JUNHO DE 2014

Papa enfatiza testemunho dos mártires e cristãos perseguidos

Ainda hoje estamos no tempo dos mártires: os cristãos são perseguidos no Médio Oriente onde são assassinados ou obrigados a fugir, também «de forma elegante, com luvas brancas». No dia em que a Igreja faz memória dos mártires dos primeiros séculos, o Papa Francisco convidou a rezar «pelos nossos irmãos que hoje são perseguidos». Porque, afirmou, hoje «não existem menos mártires» do que nos tempos de Nero. Portanto, foi precisamente ao martírio, à sua actualidade e ao que o caracteriza, que o Pontífice dedicou a celebração eucarística da manhã de segunda-feira 30 de Junho na capela da Casa de Santa Marta.

«Na oração no início da missa – disse o papa – assim invocámos o Senhor: “Senhor, que fecundastes com o sangue dos mártires os primeiros rebentos da Igreja de Roma”». É uma invocação apropriada, explicou, para a comemoração dos «primeiros mártires desta Igreja».

É particularmente significativo, observou o Papa, que «o verbo que usamos para invocar o Senhor é fecundar». Portanto, «fala-se de crescimento e de uma planta: isto faz-nos pensar nas várias vezes em que Jesus dizia que o Reino dos céus é como uma semente». Também «o apóstolo Pedro, na sua carta, nos diz que “fomos regenerados como uma semente incorruptível”». E esta «é a semente da palavra de Deus. Isto é o que foi semeado: a semente é a palavra de Deus, diz o Senhor. É semeada».

Numa parábola, Jesus explica precisamente que «o Reino dos céus é como um homem que lança a semente na terra, depois vai para casa, repousa, trabalha, vigia, de noite e de dia, e a semente cresce, brota, sem que ele saiba como».

Por conseguinte, a questão central, afirmou o Papa, consiste em perguntar-se «sobre o modo como fazer para que esta semente da palavra de Deus cresça e se torne o Reino de Deus, cresça e se torne Igreja». O bispo de Roma indicou «as duas fontes» que realizam esta obra: «o Espírito Santo – a sua força - e o testemunho do cristão».

Em primeiro lugar, explicou o Papa, «sabemos que não há crescimento sem o Espírito: é Ele que faz a Igreja, que faz crescer a Igreja, que convoca a comunidade da Igreja». Mas, prosseguiu, «é necessário também o testemunho do cristão». E «quando o testemunho chega ao final quando as circunstâncias históricas nos pedem um testemunho forte, ali encontramos os mártires: as maiores testemunhas!». Eis então que «aquela Igreja é irrigada com o sangue dos mártires». Exactamente «esta é a beleza do martírio: começa com o testemunho, dia após dia, e depois pode acabar com o sangue, como Jesus, o primeiro mártir, a primeira testemunha, a testemunha fiel».

Porém, para ser verdadeiro, o testemunho «deve ser incondicional» afirmou o Pontífice. O Evangelho proposto pela liturgia hodierna (Mt 8, 18-22) é claro a este propósito. O testemunho – especificou o Papa – é incondicional, deve ser firme, decidido, deve ter aquela linguagem tão forte de Jesus: sim sim, não não”!». É exactamente «esta a linguagem do testemunho».

Olhando para a história «desta Igreja de Roma que cresce, guiada pelo sangue dos mártires», o Papa convidou portanto a pensar «nos numerosos mártires de hoje que oferecem a sua vida a favor da fé: os cristãos perseguidos». Porque, afirmou, «se naquela perseguição de Nero houve tantos, hoje não existem menos mártires, menos cristãos perseguidos». «Pensemos no Médio Oriente», disse, «nos cristãos que devem fugir da perseguição» e «nos cristãos assassinados pelos perseguidores». E também «nos cristãos afastados de forma elegante: também aquela é uma perseguição!».

Nos nossos dias, reiterou o Papa, «há mais testemunhas, mais mártires na Igreja do que nos primeiros séculos». E «recordando na missa os nossos gloriosos antepassados aqui em Roma», convidou a pensar e a rezar também pelos «nossos irmãos que vivem perseguidos, que sofrem e que com o seu sangue fazem crescer a semente de muitas pequenas Igrejas que nascem». Sim, concluiu, «rezemos por eles e também por nós».
L'Osservatore Romano

Tweet do Papa Francisco no último dia do mês de junho:

30/06/2014
Jesus, ajudai-nos a amar a Deus como Pai, e ao nosso próximo como um irmão.

Papa destaca a confiança em Deus como verdadeiro refúgio

Papa Francisco celebrou neste domingo, 29.junho.2014, a Santa Missa na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo, patronos principais de Roma. Na homilia, Francisco destacou que Deus liberta o homem de todo o medo, sendo a confiança em Deus o verdadeiro refúgio.

Durante a celebração, Francisco entregou o pálio a 24 novos arcebispos provenientes de todo o mundo. Do Brasil, receberam o pálio o arcebispo de Porto Alegre (RS), Dom Jaime Spengler, e o arcebispo de Pouso Alegre (MG), Dom José Luiz Majella Delgado.

Texto integral da homilia:

Na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, patronos principais de Roma, é com alegria e gratidão que acolhemos a Delegação enviada pelo Patriarca Ecuménico, o venerado e amado irmão Bartolomeu, guiada pelo Metropolita Ioannis. Pedimos ao Senhor que possa, também esta visita, reforçar os nossos laços fraternos no caminho rumo à plena comunhão entre as duas Igrejas irmãs, por nós tão desejada.

«O Senhor enviou o seu anjo e me arrancou das mãos de Herodes» (Act 12, 11). Nos primeiros tempos do serviço de Pedro, na comunidade cristã de Jerusalém havia grande apreensão por causa das perseguições de Herodes contra alguns membros da Igreja. Ordenou a morte de Tiago e agora, para agradar ao povo, a prisão do próprio Pedro. Estava este guardado e acorrentado na prisão, quando ouve a voz do Anjo que lhe diz: «Ergue-te depressa! (…) Põe o cinto e calça as sandálias. (…) Cobre-te com a capa e segue-me» (Act 12, 7-8). Caiem-lhe as cadeias, e a porta da prisão abre-se sozinha. Pedro dá-se conta de que o Senhor o «arrancou das mãos de Herodes»; dá-se conta de que Deus o libertou do medo e das cadeias. Sim, o Senhor liberta-nos de todo o medo e de todas as cadeias, para podermos ser verdadeiramente livres. Este facto aparece bem expresso nas palavras do refrão do Salmo Responsorial da celebração litúrgica de hoje: «O Senhor libertou-me de toda a ansiedade».

Aqui está um problema que nos toca: o problema do medo e dos refúgios pastorais.

Pergunto-me: Nós, amados Irmãos Bispos, temos medo? De que é que temos medo? E, se o temos, que refúgios procuramos, na nossa vida pastoral, para nos pormos a seguro? Procuramos porventura o apoio daqueles que têm poder neste mundo? Ou deixamo-nos enganar pelo orgulho que procura compensações e agradecimentos, parecendo-nos estar seguros com isso? Amados Irmãos Bispos, onde pomos a nossa segurança?

O testemunho do apóstolo Pedro lembra-nos que o nosso verdadeiro refúgio é a confiança em Deus: esta afasta todo o medo e torna-nos livres de toda a escravidão e de qualquer tentação mundana. Hoje nós – o Bispo de Roma e os outros Bispos, especialmente os Metropolitas que receberam o Pálio – sentimos que o exemplo de São Pedro nos desafia a verificar a nossa confiança no Senhor.

Pedro reencontrou a confiança, quando Jesus lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15.16.17). Ao mesmo tempo ele, Simão, confessou por três vezes o seu amor a Jesus, reparando assim a tríplice negação ocorrida durante a Paixão. Pedro ainda sente queimar dentro de si a ferida da desilusão que deu ao seu Senhor na noite da traição. Agora que Ele lhe pergunta «tu amas-Me?», Pedro não se fia de si mesmo nem das próprias forças, mas entrega-se a Jesus e à sua misericórdia: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!» (Jo 21, 17). E aqui desaparece o medo, a insegurança, a covardia.

Pedro experimentou que a fidelidade de Deus é maior do que as nossas infidelidades, e mais forte do que as nossas negações. Dá-se conta de que a fidelidade do Senhor afasta os nossos medos e ultrapassa toda a imaginação humana. Hoje, Jesus faz a mesma pergunta também a nós: «Tu amas-Me?». Fá-lo precisamente porque conhece os nossos medos e as nossas fadigas. E Pedro indica-nos o caminho: fiarmo-nos d’Ele, que «sabe tudo» de nós, confiando, não na nossa capacidade de Lhe ser fiel, mas na sua inabalável fidelidade. Jesus nunca nos abandona, porque não pode negar-Se a Si mesmo (cf. 2 Tm 2, 13). È fiel. A fidelidade que Deus, sem cessar, nos confirma também a nós, Pastores, independentemente dos nossos méritos, é a fonte de nossa confiança e da nossa paz. A fidelidade do Senhor para connosco mantém sempre aceso em nós o desejo de O servir e de servir os irmãos na caridade.

E Pedro deve contentar-se com o amor de Jesus. Não deve ceder à tentação da curiosidade, da inveja, como quando perguntou a Jesus, ao ver ali perto João: «Senhor, e que vai ser deste?» (Jo 21, 21). Mas Jesus, perante estas tentações, responde-lhe: «Que tens tu com isso? Tu segue-Me!» (Jo 21, 22). Esta experiência de Pedro encerra uma mensagem importante também para nós, amados irmãos Arcebispos. Hoje, o Senhor repete a mim, a vós e a todos os Pastores: Segue-Me! Não percas tempo em questões ou conversas inúteis; não te detenhas nas coisas secundárias, mas fixa-te no essencial e segue-Me. Segue-Me, não obstante as dificuldades. Segue-me na pregação do Evangelho. Segue-Me no testemunho duma vida que corresponda ao dom de graça do Baptismo e da Ordenação. Segue-Me quando falas de Mim às pessoas com quem vives dia-a-dia, na fadiga do trabalho, do diálogo e da amizade. Segue-Me no anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos últimos, para que a ninguém falte a Palavra de vida, que liberta de todo o medo e dá a confiança na fidelidade de Deus. Tu segue-Me”!
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

No dia do Papa, este foi o tweet do Papa Francisco:

29/06/2014
Os Apóstolos São Pedro e São Paulo abençoem a cidade de Roma e a Igreja que peregrina aqui e no mundo inteiro!


Papa no Angelus: Deus é sempre capaz de nos transformar



Cidade do Vaticano, 29.junho.2014 (RV) –  Como todos os domingos o Papa Francisco, da janela dos Aposentos Pontifícios rezou o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração mariana o Santo Padre recordou que desde os tempos antigos a Igreja de Roma celebra os Apóstolos Pedro e Paulo em uma única festa no mesmo dia, 29 de junho. A fé em Jesus Cristo – disse Francisco – tornou-os irmãos e o martírio uma só coisa.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Desde os tempos antigos, a Igreja de Roma celebra os apóstolos Pedro e Paulo em uma única festa no mesmo dia, 29 de junho. A fé em Jesus Cristo tornou-os irmãos e o martírio os fez se tornarem uma só coisa. São Pedro e São Paulo, tão diferentes entre eles no plano humano, foram escolhidos pessoalmente pelo Senhor Jesus e responderam ao chamado oferecendo toda as suas vidas. Em ambos a graça de Cristo realizou grandes coisas, transformou-os. E como os transformou! Simão havia renegado Jesus no momento dramático da paixão; Saulo havia perseguido duramente os cristãos. Mas ambos acolheram o amor de Deus e se deixaram transformar pela sua misericórdia; assim se tornaram amigos e apóstolos de Cristo. Por isso esses continuam a falar à Igreja e ainda hoje nos indicam o caminho da salvação. Também nós, hoje, se por acaso caíssemos nos pecados mais graves e na noite mais escura, Deus é sempre capaz de nos transformar, como transformou Pedro e Paulo; transformar o nosso coração e perdoar tudo, transformando assim a nossa escuridão do pecado em uma aurora de luz. Deus é assim: transforma-nos, perdoa-nos sempre, como fez com Pedro e como fez com Paulo.

O livro dos Atos dos Apóstolos mostra muitos traços de seus testemunhos. Pedro, por exemplo, ensina-nos a olhar para os pobres com olhar de fé e a doar a eles aquilo que temos de mais precioso: o poder do nome de Jesus. Fez isto com aquele paralítico: deu-lhe tudo aquilo que tinha, isso é, Jesus (cfr At 3, 4-6).

De Paulo, é contado por três vezes o episódio do chamado no caminho de Damasco, que marca a reviravolta de sua vida, marcando nitidamente um antes e um depois. Antes, Paulo era um férreo inimigo da Igreja. Depois, coloca toda a sua existência a serviço do Evangelho. Também para nós o encontro com a Palavra de Cristo é capaz de transformar completamente a nossa vida. Não é possível ouvir esta Palavra e continuar parado no mesmo lugar, ficar bloqueado nos próprios hábitos. Esta impulsiona-nos a vencer o egoísmo que temos no coração para seguir decididamente aquele Mestre que deu a sua vida por seus amigos. Mas é Ele que com a sua palavra muda-nos; é Ele que nos transforma; é Ele que nos perdoa tudo, se nós abrimos o coração e pedimos o perdão.

Queridos irmãos e irmãs, esta festa suscita em nós uma grande alegria, porque nos coloca diante da obra da misericórdia de Deus no coração de dois homens. É a obra da misericórdia de Deus nestes dois homens, que eram grandes pecadores. E Deus quer encher também nós com esta graça, como fez com Pedro e com Paulo. A Virgem Maria nos ajude a acolhê-la como eles com coração aberto, a não recebê-la em vão! E nos ajude no momento da provação, para dar testemunho de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Peçamos isso em particular pelos arcebispos metropolitanos nomeados no último ano, que esta manhã celebraram comigo a Eucarística em São Pedro. Saudemos-lhes com afeto junto com os seus fiéis e familiares, e rezemos por eles!


Após o Angelus, Papa Francisco voltou a manifestar sua preocupação com a situação no Iraque. Ele destacou que são dolorosas as notícias que chegam do país, motivo pelo qual ele lançou um novo apelo em prol do Iraque.

“Uno-me aos bispos do país em fazer apelo aos governantes para que, através do diálogo, se possa preservar a unidade nacional e evitar a guerra. Estou próximo às milhares de famílias, especialmente cristãs, que precisaram deixar suas casas e que estão em grave perigo. A violência gera outra violência; o diálogo é o único caminho para a paz”.

Francisco convidou os fiéis a rezarem à Nossa Senhora pedindo proteção para os iraquianos. Ele concluiu, então, o apelo rezando uma Ave Maria.

Papa fala a jovens que estão em busca vocacional



O Papa Francisco dirigiu-se à Gruta de Lourdes nos Jardins Vaticanos na noite deste sábado, 28.junho.2014, para dizer algumas palavras aos jovens da diocese de Roma que estão no caminho de discernimento vocacional.

O Santo Padre agradeceu aos jovens pela visita à Nossa Senhora, sendo ela tão importante também nas escolhas definitivas, já que ela acompanhou Jesus em seu caminho vocacional que foi tão doloroso. Francisco contou que fica triste quando um cristão lhe diz que não ama Nossa Senhora ou que não vai procurá-la, rezar a ela.

“Um cristão sem Nossa Senhora está órfão. Também um cristão sem a Igreja é um órfão. Um cristão  precisa dessas duas mulheres, duas mulheres mães, duas mulheres virgens: a Igreja e Nossa Senhora. E para fazer um teste de uma correta vocação cristã, é preciso perguntar-se: ‘Como vai a minha relação com estas duas mães que tenho?’”.

Ainda abordando a escolha vocacional, Francisco falou do sentido do “definitivo”. Isto é importante, segundo ele, porque se vive atualmente uma cultura do provisório. “Temos medo do definitivo. E para escolher uma vocação, uma vocação qualquer que seja, deve-se escolher com uma perspectiva de definitivo. E a isto se opõe uma cultura do provisório. É uma parte da cultura que cabe a nós viver neste tempo, mas devemos vivê-la e vencê-la”.

O Papa conclui o encontro convidando todos a rezarem a Nossa Senhora. Ele concedeu a Benção Apostólica e desejou a todos um bom caminho.
Boletim da Santa Sé
Francisco concedeu entrevista em que fala dos desafios da atual mudança de época, além de retomar outros assuntos já abordados em seu pontificado



O jornal romano “O Mensageiro” publica neste domingo, 29, uma entrevista com o Papa Francisco concedida à jornalista Franca Giansoldati. O Pontífice se concentra, entre outros temas, nos desafios da atual mudança de época e de cultura, que tem consequências na vida política, financeira e social.

“Proteger sempre o bem comum, que inclui a proteção da vida humana, a sua dignidade, é a vocação de qualquer político”, afirma o Santo Padre. Hoje, o problema da política, “um problema mundial”, nota Francisco, é que essa é desvalorizada, arruinada pela corrupção.

Esta decadência moral, não só política, mas na vida financeira ou social, é alimentada pela mudança de época dos dias de hoje, o que é também uma grande “mudança de cultura”. Neste contexto, segundo o Papa, a pobreza com a qual se preocupar não é só material.

“Possa ajudar uma pessoa que tem fome a fim de que não tenha mais fome, mas se perdeu o trabalho tem a ver com uma outra pobreza. Não tem mais dignidade”, explicou. Coloca-se, então, a necessidade de um esforço comum em ajudar as famílias em dificuldade. Comentando as baixas taxas de natalidade na Europa, o Santo Padre nota que este fenômeno não depende somente de uma deriva cultural marcada pelo egoísmo e pelo hedonismo, mas também da atual crise econômica.

Segundo Francisco, a bandeira dos pobres é cristã, a pobreza está no centro do Evangelho, que não pode ser compreendido sem entender a pobreza real. Ele ressaltou que há também uma belíssima pobreza do espírito, ser pobre diante de Deus para que Ele preencha. O Evangelho, na verdade, dirige-se indistintamente aos pobres e aos ricos; não condena os ricos, mas sim as riquezas quando se tornam objetos de idolatria.

Quando perguntado sobre como está andando a Igreja de Bergoglio, o Papa respondeu: “graças a Deus não tenho nenhuma Igreja, sigo Cristo. Não fundei nada”. Depois reiterou: “as minhas decisões são o fruto das reuniões pré-Conclave. Não fiz nada sozinho”.

O Pontífice falou também sobre suas próximas viagens à Ásia, como a de agosto para a Coreia do Sul e a de janeiro de 2015, para o Sri Lanka e Filipinas. Segundo ele, a Igreja na Ásia é uma promessa. “Quanto à China, trata-se de um desafio cultural grandíssimo”, afirmou.

Ao longo da entrevista, Francisco retomou brevemente outros temas já abordados durante o pontificado, como a questão das mulheres, a corrupção e a exploração – de trabalho e sexual – de crianças.

No dia em que se recordam os santos Pedro e Paulo, patronos de Roma, não faltaram referências também ao cotidiano e à tradição da cidade da qual o Papa é bispo. Este papel, nota o Santo Padre, é o primeiro serviço de Francisco. Roma, segundo ele, partilha os problemas de outras metrópoles como Buenos Aires. E justamente à pastoral das metrópoles será dedicado uma convenção em Barcelona no próximo mês de novembro.

Aos romanos, o Papa deseja que não percam a alegria, a esperança e a confiança, apesar das dificuldades.
Boletim da Santa Sé

Unidade é dom de Deus, diz Papa à delegação ortodoxa

O Papa Francisco retomou normalmente suas atividades neste sábado, 28, após o cancelamento da visita ao Hospital Gemelli nesta sexta-feira. Durante a manhã, o Pontífice recebeu uma delegação do Patriarcado de Constantinopla por ocasião da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, que será celebrada neste domingo.

No discurso proferido pelo Papa à Delegação de Constantinopla, Francisco expressou o seu agradecimento ao Patriarca Ecumênico, Sua Santidade Bartolomeu I, e ao Santo Sínodo, pelo envio da delegação para compartilhar a alegria da festa de São Pedro e São Paulo.

Francisco destacou que ainda é viva em sua memória e em seu coração a recordação dos recentes encontros com o “amado irmão Bartolomeu” durante a comum peregrinação à Terra Santa quando “pudemos reviver a graça do abraço de cinquenta anos atrás na Cidade Santa de Jerusalém, entre os venerados predecessores, Atenágoras I e Paulo VI.

“Aquele gesto profético deu um impulso decisivo a um caminho que, graças a Deus, não parou mais. Considero um presente especial do Senhor termos podido venerar juntos aqueles lugares sagrados, nos unirmos em oração diante do Sepulcro de Cristo, onde podemos tocar com a mão o fundamento da nossa esperança. A alegria do encontro se renovou depois quando, juntos, concluímos idealmente a peregrinação elevando aqui, no túmulo do Apóstolo Pedro, uma fervorosa invocação a Deus pelo dom da paz na Terra Santa, junto com os presidentes de Israel e da Palestina”, disse o Papa.

O Pontífice afirmou ainda que Senhor lhes deu essas oportunidades de encontro fraterno, nos quais tiveram a oportunidade de expressar um ao outro o amor em Cristo que os une, e renovar a vontade comum de continuar a caminhar juntos no caminho rumo à plena unidade.

Sabemos bem que esta “unidade é um dom de Deus, um dom que o Altíssimo nos dá já agora a graça de saborear, todas as vezes que, pela força do Espírito Santo, somos capazes de olhar um para o outro com os olhos da fé, e nos reconhecermos pelo que somos no plano de Deus, no desígnio da sua eterna vontade, e não pelo que as consequências históricas dos nossos pecados nos levaram a ser. Se aprendermos, guiados pelo Espírito, a nos olharmos sempre um ao outro em Deus, será ainda mais acelerado o nosso caminho e mais ágil a colaboração em tantos campos da vida diária que já hoje felizmente nos une”.

O Papa destacou ainda que esse olhar teologal se nutre de fé, de esperança, de amor; isso é capaz de gerar uma reflexão teológica autêntica, que é na realidade verdadeira “scientia Dei”, participação no olhar que Deus tem sobre si mesmo e sobre nós.

Confio, portanto, e rezo, para que o trabalho da Comissão mista internacional possa ser expressão desta compreensão profunda, desta teologia “feita de joelhos”. A reflexão sobre conceitos de primazia e de sinodalidade, sobre comunhão na Igreja universal, sobre o ministério do Bispo de Roma, não será então exercício acadêmico nem uma simples disputa entre posições inconciliáveis.

O Papa concluiu agradecendo com sentimentos de sincero respeito, de amizade e de amor em Cristo a presença da Delegação de Constantinopla, pedindo que transmitisse ao “venerado irmão Bartolomeu” a sua saudação e que rezassem por ele e pelo ministério a ele confiado.

Papa Francisco em seu twitter, esta manhã
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28/06/2014
Ser amigo de Deus significa rezar com simplicidade, como um filho fala com seus pais.

Homilia do Papa lida pelo Cardeal Scola no Hospital Gemelli

O Senhor se uniu a vós e vos escolheu (Dt 7, 7).
Deus se uniu a nós, escolheu-nos e esta ligação é para sempre, não tanto porque nós somos fiéis, mas porque o Senhor é fiel e suporta as nossas infidelidades, as nossas lentidões, as nossas quedas.

Deus não tem medo de ligar-se. Isso pode nos parecer estranho: nós às vezes chamamos Deus “o Absoluto”, que significa literalmente “solto, independente, ilimitado”; mas na realidade, o nosso Pai é “absoluto” sempre e somente no amor: por amor firma aliança com Abraão, com Isaac, com Jacó e assim vai. Ama os laços, cria os laços; laços que libertam, não obrigam.

Com o Salmo, repetimos: “O amor do Senhor é para sempre” (cfr Sal 103). Em vez disso, de nós homens e mulheres um outro Salmo afirma: “Desapareceu a lealdade entre os filhos do homem” (cfr Sal 12, 2).

Hoje, em particular, a lealdade é um valor em crise porque somos induzidos a procurar sempre a mudança, uma novidade presumida, negociando as raízes da nossa existência, da nossa fé. Sem lealdade às suas raízes, porém, uma sociedade não segue adiante: pode fazer grandes progressos técnicos, mas não um progresso integral, de todo o homem e de todos os homens.

O amor fiel de Deus pelo seu povo manifestou-se e realizou-se plenamente em Jesus Cristo, o qual, para honrar a ligação de Deus com o seu povo, fez-se nosso escravo, despojou-se da sua glória e assumiu a forma de servo.

No seu amor, não desistiu frente à nossa ingratidão e nem diante da recusa. Recorda São Paulo: “Se nós somos infiéis, ele – Jesus – permanece fiel, porque não pode renegar a si mesmo” (2 Tm 2, 13). Jesus permanece fiel, não trai nunca: mesmo quando erramos, Ele nos espera sempre para nos perdoar: é a face do Pai misericordioso.

Este amor, esta fidelidade do Senhor manifesta a humildade do seu coração: Jesus não veio para conquistar os homens como os reis e os poderosos deste mundo, mas veio para oferecer amor com mansidão e humildade. Assim se definiu Ele mesmo: “Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).

E o sentido da festa do Sagrado Coração de Jesus, que celebramos hoje, é aquele de descobrir sempre mais e de fazer-nos envolver pela fidelidade humilde e pela mansidão do amor de Cristo, revelação da misericórdia do Pai. Nós podemos experimentar e saborear a ternura deste amor em cada temporada da vida: no tempo da alegria e naquele de tristeza, no tempo da saúde e naquele da enfermidade e da doença.

A fidelidade de Deus nos ensina a acolher a vida como acontecimento do seu amor e nos permite testemunhar este amor aos irmãos em um serviço humilde e manso. É quanto são chamados a fazer especialmente os médicos e o pessoal paramédico desta Policlínica, que pertence à Universidade Católica do Sagrado Coração. Aqui, cada um de vós leva aos doentes um pouco do amor do Coração de Cristo, e o faz com competência e profissionalismo.

Isso significa permanecer fiéis aos valores fundadores que padre Gemelli colocou na base da educação dos católicos italianos, para combinar a pesquisa científica iluminada pela fé e a preparação de qualificados profissionais cristãos.

Queridos irmãos, em Cristo, nós contemplamos a fidelidade de Deus. Cada gesto, cada palavra de Jesus deixa transparecer o amor misericordioso e fiel do Pai.

E então diante Dele nos perguntamos: como é o meu amor pelo próximo? Sei ser fiel? Ou sou inconstante, sigo os meus humores e as minhas simpatias? Cada um de nós pode responder na própria consciência. Mas, sobretudo, podemos dizer ao Senhor: Senhor Jesus, torne o meu coração sempre mais similar ao teu, cheio de amor e de fidelidade.
Boletim da Santa Sé


Dia do Sagrado Coração de Jesus: Papa fala do amor de Deus

Para comunicar o seu afetuoso amor de Pai ao homem, Deus precisa que este se faça pequeno. Esse foi o pensamento proposto pelo Papa Francisco, na Missa celebrada, nesta sexta-feira, 27, na Casa Santa Marta, dia em que a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus.

O Santo Padre concentrou a homilia no coração de Jesus, destacando que não há sombras no modo como Deus entende o Seu amor para com Suas criaturas. Segundo Francisco, o Senhor dá a graça, a alegria de celebrar, no coração do Seu Filho, as grandes obras do Seu amor. Pode-se dizer que hoje é a festa do amor de Deus em Jesus, do amor d’Ele pelo ser humano.

“Há dois traços do amor. Primeiro: o amor está mais em dar que em receber. Segundo: o amor está mais nas obras que nas palavras. Quando dizemos que está mais ‘em dar que em receber’, é que o amor se comunica e é recebido pelo amado. E quando dizemos que está mais ‘nas obras que nas palavras’, o amor sempre dá vida, faz crescer”.

Para entender o amor de Deus, o Pontífice explicou que é preciso buscar uma dimensão inversamente proporcional à imensidão, ou seja, buscar a pequenez de coração. Ele deu dois exemplos: Moisés, eleito por Deus, porque era o menor de todos os povos; e Jesus, que no Evangelho louva o Pai por ter revelado as coisas divinas aos pequenos.

Logo, observou Francisco, essa relação que Deus busca com o homem é como aquela de um pai para com o filho, que o acaricia. É a ternura de Deus que dá a força. Se o homem se sentir forte, não terá a experiência da carícia do Senhor.

“’Não temas, eu estou contigo, eu te pego pela mão.” São todas palavras do Senhor que nos fazem entender esse misterioso amor que Ele tem para conosco. E quando Jesus fala de si mesmo, diz: ‘Eu sou manso e humilde de coração’. Também Ele, o Filho de Deus, se abaixa para receber o amor do Pai”.

Outro sinal particular do amor de Deus é que Ele está sempre precedendo o homem, espera-o sempre. O Santo Padre concluiu a homilia pedindo a graça de entrar neste modo misterioso, de poder se surpreender e ter paz com este amor que se comunica, dá alegria e leva pelo caminho da vida como se faz com uma criança: pela mão.

“Quando nós chegamos, Ele já está lá. Quando nós O procuramos, Ele nos procurou primeiro. Ele está sempre diante de nós, espera-nos para nos receber no Seu coração, no Seu amor. E essas duas coisas podem nos ajudar a entender esse mistério do amor de Deus conosco. Para exprimir-se, precisa da nossa pequenez, do nosso abaixar-se. E também precisa do nosso estupor quando o procuramos e o encontramos ali, esperando-nos”.
Radio Vaticano

Em homilia, Papa destaca que Jesus aquece o coração do povo

Na Missa desta quinta-feira, 26.junho.2014, na Casa Santa Marta, Papa Francisco alertou sobre pessoas que reduzem a fé a um moralismo, perseguem uma libertação política ou buscam acordo com o poder. Em contrapartida, ele explicou que o povo segue Jesus, porque reconhece que Ele é o Bom Pastor e Suas palavras aquecem o coração dos fiéis.

Por que tanta gente seguia Jesus? Esta foi a pergunta a partir da qual o Santo Padre desenvolveu a sua homilia, centrada no povo e no ensinamento do Senhor. Segundo Francisco, o povo seguia Jesus, porque ficava admirado com o Seu ensinamento, ao passo que outras pessoas falavam, mas suas palavras não chegavam ao povo.

Francisco enumerou quatro grupos de pessoas que falavam no tempo de Jesus. Primeiramente, os fariseus, que faziam do culto a Deus uma série de mandamentos, em suma, reduziam a fé no Deus Vivo à casuística.

O outro grupo é constituído pelos saduceus, pessoas que haviam perdido a fé e cujo trabalho religioso acontecia mediante acordos com os poderes políticos e econômicos. Um terceiro grupo elencado pelo Papa é o dos revolucionários, que queriam libertar o povo de Israel da ocupação romana. Já os essênios formam um quarto grupo, pessoas boas, monges que consagravam sua vida a Deus. Porém, como estavam distantes do povo, este não os podia seguir.

O Santo Padre explicou que essas eram as vozes que chegavam ao povo, mas nenhuma delas tinha a força de aquecer seu coração dele. Já Jesus se aproximava das pessoas, Sua mensagem chegava ao coração delas. Tudo isso acontecia, porque, conforme destacou Francisco, Jesus é o Bom Pastor.

“Não era (Jesus) um fariseu casuístico moralista nem um saduceu que fazia negócios políticos com os poderosos. Ele não era um guerrilheiro que procurava a libertação política de Seu povo nem um contemplativo do mosteiro. Era um Pastor! Um Pastor que falava a língua do Seu povo, que se fazia entender, dizia a verdade, as coisas de Deus”.

A partir desses quatro grupos e da imagem de Jesus, o Bom Pastor, o Pontífice convidou os fiéis a pensarem qual desses eles gostam de seguir. “Que essa pergunta nos faça chegar à oração e pedir a Deus, o Pai, que nos aproxime de Jesus para segui-Lo, para nos admirarmos com aquilo que Ele nos diz”.

Esta foi a mensagem que hoje deixou o Papa Francisco em seu twitter:

26/06/2014
A família é um elemento essencial para todo e qualquer progresso humano e social sustentável.

"Ninguém se torna cristão por si mesmo” – o Papa na audiência geral afirmou que ser cristão é pertencer à Igreja

Na audiência geral desta quarta-feira, dia 25 de junho, o Papa Francisco continuou, na sua catequese, a temática iniciada na semana passada: a Igreja. O Santo Padre, logo no início da sua intervenção, lançou a ideia fundamental da sua catequese deixando claro que “não estamos isolados, nem somos cristãos por conta própria.” Quando afirmamos que somos cristãos estamos a dizer que pertencemos à Igreja.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje há um outro grupo de peregrinos conectados conosco na Sala Paulo VI, são os peregrinos doentes. Porque com este tempo, entre o calor e a possibilidade de chuva, era mais prudente que eles permanecessem lá. Mas eles estão conectados conosco por meio de um telão. E assim estamos unidos na mesma audiência. E todos nós hoje rezemos especialmente por eles, pelas suas doenças. Obrigado.

Na primeira catequese sobre Igreja, quarta-feira passada, partimos da iniciativa de Deus que quer formar um povo que leve a sua benção a todos os povos da terra. Começa com Abraão e depois, com tanta paciência – e Deus a tem, tem tanta! – prepara este povo na Antiga Aliança a fim de que, em Jesus Cristo, o constitua como sinal e instrumento da união dos homens com Deus e entre eles (cfr Conc. Ecum. Vat. II, Cost. Lumen gentium, 1). Hoje queremos nos concentrar sobre a importância, para o cristão, de pertencer a este povo. Falaremos sobre a pertença à Igreja.

1. Não somos isolados e não somos cristãos a título individual, cada um por conta própria, não, a nossa identidade cristã é pertença! Somos cristãos porque pertencemos à Igreja. É como um sobrenome: se o nome é “sou cristão”, o sobrenome é “pertenço à Igreja”. É muito belo notar como esta pertença é expressa também no nome que Deus atribui a si mesmo. Respondendo a Moisés, no episódio maravilhoso da “sarça ardente” (cfr Ex 3, 15), define-se, de fato, como o Deus dos pais. Não diz: Eu sou o Onipotente…, não: Eu sou o Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó. Deste modo, Ele se manifesta como o Deus que formou uma aliança com os nossos pais e permanece sempre fiel a ela, e nos chama para entrar nesta relação que nos precede. Esta relação de Deus com o seu povo precede a todos nós, vem daquele tempo.

2. Neste sentido, o pensamento vai, em primeiro lugar, com gratidão, àqueles que nos precederam e nos acolheram na Igreja. Ninguém se torna cristão por si mesmo! Está claro isso? Ninguém se torna cristão por si mesmo. Não se fazem cristãos em laboratório. O cristão é parte de um povo que vem de longe. O cristão pertence a um povo que se chama Igreja e esta Igreja o faz cristão, no dia do Batismo, e depois no percurso da catequese, e assim vai. Mas ninguém, ninguém se torna cristão por si mesmo. Se nós acreditamos, se sabemos rezar, se conhecemos o Senhor e podemos escutar a sua Palavra, se O sentimos próximo e O reconhecemos nos irmãos, é porque outros, antes de nós, viveram a fé e, depois, a transmitiram a nós. Recebemos a fé dos nossos pais, dos nossos antepassados, e eles a ensinaram a nós. Se pensamos bem, quem sabe quantos rostos queridos passam diante dos nossos olhos, neste momento: pode ser a face dos nossos pais que pediram para nós o Batismo; aquela dos nossos avós ou de qualquer familiar que nos ensinou a fazer o sinal da cruz e a recitar as primeiras orações. Eu recordo sempre a face da irmã que me ensinou o catecismo, sempre me vem à mente – ela está no Céu com certeza, porque é uma mulher santa – mas eu a recordo sempre e dou graças a Deus por esta irmã. Ou então o rosto do pároco, de um outro padre, ou de uma irmã, de um catequista, que nos transmitiu o conteúdo da fé e nos fez crescer como cristãos… Bem, essa é a Igreja: uma grande família, na qual se é acolhido e se aprende a viver como cristãos e como discípulos do Senhor Jesus.

3. Podemos viver esse caminho não somente graças às outras pessoas, mas junto a outras pessoas. Na Igreja, não existe o ‘agir por si’, não existem jogadores na função de ‘líbero’. Quantas vezes, o Papa Bento descreveu a Igreja como um “nós” eclesial! Às vezes se ouve alguém dizer: “Eu acredito em Deus, acredito em Jesus, mas a Igreja não me interessa…”. Quantas vezes ouvimos isso? E isso não é certo. Há quem acredite poder ter uma relação pessoal, direta, imediata com Jesus Cristo fora da comunhão e da mediação da Igreja. São tentações perigosas e prejudiciais. São, como dizia o grande Paulo VI, dicotomias absurdas. É verdade que caminhar junto é trabalhoso e às vezes pode ser cansativo: pode acontecer que algum irmão ou alguma irmã nos dê problema, ou nos cause escândalo… Mas o Senhor confiou a sua mensagem de salvação a pessoas humanas, a todos nós, às testemunhas; e é nos nossos irmãos e nas nossas irmãs, com os seus dons e os seus limites, que vem ao nosso encontro e se faz reconhecer. E isto significa pertencer à Igreja. Lembrem-se bem: ser cristão significa pertencer à Igreja. O nome é “cristão”, o sobrenome é “pertença à Igreja”.

Queridos amigos, peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja, a graça de não cair nunca na tentação de pensar poder desfazer das pessoas, desfazer da Igreja, de podermos nos salvar sozinhos, de ser cristão de laboratório. Pelo contrário, não se pode amar Deus sem amar os irmãos, não se pode amar Deus fora da Igreja; não se pode estar em comunhão com Deus sem fazê-lo na Igreja e não podemos ser bons cristãos se não junto a todos aqueles que procuram seguir o Senhor Jesus, como um único povo, um único corpo, e isto é a Igreja. Obrigado.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé
Abboud, o 'amigo muçulmano', conta Bergoglio

Cidade do Vaticano, 25.junho.2014 (RV) – “Em que ele mudou em relação a quando estava entre nós? Não saberia dizer. Digamos que talvez fosse mais magro; aqui com vocês se come bem”. Foi o que respondeu em uma entrevista ao L’Osservatore Romano, em tom de brincadeira, o Presidente do Instituto do Diálogo Inter-religioso de Buenos Aires, Omar Abboud, ao comentar a sua amizade com Jorge Mario Bergoglio. O ‘amigo muçulmano’ do Papa Francisco, acompanhou-o durante a visita à Terra Santa, juntamente com o Rabino Skorka.

Libanês por parte de pai e sírio por parte de mãe, seus avós chegaram à Argentina nos anos trinta, em busca de melhores condições de vida. Abboud recorda ter conhecido o Arcebispo de Buenos Aires em 2002, no dia 25 de maio, por ocasião do Te Deum na Catedral, num período difícil após o 11 de setembro. “Fazer aparecer a voz da maioria silenciosa dos islâmicos que desejam somente viver e trabalhar em paz”, motivou a criação do Instituto do Diálogo Inter-religioso de Buenos Aires, focado na “educação”.

“Bergoglio – observou Abboud – sempre denunciou com palavras muito claras e duras todo tipo de terrorismo”. “É um homem de grande cultura, com uma capacidade de análise de situações sociais não comuns. Sempre me tocou desde quando o conheço – explicou – o fato de que não é ligado à política, mas interessado em chamar a atenção da política para temas como a pobreza e a exclusão. As suas, são sempre homilias, nunca comícios. Entende o povo e não perde a ocasião para assinalar ao poder temporal os seus erros”.

Para o líder islâmico, “foi e o é até agora um enriquecimento muito grande ser seu amigo. O olhar para os pobres, a quem vê a dignidade reduzida, modificada ou negada, tratada como lixo, a sua coerência, a coerência entre aquilo que diz e aquilo que vive surpreende o mundo, mas não a nós argentinos, que o conhecemos há tempos. Ele sempre nos abriu as portas da catedral, mas nunca misturando os ritos, sempre respeitando a singularidade e a história de cada um de nós, a nossa diferente identidade religiosa com os fatos, não somente com palavras”.

O convite para acompanhar o Papa na peregrinação à Terra Santa chegou “de uma maneira totalmente inesperada no final de fevereiro quando Bergoglio recebeu na Casa Santa Marta uma delegação inter-religiosa argentina composta por 45 pessoas (15 judeus, 15 muçulmanos, 15 católicos)”. “Para mim foi uma honra inesperada, afirmou. Ninguém está pronto para ser convidado para participar de um evento com estas características, de alcance mundial. Penso que seja um sinal da importância que o Papa dá, na sua visão, ao diálogo inter-religioso como instrumento para construir a paz”, observou Abboud.

“Bergoglio – recordou ele – sempre teve um interesse sincero pelas tradições religiosas que são minoria na Argentina. Foi o ator principal na construção de locais de diálogo com outras religiões. A relação, quer com judeus que com muçulmanos da Argentina, sempre foi respeitosa e cordial”.

Em relação a uma solução para o conflito no Oriente Médio, Abboud afirma que é “muito importante que exista também uma diplomacia espiritual. Neste sentido, a viagem do Papa à Terra Santa superou todas as expectativas”
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Papa destaca vocações de João Batista, modelo para o cristão

Um cristão não anuncia a si mesmo, mas o Senhor. Este foi o ensinamento do Papa Francisco, na Missa celebrada nesta terça-feira, 24, na Casa Santa Marta, dia em que a Igreja celebra a solenidade do nascimento de São João Batista. O Santo Padre se concentrou nas três vocações do maior entre os profetas: preparar, discernir e diminuir.

Preparar a vinda do Senhor, discernir quem é Ele e diminuir-se para que Ele cresça. Essas foram as três atitudes que Francisco indicou em relação a João Batista, modelo sempre atual para os cristãos. O Papa ressaltou que João preparava o caminho para Jesus sem tomar nada para si; suas palavras chegavam ao coração. “Talvez, tenha tido a tentação de acreditar que fosse importante, mas não caiu nessa tentação”.

A segunda vocação do profeta foi distinguir, entre tantas pessoas boas, quem era o Senhor. O Espírito Santo lhe fez essa revelação e ele teve a coragem de anunciar: ‘Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo’.

A terceira vocação de João Batista de que o Papa falou foi a de diminuir. A vida do profeta reduziu-se, diminui-se para que o Senhor crescesse. Essa foi, segundo o Pontífice, a etapa mais difícil de João, porque o Senhor tinha um estilo que ele não tinha imaginado. Tanto que, no cárcere, ele sofreu a escuridão da cela e do coração.

“A humilhação de João é dupla: a humilhação da sua morte, como preço de um capricho, mas também humilhação da escuridão da alma. João, que soube esperar Jesus, que soube discerni-Lo, agora O vê distante. Aquela promessa se afastou. E termina sozinho, na escuridão, na humilhação. Termina sozinho, porque se aniquilou para que o Senhor crescesse.”

Francisco acrescentou que, mesmo vendo sua humilhação, João Batista estava com o coração em paz. Ele concluiu dizendo que essas são também as três vocações de um homem, de um cristão.

“Um cristão não anuncia a si mesmo, anuncia outro, prepara o caminho para outro: o Senhor. Um cristão deve saber discernir, deve conhecer como discernir a verdade daquilo que parece verdade e não é: homem de discernimento. E um cristão deve ser homem que saiba se diminuir para que o Senhor cresça no coração e na alma dos outros”.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco, hoje:

24/06/2014
Como gostaria de ver toda a gente com um trabalho decente! É uma realidade essencial para a dignidade humana.

Quem julga o próximo toma o lugar de Deus, diz Papa em Missa


Quem julga o irmão erra e será julgado do mesmo modo. Deus é ‘o único juiz’ e quem é julgado pode sempre contar com o primeiro defensor, Jesus, e com o Espírito Santo. Este foi o teor da homilia do Papa Francisco na Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 23.

Quem julga o irmão é hipócrita, usurpa um lugar e um papel que não lhe compete e é um perdedor, porque terminará sendo vítima de sua própria falta de misericórdia. Depois de ler o trecho do Evangelho de Mateus, sobre o cisco e a trave no olho, o Papa disse que “a pessoa que julga erra, se confunde e é derrotada, porque assume o papel de Deus, que é o único juiz”.

“Fica tão obcecada pela pessoa que quer julgar que o seu cisco não o deixa dormir, e não percebe a trave que tem em si. Confunde, acredita que a trave seja o cisco. Quem julga acaba mal porque a mesma medida será usada para julgá-la. O juiz que toma o lugar de Deus aposta em uma derrota: é soberbo e será julgado com a mesma medida com a qual julga”.

O Santo Padre enfatizou que, diante do Pai, Jesus nunca acusa, ao contrário, sempre defende. Ele recordou que Jesus julgará sim, mas no fim do mundo; nesse meio de tempo, Ele intercede pelo homem.

 Concluindo sua reflexão, Francisco disse que quem julga é um imitador do príncipe deste mundo, vai sempre atrás das pessoas para acusá-las diante do Pai.

“Que o Senhor nos dê a graça de imitar Jesus defensor, advogado nosso e dos outros, e de não imitar o outro, que quer nos destruir. Se quisermos percorrer o caminho de Jesus, temos que defender os outros diante do Pai. Rezar por ele. Lembremo-nos disso, nos fará bem na vida de todos os dias, quando ficamos com vontade de julgar os outros ou de falar mal, que é uma forma de julgar”.
Radio Vaticano

Papa Francisco, hoje, em seu twitter:

23/06/2014
Rezemos pelas comunidades cristãs do Médio Oriente, para que continuem a viver na terra onde o cristianismo tem as suas origens.

A medida do amor de Deus é amar sem medida. A tortura é pecado mortal – o Papa durante o Angelus

Perante uma imensa multidão de fiéis reunida na Praça de S. Pedro para a oração mariana do Angelus Papa Francisco começou por recordar que a Igreja na Itália e em muitos outros Países do mundo celebra neste Domingo, 22.junho.2014, a festa do Corpo e Sangue de Cristo e comentou o Evangelho de João que apresenta o discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum sobre o “pão de vida”.

O Papa explicou que Jesus que não veio a este mundo para dar alguma coisa mas, para dar a si mesmo, a sua vida, como alimento para aqueles que têm fome d’Ele.

“Esta comunhão com o Senhor empenha a nós, seus discípulos, a imitá-lo, fazendo da nossa existência um pão partido para os outros, como o Mestre partiu o pão que é a sua carne”.

O Papa destacou que todas as vezes que se participa da Missa e se alimenta do Corpo de Cristo, a presença de Jesus e do Espírito Santo opera em cada pessoa, molda seu coração, e comunica atitudes interiores que se traduzem em comportamentos segundo o Evangelho.

“Antes de tudo, a docilidade à Palavra de Deus, depois a fraternidade entre nós, a coragem do testemunho cristão, a fantasia da caridade, a capacidade de dar esperança aos desesperados, de acolher os excluídos. Deste modo, a Eucaristia faz amadurecer um estilo de vida cristã. A caridade de Cristo, acolhida de coração aberto, nos transforma, nos torna capazes de amar não segundo a medida humana, que é limitada, mas segundo a medida de Deus, isto é, sem medida.”

Francisco destacou que dessa maneira é possível amar até mesmo sem ser amado, resistir ao mal com o bem, perdoar,  partilhar,  acolher, e assim, a vida se torna “pão partido” para os irmãos.

“Vivendo assim, descobrimos a verdadeira alegria, a alegria de nos fazermos dom para os outros, em troca do grande dom que recebemos, sem o nosso mérito.”

Ao concluir o Papa disse que Jesus desceu do céu e se fez carne graças à fé de Maria. “Ela, depois de o ter trazido consigo com amor inefável, também o seguiu fielmente até à Cruz e à ressurreição”.

Francisco convidou os fiéis a pedir a intercessão de Maria para que ajude todos a redescobrir a beleza da Eucaristia e a fazer dela o centro da vida.

Após a oração mariana do Angelus deste domingo, 22, o Papa Francisco condenou toda forma de tortura e pediu aos católicos que trabalhem para aboli-la, assim como para ajudar as vítimas e suas famílias.

“O próximo 26 de junho é o Dia Internacional das Nações Unidas de apoio às vítimas da tortura. Nesta circunstância, reitero a firme condenação de toda forma de tortura”, disse Francisco aos fiéis presentes na Praça São Pedro.

“Torturar as pessoas é um pecado mortal, um pecado muito grave”, repetiu o Papa.

A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1997. A data, 26 de junho, é o dia em que foi assinada a Convenção contra a Tortura, criada em 1987 pelos Estados-membros da Organização.

O objetivo do dia é, além de apoiar as vítimas dessa repulsiva prática, combater a execução de atos de tortura por parte dos órgãos repressivos dos Estados, e criar condições de amparo solidário, material e psicológico às vitimas.

Apesar de combatida, em diversos países a tortura é aplicada sistematicamente como política repressiva e de investigação. No caso específico da América do Sul, ela foi adotada por todos os regimes ditatoriais militares no século XX.
Radio Vaticano

Papa encoraja fiéis de região marcada pelo crime organizado

Encerrando sua visita apostólica à Diocese de Cassano, no sul da Itália, o Papa Francisco presidiu a Missa, na tarde deste sábado, 21.junho.2014, na Planície de Sibari.

Milhares de fiéis participaram da cerimônia, cuja liturgia utilizou os textos da solenidade de Corpus Christi, celebrada na última quinta-feira, 19.

Homilia do Santo Padre:

Na festa de Corpus Christi celebramos Jesus “pão vivo que desceu do céu” (Jo 6:51), alimento para a nossa fome de vida eterna, a força para a nossa jornada. Agradeço ao Senhor que me dá hoje para celebrar Corpus Christi com você, irmãos e irmãs desta Igreja em Cassano para o Mar Jónico.

Hoje é a festa em que a Igreja louva o Senhor pelo dom da Eucaristia. Enquanto que na Quinta-Feira Santa fazemos memória de sua instituição, na Última Ceia, hoje predomina a ação de graças e a adoração. E, de fato, é tradicional neste dia a procissão com o Santíssimo Sacramento. Adorar Jesus na Eucaristia e caminhar com Ele. Estes são os dois aspectos inseparáveis ​​da festa de hoje, dois aspectos que dão a impressão de toda a vida do povo cristão, um povo que adora a Deus e caminha com Ele.

Primeiro de tudo, somos uma nação que ama a Deus. Nós adoramos a Deus, que é amor, que Jesus Cristo se entregou por nós, ofereceu a si mesmo na cruz para expiar nossos pecados e no poder deste amor é ressuscitado dentre os mortos e vive na sua Igreja. Nós não temos nenhum outro Deus além deste! Hoje, nós confessamos com o olhar para Corpus Christi, no Sacramento do altar. E por esta fé, renunciamos a Satanás e todas as suas promessas vazias; renunciamos aos ídolos do dinheiro, vaidade, orgulho e poder. Nós, cristãos, não queremos adorar alguém ou alguma coisa neste mundo, senão a Jesus Cristo, que está presente na Santa Eucaristia. Talvez, a gente nem sempre perceba ao fundo do que isso significa, as consequências que tem, ou deveria ter esta nossa profissão de fé. Hoje, pedimos ao Senhor para nos iluminar e converter-nos, porque  verdadeiramente adoramos somente a Ele, e renunciamos ao mal em todas as suas formas.

Mas a nossa fé na presença real de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, no pão e no vinho consagrados, é autêntica, se nós nos comprometermos a andar atrás Dele e com Ele, buscando colocar em prática o seu mandamento, dado aos discípulos na Última Ceia: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar uns aos outros” (Jo 13:34). O povo que adora a Deus na Eucaristia é o povo que caminha no amor.

Hoje, como Bispo de Roma, estou aqui para confirmar, não só na fé, mas no amor, para acompanhá-los e incentivá-los em sua caminhada com Jesus Amor. Quero expressar o meu apoio ao bispo, aos presbíteros e diáconos desta Igreja, e também da Eparquia de Lungro, rica em sua tradição greco-bizantino. Mas estendo a todos os pastores e fiéis da Igreja na Calábria, corajosamente empenhados na evangelização e na promoção de estilos de vida e iniciativas que colocam no centro as necessidades dos pobres e dos últimos. Estendo esse apoio também às autoridades civis que estão tentando viver o esforço político e administrativo que é um serviço para o bem comum.

Encorajo todos a testemunhar a solidariedade concreta com os irmãos e irmãs, especialmente aqueles que são mais necessitados de justiça, esperança e de ternura. Graças a Deus, há tantos sinais de esperança nas vossas famílias, paróquias, associações, movimentos eclesiais. O Senhor Jesus nunca deixa de inspirar atos de caridade em seu povo a caminho! Um sinal concreto de esperança é o Projeto Policoro para os jovens que querem se envolver e criar oportunidades de emprego para si e para os outros. Vós, queridos jovens, não deixem que vos roubem a esperança! Adorando a Jesus em vossos corações e permanecendo unidos a Ele, vocês saberão opor-se o mal, à injustiça, à violência, com a força do bem, do verdadeiro e do belo.

Queridos irmãos e irmãs, a Eucaristia nos reuniu. O Corpo do Senhor, faça-nos um, uma só família, o povo de Deus reunido em torno de Jesus, o Pão da Vida. O que eu disse aos jovens, digo também a todos: se adorarem a Cristo e andarem atrás Dele e com Ele, a vossa Igreja diocesana e suas paróquias crescerão na fé e no amor, na alegria de evangelizar. Vocês serão uma Igreja em que pais, mães, sacerdotes, religiosos, catequistas, crianças, os idosos e os jovens caminham um ao lado do outro, apoiando, ajudando, se amando como irmãos, especialmente em tempos de dificuldade.

Maria, Mulher eucarística, que vós venerais em tantos santuários, especialmente no de Castrovillari, vai adiante de vós nesta peregrinação de fé. Que ela vos ajude a permanecer unidos, a fim de que, também por vosso testemunho, o Senhor continue a dar vida ao mundo.
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Não se acorrentar ao dinheiro, vaidade e poder, pede Papa

Ter um coração livre do dinheiro, da vaidade e do poder, como pede Jesus. Esta foi a exortação do Papa Francisco na Missa celebrada nesta sexta-feira, 20.junho.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que as verdadeiras riquezas são as que iluminam o coração, como a adoração a Deus e o amor pelo próximo. Ele alertou sobre tesouros mundanos que sobrecarregam e acorrentam o coração.

“Não junteis tesouro aqui na terra”. Francisco desenvolveu sua homilia partindo do conselho dado por Jesus no Evangelho do dia. Trata-se de um conselho de prudência, disse o Papa, porque os tesouros da terra não são seguros: o dinheiro pode ser roubado, a Bolsa de Valores pode cair. Ele reconheceu que a riqueza serve para muita coisa boa, como para levar a família adiante, mas acumular tais riquezas como um tesouro pode roubar a alma.

O Santo Padre falou ainda do tesouro mundano da vaidade, sempre condenada por Jesus. “Pensemos no que diz aos doutores da lei, quando fazem jejum, quando dão esmola, quando rezam para se fazerem ver. A vaidade não serve”.

Um terceiro aspecto evidenciado pelo Pontífice foi o orgulho, o poder, fazendo referência à Primeira Leitura do dia que narra a queda da rainha Atalia. “O seu grande poder durou sete anos, depois foi morta. O poder acaba! Quantos grandes, orgulhosos, homens e mulheres de poder terminaram no anonimato, na miséria ou na prisão”.

A partir desses exemplos surgiu a exortação do Papa a não acumular dinheiro, vaidade, orgulho e poder, mas sim os tesouros no céu, como Deus pede. O que Jesus quer, explicou Francisco, é que o ser humano tenha o coração livre e não acorrentado a esses tesouros do mundo. E um coração livre surge somente a partir dos tesouros do céu, como o amor, a paciência, o serviço aos outros, a adoração a Deus. “Essas são as verdadeiras riquezas que não são roubadas. As outras riquezas sobrecarregam o coração, acorrentam-no, não lhe dão a liberdade!”.

Um coração escravo, segundo o Santo Padre, não é um coração luminoso; acumular os tesouros da terra não dá alegria e nem a liberdade. Em vez disso, um coração livre e luminoso faz ver o caminho que leva a Deus.

“Que o Senhor nos dê esta prudência espiritual para entender bem onde está o meu coração, a que tesouro está acorrentado o meu coração. E também nos dê a força de desacorrentá-lo, se estiver acorrentado, para que se torne livre, luminoso e nos dê esta bela felicidade de filhos de Deus: aquela verdadeira liberdade”.
Radio Vaticano

Nesta sexta-feira, o Papa Francisco twittou:

20/06/2014
Há tanta indiferença ao cruzar-se com o sofrimento. Esta indiferença deve ser combatida com atos concretos de caridade.
Perseguições religiosas são inaceitáveis, diz Papa

Papa Francisco recebeu nesta sexta-feira, 20.junho.2014, os participantes da conferência internacional sobre liberdade religiosa – “A liberdade religiosa segundo o direito internacional e o conflito global de valores” – realizada em Roma. O Pontífice classificou como inaceitáveis as perseguições que têm como motivo uma crença religiosa.

Acolho-vos por ocasião da vossa Conferência Internacional, queridos irmãos e irmãs. Agradeço ao professor Giuseppe Dalla Torre por suas palavras gentis.

Recentemente, o debate em torno da liberdade religiosa se intensificou, interpelando seja os Governos sejas as Confissões religiosas. A Igreja Católica, a este respeito, faz referência à Declaração Dignitatis humanae, um dos documentos mais importantes do Concílio Ecumênico Vaticano II.

De fato, cada ser humano é um “buscador” da verdade sobre a própria origem e o próprio destino. Na sua mente e no seu “coração” surgem perguntas e pensamentos que não podem ser reprimidos ou sufocados, enquanto emergem do fundo e são inerentes à íntima essência da pessoa. São questões religiosas e têm necessidade de liberdade religiosa para se manifestar plenamente. Buscam iluminar o autêntico significado da existência, sobre o laço que a conecta ao cosmos e à história, e pretendem penetrar na escuridão que circunda a história humana se tais perguntas não fossem colocadas e permanecessem sem resposta. Diz o Salmista: “Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?” (Sal 8, 5).

A razão reconhece na liberdade religiosa um direito fundamental do homem que reflete a sua mais alta dignidade, aquela de poder procurar a verdade e de aderir a ela, e reconhece nessa uma condição indispensável para poder empregar toda sua potencialidade. A liberdade religiosa não é somente aquela de um pensamento ou de um culto privado. É a liberdade de viver segundo os princípios éticos consequentes da verdade encontrada, privada ou publicamente. Este é um grande desafio no mundo globalizado, onde o pensamento fraco – que é como uma doença – reduz também o nível ético geral, e em nome de um falso conceito de tolerância termina por perseguir aqueles que defendem a verdade sobre o homem e suas consequências éticas.

Os ordenamentos jurídicos, estatais ou internacionais são chamados, portanto, a reconhecer, garantir e proteger a liberdade religiosa, que é um direito intrinsecamente inerente à natureza humana, à sua dignidade de ser livre e também é um indicador de uma saudável democracia, e uma das fontes principais da legitimidade do Estado.

A liberdade religiosa, referida nas constituições e nas leis e traduzida em comportamentos coerentes, favorece o desenvolvimento de respeito mútuo entre as diversas confissões e uma sadia colaboração com o Estado e a sociedade política, sem confusão de papeis e sem antagonismos. No lugar do conflito global dos valores, é possível deste modo, a partir de um núcleo de valores universalmente partilhados, uma global colaboração em vista do bem comum.

À luz das aquisições da razão, confirmadas e aperfeiçoadas pela revelação, e do progresso civil dos povos, é incompreensível e preocupante que, até hoje, no mundo, permaneçam discriminações e restrições de direitos pelo simples fato de alguém pertencer e professar publicamente uma determinada fé. É inaceitável que ainda existam verdadeiras perseguições por motivos de pertença religiosa! Mesmo guerras! Isto fere a razão, atenta contra a paz e humilha a dignidade do homem.

É para mim motivo de grande dor constatar que os cristãos no mundo são os que mais sofrem tais discriminações. As perseguições contra os cristãos hoje são até mesmo mais fortes que nos primeiros séculos da Igreja e há mais cristãos mártires que naquela época. Isso acontece mais de 1700 anos do edito de Constantino, que concedia a liberdade aos cristãos de professar publicamente a sua fé.

Desejo vivamente que a vossa conferência ilustre com profundidade e rigor científico as razões que obrigam cada ordenamento jurídico a respeitar e defender a liberdade religiosa. Agradeço-vos por esta contribuição. Peço-vos para rezarem por mim. De coração, desejo a vocês o melhor e peço a Deus que vos abençõe. Obrigado.
Boletim da Santa Sé
Papa diz “não” a qualquer tipo de droga e “sim” à vida

Papa diz "não" a qualquer tipo de droga e "sim" à vidaO Papa Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira, 20, os participantes da 31ª edição da Conferência Internacional Antidroga.

Trata-se de uma reunião anual dos responsáveis das agências antidroga mundiais, que este ano se realizou em Roma entre os dias 17 e 19 de junho. Na ocasião, Francisco reafirmou o seu “não” a qualquer tipo de droga.

No seu discurso aos presentes, o Pontífice expressou apreço pelo trabalho que a Conferência realiza enfrentando este problema grave e complexo da atualidade. Ele fez votos de que se possa atingir os objetivos propostos, como coordenar as políticas antidroga e desenvolver uma estratégia operativa que contraste o narcotráfico.

“O flagelo das drogas continua a fazer estragos em formas e dimensões impressionantes, alimentado por um mercado vergonhoso que atravessa as fronteiras nacionais e continentais. Desta forma, continua a crescer o perigo para os jovens e adolescentes. Diante deste fenômeno, sinto a necessidade de expressar a minha tristeza e a minha preocupação”.

Francisco ressaltou que a droga não se vence com a droga. Segundo ele, trata-se de um mal com o qual não pode haver relaxamento ou compromissos, de forma que a tentativa de reduzir o dano permitindo o uso de psicofármacos àquelas pessoas que continuam a usar droga não resolve de fato o problema.

“A legalização das chamadas ‘drogas leves’, mesmo de modo parcial, além de ser, pelo menos, questionável em termos de legislação, não produz os efeitos que foram pré-fixados. As drogas substitutivas, então, não são uma terapia suficiente, mas uma forma velada de se render ao fenômeno. Quero reafirmar o que eu já disse em outra ocasião: ‘não a qualquer tipo de droga’”.

Mas para dizer esse “não” às drogas é preciso dizer “sim” à vida, observou o Santo Padre. Ele acredita que se houver um “sim” aos outros, ao amor, à educação, ao trabalho e a mais fontes de trabalho não haverá lugar para as drogas, para o álcool e para outras dependências.

O Papa Francisco recordou que a Igreja, fiel ao mandato de Jesus de ir a todos os lugares onde há um ser humano que sofre, não abandonou aqueles que caíram na espiral da droga, mas com o seu amor criativo foi ao encontro deles. “O exemplo dos muitos jovens que, desejosos de escapar da dependência da droga, se empenham em reconstruir as suas vidas, é um incentivo para olhar para frente com confiança”, finalizou o Papa Francisco.

Esse Congresso Internacional realizado em Roma teve como tema “O desmantelamento das estruturas financeiras do narcotráfico”. 500 delegados de 129 países se reuniram para discutir sobre o assunto, divididos em sete grupos de trabalho compostos por área geográfica (América do Sul, Caribe, América do Norte e Central, Ásia do Sul e Central, Europa, África, Sudeste asiático), abordando as problemáticas da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Radio Vaticano

Papa Francisco entrevistado em  duas ocasiões pelo jornalista judeu Henrique Cymerman:

Em ordem inversa, começamos com a entrevista concedida há poucos dias no Vaticano, onde o Santo Padre fala sobre vários temas e de seu dia a dia, desde o início do pontificado até o recente encontro de oração pela paz com o presidente Israel Shimon Perez e o presidente palestino Mahmoud Abbas. Depois passamos para o vídeo da visita do Rabino Argentino Abraham Skorka ao seu amigo pessoal Jorge Mario Bergoglio, que havia sido eleito  "Papa Francisco"  tinha poucos  meses e levou consigo Henrique Cymerman para registrar o encontro.

13 de Junho de 2014

28 de junho de 2014

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI

O Corpo de Cristo é o pão dos últimos tempos, diz Papa

O Papa Francisco celebrou,  nesta quinta-feira, 19.junho.2014, a Solenidade de  Corpus Christi na Basílica de São João de Latrão. A missa celebrada na praça da Basílica Papal reuniu cerca de 100 mil fiéis, da diocese de Roma e peregrinos.

Apresentamos a homilia do Santo Padre na íntegra:

“O Senhor, vosso Deus, vos nutriu com o maná, que vós não conhecíeis” (Dt 8,2)

Estas palavras de Moisés referem-se a história de Israel, que Deus tirou do Egito, da condição de escravidão, e por quarenta anos guiou no deserto em direção à  terra prometida. Uma vez estabelecido na terra, o povo eleito chega a uma certa autonomia, um certo bem-estar, e corre o risco de esquecer os tristes acontecimentos do passado, superados pela intervenção de Deus e Sua infinita bondade. Por isso,  as Escrituras os exortam a recordar, fazer memória de todo o caminho feito no deserto, no tempo de fome e desconforto. O convite de Moisés é o do retorno ao essencial, à experiência da total dependência de Deus, quando a sobrevivência foi confiada em suas mãos, para que o homem compreendesse que “ele não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca do Senhor “(Dt 8, 3).

Além da fome física que homem traz dentro de si, há uma outra fome, uma fome que não pode ser satisfeita com alimentação normal. É a fome de vida, fome de amor, fome de eternidade. E o sinal do maná – como toda a experiência do Êxodo – continha em si também esta dimensão: era a figura de um alimento que satisfaz esta fome profunda que há no homem. Jesus nos dá esse alimento, mais do que isso, é Ele mesmo o pão vivo que dá vida ao mundo (cf. Jo 6,51). Seu corpo é verdadeira comida sob as espécies do pão; o Seu sangue é verdadeiramente bebida sob as espécies do vinho. Não se trata apenas de um alimento com o qual saciar os nossos corpos, como o maná; o Corpo de Cristo é o pão dos últimos tempos, capaz de dar vida, e vida eterna, porque a substância deste pão é o Amor.

Na Eucaristia se comunica o amor de Deus por nós: um amor tão grande que nos alimenta com o Seu próprio ser; amor gratuito, sempre disponível a cada pessoa com fome e necessitada de revigorar suas forças. Viver a experiência da fé significa deixar-se nutrir pelo Senhor e construir a própria existência não sobre bens materiais, mas sobre a realidade que não perece: os dons de Deus, a Sua Palavra e Seu Corpo.

Se olharmos à nossa volta, percebemos que há tantas ofertas de alimentos que não são do Senhor e que, aparentemente, satisfazem mais. Alguns são nutridos pelo dinheiro, outros com sucesso e a vaidade, outros com poder e orgulho. Mas a comida que nos alimenta e que realmente nos satisfaz é apenas aquela que o Senhor nos dá! O alimento que o Senhor nos oferece é diferente dos outros, e talvez ele não pareça tão saboroso como os alimentos que nos oferece o mundo. Por isso, sonhamos com outras refeições, como os judeus no deserto, que lamentavam pela  carne e as cebolas que comiam no Egito, mas eles esqueceram que as refeições eram feitas na mesa da escravidão. Eles, nos momentos de tentação,  tinham memória, mas uma memória doente, uma memória seletiva.

Cada um de nós, hoje em dia, pode perguntar-se: e eu? Onde gostaria de comer? Em qual mesa eu quero me alimentar? Na  mesa do Senhor? Ou sonho em comer alimentos saborosos, mas na escravidão? Qual é a minha memória? Aquela que o Senhor me salva, ou aquela do o alho e das cebolas da escravidão? Com qual  memória  sacio a minha alma?

O Pai nos diz: “Eu te alimentei com o maná que você não conhecia”.  Recuperamos a memória e aprendamos a reconhecer o pão falso que ilude e corrompe, porque é fruto do egoísmo, da autossuficiência e do pecado.

Daqui a pouco, na procissão, nós seguiremos Jesus realmente presente na Eucaristia. A  Hóstia é o nosso maná, mediante a qual o Senhor no dá a Si mesmo. A Ele nos dirijamos com confiança: Jesus, defenda-nos das tentações do alimento mundano que nos torna escravos; purifica a nossa memória, para que não permaneça prisioneira na seletividade egoísta e mundana, mas seja memória viva de tua presença na história de seu povo, memória que se faz “memorial” do teu gesto de amor redentor. Amém.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Este foi o tweet de hoje do Papa Francisco:

19/06/2014
Não há jamais motivo para perder a esperança. Jesus disse: «Eu estou convosco até ao fim do mundo».


Igreja, família aberta a toda a humanidade: Papa na audiência-geral, iniciando um novo ciclo de catequeses


Não obstante as previsões de frio e chuva, um sol clemente alegra as dezenas de milhares de peregrinos concentrados na praça de São Pedro para a audiência geral desta quarta-feira, em que o Papa Francisco deu início a um novo ciclo de catequeses dedicado à Igreja, como "um filho que fala da sua Mãe", disse.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. E parabéns a vocês porque vocês são bravos, com este tempo que não se sabe se vem água, se não vem… Bravos! Esperamos terminar a catequese sem água, que o Senhor tenha piedade de nós.

Hoje começo um ciclo de catequese sobre a Igreja. É um pouco como um filho que fala da própria mãe, da própria família. Falar da Igreja é falar da nossa mãe, da nossa família. A Igreja, na verdade, não é uma instituição com fim em si mesma ou uma associação privada, uma ONG, nem tão pouco se deve restringir o olhar ao clero e ao Vaticano… “A Igreja pensa…”. Mas a Igreja somos todos! “De quem você fala?”. “Não, dos padres…” Ah, os padres são parte da Igreja, mas a Igreja somos todos! Não restringi-la aos sacerdotes, aos bispos, ao Vaticano… Estes são partes da Igreja, mas a Igreja somos todos, todos família, todos da mãe. E a Igreja é uma realidade muito mais ampla, que se abre a toda a humanidade e que não nasce em um laboratório, a Igreja não nasceu em laboratório, não nasceu de improviso. Foi fundada por Jesus, mas é um povo com uma história longa e uma preparação que tem início muito antes do próprio Cristo.

1. Esta história, ou “pre-história”, da Igreja se encontra já nas páginas do Antigo Testamento. Ouvimos o Livro do Gênesis: Deus escolheu Abraão, nosso pai na fé, e lhe pede para partir, para deixar a sua pátria terrena e seguir rumo a uma outra terra, que Ele indicaria (cfr Gen 12, 1-9). E nesta vocação Deus não chama Abraão sozinho, como indivíduo, mas envolve desde o início a sua família, os seus parentes e todos aqueles que estão a serviço da sua casa. Uma vez em caminho, – sim, assim a Igreja começa a caminhar- , depois, Deus ainda ampliará o horizonte e transbordará Abraão da sua benção, prometendo-lhe uma descendência numerosa como as estrelas do céu e como a areia da praia. O primeiro dado importante é justamente esse: começando de Abraão, Deus forma um povo para que leve a sua benção a todas as famílias da terra. E dentro desse povo nasce Jesus. É Deus que faz esse povo, esta história, a Igreja em caminho, e ali nasce Jesus, neste povo.

2. Um segundo elemento: não é Abraão a constituir em torno de si um povo, mas é Deus a dar a vida a este povo. Geralmente era o homem que se dirigia à divindade, procurando preencher a lacuna e invocando apoio e proteção. O povo rezava aos deuses, às divindades. Nesse caso, em vez disso, se assiste a algo sem precedentes: é o próprio Deus a tomar a iniciativa. Escutemos isso: é o próprio Deus que bate à porta de Abraão e lhe diz: segue adiante, distante da sua terra, comece a caminhar e eu farei de ti um grande povo. E este é o início da Igreja e neste povo nasce Jesus. Deus toma a iniciativa e dirige a sua palavra ao homem, criando um vínculo e uma relação nova com ele. “Mas, padre, como é isto? Deus nos fala?”. “Sim”. “E nós podemos falar com Deus?”. “Sim”. “Mas nós podemos ter uma conversa com Deus?”. “Sim”. Isto se chama oração, mas é Deus que fez isso desde o início. Assim, Deus forma um povo com todos aqueles que escutam a sua Palavra e que se colocam em caminho, confiando Nele. Esta é a única condição: confiar em Deus. Se você confia em Deus, escuta-O e se coloca em caminho, isto é fazer Igreja. O amor de Deus precede tudo. Deus sempre é primeiro, chega antes de nós, Ele nos precede. O profeta Isaías, ou Jeremias, não me lembro bem, dizia que Deus é como a flor da amendoeira, porque é a primeira árvore que floresce na primavera. Para dizer que Deus sempre floresce antes de nós. Quando nós chegamos, Ele nos espera, Ele nos chama, Ele nos faz caminhar. Sempre está antecipado em relação a nós. E isto se chama amor, porque Deus nos espera sempre. “Mas, padre, eu não acredito nisto, porque se o senhor soubesse, padre, a minha vida tem sido tão ruim, como posso pensar que Deus me espera?”. “Deus te espera. E se você foi um grande pecador, te espera mais ainda e te espera com tanto amor, porque Ele é o primeiro. Esta é a beleza da Igreja, que nos leva a este Deus que nos espera!”. Precede Abraão, precede também Adão.

3. Abraão e os seus escutam o chamado de Deus e se colocam em caminho, não obstante não saibam bem quem seja este Deus e onde quer conduzi-los. É verdade, porque Abraão se coloca em caminho confiando neste Deus que lhes falou, mas não tinha um livro de teologia para estudar o que era este Deus. Confia, confia no amor. Deus lhe faz sentir o amor e ele confia. Isto, porém, não significa que este povo esteja sempre convencido e fiel. Antes, desde o início há resistências, o olhar para si mesmo e para seus próprios interesses e a tentação de negociar com Deus e resolver as coisas do próprio modo. E estas são as traições e os pecados que marcam o caminho do povo ao longo de toda a história da salvação, que é a história da fidelidade de Deus e da infidelidade do povo. Deus, porém, não se cansa, Deus tem paciência, tem tanta paciência, e no tempo continua a educar e a formar o seu povo, como um pai com o próprio filho. Deus caminha conosco. Diz o profeta Oseias: “Eu caminhei contigo e te ensinei a caminhar como um pai ensina o seu filho a caminhar”. Bela esta imagem de Deus! E assim é conosco: ensina-nos a caminhar. E é a mesma atitude que mantém em relação à Igreja. Também nós, de fato, mesmo no nosso propósito de seguir o Senhor Jesus, fazemos a experiência a cada dia do egoísmo e da dureza do nosso coração. Quando, porém, nos reconhecemos pecadores, Deus nos enche da sua misericórdia e do seu amor. E nos perdoa, nos perdoa sempre. E é justamente isso que nos faz crescer como povo de Deus, como Igreja: não é a nossa bravura, não são os nossos méritos – não somos pouca coisa, não é isso – mas é a experiência cotidiana de quanto o Senhor nos quer bem e cuida de nós. É isto que nos faz sentir realmente seus, nas suas mãos, e nos faz crescer na comunhão com Ele e entre nós. Ser Igreja é sentir-se nas mãos de Deus, que é Pai e nos ama, nos acaricia, nos espera, nos faz sentir a sua ternura. E isto é muito belo!

Queridos amigos, este é o projeto de Deus; quando chamou Abraão, Deus pensava isto: formar um povo abençoado pelo seu amor e que leve a sua benção a todos os povos da terra. Este projeto não muda, está sempre em ação. Em Cristo teve o seu cumprimento e ainda hoje Deus continua a realizá-lo na Igreja. Peçamos, então, a graça de permanecer fiéis ao seguimento do Senhor Jesus e na escuta da sua Palavra, prontos a partir a cada dia, como Abraão, rumo à terra de Deus e do homem, a nossa verdadeira pátria e assim nos tornarmos benção, sinal do amor de Deus para todos os seus filhos. Eu gosto de pensar que um sinônimo, um outro nome que nós cristãos podemos ter seria este: somos homens e mulheres, somos povo que bendiz. O cristão, com a sua vida, deve bendizer sempre, bendizer Deus e bendizer todos. Nós cristãos somos povo que bendiz, que sabe bendizer. Esta é uma bela vocação!

O Santo Padre saudou especialmente os peregrinos de língua portuguesa:
Amados peregrinos de língua portugesa, saúdo-vos cordialmente a todos, com menção especial da comunidade «Coccinella meninos da rua», do Brasil, e a «Associação Cultural Amor e Responsabilidade», de Caldas da Rainha. Esta visita a Roma vos ajude a estar prontos, como Abraão, a sair cada dia para a terra de Deus e do homem, revelando-vos uma bênção e um sinal do amor de Deus por todos os seus filhos. A Virgem Santa vos guie e proteja!

Ser próximo aos refugiados. Esse foi o pedido do Papa Francisco no final da catequese desta quarta-feira, 18. Ele recordou que nesta sexta-feira, 20, é o Dia Mundial do Refugiado, dedicado pela comunidade internacional às pessoas obrigadas a deixar seus lugares de origem em fuga de conflitos e perseguições.

O Santo Padre lembrou que o número de refugiados está aumentando e nos últimos dias milhares de pessoas tiveram que deixar suas casas para se salvar. São famílias de diversos países e de várias crenças religiosas que vivem histórias pessoais com dramas e feridas de difícil cicatrização.

“Sejamos-lhes próximos, compartilhemos seus temores e incertezas pelo futuro, aliviando concretamente seus sofrimentos. Que o Senhor ampare pessoas e instituições que trabalham generosamente para garantir aos refugiados acolhimento e dignidade, oferecendo-lhes razões de esperança”.

Os corruptos matam, a única saída é o arrependimento – o Papa em Santa Marta



Cidade do Vaticano, 17.junho.2014 (RV) – O corrupto irrita Deus e faz o mundo pecar. Foi o que destacou o Papa Francisco, na Missa desta terça-feira, 17, na Casa Santa Marta, voltando a se concentrar no martírio de Nabot, como na homilia de ontem. O Santo Padre destacou que para os corruptos só há uma saída: pedir perdão; caso contrário, encontrarão a maldição de Deus.

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Francisco voltou a falar do problema da corrupção, assim como fez na homilia de ontem / Foto: L’Osservatore Romano-Rádio Vaticano

Quando uma pessoa entra no caminho da corrupção, tira a vida e se vende. Hoje, Francisco voltou a falar da corrupção, destacando a morte de Nabot por vontade do corrupto rei Acab. O Papa observou que o profeta Elias diz que Acab se vendeu, como se deixasse de ser uma pessoa para se tornar mercadoria, que se compra e vende.

“Esta é a definição: é uma mercadoria! Então, o que o Senhor fará com os corruptos, qualquer que seja a corrupção? Ontem falamos que havia três tipos, três grupos: o corrupto político, o corrupto empresário e o corrupto eclesiástico. Todos os três faziam mal aos inocentes, aos pobres, porque são estes que pagam a festa dos corruptos! A conta vai para eles. O Senhor diz claramente o que fará: ‘farei cair sobre ti a desgraça, varrerei a tua descendência, exterminando todos os homens da casa de Acab, escravos ou livres em Israel’”.

Francisco explicou que o corrupto irrita Deus e faz o povo pecar, escandaliza a sociedade. É uma pessoa que se vende para fazer o mal, mas não sabe disso. “Ele acredita que se vende para ter mais dinheiro, mais poder. Mas, na realidade, vende-se para fazer o mal, para matar”. Por isso mesmo, Francisco advertiu que se deve ter cuidado ao chamar uma pessoa de corrupta, é preciso ter provas disso.

Além de falar das ações características de um corrupto, o Santo Padre atentou para o que os espera: a maldição de Deus, porque exploraram os inocentes, pessoas que não tem como se defender. Mas mesmo para os corruptos há uma saída: o arrependimento. “O Senhor gosta disso. O Senhor perdoa, mas perdoa quando os corruptos fazem o que fez Zaqueu: ‘Roubei, Senhor! Darei quatro vezes aquilo que roubei!’”.

E quando se vê, na mídia, notícias de pessoas corruptas, Francisco destacou que o dever do cristão é pedir perdão por essas pessoas para que o Senhor lhes dê a graça de se arrependerem, para que não morram com o coração corrupto. “Condenar os corruptos, sim. Pedir a graça de não se tornar corrupto, sim! E também rezar pela conversão deles!”.

Tweet do Santo Padre:

17/06/2014
Às vezes descartamos os idosos, mas eles são um tesouro precioso: descartá-los, para além de ser injusto, é uma perda irreparável.

Prudência é maior qualidade do juiz, diz Papa a magistrados



Papa Francisco encontrou-se na manhã desta terça-feira, 17, com membros do Conselho Superior da Magistratura italiana. Ele manifestou seu reconhecimento ao serviço prestado pelos juízes, destacando a ética que reveste o trabalho dos magistrados e a prudência como um fator determinante.

Francisco recordou o fato de que, em cada país, as normas jurídicas buscam proteger a liberdade e a independência do magistrado para que este exerça seu trabalho. Ele destacou que essa independência, bem como a objetividade do julgamento, requer atenta e pontual aplicação das leis vigentes. “A certeza do direito e o equilíbrio dos diversos poderes de uma sociedade democrática são resumidos no princípio da legalidade através da qual o juiz opera.”

O Santo Padre elencou ainda as características que um juiz deve ter, tendo em vista a importância do seu papel decisivo na sociedade. Trata-se de qualidades intelectuais, psicológicas e morais, sendo a prudência um fator dominante.

“É uma virtude de governo, uma virtude para levar as coisas adiante, a virtude que inclina a ponderar com serenidade as razões de direito e de fato que devem estar na base do julgamento. Terá mais prudência se tiver um elevado equilíbrio interior, capaz de dominar as pressões provenientes do próprio caráter, das próprias visões pessoais, das próprias convicções ideológicas”.

O discurso de Francisco terminou com um encorajamento para que os juízes se esforcem sempre mais para serem um exemplo de integridade moral para toda a sociedade. “O Senhor, justo Juiz e Pai de misericórdia, ilumine as vossas vidas e as vossas ações”.

O encontro do Papa com os magistrados estava marcado para 9 de junho, mas foi adiado devido a uma indisposição do Santo Padre a ocasião. Antes de começar seu discurso hoje, Francisco desculpou-se pelo incidente.
L'Osservatore Romano
Papa pede recuperação da memória da família



Cidade do Vaticano (RV) – Os ritmos da vida cotidiana, o cansaço do trabalho e da educação esmagam as pessoas. Isso vale na sociedade, mas também na Igreja, onde também se corre o risco de se encontrar diante de uma geração de “órfãos”. Essas foram as reflexões do Papa Francisco, na noite desta segunda-feira, 16.junho.2014, na abertura do Congresso Diocesano de Roma, que tem como tema “Um povo que gera os seus filhos. Comunidade e família nas grandes etapas da iniciação cristã”.

Francisco pediu às paróquias que estudem esse aspecto de “orfandade” para fazer recuperar a memória de família. Ele refletiu sobre o conceito de evangelização expresso por Paulo VI na Evangelii nuntiandi e sobre o conceito de Bento XVI de uma Igreja que não faz proselitismo, mas que “atrai” (“A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”, ndr).

Falando em grande parte de modo espontâneo, Francisco disse que em numerosas cartas que recebe, todos os dias, lê relatos de muitos homens e mulheres que se sentem desorientados pelo cansaço da vida. “Imagino quanto é confusa a jornada de um pai e de uma mãe que se levantam cedo, acompanham os filhos à escola e depois vão trabalhar, muitas vezes, em lugares repletos de conflitos”.

O Papa contou que, quando era arcebispo de Buenos Aires e conseguia falar com mais frequência com os jovens, deu-se conta de que eles sofrem de orfandade. “Creio que o mesmo aconteça em Roma. Os jovens são órfãos de um caminho seguro para percorrer, de um mestre, de ideais que aqueçam o coração, de esperanças que sustentem o trabalho cotidiano. São órfãos, mas conservam o desejo de tudo isso”, frisou.

Trata-se, segundo Francisco, de uma sociedade de órfãos, de pessoas sem memória de família por vários motivos. “Por exemplo, os avós são levados para casas de repouso, sem afeto de hoje, ou um afeto muito veloz, pai e mãe estão cansados e vão dormir e eles ficam cansados, órfãos de gratuidade, daquela gratuidade do pai e da mãe que sabem perder tempo brincando com os filhos. Precisamos do sentido da gratuidade nas famílias e nas paróquias”.

Francisco reiterou ainda que a Igreja deve tornar-se mãe, não uma ONG bem organizada, pois se ela não é mãe, não é fecunda. A identidade da Igreja, segundo ele, é evangelizar, ou seja, fazer filhos. “A fecundidade é a graça que devemos pedir ao Espírito Santo. Não é ir buscar proselitismo. A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração materna, por testemunho que gera filhos”, destacou.

"Quem paga a corrupção dos ricos são sempre os pobres", diz Francisco na missa


Cidade do Vaticano (RV) – A corrupção dos poderosos acaba sendo paga pelos pobres, os quais, pela ganância dos outros, acabam sem aquilo de que precisam e têm direito. Nesta afirmação, o Papa Francisco centralizou sua homilia, nesta segunda-feira, 16.junho.2014, na Casa Santa Marta. Ele destacou que o único caminho para vencer o pecado da corrupção é o serviço aos outros, algo que purifica o coração.

Francisco refletiu sobre o trecho bíblico que conta a história de Nabot, proprietário de uma vinha que recusou vendê-la ao rei para não se desfazer da herança de seus pais. Por sua recusa, Nabot foi vítima de uma armadilha e acabou sendo condenado à morte. Então, o rei tomou posse da vinha como se nada tivesse acontecido. Segundo Francisco, essa é uma história que se repete continuamente entre quem detém o poder material, o poder político ou o poder espiritual.

“Precisamos dizer a verdade: a corrupção é um pecado comum,  ‘acessível’, que comete aquela pessoa que tem autoridade sobre os outros, seja econômica, política ou eclesiástica. Todos somos tentados à corrupção. É um pecado, porque, quando uma pessoa tem autoridade, se sente poderosa, se sente quase Deus”.

E quem paga o preço da corrupção, segundo o Papa, é o pobre. Ao falar de políticos corruptos ou econômicos, quem paga o preço são os hospitais sem remédios, os doentes que não têm a cura, as crianças sem educação.

“Eles são os modernos Nabot, que pagam a corrupção dos grandes. E quem paga a corrupção de um prelado? As crianças, que não sabem fazer o sinal da cruz, que não sabem a catequese, que não são protegidas. Pagam os doentes que não são visitados, os presos que não têm atenção espiritual. Os pobres pagam. A corrupção é paga pelos pobres materiais e espirituais”.

Na contramão disso, Francisco ressaltou que o único caminho para sair da corrupção, para vencer a tentação desse pecado é o serviço, porque a corrupção vem do orgulho e da soberba, e o serviço humilha. Trata-se de uma caridade humilde para ajudar os outros.

“Hoje, ofereçamos a Missa por esses tantos e tantos que pagam a corrupção, que pagam a vida dos corruptos. Esses mártires da corrupção política, econômica e eclesiástica. Rezemos por eles. Que o Senhor nos aproxime deles. Que o Senhor esteja próximo deles e lhes dê força para seguir adiante em seu testemunho”.

Tweet do Papa Francisco nesta segunda-feira:

16/06/2014
Que o Senhor abençoe a família e a faça forte neste momento de crise.
Papa recebe Primaz anglicano: engajamento comum contra tráfico de pessoas



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu nesta segunda-feira, 16, o Primaz da Comunhão Anglicana e arcebispo de Cantuária, Justin Welby. A visita de Welby a Roma, que começou sábado, 14, faz parte do engajamento do líder contra a escravidão e o tráfico de pessoas.

Welby esteve no Vaticano acompanhado de sua delegação e pelos Cardeais Vincent Nichols, arcebispo de Westminster, e Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Iniciando seu discurso, o Papa disse esperar que este encontro contribua para reforçar as relações de amizade e seu grande compromisso na causa da reconciliação e da comunhão entre os cristãos. “Não podemos fingir que a nossa divisão não seja um escândalo, um obstáculo ao anúncio do Evangelho da salvação ao mundo. Nossa vista é muitas vezes ofuscada pelo peso da história de nossas divisões, e nossa vontade nem sempre é livre da ambição humana”, refletiu Francisco.

O Papa acrescentou que a plena unidade pode parecer um objetivo distante, mas é sempre a meta para a qual se deve orientar todo passo no caminho ecumênico. “Nosso progresso não será simplesmente o resultado de nossas ações humanas, mas um livre dom de Deus”, completou.

A este ponto, Francisco recordou o encontro que tiveram em 17 de março passado, quando analisaram as preocupações comuns sobre os males que afligem a família humana, de modo especial, o comprometimento em lutar para erradicar a escravidão moderna e o tráfico de pessoas em todo o mundo, ‘crimes intoleráveis contra a dignidade humana’.

“Neste campo de ação, disse o Pontífice, foram promovidas significativas atividades de cooperação. Muitas iniciativas nascidas em nossas comunidades estão sendo conduzidas com generosidade e coragem em várias partes do mundo”.

Como exemplo, Francisco citou a rede contra o tráfico de mulheres criada em vários institutos femininos. “Vamos perseverar na luta às novas formas de escravidão, contribuir para dar alívio às vítimas e combater este trágico comércio”, exortou, terminando seu discurso.

Depois da tradicional troca de presentes e foto de grupo, os líderes se dirigiram à Capela Urbano VIII, para um momento de oração.

No âmbito de sua visita a Roma, está previsto que o arcebispo de Cantuária visite também o Centro Anglicano da cidade e assista à apresentação de projetos para o acolhimento de refugiados da Comunidade de Santo Egídio.

O primeiro encontro entre o Papa Francisco e o arcebispo de Cantuária foi em 14 de junho de 2013, em uma audiência particular na Biblioteca do Apartamento Apostólico vaticano, após o qual, rezaram juntos na capela ‘Redemptoris Mater’.

Welby não pôde participar, com outros líderes religiosos, da Missa de início de pontificado do Papa Francisco, em 19 de março de 2013, porque dois dias depois ele tomaria posse como 105° arcebispo de Cantuária.
Papa Francisco diz que especulação sobre o preço dos alimentos é um escândalo



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu,  na manhã desta segunda-feira, 16.junho.2014, os participantes da Convenção “Investir para os pobres – Itália/Inglaterra”. O encontro é promovido pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, pela Catholic Relief Services, Colégio de Negócios Mendoza e Universidade Notre Dame.

A convenção, que ocorre em Roma, irá debater os conceitos fundamentais do investimento de impacto e discutir esta proposta em conjunto com a missão da Igreja, a fim de entender como a instituição pode utilizá-lo ou promovê-lo para servir aos pobres.

Em seu discurso, o Santo Padre afirmou que a solidariedade com os pobres e os excluídos traz reflexão  sobre uma forma emergente de investimento responsável, conhecida como investimento de impacto.

“O investidor de impacto é um conhecedor da existência de profundas desigualdades sociais e de penosas condições de desvantagem enfrentadas por populações inteiras. Ele se volta às instituições financeiras que utilizam os recursos para promover o desenvolvimento econômico e social das populações pobres, com fundos de investimento destinados a satisfazer a suas necessidades básicas ligadas à agricultura, ao acesso à água, à possibilidade de dispor de moradias dignas a preços acessíveis, além de serviços primários para a saúde e educação”, disse o Papa.

Segundo Francisco, a lógica que anima essas formas inovadoras de intervenção é aquela que reconhece a ligação entre lucro e solidariedade, a existência de um círculo virtuoso entre ganho e doação. “A tarefa dos cristãos é redescobrir, viver e anunciar a todos essa preciosa e original unidade entre lucro e solidariedade. Quanto o mundo contemporâneo tem necessidade de redescobrir esta verdade!”, enfatizou.

O Papa também afirmou que a ética deve retomar seu espaço nas finanças e que os mercados devem se colocar  a serviço dos interesses dos povos e do bem comum da humanidade. “Não podemos tolerar mais que os mercados financeiros governem o destino dos povos antes de servirem às suas necessidades ou que poucos prosperem recorrendo à especulação financeira, enquanto muitos deles sofrem as consequências”, disse.

Ao concluir, o Papa Francisco assinalou que a inovação tecnológica aumentou a velocidade das transações financeiras, mas esse aumento encontra significado à medida que demonstra uma disposição de melhorar a capacidade de servir ao bem comum.

“É urgente que os governos de todo o mundo se empenhem a desenvolver um quadro internacional para promover o mercado do investimento de alto impacto social, de modo a contrastar com a economia da exclusão e do descarte”, concluiu.

A Convenção, que teve início neste domingo, 15, será encerrada, na próxima quinta-feira, 19. Participam do encontro representantes da Cúria Romana para estudar formas inovadoras de investimento que possam levar benefícios às comunidades locais.

Papa visita Comunidade de Santo Egídio: "Que o abraço seja o protagonista"




Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco visitou neste domingo, 15.junho.2014, a Basílica romana de Santa Maria em Trastevere, onde encontrou-se com pobres assistidos pela Comunidade de Santo Egídio. Ele fez um chamado a favorecer uma transformação social que comece pelos pobres e idosos, verdadeiro “fundamento da sociedade”.

Francisco destacou que é a partir dos pobres e idosos que se começa a mudar a sociedade. Ele deu como exemplo o que disse o próprio Jesus: “A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular” (Mt 21, 42).

“Também os pobres são, de certa forma, a ‘pedra angular’ para a construção da sociedade. Hoje, infelizmente, uma economia especulativa os torna sempre mais pobres, privando-os do essencial, como a casa e o trabalho. É inaceitável! Quem vive a solidariedade não aceita isso e age”.

Em discurso pronunciado de modo informal, o Papa disse que para manter o equilíbrio da economia mundial, a Europa descarta crianças e idosos. “A Europa não está envelhecida, está cansada. Não sabe o que fazer e se esqueceu da palavra ‘solidariedade’ (…) Não há mais crianças nos países europeus. E os anciãos são descartados com uma forma de eutanásia oculta: o que não produz, não vale”, lamentou.

O Papa esteve no bairro de Trastevere a convite da Comunidade católica e caritativa de Santo Egídio. “Em alguns países que sofrem com a guerra, vocês tentam levar a esperança da paz”, falou aos membros da Comunidade, engajada no passado em favorecer negociações de paz em diversos países.

“Trabalhar pela paz – prosseguiu Francisco – não dá resultados rápidos, mas é obra de artesãos pacientes, que procuram aquilo que une e colocam de lado o que divide, como dizia São João XXIII”.

“Encorajo daqui, de Santa Maria em Trastevere, os amigos de sua Comunidade em outros países a serem amigos de Deus, dos pobres e da paz: quem vive assim encontra bênçãos na vida e será benção para os outros”.

Antes de retornar ao Vaticano, respondendo às saudações da multidão que o aguardava fora da sede da Comunidade, o Papa pediu orações ‘extra’ para ele: “Meu trabalho é insalubre”, disse.

No Angelus, Papa fala da Santíssima Trindade


Neste domingo, 15.junho.2014, o Papa Francisco dedicou a oração mariana do Angelus para falar da Santíssima Trindade, cuja solenidade é celebrada hoje. Ele destacou o dinamismo de amor, comunhão e partilha que reveste a Trindade.


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje celebramos a solenidade da Santíssima Trindade, que apresenta à nossa contemplação e adoração a vida divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo: uma vida de comunhão e de amor perfeito, origem e meta de todo o universo e de cada criatura, Deus. Na Trindade, reconhecemos também o modelo da Igreja, na qual somos chamados a nos amar como Jesus nos amou. É o amor o sinal concreto que manifesta a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. É o amor o emblema do cristão, como nos disse Jesus: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35). É uma contradição pensar em cristãos que se odeiam. É uma contradição! E o diabo procura sempre isto: fazer-nos odiar, porque ele semeia sempre o ódio; ele não conhece o amor, o amor é de Deus!

Todos somos chamados a testemunhar e anunciar a mensagem de que “Deus é amor”, que Deus não está distante ou insensível aos acontecimentos humanos. Ele está próximo, está sempre ao nosso lado, caminha conosco para partilhar as nossas alegrias e as nossas dores, as nossas esperanças e os nossos cansaços. Ama-nos tanto a ponto que se fez homem, veio ao mundo não para julgá-lo, mas para que o mundo seja salvo por meio de Jesus (cfr Jo 3, 16-17). E este é o amor de Deus em Jesus, este amor que é tão difícil de entender, mas que nós sentimos quando nos aproximamos de Jesus. E Ele nos perdoa sempre, Ele nos espera sempre, Ele nos ama tanto. E o amor de Jesus que nós sentimos é o amor de Deus.

O Espírito Santo, dom de Jesus Ressuscitado, nos comunica a vida divina e assim nos faz entrar no dinamismo da Trindade, que é um dinamismo de amor, de comunhão, de serviço recíproco, de partilha. Uma pessoa que ama os outros pela própria alegria de amar é reflexo da Trindade. Uma família em que se ama e se ajuda os outros é um reflexo da Trindade. Uma paróquia em que se quer o bem e se partilham os bens espirituais e materiais é um reflexo da Trindade.

O amor verdadeiro é sem limites, mas sabe se limitar para ir ao encontro do outro, para respeitar a liberdade do outro. Todos os domingos vamos à Missa, celebramos a Eucaristia juntos e a Eucaristia é como a “sarça ardente” na qual humildemente mora e se comunica a Trindade; por isto a Igreja colocou a festa do Corpus Domini depois daquela da Trindade. Na próxima quinta-feira, segundo a tradição romana, celebraremos a Santa Missa em São João Latrão e depois faremos a procissão com o Santíssimo Sacramento. Convido os romanos e os peregrinos a participar para exprimir o nosso desejo de ser um povo “reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Espero por todos vocês na próxima quinta-feira, às 19h, para a Missa e a procissão de Corpus Christi.

A Virgem Maria, criatura perfeita da Trindade, nos ajude a fazer de toda a nossa vida, nos pequenos gestos e nas escolhas mais importantes, um hino de louvor a Deus, que é Amor.

Após o Angelus deste domingo, 15, o Santo Padre convidou todos a se unirem a ele em oração pela nação iraquiana, sobretudo pelos que sofrem com a crescente violência e são obrigados a deixarem suas próprias casas, como acontece com muitos cristãos que lá vivem.

“Desejo para toda a população iraquiana a segurança e a paz e um futuro de reconciliação e de justiça onde todos os iraquianos, qualquer que seja a sua pertença religiosa, possam construir juntos a sua pátria, fazendo um modelo de convivência. Rezemos à Nossa Senhora, todos juntos, pelo povo iraquiano”, disse o Pontífice.

E com todos rezou uma Ave Maria para o povo iraquiano.

Em seguida o Papa anunciou a sua próxima viagem à Albânia:

Quero hoje anunciar que, aceitando o convite dos Bispos e das Autoridades civis da Albânia, tenciono ir para Tirana no Domingo 21 de Setembro próximo. Com esta breve viagem desejo confirmar na fé a Igreja na Albânia e testemunhar o meu encorajamento a um país que sofreu por muito tempo como consequência das ideologias do passado.

A visita a Albânia será a quarta viagem internacional do Papa Francisco, que em julho de 2013 esteve no Brasil, em maio de 2014 foi à Terra Santa e tem viagem marcada em agosto próximo para a Coréia do Sul, onde irá encontrar-se com os jovens asiáticos.

Em seguida o Papa saudou a todos peregrinos presentes na Praça S. Pedro, grupos religiosos, famílias e associações, em particular aos militares da Colômbia, os fiéis vindos de Taiwan e Hong Kong, Ávila e La Rioja (Espanha), de Venado Tuerto (Argentina), de Cagliari, Albino, Vignola, Lucca e Battipaglia. O Santo Padre saudou de modo particular o Movimento Pro Sanctitate, no centenário do nascimento do seu fundador, o Servo de Deus Guglielmo Giaquinta, encorajando a todos a empenhar-se com alegria no apostolado da santidade. E por último o Papa dirigiu um pensamento especial as colaboradoras e auxiliares domésticas, que provêm de várias partes do mundo e desempenham um serviço precioso nas famílias, especialmente para apoiar as pessoas idosas e não auto-suficientes, recordando que muitas não valorizamos com justiça o grande trabalho que elas realizam nas famílias.

E, como habitualmente, Papa Francisco se despediu desejando a todos um bom domingo e um bom almoço.
Radio Vaticano e Boletim da Santa Sé e Redação

Divulgadas atividades do Papa durante o Verão europeu

Cidade do Vaticano, 14.junho.2014 (RV) – A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou, neste sábado, 14, a previsão das atividades de Papa Francisco durante o Verão europeu.

No próximo mês de julho não serão realizadas as Audiências Gerais nas quartas-feiras. Ou seja, nos dias 2, 9, 16, 23 e 30 de julho. Elas serão retomadas em agosto, sendo realizadas nos dias 6, 20 e 27 de agosto.

Excepcionalmente, no dia 13 de agosto a Audiência Geral não será realizada devido à viagem do Santo Padre à Coreia do Sul, de 13 a 18 de agosto.

Contudo, a oração do Angelus continuará a ser presidida pelo Papa Francisco todos os domingos, no Vaticano, nos meses de julho e agosto, com exceção ao domingo, 17 de agosto.

A missa matinal com os fiéis na Casa Santa Marta será suspensa a partir do início de julho até o final de agosto, com retorno previsto para o início de setembro.


Também neste sábado, o Papa Francisco twittou:

14/06/2014
Corremos o risco de esquecer os sofrimentos que não nos tocam de perto. Reajamos, e rezemos pela paz na Síria!


Só falar não resolve, é preciso agir, diz Papa aos fiéis

O Papa Francisco encontrou-se, neste sábado, 14, com cerca de 30 mil voluntários de toda a Itália do Movimento das Misericórdias e dos doadores de sangue Fratres.

O encontro realiza-se 20 anos após o encontro com o então Papa João Paulo II, realizado na Sala Paulo VI. O Movimento das Misericórdias é um dos mais antigos movimentos de voluntariado italiano. Tendo nascido em Florença em 1244, neste ano festeja seus 770 anos.

Colorindo a Praça São Pedro com as cores amarelo, azul, vermelho e branco – as cores dos ‘uniformes’ dos movimentos – os participantes começaram a entrar na Praça às 8 horas para o encontro que teve início às 9 horas, com cantos, orações e testemunhos.

O Papa Francisco chegou ao local por volta do meio-dia. Passeou com o carro papal por entre a multidão, saudando a todos e beijando as crianças.

O Movimento foi apresentado ao Pontífice pelo Presidente Nacional das Misericórdias, Roberto Trucchi, pelo Presidente Nacional Fratres, Luigi Cardini e pelo “Corretor’ Nacional das Misericórdias, o Bispo de Prado, Dom Franco Agostinelli.

O Papa saudou todos os presentes e seus familiares, agradecendo as palavras que introduziram o encontro e observou que “as misericórdias, antiga expressão do laicato católico e bem radicadas no território italiano estão comprometidas em testemunhar o Evangelho da caridade entre os doentes, os idosos, os deficientes, os menores, os imigrantes e os pobres”.

Francisco disse que o serviço realizado por eles adquire sentido e a forma da palavra “misericórdia”, que, derivada do latim, significa “dar o coração aos míseros”. “Foi o que fez Jesus, escancarou o seu coração para a miséria do homem”, afirmou o Santo Padre, e complementou:

“No exemplo do nosso Mestre, também nós somos chamados a nos fazer próximos, a partilhar a condição das pessoas que encontramos. É necessário que as nossas palavras, os nossos gestos, as nossas atitudes expressem a solidariedade, a vontade de não permanecer estranhos à dor dos outros e isto com calor fraterno e sem cair em alguma forma de paternalismo”.

Informados, mas sem atitude

Em seguida, o Papa advertiu que, diante de tantas informações e estatísticas à disposição sobre a pobreza e as tribulações humanas, existe o risco de “sermos espectadores” muito informados e desencarnados desta realidade, ou mesmo de fazer belos discursos que se concluem com soluções verbais, separadas dos problemas reais”:

“Muita palavras, muitas palavras, muitas palavras, mas não se faz nada! Este é um risco. Não é o vosso, vocês trabalham bem! Mas existe este risco. Quando eu escuto algumas conversas entre pessoas que conhecem as estatísticas: ‘Que barbaridade, Padre. Que barbaridade!’. Mas você, o que faz por esta barbaridade? ‘Nada, falo!’. E isto não resolve nada. Palavras já escutamos muitas. O que serve é o agir, o vosso agir, o testemunho cristão, ir até os sofredores, aproximar-se como Jesus fez”.

Só falar não resolve, é preciso agir, diz Papa aos fiéisFrancisco destacou que os cristãos são chamados a deixar-se envolver pelas preocupações humanas que cada dia os interpelam. “Imitemos Jesus: Ele vai pelo estrada e não ‘organizou’ um encontro com os pobres, nem os doentes, nem os inválidos que cruza pelo caminho; mas com o primeiro que encontra se detém, tornando presença que socorre, sinal da proximidade de Deus que é bondade, providência e amor”.

O Papa disse que estas associações se inspiram nas set obras de misericórdia temporal, que me agrada chamar a atenção para elas: “dar de ciomer aos famintos; dar de beber aos sedentos; vestir os nús; alojar os peregrinos; visitar os enfermos; visitar os encarcerados; enterrar os mortos”. “Vos encorajo a seguirem em frente com vossa ação e a modelá-la às de Cristo”.
Radio Vaticano

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2014

A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou neste sábado, 14, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2014. A data será celebrada no dia 19 de Outubro.

Na mensagem o Santo Padre afirma que, ainda hoje, há muitas pessoas que não conhecem Jesus Cristo. Por isso, segundo o Pontífice, a missão ad gentes faz-se tão urgente.

Francisco destaca alguns aspectos do Evangelho de São Lucas, capítulo 10, versículos de 21 a 23, para explicar sobre a alegria de Jesus e dos discípulos missionários.

Leia a mensagem na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs!

Ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo. Por isso, continua a revestir-se de grande urgência a missão ad gentes, na qual são chamados a participar todos os membros da Igreja, pois esta é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu «em saída».

O Dia Mundial das Missões é um momento privilegiado para os fiéis dos vários Continentes se empenharem, com a oração e gestos concretos de solidariedade, no apoio às Igrejas jovens dos territórios de missão.

Trata-se de uma ocorrência permeada de graça e alegria: de graça, porque o Espírito Santo, enviado pelo Pai, dá sabedoria e fortaleza a quantos são dóceis à sua ação; de alegria, porque Jesus Cristo, Filho do Pai, enviado a evangelizar o mundo, sustenta e acompanha a nossa obra missionária. E, justamente sobre a alegria de Jesus e dos discípulos missionários, quero propor um ícone bíblico que encontramos no Evangelho de Lucas (cf. 10, 21-23).

1. Narra o evangelista que o Senhor enviou, dois a dois, os setenta e dois discípulos a anunciar, nas cidades e aldeias, que o Reino de Deus estava próximo, preparando assim as pessoas para o encontro com Jesus. Cumprida esta missão de anúncio, os discípulos regressaram cheios de alegria: a alegria é um traço dominante desta primeira e inesquecível experiência missionária.

O Mestre divino disse-lhes: «Não vos alegreis, porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos, antes, por estarem os vossos nomes escritos no Céu. Nesse mesmo instante, Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo e disse: “Bendigo-te, ó Pai (…)”. Voltando-se, depois, para os discípulos, disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que vêem o que estais a ver”» (Lc 10, 20-21.23).

As cenas apresentadas por Lucas são três: primeiro, Jesus falou aos discípulos, depois dirigiu-Se ao Pai, para voltar de novo a falar com eles. Jesus quer tornar os discípulos participantes da sua alegria, que era diferente e superior àquela que tinham acabado de experimentar.

2. Os discípulos estavam cheios de alegria, entusiasmados com o poder de libertar as pessoas dos demónios. Jesus, porém, recomendou-lhes que não se alegrassem tanto pelo poder recebido, como sobretudo pelo amor alcançado, ou seja, «por estarem os vossos nomes escritos no Céu» (Lc 10, 20).

Com efeito, fora-lhes concedida a experiência do amor de Deus e também a possibilidade de o partilhar. E esta experiência dos discípulos é motivo de jubilosa gratidão para o coração de Jesus. Lucas viu este júbilo numa perspectiva de comunhão trinitária: «Jesus estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo», dirigindo-Se ao Pai e bendizendo-O.

Este momento de íntimo júbilo brota do amor profundo que Jesus sente como Filho por seu Pai, Senhor do Céu e da Terra, que escondeu estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelou aos pequeninos (cf. Lc 10, 21).

Deus escondeu e revelou, mas, nesta oração de louvor, é sobretudo a revelação que se põe em realce. Que foi que Deus revelou e escondeu? Os mistérios do seu Reino, a consolidação da soberania divina de Jesus e a vitória sobre satanás.

Deus escondeu tudo isto àqueles que se sentem demasiado cheios de si e pretendem saber já tudo. De certo modo, estão cegos pela própria presunção e não deixam espaço a Deus.

Pode-se facilmente pensar em alguns contemporâneos de Jesus que Ele várias vezes advertiu, mas trata-se de um perigo que perdura sempre e tem a ver connosco também. Ao passo que os «pequeninos» são os humildes, os simples, os pobres, os marginalizados, os que não têm voz, os cansados e oprimidos, que Jesus declarou «felizes». Pode-se facilmente pensar em Maria, em José, nos pescadores da Galileia e nos discípulos chamados ao longo da estrada durante a sua pregação.

3. «Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado» (Lc 10, 21). Esta frase de Jesus deve ser entendida como referida à sua exultação interior, querendo «o teu agrado» significar o plano salvífico e benevolente do Pai para com os homens.

No contexto desta bondade divina, Jesus exultou, porque o Pai decidiu amar os homens com o mesmo amor que tem pelo Filho. Além disso, Lucas faz-nos pensar numa exultação idêntica: a de Maria. «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1, 46-47).

Estamos perante a boa Notícia que conduz à salvação. Levando no seu ventre Jesus, o Evangelizador por excelência, Maria encontrou Isabel e exultou de alegria no Espírito Santo, cantando o Magnificat.

Jesus, ao ver o bom êxito da missão dos seus discípulos e, consequentemente, a sua alegria, exultou no Espírito Santo e dirigiu-Se a seu Pai em oração. Em ambos os casos, trata-se de uma alegria pela salvação em ato, porque o amor com que o Pai ama o Filho chega até nós e, por obra do Espírito Santo, envolve-nos e faz-nos entrar na vida trinitária.

O Pai é a fonte da alegria. O Filho é a sua manifestação, e o Espírito Santo o animador. Imediatamente depois de ter louvado o Pai – como diz o evangelista Mateus – Jesus convida-nos: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11, 28-30).

«A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).

De tal encontro com Jesus, a Virgem Maria teve uma experiência totalmente singular e tornou-se «causa nostrae laetitiae». Os discípulos, por sua vez, receberam a chamada para estar com Jesus e ser enviados por Ele a evangelizar (cf. Mc 3, 14), e, feito isso, sentem-se repletos de alegria. Porque não entramos também nós nesta torrente de alegria?

4. «O grande risco do mundo actual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 2). Por isso, a humanidade tem grande necessidade de dessedentar-se na salvação trazida por Cristo.

Os discípulos são aqueles que se deixam conquistar mais e mais pelo amor de Jesus e marcar pelo fogo da paixão pelo Reino de Deus, para serem portadores da alegria do Evangelho. Todos os discípulos do Senhor são chamados a alimentar a alegria da evangelização.

Os bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, têm o dever de incentivar a unidade da Igreja local à volta do compromisso missionário, tendo em conta que a alegria de comunicar Jesus Cristo se exprime tanto na preocupação de O anunciar nos lugares mais remotos como na saída constante para as periferias de seu próprio território, onde há mais gente pobre à espera.

Em muitas regiões, escasseiam as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Com frequência, isso fica-se a dever à falta de um fervor apostólico contagioso nas comunidades, o que faz com as mesmas sejam pobres de entusiasmo e não suscitem fascínio.

A alegria do Evangelho brota do encontro com Cristo e da partilha com os pobres. Por isso, encorajo as comunidades paroquiais, as associações e os grupos a viverem uma intensa vida fraterna, fundada no amor a Jesus e atenta às necessidades dos mais carecidos.

Onde há alegria, fervor, ânsia de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas, nomeadamente as vocações laicais à missão. Na realidade, aumentou a consciência da identidade e missão dos fiéis leigos na Igreja, bem como a noção de que eles são chamados a assumir um papel cada vez mais relevante na difusão do Evangelho. Por isso, é importante uma adequada formação deles, tendo em vista uma acção apostólica eficaz.

5. «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). O Dia Mundial das Missões é também um momento propício para reavivar o desejo e o dever moral de participar jubilosamente na missão ad gentes. A contribuição monetária pessoal é sinal de uma oblação de si mesmo, primeiramente ao Senhor e depois aos irmãos, para que a própria oferta material se torne instrumento de evangelização de uma humanidade edificada no amor.

Queridos irmãos e irmãs, neste Dia Mundial das Missões, dirijo o meu pensamento a todas as Igrejas locais: Não nos deixemos roubar a alegria da evangelização! Convido-vos a mergulhar na alegria do Evangelho e a alimentar um amor capaz de iluminar a vossa vocação e missão.

Exorto-vos a recordar, numa espécie de peregrinação interior, aquele «primeiro amor» com que o Senhor Jesus Cristo incendiou o coração de cada um; recordá-lo, não por um sentimento de nostalgia, mas para perseverar na alegria. O discípulo do Senhor persevera na alegria, quando está com Ele, quando faz a sua vontade, quando partilha a fé, a esperança e a caridade evangélica.

A Maria, modelo de uma evangelização humilde e jubilosa, elevemos a nossa oração, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos e possibilite o nascimento de um mundo novo”.

Vaticano, 8 de Junho – Solenidade de Pentecostes – de 2014.
Papa Francesco


A filosofia do esporte

11.junho.2014
     
Amanhã começa a Copa do Mundo no Brasil, ocasião para refletirmos um pouco sobre os valores cristãos no futebol e no esporte em geral.

Será imperfeita e mesmo prejudicial qualquer consideração filosófica, pedagógica ou esportiva que não considere o homem na sua realidade completa, na sua dimensão corporal e espiritual. Espírito e matéria, corpo e alma, assim Deus nos criou e nos quer sadios corporal e espiritualmente. Se a alma é mais importante nem por isso podemos descurar a saúde do corpo:

“alma sã num corpo sadio”, diziam os romanos. “A saúde do corpo é melhor que todo o ouro e a prata; e um espírito vigoroso, mais do que imensa fortuna. Não há riqueza maior que a saúde do corpo, nem contentamento maior que a alegria do coração” (Ecl 30,15-16).

São Paulo Apóstolo partilhou a admiração das multidões pelos atletas olímpicos. A agilidade deles, estimulada no estádio pela perspectiva da vitória, sugeria-lhe a beleza moral do combate espiritual, onde desenvolvemos nossas energias para alcançar a coroa incorruptível no Reino do Céu. É esta a finalidade do verdadeiro esporte: tornar o corpo sadio e dócil para que paralelamente a alma possa se robustecer e enobrecer. Assim compreendemos como o espírito cristão pode ser muito eficaz para dar ao esporte o seu verdadeiro sentido e finalidade.

Pedro de Coubertin, o renovador dos Jogos Olímpicos, escreveu que a Idade Média conheceu um espírito desportivo superior à própria antiguidade grega, devido à influência da religião, que criou uma atmosfera favorável ao desenvolvimento do espírito cavalheiresco, que consiste na lealdade e na sinceridade. Era o verdadeiro jogo limpo, o “fair-play”, efeito do cristianismo que conseguira disciplinar e adoçar os costumes dos bárbaros belicosos.

E ser cristão, cultivar os verdadeiros valores morais, não é só fazer o sinal da cruz ao entrar no campo e elevar os braços ao Céu após o gol. É muito mais do que isso. Porque sem os valores cristãos, sem a salutar dependência das diretivas da religião e das regras morais, o esporte entra em decadência, cai no embrutecimento e no mercantilismo. Os profissionais tornam-se vulgar mercadoria de negócio, sujeitos à compra de quem mais oferece. As transações e intrigas de bastidores põem em perigo a personalidade do atleta. Toda a ideia educativa, todo o objetivo moral, todo o ideal superior ao do ganho imediato ficam esquecidos. Aí então o esporte deixa de ser esporte; torna-se batalha e comércio. O jogador deixa de ser esportista para ser mercenário. A nobreza do esporte assim desaparece.

Pio XII enumera as virtudes cristãs próprias do esporte: a lealdade, a docilidade, a obediência, o espírito de renúncia ao próprio eu em favor da equipe, a fidelidade aos compromissos, a modéstia nos triunfos, a generosidade para com os vencidos, a serenidade na derrota, a paciência com o público, a justiça e a temperança.

Com essas virtudes, poderemos ter a “Copa da Paz”, desde que o dinheiro não prevaleça como objeto final, como nos alerta o Papa Francisco.

Dom Fernando Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

A pior discriminação sofrida pelos pobres é a falta de atenção espiritual

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco recebeu, nesta sexta-feira, 13.junho.2014, os membros da Fundação Populorum Progressio para América Latina, reunidos no Vaticano para o encontro anual. Entre os bispos recebidos, esteve o Primaz do Brasil, arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger.

Em espanhol, Francisco lembrou aos 10 representantes que já em 1967, na Encíclica Populorum Progressio, Paulo VI ressaltou que a caridade havia adquirido uma dimensão mundial, sublinhando que “os povos famintos interpelam, de modo dramático, os povos opulentos” (n. 3).

O Papa disse que esta situação persiste, e hoje é talvez ainda mais grave, porque as causas do problema não foram eliminadas. “Como afirma a Gaudium et spes, do Concilio Vaticano II, quando a maior parte do mundo ainda sofre tanta necessidade, o próprio Cristo apela em alta voz para a caridade dos seus discípulos (cf. 88)”, disse o Papa.

Segundo Francisco, o desperdício cria a cultura do descarte, a economia da exclusão e a desigualdade. “É o que vemos também na América Latina, onde os desequilíbrios econômicos criaram imensos bolsões de pobreza. Por isso, é importante que a Fundação desperte, dia após dia, a responsabilidade de quem trabalha para ela, e acolha novas colaborações de pessoas de boa vontade”, afirmou.

O principal desafio, segundo Francisco, é manter sempre unido o zelo material e espiritual, para responder de forma realmente digna às necessidades dos irmãos. “A pior discriminação que os pobres sofrem é a falta de atenção espiritual”, disse.

Na conclusão do encontro, o Pontífice agradeceu pelos trabalhos realizados na Fundação, que segundo ele, é um testemunho tangível da presença de toda a Igreja, e principalmente, de cada Igreja particular, em meio aos pobres e aos que sofrem.

Papa Francisco fala de diversos assuntos e brinca sobre o Mundial de Futebol no Brasil

“Sou um pastor com o coração de pároco”, disse o Papa Francisco em entrevista ao Jornal espanhol “La Vanguardia”. A entrevista foi publicada nesta sexta-feira, 13.

O Pontífice falou de diversos assuntos, como a paz no Oriente Médio; o auxílio aos necessitados; a reforma na Cúria Romana; a renúncia de Bento XVI e o atual Sistema Econômico.

Sobre a Copa do Mundo, o Pontífice brincou: “Os brasileiros me pediram para que eu fosse neutro. Estou mantendo a minha palavra”.

Seguem trechos da entrevista:

Perseguição aos cristãos
“Os cristãos perseguidos são uma preocupação que me toca muito como pastor. Há muitas coisas em relação às perseguições que não me parece prudente falar aqui para não ofender ninguém. Porém, em alguns locais está proibido ter uma Bíblia ou ensinar o Catecismo ou levar uma Cruz. Eu quero deixar claro uma coisa: estou convencido de que a perseguição contra os cristãos hoje é mais forte do que nos primeiros tempos da Igreja. Hoje existem mais cristãos mártires do que naquela época. E não é por fantasia, é por números.”

Conflitos no Oriente Médio
Ao ser questionado sobre a violência no Oriente Médio, Francisco afirmou tratar-se de uma contradição. “A violência em nome de Deus não corresponde com o nosso tempo. É algo antigo. Numa perspectiva histórica é preciso admitir que os cristãos, às vezes, também a praticaram. Quando penso na Guerra dos Trinta Anos, era violência em nome de Deus. Hoje é inimaginável. Chegamos, às vezes, pela religião, a contradições muito sérias, muito graves. O fundamentalismo, por exemplo. Nas três religiões temos nossos grupos fundamentalistas, pequenos em relação a todo o resto.” O Santo Padre disse que a estrutura mental do fundamentalismo é a violência em nome de Deus.

Sobre o encontro de domingo, 8,  com os líderes do Oriente Médio, Papa Francisco afirmou que 99 por cento das pessoas no Vaticano diziam que não iria acontecer e, depois, o um por cento restante foi crescendo. “Não foi um ato político, mas sim um ato religioso para abrir uma janela ao mundo,” esclareceu.

Reforma na Cúria Romana
“Eu não tenho nenhuma iluminação, não tenho projeto pessoal. O que estou fazendo é realizar aquilo que os cardeais refletiram durante as congregações gerais antes do conclave. Uma decisão importante, era que o futuro Papa contasse com um conselho externo, um grupo de conselheiros que não viviam no Vaticano. O que agora é chamado de “Conselho dos 8".

Renúncia de Bento XVI
Em relação a Bento XVI, disse que ele criou uma instituição: a dos Papas Eméritos. “Como vivemos mais tempo, chegamos a uma idade na qual não podemos seguir adiante com as coisas. Eu farei o mesmo que ele, pedirei ao Senhor para me iluminar quando chegar o momento e me dizer o que tenho de fazer”

“Um Papa revolucionário”
Questionado se pode ser considerado um revolucionário, o Papa afirmou que “a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que essas raízes querem dizer nos dias de hoje. Não há contradição entre ser revolucionário e ir às raízes,” afirmou ele. Francisco também defendeu a pobreza e a humildade na Igreja, pois, segundo ele, estão no centro do Evangelho num sentido teológico, não sociológico. “Não se pode entender o Evangelho sem a pobreza, porém há que distingui-la da miséria. Eu creio que Jesus quer que nós, bispos, não sejamos príncipes, mas sim servidores”.

Auxílio aos necessitados
Nesta linha, o Pontífice afirmou estar provado que é possível reduzir a crescente desigualdade entre ricos e pobres. “Com a comida que sobra poderíamos alimentar as pessoas que têm fome. Quando se vê fotografias de meninos desnutridos em diversas partes do mundo, colocamos as mãos na cabeça, não se entende”, disse. O Papa acrescentou que a economia se move no sentido do “ter mais” e se alimenta da cultura do descarte.

Canção Nova

Missa em Santa Marta-Numa brisa leve


L’Osservatore Romano
Antes de nos confiar uma missão, o Senhor prepara-nos, pondo-nos à prova com um processo de purificação e discernimento. Foi a história de Elias que sugeriu ao Papa durante a missa celebrada na manhã de sexta-feira, 13 de Junho, a reflexão sobre esta regra fundamental da vida cristã.

«Na primeira leitura – disse o Pontífice, referindo-se ao trecho tirado do primeiro livro dos Reis (19, 9.11-16) – ouvimos a história de Elias: como o Senhor prepara um profeta, como age no seu coração para que esse homem seja fiel à sua palavra e faça o que ele quer».

O profeta Elias «era uma pessoa forte e de grande fé. Repreendeu o povo que adorava a Deus e também aos ídolos: porque se adoravam os ídolos, não adoravam a Deus! E vice-versa! Por isso Elias dizia que o povo coxeava «com os dois pés», não tinha estabilidade e não era firme na fé. Na sua missão «foi corajoso» e, no fim, lançou um desafio aos sacerdotes do Baal, no monte Carmelo, e venceu-os.

A história de Elias «mostra-nos como o Senhor prepara» para a missão. De facto, Elias «entristecido foi ao deserto para morrer e deitou-se esperando a morte. Mas o Senhor chamou-o» e convidou-o a comer um pedaço de pão e a beber, dizendo-lhe: «tu ainda deves caminhar muito». E assim Elias «come, bebe e deita-se de novo para morrer. E o Senhor chama-o mais uma vez: continua! Vai em frente!».

A questão é que Elias «não sabia o que fazer, mas sentiu que devia subir ao monte para encontrar Deus». Teve coragem e foi lá, com a humildade da obediência. Elias subiu ao monte para esperar a mensagem de Deus, a sua revelação: rezava sem saber o que aconteceria.

Lê-se no Antigo Testamento: «Eis que passou o Senhor. Houve um vento impetuoso… mas o Senhor não estava naquele vento». «Depois veio um terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava neles». Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa leve. E eis então «Elias percebeu que o Senhor passava... cobriu o rosto com o manto e adorou ao Senhor».

Portanto, Elias «sabe discernir onde se encontra o Senhor e o Senhor prepara-o com o dom do discernimento». Em seguida, confia-lhe a sua missão: «Superaste a prova, experimentaste a depressão e a fome; submeteste-te à prova do discernimento», mas agora – lê-se na Escritura – «dirige os teus passos para o deserto na direcção de Damasco e chegando lá, ungirás Hazael como rei da Síria. Depois ungirás Jeu, filho de Namsí, como rei de Israel e Eliseu».

Era precisamente esta a missão que aguardava Elias, explicou o Papa. «O Senhor prepara a alma, o coração e prepara-o na prova, na obediência e na perseverança».

Assim «é a vida cristã», afirmou o Pontífice. Com efeito, «quando Ele nos quer confiar uma missão, dar-nos um trabalho, prepara-nos para o desempenharmos bem», exactamente «como preparou Elias».

Da vicissitude de Elias nasce um grande ensinamento. Elias «caminha, obedece, sofre, discerne, reza e encontra o Senhor». O Papa Francisco concluiu com a oração: «O Senhor nos conceda a graça de nos deixar preparar todos os dias no caminho da nossa vida, para que possamos testemunhar a salvação de Jesus».


Sexta-feira – este foi o Tweet do Santo Padre:

13/06/2014
Não resistamos ao Espírito Santo, mas sejamos dóceis à sua ação que renova a nós mesmos, à Igreja e ao mundo.

Missa em Santa Marta-Quando o ódio mata


L’Osservatore Romano
Para praticar bem a justiça, vivendo o mandamento do amor, é preciso ser realistas, coerentes e reconhecer-se filhos do mesmo Pai, por conseguinte irmãos. São os três critérios práticos sugeridos pelo Papa Francisco na missa celebrada na manhã de quinta-feira, 12 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta.

No trecho evangélico de Mateus (5, 20-26) proposto pela liturgia, Jesus – explicou o Pontífice – fala-nos de «como deve ser o amor entre nós». Ele começa o seu discurso «exortando a compreender bem como devemos seguir o caminho do amor fraterno». Eis as suas palavras: «Eu vos digo: se a vossa justiça não superar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no reino dos céus».

Por conseguinte, afirma Jesus, «devemos ser justos, amar o próximo, que é o problema de hoje; mas não como estes doutores da lei que tinham uma filosofia especial», isto é, dizer bem «tudo o que se deve fazer» - considerando-se «inteligentes» e «competentes» - sem «depois o fazer». E é por isto que, em relação a eles, «Jesus diz: fazei o que dizem mas não o que fazem». E di-lo «porque não eram coerentes».

Em síntese, «Jesus é realista» quando afirma que «esta capacidade de fazer acordos entre nós significa também superar a justiça dos fariseus e dos doutores da lei». É «o realismo da vida». A ponto que Jesus recomenda expressamente que se alcance «um acordo enquanto estamos a caminho, precisamente para eliminar a luta e o ódio entre nós. Mas muitas vezes nós queremos levar as coisas ao limite».

«Um segundo critério que Jesus nos dá é o da verdade» explicou o Pontífice. Com efeito, há o mandamento de não matar; mas «também mata falar mal do próximo, porque a raiz é o mesmo ódio: não tens a coragem de o matar ou pensas que é demais, mas máta-lo de outra forma, com os mexericos, com as calúnias, com a difamação».

O terceiro critério que Jesus nos dá é «um critério de filiação». Nós, afirmou o Pontífice, «não devemos matar o irmão» precisamente porque ele é nosso irmão: «temos o mesmo pai». E, lê-se no Evangelho, «não posso ir ao pai se não estiver em paz com o meu irmão». Com efeito Jesus diz: «Se levares a tua oferta ao altar e lá te recordares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois volta para oferecer o teu dom». Por conseguinte, recomenda o Senhor, «não fales com o pai se não estiveres em paz com o teu irmão» ou «pelo menos em acordo».

Eis, portanto, os três critérios resumidos pelo Papa: realismo, coerência e filiação. Um «programa não fácil», reconheceu, «mas é o caminho que Jesus nos indica para ir em frente». E em conclusão o Papa Francisco pediu ao Senhor «a graça de poder ir em frente em paz entre nós», possivelmente também «com os acordos mas sempre com coerência e com espírito de filiação».

Eis o que escreveu o Papa Francisco em seu twitter, nesta quinta-feira:

12/06/2014
A todos desejo uma esplêndida Copa do Mundo, jogada com espírito de verdadeira fraternidade.

As 3 lições de Francisco para uma Copa 'de solidariedade'

Cidade do Vaticano (RV) - Em videomensagem aos brasileiros sobre a Copa do Mundo de Futebol divulgada quarta-feira, 11.junho.2014, o Papa Francisco afirma que é preciso superar o racismo e que o futebol deve ser uma escola de construção para uma cultura do encontro, que permita a paz e a harmonia.

"Queridos amigos,
É com grande alegria que me dirijo a vocês todos, amantes do futebol, por ocasião da abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Quero enviar uma saudação calorosa aos organizadores e participantes; a cada atleta e torcedor, bem como a todos os espectadores que, no estádio ou pela televisão, rádio e internet, acompanham este evento que supera as fronteiras de língua, cultura e nação.

A minha esperança é que, além de festa do esporte, esta Copa do Mundo possa tornar-se a festa da solidariedade entre os povos. Isso supõe, porém, que as competições futebolísticas sejam consideradas por aquilo que no fundo são: um jogo e ao mesmo tempo uma ocasião de diálogo, de compreensão, de enriquecimento humano recíproco. O esporte não é somente uma forma de entretenimento, mas também - e eu diria sobretudo - um instrumento para comunicar valores que promovem o bem da pessoa humana e ajudam na construção de uma sociedade mais pacífica e fraterna. Pensemos na lealdade, na perseverança, na amizade, na partilha, na solidariedade. De fato, são muitos os valores e atitudes fomentados pelo futebol que se revelam importantes não só no campo, mas em todos os aspectos da existência, concretamente na construção da paz. O esporte é escola da paz, ensina-nos a construir a paz.

Nesse sentido, queria sublinhar três lições da prática esportiva, três atitudes essenciais para a causa da paz: a necessidade de “treinar”, o “fair play” e a honra entre os competidores. Em primeiro lugar, o esporte ensina-nos que, para vencer, é preciso treinar. Podemos ver, nesta prática esportiva, uma metáfora da nossa vida. Na vida, é preciso lutar, “treinar”, esforçar-se para obter resultados importantes. O espírito esportivo torna-se, assim, uma imagem dos sacrifícios necessários para crescer nas virtudes que constroem o carácter de uma pessoa. Se, para uma pessoa melhorar, é preciso um “treino” grande e continuado, quanto mais esforço deverá ser investido para alcançar o encontro e a paz entre os indivíduos e entre os povos “melhorados”! É preciso “treinar” tanto…

O futebol pode e deve ser uma escola para a construção de uma “cultura do encontro”, que permita a paz e a harmonia entre os povos. E aqui vem em nossa ajuda uma segunda lição da prática esportiva: aprendamos o que o “fair play” do futebol tem a nos ensinar. Para jogar em equipe é necessário pensar, em primeiro lugar, no bem do grupo, não em si mesmo. Para vencer, é preciso superar o individualismo, o egoísmo, todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana. Não é só no futebol que ser “fominha” constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos “fominhas” na vida, ignorando as pessoas que nos rodeiam, toda a sociedade fica prejudicada.

A última lição do esporte proveitosa para a paz é a honra devida entre os competidores. O segredo da vitória, no campo, mas também na vida, está em saber respeitar o companheiro do meu time, mas também o meu adversário. Ninguém vence sozinho, nem no campo, nem na vida! Que ninguém se isole e se sinta excluído! Atenção! Não à segregação, não ao racismo! E, se é verdade que, ao término deste Mundial, somente uma seleção nacional poderá levantar a taça como vencedora, aprendendo as lições que o esporte nos ensina, todos vão sair vencedores, fortalecendo os laços que nos unem.

Queridos amigos, agradeço a oportunidade que me foi dada de lhes dirigir estas palavras neste momento – de modo particular à Excelentíssima Presidenta do Brasil, Senhora Dilma Rousseff, a quem saúdo – e prometo minhas orações para que não faltem as bênçãos celestiais sobre todos. Possa esta Copa do Mundo transcorrer com toda a serenidade e tranquilidade, sempre no respeito mútuo, na solidariedade e na fraternidade entre homens e mulheres que se reconhecem membros de uma única família. Muito obrigado!"

Nota: No texto original em português, foi utilizado o termo futebolístico “fominha” que foi traduzido como 'individualista'. Na linguagem futebolística italiana, o vocábulo correspondente a “fominha” – aquele jogador que não passa a bola nunca – é “veneziano”. O termo “veneziano” pertence ao vocabulário esportivo popular e indica o jogador de futebol que, por ser dotado de boa técnica individual, excede no drible e termina por perder a bola para o jogador adversário ou por retardar a fluidez da ação do time. O termo vem da convicção que os habitantes de Veneza têm de querer fazer tudo sozinhos. Neste propósito se diz: “aquele ali é um veneziano, faz tudo sozinho”.


Quando Deus pedir para prestarmos contas - O Papa Francisco denuncia a exploração e os abusos contra menores

Na manhã de quarta-feira, 11 de Junho, elevou-se da praça de São Pedro uma oração coral a Nossa Senhora pelos meninos e meninas que no mundo são «explorados com o trabalho e também com os abusos». O Papa Francisco pediu aos mais de cinquenta mil fiéis que participaram na audiência geral que rezassem por isto. O Pontífice quis deste modo chamar a atenção da comunidade internacional para os milhões de crianças «que são obrigadas a trabalhar em condições degradantes, expostas – recordou – a formas de escravidão e de exploração, e também de abusos, maus-tratos e discriminações».

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

O dom do temor de Deus, do qual falamos hoje, conclui a série dos sete dons do Espírito Santo. Não significa ter medo de Deus: sabemos bem que Deus é Pai e que nos ama e quer a nossa salvação e sempre perdoa, sempre; por isso não há motivo para ter medo Dele! O temor de Deus, em vez disso, é o dom do Espírito que nos recorda quanto somos pequenos diante de Deus e do seu amor e que o nosso bem está em nos abandonarmos com humildade, com respeito e confiança em suas mãos. Este é o temor de Deus: o abandono na bondade do nosso Pai que nos quer tanto bem.

1. Quando o Espírito Santo faz morada em nosso coração, infunde em nós consolo e paz e nos leva a nos sentirmos assim como somos, isso é, pequenos, com aquela atitude – tão recomendada por Jesus no Evangelho – de quem coloca todas as suas preocupações e as suas expectativas em Deus e se sente envolvido e apoiado pelo seu calor e pela sua proteção, justamente como uma criança com o seu pai! O Espírito Santo faz isso nos nossos corações: nos faz sentir como crianças nos braços do nosso pai. Nesse sentido, então, compreendemos bem como o temor de Deus vem assumir em nós a forma da docilidade, do reconhecimento e do louvor, enchendo o nosso coração de esperança. Tantas vezes, de fato, não conseguimos acolher o desígnio de Deus e percebemos que não somos capazes de assegurarmos por nós mesmos a felicidade e a vida eterna. É justamente na experiência dos nossos limites e da nossa pobreza, porém, que o Espírito nos conforta e nos faz perceber como a única coisa importante é deixar-nos conduzir por Jesus entre os braços do seu Pai.

2. Eis porque temos tanta necessidade deste dom do Espírito Santo. O temor de Deus nos faz tomar consciência de que tudo vem da graça e que a nossa verdadeira força está unicamente em seguir o Senhor Jesus e em deixar que o Pai possa derramar sobre nós a sua bondade e a sua misericórdia. Abrir o coração para que a bondade e a misericórdia de Deus venham até nós. O Espírito Santo faz isso com o dom do temor de Deus: abre os corações. Coração aberto a fim de que o perdão, a misericórdia, a bondade, os carinhos do Pai venham a nós, para que nós sejamos filhos infinitamente amados.

2. Quando somos permeados pelo temor de Deus então somos levados a seguir o Senhor com humildade, docilidade e obediência. Isto, porém, não com atitude de resignação, passiva, mesmo lamentosa, mas com o estupor e a alegria de um filho que se reconhece servido e amado pelo Pai. O temor de Deus, então, não faz de nós cristãos tímidos, acomodados, mas gera em nós coragem e força! É um dom que faz de nos cristãos convictos, entusiasmados, que não ficam submetidos ao Senhor por medo, mas porque são comovidos e conquistados pelo seu amor! Ser conquistado pelo amor de Deus! E isto é uma coisa bela. Deixar-se conquistar por este amor de pai, que nos ama tanto, ama-nos com todo o seu coração.

Mas, estejamos atentos, porque o dom de Deus, o dom do temor de Deus é também um “alarme” diante da persistência no pecado. Quando uma pessoa vive no mal, quando blasfema contra Deus, quando explora os outros, quando lhes tiraniza, quando vive somente para o dinheiro, para a vaidade, o poder ou o orgulho, então o santo temor de Deus nos coloca um alerta: atenção! Com todo este poder, como todo este dinheiro, com todo o teu orgulho, com toda a tua vaidade, não serás feliz. Ninguém pode levar consigo para o outro lado nem o dinheiro nem o poder, nem a vaidade nem o orgulho. Nada! Podemos levar somente o amor que Deus Pai nos dá, os carinhos de Deus, aceitos e recebidos por nós com amor. E podemos levar aquilo que fizemos pelos outros. Atenção para não colocar a esperança no dinheiro, no orgulho, no poder, na vaidade, porque tudo isso não pode nos prometer nada de bom! Penso, por exemplo, nas pessoas que têm responsabilidade sobre os outros e se deixam corromper; vocês pensam que uma pessoa corrupta será feliz do outro lado? Não, todo o fruto da sua corrupção corrompeu o seu coração e será difícil ir para o Senhor. Penso naqueles que vivem do tráfico de pessoas e do trabalho escravo; vocês pensam que esta gente que trafica as pessoas, que explora as pessoas com o trabalho escravo tem no coração o amor de Deus? Não, não têm o temor de Deus e não são felizes. Não são. Penso naqueles que fabricam armas para fomentar guerras; mas pensem que profissão é esta. Estou certo de que se faço agora a pergunta: quantos de vocês são fabricantes de armas? Ninguém, ninguém. Estes fabricantes de armas não vem ouvir a Palavra de Deus! Estes fabricam a morte, são mercantes de morte e fazem mercadoria de morte. Que o temor de Deus faça com que eles compreendam que um dia tudo termina e que deverão prestar contas a Deus.

Queridos amigos, o Salmo 34 nos faz rezar assim: “Este miserável clamou e o Senhor o ouviu, de todas as angústias o livrou. O anjo do Senhor acampa em redor dos que o temem e os salva” (vv. 7-8). Peçamos ao Senhor a graça de unir a nossa voz àquela dos pobres, para acolher o dom do temor de Deus e poder nos reconhecermos, junto a eles, revestidos da misericórdia e do amor de Deus, que é o nosso Pai, o nosso Pai. Assim seja.


Após a catequese desta quarta-feira, 11, o Papa Francisco fez um apelo para que a comunidade internacional se empenhe para vencer a exploração do trabalho de crianças. A fala do Pontífice tem como contexto o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, celebrado nesta quinta-feira, 12.

O Santo Padre destaca que são dezenas de milhões de crianças obrigadas a trabalhar em condições degradantes. Elas são expostas a formas de escravidão e exploração, bem como a abusos, maus tratos e discriminação.

“Desejo realmente que a Comunidade Internacional possa ampliar a proteção social dos menores para vencer esta chaga da exploração das crianças. Renovemos todos o nosso empenho, em particular as famílias, para garantir a cada criança a proteção da sua dignidade e a possibilidade de um crescimento sadio”.

Francisco disse ainda que uma infância serena permite que a criança olhe com confiança para a vida e o futuro. Ele convidou todos a rezarem à Nossa Senhora por todas as crianças que são exploradas com o trabalho e com os abusos.

O apelo do Santo Padre foi concluído, então, com a oração da Ave Maria.
Boletim Santa Sé

Papa destaca bem-aventuranças como programa de santidade

As bem-aventuranças são o programa de vida do cristão. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 9.junho.2014. O Pontífice focou sua homilia nas bem-aventuranças e, retomando o encontro de oração pela paz realizado ontem no Vaticano, disse que é preciso ter a coragem da mansidão para derrotar o ódio.

Segundo Francisco, as respostas sobre o que fazer para ser um bom cristão estão nas bem-aventuranças, em que Jesus indica atitudes contrárias ao que habitualmente se faz no mundo. Trata-se de um programa de vida proposto por Jesus, algo tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

Sobre a pobreza de espírito, Francisco disse que as riquezas não asseguram nada; aliás, um coração rico está tão satisfeito consigo mesmo que não há lugar para a Palavra de Deus.

Quanto aos que choram, Francisco lembrou que estes serão consolados. O mundo, disse, não quer chorar; então, prefere ignorar as situações dolorosas. “Somente a pessoa que vê as coisas como são e chora no seu coração é feliz e será consolada. A consolação de Jesus, não a do mundo”.

O Papa também falou dos mansos, que são bem-aventurados, neste mundo, que desde o início é de guerra e ódio, embora Jesus tenha pedido paz e mansidão. Bem-aventurados são também os que lutam pela justiça. “É tão fácil entrar nas rachaduras da corrupção. Tudo é negócio. E quantas injustiças! Quanta gente sofre por essas injustiças!”

Sobre os misericordiosos, Francisco disse que são aqueles que perdoam, que entendem os erros dos outros. “Bem-aventurados os que perdoam, os que são misericordiosos. Porque todos nós somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem-aventurado aquele que segue pelo caminho do perdão”.

Bem-aventurados são também os puros de coração, lembrou o Papa, e os que trabalham pela paz. “É tão comum sermos agentes de guerras ou, pelo menos, de mal-entendidos! (…) O mundo das fofocas. Esse povo que fofoca não faz a paz, são inimigos dela”, disse Francisco, que, por fim, lembrou-se das pessoas que são perseguidas por causa da justiça, sendo também elas bem-aventuradas.

O Pontífice acrescentou que se o homem quiser algo a mais do que já está nas bem-aventuranças, Jesus dá outras indicações, como o protocolo segundo o qual os homens serão julgados, uma passagem presente no capítulo 25 do Evangelho de Mateus:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava doente e me visitastes, estava presos e fostes a mim. Com essas duas coisas – Bem-aventuranças e Mateus 25 – pode-se viver a vida cristã em santidade”, explicou o Santo Padre.

Para Francisco, estas são palavras simples, mas práticas a todos, pois o Cristianismo é uma religião prática. Ele finalizou indicando aos fiéis que façam, hoje, essas duas leituras: a passagem sobre as Bem-aventuranças e o capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

“Fará bem a vocês lê-lo uma vez, duas vezes, três vezes. Leiam isso, é um programa de santidade. Que o Senhor nos dê a graça de entender essa Sua mensagem”.

Últimos Tweets do Papa Francisco:

09/06/2014
Não murmuremos dos outros pelas costas, mas digamos-lhes abertamente o que pensamos.

08/06/2014
Hoje peço a todas as pessoas de boa vontade que se juntem a nós em oração pela paz no Médio Oriente. #weprayforpeace

SOLENIDADE DE PENTECOSTES
Oração pela paz do Presidente de Israel, Shimon Peres



Cidade do Vaticano, 8.junho.2014 (RV) - Eis as palavras do Presidente de Israel, Shimon Peres, no encontro de oração pela paz, realizado neste domingo, no Vaticano.

Sua Santidade Papa Francisco

Sua Excelência Presidente Mahmoud Abbas

Vim da Cidade Santa de Jerusalém para agradecer-lhes por este vosso convite excepcional. A Cidade Santa de Jerusalém é o coração pulsante do povo judaico. Em hebraico, a nossa língua antiga, a palavra Jerusalém e a palavra “paz” têm a mesma raiz. E, de fato, paz é a visão própria de Jerusalém. Como se lê no Livro dos Salmos (122, 6-9): “Pedi a paz para Jerusalém. Que tuas tendas repousem. Haja paz em teus murosE repouso em teus palácios.Por meus irmãos e meus amigosEu desejo: “A paz esteja contigo”.Pela casa do Senhor nosso Deus, eu peço: “Felicidade para ti!””.

Durante a Sua histórica visita à Terra Santa, Sua Santidade nos tocou com o calor do Seu coração, a sinceridade de Suas intenções, a Sua modéstia, a Sua gentileza. Sua Santidade tocou os corações das pessoas– independentemente de sua fé e nacionalidade. Sua Santidade se apresentou como um construtor de pontes de fraternidade e de paz. Nós todos precisamos da inspiração que acompanha o seu caráter e o seu caminho.Obrigado. Dois povos – os israelenses e os palestinos – ainda desejam ardentemente a paz. As lágrimas das mães sobre seus filhos ainda estão marcadas em nossos corações. Nós devemos pôr fim aos gritos, à violência, ao conflito. Nós todos necessitamos de paz. Paz entre iguais.

O Seu convite a unir-se à Sua Santidade nesta importante cerimônia para invocar a paz, aqui nos Jardins Vaticanos, na presença de autoridades Judaicas, Cristãs, Muçulmanos e Drusas, reflete maravilhosamente a Sua visão da aspiração que todos compartilhamos: Paz. Nesta ocasião comovente, repletos de esperança e fé, elevamos com o Senhor, Santidade, uma invocação pela paz entre as religiões, as nações, as comunidades, entre homens e mulheres. Que a verdadeira paz se torne em breve e rapidamente, nossa herança. O nosso Livro dos Livros nos impõe o caminho da paz, nos pede que trabalhemos por sua realização. Diz o Livro dos Provérbios: “Suas vias são vias de graça, e todas as suas sendas são paz”. Assim devem ser as nossas vias. Vias de graça e de paz. Não é por acaso que Rabi Akiva colheu a essência da nossa Lei com uma só frase: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Nós todos somos iguais diante do Senhor. Nós somos todos parte da família humana. Por isso, sem paz nós não somos completos e devemos ainda realizar a missão da humanidade. A paz não vem facilmente. Nós devemos trabalhar com todas as nossas forças para alcançá-la. Para alcançá-la rapidamente. Mesmo que isso requeira sacrifícios ou comprometimentos.

O Livro dos Salmos nos diz: “Se amas a vida e desejas ver longos dias, contenhas a tua língua do mal e teus lábios da mentira. Afasta-te do mal e faz o bem, busca a paz e persegue-a”. Isso significa que devemos perseguir a paz. Todos os anos. Todos os dias. Nós nos saudamos com esta bênção: Shalom, Salam. Nós devemos ser dignos do significado profundo desta bênção. Mesmo quando a paz parecer distante, nós devemos persegui-la para torná-la mais próxima. E se nós perseguimos a paz com perseverança, com fé, nós a alcançaremos. E esta durará graças a nós, a todos nós, de todas as religiões, de todas as nações, como foi escrito: “Esses transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices. Um povo não levantará mais a espada contra outro povo e não se exercitarão mais na arte da guerra”. A alma se eleva à leitura desses versos de visão eterna. E nós podemos – juntos e agora, israelenses e palestinos – transformar a nossa nobre visão numa realidade de bem-estar e prosperidade. É em nosso poder levar a paz aos nossos filhos. Este é o nosso dever, a santa missão dos pais.

Permitam-me concluir com uma oração: Aquele que faz a paz nos céus, faça paz sobre nós e sobre todo Israel sobre o mundo inteiro, e dizemos: Amém.
Palavras do Santo Padre no encontro de oração com os presidentes de Israele e Palestina



Cidade do Vaticano (RV) - Segue, na íntegra, o texto proferido pelo Papa Francisco no encontro de oração pela paz realizado na tarde deste domingo, 8 de junho, nos Jardins Vaticanos, com os presidentes de Israel e Palestina.

Senhores Presidentes,
Com grande alegria vos saúdo e desejo oferecer, a vós e às ilustres Delegações que vos acompanham, a mesma recepção calorosa que me reservastes na minha peregrinação há pouco concluída à Terra Santa.

Agradeço-vos do fundo do coração por terdes aceite o meu convite para vir aqui a fim de, juntos, implorarmos de Deus o dom da paz. Espero que este encontro seja o início de um caminho novo à procura do que une para superar aquilo que divide.

E agradeço a Vossa Santidade, venerado Irmão Bartolomeu, por estar aqui comigo a acolher estes hóspedes ilustres. A sua participação é um grande dom, um apoio precioso, e é testemunho do caminho que estamos a fazer, como cristãos, rumo à plena unidade.

A vossa presença, Senhores Presidentes, é um grande sinal de fraternidade, que realizais como filhos de Abraão, e expressão concreta de confiança em Deus, Senhor da história, que hoje nos contempla como irmãos um do outro e deseja conduzir-nos pelos seus caminhos.

Este nosso encontro de imploração da paz para a Terra Santa, o Médio Oriente e o mundo inteiro é acompanhado pela oração de muitíssimas pessoas, pertencentes a diferentes culturas, pátrias, línguas e religiões: pessoas que rezaram por este encontro e agora estão unidas conosco na mesma imploração. É um encontro que responde ao ardente desejo de quantos anelam pela paz e sonham um mundo onde os homens e as mulheres possam viver como irmãos e não como adversários ou como inimigos.

Senhores Presidentes, o mundo é uma herança que recebemos dos nossos antepassados, mas é também um empréstimo dos nossos filhos: filhos que estão cansados e desfalecidos pelos conflitos e desejosos de alcançar a aurora da paz; filhos que nos pedem para derrubar os muros da inimizade e percorrer a estrada do diálogo e da paz a fim de que triunfem o amor e a amizade.

Muitos, demasiados destes filhos caíram vítimas inocentes da guerra e da violência, plantas arrancadas em pleno vigor. É nosso dever fazer com que o seu sacrifício não seja em vão. A sua memória infunda em nós a coragem da paz, a força de perseverar no diálogo a todo o custo, a paciência de tecer dia após dia a trama cada vez mais robusta de uma convivência respeitosa e pacífica, para a glória de Deus e o bem de todos.

Para fazer a paz é preciso coragem, muita mais do que para fazer a guerra. É preciso coragem para dizer sim ao encontro e não à briga; sim ao diálogo e não à violência; sim às negociações e não às hostilidades; sim ao respeito dos pactos e não às provocações; sim à sinceridade e não à duplicidade. Para tudo isto, é preciso coragem, grande força de ânimo.

A história ensina-nos que as nossas meras forças não bastam. Já mais de uma vez estivemos perto da paz, mas o maligno, com diversos meios, conseguiu impedi-la. Por isso estamos aqui, porque sabemos e acreditamos que necessitamos da ajuda de Deus. Não renunciamos às nossas responsabilidades, mas invocamos a Deus como acto de suprema responsabilidade perante as nossas consciências e diante dos nossos povos. Ouvimos uma chamada e devemos responder: a chamada a romper a espiral do ódio e da violência, a rompê-la com uma única palavra: «irmão». Mas, para dizer esta palavra, devemos todos levantar os olhos ao Céu e reconhecer-nos filhos de um único Pai. A Ele, no Espírito de Jesus Cristo, me dirijo, pedindo a intercessão da Virgem Maria, filha da Terra Santa e Mãe nossa:

Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica!

Tentamos tantas vezes e durante tantos anos resolver os nossos conflitos com as nossas forças e também com as nossas armas; tantos momentos de hostilidade e escuridão; tanto sangue derramado; tantas vidas despedaçadas; tantas esperanças sepultadas... Mas os nossos esforços foram em vão. Agora, Senhor, ajudai-nos Vós!

Dai-nos Vós a paz, ensinai-nos Vós a paz, guiai-nos Vós para a paz. Abri os nossos olhos e os nossos corações e dai-nos a coragem de dizer: «nunca mais a guerra»; «com a guerra, tudo fica destruído»! Infundi em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz. Senhor, Deus de Abraão e dos Profetas, Deus Amor que nos criastes e chamais a viver como irmãos, dai-nos a força para sermos cada dia artesãos da paz; dai-nos a capacidade de olhar com benevolência todos os irmãos que encontramos no nosso caminho. Tornai-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão. Mantende acesa em nós a chama da esperança para efetuar, com paciente perseverança, opções de diálogo e reconciliação, para que vença finalmente a paz. E que do coração de todo o homem sejam banidas estas palavras: divisão, ódio, guerra! Senhor, desarmai a língua e as mãos, renovai os corações e as mentes, para que a palavra que nos faz encontrar seja sempre «irmão», e o estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam! Amém.
Oração pela paz do Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas



Cidade do Vaticano (RV) - Eis as palavras do Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, no encontro de oração pela paz, realizado neste domingo, no Vaticano.

Em nome de Deus, supremamente Clemente, supremamente misericordioso, Sua Santidade Papa Francisco, Sua Excelência Presidente Shimon Peres, Beatitudes, Senhores Xeques e Rabinos, Senhoras e Senhores.

É realmente uma grande honra para nós encontrar-nos novamente com Sua Santidade o Papa Francisco, para cumprir seu convite gentil de desfrutar de sua presença espiritual e nobre, e ouvir o seu pensamento e sabedoria cristalina, que emanam de um coração saudável, de uma consciência vibrante, como também de um elevado sentido ético e religioso. Agradeço a Sua Santidade do profundo do meu coração por ter promovido este importante encontro aqui no Vaticano. Ao mesmo tempo, apreciamos muito a sua visita à Terra Santa Palestina, sobretudo em nossa cidade santa Jerusalém e em Belém, cidade do amor e da paz, local do nascimento de Jesus Cristo. A visita é uma expressão sincera de sua fé na paz e uma tentativa crível para alcançar a paz entre palestinos e israelenses.

Ó Deus, nós te louvamos sempre por ter feito de Jerusalém a nossa porta para o céu. Como diz o Alcorão Sagrado, "Glória a Ele que fez com que Seu servo viajasse de noite do lugar sagrado da adoração ao mais alto lugar de adoração, cujas redondezas nós abençoamos". Tu tornaste a peregrinação e a oração neste lugar os melhores atos que os fiéis podem cumprir em sua honra, e expressaste a tua promessa fiel com as palavras: "Entre no Masjid como fizeram pela primeira vez". O Deus Onipotente disse a verdade.

Ó, Deus do Céu e da Terra, acolhe a minha oração para a realização da verdade, da paz e da justiça em minha pátria, a Palestina, na região, e no mundo inteiro.

Suplico-te, ó Senhor, em nome do meu povo, o povo da Palestina, muçulmanos e cristãos e samaritanos, que desejam ardentemente uma paz justa, uma vida digna e a liberdade; Peço-te, Ó Senhor, para tornar o futuro de nosso povo próspero e promissor, com liberdade num Estado soberano e independente. Concede, Ó Senhor, à nossa região e ao seu povo segurança, salvação e estabilidade. Salva a nossa cidade abençoada Jerusalém; primeira Kiblah, segunda Mesquita Santa, terceira das duas Mesquitas Santas, e cidade das bênçãos e da paz com tudo o que a circunda.

Reconciliação e paz, Ó Senhor, são a nossa meta. Deus, em seu Livro Sagrado disse aos fiéis: "Fazei a paz entre vós!" "Nós estamos aqui, Senhor, orientados em direção à paz. Torna firmes os nossos passos e coroa com o sucesso os nossos esforços e nossas iniciativas. Tu que és o promotor da virtude e aquele que previne o vício, o mal e a agressão. Tu falas e tu és o mais verdadeiro, e se eles se inclinam pra a paz, inclinas também tu em direção a ela, e tenhas confiança em Alá. Ele é aquele que escuta, conhece". Como diz o Profeta Muhammad, “Difundi a paz entre vós".

Hoje, nós repetimos aquilo que Jesus Cristo disse dirigindo-se a Jerusalém: "Se tu tivesses conhecido hoje o caminho da paz! Recordamos também as palavras de São João Paulo II, quando disse: "Se a paz se realiza em Jerusalém, a paz será testemunhada no mundo inteiro". E ao mesmo tempo, em nossa oração de hoje, proclamamos várias vezes para aqueles que lutam pela paz: "Bem-aventurados os que promovem a paz!"e "Pedi paz para Jerusalém" como se diz nas Sagradas Escrituras.

Por isso, pedimos-te, Senhor, a paz na Terra Santa, Palestina, e Jerusalém junto com o seu povo. Nós te pedimos para tornar a Palestina e Jerusalém, em particular, uma terra segura para todos os fiéis, e um lugar de oração e culto para os seguidores das três religiões monoteístas, Hebraísmo, Cristianismo e Islã, e para todos aqueles que desejam visitá-la como estabelecido no Alcorão Sagrado.

Ó Senhor, tu és a paz e a paz vem de ti. Que o Deus da glória e majestade doe a todos nós segurança e salvação, e alivia o sofrimento do meu povo na pátria e na diáspora.

Ó Senhor, concede uma paz compreensiva e justa ao nosso país e à região para que o nosso povo e os povos do Oriente Médio e o mundo inteiro possam gozar do fruto da paz, da estabilidade e da coexistência.

Desejamos a paz para nós e nossos vizinhos. Procuramos a prosperidade e pensamentos de paz para nós como também para os outros. Ó Senhor, responde às nossas orações e dá sucesso às nossas iniciativas porque tu és o justo, o misericordioso, Senhor dos mundos. Amém!

Papa Francisco: "Promovam o esporte como experiência educacional"

Cidade do Vaticano, 7.junho.2014 (RV) - O Papa Francisco recebeu na tarde deste sábado, na Praça São Pedro, no Vaticano, cerca de 50 mil participantes do encontro promovido pelo Centro Esportivo Italiano.

"Estamos vivendo uma verdadeira festa do esporte aqui na Praça São Pedro. Fico feliz por vocês comemorarem o 70° aniversário do Centro Esportivo Italiano com todo o mundo esportivo representado pelo Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI) e vários clubes esportivos", disse o pontífice.

O Santo Padre saudou com afeto os atletas, treinadores e diretores de clubes esportivos ali presentes. "Conheço e aprecio seu compromisso e dedicação na promoção do esporte como experiência educacional. Vocês, jovens e adultos, que trabalham com crianças, através de seu precioso serviço, são realmente educadores. É um motivo de orgulho, mas, sobretudo, é uma responsabilidade", disse ainda o Papa Francisco.

O Papa destacou que o esporte deve permanecer um jogo. "Somente se permanece um jogo faz bem ao corpo e ao espírito. Como vocês são esportistas, convido-os não só a jogar, como vocês já fazem, mas também a procurarem o bem, na Igreja e na sociedade, sem medo, com coragem e entusiasmo, a se envolverem com os outros e com Deus, e darem o melhor de si, oferecendo suas vidas por aquilo que realmente vale e que dura para sempre. Nos clubes esportivos se aprende a acolher. Acolhe-se todo atleta que deseja fazer parte, acolhendo uns aos outros, com simplicidade e simpatia. Peço a todos os dirigentes e treinadores para serem, acima de tudo pessoas acolhedoras, capazes de manter a porta aberta para oferecer a cada um, sobretudo aos desfavorecidos, a oportunidade de se expressar", destacou ainda o pontífice.

O Santo Padre disse aos presentes que é preciso dizer não ao individualismo. "Pertencer a um clube esportivo significa rejeitar toda forma de egoísmo e isolamento. É uma oportunidade de conhecer e estar com os outros, ajudar uns aos outros, para competir na estima recíproca e crescer na fraternidade", frisou Francisco.

O Papa disse ainda que muitos educadores, sacerdotes e religiosas iniciaram a amadurecer sua missão de homens e cristãos através do esporte. "Lembro-me, em especial, do Pe. Lorenzo Massa que pelas ruas de Buenos Aires reuniu um grupo de jovens no campo da paróquia e criou um time de futebol muito importante. O esporte na comunidade pode ser um ótimo instrumento missionário, onde a Igreja se aproxima de toda pessoa para ajudá-la a se tornar melhor e a encontrar Jesus Cristo", sublinhou.

O Papa Francisco encorajou os atletas a prosseguirem em seu compromisso através do esporte em favor de crianças das periferias das cidades. "Jogando, vocês também podem dar razões de esperança e confiança", concluiu.

Este foi o tweet do Papa Francisco neste 1º sábado de junho:

07/06/2014
A oração tudo pode. Usemo-la para levar paz ao Médio Oriente e ao mundo inteiro. #weprayforpeace


Missa em Santa Marta - O primeiro amor nunca se esquece

Nunca se esquece o primeiro amor. E isto é válido também para os bispos e os sacerdotes, que devem recordar sempre a beleza do seu primeiro encontro com Jesus. E devem ser também pastores que seguem passo a passo o Senhor, sem se preocupar como acabará a sua vida. São os pontos essenciais do ministério episcopal e sacerdotal que o Papa Francisco indicou durante a missa celebrada na manhã de sexta-feira, 6 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta.

O Pontífice inspirou-se no diálogo entre Jesus e Pedro descrito na conclusão do Evangelho de João (21, 15-19). É um dos muitos diálogos «lindos» de Jesus, ao lado daquele com «o cego, com a samaritana, com o doente na piscina». O colóquio com Pedro é «tranquilo», realiza-se «depois da ressurreição» e também «depois de um bom almoço». E precisamente neste trecho do Evangelho, o Papa confidenciou que encontra também «o estilo de diálogo que nós, sacerdotes, isto é padres e bispos, devemos manter com o Senhor».

João narra que «por três vezes o Senhor pergunta a Pedro se o ama». Isto significa, explicou o bispo de Roma, que «o Senhor quer mais o amor de um bispo, de um sacerdote que dos outros». O Senhor queria levá-lo de novo «àquela primeira tarde, quando se encontrou com o seu irmão André», o qual depois se encontrou com Pedro e lhe disse: «Vimos o Messias!». Numa palavra Jesus queria fazer com que Pedro voltasse para «o primeiro amor». Assim, quando o Senhor pergunta a nós, sacerdotes, se o amamos, deseja reconduzir-nos ao primeiro amor».

Trata-se portanto de voltar «àquele primeiro amor que todos nós tivemos». E é precisamente «para renovar este amor de hoje, que o Senhor quer que nós recordemos do primeiro amor».

Outro ponto que emerge da narração de João é o «envio: apascentai, sede pastores!». Alguém poderia objectar, frisou o Papa: «Mas Senhor, devo estudar porque gostaria de me tornar um intelectual da filosofia, da teologia, da patrologia...». A estes pensamentos devemos responder: «Sede pastores, depois vem o resto! Apascentai! Com a teologia, com a filosofia e a patrologia, com os estudos, mas apascentai! Sede pastores!».

De resto, disse o Pontífice, o Senhor chamou-nos para isto». Uma pergunta útil para um exame de consciência para bispos e sacerdotes é: «Sou pastor ou um funcionário desta ong que se chama “Igreja”?».

Um terceiro ponto coincide com outra pergunta,exactamente a que Pedro formula a Jesus em relação ao apóstolo João: mas ele que fim terá? Quase para dizer: «Como acabará este primeiro amor? Como terminará este amor de pastor? Acabará com a glória, com a majestade?». A resposta, contudo, é: «Não, irmão, acabará do modo mais comum, inclusive mais humilhante».

Um último ponto é constituído por «uma palavra mais forte: segue-me!». Este «segue-me!» deve ser a nossa certeza, nos passos de Jesus, no seu caminho.

O Papa Francisco concluiu com uma oração «pelos bispos e sacerdotes: o Senhor conceda a todos nós a graça de encontrar sempre, ou recordar sempre, o primeiro amor; de ser pastores, de não sentir vergonha de acabar humilhados numa cama», ou de perder a razão. Uma oração ao Senhor «a fim de que nos dê sempre a graça de seguir Jesus, os seus passos».
L’Osservatore Romano

O Santo Padre, na manhã desta 1ª sexta-feira de junho, escreveu em seu Twitter:

06/06/2014
A paz é um dom de Deus, mas exige o nosso compromisso. Procuremos ser gente de paz na oração e na vida. #weprayforpeace

Apresentado encontro de oração pela paz, no domingo

Cidade do Vaticano, 6.junho.2014 (RV) – Foi apresentado na manhã desta sexta-feira na Sala de Imprensa da Santa Sé o encontro de oração pela paz a ser realizado nos Jardins Vaticanos no próximo domingo, reunindo o Papa Francisco e os presidentes palestino e israelense. O objetivo do briefing foi explicar em modo articulado e preciso o desenvolvimento do encontro.

O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, iniciou o encontro com os jornalistas recordando as palavras do Papa Francisco ao convidar os Presidentes Mahmoud Abbas e o Shimon Peres para rezarem juntos pela paz no Oriente Médio.

O evento terá início no final da tarde de domingo com a chegada dos dois presidentes ao Vaticano. O Presidente israelense deverá chegar às 18h15min e o Presidente Palestino às 18h30min, sendo recebidos na Casa Santa Marta pelo Santo Padre, para um breve colóquio. Por volta das 18h45min os três se encontrarão no hall da casa santa marta, onde também estará presente o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. Posteriormente, seguirão juntos num micro-ônibus até o local do encontro de oração. Eles serão acompanhados pelo Custódio da Terra Santa Pierbattista Pizzaballa.

O local do encontro – um gramado triangular, delimitado por cercas-vivas – situa-se entre a Casina Pio IV e os Museus Vaticanos. O espaço é aberto ao edifício dos Museus e orientado para a Cúpula de São Pedro. O Papa Francisco, o Patriarca Bartolomeu e os dois Presidentes ficarão no vértice deste triângulo, enquanto num dos lados estarão dispostos as delegações e os cantores e músicos. A imprensa ficará no lado oposto, no lado aberto para os Museus.

Após os protagonistas do encontro terem se posicionado - o Papa ficará entre os dois Presidentes: o Presidente Peres à direita e o Presidente Abu Mazen à esquerda – e o Patriarca em uma cadeira próxima, numa posição especial – terá início a invocação pela paz.

Inicialmente haverá uma abertura musical e um breve comentário, em inglês, que explicará o desenvolvimento do evento, seguidos por três momentos que se desenvolverão na ordem cronológica das três religiões, isto é, antes o momento do judaísmo, após o do cristianismo e depois o do Islã. O momento judaico terá textos em hebraico; o momento cristão textos em inglês, italiano e árabe e o momento muçulmano textos em árabe.

O desenvolvimento do evento seguirá o seguinte esquema: antes, um momento de agradecimento pela Criação, após um momento de pedido de perdão, seguido por um momento de invocação pela paz. Estes momentos serão intercalados por interlúdios musicais muito simples, aos cuidados de Mons. Palombella, com a colaboração de músicos.

Após estes três momentos - que são a parte substancial da invocação pela paz -, haverá uma breve leitura em inglês que introduz o último momento, com os pronunciamentos do Santo Padre, do Presidente Peres e do Presidente Mahmoud Abbas, que dirão palavras que julgam apropriadas e as suas invocações pela paz.

Após os três pronunciamentos, haverá um gesto de paz – provavelmente um aperto de mão comum – seguido pelo plantio de uma oliveira, gesto habitual nestes momentos em que se reza ou se encontra em favor da paz. Depois disto, os quatro serão saudados pelas delegações.

Sucessivamente, os quatro protagonistas do encontro se dirigem ao prédio da Academia das Ciências situada a poucas dezenas de metros de distância, onde no pátio oval chamado “Ninfeo”, terão um encontro reservado longe das câmaras e dos jornalistas. Terminado o encontro, cada Presidente entra no seu automóvel, para deixar o Vaticano, enquanto o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu se dirigem à Casa Santa Marta.

O Padre Lombardi recordou que o início da invocação pela paz, propriamente dita, deverá ser por volta das 19 horas e terá uma duração aproximada de 1 hora, prevendo-se assim o término da cerimônia por volta das 20h30min – 20h40min.

Durante a audiência à Arma dos carabineiros o Papa anuncia que a 13 de Setembro irá ao sacrário de Redipuglia para rezar pelos mortos de todas as guerras

O Papa Francisco irá no próximo dia 13 de Setembro ao sacrário de militar de Redipuglia «para rezar pelos mortos de todas as guerras». Foi ele mesmo quem o anunciou na manhã de sexta-feira, 6 de Junho, durante a audiência na praça de São Pedro à Arma dos carabineiros, frisando que a visita terá lugar por ocasião do centenário do início «daquela enorme tragédia que foi a primeira guerra mundial», da qual – acrescentou improvisando - «ouvi tantas histórias dolorosas dos lábios do meu avô, que a combateu nas margens do rio Piave».

O anúncio do Pontífice ressoou na conclusão do encontro com cinquenta mil militares, que vieram de toda a Itália juntamente com os familiares para celebrar o bicentenário de fundação da arma. Dois séculos de história que, segundo o Papa, testemunham o «forte» vínculo entre os carabineiros e o país. Um vínculo «feito de solidariedade, confiança e dedicação ao bem comum», que se expressa sobretudo no esforço de «estar próximos dos problemas das pessoas, principalmente das mais débeis e em dificuldade».

«A vossa vocação é o serviço» recordou Francisco, frisando que a defesa «da ordem pública e da segurança das pessoas é um compromisso cada vez mais actual numa sociedade dinâmica, aberta e legalista, como a italiana». Do Pontífice também uma chamada à necessidade de «corresponder à confiança e à estima» das pessoas através de «disponibilidade constante, paciência, espírito de sacrifício e sentido do dever». Como demonstram os numerosos «fiéis servidores do Estado» - pelos quais o Papa convidou a fazer uma oração silenciosa – que «honraram a vossa arma com a oferenda de si mesmos, a adesão ao juramento prestado e o serviço generoso ao povo».
L’Osservatore Romano
A mensagem do Santo Padre pelo 70° aniversário do 'Dia D'

Cidade do Vaticano, 5.junho.2014 (RV) – Com uma mensagem assinada pelo Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, o Papa Francisco une seus sentimentos e orações pela paz aos participantes do 70º aniversário do desembarque na Normandia, o 'Dia D'. A mensagem é dirigida ao Arcebispo de Paris, Cardeal Andrè Vingt-Trois, a Dom Jean Claude Boulanger, Bispo de Bayeus-Lisieux e a todas as pessoas reunidas para as comemorações deste evento que marcou uma reviravolta nos rumos da Segunda grande Guerra.

“O Papa Francisco – lê-se na mensagem – presta homenagem aos soldados que partiram das próprias terras para desembarcar nas praias da Normandia, com o objetivo de lutar contra a barbárie nazista libertando assim a França ocupada”. O Santo Padre não se esquece nem mesmo dos soldados alemães envolvidos neste drama, assim como de todas as vítimas desta guerra.

Para o Santo Padre, “é oportuno que as gerações do presente expressem o seu pleno reconhecimento a todos que realizaram um sacrifício assim forte. É por meio da transmissão da memória e mediante a educação das novas gerações no respeito de todos os homens criados à imagem e semelhança de Deus, que é possível levar em consideração, na esperança, um futuro melhor”.

“Esta comemoração – lê-se na mensagem enviada pelo Cardeal Secretário de Estado em nome do Papa – nos recorda que a exclusão de Deus da vida das pessoas e da sociedade provoca mortes e sofrimentos”. “As nações européias – observou - podem encontrar no Evangelho de Cristo, Príncipe da Paz, a raiz da sua história e a fonte de inspiração para estabelecer relações sempre mais fraternas e solidárias” e desejou que “Santa Teresa Bendita da Cruz – a judia convertida Edith Stein, mártir em um campo de concentração nazista e co-padroeira da Europa – seja guia e protetora para se avançar neste caminho de paz”.


Missa em Santa Marta – Uma casa que não se aluga

«Uniformistas, alternativistas e vantagistas»: foram os três neologismos que o Papa Francisco cunhou – «martirizando um pouco a língua italiana» como ele mesmo admitiu – para descrever as três categorias de cristãos que provocam divisões na Igreja, durante a missa na capela da Casa de Santa Marta, celebrada na manhã de quinta-feira, 5 de Junho.

Inspirando-se no Evangelho de João (17, 20-26), o Pontífice reflectiu sobre a imagem «de Jesus que reza pelos seus discípulos; reza por todos os que chegarão, que virão à pregação dos apóstolos; reza pela Igreja. E o que o Senhor pede ao Pai?», perguntou-se. A resposta foi: «a unidade da Igreja: que seja una, que não haja divisões, que não haja discussões». Por isso, comentou «é necessária a oração do Senhor, porque a unidade na Igreja não é fácil».

Aos que dizem que são Igreja mas «estão dentro dela só com um pé», enquanto o restante fica «fora», o Papa advertiu que vivem como locatários, isto é, «alugam a Igreja, mas não a consideram a própria casa».

Entre estes, o bispo de Roma indicou três categorias, começando por aqueles que «querem que todos sejam iguais na Igreja»: os «uniformistas», cujo estilo é «uniformizar tudo. Todos iguais», fazendo confusão entre o que Jesus pregou no Evangelho e a sua doutrina de igualdade. Dizem-se cristãos, católicos, mas a sua atitude rígida afasta-os da Igreja.

Quanto ao segundo grupo os «alternativistas», o bispo de Roma catalogou-os entre os que pensam da seguinte maneira: «Entro na Igreja, mas com esta ideia, com esta ideologia». Põem-se condições «e assim a sua pertença à Igreja é parcial». «Um pé dentro outro fora; alugam a Igreja», sem que a sintam própria.

Enfim, o terceiro grupo: «os que procuram vantagens». «Vão à Igreja a fim de obter vantagens pessoais e acabam fazendo comércio na Igreja». São os homens de negócios. «Pavoneiam-se por ser benfeitores e no final, atrás da mesa, só fazem os próprios negócios». Não sentem a Igreja como mãe.

Contudo a mensagem de Cristo é outra: a todas estas categorias, prosseguiu o Pontífice, Jesus diz que «a Igreja não é rígida, é livre! Nela há muitos carismas, existe uma grande diversidade de pessoas e de dons do Espírito. Ele diz que na Igreja «devemos oferecer o nosso coração ao Evangelho, ao que o Senhor ensinou, e não ter uma alternativa! Ele diz-nos: se quiseres entrar na Igreja faz «por amor, para doar tudo, todo o coração e não para comercializar para teu lucro». De facto, «a Igreja não é uma casa para ser alugada» por quantos «querem fazer a própria vontade»; ao contrário «é uma casa para viver».

E a quantos afirmam que não é fácil estar na Igreja com ambos os pés, porque «são muitas as tentações», o bispo de Roma recorda aquele que «realiza a unidade na Igreja, a unidade na diversidade, na liberdade, na generosidade», isto é o Espírito Santo. Somos todos chamados à docilidade do Espírito Santo. E é precisamente esta virtude que nos salvará da rigidez, do ser «uniformista», «alternativista» ou «vantagista». É esta docilidade que transforma a Igreja de uma casa «alugada» em casa que cada um sente como própria.

Ao catholicos Aram o Papa recorda a história de provações e sofrimentos dos fiéis armênios



«Confiança e esperança: disto precisamos tanto», disse o Papa Francisco dirigindo-se ao catholicos da Igreja arménia apostólica da Cilícia, Aram I, durante o encontro realizado esta manhã, quinta-feira 5 de Junho, no Vaticano.

De confiança e esperança, especificou, «precisam os irmãos cristãos do Médio Oriente, sobretudo os que vivem nas zonas martirizadas pelo conflito e pela violência». Contudo, acrescentou, «delas precisamos também nós cristãos que não devemos enfrentar estas dificuldades, mas que muitas vezes corremos o risco de nos perder nos desertos da indiferença e do esquecimento de Deus, ou de viver no conflito entre irmãos, ou de sucumbir nas nossas batalhas interiores contra o pecado». Como seguidores de Jesus, exortou, «devemos aprender a carregar com humildade os pesos dos outros, ajudando-nos assim reciprocamente a ser mais cristãos, mais discípulos de Jesus», e caminhando «juntos na caridade».

Ao reconhecer o «progresso contínuo» nas «relações fraternas» entre a Igreja católica e a Igreja arménia apostólica, o Pontífice manifestou abertamente apreço pela actividade desempenhada pelo catholicos «pela causa da unidade dos crentes». Nesta direcção, garantiu, «partilhamos as mesmas esperanças e o mesmo compromisso responsável, cientes de caminhar assim na vontade do Senhor Jesus».

O Papa Francisco não deixou de recordar que a vida dos cristãos arménios foi «marcada por uma história de provações e sofrimentos, aceites corajosamente por amor a Deus». A Igreja apostólica – frisou – «viu-se obrigada a tornar-se um povo peregrino, experimentando assim de modo muito singular o próprio estar a caminho rumo ao reino de Deus». A história «de emigração, perseguição e martírio de tão grande número de fiéis deixou feridas profundas nos corações de todos os arménios», afirmou, exortando a ver nelas as «feridas do próprio corpo de Cristo».

No final do colóquio privado e do encontro na Sala Clementina, o Papa Francisco e o catholicos Aram I foram à capela Redemptoris Mater onde rezaram juntos.
L'Osservatore Romano


Também nesta quinta-feira, o Papa Francisco escreveu um Tweet:

05/06/2014
Como o Bom Samaritano, não nos envergonhemos de tocar as feridas de quem sofre, mas procuremos curá-las com gestos concretos de amor.


Santo Padre e a contribuição da Igreja em favor das comunidades nômades



Cidade do Vaticano, 5.junho.2014 (RV) – Agora pela manhã, em audiência no Vaticano, o Papa Francisco deu as boas-vindas aos participantes do Encontro Mundial dos Promotores Episcopais e dos Diretores Nacionais da Pastoral dos Ciganos. Em seguida às saudações ao grupo, formado por representantes provenientes de 26 países da América, Ásia e Europa, o Santo Padre falou sobre o tema do evento: “A Igreja e os Ciganos: anunciar o Evangelho nas periferias”.

“Neste tema, em primeiro lugar, tem a memória de uma relação, aquela entre a comunidade eclesial e o povo nômade, a história de um caminho para se conhecer, para se encontrar; e ainda tem o desafio para o hoje, um desafio que se refere, seja à pastoral ordinária, seja à nova evangelização. Geralmente os ciganos se encontram às margens da sociedade e, às vezes, são vistos com hostilidade e desconfiança; acabam sendo mal envolvidos nas dinâmicas políticas, econômicas e sociais do território. Sabemos que é uma realidade complexa, mas inclusive o povo nômade é chamado a contribuir ao bem comum, e isso é possível através de caminhos adequados de co-responsabilidade, na observação dos deveres e na promoção dos direitos de cada um.”

Papa Francisco também se referiu às causas que provocam “situações de pobreza em uma parte da população”, identificando-as como “a falta de estruturas educacionais para a formação cultural e profissional, o difícil acesso à assistência sanitária, a discriminação no mercado de trabalho e a falta de moradias dignas”.

“Se essas manchas do tecido social afetam todos indistintamente, os grupos mais frágeis são aqueles que mais facilmente se transformam em vítimas das novas formas de escravidão. São, de fato, as pessoas menos protegidas que caem na armadilha da exploração, da mendicância forçada e de diversas formas de abuso. Os ciganos estão entre os mais vulneráveis, principalmente quando falta o apoio para a integração e a promoção da pessoa nas várias dimensões do viver em sociedade. Aqui se encontra a atenção da Igreja e a contribuição específica de vocês. O Evangelho, de fato, é anúncio de alegria para todos e, em modo especial, para os mais vulneráveis e marginalizados. A eles somos chamados a garantir a nossa proximidade e a nossa solidariedade, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que testemunhou a eles a predileção ao Pai.”

Além das ações solidárias em benefício ao povo nômade, ainda segundo o Santo Padre, é necessário “o empenho das instituições locais e nacionais, e o apoio das comunidades internacionais para identificar projetos e atuações voltados ao melhoramento da qualidade de vida”.

“No que diz respeito à situação dos ciganos em todo o mundo, hoje é imprescindível desenvolver novas abordagens em âmbito civil, cultural e social, bem como na estratégia pastoral da Igreja para lidar com os desafios que surgem de formas modernas de perseguição, de opressão e, às vezes, até de escravidão. Encorajo vocês a prosseguirem com generosidade essa importante obra, a não desanimarem, mas a continuarem no empenho em favor de quem realmente está em condições de necessidade e marginalização, nas periferias humanas. Que os ciganos possam encontrar em vocês, irmãos e irmãs que os amam com o mesmo amor que Cristo amou os mais marginalizados. Sejam para eles, o rosto acolhedor e alegre da Igreja.”

O Encontro, organizado pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, termina amanhã (6) para avaliar o empenho da Igreja nesse contexto e segundo uma realidade que exige novas estratégias de atuação perante a comunidade cigana. Serão dois dias de debates para analisar novos e adequados métodos em relação ao tema, incentivados pela exortação do Santo Padre.

A ocasião também deve servir para preparar as celebrações ao cinquentenário da visita de Paulo VI ao acampamento dos ciganos na cidade de Pomezia, aqui na Itália, ocorrida em 1965.


Audiência: ter piedade não é fazer cara de santo, mas servir os irmãos

Cidade do Vaticano, 4.junho.2014 (RV) – Cerca de 40 mil fiéis lotaram a Praça S. Pedro esta manhã para a Audiência Geral.
Sob um sol de verão, o Papa percorreu toda a Praça a bordo do seu papamóvel por cerca de 30 minutos para saudar a multidão em festa.

Nesta quarta-feira, o Papa Francisco retomou sua catequese sobre os dons do Espírito Santo, para falar desta vez sobre a piedade – “dom que muitas vezes é incompreendido ou considerado de modo superficial”, disse o Papa.

Texto da catequese na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje queremos nos concentrar em um dom do Espírito Santo que tantas vezes é mal entendido ou considerado de modo superficial, e em vez disso toca no coração a nossa identidade e a nossa vida cristã: trata-se do dom da piedade.

É preciso esclarecer logo que este dom não se identifica com ter compaixão de alguém, ter piedade do próximo, mas indica a nossa pertença a Deus e a nossa ligação profunda com Ele, uma ligação que dá sentido a toda a nossa vida e que nos mantém sadios, em comunhão com Ele, mesmo nos momentos mais difíceis e conturbados.

1. Esta ligação com o Senhor não deve ser entendida como um dever ou uma imposição. É uma ligação que vem de dentro. Trata-se de uma relação vivida com coração: é a nossa amizade com Deus, dada a nós por Jesus, uma amizade que muda a nossa vida e nos enche de entusiasmo, de alegria. Por isso, o dom da piedade suscita em nós antes de tudo a gratidão e o louvor. É este, na verdade, o motivo e o sentido mais autêntico do nosso culto e da nossa adoração. Quando o Espírito Santo nos faz perceber a presença do Senhor e todo o seu amor por nós, aquece-nos o coração e nos move quase naturalmente à oração e à celebração. Piedade, então, é sinônimo de autêntico espírito religioso, de intimidade filial com Deus, daquela capacidade de rezar a Ele com amor e simplicidade que é própria das pessoas humildes de coração.

2. Se o dom da piedade nos faz crescer na relação e na comunhão com Deus e nos leva a viver como seus filhos, ao mesmo tempo nos ajuda a dirigir este amor também para os outros e a reconhecê-los como irmãos. E então sim seremos movidos por sentimentos de piedade – não de pietismo! – nos confrontos com quem está próximo a nós e com aqueles que encontramos todos os dias. Por que digo não de pietismo? Porque alguns pensam que ter piedade é fechar os olhos, fazer uma cara de imagem, fazer de conta que é um santo. No dialeto piemontês se diz ‘fare la “mugna quacia”’. Este não é o dom da piedade. O dom da piedade significa ser realmente capaz de alegar-se com quem está na alegria, de chorar com quem chora, de estar próximo a quem está sozinho ou angustiado, de corrigir quem está no erro, de consolar quem está aflito, de acolher e socorrer quem está precisando. Há uma relação muito estreita entre o dom da piedade e a mansidão. O dom da piedade que nos dá o Espírito Santo nos faz mansos, nos faz tranquilos, pacientes, em paz com Deus, a serviço dos outros com mansidão.

Queridos amigos, na Carta aos Romanos o apóstolo Paulo afirma: “Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai” (Rm 8,14-15). Peçamos ao Senhor que o dom do seu Espírito possa vencer o nosso temor, as nossas incertezas, também o nosso espírito inquieto, impaciente, e possa nos tornar testemunhas alegres de Deus e do seu amor, adorando o Senhor em verdade e também no serviço ao próximo com mansidão e com sorriso que sempre o Espírito Santo nos dá na alegria. Que o Espírito Santo dê a todos nós este dom da piedade.

Papa Francisco: Jesus é o nosso primeiro advogado

Cidade do Vaticano (RV) - Jesus reza por cada um mostrando ao Pai as suas chagas. Essa foi uma das passagens da homilia do Papa Francisco, na Missa desta terça-feira, 3.junho.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que Jesus é o advogado do ser humano e o defende, mesmo quando ele é culpado e cometeu tantos pecados.

As leituras do dia ofereceram ao Papa a oportunidade de se concentrar na oração de intercessão. Quando Paulo foi a Mileto, todos estavam tristes; o mesmo aconteceu com os discípulos quando Jesus pronunciou o discurso de despedida antes de ir ao Getsêmani e começar a Paixão. Francisco destacou, nesse ponto, uma pequena frase da despedida de Jesus que incita reflexão: “Eu rezo por eles”.

“O apóstolo João, pensando nessas coisas e falando de nós, que somos tão pecadores, diz: ‘Não pecais, mas se algum de vós peca, saiba que temos um advogado diante do Pai, um que reza por nós, defende-nos diante d’Ele’. Acredito que devemos pensar muito nessa verdade, nessa realidade: ‘Neste momento, Jesus está rezando por mim. Eu posso seguir adiante na vida, porque tenho um Advogado que me defende; e se eu sou culpado e tenho tantos pecados, Jesus é um bom advogado defensor e falará ao Pai sobre mim”.

O Santo Padre explicou que Jesus ama a humanidade e faz com que o Pai veja as suas próprias chagas. A partir delas, Jesus reza lembrando ao Pai que elas foram o preço da salvação; então, pede que o Este ajude o homem e jamais o deixe só. Francisco defendeu que os fiéis tenham essa fé, que sejam conscientes dessa oração de intercessão de Jesus e não se esqueçam de pedi-la.

“’Jesus, reze por mim. Faça o Pai ver as Suas chagas que são também as minhas, são as chagas do meu pecado, do meu problema neste momento’. Peguemos a palavra que Jesus disse a Pedro: ‘Pedro, eu rezarei por você para que a tua fé não diminua’. Sejamos seguros de que Ele está fazendo isso por cada um de nós”.

Francisco responde carta de seminaristas cubanos



O Papa Francisco enviou, nesta segunda-feira, 2.junho.2014,  uma carta a um grupo de seminaristas cubanos, afirmando que o trabalho de evangelização realizado por eles é uma “tarefa apaixonante”,  para ser vivida para sempre.

O Pontífice respondeu ao telegrama enviado pelos seminaristas na última semana. O Santo Padre pediu aos jovens que levem Cristo “no próprio coração para que sejam capazes de oferecê-Lo, sem reservas, aos outros, especialmente àqueles que mais precisam d’Ele”.

Ao concluir, Francisco agradeceu aos seminaristas por tê-lo feito participante do desejo deles de reforçar o chamado de Deus para se tornarem bons sacerdotes a serviço do povo cubano.
news.va


Nesta terça-feira, Papa Francisco twittou:

03/06/2014
Obrigado a todos os professores: educar é uma missão importante, que aproxima tantos jovens do bem, do belo e do verdadeiro.

Missa em Santa Marta - Três amores para um matrimônio

Foi uma pequena festa, para quinze casais que recordaram o aniversário de matrimônio, a missa celebrada pelo Papa na manhã de segunda-feira, 2 de Junho, na capela da Casa de Santa Marta. Inspirando-se precisamente na experiência vivida por estas famílias, o Pontífice indicou as linhas essenciais do sacramento do matrimónio e «do amor esponsal de Jesus pela Igreja», ou seja «por todos nós»: fidelidade, perseverança e fecundidade.

Uma reflexão sobre o amor que brota sobretudo do discurso de despedida de Jesus aos apóstolos, proposto pelo Evangelho de João (16, 29-33). Jesus, explicou o Papa, «fala sobre o mesmo tema: o mundo, o espírito do mundo, que nos faz tão mal, e o Espírito que ele traz, o Espírito das bem-aventuranças, o Espírito do Pai». Ele diz expressamente: «O Pai está comigo». E é por isso que «vence o mundo».

«O Pai enviou Jesus a nós», afirmou o bispo de Roma, porque «amou tanto o mundo que, para o salvar, enviou o seu Filho, por amor». Portanto, «Jesus vem por amor e Jesus ama». Mas qual é o amor de Jesus? «Muitas vezes – fez notar – lemos tolices sobre o amor de Jesus! Mas o amor de Jesus é grande». E, em particular, indicou «três amores de Jesus».

Em primeiro lugar Jesus «ama muito o Pai no Espírito Santo». É um amor «misterioso» e «eterno». A ponto que «nós não podemos imaginar como é grande e belo este amor»; só podemos «pedir a graça de o poder ver uma vez, quando estivermos lá». O «segundo amor de Jesus é a sua Mãe». Vemo-lo «no final: com tantas dores, tantos sofrimentos, Ele da cruz pensou na sua mãe e disse: “Ocupa-te dela!» Enfim, «o terceiro amor de Jesus é a Igreja, a sua esposa por amor: bela, santa, pecadora, mas ama-a igualmente».

A presença dos quinze casais inspirou ao Papa a segunda parte da meditação. «São Paulo – explicou – quando se refere ao sacramento do matrimônio, chama-o sacramento grande, porque Jesus casou-se com a sua Igreja e cada matrimónio cristão é um reflexo destas núpcias de Jesus com a Igreja».

O Papa confidenciou que gostaria de ouvir a história de cada casal para que narre «o que aconteceu neste tempo, ao longo destes sessenta, cinquenta anos, vinte e cinco anos». Mas, acrescentou imediatamente, «não vamos acabar nem sequer ao meio-dia: portanto deixemos estar!». Contudo, prosseguiu, «podemos dizer algo sobre o amor esponsal de Jesus para com a Igreja». Um amor que tem «três características: é fiel; é perseverante, nunca se cansa de amar a sua Igreja, é fecundo».

Em primeiro lugar «é um amor fiel. Jesus é o fiel», como nos recorda também são Paulo. «A fidelidade – afirmou o Pontífice – é precisamente a essência do amor de Jesus. E o amor de Jesus na sua Igreja é fiel. Esta fidelidade é como uma luz sobre o matrimônio: a fidelidade do amor, sempre!». O Papa reconheceu que «existem momentos maus, muitas vezes os casais discutem. Mas por fim voltam atrás, pedem perdão e o amor matrimonial vai em frente, como o amor de Jesus para com a Igreja».

A vida matrimonial, além disso, é «também um amor perseverante», porque, se faltar esta determinação «o amor não pode avançar». E dirigindo-se novamente aos esposos presentes, sobretudo a quantos festejaram os seus sessenta anos de vida matrimonial, o bispo de Roma frisou que é bela esta experiência da perseverança, testemunhada pelo «homem e pela mulher que se levantam todas as manhãs e levam em frente a família».

Por conseguinte, o Pontífice indicou na fecundidade «a terceira característica do amor de Jesus com a sua esposa, a Igreja. O amor de Jesus torna fecunda a sua esposa, torna fecunda a sua Igreja com novos filhos, baptismo. E a Igreja cresce com esta fecundidade nupcial do amor de Jesus». Contudo, «por vezes o Senhor não concede filhos: é uma provação». E «há outras provações: quando nasce um filho doente». E «estas provações levam em frente os matrimónios, quando olham para Jesus e tiram a força da fecundidade e do amor que Jesus tem para com a sua Igreja».

O Papa Francisco recordou a este propósito «que Jesus não gosta dos matrimónios que não querem filhos, que querem ficar sem fecundidade». São o produto da «cultura do bem-estar de há dez anos», segundo o qual «é melhor não ter filhos, assim podes ir de férias conhecer o mundo, podes ter uma vivenda no campo e estás tranquilo!». É uma cultura que sugere que «é mais cômodo ter um cãozinho e dois gatos», assim o amor é oferecido aos dois gatos e ao cãozinho». Mas, deste modo «este matrimônio acaba por chegar à velhice na solidão, com a amargura da má solidão: não é fecundo, não faz o que Jesus faz com a sua Igreja».

Enfim, o Papa rezou pelos casais pedindo «ao Senhor que o vosso matrimônio seja bonito, com cruzes mas belo, como o de Jesus para com a Igreja: fiel, perseverante e fecundo».
L’Osservatore Romano

Hoje o Santo Padre também deixou uma mensagem em seu Twitter:

02/06/2014
Às vezes, nos fechamos em nós mesmos... Senhor, ajudai-nos a sair ao encontro dos outros, a servir os mais fracos.


Papa Francisco participou neste domingo de encontro da Renovação Carismática italiana

Uma multidão em festa acolheu na tarde deste domingo, 1º, o Papa Francisco no Estádio Olímpico de Roma, para celebrar os 37 anos da Renovação Carismática italiana.

Eis o discurso do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs !

Eu os agradeço pela acolhida. Certamente alguém falou para os organizadores que eu gosto muito dessa música, “Vive Jesus, o Senhor”. Quando eu celebrava na catedral de Buenos Aires a Missa com a Renovação Carismática, após a consagração, e depois de alguns segundos de adoração em línguas, cantávamos esta canção com tanta alegria e com força, como vocês cantaram hoje. Obrigado! Senti-me em casa!

Agradeço a Renovação no Espírito, o I’CCRS e a Fraternidade Católica,  por este encontro com vocês, que me dá tanta alegria. Agradeço também a presença dos primeiros que tiveram uma forte experiência do poder do Espírito Santo, creio que a Paty esteja aqui… Vocês, Renovação Carismática, receberam um grande presente do Senhor. Vocês nasceram de um desejo do Espírito Santo como “uma corrente de graça” na Igreja e para a Igreja. É isto que os define: “uma corrente de graça”.

O primeiro dom do Espírito Santo, qual é? O dom de si mesmo, que é amor e te faz apaixonar-se por Jesus.  E este amor muda a  vida. Por esta razão, se diz “nascer de novo para a vida no Espírito”. Como Jesus disse a Nicodemos. Vocês  receberam  o grande dom da diversidade dos carismas, a diversidade que leva à harmonia do Espírito Santo, ao serviço da Igreja.

Quando penso em vocês carismáticos, me vem a mesma imagem da Igreja, mas de um modo particular: penso em uma grande orquestra, na qual, cada instrumento é diferente do outro, e também as vozes são diferentes, mas todos são necessários para a harmonia da música. São Paulo nos diz, no capítulo 12 da Primeira Carta aos Coríntios.

Portanto, como é uma orquestra, ninguém na Renovação pode pensar em ser mais importante ou maior que o outro, por favor ! Porque, quando alguém de vocês pensa que é mais importante que o outro, maior que o outro, começa a peste! Ninguém pode dizer: “Eu sou o chefe”. Vocês, como toda a Igreja, tem um só chefe, um só Senhor: o Senhor Jesus. Repitam comigo: Quem é o chefe da Renovação? O Senhor Jesus! Quem é o chefe da Renovação? (Os participantes repetem) O Senhor Jesus! E podemos dizer isso com a potência que nos dá o Espírito Santo, porque ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor”, sem o Espírito Santo.

Como vocês devem saber – porque as notícias correm – nos primeiros anos da Renovação Carismática, em Buenos Aires, eu não amava muito esses carismáticos. E eu dizia a eles: “Parecem uma escola de samba!”.  Eu não partilhava da maneira deles rezarem  e  tantas coisas novas que estavam acontecendo na Igreja. Depois disso, eu comecei a conhecê-los e eu finalmente entendi o bem que a Renovação Carismática faz a Igreja. E essa história, que vai desde “escola de samba” para a frente, termina de uma forma especial: alguns meses antes de participar no Conclave, fui nomeado pela Conferência Episcopal,  o assistente espiritual da Renovação Carismática na Argentina.

A Renovação Carismática é uma grande força no serviço do Evangelho, na alegria do Espírito Santo. Você receberam o Espírito Santo que os fez descobrir o amor de Deus por todos os seus filhos e o amor pela Palavra.

Nos primeiros tempos diziam que vocês carismáticos estavam sempre com uma Bíblia, o Novo Testamento … Vocês ainda  fazem isso? [A multidão] Sim! Eu não tenho tanta certeza! Se não, voltem a este primeiro amor, sempre levar no bolso, na bolsa, a Palavra de Deus! E ler um trecho. Sempre com a Palavra de Deus.

Vocês, o povo de Deus, o povo da Renovação Carismática, tenham cuidado para não perder a liberdade que o Espírito Santo vos deu!

O perigo para a Renovação, como costuma dizer sempre, o nosso querido padre Raniero Cantalamessa, é a organização excessiva: o perigo de organização excessiva.

Sim, vocês precisam de organização, mas não percam  a graça de deixar Deus ser Deus! “No entanto, não há maior liberdade do que deixar-se guiar pelo Espírito, renunciando a calcular e controlar tudo, e permitir que Ele nos ilumine, nos guie, nos oriente, nos impulsione para onde Ele quer. Ele sabe o que é necessário em todas as épocas e em todos os momentos. Isso significa ser misteriosamente fecundo!” (Exortava Gaudium Evangelii, 280).

Um outro perigo é o de tornarem-se “controladores” da graça de Deus. Muitas vezes, os responsáveis (eu gosto mais do nome de “servos”) de algum grupo ou algumas comunidades tornam-se, talvez inconscientemente, os administradores da graça, decidindo quem pode receber o oração da efusão no Espírito e quem não pode. Se alguém faz assim, por favor, não façam mais isso, não faça mais isso! Vocês são dispensadores da graça de Deus, e não controladores! Não imponham uma alfândega ao Espírito Santo!

Nos Documentos de Malines, vocês têm um guia, um percurso seguro para não errar o caminho. O primeiro documento é: Orientação teológica e pastoral. O segundo é: Renovação Carismática e Ecumenismo, escrito pelo Cardeal Suenes, grande protagonista do Concílio Vaticano II. O terceiro é: Renovação Carismática e serviço ao homem, escrito pelo Cardeal Suenes e por Dom Helder Câmara.

Este é o percurso de vocês: evangelização, ecumenismo espiritual, cuidado com os pobres e necessitados e acolhida dos marginalizados. E tudo isso tendo como base a adoração! O fundamento da Renovação é adorar a Deus!

Me pediram para dizer o que o Papa espera da Renovação.

A primeira coisa é a conversão ao amor de Jesus que muda a vida e faz do cristão uma testemunha do Amor de Deus. A Igreja espera esse testemunho de vida cristã e o Espírito nos ajuda a viver a coerência do Evangelho para a nossa santidade.

Espero de vocês que partilhem com todos, na Igreja, a graça do Batismo no Espírito Santo (expressão que se lê nos Atos dos Apóstolos).

Espero de vocês uma evangelização com a Palavra de Deus que anuncia que Jesus é vivo e ama a todos os homens.

Que vocês deem um testemunho de ecumenismo espiritual com todos os irmãos e irmãs de outras Igrejas e comunidades cristãs que creem em Jesus como Senhor e Salvador.

Que vocês permaneçam  unidos no amor que o Senhor Jesus  pede a nós e a todos os homens, na oração ao Espírito Santo para chegar a esta unidade, que é necessária para a evangelização, em nome de Jesus. Lembrem-se que a “Renovação Carismática é por sua própria natureza ecumênica … a Renovação Católica se alegra com aquilo que o Espírito Santo realiza em outras Igrejas” (1 Malines 5,3 ).

Aproximem-se dos pobres, dos necessitados, para tocar neles, nas feridas de Jesus. Aproximem-se, por favor! Procurem a unidade na Renovação, porque a unidade vem do Espírito Santo e nasce  da  unidade da Trindade. A divisão,  vem de quem? Do demônio! A divisão vem do demônio. Fujam das lutas internas, por favor! Entre vocês, elas não devem existir!

Quero agradecer ao I’CCRS e a Fraternidade Católica, os dois organismos de Direito Pontifício do Pontifício Conselho para os Leigos, a serviço da Renovação mundial, empenhados em  preparar a reunião mundial de padres e bispos, a ser realizada em junho do próximo ano. Eu sei que decidiram compartilhar também  o mesmo escritório e trabalhar em conjunto, como um sinal de unidade e para gerenciar melhor os seus recursos. Estou muito satisfeito. Eu também quero agradecer-lhes, porque já estão organizando o Grande Jubileu do 2017.

Irmãos e irmãs, recordem: adorar a Deus, o Senhor! Este é o fundamento! Adorar a Deus. Busquem a santidade na nova vida do Espírito Santo. Sejam dispensadores da graça de Deus. Evitem o perigo da excessiva organização.

Saiam pelas ruas para evangelizar, anunciando o Evangelho. Recordem que a Igreja nasceu “em saída”, naquela manhã de Pentecostes. Aproximem-se dos pobres e toquem neles, nas feridas de Jesus. Deixai-vos guiar pelo Espírito Santo, com  liberdade; e por favor, não engaiolem o Espírito Santo! Com liberdade!

Busquem a unidade da Renovação, unidade que vem da Trindade!
E espero todos vocês, carismáticos de todo o  mundo, para celebrar, junto com o Papa, o vosso grande jubileu, em Pentecostes de 2017, na Praça São Pedro! Obrigado!


SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR – DOMINGO, 1º DE JUNHO
Papa fala da Ascensão de Jesus e recorda mandato missionário

No Regina Coeli deste domingo, 1º.junho.2014, Papa Francisco falou da Ascensão de Jesus ao Céu, festa celebrada pela Igreja hoje. O Santo Padre se concentrou sobre o mandato de Jesus aos discípulos nesta ocasião: partir para anunciar o Evangelho a todos os povos. Segundo Francisco, “partir” se torna a palavra-chave da festa de hoje.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.


Hoje, na Itália e em outros países, celebra-se a Ascensão de Jesus ao céu, ocorrida quarenta dias após a Páscoa. O Ato dos Apóstolos conta este episódio, a separação final do Senhor Jesus dos seus discípulos e deste mundo (cfr At 1, 2.9). O Evangelho de Mateus, em vez disso, relata o mandato de Jesus aos discípulos: o convite a ir, a partir para anunciar a todos os povos a sua mensagem de salvação (cfr Mt 28, 16-20). “Ir”, ou melhor, “partir” se torna a palavra-chave da festa de hoje: Jesus parte para o Pai e ordena seus discípulos a partirem para o mundo.

Jesus parte, sobe ao Céu, isso é, retorna ao Pai do qual tinha sido mandado ao mundo. Fez o seu trabalho, então retorna ao Pai. Mas não se trata de uma separação, porque Ele permanece sempre conosco, de uma forma nova. Com a sua ascensão, o Senhor ressuscitado atrai o olhar dos apóstolos – e também o nosso olhar – às alturas do Céu para nos mostrar que a meta do nosso caminho é o Pai. Ele mesmo havia dito que iria para lá nos preparar um lugar no Céu. Todavia, Jesus permanece presente e ativo nos acontecimentos da história humana com o poder e os dons do seu Espírito; está próximo a cada um de nós: mesmo se nós não O vemos com os olhos, Ele está ali! Acompanha-nos, guia-nos, toma-nos pela mão e nos levanta quando caímos. Jesus ressuscitado está próximo aos cristãos perseguidos e discriminados; está próximo a cada homem e a cada mulher que sofre. Está próximo a todos nós, também hoje está aqui conosco na praça; o Senhor está conosco! Vocês acreditam nisso? Então digamos juntos: o Senhor está conosco!

Jesus, quando retorna ao Céu, leva ao Pai um presente. Qual é o presente? As suas chagas. O seu corpo está belíssimo, sem contusões, sem as feridas da flagelação, mas conserva as chagas. Quando retorna ao Pai, mostra-lhe as chagas e lhe diz: “Veja, Pai, este é o preço do perdão que tu dás”. Quando o Pai olha para as chagas de Jesus, perdoa-nos sempre, não porque somos bons, mas porque Jesus pagou por nós. Olhando para as chagas de Jesus, o Pai se torna mais misericordioso. Este é o grande trabalho de Jesus hoje no Céu: fazer ver ao Pai o preço do perdão, as suas chagas. É uma coisa bela esta que nos impele a não ter medo de pedir perdão; o Pai sempre perdoa, porque olha as chagas de Jesus, olha o nosso pecado e o perdoa.

Mas Jesus está presente também mediante a Igreja, que Ele enviou para prolongar a sua missão. A última palavra de Jesus aos discípulos é um mandamento de partir: “Ide e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19). É um mandato preciso, não é facultativo! A comunidade cristã é uma comunidade “em saída”, “em partida”. Mais que isso: a Igreja nasceu “em saída”. E vocês me dirão: mas e as comunidades de clausura? Sim, também aquelas, porque estão sempre “em saída” com a oração, com o coração aberto ao mundo, aos horizontes de Deus. E os idosos, os doentes? Também eles, com a oração e a união às chagas de Jesus.

Aos seus discípulos missionários, Jesus diz: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (v. 20). Sozinhos, sem Jesus, não podemos fazer nada! Na obra apostólica não bastam as nossas forças, os nossos recursos, as nossas estruturas, também são necessários. Sem a presença do Senhor e a força do seu Espírito o nosso trabalho, mesmo bem organizado, resulta ineficaz. E assim vamos dizer ao povo quem é Jesus.

E junto com Jesus acompanha-nos Maria, nossa Mãe. Ela já está na casa do Pai, é Rainha do Céu e assim a invocamos neste tempo; mas como Jesus está conosco, caminha conosco, é a Mãe da nossa esperança.

Após a oração mariana do Regina Coeli, destacando a contribuição que os meios de comunicação podem dar para a cultura do encontro e unidade da família humana.

“Os meios de comunicação social podem favorecer o sentido de unidade da família humana, a solidariedade e o empenho para uma vida digna para todos. Rezemos para que a comunicação, em todas as suas formas, esteja efetivamente a serviço do encontro entre as pessoas, as comunidades, as nações; um encontro baseado no respeito e na escuta recíproca”.

Radio Vaticano