REVEJA MAIO DE 2014

“Quando a invocamos, Maria não se faz esperar”, disse Francisco ao encerrar na noite deste sábado, 31, o mês mariano

Com a tradicional procissão e oração do terço nos Jardins Vaticanos, Papa Francisco encerrou na noite deste sábado, 31, o mês mariano.

Os fiéis, guiados pelo Vigário do Papa para a Cidade do Vaticano, Cardeal Angelo Comastri, rezaram em procissão da Igreja de Santo Estevão dos Abissínios à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que reproduz a imagem que está em Massabielle.

Já na Gruta, o Papa Francisco se uniu aos fiéis, concluindo o rito com uma breve meditação sobre o Evangelho da festa da Visitação.

“Maria foi apressadamente à casa da prima Isabel, não perdeu tempo, foi imediatamente para servir. É a Virgem da prontidão, está imediatamente pronta a nos ajudar quando a invocamos, quando pedimos o seu apoio e a sua proteção. Em muitos momentos da vida, em que temos alguma necessidade, recordar que ela não se faz esperar: é Nossa Senhora da prontidão, vai imediatamente para servir”.

O Papa Francisco concedeu a sua bênção, permanecendo na Gruta por alguns instantes para saudar doentes e cadeirante antes de regressar à Casa Santa Marta.
Radio Vaticano

Crianças de Nápoles e de Roma tiveram um encontro com o Papa. Francisco falou-lhes, dentre outras coisas, sobre o amor de Deus

Cerca de 500 crianças da periferia de Nápoles e de Roma foram recebidas pelo Papa Francisco, neste sábado, 31.maio.2014, para um encontro informal, no estilo “maiêutico”.

Em audiência na Sala Paulo VI, no Vaticano, num estilo descontraído, o Pontífice agradeceu às crianças “espertas” pelos presentes recebidos: a terra das catacumbas de São Genaro e uma planta.

Através de perguntas e respostas, o Papa explicou que as catacumbas são sinônimo de trevas. Todavia, a escuridão é feita para a luz – “luz que está dentro de nós, que nos dá alegria e esperança”.

“Quando estamos na escuridão, caminhamos em direção à luz. Mas dentro de nós: sempre. E todos nós temos a possibilidade de encontrar a luz”, afirmou o Pontífice, reforçando o conceito de Deus como “amor”. “Todos juntos, como irmãos, lutando um ao lado outro pelo amor”.

“Quando o Apóstolo João, que era muito amigo de Jesus, queria dizer quem era Deus, sabem o que ele disse? ‘Deus é amor’. E nós vamos rumo à luz para encontrar o amor de Deus. Mas o amor de Deus também está dentro de nós, nos momentos escuros? Sim, sempre. O amor de Deus jamais nos abandona. Está sempre conosco. Tenhamos confiança neste amor”.

O evento desta manhã foi organizado pelo Pontifício Conselho para a Cultura, no âmbito da iniciativa “Pátio das Crianças”.

Um trem partiu da Estação de Nápoles Central no início da manhã, levando os alunos de seis escolas das periferias napolitanas até Roma, onde se uniram aos estudantes de duas escolas da capital italiana, para então, seguir até a estação de trem que fica dentro do Vaticano.

Foram selecionadas seis escolas onde é elevado o risco de abandono e dispersão escolar.

Além dos desempregados, Francisco também recomenda orações pela crise religiosa na Europa

Para o mês de junho, as intenções de oração do Papa Francisco estão em torno dos desempregados e da crise religiosa na Europa.

O Pontífice pede a todos que rezem para que os desempregados consigam o apoio e o trabalho de que necessitam para viver com dignidade.

Em uma mensagem dirigida à Organização Internacional do Trabalho, o Papa Francisco reconhece que o desemprego está expandindo “tragicamente” as fronteiras da pobreza. Segundo o Papa, este fator é desanimador especialmente para os jovens desempregados.

Neste sentido, disse Francisco: “Esforçando-nos para aumentar as oportunidades de emprego, afirmamos a convicção de que ‘no trabalho livre, criativo, participativo e solidário, o ser humano expressa e reforça a dignidade de suas vidas’”

Continente europeu

O Santo Padre também recomenda orações para que a Europa reencontre as suas raízes cristãs através do testemunho de fé dos crentes.

new.va - 31.maio.2014

Este foi o tweet do Santo Padre deste sábado:

31/05/2014
Nos momentos difíceis da vida, o cristão encontra refúgio sob o manto da Mãe de Deus

Santo Padre agradeceu pela contribuição que os organismos católicos da caridade estão dando à Síria

O Papa Francisco enviou uma Mensagem aos participantes no encontro, com os agentes da caridade para a Síria, promovido pelo Pontifício Conselho “Cor Unum”.

O Santo Padre agradeceu pela contribuição que os organismos católicos da caridade estão dando à Síria e aos países vizinhos, para ajudar as populações atingidas pelos conflitos; agradece também a todos os participantes que vieram do Oriente Médio, de onde ele acaba de voltar, ao visitar a Terra Santa.

Há um ano, recordou o Bispo de Roma, os agentes da caridade se reuniram para redobrar os esforços da Igreja nesta crise e para relançar seu apelo de paz pela Síria. E, hoje, voltam a renovar seu desejo de prosseguir nesta linha, com formas de colaboração mais estritas.

No entanto, o Pontífice frisa que, infelizmente, a crise síria ainda continua insolúvel. “Aliás, corre-se o risco de se acostumar com esta dolorosa situação, que causa indizíveis sofrimentos, milhares de refugiados, entre os quais crianças e idosos, que até morrem de fome e de doenças causadas pelo conflito. Tudo isso nos leva a correr o risco de cair na globalização da indiferença”.

A ação de paz e a obra de assistência humanitária, que os organismos caritativos católicos desempenham no contexto sírio, afirmou o Papa, são expressão fiel do amor de Deus para com seus filhos, que se encontram na opressão e na angústia. Deus ouve o seu grito, conhece seus sofrimentos e quer libertá-los.

Neste sentido, o Santo Padre exorta os agentes da caridade a atuarem em comunhão com seus pastores e as comunidades locais. Este encontro em Roma, disse, é uma ocasião propícia para individuar oportunas formas de colaboração estável e diálogo, com a finalidade de canalizar sempre mais seus esforços para sustentar as Igrejas locais e todas as vítimas da guerra, sem distinção étnica, religiosa ou social.

O Bispo de Roma concluiu sua Mensagem renovando, mais uma vez, seu apelo às consciências dos protagonistas do conflito sírio, das instituições mundiais e da opinião pública. Sabemos que o futuro da humanidade se constrói com a paz e não com a guerra. A guerra só destrói, mata e empobrece povos e nações.

Por isso, o Papa Francisco pede a todas as partes que, em prol do bem comum, permitam imediatamente a obra de assistência humanitária e façam calar as armas, mediante negociações, colocando, em primeiro lugar, o bem da Síria e de todos os seus habitantes, sem se esquecer daqueles que, infelizmente, foram obrigados a se refugiar em outros países.

new.va - 31.maio.2014
O Papa afirmou que os bispos devem lutar contra a vaidade, o orgulho e a soberba

O Papa Francisco presidiu, na tarde desta sexta-feira, 30, a ordenação episcopal do subsecretário do Sínodo dos Bispos, Dom Fabio Fabene. A cerimônia foi realizada na Basílica de São Pedro.

Durante a homilia, Francisco destacou que o episcopado é um serviço  e nunca uma honra. “Você foi eleito pelo rebanho. Que nunca a vaidade, o orgulho e a soberba cheguem. Você foi eleito para os homens, que sempre o seu comportamento seja de serviço, como Jesus”, disse o Papa.

O Pontífice indicou ao novo bispo a estrada do anúncio corajoso do Evangelho; o zelo pelos mistérios da fé; e o amor incondicional por todos os fiéis que Deus colocar em seu caminho. Segundo o Papa, todos pertencem ao único rebanho de Cristo.

“Vigia-te a ti mesmo e vigia o povo de Deus. Isso significa estar desperto, estar alerta para defender-se de muitos pecados e muitas atitudes mundanas, e defender o povo de Deus dos lobos que São Paulo disse que viriam”, recomendou também o Papa.

Ao final da homilia, Francisco exortou Dom Fabene a rezar pelo povo, como fazia Moisés: “com as mãos para o alto, uma oração de intercessão corajosa, face a face com o Senhor pelo povo”, concluiu.

Dom Fabio Fabene é italiano, tem 55 anos, e foi ordenado em 1994. Pertence ao clero da diocese de Viterbo-Montefiascone. Possui doutorado em Direito Canônico. Foi pároco, chanceler diocesano e professor no Instituto Teológico de Viterbo. Trabalha na Cúria Romana desde de 1998,  na Congregação para os Bispos. Em fevereiro deste ano, o Papa Francisco o nomeou subsecretário do Sínodo dos Bispos.
Rádio Vaticano


Francisco destacou que a alegria cristã é uma alegria na esperança, purificada pelas provações de todos os dias

“A vossa tristeza se transformará em alegria”. A promessa de Jesus aos seus discípulos esteve no centro da Missa que o Papa Francisco celebrou nesta sexta-feira, 30.maio.2014, na Casa Santa Marta. Na homilia, o Pontífice entoou um hino à alegria cristã, algo que, segundo ele, não se pode comparar, mas somente receber como dom do Senhor. A alegria dos cristãos, disse o Papa, é a “alegria na esperança”.

São Paulo era muito corajoso porque tinha força no Senhor. O Santo Padre desenvolveu sua homilia a partir dessa constatação, focando na alegria do cristão. Francisco reconheceu que em alguns momentos da vida existe o medo, mesmo Jesus no Getsêmani teve medo e angústia, mas deixou uma mensagem clara de que o mundo se alegrará.

“Devemos dizer a verdade: não toda a vida cristã é uma festa. Não toda! Tantas vezes se chora, quando você está doente; quando você tem um problema na família com o filho, com a esposa, o marido; quando você vê que o salário não chega ao fim do mês e há um filho doente…Tantos problemas, mas Jesus nos diz: ‘Não tenham medo!’. ‘Sim, vocês vão ficar tristes, chorar e também o povo se alegrará, o povo que está contra você”.

O Papa falou ainda de uma outra tristeza, que é aquela vinda quando se segue por um caminho que não é bom, quando se compra aquela alegria do mundo e no final fica um vazio dentro de si. Esta é a tristeza da alegria má, ao passo que a alegria cristã é uma alegria na esperança, uma alegria que é purificada pelas provações de todos os dias.

“É difícil quando você visita um doente que sofre tanto e dizer: ‘Coragem! Amanhã você terá a alegria!’ Não, não se pode dizer! Devemos fazê-lo sentir como o fez sentir Jesus. Mesmo nós, quando estamos na escuridão e não vemos nada: ‘Eu sei, Senhor, que esta tristeza se transformará em alegria. Não sei como, mas sei! Um ato de fé no Senhor”.

Para entender a tristeza que se transforma em alegria, o Papa lembrou que Jesus toma o exemplo da mulher que dá à luz: no parto ela sofre muito, mas depois quando tem a criança consigo, esquece. O que permanece é a alegria de Jesus, uma alegria purificada. Essa é a mensagem da Igreja de hoje: não ter medo.

“Ser corajoso no sofrimento e pensar que depois vem o Senhor, depois vem a alegria, depois da escuridão chega o sol. Que o Senhor dê a todos nós esta esperança. E o sinal de que nós temos esta alegria na esperança é a paz. (…) Você tem paz? Se tem paz, você tem a semente daquela alegria que chegará depois. Que o Senhor nos faça entender estas coisas”.

Essa foi a primeira Missa na Casa Santa Marta que Francisco celebrou após seu retorno da viagem à Terra Santa. Desde semana passada, as celebrações foram suspensas por causa da viagem.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco nesta sexta-feira:

30/05/2014
No lugar de trabalho, cada cristão pode dar bom testemunho, mais do que por palavras, por uma vida honesta.

Papa Francisco em seu Twitter, hoje:

29/05/2014




Entremos em amizade profunda com Jesus! Assim poderemos segui-Lo de perto e viver com Ele e para Ele.

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O XLVIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

«Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro»

[Domingo, 1º de Junho de 2014]

 

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas económicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.

Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus.

No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correcta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e económicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído.

Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimónio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.

Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade».

Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não vêem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real.

Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais.

Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de auto-referencialidade, não hesito em preferir a primeira. E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efectiva e afectivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos. Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração.

O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte. O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas.

Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria. A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.

Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

Franciscus
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana


Catequese com o Papa Francisco – Santo Padre definiu  sua peregrinação à Terra Santa como um grande dom para a Igreja
Audiência Geral, quarta-feira - 28/05/14

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nos dias passados, como vocês sabem, fiz uma peregrinação à Terra Santa. Foi um grande dom para a Igreja e dou graças a Deus por isso. Ele me guiou naquela Terra abençoada, que viu a presença histórica de Jesus e onde se verificaram eventos fundamentais para o judaísmo, o cristianismo e o islã. Desejo renovar a minha cordial gratidão a Sua Beatitude o Patriarca Fouad Twal, aos bispos dos vários ritos, aos sacerdotes, aos franciscanos da Custódia da Terra Santa. Estes franciscanos são bravos! O seu trabalho é belíssimo, aquilo que eles fazem! O meu grato pensamento vai também às autoridades jordanianas, israelenses e palestinas, que me acolheram com tanta cortesia, diria também com amizade, bem como a todos aqueles que cooperaram para a realização da visita.

1. O escopo principal desta peregrinação foi comemorar o 50º aniversário do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. Aquela foi a primeira vez em que um Sucessor de Pedro visitou a Terra Santa: Paulo VI inaugurava assim, durante o Concílio Vaticano II, as viagens fora da Itália dos Papas na época contemporânea. Aquele gesto profético do Bispo de Roma e do Patriarca de Constantinopla colocou uma pedra milenar no caminho sofrido, mas promissor, da unidade de todos os cristãos, que desde então deu passos relevantes. Por isso, o meu encontro com Sua Santidade Bartolomeu, amado irmão em Cristo, representou o momento culminante da visita. Juntos, rezamos no Santo Sepulcro de Jesus, e conosco estavam o Patriarca Grego-Ortodoxo de Jerusalém, Theophilos III e o Patriarca Armênio Apostólico Nourthan, além de arcebispos e bispos de diversas igrejas e comunidades, autoridades civis e muitos fiéis. Naquele lugar onde ressoou o anúncio da Ressurreição, sentimos toda a amargura e o sofrimento das divisões que ainda existem entre os discípulos de Cristo; e realmente isso faz tanto mal, mal ao coração. Ainda estamos divididos; e naquele lugar onde ressoou justamente o anúncio da Ressurreição, onde Jesus nos deu a vida, ainda nós estamos um pouco divididos. Mas, sobretudo, naquela celebração repleta de recíproca fraternidade, de estima e de afeto, ouvimos forte a voz do Bom Pastor Ressuscitado que quer fazer de todas as suas ovelhas um único rebanho; sentimos o desejo de sanar as feridas ainda abertas e prosseguir com tenacidade o caminho rumo à plena comunhão. Uma vez mais, como fizeram os Papas precedentes, eu peço perdão por aquilo que fizemos para favorecer esta divisão, e peço ao Espírito Santo que nos ajude a curar as feridas que fizemos aos outros irmãos. Todos somos irmãos em Cristo e com o Patriarca Bartolomeu somos amigos, irmãos, e partilhamos a vontade de caminhar juntos, fazer tudo aquilo que hoje podemos fazer: rezar juntos, trabalhar juntos pelo rebanho de Deus, procurar a paz, proteger a criação, tantas coisas que temos em comum. E como irmãos, devemos seguir adiante.

2. Outro escopo desta peregrinação foi encorajar naquela região o caminho rumo à paz, que é ao mesmo tempo dom de Deus e empenho dos homens. Fiz isso na Jordânia, na Palestina, em Israel. E o fiz sempre como peregrino, em nome de Deus e do homem, levando no coração uma grande compaixão pelos filhos daquela Terra que há muito tempo convivem com a guerra e têm o direito de conhecer finalmente dias de paz!
Por isto, exortei os fiéis cristãos a deixarem-se “ungir” com coração aberto e dócil pelo Espírito Santo, para serem sempre mais capazes de gestos de humildade, de fraternidade e de reconciliação. O Espírito permite assumir estas atitudes na vida cotidiana, com pessoas de diversas culturas e religiões, e assim de se tornar “artífices” da paz. A paz se faz artesanalmente! Não há indústrias de paz, não. Faz-se a cada dia, artesanalmente, e também com o coração aberto para que venha o dom de Deus. Por isto exortei os fiéis cristãos a deixarem-se “ungir”.

Na Jordânia agradeci às autoridades e ao povo pelo seu empenho no acolhimento de numerosos refugiados provenientes das zonas de guerra, um empenho humanitário que merece e requer o apoio constante da Comunidade Internacional. Fiquei impressionado com a generosidade do povo jordaniano em receber os refugiados, tantos que fogem da guerra, naquela região. Que o Senhor abençõe este povo acolhedor, que o abençõe tanto! E nós devemos rezar para que o Senhor abençõe este acolhimento e pedir a todas as instituições para ajudarem este povo neste trabalho de acolhimento que faz. Durante a peregrinação, também em outros lugares encorajei as autoridades interessadas a prosseguir com os esforços para aliviar as tensões na área do Oriente Médio, sobretudo na martirizada Síria, bem como a continuar na busca de uma solução equitativa para o conflito israelense-palestino. Por isto, convidei o presidente de Israel e o presidente da Palestina, todos dois homens de paz e artífices de paz, a virem ao Vaticano para rezarem junto comigo pela paz. E por favor, peço a vocês que não nos deixem sozinhos: vocês, rezem, rezem muito para que o Senhor nos dê a paz, nos dê a paz naquela Terra abençoada! Conto com as vossas orações. Forte, rezem, neste tempo, rezem muito para que venha a paz.

3. Esta peregrinação à Terra Santa foi também a ocasião para confirmar na fé as comunidades cristãs, que sofrem tanto, e exprimir a gratidão de toda a Igreja pela presença dos cristãos naquela região e em todo o Oriente Médio. Estes nossos irmãos são corajosas testemunhas de esperança e de caridade, “sal e luz” aquela Terra. Com suas vidas de fé e de oração e com a apreciada atividade educativa e assistencial, eles trabalham em favor da reconciliação e do perdão, contribuindo para o bem comum da sociedade.

Com esta peregrinação, que foi uma verdadeira graça de Deus, quis levar uma palavra de esperança, mas também a recebi! Eu a recebi de irmãos e irmãs que esperam “contra toda esperança” (Rm 4, 18), através de tantos sofrimentos, como aqueles que fugiram do próprio país por causa dos conflitos; como aqueles tantos que, em diversas partes do mundo, são discriminados e desprezados por causa de sua fé em Cristo. Continuemos a estar próximo a eles! Rezemos por eles e pela paz na Terra Santa e em todo o Oriente Médio. A oração de toda a Igreja apoia também o caminho rumo à plena unidade entre os cristãos, para que o mundo creia no amor de Deus que em Jesus Cristo veio habitar entre nós.

E convido vocês agora a rezarem juntos, a rezarem juntos à Nossa Senhora, Rainha da paz, Rainha da unidade entre os cristãos, a Mãe de todos os cristãos: que ela nos dê a paz, a todo o mundo, e que ela nos acompanhe neste caminho de unidade. [Ave Maria]

No final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa saudou os membros do Conselho da Comissão Católica Internacional para as Migrações, reunidos em Roma para sua sessão plenária.
Francisco fez votos que uma ação solidária da Comissão contribua para amparar “os inúmeros irmãos e irmãs em necessidade”.
A plenária da Comissão encerra-se esta quarta-feira. Realizada a cada quatro anos, desta vez os participantes já aprovaram os estatutos, que agora serão submetidos à Secretaria de Estado, em prol de refugiados e migrantes.

Trabalhar é um dom e um dever, diz Papa

O Papa Francisco enviou, nesta quarta-feira, 28.maio.2014, uma mensagem aos participantes da 103ª Sessão da Conferência da Organização Internacional do Trabalho(OIT). O encontro, que começou hoje,  tem como tema  “Construir um futuro com trabalho decente”. Representantes de vários países se reúnem em Genebra, Suíça, até o  próximo dia 12.

Texto da mensagem na íntegra:

No início da criação, Deus criou o homem como guardião de sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protege-la. O trabalho humano é parte da criação e continua a obra criadora de Deus. Esta verdade nos leva a considerar que o trabalho é um dom e um dever. O trabalho, portanto, não é apenas uma mercadoria, mas ele tem sua própria dignidade e valor. A Santa Sé manifesta o seu apreço a contribuição da OIT para a defesa da dignidade do trabalho humano no contexto do desenvolvimento social e econômico por meio da discussão e cooperação entre governos, trabalhadores e empregadores. Estes esforços estão a serviço do bem comum da família humana e promovem a dignidade dos trabalhadores em todos as partes.

Esta Conferência se reúne em um momento crucial na história econômica e social, que apresenta  desafios para o mundo todo. O desemprego está se expandindo tragicamente as fronteiras da pobreza (cf. Discurso à Fundação Centesimus Annus Pro Pontífice, 25 de maio de 2013). Isto é particularmente desanimador para os jovens desempregados, que podem  facilmente sentirem-se desmoralizados, perdendo a consciência do seu valor e sentirem-se alienados da sociedade. Esforçando-nos para aumentar as oportunidades de emprego, afirmamos a convicção de que “no trabalho livre, criativo, participativo e solidário, o ser humano expressa e reforça a dignidade de suas vida” (Evangelii gaudium, 192).

Outro grave problema,  relacionado com o anterior,  que o nosso mundo enfrenta é o da migração em massa: já é considerável o número de homens e mulheres forçados a procurar trabalho longe de sua terra natal e é motivo de preocupação. Apesar de sua esperança de um futuro melhor, eles frequentemente se deparam com incompreensão e exclusão,  sem mencionar quando fazem a experiência de tragédias e desastres. Tendo enfrentado esses sacrifícios, estes homens e mulheres muitas vezes não conseguem encontrar emprego digno e se tornam vítimas de uma certa “globalização da indiferença”. A situação deles os expõe a outros perigos, como o horror do tráfico de pessoas, trabalho forçado e escravidão. É inaceitável que, em nosso mundo, o trabalho feito por escravos tenha se tornado moeda corrente. (cf. Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, 24, Setembro de 2013). Isso não pode continuar! Tráfico de seres humanos é um chaga, um crime contra a humanidade. É hora de unir forças e trabalhar em conjunto para libertar as vítimas desse tráfico e  erradicar este crime que afeta a todos nós, desde as famílias à  Comunidade Mundial (cf. Discurso aos novos embaixadores creditados junto da Santa Sé, 12 de dezembro de 2013).

É também o momento de reforçar as formas existentes de cooperação e estabelecer novas formas de aumentar a solidariedade. Isto requer: um compromisso renovado com a dignidade de cada pessoa; uma implementação mais determinada de normas internacionais do trabalho; planejamento para um desenvolvimento centrado na pessoa humana como protagonista central e principal beneficiária; uma reavaliação das responsabilidades das empresas multinacionais nos países em que atuam, incluindo as áreas de gestão de lucro e de investimento; e um esforço coordenado para encorajar os governos a facilitarem a movimentação de migrantes em benefício de todos, eliminando assim o tráfico de seres humanos e as perigosas condições de viagem. Uma eficaz cooperação nestas áreas será notavelmente facilitada pela definição de futuros objetivos sustentáveis de desenvolvimento.

Como recentemente expressei  ao Secretário-Geral e os Chefes Executivos das Nações Unidas: “As metas futuras de desenvolvimento sustentáveis deveriam ser formuladas e implementadas com generosidade e coragem, para que possam incindir efetivamente sobre as causas estruturais da pobreza e da fome, e assim conseguir resultados substanciais na proteção do meio ambiente,     garantir trabalho decente para todos e dar proteção adequada para a família, elemento essencial de qualquer desenvolvimento humano e social sustentável”.

Caros amigos, a Doutrina Social da Igreja Católica se coloca como apoio às iniciativas da OIT, que se destinam a promover a dignidade da pessoa humana e da dignidade do trabalho. Encorajo-vos em seus esforços para enfrentar os desafios do mundo de hoje, mantendo-se fiéis a esses nobres objetivos. Ao mesmo tempo, invoco a bênção de Deus sobre tudo o que realizais  para proteger e melhorar a dignidade do trabalho para o bem comum da família humana.
No regresso da Terra Santa, Papa foi rezar à basílica de Santa Maria Maior

Como tinha feito antes da partida, para confiar a Nossa Senhora a sua peregrinação à Terra Santa, também após o regresso de Jerusalém o Papa Francisco quis deslocar-se ao santuário mariano de Santa Maria Maior, para ali depositar um ramo de flores aos pés do ícone de Nossa Senhora "Salus Popoli Romani", rezendo e dando graças pelo bom êxito da viagem, pedindo a intercessão da Virgem para tantas necessidades e pessoas sentidas e contactadas naqueles três intensos dias. Foi a nona vez que o Papa Francisco foi rezar, privadamente, à basílica de Santa Maria Maior. A primeira foi logo na manhã a seguir à sua eleição.

PAPA FRANCISCO - PEREGRINAÇÃO À TERRA SANTA

24/05/2014
Queridos amigos, peço-vos que me acompanheis com as vossas orações na minha peregrinação à Terra Santa.
Tweet do Papa Francisco antes de partir de Roma para a Terra Santa - 24.maio.2014

No avião, Papa ressalta momentos marcantes da viagem à Terra Santa

Cidade do Vaticano (RV) – No avião, que o levou de volta ao Vaticano, na noite desta segunda-feira, 26.maio.2014, o Papa Francisco conversou, durante quase uma hora, com os jornalistas que o acompanharam na Terra Santa. Vários foram os assuntos abordados: dos momentos mais marcantes da viagem ao celibato dos sacerdotes, passando por escândalos financeiros, pedofilia e a hipótese de uma renúncia a exemplo de Bento XVI.

Confira alguns pontos:

Os gestos na Terra Santa e o encontro Peres – Abu Mazen
“Os gestos mais autênticos são os espontâneos, aqueles que não pensamos, mas que acontecem. Algumas coisas como o convite do Papa aos dois presidentes à oração estava sendo pensado, mas havia muitos problemas logísticos, muitos! Era preciso levar em consideração o território onde esse encontro iria se realizar, e não é fácil. Isso já se programava, uma reunião, mas, no fim, saiu o que espero que seja bom. Será um encontro de oração, não para fazer mediação.”

Relação com os ortodoxos
“Com Bartolomeu, falamos de unidade que se faz em caminho. Jamais poderemos fazer a unidade num Congresso de Teologia. Ele confirmou-me que Atenágoras realmente disse a Paulo VI: ‘vamos colocar todos os teólogos numa ilha e nós prosseguiremos juntos’. Devemos nos ajudar, por exemplo, com as igrejas, inclusive em Roma, onde muitos ortodoxos usam igrejas católicas. Falamos do concílio pan-ortodoxo, para que se faça algo sobre a data da Páscoa. É um pouco ridículo: ‘Quando ressuscita o seu Cristo? O meu, na semana que vem. O meu, em vez disso, ressuscitou na semana passada’. Com Bartolomeu, falamos como irmãos, nos queremos bem, contamos as dificuldades do nosso governo. Falamos bastante da ecologia, de fazermos juntos um trabalho sobre esse problema.”

Abusos contra menores
“Neste momento, há três bispos sob investigação, e um deles, já condenado, tem a pena em estudo. Não há privilégios nesse tema sobre os menores. Na Argentina, chamamos os privilegiados de ‘filhos de papai’. Pois bem, sobre esse tema não haverá “filhos de papai”. É um problema muito grave. Um sacerdote que comete um abuso trai o Corpo do Senhor. O padre deve levar o menino ou a menina à santidade; o menor confia nele. Mas em vez de levá-lo à santidade, abusa dele. É gravíssimo! É como fazer uma missa negra! Em vez de levá-lo à santidade, leva-o a um problema que terá por toda a vida. Na próxima semana, no dia 6 ou 7 de julho, haverá uma Missa com algumas pessoas abusadas, na Santa Marta; depois, haverá uma reunião, eu com eles. Sobre isso, deve-se prosseguir com tolerância zero.”

Celibato dos padres
“Há padres católicos casados nos ritos orientais. O celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida, que eu aprecio muito e creio que seja um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, há sempre uma porta aberta.”

Eventual renúncia
“Eu farei o que o Senhor me dirá para fazer. Rezar, buscar a vontade de Deus. Bento XVI não tinha mais forças e, honestamente, é um homem de fé, humilde como é, tomou esta decisão. Setenta anos atrás, os bispos eméritos não existiam. O que acontecerá com os Papas eméritos? Devemos olhar para Bento XVI como uma instituição, pois ele abriu uma porta, a dos Papas eméritos. A porta está aberta, se haverá outros ou não, somente Deus sabe. Eu creio que um Bispo de Roma, ao sentir que lhe faltam forças, deva fazer as mesmas perguntas que o Papa Bento fez.”

Outros temas
Francisco falou ainda da alegada investigação sobre um desvio de 15 milhões de euros dos fundos do Instituto para as Obras de Religião, em que estaria envolvido o antigo Secretário de Estado do Vaticano. “A questão desses 15 milhões está ainda em estudo, não é claro o que aconteceu”, adiantou.

O Papa disse que quer “honestidade e transparência” na administração financeira do Vaticano, e que a nova Secretaria para a Economia, dirigida pelo Cardeal Pell, vai “levar por diante as reformas que foram sugeridas” por várias comissões para evitar “escândalos e problemas”. Nesse sentido, recordou que cerca de 1,6 mil contas foram fechadas no IOR nos últimos tempos.

Francisco confirmou que, além da viagem à Coreia do Sul em agosto, voltará à Ásia, em janeiro de 2015, para visitar o Sri Lanka e as regiões afetadas pelo tufão nas Filipinas. O Papa mostrou-se preocupado com a falta de liberdade religiosa neste continente, falando num número de “mártires” cristãos que supera os dos primeiros tempos da Igreja.

O Papa não quis comentar os resultados das eleições europeias, mas lembrou as críticas que deixou na exortação apostólica Evangelii Gaudium a um sistema econômico “desumano”, que “mata”.

Já sobre a beatificação de Pio XII, pontífice durante a II Guerra Mundial, Francisco disse ter sido informado de que ainda não há o milagre reconhecido para que a causa avance.

3º DIA – JERUSALÉM

Papa Francisco se despede da Terra Santa

O Papa Francisco deixou o aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv,  às 20h20 (14h20 no Brasil) na aeronave da companhia israelense EL AL.

O Pontífice chegou 25 minutos antes da partida acompanhado pelo presidente israelense Shimon Peres e o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu. Durante o percurso, o premier perguntou ao Papa se ele estava cansado: “Mais ou menos”, respondeu Francisco.

A despedida, como prevista, não contou com discursos, mas apenas saudações particulares às autoridades eclesiásticas e civis de Israel. Francisco, acompanhado por uma tradutora, agradeceu à segurança e às pessoas envolvidas na organização da viagem. Enquanto isso,  a  Comitiva Papal foi saudada por Peres e Netanyahu.

“Boa viagem! Eu rezo pelo senhor e o senhor reza por mim”, disse o primeiro-ministro de Israel durante o último aperto de mão dado a Francisco.

Com honras militares e marcha de despedida, o Papa deixou a Terra Santa finalizando uma agenda de três dias, com 28 compromissos oficiais.

Antes dos procedimentos finais para a partida, foi possível ver o Papa, pela janela, lendo o jornal vaticano L´Osservatore Romano e conversando com os membros da Comitiva.
Canção Nova

Cenáculo, última etapa da peregrinação de Francisco: "quanto amor, quanto bem, quanta caridade dali jorrou!"



Jerusalém, 26.maio.2014 (RV) – No Cenáculo, em Jerusalém, o Papa Francisco cumpriu a última etapa desta sua primeira peregrinação à Terra Santa, com a celebração da Santa Missa com os Ordinários da Terra Santa e o Séquito papal. Justamente ali, onde Jesus fez a Última Ceia com os Apóstolos, onde ressurreto apareceu em meio a eles, onde o Espírito desceu sobre Maria e os Apóstolos; ali, onde nasceu a Igreja. A celebração não foi aberta ao público devido às reduzidas dimensões do local.


Homillia do Santo Padre:

É um grande dom que nos concede o Senhor, ao reunir-nos aqui, no Cenáculo, para celebrar a Eucaristia. Ao mesmo tempo que vos saúdo com fraterna alegria, penso afectuosamente nos Patriarcas Orientais Católicos que, nestes dias, tomaram parte na minha peregrinação. Desejo agradecer-lhes pela sua significativa presença, particularmente preciosa para mim, e asseguro que ocupam um lugar especial no meu coração e na minha oração. Aqui, onde Jesus comeu a Última Ceia com os Apóstolos; onde, ressuscitado, apareceu no meio deles; onde o Espírito Santo desceu poderosamente sobre Maria e os discípulos, aqui nasceu a Igreja, e nasceu em saída. Daqui partiu, com o Pão repartido nas mãos, as chagas de Jesus nos olhos e o Espírito de amor no coração.

Jesus ressuscitado, enviado pelo Pai, no Cenáculo comunicou aos Apóstolos o seu próprio Espírito e, com a sua força, enviou-os a renovar a face  da terra (cf. Sal 104, 30).

Sair, partir, não quer dizer esquecer. A Igreja em saída guarda a memória daquilo que aconteceu aqui; o Espírito Paráclito recorda-lhe cada palavra, cada gesto, e revela o seu significado.

O Cenáculo recorda-nos o serviço, o lava-pés que Jesus realizou, como exemplo para os seus discípulos. Lavar os pés uns aos outros significa acolher-se, aceitar-se, amar-se, servir-se reciprocamente. Quer dizer servir o pobre, o doente, o marginalizado, a pessoa que me é antipática, aquela que me dá fastídio.

O Cenáculo recorda-nos, com a Eucaristia, o sacrifício. Em cada celebração eucarística, Jesus oferece-Se por nós ao Pai, para que também nós possamos unir-nos a Ele, oferecendo a Deus a nossa vida, o nosso trabalho, as nossas alegrias e as nossas penas..., oferecer tudo em sacrifício espiritual.

E o Cenáculo recorda-nos também a amizade. «Já não vos chamo servos – disse Jesus aos Doze – (…) mas a vós chamei-vos amigos» (Jo 15, 15). O Senhor faz de nós seus amigos, confia-nos a vontade do Pai e dá-Se-nos a Si mesmo. Esta é a experiência mais bela do cristão e, de modo particular, do sacerdote: tornar-se amigo do Senhor Jesus, e descobrir no seu coração que Ele é amigo.

O Cenáculo recorda-nos a despedida do Mestre e a promessa de reencontrar-se com os seus amigos: «Quando Eu tiver ido (…), virei novamente e hei-de levar-vos para junto de Mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também» (Jo 14, 3). Jesus não nos deixa, nunca nos abandona, vai à nossa frente para a casa do Pai; e, para lá, nos quer levar consigo.

Mas, o Cenáculo recorda também a mesquinhez, a curiosidade – «quem é o traidor?» – a traição. E reproduzir na vida estas atitudes não sucede só nem sempre aos outros, mas pode suceder a cada um de nós, quando olhamos com desdém o irmão e o julgamos; quando, com os nossos pecados, atraiçoamos Jesus.

O Cenáculo recorda-nos a partilha, a fraternidade, a harmonia, a paz entre nós. Quanto amor, quanto bem jorrou do Cenáculo! Quanta caridade saiu daqui como um rio da sua fonte, que, ao princípio, é um ribeiro e depois se alarga e torna grande... Todos os santos beberam daqui; o grande rio da santidade da Igreja, sempre sem cessar, tem origem daqui, do Coração de Cristo, da Eucaristia, do seu Santo Espírito.

Finalmente, o Cenáculo recorda-nos o nascimento da nova família, a Igreja, a nossa santa mãe Igreja hierárquica, constituída por Jesus ressuscitado. Família esta, que tem uma Mãe, a Virgem Maria. As famílias cristãs pertencem a esta grande família e, nela, encontram luz e força para caminhar e se renovar no meio das fadigas e provações da vida.  Para esta grande família, estão convidados e chamados todos os filhos de Deus de cada povo e língua, todos irmãos e filhos do único Pai que está nos céus.

Este é o horizonte do Cenáculo: o horizonte do Ressuscitado e da Igreja.

Daqui parte a Igreja em saída, animada pelo sopro vital do Espírito. Reunida em oração com a Mãe de Jesus, ela sempre revive a espera de uma renovada efusão do Espírito Santo: Desça o vosso Espírito, Senhor, e renove a face da terra (cf. Sal 104, 30)!

Papa Francisco questiona consagrados quanto à proximidade e o distanciamento a Jesus



Jerusalém, 26.maio.2014 (RV) – Na Igreja de Getsêmani, ao pé do Monte das Oliveiras, onde, segundo a tradição, Jesus rezou antes da sua prisão, o Santo Padre encontrou sacerdotes, religiosos e seminaristas.

«[Jesus] saiu então e foi (...) para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele» (Lc 22, 39).

Quando chega a hora marcada por Deus para salvar a humanidade da escravidão do pecado, Jesus retira-Se aqui, no Getsémani, ao pé do Monte das Oliveiras. Encontramo-nos neste lugar santo, santificado pela oração de Jesus, pela sua angústia, pelo seu suor de sangue; santificado sobretudo pelo seu «sim» à vontade amorosa do Pai. Quase sentimos temor de abeirar-nos dos sentimentos que Jesus experimentou naquela hora; entramos, em pontas de pés, naquele espaço interior, onde se decidiu o drama do mundo.

Naquela hora, Jesus sentiu a necessidade de rezar e ter perto d’Ele os seus discípulos, os seus amigos, que O tinham seguido e partilhado mais de perto a sua missão. Mas o seguimento aqui, no Getsémani, torna-se difícil e incerto; prevalecem a dúvida, o cansaço e o pavor. Na rápida sucessão dos eventos da paixão de Jesus, os discípulos assumirão diferentes atitudes perante o Mestre: atitudes de proximidade, de distanciamento, de incerteza.

Será bom para todos nós – bispos, sacerdotes, pessoas consagradas, seminaristas – perguntarmo-nos neste lugar: Quem sou eu perante o meu Senhor que sofre?

Sou daqueles que, convidados por Jesus a velar com Ele, adormecem e, em vez de rezar, procuram evadir-se fechando os olhos frente à realidade?

Ou reconheço-me naqueles que fugiram por medo, abandonando o Mestre na hora mais trágica da sua vida terrena?

Porventura há em mim a hipocrisia, a falsidade daquele que O vendeu por trinta moedas, que fora chamado amigo e no entanto traiu Jesus?

Reconheço-me naqueles que foram fracos e O renegaram, como Pedro? Pouco antes, ele prometera a Jesus segui-Lo até à morte (cf. Lc 22, 33); depois, encurralado e dominado pelo medo, jura que não O conhece.

Assemelho-me àqueles que já organizavam a sua vida sem Ele, como os dois discípulos de Emaús, insensatos e de coração lento para acreditar nas palavras dos profetas (cf. Lc 24, 25)?

Ou então, graças a Deus, encontro-me entre aqueles que foram fiéis até ao fim, como a Virgem Maria e o apóstolo João? No Gólgota, quando tudo se torna escuro e toda a esperança parece extinta, somente o amor é mais forte que a morte. O amor de Mãe e do discípulo predilecto impele-os a permanecerem ao pé da cruz, para compartilhar até ao fundo o sofrimento de Jesus.

Reconheço-me naqueles que imitaram o seu Mestre até ao martírio, dando testemunho que Ele era tudo para eles, a força incomparável da sua missão e o horizonte último da sua vida?

A amizade de Jesus por nós, a sua fidelidade e a sua misericórdia são o dom inestimável que nos encoraja a continuar, com confiança, a segui-Lo, apesar das nossas quedas, dos nossos erros e também das nossas traições.

Todavia esta bondade do Senhor não nos isenta da vigilância frente ao tentador, ao pecado, ao mal e à traição que podem atravessar também a vida sacerdotal e religiosa. Todos nós estamos expostos ao pecado, ao mal, à traição. Sentimos a desproporção entre a grandeza da chamada de Jesus e a nossa pequenez, entre a sublimidade da missão e a nossa fragilidade humana. Mas o Senhor, na sua grande bondade e infinita misericórdia, sempre nos toma pela mão, para não nos afogarmos no mar do acabrunhamento. Ele está sempre ao nosso lado, nunca nos deixa sozinhos. Portanto, não nos deixemos vencer pelo medo e o desalento, mas, com coragem e confiança, sigamos em frente no nosso caminho e na nossa missão.

Vós, amados irmãos e irmãs, sois chamados a seguir o Senhor com alegria nesta Terra bendita! É um dom e também é uma responsabilidade. A vossa presença aqui é muito importante; toda a Igreja vos está agradecida e apoia com a oração. A partir deste lugar santo, desejo além disso dirigir uma saudação carinhosa a todos os cristãos de Jerusalém: quero assegurar que os recordo com afecto e que rezo por eles, bem ciente de quão difícil é a sua vida na cidade. Exorto-os a serem testemunhas corajosas da Paixão do Senhor, mas também da sua Ressurreição, com alegria e esperança.

Imitemos a Virgem Maria e São João, permanecendo junto das muitas cruzes onde Jesus ainda está crucificado. Esta é a estrada pela qual o nosso Redentor nos chama a segui-Lo: não há outra, é esta!

«Se alguém Me serve, que Me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo» (Jo 12, 26).

Francisco manifestou seu desejo de que a identidade e o carater sagrado de Jerusalém resplandeçam plenamente



Os últimos compromissos do Papa Francisco na manhã desta segunda-feira, 26, foram de caráter político. O Papa fez uma visita de cortesia ao presidente do Estado de Israel, Shimon Peres, e depois teve uma audiência privada com o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Agradeço-lhe, Senhor Presidente, as suas palavras e a sua hospitalidade. E, com a minha imaginação e fantasia, tinha vontade de inventar uma nova bem-aventurança, que aplicaria a mim mesmo hoje neste momento: «Feliz aquele que entra na casa de um homem sábio e bom». E eu sinto-me feliz. Verdadeiramente do coração lhe digo: Obrigado!  

* * *

Senhor Presidente,
Excelências,
Senhoras e Senhores!

Estou-lhe grato, Senhor Presidente, pela recepção que me reservou e pelas suas amáveis e sábias expressões de boas-vindas e sinto-me feliz por poder encontrá-lo de novo aqui em Jerusalém, cidade que guarda os Lugares Santos caros às três grandes religiões que adoram o Deus que chamou Abraão. Os Lugares Santos não são museus nem monumentos para turistas, mas lugares onde as comunidades dos crentes vivem a sua fé, a sua cultura, as suas iniciativas de caridade. Por isso, devem ser salvaguardados perpetuamente na sua sacralidade, protegendo assim não só o legado do passado, mas também as pessoas que os frequentam hoje e hão-de frequentá-los no futuro. Que Jerusalém seja verdadeiramente a Cidade da paz! Que resplandeçam plenamente a sua identidade e o seu carácter sagrado, o seu valor religioso e cultural universal, como tesouro para toda a humanidade! Como é belo quando os peregrinos e os residentes podem aceder livremente aos Lugares Santos e participar nas celebrações!

O Senhor Presidente é conhecido como homem de paz e artífice de paz. Exprimo-lhe o meu reconhecimento e a minha admiração por esta sua posição. A construção da paz exige, antes de mais nada, o respeito pela liberdade e a dignidade de cada pessoa humana, que judeus, cristãos e muçulmanos acreditam igualmente ser criada por Deus e destinada à vida eterna. A partir deste ponto firme que temos em comum, é possível prosseguir o compromisso por uma solução pacífica das controvérsias e conflitos. A este propósito, renovo os meus votos de que se evitem, por parte de todos, iniciativas e acções que contradizem a declarada vontade de chegar a um verdadeiro acordo e de que não nos cansemos de buscar a paz com determinação e coerência.

Há que rejeitar, firmemente, tudo o que se opõe à prossecução da paz e duma convivência respeitosa entre judeus, cristãos e muçulmanos: o recurso à violência e ao terrorismo, qualquer género de discriminação por motivos raciais ou religiosos, a pretensão de impor o próprio ponto de vista em detrimento dos direitos alheios, o anti-semitismo em todas as suas formas possíveis, bem como a violência ou as manifestações de intolerância contra pessoas ou lugares de culto judeus, cristãos e muçulmanos.

No Estado de Israel, vivem e actuam várias comunidades cristãs. Estas são parte integrante da sociedade e participam, a pleno título, das suas vicissitudes civis, políticas e culturais. Os fiéis cristãos desejam, a partir da própria identidade, prestar a sua contribuição para o bem comum e para a construção da paz, como cidadãos de pleno direito que, rejeitando todas as formas de extremismo, se comprometem a ser artífices de reconciliação e concórdia.

A sua presença e o respeito dos seus direitos – como aliás dos direitos de qualquer outra denominação religiosa e de todas as minorias – são garantia de um são pluralismo e prova da vitalidade dos valores democráticos, do seu real enraizamento na prática e na vida concreta do Estado.

O Senhor Presidente sabe que eu rezo por si, e eu sei que Vossa Excelência reza por mim, e asseguro-lhe incessante oração pelas Instituições e por todos os cidadãos de Israel. Asseguro de modo particular a minha constante súplica a Deus pela obtenção da paz e, com ela, dos bens inestimáveis ​​que lhe estão intimamente ligados, tais como a segurança, a tranquilidade de vida, a prosperidade e - o bem mais belo - a fraternidade. Por fim, dirijo o meu pensamento a todos aqueles que sofrem as consequências das crises ainda abertas na região médio-oriental, para que o mais rápido possível sejam aliviadas as suas penas através de uma honrosa composição dos conflitos. Paz sobre Israel e em todo o Médio Oriente! Shalom!
Boletim Santa Sé

O Papa reza diante do Muro das Lamentações e deposita um bilhete com a oração do Pai-Nosso


Jerusalém, 26.maio.2014 (RV) - O segundo momento das atividades do Papa, na manhã desta segunda-feira, foi a sua visita ao Muro Ocidental, conhecido como Muro das Lamentações, resto ainda existente das ruínas do antigo Templo de Jerusalém, construído por Salomão e reedificado por Herodes. Hoje, este é um lugar central de culto do judaísmo.

Ali, como fazem todos os fiéis que se aproximam do Muro, o Bispo de Roma também depositou seu bilhete, escrito de próprio punho, com a oração do Pai-Nosso, em espanhol, como lhe foi ensinado por sua mãe. Depois, apoiando a mão direita no Muro das Lamentações, o Papa se deteve em oração, por alguns momentos. A seguir, assinou o Livro de Honra, deixando a seguinte mensagem: “Com sentimentos de alegria, para com meus irmãos mais velhos, vim aqui para pedir ao Senhor o dom da paz”.

Depois, o Pontífice visitou o Mausoléu de Theodor Herzl, fundador do Movimento Sionista, em 1897. Ali, no cemitério nacional de Israel, depositou uma coroa de flores, um gesto que, segundo a tradição, é feito durante as visitas oficiais.

A seguir, o Bispo de Roma visitou o vizinho Memorial de Yad Vashem, o Monumento do Holocausto, que contém algumas urnas, com cinzas de vítimas de vários campos de extermínio. Tendo depositado também ali uma coroa de flores, na presença de alguns sobreviventes da perseguição nazista, o Papa fez um breve pronunciamento:



«Adão, onde estás?» (cf. Gen 3, 9).
Onde estás, ó homem? Onde foste parar?
Neste lugar, memorial do Shoah, ouvimos ressoar esta pergunta de Deus: «Adão, onde estás?».
Nesta pergunta, há toda a dor do Pai que perdeu o filho.
O Pai conhecia o risco da liberdade; sabia que o filho teria podido perder-se... mas talvez nem mesmo o Pai podia imaginar uma tal queda, um tal abismo!
Aquele grito «onde estás?» ressoa aqui, perante a tragédia incomensurável do Holocausto, como uma voz que se perde num abismo sem fundo...

Homem, quem és? Já não te reconheço.
Quem és, ó homem? Quem te tornaste?
De que horrores foste capaz?
Que foi que te fez cair tão baixo?
Não foi o pó da terra, da qual foste tirado. O pó da terra é coisa boa, obra das minhas mãos.
Não foi o sopro de vida que insuflei nas tuas narinas. Aquele sopro vem de Mim, é algo muito bom (cf. Gen 2, 7).
Não, este abismo não pode ser somente obra tua, das tuas mãos, do teu coração... Quem te corrompeu? Quem te desfigurou?
Quem te contagiou a presunção de te apoderares do bem e do mal?
Quem te convenceu que eras deus? Não só torturaste e assassinaste os teus irmãos, mas ofereceste-los em sacrifício a ti mesmo, porque te erigiste em deus.
Hoje voltamos a ouvir aqui a voz de Deus: «Adão, onde estás?»

Da terra, levanta-se um gemido submisso: Tende piedade de nós, Senhor!
Para Vós, Senhor nosso Deus, a justiça; para nós, estampada no rosto a desonra, a vergonha (cf. Bar 1, 15).
Veio sobre nós um mal como nunca tinha acontecido sob a abóbada do céu (cf. Bar 2, 2). Agora, Senhor, escutai a nossa oração, escutai a nossa súplica, salvai-nos pela vossa misericórdia. Salvai-nos desta monstruosidade.
Senhor, todo-poderoso, uma alma, na sua angústia, clama por Vós. Escutai, Senhor, tende piedade!
Pecamos contra Vós. Vós reinais para sempre (cf. Bar 3, 1-2).

Lembrai-Vos de nós na vossa misericórdia. Dai-nos a graça de nos envergonharmos daquilo que, como homens, fomos capazes de fazer, de nos envergonharmos desta máxima idolatria, de termos desprezado e destruído a nossa carne, aquela que Vós formastes da lama, aquela que vivificastes com o vosso sopro de vida.

Nunca mais, Senhor, nunca mais!
«Adão, onde estás?»
Eis-nos aqui, Senhor, com a vergonha daquilo que o homem, criado à vossa imagem e semelhança, foi capaz de fazer.
Lembrai-Vos de nós na vossa misericórdia!
Boletim Santa Sé
Francisco: juntos, judeus e católicos podem contribuir para a causa da paz



Prezados Grã-Rabinos de Israel,
Irmãos e irmãs!

Sinto-me particularmente feliz por poder encontrar-me convosco hoje: estou-vos agradecido pela recepção calorosa e pelas amáveis ​​palavras de boas-vindas que me dirigistes.

Como sabeis, desde o tempo em que era Arcebispo de Buenos Aires, pude contar com a amizade de muitos irmãos judeus. Hoje estão aqui dois Rabinos amigos. Junto com eles, organizámos frutuosas iniciativas de encontro e diálogo e, com eles, vivi também significativos momentos de partilha no plano espiritual. Nos primeiros meses de pontificado, pude receber várias organizações e representantes do judaísmo mundial. Como já sucedia com os meus antecessores, são numerosos estes pedidos de encontro, vindo somar-se às muitas iniciativas que têm lugar a nível nacional ou local. Tudo isso atesta o desejo recíproco de nos conhecermos melhor, de nos ouvirmos, de construirmos vínculos de verdadeira fraternidade.

Este caminho de amizade constitui um dos frutos do Concílio Vaticano II, nomeadamente da Declaração Nostra aetate, que teve tanto peso e cujo cinquentenário recordaremos no próximo ano. Na realidade, estou convencido de que o sucedido durante as últimas décadas nas relações entre judeus e católicos tenha sido um verdadeiro dom de Deus, uma das maravilhas por Ele realizadas, pela qual somos chamados a bendizer o seu nome: «Louvai o Senhor dos senhores, / porque o seu amor é eterno! / Só Ele faz grandes maravilhas, / porque o seu amor é eterno!» (Sal 136, 3-4).

Mas é um dom de Deus que não poderia manifestar-se sem o empenho de muitíssimas pessoas corajosas e generosas, tanto judias como cristãs. Em particular, desejo mencionar aqui a importância assumida pelo diálogo entre o Grã-Rabinato de Israel e a Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo. Diálogo este, que, inspirado pela visita do Santo Padre João Paulo II à Terra Santa, teve início em 2002, encontrando-se já no  décimo segundo ano de vida. Apraz-me pensar, a respeito do Bar Mitzvah da tradição judaica, que o mesmo já esteja próximo da idade adulta: tenho confiança que possa continuar e tenha um futuro brilhante pela frente.

Não se trata apenas de estabelecer, num plano humano, relações de respeito mútuo: somos chamados, como cristãos e como judeus, a interrogarmo-nos em profundidade sobre o significado espiritual do vínculo que nos une. É um vínculo que vem do Alto, ultrapassa a nossa vontade e permanece íntegro, não obstante todas as dificuldades de relacionamento vividas, infelizmente, na  história.

Do lado católico, há seguramente a intenção de considerar plenamente o sentido das raízes judaicas da própria fé. Estou confiante, com a vossa ajuda, que também do lado judaico se mantenha e, se possível, aumente o interesse pelo conhecimento do cristianismo, mesmo nesta terra bendita onde o cristianismo reconhece as suas origens e, especialmente, entre as jovens gerações.

O conhecimento recíproco do nosso património espiritual, o apreço por aquilo que temos em comum e o respeito no que nos divide poderão servir de guia para o sucessivo desenvolvimento das nossas relações futuras, que entregamos nas mãos de Deus. Juntos, poderemos dar uma grande contribuição para a causa da paz; juntos, poderemos, num mundo em rápida mudança, testemunhar o significado perene do plano divino da criação; juntos, poderemos opor-nos, firmemente, a todas as formas de anti-semitismo e restantes formas de discriminação. O Senhor nos ajude a caminhar, com confiança e fortaleza de ânimo, pelas suas vias.

Shalom!
Boletim Santa Sé
Papa e o Grão-Mufti de Jerusalém: Abraão, desafio para todos



Excelência,
Fiéis muçulmanos
Queridos amigos!

Estou grato por poder encontrar-vos neste lugar sagrado. De coração vos agradeço pelo amável convite que me quisestes fazer e, de modo particular, agradeço a Vossa Excelência e ao Presidente do Conselho Supremo Muçulmano.

Seguindo os passos dos meus Antecessores e, em  particular, a luminosa esteira da viagem de Paulo VI há cinquenta anos – a primeira viagem de um Papa à Terra Santa –, desejei ardentemente vir como peregrino visitar os lugares que viram a presença terrena de Jesus Cristo. Mas esta minha peregrinação não seria completa, se não contemplasse também o encontro com as pessoas e as comunidades que vivem nesta Terra e, por isso, sinto-me particularmente feliz por me encontrar convosco, fiéis muçulmanos, irmãos amados.

Neste momento, o meu pensamento volta-se para a figura de Abraão, que viveu como peregrino nestas terras. Embora cada qual a seu modo, muçulmanos, cristãos e judeus reconhecem em Abraão um pai na fé e um grande exemplo a imitar. Ele fez-se peregrino, deixando o seu povo e a própria casa, para empreender aquela aventura espiritual a que Deus o chamava.

Um peregrino é uma pessoa que se faz pobre, que se põe a caminho, propende para uma grande e suspirada meta, vive da esperança duma promessa recebida (cf. Heb 11, 8-19). Esta foi a condição de Abraão, esta deveria ser também a nossa disposição espiritual. Não podemos jamais considerar-nos auto-suficientes, senhores da nossa vida; não podemos limitar-nos a ficar fechados, seguros nas nossas convicções. Diante do mistério de Deus, somos todos pobres, sentimos que devemos estar sempre prontos para sair de nós mesmos, dóceis à chamada que Deus nos dirige, abertos ao futuro que Ele quer construir para nós.

Nesta nossa peregrinação terrena, não estamos sozinhos: cruzamos o caminho de outros fiéis, às vezes partilhamos com eles um pedaço de estrada, outras vezes vivemos juntos uma pausa que nos revigora. Tal é o encontro de hoje, que vivo com particular gratidão: uma aprazível pausa comum, tornada possível pela vossa hospitalidade, naquela peregrinação que é a vida nossa e das nossas comunidades. Vivemos uma comunicação e um intercâmbio fraternos que podem revigorar-nos e dar-nos novas forças para enfrentar os desafios comuns que se nos apresentam pela frente.

Na realidade, não podemos esquecer que a peregrinação de Abraão foi também uma chamada para a justiça: Deus qui-lo testemunha do seu agir e seu imitador. Também nós queremos ser testemunhas do agir de Deus no mundo e por isso, precisamente neste nosso encontro, sentimos ressoar profundamente a chamada para sermos agentes de paz e de justiça, para implorarmos estes dons na oração e para aprendermos do Alto a misericórdia, a magnanimidade, a compaixão.

Amados irmãos, queridos amigos, a partir deste lugar santo, lanço um premente apelo a todas as pessoas e comunidades que se reconhecem em Abraão:

Respeitemo-nos e amemo-nos uns aos outros como irmãos e irmãs!

Aprendamos a compreender a dor do outro!

Ninguém instrumentalize, para a violência, o nome de Deus!

Trabalhemos juntos em prol da justiça e da paz!

Salam!
Boletim Santa Sé

Shimon Peres e Mahmoud Abbas aceitam convite do Papa. Gabinete dos dois presidentes confirmam participação em encontro de oração no Vaticano

Os presidentes de Israel, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, aceitaram o convite do Papa Francisco para juntos rezarem no Vaticano. A informação foi divulgada  pelos gabinetes dos dois líderes às agências de notícias internacionais.

No fim da Missa desse domingo, 25, na Praça da Manjedoura, em Belém, durante o Regina Coeli, o Papa Francisco fez um convite aos líderes, pedindo que juntos rezassem pela paz.

“Ofereço minha casa, no Vaticano, para sediar este encontro de oração. Nós todos queremos a paz; muitas pessoas,  em seu dia a dia, a constroem com pequenos gestos. Muitos sofrem com paciência e suportam o cansaço de muitas tentativas para construí-la. E todos, especialmente aqueles que estão a serviço dos seus povos, temos o dever de nos tornar instrumentos de paz e construtores, em primeiro lugar, na oração”, declarou Francisco.

Na tarde de ontem, fontes do escritório de Shimon Peres declararam que o presidente “aceita o convite do Papa Francisco e sempre apoiou  qualquer iniciativa para sustentar a causa da paz”.

De acordo com uma declaração do porta-voz do presidente da autoridade Palestina, o convite também foi aceito por Mahmoud Abbas, e a provável data para o encontro será 6 de junho próximo.
L'Osservatore Romano

2º DIA - BELÉM, TEL AVIV, JERUSALÉM
Encontro e abraço entre o Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu

Jerusalém, 25.maio.2014 (RV) – O último encontro e o mais importante deste segundo dia da Viagem Apostólica do Papa Francisco à Terra Santa foi a Celebração Ecumênica, no Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Participaram da celebração, entre outros, os Ordinários Católicos da Terra Santa, os Arcebispos copta,
siríaco, etiópico e os Bispos anglicano e luterano. O Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu foram acolhidos pelos três Superiores das Comunidades Greco-ortodoxa, Franciscana e Armênia Apostólica.

A seguir, o Santo Padre e o Patriarca Ecumênico veneraram a “Pedra da Unção”. Após o discurso do Patriarca Bartolomeu, o Papa Francisco tomou a palavra.

(Leia discurso do Santo Padre na íntegra)

(Leia, também, a Declaração conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Ecumênico Bartolomeu)

Violência se vence com a paz, diz Papa a crianças refugiadas

Em sua visita a Belém neste domingo, 25.maio.2014, Papa Francisco visitou a Gruta da Natividade, o lugar onde Jesus nasceu. Em seguida, ele saudou crianças dos campos de refugiados de Dheisheh, Aida e Beit, deixando a elas uma mensagem de esperança.

“Não deixem nunca que o passado determinem suas vidas. Olhem sempre adiante. Trabalhem e lutem pelo que vocês querem. Percebam uma coisa: que a violência não se vence com a violência. A violência se vence com a paz. Com a paz, com o trabalho, com a dignidade de levar a pátria adiante. Muito obrigado por terem me recebido. Peço a Deus que os abençõe. E a vocês peço que rezem por mim. Muito obrigado”.

Com esse encontro, Francisco encerra sua estadia em Belém. Ele parte agora para Israel, onde fará um discurso na cerimônia de boas vindas no aeroporto internacional Ben Gurion em Tel Aviv.

Após a cerimônia, ele segue para Jerusalém e participa do momento mais esperado de sua visita à Terra Santa: o encontro privado com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I. Nesse encontro, será assinada uma declaração conjunta.

Em seguida, Francisco fará um discurso em uma celebração ecumênica por ocasião do 50º aniversário do histórico abraço entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras na Basílica do Santo Sepulcro.
Canção Nova

O Papa convida os Presidentes da Palestina e de Israel a rezarem com ele, no Vaticano, em favor da paz



Belém, 25.maio.2014 (RV) - Ao término da Santa Missa, na Praça da Manjedoura, diante da Basílica da Natividade, em Belém, o Santo Padre passou a rezar, na manhã deste domingo, a oração pós-pascal do Regina Coeli, com a multidão de fiéis presentes.

Antes da oração, o Santo Padre foi muito aplaudido, causando grande comoção, ao fazer o seguinte convite ao Presidente de Israel e ao Presidente da Palestina:

“Neste Lugar, onde nasceu o Príncipe da Paz, desejo fazer um convite ao senhor, Presidente Mahmoud Abbas, e ao senhor, Presidente Shimon Peres, a elevarem, junto comigo, uma intensa oração, implorando de Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa, no Vaticano, para hospedar este encontro de oração. Construir a paz é difícil, mas viver sem paz é um tormento! Todos os homens e mulheres desta Terra e do mundo inteiro nos pedem para apresentarmos a Deus o seu ardente desejo de paz.”.
* * *
Queridos irmãos e irmãs!

Estando para concluir esta celebração, dirijamos o nosso pensamento para Maria Santíssima, que aqui mesmo, em Belém, deu à luz o seu filho Jesus. A Virgem, mais do que ninguém, contemplou Deus no rosto humano de Jesus. Ajudada por São José, envolveu-O em panos e reclinou-O na manjedoura.

A Ela confiamos este território e quantos nele habitam para que possam viver na justiça, na paz e na fraternidade. Confiamos também os peregrinos que vêm aqui para beber nas fontes da fé cristã – estão presentes também nesta Santa Missa.

Velai, ó Maria, pelas famílias, os jovens, os idosos. Velai por aqueles que perderam a fé e a esperança; confortai os doentes, os encarcerados e todos os atribulados; sustentai os Pastores e toda a comunidade dos fiéis para que sejam «sal e luz» nesta terra bendita; sustentai as obras educativas, em particular aBethlehem University.

Contemplando a Sagrada Família aqui, em Belém, espontaneamente o meu pensamento recorda Nazaré, onde espero poder ir, se Deus quiser, noutra ocasião. Daqui abraço os fiéis cristãos que vivem na Galileia e encorajo a realização em Nazaré do Centro Internacional para a Família.

À Virgem Santa confiemos os destinos da humanidade, para que no mundo se descerrem os horizontes novos e promissores da fraternidade, da solidariedade e da paz.

Missa na Praça da Manjedoura: apelo em defesa das crianças



«Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12).

Que graça grande celebrar a Eucaristia junto do lugar onde nasceu Jesus! Agradeço a Deus e agradeço a vós que me acolhestes nesta minha peregrinação: o Presidente Mahmoud Abbas e demais autoridades; o Patriarca Fouad Twal, os outros Bispos e os Ordinários da Terra Santa, os sacerdotes, os dedicados Franciscanos, as pessoas consagradas e quantos trabalham por manter viva a fé, a esperança e a caridade nestes territórios; as delegações de fiéis vindas de Gaza, da Galileia, os imigrantes da Ásia e da África. Obrigado pela vossa recepção!

O Menino Jesus, nascido em Belém, é o sinal dado por Deus a quem esperava a salvação, e permanece para sempre o sinal da ternura de Deus e da sua presença no mundo. O Anjo disse aos pastores: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino…».

Também hoje  as crianças são um sinal. Sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de «diagnóstico» para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade, do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano. Pensemos na obra que realiza o Instituto Effathá Paulo VI a favor das crianças surdas-mudas palestinenses: é um sinal concreto da bondade de Deus. É um sinal concreto de que a sociedade melhora.

Hoje Deus repete também a nós, homens e mulheres do século XXI: «Isto vos servirá de sinal», procurai o menino…

O Menino de Belém é frágil, como todos os recém-nascidos. Não sabe falar e, no entanto, é a Palavra que Se fez carne e veio para mudar o coração e a vida dos homens. Aquele Menino, como qualquer criança, é frágil e precisa de ser ajudado e protegido. Também hoje as crianças precisam de ser acolhidas e defendidas, desde o ventre materno.

Infelizmente, neste mundo que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, ainda há tantas crianças em condições desumanas, que vivem à margem da sociedade, nas periferias das grandes cidades ou nas zonas rurais. Ainda hoje há tantas crianças exploradas, maltratadas, escravizadas, vítimas de violência e de tráficos ilícitos. Demasiadas são hoje as crianças exiladas, refugiadas, por vezes afundadas nos mares, especialmente nas águas do Mediterrâneo. De tudo isto nos envergonhamos hoje diante de Deus, Deus que Se fez Menino.

E interrogamo-nos: Quem somos nós diante de Jesus Menino? Quem somos nós diante das crianças de hoje? Somos como Maria e José que acolhem Jesus e cuidam d’Ele com amor maternal e paternal? Ou somos como Herodes, que quer eliminá-Lo? Somos como os pastores, que se apressam a adorá-Lo prostrando-se diante d’Ele e oferecendo-Lhe os seus presentes humildes? Ou então ficamos indiferentes? Por acaso limitamo-nos à retórica e ao pietismo, sendo pessoas que exploram as imagens das crianças pobres para fins de lucro? Somos capazes de permanecer junto delas, de «perder tempo» com elas? Sabemos ouvi-las, defendê-las, rezar por elas e com elas? Ou negligenciamo-las, preferindo ocupar-nos dos nossos interesses?

«Isto nos servirá de sinal: encontrareis um menino…». Talvez aquela criança chore! Chora porque tem fome, porque tem frio, porque quer colo... Também hoje as crianças choram (e choram muito!), e o seu choro interpela-nos. Num mundo que descarta diariamente toneladas de alimentos e remédios, há crianças que choram, sem ser preciso, por fome e doenças facilmente curáveis. Num tempo que proclama a tutela dos menores, comercializam-se armas que acabam nas mãos de crianças-soldado; comercializam-se produtos confeccionados por pequenos trabalhadores-escravos. O seu choro é sufocado: o choro destes meninos é sufocado! Têm que combater, têm que trabalhar, não podem chorar! Mas choram por elas as mães, as Raquéis de hoje: choram os seus filhos, e não querem ser consoladas (cf. Mt 2, 18).

«Isto vos servirá de sinal»: encontrareis um menino. O Menino Jesus nasceu em Belém, cada criança que nasce e cresce em qualquer parte do mundo é sinal de diagnóstico, que nos permite verificar o estado de saúde da nossa família, da nossa comunidade, da nossa nação. Deste diagnóstico franco e honesto, pode brotar um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor.

Ó Maria, Mãe de Jesus,
Vós que acolhestes, ensinai-nos a acolher;
Vós que adorastes, ensinai-nos a adorar;
Vós que acompanhastes, ensinai-nos a acompanhar. Amen.

Boletim Santa Sé - 25.maio.2014
Papa em Israel: "solução de dois Estados" não permaneça um sonho. Francisco deplora atentado antissemita



Tel Aviv, 25.maio.2014 (RV) - Segundo dia da viagem apostólica do Papa Francisco à Terra Santa. Após a visita desta manhã à cidade de Belém, vivida com momentos de particular comoção e intensidade, o Santo Padre despediu-se do Estado da Palestina transferindo-se de helicóptero para Telaviv, em cujo aeroporto internacional, Ben Gourion, teve lugar a cerimônia de boas-vindas.

O Pontífice foi acolhido pelo presidente e pelo primeiro-ministro israelenses, respectivamente, Shimon Peres e Benjamin Netanyahu. Além de autoridades políticas, encontravam-se presentes autoridades civis e religiosas, os Ordinários da Terra Santa e um grupo de jovens com um coro.

No discurso que fez, após saudar todos os presentes e agradecer a Shimon Peres e Benjamin Netanyahu pelas palavras que lhe foram dirigidas, Francisco ressaltou o fato de sua visita, qual peregrino, dar-se à distância de cinquenta anos da histórica viagem de Paulo VI.

"Seguindo os passos de meus predecessores, vim como peregrino à Terra Santa", reiterou o Papa, evidenciando a importância desta terra para as "três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo", constituindo "ponto de referência espiritual para grande parte da humanidade".
Recordando que Jerusalém significa "cidade da paz", mas que esta, infelizmente, é ainda atormentada pelas consequências de longos conflitos, evocou como sabida por todos a urgência e necessidade da paz, "não só para Israel, mas também para toda a região".

Em seguida, fez uma premente exortação em favor de uma solução justa e duradoura para os conflitos que causam tantos sofrimentos.

"Em união com todos os homens de boa vontade, suplico a quantos estão investidos de responsabilidade que não deixem nada de intentado na busca de soluções équas para as complexas dificuldades, de tal modo que israelenses e palestinos possam viver em paz."

Após evidenciar que "não há outro caminho" a não ser o do diálogo, da reconciliação e da paz, Francisco renovou o apelo de Bento XVI feito naquele lugar, em maio de 2009:

"Seja universalmente reconhecido que o Estado de Israel tem o direito de existir e gozar de paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Seja igualmente reconhecido que o Povo Palestino tem o direito a uma pátria soberana, a viver com dignidade e a viajar livremente. Que a «solução de dois Estados» se torne realidade e não permaneça um sonho!"

O Bispo de Roma ressaltou como momento particularmente tocante de sua estada em Israel, a visita a ser feita ao Memorial de Yad Vashem, em recordação dos seis milhões de judeus vítimas da Shoah, pedindo a Deus que "jamais se repita semelhante crime, de que foram vítimas também muitos cristãos e não só".

Exortando à promoção de uma educação onde a exclusão e o conflito cedam lugar à inclusão e ao encontro, onde não haja lugar para o antissemitismo, "seja qual for a forma em que se manifeste, nem para qualquer expressão de hostilidade, discriminação ou intolerância contra indivíduos e povos", deplorou o ataque armado verificado neste sábado contra o Museu judaico de Bruxelas, em que três pessoas perderam a vida e uma permanece gravemente ferida:

"Com coração profundamente entristecido, penso naqueles que perderam a vida no violento atentado ocorrido ontem em Bruxelas. Ao renovar minha veemente deploração a tal criminoso ato de ódio anti-semita, confio as vítimas a Deus misericordioso e peço o restabelecimento dos feridos."

Saudando todos os cidadãos israelenses, expressou-lhes sua proximidade, em particular ao que vivem em Nazaré e na Galileia, onde se encontram presentes também muitas comunidades cristãs.

O Santo Padre concluiu seu discurso dirigindo uma saudação fraterna e cordial aos bispos e fiéis cristãos encorajando-os a continuarem a prestar, com confiança e esperança, seu sereno testemunho em favor da reconciliação e do perdão, e exortou-os a serem "fermento de reconciliação, portadores de esperança e testemunhas de caridade".


(Discurso de Boas vindas na íntegra)

Apelo à "coragem da paz", no discurso às autoridades da Palestina, em Belém

Senhor Presidente,
Queridos amigos,
Queridos irmãos!

Agradeço-lhe, Senhor Presidente Mahmoud Abbas, as palavras de boas-vindas e dirijo a minha cordial saudação aos representantes do Governo e a todo o povo palestinense. Estou grato ao Senhor por estar hoje convosco neste lugar, onde nasceu Jesus, o Príncipe da Paz, e agradeço-vos pela vossa calorosa recepção.

Há decénios que o Médio Oriente vive as consequências dramáticas do prolongamento de um conflito que produziu tantas feridas difíceis de curar e, mesmo quando, felizmente, não se alastra a violência, a incerteza da situação e a falta de entendimento entre as partes produzem insegurança, negação de direitos, isolamento e saída de comunidades inteiras, divisões, carências e sofrimentos de todo o tipo.

Ao manifestar a minha solidariedade a quantos sofrem em medida maior as consequências deste conflito, queria do fundo do coração dizer que é hora de pôr fim a esta situação, que se torna sempre mais inaceitável, e isto para bem de todos. Por isso redobrem-se os esforços e as iniciativas destinadas a criar as condições para uma paz estável, baseada na justiça, no reconhecimento dos direitos de cada um e na segurança mútua. Para todos, chegou o momento de terem a coragem da generosidade e da criatividade ao serviço do bem, a coragem da paz, que assenta sobre o reconhecimento, por parte de todos, do direito que têm dois Estados de existir e gozar de paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Com esta finalidade, espero vivamente que, por parte de todos, se evitem iniciativas e acções que contradizem a declarada vontade de chegar a um verdadeiro acordo e que não nos cansemos de buscar a paz com determinação e coerência. A paz trará consigo inúmeros benefícios para os povos desta região e para o mundo inteiro. É preciso, portanto, encaminhar-se decididamente para ela, inclusive com a renúncia a alguma coisa por parte de cada um.

Faço votos de que os povos palestinense e israelita e suas respectivas autoridades empreendam este êxodo feliz para a paz com aquela coragem e aquela firmeza que são necessárias em qualquer êxodo. A paz na segurança e a confiança mútua tornar-se-ão o quadro estável de referência para enfrentar e resolver os outros problemas e, assim, proporcionar uma oportunidade de desenvolvimento equilibrado tal que se torne modelo para outras áreas de crise.

Apraz-me aqui fazer referência à comunidade cristã que diligentemente presta a sua significativa contribuição para o bem comum da sociedade e que participa das alegrias e penas de todo o povo. Os cristãos querem continuar a desempenhar o seu papel como cidadãos de pleno direito, juntamente com os demais concidadãos considerados como irmãos.

O recente encontro no Vaticano com Vossa Excelência, Senhor Presidente, e a minha presença hoje aqui na Palestina atestam as boas relações existentes entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, esperando que possam incrementar-se ainda mais para bem de todos. A este respeito, exprimo o meu apreço pelos esforços feitos para elaborar um Acordo entre as Partes relativo aos diferentes aspectos da vida da comunidade católica do país, com especial atenção à liberdade religiosa. Com efeito, o respeito deste direito humano fundamental é uma das condições irrenunciáveis da paz, da fraternidade e da harmonia; mostra ao mundo que é indispensável e possível encontrar um bom acordo entre culturas e religiões diferentes; testemunha que as coisas que temos em comum são tantas e tão importantes que é possível individuar uma estrada de convivência serena, ordenada e pacífica, na aceitação das diferenças e na alegria de sermos irmãos porque filhos de um único Deus.

Senhor Presidente, queridos irmãos reunidos aqui em Belém, Deus todo-poderoso vos abençoe, proteja e conceda a sabedoria e a força necessárias para levar por diante o corajoso caminho da paz, de tal modo que as espadas se transformem em arados e esta terra possa voltar a florescer na prosperidade e na concórdia. Salam!

Papa Francisco no Estado da Palestina: quebra de protocolo e convite inédito

Belém, 25.maio,2014 (RV) - Na manhã deste domingo, logo após aterrissar no Estado da Palestina, Papa Francisco fez uma parada fora de programa e rezou diante do Muro da Separação entre Israel e Palestina. À frente das escritas “Palestina Livre” e “Precisamos de alguém que fale sobre justiça”, Papa Francisco observou a altura do Muro da Separação e, logo após, tocou-o e encostou a cabeça recolhendo-se em oração.

Israel começou a construir o Muro da Separação em 2002, chamando-o de Muro de Segurança e com o objetivo de impedir a entrada de terroristas no Estado de Israel. Na fronteira entre Jerusalém e Belém, justamente onde Papa Francisco passou, o muro chega a ter oito metros de altura. Os palestinos que têm permissão para cruzar a fronteira precisam, todos os dias, passar pelo “Check Point” – o mesmo acontece com turistas que atravessam a fronteira para visitar a Basílica da Natividade, em Belém.

Uma imagem histórica que, por enquanto, torna-se o símbolo da passagem de Francisco pela Terra Santa. Todavia, Papa Francisco surpreendeu, mais uma vez, ao anunciar no final da celebração eucarística na Praça da
Manjedoura, um convite para que os presidentes da Palestina e Israel, Mahmoud Abbas e Shimon Peres, respectivamente, encontrem-se com o pontífice no Vaticano para um “momento de profunda oração pela paz”.

Durante seu discurso na tarde deste domingo, já em Tel Aviv, Papa Francisco reiterou - desta vez na presença de Shimom Peres - o convite feito na manhã de domingo.


1º Dia - JORDÂNIA
Na Jordânia, Francisco pede solução "urgente" para conflitos na região



Amã, 24.maio.2014 (RV) – Paz, diálogo e liberdade religiosa: estes foram os principais temas tratados por Francisco em seu primeiro discurso na Terra Santa, no Palácio Real de Amã.

A Jordânia foi a porta de entrada para Francisco nesta peregrinação. A cerimônia de boas-vindas não se realizou no aeroporto, mas no Palácio Real, onde o Pontífice foi acolhido pelo Rei Abdallah II Hussein e pela Rainha da Jordânia, Rania. Quando Paulo VI visitou o país, em 1964, seu anfitrião foi o pai de Abdallah II. O atual monarca, no trono desde 1999, deu as boas-vindas a João Paulo II em 2000 e a Bento XVI em 2009, e já foi recebido duas vezes por Francisco no Vaticano (agosto 2013 e abril de 2014).

Após as execuções dos hinos dos dois Estados, houve o encontro privado, com a família, a troca de presentes e a apresentação das delegações. Mas foi com as autoridades jordanianas que Francisco fez seu primeiro pronunciamento na Terra Santa.

O Papa escolheu a língua italiana para se comunicar com os médio-orientais, pois quer ter a possibilidade de improvisar em seus discursos e homilias.

Francisco definiu a Jordânia uma “terra rica de história e de grande significado religioso para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo”. De modo especial, o Pontífice destacou o acolhimento “generoso” a um grande número de refugiados palestinos, iraquianos e sírios – vítimas de um “conflito que já dura há muito tempo”.

“Este acolhimento merece a estima e o apoio da comunidade internacional”, afirmou o Papa, garantindo o empenho da Igreja Católica na assistência aos refugiados e a quem vive em necessidade, sobretudo através da Cáritas Jordaniana.

A seguir, Francisco constatou a persistência de “fortes tensões na área médio-oriental”, agradecendo às autoridades do Reino Hachemita pelo compromisso na busca da paz. Para este objetivo, advertiu o Papa, “torna-se imensamente necessária e urgente uma solução pacífica para a crise síria, bem como uma solução justa para o conflito israelense-palestino”.

Quanto ao diálogo inter-religioso, mais uma vez o Papa expressou sua gratidão à Jordânia por ter incentivado uma série de importantes iniciativas para promover a compreensão entre judeus, cristãos e muçulmanos. “Aproveito esta oportunidade para renovar o meu profundo respeito e a minha estima à comunidade muçulmana e manifestar o meu apreço pela função de guia desempenhada pelo Rei na promoção duma compreensão mais adequada das virtudes proclamadas pelo Islã e da serena convivência entre os fiéis das diferentes religiões.”

Aos cristãos, o Papa agradeceu principalmente pelo trabalho no campo da educação e da saúde, ressaltando que na Jordânia eles podem professar com tranquilidade a sua fé. A liberdade religiosa, recordou Francisco, é um direito humano fundamental, fazendo votos de que o mesmo seja tido em “grande” consideração em todo o Oriente Médio e no mundo inteiro.

“Os cristãos sentem-se e são cidadãos de pleno direito e pretendem contribuir para a construção da sociedade, juntamente com os seus compatriotas muçulmanos, oferecendo a sua específica contribuição.”

Por fim, o Pontífice saudou o Reino da Jordânia e seu povo, “com a esperança de que esta visita contribua para incrementar e promover boas e cordiais relações entre cristãos e muçulmanos”.
Que o Espírito Santo cure as feridas dos erros, das incompreensões e das controvérsias - Papa Francisco na Missa em Amã, primeira etapa da peregrinação à Terra Santa



Amã, 24.maio.2014 (RV) – Decorreu no Estádio Internacional de Amã, com a participação calorosa e devota de dezenas de milhares de fiéis, a Missa presidida pelo Papa Francisco. Uma Missa com cânticos em árabe e em que fizeram a sua primeira Comunhão nada menos de mil e quatrocentas crianças.

Numa homilia centrada no Espírito Santo de que fala o Evangelho deste domingo, o Papa referiu três ações realizadas pelo Espírito: prepara, unge e envia. A concluir convidou a pedir ao Espírito Santo "que prepare os nossos corações para o encontro com os irmãos independentemente das diferenças de ideias, língua, cultura, religião; que unja todo o nosso ser com o óleo da sua misericórdia que cura as feridas dos erros, das incompreensões, das controvérsias; que nos envie, com humildade e mansidão, pelas sendas desafiadoras mas fecundas da busca da paz."

Este o texto integral desta homilia:

Ouvimos, no Evangelho, a promessa de Jesus aos discípulos: «Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco» (Jo 14, 16). O primeiro Paráclito é o próprio Jesus; o «outro» é o Espírito Santo.
Aqui não estamos muito longe do lugar onde o Espírito Santo desceu poderosamente sobre Jesus de Nazaré, depois de João O ter baptizado no rio Jordão (cf. Mt 3, 16). Por isso, o Evangelho deste domingo e também este lugar, onde, graças a Deus, me encontro como peregrino, convidam-nos a meditar sobre o Espírito Santo, sobre aquilo que Ele realiza em Cristo e em nós e que podemos resumir da seguinte maneira: o Espírito realiza três acções, ou seja, prepara, unge e envia.

No momento do baptismo, o Espírito pousa sobre Jesus a fim de O preparar para a sua missão de salvação; missão caracterizada pelo estilo do Servo humilde e manso, pronto à partilha e ao dom total de Si mesmo. Mas o Espírito Santo, presente desde o início da história da salvação, já tinha agido em Jesus no momento da sua concepção no ventre virginal de Maria de Nazaré, realizando o evento maravilhoso da encarnação: «O Espírito Santo virá sobre ti – diz o Anjo a Maria – e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra, e tu darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus» (cf. Lc 1, 35.31). Depois, o Espírito Santo tinha actuado sobre Simeão e Ana, no dia da apresentação de Jesus no Templo (cf. Lc 2, 22). Ambos à espera do Messias, ambos inspirados pelo Espírito Santo, Simeão e Ana, à vista do Menino, intuem que Ele é mesmo o Esperado por todo o povo. Na atitude profética dos dois anciãos, exprime-se a alegria do encontro com o Redentor e, de certo modo, actua-se uma preparação do encontro entre o Messias e o povo.

As diferentes intervenções do Espírito Santo fazem parte de uma acção harmónica, de um único projecto divino de amor. Com efeito, a missão do Espírito Santo é gerar harmonia – Ele mesmo é harmonia – e realizar a paz nos vários contextos e entre diferentes sujeitos. A diferença de pessoas e a divergência de pensamento não devem provocar rejeição nem criar obstáculo, porque a variedade é sempre enriquecedora. Por isso hoje, com coração ardente, invoquemos o Espírito Santo, pedindo-Lhe que prepare o caminho da paz e da unidade.

Em segundo lugar, o Espírito Santo unge. Ungiu interiormente Jesus, e unge os discípulos para que tenham os mesmos sentimentos de Jesus e possam, assim, assumir na sua vida atitudes que favoreçam a paz e a comunhão. Com a unção do Espírito, a nossa humanidade é marcada pela santidade de Jesus Cristo e tornamo-nos capazes de amar os irmãos com o mesmo amor com que Deus nos ama. Portanto, é necessário praticar gestos de humildade, fraternidade, perdão e reconciliação. Estes gestos são pressuposto e condição para uma paz verdadeira, sólida e duradoura. Peçamos ao Pai que nos unja para nos tornarmos plenamente seus filhos, configurados cada vez mais a Cristo, a fim de nos sentirmos todos irmãos e, assim, afastar de nós rancores e divisões e amar-nos fraternalmente. Isto mesmo nos pediu Jesus no Evangelho: «Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos, e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco» (Jo 14, 15-16).

E, por último, o Espírito Santo envia. Jesus é o Enviado, cheio do Espírito do Pai. Ungidos pelo mesmo Espírito, também nós somos enviados como mensageiros e testemunhas de paz.

A paz não se pode comprar: é um dom que se deve buscar pacientemente e construir «artesanalmente» através dos pequenos e grandes gestos que formam a nossa vida diária. Consolida-se o caminho da paz, se reconhecermos que todos temos o mesmo sangue e fazemos parte do género humano; se não nos esquecermos que temos um único Pai celeste e que todos nós somos seus filhos, feitos à sua imagem e semelhança.

Neste espírito, vos abraço a todos: o Patriarca, os irmãos Bispos, os sacerdotes, as pessoas consagradas, os fiéis leigos, a multidão de crianças que hoje fazem a Primeira Comunhão e os seus familiares. Com todo o meu coração saúdo também os numerosos refugiados cristãos que vieram da Palestina, da Síria e do Iraque: levai às vossas famílias e comunidades a minha saudação e a minha solidariedade.

Queridos amigos! O Espírito Santo desceu sobre Jesus no Jordão e deu início à sua obra de redenção para libertar o mundo do pecado e da morte. A Ele pedimos que prepare os nossos corações para o encontro com os irmãos independentemente das diferenças de ideias, língua, cultura, religião; que unja todo o nosso ser com o óleo da sua misericórdia que cura as feridas dos erros, das incompreensões, das controvérsias; que nos envie, com humildade e mansidão, pelas sendas desafiadoras mas fecundas da busca da paz. Amen!
Papa Francisco visita local do Batismo de Jesus em Betânia além do Jordão e reza em silêncio diante do rio



O Papa Francisco visitou neste sábado, 24, o Rio Jordão, local em que Jesus foi batizado. O Papa não fez nenhum discurso, mas sim uma oração silenciosa.

O Rio Jordão, localizado na fronteira entre Israel e Jordânia, palco de conflitos, é citado em vários trechos das sagradas escrituras como o local do batismo de Jesus, por seu primo João Batista e da Manifestação da Santíssima Trindade.

Discurso do Papa Francisco no encontro com os refugiados e jovens deficientes, na Jordânia


Sábado, 24 de maio de 2014

Santa Sé

Estimadas Autoridades, Excelências,

Amados irmãos e irmãs!

Na minha peregrinação, desejei ardentemente encontrar-me convosco que, devido a conflitos sangrentos, tivestes de deixar as vossas casas e a vossa pátria, encontrando refúgio nesta terra hospitaleira da Jordânia e também convosco, queridos jovens, que sentis o peso de alguma limitação física.

Este lugar, onde nos encontramos, lembra-nos o baptismo de Jesus. Vindo aqui ao Jordão para ser baptizado por João, mostra a sua humildade e a partilha da condição humana: abaixa-Se até nós e, com o seu amor, devolve-nos a dignidade e dá-nos a salvação. Não cessa de nos impressionar esta humildade de Jesus, que Se debruça sobre as feridas humanas para as curar. E, da nossa parte, ficamos profundamente tocados com os dramas e as feridas do nosso tempo, especialmente as feridas provocadas pelos conflitos ainda em curso no Médio Oriente. Penso, em primeiro lugar, na Síria, dilacerada por uma luta fratricida que dura desde há três anos e já ceifou inúmeras vítimas, obrigando milhões de pessoas a tornarem-se refugiados e exilados noutros países.

Agradeço às autoridades e ao povo jordano pela generosa hospitalidade dada a um número altíssimo de refugiados provenientes da Síria e do Iraque, e estendo os meus agradecimentos a todos aqueles que lhes prestam ajuda nas várias obras de assistência e solidariedade. Penso também na obra de caridade realizada por instituições da Igreja como a Cáritas Jordana e outras que, assistindo os necessitados sem distinção de crença religiosa, filiação étnica ou ideológica, manifestam o esplendor do rosto caritativo de Jesus misericordioso. Deus todo-poderoso e clemente vos abençoe a todos e a cada um dos vossos esforços por aliviar os sofrimentos causados pela guerra!

Faço apelo à comunidade internacional para que não deixe a Jordânia sozinha a enfrentar a emergência humanitária provocada pela chegada ao seu território de um número tão alto de refugiados, mas continue e incremente a sua ação de apoio e ajuda. E renovo o meu apelo mais veemente pela paz na Síria. Cessem as violências e seja respeitado o direito humanitário, garantindo a necessária assistência à população que sofre! Todos ponham de parte a pretensão de deixar às armas a solução dos problemas e voltem ao caminho das negociações. Na realidade, a solução só pode vir do diálogo e da moderação, da compaixão por quem sofre, da busca de uma solução política e do sentido de responsabilidade pelos irmãos.

A vós, jovens, peço que vos unais à minha oração pela paz. Podeis fazê-lo também oferecendo a Deus as vossas fadigas diárias, tornando-se assim particularmente preciosa e eficaz a vossa oração. E encorajo-vos a colaborar, com o vosso empenho e a vossa sensibilidade, na construção duma sociedade respeitadora dos mais frágeis, dos doentes, das crianças, dos idosos. Apesar das dificuldades da vida, sede sinal de esperança. Vós estais no coração de Deus e das minhas orações, e agradeço-vos pela vossa presença entusiasta e numerosa.

No final deste encontro, renovo meus votos de que prevaleçam a razão e a moderação e que a Síria reencontre, com a ajuda da comunidade internacional, o caminho da paz. Deus converta os violentos e aqueles que têm projetos de guerra e converta os corações e as mentes dos operadores de paz e os recompense com todas as bênçãos.

Terra Santa: na véspera da viagem, Papa vai rezar diante de Nossa Senhora. Suspensas missas matutinas por uma semana

Cidade do Vaticano, 23.maio.2014 (RV) – Na véspera de sua viagem à Terra Santa, o Papa Francisco visitou na manhã desta sexta-feira a Basílica de Santa Maria Maior.

Segundo informa o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, o Papa foi à Basílica, em caráter privado, para rezar e confiar a Nossa Senhora a iminente viagem a Amã, Belém e Jerusalém.

Depois da oração, que durou 15 minutos, o Pontífice ofereceu um maço de flores a Nossa Senhora.
Logo após a sua eleição como sucessor de Pedro, e em outras oportunidades, Francisco visitou a Basílica de Santa Maria Maior, que fica no centro de Roma, para orar diante do ícone de Maria “Salus Populi romani” (protetora do povo romano).

Por ocasião desta viagem, a partir desta sexta-feira, 23 de maio, estão suspensas as Missas matutinas que o Papa Francisco celebra na capela de sua residência, na Casa Santa Marta.

A próxima missa está programa para sexta-feira, 30 de maio.

A chegada de Papa Francisco à Terra Santa está prevista para às 13h (7h de Brasília) deste sábado.

Nesta sexta-feira, esta foi a mensagem do Papa no seu Twitter:

23/05/2014
Viver com fé significa colocar toda a nossa vida nas mãos de Deus, especialmente nos momentos difíceis.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO AO CARDEAL JEAN-LOUIS TAURAN POR OCASIÃO DO 50º ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO DO PONTIFÍCIO CONSELHO PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO - 19.maio.2014


Clique aqui

“Um cristão sem alegria ou não é cristão ou está doente” – Papa em S. Marta nesta quinta


Um cristão sem alegria ou não é cristão ou está doente – esta a mensagem principal do Papa Francisco na missa desta quinta-feira, 22.maio.2014, em Santa Marta.

Desenvolvendo a sua homilia a partir do Evangelho do dia em que Jesus afirma: ‘Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor’. No capítulo 15 de S. João, Jesus diz-nos algo de novo – afirmou o Papa Francisco – ‘não só amai, mas permanecei no meu amor’.

“A vocação cristã é isto: permanecer no amor de Deus, ou seja, respirar, viver daquele oxigênio, viver daquele ar. Permanecer no amor de Deus.” – sublinhou o Papa Francisco.

“Mas como é o amor de Jesus?” – perguntou o Santo Padre.

“É um amor que vem do Pai. A relação de amor entre Ele e o Pai é também uma relação de amor entre Ele e nós.” – afirmou o Papa.

E quando nós permanecemos no amor, os Mandamentos vêm por si, naturalmente, vêm do amor. E o amor leva-nos a cumprir os Mandamentos – continuou o Santo Padre que considerou ser a alegria a marca de um cristão que vive e permanece no amor de Deus.

“A alegria, que é como a marca do cristão. Um cristão sem alegria ou não é cristão ou está doente. A saúde cristã! A alegria. Mesmo na dor, nas tribulações e perseguições.”

E quem nos dá esta alegria é o Espírito Santo, o grande esquecido das nossas orações – observou o Papa Francisco que exortou os cristãos a pedirem ao Senhor que nos dê a graça de “conservar sempre o Espírito Santo em nós, que nos ensina a amar, que nos enche de alegria e que nos dá a paz.”
Radio Vaticano

Este foi o tweet do Papa Francisco, hoje:

22/05/2014
Toda a pessoa que se deixe guiar por Deus não fica desiludida nem erra a estrada.

Criação: o maior presente de Deus para o homem, afirma o Papa na Audiência Geral


Cidade do Vaticano, 21.maio.2014 (RV) – Mais de 70 mil pessoas participaram da Audiência Geral esta manhã na com o Papa Francisco.

Eis a íntegra da Catequese do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Hoje gostaria de destacar outro dom do Espírito Santo, o dom da ciência. Quando se fala de ciência, o pensamento vai imediatamente à capacidade do homem de conhecer sempre melhor a realidade que o cerca e de descobrir as leis que regulam a natureza e o universo. A ciência que vem do Espírito Santo, porém, não se limita ao conhecimento humano: é um dom especial, que nos leva a entender, através da criação, a grandeza e o amor de Deus e a sua relação profunda com cada criatura.

1. Quando os nossos olhos são iluminados pelo Espírito, abrem-se à contemplação de Deus, na beleza da natureza e na grandiosidade do cosmo, e nos levam a descobrir como cada coisa nos fala Dele e do seu amor. Tudo isto suscita em nós grande admiração e um profundo sentido de gratidão! É a sensação que experimentamos também quando admiramos uma obra de arte ou qualquer outra maravilha que seja fruto da invenção e da criatividade do homem: diante de tudo isso, o Espírito nos leva a louvar o Senhor do fundo do nosso coração e a reconhecer, em tudo aquilo que temos e somos, um dom inestimável de Deus e um sinal do seu infinito amor por nós.

2. No primeiro capítulo do Gênesis, propriamente no início de toda a Bíblia, coloca-se em evidência que Deus se alegra com a sua criação, destacando repetidamente a beleza e a bondade de cada coisa. Ao término de cada dia, está escrito: “Deus viu que era coisa boa” (1, 12. 18. 21. 25): se Deus vê que a criação é uma coisa boa, é uma coisa bela, também nós devemos assumir esta atitude e ver que a criação é coisa boa e bela. Eis o dom da ciência que nos faz ver esta beleza, portanto louvamos a Deus agradecendo-lhe por ter nos dado tanta beleza. E quando Deus terminou de criar o homem não disse “viu que era coisa boa”, mas disse que era “muito boa” (v. 31). Aos olhos de Deus nós somos a coisa mais bela, grande, boa da criação: mesmo os anjos estão abaixo de nós, nós somos mais que os anjos, como ouvimos no livro dos Salmos. O Senhor nos quer bem! Devemos agradecer a Ele por isto. O dom da ciência nos coloca em profunda sintonia com o Criador e nos faz participar da clareza do seu olhar e do seu juízo. É nesta perspectiva que conseguimos entender no homem e na mulher o vértice da criação, como cumprimento de um projeto de amor que está impresso em cada um de nós e que nos faz reconhecer como irmãos e irmãs.

3. Tudo isto é motivo de serenidade e de paz e faz do cristão um testemunho alegre de Deus, nos passos de São Francisco de Assis e de tantos santos que souberam louvar e cantar o seu amor através da contemplação da criação. Ao mesmo tempo, porém, o dom da ciência nos ajuda a não cair em algumas atitudes excessivas ou erradas. A primeira é constituída pelo risco de nos considerarmos donos da criação. A criação não é uma propriedade, na qual podemos mandar de acordo com a nossa vontade; nem, tão pouco, é uma propriedade somente de alguns, de poucos: a criação é um presente, é um presente maravilhoso de Deus que nos deu para que cuidemos dela e a utilizemos em benefício de todos, sempre com grande respeito e gratidão. A segunda atitude errada é representada pela tentação de nos pararmos nas criaturas, como se estas pudessem oferecer a resposta a todas as nossas expectativas. Com o dom da ciência, o Espírito nos ajuda a não cair neste erro.

Mas gostaria de retornar ao primeiro caminho errado: dominar a criação em vez de protegê-la. Devemos proteger a criação porque é um presente que o Senhor nos deu, é um presente de Deus para nós; nós somos guardiães da criação. Quando nós exploramos a criação, destruímos o sinal do amor de Deus. Destruir a criação é dizer a Deus: “não gosto”. E isto não é bom: eis o pecado.

A proteção da criação é justamente a proteção do presente de Deus e é dizer a Deus: “obrigado, eu sou o guardião da criação, mas para fazê-la progredir, nunca para destruir o teu presente”. Esta deve ser a nossa atitude diante da criação: protegê-la, porque se nós destruímos a criação, a criação nos destruirá! Não se esqueçam disso. Uma vez eu estava no campo e ouvi um dito de uma pessoa simples, que gostava tanto das flores e cuidava delas. Disse-me: “Devemos proteger estas coisas belas que Deus nos deu; a criação é para nós a fim de que nós a aproveitemos bem; não explorar, mas protegê-la, porque Deus perdoa sempre, nós homens perdoamos algumas vezes, mas a criação não perdoa jamais e se você não a protege ela te destruirá”.

Isto deve nos fazer pensar e pedir ao Espírito Santo o dom, o dom da ciência para entender bem que a criação é o mais belo presente de Deus. Ele fez tantas coisas boas para a melhor coisa que é a pessoa humana.

Obrigado.

No final, o Papa Francisco pediu orações pela peregrinação que inicia, sábado próximo, à Terra Santa que - disse - é "estritamente religiosa" e tem dois objetivos: celebrar os 50 anos do encontro de Paulo VI com o Patriarca Atenágoras ("mais uma vez se encontramrão Pedro e André") e rezar pela paz no mundo.

O Santo Padre recordou também as inundações nos Balcãs, rezando por essa intenção. E pediu orações pelos cristãos chineses, que celebram no próximo sábado a festa da sua padroeira, Nossa Senhora.
Radio Vaticano

A paz de Jesus não são coisas mas uma pessoa – o Papa em Santa Marta


A verdadeira paz é uma pessoa: o Espírito Santo. «É um dom de Deus» para ser acolhido e conservado, exactamente como «faz uma criança quando recebe uma prenda». Contudo, atenção, às várias «pazes» que o mundo oferece, propondo as falsas seguranças do dinheiro, do poder e da vaidade: estas são «pazes» só aparentes e incertas. Foi precisamente para viver a paz verdadeira que o Papa Francisco sugeriu alguns conselhos práticos na missa celebrada na terça-feira, 20 de Maio, na capela da Casa de Santa Marta.

Ponto de partida da sua meditação foram as palavras do discurso de despedida de Jesus aos seus discípulos, descritas no Evangelho de João (14, 27-31): «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz». A paz «é um dom que ele nos dá antes de se despedir», explicando: «Não vo-la dou como o mundo. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize».

Portanto, afirmou o Pontífice, «o Senhor dá-nos a paz: é um presente antes de ir rumo à paixão». Mas, advertiu, Jesus «é claro quando diz que a sua paz não é a que o mundo dá». De facto, «é outra paz». E então – perguntou o bispo de Roma – como é «a paz que o mundo nos dá?».

Respondeu: A paz do mundo «é um pouco superficial», é «uma paz que não chega ao fundo da alma». Por isso «é uma paz» que proporciona «uma certa tranquilidade e até uma determinada alegria» mas só «até a um certo nível». Por exemplo, a «paz das riquezas», que nos leva a pensar: «Estou em paz porque organizei tudo, tenho bens para viver toda a minha existência, não tenho com que me preocupar!». Esta ideia de paz nasce da convicção de que «não terei problemas porque tenho muito dinheiro!». Mas é o próprio Jesus quem nos recorda para não «confiar nesta paz, porque nos diz com grande realismo: reparai que existem ladrões! E eles podem roubar as vossas riquezas!». Eis porque o dinheiro não nos dá uma paz definitiva».

Outra paz do mundo é o poder, prosseguiu o Santo Padre. E pensamos: «tenho poder, estou seguro, mando aqui e ali, sou respeitado: estou em paz». Herodes encontrava-se nesta situação quando chegaram os magos e lhe anunciaram o nascimento do rei de Israel e «a sua paz acabou naquele mesmo instante». Em confirmação de que «a paz do poder não funciona: um golpe de Estado leva-a embora de repente!».

O terceiro tipo de paz que o mundo dá é a «vaidade», que faz dizer a si mesmo: «Sou uma pessoa estimada, tenho muito valor, o mundo respeita-me e quando estou em público todos me saúdam». Todavia, esta também «não é uma paz definitiva, porque – advertiu o bispo de Roma – hoje és estimado, amanhã serás insultado!».

E de que modo «se recebe a paz do Espírito Santo?», perguntou-se o Papa. Primeiramente «no baptismo, porque vem do Espírito Santo, e também na crisma». O Espírito Santo está dentro de nós e devemos conservá-lo sem o fechar, senti-lo, e pedir-lhe ajuda».

Para verificar que tipo de paz vivemos, sugeriu o Pontífice, «podemos fazer esta pergunta: Prefiro a paz que me dá o mundo, a do dinheiro, do poder e da vaidade?». A paz de Cristo é definitiva: é necessário só recebê-la como crianças e conservá-la». O Senhor nos ajude a compreender isto, foi o pedido conclusivo de Francisco.
L'Osservatore Romano

Tweet do Papa Francisco, hoje:

20/05/2014
Vinde, Espírito Santo! Ajudai-nos a superar o nosso egoísmo.

Desunião é o maior escândalo que a Igreja pode dar, diz Papa

Desunião é o maior escândalo que a Igreja pode dar, diz PapaO Papa Francisco realizou, nesta segunda-feira, 19.maio.2014, a abertura da 66ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Os bispos foram recebidos na Sala do Sínodo,  no Vaticano.

O Pontífice foi saudado, com um breve discurso, pelo presidente da CEI,  Cardeal Angelo Bagnasco, que apresentou as modificações do Estatuto da Conferência.

No discurso, Francisco apontou a importância da unidade em toda a Igreja, e destacou que a falta de comunhão é o maior escândalo que a Igreja pode dar. “É a heresia que deturpa o rosto do Senhor e dilacera a Igreja”, afirmou o Papa.

Francisco destacou a necessidade de fugir da tentação que desfigura a Igreja, como a gestão personalista do tempo, que  procura o próprio bem deixando em desvantagem a comunidade. O Papa apontou também as fofocas, as meias verdades que se tornam mentiras e  a  ladainha de murmurações, como tentações a serem vencidas.

Desunião é o maior escândalo que a Igreja pode dar, diz PapaO Pontífice falou aos bispos sobre a proximidade e a abertura que a Conferência deve ter com os sacerdotes, como um grande serviço de unidade. “Os nossos sacerdotes , vocês sabem bem, são provados pelas exigências do ministério, e por vezes ficam desencorajados com os resultados dos trabalhos. Devemos ensiná-los a não somar resultados”, disse.

Francisco afirmou que os desafios de hoje são inúmeros e a crise não está somente no âmbito econômico, mas também é espiritual e cultural. Como solução, apontou um “novo humanismo” para defender a vida de sua  concepção ao seu fim natural, bem como a família.

Neste sentido, o Pontífice pediu aos bispos que não se esqueçam da crise do trabalho, que fez crescer o desemprego. O Papa pediu ainda, especial atenção aos  imigrantes que desembarcam na Itália à procura de melhores condições de vida.

Ao encerrar o encontro, Francisco pediu aos bispos que rezassem por ele, e principalmente por sua viagem à Terra Santa, visita que marcará os 50 anos do encontro de Paulo VI  com o Patriarca Atenágoras.

Por fim, o Santo Padre fez uma apelo aos bispos para que como pastores,  tenham um estilo de vida simples, desapegado, pobre e misericordioso. Pediu ainda, que o projeto de vida deles seja “inclinar-se, com compaixão, sobre os que estão feridos”.
Boletim da Santa Sé

Missa em Santa Marta Entre movimento e firmeza



Movimento e firmeza. Foram as duas atitudes que – durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de segunda-feira, 19 de Maio de 2014 – o Papa Francisco sugeriu aos cristãos para que não se deixem arrastar pelas vicissitudes e dificuldades que devem enfrentar diariamente.

Referindo-se à leitura dos Atos dos apóstolos (14, 5-18), o bispo de Roma propôs a narração da tentativa dos pagãos e judeus de lapidar Paulo e Barnabé em Icónio, da qual os dois se salvaram, refugiando-se nas cidades de Licaónia, Listra e Derbe, e nos arredores. Paulo, em particular «foge – explicou o Pontífice – e começa a evangelizar», mostrando «a capacidade de começar sempre, de não se deixar vencer pelas lamentações».

Ele mantém o coração firme na sua missão, que é evangelizar. A sua é a atitude correta do cristão. O Papa explicou isto, frisando que na oração coleta acabada de recitar havia o pedido de obter do Senhor a graça a fim de que «entre as vicissitudes do mundo, os nossos corações estejam firmes onde se encontra a verdadeira alegria». E indicou dois requisitos necessários para a vida dos cristãos: «movimento e firmeza. Coração fixo, firme, mas em movimento contínuo. E vê-se isto claramente na obra de evangelização de Paulo».

Referindo-se mais uma vez à leitura dos Atos, o Pontífice evocou o episódio do encontro de Paulo com o paralítico. «O seu coração firme – explicou – faz com que ele entenda que o homem paralítico foi curado devido à sua fé. Sabe discernir e cura-o em nome do Senhor». Paulo, prosseguiu, certamente não esperava a reação das pessoas que assistiram à cura. Na realidade, houve uma pequena “revolução”, porque todos acreditavam que «Barnabé fosse Zeus e Paulo, Hermes. Paulo esforçou-se para os convencer de que eram humanos».

«No Evangelho – prosseguiu o Pontífice ao referir-se ao trecho de João (14, 21-26) – Jesus diz-nos: “tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito». Portanto, o coração deve estar «firme no Espírito Santo», um dom «que Jesus nos enviou. Paulo tinha o coração firme no Espírito Santo e todos nós, se quisermos encontrar firmeza na nossa vida no meio das vicissitudes humanas que enfrentamos, devemos ir até ele. Ele está no nosso coração, recebemo-lo no batismo. O Espírito Santo dá-nos força, dá-nos a firmeza para ir em frente na vida entre muitas dificuldades».

O bispo de Roma depois refletiu: E nós, deixamo-nos arrastar por alguma «destas vicissitudes» ou as enfrentamos «com o coração firme que sabe onde está o único que dá firmeza ao nosso coração, o Espírito Santo?». E concluiu: «Certamente, faz-nos bem pensar que temos um lindo dom que Jesus nos deixou: este Espírito de fortaleza, de conselho que nos ajuda a enfrentar as vicissitudes de todos os dias. Façamos este exercício de nos questionar como está o nosso coração. É firme ou não? E se é firme, onde está ancorado, nas coisas ou no Espírito Santo?».
L’Osservatore Romano

Este foi o Tweet, do Papa Francisco, desta segunda-feira:

19/05/2014
Uma pessoa que escuta atentamente a Palavra de Deus e reza verdadeiramente, pergunta sempre ao Senhor: qual é a tua vontade a meu respeito?
O Papa convida os bispos do México a promover uma cultura do encontro, do diálogo e da paz



(Leia o discurso na íntegra - clique aqui)

O Papa Francisco recebeu na manhã desta segunda-feira, 19.maio.2014, um numeroso grupo de bispos mexicanos. Os mais de 100 bispos eram liderados pelo Presidente da Conferência Episcopal, o Cardeal-arcebispo de Guadalajara, Dom José Francisco Robles.

No México há 99 milhões de católicos e o clero no país conta 16.234 presbíteros, 5.641 religiosos e 28.288 religiosas. O Primaz é o Cardeal-arcebispo de Cidade do México, Norberto Rivera Carrera, e o Núncio Apostólico é Dom Christophe Pierre.

O Papa entregou ao grupo um discurso em que demonstra conhecer bem a realidade do país e sua história. No que diz respeito à atualidade, Francisco encorajou os bispos a promover o espírito de concórdia entre os jovens por meio da cultura do encontro, do diálogo e da paz. “Por um lado”, disse, “aos pastores não cabe aportar soluções técnicas ou adotar medidas políticas; mas por outro, a fidelidade a Jesus só pode ser vivida com solidariedade comprometida e próxima do povo”.

O Papa listou uma série de problemas sérios que a sociedade enfrenta: a pobreza, o desemprego, a carência de serviços de base, os migrantes, os camponeses… Disse saber da preocupação da Igreja com as vítimas do narcotráfico e com grupos sociais mais vulneráveis e do engajamento na defesa dos direitos humanos e do desenvolvimento integral da pessoa.

Neste sentido, ressaltou o inestimável contributo da fé em meio à ‘cidade dos homens’, principalmente por parte dos fiéis leigos, cuja tarefa é insubstituível. “A vocação dos leigos é especificamente a de transformar o mundo segundo Cristo: com a força da Palavra de Deus, dos sacramentos e da oração, viver a fé no coração da família, da escola, da empresa, do movimento popular, do sindicato, do partido e até do governo, dando testemunho da alegria do Evangelho”.

A seguir, no texto, o Papa destaca o potencial da piedade popular e da família, como meio privilegiado para que “o tesouro da fé passe de pais a filhos”. Ressaltou ainda a importância das paróquias, “âmbito eclesial que assegura o anúncio do Evangelho, a caridade generosa e a celebração litúrgica”.

Nesta tarefa, completou o Pontífice, os sacerdotes são os primeiros e mais preciosos colaboradores para levar Deus aos homens e os homens a Deus. “Não se esqueçam do encontro pessoal com cada um deles, de se interessar por sua situação, encorajar os trabalhos pastorais, amparar e acompanhar seu caminho e propor Jesus Cristo como sacerdote que nos convida a despojar-nos dos adornos da mundanidade, do dinheiro e do poder”.

Na última parte, Francisco abordou a questão das jovens vocações, pedindo atenção especial à sua promoção, seleção e formação. Encerrando, lembrou o 7º aniversário das indicações da Conferência de Aparecida, frisando a importância da Missão Continental permanente. E pediu aos bispos que recomendem a seus fiéis que rezem por ele e que Nossa Senhora de Guadalupe, estrela da nova evangelização, os guie e oriente.

Radio Vaticano


Problemas na Igreja resolvem-se com diálogo e oração, diz Papa



“Os problemas na Igreja resolvem-se confrontando-se, debatendo e rezando, com a certeza de que as fofocas, as invejas e os ciúmes não poderão jamais nos levar à concórdia”, explica Papa

Problemas na Igreja resolvem-se com diálogo e oração, diz Papa “As fofocas, as invejas e os ciúmes, não nos levam à concórdia, à harmonia e à paz”, disse o Papa Francisco, neste domingo, 18.maio.2014,  na reflexão que antecedeu a Oração mariana do Regina Coeli. O Santo Padre afirmou que o descontentamento e as lamentações que existem também nas paróquias se resolvem “confrontando-se, discutindo e rezando”.

Cerca de 50 mil peregrinos reuniram-se na Praça de São Pedro, no Vaticano, para participar da oração dominical com o Pontífice.

Francisco explicou que a leitura dos Atos dos Apóstolos, da liturgia deste domingo, nos mostra que também na Igreja primitiva surgiram as primeiras tensões e divergências.

“Na vida, os conflitos existem, o problema é como enfrentá-los. Até aquele momento, a unidade da comunidade cristã era favorecida pela pertença a uma única etnia e cultura, a judaica. Mas, quando o Cristianismo, que por vontade de Jesus é destinado a todos os povos, se abre ao âmbito cultural grego, essa homogeneidade é perdida e surgem as primeiras dificuldades”, disse.

Havia ventos de descontentamento, queixas, corriam rumores de favoritismo e de tratamento desigual, continuou o Santo Padre. As ajudas da comunidade às pessoas carentes – viúvas, órfãos e pobres em geral – pareciam favorecer os cristãos de origem judaica em relação aos outros.

Foi então que os Apóstolos tomaram as rédeas da situação e convocaram uma reunião para  discutirem a questão em conjunto:

“Os problemas, de fato, não se resolvem fazendo de conta que não existem! E é bonito esse confronto contundente entre os pastores e os outros fiéis. Chega-se, assim, a uma divisão do trabalho. Os Apóstolos fazem uma proposta que é aceita por todos: eles vão se dedicar à oração e ao ministério da Palavra, enquanto sete homens, os diáconos, irão prover os serviços nos refeitórios para os pobres”, explica o Papa.

E esses sete homens não são escolhidos por serem especialistas em negócios, mas sim por serem homens honestos e de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria; e são constituídos em seu serviço através da imposição das mãos pelos Apóstolos, destaca Francisco.

O Pontífice disse ainda que também hoje existem esses problemas e devem ser resolvidos:

“Os problemas na Igreja se resolvem confrontando-se, discutindo e rezando, com a certeza de que as fofocas, as invejas e os ciúmes não poderão jamais nos levar à concórdia, à harmonia, e à paz. Quando deixamos ao Espírito Santo a guia ele nos leva à harmonia à unidade e ao respeito dos diversos dons e talentos. Nada de fofocas, nada de invejas, e nada de ciúmes. Vocês entenderam bem?”, questionou o Papa.

Francisco concluiu pedindo à Virgem Maria que ajude os fiéis a serem dóceis ao Espírito Santo, para que saibam estimar-se mutuamente e unam-se sempre mais na fé e na caridade, mantendo o coração aberto às necessidades dos irmãos.


Após a oração do Regina Coeli deste domingo, 18, o Papa Francisco dirigiu o seu pensamento às vítimas das graves inundações que devastaram amplas áreas dos Bálcãs, sobretudo na Sérvia e Bósnia.

Os países sofrem em consequência das piores inundações na região em mais de um século.

“Enquanto confio ao Senhor as vítimas dessas calamidades, exprimo a minha pessoal proximidade a todos aqueles que estão vivendo horas de angústia e de tribulação”, disse o Santo Padre.

Em seguida,  o Pontífice pediu a todos os fiéis que rezassem juntos por esses irmãos e irmãs que se encontram em dificuldade. E todos, unidos ao Papa, rezaram uma Ave Maria.

Após saudar os grupos de fiéis presentes na Praça de São Pedro, no Vaticano, Francisco encorajou as associações de voluntariado vindos a Roma para o Dia do enfermo oncológico: “Rezo por vocês, pelos enfermos e pelas famílias. E vocês – concluiu – rezem por mim!”.

Radio Vaticano
Vaticano – O Papa encontrou-se com os membros das associações do beato Luigi Novarese e explicou como viver o sofrimento - 17.maio.2014











Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Dou-vos as boas-vindas e agradeço-vos terdes vindo! Festejais o centenário do nascimento do vosso fundador, o beato Luigi Novarese, sacerdote apaixonado por Cristo e pela Igreja e zeloso apóstolo dos doentes. A sua experiência pessoal de sofrimento, vivida na infância, tornou-o muito sensível ao sofrimento humano. Por isso fundou os Operários Silenciosos da Cruz e o Centro de Voluntários do Sofrimento, que ainda hoje prosseguem a sua obra.

Gostaria de recordar convosco uma das Bem-Aventuranças: «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados» (Mt 5, 4). Com esta palavra profética Jesus refere-se a uma condição da vida terrena que diz respeito a todos. Há quem chore porque não tem saúde, quem chore porque está sozinho ou não é compreendido... Os motivos do sofrimento são tantos. Jesus experimentou neste mundo a aflição e a humilhação. Recolheu os sofrimentos humanos, assumiu-os na sua carne, viveu-os até ao fim um por um. Conheceu todos os tipos de aflição, morais e físicas: viveu a fome e a fadiga, a amargura da incompreensão, foi traído e abandonado, flagelado e crucificado.

Mas dizendo «bem-aventurados os que choram», Jesus não quer declarar feliz uma condição desfavorável e difícil da vida. O sofrimento não é um valor em si, mas uma realidade que Jesus ensina a viver com a atitude justa. Com efeito, há modos justos e modos errados de viver a dor e o sofrimento. Uma atitude errada é viver a dor de modo passivo, abandonando-se com inércia e resignação. Também a reação da rebelião e da rejeição não é uma atitude justa. Jesus ensina a viver a dor aceitando a realidade da vida com confiança e esperança, pondo o amor a Deus e ao próximo também no sofrimento: é o amor que transforma tudo.

Foi precisamente isto que vos ensinou o beato Luigi Novarese, educando os doentes e os deficientes a valorizarem os seus sofrimentos no âmbito de uma ação apostólica levada em frente com fé e amor aos outros. Ele dizia sempre: «Os doentes devem sentir-se autores do próprio apostolado». Uma pessoa doente, deficiente, pode tornar-se apoio e luz para os outros sofredores, transformando assim o ambiente no qual vive.

Com este carisma vós sois um dom para a Igreja. Os vossos sofrimentos, como as chagas de Jesus, por um lado são escândalo para a fé, mas por outro são averiguação da fé, sinal de que Deus é Amor, é fiel, misericordioso, consolador. Unidos a Cristo ressuscitado sois «sujeitos ativos da obra de salvação e evangelização» (Exort. ap. Christifideles laici, 54). Encorajo-vos a estar próximos dos sofredores das vossas paróquias, como testemunhas da Ressurreição. Assim vós enriqueceis a Igreja e colaborais com a missão dos pastores, rezando e oferecendo os vossos sofrimentos também por eles. Agradeço-vos muito isto!

Queridos amigos, Nossa Senhora vos ajude a ser verdadeiros «operários da Cruz» e autênticos «voluntários do sofrimento», vivendo as cruzes e os sofrimentos com fé e amor, juntamente com Cristo. Abençoo-vos e peço-vos por favor que rezeis por mim. Obrigado!

Antes de receber a bênção, convido todos vós a rezar a Nossa Senhora nossa mãe. Ela sabe, conhece os sofrimentos e ajuda-nos sempre nos momentos mais difíceis.
Boletim da Santa Sé


Neste Sábado, o Papa Francisco deixou uma mensagem em seu Twitter:

17/05/2014
O mês de Maio, dedicado a Maria, é um tempo oportuno para se começar a rezar o terço todos os dias.


Missa em Santa Marta: Três portas


Rezar, celebrar, imitar Jesus: são as três «portas» - que devem ser abertas para encontrar «o caminho, que leva à verdade e à vida» - que o Papa Francisco indicou esta manhã, sexta-feira 16 de Maio, durante a missa na capela da casa de Santa Marta. De fato, segundo o Pontífice, Jesus não permite conjecturas e quem tenta fazê-lo arrisca escorregar na heresia. Ao contrário, é preciso perguntar-se continuamente como é na nossa vida a situação da oração, da celebração e da imitação de Cristo. «Pensemos nestas três portas que nos farão bem a todos», disse, sugerindo que se inicie com a leitura do livro do Evangelho, que demasiadas vezes permanece «cheio de poeira, porque nunca se abre. Pega nele, abre-o – exortou – e encontrarás Jesus».

Depois de ter recordado que a reflexão precedente tinha focalizado o facto de que «a vida cristã é caminhar sempre mas nunca sozinhos», sempre «na Igreja, no povo de Deus», o bispo de Roma fez notar que nas leituras litúrgicas do dia – tiradas dos Atos dos apóstolos (13, 26-33) e do evangelho de João (14, 1-6) – é o próprio Jesus quem nos diz «que ele é o caminho: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Tudo. Eu dou-te a vida, eu manifesto-me como verdade e se tu vens comigo, sou a vida». Eis então que para conhecer aquele que se apresenta «como caminho, verdade e vida» é necessário pôr-se a «caminho». Aliás, segundo o Papa Francisco «o conhecimento de Jesus é o trabalho mais importante da nossa vida». Também porque conhecendo-O se chega ao conhecimento do Pai.

Mas, perguntou o Pontífice, «como podemos conhecer Jesus?». Com quantos respondem que «se deve estudar tanto» o bispo de Roma disse concordar e convidou a «estudar o catecismo: um lindo livro, o Catecismo da Igreja católica, devemos estudá-lo». Mas, acrescentou imediatamente, não podemos limitar-nos a «pensar que conhecemos Jesus só com o estudo». Com efeito, há quem tem «esta fantasia de que as ideias, só as ideias, nos levarão ao conhecimento de Jesus». Até «entre os primeiros cristãos» alguns pensavam deste modo «e no final acabaram por se enredar nos seus pensamentos». Porque «as ideias não dão vida» e, portanto, quem vai por este caminho «acaba num labirinto» do qual «não volta a sair». Precisamente por este motivo, desde os primórdios, há na Igreja «as heresias», as quais consistem «neste procurar compreender só com as nossas mentes quem é Jesus». A propósito o Papa recordou as palavras de «um grande escritor inglês», Gilbert Keith Chesterton, que definia a heresia uma ideia que se tornou louca. Com efeito, disse o Papa, «é assim: quando as ideias estão sozinhas, tornam-se loucas».

Eis então a indicação das três portas que devemos abrir para «conhecer Jesus». Deter-se na primeira – rezar – o Pontífice reafirmou que «o estudo sem oração não serve. Os grandes teólogos fazem teologia de joelhos». Se, com efeito, «com o estudo nos aproximamos um pouco, sem oração nunca conheceremos Jesus».

Quanto à segunda – celebrar – o bispo de Roma afirmou que a oração sozinha também «não é suficiente; é preciso a alegria da celebração: celebrar Jesus nos seus sacramentos, porque ali ele dá-nos a vida, a força, o alimento, o conforto, a aliança, a missão. Sem a celebração dos sacramentos não chegamos ao conhecimento de Jesus. E isto é próprio da Igreja».

Por fim, abrir a terceira porta, a da imitatio Christi, a recomendação é que se abra o Evangelho para descobrir nele «o que Ele fez, como era a sua vida, o que nos disse, o que nos ensinou», para «procurar imitá-lo».

Ao concluir, o Papa explicou que atravessar estas três portas significa «entrar no mistério de Jesus». Com efeito nós «só o podemos conhecer se formos capazes de entrar no seu mistério». E não se deve ter medo de o fazer. No final da homilia o Papa Francisco convidou a pensar «durante o dia, como está a porta da oração na minha vida: mas – esclareceu – a oração do coração», a verdadeira.
L’Osservatore Romano
Mensagem do Papa pela Conferência filipina sobre a Família

Cidade do Vaticano, 16.maio.2014 (RV) – O Santo Padre enviou, nesta quinta-feira, uma Mensagem ao presidente do Episcopado das Filipinas, Dom Sócrates Villegas, por ocasião da Conferência asiática sobre a Família, que se conclui nesta sexta-feira.

Recordando o tema da Conferência "Famílias da Ásia: luzes de esperança", o Papa Francisco frisou que "a família é a célula fundamental da sociedade, onde se aprende a viver com os outros, apesar das nossas diferenças, e de pertencer um ao outro".

Em sua Mensagem, assinada pelo Cardeal Secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, o Papa expressou seu apreço e proximidade com todos os fiéis leigos, que se reuniram nestes três dias para aprofundar a sua experiência de fé e comunhão, sob a orientação dos seus pastores e em união com o Bispo de Roma. Desta forma, a Igreja local demonstra ser fermento do amor de Cristo no meio da sociedade.

O Santo Padre conclui sua mensagem enviando sua Bênção Apostólica, de paz e alegria em Nosso Senhor, a todos os presentes e suas famílias, invocando sobre eles a proteção de Maria, Mãe da Igreja, e de seu esposo, São José.

Nesta sexta-feira pela manhã, o Papa Francisco escreveu em seu Twitter:

16/05/2014
O nosso objetivo como cristãos: configurar-nos cada vez mais a Jesus tomando-O como modelo do nosso comportamento.
Francisco pensou em convidar pessoas que, devido ao seu cargo, nunca teriam possibilidade de acompanhá-lo em uma viagem

Papa levará funcionário do Vaticano para a Terra Santa. Além dos cardeais e autoridades que irão acompanhar o Papa Francisco em sua viagem à Terra Santa no dia 24 de maio, há algumas novidades.

Entre os 30 membros da comitiva oficial do Papa, estará presente um funcionário que trabalha na loja de departamento que fica dentro do Vaticano. Trata-se de Paolo Miotto, que também é responsável por confeccionar todos os milhares de presentes e lembranças que são levados durante uma viagem, como imagens, terços e medalhas. Um trabalho que ele desempenha com as freiras polonesas.

Outra novidade é a de levar o líder muçulmano Omar Abboud e o Rabino Abraham Skorka, amigos de Francisco há muito tempo.

Esta não é a primeira vez que o Santo Padre convida um funcionário para uma viagem papal. Em julho deste ano, na viagem que fez a Lampedusa, o Papa decidiu incluir na delegação um funcionário vaticano que, devido ao seu cargo, nunca teria possibilidade de acompanhá-lo em uma viagem. O escolhido na ocasião foi um jardineiro.

Entre as autoridades vaticanas que irão acompanhar o Pontífice desta vez, estão o Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, o Substituto, Arcebispo Giovanni Angelo Becciu, os Presidente dos Pontifícios Conselhos para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, e para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch e o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri.

Rádio Vaticano, 16.maio.2014

Missa em Santa Marta-Entre memória e esperança

Jesus não é um herói solitário que veio do céu para nos salvar, mas é o ponto central e o fim último da história que Deus iniciou com o seu povo. Por isso o cristão deve ser sempre um homem eucarístico que caminha entre memória e esperança, nunca uma mónada solitária. De facto, se não caminharmos com o povo, se não pertencermos à Igreja, a fé é só algo artificial de laboratório, afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na quinta-feira, 15 de Maio, na capela da Casa de Santa Marta.

«É curioso – observou o Papa – que quando os apóstolos anunciam Jesus Cristo nunca começam por ele», pela sua pessoa, «dizendo: Jesus Cristo é o salvador!». Não. Os apóstolos iniciam o seu testemunho sempre «pela história do povo». E, frisou, vemos isto hoje no trecho dos Actos dos apóstolos (13, 13-25), o qual narra o testemunho de são Paulo em Antioquia da Pisídia. Mas «Pedro faz o mesmo nos seus primeiros discursos tal como tinha feito Estêvão».

Assim, quando perguntam aos apóstolos «por que acreditais neste homem?», eles começam a falar de «Abraão e de toda a história do povo». A razão deste comportamento é evidente: «Não se compreende Jesus sem esta história. Jesus é precisamente o fim rumo ao qual esta história vai, caminha».

Eis porque, afirmou o Pontífice, «não se pode entender Jesus Cristo sem esta história de preparação para Ele». E, consequentemente, «não se pode compreender um cristão fora do povo de Deus». Porque «o cristão não é uma mónada, não está só. Ele pertence ao povo, à Igreja». A tal ponto que «um cristão sem Igreja é algo puramente ideal, não é real!».

Neste contexto, frisou o bispo de Roma, «não se pode entender um cristão sozinho», nem «Jesus Cristo sozinho». Com efeito, podemos dizer «que Deus tem história porque quis caminhar connosco».

Esta meditação do Papa Francisco levou a um exame de consciência: como é a nossa identidade cristã? Perguntemo-nos, sugeriu, «se a nossa identidade cristã é pertença a um povo – a Igreja». Porque se não for assim, «não somos cristãos», pois «entrámos na Igreja com o baptismo».

A este propósito é importante, disse o Santo Padre, «ter o hábito de pedir a graça da memória do caminho que fez o povo de Deus». Também a graça da «memória pessoal: o que Deus fez comigo na minha vida, como me fez caminhar?». E, prosseguiu, é preciso saber «pedir a graça da esperança que não é optimismo: é outra coisa». Enfim, «pedir a graça de renovar todos os dias a aliança com o Senhor que nos chamou». O Senhor, concluiu o Papa, «nos conceda estas três graças que são necessárias para a identidade cristã». 
L’Osservatore Romano


Tweet do Papa Francisco - quinta-feira:

15/05/2014
Peçamos ao Espírito Santo a graça de realizarmos as opções concretas na nossa vida de acordo com a lógica de Jesus e do seu Evangelho.

Comércio de arma e migração forçada ameaçam a paz, diz Papa

Senhores Embaixadores!

É com prazer que vos recebo por ocasião da apresentação da Cartas que vos acreditam como Embaixadores extraordinários e plenipotenciários dos vossos respectivos países junto da Santa Sé: Suíça, Libéria, Etiópia, Sudão, Jamaica, África do Sul e Índia. Estou-vos grato pela disponibilidade com a qual empreendestes esta missão e peço-vos para transmitir a expressão da minha gratidão e do meu respeito aos Chefes de Estado dos vossos países. A eles e a cada um de vós asseguro uma recordação na oração, e invoco de Deus omnipotente abundância de prosperidade e paz para as Nações às quais pertenceis.

Paz. Esta palavra resume todos os bens pelos quais cada pessoa e todas as sociedades humanas aspiram. Também o compromisso com o qual procuramos promover as relações diplomáticas não tem, em última análise, outro objectivo a não ser este: fazer crescer na família humana a paz no desenvolvimento e na justiça. Trata-se de uma meta nunca alcançada plenamente, que deve ser procurada novamente da parte de todas as gerações, enfrentando os desafios que cada época impõe.

Olhando para os desafios que neste nosso tempo é urgente enfrentar para construir um mundo mais pacífico, gostaria de sublinhar dois: o comércio das armas e as migrações forçadas.

Todos falam de paz, todos declaram que a querem, mas infelizmente a proliferação de armamentos de todos os tipos conduz na direcção oposta. O comércio das armas tem o efeito de complicar e afastar a solução dos conflitos, sobretudo porque se desenvolve e se realiza em grande medida fora da legalidade.

Por conseguinte, penso que, enquanto estamos reunidos nesta Sede Apostólica, que por sua natureza desempenha um serviço especial pela causa da paz, podemos unir as nossas vozes ao auspiciar que a comunidade internacional impulsione uma nova fase de esforço concertado e corajoso contra o crescimento dos armamentos e para a sua redução.

Outro desafio à paz que está diante dos nossos olhos, e que adquire em certas regiões e em certos momentos o carácter de uma verdadeira tragédia humana, é o das migrações forçadas. Trata-se de um fenómeno muito complexo, e é necessário reconhecer que estão a ser realizados esforços notáveis da parte das Organizações internacionais, dos Estados, das forças sociais, assim como das comunidades religiosas e do voluntariado, para procurar responder de forma civil e organizada aos aspectos mais críticos, às emergências, às situações de maior necessidade. Mas, também a este propósito, damo-nos conta de que não podemos limitar-nos a resolver as emergências. O fenómeno já se manifestou em toda a sua amplitude e com o seu carácter, por assim dizer, epocal. Chegou a hora de o enfrentar com um olhar político sério e responsável, que envolva todos os níveis: global, continental, de macro-região, de relações entre as Nações, até ao nível nacional e local.

Podemos observar neste âmbito experiências opostas entre elas. Por um lado, histórias maravilhosas de humanidade, de encontro, de acolhimento: pessoas e famílias que conseguiram sair de realidades desumanas e reencontraram a dignidade, liberdade e segurança. Por outro, infelizmente, existem situações que nos fazem chorar e envergonhar: seres humanos, nossos irmãos e irmãs, filhos de Deus que, impelidos também eles pela vontade de viver e trabalhar em paz, enfrentam viagens extenuantes e sofrem chantagens, torturas e injustiças de todos os tipos, acabando muitas vezes por morrer no deserto e no fundo do mar.

O fenómeno das migrações forçadas está estreitamente ligado aos conflitos e às guerras, e portanto também ao problema da proliferação das armas, sobre o qual falei antes. São feridas de um mundo que é o nosso mundo, no qual Deus nos colocou para viver hoje e nos chama a ser responsáveis dos nossos irmãos e irmãs, para que nenhum ser humano seja violado na sua dignidade. Seria uma contradição absurda falar de paz, negociar a paz e, ao mesmo tempo, promover ou permitir o comércio de armas. Poderíamos também pensar que seria uma atitude num certo sentido cínica proclamar os direitos humanos e, ao mesmo tempo, ignorar ou não assumir a responsabilidade de homens e mulheres que, obrigados a deixar a sua terra, morrem na tentativa ou não são acolhidos pela solidariedade internacional.

Senhores Embaixadores, a Santa Sé declara hoje a vós e aos Governos dos vossos respectivos países a sua vontade firme de continuar a colaborar a fim de que avancem nestas frentes e em todos os caminhos que levam à justiça e à paz, com base nos direitos humanos universalmente reconhecidos.

No momento em que inaugurais a vossa missão, dirijo-vos os meus bons votos mais sinceros, assegurando a colaboração da Cúria Romana para o cumprimento da vossa função. E ao expressar novamente a minha gratidão, invoco de bom grado sobre vós, os vossos colaboradores e as vossas famílias a abundância das Bênçãos divinas. Obrigado.
Boletim da Santa Sé

Papa na Catequese desta quarta-feira, 14.maio.2014: "não vamos desanimar, invoquemos o Espírito Santo para que, com o dom da fortaleza, possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo na nossa vida e no nosso seguimento a Jesus


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Refletimos nas catequeses passadas sobre os primeiros três dons do Espírito Santo: a sabedoria, o entendimento e o conselho. Hoje pensemos naquilo que o Senhor faz: Ele vem sempre para nos apoiar na nossa fraqueza e faz isto com um dom especial: o dom da fortaleza.

1. Há uma parábola, contada por Jesus, que nos ajuda a acolher a importância deste dom. Um semeador sai para semear; nem toda a semente que espalha, porém, dá fruto. Aquilo que acaba pelo caminho é comido pelos pássaros; aquilo que cai em terreno rochoso ou em meio a espinhos semeia, mas logo é secado pelo sol ou sufocado pelos espinhos. Somente aquilo que termina em terreno bom pode crescer e dar fruto (cfr Mc 4, 3-9 // Mt 13, 3-9 // Lc 8, 4-8). Como o próprio Jesus explica aos seus discípulos, este semeador representa o Pai, que espalha abundantemente a semente da sua Palavra. A semente, porém, muitas vezes encontra a aridez do nosso coração e, mesmo quando é acolhida, corre o risco de permanecer estéril. Com o dom da fortaleza, em vez disso, o Espírito Santo liberta o terreno do nosso coração, liberta-o do torpor, das incertezas e de todos os nossos medos que possam impedi-Lo, de modo que a Palavra do Senhor seja colocada em prática, de modo autêntico e alegre. É uma verdadeira ajuda este dom da fortaleza, dá-nos força, liberta-nos também de tantos impedimentos.

2. Há também momentos difíceis e situações extremas nas quais o dom da fortaleza se manifesta de modo extraordinário, exemplar. É o caso daqueles que se encontram diante de experiências particularmente duras e dolorosas, que perturbam suas vidas e de seus entes queridos. A Igreja resplandece com o testemunho de tantos irmãos e irmãs que não exitaram em dar a própria vida para permanecerem fiéis ao Senhor e ao seu Evangelho. Mesmo hoje não faltam cristãos que em tantas partes do mundo continuam a celebrar e a testemunhar a sua fé, com profunda convicção e serenidade, e resistem mesmo quando sabem que isso pode comportar um preço mais alto. Também nós, todos nós, conhecemos pessoas que viveram situações difíceis, tantas dores. Pensemos naqueles homens, naquelas mulheres que levam uma vida difícil, lutam para levar adiante a família e educar os filhos: fazem tudo isso porque há o espírito de fortaleza que os ajuda. Quantos homens e mulheres – nós não sabemos seus nomes – que honram nosso povo, nossa Igreja, porque são fortes: fortes em levar adiante sua vida, sua família, seu trabalho, sua fé. Estes nossos irmãos e irmãs são santos, santos no cotidiano, santos escondidos em meio a nós: têm justamente o dom da fortaleza para poder levar adiante o seu dever de pessoas, de pais, de mães, de irmãos, de irmãs, de cidadãos. Temos tantos! Agradeçamos ao Senhor por estes cristãos que são de uma santidade escondida: é o Espírito Santo que têm dentro que os leva adiante! E nos fará bem pensar nessas pessoas: se elas fazem tudo isso, se elas podem fazê-lo, por que não eu? E nos fará bem também pedir ao Senhor que nos dê o dom da fortaleza.

3. Não é preciso pensar que o dom da fortaleza seja necessário somente em algumas ocasiões, ou em situações particulares. Este dom deve constituir um pano de fundo do nosso ser cristão, na ordinariedade da nossa vida cotidiana. Como disse, em todos os dias da vida cotidiana devemos ser fortes, temos necessidade desta fortaleza, para levar adiante a nossa vida, a nossa família, a nossa fé. O apóstolo Paulo disse uma frase que nos fará bem ouvir: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fil 4, 13). Quando enfrentamos a vida ordinária, quando vêm as dificuldades, recordemos isto: “Tudo posso naquele que me fortalece”. O Senhor nos dá a força, sempre, não a deixa faltar. O Senhor não nos dá uma prova maior do que podemos tolerar. Ele está sempre conosco. “Tudo posso naquele me fortalece”.

Queridos amigos, às vezes podemos ser tentados a nos deixar levar pela preguiça ou, pior, pelo desânimo, sobretudo diante dos cansaços e das provações da vida. Nestes casos, não vamos desanimar, invoquemos o Espírito Santo para que, com o dom da fortaleza, possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo na nossa vida e no nosso seguimento a Jesus.

Papa, no final da audiência geral de hoje, convidando a rezar por uns e por outros:

“Convido-vos a rezar pelos mineiros que ontem morreram na mina de Soma, na Turquia, e por todos os que se encontram ainda bloqueados nas galerias. O Senhor acolha na Sua casa os defuntos e conforte os seus familiares.

Rezemos também pelas pessoas que nestes dias perderam a vida no Mar Mediterrâneo. Coloquem-se no primeiro lugar os direitos humanos e unam-se as forças para prevenir estes vergonhosos morticínios.”

Não faltou uma saudação especial aos peregrinos lusófonos:

“Uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, especialmente ao grupo de Schoenstatt e aos fiéis de Franca e do Rio de Janeiro. Este mês de Maria convida-nos a multiplicar diariamente os atos de devoção e imitação da Mãe de Deus. Rezai o terço todos os dias! Deixai a Virgem Mãe possuir o vosso coração, confiando-Lhe tudo quanto sois e tendes! E Deus será tudo em todos... Assim Deus vos abençoe, a vós e aos vossos entes queridos!”
Radio Vaticano

Nesta quarta-feira o Santo Padre também escreveu em seu Twitter
:

13/05/2014
Leiamos um pouco do Evangelho cada dia. Assim aprenderemos a viver o essencial: o amor e a misericórdia.

Papa: O povo não perdoa um padre apegado ao dinheiro

O Papa Francisco recebeu, nesta segunda-feira, 12.maio.2014, na Sala Paulo VI, alunos, professores e reitores dos Colégios Pontifícios presentes em Roma. O Pontífice respondeu as perguntas, feitas de modo espontâneo, dos seminaristas e sacerdotes.

(Clique aqui para ler na íntegra o diálogo do Papa com os alunos).

Os temas tratados,  durante a conversa com os estudantes,  foram variados. Entre eles, Francisco abordou a formação dos sacerdotes. Nesse sentido, falou do perigo do “carreirismo”, que pode acometer os seminaristas e padres durante os anos de estudo em Roma.

“Eles vêm à Roma para a formação intelectual, mas não se pode entender um padre que não tenha uma vida comunitária, uma vida espiritual e apostólica. O purismo acadêmico não faz bem, e vocês são chamados a ser sacerdotes, presbíteros; esta é a regra fundamental”, destacou o Papa.

Francisco destacou que ao procurar somente a vida acadêmica, o sacerdote pode “escorregar” nas ideologias, e isso trará grandes danos. “Isso adoece a concepção de Igreja. Para entender a Igreja é necessário o estudo, sim, mas são necessárias também a oração, a vida comunitária e a vida apostólica”, enfatizou.

O Papa enfatizou a importância da vida comunitária vivida nos colégios pontifícios, mesmo com tantas dificuldades enfrentadas. Afirmou ser necessária para a formação do próprio seminarista ou sacerdote no aprendizado da partilha fraterna.

“É verdade, há problemas, há lutas: as lutas pelo poder, luta de ideias, até mesmo as lutas ocultas; e existem os pecados capitais: inveja, ciúmes. A vida comunitária não é o paraíso, mas, pelo menos, é o purgatório”,  enfatizou Francisco, recordando um santo jesuíta que dizia ser a vida em comunidade a maior penitência.

Francisco alertou os estudantes a não se perderem em meio aos variados recursos para superar os problemas e as dificuldades como psiquiatras, terapias, que são válidos, mas devem procurar, em primeiro lugar, o cuidado da Virgem Maria. “Um padre órfão é aquele que se esquece de sua mãe”, enfatizou.  O Papa pediu ainda para que nunca terminem um dia sem visitar Jesus no Sacrário.

O Pontífice destacou que, diante do serviço a eles confiado, é necessário o testemunho pessoal. O Papa enfatizou, portanto, que o povo conhece as fraquezas dos sacerdotes, mas que existem pecados que os fiéis não conseguem perdoar.

“Não o perdoam se você é um pastor apegado ao dinheiro, se você é um pastor vaidoso, que não trata bem as as pessoas (…). Dinheiro, vaidade e orgulho: são os três passos que nos levam a todos os pecados. O povo de Deus entende nossas fraquezas e as perdoa, mas a esses não podem perdoar”, alerta o Papa.

Por fim, o Santo Padre falou da importância da amizade entre os sacerdotes, afirmando ser um tesouro que deve ser guardado. “Mas como é bela a amizade sacerdotal, quando os padres, como irmãos, se conhecem, falam de seus problemas, de suas alegrias e expectativas!”, concluiu.

No fim da audiência, o santo Padre concedeu a todos a bênção e pediu orações.
L´Osservatore romano

O Segredo de Fátima
                                                     
Hoje, 13 de maio, celebramos o 97º aniversário da primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora a três simples crianças, pastores de ovelhas, em Fátima, pequena cidade de Portugal, de onde a devoção se espalhou e chegou ao Brasil. São sempre atuais e dignas de recordação as suas palavras e seu ensinamento.

O segredo da importância e da difusão de sua mensagem está exatamente na sua abrangência de praticamente todos os problemas da atualidade. Aquelas três simples crianças foram os portadores do “recado” da Mãe de Deus para o Papa, os governantes, os cristãos e não cristãos do mundo inteiro.

Ali, Nossa Senhora nos alerta contra o perigo do materialismo comunista e seu esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo. “A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo”, advertiu Nossa Senhora. A Rússia tinha acabado de adotar o comunismo, aplicação prática da doutrina marxista, ateia e materialista. Se o comunismo, como sistema econômico, fracassou, suas ideias continuam vivas e penetrando na sociedade atual. Aliás, os outros sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, adotam os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.

Aos pastorinhos e a nós, Nossa Senhora pediu a oração, sobretudo a reza do Terço do Rosário todos os dias, e a penitência, a mortificação nas coisas agradáveis e lícitas, pela conversão dos pecadores e pela nossa santificação e perseverança.

Explicou que o pecado, além de ofender muito a Deus, causa muitos males aos homens, sendo a guerra uma das consequências do pecado. Lembrança muito válida, sobretudo hoje, quando os homens perderam o senso do pecado e o antidecálogo rege a vida moderna, como nos lembrou São João XXIII. Falou sobre o Inferno - cuja visão aterrorizou sadiamente os pastorinhos e os encheu de zelo pela conversão dos pecadores –, sobre o Purgatório, sobre o Céu, sobre a crise que sofreria a Igreja, com perseguições e martírios.

Enfim, Fátima é o resumo, a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. O Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a “Bíblia dos pobres” (São João XXIII). Assim, sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.

Dom Fernando Arêas Rifan*
*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/


FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DE FÁTIMA

13 DE MAIO DE 2014

97° aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria

 

 

«Eu Te bendigo, ó Pai, (...) porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11, 25).

...Por desígnio divino, veio do Céu a esta terra, à procura dos pequeninos privilegiados do Pai, «uma Mulher revestida de Sol» (Ap 12, 1).

...A mensagem de Fátima é um apelo à conversão, alertando a humanidade para não fazer o jogo do «dragão» que, com a «cauda, arrastou um terço das estrelas do Céu e lançou-as sobre a terra» (Ap 12, 4). A meta última do homem é o Céu, sua verdadeira casa onde o Pai celeste, no seu amor misericordioso, por todos espera.»

 (Trecho da Homilia do saudoso e amado Papa João Paulo II em 13 de maio de 2000, por ocasião da beatificação dos veneráveis Pastorinhos de Fátima Jacinta e Francisco)

 

 

 

 

A 13 de Maio de 1917, noventa e seis anos atrás, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos. Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol", de cujas mãos pendia um terço branco.


A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém.

 

 

 

 

 

Na última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a "Senhora do Rosário" e que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.


Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13/14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917, na parte já revelada do chamado "Segredo de Fátima".


Anos mais tarde, a Ir. Lúcia conta ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência.


Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais nos fins de semana e no dia-a-dia, num montante anual de quatro milhões.

 

 

 

13 de maio de 1981- O então papa João Paulo II sofre um atentado, a tiros, na Praça de São Pedro no Vaticano, é alvejado por dois projéteis e fica gravemente ferido, o Papa atribui à proteção de Nossa Senhora o fato de ter sobrevivido. Um ano depois, no dia 13 de maio de 1982, vai ao Santuário de Fátima agradecer a Nossa Senhora


– «...Venho hoje aqui, porque exatamente neste mesmo dia do mês, no ano passado, se dava, na Praça de São Pedro, em Roma, o atentado à vida do Papa, que misteriosamente coincidia com o aniversário da primeira aparição em Fátima, a qual se verificou a 13 de Maio de 1917.

Estas datas encontraram-se entre si de tal maneira, que me pareceu reconhecer nisso um chamamento especial para vir aqui. E eis que hoje aqui estou. Vim para agradecer à Divina Providência, neste lugar, que a Mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular.

“Misericordiae Domini, quia non sumus consumpti” – Foi graças ao Senhor que não fomos aniquilados (Lam. 3, 22) – repito uma vez mais com o Profeta.» (Trecho da Homilia do saudoso e amado Papa João Paulo II em 13 de maio de 1982 em Fátima)

Dezenove anos depois do atentado, no dia 13 de maio de 2000, na homilia da missa de beatificação dos pastorinhos de Fátima, Jacinta e Francisco, João Paulo II agradece também pelas orações da Beata Jacinta

«...E desejo uma vez mais celebrar a bondade do Senhor para comigo, quando, duramente atingido naquele dia 13 de Maio de 1981,  fui salvo da morte. Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento.»

(Trecho da Homilia do saudoso e amado Beato Papa João Paulo II em 13 de maio de 2000, por ocasião da beatificação dos veneráveis Pastorinhos de Fátima Jacinta e Francisco)

 

No dia 12 de Maio de 2002 o Cardeal Joachim Meisner, Arcebispo de Colônia, visitou a Irmã Lúcia. Nessa ocasião foi apresentada a batina que o Santo Padre ofereceu ao Santuário de Fátima para recordar a veste do «bispo vestido de branco» que os pastorinhos viram na visão do segredo. Foi uma surpresa e motivo de grande alegria para a Irmã Lúcia que abraçou a batina como se nos seus braços tivesse o Santo Padre. Manifestou várias vezes o desejo de se encontrar com o Santo Padre, nem que para isso ela tivesse de ir a Roma.

 







13 de fevereiro de 2005 - morre Ir. Maria Lúcia do Coração Imaculado, a última sobrevivente dos três pastorinhos a quem Nossa Senhora apareceu pela primeira vez em 13 de maio de 1917.

"Para ir para o céu, não é condição indispensável recitar muitos Rosários no sentido estreito da palavra, mas sim, rezar muito; naturalmente para aquelas pobres crianças (os três pastorinhos de Fátima) recitar o rosário todos os dias era a forma de oração mais acessível, assim como é ainda hoje para a maior parte das pessoas, e não há dúvida de que dificilmente alguém se salva se não rezar" (Irmã Lúcia, em Os apelos de Fátima, Libreria Editrice Vaticana, 2001, pág. 116-117).

Mensagem de Fátima e a Recitação do Santo Rosário

 

 

 

 

 

E no dia 2 de abril de 2005 morre o «bispo vestido de branco», nosso querido Papa João Paulo II. 

 

 

 

 

 

 

A 13 de Maio de 2007, na Festa de 90 anos da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, o Santo Padre o Papa Bento XVI estava em visita ao nosso Brasil no Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

<<Recorre hoje o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades. Saúdo especialmente as mães que hoje comemoram o seu Dia. Deus as abençoe com os seus queridos.>>

(Trecho  do Regina Caeli do Papa Bento XVI na Esplanada do Santuário de Aparecida VI Domingo de Páscoa, 13 de Maio de 2007.)








12.maio.2010 - O Papa Bento XVI consagra todos os sacerdotes do mundo ao Coração Imaculado de Maria.

ATO DE CONFIANÇA E CONSAGRAÇÃO
DOS SACERDOTES AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI

Igreja da Santíssima Trindade - Fátima
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010


Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.

Estamos cientes de que, sem Jesus,
nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
seremos para o mundo
instrumentos de salvação.

Esposa do Espírito Santo,
alcançai-nos o dom inestimável
da transformação em Cristo.
Com a mesma força do Espírito que,
estendendo sobre Vós a sua sombra,
Vos tornou Mãe do Salvador,
ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
nasça em nós também.

E assim possa a Igreja
ser renovada por santos sacerdotes,
transfigurados pela graça d'Aquele
que faz novas todas as coisas.

Mãe de Misericórdia,
foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
para nos tornarmos como Ele:
luz do mundo e sal da terra
(cf. Mt 5, 13-14).

Ajudai-nos,
com a vossa poderosa intercessão,
a não esmorecer nesta sublime vocação,
nem ceder aos nossos egoísmos,
às lisonjas do mundo
e às sugestões do Maligno.

Preservai-nos com a vossa pureza,
resguardai-nos com a vossa humildade
e envolvei-nos com o vosso amor materno,
que se reflecte em tantas almas
que Vos são consagradas
e se tornaram para nós
verdadeiras mães espirituais.

Mãe da Igreja,
nós, sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,
mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
Queremos,
não só por palavras mas com a própria vida,
repetir humildemente, dia após dia,
o nosso « eis-me aqui».

Guiados por Vós,
queremos ser Apóstolos
da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia
o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam
o sacramento da Reconciliação.
Advogada e Medianeira da graça,
Vós que estais totalmente imersa
na única mediação universal de Cristo,
solicitai a Deus, para nós,
um coração completamente renovado,
que ame a Deus com todas as suas forças
e sirva a humanidade como o fizestes Vós.

Repeti ao Senhor aquela
vossa palavra eficaz:
« não têm vinho » (Jo 2, 3),
para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
como que numa nova efusão,
o Espírito Santo.

Cheio de enlevo e gratidão
pela vossa contínua presença no meio de nós,
em nome de todos os sacerdotes quero,
também eu, exclamar:
« Donde me é dado que venha ter comigo
a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43).

Mãe nossa desde sempre,
não Vos canseis de nos visitar,
consolar, amparar.
Vinde em nosso socorro
e livrai-nos de todo o perigo
que grava sobre nós.
Com este acto de entrega e consagração,
queremos acolher-Vos de modo
mais profundo e radical,
para sempre e totalmente,
na nossa vida humana e sacerdotal.

Que a vossa presença faça reflorescer o deserto
das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas,
faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação
do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus,
reflectida nos nossos corações,
para sempre unidos ao vosso!


Assim seja!


1º.maio.2011 - Em uma cerimônia solene na presença de mais de 1 milhão de pessoas que lotaram a praça de São Pedro, segundo a polícia romana, o Papa Bento XVI proclamou beato o seu predecessor, João Paulo II (1920-2005).

O corpo do Beato João Paulo II repousa agora na Basílica de São Pedro no Vaticano, sob o altar da Capela de São Sebastião.






13.maio.2012 - Um número recorde de fiéis católicos, cerca de 300 mil, vindos de 30 países, realizou neste ano, 95˚ aniversário da primeira aparição de Nossa senhora, a peregrinação de Fátima, de acordo com os responsáveis do santuário. 

 

 







 



10.fev.2013 - O Papa Bento XVI anuncia sua renúncia ao pontificado dia 28.fev.2013 <<...Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro...>>






13.mar.2013 - "Habemus Papam", os senhores cardeais, iluminados pelo Espírito Santo, elegem o 266º sucessor de São Pedro, o então Cardeal Arcebispo de Buenos Aires, Dom Jorge Mario Bergoglio, que toma o nome de Francisco.







12.maio.2013 - A pedido do Papa Francisco, a imagem peregrina de Fátima visita o Vaticano e Roma, diante da qual o Santo Padre consagra o mundo ao Coração Imaculado de Maria, repetindo o gesto de seus antecessores: São João Paulo II e Bento XVI.


13.maio.2013 - 96º aniversário da Primeira Aparição de Nossa Senhora em Fátima, que recebeu aproximadamente 37.000 peregrinos, e foi marcado pela Consagração do Pontificado do Santo Padre, o Papa Francisco ao Coração Imaculado de Maria, feita a pedido do próprio Papa, pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa Dom José Policarpo.

O cardeal-patriarca assim rezou ao consagrar o pontificado do Papa Francisco:

“Assim vos consagramos Senhora, vós que sois Mãe da Igreja, o ministério do novo Papa: enchei o seu coração da ternura de Deus, que vós experimentastes como ninguém, para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo com o amor do vosso Filho Jesus Cristo”.




27.abril.2014 -

O "Bispo vestido de branco", o Papa João Paulo II, é canonizado no segundo domingo de Páscoa - "Domingo da Divina Misericórdia", festa instituída pelo próprio São João Paulo II







D. Fouad Twal, patriarca latino de Jerusalém, preside em Fátima à peregrinação internacional aniversária, sob o tema “Mãe do amor misericordioso”, nos dias 12 e 13 de maio. 250 mil peregrinos são esperados.




Nossa Senhora de Fátima rogai por nós!

 

 

 

 

 

 

 

OS TRÊS SEGREDOS DE FÁTIMA


Francisco: acreditar com o coração, não só com o intelecto

Cidade do Vaticano (RV) – “Não se pode entender as coisas de Deus só com a cabeça; é preciso abrir o coração ao Espírito Santo”. Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta terça-feira, 13.maio.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que “a fé é um dom de Deus, mas não pode ser recebida por quem vive ‘separado’ de seu povo e da Igreja.

Observando as leituras do dia, Francisco falou que existem “dois grupos de pessoas”. A Primeira Leitura mostra aqueles que se dispersaram por causa da perseguição desencadeada depois da morte de Estevão. “Foram dispersos com a semente do Evangelho e a levaram a todos os lugares”. No início, falavam somente aos judeus. Depois, “de modo natural, alguns deles, ao chegarem a Antioquia, começaram a falar também aos gregos”. “Assim, lentamente” - o Papa continuou - “abriram as portas aos gregos, aos pagãos. Quando a notícia chegou a Jerusalém, Barnabé foi enviado a Antioquia para uma visita de inspeção e todos ficaram contentes porque uma multidão foi acrescentada ao Senhor”.

“Este povo – destacou Francisco – não disse ‘vamos primeiro aos judeus, depois aos gregos, aos pagãos, a todos!’ Não! Deixou-se levar pelo Espírito Santo, foi dócil ao Espírito Santo”. Depois, uma coisa leva à outra, e “acabaram abrindo as portas a todos: inclusive aos pagãos, que segundo sua mentalidade, eram impuros. Abriam as portas a todos”. Este é o primeiro grupo de pessoas, dóceis ao Espírito Santo. “Algumas vezes – acrescentou Francisco –, o Espírito Santo nos leva a fazer coisas fortes, como levou Filipe a batizar o ministro etíope; como levou Pedro a batizar Cornélio”.

“Outras vezes, o Espírito Santo nos conduz, suavemente, e a virtude é justamente deixar-se levar por ele, não fazer resistência, ser dócil ao Espírito Santo. E o Espírito Santo age hoje na Igreja, age hoje em nossa vida. Vocês podem me dizer: “Eu nunca o vi!”; “Preste atenção, têm na cabeça coisas boas?”. É o espírito que convida a percorrer aquele caminho! É preciso docilidade ao Espírito Santo!”.

O segundo grupo que as Leituras nos apresentam “são os intelectuais” que se aproximam de Jesus no templo: são os doutores da Igreja. Jesus, observou o Papa, sempre teve problemas com eles, “porque queriam sempre entender: refletiam sobre as mesmas coisas, pois acreditavam que a religião era somente algo de cabeça, de leis”. Para eles, era necessário “cumprir os mandamentos e nada mais. Não imaginavam que o Espírito Santo existisse”. Interrogavam Jesus, “queriam discutir. Estava tudo na cabeça, tudo é intelecto”. “Nessas pessoas, acrescentou Francisco, não há coração, não há amor e beleza, não há harmonia”, querem somente “explicações”:

“E você explica e eles, não convencidos, voltam com outra pergunta. E assim: rodam, rodam… Rodaram em volta de Jesus toda a vida, até o momento que conseguiram pegá-lo e mata-lo! Eles não abriram o coração ao Espírito Santo! Acreditavam que inclusive as coisas de Deus podiam ser compreendidas somente com a cabeça, com as ideias, com as próprias ideais. Eram orgulhosos. Acreditavam que sabiam tudo. E aquilo que não entrava em sua inteligência, não era verdade. Um morto podia até ressuscitar diante deles, mas não acreditariam!”.

Francisco destacou que Jesus foi além e disse algo forte: “Vocês não acreditam porque não são parte das minhas ovelhas! Não acreditam porque não são o povo de Israel. Abandonaram o povo. Estão na aristocracia do intelecto”. Esta atitude, advertiu o Pontífice, “fecha o coração. Eles renegaram o seu povo”:

“Essas pessoas se distanciaram do povo de Deus e, por isso, não podiam acreditar. A fé é um dom de Deus! Mas a fé chega se estiver no povo, se acreditar que esta Igreja é Povo de Deus. Ao afastar-se da Igreja, comete-se o pecado de resistir ao Espírito Santo”.

Há “dois grupos de pessoas”, retomou o Papa, os da doçura, das pessoas doces, humildes e abertas aos Espírito Santo”, e outro grupo, “orgulhoso, suficiente, soberbo, distante do povo, aristocrático do intelecto, que fechou as portas e resistiu ao Espírito Santo”.

“E não se trata de teimosia, disse Francisco, é muito mais: “É ter o coração duro! E isso é ainda mais perigoso”. Olhando esses dois grupos de pessoas, “peçamos ao Senhor a graça da docilidade ao Espírito Santo para prosseguir na vida, para sermos criativos e alegres”. E quando “há muita seriedade, o Espírito Santo não está presente”. Peçamos, portanto, “a graça da docilidade e que o Espírito Santo nos ajude a nos defender deste espírito da suficiência, do orgulho, da soberba e do fechamento do coração ao Espírito Santo”.

“O Espírito Santo faz a Igreja avançar para além dos limites, sempre mais além” – Papa Francisco na Missa em Santa Marta

“Quem somos nós para fechar as portas” ao Espírito Santo? Esta a pergunta deixada esta manhã, 12.maio.2014, na homilia da Missa de Santa Marta, pelo Papa Francisco, comentando a prima Leitura, dos Atos dos Apóstolos, que fala da extensão do cristianismo aos pagãos (que não eram de origem judaica). O Espírito Santo – sublinhou o Papa – faz a Igreja avançar “para além dos limites, sempre mais além”.

O Espírito sopra onde quer, mas uma das tentações mais frequentes de quem tem fé é bloquear-lhe o caminho e pilotá-lo numa direção ou noutra. Uma tentação que surgiu já nos alvores da Igreja, como mostra a experiência vivida por Pedro na passagem dos Atos proposta hoje pela liturgia. Uma comunidade de pagãos acolhe o anúncio do Evangelho e Pedro é testemunha ocular da descida do Espírito Santo sobre eles. Antes, hesitara em ter contato com o que sempre tinha considerado “impuro”. Depois, sofreu duras críticas da parte dos cristãos de Jerusalém, escandalizados pelo fato de ele ter comido com gente “não circuncidada”. Um momento de crise interna.

Pedro compreende o erro quando uma visão o ilumina sobre uma verdade fundamental: o que foi purificado por Deus ninguém o pode classificar de “profano”. E ao narrar estes fatos à multidão que o critica, o Apóstolo – recorda o Papa Francisco – tranquiliza todos com esta afirmação: “Se portanto Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, por terem acreditado no Senhor Jesus Cristo, quem sou eu para por impedimento a Deus?”

"Quando o Senhor nos faz ver o caminho, quem somos nós para dizer: 'Não, senhor, não é prudente! Não, façamos assim’ ... E Pedro naquela primeira diocese - a primeira diocese foi Antioquia - toma esta decisão: ‘Quem sou eu para pôr impedimentos?’. Uma ótima palavra para os bispos, os sacerdotes e também para os cristãos. Mas quem somos nós para fechar portas? Na Igreja primitiva, e mesmo hoje, existe aquele ministério do Ostiário. E o que fazia o Ostiário? Abria a porta, recebia a gente, fazia-as passar. Mas nunca foi o ministério de quem fecha a porta, nunca".

Ainda hoje, repete o Papa Francisco, Deus deixou a liderança da Igreja "nas mãos do Espírito Santo". "O Espírito Santo - continua ele - é aquele que, como disse Jesus, nos vai ensinar tudo" e "nos ajudará a recordar o que Jesus nos ensinou":"O Espírito Santo é a presença viva de Deus na Igreja. E’ ele que conduz a Igreja, que faz caminhar a Igreja. Sempre mais, para além dos limites, mais em frente. O Espírito Santo com os seus dons guia a Igreja. Não se pode compreender a Igreja de Jesus sem este Paráclito, que o Senhor nos envia para isso. E faz estas opções impensáveis, mas impensáveis! Para usar uma palavra de São João XXIII: é mesmo o Espírito Santo que atualiza a Igreja: na verdade, ele a atualiza e a faz caminhar para frente. E nós cristãos devemos pedir ao Senhor a graça da docilidade ao Espírito Santo. A docilidade a este Espírito, que nos fala no coração, nos fala nas circunstâncias da vida, nos fala na vida eclesial, nas comunidades cristãs, nos fala sempre".
Radio Vaticano

Esta foi a mensagem deixada, hoje pelo Santo Padre em seu Twitter:

12/05/2014
A nossa vida foi salva pelo sangue de Cristo. Deixemo-nos sempre renovar-nos por este amor.

Homilia do Papa na ordenação de novos padres

Basílica de São Pedro – Vaticano
Domingo, 11 de maio de 2014


Como homilia, o Papa pronunciou as palavras sugeridas pelo Rito da Ordenação dos Presbíteros, fazendo uma pausa para destacar algumas passagens.

Queridos irmãos, estes nossos filhos e irmãos foram chamados à ordem do sacerdócio. Como vocês bem sabem, o Senhor Jesus é o único sumo sacerdote do Novo Testamento; mas Nele também todo o povo santo de Deus foi constituído povo sacerdotal. No entanto, entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus quer escolher alguns em particular, para que exercitando publicamente na Igreja e em seu nome o ofício sacerdotal em favor de todos os homens, continuassem a sua missão pessoal de mestre, sacerdote e pastor.

Depois de madura reflexão, nós estamos para elevar à ordem dos presbíteros estes nossos irmãos, para que a serviço de Cristo mestre, sacerdote e pastor cooperem para edificar o corpo de Cristo, que é a Igreja, no povo de Deus e templo santo do Espírito.

Esses serão, de fato, configurados a Cristo sumo e eterno sacerdote, ou seja, serão consagrados como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento e com este título, que os une no sacerdócio ao seu bispo, serão pregadores do Evangelho, pastores do povo de Deus e presidirão as ações de culto, especialmente nas celebrações do sacrifício do Senhor.

Quanto a vocês, irmãos e filhos amados, que estão para receberem a ordem do sacerdócio, considerem que exercitando o ministério da sagrada doutrina vocês serão participantes da missão de Cristo, único mestre. Distribuam a todos aquela Palavra, que vocês mesmos receberam com alegria de vossas mães, de vossas catequistas. Leiam e meditem assiduamente a palavra do Senhor para acreditar naquilo que leram, ensinar o que aprenderam na fé, viver o que ensinaram. Seja, portanto, alimento para o povo de Deus a vossa doutrina, que não é vossa: vocês não são patrões da doutrina! É a doutrina do Senhor e vocês devem ser fiéis à doutrina do Senhor! Seja, portanto, alimento para o povo de Deus a vossa doutrina, alegria e apoio aos fiéis de Cristo o perfume da vossa vida, para que com a palavra e o exemplo edifiquem a casa de Deus, que é a Igreja.

E assim vocês continuarão a obra santificadora de Cristo. Mediante o vosso ministério, o sacrifício espiritual dos fiéis se torna perfeito, porque unido ao sacrifício de Cristo, que pelas vossas mãos em nome de toda a Igreja vem oferecido de modo incruento no altar na celebração dos santos mistérios.

Reconheçam, então, aquilo que fazem, imitem aquilo que celebram, para que participando do mistério da morte e ressurreição do Senhor levem a morte de Cristo em vossos membros e caminhem com Ele em novidade de vida.

Com o Batismo, vocês agregarão novos fiéis ao povo de Deus; com o sacramento da Penitência, perdoarão os pecados em nome de Cristo e da Igreja. E aqui quero parar e pedir a vocês, pelo amor de Jesus Cristo: não se cansem nunca de serem misericordiosos! Por favor! Tenham aquela capacidade de perdão que tinha o Senhor, que não veio para condenar, mas para perdoar! Tenham misericórdia, tanta! E se vem a dúvida de ser “perdoador” demais, pensem naquele santo padre do qual vos falei, que ficava diante do tabernáculo e dizia: “Senhor, perdoa-me se perdoei demais. Mas foi tu mesmo que me destes o mau exemplo!”. E eu vos digo, verdadeiramente: a mim causa tanta dor quando encontro gente que não vai mais se confessar porque foi repreendida. Sentiram que as igrejas lhes bateram a porta na cara. Por favor, não façam isso: misericórdia, misericórdia! O bom pastor entra pela porta e a porta da misericórdia são as chagas do Senhor: se vocês não entram no vosso ministério pelas chagas do Senhor, não serão bons pastores.

Com o óleo santo, vocês darão alívio aos enfermos; celebrando os ritos sagrados e elevando nas várias horas do dia a oração de louvor e de súplica, vocês darão voz ao povo de Deus e de toda a humanidade.

Conscientes de terem sido escolhidos entre os homens e constituídos em favor deles para atender às coisas de Deus, exerçam com alegria e caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, unicamente intencionados a agradar a Deus, não a vocês mesmos.

E pensem naquilo que dizia Santo Agostinho dos pastores que procuravam agradar a si mesmos, que usavam as ovelhas do Senhor como alimento e para vestir-se, para usar a majestade de um ministério que não se sabia se era de Deus. Enfim, participando da missão de Cristo, mestre e pastor, em comunhão filial com o vosso bispo, se empenhem em unir os fiéis em uma única família, para conduzi-los a Deus Pai por meio de Cristo no Espírito Santo. Tenham sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e para procurar e salvar o que estava perdido.
“Ajudem-nos a sermos bons pastores. Por favor, importunem os pastores, batam às suas portas, a fim de que lhes dêem o leite da graça e da doutrina" – Papa Francisco no Regina Coeli, 11.maio.2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O evangelista João nos apresenta, neste quarto domingo do tempo pascal, a imagem de Jesus Bom Pastor. Contemplando esta página do Evangelho, podemos compreender o tipo de relação que Jesus tinha com os seus discípulos: uma relação baseada na ternura, no amor, no conhecimento recíproco e na promessa de um dom imensurável: “Eu vim – disse Jesus – para que tenham vida e tenham vida em abundância” (Jo 10, 10). Tal relação é o modelo das relações entre os cristãos e das relações humanas.

Muitos, também hoje, como nos tempos de Jesus, propõem-se como “pastores” das nossas existências; mas só o Ressuscitado é o verdadeiro Pastor, que nos dá a vida em abundância. Convido todos a terem confiança no Senhor que nos guia. Mas não só nos guia: Ele nos acompanha, caminha conosco. Escutemos com mente e coração abertos a sua Palavra, para alimentar a nossa fé, iluminar a nossa consciência e seguir os ensinamentos do Evangelho.

Neste domingo, rezemos pelos Pastores da Igreja, por todos os bispos, incluindo o Bispo de Roma, por todos os sacerdotes, por todos! Em particular rezemos pelos novos sacerdotes da diocese de Roma, que ordenei agora há pouco, na Basílica de São Pedro. Uma saudação a estes 13 novos sacerdotes! O Senhor ajude nós pastores a sermos sempre fiéis ao Mestre e guias sábios e iluminados do povo de Deus a nós confiado. Também a vocês, por favor, peço que nos ajudem: ajudem-nos a sermos bons pastores. Uma vez li uma coisa belíssima de como o povo de Deus ajuda os bispos e os sacerdotes a serem bons pastores. É um escrito de São Cesário de Arles, um padre dos primeiros séculos da Igreja. Ele explicava como o povo de Deus deve ajudar o pastor e dava este exemplo: quando o bezerrinho tem fome, vai até a vaca, até a mãe, para tomar o leite. A vaca, porém, não o dá de imediato: parece que o retém para si. E o que faz o bezerrinho? Bate com o seu nariz na mama da vaca, para que venha o leite. É uma bela imagem! “Assim vocês – diz este santo – devem ser com os pastores: bater sempre às suas portas, aos seus corações, para que vos deem o leite da doutrina, o leite da graça e o leite da orientação”. E vos peço, por favor, para importunarem os pastores, para perturbarem os pastores, todos nós pastores, para que possamos dar a vocês o leite da graça, da doutrina e da orientação. Importunar! Pensem naquela bela imagem do bezerrinho, como importuna a mãe para que lhe dê de comer.

À imitação de Jesus, cada Pastor “às vezes se colocará diante para indicar o caminho e para apoiar a esperança do povo – o pastor deve estar à frente às vezes – às vezes estará simplesmente em meio a todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e em algumas circunstâncias deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que ficaram para trás” (Exort. Apos. Evangelii gaudium, 31). Que todos os Pastores sejam assim! Mas vocês, importunem os pastores, para que deem a orientação da doutrina e da graça.

Neste domingo, acontece o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Na mensagem deste ano, recordei que “cada vocação requer em todo caso um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho” (n. 2). Por isto o chamado a seguir Jesus é ao mesmo tempo entusiasmante e desafiador. Para que se realize, é necessário sempre entrar em profunda amizade com o Senhor para poder viver Dele e para Ele.

Rezemos para que também neste tempo tantos jovens ouçam a voz do Senhor, que tem sempre o risco de ser sufocada entre tantas outras vozes. Rezemos pelos jovens: talvez aqui na Praça há alguém que escuta esta voz do Senhor que o chama ao sacerdócio; rezemos por ele, se está aqui, e por todos os jovens que são chamados.

Após rezar a oração mariana, o Pontífice quis confiar todos os nossos propósitos e intenções à Virgem Maria, para que com sua intercessão, suscite e sustente as santas vocações a serviço da Igreja e do mundo.
Francisco saudou os grupos organizados de peregrinos presentes, como os das dioceses de Campo Grande e Dourados (MS) e pediu orações especiais para todas as mães, confiando-as à Mãe de Jesus.

"A escola ensina o verdadeiro, o belo e o bom": 300 mil crianças, pais e mestres na Praça São Pedro

Cidade do Vaticano (RV) – Cerca de 300 mil pessoas se reuniram sábado à tarde, 10.maio.2014, na Praça São Pedro para participar do evento "A Igreja para a Escola", durante o qual o Papa Francisco se encontrou com estudantes e professores de colégios de toda a Itália.

O número superou e muito a expectativa da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que esperava “apenas” 150 mil presentes.

“Amo a escola porque ela é sinônimo de abertura à realidade, porque é um ponto de encontro e porque educa de verdade. A escola não é um estacionamento, é um local de encontro no caminho, e nós precisamos dessa cultura do encontro para nos conhecermos, nos amarmos e caminharmos juntos. Na escola aprendemos não só conhecimento, mas também os hábitos e valores”, destacou.

“Ir à escola significa abrir a mente e o coração à realidade. Em sua grande riqueza e dimensões, existe o direito de perceber a realidade”, disse ainda, revelando que foi sua primeira professora que o fez gostar da escola, quando ele tinha apenas seis anos. “Nunca consegui esquecê-la, e depois a encontrei por toda a vida, até que ela partiu aos 98 anos”, relatou Francisco.

Francisco citou um provérbio africano, que pediu aos presentes que repetissem e pensassem: “Para educar um filho, é preciso uma aldeia”.

“A escola ensina o verdadeiro, o belo e o bom. A educação não pode ser neutra, enriquece ou empobrece”, acrescentou, fazendo em seguida um apelo: “Por favor, não deixemos que roubem o amor pela escola".

A “festa católica”, como a definiu o Pontífice, terminou com os fiéis cantando e dançando o tema musical "Happy", sucesso de Pharrell Williams já utilizado pela Santa Sé no evento da canonização dos Santos João XXIII e João Paulo II, em 27 de abril passado.

Papa Paulo VI, um novo Papa Beato –
promulgado decreto, celebração a 19 de Outubro


Paulo VI, é o novo Papa Beato. O Papa Francisco promulgou ontem 9 de Maio o decreto sobre o milagre atribuído à intercessão do Venerável Servo de Deus Paulo VI (Giovanni Battista Montini) Sumo Pontífice, nascido a 26 de Setembro de 1897 em Concesio (Itália) tendo falecido em Castelgandolfo (Itália) em Agosto de 1978. Na audiência concedida ao Cardeal Angelo Amato, Prefeito para a Congregação da Causa dos Santos, o Papa Francisco autorizou o Dicastério a comunicar que a celebração de beatificação terá lugar no dia 19 de Outubro deste ano de 2014.

Foi também reconhecido o milagre da intercessão do Venerável Luigo Caburlotto, sacerdote italiano fundador dos Instituto das Filhas de S. José nascido em Veneza em 1817 e as virtudes heróicas do padre Giacomo Abbondo nascido em Salomin, Itália em Agosto de 1720, o padre Jacinto alegre Pujals espanhol, nascido em Dezembro de 1874 e da mãe de família, Carla Barbara Colchen Carré de Malberg, francesa, nascida em Abril de 1829 e Fundadora da Sociedade das Filhas de S. Francisco de Sales.

Rádio Vaticana

Neste sábado o Santo Padre, Papa Francisco registrou em seu Twitter:



10/05/2014
Uma família iluminada pelo Evangelho é uma escola de vida cristã. Nela se aprende fidelidade, paciência e sacrifício.


Papa aborda papel do empresário cristão na sociedade



“Ele deve sempre confrontar o Evangelho com a realidade”, diz Papa Francisco sobre os empresários

Rádio Vaticano

Na manhã deste sábado, 10.maio.2014, o Papa Francisco recebeu um grupo da Fundação ‘Centesimus Annus – Pro Pontifice’ e os participantes do encontro promovido pela fundação. No total, 400 pessoas participaram da audiência na Sala Clementina, no Vaticano.

O objetivo do Simpósio internacional “Sociedade boa e futuro do trabalho: a solidariedade e a fraternidade podem fazer parte das decisões concernentes ao mundo dos negócios?”, foi evidenciar que é possível partir dos valores da solidariedade para a retomada do crescimento econômico.

Francisco se dirigiu ao grupo agradecendo por abordar este tema, na atual conjuntura, quando a palavra ‘solidariedade’ é incômoda e termos como justa distribuição dos bens e prioridade ao trabalho causam ‘alergia’. “A grande questão é estudar de que forma os valores éticos podem se transformar em valores econômicos, gerando dinâmicas virtuosas na produção, no trabalho, no comércio e no mundo financeiro”.

O Papa chamou a atenção para o papel do empresário cristão no âmbito desta pesquisa: usando a consciência, ele deve sempre confrontar o Evangelho com a realidade; e o Evangelho lhe pede que coloque a pessoa humana e o bem comum em primeiro lugar. Deve criar oportunidades de trabalho, e de trabalho digno, difundindo sempre esta base ‘ética’.

“A comunidade cristã – prosseguiu – é o lugar onde o empresário, o político, o profissional, o sindicalista, são encorajados a se comprometer e a confrontar-se com seus irmãos. Isto é indispensável, porque o ambiente de trabalho é por vezes árido, hostil e desumano. A crise coloca à prova a esperança dos empresários e não podemos deixá-los sozinhos se passam dificuldades”.

Antes de se despedir do grupo, o Papa incentivou os membros da “Centesimus Annus” a prosseguir em seu testemunho, não só com palavras e teorias, mas concreto, com a experiência de pessoas e empresas que praticam os princípios éticos cristãos na atual conjuntura econômica. Enfim, recomendou que rezem sempre e lhes lembrou o ‘conselho’, dom do Espírito Santo que ajuda a agir e fazer escolhas que conduzem ao bem.
Francisco: "Difundir valores éticos e gerar dinâmicas virtuosas"



Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de sábado, 10.maio, o Papa Francisco recebeu um grupo da Fundação ‘Centesimus Annus – Pro Pontifice’ e os participantes do encontro promovido pela fundação. No total, 400 pessoas participaram da audiência na Sala Clementina, no Vaticano.

O objetivo do Simpósio internacional "Sociedade boa e futuro do trabalho: a solidariedade e a fraternidade podem fazer parte das decisões concernentes ao mundo dos negócios?", foi evidenciar que é possível partir dos valores da solidariedade para a retomada do crescimento econômico.

Francisco se dirigiu ao grupo agradecendo por abordar este tema, na atual conjuntura, quando a palavra ‘solidariedade’ é incomoda e termos como justa distribuição dos bens e prioridade ao trabalho causam ‘alergia’.

"A grande questão é “estudar de que forma os valores éticos podem se transformar em valores econômicos, gerando dinâmicas virtuosas na produção, no trabalho, no comércio e no mundo financeiro”.

O Papa chamou a atenção para o papel do empresário cristão no âmbito desta pesquisa: usando a consciência, ele deve sempre confrontar o Evangelho com a realidade; e o Evangelho lhe pede que coloque a pessoa humana e o bem comum em primeiro lugar. Deve criar oportunidades de trabalho, e de trabalho digno, difundindo sempre esta base ‘ética’.

“A comunidade cristã – prosseguiu – é o lugar onde o empresário, o político, o profissional, o sindicalista, são encorajados a se comprometer e a confrontar-se com seus irmãos. Isto é indispensável, porque o ambiente de trabalho é por vezes árido, hostil e desumano. A crise coloca à prova a esperança dos empresários e não podemos deixá-los sozinhos se passam dificuldades”.

Antes de se despedir do grupo, o Papa incentivou os membros da “Centesimus Annus” a prosseguir em seu testemunho, não só com palavras e teorias, mas concreto, com a experiência de pessoas e empresas que praticam os princípios éticos cristãos na atual conjuntura econômica.

Enfim, recomendou que rezem sempre e lhes lembrou o ‘conselho’, dom do Espírito Santo que ajuda a agir e fazer escolhas que conduzem ao bem.
Ecumenismo do martírio semeia unidade, diz Papa em audiência



Um momento de fraternidade e oração. Assim foi o encontro do Papa Francisco com o Patriarca da Igreja Apostólica Armênia, Karekin II, nesta quinta-feira, 8.maio.2014, no Vaticano .

Francisco recordou a ligação entre a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Armênia, em especial com os acontecimentos dos últimos anos. Como exemplo, ele citou a viagem de João Paulo II à Armênia, em 2001, e a presença do Patriarca Karekin II, no Vaticano, em 2008, na visita oficial a Bento XVI; e, em 2013, no início do ministério petrino de Francisco.

O evento que o Pontífice destacou foi a participação do Patriarca na comemoração das Testemunhas da Fé do século XX, no contexto do grande jubileu de 2000. Francisco lembrou que muitos discípulos derramaram seu sangue por Cristo, martírio que atingiu tantos filhos armênios.  “O testemunho deles, trágico e alto ao mesmo tempo, não deve ser esquecido”.

O sofrimento passado por esses cristãos, nos últimos tempos, segundo Francisco, contribuiu também, de forma única e inestimável, para a unidade entre os discípulos de Cristo. Assim como na Igreja antiga o sangue dos mártires tornou-se semente de novos cristãos, o Papa disse que, hoje, o sangue de muitos cristãos tornou-se semente de unidade.

“O ecumenismo do sofrimento, o ecumenismo do martírio, o ecumenismo do sangue é um poderoso convite a caminhar pela estrada da reconciliação entre as Igrejas, com decisões e confiante abandono à ação do Espírito. Sintamos o dever de percorrer este caminho de fraternidade também por débito de gratidão que temos com o sofrimento de tantos irmãos nossos”.

O Santo Padre encerrou seu discurso agradecendo o apoio dado pelo Patriarca ao diálogo ecumênico. Ele pediu que uns rezem pelos outros. “Possa o Espírito Santo nos iluminar e nos guiar rumo ao dia tão esperado em que poderemos partilhar a mesa eucarística”.

Papa pede aos líderes da ONU respeito pela dignidade humana

A organização política e econômica mundial não podem relegar o homem a um ser humano de segunda categoria, afirma o Papa aos líderes

L'Osservatore Romano

O Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, nesta sexta-feira, 9, cerca de 70 participantes do Encontro do Conselho dos Chefes Executivos para a coordenação das Nações Unidas. A delegação da ONU foi liderada pelo Secretário-Geral, Ban Ki-Moon.

Segundo o Papa, é significativo que este encontro se realize poucos dias depois da canonização de João Paulo II e João XXIII . “Pontífices que nos inspiraram com sua paixão pelo desenvolvimento integral da pessoa humana e pela compreensão entre os povos”, destacou. Francisco apontou ser esta a paixão que o Conselho de Chefes Executivos deve levar avante através de grandes esforços em favor da paz mundial, do respeito pela dignidade humana, especialmente dos mais pobres.

O Pontífice citou como exemplo deste esforço, os “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, porém, ressaltou que jamais se deve perder de vista que os povos merecem e aguardam frutos ainda melhores. “Quem tem um alto grau de responsabilidade jamais deve se conformar com os resultados alcançados, mas se empenhar cada vez mais para obter o que falta”, apontou.

Para Francisco, no caso da organização política e econômica mundial, falta muito a ser alcançado, pois uma parte importante da humanidade continua excluída dos benefícios do progresso e relegada a seres humanos de segunda categoria.

Francisco pede que os objetivos de desenvolvimento sustentável futuros,  sejam realmente formulados com generosidade e coragem, para que cheguem efetivamente a incidir sobre as causas estruturais da pobreza e da fome. Pediu que incidam também na proteção do meio ambiente e na garantia de um trabalho decente para todos, salvaguardando a família, que é o elemento essencial de qualquer desenvolvimento econômico e social sustentável.

“Trata-se, em especial, de desafiar todas as formas de injustiça, opondo-se à economia da exclusão, à cultura do descartável e à cultura da morte, que, infelizmente, podem ser uma mentalidade aceita passivamente”, denunciou o Papa.

Francisco recordou o episódio bíblico, narrado no Evangelho de S. Lucas, sobre o encontro de Jesus com o rico publicano Zaqueu. Segundo o Papa, Zaqueu tomou a decisão radical de partilhar o que tinha quando a sua consciência foi despertada pelo olhar de Jesus.

“Este é o espírito que deveria estar na origem e no fim de toda ação política e econômica. O olhar, muitas vezes sem voz, daquela parte de humanidade rejeitada deve estimular a consciência dos agentes políticos e econômicos, e levar a escolhas generosas e corajosas que tenham resultados imediatos, como aquela decisão de Zaqueu”, pediu.

A consciência da dignidade humana, apontou o Santo Padre, deve levar todos a compartilhar, com total gratuidade, os bens da providência, sejam as riquezas materiais ou espirituais. “Esta abertura generosa deve estar acima dos sistemas e das teorias econômicas e sociais. Jesus não pede a Zaqueu de mudar o próprio trabalho, mas o induz simplesmente a colocar tudo, livremente, mas imediatamente, a serviço dos homens”, alertou o Pontífice.
Por fim, Francisco os encorajou a prosseguirem o trabalho e a promoverem juntos uma verdadeira mobilização ética mundial que, para além de qualquer diferença de credo ou de opinião política, difunda e aplique um ideal comum de fraternidade e de solidariedade, especialmente pelos mais pobres e excluídos.
Papa recebe membros de Institutos Seculares

“É preciso conhecer e apreciar este tipo de vocação secular”, disse Francisco ao numeroso números de fiéis

Rádio Vaticano

Em sua série de audiências, na manhã deste sábado, 9.maio.2014, o Papa Francisco recebeu, na Sala do Consistório, no Vaticano, cerca de 200 participantes no Encontro promovido pela Conferência italiana dos Institutos Seculares.

Aos numerosos presentes, o Santo Padre fez um discurso, no qual diz “conhecer e apreciar este tipo de vocação secular, que é uma das formas mais recentes de vida consagrada, reconhecidas e aprovadas pela Igreja. E, talvez, por este motivo, este tipo de vida ainda não é plenamente compreendido. Por isso, o Papa os encorajou dizendo que “eles fazem parte daquela Igreja pobre e em saída que ele sonha”.

Trata-se de leigos e sacerdotes, explicou o Papa, que, por vocação, estão no meio dos outros e como os outros, mediante uma vida normal, sem sinais exteriores, sem o apoio de uma vida comunitária, sem a visibilidade de um apostolado organizado e de obras específicas. Mas, “são ricos de uma experiência total do amor de Deus. Eis porque são capazes de conhecer e compartilhar a dureza da vida, nas suas múltiplas expressões, fomentando-as com a luz e a força do Evangelho”.

Vocês, disse o Bispo de Roma, “são o sinal daquela Igreja em diálogo”… “É preciso conformar-se com o tipo de vida daqueles aos quais desejam levar a mensagem de Cristo; é preciso compartilhar, sem ter privilégios, mas com linguagem compreensível”.

“É preciso, antes de falar, ouvir a voz, ou melhor, o coração do homem, compreendê-lo e, quando possível, respeitá-lo e encorajá-lo. Enquanto pastores, pais e mestres, é preciso também ser irmãos dos homens. O clima do diálogo é a amizade, ou melhor, o serviço”, sugeriu Francisco.

Depois, recordando o tema da Assembléia dos Institutos Seculares “No coração das vicissitudes humanas: os desafios de uma sociedade complexa”, o Pontífice disse que este é o campo da sua missão e da sua profecia: “Vocês estão no mundo, mas não são do mundo, e trazem dentro de si a essência da mensagem cristã: o amor do Pai que salva. Vocês estão no coração mundo com o coração de Deus”!

“A sua vocação, disse o Pontífice, os leva a se interessar por cada homem e pelas suas instâncias mais profundas, que, muitas vezes, não se manifestam externamente… Pela força do amor de Deus, que encontraram e conheceram, vocês são capazes de aproximação e ternura. Assim, podem até tocar as feridas, as expectativas e as necessidades de cada um como bons Samaritanos”.

O Santo Padre concluiu seu discurso recordando que “os membros dos Institutos Seculares são fermento que se traduz em escuta das necessidades, dos desejos, das decepções, da esperança”. “Vocês, frisou, podem dar renovada esperança aos jovens, ajudar os idosos, abrir alas para o futuro, difundir o amor em todos os lugares e situações. Mas, se isto não se verificar, então é preciso uma urgente conversão!”

Missa em Santa Marta-Quem diminui e quem cresce

O testemunho de são João Paulo II, assim como o de «tantos grandes santos» na história da Igreja, mostra que a regra da santidade consista «em diminuir a fim de que o Senhor cresça». E «todos assistimos aos últimos dias de são João Paulo II: ali, não podia falar, o grande atleta de Deus, o grande guerreiro de Deus, acaba assim. Aniquilado pela doença. Humilhado como Jesus». Evocando o testemunho do Papa Wojtyła – canonizado a 27 de Abril juntamente com João XXIII – o Pontífice traçou o perfil da santidade na homilia da missa celebrada na manhã de sexta-feira, 9 de Maio, na capela da Casa de Santa Marta. Os santos, disse, não são heróis mas mulheres e homens que vivem a cruz no dia-a-dia: são pessoas escolhidas por Deus precisamente para demonstrar que a Igreja é santa mesmo sendo composta por pecadores.

«A Igreja é santa»: foi a partir desta verdade que o Papa Francisco iniciou a sua reflexão da sua homilia. E propôs imediatamente uma pergunta: como pode ser santa a Igreja se todos nós que somos pecadores estamos dentro? Com efeito, reiterou, «nós somos pecadores, mas a Igreja é santa, é a esposa de Jesus Cristo, e ele ama-a, santifica-a: santifica-a todos os dias com o seu sacrifício eucarístico, porque a ama tanto». Portanto, «nós somos pecadores, mas numa Igreja santa».

Precisamente, com «esta pertença à igreja também nós nos santificamos: somos filhos da Igreja e a mãe Igreja santifica-nos com o seu amor, com os sacramentos do seu Esposo». Na prática, prosseguiu o bispo de Roma, «esta é a santidade diária, esta é a santidade de todos nós. A tal ponto que nos Atos dos apóstolos, quando se fala dos cristãos, está escrito “o povo dos santos”». Também são Paulo «fala dos santos: a nós, pecadores mas filhos da Igreja santa, santificada pelo corpo e sangue de Jesus, como ouvimos agora no Evangelho» de João (6, 52-59).

«Nesta Igreja santa – afirmou o Papa Francisco – o Senhor escolhe algumas pessoas para mostrar melhor a santidade, para indicar que é ele que santifica; que ninguém se santifica a si mesmo; que não existe um curso para se tornar santo; que ser santo não consiste em fazer o faquir» ou algo mais. Ao contrário, «a santidade é um dom de Jesus à sua Igreja; e para demonstrar isto ele escolhe pessoas» nas quais «se vê claramente o seu trabalho para as santificar».

A liturgia de hoje apresenta, a este propósito, «a santificação de Saulo, de Paulo», narrada pelos Actos dos apóstolos (9, 1-20). Não se trata de um caso isolado, porque no Evangelho há muitas figuras de santidade. Por exemplo, prosseguiu o Papa, «há a Madalena, o Mateus; e ainda o Zaqueu».

«Mas por que escolhe o Senhor, na história da Igreja, estas pessoas?» perguntou-se o Pontífice, recordando que em dois mil anos de cristianismo «existem numerosos santos reconhecidos pela Igreja». O senhor escolhe estas pessoas – é a resposta – para que dêem testemunho mais claro da primeira regra de santidade: é necessário que Cristo cresça e que nós diminuamos. Em síntese, é necessária «a nossa humilhação a fim de que o Senhor cresça».

É nesta perspectiva que o Senhor «escolhe Saulo, inimigo da Igreja», como narram os Actos dos apóstolos: Saulo, proferindo ainda ameaças contra os discípulos do Senhor, «apresentou-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de ser autorizado a levar acorrentado para Jerusalém todos os que encontrasse, homens e mulheres, pertencentes a esta Via». Palavras fortes que demonstram quanto Saulo odiasse e perseguisse a Igreja: um ódio que, observou o bispo de Roma, «vimos também na lapidação de Estêvão» na qual, além disso, o Saulo estava presente. Cheio de ódio, ele «pede a autorização» para perseguir os cristãos. «Mas o Senhor espera por ele e faz sentir o seu poder» observou o Papa. E eis que Saulo «torna-se cego e obedece» quando, a caminho de Damasco, o Senhor lhe diz «levanta-te, entra na cidade, e te será dito o que deves fazer». Assim «de homem que tinha tudo claro, que sabia o que devia fazer contra esta seita de cristãos, torna-se obediente, espera rezando e fazendo jejum. O seu coração estava transformado».

A narração dos Actos apresenta, portanto, o discípulo de Ananias que baptiza Paulo. E assim finalmente «Paulo levanta-se e vai pelas sinagogas anunciando que Jesus é o Filho de Deus».

A este ponto o Papa frisou que a diferença entre heróis e santos é o testemunho, a imitação de Jesus Cristo: percorrer o caminho de Jesus Cristo. O Papa repropôs também a figura de João Baptista.

«Tantos santos canonizados na Igreja – afirmou o Pontífice – acabam tão humildemente». São «os grandes santos». E, a este propósito, o Papa Francisco repropôs o testemunho de são João Paulo II. Precisamente «este é o percurso da santidade dos grandes». Mas é «também o percurso da nossa santidade». Porque, explicou, certamente «não seremos santos se não nos deixarmos converter o coração por este caminho de Jesus: carregar a cruz todos os dias, a cruz simples e deixar que Jesus cresça. Se nós não percorrermos este caminho não seremos santos, mas se formos por esta via todos nós daremos testemunho de Jesus Cristo que nos ama tanto. E daremos testemunho que, mesmo sendo pecadores a Igreja é santa, é a esposa de Jesus».

Portanto «hoje – concluiu o Papa – talvez nos faça bem, na missa, sentir esta alegria: o sacrifício de Jesus aqui no altar santifica-nos a todos, far-nos-á crescer na santidade, para sermos autenticamente filhos da sua esposa, a Igreja nossa mãe que é santa».
L’Osservatore Romano


Tweet do Papa Francisco, hoje:

09/05/2014
A santidade exige a doação sacrificada em cada dia; por isso o matrimônio é uma via mestra para tornar-se santo.


Missa em Santa Marta-Não à burocracia na sacristia

Muitas vezes há atitudes negativas que obscurecem a docilidade à chamada do Senhor, o diálogo atento à realidade do outro e a força da graça, isto é, os três momentos fundamentais da evangelização. Atitudes negativas que na igreja se concretizam quando a «burocracia» faz com que nos tornemos semelhantes a «uma empresa para fabricar impedimentos que afastam as pessoas dos Sacramentos».

Foi portanto uma exortação a ser «facilitadores dos Sacramentos» a que o Papa fez na missa celebrada na manhã de quinta-feira, 8 de Maio, na capela da Casa de Santa Marta.

O trecho dos Atos dos apóstolos (8, 26-40) proposto na liturgia hodierna apresenta de modo claro, observou o Pontífice, os três momentos da evangelização. «O primeiro – explicou – é a docilidade de Filipe que vai anunciar Jesus Cristo». Estava comprometido «no seu trabalho de evangelizar» quando «o anjo do Senhor lhe disse: levanta-te, deixa isto e vai por ali, por aquela estrada». E Filipe obedeceu, «foi dócil à chamada do Senhor» e não hesitou deixar «tudo o que devia fazer».

O diálogo, prosseguiu o Papa, é o «segundo momento da evangelização». Os Atos dos apóstolos narram que ao longo da estrada Filipe encontra «um etíope, eunuco, funcionário de Candace, rainha da Etiópia», região onde governavam as mulheres, notou o Papa, citando também a «rainha de Sabá». Aquele homem era «administrador de todos os tesouros» do reino, um verdadeiro «ministro da economia». Estava a caminho «de Jerusalém para o culto porque era judeu». E o Senhor diz a Filipe: «vai e aproxima-te daquele carro». Filipe então pergunta-lhe: «entendes o que estás a ler?». Eis o ponto exato que nos leva ao «segundo momento do processo de evangelização: o diálogo». O Pontífice comentou que o diálogo entre Filipe e o ministro etíope deve ter sido longo e centrado no batismo porque «quando chegaram perto de um lugar com água, o eunuco disse: “Eis, aqui há água; o que impede que eu seja batizado?”».

Esta constatação, frisou o Papa, leva-nos ao terceiro momento da evangelização. «Aquele homem sentira a força de Deus dentro de si» e quando vê a água pergunta ao apóstolo o que impedia que fosse batizado. E Filipe, explicou o Papa, sem nada dizer fê-lo descer do carro «e batizou-o na água». Estamos diante da «força do Sacramento, a força da graça», frisou o Papa. Desta maneira, completa-se o processo da evangelização: docilidade do evangelizador, diálogo com as pessoas e a força da Graça.

Precisamente «este terceiro momento» da evangelização sugeriu ao Papa Francisco uma reflexão «sobre a pergunta que o administrador faz: o que impede que eu seja batizado? O que está a impedir que a graça venha a mim?».

Muitas vezes – constatou no final da reflexão – afastamos as pessoas do encontro com Deus, distanciamos as pessoas da graça», porque não nos comportamos como «facilitadores dos Sacramentos».

O trecho dos Atos, afirmou o Pontífice, «ajudar-nos-á a entender melhor que quem realiza a evangelização é Deus: “Ninguém pode vir a mim se não for atraído pelo Pai que me enviou”. É o Pai que atrai a Jesus. E, acrescentou, «Jesus tinha dito certa vez a Filipe: “Filipe, o Pai e eu somos um só”».

Na conclusão o Papa convidou a pensar «nestes três momentos da evangelização: «a docilidade da evangelização», fazendo a vontade de Deus, «o diálogo com as pessoas», assim como as encontramos, e «confiar-se à graça» porque «é mais importante a graça do que toda a burocracia».
L’Osservatore Romano


O Papa Francisco escreveu hoje em seu Twitter:

08/05/2014
Na família se aprende a amar e a reconhecer a dignidade de cada pessoa, especialmente dos mais fracos.


Audiência: através do dom do conselho, Deus nos faz entender o caminho a seguir



Cidade do Vaticano, 7.maio.2014 (RV) – A Praça S. Pedro acolheu esta manhã cerca de 60 mil peregrinos para a Audiência Geral com o Papa Francisco.

Como faz habitualmente antes de pronunciar sua catequese, por quase meia-hora, o Pontífice percorreu a Praça em seu papamóvel para saudar a multidão – momento em que os fiéis têm o contato mais próximo com Francisco, que retribui o carinho e o entusiasmo abençoando-os e beijando as crianças.

Prosseguindo a série de catequeses sobre os sete dons do Espírito Santo, nesta quarta o Papa falou sobre o “conselho” – o dom que nos torna capazes de fazer a escolha certa no nosso dia-a-dia, seguindo a lógica de Jesus e do seu Evangelho.

Texto completo da catequese:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Ouvimos na leitura do trecho do livro dos Salmos “O Senhor me deu conselho, mesmo de noite o meu coração me exorta” (Sal 16, 7). E este é um outro dom do Espírito Santo: o dom do conselho. Sabemos quanto é importante, nos momentos mais delicados, poder contar com sugestões de pessoas sábias e que nos querem bem. Ora, através do dom do conselho, é o próprio Deus, com o seu Espírito, a iluminar o nosso coração, de forma a nos fazer compreender o modo correto de falar e de se comportar e o caminho a seguir. Mas como esse dom age em nós?

1. No momento em que o acolhemos e o hospedamos no nosso coração, o Espírito Santo logo começa a nos tornar sensíveis à sua voz e a orientar os nossos pensamentos, os nossos sentimentos e as nossas intenções segundo o coração de Deus. Ao mesmo tempo, leva-nos sempre mais a dirigir o olhar interior para Jesus, como modelo do nosso modo de agir e de nos relacionarmos com Deus Pai e com os irmãos. O conselho, então, é o dom com que o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus, segundo a lógica de Jesus e do seu Evangelho. Deste modo, o Espírito nos faz crescer interiormente, faz-nos crescer positivamente, faz-nos crescer na comunidade e nos ajuda a não ficar à mercê do egoísmo e do próprio modo de ver as coisas. Assim, o Espírito nos ajuda a crescer e também a viver em comunidade. A condição essencial para conservar este dom é a oração. Sempre voltamos ao mesmo tema: a oração! Mas é tão importante a oração. Rezar com as orações que todos nós sabemos desde criança, mas também rezar com as nossas palavras. Rezar ao Senhor: “Senhor, ajuda-me, aconselha-me, o que devo fazer agora?”. E com a oração abrimos espaço, a fim de que o Espírito venha e nos ajude naquele momento, aconselhe-nos sobre o que nós devemos fazer. A oração! Nunca esquecer a oração. Nunca! Ninguém, ninguém percebe quando nós rezamos no ônibus, na estrada: rezamos em silêncio com o coração. Aproveitemos esses momentos para rezar, rezar para que o Espírito nos dê o dom do conselho.

2. Na intimidade com Deus e na escuta da sua Palavra, gradualmente colocamos de lado a nossa lógica pessoal, ditada nas maiorias das vezes pelos nossos fechamentos, pelos nossos preconceitos e pelas nossas ambições, e aprendemos, em vez disso, a perguntar ao Senhor: qual é o teu desejo, qual é a tua vontade, o que te agrada? Deste modo amadurece em nós uma sintonia profunda, quase inata no Espírito e se experimenta quanto são verdadeiras as palavras de Jesus reportadas no Evangelho de Mateus: “Não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar nem com que haveis de dizer: naquele momento, ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós” (Mt 10, 19-20).  É o Espírito que nos aconselha, mas nós devemos abrir espaço ao Espírito, para que possa nos aconselhar. E abrir espaço é rezar, rezar para que Ele venha e nos ajude sempre.

3. Como todos os outros dons do Espírito, então, também o conselho constitui um tesouro para toda a comunidade cristã. O Senhor não nos fala somente na intimidade do coração, fala-nos sim, mas não somente ali, mas nos fala também através da voz e do testemunho dos irmãos. É realmente um grande dom poder encontrar homens e mulheres de fé, que, sobretudo nos momentos mais complicados e importantes da nossa vida, ajudam-nos a fazer luz no nosso coração, a reconhecer a vontade do Senhor!

Eu me lembro uma vez no santuário de Luján, estava no confessionário, diante o qual havia uma fila longa. Havia um rapaz todo moderno, com piercings e tatuagens, todas estas coisas… E veio para me dizer algo que acontecia com ele. Era um problema grande, difícil. E me disse: eu contei tudo isso à minha mãe e ela me disse: vá à Nossa Senhora e ela te dirá o que você deve fazer. Eis uma mulher que tinha o dom do conselho. Não sabia encontrar uma saída para o problema do filho, mas indicou o caminho justo: Vá a Nossa Senhora e ela lhe dirá. Este é o dom do conselho. Aquela mulher humilde, simples, deu ao filho o conselho mais verdadeiro. De fato, este rapaz me disse: olhei para Nossa Senhora e senti que devia fazer isto, isto e isto… Eu não precisei falar, já tinham dito tudo sua mãe e o próprio rapaz. Este é o dom do conselho. Vocês, mães, que têm este dom, peçam – no para os seus filhos. O dom de aconselhar os filhos é um dom de Deus.
Queridos amigos, o Salmo 16, que ouvimos, convida-nos a rezar com estas palavras: “Bendigo o Senhor porque me deu conselho, porque mesmo de noite o coração me exorta. Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita, não vacilarei” (vv. 7-8). Que o Espírito possa sempre infundir no nosso coração esta certeza e nos encher assim com o seu consolo e a sua paz! Peçam sempre o dom do conselho.

Após a catequese, o Papa saudou os peregrinos oriundos de várias partes do mundo. Aos lusófonos, disse:
Saúdo com carinho todos os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis de Leria-Fátima e os diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, peçamos ao Senhor o dom do conselho, para que, nas diversas circunstâncias da vida, saibamos encontrar o modo certo de falar e de nos comportarmos, de tal modo que o nosso testemunho favoreça a difusão do Evangelho. Que Deus vos abençoe!

Ao saudar os grupos italianos, Francisco agradeceu a presença da comunidade "San Patrignano", que recupera jovens com problemas de droga. "Saúdo os familiares dos jovens de San Patrignano, aos quais me uno ao dizer 'não' a todo tipo de droga".

Em junho o Papa participará do encontro da RCC no Estádio Olímpico, em Roma

O Papa Francisco confirmou participação na 37ª Convocação da Renovação Carismática Católica (RCC), que será realizada no Estádio Olímpico, em Roma, nos dias 1º e 2 de junho. O encontro terá como tema “Convertei-vos! Creiais! Recebam o Espírito Santo! Por uma Igreja em missão”.

O movimento informou, nesta quarta-feira, 7, que o Papa estará presente no encontro no domingo, 1º de junho, das 17h às 18h30min.

Missa em Santa Marta Qual o testemunho do cristão

Testemunhar Cristo é a essência da Igreja que, caso contrário, acabaria por ser só uma estéril «universidade da religião», impermeável à ação do Espírito Santo. Afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de terça-feira, 6 de Maio de 2014, na capela da Casa de Santa Marta.

“Martírio é a tradução da palavra grega que também significa testemunho. E assim podemos dizer que para um cristão o caminho vai no rasto deste testemunho, sobre estas pegadas de Jesus para dar testemunho d’Ele e tantas vezes este testemunho acaba por dar a vida. Não se pode entender um cristão sem que seja testemunha e dê testemunho. Nós não somos uma religião de ideias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e dá testemunho de Jesus Cristo – e este testemunho às vezes chega a dar a vida.”

A meditação sobre a força do testemunho baseou-se no trecho litúrgico dos Atos dos apóstolos (7, 51-88, 1a) no qual se narra o martírio de Estêvão, que – explicou o Santo Padre – «é um calco do martírio de Jesus: os ciúmes dos dirigentes que procuravam excluí-lo, as falsas testemunhas, um julgamento apressado». Aos seus perseguidores, que não acreditavam, Estêvão disse: «Homens de cerviz dura, incircuncisos de corações e de ouvidos, sempre vos opondes ao Espírito Santo».

O Papa Francisco prosseguiu, observando que «ser perseguido, ser mártir, dar a vida por Jesus é uma das bem-aventuranças». «Jesus não disse aos seus: “Pobrezinhos se vos acontece isto”, mas sim: “Felizes vós quando vos insultarem e perseguirem e disserem mal contra vós por causa do meu nome. Alegrai-vos!”».

É evidente que «o demônio não pode suportar a santidade da Igreja sem reagir. E contra Estêvão – disse o Pontífice – suscitou no coração daquelas pessoas ódio para perseguir, insultar e falar mal. E assim mataram Estêvão, o qual morreu como Jesus, perdoando».

«Martírio, na tradição da palavra grega, significa testemunho», explicou o Papa. Assim «podemos dizer que para um cristão a estrada prossegue nas pegadas deste testemunho de Jesus para dar testemunho dele».

A questão central, frisou o Pontífice, é que o cristianismo não é uma religião só «de ideias, de teologia pura, de estética e mandamentos. Somos um povo que segue Jesus Cristo e dá testemunho, quer dar testemunho de Jesus Cristo. E este testemunho algumas vezes chega a dar a vida».

Assassinado Estevão, lê-se nos Atos dos Apóstolos, que eclodiu uma violenta perseguição contra a Igreja em Jerusalém. E desta forma – sublinhou o Papa – os cristãos dispersaram-se na região da Judeia e da Samaria. E estas pessoas aonde quer que chegavam davam testemunho de Jesus dando assim início à missão da Igreja – afirmou o Papa Francisco:
“O testemunho seja na vida quotidiana, seja com algumas dificuldades e, também seja na perseguição com a morte, sempre é fecunda. A Igreja é fecunda e mãe quando dá testemunho de Jesus Cristo. Ao invés, quando a Igreja se fecha em si própria, julga-se – digamos - uma universidade da religião, com tantas belas ideias, com tantos belos templos, com tantos belos museus, com tantas belas coisas, mas não dá testemunho, torna-se estéril. O cristão também. O cristão que não dá testemunho fica estéril, sem dar a vida que recebeu de Jesus Cristo.”

Depois, o Papa recordou que «um dos padres da Igreja disse que o sangue dos mártires é semente dos cristãos». É precisamente o que acontece: «Explode a perseguição, os cristãos dispersam-se e com o seu testemunho pregam a fé». Porque, observou, «o testemunho é sempre fecundo».

O Papa Francisco concluiu recordando como dos «dois ícones» propostos pela liturgia – Estêvão que morre e os cristãos que dão testemunho no mundo inteiro – surjam para cada um perguntas: «Como é o meu testemunho? Sou um cristão testemunha de Jesus ou um simples membro desta seita? Sou fecundo porque dou testemunho ou permaneço estéril porque não sou capaz de deixar que o Espírito Santo me leve em frente na minha vocação cristã?».
Radio Vaticano e L'Osservatorio Romano

No início da manhã de hoje, o Santo Padre deixou sua mensagem no Twitter:

06/05/2014
Uma sociedade que abandona as crianças e os idosos, corta as suas raízes e entenebrece o seu futuro.

Francisco: que cristãos se libertem da vaidade, da sede de poder e dinheiro

Cidade do Vaticano, 5.maio.2014 (RV) – Na Igreja, existem pessoas que seguem Jesus por vaidade, sede de poder ou dinheiro: palavras de Francisco na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa se inspirou no Evangelho do dia, em que Jesus repreende a multidão por procurá-lo somente porque se saciou depois da multiplicação dos pães e dos peixes. O Papa faz a mesma reflexão aos fiéis, questionando se seguimos Cristo por amor ou por alguma vantagem. O próprio Jesus identifica três atitudes que não são positivas ao buscar Deus. A primeira delas é a vaidade, em especial a dos “dirigentes” que faziam esmolas ou jejuavam para aparecer, como pavões.

“Esses dirigentes queriam aparecer, eles gostavam – para dizer a palavra justa – de envaidecer-se como verdadeiros pavões! Eram assim. E Jesus diz: ‘Não, isto não é bom. A vaidade não faz bem’. E algumas vezes, nós fazemos coisas tentando aparecer um pouco, buscando a vaidade. A vaidade é perigosa, pois logo nos faz cair no orgulho, na soberba, tudo acaba ali. E me faço a pergunta: como eu sigo Jesus? As coisas boas que faço, as faço escondidas ou gosto de aparecer?”.

O Papa prosseguiu dizendo que pensa também nos pastores, porque “um pastor que é vaidoso não faz bem ao povo de Deus”: pode ser padre ou bispo, mas não segue Jesus se gosta da vaidade. Jesus também repreende a multidão por outra atitude: o poder.

“Alguns seguem Jesus um pouco buscando o poder, mas não completamente cientes, um pouco inconscientemente, não? O caso mais evidente é João e Tiago, os filhos de Zebedeu, que pediam a Jesus a graça de ser primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro na vinda do Reino. E na Igreja existem os que fazem escaladas. Quem quiser, que vá ao Norte e faça alpinismo: é mais saudável! Mas não venham na Igreja para fazer carreira! E Jesus repreende esses escaladores que buscam o poder”.

“Os discípulos mudam somente com a vinda do Espírito Santo”, observou o Papa, acrescentando que o pecado na nossa vida cristã permanece e nos fará bem fazer a seguinte pergunta: "como eu sigo Jesus? Somente por Ele, até a Cruz, ou busco o poder e uso a Igreja, a comunidade cristã, a paróquia, a diocese para ter um pouco de poder?". "A terceira coisa que nos afasta da retidão das intenções é o dinheiro".

“Os que seguem Jesus por dinheiro, com o dinheiro, tentam se aproveitar economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade cristã, do hospital, do colégio... Pensemos na primeira comunidade cristã, que teve esta tentação: Simão, Ananias e Safira … Esta tentação houve desde o início, e conhecemos tantos bons católicos, bons cristãos, amigos, benfeitores da Igreja, inclusive com várias honorificências... tantos! Que depois se descobriu que fizeram negociações um pouco obscuras: se revelaram negociantes e ganharam dinheiro! Apresentavam-se como benfeitores da Igreja, mas ganhavam dinheiro e nem sempre dinheiro limpo”.

Francisco então concluiu pedindo que o Espírito Santo nos dê a graça de caminhar atrás do Senhor com a retidão de intenções: somente por Ele. "Sem vaidade, sem ambição de poder e de dinheiro."


Este foi o tweet do Papa desta segunda-feira:

05/05/2014
Que quer dizer evangelizar? Testemunhar com alegria e simplicidade o que somos e aquilo em que acreditamos.


Anúncio, formação e reconciliação: Papa aos bispos do Burundi

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã de segunda-feira, 05.maio.2014, o Papa Francisco recebeu um grupo de dez bispos do Burundi que se encontram em Roma realizando a peregrinação quinquenal conhecida como visita ad Limina Apostolorum.

Depois de agradecê-los pela visita, o Papa quis recordar a memória de Dom Michael A. Courtney, o Núncio Apostólico irlandês que foi assassinado em 2003, aos 58 anos, por um franco-atirador que disparou contra seu carro a poucos km da capital, Bujumbura. “Foi fiel até doar sua própria vida pela missão que lhe foi confiada no Burundi”, disse Francisco.

Em seguida, o Papa ressaltou a importância do espírito de comunhão com a Santa Sé e de colaboração nas relações entre a Igreja e Estado, e neste sentido, lembrou o Acordo-quadro assinado em novembro de 2012, que entrou em vigor em fevereiro de 2013.
Encorajando o episcopado a manter o diálogo social e político sempre aberto, Francisco disse que as Autoridades precisam de seu testemunho de fé e coragem no anúncio dos valores cristãos, para que conheçam a doutrina social da Igreja e se inspirem nela para conduzir os assuntos públicos.

Burundi conheceu, em um passado próximo, conflitos terríveis; o povo ainda está dividido e muitas feridas permanecem abertas. “Somente uma autêntica conversão pode conduzir os homens ao amor fraterno e ao perdão; para que a vida social seja um espaço de fraternidade e justiça, paz e dignidade para todos”.

Viver a conversão com autenticidade e formar bem os seminaristas em quatro aspectos: intelectual, espiritual, humano e pastoral, são outras prioridades apontadas pelo Papa.

“Os jovens – escreveu Francisco aos bispos burundineses – devem ter como formadores padres que sejam exemplos de fé e de perfeição sacerdotal; que lhes sejam próximos e compartilhem suas vidas. Hoje em dia, as vocações são frágeis, e este é o único modo para exercer um justo discernimento e evitar erros”.

O Papa relevou ainda a atividade das pessoas consagradas nos campos da educação e da assistência social; e dos leigos, com os seus múltiplos movimentos e associações. Enfim, destacou o papel da juventude – “uma das chaves do futuro num país onde a população se renova rapidamente”. Concluindo, recomendou “que se dê às novas gerações uma autêntica visão da existência, da sociedade e da família”.

Papa aos novos Guardas Suíços: gentileza deve impressionar mais que o uniforme multicor

Cidade do Vaticano, 5.maio.2014 (RV) – No final da manhã desta segunda-feira, o Papa Francisco recebeu em audiência, na Sala Clementina, os Guardas Suíços, por ocasião do juramento dos novos recrutas.

Em seu discurso, o Pontífice destacou que prestar serviço na Guarda Suíça Pontifícia significa viver uma experiência que une o tempo e o espaço de modo especial, pois Roma é rica de história e de turistas de todo o mundo que vêm aqui justamente para apreciar a cultura e tradição desta cidade. “Neste movimento de história e de histórias pessoais, há também cada um de vocês. Com este serviço peculiar, vocês são sempre chamados a dar um testemunho cristão sereno e alegre aos que vêm ao Vaticano para visitar a Basílica de S. Pedro e para encontrar o Papa. Vivam intensamente suas jornadas! Sejam generosos na caridade com as pessoas que encontrarem.”

Francisco recordou ainda que, este ano, o famoso uniforme multicor da Guarda completa cem anos. Todavia, acrescentou, atrás de cada uniforme há uma pessoa concreta: com uma família e uma terra de proveniência. Os trajes da Guarda atraem a atenção das pessoas, mas – advertiu o Papa – não é o uniforme, mas a pessoa que o veste que deve impressionar por sua gentileza, seu espírito de acolhimento e a atitude de caridade para com os outros. Essa mesma cordialidade deve existir entre os companheiros de trabalho, com os quais compartilhar os momentos de tristeza e alegria, evitando que haja desprezo, marginalização ou racismo.

O Pontífice se despediu dizendo que todos os dias acompanha a dedicação e o empenho dos Guardas Suíços, agradecendo-lhes pelo trabalho.

A audiência de Francisco com os novos recrutas foi realizada um dia antes do juramento, que tradicionalmente é feito em 6 de maio – dia em que se comemore o Saque de Roma e o ato dos membros da Guarda Suíça que, em 1527, ofereceram a própria vida em defesa da Igreja e do Papa.

Papa celebra na igreja dos poloneses em Roma: "João Paulo II, pedra ancorada na grande Rocha"

Cidade do Vaticano, 4.maio.2014 (RV) – Na manhã deste domingo, o Papa Francisco dirigiu-se à Igreja de São Estanislau, em Roma, para presidir a celebração eucarística em Ação de Graças pela canonização de João Paulo II. A Igreja, localizada no bairro ‘Botteghe Oscure’, também é conhecida como ‘igreja dos poloneses’. As leituras e cantos foram em polonês.

Texto completo da homilia:

No trecho dos Atos dos Apóstolos escutamos a voz de Pedro, que anuncia com força a ressurreição de Jesus. Pedro é testemunha da esperança que está em Cristo. E na segunda leitura é ainda Pedro que confirma os fiéis na fé em Cristo, escrevendo: “Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus” (1, 21).

Pedro foi o ponto de referência da comunidade porque foi fundado na Rocha que é Cristo.

Assim foi João Paulo II, verdadeira pedra ancorada na grande Rocha.

Uma semana depois da canonização de João XXIII e de João Paulo II, reunimo-nos aqui nesta igreja dos poloneses em Roma, para agradecer ao Senhor pelo dom do santo Bispo de Roma filho da vossa nação. Nesta igreja, onde ele veio mais de 80 vezes! Sempre veio aqui, nos diversos momentos da sua vida e da vida da Polônia.

Nos momentos de tristeza e de desânimo, quando tudo parecia perdido, ele não perdia a esperança, porque a sua fé e a sua esperança eram fixas em Deus (cfr 1 Ped 1, 21). E assim era pedra, rocha para esta comunidade, que aqui reza, que aqui escuta a Palavra, prepara os Sacramentos e os administra, acolhe quem tem necessidade, canta e faz festa, e daqui parte novamente para as periferias de Roma…

Vocês, irmãos e irmãs, fazem parte de um povo que foi muito provado em sua história. O povo polonês sabe bem que para entrar na glória é preciso passar pela paixão e a cruz (cfr Lc 24, 26). E o sabem não porque estudaram isso, mas sabem porque viveram isso. São João Paulo II, como digno filho da sua pátria terrena, seguiu este caminho. Ele o seguiu de modo exemplar, recebendo de Deus um despojamento total. Por isto “a sua carne repousa na esperança” (cfr At 2, 26; Sal 16, 9).

E nós? Estamos dispostos a seguir este caminho?

Vocês, queridos irmãos, que formam hoje a comunidade cristã dos poloneses em Roma, querem seguir este caminho?

São Pedro, também com a voz de São João Paulo II, diz a vocês: “Vivei com temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1 Ped 1, 17). É verdade, somos caminhantes, mas não errantes! Em caminho, mas sabemos para onde vamos! Os errantes não o sabem. Somos peregrinos, mas não errantes – como dizia São João Paulo II.

Os dois discípulos de Emaús na ida eram errantes, não sabiam para onde iriam no final, mas no retorno não! No retorno eram testemunhas da esperança que é Cristo! Porque tinham encontrado Ele, o Caminhante Ressuscitado. Este Jesus é o Caminhante Ressuscitado que caminha conosco. Jesus está aqui hoje, está aqui entre nós. Está aqui na sua Palavra, está aqui no altar, caminha conosco, é o Caminhante Ressuscitado.

Também nós podemos nos tornar “caminhantes ressuscitados”, se a sua Palavra aquece o nosso coração e a sua Eucaristia abre nossos olhos para a fé e nos alimenta com a esperança e a caridade. Também nós podemos caminhar próximo aos irmãos e às irmãs que estão tristes e desesperados, e aquecer o seu coração com o Evangelho, e partir com eles o pão da fraternidade.

São João Paulo II ajude-nos a sermos “caminhantes ressuscitados”. Amém.


A comunidade dos poloneses doou ao Papa uma imagem de Jesus da Misericórdia. A Igreja de São Estanislau recebeu, em 1982, o status de Paróquia nacional dos poloneses e ao longo dos anos tornou-se referência para muitos, sobretudo imigrantes. Antes de deixar o templo, o Papa Francisco saudou um grupo de sem-teto.

Também na manhã deste domingo de maio, o Santo Padre escreveu em seu twitter:

03/05/2014
Não tenhas medo, abre de par em par as portas a Cristo.

Papa no Regina Coeli: "Escrituras e Eucaristia indispensáveis no encontro com o Senhor"

Cidade do Vaticano, 4.maio.2014 (RV) – O Papa Francisco rezou a Oração do Regina Coeli na manhã deste 3º Domingo de Páscoa, junto a milhares de peregrinos que lotavam a Praça São Pedro e adjacências.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, que é o terceiro domingo de Páscoa, é aquele dos discípulos de Emaús (cfr Lc 24, 13-35). Estes eram dois discípulos de Jesus, os quais, depois da sua morte e passado o sábado, deixam Jerusalém e retornam, tristes e desanimados, para o seu vilarejo, chamado Emaús. Ao longo do caminho, Jesus ressuscitado aproximou-se deles, mas eles não O reconheceram. Vendo-os tão tristes, Ele primeiro ajudou-os a entender que a paixão e a morte do Messias estavam previstas no projeto de Deus e preanunciadas nas Sagradas Escrituras; e assim reacende um fogo de esperança no coração deles.

Naquele momento, os dois discípulos sentiram uma atração extraordinária por aquele homem misterioso, e o convidaram para permanecer com eles naquela noite. Jesus aceitou e entrou com eles na casa. E quando, na mesa, abençoou o pão e o partilhou, eles o reconheceram, mas Ele desapareceu da vista deles, deixando-os cheios de estupor. Depois de serem iluminados pela Palavra, tinham reconhecido Jesus ressuscitado no partilhar o pão, novo sinal da sua presença. E logo sentiram a necessidade de retornar a Jerusalém, para contar aos outros discípulos esta sua experiência, que tinham encontrado Jesus vivo e o tinham reconhecido neste gesto da fração do pão.

O caminho de Emaús torna-se assim símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. Também nós, muitas vezes, chegamos à Missa dominical com as nossas preocupações, as nossas dificuldades e desilusões… A vida às vezes nos fere e nós seguimos tristes, rumo à nossa “Emaús”, virando as costas ao projeto de Deus. Afastamo-nos de Deus. Mas nos acolhe a Liturgia da Palavra: Jesus nos explica as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança, e na Comunhão nos dá força. Palavra de Deus, Eucaristia. Ler todo dia um trecho do Evangelho. Recordem bem isso: ler todos os dias um trecho do Evangelho e aos domingos ir fazer a Comunhão, receber Jesus. Assim aconteceu com os discípulos de Emaús: acolheram a Palavra; partilharam a fração do pão e de tristes e derrotados que se sentiam tornaram-se alegres. Sempre, queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus e a Eucaristia nos enchem de alegria. Lembrem-se bem disso! Quando você está triste, pegue a Palavra de Deus. Quando você está para baixo, pegue a Palavra de Deus e vá à Missa no domingo fazer a Comunhão, participar do mistério de Jesus. Palavra de Deus, Eucaristia: enchem-nos de alegria.

Por intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformante com o Senhor, com o Senhor ressuscitado, que está conosco sempre. Há sempre uma Palavra de Deus que nos dá orientação depois dos nossos escorregos e através dos nossos cansaços e desilusões, há sempre um Pão partilhado que nos faz seguir adiante no caminho.

Após a Oração do Regina Coeli, o Papa Francisco referiu-se à “grave” situação na Ucrânia, onde a divisão interna pode levar a uma guerra civil e ao Afeganistão, onde um deslizamento de terra provocou a morte de centenas de pessoas.

“Desejo convidar-vos a confiar a Nossa Senhora a situação na Ucrânia onde não cessam as tensões. É grave! Rezo com vocês pelas vítimas destes dias, pedindo que o Senhor infunda nos corações de todos sentimentos de pacificação e fraternidade.

Rezemos também pelas pessoas falecidas pelo enorme deslizamento de terra que ocorreu dois dias atrás em um povoado no Afeganistão. Deus Todo-poderoso, que conhece o nome de cada um deles, acolha a todos na sua paz e conceda aos sobreviventes a força para prosseguir a vida, com a ajuda daqueles que se empenham em aliviar seus sofrimentos”.

Na última sexta-feira, em Odessa, na Ucrânia, 42 militantes pró-Rússia - que haviam tomado uma sede do governo local -, morreram quando o prédio foi atacado e incendiadado por nacionalista ucranianos. Os conflitos crescem no país e a tensão com a Rússia aumenta a cada dia, com troca de acusações entre os dois governos.

No Afeganistão, por sua vez, a zona do povoado soterrado na sexta-feira por um deslizamento de terra na província setentrional de Badakhshan, deverá tornar-se um “cemitério coletivo”. Foi o que anunciou o Governador provincial, Shah Walihullah Adeeb. Neste sábado, as autoridades locais decidiram não prosseguir nas buscas das centenas de corpos sepultados sob toneladas de terra, lama e pedras. O balanço oficial divulgado ontem pelas Nações Unidas era de 350 mortos, mas fontes locais indicam que este número pode chegar a 2 mil.

O Papa, também, saudou os presentes, em especial a Associação Meter - a quem conclamou a continuar a luta contra todo o tipo de abuso a menores, dizendo um "Obrigado pelo trabalho de vocês!" -, os participantes da Caminhada pela Vida, que "neste ano tem um caráter internacional e ecumênico".

Ele recordou ainda o 90° Dia Nacional para a Universidade do Sagrado Coração. "Rezo por esta grande Universidade, para que seja fiel à sua missão original, e adaptada ao mundo atual. Se Deus quiser, em breve visitarei a Faculdade de Medicina e Cirurgia e o Policlínico Gemelli, que cumpre 50 anos", afirmou.

E por fim, o já tradicional "Bom almoço e até logo!".

Visita de Francisco à Pontifícia academia eclesiástica

Foi um sinal de atenção especial e paterna a visita que o Papa Francisco realizou de forma privada à Pontifícia academia eclesiástica. Passou lá toda a tarde de sexta-feira, 2 de Maio, com a comunidade, formada este ano por 29 sacerdotes - provenientes de vários países de quatro continentes - que se preparam para viver o próprio ministério ao serviço directo do Santo Padre junto das representações pontifícias espalhadas em todo o mundo.

Um clima de simplicidade, confidência e familiaridade caracterizou o encontro vivido pelos presentes com particular intensidade. O Papa Francisco chegou à Academia por volta das 18 horas, e foi recebido com carinho pelo presidente, o arcebispo Giampiero Gloder, pelos superiores, alunos e pelas religiosas franciscanas missionárias do Menino Jesus que prestam serviço na casa e pelos alunos, que o receberam precisamente como a um pai em visita aos seus filhos. Dirigindo-se à capela, presidiu à oração diária das Vésperas e depois deteve-se com a comunidade para um diálogo aberto, que focalizou vários temas da formação e da vida eclesial.

Solicitado pelas perguntas dos sacerdotes, o Pontífice traçou as prioridades da formação do futuro diplomata da Santa Sé. Segundo o Papa, há três elementos fundamentais que a apoiam: a competência (estudo aprofundado das problemáticas evitando improvisação), a fraternidade (amizades sacerdotais que permitam vencer a ambição e os mexericos) e, sobretudo, a oração (além da oração litúrgica, o diálogo silencioso diante do tabernáculo, levando diante do Senhor as situações e os problemas que são vividos no ministério).

Ao Pontífice perguntaram, entre outras coisas, como é possível que um diplomata viva a profecia e a utopia do bem. O Papa respondeu que são necessárias três dimensões para ser profetas. Antes de tudo a memória do passado: é a memória da fidelidade de Deus e da infidelidade do povo, que os profetas mantêm, como se vê no Antigo Testamento. Também quem é enviado como diplomata deve conhecer a história de Deus com o povo, onde é chamado a servir. Em segundo lugar, a capacidade de observar bem o presente. E este realismo do presente relaciona-se com a competência, o estudo e o conhecimento, para entender melhor qual é a situação de um país; significa estudar, conhecer, visitar e falar com as pessoas. Em terceiro lugar, a utopia do futuro. Em terceiro lugar, a utopia do futuro. Qual é o caminho do futuro para esse povo? Nem todas os caminhos se podem percorrer: aqui é necessária a prudência.

Um profeta - continuou o Papa Francisco - deve basear-se em três pilares para pronunciar a palavra certa, cumprir o gesto justo que se elabora na oração. Quando se perde a memória, a memória do Evangelho, a da Igreja ou a da história de um povo, tudo acaba na ideologia. Para compreender a realidade devemos compreender o presente com um olhar de crente. Não existem hermenêuticas ascéticas: é uma ilusão pensar que se pode ler a realidade prescindindo da nossa condição de discípulos de Jesus Cristo. A interpretação com a qual devemos compreender o presente, a hermenêutica cristã, são os olhos do discípulo. Eis aqui a ligação com a utopia do futuro. É a promessa: que nos promete Deus no futuro? A profecia é dizer a palavra certa, aquela que o Espírito sugere, após o esforço na oração, no estudo e na reflexão para fazer memória do passado, interpretar o presente e pronunciar uma palavra sobre o futuro.

Além disso, o Papa Francisco comentou algumas temáticas relacionadas com a vida nas nunciaturas, frisando por um lado a importância eclesial desse serviço e a necessidade de que os representantes pontifícios cultivem um clima de fraternidade com os bispos dos países nos quais vivem; por outro, evidenciou os perigos nos quais pode cair quem desempenha este ministério.

Durante a conversação, antes de jantar com a comunidade da Academia, o Papa falou também sobre outros temas de actualidade na Igreja, como o compromisso da Igreja pela tutela da dignidade da vida humana inclusive no plano internacional, as expectativas relativas ao próximo Sínodo dos bispos sobre a família, a dimensão carismática de cada instituição eclesial. O Santo Padre ouviu com atenção os sacerdotes que se preparam para o serviço nas nunciaturas, indicando os aspectos da humanidade, paternidade e proximidade que constituem as características do seu modo de se relacionar com os outros e que são um modelo, não só para cada pastor, mas também para quem se prepara para representar o Papa junto das comunidades católicas e nos países de todo o mundo.
L’Osservatore Romano


Missa em Santa Marta-Hoje ainda se mata em nome de Deus

O Papa Francisco chorou ao tomar conhecimento da notícia de que recentemente alguns cristãos foram crucificados num país não cristão. Ele mesmo o revelou ao celebrar a missa na capela da Casa de Santa Marta, na manhã de sexta-feira, 2 de Maio. Também hoje, disse, há pessoas que pensam que se podem apoderar das consciências, «matando e perseguindo em nome de Deus». E há cristãos que, como os apóstolos, «ficam felizes por ser julgados dignos de sofrer ultrajes devido ao nome de Jesus».

Precisamente esta «alegria dos mártires cristãos» foi um dos «três ícones» propostos pelo Pontífice. «Hoje – afirmou – há muitos mártires: pensai que nalguns países é suficiente carregar consigo o Evangelho para acabar num cárcere! Não podes usar uma cruz que pagas multa! Mas o coração é alegre». O ícone da «alegria do testemunho» no qual se vêem os apóstolos juntamente com os mártires de hoje. O Papa falou precisamente sobre a pregação dos apóstolos durante a homilia, recordando que quando foram aprisionados e flagelados estavam alegres por ter testemunhado o Senhor.

O trecho litúrgico do Evangelho de João (6, 1-15) narra que uma multidão numerosa seguia Jesus porque via o que fazia «a enfermos e endemoninhados». Mas seguia-o também para o ouvir, explicou o Papa, «porque diziam: ele fala com autoridade! Não como os outros, os doutores da lei, os saduceus, que falam sem autoridade». De facto, eram as pessoas que «não tinham um discurso forte como o de Jesus». «Forte não porque Jesus gritava mas forte na mansidão, no amor, no olhar» com o qual o Senhor «observava as pessoas, com muito amor». A força é o amor: eis a autoridade de Jesus e por isso «a multidão o seguia».

O Papa Francisco referiu-se depois à primeira leitura, tirada dos Actos dos apóstolos (5, 34-42) que apresenta os discípulos às voltas com «o problema do sinédrio, quando os saduceus o aprisionaram depois de ter curado um doente». E recordou que, depois da cura, «o sumo sacerdote, juntamente com o seu grupo, isto é a seita dos saduceus, cheios de ciúmes, prenderam os apóstolos num cárcere público». Mas «sabemos que o anjo ajuda os apóstolos a sair da prisão» e vão imediatamente ensinar no templo. A reacção do sumo sacerdote e do seu grupo é levar os apóstolos diante do sinédrio.

Contudo, «as pessoas seguiam Jesus», o qual dizia claramente aos poderosos que «mandavam carregar os fiéis com pesos exagerados». Poderosos que não toleravam a mansidão de Jesus, do Evangelho, não toleravam o amor e chegavam até a vingar-se por inveja, por ódio.

Portanto, eis que se confrontam «dois ícones». O de Jesus comovido com a multidão porque, diz o Evangelho, olhava para as pessoas «como ovelhas sem pastor». E depois «os que, com manobras políticas, com manobras eclesiásticas, continuavam a dominar o povo».

Cometeram uma injustiça porque se julgavam «donos das consciências» e «se sentiam no poder de o fazer». E o Pontífice acrescentou: «também hoje há muitos» que se comportam assim.

O terceiro ícone é «a alegria do testemunho». Quando os cristãos afirmam: «Demos testemunho de Jesus, alegres por ser julgados dignos de sofrer ultrajes pelo nome de Jesus».
L’Osservatore Romano
Papa volta a enaltecer trabalho da Papal Foundation

Cidade do Vaticano, 2.maio.2014 (RV) – O Papa Francisco voltou a agradecer na manhã de sexta-feira, 2 de maio, o trabalho desenvolvido pela Papal Foundation, sobretudo nos países em desenvolvimento.

O discurso ocorreu durante uma audiência, na Sala Clementina, com integrantes da fundação estadunidense que há mais de duas décadas ajuda economicamente obras de apostolado e caridade.

“Desde a sua criação, a Fundação tem procurado avançar a missão da Igreja, apoiando uma ampla gama de instituições de caridade. Estou profundamente agradecido”, disse o Pontífice, lembrando os projetos educacionais e as bolsas de estudo em Roma concedidas para leigos, sacerdotes e religiosos.

O Santo Padre afirmou que as atividades da Fundação, presidida pelo Cardeal-arcebispo de Washington, Donald Wuerl, ajudam a garantir a formação de uma nova geração de líderes cujas mentes e corações estão moldados pela verdade do Evangelho, pela sabedoria da Doutrina Social da Igreja e por um profundo sentido de comunhão com a Igreja.

Antes de conceder a Benção Apostólica, o Papa chamou a atenção para o período da Páscoa e desejou aos integrantes da Fundação “a alegria da ressurreição”.

Tweets do Papa Francisco, ontem e hoje:

02/05/2014
Ninguém é mais paciente do que Deus Pai; ninguém compreende e sabe esperar como Ele.

01/05/2014
Peço a quantos têm responsabilidades políticas que não se esqueçam de duas coisas: a dignidade humana e o bem comum.

Transparência e eficiência para o serviço evangélico - O Papa Francisco aos membros do Conselho para a economia

A Igreja tem a responsabilidade de gerir os próprios bens «à luz da sua missão de evangelização com particular solicitude em relação aos necessitados». Recordou o Papa Francisco aos membros do Conselho para a economia, recebidos em audiência na manhã de sexta-feira, 2 de Maio, na Sala dos Papas.

Aos participantes no primeiro encontro do organismo - criado no passado dia 24 de Fevereiro com o motu proprio Fidelis dispensator et prudens com a Secretaria para a economia e a Repartição do revisor-geral – o Pontífice reafirmou que perseguir a transparência e a eficiência na administração tem por objectivo fundamental o serviço ao Evangelho. E neste sentido, acrescentou, «a Santa Sé sente-se chamada a pôr em prática esta missão tendo em consideração sobretudo a sua responsabilidade em relação à Igreja universal». Eis então o convite a difundir uma «nova mentalidade de serviço evangélico» na gestão administrativa dos bens, realizando também «a necessária reforma da Cúria romana». Reforma que, esclareceu o Papa, «não será simples e exige coragem e determinação».

Nesta direcção o Conselho para a economia está chamado a desempenhar «um papel significativo», expresso sobretudo na missão «de vigiar a gestão económica e as estruturas e actividades administrativas e financeiras destas administrações». Trata-se de uma tarefa à qual – frisou o Santo Padre – também os leigos devem oferecer uma contribuição não marginal «com a sua experiência».
L’Osservatore Romano