ABRIL DE 2014

Audiência: com o Espírito Santo, abrir a mente para entender as palavras de Deus



Cidade do Vaticano, 30.abril.2014 (RV) – A Praça S. Pedro ficou lotada para a Audiência Geral desta quarta-feira, em que a chuva dos últimos dias deu lugar ao sol e a uma temperatura mais amena.
Por quase meia-hora, o Papa Francisco fez o giro de toda a Praça com o seu papamóvel, para receber e retribuir o carinho dos fiéis entusiasmados.
Depois do período pascal, o Pontífice retomou o ciclo de catequeses sobre os sete dons do Espírito Santo, falando desta vez sobre o entendimento.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Depois de ter falado da sabedoria, como primeiro dos sete dons do Espírito Santo, hoje gostaria de colocar a atenção sobre o segundo dom, isso é, o entendimento. Não se trata daquela inteligência humana, da capacidade intelectual de que podemos ser mais ou menos dotados.  É, em vez disso, uma graça que só o Espírito Santo pode infundir e que suscita no cristão a capacidade de ir além do aspecto externo da realidade e perscrutar as profundezas do pensamento de Deus e do seu plano de salvação.

O apóstolo Paulo, dirigindo-se à comunidade de Corinto, descreve bem os efeitos deste dom – isso é, o que faz o dom do entendimento em nós – e Paulo diz isso: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64, 4) tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito” (1 Cor 2,9-10). Isso obviamente não significa que um cristão possa compreender cada coisa e ter uma plena consciência dos planos de Deus: tudo isso permanece à espera de manifestar-se em toda a sua clareza quando nos encontrarmos diante dos olhos de Deus e formos realmente uma só coisa com Ele. Porém, como sugere a própria palavra, a inteligência permite “intus legere”, isso é, de “ler por dentro”: este dom nos faz entender as coisas como Deus as entende, com a inteligência de Deus. Porque uma pessoa pode entender uma situação com a inteligência humana, com prudência, e tudo bem. Mas entender uma situação em profundidade, como a entende Deus, é o efeito deste dom. E Jesus quis enviar-nos o Espírito Santo para que nós tenhamos este dom, para que todos nós possamos entender as coisas como Deus as entende, com a inteligência de Deus. É um belo presente que o Senhor deu a todos nós. É o dom com o qual o Espírito Santo nos introduz na intimidade com Deus e nos torna participantes do plano de amor que Ele tem conosco.

É claro, então, que o dom da inteligência está estreitamente conectado à fé. Quando o Espírito Santo habita o nosso coração e ilumina a nossa mente, faz-nos crescer dia após dia na compreensão daquilo que o Senhor disse e realizou. O próprio Jesus disse aos seus discípulos: eu vos enviarei o Espírito Santo e Ele vos fará entender tudo aquilo que eu vos ensinei. Entender os ensinamentos de Jesus, entender a sua Palavra, entender o Evangelho, entender a Palavra de Deus. Alguém pode ler o Evangelho e entender alguma coisa, mas se nós lemos o Evangelho com este dom do Espírito Santo podemos entender a profundidade das palavras de Deus. E isto é um grande dom, um grande dom que todos nós devemos pedir e pedir juntos: Dai-nos, Senhor, o dom do entendimento.

Há um episódio do Evangelho de Lucas que exprime muito bem a profundidade e a força deste dom. Depois de ter visto a morte na cruz e o sepultamento de Jesus, dois de seus discípulos, desiludidos e tristes, vão a Jerusalém e retornam ao vilarejo de nome Emaús. Enquanto estão a caminho, Jesus ressuscitado se aproxima e começa a falar com eles, mas os seus olhos, velados pela tristeza e pelo desespero, não são capazes de reconhecê-Lo. Jesus caminha com eles, mas eles estão tão tristes, tão desesperados, que não O reconhecem. Quando, porém, o Senhor explica a eles as Escrituras, para que compreendessem que Ele deveria sofrer e morrer e depois ressuscitar, as suas mentes se abrem e nos seus corações se reacende a esperança (cfr Lc 24, 13-27). E isto é o que faz o Espírito Santo conosco: abre-nos a mente, abre-nos para entender melhor, para entender melhor as coisas de Deus, as coisas humanas, as situações, todas as coisas. É importante o dom do entendimento para a nossa vida cristã. Peçamos esse dom ao Senhor, que nos dê, que dê a todos nós este dom para entender, como Ele entende, as coisas que acontecem e para entender, sobretudo, a Palavra de Deus no Evangelho. Obrigado.

Na saudação aos fiéis presentes na Audiência, aos de língua portuguesa disse: “Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente ao Rancho Folclórico de Macieira da Lixa e ao grupo brasileiro de Araraquara. Agradeço a vossa presença e encorajo-vos a continuar a dar o vosso fiel testemunho cristão na sociedade. Deixai-vos guiar pelo Espírito Santo para entenderdes o verdadeiro sentido da história. De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos”.
 
Francisco: uma comunidade cristã deve estar em paz, testemunhar Cristo e assistir os pobres

Cidade do Vaticano, 29.abril.2014 (RV) – O Papa Francisco celebrou esta manhã a Missa na Capela da Casa Marta.  A homilia do Pontífice foi inspirada na leitura extraída do Ato dos Apóstolos, que descreve a primeira comunidade cristã. Francisco se concentrou em três características deste grupo, que era capaz de plena concórdia no seu interior, de testemunhar Cristo fora dela e impedir que nenhum de seus membros sofresse a miséria. 

“(A comunidade) ’tinha um só coração e uma só alma’. A paz. Uma comunidade em paz. Isso significa que entre eles não havia lugar para intrigas, para a inveja, para as calúnias, para a difamação. Paz. O perdão: ‘O amor cobria tudo’. Para qualificar uma comunidade cristã, devemos nos questionar como é a atitude dos cristãos. São humildes? Naquela comunidade há brigas pelo poder? Brigas por inveja? Há intrigas? Então não estão no caminho de Jesus Cristo. Esta peculiaridade é tão importante, tão importante, porque o demônio sempre tenta nos dividir. É o pai da divisão”.

Certamente naquela primeira comunidade havia problemas. O Papa citou as “lutas internas, as lutas doutrinais, de poder” que se verificaram depois. Todavia, aquele “momento forte” do início fixou para sempre a essência da comunidade nascida do Espírito. Uma comunidade concorde e, em segundo lugar, uma comunidade de testemunhas da fé, em relação à qual podemos analisar qualquer comunidade de hoje.

“É uma comunidade que testemunha a ressurreição de Jesus Cristo? Esta paróquia, esta comunidade, esta diocese acredita realmente que Jesus Cristo ressuscitou? Ou diz: ‘Sim, ressuscitou’, mas o coração está distante desta força?

Para Francisco, é através do modo como uma comunidade testemunha Jesus que se pode analisar uma comunidade. A terceira característica são “os pobres”. E aqui o Papa inclui outros dois pontos:

“Primeiro: como é a sua atitude ou a atitude desta comunidade com os pobres?
Segundo: esta comunidade é pobre? Pobre de coração, pobre de espírito? Ou deposita a sua confiança nas riquezas? No poder? Harmonia, testemunho, pobreza e cuidar dos pobres. E isso é que Jesus explica a Nicodemos: este nascer do Alto. Porque o único que pode fazer isso é o Espírito. Esta é obra do Espírito. É ele quem faz a Igreja. O Espírito faz a unidade, impulsiona ao testemunho. O Espírito nos faz pobres, porque Ele é a riqueza e faz com que cuidemos dos pobres”.

“Que o Espírito Santo – concluiu o Papa Francisco – nos ajude a caminhar sobre esta estrada de renascidos pela força do Batismo”.

Este foi o tweet do Papa Francisco desta terça-feira:

29/04/2014
Quem de entre nós pode presumir que não seja pecador? Ninguém. Peçamos perdão a Deus dos nossos pecados.

Olhai para Jesus, olhai para Maria e segui em frente - Papa em video-mensagem a jovens de Buenes Aires

“Que façam barulho”, já lhes disse isso; “que não tenham medo de nada”, já lhe disse isso, “que sejam livres”, já lhes disse isso…


Começa assim a vídeo-mensagem através da qual o Papa Francisco exprimiu a sua proximidade a jovens de Buenes Aires, reunidos, sábado 26 na capital argentina, para a Jornada Regional da Juventude. Objetivo recuperar a força necessária para levar fé pelas ruas.


Neste interrogar-se sobre algo de novo para lhes dizer, o Papa recorreu então à figura de alguns jovens do Evangelho. Os Apóstolos, diz o Papa, eram quase todos jovens. Para além deles pensou também no jovem rico, mas triste, porque não conseguiu deixar os seus bens para seguir Jesus; no jovem que procurou uma nova vida com a herança do pai, ainda vivo, esbanjou tudo e voltou cheio de fome, mas como Deus é misericordioso, encontrou o Pai ansioso pelo seu retorno; no jovem morto que, devido à fé da mãe, foi ressuscitado por Jesus; no Apóstolo João que era “um muchachito”…


O Papa chamou a atenção dos “chicos e chicas” reunidos em Buenes Aires, para o entusiasmo, o estupor que causou inicialmente, nos jovens do Evangelho, o encontro com Jesus, ao ponto de correrem para dizer aos amigos “Encontramos o Messias!, Encontramos Aquele de que falam os profetas!” .


Mas depois os Apóstolos esmoreceram, não se comportaram muito bem – fez ainda notar o Papa: Pedro renegou Jesus, Judas traiu-o, outros fugiram, ou seja – frisou – “depois veio a luta por ser féis a esse encontro com Jesus”. E aqui o Papa lançou uma pergunta aos jovens, a cada um deles…


“Vos, quando te encontras-te com Jesus?, Como foi o encontro com Ele, tiveste um encontro com Jesus, ou estás a tê-lo agora? Os jovens Apóstolos! Pensem em Pedro, Tiago, João, Nataniel, como é que se foram encontrando com Jesus?!”


Ainda no seu estilo interrogativo e interactivo, depois de ilustrar esses jovens todos, os apóstolos e a seu comportamento, o Papa pôs os jovens do Encontro Regional da Juventude de Buenes Aires, perante uma outra série de interrogação…

“Vós quem sois? O entusiasta como os Apóstolos inicialmente, antes de iniciar o caminho? Aquele que quer seguir Jesus, mas está cercado de tantas coisas que o atam e não O pode seguir, como o jovem rico à mundanidade, a tantas coisas? Como aquele que gastou toda a herança do seu pai, mas que teve a coragem de voltar e está sentindo neste momento o abraço da misericórdia? Ou estás morto? Se estás morto, saiba que a Mãe Igreja está chorando por ti e Jesus é capaz de ressuscitar-te. Digam-me: quem sois vós, Dizei-lo a vós mesmos e isso te dará força”.


E antecipando aquilo que poderiam estar a pensar as meninas, o Papa frisou… “As meninas me vão dizer, mas Padre, você é injusto, porque os exemplos que deu é só para os rapazes” .


A elas, então, o Papa Francisco indicou como único modelo Maria, Aquela que “obedeceu sem compreender”, “a mulher da fidelidade”…


Pondo em evidência a capacidade de dar vida e de dar ternura, capacidade que os homens não têm, o Papa recordou às meninas que se diz “A Igreja, não o Igreja”.


“A Igreja é feminina, é como Maria. Esse é o lugar para vós. Ser Igreja, conformar-se com a Igreja, estar junto a Jesus, dar ternura, acompanhar, deixar crescer.”


E o Papa conclui pedindo a todos que “Não tenham medo, que olhem para Jesus e para Maria e que sigam em frente”.


Esse encontro Regional da Juventude que teve lugar, dizíamos no sábado, 26, reuniu jovens de 11 Dioceses da Arquidiocese de Buenes Aires. Em jeito de jornada de reconciliação e também de agradecimento pela canonização dos dois Papas, o encontro contou com a presença de centenas de sacerdotes que confessaram os jovens e presidiram a momentos de oração comunitária. Não se previa a celebração da Missa.
Radio Vaticano

Nesta segunda-feira, o Papa Francisco escreveu em seu twitter:






28/04/2014
A desigualdade é a raiz dos males sociais.

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA - oitava da Páscoa - canonização de São João XXIII e São João Paulo II

Homilia do Santo Padre, o Papa Francisco na Missa de canonização dos beatos João Paulo II e João XXIII
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 27 de abril de 2014

Boletim da Santa Sé

No centro deste domingo, que encerra a Oitava de Páscoa e que João Paulo II quis dedicar à Misericórdia Divina, encontramos as chagas gloriosas de Jesus ressuscitado.

Já as mostrara quando apareceu pela primeira vez aos Apóstolos, ao anoitecer do dia depois do sábado, o dia da Ressurreição. Mas, naquela noite, Tomé não estava; e quando os outros lhe disseram que tinham visto o Senhor, respondeu que, se não visse e tocasse aquelas feridas, não acreditaria. Oito dias depois, Jesus apareceu de novo no meio dos discípulos, no Cenáculo, encontrando-se presente também Tomé; dirigindo-Se a ele, convidou-o a tocar as suas chagas. E então aquele homem sincero, aquele homem habituado a verificar tudo pessoalmente, ajoelhou-se diante de Jesus e disse: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).

Se as chagas de Jesus podem ser de escândalo para a fé, são também a verificação da fé. Por isso, no corpo de Cristo ressuscitado, as chagas não desaparecem, continuam, porque aquelas chagas são o sinal permanente do amor de Deus por nós, sendo indispensáveis para crer em Deus: não para crer que Deus existe, mas sim que Deus é amor, misericórdia, fidelidade. Citando Isaías, São Pedro escreve aos cristãos: «pelas suas chagas, fostes curados» (1 Ped 2, 24; cf. Is 53, 5).

João XXIII e João Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo.

Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna de Maria.

Nestes dois homens contemplativos das chagas de Cristo e testemunhas da sua misericórdia, habitava «uma esperança viva», juntamente com «uma alegria indescritível e irradiante» (1 Ped 1, 3.8). A esperança e a alegria que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos, e de que nada e ninguém os pode privar. A esperança e a alegria pascais, passadas pelo crisol do despojamento, do aniquilamento, da proximidade aos pecadores levada até ao extremo, até à náusea pela amargura daquele cálice. Estas são a esperança e a alegria que os dois santos Papas receberam como dom do Senhor ressuscitado, tendo-as, por sua vez, doado em abundância ao Povo de Deus, recebendo sua eterna gratidão.
Esta esperança e esta alegria respiravam-se na primeira comunidade dos crentes, em Jerusalém, de que nos falam os Atos dos Apóstolos (cf. 2, 42-47). É uma comunidade onde se vive o essencial do Evangelho, isto é, o amor, a misericórdia, com simplicidade e fraternidade.

E esta é a imagem de Igreja que o Concílio Vaticano II teve diante de si. João XXIII e João Paulo II colaboraram com o Espírito Santo para restabelecer e atualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária, a fisionomia que lhe deram os santos ao longo dos séculos. Não esqueçamos que são precisamente os santos que levam avante e fazem crescer a Igreja. Na convocação do Concílio, João XXIII demonstrou uma delicada docilidade ao Espírito Santo, deixou-se conduzir e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado. Este foi o seu grande serviço à Igreja; foi o Papa da docilidade ao Espírito.

Neste serviço ao Povo de Deus, João Paulo II foi o Papa da família. Ele mesmo disse uma vez que assim gostaria de ser lembrado: como o Papa da família. Apraz-me sublinhá-lo no momento em que estamos a viver um caminho sinodal sobre a família e com as famílias, um caminho que ele seguramente acompanha e sustenta do Céu.

Que estes dois novos santos Pastores do Povo de Deus intercedam pela Igreja para que, durante estes dois anos de caminho sinodal, seja dócil ao Espírito Santo no serviço pastoral à família. Que ambos nos ensinem a não nos escandalizarmos das chagas de Cristo, a penetrarmos no mistério da misericórdia divina que sempre espera, sempre perdoa, porque sempre ama.
REGINA COELI
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 27 de abril de 2014


Boletim da Santa Sé


Queridos irmãos e irmãs,

Antes de concluir esta festa da fé, desejo saudar e agradecer a todos vocês!

Agradeço aos irmãos cardeais e aos numerosos bispos e sacerdotes de toda parte do mundo.

O meu reconhecimento vai às delegações oficiais de tantos países, que vieram para prestar homenagem aos dois Pontífices que contribuíram de maneira indelével para a causa do desenvolvimento dos povos e da paz. Um especial agradecimento vai às autoridades italianas pela preciosa colaboração.

Com grande afeto saúdo os peregrinos das dioceses de Bérgamo e de Cracóvia! Caríssimos, honrem a memória dos dois santos Papas seguindo fielmente os seus ensinamentos.

Sou grato a todos aqueles que com grande generosidade prepararam estes dias memoráveis: a diocese de Roma com o Cardeal Vallini, o município de Roma com o prefeito Ignazio Marino, as forças da ordem e as várias organizações, as associações e os numerosos voluntários. Obrigado a todos!

A minha saudação vai a todos os peregrinos – aqui na Praça São Pedro, nas ruas adjacentes e outros lugares de Roma – bem como a quantos estão unidos a nós mediante a rádio e a televisão; e obrigado aos dirigentes e aos trabalhadores das mídias, que deram a tantas pessoas a possibilidade de participar. Aos enfermos, aos idosos, para com os quais os santos eram particularmente próximos, chegue uma especial saudação.

E agora dirijamo-nos em oração à Virgem Maria, que São João XXIII e São João Paulo II amaram como seus verdadeiros filhos.

Regina Coeli…





SÁBADO DA OITAVA DE PÁSCOA
O Papa Francisco escreveu ao «Eco di Bergamo» por ocasião da canonização de João XXIII Terreno da santidade

A santidade de Angelo Giuseppe Roncalli brota de «um terreno constituído por uma fé profunda vivida no dia-a-dia, por famílias pobres mas unidas pelo amor ao Senhor, por comunidades capazes de compartilhar na simplicidade». Eis quanto escreveu o Papa Francisco numa mensagem publicada no «Eco di Bergamo» de sexta-feira 25 de Abril por ocasião da canonização de João XXIII.

Queridos amigos de Bergamo

Ao aproximar-se o dia da canonização do Beato João XXIII, senti o desejo de enviar esta saudação ao vosso Bispo Francesco, aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas, aos fiéis leigos da Diocese de Bérgamo, mas também a quantos não pertencem à Igreja e à inteira comunidade civil de Bérgamo.

Sei quanto amais o Papa João XXIII, e quanto ele amava a sua terra. Desde o dia da sua eleição ao Pontificado, o nome de Bérgamo e de Sotto il Monte tornaram-se familiares em todo o mundo e ainda hoje, a cinquenta anos de distância, são associados ao seu rosto sorridente e à sua ternura de pai.

Convido-vos a agradecer ao Senhor o grande dom que a sua santidade representou para a Igreja universal, e encorajo-vos a preservar a memória do terreno no qual ela brotou: um terreno constituído por uma fé vivida no dia-a-dia, por famílias pobres mas unidas pelo amor ao Senhor, por comunidades capazes de compartilhar na simplicidade.

Certamente, a partir de então o mundo mudou, e são novos também os desafios para a missão da comunidade cristã. Todavia, aquela herança pode inspirar ainda hoje uma Igreja chamada a viver a doce e consoladora alegria de evangelizar, a ser companheira do caminho de cada homem, «fonte da aldeia» da qual todos podem haurir a água pura do Evangelho. A renovação desejada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II abriu o caminho, e constitui uma alegria especial que a canonização do Papa Roncalli se realize juntamente com a do beato João Paulo II, o qual levou em frente esta renovação durante o seu longo pontificado.

Tenho certeza de que também a sociedade civil poderá inspirar-se sempre na vida do Papa de Bérgamo e no ambiente que o gerou, procurando modalidades novas e adequadas aos tempos a fim de edificar uma convivência baseada nos valores perenes da fraternidade e da solidariedade.

Queridos irmãos e irmãs, confio esta minha mensagem ao «Eco di Bergamo», do qual o jovem sacerdote Angelo Roncalli foi um estimado colaborador. Quando, sucessivamente, o ministério o levou para longe, ele recebeu sempre das páginas do «Eco» a voz e a chamada da sua terra. Peço-vos para rezar por mim, enquanto garanto a minha recordação e a oração por todos vós, em particular pelos sofredores, pelos doentes — recordando o Hostipal da cidade que quisestes dedicar ao Papa João XXIII — e pelo Seminário diocesano, tão querido ao seu coração. A todos concedo, na iminência das festas pascais, a Bênção Apostólica.

O Papa twittou hoje:

26/04/2014
Ninguém pode sentir-se dispensado da partilha com os pobres nem da justiça social


Briefing sobre as canonizações
Pe. Lombardi: Bento XVI concelebrará com Francisco a missa de canonização de João XXIII e João Paulo II

Cidade do Vaticano, 26.abril.2014 (RV) - Bento XVI concelebrará com o Papa Francisco a missa de canonização dos Papas João XXIII e João Paulo II, neste domingo, 27 de abril, na Praça São Pedro. O anúncio, muito esperado, foi dado pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, no início da última coletiva realizada neste sábado, 26, véspera desse evento histórico.

"O Papa emérito Bento XVI aceitou o convite e comunicou ao Papa Francisco que estará presente na celebração, na manhã deste domingo, e que concelebrará, ou seja, será também concelebrante, isso não quer dizer que estará no altar", sublinhou o porta-voz vaticano.

"Estarão presentes no altar os Cardeais Angelo Sodano, Giovanni Battista Re, Stanislaw Dziwisz, e Agostino Vallini, e também o bispo de Bérgamo.'

"O Papa emérito estará com os cardeais e bispos à esquerda do adro e estaremos todos felizes de contar com a sua presença", concluiu Pe. Lombardi.

Os milagres dos Papas João XXIII e João Paulo II

Vários têm sido os testemunhos importantes nos briefings de imprensa.

O Cardeal Stanislaw Dziwisz esteve presencialmente no Media Center e o Cardeal Capovilla em direto televisivo e foram presenças de grande valor histórico e testemunhal. Mas, os milagres atribuídos e relatados na quinta-feira comoveram quem os ouviu:

A Irmã Caterina Capitani, da Congregação das Filhas da Caridade, miraculada por João XXIII, morreu em 2010. Foi a Irmã Adele Labianca a relatar os fatos.

Desenvolviam juntas atividade na Hospital Pediátrico de Nápoles. Em 1967 tinha 54 anos e há 23 anos que não podia sair da cama devido a abcessos que lhe tinham progressivamente atingido todo o corpo. Intervenções cirúrgicas tinham sido 14. As condições pioravam de dia para dia.

Foi-lhe administrada a unção dos enfermos e uma relíquia do Papa foi-lhe colocada sobre uma das feridas e ela... acordou. A Irmã Adele Labianca relatou o que Irmã Caterina lhes contou dias depois do milagre:

“Senti uma mão apoiada no meu estômago na direção da fistula e uma voz que me chamava do lado esquerdo: ‘Irmã Caterina’ Assustada por ouvir a voz de um homem, virei-me e vi ao meu lado o Papa João em vestes papais que não sei descrever porque olhava só para o seu rosto que era muito belo e sorridente. Ele disse-me: ‘Irmã Caterina rezaste tanto e também tantas irmãs, principalmente uma delas – infelizmente na minha humildade devo dizer que esta uma delas era eu’. Haveis mesmo arrancado do coração este milagre! Mas agora tudo acabou: tu estás bem e não tens mais nada!”

Prodigiosa foi também a cura de Floribeth Mora Diaz, de 51 anos, natural de San José na Costa Rica. Uma mulher muito doente que vivia com o seu marido e os seus 4 filhos. A 8 de abril de 2011 sabe ter apenas um mês de vida devido a um aneurisma. Ela não cede ao desespero e entrega-se à oração pedindo a intercessão de João Paulo II.

“Nesse momento o que eu mais pedia era a intercessão de João Paulo II. Eu dizia sempre:’João Paulo II, tu que estás assim próximo de Deus, diz ao Senhor que eu não quero morrer! Tinha medo de morrer porque tinha os meus filhos... Diz-lhe, por favor, que se eu morro quem tomará conta deles? São muito importantes para mim! Aquilo que eu mais amo são os meus filhos e o meu marido... Sempre pedi para que os protegesse e que não os deixasse sós no momento em que eu me fosse.”

“Depois de ter visto a beatificação de João Paulo II, numa transmissão – eram duas da manhã na Costa Rica – senti qualquer coisa de incrível...

Acordei de manhã, acendi a televisão e encontrei uma transmissão precisamente da beatificação. Recordo que vi o Papa Bento XVI que levava a relíquia... E como acordei adormeci outra vez. Às 8 da manhã acordei mas de uma maneira diferente: ouvi uma voz no meu quarto que me dizia: ‘Levanta-te’.

