REVEJA NOVEMBRO DE 2014


Papa no avião: o Alcorão é um livro de paz, mas os líderes muçulmanos devem condenar o terrorismo

"O Alcorão é um livro da paz", não se pode equiparar o Islão com o terrorismo, mas precisamos que os líderes muçulmanos condenem os ataques terroristas. Foi assim que o Papa respondeu à primeira pergunta sobre islamofobia e cristianofobia:

"É bom que todos os líderes islâmicos – sejam eles líderes políticos, líderes religiosos ou líderes académicos - digam claramente e condenem isso, porque isso vai ajudar a maioria do povo islâmico a dizer ‘Não!’, mas realmente, da boca dos seus líderes”.

Muitos - diz o Papa - são hoje os mártires cristãos: eles estão a ser expulsos do Médio Oriente. E precisamente deste martírio que diz respeito às várias confissões cristãs nasce o ecumenismo do sangue:
 
"Os nossos mártires nos estão a gritar: 'Nós somos um! Já temos uma unidade, no espírito e também no sangue".

 O Papa reiterou o seu desejo de viajar para o Iraque: mas agora não é possível, e explicou:

"Se eu, neste momento fosse ao Iraque, isso criaria um problema de segurança bastante sério para as autoridades … Mas eu gostaria tanto, e quero ir”.

Em seguida o Papa Francisco reafirmou que em sua opinião a humanidade está vivendo uma terceira Guerra mundial em pedaços. Há inimizades mas há causas econômicas, está "o deus dinheiro", que "está no centro e não a pessoa humana". "O tráfego das armas é terríveis", é hoje um dos negócios mais florescentes:
 
"Mas eu penso na Síria, quando se dizia em Setembro do ano passado que a Síria tinha armas químicas. Eu creio que a Síria não era capaz de fazer as armas químicas. Quem lhas vendeu? Talvez alguns dos mesmos que a acusavam de possuí-las? Não sei. Mas nesta questão das armas há muito mistério".

E quanto às armas nucleares, o Papa disse que a humanidade ainda não aprendeu a lição.

A uma pergunta sobre as celebrações no próximo ano do genocídio arménio, o Papa recordou a carta escrita por Erdogan sobre este assunto: alguns criticaram-na  considerando-a "demasiado fraca", mas "foi, em minha opinião, grande ou pequena não sei, mas uma extensão da mão. E isto é sempre positivo”. Devemos rezar pela reconciliação dos povos - continuou o Papa - "esperemos que se chegue a uma estrada de pequenos gestos, de pequenos passos de aproximação”. E desejou a abertura da fronteira entre a Turquia e a Armênia.
 
A propósito do diálogo com os ortodoxos o Papa afirmou que se estava a caminho. Se devemos esperar que os teólogos se ponham de acordo - disse ele com uma piada, citando Paulo VI - esse dia nunca chegará; precisaríamos de colocar numa ilha todos os teólogos. Nós devemos continuar a caminhar juntos. "Este é o ecumenismo espiritual: rezar juntos, trabalhar juntos, tantas obras de caridade ...". E depois explicou: "As Igrejas católicas orientais têm o direito de existir, é verdade. Mas o uniatismo é uma palavra de outra era". E depois reiterou a sua vontade de encontrar o Patriarca de Moscovo Kirill. "Eu disse-lhe: 'Mas eu vou para onde tu quiseres. Tu me chamas e eu vou'. E ele tem o mesmo desejo". Mas neste momento está a questão da Ucrânia e o Patriarca tem outros problemas. No que diz respeito ao ecumenismo o Papa repetiu com João Paulo II a sua disponibilidade de discutir sobre o primado do Bispo de Roma, qual é a forma de exercício deste ministério que seja partilhada por todos.

"Quanto à forma do primado devemos ir um pouco ao primeiro século para nos inspirarmos. Não digo que a Igreja se enganou: não, não. Ela fez a sua caminhada histórica. Mas agora a caminhada histórica da Igreja é aquela que S. John Paul II pediu: 'Ajudai-me a encontrar um ponto de acordo, à luz do primeiro milênio".

Mas a Igreja – sublinhou o Papa Francisco - quando olha para si mesma e não a Cristo, quando pensa que é ela a luz e não simplesmente portadora da Luz, cria divisões. A auto-referencialidade transforma a Igreja numa ONG teológica. E depois o Papa desejou que os cristãos possam um dia celebrar a Páscoa na mesma data.

Em seguida, ele falou da visita à Mesquita Azul. Aqui - disse - eu senti a necessidade de rezar sobretudo pela paz. E sobre o diálogo inter-religioso o Papa explicou que é hora de dar um salto qualitativo, para que seja não é diálogo teológico, mas experiencial "entre pessoas religiosas de diferentes filiações religiosas".

Por fim, a uma pergunta sobre as discussões relativas à homossexualidade durante os recentes trabalhos do Sínodo, o Papa recordou que "o Sínodo é um percurso, um caminho".  não se pode considerar isoladamente a opinião de uma pessoa ou de um esboço de documento. "O Sínodo – concluiu - não é um parlamento" mas "um espaço protegido onde o Espírito Santo pode falar.
Radio Vaticano

Papa e Patriarca pedem paz e solidariedade entre os povos



O Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu I assinaram neste domingo, 30, uma declaração conjunta reafirmando suas intenções e preocupações comuns.


Nós, Papa Francisco e Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, expressamos a nossa profunda gratidão a Deus pelo dom deste novo encontro, que nos permite celebrar juntos a Festa de São André, o primeiro-chamado e irmão do apóstolo Pedro, na presença dos membros do Santo Sínodo, do clero e dos fiéis do Patriarcado Ecumênico. A nossa recordação dos Apóstolos, que proclamaram ao mundo a feliz notícia do Evangelho através da sua pregação e do testemunho do martírio, revigora em nós o desejo de continuar a caminhar juntos a fim de superarmos, com amor e confiança, os obstáculos que nos dividem.

Por ocasião do encontro de Maio passado em Jerusalém, no qual recordamos o abraço histórico entre os nossos venerados predecessores Paulo VI e Patriarca Ecumênico Atenágoras, assinamos uma declaração conjunta. Hoje, na feliz ocasião de um novo encontro fraterno, queremos reafirmar, juntos, as nossas intenções e preocupações comuns.

Expressamos a nossa intenção sincera e firme de, em obediência à vontade de nosso Senhor Jesus Cristo, intensificar os nossos esforços pela promoção da unidade plena entre todos os cristãos, e sobretudo entre católicos e ortodoxos. Além disso, queremos apoiar o diálogo teológico promovido pela Comissão Mista Internacional – instituída, exatamente há 35 anos, pelo Patriarca Ecumênico Dimitrios e o Papa João Paulo II aqui, no Fanar –, a qual se encontra atualmente a tratar das questões mais difíceis que marcaram a história da nossa divisão e que requerem um estudo cuidadoso e profundo. Por esta finalidade, asseguramos a nossa oração fervorosa como Pastores da Igreja, pedindo aos fiéis que se unam a nós na imploração comum por que «todos sejam um só (…) para que o mundo creia» (Jo 17, 21).

