REVEJA FEVEREIRO DE 2015

Papa exorta as Cooperativas: "globalizar a solidariedade"



Neste sábado, 28.fevereiro.2015, o Papa Francisco recebeu no Vaticano, o Cardeal-arcebispo de Nápoles, Dom Crescenzio Sepe, em vista da Visita pastoral de um dia que o Pontífice fará à cidade no dia 21 de março.

A seguir, o Santo Padre acolheu na Sala Paulo VI, cerca de sete mil membros da Confederação Cooperativas Italianas, acompanhado do Presidente, Maurizio Gardini.

No seu discurso, o Santo Padre expressou sua satisfação e admiração aos membros das Cooperativas Italianas, que representam “a memória viva de um grande tesouro da Igreja na Itália”. À origem da atividade destas cooperativas estão os sacerdotes e os párocos, que, sabiamente, as fundaram e promoveram ao longo destes anos.

O Papa afirmou que “ainda hoje” em diversas dioceses italianas, se recorre à cooperação como remédio eficaz para o problema do desemprego e das diversas formas de dificuldade social. Neste sentido, o Pontífice recordou que a Igreja sempre reconheceu, apreciou e encorajou a experiência de cooperação.

Francisco citou diversos documentos da Doutrina Social da Igreja, dirigidos aos cooperadores, que ainda são válidos e atuais em nossos dias.

Depois, o Santo Padre pediu para os presentes não olhar somente para o passado, mas sobretudo para o futuro, às novas perspectivas, às novas responsabilidades e às novas formas de iniciativas pelas Empresas.

O Papa disse que as cooperativas se trata de uma verdadeira missão que requer fantasia criativa para encontrar meios, métodos, comportamentos e instrumentos, para combater a “cultura do desperdício, cultivada pelos poderes que dirigem as políticas econômico-financeiras do mundo globalizado”.

“Globalizar a solidariedade, hoje, significa preocupar-se pelo aumento vertiginoso do desemprego, das lágrimas dos pobres, da necessidade de retomar um desenvolvimento que vise o verdadeiro progresso integral das pessoas sem rendas; preocupar-se com os aspectos da saúde, da solidariedade e da dignidade da pessoa humana. Enfim, globalizar a solidariedade!”, disse o Pontífice.

Conselhos do Papa para as cooperativas

A seguir, o Santo Padre passou a dar alguns conselhos concretos aos membros das Cooperativas Italianas: primeiro, “ser motor, que alivia e incentiva as camadas mais fracas das comunidades locais e da sociedade civil”, se referindo particularmente aos jovens, mulheres e adultos desempregados.

Segundo: “ser protagonistas para encontrar novas soluções”, sobretudo no campo da saúde, que envolve as camadas mais pobres das periferias, sem esquecer que ao centro de tudo deve estar a pessoa. A “caridade não é um simples gesto para tranquilizar o coração, mas um dom”, disse.

Terceiro: “economia e a sua relação com a justiça social, com a dignidade e o valor das pessoas”. O Papa afirma que com uma nova economia se cria a capacidade de desenvolver as potencialidades das pessoas. Uma empresa deve crescer e lucrar, mas deve envolver todos, de modo cooperativo.

Quarto: “sustentar, facilitar e encorajar a vida das famílias”. O Pontífice destaca a importância de conciliar o trabalho com a família, especialmente no que se refere às mães e seus filhos. “Assim se poderá administrar os bens comuns.”

Quinto: “investir, saber investir: colocar juntos os meios bons para realizar obras boas”. Aumentar a colaboração entre as cooperativas bancárias e as empresas, sabendo administrar os recursos, para que as famílias vivam com mais serenidade e dignidade. O Santo Padre afirma que os homens devem administrar com honestidade, o capital econômico e não vice-versa.

Sexto e último conselho: “as Cooperativas devem colaborar com as paróquias e as dioceses”, onde há antigas e novas periferias existenciais, onde há pessoas marginalizadas, excluídas, desrespeitadas.

Ao finalizar, o Papa Francisco pede que as cooperativas lutem honradamente contra as manipulações do mercado. “Vivam como cristãos, mantenham a sua fé e identidade próprias. Sejam solidários!”, conclui.
Papa e a Cúria Romana concluem o retiro quaresmal



O Papa Francisco concluiu, nesta sexta-feira, 27.fevereiro.2015, os tradicionais exercícios espirituais da Quaresma, um retiro do qual ele participou com a Cúria Romana. Ao fim das reflexões, ele agradeceu ao pregador do retiro, padre carmelita Bruno Secondin, e deixou votos de que as “sementes” recebidas no retiro possam crescer.

“Em nome de todos, também meu, quero agradecer ao padre, ao seu trabalho de exercícios entre nós. Não é fácil pregar exercícios aos sacerdotes. Somos todos um pouco complicados, mas ele conseguiu semear. Que o Senhor faça crescer essas sementes que nos deu e faço votos também a mim e a todos que possamos sair daqui com um pedacinho do manto de Elias, em mãos e no coração. Obrigado, padre!”

A última etapa do itinerário de reflexão e oração na manhã do dia 27 proposta pelo padre Secondin focalizou o episódio bíblico narrado no segundo livro dos Reis (2, 1-14) no qual são descritos a saudação final de Elias aos seus discípulos e a Eliseu, o seu rapto no carro de fogo e o início da missão de Eliseu que se despoja das vestes, toma o manto do mestre e, nas margens do Jordão, é reconhecido como o verdadeiro herdeiro do profeta. É uma narração intensa, cheia de ternura, na qual se desfaz um pouco a dureza de carácter que distinguia Elias. De certa forma, o profeta aprende – e também nós, sugeriu o padre Secondin, deveríamos aprender «a oferecer abraços de esperança e de ternura» - do seu discípulo que é afetuoso e paciente.

O retiro quaresmal começou, no último domingo, 22, quando Francisco e a Cúria Romana seguiram para Ariccia, cidade italiana, para a Casa Divino Mestre, da família paulina. As reflexões foram sobre o tema “Servidores e profetas do Deus vivo”, fazendo uma leitura pastoral do profeta Elias.

O pregador do retiro, padre carmelita Bruno Secondin, explicou o porquê da escolha:

“Elias é um profeta que caminha, que vive a sua missão nas fronteiras. Move-se para o Sinai, depois vai ao Líbano. Então, é um profeta em caminho. Parecia-me muito adequado justamente para este momento e este pontificado: a figura de um profeta – que depois é o grande entre os profetas – que, porém, vive a sua missão enfrentando aqui e ali, de improviso, uma experiência de Deus, de chamado à aliança, à fidelidade. Então me pareceu uma figura muito interessante”.

Uma oração pelos cristãos perseguidos na Síria, no Iraque e no mundo. Com esta intenção, o Papa Francisco celebrou a Missa de conclusão do retiro quaresmal.

Com o fim do retiro, o Papa e a Cúria Romana retomam suas atividades normais.

Neste sábado o Papa retomou suas mensagens no twitter, após o retiro da Curia Romana em Ariccia na Italia:

28/02/2015
Jesus intercede por nós, todos os dias. Rezemos: Senhor, tende piedade de mim; intercedei por mim.

A Igreja e a sociedade

O tema da Campanha da Fraternidade desse ano “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), escolhido para recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé na sociedade, como sal da terra e luz do mundo, é propício para excelentes reflexões. Mas, infelizmente, pode também ser usado para favorecer a ideologias heterodoxas. A Igreja não é uma entidade apenas ou simplesmente filantrópica ou política. Ela vai muito além do corpo e da visão terrestre.

Em sua mensagem, o Papa Francisco recorda o principal da Quaresma, nossa união e identificação com Cristo, e a sua consequência, identificarmo-nos com os irmãos: “Um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo”. Como consequência, aprendemos que “neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações, porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. ‘Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria’ (1 Cor 12, 26)”.

Entre as manipulações possíveis do tema, está a de querer ressuscitar o viés marxista da Teologia da Libertação. Essa ideologia teológica surgiu como reação às escravidões sociais e econômicas, que todos lamentamos, mas muitas vezes enfatizou demasiadamente a linha social em detrimento da espiritual, tentando reduzir o Evangelho da salvação a um evangelho terrestre e, pior, dentro de uma análise marxista, com rejeição da doutrina social da Igreja.

Ao receber Bispos do Brasil em visita ad limina, em dezembro de 2009, o Papa Bento XVI recordou a “Instrução Libertatis nuntius da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre alguns aspectos da teologia da libertação, que sublinha o perigo que comportava a aceitação acrítica, realizada por alguns teólogos, de tese e metodologias provenientes do marxismo”. Bento XVI advertiu que as sequelas da teologia marxista da libertação “mais ou menos visíveis de rebelião, divisão, desacordo, ofensa, anarquia, ainda se fazem sentir, criando em suas comunidades diocesanas um grande sofrimento e grave perda de forças vivas”. Por essa razão, o Santo Padre exortou “aos que de algum modo se sintam atraídos, envolvidos e afetados no íntimo por certos princípios enganosos da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida Instrução, acolhendo a luz benigna que a mesma oferece com mão estendida”. 

No Credo do Povo de Deus, Paulo VI exprimiu bem o pensamento equilibrado da Igreja: “Nós professamos que o Reino de Deus iniciado aqui na Terra, na Igreja de Cristo, não é deste mundo, cuja figura passa, e que seu crescimento próprio não se pode confundir com o progresso da civilização..., mas consiste em conhecer cada vez mais profundamente as insondáveis riquezas de Cristo, em esperar cada vez mais corajosamente os bens eternos, em responder cada vez mais ardentemente ao amor de Deus e em difundir cada vez mais amplamente a graça e a santidade entre os homens. Mas é este mesmo amor que leva a Igreja a preocupar-se constantemente com o bem temporal dos homens,... suas necessidades, alegrias e esperanças, seus sofrimentos e seus esforços...”.
Dom Fernando Rifan

No Angelus Papa convida a entrar sem medo no deserto, local de combate espiritual

Cidade do Vaticano (RV) 22.fevereiro.2015 – Neste 1º Domingo da Quaresma o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontíficio para rezar, com os milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro, a oração mariana do Angelus. A Liturgia do dia inspirou a reflexão do Pontífice sobre as lutas vividas durante o tempo Quaresmal, “tempo do combate espiritual contra o espírito do mal”. “No deserto – disse ele - podemos descer em profundidade aonde se joga verdadeiramente o nosso destino, a vida ou a morte”.

“Queridos irmãs e irmãs

Quarta-feira passada, com o rito das Cinzas, teve início a Quaresma e hoje é o primeiro Domingo deste tempo litúrgico que faz referência aos quarenta dias que Jesus passou no deserto, após o Batismo no Rio Jordão. São Marcos escreve no Evangelho de hoje: “O Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre animais selvagens, e os anjos o serviam”

Com estas breves palavras o evangelista descreve a prova enfrentada voluntariamente por Jesus, antes de iniciar sua missão messiânica. É uma prova da qual o Senhor sai vitorioso e que o prepara a anunciar o Evangelho do Reino de Deus. Ele, naqueles quarenta dias de solidão, enfrentou satanás “corpo a corpo”, desmascarou as suas tentações e o venceu. E nele todos vencemos, mas nós devemos proteger esta vitória no nosso dia-a-dia.

A Igreja nos faz recordar tal mistério no início da Quaresma, porque isto nos dá a perspectiva e o sentido deste tempo, que é o tempo do combate - na Quaresma se deve combater - um tempo de combate espiritual contra o espírito do mal. E enquanto atravessamos o deserto quaresmal, nós temos o olhar dirigido à Páscoa, que é a vitória definitiva de Jesus contra o Maligno, contra o pecado e contra a morte. Eis então o significado deste primeiro Domingo da Quaresma: colocar-nos decididamente no caminho de Jesus, o caminho que conduz à vida. Olhar Jesus, o que fez Jesus e seguir com Ele.

Este caminho de Jesus passa pelo deserto. O deserto é o lugar onde se pode escutar a voz de Deus e a voz do tentador. No barulho, na confusão, isto não pode ser feito; ouve-se somente vozes superficiais. Pelo contrário, no deserto, podemos descer em profundidade onde se joga verdadeiramente o nossos destino, a vida ou a morte. E, como ouvimos a voz de Deus? A ouvimos na sua Palavra. Por isto é importante conhecer as Escrituras, pois, de outra maneira, não sabemos responder às insídias do maligno. E aqui gostaria de retornar ao meu conselho para ler a cada dia o Evangelho: cada dia ler o Evangelho, meditá-lo, um pouquinho, dez minutos, e levá-los empre conosco, no bolso, na bolsa..Mas ter sempre o Evangelho à mão; O deserto quaresmal nos ajuda a dizer não à mundanidade, aos ídolos, nos ajuda a fazer escolhas corajosas conforme o Evangelho e a reforçar a solidariedade com os irmãos.

Então entremos no deserto sem medo, porque não estamos sozinhos: estamos com Jesus, com o Pai e com o Espírito Santo. Assim como foi para Jesus, é justamente o Espírito Santo que nos guia no caminho quaresmal, o mesmo Espírito descido sobre Jesus e que nos é dado no batismo. A Quaresma, por isto, é um tempo propício que deve nos levar a tomar sempre mais consciência do quanto o Espírito Santo, recebido no Batismo, operou e pode operar em nós. E ao final do itinerário quaresmal, na Vigília Pascal, poderemos renovar com maior consciência a aliança batismal e os compromissos que dela derivam.

Que a Virgem Santa, modelo de docilidade ao Espírito, nos ajude a deixar-nos conduzir por Ele, que quer fazer de cada um de nós “uma nova criatura”.

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Após rezar a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco doou aos presentes na Praça São Pedro um pequeno livro de bolso, intitulado “Guarde o coração”, com subsídios para bem viver a Quaresma. A distribuição foi feita por voluntários, entre os quais cerca de 100 sem-teto.

“Este livrinho recolhe alguns ensinamentos de Jesus e os conteúdos essenciais de nossa fé, como por exemplo, os Sete Sacramentos, os dons do Espírito Santo, os dez mandamentos, as virtudes, as obras de misericórdia.....Agora os voluntários os distribuirão, entre os quais, numerosos sem-teto, que vieram em peregrinação. E como sempre também hoje aqui na Praça estão aqueles que passam necessidades, são eles mesmos a nos trazer esta grande riqueza, a riqueza de nossa doutrina, para guardar o coração. Cada um pegue um livrinho e leve consigo, como ajuda para a conversão e o crescimento espiritual, que parte sempre do coração: alí onde se joga a partida das escolhas cotidianas entre o bem e o mal, entre mundanidade e Evangelho, entre indiferença e partilha. A humanidade tem necessidade de justiça, de paz, de amor e poderá ter isto somente retornando com todo o coração a Deus, que é a fonte de tudo isto. Peguem o livro, leiam-o todos”.

 “Nós devemos nos tornar cristãos corajosos”, e a coragem, é uma ação do coração. A etimologia, de fato, ensina que coragem vem do latim ‘cor’, coração. Assim, o programa traçado pelo Papa Francisco nas trinta páginas do pequeno livro, salienta que para se tornar corajosos, os cristãos devem partir do coração.

E na Quaresma, de fato, ressoa todo apelo à conversão da vida, a partir do coração, alí onde se joga a partida das escolhas concretas, cotidianas, entre o bem e o mal, entre mundanidade e Evangelho, entre indiferença e partilha, entre fechamento egoísta e generosa abertura a Deus e ao próximo.

Nesta perspectiva, a publicação apresenta alguns aspectos do ensinamento de Jesus aos discípulos, tirados dos capítulos 5 a 7 de Matheus, como as Bem-aventuranças, sede perfeitos, o perdão, acumular tesouros no céu, não julgar, a regra de ouro, fazer a vontade do Pai, entre outros.

São apresentadas também as fórmulas essenciais da fé professada, celebrada e praticada como o Credo, as virtudes teologais, os Sacramentos, os mandamentos, as obras de misericórdia corporal e espiritual, as quatro virtudes cardeais e os sete vícios capitais, tudo com breves explicações do Catecismo da Igreja Católica.

Entre os Sacramentos, a Confissão ocupa um lugar de destaque nas últimas páginas, servindo como um precioso auxílio. Através de trinta e quatro interrogações sobre o mal cometido e o bem omitido em relação a Deus, ao próximo e a si mesmo, é ilustrado o porquê confessar-se, como confessar-se e o que confessar, percurso concluído com a apresentação de um exame de consciência e o Ato de Contrição.

Guarde bem o teu coração! “Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro”, diz o Papa Francisco em sua Mensagem para a Quaresma 2015.

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O Papa Francisco segue logo mais à tarde neste domingo, 22, para a cidade de Ariccia, a 40 km de Roma, para os exercícios espirituais de Quaresma. Participam das reflexões, que vão de 22  a 27 de fevereiro, o Santo Padre e membros da Cúria Romana.

As meditações de hoje estão previstas para começar às 18h (horário em Roma, 14h em Brasília) com a Adoração Eucarística e a recitação das Vésperas.

As reflexões do retiro espiritual, que acontece todos os anos, serão conduzidas pelo Carmelita Bruno Secondin. O tema abordado será “Servidores e profetas do Deus vivo”, fazendo uma leitura pastoral do profeta Elias.

Como no ano passado, os exercícios espirituais da Quaresma serão realizados fora do Vaticano, o que segue uma tradição jesuíta (ordem religiosa à qual Francisco pertence) de fazer a reflexão fora do lugar de trabalho ou onde se vive.

Por ocasião do retiro quaresmal, todas as audiências privadas e especiais com o Santo Padre são suspensas, incluindo a tradicional catequese de quarta-feira na Praça São Pedro.

Papa renova apelo a mafiosos: "Abram seus corações ao Senhor!"

Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre recebeu, no final da manhã deste sábado, 21.fevereiro.2015, na Sala Paulo VI, cerca de sete mil peregrinos da Diocese de Cassano no Jônio, na região calabresa, no sul da Itália.

Antes da audiência pontifícia, os numerosos peregrinos participaram, sempre na Sala Paulo VI, de uma Santa Missa, celebrada pelo seu bispo, Dom Nuncio Galantino.

Entre os sete mil peregrinos de Cassano no Jônio estavam presentes representantes da “Comunidade Emmanuel”, com alguns Voluntários de Cerignola. Alguns fiéis expuseram ao Papa suas experiências pessoais feitas nos seus respectivos territórios.

Quando o Santo Padre entrou na Sala Paulo VI, os numerosos fiéis e peregrinos da Calábria o saudaram com afeto e alegria, cantando: “Papa Francisco é um de nós”...

O Santo Padre dirigindo, inicialmente, uma saudação particular à “Comunidade Emmanuel”, que nasceu pelo desejo de “dar vida com a vida” aos que batiam à sua porta. Aqui, o Santo Padre agradeceu ao seu fundador, Padre Mário Marafioti, e encorajou a comunidade a continuar a acolher o “Cristo sofredor”.

Tal acolhida, acrescentou o Pontífice, é fruto de um estilo de apostolado baseada na oração fervorosa e em intensa vida comunitária. Disso nasceram os Centros de Acolhida e de Escuta, as Casas-família, na Itália e no Exterior, como também as Associações, entre os quais os Voluntários de Cerignola.

Em seu pronunciamento, O Papa Francisco não deixou de recordar a sua visita à Calábria, onde teve a oportunidade de encontrar os presos, os enfermos, o clero, os seminaristas, os anciãos. E o Papa afirmou:

“Pude tocar com a mão a fé e a caridade de vocês. Que o Senhor os ajude a caminha sempre unidos, nas paróquias e nas associações, guiados pelo Bispos Galantino e os sacerdotes; os ajude a ser comunidades acolhedoras, levando a Cristo aqueles que não conseguem perceber a sua presença que salva”.

Aqui, o Bispo de Roma recordou o pensamento que sugeriu aos calabrês, quando da sua visita: “Quem ama Jesus, quem ouve e acolhe a sua Palavra e quem responde com sinceridade o chamado do Senhor, jamais pode produzir más obras; o cristão nunca pode violar a dignidade das pessoas, nunca pode cometer gestos de violência contra o irmão e o ambiente. E recordou ainda:

“Os gestos exteriores de religiosidade não são suficientes para convencer aqueles que, com maldade e arrogância típica das associações de delinquentes, fazem da ilegalidade o seu estilo de vida. A todos os que escolheram o caminho do mal e são afiliados às organizações mafiosas renovo meu convite à conversão. Abram seus corações ao Senhor. O Senhor os espera e a Igreja os acolhe”.

Por fim, o Papa falou da beleza da terra calabresa, que é um dom de Deus e um patrimônio a ser conservado e transmitido às futuras gerações.

