REVEJA DEZEMBRO DE 2014

Papa Francisco: Obrigado, Senhor!

Cidade do Vaticano, 31.dezembro.2014 (RV) - Seguindo a tradição, neste último dia do ano o Papa Francisco presidirá, às 17 horas, na Basílica de São Pedro, à celebração das primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima, concluindo com o canto do Te Deum, em ação de graças pelo ano de 2014. A Rádio Vaticano transmite esta cerimônia ao vivo, com comentários em português, a partir das 16h50 (13h50 – horário de Brasília).

Vésperas

Este momento de oração final do ano está tradicionalmente ligada à Cidade de Roma, em que participam o Vigário para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Valini, com todos os bispos auxiliares.

Na homilia do ano passado, Francisco nos convidou à reflexão com as seguintes palavras: “No momento em que termina o ano, recolhamos, como que num cesto, os dias, as semanas, os meses que vivemos, para oferecer tudo ao Senhor. E questionemo-nos corajosamente: como vivemos o tempo que Ele nos concedeu? Usamo-lo sobretudo para nós mesmos, para os nossos interesses, ou soubemos usá-lo também para os outros? Quanto tempo dedicamos a estar com Deus, na oração, no silêncio, na adoração?”

Assim como no ano passado, no final da cerimônia o Santo Padre vai à Praça de São Pedro, para uma oração diante do Presépio.

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

Quinta-feira, primeiro de janeiro, às 10 horas locais, sempre na Basílica Vaticana, o Papa preside à Missa da solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, naquele que é também o quadragésimo oitavo Dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa Paulo VI.

A Rádio Vaticano transmitirá esta celebração eucarística ao vivo, com comentários em português, a partir das 6h50 (horário de Brasília).

Twitter

O último tweet do ano do Papa Francisco é simples, mas significativo: Obrigado, Senhor!

Papa Francisco: grande mentira fazer crer que existem vidas indignas de ser vividas

Cidade do Vaticano, 30.dezembro.2014 (RV) - É uma grande mentira fazer crer que certas vidas não são dignas de ser vividas: é o que escreve o Santo Padre na Mensagem para o Dia Mundial do Enfermo, a ser celebrado em 11 de fevereiro de 2015 com o tema “Sapientia cordis”. “Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo”, extraído do Livro de Jó (29, 15).

Sapientia cordis.

«Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29, 15)»

Queridos irmãos e irmãs,

por ocasião do XXIII Dia Mundial do Doente, instituído por São João Paulo II, dirijo-me a todos vós que carregais o peso da doença, encontrando-vos de várias maneiras unidos à carne de Cristo sofredor, bem como a vós, profissionais e voluntários no campo da saúde.

O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: «Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo» (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da «sapientia cordis», da sabedoria do coração.

1. Esta sabedoria não é um conhecimento teórico, abstrato, fruto de raciocínios; antes, como a descreve São Tiago na sua Carta, é «pura (…), pacífica, indulgente, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia» (3, 17). Trata-se, por conseguinte, de uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus. Por isso, façamos nossa esta invocação do Salmo: «Ensina-nos a contar assim os nossos dias, / para podermos chegar à sabedoria do coração» (Sal 90/89, 12). Nesta sapientia cordis, que é dom de Deus, podemos resumir os frutos do Dia Mundial do Doente.

2. Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras «eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo», evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo, que goza duma certa autoridade e ocupa um lugar de destaque entre os anciãos da cidade. A sua estatura moral manifesta-se no serviço ao pobre que pede ajuda, bem como no cuidado do órfão e da viúva (cf. 29, 12-13).

Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser «os olhos do cego» e «os pés para o coxo»! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja.

3. Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão» (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: «Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22, 27).

Com fé viva, peçamos ao Espírito Santo que nos conceda a graça de compreender o valor do acompanhamento, muitas vezes silencioso, que nos leva a dedicar tempo a estas irmãs e a estes irmãos que, graças à nossa proximidade e ao nosso afeto, se sentem mais amados e confortados. E, ao invés, que grande mentira se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade da vida» para fazer crer que as vidas gravemente afetadas pela doença não mereceriam ser vividas!

4. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesim do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro. No fundo, por detrás desta atitude, há muitas vezes uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor que diz: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

Por isso, gostaria de recordar uma vez mais a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, como um dos dois mandamentos principais que fundamentam toda a norma moral e como o sinal mais claro para discernir sobre o caminho de crescimento espiritual em resposta à doação absolutamente gratuita de Deus» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 179). É da própria natureza missionária da Igreja que brotam «a caridade efectiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove» (Ibid., 179).

5. Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar. A caridade precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: «Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande» (Jó 2, 13). Mas, dentro de si mesmos, os amigos de Jó escondiam um juízo negativo acerca dele: pensavam que a sua infelicidade fosse o castigo de Deus por alguma culpa dele. Pelo contrário, a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado.

A experiência de Jó só encontra a sua resposta autêntica na Cruz de Jesus, ato supremo de solidariedade de Deus para conosco, totalmente gratuito, totalmente misericordioso. E esta resposta de amor ao drama do sofrimento humano, especialmente do sofrimento inocente, permanece para sempre gravada no corpo de Cristo ressuscitado, naquelas suas chagas gloriosas que são escândalo para a fé, mas também verificação da fé (cf. Homilia na canonização de João XXIII e João Paulo II, 27 de Abril de 2014).

Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis. Por isso se compreende como Jó, no fim da sua experiência, pôde afirmar dirigindo-se a Deus: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora vêem-Te os meus próprios olhos» (42, 5). Também as pessoas imersas no mistério do sofrimento e da dor, se acolhido na fé, podem tornar-se testemunhas vivas duma fé que permite abraçar o próprio sofrimento, ainda que o homem não seja capaz, pela própria inteligência, de o compreender até ao fundo.

6. Confio este Dia Mundial do Doente à proteção materna de Maria, que acolheu no ventre e gerou a Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ó Maria, Sede da Sabedoria, intercedei como nossa Mãe por todos os doentes e quantos cuidam deles. Fazei que possamos, no serviço ao próximo sofredor e através da própria experiência do sofrimento, acolher e fazer crescer em nós a verdadeira sabedoria do coração.

Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Dezembro – Memória de São Francisco Xavier – do ano 2014.

FRANCISCUS
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Tweet do Santo Padre:

30/12/2014
Hoje sofre-se por indigência, mas também por falta de amor.

Papa manifesta solidariedade às famílias vítimas da crise econômica

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã deste domingo (28/12/2014), na Sala Paulo VI, o Papa recebeu os membros da Associação das Famílias Numerosas, reunida em Roma para celebrar seus 10 anos de fundação.

Diante de cerca de sete mil famílias, não só italianas, o Papa recordou que a maternidade e a paternidade são dons de Deus. Todavia, cabe aos pais fazer com que este dom resplandeça na sociedade. “Cada um de seus filhos é uma criatura única, que jamais se repetirá na história da humanidade. Quando se compreende isso, se surpreende com a grandeza do milagre que é um filho! Um filho é um milagre que transforma a vida.”

Milagre da vida

“Vocês são únicos, mas não estão sós”, acrescentou Francisco, afirmando que os filhos de uma família numerosa são mais capazes de comunhão desde a primeira infância. E num mundo marcado pelo egoísmo, a família numerosa é escola de solidariedade e de compartilha.

Avós

O Papa usou a imagem de uma árvore para falar da família. Os filhos são os frutos, os pais são o tronco e os avós, as raízes. “Por isso que a presença dos avós é muito importante: uma presença preciosa seja para a ajuda prática, seja sobretudo para a contribuição educativa.”

Francisco pediu mais empenho por parte das instituições públicas para respeitar os benefícios que a lei estabelece em prol das famílias numerosas. “Toda família é célula da sociedade, mas a família numerosa é uma célula mais rica, mais vital, e o Estado tem todo o interesse em investir nela!”.

Crise econômica

Por fim, o Pontífice garantiu sua oração de maneira especial pelas famílias que sofrem com a crise econômica, “em que o pai ou a mãe perderam o trabalho, em que os jovens não conseguem um emprego; pelas famílias tentadas a se render à solidão e à divisão”.

A Associação das Famílias Numerosas está reunida em Roma (26-28 de dezembro) para celebrar seus 10 anos de fundação. Participam do evento famílias italianas, espanholas, alemãs, húngaras, polonesas, lituanas, portuguesas, entre outras.

No domingo, as famílias receberam a saudação do Presidente da Confederação Europeia de Famílias Numerosas, o húngaro Laszlo Marki, e participaram da concelebração eucarística presidida por Dom Vicenzo Paglia, Presidente do Pontifício Conselho para a Família, antes do encontro com o Papa Francisco.


Papa faz reflexão sobre a Família da Nazaré no Angelus


O Papa Francisco dedicou a alocução que antecede a oração mariana do Angelus à Sagrada Família de Nazaré, que a liturgia celebra este domingo, 28.dezembro.2014.

O Evangelho apresenta Nossa Senhora e São José no momento em que vão ao templo de Jerusalém quarenta dias depois do nascimento de Jesus, como estabelece a Lei de Moisés.

Em meio a tanta gente, observou Francisco, esta “pequena família” não passa desapercebida. Dois idosos, Simeão e Ana, reconhecem no Menino Jesus, o Salvador de Israel. “É um momento simples, mas rico de profecia. Um jovem casal e dois idosos que se encontram graças a Jesus. Jesus é Aquele que aproxima as gerações. É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo toda desconfiança, todo isolamento e toda distância”, destacou o Santo Padre.

Para Francisco, esta cena remete aos avós e destaca a sua importância nas famílias e na sociedade. “O bom relacionamento entre os jovens e os idosos é decisivo para o caminho da comunidade civil e eclesial”, afirmou o Papa, pedindo uma salva de palmas à multidão para saudar todos os avós do mundo.

O Papa afirmou que a santidade da Família de Nazaré acontece porque é centralizada em Cristo. “Quando os pais e os filhos respiram juntos este clima de fé, possuem uma energia que lhes permite enfrentar as provas mais difíceis. Por isso, o Menino Jesus, Maria e José são um ícone familiar simples, mas luminoso, que encoraja a oferecer calor humano às situações familiares em que, por vários motivos, faltam paz, harmonia e perdão”.

Neste momento, o Pontífice pediu a todos na Praça que rezassem uma Ave-Maria por todas as famílias em dificuldade devido a doenças, desemprego, discriminação e obrigadas a emigrar ou devido a incompreensões e desunião entre seus membros.

E concluiu: “Confiemos a Maria, Rainha da família, todas as famílias do mundo, para que possam viver na fé, na concórdia e na ajuda recíproca. Invoco sobre elas a materna proteção Daquela que foi mãe e filha do seu Filho”.


Depois da oração mariana do Angelus, o Papa afirmou: “Estou próximo com o afeto e a oração aos familiares e aos que vivem com apreensão e sofrimento essas difíceis situações e aos que estão engajados nas operações de resgate”.

O avião da AirAsia desapareceu em território indonésio com 162 pessoas a bordo. A aeronave decolou de Surabaia, em Java, e deveria chegar a Cingapura. Devido ao mau tempo, o piloto pediu permissão para mudar de rota. A aeronave transportava 155 passageiros, incluindo 16 crianças e um bebê, e sete membros da tripulação.

A AirAsia informou que os passageiros eram 156 indonésios, três coreanos, um francês, um malaio e um cingapuriano. Um Boeing da Força Aérea da Indonésia, três helicópteros e seis navios participam das operações de rastreamento, e Cingapura ajuda com outro avião.

Embarcação à deriva

Francisco mencionou também uma balsa italiana que está à deriva no Mar Adriático, depois que a embarcação pegou fogo na madrugada deste domingo, 28

A balsa saiu da Grécia em direção à cidade italiana de Ancona, levando a bordo 478 pessoas entre passageiros e tripulantes. Até o momento, não há vítimas.
Radio Vaticano

Tweet do Santo Padre:

28/12/2014
A família cristã é missionária: anuncia ao mundo o amor de Deus.

No Angelus Francisco reza por todos os discriminados pelo testemunho a Cristo

Cidade do Vaticano (RV) – No Angelus deste 26 de dezembro de 2014, dia em que a Igreja recorda o martírio de Santo Estêvão, o Papa Francisco rezou, “em modo particular”, por todos aqueles que são discriminados pelo testemunho dado a Cristo” e conclamou para que seja reconhecida e assegurada a liberdade religiosa, “como direito inalienável de cada pessoa humana”.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!


Hoje a liturgia recorda o testemunho de Santo Estêvão. Escolhido dos apóstolos, junto a outros seis, para a diaconia da caridade, isso é, para ajudar os pobres, os órfãos, as viúvas na comunidade de Jerusalém, ele se torna o primeiro mártir da Igreja. Com o seu martírio, Estêvão honra a vinda no mundo do Rei dos reis, dá testemunho Dele e oferece em doação a sua própria vida, como fazia no serviço aos mais necessitados. E assim nos mostra como viver em plenitude este mistério do Natal.

O Evangelho desta festa reporta uma parte do discurso de Jesus aos seus discípulos no momento em que os envia em missão. Diz entre outros: “Sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt 10, 22). Estas palavras do Senhor não perturbam a celebração do Natal, mas a despojam daquele falso revestimento adocicado que não lhe pertence. Fazem-nos compreender que nas provas aceitas por causa da fé, a violência é derrotada pelo amor, a morte pela vida. E para acolher verdadeiramente Jesus na nossa existência e prolongar a alegria da Noite Santa, o caminho é justamente aquele indicado por esse Evangelho, isso é, dar testemunho de Jesus na humildade, no serviço silencioso, sem medo de ir contracorrente e de pagar pessoalmente. E se não todos são chamados, como Santo Estêvão, a derramar o próprio sangue, a cada cristão, porém, é pedido ser coerente em cada circunstância com a fé que professa. E a coerência cristã é uma graça que devemos pedir ao Senhor. Ser coerentes, viver como cristãos e não dizer: “sou cristão” e viver como pagão. A coerência é uma graça a pedir hoje.

Seguir o Evangelho é, de certo modo, um caminho exigente, mas belo, belíssimo, e quem o percorre com fidelidade e coragem recebe o presente prometido pelo Senhor aos homens e às mulheres de boa vontade. Como cantavam os anjos no dia do Natal: “Paz! Paz!”. Esta paz dada por Deus é capaz de tranquilizar a consciência daqueles que, através das provações da vida, sabem acolher a Palavra de Deus e se empenham em observá-la com perseverança até o fim (cfr Mt 10, 22).

Hoje, irmãos e irmãs, rezemos de modo particular por quantos são discriminados, perseguidos e mortos pelo testemunho dado de Cristo. Gostaria de dizer a cada um deles: se vocês levam esta cruz com amor, entram no mistério do Natal, estão no coração de Cristo e da Igreja.

Rezemos, além disso, para que, graças também ao sacrifício destes mártires de hoje – são tantos, tantíssimos! – se reforce em cada parte do mundo o empenho para reconhecer e assegurar concretamente a liberdade religiosa, que é um direito inalienável de cada pessoa humana.

Queridos irmãos e irmãs, desejo-vos transcorrer serenamente as festas natalícias. Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir, nos apoie no nosso caminho cotidiano, que esperamos coroar, no fim, na festiva assembleia dos santos no Paraíso.

Tweet do Papa Francisco:

26/12/2014
Hoje, rezemos por todos aqueles que são perseguidos por causa da fé cristã.

Que a força de Deus transforme ódio em amor, diz Papa



Nesta quinta-feira, 25.dezembro.2014, Papa Francisco iniciou sua mensagem Urbi et Orbi, na Basílica de San Pietro, desejando um bom Natal. O Santo Padre, reafirmou que o Filho de Deus e Salvador do mundo nasceu  para nós e foi concedido por pessoas humildes como Maria e São José.

Queridos irmãos e irmãs, bom Natal!

Jesus, o Filho de Deus, o Salvador do mundo, nasceu para nós. Nasceu em Belém de uma virgem, dando cumprimento às profecias antigas. A virgem chama-se Maria; o seu esposo, José.

São as pessoas humildes, cheias de esperança na bondade de Deus, que acolhem Jesus e O reconhecem. Assim o Espírito Santo iluminou os pastores de Belém, que acorreram à gruta e adoraram o Menino. E mais tarde o Espírito guiou até ao templo de Jerusalém Simeão e Ana, humildes anciãos, e eles reconheceram em Jesus o Messias. «Meus olhos viram a salvação – exclama Simeão – que ofereceste a todos os povos» (Lc 2, 30-31).

Sim, irmãos, Jesus é a salvação para cada pessoa e para cada povo!

A Ele, Salvador do mundo, peço hoje que olhe para os nossos irmãos e irmãs do Iraque e da Síria que há tanto tempo sofrem os efeitos do conflito em curso e, juntamente com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, padecem uma perseguição brutal. Que o Natal lhes dê esperança, como aos inúmeros desalojados, deslocados e refugiados, crianças, adultos e idosos, da Região e do mundo inteiro; mude a indiferença em proximidade e a rejeição em acolhimento, para que todos aqueles que agora estão na provação possam receber a ajuda humanitária necessária para sobreviver à rigidez do inverno, retornar aos seus países e viver com dignidade. Que o Senhor abra os corações à confiança e dê a sua paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra abençoada do seu nascimento, sustentando os esforços daqueles que estão ativamente empenhados no diálogo entre Israelitas e Palestinianos.

Jesus, Salvador do mundo, olhe para quantos sofrem na Ucrânia e conceda àquela amada terra a graça de superar as tensões, vencer o ódio e a violência e embarcar um caminho novo de fraternidade e reconciliação.

Cristo Salvador dê paz à Nigéria, onde – mesmo nestas horas – mais sangue foi derramado e muitas pessoas se encontram injustamente subtraídas aos seus entes queridos e mantidas reféns ou massacradas. Invoco paz também para outras partes do continente africano. Penso de modo particular na Líbia, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana e nas várias regiões da República Democrática do Congo; e peço a quantos têm responsabilidades políticas que se empenhem, através do diálogo, a superar os contrastes e construir uma convivência fraterna duradoura.

Jesus salve as inúmeras crianças vítimas de violência, feitas objeto de comércio ilícito e tráfico de pessoas, ou forçadas a tornar-se soldados; crianças, tantas crianças vítimas de abuso. Dê conforto às famílias das crianças que, na semana passada, foram assassinadas no Paquistão. Acompanhe todos os que sofrem pelas doenças, especialmente as vítimas da epidemia de Ebola, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Ao mesmo tempo que do íntimo do coração agradeço àqueles que estão trabalhando corajosamente para assistir os doentes e os seus familiares, renovo um premente apelo a que sejam garantidas a assistência e as terapias necessárias.

Jesus Menino. Penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje, seja naquelas que o são antes de ver a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo duma cultura que não ama a vida; seja nas crianças desalojadas devido às guerras e perseguições, abusadas e exploradas sob os nossos olhos e o nosso silêncio cúmplice; seja ainda nas crianças massacradas nos bombardeamentos, inclusive onde o Filho de Deus nasceu. Ainda hoje o seu silêncio impotente grita sob a espada de tantos Herodes. Sobre o seu sangue, estende-se hoje a sombra dos Herodes do nosso tempo. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!

Queridos irmãos e irmãs, que hoje o Espírito Santo ilumine os nossos corações, para podermos reconhecer no Menino Jesus, nascido em Belém da Virgem Maria, a salvação oferecida por Deus a cada um de nós, a todo o ser humano e a todos os povos da terra. Que o poder de Cristo, que é libertação e serviço, se faça sentir a tantos corações que sofrem guerras, perseguições, escravidão. Que este poder divino tire, com a sua mansidão, a dureza dos corações de tantos homens e mulheres imersos no mundanismo e na indiferença, na globalização da indiferença. Que a sua força redentora transforme as armas em arados, a destruição em criatividade, o ódio em amor e ternura. Assim poderemos dizer com alegria: «Os nossos olhos viram a vossa salvação».

Com estes pensamentos, a todos bom Natal!

Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Na Missa do Natal, Papa fala da ternura de Deus



Deixar-se acolher pela ternura de Deus e, assim, saber enfrentar a vida com bondade e mansidão. Essa foi a mensagem deixada pelo Papa Francisco em sua homilia na Missa do Natal do Senhor, celebrada nesta quarta-feira, 24.dezembro.2014, na Basílica de San Pietro. O Santo Padre se concentrou na luz que Jesus é para o mundo e que livra o homem de toda escuridão.

«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles»(Is 9,1). «Um anjo do Senhor apareceu [aos pastores], e a glória do Senhor refulgiu em volta deles» (Lc 2,9). É assim que a Liturgia desta santa noite de Natal nos apresenta o nascimento do Salvador: como luz que penetra e dissolve a mais densa escuridão. A presença do Senhor no meio do seu povo cancela o peso da derrota e a tristeza da escravidão e restabelece o júbilo e a alegria.

Também nós, nesta noite abençoada, viemos à casa de Deus atravessando as trevas que envolvem a terra, mas guiados pela chama da fé que ilumina os nossos passos e animados pela esperança de encontrar a «grande luz». Abrindo o nosso coração, temos, também nós, a possibilidade de contemplar o milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, ilumina o horizonte.

A origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8). Assim, o curso dos séculos tem sido marcado por violências, guerras, ódio, prepotência. Mas Deus, que havia posto suas expectativas no homem feito à sua imagem e semelhança, esperava. O tempo de espera fez-se tão longo que a certo momento, quiçá, deveria renunciar; mas Ele não podia renunciar, não podia negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). Por isso, continuou a esperar pacientemente face à corrupção de homens e povos. A paciência de Deus. Quão difícil é entender isso, a paciência de Deus para conosco.

Ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido, todos os dias, com paciência, a paciência de Deus.

A profecia de Isaías anuncia a aurora duma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento do Redentor, fizeram-no com estas palavras: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). O «sinal» é a humildade de Deus levada ao extremo; é o amor com que Ele, naquela noite, assumiu a nossa fragilidade, o nosso sofrimento, as nossas angústias, os nossos desejos e as nossas limitações. A mensagem que todos esperavam, que todos procuravam nas profundezas da própria alma, mais não era que a ternura de Deus: Deus que nos fixa com olhos cheios de afeto, que aceita a nossa miséria, Deus enamorado da nossa pequenez.

Nesta noite santa, ao mesmo tempo que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir. Como acolhemos a ternura de Deus? Deixo-me alcançar por Ele, deixo-me abraçar, ou impeço-Lhe de aproximar-Se? «Oh não, eu procuro o Senhor!»– poderíamos replicar. Porém a coisa mais importante não é procurá-Lo, mas deixar que seja Ele a encontrar-me e cobrir-me amorosamente das suas carícias. Esta é a pergunta que o Menino nos coloca com a sua mera presença: permito a Deus que me queira bem?

E ainda: temos a coragem de acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes mas desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem hoje de ternura! A paciência de Deus, a proximidade de Deus, a ternura de Deus.

A resposta do cristão não pode ser diferente da que Deus dá à nossa pequenez. A vida deve ser enfrentada com bondade, com mansidão. Quando nos damos conta de que Deus Se enamorou da nossa pequenez, de que Ele mesmo Se faz pequeno para melhor nos encontrar, não podemos deixar de Lhe abrir o nosso coração pedindo-Lhe: «Senhor, ajudai-me a ser como Vós, concedei-me a graça da ternura nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça de me aproximar ao ver qualquer necessidade, a graça da mansidão em qualquer conflito».

Queridos irmãos e irmãs, nesta noite santa, contemplamos o presépio: nele,«o povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9,1). Viram-na as pessoas simples, dispostas a acolher o dom de Deus. Pelo contrário, não a viram os arrogantes, os soberbos, aqueles que estabelecem as leis segundo os próprios critérios pessoais, aqueles que assumem atitudes de fechamento. Olhemos o presépio e façamos este pedido à Virgem Mãe: «Ó Maria, mostrai-nos Jesus!»
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Últimas mensagens do Papa Francisco no seu Twitter:

25/12/2014
Com Jesus, temos a verdadeira alegria.
24/12/2014
Procuremos escutar e fazer silêncio, para deixar espaço à beleza de Deus.
23/12/2014
Às vezes somos escravos do pecado. Senhor, vinde libertar-nos!

Papa oferece consolo e esperança a cristãos do Oriente Médio

Às vésperas da celebração do Natal, o Papa Francisco enviou uma mensagem para os cristãos que vivem no Oriente Médio. No texto apresentado pelo Vaticano nesta terça-feira, 23.dezembro.2014, o Santo Padre exalta a importância desses cristãos e reitera o apelo à Comunidade Internacional para que se empenhe no estabelecimento da paz na região.

Queridos irmãos e irmãs,

«Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus» (2 Cor 1, 3-4).

Vieram-me à mente estas palavras do apóstolo Paulo, quando pensei em escrever-vos, irmãos cristãos do Médio Oriente. Faço-o às portas do Santo Natal, sabendo que, para muitos de vós, as notas dos cânticos natalícios serão entremeadas de lágrimas e suspiros. E todavia o nascimento do Filho de Deus na nossa carne humana é um mistério inefável de consolação: «Manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens» (Tt 2, 11).

A aflição e a tribulação não faltaram, infelizmente, no passado mesmo recente do Médio Oriente. Mas agravaram-se nos últimos meses por causa dos conflitos que atormentam a Região e, sobretudo, pela atuação duma organização terrorista mais recente e preocupante, de dimensões antes inconcebíveis, que comete toda a espécie de abusos e práticas indignas do homem, atingindo de forma particular alguns de vós que foram brutalmente expulsos das suas terras, onde os cristãos têm estado presentes desde a época apostólica.

Ao dirigir-me a vós, não posso esquecer também outros grupos religiosos e étnicos que sofrem de igual modo a perseguição e as consequências de tais conflitos. Acompanho dia-a-dia as notícias do sofrimento enorme de tantas pessoas no Médio Oriente. Penso especialmente nas crianças, nas mães, nos idosos, nos deslocados e nos refugiados, em quantos padecem a fome, naqueles que têm de enfrentar a dureza do Inverno sem um teto para se protegerem. Este sofrimento brada a Deus e faz apelo ao compromisso de todos nós por meio da oração e de todo o tipo de iniciativa. Desejo exprimir a todos unidade e solidariedade, minha e da Igreja, e oferecer uma palavra de consolação e de esperança.

A nossa consolação e a nossa esperança, queridos irmãos e irmãs que dais corajosamente testemunho de Jesus na vossa terra abençoada pelo Senhor, é o próprio Cristo. Por isso, encorajo-vos a permanecer unidos a Ele, como ramos à videira, com a certeza de que nem a tribulação, nem a angústia, nem a perseguição vos pode separar d’Ele (cf. Rm 8, 35). Que a prova, que estais a atravessar, fortaleça a fé e a fidelidade de todos vós!

Rezo para que possais viver a comunhão fraterna segundo o exemplo da primitiva comunidade de Jerusalém. Nestes momentos difíceis, é mais necessária do que nunca a unidade desejada por Nosso Senhor; é um dom de Deus que interpela a nossa liberdade e aguarda pela nossa resposta. Que a palavra de Deus, os sacramentos, a oração, a fraternidade alimentem e renovem sem cessar as vossas comunidades.

A situação em que viveis constitui um forte apelo à santidade de vida, como o comprovam santos e mártires das mais diversas confissões eclesiais. Recordo com afeto e veneração os pastores e os fiéis, a quem foi pedido o sacrifício da vida, nos últimos tempos, muitas vezes pelo simples fato de serem cristãos. Penso também nas pessoas sequestradas, incluindo alguns bispos ortodoxos e sacerdotes de diferentes Ritos. Que elas possam, em breve, regressar sãs e salvas às suas casas e comunidades! Peço a Deus que tanto sofrimento, unido à cruz do Senhor, dê bons frutos para a Igreja e para os povos do Médio Oriente.

No meio das hostilidades e conflitos, a comunhão vivida entre vós em fraternidade e simplicidade é um sinal do Reino de Deus. Alegro-me com as boas relações e a colaboração entre os patriarcas das Igrejas Orientais católicas e ortodoxas, bem como entre os fiéis das diferentes Igrejas. Os sofrimentos padecidos pelos cristãos prestam uma contribuição inestimável à causa da unidade. É o ecumenismo do sangue, que requer confiante abandono à ação do Espírito Santo.

Que sempre possais dar testemunho de Jesus através das dificuldades! A vossa própria presença é preciosa para o Médio Oriente. Sois um pequeno rebanho, mas com uma grande responsabilidade na terra onde nasceu e donde irradiou o cristianismo. Sois como o fermento na massa. Acima mesmo das inumeráveis obras da Igreja nos setores escolástico, sanitário ou assistencial, apreciadas por todos, a maior riqueza para a Região são os cristãos; sois vós. Obrigado pela vossa perseverança!

Outro sinal do Reino de Deus é o vosso esforço por colaborar com pessoas doutras religiões, com os judeus e com os muçulmanos. O diálogo inter-religioso torna-se tanto mais necessário, quanto mais difícil é a situação. Não há outra estrada. O diálogo baseado numa atitude de abertura, na verdade e no amor é também o melhor antídoto contra a tentação do fundamentalismo religioso, que é uma ameaça para os crentes de todas as religiões. Simultaneamente, o diálogo é um serviço à justiça e uma condição necessária para a tão desejada paz.

A maior parte de vós vive num ambiente de maioria muçulmana. Podeis ajudar os vossos concidadãos muçulmanos a apresentarem, com discernimento, uma imagem mais autêntica do Islã, como querem muitos deles que repetem que o Islã é uma religião de paz e pode conciliar-se com o respeito dos direitos humanos e promover a convivência entre todos. Será um bem para eles e para a sociedade inteira. A situação dramática, vivida pelos nossos irmãos cristãos no Iraque, mas também pelos yazidis e os membros de outras comunidades religiosas e étnicas, exige uma tomada de posição clara e corajosa por parte de todos os responsáveis religiosos que condene, de modo unânime e sem qualquer ambiguidade, tais crimes e denuncie a prática de invocar a religião para os justificar.

Caríssimos, quase todos vós sois cidadãos nativos dos vossos países e, por isso, tendes o dever e o direito de participar plenamente na vida e crescimento da vossa nação. Na Região, sois chamados a ser construtores de paz, reconciliação e desenvolvimento, a promover o diálogo, a construir pontes segundo o espírito das Bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12), a proclamar o evangelho da paz, prontos a colaborar com todas as autoridades nacionais e internacionais.

Em particular, desejo exprimir a minha estima e a minha gratidão a vós, caríssimos irmãos patriarcas, bispos, sacerdotes, religiosos e irmãs religiosas, que acompanhais com solicitude o caminho das vossas comunidades. Como é preciosa a presença e a ação de quem se consagrou totalmente ao Senhor e O serve nos irmãos, sobretudo nos mais necessitados, testemunhando a sua grandeza e o seu amor infinito! Como é importante a presença dos pastores junto do seu rebanho, sobretudo nos momentos de dificuldade!

A vós, jovens, mando-vos um paterno abraço. Rezo pela vossa fé, pelo vosso crescimento humano e cristão, e para que os vossos melhores projetos se possam realizar. E repito-vos: «Não tenhais medo nem vergonha de ser cristãos. O relacionamento com Jesus tornar-vos-á disponíveis para colaborar sem reservas com vossos compatriotas, independentemente do seu credo religioso» (Bento XVI, Exort. ap. pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente, 63).

A vós, idosos, faço chegar os meus sentimentos de estima. Sois a memória dos vossos povos; espero que esta memória seja semente de crescimento para as novas gerações.

Quero encorajar a quantos de vós trabalham nas áreas muito importantes da caridade e da educação. Admiro o trabalho que estais fazendo, especialmente através das Cáritas e com a ajuda das organizações caritativas católicas de vários países, auxiliando a todos sem distinção. Através do testemunho da caridade, ofereceis o mais válido apoio à vida social e contribuis também para a paz de que a Região tem fome como de pão. Mas também no setor da educação está em jogo o futuro da sociedade. Como é importante a educação para a cultura do encontro, para o respeito pela dignidade da pessoa e pelo valor absoluto de cada ser humano!

Caríssimos, embora em número reduzido, sois protagonistas da vida da Igreja e dos países onde viveis. Toda a Igreja está solidária convosco e vos apoia com grande afeto e estima pelas vossas comunidades e a vossa missão. Continuaremos a ajudar-vos com a oração e com os outros meios à disposição.

Ao mesmo tempo, continuo a incitar a Comunidade Internacional para que acorra às vossas necessidades e às das outras minorias que sofrem, antes de mais nada promovendo a paz por meio da negociação e da atividade diplomática, procurando circunscrever e extinguir o mais depressa possível a violência que já causou muito dano. Reitero a mais firme deprecação dos tráficos de armas. Aquilo de que precisamos são projetos e iniciativas de paz a fim de promover uma solução global para os problemas da Região. Quanto tempo deverá ainda sofrer o Médio Oriente por carência de paz? Não podemos resignar-nos aos conflitos, como se não fosse possível uma mudança! No sulco da minha peregrinação à Terra Santa e sucessivo encontro de oração no Vaticano com os Presidentes israelita e palestiniano, convido-vos a continuar a rezar pela paz no Médio Oriente. Quem foi forçado a deixar as suas terras, possa regressar e viver nelas com dignidade e segurança. Que a assistência humanitária possa incrementar-se, sempre colocando no centro o bem da pessoa e de cada país no respeito pela sua identidade própria, sem lhe antepor outros interesses! Que a Igreja inteira e a Comunidade Internacional se tornem cada vez mais conscientes da importância da vossa presença na Região!

Queridas irmãs e irmãos cristãos do Médio Oriente, tendes uma grande responsabilidade e não estais sozinhos a enfrentá-la. Por isso quis escrever-vos para vos encorajar e dizer como são preciosas a vossa presença e a vossa missão nessa terra abençoada pelo Senhor. O vosso testemunho faz-me muito bem. Obrigado! Todos os dias rezo por vós e pelas vossas intenções. Agradeço-vos porque sei que, nos vossos sofrimentos, rezais por mim e pelo meu serviço à Igreja. Muito espero ter a graça de ir pessoalmente visitar-vos e confortar-vos. A Virgem Maria, a Toda Santa Mãe de Deus e nossa Mãe, vos acompanhe e proteja sempre com a sua ternura. A todos vós e às vossas famílias envio a Bênção Apostólica, com votos de que vivais o Santo Natal no amor e na paz de Cristo Salvador.

Vaticano, 21 de Dezembro de 2014, IV Domingo de Avento.
Canção Nova/Boletim da Santa Sé

Papa alerta Cúria sobre “doenças” e pede exame de consciência

O Papa Francisco reuniu-se na manhã desta segunda-feira, 22.dezembro.2014, com a Cúria Romana, para os tradicionais votos de fim de ano. Ele falou do perigo de algumas doenças que podem afetar tanto a Cúria quanto cada cristão, propondo, assim, um exame de consciência a fim de preparar o coração para o Natal. Ele também enfatizou que o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.

A íntegra do discurso do Papa:

“Tu estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho)

Amados irmãos,

Ao final do Advento, encontramo-nos para as tradicionais saudações. Dentro de alguns dias teremos a alegria de celebrar o Natal do Senhor; o evento de Deus que se faz homem para salvar os homens; a manifestação do amor de Deus que não se limita a dar-nos algo ou a enviar-nos uma mensagem ou alguns mensageiros, doa-se-nos a si mesmo; o mistério de Deus que toma sobre si a nossa condição humana e os nossos pecados para revelar-nos a sua Vida divina, a sua graça imensa e o seu perdão gratuito. É o encontro com Deus que nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar-nos a potência da humildade. Na realidade, o Natal è também a festa da  luz que não é acolhida pala gente “eleita”, mas pela gente pobre e simples que esperava a salvação do Senhor.

Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos vós – cooperadores, irmãos e irmãs, Representantes pontifícios disseminados pelo mundo – e a todos os vossos entes queridos um santo Natal e um feliz Ano Novo. Desejo agradecer-vos cordialmente, pelo vosso compromisso quotidiano a serviço da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de Pedro.

Como somos pessoas e não números ou somente denominações, lembro de maneira especial os que, durante este ano, terminaram o seu serviço por terem chegado ao limite de idade ou por terem assumido outras funções ou ainda porque foram chamados à Casa do Pai. Também a todos eles e a seus familiares dirijo o meu pensamento e gratidão.

Desejo juntamente convosco erguer ao Senhor vivo e sentido agradecimento pelo ano que está a nos deixar, pelos acontecimentos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar mediante o serviço da Santa Sé, pedindo-lhe humildemente perdão pelas faltas cometidas “por pensamentos, palavras, obras e omissões”

E partindo precisamente deste pedido de perdão, desejaria que este nosso encontro e as reflexões que partilharei convosco se tornassem, para todos nós, apoio e estímulo a um verdadeiro exame de consciência a fim de preparar o nosso coração ao Santo Natal.

Pensando neste nosso encontro veio-me à mente a imagem da Igreja como Corpo místico de Jesus Cristo. É uma expressão que, como explicou o Papa Pio XII “brota e como que germina do que é frequentemente exposto na Sagrada Escritura e nos Santos Padres”. A este respeito, São Paulo escreveu: “Porque, como o corpo è um todo tendo muitos membros e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (1 Cor 12,12).

Neste sentido, o Concílio Vaticano II lembra-nos que “na edificação do Corpo de Cristo há diversidade de membros e de funções. Um só è o Espírito que, para utilidade da Igreja, distribui seus vários dons segundo suas riquezas e as necessidades dos ministérios (cf. 1 Cor 12,1-11)”. Por isto “Cristo e a Igreja formam o «Cristo total» - Christus totus -. A Igreja é una com Cristo».

È belo pensar na Cúria Romana como sendo um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um “corpo” que procura séria e cotidianamente ser mais vivo, mais sadio, mais harmonioso e mais unido em si mesmo e com Cristo.

Na realidade, a Cúria Romana è um corpo complexo, composto de muitos Dicastérios, Conselhos, Departamentos, Tribunais, Comissões e de numerosos elementos que não têm todos a mesma tarefa, mas são coordenados para um funcionamento eficaz, edificante, disciplinado e exemplar, não obstante as diversidades culturais, linguísticas e nacionais dos seus membros.

Em todo o caso, sendo a Cúria um corpo dinâmico, ela não pode viver sem alimentar-se e sem cuidar de si. De fato, a Cúria – como a Igreja – não pode viver sem ter uma relação vital, pessoal, autêntica e sólida com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta cotidianamente com aquele Alimento tornar-se-á um burocrata (um formalista, um funcionalista, um mero empregado): um ramo que seca e pouco a pouco morre e é lançado fora. A oração diária, a participação assídua nos Sacramentos, de modo especial, da Eucaristia e da reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são o alimento vital para cada um de nós. Que todos nós tenhamos bem claro que sem Ele nada poderemos fazer (cf Jo 15, 8).

Consequentemente, a relação viva com Deus alimenta e fortalece também a comunhão com os outros, ou seja, quanto mais estivermos intimamente unidos a Deus tanto mais estaremos unidos entre nós porque o Espírito de Deus une e o espírito do maligno divide.

A Cúria está chamada a melhorar-se, a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria a fim de realizar plenamente a sua missão. No entanto, ela, como todo corpo, como todo corpo humano, está exposta também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E aqui gostaria de mencionar algumas destas prováveis doenças, doenças curiais. São doenças mais costumeiras na nossa vida de Cúria. São doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Penso que nos ajudará o “catálogo” das doenças – nas pegadas dos Padres do deserto, que faziam aqueles catálogos – dos quais falamos hoje: ajudar-nos-á na nossa preparação ao Sacramento da Reconciliação, que será um passo importante de todos nós em preparação do Natal.

1. A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” transcurando os controles necessários e habituais. Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não procura melhorar é um corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver os nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente (cf Lc 12, 13-21) e também daqueles que se transformam em senhores e se sentem superiores a todos e não a serviço de todos. Esta doença deriva muitas vezes da patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”, do narcisismo que fixa apaixonadamente a sua imagem e não vê a imagem de Deus impressa na face dos outros, principalmente dos mais fracos e necessitados. O antídoto para esta epidemia è a graça de nos sentirmos pecadores e de dizer com todo o coração «Somos servos inúteis. Fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17, 10).

2. Outra doença:  doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, daqueles que mergulham no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus (cf Lc 10,38-42). Por isto Jesus chamou os seus discípulos a “descansar um pouco’” (cf Mc 6,31) porque descuidar do descanso necessário leva ao estresse e à agitação. O tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, è necessário, obrigatório e deve ser levado a sério: no passar um pouco de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual e física; é necessário aprender o que ensina o Coélet que «para tudo há um tempo» (3,1-15).

3. Há ainda a doença do “empedernimento” mental e espiritual, ou seja, daqueles que possuem um coração de pedra e são de “dura cerviz” (At 7,51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade interior, a vivacidade a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel, tornando-se “máquinas de práticas” e não “homens de Deus” (cf Hb 3,12). É perigoso perder a sensibilidade humana necessária que nos faz chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram! É a doença dos que perdem “os sentimentos de Jesus ” (cf Fl 2,5-11) porque o seu coração, com o passar do tempo, endurece e torna-se incapaz de amar incondicionalmente ao Pai e o próximo (cf Mt 22,34-40). Ser cristão, com efeito, significa ter os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2,5), sentimentos de humildade e de doação, de desapego e de generosidade.

4. A doença do planejamento excessivo e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minuciosamente e pensa que, fazendo um perfeito planejamento, as coisas efetivamente progridem, tornando-se, assim, um contador ou um comercialista. Preparar tudo bem è necessário, mas sem jamais cair na tentação de querer encerrar e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que é sempre maior, mais generosa do que todo planejamento humano (cf Jo 3,8). Cai-se nesta doença porque  «é sempre mais fácil e cômodo adaptar-se às suas posições estáticas e imutadas. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo na medida em que não tem a pretensão de regulamentá-lo e de domesticá-lo… - domesticar o Espírito Santo! - … Ele é frescor, fantasia, novidade».

5. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a sua temperança, tornando-se uma orquestra que produz barulho, porque os seus membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipe. Quando o pé diz ao braço: “não preciso de ti”, ou a mão à cabeça: “quem manda sou eu”, causando, assim, mal-estar ou escândalo.

6. Há também a doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o Senhor, do «primeiro amor» (Ap 2,4). Trata-se de uma perda progressiva das faculdades espirituais que num intervalo mais ou menos longo de tempo causa graves deficiências à pessoa, tornando-a incapaz de exercer algumas atividades autônomas, vivendo num estado de absoluta dependência das suas visões, tantas vezes imaginárias. É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido deuteronômico da vida; naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões, caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos, tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com suas próprias mãos.

7. A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objetivo primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: «Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses , e sim os dos outros» (Fl 2,1-4). É a doença que nos leva a ser homens e mulheres falsos, e a vivermos um falso “misticismo” e um falso “quietismo”. O mesmo São Paulo os define «inimigos da Cruz de Cristo» porque se envaidecem da própria ignomínia e só têm prazer no que é terreno» (Fl 3,19).

8. A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio espiritual progressivo que formaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença que atinge frequentemente aquele que, abandonando o serviço pastoral, se limitam aos afazeres burocráticos, perdendo, assim, o contato com a realidade, com as pessoas concretas. Criam, assim, um seu mundo paralelo, onde colocam à parte tudo o que ensinam severamente aos outros e começam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão è por demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32).

9. A doença das fofocas, das murmurações e do mexerico. Já falei muitas vezes desta doença, mas nunca è suficiente. É uma doença grave, que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e se apodera da pessoa, transformando-a em  “semeadora de cizânia” (como satanás), e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos seus colegas e confrades. É a doença das pessoas velhacas que, não tendo a coragem de falar diretamente, falam pelas costas. São Paulo nos adverte: «Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes» (Fl 2,14-18). Irmãos, guardemo-nos do terrorismo das maledicências!

10. A doença de divinizar os chefes: é a dos que cortejam os Superiores, esperando obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12). São pessoas que vivem o serviço, pensando exclusivamente no que devem obter e não no que devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu próprio egoísmo (cf Gal 5,16-25). Esta doença  poderia atingir também os Superiores, quando cortejam alguns seus colaboradores para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.

11. A doença da indiferença para com os outros. Quando alguém pensa somente em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experto não coloca o seu conhecimento a serviço dos colegas menos expertos. Quando se chega ao conhecimento de algo e o esconde para si, ao invés de compartilhar positivamente com os outros. Quando, por ciúme ou por astúcia, se sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e encorajá-lo.