Eu estava surpreendida e vi que estava só!’ E continuava a ouvir esta voz que dizia e repetia: ‘Levanta-te! Não tenhas medo!’ Imediatamente os meus olhos olharam para a revista que estava em cima da televisão e que tinha saído para a beatificação... Tinha João Paulo II com as mãos levantadas como se fosse um quadro... E as suas mãos estavam levantadas como que a dizer-me para me levantar. E eu respondi: ‘Sim, Senhor!’ E desde daquele dia estou de pé! O Senhor naquele dia tirou-me o medo, tirou-me a agonia e deu-me uma paz, uma paz que me deu a certeza que era sã!”
Depoimento dos secretários de JPII e de JXXIII

Cidade do Vaticano (RV) – Na série de coletivas de imprensa, nestes dias, no átrio da Sala Paulo VI, no Vaticano, em vista da canonização de João Paulo II e de João XXIII, estiveram presentes, na tarde desta sexta-feira, os secretários de JPII e de João XXIII, respectivamente, o Cardeal Stanislaw Dziwisz e o Cardeal Loris Capovilla.

Ao tomar a palavra, o Cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi secretário do beato João Paulo II, por 39 anos, disse textualmente: “Vivi com um santo. A sua santidade consistiu na oração, no sofrimento, na escuta aos outros, como também na sua relação privilegiada com os enfermos, pobres e jovens. Mas, sobretudo, na oração. Eis o seu depoimento:

“Ele rezava com a sua vida. Ele não separava a sua vida da oração. A sua vida era uma oração. Tudo o que fazia passava através da oração. Em suas preces, ele se lembrava de todos, passando de continente em continente, de país em país; ele rezava por diversas intenções: pela paz, pela justiça, pelo respeito das pessoas e dos direitos humanos, enfim, na intenção particular das pessoas. Ele rezou e perdoou o próprio autor do seu atentado na praça São Pedro, no dia 13 de maio.

Ele ofereceu seu sofrimento pela Igreja e pelo mundo. Em suas viagens apostólicas pelo mundo, sobretudo nos países subdesenvolvidos, ele gritava em defesa dos pobres, dos mais necessitados e sofredores. Ele respeitava e acolhia a todos, sem distinção, até os não-cristãos, os judeus, os muçulmanos. Enfim, abateu os muros, que dividiam povos e nações, abrindo a Igreja ao mundo e aproximando o mundo à Igreja. Desde o início do seu longo pontificado, que durou quase 26 anos, João Paulo II manteve uma relação de amizade especial com os jovens, para os quais instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude”.

Por sua vez, o secretário pessoal de João XXIII, Cardeal Loris Capovilla, de quase 99 anos de idade, recordou a imagem do “Papa bom”, como Angelo Rocalli era chamado pelos fiéis.

“Eu não vi morrer um homem idoso, de 81 anos e meio. Vi morrer uma criança, de olhos esplendentes, com o fulgor das águas batismais; ele mantinha o sorriso nos lábios, reflexo da profunda bondade do seu coração. Eu definiria o Papa João XXIII como “homem do sorriso, da inocência e da bondade”. Na hora da sua morte, em 3 de junho de 1963, eu lhe disse: “Santo Padre, estamos aqui, em seu quarto, apenas poucas pessoas... mas a multidão reunida na Praça São Pedro é enorme, comovida e em oração”. E ele replicou: “É normal que seja assim, pois um papa está para morrer. Eu amo todos e sei que eles me amam”!”
Santos

Nunca na história da Igreja de Roma um seu bispo proclamou santos dois predecessores tão próximos no tempo como acontece agora com a canonização de Angelo Giuseppe Roncalli e Karol Wojtyła. Sem dúvida alguma, João XXIII e João Paulo II foram protagonistas na segunda metade do século XX de dois pontificados — o primeiro breve, o segundo bastante longo, até ao início do novo século — dos quais se sente a importância já agora, ainda antes que deste tempo seja permitida uma avaliação fundada em perspectiva histórica.

E todavia, o sentimento dos fiéis — mas também a percepção a partir de fora, até em mundos distantes — precedeu o reconhecimento da Igreja, ao sentir imediatamente a índole extraordinária destas duas figuras de cristãos, muito diversos entre si. O primeiro radicado no catolicismo camponês lombardo do final do século XIX, orientado pela formação romana em terras de fronteira, Papa tradicional e revolucionário; o segundo, fruto maduro e novo de uma fé antiga e provada pelos totalitarismos do século XX, primeiro bispo de Roma não italiano depois de quase meio milénio.

Todavia, a santidade pessoal de Roncalli e de Wojtyła — sancionada por procedimentos canónicos iniciados por Paulo vi e por Bento XVI mas completados pela decisão do seu sucessor Francisco — tem um significado especial. Com efeito, é a luz do Vaticano II, meio século depois do seu encerramento, que ilumina e une as duas canonizações. E, emblematicamente, as únicas imagens fotográficas que retratam juntos o Papa João XXIII e o jovem bispo auxiliar de Cracóvia são aquelas de uma audiência ao episcopado polaco, precisamente na vigília do concílio. Portanto, a sua santidade inscreve-se no contexto do Vaticano II: Roncalli intuiu-o e com coragem tranquila o inaugurou, e Wojtyła viveu-o apaixonadamente como bispo. Assim, o gesto do seu sucessor Francisco — primeiro bispo de Roma que acolheu com convicção o concílio sem nele ter participado — indica não só a exemplaridade de dois cristãos que se tornaram Papas, mas inclusive o caminho comum, por eles marcado, da renovação e da simpatia pelas mulheres e pelos homens do nosso tempo.

SEXTA-FEIRA DE PÁSCOA
Vídeomensagem do Papa aos poloneses pela canonização do Papa João Paulo II

Cidade do Vaticano, 25.abril.2014 (RV) – O Papa Francisco enviou uma vídeomensagem ao povo da Polônia, transmitida na noite desta quinta-feira, em rede nacional, pela televisão polonesa e a rádio nacional, por ocasião da canonização de João Paulo II, que se realizará, no Vaticano, no próximo domingo, dia 27.

O Santo Padre iniciou a sua mensagem, dizendo: “Aproxima-se a canonização daquele grande homem e papa, que passou à história com o nome de JPII. Estou feliz por poder proclamar a sua santidade, no próximo Domingo da Divina Misericórdia. Em nome de todo o Povo de Deus, expresso a minha gratidão a JPII pelo seu incansável serviço e direção espiritual, por introduzir a Igreja no III Milênio da Fé e pelo seu extraordinário testemunho de santidade”.

O Papa recordou o premente apelo que JPII fez no início do seu pontificado a “não ter medo” e a “escancar as portas a Cristo”. E ele foi o primeiro a dar exemplo e a praticar isto. De fato, ele abriu, a Cristo, as portas da sociedade, da cultura, dos sistemas políticos e econômicos, invertindo, com a força que lhe vinha de Deus, uma tendência que parecia irreversível”.

Com seu testemunho de fé, amor e coragem apostólica, este filho exemplar da Nação polonesa ajudou os fiéis do mundo inteiro a não terem medo de ser cristãos, de pertencer à Igreja e de falar do Evangelho. Enfim, ele nos ajudou a não ter medo da verdade, porque ela é garantia da liberdade”.

Todos nós sabemos, continua a mensagem, que “antes de percorrer as estradas do mundo, Karol Wojtyla desenvolveu sua ação apostólica a serviço de Cristo e da Igreja na sua pátria, a Polônia”. Por isso, o Papa Francisco agradeceu o povo polonês e a Igreja na Polônia pelo dom deste grande homem ao mundo. Todos nós ficamos enriquecidos com este precioso dom, que ainda continua a nos inspirar, mediante suas palavras, escritos, gestos, serviço eclesial e, sobretudo, através do seu sofrimento, vivido com esperança heróica.

O Bispo de Roma concluiu sua vídeomensagem convidando todos a viverem, profundamente, a canonização dos beatos JPII e JXXIII, da qual muitos participarão, pessoalmente. Outros, ao invés, terão a oportunidade de seguir este grande evento em seus respectivos países, através dos meios de comunicação social, aos quais o Santo Padre, desde já, agradeceu!

Papa Francisco: tweet desta sexta-feira:

25/04/2014
Não devemos jamais ficar presos no vórtice do pessimismo. A fé move as montanhas.


QUINTA-FEIRA DE PÁSCOA
Papa Francisco: São José de Anchieta comunicou aquilo que experimentou, viu e ouviu do Senhor, essa foi e é a sua santidade

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco celebrou no final da tarde desta quinta-feira, 24.abril.2014, na Igreja de Santo Inácio de Loyola, centro de Roma, uma Missa de Ação de Graças pela Canonização do Pe. José de Anchieta. O decreto que elevou o Apóstolo do Brasil à glória dos altares foi assinado pelo Pontífice no último dia 3 de abril. Com uma significativa presença de fiéis e religiosos brasileiros residentes em Roma, a celebração teve a participação também de autoridades civis e da Igreja no Brasil. A seguir, a homilia do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs,

Nesta quinta-feira da Oitava da Páscoa, em que a luz do Cristo Ressuscitado nos ilumina com tanta clareza, demos graças a Deus também por São José de Anchieta, o apóstolo do Brasil, recentemente canonizado. É uma ocasião de grande alegria espiritual.

No Evangelho que acabamos de ouvir os discípulos não conseguem acreditar tamanha a alegria. Olhemos a cena: Jesus ressuscitou, os discípulos de Emaús contaram sua experiência, e depois o próprio Senhor aparece no Cenáculo e lhe diz: "A paz esteja convosco". Vários sentimentos irrompem no coração dos discípulos: medo, surpresa, dúvida e, finalmente, alegria. Uma alegria tão grande que "que não conseguiam acreditar" – diz o Evangelista. Estavam atônitos, pasmos, e Jesus, quase esboçando um sorriso, lhes pede algo para comer e começa a explicar-lhes, aos poucos, a Escritura, abrindo o entendimento deles para que possam compreendê-la. É o momento do estupor, do encontro com Jesus Cristo, em que tanta alegria não parece ser verdade; mais ainda, assumir o regozijo e a alegria naquele momento nos parece arriscado e sentimos a tentação de refugiar-nos no ceticismo, no "não exagerar". É um relativizar tanto a fé que acaba por distanciar-nos do encontro, da carícia de Deus. É como se "destilássemos" a realidade do encontro no alambique do medo, da segurança excessiva, do querer nós mesmos controlar o encontro. Os discípulos tinham medo da alegria... e também nós.   

A leitura dos Atos dos Apóstolos fala-nos de um paralítico. Ouvimos somente a segunda parte da história, mas todos conhecemos a transformação deste homem, entrevado desde o nascimento, prostrado na porta do Templo a pedir esmola, sem jamais atravessar a soleira, e como seus olhos se fixaram nos apóstolos, esperando que lhe dessem algo. Pedro e João não podiam dar-lhe nada daquilo que ele buscava: nem ouro, nem prata. E ele, que sempre permaneceu na porta, agora entra com seus pés, pulando e louvando a Deus, celebrando suas maravilhas. E sua alegria é contagiosa. Isso é o que nos diz hoje a Escritura: as pessoas estavam cheias de estupor, e maravilhadas acorriam, e em meio àquela confusão, àquela admiração, Pedro anunciava a mensagem. Porque a alegria do encontro com Jesus Cristo, aquela que nos dá tanto medo de assumir, é contagiosa e grita o anúncio; porque "a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração"; a atração testemunhal que nasce da alegria aceita e depois transformada em anúncio. É uma alegria fundada. É uma alegria apostólica, que se irradia, que se expande. Pergunto-me: Sou capaz, como Pedro, de sentar-me ao lado do irmão e explicar lentamente o dom da Palavra que recebi? Sou capaz de convocar ao meu redor o entusiasmo daqueles que descobrem em nós o milagre de uma vida nova, nascida do encontro com Cristo?

Também São José de Anchieta soube comunicar aquilo que tinha experimentado com o Senhor, aquilo que tinha visto e ouvido d'Ele; e essa foi e é a sua santidade. Não teve medo da alegria. São José de Anchieta tem um hino belíssimo dedicado à Virgem Maria, a quem, inspirando-se no cântico de Isaías 52, compara com o mensageiro que proclama a paz, que anuncia a alegria da Boa Notícia. Que Ela, que naquele alvorecer do domingo insone pela esperança, não teve medo da alegria, nos acompanhe em nosso peregrinar, convidando todos a se levantarem, para entrar juntos na paz e na alegria que Jesus, o Senhor Ressuscitado, nos promete.
Papa: evitar ser "cristãos morcegos", que têm medo da alegria da Ressurreição

Cidade do Vaticano, 24.abril.2014 (RV) – Existem cristãos que têm medo da alegria da Ressurreição e a vida deles parece um funeral, mas o Senhor ressuscitado está sempre conosco: foi o que afirmou o Papa Francisco durante a Missa presidida na Casa Santa Marta.

O Evangelho proposto pela liturgia do dia narra a aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos. Na saudação de paz, ao invés de se alegrarem, eles ficam tomados de “espanto e temor”, imaginando ver um espírito. Jesus tenta explicar a eles que o que veem é a realidade, convidando-os a tocarem o seu corpo. Mas – observou o Papa – os discípulos, por causa da alegria, não podiam acreditar.

“Esta é uma doença dos cristãos. Temos medo da alegria. É melhor pensar: ‘Sim, sim, Deus existe, mas está lá; Jesus ressuscitou, mas está lá’. Um pouco de distância. Temos medo da proximidade de Jesus, porque isso nos dá alegria. E assim se explicam os muitos cristãos de funeral, não? Aos quais parece que a vida é um funeral contínuo. Preferem a tristeza, e não a alegria. Movem-se melhor não na luz da alegria, mas nas sombras, como aqueles animais que só conseguem sair à noite, mas à luz do dia não veem nada. Como os morcegos. E com um pouco de senso de humor, podemos dizer que existem cristãos morcegos, que preferem as sombras à luz da presença do Senhor”.

Mas “Jesus, com a sua Ressurreição – prosseguiu o Papa – nos dá a alegria: a alegria de ser cristãos; a alegria de segui-lo de perto; a alegria de caminhar nas estradas das Bem-aventuranças; a alegria de estar com Ele”.

“E nós, tantas vezes, ficamos perturbados ou repletos de medo, acreditamos ver um fantasma ou pensamos que Jesus é um modo de agir: ‘Mas nós somos cristãos e devemos fazer assim’. Mas onde está Jesus? ‘Não, Jesus está no Céu’. Você fala com Jesus? Você diz a Ele: ‘Eu acredito que o Senhor está vivo, que ressuscitou, que está perto de mim, que não me abandona’? A vida cristã deve ser isso: um diálogo com Jesus, porque – isso é verdade – Jesus está sempre conosco, está sempre com os nossos problemas, com as nossas dificuldades, com as nossas boas obras”.

Quantas vezes – disse por fim o Papa Francisco – nós cristãos “não somos felizes porque temos medo!”. Cristãos que foram “derrotados” na Cruz.

“Na minha terra há um ditado que diz: ‘Quando alguém se queima com leite quente, depois, quando vê uma vaca leiteira, chora’. E estes se queimaram com o drama da cruz e disseram: ‘Não, vamos parar por aqui; Ele está no Céu; mas tudo bem, ressuscitou, mas que não venha outra vez aqui porque não aguentaremos’. Peçamos ao Senhor que faça com todos nós o que fez com os discípulos, que tinham medo da alegria: que abra a nossa mente e nos faça entender que Ele é uma realidade viva, que Ele tem corpo, que Ele está conosco e nos acompanha e que Ele venceu. Peçamos ao Senhor a graça de não ter medo da alegria”.

Tweet do Papa Francisco nesta quinta-feira da oitava da Páscoa:

24/04/2014
Um estilo de vida sóbrio é bom para nós e permite-nos uma melhor partilha com os necessitados.


Um fato extraordinário                                                      
    
A Páscoa, maior festa religiosa do calendário cristão, é a celebração da gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo, a sua vitória sobre o pecado, sobre a morte e sobre a aparente derrota da Cruz. Cristo ressuscitou glorioso e triunfante para nunca mais morrer, dando-nos o penhor da nossa vitória e da nossa ressurreição. Choramos a sua Paixão e nos alegramos com a vitória da sua Ressurreição. Para se chegar a ela, para vencer com ele, aprendemos que é preciso sofrer com ele: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). “Que por sua Paixão e Cruz cheguemos à glória da Ressurreição!”. A morte não é o fim. O Calvário não foi o fim. Foi o começo de uma redenção, de uma nova vida. A Páscoa é, portanto, a festa da alegria e a da esperança na vitória futura.
       
Como figura, esta festa já existia no Antigo Testamento. Era a celebração da libertação da escravidão do Egito, na qual sofreram os israelitas, povo de Deus, por muitas gerações, sendo libertados por Moisés que, por ordem do Senhor, fulminou os egípcios com as célebres dez pragas. Na última dessas pragas, na passagem do anjo de Deus (Páscoa quer dizer passagem, em hebraico), os egípcios foram castigados com a morte dos seus primogênitos, ao passo que os hebreus foram poupados por causa do sangue do cordeiro que imolaram, conforme o Senhor havia prescrito. Todos os anos, em ação de graças, eles repetiam, por ordem de Deus, essa ceia de Páscoa: milhares de cordeiros eram imolados na sexta-feira antes da Páscoa.
       
Assim o cordeiro ficou sendo por excelência a vítima do sacrifício. São João Batista, ao apresentar Jesus ao povo, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo!” Esse Cordeiro de Deus, numa sexta-feira antes da Páscoa foi também imolado, realizando, com o seu sangue, a libertação do mundo do pecado, ressuscitando no terceiro dia. Essa é a nossa festa da Páscoa, a festa da Ressurreição de Cristo, o verdadeiro Cordeiro de Deus, o fim do Antigo Testamento e o começo da nova Aliança entre Deus e os homens, o início da Igreja.
       
“Se se considera a importância que tem o sábado na tradição do Antigo Testamento, baseada no relato da criação e no Decálogo, torna-se evidente que só um acontecimento com uma força extraordinária poderia provocar a renúncia ao sábado e sua substituição pelo primeiro dia da semana. Só um acontecimento que se tivesse gravado nas almas com uma força fora do comum poderia haver suscitado uma mudança tão crucial na cultura religiosa da semana. Para isso não teriam bastado as meras especulações teológicas. Para mim, a celebração do Dia do Senhor, que distingue a comunidade cristã desde o princípio, é uma das provas mais fortes de que aconteceu uma coisa extraordinária nesse dia: o descobrimento do sepulcro vazio e o encontro com o Senhor Ressuscitado” (Bento XVI – Jesus de Nazaré II).
       
Feliz e Santa Páscoa para todos: que todos fiquemos alegres com a esperança que Jesus Cristo nos dá com o seu triunfo, penhor da nossa vitória um dia no Céu, onde todos esperamos nos encontrar.
Dom Fernando Arêas Rifan

Bispo da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney
 


Bioética

Orlando Paes Filho - 1144029 ANTROPOLOGIA, ÉTICA E CULTURA

POLO SÃO PAULO 2014

O academicismo da Bioética no Brasil

Prof. Dr. Marco Segre, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP, é considerado um dos precursores e uma referência da Bioética no Brasil. Foi o primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), da qual é hoje Presidente Honorário. É autor e co-autor de vários livros e artigos relacionados ao tema, entre eles, a obra “Bioética”, que ganhou o prêmio Jabuti em Ciências Naturais e Medicina no ano de 1996.

Seguem abaixo, algumas afirmações do Prof. Dr. Marco Segre sobre o tema Bioética:

“A Bioética pode ser conceituada como uma área de reflexão e discussão sobre valores relativos à vida e à saúde humana. Ela é vista hoje pela maioria dos autores como uma área de discussão, onde não há uma ‘bíblia’, ou um conjunto de normas escritas aceitas ou não por todos. Para mim, a Bioética é uma área de reflexão e discussão onde, para situações semelhantes, várias soluções podem ser aceitas, dependendo de fatores culturais e até pessoais. Não há uma uniformidade, um estatuto.”

“Na minha visão, a Bioética disso se diferencia, pois é basicamente uma área de questionamento e de discussão, onde posturas diferentes não devem ser chamadas de certas ou erradas, elas são simplesmente posturas diferentes, e que variam dependendo de características culturais e pessoais.”

“Se há uma unanimidade hoje em Bioética, posso dizer que é o reconhecimento de que ela deve ser multiprofissional, multidisciplinar e essencialmente pluralista.”

“A Bioética começou basicamente com a discussão sobre o aborto, a eutanásia, o fim da vida e a relação médico-paciente. Depois ela cresceu para o lado da ética da experimentação cientifica, à medida que a pesquisa com seres humanos foi se desenvolvendo e surgiram problemas éticos graves, envolvendo a exposição de participantes de pesquisa a riscos elevados e desproporcionais, transformando-os em verdadeiras ‘cobaias’ de estudos. Em um segundo momento, outros temas também passaram a fazer parte da discussão bioética, como a reprodução medicamente assistida, a clonagem de seres humanos e, mais recentemente, temas como a privacidade genética e a utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas e tratamentos, gerando dilemas éticos sobre a vida do embrião.”

Segue-se a isso, uma série de argumentos do Professor Segre, como se a vida humana fosse material banal de estudo da ciência, expondo-a livremente a experimentos e objetivos científicos e intelectuais.

Tal procedimento científico foi adotado no Nazismo com grande entusiasmo da comunidade científica alemã da época, período em questão, em que a Alemanha possuía a mais avançada comunidade científica do planeta, tanto em experimentos, como em artigos publicados e em descobertas científicas.

Os alemães, podemos assim dizer, arrasaram em termos de inovações científicas.

O discurso do Dr. Segre demonstra a falta de comprometimento com qualquer corrente de pensamento ou limites que venham disciplinar essa área científica.

O pensamento do Dr. Segre, segue a corrente Crowliana, em que “faz- se o que quer e é o todo da lei”. A totalidade do pensamento e do desejo humanos e sua consecutiva saciedade não podem possuir barreiras.

Sendo a “disciplina” e “ordem” essenciais para qualquer atividade humana, a elaboração de uma “ética biológica”, deveria, ao menos, tentar de forma austera e estudiosa, impor alguns limites para que a vida humana possua sua sustentabilidade particular e também plena. Imune ao menos, à vontades cientificistas imediatas.

O Dr. Segre diz condenar os experimentos nazistas, mas garante o direito da civilização humana realizar o aborto em liberdade, tendo a civilização moderna, o direito pleno sobre a vida e a concepção.

Afirma ainda o Dr. Marco Segre:

“A minha posição é francamente favorável às pesquisas. Eu acho que a obstaculização da pesquisa é uma maneira se atrasar o desenvolvimento científico.”

Poderia o Dr. Segre trabalhar na equipe do Dr. Joseph Mengele e de todos do staf científico nazista. O Dr. Segre faria dissertações positivas sobre seus experimentos, dizendo estar rompendo barreiras do conhecimento em prol do futuro da humanidade, como fizeram os cientistas arianos na época da Segunda Guerra Mundial.

“É claro que os limites devem ser respeitados, digo, os limites aceitos pela sociedade – volto a dizer, que não são limites fixos, aceitos por todos.”

Na afirmação acima, podemos observar a típica posição “imparcial” para conseguir obter verbas com qualquer ideologia de governo. Ouso aqui completar a frase covarde e mascarada do Dr. Segre: “Na Rússia haja como os comunistas, na Alemanha, haja como os nazistas e nos EUA, haja como um bom maçom.”

Segre segue com suas frases:

“Parece que é uma tentativa tímida ainda de abertura com relação à autonomia do próprio paciente de querer dar fim à vida dele, de querer ter um fim.”

“Gostaria de mencionar, para finalizar, que, para a discussão bioética, não devemos partir de princípios ou conceitos como ‘certo’ e ‘errado’, ‘virtude’ ou ‘pecado’.”

Seguindo o raciocínio do Dr. Segre, tudo se pode, desde que seja dentro do âmbito cultural de uma civilização.

Vejamos na prática os resultados de tal teoria do pensamento.

O horror do canibalismo de fetos na China.

Apenas um exemplo reportado na revista inglesa Life Advocate, de fevereiro de 1995, em um artigo por Denise Billings, entitulado “Canibalismo Federal”: “as culturas de tecido humano são obtidas encaminhando os bebês ainda vivos em moedores de carne e os homogeneizando.”

De acordo com o New England Journal of Medicine. “Agora, o mais repugnante pesadelo está acontecendo: os chineses estão realmente predispostos a comer crianças.”