Entre tais belezas daquela terra, o Pontífice citou a “Comunidade Emmanuel”, exemplo de acolhida e de partilha com os mais fracos. Nela, jovens devastados pela droga encontraram o “bom samaritano” para sarar suas feridas. A Igreja reconhece este precioso serviço prestado aos mais necessitados da sociedade.

O Santo padre concluiu seu discurso exortando as comunidade calabresas a serem protagonistas de solidariedade; a não cederam diante dos que semeiam egoísmo, violência e injustiça; a oporem-se à cultura da morte, mas a serem testemunhas do Evangelho da Vida, em um ambiente que apresenta tantas formas de pobreza e induz ao desespero tantos jovens e famílias.

Também neste sábado, o Santo Padre escreveu em seu Twitter:

21/02/2015
Não há pecado que Deus não possa perdoar. Basta que Lhe peçamos perdão.

Papa: o verdadeiro jejum vem do coração

Cidade do Vaticano, 20.fevereiro.2015 (RV) – Os cristãos, especialmente na Quaresma, são chamados a viver coerentemente o amor a Deus e o amor ao próximo. Este é um dos trechos da homilia que Francisco pronunciou na Missa celebrada na manhã desta sexta-feira na Casa Santa Marta.

O Papa se inspirou na primeira Leitura extraída do Livro de Isaías, em que o povo se lamenta a Deus por não ouvir seus jejuns. Para o Pontífice, é preciso distinguir entre “o formal e o real”. Ou seja, de que adianta jejuar, não comer carne, e depois brigar ou explorar os funcionários? Eis o motivo pelo qual Jesus condenou os fariseus, porque faziam “tantas observações exteriores, mas sem a verdade do coração”.

O amor a Deus e ao homem estão unidos

O jejum que Jesus quer, ao invés, é o que desfaz as cadeias injustas, liberta oprimidos, veste quem está nu, faz justiça. “Este é o verdadeiro jejum – reiterou o Papa – o jejum que não é somente exterior, uma lei externa, mas deve vir do coração”:

“E nas tábuas da lei há o preceito em relação a Deus, em relação ao próximo e os dois estão juntos. Eu não posso dizer: “Mas, não, eu cumpro os primeiros três mandamentos... e os outros mais ou menos”. Não, se não cumpre estes, não pode cumprir aqueles, e se cumpre este, deve cumprir aquele. Estão unidos: o amor a Deus e o amor ao próximo são uma unidade e se quiser fazer penitência, real e não formal, deve fazê-la diante de Deus e também com o seu irmão, com o próximo”.

Usar Deus para cobrir a injustiça

Pode-se ter tanta fé, prosseguiu, mas – como diz o Apóstolo Tiago – se “não realiza obras, é morta, para que serve?”. Assim, se alguém vai à Missa todos os domingos e comunga, pode-se perguntar: “E como é a sua relação com seus funcionários? Os paga de maneira irregular? Dá a eles um salário justo? Paga também as taxas para a aposentaria? Para a assistência de saúde?”.

“Quantos homens e mulheres têm fé mas dividem as tábuas da lei: ‘Sim, eu faço isso... mas você dá esmolas? Sim, sim, sempre mando um cheque para a Igreja. Ah, então tá... Mas na tua Igreja, na tua casa, com quem depende de você (filhos, avós, funcionários), você é generoso, é justo? Não se pode fazer ofertas à Igrejas e pelas costas, ser injusto com seus funcionários. Este é um pecado gravíssimo: usar Deus para cobrir a injustiça”.

“E isto – retomou o Papa – é aquilo que o profeta Isaias, em nome do Senhor, nos explica”: “Não é um bom cristão quem não faz justiça com as pessoas que dependem dele”. E não é um bom cristão aquele que não se despoja de algo necessário para dar ao próximo, que precisa”.

O caminho da Quaresma é “este, é duplo: a Deus e ao próximo. É real, não simplesmente formal. Não é somente deixar de comer carne sexta-feira, fazer alguma coisinha e depois, deixar aumentar o egoísmo, a exploração do próximo, a ignorância dos pobres”.

“Alguns – contou o Papa – quando precisam se curar vão ao hospital, e por ter um plano de saúde, obtém a consulta rápido. “É uma coisa boa – comentou Francisco – agradeça ao Senhor. Mas, diga-me, você pensou naqueles que não têm esta facilidade e quando vão ao hospital devem esperar 6, 7, 8 horas para uma coisa urgente”.

Na Quaresma, abramos espaço no coração para quem errou

E existe quem, aqui em Roma, que pensa nisso na Quaresma “O que posso fazer pelas crianças, pelos idosos que não têm possibilidade de ter uma consulta com um médico?; que esperam horas e horas e depois têm que voltar uma semana depois?”.

“Como será a tua Quaresma?, pergunta Francisco. “Graças a Deus tenho uma família que cumpre os mandamentos, não temos problemas...”. Mas nesta Quaresma – pergunta o Papa – em seu coração existe ainda lugar para quem não cumpriu os mandamentos? Que cometeram erros e estão encarcerados?”.

“Mas eu, com aquela gente não... Mas você não está preso: se não está no cárcere é porque o Senhor te ajudou a não cair. Em seu coração os presos têm um lugar? Você reza por eles, para que o Senhor lhes ajude a mudar de vida? Acompanha, Senhor, o nosso caminho quaresmal, para que a observância exterior corresponda a uma profunda renovação espiritual. Assim rezamos; que o Senhor nos dê esta graça”.

Eis a mensagem do tweet do Papa Francisco:

20/02/2015
Os sacramentos são a manifestação da ternura e do amor do Pai por cada um de nós.

Papa: feliz é o homem que confia em Deus



Cidade do Vaticano, 19.fevereiro.2015 (RV) – Em cada circunstância da vida, o cristão deve escolher Deus: foi o que disse o Papa ao comentar as leituras do dia durante a Missa matutina celebrada na Casa Santa Marta.

No centro da liturgia e da reflexão de Francisco, está um trecho da Bíblia em que Deus diz a Moisés: “Eis que hoje estou colocando diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade. Ouves os mandamentos de Javé, teu Deus, que hoje te ordeno, de andar em seus caminhos”.

Servidores dos deuses que não contam

A escolha de Moisés, afirmou Francisco, é aquela que o cristão deve fazer todos os dias. E é uma escolha difícil. “É mais fácil – reconheceu – viver deixando-se levar pela inércia da vida, pelas situações, pelos hábitos.” No fundo, é mais fácil se tornar o servidor de “outros deuses”:

“Escolher entre Deus e os outros deuses, que não têm o poder de nos dar nada, somente pequenas coisas que passam. E não é fácil escolher, nós temos sempre este hábito de ir onde as pessoas vão, como todos fazem. Como todos. Todos e ninguém. E hoje a Igreja nos diz: ‘Mas, pare! Pare e escolha. É um bom conselho. E hoje nos fará bem parar e, durante o dia, pensar um pouco: como é o meu estilo de vida? Por quais caminhos eu ando?”.

E com esta pergunta, prosseguiu Francisco, escavar mais profundamente e perguntar-se também qual é a minha relação com Deus, com Jesus. A relação com os pais, os irmãos, a mulher e o marido, os filhos. E aqui o Papa comenta o Evangelho do dia, quando Jesus explica aos discípulos que um homem “que ganha o mundo inteiro, mas se perde e arruína a si mesmo” não obtém qualquer “vantagem”:

Monumento aos fracassados

“Um caminho errado é o de procurar sempre o próprio sucesso, os próprios bens, sem pensar no Senhor e sem pensar na família. Estas duas questões: como é a minha relação com Deus, e como é a minha relação com a família. Uma pessoa pode ganhar tudo, mas no final, se tornar um fracassado. Fracassar. Aquela vida é uma falência. ‘Fizeram-lhe um monumento, pintaram um quadro para ele...’. Mas fracassou, não soube escolher direito entre a vida e a morte”.

Não escolhemos sozinhos

Vamos nos perguntar, insiste Papa Francisco, qual é a ‘velocidade da minha vida’, se ‘reflito sobre as coisas que faço’; e peçamos a graça de ter ‘a pequena coragem’ necessária para escolher, cada vez. Pode nos ajudar o ‘conselho tão bonito’ do Salmo 1:

“Feliz é o homem que confia no Senhor”. Quando o Senhor nos dá este conselho ‘Pára decide, decide’, Ele não nos deixa sozinhos. Está conosco e quer nos ajudar. Temos somente que confiar, ter confiança Nele. ‘Feliz o homem que confia no Senhor’. Hoje, quando nós paramos para pensar nestas coisas e tomar decisões, escolher, sabemos que o Senhor está conosco, ao nosso lado para nos ajudar. Nunca nos deixa ir sozinhos, jamais. Está sempre conosco, inclusive no momento das decisões”.

Tambem nesta quinta-feira, primeira da Quaresma, o Santo Padre twittou:

19/02/2015
Onde existem homens e mulheres que consagraram a Deus a sua vida, há alegria.
Papa ao Brasil: não ser indiferente às necessidades de quem sofre



O Papa Francisco enviou aos fiéis de todo o Brasil uma mensagem por ocasião do início da Quaresma e da Campanha da Fraternidade 2015. Eis a íntegra da mensagem:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Aproxima-se a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa: tempo de penitência, oração e caridade, tempo de renovar nossas vidas, identificando-nos com Jesus através da sua entrega generosa aos irmãos, sobretudo aos mais necessitados. Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, inspirando-se nas palavras d’Ele «O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos» (Mc 10,45), propõe como tema de sua habitual Campanha «Fraternidade: Igreja e Sociedade».

De fato a Igreja, enquanto «comunidade congregada por aqueles que, crendo, voltam o seu olhar a Jesus, autor da salvação e princípio da unidade» (Const. Dogmática Lumen gentium, 3), não pode ser indiferente às necessidades daqueles que estão ao seu redor, pois, «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo» (Const. Pastoral Gaudium et spes, 1). Mas, o que fazer? Durante os quarenta dias em que Deus chama o seu povo à conversão, a Campanha da Fraternidade quer ajudar a aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a Sociedade - propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II - como serviço de edificação do Reino de Deus, no coração e na vida do povo brasileiro.

A contribuição da Igreja, no respeito pela laicidade do Estado (cfr. Idem, 76) e sem esquecer a autonomia das realidades terrenas (cfr. Idem, 36), encontra forma concreta na sua Doutrina Social, com a qual quer «assumir evangelicamente e a partir da perspectiva do Reino as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser humano» (Documento de Aparecida, 384). Isso não é uma tarefa exclusiva das instituições: cada um deve fazer a sua parte, começando pela minha casa, no meu trabalho, junto das pessoas com quem me relaciono. E de modo concreto, é preciso ajudar aqueles que são mais pobres e necessitados. Lembremo-nos que «cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo» (Exort. Apost. Evangelii gaudium, 187), sobretudo sabendo acolher, «porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo - não ficamos mais pobres, mas enriquecemos» (Discurso na Comunidade de Varginha, 25/7/2013). Assim, examinemos a consciência sobre o compromisso concreto e efetivo de cada um na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica.

Queridos irmãos e irmãs, quando Jesus nos diz «Eu vim para servir» (cf. Mc 10, 45), nos ensina aquilo que resume a identidade do cristão: amar servindo. Por isso, faço votos que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, predisponha os corações para a vida nova que Cristo nos oferece, e que a força transformadora que brota da sua Ressureição alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural e fortaleça em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. A todos e a cada um, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envio de todo coração a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 2 de fevereiro de 2015.

[Franciscus PP.]

Encontro do Papa com o clero romano: vida de oração e Eucaristia



Cidade do Vaticano,
19.fevereiro.2015  (RV) – O Papa Francisco recebeu, na manhã desta quinta-feira, na Sala Paulo VI, no Vaticano, os párocos da Diocese de Roma.

Segundo o Vigário do Papa para a Diocese de Roma, Cardeal Agostino Vallini, no encontro anual com os Párocos, o Santo Padre pronunciou um discurso espontâneo e respondeu a algumas perguntas dos sacerdotes.

O tradicional encontro do Bispo de Roma com o clero romano teve como tema central a “ars celebrandi”, a arte de celebrar, ou seja, de modo particular sobre a homilia na celebração Eucarística. O assunto tratado refere-se à Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”.

Com efeito, os sacerdotes se prepararam para este encontro anual com o Papa mediante a leitura de um texto que o então Cardeal Bergoglio fez, em 2005, aos membros da Congregação para o Culto Divino, sobre a “Ars celebrandi”.

Em tal pronunciamento o futuro Papa ressaltava a necessidade de um sacerdote meditar sobre o sentido do mistério da celebração Eucarística, para depois comunicá-lo à comunidade de fiéis, de modo a conformar-se com ele. Isto, porém, dizia o Cardeal Bergoglio, requer uma fé viva e nutrida e um firme espírito de oração.

No entanto, disse o então Cardeal, uma firme vida de oração, acompanhada de uma “leadership” humilde, mas incisiva, pode levar o povo de Deus a intuir, que ele é um sacerdote que sabe viver a liturgia e, sobretudo, revestir-se do Senhor Jesus.

O futuro Papa Francisco frisava ainda, em seu pronunciamento, que a celebração Eucarística não é um “ato de caridade”, mas um “ato de justiça” que o pastor faz ao seu rebanho. Logo, a sua homilia não deve ser, simplesmente, uma leitura, um anúncio ou uma pregação, mas uma oração sincera, que toca o coração.

Enfim, o Cardeal Bergoglio sugeria evitar alguns comportamentos como aquele de um padre “showman”, que investe suas energias em uma espécie de animação superficial; ou então um padre com a “síndrome de Marta”, ou seja, sempre ocupado com tantas atividades, que não dispõem de tempo suficiente para uma digna celebração da Eucaristia.

A respeito da audiência do Papa com o clero romano, eis o que nos disse o Cardeal Vigário para a Diocese de Roma, Agostino Vallini, que fez uma saudação ao Papa, em nome dos sacerdotes presentes::

“Foi uma manhã muito bela e enriquecedora, que catalizou a atenção dos sacerdotes presentes neste encontro, aos quais se acrescentam sempre outros sacerdotes e estudantes de Universidades Pontifícias. O Santo Padre ressaltou em suas palavras espontâneas que o sacerdote deve estar ciente de ser ministro de Cristo, colaborador da experiência do mistério divino, mediante uma profunda vida espiritual. A celebração eucarística de um sacerdote deve brotar de uma vida de fé e do serviço ao povo de Deus, evitando certos extremismos. Este encontro foi uma ocasião para aprofundar e melhorar a qualidade do nosso ministério sacerdotal”.


Cinzas para um novo tempo

Hoje, quarta-feira de Cinzas, começa o importante tempo litúrgico da Quaresma, no qual a Igreja almeja que nos unamos mais intimamente ao Mistério Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, mistério que inclui sua Paixão, sua morte e sua gloriosa Ressurreição.

“Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um ‘tempo favorável’ de graça (cf. 2 Cor 6, 2)”, nos explica o Papa Francisco em sua Mensagem, onde nos ensina a imitar o amor carinhoso e zeloso de Deus para conosco. “Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa conosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem!”

Para vencer essa nossa indiferença, a Igreja instituiu o tempo da Quaresma, onde ouvimos a voz dos profetas para nos despertar do nosso comodismo. “A Deus não Lhe é indiferente o mundo”, nos lembra o Papa, “mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem”.

“Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação: 1. ‘Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros’ (1 Cor 12, 26); 2. ‘Onde está o teu irmão?’ (Gn 4, 9); 3. ‘Fortalecei os vossos corações’ (Tg 5, 8)”.

“Por isso, amados irmãos e irmãs”, finaliza o Papa, “nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença”.

No Brasil, a Campanha da Fraternidade, que acontece na Quaresma, tem como finalidade unir as exigências da conversão, da oração e da penitência com algum projeto social, na intenção de renovar a vida da Igreja e ajudar a transformar a sociedade, a partir de temas específicos, tratados sob a visão cristã, convocando os cristãos a uma maior participação nos sofrimentos de Cristo, vendo-o na pessoa do próximo, especialmente dos mais necessitados da nossa ajuda. A Campanha da Fraternidade desse ano tem como tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e como lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), para recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé na sociedade, como sal da terra e luz do mundo.
Dom Fernando Rifan

Papa: "Pedir o dom das lágrimas para uma conversão sem hipocrisia"



Cidade do Vaticano, 18.fevereiro.2015 (RV) – Na tarde desta Quarta-feira de Cinzas, dia de início da Quaresma, realizou-se uma assembleia de oração na forma das “Estações” romanas, presidida pelo Papa Francisco. A cerimônia teve início às 16h30 na Igreja de Santo Anselmo no Aventino, com um momento de oração, seguido pela procissão penitencial até a Basílica de Santa Sabina. Participaram Cardeais, Arcebispos, Bispos, Monges Beneditinos de Santo Anselmo, os Padres Dominicanos de Santa Sabina e alguns fiéis. Ao final da procissão, o Santo Padre presidiu a celebração da Eucaristia com o rito da bênção e imposição das cinzas.

Homilia:
Como povo de Deus começamos hoje o caminho da Quaresma, tempo em que procuramos nos unir mais estreitamente ao Senhor Jesus Cristo, para partilhar o mistério da sua paixão e da sua ressurreição.

A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas nos propõe antes de tudo o trecho do profeta Joel, enviado por Deus para chamar o povo à penitência e à conversão, por causa de uma calamidade (uma invasão de gafanhotos) que devasta a Judeia. Somente o Senhor pode salvar do flagelo e precisa então suplicá-lo com orações e jejuns, confessando o próprio pecado.

O profeta insiste na conversão interior: “retorneis a mim com todo o coração” (2, 12). Retornar ao Senhor “com todo o coração” significa tomar o caminho de uma conversão não superficial e transitória, mas sim um itinerário espiritual que diz respeito ao lugar mais íntimo da nossa pessoa. O coração, de fato, é a sede dos nossos sentimentos, o centro em que amadurecem as nossas escolhas, as nossas atitudes.

Aquele “retorneis a mim com todo o coração” não envolve somente os indivíduos, mas se estende a toda a comunidade, é uma convocação dirigida a todos: “congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito” (v. 16).

O profeta se concentra em particular na oração dos sacerdotes, fazendo observar que deve ser acompanhada pelas lágrimas. Fará bem a nós, a todos, mas especialmente a nós sacerdotes, pedir no início desta Quaresma o dom das lágrimas, de forma a tornar a nossa oração e o nosso caminho de conversão sempre mais autêntico e sem hipocrisia. Fará bem a nós fazer esta pergunta: eu choro? O Papa chora? O cardeal chora? Os bispos choram? Os consagrados choram? Os sacerdotes choram? O pranto está nas nossas orações?

É justamente essa a mensagem do Evangelho do dia. No trecho de Mateus, Jesus relê as três obras de piedade previstas pela lei mosaica: a esmola, a oração e o jejum, distingue-os, o fato externo, o fato interno, aquele chorar do coração. Ao longo do tempo, estas prescrições foram corroídas pelo formalismo exterior, ou então se mudaram em um sinal de superioridade social. Jesus coloca em evidência uma tentação comum nestas três obras, que se pode resumir justamente na hipocrisia (a nomeia bem três vezes): “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles… Quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas…Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens…E quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas” (Mt 6,1.2.5.16). Sabem, irmãos, que os hipócritas não sabem chorar, esqueceram como se chora, não pedem o dom das lágrimas.

Quando se realiza algo de bom, quase instintivamente nasce em nós o desejo de ser estimados e admirados por esta boa ação, para obter uma satisfação. Jesus nos convida a realizar estas obras sem ostentação alguma e a confiar unicamente na recompensa do Pai “que vê no segredo” (Mt 6,4.6.18).

Queridos irmãos e irmãs, o Senhor nunca se cansa de ter misericórdia de nós, e quer nos oferecer uma vez mais o seu perdão, todos precisamos disso, convidando-nos a voltar a Ele com um coração novo, purificado do mal, purificado pelas lágrimas, para tomar parte da sua alegria. Como acolher este convite? Sugere isso São Paulo na Segunda Leitura do dia: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20). Este esforço de conversão não é somente uma obra humana, é deixar-se reconciliar. A reconciliação entre nós e Deus é possível graças à misericórdia do Pai que, por amor a nós, não hesitou em sacrificar o seu Filho unigênito. De fato, o Cristo, que era justo e sem pecado, por nós foi feito pecado (v.21) quando na cruz foi encarregado dos nossos pecados e assim nos redimiu e justificou diante de Deus. “Nele” nós podemos nos tornar justos, Nele podemos mudar, se acolhemos a graça de Deus e não deixamos passar em vão o “momento favorável” (6, 2). Por favor, paremos, paremos um pouco e nos deixemos reconciliar com Deus.