12. A doença da cara fúnebre. Quer dizer, das pessoas grosseiras e sisudas que pensam que, para ser sérias, é necessário assumir as feições de melancolia, de severidade e tratar os outros – principalmente os que consideram inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e de insegurança. O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa amável, serena e alegre que transmite alegria por toda parte onde quer se encontre. Um coração repleto de Deus è um coração feliz que irradia e contagia de alegria todos os que estão à sua volta: é o que se vê imediatamente! Não percamos, portanto, aquele espírito jovial, cheio de humor, e até autoirônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo nas situações difíceis. Quanto bem nos faz uma boa dose de sadio humorismo! Far-nos-á muito bem recitar muitas vezes a oração de São Tomás Moro: rezo-a todos os dias; me faz bem.

13. A doença de acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração, acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro. Na realidade, nada de material poderemos levar conosco, porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos tesouros terrenos – mesmo que sejam  presentes – jamais poderão preencher aquele vazio; pelo contrário, torná-lo-ão cada vez mais exigente e mais profundo. A estas pessoas o Senhor repete: «Dizes: sou rico, faço bons negócios, de nada necessito – e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu ... Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te» (Ap 3,17-19). A acumulação só pesa e freia inexoravelmente o caminho! E penso numa anedota: um tempo, os jesuítas espanhóis descreviam que a Companhia de Jesus era como a “cavalaria leve da Igreja”. Lembro-me da mudança de um jovem jesuíta que, enquanto carregava num caminhão os seus muitos bens: bagagens, livros, objetos e presentes, ouvi um velho jesuíta, que estava a observá-lo, dizer com um sorriso sábio: e esta seria a “cavalaria leve da Igreja?”. As nossas mudanças são um sinal desta doença.

14. A doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo, e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre de boas intenções, mas com o passar do tempo, escraviza os membros, tornando-se um câncer que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos – especialmente aos nossos irmãos menores. A autodestruição ou o “tiro amigo” dos camaradas é o perigo mais sorrateiro. É o mal que atinge a partir de dentro; e, como diz Cristo, «todo o reino dividido contra si mesmo será destruído» (Lc 11,17).

15. E a última: a doença do proveito mundano, dos exibicionismos, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder; é a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta finalidade, são capazes de caluniar, de difamar e de desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e nas revistas. Naturalmente para se exibirem e se demonstrarem mais capazes do que os outros. Também esta doença faz muito mal al Corpo porque leva as pessoas a justificar o uso de todo meio, contanto que atinja o seu objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência! E vem-me aqui à mente a lembrança de um sacerdote que chamava os jornalistas para lhes contar – e inventar – coisas privadas e reservadas dos seus confrades e paroquianos. Para ele a única coisa importante era ver-se nas primeiras páginas, porque assim se sentia “potente e convincente”, causando tanto mal aos outros e à Igreja. Pobrezinho!

Irmãos, estas doenças e tais tentações são naturalmente um perigo para todo cristão e para toda cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial  e podem atingir quer em nível individual quer comunitário.

È necessário esclarecer que só o Espírito Santo  - a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno-Costantinopolitano: «Creio... no Espírito Santo, Senhor e  vivificador» - pode curar todas as enfermidades. É o Espírito Santo que sustenta todo esforço sincero de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos faz compreender que todo membro participa da santificação do corpo ou do seu enfraquecimento. É Ele o promotor da harmonia: “Ipse harmonia est”, diz São Basílio. Santo Agostinho diz-nos: «Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não è desesperada; mas o que foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».

O restabelecimento è também fruto da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com perseverança a terapia.

Somos chamados, portanto – neste tempo de Natal e por todo o tempo do nosso serviço e da nossa existência - a viver «pela prática sincera da caridade , crescendo em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo. È por Ele que todo o corpo – coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe è própria – efetua esse crescimento , visando à sua plena edificação na caridade » (Ef 4,15-16).

Amados irmãos!

Certa vez li que os sacerdotes são como aviões: só fazem notícia quando caem, mas há tantos que voam. Muitos criticam e poucos rezam por eles. É uma frase muito simpática, mas também muito verdadeira, porque delineia a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia causar um só sacerdote que “cai”, a todo o corpo da Igreja.

Portanto, para não cair nestes dias em que nos preparamos à Confissão, peçamos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que cure as feridas do pecado que cada um de nós tem no seu coração e que ampare a Igreja e a Cúria a fim de que sejam sadias e saneadoras; santas e santificadoras  para a glória do seu Filho e para a nossa salvação e do mundo inteiro. Peçamos a Ela que nos faça amar a Igreja como a amou Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e que tenhamos a coragem de nos reconhecermos pecadores e necessitados da sua misericórdia e que não tenhamos medo de abandonar a nossa mão entre as suas mãos maternais.

 Os melhores votos de um santo Natal a todos vós, às vossas famílias e aos vossos colaboradores. E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim! Obrigado de coração!
Radio Vaticano

"Peço perdão pelas minhas faltas e de meus colaboradores", diz o Papa no discurso aos funcionários Vaticanos

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu no final da manhã desta segunda-feira (22/12/2014), na Sala Paulo VI, os funcionários do Vaticano para as felicitações de Natal. É a primeira vez que um Pontífice realiza este gesto. Bergoglio escolheu a palavra “cuidar” para caracterizar o encontro, e comparou a Cúria a um Corpo, onde “os membros que parecem os mais fracos são os mais necessários”.

O Papa começou agradecendo aos funcionários - a maior parte formada por italianos, mas também aos  provenientes de outros países “que generosamente trabalham na Cúria, longe de sua pátria e de suas famílias, representando para a Cúria a face da catolicidade da Igreja” – para então convidar a um “frutuoso exame de consciência em preparação ao Santo Natal”, exortando todos a aproximarem-se “do Sacramento da Confissão com um espírito dócil, para receber a misericórdia do Senhor que bate à porta do nosso coração”.

Francisco nunca esquece dos mais simples e humildes e também neste seu segundo Natal passado em Roma quis “encontrar as pessoas que trabalham sem se mostrar e que são definidas ironicamente como “os ignorados, os invisíveis”, ou seja, “os jardineiros, os funcionários da limpeza, os ascensoristas, os porteiros, entre tantos outros”. “Graças aos vosso empenho cotidiano, a Cúria se expressa como um corpo vivo e em caminho, um verdadeiro mosaico rico de fragmentos diversos, necessários e complementares”.

Citando São Paulo quando fala do Corpo de Cristo, Francisco disse que os “membros do corpo que parecem mais fracos são os mais necessários. Pensemos aos olhos“, exemplificou, para então explicar do porque da escolha da palavra “cuidado, zelo”, para caracterizar o encontro. “Cuidar significa manifestar interesse diligente e premuroso, que compromete quer o nosso espírito que a nossa atividade, para com alguém ou alguma coisa”, e fez um paralelo com uma mãe que cuida do filho doente:

“Me vem em mente a imagem de uma mãe que cuida de seu filho doente, com total dedicação, considerando como sua, a dor de seu filho. Ela não olha nunca o relógio, não se lamenta nunca de não ter dormido toda uma noite, não deseja senão que vê-lo curado, custe o que custar”.

O Papa passou então à diversas exortações, começando pelo Natal, para que seja transformado em uma ocasião para “curar” toda ferida e todas as faltas:

“Vos exorto a cuidar de vossa vida espiritual, da vossa relação com Deus, porque esta é a coluna vertebral de tudo aquilo que fazemos e de tudo o que somos. Um cristão que não se alimenta com a oração, os  Sacramentos, a Palavra de Deus, inevitavelmente perde o vigor e seca”.

No mesmo sentido, Francisco exortou ao cuidado com as famílias, “dando aos vossos filhos e aos vossos caros não somente dinheiro, mas sobretudo tempo, atenção e amor”; cuidado na relação com os outros, fazendo boas-obras, “especialmente em relação aos mais necessitados”; no modo de falar, “purificando a língua das palavras ofensivas, das vulgaridades e da linguagem da decadência mundana”; nas feridas do coração, “com o óleo do perdão”; no trabalho, feito “com entusiasmo, humildade, competência, paixão e espírito de gratidão so Senhor”; assim como no cuidado com a “inveja, com a concupiscência, o ódio, os sentimentos negativos que destroem a nossa paz interior e nos transformam em pessoas destruídas e destrutivas”.

Francisco alertou também para o rancor, “que leva à vingança, ou para a preguiça, que leva à eutanásia existencial”; para o “apontar o dedo” que leva à soberba e do “lamentar-se continuamente”, o que leva ao desespero:

“Eu sei que algumas vezes, para garantir o lugar do trabalho, se fala dos outros, para defender-se. Eu entendo estas situações, mas o caminho não acaba bem. No final, seremos todos destruídos entre nós, e isto não, não serve. Antes, devemos pedir ao Senhor a sabedoria de saber morder a língua a tempo, para não dizer palavras injuriosas, que depois te deixam a boca amarga”.

O Papa exortou assim, a cuidarmos “dos mais fracos, dos anciãos, dos doentes, dos famintos, dos sem-teto e dos estrangeiros”. “Por isto seremos julgados”, avaliou.

E em relação ao Santo Natal, o Papa pediu que “não seja nunca uma festa de consumismo comercial, de aparência ou de presentes inúteis, ou mesmo de desperdícios supérfluos, que seja a festa da alegria de acolher o Senhor no presépio e no coração”.

Mas, o que se devemos cuidar mais? “Sobretudo a família”, indicou o Papa:

“A família é um tesouro, os filhos são um tesouro. Uma pergunta  que talvez os pais mais jovens poderiam se fazer: ‘Eu tenho tempo para brincar com os meus filhos, ou sempre estou ocupado, ocupada, e não tenho tempo para os filhos?’. Vos deixo esta pergunta. Brincar com os filhos, é tão bonito. Isto é semear o futuro”.

“Imaginemos como mudaria o nosso mundo se cada um de nós iniciasse logo, aqui, a cuidar-se seriamente e a cuidar generosamente da própria relação com Deus e com o próximo - disse o Papa - se colocássemos em prática a regra de ouro do Evangelho, proposta por Jesus no Sermão da Montanha: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei também vós a eles: esta, de fato, é a Lei e os Profetas”.

O Papa explicou então o que é o verdadeiro Natal:

“A festa da pobreza de Cristo que aniquilou-se a si mesmo assumindo a natureza de escravo; de Deus que serve à mesa; de Deus que se esconde aos inteligentes e aos sábios e que se revela aos pequenos, aos simples e aos pobres; do Filho que não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida como preço de resgate para muitos”.

Ao final, o Papa saúda os presentes, com um pedido de perdão:

“Não quero acabar estas palavras de felicitações sem vos pedir perdão pelas faltas, minhas e de meus colaboradores, e também por alguns escândalos, que fazem tão mal. Perdoem-me”.

Papa Francisco: "Como Maria, digamos 'sim' ao amor de Deus"

A fé e a capacidade de reconhecer o tempo de Deus. Essas foram duas atitudes de Maria destacadas pelo Papa Francisco antes do Angelus deste domingo, 21.dazembro.2014, na Praça São Pedro. No quarto e último domingo do Advento, o Santo Padre concentra a atenção em Maria como um modelo para a preparação dos cristãos ao Natal.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, quarto e último domingo do Advento, a liturgia quer nos preparar para o Natal que já está às portas nos convidando a meditar o relato do anúncio do Anjo a Maria. O arcanjo Gabriel revela à Virgem a vontade do Senhor de que ela se torne a mãe do seu Filho unigênito: “Conceberás um filho, lhe dará à luz e o chamará Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1, 31, 32). Fixemos o olhar sobre esta simples jovem de Nazaré, no momento em que se torna disponível à mensagem divina com o seu “sim”; colhamos dois aspectos essenciais de sua atitude, que é para nós modelo de como se preparar para o Natal.

Antes de tudo, a sua fé, a sua atitude de fé, que consiste em escutar a Palavra de Deus para se abandonar a esta Palavra com plena disponibilidade de mente e de coração. Respondendo ao Anjo, Maria disse: “Eis a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a sua palavra” (v. 38). No seu “eis aqui” cheio de fé, Maria não sabe por quais estradas deverá se aventurar, quais dores deverá sofrer, quais riscos deverá enfrentar. Mas é consciente de que é o Senhor a pedir e ela confia totalmente Nele e se abandona ao seu amor. Esta é a fé de Maria!

Um outro aspecto é a capacidade da Mãe de Cristo de reconhecer o tempo de Deus. Maria é aquela que tornou possível a encarnação do Filho de Deus, “a revelação do mistério, envolto no silêncio por séculos eternos” (Rm 16, 25). Tornou possível a encarnação do Verbo graças justamente ao seu “sim” humilde e corajoso. Maria nos ensina a colher o momento favorável em que Jesus passa na nossa vida e pede uma resposta pronta e generosa. E Jesus passa. De fato, o mistério do nascimento de Jesus em Belém, que ocorre historicamente há mais de dois mil anos, tem lugar, como evento espiritual, no “hoje” da Liturgia. O Verbo, que encontrou morada no ventre virginal de Maria, na celebração do Natal vem bater novamente à porta do coração de cada cristão: passa e bate. Cada um de nós é chamado a responder, como Maria, com um “sim” pessoal e sincero, colocando-se plenamente à disposição de Deus e da sua misericórdia, do seu amor. Quantas vezes Jesus passa na nossa vida e quantas vezes nos manda um anjo e quantas vezes não percebemos, porque estamos presos, imersos nos nossos pensamentos, nos nossos negócios e, até mesmo, nesses dias, nos nossos preparativos de Natal, de forma a não percebermos Ele que passa e bate à porta do nosso coração, pedindo acolhimento, pedindo um “sim”, como aquele de Maria. Um santo dizia: “Tenho temor que o Senhor passe”. Vocês sabem por que ele tinha temor? Temor de não perceber e O deixar passar. Quando nós sentimos no nosso coração: “Gostaria de ser melhor… Estou arrependido disso que fiz…” É justamente o Senhor que bate. Ele te faz sentir isso: a vontade de ser melhor, a vontade de permanecer mais próximo aos outros, a Deus. Se você sente isso, pare. É o Senhor ali! E vai fazer uma oração, talvez vá à confissão, a limpar um pouco… isso faz bem. Mas se lembrem bem: se sente esta vontade de melhorar, é Ele que bate: não O deixe passar!

No mistério do Natal, próximo a Maria está a silenciosa presença de São José, como é representado em cada presépio – também naquele que vocês podem admirar aqui na Praça São Pedro. O exemplo de Maria e de José é, para todos nós, um convite a acolher com total abertura de alma Jesus, que por amor se fez nosso irmão. Ele vem para trazer ao mundo o dom da paz: “Sobre a terra paz aos homens, que ele ama” (Lc 2, 14), como anunciaram em coro os anjos aos pastores. O presente precioso do Natal é a paz, e Cristo é a nossa verdadeira paz. E Cristo bate aos nossos corações para nos dar a paz, a paz da alma. Abramos as portas a Cristo!

Confiemo-nos à intercessão de nossa Mãe e de São José, para viver um Natal realmente cristão, livres de toda mundanidade, prontos para acolher o Salvador, o Deus-conosco.
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Papa: O Senhor marca a diferença entre a liberdade e a escravidão

Na manhã deste sábado dia 20 de dezembro o Papa Francisco recebeu em audiência a Comunidade Papa João XXIII. Esta comunidade internacional fundada pelo Padre Oreste Benzi tem sede na cidade de Rimini em Itália e dedica-se a viver e promover a partilha direta com os mais carenciados” e a “trabalhar, de maneira não violenta em conformidade com a Doutrina Social da Igreja, para remover as causas que criam injustiças e marginalização”.

Numa Sala Paulo VI plena de alegria e entusiasmo mais de 7000 pessoas congregaram-se para cantar, celebrar e partilhar experiências e testemunhos com os últimos, indefesos e marginalizados da sociedade. As periferias da existência estiveram no Vaticano e saudaram efusivamente o Papa Francisco no seu ingresso na Sala.

O Santo Padre no discurso que lhes dirigiu afirmou que as histórias que ali foram contadas falam de escravidão e de libertação, falam do egoísmo de quantos pensam de construir a existência explorando os outros e da generosidade daqueles que ajudam:

“São experiências que metem luz às tantas formas de pobreza de que, infelizmente, está ferido o nosso mundo; e revelam a miséria mais perigosa, causa de todas as outras: a distância de Deus, a presunção de poder fazer sem Deus.”

Segundo o Papa Francisco é a presença do Senhor que marca a diferença entre a liberdade do bem e a escravidão do mal. A presença do Senhor alarga os horizontes e a fé move montanhas tal como o sabia bem D. Oreste Benzi, fundador da vossa comunidade – afirmou ainda o Santo Padre.

“Da missão de envolver os adolescentes e interessá-los na pessoa de Jesus, nasceu no servo de Deus D. Oreste Benzi a ideia de organizar para eles um encontro simpático com Cristo, ou seja, um encontro vital e radical com Ele como herói e amigo, mediante testemunhos de vida vivida que mostrassem em pleno a mensagem cristã, mas em modo alegre e mesmo brincalhão.”

O Papa Francisco concluiu o seu pequeno discurso pedindo que a Eucaristia seja o coração das Casas-Família da Comunidade Papa João XXIII presentes em 34 países. A todos os presentes desejou um Bom Natal pleno de amor e alegria.

Neste sábado, o Papa Francisco twittou:

20/12/2014
Para que Jesus se torne o centro da nossa vida, é preciso permanecer na sua presença, diante do Sacrário.

Falando a luteranos, Papa pede avanço no diálogo ecumênico



Avançar no caminho do diálogo ecumênico. Esse foi o tom do discurso do Papa Francisco na audiência com uma delegação da Igreja Evangélica Luterana da Alemanha nesta quinta-feira, 18.  O Santo Padre lembrou os passos já dados por católicos e luteranos rumo à unidade, mas reiterou a necessidade de seguir adiante.

Já são quase 50 anos de diálogo oficial entre luteranos e católicos. Ao longo desse período, foram construídas “pedras milenares” que permitem seguir com confiança no caminho de unidade, como a Declaração Comum sobre doutrina da justificação. Francisco destacou que a responsabilidade ecumênica da Igreja católica de fato é uma tarefa essencial da própria Igreja.

Embora o objetivo comum da plena unidade às vezes possa parecer se distanciar, o Santo Padre disse que as partes não podem se conformar, mas sim se concentrar no próximo passo possível. “Não esqueçamos que estamos fazendo juntos um caminho de amizade, de estima recíproca e de pesquisa teológica, um caminho que nos faz olhar esperançosos para o futuro”, disse.

O Papa manifestou sua alegria pela proximidade do término do trabalho sobre o tema “Deus e a dignidade do homem”, realizado pela Comissão de Diálogo Bilateral, entre a conferência episcopal alemã e a Igreja evangélica luterana da Alemanha.

Em 2017, cristãos luteranos e católicos vão comemorar o quinto centenário da Reforma, ocasião que também foi mencionada pelo Papa em seu discurso. “Possa esta comemoração da Reforma encorajar todos a cumprir, com a ajuda de Deus e o apoio do seu Espírito, mais passos rumo à unidade e a não nos limitarmos simplesmente àquilo que já alcançamos”.
Radio Vaticano
Em audiência com Comitê Olímpico da Itália, Papa enfatizou os valores do esporte, como o favorecimento da paz entre os povos



O Papa Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira, 19.dezembro.2014, dirigentes e atletas do Comitê Olímpico Nacional Italiano, em ocasião do centenário de sua fundação. O Santo Padre falou dos valores do esporte, em especial sua contribuição para a fraternidade entre os povos.

Francisco destacou que o esporte sempre favoreceu um universalismo caracterizado por uma fraternidade e amizade entre os povos, concórdia e paz entre as nações. “Cada evento esportivo, sobretudo aquele olímpico, onde se confrontam representantes de nações com histórias, culturas, tradições, fés e valores diversos, pode se tornar meio de uma força ideal capaz de abrir novos caminhos, às vezes inesperados, em superar conflitos causados pela violação dos direitos humanos”.

Sobre o mote olímpico – “Citius, altius, fortius”, “mais rápido, mais alto e mais forte” – o Papa explicou que não se trata da supremacia de uma nação sobre a outra e nem exclusão dos mais fracos. É um desafio, para todos, não só para os atletas, a assumir o cansaço e o sacrifício a fim de alcançar as metas importantes da vida.

O Santo Padre encorajou o trabalho educativo para favorecer um esporte acessível a todos, com atenção aos mais frágeis e às faces mais precárias da sociedade. Ele expressou seus bons votos para a candidatura de Roma a sediar os Jogos Olímpicos de 2024 e reiterou seu pedido para que rezem por seu ministério.
L'OSSERVATORE ROMANO

Papa Francisco enfatiza valor dos símbolos natalinos



O valor dos símbolos natalinos foi o tema da audiência do Papa Francisco com as delegações de duas cidades italianas, Verona e Catanzaro, que doaram ao Vaticano o presépio e a árvore de Natal que enfeitam a Praça São Pedro. A audiência aconteceu nesta sexta-feira, 19, dia em que os símbolos natalinos serão inaugurados no Vaticano.

O presépio e a árvore, explicou Francisco, são símbolos natalinos que evocam o Mistério da encarnação e a luz que Jesus trouxe ao mundo com o seu nascimento. “Mas o presépio e a árvore tocam o coração de todos, inclusive de quem não crê, porque fala de fraternidade, de intimidade e de amizade, chamando os homens do nosso tempo a redescobrirem a beleza da simplicidade, da compartilha e da solidariedade”.

Para o Pontífice, os símbolos são um convite à unidade, à concórdia e à paz; a abrir espaço a Deus, que não vem com arrogância para impor a sua potência, mas oferece o seu amor na frágil figura de um Menino.

“Sigamos Jesus, a verdadeira luz, para não nos perder e para refletir ao nosso redor luz e calor a quem atravessa momentos de dificuldade e escuridão interior”.

Na tarde desta sexta-feira, 19, na Praça São Pedro, haverá a cerimônia para a inauguração do presépio, da árvore e da nova iluminação da Basílica Vaticana.

A árvore é proveniente da cidade de Catanzaro, na região da Calábria (sul da Itália), e tem mais de 25 metros. Já o presépio foi doado pela cidade de Verona (norte do país). É composto por cerca de 20 estátuas de argila em tamanho natural, com vestidos e acessórios realizados com material resistente a intempéries.
Papa: a Igreja seja mãe, não empresária



Cidade do Vaticano, 19.dezembro.2014 (RV) - A Igreja deve ser mãe, não empresária: foi a afirmação feita pelo Papa na missa da manhã, na Casa Santa Marta. Foi a última missa matutina do ano. O Pontífice acentuou a “nova Criação” representada pelo nascimento de Jesus, que refaz novas todas as coisas.

Duas mulheres estéreis que se tornam fecundas: este foi o ponto de partida da reflexão, extraída do episódio que narra os nascimentos milagrosos de Sansão e João Batista. Para o povo de Israel, não ter filhos era como uma maldição, explicou Francisco, lembrando que na Bíblia vemos tantas mulheres estéreis curadas milagrosamente pelo Senhor. “A Igreja nos mostra este símbolo de esterilidade justamente antes do nascimento de Jesus, inclusive em uma mulher incapaz de ter um filho por sua decisão de permanecer virgem”. “Este é um sinal da humanidade incapaz de dar um passo avante”. Portanto, disse o Pontífice, a Igreja quer nos fazer refletir sobre a humanidade estéril.

Esterilidade e Nova Criação

“Da esterilidade, o Senhor é capaz de recomeçar uma nova descendência, uma nova vida. E é esta a mensagem de hoje. Quando a humanidade acaba, não pode prosseguir, chega a graça e chega o Filho, trazendo a Salvação. E aquela Criação ‘esgotada’ deixa lugar à nova criação…”

“Esta ‘segunda’ Criação, quando a Terra se esgota – é a mensagem de hoje. “Nós esperamos Aquele que é capaz de recriar todas as coisas, de fazer novas todas as coisas. Aguardamos a novidade de Deus”. Isto é Natal! “A novidade de Deus que refaz, de modo maravilhoso, todas as coisas”. Francisco ressaltou que seja a esposa de Manoá, mãe de Sansão, como Isabel, tiveram filhos graças à ação do Espírito do Senhor.

Qual seria então a mensagem destas leituras? – questionou o Papa.  “Abramo-nos ao Espírito de Deus – respondeu. Nós, sozinhos, não conseguimos; é ele que pode fazê-lo”:

Abertura às novidades de Deus

“Isso me faz pensar também na nossa mãe Igreja; nas muitas esterilidades que a nossa mãe Igreja tem: quando, pelo peso da esperança nos Mandamentos, aquele pelagianismo que todos nós trazemos nos ossos, se torna estéril. Acredita ser capaz de parir… não, não pode! A Igreja é mãe, e se torna mãe somente quando se abre à novidade de Deus, à força do Espírito. Quando diz a si mesma: ‘Eu faço tudo, mas acabei, não posso ir além‘, vem Espírito”.

Mãe, não empresária

Esta constatação levou o Papa a uma reflexão sobre as esterilidades na Igreja e a abertura à fecundidade na fé:

 “E também hoje é um dia para rezar pela nossa mãe Igreja, por tantas esterilidades no povo de Deus. Esterilidade de egoísmos, de poder…. Quando a Igreja acredita que pode tudo, que pode tomar conta das consciências das pessoas, percorrer o caminho dos fariseus, dos saduceus, o caminho da hipocrisia, eh, a Igreja é estéril. Rezar. Que este Natal faça a nossa Igreja se abrir ao dom de Deus, que se deixe surpreender pelo Espírito Santo e seja uma Igreja que faça filhos, uma Igreja mãe. Mãe. Muitas vezes eu penso que a Igreja em alguns lugares é mais empresária do que mãe.”

“Olhando para esta história de esterilidade do povo de Deus e tantas histórias na História da Igreja que fazem a Igreja estéril – concluiu o Papa –, peçamos ao Senhor, hoje, olhando para o Presépio”, a graça “da fecundidade da Igreja. Que a Igreja antes de tudo seja mãe, como Maria”.

Deus faz a história e a corrige quando o homem erra, diz Papa



Na Missa desta quinta-feira, 18,.dezembro.2014 na Casa Santa Marta, o Papa Francisco se concentrou na história da salvação. Ele destacou a necessidade de confiar em Deus mesmo nos momentos obscuros, mesmo sem entender, pois o Senhor caminha com o homem e corrige o caminho quando a pessoa erra.

Francisco disse que a salvação da humanidade não é uma “salvação de laboratório”, mas é histórica. Deus quis salvar o homem e fez um caminho junto com o Seu povo. O Papa observou que não há, portanto, salvação sem história.

“Deus faz a história, também nós a fazemos; e quando nós erramos, Ele corrige a história e nos leva adiante, sempre caminhando conosco. Se não temos isso claro, nunca entenderemos o Natal, nunca entenderemos a Encarnação do Verbo. Nunca! É toda uma história que caminha. ‘Padre, essa história terminou com o Natal? ‘Não! Ainda agora o Senhor nos salva na história e caminha com o Seu povo’”.

Nesta história, disse o Papa, há os eleitos de Deus, aquelas pessoas que Ele escolhe para ajudar o seu povo a seguir adiante, como Abraão, Moisés e Elias. Para eles, há momentos brutos, escuros, de cansaço; mas Deus os incomoda para que façam história e muitas vezes os fazem seguir por caminhos que não querem. Como exemplo, Francisco citou Moisés e Elias que, a certo ponto, desejaram morrer, mas depois confiaram em Deus.

O Evangelho do dia fala de outro momento bruto na história da salvação: quando José descobre que Maria, sua esposa prometida, estava grávida. Francisco disse que, nesses momentos, as pessoas eleitas precisam levar os problemas nos ombros, mesmo sem entender, para que façam a história. E assim fez José, que confiou em Deus.

“Fazer história com o seu povo significa para Deus caminhar e colocar à prova os seus eleitos”, disse o Papa, lembrando que, no final, o Senhor os salva. O Santo Padre incentivou os fiéis a se colocarem nas mãos de Deus e mencionou qual é o ensinamento dessas pessoas que foram eleitas:

“Que Deus caminhe conosco, que Ele faça história conosco, nos coloque à prova e nos salve nos momentos mais brutos, porque é nosso Pai. Que o Senhor nos faça entender este mistério do Seu caminhar com o Seu povo na história, do Seu colocar à prova os Seus eleitos e a grandeza de coração dos Seus eleitos, que tomam sobre si as dores, os problemas, mesmo a aparência de pecadores – pensemos em Jesus – para levar a história adiante”.
Radio Vaticano

Aniversário com os pobres



O Papa festejou o aniversário natalício na praça de São Pedro, com oito pobres de Roma que lhe ofereceram o presente mais apreciado: um ramo de gira-sóis que compraram porque «olham para o sol e assim nunca perdem a esperança». Quem entregou a homenagem floreal foi Ominiabons, um jovem nigeriano. Emocionado, o Papa por sua vez ofereceu uma prenda a cada um deles com um abraço especial a um jovem muçulmano que também festejava hoje o aniversário.

Os pobres foram acompanhados à praça pelo arcebispo esmoler Konrad Krajeweski, que lhes fez «uma surpresa». Na manhã de hoje saiu muito cedo do Vaticano com uma carrinha e foi ao dormitório aberto pelas irmãs de Madre Teresa em «via Rattazzi, na estação Termini. Aqui convidou cinco pessoas para o encontro com o Papa, juntamente com o pe. Giovanni, um sacerdote polaco que escolheu viver naquela estrutura de acolhimento no período dos seus estudos romanos. Em seguida, foi a buscar três idosas com perturbações psíquicas, assistidas na Casa dom de Maria no Vaticano.

O grupo – composto por um nigeriano, um marroquino, um polaco, um albanês, uma eslovaca, uma romena e dois italianos – chegou à praça quando a audiência estava para iniciar e ocupou o lugar reservado pela Prefeitura da Casa Pontifícia: na primeira fila, precisamente ao lado dos doentes que o Papa saudou pessoalmente, um por um. E precisamente aos refeitórios para os pobres romanos será destinado outro presente feito a Francisco, que chega hoje ao Vaticano da Espanha: oitocentos quilos de frangos oferecidos, como também há um ano, pela cooperativa Coren. A ideia é de uma criança, filho de um dos responsáveis.

Particularmente apreciado pelo Papa também o presente que veio da Coreia: um pacote de biscoitos, preparado e confeccionado por jovens deficientes da Aldeia das flores que Francisco teve ocasião de encontrar, em Agosto, na sua viagem à Ásia. Fez de intermediário para este significativo dom a jornalista Hwang Soo Kyung, da Korean broadcasting system, que trouxe um vídeo com muitas mensagens de agradecimento ao Pontífice pela sua visita.

Outros presentes apreciados foram o bolo com as cores da Argentina, com as velas, apresentado por um grupo de legionários de Cristo, durante o passeio de jipe. E também a presença festiva de três mil bailarinos de tango, que, precisamente em honra do Papa, no final da audiência dançaram na praça Pio XII. «O tango é um abraço e onde há abraços não há violência» disse Cristina Camorani, promotora da iniciativa. Antes da audiência, no arco dos sinos, o arcebispo Agostino Marchetto apresentou-lhe, juntamente com os organizadores, conteúdos e catálogo da exposição «Os Papa da esperança», que está em Castel Sant'Angelo e ficará aberta até 11 de Janeiro.

A desta manhã foi a última audiência do ano. A prefeitura da Casa Pontifícia informou que em 2014 foram 1.199.00 as pessoas que participaram nas quarenta e três audiências. O próximo encontro de quarta-feira será no dia 7 de Janeiro de 2015.
L'Osservatorre Romano
Acolher Jesus na família, pede Papa na catequese



Nesta quarta-feira, 17.dezembro.2014, o Papa Francisco encerrou as audiências gerais de 2014 dando continuidade às catequeses sobre família. Partindo do exemplo da Sagrada Família de Nazaré, ele pediu que as famílias de hoje saibam acolher Jesus na pessoa do marido e da esposa, dos filhos e avós.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Sínodo dos Bispos sobre família, celebrado há pouco, foi a primeira etapa de um caminho que se concluirá em outubro próximo com a celebração de uma outra Assembleia sobre o tema: “Vocação e missão da família na Igreja e no mundo”. A oração e a reflexão que devem acompanhar este caminho envolvem todo o Povo de Deus. Gostaria que também as meditações habituais das audiências de quarta-feira se inserissem neste caminho comum. Desejei, por isso, refletir com vocês, nesse ano, justamente sobre família, sobre este grande dom que o Senhor deu ao mundo desde o princípio, quando conferiu a Adão e Eva a missão de se multiplicar e encher a terra (cfr Gen 1, 28). Aquele dom que Jesus confirmou e selou no seu Evangelho.

A proximidade do Natal acende sobre este mistério uma grande luz. A encarnação do Filho de Deus abre um novo início na história universal do homem e da mulher. E este novo início acontece no seio de uma família, em Nazaré. Jesus nasce em uma família. Ele podia vir espetacularmente, ou como um guerreiro, um imperador… Não, não: vem como um filho de família, em uma família. Isto é importante: olhar no presépio esta cena tão bela.

Deus escolheu nascer em uma família humana, que formou Ele mesmo. Ele formou em uma vila remota da periferia do Império Romano. Não em Roma, que era a capital do Império, não em uma grande cidade, mas em uma periferia quase invisível, bastante mal falada. Recordam-no também os Evangelhos, quase como um modo de dizer: “De Nazaré pode vir alguma coisa de bom?” (Jo 1, 46). Talvez, em muitas partes do mundo, nós mesmos ainda falamos assim, quando ouvimos o nome de qualquer lugar periférico de uma grande cidade. Bem, justamente dali, daquela periferia do grande Império, começou a história mais santa e melhor, aquela de Jesus entre os homens! E ali se encontrava esta família.

Jesus permaneceu naquela periferia por trinta anos. O Evangelista Lucas resume este período assim: Jesus “era seu submisso [isso é, a Maria e José]. E alguém poderia dizer: “Mas este Deus que vem nos salvar, perdeu 30 anos ali, naquela periferia mal falada?”. Perdeu 30 anos! Ele quis isso. O caminho de Jesus era naquela família. “A mãe protegia no seu coração todas as coisas e Jesus crescia em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e diante dos homens” (2, 51-52). Não se fala de milagres ou curas, de pregações – não fez nenhuma naquele tempo – de multidões que se reúnem; em Nazaré, tudo parecia acontecer “normalmente”, segundo os costumes de uma piedosa e trabalhadora família israelita: trabalhava-se, a mãe cozinhava, fazia todas as coisas da casa, esticava as camisas… todas as coisas da mãe. O pai, carpinteiro, trabalhava, ensinava o filho a trabalhar. Trinta anos. “Mas que desperdício, padre!”. Os caminhos de Deus são misteriosos. Mas aquilo que era importante ali era a família! E isto não era um desperdício! Eram grandes santos: Maria, a mulher mais santa, imaculada, e José, o homem mais justo… A família”.

Ficaríamos certamente comovidos com a história de como Jesus adolescente enfrentava os compromissos da comunidade religiosa e os deveres da vida social; em conhecer como, de jovem trabalhador, trabalhava com José; e depois o seu modo de participar da escuta das Escrituras, da oração dos salmos e em tantos outros costumes da vida cotidiana. Os Evangelhos, em sua sobriedade, não referem nada sobre a adolescência de Jesus e deixam esta tarefa à nossa afetuosa meditação. A arte, a literatura, a música percorreram este caminho da imaginação. De certo, não é difícil imaginar quanto as mães poderiam aprender com a atenção de Maria por aquele Filho! E quanto os pais poderiam derivar do exemplo de José, homem justo, que dedicou a sua vida a apoiar e defender o menino e a esposa – a sua família – nas passagens difíceis! Para não dizer quanto os jovens poderiam ser encorajados por Jesus adolescente a compreender a necessidade e a beleza de cultivar a sua vocação mais profunda, e de sonhar grande! E Jesus cultivou naqueles trinta anos a sua vocação para a qual o Pai O enviou. E Jesus nunca, naquele tempo, se desencorajou, mas cresceu em coragem para seguir adiante com a sua missão.

Cada família cristã – como fizeram Maria e José – pode antes de tudo acolher Jesus, escutá-Lo, falar com Ele, protegê-Lo, crescer com Ele; e assim melhorar o mundo. Demos espaço no nosso coração e no nosso dia a dia ao Senhor. Assim fizeram também Maria e José, e não foi fácil: quantas dificuldades tiveram que superar! Não era uma família falsa, não era uma família irreal. A família de Nazaré nos empenha a redescobrir a vocação e a missão da família, de cada família. E como aconteceu naqueles trinta anos em Nazaré, assim pode acontecer também para nós: fazer tornar normal o amor e não o ódio, fazer tornar comum a ajuda mútua, não a indiferença ou a inimizade. Não é acaso, então, que “Nazaré” signifique “Aquela que protege”, como Maria, que – diz o Evangelho – “protegia no seu coração todas essas coisas” (cfr Lc 2, 19.51). Desde então, cada vez que há uma família que protege este mistério, mesmo na periferia do mundo, o mistério do Filho de Deus, o mistério de Jesus que vem nos salvar, está trabalhando. E vem para salvar o mundo. E esta é a grande missão da família: dar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós… Jesus está ali. Acolhê-Lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família. Que o Senhor nos dê esta graça nestes últimos dias antes do Natal. Obrigado.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé



Salvação é coração humilde que se entrega a Deus, diz Papa



Deus salva corações arrependidos, enquanto quem não confia n’Ele atrai a condenação. Foi o que reiterou o Papa Francisco em sua homilia, na Missa desta terça-feira, 16.dez.2014, na Casa Santa Marta.

A humildade salva o homem aos olhos de Deus, enquanto a soberba o perde. Francisco explicou que a chave de tudo está no coração: o do humilde é aberto, sabe se arrepender e aceitar uma correção, confia em Deus; já o do soberbo é arrogante, fechado e impermeável à voz do Senhor. O trecho do profeta Sofonias e o do Evangelho sugeriram ao Papa uma reflexão em paralelo. Ambos, observou, falam do “juízo” do qual dependem salvação e condenação.

A situação é a de uma cidade rebelde, onde existe um grupo que se arrepende de seus pecados: este, destacou o Papa, é o ‘povo de Deus’ que tem as três características: humildade, pobreza e confiança no Senhor. Mas na cidade há também aqueles que não aceitaram a correção, não confiaram no Senhor. Estes serão condenados.

“Eles não podem receber a salvação, são fechados a ela. Quando vemos o santo povo de Deus ser humilde, ter suas riquezas na fé e no Senhor, estes são salvos e este é o caminho da Igreja! Este povo deve percorrer este caminho, e não aquele que não escuta a voz, que não aceita a correção e não confia no Senhor”.

Sinceramente arrependidos, não hipócritas

A partir do Evangelho, Francisco comentou o episódio em que dois filhos foram convidados pelo pai a trabalhar na vinha. Um se recusou, depois se arrependeu e foi; o outro aceitou, mas, na verdade, enganou o pai.

Jesus conta essa história aos chefes do povo, afirmando claramente que eles não quiseram escutar a voz de Deus por meio de João; por isso, no Reino do Céu, serão superados pelos publicanos e prostitutas. E seu escândalo, observou o Papa, é idêntico ao dos cristãos que se sentem ‘puros’ só porque vão à Missa e comungam. Deus precisa de outas coisa, afirmou o Papa.

“Se o seu coração não está arrependido, se você não ouve o Senhor, não aceita a correção e não confia n’Ele, você tem um coração não arrependido. Mas esses hipócritas que se escandalizam com isso que Jesus disse sobre os publicanos e as prostitutas, mas, depois, sem segredo, vão até eles ou para desafogar suas paixões ou para fazer negócios – mas tudo em segredo – eram puros! E estes o Senhor não os quer “.

O Santo Padre ressaltou, porém, que esse julgamento dá esperança, desde que as pessoas tenham a coragem de abrir seus corações a Deus sem reservas, incluindo a “lista” dos próprios pecados. E para explicar isso, o Papa recordou a história do santo que “dava tudo ao Senhor”, com extrema generosidade, mas ainda não havia entregado a Ele os seus pecados.

“Quando formos capazes de dizer ao Senhor: ‘Senhor, estes são os meus pecados – não são daquele, daquele outro, são meus … Eles são meus. Tomá-los e então eu serei salvo’- quando formos capazes de fazer isso, vamos ser o belo povo, o povo humilde e pobre, que confia no nome do Senhor. O Senhor nos conceda esta graça”.
Radio Vaticano

Nesta manhã o Papa Francisco twittou:

16/12/2014
Como é importante saber escutar! O diálogo entre os esposos é essencial para que uma família possa estar serena.
Papa indica três missões do comunicador católico



O Papa Francisco recebeu em audiência nessa segunda-feira, 15.dezembro.2014, dirigentes e funcionários da TV 2000, emissora católica italiana. Na ocasião, o Santo Padre aprofundou a missão do comunicador católico.

“Muitas vezes, a comunicação se submeteu à propaganda, às ideologias, para fins políticos ou econômicos”, analisou Francisco, destacando a missão difícil da mídia católica neste contexto. “O que faz bem à comunicação é, em primeiro lugar, a parresia, isto é, a coragem de falar com franqueza e liberdade.”

Para Francisco, a liberdade deve ser também em relação às modas, aos lugares-comuns, às fórmulas pré-fabricadas, que no final acabam anulando a capacidade de comunicar. “Despertar as palavras: eis a primeira missão do comunicador”, afirmou, explicando que a comunicação deve evitar “preencher” e “fechar”.

“Preenche-se quando se tende a saturar a nossa percepção com um excesso de slogans que, ao invés de colocar em ação o pensamento, o anulam. Fecha-se quando, ao invés de percorrer a via longa da compreensão, se prefere aquela breve de apresentar indivíduos como se pudessem ser capazes de resolver todos os problemas ou, ao contrário, como bodes expiatórios, sobre os quais descarregar toda responsabilidade.”

Segundo o Papa, recorrer imediatamente à solução, sem conceder-se a fadiga de representar a complexidade da vida real, é um erro frequente dentro de uma comunicação mais veloz e menos reflexiva. “Abrir e não fechar: eis a segunda missão do comunicador.”

Já a terceira e última missão constitui “falar à pessoa inteira”, ou seja, evitar os pecados da mídia, que seriam: a desinformação, a calúnia e a difamação.

Uma comunicação autêntica não está preocupada em “atingir”, afirmou o Papa, identificando hoje na mídia a alternância entre alarmismo catastrófico e descompromisso consolatório. “É preciso falar às pessoas inteiras: às suas mentes e corações, para que saibam ver além do imediato, além de um presente que corre o risco de ser desmemoriado e temoroso do futuro.”

Essas três missões, concluiu o Pontífice, tornam concreta aquela cultura do encontro hoje tão necessária num contexto sempre mais plural. “Isso requer estar dispostos não somente a dar, mas também a receber dos outros.”
Radio Vaticano
Papa destaca misericórdia cristã e alerta sobre hipocrisia



A misericórdia dos cristãos foi o tema central da homilia do Papa Francisco nesta segunda-feira, 15.dezembro.2014.  Ele disse que Jesus torna o homem misericordioso para com o povo, enquanto quem tem o coração fraco porque não é fundado em Cristo corre o risco de ser rígido na disciplina exterior, mas hipócrita e oportunista por dentro.

No centro da homilia do Papa esteve o Evangelho do dia, em que os chefes dos sacerdotes perguntaram a Jesus com que autoridade Ele fazia suas obras. A pergunta, disse o Papa, demonstra o coração hipócrita dessas pessoas, um coração sem consistência, que negociava tudo – a liberdade interior, a fé, a pátria – menos as aparências.

Tais pessoas observavam bem as leis, mas só nas aparências, por dentro tinham um coração fraco e não sabiam em que acreditavam, explicou Francisco. Jesus, ao contrário, ensina que o cristão deve ter o coração forte, que cresce na rocha que é Cristo e depois segue com prudência, pois não se negocia o coração, não se negocia Cristo.

Este é o drama da hipocrisia, disse o Papa. Ele recordou quando Pio XII modificou a disciplina do jejum eucarístico, em que não se podia beber nem uma gota de água. Muitos se escandalizaram e chegaram a dizer que Pio XII estava cometendo heresia, mudando a disciplina da Igreja. “Pio XII fez como Jesus: viu a necessidade do povo. ‘Mas pobre gente, com tanto calor!’”.

Francisco lembrou que o próprio Jesus denuncia a hipocrisia e o oportunismo. “Também a nossa vida pode se tornar assim. E algumas vezes, confesso uma coisa, quando vi um cristão, uma cristã assim, frágil, não fundado na rocha – Jesus – e com tanta rigidez por fora, pedi ao Senhor: ‘Senhor, joga uma casca de banana diante dele, para que escorregue bem, se envergonhe de ser pecador e assim Te encontre, Tu que és o Salvador’”.

O Papa observou que o povo simples não errava, pois apesar das palavras destes doutores da lei, tinha aquele instinto da fé. Ele concluiu a homilia pedindo a Deus a graça dos cristãos terem sempre um coração simples, iluminado com a verdade dada por Jesus, e assim possam ser amáveis e compreensivos com o próximo, misericordiosos.

“Nunca condenar. Se você tem vontade de condenar, condena a si mesmo, que terá algum motivo. Peçamos ao Senhor a graça que nos dê esta luz interior, que nos convença que a rocha é somente Ele e não tanto histórias que nós fazemos como coisas importantes; e que Ele nos diga – Ele nos diga! – o caminho, Ele nos acompanhe no caminho, Ele alargue o nosso coração, para que possam entrar os problemas de tanta gente e Ele nos dê uma graça que este povo não tinha: a graça de nos sentirmos pecadores”.
Radio Vaticano
Papa visita paróquia e encontra jovens, crianças e doentes



Neste domingo, 14, o Papa Francisco fez uma visita pastoral à Paróquia de São José no Aurelio, Via Boccea, na zona oeste da Diocese de Roma. O Santo Padre se encontrou com as várias realidades da comunidade paroquial: as crianças e os jovens da catequese, a comunidade de nômades, os enfermos e famílias com crianças batizadas durante ano.

No encontro com as crianças, Francisco compartilhou sua experiência do encontro com o Menino Jesus. Falou da sua primeira comunhão, 70 anos atrás, e de sua catequista, irmã Dolores, pessoa muito amada e importante na sua vida pessoal e religiosa. Ele contou que foi visitá-la mesmo após a sua morte. Na conclusão do encontro, o Pontífice abençoou as imagens do Menino Jesus que as crianças levaram.

Francisco também teve um breve encontro com alguns membros da comunidade dos nômades, ou ciganos. O Papa exortou-lhes a não perderem a esperança, porque a esperança é Jesus, e pediu para que rezem sempre pela paz nas famílias.

Por volta das 16h20 (horário local, 13h20 em Brasília), o Pontífice se encontrou com cerca 60 enfermos na capela da Casa dos Oblatos de São José. O Santo Padre disse poucas palavras, porém se aproximou e saudou um por um dos presentes na capela. “Sem vocês a Igreja não existiria, porque uma Igreja sem doentes não iria para frente. Vocês são a força da Igreja”, disse.

Em seguida, foi a vez do encontro com as famílias das crianças batizadas durante o último ano. Também com elas o Papa compartilhou parte de sua história. Disse que foi batizado no dia de Natal, porque, tradicionalmente, na Argentina, as crianças eram batizadas oito dias após seu nascimento. Depois disse que, quando as crianças choram, ninguém deveria lamentar-se, porque “o primeiro choro das crianças é a voz de Deus”.

O Papa se dirigiu depois para a sacristia, onde confessou alguns fiéis e se preparou para a Celebração Eucarística.

“Utilizando a linguagem de Francisco – afirma o pároco da igreja, o oblato Giuseppe Lai —, poderíamos dizer que a nossa paróquia é a da periferia. Mas em que sentido? Na vontade de alcançar a todos, independentemente de religião e pensamento. A nós interessam as pessoas”.
Radio Vaticano

Sejamos missionários da alegria, pede o Papa no Angelus

Na oração do Angelus deste domingo, 14.dezembro.2014, o Papa Francisco recordou que o 3º domingo do Advento propõe à Igreja a alegria pela espera de Jesus. Diante disso, convocou: “sejamos missionários da alegria”. Uma alegria que o cristão é chamado a viver e que, segundo o Papa, vem da proximidade com Deus, da sua presença na vida do homem.

“Desde que Jesus entrou na nossa história, com o seu nascimento em Belém, a humanidade recebeu o gérmen do Reino de Deus, como um terreno que recebe a semente, promessa de uma colheita futura. Não é preciso procurar noutro lugar! Jesus veio trazer a alegria a todos e para sempre. Não se trata de uma alegria apenas experimentada e reenviada ao Paraíso mas uma alegria real e experimentável agora, porque Jesus é , Ele próprio, a nossa alegria e a nossa paz”.

O Papa Francisco continuou recordando que todos os batizados são chamados a acolher de forma renovada a presença de Deus e a ajudar os outros a descobri-la. “Trata-se de uma missão belíssima – parecida com a de João Batista: orientar a pessoas para Cristo” – observou o Santo Padre que sublinhou as palavras de São Paulo na liturgia de hoje:

“São Paulo indica as condições para ser missionários da alegria: rezar com perseverança, dar sempre graças a Deus, seguir o seu Espírito, procurar o bem e evitar o mal.”

Este deve ser o nosso estilo de vida – continuou o Papa – que concluiu a sua mensagem afirmando que Jesus, não é um personagem do passado, mas é a Palavra de Deus que ilumina o caminho dos homens. “Em Jesus é possível encontrar a paz interior e a força para enfrentar a vida de cada dia mesmo nas situações mais difíceis”,  afirmou o Papa Francisco que a seguir recitou a oração do Angelus.

Após a oração do Angelus, o Santo Padre saudou os grupos de fieis vindos de todo o mundo, em particular os grupos italianos vindos de Civitella Casanova, Catania, Gela, Altamura, e Frosinone. Saudou também os fieis polacos que neste III Domingo do Advento acendem a tradicional “vela do Natal” reafirmando o empenho na solidariedade especialmente neste Ano da Caritas que se celebra na Polônia.

O Papa saudou a multidão presente na Praça São Pedro, especialmente as crianças romanas que foram ao encontro do Papa para a tradicional bênção dos “bambinelli” – pequenas imagens do Menino Jesus que é organizada pelo Centro dos Oratórios Romanos. O Papa dirigiu-lhes algumas palavras e ofereceu-lhes um presente:

“Queridas crianças, agradeço-vos a vossa presença e desejo-vos um bom Natal! Quando rezardes e casa, junto ao vosso presépio, recordai-vos de mim, como eu me recordo de vós. A oração é a respiração da alma: é importante encontrar momentos do dia para abrir o coraçãoa Deus, mesmo com simples e breves orações do povo cristão. Por isso, hoje pensei de dar-vos um presente a todos vós que estais aqui na Praça: um pequeno livrinho de bolso que tem algumas orações, para os vários momentos do dia e para as diferentes situações da vida. Alguns voluntários vão distribuí-lo. Peguem num e levai-o sempre convosco, como ajuda para viver todo o dia com Deus.”

Encerrando a oração, o Papa Francisco a todos desejou um bom domingo e um bom almoço pedindo que não nos esqueçamos de rezar por ele.
Radio Vaticano

Apelo do Papa Francisco a fim de que não se esqueçam os últimos da sociedade- Diante do clamor dos pobres



«O grito dos pobres é o clamor do próprio Cristo que sofre». Por isso, é necessário ouvi-lo sempre. Foi esta a exortação que o Papa confiou na manhã de 13 de Dezembro de 2014 à delegação dos Amis de Gabriel Rosset e do Foyer Notre Dame des sans-abri, vinda em peregrinação de Lião para recordar os 110 anos de fundação e o 40º aniversário da morte do seu fundador.

A este propósito, o Pontífice frisou que os desabrigados, dos quais se ocupa esta associação francesa, «oferecem um ensinamento deveras profundo porque — acrescentou — são os pobres que nos evangelizam». Confirmando que «o mundo contemporâneo tem necessidade urgente» de um testemunho de misericórdia, uma vez que «hoje a pessoa humana é muitas vezes desprezada como inútil porque não rende mais», Francisco lembrou que, ao contrário, «nela Deus reconhece sempre a dignidade e a nobreza de um filho amado». Com efeito, «o pobre está no centro do Evangelho». Por isso, o Papa agradeceu aos voluntários dessa fundação que, «através de obras concretas, gestos simples e entusiastas», aliviam «a miséria das pessoas, dando-lhes uma esperança renovada e restituindo-lhes dignidade». De resto, concluiu, «a opção pelos últimos, por quantos a sociedade despreza e afasta, é um sinal que todos podemos dar sempre».

E entre os excluídos, aos quais o Papa se refere, encontram-se também os doentes e os portadores de deficiência. Assim, recebendo imediatamente depois a União italiana de cegos e deficientes visuais, por ocasião da festa patronal de santa Luzia, Francisco voltou a criticar «as sociedades de hoje, que apostam muito nos direitos “individualistas”», mas «esquecem as dimensões da comunidade e do dom gratuito de si ao próximo».
Radio Vaticano
O Papa ressalta dois valores humanos de Santa Luzia: coragem e comunidade



Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre concluiu sua série de audiências, na manhã deste sábado 13.dezembro.2014, recebendo, na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 100 membros do Conselho Nacional da União Italiana dos Cegos e com Deficiência visual, por ocasião da festa litúrgica de Santa Luzia.

Em sua saudação, o Papa referiu-se, justamente, a Santa Luzia, padroeira das pessoas com problemas de visão, cuja figura nos sugere alguns valores humanos, de modo particular, a coragem.

A santa, explicou, era uma jovem mulher inerme, que enfrentou torturas e a morte violenta com grande coragem, uma coragem que vinha de Cristo ressuscitado, ao qual estava unida, e do Espírito Santo, que nela habitava.

Com efeito, ponderou o Pontífice, todos nós precisamos de coragem para enfrentar as provações da vida, sobretudo os cegos e os que têm deficiência visual. Além deste valor humano, Santa Luzia sugere ainda outro: o comunitário. De fato, ela não vivia sozinha, mas pertencia a uma comunidade.

Este aspecto levou o Santo Padre a fazer uma referência particular à associação, como esta italiana que se dedica ao cegos e aos deficientes visuais. No entanto, disse, uma associação não é apenas a soma de indivíduos, mas é muito mais: ser um grupo, uma equipe que vive uma dimensão associativa em nome da solidariedade, do encontro, da partilha, colocando em comum suas experiências e seus recursos.

Tudo isso, afirmou o Bispo de Roma, faz parte do patrimônio civil de um povo. A presença de pessoas portadoras de deficiência suscita em muitos a necessidade de se unir, de viver em comunidade, de acolher-se mutuamente, apesar das nossas limitações.

Enfim, o exemplo de Santa Luzia, advertiu o Papa, nos diz que a vida deve ser doada. E ela levou este aspecto da vida a aceitar o martírio, como valor de doação pessoal e universal. Eis o segredo da verdadeira felicidade, concluiu o Pontífice. O homem não se realiza plenamente em “ter” ou em “fazer”, mas em amar e em doar-se.

O Twitter do Papa fez dois anos, ontem, dia de Nossa Senhora Guadalupe:

13/12/2014
Hoje é o aniversário da minha ordenação sacerdotal. Peço-vos que rezeis por mim e por todos os sacerdotes.
Papa na Missa de Guadalupe: "América Latina, continente de esperança"



Cidade do Vaticano (RV) – Neste dia 13.dezembro.2014, o Papa Francisco completa 45 anos de sacerdócio junto à Companhia de Jesus. De fato, recebeu a ordenação sacerdotal na Argentina em 1969, conforme se lê na sua mensagem no tuíter: “Hoje é o aniversário da minha ordenação sacerdotal. Peço-vos que rezeis por mim e por todos os sacerdotes”. No próximo dia 17, recordamos, o Papa Bergoglio também completa 78 anos de idade.

No âmbito destas duas celebrações, o Papa Francisco presidiu a uma solene Santa Missa, na tarde desta sexta-feira (12), na Basílica Vaticana, por ocasião da Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da América Latina.

A Eucaristia, concelebrada, entre outros, pelo Cardeal brasileiro, Dom Raimundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, foi abrilhantada com cantos da Missa Crioula, composta por Ariel Ramirez e dirigida por seu filho, além de instrumentos típicos do folclore latino-americano.

Com efeito, Ariel Ramirez, há cerca de 50 anos, em 1967, esteve em Roma para apresentar ao Papa Paulo VI a sua obra genial: a Missa Crioula. Na ocasião o Papa o enalteceu, dizendo: “Ariel, além de ser um grande homem, era também um grande místico!”.

Na homilia que pronunciou, em espanhol, na Solenidade da Virgem de Guadalupe, o Papa Francisco partiu do Salmo 66, onde o salmista eleva a Deus uma oração de súplica, de perdão e de benção para os povos e as nações. E explicou:

“São os povos e as nações de nossa Grande Pátria latino-americana que hoje comemoram com gratidão e alegria a festividade de sua “padroeira”, Nossa Senhora de Guadalupe, cuja devoção se estende do Alasca até a Patagônia. Nesta festividade de Nossa Senhora de Guadalupe, faremos grata memória de sua visita e materna companhia; cantaremos com Ela o seu “magnificat”; e lhe confiaremos a vida de nossos povos e a missão continental da Igreja”.

A Virgem, através da aparição ao índio Juan Diego, em Tepeyac, disse o Pontífice, veio abraçar os novos povos americanos, em dramática situação. Foi como “um grande sinal no céu”, que assumiu a simbologia cultural e religiosa dos indígenas, anunciou e doa seu Filho aos novos povos de sofrida mestiçagem:

“A mais perfeita discípula do Senhor se tornou “a grande missionária que levou o Evangelho à nossa América”. O Filho de Maria Santíssima, se revela assim, desde as origens da história dos novos povos, como “o verdadeiro Deus, graças ao qual se vive”, boa nova da dignidade filial de todos os seus habitantes. A Santa Mãe de Deus não apenas visitou estes povos, mas quis permanecer com eles. Deixou impressa misteriosamente a sua imagem sagrada no “manto” de seu mensageiro para que nos recordássemos sempre, tornando-se assim símbolo da aliança de Maria com estes povos, a quem confere alma e ternura”.

Por sua intercessão, afirmou o Bispo de Roma, a fé cristã começou a ser o tesouro mais rico da alma dos povos americanos, cuja pérola preciosa é Jesus Cristo: um patrimônio que se transmite e se manifesta, até hoje, com o Batismo, a uma multidão de pessoas na fé, na esperança e na caridade; na preciosidade da piedade popular e também na ética dos povos, visível na consciência da dignidade da pessoa humana, na paixão pela justiça, na solidariedade com os mais pobres e sofredores, na esperança, por vezes contra toda esperança. E o Papa ponderou:

“Por isso nós, hoje aqui, podemos continuar a louvar Deus pelas maravilhas que atuou na vida dos povos latino-americanos. Deus escondeu estas coisas aos sábios e entendidos e as revelou aos pequenos e simples de coração. Superando os juízos mundanos, destruindo os ídolos do poder, da riqueza, do sucesso a todo custo, denunciando a autossuficiência, a soberba e os messianismos secularizados, que afastam de Deus, o cântico mariano confessa que Deus se compraz em subverter as ideologias e as hierarquias mundanas”.

O canto do “Magnificat”, frisou o Pontífice, nos introduz nas Bem-aventuranças, síntese primordial da mensagem evangélica. À sua luz, nos sentimos impulsionados a pedir que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e por aqueles que sofrem, pelos humildes, por aqueles que têm fome de justiça, pelos piedosos, pelos puros de coração, por aqueles que trabalham pela paz, pelos perseguidos por causa do nome de Cristo, porque “deles será o reino dos Céus”. E o Papa afirmou:

“Que [a América Latina] tenha a graça de ser forjada por aqueles que, hoje, o sistema idolátrico da cultura do ‘descarte’ relega à categoria de escravos e de objetos, da qual se servir ou simplesmente de rejeitar. Fazemos esta exortação porque a América Latina é o “continente da esperança”; dela se espera novos modelos de desenvolvimento, que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e igualdade com reconciliação, desenvolvimento científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento fecundo com alegria esperançosa”.

É possível tutelar esta esperança, recordou o Santo Padre, somente com grandes doses de verdade e de amor, fundamentos de toda realidade, motores revolucionários de uma autêntica vida nova. Assim, pediu aos presentes para depositar tais realidades e desejos sobre o altar, como dom agradável a Deus.

O Pontífice concluiu sua homilia, implorando a proteção da Santíssima Virgem guadalupana – a minha jovenzinha, a minha pequena, como a chamou San Juan Diego, e com todos os apelativos amorosos com os quais se dirigem a Ela na piedade popular – para que continue a acompanhar, ajudar e proteger os nossos povos e conduzir todos os filhos que peregrinam nessas terras ao encontro de seu Filho, Jesus Cristo.


Maria acompanha o caminho dos seus filhos, diz Papa



O Papa Francisco dedicou uma Mensagem à América por ocasião da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, que a liturgia celebra nesta sexta-feira, 12. A mensagem foi divulgada durante a Audiência Geral, na última quarta-feira, 10, no Vaticano.

Mensagem na íntegra:

“Celebra-se a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira de toda a América. Aproveito o ensejo para saudar os irmãos e irmãs daquele Continente, e faço-o pensando na Virgem de Tepeyac. Quando apareceu a Juan Diego, o seu rosto era mestiço e as suas vestes, cheias de símbolos da cultura indígena.

Seguindo o exemplo de Jesus, Maria está ao lado dos seus filhos, acompanha o seu caminho como mãe atenciosa, partilha as alegrias e esperanças, os sofrimentos e as angústias do Povo de Deus, do qual todos os povos da terra são chamados a fazer parte.

A aparição da imagem da Virgem no manto de Juan Diego foi o sinal profético de um abraço, o abraço de Maria a todos os habitantes das vastas terras americanas, a quantos já estavam ali e aos que teriam chegado depois. Este abraço de Maria indicou a senda que sempre caracterizou a América: é uma terra onde podem conviver povos diversos, uma terra capaz de respeitar a vida humana em todas as suas fases, desde o ventre materno até à velhice, capaz de acolher os emigrantes, os povos, os pobres e os marginalizados de todas as épocas.

A América é uma terra generosa. Esta é a mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe e também a minha mensagem, a mensagem da Igreja. Encorajo todos os habitantes do Continente americano a manter os braços abertos como a Virgem Maria, com amor e ternura. Caros irmãos e irmãs da América inteira, rezo por todos vós, mas também vós orai por mim! Que a alegria do Evangelho esteja sempre nos vossos corações! O Senhor vos abençoe e a Virgem vos acompanhe!”

Pio X proclamou Nossa Senhora de Guadalupe como “Padroeira de toda a América Latina”; Pio XI como “Padroeira de todas as “Américas”; Pio XII a chamou “Imperatriz das Américas” e João XXIII “A Missionária Celeste do Novo Mundo” e “Mãe das Américas”.
Radio Vaticano
Papa encoraja os esforços da Igreja Siríaca de Antioquia


Cidade do Vaticano, 12.dezembro.2014 (RV) – Em sua série de audiências, na manhã desta sexta-feira, no Vaticano, o Santo Padre recebeu, na Sala Clementina, Sua Beatitude Ignace Youssif III Younan, Patriarca de Antioquia dos Sírios, acompanhado de alguns Bispos e fiéis da Comunidade siríaca de Antioquia.

A Igreja Católica Siríaca é uma Igreja católica oriental em comunhão com a Igreja de Roma. A sua comunhão formal e definitiva com a Santa Sé ocorreu em 1781, quando se separou definitivamente da Igreja Ortodoxa Siríaca. O seu rito litúrgico pertence à tradição siríaca de Antioquia. Atualmente, esta Igreja cuja sede está Beirute, no Libano, conta com cerca de 130 mil católicos. Desde 2009, é governada pelo Patriarca Inácio José III Younan, junto com seu Sínodo, mas sempre sob a supervisão do Papa.

Sínodo em Roma

Em sua saudação aos presentes, o Papa Francisco recordou também os demais fiéis de outras comunidades siríacas do mundo, expressando seu encorajamento e solidariedade espiritual àquelas do Iraque e da Síria, que passam por momentos de grande sofrimentos e de medo, por causa de uma série de violências.Por ocasião deste encontro, em Roma, o Pontífice permitiu a realização de um Sínodo fora do território patriarcal, para facilitar um maior encontro da comunidade siríaca, com o intuito de reconhecer as necessidades mais urgentes daquela Igreja e responder às exigências espirituais dos fiéis.

Cristãos no Oriente Médio

Neste sentido, o Papa recordou que a Igreja Siríaca está percorrendo o caminho de reforma da Divina Liturgia, ao serviço da Palavra de Deus, que deveria permitir um novo impulso religioso. A seguir, o Bispo de Roma referiu-se à difícil situação no Oriente Médio, que provocou e ainda continua a provocação na Igreja Siríaca deslocamentos de fiéis para as Eparquias da diáspora, que constituem novos desafios pastorais.

Trata-se, disse o Papa, de um verdadeiro desafio o fato de permanecer fiéis às origens, mas também de entrosamento em contextos culturais diferentes. Este êxodo empobrece a presença cristã no Oriente Médio, terra de profetas, dos primeiros pregadores do Evangelho, dos mártires e de tantos santos, e berço de eremitas e monges.

Por fim, O Santo Padre exortou os fiéis da Igreja Siríaca a prosseguir no seu esforço pastoral e no ministério de esperança, a serviço da venerável Igreja sírio-católica.

Tweet do Papa Francisco:

12/12/2014
Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

Graça divina é ternura e não mercadoria, diz Papa Francisco



Deus é como uma mãe, ama gratuitamente, mas muitas vezes as pessoas querem controlar esta graça com uma espécie de contabilidade espiritual. O alerta foi dado pelo Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 11.dez.2014, na Casa Santa Marta.

Deus salva o seu povo não de longe, mas fazendo-se próximo, com ternura. Partindo do livro do profeta Isaías, na leitura do dia, Francisco usou a imagem de uma mãe para expressar quão grande é a proximidade de Deus para com o seu povo.

“Uma mãe quando canta uma canção de ninar para a criança, adota a voz de criança, se faz pequena como a criança e fala com o tom da criança a ponto de parecer ridícula se uma pessoa não entende o que há ali de grandioso (…) Deus faz assim. É a ternura de Deus. É tão próximo a nós que se exprime com esta ternura: a ternura de uma mãe”, disse.

Deus ama como uma mãe ama seu filho. A criança, por sua vez, deixa-se amar, explicou o Papa, e esta é a graça de Deus. Porém, Francisco lembrou que, muitas vezes, por segurança, o homem quer controlar a graça. Na história humana, existe a tentação de mercantilizar a graça, torná-la uma mercadoria ou uma coisa controlável.

“E assim esta verdade tão bela da proximidade de Deus desliza em uma contabilidade espiritual: ‘Não, eu faço isso porque isso me dará 300 dias de graça… Eu faço aquilo outro porque isso me dará isso e assim acumulo a graça’. Mas o que é a graça? Uma mercadoria? Assim, parece que sim. E na nossa história esta proximidade de Deus ao seu povo foi traída por esta atitude nossa, egoísta, de querer controlar a graça, mercantilizá-la”.

Francisco recordou os grupos no tempo de Jesus que queriam controlar a graça: os fariseus, escravos de tantas leis que carregavam sobre os ombros do povo; os saduceus, com seus compromissos políticos; os essênios, pessoas boas, mas que acabavam se isolando em seus mosteiro.

A graça de Deus, conforme explicou o Santo Padre, é proximidade e ternura. “Se na tua relação com o Senhor você não sente que Ele te ama com ternura, ainda te falta alguma coisa, você ainda não entendeu o que é a graça, ainda não recebeu a graça que é esta proximidade”.

O Pontífice recordou uma confissão de muitos anos, quando uma mulher se torturava sobre a validade ou não de uma Missa frequentada de sábado à noite para um casamento, com leituras diferentes daquela de domingo. Esta foi a resposta: “Mas, senhora, o Senhor te ama tanto. A senhora foi ali, recebeu a Comunhão, esteve com Jesus… Sim, fique tranquila, o Senhor não é um comerciante, o Senhor ama, está próximo”.

“Mesmo correndo o risco de nos parecer ridículo, Deus é tão bom. Se nós tivéssemos a coragem de abrir o nosso coração para esta ternura de Deus, quanta liberdade espiritual teríamos! Quanta! Hoje, se você tiver um pouco de tempo, na sua casa, pegue a Bíblia: Isaías, capítulo 41, do versículo 13 ao 20, sete versículos. E os leia. Esta ternura de Deus, este Deus que canta para nós uma canção de ninar, como uma mãe”.
Radio Vaticano

Isaias 41, 13-20

13. Pois eu, o Senhor, teu Deus, eu te seguro pela mão e te digo: Nada temas, eu venho em teu auxílio.
14. Portanto, nada de medo, Jacó, pobre vermezinho, Israel, mísero inseto. Sou eu quem venho em teu auxílio, diz o Senhor, teu Redentor é o Santo de Israel.
15. Vou fazer de ti um trenó triturador, novinho, eriçado de pontas: calcarás e esmagarás as montanhas, picarás miúdo as colinas como a palha do trigo.
16. Tu as joeirarás e o vento as carregará; o turbilhão as espalhará; entretanto, graças ao Senhor, alegrar-te-ás, gloriar-te-ás no Santo de Israel.
17. Os infelizes que buscam água e não a encontram e cuja língua está ressequida pela sede, eu, o Senhor, os atenderei, eu, o Deus de Israel, não os abandonarei.
18. Sobre os planaltos desnudos, farei correr água, e brotar fontes no fundo dos vales. Transformarei o deserto em lagos, e a terra árida em fontes.
19. Plantarei no deserto cedros e acácias, murtas e oliveiras; farei crescer nas estepes o cipreste, ao lado do olmo e do buxo,
20. a fim de que saibam à evidência, e pela observação compreendam, que foi a mão do Senhor que fez essas coisas, e o Santo de Israel quem as realizou.
Bíblia Santa Maria

Apelo do Papa Francisco sobre as mudanças climáticas

Sobre as mudanças climáticas é urgente «uma resposta coletiva responsável, que supere os interesses e os comportamentos particulares e se desenvolva livre de pressões políticas e econômicas», porque «o tempo para encontrar soluções globais está terminando». Trata-se do apelo lançado pelo Papa Francisco à vigésima conferência dos Estados-parte na convenção-quadro das Nações Unidas, que está acontecendo de 1 a 12 de Dezembro em Lima.

Numa mensagem enviada ao ministro do Ambiente peruano, que preside aos trabalhos, o Pontífice frisa como «as consequências das mudanças ambientais» já se estão fazendo sentir «de modo dramático em muitos Estados, sobretudo nos insulares do Pacífico». Por isso, acrescenta, «existe um claro, definitivo e improrrogável imperativo ético de agir» na «luta contra o aquecimento global». E os votos de que da conferência surjam respostas capazes «de superar a desconfiança e de promover a cultura da solidariedade, do encontro e do diálogo», e «de mostrar a responsabilidade de proteger o planeta e a família humana».

Também nesta quinta-feira, o Papa twittou sobre este tema:

11/12/2014
A questão ecológica é vital para a sobrevivência do ser humano e tem uma dimensão moral que diz respeito a todos.


Em mensagem para Dia Mundial da Paz, Papa condena escravidão



O Vaticano publicou nesta quarta-feira, 10.dezembro.2014, a mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1ª de janeiro de 2015. No texto, que tem como tema “Já não escravos, mas irmãos”, o Pontífice aborda as causas da escravidão bem como as formas de solucioná-la, o que envolve um esforço comum para globalizar a solidariedade.

Já não escravos, mas irmãos

1. No início dum novo ano, que acolhemos como uma graça e um dom de Deus para a humanidade, desejo dirigir, a cada homem e mulher, bem como a todos os povos e nações do mundo, aos chefes de Estado e de Governo e aos responsáveis das várias religiões, os meus ardentes votos de paz, que acompanho com a minha oração a fim de que cessem as guerras, os conflitos e os inúmeros sofrimentos provocados quer pela mão do homem quer por velhas e novas epidemias e pelos efeitos devastadores das calamidades naturais. Rezo de modo particular para que, respondendo à nossa vocação comum de colaborar com Deus e com todas as pessoas de boa vontade para a promoção da concórdia e da paz no mundo, saibamos resistir à tentação de nos comportarmos de forma não digna da nossa humanidade.

Já, na minha mensagem para o 1º de Janeiro passado, fazia notar que «o anseio duma vida plena (…) contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar».1 Sendo o homem um ser relacional, destinado a realizar-se no contexto de relações interpessoais inspiradas pela justiça e a caridade, é fundamental para o seu desenvolvimento que sejam reconhecidas e respeitadas a sua dignidade, liberdade e autonomia. Infelizmente, o flagelo generalizado da exploração do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunhão e a vocação a tecer relações interpessoais marcadas pelo respeito, a justiça e a caridade. Tal fenómeno abominável, que leva a espezinhar os direitos fundamentais do outro e a aniquilar a sua liberdade e dignidade, assume múltiplas formas sobre as quais desejo deter-me, brevemente, para que, à luz da Palavra de Deus, possamos considerar todos os homens, «já não escravos, mas irmãos».

À escuta do projecto de Deus para a humanidade

2. O tema, que escolhi para esta mensagem, inspira-se na Carta de São Paulo a Filémon; nela, o Apóstolo pede ao seu colaborador para acolher Onésimo, que antes era escravo do próprio Filémon mas agora tornou-se cristão, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado um irmão. Escreve o Apóstolo dos gentios: «Ele foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, não já como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irmão querido» (Flm 15-16). Tornando-se cristão, Onésimo passou a ser irmão de Filémon. Deste modo, a conversão a Cristo, o início duma vida de discipulado em Cristo constitui um novo nascimento (cf. 2 Cor 5, 17; 1 Ped 1, 3), que regenera a fraternidade como vínculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social.

Lemos, no livro do Génesis (cf. 1, 27-28), que Deus criou o ser humano como homem e mulher e abençoou-os para que crescessem e se multiplicassem: a Adão e Eva, fê-los pais, que, no cumprimento da bênção de Deus para ser fecundos e multiplicar-se, geraram a primeira fraternidade: a de Caim e Abel. Saídos do mesmo ventre, Caim e Abel são irmãos e, por isso, têm a mesma origem, natureza e dignidade de seus pais, criados à imagem e semelhança de Deus.

Mas, apesar de os irmãos estarem ligados por nascimento e possuírem a mesma natureza e a mesma dignidade, a fraternidade exprime também a multiplicidade e a diferença que existe entre eles. Por conseguinte, como irmãos e irmãs, todas as pessoas estão, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a própria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a fraternidade constitui a rede de relações fundamentais para a construção da família humana criada por Deus.

Infelizmente, entre a primeira criação narrada no livro do Génesis e o novo nascimento em Cristo – que torna, os crentes, irmãos e irmãs do «primogénito de muitos irmãos» (Rom 8, 29) –, existe a realidade negativa do pecado, que interrompe tantas vezes a nossa fraternidade de criaturas e deforma continuamente a beleza e nobreza de sermos irmãos e irmãs da mesma família humana. Caim não só não suporta o seu irmão Abel, mas mata-o por inveja, cometendo o primeiro fratricídio. «O assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos. A sua história (cf. Gen 4, 1-16) põe em evidência o difícil dever, a que todos os homens são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros».2

Também na história da família de Noé e seus filhos (cf. Gen 9, 18-27), é a falta de piedade de Cam para com seu pai, Noé, que impele este a amaldiçoar o filho irreverente e a abençoar os outros que o tinham honrado, dando assim lugar a uma desigualdade entre irmãos nascidos do mesmo ventre.

Na narração das origens da família humana, o pecado de afastamento de Deus, da figura do pai e do irmão torna-se uma expressão da recusa da comunhão e traduz-se na cultura da servidão (cf. Gen 9, 25-27), com as consequências daí resultantes que se prolongam de geração em geração: rejeição do outro, maus-tratos às pessoas, violação da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionalização de desigualdades. Daqui se vê a necessidade duma conversão contínua à Aliança levada à perfeição pela oblação de Cristo na cruz, confiantes de que, «onde abundou o pecado, superabundou a graça (…) por Jesus Cristo» (Rom 5, 20.21). Ele, o Filho amado (cf. Mt 3, 17), veio para revelar o amor do Pai pela humanidade. Todo aquele que escuta o Evangelho e acolhe o seu apelo à conversão, torna-se, para Jesus, «irmão, irmã e mãe» (Mt 12, 50) e, consequentemente, filho adoptivo de seu Pai (cf. Ef 1, 5).

No entanto, os seres humanos não se tornam cristãos, filhos do Pai e irmãos em Cristo por imposição divina, isto é, sem o exercício da liberdade pessoal, sem se converterem livremente a Cristo. Ser filho de Deus requer que primeiro se abrace o imperativo da conversão: «Convertei-vos – dizia Pedro no dia de Pentecostes – e peça cada um o baptismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados; recebereis, então, o dom do Espírito Santo» (Act 2, 38). Todos aqueles que responderam com a fé e a vida àquela pregação de Pedro, entraram na fraternidade da primeira comunidade cristã (cf. 1 Ped 2, 17; Act 1, 15.16; 6, 3; 15, 23): judeus e gregos, escravos e homens livres (cf. 1 Cor 12, 13; Gal 3, 28), cuja diversidade de origem e estado social não diminui a dignidade de cada um, nem exclui ninguém do povo de Deus. Por isso, a comunidade cristã é o lugar da comunhão vivida no amor entre os irmãos (cf. Rom 12, 10; 1 Tes 4, 9; Heb 13, 1; 1 Ped 1, 22; 2 Ped 1, 7).

Tudo isto prova como a Boa Nova de Jesus Cristo – por meio de Quem Deus «renova todas as coisas» (Ap 21, 5)3 – é capaz de redimir também as relações entre os homens, incluindo a relação entre um escravo e o seu senhor, pondo em evidência aquilo que ambos têm em comum: a filiação adoptiva e o vínculo de fraternidade em Cristo. O próprio Jesus disse aos seus discípulos: «Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai» (Jo 15, 15).

As múltiplas faces da escravatura, ontem e hoje

3. Desde tempos imemoriais, as diferentes sociedades humanas conhecem o fenómeno da sujeição do homem pelo homem. Houve períodos na história da humanidade em que a instituição da escravatura era geralmente admitida e regulamentada pelo direito. Este estabelecia quem nascia livre e quem, pelo contrário, nascia escravo, bem como as condições em que a pessoa, nascida livre, podia perder a sua liberdade ou recuperá-la. Por outras palavras, o próprio direito admitia que algumas pessoas podiam ou deviam ser consideradas propriedade de outra pessoa, a qual podia dispor livremente delas; o escravo podia ser vendido e comprado, cedido e adquirido como se fosse uma mercadoria qualquer.

Hoje, na sequência duma evolução positiva da consciência da humanidade, a escravatura – delito de lesa humanidade4 – foi formalmente abolida no mundo. O direito de cada pessoa não ser mantida em estado de escravidão ou servidão foi reconhecido, no direito internacional, como norma inderrogável.

Mas, apesar de a comunidade internacional ter adoptado numerosos acordos para pôr termo à escravatura em todas as suas formas e ter lançado diversas estratégias para combater este fenómeno, ainda hoje milhões de pessoas – crianças, homens e mulheres de todas as idades – são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura.

Penso em tantos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores, escravizados nos mais diversos sectores, a nível formal e informal, desde o trabalho doméstico ao trabalho agrícola, da indústria manufactureira à mineração, tanto nos países onde a legislação do trabalho não está conforme às normas e padrões mínimos internacionais, como – ainda que ilegalmente – naqueles cuja legislação protege o trabalhador.

Penso também nas condições de vida de muitos migrantes que, ao longo do seu trajecto dramático, padecem a fome, são privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados física e sexualmente. Penso em tantos deles que, chegados ao destino depois duma viagem duríssima e dominada pelo medo e a insegurança, ficam detidos em condições às vezes desumanas. Penso em tantos deles que diversas circunstâncias sociais, políticas e económicas impelem a passar à clandestinidade, e naqueles que, para permanecer na legalidade, aceitam viver e trabalhar em condições indignas, especialmente quando as legislações nacionais criam ou permitem uma dependência estrutural do trabalhador migrante em relação ao dador de trabalho como, por exemplo, condicionando a legalidade da estadia ao contrato de trabalho… Sim! Penso no «trabalho escravo».

Penso nas pessoas obrigadas a prostituírem-se, entre as quais se contam muitos menores, e nas escravas e escravos sexuais; nas mulheres forçadas a casar-se, quer as que são vendidas para casamento quer as que são deixadas em sucessão a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou não o próprio consentimento.

Não posso deixar de pensar a quantos, menores e adultos, são objecto de tráfico e comercialização para remoção de órgãos, para ser recrutados como soldados, para servir de pedintes, para actividades ilegais como a produção ou venda de drogas, ou para formas disfarçadas de adopção internacional.

Penso, enfim, em todos aqueles que são raptados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas, servindo os seus objectivos como combatentes ou, especialmente no que diz respeito às meninas e mulheres, como escravas sexuais. Muitos deles desaparecem, alguns são vendidos várias vezes, torturados, mutilados ou mortos.

Algumas causas profundas da escravatura

4. Hoje como ontem, na raiz da escravatura, está uma concepção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objecto. Quando o pecado corrompe o coração do homem e o afasta do seu Criador e dos seus semelhantes, estes deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objectos. Com a força, o engano, a coacção física ou psicológica, a pessoa humana – criada à imagem e semelhança de Deus – é privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de alguém; é tratada como meio, e não como fim.

Juntamente com esta causa ontológica – a rejeição da humanidade no outro –, há outras causas que concorrem para se explicar as formas actuais de escravatura. Entre elas, penso em primeiro lugar na pobreza, no subdesenvolvimento e na exclusão, especialmente quando os três se aliam com a falta de acesso à educação ou com uma realidade caracterizada por escassas, se não mesmo inexistentes, oportunidades de emprego. Não raro, as vítimas de tráfico e servidão são pessoas que procuravam uma forma de sair da condição de pobreza extrema e, dando crédito a falsas promessas de trabalho, caíram nas mãos das redes criminosas que gerem o tráfico de seres humanos. Estas redes utilizam habilmente as tecnologias informáticas modernas para atrair jovens e adolescentes de todos os cantos do mundo.

Entre as causas da escravatura, deve ser incluída também a corrupção daqueles que, para enriquecer, estão dispostos a tudo. Na realidade, a servidão e o tráfico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa através da corrupção dos intermediários, de alguns membros das forças da polícia, de outros actores do Estado ou de variadas instituições, civis e militares. «Isto acontece quando, no centro de um sistema económico, está o deus dinheiro, e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou económico, deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e chega o deus dinheiro, dá-se esta inversão de valores».5

Outras causas da escravidão são os conflitos armados, as violências, a criminalidade e o terrorismo. Há inúmeras pessoas raptadas para ser vendidas, recrutadas como combatentes ou exploradas sexualmente, enquanto outras se vêem obrigadas a emigrar, deixando tudo o que possuem: terra, casa, propriedades e mesmo os familiares. Estas últimas, impelidas a procurar uma alternativa a tão terríveis condições, mesmo à custa da própria dignidade e sobrevivência, arriscam-se assim a entrar naquele círculo vicioso que as torna presa da miséria, da corrupção e das suas consequências perniciosas.

Um compromisso comum para vencer a escravatura

5. Quando se observa o fenómeno do comércio de pessoas, do tráfico ilegal de migrantes e de outras faces conhecidas e desconhecidas da escravidão, fica-se frequentemente com a impressão de que o mesmo tem lugar no meio da indiferença geral.

Sem negar que isto seja, infelizmente, verdade em grande parte, apraz-me mencionar o enorme trabalho que muitas congregações religiosas, especialmente femininas, realizam silenciosamente, há tantos anos, a favor das vítimas. Tais institutos actuam em contextos difíceis, por vezes dominados pela violência, procurando quebrar as cadeias invisíveis que mantêm as vítimas presas aos seus traficantes e exploradores; cadeias, cujos elos são feitos não só de subtis mecanismos psicológicos que tornam as vítimas dependentes dos seus algozes, através de chantagem e ameaça a eles e aos seus entes queridos, mas também através de meios materiais, como a apreensão dos documentos de identidade e a violência física. A actividade das congregações religiosas está articulada a três níveis principais: o socorro às vítimas, a sua reabilitação sob o perfil psicológico e formativo e a sua reintegração na sociedade de destino ou de origem.

Este trabalho imenso, que requer coragem, paciência e perseverança, merece o aplauso da Igreja inteira e da sociedade. Naturalmente o aplauso, por si só, não basta para se pôr termo ao flagelo da exploração da pessoa humana. Faz falta também um tríplice empenho a nível institucional: prevenção, protecção das vítimas e acção judicial contra os responsáveis. Além disso, assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objectivos, assim também a acção para vencer este fenómeno requer um esforço comum e igualmente global por parte dos diferentes actores que compõem a sociedade.

Os Estados deveriam vigiar por que as respectivas legislações nacionais sobre as migrações, o trabalho, as adopções, a transferência das empresas e a comercialização de produtos feitos por meio da exploração do trabalho sejam efectivamente respeitadoras da dignidade da pessoa. São necessárias leis justas, centradas na pessoa humana, que defendam os seus direitos fundamentais e, se violados, os recuperem reabilitando quem é vítima e assegurando a sua incolumidade, como são necessários também mecanismos eficazes de controle da correcta aplicação de tais normas, que não deixem espaço à corrupção e à impunidade. É preciso ainda que seja reconhecido o papel da mulher na sociedade, intervindo também no plano cultural e da comunicação para se obter os resultados esperados.

As organizações intergovernamentais são chamadas, no respeito pelo princípio da subsidiariedade, a implementar iniciativas coordenadas para combater as redes transnacionais do crime organizado que gerem o mercado de pessoas humanas e o tráfico ilegal dos migrantes. Torna-se necessária uma cooperação a vários níveis, que englobe as instituições nacionais e internacionais, bem como as organizações da sociedade civil e do mundo empresarial.

Com efeito, as empresas6 têm o dever não só de garantir aos seus empregados condições de trabalho dignas e salários adequados, mas também de vigiar por que não tenham lugar, nas cadeias de distribuição, formas de servidão ou tráfico de pessoas humanas. A par da responsabilidade social da empresa, aparece depois a responsabilidade social do consumidor. Na realidade, cada pessoa deveria ter consciência de que «comprar é sempre um acto moral, para além de económico».7

As organizações da sociedade civil, por sua vez, têm o dever de sensibilizar e estimular as consciências sobre os passos necessários para combater e erradicar a cultura da servidão.

Nos últimos anos, a Santa Sé, acolhendo o grito de sofrimento das vítimas do tráfico e a voz das congregações religiosas que as acompanham rumo à libertação, multiplicou os apelos à comunidade internacional pedindo que os diversos actores unam os seus esforços e cooperem para acabar com este flagelo.8 Além disso, foram organizados alguns encontros com a finalidade de dar visibilidade ao fenómeno do tráfico de pessoas e facilitar a colaboração entre os diferentes actores, incluindo peritos do mundo académico e das organizações internacionais, forças da polícia dos diferentes países de origem, trânsito e destino dos migrantes, e representantes dos grupos eclesiais comprometidos em favor das vítimas. Espero que este empenho continue e se reforce nos próximos anos.

Globalizar a fraternidade, não a escravidão nem a indiferença

6. Na sua actividade de «proclamação da verdade do amor de Cristo na sociedade»,9 a Igreja não cessa de se empenhar em acções de carácter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da conversão, que induz a voltar os olhos para o próximo, a ver no outro – seja ele quem for – um irmão e uma irmã em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intrínseca na verdade e na liberdade, como nos ensina a história de Josefina Bakhita, a Santa originária da região do Darfur, no Sudão. Raptada por traficantes de escravos e vendida a patrões desalmados desde a idade de nove anos, haveria de tornar-se, depois de dolorosas vicissitudes, «uma livre filha de Deus» mediante a fé vivida na consagração religiosa e no serviço aos outros, especialmente aos pequenos e fracos. Esta Santa, que viveu a cavalo entre os séculos XIX e XX, é também hoje testemunha exemplar de esperança10 para as numerosas vítimas da escravatura e pode apoiar os esforços de quantos se dedicam à luta contra esta «ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo».11

Nesta perspectiva, desejo convidar cada um, segundo a respectiva missão e responsabilidades particulares, a realizar gestos de fraternidade a bem de quantos são mantidos em estado de servidão. Perguntemo-nos, enquanto comunidade e indivíduo, como nos sentimos interpelados quando, na vida quotidiana, nos encontramos ou lidamos com pessoas que poderiam ser vítimas do tráfico de seres humanos ou, quando temos de comprar, se escolhemos produtos que poderiam razoavelmente resultar da exploração de outras pessoas. Há alguns de nós que, por indiferença, porque distraídos com as preocupações diárias, ou por razões económicas, fecham os olhos. Outros, pelo contrário, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associações da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer «bom dia» ou oferecer um sorriso; estes gestos, que têm imenso valor e não nos custam nada, podem dar esperança, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tacteia na invisibilidade e mudar também a nossa vida face a esta realidade.

Temos de reconhecer que estamos perante um fenómeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação. Para vencê-lo, é preciso uma mobilização de dimensões comparáveis às do próprio fenómeno. Por esta razão, lanço um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos níveis das instituições, são testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravidão contemporânea, para que não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo,12 o Qual Se torna visível através dos rostos inumeráveis daqueles a quem Ele mesmo chama os «meus irmãos mais pequeninos» (Mt 25, 40.45).

Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: Que fizeste do teu irmão? (cf. Gen 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e de tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas mãos.

Vaticano, 8 de Dezembro de 2014.

FRANCISCUS

_________________

1 N. 1.

2 Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2014, 2.

3 Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 11.

4 Cf. Discurso à Delegação internacional da Associação de Direito Penal (23 de Outubro de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 30/X/2014), 9.

5 Discurso aos participantes no Encontro mundial dos Movimentos Populares (28 de Outubro de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 06/XI/2014), 9.

6 Cf. PONTIFÍCIO CONSELHO «JUSTIÇA E PAZ», La vocazione del leader d’impresa. Una riflessione (Milão e Roma, 2013).

7 BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 66.

8 Cf. Mensagem ao Senhor Guy Rydes, Director-Geral da Organização Internacional do Trabalho, por ocasião da 103ª sessão da Conferência da O.I.T. (22 de Maio de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 05/VI/2014), 7.

9 BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 5.

10 «Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava “redimida”, já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus» (BENTO XVI, Carta enc. Spe salvi, 3).

11 Discurso aos participantes na II Conferência Internacional «Combating Human Trafficking: Church and Law Enforcement in partnership» (10 de Abril de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 17/IV/2014), 8; cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 270.

12 Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 24; 270.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Papa inicia ciclo de catequeses sobre família falando do Sínodo

A família é o tema de um novo ciclo de catequeses do Papa Francisco. Reunido com os fiéis, nesta quarta-feira, 10.dezembro.2014, na Praça São Pedro, o Pontífice começou as reflexões falando do Sínodo dos Bispos, realizado em outubro passado.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Concluímos um ciclo de catequeses sobre a Igreja. Agradeçamos ao Senhor que nos fez percorrer este caminho redescobrindo a beleza e a responsabilidade de pertencer à Igreja, de ser Igreja, todos nós.

Agora iniciamos uma nova etapa, um novo ciclo, e o tema será a família; um tema que se insere neste tempo intermediário entre duas Assembleias do Sínodo dedicadas a esta realidade tão importante. Por isso, antes de entrar no percurso de diversos aspectos da vida familiar, hoje desejo partir justamente da Assembleia sinodal do mês de outubro passado, que tinha este tema: “Os desafios pastorais da família no contexto da nova evangelização”. É importante recordar como se desenvolveu e o que produziu, como aconteceu e o que produziu.

Durante o Sínodo, a mídia fez o seu trabalho – havia muita espera, muita atenção – e a agradecemos porque o fizeram também com abundância. Tantas notícias, tantas! Isto foi possível graças à Sala de Imprensa, que cada dia fez um briefing. Mas muitas vezes a visão da mídia era um pouco no estilo de crônicas esportivas, ou políticas: falava-se muitas vezes de dois times, pró e contra, conservadores e progressistas, etc. Hoje gostaria de contar aquilo que foi o Sínodo.

Antes de tudo, pedi aos padres sinodais para falar com franqueza e coragem e escutar com humildade, dizer com coragem tudo aquilo que tinham no coração. No Sínodo, não houve censura prévia, mas cada um podia, mais ainda, devia dizer aquilo que tinha no coração, aquilo que pensava sinceramente. “Mas isto dará discussão”. É verdade, ouvimos como os apóstolos discutiram. Diz o texto: saiu uma forte discussão. Os apóstolos repreendiam-se entre eles, porque procuravam a vontade de Deus sobre os pagãos, se podiam entrar na Igreja ou não. Era uma coisa nova. Sempre, quando se procura a vontade de Deus, em uma assembleia sinodal, há diversos pontos de vista e há a discussão e isto não é uma coisa ruim! Sempre que se faça com humildade e com alma de serviço à assembleia dos irmãos. Seria uma coisa ruim a censura prévia. Não, não. Cada um devia dizer aquilo que pensava. Depois do relatório inicial do Cardeal Erdő, houve um primeiro momento, fundamental, no qual todos os padres sinodais puderam falar e todos escutaram. E era edificante aquela atitude de escuta que tinham os padres. Um momento de grande liberdade, em que cada um expôs o seu pensamento com parresia e com confiança. Na base das intervenções estava o Instrumento de Trabalho, fruto da precedente consulta de toda a Igreja. E aqui devemos agradecer à Secretaria do Sínodo pelo grande trabalho que fez seja antes seja durante a Assembleia. Realmente foram bravíssimos.

Nenhuma intervenção colocou em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio, isso é: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura à vida (cfr Conc. Ecum. Vat. II Gaudium et spes, 48; Código de Direito Canônico, 1055-1056). Isso não foi tocado.

Todas as intervenções foram coletadas e assim se chegou ao segundo momento, isso é um esboço que se chama Relatório depois da discussão. Também este relatório foi desenvolvido pelo Cardeal Erdő, articulado em três pontos: a escuta do contexto e dos desafios da família; o olhar fixo sobre Cristo e o Evangelho da família; o confronto com as perspectivas pastorais.

Sobre esta primeira proposta de síntese se desenvolveu a discussão nos grupos, que foi o terceiro momento. Os grupos, como sempre, estavam divididos por línguas, porque é melhor assim, comunica-se melhor: italiano, inglês, espanhol e francês. Cada grupo, no fim do seu trabalho, apresentou um relatório e todos os relatórios dos grupos foram publicados. Tudo foi dado, para a transparência para que se soubesse o que acontecia.

Naquele ponto – é o quarto momento – uma comissão examinou todos as sugestões que surgiram dos grupos linguísticos e foi feito o Relatório final, que manteve o esquema precedente – escuta da realidade, olhar ao Evangelho e empenho pastoral – mas procurou incorporar o fruto das discussões nos grupos. Como sempre, foi aprovada também uma mensagem final do Sínodo, mais breve e mais de divulgação com relação ao Relatório.
Este foi o desenvolvimento da Assembleia sinodal. Alguns de vocês podem me perguntar: “Os padres brigaram?”. Não sei se brigaram, mas que falaram forte, sim, é verdade. E esta é a liberdade, é justamente a liberdade que há na Igreja.  Tudo aconteceu “cum Petro et sub Petro”, isso é, com a presença do Papa, que é garantia para todos de liberdade e de confiança, garantia da ortodoxia. E no fim com a minha intervenção dei uma leitura sintética da experiência sinodal.

Então, os documentos oficiais que saíram do Sínodo são três: a mensagem final, o relatório final e o discurso final do Papa. Não há outros.

O Relatório final, que foi o ponto de chegada de toda a reflexão das dioceses até aquele momento, ontem foi publicado e enviado às Conferências Episcopais, que será discutido em vista da próxima Assembleia, aquela Ordinária, em outubro de 2015. Digo que ontem foi publicada – já havia sido publicada – mas ontem foi publicada com perguntas dirigidas às Conferências Episcopais e assim se torna justamente Lineamenta do próximo Sínodo.

Devemos saber que o Sínodo não é um parlamento, vem o representante desta Igreja, desta Igreja, desta Igreja… Não, não é isto. Vem o representante, sim, mas a estrutura não é parlamentar, é totalmente diferente. O Sínodo é um espaço protegido a fim de que o Espírito Santo possa trabalhar; não houve confronto entre facções, como em parlamento onde isto é permitido, mas um confronto entre os bispos, que veio depois de um longo trabalho de preparação e que agora prosseguirá em um outro trabalho, para o bem das famílias, da Igreja e da sociedade. É um processo, é o normal caminho sinodal. Agora este Relatório volta às Igrejas particulares e assim continua nesse trabalho de oração, reflexão e discussão fraterna a fim de preparar a próxima Assembleia. Este é o Sínodo dos Bispos. Confiemo-lo à proteção da Virgem nossa Mãe. Que ela nos ajude a seguir a vontade de Deus tomando as decisões pastorais que ajudem mais e melhor a família. Peço-vos para acompanhar este percurso sinodal até o próximo Sínodo com a oração. Que o Senhor nos ilumine, nos faça andar rumo à maturidade daquilo que, como Sínodo, devemos dizer a todas as Igrejas. E sobre isso é importante a vossa oração.

Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Em homilia, Papa reitera que a Igreja é mãe, não museu

A alegria da Igreja é ser mãe, procurar as ovelhas perdidas. Esta foi a reflexão central do Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 9.novembro.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que não serve uma “Igreja de museu”, pois não adianta uma organização perfeita se a Igreja é triste e fechada, não é mãe. Com essa meditação, o convite foi para que os cristãos sejam alegres com a consolação da ternura de Jesus.

Abrir as portas à consolação do Senhor. Francisco partiu da Primeira Leitura do dia, em que o profeta Isaías fala do fim da tribulação de Israel depois do exílio na Babilônia.  Ele explicou que o povo precisa do consolo que vem de Deus, mas muitas vezes é desconfiado e acomodado nos próprios pecados e acaba fugindo dessa consolação.

Segundo o Papa, a consolação mais forte é aquela da misericórdia e do perdão. Ele lançou novamente o convite para que os fiéis se deixem consolar por Deus e, mencionando o Evangelho do dia, recordou a parábola da ovelha perdida.

“Assim como uma pessoa é consolada quando sente a misericórdia e o perdão do Senhor, a Igreja faz festa, fica feliz quando sai de si mesma. (…) A alegria de sair para buscar os irmãos e as irmãs que se afastaram: esta é a alegria da Igreja. Ali a Igreja se torna mãe, se torna fecunda”, disse.

Francisco explicou que, quando a Igreja não age dessa forma e fica fechada em si mesma, falta alegria e paz, mesmo se ela estiver bem organizada, com um organograma perfeito, com tudo limpo e no lugar.

“Torna-se uma Igreja desconfiada, ansiosa, triste, uma Igreja que tem mais de solteira que de mãe e esta Igreja não serve, é uma Igreja de museu. A alegria da Igreja é dar à luz, é sair de si mesma para dar vida, é buscar aquelas ovelhas que estão perdidas, a alegria da Igreja é justamente aquela ternura de pastor, ternura de mãe”

Na conclusão da homilia, o Papa pediu a Deus a graça dos cristãos trabalharem e serem alegres na fecundidade da Igreja e de não caírem nessas atitudes de tristeza, desconfiança, impaciência. “Que o Senhor nos console com a consolação de uma Igreja mãe que sai de si mesma e nos consola com a consolação da ternura de Jesus e a sua misericórdia no perdão dos nossos pecados”.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco:

09/12/2014
A família é a comunidade de amor onde cada pessoa aprende a relacionar-se com os outros e com o mundo.

FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO - 8.DEZEMBRO

Puerto de la Cruz – Tenerife (Espanha), 8 de dezembro de1995
Festa da Imaculada Conceição

O MEU DESÍGNIO.

“Meu pequeno filho, hoje te encontras nas Ilhas Canárias para realizar numerosos Cenáculos com sacerdotes e fiéis do meu Movimento e celebrais, com alegria e júbilo, a solenidade da minha Imaculada Conceição.

Vês também aqui o Movimento Sacerdotal Mariano difundido por todo o lado e como as minhas pequenas crianças Me respondem sim de toda a parte.

Meus prediletos e filhos a Mim consagrados, olhai, neste dia, com confiança e imensa esperança para a vossa Mãe Imaculada!

Fui concebida sem pecado original e assim pude realizar, de maneira perfeita, na minha vida, o desígnio da Santíssima Trindade e responder à missão que Ela Me confiou de Me tornar a Mãe do Verbo Encarnado.

O meu desígnio é conduzir à batalha o exército dos filhos de Deus, para combater e vencer as insídias daqueles que se puseram ao serviço de satanás e combatem para difundir no mundo o reino do mal, do erro, do pecado, do ódio e da impureza.

O meu desígnio é conduzir toda a criação ao seu esplendor original, de modo que o Pai Celeste possa ainda refletir-Se nela com complacência e receber do universo criado a sua maior glória.

O meu desígnio é levar todos os meus filhos pelo caminho da perfeita imitação de Jesus, de maneira que, neles, Ele possa reviver e contemplar com alegria os frutos copiosos que nasceram do grande dom da sua Redenção.

O meu desígnio é preparar os corações e as almas para receberem o Espírito Santo, que Se derramará em plenitude para trazer ao mundo o seu segundo Pentecostes de fogo e de amor.

O meu desígnio é indicar a todos os meus filhos o caminho da fé e da esperança, da caridade e da pureza, da bondade e da santidade.

Assim, no jardim do meu Coração Imaculado, preparo o pequeno resto que permanecerá fiel a Cristo, ao Evangelho e à Igreja, no meio das ondas tempestuosas da apostasia e da perversão.

E será com este pequeno rebanho, guardado no Coração Imaculado da vossa Mãe Celeste, que Jesus trará o seu Reino glorioso ao mundo”.

Trecho do Livro: “Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora”
Site: www.msmbr.com
Facebook: Movimento Sacerdotal Mariano – Brasil
Twitter: @MSMBrasil


Papa pede aos fiéis gratuidade e partilha, a exemplo de Maria

Como Maria, todos os cristãos saibam oferecer a Deus um “sim” pleno à sua vontade e se doar aos outros como instrumentos de acolhimento, reconciliação e perdão. Este foi o desejo que o Papa Francisco expressou no Angelus rezado nesta segunda-feira, 8.dezembro.2014, no dia da Imaculada Conceição. À tarde, o Pontífice irá para a Praça de Espanha, como já é tradição, para a veneração à estátua da Imaculada.

Francisco refletiu sobre “gratuidade e partilha”, tomando como exemplo Maria, escolhida desde sempre e preservada da culpa original. Segundo o Papa, nada é mais eficaz e fecundo do que escutar e acolher a Palavra de Deus.

“A atitude de Maria de Nazaré nos mostra que ‘o ser’ vem antes do ‘fazer’, e que é necessário deixar-se fazer por Deus para ser verdadeiramente como Ele nos quer. Maria é receptiva, mas não passiva. Como, a nível físico, recebe o poder do Espírito Santo, mas depois doa carne e sangue ao Filho de Deus que se forma nela, assim, no plano espiritual, acolhe a graça e corresponde a ela com a fé”.

Citando Santo Agostinho, o Pontífice recordou que a Virgem concebeu antes no coração do que no ventre e que este mistério da acolhida da graça é uma possibilidade para todos. Francisco observou, que tanto Maria como o ser humano foram abençoados e escolhidos desde a criação do mundo, com uma diferença: Maria foi preservada e o homem foi salvo graças ao Batismo e à fé.

O Papa reiterou no final do encontro que a salvação é gratuita e se deve dar o que se recebe. A gratuidade, disse, é a consequência que se impõe diante do amor, da misericórdia, da graça divina derramada nos corações.

“Porque, se tudo nos foi dado, tudo deve ser dado novamente. De que modo? Deixando que o Espírito Santo faça de nós um dom para os outros; que nos torne instrumentos de acolhida, de reconciliação e de perdão. Se a nossa existência se deixa transformar pela graça do Senhor, não poderemos reter para nós a luz que vem da sua face, mas a deixaremos passar, para que ilumine os outros”.
Radio Vaticano

Neste dia da Imaculada Conceição, o Papa Francisco, também, deixou mensagem em seu Twitter:

08/12/2014
Aprendamos, da Virgem Maria, a ter mais coragem para seguir a Palavra de Deus.

No Angelus, Papa pede testemunhos da misericórdia de Deus



No Angelus deste domingo, 7, Papa Francisco concentrou sua reflexão no consolo de Deus para com o seu povo. O Pontífice enfatizou que o Advento é um tempo de alegria pela espera do nascimento de Jesus, de forma que tristeza e medo dão lugar à alegria.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Este domingo marca a segunda etapa do Tempo do Advento, um tempo maravilhoso que desperta em nós a espera pelo retorno de Cristo e a memória da sua vinda histórica. A Liturgia de hoje nos apresenta uma mensagem cheia de esperança. É o convite do Senhor expresso pela boca do profeta Isaías: “Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus” (40, 1). Com estas palavras se abre o Livro da consolação, no qual o profeta dirige ao povo no exílio o anúncio alegre da libertação. O tempo da tribulação terminou; o povo de Israel pode olhar com confiança para o futuro: espera-o finalmente o retorno à pátria. Por isso o convite é a deixar-se consolar pelo Senhor.

Isaías se dirige a pessoas que atravessaram um período obscuro, que foram submetidas a uma prova muito dura; mas agora veio o tempo da consolação. A tristeza e o medo podem dar lugar à alegria, porque o próprio Senhor guiará o seu povo no caminho da libertação e da salvação. De que modo fará tudo isso? Com a solicitude e a ternura de um pastor que cuida do seu rebanho. Ele, de fato, dará unidade e segurança ao rebanho, o fará pastar, reunirá no seu seguro redil as ovelhas perdidas, reservará particular atenção àquelas mais frágeis (v.11). Esta é a atitude de Deus para conosco, suas criaturas. Por isso o profeta convida quem o escuta – incluindo nós, hoje – a difundir entre o povo esta mensagem de esperança: que o Senhor nos consola. E dar lugar à consolação que vem do Senhor.

Mas não podemos ser mensageiros da consolação de Deus se nós não experimentamos primeiro a alegria de ser consolado e amado por Ele. Isto acontece especialmente quando escutamos a sua Palavra, o Evangelho, que devemos levar no bolso: não se esqueçam disso! O Evangelho no bolso ou na bolsa, para lê-lo continuamente. E isto nos dá consolação: quando permanecemos em oração silenciosa na sua presença, quando O encontramos na Eucaristia ou no sacramento do Perdão. Tudo isso nos consola.

Deixemos, então, que o convite de Isaías – “Consolai, consolai o meu povo” – ressoe no nosso coração neste tempo de Advento. Hoje é preciso pessoas que sejam testemunhas da misericórdia e da ternura do Senhor, que sacuda os resignados, reanime os desanimados, acenda o fogo da esperança. Ele acende o fogo da esperança! Não nós. Tantas situações requerem o nosso testemunho consolador. Ser pessoas alegres, consoladas. Penso em quantos são oprimidos pelo sofrimento, injustiças; em quantos são escravos do dinheiro, do poder, do sucesso, da mundanidade. Pobrezinhos! Têm consolações maquiadas, não a verdadeira consolação do Senhor! Todos somos chamados a consolar os nossos irmãos, testemunhando que somente Deus pode eliminar as causas dos dramas existenciais e espirituais. Ele pode fazê-lo! É poderoso!

A mensagem de Isaías, que ressoa nesse segundo domingo do Advento, é um bálsamo sobre as nossas feridas e um estímulo a preparar com empenho o caminho do Senhor. O profeta, de fato, fala hoje ao nosso coração para nos dizer que Deus esquece os nossos pecados e nos consola. Se nós confiamos Nele com coração humilde e arrependido, Ele abaterá os muros do mal, preencherá os buracos das nossas omissões, aplainará os dorsos do orgulho e da vaidade e abrirá o caminho do encontro com Ele. É curioso, mas tantas vezes temos medo da consolação, de ser consolados. Antes, nos sentimos mais seguros na tristeza e na desolação. Sabem por que? Porque na tristeza nos sentimos quase protagonistas. Em vez disso, na consolação é o Espírito Santo o protagonista! É Ele que nos consola, é Ele que nos dá a a coragem de sair de nós mesmos. É Ele que nos leva à fonte de toda verdadeira consolação, isso é, o Pai. E esta é a conversão. Por favor, deixem-se consolar pelo Senhor! Deixem-se consolar pelo Senhor!

A Virgem Maria é o “caminho” que o próprio Deus preparou para vir ao mundo. Confiemos a ela a espera de salvação e de paz de todos os homens e mulheres do nosso tempo.
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano
Papa Francisco concede entrevista a jornal argentino 'La Nacion'



O Papa Francisco concedeu entrevista ao jornal argentino “La Nacion”, publicada neste domingo, 7.dezembro.2014. Falando à jornalista Elisabetta Piqué, o Pontífice abordou temas que vão desde o Sínodo da Família até a Reforma da Cúria; do Instituto para as Obras de Religião (IOR) até sua vida na Casa Santa Marta.

O Sínodo não é um parlamento, mas um espaço aberto protegido pelo Espírito Santo, disse o Papa ao responder perguntas sobre o Sínodo da Família. Ele considerou que é “simplificatório” dizer que os padres sinodais estão divididos em dois setores, um contra o outro, e reiterou a importância de falar claramente e escutar com humildade.

Com relação às posições do Sínodo sobre uniões homossexuais, o Papa esclareceu que ninguém falou de união homossexual, mas sim de famílias que têm um filho ou uma filha homossexual e de como é possível ajudar tais famílias.

Em seu discurso final no Sínodo, o Papa disse que não tocou nenhum ponto da doutrina da Igreja sobre matrimônio. No caso dos divorciados que se casam novamente, ele reconheceu que há muitas questões pastorais. Ele citou as diversas limitações vividas por essas pessoas na Igreja, como não poder ser padrinho de Batismo, de forma que até parece que elas foram excomungadas, mas não foram.

Francisco disse que é preciso mudar um pouco as coisas. E a quem falou de confusão, respondeu: “continuamente pronuncio discursos, homilias e este é o Magistério”. Isto, comentou, “é aquilo que eu penso, não aquilo que os jornais dizem que eu pense”, “Evangelii gaudium é muito clara”.

Cúria Romana

Francisco não deixou de responder perguntas sobre a reforma da Cúria, afirmando que esse é um processo lento e ele pensa que não estará concluído em 2015. Ele explicou que uma das propostas em discussão é o agrupamento dos dicastérios dos Leigos e da Família e Justiça e Paz.

De resto, o Papa reiterou que a reforma que mais tem no coração é aquela espiritual, a reforma do coração. Ele contou que, para o Natal, está preparando um discurso aos membros da Cúria e um para os trabalhadores do Vaticano com as famílias, que encontrará na Sala Paulo VI.

O Pontífice disse não estar preocupado pelas divergências que emergem na reforma da Cúria Romana e recordou que esse processo foi decidido pelos cardeais nas Congregações Gerais que precederam o Conclave. Tanto o IOR quanto a reforma econômica estão indo bem, disse.

Ser Papa

Francisco falou do seu “ser Papa”, contando que, quando foi eleito no Conclave, disse a si mesmo: “Jorge, não mude, continua a ser você mesmo porque mudar na tua idade é ridículo”.

Sobre saúde, ele afirmou que tem alguns mal-estar próprios da idade, mas está nas mãos de Deus e até agora pode ter um ritmo de trabalho mais ou menos bom. Brincando, ele disse que Deus lhe deu um “sano dote de inconsciência”.

Sobre as próximas viagens apostólicas, disse que talvez irá para a Argentina em 2016, enquanto em 2015 está no programa uma visita a três países da América Latina e África.

Tendo em vista as próximas eleições na Argentina, o Pontífice disse que não receberá políticos argentinos, para não interferir. Porém, afirmou que, neste momento, a quebra do sistema democrático, da Constituição, seria um erro para o país.
Radio Vaticano

Conta do Papa no Twitter em latim ultrapassa 300 mil seguidores

A conta do Papa Francisco em latim, no Twitter, já tem mais de 300 mil seguidores. Alcançando este número em menos de dois anos de sua criação, o @pontifex_ln supera a conta árabe e alemã na rede social.

Para o presidente da Pontifícia Academia de Latim no Vaticano, Ivano Dionigi, “o fato demonstra que todos nós precisamos ser mais ‘latinistas’ em meio à enxurrada de palavras, e aprender o valor delas, que ajuda a todos a uma melhor conscientização”.

Mais de 15 milhões de pessoas seguem o Papa no Twitter, nas 9 línguas diferentes em que as mensagens são publicadas. As contas mais seguidas são @pontifex_es em espanhol, com cerca de 6,48 milhões de seguidores, @pontifex_ in em inglês, com 4,36 milhões e @pontifex_it em italiano, com 1,87 milhões.

A conta papal no Twitter foi aberta por Bento XVI e o primeiro post foi lançado em 12 de dezembro de 2012
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Radio Vaticano

Neste sabádo o Papa Francisco deixou uma mensagem em seu twitter:

06/12/2014
O Advento faz-nos começar um novo caminho. Deixemo-nos guiar por Maria, nossa Mãe.


Papa reitera direitos da família e sua contribuição social

O Vaticano publicou nesta sexta-feira, 5.dezembro.2014, a mensagem que o Papa Francisco enviou para o Festival da Família, realizado de 1º a 6 de dezembro na comuna italiana de Riva del Garda. Francisco fala de direitos e deveres da família, o que também pode dar novo impulso para a economia de um país. Ele também defende o reconhecimento do trabalho da mulher, destacando sua contribuição para a sociedade.

Francisco observa que não basta reiterar a importância da família e seus direitos, mas é preciso pensar em como articular as tarefas da família e as da sociedade, principalmente no que diz respeito à relação entre vida profissional e familiar.

Assim como tem direitos, a família também tem deveres com a sociedade, lembra o Papa na mensagem. Por esse empenho e responsabilidade, ele defende que órgãos públicos e empresas deem a ajuda apropriada às famílias, em uma ótica de mútua colaboração. A partir disso pode começar um novo impulso econômico para um país, diz.

“Nessa perspectiva, seja reconsiderado e resolvido também o drama do desemprego, sobretudo juvenil. A falta de trabalho deprime a pessoa, que se sente inútil aos seus próprios olhos e empobrece a sociedade, que é privada do apoio de forças válidas e dispostas”.

Francisco também defende que seja dada atenção à ocupação feminina. Ele diz que é preciso criar meios para que a mulher não seja forçada, por exigências econômicas, a um trabalho muito duro e a um horário cansativo, que se somam a todas as suas outras responsabilidades, de casa e de educação dos filhos.

“Sobretudo, é preciso considerar que o empenho da mulher, em todos os níveis da vida familiar, também constitui uma contribuição incomparável à vida e ao futuro da sociedade”.

O Festival da Família tem como tema “O ecossistema vida e trabalho. Ocupação feminina e natalidade, bem-estar e crescimento econômico”. O objetivo é oferecer pontos de reflexão a fim de que a família seja sempre mais protagonista no contexto social, cultural e político de um país.
Radio Vaticano
Papa encoraja contribuição feminina para a Teologia

O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã desta sexta-feira, 5, os membros da Comissão Teológica Internacional, na conclusão de sua Plenária.

Em seu discurso, o Pontífice recordou o papel da Comissão, que é estudar os problemas doutrinais de grande importância para oferecer a sua ajuda ao Magistério da Igreja. Mas servir à Igreja, recordou o Papa, requer competências não somente intelectuais, mas também espirituais. Entre elas, Francisco destacou a importância da escuta.

“O teólogo abre os olhos e os ouvidos aos sinais dos tempos. É chamado a ouvir atentamente, discernir e interpretar as várias linguagens do nosso tempo, e saber julgá-los à luz da palavra de Deus.”

O Papa falou ainda do caráter internacional da Comissão, que reflete a catolicidade da Igreja. “A diversidade dos pontos de vista deve enriquecer, sem prejudicar a unidade”, aconselhou Francisco, pedindo diálogo entre os teólogos.

De modo especial, o Papa notou um aumento da presença das mulheres na Comissão – uma presença que se torna um convite a refletir sobre o papel que as mulheres podem e devem ter no campo da Teologia.

“Em virtude do gênio feminino, as teólogas podem perceber aspectos inexplorados do insondável mistério de Cristo. Eu os convido, portanto, a tirar o melhor proveito dessa contribuição específica das mulheres à inteligência da fé.”

Por fim, Francisco confiou o trabalho da Comissão a Nossa Senhora, ícone da Igreja e mulher de escuta, de contemplação, de proximidade aos problemas da Igreja e das pessoas. “Que Maria, mestra da autêntica teologia, permita que a nossa caridade cresça sempre mais em conhecimento e em pleno discernimento”.
Radio Vaticano

Papa diz que santos escondidos no dia a dia dão esperança



Na Missa desta quinta-feira, 4.dezembro.2014, o Papa Francisco concentrou sua homilia nos “santos do dia a dia”. Ele recordou que há tantos santos escondidos, homens, mulheres, pais e mães de família, doentes, padres que colocam em prática todos os dias o amor de Jesus e isso dá esperança.

É verdadeiramente cristão quem coloca em prática a Palavra de Deus, não basta ter fé. Comentando o Evangelho que fala da casa construída sobre a rocha ou a areia, o Papa convidou a não ser “cristãos de aparência”, cristãos maquiados, porque com um pouco de chuva a maquiagem vai embora.

Francisco enfatizou que não basta pertencer a uma família muito católica, a uma associação ou ser um benfeitor se não se segue a vontade de Deus. Os cristãos de aparência construíram sua casa sobre a areia. Por outro lado, o Papa observou que há muitos santos no povo de Deus, não necessariamente canonizados, mas homens e mulheres que colocam em prática o amor de Jesus. Esses sim construíram a casa sobre a rocha que é Cristo.

“Pensemos nos menores, né? Nos doentes que oferecem os seus sofrimentos pela Igreja, pelos outros. Pensemos em tantos idosos sozinhos, que rezam e oferecem. Pensemos em tantas mães e pais que levam adiante com tanto cansaço sua família, a educação dos filhos, o trabalho cotidiano, os problemas, mas sempre com a esperança em Jesus. Não se vangloriam, mas fazem aquilo que podem”.

Francisco explicou que essas pessoas são os santos do cotidiano. Ele mencionou também o exemplo dos padres que não se fazem ver, mas trabalham em suas paróquias com amor. Eles não se aborrecem, não ficam entediados porque no seu fundamento está a rocha, que é Jesus.

É preciso pensar, disse o Papa, na santidade escondida que está presente na Igreja. Cristãos que pecam, mas se arrependem e pedem perdão. Já os soberbos, os vaidosos, os cristãos de aparência serão abatidos, humilhados, enquanto os humildes levam adiante a salvação colocando em prática a Palavra de Deus.

“Neste tempo de preparação ao Natal, peçamos ao Senhor para sermos fundados firmes na rocha que é Ele, a nossa esperança está Nele. Nós somos todos pecadores, somos frágeis, mas se colocamos a esperança Nele poderemos seguir adiante. E esta é a alegria de um cristão: saber que Nele há esperança, há o perdão, há a paz, há a alegria. E não colocar a nossa esperança em coisas que hoje são e amanhã não serão”.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco nesta quinta-feira:

04/12/2014
O tempo de Advento infunde-nos esperança, uma esperança que não desilude. O Senhor nunca desilude.
Na catequese, Papa recorda sua viagem à Turquia



A recente viagem do Papa Francisco à Turquia foi o tema da catequese desta quarta-feira, 3, com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. O Pontífice recordou momentos marcantes de sua visita e reiterou o desejo de seguir no caminho do diálogo ecumênico e inter-religioso.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. Mas, não parece tanto um dom dia, é um pouco ruim… Mas vocês são corajosos e, para um dia ruim, uma boa face, e vamos adiante!

Esta audiência se desenvolve em dois lugares diversos, como fazemos quando chove: aqui na praça e depois há alguns doentes na Sala Paulo VI. Eu já os encontrei, já os saudei e eles seguem a audiência por meio de um telão, porque estão doentes e não podem vir debaixo de chuva. Saudemos todos eles com um aplauso.

Hoje quero partilhar com vocês algumas coisas da minha peregrinação à Turquia de sexta-feira passada a domingo. Como havia pedido para prepará-la e acompanhá-la com a oração, agora vos convido a dar graças ao Senhor por sua realização e para que possa dar frutos de diálogo seja nas nossas relações com os irmãos ortodoxos, seja com os muçulmanos, seja no caminho rumo à paz entre os povos. Sinto, em primeiro lugar, dever renovar a expressão do meu reconhecimento ao presidente da república turca, ao primeiro-ministro, ao presidente para os Assuntos Religiosos e a outras autoridades, que me acolheram com respeito e garantiram a boa ordem dos eventos. Isto requer trabalho e eles fizeram isto de bom grado. Agradeço fraternalmente aos bispos da Igreja católica na Turquia, ao presidente da conferência episcopal, tão bom, e agradeço pelo empenho às comunidades católicas, bem como agradeço ao Patriarca Ecumênico, Sua Santidade Bartolomeu I pelo cordial acolhimento. O beato Paulo VI e São João Paulo II, que foram ambos à Turquia, e São João XXIII, que foi Delegado Apostólico naquela nação, protegeram do céu a minha peregrinação, ocorrida oito anos depois daquela do meu predecessor, Bento XVI. Aquela terra é querida por todo cristão, especialmente por ter sido o local de nascimento do apóstolo Paulo, por ter sediado os primeiros sete Concílios e pela presença, próximo a Éfeso, da “casa de Maria”. A tradição nos diz que ali viveu Nossa Senhora, depois da vinda do Espírito Santo.

No primeiro dia da viagem apostólica, saudei as autoridades do país, a larguíssima maioria muçulmanos, mas em cuja Constituição se afirma a laicidade do Estado. E com as autoridades, falamos da violência. É justamente o esquecimento de Deus, e não a sua glorificação, a gerar a violência. Por isso insisti na importância de que cristãos e muçulmanos se empenhem juntos para a solidariedade, para a paz e a justiça, afirmando que todo Estado deve assegurar aos cidadãos e às comunidades religiosas uma liberdade de culto.

Hoje, antes de ir saudar os doentes, estive com um grupo de cristãos e islâmicos que fazem uma reunião organizada pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, sob a condução do Cardeal Tauran, e também eles expressaram este desejo de continuar neste diálogo fraterno entre católicos, cristãos e islâmicos.

No segundo dia, visitei alguns lugares-símbolo das diversas confissões religiosas presentes na Turquia. Fiz isso sentindo no coração a invocação ao Senhor, Deus do céu e da terra, Pai misericordioso de toda a humanidade. Centro do dia foi a celebração eucarística que viu reunidos na catedral pastores e fiéis dos diversos ritos católicos presentes na Turquia. Também participaram o Patriarca Ecumênico, o Vigário Patriarcal Armeno Apostólico, o Metropolita Siro-Ortodoxo e representantes protestantes. Juntos invocamos o Espírto Santo, Aquele que faz a unidade da Igreja: unidade na fé, unidade na caridade, unidade na coesão interior. O povo de Deus, na riqueza das suas tradições e articulações, é chamado a deixar-se guiar pelo Espírito Santo em atitude constante de abertura, de docilidade e de obediência. No nosso caminho de diálogo ecumênico e também da nossa unidade, da nossa Igreja católica, Aquele que faz tudo é o Espírito Santo. Cabe a nós deixá-lo fazer, acolhê-Lo e seguir as suas inspirações.

O terceiro e último dia, festa de Santo André Apóstolo, ofereceu o contexto ideal para consolidar as relações fraternas entre o Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, sucessor do apóstolo André, irmão de Simão Pedro, que fundou aquela Igreja. Renovei com Sua Santidade Bartolomeu I o empenho recíproco em prosseguir no caminho rumo o restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos. Juntos assinamos uma declaração conjunta, mais uma etapa deste caminho. Foi particularmente significativo que este ato tenha acontecido ao término da solene liturgia da festa de Santo André, da qual participei com grande alegria e que foi seguida da dupla benção concedida pelo Patriarca de Constantinopla e pelo Bispo de Roma. A oração, de fato, é a base para todo frutuoso diálogo ecumênico sob a guia do Espírito Santo que, como disse, é Aquele que faz a unidade.

Último encontro – este foi belo e também doloroso – foi aquele com um grupo de jovens refugiados, assistidos pelos salesianos. Era muito importante para mim encontrar alguns refugiados das zonas de guerra do Oriente Médio, seja para exprimir a eles a proximidade minha e da Igreja, seja para destacar o valor do acolhimento, em que a Turquia tem se empenhado muito. Agradeço uma vez mais à Turquia por este acolhimento de tantos refugiados e agradeço de coração aos salesianos de Istambul. Esses salesianos trabalham com refugiados, são bons! Encontrei também outros padres e um jesuíta alemães e outros que trabalham com os refugiados, mas aquele oratório salesiano dos refugiados é uma coisa bela, é um trabalho escondido. Agradeço tanto a todas as pessoas que trabalham com os refugiados. E rezemos por todos os refugiados e para que sejam removidas as causas dessa dolorosa chaga.

Queridos irmãos e irmãs, Deus onipotente e misericordioso continue a proteger o povo turco, os seus governantes e os representantes das diversas religiões. Possam construir juntos um futuro de paz, de forma que a Turquia possa representar um lugar de pacífica coexistência entre religiões e culturas diversas. Rezemos, além disso, para que, por intercessão da Virgem Maria, o Espírito Santo torne fecunda esta viagem apostólica e favoreça na Igreja o fervor missionário, para anunciar a todos os povos, no respeito e no diálogo fraterno, que o Senhor Jesus é verdade, paz e amor. Somente Ele é o Senhor.
Boletim da Santa sé

O caminho da humildade nos leva a Deus, afirma o Papa na Santa Marta



Só se pode compreender o mistério de Jesus percorrendo o caminho da humildade e da mansidão. Foi o que afirmou o Papa Francisco na homilia desta terça-feira, 2.dezembro.2014, celebrada na Casa Santa Marta, onde o Pontífice reside.

Os olhos de um pobre são os mais aptos a ver Cristo e, através Dele, distinguir o perfil de Deus. Os outros que pretendem sondar este mistério com os recursos da própria inteligência devem, antes, colocar-se “em joelhos”, em atitude de humildade. Caso contrário, não poderão entender nada, explicou o Papa.

Francisco reiterou a verdade e o paradoxo do mistério da Boa Nova: o Reino do seu Pai é dos “pobres em espírito”. A reflexão do Pontífice seguiu o trecho do Evangelho de Lucas proposto pela liturgia, no ponto em que Cristo louva e agradece ao seu Pai porque decidiu revelar-se a quem não conta nada para a sociedade ou a quem conta, mas sabe fazer-se “pequenino” na alma.

“Ele nos faz conhecer o Pai, nos faz conhecer esta vida interior que Ele tem. Mas para quem o Pai a revela? A quem dá esta graça? ‘Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos’. Somente aos que têm o coração como os pequeninos, que são capazes de receber esta revelação, o coração humilde, manso, quem sente a necessidade de rezar, abrir-se a Deus, se sente pobre; somente a quem vai avante com a primeira Beatitude: os pobres de espírito”.

Nesse sentido, o Santo Padre disse que a pobreza é o dom privilegiado para abrir a porta do mistério de Deus e é um dom que às vezes pode faltar a quem dedica uma vida de estudos a este mistério.

“Muitos podem conhecer a ciência, a teologia também, muitos! Mas se não fazem essa teologia de joelhos, isto é, humildemente, como pequeninos, não vão entender nada. Vão nos dizer muitas coisas, mas não vão entender nada. Somente esta pobreza é capaz de receber a Revelação que o Pai dá através de Jesus, por meio de Jesus. Jesus vem, não como um capitão, um general de exército, um governante poderoso, não, não. Vem como um broto. Foi o que ouvimos na primeira leitura”.

Francisco destacou que Jesus é o primeiro dos marginalizados. Segundo ele, a grandeza do mistério de Deus se conhece somente no mistério de Jesus, que é precisamente o de abaixar-se, aniquilar-se,  humilhar-se.

“Pedimos ao Senhor, neste tempo do Advento, para nos aproximarmos mais, mais, mais do seu mistério e de fazê-lo no caminho que Ele quer que façamos: o caminho da humildade, da mansidão, da pobreza, o caminho de sentir pecadores. Então, Ele vem nos salvar, nos libertar. Que o Senhor nos conceda esta graça”.
Radio Vaticano

Terça-feira, o Papa Francisco escreveu seu primeiro tweet deste mês de dezembro:

02/12/2014
A Igreja é chamada a aproximar-se de todas as pessoas, começando pelos mais pobres e aqueles que sofrem.
Papa e líderes religiosos assinam documento contra escravidão



Nesta terça-feira, 2.dezembro.2014, Dia Internacional para a Abolição da Escravidão, o Papa Francisco se reuniu, na Pontifícia Academia das Ciências – Vaticano, com líderes religiosos para a assinatura de um documento contra a escravidão moderna e o tráfico de pessoas. A iniciativa histórica é promovida pela Organização Global Freedom Network (GFN), sob inspiração do Papa Francisco e do Primaz Anglicano, Justin Welby.

Introduzindo o encontro, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, destacou o impulso dado pelo Papa Francisco na luta contra a escravidão. “Estamos unidos para declarar compromisso comum nesta luta”, disse o porta-voz vaticano.

Discurso do Santo Padre, o Papa Francisco:

Agradeço a todos os líderes religiosos aqui reunidos por seu compromisso em favor dos sobreviventes do tráfico de pessoas e a todos os presentes por sua intensa participação neste ato de fraternidade especialmente para com os mais sofridos de nossos irmãos.

Inspirados por nossas confissões de fé, hoje nos reunimos com motivo de uma iniciativa histórica e de uma ação concreta: declarar que trabalharemos juntos para erradicar o terrível flagelo da escravidão moderna em todas as suas formas.

A exploração física, econômica, sexual e psicológica de homens, mulheres e crianças, atualmente acorrenta dezenas de milhões de pessoas à desumanização e à humilhação.

Cada ser humano, homem, mulher, menino, menina, é imagem de Deus, Deus é amor e liberdade que se doa em relações interpessoais, assim cada ser humano é uma pessoa livre destinada a existir para o bem de outros em igualdade e fraternidade.

Cada uma, e todas as pessoas, são iguais e lhes devem ser reconhecidas a mesma liberdade e a mesma dignidade. Qualquer relação discriminante que não respeite a convicção fundamental que o outro é como a si mesmo constitui um delito, e tantas vezes um delito aberrante.

Por isso, declaramos em nome de todos e de cada um de nossos credos que a escravidão moderna, em termo de tráfico de pessoas, trabalho forçado, prostituição, tráfico de órgãos é um crime contra a humanidade. Suas vítimas são de toda condição, mas na maioria das vezes acontece entre os mais pobres e vulneráveis de nossos irmãos e irmãs.

Em nome deles e delas, estão chamando à ação nossas comunidades de fé sem exceção a rechaçar completamente toda privação sistemática da liberdade individual com fins de exploração pessoal ou comercial, em nome deles fazemos esta declaração.

Apesar dos grandes esforços de muitos, a escravidão moderna segue sendo um flagelo atroz que está presente em grande escala em todo o mundo, incluso como turismo, este crime contra a humanidade se disfarça em aparentes situações normais mas, na realidade, faz as suas vítimas na prostituição, no tráfico de pessoas, no trabalho forçado, no trabalho escravo, na mutilação, na venda de órgãos, no tráfico de drogas, no trabalho infantil. Se esconde atrás de portas fechadas, em casas privadas, nas ruas, nos automóveis, nas fábricas, no campo, em barcos pesqueiros e em muitos outros lugares.

E isto acontece tanto em cidades como em aldeias, em vilas de emergência das nações mais ricas e mais pobres do mundo. E o pior é que tal situação, infelizmente, agrava-se cada dia mais.

Chamamos à ação todas as pessoas de fé e a seus líderes, aos governos, às empresas, a todos os homens e mulheres de boa vontade, para que deem seu apoio incondicional e se somem ao movimento contra a escravidão moderna, em todas as suas formas. Apoiados pelos ideais de nossas confissões de fé e nossos valores humanos compartilhados, todos podemos e devemos levantar a bandeira dos valores espirituais, o esforço conjunto, a visão libertadora para erradicar a escravidão do nosso planeta.

Peço ao Senhor que nos conceda hoje a graça de convertermos a nós mesmos no próximo de cada pessoa, sem exceção, e de fornecer ajuda ativamente sempre que se cruze em nosso caminho, se trate já de um ancião abandonado por todos, um trabalhador injustamente escravizado e desprezado, uma refugiada ou refugiado capturado pelos laços da má vida, um jovem ou uma mulher que caminhe pelas ruas do mundo vítima do comércio sexual, um homem ou uma mulher prostituída por engano por gente sem temor de Deus, um menino ou uma menina mutilada em seus órgãos, que chamam nossas consciências fazendo eco da voz do Senhor: asseguro-lhes que cada vez que fizeram isso com um de meus irmãos, fizeram-no comigo.

Queridos amigos, obrigado por esta reunião, obrigado por este compromisso transversal que nos compromete a todos, todos somos reflexo da imagem de Deus e estamos convencidos de que não podemos tolerar que a imagem de Deus vivo seja submetida ao tráfico mais aberrante.
Muito obrigado.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé