REVEJA JANEIRO DE 2015

Papa exorta a repensar sistema de produção e distribuição dos alimentos

Cidade do Vaticano, 31.janeiro.2015 (RV) - Um convite a reencontrar o amor pela terra como “mãe”; e a proposta de custodiar a terra, fazendo aliança com ela, a fim de que possa continuar sendo, como Deus a quer, fonte de vida para toda a família humana. Foram o convite e a proposta que o Papa Francisco fez no encontro deste sábado com os dirigentes da Confederação Nacional Coldiretti (Confederação nacional dos cultivadores), a maior associação de representação e assistência da agricultura italiana, por ocasião dos 70 anos da associação.

Dirigindo-se aos cultivadores, o Pontífice tomou a palavra “cultivar”, que é “uma atividade tipicamente humana e fundamental”, para desenvolver sua reflexão destacando que no trabalho dos agricultores há, efetivamente, o acolhimento do precioso dom da terra que nos é dada por Deus, como também a sua valorização no igualmente precioso trabalho de homens e mulheres, chamados a responder com audácia e criatividade ao mandato confiado ao homem de “cultivar e custodiar a terra.

Destacando o papel central agricultura, Francisco ressaltou que não existe humanidade sem cultivar a terra; não há vida que seja boa “sem o alimento que ela produz para os homens e as mulheres de todos os continentes”.

O Papa falou da atividade de cultivar a terra, dedicando generosamente tempo e energias, como uma verdadeira vocação, que “merece ser reconhecida e adequadamente valorizada, inclusive nas escolhas políticas e econômicas”.

Ao afirmar que se trata de uma atividade que muitas vezes a fazem parecer pouco apetecível às novas gerações, o Papa reconheceu que as estatísticas registram, no entanto, um crescimento no número de estudantes nas escolas e nos institutos de Agronomia, o que faz prever um aumento de trabalhadores neste setor.

Desenvolvendo sua reflexão sobre a centralidade do trabalho agrícola, Francisco disse que a mesma lança nosso olhar para duas áreas críticas: a da pobreza e a da fome, que ainda, infelizmente, atingem uma vasta parte da humanidade.

Após citar que o Concílio Vaticano II recordou a destinação universal dos bens da terra (Gaudium et spes, 69), o Santo Padre enfatizou que, na realidade, o sistema econômico dominante impede que muitos possam usufruir de tais bens.

Dito isso, o Pontífice afirmou:

“A absolutização das regras do mercado, uma cultura do descarte e do desperdício que no caso do alimento tem proporções inaceitáveis, junto a outros fatores, determinam miséria e sofrimento para muitas famílias. Portanto, deve ser profundamente repensado o sistema de produção e de distribuição do alimento. Como nos ensinaram nossos avós, com o pão não se brinca! O pão participa de certo modo da sacralidade da vida humana, e por isso não pode ser tratado somente como uma mercadoria.”

Evocando a narração da criação contida no Livro do Gênesis, o Papa lembrou que o homem é chamado não somente a cultivar a terra, mas também a protegê-la (Gn 2,15). “As duas coisas estão estreitamente ligadas”, ressaltou.

Chamando a atenção para a importância de uma ação de custódia da criação, Francisco evidenciou que “é realmente urgente que as nações consigam colaborar nesta fundamental finalidade”.

O Papa concluiu fazendo votos de que o trabalho deles de cultivar e custodiar a terra seja adequadamente considerado e valorizado, convidando-os a darem sempre o primado às instâncias éticas com as quais, como cristãos, enfrentam os problemas e os desafios de suas atividades.

Tambem neste sábado o Santo Padre twittou:

31/01/2015
Há urgente necessidade de um testemunho credível da verdade e dos valores do Evangelho.

Papa: memória e esperança são os "parâmetros" do cristão

Cidade do Vaticano (RV) – Um cristão deve sempre custodiar em si a  “memória” do seu primeiro encontro com Cristo e a “esperança” Nele, que o leva a prosseguir na vida com a “coragem” da fé. Foi  oque afirmou o Papa Francisco na homilia da Missa matutina desta sexta-feira, 30 de janeiro de 2015, presidida na capela da Casa Santa Marta.

Na sua homilia, o Papa  se inspirou na frase inicial da carta aos Hebreus, na qual o autor convida todos a reevocaram “na memória aqueles primeiros dias”, quando receberam “a luz de Cristo”. Em especial, “o dia do encontro com Jesus” jamais deve ser esquecido, observou Francisco, porque é o dia “de uma alegria imensa”. E com a memória, jamais deve se perder “a coragem dos primeiros tempos” e o “entusiasmo”, a “franqueza” que nascem da lembrança do primeiro amor:

“A memoria é tão importante para recordar a graça recebida, porque se nós expulsarmos este entusiasmo que vem da memória do primeiro amor, há um perigo muito grande para os cristãos: o tepor. Os cristãos “mornos”. Eh, mas estão ali, parados, e sim, são cristãos, mas perderam a memória do primeiro amor. E, sim, perderam o entusiasmo. Também perderam a paciência, aquele “tolerar” as coisas da vida com o espírito do amor de Jesus; aquele “tolerar”, o “carregar nas costas” as dificuldades... Os cristãos mornos, coitados, estão em grave perigo”.

Quando pensa nos cristãos mornos, vêm à mente de Francisco duas imagens incisivas e desagradáveis: aquela evocada por Pedro, do “cão que volta ao seu próprio vômito”; e a outra de Jesus, para o qual existem pessoas que, ao decidirem seguir o Evangelho,  expulsaram sim o demônio, mas quando este volta, lhe abrem a porta sem estarem atentos. Assim, o demônio “toma posse daquela casa” inicialmente limpa e bela. Que seria como voltar ao “vômito” daquele mal num primeiro momento rejeitado. E vice-versa, afirmou Francisco:

“O cristão tem esses dois parâmetros: a memória e a esperança. Evocar a memória para não perder aquela experiência tão bela do primeiro amor, e que alimenta a esperança. Tantas vezes a esperança é obscura, mas vai avante. Acredita, vai, porque sabe que a esperança não desilude para encontrar Jesus. Esses dois parâmetros são justamente a moldura na qual podemos custodiar esta salvação dos justos, que vem do Senhor”.

Uma salvação, conclui o Papa citando o trecho do Evangelho, que deve ser protegida “para que a pequena semente de mostarda cresça e dê o seu fruto”:

“Dão pena, fazem mal ao coração tantos cristãos – tantos cristãos! – na metade do caminho, tantos cristãos falidos neste caminho rumo ao encontro com Jesus, partindo do encontro com Jesus. Este caminho no qual perderam a memória do primeiro amor e não têm a esperança. Estão ali… Peçamos ao Senhor a graça de custodiar o presente, o dom da salvação”.
Papa pede solução urgente para guerra no Iraque e Síria



A guerra no Iraque e na Síria é uma tragédia que precisa de uma solução negociada urgente, afirmou o Papa Francisco ao encontrar nesta sexta-feira, 30.jan.2015, membros da Comissão Mista Internacional para o diálogo teológico entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas orientais.

A audiência realizada hoje no Vaticano tem como pano de fundo as notícias dramáticas que continuam a chegar da região. “Neste momento, de modo particular, nós partilhamos a consternação e a dor pelo que acontece no Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Síria”.

Francisco recorda os moradores da região, entre os quais cristãos e outras minorias, que vivem as consequências do conflito e pede uma solução negociada para que tudo isso chegue ao fim.

“Que a intercessão e o exemplo de muitos mártires e santos, que deram corajoso testemunho de Cristo em nossas Igrejas, possam apoiar e reforçar vocês e suas comunidades cristãs”, disse.

O Santo Padre agradeceu pelo trabalho da Comissão para o diálogo teológico, iniciado em janeiro de 2003.

Durante o encontro desta manhã, também foi iniciada uma discussão sobre a natureza dos sacramentos, em particular do Batismo. O desejo do Papa é que o trabalho realizado possa ajudar a viver de maneira sempre mais profunda a fraterna amizade entre as partes.
Canção Nova

Papa: Elites eclesiais não seguem a via de Jesus



Cidade do Vaticano (RV) - Não seguem a nova via aberta por Jesus aqueles que privatizam a fé fechando-se em “elites” que desprezam os outros: é o que afirmou o Papa durante a homilia da manhã desta quinta-feira, (29/01/2015), na Casa Santa Marta. Comentando a Carta aos Hebreus, o Papa disse que Jesus é “a via nova e vivente” que devemos seguir “conforme a Sua vontade”. Porque existem formas errôneas de vida cristã. Jesus “dá os critérios para não seguir os modelos equivocados. E um destes modelos errados é privatizar a salvação”:

“É verdade, Jesus salvou a todos nós, mas não de forma genérica, não? Todos, mas cada um individualmente, nome e sobrenome. E esta é a salvação pessoal. Realmente estou salvo, o Senhor me olhou, deu a vida por mim, abriu esta porta, esta nova via para mim, e cada um de nós pode dizer: ‘para mim’. Mas existe o perigo de esquecer que Ele nos salvou individualmente sim, mas como parte de um povo. Em um povo. O Senhor sempre salva no povo. Do momento que chama Abraão, promete a ele de criar um povo. E o Senhor nos salva em um povo. Por isso o autor desta Carta nos diz: ‘Prestemos atenção uns aos outros’. Não existe uma salvação somente para mim. Se eu entendo a salvação assim, erro; pego a estrada errada. A privatização da salvação é uma estrada errada”.

São três os critérios para não privatizar a salvação: “a fé em Jesus que nos purifica”, a esperança que “nos faz enxergar as promessas e seguir adiante” e “a caridade: prestemos atenção uns aos outros, para estimular-nos reciprocamente na caridade e nas boas obras”:

“E quando eu estou numa paróquia, numa comunidade – qualquer que seja – eu estou ali e posso privatizar a salvação e estar ali somente socialmente. Mas para não privatizá-la, devo perguntar a mim mesmo se eu falo, comunico a fé; falo, comunico a esperança; falo, faço e comunico a caridade. Se numa comunidade não se fala, não se encoraja um ao outro, nessas três virtudes, os membros daquela comunidade privatizaram a fé. Cada um busca a sua própria salvação, não a salvação de todos, a salvação do povo. E Jesus salvou cada um, mas num povo, numa Igreja”.

O autor da Carta aos Hebreus – prosseguiu o Papa – dá um conselho “prático” muito importante: “não desertemos as nossas reuniões, como alguns têm o hábito de fazer”. Isso acontece “quando nós estamos numa reunião – na paróquia, no grupo – e julgamos os outros”, “há uma espécie de desprezo pelos outros. E esta não é a porta, o caminho novo e vivente que o Senhor abriu, inaugurou”:

“Desprezam os outros; abandonam a comunidade inteira; desertam o povo de Deus; privatizaram a salvação: a salvação é para mim e para meu grupinho, mas não para todo o povo de Deus. E este é um erro muito grande. É o que chamamos – e que vemos – ‘as elites eclesiais’. Quando no povo de Deus se criam esses grupinhos, pensam ser bons cristãos, talvez tenham até boa vontade, mas são grupinhos que privatizaram a salvação”.

“Deus – destacou o Papa – nos salva num povo, não nas elites que nós produzimos com as nossas filosofias e o nosso modo de entender a fé. E essas não são as graças de Deus. Pensemos: eu tenho a tendência de privatizar a salvação para mim, para o meu grupinho, para a minha elite ou não deserto todo o povo de Deus, não me afasto do Seu povo e sempre estou em comunidade, em família, com a linguagem da fé, da esperança e a linguagem das obras de caridade?”. E concluiu: “Que o Senhor nos dê a graça de sentir-nos sempre povo de Deus, salvos pessoalmente. Isso é verdade: Ele nos salva com nome e sobrenome, mas salvos num povo, não no grupinho que eu crio para mim”.

Nesta quinta-feira, o Santo Padre escreveu um tweet:

29/01/2015
O verdadeiro amor não olha ao mal recebido. Rejubila em fazer o bem.
Papa abrirá V centenário de nascimento de Santa Teresa d'Ávila



Cidade do Vaticano, 29.janeiro.2015 (RV) – O Papa Francisco abrirá em 28 de março, com uma Oração Mundial pela Paz, as celebrações dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Jesus, que se prolongarão ao longo de todo o ano de 2015. O Santo Padre havia anunciado o início das celebrações dedicada à Santa - beatificada em 1614, canonizada em 1622 e proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI em 1970 -, em carta enviada ao Bispo de Ávila, Dom Jesús Garcia Burrillo, quando proclamou o Ano Jubilar Teresiano.

“Ao aproximar-se o V centenário de seu nascimento – disse Bergoglio na mensagem, definindo Santa Teresa como a “Santa caminhante” – dirijo o meu olhar àquela cidade para dar graças a Deus pelo dom desta grande mulher e encorajar os fieis da amada Diocese de Ávila e todos os espanhóis a conhecer a história desta insígne fundadora, como também a ler os seus livros, que junto com as suas filhas nos numerosos conventos carmelitas espalhados no mundo, continuam a nos dizer quem é, como foi Madre Teresa e o que ela pode ensinar a nós homens e mulheres de hoje”. “É tempo de caminhar”, disse o Papa na carta, sintetizando a mensagem de Teresa com o convite para serem, nas suas pegadas, peregrinos na estrada da alegria, da oração, da fraternidade e do tempo vivido como graça.

Teresa foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI, em 1970,  junto com Santa Catarina de Sena, tornando-se assim a primeira mulher na história da Igreja a receber este título. Naquela ocasião, o Pontífice fez uma ligação entre a figura de Santa Teresa de Ávila e o grande esforço pelas reformas e pela renovação da oração litúrgica, o que ocorreu com o Concílio Vaticano II.

Bento XVI, na Audiência Geral de 2 de fevereiro de 2011, no ciclo dedicado às grandes figuras da Igreja, recordou aos peregrinos e fieis seus traços mais marcantes: “Em primeiro lugar, Santa Teresa propõe as virudes evangélicas como base de toda a vida cristã e humana. Em particular, o desapego dos bens ou pobreza evangélica, e isto diz respeito a todos nós: o amor de uns pelos outros como elemento essencial da vida comunitária e social; a humildade como amor à verdade; a determinação como fruto da audácia cristã; a esperança teologal, que descreve como sede de água viva. Sem esquecer as virtudes humanas: afabilidade, veracidade, modestia, cortesia, alegria, cultura”.

Na Audiência Geral da quarta-feira, em 11 de março próximo, o Papa Francisco receberá no Vaticano a relíquia “bastão do peregrino”, de Santa Teresa, apresentada no contexto de uma mostra intitulada “Caminho da Luz”, segundo um comunicado do Vigário Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços, Padre Emilio Josè Martinez.

As diversas iniciativas a serem realizadas durante o V Centenário - Encontro Europeu de Jovens, congressos, exposições, concertos, entre tantas outras - envolvem de fato pessoas dos cinco continentes, desejosas de testemunhar a figura, o espírito inquieto e o temperamento ativo da mística tão cara à Igreja e ao Magistério dos Pontífices.
Papa modifica rito da imposição do Pálio



Cidade do Vaticano, 29.janeiro.2015 (RV) – Em uma carta com a data de 12 de janeiro de 2015 que foi enviada a todas as Nunciaturas Apostólicas, o Mestre das Cerimônias Pontifícias, Mons. Guido Marini, informa sobre a decisão do Papa de modificar a modalidade de entrega do pálio aos novos arcebispos metropolitas. A faixa de lã branca será entregue, e não mais colocada pelo Santo Padre, como reza a tradição, em 29 de junho, na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo. A imposição do Pálio aos novos arcebispos será realizada nas respectivas dioceses de origem pela mão dos Núncios Apostólicos locais. Entrevistado pela Rádio Vaticano, Mons. Marini fala do significado desta decisão do Papa:

“Recentemente o Santo Padre – após ter refletido – decidiu realizar uma pequena modificação no tradicional rito de imposição do pálio aos arcebispos metropolitas nomeados durante o ano. A modificação é a seguinte: o pálio, geralmente, era imposto pelo Santo Padre aos novos metropolitas por ocasião da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo. A partir do próximo 29 de junho, por ocasião da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, os Arcebispos – como de costume – estarão presentes em Roma, concelebrarão com o Santo Padre, participarão do rito da bênção dos pálios, mas não haverá a imposição: simplesmente receberão o pálio do Santo Padre em forma mais simples e privada. A imposição será efetuada depois, nas dioceses a que pertencem, ou seja, em um segundo momento, na presença da Igreja local e em particular dos bispos das dioceses sufragâneas acompanhados pelos seus fieis”.

RV: Qual o significado desta alteração?

“O significado desta alteração é o de colocar em maior evidência a relação dos bispos metropolitas – os novos nomeados – com a sua Igreja local e assim dar também a possibilidade a mais fieis de estarem presentes neste rito tão significativo para eles, e também particularmente aos bispos das dioceses sufragâneas, que deste modo, poderão participar do momento da imposição. Neste sentido, mantém-se todo o significado da celebração do 29 de junho, que sublinha a relação de comunhão e também de comunhão hierárquica entre o Santo Padre e os novos arcebispos; ao mesmo tempo, a isto se acrescenta – com um gesto significativo – esta ligação com a Igreja local”.

O Bispo de Pelotas, Dom Jacinto Bergaman, explica que o pálio é uma espécie de colarinho de lã branca, com cerca de 5cm de largura e dois apêndices – um na frente e outro nas costas. Possui seis cruzes bordadas em lã preta: quatro no colarinho e uma em cada um dos apêndices. É confeccionado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Cecilia, em Roma, utilizando a lã de dois cordeiros que são ofertados ao Papa no dia 21 de janeiro, Solenidade de Santa Inês.

Após confeccionados são abençoados pelo Santo Padre e guardados numa arca junto ao tumulo do Apostólo São Pedro e entregues pelo próprio Papa, no dia 29 de junho de cada ano, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, aos Arcebispos nomeados após a celebraçao do ano anterior.

O uso do pálio, que nos primeiros séculos do Cristianismo era exclusivo dos Papas, passou a ser usado pelos Metropolitas a partir do século VI, tradição que perdura até os nossos dias.

Cada Província Eclesiástica é formada por algumas dioceses e uma arquidiocese. À frente dela está o Metropolita, que é o Arcebispo da diocese-sede. As palavras “arqui” e “arce”, colocadas junto às palavras diocese e bispo, vêm da língua grega, e significam “a primeira”, “o primeiro”. Assim, a Arquidiocese e o Arcebispo são “a primeira” e “o primeiro”, não em linha de importância, mas para serem aquela e aquele que devem estar a serviço e promoção da comunhão.

Após ser nomeado, o Metropolita deve pedir ao Bispo de Roma, o Papa, o pálio, símbolo de seu “poder” (o serviço e promoção da comunhão) na própria Província Eclesiástica e de sua comunhão com a Sé Apostólica. Uma vez recebido, usa-o unicamente dentro das funções litúrgicas, sobre os paramentos pontificais, dentro da Província a que preside, e unicamente nela.

Papa: "Pais ausentes deixam graves lacunas nos filhos"

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta quarta-feira, 28.jan.2015, o Papa Francisco encontrou-se com os fiéis na Sala Paulo VI na audiência geral que concede semanalmente. Retomando o caminho da catequese sobre a família, o tema abordado nesta ocasião foi o ‘o pai’.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses sobre família. Hoje nos deixamos guiar pela palavra “pai”. Uma palavra mais que qualquer outra querida a nós cristãos, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a chamar Deus: pai. Hoje o sentido deste nome recebeu uma nova profundidade justamente a partir do modo em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua especial relação com Ele. O mistério abençoado da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã.

“Pai” é uma palavra conhecida por todos, uma palavra universal. Essa indica uma relação fundamental cuja realidade é tão antiga quanto a história do homem. Hoje, todavia, chegou-se a afirmar que a nossa seria uma “sociedade sem pais”. Em outros termos, em particular na cultura ocidental, a figura do pai seria simbolicamente ausente, dissipada, removida. Em um primeiro momento, a coisa foi percebida como uma libertação: libertação do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e obstáculo da emancipação e da autonomia dos jovens. Às vezes, em algumas casas, reinava no passado o autoritarismo, em certos casos até mesmo a opressão: pais que tratavam os filhos como servos, não respeitando as exigências pessoais do crescimento deles; pais que não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade – mas não é fácil educar um filho em liberdade – ; pais que não os ajudavam a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e o da sociedade.

Isto, certamente, é uma atitude não boa; porém, como acontece muitas vezes, se passa de um extremo a outro. O problema dos nossos dias não parece mais ser tanto a presença invasiva dos pais quanto a sua ausência, a sua falta de ação. Os pais estão, por vezes, tão concentrados em si mesmos e no próprio trabalho e às vezes nas próprias realizações individuais a ponto de esquecer a família. E deixam sozinhos os pequenos e os jovens. Já como bispo de Buenos Aires senti o sentido de orfandade que vivem os jovens; muitas vezes eu perguntava aos pais se brincavam com os seus filhos, se tinham a coragem e o amor de perder tempo com os filhos. E a resposta era ruim, na maioria dos casos: “Mas, não posso, porque tenho tanto trabalho…” E o pai era ausente daquele filho que crescia, não brincava com ele, não, não perdia tempo com ele.

Ora, neste caminho comum de reflexão sobre família, gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos ser mais atentos: a ausência da figura paterna na vida dos pequenos e dos jovens produz lacunas e feridas que podem ser também muito graves. E, de fato, os desvios de crianças e de adolescentes podem, em boa parte, ser atribuídos a esta falta, à carência de exemplos e de guias autoritárias em suas vidas de cada dia, à carência de proximidade, à carência de amor por parte dos pais. O sentido de orfandade que tantos jovens vivem é mais profundo que aquilo que pensamos.

São órfãos na família, porque os pais muitas vezes são ausentes, mesmo fisicamente, da casa, mas sobretudo porque, quando estão ali, não se comportam como pais, não dialogam com os seus filhos, não cumprem o seu papel educativo, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado de palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida de que precisam como precisam do pão. A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado pelo trabalho a estar distante de casa. Às vezes parece que os pais não sabem bem qual posto ocupar na família e como educar os filhos. E, então, na dúvida, se abstém, se retiram e negligenciam suas responsabilidades, talvez refugiando-se em uma improvável relação “em pé de igualdade” com os filhos. É verdade que você deve ser “companheiro” do teu filho, mas sem esquecer que você é o pai! Se você se comporta somente como um companheiro em pé de igualdade com o filho, isto não fará bem ao menino.

E vemos este problema também na comunidade civil. A comunidade civil, com as suas instituições, tem uma certa responsabilidade – podemos dizer paterna – com os jovens, uma responsabilidade que às vezes negligencia ou exerce mal. Também essa muitas vezes os deixa órfãos e não propõe a eles uma verdade de perspectiva. Os jovens permanecem, assim, órfãos de caminho seguros a percorrer, órfãos de mestres em quem confiar, órfãos de ideais que aquecem o coração, órfãos de valores e de esperanças que os apoiam cotidianamente. São preenchidos, talvez, por ídolos, mas se rouba o coração deles; são impelidos a sonhar com diversão e prazer, mas não se dá a eles o trabalho; são iludidos com o deus dinheiro, e se nega a eles as verdadeiras riquezas.

E então fará bem a todos, aos pais e aos filhos, escutar novamente a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18). É Ele, de fato, o Caminho a percorrer, o Mestre a escutar, a Esperança de que o mundo pode mudar, que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos. Alguém de vocês poderá me dizer: “Mas, padre, hoje o senhor foi muito negativo. Falou somente da ausência dos pais, o que acontece quando os pais não são próximos aos filhos…” É verdade, quis destacar isso, porque na quarta-feira que vem prosseguirei esta catequese colocando o foco na beleza da paternidade. Por isso escolhi começar pelo escuro para chegar à luz. Que o Senhor nos ajude a entender bem estas coisas. Obrigado.

Papa: a oração para fazer a vontade de Deus



Cidade do Vaticano, 27.jan.2015 (RV) - É preciso rezar a Deus e pedir todos os dias a graça de entender a sua vontade, a graça de fazer a sua vontade e a graça de realizar sua vontade completamente. Este é o ensinamento que o Papa buscou na liturgia do dia para insipirar a sua homilia na manhã desta terça-feira (27/01), na Casa Santa Marta.

Certa vez havia uma lei feita de prescrições e proibições, de sangue de bois e cabras, “antigos sacrifícios” que não tinham a “força” de “perdoar os pecados”, nem de fazer “justiça”. Então, o Cristo vem ao mundo e com sua subida à Cruz – o ato “que de uma vez por todas nos justificou” – Jesus demonstrou qual é o sacrifício que mais agrada a Deus: não o holocausto de um animal, mas a oferta da própria vontade para fazer a vontade do Pai.

Núcleo da fé

As leituras e o Salmo do dia conduzem a reflexão de Francisco a respeito de um dos fulcros da fé: a “obediência à vontade de Deus”. Esta, afirma o Papa, “é a estrada da santidade, do cristão” para que o “plano de Deus seja realizado”, que “a salvação de Deus seja realizada”:

“O contrário teve início no Paraíso, com a desobediência de Adão. E aquela desobediência trouxe mal a toda a humanidade. Os pecados também são atos de desobediência a Deus, de não fazer a vontade de Deus. O Senhor, ao invés, nos ensina que esta é a estrada e que não há outra. E começa com Jesus, sim, nos Céus, na vontade de obedecer o Pai. Mas na terra começa com Maria: ela, o que disse ao Anjo? ‘Que seja feito aquilo que dizes’, isso quer dizer, que seja feita a vontade de Deus. E com este ‘sim’ ao Senhor, o Senhor deu início ao seu percurso entre nós”.

“Não é fácil.” O Papa usa várias vezes essa expressão quando fala de realizar a vontade de Deus. Não foi fácil para Jesus que foi tentado no deserto e também no Horto das Oliveiras, e com dor no coração aceitou o suplício que o aguardava. Não foi fácil para alguns discípulos, que o deixaram porque não entenderam o que significava “fazer a vontade do Pai”. Não o é para nós, a partir do momento que – notou o Papa – “todos os dias nos são apresentadas em uma bandeja tantas opções”. E então, se perguntou, como “faço para fazer a vontade de Deus?”. Pedindo “a graça” de desejar realizá-la:

Fazer a vondade de Deus

“Eu rezo para que o Senhor me dê a vontade de fazer a sua vontade ou busco acordos porque tenho medo da vontade de Deus? Outra coisa: rezar para conhecer a vontade de Deus em relação a mim e à minha vida, sobre a decisão que devo tomar agora. Sobre a maneira de administrar as coisas… A oração para querer fazer a vontade de Deus, e a oração para conhecer a Sua vontade. E quando conheço a vontade de Deus, com a oração pela terceira vez: realizá-la. Para realizar a vontade, que não é a minha, mas é Sua. E não é fácil”.

Portanto, resumiu o Papa, “rezar para sentir a vontade de seguir a vontade de Deus, rezar para conhecer a vontade de Deus e rezar – uma vez reconhecida – para prosseguir com a vontade de Deus”:

“Que o Senhor nos dê a graça, a todos nós, para que um dia possa dizer de nós aquilo que disse daquele grupo, daquela multidão que o seguia, daqueles que estavam sentados a seu redor, como ouvimos no Evangelho: ‘Eis minha mãe e os meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus é para mim irmão, irmã e mãe”. Fazer a vontade de Deus nos faz ser parte da família de Jesus, nos faz mãe, pai, irmã e irmão”.


Em seu Twitter, o Santo Padre disse nesta terça-feira:

Auschwitz grita a dor dum sofrimento enorme e invoca um futuro de respeito, paz e encontro entre os povos.

Mensagem do Papa Francisco para Quaresma 2015

«Fortalecei os vossos corações» (Tg5,8)

Amados irmãos e irmãs!

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é  sobretudo um « tempo favorável » de graça (cf. 2  Cor6,2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo  tenha dado: « Nós amamos, porque Ele nos amou  primeiro »  (1 Jo4,19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós,  conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa  procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada  um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente  dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos  interessam os seus problemas, nem as tribulações  e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração  cai na indiferença: encontrando-me relativamente  bem e confortável, esqueço-me dos que não estão  bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um  mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de  enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu  amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios  mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta  Mensagem, é o da globalização da indiferença. Dado que a indiferença para com o próximo e  para com Deus é uma tentação real também para  nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada  Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz  para nos despertar. A  Deus  não  Lhe  é  indiferente  o  mundo,  mas  ama-o  até  ao  ponto  de  entregar  o  seu  Filho  pela  salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida  terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus,  abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão  que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos,  do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor  (cf. Gl 5,6).  O  mundo,  porém,  tende  a  fechar-se  em si mesmo e a fechar a referida porta através da  qual Deus entra no mundo e o mundo n’Ele. Sendo  assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida. Por isso, o povo de Deus tem necessidade de  renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação,  gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. « Se um membro sofre, com ele sofrem todos os  membros » (1 Cor12,26)– A Igreja.

Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu  testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus,  que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que  é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo  que antes experimentámos. O cristão é aquele que  permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele,  servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas  exemplificar  como  devemos  lavar  os  pés  uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem,  primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa  pessoa « tem parte com Ele » (cf. Jo 13,8), podendo  assim servir o homem. A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos  como  Ele.  Verifica-se  isto  quando  ouvimos  a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos,  nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que,  com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence  a um único corpo e, n’Ele, um não olha com indiferença o outro. « Assim, se um membro sofre,  com ele sofrem todos os membros; se um membro  é  honrado,  todos  os  membros  participam  da  sua  alegria » (1 Cor12,26). A Igreja é communio sanctorum, não só porque,  nela, tomam parte os Santos mas também porque é  comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que  nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons;  e, entre estes, há que incluir também a resposta de  quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas  santas, aquilo que cada um possui, não o reserva  só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo  mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não  poderíamos jamais, com as nossas simples forças,  alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para  que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. « Onde está o teu irmão? »  (Gn 4,9)– As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal  é  necessário  agora  traduzi-lo  na  vida  das  paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que  fazemos parte de um único corpo? Um corpo que,  simultaneamente, recebe e partilha aquilo que  Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal  pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas  que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada

(cf. Lc16,19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções. Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu  na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura--se reciprocamente uma comunhão de serviços e  bens que chega até à presença de Deus. Juntamente  com os Santos, que encontraram a sua plenitude em  Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não  é triunfante, porque deixou para trás as tribulações  do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes  pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido  definitivamente a indiferença, a dureza de coração  e  o  ódio,  graças  à  morte  e  ressurreição  de  Jesus.  E, enquanto esta vitória do amor não impregnar  todo o mundo, os Santos caminham connosco, que  ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria  no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena  enquanto houver, na terra, um só homem que sofre e  geme, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da  Igreja:  « Muito  espero  não  ficar  inactiva  no  Céu;  o

meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas  almas »  (Carta254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no  nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua  alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de  força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em  segundo  lugar,  cada  comunidade  cristã  é  chamada a atravessar o limiar que a põe em relação  com a sociedade circundante, com os pobres e com os  incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária,  não fechada em si mesma, mas enviada a todos os  homens. Esta  missão  é  o  paciente  testemunho  d’Aquele  que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A  Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a  cada homem, até aos confins da terra (cf.Act1,8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã  pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo  que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom  para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os  lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se  tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. « Fortalecei os vossos corações »  (Tg 5,8)– Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da  indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento  humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa  incapacidade de intervir. Que fazer para não nos  deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos  a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda  a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e  14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração. Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com  gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de  nós como a quem está longe, graças aos inúmeros  organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo  outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas  concreto – da nossa participação na humanidade  que temos em comum.  E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo  constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha  vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos.

Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então  confiaremos  nas  possibilidades  infinitas  que  tem  de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à  tentação diabólica que nos leva a crer que podemos  salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos  para viverem este tempo de Quaresma como um  percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31).  Ter  um  coração  misericordioso  não  significa  ter  um  coração  débil.  Quem  quer  ser  misericordioso  precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe  impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do  amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo,  um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro. Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: « Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração  semelhante ao vosso » (Súplica das Ladainhas ao  Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso,  que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na  vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por  cada crente e comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal,  enquanto, por minha vez, vos peço que  rezeis por  mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora  vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de  Outubro de 2014
Francisco: "São as mulheres que transmitem a fé"



Cidade do Vaticano (RV) – Nesta segunda-feira, 26.jan.2015, o Papa celebrou a missa matutina na Casa Santa Marta com um pequeno grupo de fiéis. Em sua homilia, o Papa se inspirou nas leituras do dia.

A Segunda Carta de São Paulo a Timóteo

Paulo recorda a Timóteo que a sua fé provém do Espírito Santo, ‘por meio de sua mãe e de sua avó’. “São as mães, a avós – afirma o Papa – que transmitem a fé, e acrescenta: “Uma coisa é transmitir a fé e outra é ensinar as coisas da fé. A fé é um dom, não se pode estudar. Estudam-se as coisas da fé, sim, para entendê-la melhor, mas você nunca chegará à fé com o estudo. Ela é um dom do Espírito Santo, é um presente que vai além de qualquer preparação”. E é um presente que passa através do “lindo trabalho das mães e das avós, o belo trabalho destas mulheres” nas famílias. “Pode ser também que uma doméstica, uma tia, transmitam a fé”:

Jesus veio através de uma mulher

“Vem-me à mente esta questão: por que são principalmente as mulheres a transmitir a fé? Simplesmente porque quem nos trouxe Jesus foi uma mulher: foi o caminho escolhido por Jesus. Ele quis ter uma mãe: o dom da fé também passa pelas mulheres, como Jesus passou por Maria”.

“E devemos pensar hoje – sublinha o Papa – se as mulheres têm a consciência do dever de transmitir a fé”. Paulo convida Timóteo a custodiar a fé,  evitando “os vazios mexericos pagãos, as fofocas mundanas”. “Todos nós – alerta – recebemos o dom da fé. Devemos custodiá-lo para que ele pelo menos não se dilua, para que continue a ser forte com o poder do Espírito Santo”. E a fé é custodiada quando reacende este dom de Deus.

A fé 'água de rosas'

“Se nós não temos esse cuidado, a cada dia, de reavivar este presente de Deus que é a fé, a fé se enfraquece, se dilui, acaba por ser uma cultura: ‘Sim, mas, sim, sim, eu sou um cristão, sim...’, uma cultura, somente. Ou a gnose, um conhecimento: ‘Sim, eu conheço bem todas as coisas da fé, eu conheço bem o catecismo’. Mas como você vive a sua fé? E esta é a importância de reavivar a cada dia este dom, este presente: de torná-lo vivo”.

Contrastam “esta fé viva” - diz São Paulo - duas coisas: “o espírito de timidez e a vergonha”:

“Deus não nos deu um espírito de timidez. O espírito de timidez vai contra o dom da fé, não deixa que cresça que vá para frente, que seja grande. E a vergonha é aquele pecado: ‘Sim, eu tenho fé, mas eu a cubro, que não se veja muito... '. É um pouco daqui, um pouco de lá: é a fé, como dizem os nossos antepassados, água de rosas. Porque eu tenho vergonha de vivê-la fortemente. Não. Esta não é a fé: nem timidez, nem vergonha. Mas o que é? É um espírito de força, de caridade e de prudência. Esta é a fé”.

Fé inegociável

O espírito de prudência - explica o Papa Francisco - é “saber que nós não podemos fazer tudo que queremos”, significa buscar “as estradas, o caminho, as maneiras” para levar avante a fé, mas com prudência.

“Peçamos ao Senhor a graça - conclui o Papa – de ter uma fé sincera, uma fé que não é negociável, segundo as oportunidades que surgem. Uma fé que a cada dia procuro reavivá-la, ou pelo menos peço ao Espírito Santo que a revive e assim dê um grande fruto”.

CONVERSÃO DE SÃO PAULO APÓSTOLO
Francisco: cristãos perseguidos dão testemunho de Cristo



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu no fim da tarde deste domingo, 25.jan.2015, na Basílica de São Paulo fora dos Muros a celebração das Segundas Vésperas da Solenidade da Conversão de São Paulo, da qual participaram fiéis da diocese de Roma e representantes de diversas Igrejas e Comunidades eclesiais. O Santo Padre rezou intensamente ao Senhor para que fortaleça o compromisso para a plena unidade de todos os crentes em Cristo. Recordou ainda os cristãos perseguido, falando de ecumenismo de sangue. Eis na íntegra a sua homilia:

Na sua viagem da Judeia para a Galileia, Jesus passa através da Samaria. Não tem dificuldade em encontrar os samaritanos considerados hereges, cismáticos, separados dos judeus. A sua atitude diz-nos que o confronto com quem é diferente de nós pode fazer-nos crescer.

Jesus, cansado da viagem, não hesita em pedir de beber à mulher samaritana. Mas a sua sede estende-se muito para além da água física: é também sede de encontro, desejo de abrir diálogo com aquela mulher, oferecendo-lhe assim a possibilidade de um caminho de conversão interior. Jesus é paciente, respeita a pessoa que tem à sua frente, revela-Se-lhe progressivamente. O seu exemplo encoraja a procurar um confronto sereno com o outro. As pessoas, para se compreenderem e crescerem na caridade e na verdade, precisam se deter, acolher e escutar. Desta forma, começa-se já a experimentar a unidade.

A mulher de Sicar interpela Jesus sobre o verdadeiro lugar da adoração a Deus. Jesus não toma partido em favor do monte nem do templo, mas vai ao essencial derrubando todo o muro de separação. Remete para a verdade da adoração: «Deus é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade» (Jo 4, 24). É possível superar muitas controvérsias entre cristãos, herdadas do passado, pondo de lado qualquer atitude polêmica ou apologética e procurando, juntos, individuar em profundidade aquilo que nos une, ou seja, a chamada a participar no mistério de amor do Pai, que nos foi revelado pelo Filho através do Espírito Santo. A unidade dos cristãos não será o fruto de sofisticadas discussões teóricas, onde cada um tenta convencer o outro da justeza das suas opiniões. Temos de reconhecer que, para se chegar à profundeza do mistério de Deus, precisamos uns dos outros, encontrando-nos e confrontando-nos sob a guia do Espírito Santo, que harmoniza as diversidades e supera os conflitos.

Pouco a pouco, a mulher samaritana compreende que Aquele que lhe pediu de beber é capaz de a saciar. Jesus apresenta-Se-lhe como a fonte donde jorra a água viva que mata a sua sede para sempre (cf. Jo 4, 13-14). A existência humana revela aspirações ilimitadas: busca de verdade, sede de amor, de justiça e de liberdade. Trata-se de desejos apenas parcialmente saciados, porque o homem, do fundo do seu próprio ser, é movido para um «mais», um absoluto capaz de satisfazer definitivamente a sua sede. A resposta a estas aspirações é dada por Deus em Jesus Cristo, no seu mistério pascal. Do lado trespassado de Jesus, jorraram sangue e água (cf. Jo 19, 34): Ele é a fonte donde brota a água do Espírito Santo, isto é, «o amor de Deus derramado nos nossos corações» (Rm 5, 5) no dia do Batismo. Por ação do Espírito, tornamo-nos um só com Cristo, filhos no Filho, verdadeiros adoradores do Pai. Este mistério de amor é a razão mais profunda da unidade que liga todos os cristãos e que é muito maior do que as divisões ocorridas no decurso da história. Por este motivo, na medida em que nos aproximamos humildemente do Senhor Jesus Cristo, acontece também a aproximação entre nós.

O encontro com Jesus transforma a samaritana numa missionária. Tendo recebido um dom maior e mais importante do que a água do poço, a mulher deixa lá o seu cântaro (cf. Jo 4, 28) e corre a contar aos seus compatriotas que encontrou o Messias (cf. Jo 4, 29). O encontro com Ele restituiu-lhe o significado e a alegria de viver, e a mulher sente o desejo de comunicá-lo. Hoje, há uma multidão de homens e mulheres, cansados e sedentos, que nos pedem, a nós cristãos, para lhes dar de beber. É um pedido a que não nos podemos subtrair. Na chamada a ser evangelizadores, todas as Igrejas e Comunidades eclesiais encontram uma área essencial para uma colaboração mais estreita. Para se poder cumprir eficazmente esta tarefa, é preciso evitar fechar-se em particularismos e exclusivismos e também de impor uniformidade segundo planos meramente humanos (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 131). O compromisso comum de anunciar o Evangelho permite superar qualquer forma de proselitismo e a tentação da competição. Estamos todos ao serviço do único e mesmo Evangelho!

E, neste momento de oração pela unidade, gostaria de recordar os nossos mártires hoje. Eles dão testemunho de Jesus Cristo e são perseguidos e mortos, porque são cristãos, sem fazer distinção, por parte dos perseguidores, da confissão à que pertencem. São cristãos e por isso são perseguidos. Este é, irmãos e irmãs, o ecumenismo do sangue.

Com esta jubilosa certeza, dirijo as minhas cordiais e fraternas saudações a Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado EcumÊnico, a Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e a todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais aqui congregados na Festa da Conversão de São Paulo. Além disso, saúdo com grande prazer os membros da Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, aos quais desejo um frutuoso trabalho na sessão plenária que terá lugar em Roma nos próximos dias. Saúdo também os alunos do Ecumenical Institute of Bossey e os jovens que beneficiam de bolsas de estudo oferecidas pelo Comité de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas, operativo no Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Hoje estão presentes também religiosos e religiosas pertencentes a diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais que, nestes dias, participaram num convênio ecumênico organizado pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, em colaboração com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, por ocasião do Ano da vida consagrada. A vida religiosa, como profecia do mundo futuro, é chamada a dar testemunho, no nosso tempo, daquela comunhão em Cristo que ultrapassa toda a diferença e é feita de opções concretas de recepção e diálogo. Consequentemente, a busca da unidade dos cristãos não pode ser prerrogativa apenas de qualquer indivíduo ou comunidade religiosa particularmente sensível a tal problemática. O conhecimento recíproco das diferentes tradições de vida consagrada e um fecundo intercâmbio de experiências podem ser úteis para a vitalidade de toda a forma de vida religiosa nas diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais.

Amados irmãos e irmãs, hoje nós, que estamos sedentos de paz e fraternidade, com coração confiante invocamos do Pai celeste, por meio de Jesus Cristo único Sacerdote e por intercessão da Virgem Maria, do Apóstolo Paulo e de todos os Santos, o dom da comunhão plena de todos os cristãos, a fim de que possa resplandecer «o sagrado mistério da unidade da Igreja» (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o Ecumenismo Unitatis redintegratio, 2) como sinal e instrumento de reconciliação para o mundo inteiro.

Papa no Angelus:"Quem escuta a Jesus, entra no Reino de Deus"



“Quem escuta a Jesus Cristo e o segue, entra no Reino de Deus”, afirmou o Papa Francisco antes da oração mariana do Angelus deste domingo, 25. Falando do Evangelho do dia (Mc 1,14-20) que relata o início da pregação de Jesus na Galileia, Francisco explicou que São Marcos faz ver como “Jesus inicia os caminhos na sua terra para levar a todos, especialmente aos pobres, o Evangelho de Deus”.

Segundo o Papa, Jesus é o cumprimento das promessas divinas, porque dá ao homem o Espírito Santo, que é “água viva”, que sacia o coração sedento de vida, de amor, de liberdade e paz, enfim, “sedento de Deus”.

Neste sentido, Francisco recordou a mulher samaritana à qual Jesus pediu: “Dai-me de beber”, frase tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que termina neste domingo, 25, na Itália. Disse ainda que nesta tarde irá à Basílica de São Paulo Fora dos Muros para rezar pela unidade de todos os que creem em Cristo. “Jesus nos quer todos unidos”, reforçou o Papa.

Depois de rezar o Angelus, o Papa demonstrou sua preocupação pelos eventos ocorridos na Ucrânia, e pediu que se retorne ao diálogo a fim de que se encerrem as hostilidades.

O Santo Padre lembrou ainda que neste domingo, 25, se celebra a Jornada Mundial dos enfermos de lepra, e assegurou sua proximidade a todos os afetados e a seus cuidadores.

Por fim, saudou os diferentes grupos de peregrinos que estavam na Praça São Pedro, de diversas partes do mundo, em especial à comunidade filipina em Roma, país onde esteve dias atrás em viagem apostólica. “O povo filipino é maravilho, sua fé é forte e alegre”, disse o Santo Padre diante de centenas de filipinos espalhados pela Praça São Pedro.

Ação Católica de Roma

Ainda após o Angelus, duas crianças da Ação Católica de Roma, Sara e Matteo (foto), leram da janela do Palácio Apostólico, junto ao Papa, uma mensagem de paz.

As crianças explicaram ao Papa que a intenção era testemunhar o desejo de paz de muitas pessoas em um tempo onde “há uma grande necessidade de estar em paz, com a alegria do Senhor, de ser feliz e sorrir”. Indicaram que, como crianças, estão aprendendo de seus pais, professores, do Papa, e sobretudo da Palavra de Deus, a conhecer suas qualidades e a utilizá-las para construir a harmonia entre todos.

Depois, expressaram ao Santo Padre sua convicção de que a paz só poderá existir se todos se reconhecerem irmãos. “Só assim os conflitos terminarão”, disse a menina Sara. Finalmente, disseram ao Papa que rezam por ele e afirmaram em espanhol: “Te queremos mucho”.

A participação das crianças no Angelus deste domingo, 25, se deu por ocasião da Caravana da paz e do projeto “Da vida à paz” que desta vez tem por lema a afirmação: “Paz é a solução”.
Radio Vaticano

Papa Francisco recebe participantes do colóquio ecumênico de religiosos e religiosas

No seu discurso começou por dizer que era particularmente significativo que o encontro tenha tido lugar durante a Semana de Oração para a unidade dos cristãos.

Ao exprimir o seu próprio pensamento sobre este acontecimento, Papa Francisco recordou o que a esse propósito diz o Decreto conciliar “Unitatis redintegratio” no N° 5: isto é, que: “A vontade de re-estabelecer a unidade de todos os cristãos está present, naturalmente em todas as Igrejas  e diz respeito seja ao clero seja aos laigos”.

Não é, por outro lado uma casualidade (continua o Papa) que numerosos pioneiros do ecumenismos tenham sido mulheres e homens consagrados. Até Agora, várias comunidades religiosas dedicam-se intensamente a tal objectivo e são lugares privilegiados de encontro entre cristãos de diversas tradições.

Papa Francisco recordou em seguida a accão das comunidades ecuménicas tais como a de Taizé e a de Bose, ambas presentes no Colóquio. Em seguida evocou a passagem importante do Evangelho de S. João. Onde Jesus Cristo diz a seguinte oração:  no capítulo 17 versículo 21 do Evangelho segundo S. João «PARA QUE TODOS SEJAM UM»

Mais adiante, no seu discurso, Papa Francisco recordou nestes termos a importância decisiva da presença do espírito Santo: A vida religiosa (diz o Papa) mostra-nos precisamente que esta unidade não é fruto dos nossos esforços, mas é um dom do Espírito Santo, o Qual realiza a unidade na diversidade.

No fim do seu discurso Papa Francisco recordou não só a importância, mas também os frutos ou benefícios da unidade dos cristãos e mais uma vez evocou a acção do Espírito Santo nesse processo:

«Que se recordem todos os fiéis, que quanto melhor promoverem ou ainda quanto melhor viverem a prática da unida dos cristãos, quanto mais procurarão conduzir uma vida mais conforma ao Evangelho. De facto, quanto mais estreita for a sua comunhão com o Pai, com o Verbo e com o Espírito Santo, tanto mais íntima e fácil será a a fraternidade recíproca.

E, como acontece muitas vezes, o Papa Francisco terminou o seu discurso dizendo: Peço-vos, por favor, de rezar por mim, e abençoo-vos com todo o coração.
Radio Vaticano

Tweet, deste sábado, do Papa Francisco:

24/01/2015
Praticar a caridade é a melhor maneira de evangelizar.

“Deus perdoa sempre” – o Papa na Missa em Santa Marta



Sexta-feira, 23 de janeiro de 2015: A confissão não é um “julgamento”, mas um “encontro” com um Deus que perdoa e esquece todos os pecados – esta a menagem principal do Papa Francisco na homilia da Missa na Casa Santa Marta.

O “trabalho” de Deus é reconciliar, disse o Papa Francisco, comentando a passagem de S. Paulo aos Hebreus, no qual o Apóstolo fala da “nova aliança” estabelecida pelo Senhor com o seu povo eleito.

“O Deus que reconcilia”, afirmou o Papa, escolhe enviar Jesus para restabelecer um novo pacto com a humanidade e o fundamento deste pacto é o perdão.

“Deus perdoa sempre! Não se cansa de perdoar. (…) “Mas, padre, eu não me confesso porque fiz tantas, tantas coisas, que não receberei o perdão...’ Não. Não é verdade. Ele perdoa tudo. “

“Se você estiver arrependido”, Deus perdoa tudo – continuou o Santo Padre que não deixou de referir na sua homilia que muitas vezes a confissão parece mais um julgamento do que um encontro com o Senhor:

“Muitas vezes, as confissões parecem um procedimento, uma formalidade : ‘Pa, pa, pa, pa, pa… Pa, pa, pa… Vai”. Tudo mecânico! Não! Onde está o encontro?   (…) “porque confessar-se não é ir a uma lavandaria para retirar uma mancha. Não! É ir ao encontro do Pai, que perdoa e faz festa”.
(
Radio Vaticano)
Família é escola de comunicação, diz Papa em mensagem



O Vaticano publicou nesta sexta-feira, 23.janeiro.2015, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais que, neste ano, será celebrado em 17 de maio.

A mensagem tem como tema “ Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. Trata-se de uma escolha do Papa de colocar a data comemorativa em sintonia com o processo sinodal sobre família, que se conclui em outubro desse ano.

Mensagem na íntegra:

«Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor»

O tema da família encontra-se no centro duma profunda reflexão eclesial e dum processo sinodal que prevê dois Sínodos, um extraordinário – acabado de celebrar – e outro ordinário, convocado para o próximo mês de Outubro. Neste contexto, considerei oportuno que o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar quer a tornar mais autêntica e humana a comunicação, quer a ver a família dum novo ponto de vista.

Podemos deixar-nos inspirar pelo ícone evangélico da visita de Maria a Isabel (Lc 1, 39-56). «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”» (vv. 41-42).

Este episódio mostra-nos, antes de mais nada, a comunicação como um diálogo que tece com a linguagem do corpo. Com efeito, a primeira resposta à saudação de Maria é dada pelo menino, que salta de alegria no ventre de Isabel. Exultar pela alegria do encontro é, em certo sentido, o arquétipo e o símbolo de qualquer outra comunicação, que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo. O ventre que nos abriga é a primeira «escola» de comunicação, feita de escuta e contacto corporal, onde começamos a familiarizar-nos com o mundo exterior num ambiente protegido e ao som tranquilizador do pulsar do coração da mãe. Este encontro entre dois seres simultaneamente tão íntimos e ainda tão alheios um ao outro, um encontro cheio de promessas, é a nossa primeira experiência de comunicação. E é uma experiência que nos irmana a todos, pois cada um de nós nasceu de uma mãe.

Mesmo depois de termos chegado ao mundo, em certo sentido permanecemos num «ventre», que é a família. Um ventre feito de pessoas diferentes, interrelacionando-se: a família é «o espaço onde se aprende a conviver na diferença» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 66). Diferenças de géneros e de gerações, que comunicam, antes de mais nada, acolhendo-se mutuamente, porque existe um vínculo entre elas. E quanto mais amplo for o leque destas relações, tanto mais diversas são as idades e mais rico é o nosso ambiente de vida. O vínculo está na base da palavra, e esta, por sua vez, revigora o vínculo. Nós não inventamos as palavras: podemos usá-las, porque as recebemos. É em família que se aprende a falar na «língua materna», ou seja, a língua dos nossos antepassados (cf. 2 Mac 7, 21.27). Em família, apercebemo-nos de que outros nos precederam, nos colocaram em condições de poder existir e, por nossa vez, gerar vida e fazer algo de bom e belo. Podemos dar, porque recebemos; e este circuito virtuoso está no coração da capacidade da família de ser comunicada e de comunicar; e, mais em geral, é o paradigma de toda a comunicação.

A experiência do vínculo que nos «precede» faz com que a família seja também o contexto onde se transmite aquela forma fundamental de comunicação que é a oração. Muitas vezes, ao adormecerem os filhos recém-nascidos, a mãe e o pai entregam-nos a Deus, para que vele por eles; e, quando se tornam um pouco maiores, põem-se a recitar juntamente com eles orações simples, recordando carinhosamente outras pessoas: os avós, outros parentes, os doentes e atribulados, todos aqueles que mais precisam da ajuda de Deus. Assim a maioria de nós aprendeu, em família, a dimensão religiosa da comunicação, que, no cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros.

Na família, é sobretudo a capacidade de se abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e todavia são tão importantes uma para a outra… é sobretudo esta capacidade que nos faz compreender o que é verdadeiramente a comunicação enquanto descoberta e construção de proximidade. Reduzir as distâncias, saindo mutuamente ao encontro e acolhendo-se, é motivo de gratidão e alegria: da saudação de Maria e do saltar de alegria do menino deriva a bênção de Isabel, seguindo-se-lhe o belíssimo cântico do Magnificat, no qual Maria louva o amoroso desígnio que Deus tem sobre Ela e o seu povo. De um «sim» pronunciado com fé, derivam consequências que se estendem muito para além de nós mesmos e se expandem no mundo. «Visitar» supõe abrir as portas, não encerrar-se no próprio apartamento, sair, ir ter com o outro. A própria família é viva, se respira abrindo-se para além de si mesma; e as famílias que assim procedem, podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança às famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias.

Mais do que em qualquer outro lugar, é na família que, vivendo juntos no dia-a-dia, se experimentam as limitações próprias e alheias, os pequenos e grandes problemas da coexistência e do pôr-se de acordo. Não existe a família perfeita, mas não é preciso ter medo da imperfeição, da fragilidade, nem mesmo dos conflitos; preciso é aprender a enfrentá-los de forma construtiva. Por isso, a família onde as pessoas, apesar das próprias limitações e pecados, se amam, torna-se uma escola de perdão. O perdão é uma dinâmica de comunicação: uma comunicação que definha e se quebra, mas, por meio do arrependimento expresso e acolhido, é possível reatá-la e fazê-la crescer. Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade.

Muito têm para nos ensinar, a propósito de limitações e comunicação, as famílias com filhos marcados por uma ou mais deficiências. A deficiência motora, sensorial ou intelectual sempre constitui uma tentação a fechar-se; mas pode tornar-se, graças ao amor dos pais, dos irmãos e doutras pessoas amigas, um estímulo para se abrir, compartilhar, comunicar de modo inclusivo; e pode ajudar a escola, a paróquia, as associações a tornarem-se mais acolhedoras para com todos, a não excluírem ninguém.

Além disso, num mundo onde frequentemente se amaldiçoa, insulta, semeia discórdia, polui com as murmurações o nosso ambiente humano, a família pode ser uma escola de comunicação feita de bênção. E isto, mesmo nos lugares onde parecem prevalecer como inevitáveis o ódio e a violência, quando as famílias estão separadas entre si por muros de pedras ou pelos muros mais impenetráveis do preconceito e do ressentimento, quando parece haver boas razões para dizer «agora basta»; na realidade, abençoar em vez de amaldiçoar, visitar em vez de repelir, acolher em vez de combater é a única forma de quebrar a espiral do mal, para testemunhar que o bem é sempre possível, para educar os filhos na fraternidade.

Os meios mais modernos de hoje, irrenunciáveis sobretudo para os mais jovens, tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias. Podem-na dificultar, se se tornam uma forma de se subtrair à escuta, de se isolar apesar da presença física, de saturar todo o momento de silêncio e de espera, ignorando que «o silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras ricas de conteúdo» (BENTO XVI, Mensagem do XLVI Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24/1/2012); e podem-na favorecer, se ajudam a narrar e compartilhar, a permanecer em contacto com os de longe, a agradecer e pedir perdão, a tornar possível sem cessar o encontro. Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este «início vivo», saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Também neste campo, os primeiros educadores são os pais. Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se ao seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunicação, segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum.

Assim o desafio que hoje se nos apresenta, é aprender de novo a narrar, não nos limitando a produzir e consumir informação, embora esta seja a direcção para a qual nos impelem os potentes e preciosos meios da comunicação contemporânea. A informação é importante, mas não é suficiente, porque muitas vezes simplifica, contrapõe as diferenças e as visões diversas, solicitando a tomar partido por uma ou pela outra, em vez de fornecer um olhar de conjunto.

No fim de contas, a própria família não é um objecto acerca do qual se comunicam opiniões nem um terreno onde se combatem batalhas ideológicas, mas um ambiente onde se aprende a comunicar na proximidade e um sujeito que comunica, uma «comunidade comunicadora». Uma comunidade que sabe acompanhar, festejar e frutificar. Neste sentido, é possível recuperar um olhar capaz de reconhecer que a família continua a ser um grande recurso, e não apenas um problema ou uma instituição em crise. Às vezes os meios de comunicação social tendem a apresentar a família como se fosse um modelo abstracto que se há-de aceitar ou rejeitar, defender ou atacar, em vez duma realidade concreta que se há-de viver; ou como se fosse uma ideologia de alguém contra outro, em vez de ser o lugar onde todos aprendemos o que significa comunicar no amor recebido e dado. Ao contrário, narrar significa compreender que as nossas vidas estão entrelaçadas numa trama unitária, que as vozes são múltiplas e cada uma é insubstituível.

A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro.

Vaticano, 23 de Janeiro – Vigília da Festa de São Francisco de Sales – de 2015. (Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano)

Papa retoma missas na Santa Marta: Jesus intercede diariamente por nós



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa voltou a celebrar a missa matutina na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 22.jan.2015, após a viagem apostólica e Sri Lanka e Filipinas. A seguir, um resumo da homilia de Francisco.

Comentando o Evangelho do dia, que mostra a multidão correndo rumo a Jesus a partir de toda região, o Papa observa que o povo de Deus vê no Senhor “uma esperança, porque seu modo de agir e de ensinar toca o coração, chega ao coração porque tem a força da Palavra de Deus”:

“O povo sente isso e vê que em Jesus as promessas se realizam, que existe esperança em Jesus. O povo estava um pouco entediado com a forma dos doutores da lei de lhes ensinar a fé. Eles traziam tantos mandamentos, preceitos, mas não chegavam ao coração das pessoas. E quando o povo vê Jesus, sente Jesus, as propostas de Jesus, as bem-aventuranças, sente dentro algo que se mexe - é o Espírito Santo que desperta – vai encontrar Jesus!”.

O Papa prosseguiu dizendo que “a multidão vai a Jesus para ser curada, ou seja, busca o próprio bem; nosso caminho deve seguir Deus com pureza de intenções, um pouco por nós, um pouco por Deus. O povo vai, procura Deus, mas busca também saúde, curas, e se jogam em cima Dele para tocá-lo, para que sua força o cure”.

Mas a coisa mais importante “não é que Jesus cure”, explica o Papa – “isto é sinal de um outra cura - e nem mesmo que “Jesus diga palavras que cheguem ao coração”. Isto, certamente ajuda a encontrar Deus. A coisa mais importante está na Carta aos Hebreus: “Cristo pode salvar perfeitamente aqueles que por meio Dele se aproximam a Deus. Com efeito, ele está sempre vivo para interceder a seu favor”. “Jesus salva e Jesus é o intercessor – comenta o Pontífice. Esta são as duas palavras-chave:

“Jesus salva! Essas curas, essas palavras que chegam ao coração são o sinal e o início de uma salvação. O percurso de salvação de muitas pessoas que começam a ouvir Jesus ou a pedir uma cura e depois voltam a Ele e sentem a salvação. Mas o que é mais importante, que Jesus cure? Não, não é o mais importante. Que nos ensine? Não é o mais importante. Que salve! Ele é o Salvador e nós somos salvos por (através de) Ele. E esta é a força da nossa fé”.

Jesus subiu ao Pai “e de lá ainda intercede todos os dias, todos os momentos por nós”:

“E esta é uma coisa atual. Jesus diante do Pai, oferece a sua vida, a redenção, mostra ao Pai as chagas, o preço da salvação. E todos os dias, assim, Jesus intercede. E quando nós, por um motivo ou outro estamos um pouco abatidos, recordamos que é Ele que reza por nós, intercede por nós continuamente. Muitas vezes esquecemos disso: ‘Mas Jesus …sim, acabou, foi para o Céu, nos enviou o Espírito Santo, acabou a história’. Não! Atualmente, a cada momento, Jesus intercede. Nesta oração: ‘Mas, Senhor Jesus, tenha piedade de mim’. Interceda por mim. Dirigir-se ao Senhor, pedindo esta intercessão”.

Este é o ponto central, afirmou Francisco: que Jesus é “Salvador e Intercessor. Fará bem recordar isso”. “Assim, a multidão busca Jesus com o desejo da esperança do povo de Deus que aguardava o Messias, e busca encontrar Nele a saúde, a verdade, a salvação, porque Ele é o Salvador e como Salvador ainda hoje, neste momento, intercede por nós. Que a nossa vida cristã – foi a oração conclusiva do Papa – se convença cada vez mais de que nós fomos salvos, que temos um Salvador, Jesus à direita do Pai, que intercede. Que o Senhor, o Espírito Santo, nos faça compreender essas coisas.”
Católicos e luteranos, um diálogo que dá frutos



Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de quinta-feira, 22/01, o Pontífice recebeu no Vaticano uma delegação ecumênica da Finlândia, que tradicionalmente vem a Roma em peregrinação para celebrar Santo Henrique, Padroeiro do país. Liderado pelo Bispo Vikström, o grupo de 12 pessoas ouviu as palavras de Francisco, que louvou este “encontro espiritual e ecumênico entre católicos e luteranos”.

O caminho com Papa Woityla

Trinta anos atrás, a primeira delegação ecumênica finlandesa a visitar o Vaticano foi recebida pelo Papa João Paulo II, que enalteceu seu esforço pela unidade. “Naquele momento, já haviam sido feitos passos importantes no caminho rumo à plena e visível unidade dos cristãos. E desde então, muito foi feito e – tenho certeza - muito ainda será feito na Finlândia neste sentido”, disse Francisco.

A visita da delegação ecumênica se dá justamente enquanto se celebra, no Hemisfério Norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, a iniciativa tem como tema: “Dá-me de beber”, palavras de Jesus dirigidas à Samaritana no poço de Jacó.

Testemunho comum

Como narrado no Evangelho, “o Senhor é a fonte de toda graça; seus dons transformam quem os recebe, tornando-os testemunhas da verdadeira vida, que provém somente de Cristo. “Como o senhor observou, Bispo Vikstrom, católicos e luteranos podem ainda fazer muito juntos para dar testemunho da misericórdia divina em nossas sociedades. O testemunho comum é muito necessário quando há desconfiança, insegurança, perseguições e sofrimento em meio a tantas pessoas no mundo de hoje”, refletiu o Papa.

Segundo o Pontífice, “este testemunho comum pode ser sustentado e encorajado pelo progresso no diálogo teológico entre as Igrejas”. Citando alguns progressos obtidos neste caminho, completou reafirmando seu desejo de que esta visita a Roma contribua para reforçar as relações ecumênicas entre luteranos e católicos na Finlândia, muito positivas há anos. “Que o Senhor nos envie o Espírito de verdade e nos guie rumo a uma maior caridade e unidade”, terminou.
Papa aos policiais: o amor de Deus vence ameaças à humanidade



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu em audiência esta manhã (22/01), na Sala Clementina, dirigentes, agentes e funcionários da Inspetoria de Segurança Pública junto ao Vaticano para o tradicional encontro no início do ano, que em 2015 marca também os seus 70 anos de atividade.

O novo ano teve início há pouco, disse o Papa, e muitas são as expectativas e esperanças. Todavia, constatou, “no horizonte vemos sombras e perigos que preocupam a humanidade. Como cristãos, somos chamados a não desanimar e desencorajar, pois nossa esperança está fundamentada no amor de Deus”.

À luz desta esperança, prosseguiu Francisco, o trabalho da Inspetoria assume um significado especial, pois tem a tarefa de proteger e vigiar locais de grande importância para a fé e a vida de milhões de peregrinos. O Papa fez votos de que cada turista possa sentir-se socorrido e protegido pelo trabalho dos agentes. “Prestaremos conta ao Senhor da responsabilidade a nós confiada, do bem ou do mal que fizemos ao nosso próximo”, recordou o Pontífice, que concluiu:

“Confiemos a Maria toda preocupação e esperança, para que em todas as circunstâncias da vida possamos amar, vibrar e viver na fé do Filho de Deus que se fez homem por nós.”
Francisco envia carta aos participantes do XI ENPJ



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou, dia 21/01, uma carta aos participantes do 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (ENPJ). Dirigindo-se à secretária nacional da Pastoral da Juventude (PJ), Aline Ogliari, e ao membro da Comissão Nacional de Assessores da PJ, Alberto Chamorro, o bispo de Roma faz uma reflexão sobre a iluminação bíblica do encontro "Mestre, onde moras? Vinde e vede!" (Jo 1, 38-39) e exorta os participantes para que "nunca percam a esperança e a utopia". "Vocês são os profetas da esperança, são o presente da sociedade e da nossa amada Igreja e por sobre todo são os que podem construir uma nova Civilização do amor", afirma no texto.

Carta

Mestre onde moras? Vinde e vede! (Cf. Jo 1,38-39)

Estimada Aline e meu querido Alberto, que a graça do Jovem de Nazaré permaneça sempre com vocês, e nessa saudação quero abraçar a todos os jovens e adultos que estão participando do XI Encontro Nacional da Pastoral da Juventude nas benditas terras amazônicas.

É com grande alegria que me dirijo a vocês por meio desta singela mensagem, obrigado por deixar-me participar deste grande e bendito encontro.
Gostaria de começar dizendo que fiquei muito feliz ao rezar e meditar a iluminação bíblica e o lema do encontro.

Essa pergunta habita no coração humano. A respeito de tudo e em todas as circunstâncias. Atesta-o a experiência pessoal, documenta-o a história, confirma-o o relato bíblico. O rosto da pergunta surge no alvor das origens com aquele célebre: “Adão, onde estás? Que fizeste do teu Irmão?”; no templo de Silo no diálogo do jovem Samuel com o sacerdote Helí, nas proximidades do rio Jordão com dois discípulos de João a Jesus de Nazaré: “Mestre, onde moras”? Jo 1, 35-42.

Também, hoje, a pergunta bate “à porta” da nossa consciência: Que queres da vida? Que sentido dás ao tempo? Como geres o instante no todo na tua história pessoal? Tens presente o teu futuro definitivo?

E o teu contributo para o bem de todos? Cada um de nós saberá continuar a lista sem dificuldade.

Toda a pergunta tem resposta. “Vinde e vede”, a resposta de Jesus fica como modelo e pedagogia para todos os peregrinos da verdade. Eles vão e ficam na sua companhia. Deixam-se “moldar” pelo modo de ser do Mestre. Mais tarde serão enviados em missão. E, como outrora, também agora, somos convidados a conviver com Ele, a partilhar a sua vida, a acolher o seu olhar penetrante, a deixar-nos atrair e a “agarrar” pela experiência gratificante que dá resposta aos anseios mais profundos do coração humano.

Os discípulos, na companhia do Mestre, aprenderam os modos de realizar a missão: curar doentes e alimentar famintos, partilhar e viver na alegria sincera, deixar-se conduzir pelo amor universal e generoso, que Deus nos tem, acolher os mais débeis e afastados das fontes da vida. E partem pelos “quatro cantos da Terra” a anunciar a vocação sublime de todo o ser humano, a apreciar e a cuidar a dignidade do seu corpo (toda a sua pessoa), a construir relações na base da regra de ouro “tudo o que queres para ti, fá-lo aos outros”, a reconhecer que só a civilização do amor manifesta, o melhor possível, a convivência sustentada em sociedade e redimensionada na cultura, a vocação de toda a humanidade.

Essa mesma vocação que nos convida a partilhar “A vida, o pão e a utopia”. De que serviria dizer que somos seguidores de Cristo se somos indiferentes às dores dos nossos irmãos? “Mostra-me tua fé sem obras que pelas minhas obras te mostrarei a minha fé” lembra-nos o apostolo Thiago.

Meus queridos e minhas queridas jovens, tenho muita esperança em vocês que dão testemunho com as suas vidas desse Cristo libertador. Esse Cristo que “olhou ao jovem com misericórdia e o amou”, a Igreja também ama vocês e por isso os peço que não se deixem abater pelas coisas que possam chegar a ouvir da juventude, em todo tempo histórico se falou pejorativamente dos jovens, mas também em todo tempo foi essa mesma juventude que dava testemunho de compromisso, fidelidade e alegria.

Nunca percam a esperança e a utopia, vocês são os profetas da esperança, são o presente da sociedade e da nossa amada Igreja e por sobre todo são os que podem construir uma nova Civilização do amor.

Joguem a vida por grandes ideais. Apostem em grandes ideais, em coisas grandes; não fomos escolhidos pelo Senhor para coisinhas pequenas, mas para coisas grandes!

Que o bom Deus abençoe sempre seus passos e seus sonhos e que a Nossa Senhora aparecida os cubra sempre com o seu manto sagrado.
Com minha benção apostólica.

+ Francisco
Vaticano, 21 de Janeiro – Dia de Santa Inês – de 2015.

Catequese do Papa sobre sua viagem ao Sri Lanka e Filipinas

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Hoje me concentrarei na viagem apostólica ao Sri Lanka e Filipinas, que realizei na semana passada. Depois da visita à Coreia há alguns meses, voltei à Ásia, continente de ricas tradições culturais e espirituais. A viagem foi, sobretudo, um alegre encontro com as comunidades eclesiais que, naqueles países, dão testemunho a Cristo: confirmei-as na fé e na missionariedade. Conservarei sempre no coração a recordação do acolhimento festivo por parte da multidão – em alguns casos até mesmo oceânicas – que acompanhou os momentos marcantes da viagem. Além disso, encorajei o diálogo inter-religioso a serviço da paz, bem como o caminho daqueles povos rumo à unidade e o desenvolvimento social, especialmente com o protagonismo das famílias e dos jovens.

O momento culminante da minha estadia no Sri Lanka foi a canonização do grande missionário José Vaz. Este santo sacerdote administrava os sacramentos, muitas vezes em segredo, aos fiéis, mas ajudava indistintamente todos os necessitados, de toda religião e condição social. O seu exemplo de santidade e amor ao próximo continua a inspirar a Igreja no Sri Lanka no seu apostolado de caridade e de educação. Indiquei São José Vaz como modelo para todos os cristãos, chamados hoje a propor a verdade salvífica do Evangelho em um contexto multirreligioso, com respeito para com os outros, com perseverança e com humildade.

O Sri Lanka é um país de grande beleza natural, cujo povo está procurando reconstruir a unidade depois de um longo e dramático conflito civil. No meu encontro com as autoridades do governo destaquei a importância do diálogo, do respeito pela dignidade humana, do esforço de envolver todos para encontrar soluções adequadas para a reconciliação e o bem comum.

As diferentes religiões têm um papel significativo a desenvolver a respeito. O meu encontro com os expoentes religiosos foi uma confirmação das boas relações que já existem entre as várias comunidades. Em tal contexto, quis encorajar a cooperação já realizada entre os seguidores das diferentes tradições religiosas, também a fim de poder curar com o bálsamo do perdão quantos ainda estão aflitos com o sofrimento dos últimos anos. O tema da reconciliação caracterizou também a minha visita ao santuário de Nossa Senhora de Madhu, muito venerada pelas populações tamil e cingalesa e meta de peregrinação de membros de outras religiões. Naquele lugar santo, pedimos a Maria, nossa Mãe, para obter para todo o povo srilanquês o dom da unidade e da paz.

Do Sri Lanka, parti para as Filipinas, onde a Igreja se prepara para celebrar o quinto centenário da chegada do Evangelho. É o principal país católico da Ásia e o povo filipino é bem conhecido pela sua profunda fé, a sua religiosidade e o seu entusiasmo, mesmo na diáspora. No meu encontro com as autoridades nacionais, bem como nos momentos de oração e durante a Missa conclusiva lotada, destaquei a constante fecundidade do Evangelho e a sua capacidade de inspirar uma sociedade digna do homem, em que há lugar para a dignidade de cada um e as aspirações do povo filipino.

Escopo principal da visita, e motivo pelo qual decidi ir às Filipinas – este foi o motivo principal – era poder exprimir a minha proximidade aos nossos irmãos e irmãs que sofreram a devastação do tufão Yolanda. Fui a Tacloban, na região mais gravemente atingida, onde prestei homenagem à fé e à capacidade de recuperação da população local. Em Tacloban, infelizmente, as condições climáticas adversas causaram outra vítima inocente: a jovem voluntária Kristel, morta por uma estrutura levada pelo vento. Depois, agradeci a quantos, de toda parte do mundo, responderam à necessidade deles com uma generosa e abundante ajuda. A potência do amor de Deus, revelado no mistério da Cruz, tornou-se evidente no espírito de solidariedade demonstrada pelos múltiplos atos de caridade e de sacrifício que marcaram aqueles dias escuros.

Os encontros com as famílias e com os jovens, em Manila, foram momentos de destaque da visita nas Filipinas. As famílias saudáveis são essenciais à vida da sociedade. Dá consolação e esperança ver tantas famílias numerosas que acolhem os filhos como um verdadeiro dom de Deus. Elas sabem que cada filho é uma benção. Ouvi dizer por alguns que as famílias com muitos filhos e o nascimento de tantas crianças estão entre as causas da pobreza. Parece-me uma opinião simplista. Posso dizer, todos podemos dizer, que a causa principal da pobreza é um sistema econômico que tirou a pessoa do centro e colocou o deus dinheiro; um sistema econômico que exclui, exclui sempre: exclui as crianças, os idosos, os jovens, sem trabalho… e que cria a cultura do descartável que vivemos. Estamos habituados a ver pessoas descartadas. Este é o motivo principal da pobreza, não as famílias numerosas. Evocando a figura de São José, que protegeu a vida do “Santo Niño”, tão venerado naquele país, recordei que é preciso proteger as famílias, que enfrentam diversas ameaças, a fim de que possam testemunhar a beleza da família no projeto de Deus. É preciso também defender as famílias das novas colonizações ideológicas, que atentam à sua identidade e à sua missão.

E foi uma alegria para mim estar com os jovens das Filipinas, para escutar as suas esperanças e as suas preocupações. Quis oferecer a esses o meu encorajamento para o esforço deles em contribuir para a renovação da sociedade, especialmente através do serviço aos pobres e a proteção do ambiente natural.

O cuidado com os pobres é um elemento essencial da nossa vida e testemunho cristão – acenei para isso também na visita; comporta a rejeição de toda forma de corrupção, porque a corrupção rouba dos pobres e requer uma cultura de honestidade.

Agradeço ao Senhor por esta visita pastoral ao Sri Lanka e Filipinas. Peço-lhe para abençoar sempre estes dois países e para confirmar a fidelidade dos cristãos à mensagem evangélica da nossa redenção, reconciliação e comunhão com Cristo. Obrigado.

Após a catequese desta quarta-feira, 21, o Papa Francisco dirigiu o pensamento a todos os cristãos perseguidos no mundo e deixou um apelo pelo Níger, onde extremistas muçulmanos saquearam e queimaram cerca de 45 igrejas. Pelo menos 10 pessoas morreram nesse ataque, que foi uma forma de protesto  contra as charges sobre Maomé publicadas pela revista francesa Charlie Hebdo.

O Santo Padre pediu orações pelas vítimas do protesto, destacando a brutalidade exercida contra cristãos, crianças e igrejas. Ele pediu a Deus o dom da reconciliação e da paz, para que o sentimento religioso nunca se torne ocasião de violência, opressão e destruição.

“Não se pode fazer a guerra em nome de Deus! Desejo que quanto antes se possa restabelecer um clima de respeito recíproco e de pacífica convivência pelo bem de todos. Rezemos a Nossa Senhora pelo povo do Níger”, concluiu o Pontífice, rezando, em seguida, uma Ave-Maria.
Boletim da Santa Sé

Papa: filipinos me comoveram. Talvez vá à África no final do ano

Cidade do Vaticano, 20.jan.2015 (RV) - Um balanço da intensa visita às Filipinas e uma série de considerações sobre temas de grande relevo público: da corrupção nas instituições civis e eclesiais ao problema da “colonização ideológica”, da teoria do gênero ao tema da contracepção. Em seguida, uma série de possíveis metas para as próximas viagens apostólicas, África e América Latina, neste 2015. Foram os temas que nortearam o encontro do Papa com os jornalistas, de pouco mais de uma hora, durante o voo de Manila para Roma.

Sobretudo “os gestos”. E o amor genuíno que os acompanhava. Respondendo à pergunta sobre o que trazia das Filipinas, o Santo Padre disse e repetiu ainda, “os gestos”: gestos que me comoveram, porque não eram “protocolares”, porque eram expressão de um “entusiasmo não finto”. “Comovia-me”, sobretudo, acrescentou, quando via um pai levantar o filho sobre a multidão para fazer com que o Papa o abençoasse e ficar feliz por aquela bênção, como se eles quisessem dizer: “este é o meu tesouro, o meu futuro, o meu amor”.

“O gesto da paternidade, da maternidade, do entusiasmo, da alegria (...) Um povo que sabe sofrer, e que é capaz de levantar-se e seguir adiante. Ontem, no conversa que tive com o pai de Crystal, a jovem voluntária que morreu em Tacloban, fiquei edificado (por aquilo que me disse – ndr): “Morreu em serviço”. E buscava palavras para conformar-se, para aceitar isto”.

Os gestos que tocaram o coração de Francisco foram também os dos sobreviventes em Tacloban. “Ver – disse – todo aquele povo de Deus rezar após a catástrofe” me fez sentir “como abatido, a voz quase não me saia”.

O tom de Francisco mudou quando lhe foi perguntado sobre quais viagens apostólicas pensa fazer nos próximos meses. O Como de costume, o Papa respondeu precisando tratar-se de hipótese, possibilidade:

“Respondo hipoteticamente. Mas o plano é ir à República Centro-Africana e Uganda. Estes dois. Este ano. Creio que será em torno do final do ano (...) estão previstos para este ano três países latino-americanos – é tudo ainda como esboço (nada definitivo, ndr) – Equador, Bolívia e Paraguai. Estes três. Para o próximo ano, gostaria de visitar – mas ainda não tem nada previsto – o Chile, Argentina e Uruguai.”

O Santo Padre excluiu, por razões logísticas, a Califórnia, no caso da Canonização de Junípero Serra, em setembro – se realizará “no Santuário de Washington”, precisou – e por motivos análogos excluiu também entrar nos EUA a partir do México, embora reconhecendo o valor de um gesto de “fraternidade” em relação aos emigrantes.

Quando é feita uma pergunta sobre o tema mil vezes denunciado da corrupção, o Papa Francisco reitera que este mal, e prevaricação que se segue, são "um problema mundial" que "encontra facilmente o ninho nas instituições", assim como no indivíduo, e que faz as suas vítimas preferidas entre os "pobres". Não diferente o caso quando os corruptos são da e na Igreja e aqui Francisco conta um episódio do tempo do seu ministério episcopal em Buenos Aires, quando dois funcionários do governo foram lhe propor um substancial pagamento em dinheiro para as suas "villas miserias" desde que eles ficassem com a metade, e eles foram mandados de volta com elegante sutileza:

“Eu acho que a Igreja deveria dar exemplo cada vez mais disso, de recusar toda mundanidade. Nós consagrados, bispos, padres, irmãs, leigos que realmente acreditam, a maior ameaça é a mundanidade. É tão feio olhar quando você vê um consagrado, um homem da Igreja, uma irmã, mundano. É feio. Este não é o caminho de Jesus. É o caminho de uma ONG que se chamada Igreja. Mas esta ONG não é a Igreja de Jesus".

Alguns jornalistas pediram ao Papa para esclarecer duas considerações expressas na coletiva de imprensa no voo de Colombo para Manila. Uma é a questão do "punho" - como evidenciado há dias, pela mídia - ou seja, quais são os limites da liberdade de expressão. Francisco reafirma que "em teoria" todos concordam em oferecer a outra face em caso de provocação, mas a realidade é que "somos humanos" e, portanto, uma repetida ofensa pode desencadear em uma reação errada. Por isso, afirma o Papa, não é mau "ser prudente".

O segundo assunto volta à expressão usada por Francisco, a da "colonização ideológica". Também aqui o Papa conta de um episódio de 20 anos atrás, em que um ministro da Educação, que tinha pedido um grande empréstimo "para construir escolas para os pobres", recebeu como condição a introdução nas escolas de um livro que ensinava a teoria do gênero:

"Esta é a colonização ideológica: entram em um povo com uma ideia que não tem nada a ver com o povo; sim, com grupos do povo, mas não com o povo, e colonizam o povo com uma ideia que muda ou quer mudar uma mentalidade ou uma estrutura (...) Mas isso não é novidade. O mesmo fizeram as ditaduras do século passado. Entraram com a sua doutrina. Pensem nos Balilla, pensem na Juventude Hitlerista. Colonizaram o povo, queriam fazê-lo. Mas quanto sofrimento. Os povos não devem perder a liberdade".

Outro tema é o da contracepção ligado ao falso mito de que os cristãos devem fazer muitos filhos. O Papa Francisco recorda que a Igreja sempre promoveu o princípio da paternidade e maternidade responsáveis, contido na "Humanae vitae" de Paulo VI, definido "um profeta", e não um Pontífice "fechado":

“Ele olhava para o neo-Malthusianismo universal que estava em andamento (...) Aquele neo-Malthusianismo que buscava o controle da humanidade por parte das potências. Isto não significa que o cristão deve fazer filhos em série. Eu repreendi alguns meses atrás uma mulher em uma paróquia, porque ela estava grávida do oitavo filho, depois de sete cesarianas: "Mas a senhora quer deixar órfãos os sete?'. Isto é tentar Deus. Fala-se de uma paternidade responsável".

Sobre o seu apelo aos países islâmicos para que tomem uma posição contra os grupos terroristas, Francisco disse estar confiante de que com o tempo as muitas "boas pessoas" do mundo muçulmano vão ser capazes de ter um impacto maior. O Papa precisou em seguida que a audiência ao Dalai Lama não foi concedida porque "é costume no protocolo da Secretaria de Estado" não receber chefes de Estado ou daquele nível quando estão envolvidos em um encontro internacional em Roma:

"Mas o motivo não foi a rejeição à pessoa ou o medo da China. Sim, estamos abertos e queremos a paz com todos. E como estão as relações? O governo chinês é educado. Também nós somos educados e fazemos as coisas passo a passo, como se fazem as coisas na história, ou não? Ainda não sei, mas eles sabem que eu estou disposto a receber ou ir. Eles sabem disso".

Papa Francisco deixa Filipinas após maior evento papal da história

Missa em Manila no domingo (18) reuniu quase 7 milhões de pessoas.
Na despedida, milhares de fiéis o acompanharam até a base aérea.
 
O papa Francisco partiu nesta segunda-feira. 19.JAN.2015 das Filipinas rumo a Roma após uma visita de cinco dias ao país que terminou no domingo com uma missa em Manila, da qual participaram entre seis e sete milhões de pessoas, qualificado como o maior evento papal da história.

O pontífice foi hoje de novo recebido por centenas de milhares de filipinos, que foram para às ruas para acompanhá-lo no caminho desde a Nunciatura do Vaticano em Manila, onde ficou hospedado, até a base aérea de Villamor. também foram se despedir do papa o presidente das Filipinas, Benigno Aquino III, e o arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle, junto com vários oficiais do Governo.

Antes de partir, várias crianças, que foram os grandes protagonistas da visita papal, voltaram a dar o toque de festa ao evento e dedicaram a ele uma dança.

Finalmente, o avião papal, no qual viajam além disso 77 jornalistas internacionais que acompanharam a visita do papa, decolou da base aérea às 10h12 (horário local, 0h12 minutos em Brasília). (G1)


Esta foi a mensagem deixada pelo Papa Francisco, em seu Twitter, ao deixar a Ásia rumo à Roma:

19/01/2015
Aos meus amigos no Sri Lanka e nas Filipinas: Deus vos abençoe a todos. Por favor, rezai por mim.





Sétima viagem internacional do Padre Francisco - clique aqui


Papa envia telegrama sobre renúncia do presidente da Itália

Diretamente do Sri Lanka, onde está em viagem apostólica, o Papa Francisco se manifestou sobre a renúncia do presidente da Itália, Giorgio Napolitano, anunciada nesta quarta-feira, 14. Mesmo em viagem, o Pontífice enviou um telegrama ao presidente, publicado há pouco pelo Vaticano.

Na mensagem, Francisco expressa sua proximidade espiritual a Napolitano e sua estima pelo exemplo dado pelo presidente nesse período em que governou a Itália com “incansável dedicação ao bem comum”.

“A sua ação iluminada e sábia contribuiu para reforçar na população os ideais de solidariedade, de unidade e de concórdia, especialmente no contexto europeu e nacional marcado por não poucas dificuldades”.

Aos 89 anos, Giorgio Napolitano renunciou ao cargo de presidente após quase nove anos de mandato. Há duas semanas, ele comentou as dificuldades para governar tendo em vista sua idade avançada.

Tambem nesta quarta-feira, o Santo Padre twittou, lá do Sri Lanka:

14/01/2015
São José Vaz, ensinai-nos a crescer em santidade e a viver a mensagem de misericórdia do Evangelho.

Discurso do Papa ao corpo diplomático junto à Santa Sé

Boletim da Santa Sé

Excelências, Senhoras e Senhores!

Obrigado pela vossa presença neste habitual encontro que me permite, no início de cada novo ano, dirigir a vós, às vossas famílias e aos povos que representais uma cordial saudação com votos de todo o bem. Um sentimento de particular gratidão desejo manifestar ao Decano, senhor Jean-Claude Michel, pelas amáveis palavras que me dirigiu em nome de todos, bem como a cada um de vós pelo empenho constante que pondes em favorecer e incrementar, com espírito de mútua colaboração, as relações entre os vossos países e as organizações internacionais por vós representados e a Santa Sé. No decurso do último ano, tais relações puderam consolidar-se quer pelo aumento da presença de Embaixadores residentes em Roma, quer através da assinatura de novos Acordos bilaterais de carácter geral, como o acordo assinado em Janeiro passado com os Camarões, e de Convenções específicas, como as subscritas com Malta e a Sérvia.

Hoje, desejo fazer ressoar fortemente uma palavra que nos é muito cara: paz! Esta chega até nós pela voz da multidão angélica, que a anuncia na noite de Natal (cf. Lc 2, 14) como dom precioso de Deus e, ao mesmo tempo, no-la indica como responsabilidade pessoal e social que nos deve encontrar solícitos e operosos. Mas, ao lado da paz, o presépio fala-nos doutra realidade dramática: a rejeição. Nalgumas representações iconográficas tanto do Ocidente como do Oriente – penso, por exemplo, no esplêndido ícone da Natividade de Andrej Rublëv –, o Menino Jesus não aparece reclinado num berço, mas deposto num sepulcro. A imagem, que pretende associar as duas festas cristãs principais – o Natal e a Páscoa –, mostra que, a par da jubilosa recepção motivada pelo novo nascimento, existe todo o drama do desprezo e rejeição até à morte na cruz de que foi objecto Jesus.

Os próprios relatos do Natal mostram-nos o coração duro da humanidade, que sente dificuldade em receber o Menino. Logo desde o princípio, também Ele é descartado, deixado fora ao frio, forçado a nascer num estábulo, porque não havia lugar na hospedaria (cf. Lc 2, 7). E, se assim foi tratado o Filho de Deus, ainda pior o são muitos dos nossos irmãos e irmãs. Há uma índole da rejeição que nos assemelha e que induz a olhar o próximo, não como um irmão a acolher, mas como alguém deixado fora do nosso horizonte de vida pessoal, transformando-o antes num concorrente, num súbdito a dominar. Trata-se duma mentalidade geradora daquela cultura do descarte que não poupa nada e ninguém, desde as criaturas irracionais aos seres humanos e até ao próprio Deus. De tal cultura nasce uma humanidade ferida, continuamente dilacerada por tensões e conflitos de toda a espécie.

Exemplo disso mesmo, nos relatos evangélicos da infância, é o rei Herodes, que, sentindo a sua autoridade ameaçada pelo Menino Jesus, manda matar todos os meninos de Belém. Isto faz imediatamente acudir ao pensamento o Paquistão, onde há um mês foram trucidadas, com ferocidade inaudita, mais de cem crianças. Às suas famílias, desejo renovar as minhas condolências pessoais e a certeza da minha oração por tantos inocentes que perderam a vida.

Assim, à dimensão pessoal da rejeição, vem associar-se inevitavelmente uma dimensão social, uma cultura que rejeita o outro, rompe os vínculos mais íntimos e verdadeiros, acabando por dissolver e desagregar toda a sociedade, gerando violência e morte. Um triste eco disso mesmo, encontramo-lo em numerosos factos referidos nas notícias quotidianas, como o trágico massacre que há dias sucedeu em Paris. Os outros «deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objectos» (Mensagem para o XLVIII Dia Mundial da Paz, 8 de Dezembro de 2014, 4). E o ser humano, de livre que era, torna-se escravo das modas, do poder, do dinheiro e por vezes até mesmo de formas equivocadas de religião. São perigos que quis salientar na Mensagem para o recente Dia Mundial da Paz, dedicada à problemática das múltiplas escravidões modernas. Estas nascem dum coração corrupto, incapaz de ver e fazer o bem, de buscar a paz.

Com amargura, constatamos as consequências dramáticas desta mentalidade da rejeição e da «cultura da servidão» (Ibid., 2) no contínuo alastrar dos conflitos. Como uma verdadeira e própria guerra mundial combatida por pedaços, tais conflitos tocam, embora sob diferentes formas e intensidade, várias áreas do planeta, a começar pela vizinha Ucrânia, tornada dramático teatro de confronto e para a qual almejo que, através do diálogo, se consolidem os esforços em acto para fazer cessar as hostilidades e que as partes envolvidas empreendam o mais rapidamente possível, num renovado espírito de respeito pela legalidade internacional, um sincero caminho feito de confiança mútua e reconciliação fraterna que permita superar a presente crise.

E o pensamento corre sobretudo ao Médio Oriente, a começar pela amada Terra de Jesus, que tive a alegria de visitar no passado mês de Maio e para a qual não nos cansaremos jamais de invocar a paz. Fizemo-lo com extraordinária intensidade, juntamente com o então Presidente israelita Shimon Peres e o Presidente palestiniano Mahmoud Abbas, animados pela esperança e confiança de que se possam retomar as negociações entre as duas Partes, visando acabar com as violências e chegar a uma solução que permita tanto ao povo palestiniano como ao povo israelita viver finalmente em paz, dentro de fronteiras claramente estabelecidas e reconhecidas internacionalmente, tornando-se real a «solução de dois Estados».

Mas o Médio Oriente, infelizmente, é atormentado por outros conflitos que se prolongam já por muito tempo e cujas implicações são espaventosas, nomeadamente pelo alastramento do terrorismo de matriz fundamentalista na Síria e no Iraque. Este fenómeno é consequência da cultura do descarte aplicada a Deus. Na verdade, o fundamentalismo religioso, ainda antes de descartar os seres humanos perpetrando horrendos massacres, rejeita o próprio Deus, relegando-O a mero pretexto ideológico. Perante esta injusta agressão, que atinge os próprios cristãos e outros grupos étnicos e religiosos da Região, requer-se uma resposta unânime que, no quadro do direito internacional, detenha o alastrar das violências, restabeleça a concórdia e cure as feridas profundas provocadas pelos sucessivos conflitos. Por isso, daqui faço apelo à comunidade internacional inteira, bem como aos vários governos interessados para que assumam iniciativas concretas em prol da paz e em defesa de quantos sofrem as consequências da guerra e da perseguição, sendo forçados a deixar as suas casas e a própria pátria. Através duma carta enviada pouco antes do Natal, quis pessoalmente manifestar a minha solidariedade e assegurar a minha oração a todas as comunidades cristãs do Médio Oriente, que prestam um rico testemunho de fé e coragem, desempenhando um papel fundamental como artífices de paz, reconciliação e desenvolvimento nas respectivas sociedades civis a que pertencem. Um Médio Oriente sem cristãos seria um Médio Oriente desfigurado e mutilado! Ao instar a comunidade internacional para que não fique indiferente a esta situação, espero que os líderes religiosos, políticos e intelectuais, especialmente muçulmanos, condenem qualquer interpretação fundamentalista e extremista da religião que tenda a justificar tais actos de violência.

Infelizmente semelhantes formas de brutalidade, que tantas vezes ceifam vítimas entre os menores e os indefesos, não faltam também noutras partes do mundo. Penso de modo particular na Nigéria, onde não cessam as violências que atingem indiscriminadamente a população, verificando-se um crescimento contínuo do trágico fenómeno do sequestro de pessoas, muitas delas jovens raptadas para serem objecto de comercialização. É um comércio execrável, que não pode continuar. Um flagelo que é preciso erradicar, pois nos atinge a todos nós, desde as famílias envolvidas até à comunidade mundial inteira (cf. Discurso aos novos Embaixadores acreditados junto da Santa Sé, 12 de Dezembro de 2013).

Depois vejo, com apreensão, os numerosos conflitos de carácter civil que afectam outras partes da África, a começar pela Líbia, dilacerada por uma longa guerra interna que causa sofrimentos indescritíveis entre a população e tem graves repercussões sobre os delicados equilíbrios da Região. Penso na situação dramática da República Centro-Africana, onde tristemente se constata como a boa vontade que anima os esforços de quantos querem construir um futuro de paz, segurança e prosperidade, embate em formas de resistência e interesses egoístas partidários que ameaçam frustrar as expectativas dum povo tão provado que anseia construir livremente o seu futuro. Suscita particular preocupação também a situação no Sudão do Sul e nalgumas regiões do Sudão, do Corno de África e da República Democrática do Congo, onde não cessa de crescer o número de vítimas entre a população civil, com milhares de pessoas, incluindo inúmeras mulheres e crianças, que são obrigadas a fugir e viver em condições de desconforto extremo. Por isso, almejo um compromisso conjunto dos vários governos e da comunidade internacional, para que se ponha fim a toda espécie de luta, ódio e violência e se comprometa a favor da reconciliação, da paz e da defesa da dignidade transcendente da pessoa.

Além disso, é preciso não esquecer que as guerras trazem consigo outro crime horrendo que é o estupro. É uma ofensa gravíssima à dignidade da mulher, que é violada não só na intimidade do seu corpo mas também na sua alma, com um trauma que dificilmente poderá ser cancelado e cujas consequências são também de carácter social. Mas, mesmo onde não há guerra, verifica-se infelizmente que muitas mulheres são ainda hoje vítimas de violência.

Em todos os conflitos bélicos, por causa das vidas que são deliberadamente espezinhadas por aqueles que detêm a força, se revela o rosto mais emblemático da cultura do descarte. Mas existem formas mais subtis e astutas de rejeição, que alimentam de igual modo a referida cultura. Penso, antes de mais nada, na forma como são frequentemente tratados os doentes: isolados e marginalizados, como os leprosos de que fala o Evangelho. Entre os leprosos do nosso tempo, temos as vítimas desta nova e terrível epidemia de Ébola, que já dizimou mais de seis mil vidas, especialmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné. Desejo hoje publicamente elogiar e agradecer aos profissionais de saúde que, juntamente com religiosos e voluntários, prestam todo o cuidado possível aos doentes e aos seus familiares, sobretudo às crianças que ficaram órfãs. Ao mesmo tempo, renovo o meu apelo a toda a comunidade internacional para que seja assegurada uma assistência humanitária adequada aos pacientes e haja um esforço comum para debelar a doença.

Ao lado das vidas descartadas por causa das guerras ou das doenças, há as vidas de numerosos deslocados e refugiados. Mais uma vez, é possível compreender as implicações a partir da infância de Jesus, que testemunha outra forma da cultura do descarte que prejudica as relações e «dissolve» a sociedade. De facto, perante a brutalidade de Herodes, a Sagrada Família é forçada a fugir para o Egipto, donde poderá regressar só alguns anos mais tarde (cf. Mt 2, 13-15). Consequência frequente das situações de conflito acima descritas é a fuga de milhares de pessoas da sua terra natal. Por vezes não é de um futuro melhor que vão à procura, mas simplesmente de um futuro, porque permanecer na própria pátria pode significar uma morte certa. Quantas pessoas perdem a vida em viagens desumanas, sujeitas aos vexames de verdadeiros e próprios algozes gananciosos de dinheiro! Fiz alusão a tal realidade durante a minha recente visita ao Parlamento Europeu, recordando que «não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério» (Discurso ao Parlamento Europeu, Estrasburgo, 25 de Novembro de 2014). Há ainda outro dado alarmante: muitos migrantes, especialmente nas Américas, são crianças sozinhas, presa ainda mais fácil dos perigos, que necessitam de maior cuidado, solicitude e proteção.

Chegando frequentemente sem documentos a terras desconhecidas cuja língua ignoram, torna-se difícil para os migrantes ser recebidos e encontrar trabalho. Além das incertezas da fuga, vêem-se obrigados a enfrentar ainda o drama da rejeição. Assim, em relação a eles, é necessária uma mudança de atitude, passando da indiferença e do medo a uma sincera aceitação do outro. Naturalmente, isto exige «implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos (…) e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes» (Ibid.). Ao agradecer a quantos se esforçam, mesmo a custo da vida, por levar socorro aos refugiados e migrantes, exorto tanto os Estados como as organizações internacionais a agirem diligentemente para resolver estas graves situações humanitárias e fornecer aos países de origem dos migrantes ajudas que favoreçam o progresso sociopolítico e a superação dos conflitos internos, que são a causa principal de tal fenómeno. «É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos» (Ibid.). Aliás, isso permitirá aos migrantes voltar um dia à sua pátria e contribuir para o seu crescimento e para o seu desenvolvimento.

Mas, ao lado dos migrantes, deslocados e refugiados, há muitos outros «exilados ocultos» (Angelus, 29 de Dezembro de 2013), que vivem dentro das nossas casas e famílias. Penso sobretudo nos idosos e nos deficientes, bem como nos jovens. Os primeiros são objecto de rejeição, quando se consideram como um fardo e «presenças molestas» (Ibid.), ao passo que os últimos são descartados negando-lhes perspectivas de trabalho concretas para construírem o seu próprio futuro. Aliás, não há pobreza pior do que aquela que priva do trabalho e da dignidade do trabalho (cf. Discurso aos participantes no encontro mundial dos movimentos populares, 28 de Outubro de 2014), reduzindo-o a uma forma de escravidão. Procurei salientar isto mesmo durante um encontro recente com os movimentos populares que se esforçam, com dedicação, por encontrar soluções adequadas para alguns problemas do nosso tempo, como o flagelo crescente do desemprego juvenil e do trabalho no mercado negro, e o drama de muitos trabalhadores, especialmente crianças, explorados por ganância. Tudo isto é contrário à dignidade humana e deriva duma mentalidade que põe no centro o dinheiro, os benefícios e os lucros económicos em detrimento do próprio homem.

Depois, como frequente objecto de descarte, temos também a família, por causa duma cultura individualista e egoísta, cada vez mais difundida, que rompe os vínculos e tende a favorecer o dramático fenómeno da queda da natalidade, e também de legislações que privilegiam outras formas de convivência, em vez de apoiar adequadamente a família para bem de toda a sociedade.

Entre as causas de tais fenómenos, conta-se uma globalização niveladora que descarta as culturas próprias, eliminando assim os factores específicos de identidade de cada povo que constituem a herança indispensável na base dum são desenvolvimento social. Num mundo assim uniforme e desprovido de identidade, é fácil detectar o drama e o desânimo de muitas pessoas, que perderam literalmente o sentido da vida. Este drama é agravado pela persistente crise económica, que gera desconfiança e favorece a conflitualidade social. Pude observar as suas implicações mesmo aqui em Roma, ao encontrar tantas pessoas que vivem situações de dificuldade, bem como durante as várias viagens que fiz na Itália.

E, precisamente à querida nação italiana, desejo dirigir uma palavra cheia de esperança para que, no persistente clima de incerteza social, política e económica, o povo italiano não ceda à indiferença e à tentação da confrontação, mas descubra aqueles valores de solicitude recíproca e solidariedade que estão na base da sua cultura e da convivência civil e são fonte de confiança tanto a curto prazo como no futuro, especialmente para os jovens.

Pensando na juventude, desejo mencionar a minha viagem à Coreia, onde pude encontrar, no passado mês de Agosto, milhares de jovens reunidos na VI Jornada da Juventude Asiática e onde recordei que é preciso valorizar os jovens, «procurando transmitir-lhes a herança do passado e aplicá-la aos desafios do presente» (Encontro com as Autoridades, Seoul, 14 de Agosto de 2014). Por isso, é necessário reflectir «se estamos a transmitir de modo adequado os nossos valores às futuras gerações e qual tipo de sociedade nos preparamos para lhes entregar» (Ibid.).

Hoje mesmo, ao entardecer, terei a alegria de voltar a partir para a Ásia, a fim de visitar o Sri Lanka e as Filipinas, testemunhando assim a atenção e a solicitude pastoral com que acompanho as vicissitudes dos povos daquele vasto continente. A eles e aos respectivos governos desejo manifestar, uma vez mais, a aspiração que tem a Santa Sé de contribuir com o próprio serviço para o bem comum, a harmonia e a concórdia social. Em particular, espero uma retomada do diálogo entre as duas Coreias, que são países irmãos que falam a mesma língua.

Excelências, Senhoras e Senhores!

No início de um novo ano, porém, não queremos que o nosso olhar seja dominado pelo pessimismo, os defeitos e as falhas deste nosso tempo. Queremos também agradecer a Deus pelo que nos deu, pelos benefícios que nos outorgou, pelos colóquios e encontros que nos concedeu e por alguns frutos de paz que nos deu a alegria de saborear.

Um testemunho eloquente de que a cultura do encontro é possível, experimentei-o durante a minha visita à Albânia, uma nação cheia de jovens, que são esperança para o futuro. Apesar das feridas sofridas na história recente, o país caracteriza-se pela «convivência pacífica e a colaboração entre seguidores de diferentes religiões» (Discurso às Autoridades, Tirana, 21 de Setembro de 2014), num clima de respeito e confiança mútua entre católicos, ortodoxos e muçulmanos. É um sinal importante de que uma fé sincera em Deus abre ao outro, gera diálogo e concorre para o bem, enquanto a violência nasce sempre duma mistificação da própria religião, assumida como pretexto para projectos ideológicos cuja única finalidade é o domínio do homem sobre o homem. Da mesma forma, na recente viagem à Turquia, ponte histórica entre Oriente e Ocidente, pude constatar os frutos do diálogo ecuménico e inter-religioso, bem como a solicitude pelos refugiados dos outros países do Médio Oriente. Encontrei este espírito de recepção também na Jordânia, que visitei no início da minha peregrinação à Terra Santa, e ainda através dos testemunhos chegados do Líbano, ao qual almejo poder superar as actuais dificuldades políticas.

Um exemplo, que muito me alegra, de como o diálogo pode verdadeiramente fundar e construir pontes chega-nos da recente decisão tomada pelos Estados Unidos e Cuba de porem termo a um silêncio recíproco que durou mais de meio século e aproximarem-se para bem dos respectivos cidadãos. Nesta perspectiva, penso também no povo do Burkina Faso, empenhado num período de importantes transformações políticas e institucionais, para que um renovado espírito de colaboração possa contribuir para o desenvolvimento duma sociedade mais justa e fraterna. Além disso, assinalo com satisfação a assinatura, em Março passado, do Acordo que pôs fim a longos anos de tensões nas Filipinas. De igual modo, encorajo o empenho a favor duma paz estável na Colômbia, bem como as iniciativas que visam restabelecer a concórdia na vida política e social da Venezuela. Espero ainda que, em breve, se possa chegar a um entendimento definitivo entre o Irão e o chamado Grupo dos 5+1 sobre a utilização da energia nuclear para fins pacíficos, valorizando os esforços realizados até agora. Depois registo com satisfação a vontade dos Estados Unidos de fechar definitivamente a prisão de Guantánamo, merecendo destaque a disponibilidade generosa de alguns países para receber os detidos. Por fim, desejo expressar o meu apreço e encorajamento aos países que estão activamente empenhados em favorecer o desenvolvimento humano, a estabilidade política e a convivência civil entre os seus cidadãos.

Excelências, Senhoras e Senhores!

No dia 6 de Agosto de 1945, a humanidade assistia a uma das mais terríveis catástrofes da sua história. Pela primeira vez, de forma nova e sem precedentes, o mundo experimentou até que ponto podia chegar o poder destruidor do homem. Das cinzas daquela imensa tragédia que foi a II Guerra Mundial, surgiu, entre as nações, uma vontade nova de diálogo e de encontro que deu vida à Organização das Nações Unidas, da qual celebraremos este ano o septuagésimo aniversário. Na visita que o meu Predecessor, o Beato Papa Paulo VI, fez ao Palácio de Vidro há 50 anos, recordava que «o sangue de milhões de homens, os sofrimentos espantosos e inumeráveis, os inúteis massacres e as aterradoras ruínas sancionam o pacto que vos une, num juramento que deve mudar a história futura do mundo: nunca mais a guerra, nunca mais a guerra. É a paz, a paz que deve guiar os destinos dos povos e de toda a humanidade» (Paulo VI, Discurso às Nações Unidas, Nova Iorque, 4 de Outubro de 1965, 5).

Esta é também a minha invocação confiante para este novo ano, que aliás verá a continuação de dois processos importantes: a redacção da Agenda de Desenvolvimento pós-2015, com a adopção dos Objectivos de desenvolvimento sustentável, e a elaboração de um novo Acordo sobre o clima. Seu pressuposto indispensável é a paz, que, ainda antes do termo de cada guerra, brota da conversão do coração.

Com estes sentimentos, renovo a cada um de vós, às vossas famílias e aos vossos povos votos de um ano 2015 repleto de esperança e de paz.

Papa Francisco, nesta segunda-feira, em seu twitter, antes de embarcar para o Sri Lanka:

12/01/2015
Neste dia em que começo a minha viagem ao Sri Lanka e às Filipinas, peço-vos que rezeis comigo pelos povos de ambos os países.









Nada senão a Ti mesmo, meu Senhor


Santo Tomás de Aquino, o "Doutor Angélico", certa vez diante de um crucifixo em Nápoles, ouviu estas palavras de Jesus: “Bem tem você escrito sobre Mim, Tomás, o que devo te dar em recompensa?" Santo Tomás respondeu: “Ti mesmo, meu Senhor". Em latim, Santo Tomás disse: Nil Nisi, Te ("Nada senão a Ti mesmo, meu Senhor).  

Papa: atenção pelos pobres é Evangelho, e não comunismo ou pauperismo



Cidade do Vaticano, 11.janeiro.2015 (RV) – "A atenção pelos pobres está no Evangelho, não é uma invenção do comunismo", disse o Papa numa entrevista com Andrea Tornielli, coordenador do "Vatican Insider", e Giacomo Galeazzi, vaticanista do jornal "La Stampa" . A entrevista com o Papa conclui o livro intitulado "Papa Francisco. Esta economia mata", dedicado ao magistério social do Pontífice. O volume recolhe e analisa os documentos do magistério sobre a pobreza, imigração, justiça social e integridade da criação. Publicado pela Editora  Piemme, o livro será lançado na terça-feira, 13 de janeiro, mas neste domingo o jornal “La Stampa” antecipou longos extractos da entrevista com o Papa. Serviço de Isabella Piro, da Rádio Vaticano.

Opção preferencial pelos pobres, vem das palavras de Jesus.
"A atenção pelos pobres está no Evangelho e na tradição da Igreja, não é uma invenção do comunismo e não devemos fazer dela uma ideologia", assim explica o Papa Francisco a continuidade, na tradição da Igreja, da "opção preferencial pelos pobres". "Uma atenção que tem a sua origem no Evangelho - reitera – documentada já nos primeiros séculos do cristianismo": basta citar os primeiros Padres da Igreja, do segundo ou do terceiro século. As suas homilias não podem  ser consideradas "marxistas", explica o Papa Francisco, porque quando "a Igreja convida a vencer a "globalização da indiferença" está longe de qualquer interesse político e de qualquer ideologia". Ela é "movida apenas pelas palavras de Jesus" e "quer dar o seu contributo na construção de um mundo onde se protege e se cuida uns aos outros”.

Aborto, resultado da cultura do descarte

A propósito da globalização, o Papa Francisco destaca as suas luzes e sombras: por um lado, essa "tem ajudado muitas pessoas a saírem da pobreza", levando a "um crescimento da riqueza mundial em termos absolutos", mas, por outro lado a globalização "condenou muitas outras pessoas a morrer de fome", provocando um aumento  "das disparidades" e o nascimento de "novas pobrezas". É um sistema econômico e social que coloca ao centro o dinheiro, o transforma num ídolo – sublinha o Pontífice - e reduz homens e mulheres em "simples instrumentos", causando "profundos desequilíbrios". O que predomina na cultura, na política, na sociologia é o "descarte" daquilo que não serve: crianças, jovens, idosos. "A cultura do descarte leva a rejeitar as crianças também com o aborto", reafirma o Papa que, em seguida, diz estar "chocado" pelas "taxas de natalidade tão baixas na Itália", porque "assim se perde a ligação com o futuro”.

Eutanásia escondida para idosos abandonados

A cultura do descarte também leva "à eutanásia oculta dos idosos que são abandonados", em vez de serem considerados "como a nossa memória, a ligação com o nosso passado, uma fonte de sabedoria para o presente". Também os jovens são afectados por esta atitude, de modo que – observa o Papa Bergoglio - "nos países desenvolvidos há tantos milhões de jovens com idade inferior a 25 anos que não têm emprego". São os jovens "nem-nem" – define-os o Pontífice - "não estudam porque não têm possibilidades de fazê-lo e não trabalham porque não há trabalho". E depois, o Papa faz uma pergunta: "Qual será o próximo descarte?”

Resolver a pobreza para curar o mundo

Por isso, o forte apelo: "Paremos, por favor!", "Não consideremos esta situação como irreversível, não nos resignemos", mas "tentemos construir uma sociedade e uma economia em que estão no centro o homem e o seu bem, e não o dinheiro", porque "sem uma solução para os problemas dos pobres, não vamos  resolver os problemas do mundo". O que é necessário, reitera o Papa, é "a ética na economia e na política"; precisamos de "programas, mecanismos e progressos orientados para uma melhor distribuição dos recursos, a criação de empregos, a promoção integral daqueles que são excluídos”.

Não à autonomia absoluta dos mercados

Acima de tudo, precisamos de "homens e mulheres com os braços levantados para Deus para rezar", conscientes de que "o amor e a partilha dos quais provém  o desenvolvimento autêntico" não são "um produto" do homem, mas "um dom que se deve pedir". Estes homens e estas mulheres, exorta o Papa, devem empenhar-se em todos os níveis - social, político, institucional e económico - "pondo ao centro o bem comum", porque "os mercados e a especulação não podem gozar de uma autonomia absoluta" . "Já não podemos esperar mais - adverte o Papa - para resolver as causas estruturais da pobreza, para curar as nossas sociedades de uma doença que só pode levar a novas crises".

Pauperismo, caricatura do Evangelho

Por fim, o Papa Francisco recorda que o Evangelho "não condena os ricos, mas a idolatria da riqueza que torna a pessoa insensível ao clamor do pobre". E, portanto, adverte contra o pauperismo, definindo-o de "uma caricatura do Evangelho e da própria pobreza". Pelo contrário, "a ligação profunda entre a pobreza e o caminho evangélico", e que nos foi ensinado por São Francisco de Assis, é o verdadeiro "protocolo", com base no qual o homem será julgado: significa "cuidar do próximo, de quem é pobre, dos que sofrem no corpo e no espírito, dos necessitados". E isto não é o pauperismo - conclui o Papa - mas Evangelho.

Cristãos 'surdos' ao Espírito Santo não evangelizam, diz Papa



Cidade do Vaticano, 11.janeiro.2015 (RV) – Após batizar 33 crianças na Capela Sistina, o Papa Francisco dirigiu-se à janela do apartamento pontifício para rezar o Angelus com os fiéis presentes na Praça São Pedro, no Vaticano.

Antes da oração, o Santo Padre refletiu sobre o Batismo de Jesus, Festa que encerra o Tempo do Natal, afirmando que este evento recorda a dramática súplica do Profeta Isaías: “Quem dera rasgasses o céu para descer”.

Com isto, afirmou o Papa, “acabou o tempo dos céus fechados”, que indicam a separação entre Deus e o homem, consequência do pecado, que afasta o ser humano de Deus e interrompe a ligação entre o Céu e a terra.

“Os céus abertos indicam que Deus deu a sua graça para que a terra dê os seus frutos. Assim a terra tornou-se morada de Deus entre os homens e cada um de nós tem a possibilidade de encontrar o Filho de Deus, experimentando todo o amor e a infinita misericórdia. O podemos encontrar nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia. O podemos reconhecer na face dos nossos irmãos, em particular nos pobres, nos doentes, nos encarcerados, nos refugiados. Estes são as carnes viva de Cristo sofredor e imagem visível de Deus invisível”.

Com o Batismo de Jesus – observou o Papa – os céus se rasgam e Deus fala novamente, fazendo ressoar a sua voz: “Tu és meu filho muito amado, em quem eu ponho toda a minha afeição. A voz do Pai proclama o mistério que se esconde no homem batizado pelo precursor”.

A descida do Espírito Santo, em forma de pomba – continuou o Papa – consente a Cristo, o Consagrado do Senhor, “ inaugurar a sua missão , que é a nossa salvação”.

Invocar o Espírito Santo

O Espírito Santo, “o esquecido”, enfatizou o Papa, deve ser mais invocado, “pois temos necessidade de pedir a sua ajuda, a sua fortaleza, a sua inspiração”.

O Espírito Santo que animou a vida e o ministério de Jesus é o mesmo que hoje guia a existência cristã, que deve portanto, junto com a missão, ser colocada sob sua ação, para reencontrar “a coragem apostólica necessária para superar fáceis acomodações mundanas”:

“Um cristão e uma comunidade ‘surdos’ à voz do Espírito Santo, que impulsiona a levar o Evangelho aos extremos confins da terra e da sociedade, torna-se um cristão e uma comunidade de “mudos” que não falam e não evangelizam”.

Tempo da Misericórdia

Após a oração do Angelus, o Papa saudou os presentes, destacando a importância de os fiéis leigos “viverem e levarem a misericórdia nos diversos ambientes sociais. Em frente, nós estamos vivendo o tempo da miserícórdia, este é o tempo da misericórdia”.

Ao concluir, o Papa pediu orações pela viagem ao Sri Lanka e às Filipinas, que terá início nesta segunda-feira.
Papa faz 33 batizados na Festa do Batismo do Senhor



Cidade do Vaticano, 11.janeiro.2015 (RV) – A Festa do Batismo de Jesus foi celebrada pelo Papa Francisco na Capela Sistina, no Vaticano, com o batismo de 33 crianças (20 meninas e 13 meninos).

O Choro e o balbuciar das crianças misturava-se às vozes do Coral da Capela Sistina, conferindo uma sonoplastia pouco usual ao ambiente frequentado diariamente por milhares de turistas para contemplar os afrescos de Michelangelo, e também local onde são eleitos os pontífices.

Em sua homilia, o Papa Francisco exortou os pais a darem exemplo com a vivência diária da fé, fazendo os filhos crescerem “imersos no Espírito Santo”, recomendando que se rezasse mais ao Espírito.

Ler a Palavra de Deus

Refletindo na Liturgia proposta para este Domingo, a qual mostra a preocupação de Deus pelos seus filhos como um Pai, o Santo Padre exortou os genitores a darem a Palavra de Deus, o Evangelho de Jesus, para ajudar as crianças a crescerem bem, especialmente através do exemplo:

“E também dá-lo com o exemplo, hein? Todos os dias, adquiram o hábito de ler um pequeno trecho do Evangelho, pequeninho e levai sempre convosco uma pequena Bíblia no bolso, na bolsa, para poder lê-la. E isto será o exemplo para os filhos, ver o pai, a mãe, os padrinhos, avós, tios, lerem a Palavra de Deus”.

Francisco incentivou as mães a aleitarem, “também agora, hein? Se choram de fome, amamentem-os, tranquilamente”, convidando também a agradecer o Senhor pelo “dom do leite”. Então pediu:

“Rezemos por aquelas mães – e são tantas, infelizmente – que não estão em condição de dar de comer aos seus filhos. Rezemos e procuremos ajudar estas mães”.

“O que faz o leite para o Corpo, faz a Palavra de Deus para espírito. A Palavra de Deus faz crescer a fé e pela fé somos gerados por Deus, que é o que acontece no Batismo”, observou o Papa.

A fé da Igreja

“O Batismo nos insere no corpo da Igreja, no povo santo de Deus. E neste corpo, neste povo em caminho, a fé é transmitida de geração em geração: é a fé da Igreja. É a fé de Maria, nossa Mãe, a fé de São José, de São Pedro, de Santo André, de São João, a fé dos Apóstolos e dos Mártires, que chegou até nós, através do Batismo. Uma cadeia de transmissão de fé. É muito bonito isto! É um passar de mão em mão a a vela da fé”.

A luz da fé que as famílias recebem – acrescentou o Pontífice – deve ser transmitida aos filhos, reiterando que Cristo e Igreja são inseparáveis:

“Esta luz vocês recebem na Igreja, no corpo de Cristo, no povo de Deus que caminha em todos os tempos e em todos os lugares. Ensinem aos vossos filhos que não se pode ser cristão fora da Igreja, não se pode seguir Jesus Cristo sem a Igreja, porque a Igreja é mãe e nos faz crescer no amor a Jesus Cristo”.

Consagrados pelo Espírito Santo

O último aspecto destacado pelo Papa em sua homilia, é que com o Batismo, somos consagrados pelo Espírito Santo. “A palavra ‘cristão’ – observou – significa isso, significa consagrado como Jesus, no mesmo Espírito em que Jesus foi imerso em toda a sua existência terrena. Ele é o “Cristo”, os batizados somos ‘cristãos’”:

“E então, queridos pais, queridos padrinhos e madrinhas, se quiserem que suas crianças se tornem verdadeiros cristãos, ajudem-os a crescer “imersos” no Espírito Santo, ou seja, no calor do amor de Deus, na luz da sua Palavra”.

Para isto, recomendou o Papa – é necessário invocar com frequência o Espírito Santo, todos os dias:

“’A senhora reza? – Sim! – Para quem reza? – Eu rezo para Deus’. Mas, um Deus assim não existe: Deus é pessoa e como pessoa existe o Pai, o Filho e o Espírito Santo. ‘E você, para quem reza? Ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo?’. Normalmente rezamos para Jesus. Quando rezamos o Pai Nosso, rezamos ao Pai. Mas para o Espírito Santo não rezamos muito… É tão importante rezar ao Espírito Santo porque nos ensina a levar em frente a família, a levar as crianças, para que estas crianças cresçam nesta atmosfera da Trindade santa. É justamente o Espírito Santo que os leva em frente. Por isto, não esqueçam de invocar frequentemente o Espírito Santo, todos os dias”.

Ao fazer esta oração – concluiu o Papa – “sintam a presença materna da Virgem Maria. Ela nos ensina a rezar ao Espírito e a viver segundo o Espírito, como Jesus”. Que ela sempre acompanhe o caminho de vossas crianças e de vossas famílias.

Neste sábado, o Papa Francisco escreveu em seu twitter:

10/01/2015
O Domingo é o dia do Senhor: encontremos o tempo para estar com Ele.

ORAÇÃO PARA PEDIR SABEDORIA – Santo Tomás de Aquino

“Concedei-me, Deus misericordioso, que deseje com ardor só o que Vós aprovais, que o procure com prudência, que o reconheça em verdade, que o cumpra na perfeição, para louvor e glória do Vosso nome.

Pondes ordem na minha vida, ó meu Deus, e permiti que eu conheça o que Vós quereis que eu faça, e que o cumpra como é necessário e útil para a minha alma.

Que eu chegue a Vós, Senhor, por um caminho seguro e reto; caminho que não se desvie nem na prosperidade nem na adversidade, de tal forma que Vos dê graças nas horas prósperas, e nas horas adversas eu conserve a paciência, não me deixando exaltar pelas primeiras nem abater
pelas segundas.

Que nada me alegre ou entristeça, exceto o que me conduza a Vós ou de Vós me separe. Que eu não deseje agradar nem receie desagradar senão a Vós.

Tudo o que passa se torne desprezível a meus olhos por Vossa causa, Senhor, e tudo o que Vos diga respeito me seja caro, mas Vós, meu Deus, mais do que o resto. Que eu nada deseje fora
de Vós.

Concedei-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Vos conheça, uma vontade que Vos busque, uma sabedoria que Vos encontre, uma vida que Vos agrade, uma perseverança que Vos espere com confiança e uma confiança que Vos possua enfim.

Concedei-me ser atormentado com as Vossas dores pela penitência, recorrer no caminho aos Vossos benefícios pela graça, gozar das Vossas alegrias sobretudo na pátria, pela glória. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.”

Amém.

Quem ama Deus é livre, diz Papa em homilia

Somente o Espírito Santo torna o coração dócil a Deus e à liberdade, afirmou o Papa Francisco, na Missa celebrada nesta sexta-feira, 9.janeiro.2015, na Casa Santa Marta. Ele explicou que as dores da vida podem fechar uma pessoa, enquanto o amor a torna livre.

Uma sessão de yoga não poderá ensinar um coração a “sentir” a paternidade de Deus, nem um curso de espiritualidade zen o tornará mais livre para amar. Somente o Espírito Santo tem este poder. Retomando o episódio da multiplicação dos pães, Francisco explicou que os apóstolos, naquele momento, não entenderam o milagre, porque o coração deles estava endurecido. É só o Espírito Santo tem o poder de fazer a pessoa sentir a paternidade de Deus e torná-la livre para amar.

O Santo Padre lembrou que um coração pode ser de pedra por vários motivos, como por causa de experiências dolorosas. Outro motivo que endurece o coração é o fechamento em si mesmo, o que gira em torno de várias coisas, como o orgulho, a suficiência, o pensamento de ser melhor que os outros e a vaidade.

“Há o homem e a mulher-espelho, que são fechados em si para olhar a si mesmos continuamente, não? Esses são narcisistas religiosos, não? Têm o coração duro, porque estão fechados, não são abertos. E procuram defender-se com esses muros que fazem em torno de si”.

Há também aqueles que se agarram à lei, àquilo que os mandamentos estabelecem. Nesses casos, quem procura a força no ditado da lei está seguro – disse o Papa com certa ironia – como um homem ou uma melhor na cela de um cárcere: é uma segurança sem liberdade.

“O amor perfeito lança fora o medo: no amor não há medo, porque este supõe um castigo e quem teme não é perfeito no amor, não é livre. Sempre tem o medo que aconteça alguma coisa de dolorosa, de triste, que me faça ir mal na vida ou arriscar a salvação eterna… Tanta imaginação, porque não ama”.

O único que ensina a amar e torna o coração livre dessa dureza é o Espírito Santo, afirmou o Papa.  “Você pode fazer mil cursos de catequeses, mil cursos de espiritualidade, mil cursos de yoga, zen e todas essas coisas. Mas tudo isso nunca será capaz de te dar a liberdade de filho. É somente o Espírito Santo que move o teu coração para dizer ‘Pai’. Somente o Espírito Santo é capaz de lançar fora, de romper esta dureza do coração e fazer um coração dócil ao Senhor. Dócil à liberdade do amor”.
Radio Vaticano

Papa na Santa Missa em Santa Marta: "Para conhecer Deus que se manifesta, o caminho é o amor"

O Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 8.janeiro.2015, rezando pelas vítimas do atentado contra a revista de humor francesa “Charlie Hebdo” nesta quarta-feira, 7, em Paris. O Papa mencionou a crueldade humana, tendo em vista o ocorrido e, em contrapartida, fez uma homilia que deu destaque para o amor como caminho para conhecer Deus.

As primeiras palavras de Francisco na celebração foram sobre o atentado. “O atentado de ontem em Paris nos faz pensar em tanta crueldade, crueldade humana, em tanto terrorismo, seja no terrorismo isolado, seja no terrorismo de Estado. Mas a crueldade da qual é capaz o homem! Rezemos, nessa Missa, pelas vítimas desta crueldade. Tantas! E peçamos também pelos cruéis, para que o Senhor mude seus corações”.

O amor de Deus

Na homilia, Francisco destacou que a palavra-chave na liturgia nesses dias após o Natal é “manifestação”. Jesus se manifesta: na festa da Epifania, no Batismo e nas bodas de Caná. Para conhecer Deus que se manifesta, o caminho é o amor, sendo insuficientes a inteligência e a razão humanas.

“Deus é amor! E somente pelo caminho do amor é possível conhecer Deus. Amor racional, acompanhado pela razão. Mas amor! ‘Mas como posso amar aquilo que não conheço?’. ‘Ama os que estão próximos’. E esta é a doutrina de dois Mandamentos: o mais importante é amar a Deus, porque Ele é amor; o segundo é amar o próximo, mas para chegar ao primeiro, devemos subir os degraus do segundo: ou seja, através do amor ao próximo podemos conhecer Deus, que é amor. Somente amando racionalmente, mas amando, podemos chegar a este amor”.

Francisco destacou que Deus é amor, mas não um amor de novela, e sim um amor sólido, forte, eterno e que se manifesta. “Para conhecer Deus, é necessário toda a vida; um caminho, um caminho de amor, de conhecimento, de amor ao próximo, de amor por aqueles que nos odeiam, de amor por todos”.

Deus precede o homem

Francisco ressaltou que não foi o homem quem deu o primeiro passo no amor a Deus; foi Ele que amou o homem primeiro, enviando seu Filho como vítima para reparar os pecados humanos.

Citando o Profeta Jeremias, o Papa disse que o amor de Deus precede o homem e é como “a flor da amêndoa”, a primeira a desabrochar na primavera. E quando o homem se aproxima de Deus, em obras de caridade, na oração, na Comunhão e na Palavra, Deus já está à espera.

“Assim é o amor de Deus: sempre nos espera, sempre nos surpreende. É o Pai, é o nosso Pai que nos ama, que está sempre disposto a nos perdoar, sempre! Como um pai cheio de amor, e para conhecer este Deus, que é amor, devemos subir pelo degrau do amor ao próximo, pelas obras de caridade, pelas obras de misericórdia que o Senhor nos ensinou. Que o Senhor, nestes dias em que a Igreja nos faz pensar na manifestação de Deus, nos dê a graça de conhecê-Lo através do caminho do amor”.
Radio Vaticano

Em seu twitter, o Papa Francisco escreveu:

08/01/2015
#PrayersForParis

Na catequese, Papa destaca o papel das mães na família

Após as festas de fim de ano, o Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 7.janeiro.2015, a tradicional audiência geral. Reunido com os fiéis na Sala Paulo VI, o Santo Padre deu sequência ao ciclo de catequeses sobre a família, desta vez se concentrando no papel essencial das mães, voltando a reiterar que também a Igreja é uma mãe.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. Hoje continuamos com as catequeses sobre Igreja e faremos uma reflexão sobre Igreja mãe. A Igreja é mãe. A nossa Santa mãe Igreja.

Nestes dias, a liturgia da Igreja colocou diante dos nossos olhos o ícone da Virgem Maria Mãe de Deus. O primeiro dia do ano é a festa da Mãe de Deus, à qual segue a Epifania, com a recordação da visita dos Magos. Escreve o evangelista Mateus: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2, 11).  É a Mãe que, depois de tê-lo gerado, apresenta o Filho ao mundo. Ela nos dá Jesus, ela nos mostra Jesus, ela nos faz ver Jesus.

Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.

Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida. No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus. Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.

As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”. Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!

...................................................................................................................................................................................................

“Encorajo-vos a serem portadores do sorriso e mensageiros não apenas de solidariedade entre povos e nações, mas também da beleza: precisamos dela!”. Essas foram palavras do Papa Francisco ao grupo do Golden Circus de Liana Orfei, que fez uma breve apresentação após a catequese desta quarta-feira, 7, na Sala Paulo VI.

O Papa aproveitou a apresentação circense para fazer uma breve reflexão sobre a necessidade da beleza no mundo de hoje. Ele disse que o circo é um espetáculo, mas ensina uma coisa: quem faz espetáculo cria beleza e isso faz bem à alma.

“Como precisamos da beleza! A nossa vida é tão prática: tantas coisas para fazer, trabalhar, pensar; a nossa vida é razão. É importante porque somos animais que pensam, mas somos também pessoas que amamos; temos a capacidade de amar. A linguagem das mãos, a linguagem da mente e a linguagem do coração: amar;  estas três linguagens se unem para harmonizar as pessoas, e eis aí a beleza”.

O Santo Padre explicou que Deus é bom e sabe fazer as coisas, mas é, sobretudo, belo, e muitas vezes as pessoas se esquecem da beleza. “A humanidade pensa e sente, mas hoje precisa muito da beleza. Agradeçamos estas pessoas tão competentes em fazer equilibrismos, espetáculo, mas principalmente, que fazem beleza”.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Palavra de Deus é a estrela que conduz a Jesus, diz Papa



Na festa da Epifania, Francisco disse que a viagem dos magos do Oriente evoca o caminho cristão, que tem como estrela condutora a Palavra de Deus

A Palavra de Deus é a estrela que conduz o homem a Jesus. Essa foi a reflexão central do Papa Francisco antes da oração mariana do Angelus nesta terça-feira, 6.janeiro.2015, por ocasião da Solenidade da Epifania. Segundo Francisco, a experiência dos magos do Oriente evoca o caminho do homem rumo ao encontro com Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Boa festa!

Na noite de Natal, meditamos a corrida à gruta de Belém de alguns pastores pertencentes ao povo de Israel; hoje, solenidade da Epifania, fazemos memória da chegada dos Magos, que chegaram do Oriente para adorar o recém-nascido Rei dos Judeus e Salvador universal e lhe oferecer presentes simbólicos. Com o seu gesto de adoração, os Magos testemunham que Jesus veio à terra para salvar não somente um povo, mas todos os povos. Portanto, na festa de hoje o nosso olhar se alarga ao horizonte do mundo inteiro para celebrar a “manifestação” do Senhor a todos os povos, isso é, a manifestação do amor e da salvação universal de Deus. Ele não reserva o seu amor a alguns privilegiados, mas o oferece a todos. Como de todos é o Criador e o Pai, assim de todos quer ser o Salvador. Por isso, somos chamados a alimentar sempre grande confiança e esperança nos confrontos de cada pessoa e da sua salvação: também aqueles que nos parecem distantes do Senhor são seguidos – ou melhor, “perseguidos” – pelo seu amor apaixonado, pelo seu amor fiel e também humilde. Porque o amor de Deus é humilde, tão humilde!

A passagem evangélica dos Magos descreve a sua viagem do Oriente como uma viagem da alma, como um caminho rumo ao encontro com Cristo. Esses são atentos aos sinais que indicam a presença; são incansáveis em enfrentar as dificuldades da busca; são corajosos em levar as consequências de vida derivadas do encontro com o Senhor. A vida é esta: a vida cristã é caminhar, mas estando atentos, incansáveis e corajosos. Assim caminha um cristão. Caminhar atento, incansável e corajoso. A experiência dos Magos evoca o caminho de cada homem rumo a Cristo. Como para os magos, também para nós procurar Deus quer dizer caminhar – e como dizia: atento, incansável e corajoso –  olhando para o céu e vendo no sinal visível da estrela o Deus invisível que fala ao nosso coração. A estrela que é capaz de guiar cada homem a Jesus é a Palavra de Deus, Palavra que está na Bíblia, nos Evangelhos. A Palavra de Deus é luz que orienta o nosso caminho, nutre a nossa fé e a regenera. É a Palavra de Deus que renova continuamente os nossos corações, as nossas comunidades. Portanto, não esqueçamos de lê-la e meditá-la a cada dia, a fim de que se torne para cada um como uma chama que levamos dentro de nós para iluminar os nossos passos e também aqueles de quem caminha próximo a nós, que talvez luta para encontrar o caminho rumo a Cristo. Sempre com a Palavra de Deus! A Palavra de Deus em mãos: um pequeno Evangelho no bolso, sempre, para lê-lo. Não se esqueçam disso: sempre comigo a Palavra de Deus!

Neste dia da Epifania, o nosso pensamento vai também para os irmãos e irmãs do Oriente cristãos, católicos e ortodoxos, muitos dos quais celebram amanhã o Natal do Senhor. A esses chegue a nossa afetuosa saudação.

Gosto também de recordar que hoje se celebra o Dia Mundial da Infância Missionária. É a festa das crianças que vivem com alegria o dom da fé e rezam para que a luz de Jesus chegue a todas as crianças do mundo. Encorajo os educadores a cultivar nos pequenos o espírito missionário. Que não sejam crianças e jovens fechados, mas abertos; que vejam um grande horizonte, que o seu coração vá adiante rumo ao horizonte, a fim de que surjam entre eles testemunhos da ternura de Deus e anunciadores do Evangelho.

Dirijamo-nos agora à Virgem Maria e invoquemos a sua proteção sobre a Igreja universal, a fim de que difunda no mundo inteiro o Evangelho de Cristo, a luz dos povos, luz de todos os povos. E que ela nos faça estar sempre mais em caminho; faça-nos caminhar e no caminho sermos atentos, incansáveis e corajosos.


Papa Francisco, tweet de hoje:

06/01/2015
Jesus veio para nos salvar: não recusemos este dom maravilhoso!

Aprender a conhecer o mistério de Deus, pede Papa em homilia



O Papa Francisco celebrou, nesta terça-feira, 6.janeiro.2015, a Santa Missa na solenidade da Epifania. Na Basílica de São Pedro, Francisco comentou o exemplo dos Magos do Oriente, que estavam à procura de Jesus e foram guiados pelo Espírito Santo, para enfatizar que todos são chamados a fazer esse mesmo caminho de conversão e aprender a conhecer o mistério de Deus.


Íntegra da Homilia:

Aquele Menino, nascido em Belém da Virgem Maria, não veio só para o povo de Israel, representado pelos pastores de Belém, mas para toda a humanidade, representada neste dia pelos Magos, vindos do Oriente. E é precisamente a propósito dos Magos e do seu caminho à procura do Messias que a Igreja nos convida hoje a meditar e a rezar.

Estes Magos, vindos do Oriente, são os primeiros daquela grande procissão de que nos falou o profeta Isaías na primeira Leitura (cf. 60, 1-6): uma procissão que nunca se interrompeu desde então e que, através de todas as épocas, reconhece a mensagem da estrela e encontra o Menino que nos mostra a ternura de Deus. Há sempre novas pessoas que são iluminadas pela luz da sua estrela, que encontram o caminho e chegam até Ele.

Segundo a tradição, os Magos eram homens sábios: estudiosos dos astros, perscrutadores do céu, num contexto cultural com crenças que atribuíam às estrelas explicações e influxos sobre as vicissitudes humanas. Os Magos representam os homens e as mulheres à procura de Deus nas religiões e nas filosofias do mundo inteiro: uma busca que jamais terá fim.

Os Magos indicam-nos o caminho por onde seguir na nossa vida. Eles procuravam a verdadeira Luz: «Lumen requirunt lumine – diz um hino litúrgico da Epifania, aludindo precisamente à experiência dos Magos – seguindo uma luz, eles buscam a luz». Andavam à procura de Deus. Tendo visto o sinal da estrela, interpretaram-no e puseram-se a caminho, fazendo uma longa viagem.

Foi o Espírito Santo que os chamou e impeliu a pôr-se a caminho; e, neste caminho, terá lugar também o seu encontro pessoal com o verdadeiro Deus.

No seu caminho, os Magos encontram muitas dificuldades. Quando chegam a Jerusalém, vão ao palácio do rei, porque consideram óbvio que o novo rei nasceria no palácio real. Lá perdem de vista a estrela – quantas vezes se perde a vista da estrela – e embatem numa tentação, posta lá pelo diabo: é o engano de Herodes. O rei Herodes mostra interesse pelo Menino, não para O adorar, mas para O eliminar. Herodes é homem do poder, que consegue ver no outro apenas o rival. E, no fundo, considera Deus também como um rival, antes, como o rival mais perigoso. No palácio de Herodes, os Magos atravessam um momento de escuridão, de desolação, que conseguem superar graças às sugestões do Espírito Santo, que fala através das profecias da Sagrada Escritura. Estas indicam que o Messias nascerá em Belém, a cidade de Davi.

Então eles retomam a viagem e de novo veem a estrela: o evangelista observa que sentiram «imensa alegria» (Mt 2, 10), uma verdadeira consolação. Tendo chegado a Belém, encontraram «o menino com Maria, sua mãe» (Mt 2, 11). Depois da tentação em Jerusalém, apareceu aqui a segunda grande tentação: rejeitar esta pequenez. Mas não o fizeram; em vez disso, «prostrando-se, adoraram-No», oferecendo-Lhe seus preciosos e simbólicos dons. É sempre a graça do Espírito Santo que os ajuda: aquela graça que, por meio da estrela, os chamara e guiara ao longo do caminho, agora fá-los entrar no mistério. Aquela estrela que acompanhou no caminho os faz entrar no mistério. Guiados pelo Espírito, chegam a reconhecer que os critérios de Deus são muito diferentes dos critérios dos homens, já que Deus não Se manifesta no poder deste mundo, mas vem até nós na humildade do seu amor. Assim os Magos são modelo de conversão à verdadeira fé, porque acreditaram mais na bondade de Deus do que no brilho aparente do poder.

Deste modo, podemos interrogar-nos: Qual é o mistério onde Deus Se esconde? Onde posso encontrá-Lo? Ao nosso redor, vemos guerras, exploração de crianças, torturas, tráficos de armas, comércio de pessoas… Em todas estas realidades, em todos estes irmãos e irmãs mais pequeninos que sofrem por tais situações, está Jesus (cf. Mt 25, 40.45). O presépio propõe-nos um caminho diferente do sonhado pela mentalidade mundana: é o caminho do abaixamento de Deus, a sua glória escondida na manjedoura de Belém, na cruz do Calvário, no irmão e na irmã que sofre.

Os Magos entraram no mistério. Passaram dos cálculos humanos ao mistério: esta foi a sua conversão. E a nossa? Peçamos ao Senhor que nos conceda fazer o mesmo caminho de conversão vivido pelos Magos. Que nos defenda e livre das tentações que escondem a estrela. Que sintamos sempre a inquietação de nos interrogarmos «onde está a estrela», quando a perdermos de vista no meio dos enganos do mundo. Que aprendamos a conhecer de forma sempre nova o mistério de Deus, que não nos escandalizemos do «sinal», da indicação «um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12), e que tenhamos a humildade de pedir à Mãe, à nossa Mãe, que no-Lo mostre. Que encontremos a coragem de nos libertar das nossas ilusões, das nossas presunções, das nossas «luzes», e que busquemos tal coragem na humildade da fé e possamos encontrar a Luz, Lumen, como fizeram os santos Magos. Que possamos entrar no mistério. Assim seja. Amém.


Tweet do Papa Francisco nesta segunda-feira:





05/01/2015
Senhor, fazei que saibamos reconhecer-Vos nos doentes, nos necessitados e naqueles que sofrem.

No Angelus, Papa destaca importância da paz e do diálogo

O Papa Francisco reforçou neste domingo, 4, o seu apelo em favor do fim das guerras e contra a exploração dos seres humanos, no segundo Angelus deste ano.

“Fazer calar as armas e apagar os focos de guerra continua a ser a condição indispensável para dar início a um caminho que leve a obter a paz, nos seus vários aspectos”, declarou Francisco.

O Papa lamentou o “silêncio cúmplice” de tantos, perante a guerra, de quem “não faz nada” diante dos conflitos, e disse que “quem faz o mal odeia a paz”.

O discurso aludiu aos conflitos que “ainda ensanguentam demasiadas regiões do planeta”, as tensões no seio das famílias e comunidades, bem como aos conflitos  nas cidades e países entre grupos de diferentes culturas, etnias e religiões.

“Temos de convencer-nos, apesar de toda a aparência ao contrário, que a concórdia é sempre possível, em qualquer nível e situação: não há futuro sem propósitos e projetos de paz”, assinalou.

Exploração do ser humano

Francisco deixou votos de que o novo ano traga o fim “da exploração do homem pelo homem”, algo que considerou “uma chaga social que atormenta as relações interpessoais e impede uma vida de comunhão”, marcada pelo “respeito, a justiça e a caridade”.

“Todos os homens e todos os povos têm fome e sede de paz, por isso é necessário e urgente construir a paz”, apelou.

O Papa definiu que a paz “não é apenas ausência de guerra”, mas uma “condição geral na qual a pessoa humana está em harmonia consigo, com a natureza e com os outros”.

Francisco convidou a “fazer a paz” na família, na comunidade, no emprego, com “pequenos gestos, que têm muito valor”.

O Angelus concluiu-se com uma oração à Virgem Maria, “Rainha da Paz”: “A Maria, nossa terna mãe, peçamos que indique ao mundo inteiro o caminho seguro do amor e da paz”.

Após a oração do Angelus, o Papa deixou a todos os presentes votos de um 2015 vivido “na paz e na serenidade”.
Radio Vaticano

Papa Francisco escreveu hoje em seu Twitter:

03/01/2015
O cristianismo espalha-se graças à alegria de discípulos que sabem que são amados e salvos.


A violência causou mais de 90 mil vítimas no Iraque e na Síria em 2014

O papa recorda a brutal perseguição religiosa e étnica na região

Madri, 02 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)

A violência no Iraque provocou a morte de mais de 15 mil pessoas em 2014 e o número de feridos superou 22 mil nos últimos 12 meses, um período marcado pela intensa ofensiva lançada pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) em várias regiões do país.

Num informe elaborado conjuntamente pelos ministérios da Saúde, Interior e Defesa, o governo iraquiano destacou nesta quinta-feira que os mortos pelo conflito em 2014 chegaram a 15.580 pessoas, ou seja, quase o dobro do total de 6.522 vítimas da violência no ano anterior. O país não registrava uma quantidade de vítimas tão alta desde 2007, quando 17.956 pessoas perderam a vida.

Por sua vez, a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) informou nesta quinta-feira que os seus registros documentam 76.012 pessoas mortas em 2014, das quais 3.501 são menores, por causa da guerra civil que assola a Síria desde 2011.

Do total de mortos, 17.790 são civis e cerca de 15 mil são combatentes rebeldes, enquanto os jihadistas da Frente Nusra (facção síria da Al Qaeda) e os milicianos do Estado Islâmico (EI) registraram aproximadamente 17 mil baixas. Além disso, morreram pelo menos 22.627 combatentes leais ao governo de Bashar Al Assad, grupo que inclui soldados e milícias.

A ONG, com sede na Grã-Bretanha, declarou que os números não incluem as milhares de pessoas desaparecidas após cair em mãos dos jihadistas ou depois de ser encarceradas em prisões estatais.

Em 2013, tinham morrido 73.447 pessoas; em 2012, 49.294; em 2011, 7.841.

Na sua tradicional mensagem de Natal, o papa Francisco rogou a Deus pelos cristãos do "Iraque e da Síria, que padecem há tempo demais os efeitos do conflito ainda em andamento e que, junto com os membros de outros grupos étnicos e religiosos, sofrem uma perseguição brutal".

Diante das dezenas de milhares de fiéis que abarrotavam a Praça de São Pedro para a bênção Urbi et Orbi, o Santo Padre também pediu que os numerosos desabrigados e refugiados da região, crianças, adultos e idosos, "recebam a ajuda humanitária necessária para sobreviver aos rigores do inverno e possam retornar aos seus países e viver com dignidade".

O presidente egípcio Al-Sisi conclama líderes islâmicos a uma "visão mais iluminada do mundo"

Cairo, 2.janeiro.2015 (RV) – O mundo islâmico não pode ser percebido como “fonte de ansiedade, perigo, morte e destruição” para o resto da humanidade. E os líderes religiosos do Islã devem “sair de si mesmos” e favorecer uma “revolução religiosa” para erradicar o fanatismo e substituí-lo por uma “visão mais iluminada do mundo”. Se não o fizerem, assumirão perante Deus a responsabilidade e terem levado a comunidade islâmica ao caminho da ruína. Palavras fortes do Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, no discurso de início do ano dirigido aos estudiosos e líderes religiosos da Universidade de al-Azhar, maior centro teológico do islamismo sunita.

No pronunciamento, al-Sisi criticou um “pensamento errôneo” - que se contrapõe ao autêntico Islã – feito de um amontoado de idéias e textos que “nós sacralizamos nos últimos anos” e que conduzem toda a comunidade islâmica “a inimizar com o mundo inteiro”. Para o Presidente egípcio, os processos desencadeados pela perversão islamista devem ser bloqueados: “É possível pensar que 1 bilhão e 600 milhões de pessoas pensem ser possível viver somente se eliminarem os restantes 7 bilhões de habitantes do mundo? Não, não é possível!”, afirmou com veemência al-Sisi.

O discurso foi marcado por fortes advertências aos guias espirituais do mundo islâmico: “O que eu estou dizendo – afirmou – não pode ser percebido por vocês, se permanecerem presos dentro desta mentalidade. Vocês devem sair de si mesmos e osbervar de fora este modo de pensar, para erradicá-lo e susbtituí-lo por uma visão mais iluminada do mundo”.

Segundo al-Sisi, é necessária uma “revolução religiosa” e os Imames e os Muftis são “responsáveis perante Deus” pelas escolhas que determinarão o futuro de toda comunidade islâmica. “O mundo inteiro – reiterou o líder político árabe – está aguardando os vossos próximos passos. Pois a comunidade islâmica será dilacerada, destruída e perdida, por obra de vossas próprias mãos”.

Papa no Angelus diz que "A paz é possível e a oração é a raiz da paz!"



Cidade do Vaticano (RV) -  Ao meio-dia deste 1º de janeiro de 2015 o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para recitar a Oração mariana do Angelus com os milhares de fieis que lotavam a Praça São Pedro, a Praça Pio XII e a Via da Conciliação. Num domingo de clima festivo, céu azul e muito frio, o Papa recordou a maternidade de Maria, nossa filiação divina e que “a paz é possível. A oração é a raiz da paz”.

Na reflexão que precede a oração do Angelus, o Papa ressaltou a expressão paulina “nascido de uma mulher”, que revela de maneira essencial e “por isto ainda mais forte” a “verdadeira humanidade do Filho de Deus”, referindo-se após à expressão “nascido sob a Lei”, extraída da Carta de Paulo aos Gálatas:

“Com esta expressão, ele sublinha que Cristo assumiu a condição humana libertando-a da fechada mentalidade legalista. A lei, de fato, privada de graça, torna-se um jugo insuportável, e ao invés de nos fazer bem, nos faz mal. Eis então porque Deus nos envia o seu Filho à terra, para fazer-se homem: uma finalidade de libertação, antes ainda, de regeneração. De libertação para resgatar os que estavam sob a lei (...), mas sobretudo de regeneração, para que recebéssemos a adoção de filhos”.

A este ponto Francisco recorda que esta “estupenda passagem” de sermos incorporados em Cristo, tornando-nos realmente filhos, ocorre com o Batismo, que nos torna membros vivos em Cristo e nos insere na sua Igreja:

“No início de um novo ano nos fará bem recordar o dia de nosso Batismo. Redescubramos o presente recebido naquele Sacramento que nos regenerou na vida nova, a vida divina. E isto por meio da Mãe Igreja, que tem como modelo a Mãe Maria. Graças ao Batismo fomos introduzidos na comunhão com Deus e não estamos mais sob o poder do mal e do pecado, mas recebemos o amor, a ternura, a misericórdia do Pai celeste”.

O Papa aproveitou a ocasião para repetir um questionamento já feitos em outras oportunidades:

“Vos pergunto novamente: ‘Quem de vocês recorda o dia em que foi batizado? Para aqueles que não recordam a data de seu Batismo, dou uma tarefa para fazer em casa: procurar a data e guardá-la bem no coração. Vocês podem pedir ajuda aos pais, ao padrinho, à madrinha, aos tios, aos avós... O dia no qual fomos batizados é um dia de festa! Recordem ou procurem a data de vosso Batismo, será muito bonito para agradecer a Deus o dom do Batismo”.

O Papa recordou então que a proximidade de Deus da nossa existência nos dá a verdadeira paz, “um dom divino que queremos implorar de forma especial hoje”:

“Eu leio alí: ‘A paz é sempre possível’. Sempre é possível a paz! Devemos buscá-la...E naquela parte leio: ‘Oração é a raiz da paz’. A oração é justamente a raiz da paz. A paz é sempre possível e a nossa oração é a raz da paz. A oração faz brotar a paz. Hoje é o Dia Mundial da Paz, “Não mais escravos, mas irmãos”: eis a Mensgaem deste dia. Porque as guerras nos fazem escravos, sempre. Uma mensagem que nos envolve a todos. Todos somos chamados a combater todo tipo de escravidão e a construir fraternidade. Todos, cada um segundo a sua própria responsabilidade”.

Ao concluir, o Papa apresenta a “Maria Mãe de Deus e Mãe nossa”, todos os nossos propósitos de bem, pedindo que ela “estenda sobre nós em todos os dias do ano novo o manto de sua materna proteção”:

“E vos convido todos a saudar hoje Nossa Senhora como Mãe de Deus. Saudá-la com aquela saudação: ‘Santa Mãe de Deus!’. Como foi aclamada pelos fiéis da cidade de Éfeso, no início do cristianismo, quando na entrada da Igreja gritavam aos seus pastores esta saudação dirigida a maria: ‘Santa Mãe de Deus! Todos juntos repitamos: “Santa Mãe de Deus!”.

Após recitar o Angelus, o Papa dirigiu sua saudação a todos os presentes vindos de várias partes do mundo, em particular, “às dioceses no mundo inteiro que promoveram momentos de oração pela paz”, recordando também as diversas iniciativas pela paz.

Ao final, a Praça São Pedro uniu-se através de um colegamento vídeo com a cidade de Rovereto, no Trentino, onde um grande sino chamado de “Maria Dolens”, confecionado para honrar os caídos em todas as guerras, repicou por alguns minutos. O sino foi abençoado por Paulo Vi em 1965. “Que seja um auspício de que nunca mais existam guerras, mas sempre o desejo e empenho de paz e de fraternidade entre os povos”, afirmou o Santo Padre.

Tweet do Papa Francisco neste 1º dia de 2015:

01/01/2015
Quantas pessoas inocentes e quantas crianças sofrem no mundo! Senhor, dai-nos a vossa paz.
Papa: "Cristo e sua Mãe, Cristo e a Igreja são inseparáveis"



Cidade do Vaticano (RV) – Neste 1º dia de 2015, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro a Missa por ocasião da Solenidade da Mãe de Deus. Em sua homilia, o Papa recordou que “nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar”. O Papa reiterou que “assim como Cristo e sua Mãe são inseparáveis”, “igualmente são inseparáveis Cristo e a Igreja”.

"Hoje voltam à mente as palavras com que Isabel pronunciou a sua bênção sobre a Virgem Santa: «Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-43).

Esta bênção está em continuidade com a bênção sacerdotal que Deus sugerira a Moisés para que a transmitisse a Aarão e a todo o povo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça. O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26). Ao celebrar a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a Igreja recorda-nos que Maria é a primeira destinatária desta bênção. N’Ela tem a sua realização perfeita: na verdade, mais nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar.

E, para além de contemplar a face de Deus, podemos também louvá-Lo e glorificá-Lo como os pastores, que regressaram de Belém com um cântico de agradecimento depois de ter visto o Menino e a sua jovem mãe (cf. Lc 2, 16). Estavam juntos, como juntos estiveram no Calvário, porque Cristo e sua Mãe são inseparáveis: há entre ambos uma relação estreitíssima, como aliás entre cada filho e sua mãe. A carne de Cristo – que é charneira da nossa salvação (Tertuliano) – foi tecida no ventre de Maria (cf. Sal 139/138, 13). Tal inseparabilidade é significada também pelo facto de Maria, escolhida para ser Mãe do Redentor, ter compartilhado intimamente toda a sua missão, permanecendo junto do Filho até ao fim no calvário.

Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projectos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe.

Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja, e não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja. Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja» (Ibid., 16). Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos.

Esta acção e missão da Igreja exprimem a sua maternidade. Na verdade, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores.

Amados irmãos e irmãs! Jesus Cristo é a bênção para cada homem e para a humanidade inteira. Ao dar-nos Jesus, a Igreja oferece-nos a plenitude da bênção do Senhor. Esta é precisamente a missão do povo de Deus: irradiar sobre todos os povos a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo. E Maria, a primeira e perfeita discípula de Jesus, modelo da Igreja em caminho, é Aquela que abre esta estrada de maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos.

Que esta Mãe doce e carinhosa nos obtenha a bênção do Senhor para a família humana inteira! Hoje, Dia Mundial da Paz, invoquemos de modo especial a sua intercessão para que o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações. Este ano, a mensagem especial para o Dia Mundial da Paz reza: «Já não escravos, mas irmãos». Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo!"
Papa Francisco: mensagem pelos 450 anos do Rio de Janeiro



Rio de Janeiro, 1º.janeiro.2015 (RV) - Querido povo brasileiro,

É com grande alegria que me dirijo a vocês, às vésperas do Ano Novo, que marcará o início das comemorações pelos 450 anos de fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, para saudar, numa tão feliz circunstância, o amado povo carioca, que me recebeu de braços abertos por ocasião da Jornada Mundial da Juventude de 2013, e acender o novo sistema de iluminação da Estátua do Cristo, como fez o Beato Papa Paulo VI há cinquenta anos, simbolizando a luz que o Senhor quer acender nas nossas vidas.

Quatrocentos e cinquenta anos já representam uma venerável história; a história de um povo corajoso e alegre que nunca se deixou abater pelas dificuldades, a exemplo de seu santo padroeiro, o Mártir romano Sebastião, que mesmo depois de ter sido alvejado por flechas e dado como morto, não deixou de dar testemunho de Cristo aos seus contemporâneos; a história de uma cidade que desde o seu nascimento esteve marcada pela fé. Querido povo carioca: «crê em Deus, e Ele cuidará de ti; endireita os teus caminhos e espera n’Ele. Conserva o seu temor, e n’Ele envelhecerás» (Eclo 2,6)!

Hoje, se pudéssemos nos colocar na perspectiva do Cristo Redentor, que do alto do Corcovado domina a geografia da cidade, o que é que nos saltaria aos olhos? Sem dúvida, em primeiro lugar, a beleza natural que justifica seu título de Cidade Maravilhosa; porém, é inegável que, do alto do Corcovado, percebemos igualmente as contradições que mancham esta beleza. Por um lado, o contraste gerado por grandes desigualdades sociais: opulência e miséria, injustiças, violência... Por outro, temos o que poderíamos chamar de cidades invisíveis, grupos ou territórios humanos que possuem registros culturais particulares. Às vezes parece que existem várias cidades, cuja coexistência nem sempre é fácil numa realidade multicultural e complexa. Mas, diante deste quadro, não percamos a esperança! Deus habita na cidade! Deus habita na cidade! Jesus, o Redentor, não ignora as necessidades e sofrimentos de quantos estão aqui na terra! Seus braços abertos nos convidam a superar estas divisões e construir uma cidade unida pela solidariedade, justiça e paz.

E qual seria o caminho a seguir? Não podemos ficar “de braços cruzados”, mas abrir os braços, como o Cristo Redentor. Por isso, o caminho começa pelo diálogo construtivo. Pois, «entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo no povo, porque todos somos povo» (Discurso à classe dirigente do Brasil, 26 de julho de 2013). Neste sentido, é preciso reconhecer que, independentemente do seu grau de instrução ou de riqueza, todas as pessoas têm algo para contribuir na construção de uma civilização mais justa e fraterna. De modo concreto, creio que todos podem aprender muito do exemplo de generosidade e solidariedade das pessoas mais simples; aquela sabedoria generosa de saber “colocar mais água no feijão”, da qual o nosso mundo ressente tanto.

Queridos amigos, tenho a certeza de que a Cidade Maravilhosa tem muito a oferecer ao Brasil e ao mundo. Por isso, ao acender as luzes do Corcovado, faço minhas, as palavras pronunciadas pelo Beato Papa Paulo VI, no dia 1º de janeiro de 1965: que «esta luz, iluminando a cidade do Rio de Janeiro, se espalhe por todo o Brasil» (Paulo VI, Insegnamenti, III).

Assim, depositando aos pés de Nossa Senhora Aparecida estes votos e agradecendo ao Cardeal Dom Orani Tempesta pela oportunidade de poder lhes dirigir esta mensagem, felicito todos os cariocas e o povo brasileiro por esta “festa de aniversário”, pedindo, por favor, que rezem sempre por mim. E desejando um feliz ano de dois mil e quinze, a todos e cada um envio a minha Bênção Apostólica. Obrigado.

Papa preside Vésperas da Solenidade da Mãe de Deus e o Te Deum



Cidade do Vaticano, 1º.janeiro.2015 (RV) – No último dia do ano de 2014 o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro as Primeiras Vésperas da Solenidade da Virgem Maria Mãe de Deus, com o canto do Te Deum e a Bênção do Santíssimo Sacramento. Um momento para “agradecer ao Senhor por tudo o que recebemos e pudemos realizar e ao mesmo tempo, repensar as nossas faltas e pedir perdão”.

“Queridos irmãos e irmãs,

A Palavra de Deus nos introduz hoje, de modo especial, no significado do tempo, no entender que o tempo não é uma realidade estranha a Deus, simplesmente porque Ele quis revelar-se e salvar-nos na história. O significado de tempo, a temporalidade, é a atmosfera da epifania de Deus, ou seja, da manifestação de Deus e de seu amor concreto. De fato, o tempo é o mensageiro de Deus, como dizia São Pedro Fabro.

A liturgia de hoje nos recorda a frase do apóstolo João: “Filhinhos, já chegou a última hora” (1 Jo 2,18), e a de São Paulo que nos fala da “plenitude dos tempos” (Gal 4,4). Assim, o dia de hoje nos manifesta como o tempo foi – por assim dizer –“tocado” por Cristo, o Filho de Deus e de Maria, e dele recebeu  significados novos e surpreendentes: tornou-se o “tempo salvífico”, isto é, o tempo definitivo de salvação e de graça.

E tudo isto nos leva a pensar ao final do caminho da vida, ao final do nosso caminho. Houve um início e haverá um fim, “um tempo para nascer e um tempo para morrer” (Ecle 3,2). Com esta verdade, tão simples e fundamental e tão negligenciada e esquecida, a santa mãe Igreja nos ensina a concluir o ano e também os nossos dias com um exame de consciência, através o qual repassamos o que aconteceu; agradecemos ao Senhor por todo bem que recebemos e que pudemos realizar e, ao mesmo tempo, repensamos as nossas faltas e os nossos pecados. Agradecer e pedir perdão.

É o que fazemos também hoje ao final de um ano. Louvamos o Senhor com o hino Te Deum e ao mesmo tempo lhe pedimos perdão. A atitude de agradecer nos predispõe à humildade, em reconhecer e acolher os dons do Senhor.

O apóstolo Paulo resume, na Leitura destas Primeiras Vésperas, o motivo fundamental do nosso dar graças a Deus: Ele nos fez seus filhos, nos adotou como filhos. Este dom imerecido nos enche de uma gratidão plena de estupor! Alguém poderia dizer: “Mas nós já não somos todos filhos de Deus, pelo simples fato de sermos homens?”. Certamente, porque Deus é Pai de cada pessoa que vem ao mundo. Mas sem esquecer que fomos afastados dele por causa do pecado original que nos separou de nosso Pai: a nossa relação filial é profundamente ferida. Por isto Deus mandou seu Filho para nos resgatar, com o preço de seu sangue. E se existe um resgate, é porque existe uma escravidão. Nós éramos filhos, mas nos tornamos escravos, seguindo a voz do Maligno. Nenhum outro nos resgata desta escravidão substancial se não Jesus, que assumiu a nossa carne da Virgem Maria e morreu na Cruz para nos libertar da escravidão do  pecado e nos restituir a condição filial perdida.

A liturgia de hoje recorda também que, “no princípio (antes do tempo) existia o Verbo...e o Verbo se fez homem” e por isto afirma Santo Irineu: “Este é o motivo pelo qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: porque o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo assim a filiação divina,  torna-se filho de Deus”.

Contemporaneamente o próprio dom pelo qual agradecemos, é também motivo de exame de consciência, de revisão da vida pessoal e comunitária, de nos perguntarmos: como é o nosso modo de viver? Vivemos como filhos ou como escravos?  Vivemos como pessoas batizadas em Cristo, ungidas pelo Espírito, resgatadas, livres? Ou vivemos segundo a lógica mundana, corrupta, fazendo aquilo que o diabo nos faz acreditar que seja de nosso interesse? Existe sempre no nosso caminho existencial uma tendência em resistir à libertação; temos medo da liberdade e paradoxalmente, preferimos mais ou menos conscientemente a escravidão. A liberdade nos assusta porque nos coloca diante do tempo e diante da nossa responsabilidade de vivê-lo bem. A escravidão reduz o tempo em “momentos” e assim nos sentimos mais seguros, isto é, nos faz viver momentos desligados do seu passado e do nosso futuro. Em outras palavras, a escravidão nos impede de viver plenamente e realmente o presente, porque o esvazia do passado e o fecha diante do futuro, da eternidade. A escravidão nos faz acreditar que não podemos sonhar, voar, esperar.

Um grande artista italiano dizia há alguns dias, que para o Senhor foi mais fácil tirar os israelitas do Egito do que o Egito do coração dos israelitas. Foram, “sim, libertados “materialmente” da escravidão, mas durante a marcha no deserto com as várias dificuldades e com a fome começaram então a sentir saudades do Egito quando “comiam cebolas e alho” (cfr Nm 11,5); se esqueciam porém que as comiam na mesa da escravidão. No nosso coração se aninha a saudade da escravidão, porque aparentemente traz mais segurança, mais que a liberdade, que é muito mais arriscada. Como nos agrada estarmos engaiolados por tantos fogos de artifício, aparentemente belos mas que na realidade duram somente poucos instantes!

Deste exame de consciência depende também, para nós cristãos, a qualidade de nosso agir, de nosso viver, da nossa presença na cidade, do nosso serviço pelo bem comum, da nossa participação nas instituições públicas e eclesiais.

Por tal motivo, e sendo também Bispo de Roma, gostaria de deter-me sobre o nosso viver em Roma, que representa um grande dom, porque significa habitar na cidade eterna, significa para um cristão sobretudo fazer parte da Igreja fundada no testemunho e no martírio dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. E portanto também por isto agradecemos ao Senhor. Mas ao mesmo tempo representa uma grande responsabilidade. E Jesus disse: “ A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48). Assim perguntemo-nos: nesta cidade, nesta Comunidade eclesial, somos livres ou somos escravos, somos sal e luz?  Somos fermento? Ou somos apagados, insípidos, hostis, desconfiados, irrelevantes, cansados?

Sem dúvida, os graves acontecimentos de corrupção, surgidos recentemente, pedem uma séria e consciente conversão dos coração para um renascimento espiritual e moral, como também para um renovado compromisso para construir uma cidade mais justa e solidária, onde os pobres, os fracos e os marginalizados estejam no centro de nossas preocupação e do nosso agir cotidiano. É necessário um grande e cotidiano comportamento de liberdade cristã para ter a coragem de proclamar na nossa cidade, que é necessário defender os pobres e não defender-se dos pobres, que é necessário servir os mais fracos, e não servir-se dos mais fracos!

O ensinamento de um simples diácono romano nos pode ajudar. Quando pediram a São Lorenço para levar e mostrar os tesouros da Igreja, levou simplesmente alguns pobres. Quando em uma cidade os pobres e os fracos são cuidados, socorridos e promovidos na sociedade, eles se revelam o tesouro da Igreja e um tesouro na sociedade. Ao contrário, quando uma sociedade ignora os pobres, os persegue, os criminaliza, os obriga a “mafiarem-se”, esta sociedade se empobrece até a miséria, perde a liberdade e prefere “o alho e as cebolas” da escravidão, da escravidão do seu egoísmo, da escravidão da sua pusilanimidade e esta sociedade cessa de ser cristã.

Queridos irmãos e irmãs, concluir o ano é voltar a afirmar que existe uma “última hora” e que existe a “plenitude do tempo”. Ao concluir este ano, ao agradecer e ao pedir perdão, nos fará bem pedir a graça de poder caminhar em liberdade para poder assim reparar os tantos danos feitos e poder defendermo-nos das saudades da escravidão, de não “nostalgiar” a escravidão.

A Virgem Santa, que é justamente o coração do tempo de Deus, quando o Verbo – que era no princípio – se fez um de nós no tempo; Ela que deu ao mundo o Salvador, nos ajude a acolhê-lo com coração aberto, para sermos e vivermos realmente livres como filhos de Deus”.