Com essa consciência, começamos confiantes e alegres o itinerário quaresmal. Maria Mãe,  Imaculada, sem pecado, apoie o nosso combate espiritual contra o pecado, acompanhe-nos neste momento favorável, para que possamos alcançar e cantar juntos a exultação da vitória na Páscoa da Ressurreição.

E como sinal de querer nos deixarmos reconciliar com Deus, em público cumpriremos o gesto da imposição das cinzas sobre a cabeça. O celebrante pronuncia estas palavras: “Recorda-te que és pó e ao pó  retornarás” (cfr Gen 3, 19), ou repete a exortação de Jesus: “Convertei-vos e acreditais no Evangelho” (cfr Mc 1, 15). Ambas as fórmulas constituem um chamado à verdade da existência humana: somos criaturas limitadas, pecadores sempre necessitados de penitência e conversão. Quanto é importante escutar e acolher tal chamado neste nosso tempo! O convite à conversão é então um empurrão a voltar, como fez o filho da parábola, aos braços de Deus, Pai terno e misericordioso, a chorar naqueles braços, a confiar Nele e se confiar a Ele.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé
Audiência: ser irmãos é escola de liberdade e de paz



Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, na Audiência Geral o Papa Francisco propôs uma catequese sobre os irmãos:


Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

No nosso caminho de catequeses sobre família, depois de ter considerado o papel da mãe, do pai, dos filhos, hoje é a vez dos irmãos. “Irmão” e “irmã” são palavras que o cristianismo ama muito. E, graças à experiência familiar, são palavras que todas as culturas e todas as épocas compreendem.

A ligação fraterna tem um lugar especial na história do povo de Deus, que recebe a sua revelação no vivo da experiência humana. O salmista canta a beleza da ligação fraterna: “Eis como é belo e como é doce que os irmãos vivam juntos!” (Sal 132, 1). E isto é verdade, a fraternidade é bonita! Jesus Cristo levou à sua plenitude também esta experiência humana de ser irmãos e irmãs, assumindo-a no amor trinitário e potencializando-a de forma que vá bem além das ligações de parentesco e possa superar todo muro de estranheza.

Sabemos que quando a relação fraterna se arruína, quando se arruína as relações entre irmãos, se abre o caminho a experiências dolorosas de conflito, de traição, de ódio. A passagem bíblica de Caim e Abel constitui o exemplo deste êxito negativo. Depois do assassinato de Abel, Deus pergunta a Caim: “Onde está Abel, o teu irmão?”(Gen 4,9a). É uma pergunta que o Senhor continua a repetir a cada geração. E, infelizmente, não cessa de se repetir também a dramática resposta de Caim: “Não sei. Sou talvez eu o protetor do meu irmão?” (Gen 4,9b).  A quebra do vínculo entre irmãos é uma coisa bruta e má para a humanidade. Também em família, quantos irmãos brigam por coisas pequenas, ou por uma herança e depois não se falam mais, não se saúdam mais. Isto é ruim! A fraternidade é uma coisa grande, quando se pensa que todos os irmãos habitaram o ventre da mesma mãe durante nove meses, vêm da mesma carne da mãe! E não se pode romper a fraternidade. Pensemos um pouco: todos conhecemos famílias que têm irmãos divididos, que brigaram; peçamos ao Senhor por estas famílias – talvez na nossa família há alguns casos – que os ajude a reunir os irmãos, a reconstituir a família. A fraternidade não deve ser rompida e quando se rompe acontece o que aconteceu com Caim e Abel. Quando o Senhor pergunta a Caim onde está o seu irmão, ele responde: “Mas, eu não sei, a mim não importa o meu irmão”. Isto é bruto, é uma coisa muito dolorosa de ouvir. Nas nossas orações sempre rezemos pelos irmãos que se dividiram.

A ligação de fraternidade que se forma em família entre os filhos, se acontece em um clima de educação à abertura aos outros, é a grande escola de liberdade e de paz. Na família, entre irmãos, se aprende a convivência humana, como se deve conviver em sociedade. Talvez nem sempre somos conscientes disso, mas é justamente a família que introduz a fraternidade no mundo! A partir dessa primeira experiência de fraternidade, alimentada pelos afetos e pela educação familiar, o estilo de fraternidade se irradia como uma promessa sobre toda a sociedade e sobre relações entre os povos.

A benção que Deus, em Jesus Cristo, derrama sobre este vínculo de fraternidade o dilata de um modo inimaginável, tornando-o capaz de ultrapassar toda diferença de nação, de língua, de cultura e até mesmo de religião.

Pensem o que se torna a ligação entre os homens, mesmo muito diferentes entre eles, quando podem dizer do outro: “Este é como um irmão, esta é como uma irmã para mim!”. Isso é belo! A história mostrou o suficiente que, mesmo a liberdade e a igualdade, sem fraternidade, podem se encher de individualismo e de conformismo, também de interesse pessoal.

A fraternidade em família resplandece de modo especial quando vemos a preocupação, a paciência, o afeto de que são circundados o irmãozinho ou a irmãzinha mais frágil, doente ou portador de necessidades especiais. Os irmãos e irmãs que fazem isso são muitos, em todo o mundo, e talvez não apreciamos o suficiente sua generosidade. E quando ou irmãos são tantos na família – hoje, cumprimentei uma família que tem nove filhos – o maior ou a maior ajuda o pai, a mãe a cuidar do menor. E é bonito este trabalho de ajuda entre os irmãos.

Ter um irmão, uma irmã que te quer bem é uma experiência forte, impagável, insubstituível. Do mesmo modo acontece para a fraternidade cristã. Os menores, os mais frágeis, os mais pobres devem nos sensibilizar: têm “direito” de nos tomar a alma e o coração. Sim, esses são nossos irmãos e como tais devemos amá-los e cuidar deles. Quando isso acontece, quando os pobres são como de casa, a nossa própria fraternidade cristã retoma a vida. Os cristãos, de fato, vão ao encontro dos pobres e frágeis não para obedecer a um programa ideológico, mas porque a palavra e o exemplo do Senhor nos dizem que todos somos irmãos. Este é o princípio do amor de Deus e de toda justiça entre os homens. Sugiro a vocês uma coisa: antes de terminar, faltam poucas linhas, em silêncio cada um de nós, pensemos nos nossos irmãos, nas nossas irmãs e em silêncio do coração rezemos por eles. Um instante de silêncio.

Bem, com essa oração levamos todos, irmãos e irmãs, com o pensamento, com o coração, aqui na praça para receber a benção.

Hoje, mais do que nunca, é necessário levar de volta a fraternidade ao centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática: então também a liberdade e a igualdade tomarão suas corretas entonações. Por isso, não privemos as nossas famílias da beleza de uma ampla experiência fraterna de filhos e filhas. E não percamos a nossa confiança na amplitude de horizonte que a fé é capaz de trazer desta experiência, iluminada pela benção de Deus.

Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Este foi o tweet do Papa nesta Quarta-Feira de Cinzas:

18/02/2015
Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores.


Papa convida os jovens a não banalizarem o amor

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus». Este texto extraído do Evangelho de S. Mateus é o tema da XXX Jornada Mundial da Juventude, celebrada em todas as dioceses no Domingo de Ramos (este ano aos 29 de março).

A mensagem foi divulgada nesta terça-feira (17/02/2015), em que o Papa Francisco escolhe como guia as Bem-aventuranças evangélicas. Depois de refletir no ano passado sobre os pobres em espírito, este ano o Papa se dedica à sexta Bem-aventurança: felizes os puros de coração.

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8)

Queridos jovens!

Continuamos a nossa peregrinação espiritual para Cracóvia, onde em Julho de 2016 se realizará a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude. Como guia do nosso caminho escolhemos as Bem-aventuranças evangélicas. No ano passado, reflectimos sobre a Bem-aventurança dos pobres em espírito, inserida no contexto mais amplo do «Sermão da Montanha». Juntos, descobrimos o significado revolucionário das Bem-aventuranças e o forte apelo de Jesus para nos lançarmos, com coragem, na aventura da busca da felicidade. Este ano reflectiremos sobre a sexta Bem-aventurança: «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8).

1. O desejo da felicidade

A palavra «felizes», ou bem-aventurados, aparece nove vezes na primeira grande pregação de Jesus (cf. Mt 5, 1-12). É como um refrão que nos recorda a chamada do Senhor a percorrer, juntamente com Ele, uma estrada que, apesar de todos os desafios, é a via da verdadeira felicidade.

Ora a busca da felicidade, queridos jovens, é comum a todas as pessoas de todos os tempos e de todas as idades. Deus colocou no coração de cada homem e de cada mulher um desejo irreprimível de felicidade, de plenitude. Porventura não sentis que o vosso coração está inquieto buscando sem cessar um bem que possa saciar a sua sede de infinito?

Os primeiros capítulos do livro do Génesis apresentam-nos a felicidade maravilhosa a que somos chamados, consistindo numa perfeita comunhão com Deus, com os outros, com a natureza, com nós mesmos. O livre acesso a Deus, à sua intimidade e visão estava presente no projecto de Deus para a humanidade desde as suas origens e fazia com que a luz divina permeasse de verdade e transparência todas as relações humanas. Neste estado de pureza original, não existiam «máscaras», subterfúgios, motivos para se esconderem uns dos outros. Tudo era puro e claro.

Quando o homem e a mulher cedem à tentação e quebram a relação de confiante comunhão com Deus, o pecado entra na história humana (cf. Gn 3). Imediatamente se fazem notar as consequências inclusive nas suas relações consigo mesmo, de um com o outro, e com a natureza. E são dramáticas! A pureza das origens como que fica poluída. Depois daquele momento, já não é possível o acesso directo à presença de Deus. Comparece a tendência a esconder-se, o homem e a mulher devem cobrir a sua nudez. Privados da luz que provém da visão do Senhor, olham a realidade que os circunda de maneira distorcida, míope. A «bússola» interior, que os guiava na busca da felicidade, perde o seu ponto de referência e as seduções do poder e do ter e a ânsia do prazer a todo o custo precipitam-nos no abismo da tristeza e da angústia.

Nos Salmos, encontramos o grito que a humanidade, desde as profundezas da sua alma, dirige a Deus: «Quem nos dará a felicidade? Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz do vosso rosto!» (Sal 4, 7). Na sua infinita bondade, o Pai responde a esta súplica com o envio do seu Filho. Em Jesus, Deus assume um rosto humano. Com a sua encarnação, vida, morte e ressurreição, redime-nos do pecado e abre-nos horizontes novos, até então inconcebíveis.

E assim, queridos jovens, em Cristo encontra-se a plena realização dos vossos sonhos de bondade e felicidade. Só Ele pode satisfazer as vossas expectativas tantas vezes desiludidas por falsas promessas mundanas. Como disse São João Paulo II, «Ele é a beleza que tanto vos atrai; é Ele quem vos provoca com aquela sede de radicalidade que não vos deixa ceder a compromissos; é Ele quem vos impele a depor as máscaras que tornam a vida falsa; é Ele quem vos lê no coração as decisões mais verdadeiras que outros quereriam sufocar. É Jesus quem suscita em vós o desejo de fazer da vossa vida algo grande» (Vigília de Oração em Tor Vergata, 19 de Agosto de 2000: L’Osservatore Romano, ed. portuguesa de 26/VIII/2000, 383).

2. Felizes os puros de coração…

Procuremos agora aprofundar como esta felicidade passa pela pureza de coração. Antes de mais nada, devemos compreender o significado bíblico da palavra «coração». Na cultura hebraica, o coração é o centro dos sentimentos, pensamentos e intenções da pessoa humana. Se a Bíblia nos ensina que Deus olha, não às aparências, mas ao coração (cf. 1 Sam 16,7), podemos igualmente afirmar que é a partir do nosso coração que podemos ver a Deus. Assim é, porque o coração compendia o ser humano na sua totalidade e unidade de corpo e alma, na sua capacidade de amar e ser amado.

Passando agora à definição de «puro», a palavra grega usada pelo evangelista Mateus é katharos e significa, fundamentalmente, limpo, claro, livre de substâncias contaminadoras. No Evangelho, vemos Jesus desarraigar uma certa concepção da pureza ritual ligada a elementos externos, que proibia todo o contacto com coisas e pessoas (incluindo os leprosos e os forasteiros), consideradas impuras. Aos fariseus – que, como muitos judeus de então, não comiam sem antes ter feito as devidas abluções e observavam numerosas tradições relacionadas com a lavagem de objectos –, Jesus diz categoricamente: «Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. (…) Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições, perversidade, má-fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios» (Mc 7, 15.21-22).

Sendo assim, em que consiste a felicidade que brota dum coração puro? Partindo do elenco dos males enumerados por Jesus, que tornam o homem impuro, vemos que a questão tem a ver sobretudo com o campo das nossas relações. Cada um de nós deve aprender a discernir aquilo que pode «contaminar» o seu coração, formando em si mesmo uma consciência recta e sensível, capaz de «discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito» (Rm 12, 2). Se é necessária uma atenção salutar para com a salvaguarda da criação, a pureza do ar, da água e dos alimentos, com maior razão ainda devemos salvaguardar a pureza daquilo que temos de mais precioso: os nossos corações e as nossas relações. Esta «ecologia humana» ajudar-nos-á a respirar o ar puro que provém das coisas belas, do amor verdadeiro, da santidade.

Uma vez fiz-vos a pergunta: Onde está o vosso tesouro? Qual é o tesouro onde repousa o vosso coração? (cf. Entrevista com alguns jovens da Bélgica, 31 de Março de 2014). É verdade! Os nossos corações podem apegar-se a tesouros verdadeiros ou falsos, podem encontrar um repouso autêntico ou então adormentar-se tornando-se preguiçosos e entorpecidos. O bem mais precioso que podemos ter na vida é a nossa relação com Deus. Estais convencidos disto? Estais cientes do valor inestimável que tendes aos olhos de Deus? Sabeis que Ele vos ama e acolhe, incondicionalmente, assim como sois? Quando esta percepção esmorece, o ser humano torna-se um enigma incompreensível, pois o que dá sentido à nossa vida é precisamente saber que somos amados incondicionalmente por Deus. Lembrais-vos do diálogo de Jesus com o jovem rico? (cf. Mc 10, 17-22). O evangelista Marcos observa que o Senhor fixou o olhar nele e amou-o (cf. v. 21), convidando-o depois a segui-Lo para encontrar o verdadeiro tesouro. Espero, queridos jovens, que este olhar de Cristo, cheio de amor, vos acompanhe durante toda a vossa vida.

O período da juventude é aquele em que desabrocha a grande riqueza afectiva contida nos vossos corações, o desejo profundo dum amor verdadeiro, belo e grande. Quanta força há nesta capacidade de amar e ser amados! Não permitais que este valor precioso seja falsificado, destruído ou deturpado. Isto acontece quando, nas nossas relações, comparece a manipulação do próximo para os nossos objectivos egoístas, por vezes como mero objecto de prazer. O coração fica ferido e triste depois destas experiências negativas. Peço-vos que não tenhais medo dum amor verdadeiro, aquele que nos ensina Jesus e que São Paulo descreve assim: «O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará» (1 Cor 13, 4-8).

Ao mesmo tempo que vos convido a descobrir a beleza da vocação humana para o amor, exorto-vos a rebelar-vos contra a tendência generalizada de banalizar o amor, sobretudo quando se procura reduzi-lo apenas ao aspecto sexual, desvinculando-o assim das suas características essenciais de beleza, comunhão, fidelidade e responsabilidade. Queridos jovens, «na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. E tenham também a coragem de ser felizes!» (Encontro com os voluntários da JMJ do Rio, 28 de Julho de 2013).

Vós, jovens, sois bons exploradores! Se vos lançardes à descoberta do rico ensinamento da Igreja neste campo, descobrireis que o cristianismo não consiste numa série de proibições que sufocam os nossos desejos de felicidade, mas num projecto de vida que pode fascinar os nossos corações!

3. …porque verão a Deus

No coração de cada homem e de cada mulher, ressoa sem cessar o convite do Senhor: «Procurai o meu rosto!» (Sal 27/26, 8). Ao mesmo tempo, porém, sempre nos devemos confrontar com a nossa pobre condição de pecadores. Assim o lemos, por exemplo, no livro dos Salmos: «Quem poderá subir à montanha do Senhor e apresentar-se no seu santuário? O que tem as mãos inocentes e o coração limpo» (Sal 24/23, 3-4). Mas não devemos ter medo nem desanimar: vemos, na Bíblia e na história de cada um de nós, que é sempre Deus quem dá o primeiro passo. É Ele que nos purifica, para podermos ser admitidos à sua presença.

O profeta Isaías, quando recebeu a chamada do Senhor para falar em seu nome, ficou apavorado e disse: «Ai de mim, estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros» (Is 6, 5). Mas o Senhor purificou-o, enviando um anjo que tocou a sua boca e lhe disse: «Foi afastada a tua culpa e apagado o teu pecado» (v. 7). No Novo Testamento, quando Jesus chamou os seus primeiros discípulos e realizou o prodígio da pesca miraculosa no lago de Genesaré, Simão Pedro caiu aos seus pés dizendo: «Afasta-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador» (Lc 5, 8). A resposta não se fez esperar: «Não tenhas receio; de futuro serás pescador de homens» (v. 10). E, quando um dos discípulos de Jesus Lhe pediu: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta», o Mestre repondeu: «Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 8.9).

Por isso, o convite do Senhor a encontrá-Lo é dirigido a cada um de vós, independentemente do lugar e situação em que vos encontrardes. Basta «tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 3). Todos somos pecadores, necessitados de ser purificados pelo Senhor. Mas basta dar um pequeno passo em direcção a Jesus para descobrir que Ele está sempre à nossa espera de braços abertos, especialmente no sacramento da Reconciliação, ocasião privilegiada de encontro com a misericórdia divina que purifica e recria os nossos corações.

Sim, queridos jovens, o Senhor quer encontrar-nos, deixar-Se «ver» por nós. «E como?»: poder-me-íeis perguntar. Também Santa Teresa de Ávila, nascida na Espanha precisamente há quinhentos anos, já de pequenina dizia aos seus pais: «Quero ver a Deus». Depois descobriu o caminho da oração como «uma relação íntima de amizade com Aquele por quem nos sentimos amados» (Livro da Vida 8, 5). Por isso, pergunto-vos: Vós rezais? Sabeis que tendes possibilidade de falar com Jesus, com o Pai, com o Espírito Santo, como se fala com um amigo? E não um amigo qualquer, mas o vosso amigo melhor e de maior confiança! Tentai fazê-lo, com simplicidade. Descobrireis aquilo que um camponês d’Ars dizia ao santo cura do seu país: quando estou em oração diante do Sacrário, «eu olho para Ele e Ele olha para mim» (Catecismo da Igreja Católica, 2715).

Uma vez mais convido-vos a encontrar o Senhor, lendo frequentemente a Sagrada Escritura. E, se não tiverdes ainda o hábito de o fazer, começai pelos Evangelhos. Lede um pedaço cada dia. Deixai que a Palavra de Deus fale aos vossos corações, ilumine os vossos passos (cf. Sal 119/118, 105). Descobrireis que se pode «ver» a Deus também no rosto dos irmãos, especialmente os mais esquecidos: os pobres, os famintos, os sedentos, os forasteiros, os doentes, os presos (cf. Mt 25, 31-46). Já alguma vez tivestes a experiência disto? Queridos jovens, para entrar na lógica do Reino de Deus, é preciso reconhecer-se pobre com os pobres. Um coração puro é necessariamente também um coração despojado, que sabe abaixar-se e partilhar a sua vida com os mais necessitados.

O encontro com Deus na oração, através da leitura da Bíblia e na vida fraterna ajudar-vos-á a conhecer melhor o Senhor e a vós mesmos. Como aconteceu com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), a voz de Jesus inflamará os vossos corações e abrir-se-ão os vossos olhos para reconhecer a sua presença na vossa história, descobrindo assim o projecto de amor que Ele tem para a vossa vida.

Alguns de vós sentem ou hão-de sentir a chamada do Senhor para o matrimónio, para formar uma família. Hoje, muitos pensam que esta vocação esteja «fora de moda», mas não é verdade! Precisamente por este motivo, a Comunidade eclesial inteira está a viver um período especial de reflexão sobre a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo. Além disso, convido-vos a tomar em consideração a chamada à vida consagrada ou ao sacerdócio. Como é belo ver jovens que abraçam a vocação de se darem plenamente a Cristo e ao serviço da sua Igreja! Ponde-vos a pergunta a vós mesmos com ânimo puro e não tenhais medo daquilo que Deus vos pede! A partir do vosso «sim» à chamada do Senhor, tornar-vos-eis novas sementes de esperança na Igreja e na sociedade. Não esqueçais: a vontade de Deus é a nossa felicidade!