Doutores chineses estão comendo bebês abortados e vendendo crianças como “alimento” para a saúde. Relatórios do Eastern Express Journal de um doutor que eles entrevistaram declararam que os bebês são “até melhores do que as placentas”, referindo-se ao valor nutricional.

No The Daily Telegraph, na cidade de Bejing, em 13 de abril de 1995, uma história pelos jornalistas Yojana Sharma e Graham Hutchings, repetiu os fatos acerca do canibalismo que acontecia no país. A venda dos bebês devido ao seu valor nutricional não foi omitida. O canibalismo de fetos na China é um fato cultural e aceito pela maioria da população, além de ser aprovado pelo governo chinês.

Uma médica, conhecida apenas como Wang, da Clínica Sin Hua, Shenzhen, foi citada dizendo que, “Os fetos eram até melhores que as placentas” em valor nutricional. “Eles tornam sua pele mais lisa, seu corpo mais forte e são bons para os rins', disse ela.”

Dr. Warren Lee, presidente da Hong Kong Nutrition Association, disse: “Comer fetos é uma medicina chinesa tradicional profundamente baseada nos costumes do povo chinês e da cultura chinesa.”

A cultura do aborto e seus números – China
330 milhões de abortos desde 1971 na China; 1500 por hora: estatísticas do governo
Por JOHN JALSEVAC

Novos dados do Ministério da Saúde da China revelaram que cerca de 330 milhões de abortos foram realizados no país desde 1971, segundo a AFP.

De acordo com pesquisadores do governo chinês, atualmente cerca de 13 milhões de abortos ocorrem anualmente, ou cerca de 1.500 a cada hora, em média.

Assim, ao longo dos últimos 40 anos as autoridades chinesas esterilizaram cerca de 200 milhões de homens e mulheres, e inseriram 400 milhões de dispositivos intra-uterinos.

Sob a “política do filho único da China”, que foi introduzida no final de 1970, os casais chineses estão autorizados a terem apenas um filho, apesar de que em algumas circunstâncias pode ser permitido a casais rurais ter um segundo filho, se o primeiro for uma menina.

A política é aplicada por meio de abortos forçados e esterilizações brutais, e aplicação de multas exorbitantes, muitas vezes o valor da renda anual de uma família.

A preocupação tem sido crescente, inclusive na China com o rápido envelhecimento da população, bem como o significativo desequilíbrio de gênero devido à prevalência de aborto seletivo por sexo. A “política do filho único” está preparando o país para o colapso econômico e social.

O outro lado. O lado da vida – A Igreja Católica

Vejamos abaixo um pouco do outro lado do pensamento sobre vida e ética da vida. Estudemos um pouco do pensamento oficial da Igreja Católica sobre o assunto.

O aborto

A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida.

Antes mesmo de te formares no ventre materno, eu te conheci, antes que saísses do seio, eu te consagrei (Jr 1, 5)

Meus ossos não te foram escondidos quando eu era feito, em segredo, tecido na terra mais profunda (Sl 139,15)

Desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo o aborto provocado. Este ensinamento não mudou. Continua invariável. O aborto direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente contrário à lei moral:

Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém nascido.

Deus, senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida, para ser exercido de maneira condigna ao homem. Por isso a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. O aborto e o infanticídio são crimes nefandos.

A cooperação formal com o aborto constitui uma falta grave. A Igreja sanciona com uma pena canônica de excomunhão este delito contra a vida humana. “Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão “latae setentiae” pelo próprio fato de cometer o delito e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia, manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente morto, a seus pais e a toda sociedade.

O inalienável direito à vida de todo indivíduo humano inocente é um elemento constitutivo da sociedade civil e de toda a legislação.

“Os direitos inalienáveis das pessoas devem ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, e também não representam uma concessão da sociedade e do Estado: pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa em razão do ato criador do qual esta se origina. Entre os direitos fundamentais é preciso citar o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até a morte.”

“No momento em que uma lei positiva priva uma categoria de seres humanos da proteção que a legislação civil lhes deve dar, o Estado nega a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não coloca sua força a serviço dos direitos de todos os cidadãos, particularmente dos mais fracos, os próprios fundamentos de um estado de direito estão ameaçados. Como consequência do respeito e da proteção que devem ser garantidos à criança desde o momento de sua concepção, a lei deverá prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos direitos dela.

Visto que deve ser tratado como uma pessoa desde a sua concepção, o embrião deverá ser defendido em sua integridade, cuidado e curado, na medida do possível, como qualquer outro ser humano.

O diagnóstico pré natal é moralmente lícito “se respeitar a vida e a integridade do embrião e do feto humano, e se está orientado para a sua salvaguarda ou sua cura individual... Está gravemente em oposição com a lei moral quando prevê, em função dos resultados, a eventualidade de se provocar um aborto. Um diagnóstico não deve ser equivalente a uma sentença de morte.

Devem ser consideradas lícitas as intervenções sobre o embrião humano quando respeitam a vida e a integridade do embrião e não acarretam para ele riscos desproporcionados, mas visam à sua cura, à melhora de suas condições de saúde ou à sobrevivência individual.”

Sobre a Interdisciplinaridade da Bioética.

Dr. Marco Segre:

“Em um segundo momento, outros temas também passaram a fazer parte da discussão bioética, como a reprodução medicamente assistida, a clonagem de seres humanos e, mais recentemente, temas como a privacidade genética e a utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas e tratamentos, gerando dilemas éticos sobre a vida do embrião.”

“É importante ressaltar também que a própria definição de ‘Bioética’ está em mudança. No início de nossa conversa, eu conceituei a Bioética como uma área de reflexão e discussão sobre valores relativos à vida e à saúde humana. Porém, poderíamos dizer que temas envolvendo o meio ambiente e os animais não humanos (como, por exemplo, a eticidade do uso de animais em pesquisas) trazem uma alteração à própria definição de Bioética. Poderíamos dizer então que, hoje, a Bioética corresponde a uma área de reflexão e discussão sobre valores relativos à vida e à saúde – não apenas humanas.”

Organizacão Mundial da Saúde:

GENEBRA, 22 de junho de 2012 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um guia que detalha as formas mais eficazes para matar nascituros, com métodos diferentes em vários estágios de desenvolvimento da criança em gestação. O documento é a segunda edição do "Aborto seguro: orientação técnica e política para os sistemas de saúde", que foi publicado originalmente em 2003.

A resposta da Igreja:

“O inalienável direito à vida de todo indivíduo humano inocente é um elemento constitutivo da sociedade civil e de toda a legislação.”

“A Igreja sanciona com uma pena canônica de excomunhão este delito contra a vida humana. “Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão “latae setentiae” pelo próprio fato de cometer o delito e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia, manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente morto, a seus pais e a toda sociedade.”

“É imoral produzir embriões humanos destinados a serem explorados como material biológico disponível.”

“Certas tentativas de intervenção sobre o patrimônio cromossômico ou genético não são terapêuticas, mas tendem à produção de seres humanos selecionados segundo o sexo ou outras qualidades pré estabelecidas. Essas manipulações são contrárias à dignidade pessoal do ser humano, à sua integridade e à sua identidade” única e não reiterável.

O Papa Bento XVI, na publicação Caritas in Veritate, chamava a atenção para o perigo que existe na adoção de uma ética sem um forte compromisso cristão, pois acaba-se por “designar conteúdos muito diversos, chegando-se a fazer passar à sua sombra decisões e opções contrárias à justiça e ao verdadeiro bem do homem” mas é necessário uma ética “amiga da pessoa” (n. 45). Ora, continua ele, a Igreja “tem um contributo próprio e especí́fico para dar, que se funda na criação do homem ‘à imagem de Deus’ (Gn 1, 27), um dado do qual deriva a dignidade inviolável da pessoa humana e também o valor transcendente das normas morais naturais” (n. 45).

REFERÊNCIAS

BÍBLIA SAGRADA.4.ed. São Paulo: Ave Maria,2009.2160p.
PAPA JOÃO PAULO II .Catecismo da Igreja Católica. São Paulo:Loyola. 934p.
SGRECCIA, ELIO. PERSONALIST, Bioethics: Foundations and Applications. Philadelphia: The National Catholic Bioethics Center, 2012. Original em Italiano: Manuale di bioetica. Fondamenti ed etica biomedica. 4th ed. Milan: Vita e Pensiero, 2007.
SGRECCIA, ELIO e M. LUISA DI PIETRO. La trasmissione della vita nell'insegnamento di Giovanni Paolo II. Milan: Vita e Pensiero, 1989.
PAPA JOÃO PAULO II. Man and Woman He Created Them: A Theology Of The Body;
Michael Waldstein. Boston:Pauline Books. 2006.
PE, J. P. ROOTHAAN, Opera Spiritualia, Roma, 1958, pg. 139.
RODRIGUES, Pe. Afonso, S.J., Psicologia da Graça, São Paulo: Loyola. 2006.
Sites: http://www.lifesitenews.com/news/330-million-abortions-since-1971-in-china-government-stats http://www.portaldabioetica.com.br/entrevistas/html/entrevista01.html

QUARTA-FEIRA DE PÁSCOA

Jesus está vivo, não o procuremos entre os mortos – o Papa na audiência geral em dia de S. Jorge



Tempo cinzento em Roma mas uma alegria solar irradiava nos corações das dezenas de milhares de peregrinos presentes na Praça de S. Pedro para a audiência geral com o Papa Francisco nesta quarta-feira, dia 23, dia de S. Jorge. “Porque procurais entre os mortos aquele que está vivo?” – esta frase do Evangelho de S. Lucas serviu de mote para a catequese proposta pelo Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Esta semana é a semana da alegria: celebramos a Ressurreição de Jesus. É uma alegria verdadeira, profunda, baseada na certeza de que Cristo ressuscitado não morre mais, mas está vivo e ativo na Igreja e no mundo. Tal certeza mora nos corações dos crentes daquela manhã de Páscoa, quando as mulheres foram ao sepulcro de Jesus e os anjos disseram a elas: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?”. Estas palavras são como uma pedra milenar na história; mas também uma “pedra de tropeço”, se não nos abrimos à Boa Notícia, se pensam que dê menos cansaço um Jesus morto que um Jesus vivo! Em vez disso, quantas vezes, no nosso caminho cotidiano, temos necessidade de ouvirmos dizer: “Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo?”. Quantas vezes nós procuramos a vida entre as coisas mortas, entre as coisas que não podem dar vida, entre as coisas que hoje são e amanhã não serão mais, as coisas que passam… “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”.

Temos necessidade disso quando nos fechamos em qualquer forma de egoísmo ou de auto-piedade; quando nos deixamos seduzir pelos poderes terrenos e pelas coisas deste mundo, esquecendo Deus e o próximo; quando colocamos as nossas esperanças em vaidades mundanas, no dinheiro, no sucesso. Então a Palavra de Deus nos diz: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Por que estás procurando ali? Aquela coisa não pode te dar vida! Sim, talvez te dará uma alegria de um minuto, de um dia, de uma semana, de um mês… e depois? “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Esta frase deve entrar no coração e devemos repeti-la. Vamos repeti-la juntos três vezes? Façamos um esforço? Todos: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” [repete com a multidão] Hoje, quando voltarmos para casa, digamos essa frase do coração, em silêncio, e nos façamos esta pergunta: por que eu, na vida, procuro entre os mortos Aquele que está vivo? Fará bem a nós.

Não é fácil ser aberto a Jesus. Não se deduz aceitar a vida do Ressuscitado e a sua presença em meio a nós. O Evangelho nos faz ver diversas reações: aquela do apóstolo Tomé, aquela de Maria Madalena e aquela dos dois discípulos de Emaús: faz bem a nós confrontarmo-nos com eles. Tomé coloca uma condição à fé, pede para tocar a evidência, as chagas; Maria Madalena chora, O vê, mas não O reconhece, dá-se conta de que é Jesus somente quando Ele a chama pelo nome; os discípulos de Emaús, deprimidos e com sentimentos de derrota, chegam ao encontro com Jesus deixando-se acompanhar por aquele misterioso andarilho. Cada um por caminhos diversos! Buscavam entre os mortos Aquele que está vivo e foi o mesmo Senhor a corrigir a rota. E eu o que faço? Qual a rota sigo para encontrar o Cristo vivo? Ele estará sempre próximo a nós para corrigir a rota se nós tivermos errado.

“Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). Esta pergunta nos faz superar a tentação de olhar para trás, para aquilo que foi ontem, e nos impele a seguir adiante rumo ao futuro. Jesus não está no sepulcro, é o Ressuscitado! Ele é o Vivo, Aquele que sempre renova o seu corpo que é a Igreja e o faz caminhar atraindo-o para Ele. “Ontem” é o túmulo de Jesus e o túmulo da Igreja, o sepulcro da verdade e da justiça; “hoje” é a ressurreição perene rumo à qual nos impele o Espírito Santo, doando-nos a plena liberdade.

Hoje é dirigida também a nós esta interrogação. Você, por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo, você que se fecha em si mesmo depois de um fracasso e você que não tem mais a força de rezar? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que se sente sozinho, abandonado pelos amigos e talvez também por Deus? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que perdeu a esperança e você que se sente aprisionado pelos seus pecados? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que aspira à beleza, à perfeição espiritual, à justiça, à paz?

Precisamos ouvir repetir e recordarmos sempre a advertência do anjo! Esta advertência, “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo”, ajuda-nos a sair dos nossos espaços de tristeza e nos abre aos horizontes da alegria e da esperança. Aquela esperança que remove as pedras dos sepulcros e encoraja a anunciar a Boa Nova, capaz de gerar vida nova para os outros. Repitamos esta frase do anjo para tê-la no coração e na memória e depois cada um responda em silêncio: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” Repitamos a frase! [repete com a multidão] Vejam, irmãos e irmãs, Ele está vivo, está conosco! Não caminhemos para tantos sepulcros que hoje te prometem alguma coisa, beleza, e depois não te dão nada! Ele está vivo! Não procuremos entre os mortos Aquele que está vivo! Obrigado.

O Papa Francisco no final da catequese saudou também os peregrinos de língua portuguesa:
“Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, especialmentemente aos fiéis de Lisboa e aos diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a fé na Ressurreição nos leva a olhar para o futuro, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!”

Na saudações em língua italiana o Santo Padre referiu em particular a sua proximidade e oração aos trabalhadores da Lucchini de Piombino, em Livorno, na região italiana da Toscânia de quem recebeu uma video-mensagem que referia o quase seguro encerramento desta histórica e importante unidade siderúrgica:“Caros operários, caros irmãos, abraço-vos fraternalmente e aos responsáveis peço de fazerem todos os esforços de criatividade e generosidade para reacender a esperança nos corações destes nossos irmãos e de todas as pessoas desempregadas por causa do desgoverno e da crise econômica. Por favor, abram os olhos e não fiquem com os braços cruzados…”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção!
Boletim Radio Vaticano

TERÇA-FEIRA DE PÁSCOA
Depoimento de Bergoglio sobre João Paulo II: "exerceu todas as virtudes de forma heróica"

Cidade do Vaticano (RV) - "Deponho por ciência direta, portanto, farei referência àquela que foi a minha experiência pessoal com o Servo de Deus João Paulo II". Inicia assim o depoimento que Jorge Mario Bergoglio, então Arcebispo de Buenos Aires, prestou ao processo romano para a causa de beatificação e canonização de João Paulo II, na qualidade de testemunha ocular. O futuro Papa Francisco, então com 69 anos, foi chamado a depor no Tribunal da Diocese de Roma no início do processo, em 2005. O testemunho de Jorge Mario Bergoglio está num artigo publicado no jornal 'Avvenire'.

Sobre os encontros com Wojtyla, Bergoglio destacou "o seu olhar, que era de um homem bom", "a sua grande capacidade de escuta em relação a todos" e também "a memória, eu diria, quase sem limites", pois "ele recordava lugares, pessoas, situações com que teve contato em suas viagens, sinal de que prestava a máxima atenção a cada circunstância, e em particular, em relação às pessoas que encontrava. Sinal este, para mim, de verdadeira e grande caridade", observou o futuro Papa Francisco.

Durante a visita Ad Limina em 2002, Bergoglio recordou que "um dia concelebrava com o Santo Padre e o que me tocou foi a sua preparação para a celebração. Ele estava ajoelhado na sua capela privada em atitude de oração, e vi que de tanto em tanto, ele lia alguma coisa escrita numa folha que tinha diante de si, e após apoiava a testa sobre as mãos. Era evidente que rezava com muita intensidade por aquilo, que penso ser, uma intenção que estava escrita naquele papel. Depois, ele relia alguma outra coisa escrita neste mesmo papel e retomava a atitude de oração e assim por diante. E somente após ter terminado, levantava-se para vestir os paramentos". E a mesma coisa acontecia quando lhe era apresentado pelo Prefeito da Congregação dos Bispos a "lista de propostas para os bispos em dioceses com dificuldades ou com muito trabalho. O Servo de Deus, antes de assinar as nomeações, deixava de lado a lista para refletir e rezar sobre ela, e após dava a resposta oportuna".

Sobre a última fase da vida de Wojtyla, Bergoglio sublinhou que "João Paulo II nos ensinou, não escondendo nada dos outros, a sofrer e a morrer, e isto, na minha opinião, é heróico". "Não deve ser esquecida - acrescentou - a sua particular devoção a Nossa Senhora, que devo dizer, influenciou também a minha piedade. Por fim, não hesito em afirmar que João Paulo II, a meu ver, exerceu todas as virtudes, num sentido global, de forma heróica, dado à constância, ao equilíbrio e à serenidade com que viveu toda a sua existência. E isto foi visível aos olhos de todos, também de não-católicos e daqueles que professam outras religiões, assim como dos agnósticos".

"Eu sempre o considerei um homem de Deus - acrescentou Bergoglio -, assim como a maior parte das pessoas que de alguma forma entravam em contato com ele". "A sua morte - concluiu - foi heróica e esta percepção, acredito que tenha sido universal. Basta pensar às manifestações de afeto e de veneração reservadas a ele, por parte dos fiéis e não-fiéis, no novendial e nos funerais".

SEGUNDA-FEIRA DE PÁSCOA
Regina Caeli: A alegria da Páscoa não é uma maquiagem, mas vem do coração

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta Segunda-feira de Páscoa, 21.abril.2014, o Papa Francisco rezou com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração do Regina Caeli, que neste tempo pascal substitui a oração do Angelus.

Nesta semana, disse o Papa, podemos continuar com as felicitações de Páscoa, como se fosse um único dia. “É o grande dia que o Senhor fez.”
O sentimento dominante que transparece dos relatos evangélicos da Ressurreição é a alegria repleta de estupor, e na Liturgia nós revivemos o estado de espírito dos discípulos pela notícia que as mulheres traziam: Jesus ressuscitou!

“Deixemos que esta experiência, impressa no Evangelho, se imprima também nos nossos corações e transpareça na nossa vida. Deixemos que o estupor jubiloso do Domingo de Páscoa se irradie nos pensamentos, nos olhares, nas atitudes, nos gestos e nas palavras... Mas isso não é uma maquiagem! Vem de dentro, de um coração imerso na fonte desta alegria, como o de Maria Madalena, que chorou pela perda do seu Senhor e não acreditava nos seus olhos vendo-o ressuscitado.”

Quem faz esta experiência, acrescentou o Pontífice, se torna testemunha da Ressurreição, porque num certo sentido ele mesmo ressuscita. Então é capaz de levar um “raio” da luz do Ressuscitado nas diversas situações humanas: naquelas felizes, tornando-as mais belas e preservando-as do egoísmo; e naquelas dolorosas, trazendo serenidade e esperança.

Nesta Semana, disse ainda o Papa, nos fará bem pensar na alegria de Maria, a Mãe de Jesus. Assim como a sua dor foi íntima, a ponto de traspassar a sua alma, do mesmo modo a sua alegria foi íntima e profunda, e desta os discípulos puderam compartilhar.

Através da experiência de morte e ressurreição do seu Filho, vistas, na fé, como a expressão suprema do amor de Deus, o coração de Maria se tornou uma fonte de paz, de consolação, de esperança e de misericórdia. “Todas as prerrogativas da nossa Mãe derivam daqui, da sua participação na Páscoa de Jesus. Ela morreu com Ele; ela ressuscitou com Ele. De sexta-feira até a manhã de domingo, Ela não perdeu a esperança: a contemplamos como Mãe das dores, mas, ao mesmo tempo, Mãe repleta de esperança. Por isso, é a Mãe de todos os discípulos, a Mãe da Igreja”.

“A Ela, silenciosa testemunha da morte e da ressurreição de Jesus, peçamos para nos introduzir na alegria pascal”.


Este foi o tweet do Santo Padre nesta segunda-feira de Páscoa:

21/04/2014
Todo o encontro com Jesus nos enche de alegria, daquela alegria profunda que só Deus nos pode dar.


Mensagem de Páscoa e Bênção Urbi et Orbi
Papa Francisco no Balcão Central da Basílica de São Pedro
Domingo, 20 de abril de 2014


Boletim da Santa Sé

«Christus surrexit, venite et videte».

Amados irmãos e irmãs, boa Páscoa!

Ressoa na Igreja espalhada por todo o mundo o anúncio do anjo às mulheres: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou (…). Vinde, vede o lugar onde jazia» (Mt 28,5-6).

Este é o ponto culminante do Evangelho, é a Boa Nova por excelência: Jesus, o crucificado, ressuscitou!Este acontecimento está na base da nossa fé e da nossa esperança: se Cristo não tivesse ressuscitado, o cristianismo perderia o seu valor; toda a missão da Igreja via esgotar-se o seu ímpeto, porque dali partiu e sempre parte de novo. A mensagem que os cristãos levam ao mundo é esta: Jesus, o Amor encarnado, morreu na cruz pelos nossos pecados, mas Deus Pai ressuscitou-O e fê-Lo Senhor da vida e da morte. Em Jesus, o Amor triunfou sobre o ódio, a misericórdia sobre o pecado, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, a vida sobre a morte.

Por isso, nós dizemos a todos: «Vinde e vede». Em cada situação humana, marcada pela fragilidade, o pecado e a morte, a Boa Nova não é apenas uma palavra, mas é um testemunho de amor gratuito e fiel:é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente,é idoso ou excluído… «Vinde e vede»: o Amor é mais forte, o Amor dá vida, o Amor faz florescera esperança no deserto.

Com esta jubilosa certeza no coração, hoje voltamo-nos para Vós, Senhor ressuscitado!

Ajudai-nos a procurar-Vos para que todos possamos encontrar-Vos, saber que temos um Pai e não nos sentimos órfãos; que podemos amar-Vos e adorar-Vos.

Ajudai-nos a vencer a chaga da fome, agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices.

Tornai-nos capazes de proteger os indefesos??, sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono.

Fazei que possamos cuidar dos irmãos atingidos pela epidemia de ébola na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria, e daqueles que são afetados por tantas outras doenças, que se difundem também pela negligência e a pobreza extrema.

Consolai quantos hoje não podem celebrar a Páscoa com os seus entes queridos porque foram arrancados injustamente dos seus carinhos, como as numerosas pessoas, sacerdotes e leigos, que foram sequestradas em diferentes partes do mundo.

Confortai aqueles que deixaram as suas terras e migrando para lugares onde possam esperar um futuro melhor, viver a própria vida com dignidade e, não raro, professar livremente a sua fé.

Pedimo-Vos, Jesus glorioso, que façais cessar toda a guerra, toda a hostilidade grande ou pequena, antiga ou recente!

Suplicamo-Vos, em particular, pela Síria, para que quantos sofrem as consequências do conflito possam receber a ajuda humanitária necessária e as partes em causa cessem de usar a força para semear morte, sobretudo contra a população inerme, mas tenham a audácia de negociar a paz, há tanto tempo esperada.

Pedimo-Vos que conforteis as vítimas das violências fratricidas no Iraque e sustenteis as esperanças suscitadas pela retomada das negociações entre israelitas e palestinianos.

Imploramo-Vos que se ponha fim aos combates na República Centro-Africana e que cessem os hediondos ataques terroristas em algumas zonas da Nigéria e as violências no Sudão do Sul.

Pedimos-Vos que os ânimos se inclinem para a reconciliação e a concórdia fraterna na Venezuela.

Pela vossa Ressurreição, que este ano celebramos juntamente com as Igrejas que seguem o calendário juliano, vos pedimos que ilumine e inspire as iniciativas de pacificação na Ucrânia, para que todas as partes interessadas, apoiadas pela Comunidade internacional, possam empreender todo esforço para impedir a violência e construir, num espírito de unidade e diálogo, o futuro do País.

Pedimo-Vos, Senhor, por todos os povos da terra:Vós que vencestes a morte, dai-nos a vossa vida, dai-nos a vossa paz!

Tweet de Páscoa do Papa Francisco:

20/04/2014
Cristo ressuscitou! Aleluia!

VIGILIA PASCAL

Papa celebra Vigília Pascal e pede aos cristãos: retornem à Galileia

A cerimônia da Vigília Pascal no Vaticano, foi presidida pelo Papa Francisco neste sábado, 19.abril.2014, e concelebrada por centenas de sacerdotes, bispos e cardeais, na Basílica de São Pedro. A celebração teve início às 20h30 (horário italiano).

Refletindo acerca do Evangelho proposto pela liturgia de hoje, o Papa Francisco destacou a frase de Jesus que ordena às mulheres: “Não tenham medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão. (cf. Mt, 28, 10)”.

“Não tenha medo, é a voz que encoraja”, disse o Papa. “O anúncio das mulheres chegava como uma luz na escuridão. Não tenham medo e vão à Galileia”, enfatizou Francisco.

Segundo o Pontífice, a Galileia é o lugar do primeiro chamado, onde tudo iniciara. “Voltar à Galileia significa reler tudo a partir da cruz e da vitória, sem medo. Não temer. Reler tudo. A pregação, a comunidade, até a traição. Reler tudo a partir do fim que é um novo início”.

Francisco recordou que também para todos os cristãos existe uma Galileia, trata-se do principio do caminho com Jesus. O Batismo, conforme explico o Papa, é também este início de caminhada.

“Ir a Galileia significa redescobrir o nosso batismo como fonte viva; tirarmos energia nova para nossa vivência da fé. Retornar onde a Graça de Deus me tocou e levar calor e luz aos outros irmãos”.

O Santo Padre também explicou que, na vida do cristão, depois do Batismo, existe outra Galileia, uma existencial, a do encontro pessoal com Jesus Cristo. “Ir a Galileia é recordar quando o Senhor nos chamara, disse meu nome e pediu-me para segui-lo. O momento em que Ele me fez sentir que me amara”, esclareceu o Papa.

Papa celebra Vigília Pascal e pede: retornem à Galileia
Crianças, jovens e adultos recebem o Sacramento do Batismo na Vigília Pascal. (Reprodução/CTV)

“Hoje cada um de nós pode recorda-se: qual é a minha Galileia? Eu me recordo? Lembro-me dela? Eu me esqueci? Procure-a, e encontrarás. Diga-me, Senhor, qual é a minha Galileia. Quero voltar lá para encontrar-te e deixar-me abraçar pela Sua misericórdia. Não ter medo!”, exortou o Pontífice.

Durante o rito da Vigília Pascal foram batizados dez catecúmenos (aqueles que se prepararam para o Batismo). O mais novo é uma criança italiana de 7 anos, e o mais velho, um vietnamita de 58 anos. Os outros batizados são originários da Bielorussia, do Senegal, do Líbano e da França.
Canção Nova

O Mistério da Cruz
                                                         
Nem todo dia é santo, nem toda semana. Mas essa é. E única. A Semana Santa. Nela comemoramos os fatos que abalaram e salvaram o mundo: a Paixão, Morte, sepultura e Ressurreição de Jesus Cristo, o seu mistério pascal, esclarecedor dos nossos dramas e enigmas. 
       

Nesta semana, “manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo: nele encontra plena realização toda a ânsia e anelo do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão diante da ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte... Nele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram esses dois mil anos da nossa história da salvação” (Bento XVI - Porta Fidei). “Na sua morte de cruz, cumpre-se aquele virar-se de Deus contra Si próprio, com o qual Ele Se entrega para levantar o homem e salvá-lo — o amor na sua forma mais radical. No mistério pascal, realizou-se verdadeiramente a nossa libertação do mal e da morte” (Bento XVI, Sacramentum Charitatis). 
       

“Do paradoxo da Cruz surge a resposta às nossas interrogações mais inquietantes. Cristo sofre por nós: Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre conosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salvação. Eis por que o crente pode dizer com São Paulo: ‘Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja’ (Cl 1, 24). O sofrimento, aceite com fé, torna-se a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que já não priva da paz e da felicidade, porque é iluminado pelo esplendor da ressurreição” (Mensagem Dia mundial do doente 11-2-2004 B. João Paulo II). 
       

“Ouvimos a Paixão do Senhor. Será bom nos por apenas uma pergunta: Quem sou eu? Quem sou eu, face ao meu Senhor? Sou como Judas, que finge de amar e beija o Mestre para entregá-lo, para traí-lo? Sou eu um traidor? Sou eu como Pilatos? Quando vejo que a situação é difícil, lavo as mãos e não assumo a minha responsabilidade, condenando ou deixando condenar as pessoas? Sou eu como aquela multidão que não sabia bem se estava numa reunião religiosa, num julgamento ou num circo, e escolhe Barrabás? Para ela tanto valia: era mais divertido, para humilhar Jesus. Sou eu como os soldados, que batem no Senhor, cospem-lhe em cima, insultam-no, divertem-se com a humilhação do Senhor? Sou eu como Simão de Cirene que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a levar a cruz? Sou eu como aqueles que passavam diante da Cruz e escarneciam de Jesus: ‘Era tão corajoso! Desça da cruz e nós acreditaremos nele!’. Sou eu como aquelas mulheres corajosas e como a Mãe de Jesus, que estavam lá e sofriam em silêncio? Onde está o meu coração? Com qual destas pessoas me pareço? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana” (Papa Francisco, Domingo de Homilia do Domingo de Ramos).
Dom Fernando Arêas Rifan

Bispo da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney
 


SÁBADO SANTO

O Papa acompanha com apreensão a história do naufrágio do barco sul-coreano, que teve lugar aos 16 de Abril. Num Tweet lançado este Sábado Santo, escreve: "Convido-vos a unirem-se a mim na oração pelas vítimas do trágico naufrágio na Coreia e pelos seus familiares"

SEXTA–FEIRA SANTA

Papa: "Na Cruz, vemos a monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal"

Cidade do Vaticano (RV) – “Nosso Jesus, guia-nos da cruz à ressurreição e ensina-nos que o mal não terá a última palavra, mas o amor, a misericórdia e o perdão”: palavras pronunciadas pelo Papa Francisco ao final da Via-Sacra no Coliseu de Roma – uma meditação que não estava prevista.

Francisco evocou os sofrimentos provocados pela doença e o abandono e condenou as injustiças cometidas por "cada Caim contra o seu irmão".

Após as 14 estações, Francisco disse que Deus colocou na cruz de Cristo o peso dos pecados da humanidade, "a amargura" da traição, a "vaidade" dos prepotentes, a "arrogância dos falsos amigos".

"Era uma cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, como a morte dos entes queridos", afirmou, recordando todavia que era também "uma cruz gloriosa", porque simboliza o amor de Deus, que é maior do que nossas injustiças e nossas traições.

Na cruz vemos a monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal, mas também vemos a imensidão da misericórdia de Deus, que não nos trata segundo os nossos pecados, mas segundo a sua misericórdia.

Diante da cruz de Jesus, vemos, quase tocando com as mãos, quanto somos amados eternamente por Deus – disse ainda o Pontífice, recordando que neste momento nos sentimos seus filhos e não "coisas" ou objetos.

Citando S. Gregório Nazianzeno, o Papa completou: “Nosso Jesus, guia-nos da cruz à ressurreição e ensina-nos que o mal não terá a última palavras, mas o amor, a misericórdia e o perdão. Todos juntos, recordemos os doentes, lembremos todas as pessoas abandonadas sob o peso da cruz, a fim de que encontrem na provação da cruz a força da esperança, da esperança da ressurreição e do amor de Deus".

Injustiças, precariedade, desemprego: cerca de 40 mil fiéis acompanharam, no Coliseu, a procissão com os últimos do mundo, com os “novos crucificados”. Para Francisco, cada estação da Via-Sacra corresponde a uma ferida contemporânea: o peso da crise, os imigrantes, os doentes terminais, a exploração das mulheres, mas também a experiência da prisão, da tortura, da solidão.

Papa Francisco, nesta manhã de Sexta-feira Santa, escreveu em seu twitter:




18/04/2014
Seguir Jesus de perto não é fácil, porque a estrada que Ele escolhe é o caminho da cruz.


QUINTA–FEIRA SANTA


Papa na Missa da Ceia do Senhor: "Servir uns aos outros é a herança que Ele nos deixou"

Cidade do Vaticano (RV) – No final da tarde desta Quinta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu a Missa da Ceia do Senhor no Centro “Santa Maria da Providência”, em Roma, quando repetiu o gesto de Jesus e lavou os pés de 12 deficientes assistidos pela Fundação Padre Gnocchi. A Missa, num clima de muita intimidade e familiaridade, foi concelebrada pelo Presidente da Fundação, Mons. Angelo Bazzari e pelo Capelão do Centro, Padre Pasquale Schiavulli. O coro era formado por internos e por voluntários do Centro que animam a Missa aos domingos.

Na sua breve homilia, antes do rito do Lava-pés, o Santo Padre recordou que aquilo que Jesus fez na última Ceia foi um gesto de entrega. ”É como a herança que nos deixa”, afirmou. “Ele que é Deus se fez servo, servidor nosso. E esta é a herança: também vós deveis ser servidores uns dos outros. E Ele fez este caminho por amor: também vocês deveis amar-vos e serdes servidores no amor.

“E faz este gesto de lavar os pés, que é um gesto simbólico. O faziam os escravos, os servos aos comensais, às pessoas que vinham para a refeição, porque naquele tempo as estradas eram todas de terra e quando entravam em uma casa era necessário lavar-se os pés”.

“E Jesus faz este gesto - disse o Santo Padre - um trabalho, um serviço de escravo, de servo”.

“Nós devemos ser servidores uns dos outros. E por isto a Igreja, no dia de hoje, em que se comemora a Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia, também faz, na cerimônia, este gesto de lavar os pés, que nos recorda que nós devemos ser servos uns dos outros. Agora eu farei este gesto, mas todos nós, no nosso coração, pensemos nos outros e pensemos no amor que Jesus nos disse que devemos ter pelos outros, e pensemos também como podemos servi-los melhor, as outras pessoas. Porque isto Jesus quis de nós”.

Papa insiste em pedir 'alegria' aos sacerdotes


Cidade do Vaticano (RV) – Às 9h30 da manhã desta Quinta-feira Santa, o Santo Padre Francisco presidiu na Basílica Vaticana a Santa Missa do Crisma, Liturgia celebrada neste dia em todas as Igrejas Catedrais. A Missa foi concelebrada pelo Papa com diversos cardeais, bispos e presbíteros.

Na celebração eucarística, os sacerdotes renovam as promessas feitas no momento de sua ordenação (pobreza, castidade e obediência); e são abençoados o óleo dos enfermos, dos catecúmenos e do crisma.

Ungidos com o óleo da alegria

Amados irmãos no sacerdócio!


No Hoje da Quinta-feira Santa, em que Cristo levou o seu amor por nós até ao extremo (cf. Jo 13, 1), comemoramos o dia feliz da instituição do sacerdócio e o da nossa ordenação sacerdotal. O Senhor ungiu-nos em Cristo com óleo da alegria, e esta unção convida-nos a acolher e cuidar deste grande dom: a alegria, o júbilo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso tanto para si mesmo como para todo o povo fiel de Deus: do meio deste povo fiel é chamado o sacerdote para ser ungido e ao mesmo povo é enviado para ungir.

Ungidos com óleo de alegria para ungir com óleo de alegria. A alegria sacerdotal tem a sua fonte no Amor do Pai, e o Senhor deseja que a alegria deste amor «esteja em nós» e «seja completa» (Jo 15, 11). Gosto de pensar na alegria contemplando Nossa Senhora: Maria é «Mãe do Evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288), e creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens. O sacerdote é o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças; por isso, a nossa oração de defesa contra toda a cilada do Maligno é a oração da nossa Mãe: sou sacerdote, porque Ele olhou com bondade para a minha pequenez (cf. Lc 1, 48). E, a partir desta pequenez, recebemos a nossa alegria. Alegria na nossa pequenez!

Na nossa alegria sacerdotal, encontro três características significativas: uma alegria que nos unge (sem nos tornar untuosos, sumptuosos e presunçosos), uma alegria incorruptível e uma alegria missionária que irradia para todos e todos atrai a começar, inversamente, pelos mais distantes.

Uma alegria que nos unge. Quer dizer: penetrou no íntimo do nosso coração, configurou-o e fortificou-o sacramentalmente. Os sinais da liturgia da ordenação falam-nos do desejo materno que a Igreja tem de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu: a imposição das mãos, a unção com o santo Crisma, o revestir-se com os paramentos sagrados, a participação imediata na primeira Consagração… A graça enche-nos e derrama-se íntegra, abundante e plena em cada sacerdote. Ungidos até aos ossos… e a nossa alegria, que brota de dentro, é o eco desta unção.

Uma alegria incorruptível. A integridade do Dom – ninguém lhe pode tirar nem acrescentar nada – é fonte incessante de alegria: uma alegria incorruptível, a propósito da qual prometeu o Senhor que ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16, 22). Pode ser adormentada ou sufocada pelo pecado ou pelas preocupações da vida, mas, no fundo, permanece intacta como o tição aceso dum cepo queimado sob as cinzas, e sempre se pode renovar. Permanece sempre actual a recomendação de Paulo a Timóteo: reaviva o fogo do dom de Deus, que está em ti pela imposição das minhas mãos (cf. 2 Tm 1, 6).

Uma alegria missionária. Sobre esta terceira característica, quero alongar-me mais convosco sublinhando-a de maneira especial: a alegria do sacerdote está intimamente relacionada com o povo fiel e santo de Deus, porque se trata de uma alegria eminentemente missionária. A unção ordena-se para ungir o povo fiel e santo de Deus: para baptizar e confirmar, para curar e consagrar, para abençoar, para consolar e evangelizar.

E, sendo uma alegria que flui apenas quando o pastor está no meio do seu rebanho (mesmo no silêncio da oração, o pastor que adora o Pai está no meio das suas ovelhas), è, por isso, uma «alegria guardada» por este mesmo rebanho. Mesmo nos momentos de tristeza, quando tudo parece entenebrecer-se e nos seduz a vertigem do isolamento, naqueles momentos apáticos e chatos que por vezes nos assaltam na vida sacerdotal (e pelos quais também eu passei), mesmo em tais momentos o povo de Deus é capaz de guardar a alegria, é capaz de proteger-te, abraçar-te, ajudar-te a abrir o coração e reencontrar uma alegria renovada.

«Alegria guardada» pelo rebanho e guardada também por três irmãs que a rodeiam, protegem e defendem: irmã pobreza, irmã fidelidade e irmã obediência.

A alegria do sacerdote é uma alegria que tem como irmã a pobreza. O sacerdote é pobre de alegrias meramente humanas: renunciou a tantas coisas! E, visto que é pobre – ele que tantas coisas dá aos outros –, a sua alegria deve pedi-la ao Senhor e ao povo fiel de Deus. Não deve buscá-la ele mesmo. Sabemos que o nosso povo é generosíssimo a agradecer aos sacerdotes os mínimos gestos de bênção e, de modo especial, os Sacramentos. Muitos, falando da crise de identidade sacerdotal, não têm em conta que a identidade pressupõe pertença. Não há identidade – e, consequentemente, alegria de viver – sem uma activa e empenhada pertença ao povo fiel de Deus (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 268). O sacerdote que pretende encontrar a identidade sacerdotal indagando introspectivamente na própria interioridade, talvez não encontre nada mais senão sinais que dizem «saída»: sai de ti mesmo, sai em busca de Deus na adoração, sai e dá ao teu povo aquilo que te foi confiado, e o teu povo terá o cuidado de fazer-te sentir e experimentar quem és, como te chamas, qual é a tua identidade e fazer-te-á rejubilar com aquele cem por um que o Senhor prometeu aos seus servos. Se não sais de ti mesmo, o óleo torna-se rançoso e a unção não pode ser fecunda. Sair de si mesmo requer despojar-se de si, comporta pobreza.

A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a fidelidade. Não tanto no sentido de que seremos todos «imaculados» (quem dera que o fôssemos, com a graça de Deus!), dado que somos pecadores, como sobretudo no sentido de uma fidelidade sempre nova à única Esposa, a Igreja. Aqui está a chave da fecundidade. Os filhos espirituais que o Senhor dá a cada sacerdote, aqueles que baptizou, as famílias que abençoou e ajudou a caminhar, os doentes que apoia, os jovens com quem partilha a catequese e a formação, os pobres que socorre… todos eles são esta «Esposa» que o sacerdote se sente feliz em tratar como sua predilecta e única amada e ser-lhe fiel sem cessar. É a Igreja viva, com nome e apelido, da qual o sacerdote cuida na sua paróquia ou na missão que lhe foi confiada, é essa que lhe dá alegria quando lhe é fiel, quando faz tudo o que deve fazer e deixa tudo o que deve deixar contanto que permaneça no meio das ovelhas que o Senhor lhe confiou: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 16.17).

A alegria sacerdotal é uma alegria que tem como irmã a obediência. Obediência à Igreja na Hierarquia que nos dá, por assim dizer, não só o âmbito mais externo da obediência: a paróquia à qual sou enviado, as faculdades do ministério, aquele encargo particular… e ainda a união com Deus Pai, de Quem deriva toda a paternidade. Mas também a obediência à Igreja no serviço: disponibilidade e prontidão para servir a todos, sempre e da melhor maneira, à imagem de «Nossa Senhora da prontidão» (cf. Lc 1, 39: meta spoudes), que acorre a servir sua prima e está atenta à cozinha de Caná, onde falta o vinho. A disponibilidade do sacerdote faz da Igreja a Casa das portas abertas, refúgio para os pecadores, lar para aqueles que vivem na rua, casa de cura para os doentes, acampamento para os jovens, sessão de catequese para as crianças da Primeira Comunhão… Onde o povo de Deus tem um desejo ou uma necessidade, aí está o sacerdote que sabe escutar (ob-audire) e pressente um mandato amoroso de Cristo que o envia a socorrer com misericórdia tal necessidade ou a apoiar aqueles bons desejos com caridade criativa.

Aquele que é chamado saiba que existe neste mundo uma alegria genuína e plena: a de ser tomado pelo povo que uma pessoa alguém ama até ao ponto de ser enviada a ele como dispensadora dos dons e das consolações de Jesus, o único Bom Pastor, que, cheio de profunda compaixão por todos os humildes e os excluídos desta terra, cansados e abatidos como ovelhas sem pastor, quis associar muitos sacerdotes ao seu ministério para, na pessoa deles, permanecer e agir Ele próprio em benefício do seu povo.

Nesta Quinta-feira santa, peço ao Senhor Jesus que faça descobrir a muitos jovens aquele ardor do coração que faz acender a alegria logo que alguém tem a feliz audácia de responder com prontidão à sua chamada.

Nesta Quinta-feira santa, peço ao Senhor Jesus que conserve o brilho jubiloso nos olhos dos recém-ordenados, que partem para «se dar a comer» pelo mundo, para consumar-se no meio do povo fiel de Deus, que exultam preparando a primeira homilia, a primeira Missa, o primeiro Baptismo, a primeira Confissão… É a alegria de poder pela primeira vez, como ungidos, partilhar – maravilhados – o tesouro do Evangelho e sentir que o povo fiel volta a ungir-te de outra maneira: com os seus pedidos, inclinando a cabeça para que tu os abençoes, apertando-te as mãos, apresentando-te aos seus filhos, intercedendo pelos seus doentes… Conserva, Senhor, nos teus sacerdotes jovens, a alegria de começar, de fazer cada coisa como nova, a alegria de consumar a vida por Ti.

Nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que confirme a alegria sacerdotal daqueles que têm muitos anos de ministério. Aquela alegria que, sem desaparecer dos olhos, pousa sobre os ombros de quantos suportam o peso do ministério, aqueles sacerdotes que já tomaram o pulso ao trabalho, reúnem as suas forças e se rearmam: «tomam fôlego», como dizem os desportistas. Conserva, Senhor, a profundidade e a sábia maturidade da alegria dos sacerdotes adultos. Saibam orar como Neemias: a alegria do Senhor é a minha força (cf. Ne 8, 10).

Enfim, nesta Quinta-feira sacerdotal, peço ao Senhor Jesus que brilhe a alegria dos sacerdotes idosos, sãos ou doentes. É a alegria da Cruz, que dimana da certeza de possuir um tesouro incorruptível num vaso de barro que se vai desfazendo. Saibam estar bem em qualquer lugar, sentindo na fugacidade do tempo o sabor do eterno (Guardini). Sintam, Senhor, a alegria de passar a chama, a alegria de ver crescer os filhos dos filhos e de saudar, sorrindo e com mansidão, as promessas, naquela esperança que não desilude.




Papa Francisco convida a contemplar o Crucificado, beijá-lo e dizer: "Obrigado, Jesus!"


Muita gente na Praça de S. Pedro para a audiência geral desta Semana Santa:

Caros irmãos e irmãs, bom dia! (Texto integraj)

Hoje, no meio da Semana Santa, a liturgia nos apresenta um episódio triste: a história da traição de Judas, que vai até os líderes do Sinédrio para mercantilizar e entregar a eles o seu Mestre. “Que me dareis se vos entregar Jesus?”. Cristo, nesse momento, tem um preço. Este ato dramático marca o início da Paixão de Cristo, um caminho doloroso que Ele escolhe com liberdade absoluta.

Ele mesmo diz claramente: “Eu dou a minha vida… Ninguém a tira de mim; eu a dou por mim mesmo. Eu tenho poder para entregá-la e autoridade para tomá-la novamente”(Jo 10,17-18). E assim, com essa traição, começa o caminho da humilhação, da espoliação de Jesus. Como se ele estivesse no mercado: isso custa trinta moedas de prata… Uma vez no caminho da humilhação e da desapropriação, Jesus o percorre até o fim.

Jesus chega à humilhação completa com a “morte de cruz”. Trata-se da pior morte, pois era reservada para escravos e criminosos. Jesus era considerado um profeta, mas morre como um criminoso. Olhando para Ele em Sua Paixão, como podemos ver em um  espelho os sofrimentos da humanidade, encontramos a resposta divina para o mistério do mal, da dor, da morte. Tantas vezes, sentimos horror pelo mal e a dor que nos rodeia, e perguntamos: “Por que Deus permite isso?”. É uma ferida profunda para nós ver o sofrimento e a morte, especialmente o a dos inocentes! Quando vemos crianças sofrendo,  é uma ferida para o coração, é o mistério do mal. Jesus toma todo esse mal, todo esse sofrimento sobre si mesmo. Nesta  semana, será bom olhar para o crucifixo, beijar as feridas de Jesus, beijá-Lo no crucifixo. Ele tomou sobre si todo o sofrimento humano e se revestiu desse sofrimento.

Esperamos que Deus, em Sua onipotência, derrote a injustiça, o mal, o pecado e o sofrimento com uma vitória divina triunfante. Em vez disso, Deus nos mostra uma vitória humilde que parece humanamente um fracasso. Podemos dizer que Ele vence no fracasso. O Filho de Deus, de fato, parece na cruz um homem derrotado: sofre, é traído, caluniado e, por fim,  morre. Mas Jesus  permite que o mal esteja sobre Ele; assim, o toma para si e o vence. Sua Paixão não é um acidente; sua morte – aquela morte – foi “escrita”. Realmente, não encontramos muitas explicações. É um mistério desconcertante, o mistério da grande humildade de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho único” (Jo 3, 16).

Nesta semana,  pensamos tanto na dor de Jesus e dizemos para nós mesmos: isto é por mim. Mesmo que eu fosse a única pessoa no mundo, Ele o teria feito. Ele fez isso por mim. Beijamos o crucifixo e dizemos: ‘Por mim,  obrigado Jesus, por mim’.

Quando tudo parece perdido, quando não resta ninguém, porque golpearam o “pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersaram” (Mt 26,31), é aí, então, que Deus intervém com o poder da ressurreição.

A ressurreição de Jesus não é o fim de um conto de fadas feliz, não é o fim feliz de um filme,  mas a intervenção de Deus Pai quando a esperança humana estava perdida. No momento em que tudo parece perdido,  no momento de dor, no qual muitas pessoas sentem que precisam descer da cruz, é o momento mais próximo da Ressurreição. A noite fica mais escura, pouco antes de começar a  manhã, antes de começar a luz. No momento mais sombrio, Deus intervém e ressuscita.

Jesus, que escolheu passar por esse caminho, nos chama a segui-Lo no mesmo caminho de  humilhação. Quando em determinados momentos da vida encontramos alguma saída para nossas dificuldades, quando nos afundamos na escuridão mais espessa, é o momento da nossa humilhação e espoliação total, a hora em que nós experimentamos que somos fracos e pecadores. É próprio, neste momento, que não devemos mascarar o nosso fracasso, mas nos abrir, com confiança, à esperança em Deus, como fez Jesus.

Queridos irmãos e irmãs, nesta semana, nos fará bem pegar o crucifixo na mão e beijá-lo muito, muito, e dizer: “Obrigado, Jesus! Obrigado, Senhor!”. Que assim seja.
Boletim Radio Vaticano

A verdadeira libertação

– Questão de prioridade e foco –
                                                                                                                  
“É para a liberdade que Cristo nos libertou” é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, frase tirada da Epístola de São Paulo aos Gálatas (5,1). Mas o Apóstolo continua: “Sim, irmãos, fostes chamados à liberdade, mas não abuseis da liberdade...” (Gl 5, 13). “Liberdade” é realmente uma palavra sedutora e pode se tornar perigosa. Por isso há que compreendê-la no correto sentido, como nos explica a Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”:
          “O Evangelho de Jesus Cristo é mensagem de liberdade e força de libertação...

A libertação é antes de tudo e principalmente libertação da escravidão radical do pecado. A liberdade dos filhos de Deus – dom da graça – é sua principal meta. Logicamente, demanda a libertação de múltiplas escravidões de ordem cultural, econômica, social e política, que, positivamente, derivam do pecado e causam muitos obstáculos que impedem as pessoas de viver segundo a sua dignidade. Fazer o discernimento com clareza do que é fundamental e o que faz parte das consequências é requisito indispensável para a reflexão teológica sobre a libertação”.
        

“Diante da urgência dos problemas existentes, algumas pessoas se veem tentadas a priorizar a libertação das servidões de ordem terrena e temporal de tal maneira, que parecem relegar a um segundo plano a libertação do pecado, não lhe atribuindo a devida importância primordial.  A apresentação dos problemas por elas propostos se torna, assim, confusa e ambígua. Servem-se de instrumentos de pensamento que é difícil, e até mesmo impossível, purificar de uma inspiração ideológica incompatível com a fé cristã”. Queremos despertar a atenção “para os desvios e riscos de desvio prejudiciais à Fé e vida cristã, inerentes a certas formas de teologia da libertação as quais, de modo insuficientemente criterioso, recorrem a conceitos tomados em diferentes correntes do pensamento marxista” (1984, Edições CNBB).
          

A propósito, recordemos a Profissão de Fé do Povo de Deus, do Papa Paulo VI: “Reino de Deus, começado aqui na terra na Igreja de Cristo, ‘não é deste mundo’ (cf. Jo 18,36), ‘cuja figura passa’ (cf. 1Cor 7,31), e também que o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. Mas, com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles ‘não possuem aqui na terra uma morada permanente’ (cf. Hb 13,14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes...”.          
Dom Fernando Arêas Rifan

Bispo da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney
 
                                                                   

Bartolomeu I fala sobre o próximo encontro com o Papa Francisco

Istambul (RV) - "Hoje, talvez mais do que 50 anos atrás, existe a necessidade urgente de reconciliação e isso faz com que o próximo encontro com o nosso irmão Papa Francisco, em Jerusalém, seja um evento de grande significado e expectativa."

Essas palavras foram proferidas pelo Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, numa entrevista à Agência Sir em que o patriarca explicou as razões que levarão os líderes das duas Igrejas a se encontrarem em Jerusalém nos dias 25 e 26 de maio próximo, para comemorar os 50 anos do encontro nessa cidade entre o Papa Paulo VI e o Patriarca de Constantinopla, Atenágoras I.

Várias questões pedem hoje uma ação conjunta e uma única voz da parte das Igrejas, como "o sofrimento das pessoas em todos os cantos do planeta, o abuso da religião para fins políticos e de outro tipo, as dificuldades que os cristãos do mundo inteiro enfrentam, sobretudo nas áreas onde a Igreja cristã, prescindindo da identidade confessional, nasceu e cresceu; as injustiças contra as pessoas mais vulneráveis da sociedade contemporânea e o alarme crise ecologia que ameaça a integridade e a sobrevivência da criação de Deus: tudo isso exige uma ação conjunta e resolução dos problemas que ainda nos dividem. Existe a necessidade urgente de reconciliação", disse ainda Bartolomeu I na entrevista.

"Estamos convencidos de que os líderes das Igrejas devem dar passos decisivos para reconciliar a cristandade dividida e responder às necessidades urgentes de nosso tempo. Certamente o Papa Francisco é um líder sincero e altruísta, que se preocupa com a divisão da Igreja como também pelo sofrimento do nosso mundo", disse ainda o patriarca.

Fazendo um balanço do caminho percorrido nos últimos 50 anos de diálogo, Bartolomeu I admitiu: "Não há dúvida de que o caminho das duas Igrejas nos últimos 50 anos não tenha sido fácil. No entanto, o espírito de amor fraterno e respeitoso tomou felizmente o lugar da antiga polêmica alimentada por suspeitas e julgamentos. Ainda há muito a fazer e o caminho parece ser longo. Essa estrada, no entanto, deve ser realizada não obstante as dificuldades. Não há outra alternativa", concluiu o Patriarca Ecumênico de Constantinopla.

Homilias matutinas do Papa suspensas durante período pascal

Cidade do Vaticano (RV) – A partir desta segunda-feira, 14 de abril, e por todo o período pascal, estão suspensas as Missas matutinas que o Papa Francisco celebra na capela de sua residência, na Casa Santa Marta.

As próximas missas estão programadas para a quinta-feira, 24, e terça-feira, 29 de abril.

As missas às 7h da manhã que o Papa celebra pessoalmente, fazendo breves homilias sobre as leituras do dia, representam uma das novidades mais relevantes do seu pontificado. Trata-se de um magistério “diário”, através do qual Francisco alcança milhares de católicos, que aguardam diariamente suas reflexões.

As homilias são breves e são fruto da reflexão do Pontífice, que não segue um “roteiro” ao momento de pronunciá-las. O que chega ao público é uma síntese do que foi dito, e não o pronunciamento integral – elaborada pela Rádio Vaticano e pelo jornal L’Osservatore Romano.

As reflexões estão agora disponíveis em dois livros, intitulados “Homilias da manhã”. O primeiro volume reúne as homilias de 22 de março a 6 de julho de 2013. O segundo as de 2 de setembro de 2013 a 31 de janeiro de 2014.


O Papa Francisco twittou nesta terça-feira:

15/04/2014
Todo o encontro com Jesus nos muda a vida.

Navarro-Valls: João Paulo II santo também pelo modo como comunicava Deus

Cidade do Vaticano (RV) - Próximo a João Paulo II, por mais de 20 anos, o ex- diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Joaquim Navarro-Valls, está vivendo com emoção esses dias que antecedem a Canonização de Karol Wojtyla. A Rádio Vaticano pediu a Navarro-Valls que falasse sobre a herança que Wojtyla deixou ao mundo da comunicação:

Recordo o nosso primeiro encontro com a intuição de uma nova página para a história do Pontificado. João Paulo II jovem – como Papa – com aquela incisividade, abertura, alegria, com aquele caráter intencional que havia, eu o via certamente como uma nova página da história do Pontificado. E hoje com o tempo, isso vem sido confirmado e multiplicado por toda uma geração. Tem sido um ponto de referência, não só para a história da Igreja, mas para a história da humanidade em todos os níveis, desde os intelectuais às pessoas simples, disse Navarro-Valls.

Em algum momento neste seu longo tempo de serviço junto a João Paulo II você começou a pensar: “Este homem é um santo, não é somente um grande Papa. Este homem é um santo”...

JN: Este momento aconteceu muito cedo: logo no início, quando eu estava próximo e trabalhava com ele, as primeiras vezes que eu o vi simplesmente rezar. Naquele momento eu tive certeza disso: este homem é um santo; a intimidade com Deus era evidente, isto corresponde à característica da santidade segundo os critérios da Igreja católica.

João Paulo II era um comunicador naturalmente extraordinário. Segundo o senhor, diante desse carisma, podemos encontrar elementos de santidade.

JN: Certamente, a expressão “o grande comunicador” referindo a João Paulo II, é verdadeira. Nele me parecia que o belo, o bom e verdadeiro parecia na sua comunicação assim unida que entendiam claramente a qualidade da comunicação pelo conteúdo daquilo que estava comunicando. Em resumo, ele comunicava Deus, tornava a virtude amável, fazia proposições que podiam preencher uma existência. Penso que essa foi a virtude da sua comunicabilidade, não tanto pelo aspecto puramente formal.

No âmbito da comunicação social qual herança você acha que é mais duradoura para a Igreja, do testemunho santo de João Paulo II?

JN: João Paulo II era completamente diferente! Penso que tenha permanecido como um modo de evangelizar, de comunicar a verdade cristã. Esta afirmação da verdade cristã deve ser proposicional. Por exemplo, João Paulo II falava muito mais da beleza do amor humano do que os riscos de uma sexualidade caprichosa. Quase jamais falava sobre o egoísmo, ao invés, falava de como seria estupendo um mundo feito de generosidade. Este modo intencional de comunicar as verdades cristãs entusiasma, atrai e eu penso que isto fica de exemplo, o ensinamento de João Paulo II.


Padre não é funcionário ou burócrata: advertência do Papa à Comunidade do Seminário interdiocesano do sul do Lácio

“Ai dos maus pastores que apascentam a si mesmos e não ao rebanho!”. Esta forte admoestação dos profetas foi recordada pelo Papa Francisco, ao receber, nesta segunda-feira, 14.abril.2014, os estudantes e superiores do Seminário inter-regional de Anagni, que serve a região do Lácio, a sul de Roma. Um Seminário conhecido como “pontifício” e “leoniano”, pois foi criado pelo Papa Leão XIII, em finais do século XIX.

O Papa Francisco recordou o objectivo de todo e qualquer Seminário: “preparar os futuros ministros ordenados, num clima de oração, de estudo e de fraterna”. É - sublinhou – “esta atmosfera evangélica, esta vida plena de Espírito Santo e de humanidade, que consente aos que nela se imergem assimilar dia a dia os sentimentos de Jesus Cristo, o seu amor ao Pai e à Igreja, a sua dedicação sem reservas ao Povo de Deus”.

“Vós, caros seminaristas, não vos estais preparando para exercer uma profissão, para vos tornardes funcionários de uma empresa ou de um organismo burocrático. Cuidado, estai atentos a não cair nisso! “

Trata-se, isso sim, de irem-se tornando “pastores à imagem de Jesus, Bom Pastor”, para serem como Ele apascentando as suas ovelhas.
Quem não se sentir disposto a seguir este caminho, com esta atitude e orientação – advertiu o Papa – “tenha a coragem de procurar outra estrada”, pois há muitos modos, na Igreja, de dar testemunho cristão.

Para além da Comunidade do Colégio Leoniano de Anagni, o Papa Francisco recebeu ainda, nesta segunda de manhã, em audiências sucessivas:
- o cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais; e – o cardeal Agostino Vallini, seu Vigário para a diocese de Roma.

Papa Francisco, tweet de hoje:

14/04/2014
A Semana Santa é um bom momento para nos confessarmos e voltarmos à reta estrada.



Celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 13 de abril de 2014

Homilia do Papa Francisco

Esta semana começa com a procissão festiva com os ramos de oliveira: todo o povo acolhe Jesus. As crianças, os jovens cantam, louvam Jesus.

Mas esta semana segue adiante no mistério da morte de Jesus e da sua ressurreição. Ouvimos a Paixão do Senhor. Fará bem a nós nos fazermos somente uma pergunta: quem sou eu? Quem sou eu diante do meu Senhor? Quem sou eu diante de Jesus que entra em festa em Jerusalém? Sou capaz de exprimir a minha alegria, de louvá-Lo? Ou tomo distância? Quem sou eu, diante de Jesus que sofre?

Escutamos tantos nomes, tantos nomes. O grupo de líderes, alguns sacerdotes, alguns fariseus, alguns mestres da lei, que tinham decidido matá-Lo. Esperavam a oportunidade para prendê-Lo. Eu sou como um deles?

Escutamos também um outro nome: Judas. 30 moedas. Sou como Judas? Ouvimos também outros nomes: os discípulos que não entendiam nada, que adormeciam enquanto o Senhor sofria. A minha vida está adormecida? Ou sou como os discípulos, que não entendiam o que era trair Jesus? Como aquele outro discípulo que queria resolver tudo com a espada: sou como eles? Sou como Judas, que finge amar e beija o Mestre para entregá-Lo, pra traí-lo? Eu sou traidor? Sou como aqueles líderes que com pressa fazem o tribunal e procuram falsas testemunhas: sou como eles? E quando faço estas coisas, se as faço, acredito que com isto salvo o povo?

Eu sou como Pilatos? Quando vejo que a situação está difícil, lavo as minhas mãos e não sei assumir a minha responsabilidade e deixo condenar – ou condeno eu – as pessoas?

Sou como aquela multidão que não sabia bem se estava em uma reunião religiosa, em um julgamento ou em um circo, e escolhe Barrabás? Para eles é o mesmo: era mais divertido, para humilhar Jesus.

Sou como os soldados que atingem o Senhor, cospem Nele, insultam-No, se divertem com a humilhação do Senhor?

Eu sou como o Cirineu, que voltava do trabalho, cansado, mas teve a boa vontade de ajudar o Senhor a carregar a cruz ?

Eu sou como aqueles que passavam diante da Cruz e zombavam de Jesus: “Era tão corajoso! Desça da cruz, e nós vamos acreditar Nele”. Zomba-se de Jesus…

Sou como aquelas mulheres corajosas, e como a Mãe de Jesus, que estavam ali, sofrendo em silêncio?

Sou como José, o discípulo escondido, que leva o corpo de Jesus com amor, para levá-lo à sepultura?

Sou como as duas Marias, que permanecem diante do Sepulcro chorando, rezando?

Eu sou como aqueles líderes que no dia seguinte foram a Pilatos para dizer: “Olha, ele dizia que iria ressuscitar. Que não seja mais um engano!”, e bloqueiam a vida, bloqueando o sepulcro para defender a doutrina, para que a vida não venha para fora?

Onde está o meu coração? Com qual destas pessoas eu me pareço? Que esta pergunta nos acompanhe durante toda a semana.
Boletim da Santa Sé - Tradução: Jéssica Marçal
Angelus – Jovens brasileiros passam Cruz da JMJ aos de Cracóvia

Ao término desta celebração, dirijo uma saudação especial aos 250 delegados – bispos, sacerdotes, religiosos e leigos – que participaram do encontro sobre Jornadas Mundiais da Juventude organizado pelo Pontifício Conselho para os Leigos. Começa assim o caminho de preparação do próximo encontro mundial, que será realizado em julho de 2016 em Cracóvia e que terá como tema “Bem aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” (Mt 5, 7).

Daqui a pouco, jovens brasileiros entregarão aos jovens poloneses a Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude. A confiança da cruz aos jovens foi realizada há 30 anos pelo beato João Paulo II: ele pediu que a levassem a todo o mundo como sinal do amor de Cristo pela humanidade.

No próximo dia 27 de abril, todos teremos a alegria de celebrar a canonização deste Papa, junto com João XXIII. João Paulo II, que foi o iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude, se tornará seu grande patrono; na comunhão dos santos continuará a ser para os jovens do mundo um pai e um amigo.

Peçamos ao Senhor que a Cruz, junto com o ícone de Maria Salus Populi Romani seja sinal de esperança para todos revelando o amor invencível de Cristo.

[Passagem da Cruz]

Saúdo todos os romanos e peregrinos! Saúdo em particular as delegações do Rio de Janeiro e de Cracóvia, guiados por seu arcebispo, os Cardeais Orani João Tempesta e Stanislaw Dzwisz.

Neste contexto, tenho a alegria de anunciar que, se Deus quiser, em 15 de agosto próximo, em Daejeon, na República da Coreia, encontrarei os jovens da Ásia em seu grande encontro continental.

E agora nos dirijamos à Virgem Maria, para que nos ajude a seguir sempre com fé o exemplo de Jesus.

Angelus Domini…

O escândalo da dor inocente - O Papa Francisco recordou o início da Semana Santa

Só Cristo dá sentido ao escândalo da dor inocente. É a reflexão que surge sistematicamente no momento em que a Igreja se prepara para celebrar a Semana Santa, o escândalo da cruz e a glória da ressurreição. Foi quanto o Papa Francisco quis recordar na manha de 12 de Abril, recebendo um grupo de médicos, aos quais pediu que olhem para o Crucifixo enquanto cumprem o próprio trabalho diário ao lado de quem sofre. O seu convite foi dirigido aos participantes no congresso da Sociedade italiana de cirurgia oncológica. Um encontro, disse, que o levou a pensar «em todos os homens e mulheres que vós curais, e rezo por eles».

Em seguida, o Papa Francisco refletiu sobre um tema que propõem frequentemente, ou seja, que «a experiência da dor e do sofrimento não dizem respeito só à dimensão corpórea, mas ao homem na sua totalidade». E precisamente a partir deste destaque, o bispo de Roma evidenciou «a exigência de uma cura integral, que considere a pessoa na sua globalidade e una à cura médica também o apoio humano, psicológico e social, o acompanhamento espiritual e a ajuda dos familiares do doente». Relativamente aos progressos da pesquisa científica, o Papa realçou o seu nobre valor quando se trata de dar «respostas às expectativas e às esperanças de muitos doentes no mundo inteiro», tendo sempre em mente que a «pessoa humana é criada à imagem e semelhança de Deus» e é «unidade de corpo e espírito».

E sobre a necessidade de um diálogo constante entre ciência e fé, o Pontífice recordou também o discurso dirigido aos membros do Pontifício Comité das Ciências Históricas, recebidos em audiência no final da plenária dedicada à comemoração do 60º aniversário do organismo instituído a mando de Pio XII.

Acolhido «com respeito na companhia mundial dos estudos históricos» e inserido desde há anos no diálogo e na cooperação com instituições culturais e centros académicos de numerosas nações, o Pontifício Comité já pode «oferecer um contributo específico – frisou o Pontífice – ao diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo». Enfim, mencionando os próximos compromissos do Comité, o Papa recordou o congresso internacional que coincide com o centenário do início da primeira guerra mundial, durante o qual serão evidenciadas «as iniciativas diplomáticas da Santa Sé ao longo daquele trágico conflito e a contribuição dada pelos católicos e por outros cristãos, ajudando os feridos, os prófugos, os órfãos e as viúvas, e também procurando os desaparecidos.

Tweet do Papa Francisco, hoje:

12/04/2014
Como é doce estar diante do Crucifixo, ficar simplesmente sob o olhar cheio de amor do Senhor!

Papa na missa matutina: "O diabo existe também no século XXI. Aprendamos do Evangelho a combatê-lo

«O demônio existe também no século XXI e nós devemos aprender do Evangelho como lutar» contra ele para não cair na armadilha. Mas não devemos ser «ingénuos».

Portanto, é necessário conhecer as suas estratégias para as tentações que têm sempre «três características»: começam devagar, depois aumentam por contágio e, por fim, encontram o modo para se justificarem. O Papa Francisco admoestou que não devemos pensar que falar do demónio hoje é algo «antigo» e precisamente sobre esta questão focalizou a sua meditação na missa celebrada na sexta-feira, 11 de Abril, na capela de Santa Marta.

O Pontífice falou explicitamente de «luta». Aliás, explicou, também «a vida de Jesus foi uma luta: ele veio para vencer o mal, para vencer o príncipe deste mundo, para vencer o demónio». Jesus lutou contra o demónio que o tentou várias vezes e «sentiu na sua vida as tentações e também as perseguições». Assim «também nós cristãos, que queremos seguir Jesus, e que por meio do batismo estamos precisamente no caminho de Jesus, devemos conhecer bem esta verdade: também nós somos tentados, inclusive nós somos objeto do ataque do demônio». Isto acontece «porque o espírito do mal não quer a nossa santidade, não quer o testemunho cristão, não deseja que sejamos discípulos de Jesus».

Mas, perguntou-se o Papa, «como faz o espírito do mal para nos afastar do caminho de Jesus com a sua tentação?». A resposta a esta interrogação é decisiva. «A tentação do demônio – explicou o Pontífice – tem três características e nós devemos conhecê-las para não cair nas armadilhas». Em primeiro lugar, «a tentação começa levemente mas cresce, cresce sempre». Depois «contagia outro»: «transmite-se para outro, procura ser comunitária». E, por fim, para tranquilizar a alma, justifica-se». Portanto, as características da tentação exprimem-se com três palavras: «cresce, contagia e justifica-se».

Vê-se claramente também na «primeira tentação de Jesus» no deserto, que «parece quase uma sedução. O demônio age lentamente» e o mesmo faz com Adão e Eva, porque ele segue a tática da «sedução»: fala «quase como se fosse um mestre espiritual, como se fosse um conselheiro».

Mas se «a tentação for rejeitada», depois «cresce e torna-se mais forte». Jesus, explica o Papa, adverte sobre isto no Evangelho de Lucas. Pois, o mesmo aconteceu com ele, como narra o trecho evangélico de João (10, 31-42) proposto pela liturgia. «O demônio – afirmou o Pontífice – envolve estes inimigos de Jesus que, a este ponto, falam com ele com as pedras nas mãos», prontos para o eliminar. E aqui «vê-se claramente a força deste crescimento» por contágio da tentação. Assim «o que aparecia como um fio de água, um pequeno riacho de água tranquilo, torna-se maré, um rio caudaloso que te leva na corrente». Porque, precisamente, a tentação «cresce sempre e contagia».

A terceira característica da tentação do demônio é que «no final se justifica». O Papa Francisco, a este propósito, recordou a reação do povo quando Jesus regressou «pela primeira vez à casa de Nazaré» e foi à sinagoga. Num primeiro momento, todos ficaram surpreendidos com as suas palavras, em seguida eis que surge imediatamente a tentação: «Mas ele não é o filho de José o carpinteiro, e de Maria? Com qual autoridade fala se nunca frequentou a universidade nem estudou?». Portanto, procuraram justificar o seu propósito de o «assassinar naquele momento, de o derrubar do monte».

Também no trecho de João os interlocutores de Jesus querem matá-lo, a ponto que «têm as pedras nas mãos e discutem com ele». Assim «a tentação envolveu todos contra Jesus»; e todos «se justificam» por isso. Na opinião do Papa Francisco «o ponto mais alto, mais forte da justificação é o do sacerdote»
, quando diz: “Não sabem que é melhor que um homem morra para salvar o seu povo?”

“Temos uma tentação que cresce: cresce e contagia os outros. Pensemos numa intriga, por exemplo: sinto inveja de uma pessoa. Primeiro é um sentimento pessoal, mas depois tenho que compartilhá-lo com o outro. Cresce e vai contagiando… Mas este é o mecanismo das intrigas e todos nós somos tentados a fazê-las! Talvez alguns de vocês não, se são santos, mas também eu sinto esta tentação! É uma tentação cotidiana. Mas começa assim, suavemente, como uma gota de água. Depois cresce e, no fim, se justifica”.

Eis por que razão, afirmou ainda o Pontífice, devemos prestar «atenção quando no nosso coração sentimos algo que acabará por destruir as pessoas, destruir a reputação, a nossa vida, levando-nos à mundanidade, ao pecado». Devemos estar «atentos – acrescentou – porque se não pararmos a tempo aquela gota de água, quando cresce e contagia será uma maré tão grande que nos levará a justificarmo-nos do mal».

«Todos somos tentados – afirmou o Pontífice – porque a lei da nossa vida espiritual, da nossa vida cristã, é uma luta». E isto é uma consequência do fato que «o príncipe deste mundo não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo».

Certamente, concluiu, «alguém de vós – talvez, não sei – pode dizer: mas padre, como é antigo, falar do demônio no século XXI!». Mas, reafirmou «olhai que o demônio existe! O demônio existe também no nosso século. E não devemos ser ingênuos. Devemos aprender do Evangelho como lutar contra ele».
L'Osservatore Romano
Papa aos venezuelanos: a violência jamais conduz à paz

Cidade do Vaticano (RV) – Venezuela deve vencer conflito com o diálogo, diz Papa.

Francisco envia mensagem à Venezuela por ocasião do encontro entre governo e opositores.

“A violência jamais poderá trazer a paz”, destacou o Papa Francisco em mensagem enviada à Venezuela, nesta sexta-feira, 11.abril.2014,  em ocasião da abertura do primeiro encontro para a pacificação do país. O telegrama foi enviado por meio do Núncio Apostólico na Venezuela, Dom Aldo Giordano, que participará das reuniões em Caracas, com a presença do presidente venezuelano, Nicolás Maduro,  líderes da oposição e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O Papa agradeceu pelo convite feito à Santa Sé para participar do processo de diálogo e de paz no país.  “A cada um de vocês desejo, em primeiro lugar, assegurar a minha oração, para que o encontro e o processo que estão iniciando produzam os frutos desejados de reconciliação nacional e de paz, dons que nós pedimos a Deus para todo o povo venezuelano”, afirmou.

“Através do diálogo se pode redescobrir a base comum e compartilhada que conduz a superar o momento atual de conflito e polarização, que fere tão profundamente a Venezuela, para encontrar formas de colaboração”, enfatizou o Papa.

Francisco destaca ainda a sua preocupação pela  “dor vivida por tantas pessoas” atingidas pelos constantes conflitos no país entre o governo e a oposição. Ele ressaltou o seu afeto por todos os venezuelanos, especialmente pelas vítimas das violências e por seus familiares.

“No respeito e no reconhecimento das diferenças que existem entre as partes se favorecerá o bem comum. Todos vocês, de fato, compartilham o amor pelo seu país e pelo seu povo, como também pelas graves preocupações relacionadas à crise econômica, à violência e à criminalidade (…). Isso vocês têm em comum, e os motiva ao dialogo”, destacou.

Nesta manhã de sexta-feira, o Papa Francisco também twittou:

11/04/2014
Só a confiança em Deus pode transformar a dúvida em certeza, o mal em bem, a noite numa alvorada radiosa.
O Papa Francisco pede perdão pelos abusos feitos por alguns sacerdotes Da parte das crianças

O Papa Francisco pediu perdão pelos abusos contra menores perpetrados por alguns sacerdotes. Fê-lo diante dos membros do Departamento internacional católico para a infância (Bice), recebidos em audiência esta manhã, 11 de Abril, na Biblioteca privada. Num trecho longo do discurso improvisado disse que se sente chamado a assumir «todo o mal» praticado por alguns sacerdotes e «a pedir perdão pelo dano que causaram e pelos abusos sexuais contra as crianças».

A Igreja – acrescentou – está ciente deste dano. É um dano pessoal e moral, mas de homens de Igreja. E não queremos dar um passo atrás no que se refere ao tratamento deste problema e às sanções que devem ser cominadas. Ao contrário, creio que devemos ser muito fortes. Com a vida das crianças não se brinca!»

Depois o Santo Padre dirigiu a sua atenção às muitas formas de violência que sofrem as crianças – do trabalho escravo ao recrutamento como soldados e a todos os tipos de malvadez – reivindicando com decisão o seu direito a crescer numa família, com um pai e uma mãe capazes de criar um ambiente idóneo ao seu desenvolvimento. Mas sobretudo condenou sem meias-palavras todas as tentativas de submeter as crianças aos «horrores da manipulação educativa» e da experimentação no campo da formação: «não são cobaias de laboratório», frisou.

Na sucessiva audiência ao Movimento italiano pela vida o Papa Francisco confirmou a sua condenação ao aborto e à «cultura do descartável». O ser humano, disse, não é um produto «descartável». A vida humana «é sagrada e inviolável» e «todos os direitos civis – evidenciou – se apoiam no reconhecimento do primeiro e fundamental direito, à vida, que não está subordinado a condição alguma, qualitativa, económica e ideológica». Hoje, insistiu o Pontífice, «devemos dizer “não” a uma economia da exclusão e da iniquidade» porque «esta economia mata». E entre as suas vítimas recordou em particular «as crianças e os avós», que são «a esperança de um povo».
L’Osservatore Romano


A ditadura do pensamento único mata a liberdade dos povos e das consciências – o Papa em Santa Marta

A ditadura do pensamento único mata a liberdade dos povos e das consciências – esta a principal mensagem do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 10.abril.2014, na Capela da Casa de Santa Marta.

A homilia do Santo Padre toma como principal estímulo a leitura do Evangelho de S. João proposta pela liturgia do dia, para explicar a recusa dos fariseus à mensagem de Jesus. Segundo o Papa Francisco o erro dos fariseus foi terem retirado os mandamentos do coração de Deus. Pensavam que tudo se resolvesse na observância dos mandamentos – sublinhou o Santo Padre – mas estes não são uma lei fria porque nascem de uma relação de amor. Mas o coração estava fechado para isto.

“É um pensamento fechado que não está aberto ao diálogo, à possibilidade de que haja uma outra coisa, à possibilidade de que Deus nos fale, nos diga como é o seu caminho, como fez com os profetas. Esta gente não tinha escutado os profetas e não escutava Jesus.”

“Não há possibilidade de diálogo, não há possibilidade de abrir-se às novidades que Deus trás com os profetas. Fecharam os profetas, esta gente; fecham a porta à promessa de Deus. E quando na história da humanidade vem este fenómeno do pensamento único, quantas desgraças. No século passado nós vimos todos as ditaduras do pensamento único que acabaram por matar tanta gente...”

Segundo o Papa Francisco também hoje em dia existe uma idolatria do pensamento único que retira a liberdade dos povos e das consciências.

“Hoje deve-se pensar assim e se tu não pensas assim, não és moderno, não és aberto ao diálogo ou pior ainda. Tantas vezes dizem alguns governantes: ‘eu peço uma ajuda financeira’; ‘mas se tu queres uma ajuda tens que pensar assim e deves fazer esta lei e outra ainda... Também hoje existe a ditadura do pensamento único e esta ditadura é a mesma desta gente: pega na pedras para lapidar a liberdade dos povos, a liberdade da gente, a liberdade das consciências, a relação da gente com Deus. E hoje Jesus é crucificado outra vez.”
Radio Vaticano

Esta foi a mensagem que o Santo Padre deixou, hoje, em seu twitter:

10/04/2014
Jesus ensina-nos a não ter vergonha de tocar a miséria humana, de tocar a sua carne nos irmãos que sofrem.
Um gesto para dizer "basta!" - Papa aos participantes na II Conferência sobre Tráfico de seres humanos

Deslocando-se ao fim da manhã, desta quinta-feira, 10.abril.2014, à Aula Magna da Academia das Ciências, nos jardins do Vaticano, onde decorreram os trabalhos, o Papa Francisco dirigiu a palavra aos 120 participantes, sublinhando que este encontro, importante, é “um gesto”:

“É um gesto. Um gesto da Igreja, um gesto das pessoas de boa vontade, que pretende gritar “basta!”

“O tráfico de seres humanos é uma chaga – uma chaga! - no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo. É um delito contra a humanidade.

O fato de nos encontrarmos aqui, para unir os nossos esforços, significa que queremos que as estratégias e competências sejam acompanhadas e reforçadas pela compaixão evangélica, pela proximidade aos homens e mulheres que são vítimas deste crime”.

O Santo Padre referiu com apreço a participação neste encontro de “autoridades policiais, especialmente empenhadas em contrastar este triste fenômeno com os instrumentos e o rigor da lei”, e ao mesmo tempo “operadores humanitários, cuja principal tarefa é oferecer às vítimas acolhimento, calor humano e possibilidade de resgate”. Trata-se de “abordagens diferentes, mas que podem e devem caminhar conjuntamente”, pelo que é “muito importante confrontar-se e dialogar a partir destes dois modos complementares de abordar” as situações – observou o Papa, que concluiu agradecendo a colaboração de todos.
Radio Vaticano
Lógica de Deus: da periferia ao centro e daí à periferia - Papa aos alunos e professores da Universidade Gregoriana

10.abril.2014, ao meio dia, na Sala Paulo VI, o Santo Padre acolheu a numerosa Comunidade da Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, do Pontifício Instituto Bíblico e do Pontifício Instituto Oriental (ao todo umas cinco mil pessoas, entre estudantes e professores). Três instituições agregadas entre si e confiadas à Companhia de Jesus, como recordou logo no início do seu discurso o Papa Francisco, recomendando que se intensifiquem a colaboração e as sinergias, encarando o futuro com criatividade, com uma visão global da situação e dos desafios atuais.

O Santo Padre sublinhou como especialmente significativo o facto de estas instituições académicas se encontrarem desde sempre estabelecidas em Roma, com tudo o que isso comporta de ligação à Igreja e a um passado e um presente eclesiais: as memórias dos Apóstolos e Mártires, no passado, mas também o hoje desta “Igreja que preside à caridade, ao serviço da unidade e à universalidade”. Tudo isto – advertiu o Papa Francisco – precisa de ser “vivida o valorizado”, com um empenho institucional mas também pessoal, de cada um.

Aliás, outro aspeto a ter bem presente é a variedade das Igrejas de proveniência, das culturas dos que formam estas comunidades acadêmicas.

“Esta é uma das inestimáveis riquezas das instituições romanas! Oferece uma preciosa ocasião de crescimento na fé e de abertura da mente e do coração ao horizonte da catolicidade.Dentro deste horizonte, a dialética entre centro e periferia assume uma forma própria, a forma evangélica, segundo a lógica de Deus, que chega ao centro a partir da periferia e para tornar à periferia”.

Um outro aspeto recordado pelo Papa foi a “relação entre estudo e vida espiritual”. O empenho intelectual, no ensino e na investigação, será tanto mais fecundo e eficaz quanto mais animado for pelo amor a Cristo e à Igreja, quanto mais sólida e harmoniosa for a relação entre estudo e oração”. Papa Francisco recorda a necessidade de estudar “com a mente aberta e de joelhos”. “É necessária uma verdadeira hermenêutica evangélica para perceber melhor a vida, o mundo, os homens”.

É questão de “uma atmosfera espiritual de investigação e certeza baseada sobre as verdade da razão e da fé”. “O bom teólogo e filósofo tem um pensamento incompleto”, “sempre em desenvolvimento”, que – como diz São Vicente de Lérins – “se consolida com os anos, se dilata com o tempo, se aprofunda com a idade”.

A concluir, o Santo Padre recordou ainda que é “eclesial” o objetivo dos estudos em qualquer Universidade Pontifícia. A Universidade Gregoriana, o Instituto Bíblico, o Instituto Oriental – advertiu – “não são máquinas para produzir teólogos e filósofos; são comunidades em que se cresce… em família”. É indispensável “criar uma atitude de humanidade e de sabedoria concreta que faça dos estudantes de hoje pessoas capazes de construir humanidade, de transmitir a verdade em dimensão humana, sabendo que se faltar a bondade e a beleza de pertencer a uma família de trabalho se acaba por ser um intelectual sem talento… um pensador carecido do esplendor da beleza, apenas “maquiado” de formalismos”.
Radio Vaticano

Na audiência-geral, Papa inicia novo ciclo de catequeses dedicado aos dons do Espírito Santo



Queridos irmãos e irmãs, bom dia! (texto completo)

Iniciamos hoje um ciclo de catequeses sobre os dons do Espírito Santo. Vocês sabem que o Espírito Santo constitui a alma, a seiva vital da Igreja e de cada cristão: é o amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em comunhão conosco. O Espírito Santo está sempre conosco, está sempre em nós, no nosso coração.
O próprio Espírito é “o dom de Deus” por excelência (cfr Jo 4, 10), é um presente de Deus e à sua volta comunica a quem o acolhe diversos dons espirituais. A Igreja identifica sete, número que simbolicamente diz plenitude, completude; são aqueles que se aprendem quando nos preparamos ao sacramento da Confirmação e que invocamos na antiga oração chamada “Sequência ao Espírito Santo”. Os dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor a Deus

1. O primeiro dom do Espírito Santo, segundo este elenco, é então a sabedoria. Mas não se trata simplesmente da sabedoria humana, que é fruto do conhecimento e da experiência. Na Bíblia conta-se que Salomão, no momento da sua coroação como rei de Israel, tinha pedido o dom da sabedoria (cfr 1 Re 3, 9). E a sabedoria é justamente isso: é a graça de poder ver cada coisa com os olhos de Deus. É simplesmente isso: é ver o mundo, ver as situações, as conjunturas, os problemas, tudo, com os olhos de Deus. Esta é a sabedoria. Algumas vezes vemos as coisas segundo o nosso prazer ou segundo a situação do nosso coração, com amor ou com ódio, com inveja… Não, estes não são os olhos de Deus. A sabedoria é aquilo que faz o Espírito Santo em nós a fim de que nós vejamos todas as coisas com os olhos de Deus. É este o dom da sabedoria.

2. E obviamente isto deriva da intimidade com Deus, da relação íntima que nós temos com Deus, da relação de filhos com o Pai. E o Espírito Santo, quando nós temos esta relação, nos dá o dom da sabedoria. Quando estamos em comunhão com o Senhor, é como se o Espírito Santo transfigurasse o nosso coração e o fizesse perceber todo o seu calor e a sua predileção.

3. O Espírito Santo torna ainda o cristão “sábio”. Isto, porém, não no sentido de que tem uma resposta para cada coisa, que sabe tudo, mas no sentido de que “sabe” de Deus, sabe como Deus age, conhece quando uma coisa é de Deus e quando não é de Deus; tem esta sabedoria que Deus dá aos nossos corações. O coração do homem sábio neste sentido tem o gosto e o sabor de Deus. E quão importante é que nas nossas comunidades haja cristãos assim! Tudo neles fala de Deus e se torna um sinal belo e vivo da sua presença e do seu amor. E isto é uma coisa que não podemos improvisar, que não podemos procurar por nós mesmos: é um dom que Deus faz àqueles que se tornam dóceis ao Espírito Santo. Nós temos dentro de nós, no nosso coração, o Espírito Santo; podemos escutá-Lo, podemos não escutá-Lo. Se nós escutamos o Espírito Santo, Ele nos ensina esta via da sabedoria, presenteia-nos com a sabedoria que é ver com os olhos de Deus, ouvir com os ouvidos de Deus, amar com o coração de Deus, julgar as coisas com o juízo de Deus. Esta é a sabedoria que nos dá o Espírito Santo e todos nós podemos tê-la. Somente devemos pedi-la ao Espírito Santo.

Pensem em uma mãe, em sua casa, com as crianças que, quando uma faz uma coisa, a outra pensa em outra, e a pobre mãe vai de um lado a outro, com os problemas das crianças. E quando as mães se cansam e gritam com as crianças, isto é sabedoria? Repreender as crianças – pergunto-vos – é sabedoria? O que vocês dizem: é sabedoria ou não? Não! Em vez disso, quando a mãe pega a criança e a repreende docemente e lhe diz: ‘Isto não se faz por isso…’ e lhe explica com tanta paciência, isto é sabedoria de Deus? Sim! É aquilo que nos dá o Espírito Santo na vida! Depois, no matrimônio, por exemplo, os dois esposos – o esposo e a esposa – brigam e depois não se olham ou se o fazem é com a cara amarrada: isto é sabedoria de Deus? Não! Em vez disso, se diz: ‘Bem, a tempestade passou, façamos as pazes’, e recomeçam a seguir adiante em paz: isto é sabedoria? [o povo: Sim!] Sim, este é o dom da sabedoria. Que esteja casa, que esteja com as crianças, que esteja com todos nós!

E isto não se aprende: isto é um presente do Espírito Santo. Por isto, devemos pedir ao Senhor que nos dê o Espírito Santo e nos dê o dom da sabedoria, daquela sabedoria de Deus que nos ensina a olhar com os olhos de Deus, a ouvir com o coração de Deus, a falar com as palavras de Deus. E assim, com esta sabedoria, vamos adiante, construímos a família, construímos a Igreja e todos nos santificamos. Peçamos hoje a graça da sabedoria. E peçamos à Nossa Senhora, que é a sede da sabedoria, este dom: que Ela nos dê esta graça. Obrigado!


No final da catequese o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis brasileiros de Belém e de Rio Bonito e aos universitários de Portugal, desejando-vos de prosperar na sabedoria que vem de Deus, a fim de que, tornados peritos das coisas de Deus, possais comunicar aos outros a sua doçura e o seu amor. Desça, sobre vós e vossas famílias, a abundância das suas bênçãos.”

No final da audiência o Papa Francisco fez um apelo para a paz na Síria:

“Na segunda-feira passada, em Homs, na Síria, foi assassinado o Rev. Padre Frans Van der Lugt, um meu confrade jesuíta holandês de 75 anos, a viver na Síria há cerca de 50 anos, que sempre fez bem a todos, com gratuidade e amor e por isso era amado e estimado por cristãos e muçulmanos.”

“O seu brutal assassínio encheu-me de profunda dor e fez-me pensar ainda a tanta gente que sofre e morre naquele massacrado país, já há demasiado tempo vítima de um conflito sanguinoso que continua a dar morte e destruição. Penso também às numerosas pessoas raptadas, cristãos e muçulmanos, sírios e de outros países, entre os quais bispos e sacerdotes. Peçamos ao Senhor que possam voltar rapidamente aos seus caros e às suas famílias e comunidades.”

“De coração vos convido a todos, a unirem-se à minha oração para a paz na Síria e na região, e lanço um renovado apelo aos responsáveis sírios e à comunidade internacional: por favor, calem-se as armas, coloque-se um fim à violência! Não mais guerra e destruição! Respeite-se o direito humanitário, tenha-se atenção à população necessitada de assistência humanitária e chegue-se à desejada paz através do diálogo e a reconciliação.”

O Santo Padre rezou a Maria, Rainha da paz…

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!

Boletim da Santa Sé, 9.abril.2014 – Tradução: Jéssica Marçal e Radio Vaticano

O Bispo de Roma precisa do conselho, prudência e experiência de seus coirmãos no episcopado, diz Francisco

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco nomeou Bispo, nesta terça-feira, 8.abril.2014, o subsecretário do Sínodo para os Bispos, Mons. Fabio Fabene. Numa carta, o Papa motiva a nomeação com o desejo de conferir ulterior valor à colegialidade que a instituição do Sínodo sempre reforçou e difundiu em meio século de existência.

Uma nomeação querida pelo Santo Padre para tornar "mais manifesto o apreciado serviço" que a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos oferece "em favor da colegialidade episcopal com o Bispo de Roma".

Numa longa carta dirigida ao secretário geral do Sínodo dos Bispos, Cardeal Lorenzo Baldisseri, o Pontífice explica com essas palavras as razões da nomeação episcopal de Mons. Fabio Fabene.

O Papa elogia a perspicácia de seus predecessores, em particular, de Paulo VI e João Paulo II, o primeiro por ter criado a instituição do Sínodo dos Bispos, e o segundo – escreve – por ter reconhecido "o bem enorme que este faz à Igreja".

"De fato, afirma o Papa Francisco, a extensão e a profundidade do objetivo dado à instituição sinodal derivam da amplidão inexorável do mistério e do horizonte da Igreja de Deus, que é comunhão e missão."

"Por isso, se devem e se podem buscar formas sempre mais profundas e autênticas do exercício da colegialidade sinodal, para melhor realizar a comunhão eclesial e para promover a sua inexorável missão."

Portanto, à distância de 50 anos de sua criação, "consciente de que para o exercício do meu Ministério Petrino é necessário, mais do que nunca, reavivar ainda mais o laço estreito com todos os Pastores da Igreja, desejo valorizar esta preciosa herança conciliar" – afirma o Papa –, com a elevação do encargo de subsecretário do Sínodo dos Bispos à dignidade episcopal.

"Não há dúvida – reconhece Francisco – de que o Bispo de Roma precisa da presença de seus Coirmãos Bispos, do conselho e da prudência e experiência deles."

"O Sucessor de Pedro deve sim proclamar a todos quem é "o Cristo, o Filho do Deus vivo", mas, ao mesmo tempo, deve prestar atenção àquilo que o Espírito Santo suscita nos lábios daqueles que, acolhendo a palavra de Jesus que declara: "Tu és Pedro...", participam plenamente do Colégio Apostólico".

O Papa termina a carta dizendo-se "muito grato àqueles que, com um trabalho generoso, assíduo e competente, asseguraram, em todos estes anos, que a instituição sinodal contribuísse para o imprescindível diálogo entre Pedro e seus Coirmãos"

Papa na missa da manhã: "A Cruz não é um enfeite"

Cidade do Vaticano (RV) – “Não existe cristianismo sem Cruz”. É o que afirmou o Papa na missa da manhã desta terça-feira, 8.abril.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice ressaltou que “não há possibilidade de sairmos sozinhos de nossos pecados” e reiterou que “a Cruz não é um enfeite para ser colocado no altar, mas o mistério do amor de Deus”.

Em caminho no deserto, o povo murmurava contra Deus e contra Moisés, mas quando o Senhor mandou as serpentes, o povo admitiu seu pecado e pediu um sinal da salvação. O Papa Francisco se inspirou na primeira leitura, extraída do Livro dos Números, e refletiu sobre a morte no pecado. Ele observou que Jesus alertou os fariseus dizendo-lhes: “Morrerão em seu pecado”.

“Não há possibilidade de sairmos sozinhos de nosso pecado. Estes doutores da lei, as pessoas que ensinavam a lei, não tinham uma idéia clara sobre isto. Acreditavam, sim, no perdão de Deus, mas se sentiam fortes, sapientes; e fizeram da religião e da adoração a Deus uma cultura com valores, reflexões e mandamentos... pensavam que o Senhor pudesse perdoar”.

No deserto, o Senhor ordenou que Moisés fizesse uma serpente abrasadora e a colocasse numa haste. Quem fosse mordido e a contemplasse viveria. “O que é a serpente?”, perguntou o Papa. “É o sinal do pecado, como vimos no Genesis, quando a serpente seduziu Eva e lhe propôs o pecado”, respondeu Francisco.

“Deus mandou hastear o pecado como uma bandeira da vitória. Isto é difícil de entender se não compreendermos o que Jesus nos diz no Evangelho”. Ele disse aos Judeus: “Quando levantarem o Filho do homem, saberão quem eu sou”. “No deserto, disse Francisco, foi hasteado o pecado, mas um pecado que procurava salvação, porque ali seria curado. Quem foi levantado, sublinhou o Pontífice, foi o Filho do homem, o verdadeiro Salvador, Jesus Cristo”.

“O cristianismo não é uma doutrina filosófica, não é um programa de sobrevivência, não serve para nos educar, ou para fazer as pazes. Estas são consequências. O cristianismo é uma pessoa, uma pessoa levantada na Cruz, alguém que renunciou a si para nos salvar; que se fez pecado.

Assim como no deserto foi elevado o pecado, aqui foi elevado Deus, que se fez homem e se fez pecado por nós. E todos os nossos pecados estavam lá. Não se pode entender o cristianismo sem entender esta humilhação profunda do Filho de Deus, que se humilhou e se fez servo até a morte e morte de Cruz, para servir”.


É por isso que o Apóstolo Paulo, quando fala sobre o que lhe envaidece, diz “os pecados”. “Nós não temos outra coisa de que nos orgulhar: esta é a nossa miséria”.

O coração da salvação de Deus “é seu Filho, que assumiu todos os nossos pecados, as nossas soberbias, as nossas seguranças, nossas vaidades, nosso anseio de ser como Deus”. “Nossas chagas, que deixam o pecado em nós, se curam somente com as chagas de Deus feito homem, humilhado e aniquilado”. “É este o mistério da Cruz”, afirmou Francisco.

“Não é uma decoração que devemos colocar nas igrejas e nos altares. Não é um símbolo que nos distingue dos outros. A Cruz é o mistério, o mistério do amor de Deus, que humilha a si mesmo, que se anula, se faz pecado. O perdão que Deus nos dá não é cancelar uma dívida: são as feridas de seu Filho na Cruz, elevado na Cruz. Que Ele nos atraia e nós nos deixemos curar”, concluiu o Papa.

Hoje, o Papa Francisco twittou:

08/04/2014
É preciso recuperar um espírito contemplativo, para que o amor de Deus incendeie os nossos corações.

Papa diz que brasileiros “roubaram” seu coração

Audiência com membros do Comitê Organizador da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro (Brasil)

Sala Clementina do Palácio Apostólico
Segunda-feira, 7 de abril de 2014


Queridos amigos,

Nove meses após a minha inesquecível viagem ao Brasil, onde fui recebido de braços abertos pelo povo carioca, sinto uma alegria especial acolhendo hoje este grupo, guiado pelo cardeal Dom Orani Tempesta, que representa todos os que de alguma forma colaboraram na XXVIII Jornada Mundial da Juventude, tornando possível que o amor de Deus tocasse – literalmente – no coração de milhões de pessoas.

Falando de coração, tenho uma confidência a fazer-lhes: Quando cheguei ao Brasil, no meu primeiro discurso oficial, disse que queria ingressar pelo portal do imenso coração dos brasileiros pedindo licença para bater delicadamente à sua porta e passar a semana com o povo brasileiro. Porém, ao término daquela semana, voltando para Roma, cheio de saudades, dei-me conta de que os cariocas são uns “ladrões”! Sim, “ladrões”, pois roubaram o meu coração! Aproveito a presença de vocês aqui hoje para agradecer-lhes por este “roubo”: Muito obrigado por terem me contagiado com o entusiasmo de vocês lá no Rio de Janeiro, e por hoje me ajudarem “matar” as saudades do Brasil.

Como dizia, cada um dos que estão presentes aqui representa os leigos, religiosos, sacerdotes e bispos que deram a sua contribuição generosa durante a Jornada. Sei que não foi fácil organizar um evento destas dimensões. Imagino que, às vezes, houve quem pensasse que não tinha como dar certo. Por isso, como é bom poder olhar para atrás e ver que as horas de trabalho, os sacrifícios, até mesmo os desentendimentos passageiros são pouca coisa quando comparada com a grandiosidade da acção de Deus sobre os nossos pobres recursos humanos. É a dinâmica da multiplicação dos pães. Quando Jesus pediu aos apóstolos que dessem de comer à multidão, estes sabiam que isso era impossível. Porém, foram generosos. Deram ao Senhor tudo aquilo que tinham. E Jesus multiplicou os seus esforços. Não foi assim que aconteceu com a Jornada Mundial da Juventude?

Mas, não só devemos olhar para trás. Devemos, antes, olhar para o futuro, fortalecidos com a certeza de que Deus sempre multiplicará os nossos esforços. Jesus constantemente nos repete: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37). Por isso, este milagre vivido na Jornada da Juventude deve se repetir todos os dias, em cada paróquia, em cada comunidade, no apostolado pessoal de cada um! Não podemos ficar tranquilos sabendo que há ainda «tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida» (Exort. ap.Evangeliigaudium,45).Por isso, é preciso repensar naquelas três ideias que, em certo sentido, resumem toda a mensagem da Jornada Mundial da Juventude: ide, sem medo, para servir. Devemos ser uma “Igreja em saída” (cf. ibid., 20), como discípulos missionários que não tem medo das dificuldades, pois já vimos que o Senhor multiplica os nossos esforços, e por isso estamos sempre mais motivados em servir, doando-nos sem reservas, cheios da alegria do Evangelho.

Queridos amigos, na realização desse compromisso, olhemos para o exemplo de José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil, recentemente declarado santo. Numa de suas cartas, ele escreveu: «Nada é difícil para aqueles que acalentam no coração e têm como fim único a glória de Deus e a salvação das almas, pelas quais não hesitam em dar a sua vida» (Carta ao Padre Tiago Laynez). Pois é pela sua intercessão que lhes animo a seguir adiante, com alegria e coragem na bela missão de manter viva no coração dos brasileiros a chama de amor por Cristo e pela sua Igreja. Novamente agradeço a presença de vocês e peço-lhes que nunca deixem de rezar por mim. Muito obrigado!
Boletim da Santa Sé

Missa em Santa Marta - O perdão numa carícia

«Deus não perdoa com um decreto mas com uma carícia». E com a misericórdia «Jesus vai também além da lei e perdoa acariciando as feridas dos nossos pecados». A esta grande ternura divina o Papa Francisco dedicou a homilia da missa celebrada segunda-feira, 7 de Abril de 2014, na capela da Casa de Santa Marta.

«As leituras do hoje - explicou o Pontífice - falam-nos do adultério», que juntamente com a blasfémia e com a idolatria era considerado «um pecado gravíssimo na lei de Moisés», punido «com a pena de morte» por lapidação. Com efeito, o adultério «vai contra a imagem de Deus, a fidelidade de Deus», porque «o matrimónio é o símbolo, e também uma realidade humana, da relação fiel de Deus com o seu povo». Assim «quando se arruína o matrimónio com um adultério, esta relação entre Deus e o seu povo é manchada». Naquela época era considerado «um pecado grave» porque «se manchava precisamente o símbolo da relação entre Deus e o Povo, da fidelidade de Deus».

No trecho evangélico proposto na liturgia (João 8, 1-11), que narra a história da mulher adúltera, «encontramos Jesus sentado ali, entre tanta gente, e catequizava, ensinava». Depois «aproximaram-se os escribas e os fariseus com uma mulher que traziam à sua frente, talvez com as mãos amarradas, podemos imaginar». E assim «colocaram-na no meio e acusaram-na: esta é uma adúltera!». A deles é uma «acusação pública». E narra o Evangelho, fizeram a pergunta a Jesus: «Que devemos fazer com esta mulher?». O único objectivo deles era «precisamente pôr à prova e armar uma cilada» a Jesus. Aliás, «talvez alguns deles até fossem adúlteros».

Por seu lado, não obstante estivesse ali tanta gente, «Jesus queria permanecer sozinho com a mulher, queria falar ao seu coração: é o mais importante para Jesus». E «o povo tinha ido embora lentamente» depois de ter ouvido as suas palavras: “Se algum de vós estiver sem pecado, lance a primeira pedra”. A mulher não se proclama vítima de «uma acusação falsa», não se defende afirmando: «eu não cometi adultério». Não, «ela reconhece o seu pecado» e responde a Jesus: «Ninguém, Senhor, me condenou». Por sua vez Jesus diz-lhe: «Nem Eu te condeno...».

Assim «Jesus para fazer misericórdia» vai além «da lei que prescrevia a lapidação». A ponto que diz à mulher que vá em paz. «A misericórdia – explicou o Papa – é algo que dificilmente se compreende: não anula os pecados», porque quem anula os pecados «é o perdão de Deus». Mas «a misericórdia é o modo como Deus perdoa». Porque «Jesus podia dizer: mas eu perdoo-te, vai! Como disse àquele paralítico: os teus pecados estão perdoados!». Nesta situação «Jesus vai além» e aconselha a mulher a «não voltar a pecar». E «aqui vê-se a atitude misericordiosa de Jesus: defende o pecador dos inimigos, defende o pecador de uma condenação justa». Isto, acrescentou Francisco, «é válido também para nós». Com este estilo, concluiu o Papa, «Jesus é confessor». Não humilha a mulher adúltera, «não lhe diz: que fizeste, quando o fizeste, como o fizeste e com quem o fizeste!». Ao contrário diz-lhe que «vá embora e que não volte e pecar: é grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus: perdoar-nos acariciando-nos».
L'Oservatore Romano

Tweet do Papa, hoje:

07/04/2014
Como nos faz bem deixar que o Senhor sacuda a nossa vida tíbia e superficial!

Em visita a paróquia romana, Francisco pede que fiéis combatam "necrose espiritual"

Cidade do Vaticano (RV) – Visitando domingo, 06.abril.2014, a paróquia romana de São Gregório Magno, ao sudoeste de Roma, o Papa Francisco pediu que os fiéis lutem contra o que chamou de “necrose espiritual” e os convidou a escutar a voz de Jesus.

“Todos nós temos dentro de nosso do coração áreas que não estão vivas, que estão mortas. Alguns têm muitas partes mortas no coração, uma verdadeira necrose espiritual”, disse, na homilia da celebração, perante centenas de pessoas.

O Papa pediu que os cristãos sejam capazes de superar o pecado e se abram à “força de dar vida” que vem de Deus. “Convido-os a pensar, um instante, aqui: Onde está minha necrose?”, disse.

Às 16h, Francisco deixou o Vaticano e foi recebido na paróquia por uma multidão que pendurou bandeiras nas janelas e sacadas. Havia pessoas até nos telhados para poder vê-lo se reunir com jovens, doentes e idosos.

A visita começou na Praça em frente da igreja paroquial. Depois de cumprimentar todos os fiéis, o Papa se encontrou com as crianças e jovens no campo esportivo.

Foi a sexta visita do Papa a uma paróquia de Roma, sempre com a intenção de se encontrar com as diferentes realidades sociais do território de sua Diocese.

Na homilia pronunciada na missa, Francisco mencionou o trecho evangélico da ressurreição de Lázaro, já citado durante a manhã na oração mariana dominical, pedindo que os fiéis "escutem a voz de Jesus".

“Saiam de seus túmulos”, disse o Papa, que convidou os fiéis a descobrir a “parte morta da alma” para poder responder ao chamado de Jesus, como este o fez com Lázaro.

O Pontífice também apresentou aos fiéis a nova edição de bolso dos Evangelhos, que foi distribuída pela primeira vez gratuitamente na Praça São Pedro, durante a oração do Angelus.

Francisco brincou ao mostrar a Bíblia de bolso aos presentes e disse que o formato é ideal para ler “no ônibus, mas quando estiver acomodado, porque senão, precisa vigiar os bolsos!”.

A paróquia de São Gregório Magno se situa no bairro romano de Magliana, criado originalmente em meados do século XIX com a chegada de imigrantes à capital italiana. É uma região popular que durante décadas careceu de serviços básicos.

Esta circunstância, e a especulação urbanística da metade do século XX, deram origem nessa região ao surgimento de movimentos de conscientização e reivindicações sociais


"Não há nenhum limite para a misericórdia de Deus" - repete-o Papa Francisco que, no Angelus, recorda o genocídio de Ruanda, o terramoto de L'Aquila e o vírus Ébola do Congo

"Não há nenhum limite para a misericórdia de Deus" - repete-o Papa Francisco que, no Angelus, recorda o genocídio de Ruanda, o terramoto de L'Aquila e o vírus Ébola do Congo.

Numa Praça de S. Pedro particularmente repleta de fiéis, o Papa Francisco na sua reflexão antes da oração mariana do Angelus:
(Texto completo, tradução: Jéssica Marçal)
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo de Quaresma nos narra a ressurreição de Lázaro. É o ápice dos “sinais” prodigiosos feitos por Jesus: é um gesto muito grande, muito claramente divino para ser tolerado pelos sumos sacerdotes, os quais, sabendo do fato, tomaram a decisão de matar Jesus (cfr Jo 11, 53).

Lázaro já estava morto há três dias, quando chega Jesus; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que ficaram gravadas para sempre na memória da comunidade cristã. Jesus diz assim: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25). Sobre esta Palavra do Senhor nós acreditamos que a vida de quem crê em Jesus e segue o seu mandamento depois da morte será transformada em uma vida nova, plena e imortal. Como Jesus ressuscitou com o próprio corpo, mas não retornou a uma vida terrena, assim nós ressurgiremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos. Ele nos espera junto ao Pai e a força do Espírito Santo, que O ressuscitou, ressuscitará também quem está unido a Ele.

Diante do túmulo lacrado do amigo Lázaro, Jesus “exclamou em voz forte: Lázaro, vem para fora”. O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano (vv. 43-44). Este grito peremptório é dirigido a cada homem, porque todos estamos marcados pela morte, todos nós; é a voz Daquele que é o Senhor da vida e quer que todos “a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Cristo não se conforma com os túmulos que construímos para nós com as nossas escolhas do mal e da morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele não se conforma com isso! Ele nos convida, quase nos ordena, a sair do túmulo em que os nossos pecados nos afundaram. Chama-nos com insistência para sairmos da escuridão da prisão em que nos fechamos, contentando-nos com uma vida falsa, egoísta, medíocre. “Vem para fora!”, noz diz, “Vem para fora!”. É um belo convite à verdadeira liberdade, a deixar-nos agarrar por estas palavras de Jesus que hoje repete a cada um de nós. Um convite a deixar-nos livrar das “ataduras”, das ataduras do orgulho. Porque o orgulho nos faz escravos, escravos de nós mesmos, escravos de tantos ídolos, de tantas coisas. A nossa ressurreição começa aqui: quando decidimos obedecer a esta ordem de Jesus saindo para a luz, para a vida; quando da nossa face caem as máscaras – tantas vezes estamos mascarados pelo pecado, as máscaras devem cair! – e nós reencontramos a coragem da nossa face original, criada à imagem e semelhança de Deus.

O gesto de Jesus que ressuscita Lázaro mostra até onde pode chegar a força da Graça de Deus e também até onde pode chegar a nossa conversão, a nossa mudança. Mas ouçam bem: não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! Não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! Lembrem-se bem desta frase. E possamos dizê-la todos juntos: “Não há limite algum para a misericórdia de Deus oferecida a todos”. O Senhor está sempre pronto para levantar a pedra do túmulo dos nossos pecados, que nos separa Dele, a luz dos vivos.

Presente é para ajudar os fiéis a lerem e meditarem cotidianamente as palavras e ações de Jesus

Os fiéis que compareceram à Praça São Pedro para rezarem o Angelus com o Papa Francisco receberam um presente: uma edição de bolso dos Evangelhos. Após a oração mariana, o Santo Padre explicou o motivo da iniciativa e pediu que, em troca, os fiéis façam um ato de caridade.

Francisco tem pedido aos fiéis que procurem levar um pequeno Evangelho consigo todos os dias, para lerem e meditarem sobre as palavras e ações de Jesus. A ideia de presentear os fiéis com o livreto veio de uma antiga tradição da Igreja: durante a Quaresma, entregar o Evangelho aos catecúmenos, aqueles que se preparam para o Batismo.

“E assim hoje quero oferecer a vós que estais na Praça – mas como um sinal para todos – um Evangelho de bolso. Será distribuído a vocês gratuitamente. Levem-no convosco e leiam-no todos os dias: é o próprio Jesus que vos fala ali!”.

Papa presenteia fiéis com Evangelho e pede ato de caridade
Após o Angelus, fiéis recebem o Evangelho de bolso, um presente do Papa Francisco / Foto: Reprodução CTV

Em troca do presente, o Papa pediu somente um ato de caridade. “Como Ele (Jesus) eu vos digo: de graça recebestes, de graça dai, dai a mensagem do Evangelho! Mas talvez alguns de vocês não acreditem que isto seja de graça. ‘Mas quanto custa? Quanto devo pagar, padre?’. Façamos uma coisa: em troca deste presente, façam um ato de caridade, um gesto de amor gratuito, uma oração pelos inimigos, uma reconciliação, qualquer coisa”.

O Papa lembrou que, hoje em dia, várias ferramentas tecnológicas também possibilitam a leitura do Evangelho. “Pode-se trazer consigo toda a Bíblia num telefone celular, num tablet. O importante é ler a Palavra de Deus, com todos os meios, e acolhê-la com o coração aberto. E então a boa semente dá fruto!”.

No momento das saudações, após o Angelus, Francisco saudou o grupo brasileiro “Fraternidade e Tráfico humano”, presente na Praça. Dirigiu palavras de conforto à população de Áquila, que sofreu com um terremoto há cinco anos. “Rezemos por todas as vítimas: que vivam para sempre na paz do Senhor. E rezemos pelo caminho de ressurreição do povo de Áquila: a solidariedade e o renascimento espiritual sejam a força da reconstrução material”.

Ele também pediu orações pelas vítimas do vírus Ébola, que surgiu na Guiné e nos Países limítrofes. “O Senhor apoie os esforços para combater este início de epidemia e para garantir cuidados e assistência a todos os necessitados”.
Radio Vaticano

Papa recebe os Administradores municipais italianos:“A política, como serviço, começa pela proximidade às pessoas e da vida real".

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco concluiu sua série de audiências, na manhã deste sábado, 5.abril.2014, recebendo, na Sala Clementina, no Vaticano, mais de cem representantes da Associação Nacional dos Municípios italianos.

Em seu discurso, o Santo Padre agradeceu ao Prefeito de Turim, Piero Fassina, pela sua saudação, como também ao Cardeal Ennio Antonelli, prefeito emérito do Pontifício Conselho para a Família.

“Como administradores municipais, - disse o Papa aos presentes – os senhores se sentem próximos aos mais necessitados e às expectativas dos cidadãos”. Esta proximidade é a palavra-chave para uma boa política, como para uma boa pastoral. E o Pontífice acrescentou:

“A política, como serviço, começa precisamente pela proximidade às pessoas e da vida real. Os senhores, como Prefeitos, podem viver e testemunhar este estilo, a partir de um conhecimento efetivo da realidade de um determinado território e das suas prioridades. Pertencendo a um povo, com sua história e identidade próprias, os Administradores locais buscam realizar um projeto compartilhado, para favorecer a unidade da comunidade. O bem comum é a estrela polar de todo compromisso em prol da coletividade”.

Neste sentido, disse o Santo Padre, os Administradores municipais vivem, pessoalmente, a tensão entre a “globalização e o laicismo”, que não pode ser resolvida com a exclusão de um destes dois aspectos, mas encarando plenamente os desafios, em nível local, sem se fechar, mas mantendo vigilante o olhar para a dimensão global. E, falando da tarefa específica dos Administradores locais, o Papa disse:

“Conciliar as especificidades e originalidades de cada um dos territórios, construindo pontes e fortes elos com as instância superiores. Todos os dias, os senhores são chamados a enfrentar problemas locais e o fazem tendo em vista uma perspectiva mais ampla. Seu trabalho se torna mais precioso quando os recursos forem poucos. Então, é preciso ter mais atenção e grande senso de justiça”.

Em suas experiências locais, concluiu o Pontífice, os senhores deveriam aplicar, com sabedoria, o princípio de “subsidiariedade e de solidariedade”. O realismo cristão sempre favoreceu o arraigamento de uma cultura da paz e da justiça. Estas raízes ajudam os homens e as mulheres, a serem mais responsáveis pela Administração municipal.

Em seu Twitter, o Papa Francisco escreveu, hoje:

05/04/2014
No Evangelho, podemos ouvir Jesus que nos fala cada dia: devemos trazer sempre conosco um pequeno Evangelho!

Jovens belgas entrevistam o Papa: "Todos somos irmãos, crentes e não-crentes"

Cidade do Vaticano (RV) - Foi transmitida na noite desta quinta-feira, 3.abril,2014, pela televisão pública flamenga da Bélgica VRT, a entrevista que o Papa Francisco concedeu a alguns jovens belgas, em 31 de março passado, no estúdio do palácio apostólico, no Vaticano. A iniciativa nasceu de um projeto de comunicação da Pastoral da Juventude das Flandres: os jovens, acompanhados pelo bispo de Gent, Dom Lucas Van Looy, fizeram-lhe as perguntas em inglês e o Papa as respondeu em italiano.

Foi um encontro alegre e familiar, num clima de grande simplicidade: entre os jovens encontrava-se também uma jovem agnóstica que diz sentir-se inspirada pelas palavras do Papa Francisco.

Perguntaram-lhe, em primeiro lugar, por qual motivo aceitou a entrevista. O Papa respondeu que para ele é um serviço precioso falar à inquietude dos jovens. Depois, uma pergunta à queima-roupa: "O senhor é feliz? E por que é feliz?"

"Absolutamente! Absolutamente sou feliz (disse sorrindo)!... E é também uma felicidade tranquila, porque a esta idade não é a mesma felicidade de um jovem, há uma diferença. Mas uma certa paz interior, uma paz grande, felicidade, que chega com a idade, também. E inclusive com um caminho que sempre teve problemas. Também agora existem problemas, mas essa felicidade não vai embora com os problemas, não: enxerga os problemas, sofre por causa deles e segue adiante, faz algo para resolvê-los e segue adiante. Mas no fundo do coração há esta paz e esta felicidade. Para mim, verdadeiramente, é uma graça de Deus. É uma graça! Não é mérito próprio."

Os jovens perguntaram o motivo de seu grande amor pelos pobres: "Porque é o coração do Evangelho", respondeu Francisco:

"Para mim, o coração do Evangelho é dos pobres. Dois meses atrás ouvi que uma pessoa disse, por isto, por falar sobre os pobres, por ter essa preferência: "Esse Papa é comunista!" Não. Essa é uma bandeira do Evangelho, não do comunismo: do Evangelho! Mas a pobreza sem ideologia, a pobreza... E por isso creio que os pobres estão no centro do anúncio de Jesus. Basta ler o Evangelho. O problema é que depois, algumas vezes, na história, essa postura em relação aos pobres foi ideologizada."

A jovem agnóstica perguntou ao Papa qual é a mensagem que ele tem para todos os jovens:

"Todos somos irmãos, crentes, não crentes, desta ou de outra confissão religiosa, judeus, muçulmanos... todos somos irmãos! O homem está no centro da história, e isso para mim é muito importante: o homem é o centro. Neste momento da história o homem foi tirado do centro, foi jogado na periferia, e no centro – ao menos neste momento – está o poder, o dinheiro, e nós devemos trabalhar em prol das pessoas, do homem e da mulher, que são a imagem de Deus."

Hoje "entramos numa cultura do descarte", prosseguiu o Papa. "As crianças são excluídas – não se quer crianças, queremos menos crianças, famílias pequenas: não se quer crianças. "

"Os anciãos são excluídos: muitos deles morrem em decorrência de uma eutanásia escondida, porque não se cuida deles e acabam morrendo. E agora os jovens são excluídos."

O Santo Padre recordou que na Itália o desemprego juvenil dos 25 anos abaixo é de quase 50%. Mas recordando seus encontros com alguns jovens políticos argentinos, afirmou ter confiança neles e na vontade deles de concretude:

"E fico contente porque eles, quer de esquerda, quer de direita, falam uma nova música, com uma nova música, um novo estilo de política. E isso me dá esperança. E creio que a juventude, neste momento, deve assumir a luz e seguir adiante. Que sejam corajosos! Isso me dá esperança."

Perguntado sobre a busca que o homem faz de Deus, o Papa respondeu:

"Quando o homem encontra a si mesmos, busca Deus. Talvez não consiga encontrá-lo, mas segue num caminho de honestidade, buscando a verdade, por um caminho de bondade e um caminho de beleza... está num bom caminho e seguramente encontrará Deus! Mais cedo ou mais tarde o encontrará. Mas o caminho é longo e algumas pessoas não o encontram, na vida. Não o encontram conscientemente. Mas são muito verdadeiras e honestas consigo mesmas, muito boas e muito amantes da beleza, que acabam tendo uma personalidade muito madura, capaz de um encontro com Deus, que é sempre uma graça. Porque o encontro com Deus é uma graça."

Um jovem perguntou-lhe o que seus erros lhe ensinaram. O Papa Bergoglio afirmou que os erros são "grandes mestres de vida":

"Grandes mestres: os erros nos ensinam muito. Também nos humilham, porque alguém pode sentir-se um super-homem, uma super-mulher... e a pessoa erra e isso a humilha e a coloca em seu lugar. Não diria que aprendi com todos os erros que cometi: não, creio que não aprendi com alguns deles, porque sou cabeça-dura (disse sorrindo) e não é fácil aprender. Mas dos muitos erros aprendi e isso me fez bem, me fez bem. E também reconhecer os erros. Errei aqui, errei ali, errei acolá... E também o estar atento para não voltar ao mesmo erro."

Uma jovem perguntou-lhe: "Teria um exemplo concreto de como aprendeu a partir de um erro?":

"Por exemplo, na condução da vida da Igreja: fui nomeado superior muito jovem e cometi muitos erros com o autoritarismo, por exemplo. Eu era muito autoritário: tinha 36 anos... Depois, aprendi que se deve dialogar, que se deve ouvir o que os outros pensam... Mas não foi aprendido uma vez por todas! É um caminho longo."

Por fim, a última pergunta dos jovens ao Papa foi particular: "O senhor teria uma pergunta para nós?":

"A pergunta que gostaria de fazer-lhes não é original. Tomo-a do Evangelho. Onde está o seu tesouro? Essa é a pergunta. Onde repousa o seu coração? Em que tesouro repousa o seu coração? Porque onde estiver o seu tesouro será a sua vida... Essa é a pergunta (disse sorrindo), mas devem respondê-la a vocês mesmos, sozinhos, em casa..."

Quem anuncia o Evangelho vai ao encontro de perseguições – o Papa na Missa em Santa Marta

Quem anuncia o Evangelho vai ao encontro de perseguições – esta a mensagem principal do Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 4.abril.2014, em Santa Marta. Partindo das leituras do dia retiradas do Livro da Sabedoria e do Evangelho de S. João, na sua homilia o Santo Padre observou que os inimigos de Jesus fazem-lhe calúnias e movem-lhe perseguições.

"É como se preparassem um caldo para destruir o Justo. Isso porque Ele se opõe às suas ações, reprova as culpas contra as leis, joga na cara deles as transgressões contra a educação recebida", disse ainda o pontífice.

O Santo Padre destacou que em toda a história da salvação, os profetas foram perseguidos e Jesus diz isso aos fariseus. "Na história da salvação, no tempo de Israel e também na Igreja, os profetas foram perseguidos. Perseguidos porque os profetas falam: Vocês erraram o caminho. Voltem para o caminho de Deus! As pessoas que têm o poder desse caminho errado não gostam de ouvir isso", disse ainda Francisco que acrescentou:


“O Evangelho de hoje é claro! Jesus escondia-se, nestes últimos dias, porque ainda não tinha chegado a sua hora; mas Ele conhecia qual seria o seu fim. E Jesus é perseguido desde o inicio: recordemos quando no início da sua pregação volta à sua cidade, vai à sinagoga e faz pregação: logo, depois de uma grande admiração, começam: mas este nós sabemos de onde ele é. Este é um de nós. Mas com que autoridade vem ensinar-nos? Onde estudou...?... Desqualificam-no!
Cristo, ao invés, quando virá ninguém saberá de onde seja! Desqualificar o Senhor, desqualificar o profeta para tirar autoridade!”


Mesmo nos dias de hoje os cristãos são perseguidos – continuou o Santo Padre – às vezes mesmo dentro da própria Igreja. A perseguição é uma marca de quem desenvolve uma ação profética anunciando o Evangelho. “Mas há pena de morte ou a prisão por ter o Evangelho em casa, por ensinar o Catecismo, hoje, em certos lugares! Dizia-me um católico destes países que eles não podem rezar juntos. É proibido! Só podem rezar escondidos e sozinhos. Mas eles querem celebrar a Eucaristia e como fazem? Fazem uma festa de aniversário, fazem de conta de festejar um aniversário e ali fazem a Eucaristia antes da festa. E aconteceu! E se chegam os polícias, escondem tudo cantam os parabéns e continuam a festa. Quando se vão embora terminam a Eucaristia. É assim que têm que fazer porque é proibido rezar juntos. Hoje!”


"Também muitos pensadores na Igreja foram perseguidos. Penso em um, agora, nesta época, não muito distante de nós, um homem de boa vontade, um profeta realmente, que com os seus livros reprovava a Igreja de se distanciar do caminho do Senhor. Logo ele foi chamado, os seus livros foram colocados no índex, lhe tiraram a cátedra e este homem terminou assim a sua vida: não muito tempo atrás. Passaram-se os tempos e hoje é beato! Mas como ontem era um herético e hoje é um beato? É que ontem aqueles que tinham o poder queriam silenciá-lo, porque não gostavam daquilo que ele dizia. Hoje, a Igreja, que graças a Deus sabe se arrepender, diz: Não, este homem é bom. Está no caminho da santidade: é um beato!"

Segundo o Papa Francisco, "todas as pessoas que o Espírito Santo escolhe para dizer a verdade ao Povo de Deus são perseguidas. Jesus é o modelo, o ícone". O Senhor tomou sobre si todas as perseguições de seu Povo. "Ainda hoje os cristãos são perseguidos", disse o pontífice com tristeza. "Ouso dizer que talvez existam mais mártires agora do que nos primeiros tempos da Igreja, porque a esta sociedade mundana, a esta sociedade um pouco tranqüila, que não quer os problemas, eles dizem a verdade, anunciam Jesus Cristo", disse ainda o Santo Padre.

"Hoje, em algumas partes do mundo, uma pessoa é condenada à morte ou vai para o cárcere somente por ter o Evangelho em casa, por ensinar o Catecismo, me dizia um católico desses países em que os cristãos não podem rezar juntos. É proibido! Somente é possível rezar sozinho e escondido, mas eles querem celebrar a Eucaristia. Como fazem? Fazem uma festa de aniversário, fazem de conta de celebrar o aniversário e ali celebram a Eucaristia, antes da festa. Quando chega a polícia, eles escondem tudo e felicidade, felicidade, parabéns! E continuam a festa. Depois que a polícia vai embora, eles terminam a celebração eucarística. Devem fazer assim, pois é proibido rezar juntos. Hoje!"

"Esta história de perseguições é o caminho do Senhor, é o caminho daqueles que seguem o Senhor que termina, no final, sempre como o caminho do Senhor: com a ressurreição, mas passando pela cruz!", disse ainda o Papa.

Francisco recordou o Pe. Matteo Ricci, evangelizador da China, que não foi entendido, mas obedeceu como Jesus. "Sempre irão existir perseguições e incompreensões, mas Jesus é o Senhor e este é o desafio e a cruz de nossa fé. Que o Senhor nos dê a graça de seguir o seu caminho e se acontecer, com a cruz das perseguições", concluiu o Santo Padre.
Radio Vaticano


Também hoje o Santo Padre twittou:

04/04/2014
Com Jesus, a vida encontra a sua plenitude. Com Ele, é mais fácil encontrar o sentido de tudo.

O segredo de Anchieta é a fé, afirma Papa Francisco

Cidade do Vaticano, 4.abril.2014 (RV) – O Papa Francisco enviou uma mensagem aos fiéis reunidos no Santuário Nacional de Anchieta, que aguardavam a notícia da canonização do Apóstolo do Brasil.

Uma salva de palmas e o repicar dos sinos acompanharam a leitura da mensagem do Pontífice, que foi assinada pelo Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin.

No texto, Francisco recorda as “incontáveis peripécias, dificuldades e perigos” que o missionário jesuíta enfrentou, revelando que seu segredo era a fé, “alicerçada no Senhor Jesus com quem se encontrava e a quem se unia na Eucaristia”.

O Santo Padre “encoraja todos os seus devotos a tornarem-se discípulos-missionários de Jesus, sobre todos implorando, pela intercessão de São José de Anchieta, a constante assistência divina em penhor da qual lhes concede uma particular Bênção Apostólica”.

Eis a íntegra da mensagem:

«Sua Santidade o Papa Francisco saúda com particular afeto os fiéis reunidos no Santuário Nacional de Anchieta para agradecer à Santíssima Trindade a canonização do «Apóstolo do Brasil», a quem pede que lhes alcance de Deus a graça de viverem como ele ensinou. Na sua existência, enfrentou incontáveis peripécias, dificuldades e perigos com o mesmo espírito de São Paulo. «Nada é difícil – lê-se numa carta do nosso amado Santo – para aqueles que acalentam no coração e têm como fim único a glória de Deus e a salvação das almas, pelas quais não hesitam em dar a sua vida». O segredo deste homem era a fé, alicerçada no Senhor Jesus com quem se encontrava e a quem se unia na Eucaristia. Isto era possível porque se entregara a Nossa Senhora, deixando-A tomar conta dele enquanto ele nutria um terníssimo amor por Ela. Ao lembrar-lhes o exemplo deste incansável evangelizador, o Santo Padre encoraja todos os seus devotos a tornarem-se discípulos-missionários de Jesus, sobre todos implorando, pela intercessão de São José de Anchieta, a constante assistência divina em penhor da qual lhes concede uma particular Bênção Apostólica.

Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado».

O Santuário localiza-se numa encosta do morro do Rio Benevente, na antiga aldeia de Reritiba, núcleo histórico da atual cidade de Anchieta. No Santuário, encontra-se a igreja de Nossa Senhora da Assunção, título de devoção de Anchieta, que foi erguida em 1564 para servir de escola de catequização de índios. O altar conserva parte de sua pintura original e, nos fundos, uma escada leva até a "cela" - quarto onde o beato viveu e morreu.

Francisco: a oração é uma luta com Deus, que transforma o nosso coração

Cidade do Vaticano, 3.abril.2014 (RV) – A oração é uma luta com Deus e deve ser feita com liberdade e insistência, como um diálogo sincero entre amigos: palavras de Francisco na missa presidida esta manhã na Casa Santa Marta.

O diálogo de Moisés com Deus no Monte Sinai esteve no centro da homilia do Papa. Deus quer punir seu povo porque fizeram um ídolo, o bezerro de ouro. Moisés suplica ao Senhor para que reveja sua punição. “Esta oração – explicou Francisco - é uma verdadeira luta com Deus para salvar o seu povo.” Para o Pontífice, a oração deve ser também “uma negociação com Deus”, com “argumentações”. No final, Moisés convence o Senhor, que desiste do castigo com o qual havia ameaçado o povo. O Papa então se questiona: quem mudou de opinião? “Não creio que seja o Senhor”.

Quem mudou foi Moisés, porque ele acreditava que o Senhor destruiria o seu povo e busca, na sua memória, as coisas boas que havia feito para ele, como libertá-lo da escravidão do Egito, e levado avante a sua promessa. E com essas argumentações, tenta convencer Deus. Todavia, neste processo, ele encontra a misericórdia de Deus. O nosso Deus é misericordioso. Sabe perdoar. Volta atrás em suas decisões. É um Pai.
Moisés sabia de tudo isso, mas não estava plenamente consciente, e na oração redescobre este aspecto. E é isso que a oração faz por nós, explicou o Pontífice.

A oração muda o nosso coração. Nos faz entender melhor como é o nosso Deus. Mas para isso é importante falar com o Senhor, não com palavras vazias, mas com a realidade: ‘Olha, Senhor, que estou com este problema, na família, com meu filho... o que se pode fazer? Olha, que o Senhor não pode me deixar assim’. Esta é a oração!, disse o Papa, recordando que rezar toma tempo. Pois é o tempo necessário para conhecer melhor Deus, como se faz com um amigo, porque Moisés – diz a Bíblia – rezava com o Senhor como dois amigos conversam entre si.

A Bíblia afirma que Moisés falava com o Senhor face a face, como um amigo. Assim deve ser a oração: livre, insistente, com argumentações. E também repreendendo um pouco o Senhor: ‘O Senhor me prometeu isso, mas não cumpriu... Abrir o coração. Moisés desceu da montanha revigorado: ‘Conheci melhor o Senhor, e com a força que a oração lhe havia dado, retoma o seu trabalho de conduzir o povo rumo à terra prometida. Porque a oração revigora. Que o Senhor dê a todos nós a graça. Rezar é uma graça, porque quando rezamos a Deus, não é um diálogo entre dois, são três, porque sempre, em toda oração tem o Espírito Santo, e mais: não se pode rezar sem o Espírito Santo, é Ele que reza em nós, é Ele que nos fala ao coração, é Ele que nos ensina a dizer a Deus, "Pai". Peçamos ao Espírito Santo, que Ele nos ensine a rezar, como rezou Moisés: negociando com Deus, com liberdade de espírito, com coragem.

Que o Espírito Santo, que está sempre presente na nossa oração, nos conduza por esta estrada.

O Papa Francisco deixou esta mensagem, hoje, em seu Twitter:

03/04/2014
Não podemos habituar-nos às situação de degradação e miséria que nos rodeiam. Um cristão deve reagir.

Os esposos são uma única carne – na audiência geral o Papa Francisco reiterou o segredo: “com licença, obrigado e desculpa.”
texto integral da catequese de 2.abr.2014
Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os sacramentos falando do matrimônio. Este sacramento nos conduz ao coração do desígnio de Deus, que é um desígnio de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. No início do Livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, no ápice do relato da criação se diz: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e mulher… Por isto o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gen 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal matrimonial: o homem e a mulher; não somente o homem, não somente a mulher, mas todos os dois. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus conosco é representada naquela aliança entre o homem e a mulher. E isto é muito belo! Fomos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. E na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

1. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimônio, Deus, por assim dizer, reflete-se neles, imprime neles seus próprios traços e o caráter indelével do seu amor. O matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós. Também Deus, de fato, é comunhão: as três Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em perfeita unidade. E é justamente esse o mistério do matrimônio: Deus faz dois esposos uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz “uma única carne”, tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimônio. E é justamente esse o mistério do matrimônio: o amor de Deus que se reflete no casal que decide viver junto. Por isto, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais e vai viver com sua esposa e se une tão fortemente a ela que os dois se tornam – diz a Bíblia – uma só carne.

Mas vocês, esposos, lembra-se disso? Estão conscientes do grande presente que o Senhor vos deu? O verdadeiro “presente de casamento” é este! Na vossa união há o reflexo da Santíssima Trindade e com a graça de Cristo vocês são um ícone vivo e credível de Deus e do seu amor.

2. São Paulo, na Carta aos Efésios, coloca em destaque que nos esposos cristãos se reflete um mistério grande: a relação instituída por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cfr Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o matrimônio responde a uma vocação específica e deve ser considerada como uma consagração (cfr Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados em seu amor. Os esposos, de fato, em força do Sacramento, são revestidos de uma verdadeira e própria missão, para que possam tornar visível, a partir de coisas simples, cotidianas, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a doar a vida por ela, na fidelidade e no serviço.

3. É realmente um desígnio maravilhoso aquele que é inerente ao matrimônio! E acontece na simplicidade e também na fragilidade da condição humana. Sabemos bem quantas dificuldades e provações conhecem a vida de dois esposos… O importante é manter viva a ligação com Deus, que está na base da ligação conjugal. E a verdadeira ligação é sempre com o Senhor. Quando a família reza, a ligação se mantém. Quando o esposo reza pela esposa e a esposa reza pelo esposo, aquela ligação se torna forte; um reza pelo outro. É verdade que na vida matrimonial há tantas dificuldades, tantas; seja o trabalho, seja que o dinheiro não basta, seja que as crianças tenham problemas. Tantas dificuldades. E tantas vezes o marido e a mulher se tornam um pouco nervosos e brigam entre si. Brigam, é assim, sempre se briga no matrimônio, algumas vezes voam até os pratos. Mas não devemos ficar tristes por isto, a condição humana é assim. E o segredo é que o amor é mais forte que o momento no qual se briga e por isto eu aconselho aos esposos sempre: não terminem um dia no qual tenham brigado sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham pra casa fazer a paz. É suficiente um pequeno gesto, um carinho, um olá! E amanhã! E amanhã se começa uma outra vez. E esta é a vida, levá-la adiante assim, levá-la adiante com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grande, é belo! É algo belíssimo a vida matrimonial e devemos protegê-la sempre, proteger os filhos.

Outras vezes eu disse nesta Praça uma coisa que ajuda tanto a vida matrimonial. São três palavras que devem ser ditas sempre, três palavras que devem estar em casa: com licença, obrigado e desculpa. As três palavras mágicas. “Com licença”: para não ser invasivo na vida dos cônjuges. Com licença, mas o que te parece? Com licença, permito-me. “Obrigado”: agradecer o cônjuge; agradecer por aquilo que fez por mim, agradecer por isto. Aquela beleza de dar graças! E como todos nós erramos, aquela outra palavra que é um pouco difícil de dizê-la, mas é preciso dizê-la: “desculpa”. Com licença, obrigado e desculpa. Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, com fazer as pazes sempre antes que termine o dia, o matrimônio seguirá adiante. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre.

Que o Senhor vos abençoe e rezai por mim!

No final da audiência o Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos grupos escolares de Portugal e à delegação ítalo-brasileira. Rezemos por todas as famílias, especialmente por aquelas que passam por dificuldades, na certeza de que estas são um dom de Deus nas nossas comunidades cristãs. Que Deus vos abençoe!”

Nas saudações aos peregrinos polacos, presentes hoje na Praça de São Pedro, para a audiência geral, o Papa Francisco evocou a figura de João Paulo II, falecido faz hoje precisamente 9 anos. O Santo Padre recordou a próxima canonização do Papa polaco, convidando todos a prepararem-se espiritualmente para esse momento de graça para toda a Igreja.

O Papa Francisco a todos deu a sua benção!
Radio Vaticano
Papa fala de João Paulo II: “incansável pregador da Palavra”

9º aniversário de morte

Papa fala de João Paulo II: “incansável pregador da Palavra”

João Paulo II faleceu em 2 de abril de 2005, após quase 27 anos de papado.

Nesta quarta-feira, 2, recorda-se o nono aniversário de morte do Papa João Paulo II, beato que será canonizado no próximo dia 27. Após a catequese, na saudação aos peregrinos polacos, o Papa Francisco falou de seu predecessor, recordando-o como “incansável pregador da Palavra”.

Segundo Francisco, a data de hoje faz pensar na proximidade do dia da canonização de João Paulo II. Ele deseja que este tempo de espera seja uma ocasião para uma preparação espiritual e para reavivar o patrimônio da fé deixado pelo beato.

“Imitando Cristo, foi para o mundo pregador incansável da Palavra de Deus, da verdade e do bem. Ele fez o bem até mesmo com o seu sofrimento. Este foi o magistério da sua vida ao qual o Povo de Deus respondeu com grande amor e estima. A sua intercessão reforce em nós a fé, a esperança e o amor. Durante esta preparação, acompanhe-vos a minha bênção apostólica”, disse o Papa.

João Paulo II faleceu, em 2 de abril de 2005, após quase 27 como Bispo de Roma. Sua fama de santidade quando morreu já era grande, de forma que foi concedida a dispensa do tempo de espera de cinco anos para que se iniciasse seu processo de beatificação.

Beatificado pelo então Papa Bento XVI, em 1º de maio de 2011, João Paulo II será proclamado santo, em 27 de abril, em cerimônia presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro.

CANONIZAÇÃO DO PADRE JOSÉ DE ANCHIETA - 2.ABRIL.2014

O APÓSTOLO DO BRASIL

                                                                                                                                           
No dia 2 de abril, às 9 horas da manhã, conforme pede a CNBB, os sinos de todas as igrejas do Brasil repicarão em sinal de alegria, gratidão e comunhão, pois nesse dia o Santo Padre o Papa Francisco assina o decreto de canonização do Apóstolo do Brasil, isto é, inscreve no “cânon” (catálogo) dos santos o Padre José de Anchieta, agora São José de Anchieta.
      
Tive a graça de assistir à sua beatificação, no dia 22 de junho de 1980, na Basílica Vaticana, feita pelo Santo Padre, o Beato João Paulo II, pois, na ocasião, estava em Roma como secretário de meu saudoso Bispo, Dom Antônio de Castro Mayer, então em visita ad limina.
       
O “Santo do Brasil” nasceu na verdade em Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, em 19 de março de 1534. Tendo recebido uma primorosa educação cristã em sua família, foi enviado a estudar em Coimbra, onde dividia o seu tempo entre o estudo e a oração. Sentindo-se chamado por Deus para a vida consagrada e desejando levar a luz do Evangelho aos que não o conheciam, entrou, aos 17 anos, na Companhia de Jesus, sociedade religiosa missionária recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Deus o provou com uma grave doença, com fraqueza e dores em todo o corpo, durante dois anos. Os superiores decidiram enviá-lo ao Brasil, na esperança de que o bom clima da terra lhe fizesse bem. Providência divina! Partiu de Lisboa em 1553, com 19 anos de idade, acompanhando o novo Governador Geral do Brasil, Duarte da Costa, e alguns outros jesuítas.
       
Viveu aqui no Brasil dos 19 aos 63 anos, idade em que morreu, sendo ao longo desses 43 anos o verdadeiro “Apóstolo do Brasil”, participando da fundação de escolas, igrejas e cidades, liderando a catequese dos índios, aprendendo perfeitamente a língua deles e escrevendo a primeira gramática brasileira em tupi. É, junto com o Pe. Manuel da Nóbrega, o fundador da cidade de São Paulo, tendo estado também no Rio por ocasião da fundação da cidade, onde dirigiu o Colégio dos Jesuítas. Preparou alas da escola como enfermaria, criando a Santa Casa do Rio de Janeiro, sendo, além disso, diretor do Colégio dos Jesuítas em Vitória ES.
       
A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo Brasil inaugurando missões, catequizando e instruindo os índios e colonos, consolidando assim o cristianismo e o sistema de ensino no país, fundando povoados, sendo assim o grande promotor da expansão e interiorização do país.
       
Anchieta lutou para que o Brasil não ficasse dividido entre portugueses e franceses. Quando, apoiados pelos franceses, os Tamoios se rebelaram contra os portugueses, Anchieta se ofereceu como refém, enquanto Manuel da Nóbrega negociava a paz. Ficou cinco meses no cativeiro, resistindo à tentação contra a sua castidade, pois os índios ofereciam mulheres aos prisioneiros. Para manter a virtude, Anchieta fez uma promessa a Nossa Senhora de que escreveria um poema em sua homenagem. Assim, tendo saído são e casto, escreveu na areia de Iperoig (hoje Ubatuba) os 4.172 versos do célebre “Poema da Virgem”, que, depois, transcreveu no papel.
       
Na dedicatória final do poema, Anchieta, cheio de humildade, exprime o seu desejo do martírio: “Eis os versos que outrora, ó Mãe Santíssima, te prometi em voto, vendo-me cercado de feros inimigos. Enquanto entre os Tamoios conjurados, pobre refém, tratava as suspiradas pazes, tua graça me acolheu em teu materno manto e teu véu me velou intactos corpo e alma. À inspiração do céu, eu muitas vezes desejei penar e cruelmente expirar em duros ferros. Mas sofreram merecida repulsa meus desejos: só a heróis compete tanta glória!”.
       
Mas Anchieta sofreu o martírio do apostolado e a dureza da evangelização na pobreza e no desconforto. Assim ele descreve, em agosto de 1554, em carta a Santo Inácio de Loyola, as instalações do Colégio de Piratininga, o embrião da cidade de São Paulo e do sistema educacional brasileiro: “De janeiro até o presente se fez ali uma pobre casinha feita de torrão e palhas com catorze passos de comprido e doze de largo, moravam bem apertados os irmãos. Ali tinham escola, enfermaria, dormitório, refeitório, cozinha e despensa... As camas eram redes, os cobertores o fogo. Para mesa usavam folhas de bananas em lugar de guardanapos... A comida vem dos índios, que nos dão alguma esmola de farinha e algumas vezes, raramente, alguns peixinhos do rio e, mais raramente ainda, alguma caça do mato... Todavia não invejamos as espaçosas habitações, pois Nosso Senhor Jesus Cristo dignou-se morrer na cruz por nós”.
     
Na oração dele, assim rezamos: “Senhor nosso Pai, através de São José de Anchieta, evangelizastes o nosso Brasil. Ele amou os pobres e sofredores, amenizando e curando seus males e foi solidário com os índios, ajudando-os a Vos conhecer e amar em sua própria língua e costumes. Neste momento, ó Pai querido, por intercessão do Beato Padre Anchieta, eu Vos peço..., fortalecido pela mediação de Nossa Senhora, que ele muito amou em sua vida. Amém”.

Dom Fernando Arêas Rifan

A inércia e o formalismo fecham a porta à salvação – o Papa na Missa em Santa Marta nesta terça-feira

A inércia e o formalismo fecham a porta à salvação – esta a principal mensagem do Papa Francisco na missa desta terça-feira na Capela da Casa de Santa Marta. A leitura do Evangelho deste dia narra o encontro de Jesus com o paralítico que se lamentava de não conseguir entrar na piscina porque era sempre antecipado por outros. Jesus faz o milagre e o homem recomeça a andar. Tudo isto acontece em dia de sábado o que foi logo censurado pelos fariseus. Segundo o Santo Padre são duas atitudes de que enfermam muitos cristãos: a inércia, aqui personificada pelo lamento do paralítico e o formalismo paralisante dos fariseus no respeito pelo sábado.

“Eu penso em tantos cristãos, tantos católicos: sim , são católicos, mas sem entusiasmo, mesmo amargurados! ‘Sim a vida é assim, mas a Igreja... Eu vou à Missa todos os domingos, mas é melhor não me misturar, eu tenho a fé para a minha saúde, não sinto a necessidade de dá-la a um outro...’Cada um em sua casa, tranquilos para a vida... Tu fazes qualquer coisa e depois chamam-te à atenção: ‘Não é melhor assim, não arriscar...’ É a doença da inércia, da inércia cristã. Esta atitude que é paralisante do zelo apostólico, que faz dos cristãos pessoas paradas, tranquilas, mas não no sentido bom da palavra: que não se preocupam de sair para dar o anúncio do Evangelho! Pessoas anestesiadas.”

“Cristãos hipócritas, como estes. Apenas lhes interessavam as formalidades. Era sábado? Não, não se podem fazer milagres ao sábado, a graça de Deus não pode trabalhar ao sábado. Fecham a porta à graça de Deus! Temos tantos na Igreja. É um outro pecado. Em primeiro os que têm o pecado da inércia, não são capazes de andar em frente com o seu zelo apostólico, porque decidiram de pararem em si próprios, nas suas tristezas, nos seus ressentimentos. Estes não são capazes de levar a salvação porque fecham a porta à salvação.”

Os cristãos têm, assim, a possibilidade de ajudarem os outros com duas palavras ditas com ternura e com amor evitando o caminho da inércia, do formalismo e da hipocrisia – afirmou o Papa Francisco – que afirmou serem elas curar e não pecar.

“As duas palavras cristãs: Queres curar-te? Não voltes a pecar. Mas antes cura-se. Primeiro cura-se e depois não voltes a pecar. Palavras ditas com ternura e com amor. E este é o caminho cristão, o caminho do zelo apostólico: aproximar-se a tantas pessoas, feridas neste hospital de campo e também muitas vezes feridas por tantos homens e mulheres da Igreja. É uma palavra de irmão e de irmã: queres curar-te? E depois quando continua em frente, Ah, não voltes a pecar, que não faz bem. É muito melhor isto: as duas palavras de Jesus são muita mais belas do que a atitude da inércia e da hipocrisia.”
Radio Vaticano

Hoje, Papa Francisco twittou:

01/04/2014
Queridos pais, ensinai os vossos filhos a rezar. Rezai com eles.