REVEJA MARÇO DE 2015


Terça-feira Santa, tweet do Santo Padre:


31/03/2015
A Confissão é o sacramento da ternura de Deus, a sua maneira de nos abraçar.

Tweet do Papa Francisco nesta Segunda-Feira Santa:


30/03/2015
A Semana Santa é o tempo que mais nos chama a ficar perto de Jesus: a amizade vê-se na provação
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Não existe humildade sem humilhação, diz Papa Francisco



Neste Domingo de Ramos, 29.março.2015, que marca o início da Semana Santa, o Papa Francisco presidiu à celebração eucarística na Praça São Pedro, com a participação de milhares de fiéis. A cerimônia teve início com a bênção dos ramos, que recordam a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, seguida da procissão.

O Papa citou em sua homilía um trecho do hino da Carta aos Filipenses, que diz “Humilhou-Se a Si mesmo”. Para Francisco, esta palavra desvenda o estilo de Deus e do cristão: a humildade.

“Um estilo que nunca deixará de nos surpreender e pôr em crise: jamais nos habituaremos a um Deus humilde! Humilhar-se é, antes de mais nada, o estilo de Deus. Deus humilha-Se para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades.”

O Pontífice acrescenta dizendo que esta Semana que nos leva à Páscoa só será Santa se caminharmos por esta estrada da humilhação de Jesus.

“Nestes dias, ouviremos o desprezo dos chefes do seu povo e as suas intrigas para O fazerem cair. Assistiremos à traição de Judas. Veremos o Senhor ser preso, condenado à morte, flagelado e ultrajado. Ouviremos que Pedro, a “rocha” dos discípulos, O negará três vezes. Ouviremos os gritos da multidão, que pedirá a Sua crucificação. E O veremos coroado de espinhos.”

Francisco prossegue observando que este é o caminho de Deus, o caminho da humildade e que não há outra estrada de Jesus a não ser essa. “Não existe humildade sem humilhação”.

O Santo Padre explica ainda que humildade quer dizer serviço, significa dar espaço a Deus despojando-se de si mesmo, esvaziando-se. “Esta é a maior humilhação.”

O caminho do mundanismo

Francisco frisou que o mundanismo é o caminho contrário ao de Cristo. “O mundanismo oferece-nos o caminho da vaidade, do orgulho, do sucesso. É o outro caminho. O maligno o propôs também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto, mas Ele rejeitou-o sem hesitação. Com Cristo, também nós podemos vencer esta tentação, não só nas grandes ocasiões mas também nas circunstâncias ordinárias da vida.”

O Papa deu como exemplo tantos homens e mulheres que cada dia, no silêncio e escondidos, renunciam a si mesmos para servir um familiar doente, um idoso sozinho ou uma pessoa deficiente.

Ao finalizar sua reflexão, o Santo Padre citou a humilhação daquelas pessoas que, por sua conduta fiel ao Evangelho, são discriminadas e perseguidas, definindo-as os mártires de hoje, pois suportam com dignidade insultos e ultrajes para não renegar Jesus.

“Com eles, emboquemos também decididamente esta estrada, com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força e onde Ele estiver, estaremos também nós”, conclui.

Ao final da Missa, o Papa Francisco saudou os jovens por ocasião da XXX Jornada Mundial da Juventude, celebrada em nível diocesano.

“Queridos jovens, eu os exorto a prosseguirem seu caminho seja nas dioceses, seja na peregrinação através dos continentes, que os levará no próximo ano a Cracóvia, pátria de São João Paulo II, iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude.”

O Pontífice destacou que o tema desta Jornada, “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”, está em sintonia com o Ano Santo da Misericórdia, que será celebrado em 2016.

O Santo Padre incentiva os jovens dizendo: “Deixem-se cumular pela ternura do Pai, para difundi-la aos demais”.
Radio Vaticano
Francisco reza pelas vítimas de desastre aéreo do



Em um breve discurso que precedeu a oração mariana do Angelus, neste Domingo de Ramos, 29.março.2015, o Papa rezou pelos mortos em decorrência da queda de um avião que ocorreu  nesta terça-feira, 24, no sul da França.

“Confio à intercessão de Maria as vítimas do desastre aéreo de terça-feira passada, entre as quais havia também um grupo de estudantes alemães”, disse Francisco.

O Santo Padre exortou os fiéis presentes na Praça São Pedro a aprenderem com Nossa Senhora a seguir o Senhor mesmo quando o seu caminho leva à cruz.
Radio Vaticano

28.MARÇO – SANTA TERESA D'AVILA

Papa à família carmelita: oração e comunidade


Cidade do Vaticano, 28.março.2015 (RV) – O Papa Francisco enviou uma Carta ao Padre Saverio Cannistrá, Prepósito geral da Ordem dos Carmelitas Descalços, por ocasião dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila, virgem e Doutora da Igreja.

Para esta ocasião, o Santo Padre deu início, nesta quinta-feira (26/03), a um tríduo de Oração mundial pela Paz, com a celebração de uma Santa Missa, na Casa Santa Marta, no Vaticano, da qual participou, entre outros, o Superior Geral dos Carmelitas.

Dirigindo-se à grande família Carmelita, religiosas, religiosos e seculares, o Pontífice disse ser “uma graça excepcional, que este evento se realize durante o Ano da Vida Consagrada, no qual Santa Teresa sobressai como guia segura e modelo de doação total a Deus”.

Quanto bem o testemunho desta Santa de Ávila continua a fazer entre todos nós, com a sua consagração, brotada de uma profunda união com Cristo; a sua experiência de oração, como diálogo contínuo com Deus; a vida comunitária, arraigada na maternidade da Igreja!

Depois, o Papa ressaltou alguns aspectos da vida espiritual da Santa Teresa, sobretudo aquele de ser “mestra de oração”, por ter feito uma experiência pessoal da descoberta da humanidade de Cristo. Ela estava ciente do alto valor da oração contínua, à qual nos convida a sermos perseverantes, fiéis, apesar da aridez e das dificuldades da nossa vida.

Além do seu “encontro pessoal com Cristo”, Teresa de Ávila se transformou também em “comunicadora incansável do Evangelho”, apesar do seu estado frágil de saúde. Desta forma, ela começou a reforma teresiana, desejosa de servir à Igreja, não obstante os graves problemas do seu tempo. Esta dimensão missionária e eclesial sempre levou a Família Carmelita a se distinguir no “mundo em chamas”.

Santa Teresa, frisou o Papa, sabia que nem a oração e tampouco a missão podem ser sustentadas sem uma verdadeira “vida comunitária e fraterna”, colocadas a serviço dos outros.

Mediante estas nobres raízes, conclui a Carta do Santo Padre, as comunidades teresianas são chamadas a se tornar Casas de comunhão, capazes de testemunhar o amor fraterno e a maternidade da Igreja, oferecendo ao Senhor as suas orações pelas necessidade do mundo, dilacerado por tantas divisões e guerras.

Tweet do Papa Francisco:

28/03/2015
Como discípulos de Cristo, não podemos deixar de nos interessar pelo bem dos mais fracos.

Nesta última sexta-feira do mês de março, o Santo Padre manifestou-se em seu twitter:



27/03/2015
A vida é um tesouro precioso, mas só o descobrimos se a dermos aos outros.

A alegria do Evangelho é o alicerce da fé, diz Papa

Na homilia de hoje, Francisco reiterou a necessidade de os cristãos serem alegres, terem esperança e confiança em Deus

Não é a doutrina fria que dá alegria, mas a fé e a esperança de encontrar Jesus. É triste uma pessoa que acredita e não sabe se alegrar. Essas foram reflexões do Papa Francisco, na homilia desta quinta-feira, 26,.março.2015 na Casa Santa Marta.

O fio condutor da homilia papal foi a alegria de Abraão, que exulta na esperança de se tornar pai, como prometido por Deus. Abraão é idoso, assim como sua esposa Sara, mas ele acredita, abre o coração à esperança e está cheio de consolação. Jesus recorda aos doutores da lei que Abraão exultou na esperança de ver o seu dia e estava cheio de alegria.

“E isso é o que não entendiam esses doutores da lei, a alegria da promessa e da esperança; não entendiam a alegria da aliança. Não entendiam! Eles não sabiam se alegrar, porque tinham perdido o sentido da alegria que só vem da fé. O nosso pai Abraão foi capaz de se alegrar, porque tinha fé. Eles haviam perdido a fé. Eles eram doutores da lei, mas sem fé! Mais ainda: eles haviam perdido a lei, porque o centro dela é o amor a Deus e ao próximo”.

Francisco explicou ainda que os doutores da lei só tinham um sistema de doutrinas precisas e ressaltavam, a cada dia, que ninguém poderia tocá-las. Eles eram apegados às doutrinas e viviam em um mundo sem amor, sem fé e esperança, sem confiança em Deus. Por isso, não podiam se alegrar.

Talvez, observou o Papa com ironia, os doutores da lei podiam também se divertir, mas sem alegria, aliás, com medo. “Esta é a vida sem fé em Deus, sem confiança e esperança n’Ele. Os seus corações estavam petrificados”. E é triste, destacou Francisco, ser um fiel sem alegria; não existe alegria quando não existe fé nem esperança, quando não existe a lei, mas somente prescrições, a doutrina fria.

“A alegria da fé e do Evangelho são o alicerce da fé de uma pessoa. Sem ela, a pessoa não é um verdadeiro fiel. Voltemos para casa, mas, antes, façamos a celebração aqui com essas palavras de Jesus: Abraão, vosso pai, exultou na esperança de ver o meu dia. Ele o viu e ficou cheio de alegria. Peçamos ao Senhor a graça de exultar na esperança, de poder ver o dia de Jesus quando nos encontrarmos com Ele e a graça da alegria.”

O Papa Francisco iniciou, nesta quinta-feira, 26, uma oração mundial pela paz, tendo em vista os 500 anos do nascimento de Santa Teresa d’Ávila, em 28 de março de 1515. O anúncio foi feito durante a Missa na Casa Santa Marta nesta manhã.

“Depois de amanhã, 28 de março, celebraremos o quinto centenário de nascimento de Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja. A pedido do padre geral dos Carmelitas Descalços, presente aqui hoje com o padre vigário, naquele dia se realizará em todas as comunidades carmelitas do mundo, uma hora de oração mundial pela paz. Uno-me de coração e esta iniciativa para que o fogo do amor de Deus vença os incêndios da guerra e da violência que afligem a humanidade e que prevaleça o diálogo sobre o confronto armado”. E concluiu: “Santa Teresa de Jesus intercede por esta nossa súplica”, concluiu o pontífice.

O Prepósito-geral dos Carmelitas Descalçõs, padre Saverio Cannistrá, recorda em nota que este evento foi preparado durante os últimos anos em todos os mosteiros, conventos e irmandades do carmelo secular.

“Dois dias antes de seu aniversário, convido os filhos e filhas de Santa Teresa a oferecê-la uma hora de oração. Uma hora de oração especial em que a intenção de todos seja a paz no mundo. O mundo está em chamas, dizia Santa Teresa vendo os conflitos e as divisões que devastavam a sociedade de sua época. O nosso mundo também está em chamas”.

O sacerdote recordou que, às vezes, as pessoas hoje acabam sendo absorvidas por pequenas coisas da vida cotidiana e se esquecem de levantar o olhar para o horizonte e descobrir os sinais de sofrimento presentes na sociedade, como guerras, conflitos, terrorismo, violência pública e doméstica.

“Nesse dia, a voz de Santa Teresa deve ecoar em nossos corações”, concluiu o Prepósito-geral dos Carmelitas Descalços.
Radio Vaticano

Nesta quinta-feira, o Papa Francisco publicou em seu twitter:

26/03/2015
Os fiéis leigos são chamados a tornar-se fermento de vida cristã na sociedade inteira.

Papa: ligação entre Igreja e família é sagrada e inviolável

Santo Padre dedicou a catequese de hoje à beleza da relação entre a Igreja e a família, revelada com o mistério da Encarnação

A catequese desta quarta-feira, 25, com o Papa Francisco, foi um momento de oração coletiva por ocasião da Solenidade da Anunciação que a Igreja celebra hoje. O Santo Padre segue no ciclo de reflexões sobre a família.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso caminho de catequeses sobre a família, hoje é uma etapa um pouco especial: será uma espécie de oração.

No dia 25 de março, de fato, na Igreja celebramos solenemente a Anunciação, início do mistério da Encarnação. O anjo Gabriel visita a humilde moça de Nazaré e reforça a fé de Maria, como depois fará também para o seu esposo José, a fim de que Jesus possa nascer em uma família humana. Isso é muito belo: mostra-nos quanto profundamente o mistério da Encarnação, assim como Deus o quis, compreende não somente a concepção no ventre da mãe, mas também o acolhimento em uma verdadeira família. Hoje, gostaria de contemplar com vocês a beleza desta ligação, a beleza dessa condescendência de Deus; e podemos fazê-lo recitando juntos a Ave Maria, que na primeira parte retoma justamente as palavras do anjo, aquelas que dirige à Virgem Maria. Convido-vos a rezarem juntos:

Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores
agora e na hora da nossa morte.
Amém.

E agora um segundo aspecto: o dia 25 de março, solenidade da Anunciação, em muitos países se celebra o Dia pela Vida. Por isso, há vinte anos, São João Paulo II, nesta data, assinou a Encíclica Evangelium vitae. Para recordar tal aniversário, hoje estão presentes na Praça muitos membros do Movimento pela Vida. Na Evangelium vitae, a família ocupa um lugar central, enquanto é o ventre da vida humana. A palavra do meu venerado predecessor nos recorda que o casal humano foi abençoado por Deus desde o princípio para formar uma comunidade de amor e de vida, à qual foi confiada a missão da procriação. Os esposos cristãos, celebrando o sacramento do Matrimônio, tornam-se disponíveis a honrar essa benção, com a graça de Cristo, por toda a vida. A Igreja, por sua parte, se empenha solenemente em cuidar da família que nasce, como dom de Deus para a sua própria vida, na boa e na má sorte: a ligação entre Igreja e família é sagrada e inviolável. A Igreja, como mãe, não abandona nunca a família, mesmo quando essa é abatida, ferida e de tantos modo mortificada. Nem mesmo quando cai no pecado, ou se afasta da Igreja; sempre fará de tudo para procurar curá-la, convidá-la à conversão e reconciliá-la com o Senhor.

Bem, se esta é a tarefa, parece claro de quanta oração a Igreja precisa para ser capaz, em todo tempo, de cumprir essa missão! Uma oração cheia de amor pela família e pela vida. Uma oração que sabe se alegrar com quem alegra e sofrer com quem sofre.

Eis então aquilo que, junto com os meus colaboradores, pensamos em propor hoje: renovar a oração pelo Sínodo dos Bispos sobre família. Lançamos novamente esse empenho até outubro próximo, quando será realizada a Assembleia Sinodal Ordinária dedicada à família. Gostaria que essa oração, como todo o caminho sinodal, seja animada pela compaixão do Bom Pastor pelo seu rebanho, especialmente pelas pessoas e as famílias que, por diversos motivos, estão “cansadas e desamparadas, como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9, 36). Assim, apoiada e animada pela graça de Deus, a Igreja poderá ser ainda mais empenhada e ainda mais unida ao testemunho da verdade do amor de Deus e da sua misericórdia pelas famílias do mundo, nenhuma excluída, seja dentro ou fora do redil.

Peço-vos, por favor, para não deixarem faltar sua oração. Todos – Papa, Cardeais, Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, fiéis leigos – todos somos chamados a rezar pelo Sínodo. É disso que se precisa, não de fofocas! Convido a rezar também quantos se sentem distantes, ou que não estão mais acostumados a fazê-lo. Esta oração pelo Sínodo sobre família é pelo bem de todos. Sei que esta manhã foi dado a vocês uma pequena imagem e que vocês a tem em mãos. Convido-vos a conservá-la e a levá-la convosco, de forma que nos próximos meses possam recitá-la, com santa insistência, como nos pediu Jesus. Agora recitemos juntos:

Jesus, Maria e José
em vós nós contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a vós dirigimo-nos com confiança.
Sagrada Família de Nazaré,
faz também das nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se vivam experiências
de violência, fechamento e divisão:
quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado
receba depressa consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos
possa despertar de novo em todos a consciência
da índole sagrada e inviolável da família,
a sua beleza no desígnio de Deus.
Jesus, Maria e José
escutai, atendei a nossa súplica. Amém.

Ao fim da Audiência Geral, desta quarta-feira, 25, o Papa Francisco saudou um grupo de trabalhadores da Calábria, região italiana fortemente atingida pelo desemprego.

O Santo Padre voltou a fazer um apelo para que “a lógica do lucro não prevaleça, mas sim a lógica da solidariedade e da justiça”.

“Ao centro de todas as questões, especialmente aquela trabalhista, deve estar a pessoa e sua dignidade”, disse o Papa. Ele afirma que ter um trabalho é questão de justiça e que quando não se ganha o pão,” perde-se a dignidade”.

“Este é o drama do nosso tempo, especialmente para os jovens que, sem trabalho, não têm perspectivas para o futuro e podem se transformar em presas fáceis para organizações criminosas”, advertiu Francisco.

O Santo Padre concluiu sua reflexão dizendo que todos devem lutar pela justiça do trabalho. “Por favor, lutemos por isso: a justiça do trabalho. Devemos lutar por isso”.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

A ambição do poder e o poder da ambição
    
O lema da Campanha da Fraternidade desse ano – “Eu vim para servir” - foi tirado do discurso de Jesus sobre o modo de mandar, liderar e chefiar que ele desejava fosse adotado na sua Igreja: “Sabeis que os que são considerados chefes das nações as dominam e os seus grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10, 42-45).
      
Jesus não está negando o poder que deve haver na hierarquia da sua Igreja, mas explicando o modo de exercê-lo. A modo de serviço. Servir, em latim, é “ministrare”. Daí vem a palavra “ministro”, aquele que serve. O sacerdote é ministro, servidor dos fiéis, o Bispo, ministro para os seus sacerdotes, isto é, servidor, e o Papa, desde tempos imemoriais, assina “servus servorum Dei”, servo dos servos de Deus. E Jesus nos deu o exemplo: “Sendo Deus por natureza, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo” (Fl 2, 6-7). E São Paulo pede que tenhamos esse mesmo sentir e pensar.
      
Concomitante com a ambição do poder, existe a ambição de possuir. Infelizmente, nos ambientes religiosos, tem sido cultivada a teologia da prosperidade, que propaga a falsa ideia de que ser rico e próspero é ser abençoado por Deus, ser pobre é ser por ele amaldiçoado. A prosperidade é apresentada como prova de fidelidade a Deus. A Fé se torna um instrumento para se obter saúde, riqueza, sucesso e poder terrenos. Os males, as doenças a pobreza são produtos do Diabo. Deturpando, pois, o sentido verdadeiramente evangélico, essa teologia da prosperidade cultiva o individualismo e o interesse próprio, o oposto do verdadeiro cristianismo.
            
Erradamente, reforçam sua tese dizendo que temos que viver como “filhos do Rei”, isto é, na prosperidade material. Transforma-se assim a religião em puro materialismo, falsamente baseado na Sagrada Escritura. É claro que não faltam citações que corroborem essa tese, mas todas do Antigo Testamento, não do Novo, que é a plenitude da Revelação.
           
Jesus, o verdadeiro filho do Rei, Rei ele mesmo, veio “para servir”. Nasceu pobrezinho numa manjedoura em Belém, viveu humilde e pobre em Nazaré, numa família simples. Na sua vida pública, viveu sem bens materiais: “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20). “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). “Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mt 19, 20).
       
Não é condenável possuir riquezas, desde que honestamente.  O direito de propriedade é defendido por lei divina (7º Mandamento). Mas “sobre toda propriedade particular pesa sempre uma hipoteca social, para que os bens sirvam ao destino geral que Deus lhes deu” (São João Paulo II, 29-1-1979), ou seja, se se tem dinheiro é preciso usá-lo para o bem do próximo e da sociedade.  O que é reprovável é a desenfreada busca do dinheiro e a ambição de ficar rico. “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Por se terem entregue a ele, alguns se desviaram da fé e se afligem com inúmeros sofrimentos” (1Tm 6, 10). E, pior, querer usar da religião como meio de se enriquecer e prosperar.