4. Em caminho para Cracóvia

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8). Queridos jovens, como vedes, esta Bem-aventurança está intimamente relacionada com a vossa vida e é uma garantia da vossa felicidade. Por isso, repito-vos mais uma vez: tende a coragem de ser felizes!

A Jornada Mundial da Juventude deste ano conduz à última etapa do caminho de preparação para o próximo grande encontro mundial dos jovens em Cracóvia, no ano de 2016. Precisamente há trinta anos, São João Paulo II instituiu, na Igreja, as Jornadas Mundiais da Juventude. Esta peregrinação juvenil através de todos os Continentes, sob a guia do Sucessor de Pedro, foi verdadeiramente uma iniciativa providencial e profética. Juntos, damos graças ao Senhor pelos preciosos frutos que a mesma produziu na vida de tantos jovens por toda terra. Quantas descobertas importantes, sobretudo as de Cristo, Caminho, Verdade e Vida, e da Igreja como uma família grande e acolhedora! Quantas mudanças de vida, quantas decisões vocacionais brotaram daqueles encontros! O Santo Pontífice, Padroeiro das JMJ, interceda pela nossa peregrinação rumo à sua Cracóvia. E o olhar materno da Bem-aventurada Virgem Maria, a cheia de graça, toda bela e toda pura, nos acompanhe neste caminho.

Vaticano, 31 de Janeiro – Memória de São João Bosco – do ano 2015
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé
Santa Marta: Papa oferece Missa pelos cristãos decapitados



Cidade do Vaticano (RV) – “Ofereçamos esta Missa pelos nossos 21 irmãos coptas, degolados pelo único motivo de serem cristãos”: assim, o Papa iniciou a missa desta terça-feira (17/02/2015), celebrada na capela da Casa Santa Marta.

“Rezemos por eles, para que o Senhor os acolha como mártires, por suas famílias, pelo meu irmão Tawadros, que tanto sofre”, disse Francisco, que citou o Salmo 31: “Javé, eu me abrigo em ti. Sê para mim um forte rochedo, uma casa fortificada que me salve; guia-me por teu nome”.

O homem é capaz de destruição

O Papa desenvolveu a sua homilia a partir do trecho do Gênesis, que mostra a ira de Deus pela malvadeza do homem e que preanuncia o dilúvio universal. O homem, constatou Francisco com pesar, “parece ser mais poderoso do que Deus”, “é capaz de destruir as coisas boas que Ele fez”.

Nos primeiros capítulos da Bíblia, prosseguiu, há muitos exemplos – de Sodoma e Gomorra à Torre de Babel – em que o homem mostra a sua malvadeza. Um mal, disse, que se aninha no íntimo do coração:

“‘Mas padre, não seja tão negativo!’, alguém dirá. Mas esta é a verdade. Somos capazes de destruir inclusive a fraternidade: Caim e Abel nas primeiras páginas da Bíblia. Destrói a fraternidade. É o início das guerras. Os ciúmes, as invejas, tanta avidez de poder, de ter mais poder. Sim, isso parece negativo, mas é realista. Peguem um jornal, um qualquer – de esquerda, de centro, de direita...qualquer um. E vejam que mais de 90% das notícias são de destruição. Mais de 90%. E isso o vemos todos os dias”.

Empresários de guerra

“Mas o que acontece no coração do homem?”, perguntou-se Francisco. Jesus, disse ele, nos recorda que “do coração do homem saem todas as malvadezas”. Há sempre uma “vontade de autonomia”: “eu faço o que quero e se eu quiser isso, o faço! E se para isso tiver que fazer uma guerra, eu faço!”:

“Mas por que somos assim? Porque temos essas possibilidade de destruição, este é o problema. Depois, nas guerras, no tráfico de armas... ‘Mas somos empresários!’. Sim, do quê? De morte? E há países que vendem as armas a este, que está em guerra com aquele, e vendem também àquele, para que assim a guerra continue. Capacidade de destruição. E isso não vem do próximo: de nós! ‘Todo desígnio do seu coração era continuamente mau’. Nós temos esta semente dentro, esta possibilidade. Mas temos também o Espírito Santo que nos salva, eh! Mas devemos escolher, nas pequenas coisas”.

O Papa então advertiu para as fofocas, de quem fala mal do próximo: “também na paróquia, nas associações”, quando há “ciúme” e “invejas” e talvez se conta tudo para o pároco. “Isso – advertiu – é malvadeza, é a capacidade de destruição que todos nós temos”. E sobre isso, “a Igreja, às portas da Quaresma, nos faz refletir”.

Francisco citou em seguida o Evangelho do dia, em que Jesus repreende os discípulos que brigam entre si porque se esqueceram de pegar o pão. O Senhor diz a eles que estejam “atentos” ao fermento dos fariseus, ao fermento de Herodes. E cita o exemplo de duas pessoas: Herodes, que é mau e assassino, e os fariseus hipócritas. Jesus os exorta a pensar na Salvação, àquilo que Deus fez por todos nós. Mas eles, retomou o Papa, “não entendiam, porque o coração estava endurecido por esta paixão, por esta malvadeza de discutir entre si e ver quem era o culpado por aquela falta de pão”.

Escolher o bem com a força que Jesus nos dá

Devemos levar "a sério" a mensagem do Senhor, disse ainda o Papa, "não se trata de coisas estranhas, este não é o discurso de um “marciano", "o homem é capaz de fazer tanto bem". E citou o exemplo de Madre Teresa, "uma mulher do nosso tempo". Todos nós, disse, "somos capazes de fazer o bem, mas todos nós somos também capazes de destruir; destruir no grande e no pequeno, na mesma família; destruir os filhos", não deixá-los crescer “com liberdade, não ajudando-os a crescer bem; cancelando os filhos”. Temos essa capacidade e para isso, reiterou, "é necessária a meditação contínua, a oração, a comparação entre nós, para não cair nesse mal que destrói tudo":

"E nós temos a força, Jesus nos recorda. Lembrem-se. E hoje nos diz: 'Recorde-se. Recorde-se de Mim, que eu derramei o meu sangue por você; recorde-se de Mim que eu o salvei, eu salvei todos vocês; Recorde-se de Mim, que Eu tenho a força para acompanhá-lo no caminho da vida, não pelo caminho do mal, mas pelo caminho do bem, do fazer o bem aos outros; não pelo caminho da destruição, mas pelo caminho da construção: construir uma família, construir uma cidade, construir uma cultura, construir uma pátria, mais e mais".

"Peçamos ao Senhor, hoje, esta graça antes de começar a Quaresma - concluiu o Papa-: sempre escolher bem o caminho com a sua ajuda e não deixar-se enganar pelas seduções que nos levam para o caminho errado".


Nesta terça-feira de Carnaval, o Papa Francisco publicou um tweet:

17/02/2015
Durante a Quaresma, encontremos formas concretas de vencer a nossa indiferença.


No discurso ao moderador da Igreja da Escócia o Papa recorda os egípcios coptas assassinados- Um testemunho que brada



Querido irmão Moderador,
Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Tenho o prazer de ter a oportunidade de encontrar-vos, como representantes da Igreja da Escócia, e de compartilhar convosco o nosso compromisso comum ao serviço do Evangelho e à causa da unidade dos cristãos.

Ao desenvolvimento da rica tradição histórica e cultural da Escócia, contribuiu figuras cristãs ilustres e santas pertencentes a diferentes denominações. O estado atual das relações ecumênicas na Escócia testemunha quanto, o que como cristãos, temos em comum é maior do que aquilo que pode nos dividir. Nesta base, o Senhor nos chama a procurar formas mais eficazes para superar velhos preconceitos e encontrar novas formas de compreensão e cooperação.

Alegra-me constatar que as relações entre a Igreja da Escócia e da Igreja Católica desenvolveram-se a tal ponto que os desafios da sociedade contemporânea são abordados através de uma reflexão comum e, em muitos casos, somos capazes de falar a uma só voz sobre questões que afetam de perto as vidas de todos os fiéis. No nosso mundo globalizado e, muitas vezes desorientado, um testemunho cristão comum é um requisito necessário para a contundência dos nossos esforços de evangelização.

Somos peregrinos e peregrinamos juntos. Temos de aprender a "confiar o coração ao companheiro de viagem sem suspeita, sem desconfiança, e, antes de tudo olhar para o que buscamos: a paz na Face do único Deus" (Evangelii gaudium, 244).

A fé e testemunho cristão se encontram diante de desafios tais, que somente através da união de nossos esforços, podemos fazer um serviço eficaz para a família humana e permitir à luz de Cristo chegar a todos os cantos escuros de nosso coração e nosso mundo. Possa o caminho da reconciliação e da paz entre as nossas comunidades chegar cada vez mais perto um do outro, de modo que, movidos pelo Espírito Santo, possamos trazer a vida
à todos e trazê-la em abundância (cf. Jo 10,10).

Permito-me recorrer a minha língua materna para expressar
um sentimento profundo e triste. Hoje pude ler sobre a execução desses vinte e um ou vinte e dois cristãos coptas. Eles disseram apenas: "Jesus, me ajude!". Foram assassinados somente pelo fato de serem cristãos. O senhor, irmão, se referiu em seu discurso ao que está acontecendo na terra de Jesus. O sangue de nossos irmãos cristãos é um testemunho que grita. São Católicos, Ortodoxos, Coptos, luteranos, não interessa: O sangue é o mesmo. O sangue confessa Cristo. Recordando esses irmãos que morreram só pelo fato de  confessar a Cristo, peço que nos animemos mutuamente a seguir adiante com este ecumenismo que está nos dando força, o ecumenismo do sangue. Os mártires são de todos os cristãos.

Oremos uns pelos outros e continuemos a caminhar juntos no caminho da sabedoria, a benevolência, da força e da paz. Obrigado.
Boletim da Santa Sé
Papa adverte sobre perigo da indiferença e do egoísmo



Solidariedade e caridade foram os assuntos abordados pelo Papa Francisco nesta segunda-feira, 16.fevereiro.2015, ao receber em audiência membros da “Pro Petri Sede”, associação da Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos que oferece ajuda econômica para as necessidades da Santa Sé.

“O número crescente de pessoas marginalizadas e que vivem em grande precariedade nos interpela e exige um ímpeto de solidariedade para dar a elas o amparo material e espiritual de que necessitam”, afirmou Francisco, acrescentando que, ao mesmo tempo, há muito a receber dos pobres.

“Em meio às suas dificuldades, eles são, com frequência, testemunhas do essencial, dos valores familiares; são capazes de compartilhar com quem é mais pobre do que eles e são capazes de exultar, como pude constatar inclusive na minha recente viagem apostólica à Ásia”.

O Pontífice recordou que a indiferença e o egoísmo estão sempre à espreita. Por isso, a atenção aos pobres é algo que enriquece, colocando o homem no caminho da humildade e da verdade. Além disso, a presença deles evoca a humanidade comum, a fragilidade da vida, a dependência de Deus e dos irmãos.

Francisco agradeceu aos membros da associação pelo trabalho que prestam aos mais necessitados em várias partes do mundo, convidando-os a rezarem com insistência pela paz, “para que os responsáveis políticos encontrem caminhos de diálogo e de reconciliação”.
Radio Vaticano/L'Osservatore Romano

Tambem nesta segunda-feira o Santo Padre manifestou-se assim, em seu twitter:

16/02/2015
Jesus veio trazer a alegria a todos e para sempre.







Papa destaca necessidade de compaixão com marginalizados



Papa pede que fiéis não tenham medo de olhar os marginalizados nos olhos e se aproximarem com ternura.
 
Após a Missa com os novos cardeais neste domingo, 15.fevereiro.2015, Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis na Praça São Pedro. Na reflexão que precede a oração mariana, o Santo Padre falou sobre o amor misericordioso de Deus que os cristãos são chamados a difundir, superando todo tipo de marginalização.


Queridos irmãos e irmãs,

Neste domingo, o evangelista Marcos está nos contando a ação de Jesus contra toda espécie de mal, em benefício dos sofredores no corpo e no espírito: possuídos pelo demônio, doentes, pecadores… Ele se apresenta como aquele que combate e vence o mal em qualquer lugar que o encontre. No Evangelho de hoje (Mc 1, 40-45) esta sua luta enfrenta um caso emblemático, porque o doente é um leproso. A lepra é uma doença contagiosa e impiedosa, que desfigura a pessoa, e que era símbolo de impureza: o leproso devia estar fora dos centros habitáveis e assinalar sua presença aos que passavam. Era marginalizado da comunidade civil e religiosa. Era como um morto-vivo ambulante.

O episódio da cura do leproso se desenvolve em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa. O leproso suplica a Jesus “de joelhos” e lhe diz: “Se queres, podes purificar-me” (v.40). A esta oração humilde e confiante, Jesus reage com uma atitude profunda da sua alma: a compaixão. E “compaixão” é uma palavra muito profunda: compaixão significa “padecer com o outro”. O coração de Cristo manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o. E este particular é muito importante. Jesus “estendeu a mão, tocou-o… e logo a lepra desapareceu e ele foi purificado” (v. 41). A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca em uma distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos Dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos “toca” e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente no Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado.

Mais uma vez o Evangelho nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal: Deus não vem “dar uma palestra” sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim, Cristo combate os males e os sofrimentos do mundo: assumindo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus

A nós, hoje, o Evangelho da cura do leproso diz que, se queremos ser verdadeiros discípulos de Jesus, somos chamados a nos tornarmos, unidos a Ele, instrumentos do seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização. Para sermos “imitadores de Cristo” (cfr 1 Cor 11,1), diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de nos aproximarmos com ternura e compaixão e de tocá-lo e de abraçá-lo. Pedi muitas vezes, às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando-os nos olhos, sem ter medo de tocá-los; que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação: também nós precisamos ser acolhidos por eles. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão… Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham nos olhos deles? Vocês os acolhem sem medo de tocá-los? Vocês os acolhem com ternura? Pensem nisso: como vocês ajudam? À distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim, é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem!

Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano


Ver Jesus nos marginalizados, pede Papa aos novos cardeais



A compaixão de Jesus esteve no centro da homilia do Papa Francisco neste domingo, 15.fevereiro.2015, na Missa com os novos cardeais, criados neste sábado, 14, e com todo o colégio cardinalício. O Santo Padre pediu que os novos cardeais saibam servir Jesus na pessoa marginalizada, lembrando que o caminho da Igreja é o de Jesus: misericórdia e integração.


«Senhor, se quiseres, podes purificar-me». Compadecido, Jesus, estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado» (cf. Mc 1, 40-41). A compaixão de Jesus! Aquele «padecer com» levava-O a aproximar-Se de cada pessoa atribulada! Jesus não Se retrai, antes, pelo contrário, deixa-Se comover pelo sofrimento e as necessidades do povo, simplesmente porque Ele sabe e quer «padecer com», porque possui um coração que não se envergonha de ter «compaixão».

Ele «já não podia entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados» (Mc 1, 45). Isto significa que, além de curar o leproso, Jesus tomou sobre Si também a marginalização que impunha a Lei de Moisés (cf. Lv 13, 1-2.45-46). Não teme o risco de assumir o sofrimento alheio, mas paga por inteiro o seu preço (cf. Is 53, 4).

A compaixão leva Jesus a agir de forma concreta: a reintegrar o marginalizado. Temos aqui os três conceitos-chave que a Igreja nos propõe na liturgia da palavra hodierna: a compaixão de Jesus perante a marginalização e a sua vontade de integração.

Marginalização: Moisés, ao tratar juridicamente a questão dos leprosos, reclama que sejam afastados e marginalizados da comunidade, enquanto persistir o mal, e declara-os «impuros» (cf. Lv 13, 1-2.45-46).

Imaginai quanto sofrimento e quanta vergonha devia sentir, física, social, psicológica e espiritualmente, um leproso! Não é apenas vítima da doença, mas sente que é também o culpado, punido pelos seus pecados. É um morto-vivo, como «se o pai lhe tivesse cuspido na cara» (cf. Nm 12, 14).

Além disso, o leproso suscita medo, desprezo, nojo e, por isso, é abandonado pelos seus familiares, evitado pelas outras pessoas, marginalizado pela sociedade; mais, a própria sociedade o expulsa e constringe a viver em lugares afastados dos sãos, exclui-o. E o modo como o faz é tal que, se um indivíduo são se aproximasse de um leproso seria severamente punido e com frequência tratado, por sua vez, como leproso.

A finalidade desta legislação era «salvar os sãos», «proteger os justos» e, para os defender de qualquer risco, marginalizava «o perigo» tratando sem piedade o contagiado. De facto, assim decretou o sumo sacerdote Caifás: «Convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira» (Jo 11, 50).

Integração: Jesus revoluciona e sacode intensamente aquela mentalidade fechada no medo e autolimitada pelos preconceitos. Contudo Ele não abole a Lei de Moisés, mas leva-a à perfeição (cf. Mt 5, 17), declarando, por exemplo, a ineficácia contraproducente da lei de talião; declarando que Deus não gosta da observância do sábado que despreza o homem e o condena; ou, quando perante a mulher pecadora, não a condena, pelo contrário salva-a do zelo cego de quantos já estavam prontos para a lapidar sem dó nem piedade, convictos de aplicar a Lei de Moisés. Jesus revoluciona também as consciências no Sermão da Montanha (cf. Mt 5), abrindo novos horizontes para a humanidade e revelando plenamente a lógica de Deus: a lógica do amor, que não se baseia no medo mas na liberdade, na caridade, no zelo salutar e no desígnio salvífico de Deus: «Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 3-4). «Prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt 12, 7; cf. Os 6, 6).

Jesus, novo Moisés, quis curar o leproso, quis tocá-lo, quis reintegrá-lo na comunidade, sem Se «autolimitar» nos preconceitos; sem Se adequar à mentalidade dominante do povo; sem Se preocupar de modo algum com o contágio. Jesus responde à súplica do leproso sem demora e sem os habituais adiamentos para estudar a situação e todas as eventuais consequências. Para Jesus, o que importa acima de tudo é alcançar e salvar os afastados, curar as feridas dos doentes, reintegrar a todos na família de Deus. E isto deixou alguém escandalizado!

Jesus não teme este tipo de escândalo. Não olha às mentes fechadas que se escandalizam até por uma cura, que se escandalizam diante de qualquer abertura, qualquer passo que não entre nos seus esquemas mentais e espirituais, qualquer carícia ou ternura que não corresponda aos seus hábitos de pensar e à sua pureza ritualista. Ele quis integrar os marginalizados, salvar aqueles que estão fora do acampamento (cf. Jo 10).

Trata-se de duas lógicas de pensamento e de fé: o medo de perder os salvos e o desejo de salvar os perdidos. Hoje, às vezes, também acontece encontrarmo-nos na encruzilhada destas duas lógicas: a dos doutores da lei, ou seja marginalizar o perigo afastando a pessoa contagiada, e a lógica de Deus que, com a sua misericórdia, abraça e acolhe reintegrando e transformando o mal em bem, a condenação em salvação e a exclusão em anúncio.

Estas duas lógicas percorrem toda a história da Igreja: marginalizar e reintegrar. São Paulo, ao pôr em prática o mandamento do Senhor de levar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra (cf. Mt 28, 19), escandalizou e encontrou forte resistência e grande hostilidade sobretudo da parte daqueles que exigiam, inclusive aos pagãos convertidos, uma observância incondicional da Lei mosaica. O próprio São Pedro foi duramente criticado pela comunidade, quando entrou na casa de Cornélio, um centurião pagão (cf. Act 10) .

O caminho da Igreja, desde o Concílio de Jerusalém em diante, é sempre o de Jesus: o caminho da misericórdia e da integração. Isto não significa subestimar os perigos nem fazer entrar os lobos no rebanho, mas acolher o filho pródigo arrependido; curar com determinação e coragem as feridas do pecado; arregaçar as mangas em vez de ficar a olhar passivamente o sofrimento do mundo. O caminho da Igreja é não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com coração sincero; o caminho da Igreja é precisamente sair do próprio recinto para ir à procura dos afastados nas «periferias» da existência; adoptar integralmente a lógica de Deus; seguir o Mestre, que disse: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores» (Lc 5, 31-32).

Curando o leproso, Jesus não provoca qualquer dano a quem é são, antes livra-o do medo; não lhe cria um perigo, mas dá-lhe um irmão; não despreza a Lei, mas preza o homem, para o qual Deus inspirou a Lei. De facto, Jesus liberta os sãos da tentação do «irmão mais velho» (cf. Lc 15, 11-32) e do peso da inveja e da murmuração dos «trabalhadores que suportaram o cansaço do dia e o seu calor» (cf. Mt 20, 1-16).

Consequentemente, a caridade não pode ser neutra, indiferente, morna ou esquiva. A caridade contagia, apaixona, arrisca e envolve. Porque a caridade verdadeira é sempre imerecida, incondicional e gratuita (cf. 1 Cor 13). A caridade é criativa, encontrando a linguagem certa para comunicar com todos aqueles que são considerados incuráveis e, portanto, intocáveis. O contacto é a verdadeira linguagem comunicativa, a mesma linguagem afectiva que comunicou a cura ao leproso. Quantas curas podemos realizar e comunicar, aprendendo esta linguagem! Era um leproso e tornou-se arauto do amor de Deus. Diz o Evangelho: «Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido» (cf. Mc 1, 45).

Amados novos Cardeais, esta é a lógica de Jesus, este é o caminho da Igreja: não só acolher e integrar, com coragem evangélica, aqueles que batem à nossa porta, mas ir à procura, sem preconceitos nem medo, dos afastados revelando-lhes gratuitamente aquilo que gratuitamente recebemos. «Quem diz que permanece em [Cristo], deve caminhar como Ele caminhou» (1 Jo 2, 6). A disponibilidade total para servir os outros é o nosso sinal distintivo, é o nosso único título de honra!

E pensem bem, nesses dias em que vocês receberam o título cardinalício, invoquemos a intercessão de Maria, Mãe da Igreja, que sofreu em primeira mão a marginalização por causa das calúnias (cf. Jo 8, 41) e do exílio (cf. Mt2, 13-23), para que nos alcance a graça de sermos servos fiéis a Deus. Ensine-nos Ela – que é a Mãe – a não termos medo de acolher com ternura os marginalizados; a não temermos a ternura e a compaixão; que Ela nos revista de paciência acompanhando-os no seu caminho, sem buscar os triunfos dum sucesso mundano; que Ela nos mostre Jesus e faça caminhar como Ele.

Amados irmãos, com os olhos fixos em Jesus e em Maria nossa Mãe, exorto-vos a servir a Igreja de tal maneira que os cristãos – edificados pelo nosso testemunho – não se sintam tentados a estar com Jesus, sem quererem estar com os marginalizados, isolando-se numa casta que nada tem de autenticamente eclesial. Exorto-vos a servir Jesus crucificado em toda a pessoa marginalizada, seja pelo motivo que for; a ver o Senhor em cada pessoa excluída que tem fome, que tem sede, que não tem com que se cobrir; a ver o Senhor que está presente também naqueles que perderam a fé ou se afastaram da prática da sua fé; o Senhor, que está na cadeia, que está doente, que não tem trabalho, que é perseguido; o Senhor que está no leproso, no corpo ou na alma, que é discriminado. Não descobrimos o Senhor, se não acolhemos de maneira autêntica o marginalizado. Recordemos sempre a imagem de São Francisco, que não teve medo de abraçar o leproso e acolher aqueles que sofrem qualquer gênero de marginalização. Verdadeiramente é no evangelho dos marginalizados que se descobre e revela a nossa credibilidade!

Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Consistório para a criação de 20 novos cardeais: "serviço de amor e caridade à Igreja"

Cidade do Vaticano, 14.fevereiro.2015 (RV/Boletim da Santa Sé) – O Papa Francisco presidiu, na manhã deste sábado, na Basílica Vaticana, ao Consistório Ordinário Público de 2015, durante o qual foram criados 20 novos Cardeais, 15 Eleitores e 5 Eméritos, provenientes de 14 países. Quatro deles contam pela primeira vez com uma sede cardinalícia: Cabo Verde, Panamá, Tonga e Myanmar (Birmânia), o que reforça a diversidade e universalidade do Colégio dos Cardeais.

Com a realização deste Consistório, o segundo do Pontificado do Papa Francisco, o Colégio Cardinalício fica agora composto de 227 Cardeais, dos quais 125 eleitores e 102 não-eleitores. Os Cardeais provenientes da Europa são 118; da América do Norte, 27; da América do Sul, 26; da América Central, 8; da Ásia, 22; da África, 21 e da Oceania, 5.

O Santo Padre deu início à celebração do Consistório, com um momento de oração, em silêncio, diante do altar da Confissão, sobre o túmulo do apóstolo São Pedro.

Durante a cerimônia do Consistório Público para a criação dos 20 novos Cardeais, após uma breve liturgia da Palavra, o Santo Padre fez uma alocução aos presentes.

Amados Irmãos Cardeais!

A dignidade cardinalícia é certamente uma dignidade, mas não é honorífica. Assim no-lo indica o próprio nome – «cardeal» –, que evoca a «charneira», a junção cardinal, principal; não se trata, portanto, de algo acessório, decorativo que faça pensar a uma honorificência, mas de um eixo, um ponto de apoio e movimento essencial para a vida da comunidade. Vós sois «junções cardinais» e estais incardinados na Igreja de Roma, que «preside à universal assembleia da caridade» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. dogm. Lumen gentium, 13; cf. SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA, Carta aos Romanos, Prólogo).

Na Igreja, toda a presidência provém da caridade, deve ser exercida na caridade e tem como fim a caridade. Também nisto a Igreja que está em Roma desempenha uma função exemplar: assim como ela preside na caridade, assim também cada Igreja particular é chamada, no seu âmbito, a presidir à caridade e na caridade.

Por isso, penso que o «hino à caridade» da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (cap. 13) possa constituir a palavra-orientadora para esta celebração e para o vosso ministério, de modo particular para aqueles de vós que hoje passam a fazer parte do Colégio Cardinalício. E far-nos-á bem – a começar por mim e vós comigo – deixarmo-nos orientar pelas palavras inspiradas do apóstolo Paulo, nomeadamente quando refere as características da caridade. Venha em nossa ajuda, nesta escuta, a Virgem Maria, nossa Mãe. Deu ao mundo Aquele que é o «caminho que ultrapassa todos os outros» (cf. 1 Cor 12, 31): Jesus, Caridade encarnada. Que Ela nos ajude a acolher esta Palavra e a seguir sempre por este Caminho; nos ajude com a sua conduta humilde e terna de mãe, porque a caridade, dom de Deus, cresce onde há humildade e ternura.

São Paulo começa por nos dizer que a caridade é «magnânima» e «benévola». Quanto mais se amplia a responsabilidade no serviço à Igreja, tanto mais se deve ampliar o coração, dilatando-se de acordo com a medida do coração de Cristo. A magnanimidade é, em certo sentido, sinónimo de catolicidade: é saber amar sem limites, mas ao mesmo tempo fiéis às situações particulares e com gestos concretos. Amar o que é grande, sem negligenciar o que é pequeno; amar as coisas pequenas no horizonte das grandes, porque «non coerceri a maximo, contineri tamen a minimo divinum est». Saber amar com gestos benévolos. A benevolência é a intenção firme e constante de querer o bem sempre e para todos, incluindo aqueles que não nos amam.

Depois, o Apóstolo diz que a caridade «não é invejosa, não é arrogante nem orgulhosa». Isto é verdadeiramente um milagre da caridade, porque nós, seres humanos (todos, e em todas as idades da vida), sentimo-nos inclinados à inveja e ao orgulho por causa da nossa natureza ferida pelo pecado. E as próprias dignidades eclesiásticas não estão imunes desta tentação. Mas por isso mesmo, amados Irmãos, pode sobressair ainda mais em nós a força divina da caridade, que transforma de tal modo o coração que já não és tu que vives, mas Cristo que vive em ti. E Jesus é todo amor.

Além disso, a caridade «não falta ao respeito, não procura o seu próprio interesse». Estes dois traços revelam que, quem vive na caridade, se descentralizou de si mesmo. A pessoa que vive auto-centralizada, inevitavelmente falta ao respeito e, muitas vezes, nem se dá conta disso, porque o «respeito» é precisamente a capacidade de ter em conta o outro, a sua dignidade, a sua condição, as suas necessidades. Quem está auto-centralizado, procura inevitavelmente o seu próprio interesse, parecendo-lhe isso normal, quase um dever. Tal «interesse» pode inclusivamente apresentar-se amantado com nobres revestimentos, mas por debaixo está sempre o «próprio interesse». Ao contrário, a caridade descentraliza-te, situando-te no único verdadeiro centro que é Cristo. Então, sim, podes ser uma pessoa respeitadora e atenta ao bem dos outros.

A caridade, diz Paulo, «não se irrita, não leva em conta o mal recebido». Ao pastor que vive em contacto com as pessoas, não faltam ocasiões para se irritar. E o risco de se irritar é talvez ainda maior nas relações entre nós, irmãos, embora tenhamos efectivamente menos desculpa. Também disto é a caridade, e só a caridade, que nos liberta. Liberta-nos do perigo de reagir impulsivamente, dizer e fazer coisas erradas; e sobretudo liberta-nos do risco mortal da ira retida, «aninhada» no interior, que te leva a ter em conta os malefícios recebidos. Não. Isto não é aceitável no homem de Igreja. Entretanto se é possível desculpar uma indignação momentânea e imediatamente moderada, não se pode dizer o mesmo do rancor. Que Deus nos preserve e livre dele!

A caridade – acrescenta o Apóstolo – «não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade». Quem é chamado na Igreja ao serviço da governação deve ter um sentido tão forte da justiça que veja toda e qualquer injustiça como inaceitável, incluindo aquela que possa ser vantajosa para si mesmo ou para a Igreja. E, ao mesmo tempo, «rejubila com a verdade»: é uma bela expressão! O homem de Deus é alguém que vive fascinado pela verdade e que a encontra plenamente na Palavra e na Carne de Jesus Cristo. Ele é a fonte inesgotável da nossa alegria. Possa o povo de Deus encontrar sempre em nós a denúncia firme da injustiça e o serviço jubiloso da verdade.

Por fim, a caridade «tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta». Temos aqui, em quatro palavras, um programa de vida espiritual e pastoral. O amor de Cristo, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, permite-nos viver assim, ser assim: pessoas capazes de perdoar sempre; de dar sempre confiança, porque cheias de fé em Deus; capazes de infundir sempre esperança, porque cheias de esperança em Deus; pessoas que sabem suportar com paciência todas as situações e cada irmão e irmã, em união com Jesus, que suportou com amor o peso de todos os nossos pecados.

Amados irmãos, nada disto provém de nós, mas de Deus. Deus é amor e realiza tudo isto, se formos dóceis à acção do seu Santo Espírito. Eis então como devemos ser: incardinados e dóceis. Quanto mais estivermos incardinados na Igreja que está em Roma, tanto mais nos devemos tornar dóceis ao Espírito, para que a caridade possa dar forma e sentido a tudo o que somos e fazemos. Incardinados na Igreja que preside na caridade, dóceis ao Espírito Santo, que derrama nos nossos corações o amor de Deus (cf. Rom 5, 5). Assim seja.

Papa: reforma da Cúria é meio de dar forte testemunho cristão



Teve início, nesta quinta-feira, 12.fevereiro.2015, no Vaticano, um Consistório extraordinário do colégio cardinalício com o Papa Francisco. Participam da reunião também aqueles que serão criados cardeais no Consistório Ordinário público deste sábado, 14.

Em seu discurso aos cardeais nesta manhã, Francisco recordou que a reforma não é um fim em si mesma, mas um meio para dar um forte testemunho cristão, favorecer uma evangelização mais eficaz, promover um espírito ecumênico mais fecundo e encorajar um diálogo mais construtivo com todos.

“A reforma, desejada vivamente pela maioria dos cardeais no âmbito das Congregações Gerais antes do Conclave, deverá aperfeiçoar ainda mais a identidade da própria Cúria Romana, ou seja, aquela de coadjuvar o Sucessor de Pedro no exercício do seu supremo ofício pastoral para o bem e o serviço da Igreja universal e das Igrejas particulares”, disse.

Francisco reconheceu que atingir essa meta não é fácil, requer tempo, determinação e, sobretudo, colaboração de todos. Para que isso se realize, ele diz ser preciso confiar no Espírito Santo, verdadeiro guia da Igreja.

Os trabalhos dos cardeais com o Papa serão articulados em dois dias, hoje e amanhã, com sessões às 9h e às 17h (6h e 14h em Brasília).
Radio Vaticano
Filhos são alegria da família e da sociedade, diz Papa

Seguindo o ciclo de catequeses sobre família, o Papa Francisco refletiu, nesta quarta-feira, 11.fevereiro.2015, sobre os filhos. O Santo Padre já havia falado das mães e dos pais, e hoje ofereceu uma reflexão sobre o grande dom que os filhos são para a família e para a sociedade como um todo.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre as figuras da mãe e do pai, nestas catequeses sobre família gostaria de falar do filho, ou melhor, dos filhos. Inspiro-me em uma bela imagem de Isaías. Escreve o profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará” (60,4-5a). É uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação, quando o povo hebreu se encontrava distante da pátria.

De fato, há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. Devemos pensar bem nisto. Há uma ligação estreita entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais… Não. Os filhos são um dom, são um presente: entendem? Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é si mesmo, é diferente, é diverso. Permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: “Mas eu tenho cinco filhos”. Quando lhe perguntavam: “Qual é o teu preferido”, ela respondia: “Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão”. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos.

Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho! Não porque pensa como eu, ou encarna os meus desejos. Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade.

Daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegarem. Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor; são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo! Ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir.

Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante. Podemos aprender a boa relação entre as gerações com o nosso Pai Celeste, que deixa cada um de nós livre mas não nos deixa sozinhos nunca. E se erramos, Ele continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante.

Os filhos, por sua parte, não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra.

O quarto mandamento pede aos filhos – e todos o somos! – para honrar o pai e a mãe (cfr Es 20, 12). Este mandamento vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens. E na formulação bíblica deste quarto mandamento, acrescenta-se: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. A ligação virtuosa entre as gerações é garantia de futuro, e é garantia de uma história realmente humana. Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida. Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece! Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons. A agradável experiência da fraternidade anima o respeito e o cuidado dos pais, aos quais é preciso o nosso reconhecimento. Tantos de vocês aqui presentes têm filhos e todos somos filhos. Façamos uma coisa, um minuto de silêncio. Cada um de nós pense no seu coração nos próprios filhos – se tem – pense em silêncio. E todos nós pensemos nos nossos pais e agradeçamos a Deus pelo dom da vida. Em silêncio, aqueles que têm filhos pensem neles e todos nós pensemos nos nossos pais (silêncio). O Senhor abençoe os nossos pais e abençoe os vossos filhos.

Jesus, o Filho eterno, feito filho no tempo, ajude-nos a encontrar o caminho de uma nova irradiação desta experiência humana tão simples e tão grande que é ser filho. No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria. E vos digo: quão belo é quando passo em meio a vocês e vejo os pais e as mães que levantam seus filhos para serem abençoados; isto é um gesto quase divino. Obrigado porque o fazem!

Ao final da Audiência deste Dia Mundial do Enfermo, o Papa Francisco dirigiu um pensamento aos doentes, confiando-os à Bem Aventurada Virgem de Lourdes, cuja memória litúrgica recorre nesta quarta-feira. Na mensagem para a ocasião, o Papa ressalta a importância da “sabedoria do coração”, para servir o irmão que sofre.

Após saudar os membros da Associação ‘Pais Oncologia Pediátrica”, o Papa Francisco volta seu olhar para a Praça São Pedro, como que procurando, entre os peregrinos presentes na Praça São Pedro, aquelas mães e pais que passam por grandes provações, como ter um filho ou uma filha com algum tipo de tumor. À eles, assim como aos pequenos doentes cuidados pelas Irmãs de São José e aos voluntários da UNITALSI, o Pontífice dirige paravras de encorajamento, convidando-os a crescer “no amor pelo Senhor, na sabedoria do coração e no serviço generoso ao próximo, sofredor no corpo e no espírito”.

As palavras assumem um particular significado, pois são pronunciadas no 23º Dia Mundial do Enfermo, desejado por João Paulo II sob a proteção da Virgem de Lourdes, que é festejada neste 11 de fevereiro com particular devoção pelos doentes:

“Queridos jovens, disponham-se a ser ‘olhos para os cegos e pés para os coxos’; queridos doentes, sintam-se sempre apoiados pela oração da Igreja; e vocês, queridos novos esposos, amem a vida que é sempre sagrada, mesmo quando marcada pela fragilidade e pela doença”.

A expressão usada pelo Papa “olhos para o cego e pés para o coxo”, tirada do Livro de Jó, é o tema da Mensagem para o Dia  que Francisco dedicou à “sabedoria do coração”, que impele a servir o irmão na sabedoria de que “o tempo passado ao lado de um doente é um tempo santo”. No documento, o Papa reitera, além disto, que é “uma vergonha”  fazer crer que vidas gravemente doentes “não são dignas de serem vividas”. Pelo contrário, o Santo Padre evidencia que “as pessoas mergulhadas no mistério do sofrimento e da dor”, “podem tornar-se testemunhos vivos” da fé.

Após, o Papa Francisco lançou um apelo tendo em vista a tragédia no mar de Lampedusa nesta semana. O acidente teria causado mais de 200 mortes, segundo as últimas notícias do Acnur, órgão da ONU para os refugiados.

“Sigo com preocupação as notícias que chegam de Lampedusa, onde se contam mais mortes entre os imigrantes por causa do frio ao longo da travessia do Mediterrâneo. Desejo assegurar a minha oração pelas vítimas e encorajar novamente à solidariedade, a fim de que a ninguém falte a ajuda necessária”.

Na madrugada de segunda-feira, 9, a guarda costeira italiana resgatou uma embarcação perto da Líbia. Pelo menos 25 pessoas morreram de hipotermia a bordo da embarcação.

Segundo relatos dos sobreviventes, que chegaram hoje à ilha de Lampedusa, más condições climáticas fizeram as embarcações, que seguiam da África para a Itália, naufragar. Centenas de pessoas estão desaparecidas.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

11.FEVEREIRO - FESTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES

Nós os doentes


                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*


Hoje, dia 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, se comemora também o Dia Mundial do Enfermo, porque, em Lourdes, na França, milhares de enfermos de todos os países e continentes ali vão para pedir a cura e a consolação, pela intercessão de Nossa Senhora, que a muitos tem curado e a todos consolado. Muitos milagres de cura ali acontecem. Mas os maiores milagres em Lourdes são as conversões dos milhares de pecadores.  

Jesus, durante a sua vida pública, curou alguns, mas não curou todos os doentes do seu tempo. Porque para alguns Deus quer que se salvem e façam o bem com a saúde; outros, com a sua doença. A doença pode ser uma graça de Deus. O mais importante é a cura da alma.

Em sua mensagem para o XXIII Dia Mundial do Doente, neste ano, o Papa Francisco se dirige a todos os que carregam o peso da doença e aos profissionais e voluntários da saúde.

“O tema deste ano convida-nos a meditar uma frase do livro de Jó: ‘Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo’ (29, 15). Gostaria de o fazer na perspectiva da ‘sapientia cordis’, da sabedoria do coração”.

“Sabedoria do coração é servir o irmão. No discurso de Jó que contém as palavras ‘eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo’, evidencia-se a dimensão de serviço aos necessitados por parte deste homem justo... Também hoje quantos cristãos dão testemunho – não com as palavras, mas com a sua vida radicada numa fé genuína – de ser ‘os olhos do cego’ e ‘os pés para o coxo’! Pessoas que permanecem junto dos doentes que precisam de assistência contínua, de ajuda para se lavar, vestir e alimentar. Este serviço, especialmente quando se prolonga no tempo, pode tornar-se cansativo e pesado; é relativamente fácil servir alguns dias, mas torna-se difícil cuidar de uma pessoa durante meses ou até anos, inclusive quando ela já não é capaz de agradecer. E, no entanto, que grande caminho de santificação é este! Em tais momentos, pode-se contar de modo particular com a proximidade do Senhor, sendo também de especial apoio à missão da Igreja”.

“Sabedoria do coração é estar com o irmão. O tempo gasto junto do doente é um tempo santo. É louvor a Deus, que nos configura à imagem do seu Filho, que ‘não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão’ (Mt 20, 28). Foi o próprio Jesus que o disse: ‘Eu estou no meio de vós como aquele que serve’ (Lc 22, 27)”.

“Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão. Às vezes, o nosso mundo esquece o valor especial que tem o tempo gasto à cabeceira do doente, porque, obcecados pela rapidez, pelo frenesim do fazer e do produzir, esquece-se a dimensão da gratuidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro”.

“Mesmo quando a doença, a solidão e a incapacidade levam a melhor sobre a nossa vida de doação, a experiência do sofrimento pode tornar-se lugar privilegiado da transmissão da graça e fonte para adquirir e fortalecer a sapientia cordis”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/



Papa: Deus procura-se. Cristãos sentados não conhecem o rosto de Deus

Terça-feira, 10 de fevereiro de 2015: Deus procura-se. Os cristãos que estão sentados e quietos não conhecerão o rosto de Deus – esta a mensagem principal do Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Capela da Casa de Santa Marta. Se um cristão quer conhecer a sua identidade, não pode estar cómodo na poltrona – disse o Santo Padre que partindo da leitura do Genesis que apresenta a criação do ser humano à ‘imagem de Deus’ medita sobre os caminhos que existem para um cristão que queira conhecer a sua identidade:

“Quem não se coloca a caminho, jamais conhecerá a imagem de Deus, jamais encontrará a face de Deus. Os cristãos sentados, quietos, nunca descobrirão o rosto de Deus, jamais o conhecerão. Para caminhar, é preciso uma certa inquietude, que o próprio Deus colocou no nosso coração e que nos leva a busca-lo dia-a-dia”.

Colocar-se em caminho é deixar que Deus ou a vida nos coloque à prova, colocar-se em caminho é arriscar” – afirmou o Papa Francisco que recordou ainda que existe uma outra forma de estar quieto e parado e, portanto, falsificar a busca de Deus, que é aquela que acontece na passagem do Evangelho em que os escribas e os fariseus criticam Jesus porque os seus discípulos comem sem ter respeitado as lavagens rituais:

“No Evangelho, Jesus encontra pessoas que têm medo de colocar-se em caminho e que se conformam com uma caricatura de Deus. É uma falsa carteira de identidade. Esses não-inquietos calaram a inquietude do coração e retratam Deus com mandamentos…”

Na conclusão da sua homilia o Papa Francisco pediu ao Senhor que nos dê a todos “a graça da coragem de nos colocarmos a caminho, para buscar o rosto do Senhor, aquele rosto que um dia veremos, mas que aqui, sobre a Terra, temos que procurar” arriscando nos caminhos da vida.
Radio Vaticano

Ainda sobre a homilia, lemos no L'Osservatore Romano:

Para conhecer a nossa verdadeira identidade não podemos permanecer «cristãos sentados» mas devemos ter a «coragem de nos pôr sempre a caminho para procurar a face do Senhor», porque somos «imagem de Deus». O Papa Francisco, comentando a primeira leitura litúrgica – a narração da criação no livro do Gênesis (1, 20 – 2, 4) – refletiu sobre uma questão essencial para cada pessoa: «Quem sou?».

A nossa «carteira de identidade», disse o Papa, consiste no fato de que os homens foram criados «à imagem e semelhança de Deus». Mas então, acrescentou, «a questão que podemos formular é: De que modo conheço a imagem de Deus? De que maneira sei como ele é para saber como sou? Onde encontro a imagem de Deus?». A resposta não está «certamente no computador, nas enciclopédias nem nos livros», porque «não há um catálogo onde se vê a imagem de Deus». Existe um único modo para «encontrar a imagem de Deus, que é a minha identidade», ou seja, pôr-se a caminho: «Se não nos pusermos a caminho nunca poderemos conhecer a face de Deus».

Este desejo de conhecer encontra-se também no Antigo testamento. Os salmistas, frisou Francisco, «muitas vezes dizem: quero conhecer o teu rosto»; e «também Moisés o disse ao Senhor uma vez». Mas na realidade «não é fácil, porque se pôr a caminho significa deixar muitas certezas, opiniões de como é a imagem de Deus, e procurá-lo». Noutros termos, significa «deixar que Deus, que a vida nos ponha à prova», significa «arriscar», porque «só assim podemos chegar a conhecer o rosto de Deus, a imagem de Deus: pondo-nos a caminho».

O Papa inspirou-se também no Antigo testamento para recordar que «assim fizeram o povo de Deus e os profetas». Por exemplo «o grande Elias: depois de ter vencido e purificado a fé de Israel, sentiu a ameaça daquela rainha e teve medo, não sabendo o que fazer. Pôs-se a caminho. E a um certo ponto preferiu morrer». Mas Deus «chamou-o, deu-lhe de comer, de beber e disse: continua a caminhar». Desta forma Elias «chegou ao monte e ali encontrou Deus». Portanto, o seu caminho foi «longo, doloroso e difícil», mas ensina-nos que «quem não se põe a caminho, nunca conhecerá a imagem de Deus, nunca encontrará a face de Deus». É uma lição para todos nós: «os cristãos sentados, os cristãos quietos – afirmou o Pontífice – não verão a face de Deus». Têm a presunção de dizer: «Deus é assim...», mas na realidade «não o conhecem».
Ao contrário, para caminhar «é necessária aquela inquietude que o próprio Deus colocou no nosso coração e que nos leva a procurá-lo». O mesmo, explicou o Pontífice, aconteceu «a Jó que, com a sua provação, começou a pensar: mas como permite Deus, que isto me aconteça?». Também os seus amigos «depois de um grande silêncio de dias, começaram a falar, a debater com ele». Mas tudo isto não foi útil: «com esses argumentos, Jó não conheceu Deus». Só «quando se deixou interpelar pelo Senhor na provação encontrou Deus». E precisamente de Jó podemos ouvir «a palavra que nos ajudará muito neste caminho de busca da nossa identidade: “Conhecia-te por ouvir dizer, mas agora os meus olhos viram-te”». Eis o núcleo da questão segundo Francisco: «o encontro com Deus» que só pode acontecer «pondo-nos a caminho».

Certamente, continuou, «Jó pôs-se a caminho com uma maldição», até «teve coragem de amaldiçoar a vida e a sua história: “Maldito o dia em que nasci...”». Com efeito, refletiu o Papa, «às vezes, no caminho da vida, não encontramos um sentido nas coisas». Viveu a mesma experiências o profeta Jeremias, o qual «depois de ter sido seduzido pelo Senhor, ouviu aquela maldição: “mas por que a mim?”». Ele queria permanecer «sentado tranquilamente» mas ao contrário «o Senhor queria mostrar-lhe o seu rosto».

Isto é válido para cada um de nós: «para conhecer a nossa identidade, conhecer a imagem de Deus, é preciso pôr-se a caminho», ser «inquietos, não quietos». Exactamente isto «significa procurar a face de Deus».

Em seguida, o Papa Francisco referiu-se também ao trecho do Evangelho de Marcos (7, 1-13), no qual «Jesus se encontra com as pessoas que têm medo de se pôr a caminho» e que constroem uma espécie de «caricatura de Deus». Mas «era uma carteira de identidade falsa» porque – explicou o Papa – «esses não inquietos fizeram calar a inquietude do coração: traçaram Deus com os mandamentos» mas fazendo assim «esqueceram-se de Deus» para observar somente «a tradição dos homens». E «quando sentem uma insegurança, inventam ou fazem outro mandamento». Jesus disse a escribas e fariseus que acumulavam mandamentos: «Deste modo anulais a Palavra de Deus com a tradição que transmitistes e fizestes muitas destas coisas». É precisamente esta «a carteira de identidade falsa, que podemos obter sem nos pôr a caminho, quietos, sem inquietude do coração».

A este propósito o Papa evidenciou um pormenor «curioso»: de fato «o Senhor louvou-os mas reprovou-os onde havia um ponto mais sensível. Louvou-os: “Sois verdadeiramente hábeis no rejeitar o mandamento de Deus para observar a vossa tradição”», mas depois «reprovou-os onde está o ponto mais forte dos mandamentos com o próximo». De fato, Jesus recordou que Moisés tinha dito: «Honra teu pai e tua mãe, e quem amaldiçoa o pai ou a mãe seja condenado à morte». E prosseguiu: «Vós ao contrário dizeis: se alguém declara ao pai ou à mãe que “aquilo com o que deveria ajudar-te, isto é dar-te de comer, dar-te de vestir, dar-te remédios, é corbã, oferta a Deus”, não permitis que façam pelo pai e pela mãe». Assim «lavam as mãos com o mandamento mais terno e forte, o único que tem uma promessa de bênção». Deste modo «permanecem tranquilos, quietos, não se põem a caminho». Portanto, esta «é a imagem de Deus que eles têm». Na realidade o seu caminho é «entre aspas»: isto é «um caminho parado, quieto. Rejeitam os pais, mas cumprem as leis da tradição que fizeram».

Concluindo a sua reflexão o bispo de Roma propôs de novo o sentido dos dois textos litúrgicos como «duas carteiras de identidade». O primeiro é «o que todos temos, porque o Senhor nos criou assim», e é «aquele que nos diz: põe-te a caminho e tu obterás o conhecimento da tua identidade, porque és imagem de Deus, foste criado à semelhança de Deus. Põe-te a caminho e procura Deus». O outro garante-nos: «Não, fica tranquilo: cumpre todos os mandamentos; isto é Deus. Este é o rosto de Deus». Eis o desejo de que o Senhor «dê a todos a graça da coragem de se pôr sempre a caminho para procurar a face do Senhor, a face que um dia veremos mas que aqui na terra devemos buscar».

Papa recorda o dever do cristão de proteger a Criação



Os cristãos são chamados a proteger a Criação, destacou o Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 9.fevereiro.2015, na Casa Santa Marta. O Pontífice também se concentrou sobre a “segunda criação”, aquela realizada por Jesus que “re-criou” aquilo que tinha sido arruinado pelo pecado.

Deus cria o universo, mas a criação não termina, Ele apoia continuamente aquilo que criou. Francisco desenvolveu sua homilia concentrando-se no trecho do livro de Gênesis, que narra a criação do universo.

Já no Evangelho do dia, ele comentou a “outra” criação de Deus: quando Jesus veio recriar aquilo que havia sido arruinado pelo pecado. Jesus andava em meio ao povo e quantos o tocavam ficavam curados. Depois, disse o Papa, há o trabalho da perseverança na fé, feito pelo Espírito Santo.

“Deus trabalha, continua a trabalhar, e nós podemos nos perguntar como devemos responder a esta criação de Deus que nasceu do amor, porque Ele trabalha por amor. À ‘primeira criação’ devemos responder com a responsabilidade que o Senhor nos dá: ‘A Terra é vossa, levem-na adiante’.  Também para nós há a responsabilidade de fazer a Terra crescer, de fazer a Criação crescer, de protegê-la e fazê-la crescer segundo as suas leis”.

Francisco enfatizou que o homem não é patrão da Criação e, portanto, deve cuidar para não se aproveitar dela, mas sim protegê-la. Não se trata de uma tarefa de ambientalistas, mas sim dos cristãos. “É a nossa responsabilidade. Um cristão que não protege a Criação, que não a faz crescer, é um cristão a quem não importa o trabalho de Deus, aquele trabalho nascido do amor de Deus por nós”.

O Papa também se perguntou como os cristãos respondem à “segunda criação”. O caminho indicado por São Paulo é o da reconciliação com Deus, interior e comunitária, porque a reconciliação é obra de Cristo.

Ainda se referindo ao Apóstolo dos Gentios, o Pontífice disse que não se deve entristecer o Espírito Santo que está dentro de cada um, reiterando a crença no Deus pessoal e trino: pessoa Pai, pessoa Filho e pessoa Espírito Santo.

“E todos os três estão envolvidos nesta criação, nesta re-criação, nesta perseverança na re-criação. E a todos os três nós respondemos: proteger e fazer crescer a Criação, deixarmo-nos reconciliar com Jesus, com Deus em Jesus, em Cristo, todos os dias, e não entristecer o Espírito Santo, não expulsá-lo”.

Escreveu Papa Francisco em seu Twitter no Domingo, iniciando a semana:

08/02/2015
Jesus não é um personagem do passado: Ele continua sempre a iluminar o caminho do homem.


Papa na homilia em paróquia romana: “Deixo que Jesus pregue para mim ou sei tudo? Escuto Jesus ou prefiro ouvir outra coisa?”



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco visitou na tarde deste domingo (08/02/2015) a paróquia S. Miguel Arcanjo em Pietralata – bairro localizado na periferia nordeste de Roma.

Tratou-se de sua oitava visita oficial a uma paróquia da Diocese. Paulo VI visitou esta paróquia em dezembro de 1963 para a inauguração de casas populares, e João Paulo II em novembro de 1991.

No caminho a Pietralata, Francisco decidiu mudar o programa e, com o pároco Aristide Sana, parar num acampamento precário que abriga equatorianos, poloneses, russos, eritreus e ciganos. Surpresos, os moradores acolheram o Pontífice com festa, abraços e apertos de mãos, rezaram juntos o Pai-Nosso em espanhol e Francisco concedeu-lhes a sua bênção.

Já diante da paróquia, o Papa foi recebido por uma multidão de fiéis, com vários “selfies” e com um presente inusitado de um pizzaiolo: uma pizza com o rosto de Francisco e uma frase: “Um dom para retribuir a sua bondade”. Também estavam presentes Vigário para a Diocese de Roma, Card. Agostino Vallini, e o Bispo Auxiliar Dom Guerino Di Tora.

Seguindo a programação, Francisco se encontrou com doentes, com moradores de rua assistidos pela Comunidade de Santo Egídio - aos quais doou sacos de dormir. Ao se reunir com crianças e jovens que se preparam para a Primeira Comunhão e a Crisma, o Papa respondeu a perguntas de dois deles - ocasião em que pediu paz e falou das guerras na Ucrânia e na África. A seguir, foi a vez das famílias, a quem aconselhou "paciência" para fazer durar o matrimônio. "Nunca terminem o dia sem fazer as pazes", afirmou.

Como tem feito em todas estas visitas, o Papa confessou alguns paroquianos antes de celebrar a Missa.

A homilia centrou-se na figura de Jesus que “prega, que cura”, pedindo que as pessoas estejam disponíveis para ouvir a palavra de Cristo.

“Deixo que Jesus pregue para mim ou sei tudo? Escuto Jesus ou prefiro ouvir outra coisa?”, perguntou, pedindo um “contato diário com o Evangelho”, repetindo o apelo para que cada católico tenha uma edição de bolso do Evangelho para consultar em qualquer momento do dia.

O Papa falou das invejas e divisões que “o diabo semeia”, mesmo no seio das famílias. “Deixa-se curar por Jesus. Cada um sabe onde tem a ferida”, pediu aos presentes.

No final da Missa, Francisco recebeu alguns presentes oferecidos pela comunidade paroquial e parou em oração diante da imagem de Nossa Senhora, antes do regresso ao Vaticano.

Angelus: Jesus é o médico das almas e dos corpos



Cidade do Vaticano (RV) – “A cura dos doentes por parte de Cristo nos convida a refletir sobre o sentido e o valor da doença.” No Angelus deste domingo (08/02/2015), o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia, em que Jesus cura inúmeros doentes.

“Pregar e curar: esta é a atividade principal de Jesus na sua vida pública”, explicou o Papa. Com a pregação, Ele anuncia o Reino de Deus; com as curas, demonstra que o Reino está próximo.

Ao entrar na casa de Simão Pedro, Jesus vê que a sua sogra estava na cama com febre; logo a toma pela mão, a cura e a faz levantar-se. Depois do pôr-do-sol, quando concluído o sábado as pessoas podem sair e levar-lhes os doentes, reúne-se uma multidão de pessoas com todo tipo de doenças: físicas, psíquicas e espirituais.

“Vindo sobre a terra para anunciar e realizar a salvação de todo o homem e de todos os homens, Jesus mostra uma especial predileção por aqueles que estão feridos no corpo e no espírito: os pobres, os pecadores, os endemoninhados, os doentes e os marginalizados. Ele assim se revela médico seja das almas, seja dos corpos, bom Samaritano do homem.”

Para o Pontífice, a realidade da cura dos doentes por parte de Cristo nos convida a refletir sobre o sentido e o valor da doença. A isso nos evoca também o Dia Mundial do Enfermo, que celebraremos na próxima quarta-feira, 11 de fevereiro, memória litúrgica da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes. “Abençoo as iniciativas preparadas para este Dia, em especial a vigília que terá lugar em Roma, na noite de 10 de fevereiro”, pedindo orações também para o idealizador desta iniciativa, o Arcebispo polonês Zygmunt Zimowski, que está “muito doente” na Polônia.

A obra salvífica de Cristo não se esgota com a sua pessoa e no arco de sua vida terrena; ela continua mediante a Igreja. Fiel a este ensinamento, afirmou Francisco, a Igreja sempre considerou a assistência aos doentes parte integrante da sua missão, uma via privilegiada para encontrar Cristo, para acolhê-lo e servi-lo. “Curar um doente, acolhê-lo, servi-lo, é servir Cristo: o doente é a carne de Cristo”, ressaltou.

Apesar dos avanços da ciência, constatou o Papa, o sofrimento interior e físico das pessoas suscita fortes interrogações sobre o sentido da doença e da dor e do porquê da morte. “Trata-se de perguntas existenciais, às quais a ação pastoral da Igreja deve responder à luz da fé. Portanto, cada um de nós é chamado a levar a luz do Evangelho aos que sofrem e aos os assistem, parentes, médicos e enfermeiros, para que o serviço ao doente seja realizado sempre mais com humanidade, com dedicação generosa, com amor evangélico. A Igreja mãe, através das nossas mãos, acaricia os nossos sofrimentos e cura as nossas feridas, e o faz com a ternura de mãe.”

Francisco então concluiu pedindo a Maria, Saúde dos doentes, para que cada pessoa na doença possa experimentar, graças à solicitude de quem lhe está próximo, a potência do amor de Deus.

Papa: mulheres não são hóspedes da Igreja, mas membros ativos



Cidade do Vaticano 7.fevereiro.2015 (RV) – O papel da mulher na Igreja e na sociedade esteve no centro do discurso do Papa aos participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Cultura, que dedicou sua reunião anual ao tema das “culturas femininas”.

Para Francisco, trata-se de um tema que lhe interessa particularmente, como reiterado inúmeras vezes, pois segundo ele é necessário estudar critérios e modalidades novas para que as mulheres não se sintam hóspedes, mas plenamente partícipes dos vários âmbitos da vida social e eclesial. “A Igreja é mulher. É a Igreja, não o Igreja”, ressaltou.

Superadas as fases da “subordinação social” e da “igualdade absoluta”, analisou o Pontífice, configurou-se agora um novo paradigma, o da “reciprocidade na equivalência e na diferença”. Isto é, a relação homem-mulher deveria reconhecer que ambos são necessários enquanto possuem uma idêntica natureza, mas com modalidades próprias.

Agressão

No âmbito desta reciprocidade, Francisco destacou como, infelizmente, o corpo feminino – símbolo de vida – “é agredido e deturpado inclusive pelos companheiros de vida”.

“As tantas formas de escravidão, de mercantilização, de mutilação do corpo das mulheres nos comprometem, portanto, a trabalhar para derrotar esta forma de degradação que o reduz a um puro objeto de venda nos vários mercados. Desejo chamar à atenção, neste contexto, a dolorosa situação de tantas mulheres pobres, obrigadas a viver em condições de perigo, de exploração, relegadas às margens das sociedades e vítimas de uma cultura do descartável.”

Mulher na Igreja

Quanto ao papel da mulher na Igreja, o Papa se diz convicto da urgência de oferecer espaços às mulheres, levando em consideração as específicas e diversificadas sensibilidades culturais e sociais. “É auspiciável, portanto, uma presença feminina mais ramificada e incisiva nas comunidades, de modo que possamos ver muitas mulheres envolvidas nas responsabilidades pastorais, no acompanhamento de pessoas, famílias e grupos, assim como na reflexão teológica.”

Por fim, Francisco encorajou ainda a presença eficaz das mulheres na esfera pública, no mundo do trabalho e nos locais onde são adotadas as decisões mais importantes. “Todas as instituições, inclusive a comunidade eclesial, são chamadas a garantir a liberdade de escolha para as mulheres, para que tenham a possibilidade de assumir responsabilidades sociais e eclesiais, num modo harmônico com a vida familiar.”
Palavras do Papa ao Pontifício conselho para os leigos sobre oportunidades e riscos nos espaços urbanos Cidade e anticidade



Na manhã de 7.fevereiro.2015, recebendo os membros do Pontifício conselho para os leigos, Francisco meditou sobre o tema da assembleia plenária, recém-concluída.

«Diante destes cenários tristes — disse — devemos recordar sempre que Deus não abandonou a cidade, mas habita na cidade».

«O fenômeno do urbanismo – ressaltou o Pontífice – já assumiu dimensões globais: mais de metade dos habitantes do planeta vive nas cidades. E o contexto urbano tem um impacto forte sobre a mentalidade, a cultura, os estilos de vida, os relacionamentos interpessoais e a religiosidade das pessoas. Em tal contexto, tão diversificado e complexo, a Igreja não é mais a única “promotora de sentido” e os cristãos devem absorver “linguagens, símbolos, mensagens e paradigmas que oferecem novas orientações de vida, não raro em oposição ao Evangelho”. As cidades apresentam grandes oportunidades e riscos: podem ser magníficos espaços de liberdade e realização humana, mas também terríveis espaços de desumanização e infelicidade».
L'Osservatore Romano


Papa adverte para novas formas de “colonização” na África



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência neste sábado, 7 de fevereiro de 2015, os membros do Comitê Permanente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM), que realizou a sua reunião estatutária no Vaticano esta semana.

No seu discurso o Papa começou por encorajar esta Instituição continental, pensada e promovida depois do Concílio Vaticano II para prestar serviço às Igrejas locais na África. Este serviço, disse o Papa, tem a finalidade de dar respostas comuns aos novos desafios do continente para que a Igreja possa falar com uma só voz e testemunhar a sua vocação de ser sinal e instrumento de salvação, de paz, diálogo e reconciliação.

Mundanismo e colonização

Este caminho – prosseguiu Francisco – exige que os pastores permaneçam livres de qualquer preocupação mundana e política, fortaleçam os vínculos de comunhão com o Papa, através da colaboração com as Nunciaturas Apostólicas e com uma comunicação "fluida" e direta com as outras instituições da Igreja, mantendo experiências eclesiais simples e acessíveis para todos, bem como estruturas pastorais sóbrias.

Em seguida, o Pontífice referiu-se às novas gerações, que precisam sobretudo do testemunho, sublinhando que na África o futuro está nas mãos dos jovens, e eles são hoje chamados a defender-se contra as novas formas de "colonização", tais como o sucesso, a riqueza, o poder todo o custo, mas também o fundamentalismo e o uso indevido da religião. A maneira mais eficaz para superar a tentação de ceder a estes estilos de vida perigosos é investir na educação, e preocupar-se principalmente por oferecer uma proposta educativa que ensine os jovens a pensar criticamente e lhes indique um percurso de maturação nos valores.

O Papa Francisco disse ainda que também na África verifica-se uma certa desagregação familiar, portanto, a Igreja é chamada a valorizar e incentivar todas as iniciativas em favor da família, como fonte privilegiada de qualquer fraternidade e fundamento e via para a paz.

Ebola

Segundo o Santo Padre, nos últimos tempos muitos sacerdotes, religiosos e leigos têm-se empenhado em obras louváveis para o apoio da família, com especial atenção para os idosos, os doentes, os deficientes, sobretudo nas zonas mais remotas onde as Igrejas têm proclamado o Evangelho da vida e socorrido os mais necessitados a exemplo do Bom Samaritano. E o Papa citou o maravilhoso testemunho de caridade diante do recente surto do vírus ebola, em que muitos missionários africanos deram generosamente a vida para ficar ao lado dos doentes.

O Simpósio, recordou ainda o Papa Francisco, é também um lugar para promover o Estado de direito e legalidade, para que se possam sanar as chagas da corrupção e do fatalismo, e para incentivar o empenho dos cristãos nas realidades seculares, tendo em vista o bem comum. E para tal, concluiu o Pontífice, é importante recordar que a evangelização requer a conversão, ou seja, a mudança interior. E terminou  invocando sobre eles a luz e a força do Espírito Santo para que sustentem os seus esforços pastorais e para que a Virgem Maria proteja e interceda por todo o Continente.

Papa: o martírio dos cristãos me comove



Cidade do Vaticano (RV) – O martírio dos cristãos não é algo do passado, mas muitos deles são vítimas também hoje “de pessoas que odeiam Jesus Cristo”. Esta foi a constatação feita pelo Papa Francisco na manhã desta sexta-feira (06/02/2015), na homilia da missa na Casa Santa Marta, no final de uma intensa meditação sobre a vida e a morte de João Batista.

Seguindo as páginas do Evangelho de São Marcos, o Papa destacou que João “jamais traiu a sua vocação”, “consciente de que o seu dever era somente anunciar” a “proximidade do Messias” –, de ser somente “a voz”, porque “a Palavra era Outra pessoa”. João termina a sua vida como o Senhor, com o martírio.

E é sobretudo quando acaba na prisão por ordem de Herodes Antipas que “o maior homem nascido de mulher” se torna, observou Francisco, “pequeno, pequeno, pequeno”. Primeiro, porque duvida de Jesus. Segundo, quando chega para ele o momento do fim, ordenado por um rei ao mesmo tempo fascinado e perplexo diante de João:

“No final, depois desta purificação, abrindo caminho para a aniquilação de Jesus, termina a sua vida. Aquele rei perplexo se torna capaz de um decisão, mas não porque o seu coração tenha sido convertido, mas porque o vinho lhe deu coragem. E assim João termina a sua vida sob a autoridade de um rei medíocre, bêbado e corrupto, pelo capricho de uma bailarina e pelo ódio vingativo de uma adúltera. Assim termina o Grande, o maior homem nascido de mulher”.

“Quando eu leio este trecho – afirmou a este ponto o Papa – eu confesso que me comovo” e penso sempre “em duas coisas”:

“Primeiro, penso nos nossos mártires, nos mártires dos nossos dias, aqueles homens, mulheres e crianças que são perseguidos, odiados, expulsos das casas, torturados, massacrados. E esta não é uma coisa do passado: hoje isso também acontece. Os nossos mártires, que terminam sua vida sob a autoridade corrupta de pessoas que odeiam Jesus Cristo. Nos fará bem pensar nos nossos mártires. Hoje pensemos em Paulo Miki, mas isso aconteceu em 1600. Pensemos naqueles de hoje! De 2015”.

Além disso, prosseguiu o Papa, este diminuir de João o Grande “continuamente até o nada” me faz pensar “que estamos nesta estrada e caminhamos rumo à terra, onde todos nós acabaremos”. Faz-me pensar em “mim mesmo”:

“Também eu vou acabar. Todos nós acabaremos. Ninguém tem a vida ‘comprada’. Também nós, querendo ou não, caminhamos na estrada da aniquilação existencial da vida, e isso, pelo menos para mim, me faz rezar para que esta aniquilação se pareça o mais possível com a de Jesus Cristo, com a sua aniquilação”.

Também, nesta sexta-feira, o Santo Padre escreveu um tweet:

06/02/2015
Acreditar não significa estar livre de momentos difíceis, mas ter a força para os enfrentar sabendo que não estamos sozinhos.
Papa conversa com jovens de diversos países por videoconferência



Jovens do Brasil, Estados Unidos, Espanha e Índia participaram de uma videoconferência com o Papa Francisco nesta quinta-feira, 5.fevereiro.2015, no âmbito do encerramento do 4º Congresso Mundial das ‘Scholas Ocurrentes’ – rede de escolas patrocinada pelo Papa que reúne 400 mil instituições dos cinco continentes.

Durante as conversas, o Santo Padre declarou aos jovens portadores de necessidades especiais: “Vocês ajudam-nos a compreender que a vida é um belo tesouro que só tem sentido se a dermos”.

Segundo Francisco, o tesouro de cada um deve ser partilhado com os outros, a fim de que se multiplique. “Todos vocês têm um cofre, uma caixa, e dentro há um tesouro. O vosso trabalho é abrir caixa”, disse aos jovens. “Não escondam o tesouro que cada um tem”, acrescentou.

O encontro contou ainda com uma ligação ao vivo com Moçambique, onde o projeto ‘Scholas’ permitiu equipar com equipamentos de informática uma escola secundária com mais de mil alunos, que agradeceram ao Papa, em português.

O diretor da instituição convidou Francisco a visitar Moçambique, ao que o Papa respondeu: “Oxalá possa ir”.

O projeto ‘Scholas Ocurrentes’, com sede Academia Pontifícia das Ciências, usa a tecnologia, a arte e o desporto para promover a integração social e a cultura do encontro nas escolas.

Centenas de responsáveis de várias escolas, não apenas confessionais ou católicas, estiveram reunidas desde segunda-feira, 2, no Vaticano para debater o tema ‘Responsabilidade Social educativa. Uma responsabilidade de todos’.

Durante a videoconferência, Francisco sublinhou o papel deste projeto para fomentar a comunicação e “construir pontes”. “Quando não comunicamos, ficamos sozinhos com as nossas limitações, e isso nos faz mal”, alertou.

Um dos jovens perguntou ao Papa como se enfrenta uma dificuldade e Francisco disse que o segredo é “ficar calmo” e “procurar formas de vencê-la, e superá-la”.

“Não devemos nunca nos assustar com as dificuldades, somos capazes de superar todas. Só é preciso tempo para a compreender, inteligência para procurar o caminho e coragem para avançar, mas nunca assustar-se”, enfatizou.

Francisco conversou com Isaías, Manoj, Pedro, Isabel, Bautista, Alicia e Elvira, fazendo perguntas sobre a vida de cada um destes jovens e crianças com deficiência, confessando, durante os diálogos, que não tem muita aptidão para os computadores.

Entre as entidades que se associaram ao projeto estava o Futebol Clube Barcelona, com uma comitiva liderada pelo seu presidente, Josep Maria Bartomeu, e pelo vice-presidente para a área social, Jordi Cardoner.

Os responsáveis assinaram um acordo de cooperação para “desenvolver projetos educativos e fomento dos valores entre os mais jovens”.

Francisco disse aos presentes que uma das suas preocupações é promover a “harmonia, criando entendimentos e valorizando as diferenças”.

O Papa lamentou que se tenha quebrado o pacto educativo, porque todas as instituições delegam a educação aos docentes, “mal pagos”, que “carregam sozinhos esta responsabilidade”. “Não vamos mudar o mundo sem mudar a educação”, sustentou.

Francisco convidou todos a procurar na sua história a “beleza” que existe em cada país, na arte, na música, na cultura, para ajudar as crianças a construir um novo futuro.

A plataforma social da ‘Scholas Ocurrentes’ conta atualmente com 400 mil escolas dos cinco continentes, com uma média de 500 alunos em cada uma.

A plataforma ‘Scholas.social’ tem o apoio de empresas como Google, Globant e Line 64 e foi lançada inicialmente em inglês, italiano e espanhol.

Veja o vídeo em: http://youtu.be/raaUwRhXOos

Papa: Igreja pobre, que cuida e cura



Cidade do Vaticano, 5.fevereiro.2015 (RV) - A Igreja deve anunciar o Evangelho ‘na pobreza’ e quem o anuncia deve ter como único objetivo aliviar as misérias dos mais pobres, sem jamais se esquecer que este serviço é obra do Espírito Santo e não de forças humanas. Este foi o teor da homilia que o Papa proferiu na manhã de quinta-feira, 05, na Missa celebrada na Casa Santa Marta.

Curar, erguer-se, libertar. Expulsar os demônios e depois reconhecer com sobriedade: “fui um simples operário do Reino”. É isso que deve fazer, e dizer de si, um ministro de Cristo quando cura os feridos” que aguardam nas “salas de espera” da Igreja “hospital de campo”. Este conceito, tão querido a Francisco, retornou à sua reflexão da manhã, ditada pelo trecho do Evangelho do dia em que Jesus envia os discípulos em duplas às aldeias para pregar, curar os doentes e expulsar os ‘espíritos impuros’.

Curar as feridas do coração

O olhar do Papa é atraído pela descrição que Jesus faz do estilo que seus enviados devem ter diante do povo: que sejam pessoas sem luxo: “nada de pão, bolsas e dinheiro”, diz ele – e isto porque o Evangelho, afirma Francisco, “deve ser anunciado na pobreza, porque a salvação não é uma teologia da prosperidade”. É apenas e somente o “feliz anúncio” de libertação levado a todos os oprimidos:

 “Esta é a missão da Igreja; a Igreja que cuida e que cura. Algumas vezes, falei da Igreja como um hospital de campo: é verdade! Quantos feridos existem, quantos! Quanta gente precisa que suas feridas sejam curadas! Esta é a missão da Igreja: curar as feridas do coração, abrir portas, libertar, dizer que Deus é bom, que Deus perdoa tudo, que Deus é pai, que Deus é ternura, que Deus nos espera sempre…”.

Zelo apostólico, não compromisso de ONGs

Desviar a essencialidade deste anúncio abre ao risco - muitas vezes advertido pelo Papa Francisco – de deturpar a missão da Igreja, para a qual compromisso de aliviar as várias formas de miséria se esvazia da única coisa que importa: levar Cristo aos pobres, aos cegos, aos prisioneiros:

“É verdade, nós temos que ter ajuda, e criar organizações que ajudem a fazer isso: isso sim, porque o Senhor nos dá os dons para isso. Mas quando esquecemos esta missão, esquecemos a pobreza, esquecemos o zelo apostólico e colocamos a esperança nestes meios, a Igreja lentamente desliza em uma ONG e se torna uma bela organização: poderosa, mas não evangélica, porque lhe falta aquele espírito, aquela pobreza, aquela força para curar”.

Discípulos "trabalhadores do Reino"

Os discípulos retornam "felizes" de sua missão e o Papa recorda que Jesus os leva consigo “para descansar um pouco”. No entanto, ressalta Francisco ...

"... não diz a eles: Vocês são grandes, a próxima saída agora organizem melhor as coisas ...'. Somente: 'Quando você tiverem feito tudo isso, digam a si mesmo: 'Somos servos inúteis'. Este é o apóstolo. E qual seria o mais belo elogio para um apóstolo? "Ele foi um trabalhador do Reino, um trabalhador do Reino '. Este é o maior elogio, porque vai por esse caminho o anúncio de Jesus: vai curar, proteger, proclamar esta boa notícia e este ano de graça. Fazer com que o povo reencontre o Pai, fazer a paz nos corações das pessoas”.
Papa aos bispos da Grécia: confiança e diálogo com UE



Cidade do Vaticano, 5.fevereiro.2015 (RV) – “Vista a duração da crise econômica que atingiu o mundo, mas especialmente o seu país, não deixem de exortar todos à confiança no futuro, contrastando a chamada ‘cultura do pessimismo’”: estas foram as palavras principais do Papa ao episcopado grego, recebido esta manhã no Vaticano. O grupo de 10 bispos, que está em Roma e no Vaticano realizando sua visita Ad Limina, recebeu a saudação de Francisco e um discurso escrito, com palavras de encorajamento.

“O espírito de solidariedade que todo cristão é chamado a testemunhar concretamente na vida cotidiana constitui ‘fermento de esperança’. É importante que mantenham relações construtivas com as autoridades de seu país e com os vários componentes da sociedade, para difundir a perspectiva da solidariedade em atitude de diálogo e colaboração com os outros países europeus”, diz Francisco.

Em relação à solidariedade, o Papa revela a sua alegria em ver o povo grego aberto ao encontro e à acolhida dos imigrantes, muitos dos quais ‘irregulares’; e enalteceu esta ação pastoral e caritativa junto a irmãos e irmãs sem alguma distinção de língua, raça ou crença religiosa.

Neste mesmo espírito, Francisco pediu que a Igreja prossiga o diálogo com os irmãos ortodoxos, para alimentar o caminho ecumênico. Pediu também aos bispos que transmitam o seu carinho aos sacerdotes mais idosos, citou o valor dos anciãos na sociedade, lembrou o compromisso da Igreja com a formação dos noivos e das novas gerações e enfim, expressou seu apreço pelo trabalho de evangelização que levam avante no país.

A Grécia elegeu em fins de janeiro o partido de esquerda Syriza para o novo governo. Seu líder e atual premiê Alexis Tsipras se destacou junto ao eleitorado grego por sua determinação em tirar o país da crise e não respeitar as medidas recessivas impostas pela União Europeia, encabeçada pela Alemanha da premiê Angela Merkel. 

Papa: não há lugar no clero para quem abusa de menores



Francisco envia carta sobre Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, pedindo colaboração de bispos e religiosos para combater a chaga do abuso sexual contra menores

O Papa Francisco pede a colaboração de bispos e religiosos com a Comissão para a Proteção dos Menores, a fim de que seja garantida a segurança de crianças e adultos vulneráveis. Em carta divulgada nesta quinta-feira, 5, Francisco reitera a firme posição sobre o assunto: “não há lugar no ministério para aqueles que abusam dos menores”.

A carta foi enviada aos presidentes das Conferências Episcopais e superiores dos institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica, falando a respeito da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, instituída em março de 2014.

Em julho do mesmo ano, o Pontífice se encontrou com pessoas que sofreram abusos sexuais por parte de sacerdotes (Leia aqui). “Isso me confirmou na convicção de que é preciso continuar a fazer tudo possível para erradicar da Igreja a chaga dos abusos sexuais de menores e abrir um caminho de reconciliação e de cura em favor daqueles que foram abusados”, escreve o Santo Padre na carta.

Francisco acredita que a Comissão será um instrumento eficaz para ajudá-lo a animar e promover o empenho de toda a Igreja em colocar em ação medidas necessárias para garantir a proteção dos menores e adultos vulneráveis.

O Santo Padre quer que as famílias saibam que a Igreja não economiza esforços para proteger seus filhos e têm o direito de dirigir-se a ela com confiança, porque ela é uma casa segura. “Não poderá, portanto, ser dada prioridade a outro tipo de consideração, de qualquer natureza que seja, como, por exemplo, o desejo de evitar o escândalo, porque não há, absolutamente, lugar no ministério para os que abusam dos menores”.

Também é preciso, segundo o Papa, cuidar para que se dê plena atuação à Carta Circular da Congregação para a Doutrina da Fé, de 3 de maio de 2011, para ajudar as conferências episcopais em preparar orientações para o tratamento dos casos de abusos sexuais contra menores por parte dos clérigos.

Aos bispos e superiores, Francisco indica a tarefa de verificar que nas paróquias e outras instituições da Igreja seja garantida a segurança dos menores e adultos vulneráveis. Ele pede programas de assistência pastoral, que possam contar com serviços psicológicos e espirituais.

“Os pastores e os responsáveis pelas comunidades religiosas sejam disponíveis ao encontro com as vítimas e seus entes queridos: trata-se de ocasiões preciosas para escutar e para pedir perdão a quantos sofreram tanto”.

Famílias como coelhos

Dom Fernando Rifan

“É para se deplorar de modo particular a imprensa que, de tempos em tempos, volta sobre a questão (da família numerosa) com a intenção manifesta de lançar a confusão no espírito do povo simples e induzi-lo ao erro por documentações tendenciosas, por pesquisas discutíveis e mesmo por declarações falseadas deste ou aquele eclesiástico”. Assim dizia o Papa Pio XII, no seu discurso aos dirigentes e representantes das Associações de Famílias Numerosas, em 20 de janeiro de 1958.

A imprensa sensacionalista procurou ressaltar negativamente uma afirmação do Papa Francisco, na viagem de volta das Filipinas para Roma, em 18 de janeiro de 2015, pinçada do colóquio informal com os jornalistas no avião, sobre o número de filhos de uma família: “Alguns acham, desculpem-me pela palavra, que para ser bons católicos precisamos ser como coelhos. Não! Paternidade responsável. Isto é claro”.

Uma frase fora do contexto pode ser apenas um pretexto. Não se pode dizer tudo, toda a doutrina, em todos os lugares e em todas as afirmações,ao mesmo tempo. Há que se ver o conjunto. O conjunto  de que falo é toda a doutrina católica. Como na Bíblia. Citando frases fora do contexto e do conjunto, pode-se provar qualquer coisa. Pinçando frases e doutrinas, sem o conjunto, é que se fizeram as heresias.
           
Antes da frase dos “coelhos”, o papa Francisco tinha dito: “A presença das famílias numerosas é uma esperança para a sociedade. O fato de termos irmãos e irmãs nos faz bem; os filhos e filhas de uma família numerosa são mais capazes de comunhão fraterna desde a primeira infância. Em um mundo marcado tantas vezes pelo egoísmo, a família numerosa é uma escola de solidariedade e de fraternidade, e estas atitudes se orientam depois em benefício de toda a sociedade” (28-XII-2014).


No avião, ele disse aos jornalistas: “A abertura à vida é a condição do sacramento do matrimônio, a ponto de que esse matrimônio é nulo caso se possa provar que ele ou ela se casou com a intenção de não estar aberto à vida. É causa de nulidade matrimonial. Isto não significa que o cristão tem que ter filhos em série. Isto é tentar a Deus. E alguns, talvez, não são prudentes nisto. Falamos de paternidade responsável. Esse é o caminho”.

Depois das interpretações erradas das suas palavras, o papa disse: “Dá consolação e esperança ver tantas famílias numerosas que acolhem os filhos como um verdadeiro dom de Deus. Eles sabem que cada filho é uma bênção. Escutei que as famílias com muitos filhos e o nascimento de muitos filhos estão entre as causas da pobreza. Acho uma opinião simplista. Eu posso dizer, todos podemos dizer, que a causa principal da pobreza é um sistema econômico que tirou a pessoa do centro e colocou o deus dinheiro, um sistema econômico que exclui, exclui sempre, exclui as crianças, os idosos, os jovens sem trabalho... e que cria a cultura do descarte em que vivemos. Nós nos acostumamos a ver pessoas sendo descartadas. Este é o motivo principal da pobreza, não as famílias numerosas” (21-I-2015) (Cf. ZENIT, 30/1/2015).

Audiência: os pais devem ser doces e firmes com os filhos

Cidade do Vaticano (RV) – Na Sala Paulo VI, o Papa recebeu cerca de sete mil fiéis para a Audiência Geral desta quarta-feira (04/02/2015).

Sob o som de “Solo lo pido a Dios”, tocado ao vivo na Sala, o Papa percorreu o corredor central para saudar e receber o carinho dos peregrinos, que saúdam entusiasmados o Pontífice.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de desenvolver a segunda parte da reflexão sobre a figura do pai na família. Na vez passada, falei do perigo dos pais “ausentes”, hoje quero olhar ao aspecto positivo. Também São José foi tentado a deixar Maria, quando descobriu que estava grávida: mas intervém o anjo do Senhor que lhe revelou o desígnio de Deus e a sua missão de pai adotivo; e José, homem justo, “toma consigo sua esposa” (Mt 1, 24) e se torna o pai da família de Nazaré.

Cada família precisa do pai. Hoje nos concentremos no valor do seu papel, e gostaria de partir de algumas expressões que se encontram no Livro dos Provérbios, palavras que um pai dirige ao próprio filho, e diz assim: “Filho meu, se o teu coração for sábio, também o meu será cheio de alegria. Exultarei dentro de mim, quando os teus lábios disserem palavras retas” (Pv 23, 15-16). Não se poderia exprimir melhor o orgulho e a comoção de um pai que reconhece ter transmitido ao filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio. Este pai não diz: “Estou orgulhoso de você porque és igual a mim, porque repetes as coisas que eu digo e que eu faço”. Não, não lhe diz simplesmente qualquer coisa. Diz-lhe algo de bem mais importante, que podemos interpretar assim: “Serei feliz toda vez que te ver agir com sabedoria e estarei comovido toda vez que te ouvir falar com retidão. Isso é aquilo que quis te deixar, para que se tornasse uma coisa tua: a atitude de sentir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão. E para que tu pudesses ser assim, te ensinei coisas que não sabia, corrigi erros que não vias. Fiz você sentir um afeto profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não reconhecestes plenamente quando eras jovem e incerto. Dei a você um testemunho de rigor e de firmeza que talvez você não entendeu, quando você quis somente cumplicidade e proteção. Precisei eu mesmo, primeiro, colocar-me à prova da sabedoria do coração e vigiar sobre os excessos de sentimento e do ressentimento, para levar o peso das inevitáveis incompreensões e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora, continua o pai – quando vejo que você procura ser assim com os teus filhos, e com todos, me comovo. Sou feliz de ser teu pai”. É assim que diz um pai sábio, um pai maduro.


Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta doçura e quanta firmeza. Porém, que consolo e recompensa se recebe quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que redime todo cansaço, que supera toda incompreensão e cura toda ferida.

A primeira necessidade, então, é justamente essa: que o pai seja presença na família. Que seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças. E que seja próximo aos filhos em seu crescimento: quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho; pai presente, sempre. Dizer presente não é o mesmo que dizer controlador! Porque os pais muito controladores anulam os filhos, não os deixam crescer.

O Evangelho nos fala do exemplo do Pai que está nos céus – o único, diz Jesus, que pode ser chamado realmente “Pai bom” (cfr Mc 10, 18). Todos conhecem aquela extraordinária parábola chamada do “filho pródigo”, ou melhor, do “pai misericordioso”, que se encontra no Evangelho de Lucas no capítulo 15 (cfr 15, 11-32). Quanta dignidade e quanta ternura na espera daquele pai que está na porta da casa esperando que o filho retorne! Os pais devem ser pacientes. Tantas vezes não há outra coisa a fazer se não esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, magnanimidade, misericórdia.

Um bom pai sabe esperar e sabe perdoar, do fundo do coração. Certo, sabe também corrigir com firmeza: não é um pai frágil, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem degradar é o mesmo que sabe proteger sem se economizar. Uma vez ouvi em uma reunião de matrimônio um pai dizer: “Algumas vezes preciso bater um pouco nos filhos… mas nunca no rosto para não degradá-los”. Que bonito! Tem sentido de dignidade. Deve punir, faz isso de modo justo, e segue adiante.

Portanto, se há alguém que pode explicar até o fundo a oração do “Pai nosso”, ensinada por Jesus, este é justamente quem vive em primeira pessoa a paternidade. Sem a graça que vem do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos precisam encontrar um pai que os espera quando retornam dos seus insucessos. Farão de tudo para não admitir isso, para não deixarem ver, mas precisam; e não encontrar isso abre feridas difíceis de curar.

A Igreja, nossa mãe, é empenhada em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque esses são para as novas gerações protetores e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e na proteção de Deus, como São José.


No final da Audiência, o Papa lançou mais um apelo pela paz na Ucrânia, condenando o recrudescimento da violência:

“Mais uma vez, o meu pensamento vai ao amado povo ucraniano. Infelizmente, a situação está piorando e se agrava a contraposição entre as partes. Rezemos antes de tudo pelas vítimas, entre as quais inúmeros civis, e por suas famílias, e peçamos ao Senhor que cesse o quanto antes esta horrível violência fratricida. Renovo o forte apelo para que se faça todo esforço – inclusive em nível internacional – pela retomada do diálogo, único caminho possível para restabelecer a paz e a concórdia naquela martirizada terra.”

Escândalo

“Quando ouço as palavras vitória e derrota, sinto uma grande dor e uma grande tristeza. Não são as palavras justas. A única palavra justa é paz. É uma guerra entre cristãos, todos com o mesmo batismo. Pensem neste escândalo. E rezemos, porque a oração é o nosso protesto diante de Deus”, prosseguiu Francisco.

Catástrofe

A ONU classificou nesta terça-feira (03/02) como “catastrófica” a recente escalada de violência no leste da Ucrânia.Nas últimas horas, pelo menos 16 civis foram mortos e dezenas de outros ficaram feridos.Segundo fontes do governo e representantes dos rebeldes, as mortes foram registradas em localidades próximas às regiões de Donetsk e Luhansk.

Nas últimas semanas, as mortes de civis aumentaram significativamente em meio ao recrudescimento da ofensiva rebelde.Segundo o jordaniano Ra'ad Al Hussein, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, houve uma "clara violação da lei humanitária internacional que rege a condução de conflitos armados".

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram e outras 12 mil ficaram feridas em razão dos confrontos armados no país.

Papa: ouvir o Evangelho ao invés da novela. Só Cristo nos dá esperança



Cidade do Vaticano, 3.fevereiro.2015 (RV) – A contemplação cotidiana do Evangelho nos ajuda a ter a verdadeira esperança. Foi o que sublinhou o Papa Francisco na Missa matutina na Casa Santa Marta. O Pontífice exortou novamente os fiéis a ler o Evangelho todos os dias, mesmo que somente por 10 minutos, para dialogar com o Senhor ao invés de perder tempo vendo novela ou ouvindo conversas do vizinho.

“Qual é o cerne da esperança? Manter o olhar ‘fixo em Jesus’”. Francisco desenvolveu sua homilia a partir da Carta dos Hebreus que fala justamente da esperança. Sublinhou que sem ouvir o Senhor podemos “ser otimistas, positivos”, mas a esperança se aprende somente olhando a Jesus.

A partir daí, centrou a sua reflexão na “oração de contemplação”, afirmando que “faz bem rezar o Terço todos os dias” com o Senhor, com Nossa Senhora ou com os Santos. “Mas – acrescentou – é importante fazer a “oração de contemplação”, que só se pode fazer “com o Evangelho na mão”.

“Como fazer a contemplação com o Evangelho de hoje? Vejo que Jesus estava no meio do povo, uma multidão estava ao seu redor. Neste trecho, a palavra ‘multidão’ é repetida cinco vezes. Ele não descansava nunca? Sempre com a multidão... Jesus passou a maior parte de sua vida na rua, com o povo... Uma vez só ele se repousou: diz o Evangelho que dormiu em um barco, mas chegou uma tempestade e os discípulos o acordaram. Jesus estava continuamente com as pessoas. E olhando assim para Jesus, eu o imagino assim, o contemplo e lhe digo o que me passa pela cabeça”.
  O Evangelho do dia diz ainda que Jesus nota uma mulher doente que, em meio à multidão, o toca. O Papa explicou que Jesus “não só entende a multidão, toca a multidão, sente o bater do coração de cada um de nós. Tem cuidado por todos, sempre!. E o mesmo acontece quando o chefe da Sinagoga lhe conta que sua filha está gravemente doente: Ele deixa tudo e se ocupa disso”.

Francisco continuou a imaginar o que acontece naqueles momentos: Jesus chega na casa, as mulheres choram porque a menina morreu; Jesus lhes tranquiliza e as pessoas zombam Dele. “Neste episódio – completou o Papa – se vê a paciência de Jesus”. E depois da ressurreição da menina, Jesus, ao invés de dizer “Força Deus”, lhes diz: “Por favor, deem comida para ela”. “Jesus – observou Francisco – tem sempre os pequenos detalhes diante de Si”.

“O que eu fiz, com este Evangelho, foi justamente a oração de contemplação: pegar o Evangelho, ler e imaginar-me na cena, imaginar-me o que acontece e falar com Jesus, como me vem do coração. E com isso nós fazemos crescer a esperança, porque temos e mantemos fixo o olhar em Jesus. Façam esta oração de contemplação. ‘Mas eu tenho tanta coisa para fazer!’; ‘Mas em sua casa, 15 minutos, pegue o Evangelho, um pequeno trecho, imagine o que aconteceu e fale com Jesus sobre aquilo. Assim o seu olhar estará fixo em Jesus, e não tanta na novela, por exemplo; o seu ouvido estará fixo nas palavras de Jesus e não tanto nas fofocas do vizinho, da vizinha …”.

“E assim – reiterou – a oração de contemplação nos ajuda na esperança. Viver da substância do Evangelho. Rezar sempre!”. Francisco convidou a “rezar as orações, rezar o Terço, falar com o Senhor, mas também fazer esta oração de contemplação para manter o nosso olhar fixo em Jesus”. Desta oração, retomou eles, “vem a esperança”. E assim “a nossa vida cristã se move naquela moldura, entre memória e esperança”:

“Memória de todo o caminho passado, memória de tantas graças recebidas pelo Senhor; e esperança, olhando o Senhor, que é o único que pode dar-me a esperança. E para olhar o Senhor, para conhecê-Lo, peguemos o Evangelho e façamos esta oração de contemplação. Hoje, por exemplo, procurem 10 minutos, 15, não mais que isso, leiam o Evangelho, imaginem e digam algo a Jesus. E nada mais. E assim o seu conhecimento de Jesus será maior e a sua esperança crescerá. Não se esqueçam, mantendo o olhar fixo em Jesus. E por isso a oração de contemplação”.

Papa Francisco em seu twitter:


03/02/2015
Somos todos pecadores. Todos somos chamados a uma conversão do coração.

Jesus é nossa única estrada, diz Papa aos cristãos consagrados



Na festa da Apresentação do Senhor, celebrada nesta segunda-feira, 2.fev.2015, o Papa Francisco presidiu à Missa na Basílica de São Pedro, por ocasião do Dia da Vida Consagrada.

Um rito de bênção das velas deu início à celebração que contou com a presença de inúmeros cardeais, sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas e fiéis leigos.

Destacando a figura de Maria, também celebrada hoje com o título de Nossa Senhora das Candeias, o Papa Francisco disse na homilia, que a Virgem é como uma escada em que o Filho de Deus desce até os homens.

No Evangelho do dia, Maria vai ao Templo de Jerusalém para apresentar Jesus, como mandava a antiga tradição judaica onde todo primogênito deveria ser consagrado a Deus. Sobre esse episódio, o Papa disse que, embora Maria levasse Jesus nos braços, era antes o Filho de Deus que ia à frente mostrando o caminho.

“Jesus percorreu a nossa estrada, e mostrou-nos um novo caminho, um ‘novo e vivo caminho’ (cf. Hb 10:20) que é Ele próprio. Também a nós, consagrados, Ele abriu a estrada. Ele é a única estrada que devemos percorrer com perseverança”, disse o Papa.

Obediência e rebaixamento

Segundo o Pontífice, quem segue Jesus, – que não veio fazer Sua vontade – deve tomar a via da obediência, assumindo a Vontade do Pai, até a aniquilação, a humilhação de si mesmo. “Para nós consagrados, progredir significa rebaixar-se no serviço, abaixar-se, fazer-se servo para servir”, sublinhou.

A alegria evangélica, de acordo com Francisco, é consequência do caminho de rebaixamento feito com Jesus. “Quando estamos tristes, quando reclamamos, faria bem perguntar-nos: como estamos vivendo essa kenótica [doutrina que Cristo ensinou]”, sugeriu Francisco.

Sobre o abastecimento e a renovação da vida consagrada, o Papa disse que acontece por meio de um grande amor às regras e da “escuta dos anciãos”, que nas congregações religiosas, institutos e novas comunidades são representados pelos superiores.

Ao final da homilia, o Papa rezou segundo o que disse no começo da reflexão: “Nós, também, hoje, como Maria e como Simeão, queremos levar Jesus em seus braços, para que Ele encontre com o seu povo, e certamente vamos chegar, se entrar no mistério que é o mesmo Jesus a nos conduzir. Nós levamos Jesus, mas somos guiados por Ele. É assim que devemos ser: guias guiados”, concluiu o Papa.

Papa a bispos da Lituânia: cuidar das famílias e dos pobres

Santo Padre recomendou aos pastores cuidado com as famílias e pobres, além de atenção especial à vocação sacerdotal e religiosa.

Francisco enfatizou temas como a necessidade de cuidar das famílias, dos pobres e de dar atenção à formação de padres e consagrados.

Um dos apelos do Santo Padre aos bispos foi com relação à família. Francisco recordou o período que a Igreja vive nesse processo sinodal sobre família, refletindo sobre sua beleza, desafios e valores. Logo, encorajou os pastores lituanos a contribuírem com essa obra de discernimento.

“De fato, o país de vocês, que há pouco entrou na União Europeia, está exposto à influência de ideologias que gostariam de introduzir elementos de desestabilização das famílias, frutos de um mal compreendido sentido da liberdade pessoal”.

O Santo Padre também exortou os bispos à solicitude com os pobres. Na Lituânia, apesar do atual desenvolvimento econômico, há muitas pessoas necessitadas, desempregadas, doentes, abandonadas. “Sejam próximos a eles”, pediu.

Francisco recomendou uma atenção especial com as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Ele pediu que os bispos cuidem para que haja uma formação adequada e permanente dos padres, dos consagrados e seminaristas.

“Amem os vossos presbíteros, procurem ser muito disponíveis quando vos procuram e não esperem sempre que sejam eles a vos procurarem, não os deixem sozinhos nas dificuldades. Também para com os catequistas tenham um cuidado particular, transmitindo a eles, com o vosso testemunho, a alegria de evangelizar”.

Embora alguns dos bispos sejam jovens, o Papa lembrou que muitos deles atravessaram o período da perseguição na Lituânia, dando testemunho de Cristo e servindo ao povo de Deus. E se por um longo período a Igreja no país foi oprimida por regimes cujas ideologias foram contrárias à dignidade e liberdade humana, hoje há outras armadilhas, como o secularismo e o relativismo.

“Por isso, próximo a um anúncio incansável do Evangelho e dos valores cristãos, não deve ser esquecido o diálogo construtivo com todos, também com aqueles que não pertencem à Igreja ou estão distantes da experiência religiosa”.
Radio Vaticano

Angelus: O Evangelho muda o coração. Papa anunciou visita a Sarajevo

Domingo, 1º de fevereiro, grande multidão na Praça de S. Pedro para a recitação do Angelus com o Papa Francisco. O Santo Padre na sua Mensagem recordou a passagem do Evangelho de S. Marcos deste Domingo.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho evangélico deste domingo (cfr Mc 1, 21-28) apresenta Jesus que, com a sua pequena comunidade de discípulos, entra em Cafarnaum, a cidade onde vivia Pedro e que naqueles tempos era a maior da Galileia. E Jesus entra naquela cidade.

O Evangelista Marcos conta que Jesus, sendo aquele dia um sábado, foi à sinagoga e se colocou a ensinar (cfr v. 21). Isto faz pensar no primado da Palavra de Deus, Palavra a escutar, Palavra a acolher, Palavra a anunciar. Chegando a Cafarnaum, Jesus não adia o anúncio do Evangelho, não pensa na sistematização logística, certamente necessária, da sua pequena comunidade, não perde tempo com a organização. A sua preocupação principal é aquela de comunicar a Palavra de Deus com a força do Espírito Santo. E o povo na sinagoga fica admirado, porque Jesus “ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.” (v. 22).

O que significa “com autoridade”? Quer dizer que nas palavras humanas de Jesus se sentia toda a força da Palavra de Deus, sentia-se a autoridade própria de Deus, inspirador das Sagradas Escrituras. E uma das características da Palavra de Deus é que realiza aquilo que diz. Porque a Palavra de Deus corresponde à sua vontade. Em vez disso, nós, muitas vezes, pronunciamos palavras vazias, sem raiz ou palavras supérfluas, palavras que não correspondem à verdade. Em vez disso, a Palavra de Deus corresponde à verdade, é unidade com a sua vontade e realiza aquilo que diz. De fato, Jesus, depois de ter pregado, demonstra logo a sua autoridade libertando um homem, presente na sinagoga, que estava possuído pelo demônio (cfr Mc 1, 23-26). Propriamente a autoridade divina de Cristo tinha suscitado a reação de satanás, escondido naquele homem; Jesus, por sua vez, logo reconhece a voz do maligno e “o intimou: ‘Cala-te e sai dele!’” (v. 25). Com a força somente da sua palavra, Jesus liberta a pessoa do maligno. E ainda uma vez mais os presentes ficam admirados: “Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” (v. 27). A Palavra de Deus cria em nós o estupor. Possui a força de nos fazer maravilhar.

O Evangelho é palavra de vida: não oprime as pessoas, ao contrário, liberta quantos são escravos de tantos maus espíritos deste mundo: o espírito da vaidade, o apego ao dinheiro, o orgulho, a sensualidade… O Evangelho muda o coração, muda a vida, transforma as inclinações ao mal em propósitos de bem. O Evangelho é capaz de mudar as pessoas! Portanto, é tarefa dos cristãos difundir por toda a parte a força redentora, tornando-se missionários e arautos da Palavra de Deus. Sugere isso também o mesmo trecho do dia que se conclui com uma abertura missionária e diz assim: “E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia” (v. 28). A nova doutrina ensinada com autoridade por Jesus é aquela que a Igreja leva no mundo, junto com os sinais eficazes da sua presença: o ensinamento com autoridade e a ação libertadora do Filho de Deus tornam-se as palavras de salvação e os gestos de amor da Igreja missionária. Lembrem-se sempre que o Evangelho tem a força de mudar a vida! Não se esqueçam disso. Essa é a Boa Nova, que nos transforma somente quando nós nos deixamos transformar por ela. Eis porque sempre peço que vocês tenham um contato cotidiano com o Evangelho, que o leiam todos os dias, um trecho, uma passagem, que o meditem e também o levem com vocês para onde forem: no bolso, na bolsa… Isso é, para se alimentarem todos os dias com esta fonte inexaurível de salvação. Não se esqueçam! Leiam um trecho do Evangelho todos os dias. É a força que nos muda, que nos transforma: muda a vida, muda o coração.

Invoquemos a materna intercessão da Virgem Maria, Aquela que acolheu a Palavra e a gerou para o mundo, para todos os homens. Que ela nos ensine a sermos ouvintes assíduos e anunciadores do Evangelho de Jesus.

Após a recitação do Angelus o Papa Francisco anunciou que no próximo dia 6 de junho visitará Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina para contribuir para a consolidação da fraternidade e da paz.

O Papa Francisco saudou em particular os peregrinos vindos do Libano e do Egito e das cidades italianas de Sassari, Salerno, Verona, Modena, Scano Montiferro e Taranto. O Santo Padre referiu ainda a Jornada pela Vida que neste domingo se celebra em Itália sob o tema “Solidariedade pela Vida”.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé