JULHO DE 2014

Publicado programa da viagem do Papa à Albânia em agenda para 21 de setembro

A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou nesta quinta-feira, dia 31 de julho o programa da Viagem Apostólica que o Papa Francisco fará à Albânia no próximo dia 21 de setembro. A partida está prevista para as 7.30h do aeroporto de Fiumicino. Duas horas depois chegará o Santo Padre a Tirana. A cerimonia de boas-vindas está prevista para as 9.30h no Palácio Presidencial, seguida de uma visita de cortesia ao presidente albanês Bujar Nishani. Por volta das 10h terá lugar um encontro com as autoridades no Salão Nobre do Palácio Presidencial. Pelas 11h o Papa Francisco presidirá a Santa Missa e ao Angelus desse Domingo na Praça Madre Teresa.

Da parte da tarde e logo após o almoço, que juntará o Santo Padre com os bispos albaneses na Nunciatura Apostólica, o Papa Francisco encontrará pelas 16h os líderes de outras religiões e denominações cristãs na Universidade Católica de Nossa Senhora do Bom Conselho. Pelas 17h na Catedral de Tirana serão as vésperas com os sacerdotes, os religiosos e religiosas, os seminaristas e os movimentos laicais. Pelas 18.30h o Papa Francisco terá um encontro no Centro Betânia com as crianças e alguns dos assistidos dos institutos de caridade da Albânia. Pelas 19.45h será a cerimónia de despedida e a partida de Tirana com direção a Roma, aonde chegará pelas 21.30h no aeroporto de Ciampino.

Mensagem de hoje do Santo Padre em seu Twitter:



31/07/2014
Desejo a cada família que possa redescobrir a oração doméstica: também isso ajuda a entender-se e a perdoar.

"CULTURAS"

Cultura é uma palavra oriunda do latim – colere, cultivar –  usada para várias acepções, podendo significar um complexo de conhecimento, culto, crenças, artes, moral e costumes de uma sociedade, geralmente associada ao conceito de civilização, incluindo todas as áreas do comportamento humano.

Santo Agostinho, na célebre obra sobre as civilizações - “A Cidade de Deus” – resume a História do mundo na notável frase: “Dois amores fundaram duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo de Deus, construiu a cidade terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, construiu a cidade celestial” (A Cidade de Deus, XIV, 28).

Seguindo a diretiva de São Paulo – “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12,2) - o Papa Francisco tem falado nas “culturas” que caracterizam a civilização atual, com as quais não devemos nos conformar. “Tenham a coragem de ir ‘contra a corrente’”. Hoje domina a “cultura do provisório, do relativo, onde muitos pregam que o importante é ‘curtir’ o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, ‘para sempre’... Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projeto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação é caminhar para a realização feliz de si mesmo... Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família por meio do sacramento do matrimônio. Há quem diga que hoje o casamento está ‘fora de moda’... O Senhor chama alguns ao sacerdócio, outros para servir os demais na vida religiosa, nos mosteiros, dedicando-se à oração pelo bem do mundo...” (JMJ Rio, 28/7/2013). Compromissos definitivos!

 “A civilização mundial ultrapassou os limites porque criou tal culto do deus dinheiro, que estamos na presença de uma filosofia e uma prática de exclusão dos dois polos da vida que constituem as promessas dos povos. A exclusão dos idosos... a exclusão dos jovens” (JMJ Rio, 25/7/2013).  

Contra a cultura do descartável, da exclusão, do individualismo, devemos promover a cultura do encontro: “Hoje vivemos em um mundo que está se tornando cada vez menor... Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximos... Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões...”. A cultura do encontro requer acolhida e amor ao próximo (Mensagem para o dia mundial das comunicações, 24/1/2014).
           
Assim, contra a cultura do egoísmo, promovamos a cultura da caridade. Contra a cultura do interesse, a cultura da gratuidade e do amor. Contra a cultura do barulho e da velocidade, a do silêncio, da serenidade e da oração. Contra a cultura da violência e da guerra, a cultura da paz. Contra a cultura da malandragem e da esperteza, a cultura do estudo, da disciplina, do empenho e do esforço. Contra a cultura do desleixo e da sujeira, a cultura do capricho e da limpeza. Contra a cultura do feio, a cultura da beleza. Contra a cultura do protecionismo, do populismo e da demagogia, a cultura do mérito, do bem comum e da caridade social. 
Dom Fernando Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Papa Francisco confirma viagem ao Sri Lanka e Filipinas

As duas viagens internacionais serão realizadas pelo Papa Francisco em janeiro de 2015.

A Santa Sé confirmou, nesta terça-feira, 29, a Visita Apostólica do Papa Francisco ao Sri-Lanka e às Filipinas em janeiro do próximo ano.

Francisco visitará o Sri-Lanka nos dias 12 a 15 de janeiro, logo em seguida, visitará as Filipinas, nos dias 15 a 19. O pontífice irá aos dois países atendo o convite feito por autoridades civis e religiosas.

O Santo Padre já havia comentado sobre a visita durante o voo de retorno de sua viagem à Terra Santa, em maio deste ano. O papa comentou que havia aceitado o convite para visitar os dois países.

Durante entrevista no avião, Francisco mostrou-se preocupado com a falta de liberdade religiosa no continente asiático, lembrou que o número de “mártires” cristãos supera os dos primeiros tempos da Igreja.

O Vaticano informou que ainda não foi fechada a programação da Viagem, mas que em breve publicará o roteiro dos locais visitados.
Boletim da Santa Sé/Canção Nova

Papa encontra os sacerdotes de Caserta

Caserta (RV) – O Papa Francisco, como primeiro momento de sua visita à cidade de Caserta, no sul da Itália, na tarde do último sábado, 27.julho.2014, teve um encontro com os sacerdotes daquela Diocese na Capela Palatina no Palácio real da cidade. Estavam também presentes dos 19 Bispos da Região da Campânia, que ele saudou pessoalmente um a um, antes de falar aos sacerdotes. Presentes os 123 sacerdotes da Diocese de Caserta que receberam o Papa com uma forte salva de palmas. O Papa disse logo que tinha um discurso preparado, mas preferiu conversar com os padres respondendo a cinco perguntas sobre temas eclesiais: fraternidade sacerdotal, como se pode viver hoje um padre diocesano, também à luz dos ensinamentos de Francisco.

Foi um intenso diálogo que durou mais de uma hora em um clima de grande familiaridade, com piadas e risos de coração: assim foi a conversa do Papa com os sacerdotes de Caserta, o primeiro evento de sua visita à cidade.

O Papa respondeu com grande liberdade e destacou dois aspectos: a criatividade e a proximidade com as pessoas e com a realidade do lugar, numa dimensão de diálogo, também com quem está afastado da Igreja, sem renunciar à própria identidade, mas com a certeza que não se pode afastar sem mais nem menos o que afirmam e pensam os outros. As outras perguntas foram sobre as relações entre o bispo e o sacerdote, o dever do sacerdote de estar ao lado do bispo, mas também o dever do bispo de estar próximo de seus sacerdotes.

O Papa Francisco perguntou aos presentes qual é o perfil do sacerdote do Terceiro milênio. Por primeiro – disse -, é a criatividade:
“Se queremos ser criativos no Espírito, isto é no Espírito do Senhor Jesus, não há outro caminho senão a oração. Um bispo que não reza, um padre que não reza, fecha a porta, fecha o caminho à criatividade”.

“Não a criatividade à sans façon (sem cerimônia) e revolucionária - disse - porque hoje está na moda fazer o revolucionário; não, isso não é do Espírito. Mas quando a criatividade vem do Espírito e nasce na oração, pode trazer problemas, como aconteceu, por exemplo, ao Beato Rosmini: “escreveu “As Cinco Chagas da Igreja”, e foi um crítico criativo, porque rezava.

A oração nos abre a Deus e ao próximo: “não deve ser uma Igreja fechada em si mesma, que olha para o umbigo, uma Igreja auto-referencial, que olha para si mesma e não é capaz de transcender”. É necessário sair de si mesma, para estar perto de outras pessoas, sem se assustar de nada. “O homem de Deus não tem medo”. E a proximidade - observou - significa diálogo. “O diálogo é muito importante, mas para dialogar duas coisas são necessárias: a própria identidade como ponto de partida, e a empatia com os outros”.

Em seguida afirmou que o padre diocesano deve ser um “contemplativo”, embora de uma maneira diferente de um monge:
“O sacerdote deve ter uma ‘contemplatividade’, uma capacidade de contemplação seja de Deus, seja dos homens. É um homem que olha e que enche seus olhos e seu coração desta contemplação: com o Evangelho diante de Deus, e com os problemas humanos diante dos homens”.

Fundamental é também o relacionamento do sacerdote com o seu bispo e com os demais sacerdotes do presbitério. “Não há espiritualidade do padre diocesano sem essas duas relações”. Certamente – sublinhou – nem sempre è fácil estar de acordo com o bispo, mas o importante é ter um “espírito de liberdade”. É preciso ter a coragem de dizer “eu não penso assim, penso diversamente, e também a humildade para aceitar uma correção”. E o “inimigo maior destas duas relações” – recordou, são as “fofocas”. O Papa exortou a falar abertamente:
“Você é um homem, portanto, se há alguma coisa contra o bispo vai até ele e diga. Mas depois as consequências não serão boas. Você vai carregar a cruz, seja homem! Se você é um homem maduro e vê algo em seu irmão sacerdote que você não gosta ou que acha estar errado, diga-lhe na cara; ou se vê aquele que não gosta de ser corrigido, vai até o bispo e fale com ele, ou a um amigo mais íntimo daquele sacerdote, para que possa ajudá-lo a se corrigir. Mas não diga aos outros: porque isso é se sujar uns aos outros. E o diabo fica feliz com esse ‘banquete’, porque assim ataca precisamente o centro da espiritualidade do clero diocesano. Para mim – finalizou Francisco – as fofocas fazem muito mal”.
O Papa acrescentou que a alegria é o sinal que as relações com o bispo e com os outros sacerdotes são boas.

Respondendo a uma pergunta sobre a religiosidade popular, disse que – ainda que às vezes tenha que ser evangelizada – “é uma força enorme”. “Nos Santuários se vêem milagres”. “A religiosidade popular – acrescentou – é um instrumento de evangelização”.

Após a quinta pergunta, houve um momento de incerteza se continuar a conversa ou parar por aí, mas o Papa disse que os fiéis o esperavam na praça. Por fim o Papa pediu desculpas por “ter atrapalhado um pouco a festa da padroeira”. Mas o bispo local respondeu que foi “muito bom assim”.