Expressamos a nossa preocupação comum pela situação no Iraque, na Síria e em todo o Médio Oriente. Estamos unidos no desejo de paz e estabilidade e na vontade de promover a resolução dos conflitos através do diálogo e da reconciliação. Ao mesmo tempo que reconhecemos os esforços que já estão a ser feitos para dar assistência à região, apelamos a quantos têm a responsabilidade dos destinos dos povos que intensifiquem o seu empenho a favor das comunidades que sofrem, consentindo a todas, incluindo as cristãs, de permanecerem na sua terra natal. Não podemos resignar-nos com um Médio Oriente sem os cristãos, que ali professaram o nome de Jesus durante dois mil anos. Muitos dos nossos irmãos e irmãs são perseguidos e, com a violência, foram forçados a deixar as suas casas. Até parece que se perdeu o valor da vida humana e que a pessoa humana já não tem importância alguma, podendo ser sacrificada a outros interesses. E, tragicamente, tudo isto se passa perante a indiferença de muitos. Ora, como nos lembra São Paulo, «se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26). Esta é a lei da vida cristã e, neste sentido, podemos dizer que há também um ecumenismo do sofrimento. Tal como o sangue dos mártires foi semente de fortaleza e fecundidade para a Igreja, assim também a partilha dos sofrimentos diários pode ser um instrumento eficaz de unidade. A dramática situação dos cristãos e de todos aqueles que sofrem no Médio Oriente exige não só uma oração constante, mas também uma resposta apropriada por parte da comunidade internacional.

Os grandes desafios, que o mundo enfrenta na situação atual, exigem a solidariedade de todas as pessoas de boa vontade. Por isso, reconhecemos a importância também da promoção dum diálogo construtivo com o Islã, assente no respeito mútuo e na amizade. Inspirados por valores comuns e animados por um genuíno sentimento fraterno, muçulmanos e cristãos são chamados a trabalhar, juntos, por amor da justiça, da paz e do respeito pela dignidade e os direitos de cada pessoa, especialmente nas regiões onde durante séculos viveram em coexistência pacífica e agora, tragicamente, sofrem juntos os horrores da guerra. Além disso, como líderes cristãos, exortamos todos os líderes religiosos a continuarem com maior intensidade o diálogo inter-religioso e fazerem todo o esforço possível para se construir uma cultura de paz e solidariedade entre as pessoas e entre os povos.

Recordamos também todos os povos que sofrem por causa da guerra. Em particular, rezamos pela paz na Ucrânia, país com uma antiga tradição cristã, e apelamos às partes envolvidas no conflito para que procurem o caminho do diálogo e do respeito pelo direito internacional para pôr fim ao conflito e permitir que todos os ucranianos vivam em harmonia.

Os nossos pensamentos voltam-se para todos os fiéis das nossas Igrejas no mundo, que saudamos, confiando-os a Cristo, nosso Salvador, para que possam ser incansáveis testemunhas do amor de Deus. Erguemos a nossa fervorosa oração a Deus, pedindo-Lhe que conceda o dom da paz, no amor e na unidade, a toda a família humana.

«O Senhor da paz, Ele próprio, vos dê a paz, sempre e em todos os lugares. O Senhor esteja com todos vós» (2 Ts 3,16).

Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Papa Francisco despede-se da Turquia



Istambul, 30.nov.2014 (RV) – O Papa Francisco Francisco concluiu na tarde deste domingo sua Viagem Apostólica à Turquia, a sexta viagem internacional de seu Pontificado. Os três dias intensos do Santo Padre no país de maioria muçulmana tiveram um forte caráter ecumênico e inter-religioso.

O Santo Padre despediu-se das Autoridades locais, do Patriarca Ecumênico e dos membros da Conferência episcopal Turca no Aeroporto Internacional Atatürk de Istambul, de onde partiu em direção ao Aeroporto Ciampino em Roma, por volta das 17 horas, horário local.

Antes de dirigir-se ao Aeroporto, Francisco encontro nos jardins da Representação Pontifícia em Istambul, um grupo de alunos do Oratório da Comunidade salesiana. Os jovens são provenientes da Turquia e de vários países do Oriente Médio e da África.

Ao dirigir-se aos jovens, muitos deles refugiados e deslocados, o Papa manifestou sua participação em seus sofrimentos: “espero que esta minha visita, com a graça do Senhor, possa dar-vos um pouco de consolação na vossa difícil situação. Esta é o triste resultado de conflitos exacerbados e da guerra, que é sempre um mal e nunca constitui a solução dos problemas, antes pelo contrário cria outros”.

Ao falar das condições degradantes a que são obrigados a viver os refugiados – algo intolerável – o Santo Padre lançou um apelo para uma “ maior convergência internacional que tenha em vista resolver os conflitos que ensanguentam as vossas terras de origem, contrastar as outras causas que impelem as pessoas a deixar a sua pátria, e promover as condições que lhes permitam permanecer ou regressar”.

O Papa agradeceu o trabalho das numerosas organizações  em favor dos refugiados e expressou “vivo reconhecimento” às autoridades turcas pelo grande esforço realizado na assistência aos deslocados,e specialmente sírios e iraquiano, esperando que não falte o necessário apoio também da comunidade internacional.

“Queridos jovens, não desanimeis! Com a ajuda de Deus, continuai a esperar num futuro melhor, apesar das dificuldades e obstáculos que estais a enfrentar agora”, concluiu Francisco, dizendo que de sua parte “juntamente com toda a Igreja, continuarei a dirigir-me confiadamente ao Senhor, pedindo-Lhe que inspire quantos ocupam cargos de responsabilidade a promover a justiça, a segurança e a paz sem hesitação e de modo verdadeiramente concreto”.

Papa enfatiza caminho de unidade entre católicos e ortodoxos



No último dia de sua viagem à Turquia, neste domingo, 30.novembro.2014, Papa Francisco participou da Santa Missa, na festa de Santo André, patrono do patriarcado ecumênico. Francisco e o Patriarca Bartolomeu I discursaram ao final da celebração e o Pontífice destacou o caminho de unidade percorrido por católicos e ortodoxos.

Esse momento de encontrou foi, segundo Francisco, uma das dimensões essenciais do caminho para o restabelecimento da plena comunhão, caminho do qual também faz parte o diálogo teológico.

O Pontífice destacou que a Igreja católica e a ortodoxa já seguem rumo à unidade, o que conforta e apoia na persistência nesse caminho. “Imploramos de Deus o grande dom da unidade plena e a capacidade de o acolher nas nossas vidas. E não nos esqueçamos jamais de rezar uns pelos outros”.

Discurso na íntegra:

Muitas vezes, como arcebispo de Buenos Aires, participei na Divina Liturgia das comunidades ortodoxas presentes naquela cidade, mas poder encontrar-me hoje nesta Igreja Patriarcal de São Jorge para a celebração do Santo Apóstolo André, o primeiro chamado e irmão de São Pedro, patrono do Patriarcado Ecuménico, é verdadeiramente uma graça singular que o Senhor me dá.

Encontrar-nos, olhar o rosto um do outro, trocar o abraço de paz, rezar um pelo outro são dimensões essenciais do caminho para o restabelecimento da plena comunhão para a qual tendemos. Tudo isto precede e acompanha constantemente a outra dimensão essencial do referido caminho que é o diálogo teológico. Um autêntico diálogo é sempre um encontro entre pessoas com um nome, um rosto, uma história, e não apenas um confronto de ideias.

Isto vale sobretudo para nós, cristãos, porque, para nós, a verdade é a pessoa de Jesus Cristo. O exemplo de Santo André – que, juntamente com outro discípulo, acolheu o convite do Divino Mestre: «Vinde e vereis» e «ficaram com Ele nesse dia» (Jo 1, 39) – mostra-nos claramente que a vida cristã é uma experiência pessoal, um encontro transformador com Aquele que nos ama e nos quer salvar. Também o anúncio cristão se difunde graças a pessoas que, apaixonadas por Cristo, não podem deixar de transmitir a alegria de serem amadas e salvas. Aqui, mais uma vez, é esclarecedor o exemplo do Apóstolo André. Depois de ter seguido Jesus até onde habitava e ter-se demorado com Ele, «encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias!” – que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus» (Jo 1, 40-42). Fica, assim, claro que nem sequer o diálogo entre cristãos pode subtrair-se a esta lógica do encontro pessoal.

Por isso, não foi por acaso que o caminho de reconciliação e de paz entre católicos e ortodoxos tenha sido, de alguma forma, inaugurado por um encontro, por um abraço entre os nossos venerados Predecessores, o Patriarca Ecuménico Atenágoras e o Papa Paulo VI, há cinquenta anos, em Jerusalém, um acontecimento que Vossa Santidade e eu quisemos recentemente comemorar encontrando-nos de novo na cidade onde o Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou.

Por feliz coincidência, esta minha visita acontece poucos dias depois da celebração dos cinquenta anos da promulgação do Decreto do Concílio Vaticano II sobre a busca da unidade entre todos os cristãos, Unitatis redintegratio. Trata-se de um documento fundamental com que foi aberta uma nova estrada para o encontro entre os católicos e os irmãos de outras Igrejas e Comunidades eclesiais.

Em particular, com tal Decreto, a Igreja católica reconhece que as Igrejas ortodoxas «têm verdadeiros sacramentos e principalmente, em virtude da sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais permanecem ainda unidas connosco por vínculos muito íntimos» (n. 15). Consequentemente, afirma-se que, para guardar fielmente a plenitude da tradição cristã e levar a termo a reconciliação dos cristãos do Oriente e do Ocidente, é de extrema importância conservar e sustentar o riquíssimo património das Igrejas do Oriente, não só no que diz respeito às tradições litúrgicas e espirituais, mas também as disciplinas canónicas, sancionadas pelos santos padres e pelos concílios, que regulam a vida dessas Igrejas (cf. nn. 15-16).

Considero importante reiterar o respeito deste princípio como condição essencial e recíproca para o restabelecimento da plena comunhão, que não significa submissão de um ao outro nem absorção, mas sim acolhimento de todos os dons que Deus deu a cada um para manifestar ao mundo inteiro o grande mistério da salvação realizado por Cristo Senhor por meio do Espírito Santo. Quero assegurar a cada um de vós que, para se chegar à suspirada meta da plena unidade, a Igreja católica não tem intenção de impor qualquer exigência, excepto a da profissão da fé comum, e que estamos prontos a buscar juntos, à luz do ensinamento da Escritura e da experiência do primeiro milénio, as modalidades pelas quais garantir a necessária unidade da Igreja nas circunstâncias actuais: a única coisa que a Igreja católica deseja e que eu procuro como Bispo de Roma, «a Igreja que preside na caridade», é a comunhão com as Igrejas ortodoxas. Esta comunhão será sempre fruto do amor «que foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5), amor fraterno que dá expressão ao vínculo espiritual e transcendente que nos une como discípulos do Senhor.

No mundo actual, erguem-se com intensidade vozes que não podemos deixar de ouvir, pedindo às nossas Igrejas que vivam plenamente como discípulos do Senhor Jesus Cristo.

A primeira destas vozes é a dos pobres. No mundo, há demasiadas mulheres e demasiados homens que sofrem por desnutrição grave, pelo desemprego crescente, pela alta percentagem de jovens sem trabalho e pelo aumento da exclusão social, que pode induzir a actividades criminosas e até mesmo ao recrutamento de terroristas. Não podemos ficar indiferentes perante as vozes destes irmãos e irmãs. Estão-nos pedindo não só que lhes demos uma ajuda material, necessária em muitas circunstâncias, mas sobretudo que os ajudemos a defender a sua dignidade de pessoas humanas, de modo que possam reencontrar as energias espirituais para levantarem e voltarem a ser protagonistas das suas histórias. Além disso pedem-nos para lutar, à luz do Evangelho, contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de um trabalho digno, da terra e da casa, a negação dos direitos sociais e laborais. Como cristãos, somos chamados a vencer, juntos, a globalização da indiferença – que, hoje, parece deter a supremacia – e a construir uma nova civilização do amor e da solidariedade.

Uma segunda voz que brada forte é a das vítimas dos conflitos em muitas partes do mundo. Esta voz, ouvimo-la ressoar muito bem a partir daqui, porque algumas nações vizinhas estão marcadas por uma guerra atroz e desumana. Turvar a paz de um povo, cometer ou consentir qualquer género de violência, especialmente contra pessoas frágeis e indefesas, é um pecado gravíssimo contra Deus, porque significa não respeitar a imagem de Deus que está no homem. A voz das vítimas dos conflitos impele-nos a avançar apressadamente no caminho de reconciliação e comunhão entre católicos e ortodoxos. Aliás, como podemos anunciar com credibilidade a mensagem de paz que vem de Cristo, se entre nós continuam a existir rivalidades e contendas? (cf. Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 77).

Uma terceira voz que nos interpela é a dos jovens. Hoje, infelizmente, há tantos jovens que vivem sem esperança, dominados pelo desânimo e a resignação. Além disso, influenciados pela cultura dominante, muitos jovens buscam a alegria apenas na posse de bens materiais e na satisfação das emoções do momento. As novas gerações não poderão jamais adquirir a verdadeira sabedoria e manter viva a esperança, se nós não formos capazes de valorizar e transmitir o autêntico humanismo, que brota do Evangelho e da experiência milenar da Igreja. São precisamente os jovens – penso, por exemplo, nas multidões de jovens ortodoxos, católicos e protestantes que se reúnem nos encontros internacionais organizados pela comunidade de Taizé – que hoje nos pedem para avançar rumo à plena comunhão. E isto, não porque eles ignorem o significado das diferenças que ainda nos separam, mas porque sabem ver mais além, são capazes de captar o essencial que já nos une.

Santidade, estamos já a caminho para a plena comunhão e já podemos viver sinais eloquentes de uma unidade real, embora ainda parcial. Isso nos conforta e sustenta na prossecução deste caminho. Temos a certeza de que, ao longo desta estrada, somos apoiados pela intercessão do Apóstolo André e do seu irmão Pedro, considerados pela tradição os fundadores das Igrejas de Constantinopla e de Roma. Imploramos de Deus o grande dom da unidade plena e a capacidade de o acolher nas nossas vidas. E não nos esqueçamos jamais de rezar uns pelos outros.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé


Papa participa de oração ecumênica com Patriarca Bartolomeu I



Dando continuidade aos compromissos de sua viagem à Turquia, após presidir a Santa Missa, neste sábado, 29.novembro.2014, o Papa Francisco participou de um momento de oração ecumênica na Sede do Patriarcado de Constantinopla.

Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu I se reuniram na Igreja Patriarcal de São Jorge, e após momentos de oração, tanto o representante da Igreja Católica, quanto o da Igreja Ortodoxa pronunciaram seus discursos.

Bartolomeu I foi o primeiro a discursar, e em suas palavras destacou que a visita do Papa à Turquia, é uma continuação do gesto de seus antecessores, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. Ele disse ainda que a visita demonstra a vontade de Francisco e também a da Igreja Romana em continuar o firme “caminho fraternal” com a Igreja Ortodoxa, para o restabelecimento da plena comunhão entre as duas Igrejas.


Santidade, Irmão bem-amado!

A noite traz sempre consigo um sentimento misto de gratidão pelo dia vivido e de entrega trepidante à vista da noite que cai. Nesta noite, o meu espírito transborda de gratidão a Deus, que me concede estar aqui para rezar juntamente com Vossa Santidade e com esta Igreja irmã no final de um dia intenso de visita apostólica; e simultaneamente o meu espírito vive a expectativa do dia que liturgicamente começámos: a festa de Santo André Apóstolo, que é o Patrono desta Igreja.

Através das palavras do profeta Zacarias, o Senhor deu-nos mais uma vez, nesta oração vespertina, o fundamento que está na base da nossa tensão entre um hoje e um amanhã, a rocha firme sobre a qual podemos mover juntos os nossos passos com alegria e esperança; este alicerce rochoso é a promessa do Senhor: «Eis que eu salvo o meu povo do Oriente e do Ocidente (…) na fidelidade e justiça» (Zc 8, 7.8).

Sim, venerado e querido Irmão Bartolomeu, ao mesmo tempo que lhe exprimo o meu sincero «obrigado» pelo seu acolhimento fraterno, sinto que a nossa alegria é maior porque a fonte está mais além, não está em nós, não está no nosso compromisso e nos nossos esforços – que também existem, como de dever –, mas está na comum entrega à fidelidade de Deus, que lança as bases para a reconstrução do seu templo que é a Igreja (cf. Zc 8, 9). «Está aqui a semente da paz» (Zc 8, 12); está aqui a semente da alegria. Aquela paz e aquela alegria que o mundo não pode dar, mas que o Senhor Jesus prometeu aos seus discípulos e lha deu como Ressuscitado, no poder do Espírito Santo.

André e Pedro ouviram esta promessa, receberam este dom. Eram irmãos de sangue, mas o encontro com Cristo transformou-os em irmãos na fé e na caridade. E nesta noite jubilosa, nesta oração de vigília, quero sobretudo dizer: irmãos na esperança. Que grande graça, Santidade, poder ser irmãos na esperança do Senhor Ressuscitado! Que grande graça – e que grande responsabilidade – poder caminhar juntos nesta esperança, sustentados pela intercessão dos Santos irmãos Apóstolos André e Pedro! E saber que esta esperança comum não desilude, porque está fundada, não sobre nós e as nossas pobres forças, mas sobre a fidelidade de Deus.

Com esta jubilosa esperança, transbordante de gratidão e trepidante expectativa, formulo a Vossa Santidade, a todos os presentes e à Igreja de Constantinopla os meus votos cordiais e fraternos pela festa do Santo Patrono.

E peço um favor: de abençoar a mim e a Igreja de Roma.

Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé
Só o Espírito Santo é capaz de realizar a unidade, diz Papa



“O Espírito Santo é a alma da Igreja. Ele dá a vida, suscita os diversos carismas que enriquecem o povo de Deus e sobretudo cria a unidade entre os crentes”, afirmou o Papa Francisco neste sábado, 29, durante sua viagem à Turquia.


O Santo Padre presidiu a Santa Missa na Catedral do Espírito Santo em Istambul e, em sua homilia, destacou a ação do Espírito Santo na vida da Igreja e de cada fiel.

No Evangelho, ao homem sedento de salvação, Jesus apresenta-Se como a fonte onde saciar a sede, a rocha da qual o Pai faz brotar rios de água viva para todos os que crêem n’Ele (cf. Jo 7, 38). Com esta profecia, proclamada publicamente em Jerusalém, Jesus preanuncia o dom do Espírito Santo que os seus discípulos hão-de receber após a sua glorificação, isto é, depois da sua morte e ressurreição (cf. v. 39).

O Espírito Santo é a alma da Igreja. Ele dá a vida, suscita os diversos carismas que enriquecem o povo de Deus e sobretudo cria a unidade entre os crentes: de muitos faz um único corpo, o corpo de Cristo. Toda a vida e missão da Igreja dependem do Espírito Santo; Ele tudo realiza.

A própria profissão de fé, como nos recorda São Paulo na primeira Leitura de hoje, só é possível porque sugerida pelo Espírito Santo: “Ninguém pode dizer: ‘Jesus é Senhor’, senão pelo Espírito Santo” (1 Cor 12, 3b). Quando rezamos, fazemo-lo porque o Espírito Santo suscita a oração no coração. Quando rompemos o círculo do nosso egoísmo, saímos de nós mesmos e nos aproximamos dos outros para encontrá-los, escutá-los, ajudá-los, foi o Espírito de Deus que nos impeliu. Quando descobrimos em nós uma capacidade inusual de perdoar, de amar a quem não gosta de nós, foi o Espírito que Se empossou de nós. Quando deixamos de lado as palavras de conveniência e nos dirigimos aos irmãos com aquela ternura que aquece o coração, fomos de certeza tocados pelo Espírito Santo.

É verdade! O Espírito Santo suscita os diversos carismas na Igreja; à primeira vista, isto parece criar desordem, mas na realidade, sob a sua guia, constitui uma imensa riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade. Só o Espírito Santo pode suscitar a diversidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Quando somos nós a querer fazer a diversidade e fechamo-nos nos nossos particularismos e exclusivismos, trazemos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade de acordo com os nossos projectos humanos, acabamos por trazer a uniformidade e a homologação. Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade não se tornam jamais conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja.

A multidão dos membros e dos carismas tem o seu princípio harmonizador no Espírito de Cristo, que o Pai enviou, e continua a enviar, para realizar a unidade entre os crentes. O Espírito Santo faz a unidade da Igreja: unidade na fé, unidade na caridade, unidade na coesão interior. A Igreja e as Igrejas são chamadas a deixarem-se guiar pelo Espírito Santo, colocando-se numa atitude de abertura, docilidade e obediência.

Trata-se de uma visão de esperança, mas ao mesmo tempo fadigosa, pois em nós está sempre presente a tentação de opor resistência ao Espírito Santo, porque perturba, porque revolve, faz caminhar, impele a Igreja a avançar. E é sempre mais fácil e confortável acomodar-se nas próprias posições estáticas e inalteradas. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo na medida em que põe de lado a pretensão de O regular e domesticar. E nós, cristãos, tornamo-nos autênticos discípulos missionários, capazes de interpelar as consciências, se abandonarmos um estilo defensivo para nos deixamos conduzir pelo Espírito. Ele é frescor, criatividade, novidade.

As nossas defesas podem manifestar-se com a excessiva fixação nas nossas ideias, nas nossas forças – mas assim resvalamos no pelagianismo – ou então com uma atitude de ambição e vaidade. Estes mecanismos defensivos impedem-nos de compreender verdadeiramente os outros e abrir-nos a um diálogo sincero com eles. Mas a Igreja, nascida do Pentecostes, recebe em herança o fogo do Espírito Santo, que não enche tanto a mente de ideias, como sobretudo faz arder o coração; é investida pelo vento do Espírito, que não transmite um poder, mas habilita para um serviço de amor, uma linguagem que cada um é capaz de compreender.

No nosso caminho de fé e de vida fraterna, quanto mais nos deixarmos guiar humildemente pelo Espírito do Senhor, tanto mais superaremos as incompreensões, as divisões e as controvérsias, tornando-nos sinal credível de unidade e de paz.

Com esta jubilosa certeza, abraço a todos vós, queridos irmãos e irmãs: o Patriarca Siro-Católico, o Presidente da Conferência Episcopal, o Vigário Apostólico D. Pelâtre, os outros Bispos e Exarcas, os presbíteros e os diáconos, as pessoas consagradas e os fiéis leigos, pertencentes às várias comunidades e aos diversos ritos da Igreja Católica. Desejo saudar, com afecto fraterno, o Patriarca de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu I, o Metropolita Siro-Ortodoxo, o Vigário Patriarcal Arménio Apostólico e os responsáveis das Comunidades Protestantes, que quiseram rezar connosco durante esta celebração. Exprimo-lhes a minha gratidão por este gesto fraterno. Um pensamento afectuoso dirijo ao Patriarca Arménio Apostólico Mesrob II, assegurando-lhe a minha oração.

Irmãos e irmãs, voltemos o nosso pensamento para a Virgem Maria, Mãe de Deus. Unidos a Ela, que no Cenáculo rezou com os Apóstolos à espera do Pentecostes, peçamos ao Senhor que envie o seu Santo Espírito aos nossos corações e nos torne testemunhas do seu Evangelho em todo o mundo. Amem!
Boletim da Santa Sé

Irmãos na esperança, para caminhar juntos: Papa na oração ecumênica

Após a Missa, o Papa dirigiu-se para a sede do Patriarcado de Constantinopla, para participar na Oração de vésperas da festa de Santo André com o patriarca Bartolomeu.

Através das palavras do profeta Zacarias – comentou o Papa numa breve intervenção - o Senhor mostra-nos  “o fundamento que está na base da nossa tensão entre um hoje e um amanhã, a rocha firme sobre a qual podemos mover juntos os nossos passos com alegria e esperança; este alicerce rochoso é a promessa do Senhor: «Eis que eu salvo o meu povo do Oriente e do Ocidente (...) na fidelidade e justiça».

Dirigindo-se ao “venerado e querido Irmão Bartolomeu”, Papa Francisco agradeceu-o pelo seu acolhimento fraterno, observando:

Sinto que a nossa alegria é maior porque a fonte está mais além, não está em nós, não está no nosso compromisso e nos nossos esforços – que também existem, como de dever –, mas está na comum entrega à fidelidade de Deus, que lança as bases para a reconstrução do seu templo que é a Igreja (cf. Zc 8, 9).

«Está aqui a semente da paz» (Zc 8, 12); está aqui a semente da alegria. Aquela paz e aquela alegria que o mundo não pode dar, mas que o Senhor Jesus prometeu aos seus discípulos e lha deu como Ressuscitado, no poder do Espírito Santo.

“André e Pedro – prosseguiu ainda o Papa - ouviram esta promessa, receberam este dom.”

(André e Pedro) eram irmãos de sangue, mas o encontro com Cristo transformou-os em irmãos na fé e na caridade. E nesta noite jubilosa, nesta oração de vigília, quero sobretudo dizer: irmãos na esperança.

Que grande graça, Santidade, poder ser irmãos na esperança do Senhor Ressuscitado! Que grande graça – e que grande responsabilidade – poder caminhar juntos nesta esperança, sustentados pela intercessão dos Santos irmãos Apóstolos André e Pedro!  E o Papa terminou pedindo ao Patriarca uma bênção para si e para a Igreja de Roma.

No final da celebração, o Patriarca Bartolomeu convidou o Papa a subir consigo ao segundo andar da residência patriarcal, para um colóquio privado.

Assim se concluiu esta segunda jornada da viagem do Papa na Turquia. Amanhã, domingo, 30 de novembro, festa de Santo André, Papa Francisco celebra privadamente, de manhã cedo, na representação pontifícia de Istambul, onde recebe o Grande rabino da Turquia, Isak Haleva.

Partirá então para a Igreja patriarcal de São Jorge, onde participa na Divina Liturgia celebrada pelo Patriarca Bartolomeu, no final da qual darão conjuntamente, da varanda da residência, a bênção ecuménica e assinarão uma Declaração conjunta, almoçando juntos.

Por volta das 4 da tarde, já na residência pontifícia de Istambul, o Papa acolherá uns 50 jovens do Oratório da Comunidade salesiana de Istambul, junto da catedral latina. Trata-se de jovens provenientes não só de várias partes da Turquia, mas também de refugiados vindos de diversos países do Médio Oriente e da África.

Imediatamente depois o Papa desloca-se para o aeroporto, estando a partida marcada para as 17 horas locais. A chegada a Roma está prevista para as 18.40h.
Radio Vaticano

Com gestos simbólicos, Papa visita Museu e Mesquita

Na manhã deste sábado, 29.novembro.2014, o Papa Francisco viajou de avião de Ancara para Istambul. Aí visitou o Museu de Santa Sofia e a Mesquita Sultão Ahmet conhecida também como Mesquita Azul.

Nestas duas visitas não houveram discursos públicos, mas sim gestos altamente simbólicos. Na Mesquita, o Papa fez uma pausa em um momento de oração silenciosa.

No Museu, Francisco escreveu dois pensamentos no livro de visitas, um em grego e um em latim. O primeiro diz: “Santa Sabedoria de Deus”, e o segundo, é de um trecho do Salmo 83: “Como são amáveis as vossas moradas, Senhor dos exércitos.”

Para a tarde deste sábado estão reservados os principais momentos deste segundo dia desta viagem apostólica: a Missa na Catedral do Espírito Santo encontrando a comunidade católica, a oração ecumênica na Igreja Patriarcal de São Jorge com a comunidade ortodoxa e depois o encontro privado com o Patriarca Bartolomeu I no Palácio Patriarcal.

Neste domingo, 30, o Papa presidirá uma Missa privada na Delegação Apostólica, a Divina Liturgia na Igreja Patriarcal de São Jorge por ocasião da Festa de Santo André e a Benção Ecumenica e Assinatura da Declaração Conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Bartolomeu I. O Papa Francisco regressará ainda neste domingo para Roma.
Radio Vaticano


Papa: diálogo autêntico é sinal de esperança e paz



Ancara, 28.nov.2014 (RV) – Após o encontro com as autoridades, Francisco manteve um encontro privado com o Primeiro Ministro, Ahmed Davutoglu. A seguir, deixou o Palácio presidencial e se transferiu para a residência do Departamento dos Assuntos Religiosos - Diyanet, que representa a mais alta Autoridade religiosa islâmica sunita da Turquia.

Ali, o Papa se encontrou com o Presidente do Departamento, Mehmet Gormez, em forma privada, e, a seguir, acompanhado de algumas personalidades da Comunidade muçulmana, o Bispo de Roma pronunciou seu discurso aos líderes políticos e religiosos, muçulmanos e cristãos.

Senhor Presidente,
Autoridades religiosas e civis,
Senhoras e senhores!

É para mim motivo de alegria encontrar-vos hoje, durante a minha visita ao vosso país. Agradeço ao Senhor Presidente deste importante Departamento o cordial convite, que me dá ocasião de falar com líderes políticos e religiosos, muçulmanos e cristãos.

É tradição que os Papas, quando visitamos diversos países no desempenho da própria missão, encontrem também as autoridades e as comunidades de outras religiões. Sem esta abertura ao encontro e ao diálogo, uma visita papal não corresponderia plenamente às suas finalidades, tal como as entendo eu na esteira dos meus venerados Antecessores. Nesta perspectiva, recordo com prazer de modo especial o encontro que o Papa Bento XVI teve, neste mesmo local, em Novembro de 2006.

Na verdade, as boas relações e o diálogo entre líderes religiosos revestem-se de grande importância. Constituem uma mensagem clara dirigida às respectivas comunidades, manifestando que, apesar das diferenças, são possíveis o respeito mútuo e a amizade. Esta, além de ser um valor em si mesma, adquire significado especial e importância acrescida num tempo de crises como o nosso; crises que se tornam, em algumas áreas do mundo,verdadeiros dramas para populações inteiras.

Com efeito, há guerras que semeiam vítimas e destruições, tensões e conflitos interétnicos e inter-religiosos, fome e pobreza que afligem centenas de milhões de pessoas, danos ao meio ambiente, ao ar, à água, à terra.

Verdadeiramente trágica é a situação no Médio Oriente, especialmente no Iraque e na Síria. Todos sofrem com as consequências dos conflitos, e a situação humanitária é angustiante. Penso em tantas crianças, nos sofrimentos de tantas mães, nos idosos, nos deslocados e refugiados, nas violências de todo o gênero. Particularmente preocupante é o facto de que, sobretudo por causa de um grupo extremista e fundamentalista, comunidades inteiras – especialmente de cristãos e yazidis, mas não só – sofreram, e ainda sofrem, violências desumanas por causa da sua identidade étnica e religiosa. Foram expulsos à força das suas casas, tiveram de abandonar tudo para salvar a sua vida e não renegar a fé. A violência abateu-se também sobre edifícios sagrados, monumentos, símbolos religiosos e o patrimônio cultural, como se quisessem apagar todo o vestígio, qualquer memória do outro.

Como chefes religiosos, temos a obrigação de denunciar todas as violações da dignidade e dos direitos humanos. A vida humana, dom de Deus Criador, possui um caráter sagrado. Por isso, a violência que busca uma justificação religiosa merece a mais forte condenação, porque o Onipotente é Deus da vida e da paz. O mundo espera, de todos aqueles que afirmam adorá- Lo, que sejam homens e mulheres de paz, capazes de viver como irmãos e irmãs, apesar das diferenças étnicas, religiosas, culturais ou ideológicas.

A denúncia deve ser acompanhada pelo trabalho comum para se encontrarem soluções adequadas. Isto requer a colaboração de todas as partes: governos, líderes políticos e religiosos, representantes da sociedade civil e todos os homens e mulheres de boa vontade. Em particular, os responsáveis das comunidades religiosas podem oferecer a valiosa contribuição dos valores presentes nas respectivas tradições. Nós, muçulmanos e cristãos, somos depositários de tesouros espirituais inestimáveis, entre os quais reconhecemos elementos de convergência, embora vividos segundo as tradições próprias: a adoração de Deus misericordioso, a referência ao patriarca Abraão, a oração, a esmola, o jejum… elementos que, vividos sinceramente, podem transformar a vida e dar uma base segura para a dignidade e a fraternidade dos homens. Reconhecer e desenvolver esta convergência espiritual – através do diálogo inter-religioso – ajuda-nos também a promover e defender, na sociedade,os valores morais, a paz e a liberdade (cf. João Paulo II, Discurso à comunidade católica de Ancara, 29 de Novembro de 1979). O reconhecimento conjunto da sacralidade da pessoa humana sustenta a compaixão comum, a solidariedade e a ajuda efetiva aos mais atribulados. A este respeito, queria exprimir o meu apreço por quanto está a fazer o povo turco inteiro, muçulmanos e cristãos, pelas centenas de milhares de pessoas que fogem dos seus países por causa dos conflitos. Isto é um exemplo concreto de como trabalhar em conjunto para servir os outros, um exemplo que deve ser incentivado e apoiado.

Com satisfação, soube das boas relações e da cooperação entre o Diyanet e o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Espero que aquelas continuem e se consolidem para bem de todos, porque toda a iniciativa de diálogo autêntico é sinal de esperança para um mundo tão necessitado de paz, segurança e prosperidade.

Senhor Presidente, de novo exprimo a minha gratidão a Vossa Excelência e seus colaboradores por este encontro, que enche o meu coração de alegria. Além disso agradeço a todos vós pela vossa presença e pelas orações que tereis a bondade de oferecer pelo meu serviço. Pela minha parte, igualmente vos garanto que rezarei por vós. Que o Senhor nos abençoe!
Às autoridades da Turquia, Papa pede compromisso com a paz



Papa Francisco iniciou sua viagem à Turquia, a sexta internacional de seu pontificado, nesta sexta-feira, 28.novembro.2014. Ele participou da cerimônia de boas vindas e logo em seguida encontrou-se com o presidente do país, Recep Tayyip Erdoğan. No encontro com autoridades, Francisco reiterou a força do diálogo e a necessidade do compromisso com a construção da paz.

Senhor Presidente,
Senhor Primeiro-Ministro,
Ilustres Autoridades
Senhoras e senhores!

Sinto-me feliz por visitar o vosso país, rico de belezas naturais e de história, repleto de vestígios de civilizações antigas e ponte natural entre dois continentes e entre diferentes expressões culturais. Esta terra é amada por todo o cristão por ser o berço de São Paulo, que fundou aqui diversas comunidades cristãs; por ter acolhido os primeiros sete Concílios da Igreja e pela presença, perto de Éfeso, daquela que uma veneranda tradição considera a «casa de Maria», o lugar onde a Mãe de Jesus viveu durante alguns anos, meta da devoção de muitos peregrinos vindos de todos os cantos do mundo, não só cristãos, mas também muçulmanos.

Todavia as razões da consideração e apreço pela Turquia não se acham unicamente no seu passado, nos seus monumentos antigos, mas encontram-se na vitalidade do seu presente, na laboriosidade e generosidade do seu povo, no seu papel no concerto das nações.

Para mim é motivo de alegria a oportunidade que me é dada de prosseguir convosco um diálogo de amizade, estima e respeito, na senda traçada pelos meus antecessores, o Beato Paulo VI, São João Paulo II e Bento XVI; diálogo esse, preparado e favorecido por sua vez pela acção do então Delegado Apostólico Mons. Ângelo José Roncalli, mais tarde São João XXIII, e pelo Concílio Vaticano II.

Precisamos de um diálogo que aprofunde o conhecimento e valorize, com discernimento, as inúmeras coisas que temos em comum e que nos permita, ao mesmo tempo, considerar com ânimo sábio e sereno as diferenças para podermos também aprender com elas.

É preciso levar por diante, com paciência, o compromisso de construir uma paz sólida, assente no respeito pelos direitos fundamentais e deveres ligados com a dignidade do homem. Por esta estrada, é possível superar os preconceitos e falsos temores, deixando, ao contrário, espaço à estima, ao encontro, ao desenvolvimento das melhores energias em proveito de todos.

Para isso, é fundamental que os cidadãos muçulmanos, judeus e cristãos – tanto nas disposições legais, como na sua efectiva actuação – gozem dos mesmos direitos e respeitem os mesmos deveres. Assim, hão-de mais facilmente reconhecer-se como irmãos e companheiros de viagem, afastando cada vez mais as incompreensões e favorecendo a colaboração e o acordo. A liberdade religiosa e a liberdade de expressão, eficazmente garantidas a todos, estimularão o florescimento da amizade, tornando-se um sinal eloquente de paz.

O Médio Oriente, a Europa, o mundo aguardam este florescimento. O Médio Oriente, de modo particular, é há demasiado tempo teatro de guerras fratricidas, que parecem nascer uma da outra, como se a única resposta possível à guerra e à violência tivesse de ser sempre uma nova guerra e outra violência.

Quanto tempo deverá sofrer ainda o Médio Oriente por causa da falta de paz? Não podemos resignar-nos com a continuação dos conflitos, como se não fosse possível mudar a situação para melhor! Com a ajuda de Deus, podemos e devemos sempre renovar a coragem da paz! Esta atitude leva a lançar mão, com lealdade, paciência e determinação, de todos os meios da negociação e, assim, alcançar objectivos concretos de paz e de desenvolvimento sustentável.

Senhor Presidente, uma contribuição importante para se alcançar meta tão elevada e urgente pode vir do diálogo inter-religioso e intercultural, a fim de banir toda a forma de fundamentalismo e de terrorismo, que humilha gravemente a dignidade de todos os seres humanos e instrumentaliza a religião.

Ao fanatismo e ao fundamentalismo, às fobias irracionais que incentivam incompreensões e discriminações, é preciso contrapor a solidariedade de todos os crentes – que tenha como pilares o respeito pela vida humana, pela liberdade religiosa, que é liberdade do culto e liberdade de viver segundo a ética religiosa –, o esforço por garantir a todos o necessário para uma vida digna, e o cuidado do meio ambiente. Têm necessidade disto, com particular urgência, os povos e os Estados do Médio Oriente, para poderem finalmente «inverter a tendência» e levar por diante um processo de pacifica ção bem-sucedido, mediante a rejeição da guerra e da violência ea busca do diálogo, do direito, da justiça.

Com efeito, nos dias de hoje, infelizmente somos ainda testemunhas de graves conflitos. Na Síria e de modo particular no Iraque, a violência terrorista não dá sinais de diminuir. Regista-se a violação das normas humanitárias mais elementares contra prisioneiros e grupos étnicos inteiros; verificaram-se, e continuam ainda, graves perseguições contra grupos minoritários, especialmente – mas não só – cristãos e yazidis: centenas de milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas e a sua pátria, para poderem salvar a sua vida e manter-se fiéis ao próprio credo.

A Turquia, acolhendo generosamente um grande número de refugiados, é directamente afectada pelos efeitos desta situação dramática nas suas fronteiras, e a comunidade internacional tem a obrigação moral de a ajudar a cuidar dos refugiados. Juntamente com a assistência humanitária necessária, não se pode permanecer indiferente àquilo que provocou estas tragédias. Enquanto reitero que é lícito deter o injusto agressor– sempre porém no respeito pelo direito internacional – quero lembrar também que não se pode confiar a resolução do problema somente à resposta militar.

É preciso um forte compromisso comum, assente na confiança recíproca, que torne possível uma paz duradoura e permita destinar finalmente os recursos, não aos armamentos, mas às verdadeiras lutas dignas do homem: contra a fome e as doenças, pelo desenvolvimento sustentável e a defesa da criação, em socorro de tantas formas de pobreza e marginalização que não faltam sequer no mundo moderno.

A Turquia, pela sua história, em virtude da sua posição geográfica e devido à importância de que se reveste na região, tem uma grande responsabilidade: as suas decisões e o seu exemplo possuem uma valência especial e podem ser de significativa ajuda no sentido de favorecer um encontro de civilização e identificar as vias praticáveis de paz e de autêntico progresso.

