemente de crença religiosa. Além da informação biográfica de São Frei Galvão, o filme apresenta aspectos históricos de São Paulo e do Brasil, elementos educativos, arquitetônicos e de arte sacra. Há vários depoimentos e testemunhos emocionantes de milagres de graças alcançadas pela devoção.

A história do "recolhimento da luz", conhecido hoje como "mosteiro da luz", construção realizada por Frei Galvão, é contada em detalhe. Ao contrário do que vem sendo divulgado, o mosteiro é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), faltando ainda seu reconhecimento pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como patrimônio cultural da humanidade.

A trilha sonora foi desenvolvida por Malcolm Forest com arranjos do maestro Ocimar de Paula. Conta com uma grande diversidade musical, desde "O maior brasileiro", uma moda de viola e catira autêntica, ao pop, à "Regina Mundi", uma obra sacra original, gravada pelos monges beneditinos do mosteiro da Ressurreição de Ponta Grossa (PR). Inclui ainda a performance da música "Primavera" do padre Antônio Vivaldi pelo grupo vocal israelense "Carmel a Cappella" sob a direção de Shula Erez, e música do compositor André da Silva Gomes, contemporâneo de São Frei Galvão cedida pela gravadora Paulus.
Portal Ecclesia


Episcopado é serviço, não honra: diz o Papa na ordenação episcopal de Dom Gloder e Dom Speich

Cidade do Vaticano (RV) - Amem os presbíteros e os diáconos, os pobres e os indefesos e velem com amor pelo rebanho inteiro. Foram algumas das exortações feitas na tarde desta quinta-feira pelo Papa Francisco durante a missa – na Basílica de São Pedro – de ordenação episcopal do presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica, Dom Giampiero Gloder, e do núncio apostólico na República de Gana, Dom Jean-Marie Speich. O Santo Padre leu o texto da homilia ritual, prevista no Pontifical Romano para o rito da Ordenação episcopal, fazendo espontaneamente alguns acréscimos.

Papa: "Quereis pregar, com fidelidade e perseverança, o Evangelho de Cristo?"

Eleitos: "Sim, quero!"

Seguindo a antiga tradição dos santos padres, essas e outras perguntas foram dirigidas aos dois ordenandos, antes da homilia da celebração.

Os bispos, "custódios e dispensadores dos ministérios de Cristo" – disse o Papa Francisco –, são chamados a seguir o exemplo do Bom Pastor e a servir ao povo de Deus.

Como se recorda no Pontifical Romano, ao bispo "compete mais o servir do que o dominar":

"De fato, Episcopado é o nome de um serviço, não de uma honra. Sempre em serviço, sempre a serviço."

Após exortar a anunciar a Palavra em toda ocasião, oportuna e inoportuna – como se lê no Pontifical Romano –, o Santo Padre recordou a centralidade da oração:

"Um bispo que não reza é um bispo na metade do caminho. E se não reza ao Senhor acaba no mundanismo."

O serviço alimentado pela Palavra – acrescentou o Pontífice – deve ser orientado pelo amor:

"Amem, amem com amor de pai e de irmão todos aqueles que Deus lhes confiou. Em primeiro lugar, amem os presbíteros e os diáconos. São seus colaboradores, são, para vocês, os mais próximos dos próximos. Jamais façam um presbítero esperar, esperar uma audiência, respondam imediatamente. Estejam próximos deles. Mas amem também os pobres, os indefesos e aqueles que precisam de acolhimento e de ajuda. Tenham grande atenção por aqueles que não pertencem ao único rebanho de Cristo, porque também estes lhes foram confiados no Senhor. Rezem muito por eles."

Além de servir e amar, os bispos são chamados a velar "pelo rebanho inteiro", em nome do Pai, de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo que dá vida à Igreja, concluiu o Papa Francisco.
Radio Vaticano

Missa do Papa em Santa Marta - A lógica do antes e do depois

É necessário entrar na «lógica do antes e do depois» não para se sermos «cristãos tíbios» ou «água de rosas», ou até hipócritas. Com esta expressão eficaz o Papa Francisco, durante a missa celebrada na manhã de quinta-feira, 24 de Outubro, na capela de Santa Marta, repropôs a atitude com a qual os cristãos devem aproximar-se do mistério da salvação actuada por Jesus.

A referência inicial foi a carta aos Romanos (6, 19-23), na qual são Paulo «procura fazer-nos entender aquele mistério tão grande da nossa redenção, do nosso perdão, do perdão dos nossos pecados em Jesus Cristo». O apóstolo admoesta que não é fácil compreender e sentir este mistério. Para nos ajudar a entendê-lo usa aquela que o Pontífice definiu «a lógica do antes e do depois: antes de Jesus e depois de Jesus», como está resumido no cântico ao Evangelho da liturgia do dia (Filipenses, 3, 8): «Por Ele tudo desprezei e considero tudo como perda, a fim de ganhar Cristo». Portanto, para são Paulo conta só Cristo. Ele, afirmou o Papa, «sentia tão forte isto: a fé que nos torna justos, nos justifica diante do Pai». Paulo abandonou  o homem «do antes». E tornou-se o homem «do depois», cujo objectivo é «ganhar Cristo».

Ao comentar a carta, o Santo Padre fez notar que o apóstolo indica «um caminho para viver conforme esta lógica do antes e do depois».

«O que Cristo fez em nós – afirmou ainda o Papa – é uma recriação; o sangue de Cristo nos re-criou; é uma segunda criação. E se anteriormente a nossa vida, o nosso corpo, a nossa alma, os nossos hábitos estavam no caminho do pecado, da iniquidade; depois desta re-criação devemos fazer o esforço para percorrer no caminho da justiça, da santificação. Paulo utiliza esta palavra: santidade. Todos nós fomos baptizados. Naquele momento – éramos crianças – os nossos pais, em nosso nome, pronunciaram o acto de fé: creio em Jesus Cristo que perdoou os nosso pecados».

Esta fé – exortou o Pontífice - «devemos re-assumi-la nós e levá-la em frente com o nosso modo de viver. E viver como cristãos significa levar em frente esta fé em Cristo, esta re-criação. Levar em frente as obras que nascem desta fé. O importante é a fé, mas as obras são o fruto desta fé: levar em frente estas obras para a santificação. Eis: a primeira santificação que Cristo fez, a primeira santificação que recebemos no baptismos, deve crescer, deve ir em frente».

Sem esta consciência do antes e do depois, «o nosso cristianismo não serve a ninguém». Aliás, torna-se «hipocrisia: digo a mim mesmo que sou cristão, mas depois vivo como pagão». Se não considerarmos seriamente esta santificação, tornaremo-nos como os que o Papa definiu «cristãos tíbios».
L'Osservatore Romano


Tweet do Papa Francisco:

24/10/2013
Ser cristão significa renunciar a nós mesmos, tomar a cruz e levá-la com Jesus. Não há outro caminho.

A principal festa islâmica é dedicada em Roma ao papa Francisco

Comunidade árabe italiana comemorou o Id al-Adha este ano em honra de Bergoglio, do seu pontificado e do diálogo inter-religioso

ROMA, 22 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - A importante festa islâmica do Id al-Adha foi comemorada em Roma na noite deste sábado, 19 de outubro, em honra do papa Francisco, do seu pontificado e do diálogo inter-religioso, conforme breve relato do jornal L’Osservatore Romano.

Cerca de 1,4 bilhão de muçulmanos de todo o mundo consideram a festa do Id al-Adha uma das mais importantes do calendário islâmico. A comunidade árabe na Itália quis comemorá-la com uma grande reunião que contou com a participação de diplomatas árabes e palestinos, do imã do Centro Cultural Islâmico da Itália e de algumas famílias de imigrantes.

A data foi "uma oportunidade para celebrar, mas também um momento para continuar o debate saudável sobre as questões de natureza religiosa e, em particular, sobre o caminho iniciado pelo papa Francisco", declarou, em entrevista ao jornal vaticano, Foad Aodi, presidente da Co-Mai (comunidades do mundo árabe na Itália) e do Movimento Unidos para Unir.

O Id al-Adha (em árabe, "Festa do Sacrifício") é comemorado todos os anos no mês lunar de Dhu l’ Hijjah, em que acontece a peregrinação canônica chamada Hajj. Ela recorda as provações superadas pelo profeta Abraão e pela sua família, formada por Hagar e pelo filho Ismael. Em particular, é praticado um sacrifício ritual que evoca o sacrifício do cordeiro oferecido a Deus por Abraão. É, portanto, a celebração por excelência da fé e da submissão total e inquestionável a Deus (literalmente, “islam”) .

O Senhor está dentro da cela de cada detido. Seu amor paterno e materno chega a toda a parte: Papa Francisco aos capelães das cadeias

Radio Vaticano, 23.outubro.2013

Imediatamente antes da audiência geral, o Papa Francisco acolheu na Sala Paulo VI, um consistente grupo de Capelães das Cadeias, em Itália.
O Santo Padre pediu-lhes que fizessem chegar aos detidos uma sua saudação:

Por favor digam que rezo por eles, que os tenho no coração, rezo ao Senhor e a Nossa Senhora que possam superar positivamente este período difícil de suas vidas. Que não percam a coragem, não se fechem. Vós sabeis que num dia tudo vai bem, mas num outro dia, tudo despenca, e isso não é fácil. O Senhor está presente, mas dizei com os gestos, com as palavras, com o coracão que o Senhor não permanence fora da cela, não permanence fora das cadeias, mas está dentro, está ali.

Podeis dizer isso:
o Senhor está dentro com vocês; Ele também é um carcerado, ainda hoje. Carcerado dos nossos egoísmos, dos nossos sistemas, de tantas injustiças, porque é fácil punir os mais fracos, mas os peixes grandes nadam livrimente nas águas. Nenhuma cela é tão isolada para excluir o Senhor, nenhuma; Ele está ali, chora convosco, trabalha convosco, espera convosco; o seu amor paterno e materno chega a toda parte.

Rezo para que cada um abra o coração a este amor.

Quando eu recebia uma carta de um de vocês em Buenos Aires o visitava, mesmo agora quando eles ainda me escrevem de Buenos Aires, às vezes ligo para eles, especialmente domingo, bato um papo.

Depois quando termino penso: porque ele que está lá e não eu que tenho tantos e tantos motivos para estar ali? Pensar nisso me faz bem, pois, as fraquezas que temos são as mesmas, porque ele caiu e eu não? Para mim isso é um mistério que me faz rezar e me aproxima dos carcerados.


O Santo Padre concluiu este breve encontro com os Capelães das Cadeias assegurando que reza também por estes e pelo seu ministério, tão árduo e tão importante, até porque exprime uma das obras de misericórdia. “Sois sinal da proximidade de Cristo para estes irmãos que têm necessidade de esperança”.

Faço votos que o Senhor esteja sempre convosco, vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde; sempre nas mãos de Nossa Senhora, porque ela é a Mãe de todos vós e de todos carcerados. É isso que vos desejo, obrigado! E peçamos ao Senhor que vos abençoe e aos vossos amigos e amigas da cadeia; mas primeiro rezemos a Nossa Senhora que nos leve sempre a Jesus: Ave Maria....

Maria é imagem e modelo da Igreja, na fé, na caridade e na sua perfeita união com Cristo – o Papa Francisco na audiência geral

Numa manhã cheia de sol na Praça de S. Pedro foi uma multidão de quase 100 mil peregrinos que acolheram o Papa Francisco para esta audiência geral:

“…continuando as catequeses sobre a Igreja, hoje gostaria de olhar para Maria como imagem e modelo da Igreja. Faço-o recuperando uma expressão do Concílio Vaticano II . Diz a Constituição Lumen Gentium: ‘Como já ensinava Santo Ambrósio, a Mãe de Deus, é figura da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo’.”

A Igreja olha para a Virgem Mãe de Deus como sua figura e modelo na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. Como filha de Israel – disse o Papa Francisco.

Assim, Maria como modelo de fé espera e crê com todo o coração na redenção do seu povo. A sua fé, porém, recebe uma luz nova quando o anjo Lhe anuncia: serás Tu a Mãe do Redentor. N’Ela tem cumprimento a fé de Israel e, neste sentido, Maria é o modelo da fé da Igreja, que toda se concentra em Jesus.

“Na simplicidade das mil ocupações e preocupações quotidianas de cada mãe, como providenciar a alimentação, a roupa, o cuidar da casa… Precisamente esta existência normal da Nossa Senhora foi o terreno onde se desenvolveu uma relação singular e um diálogo profundo entre Ela e Deus, entre Ela e o Seu Filho.”

O Papa Francisco considerou, de seguida, que Maria é modelo de caridade para a Igreja, como podemos constatar na sua visita à prima Isabel, onde mais do que uma ajuda material, Ela leva Jesus no seu seio.

“Levar Jesus naquela casa queria dizer levar a alegria, a alegria plena. Isabel e Zacarias estavam felizes pela gravidez que parecia impossível naquela idade, mas é a jovem Maria que lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e exprime-se na caridade gratuita, na partilha, na ajuda, na compreensão.”

E o Santo Padre lançou o desafio de a Igreja levar sempre o amor de Jesus onde quer que esteja tal como Maria levava Jesus no seu seio na visita à sua prima Isabel.

E o Papa Francisco perguntou ainda: “E nós? –- Qual é o amor que levamos aos outros? Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Tratamo-nos como irmãos e irmãs ou cada um trata da sua horta?”

Por fim – disse o Papa - Maria é modelo de união com Cristo, vivendo imersa no mistério de Deus feito homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração à luz do Espírito Santo para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus.

“Mas cada ação era cumprida sempre em união perfeita com Jesus. Esta união atinge o seu auge no Calvário: aqui une-se ao Filho no martírio do coração e na oferta da vida ao Pai para salvação da humanidade. Nossa Senhora fez mesmo a dor do Filho e aceitou com Ele a vontade do Pai, naquela obediência que trás fruto, que dá a verdadeira vitória sobre o mal e sobre a morte.”

No final da audiência o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa presentes na audiência, especialmente os grupos de brasileiros de Belo Horizonte, Braço do Norte e Jundiaí. A todos deu a sua Benção. (
Leia o Texto Integral)
Radio Vaticano, 23.outubro.2013

Deus não salva por decreto. Salva-nos com ternura e com a sua vida – o Papa na missa desta terça-feira

Para entrar no mistério de Deus não basta a inteligência mas é preciso contemplação, proximidade, abundância - são as três palavras à volta das quais o Papa Francisco centralizou a sua homilia na Missa desta terça-feira na Casa de Santa Marta. E partiu da Primeira Leitura da liturgia de hoje retirada da Carta de S. Paulo aos Romanos:

“Contemplar o mistério, isto que Paulo nos diz aqui, sobre a nossa salvação, sobre a nossa redenção, apenas se percebe de joelhos, na contemplação. Não apenas com a inteligência. Quando a inteligência quer explicar um mistério, sempre, sempre... torna-se doida! E assim aconteceu na História da Igreja. A contemplação: inteligência, coração, joelhos, oração...tudo junto, entrar no mistério. Aquela é a primeira palavra que talvez nos ajudará.”

O Papa Francisco avançou então com uma segunda palavra para entrarmos no mistério de Deus. A seguir à contemplação é preciso... proximidade... Segundo o Santo Padre trata-se de um trabalho pessoal de Jesus. Com a sua proximidade de homem vem salvar um homem do seu pecado:

“Proximidade. Deus não nos salva apenas por um decreto, uma lei; salva-nos com ternura, salva-nos com a sua vida.”

A terceira palavra para entrarmos no mistério de Deus é, segundo o Papa, a abundância pois, onde foi abandonado o pecado sobreabunda a graça e o amor. A graça de Deus sempre vence porque é Ele mesmo que a dá – afirmou o Santo Padre – que esclareceu serem os mais pecadores aqueles que estão mais próximos ao coração de Jesus, porque Ele vai procurá-los e chama-os a todos:“Vinde, vinde. E quando lhe pedem uma explicação, diz: Mas os que estão de boa saúde não têm necessidaded de médico; eu vim para curar, para salvar.”


Mensagem do Papa Francisco em seu Twiitter:


22/10/2013
O crucifixo não nos fala de derrota, de fracasso; fala-nos de um Amor que vence o mal e o pecado.


Tweet do Papa Francisco:

21/10/2013
Para conhecer o Senhor, é importante encontrar-se frequentemente com Ele: escutá-LO em silêncio no Sacrário, abeirar-se dos sacramentos.

Francisco na missa matutina: "A ganância destrói as relações. O dinheiro é importante para ajudar os outros"

Cidade do Vaticano, 21.outubro.2013 (RV) - A ganância, pensar só no dinheiro destrói as pessoas, destrói as famílias e as relações com os outros: foi o que disse o Papa esta manhã durante a Missa na Casa Santa Marta. O convite não é escolher a pobreza em si mesma, mas utilizar as riquezas que Deus nos dá para ajudar quem precisa.

Comentando o Evangelho do dia, em que um homem pede a Jesus que ajude a resolver uma questão de herança com o seu irmão, o Papa fala sobre a nossa relação com o dinheiro:

Isso é um problema de todos os dias. Quantas famílias destruídas vemos pelo problema do dinheiro: irmão contra irmão; pai contra filho... E esta é a primeira consequência desse atitude de desejar dinheiro: destrói! Quando uma pessoa pensa no dinheiro, destrói a si mesma, destrói a família! O dinheiro destrói! É assim ou não? O dinheiro é necessário para levar avante coisas boas, projetos para desenvolver a humanidade, mas quando o coração só pensa nisso, destrói a pessoa.

Jesus conta a parábola do homem rico, que vive para acumular “tesouros para si mesmo e não é rico para Deus”. A advertência de Jesus é para manter-se diante de toda cupidez:

É isso que faz mal: a cupidez na minha relação com o dinheiro. Ter mais, mais e mais… Isso leva à idolatria, destrói a relação com os outros! Não o dinheiro, mas a atitude que se chama ganância. Esta ganância também provoca doença… E no final – isso é o mais importante – a cupidez é um instrumento da idolatria, porque vai na direção contrária àquela que Deus traçou para nós. São Paulo nos diz que Jesus Cristo, que era rico, se fez pobre para nos enriquecer. Este é o caminho de Deus: a humildade, o abaixar-se para servir. Ao invés, a cupidez nos leva para a estrada contrária: leva um pobre homem a fazer-se Deus pela vaidade. É a idolatria!

Papa no Angelus: “A luta contra o mal é dura e longa, requer paciência e resistência”

Cidade do Vaticano, 20.outubro.2013 (RV) – “A luta contra o mal é dura e longa, requer paciência e resistência”: foi o que recordou o Papa Francisco, na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro. “Assim – explica o Santo Padre – há uma luta que deve ser levada avante todos os dias. Deus está ao nosso lado, a fé n’Ele é a força, e a oração é a expressão da fé”.

Inspirando-se na parábola da viúva que pede com insistência a um juiz desonesto para ter justiça, o Papa observa:

“Clamar dia e noite” a Deus! Impressiona-nos esta imagem da oração. Mas vamos nos perguntar: por que Deus quer isso? Ele já não conhece as nossas necessidades? Que sentido tem “insistir” com Deus? Esta é uma boa pergunta, que nos faz aprofundar um aspecto muito importante da fé: Deus nos convida a rezar com insistência não porque não sabe do que precisamos, ou porque não nos ouve. Pelo contrário, Ele ouve sempre e sabe tudo sobre nós, com amor.

No nosso caminho cotidiano, - continuou o Papa Francisco, especialmente nas dificuldades, na luta contra o mal fora e dentro de nós, o Senhor está ao nosso lado; nós lutamos com ele ao lado, e a nossa arma é precisamente a oração, que nos faz sentir a sua presença, a sua misericórdia, a sua ajuda.

Mas a luta contra o mal é difícil e longa, exige paciência e resistência - como Moisés, que tinha que levantar os braços para fazer vencer o seu povo (cf. Ex 17,8-13 ) . É assim: há uma luta que deve continuar a cada dia; Deus é o nosso aliado, a fé n’Ele é a nossa força, e a oração é a expressão da fé.

Por isso, Jesus nos garante a vitória, mas pergunta: "O Filho do homem quando vier, encontrará fé sobre a terra?” (Lc 18:08 ). Se se apaga a fé, se se apaga a oração, e nós caminhamos nas trevas, nos perdemos no caminho da vida, disse o Papa.

Francisco continuou dizendo que devemos aprender da viúva do Evangelho a rezar sempre, sem se cansar:

“Era notável esta viúva! Ela sabia lutar pelos seus filhos! E penso em tantas mulheres que lutam por sua família, que rezam, que não se cansam jamais. Uma recordação, hoje, todos nós, a essas mulheres que com o seu comportamtento nos dão um verdadeiro testemunho de fé, de coragem, um modelo de oração. Uma recordação a elas! Rezar sempre, mas não para convencer o Senhor com a força da palavras! Ele sabe melhor do que nós do que precisamos! A oração perseverante é ao invés a expressão de fé em um Deus que nos chama a lutar com ele, cada dia, cada momento, para vencer o mal com o bem”.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco recordou que neste domingo comemoramos o Dia Mundial das Missões. Qual é a missão da Igreja, perguntou? Difundir em todo o mundo a chama da fé, que Jesus acendeu no mundo: a fé em Deus, que é Pai, Amor, Misericórdia. O método da missão cristã – acrescentou - não é fazer proselitismo, mas o da chama compartilhada que aquece a alma.

O Pontífice agradeceu a todos aqueles que, através da oração e da ajuda concreta apóiam o trabalho missionário, em especial, a preocupação do Bispo de Roma pela difusão do Evangelho.

“Neste dia estamos próximos a todos os missionários e missionárias, que trabalham muito sem fazer barulho, e dão a vida. Como a italiana Afra Martinelli, que trabalhou por muitos anos na Nigéria: dias atrás, foi assassinada, num assalto; todos choraram, cristãos e muçulmanos. Ela proclamou o Evangelho com a vida, com o trabalho que realizou, um centro de educação; assim espalhar a chama da fé, combateu o bom combate!”

Em seguida o Santo Padre recordou Stefano Sándor, que neste sábado foi beatificado em Budapeste. “Ele era um salesiano leigo, exemplar no serviço aos jovens, no oratório e na educação profissional. Quando o regime comunista fechou todas as obras católicas, - disse o Papa - ele enfrentou a perseguição com coragem, e foi morto aos 39 anos. Vamos nos unir à ação de graças da Família Salesiana e da Igreja húngara.

O Santo Padre expressou ainda sua proximidade às populações das Filipinas atingidas por um forte terremoto, e convidou todos a rezarem por aquela “querida nação, que recentemente sofreu diversas calamidades”.

O Papa Francisco saudou também os jovens que deram vida à manifestação “100 metros de corrida e de fé”, promovida pelo Pontifício Conselho para a Cultura, recordando que “o crente é um atleta do espírito”!

Nas saudações conclusivas saudou o grupo de oração “Raio de Luz”, do Brasil e as Fraternidades da Ordem Secular Trinitária

Pelas estradas do mundo com a Boa Nova

Roma, 19.outubro.2013. «A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que leva esperança e amor». As palavras do Papa Francisco, servem de moldura à celebração, programada para domingo 20, do Dia missionário mundial de 2013. Com efeito, a mensagem escrita pelo Pontífice para a ocasião realça que cada comunidade cristã se pode considerar «adulta» só quando professa a fé «saindo do próprio meio para a levar também às “periferias”, sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo». Palavras que encontram uma síntese eficaz no slogan - «Pelas estradas do mundo» - escolhido por Missio (organismo pastoral da Conferência episcopal italiana).

O testemunho de fé de tantos missionários – sacerdotes, religiosos, religiosas, fidei donum e leigos – espalhados nos cinco continentes, permanece o sinal de um compromisso constante da Igreja pela causa do Reino. Compromisso que é confortado também pelas estatísticas difundidas na ocasião pela agência Fides, das quais sobressai que a 31 de Dezembro de 2011 (último dado disponível) o número dos católicos do mundo aumentou globalmente de 17.920.000 unidades, de modo constante em relação ao ano precedente (+ 0,04%) com incrementos em África (+ 0,35), Ásia (+ 0,03) e Oceânia (+0,1), enquanto se registam leves diminuições na América (-0,09) e Europa (-0,02).
L'Osservatore Romano

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2013 - Texto integral

Papa Francisco em seu twitter, hoje:

19/10/2013
Seguir a Jesus quer dizer dar-Lhe o primeiro lugar, despojando-nos das muitas coisas que sufocam o nosso coração.

Nos 30 anos do CTV, Papa recorda: Há que nunca esquecer que “é sobretudo para conduzir ao encontro com o Senhor Jesus que a Igreja está presente no mundo da comunicação, em todas as suas expressões”.

Por ocasião dos 30 anos da criação do Centro Televisivo Vaticano, o Papa Francisco enviou ao atual Diretor, Mons. Dario Viganó, uma mensagem em que, para além de evocar esta comemoração, se propõe refletir brevemente sobre as perspectivas do CTV para um serviço cada vez mais atento e qualificado.

O trabalho do CTV é “um serviço ao Evangelho e à Igreja” - sublinha antes de mais o Papa, que convida a “manter a perspectiva evangélica nesta espécie de auto-estrada global da comunicação cuja “tecnologia viajou a grande velocidade nas últimas décadas, criando inesperadas redes interligadas entre si”.

O Santo Padre chama também a atenção para a necessidade de que a óptica adotada pelos que trabalham no CTV seja sempre eclesial, e nunca “mundana”. Isso porque os acontecimentos da Igreja “têm uma característica de fundo particular: correspondem a uma lógica que não principalmente a das categorias por assim dizer mundanas, pelo que não é fácil interpretá-los e comunicá-los a um público vasto e variado”. Requer-se grande responsabilidade.

“Falar de responsabilidade, de uma visão que respeite os acontecimentos que se deseja contar (escreve o Papa), significa ter também a consciência de que a selecção, a organização, o mandar em onda e o partilhar dos conteúdos requer uma particular atenção porque usam instrumentos que não são nem neutros nem transparentes”.

Finalmente, o Santo Padre recorda que a atividade desenvolvida pelos que trabalham no CTV “não é uma função puramente documental, neutra em relação aos acontecimentos”. “Vós contribuis para aproximar a Igreja do mundo, eliminando as distâncias, fazendo chegar a palavra do Papa a milhões de católicos, e mesmo ali onde muitas vezes professar a própria fé constitui uma opção corajosa”. Há que nunca esquecer que “é sobretudo para conduzir ao encontro com o Senhor Jesus que a Igreja está presente no mundo da comunicação, em todas as suas expressões”.

Papa: não vamos esquecer dos sacerdotes e religiosas que vivem em casas de repouso, eles são verdadeiros “santuários de santidade e apostolicidade”

Cidade do Vaticano (RV) - Moisés, João Batista, São Paulo. O Papa Francisco focou sua homilia na missa desta manhã na Casa Santa Marta sobre esses três personagens, lembrando que a cada um deles não foram poupadas angústias, mas o Senhor nunca os abandonou. Pensando depois nos muitos sacerdotes e religiosas que vivem em casas de repouso, convidou os fiéis a visitá-los, porque eles, disse, são verdadeiros “santuários de santidade e apostolicidade”.

O início da vida apostólica e o crepúsculo do Apóstolo Paulo. O Papa Francisco inspirou-se nas leituras do dia para deter-se sobre esses dois extremos da existência do cristão. No início da vida apostólica, observou comentando o Evangelho deO Papa Francisco indicou uma peregrinação singular durante a missa celebrada esta manhã, sexta-feira 18 de Outubro. É a visita às casas de repouso onde estão hospedados sacerdotes e religiosas idosos. Trata-se de verdadeiros «santuários de apostolicidade e santidade – disse o Bispo de Roma – que temos na Igreja» aos quais por conseguinte vale a pena ir  como que «em peregrinação».

Em seguida, o pensamento dirigiu-se a «três ícones»: Moisés, João Batista e Paulo. Moisés é «o chefe do povo de Deus, corajoso, que lutava contra os inimigos  com Deus para salvar o povo. É forte, mas no final encontra-se sozinho no monte Nebo a olhar para a terra prometida», na qual contudo não pode entrar. Quanto a João Baptista, também  a ele «nos últimos  tempos  não foram poupadas as angústias». Questionou-se se tinha errado, se tinha empreendido o caminho verdadeiro, e pediu aos seus amigos  que perguntassem a Jesus «és tu ou devemos esperar outro?». Sentia-se atormentado pela angústia a ponto que «o maior homem  nascido de mulher», como o definiu o próprio Cristo, acabou «sob o poder de um governador débil, bêbado e corrupto,  submetido ao poder da inveja de uma adúltera e ao capricho de uma bailarina».

Enfim, Paulo, o qual confidencia a Timóteo toda a sua amargura. Para   descrever o seu sofrimento, o bispo de Roma usou a expressão «não no sétimo céu». E depois repropos as palavras do apóstolo: «Demas abandonou-me por amor das coisas do século presente  e foi para Tessalónica. Crescente partiu para a  Galácia e Tito para a  Dalmácia. Só Lucas está comigo.  Toma contigo Marcos e  trá-lo porque me é muito útil para o ministério; quando vieres traz contigo a capa que deixei em Tróade, em casa  de Carpo e também os livros, principalmente os pergaminhos. Alexandre, o ferreiro, fez-me muito mal. O Senhor lhe pagará segundo as suas obras.  Evita-o também tu, porque faz grande oposição às nossas palavras». O Papa   continuou recordando a narração que Paulo faz do processo: «na primeira defesa ninguém me assistiu, todos me abandonaram, o Senhor contudo esteve sempre comigo e deu-me  forças, para que eu pudesse anunciar o Evangelho». Uma imagem que, segundo o Pontífice, encerra em si o «ocaso» de todos os apóstolos: «sozinho, abandonado, traído»; assistido apenas pelo Senhor que «não abandona, não  desilude», porque «Ele é fiel,  não se pode negar a si mesmo».


“Isso é o grande do Apóstolo, que, com a sua vida faz o que João Batista dizia: É necessário que ele cresça, e eu diminua”. O Apóstolo é aquele que dá a vida para que o Senhor cresça. E no final o seu crepúsculo é assim ... Também Pedro com a promessa: ‘Quando você ficar velho irão levá-lo aonde você não quer ir’.


A meditação sobre as frases finais da vida destes personagens sugeriu ao santo Padre «a recordação daqueles santuários de apostolicidade e santidade que são as casas de repouso dos sacerdotes e das religiosas». Estruturas que hospedam, acrescentou, «óptimos sacerdotes e religiosas, envelhecidos, com o peso da solidão, que esperam que o Senhor venha bater à porta dos seus corações». Infelizmente, comentou o Papa, tendemos a esqucer esses santuários: «não são lugares bonitos, porque vemos o que nos espera». Contudo, «se olharmos mais profundamente, são lindíssimos»  pela riqueza de humanidade que conservam. Visitá-los portanto significa realizar «verdadeiras peregrinações, a estes santuários de santidade e apostolicidade», como se fôssemos peregrinos que visitam os santuários marianos ou  dedicados aos santos.

«Mas pergunto-me – acrescentou o Papa – nós cristãos temos vontade de fazer uma visita – que será uma verdadeira peregrinação!  – a  estes  santuários de santidade e de apostolicidade que são as casas de repouso para sacerdotes e religiosas? Um de vós dizia-me, há dias, que quando ia a um país de missão, ia ao cemitério e via todos os túmulos dos velhos missionários, sacerdotes e religiosas,  sepultados há 50, 100, 200 anos, desconhecidos. E dizia-me: “Mas, todos eles podem ser canonizados, porque no final o que conta é  esta santidade diária, esta santidade de todos os dias”».

Nas casas de repouso «as religiosas e os sacerdotes – disse o Papa – esperam o Senhor quase como Paulo: um pouco tristes, deveras, mas também com uma certa paz, com rosto alegre». Precisamente por isto  faz «bem a todos pensar nesta etapa da vida que é o ocaso do apóstolo». E, concluindo, pediu que rezassem ao Senhor para que guardasse os sacerdotes e as religiosas que se encontram na fase final da sua existência, a fim de que possam repetir pelo menos outra vez «sim, Senhor, quero seguir-Te». 
L'Osservatore Romano e Radia Vaticano


 TWEETS DO PAPA FRANCISCO:

18/10/2013
Não nos resignemos com o mal! Deus é Amor, que venceu o mal na morte e ressurreição de Cristo.
17/10/2013
A nossa oração não pode ficar reduzida a uma hora, ao domingo; é importante encontrar diariamente o Senhor.

”Cristãos ideológicos” é uma doença grave na Igreja – o Papa Francisco na missa desta quinta-feira

Cidade do Vaticano, 17.outubro.2013  (RV) – Quando um cristão passa a ser discípulo da ideologia é porque perdeu a fé. Esta a principal conclusão que podemos retirar da meditação matinal do Papa Francisco na missa em Santa Marta nesta quinta-feira.

O Santo Padre baseou a sua meditação na leitura do Evangelho deste dia, em que Jesus reprova a atitude dos doutores da lei dizendo-lhes que eles tinham levado a chave do conhecimento. Tal como disse o Papa: “chave no bolso e porta fechada”. Com base neste episódio o Papa refletiu sobre a atitude dos cristãos que muitas vezes têm este formato: partindo de ideologias e moralismos, os cristãos, por vezes, têm a chave na mão e deixam a porta fechada. Ou seja, podem permitir o acesso e proceder a uma abertura, mas ficam numa visão fechada da vida e, por conseguinte, da fé. Com este tipo de atitude favorecesse a ideologia, disse o Papa Francisco , e “quando um cristão passa a ser discípulo da ideologia é porque perdeu a fé” e “a fé transforma-se em ideologia”:

“A fé transforma-se em ideologia e a ideologia assusta, a ideologia manda embora as pessoas, afasta, afasta as pessoas e afasta a Igreja da gente. Mas é uma doença grave esta dos cistãos ideológicos. É uma doença, mas não é nova? Já o Apóstolo João, na sua Primeira Carta, falava disto. Os cristãos que perdem a fé e preferem as ideologias. A sua atitude é: tornarem-se rígidos, moralistas, mas sem bondade. A pergunta pode ser esta: Mas porque é que um cristão pode passar a ser assim? O que é que sucede no coração daquele cristão, daquele padre, daquele bispo, daquele Papa, para ficar assim? Simplesmente uma coisa: aquele cristão não reza. E se não há oração, tu sempre fechas a porta.”

A chave que abre a porta da fé é a oração – concluiu o Papa – e quando não há oração o cristão fica soberbo, orgulhoso e seguro de si mesmo. Não é humilde. E pode cair no erro dos doutores da lei que, como diz o Santo Padre, não faziam oração mas rezavam muitas orações para serem vistos. Ao contrário, Jesus, disse-nos que para fazer oração – continuou o Papa – devemos fechar-nos no nosso quarto e rezar ao Senhor de coração a coração. O Santo Padre, em conclusão, pediu ao Senhor para que nos dê a graça de nunca deixarmos de rezar, para não perder a fé, e conservarmo-nos humildes.

DIA DO PROFESSOR

Ontem, dia 15, dia de Santa Teresa de Jesus, grande mestra da vida espiritual, e exatamente por isso, é comemorado o dia do professor. Deixo aqui consignada a minha saudação e gratidão a todos os que se dedicam a essa nobre e benemérita carreira, difícil, mas nem sempre reconhecida e condignamente gratificada. Mais do que uma profissão, educar é uma arte, uma vocação e uma missão: formar, conduzir crianças, jovens e adultos no caminho da verdade, sugerindo opiniões conscientes, aconselhando e tornando-se amigos e irmãos dos seus alunos. Que Deus os abençoe e lhes dê coragem, paciência e perseverança.

Ser professor é ser educador e mestre. E ser mestre é muito mais do que ensinar matérias, como bem escreveu o nosso ilustre poeta Antônio Roberto Fernandes, de saudosa memória: “Ser mestre não é só contar a história/ de um certo Pedro Álvares Cabral/ Mas descobrir, de novo, a cada dia, um mundo grande, livre, fraternal. Ser mestre não é só mostrar nos mapas/ onde se encontra o Pico da Neblina/ Mas é subir, guiando os alunos,/ à montanha da vida que se empina... Ser mestre é ser o pai, a mãe, o amigo,/ mostrando sempre a direção da luz,/ pois a palavra Mestre – sobretudo –/ também é um dos nomes de Jesus.”

A melhor definição de educação nós a encontramos no Direito Canônico, conjunto de normas da Igreja (cânon 795): é a formação integral da pessoa humana, dirigida ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem comum da sociedade, de modo que as crianças e jovens possam desenvolver harmonicamente seus dotes físicos, morais e intelectuais, adquirir um sentido mais perfeito da responsabilidade e um uso correto da liberdade, preparando-se para participar ativamente da vida social. Que missão nobre, sublime e difícil a do professor-educador! Indicando aos alunos o sentido da vida, ele vai ajudá-los a dominar seus instintos e a dirigi-los pela razão, a desenvolver o conjunto de suas faculdades, a combater as más paixões e desenvolver as boas, a adquirir o domínio de si e a orientar seus sentimentos, levando em conta as diversas fases da vida e as características do seu temperamento, formando assim sua personalidade e seu caráter. Sendo assim, o mestre é cooperador da Graça de Deus, que, como Pai, só quer o bem dos seus filhos.
           
Mas, será que vale a pena tanto esforço por tão pouco reconhecimento e tão pouco salário? “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” (Fernando Pessoa). Se o professor trabalha por vocação, sentir-se-á recompensado pelos frutos do seu trabalho, mesmo que não apareçam imediatamente.
           
A você, portanto, caro professor e querida professora, a nossa homenagem por ter recebido de Deus tão nobre e importante missão e a nossa gratidão reconhecida pelo seu trabalho, que não se mede pela produção imediata, mas por frutos, muitas vezes escondidos, que só vão aparecer ao longo da vida e que estarão escritos no livro da eternidade.
Dom Fernando Arêas Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney - http://domfernandorifan.blogspot.com.br

Audiência Geral: "Somos missionários. Uma Igreja fechada em si mesma trai sua própria identidade"

Cidade do Vaticano, 16.outubro.2013  (RV) – Nesta quarta-feira, mais uma vez a Praça S. Pedro ficou lotada para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Antes das 10h, o Pontífice já estava em meio aos fiéis, a bordo do seu jipe, para cumprimentá-los com bênçãos, carinhos e aperto de mãos. Em sua catequese, o Papa falou de mais uma característica da Igreja professada no Credo: a apostolicidade.

Professar que a Igreja é apostólica, explicou Francisco, significa destacar o elo profundo, constitutivo que ela tem com os Apóstolos.
 
“Apostolo” é uma palavra grega que quer dizer “mandado”, “enviado”.

Os Apóstolos foram escolhidos, chamados e enviados por Jesus, para continuar a sua obra. Partindo desta explicação, o Papa destacou brevemente três significados do adjetivo “apostólica” aplicado à Igreja.


Em primeiro lugar, a Igreja é apostólica porque está fundada sobre a pregação dos Apóstolos, que conviveram com Cristo e foram testemunhas da sua morte e ressurreição.

“Sem Jesus, a Igreja não existe. Ele é a base e o fundamento da Igreja”, recordou o Papa, afirmando que a Igreja é como uma planta, que cresceu, se desenvolveu e deu frutos ao longo dos séculos, mas mantêm suas raízes bem firmes em Cristo.


Em segundo lugar, a Igreja é apostólica, porque Ela guarda e transmite, com ajuda do Espírito Santo, os ensinamentos recebidos dos Apóstolos, dando-nos a certeza de que aquilo em que acreditamos é realmente o que Cristo nos comunicou.

“Ele é o ressuscitado e suas palavras jamais passam, porque Ele está vivo. Hoje Ele está entre nós, está aqui, nos ouve. Ele está no nosso coração. E esta é a beleza da Igreja. Já pensamos em quanto é importante este dom que Cristo nos fez, o dom da Igreja, onde podemos encontrá-Lo? Já pensamos que é justamente a Igreja – no seu longo caminhar nesses séculos, apesar das dificuldades, dos problemas, das fraquezas, os nossos pecados – que nos transmite a autêntica mensagem de Cristo?”

Enfim, em terceiro lugar, a Igreja é apostólica porque é enviada a levar o Evangelho a todo o mundo. De fato, a palavra apóstolo significa “enviado”. Esta é uma bela responsabilidade que somos chamados a redescobrir: a Igreja é missionária e não pode ficar fechada em si mesma.

“Insisto sobre este aspecto da missionariedade, porque Cristo convida todos a irem ao encontro dos outros. Nos envia, nos pede que nos movamos para levar a alegria do Evangelho. Devemos nos perguntar: somos missionários ou somos cristãos de sacristia, só de palavras mas que vivem como pagãos? Isso não é uma crítica, também eu me questiono. A Igreja tem suas raízes, mas olha sempre para o futuro, com a consciência de ser enviada por Jesus. Uma Igreja fechada trai sua própria identidade. Redescubramos hoje toda a beleza e a responsabilidade de ser Igreja apostólica.”

Após a catequese, o Pontífice saudou os peregrinos de língua portuguesa, em especial os fiéis brasileiros de São José dos Campos, Santos e São Paulo. Em polonês, recordou os 35 anos da eleição à Sé de Pedro de João Paulo II.
Francisco: Não podemos nos acostumar com a fome. A cultura do despedício deve acabar

Cidade do Vaticano, 16.outubro.2013 (RV) – “Fome e desnutrição jamais podem ser consideradas um fato normal ao qual se habituar”: palavras do Papa Francisco na mensagem para o Dia Mundial da Alimentação, celebrada esta quarta-feira, 16.

O Pontífice endereçou sua mensagem ao Diretor-Geral do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que foi lida em plenária pelo Observador da Santa Sé na FAO, Dom Luigi Travaglino.

No texto, o Pontífice reitera a frase pronunciada em 20 de junho passado, quando definiu a fome como um escândalo e um dos desafios mais sérios para a humanidade:

“Paradoxalmente, numa época em que a globalização permite conhecer as situações de necessidade no mundo, parece crescer a tendência ao individualismo e ao fechamento em si mesmos. Tendência que leva à indiferença – em nível pessoal, institucional e governamental – por quem morre de fome ou sofre por desnutrição. Mas fome e desnutrição jamais podem ser considerados um fato normal ao qual se habituar, como se fosse parte do sistema. Algo deve mudar em nós mesmos, na nossa mentalidade, nas nossas sociedades.”

Para Francisco, um passo importante nessa direção seria abater as barreiras do individualismo e da escravidão do lucro a todo custo. “Penso que seja necessário hoje, mais do que nunca, educar-nos à solidariedade, redescobrir o valor e o significado desta palavra tão incômoda e deixada de lado e fazer com que ela norteie as escolhas em nível político, econômico e financeiro, nas relações entre as pessoas, entre os povos e entre as nações.”

Só se pode ser solidário de modo concreto, disse o Papa, recordando que esta atitude não se reduz ao assistencialismo, mas deve levar à independência econômica.

Comentando o tema escolhido pela FAO para a celebração deste Dia, “Sistemas alimentares sustentáveis para a segurança alimentar e a nutrição”, o Papa pede uma renovação desses sistemas numa perspectiva solidária, ou seja, superando a lógica da exploração selvagem da criação, protegendo o meio ambiente e os seus recursos.

Mais uma vez, falou da “cultura do desperdício” – sinal da “globalização da indiferença” que leva a sacrificar homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo. Um fruto dessa cultura é o desperdício de alimentos – destino de quase um terço da produção alimentar mundial.

Eis então que “educar-nos à solidariedade significa educar-nos à humanidade: edificar uma sociedade que seja realmente humana significa colocar no centro, sempre, a pessoa e a sua dignidade, e jamais liquidá-la à lógica do lucro”.

Esta educação deve começar em casa, disse Francisco, que é a primeira comunidade educativa onde se aprende a cuidar do outro, do bem do outro, a amar a harmonia da criação e a gozar e compartilhar os seus frutos, favorecendo um consumo racional, equilibrado e sustentável.

“Apoiar e tutelar a família para que eduque à solidariedade e ao respeito é um passo decisivo para caminhar rumo a uma sociedade mais équa e humana”, concluiu o Pontífice, garantindo o empenho e companhia da Igreja Católica neste percurso.

Papa na missa matutina: "Adorar Deus para amar ao próximo"

Cidade do Vaticano, 15 de outubro de 2013 (RV) - A idolatria e a hipocrisia não poupam a vida cristã. O Papa Francisco alertou, esta manhã, para ambos os ‘vícios’, na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta. Para não ceder à tentação destes pecados, o Pontífice recomenda a prática dos Mandamentos do amor a Deus e ao próximo.

Mais uma vez, a liturgia da missa inspira o Papa a uma reflexão sobre as ‘armadilhas’ com que os fiéis convivem dia a dia. Francisco parte das palavras de São Paulo para estigmatizar o pecado da idolatria, que preferem “adorar as criaturas que o Criador”:

“O egoísmo do próprio pensamento, o pensamento onipontente... eu penso a verdade e faço a verdade com o meu pensamento”.

Hoje, dois mil anos depois das críticas de São Paulo, a idolatria se manifesta em outras formas e modos:

“Ainda hoje existem muitos ídolos e muitos idólatras que se acham ‘sabidos’, inclusive entre nós, cristãos, que trocam a glória incorruptível de Deus com a imagem do próprio ‘eu’, as minhas idéias, a minha comodidade...”. “Jesus aconselha: não olhe as aparências, vá diretamente à verdade. Se é vaidoso, carreirista, ambicioso; se se vangloria de si mesmo porque se acha perfeito, dá um pouco de esmola e isto vai curar a sua hipocrisia. Esta é a estrada do Senhor: adorar Deus, amar Deus sobretudo, e amar o próximo. Tão simples, mas tão difícil”, completou o Papa.

A nova evangelização se faz mais com gestos do que com palavras, afirma o Papa

Roma, 14 de Outubro de 2013 (Zenit.org)

O Papa Francisco resumiu em três pontos o assunto tratado hoje em audiência com os participantes da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. "O que eu gostaria de dizer hoje a vocês pode ser resumido em três pontos: primado do testemunho; urgência de ir ao encontro; projeto pastoral centrado no essencial" –afirmou.


O Papa iniciou falando sobre atitude de indiferença para com a fé no nosso tempo e explicou que “a fé é um dom de Deus, mas é importante que nós, cristãos, mostremos uma vida concreta de fé praticada, por meio do amor, da concórdia, da alegria, do sofrimento, porque isso levanta questões, como no início da jornada da Igreja: por que eles vivem assim? O que os impulsiona?”

"A nova evangelização, que nos chama a ter coragem de nadar contra a corrente, de nos convertermos dos ídolos para o Deus único e verdadeiro, não pode deixar de usar a linguagem da misericórdia, feita mais de gestos e atitudes do que de palavras".

Sobre a urgência de ir ao encontro o pontífice recordou que “o Filho de Deus "saiu" da sua condição divina e veio ao nosso encontro” e por isso “cada cristão é chamado a ir ao encontro dos outros, a dialogar com aqueles que não pensam como nós, com aqueles que têm uma fé diferente, ou que não têm fé”.

O Papa destacou ainda que “a Igreja é a casa em que as portas estão sempre abertas não só para que cada um encontre acolhimento e respire amor e esperança, mas também para que possamos transmitir esse amor e esperança”.

“Tudo isso não é abandonado ao mero acaso dentro da Igreja, à mera improvisação”-comentou Francisco destacando a importância de um projeto pastoral que “animado pela criatividade e pela imaginação do Espírito Santo, que nos leva também a seguir novos caminhos, com coragem, sem nos fossilizar!”

O Pontífice levou os presentes a refletirem sobre a pastoral nas dioceses e paróquias. E questionou: “Ela torna visível o essencial, que é Jesus Cristo? As diferentes experiências, características, caminham juntas na harmonia que o Espírito Santo nos traz? Ou a nossa pastoral é dispersa, fragmentada, e, no fim, cada um age por conta própria?”

Ao final, o papa Francisco destacou o serviço dos catequistas: “É valioso para a nova evangelização o serviço dos catequistas, e é importante que os pais sejam os primeiros catequistas, os primeiros educadores da fé na própria família, com o testemunho e com a palavra.”

SANTA MISSA PRESIDIDA PELO PAPA FRANCISCO NA JORNADA MARIANA POR OCASIÃO DO ANO DA FÉ

HOMILIA DO SANTO PADRE

Praça de São Pedro
Domingo, 13 de Outubro de 2013

Recitamos no salmo: «Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele fez maravilhas» (Sl  97, 1).

Encontramo-nos hoje diante duma das maravilhas do Senhor: Maria! Uma criatura humilde e frágil como nós, escolhida para ser Mãe de Deus, Mãe do seu Criador.

Precisamente olhando Maria à luz das Leituras que acabámos de escutar, queria reflectir convosco sobre três realidades: a primeira, Deus surpreende-nos; a segunda, Deus pede-nos fidelidade; a terceira, Deus é a nossa força.

1. A primeira: Deus surpreende-nos. O caso de Naamã, comandante do exército do rei da Síria, é notável: para se curar da lepra, vai ter com o profeta de Deus, Eliseu, que não realiza ritos mágicos, nem lhe pede nada de extraordinário. Pede-lhe apenas para confiar em Deus e mergulhar na água do rio; e não dos grandes rios de Damasco, mas de um rio pequeno como o Jordão. É uma exigência que deixa Naamã perplexo e também surpreendido: Que Deus poderá ser este que pede uma coisa tão simples? A vontade primeira dele é retornar ao País, mas depois decide-se a fazê-lo, mergulha no Jordão e imediatamente fica curado (cf. 2Re 5,1-14). Vedes!? Deus surpreende-nos; é precisamente na pobreza, na fraqueza, na humildade que Ele Se manifesta e nos dá o seu amor que nos salva, cura, dá força. Pede somente que sigamos a sua palavra e tenhamos confiança n’Ele.

Esta é a experiência da Virgem Maria: perante o anúncio do Anjo, não esconde a sua admiração. Fica admirada ao ver que Deus, para Se fazer homem, escolheu precisamente a ela, jovem simples de Nazaré, que não vive nos palácios do poder e da riqueza, que não realizou feitos extraordinários, mas que está disponível a Deus, sabe confiar n’Ele, mesmo não entendendo tudo: «Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). É a sua resposta. Deus surpreende-nos sempre, rompe os nossos esquemas, põe em crise os nossos projectos, e diz-nos: confia em Mim, não tenhas medo, deixa-te surpreender, sai de ti mesmo e segue-Me!

Hoje perguntemo-nos, todos, se temos medo daquilo que Deus me poderá pedir ou está pedindo. Deixo-me surpreender por Deus, como fez Maria, ou fecho-me nas minhas seguranças, seguranças materiais, seguranças intelectuais, seguranças ideológicas, seguranças dos meus projectos? Deixo verdadeiramente Deus entrar na minha vida? Como Lhe respondo?

2. Na passagem lida de São Paulo, ouvimos o Apóstolo dizer ao seu discípulo Timóteo: Lembra-te de Jesus Cristo; se perseverarmos com Ele, também com Ele reinaremos (cf. 2Tm 2,8-13). Aqui está o segundo ponto: lembrar-se sempre de Cristo, a memória de Jesus Cristo, e isto significa perseverar na fé. Deus surpreende-nos com o seu amor, mas pede fidelidade em segui-Lo. Podemos nos tornar “não fiéis”, mas Ele não pode; Ele é “o fiel” e pede-nos a mesma fidelidade. Pensemos quantas vezes já nos entusiasmámos por qualquer coisa, por uma iniciativa, por um compromisso, mas depois, ao surgirem os primeiros problemas, abandonámos. E, infelizmente, isto acontece também com as opções fundamentais, como a do matrimónio. É a dificuldade de ser constantes, de ser fiéis às decisões tomadas, aos compromissos assumidos. Muitas vezes é fácil dizer «sim», mas depois não se consegue repetir este «sim» todos os dias. Não se consegue ser fiéis.

Maria disse o seu «sim» a Deus, um «sim» que transtornou a sua vida humilde de Nazaré, mas não foi o único; antes, foi apenas o primeiro de muitos «sins» pronunciados no seu coração tanto nos seus momentos felizes, como nos dolorosos… muitos «sins» que culminaram no «sim» ao pé da Cruz. Estão aqui hoje muitas mães; pensai até onde chegou a fidelidade de Maria a Deus: ver o seu único Filho na Cruz. A mulher fiel, de pé, destruída por dentro, mas fiel e forte.

E eu me pergunto: sou um cristão “soluçante”, ou sou cristão sempre? Infelizmente, a cultura do provisório, do relativo penetra também na vivência da fé. Deus pede-nos para Lhe sermos fiéis, todos os dias, nas acções quotidianas; e acrescenta: mesmo se às vezes não Lhe somos fiéis, Ele é sempre fiel e, com a sua misericórdia, não se cansa de nos estender a mão para nos erguer e encorajar a retomar o caminho, a voltar para Ele e confessar-Lhe a nossa fraqueza a fim de que nos dê a sua força. E este é o caminho definitivo: sempre com o Senhor, mesmo com as nossas fraquezas, mesmo com os nossos pecados. Nunca podemos ir pela estrada do provisório. Isto nos destrói. A fé é a fidelidade definitiva, como a de Maria.

3. O último ponto: Deus é a nossa força. Penso nos dez leprosos do Evangelho curados por Jesus: vão ao seu encontro, param à distância e gritam: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós» (Lc 17, 13). Estão doentes, necessitados de serem amados, de terem força e procuram alguém que os cure. E Jesus responde, libertando-os a todos da sua doença. Causa estranheza, porém, o facto de ver que só regressa um para Lhe agradecer, louvando a Deus em alta voz. O próprio Jesus o sublinha: eram dez que gritaram para obter a cura, mas só um voltou para gritar em voz alta o seu obrigado a Deus e reconhecer que Ele é a nossa força. É preciso saber agradecer, saber louvar o Senhor pelo que faz por nós.

Vejamos Maria: depois da Anunciação, o primeiro gesto que ela realiza é um acto de caridade para com a sua parente idosa Isabel; e as primeiras palavras que profere são: «A minha alma enaltece o Senhor», ou seja, um cântico de louvor e agradecimento a Deus, não só pelo que fez n’Ela, mas também pela sua acção em toda a história da salvação. Tudo é dom d’Ele. Se conseguimos entender que tudo é dom de Deus, então quanta felicidade teremos no nosso coração! Tudo é dom d’Ele. Ele é a nossa força! Dizer obrigado parece tão fácil, e todavia é tão difícil! Quantas vezes dizemos obrigado em família? Esta é uma das palavras-chaves da convivência. “Com licença”, “perdão”, “obrigado”: se numa família se dizem estas três palavras, a família segue adiante. “Com licença”, “perdão”, “obrigado”. Quantas vezes dizemos “obrigado” junto da família? Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, vive perto de nós e nos acompanha na vida? Muitas vezes damos tudo isso como suposto! E o mesmo acontece com Deus. É fácil ir até ao Senhor para pedir alguma coisa, mas ir agradece-Lo… “Ah, isso é difícil”.

Continuando a Eucaristia, invocamos a intercessão de Maria, para que nos ajude a deixarmo-nos surpreender por Deus sem resistências, a sermos-Lhe fiéis todos os dias, a louvá-Lo e agradecer-Lhe porque Ele é a nossa força. Amen.

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ATO DE CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA



Bem-aventurada Maria Virgem de Fátima com renovada gratidão pela tua presença materna unimos a nossa voz àquelas de todas as gerações que te proclamam bem-aventurada.

Celebramos em Ti as grandes obras de Deus que jamais se cansa de inclinar-se com misericórdia sobre a humanidade afligida pelo mal e ferida pelo pecado, para curá-la e para salvá-la.

Acolhe com benevolência de Mãe o Ato de Consagração que hoje fazemos com confiança diante desta Tua Imagem,  tão querida a nós.

Estamos certos que cada um de nós é precioso  aos Teus olhos, e que nada te é estranho de tudo aquilo que habita em nossos corações.

Nos deixamos alcançar pelo Teu dulcíssimo olhar e recebemos o afago consolador do teu sorriso.

Acolhe nossa vida em Teus braços,
abençoe e reforça todo o desejo de bem,
reaviva e alimenta a fé,
ampara e ilumina a esperança,
suscita e anima a caridade,
guia todos nós no caminho da santidade,
ensina-nos  o Teu mesmo amor de predileção pelos pequenos e pelos pobres, pelos excluídos e pelos sofredores, pelos pecadores e e pelos extraviados do coração.

Congrega todos sob a tua proteção e
entrega todos ao Teu Filho Amado Senhor Nosso Jesus, amém!



Beatificados 522 mártires. Papa: "Mundo se liberte de toda violência"

Terragona (RV) – Papa Francisco participou via satélite neste domingo, 13, da maior beatificação coletiva da história da Igreja. A cerimônia em que foram beatificados 522 mártires em 'odium fidei' se realizou em Tarragona, na região espanhola da Catalunha, e foi presidida pelo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e representante do Papa, Cardeal Angelo Amato. Cerca de trinta mil pessoas participaram da celebração.

Francisco inicia sua mensagem com o tradicional ‘bom dia’ e prossegue em seu estilo, dirigindo aos presentes a pergunta:

“Quem são os mártires?”, que respondeu:

“São cristãos conquistados por Cristo, discípulos que aprenderam bem o sentido do ‘amar até o extremo’, que levou Jesus à Cruz. Não existe ‘amor a prestação’, 'amor a porção’. Quando se ama, se ama até o fim”, explica Francisco.

Na mensagem, o Papa reflete sobre o ‘sentido’ de ser mártir: “É preciso sempre morrer um pouco para sairmos de nós mesmos, do nosso egoísmo, do nosso bem-estar, de nossa preguiça, de nossas tristezas e nos abrir a Deus, aos outros e especialmente aos que mais necessitam de nós”.

“Imploremos a intercessão dos mártires para sermos cristãos concretos, cristãos de obras e não de palavras; para não sermos cristãos medíocres, cristãos ‘envernizados’ de cristianismo, mas sem substância. Peçamos aos mártires ajuda para mantermos sólida a nossa fé a fim de que, em meio às dificuldades, sejam fermento de esperança e artífices de fraternidade e solidariedade”.

Também na oração mariana do Angelus, na Praça São Pedro, o Papa homenageou os “mártires assassinados por sua fé durante a guerra civil espanhola da década de trinta do século passado”:

“Louvamos o Senhor por estas corajosas testemunhas e por sua intercessão, suplicamos que liberte o mundo de todas as violências” – disse Francisco.

O Santo Padre, registrou hoje em seu Twitter:

14/10/2013
Queridos jovens, não tenhais medo de dar passos definitivos na vida. Tende confiança! O Senhor não vos deixa sozinhos.
A síndrome de Jonas

Uma grave doença ameaça hoje os cristãos: a «síndrome de Jonas», que nos  faz sentir perfeitos e limpos como acabados de sair da lavanderia, ao contrário daqueles que  julgamos pecadores e, por conseguinte, condenados a desenrascar-se, sem a nossa ajuda.  Jesus recorda que para nos salvarmos  é necessário seguir «o sinal de Jonas», isto é, a misericórdia do Senhor.  Foi este  o sentido da reflexão proposta pelo Papa Francisco durante a missa celebrada na manhã de segunda-feira, 14 de Outubro, na capela de Santa Marta.

Comentando as leituras da liturgia, tiradas da carta de são Paulo aos Romanos (1, 1-7) e do Evangelho de Lucas (11, 29-32), o Pontífice iniciou  exactamente daquela «palavra forte» com a qual Jesus apostrofou um grupo de pessoas chamando-as «geração malvada». É «uma palavra – frisou – que quase parece um insulto: esta é uma geração malvada. É muito forte! Jesus tão bom,  humilde, manso, mas pronuncia esta palavra». Todavia, explicou o Pontífice, certamente ele não se referia  às pessoas que o seguiam; mas aos doutores da lei, a quantos tentavam pô-lo à prova, fazê-lo cair na armadilha. Eram pessoas que pediam sinais e provas. E Jesus responde que o único sinal que lhes será dado  é o «sinal de Jonas».

Mas qual é o sinal de Jonas? «Na semana passada – recordou o Papa – a liturgia fez-nos reflectir sobre Jonas. E agora Jesus promete o sinal de Jonas». Antes de explicar este sinal, o Papa Francisco exortou a reflectir sobre outro pormenor que se deduz da narração evangélica: a «síndrome de Jonas», que o profeta tinha no seu coração. Ele, explicou o Santo Padre, «não queria ir a Nínive e fugiu para a Espanha». Pensava que tinha as ideias claras: «a doutrina é esta, deve-se crer nisto. Se eles são pecadores, que se arranjem; eu não tenho nada com isso! Esta é a síndrome de Jonas». E «Jesus condena-a. Por exemplo, no capítulo vinte e três de são Mateus os que acreditam nesta síndrome são chamados hipócritas. Não querem a salvação daquelas pobres pessoas. Deus diz a Jonas: pobrezinhos, não distinguem a direita da esquerda, são ignorantes e pecadores. Mas Jonas continua a insistir: eles querem justiça! Eu observo todos os mandamentos; que façam o mesmo».

Eis a síndrome de Jonas que «atinge os que não têm zelo pela conversão das pessoas, procuram uma santidade – desculpem que diga – uma santidade de lavanderia, isto é, bem engomada, bem feita, mas sem o zelo  que nos leva a  anunciar o Senhor». O Papa recordou que o Senhor «diante desta geração, doente da síndrome de Jonas, promete o sinal de Jonas». E acrescentou: «A outra versão, a de Mateus, diz: mas Jonas esteve dentro de uma baleia por três noites e dias... Refere-se a Jesus no sepulcro, à sua morte e ressurreição. E este é o sinal que Jesus promete: contra a hipocrisia, contra esta atitude de religiosidade perfeita, contra esta atitude de um grupo de fariseus».

Para tornar mais claro o conceito o bispo de Roma  referiu-se a outra parábola do Evangelho «que representa  bem o que Jesus quer dizer. É a parábola do fariseu e do publicano que rezam no templo (Lucas 14, 10-14). O fariseu sente-se  muito seguro  diante do altar e diz: agradeço-te Deus porque não sou como todos estes de Nínive, nem como aquele que está ali! E aquele que estava ali era o publicano, que dizia só: Senhor tem piedade de mim que sou pecador».

O sinal que Jesus promete «é o seu perdão – frisou o Papa Francisco – através da sua morte e ressurreição. O sinal que  Jesus promete é a sua misericórdia, a que há tempos Deus pedia:  misericórdia e não sacrifícios». Portanto, «o sinal verdadeiro de Jonas é aquele que nos dá a confiança de que seremos salvos pelo sangue de Cristo. Há muitos cristãos que pensam que só se salvam pelo que fazem, pelas suas obras. As obras são necessárias mas são uma consequência, uma resposta ao amor misericordioso que nos salva. As obras sozinhas, sem este amor misericordioso, não são suficientes».

Portanto, «a síndrome  de Jonas atinge os que só têm confiança  na própria justiça pessoal, nas suas obras». E quando Jesus diz  «esta geração malvada», refere-se «a todos os que sofrem da síndrome de Jonas». E  mais: «A síndrome de Jonas – afirmou o Papa – leva-nos à hipocrisia, àquela suficiência que pensamos obter porque somos cristãos limpos, perfeitos, porque realizamos estas obras, observamos os mandamentos, etc. Uma grave doença, a síndrome de Jonas!» Enquanto «o sinal de Jonas» é «a misericórdia de Deus em Jesus Cristo morto e ressuscitado por nós, pela nossa salvação».

«Há duas palavras na primeira leitura – acrescentou – que se relacionam  com isto. Paulo diz de si mesmo que é apóstolo, não porque estudou, mas é apóstolo por chamada. E aos cristãos diz: vós sois chamados por Jesus Cristo. O sinal de Jonas chama-nos». A liturgia hodierna, concluiu o Pontífice, nos ajude a compreender e a fazer escolhas: «Queremos seguir a síndrome  ou o sinal de Jonas?».

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A VIGÍLIA DE ORAÇÃO NA JORNADA MARIANA –
ANO DA FÉ

Santuário do Divino Amor, 12 de Outubro de 2013


 

Amados irmãos e irmãs,

Saúdo todos os peregrinos presentes no Santuário do Divino Amor e quantos lhes estão unidos dos Santuários Marianos de Lourdes, Nazaré, Lujan, Vailankanni, Guadalupe, Akita, Nairobi, Banneux, Czestochowa e Marian Valley.

Nesta noite, sinto-me unido com todos vós na oração do Santo Rosário e da Adoração Eucarística sob o olhar da Virgem Maria.

O olhar! Como é importante! Quantas coisas se podem dizer com um olhar! Estima, encorajamento, compaixão, amor, mas também censura, inveja, soberba, até mesmo ódio. Muitas vezes o olhar diz mais que as palavras, ou diz aquilo que as palavras não conseguem ou não ousam dizer.

Para quem olha a Virgem Maria? Olha para todos nós, cada um de nós. E como é que nos olha? Olha-nos como Mãe, com ternura, com misericórdia, com amor. Assim olhou para o filho Jesus, em todos os momentos da sua vida, gozosos, luminosos, dolorosos, gloriosos, como contemplamos nos Mistérios do Santo Rosário, simplesmente com amor.

Quando estamos cansados, desanimados, oprimidos pelos problemas, olhemos para Maria, sintamos o seu olhar que diz ao nosso coração: «Coragem, filho, estou aqui Eu que te sustento!» Nossa Senhora conhece-nos bem, é mãe, sabe bem quais são as nossas alegrias e as nossas dificuldades, as nossas esperanças e as nossas desilusões. Quando sentimos o peso das nossas fraquezas, dos nossos pecados, olhemos para Maria, que diz ao nosso coração: «Levanta-te, vai ter com meu Filho Jesus, n’Ele encontrarás bom acolhimento, misericórdia e nova força para continuares o caminho».

O olhar de Maria não se volta só para nós. Aos pés da cruz, quando Jesus lhe confia o apóstolo João e, com ele, todos nós, dizendo: «Senhora, eis o teu filho» (Jo 19, 26), o olhar de Maria está fixo em Jesus. E Maria diz-nos, como nas bodas de Caná: «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Maria aponta para Jesus, convida-nos a dar testemunho de Jesus, guia-nos sempre para o seu Filho Jesus, porque só n'Ele há salvação, só Ele pode transformar a água da solidão, da dificuldade, do pecado, no vinho do encontro, da alegria, do perdão. Só Ele.

«Bem-aventurada és Tu, porque acreditaste». Maria é bem-aventurada pela sua fé em Deus, pela sua fé, porque o olhar do seu coração sempre esteve fixo em Deus, no Filho de Deus que trouxe no seu ventre e contemplou na Cruz. Na Adoração do Santíssimo Sacramento, Maria diz-nos: «Olha para o meu Filho Jesus, mantém o olhar fixo n’Ele, escuta-O, fala com Ele. Ele te olha com amor. Não tenhas medo! Ele ensinar-te-á a segui-Lo para dares testemunho d’Ele nas grandes e pequenas acções da tua vida, nas relações familiares, no teu trabalho, nos momentos de festa; ensinar-te-á a saíres de ti mesmo, de ti mesma, para olhares para os outros com amor, como Aquele que te amou e te ama, não com palavras, mas com obras».

Ó Maria, fazei-nos sentir o teu olhar Mãe, guiai-nos para o teu Filho, fazei que não sejamos cristãos «de vitrina», mas saibamos «meter mãos à obra» para construir com o teu Filho Jesus, o seu Reino de amor, de alegria e de paz.
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ORAÇÃO PARA A JORNADA MARIANA POR OCASIÃO DO ANO DA FÉ
PALAVRAS DO PAPA FRANCISCO

Praça de São Pedro. Sábado, 12 de Outubro de 2013



Amados irmãos e irmãs,

Este encontro do Ano da Fé é dedicado a Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a sua presença no meio de nós. Há uma realidade: Maria leva-nos sempre a Jesus. É uma mulher de fé, uma verdadeira crente. Podemos nos perguntar: como foi a fé de Maria?

1. O primeiro elemento da sua fé é este: a fé de Maria desata o nó do pecado (cf. Cons. Ecum. Vat. II, Cost. Dogm. Lumen gentium, 56). Que significa isto? Os Padres conciliares [do Vaticano II] retomaram uma expressão de Santo Ireneu, que diz: «O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; aquilo que a virgem Eva atara com a sua incredulidade, desatou-o a virgem Maria com a sua fé» (Adversus Haereses III, 22, 4).

Ei-lo, o «nó» da desobediência, o "nó" da incredulidade. Poderíamos dizer, quando uma criança desobedece à mãe ou ao pai, que se forma um pequeno «nó». Isto sucede, se a criança se dá conta do faz, especialmente se há pelo meio uma mentira; naquele momento, não se fia da mãe e do pai. Sabeis que isto acontece tantas vezes! Então a relação com os pais precisa de ser limpa desta falta e, de facto, pede-se desculpa para que haja de novo harmonia e confiança. Algo parecido acontece no nosso relacionamento com Deus. Quando não O escutamos, não seguimos a sua vontade e realizamos acções concretas em que demonstramos falta de confiança n’Ele – isto é o pecado –, forma-se uma espécie de nó dentro de nós. E estes nós tiram-nos a paz e a serenidade. São perigosos, porque de vários nós pode resultar um emaranhado, que se vai tornando cada vez mais penoso e difícil de desatar.

Mas, para a misericórdia de Deus – sabemos bem-, nada é impossível! Mesmo os nós mais complicados desatam-se com a sua graça. E Maria, que, com o seu «sim», abriu a porta a Deus para desatar o nó da desobediência antiga, é a mãe que, com paciência e ternura, nos leva a Deus, para que Ele desate os nós da nossa alma com a sua misericórdia de Pai. Cada um possui alguns destes nós, e podemos interrogar-nos dentro do nosso coração: Quais são os nós que existem na minha vida? “Padre, os meus nós não podem ser desatados”! Não, isto está errado! Todos os nós do coração, todos os nós da consciência podem ser desatados. Para mudar, para desatar os nós, peço a Maria que me ajude a ter confiança na misericórdia de Deus? Ela, mulher de fé, certamente nos dirá: “Segue adiante, vai até ao Senhor: Ele te entende”. E Ela nos leva pela mão, Mãe, até ao abraço do Pai, do Pai da misericórdia.

2. Segundo elemento: a fé de Maria dá carne humana a Jesus. Diz o Concílio: «Acreditando e obedecendo, [Maria] gerou na terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do eterno Pai» (Cost. Dogm. Lumen gentium, 63). Este é um ponto em que os Padres da Igreja insistiram muito: Maria primeiro concebeu Jesus na fé e, depois, na carne, quando disse «sim» ao anúncio que Deus lhe dirigiu através do Anjo. Que significa isto? Significa que Deus não quis fazer-Se homem, ignorando a nossa liberdade, mas quis passar através do livre consentimento de Maria, através do seu «sim». Deus pediu: “Estás disposta a fazer isto”? E Ela disse: “Sim”.

Entretanto aquilo que acontec eu de uma forma única na Virgem Mãe, sucede a nível espiritual também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática. É como se Deus tomasse carne em nós: Ele vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua Palavra. Não é fácil entender isto, mas, sim é fácil senti-lo no coração.

Pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado, que não nos toca pessoalmente? Crer em Jesus significa oferecer-Lhe a nossa carne, com a humildade e a coragem de Maria, para que Ele possa continuar a habitar no meio dos homens; significa oferecer-Lhe as nossas mãos, para acariciar os pequeninos e os pobres; os nossos pés, para ir ao encontro dos irmãos; os nossos braços, para sustentar quem é fraco e trabalhar na vinha do Senhor; a nossa mente, para pensar e fazer projectos à luz do Evangelho; e sobretudo o nosso coração, para amar e tomar decisões de acordo com a vontade de Deus. Tudo isto acontece graças à acção do Espírito Santo. E assim, somos os instrumentos de Deus para que Jesus possa actuar no mundo por meio de nós.

3. E o último elemento é a fé de Maria como caminho: o Concílio afirma que Maria «avançou pelo caminho da fé» (ibid., 58). Por isso, Ela nos precede neste caminho, nos acompanha, nos sustenta.

Em que sentido a fé de Maria foi um caminho? No sentido de que toda a sua vida foi seguir o seu Filho: Ele - Jesus - é a estrada, Ele é o caminho! Progredir na fé, avançar nesta peregrinação espiritual que é a fé, não é senão seguir a Jesus; ouvi-Lo e deixar-se guiar pelas suas palavras; ver como Ele se comporta e pôr os pés nas suas pegadas, ter os próprios sentimentos e atitudes d’Ele. E quais são os sentimentos e as atitudes de Jesus? Humildade, misericórdia, solidariedade, mas também firme repulsa da hipocrisia, do fingimento, da idolatria. O caminho de Jesus é o do amor fiel até ao fim, até ao sacrifício da vida: é o caminho da cruz. Por isso, o caminho da fé passa através da cruz, e Maria compreendeu-o desde o princípio, quando Herodes queria matar Jesus recém-nascido. Mas, depois, esta cruz tornou-se mais profunda, quando Jesus foi rejeitado: Maria estava sempre com Jesus, seguia Jesus no meio do povo, escutava as fofocas, o ódio daqueles que não queriam bem ao Senhor. E, esta Cruz, Ela a levou! Então a fé de Maria enfrentou a incompreensão e o desprezo. Quando chegou a «hora» de Jesus, ou seja, a hora da paixão: então a fé de Maria foi a chamazinha na noite: aquela chamazinha no meio da noite. Na noite de Sábado Santo, Maria esteve de vigia. A sua chamazinha, pequena mas clara, esteve acesa até ao alvorecer da Ressurreição; e quando lhe chegou a notícia de que o sepulcro estava vazio, no seu coração alastrou-se a alegria da fé, a fé cristã na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Porque a fé sempre nos traz alegria, e Ela é a Mãe da alegria: que Ela nos ensine a caminhar por esta estrada da alegria e viver esta alegria! Este é o ponto culminante – esta alegria, este encontro entre Jesus e Maria – imaginemos como foi…Este encontro é o ponto culminante do caminho da fé de Maria e de toda a Igreja. Como está a nossa fé? Temo-la, como Maria, acesa mesmo nos momentos difíceis, de escuridão? Senti a alegria da fé?

Esta noite, Mãe, nós Te agradecemos pela tua fé, de mulher forte e humilde; renovamos a nossa entrega a Ti, Mãe da nossa fé. Amém.

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Francisco: "Mulher pode ter papel mais valorizado na Igreja"

Cidade do Vaticano (RV) - Cidade do Vaticano (RV) – Os participantes do Seminário “Deus confia o ser humano à mulher”, que celebrou 25 anos da Carta Apostólica Mulieris dignitatem foram recebidos na manhã de sábado, 12, pelo Papa Francisco, na Sala Clementina, no Vaticano.

Promovido pelo Pontifício Conselho para os Leigos, o evento reuniu 150 especialistas e representantes de associações e movimentos eclesiais provenientes de 25 países e de diferentes áreas profissionais. Mulieris dignitatem foi o primeiro documento do Magistério pontifício totalmente dedicado à questão da mulher. O Beato João Paulo II a publicou em 15 de agosto de 1988.

O Papa Francisco fez um discurso aos participantes do Seminário e abordou de modo especial a passagem do documento em que se diz que “Deus confia de modo especial o homem, o ser humano, à mulher”. Segundo Francisco, o seu predecessor se referia à maternidade:

“Tantas coisas podem mudar e já mudaram na evolução cultural e social, mas permanece o fato que é a mulher que concebe, que leva no ventre e dá à luz os filhos dos homens. E isso não é apenas um dado biológico, mas comporta uma riqueza de implicações, seja para a própria mulher, em seu modo de ser e em suas relações, seja pelo modo de se por em relação à vida humana e à vida em geral. Chamando a mulher à maternidade, Deus lhe confiou, de um modo todo especial, o ser humano”.

O Pontífice lembrou que neste enfoque, existem dois riscos extremos que podem mortificar a mulher e sua vocação. O primeiro é reduzir a maternidade a um ‘papel social’. Isto é, este ‘dever nobre’ pode, por sua vez, colocar a mulher de lado, não a valorizando plenamente na construção da comunidade, nos âmbitos civil e eclesial.

O outro risco é oposto: o de promover uma ‘emancipação’ que ocupe os espaços ‘roubados’ ao homem, abandonando o ‘ser mulher’ e seus característicos traços preciosos. O Papa ressaltou que a mulher tem uma sensibilidade particular para ‘as coisas de Deus’, principalmente porque ajuda a compreender a misericórdia, a ternura e o amor que Deus tem por nós.

Concluindo, Francisco propôs a Mulieris dignitatem como um aprofundamento e reflexão sobre um quesito já tocado em seu Pontificado:

“A Igreja também se deve questionar. Sofro ao ver, na Igreja e em organizações eclesiais, que o 'serviço' feito pelas mulheres - que todos devemos fazer, é claro - se reduz a 'servidão'. Que presença tem a mulher? A mulher pode ser mais valorizada? Esta é uma realidade que tenho em meu coração; e é por isso que quis lhes encontrar e abençoar vocês e seu empenho. Vamos assumi-lo juntos!” - exortou o Papa, pedindo que Maria, grande mulher, Mãe de Jesus e de todos os filhos de Deus, nos acompanhe.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
AOS PARTICIPANTES DA 47ª SEMANA SOCIAL
 DOS CATÓLICOS ITALIANOS
[Turim, 12-15 de Setembro de 2013]

 

Ao Venerado Irmão Cardeal Angelo Bagnasco
Presidente da Conferência Episcopal italiana

Dirijo a minha saudação cordial a Vossa Eminência e a todos os participantes na 47ª Semana Social dos Católicos Italianos, convocada em Turim. Renovo o meu abraço fraterno aos Bispos presentes, em particular ao Pastor dessa Igreja, Arcebispo Cesare Nosiglia, assim como ao Arcebispo Arrigo Miglio e aos membros do Comité Científico e Organizador. Saúdo todos os representantes das Dioceses da Itália e das diversas agregações eclesiais.

A tradição das Semanas Sociais na Itália começou em 1907, e um dos seus principais promotores foi o Beato Giuseppe Toniolo. Esta 47ª Semana é a primeira que se realiza depois da sua beatificação, a 28 de Abril de 2012, e justamente foi confiada de modo especial à sua intercessão. A figura do Beato Toniolo faz parte daquela luminosa multidão de católicos leigos que, não obstante as dificuldades do seu tempo, quiseram e souberam, com a ajuda de Deus, percorrer estradas proveitosas para trabalhar na busca e na construção do bem comum. Com a sua vida e o seu pensamento praticaram o que o Concílio Vaticano II depois ensinou a propósito da vocação e missão dos leigos (cf. Const. dog. Lumen gentium, 31); e o seu exemplo constitui um encorajamento sempre válido para os católicos leigos de hoje a procurarem por sua vez caminhos eficazes para a mesma finalidade, à luz do Magistério mais recente da Igreja (cf. Bento XVI, Enc. Deus caritas est, 28). A força exemplar da santidade em âmbito social torna-se neste caso ainda mais sensível devido à sede desta 47ª Semana Social. Com efeito, Turim é uma cidade emblemática para todo o caminho histórico-social da Itália, e de modo especial devido à presença da Igreja neste caminho. Em Turim trabalharam nos séculos XIX e XX numerosos homens e mulheres, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos, alguns dos seus Santos e Beatos, que testemunharam com a vida e trabalharam eficazmente com as obras ao serviço dos jovens, das famílias, dos mais pobres.

As Semanas Sociais dos Católicos Italianos, nos diversos períodos históricos, foram, e ainda hoje são providenciais e preciosas. Com efeito, elas propõem-se como iniciativa cultural e eclesial de alto perfil, capaz de enfrentar, e se possível antecipar, questões e desafios por vezes radicais, que a actual evolução da sociedade apresenta. Por isso a Igreja na Itália, há 25 anos, quis retomá-las e relançá-las, como momentos qualificados de escuta e pesquisa, de confronto e aprofundamento, muito importantes quer para a própria comunidade eclesial, pelo seu serviço de evangelização e promoção humana, quer para os estudiosos e agentes no campo cultural e social (cf. Nota Pastoral da CEI de 20 de Novembro de 1988). Deste modo, as Semanas Sociais são um instrumento privilegiado através do qual a Igreja na Itália dá a sua contribuição para a busca do bem comum do país (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 26). Esta tarefa, que é de toda a comunidade nas suas diversas articulações, pertence, como já recordámos, de modo específico aos leigos e à sua responsabilidade.

O tema desta Semana Social é «A Família, esperança e futuro para a sociedade italiana». Expresso todo o meu apreço por esta escolha, e por ter associado à família a ideia de esperança e de futuro. É precisamente assim! Mas para a comunidade cristã a família é muito mais que «tema»: é vida, é tecido diário, é caminho de gerações que transmitem a fé juntamente com o amor e com os valores morais fundamentais, é solidariedade concreta, canseira, paciência e até projecto, esperança, futuro. Tudo isto, que a comunidade cristã vive à luz da fé, da esperança e da caridade, nunca é tido para si, mas torna-se todos os dias fermento na massa da sociedade inteira, para o seu maior bem comum (cf. ibid., 47).

Esperança e futuro pressupõem memória. A memória dos nossos idosos é o amparo para prosseguir o caminho. O futuro da sociedade, e em concreto da sociedade italiana, está radicado nos idosos e nos jovens: nestes, porque têm a força e a idade para dar continuidade à história; naqueles, porque são a memória viva. Um povo que não cuida dos idosos, das crianças e dos jovens não tem futuro, porque trata mal a memória e a promessa.

Insere-se nesta perspectiva a 47ª Semana Social, com o documento preparatório que a precedeu. Ela pretende oferecer um testemunho e propor uma reflexão, um discernimento, sem preconceitos, o mais abertamente possível, atento às ciências humanas e sociais. Antes de tudo, como Igreja oferecemos uma concepção da família, que é a do Livro do Génesis, da unidade na diferença entre homem e mulher, e da sua fecundidade. Além disso, nesta realidade reconhecemos um bem para todos, a primeira sociedade natural, como consta também da Constituição da República italiana. Por fim, queremos reafirmar que a família entendida deste modo permanece o primeiro e principal sujeito construtor da sociedade e de uma economia à medida do homem, e como tal merece ser apoiada concretamente. As consequências, positivas ou negativas, das escolhas de carácter cultural, antes de tudo, e político relativas à família referem-se a diversos âmbitos da vida de uma sociedade e de um país: do problema demográfico — que é grave para todo o continente europeu e de modo especial para a Itália — às questões relativas ao trabalho e à economia em geral, ao crescimento dos filhos, até às que dizem respeito à visão antropológica que está na base da nossa civilização (cf. Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 44).

Estas reflexões não dizem respeito só aos crentes mas a todas as pessoas de boa vontade, a quantos se preocupam pelo bem comum do país, precisamente como acontece com os problemas da ecologia ambiental, que pode ajudar em grande medida a compreender os da «ecologia humana» (cf. Id, Discurso ao Bundestag, Berlim, 22 de Setembro de 2011). A família é escola privilegiada de generosidade, partilha, responsabilidade, escola que educa na superação de uma certa mentalidade individualista que ganhou terreno nas nossas sociedades. Apoiar e promover as famílias, valorizando o seu papel fundamental e central, é trabalhar por um desenvolvimento equitativo e solidário.

Não podemos ignorar o sofrimento de tantas famílias, por causa da falta de trabalho, do problema da casa, da impossibilidade prática de fazer livremente as próprias escolhas educativas; o sofrimento devido também aos conflitos internos das próprias famílias, às falências da experiência conjugal e familiar, à violência que infelizmente se esconde e causa danos até no interior das nossas casas. De todos devemos e queremos estar particularmente próximos, com respeito e verdadeiro sentido de fraternidade e solidariedade. Mas queremos recordar sobretudo o testemunho simples, mas bonito e corajoso de tantíssimas famílias, que vivem a experiência do matrimónio e do ser pais com alegria, iluminados e amparados pela graça do Senhor, sem medo de enfrentar até os momentos da cruz que, vivida em união com a do Senhor, não impede o caminho do amor, aliás torna-o mais forte e completo.

Possa esta Semana Social contribuir de maneira eficaz para ressaltar o vínculo que une o bem comum à promoção da família fundada no matrimónio, superando preconceitos e ideologias. Trata-se de uma dívida de esperança que todos têm em relação ao país, de modo especial aos jovens, aos quais é necessário oferecer esperança para o futuro. A Vossa Eminência, amado Irmão, e à grande assembleia da Semana Social de Turim a minha recordação na oração e, ao pedir que rezeis também por mim e pelo meu serviço à Igreja, concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de Setembro de 2013.


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Fátima bem presente em Roma, com a imagem da Capelinha das Aparições na Praça de São Pedro nas Jornadas marianas de 12-13 Outubro

Uma imensa multidão que se calcula ultrapassará as 150 mil pessoas provenientes de 48 países convergem nestas horas para Roma, mais precisamente para a Praça de São Pedro, onde neste fim de semana, 12 e 13 de Outubro, em perfeita sintonia com os peregrinos de Fátima, se celebram as Jornadas Marianas do Ano da Fé.

Em conferência de imprensa, nesta sexta de manhã, o arcebispo D. Rino Fisichella, presidente do Conselho para a Nova Evangelização, que coordena as iniciativas ligadas ao Ano Santo, sublinhou que a escolha desta data foi intencional, ligada a Fátima e à sua mensagem. Por esse motivo se desejou também que pudesse estar presente em Roma a imagem original de Nossa Senhora de Fátima, que raramente deixa o santuário. A última vez tinha sido no grande Jubileu do Ano 2000, também então para estar presente na praça de São Pedro, a 13 de Maio, ocasião em que João Paulo II quis realizar uma vez mais um “ato de entrega” (“consagração”) do mundo e da Igreja a Nossa Senhora.   

D. Rino Fisichella informou mesmo que a imagem de Nossa Senhora de Fátima vai passar este sábado pela residência de Bento XVI, Papa emérito, antes de ser recebida pelo seu sucessor, Francisco, na Casa de Santa Marta, passando em procissão entre as duas residências e sucessivamente na praça de São Pedro, escoltada pela Guarda Suíça e pela Gendarmaria do Vaticano antes do início do momento de oração mariana a que o Papa Francisco presidirá a partir das 17 horas, ao som do Ave de Fátima.

Após o acolhimento, na Praça de São Pedro, vai ter lugar um prolongado momento de oração mariana, que inclui também uma homilia do Papa Francisco.A partir das 19h, a imagem de Nossa Senhora de Fátima vai estar no Santuário do Divino Amor (a 20 Km de Roma), após um trajeto em helicóptero, para a oração ‘Com Maria para além da noite’, evento organizado pelo Vicariato de Roma e patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. A iniciativa inclui a recitação da oração do Rosário, em ligação direta, via satélite, com dez santuários marianos dos diversos continentes, e uma vigília a partir das 22h00 que se vai estender “por toda a noite”, em ligação directa com diversos santuários marianos do mundo: Nazareth (Israel), Lourdes (França), Czestochowa (Polónia), Banneaux (Bélgica), Aparecida (Brasil), Akita (Japão), Nairobi (Quénia), Washington (EUA), Vailankanny (Índia) e Lujan (Argentina).

O Santuário do Divino Amor, a uns 20 quilómetros de Roma, ganhou expressão como polo de peregrinação no século XVIII e a imagem de Nossa Senhora ali venerada recebeu o título de “Salvadora de Roma" em 1944, por decisão de Pio XII, durante a II Guerra Mundial.No domingo, 13 de outubro, a imagem da Senhora de Fátima vai chegar de novo à Praça de São Pedro pelas 8 horas, seguindo-se a oração do Rosário (10h) e a missa presidida pelo Papa Francisco (10h30). No final, o Santo Padre recitará uma oração que constituirá inclui um “ato de entrega” (do mundo e da Igreja) ao Imaculado Coração de Maria, repetindo um gesto realizado por João Paulo II diante da mesma imagem, a 25 de março de 1984, sempre na Praça de São Pedro.
Radio Vaticano - 11.outubro.2013

Como se derrota a estratégia do diabo

«Por favor, não façamos negócios com o diabo» e levemos a sério os perigos que derivam da sua presença no mundo», recomendou o Papa na manhã de 11 de Outubro, na homilia da missa em Santa Marta. «A presença do diabo está na primeira página da Bíblia, que termina com a vitória de Deus sobre o demônio», que volta sempre com as tentações. Não podemos «ser ingénuos».

O Pontífice comentou o episódio em que Lucas (11,15-26) fala de Jesus que expulsa os demônios. O evangelista menciona também os comentários de quantos assistem perplexos e acusam Jesus de magia ou, no máximo, reconhecem que Ele é só um curandeiro de pessoas que sofrem de epilepsia. “Há alguns padres que quando lêem esta passagem do Evangelho, esta e outras, dizem: ‘Mas Jesus curou uma pessoa de uma doença psíquica.’ Mas que parte é que leram? É verdade que naquele tempo era possível confundir uma epilepsia com a possessão do demónio; mas também é verdade que havia o demônio! E nós não temos o direito de fazer tão simples a coisa, como que dizendo: ‘Todos estes não eram endemoniados, eram doentes psíquicos.’ Não! A presença do demônio está na primeira página da Bíblia e a Bíblia acaba também com a presença do demônio, com a vitória de Deus sobre o demônio.”

 Voltando ao Evangelho, o Papa disse que Jesus nos oferece critérios para compreender esta presença e reagir: «Como ir pelo nosso caminho cristão, quando há tentações? Quando nos perturba o diabo?”. O primeiro critério sugerido pelo trecho evangélico «é que se pode obter a vitória de Jesus sobre o mal, sobre o diabo, parcialmente». Para explicar, o Papa citou as palavras de Jesus referidas por Lucas: «Ou estás comigo, ou contra mim; quem não está comigo está contra mim, e quem não recolhe comigo dispersa». E referindo-se ao gesto de Jesus diante dos possuídos pelo demónio, disse que só se trata de uma pequena parte «daquilo que Ele veio fazer por toda a humanidade»: destruir a obra do diabo para nos libertar da sua escravidão.

 Não se pode continuar a crer que é um exagero: «Ou estás com Jesus, ou contra Ele. E neste ponto não há alternativas. Existe uma luta na qual está em jogo a nossa salvação eterna». E não há alternativas, embora às vezes ouçamos «propostas pastorais» que parecem mais tolerantes. «Não! Ou estás com Jesus – repetiu o Papa – ou contra Ele. Este é um dos critérios».

 O último critério é a vigilância: «Devemos vigiar sempre contra o engano e a sedução do maligno». E o Pontífice voltou a citar o Evangelho: «Quando um homem forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que ele possui. E nós podemos perguntar: eu vigio a mim mesmo? O meu coração? Os meus sentimentos? Conservo o tesouro da Graça, a presença do Espírito Santo em mim? Se não o guardarmos, «vem outro mais forte do que ele, vence-o e tira-lhe todas as armas em que confiava, repartindo os seus despojos».

Eis os critérios para enfrentar os desafios da presença do diabo no mundo: a certeza de que «Jesus luta contra o diabo», «quem não está com Jesus está contra Ele» e «a vigilância». É preciso ter presente que «o demônio é astuto: nunca é expulso para sempre, e só o será no último dia», pois quando «o espírito impuro – recordou – sai do homem, vagueia por lugares desertos à procura de alívio e, dado que não o encontra, diz: voltarei à minha casa, de onde saí. Quando volta, encontra-a limpa e adornada; vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, entram e estabelecem-se ali. E a última condição desse homem vem a ser pior do que a primeira».

Eis por que motivo é preciso vigiar. «A sua estratégia – avisou o Papa – é esta: tornaste-se cristão, vai em frente na tua fé e eu deixo-te tranquilo. Mas depois, quando te habituas e já não vigias, sentindo-te seguro, eu volto. O Evangelho de hoje começa com o demônio expulso e termina com o diabo que volta. São Pedro dizia: é como um leão feroz que dá voltas ao nosso redor». E isto não é mentira, «é a Palavra do Senhor».

«Peçamos ao Senhor – foi a prece conclusiva do Papa – a graça de levar isto a sério. Ele veio para lutar pela nossa salvação e venceu o demônio».
L’Osservatore Romano - 11.outubro.2013

Tweet do Papa Francisco, hoje:

11/10/2013
Quando encontrarmos a cruz, dirijamo-nos a Nossa Senhora: Mãe nossa, dai-nos a fortaleza de aceitar e abraçar a cruz!


A coragem da oração - Missa do Papa em Santa Marta

A nossa oração deve ser corajosa e não tíbia, se não quisermos obter só  as graças necessárias mas sobretudo através dela, conhecer o Senhor. Se pedirmos, ele mesmo nos trará a graça. O Papa Francisco na manhã de 10 de Outubro, durante a missa celebrada em Santa Marta, voltou a falar sobre a força e a coragem da oração.

À necessidade de rezar com insistência se for necessário, mas deixando-se sempre  envolver por ela, refere-se o trecho litúrgico do Evangelho de Lucas (11, 5-13) «com esta parábola – explicou o Pontífice – do amigo atrevido, o amigo inoportuno», que na noite funda vai pedir pão a outro amigo  para saciar um conhecido que acabou de chegar em sua casa e ao qual nada tinha a oferecer. «Com esta solicitação – frisou – o amigo teve que se levantar da cama e dar-lhe  o pão. E Jesus noutra ocasião fala-nos sobre isto: na parábola da viúva que ia ao juiz corrupto, o qual não a ouvia, não a queria ouvir; mas ela era tão atrevida, incomodava tanto, que no fim, para se livrar dela e não ser mais incomodado, fez justiça,  realizou o que ela pedia. Isto faz-nos pensar  na nossa oração. Como rezamos? Rezamos  por costume, piedosamente, mas tranquilos, ou pomo-nos com coragem diante do Senhor para pedir a graça, para pedir por que lo qual rezamos?».

A atitude é importante porque «uma oração que não seja corajosa – afirmou o Pontífice – não é uma oração verdadeira». Quando rezamos é necessária «a coragem de acreditar que o Senhor nos ouve, a coragem de bater à porta. O Senhor diz, porque  quem pede recebe e a quem procura e bate a porta se abrirá».

Nos Evangelhos – observou– “alguns recebem a graça e vão embora”: dos dez leprosos curados por Jesus, somente um volta para agradecer-Lhe. O cego de Jericó encontra o Senhor na oração e louva a Deus.

Mas, perguntou-se o Santo Padre, a nossa oração é assim? Ou limitamo-nos a dizer: «Senhor  tenho necessidade, fazei-me  esta graça»? Numa palavra, «deixamo-nos envolver na oração? Sabemos bater ao coração de Deus?». Para responder o bispo de Roma voltou ao trecho evangélico, no fim do qual «Jesus nos diz:  de entre vós, qual o pai que dá uma serpente ao filho que lhe pediu um peixe? Ou  se lhe pede um ovo dar-lhe-á um escorpião? Se sois pais dareis o bem aos filhos. E continua: portanto, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, muito  mais o vosso Pai que está no céu... E esperamos que prossiga dizendo: dará coisas boas a vós. Mas não. Não diz isto! Dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem. Esta é uma coisa grande».

Portanto «quando rezamos corajosamente, o Senhor não só nos dá a graça, mas doa-se também a si mesmo na graça». «Porque o Senhor – explicou o Papa com uma expressão incisiva – nunca dá ou envia uma graça pelo correio: é ele quem a leva, é ele a graça!».

O que nós pedimos, disse ainda o Francisco, na verdade é papel que embrulha a graça, porque a verdadeira graça é Ele, que vem para entregá-la. A nossa oração, se for corajosa, recebe o que pedimos, mas também o que é mais importante: o Senhor”.

«Hoje – disse na conclusão – na oração, na coleta, dissemos ao Senhor que nos dê aquilo que nem a oração ousa pedir. E o que é que nós não ousamos pedir? Ele mesmo! Nós pedimos uma graça, mas não ousamos dizer: vem tu trazê-la a mim. Sabemos que uma graça é sempre trazida por ele: é ele que vem e no-la dá. Não façamos má figura aceitando a graça  sem  reconhecer que quem a traz, quem no-la dá, é o Senhor».

L'Osservatore Romano

Também em seu Twitter o Papa Francisco deixou uma mensagem:

10/10/2013
O mistério da Cruz, um mistério de amor, pode-se compreender na oração. Rezar e chorar de joelhos diante da Cruz.

Em Outubro 2014 Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, sobre "Os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização". Declarações de P.Lombardi e card. Scherer

O Santo Padre convocou a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, a realizar no Vaticano, de 5 a 19 de Outubro do próximo ano, tendo como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.

Comentando esta informação, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Lombardi, observou que "é assim que o Papa deseja promover a reflexão e o caminho da comunidade da Igreja: com a participação responsável do episcopado das diversas partes do mundo". "É justo que a Igreja se mova comunitariamente na reflexão e na oração, assumindo orientações pastorais comuns nos pontos mais importantes - como a pastoral da família - sob a guia do Papa e dos bispos. A convocação do Sínodo extraordinário indica claramente este caminho".

"Neste contexto - acerscentou ainda Padre Lombardi - propor soluções pastorais particulares, da parte de pessoas ou de Secretaria dos locais corre o risco de gerar confusão. É bom pôr em relevo a importância de realizar um caminho na plena comunhão da comunidade eclesial".

Faz parte do Conselho permanente da Secretaria do Sínodo, o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, que, entrevistado por Silvonei José, do Programa Brasileiro, recorda que se mantém em programa, em outubro de 2015, uma outra assembleia, ordinária, do Sínodo, nos 50 anos da criação, da parte de Paulo VI, desta instituição sinodal. Esse Sínodo de 2015 deverá colocar-se em continuidade com o de 2014 e poderá ter como tema "Família e pessoa humana", enfrentando complexas questões antropológicas com que se confronta a humanidade e a Igreja do nosso tempo.

Desde 1985 que não se realizava uma Assembleia Geral “Extraordinária”. Nesse ano, convocada por João Paulo II, no vigésimo aniversário da conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II, realizou-se a II Assembleia sinodal desse tipo, tendo como tema “A aplicação do Concílio Vaticano II”. Em 1969, ainda no tempo de Paulo VI, tivera lugar a I Assembleia Extraordinária, sobre “As Conferências episcopais e a colegialidade dos Bispos”.

A I Assembleia Geral 'Ordinária' do Sínodo dos Bispos teve lugar em 1967. A mais recente, a XIII, realizou-se em Outubro do ano passado, tendo como tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã” (foto: missa conclusiva, presidida por Bento XVI, na basílica de Sâo Pedro)
Radio Vaticano

Audiência: "A Igreja não é um grupo de elite, mas a casa de toda a humanidade"

Cidade do Vaticano, 9 de outubro de 2013 (RV) – Milhares de fiéis e peregrinos, mais de 80 mil, lotaram a Praça S. Pedro desde as primeiras horas da manhã para participar da Audiência Geral com o Papa Francisco – a 20ª de seu pontificado.

Antes das 10h, o Pontífice já estava na Praça, com o seu jipe, para receber e retribuir o carinho dos fiéis, apesar da chuva que caiu naquele momento. De fato, ao tomar a palavra, o Papa parabenizou a “coragem” dos presentes frente a este mau tempo. Na catequese sobre o Credo neste Ano da Fé, o Papa discorreu sobre uma das características da Igreja, a catolicidade.

Confessamos que a Igreja é católica, primeiro porque a todos oferece a fé por completo. A Igreja nos faz encontrar a misericórdia de Deus, que nos transforma. Nela está presente Jesus Cristo, que lhe dá a verdadeira confissão de fé, a plenitude da vida sacramental, a autenticidade do ministério ordenado. Na Igreja, como acontece numa família, encontramos tudo o que nos permite crescer, amadurecer e viver como cristãos. Não se pode caminhar e crescer sozinhos, mas sim em comunidade.

Ir à Igreja, disse o Santo Padre, não é como ir ao estádio para ver um jogo de futebol ou ir ao cinema. É preciso nos interrogar sobre como acolhemos os dons que a Igreja oferece: “Participo da vida da comunidade ou me fecho nos meus problemas, isolando-me? Nesse sentido a Igreja é católica porque é a casa de todos. Todos são filhos da Igreja.

Em segundo lugar, a Igreja é católica, porque é universal, espalhada em todas as partes do mundo.

A Igreja não é um grupo de elite, não diz respeito somente a algumas pessoas, a Igreja não faz restrições. Ela é enviada à totalidade do gênero humano e está presente em todo o lado mesmo na menor das paróquias, porque também ela é parte da Igreja universal, tem a plenitude dos dons de Cristo, vive em comunhão com o Bispo, com o Papa e está aberta a todos sem distinção. A igreja não está somente na sombra do nosso campanário, mas abraça uma vastidão de pessoas, de povos que professam a mesma fé. Todos estamos em missão, temos que abrir as nossas portas e sair para anunciar o Evangelho.

Por fim, a Igreja é católica, porque é a casa da harmonia. Nela, se conjugam numa grande riqueza unidade e diversidade; como numa orquestra, onde a variedade dos instrumentos não se contrapõe, assim na Igreja, há uma variedade que se deixa harmoniosamente fundir na unidade pelo Espírito Santo.

Esta é uma bela imagem. Não somos todos iguais e não devemos sê-lo. Todos somos diferentes, cada um com as próprias qualidades. E esta é a beleza da Igreja. Cada um contribui com aquilo que Jesus deu para enriquecer um ao outro. É uma diversidade que não entra em conflito, não se contrapõe. Onde há intriga, não há harmonia. É luta. Jamais devemos falar mal uns dos outros. Aceitemos o outro, aceitemos que exista uma justa variedade. A uniformidade mata a vida, os dons do Espírito Santo. Peçamos a ele que nos torne sempre mais católicos, ou seja, universais.

Ao cumprimentar os peregrinos de língua portuguesa, o Pontífice saudou de modo especial os fiéis de duas paróquias do Rio de Janeiro e de São José dos Campos e os religiosos brasileiros em Roma.

A seguir, recordou que após a visita, um ano atrás, de Bento XVI ao Líbano, a língua árabe foi inserida na Audiência Geral, para expressar a todos os cristãos do Oriente Médio a proximidade da Igreja. E pediu, novamente, que rezemos pela paz no Oriente Médio: na Síria, no Iraque, no Egito, no Líbano e na Terra Santa, “onde nasceu o Príncipe da Paz, Jesus Cristo”.

Dirigindo-se aos bispos da Conferência Episcopal regional do norte da África, Francisco os encorajou a "consolidarem as relações fraternas com os irmãos muçulmanos".

Ao saudar os Bispos da Igreja de tradição alexandrina da Etiópia e Eritreia, o Pontífice mais uma vez expressou sua solidariedade na oração e na dor pelos muitos filhos dessas terras que perderam a vida na tragédia de Lampedusa.

Missa do Papa em Santa Marta - não devemos ser 'Pessimistas' e nem 'justiceiros', com a oração. "Peçamos ao Senhor que nos ajude a escolher sempre a melhor parte".

Rezar significa abrir a porta ao Senhor a fim de que possa fazer algo para reorganizar as nossas situações. O sacerdote que cumpre o seu dever, mas não abre a porta ao Senhor, corre o risco de se tornar só um «profissional». O Papa Francisco, durante a missa celebrada na manhã de terça-feira 8 de Outubro, na capela de Santa Marta, refletiu sobre o valor da oração: não  de «papagaio» mas  «feita com o coração» que  nos faz  «olhar para o Senhor, escutar o Senhor, pedir ao Senhor».

A reflexão desenvolveu-se a partir das leituras da liturgia, tiradas do livro de Jonas (3, 1-10) e do Evangelho de Lucas (10, 38-42). Em particular, referindo-se ao trecho evangélico o Pontífice propôs como modelo a seguir a atitude de Maria, uma das duas mulheres que hospedaram Jesus na sua casa. De fato, Maria parou para escutar e olhar para o Senhor, enquanto Marta, a irmã, continuou a ocupar-se dos afazeres de casa.

«A palavra do Senhor – explicou o Papa – é clara: Maria escolheu a melhor parte, a da oração, da contemplação de Jesus. Na opinião da outra irmã era perda de tempo». Maria parou a contemplar o Senhor como uma menina admirada, «em vez de trabalhar como fazia a outra».

A atitude de Maria é justa porque, frisou o Pontífice, ela «escutava o Senhor e orava com o seu coração». Eis o que «nos quer dizer o Senhor. A primeira tarefa na vida é a oração. Não a oração das palavras como papagaios, mas a oração do coração», através da qual é possível «contemplar o Senhor, escutar o Senhor, pedir ao Senhor. E nós sabemos que a oração faz milagres».

O mesmo ensina o episódio narrado no livro de Jonas: um «cabeça-dura», definiu-o o Santo Padre, porque «não queria fazer o que o Senhor lhe pedia». Só depois que o Senhor o salvou do ventre de uma baleia, recordou o Pontífice, Jonas decidiu-se: «Senhor farei o que tu dizes. E foi  para Nínive», anunciando a sua profecia: a cidade seria  destruída por Deus se os cidadãos não melhorassem o seu modo de viver. Jonas «era um profeta “profissional”  –  realçou o bispo de Roma – e dizia: mais quarenta dias e Nínive será destruída. Dizia-o seriamente, com vigor. E os habitantes da cidade assustaram-se  e começaram a rezar com as palavras, com o coração e com o corpo. A oração fez o milagre».

Também nesta narração, afirmou o Papa Francisco, «se vê o que Jesus diz a Marta: Maria escolheu a melhor parte. A oração faz milagres, diante dos problemas» que existem no mundo. Mas há também os que o Papa definiu «pessimistas». Estas pessoas «dizem: nada pode ser mudado, a vida é assim. Fazem-me pensar numa triste canção da minha terra que diz: deixemos estar. No inferno encontrar-nos-emos todos».

Certamente, frisou, é uma visão «um pouco pessismista da vida» que nos leva a perguntar: «Por que rezar? Mas deixemos estar, a vida é assim! Vamos em frente. Fazemos o que podemos».  Esta é a atitude de Marta, explicou o Pontífice, a qual «trabalhava, mas não rezava». Depois, há o comportamento dos outros, como aquele «teimoso Jonas». Estes são «os justiceiros». Jonas «ia e profetizava; mas no seu coração dizia: merecemos isto, merecemos. Ele profetizava, mas não rezava, não pedia perdão ao Senhor por eles, só  os criticava». Eles, realçou o santo Padre, «pensam  que são justos». Mas no final, como aconteceu a Jonas revelam-se egoístas.

Jonas, por exemplo, explicou o Papa, quando Deus salvou o povo de Nínive, «irou-se contra o Senhor: mas tu és sempre  assim, perdoas sempre!». E «também nós – comentou o Pontífice – quando não rezamos, fechamos a porta ao Senhor» de forma que «ele nada pode fazer. Ao contrário, a oração diante de um problema, de uma situação difícil, de uma calamidade, é abrir a porta ao Senhor, para que venha»: com efeito, ele sabe «reorganizar as situações».

Concluindo o Papa Francisco exortou a pensar  em Maria, a irmã de Marta, que «escolheu a melhor parte e nos mostra o caminho, como se abre a porta ao Senhor», ao rei de Nínive «que não era um santo», a todo o povo: «Fazia coisas más. Quando rezaram, jejuaram e abriram a porta ao Senhor, o Senhor realizou o milagre do perdão. Pensemos em Jonas que não rezava, fugia de Deus sempre. Profetizava, era talvez um bom «profissional», podemos  dizer hoje, um bom sacerdote que cumpria os seus deveres, mas nunca abria a porta ao Senhor com a oração. Peçamos ao Senhor que nos ajude a escolher sempre a melhor parte».
L’Osservatore Romano - 8.outubro.2013

Hoje, Papa Francisco registrou em seu Twitter:

08/10/2013
O segredo da vida cristã é o amor. Só o amor preenche os vazios, as voragens que o mal abre nos corações.


FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO - 7.OUTUBRO

Em agradecimento pela vitória da Batalha de Muret, Simon de Montfort construiu o primeiro santuário dedicado a Nossa Senhora da Vitória.

Em 1572 Papa Pio V instituiu "Nossa Senhora da Vitória" como uma festa litúrgica para comemorar a vitória da Batalha de Lepanto. A vitória foi atribuída a Nossa Senhora por ter sido feita uma procissão do rosário naquele dia na Praça de São Pedro, em Roma, para o sucesso da missão da Liga Santa contra os turcos otomanos no oeste da Europa.

Em 1573, Papa Gregório XIII mudou o título da comemoração para "Festa do Santo Rosário" e esta festa foi estendida pelo Papa Clemente XII à Igreja Universal. Após as reformas do Concílio Vaticano Segundo a festa foi renomeada para Nossa Senhora do Rosário. A festa tem a classificação litúrgica de memória universal e é comemorada dia 7 de outubro, aniversário da batalha.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_do_Rosário

Leia a entrevista que o Papa Francisco concedeu ao diretor do jornal La Repubblica, Eugenio Scalfari em 1º de outubro de 2013 -
clique aqui

Francisco: "Fugir de Deus é uma tentação cotidiana. Às vezes, os afastados o escutam melhor"

Cidade do Vaticano (RV) – “Deixemos que Deus escreva a nossa vida”: foi esta a exortação feita pelo Papa esta manhã na Missa na Casa Santa Marta. Francisco centrou sua reflexão nas figuras de Jonas e do Bom Samaritano.

“Jonas serviu o Senhor, rezou muito e fez o bem, mas quando o Senhor o chamou, ele fugiu. Ele tinha a sua história já escrita e não queria ser incomodado. O Senhor o enviou a Nínive e ele “tomou um navio para a Espanha, fugindo do Senhor”. Assim começou o Papa em sua homilia:

“Todos podemos fugir de Deus! Não escutar Deus, não sentir no coração a sua proposta, o seu convite, é uma tentação cotidiana. Pode-se fugir diretamente ou de outras maneiras, um pouco mais educadas, mais sofisticadas...”

O Papa citou o episódio do sacerdote que passava pela rua - um sacerdote bem vestido, digno - e viu um homem moribundo, jogado no chão. Ele olhou e pensou “vou chegar tarde para a missa” e continuou seu caminho. "Não ouviu a voz de Deus, ali".

Em seguida, foi a vez do levita passar e ignorar, temendo que o homem fosse morto e ele fosse obrigado a testemunhar diante do juiz. “Ele também fugiu da voz de Deus”, disse o Papa, acrescentando que “somente teve a capacidade de entender a voz de Deus aquele que fugia constantemente dele: o pecador, o samaritano, que mesmo afastado de Deus, ouviu a sua voz e se aproximou”.

O samaritano, observou, “não era acostumado a práticas religiosas, à vida moral, mas todavia, ele entendeu que Deus o chamava e não fugiu. Se aproximou, curou suas feridas com óleo e vinho, colocou o homem em seu cavalo, o levou a seu albergue e cuidou dele. Perdeu toda a sua noite”.

“O sacerdote chegou a tempo para a Santa Missa; o levita teve um dia tranquilo e não teve que ir ao juiz... e por que Jonas fugiu de Deus? Por que o sacerdote fugiu de Deus? Por que o levita fugiu de Deus? Porque seus corações estavam fechados, não podiam ouvir a voz de Deus. Ao contrário, um samaritano que passava ‘viu e teve compaixão’: tinha o coração aberto, era humano”.

“Jonas – frisou o Papa – tinha um projeto em sua vida: queria escrever a sua história, assim como o sacerdote e o levita. O pecador, por sua vez, “deixou que Deus a escrevesse: mudou tudo aquela noite, porque o Senhor lhe levou aquele pobre homem, ferido e jogado na rua”.

“Agora eu me pergunto e pergunto a vocês: nós deixamos que nossa vida seja escrita por Deus ou queremos nós escrevê-la? Somos dóceis à Palavra de Deus? Temos capacidade para encontrar a Palavra de Deus na história todos os dias, ou deixamos que a surpresa do Senhor nos fale?”

Francisco concluiu pedindo que possamos ouvir a voz do Senhor, a Sua voz, que nos diz “Vá e faça assim!”.

Tweet do Papa Francisco:

07/10/2013
A misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do pecado e do mal.


Papa recorda mortos de Lampedusa e convida a rezar em silêncio e "deixar chorar o coração"


Neste domingo ao meio-dia, por ocasião do Angelus, com muitíssimos fiéis e turistas, Papa Francisco recordou as muitas vítimas do trágico naufrágio de Lampedusa, convidando a um momento de oração e recolhimento, para “deixar chorar o coração”…   
O Papa tinha começado por dar graças a Deus pelo dia que passou em Assis, anteontem, no dia de São Francisco… Confessando que era a primeira vez que visitava Assis, agradeceu também a todos ali o acolheram.
Comentando como sempre o Evangelho do dia, Papa Francisco convidou os presentes a pedirem, como os apóstolos, a Jesus: “Senhor aumenta a minha fé!”
Recordando que este mês de Outubro é particularmente dedicado às missões, o Papa convidou a pensar em “tantos missionários, homens e mulheres, que para levar o Evangelho, superaram obstáculos de todo o tipo, deram verdadeiramente a vida, como diz são Paulo a Timóteo” (na segunda Leitura deste domingo). E insistiu que esta missão – testemunho - diz respeito a todos: “cada um de nós, na própria vida de cada dia, pode dar testemunho de Cristo, com a força de Deus, a força da fé”.
Para tal – sublinhou – é indispensável a oração, que “é o respiro da fé”.


Papa às Clarissas: "Da verdadeira contemplação nasce a alegria do coração"

Assis, 4.outubro.2013 (RV) - O Papa Francisco visitou as irmãs Clarissas na Basílica de Santa Clara, nesta sexta-feira, no âmbito de sua visita a Assis, cidade de São Francisco.

O Santo Padre fez uma oração silenciosa diante do crucifixo de São Damião através do qual Cristo disse a São Francisco, "Francisco, reconstrói a minha Igreja".

"Jesus Cristo é o centro de suas vidas. Quando uma monja de clausura segue a estrada da contemplação do Senhor, da oração e da penitência com Jesus Cristo, se torna grandemente humana. Da verdadeira contemplação nasce a alegria do coração", sublinhou Francisco, acrescentando:
"Vocês são chamadas a ter grande humanidade, uma humanidade como a da Mãe Igreja: humanas, que saibam entender as coisas da vida e os problemas humanos, que saibam perdoar e interceder ao Senhor pelas pessoas. A humanidade de vocês passa pela estrada de Jesus Cristo, da Encarnação do Verbo e o sinal de uma religiosa humana é a alegria, aquela alegria que vem de dentro, sempre com Cristo."

Falando sobre a humanidade de Cristo, o Santo Padre recordou que Deus se fez carne por nós e isso dá às Clarissas "uma santidade humana, grande, bonita, amadurecida, uma santidade de Mãe".

"A Igreja quer vocês assim. Quando vocês rezam pelos sacerdotes e seminaristas vocês têm com eles uma relação de maternidade e com suas orações eles se tornam bons pastores do povo de Deus", frisou o Papa Francisco.

O Santo Padre falou sobre a vida comunitária e pediu às monjas para que saibam perdoar e terem paciência, pois a vida de comunidade não é fácil e o diabo usa todos os meios para criar divisões.

"Os problemas existem e sempre existirão, mas é preciso procurar a solução com amor. Cuidem da vida comunitária, pois quando se vive bem em comunidade, em família, o Espírito Santo está no meio dessa comunidade", concluiu o Papa Francisco.

Neste dia 5 de outubro, 1º sábado do mês o Papa Francisco perguntou aos jovens em seu Twitter:

"Queridos jovens, tendes muitos projetos e sonhos para o futuro. Mas, pondes Cristo no centro de cada um dos vossos projetos e sonhos?"

Papa em Assis: "Jovens, não tenham medo de fazer escolhas definitivas na vida"

Assis (RV) - O Papa Francisco encontrou-se com os jovens da Úmbria, na tarde desta sexta-feira, na praça adjacente à Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Antes, porém, fez uma oração na Porciúncula, igreja localizada dentro dessa basílica, onde São Francisco fundou a Ordem Franciscana e faleceu em 1226.

Cerca de 40 mil jovens participaram do encontro com o Papa Francisco. Durante o encontro, o Santo Padre respondeu as perguntas de alguns jovens. O que é o matrimônio? Esta primeira pergunta foi feita por um casal jovem. "Um testemunho bonito! Dois jovens que escolheram e decidiram, com alegria e coragem, formar uma família. É preciso ter coragem para formar uma família", disse o Papa. A seguir, o pontífice respondeu a pergunta dizendo:

"É uma verdadeira vocação, assim como o sacerdócio e a vida religiosa. Dois cristãos que se casam reconheceram em sua história de amor o chamado do Senhor, a vocação a se tornarem de dois, homem e mulher, uma só carne, uma só vida. O Sacramento do Matrimônio envolve esse amor com a graça de Deus, enraíza essa união no próprio Deus."

"Os nossos pais, avós e bisavós se casaram em condições muito piores do que a nossa. Alguns em tempo de guerra ou depois da guerra e outros imigraram como os meus pais. Onde encontraram a força? Na certeza de que o Senhor estava com eles, que a família é abençoada por Deus com o Sacramento do Matrimônio e bendita é a missão de dar à luz filhos e educá-los", disse o Francisco.

O Santo Padre frisou que "para construir bem, de maneira sólida, é necessária essa base moral e espiritual e hoje esta base não é mais garantida pelas famílias e tradição social".

"A sociedade em que vocês nasceram favorece os direitos individuais em vez da família e muitas vezes fala sobre o relacionamento de casal, família e matrimônio de maneira superficial e equívoca. Basta assistir a determinados programas de televisão", sublinhou o pontífice.

O Papa destacou que o Espírito Santo suscita sempre novas respostas às novas exigências e por isso se multiplicaram na Igreja encontros para namorados, cursos de preparação ao matrimônio, grupos de casais jovens nas paróquias, movimentos familiares e outros. "Eles são uma imensa riqueza! São pontos de referência para todos: jovens em busca, casais em crise, pais em dificuldades com seus filhos e vice-versa. A fantasia do Espírito é infinita e muito concreta", disse o Santo Padre.

Francisco convidou a não ter medo de fazer escolhas definitivas na vida, como o matrimônio. "Confiem no Senhor e deixem que Ele entre em suas casas como uma pessoa de família. A família é a vocação que Deus inscreveu na natureza do homem e da mulher", sublinhou o pontífice, destacando outra vocação complementar ao matrimônio: o chamado ao celibato e à virgindade para o Reino dos Céus. "É a vocação que o próprio Jesus viveu. Como reconhecê-la? Como segui-la?".

O Papa respondeu essa segunda pergunta com dois elementos essenciais:

"Rezar e caminhar na Igreja. Essas duas coisas caminham juntas, são interligadas. Na origem de toda vocação à vida consagrada existe sempre uma forte experiência de Deus, uma experiência que nunca se esquece. É Deus quem chama. Por isso, é importante ter uma relação cotidiana com Ele. Aqui em Assis, não há necessidade de palavras! Francisco e Clara falam através de seu carisma a tantos jovens do mundo inteiro. Jovens que deixam tudo para seguir Jesus no caminho do Evangelho."

Da palavra Evangelho o Santo Padre respondeu as duas últimas perguntas feitas pelos jovens: 'O que podemos fazer?', pergunta que diz respeito ao compromisso social nesse período de crise que ameaça a esperança, e 'Qual pode ser a nossa contribuição?', pergunta que diz respeito à evangelização, levar a mensagem de Jesus aos outros.

Francisco disse que "o Evangelho não diz respeito somente à religião, mas ao ser humano como um todo, ao mundo, à sociedade e civilização humana. O Evangelho é mensagem de salvação de Deus para a humanidade".

O pontífice sublinhou que o Evangelho tem dois destinos que estão relacionados:

"O primeiro, despertar a fé e isso é a evangelização. O segundo, transformar o mundo segundo o desígnio de Deus, e essa é a animação cristã da sociedade. Essas duas coisas não caminham separadas, mas formam uma única missão: levar o Evangelho com o testemunho de nossas vidas transforma o mundo. Este é o caminho."

O Santo Padre destacou que São Francisco fez as duas coisas com a força do Evangelho. "Francisco fez aumentar a fé, renovou a Igreja e ao mesmo tempo renovou a sociedade, tornando-a mais fraterna, mas sempre com o Evangelho", disse ainda o pontífice.

O Papa Francisco convidou os jovens da Úmbria a seguirem o exemplo de São Francisco de Assis, testemunhando a fé com suas vidas e servindo Cristo nos pobres.

FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS - 4.OUTUBRO
Na missa, em Assis, apelo do Papa à paz e ao respeito por todas as criaturas, seguindo o exemplo de São Francisco

Uma imensa multidão participou da Santa Missa celebrada pelo Papa Francisco, em Assis, junto das basílicas do Santo. Na homilia, o Papa evocou o exemplo concreto de São Francisco, com a sua “maneira radical de imitar a Cristo”.

“O amor pelos pobres e a imitação de Cristo são dois elementos indivisivelmente unidos, duas faces da mesma medalha” - insistiu.
 
Qual é hoje o testemunho que ele nos dá? – interrogou-se o Papa, observando que a primeira coisa, a realidade fundamental de que São Francisco nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele”. E isso “começa do olhar de Jesus na cruz”.

“Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo.”

“Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixarmo-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor”.

Um segundo aspecto do testemunho de São Francisco recordado pelo Papa na sua homilia foi o seguinte: “quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar”. “Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu e que nos transmite? É a paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos”.

O Papa fez notar que “a paz franciscana não é um sentimento piegas” “Por favor, este São Francisco não existe!”“A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem toma sobre si o seu jugo, isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

Finalmente, terceiro aspecto do testemunho de Francisco de Assis recordado pelo Papa na homilia da missa, “o amor por toda a criação, pela sua harmonia”:“O Santo de Assi dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano”.

E foi neste contexto, quase a concluir a sua homilia, que o Papa Francisco lançou um solene apelo à paz e ao respeito pela criação: “Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição!

Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união.

Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo.”

Este o texto integral da homilia do Papa: clique aqui


Papa em Assis: com São Francisco, pobre com os pobres e sofredores, homem de paz

Neste 4 de outubro, dia de São Francisco, o Papa encontra-se na sua cidade de Assis, como peregrino, visitando não só os lugares franciscanos, mas antes de mais os pobres e doentes, dos mais débeis.

O helicóptero em que viajou o Papa, juntamente com os oito cardeais consultores que com ele se reuniram nos dias passados, chegou a Assis às 7.30, quinze minutos antes do previsto, aterrando num campo desportivo do Instituto Seráfico, no sopé da cidade. Foi a partir dali que o Papa e os cardeais, com o presidente da câmara e o bispo de Assis, se deslocaram à capela desta instituição franciscana, para saudar, um a um a centena de crianças e jovens deficientes ali internados, juntamente com o pessoal que deles cuidam.
O Papa abraçou e abençoou uma a uma (foto), juntamente com os seus familiares.



Comovente para todos este momento de profunda humanidade. Nas palavras pronunciadas depois, improvisadas, o Papa evocou o amor de Jesus e de São Francisco por todos os que vivem situações de sofrimento e que aguardam de nós respeito, atenção, dedicação.

Logo a seguir; o Papa visitou, de forma privada, o convento de S. Damião e às 9.20, na Sala da Espoliação de Francisco do Bispado, o Papa Francisco teve um encontro com os pobres, partindo depois, de carro, para a Basílica Superior de S. Francisco, em frente da qual celebrou Missa às 11.00. No fim da celebração houve a cerimónia da oferta do óleo para a lâmpada votiva a S. Francisco Padroeiro da Itália.

Depois no Centro da Caritas
(perto da estação ferroviária) o Papa almoçou com os pobres que nele são assistidos.

Agora à tarde, fez uma visita privada ao Ermo dos Cárceres,
acolhido pela comunidade franciscana, o pontífice deteve-se em oração na Cela de São Francisco. Daí, seguiu para a catedral de Assis, para se encontrar com o clero, os consagrados e os leigos empenhados nos conselhos pastorais.

Um dos aspectos sublinhados nas palavras que lhes dirigiu foi precisamente sobre os conselhos pastorais, que – sublinhou com vigor – devem existir em todas as dioceses e em todas as paróquias. Três pontos de orientação pastoral deixados pelo Papa aos pastores e leigos responsáveis da diocese:

“Escutar a Palavra, caminhar conjuntamente em fraternidade, anunciar o Evangelho nas periferias”.

Da catedral, o Santo Padre partiu para a basílica de Santa Clara. Aí, depois de venerar, na cripta, o corpo de Santa Clara, detém-se em oração silenciosa diante do Crucifixo de São Damião e tem um momento de colóquio com as monjas clarissas.
 
Logo depois, veneração do corpo de S. Clara na Basílica de S. Clara. No final, o Papa encontrará os jovens da Umbria na Praça diante da Basílica. Antes de partir para Roma, o Papa Francisco fará ainda uma visita privada ao Santuário de Rivotorto, aí tomando o helicóptero para o Vaticano, onde deverá chegar pelas 20 horas.

Estudo sobre reforma da Cúria Romana encaminha-se para uma nova Constituição: coletiva do Pe. Lombardi

Cidade do Vaticano (RV) - Concluem-se nesta quinta-feira, no Vaticano, as reuniões do Conselho de cardeis, o grupo de oito purpurados que tem a tarefa de coadjuvar o Pontífice no governo da Igreja e no projeto de revisão da Cúria Romana.

Os trabalhos tiveram início na manhã de terça-feira. Na quarta-feira o Papa pronunciou-se na sessão da tarde e participou da reunião da manhã desta quinta-feira, antes da audiência concedida aos participantes do encontro promovido pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, no 50º aniversário da "Pacem in terris". A propósito dos trabalhos destes dias, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, concedeu uma coletiva aos jornalistas.

Pe. Lombardi destacou a reforma da Cúria Romana em primeiro plano nos trabalhos do Conselho de cardeais:

"O estudo sobre a "Pastor Bonus" não está voltado para uma simples atualização, com retoques ou modificações marginais, mas para a redação de uma Constituição com novidades realmente consistentes: em suma, creio que podemos esperar uma nova Constituição ao término desse trabalho do Conselho e do Papa com o seu Conselho. Porém, é um trabalho que requer um tempo adequado, evidentemente."

A intenção é evidenciar a natureza "do serviço" por parte da Cúria à Igreja universal e às Igrejas locais, em termos de subsidiariedade e não de centralismo. Inserem-se nesse quadro as funções e o papel da Secretaria de Estado que, efetivamente – observou Pe. Lombardi –, deve ser a "secretaria do Papa":

"A reflexão do Conselho sobre a questão da Secretaria de Estado, das suas funções, do seu papel, é útil para o Santo Padre inclusive justamente neste momento, em vista das orientações que ele queira dar ao próximo secretário de Estado: de fato, em 15 de outubro se terá um novo secretário de Estado que entrará em função e, portanto, evidentemente, pedirá ao Papa que lhe dê suas orientações e indicações. E então, o fato que o Papa, com o Conselho, já tenha começado a refletir sobre funções, o papel da Secretaria de Estado, naturalmente, ajuda o Papa nessa situação, na vigília da tomada de posse do novo secretário de Estado."

Na mesa dos cardeais tratou-se também da hipótese de um moderator curiae, uma possível nova figura de coordenação entre os dicastérios e as repartições da Cúria. Destaca-se também a notável atenção ao papel dos leigos na Igreja, a fim de que haja no futuro ulteriores instituições ad hoc.

Foi também retomado o tema do próximo Sínodo dos Bispos. Esteve também presente, mas não tratado nas sessões de trabalho, o tema da reorganização das administrações temporais e das instituições afins.

Por fim, o estabelecimento de um novo encontro do Conselho de cardeais, ainda não definitivo, que poderá realizar-se nos primeiros meses de 2014, janeiro, fevereiro – aproximadamente.

Aproximadamente 200 mortos em Lampedusa. "Vergonha", afirma Francisco

Cidade do Vaticano, 3 de outubro de 2013 (RV) – Vergonha: assim o Papa definiu a tragédia ocorrida esta manhã na ilha de Lampedusa, que matou pelo menos 90 migrantes.

Não posso não recordar com grande dor as numerosas vítimas do enésimo trágico naufrágio ocorrido hoje no largo de Lampedusa. Vem-me a palavra “vergonha”. Rezemos a Deus por quem perdeu a vida e unamos os nossos esforços para que não se repitam tragédias semelhantes. Somente uma colaboração firme de todos pode ajudar a preveni-las.

Uma embarcação com 500 refugiados, entre eles 30 crianças, pegou fogo e naufragou. A polícia ainda está trabalhando para recuperar os mortos. Os migrantes eram eritreus e somalis.

As palavras do Pontífice foram pronunciadas ao final da audiência, no Vaticano, aos participantes do Congresso organizado para comemorar os 50 anos da Encíclica Pacem in terris, promulgada pelo Beato João XXIII em 11 de abril de 1963.

Segundo o Pontífice, as tragédias como as de Lampedusa ocorrem porque o mundo ainda é marcado pelo mesmo espírito que predominava quando a Encíclica foi publicada, no ápice da guerra fria:

No final de 1962, a humanidade se encontrou à beira de um conflito atômico mundial, e o Papa fez um dramático apelo de paz. O diálogo que então os blocos antagonistas empreenderam com muita dificuldade levou, durante o Pontificado de João Paulo II, à superação daquela fase. As sementes lançadas pelo Beato João XXIII deram frutos. Todavia, não obstante a queda de muros e barreiras, o mundo continua a necessitar de paz e o chamado da Pacem in terris permanece fortemente atual.

Como nos recorda a Encíclica, prosseguiu Francisco, o fundamento da construção da paz consiste na origem divina do homem e da sociedade. Todos, portanto, são chamados a construírem a paz através de dois caminhos: promover e praticar a justiça; e contribuir, cada um segundo suas possibilidades, ao desenvolvimento humano integral, segundo a lógica da solidariedade.

Olhando para a nossa realidade atual, me pergunto se compreendemos esta lição da Pacem in terris. Pergunto-me se as palavras justiça e solidariedade estão somente no dicionário ou todos trabalham para que se tornem realidade. A Encíclica do Beato João XXIII nos recorda claramente que se não trabalharmos por uma sociedade mais justa e solidária e se não superarmos egoísmos e individualismos, não poderão existir paz e harmonia verdadeiras.

A paz duradoura, continuou o Papa, depende do fato de que todos possam ter acesso aos meios essenciais de subsistência, como alimentação, moradia, saúde e educação. Garantir esses meios deve ser a prioridade de toda ação nacional e internacional. Em matérias políticas, econômicas e sociais, não é o dogma que indica as soluções práticas, mas o diálogo, a escuta, a paciência e respeito pelo outro. O apelo à paz de João XXIII, afirmou Francisco, tinha a finalidade de orientar o debate internacional segundo essas virtudes. E concluiu:

A Pacem in terris traça uma linha que vai da paz a ser construída no coração dos homens a uma revisão do nosso modelo de desenvolvimento e de ação em todos os níveis, para que o nosso mundo seja um mundo de paz. Passados 50 anos, pergunto-me se estamos dispostos a acolher este convite.

Papa na homilia da manhã: "Missa não é evento social, mas memória da salvação"

Cidade do Vaticano (RV) - “Quando Deus vem e se aproxima, é sempre festa”, disse o Papa na homilia proferida na manhã desta quinta, 3, na Casa Santa Marta, concelebrando a missa com os cardeais membros do Conselho que está reunido desde dia 1º no Vaticano.

O Papa ressaltou que não se pode transformar a memória da salvação numa lembrança, num “evento costumeiro". "A missa não é um “evento social” e sim a presença do Senhor em meio de nós". Francisco se inspirou na primeira leitura, do Livro de Nemias, centrando sua homilia no tema da memória “que toca o coração”:

“Isto não é importante só nos grandes momentos históricos, mas na nossa vida; todos temos memória da salvação. Mas ela está próxima de nós? Ou é uma memória distante, arcaica, uma memória de museu...? Quando a memória não é próxima, se torna uma simples recordação”.

“E esta alegria é a nossa força. A alegria da memória próxima. Ao invés, a memória domesticada, que se afasta e se torna uma simples recordação, não aquece o coração, não nos dá alegria e não nos dá força. Este encontro com a memória é um evento de salvação, é um encontro com o amor de Deus que fez história conosco e nos salvou; é um encontro de salvação. E é tão bom ser salvos que é preciso festejar”.

“Quando Deus vem e se aproxima – afirmou, há sempre festa. E muitas vezes nós cristãos temos medo de festejar: esta festa simples e fraterna que é um dom da proximidade do Senhor. A vida, acrescentou o Papa, nos leva a afastar esta proximidade, e a manter somente a lembrança da salvação, não a memória que está viva”. A Igreja tem a “sua” memória, que é a Paixão de Senhor. Também conosco acontece de afastar esta memória e transformá-la numa lembrança, num evento habitual”:

“Toda semana vamos à igreja, ou quando alguém morre vamos ao funeral... e essa memória, muitas vezes, nos aborrece porque não é próxima. É triste, mas a missa muitas vezes se transforma num evento social e não estamos próximos da memória da Igreja, que é a presença do Senhor diante de nós.”

“Peçamos ao Senhor – concluiu o Papa – a graça de ter sempre a sua memória próxima a nós, não domesticada pelo hábito, por tantas coisas, e distanciada numa simples recordação.

Dom Parolin quer "se contagiar pela alegria do Papa"

Cidade do Vaticano, 3 de outubro de 2013 (RV) – O novo secretário de Estado nomeado pelo Papa, ex-núncio apostólico na Venezuela, Dom Pietro Parolin, assegurou que espera se contagiar durante o desempenho de seu cargo “pela alegria e o espírito simples” do Papa Francisco.

A respeito do cargo que assume no dia 15 de outubro, Dom Parolin disse em entrevista concedida à revista venezuelana Mundo Cristão, “que está impressionado com a alegria de Francisco e que espera ser contagiado por ela e por sua simplicidade, porque admira muito o Pontífice, sua espiritualidade e a relação que tem com Deus”.

O bispo acrescentou que depois de tantos anos “imerso” na realidade da Venezuela, ele agora terá que se inteirar sobre todos assuntos e colocar-se em dia sobre o que o Papa quer fazer e como vai reformar a Cúria:

“O Senhor fala através da história. Ele dirá o que temos que fazer”.

Questionado sobre o trabalho do Papa em favor da paz na Síria, Dom Parolin destacou que Francisco deu “um impulso muito forte à paz, dispondo todos os meios da Igreja em favor da paz e pedindo à diplomacia vaticana a dar tudo pela paz”.

Finalmente, destacou que a Igreja sempre caminhou na mesma direção, mas admite que agora vê “mais espontaneidade”. Nesta linha, recordou que “a Igreja existe em função do mundo e deve servi-lo com sua própria identidade”.

FESTA DOS SANTOS ANJOS DA GUARDA - 2.OUTUBRO


Hoje celebramos a memória dos Anjos da Guarda. A sua presença reforce em cada um de vós, caros jovens, a certeza de que Deus lhes acompanha, no caminho da vida; sustenta-vos caros doentes, aliviando a vossa fadiga cotidiana; e seja de ajuda a vós, caros recém-casados, no contruir a vossa família sob o amor de Deus.

O Senhor vos abençoe.
Papa Francisco no final da Audiência Geral desta quarta-feira, 2 de outubro

Igreja santa feita de pecadores

«Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, religiosas pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim?». Palavras fortes as que o Papa Francisco usou esta manhã, quarta-feira 2 de Outubro, na audiência geral na praça de São Pedro, durante a qual, prosseguindo as suas catequeses sobre o Credo, falou da santidade da Igreja.

Uma santidade, disse, aparentemente em contraste com o facto de que ela, a Igreja terrena, é formada por homens, portanto por pecadores. Mas, esclareceu imediatamente, na realidade não somos nós que fazemos a santidade da Igreja, que «não é santa pelos nossos merecimentos» mas porque Cristo a tornou santa com a sua morte na cruz. «Que significa isto?» perguntou. Significa que «a Igreja é santa porque provém de Deus que é santo, é-lhe fiel e não a abandona».

Mas há outra consideração que deve ser feita: na Igreja «o Deus que encontramos não é um juiz cruel»; é como «o pai da parábola evangélica», o qual acolhe de braços abertos o filho que o deixou e depois decidiu voltar para casa. «O Senhor – disse o Papa Francisco – quer que sejamos parte de uma Igreja que sabe abrir os braços para acolher todos, que não é a casa de poucos, mas a casa de todos, na qual todos podem ser renovados, transformados, santificados pelo seu amor, os mais fortes e os mais débeis, os pecadores, os indiferentes, quantos se sentem desanimados e perdidos».

Por conseguinte, advertiu, ninguém pode pensar que «a Igreja é só a Igreja dos puros, daqueles que são totalmente coerentes»: trata-se de uma verdadeira «heresia», porque «a Igreja, que é santa, não rejeita os pecadores; não nos rejeita a todos nós; não rejeita porque chama todos».

Aliás, perguntou o Pontífice aos fiéis presentes, «algum de vós está aqui sem os próprios pecados? Algum de vós?». E acrescentou: «Nenhum, nenhum de nós. Todos levamos connosco os nossos pecados. Mas o Senhor quer ouvir que lhe dizemos: «Perdoa-me, ajuda-me a caminhar, transforma o meu coração!». E o Senhor pode transformar o coração» e ajudar-nos a compreender que «a santidade não consiste antes de tudo no fazer coisas extraordinárias, mas no deixar agir Deus».
L’Osservatore Romano - 2.outubro.2013

Eduquemos para o compromisso político

A Pacem in terris  é o legado  do Papa João XXIII a uma humanidade desejosa de paz. O título recorda o hino cantado pelos anjos no nascimento de Jesus: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados» (Lc 2, 14). E precisamente como o cântico angélico limita a experiência da paz na terra aos homens através do genitivo limitativo «por ele amados», assim o Papa João XXIII invoca a «paz na terra, anseio profundo dos seres humanos de todos os tempos», subordinando-a  ao «pleno respeito da ordem estabelecida por Deus». E é a exposição desta ordem estabelecida por Deus que manteve  João XXIII ocupado na encíclica. De facto, não obstante a crise missilística em Cuba  e a ameaça de um conflito nuclear tenham sido a ocasião mais imediata para a sua promulgação, a encíclica não aconselha directamente o desarmamento nuclear ou a abolição da guerra.

O tema da Pacem in terris não leva à paz partindo da guerra, mas da dignidade humana e das relações.

As relações não são algo em que nos encontramos por acaso, e a dignidade não é algo que podemos ter ou não. Relações e dignidade são o que somos porque somos  seres humanos, nada e ninguém no céu ou na terra é constituído assim. Por isso «são o fundamento da legitimidade moral de cada  autoridade»  local, nacional ou internacional.  A dignidade e os direitos das pessoas precedem a sociedade, e ela deve reconhecê-los, respeitá-los, protegê-los e promovê-los como tais.

A encíclica, na época da guerra fria, teve também o carácter de um vademecum para a construção da paz. É um manual da doutrina social da Igreja sobre o compromisso em política, baseado em requisitos fundamentais da coexistência humana: o respeito dos direitos que brotam da dignidade de cada pessoa, e a vocação de viver num relacionamento  pelo bem-estar de todos e, por último, pelo bem comum. Uma educação completa e digna do nome católica  inclui três dinâmicas entrelaçadas: inteireza, contextualização e colaboração.

Todos os pontífices da época moderna, de formas diferentes, encorajaram os católicos a assumir o próprio papel na política, a abraçar a vocação à política como uma das formas mais elevadas de caridade. Bento XVI  evocou várias vezes a formação de católicos «capazes de assumir responsabilidades directas nos vários âmbitos sociais, de modo particular no político». Também o Papa Francisco exortou os fiéis a interessarem-se pela política e a participarem nela de modo concreto.

Além disso, o Papa Francisco tratou  de maneira nova os elementos seculares da cultura que se está a globalizar. É  a esta praça pública tumultuosa – o único mercado do mundo que se torna cada vez mais global pela internet – que os católicos devem ser enviados em missão como políticos bem preparados, empregados públicos, opinionistas e  participantes nos grandes debates do nosso tempo.
Peter Kodwo Appiah Turkson -
L’Osservatore Romano - 2.outubro.2013

Santa Terezinha do Menino Jesus - 1º de outubro
A humildade é a força do Evangelho

«Hoje, aqui no Vaticano, começa a reunião com os cardeais consultores que estão a concelebrar esta missa: peçamos ao Senhor que o nosso trabalho hodierno nos torne mais humildes, mais mansos, mais pacientes e mais confiantes em Deus. Para que assim a Igreja possa dar um bom testemunho ao povo. E vendo o povo de Deus, vendo a Igreja, sintam a vontade de vir conosco». Foram as palavras do Papa Francisco, na conclusão da homilia da missa celebrada com os componentes do Conselho de cardeais, na manhã de terça-feira, 1º de Outubro, na capela de Santa Marta. E no dia da festa de santa Teresa do Menino Jesus, padroeira das missões, o Papa recordou o seu testemunho de fé e de humildade.

O Papa Francisco iniciou a homilia comentando o episódio evangélico de Lucas (9, 51-56): «Jesus – disse – repreende estes dois apóstolos», Tiago e João, porque «queriam que descesse o fogo do céu sobre aqueles que não tinham desejado recebê-lo» numa aldeia de samaritanos. E «talvez na sua imaginação havia o arquétipo do fogo que desceu sobre Sodoma e Gomorra e que destruiu tudo». Os dois apóstolos, explicou o Pontífice, «pensavam que fechar a porta a Jesus era uma grande ofensa: essas pessoas deveriam ser punidas». Mas «o Senhor virou-se e repreendeu-os: não é este o nosso espírito». De fato, acrescentou o Papa Francisco, «o Senhor antecipa-nos, faz-nos conhecer como é a estrada do cristianismo. Neste caso, não é uma estrada de vingança. O Espírito cristão é diferente, diz o Senhor. É o espírito que ele nos fará ver no momento mais importante da sua vida, a sua paixão: espírito de humildade, espírito de mansidão».

«E hoje, na memória de santa Teresa do Menino Jesus – afirmou o bispo de Roma – far-nos-á bem pensar neste espírito de humildade, de ternura e de bondade. Este espírito manso característico do Senhor que ele quer de todos nós. Onde está a força que nos leva a este espírito? Exatamente no amor, na caridade, na consciência de que estamos nas mãos do Pai. Como lemos no início da missa: o Senhor leva-nos, e leva-nos, faz-nos ir em frente, está conosco, guia-nos».

O livro do Deuteronômio, prosseguiu o Pontífice, «diz que Deus nos guia como faz um pai com o seu filho: com ternura. Quando ouvimos isto, não vem a vontade de fazer descer um fogo do céu. Não, não vem. Vem outro espírito»: o espírito «daquela caridade que tudo sofre, tudo perdoa, que não se vangloria, que é humilde, que não procura a si mesma».

O Papa Francisco propôs a força e a atualidade da figura de santa Teresa do Menino Jesus: «A Igreja sábia canonizou esta santa – humilde, pequena, confiante em Deus, mansa – padroeira das missões. Não se entende isto. A força do Evangelho consiste justamente nisto, porque o Evangelho alcança o ponto mais alto precisamente na humildade de Jesus. Humildade que se torna humilhação. E a força do Evangelho está na humildade. Humildade de criança que se deixa guiar pelo amor e pela ternura do Pai».

Em seguida, o Pontífice voltou à primeira leitura da celebração, tirada do livro de Zacarias (8, 20-23). «Naqueles dias, dez homens de todas as línguas das nações tomarão um judeu pela dobra do seu manto dizendo: “Nós queremos ir convosco porque soubemos que Deus está convosco”». E prosseguiu: «A Igreja, dizia-nos Bento XVI, cresce por atração, por testemunho. E quando as pessoas, os povos vêem este testemunho de humildade, de mansidão, sentem a necessidade» da qual fala «o profeta Zacarias: “ queremos ir convosco”!. As pessoas sentem aquela necessidade diante do testemunho da caridade. É esta caridade pública sem prepotência, insuficiente, humilde, que adora e serve. A caridade é simples: adorar a Deus e servir os outros. Este testemunho faz a Igreja crescer». Precisamente por isto, concluiu o Papa Francisco, santa Teresa do Menino Jesus «tão humilde, mas confiante em Deus, foi proclamada padroeira das missões, porque o seu exemplo faz com que as pessoas digam: queremos ir convosco».
L’Osservatore Romano - 1º outubro.2013

Tweet do Papa Francisco:

01/10/2013
Rezamos de verdade? Sem uma relação constante com Deus, é difícil ter uma vida cristã autêntica e coerente.
Olhar para o futuro

Da conversa do Papa Francisco com Eugenio Scalfari publicada em Repubblica chamam imediatamente a atenção o tom de confronto aberto e amistoso, o desejo de se compreender reciprocamente e o facto, sempre mais evidente, de que o Pontífice não hesita em pôr-se em questão em primeira pessoa. «Posso abraçá-lo por telefone?» irrompe o fundador do diário romano. «Claro, também eu o abraço. Depois fá-lo-emos pessoalmente, adeus» responde com simplicidade o Papa Francisco. O encontro é uma consequência da carta que o Pontífice enviou a Scalfari e ajuda ainda mais a compreender o coração do Papa Francisco: «É preciso conhecer-se, ouvir-se» e – disse - «acontece-me que depois de um encontro me venha a vontade de ter outro porque surgem novas ideias e descobrem-se necessidades novas». Eis que é a atenção às pessoas e à sua unicidade a característica que dele imediatamente conquista e atrai.

Um enlace jocoso de palavras sobre a intenção recíproca de conversão permite que o Pontífice mencione a questão do proselitismo: não tem sentido, porque – como quis recordar aos catequistas com as palavras de Bento XVI - «a Igreja não cresce por proselitismo, cresce por atracção», um «fermento que serve para o bem comum. Trata-se ao contrário do testemunho, que cada cristão deve prestar, assim como deve transparecer da Igreja no seu conjunto: uma minoria, sem dúvida, mas também força de transformação.

«O ideal de uma Igreja missionária e pobre» anima como um fogo escondido as palavras do Papa Francisco, que sem hesitações responde às perguntas de Scalfari e olha para o caminho dos cristãos na história falando significativamente dos santos – Paulo, Agostinho, Francisco, Inácio – e repetindo que o objectivo é «ouvir as necessidades, os desejos, as desilusões, o desespero, a esperança. Devemos dar de novo esperança aos jovens, ajudar os idosos, abrir ao futuro, difundir o amor. Pobres entre os pobres. Devemos incluir os excluídos e pregar a paz».

Palavras que evocam não ocasionalmente o início do documento conciliar sobre a Igreja no mundo contemporâneo: «A alegria e a esperança (gaudium et spes), a tristeza e a angústia dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de quantos sofrem, são também a alegria e a esperança, a tristeza e a angústia dos discípulos de Cristo, e não há nada genuinamente humano que não tenha eco no seu coração». De facto, o Papa Francisco olha para o Vaticano II, «inspirado por João XXIII e por Paulo VI», porque por sua vez – frisa claramente – o concílio «decidiu olhar para o futuro com espírito moderno e abrir à cultura moderna».

Não são afirmações vazias as que foram feitas por aquele que na entrevista se define, além do título tradicional de bispo de Roma, «Papa da catolicidade». Com efeito, no diálogo fala com tons pessoalíssimos de si mesmo, revelando a iluminação humilde que teve logo após à eleição em conclave e que o induziu a aceitá-la. E é precisamente este pôr-se em questão que lhe permite falar das realidades mais profundas: a graça, a alma, Deus e o futuro, sobre o qual orienta o olhar. Porque «também a nossa espécie acabará, mas a luz de Deus não acabará».
L’Osservatore Romano - 1º outubro.2013
Uma religião sem místicos é uma filosofia

«Entre os males mais graves que afligem o mundo nestes últimos anos podemos enumerar o desemprego dos jovens e a solidão na qual são abandonos os idosos. Os idosos precisam de curas e de companhia; os jovens de trabalho e de esperança, mas não têm nenhum deles, e o problema é que já nem os procuram. Foram esmagados no presente – disse o Papa Francisco a Eugenio Scalfari, durante a longa entrevista publicada no jornal «la Repubblica» de terça-feira 1 de Outubro e republicada por L'Osservatore Romano – isto, na minha opinião, é o problema mais urgente que a Igreja deve enfrentar».

Na entrevista o Papa abrange os santos que sente mais próximos e sobre os quais formou a sua experiência religiosa («Não é possível ser cristãos conscientes sem são Paulo»), o papel da mística, as recordações da eleição, a herança do Concílio, a necessidade da escuta recíproca e as responsabilidades dos cristãos, hoje uma minoria no mundo («Penso que ser uma minoria é até uma força. Devemos ser um fermento de vida e de amor. O nosso objectivo não é o proselitismo, mas a escuta das necessidades, dos desejos, das decepções, do desespero e da esperança. Pobre entre os pobres»).

«Certamente não sou Francisco de Assis e não tenho a sua força nem a sua santidade. Mas sou o bispo de Roma e o Papa da catolicidade. Decidi em primeiro lugar nomear um grupo de oito cardeais para que sejam os meus conselheiros. Não cortesãos mas pessoas sábias e animadas pelos meus mesmos sentimentos. Este é o início da Igreja com uma organização não só hierárquica mas também horizontal. Quando o cardeal Martini falava sobre isso, realçando os Concílios e os Sínodos, sabia muito bem quanto fosse longo e difícil o caminho a percorrer naquela direcção. Com prudência, mas firmeza e tenacidade».

O chamado liberalismo selvagem – concluiu o Papa - «torna os fortes mais fortes, os débeis mais débeis e os excluídos mais excluídos. Necessitamos de grande liberdade, nenhuma discriminação nem demagogia e de muito amor. É preciso ter regras de comportamento e também, se for necessário, intervenções directas do Estado para corrigir as desigualdades mais intoleráveis».
L’Osservatore Romano - 1º outubro.2013


Paz e alegria, este é o ar da Igreja

Paz e alegria: «este é o ar da Igreja». Comentando as leituras da missa celebrada na manhã de segunda-feira, 30 de Setembro, na capela de Santa Marta, o Papa Francisco refletiu sobre a atmosfera que se respira quando a Igreja sabe colher a presença constante do Senhor. Uma atmosfera de paz, justamente, na qual reina a alegria do Senhor.

Os episódios de referência foram tirados do livro de Zacarias (8, 1-8) – com a profecia das praças de Jerusalém que se encheram de anciãos apoiados em bastões para manifestar o valor da sua longevidade, ao lado de jovens que jogavam felizes, para mostrar a alegria do povo de Deus – e  do trecho do Evangelho de Lucas (9, 46-50) que narra a disputa surgida entre os apóstolos sobre quem deles fosse o maior.

Nos dois trechos o Pontífice vê uma espécie de debate, ou melhor, um intercâmbio de opiniões sobre a organização da Igreja. Mas, recordou, «o Senhor gosta de surpreender» e assim «muda o centro do debate»: indica um menino ao seu lado, dizendo: «Quem acolher este menino em meu nome, é a mim que acolhe, pois   quem for o mais pequenino entre vós, esse é que é grande».  E os discípulos não entendiam.

«Na primeira leitura – especificou o Papa – ouvimos a promessa de Deus ao seu povo: voltarei a Sião, habitarei em Jerusalém e Jerusalém será chamada cidade fiel. O Senhor voltará». Mas «quais são os sinais de que o Senhor voltou? Uma boa organização? Um governo que vá em frente limpo e perfeito?» perguntou-se. Para responder o Santo Padre propôs a imagem da praça de Jerusalém cheia de velhos e de crianças.

Portanto, «aqueles que deixamos de lado quando pensamos num programa de organização – afirmou – são o sinal da presença de Deus: os velhos e as crianças. Os velhos porque trazem consigo a sabedoria, a sabedoria da sua vida, a sabedoria da tradição, a sabedoria da História, a sabedoria da lei de Deus; e as crianças porque  são também a força, o futuro, aqueles que levarão em frente com a própria força e com a sua vida o futuro».

O futuro de um povo – afirmou o Papa Francisco  –   «consiste precisamente nisto, nos velhos e nas crianças. E um povo que não cuida  dos seus velhos nem das suas crianças não tem futuro, porque não terá memória nem promessa. Os velhos e as crianças são o futuro de um povo».

Infelizmente, disse, é um hábito  triste  pôr de lado as crianças «com um rebuçado ou com um brinquedo». Assim como  também não deixar que os velhos falem e «ignorar os seus conselhos». No entanto, Jesus recomenda que se preste a máxima atenção às crianças,  que não os escandalizem: e recorda que «o único mandamento que traz consigo uma bênção é precisamente o quarto, o dos pais, os velhos: honrar».

Naturalmente os discípulos queriam «que a Igreja fosse em frente sem problemas. Mas isto – advertiu o Pontífice – pode tornar-se uma tentação para a Igreja: a Igreja do funcionalismo, a Igreja do bem organizado. Tudo em ordem». Mas não é assim porque seria uma Igreja «sem memória nem promessa»; e isto certamente «não pode acontecer».

«O profeta – prosseguiu o Santo Padre – fala-nos sobre a vitalidade da Igreja. Contudo, não nos diz: mas estarei convosco e todas as semanas tereis um documento para pensar; todos os meses faremos uma reunião para planejar». Tudo isto, acrescentou, é necessário mas não é o sinal da presença de Deus. O Senhor diz qual é este sinal: «Velhos e velhas sentarão ainda nas praças de Jerusalém, cada um com o bastão na mão devido à sua longevidade. E as praças da cidade fervilharão de meninos e meninas que brincarão nas suas praças».

«Brincar – concluiu o bispo de Roma – faz-nos pensar na alegria. É a alegria do Senhor. E estes anciãos sentados com o bastão nas mãos, fazem-nos pensar na paz. Paz e alegria, este é o ar da Igreja».
L’Osservatore Romano - 30.setembro.2013
Nunca nos resignemos com a guerra

«Nunca podemos resignar-nos diante da dor de povos inteiros, reféns da guerra, da miséria e da exploração».

Volta a ressoar nas palavras do Papa Francisco a invocação que João Paulo II lançou em Assis em 1986, quando reuniu os responsáveis das Igrejas e das Comunidades eclesiais e religiosas de todos os continentes para rezar pela paz no mundo, convidando-os a agir «já não uns contra os outros, mas uns ao lado dos outros».

E precisamente no dia em que é oficialmente anunciada a data da canonização do Pontífice polaco — que será proclamado santo a 27 de Abril do próximo ano, juntamente com João XXIII — o Papa Francisco relança o seu apelo de paz, encontrando-se com os líderes religiosos reunidos nestes dias em Roma para participar no encontro internacional, promovido pela Comunidade de Santo Egídio.

O Santo Padre recorda-lhes que «não pode haver qualquer justificação religiosa para a violência, independentemente do modo como ela se manifesta». E ressalta que «para a paz é preciso um diálogo tenaz, paciente, forte e inteligente».

O Pontífice volta a pedir sobretudo para rezar pela Síria e pelo Médio Oriente, como já tinha feito no Angelus recitado ao meio-dia de domingo 29 de Setembro, na praça de São Pedro, no final da missa com os catequistas.
L’Osservatore Romano - 30.setembro.2013

Nesta segunda-feira, 30 de setembro de 2013, o Santo Padre, o Papa Francisco registrou em seu Twitter:

Onde virmos ódio e escuridão, procuremos levar um pouco de amor e de esperança, para dar uma face mais humana à sociedade.

Para ajudar o Papa no governo da Igreja

O Papa Francisco assinou um quirógrafo com o qual é instituído um Conselho de cardeais para ajudar o Santo Padre no governo da Igreja universal e para estudar um projecto de revisão da constituição apostólica

Pastor bonus sobre a Cúria romana. Do organismo fazem parte os oito cardeais que o Pontífice escolheu como conselheiros a 13 de Abril passado. Eles representam as Américas, a Ásia, a Europa, a África e a Austrália. Trata-se de arcebispos que regeram ou ainda regem grandes dioceses.

Amanhã, terça-feira 1 de Outubro, o novo Conselho reunir-se-á oficialmente pela primeira vez na biblioteca particular do apartamento pontifício para examinar cerca de oitenta documentos recolhidos pelo secretário D. Marcello Semeraro, Bispo de  Albano, o qual já providenciou a enviar uma síntese a todos os membros do mesmo Conselho. Os trabalhos prolongar-se-ão até quinta-feira, 3 de Outubro. As reuniões terão lugar de manhã e de tarde. O Papa estará sempre presente, com excepção do tempo que dedicará à audiência geral de quarta-feira e a outra audiência prevista para o final da manhã de quinta-feira. A seguir o texto do quirógrafo.



Entre as sugestões que emergiram durante as Congregações Gerais dos Cardeais que precederam o Conclave, contava-se a conveniência de instituir um grupo estreito de Membros do Episcopado, provenientes das diversas partes do mundo, que o Santo Padre pudesse consultar, individualmente ou de forma colectiva, sobre questões particulares. Quando fui eleito à Sede romana, tive ocasião de reflectir várias vezes sobre este assunto, considerando que tal iniciativa teria sido de notável ajuda para desempenhar o ministério pastoral de Sucessor de Pedro que os irmãos Cardeais me quiseram confiar.

Por este motivo, a 13 de Abril passado anunciei a constituição do mencionado grupo, indicando, simultaneamente, os nomes dos que tinham sido chamados a fazer parte dele. Agora, depois de uma reflexão madura, considero oportuno que este grupo, mediante o presente Quirógrafo, seja instituído  como um «Conselho de Cardeais», com a tarefa de me ajudar no governo da Igreja universal e de estudar um projecto de revisão da Constituição Apostólica Pastor bonus sobre a Cúria Romana. Ele será composto pelas mesmas pessoas precedentemente indicadas, as quais poderão ser interpeladas, quer como Conselho quer individualmente, sobre as questões que de vez por vez considerarei dignas de atenção. O mencionado Conselho, que em relação ao número dos componentes configurarei no modo que resultará mais adequado, será uma ulterior expressão da comunhão episcopal e do auxílio ao munus petrinum que o Episcopado espalhado pelo mundo pode oferecer.

 Dado em Roma, junto de São Pedro a 28 de Setembro do ano de 2013, primeiro de Pontificado.


L’Osservatore Romano
- 30.setembro.2013


JOÃO XXIII e JOÃO PAULO II SERÃO CANONIZADOS CONJUNTAMENTE A 27 DE ABRIL DE 2014, II DOMINGO DA PÁSCOA, DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA

30.setembro.2013 - Rádio Vaticano

O Papa Francisco presidiu esta manhã, às 10 horas, no Vaticano, a um Consistório ordinário público com os cardeais presentes em Roma (foto) , para aprovar as causas de canonização de João Paulo II e João XXIII, estabelecendo que tal tenha lugar a 27 de abril de 2014. Trata-se do segundo domingo do tempo pascal, Domingo da Divina Misericórdia, celebração instituída por João Paulo II e na véspera da qual ele próprio faleceu, em 2005.

João Paulo II foi proclamado beato por Bento XVI a 1 de maio de 2011, na Praça de São Pedro. A Igreja celebra a memória litúrgica de João Paulo II a 22 de outubro, data do início de pontificado de Karol Wojtyla, em 1978, pouco depois de ter sido eleito Papa. João XXIII foi declarado beato pelo Papa João Paulo II, a 3 de setembro de 2000. A sua celebração litúrgica tem lugar a 11 de Outubro, data da abertura do Concílio Vaticano II, por ele convocado.

O último Consistório público ordinário tinha tido lugar a 11 de fevereiro passado. Foi nessa ocasião que Bento XVI anunciou a sua renúncia ao pontificado.

29 DE SETEMBRO – FESTA DOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL

Na antiga Igreja já no Apocalipse os Bispos eram classificados como "anjos" da sua Igreja, expressando deste modo uma correspondência íntima entre o ministério do Bispo e a missão do Anjo. A partir da tarefa do Anjo pode-se compreender o serviço do Bispo. Mas o que é um Anjo? A Sagrada Escritura e a tradição da Igreja deixam-nos entrever dois aspectos. Por um lado, o Anjo é uma criatura que está diante de Deus, orientada, com todo o seu ser para Deus. Os três nomes dos Arcanjos terminam com a palavra "El", que significa "Deus". Deus está inscrito nos seus nomes, na sua natureza. A sua verdadeira natureza é a existência em vista d'Ele e para Ele. Explica-se precisamente assim também o segundo aspecto que caracteriza os Anjos: eles são mensageiros de Deus. Trazem Deus aos homens, abrem o céu e assim abrem a terra. Exactamente porque estão junto de Deus, podem estar também muito próximos do homem. De facto, Deus é mais íntimo a cada um de nós de quanto o somos nós próprios. Os Anjos falam ao homem do que constitui o seu verdadeiro ser, do que na sua vida com muita frequência está velado e sepultado. Eles chamam-no a reentrar em si mesmo, tocando-o da parte de Deus. Neste sentido também nós, seres humanos, deveríamos tornar-nos sempre de novo anjos uns para os outros anjos que nos afastam dos caminhos errados e nos orientam sempre de novo para Deus. Se a Igreja antiga chama os Bispos "anjos" da sua Igreja, pretende dizer precisamente o seguinte: "os próprios Bispos devem ser homens de Deus, devem viver orientados para Deus. "Multum orat pro populo" "Reza muito pelo povo", diz o Breviário da Igreja a propósito dos santos Bispos. O Bispo deve ser um orante, alguém que intercede pelos homens junto de Deus. Quanto mais o fizer, tanto mais compreende também as pessoas que lhe estão confiadas e pode tornar-se para elas um anjo um mensageiro de Deus, que as ajuda a encontrar a sua verdadeira natureza, a si mesmas, e a viver a ideia que Deus tem delas.

Tudo isto se torna ainda mais claro se olharmos agora para as figuras dos três Arcanjos cuja festa a Igreja celebra hoje. Antes de tudo está Miguel. Encontramo-lo na Sagrada Escritura sobretudo no Livro de Daniel, na Carta do Apóstolo São Judas Tadeu e no Apocalipse. Deste Arcanjo tornam-se evidentes nestes textos duas funções. Ele defende a causa da unicidade de Deus contra a soberba do dragão, da "serpente antiga", como diz João. É a perene tentativa da serpente de fazer crer aos homens que Deus deve desaparecer, para que eles se possam tornar grandes; que Deus é um obstáculo para a nossa liberdade e que por isso devemos desfazer-nos dele. Mas o dragão não acusa só Deus. O Apocalipse chama-o também "o acusador dos nossos irmãos, que os acusava de dia e de noite diante de Deus" (12, 10). Quem põe Deus de lado, não enobrece o homem, mas priva-o da sua dignidade. Então o homem torna-se um produto defeituoso da evolução. Quem acusa Deus, acusa também o homem. A fé em Deus defende o homem em todas as suas debilidades e insuficiências: o esplendor de Deus resplandece sobre cada indivíduo. É tarefa do Bispo, como homem de Deus, fazer espaço para Deus no mundo contra as negações e defender assim a grandeza do homem. E o que se poderia dizer e pensar de maior sobre o homem a não ser que o próprio Deus se fez homem? A outra função de Miguel, segundo a Escritura, é a de protector do Povo de Deus (cf. Dn 10, 21; 12, 1). Queridos amigos, sede verdadeiramente "anjos da guarda" das Igrejas que vos serão confiadas! Ajudai o povo de Deus, que deveis preceder na sua peregrinação, a encontrar a alegria na fé e a aprender o discernimento dos espíritos: a acolher o bem e a recusar o mal, a permanecer e tornar-se sempre mais, em virtude da esperança da fé, pessoas que amam em comunhão com Deus-Amor.

Encontramos o Arcanjo Gabriel sobretudo na preciosa narração do anúncio a Maria da encarnação de Deus, como nos refere São Lucas (1, 26-38). Gabriel é o mensageiro da encarnação de Deus. Ele bate à porta de Maria e, através dela, o próprio Deus pede a Maria o seu "sim" para a proposta de se tornar a Mãe do Redentor: dar a sua carne humana ao Verbo eterno de Deus, ao Filho de Deus. Repetidas vezes o Senhor bate às portas do coração humano. No Apocalipse diz ao "anjo" da Igreja de Laodiceia e, através dele, aos homens de todos os tempos: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele" (3, 20). O Senhor está à porta à porta do mundo e à porta de cada um dos corações. Ele bate para que o deixemos entrar: a encarnação de Deus, o seu fazer-se carne deve continuar até ao fim dos tempos. Todos devem estar reunidos em Cristo num só corpo: dizem-nos isto os grandes hinos sobre Cristo na Carta aos Efésios e na Carta aos Colossenses. Cristo bate.

Também hoje Ele tem necessidade de pessoas que, por assim dizer, lhe põem à disposição a própria carne, que lhe doam a matéria do mundo e da sua vida, servindo assim para a unificação entre Deus e o mundo, para a reconciliação do universo. Queridos amigos, compete-vos bater à porta dos corações dos homens, em nome de Cristo. Entrando vós mesmos em união com Cristo, podereis também assumir a função de Gabriel: levar a chamada de Cristo aos homens.

São Rafael é-nos apresentado sobretudo no Livro de Tobias como o Anjo ao qual é confiada a tarefa de curar. Quando Jesus envia os seus discípulos em missão, com a tarefa do anúncio do Evangelho está sempre ligada a de curar. O bom Samaritano, acolhendo e curando a pessoa ferida que jaz à beira da estrada, torna-se silenciosamente uma testemunha do amor de Deus. Este homem ferido, com necessidade de curas, somos todos nós. Anunciar o Evangelho, já em si é curar, porque o homem precisa sobretudo da verdade e do amor. Do Arcanjo Rafael são referidas no Livro de Tobias duas tarefas emblemáticas de cura. Ele cura a comunhão importunada entre homem e mulher. Cura o seu amor. Afasta os demónios que, sempre de novo, rasgam e destroem o seu amor. Purifica a atmosfera entre os dois e confere-lhes a capacidade de se receberem reciprocamente para sempre. Na narração de Tobias esta cura é referida com imagens legendárias.

No Novo Testamento, a ordem do matrimónio, estabelecido na criação e ameaçado de muitas formas pelo pecado, é curado pelo facto de que Cristo o acolhe no seu amor redentor. Ele faz do matrimónio um sacramento: o seu amor, que por nós subiu à cruz, é a força restauradora que, em todas as confusões, dá a capacidade da reconciliação, purifica a atmosfera e cura as feridas. Ao sacerdote é confiada a tarefa de guiar os homens sempre de novo ao encontro da força reconciliadora do amor de Cristo. Deve ser o "anjo" curador que os ajuda a ancorar o seu amor no sacramento e a vivê-lo com empenho sempre renovado a partir dele. Em segundo lugar, o Livro de Tobias fala da cura dos olhos cegos. Todos sabemos quanto estamos hoje ameaçados pela cegueira para Deus. Como é grande o perigo de que, perante tudo o que sabemos sobre as coisas materiais e que somos capazes de fazer com elas, nos tornamos cegos para a luz de Deus. Curar esta cegueira mediante a mensagem da fé e o testemunho do amor, é o serviço de Rafael confiado dia após dia ao sacerdote e de modo especial ao Bispo. Assim, somos espontaneamente levados a pensar também no sacramento da Reconciliação, no sacramento da Penitência que, no sentido mais profundo da palavra, é um sacramento de cura. A verdadeira ferida da alma, de facto, o motivo de todas as outras nossas feridas, é o pecado. E só se existe um perdão em virtude do poder de Deus, em virtude do poder do amor de Cristo, podemos ser curados, podemos ser remidos.

"Permanecei no meu amor", diz-nos hoje o Senhor no Evangelho (Jo 15, 9). No momento da Ordenação episcopal Ele di-lo de modo particular a vós, queridos amigos. Permanecei no seu amor! Permanecei naquela amizade com Ele cheia de amor que Ele neste momento vos doa de novo! Então a vossa vida dará fruto um fruto que permanece (Jo 15, 16). Para que isto vos seja concedido, todos rezamos por vós neste momento, queridos irmãos. Amém.
Trecho da homilia do Papa Bento XVI em 29.setembro.2007 - vatican.va

O catequista é aquele que guarda e alimenta a memória de Deus – Papa na missa para o Dia do Catequista na Praça de São Pedro

Hoje, Domingo - 29.setembro, Jornada do Catequista, o Papa Francisco presidiu à missa na Praça de São Pedro para cerca de dois mil catequistas vindos de várias partes do mundo em peregrinação à Sé de Pedro e para tomar parte no Congresso Internacional da Catequese, realizado nos últimos três dias em Roma, no âmbito do ano da Fé. Com o Santo Padre concelebraram numerosos bispos e padres da igreja universal, entre os quais D. Salvatore Fisichella, Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, que lhe dirigiu a palavra no final da missa.

Na sua homilia o Papa deixou-se inspirar pelas palavras do Profeta Amós que diz: “Ai dos que vivem comodamente (…) e não se preocupam dos outros”. Palavras duras – disse o Papa - mas que nos chamam a atenção para o perigo que todos corremos. O perigo de termos como centro de tudo apenas o nosso bem-estar, sem nos preocuparmos com os outros, com os pobres; o perigo de - tal como o rico citado no Evangelho - perdermos a nossa identidade de pessoa, o nosso rosto humano, e de termos como rosto e como identidade apenas os nossos haveres.

Mas porque é que acontece isto, perguntou o Papa, respondendo que isto acontece quando perdemos a memória de Deus:
“Se falta a memória de Deus, tudo se nivela pelo eu, pelo meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros perdem consistência, já não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, também nós mesmos perdemos consistência, também nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto, como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada, torna-se ele próprio nulidade – diz outro grande profeta, Jeremias. Estamos feitos à imagem e semelhança de Deus, não das coisas, nem dos ídolos!”

E lançando o olhar à extensa Praça de São Pedro, repleta de catequistas (entre os outros fiéis) o Papa perguntou-se:
“Quem é o catequista”? É aquele que guarda a alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-lo nos outros. É belo isto!”
É belo isto, prosseguiu o Papa, referindo-se a Nossa Senhora que, depois de ter recebido o anuncio do Anjo de que ia ser a mãe de Jesus, soube, de forma humilde e cheia de fé, fazer memória de Deus.

A fé contém a memória de Deus, da história de Deus conosco, do Deus que toma a iniciativa de salvar o homem - continuou o Papa, afirmando que “o catequista é precisamente um cristão que põe esta memória ao serviço do anuncio: não para dar nas vistas, nem para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, isto é a Doutrina, isto é a doutrina na sua totalidade, sem cortar, nem acrescentar.”

Uma tarefa não fácil, a de guardar memória de Deus e despertá-la no coração dos outros, pois que isto compromete a vida toda –continuou o Papa, recordando que o próprio Catecismo não é senão memória de Deus, memória da sua ação na História, presença de Cristo na sua Palavra… e aqui o Papa dirigiu-se directamente aos catequistas:

“Amados catequistas pergunto-vos: Somos memória de Deus? Procedemos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que inflama o coração (…)? Que estrada seguir para não sermos pessoas “que vivem comodamente”, que põem a sua segurança em si mesmos e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus?”

Como resposta o Papa sugeriu as indicações dadas por São Paulo na sua carta a Timóteo e que podem caracterizar também o caminho do catequista, isto é: procurar a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. E rematou:

“O catequista é pessoa da memória de Deus, se tem uma relação constante, vital com Ele e com o próximo; se é pessoa de fé, que confia verdadeiramente em Deus e põe n’Ele a sua segurança; se é pessoa de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se é “hypomoné”, pessoa de paciência e perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provas, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é pessoa gentil, capaz de compreensão e de misericórdia.”
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No final da missa, e antes da oração mariana do Angelus, o Papa agradeceu todos, especialmente os catequistas vindos de tantas partes do mundo e dirigiu uma saudação particular a Sua Beatitude Youhanna X, Patriarca greco-ortodoxo de Antioquia de todo o Oriente, definindo-o irmão e dizendo que a sua presença nos convida a rezar mais uma vez para a paz na Síria e no Médio Oriente…

Saudou, entre outros, também um grupo de peregrinos de Assis vindos a Roma a cavalo, os peregrinos da Nicarágua, país que celebra o centenário da fundação canônica da Província eclesiástica… e concluiu recordando que sábado foi proclamado Beato na Croácia, Mirislav Bulevisic, sacerdote, morto como mártir em 1947.

E no meio dum tripudio de bandeirinhas amarelas e brancas, cartazes com frases saudando o Papa, rostos sorridentes e num pano de fundo de cânticos, o Papa foi dando a mão, saudando prelados, padres, catequistas, fieis… primeiro a pé e depois no automóvel papal até à Via da Concilição cheinha de gentes de mãos no ar a acená-lo e sauda-lo com gritos de alegria…
Radio Vaticano

Pedir a graça de não escapar à Cruz – o Papa na Missa deste Sábado em Santa Marta

Na homilia desta manhã na Missa em Santa Marta, partindo da Leitura do Evangelho, proposta pela liturgia deste dia, em que Jesus anuncia a sua Paixão, o Santo Padre afirma que as palavras de Jesus gelaram os discípulos. Estes provavelmente esperavam um caminho triunfante e tinham medo de colocar perguntas:“Tinham medo da Cruz.

O próprio Pedro, depois daquela confissão solene na região de Cesareia, quando mais uma vez chama a atenção do Senhor: Não, nunca Senhor! Isto não! Tinha medo da Cruz. Mas não só os discípulos, também Jesus tinha medo da Cruz! Ele não podia enganar-se, Ele sabia. Tanto era o medo de Jesus que naquela noite de quinta-feira suou sangue; tanto era o medo de Jesus que quase dizia o mesmo que Pedro, quase...’Pai afasta de mim este cálice...Mas faça-se a Tua vontade.’ Esta era a diferença!”


A Cruz faz-nos medo mesmo nas obras de evangelização. E o Papa Francisco recordou que não há redenção sem a efusão de sangue, não há obra apostólica fecunda sem a Cruz:“Talvez nós pensamos, cada um de nós pensará: E a mim o que acontecerá? Como será a minha Cruz? Não sabemos. Não sabemos, mas haverá! Devemos pedir a graça de não escapar à Cruz quando ela vier: com medo, eh! Isso é verdade! Aquilo faz-nos medo. Mas a sequela de Jesus termina aí. Vêm-me à mente as últimas palavras que Jesus disse a Pedro, naquela coroação pontifícia no Tiberiades: Amas-me! Paz!... Mas as últimas palavras eram aquelas: Vão levar-te onde tu não queres ir! A promessa da Cruz.”

Em seu Twitter, o Papa Francisco deixou a seguinte mensagem neste sábado:

28/09/2013
Todos os matrimônios enfrentam momentos difíceis. Mas estas experiências da cruz podem tornar o caminho do amor ainda mais forte.
Francisco aos catequistas: sejam criativos, não tenham medo de romper os esquemas para anunciar o Evangelho

Cidade do Vaticano, 27.setembro (RV) - O Papa encontrou na tarde desta sexta-feira, na Sala Paulo VI, os participantes do Congresso Internacional sobre a Catequese organizado no âmbito do Ano da Fé.

Em seu discurso, o Pontífice ressaltou que "a catequese é um pilar para a educação da fé".

"É preciso bons catequistas!", exclamou, agradecendo aos presentes por esse serviço "à Igreja e na Igreja". "Mesmo se por vezes pode ser difícil, há muito trabalha, se esforça e não se veem os resultados desejados, educar na fé é belo!

Talvez seja a melhor herança que podemos dar: a fé! Educar na fé" para que cresça.

Ajudar as crianças, os adolescentes, os jovens a conhecer e a amar sempre mais o Senhor é uma das aventuras educacionais mais bonitas, se constrói a Igreja! 'Ser' catequistas!

Não trabalhar como catequistas, eh! – observou.

Isso não serve! Eu trabalho como catequista porque gosto de ensinar...

Mas se você não é catequista, não serve! Não será fecundo! Não será fecunda! "Catequista é uma vocação: 'ser catequista', essa é a vocação; não trabalhar como catequista. Vejam bem, não disse 'trabalhar como catequista, mas sê-lo', porque envolve a vida. E assim se conduz ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho".

Francisco convidou a recordar aquilo que Bento XVI disse: "A Igreja não cresce por proselitismo. Cresce por atração". "E aquilo que atrai – precisou o Papa – é o testemunho.

Ser catequista significa dar testemunho da fé; ser coerente na própria vida. E isso não é fácil! Não é fácil. Nós ajudamos, conduzimos ao encontro com Jesus com as palavras e com a vida, com o testemunho."

Em seguida, recordou aquilo que São Francisco de Assis dizia a seus confrades: "Preguem sempre o Evangelho e se fosse necessário também com as palavras". Mas antes vem o testemunho: "que as pessoas vejam o Evangelho em nossa vida. E 'ser' catequistas requer amor, amor sempre mais forte a Cristo, amor a seu povo santo. E esse amor não se compra nas casas comerciais; não se compra nem mesmo aqui em Roma.

Esse amor vem de Cristo! É um presente de Cristo!

É um presente de Cristo! E se vem de Cristo parte d'Ele e nós devemos partir novamente de Cristo, desse amor que Ele nos dá. O que significa esse partir novamente de Cristo, para um catequista, para vocês, também para mim, porque também eu sou um catequista? O que significa?

O Papa respondeu com três coisas.

Em primeiro lugar, partir novamente de Cristo significa ter familiaridade com Ele. Mas ter familiaridade com Jesus: Jesus o recomenda com insistência aos discípulos na Última Ceia, quando se aproxima a viver a doação mais alta de amor, o sacrifício da Cruz.

Jesus utiliza a imagem da videira e dos ramos e diz: permaneçam em meu amor, permaneçam junto a mim, como os ramos na videira. "Se estivermos unidos a Ele – observou Francisco – podemos dar fruto, e essa é a familiaridade com Cristo.

Permanecer em Jesus!" É um permanecer apegado a Ele, "com Ele, falando com Ele: mas, permanecer em Jesus".

"A primeira coisa para um discípulo – prosseguiu – é estar com o Mestre, ouvi-lo, aprender d'Ele. E isso vale sempre, é um caminho que dura a vida inteira."

O Papa contou um episódio: "Numa de minhas saídas, aqui em Roma, numa missa aproximou-se um senhor, relativamente jovem e me disse: 'Padre, prazer conhecê-lo, mas não creio em nada! Não tenho o dom da fé! Entendia que era um dom... 'Não tenho o dom da fé! O que me diz?' 'Não desanime. Cristo lhe quer bem. Deixe-se olhar pelo Senhor! Nada mais que isso'.

E isso digo a vocês: deixem-se olhar pelo Senhor! – exortou o Santo Padre.

"Entendo que para vocês não è tão simples: especialmente para quem é casado e tem filhos, é difícil encontrar um tempo longo de calma.

Mas, graças a Deus, não é necessário fazer todos do mesmo modo; na Igreja há variedade de vocações e variedade de formas espirituais; o importante é encontrar o modo adequado para estar com o Senhor; e isso se pode, é possível em qualquer estado de vida."

O Papa acrescentou o segundo elemento: "partir novamente de Cristo significa imitá-lo no sair de si e ir ao encontro do outro. Essa é uma experiência bonita, e um pouco paradoxal. Por qual motivo? Porque quem coloca no centro da própria vida Cristo, se descentra! Quanto mais se une a Jesus e Ele se torna o centro da sua vida, mais Ele o faz sair de si mesmo, o descentra e abre você aos outros.

"O coração do catequista vive sempre esse movimento de 'sistole – diastole': união com Jesus – encontro com o outro. Sistole – diastole. Se falta um desses dois movimentos, não bate mais, não pode viver."

O terceiro elemento, que está sempre nessa linha: "partir novamente de Cristo significa não ter medo de ir com Ele às periferias". De fato, o Pontífice exortou a não ter medo de caminhar com Jesus às periferias.

"Se um catequista se deixa tomar pelo medo, é um covarde; se um catequista está tranqüilo acaba por tornar-se uma estátua de museu; se um catequista é rígido torna-se estéril. Pergunto-lhes: alguém de vocês quer ser covarde, estátua de museu ou estéril?"

Francisco pediu criatividade e nenhum medo de sair dos próprios esquemas: isso caracteriza um catequista.

Quando permanecemos fechados em nossos esquemas, nossos grupos, nossas paróquias, nossos movimentos – explicou – ocorre o que acontece a uma pessoa fechada em seu quarto: adoecemos.

A certeza que deve acompanhar todo catequista – acrescentou Francisco é que Jesus caminha conosco, nos precede. "Quando pensamos ir longe, a uma periferia extrema, Jesus está lá."

O Papa Francisco à Gendarmeria: Defendei o Vaticano das intrigas

Junto à Gruta de Lourdes nos Jardins do Vaticano, o Papa Francisco celebrou esta manhã por volta das 9 horas (hora de Roma) uma Eucaristia com a Gendarmeria do Vaticano. Na homilia o Santo Padre afirmou serem os gendarmes muito importantes para a defesa da cidade contra os ladrões e os delinquentes. Contudo, seguros de que Napoleão não voltará e dificilmente um exército voltará para invadir a Cidade do Vaticano, o Papa Francisco considerou existir uma guerra em curso para a qual todos devem estar preparados: é a guerra da escuridão contra a luz e da noite contra o dia.

“..Mas Napoleão não voltará, eh?

Foi-se embora. E não é fácil que venha um exército aqui a tomar a cidade. A guerra hoje é a guerra da escuridão contra a luz; da noite contra a o dia.”

Desta forma, o Papa Francisco pediu à Gendarmeria Vaticana que não seja só a guarda das portas e janelas do Vaticano mas sejam guardas das portas do coração, resistindo ao diabo que atenta contra a unidade através das intrigas e que anda à procura de uma guerra interna, uma espécie de guerra espiritual.

“O diabo tenta criar a guerra interna, uma espécie de guerra civil e espiritual, não? È uma guerra que não se faz com as armas que nós conhecemos: faz-se com a língua.”

Papa: "Cristãos não evitam a Cruz, mas enfrentam humilhações com alegria e paciência"

A escolha é entre  «ser cristãos do bem-estar» ou «cristãos que seguem  Jesus». Os cristãos  do bem-estar são os que pensam que têm tudo  se tiverem a Igreja, os sacramentos, os santos... Os outros são cristãos que seguem Jesus até ao fim, até à humilhação da cruz, e suportam serenamente tal humilhação. Em síntese, foi esta  a reflexão proposta pelo Papa Francisco na manhã de sexta-feira, 27 de Setembro, na homilia da missa celebrada na capela de Santa Marta.

O Santo Padre recordou quanto disse ontem a propósito dos diversos modos para conhecer Jesus: «com a inteligência – recordou hoje – com o catecismo, com a oração e  no seguimento». E fez a pergunta que está na origem desta busca do conhecer Jesus: «Mas quem é?». Contudo, hoje «é Jesus que faz a pergunta», assim como foi narrado por Lucas  no trecho do Evangelho lido esta manhã (9, 18-22). A pergunta de Jesus –  «quem dizem as pessoas quem eu sou?»  –  frisou o Pontífice,  que de genérica se transforma numa pergunta dirigida particularmente a pessoas específicas, neste caso aos apóstolos: «Mas vós quem dizeis que eu sou?».  Esta pergunta, prosseguiu «é dirigida também a nós neste momento, no qual o Senhor está no meio de nós, nesta celebração, na sua Palavra, na Eucaristia sobre o altar, no seu sacrifício. E hoje a cada um de nós Ele pergunta: mas para ti quem sou? O dono desta empresa? Um bom profeta? Um bom mestre? Uma pessoa que te faz bem ao coração? Que caminha contigo na vida, que te ajuda a ir em frente, a ser melhor? Sim,  tudo isto é  verdade mas não é tudo» porque «foi o Espírito Santo que tocou o coração de Pedro e lhe fez dizer quem era Jesus: És o Cristo, o Filho do Deus vivo». Quem de nós, prosseguiu o Pontífice na sua explicação, «na própria oração, olhando o tabernáculo, diz ao Senhor: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» deve saber duas coisas. A primeira é que «não o pode dizer  sozinho: deve ser o Espírito Santo quem o  diz nele». A segunda é que se  deve preparar «porque ele te responderá».

E neste ponto o Santo Padre deteve-se na descrição de diversas atitudes que um cristão pode assumir: quem o seguirá até a um certo ponto, quem diz que o seguirá até ao fim. O perigo que corremos, advertiu, é ceder «à tentação do bem-estar espiritual», isto é, de pensar que temos tudo: a Igreja, Jesus Cristo, os sacramentos, Nossa Senhora e, portanto, já nada devemos procurar. Se pensarmos assim «somos bons, todos, porque pelo menos devemos pensar nisto; se pensarmos o contrário é pecado». Mas isto «não basta. O bem-estar espiritual – explicou o Papa – existe até a um certo ponto». O que falta para ser cristão verdadeiramente é «a unção da cruz, a unção da humilhação. Ele humilhou-se a si mesmo até à morte e à morte de cruz. Este  é o termo de comparação, a  verificação da nossa realidade cristã. Sou um cristão de cultura do bem-estar ou sou um cristão que acompanha o Senhor até à cruz? Para compreender se somos os que acompanham Jesus até à cruz, o sinal justo «é a capacidade de suportar  as humilhações. O cristão que não concordar com este programa do Senhor é um cristão na metade do caminho; um tíbio. É bom, realiza coisas boas» mas continua a não suportar as humilhações e a perguntar-se «por que àquele sim e a mim não? A humilhação a  mim não. E por que acontece isto e a mim não? E por que nomeiam aquele monsenhor e a mim não?»

«Pensemos em Tiago e João – prosseguiu – quando pediram ao Senhor  o favor das condecorações. Não sabeis, nada entendeis, disse-lhes o Senhor. A escolha é clara: o Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, morrer e ressuscitar ao terceiro dia».

«Mas todos nós? Queremos que se realize a última parte deste parágrafo. Todos queremos ressuscitar ao terceiro dia. É bom, é bom, devemos querer isto». Mas nem todos, disse o Papa, para alcançar o objetivo, estão dispostos a seguir este caminho, o caminho de Jesus: pensam que seja um escândalo se lhes fazem algo que julgam uma afronta e se lamentam por isso. Portanto, o sinal para entender «se um cristão é verdadeiramente cristão» é «a sua capacidade de suportar com alegria e paciência as humilhações». Isto «é desagradável», frisou o Papa Francisco,  e no entanto «há muitos cristãos que olham para o Senhor e pedem humilhações para se assemelharem mais com ele».
L’Osservatore Romano


Tweet de hoje do Papa Francisco:

27/09/2013
Não nos tornamos cristãos com as nossas forças. A fé é primeiramente um dom de Deus que nos é dato na Igreja e através da Igreja.

"Na primeira classe, não se conhece Jesus", afirma Papa na Casa Santa Marta

Cidade do Vaticano (RV) – Para conhecer Jesus, é preciso se envolver com Ele. Foi o que destacou o Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta.

O Pontífice inspirou-se no trecho do Evangelho de Lucas (9, 7-9) no qual Herodes  se questiona sobre quem seja aquele Jesus de quem tanto ouve  falar. A pessoa de Jesus, recordou o Pontífice, suscitou muitas vezes perguntas deste tipo: «Quem é? De onde vem? Pensemos em Nazaré, por exemplo, na sinagoga de Nazaré, quando  esteve lá pela primeira vez: mas onde aprendeu tudo isto? Nós conhecemo-lo bem: é o filho do carpinteiro. Pensemos em Pedro e nos apóstolos depois da tempestade, aquele vento  que Jesus parou. Mas quem é aquele ao qual obedecem o céu e a terra, o vento, a chuva, a tempestade? Mas quem é?».

Perguntas, explicou o Papa, que se podem  formular por curiosidade ou para ter certezas sobre o modo de se comportar  diante dele. Contudo, permanece  o facto que quem conhece Jesus se faz estas perguntas. Aliás, «alguns – prosseguiu o Papa voltando ao episódio evangélico – começam a ter medo deste homem, porque os pode levar a um conflito político com os romanos»; e, portanto, decidem não  considerar mais  «este homem que causa tantos problemas».

E por que, perguntou-se o Pontífice, provoca Jesus  problemas?

Não se pode conhecer Jesus sem ter problemas. E eu ousaria dizer: Se quiser ter problemas, siga a estrada para conhecer Jesus. E terá não um, mas muitos problemas! Não se pode conhecer Jesus na primeira classe! Podemos conhecê-Lo no caminhar cotidiano de todos os dias. Não se pode conhecer Jesus na tranquilidade nem na biblioteca…

Certamente, acrescentou o Pontífice, “se pode conhecer Jesus no Catecismo”, porque “nos ensina muitas coisas sobre sua vida e por isso devemos estudá-lo e aprendê-lo”. Todavia, observou, quantos leram o Catecismo da Igreja Católica desde que foi publicado 20 anos atrás?

Sim, se deve conhecer Jesus no Catecismo. Mas não é suficiente conhecê-lo com a mente: este é um passo. Mas é necessário conhecer Jesus no diálogo com Ele, falando com Ele, na oração, de joelhos. Se não rezamos, se não falamos com Jesus, não O conhecemos. Há uma terceira via para conhecer Jesus: é a sequela. Ir com Ele, caminhar com Ele.

É preciso “ir, percorrer suas estradas, caminhando”. É necessário, afirmou o Santo Padre, “conhecer Jesus com a linguagem da ação”. Somente com essas três linguagens – da mente, do coração e da ação – conheceremos Jesus e nos envolveremos com Ele”.

Não se pode conhecer Jesus sem envolver-se com Ele, sem apostar a vida por Ele. Leia o que a Igreja diz Dele, fale com Jesus e percorra a sua estrada com Ele. Este é o caminho! Cada um deve fazer a sua escolha!

Eis, a mensagem de hoje do Papa Francisco em seu Twitter:

26/09/2013
O perdão de Deus é mais forte que todo pecado.

Audiência Geral: "O mundo precisa de unidade e reconciliação. O cristão morda sua língua antes de difamar"

Cidade do Vaticano (RV) – Mais de 80 mil fiéis lotaram a Praça S. Pedro na manhã desta quarta-feira para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Em sua catequese neste Ano da Fé, o Pontífice falou da Igreja “una”, como confessamos no Credo. Se olharmos para a Igreja Católica no mundo, disse o Santo Padre, descobrimos que ela compreende quase 3.000 dioceses espalhadas em todos os continentes. Mesmo assim, milhares de comunidades católicas formam uma unidade – unidade na fé, na esperança, na caridade, nos Sacramentos e no Ministério.

“Onde quer que estejamos, mesmo na menor paróquia no ângulo mais remoto desta Terra, há uma única Igreja; nós estamos em casa, somos uma família, estamos entre irmãos e irmãs. E este é um grande dom de Deus! A Igreja é uma só para todos. Não há uma Igreja para os europeus, uma para os africanos, uma para os americanos, uma para os asiáticos, uma para quem vive na Oceania, mas é a mesma em todos os lugares.”

Como exemplo dessa unidade, o Papa então citou a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro: “Naquela multidão sem fim de jovens na praia de Copacabana, ouviam-se falar tantas línguas, se viam tantos rostos com traços diferentes, e mesmo assim havia uma profunda unidade, se formava uma única Igreja”.

Devemos nos perguntar, disse ainda Francisco, se sentimos e vivemos esta unidade ou “privatizamos” a Igreja para nosso grupo, nossa nação e nossos amigos. “Quando ouço falar de cristãos que sofrem no mundo, fico indiferente ou sinto-o como se sofresse um da minha família? É importante olhar para fora do próprio recinto, sentir-se Igreja, única família de Deus!”

Às vezes, constatou o Pontífice, surgem incompreensões, conflitos, tensões, divisões que ferem a Igreja. “Somos nós a criar dilacerações! E se olharmos para as divisões que ainda existem entre cristãos, católicos, ortodoxos, protestantes....sentimos a fadiga de tornar plenamente visível esta unidade. É preciso buscar, construir a comunhão, educar-nos à comunhão, a superar incompreensões e divisões, começando pela família, pelas realidades eclesiais, no diálogo ecumênico. O nosso mundo necessita de unidade, de reconciliação, de comunhão e a Igreja é Casa de comunhão. Antes de fazer intrigas, um cristão deve morder a própria língua.”

A unidade da Igreja, porém, não é primariamente fruto do nosso esforço por vivermos de acordo e unidos; o motor desta unidade é o Espírito Santo, que faz a harmonia na diversidade.

“Por isso é importante rezar”, concluiu Francisco: “Peçamos ao Senhor que nos faça cada vez mais unidos e jamais nos deixe ser instrumentos de divisão. Como diz uma bela oração franciscana, que levemos amor onde há ódio, o perdão onde há ofensa, união onde há discórdia”.

“O sacramento não é um rito mágico, mas um encontro com Jesus Cristo” – Papa Francisco na missa desta terça-feira em Santa Marta

Jesus Cristo sempre nos espera, esta é a humildade de Deus - o Papa Francisco retirou a sugestão para a sua mediatação na missa desta manhã do Salmo que nos diz: ” Iremos com alegria para a Casa do Senhor”. Mesmo com histórias e momentos marcados pelo pecado o Senhor sempre por nós espera de braços abertos.

“E seja nos momentos maus, seja nos momentos bons, uma coisa sempre é igual: o Senhor está lá, nunca abandona o Seu povo!

Porque o Senhor, no dia do pecado, no primeiro pecado, tomou uma decisão, fez uma escolha: fazer História com o Seu Povo. E Deus, que não tem História porque é eterno, quis fazer História, caminhar junto do Seu Povo. Mas mais ainda: fazer-se um de nós, caminhar conosco em Jesus. E isto diz-nos o que é a humildade de Deus”.

A grandeza de Deus é precisamente a humildade. Mesmo quando o seu povo o esquecia e regressava à idolatria, Deus ficava à sua espera. E Jesus veio para caminhar com o seu povo mesmo com os soberbos. E fez tanto para ajudar os corações soberbos dos fariseus:
“Humildade. Deus sempre nos espera. Deus está conosco, Deus caminha conosco, é humilde: espera sempre por nós. Jesus sempre nos espera. Esta é a humildade de Deus. E a Igreja canta com alegria esta humildade de Deus que nos acompanha, como o fizemos no salmo. ‘Iremos com alegria para a casa do Senhor’: vamos com alegria porque Ele nos acompanha, Ele está conosco. É o Senhor Jesus, mesmo na nossa vida pessoal acompanha-nos: com os Sacramentos. O Sacramento não é um rito mágico: é um encontro com Jesus, nós encontramos o Senhor e Ele está junto a nós e nos acompanha.”

“E se o Senhor entrou na nossa história, peçamos-Lhe a graça de que seja Ele a escrever a nossa história.”
Radio Vsticano

Mensagem do Papa Francisco, hoje, no Twitter:

24/09/2013
Peçamos ao Senhor de ter a ternura que nos permite olhar aos pobres com compreensão e amor, sem cálculos e medos.
Papa Francisco: "os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade"

Cidade do Vaticano (RV) – Foi apresentada nesta terça-feira, na Sala de Imprensa da Santa Sé, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (que se celebrará no dia 19 de janeiro de 2014), sobre o tema: “Migrantes e Refugiados: rumo a um mundo melhor”. O texto foi apresentado pelo Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, Cardeal Antonio Maria Vegliò, pelo Secretário do mesmo Dicastério, Dom Joseph Kalathiparambil, e subsecretário, Pe. Gabriele Bentoglio, C.S.

O Dia Mundial do Migrante e do Refugiado foi instituído pelo Papa Pio X em 1914, e no próximo ano celebra a sua 100ª edição.

O Papa inicia a sua mensagem com uma constatação que “as nossas sociedades estão enfrentando, como nunca antes na história, processos de interdependência mútua e interação em um nível global, que, mesmo incluindo elementos problemáticos ou negativos, se destinam a melhorar as condições de vida da família humana, não só nos aspectos econômicos, mas também nos aspectos políticos e culturais”. Em seguida afirma que cada pessoa pertence à humanidade e partilha a esperança de um futuro melhor com toda a família dos povos. E é a partir dessa constatação que o Santo Padre escolheu como tema para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados deste ano: “Os migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”.

Falando dos resultados das mudanças modernas, o Papa Francisco destaca o fenômeno crescente da mobilidade humana que emerge como um “sinal dos tempos”, como o definiu o Papa Bento XVI na sua Mensagem de para o Dia Mundial do migrante e do refugiado de 2006. Se por um lado, as migrações muitas vezes denunciam fragilidades e lacunas nos Estados e na Comunidade internacional, por outro, revelam a aspiração da humanidade de viver a unidade, no respeito às diferenças; de viver o acolhimento e a hospitalidade, que permitem a partilha equitativa dos bens da terra; de viver a proteção e a promoção da dignidade humana e da centralidade de cada ser humano.

Falando em seguida do ponto de vista cristão o Santo Padre observa a tensão entre a beleza da criação, marcada pela Graça e pela Redenção, e o mistério do pecado. A solidariedade e o acolhimento, os gestos fraternos e de compreensão, veem-se contrapostos à rejeição, discriminação, aos tráficos de exploração, de dor e de morte.

Um motivo de preocupação são, principalmente, as situações em que a migração não só é forçada, mas também realizada através de várias modalidades de tráfico humano e de escravidão. O “trabalho escravo” é hoje uma moeda corrente!

E o Papa Francisco se pergunta: o que significa a criação de um “mundo melhor”? “Esta expressão – acrescenta - não se refere ingenuamente a conceitos abstratos ou a realidades inatingíveis, mas se dirige à busca de um desenvolvimento autêntico e integral, para poder agir de tal modo que haja condições de vida digna para todos, para que se encontrem respostas justas às necessidades dos indivíduos e das famílias, para que seja respeitada, preservada e cultivada a criação que Deus nos deu.

O nosso coração quer um “mais”, - continua a mensagem - que não seja simplesmente conhecer mais ou ter mais, mas que seja essencialmente um ser mais. Não se pode reduzir o desenvolvimento a um mero crescimento econômico, alcançado, muitas vezes, sem tem em conta os mais fracos e indefesos. O mundo só pode melhorar se a atenção é dirigida, em primeiro lugar, à pessoa; se a promoção da pessoa é integral, em todas as suas dimensões, inclusive a espiritual; se não se deixa ninguém de lado, incluindo os pobres, os doentes, os encarcerados, os necessitados, os estrangeiros (cf. Mt 25, 31-46); caso se passe de uma cultura do descartável para uma cultura do encontro e do acolhimento.

O Papa Francisco chama a atenção ainda para o fato que os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade.

Trata-se de crianças, mulheres e homens que deixam ou são forçados a abandonar suas casas por vários motivos, que compartilham o mesmo desejo legítimo de conhecer, de ter, mas, acima de tudo, de ser mais.

No caminho, ao lado dos migrantes e refugiados, - acrescenta o Santo Padre -, a Igreja se esforça para compreender as causas que estão na origem das migrações, mas também se esforça no trabalho para superar os efeitos negativos e aumentar os impactos positivos nas comunidades de origem, de trânsito e de destino dos fluxos migratórios.

Violência, exploração, discriminação, marginalização, abordagens restritivas às liberdades fundamentais, tanto para o indivíduo quanto para grupos, são alguns dos principais elementos da pobreza que devem ser superados. Muitas vezes, são justamente esses aspectos que caracterizam os movimentos migratórios, ligando migração e pobreza.

Fugindo de situações de miséria ou de perseguição em vista de melhores perspectivas ou para salvar a sua vida, - continua a mensagem do Papa Francisco - milhões de pessoas embarcam no caminho da migração e, enquanto esperam encontrar a satisfação das expectativas, muitas vezes o que encontram é suspeita, fechamento e exclusão; quando não são golpeados por outros infortúnios, muitas vezes, mais graves e que ferem a sua dignidade humana.

A realidade das migrações, com as dimensões que assume na nossa época de globalização, precisa ser tratada e gerida de uma maneira nova, justa e eficaz, o que exige, acima de tudo, uma cooperação internacional e um espírito de profunda solidariedade e compaixão.

O Santo Padre afirma que uma boa sinergia pode ser um incentivo para os governantes enfrentarem os desequilíbrios socioeconômicos e uma globalização sem regras, que se encontram entre as causas das migrações em que as pessoas são mais vítimas do que protagonistas.

É também importante ressaltar como essa colaboração já começa com o esforço que cada país deveria fazer para criar melhores condições econômicas e sociais no seu próprio território, para que a emigração não seja a única opção para aqueles que buscam a paz, a justiça, a segurança e o pleno respeito da dignidade humana.

Finalmente, olhando para a realidade dos migrantes e refugiados, há um terceiro elemento que o Papa Francisco destaca neste caminho de construção de um mundo melhor: a superação de preconceitos e de pré-compreensões, ao considerar a migração. De fato, não é raro que a chegada de migrantes, prófugos, requerentes de asilo e refugiados desperte desconfiança e hostilidade nas populações locais. Surge o medo que se produzam perturbações na segurança social, que se corra o risco de perder a identidade e a cultura, que se alimente a concorrência no mercado de trabalho ou, ainda, que se introduzam novos fatores de criminalidade. Os meios de comunicação social, neste campo, têm um papel de grande responsabilidade: cabe a eles, de fato, desmascarar estereótipos e fornecer informações corretas.

O Papa cita ainda a Sagrada Família de Nazaré que teve que viver a experiência de rejeição no início do seu caminho. E conclui: “Queridos migrantes e refugiados! Não percais a esperança de que também a vós está reservado um futuro mais seguro; Que possais encontrar em vossos caminhos uma mão estendida; que vos seja permitido experimentar a solidariedade fraterna e o calor da amizade!”

O pesar do Papa pelo atentado que matou mais de 70 no Paquistão

Cidade do Vaticano (RV) - Ao menos 78 pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas neste domingo (22) em um duplo atentado realizado em frente à Igreja de Todos os Santos na saída da missa em Peshawar, no noroeste do Paquistão.

No final do encontro com os jovens, o Papa disse: "Quando eu dizia para ir avante com Jesus, é para construir, para fazer coisas boas, para levar avante a vida, ajudar os outros, construir um mundo melhor e de paz. Mas existem escolhas erradas, porque existem escolhas de destruição. Hoje, no Paquistão, por uma escolha errada, de ódio, de guerra, houve um atentado e morreram 70 pessoas. Esta estrada não serve. A única estrada é a da paz, que constrói um mundo melhor. Mas se não o fizerem vocês, ninguém mais o fará.
 
Este é o problema, e esta é a pergunta que deixo: 'Estou disposto a enveredar por um caminho para construir um mundo melhor?'. Somente isso. E rezemos um pai-nosso por todas as pessoas que morreram neste atentado no Paquistão. Que Nossa Senhora nos ajude sempre a trabalhar por um mundo melhor, a escolher o caminho da construção, da paz e jamais o caminho da destruição e da guerra".

Trata-se de um dos ataques mais mortíferos cometidos contra cristãos no Paquistão, comunidade que representa menos de 5% da população deste país de maioria muçulmana.

O ataque foi reivindicado pelos extremistas islâmicos Jundullah, ala paquistanesa dos talibãs.
Em entrevista à Rádio Vaticano, o Núncio Apostólico no Paquistão, Dom Edgar Peña Parra, manifestou pesar pelo enésimo ataque contra a comunidade cristã.

“A igreja (atacada) não é uma igreja católica pelo que sei até o momento, mas é muito próxima a nós. Todavia, são cristãos e parte da nossa minoria. Portanto, mais uma vez, verificamos quanto a nossa Igreja cristã é sofredora no Paquistão”, declarou o Núncio, que concluiu:

“Uno-me ao Santo Padre que, mais uma vez, pediu orações pela paz no mundo. Eu pediria um olhar também para a nossa Igreja no Paquistão, que – como tantas outras – sofre todos os dias esses problemas, esta discriminação, esses ataques. Creio que, como o Santo Padre insistiu, a paz no mundo seja hoje mais do que necessária. Vemos o que aconteceu aqui, o ataque que aconteceu ontem no Quênia, vemos a situação na Síria. Enfim, penso que hoje mais do nunca precisamos rezar pela paz no mundo.”

Tweet do Papa Francisco, hoje:

23/09/2013
A Igreja não tem outro sentido e outro fim senão testemunhar Jesus. Não nos esqueçamos disso!

Diante da crise, solidariedade, astúcia e esperança. Os discursos do Santo Padre em Cagliari

Cagliari, 22 de setembro de 2013 (RV) - Depois do almoço com os bispos da Sardenha, a tarde do Pontífice em Cagliari foi marcada por três encontros: com os pobres e os detentos, com o mundo acadêmico e com os jovens.

Na Catedral de Cagliari, na presença de 120 pobres e 37 presos, o Papa Francisco notou a fadiga e a esperança em seus rostos.

“Todos nós temos misérias e fragilidades. Ninguém é melhor do que outro. Todos somos iguais diante de Deus. E olhando Jesus, vemos que ele escolheu o caminho da humildade e do serviço.”

O Papa advertiu que hoje a palavra solidariedade corre o risco de ser cancelada do dicionário. Mas este é o único caminho. “A caridade não é assistencialismo, é uma escolha de vida, um modo de ser.” Francisco criticou a arrogância que, às vezes, se usa no serviço aos pobres, para alimentar a própria vaidade. “Isso é pecado grave, seria melhor se essas pessoas ficassem em casa.”

Por fim, Francisco encorajou a percorrer o caminho indicado por Jesus com caridade, semeando esperança.

Acadêmicos
O encontro com o mundo acadêmico foi feito na Aula Magna da Pontifícia Faculdade Teológica Regional. A reflexão do Pontífice foi inspirada na experiência dos discípulos de Emaús que, desiludidos diante da morte de Jesus, demonstram resignação e desejo de fugir da realidade.

Essas mesmas atitudes, disse o Papa, podemos constatar neste momento histórico, em que vemos a deterioração do meio ambiente, “a guerra da água”, os desiquilíbrios sociais, a terrível potência das armas, o sistema econômico e financeiro, o ‘deus dinheiro’.

“Diante da crise, pode haver a resignação. Esta concepção pessimista da liberdade humana e dos processos históricos leva uma espécie de paralisação da inteligência e da vontade. Algo como fez Pilatos, de ‘lavar-se as mãos’. Uma atitude que aparece pragmática, mas que ignora o grito de justiça, de humanidade e de responsabilidade social e leva ao individualismo, à hipocrisia, para não falar de uma espécie de cinismo.”

Diante deste cenário, o Papa propõe então que a Universidade se torne o local do discernimento, em que se elabore a cultura da proximidade e de formação à solidariedade, que impulsione a buscar e encontrar vias de esperança que abram novos horizontes à nossa sociedade.


Jovens
A visita de Francisco a Cagliari se encerrou com os jovens, na Praça Carlo Felici – o que fez com que se lembrasse da Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro: “Talvez alguns de vocês estavam lá, mas muitos certamente acompanharam na televisão e na internet. Foi uma experiência muito bela, uma festa da fé e da fraternidade que enche de alegria. A mesma alegria que hoje sentimos”.

Num clima de festa, bem humarado, o Papa falou uma palavra em espanhol. Ao perceber, brincou: "Também eu falo dialeto aqui", em referência ao dialeto sardo.

Da vocação dos quatro primeiros discípulos Francisco tirou a mensagem dirigida aos jovens: não desencorajar diante da experiência da falência e confiar em Jesus.

Hoje, afirmou, o sacramento da Crisma mudou de nome. "É o sacramento do 'adeus'. Depois dele, muitos deixam a Igreja. Isso é uma falência."

Para Francisco, os jovens não devem se desencorajar diante de algo que não deu certo. Muito menos devem vender sua juventude "para os que vendem a morte". Não se pode parar no ‘trabalhamos sem nada apanhar’, mas ir além, ‘lançar as redes' novamente, sem se cansar. "Jesus dará a força! Há a ameaça da lamentação e quando tudo parece estagnante quando os problemas pessoais nos inquietam, as dificuldades sociais não encontram as respostas devidas, não é bom desistir."

O caminho é Jesus: fazê-lo subir no nosso 'barco' e "lançar-se ao largo" (duc in altum) com Ele, que transforma a perspectiva da vida. "Eu não venho aqui para vender uma ilusão. Mas venho para dizer que existe uma pessoa que pode levá-lo avante. Confie Nele. É Jesus e Jesus não é uma ilusão."

Abrir-nos a Deus, disse ainda o Papa, nos abre aos outros. "Também os jovens são chamados a se tornarem ‘pescador de homens’. “Tenham a coragem de ir contra a corrente, sem se deixar levar pelas correntes. Encontrar Jesus Cristo, experimentar o seu amor e a sua misericórdia é a maior aventura, e a mais bela, que pode acontecer a uma pessoa!”

"Trabalho significa dignidade. Que o dinheiro não seja ídolo", afirma Francisco em Cagliari

Cagliari (RV) – Desempregados, precários, trabalhadores que vivem com o seguro-desemprego: a visita do Papa a Cagliari, na ilha da Sardenha, neste domingo, começou com o encontro com uma das categorias que mais sofre com a crise europeia.

“É uma realidade que conheço bem pela experiência que tive na Argentina”, disse o Papa, que narrou a migração de seu pai, que foi para a Argentina com a ilusão de “fazer a América” e sofreu a terrível crise dos anos 30. Conheço isso muito bem! Mas devo dizer-lhes: “Coragem!”. Para que não seja uma palavra de circunstância, Francisco pediu solidariedade e inteligência para enfrentar este “desafio histórico”.

O Santo Padre afirmou que o sofrimento que encontrou na Sardenha foi o mesmo da primeira cidade que visitou na Itália, também ela uma ilha, a de Lampedusa. “A falta de emprego é um sofrimento que leva – desculpem-se se sou um pouco forte, mas é a verdade – a sentir-se sem dignidade! Onde não há trabalho, não há dignidade! E este não é um problema só da Sardenha, só da Itália ou de alguns países da Europa, é a consequência de uma escolha mundial, de um sistema econômico que leva a esta tragédia; um sistema econômico que tem no centro um ídolo, que se chama dinheiro.”

Deus, explicou o Pontífice, quis que no centro no mundo não estivesse um ídolo, mas o homem e a mulher, que levam avante, com o próprio trabalho, o mundo. “Trabalho significa dignidade, trabalho significa levar o pão para casa, trabalho significa amar!”

Por isso, encorajou o Papa, “não deixem roubar a esperança! Mas devemos ser astutos, porque o Senhor nos diz que os ídolos são mais espertos do que nós. O Senhor nos convida a ter a astúcia da serpente com a bondade da pomba. Tenhamos esta astúcia e digamos as coisas com o seu próprio nome. Devemos lutar juntos para que no centro, pelo menos da nossa vida, estejam o homem e a mulher, a família, todos nós, para que a esperança continue... Não deixem roubar a esperança!”.

A Diocese de Cagliari, na ilha italiana da Sardenha, é uma região eclesiástica com 622 paróquias e 1048 sacerdotes ao seu serviço entre clero secular e regular.

O Santo Padre comunicou sua intenção de ir a Cagliari na Audiência Geral do dia 15 de maio, em que explicou a relação de fraternidade entre o Santuário de Nossa Senhora de Bonária e a sua cidade de Buenos Aires, que deste tomou o nome ao momento da fundação da cidade.

Antes do Papa Francisco, outros três Pontífices visitaram a Sardenha e o Santuário: Paulo VI em 1970, João Paulo II em 1985 e Bento XVI em 2008.

A história da devoção a Nossa Senhora neste local está relacionada com uma imagem de Maria com o Menino Jesus no seu colo que foi recolhida por alguns frades na zona de Bonaria (que significa bom ar). Esta encontrava-se dentro de uma caixa que fazia parte da mercadoria de um navio proveniente da Catalunha no ano 1370 e que foi atirada ao mar devido a uma grande tempestade.

Segundo o relato da época, quando esta caixa com a imagem de Nossa Senhora caiu no mar, a tempestade amainou. A devoção por esta imagem rapidamente se difundiu por toda a Sardenha, especialmente entre os marinheiros. O Santuário de Nossa Senhora de Bonária é constituído por uma pequena igreja do século XIV, tendo sido erigida a seu lado uma Basílica datada de 1704, que passou a ser Pontifícia em 1926 por decisão do Papa Pio XI.
Papa na Sardenha: "Maria, doe-nos o seu olhar e nos proteja de quem nos promete ilusões"

Cagliari (RV) – “Maria, doe-nos o seu olhar” – foi o que repetiu várias vezes em sua homilia o Papa Francisco na missa realizada esta manhã na praça diante do Santuário de Nossa Senhora de Bonária, na cidade de Cagliari, na ilha da Sardenha.

Diante de milhares de fiéis, o Pontífice notou que em Cagliari, como em toda a Sardenha, não faltam dificuldades, problemas e preocupações: de modo especial, o Papa citou o desemprego e a situação de precariedade de muitos trabalhadores e, portanto, a incerteza do futuro.

Diante dessas situações de pobreza que a ilha enfrenta, o Pontífice garantiu sua solidariedade e sua oração, ao mesmo tempo em que pediu o empenho das instituições – inclusive da Igreja – para garantir às pessoas e às famílias os direitos fundamentais.

“Vim em meio a vocês para colocar-me aos pés de Nossa Senhora que nos doa o seu Filho”, assim como fizeram e fazem gerações de sardos, muitos dos quais foram obrigados a emigrar em busca de um trabalho e de um futuro para si e para sua família.

“Vim em meio a vocês, ou melhor, viemos todos juntos para encontrar o olhar de Maria, porque nele está refletido o olhar do Pai, que a fez Mãe de Deus, o olhar do Filho da cruz, que a fez nossa Mãe.

E com aquele olhar hoje Maria nos olha. Precisamos do seu olhar de ternura, do seu olhar materno que nos conhece melhor do que ninguém, do seu olhar repleto de compaixão e cuidado. Maria, doe-nos o seu olhar”, repetiu várias vezes o Santo Padre, porque este olhar nos leva a Deus, que jamais nos abandona.

No caminho, muitas vezes difícil, disse Francisco, não estamos sós, somos muitos, somos um povo, e o olhar de Nossa Senhora ajuda a olhar-nos entre nós de modo fraterno. “Olhemo-nos de modo mais fraterno!”, pediu o Pontífice, recordando que existem muitas pessoas que instintivamente consideramos de menor valor e que, ao invés, são as que mais necessitam: os mais abandonados, os doentes, os que não têm do que viver, os que não conhecem Jesus, os jovens em dificuldade e que não encontram trabalho. “Não tenhamos medo de sair e olhar para nossos irmãos com o olhar de Maria. E não permitamos que algo ou alguém se coloque entre nós e o olhar de Maria.”

E o Papa concluiu: “Que ninguém esconda de nós este olhar! Que o nosso coração de filhos saiba defendê-lo dos que nos prometem ilusões, promessas que não se podem cumprir. Mãe, doe-nos o seu olhar!”

No final da comunhão, Francisco pronunciou o ato de consagração diante da imagem de Nossa Senhora, depositando uma coroa de flores.

E antes oração do Angelus, agradeceu a todos os que colaboraram para organizar esta visita, confiando-os à proteção de Nossa Senhora de Bonária. “Neste momento, penso a todos os inúmeros santuários marianos da Sardenha: esta terra tem um forte elo com Maria, um elo que expressam em sua devoção e cultura. Sejam sempre verdadeiros filhos de Maria e da Igreja, e demonstrem-no com a vida, seguindo o exemplo dos santos!”


"O olhar de Jesus transforma a nossa vida": afirma o Papa na Casa Santa Marta

Cidade do Vaticano (RV) – Deixemo-nos olhar por Jesus, o seu olhar transforma a vida: foi o que disse o Papa Francisco esta manhã, durante a Missa na Casa Santa Marta, comentando o Evangelho que narra a conversão de São Mateus, cuja memória celebramos hoje.

Jesus olha Mateus nos olhos, um cobrador de impostos, um pecador público. O dinheiro é a sua vida, o seu ídolo. Mas agora, afirma o Papa, sente “no seu coração o olhar de Jesus dirigido a ele”.

E aquele olhar o envolveu totalmente, transformou a sua vida. Nós dizemos: o converteu. Assim que viu aquele olhar, levantou-se e o seguiu. E isso é verdadeiro: o olhar de Jesus sempre nos levanta. Um olhar que nos leva para cima, que jamais nos abandona. Jamais humilha. Convida a levantar-se. Um olhar que leva a crescer, a ir avante, que encoraja, porque nos quer bem.

O olhar de Jesus, explicou o Papa, não é algo de mágico: Jesus não era um especialista em hipnose. “Jesus olhava para cada um e eles sentiam como se Jesus dissesse o nome… Assim mudou Pedro e o Bom Ladrão. Nos fará bem pensar, rezar sobre este olhar de Jesus.

Ele vai à casa de Mateus e enquanto se senta à mesa, chegam muitos publicanos e pecadores, porque a voz tinha se espalhado. E toda a sociedade – não a sociedade limpa – se sentiu convidada à aquela refeição.

Os pecadores, publicanos ouviam... Mas Jesus tinha olhado para eles, e aquele gesto, creio eu, foi como um sopro sobre a brasa, que lhes restituiu a dignidade. O olhar de Jesus sempre nos faz dignos, nos dá dignidade. É um olhar generoso.

“Todos nós na vida – concluiu o Papa, sentimos este olhar, e não somente uma vez: tantas vezes! Talvez na pessoa de um sacerdote que nos ensinava a doutrina ou nos perdoava os pecados … talvez na ajuda de pessoas amigas”.

Mas todos nós nos encontraremos diante daquele olhar, aquele olhar maravilhoso. E vamos avante na vida, na certeza de que Ele nos olha.

Mas também Ele nos espera para nos olhar definitivamente. E aquele último olhar de Jesus sobre a nossa vida será para sempre, será eterno. Eu peço a todos esses santos que foram olhados por Jesus que nos preparem a deixar-nos olhar na vida, e que nos preparem também para aquele último – e primeiro! – olhar de Jesus”.
Para acompanhar o homem na era digital

Na era digital a Igreja deve aprender «a pôr-se a caminho com todos» para favorecer o encontro do homem com Cristo, evitando a «tentação» de «manipular as consciências. Disse o Papa Francisco aos participantes na plenária do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, recebidos na manhã de sábado, 21 de Setembro, na Sala Clementina.

O que está em questão, para o Pontífice, é conseguir dar respostas à «desorientação» e à «solidão» crescentes da era da globalização, apresentando «o rosto de uma Igreja que seja a “casa” de todos» e «consiga dar calor e inflamar o coração». 

Uma Igreja – explicou – capaz de «entrar no nevoeiro da indiferença sem se perder», de «entrar até na noite mais escura» sem se desorientar, de «ouvir as ilusões dos tantos sem se deixar seduzir»,  de «acolher as desilusões sem cair na amargura», de «tocar a desintegração do próximo sem se deixar diluir nem decompor na própria identidade»

Nova mensagem, hoje, no Twitter do Papa Francisco:

21/09/2013
A verdadeira caridade exige um pouco de coragem: vençamos o medo de sujarmos as mãos para ajudar os necessitados.

A Igreja cure as feridas e aqueça o coração dos fiéis: Papa Francisco à "La Civiltà Cattolica"

Não é talvez por acaso que a longa entrevista ao Papa Francisco, concedida a Antonio Spadaro e que deu imediatamente a volta ao mundo, tenha saído na vigília de uma data importante na vida de Jorge Mario Bergoglio. Como o bispo de Roma confidenciou aos seus sacerdotes, foi precisamente na festa de são Mateus de há sessenta anos — era o dia 21 de Setembro de 1953 — que, repentinamente, descobriu a sua vocação. Com 17 anos, confessou-se e, como disse a Sérgio Rubin e Francesca Ambrogetti, «aconteceu-me algo de estranho. Não sei o que era precisamente, mas mudou a minha vida».

Ali está a raiz do jesuíta e do bispo que depois quis como seu lema episcopal uma singular expressão latina usada pelo monge Beda para descrever a chamada do apóstolo Mateus, quando Jesus «teve misericórdia dele e o escolheu» (miserando atque eligendo). Expressão que revela perfeitamente o coração do Papa, manifestado com clareza na entrevista: a consciência de ser amado por Deus e a exigência de responder a este olhar.

Assim  o texto insere-se, sem dúvida em dimensões mais reduzidas, num gênero literário escolhido pelos Papas na segunda metade do século XX: com uma série aberta em 1967 pelos Diálogos com Paulo VI, de Jean Guitton, continuada de modo diferente por João Paulo II e chegando em 2010, com Bento XVI, à Luz do mundo, de Peter Seewald. Com uma única finalidade: procurar continuamente um diálogo com as mulheres e os homens de hoje e fazer-se compreender.

Como a Igreja sempre fez, no esforço de responder com fidelidade à palavra de Cristo, embora com as inevitáveis imperfeições humanas. É isto, e nada mais, que está a fazer o Papa Francisco, procurando uma relação pessoal de caridade com quem se encontra, não obstante as diferentes interpretações. Assim volta, como disse Paulo VI concluindo o concílio, «a antiga história do samaritano». Que parou para socorrer o homem ferido e abandonado no caminho.

"A Igreja muitas vezes fechou-se em pequenas coisas, em pequenos preceitos. A coisa mais importante, ao invés, é o primeiro anúncio: 'Jesus Cristo o salvou'." Essa é uma das passagens da longa entrevista ao Papa Francisco, publicada nesta quinta-feira pela prestigiosa revista "La Civiltà Cattolica" e, ao mesmo tempo, por outras dezesseis revistas da Companhia de Jesus.

No longo colóquio de cerca de trinta páginas com o diretor da "La Civiltà Cattolica", Pe. Antonio Spadaro, o Papa traça um retrato falado de si mesmo, explica qual é a sua ideia da Companhia de Jesus, analisa o papel da Igreja hoje, indica as prioridades da ação pastoral e aborda questões sobre o anúncio do Evangelho.

"Um pecador para quem Deus olhou": assim se define o Papa Francisco na longa entrevista concedida em seu estúdio privado na Casa Santa Marta, no Vaticano, durante três encontros, realizados dias 19, 23 e 29 de agosto. Trinta páginas para contar a sua história de jesuíta, bem como o seu pensamento sobre a missão da Igreja.

"A capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, de estar perto, a proximidade... E precisa começar de baixo": com essas palavras, o Papa explica aquilo de que a Igreja mais precisa.

"Eu vejo a Igreja como um hospital de campo após uma batalha. É inútil – diz – perguntar a um ferido grave se tem colesterol e glicose altos! É preciso curar as feridas. Depois se poderá falar de todo o restante."

"A Igreja – prossegue – por vezes se fechou em pequenas coisas, pequenos preceitos. A coisa mais importante, ao invés, é o primeiro anúncio: 'Jesus o salvou!'. Portanto, os ministros da Igreja, em primeiro lugar, devem ser ministros de misericórdia" e "as reformas organizativas e estruturais são secundárias, ou seja, vêm depois", porque "a primeira reforma deve ser a da atitude".

De fato, para o Papa Francisco "os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar com elas na noite, de saber dialogar e também entrar na noite delas, na escuridão delas sem perder-se. O povo de Deus – diz - quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado".

Quanto à pastoral missionária, o Papa explica que não se deve ter "obsessão pela transmissão desarticulada de um amontoado de doutrina a ser imposta com insistência". O anúncio missionário se concentra "no essencial" que é também aquilo que mais atrai, "aquilo que faz arder o coração".

Portanto, é preciso "encontrar um novo equilíbrio", do contrário – observa –, "também o edifício moral da Igreja corre o risco de desmoronar como um castelo de areia", de "perder o perfume do Evangelho". Assim sendo, a proposta evangélica deve ser "mais simples" e "é dessa proposta que depois vêm as conseqüências morais".

Em seguida, na entrevista o Papa Francisco relê a sua história de jesuíta, inclusive em relação a alguns momentos difíceis: "o meu modo autoritário e rápido de tomar decisões – afirma – levou-me a ter sérios problemas e a ser acusado de ser ultraconservador".

Uma experiência difícil que hoje produz fruto: recordando o seu ministério episcopal na Argentina, diz ter entendido como a "consulta" é importante: "Os Consistórios, os Sínodos, por exemplo, são lugares importantes para tornar esta consulta verdadeira e ativa", mas devem ser "menos rígidos na forma". "Quero consultas reais, não formais", diz.

O Papa fala, ainda, sobre a sua formação jesuíta, sobre o discernimento e sobre reformas. É sempre necessário "tempo para colocar as bases de uma mudança verdadeira". "E este é o tempo do discernimento", afirma, embora "por vezes o discernimento, ao invés, impulsione a fazer logo aquilo que, na realidade, inicialmente se pensa fazer depois. E foi o que aconteceu também comigo nestes meses.

No longo colóquio com o diretor da "La Civiltà Cattolica", Pe. Spadaro, também se faz referência à Companhia de Jesus, que para o Papa Francisco "é em si mesma descentralizada": o seu centro é Cristo e a Igreja, dois pontos de referência fundamentais para poder viver "na periferia", enquanto se colocar a si mesma no centro "como estrutura bem sólida", "corre o perigo de sentir-se segura e suficiente".

A imagem da Igreja evocada na entrevista é a expressa no Concílio Vaticano II na Lumen Gentium "do santo povo fiel de Deus", e "sentir com a Igreja" para Francisco é "estar neste povo".

Uma Igreja que não quer reduzir-se a conter "apenas um grupinho de pessoas selecionadas", mas deve ser uma "Igreja Mãe e Pastora". A Igreja é fecunda, deve sê-lo", diz o Papa contando que quando se dá conta de "comportamentos negativos de ministros da Igreja" ou consagradas, a primeira coisa que lhe vem em mente é: "'eis um solteirão' ou 'eis uma solteirona'". "Não são nem pais, nem mães. Não foram capazes de dar vida", diz.

Entre outras questões, o diretor da referida revista jesuíta volta também a temas complexos como divorciados em segunda união, pessoas homossexuais e pergunta qual pastoral fazer nesses casos.

"É preciso considerar sempre a pessoa – diz o Pontífice. Aí entramos no mistério do homem. Na vida Deus acompanha as pessoas, e nós devemos acompanhá-las a partir da condição delas. É preciso acompanhar com misericórdia."

Também se faz presente o tema da mulher e o Papa Francisco evidencia que "o desafio" é "refletir sobre o lugar específico da mulher também justamente onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja".

No final, a conversação chega um aspecto que está muito a peito para o Papa Francisco, ou seja, que "Deus o encontramos caminhando". "Deus é sempre uma surpresa – diz – e, portanto, jamais se sabe onde e como encontrá-lo, não é você quem fixa o tempo nem os lugares do encontro com Ele."

Para o Pontífice, portanto, é preciso "discernir o encontro": se o cristão "quer tudo preto no branco", então não encontra nada. A tradição e a memória do passado devem levar a "abrir novos espaços a Deus".

Com uma visão estática e de involução, se buscam sempre "soluções disciplinares" ou o passado perdido, "a fé torna-se uma ideologia entre tantas outras".

"Tenho uma certeza dogmática: Deus está na vida de toda pessoa", diz o Papa Francisco ressaltando que "mesmo se a vida de uma pessoa é um terreno repleto de espinhos e ervas daninhas, há sempre um espaço em que a semente boa pode crescer." Daí, o seu encorajamento: "É preciso confiar em Deus".
Radio Vaticano e L'Osservatore Romano

Leia a entrevista na íntegra - clique aqui

Papa Francisco na Missa em Santa Marta: Não se pode servir a Deus e ao dinheiro. Não se pode. Ou um ou outro"

O dinheiro faz adoecer o pensamento e a fé e faz-nos ir por outros caminhos. Em síntese é esta a ideia principal da meditação matinal do Papa Francisco na Missa na Casa de Santa Marta, nesta sexta-feira, 20 de setembro. O Santo Padre sublinhou, assim, que da idolatria do dinheiro nascem outros males como a vaidade e o orgulho.

Não se pode servir a Deus e ao dinheiro. O Papa Francisco desenvolveu a sua homilia partindo das palavras de S. Paulo sobre a relação entre o caminho de Jesus e o dinheiro. Segundo o Santo Padre o dinheiro pode desviar-nos da fé e, nessas situações ficamos doentes...“O dinheiro também faz adoecer o pensamento e a fé e faz-nos ir por outros caminhos.” O Papa Francisco lembrou alguns que são católicos e até vão à missa, porque assim têm mais estatuto, mas depois... fazem as suas negociatas vivendo numa cultura do dinheiro...Escolhem a via do dinheiro e essa sedução leva à corrupção. E Jesus foi claro em relação a este assunto:“Não se pode servir a Deus e ao dinheiro. Não se pode. Ou um ou o outro! Isto não é comunismo, hen! Isto é o evangelho puro! Estas são as palavras de Jesus! O que é que acontece com o dinheiro? O dinheiro dá um certo bem-estar no início. Depois sentes-te um pouco importante e vem a vaidade. Ouvimos no Salmo dizer que se chega a esta vaidade. Esta vaidade que não serve, mas tu sentes-te uma pessoa importante: aquela é a vaidade. E da vaidade chega-se à soberba e ao orgulho. São três os degraus: riqueza, vaidade e orgulho.”

Ninguém se salva com o dinheiro – diz o Santo Padre – que avisou ser este o caminho do diabo, o caminho das tentações. Como diz S. Paulo, vivamos na justiça, na fé e na caridade e assim, diz o Papa, evitaremos as tentações do dinheiro e seguiremos os Mandamentos da Lei de Deus...“Mas, Padre, eu leio os Dez mandamentos e nenhum fala mal do dinheiro. Contra que Mandamento se peca quando um de nós faz uma ação pelo dinheiro”. Contra o primeiro! Pecas por idolatria! Eis o porquê: Porque o dinheiro torna-se num ídolo e tu dás-lhe culto! E por isso Jesus diz-nos que não podemos servir ao ídolo do dinheiro e ao Deus Vivo: ou um ou o outro. Os primeiros padre da Igreja – do seculo III, mais ou menos entre o anos 200 e 300 diziam uma palavra forte: ‘O dinheiro é o excremento do diabo’. “

Papa Francisco publicou um novo tweet hoje:

20/09/2013
Cristo é sempre fiel. Rezemos para que sejamos também nós sempre fiéis a Ele.
"Toda criança não nascida tem a face de Jesus", afirma o Papa a médicos católicos

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu esta sexta-feira, no Vaticano, os participantes do X Encontro da Federação Internacional das Associações Médicas Católicas. De 18 a 22 de setembro, médicos de todo o mundo debatem em Roma o tema “Catolicismo e cuidados maternos”.

Em seu discurso, o Pontífice propõe três reflexões, sendo a primeira delas a “situação paradoxal” que se assiste hoje em relação à profissão médica. De um lado, os progressos da medicina e, de outro, o perigo de que o médico perca a sua identidade de servidor da vida.

“A situação paradoxal se constata no fato de que, enquanto se atribuem novos direitos à pessoa, nem sempre se tutela a vida como valor primário e direito primordial de todo homem. O fim último do agir médico permanece sempre a defesa e a promoção da vida.”

Neste contexto contraditório, a Igreja apela à consciência de todos os profissionais e voluntários da saúde, de modo especial aos ginecologistas, chamados a colaborar ao nascimento de novas vidas humanas.

Uma mentalidade difundida do útil, a “cultura do descartável”, que hoje escraviza o coração e a inteligência de muitas pessoas, tem um custo altíssimo: pede que se eliminem seres humanos, sobretudo se fisicamente ou socialmente mais fracos. A nossa resposta a esta mentalidade é um “sim” à vida, convicto e sem hesitações. As coisas têm preços e podem ser vendidas, mas as pessoas têm dignidade, valem mais do que as coisas e não têm preço. Por isso, a atenção à vida humana na sua totalidade se tornou nos últimos tempos uma prioridade do Magistério da Igreja.

No ser humano frágil, afirma ainda Francisco, cada um de nós é convidado a reconhecer a face do Senhor, que na sua carne humana experimentou a indiferença e a solidão às quais frequentemente condenamos os mais pobres, seja nos países em desenvolvimento, seja nas sociedades opulentas. Toda criança não nascida, mas condenada injustamente ao aborto, tem a face do Senhor, que antes mesmo de nascer, e logo recém-nascida, experimentou a rejeição do mundo. E cada idoso, mesmo se doente ou no final de seus dias, traz consigo a face de Cristo. Não podem ser descartados!

O terceiro aspecto, disse o Papa, é um mandato: sejam testemunhas e difusores desta “cultura da vida”. Ser católico comporta uma maior responsabilidade, antes de tudo para consigo mesmo, pelo empenho de coerência com a vocação cristã, e depois para com a cultura contemporânea, para contribuir a reconhecer na vida humana a dimensão transcendente, o vestígio da obra criadora de Deus, desde o primeiro instante da sua concepção. Trata-se de um empenho de nova evangelização que requer, com frequência, ir contra a corrente, pagando pessoalmente. O Senhor conta com vocês para difundir o “evangelho da vida”.

Nesta perspectiva, afirmou ainda o Pontífice, os departamentos de ginecologia são locais privilegiados de testemunho e de evangelização.

“Queridos médicos, vocês que são chamados a se ocuparem da vida humana em sua fase inicial, lembrem a todos, com fatos e palavras, que esta é sempre, em todas as suas fases e em todas as idades, sagrada e sempre de qualidade. E não por um discurso de fé, mas de razão e de ciência! Não existe uma vida humana mais sagrada do que outra, assim como não existe uma vida humana qualitativamente mais significativa de outra. A credibilidade de um sistema de saúde não se mede somente pela eficiência, mas sobretudo pela atenção e pelo amor dispensados às pessoas, cuja vida é sempre sagrada e inviolável”, concluiu Francisco, recordando aos médicos que jamais deixem de pedir ao Senhor e à Virgem Maria a força de realizar bem o seu trabalho e testemunhar com coragem o “evangelho da vida”.

Papa recebe novos bispos: "O caminhar juntos requer amor, e o nosso é um serviço de amor"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã desta quinta-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, os 120 participantes do Encontro para novos bispos promovido pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais. O encontro que se concluiu com a audiência pontifícia, esteve centralizado na figura do bispo como pastor e teve um caráter formativo e informativo. Este ano estiveram também presentes 26 novos bispos orientais, ausentes no Encontro de 2012 porque tinham encontrado o Papa Bento XVI durante a sua viagem apostólica ao Líbano.

No seu discurso o Papa iniciou recordando que o bispo é um homem de comunhão e unidade, “visível princípio e fundamento de unidade”. (Lumen gentium,23) Em seguida citou a Primeira Carta de São Pedro: “Apascentem o rebanho de Deus que lhes foi confiado, não por imposição, mas de livre e espontânea vontade, como Deus o quer; não por vil interesse, mas com generosidade; não como donos daqueles que lhes foram confiados, mas como modelos para o rebanho” (1 Pt 5,2). Essas palavras de São Pedro - disse o Papa -, devem estar esculpidas no coração! Somos chamados e constituídos Pastores não por nós mesmos, mas pelo Senhor e não para servir a nós mesmos, mas o rebanho que ele nos confiou servi-lo até dar a vida como Cristo, o Bom Pastor.

Mas o que significa apascentar, ter “habitual e cotidiano cuidado do rebanho”? O Papa ofereceu três breves pensamentos. Apascentar significa: acolher com magnanimidade, caminhar com o rebanho, permanecer com o rebanho.

Falando sobre acolher com magnanimidade o Papa Francisco disse:
“Que seu coração seja tão grande a ponto de ser capaz de acolher todos os homens e mulheres que você encontrar ao longo de seus dias e que você vai encontrar quando visitar suas paróquias e comunidades. Já agora se perguntem: aqueles que baterão à porta da minha casa, como irão encontrá-la? Se a encontrem aberta, - continuou o Santo Padre - através de sua bondade, da sua disponibilidade, experimentarão a paternidade de Deus e entenderão como a Igreja é uma boa mãe, que sempre acolhe e ama”.

O segundo pensamento: caminhar com o rebanho: “acolher todos para caminhar com todos. O Bispo - frisou Francisco - está em caminho “com” e “no” seu rebanho. Isto significa caminhar com os próprios fiéis e com todos aqueles que se dirigirão a vocês, partilhando com eles alegrias e esperanças, dificuldades e sofrimentos, como irmãos e amigos, mas, mais ainda como pais, que são capazes de escutar, compreender, ajudar, orientar. O caminhar juntos requer amor, e o nosso é um serviço de amor, amoris officium dizia Santo Agostinho.

E no caminhar – continuou o Pontífice -, gostaria de recordar o afeto para com os seus sacerdotes. Eles são os mais próximos do Bispo, indispensáveis colaboradores dos quais buscar conselho e ajuda, e dos quais cuidar como pais, irmãos e amigos.

E o Papa deu alguns conselhos aos novos bispos:“Entre as primeiras tarefas que vocês têm está o cuidado espiritual do presbitério, mas não se esqueçam das necessidades humanas de cada sacerdote, especialmente nos momentos mais delicados e importantes de seus ministérios e de suas vidas. Nunca é tempo desperdiçado o tempo passado com os sacerdotes! Recebam-nos quando solicitarem; não deixem sem resposta um telefonema; estar sempre próximo, em contato constante com eles”.

O Papa citou ainda a presença do bispo na diocese e recordou que na homilia da Missa do Crisma deste ano disse que os Pastores devem ter o “cheiro das ovelhas”. Sejam Pastores com o cheiro das ovelhas, presentes no meio do seu povo como Jesus, o Bom Pastor. A presença de vocês não é secundária, é indispensável. É o próprio povo quem pede, quer ver o seu Bispo caminhar com ele, estar do lado dele. E o Papa acrescentou ainda o estilo de serviço ao rebanho, que deve ser humilde, mas também austero e essencial. “Nós pastores não somos homens com a ‘psicologia de princípios’, homens ambiciosos, que são esposos de uma Igreja, na espera de outra mais bonita, mais importante ou mais rica. Estejam muito atentos a não caírem no espírito do carreirismo! Não é só a palavra, mas também é, sobretudo, com o testemunho concreto de vida que somos mestres e educadores do nosso povo”.

O terceiro e último elemento proposto pelo Papa: permanecer com o rebanho.

“Refiro-me – disse Francisco - à estabilidade, que tem dois aspectos específicos: “permanecer” na diocese, e permanecer “nesta” diocese, sem buscar mudanças ou promoções. Não se pode conhecer realmente como pastores o próprio rebanho, caminhar à sua frente, no seu meio e atrás dele, cuidá-lo com o ensinamento, com a administração dos Sacramentos e com o testemunho de vida, se não se permanece na diocese. A nossa é uma época em que se pode viajar, se deslocar de um ponto a outro com facilidade, um tempo em que as relações são velozes, a época da internet. Mas a antiga lei da residência não passou de moda! É necessária para um bom governo pastoral. Permanecer, ... continuou o Papa. Evitem o escândalo de serem “Bispos de aeroportos”! Sejam Pastores acolhedores, que caminham com o seu povo, com afeto, com misericórdia, com docilidade de tratamento e firmeza paterna, com humildade e discrição, capazes de olhar também aos seus limites e de ter uma dose de bom humor. E permaneçam com seus rebanhos!”.

O Papa concluiu seu discurso pedindo aos novos bispos que retornando às suas dioceses levassem a sua saudação a todos, em particular aos sacerdotes, aos consagrados e consagradas, aos seminaristas e a todos os fiéis, e a todos aquele que têm mais necessidade do proximidade do Senhor. A presença de dois bispos sírios – encerrou Francisco – nos leva mais uma vez a pedir juntos a Deus o dom da paz. Paz para a Síria, paz para o Oriente Médio, paz ao mundo! E pediu mais uma vez que rezem por ele como ele o faz por eles.

Papa Francisco - tweet desta quinta-feira, 19 de setembro:

Somos todos pecadores, mas vivemos a alegria do perdão de Deus e caminhamos confiantes na sua misericórdia.

Audiência Geral: "A Igreja é como uma boa mãe, sempre perdoa e oferece esperança"

Cidade do Vaticano (RV) – Mais de 80 mil fiéis lotaram a Praça S. Pedro esta quarta-feira para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Em sua catequese, o Santo Padre retomou o tema da semana passada, ou seja, da imagem da Igreja como mãe, destacando três aspectos inspirados do agir “de nossas mães”.

Em primeiro lugar, assim como uma boa mãe, a Igreja indica-nos a estrada para amadurecermos na vida. Ela não aprende dos livros, mas do próprio coração. “A universidade de uma mãe é o próprio coração. Ali ela aprende como crescer os filhos, e isso é muito belo”, disse Francisco.

Fruto do amor de Deus por nós são os Dez Mandamentos. “Estes não são uma série de «nãos», mas o modo de nos comportarmos bem com Deus, conosco e com os outros”, afirmou o Papa, convidando os fiéis a uma nova leitura positiva dos mandamentos.


Em segundo lugar, a Igreja é compreensiva e misericordiosa como uma mãe que pacientemente acompanha os filhos, mesmo crescidos; e, até quando erram, sabe encontrar maneira de os compreender e ajudar.

“Penso nas mães que sofrem pelos filhos na prisão ou em situações difíceis: elas não se perguntam se são ou não culpados, mas continuam a amá-los; e, com frequência, sofrem humilhações, mas sem medo, sem deixar de se doar.”

A Igreja é assim, garantiu o Pontífice, nunca fecha as portas; não julga, mas oferece o perdão de Deus, sempre dá esperança.

Finalmente, pelo bem dos filhos, as mães sabem bater a todas as portas, sobretudo à porta do coração de Deus.

“Quanto rezam as mães pelos filhos, especialmente pelos mais fracos, por aqueles que mais precisam, por aqueles que na vida empreenderam caminhos perigosos ou errados! E sem se cansarem!
 
Ele tem um coração grande. Batam sempre à porta do coração de Deus com a oração.”


O mesmo faz a Igreja: coloca nas mãos do Senhor, com a oração, todas as situações dos seus filhos. Confiemos na força da oração da Igreja, nossa querida Mãe. “Vejamos na Igreja uma boa mãe que indica a estrada que devemos seguir na vida, sabe ser paciente, misericordiosa e compreensiva e colocar-nos nas mãos de Deus.”
Francisco volta a defender o diálogo como solução para o conflito na Síria

Cidade do Vaticano (RV) - No final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa recordou que todos os anos, no dia 21 de setembro, as Nações Unidas celebram o “Dia Internacional da Paz”, em vista do qual o Conselho Mundial de Igrejas convidou todos os seus membros a rezarem neste dia.

Mais uma vez, Francisco pediu orações pelo dom da paz, de modo especial pela Síria.

“Convido os católicos de todo o mundo a unirem-se aos outros cristãos para continuar a implorar de Deus o dom da paz nos lugares mais atormentados do nosso planeta. Possa a paz, dom de Jesus, habitar sempre nos nossos corações e amparar os propósitos e as ações dos responsáveis pelas nações e de todos os homens de boa vontade. Empenhemo-nos todos a encorajar os esforços por uma solução diplomática e política dos focos de guerra que ainda preocupam. O meu pensamento vai especialmente à querida população síria, cuja tragédia humana pode ser resolvida somente com o diálogo e a negociação, no respeito da justiça e da dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais fracos e indefesos.”






Jornalista há anos amigo de Bergoglio: Francisco está levando ao mundo a ternura de Deus

Cidade do Vaticano (RV) - Passaram-se seis meses – completados na última sexta-feira – da eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio à Cátedra de Pedro, ocorrida em 13 de março. Um período breve e, ao mesmo tempo, tão intenso que fez do Papa Francisco uma figura familiar. Trata-se de uma opinião partilhada também pelo jornalista da agência missionária "Fides", Gianni Valente, ligado a Jorge Mario Bergoglio por uma longa amizade. A Rádio Vaticano o entrevistou.

Gianni Valente:- "O que salta aos olhos é que nestes seis meses sentimos o Papa Francisco como alguém de casa; tornou-se familiar para muitos de nós, para milhões de pessoas neste breve período. Penso que para além dos momentos salientes, importantes – inclusive públicos –, que dia a dia marcam este Pontificado, o eixo de tudo, a fonte de tudo são as homilias por ele feitas na Casa Santa Marta, no Vaticano. O ponto de encontro entre esse Pastor e a multidão de fiéis, inclusive de não-crentes, é justamente o horizonte da cotidianidade, esse fluxo contínuo de vida e de estupor que, de certo modo, encontra a sua imagem mais nítida no ter a possibilidade de todos os dias ouvir a sua palavra, a palavra de um Pastor que lê o Evangelho e o comenta para todos."

RV: Há alguma imagem do Papa, entre tantas outras, que particularmente o tenha impressionado ao longo destes meses e que lhe pareça expressar, de certo modo, também o significado mais profundo do seu serviço como Bispo de Roma...

Gianni Valente:- "Recordo-me uma das primeiras audiências, em que abraçava os pais dos jovens portadores de deficiência. Era um dia chuvoso. Havia a imagem de uma mãe que, comovida, chorava ao ver o Papa olhando para seu filho. Essa imagem me impressionou porque tive naquele momento a percepção de que quem quer que tivesse na família situações de dificuldade, vendo aquela imagem, tenha se sentido confortado. O Papa, abraçando e beijando aquela criança, abraçou todas as crianças que têm dificuldade e todas as famílias que vivem essas situações."

RV: Você conhece o Pastor Jorge Mario Bergoglio há muitos anos. O que o impressiona no homem Bergoglio nesta passagem entre o antes e o depois de 13 de março último?

Gianni Valente:- "Cert