Após ter cumprimentados os sacerdotes, o Papa recebeu de presente as camisetas dos dois times de basquete da Cidade, uma com as mesmas cores do San Lorenzo, time argentino do Papa, e saiu para cumprimentar os fiéis, muitos deles enfrentaram a chuva, horas antes, para estarem presentes na Santa Missa.

Hoje, o Papa Francisco twittou:

29/07/2014
Olhemos com maior apreço o trabalho das aias e dos colaboradores domésticos: é um serviço precioso.

Papa visita pastor

O Papa Francisco visitou, na manhã desta segunda-feira, 28, o pastor evangélico Giovanni Traenttino. O Pontífice retornou à Caserta, região de Campania, após a visita pastoral realizada no último sábado, 26.

Segundo nota oficial do Vaticano, Francisco realizou uma visita privada à residência do pastor que é um amigo pessoal desde o tempo em que era arcebispo de Buenos Aires.

O Vaticano informou que o Pontífice chegou em Caserta de helicóptero às 10h15 (horário local),  e depois de uma conversa particular na casa do pastor, reuniu-se com cerca de 200 pessoas da Comunidade Evangélica na Igreja Pentecostal da Reconciliação, que ainda está em construção.

No encontro, Francisco foi saudado pelo pastor Traenttino, que manifestou a alegria pela visita do Pontífice.

“A visita é um grande e inesperado presente, impensável há pouco tempo. O senhor poderá ler nos olhos das crianças, dos idosos, das famílias e dos jovens que nós te amamos! E o senhor deve saber de uma coisa:  mesmo entre nós, os evangélicos, há muita afeição pela sua pessoa e muitos de nós também oram pelo senhor todos os dias. Além disso, é tão fácil amá-lo. Muitos de nós  acreditamos que sua eleição como Bispo de Roma foi obra do Espírito Santo”, declarou o pastor.

O Santo Padre agradeceu pelas palavras e falou sobre a unidade na diversidade dos dons do Espírito Santo.

“O Espírito Santo realiza a diversidade na Igreja, e essa diversidade é tão rica, tão bonita; mas, em seguida, o mesmo Espírito Santo realiza a unidade. E assim a Igreja é una na diversidade. E aqui uso uma bela palavra  de um evangélico que eu amo tanto: uma  diversidade reconciliada pelo Espírito Santo “, declarou o Papa.

Segundo o Papa, não se trata de uniformidade, porque o Espírito Santo realiza duas coisas: faz a diversidade dos carismas e depois a harmonia deles. “O ecumenismo é justamente buscar que essa diversidade seja harmonizada pelo Espírito e se torne unidade”, concluiu.

O Papa ainda brincou sobre sua visita à comunidade evangélica, que poderia suscitar comentários ou impressionar algumas pessoas, porém ele destacou que estava realizando uma visita aos seus irmãos.

Francisco também permaneceu no local para o almoço e a convivência com a comunidade evangélica, e deve retornar ao Vaticano no meio da tarde.
L'Osservatore Romano

Francisco explica que o Reino de Deus é o maior tesouro

O Reino dos Céus foi o tema da reflexão do Papa Francisco, que antecedeu a oração mariana do Angelus deste domingo, 27. Falando aos milhares de fiéis de diversas partes do mundo reunidos na Praça São Pedro, o Pontífice afirmou que “tudo adquire um sentido quando se encontra este tesouro, que Jesus chama ‘o Reino de Deus’”. E mais uma vez, sugeriu a todos a leitura diária de uma passagem da Bíblia, para “encontrar Jesus”.

Ao meditar sobre o “Reino”, tema proposto pela Liturgia deste XVII Domingo do Tempo Comum, Francisco referiu-se às parábolas do tesouro escondido no campo e da pérola de grande valor, como “pequenas obras-primas”. E para explicar as reações que alguém tem quando descobre este “grande tesouro”, o Santo Padre usou como protagonistas o agricultor, “que arando, encontra o tesouro inesperado” e o mercador de pérolas, “que após longa procura encontra a pérola preciosíssima”.

Francisco ressalta, que nos dois casos, o dado relevante é que “o tesouro e a pérola valem mais do que todos os outros bens”. Assim, os dois, “se dão conta do valor incomparável daquilo que encontraram e estão dispostos a perder tudo para possuí-la”:

“Assim é para o Reino de Deus: quem o encontra não tem dúvidas, sente que é aquilo que buscava, que esperava e que responde às suas aspirações mais autênticas. E é realmente assim: quem conhece Jesus, quem o encontra pessoalmente, permanece fascinado, atraído por tanta bondade, tanta verdade, tanta beleza, e tudo numa grande humildade e simplicidade”.

O Pontífice observa como Jesus tenha tocados tantos santos e santas, que ao lerem o Evangelho “de coração aberto”, converteram-se a ele. E cita São Francisco:

“Pensemos em São Francisco de Assis: ele já era um cristão, mas um cristão ‘água de rosa’. Quando leu o Evangelho, em um momento decisivo de sua juventude, encontrou Jesus e descobriu o Reino de Deus e então todos os seus sonhos de glória terrena desapareceram. O Evangelho faz você conhecer Jesus verdadeiro, o Jesus vivo; fala-te ao coração e transforma a tua vida. E então sim, deixa tudo. Você pode mudar efetivamente o tipo de vida, ou continuar a fazer aquilo que fazias antes, mas você é outra pessoa, você renasceu: encontrou aquilo que dá um sentido, sabor, luz a tudo, mesmo aos cansaços, aos sofrimentos, à morte. Tudo adquire um sentido quando encontras este tesouro, que Jesus chama ‘o Reino de Deus’, isto é, Deus que reina na tua vida, na nossa vida”.

O Papa explicou que Jesus doou a si mesmo até a morte de cruz para nos levar do reino das trevas para o reino da vida, da beleza, da bondade e da alegria e que é impossível esconder a alegria de ter encontrado o Reino de Deus, pois ele transparece na vida do cristão.

“O cristão não pode ter a sua fé escondida, porque ela transparece em cada palavra, em cada gesto, mesmo nos mais simples e cotidianos: transparece o amor que Deus nos deu mediante Jesus”.

Ao final do tradicional encontro dominical, o Santo Padre saudou os presentes, grupos provenientes de diversos países e um grupo de brasileiros. E despediu-se com “um bom domingo e bom almoço”.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco, recordando que as crianças são as maiores vítimas das guerras,  lançou um veemente apelo pelo fim dos conflitos: Parem! O Pontífice reiterou o pedido para se rezar pela paz e que as negociações e o diálogo tenham precedência sobre o conflito.

O Santo Padre iniciou sua mensagem recordando que esta segunda-feira, 28, é um dia de luto, pois recorda-se o centenário do início da Primeira Guerra Mundial. O pontífice lembrou que Bento XVI definiu o conflito como “tragédia inútil”, pelas milhares de vítimas e grande destruição que provocou. Francisco pediu que se aprenda com a história para não se repetir os erros do passado.

O Oriente Médio, o Iraque e a Ucrânia, foram as três “zonas de crise” que receberam a atenção do Papa, mais uma vez, neste domingo, que reiterou o pedido de orações e a precedência do diálogo e da negociação sobre os conflitos:

“Em particular, o meu pensamento se dirige a três zonas de crise: a médio oriental, a iraquiana e a ucraniana. Vos peço para que continuem a se unir à minha oração para que o Senhor conceda às populações e às autoridades daquelas áreas a sabedoria e a força necessária para levar em frente, com determinação, o caminho da paz, enfrentando cada disputa com a firmeza do diálogo e da negociação e com a força da reconciliação. Que no centro de cada decisão não sejam colocados os interesses particulares, mas o bem comum e o respeito por cada pessoa”.

Ao recordar que tudo se perde com a guerra e nada se perde com a paz, Francisco voltou seu olhar para as crianças, as maiores vítimas inocentes dos conflitos, e faz um apelo veemente para que cessem os conflitos:

“Nunca a guerra. Penso sobretudo nas crianças, das quais se tira a esperança de uma vida digna, de um futuro: crianças mortas, crianças feridas, crianças mutiladas, crianças órfãs, crianças que têm como brinquedos resíduos bélicos, crianças que não sabem sorrir. Parem, por favor! Vos peço de todo o coração. É hora de parar! Parem, por favor!”.

Papa em Caserta: Quem encontra o Reino de Deus, muda as atitudes, respeita os outros e o ambiente, rejeita o mal

Cidade do Vaticano (RV) – Na tarde deste sábado, 26.julho.2014, o Papa Francisco realizou uma visita pastoral à cidade italiana de Caserta. Partindo do Vaticano de helicóptero às 15 horas, o Pontífice aterrissou no Heliporto da Aeronáutica militar 45 minutos após, sendo recebido por autoridades civis e religiosas. Após o encontro com os sacerdotes da diocese, Bergoglio passeou no meio da multidão a bordo do Jeep branco papal. Às 18 horas, presidiu a Missa na Praça diante da Régia da Calábria.

No dia em que a Igreja festeja Santa Ana, padroeira de Caserta, o Papa desenvolveu sua homilia partindo das duas Parábolas propostas pelo Evangelho – que tem como protagonistas o trabalhador pobre e o rico mercador -, onde Jesus ensina “o que é o reino dos céus, como ele é encontrado e o que se deve fazer para possuí-lo”. O Santo Padre, falou das mudanças de atitude que ocorrem com quem descobre o tesouro, que incluem atenção aos desfavorecidos, respeito pelo ambiente e a negação de diversas formal do mal.

Ao falar sobre “o que é o reino dos céus”, Bergoglio explicou que Jesus o enuncia desde o início, dizendo “que está próximo”, nunca o fazendo ver diretamente, mas sempre usando parábolas e figuras, como o modo de agir de um patrão, de um rei, das dez virgens e preferindo mostrar seus efeitos, como “capaz de mudar o mundo, como o fermento escondido na massa; pequeno e humilde como uma semente”, e assim por diante. “O Reino de Deus – observou o Papa – se faz presente na própria pessoa de Jesus”.

“É Ele o tesouro escondido e a pérola de grande valor. Se compreende a alegria do agricultor e do mercador: a encontraram! É a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença de Jesus na nossa vida. Uma presença que transforma a existência e nos torna abertos às exigências dos irmãos; uma presença que nos convida a acolher cada outra presença, também aquela do estrangeiro e do migrante”.
Ao explicar sobre “como se encontra o reino de Deus”, Francisco diz que cada um de nós tem um caminho particular, o que nos recorda que “Deus se deixa encontrar, porque é Ele que nos busca e se deixa encontrar também por quem não o procura”.

“Às vezes Ele se deixa encontrar em lugares insólitos e em tempos inesperados. Quando se encontra Jesus se fica fascinado, conquistado, e é uma alegria deixar o nosso modo de viver cotidiano, às vezes árido e apático, para abraçar o Evangelho, para deixar-se guiar pela lógica nova do amor e do serviço humilde e desinteressado”.

Refletindo sobre o terceiro ponto, “o que fazer para possuir o reino de Deus”, o Papa Bergoglio reitera a importância de se colocar “Deus em primeiro lugar na nossa vida”. E isto significa ter a coragem de dizer “não ao mal, à violência, à exploração, para viver uma vida de serviço aos outros e em favor da legalidade e do bem comum”. “Quando uma pessoa descobre o verdadeiro tesouro, abandona um estilo de vida egoísta e procura partilhar com os outros a caridade que vem de Deus”.

“Quem se torna amigo de Deus, ama os irmãos, se empenha em salvaguardar a vida e a saúde deles, também respeitando o ambiente e a natureza. E isto é particularmente importante nesta vossa bela terra que exige ser tutelada e preservada, exige ter a coragem de se dizer não a toda forma de corrupção e ilegalidade, exige de todos serem servidores da verdade e de assumir em todas as situações o estilo de vida evangélico que se manifesta na atenção ao pobre e ao excluído”.

Por fim, o Papa Francisco encoraja a todos a viver a Festa da Padroeira Santa Ana – a quem gosta de chamar de “a avó de Jesus - livres de todos os condicionamentos, reforçando os vínculos de fraternidade e solidariedade.

Após a conclusão da Missa às 19h45min, o Papa retornou à Roma.

Cristãos perseguidos: um morto a cada 5 minutos, no mundo

As estatísticas sobre a perseguição  de cristãos são controversas, mas não há dúvidas que os cristãos são a minoria mais perseguda no mundo. Podemos efetivamente chegar a cifra de 100/105 mil cristãos assassinados por razões de fé e de consciência cada ano, isto é um morto a cada cinco minutos.
Massimo Introvigne, docente de Sociologia da religião na Universidade Pontifícia de Turim.

"Sair" pelo mundo digital, recomenda o Papa à Pascom do Brasil

“É necessário que no mundo digital o anúncio do Evangelho seja seguido pela oferta de um encontro pessoal com Cristo, um encontro real e transformador”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na mensagem dirigida aos participantes do IV Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (PASCOM) e do 2º Seminário Nacional de Jovens Comunicadores.

O encontro está acontecendo em Aparecida desde o dia 24 de julho. O tema de reflexão é “Comunicação, desafios e possibilidades para evangelizar na era da cultura digital”.

Na mensagem – assinada pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin – o Papa Francisco enfatizou o convite para “sair” também no mundo digital. Segundo ele, o fiéis não devem permanecer fechados nas paróquias, nas comunidades, na nossa instituição paroquial ou na instituição diocesana, quando tantas pessoas estão à espera do Evangelho.

“Nenhum caminho pode, nem deve, ser obstruído a quem, em nome de Cristo Ressuscitado, se empenha em tornar-se sempre mais solidário com o homem. Com o Evangelho na mão e no coração, é necessário reafirmar que é tempo de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descuidando de dirigir uma atenção especial a quem ainda vive em uma fase de busca”.

Segundo as palavras do Papa, uma pastoral no mundo digital é chamada a levar em consideração também aqueles que não creem, caíram no desespero e cultivam no coração o desejo do absoluto e da verdade. As novas mídias, afirma a mensagem, permitem entrar em contato com seguidores de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas.

O Pontífice indica aos comunicadores brasileiros também as modalidades concretas para fazer isto: de um lado, fornecendo os meios necessários para aprender a linguagem particular deste ‘aerópago’, e de outro reconhecendo “o primado da pessoa”. “Sem esquecer, conclui o Papa, que o espaço digital, antes de ser uma mera realidade tecnológica, é antes de tudo um lugar de encontro entre homens e mulheres, cujas aspirações e desafios não são virtuais, mas reais, e tem necessidade de uma resposta concreta”.

O objetivo dos trabalhos do IV Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (PASCOM) e do 2º Seminário Nacional de Jovens Comunicadores – a serem concluídos no próximo domingo, 27 – é a pesquisa de novos caminhos para formar e motivar os agentes da pastoral das comunicações no Brasil. O encontro, do qual participam bispos, sacerdotes, religiosos e leigos comprometidos no setor, realiza-se no aniversário da visita do Papa Francisco ao Brasil por ocasião da JMJ.
Radio Vaticano


Esta foi a mensagem de hoje, deixada pelo Santo Padre em seu Twitter:



24/07/2014
Quando se vive preso ao dinheiro, ao orgulho ou ao poder, é impossível ser feliz.

D. Tomasi, Observador da Santa Sé na ONU: "a violência não levará a lugar nenhum, nem agora, nem no futuro"

“A voz da razão parece abafada pelo barulho das armas”. Foi o que afirmou o Observador Permanente da Santa Sé junto da ONU em Genebra, D. Silvano Tomasi, ao discursar na Sessão Especial do Conselho da ONU para os Direitos Humanos, dedicada à escalada do conflito israelo-palestiniano.

D. Tomasi reiterou que “a violência não levará a lugar nenhum, nem agora, nem no futuro”. A perpetuação de injustiças e a violação dos direitos humanos, em particular o direito à vida e a viver em paz e segurança – prosseguiu – semeiam sementes frescas de ódio e de ressentimento.

Está a ser consolidada uma cultura da violência, cujos frutos são destruição e morte. A longo prazo, não podem haver vencedores na tragédia atual, somente mais sofrimento. A maior parte das vítimas – disse ainda D. Tomasi – são civis que pelo direito humanitário internacional, deveriam ser protegidos. As Nações Unidas estimam que cerca de 70% dos palestinianos mortos são civis inocentes. Isto é intolerável, assim como os foguetes lançados indiscriminadamente contra objetivos civis em Israel. As consciências estão paralisadas por um clima de violência prolongada, que procura impor a solução por meio do aniquilamento do outro. Demonizar os outros, todavia, não elimina os seus direitos. Pelo contrário, o caminho para o futuro está em reconhecer a nossa comum humanidade”.O Observador Permanente da Santa Sé no Escritório da ONU em Genebra cita ainda um discurso do Papa Francisco em Belém na sua peregrinação à Terra Santa: “Pelo bem de todos – havia dito o Pontífice – existe a necessidade de intensificar os esforços e as iniciativas voltadas a criar as condições de uma paz estável, baseada na justiça, no reconhecimento dos direitos de cada um e na recíproca segurança. É chegado o momento para todos, de ter a coragem da generosidade e da criatividade à serviço do bem, a coragem da paz, apoiada no reconhecimento por parte de todos do direito de dois Estados, a existir e a gozar de paz e segurança dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas”.
Radio Vaticano

Em telefonema, Papa mostra preocupação com cristãos no Iraque

O Papa Francisco telefonou ao Patriarca Sírio-católico Youssef III Younan, no último domingo, 20, para dizer que “acompanha de perto e com preocupação o drama dos cristãos expulsos e ameaçados na cidade iraquiana de Mosul”.

Segundo o Patriarcado sírio-católico, “a conversação durou nove minutos, durante a qual o Patriarca Younan agradeceu ao Papa e pediu-lhe para intensificar os esforços junto aos poderosos do mundo, colocando-os a par do fato que na Província de Nínive se está consumando uma limpeza de massa baseada na religião. Que vergonha pelo silêncio do assim chamado ‘mundo civilizado’”, deplorou.

Ao final da conversa, o Papa Francisco concedeu sua Bênção Apostólica a todo o povo cristão do Oriente, assegurando que a paz estará sempre presente nas suas orações.

Há poucos dias, o Patriarca havia denunciado o incêndio no Palácio Episcopal dos sírio-católicos de Mosul, provocado pelos extremistas do Estado Islâmico.

No Iraque, a comunidade cristã corre riscos de sobrevivência. Em Mosul não existem mais cristãos após dois mil anos. Os últimos remanescentes fugiram nestes dias, buscando refúgio no Curdistão.

Conselho Mundial das Igrejas

Com grande dor, assistimos ao que parece ser o fim da presença cristã em Mossul, que remonta aos primeiros séculos do Cristianismo”, disse em declaração divulgada nesta segunda-feira, 21, o Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Olav Tveit.

“Uno-me aos que denunciam os preocupantes e trágicos fatos”, escreve ainda o reverendo, destacando que o Conselho Mundial de Igrejas apoia o papel dos cristãos que se empenham no Iraque e na região por um diálogo construtivo com outras religiões e comunidades étnicas, “a fim de proteger o patrimônio pluralístico de sua sociedade”.

Na declaração, o Secretário-Geral do CMI defende “a necessidade de um envolvimento internacional não militarizado para abrir um processo político inclusivo e reforçar os direitos humanos fundamentais, em especial o respeito da liberdade religiosa”.

Tveit conclui com um convite à oração, “em especial por aqueles que pertencem a comunidades minoritárias, e cristãos e muçulmanos obrigados a abandonar as próprias casas”.

Crime intolerável

“O deslocamento forçado de cristãos de Mosul é um crime intolerável. As atrocidades cometidas e as práticas em andamento não tem nada a ver com o Islã, com os seus princípios de tolerância e convivência”. Foi o que afirmou a Organização da Cooperação Islâmica (OCI) ao denunciar com veemência as violências dos insurgentes sunitas do Estado Islâmico, que em junho assumiram o controle da segunda cidade iraquiana.

No comunicado divulgado pela organização que reúne 57 países muçulmanos – e referido pela Agência Misna – seu Secretário Geral, o saudita Iyad Madani, ofereceu assistência humanitária necessária às pessoas deslocadas, “na expectativa que possam retornar às suas casas”.

O grupo radical do Estado Islâmico – que proclamou um Califado entre o norte do Iraque e o leste da Síria – advertiu que os habitantes cristãos de Mosul “devem converter-se ao Islã e pagar uma taxa especial”, ou abandonar a região.

Segundo o último balanço divulgado pela ONU, desde o início da ofensiva sunita, partida de Fallujah em janeiro passado, 5.576 civis foram mortos, dos quais 2.400 somente em junho, e 11.662 ficaram feridos.
Radio Vaticano

Papa Francisco: a força da vida contra novas formas de pobreza e vulnerabilidade

Cidade do Vaticano, 22.julho.2014 (RV) – O Papa Francisco conclama os fiéis britânicos, de maneira especial os jovens, a combaterem a cultura da morte, fazendo resplandecer o amor misericordioso de Cristo junto àqueles que sofrem as novas formas de pobreza e vulnerabilidade.

A mensagem do Pontífice foi divulgada por ocasião do Dia pela Vida, celebrado pelos fiéis ingleses, irlandeses, escoceses e galeses no próximo domingo, 27 de julho.

Assinado pelo Secretário de Estado, Card. Pietro Parolin, no texto o Papa encoraja os fiéis a trabalharem para garantir a proteção jurídica adequada para o direito humano fundamental à vida. Mas não só: Francisco pede aos católicos que façam resplandecer o amor misericordioso de Cristo como um bálsamo de vida junto àqueles que sofrem as novas formas de pobreza e vulnerabilidade na sociedade contemporânea.

A Jornada do próximo domingo tem como tema “Proteja e ame a vida”, com um hashtag especial no Twitter #Vivaavida.

Na mensagem divulgada em junho passado, a Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales (Cbcew) evidenciou que numa cultura do descartável, como aquela contemporânea, é fácil subestimar a vida, enquanto, pelo contrário, é necessário “ajudar os jovens, os idosos, os frágeis e os vulneráveis, colocando as necessidades dos outros em primeiro lugar”.

Tweet do Papa Francisco, hoje:

22/07/2014
O grande risco do mundo atual é a tristeza individualista, que brota do coração mesquinho.

A Copa que vencemos
     
A verdadeira Copa do Mundo, realmente, foi ganha pelo Brasil, com grande sucesso: em COPAcabana, a Jornada Mundial da Juventude, da qual estamos comemorando um ano nesta semana. Os mais de três milhões de pessoas, sobretudo jovens, no magnífico cenário da praia de Copacabana, a presença carismática institucional e pessoal do Papa Francisco, suas palavras simples e diretas, a confraternização entre jovens de 180 nações presentes, o respeito das autoridades civis, a ordem, a paz, a ausência de ocorrências policiais, o clima religioso de oração, o entusiasmo, alegria da juventude e sua comoção até às lágrimas, a disponibilidade e abnegação dos 60 mil voluntários, o testemunho sincero dos estrangeiros, a afluência dos jovens brasileiros do Oiapoque ao Chuí, a calorosa acolhida feita aos visitantes, a presença de 800 Bispos e Cardeais, de milhares de padres, seminaristas e religiosas, as 900 catequeses dadas pelos Bispos nas diferentes Igrejas, as exposições, a belíssima e artística Via-Sacra, as Santas Missas, etc. ficarão para sempre gravadas no coração de todos, católicos ou não. Honra seja feita à Igreja Católica capaz dessa mobilização com tais características! E parabéns ao Brasil por tal sucesso, de repercussão internacional! Uma data para não esquecer!
  
“Não sou católica, mas a passagem do Papa Francisco pelo Rio me comoveu... Sua Santidade fez um milagre: com seus 76 anos, contagiou todas as faixas etárias, todos os diferentes credos e nos possibilitou viver, em apenas sete dias, a Sexta-Feira da Paixão de Cristo, a Páscoa, o Corpus Christi e o Natal. A JMJ é a maior demonstração de esperança que Sua Santidade deposita, em especial no jovem, para um futuro melhor. Tenho 18 anos, e aí eu me enquadro” (O Globo, 29/7/2013, pág. 13).
  
“Tanto a visita do Pontífice como a Jornada Mundial da Juventude deixaram lições também para ateus... Diferentemente das aglomerações públicas a que nos acostumamos no Brasil recente, aquela multidão, heterogênea na procedência e homogênea no estado de espírito, não intimidava, não desassossegava... O ímpeto inicial e a liga de cimento que mantinham a coluna de peregrinos unida na mesma trajetória era, inegavelmente, a fé cristã. Mas o impacto redentor da manifestação maciça de boa vontade não se restringia à alma católica: os descrentes não se sentiram deslocados no Rio nos dias em que a cidade foi o centro do catolicismo...” (O Globo, 29/7/2013 Artigo de Berilo Vargas: “Sua Simpaticíssima Santidade: lições a ateus”).
 
No lado material e financeiro, dados do Ministério do Turismo revelaram que dois milhões de turistas estiveram no Rio durante a JMJ, movimentando R$1,2 bilhão na economia da cidade, um recorde de visitação no país, o que supera em muito os gastos investidos na Jornada. Além disso, segundo a mesma fonte, 93% dos turistas vindos de 170 países pretendem voltar para conhecer melhor o Rio: grande benefício para o turismo. Os seis mil jornalistas de mais de 70 países que cobriram a Jornada, levaram ao mundo inteiro, assim como os visitantes, o saudável impacto espiritual, religioso, artístico e ordeiro que o Brasil lhes ofereceu.
Dom Fernando Arêas Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Papa reflete sobre o mal no mundo e a paciência de Deus

Na oração mariana do Angelus conduzida pelo Papa Francisco, neste domingo, 20.julho.2014, o pontífice destacou a parábola da boa semente e da cizânia, proposta na liturgia deste domingo, que enfrenta o problema do mal no mundo e ressalta a paciência de Deus.

A cena se realiza num campo em que o patrão semeia o grão, mas numa noite chega o inimigo e semeia a cizânia, termo que em hebraico vem da mesma raiz do nome “satanás” e remete ao conceito de divisão.

“Sabemos que o demônio é um espalhador de cizânia: sempre em busca de dividir as pessoas, as famílias, as nações e os povos”, frisou Francisco. Os trabalhadores queriam logo arrancar o erva daninha, mas o patrão os impediu com a seguinte motivação: ‘Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo’. “Sabemos que a cizânia, quando cresce, se parece muito com a boa semente e existe o perigo de confundi-las”, disse ainda o pontífice.

“O ensinamento da parábola é duplo. Primeiramente, diz que o mal existente no mundo não vem de Deus, mas de seu inimigo, o maligno. Ele vai à noite semear a cizânia, na escuridão, na confusão, onde não há luz. Este inimigo é astuto: semeou o mal em meio ao bem, tornando impossível aos homens separá-los claramente; mas Deus, pode fazê-lo”, sublinhou o Papa.

A seguir, o Santo Padre chamou a atenção para “a contraposição entre a impaciência dos servos e a espera paciente do proprietário do campo, que representa Deus”.

“Nós às vezes, temos muita pressa em julgar, classificar, colocar os bons de um lado e os maus do outro. Lembrem-se da oração do homem soberbo: Deus, eu te agradeço porque sou bom e não sou como aquele que é mal. Deus, ao invés, sabe esperar. Ele olha no campo da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia. Vê muito melhor do que nós a sujeira e o mal, mas vê também os germes do bem e espera com confiança que amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar. O nosso Deus é um pai paciente que sempre nos espera e nos espera para nos acolher e nos perdoar.”

Segundo Francisco, o comportamento do patrão é o da esperança fundada na certeza de que o mal não tem a primeira e nem a última palavra.

“Graças a esta esperança paciente de Deus a mesma cizânia, ou seja, o coração mal, com muitos pecados, pode se tornar boa semente. Atenção: a paciência do Evangelho não é indiferença ao mal; não se pode fazer confusão entre bem e mal. Diante da cizânia presente no mundo o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, alimentar a esperança com o apoio e a confiança inabalável na vitória final do bem, que é Deus.”

No final, o mal será arrancado e eliminado: no tempo da colheita, ou seja, do juízo, os trabalhadores irão exercer a ordem do patrão separando a cizânia para queimá-la.

“Naquele dia da colheita final o grande juiz será Jesus, Aquele que semeou a boa semente no mundo e que se tornou Ele mesmo ‘grão de trigo’, que morreu e ressuscitou. No final, seremos julgados com a mesma medida com a qual julgamos: a misericórdia que usamos para com os outros será usada também conosco. Peçamos a Maria, nossa Mãe, para nos ajudar a crescer na paciência, na esperança e na misericórdia com todos os irmãos”, concluiu o Papa Francisco.

Depois do Angelus o Papa manifestou uma vez mais profunda preocupação pela situação dos cristãos no Iraque e Médio Oriente em geral:

Soube com preocupação as notícias que chegam das comunidades cristãs em Mosul (Iraque) e outras partes do Médio Oriente, onde eles viveram desde o início do cristianismo, com os seus concidadãos, oferecendo um significativo contributo ao bem da sociedade. Hoje são perseguidos, os nossos irmãos, são mandados embora, devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar nada consigo. Asseguro a estas famílias e a estas pessoas a minha proximidade e a minha constante oração. Caríssimos irmãos e irmãs, tão perseguidos, eu sei quanto sofreis, eu sei que sois despidos de tudo, , estou convosco na fé naquele que venceu o mal. E a vós aqui na Praça, e a todos os que nos seguem … convido-vos a recordá-los na oração. Vos exorto também a perseverar na oração pelas situações de tensão e conflito que persistem em diversas partes do mundo, especialmente no Médio Oriente e na Ucrânia. Que o Deus da paz inspire em todos um autêntico desejo de diálogo e reconciliação. A violência não se vence com a violência. A violência vence-se com a paz!

E por último o Papa saudou cordialmente a todos os peregrinos, vindos da Itália e de outros Países, tendo desejando a todos bom domingo e bom almoço.
Rádio Vaticano


O Exército israelense entra em Gaza. Mensagem do Papa para a comunidade católica local

Gaza, 19.julho.2014 – A ofensiva terrestre do exército israelense na Faixa de Gaza concentrada na parte norte da Faixa de Gaza foi acompanhada durante toda a noite passada pela intensificação dos bombardeios aéreos e navais também na cidade de Gaza. A pequena paróquia católica em Gaza, dedicada à Sagrada Família, está totalmente imersa na emergência humanitária desencadeada pela intervenção militar. O pastor Jorge Hernandez, missionário argentino do Instituto do Verbo Encarnado, acolheu nos locais da escola numerosos grupos de famílias que fugiram de suas casas localizadas nas áreas bombardeadas, e desde esta manhã ele envolvido na busca de água e comida para os deslocados.

"Eu falei com as famílias da paróquia", refere à Agência Fides Irmã Laudis, religiosa do Instituto do Verbo Encarnado atualmente em Beit Jala depois de deixar a Faixa de Gaza. "Todos me disseram que não dormiram à noite por causa dos bombardeios. As casas tremiam e as crianças choravam".Neste momento dramático, o Papa Francisco enviou ao pároco e à pequena comunidade católica em Gaza uma mensagem breve para testemunhar sua proximidade.

"Eu estou perto de vocês, das religiosas e toda a comunidade católica. Acompanho vocês com a minha oração e minha proximidade. Que Jesus abençoe a todos e a Virgem Maria proteja vocês”.

Lê-se no breve texto publicado no site do Instituto do Verbo Encarnado. "Ontem à noite", relatou à Fides Irmã Laudis, "Pe. Jorge traduziu o texto em árabe para torná-lo conhecido por todas as famílias. Todos ficaram comovidos e confortados neste momento terrível que estão enfrentando".

Radio Vaticano

Também nesta manhã, o Papa Francisco registrou em seu Twitter:

19/07/2014
Deus ama quem dá com alegria. Aprendamos a dar com generosidade, desapegados dos bens materiais.
Santo Padre telefona à Abbas e Peres: continuar os esforços pela paz

Cidade do Vaticano, 18.julho.2014 (RV) – A situação em Gaza agrava-se com o passar das horas. Na noite de ontem, quinta-feira, 17, Israel iniciou uma ofensiva terrestre. Até agora, o conflito provocou a morte de 271 palestinos e mais de dois mil feridos, a maioria civis. Do lado israelense, dois mortos, um militar e um civil e alguns feridos devido aos foguetes lançados de Gaza.

Neste contexto, o Papa Francisco, após o forte apelo para se continuar a rezar pela paz na Terra Santa no Angelus do último domingo, telefonou pessoalmente na manhã desta sexta-feira aos Presidentes israelense Shimon Peres e palestino Mahmoud Abbas.

O Papa partilhou com os dois presidentes “as gravíssimas preocupações na atual situação do conflito” que – refere um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé – “envolve de modo particular a Faixa de Gaza e que, num clima de crescente hostilidade, ódio e sofrimento para os dois povos, está provocando numerosas vítimas e dando lugar a uma situação de grave emergência humanitária”.

Como havia feito durante sua recente peregrinação à Terra Santa e por ocasião da invocação pela paz em 8 de junho, nos Jardins Vaticanos, o Papa Francisco “assegurou a sua incessante oração e a de toda a Igreja, em favor da paz na Terra Santa e compartilhou com os seus interlocutores - que considera homens de paz e que querem a paz -, a necessidade de se continuar a rezar e de comprometer-se em fazer sim com que todas as partes interessadas e todos os que têm responsabilidades políticas a nível local e internacional, se empenhem em fazer cessar todas hostilidades, trabalhando em favor de uma trégua, da paz e da reconciliação dos corações”.


Tweet do Santo Padre:

17/07/2014
A Igreja é, por sua natureza, missionária: existe para que todo o homem e toda a mulher possa encontrar Jesus.


DUC IN ALTUM!

Hoje, 16 de julho de 2014, festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo, o "Duc in altum!" completa 12 anos.

Doce Mãezinha, Virgem do Monte Carmelo, Rainha da Vinha do Senhor, com amor, obrigado.

Renovamos, mais uma vez, o propósito de sermos, no vosso Coração Imaculado, um meio de encontro e reencontro de mulheres e homens com Jesus Cristo.

Na sua festa, completamos 12 anos de existência, seja cada um deles um pequenino ponto de luz no brilho das 12 estrelas que formam a vossa resplandescente coroa.

Nossa Senhora do Monte Carmelo
     
Hoje celebramos a festa de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou do Carmo, devoção antiquíssima na Igreja, especialmente difundida pelo uso do Escapulário em sua honra.
     
Quase na divisa com o Líbano, o monte Carmelo, com 600 metros de altitude, situa-se na terra de Israel. “Carmo”, em hebraico, significa “vinha” e “El” significa “Senhor”, donde Carmelo significa a vinha do Senhor. Ali se refugiou o profeta Elias, que lá realizou grandes prodígios, e depois o seu sucessor, Eliseu. Eles reuniram no monte Carmelo os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Na pequena nuvem portadora da chuva após a grande seca, Elias viu simbolicamente Maria, a futura mãe do Messias esperado.
     
Assim, Maria foi venerada profeticamente por esses eremitas e, depois da vinda de Cristo, por seus sucessores cristãos, como Nossa Senhora do Monte Carmelo.

No século XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa e começaram a perseguir os cristãos, entre eles os eremitas do Monte Carmelo, muitos dos quais fugiram para a Europa. No ano 1241, o Barão de Grey da Inglaterra retornava das Cruzadas com os exércitos cristãos, convocados para defender e proteger contra os muçulmanos os peregrinos dos Lugares Santos, e trouxe consigo um grupo de religiosos do Monte Carmelo, doando-lhes uma casa no povoado de Aylesford. Juntou-se a eles um eremita chamado Simão Stock, inglês de família ilustre do condado de Kent. De tal modo se distinguiu na vida religiosa, que os Carmelitas o elegeram como Superior Geral da Ordem, que já se espalhara pela Europa.
   
No dia 16 de julho de 1251, no seu convento de Cambridge, na Inglaterra, rezava insistentemente o santo para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem do Carmo, por ela tão amada, mas então muito perseguida. A Virgem Santíssima ouviu essas preces fervorosas de São Simão Stock, dando-lhe, como prova do seu carinho e de seu amor por aquela Ordem, o Escapulário marrom, como veste de proteção, fazendo-lhe a célebre e consoladora promessa: “Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo aquele que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção”. O Papa Pio XII, na carta dirigida a todos os carmelitas, em 11 de fevereiro de 1950, escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem “devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos”. Mas faz uma advertência sobre sua eficácia, para que não seja usado como superstição: “O sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus; mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual”.

Francisco: "Para os menores acolhimento e proteção"

Cidade do Vaticano, 15.julho.2014 (RV) - O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do encontro sobre mobilidade humana e desenvolvimento, em andamento na Cidade do México, do qual também participa o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin.

"A globalização é um fenômeno que nos interpela, sobretudo numa de suas manifestações principais que é a migração. Não obstante o grande fluxo de migrantes presentes em todos os continentes e em quase todos os países, a migração é ainda vista como emergência ou como fato circunstancial e esporádico, mas se tornou um elemento característico e um desafio para as nossas sociedades", destaca o pontífice na nota.

Segundo Francisco, a migração é um fenômeno que carrega consigo grandes promessas e desafios. "Muitas pessoas obrigadas a migrar sofrem e muitas vezes morrem tragicamente; muitos de seus direitos são violados. Elas são obrigadas a se separar de suas famílias e infelizmente continuam sendo objeto de comportamentos racistas e xenófobos"', destaca o Papa.

Diante dessa situação, Francisco repete na nota que afirmou na mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2014: "É preciso que todos mudem a atitude em relação aos migrantes e refugiados; é necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização - que, no final, corresponde precisamente à 'cultura do descartável' – para uma atitude que tem por base a 'cultura do encontro', a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor."

O Papa Francisco chama a atenção para milhares de crianças que migram sozinhas, sem acompanhamento, escapando da pobreza e da violência: "Esta é uma categoria de migrante que da América Central e do México atravessa a fronteira com os Estados Unidos em condições extremas, em busca de uma esperança que na maioria das vezes é em vão. Esta categoria está aumentando a cada dia. Tal emergência humanitária requer uma intervenção urgente a fim de que esses menores sejam acolhidos e protegidos", frisa o Santo Padre na mensagem.

Segundo o Papa, "estas medidas não serão suficientes se não forem acompanhadas por políticas de informação sobre os perigos de uma viagem desse tipo, e promoção e desenvolvimento em seus países de origem. É necessário chamar a atenção de toda a comunidade internacional para que possam ser adotadas novas formas de migração legal e segura".

"Desejo todo sucesso a esta iniciativa louvável do Ministério das Relações Exteriores do Governo mexicano de organizar um seminário de estudo e reflexão sobre o grande desafio da migração e concedo de coração a cada um dos presentes minha bênção apostólica", conclui Francisco.

Hoje o Papa Francisco twittou pela manhã:

15/07/2014
Queridos jovens, não vos deixeis cair na mediocridade; a vida cristã é feita para grandes ideais.

Deus não se cansa de semear Sua Palavra nos corações, diz Papa

Deus não se cansa de semear Sua Palavra nos corações, diz PapaNo Angelus deste domingo, 13, o Papa Francisco comentou o Evangelho de São Mateus (cf. Mt 13,1-23), no qual Jesus prega às margens do Mar da Galileia.

O Santo Padre explicou aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, que, quando Jesus fala ao povo, ele utiliza muitas parábolas, “uma linguagem compreensível a todos, com imagens tiradas da natureza e das situações da vida cotidiana”.

Francisco destaca que a primeira parábola serve de introdução a todas as outras, a parábola do semeador que lança a sua semente para todo tipo de terreno.

“O verdadeiro protagonista desta parábola é mesmo a semente, que produz mais ou menos frutos, dependendo da terra em que ela caiu. Os três primeiros terrenos são improdutivos: no caminho a semente é comida por pássaros; no terreno rochoso os rebentos secam rapidamente porque não têm raízes; entre os espinhos a semente é sufocada pelos espinhos. O quarto terreno é a terra boa, e só ali, a semente se enraíza e produz frutos”.

O Papa disse que Jesus não se limitou a apresentar a parábola, mas também a explicou aos seus discípulos, dizendo-lhes o significado da semente que caiu no caminho, em terreno pedregoso e no meio de espinhos. “A semente que caiu em solo fértil representa aqueles que escutam a palavra, a acolhem e guardam, e essa dá frutos. O modelo perfeito desta terra boa é a Virgem Maria”, disse.

O Pontífice destacou que a parábola do semeador fala a cada um hoje, como falava aos ouvintes de Jesus há dois mil anos:

“Ela nos recorda que somos a terra onde o Senhor incansavelmente lança a semente da Sua Palavra e do Seu amor. Com quais disposições o acolhemos? Como é o nosso coração? Com qual tipo de terreno se parece: um caminho, uma pedreira, um arbusto? Depende de cada um de nós tornar-se um terreno bom sem espinhos nem pedras, mas lavrado e cultivado com cuidado, de modo que possa trazer bons frutos para nós e para os nossos irmãos. E nos fará bem não esquecer que também nós somos semeadores. Deus semeia sementes boas, e também aqui podemos perguntar-nos: que tipo de semente sai do nosso coração e da nossa boca? As nossas palavras podem fazer tanto bem e também tanto mal, podem curar e podem ferir, podem encorajar e podem deprimir”, afirmou.

Por fim, o Papa pediu a intercessão da Virgem Maria, para que, com o seu exemplo, ensine os fiéis a acolher a palavra, guardá-la e fazê-la fecunda em si mesmo e nos outros.

Após o Angelus deste domingo, 13, o Papa Francisco voltou a pedir pela paz no Oriente Médio, com os trágicos acontecimentos dos últimos dias.

Francisco disse que ainda tem na memória a viva recordação de seu encontro com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, com o presidente de Israel, Shimon Peres, e o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, que no dia 8 de junho reuniram-se no Vaticano para um momento de oração pela paz na região.  “Invocamos o dom da paz e escutamos o chamado para quebrar o ciclo do ódio e da violência”, destacou.

O Santo Padre afirmou que, alguns poderiam pensar que esse encontro foi em vão, mas, pelo contrário não, “porque a oração nos ajuda a não nos deixarmos vencer pelo mal, nem a resignar-nos que a violência e o ódio levem a melhor contra o diálogo e a reconciliação”.

O Pontífice exortou as partes interessadas e todos aqueles que têm responsabilidades políticas, em âmbito local e internacional, a não poupar a oração e algum esforço para pôr fim a todas as hostilidades e alcançar a paz desejada para o bem de todos.

Por fim, Papa convidou a todos para se unirem em oração: “Agora, Senhor, ajuda-nos Tu! Dá-nos Tu a paz, ensina-nos Tu a paz, guia-nos Tu rumo à paz. Abre os nossos olhos e os nossos corações e dá-nos a coragem de dizer: ‘nunca mais a guerra’; ‘com a guerra tudo se destrói!’ Dá-nos a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz … Faz-nos dispostos a ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Amém”.
Radio Vaticano

Mensagem para o Dia mundial do turismo

O turismo é um motor fundamental de desenvolvimento económico, devido à importante contribuição que oferece para o Produto interno bruto (Pib), avaliado em mais ou menos 3-5% a nível mundial; para a criação de empregos, calculados em 7-8% do total no mundo do trabalho; e para as exportações, considerando que favorece 30% da oferta mundial de serviços. Em síntese, o turismo é fonte de desenvolvimento comunitário. E é precisamente este tema sobre o qual se fundamenta a participação da Igreja no Dia mundial do turismo, programado para 27 de Setembro pela Organização mundial do turismo (Omt). Portanto, não é por acaso que o Pontifício conselho para a pastoral dos migrantes e itinerantes tenciona contribuir para esta Dia, com a transmissão de uma mensagem intitulada: «Turismo e desenvolvimento comunitário», cujo texto foi divulgado a 11 de Julho.

“Turismo e desenvolvimento comunitário”

1. A 27 de setembro, sobre o tema “Turismo e desenvolvimento comunitário”, celebrar-se-á o Dia Mundial do Turismo promovido, como acontece todos os anos, pela Organização Mundial do Turismo (OMT). Consciente da importância social e económica do turismo no momento atual, a Santa Sé quer acompanhar este fenómeno a partir do âmbito que lhe é próprio, de maneira particular no contexto da evangelização.

No seu Código Ético Mundial, a OMT afirma que o turismo deve ser uma atividade benéfica para as comunidades de destino: “As populações locais serão partícipes das atividades turísticas e compartilharão de modo equitativo os seus benefícios económicos, sociais e culturais, em particular no que diz respeito à criação direta e indireta de emprego”. Isto quer dizer que é necessário instaurar entre estas duas realidades uma relação de reciprocidade, que leve a um enriquecimento mútuo.

A noção de “desenvolvimento comunitário” está profundamente vinculada a um conceito mais amplo, que faz parte da doutrina social da Igreja, ou seja, o de “desenvolvimento humano integral”, a partir do qual queremos ler e interpretar o primeiro. A este propósito, são iluminadoras as palavras do Papa Paulo VI que, na encíclica Populorum progressio, afirmava: “O desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento económico. Para ser desenvolvimento autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem todo”.

Como pode o turismo contribuir para este desenvolvimento? Para tal finalidade, o desenvolvimento humano integral e, por conseguinte, o desenvolvimento comunitário no campo do turismo devem ter em vista alcançar um progresso equilibrado, que seja sustentável e respeitoso em três âmbitos: económico, social e ambiental, entendendo com isto tanto o âmbito ecológico como o contexto cultural.

2. O turismo é um motor fundamental de desenvolvimento económico, em virtude da sua importante contribuição para o PIB (de 3% a 5% a nível mundial), para o emprego (de 7% a 8% dos lugares de trabalho) e para as exportações (30% das exportações mundiais de serviços). No momento presente, em que se observa uma diversificação dos destinos, cada lugar do planeta torna-se uma meta potencial. Por isso, o setor turístico manifesta-se como uma das opções mais viáveis e sustentáveis para reduzir o nível de pobreza das áreas mais subdesenvolvidas. Se for promovido de maneira adequada, ele pode ser um inestimável instrumento de progresso, de criação de lugares de trabalho, de desenvolvimento de infraestruturas e de crescimento económico.

Estamos conscientes de que, como afirmou o Papa Francisco, “a dignidade do homem está relacionada com o trabalho” e que, por conseguinte, se nos pede que enfrentemos o problema do desemprego com “os instrumentos da criatividade e da solidariedade”. Nesta linha, o turismo manifesta-se como um dos setores com maiores capacidades de gerar um tipo de emprego “criativo” e diversificado, do qual podem beneficiar com maior facilidade os grupos mais desfavorecidos, dos quais fazem parte as mulheres, os jovens e algumas minorias étnicas. É essencial que os benefícios económicos do turismo cheguem a todos os setores da sociedade local com um impacto direto sobre as famílias e, ao mesmo tempo, é necessário valer-se ao máximo nível dos recursos humanos locais. É, outrossim, fundamental que para alcançar estes benefícios se sigam critérios éticos respeitadores sobretudo das pessoas, tanto no plano comunitário como a nível de cada indivíduo, evitando “um conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social”. Com efeito, ninguém pode construir a própria prosperidade em detrimento do próximo.

Os benefícios de um turismo a favor do “desenvolvimento comunitário” não podem ser reduzidos exclusivamente ao aspeto económico, mas têm também outras dimensões de igual ou até maior importância. Entre elas contam-se o enriquecimento cultural, a oportunidade de encontros humanos, a construção de “bens relacionais”, a promoção do respeito recíproco e da tolerância, a colaboração entre entidades públicas e particulares, o fortalecimento do tecido social e associativo, a melhoria das condições sociais da comunidade, o estímulo para um desenvolvimento económico e social sustentável e a promoção da formação de trabalho dos jovens, para citar apenas algumas.

3. O desenvolvimento turístico exige que o protagonista principal seja a comunidade local, que o deve fazer seu, com a participação concreta de parceiros sociais, institucionais e civis. É importante criar oportunas estruturas de participação e coordenação, favorecendo o diálogo, assumindo compromissos, integrando esforços e determinando finalidades comuns e soluções consensuais. Não se trata de fazer algo “pela” comunidade, mas sim “com” a comunidade.
Além disso, um destino turístico não é somente uma paisagem bonita ou uma infraestrutura confortável, mas antes de tudo uma comunidade local, com o seu contexto físico e a sua cultura. É necessário promover um turismo que se desenvolva em harmonia com a comunidade receptora, com o meio ambiente, com as suas formas tradicionais e culturais, com o seu património e com os seus estilos de vida. E, neste encontro respeitoso, a população local e os visitantes podem instaurar um diálogo produtivo que encoraje a tolerância, o respeito e a compreensão recíproca. De resto, a comunidade local deve sentir-se chamada a salvaguardar o seu próprio património natural e cultural, conhecendo-o, sentindo-se orgulhosa do mesmo, respeitando-o e voltando a valorizá-lo, de modo a poder compartilhá-lo com os turistas e transmiti-lo às gerações vindouras.

Enfim, também os cristãos do lugar devem ser capazes de manifestar a sua arte, as suas tradições, a sua história, os seus valores morais e espirituais, mas principalmente a sua fé, que se encontra na origem de tudo isto e que lhe confere sentido.

4. Ao longo deste caminho rumo a um desenvolvimento integral e comunitário a Igreja, perita em humanidade, deseja contribuir oferecendo a sua visão cristã de desenvolvimento, propondo “o que ela possui como próprio: uma visão global do homem e da humanidade”.

A partir da nossa fé, podemos oferecer o sentido de pessoa, o sentido de comunidade e de fraternidade, de solidariedade, de busca da justiça, de saber que somos guardiões (e não proprietários) da criação e, sob a ação do Espírito Santo, prosseguir a colaboração com a obra de Cristo.

Dando continuidade àquilo que o Papa Bento XVI pedia a quantos trabalham na pastoral do turismo, devemos aumentar os nossos esforços, com a finalidade de “iluminar este fenómeno com a doutrina social da Igreja, promovendo uma cultura do turismo ético e responsável, de tal modo que chegue a ser respeitador da dignidade das pessoas e dos povos, acessível a todos, justo, sustentável e ecológico”.

É com alegria especial que vemos como em várias partes do mundo a Igreja reconheceu as potencialidades do setor turístico e pôs em prática projetos simples mas eficazes.
São cada vez mais numerosas as associações cristãs que organizam viagens de turismo responsável a regiões desfavorecidas, assim como aquelas que promovem o chamado “turismo solidário ou de voluntariado”, durante o qual as pessoas aproveitam o tempo das férias para colaborar em determinados projetos de cooperação em países menos desenvolvidos.

Além disso, são dignos de ser mencionados os programas de turismo sustentável e solidário, promovidos por conferências episcopais, dioceses ou congregações religiosas em regiões desfavorecidas, que acompanham as comunidades locais, ajudando-as a criar espaços de reflexão, promovendo a formação e a autodeterminação, aconselhando e colaborando para a redação de projetos e promovendo o diálogo com as autoridades e com outros grupos. Isto levou à criação de uma oferta turística gerida pelas comunidades locais, através de associações e microempresas dedicadas ao turismo (alojamento, restaurantes, guias, produção artesanal, etc.).

E são numerosas as paróquias das regiões turísticas que recebem o visitante oferecendo propostas litúrgicas, formativas e culturais, com o desejo de que as férias “sejam proveitosas para o seu crescimento humano e espiritual, persuadidos de que nem sequer neste período podemos esquecer-nos de Deus, que jamais se esquece de nós”. Por conseguinte, elas procuram desenvolver uma “pastoral da amabilidade” que permite acolher com espírito de abertura e de fraternidade, mostrando o rosto de uma comunidade viva e hospitaleira. E a fim de que a hospitalidade seja mais eficaz, torna-se necessária uma colaboração concreta com os demais setores implicados.

Estas propostas pastorais são cada vez mais significativas, particularmente num período em que aumenta um tipo de “turista vivencial”, que procura instaurar vínculos com a população local e deseja sentir-se membro da comunidade anfitriã, participando na sua vida quotidiana, valorizando o encontro e o diálogo.

Portanto, a solicitude eclesial no âmbito do turismo concretizou-se em numerosos projetos, derivados de experiências muito diversificadas surgidas a partir do esforço, do entusiasmo e da criatividade de muitos sacerdotes, religiosos e leigos que, deste modo, desejam colaborar para o desenvolvimento socioeconómico, cultural e espiritual da comunidade local, ajudando-a a olhar para o seu futuro com esperança.

Por isso, consciente de que a sua missão primordial é a evangelização, a Igreja quer oferecer a sua colaboração muitas vezes humilde, para responder às situações concretas dos povos, de maneira especial dos mais necessitados. E fá-lo convicta de que “evangelizamos também procurando enfrentar os diferentes desafios que se nos podem apresentar”.

Cidade do Vaticano, 1 de julho de 2014.

Antonio Maria Card. Vegliò
Presidente

X Joseph Kalathiparambil
Secretário
L'Osservatore Romano/Radio Vaticano

Papa pede a jogador que organize partida de futebol pela paz

“Uma partida de futebol em nome da paz”, é o pedido feito pelo Papa Francisco ao ex-jogador argentino Javier Zanetti. Em conversa particular com o Pontífice, o jogador aceitou a sugestão de organizar uma partida de futebol com profissionais de diversas religiões, de modo a promover a paz e o diálogo.

O jogo está previsto para 1º de setembro no Estádio Olímpico de Roma. Segundo o jornal Vaticano L’Osservatore Romano, entre os jogadores estarão: Roberto Baggio, Zinedine Zidane, Francesco Totti, Gianluigi Buffon e, possivelmente, Lionel Messi, que já foi convidado.

De acordo com Zanetti, a “Partida inter-religiosa pela paz”, será um símbolo de diálogo entre as diferentes crenças e um apelo a paz entre os povos.

“Reuniremos jogadores de todas as religiões para mostrar, com um gesto simbólico, que é possível construir um mundo de paz, feito de diálogo e respeito pelos outros. Para mostrar que aquele que tem ideias diferentes das minhas não é meu inimigo,  mas uma oportunidade de crescimento e riqueza”, destaca o jogador argentino.

Na organização do evento, Zanetti recebe o auxílio da Pontifícia Academia para as Ciências. O orgão vaticano afirmou que alguns jogadores devem confirmar em breve a participação.

A instituição comunicou também que a presença do Papa não está confirmada, porém, acredita que, como um admirador do futebol, Francisco possa estar presente.
L'Osservatore Romano – 10.julho.2014



Tweet do Papa Francisco no final da Copa do Mundo 2014
:

12/07/2014
A Copa do Mundo fez encontrar-se pessoas de diferentes nações e religiões. Possa o desporto favorecer sempre a cultura do encontro.

O Pontífice formaliza mudanças na administração do patrimônio da Santa Sé

Carta Apostólica do Papa Francisco em forma de Motu Proprio

Transferência da Sessão Ordinária da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica à Secretaria para a Economia
Quarta-feira, 9 de julho de 2014

Confirmando uma tradição plurisecular, o último Concílio Vaticano II destaca a necessidade de conformar a organização da Santa Sé às necessidades dos tempos, adequando, sobretudo, a estrutura dos Dicastérios da Cúria Romana, seus números, denominações e competências, assim como, os modos de procedimento e a recíproca coordenação às reais exigências da Igreja em cada momento.

Um resultado concreto de tais princípios  ocorreu com a promulgação, em 24 de fevereiro de 2014, da Carta Apostólica, em forma de Motu Proprio,  Fidelis Dispensator et Prudens, com a qual instituí a Secretaria para a Economia como Dicastério da Cúria Romana. Ela, levando em consideração, o que foi estabelecido pelo Conselho para a Economia, tem como competência o controle econômico e a vigilância sobre os Dicastérios da Cúria Romana, sobre as Instituições ligadas à Santa Sé e sobre as administrações do Estado da Cidade do Vaticano.

Levando isso em consideração, e acolhendo o parecer dos chefes de Dicastério interessados, considero oportuno que a Secretaria para a Economia assuma, desde agora, entre seus deveres institucionais, de acordo com as modalidades e nos tempos que estabelecer o Cardeal Prefeito, aqueles que até o momento eram atribuições da denominada “Sessão Ordinária” da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e, portanto, são transferidas ao referido Dicastério, as competências que a Constituição Pastor Bonus de 28 de junho de 1988 tinha confiado à administração do Patrimônio da Santa Sé. Como consequência, a Administração do Patrimônio da Santa Sé não será mais dividida em Sessões e se desenvolverá unicamente os deveres que até o momento eram sob encargo da Sessão Extraordinária.

Como consequência, após ter examinado com cuidado as questões que dizem respeito ao assunto, e pedido o parecer dos Dicastérios competentes e de especialistas, estabeleço e decreto o que vem a seguir:

Artigo 1
O texto do artigo 172 da Constituição Apostólica Pastor Bonus è integralmente substituído pelo seguinte texto:
§1. Diz respeito a este Departamento administrar os bens de propriedade da Santa Sé destinados a fornecer os fundos necessários ai cumprimento das funções da Cúria Romana.
§2.O Departamento administra também os bens móveis a ele confiado de outros entes da Santa Sé.

Artigo 2
O texto do artigo 173 da Constituição apostólica Pastor Bonus é integralmente substituído do seguinte texto: O Departamento é presidido por um Cardea, assistido por um determinado número de Cardeais e um Prelado Secretário.

Artigo 3
São revogados os artigos 174 e 175 da Consituição Apostólica Pastor Bonus.

Artigo 4
O prefeito da Secretaria para a Economia constituirá uma Comissão técnica com o dever de facilitar a transferência das competências, até o momento, atribuídas à Sessão Ordinária da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e determinará, a partir desta data, como deverão ser resolvidas as questões pendentes junto a citada Sessão Ordinária até a completa transferência efetiva dos deveres.

Tudo o que deliberei com esta Carta apostólica em forma de Motu Proprio, peço que seja observado em todas as suas partes, não obstante a qualquer coisa contrária, também se digna de particulares menções, e estabeleço que seja promulgado mediante a publicação sobre o jornal “L’Osservatore Romano”, entrando em vigor no dia da promulgação.

Escrito em Roma, em São Pedro, 8 de julho do ano de 2014, segundo do Pontificado

FRANCISCO PP


Ontem o Papa Francisco disse em seu Twitter:

10/07/2014
Não temais lançar-vos nos braços de Deus: por qualquer coisa que vos peça, há de recompensar-vos com o cêntuplo.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
     
Como se aproximam as eleições, lembramos aos católicos os princípios fundamentais da doutrina social da Igreja, que devem servir de pauta à sociedade, e observar se os seus candidatos adotam esses princípios. Eles são baseados na lei natural e na busca do bem comum.
           
1º. Subordinação da ordem social à ordem moral estabelecida por Deus: Não “querer construir uma ordem temporal sólida e fecunda prescindindo de Deus, fundamento único sobre o qual ela poderá subsistir” (João XXIII, Mater et Magistra, 214).
           
2º. Dignidade da Pessoa Humana: “A dignidade da pessoa humana se fundamenta em sua criação à imagem e semelhança de Deus” (C. I. C., 1700). À luz do cristianismo, qualquer ser humano deve ser considerado pessoa, objeto do ideal cristão do amor fraterno. Assim, a vida humana deve ser respeitada desde a concepção até o seu término natural.
           
3º. Solidariedade: “O homem deve contribuir, com seus semelhantes, para o bem comum da sociedade, em todos os seus níveis. Sob este ângulo, a doutrina da Igreja opõe-se a todas as formas de individualismo social ou político” (CDF, Nota Doutrinal).
           
4º. A busca do bem comum, “a total razão de ser dos poderes públicos” (João XXIII, Pacem in terris, 54). Bem comum, não individual próprio.
           
5º. A opção preferencial pelos pobres: por serem mais fracos, precisam de maior proteção e cuidado do Estado (Leão XIII, Rerum Novarum 20).
           
6º. Não ao império do dinheiro, considerado como valor supremo, e do lucro sem moral. Portanto, repúdio completo a toda a forma de corrupção.  
           
7º. Não ao socialismo, que pretende a abolição da propriedade privada, inspirado por ideologias incompatíveis com a fé cristã (Paulo VI, Octog. Adveniens, 31). Sim à socialização, no sentido do crescimento e interação de relações sociais e crescente desenvolvimento de formas associativas, sem se precisar recorrer ao Estado (cf. João XXIII, Mater et Magistra).
           
8º Subsidiariedade ou ação subsidiária do Estado, que não absorva a iniciativa das famílias e dos indivíduos. Incentivo à iniciativa privada, na geração de empregos e na educação.
           
9º Prioridade do trabalho sobre o capital. “É preciso acentuar o primado do homem no processo de produção, o primado do homem em relação às coisas” (J. Paulo II, Lab exercens, 12f). “Ambos têm necessidade um do outro: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital” (Leão XIII, Rerum Novarum, 28).
           
10º. Destinação universal dos bens, sem prejuízo do direito de propriedade privada. “O direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum, subordinado à destinação universal dos bens” (João Paulo II, Laborem exercens, 19).
          
11º. O justo salário: “Acima dos acordos e das vontades, está uma lei de justiça natural, mais elevada e mais antiga, que o salário não deve ser insuficiente para assegurar a subsistência do operário sóbrio e honrado” (Leão XIII, Rerum novarum, 63).
Dom Fernando Arêas Rifan - http://domfernandorifan.blogspot.com.br/


Na manhã desta terça-feira, o Papa Francisco twittou:

08/07/2014
Com Deus, nada se perde; mas, sem Ele, tudo está perdido.

O Papa Francisco recebeu, hoje, seis vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero. Após a Missa, conversou com cada uma pessoalmente

O Papa presidiu, nesta segunda-feira, 7, no Vaticano, uma Missa com a presença de um grupo de vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero. Após a Celebração, o Santo Padre os recebeu pessoalmente na Casa Santa Marta, em um encontro reservado de mais de três horas.

Na Missa, o Papa Francisco condenou os “atos execráveis” de abusos sexuais perpetrados contra menores e pediu perdão às vítimas, afirmando que não há lugar na Igreja para membros do clero que pratiquem estes “crimes”.

“Perante Deus e o seu povo, manifesto a minha dor pelos pecados e graves crimes de abusos sexuais cometidos pelo clero contra vós e humildemente peço perdão”, declarou Francisco, na homilia da Missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta.

Francisco afirmou que no ministério da Igreja não há lugar para que os cometeram estes abusos e diante dos presentes firmou um compromisso: “Comprometo-me a não tolerar a ninguém os danos infligidos a um menor, independentemente do seu estado clerical”. E pediu a colaboração de “todos os bispos” na proteção dos menores.

O Papa quis ainda pedir perdão pelos “pecados de omissão” dos líderes da Igreja que não responderam de maneira adequada às “denúncias de abuso” apresentadas por familiares e pelas próprias vítimas.

O Pontífice disse rezar para que a Igreja “chore” pelos que atraiçoaram a sua missão e “abusaram de pessoas inocentes”. “Há muito tempo sinto no coração a dor profunda, o sofrimento – oculto durante tanto tempo”, confessou o Papa, em relação às vítimas, falando numa “cumplicidade que não tem explicação”.

Esse silêncio foi contrariado por alguns que chamaram a atenção para “este crime e grave pecado” dos abusos sexuais com que “alguns padres e bispos” violaram a inocência de menores “e a sua própria vocação sacerdotal”.

“São mais do que atos reprováveis, é como um culto sacrílego, porque esses meninos e meninas foram confiados ao carisma sacerdotal para os levarem a Deus e eles sacrificaram-nos ao ídolo da sua concupiscência”, declarou.

Francisco realçou que estes atos deixaram “cicatrizes para toda a vida”, com muitos sofrimentos para as vítimas e suas famílias, chegando mesmo à “terrível tragédia do suicídio de um ser querido”. “As mortes destes filhos tão amados por Deus pesam no coração e na consciência, minha e de toda a Igreja”, assumiu o Papa.

O Santo Padre prometeu vigilância na preparação de novos sacerdotes e disse contar, para isso, com o apoio da nova Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, a fim de promover “as melhores políticas e procedimentos” neste campo.

“Faremos todos os possíveis para assegurar que tais pecados não voltem a acontecer na Igreja”, assumiu.

O Papa concluiu a homilia pedindo orações para que veja sempre “o caminho do amor misericordioso” de Deus e tenha a coragem de “seguir esse caminho pelo bem dos menores”.

O Papa Francisco, no voo entre Telaviv e Roma, no dia 26 de maio, disse que a Igreja Católica vai manter uma política de ‘tolerância zero’ em relação a casos de abusos sexuais.

“Nesse momento, há três bispos sob investigação e um já foi condenado, faltando apenas avaliar a pena a aplicar. Não há privilégios”, declarou, acrescentando que este é “um problema grave”.

Francisco comparou os abusos a uma ‘Missa negra’ (satânica) para afirmar que “um sacerdote que faz isso trai o Corpo do Senhor”.

A Comissão Pontifícia para a Tutela dos Menores integra, além de Marie Collins, a francesa Catherine Bonnet, estudiosa de psicologia e psiquiatria; a inglesa Sheila Hollins, docente de psiquiatria; o jurista italiano Claudio Papale; a ex-primeira ministra polaca Hanna Suchocka; o jesuíta alemão Hans Zollner, decano da Faculdade de Psicologia da Universidade Gregoriana; o jesuíta argentino Humberto Miguel Yanez, diretor do departamento de Teologia Moral da Gregoriana e ex-docente no Seminário São Miguel de Buenos Aires.

Esse organismo reuniu-se, no domingo, e decidiu alargar a composição da comissão a elementos de outras áreas geográficas.
Agência Ecclesia

A Semana do Papa – uma síntese das principais atividades de 30 de junho a 6 de julho

Cidade do Vaticano, 7.julho.2014 RV – No dia em recebeu Filipe VI, Rei de Espanha e a Rainha Letizia o Papa Francisco afirmou na Missa em Santa Marta que “há mais cristãos perseguidos hoje do que nos primeiros séculos”. Foi na segunda-feira, dia 30 de junho, dia em que se faz memória dos Mártires da Igreja Romana, cruelmente assassinados no ano 64 na colina do Vaticano por ordem do Imperador Nero após o incêndio de Roma. Nesse dia o Papa Francisco chamou a atenção para o testemunho dos cristãos, especialmente, dos mártires.

“Hoje há tantos mártires na Igreja, tantos cristãos perseguidos. Pensemos no Médio Oriente, cristãos que têm que fugir das perseguições, cristãos assassinados pelos seus perseguidores. Também os cristãos mandados embora em modo elegante, com luvas brancas: também isto é uma perseguição. Hoje há mais testemunhas, mais mártires na Igreja do que nos primeiros séculos. E nesta Missa, fazendo memória dos nossos gloriosos antepassados, aqui em Roma, pensemos também nos nossos irmãos que vivem perseguidos, que sofrem e que com o seu sangue fazem crescer a semente de tantas Igrejas pequeninas que nascem. Rezemos por eles e também por nós.”

Nesta semana teve lugar no Vaticano mais uma ronda de encontros do Conselho de Cardeais, concretamente entre os dias 1 e 4 de julho. Um Conselho de Cardeais que passou a ser noticiado pela imprensa com a sigla C9, pois passou a ter nove membros, visto que conta também com a presença do Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin.

Nos encontros desta semana foram abordados temas como o Governatorato, a Secretaria de Estado, o IOR - Instituto para as Obras de Religião e o futuro de alguns organismos vaticanos. Destaque para a análise sobre o papel dos 'leigos’ e da ‘família'. Ouçamos o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé a este propósito num briefing com os jornalistas na sexta-feira, dia 4.

"O ponto interessante que foi objeto de reflexão, foi, sobretudo, a contribuição e o papel dos leigos, das pessoas casadas e das mulheres neste contexto e nestes organismos, ou neste organismo, dependendo de como o projeto continuará a desenvolver-se. De momento, não existe nenhuma decisão sobre as formas do organismo, da estrutura, visto que se continua com aprofundamentos que de seguida se vão inserir no quadro mais complexo da reforma da Cúria. Portanto, atualmente, não há uma decisão sobre as formas do dicastério ou dos dicastérios, sobre estes temas."

Outros temas abordados nestes dias foram as nunciaturas e o seu trabalho, a escolha dos núncios e ainda os procedimentos para a nomeação dos bispos. Não foi tomada nenhuma decisão específica, mas foi dado espaço à troca de opiniões. Sobre o ambiente destes encontros o P. Lombardi afirmou que existe uma “grande satisfação pelo clima que se estabelece" acrescentando ser importante nestas reuniões “ a liberdade de expressão e a sinceridade”.

"Eles insistiram nesta caracterização, ou seja, sobre a liberdade de expressão, sobre a sinceridade com a qual os membros manifestam os seus pensamentos, e também sobre a cordialidade e a sincera apreciação recíproca. O Papa insere-se com naturalidade nesta dinâmica de diálogo, intervindo e favorecendo a liberdade de expressão e o desenvolvimento do diálogo. É claro que se trata de um Conselho que faz propostas e depois o Papa conserva a sua autoridade e liberdade de decidir."

O P. Lombardi deixou claro neste briefing que de momento não se pode falar da existência de um esboço da nova Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana, pois existe ainda caminho para se fazer e contributos e aprofundamentos específicos para serem apresentados.

No dia 5 de Julho, sábado, o Papa Francisco esteve na região italiana do Molise em visita pastoral. Desde logo, teve de manhã um encontro com o mundo do trabalho na Aula Magna da Universidade de Campobasso.

Nas palavras ali pronunciadas, o Papa começou por realçar o significado que assumia que este encontro tivesse lugar na Universidade: “exprime a importância da investigação e da formação, também para dar resposta às complexas questões que a atual crise económica coloca, tanto no plano local, como a nível nacional e internacional.”

Em alusão a quanto dissera um representante do mundo rural, o Papa reafirmou uma vez mais a necessidade de “proteger” (defender, cuidar da) terra. “Este é um dos maiores desafios da nossa época: convertermo-nos a um desenvolvimento que saiba respeitar a natureza criada”.Comentando a intervenção de uma operária, mãe de família, o Papa agradeceu o seu testemunho e o apelo por esta lançado a favor do trabalho e da família.

“Trata-se de procurar conciliar os tempos do trabalho com os tempos da família. É um ponto crítico, um ponto que nos permite discernir, avaliar a qualidade humana do sistema económico em que nos encontramos”.

Foi neste contexto que o Papa colocou a questão do “trabalho dominical, que (observou) não diz respeito apenas aos crentes, mas todos, como escolha ética”:

“A pergunta é: a que é que queremos dar prioridade? O domingo livre do trabalho – excetuados os serviços necessários – está a afirmar que a prioridade não é o elemento económico, mas o humano, o gratuito, as relações não comerciais mas sim familiares, amigáveis, para os crentes também a relação com Deus e com a comunidade. Chegou porventura o momento de nos perguntarmos se trabalhar ao domingo é uma verdadeira liberdade”.

Seguidamente, o Papa Francisco celebrou a Eucaristia num antigo estádio da cidade de Campobasso. Na homilia, o Papa sublinhou “dois aspetos essenciais da vida da Igreja: um povo que serve a Deus e um povo que vive na liberdade que Ele lhe dá. “Antes de mais, nós somos um povo que serve a Deus. O serviço a Deus realiza-se em diversos modos, em particular na oração, no anúncio do Evangelho e no testemunho da caridade. E o ícone da Igreja é sempre a Virgem Maria, a serva do Senhor”.

“O testemunho da caridade é a via mestra da evangelização. Nisto, a Igreja sempre esteve na primeira linha, presença materna e fraterna que partilha as dificuldades e as fragilidades das pessoas”.

“Há que colocar a dignidade da pessoa humana no centro de todas as perspetivas e de todas as ações. Outros interesses, mesmo legítimos, são secundários”.

Finalmente, uma referência ao segundo aspeto inicialmente acenado: a liberdade do povo de Deus. “A Igreja é livre na liberdade de Deus, que se concretiza no amor”.

“É esta a liberdade que, com a graça de Deus, experimentamos na comunidade cristã, quando nos colocamos ao serviço uns dos outros. Então o Senhor liberta-nos de ambições e rivalidades, que ameaçam a unidade e a comunhão. Liberta-nos do desânimo, da tristeza, do medo, do vazio interior, do isolamento, das nostalgias, das lamentações”.

“Os discípulos do Senhor, embora permanecendo sempre débeis e pecadores, estão chamados a viver com alegria e coragem a própria fé, a comunhão com Deus e com os irmãos e a enfrentar com fortaleza as fadigas e as provações da vida”.

No final da Missa o Papa Francisco encontrou-se com pessoas doentes. Como habitualmente nas suas viagens, o Santo Padre almoçou com pobres, assistidos pela Cáritas, ainda na cidade de Campobasso.

Da parte da tarde esteve com os jovens das dioceses de Abruzzo e do Molise e com os presos de Isérnia. Aí deu início ao Ano Jubilar Celestiniano, no 8º centenário do nascimento de São Celestino V.

No Angelus deste domingo o Papa Francisco afirmou que é preciso dar alívio e conforto aos nossos ‘irmãos’.

“Uma vez recebido o alívio e o conforto de Cristo, somos chamados a tornarmo-nos alívio e conforto para os irmãos, com atitude humilde e mansa, imitando o Mestre. A mansidão e a humildade do coração ajudam-nos suportar a carga dos outros, mas também a não fazer pesar sobre eles as nossas visões pessoais, os nossos juízos ou as nossas críticas ou a nossa indiferença.”

E com o Angelus deste domingo terminamos esta síntese das principais atividades do Santo Padre que foram notícia de 30 de junho a 6 de julho.

Tweets do Papa Francisco:

03/07/2014
Queridos jovens, não renuncieis a sonhar um mundo mais justo.

01/07/2014
Viver como verdadeiro filho de Deus significa amar o próximo e ir ter com quem vive sozinho e em apuros.