É uma visão, portanto, deturpada do cristianismo a teologia da prosperidade, com sua visão individualista e materialista, instrumentalizando a religião para benefício material próprio. O resumo da mensagem cristã é: “Não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura daquela está para vir” (Hb 13, 14).
Dom Fernando Rifan –  Bispo administrador apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Papa na missa: "Aceitar o estilo divino de salvação"

Cidade do Vaticano (RV) - Que a graça trazida pela Santa leve os cristãos a aceitar a ajuda que Deus lhes dá e o modo em que a oferece, sem críticas ou objeções. Este é o ensinamento proposto pelo Papa na Missa celebrada na Casa Santa Marta, na manhã desta terça-feira (24/03/2015).

“Fazemos ‘caprichos espirituais’ diante de Deus - que oferece a salvação em mil formas - somente porque somos pessoas que não sabem aceitar ‘o estilo divino’ e nos entristecemos, escorregamos na lamentação... Este é um erro que cometem muitos cristãos hoje, assim como a Bíblia narra que o povo judeu, salvado da escravidão, caía”.

Veneno e salvação

O Papa Francisco começou pelo episódio descrito no Livro dos Números em que os judeus se rebelam às fadigas da fuga no deserto, ao alimento ‘leve’, e começam a ‘falar mal de Deus’. Muitos deles são mordidos e mortos por serpentes venenosas. Somente a oração de Moisés, que intercede por eles e ameaça uma serpente com um bastão, simboliza a salvação do veneno:

“Quantos de nós, cristãos nos ‘envenenamos por estar descontentes com a vida. Sim, Deus é bom realmente, mas os cristãos... mas... Não abrem completamente o coração à salvação de Deus e sempre impõem condições. ‘Sim, eu quero ser salvo, mas por este caminho...’. Assim, o coração se envenena”, completou o Papa.

O estilo que não nos agrada

“Nós também, continuou Francisco, ‘muitas vezes dizemos estar enjoados com o estilo divino. Não aceitamos o dom de Deus com o seu estilo. Isto é pecado – frisou o Papa – é veneno. Envenena a alma, tira a alegria, não deixa a gente prosseguir’ E Jesus redime este pecado subindo ao Calvário”.

“Ele coloca sobre Ele mesmo o veneno, o pecado, e é elevado. Este torpor da alma, este ser cristãos pela metade, ‘cristãos sim, mas...’; este entusiasmo no início do caminho do Senhor e depois o descontentamento, isso tem cura somente ao olhar para a Cruz, olhar Deus que assume os nossos pecados: o meu pecado está ali”.

Cristãos sem 'mas'

“Quantos cristãos – conclui o Papa – hoje morrem no deserto da própria tristeza, dos murmúrios, e do não querer o estilo de Deus”:

“Vejamos a serpente, o veneno, ali, no corpo de Cristo, o veneno de todos os pecados do mundo e peçamos a graça de aceitar os momentos difíceis. De aceitar o estilo divino de salvação, de aceitar também este alimento tão leve do qual se lamentavam os judeus, de aceitar as coisas. De aceitar as vias pelas quais o Senhor me leva adiante. Que esta Semana Santa – que começará no domingo – nos ajude a sair desta tentação de sermos ‘cristãos sim, mas...”.

Tweet do Papa Francisco:

24/03/2015
O sofrimento é um apelo à conversão: lembra-nos que somos frágeis e vulneráveis.

Onde não há misericórdia não há justiça, diz Papa em homilia


Francisco voltou a abordar o tema da misericórdia durante a Missa da manhã desta segunda-feira na Casa Santa Marta

Onde não há misericórdia não há justiça. Tantas vezes, o povo de Deus sofre um julgamento sem misericórdia. Essa foi, em síntese, a homilia do Papa Francisco durante a Missa desta segunda-feira, 23.mar.2015, na Casa Santa Marta.

Francisco falou de três mulheres e de três juízes: uma mulher inocente, Susana; uma pecadora, a adúltera; e uma pobre viúva necessitada. “Todas as três, de acordo com alguns Padres da Igreja, são figuras alegóricas: a Santa Igreja, a Igreja pecadora e a Igreja necessitada”, explicou.

Os três juízes são ruins e corruptos, observou o Papa. Escribas e fariseus julgaram a mulher adúltera, tinham dentro do coração a corrupção da rigidez; sentiam-se puros, porque observavam rigorosamente a lei. Mas essa rigidez os leva a uma vida dupla, explicou Francisco.

“Esses que condenavam essas mulheres, depois, iam procurá-las, em segredo, para se divertir um pouco. Os rígidos são – uso o adjetivo que Jesus lhes deu – hipócritas: eles têm vida dupla. Aqueles que julgam a Igreja – todas as três mulheres são figuras alegóricas da Igreja – com rigidez têm vida dupla. Com a rigidez nem mesmo se pode respirar”.

Depois, há os dois juízes idosos que chantageiam uma mulher, Susana, para que se entregasse a eles, mas ela resistiu. Tais juízes tinham a corrupção do vício, neste caso, a luxúria. Por fim, o outro juiz interpelado pela pobre viúva. Ele era um homem de negócios e não temia a Deus, não se preocupava com ninguém. Francisco destacou que os três juízes não conheciam a misericórdia.

“A corrupção os distanciava da compreensão da misericórdia, de serem misericordiosos. E a Bíblia nos fala que, na misericórdia, se encontra o justo do juízo. E as três mulheres – a santa, a pecadora e a necessitada, figuras alegóricas da Igreja – padecem desta falta de misericórdia. Hoje, também o povo de Deus, quando encontra estes juízes, é julgado sem misericórdia, seja no civil, seja no eclesiástico. E onde não há misericórdia não há justiça”.

Francisco lembrou, por exemplo, que quando o povo de Deus se aproxima voluntariamente para pedir perdão, muitas vezes, encontra alguém assim: os viciados, que são capazes de tentar abusar deles, e este é um dos pecados mais graves; os mercadores, que não dão esperança; e os rígidos, que punem nos penitentes aquilo que escondem na própria alma. Tudo isso se chama “falta de misericórdia”, afirmou o Papa.

“Queria somente dizer uma das palavras mais bonitas do Evangelho que me comove tanto: ‘Ninguém te condenou?’ – ‘Não, ninguém, Senhor’ – ‘Tampouco eu te condeno’. ‘Tampouco eu te condeno’ é uma das palavras mais bonitas, porque está cheia de misericórdia”.

Radio Vaticano

Papa Francisco, voltou nesta segunda-feira a escrever em seu twitter:

23/03/2015
Possa cada Igreja, cada comunidade cristã, ser um lugar de misericórdia no meio de tanta indiferença.

Evangelho, crucifixo e fé são caminhos para ver Jesus, diz Papa


Francisco cita o Evangelho, o crucifixo e a fé como caminhos para aqueles que ainda querem ver Jesus e estão à procura do rosto de Deus

No Angelus deste domingo, 22, Francisco então chama à atenção para a expressão “queremos ver Jesus”

Assim que assumiu à janela dos apartamentos apostólicos, Papa Francisco agradeceu aos milhares de fiéis que, apesar do frio e da chuva, marcaram presença na Praça de São Pedro para acompanhar a Oração Mariana do Angelus. “Vocês são muito corajosos”, disse o Papa.

A reflexão deste domingo, 22, têm como base o evangelho de João, no qual alguns gregos judeus pedem ao evangelista para ver Jesus em Jerusalém.

Francisco chama à atenção para a expressão “queremos ver Jesus”. “Estas palavras, como tantas outras no Evangelho, vão além do episódio particular e expressam algo universal; revelam um desejo que atravessa os tempos e as culturas, um desejo presente no coração de tantas pessoas que ouviram falar de Cristo, mas não o encontraram ainda”, disse.

Hora da Cruz

Em uma resposta profética de Jesus àquele pedido, Ele revela sua verdadeira identidade. ““É chegada a hora em que será glorificado filho do Homem”. (Jo 12,23). “É a hora da derrota de Satanás, príncipe do mal, e do triunfo definitivo do amor misericordioso de Deus”, lembrou o Papa.

O Santo Padre acrescentou dizendo que Cristo declara que será “elevado da terra” e que essa expressão é de duplo significado. “Elevado porque crucificado, elevado porque exaltado pelo Pai na Ressurreição, para atrair todos a si e reconciliar os homens com Deus e entre eles. A hora da Cruz, a mais escura da história, é também a fonte da salvação para aqueles que acreditam n’Ele”.

Caminhos para ver o rosto de Jesus

O Pontífice prosseguiu dizendo que para àqueles que ainda querem ver Jesus e estão à procura do rosto de Deus podem ser oferecidas três coisas: “O Evangelho, o crucifixo e o testemunho da fé, pobre mas sincera.”

Ele explica que no Evangelho é que se pode encontrar, escutar e conhecer Jesus. O crucifixo é sinal do amor de Jesus por todos. A fé é aquela que se traduz em simples gestos de caridade fraterna.

Ao concluir sua reflexão, o Papa Francisco pediu a Maria Mãe Santíssima que ajude todos a seguir Jesus na via da cruz e da ressurreição.

Lembrando uma antiga tradição da Igreja em que no período da Quaresma são distribuídos evangelhos para quem se prepara ao batismo, o Pontífice anunciou a doação de exemplares aos presentes na Praça São Pedro. O Santo Padre agradeceu ainda a recepção que teve em Nápoles, no sul da Itália, durante visita pastoral neste sábado, 21.
Radio Vaticano

NÁPOLES - OITAVA VIAGEM DO PAPA FRANCISCO PELA ITALIA
Papa se despede de Nápoles em encontro com os jovens


Jovem, idosa e casal fizeram perguntas ao Papa sobre desafios atuais; Francisco respondeu espontaneamente e encorajou a harmonia entre juventude e velhice

O último compromisso do Papa Francisco em Nápoles neste sábado, 21.março.2015, foi o encontro com os jovens. O Santo Padre encorajou-os a seguirem adiante com esperança e sempre junto com os idosos, pois estes são a sabedoria de um povo.

“Um povo que não cuida dos idosos e dos jovens não tem futuro”, disse o Papa ao se despedir da cidade italiana. Pouco antes, ele tinha respondido a três perguntas, que em geral indagavam sobre a esperança no futuro, o cuidado com os jovens e os desafios da família.

A primeira pergunta foi feita por uma jovem, que questionou o Papa sobre como é possível plantar sementes de esperança em meio a tantas dificuldades que se vive hoje. Francisco disse que não há uma receita, mas indicou um caminho: a crença no Deus que é o Deus das palavras, dos gestos e do silêncio.

“Existem alguns silêncios de Deus que não têm explicação se você não buscar a resposta no Crucifixo”, afirmou.

Já uma senhora de 95 anos apresentou a realidade de abandono dos idosos, tantas vezes descartados pela sociedade. Francisco lembrou que “descartável” é um termo-chave na sociedade atual, acostumada a se desfazer do que não tem utilidade.

“O afeto é o remédio mais importante para o idoso”, disse Francisco, lembrando que todos precisam de afeto, mais ainda quando os anos passam. Ele também convidou os filhos que têm pais idosos a fazerem um exame de consciência e a estarem cientes de que vão colher aquilo que semearem.

Na última pergunta, um casal que tem 31 anos de matrimônio falou ao Papa sobre a preocupação com os desafios que a família enfrenta hoje. Que a família está em crise, isso é um fato, disse o Papa, lembrando que Deus inspirou a convocação do Sínodo da Família, que terá sua segunda etapa em outubro próximo e busca justamente refletir sobre essa situação.

Há quem se case por um simples fato social, disse o Papa, ressaltando que a preparação para o matrimônio deve começar em casa, já que o casamento não é um curso do tipo “virem esposos em oito aulas”.

Francisco disse não ter uma “receita” para resolver tais questões, mas voltou a aconselhar o casal a jamais terminar o dia sem fazer as pazes, além de dar testemunho e rezar unido.

Radio Vaticano
Em Nápoles, Papa Francisco se encontra com doentes


Santo Padre encorajou auxílio aos doentes nas obras de misericórdia, com atitude de proximidade e gestos de ajuda concreta

Dando sequências aos compromissos de sua visita pastoral a Nápoles neste sábado, 21, o Papa Francisco encontrou-se com um grupo de doentes na Basílica de Jesus Novo.

O Papa recordou que as pessoas que vivem em condições de fragilidade são as primeiras destinatárias da Boa Nova do Reino de Deus. De fato, Jesus continua se fazendo próximo aos doentes através de seus discípulos, em cada época.

Ele mencionou o empenho da Igreja em Nápoles que se coloca em caminho para fazer com que o povo que sofre também conheça Jesus. O Pontífice encorajou os napolitanos a seguirem adiante nesse trabalho que é uma obra de misericórdia, algo que nasce do coração, em atitude de proximidade e gestos de ajuda concreta.

“Se dentro de nós há um pouco daquela ‘compaixão’ que Jesus sentia, podemos também nós fazermo-nos próximos ao irmão e curar suas feridas, corporais e espirituais”.

A atitude de ajuda ao próximo é algo que até mesmo a pessoa que está doente pode fazer: em vez de se fechar em si mesma, ela pode ajudar quem está mais fraco, mais desanimado.

“Levar o fardo uns dos outros: isto se vive também na doença, graças à misericórdia de Jesus por nós. Ele nos torna capazes de viver o amor de Deus e do próximo mesmo na dor, na doença e no sofrimento. O amor é capaz de transformar cada coisa”.

O Santo Padre concluiu o breve encontro rezando por todos os doentes, especialmente os que estão em condições mais graves.

Radio Vaticano
Papa alerta religiosos de Nápoles sobre "terrorismo das fofocas"


Francisco abandonou discurso preparado e falou aos religiosos sobre ter Jesus no centro da vida e amar a Igreja; também advertiu sobre o “terrorismo das fofocas”

Adoração, amor à Igreja e missionariedade. Esses foram os três pontos principais mencionados pelo Papa Francisco a padres, religiosos e diáconos permanentes de Nápoles. O encontro aconteceu neste sábado, 21.março.2015, durante a visita de Francisco à cidade do sul da Itália.


Francisco foi surpreendido pelo acolhimento caloroso por parte das irmãs de clausura, que saíram do convento para participar do encontro com ele. O Pontífice abandonou o discurso preparado – segundo ele “discursos são chatos” – para falar espontaneamente.

Fraternidade sacerdotal

Francisco reconheceu que não é fácil levar adiante a fraternidade sacerdotal, uma vez que o diabo sempre apresenta tentações com a inveja, o ciúmes, a antipatia, coisas que não ajudam a ter uma verdadeira fraternidade.

Mas o Pontífice contou qual é o sinal de que não há fraternidade, seja no presbitério ou nas comunidades religiosas: as fofocas. “Permito-me dizer uma expressão: o ‘terrorismo das fofocas’. Aquele que fofoca é um terrorista que bota uma bomba, destroi”.

O foco do Papa foi a necessidade de ter Jesus como o centro da vida. Mesmo na vida consagrada, porém, há dificuldades, reconheceu ele, citando, por exemplo, o caso de religiosos que “não gostam” de seus superiores. “Se o meu centro é a superiora que não me agrada, o testemunho não vai. Se o meu centro é Jesus, rezo por essa superiora que não me agrada (…) Mas a alegria ninguém me tira. No centro, Jesus Cristo”.

Ele deixou um conselho para os seminaristas: se não estiverem certos de que Jesus é o centro de suas vidas, é melhor esperarem um pouco até que estejam seguros, do contrário começarão um caminho que não saberão como terminará. E para que Jesus seja o centro da vida, Maria é um grande auxílio, disse o Papa: “É a Mãe que nos dá Jesus”.

Espírito de pobreza e misericórdia

Outra forma de testemunho indicada pelo Santo Padre foi o espírito de pobreza, tanto dos padres como dos religiosos, mesmo quando eles não fazem votos de pobreza. Não se pode ter apego ao dinheiro, disse Francisco, recordando a primeira das Bem-Aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito”.

Um último ponto destacado pelo Papa foi a necessidade de misericórdia, tanto a concreta quanto a espiritual. Às vezes, lembrou Francisco, a pessoa deixa de visitar um vizinho doente porque está na hora da novela.

Ao falar de novela, o Papa recordou um episódio de quando era arcebispo de Buenos Aires: as irmãs de um colégio reformaram sua casa, que já era velha, e em cada quarto foi colocada uma televisão. “Na hora da telenovela, você não encontrava uma irmã no colégio! São coisas que nos levam ao espírito do mundo”, advertiu o Papa.

O encontro concluiu-se com a oração do Pai Nosso e um momento de veneração da relíquia de São Gennaro.

Radio Vaticano

Papa fala do amor de Deus a presidiários em Nápoles


“O amor de Jesus por cada um de nós é fonte de consolação e de esperança. É uma certeza fundamental para nós: nada poderá nunca nos separar do amor de Deus! Nem mesmo as grades da prisão”, disse o Papa Francisco aos detentos do presídio “Giuseppe Salvia” em Poggioreale, neste sábado, 21.mar.2015
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Estou contente de me encontrar em meio a vocês por ocasião da minha visita a Nápoles. Agradeço a Cláudio e Pasquale que falaram em nome de todos. Este encontro me permite exprimir a minha proximidade a vocês e o faço levando a vocês a palavra e o amor de Jesus, que veio à terra para tornar plena a nossa esperança e morreu na cruz para salvar cada um de nós.

Às vezes você se sente desiludido, desanimado, abandonado por todos: mas Deus não se esquece dos seus filhos, não os abandona jamais! Ele está sempre ao nosso lado, especialmente na hora da provação; é um Pai “rico de misericórdia” (Ef 2, 4), que dirige sempre para nós o seu olhar sereno e benevolente, espera-nos sempre de braços abertos. Esta é uma certeza que infunde consolo e esperança, especialmente nos momentos difíceis e tristes. Mesmo se na vida erramos, o Senhor não se cansa de nos indicar o caminho do retorno e do encontro com Ele. O amor de Jesus por cada um de nós é fonte de consolação e de esperança. É uma certeza fundamental para nós: nada poderá nunca nos separar do amor de Deus! Nem mesmo as grades da prisão. A única coisa que pode nos separar Dele é o nosso pecado; mas se o reconhecemos e o confessamos com arrependimento sincero, justamente aquele pecado se torna lugar de encontro com Ele, porque Ele é misericórdia.

Queridos irmãos, conheço as situações dolorosas de vocês: chegam a mim tantas cartas – algumas realmente comoventes – de presídios de todo o mundo. Os prisioneiros são muitas vezes mantidos em condições indignas da pessoa humana, e depois não conseguem se reinserir na sociedade. Mas graças a Deus há também dirigentes, capelães, educadores, agentes de pastoral que sabem estar próximo a vocês de modo justo. E há algumas experiências boas e significativas de inserção. É preciso trabalhar nisso, desenvolver estas experiências positivas, que fazem crescer uma atitude diferente na comunidade civil e também na comunidade da Igreja. Na base desse empenho está a convicção de que o amor sempre pode transformar a pessoa humana. E então um lugar de marginalização, como pode ser o cárcere em sentido negativo, pode se tornar um lugar de inclusão e de estímulo para toda a sociedade, para que seja mais justa, mais atenta às pessoas.

Convido-vos a viver cada dia, cada momento na presença de Deus, a quem pertence o futuro do mundo e do homem. Eis a esperança cristã: o futuro está nas mãos de Deus! A história tem um sentido porque é habitada pela bondade de Deus. Portanto, mesmo em meio a tantos problemas, mesmo graves, não perdemos a nossa esperança na infinita misericórdia de Deus e na sua providência. Com essa segura esperança, preparemo-nos à Páscoa que se aproxima, orientando decididamente a nossa vida para o Senhor e mantendo viva em nós a chama do seu amor.
Boletim da Santa Sé
Papa celebra Missa em Nápoles e deixa mensagem de esperança


Em sua visita a Nápoles neste sábado, 21.mar.2015, Papa Francisco celebrou a Santa Missa na Praça do Plebiscito, que contou com a presença de fiéis da diocese. Na homilia, a mensagem central foi aquela que também justifica sua visita à cidade: “Vim a Nápoles para proclamar junto com vocês : Jesus é o Senhor”.

O Evangelho que ouvimos nos apresenta uma cena ambientada no templo de Jerusalém, no ápice da festa hebraica dos tabernáculos, depois que Jesus proclamou uma grande profecia revelando-se como fonte de “água viva”, o Espírito Santo (cfr J0 7, 37 – 39). Então o povo, muito impressionado, coloca-se a discutir sobre Ele. Também hoje o povo discute sobre Ele. Alguns são entusiastas e dizem que “é realmente o profeta” (v. 40). Alguém diz ainda: “Este é o Cristo!” (v. 41). Mas outros se opõem porque – dizem – o Messias não vem da Galileia, mas da descendência de Davi, de Belém; e assim, sem sabê-lo, confirmam justamente a identidade de Jesus.

Os chefes dos sacerdotes tinham mandado oficiais para levá-Lo, como se faz nas ditaduras, mas esses retornam de mãos vazias e dizem: “Nunca um homem falou assim!” (v. 45). Eis a voz da verdade, que ressoa naqueles homens simples.

A Palavra do Senhor, ontem como hoje, sempre provoca uma divisão entre quem a acolhe e quem a rejeita. Às vezes um contraste interior se acende no nosso coração; isso acontece quando experimentamos o fascínio, a beleza e a verdade das palavras de Jesus, mas ao mesmo tempo a rejeitamos porque nos coloca em discussão, em dificuldade e nos custa muito observá-las.

Hoje vim a Nápoles para proclamar junto com vocês: Jesus é o Senhor! Não quero dizê-lo sozinho, quero ouvir de todos vocês, repitam: Jesus é o Senhor. Ninguém fala como Ele! Só Ele tem palavras de misericórdia que podem curar as feridas do nosso coração. Só Ele tem palavras de vida eterna (cfr Jo 6, 68).

A palavra de Cristo é poderosa: não tem a potência do mundo, mas aquela de Deus, que é forte na humildade, também na fragilidade. A sua potência é aquela do amor: um amor que não conhece confins, um amor que nos faz amar os outros antes de nós mesmos. A palavra de Jesus, o santo Evangelho, ensina que os verdadeiros bem-aventurados são os pobres em espírito, os não violentos, os brandos, os operadores de paz e de justiça. Esta é a força que muda o mundo! Esta é a palavra que dá força e é capaz de mudar o mundo, não há outro caminho que possa mudar o mundo.

A palavra de Cristo quer chegar a todos, em particular quantos vivem nas periferias da existência, para que encontrem Nele o centro das suas vidas e a fonte da esperança. E nós, que tivemos a graça de receber esta Palavra de Vida, somos chamados a ir, a sair dos nossos recintos e, com ardor missionário, levar a todos a misericórdia, a ternura a amizade de Deus. É um trabalho que cabe a todos, mas de modo especial a vós sacerdotes, levar misericórdia, levar perdão, levar paz, levar alegria, nos sacramentos, na escuta. Que o povo de Deus possa encontrar em vocês homens misericordiosos como Jesus. Ao mesmo tempo, cada paróquia e cada realidade eclesial se torne santuário para quem procura Deus e casa acolhedora para os pobres, os idosos e quantos se encontram em necessidade. Ir e acolher: assim pulsa o coração da mãe Igreja e de todos os seus filhos. Vai, acolhe, vai, procura, vai, leve amor, misericórdia, ternura.

Quando os corações se abrem ao Evangelho, o mundo começa a mudar e a humanidade ressurge! Se acolhemos e vivemos a cada dia a Palavra de Jesus, ressurgimos com Ele.

A Quaresma que estamos vivendo faz ressoar na Igreja essa mensagem, enquanto caminhamos rumo à Páscoa: em todo o povo de Deus reacende a esperança de ressuscitar com Cristo, nosso Salvador. Que não venha em vão a graça desta Páscoa, para o povo de Deus desta cidade! Que a graça da Ressurreição seja acolhida por cada um de vós, para que Nápoles seja plena da esperança de Cristo Senhor! A esperança, largo à esperança, diz aquela frase ali [cartaz na Praça]. Digo isso a todos, de modo particular a vocês jovens: abram-se à potência de Jesus Ressuscitado, e levareis frutos de vida nova nesta cidade: frutos de partilha, de reconciliação, de serviço, de fraternidade. Deixem-se envolver, abraçar pela sua misericórdia, pela misericórdia de Jesus, aquela que só Jesus nos traz.

Queridos napolitanos, não deixem vos roubar a esperança! Não cedam às tentações dos ganhos fáceis ou de renda desonesta. Isto é pão para hoje e fome para amanhã, não pode nos trazer nada. Reajam com firmeza às organizações que exploram e corrompem os jovens, os pobres, os frágeis, com o cínico comércio da droga e outros crimes. Não vos deixem roubar a esperança, não deixem que sua juventude seja explorada por esse povo. A corrupção e a delinquência não desfigurem a face dessa bela cidade! E mais, não desfigurem a alegria do seu coração napolitano. Aos criminosos e a todos os seus cúmplices, hoje eu humildemente, como irmão, repito: convertei-vos ao amor e à justiça! Deixem-se encontrar pela misericórdia de Deus! Estejam conscientes de que Jesus está procurando vocês para abraçar vocês, para beijá-los, para amá-los mais. Com a graça de Deus, que perdoa tudo, e perdoa sempre, é possível retornar a uma vida honesta. Pedem isso a vocês também as lágrimas das mães de Nápoles, misturadas com aquelas de Maria, a Mãe celeste invocada em Piedigrotta e em tantas igrejas de Nápoles. Essas lágrimas derretam a dureza dos corações e reconduzam todos no caminho do bem.

Hoje começa a primavera e a primavera leva esperança. Tempo de esperança. É tempo de resgate para Nápoles: este é o meu desejo e a minha oração por uma cidade que tem em si tanta potencialidade espiritual, cultural e humana, sobretudo tanta capacidade de amar. As autoridades, as instituições, as várias realidades sociais e os cidadãos, todos juntos e concordes, podem construir um futuro melhor. E o futuro de Nápoles não é se dobrar conformada em si mesma, não, esse não é o futuro de vocês, mas o futuro de Nápoles é abrir-se com confiança ao mundo. Esta cidade pode encontrar na misericórdia de Cristo, que faz novas todas as coisas, a força para seguir adiante com esperança, a força para tantas existências, tantas famílias e comunidades. Esperar é já resistir ao mal. Esperar é olhar para o mundo com o olhar e com o coração de Deus. Esperar é apostar na misericórdia de Deus, que é Pai e perdoa sempre e perdoa tudo.

Deus, fonte da nossa alegria e razão da nossa esperança, vive nas nossas cidades, Deus vive em Nápoles! A sua graça e a sua benção apoiem o vosso caminho na fé, na caridade e na esperança, os vossos propósitos de bem e os vossos projetos de resgate moral e social. Todos nós proclamamos juntos Jesus como Senhor, façamos isso no final outra vez – Jesus é o Senhor – todos, três vezes: Jesus é o Senhor. E que Nossa Senhora vos acompanhe!
Boletim da Santa Sé
Em bairro de Nápoles, Papa Francisco condena ação da máfia


“O caminho do mal é um caminho que tira sempre a esperança, também à gente honesta e trabalhadora”, afirmou Francisco em Nápoles

O Papa Francisco iniciou hoje a sua visita de nove horas a Nápoles, após uma passagem por Pompeia, condenando a ação da Máfia e mostrando a sua preocupação com o desemprego.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quis começar daqui, desta periferia, a minha visita a Nápoles. Saúdo todos vocês e vos agradeço pelo vosso caloroso acolhimento! Realmente se vê que os napolitanos não são frios! Agradeço ao vosso arcebispo por me ter convidado – também ameaçado se não tivesse vindo a Nápoles – pelas suas palavras de boas vindas; e obrigado àqueles que deram voz às realidades dos migrantes, dos trabalhadores e dos magistrados.

Vocês pertencem a um povo de longa história, atravessada por acontecimentos complexos e dramáticos. A vida em Nápoles nunca foi fácil, porém nunca foi triste! Esse é o vosso grande recurso: a alegria, a alegria. O caminho cotidiano nesta cidade, com as suas dificuldades e suas provações, produz uma cultura de vida que ajuda sempre a se levantar depois de cada queda e a fazer de modo que o mal não tenha nunca a última palavra. Este é um belo desafio: não deixar nunca que o mal tenha a última palavra. É a esperança, vocês sabem bem, este grande patrimônio, esta “alavanca da alma” tão preciosa, mas também exposta a assaltos e roubos.

Sabemos, quem adota voluntariamente o caminho do mal rouba um pedaço de esperança, ganha algo mas rouba a esperança a si mesmo, aos outros, à sociedade. O caminho do mal é um caminho que rouba sempre a esperança, rouba-a também do povo honesto e trabalhador e também da boa fama da cidade, da sua economia.

Gostaria de responder à irmã que falou em nome dos imigrantes e dos sem moradia fixa. A senhora pediu uma palavra que assegure que os migrantes são filhos de Deus e que são cidadãos. Mas é necessário chegar a isso? Os migrantes são seres humanos de segunda classe? Devemos fazer nossos irmãos e irmãs migrantes ouvirem que são cidadãos, que são como nós, filhos de Deus, que são migrantes como nós, porque todos nós somos migrantes rumo a outra pátria, e talvez chegaremos todos. E ninguém se perca pelo caminho! Todos somos migrantes, filhos de Deus que nos colocou todos em caminho. Não se pode dizer: “Mas os migrantes são assim… Nós somos…” Não! Todos somos migrantes, todos estamos em caminho. E esta palavra que todos somos migrantes não está escrita em um livro, está escrita na nossa carne, no nosso caminho de vida, que nos assegura que em Cristo somos todos filhos de Deus, filhos amados, filhos queridos, filhos salvos. Pensemos nisso: todos somos migrantes no caminho da vida, ninguém de nós tem morada fixa nesta terra, todos precisamos caminhar para lá. E todos devemos ir encontrar Deus: primeiro um, depois o outro, ou como dizia aquele idoso, aquele velhinho esperto: “Sim, sim, todos! Vão vocês, eu vou por último”. Todos devemos ir.

Depois houve a intervenção do trabalhador. E agradeço também a ele, porque naturalmente eu queria tocar neste ponto, que é um sinal negativo do nosso tempo. De modo especial o é a falta de trabalho para os jovens. Mas pensem: mais de 40 por cento dos jovens de 25 anos não têm trabalho! Isso é grave! O que faz um jovem sem trabalho? Que futuro tem? Que caminho de vida escolhe? Esta é uma responsabilidade não somente da cidade, não somente do país, mas do mundo! Por que? Porque há um sistema econômico que descarta o povo e agora é a vez dos jovens de serem descartados, isso é, sem trabalho. Isso é grave! “Mas há as obras de caridade, há os voluntários, há a Cáritas, há aquele centro, há aquele clube que dá de comer…”. Mas o problema não é comer, o problema mais grave é não ter a possibilidade de levar o pão pra casa, de ganhá-lo! E quando não se ganha o pão, se perde a dignidade! Esta falta de trabalho nos rouba a dignidade. Devemos lutar por isso, devemos defender a nossa dignidade de cidadãos, de homens, de mulheres, de jovens. Este é o drama do nosso tempo. Não devemos permanecer em silêncio.

Penso também no trabalho pela metade. O que quero dizer com isso? A exploração de pessoas no trabalho. Há algumas semanas, uma moça que precisava de trabalho, encontrou um em uma empresa turística e as condições eram estas: 11 horas de trabalho, 600 euros ao mês sem contribuição alguma para a aposentadoria. “Mas é pouco por 11 horas!”. “Se você não gosta, olhe para a fila de gente que está esperando pelo trabalho!”. Isso se chama escravidão, isso se chama exploração, isso não é humano, isso não é cristão. E se aquele que faz isso se diz cristão, é um mentiroso, não diz a verdade, não é cristão. Também a exploração do trabalho no escuro – você trabalha sem contrato e eu te pago aquilo que quero – é exploração de pessoas. “Sem as contribuições para a aposentadoria e a saúde?”. “A mim não interessa”.

Eu te entendo bem, irmão, e te agradeço por aquilo que disseste. Devemos retomar a luta pela nossa dignidade que é a luta para procurar, para encontrar, para reencontrar a possibilidade de levar o pão pra casa! Essa é a nossa luta!

E aqui penso na intervenção do presidente da Corte de Apelo. Ele usou uma bela expressão “percurso de esperança” e recordava um lema de São João Bosco: “bons cristãos e honestos cidadãos”, dirigido às crianças e aos jovens. O percurso de esperança para as crianças – estas que estão aqui e para todas – é antes de tudo a educação, mas uma verdadeira educação, o percurso de educar para um futuro: isso previne e ajuda a seguir adiante. O juiz disse uma palavra que eu gostaria de retomar, uma palavra que se usa muito hoje, o juiz disse “corrupção”. Mas, diga-me, se nós fechamos a porta aos migrantes, se nós tiramos o trabalho e a dignidade do povo, como se chama isso? Chama-se corrupção e todos nós temos a possibilidade de sermos corruptos, ninguém pode dizer: “eu nunca serei corrupto”. Não! É uma tentação, é um deslize para os negócios fáceis, para a delinquência, para os crimes, para a exploração das pessoas. Quanta corrupção há no mundo! É uma palavra ruim, se pensamos um pouco. Porque uma coisa corrupta é uma coisa suja! Se nós encontramos um animal morto que está se degradando, que está “corroído” é ruim e também fede. A corrupção fede! A sociedade corrupta fede! Um cristão que deixa entrar em si a corrupção não é cristão, fede!

Queridos amigos, a minha presença quer ser um impulso a um caminho de esperança, de renascimento e de recuperação já em andamento. Conheço o empenho, generoso e eficaz, da Igreja, presente com as suas comunidades e os seus serviços no vivo da realidade de Scampia; bem como a contínua mobilização de grupos de voluntários que não deixam faltar a sua ajuda.

Encorajo também a presença e o ativo empenho das Instituições citadinas, porque uma comunidade não pode progredir sem o seu apoio, tanto mais em momentos de crise e na presença de situações sociais difíceis e às vezes extremas. A “boa política” é um serviço às pessoas, que se exercita em primeiro lugar em nível local, onde o peso das falhas, dos atrasos, das reais e próprias omissões é mais direto e faz mais mal. A boa política é uma das expressões mais altas da caridade, do serviço e do amor. Façam uma boa política, mas entre vocês: a política se faz todos juntos! Entre todos se faz uma boa política!

Nápoles está sempre pronta para ressurgir, contando com uma esperança formada por mil provas e, por isso, recurso autêntico e concreto com o qual contar em todo momento. A sua raiz está no cerne da alma dos próprios napolitanos, sobretudo na sua alegria, na sua religiosidade, na sua piedade! Desejo-vos que tenham a coragem de seguir adiante com essa alegria, com essa raiz, a coragem de levar adiante a esperança, de não roubar nunca a esperança de ninguém, de seguir adiante pelo caminho do bem, não pelo caminho do mal, de seguir adiante no acolhimento de todos aqueles que vêm a Nápoles de qualquer país: sejam todos napolitanos, aprendam o napolitano que é tão doce e tão bonito! Desejo-vos seguir adiante em procurar fontes de trabalho, para que todos tenham a dignidade de levar o pão para casa e de seguir adiante na limpeza da própria alma, ma limpeza da cidade, na limpeza da sociedade para que não haja aquele fedor da corrupção!

Desejo-vos o melhor, sigam adiante e São Gennaro, vosso padroeiro, vos auxilie e interceda por vocês.

Abençoo todos de coração, abençoo vossas famílias e este vosso bairro, abençoo as crianças que estão aqui em torno a nós. E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Que Nossa Senhora vos acompanhe!

Boletim da Santa Sé
Francisco inicia visita pastoral à cidade de Nápoles


O Papa Francisco iniciou na manhã deste sábado, 21.mar.2015, sua visita pastoral às cidades de Nápoles e Pompeia, localizadas ao sul da Itália. Uma viagem de apenas um dia; a oitava de Francisco em território italiano.

O Papa deixou o Vaticano às 7h (3h em Brasília) e chegou ao Santuário de Pompeia, nas proximidades de Nápoles, depois de uma hora de voo de helicóptero.

Após uns 15 minutos em oração diante da imagem de Nossa Senhora do Rosário, Francisco recitou a “Pequena Súplica”, extraída da histórica oração, composta por São Bartolo Longo que, em 1875, levou a imagem ao Santuário de Pompeia.

Após a oração, Francisco falou rapidamente e de improviso à multidão que o esperava  do lado de fora do Santuário.

“Muito obrigado, muito obrigado por esta calorosa acolhida. Todos rezamos a Nossa Senhora para que nos abençoe, a nós todos, a vocês, a mim, ao mundo inteiro. Precisamos que Nossa Senhora nos proteja em tantas coisas. Rezem por mim, não se esqueçam”.

A “Pequena Súplica” recitada pelo Papa no Santuário de Pompeia.

“Virgem do Santo Rosário, Mãe do Redentor, mulher da nossa terra elevada aos céus, humilde serva do Senhor, proclamada Rainha do mundo, do profundo das nossas misérias recorremos a Ti. Com confiança de filhos, contemplamos o teu rosto dulcíssimo.

Coroada por doze estrelas, tu nos conduzes ao mistério do Pai, tu resplandeces de Espírito Santo, tu nos dais o teu Menino divino, Jesus, nossa esperança, única salvação do mundo. Mostrando-nos o teu Rosário, nos convidas a fixar o seu rosto. Tu nos abres o seu coração, abismo de alegria e de dor, de luz e de glória, mistério do Filho de Deus, que se fez homem por nós. Aos teus pés, nas pegadas dos Santos, sentimo-nos família de Deus.

Mãe e modelo da Igreja, tu és nossa guia e sustento seguro. Tu nos tornas um só coração e uma só alma, povo forte a caminho para a pátria do céu. Nós te apresentamos as nossas misérias, os tantos caminhos do ódio e do sangue, as antigas e novas pobrezas, sobretudo os nossos pecados. A ti confiamos, Mãe de Misericórdia! Obtém-nos o perdão de Deus! Ajuda-nos a construir um mundo, segundo o teu coração.

Ó Rosário bendito de Maria, doce corrente que nos liga a Deus; corrente de amor, que nos faz irmãos, não te deixaremos jamais. Nas nossas mãos serás a arma da paz e do perdão, estrela do nosso caminho. O nosso beijo a ti, com o último respiro, nos imergirá em um mar de luz, na visão da amada Mãe e do seu Filho divino, anseio e alegria do nosso coração, com o Pai e o Espírito Santo. Amém”.
Boletim da Santa Sé

SÃO JOSÉ, ESPOSO DA VIRGEM MARIA
SOLENIDADE
19 DE MARÇO


São José e Santa Teresa de Ávila

Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e encomendei-me muito a ele. Vi claro que, tanto desta necessidade como de outras maiores, de perder a honra e perder a alma, este pai e senhor meu me livrou melhor do que eu lhe saberia pedir. Não me recordo, até agora, de lhe haver suplicado nada que não tenha deixado de fazer.

É coisa que espanta (que maravilha) as grandes mercês que me tem feito Deus por meio deste bem-aventurado santo, dos perigos que me tem livrado, tanto de corpo quanto de alma. A outros santos parece que o Senhor lhes deu graça para socorrer em uma necessidade; a este glorioso santo tenho experiência que socorre em todas e que quer o Senhor dar-nos a entender que assim como esteve submetido a ele na terra, que como tinha nome de pai - sendo custódio - podia mandar Nele, também no céu faz quanto lhe pedem. E isto o tem comprovado algumas pessoas, a quem eu dizia que se encomendassem a ele, também por experiência; e ainda há muitas que começaram a ter-lhe devoção havendo experimentando esta verdade.

Queria eu persuadir a todos para que fossem devotos deste glorioso santo, pela grande experiência que tenho dos bens que ele alcança de Deus. Não conheci pessoa que deveras lhe seja devota e faça particulares serviços, que não a vejamos mais adiantada nas virtudes porque muito aproveitam as almas que a ele se encomendam. Parece-me, já há alguns anos, que a cada ano, em seu dia, lhe peço uma coisa e sempre a vejo cumprida. Se o pedido segue meio torcido, ele o endereça para o meu bem.

Se fosse uma pessoa que tivesse autoridade no escrever, de bom grado me estenderia em dizer muito a miúdo as mercês que este glorioso santo tem feito a mim e a outras pessoas. Só peço, pelo amor de Deus, que o prove quem não me crê e verá por experiência o grande bem que é o encomendar-se a este glorioso Patriarca e ter-lhe devoção.

Pessoas de oração, em especial, sempre deveriam ser a ele afeiçoadas. Não sei como se pode pensar na Rainha dos Anjos, no tempo que passou com o Menino Jesus, e não se dar graças a São José pelo bem com o qual lhes ajudou. Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome este glorioso santo por mestre e não errará no caminho.
Santa Teresa de Jesus
Vida 6,6-8

Papa Francisco dedica catequese às crianças

Milhares de pessoas participaram, na manhã desta quarta-feira, 18, da audiência geral com o Papa Francisco, que, desta vez, foi dedicada às crianças. O Pontífice disse que elas são um dom para a humanidade, mas, às vezes, são também as grandes excluídas, pois nem sempre as deixam nascer.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter revisado as diversas figuras da vida familiar – mãe, pai, filhos, irmãos, avós – gostaria de concluir este primeiro grupo de catequeses sobre família falando das crianças. Farei isso em dois momentos: hoje me concentrarei no grande dom que as crianças são para a humanidade – é verdade, são um grande dom para a humanidade, mas também são as grandes excluídas porque muitas vezes nem as deixam nascer – e depois me concentrarei em algumas feridas que infelizmente fazem mal à infância. A mim vem em mente as tantas crianças que encontrei durante a minha última viagem à Ásia: cheias de vida, de entusiasmo e, por outro lado, vejo que no mundo muitas delas vivem em condições indignas… De fato, do modo como são tratadas as crianças se pode julgar a sociedade, mas não somente moralmente, também sociologicamente, se é uma sociedade livre ou uma sociedade escrava de interesses internacionais.

Em primeiro lugar, as crianças nos recordam que todos, nos primeiros anos da vida, fomos totalmente dependentes dos cuidados e da benevolência dos outros. E o Filho de Deus não poupou esta etapa. É o mistério que contemplamos a cada ano, no Natal. O Presépio é o ícone que nos comunica esta realidade no mundo de forma mais simples e direta. Mas é curioso: Deus não tem dificuldade em se fazer entender pelas crianças, e as crianças não têm problemas em entender Deus. Não por acaso, no Evangelho há algumas palavras muito belas e fortes de Jesus sobre os “pequenos”. Este termo “pequenos” indica todas as pessoas que dependem da ajuda dos outros e, em particular, as crianças. Por exemplo, Jesus diz: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos” (Mt 11, 25). E ainda: “Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18, 10).

Então, as crianças são em si mesmas uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam de volta constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: aquela de não nos considerarmos auto-suficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão. E todos precisamos de ajuda, de amor e de perdão!

As crianças nos recordam uma outra coisa bela; recordam-nos que somos sempre filhos: mesmo se a pessoa se torna adulta, ou idosa, mesmo se se torna pai, se ocupa um lugar de responsabilidade, abaixo de tudo isso permanece a identidade de filho. Todos somos filhos. E isso nos reporta sempre ao fato de que a vida não fomos nós que a demos, mas a recebemos. O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos. Às vezes arriscamos viver esquecendo-nos disso, como se fôssemos nós os patrões da nossa existência, e em vez disso somos radicalmente dependentes. Na realidade, é motivo de grande alegria sentir que em cada idade da vida, em cada situação, em cada condição social, somos e permanecemos filhos. Esta é a principal mensagem que as crianças nos dão, com sua própria presença: somente com a presença nos recordam que todos nós e cada um de nós somos filhos.

Mas há tantos dons, tantas riquezas que as crianças levam à humanidade. Recordo apenas algumas. Levam seu modo de ver a realidade, com um olhar confiante e puro. A criança tem uma confiança espontânea no pai e na mãe; e tem uma espontânea confiança em Deus, em Jesus, em Nossa Senhora. Ao mesmo tempo, o seu olhar interior é puro, ainda não poluído pela malícia, pela duplicidade, pelas “incrustações” da vida que endurecem o coração. Sabemos que também as crianças têm o pecado original, que têm seus egoísmos, mas conservam uma pureza e uma simplicidade interior. Mas as crianças não são diplomatas: dizem aquilo que sentem, dizem aquilo que veem, diretamente. E tantas vezes colocam os pais em dificuldade, dizendo diante de outras pessoas: “Eu não gosto disso porque é ruim”. Mas as crianças dizem aquilo que veem, não são pessoas duplas, ainda não aprenderam aquela ciência da duplicidade que nós adultos, infelizmente, aprendemos.

Além disso, as crianças – em sua simplicidade interior – levam consigo a capacidade de receber e dar ternura. Ternura é ter um coração “de carne” e não “de pedra”, como diz a Bíblia (cfr Ez 36, 26). A ternura é também poesia: é “sentir” as coisas e os acontecimentos, não tratá-los como meros objetos, somente para usá-los, porque servem…

As crianças têm a capacidade de sorrir e de chorar: algumas, quando as pego para abraçá-las, sorriem; outras me veem vestido de branco e acreditam que eu sou um médico e que vim para vaciná-las, e choram… mas espontaneamente! As crianças são assim: sorriem e choram, duas coisas que em nós grandes muitas vezes “são bloqueadas”, não somos mais capazes… Tantas vezes o nosso sorriso se torna um sorriso de papelão, uma coisa sem vida, um sorriso que não é vivo, um sorriso artificial, de palhaço. As crianças sorriem espontaneamente e choram espontaneamente. Depende sempre do coração e muitas vezes o nosso coração se bloqueia e perde essa capacidade de sorrir, de chorar. E então as crianças podem nos ensinar de novo a sorrir. Mas, nós mesmos, devemos nos perguntar: eu sorrio espontaneamente, com frescor, com amor ou o meu sorriso é artificial? Eu ainda choro ou perdi a capacidade de chorar? Duas perguntas muito humanas que as crianças nos ensinam.

Por todos esses motivos, Jesus convida os seus discípulos a “se tornarem como crianças”, porque “quem é como elas pertence ao Reino de Deus” (cfr Mt 18, 3; Mc 10, 14).

Queridos irmãos e irmãs, as crianças levam vida, alegria, esperança, também problemas. Mas a vida é assim. Certamente também trazem preocupações e às vezes tantos problemas; mas é melhor uma sociedade com estas preocupações e estes problemas que uma sociedade triste e cinza porque ficou sem crianças! E quando vemos que o nível de nascimento de uma sociedade chega apenas a um por centro, podemos dizer que esta sociedade é triste, é cinza, ficou sem as crianças.

Francisco já anunciou que, na catequese da próxima semana, vai falar sobre algumas feridas que fazem mal à infância.

Antes de se despedir, o Papa concedeu a todos a sua benção.
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Francisco: "Igreja é a casa de Jesus, aberta a todos"

Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja é “a casa de Jesus”, uma casa de misericórdia que acolhe todos e sendo assim, não é um lugar onde os cristãos podem fechar as portas. Este foi o teor da homilia proferida pelo Papa na Missa celebrada na manhã desta terça-feira (17/03/2015), na Casa Santa Marta.

Igrejas abertas a todos

Francisco já evidenciou outras vezes este conflito entre Jesus, que abre as portas a quem quer que o procure – mesmo que seja distante dele – e os cristãos, que muitas vezes fecham as portas da Igreja na cara de quem bate à sua porta. É um conflito entre a misericórdia total de Cristo e a escassez demonstrada muitas vezes por aqueles que creem Nele.

A reflexão do Papa começa pela água, protagonista das leituras litúrgicas do dia: “A água que cura”, disse Francisco, comentando a descrição feita pelo Profeta Ezequiel do riacho surgido na porta do templo, que se transforma em um enorme torrente cheio de peixes, aonde todos podem ir se curar.

E a água do tanque de Betesda, descrita no Evangelho de João, aonde há 38 anos jazia um paralítico triste – e para Francisco um “pouquinho preguiçoso” – que nunca soube se imergir quando as águas se mexiam, e assim, encontrar a cura. Jesus o cura e o encoraja a “ir avante”, o que desencadeia a crítica dos doutores da lei, porque a cura se dá num sábado. “Uma estória – observou o Papa – que acontece muitas vezes hoje”.

“Um homem - uma mulher - que se sente doente na alma, triste, que cometeu muitos erros na vida, em algum momento sente que as águas estão se movendo, é o Espírito Santo que move algo, ou ouve uma palavra ou ... 'Ah, eu quero ir! "... E toma coragem e vai. E quantas vezes hoje nas comunidades cristãs encontra as portas fechadas: ‘Mas você não pode, não, você não pode. Você errou aqui e não pode. Se você quiser vir, venha à missa no domingo, mas fique ali, mas não faça nada mais’. E aquilo que o Espírito Santo faz nos corações das pessoas, os cristãos com psicologia de doutores da lei destroem”.

“Faz-me mal isso”, afirma em seguida Francisco. Que sublinha: a Igreja tem sempre as portas abertas:

“É a casa de Jesus e Jesus acolhe. Mas não só acolhe, vai encontrar as pessoas como foi encontrar essa. E se as pessoas estão feridas, o que Jesus faz? A repreende porque está ferida? Não, vai e a carrega sobre os ombros. E isso se chama misericórdia. E quando Deus repreende seu povo - 'Desejo misericórdia, não sacrifício!' – fala exatamente disso”.

“Quem é você – reafirma o Papa – que fecha a porta do seu coração a um homem, a uma mulher que tem vontade de melhorar, de voltar a ser parte do povo de Deus após o Espírito Santo ter movimentado seu coração?”. Que a Quaresma, conclui o Papa, ajude a não cometer o erro de quem desprezou o amor de Cristo pelo paralítico somente porque era contrário à lei:

“Peçamos hoje ao Senhor na Missa, para nós, para cada um de nós e para toda a Igreja, uma conversão em direção a Jesus, uma conversão em Jesus, uma conversão à misericórdia de Jesus e, assim, a Lei será completamente realizada, porque a Lei é amar a Deus e ao próximo, como a nós mesmos”.

Nesta terça-feira, o Santo Padre escreveu em seu twitter:

17/03/2015
Deixemos que Deus nos encha da sua bondade e misericórdia.

Papa: Deus sonha com a alegria do seu povo

Cidade do Vaticano, 16.março.2015 (RV) – O Papa Francisco iniciou sua semana celebrando a Missa na capela da Casa Santa Marta.

Partindo da primeira leitura do Profeta Isaías, onde o Senhor diz que criará “novos céus e nova terra”, o Papa reiterou que a segunda criação de Deus é ainda mais “maravilhosa” do que a primeira, porque “quando o Senhor refaz o mundo corrompido pelo pecado”, o ‘refaz’ em Jesus Cristo. Neste renovar tudo, Deus manifesta a sua imensa alegria:

“Encontramos que o Senhor tem tanto entusiasmo: fala de alegria e de uma palavra: ‘Sentirei alegria em meu povo’. O Senhor pensa naquilo que fará, pensa que Ele, Ele próprio, estará na alegria com o seu povo. É como se fosse um sonho do Senhor: o Senhor sonha. Tem o seus sonhos. Os seus sonhos em relação a nós. ‘Ah, que belo quando nos encontraremos todos juntos, quando nos encontraremos lá ou quando aquela pessoa caminhará comigo... Naquele momento, sentirei alegria!’. Para dar um exemplo que possa nos ajudar, é como se uma moça com o seu namorado ou o jovem com a namorada (pensasse): ‘Mas quando estivermos juntos, quando nos casarmos …’. É o ‘sonho’ de Deus”.

Francisco prosseguiu dizendo que “Deus pensa em cada um de nós” e pensa de maneira positiva, “nos quer bem, ‘sonha’ pensando em nós. Sonha com a alegria que sentirá conosco. Por isso, o Senhor quer nos ‘re-criar’, fazer com que nosso coração se renove, ‘re-criar’ o nosso coração para que a alegria triunfe”:

"Vocês pensaram? O Senhor sonha comigo, pensa em mim! Eu estou na menta, no coração do Senhor! O Senhor é capaz de mudar a minha vida e faz muitos planos: Construiremos casas, plantaremos vinhas e comeremos juntos... todos esses sonhos que faz somente uma pessoa apaixonada. O Senhor se mostra apaixonado pelo seu povo lhe diz: Eu não te escolhi porque você é o mais forte, grande e poderoso. Eu te escolhi porque você é o menor de todos. Pode-se dizer: o mais miserável de todos, mas eu te escolhi assim e isso é amor."

Deus "é apaixonado por nós", repetiu o Papa, comentando também a passagem do Evangelho sobre a cura do filho do funcionário do rei:

"Acredito que não exista teólogo que possa explicar isso: não se explica. Somente sobre isso se pode pensar, sentir e chorar de alegria. O Senhor pode nos mudar. E o que devo fazer? Crer. Crer que o Senhor pode me mudar, que Ele é poderoso: como fez aquele homem, no Evangelho, que tinha um filho doente. Senhor, vem antes que o meu filho morra. Vai, o teu filho vive! Aquele homem acreditou na palavra que Jesus lhe tinha dito e se colocou a caminho. Ele acreditou. Acreditou que Jesus tinha o poder de mudar o seu filho, a saúde de seu filho. E venceu. A fé significa abrir espaço para este amor de Deus, é abrir espaço para a força, para o poder de Deus, mas não ao poder de um que é muito poderoso, mas ao poder de uma pessoa que me ama, que é apaixonada por mim e que quer a minha alegria comigo. Isto é fé. Isto é crer: é abrir espaço ao Senhor para que Ele venha e me mude."

CARTA DO PAPA FRANCISCO
POR OCASIÃO DO CENTENÁRIO DA FACULDADE DE TEOLOGIA DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA ARGENTINA

Ao venerado Irmão Cardeal Mario Aurelio Poli
Grão-Chanceler da Universidad Católica Argentina

Estimado Irmão!

A celebração dos 100 anos da Faculdade de Teologia da Universidade católica é um momento importante para a Igreja na Argentina. O aniversário coincide com o cinquentenário do encerramento do Concílio Vaticano II, que foi uma atualização, uma releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea. Produziu um movimento irreversível de renovação que provém do Evangelho. E agora, é preciso ir em frente.

De que modo, então, devemos ir em frente? Ensinar e estudar teologia significa viver numa fronteira na qual o Evangelho se encontra com as necessidades das pessoas às quais é anunciado de maneira compreensível e significativa. Devemos evitar uma teologia que se esgota na disputa acadêmica ou que olha para a humanidade de um castelo de vidro. É aprendida para ser vivida: teologia e santidade são um binômio inseparável.

Por conseguinte, a teologia que elaborais seja radicada e fundada na Revelação, na Tradição, mas acompanhe também os processos culturais e sociais, em particular as transições difíceis. Neste tempo a teologia deve enfrentar também os conflitos: não só os que experimentamos na Igreja, mas também os relativos ao mundo inteiro e que são vividos pelas ruas da América Latina. Não vos contenteis com uma teologia de escritório. O vosso lugar de reflexão sejam as fronteiras. E não cedais à tentação de as ornamentar, perfumar, consertar nem domesticar. Até os bons teólogos, assim como os bons pastores, têm o odor do povo e da rua e, com a sua reflexão, derramam azeite e vinho sobre as feridas dos homens.

A teologia seja expressão de uma Igreja que é «hospital de campo», que vive a sua missão de salvação e cura no mundo. A misericórdia não é só uma atitude pastoral mas a própria substância do Evangelho de Jesus. Encoraja-vos a estudar como refletir nas várias disciplinas — dogmática, moral, espiritualidade, direito, etc. — a centralidade da misericórdia.

Sem a misericórdia a nossa teologia, o nosso direito, a nossa pastoral correm o risco de desmoronar na mesquinhez burocrática ou na ideologia, que por sua natureza quer domesticar o mistério. Compreender a teologia é compreender Deus, que é Amor.

Portanto, quem é o estudante de teologia que a U.C.A. é chamada a formar? Certamente, não um teólogo «de museu» que acumula dados e informações sobre a Revelação sem contudo saber verdadeiramente o que fazer deles. Nem um «balconero» da história. O teólogo formado na U.C.A. seja uma pessoa capaz de construir humanidade ao seu redor, de transmitir a divina verdade cristã em dimensão deveras humana, e não um intelectual sem talento, um eticista sem bondade nem um burocrata do sagrado.

Peço a Nossa Senhora, Sede da Sabedoria e Mãe da Graça divina, que nos acompanhe na celebração deste centenário. Peço-te que saúdes os alunos, funcionários, professores e autoridades da Faculdade, e que não se esqueçam de rezar por mim. Que Jesus te abençoe e a Virgem Santa te proteja.

Fraternalmente,

Vaticano, 3 de Março de 2015.

Francisco


Angelus: o amor de Deus é gratuito e sem limites

Domingo, 15 de março de 2015, grande multidão na Praça de S. Pedro para a oração do Angelus com o Papa Francisco. O calendário litúrgico marca o IV domingo da Quaresma e o Santo Padre começou a sua mensagem recordando o Evangelho do dia que nos fala do diálogo entre Jesus e Nicodemus. Nessa passagem ressalta a afirmação de que Deus amou tanto o mundo que nos deu o seu Filho Unigênito.

Segundo o Papa Francisco, Deus ama-nos sem limites, desde logo, demonstrando-o na criação tal como proclama a liturgia na oração eucarística IV: ‘Deste origem ao universo para fundir o teu amor sobre todas a criaturas e alegrá-las com os esplendores da luz’.

Na origem do mundo existe só o amor livre, gratuito e sem limites do Pai – afirmou o Santo Padre que prosseguiu citando o texto da oração eucarística IV:

“‘E quando pela sua desobediência, o homem perdeu a tua amizade, tu não o abandonaste no poder da morte, mas na tua misericórdia vieste ao encontro de todos’. Deus veio com a sua misericórdia.”

O Papa Francisco declarou que da história da salvação ressalta a gratuidade do amor de Deus: o Senhor escolhe o seu povo não porque o mereça mas porque é o menor entre todos os povos…”

Deus nunca abandona o seu povo – concluiu o Papa que citou S. Paulo que nos diz que Deus, é “rico de misericórdia” e com a Cruz de Cristo nos deu a prova suprema do seu amor.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco lamentou o ataque terrorista desta manhã contra duas igrejas cristãs no Paquistão, assegurou a sua proximidade para com as vítimas e implorou “o dom da paz desejando que esta perseguição aos cristãos que o mundo procura esconder, acabe e exista a paz”.

O Papa afirmou ter recebido “com muita dor”, a notícia dos atentados terroristas contra estas duas igrejas na cidade de Lahore, “que provocaram numerosos mortos e feridos”.

“São igrejas cristãs, os cristãos são perseguidos, os nossos irmãos derramam o seu sangue apenas por serem cristãos”, denunciou.

O Santo Padre rezou pelas vítimas e pelas suas famílias pedindo o fim da violência.

O Papa Francisco manifestou também, a sua solidariedade às vítimas do ciclone tropical Pam que atingiu a população de Vanuatu, deixando um rastro de destruição no Pacífico.

“Estou próximo da população de Vanuatu, no Oceano Pacífico, atingida por um forte ciclone. Rezo pelos mortos, feridos e desalojados. Agradeço aos que reagiram rapidamente para prestar socorro e ajuda”, declarou.

O Papa Francisco saudou os vários grupos presentes e a todos desejou um bom domingo e um bom almoço.
Radio Vaticano







Tweet do Papa Francisco:

14/03/2015
A Quaresma é um tempo para nos aproximarmos de Cristo, por meio da Palavra de Deus e dos Sacramentos.

Papa Francisco anuncia Jubileu da Misericórdia



Ano Santo Extraordinário foi anunciado em homilia na celebração penitencial desta sexta-feira, 13.março.2015; jubileu será de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016

O Papa Francisco anunciou hoje, um jubileu extraordinário que terá no centro a misericórdia de Deus. O “Ano Santo da Misericórdia” foi anunciado durante a homilia do Pontífice na celebração penitencial no dia em que completa dois anos de pontificado.

Em comunicado à imprensa, o Vaticano informou que o Jubileu da Misericórdia terá início na Solenidade da Imaculada Conceição 2015, no dia 8 de dezembro, e se concluirá no dia 20 de novembro de 2016, com a solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo.

“Queridos irmãos e irmãs, pensei em como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que inicia com uma conversão espiritual. Por isso, decidi realizar um Jubileu extraordinário que tenha no centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da Palavra do Senhor: ‘Sejais misericordiosos como o Pai’ (Lc 6, 36)”, explicou o Pontífice na homilia de hoje.

Na homilia, Francisco destacou a misericórdia de Deus que se manifesta também e,  principalmente, no Sacramento da Reconciliação. Segundo o Papa, a Confissão permite ao homem aproximar-se de Deus com confiança e na certeza de Seu perdão.

Recordando o episódio de Jesus e a mulher pecadora, trecho do Evangelho proclamado na celebração, o Santo Padre explicou que duas palavras importantes aparecem com insistência: amor e julgamento.

“Não é o amor da mulher pecadora que se humilha diante do Senhor; mas primeiro há o amor misericordioso de Jesus para com ela, que a impulsiona a se aproximar. Para ela não haverá julgamento, exceto o que vem de Deus, e este é um julgamento de misericórdia. O protagonista deste encontro é, certamente, o amor, a misericórdia que vai além da justiça”, afirmou.

Já o fariseu, Simão, outro personagem do texto bíblico, não consegue encontrar o caminho do amor. Isso porque, segundo o Papa, ele permanece parado no “limiar de formalidade”. “Não é capaz de dar o próximo passo para ir ao encontro de Jesus, que traz a salvação. Ele parou na superfície, não foi capaz de olhar para o coração”.

“O chamado de Jesus empurra cada um de nós a não parar na superfície das coisas, especialmente quando estamos lidando com uma pessoa. Somos chamados a olhar além, a nos voltar para o coração, para ver de quanta generosidade somos capazes. Ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta para com aqueles que se convertem”, afirmou o Papa.

A celebração penitencial também foi ocasião para que o Santo Padre surpreendesse a todos e anunciasse mais um Jubileu na Igreja: o Ano Santo da Misericórdia.

“Estou convencido de que toda a Igreja vai encontrar neste jubileu a alegria para redescobrir e fazer frutificar a misericórdia de Deus, com a qual todos somos chamados a dar consolo a todos os homens e mulheres de nosso tempo. Não podemos esquecer de que Deus perdoa sempre!”, concluiu.

Durante o Jubileu, as leituras para os domingos do tempo ordinário serão do Evangelho de Lucas, chamado “o evangelista da misericórdia”.

O anúncio oficial e solene do Ano Santo será com a leitura e publicação da Bula no Domingo da Divina Misericórdia, festa instituída por São João Paulo II que é celebrada no domingo depois da Páscoa, em 2015, no dia 12 de abril.

Rito inicial e organização

O rito inicial do jubileu será a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro. Trata-se de uma porta que é aberta somente durante o Ano Santo e simboliza o conceito de que, durante o Jubileu, é oferecido aos fiéis um “percurso extraordinário” para a salvação.

Têm uma Porta Santa as quatro maiores basílicas de Roma: São Pedro, São João Latrão, São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior. As portas dessas basílicas serão abertas sucessivamente à abertura daquela da Basílica de São Pedro.

A organização do Jubileu da Misericórdia foi confiada, pelo Papa, ao Pontifício Conselho para a promoção da Nova Evangelização.
Francisco fala de sua eleição e pontificado a TV mexicana

13/03/2015 – O Santo Padre comentou temas em evidência no seu pontificado e recordou o momento de sua eleição como Papa: “Pra mim também foi uma surpresa”

Migrações e narcotráfico, a reforma da Cúria, os desafios para o Sínodo da Família e o momento de sua eleição como Bispo de Roma. Papa Francisco aborda esses temas em evidência nesses dois anos de pontificado em uma entrevista à TV mexicana Televisa, expressando seu desejo de viajar para o México.

Essa foi justamente a primeira pergunta da entrevista: “Por que não foi programada uma etapa, no México, quando fará a viagem, em setembro, aos EUA, para o Encontro Mundial das Famílias?”.

“Pensava em entrar nos EUA pela fronteira mexicana, mas passar por Ciudad Juarez ou Morelia sem visitar Nossa Senhora de Guadalupe deixaria os mexicanos muito frustrados. Além disso, o México não pode ser visto com pressa ou de passagem; seria necessário, pelo menos, uma semana, mas prometo que farei esta viagem como o país merece”, respondeu o Pontífice.

Sua eleição

Um dos momentos mais informais do encontro foi o relato de Francisco sobre o início do conclave que o elegeu. “Os jornalistas diziam que eu era um ‘cabo eleitoral’, que indicaria alguém; e eu fiquei em paz”.

Francisco contou que tinha recebido alguns votos no período da manhã. Durante o almoço, os cardeais começaram a perguntar como ele estava de saúde e, quando voltaram para a votação da tarde, a “partida estava decidida”.

“Para mim também foi uma surpresa. Na primeira votação, depois do almoço, quando vi que a situação era irreversível, estava ao meu lado – e quero contar, porque isso é amizade – o Cardeal Hummes, que para mim é um grande amigo. Com a sua idade, é o Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia. E lá vai ele, de barco pelos rios, visitar as igrejas… Ele estava ao meu lado, e já na metade da primeira votação da tarde, me dizia: ‘Não se preocupe, é obra do Espírito Santo’. Eu achava graça. Depois, na segunda votação, quando os votos somaram dois terços, vieram os aplausos – como em todos os conclaves – e a conta dos votos. Aí ele me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. Isso ficou rodando na minha cabeça e foi o que me levou à escolha do nome Francisco”.

Nossa Senhora de Guadalupe

Na sala da Casa Santa Marta, onde o Papa se encontra com seus colaboradores mais próximos, em destaque uma imagem da Virgem de Guadalupe, uma figura de grande devoção para todo o continente latino-americano. Foi neste cômodo que, por vontade do Papa, foi concedida a entrevista à emissora mexicana.

Para Francisco, Nossa Senhora de Guadalupe é “fonte de unidade cultural que leva para a santidade em meio a tanto pecado, a tanta injustiça, a tanto sofrimento e a tanta morte”.

Drama das migrações

Os males do México, comentou o Papa, são similares àqueles do resto do mundo: o drama das migrações e os muros levantados para enfrentá-los. Francisco falou das fronteiras entre Estados Unidos e México, mas recordou também os migrantes forçados a atravessar o Mediterrâneo em busca de uma vida melhor ou em fuga das guerras e da fome.

São os sistemas econômicos distorcidos que provocam estes grandes deslocamentos, a falta de trabalho, a cultura do descartável aplicada ao ser humano, explicou o Papa, que também comentou a realidade do narcotráfico. “Onde há pobreza e miséria, o crime encontra terreno fértil”. Francisco recordou os 43 jovens massacrados por traficantes em Iguala e revelou que quis prestar homenagem à memória deles nomeando cardeal o arcebispo de Morelia.

O Papa, sendo filho de migrantes, sente-se espontaneamente levado a dar voz às vítimas do tráfico e de uma sociedade injusta, mesmo se, como observa, seria infantil atribuir a responsabilidade somente aos governos. É preciso, segundo ele, aprender a não se afastar para o outro lado diante do mal do mundo. O empenho dos católicos requer exercício de proximidade.

Reforma da Cúria

O Pontífice latino-americano toca todos os temas que caracterizaram os seus dois anos de pontificado, antes de tudo a atenção aos pobres.

Depois, o trabalho de reforma da Cúria, não tanto a forma, mas o conteúdo. Cada mudança começa pelo coração, explicou o Papa, e comporta uma conversão no modo de viver. Uma conversão que envolve a própria figura do Pontífice e que está na base dos protocolos que tanto entusiasmam o povo de Deus.

Pontificado breve?

Questionado se gosta de ser Papa, Francisco riu e respondeu: “Faz-me falta sair do Vaticano livremente, ir a uma pizzaria sem ser reconhecido”. Mas o tempo à disposição não parece ser muito. Ele admite ter a sensação de que seu pontificado será breve, mas afirma que também pode estar errado.

Quando perguntado sobre a possibilidade de uma saída por limite de idade, como acontece com os bispos, Francisco respondeu que não compartilha visão semelhante para a figura do Pontífice; ele define o papado como uma graça especial. Porém, disse apreciar o caminho aberto por Bento XVI sobre a figura do Papa Emérito, definindo-a como uma escolha corajosa, assim como foi corajosa a decisão de tornar pública a gravidade dos abusos cometidos por alguns membros da Igreja contra crianças e a necessidade de cuidar das vítimas.

Sínodo da Família

Proteger e acompanhar. São os mesmos imperativos que Francisco atribui à Igreja quando fala do Sínodo da Família, que se reunirá em outubro deste ano para a sua segunda etapa. Ele lembrou que há grandes expectativas sobre temas complexos e delicados, como o da comunhão aos divorciados que se casaram novamente ou a questão da homossexualidade.

O que é certo para Francisco é que a família atravessa uma crise nunca vista antes; é preciso partir de uma pastoral que se dirija, antes de tudo, aos jovens e aos recém-casados. A trilha do Papa está traçada. Ele já olha para setembro com o ponto fixo na Filadélfia, para o Encontro Mundial das Famílias, para a África, que visitará em breve, e para a América Latina que o espera.

Canção Nova

Francisco: santos levam avante a Igreja, não os hipócritas

Cidade do Vaticano (RV) – Um cristão não tem alternativa: se não se deixar tocar pela misericórdia de Deus, como fazem os Santos, acaba por ser um hipócrita: foi o que disse o Papa na manhã desta quinta-feira (12/03/2015), na Missa celebrada na Casa Santa Marta.

Em sua homilia, Francisco ressaltou que no início foram os Profetas e depois, os Santos. Com eles, Deus construiu no tempo a história da sua relação com os homens. E mesmo assim, não obstante a excelência desses escolhidos – apesar de seus ensinamentos e suas ações – a história da salvação sofreu vicissitudes, foi adornada com tantas hipocrisias e infidelidade.

Deus chora um coração endurecido

Na reflexão, o Papa abrange um amplo horizonte, de Abel aos nossos dias. Na voz de Jeremias, proposta pela Leitura do dia, há a voz do próprio Deus, que constata com amargura que o povo eleito, mesmo tendo recebido muitos benefícios, não O ouviu. Deus “deu tudo”, observou Francisco, mas recebeu em troca somente “coisas ruins”. “A fidelidade desapareceu – repetiu o Papa -, vocês não são um povo fiel:

“Esta é a história de Deus. Parece que Deus chora, aqui. Amei-o tanto, dei-lhe tanto e você… Tudo contra mim. Também Jesus, olhando Jerusalém, chorou. Porque no coração de Jesus havia toda esta história onde a fidelidade tinha desaparecido. Nós fazemos a nossa vontade, mas fazendo este caminho de vida, seguimos um caminho de endurecimento: o coração se endurece, se petrifica. E a Palavra do Senhor não entra. E o povo se afasta. Também a nossa história pessoal pode se tornar assim. E hoje, neste dia quaresmal, podemos nos perguntar: ‘Eu ouço a voz do Senhor, ou faço o que quero e o que eu gosto?’”.

De heréticos a Santos

Também o episódio do Evangelho mostra um exemplo de “coração endurecido”, surdo à voz de Deus. Jesus cura um possuído endemoniado e, em troca – disse o Papa – recebe uma acusação: ”Tu expulsas os demônios em nome do demônio. Tu és um bruxo demoníaco”. É a típica acusação dos “legalistas”, observou Francisco, “que acreditam que a vida seja regulada pelas leis que eles fazem”:

"Isso também aconteceu na História da Igreja! Pensem na pobre Joana D'Arc: hoje é santa! Pobrezinha! Estes doutores a queimaram viva, porque diziam que era herética, acusada de heresia, mas eram os doutores, aqueles que conheciam a doutrina certa, os fariseus: distanciados do amor de Deus. Próximo a nós, pensem no Beato Rosmini. Os seus livros não podiam ser lidos, era pecado lê-los. Hoje ele é beato. Na Historia de Deus com o seu povo, o Senhor mandava os Profetas para dizer que amava o seu povo. Na Igreja, o Senhor manda os santos. São os santos que levam adiante a vida da Igreja. Não são os potentes, não são os hipócritas, mas os santos."

Não existe um meio-termo

Os santos, disse Francisco, são aqueles que não têm medo de se deixar acariciar pela misericórdia de Deus. Por isso, os santos são homens e mulheres que entendem muitas misericórdias, muitas misérias humanas e acompanham o povo de perto. Não desprezam o povo:

"Jesus disse: Quem não está comigo, está contra mim. Não existe um meio-termo, um pouco de lá e um pouco de cá? Não. Ou você está no caminho do amor ou no caminho da hipocrisia. Ou você se deixa amar pela misericórdia de Deus ou faz aquilo que você quer, segundo o seu coração que se endurece cada vez mais nesta estrada. Quem não está comigo, está contra mim: não existe um meio-termo. Ou você é santo ou caminha em outra estrada. Quem não recolhe comigo, dispersa, arruína. É um corrupto que corrompe".

Tweet do Santo Padre:

12/03/2015
Cuidado com as comodidades! Quando nos rodeamos de conforto, facilmente nos esquecemos dos outros.
Papa: Não existe nenhum pecado que Deus não possa perdoar

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu nesta quinta-feira (12/03/2015), na Sala Clementina, no Vaticano, os participantes do 26º Curso sobre o Foro interno da Penitenciaria Apostólica.

Depois de saudar o Penitencieiro Mor, Cardeal Mauro Piacenza, o regente da Penitenciaria Apostólica, Dom Krzysztof Nykiel, e demais membros do organismo vaticano, o pontífice disse que o curso tem a finalidade pastoral de ajudar os novos sacerdotes e candidatos ao Sacramento da Ordem a administrarem corretamente o Sacramento da Reconciliação.

"Os sacramentos, como sabemos, são o lugar da proximidade e ternura de Deus pelos homens. Eles são a maneira concreta que Deus pensou para vir ao nosso encontro, para nos abraçar, sem se envergonhar de nós e do nosso limite", frisou Francisco.

"Dentre os sacramentos, o da Reconciliação torna presente o rosto misericordioso de Deus: o concretiza e o manifesta continuamente. Não podemos nos esquecer seja como penitentes seja como confessores que não existe nenhum pecado que Deus não possa perdoar", disse ainda o Santo Padre.

"À luz desse dom maravilhoso de Deus", o pontífice sublinhou três exigências: viver o Sacramento da Penitência como meio para educar para a misericórdia, deixar-se educar por aquilo que celebramos e manter o olhar sobrenatural.

Viver o Sacramento da Penitência como meio para educar para a misericórdia

"Viver o sacramento como meio para educar para a misericórdia, significa ajudar os nossos irmãos a fazerem experiência de paz e compreensão humana e cristã. A confissão não deve ser uma tortura. Todos devem sair da confissão com a alegria no coração, com o rosto radiante de esperança, mesmo se às vezes, como sabemos, molhado pelas lágrimas da conversão e alegria", disse ainda Francisco.

O Santo Padre frisou que "o sacramento, com todos os atos do penitente, não deve se tornar um interrogatório pesado, incômodo e invasor. Pelo contrário, deve ser um encontro libertador e rico de humanidade, através do qual educar para a misericórdia que não exclui, mas inclui o justo compromisso de corrigir o mal cometido. Assim, o fiel se sentirá convidado a se confessar frequentemente e aprenderá a fazê-lo da melhor maneira possível, com aquela delicadeza da alma que faz tanto bem ao coração, até mesmo ao coração do confessor. Nesse sentido, nós sacerdotes cresçamos na relação pessoal com Deus a fim de que se dilate nos corações o seu Reino de amor e paz".

Deixar-se educar por aquilo que celebramos

Aos confessores Francisco disse: "Deixem-se educar pelo Sacramento da Reconciliação! Quantas vezes nos acontece de ouvir confissões que nos edificam! Irmãos e irmãs que vivem uma autêntica comunhão pessoal e eclesial com o Senhor e um amor sincero pelos irmãos. Almas simples, almas de pobres em espírito, que se abandonam totalmente ao Senhor, que confiam na Igreja e também no confessor. Nos acontece de presenciar verdadeiros milagres de conversão. Pessoas que há meses ou anos estão sob o domínio do pecado e que, como o Filho Pródigo, caem em si e decidem se levantar e retornar à casa do Pai para implorar o seu perdão. Como é bom acolher estes irmãos e irmãs arrependidos com o abraço bendizente do Pai misericordioso que tanto nos ama e se alegra por todo filho que volta para Ele de coração! Podemos aprender da conversão e do arrependimento de nossos irmãos. Eles nos convidam a fazer um exame de consciência: eu, sacerdote, amo o Senhor que me fez ministro de sua misericórdia? Eu, confessor, estou disponível à mudança, à conversão, como este penitente para o qual fui colocado a serviço?"

Manter o olhar sobrenatural

"Quando se ouve as confissões sacramentais dos fiéis é preciso manter sempre um olhar interior dirigido ao céu, ao sobrenatural. Devemos primeiramente reavivar em nós a consciência de que ninguém é colocado em tal ministério por si mesmo, nem por suas competências teológicas ou jurídicas, nem por sua feição humana ou psicológica. Fomos constituídos ministros da reconciliação somente pela graça de Deus, gratuitamente e por amor, por misericórdia. Somos ministros da misericórdia graças à misericórdia de Deus. Nunca devemos perder este olhar sobrenatural que nos torna realmente humildes, acolhedores e misericordiosos para com todo irmão e irmã que pede para se confessar. Até mesmo a maneira de ouvir os pecadores deve ser sobrenatural, respeitosa pela dignidade e história pessoal de cada um, a fim de que se possa compreender o que Deus quer dele ou dela. Por isso, a Igreja é chamada a educar os seus membros, sacerdotes, religiosos e leigos, para a arte do acompanhamento, a fim de que todos aprendam sempre a tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro. Todo penitente que procura a confissão é 'terra sagrada' que deve ser cultivada com dedicação, zelo e atenção pastoral", disse ainda Francisco em seu discurso.

O Papa convidou os presentes "a usufruírem do tempo quaresmal para a conversão pessoal e dedicação generosa à escuta das confissões a fim de que o Povo de Deus possa chegar purificado à Festa Pascal, que representa a vitória definitiva da Misericórdia Divina sobre todo o mal do mundo".

A Igreja e a política
        
O tema da Campanha da Fraternidade desse ano “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), é ocasião para se tratar da política, o que pode levar alguns setores da sociedade a pensarem que a Igreja entrou na batalha política, e, pior, favorece a linha socialista e os partidos de esquerda. Faz-se necessário, por isso, recordar alguns princípios esclarecedores do porquê e como a Igreja entra na política.

Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política, I, 1,9). E Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado.

Na doutrina social da Igreja, Política é “uma prudente solicitude pelo bem comum” (S. João Paulo II, Laborem exercens, 20). “A comunidade política existe, portanto, em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. Quanto ao bem comum, ele compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, 74 – cf. S. João XXIII, Mater et Magistra).

A Igreja está ao serviço do Reino de Deus, anunciando o Evangelho e seus valores, e “não se confunde com a comunidade política nem está ligada a nenhum sistema político” (Gaudium et Spes, 76). Mas os cristãos participam na vida pública como cidadãos. “Os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na ‘política’, ou seja, na multíplice e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum” (S. João Paulo II, Christifideles laici, 42).

“Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política, deverão se esforçar os cristãos solicitados a entrarem na ação política por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho” (Paulo VI, Octogesima Adveniens, 46).
Mas é preciso respeitar os campos de ação e a competência.

“A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política... não pode nem deve se colocar no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça... não poderá firmar-se nem prosperar” (Papa Bento XVI, Deus caritas est, n. 28).

“Este trabalho político não é competência imediata da Igreja. O respeito de uma sã laicidade – até mesmo com a pluralidade das posições políticas – é essencial na tradição cristã autêntica. Se a Igreja começasse a se transformar diretamente em sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça, mas faria menos, porque perderia sua independência e sua autoridade moral, identificando-se com uma única via política e com posições parciais opináveis. A Igreja é advogada da justiça e dos pobres, precisamente ao não identificar-se com os políticos nem com os interesses de partido. Só sendo independente pode ensinar os grandes critérios e os valores irrevogáveis, orientar as consciências e oferecer uma opção de vida que vai além do âmbito político” (Bento XVI, Aparecida, 13-5-2007, Disc. Inaug. do CELAM).

“Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos” (Catecismo da Igreja Católica n° 2442).

“Não cabe à Igreja formular soluções concretas – e muito menos soluções únicas – para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um, embora seja seu direito e dever pronunciar juízos morais sobre realidades temporais, quando a fé ou a lei moral o exijam” (Nota doutrinal da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a participação e comportamento dos católicos na vida política, n° 3).

Vem a calhar a solução de Santo Agostinho: “Em questão de princípios, unidade. Nas questões discutíveis e opináveis, liberdade. Em todas as coisas, caridade”.
Dom Fernando Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Papa aos idosos: "melhor idade" não é hora de parar de remar

Cidade do Vaticano (RV) – “Como queria uma Igreja que desafia a cultura do descarte com a alegria transbordante de um novo abraço entre os jovens e os idosos”. Assim, o Papa terminou sua reflexão da Audiência Geral desta quarta-feira (11/03/2015), diante de milhares de pessoas na Praça São Pedro.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Na catequese de hoje, prosseguimos a reflexão sobre os avós, considerando o valor e a importância do seu papel na família. Faço isso identificando-me com essas pessoas, porque também eu pertenço a essa faixa de idade.

Quando estive nas Filipinas, o povo filipino me saudava dizendo “Lolo Kiko” – isso é, vovô Francisco – “Lolo Kiko”, diziam! Uma primeira coisa é importante destacar: é verdade que a sociedade tende a nos descartar, mas certamente não o Senhor. O Senhor não nos descarta nunca. Ele nos chama a segui-Lo em cada idade da vida e mesmo a velhice contém uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. A velhice é uma vocação. Não é ainda o momento de “tirar os remos do barco”. Este período da vida é diferente dos precedentes, não há dúvida; devemos também “criá-lo” um pouco, porque as nossas sociedades não estão prontas, espiritualmente e moralmente, para dar a isso, a esse momento da vida, o seu pleno valor. Uma vez, de fato, não era assim normal ter tempo à disposição; hoje é muito mais. E mesmo a espiritualidade cristã foi pega um pouco de surpresa e se trata de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. Mas graças a Deus não faltam os testemunhos de santos e santas idosos!

Fiquei muito impressionado com o “Dia para os idosos” que fizemos aqui na Praça São Pedro no ano passado, a praça estava cheia. Ouvi histórias de idosos que se gastam pelos outros e também histórias de casais de esposos que diziam: “Completamos os 50 anos de matrimônio, 60 anos de matrimônio”. É importante mostrar isso aos jovens que se cansam cedo; é importante o testemunho dos idosos na fidelidade. E nesta praça estavam tantos naquele dia. É uma reflexão a continuar, em âmbito seja eclesial seja civil. O Evangelho vem ao nosso encontro com uma imagem muito bela e comovente e encorajante. É a imagem de Simeão e de Ana, dos quais nos fala o Evangelho da infância de Jesus composto por Lucas. Eram certamente idosos, o “velho” Simeão e a “profetisa” Ana que tinha 84 anos. Esta mulher não escondia a idade. O Evangelho diz que esperavam a vinda de Deus todos os dias, com grande fidelidade, há muitos anos. Queriam propriamente vê-lo aquele dia, colher os sinais, intuir o início. Talvez estivessem um pouco resignados, por agora, a morrer primeiro: aquela longa espera continuava, porém, a ocupar toda a vida deles, não tinham compromissos mais importantes que isso: esperar o Senhor e rezar. Bem, quando Maria e José foram ao templo para cumprir as disposições da Lei, Simeão e Ana se moveram animados pelo Espírito Santo (cfr Lc 2, 27). O peso da idade e da espera desapareceu em um momento. Esses reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma nova tarefa: dar graças e dar testemunho para este Sinal de Deus. Simeão improvisou um belíssimo hino de júbilo (cfr Lc 2, 29-32) – foi um poeta naquele momento – e Ana se tornou a primeira pegadora de Jesus: “falava do menino a quantos esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2, 38).

Queridos avós, queridos idosos, coloquemo-nos nos passos desses anciãos extraordinários! Tornemo-nos também nós um pouco poetas da oração: tomemos gosto por procurar palavras nossas, reapropriemo-nos daquelas que a Palavra de Deus nos ensina. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! A oração dos idosos e dos avós é um dom para a Igreja, é uma riqueza! Uma grande injeção de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que está muito ocupada, muito presa, muito distraída. Alguém deve, então, cantar, também para eles, cantar os sinais de Deus, proclamar os sinais de Deus, rezar por eles! Olhemos para Bento XVI, que escolheu passar na oração e na escuta de Deus a última etapa de sua vida! É belo isso! Um grande crente do século passado, de tradição ortodoxa, Olivier Clément, dizia: “Uma civilização onde não se reza mais é uma civilização onde a velhice não tem mais sentido. E isso é terrível, nós precisamos antes de tudo de idosos que rezam, porque a velhice nos é dada para isso”. Precisamos de idosos que rezam porque a velhice nos é dada justamente para isso. É algo belo a oração dos idosos.

Nós podemos agradecer ao Senhor pelos benefícios recebidos e preencher o vazio da ingratidão que o circunda. Podemos interceder pelas expectativas das novas gerações e dar dignidade à memória e aos sacrifícios daquelas passadas. Nós podemos recordar aos jovens ambiciosos que uma vida sem amor é uma vida árida. Podemos dizer aos jovens amedrontados que a angústia do futuro pode ser vencida. Podemos ensinar aos jovens muito apaixonados por si mesmos que há mais alegria em dar do que em receber. Os avôs e as avós formam o “coro” permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor apoiam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida.

A oração, enfim, purifica incessantemente o coração. O louvor e a súplica a Deus previnem o endurecimento do coração no ressentimento e no egoísmo. Como é ruim o cinismo de um idoso que perdeu o sentido do seu testemunho, despreza os jovens e não comunica a sabedoria de vida! Em vez disso, como é bonito o encorajamento que o idoso consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! É realmente a missão dos avós, a vocação dos idosos. As palavras dos avós têm algo de especial, para os jovens. E eles sabem disso. As palavras que a minha avó me entregou por escrito no dia da minha ordenação sacerdotal as levo ainda comigo, sempre, no breviário e as leio e me faz bem.

Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria transbordante de um novo abraço entre os jovens e os idosos! E isso é o que peço hoje ao Senhor, este abraço!

Em seu twitter, o Papa Francisco, escreveu nesta terça-feira:

10/03/2015
Nos piores momentos, lembrai-vos: Deus é nosso Pai; Deus não abandona os seus filhos.

Papa explica: pedir perdão não é o mesmo que pedir desculpa

Homilia do Santo Padre foi concentrada no perdão de Deus; Francisco diferenciou “pedir perdão” e “pedir desculpa” e destacou necessidade de saber perdoar

Para pedir perdão a Deus, é preciso seguir o ensinamento do “Pai-Nosso”: arrepender-se com sinceridade dos próprios pecados, sabendo que Deus perdoa sempre. Foi o que reiterou o Papa Francisco durante a homilia da Missa celebrada nesta terça-feira, 10.março.2015, na Casa Santa Marta.

Deus é onipotente, mas também a sua onipotência, de certo modo, se detém diante da porta fechada de um coração que não pretende perdoar quem o feriu. O Papa se inspirou no Evangelho do dia, em que Jesus explica a Pedro que é preciso perdoar “setenta vezes sete”, que equivale a “sempre”, para reafirmar que o perdão de Deus ao homem e o perdão do homem aos outros estão estreitamente relacionados.

Francisco explicou que tudo parte de como a pessoa, antes de todos, se apresenta a Deus para pedir perdão. O exemplo do Papa é extraído da Leitura do dia, que mostra o Profeta Azarias invocando clemência pelo pecado do seu povo, que está sofrendo, mas também é culpado por ter “abandonado a lei do Senhor”. Azarias, indicou Francisco, não protesta, não se lamenta diante de Deus pelos sofrimentos; pelo contrário, reconhece os erros do povo e se arrepende.

“Pedir perdão é outra coisa, é diferente de pedir desculpa. Eu erro? Mas me desculpe, errei… Pequei! Não tem nada a ver uma coisa com outra. O pecado não é um simples erro. O pecado é idolatria, é adorar o ídolo, o ídolo do orgulho, da vaidade, do dinheiro, do “eu mesmo, do bem-estar… Tantos ídolos que nós temos. E, por isso, Azarias não pede desculpas: pede perdão”.

O perdão deve ser pedido com sinceridade, com o coração, e de coração deve ser doado a quem cometeu um deslize destacou o Papa. Como o patrão da parábola contada por Jesus, que perdoa um grande débito movido pela compaixão diante das súplicas de um dos seus servos. E não como aquele mesmo servo faz com outro servo, tratando-o sem piedade e mandando-o à cadeia, mesmo que a dívida fosse irrisória. A dinâmica do perdão – recordou o Papa – é aquela ensinada por Jesus no “Pai-Nosso”.

“Jesus nos ensina a rezar ao Pai assim: ‘Perdoa os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Se eu não sou capaz de perdoar, não sou capaz de pedir perdão. ‘Mas, padre, eu me confesso, vou ao confessionário…’. ‘E o que faz antes de se confessar?’. ‘Mas, eu penso nas coisas que fiz de mal…’. ‘Tudo bem’. ‘Peço perdão ao Senhor e prometo não fazer de novo…’. “Certo. E depois vai até ao sacerdote? Antes, porém, falta algo: perdoou a quem lhe fez mal?”.

Em poucas palavras, Francisco retomou o pensamento: o perdão que Deus lhe dará requer o perdão que você dará aos outros.

“Este é o discurso que Jesus nos ensina sobre o perdão. Primeiro: pedir perdão não é um simples pedido de desculpas, é ter consciência do pecado, da idolatria que eu perpetrei, das tantas idolatrias. Segundo: Deus sempre perdoa, sempre. Mas pede que eu perdoe. Se eu não perdoo, em um certo modo fecho as portas ao perdão de Deus. ‘Perdoa os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’”.
Radio Vaticano
A fé é um dom, diz Papa em entrevista a jornal argentino

Francisco conversou com pároco da periferia de Buenos Aires; entrevista foi publicada por jornal paroquial da periferia argentina.

A realidade, mesmo a das pessoas, é melhor vista da periferia para o centro, reiterou o Papa Francisco em uma entrevista concedida ao jornal paroquial “La Carcova News”, da periferia de Buenos Aires, na Argentina.

A entrevista foi concedida em 7 de fevereiro de 2015 ao pároco de São João Bosco, na periferia de Buenos Aires, padre José María di Paola, conhecido como “padre Pepe”. Sobre uma visita a Argentina, Francisco disse pensar em fazê-la em 2016, mas é preciso encontrar um ajuste com outras viagens.

Às vésperas do segundo aniversário do pontificado de Francisco, celebrado nesta sexta-feira, 13, a entrevista retoma os temas que ele aborda nas homilias na Casa Santa Marta, nas visitas às paróquias ou nas catequeses e Angelus.

A realidade é vista melhor da periferia

“A realidade é vista melhor da periferia que do centro”, disse o Papa referindo-se também à realidade de uma pessoa, a periferia existencial, ou a realidade do seu pensamento. Ele mencionou ainda o problema das drogas, ao qual muitos países estão submetidos, manifestando sua preocupação pelo “triunfalismo dos traficantes”, porque pensam que venceram.

Pais: transmitir fé aos filhos

Francisco convida a transmitir aos filhos valores fortes através do amor, do afeto, do tempo passado com eles e, sobretudo, com a fé. “Sofro ao encontrar uma criança que não sabe fazer o sinal da Cruz. Quer dizer que não lhe foi dada a coisa mais importante que um pai e uma mãe podem dar: a fé”.

Papa: um pecador como os outros

Na entrevista, Francisco admite ser um pecador como qualquer outro, mas diz que o que o move é a certeza de que a pessoa é imagem e semelhança de Deus, que a vida está nas mãos de Deus e que o Senhor não abandona os seus filhos.

Ele explicou que, em alguns momentos, a pessoa é consciente da presença de Deus, mas outras vezes se esquece disso. A fé, porém, não é um sentimento e sim um dom, uma relação com Jesus Cristo que salva. O Papa reiterou, então, o convite a ter sempre no bolso um pequeno Evangelho: “É dali que a fé tem o seu alimento”.

Gestos de amor

Outra indicação dada pelo Papa foi realizar obras de amor para o povo e escutar as pessoas. “Mesmo se você não está de acordo com elas, sempre, sempre te dão alguma coisa”.

Na era das relações virtuais, Francisco mencionou o risco de, mesmo com tantas informações, criar “jovens-museus”: pessoas muito bem informadas, mas que não sabem o quer fazer com tudo o que sabem. A fecundidade na vida quer dizer amar, significa ter um “contato físico”, estender a mão a uma pessoa e abraçá-la. “O amor virtual não existe”.
Radio Vaticano

Papa: Deus não dá show, mas atua na humildade e no silêncio

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa celebrou na manhã desta segunda-feira (09/03/2015) a Missa na Casa Santa Marta. Comentando o Evangelho do dia, Francisco ressaltou o trecho em que Jesus repreende os habitantes de Nazaré pela falta de fé: no início, Ele é ouvido com admiração, mas depois explode “a ira e a indignação”:

“Naquele momento, entre as pessoas que ouviam com prazer o que Jesus dizia, um, dois ou três não gostaram do que ele disse, e um falador se levantou e afirmou: ‘Mas o que esta pessoa está falando? Onde estudou para nos dizer essas coisas? Que nos mostre o diploma! Em qual Universidade estudou? Ele é o filho do carpinteiro e o conhecemos bem”. E começou a fúria, e também a violência. “E o expulsaram da cidade e o conduziram até o cume da colina”. E queriam jogá-lo lá de cima”.

A primeira leitura fala de Naamã, comandante do exército sírio, leproso. O Profeta Eliseu lhe diz de banhar-se sete vezes no Jordão e também ele se indigna porque pensava num gesto maior. Depois ouve o conselho dos servos, faz o que disse o Profeta e a lepra desaparece. Seja os habitantes de Nazaré, seja os de Naamã – observou o Papa – “queriam um show”, mas “o estilo do bom Deus não é dar show: Deus atua na humildade, no silêncio, nas coisas pequenas”. Isso – destacou – se vê em “toda a história da salvação”, a partir da Criação, onde o Senhor não pegou “a varinha mágica”, mas criou o homem “com o barro”:

“Quando ele quis libertar o seu povo, libertou-o pela fé e a confiança de um homem, Moisés. Quando ele quis fazer cair a poderosa cidade de Jericó, ele o fez através de uma prostituta. Também para a conversão dos samaritanos, pediu o trabalho de outra pecadora. Quando Ele enviou Davi para lutar contra Golias, parecia loucura: o pequeno Davi diante do gigante, que tinha uma espada, tinha muitas coisas, e Davi apenas uma funda e pedras. Quando disse aos Magos, que tinha nascido o Rei, o Grande Rei, o que eles encontram? Uma criança, uma manjedoura. As coisas simples, a humildade de Deus, este é o estilo divino, jamais um show”.

O Papa recorda “também uma das três tentações de Jesus no deserto: o show”. Satanás o convida a lançar-se do pináculo do Templo porque vendo o milagre as pessoas possam acreditar n’Ele. “O Senhor – ao invés disso - se revela na simplicidade, na humildade”. “Nós fará bem nesta Quaresma - conclui Francisco - pensar em nossas vidas em como o Senhor nos ajudou, como o Senhor nos fez seguir em frente, e vamos descobrir que ele fez isso com coisas simples”:

“Assim age o Senhor: faz as coisas de forma simples. Fala-nos silenciosamente ao coração. Recordamos na nossa vida as muitas vezes que ouvimos essas coisas: a humildade de Deus é o seu estilo; a simplicidade de Deus é o seu estilo. E também na liturgia, nos sacramentos, que bonito é que se manifeste a humildade de Deus e não o show mundano. Irá nos fazer bem percorrer a nossa vida e pensar nas muitas vezes em que o Senhor nos visitou com sua graça, e sempre com esse estilo humilde, o estilo que também Ele nos pede para ter: a humildade”.


Estes são os últimos tweets do Santo Padre:

09/03/2015
A humildade salva o homem; a soberba leva-o a perder o caminho.
07/03/2015
Construamos a nossa vida de fé sobre a rocha, que é Cristo.


Papa: compreender a teologia é compreender Deus, que é Amor



Cidade do Vaticano, 9.março.2015 (RV) - A teologia viva nas fronteiras, assumindo todos os conflitos do mundo: é a exortação do Papa Francisco contida na carta ao arcebispo de Buenos Aires e grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica Argentina (Uca), Cardeal Mario Aurelio Poli, por ocasião dos cem anos da faculdade de Teologia da instituição acadêmica da capital argentina.

Também os bons teólogos, como os bons pastores, “têm o cheiro do povo e da estrada”. Recorda o Papa Francisco, saudando os alunos e os funcionários da faculdade no centenário de fundação em coincidência – acrescenta – com os cinquenta anos da conclusão do Concílio Vaticano II, que “produziu um irreversível movimento de renovação que vem do Evangelho”. Agora “é preciso seguir adiante”, ressalta.

A reflexão do Pontífice insiste que “ensinar e estudar teologia significa viver numa fronteira”, a fronteira em que o Evangelho encontra as necessidades do povo ao qual deve ser anunciado de modo “compreensível e significativo”.

Em seguida, Francisco adverte que devemos estar atentos para não cairmos numa teologia “que se esgota na disputa acadêmica ou que olha para a humanidade a partir de um castelo de vidro”.

A teologia deve ser “radicada e fundada” na Revelação, na Tradição, acompanhando os processos culturais e sociais, “em particular, as transições difíceis”.

O Pontífice defende uma teologia que assume “também os conflitos”: não somente os “que experimentamos dentro da Igreja – observa –, mas também os que dizem respeito ao mundo inteiro e que são vividos ao longo dos caminhos da América Latina”.

O Papa convida a não contentar-se “com uma teologia elaborada à mesa”: as fronteiras sejam o lugar de reflexão.

Em seguida, o Santo Padre retoma uma imagem mais vezes por ele evocada, a de uma Igreja “hospital de campanha”, para salvar e curar o mundo, da qual a teologia seja expressão, mediante a misericórdia, que não é “somente uma atitude pastoral, mas é – recorda – a substância própria do Evangelho de Jesus”.

Sem ela, teologia, direito e pastoral “correm o risco de cair na mesquinhez burocrática ou na ideologia, que por sua natureza quer domesticar o mistério”, explica. Compreender a teologia “é compreender Deus, que é Amor”, acrescenta.

Os votos finais do Pontífice são de que a Universidade Católica Argentina não forme um “teólogo de museu”, não um estudioso que permanece olhando da janela o desdobrar-se da história, não “um burocrata do sagrado”, mas “uma pessoa capaz de construir humanidade em torno a si, de transmitir a divina verdade cristã em dimensão verdadeiramente humana”.

Papa: ao inferno ninguém manda você, é você que escolhe ir



Roma (RV) - O Papa Francisco visitou na tarde deste domingo, 8.março.2015, a Paróquia de Santa Maria Mãe do Redentor, localizada no bairro romano de Tor Bella Monaca. O Santo Padre, chegando ao bairro deteve-se primeiramente no Centro Caritas onde trabalham as Irmãs Missionárias da Caridade. Ali encontrou cerca de 80 doentes e portadoras de deficiências, em representação de todas as pessoas assistidas pelo Centro Caritas; encontrou-se ainda com cinco famílias que necessitam de ajuda, italianas e estrangeiras, que também representaram as famílias que Centro ajuda.

Em seguida, Francisco foi à Paróquia onde foi recebido com muita festa pelos fiéis locais. No campo esportivo, o Papa se encontrou com as crianças e adolescentes da catequese, cerca de mil. As crianças deram de presente ao Papa uma camiseta do time do oratório salesiano. As crianças fizeram perguntas ao Papa.

Francisco respondeu à primeira pergunta com outra pergunta: Deus perdoa tudo ou não? (A resposta das crianças: sim). Porque ele é bom disse o Papa. Havia um anjo muito orgulhoso, que era muito inteligente e tinha inveja de Deus, queria o lugar de Deus. E Deus quis perdoa-lo, mas ele não quis. Este é o inferno: dizer a Deus arranje-se que eu me arranjo sozinho. Ao inferno – disse o Papa – ninguém manda você, é você que escolhe ir.

O Santo Padre cita também o episódio dos dois ladrões para reforçar o exemplo. Somente vai para o inferno quem diz a Deus que não tem necessidade d’Ele, que se arranja sozinho. E finalizou, dirigindo a palavra à menina que o interpelou: “obrigado pela pergunta, você será uma boa teóloga”.

Já a segunda pergunta foi sobre a moralidade cristã. Como viver essa moralidade? Como ser Santo diante de Deus? Viver moralmente é uma graça. O modo moral de viver – disse o Papa – é uma resposta a Jesus. É Jesus que ajuda você a levar avante uma vida moral. Preceitos e proibições sozinhos não fazem de você um bom cristão. Cristão é o amor de Jesus. Os alpinos – disse ainda – têm uma canção muito bonita que diz que na arte de subir uma montanha o importante não é não cair, mas saber levantar-se.

A terceira pergunta era sobre a sua felicidade de ser Papa. “Não sei – respondeu – mudaram-me de diocese, eu era feliz ali, agora sou feliz aqui. O Santo Padre chama a atenção: nunca caminhe na vida sem Jesus, nunca se lamente se a vida mudar você de lugar.

As crianças do centro diurno deram ao Papa de presente uma faixa com seus nomes e fizeram uma foto de grupo.

No teatro da paróquia Francisco se encontrou com o Conselho Pastoral e os animadores.

“As pessoas de Tor Bella Monaca são boas, mas têm um só defeito, o mesmo que tinha Jesus, Maria e José: serem pobres, “a pobreza”, mas “a diferença é que José e Jesus tinham um trabalho enquanto muita gente não tem o que dar de comer aos filhos e vocês sabem disso”. Foi o que disse o Papa ao Conselho Pastoral da paróquia explicando como nesta situação de “injustiça” está “o drama” das pessoas “boas mas provadas pelo desemprego e assim obrigada a fazer coisas ruins porque a sociedade não oferece outro caminho”.

“Quando as pessoas se sentem acompanhadas e bem quistas não caem na rede dos ruins, dos mafiosos que exploram as pessoas pobres para fazer o trabalho sujo. Depois se a polícia os encontra, encontra a pobre gente e não os mafiosos que pagam a sua segurança”. O Papa quis assim reafirmar que o “primeiro mandamento” deve ser “a proximidade”.

Enfim, antes de celebrar a Santa Missa, confessou alguns fiéis. Chegando à paróquia o Papa foi circundado pelos fiéis e por faixas de boas-vindas e um “obrigado por estar aqui conosco”.

Na sua homilia, na Santa Missa, o Santo Padre partiu do Evangelho do dia no qual Jesus expulsa os vendedores do Templo afirmando que o mesmo apresenta duas coisas que chamam a atenção: uma imagem e uma palavra.

A imagem – disse – é a de Jesus com o chicote na mão, expulsando todos aqueles que se aproveitavam do Templo para fazer negócios. Negociantes que vendiam animais para os sacrifícios, trocavam moedas… havia o sacro – o templo, sacro – e, essa sujeira, lá fora. Essa é a imagem. E Jesus pega o chicote para limpar um pouco o Templo.

Nós não podemos enganar Jesus, continuou o Papa. “Ele nos conhece por dentro”. Essa pode ser uma boa pergunta à metade da Quaresma: Jesus confia em mim? Jesus, confia em mim ou tenho duas caras? Faço o católico, próximo à Igreja, e depois vivo como um pagão?

Jesus – disse ainda o Papa – conhece tudo o que tem dentro do nosso coração: nós não podemos enganar Jesus. Não podemos diante d’Ele, fazer de conta que somos santos, e fechar os olhos, fazer assim, e depois levar uma vida que não seja a que Ele deseja. Todos nós sabemos o nome que Jesus dava a pessoas de duas caras: hipócrita.

“Irá nos fazer bem, hoje, entrar no nosso coração e olhar para Jesus. Dizer-lhe: ‘Mas, Senhor, olhe, há coisas boas, mas também há coisas ruins. Jesus, Tu confias em mim? Sou pecador…’.

Isso não assusta Jesus: se você diz a Ele, ‘sou um pecador’, Ele não se assusta. O que o distancia – continuou o Papa -, é ter duas caras. Fazer o justo para cobrir o pecado escondido; “eu vou à igreja todos os domingos”. Mas se o seu coração não é justo, se você não faz justiça, se você não vive segundo o espírito das Bem-aventuranças, você não é católico, você é hipócrita”.

Além do mais, “quando entramos no nosso coração – disse ainda Francisco – nós encontramos coisas que não são boas, como Jesus encontrou no Templo aquela sujeira do comércio, dos vendedores. “Também dentro de nós há sujeiras. Há pecados de soberba, de orgulho, de avareza, de inveja, de ciúmes, tantos pecados. Mesmo assim podemos continuar o diálogo com Jesus. Jesus, Tu confias em mim?” Eu quero que confies em mim. “Abro-lhe a porta e limpe a minha alma”.

“E pedir ao Senhor – acrescentou – que como foi polir o Templo, venha polir a minha alma. Imaginamos que ele foi com o chicote, mas com o chicote não se limpa a alma. Vocês sabem qual é o chicote de Jesus para limpar a nossa alma? A misericordia. Abrir o coração à misericórdia de Jesus. Jesus, olhe quanta sujeita, venha, limpe com a sua misericórdia, com as suas palavras dóceis, com as suas carícias. E se abrimos o nosso coração à misericórdia de Jesus para que limpe o nosso coração, a nossa alma, Jesus confiará em nós”.
Papa pede para que todos limpem os vossos corações



No Angelus deste domingo, 8.março.2015, o Papa Francisco diz que Jesus faz “a limpeza” não com o chicote, mas com a misericórdia e com o amor

“O Senhor se sente verdadeiramente a casa na nossa vida? Permito-lhe fazer ‘limpeza’ no meu coração e expulsar os ídolos, isto é, as atitudes de ganância, inveja, mundanismo, aquelas atitudes de fofocar e prejudicar os outros? Permito-lhe fazer limpeza dos comportamentos contra Deus e contra o próximo?”. Essas foram as perguntas feitas pelo Papa Francisco, neste domingo, 8, a toda multidão que estava na praça de São Pedro, no Vaticano.

O Papa destaca que no tempo da Quaresma, as pessoas se preparam para a celebração da Páscoa, momento que se renova as promessas do Batismo.

Sua reflexão baseia-se no episódio evangélico da expulsão dos vendedores do templo. O Papa diz que Jesus faz “a limpeza” não com o chicote, mas com a misericórdia, com o amor. Ele pede para que as pessoas abram a porta do coração para que “Jesus faça um pouco de limpeza”.

O Pontífice definiu a expulsão dos vendedores do templo como “um gesto profético” e disse que a mensagem dada naquela ocasião por Jesus se compreende plenamente à luz da sua Páscoa.

“Temos aqui, de acordo com João, o primeiro anúncio da morte e ressurreição de Cristo: seu corpo, destruído na cruz pela violência do pecado, se tornará na Ressurreição o lugar de encontro universal entre Deus e os homens. E Cristo Ressuscitado é precisamente o lugar do encontro universal entres Deus e os homens”, disse.

O Santo Padre acrescenta dizendo que a humanidade é o verdadeiro templo onde Deus se revela, fala e se faz conhecer. “Os verdadeiros adoradores de Deus não são os guardiões do templo material, os detentores do poder e do conhecimento religioso, mas aqueles que adoram a Deus em espírito e em verdade” (Jo 4,23).

O Papa destaca que no tempo da Quaresma, as pessoas se preparam para a celebração da Páscoa, momento que se renova as promessas do Batismo. Ele pede para que todos caminhem como Jesus e façam da existência um sinal de Seu amor pelos irmãos, especialmente os fracos e os mais pobres. “Vamos construir para Deus um templo em nossas vidas. E, assim, O tornamos ‘ao alcance’ de tantas pessoas que encontramos no nosso caminho”.

O Pontífice recordou que cada Eucaristia que celebramos com fé nos faz crescer como templo vivo do Senhor, graças à comunhão com o seu Corpo, crucificado e ressuscitado. “Jesus conhece o que está em cada um de nós, e conhece também o nosso mais ardente desejo: de ser habitado por Ele, só por Ele”.

Antes de conceder a Benção Apostólica, o Santo Padre pediu a Maria Santíssima que acompanhe e sustente a todos no itinerário quaresmal, para que possam redescobrir a beleza do encontro com Cristo, que liberta e salva.

Após o Angelus deste domingo, 8, o Santo Padre saudou vários grupos presentes na Praça São Pedro, no Vaticano. Entre eles estavam os fiéis de Roma e os peregrinos provenientes de Curitiba (PR). Francisco pediu que “durante esta Quaresma, procuremos estar mais próximos das pessoas que estão passando por momentos difíceis: próximos com o afeto, a oração e a solidariedade”.

Em seguida, o Papa recordou que neste domingo comemora-se o Dia Internacional da Mulher. O Santo Padre fez uma saudação a todas as mulheres que diariamente buscam construir uma sociedade mais humana e acolhedora e agradeceu a todas aquelas que de mil maneiras testemunham o Evangelho e trabalham na Igreja.

“Esta é uma ocasião para reafirmar a importância das mulheres e a necessidade da sua presença na vida. Um mundo onde as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril, porque as mulheres não somente trazem a vida, mas nos transmitem a capacidade de ver além, elas veem além”, disse.

Papa afirma que as mulheres transmitem a capacidade de compreender o mundo com olhos diferentes, de sentir as coisas com um coração mais criativo, mais paciente, mais terno.

“Uma oração e uma bênção particular para todas as mulheres aqui presentes nesta Praça e para todas as mulheres!”, conclui o Pontífice.
O recado de Francisco aos jovens ingleses

Londres (RV) – Sábado, dia 7.março.2015, os jovens católicos ingleses, convocados no estádio de Wembley para um Dia de Oração promovido pela Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales, receberam a saudação especial do Pontífice. A mensagem de Francisco foi lida pelo Núncio Apostólico, Dom Antonio Mennini.

Repetindo as palavras proferidas aos jovens nas Filipinas em janeiro passado, Francisco afirmou que “Deus nos surpreende... Deixemo-nos surpreender por Deus! E não tenhamos a psicologia do computador: pensar que sabemos tudo. O computador te dá todas as respostas, nenhuma surpresa. Não tenham medo das surpresas, que criam crises, mas depois os colocam em caminho de novo. O verdadeiro amor impele a gastar a vida, mesmo a risco de ficar com as mãos vazias. São Francisco deixou tudo, morreu com as mãos vazias, com os bolsos vazios, mas com o coração cheio”.

A mensagem foi recebida por jovens de 15 a 30 anos reunidos em um encontro importante de oração e de festa, encerrado com a adoração eucarística conduzida pelo Arcebispo de  Westminster e Presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e de Gales, Cardeal Vincent Gerard Nichols.

Papa aos neocatecumenais: evangelizar com o exemplo de vida

Cidade do Vaticano, 6.março.2015 (RV) – O envio missionário de famílias foi a ocasião para o Papa Francisco receber na manhã desta sexta-feira (06/03), no Vaticano, cerca de sete mil membros do Caminho Neocatecumenal.

Acompanhados pelos iniciadores Kiko Arguello e Carmen Hernández, o Pontífice agradeceu “pelo grande bem” que o Caminho faz à Igreja, “dom da Providência nos nossos tempos”.

Francisco declarou-se satisfeito de que o ideal dos neocatecumenais se realize graças às famílias cristãs que, reunidas numa comunidade, têm a missão de dar os sinais da fé que atraem os homens à beleza do Evangelho.

Antes mesmo que com as palavras, disse o Papa, as famílias são chamadas a evangelizar com o exemplo de vida.

“O mundo de hoje sente extrema necessidade desta mensagem. Quanta solidão, quanto sofrimento, quanta distância de Deus em tantas periferias da Europa e da América, e em tantas cidades da Ásia! Quanta necessidade tem o homem de hoje, em todas as latitudes, de sentir que Deus o ama e que o amor é possível!.”

Francisco ressaltou a missão dos neocatecumenais de deixar tudo e partir para terras distantes graças a um caminho de iniciação cristã vivido em pequenas comunidades. Este caminho está fundamentado em três dimensões da Igreja, que são a Palavra, a Liturgia e a Comunidade.

O Papa insistiu para a necessidade de a Igreja passar de uma pastoral de simples manutenção a uma pastoral decididamente missionária. “Quantas vezes na Igreja temos Jesus dentro e não O deixamos sair. Esta é a coisa mais importante a se fazer se quisermos que as águas não fiquem estagnadas na Igreja. O Caminho há anos está realizando essas missio ad gentes em meio aos não-cristãos, por uma nova presença de Igreja lá onde ela não existe ou não é mais capaz de alcançar as pessoas. Despertem esta fé”, concluiu Francisco, encorajando o Caminho Neocatecumenal a prosseguir neste caminho já traçado.



Realmente, a cada um de nós, como a Lázaro, foi um "veni foras", sai para fora, que nos pôs em movimento.

Que pena dão aqueles que ainda estão mortos, e não conhecem o poder da misericórdia de Deus!

Renova a tua alegria santa porque, face ao homem que se desintegra sem Cristo, se levanta o homem que ressuscitou com Ele.
São José Maria Escrivá

Abandono é a 'doença' mais grave do idoso, diz Papa

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta quinta-feira, 5.março.2015, participantes da 21ª Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida. Neste ano, o tema em pauta foi “A assistência aos idosos e os cuidados paliativos”.

O Santo Padre lembrou que esses cuidados constituem uma atitude humana, de cuidar uns dos outros, especialmente de quem sofre. E testemunha que a pessoa é preciosa, mesmo se idosa ou doente.

“A pessoa, de fato, em qualquer circunstância, é um bem para si mesma e para os outros e é amada por Deus. Por isso, quando a sua vida se torna muito frágil e se aproxima da conclusão da existência terrena, sentimos a responsabilidade de auxiliá-la e acompanhá-la do melhor modo”.

O mandamento bíblico que pede para honrar os pais recorda, segundo o Papa, a honra que se deve dar a todas as pessoas idosas. Ele comentou que a sabedoria que faz reconhecer o valor da pessoa idosa e honrá-la é a mesma que permite apreciar os dons recebidos cotidianamente de Deus.

Honrar, conforme explicou Francisco, poderia ser traduzido hoje como o dever de ter extremo respeito e cuidar de quem, por sua condição física ou social, poderia ser deixado para morrer. O Santo Padre defende que o idoso precisa, em primeiro lugar, do cuidado da família, cujo afeto não pode ser substituído nem por estruturas mais eficientes nem por agentes de saúde competentes.

“O abandono é a maior ‘doença’ do idoso, bem como a maior injustiça que pode sofrer: aqueles que nos ajudaram a crescer não devem ser abandonados quando precisam da nossa ajuda, do nosso amor, da nossa ternura”.

Francisco manifestou seu apreço pelo trabalho do Pontifício Conselho e encorajou profissionais e estudantes a se especializarem em cuidados paliativos, uma assistência que valoriza a pessoa.

“Exorto todos aqueles que, de alguma forma, estão empenhados no campo dos cuidados paliativos a praticar esse empenho conservando íntegro o espírito de serviço e recordando que toda consciência médica é realmente ciência no seu significado mais nobre somente se se coloca como auxílio em vista do bem do homem, um bem que não se alcança nunca ‘contra’ a sua vida e a sua dignidade”.

A realidade dos idosos também foi o tema central da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 4. O Pontífice destacou que as pessoas mais velhas não podem ser ignoradas, pois são a reserva de sabedoria de um povo.

L'Osservatore Romano

Tweet do Papa Francisco nesta quinta-feira:

05/03/2015
Se estamos demasiado apegados à riqueza, não somos livres. Somos escravos.

Papa: mundanidade anestesia a alma

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta quinta-feira (05/03/2015), o Papa celebrou a Missa na Casa Santa Marta. Em sua homilia, comentando a parábola do rico opulento, o Papa observou que não se tratava de um homem mau, “talvez fosse um homem religioso, a seu modo. Rezava, ia ao templo, oferecia sacrifícios e ofertas aos sacerdotes, que lhe davam um lugar de honra para se sentar”. Mas não percebia que à sua porta havia um pobre mendicante, Lázaro, faminto, cheio de chagas, “símbolo das muitas necessidades que tinha”. O Papa explica a situação do homem rico:

“Quando saía de casa, eh não … talvez o carro com o qual saia tinha os vidros escuros para não ver o lado de fora... talvez, mas não sei... Mas certamente, sim, a sua alma, os olhos da sua alma estavam ofuscados para não ver. Somente via dentro de sua vida, e não percebia o que tinha acontecido a este homem, que não era mau: estava doente. Doente de mundanidade. E a mundanidade transforma as almas, faz perder a consciência da realidade: vivem num mundo artificial, feito por eles... A mundanidade anestesia a alma. E por isso, este homem mundano não era capaz de ver a realidade”.

E a realidade é a de tantos pobres que vivem ao nosso redor:

“Muitas pessoas que levam a vida de maneira difícil, de modo difícil; mas se eu tenho o coração mundano, jamais entenderei isso. Com o coração mundano não se pode entender a necessidade dos outros. Com o coração mundano pode-se frequentar a igreja, pode-se rezar, fazer tantas coisas. Mas Jesus, na Última Ceia, na oração ao Pai, o que pediu? ‘Mas, por favor, Pai, proteja esses discípulos para que não caiam no mundo, não caiam na mundaneidade.’ É um pecado sutil. É mais que um pecado, é um estado: pecador da alma”.

Nestas duas estórias – afirma o Papa – há duas máximas: uma maldição para o homem que confia no mundo e uma benção para quem confia no Senhor. O homem rico afasta seu coração de Deus: ‘sua alma é deserta’, uma ‘terra salobra em que ninguém reside’ ‘porque os mundanos, na verdade, estão sós com o seu egoísmo’.
Seu coração está adoentado, tão apegado a este modo de viver mundano que dificilmente podia se curar. Além disso – acrescenta o Papa – enquanto o pobre tem um nome, Lázaro, o rico, não o tem: “não tinha nome, porque os mundanos perdem o nome. São somente um, na multidão de ricos que não precisam de nada”.

E referindo-se ao pedido do homem rico, já nos tormentos do inferno, para que se envie alguém para advertir seus familiares ainda vivos - e Abraão responde que se não ouvirem Moisés e os Profetas, não seriam persuadidos nem mesmo se alguém ressurgisse dos mortos - o Papa afirma: os mundanos querem manifestações extraordinárias, mas “na Igreja tudo é claro, Jesus falou claramente: aquele é o caminho. E no fim, uma palavra de consolo:

“Quando aquele pobre homem mundano, nos tormentos, pede que seja enviado Lázaro com um pouco de água para ajuda-lo, como responde Abraão? Abraão é a figura de Deus, o Pai. Como responde? ‘Filho, lembre-se... Os mundanos perderam o nome. E nós também, se tivermos o coração mundano, perderemos o nome!. Mas não somos órfãos. Até o fim, até o último momento, existe a segurança que temos um Pai que nos espera. Entreguemo-nos a Ele. Ele nos diz ‘Filho’, em meio àquela mundanidade. Não somos órfãos”.


A mulher, coração da família

Domingo próximo, dia 8, será o dia internacional da mulher, razão de falarmos da dignidade especial daquela que é o coração da família. Sua dignidade há que ser ressaltada, pois a crise atual da família atinge especialmente a mulher. “Na nossa época, o matrimônio e a família estão em crise. Vivemos numa cultura do provisório, na qual cada vez mais pessoas renunciam ao matrimônio como compromisso público. Esta revolução nos costumes e na moral agitou com frequência a ‘bandeira da liberdade’, mas na realidade trouxe devastação espiritual e material a numerosos seres humanos, de maneira especial aos mais vulneráveis. É cada vez mais evidente que o declínio da cultura do matrimônio está associado a um aumento de pobreza e a uma série de numerosos outros problemas sociais que atingem em medida desproporcional as mulheres, as crianças e os idosos. E são sempre eles quem mais sofre nesta crise” (Papa Francisco, Discurso aos participantes no encontro internacional sobre a complementaridade entre homem e a mulher, 17/11/2014).

Foi o cristianismo que salvou a dignidade da mulher! A história, nos testemunhos de Juvenal e Ovídio, nos conta que a moral sexual e a fidelidade conjugal, antes do cristianismo, estavam em extrema degradação. Constatamos isso, vendo atualmente a situação da mulher nos povos que não têm o cristianismo. No começo do século II, Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro. Galeno, o médico grego do século II, ficava impressionado com a retidão do comportamento sexual dos cristãos. Os próprios historiadores são obrigados a confessar que foram os cristãos que restauraram a dignidade do matrimônio.

O cristianismo estendeu o conceito de adultério também à infidelidade do marido, pois no mundo antigo ele só se limitava à infidelidade da esposa. O cristianismo santificou o matrimônio, elevando-o à ordem de sacramento, proibindo o divórcio, que prejudica, sobretudo, a mulher. O cristianismo, ao contrário da mentalidade machista, iguala o pecado do homem e da mulher: o sexto e o nono mandamentos valem igualmente para os dois.
           
As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo (cf. Thomas E. Woods Jr, “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”).
          
O homem e a mulher são seres humanos, em grau igual, ambos criados à imagem de Deus. Mas, “a igualdade de dignidade não significa ser idêntico aos homens. Isso só empobrece as mulheres e toda a sociedade, deformando ou perdendo a riqueza única e valores próprios da feminilidade. Na visão da Igreja, o homem e a mulher foram chamados pelo Criador para viver em profunda comunhão entre si, conhecendo-se mutuamente, para dar a si mesmos e agir em conjunto, tendendo para o bem comum com as características complementares do que é feminino e masculino” (S. João Paulo II, Mensagem sobre a mulher, 26/5/1995).

Dom Fernando Rifan – Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

Papa Francisco: Onde não há honra para os idosos, não há futuro para os jovens

Quarta-feira, 4 de março de 2015, audiência geral do Papa Francisco na Praça de S. Pedro numa manhã cinzenta em Roma. Tema da catequese: os avós. O Santo Padre desenvolveu a primeira de duas catequeses sobre as pessoas idosas na família e os avós em particular. Nesta quarta-feira fez uma análise da condição do idoso e na próxima semana será uma catequese sobre a vocação dos idosos e dos avós na família e na sociedade.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

A catequese de hoje e a da próxima quarta-feira são dedicadas aos idosos, que no âmbito da família são os avós, os tios. Hoje, vamos refletir sobre a problemática condição atual dos idosos e, da próxima vez, isso é, na próxima quarta-feira, de forma mais positiva, sobre a vocação contida nesta idade da vida.

Graças aos progressos da medicina, a vida se alongou: mas a sociedade não se “alargou” à vida! O número de idosos se multiplicou, mas as nossas sociedades não se organizaram o suficiente para dar lugar a eles, com justo respeito e concreta consideração por sua fragilidade e sua dignidade. Enquanto somos jovens, somos induzidos a ignorar a velhice, como se fosse uma doença a manter distante; depois, quando nos tornamos velhos, especialmente se somos pobres, se estamos doentes, sozinhos, experimentamos as lacunas de uma sociedade programada sobre a eficiência, que consequentemente ignora os idosos. E os idosos são uma riqueza, não podem ser ignorados.

Bento XVI, visitando uma casa para idosos, usou palavras claras e proféticas, dizia assim: “A qualidade de uma sociedade, gostaria de dizer de uma civilização, se julga também pelo modo como os idosos são tratados e pelo lugar reservado a eles no viver comum” (12 de novembro de 2012). É verdade, a atenção aos idosos faz a diferença de uma civilização. Em uma civilização há atenção para o idoso? Há lugar para o idoso? Esta civilização seguirá adiante se souber respeitar a sabedoria, a sabedoria dos idosos. Em uma civilização em que não há lugar para os idosos ou são descartados porque criam problemas, esta sociedade leva consigo o vírus da morte.

No Ocidente, os estudiosos apresentam o século atual como o século do envelhecimento: os filhos diminuem, os velhos aumentam. Este desequilíbrio nos interpela, antes, é um grande desafio para a sociedade contemporânea. No entanto, uma cultura do lucro insiste em fazer os velhos parecerem um peso, um “lastro”. Não só não produzem, pensa esta cultura, mas são um fardo: em suma, qual é o resultado de pensar assim? São descartados. É ruim ver os idosos descartados, é uma coisa ruim, é pecado! Não se ousa a dizer isso abertamente, mas se faz isso! Há algo de vil nesta dependência à cultura do descartável. Mas nós estamos habituados a descartar pessoas. Queremos remover o nosso elevado medo da fraqueza e da vulnerabilidade; mas assim fazendo aumentamos nos idosos a angústia de serem mal suportados e abandonados.

Já no ministério de Buenos Aires, vi de perto esta realidade com os seus problemas: “Os idosos são abandonados, e não só na precariedade material. São abandonados na egoísta incapacidade de aceitar os seus limites que refletem os nossos limites, nas numerosas dificuldades que hoje devem superar para sobreviver em uma civilização que não permite a eles participar, ter uma palavra a dizer, nem de ser referência segundo o modelo consumista do ‘somente os jovens podem ser úteis e podem desfrutar’. Estes idosos deveriam, em vez disso, ser, para toda a sociedade, a reserva de sabedoria do nosso povo. Os idosos são a reserva de sabedoria do nosso povo! Com quanta facilidade se coloca para dormir a consciência quando não há amor!” (Só o amor pode nos salvar, Cidade do Vaticano 2013, p. 83). E assim acontece. Eu recordo, quando visitava as casas de repouso, falava com cada um e tantas vezes ouvi isso: “Como a senhora está? E os seus filhos? – Bem, bem – Quantos filhos a senhora tem? – Tantos. E eles vêm visitá-la? – Sim, sim, sempre, sim, vêm. – Quando vieram pela última vez?”. Recordo uma idosa que me dizia: “Foi no Natal”. Estávamos em agosto! Oito meses sem ser visitada pelos filhos, oito meses abandonada! Isto se chama pecado mortal, entendido? Uma vez, quando criança, a avó nos contava uma história de um avó idoso que, ao comer, se sujava porque não podia levar bem a colher com a sopa à boca. E o filho, o pai da família, decidiu tirá-lo da mesa comum e fez uma mesinha em uma cozinha, onde não podia ser visto, para que comesse sozinho. E assim não daria uma má impressão quando chegassem os amigos para almoçar ou jantar. Poucos dias depois, chegou à casa e encontrou o seu filho menor que brincava com a lenha e o martelo e os pregos fazendo alguma coisa ali, disse: “O que você está fazendo? Faço uma mesa, papai. – Uma mesa, para que? – Para você ter uma quando se tornar idoso, assim você pode comer ali”. As crianças têm mais consciência que nós!

Na tradição da Igreja, há uma riqueza de sabedoria que sempre apoiou uma cultura de proximidade aos idosos, uma disposição ao acompanhamento afetuoso e solidário nesta parte final da vida. Tal tradição está enraizada nas Sagradas Escrituras, como atestam, por exemplo, estas expressões do Livro do Eclesiástico: “Não desprezes os ensinamentos dos anciãos, pois eles aprenderam com seus pais. Estudarás com eles o conhecimento e a arte de responder com oportunidade” (Eclo 8, 11-12).

A Igreja não pode e não quer se conformar a uma mentalidade de impaciência e tão pouco de indiferença e desprezo em relação à velhice. Devemos despertar o sentido coletivo de gratidão, de apreço, de hospitalidade, que façam o idoso se sentir parte viva da sua comunidade.

Os idosos são homens e mulheres, pais e mães que foram antes de nós nessa nossa mesma estrada, na nossa mesma casa, na nossa cotidiana batalha por uma vida digna. São homens e mulheres de quem nós recebemos muito. O idoso não é um alienígena. O idoso somos nós: em breve, em muito tempo, inevitavelmente, de qualquer maneira, mesmo se nós não pensamos nisso. E se nós aprendemos a tratar bem os idosos, assim nos tratarão.

Frágeis todos somos um pouco. Alguns, porém, são particularmente frágeis, muitos são sozinhos, e marcados pela doença. Alguns dependem de cuidados indispensáveis e da atenção dos outros. Vamos dar um passo atrás nisso? Vamos abandoná-los ao próprio destino? Uma sociedade sem proximidade, onde a gratuidade e afeto sem contrapartida – mesmo entre estranhos – vai desaparecendo, é uma sociedade perversa. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, não pode tolerar estas degenerações. Uma comunidade cristã em que a proximidade e a gratuidade não fossem mais consideradas indispensáveis, perderia com isso a sua alma. Onde não há honra para os idosos, não há futuro para os jovens.
Francisco: Cristo une os fiéis, não as ideias de um Bispo



Antes da catequese desta quarta-feira, 4.março.2015, o Papa Francisco recebeu, na Sala Paulo VI, os bispos amigos do Movimento dos Focolares, reunidos em Castelgandolfo para seu 38º Congresso. No encontro, estava presente o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Comentando o tema do evento, “Eucaristia, mistério de comunhão”, Francisco recordou que, sem a Eucaristia, a unidade perderia o seu pólo de atração divina e se reduziria a um sentimento e a uma dinâmica somente humana, psicológica e sociológica. Ao invés, a Eucaristia garante que Cristo está no centro, e que o seu Espírito move os passos e as iniciativas de encontro e de comunhão.

“Como Bispos, nós reunimos as comunidades em volta da Eucaristia. Este é o nosso serviço e é fundamental”, disse o Papa, recordando que o bispo não reúne o povo em volta de sua própria pessoa, de suas próprias ideias, mas em volta de Cristo. “Quem se nutre com a fé de Cristo Pão vivo, é impulsionado a dar a vida pelos irmãos, a ir ao encontro de quem é marginalizado e desprezado.”

Síria e Iraque

De modo especial, o Pontífice agradeceu a presença dos bispos provenientes das terras “ensanguentadas” da Síria e do Iraque, bem como da Ucrânia.

“No sofrimento que vivem aqueles povos, vocês experimentam a força que vem de Jesus Eucaristia, força de prosseguir unidos na fé e na esperança”, encorajou-os o Papa, garantindo a sua solidariedade.

Francisco concluiu exortando os bispos amigos do Movimento dos Focolares a levarem adiante o trabalho em favor do caminho ecumênico e do diálogo inter-religioso. Ele também agradeceu pela contribuição a uma maior comunhão entre os movimentos eclesiais.


Papa: façamos o bem e "não a santidade aparente"

Cidade do Vaticano, 3.março.2015 (RV) - Se você "aprende a fazer o bem," Deus "perdoa generosamente" todo pecado. O que não perdoa é a hipocrisia, “a santidade aparente”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na homilia da Missa da manhã desta terça-feira, celebrada na Capela da Casa Santa Marta.

Os santos aparentes, que, mesmo diante do céu se preocupam de parecer mais do que ser, e os pecadores santificados, que para além do mal feito aprenderam a "fazer" um bem maior. Nunca houve dúvida sobre quem Deus prefere, afirma o Papa Francisco, que coloca essa duas categorias no centro de sua meditação.

As palavras da leitura de Isaías - explica no início -, são um imperativo e paralelamente um "convite" que vem diretamente de Deus: "Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem" defendendo órfãos e viúvas, ou seja - sublinha Francisco - "aqueles que ninguém recorda ", entre os quais, continua o Papa, há também os "idosos abandonados, as crianças que não vão à escola” e aqueles “que não sabem fazer o sinal da cruz. Atrás do imperativo e do convite há substancialmente o convite de sempre à conversão:

"Mas como eu posso me converter? "Aprendam a fazer o bem!". A conversão. A sujeira do coração não se remove como você remove uma mancha: vamos a lavanderia e saímos limpos ... remove-se com o "fazer": tomar um caminho diferente, uma estrada diferente daquela do mal. "Aprendam a fazer o bem, isto é, o caminho do fazer o bem. E como faço o bem? É simples! "Busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva”. Recordemos que em Israel os mais pobres e necessitados eram os órfãos e as viúvas: façam justiça a eles, vão onde estão as chagas da humanidade, onde há tanta dor ... E assim, fazendo o bem, você irá lavar o seu coração”.

E a promessa de um coração lavado, isto é perdoado, vem do próprio Deus, que não leva em conta os pecados de quem ama concretamente o próximo:

"Se você fizer isso, se você vem por este caminho, no qual eu convido você – nos diz o Senhor – ‘ainda que os seus pecados sejam como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve’. É um exagero, o Senhor exagera: mas é a verdade! O Senhor nos dá o dom do seu perdão. O Senhor perdoa generosamente. ‘Mas eu perdôo você até aqui, depois vamos ver o resto ...." Não! O Senhor perdoa sempre tudo! Tudo! Mas se você quer ser perdoado, você tem que iniciar o caminho do fazer o bem. Este é o dom! ".

O Evangelho do dia, apresenta, ao invés, o grupo dos astutos, aqueles "que dizem as coisas certas, mas fazem o contrário." "Todos, - disse Francisco -, somos astutos e sempre encontramos um caminho que não é o certo, para parecer mais justo do que somos: é o caminho da hipocrisia":

"Esses fingem de se converter, mas o seu coração é uma mentira: eles são mentirosos! É uma mentira ... O seu coração não pertence ao Senhor; pertence ao pai de todas as mentiras, Satanás. E esta é a falsa santidade. Mil vezes Jesus preferiu pecadores a eles. Por quê? Porque os pecadores diziam a verdade sobre si mesmos. "Fique longe de mim, Senhor, que eu sou um pecador! ': Pedro disse isso, uma vez. Eles nunca disseram isso mas ‘obrigado Senhor, porque eu não sou um pecador, porque sou justo’... Na segunda semana da Quaresma há três palavras para pensar, para refletir: o convite à conversão, o dom que o Senhor nos dá, isto é, um perdão grande, um grande perdão, e a armadilha, isto é, fingir de se converter, mas tomar o caminho da hipocrisia ".

O Papa Francisco, assim escreveu, nesta terça-feira, em seu twitter:

03/03/2015
O coração endurece-se, quando não ama. Senhor, dai-nos um coração que saiba amar.

Papa: sabedoria do cristão é não julgar os outros e acusar a si mesmo

Cidade do Vaticano, 2.março.2015 (RV) – É fácil julgar os outros, mas seguimos adiante no caminho cristão somente se temos a sabedoria de acusar a si mesmo: foi o que disse o Papa retomando, após os exercícios espirituais, a celebração da Santa Missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

As leituras do dia estão centralizadas no tema da misericórdia. O Papa, recordando que "todos nós somos pecadores" - não "em teoria", mas na realidade -, indica "uma virtude cristã, ou melhor, mais do que uma virtude": "a capacidade de acusar a si mesmo". É o primeiro passo para quem deseja ser cristão:

"Todos nós somos mestres, somos doutores em justificar a nós mesmos:" Mas, não fui eu, não, não é culpa minha, mas sim, não foi tanto, eh ... As coisas não são assim ... '. Todos nós temos um álibi de explicação das nossas falhas, dos nossos pecados, e muitas vezes somos capazes de fazer aquela cara de "Mas, eu não sei', cara de, ‘Mas eu não fiz, talvez seja outro": fazer cara de 'inocente’. E assim se vai adiante na vida cristã”.

"É mais fácil culpar os outros" - observou o Papa -, mas "ocorre uma coisa de certo modo estranha" se tentamos nos comportar de maneira diferente: “quando começamos a olhar para o que somos capazes de fazer", no início,  “nos sentimos mal, sentimos nojo”, depois isso “nos dá paz e saúde”. “Por exemplo - disse o Papa Francisco -, "quando eu encontro no meu coração uma inveja e sei que esta inveja é capaz de falar mal do outro e matá-lo moralmente", esta é a "sabedoria de acusar a si mesmo." "Se nós não aprendermos este primeiro passo da vida, nunca, nunca daremos passos no caminho da vida cristã, da vida espiritual":

"É o primeiro passo, para acusar a si mesmo. Sem dizer, não? Eu e a minha consciência. Vou pela rua, passo diante da prisão: "Eh, estes merecem isso" - "Mas você sabe que se não fosse pela graça de Deus, você estaria lá? Você pensou que você é capaz de fazer as coisas que eles fizeram, ou ainda pior?'. Isto é a acusar a si mesmo, não esconder a si próprio as raízes do pecado que estão em nós, as muitas coisas que somos capazes de fazer, mesmo se não se veem."

O Papa sublinha outra virtude: vergonhar-se diante de Deus, em uma espécie de diálogo em que reconhecemos a vergonha do nosso pecado e a grandeza da misericórdia de Deus:

"'A Vós, Senhor, nosso Deus, a misericórdia e o perdão. A vergonha a mim, e a Vós a misericórdia e o perdão". Este diálogo com o Senhor vai nos fazer bem nesta Quaresma: a acusação de si mesmo. Peçamos misericórdia. No Evangelho, Jesus é claro: "Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso". Quando se aprende a acusar a si próprio se é misericordioso para com os outros: "Mas, quem sou eu para julgar, se eu sou capaz de fazer coisas piores? '".

A frase: "Quem sou eu para julgar o outro" - disse o Papa - obedece precisamente à exortação de Jesus: "Não julguem, e vocês não serão julgados; não condem, e não serão condenados; Perdoem, e serão perdoados. Em vez disso - destacou -, "como gostamos de julgar os outros, fofocando sobre eles."

"Que o Senhor, nesta Quaresma - concluiu o Pontífice –, nos dê a graça de aprender a nos acusarmos", conscientes de que somos capazes "de fazer coisas ruins”, e dizer: "Tenha piedade de mim, Senhor, ajude-me a envergonhar-me e me dê a misericórdia, assim poderei ser misericordioso para com os outros”

Angelus: Jesus é o caminho da felicidade

Domingo, 1º de março, na Praça de S. Pedro grande multidão escutou a reflexão do Papa Francisco neste que é o II Domingo da Quaresma. A liturgia oferece-nos a passagem da Transfiguração que se coloca no cume do ministério público de Jesus:

“Ele está em caminho para Jerusalém onde se cumprirão as profecias do “Servo de Deus” e se consumará o seu sacrifício redentor. As multidões, perante a perspetiva de um Messias que contrasta com as suas expetativas terrenas, abandonaram-no.”

Jesus mostra, então, a Pedro, Tiago e João uma antecipação da sua glória, para os confirmar na fé e encorajá-los a segui-Lo no caminho da Cruz.

“Sobre um alto monte, emerso na oração, transfigura-se perante eles: o seu rosto e toda a sua pessoa irradiam uma luz fulgurante. Os três discípulos estão assustados, enquanto uma nuvem os envolve e ressoa do alto – como no Batismo no Jordão – a voz do Pai: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O” (Mc 9,7).

É o cumprimento da revelação. Ao lado de Jesus aparecem Moisés e Elias que representam a Lei e os Profetas. O significado para os discípulos e para nós é este: Escutar Jesus pois ele é o Salvador – afirmou o Santo Padre – e assim assumirmos a lógica do mistério pascal. E o Papa Francisco exortou os fiéis a não esqueceram que Jesus é o caminho da felicidade:

“Não esqueçais: o caminho de Jesus sempre nos leva à felicidade! Haverá pelo meio uma cruz, as provações, mas no final sempre nos leva à felicidade. Jesus não nos engana! Prometeu-nos a felicidade e vai dá-la se nós formos nos seus caminhos.”

Após a oração do Angelus o Papa Francisco condenou a “brutalidade intolerável” dos que atacam a comunidade cristã na Síria e no Iraque, apelando à solidariedade da comunidade internacional para com as vítimas:

“Infelizmente, não deixam de chegar notícias dramáticas da Síria e do Iraque, relativas a violência, sequestros de pessoas e abusos que atingem cristãos e outros grupos.”

O Santo Padre assegurou a sua proximidade oferecendo as suas orações nos Exercícios Espirituais desta semana juntamente com a Cúria Romana e pediu aos membros da Curia para que ajudem a aliviar os sofrimentos na medida das suas possibilidades.

O Papa Francisco recordou também a Venezuela que está a viver novamente momentos de aguda tensão, O Santo Padre assegurou a sua oração pelas vítimas em particular por um rapaz assassinado há dias em São Cristobal. O Papa exortou todos à recusa da violência e ao respeito da dignidade de cada pessoa e da sacralidade da vida humana. O Santo Padre confiou a Venezuela à materna intercessão de Nossa Senhora de Coromoto.

O Papa a todos desejou um bom domingo e um bom almoço.