Que o Altíssimo abençoe e proteja a Turquia e a ajude a ser uma válida e convicta artífice de paz!
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano


Família Paulina celebra centenário em audiência com o Papa

O Papa Francisco recebeu em audiência, na manhã desta quinta-feira, 27.novembro.2014, milhares de peregrinos da Família Paulina, que vieram ao Vaticano para celebrar os 100 anos de fundação da comunidade.

O Santo Padre destacou a gratuidade com a qual se deve comunicar o Evangelho “aos tantos que ainda esperam a chegada da Palavra”. É preciso comunicar com “gratuidade, não fazer negócios. Gratuidade. A alegria do dom recebido por amor puro se comunica com amor. Gratuidade e amor”, reiterou o Papa.

Com estas palavras, Francisco encorajou a Família Paulina para que prossiga no “caminho aberto por Dom Alberione (…) levando o Evangelho àqueles que ainda não conhecem o Cristo ou sempre o refutaram”.

O Santo Padre falou ainda que a partir desta perspectiva de esperança as pessoas consagradas são testemunhas especiais, sobretudo com um estilo de vida marcado pela alegria.

audiencia_paulinos1“A presença dos religiosos e consagrados é sinal desta alegria. Um trabalho cujo zelo apostólico deve estar pleno do amor pela unidade sem que jamais favoreça conflitos, sem que imite aqueles meios de comunicação que fazem espetáculo dos conflitos e promovem escândalo nas almas. É preciso favorecer sempre a unidade da Igreja, a unidade que o Cristo pediu ao Pai como dom para a sua Esposa”, acrescentou.

Ao finalizar o seu discurso, o Papa pediu que a Família “testemunhe o Evangelho com a própria vida” neste período em que a missão é chamada a promover uma incessante conversão pessoal e comunitária.

“Somente os corações completamente abertos à ação da Graça terão a capacidade de interpretar o sinal dos tempos e escutar os apelos da humanidade que tanto necessita de esperança e paz”, conclui.
Radio Vaticano

Também nesta quinta-feira o Santo Padre escreveu um tweet:

27/11/2014
O amor é a medida da fé.
Homilia matutina: "A pior corrupção é a mundanidade"

Cidade do Vaticano, 27.novembro.2014 (RV) – Mesmo em meio às dificuldades o cristão não cede à depressão. Este foi o centro da homilia do Papa na missa celebrada na manhã desta quinta-feira, na Casa Santa Marta. Francisco advertiu que a corrupção e a distração nos afastam do encontro com o Senhor.

Babilônia e Jerusalém: Estas duas cidades, citadas no Apocalipse e no Evangelho de São Lucas, atraem a nossa atenção para o fim deste mundo. O Papa meditou sobre “a ruína destas duas cidades que não acolheram o Senhor”. Elas caíram por motivos diferentes: Babilônia é o símbolo do mal, do pecado, caiu por causa da corrupção, porque se sentia dona do mundo e de si mesma. “E quando se acumulam pecados, perde-se a capacidade de reagir e começa-se a apodrecer”. “O mesmo acontece com as pessoas corruptas, que não têm força para reagir”:

“A corrupção dá alguma felicidade, dá poder e faz você se sentir satisfeito de si mesmo: não deixa espaço para o Senhor, para a conversão... a cidade corrupta... esta palavra, ‘corrupção’, hoje nos diz muito: não só corrupção econômica, mas corrupção com muitos pecados: com o espírito pagão, com o espírito mundano. A pior corrupção é o espírito da mundanidade”.

Esta “cultura corrupta”, acrescentou, “faz com que nos sintamos aqui como se estivéssemos no Paraíso: plenos, abundantes”, mas “ por dentro essa cultura corrupta é uma cultura podre”. No símbolo dessa Babilônia, disse ainda Francisco, “está toda sociedade, toda cultura, toda pessoa distante de Deus, distante também do amor ao próximo, que acaba por apodrecer”. Jerusalém, prosseguiu, “cai por outro motivo”. Jerusalém é a esposa do Senhor, mas não percebe a visita do Esposo, “fazendo com que o Senhor chorasse”:

“Babilônia cai por corrupção; Jerusalém, por distração, por não receber o Senhor que vem salvá-la. Não sentia a necessidade de salvação. Tinha os escrituras dos profetas, de Moisés e isso era lhe era suficiente. Mas era escrituras fechados! Não deixavam lugar para a salvação: tinha a porta fechada para o Senhor! O Senhor batia à porta, mas não havia disponibilidade para recebê-lo, ouvi-lo, deixar-se salvar por Ele. E cai…”

Estes dois exemplos, observou, “podem nos ajudar a pensar na nossa vida”: somos parecidos com “a Babilônia corrupta e autossuficiente” ou com “distraída” Jerusalém? Todavia, destacou o Papa, “a mensagem da Igreja não acaba com a destruição: nos dois textos, há uma promessa de esperança”. Jesus nos exorta a levantar a cabeça, a não deixar-se assustar pelos pagãos. Eles têm seu tempo e devemos ampará-los com paciência, como fez o Senhor com a sua Paixão”:

“Quando pensamos no fim, com todos os nossos pecados, com toda a nossa história, pensamos no banquete que gratuitamente nos será dado e levantamos a cabeça. Nada de depressão: esperança! Mas a realidade é má: há muitos, muitos povos, cidades e pessoas que sofrem; tantas guerras, tanto ódio, inveja, mundanidade espiritual e corrupção. Sim, é verdade! Tudo isso ruirá! Mas peçamos ao Senhor a graça de estarmos preparados para o banquete que nos espera, com a cabeça sempre erguida”.

Papa: sociedade frenética produz solidão

Barcelona, 26.novembro.2014 (RV) – Encerra-se nesta quarta-feira, 26 de novembro, em Barcelona, o Congresso Internacional de Pastoral das Grandes Cidades.

Numa cerimônia na Basílica da Sagrada Família, na noite de terça-feira, o Arcebispo de Barcelona, Card. Lluís Martínez Sistach, leu a mensagem do Papa Francisco, na qual encoraja os participantes a continuarem a refletir com criatividade sobre como enfrentar a tarefa evangelizadora nos grandes núcleos urbanos.

“Todos necessitam sentir a proximidade e a misericórdia de Deus. Ele oferece o sentido verdadeiro da vida aos que se sentem sós, desorientados e entristecidos pelas feridas provocadas muitas vezes por uma sociedade frenética e pouco solidária”, escreve o Papa.

Francisco recorda que a Igreja tem a missão de transmitir a Boa Nova de Jesus, sem considerar uma perda ir às periferias ou mudar os esquemas pré-estabelecidos, quando necessário. “Como uma mãe, o que lhe interessa é o bem dos próprios filhos, sem poupar esforços e sacrifícios: que não falte o acolhimento para sentir-se integrado numa comunidade, seja em circunstâncias de desagregação, seja no frio anonimato”.

Em Barcelona, 25 arcebispos de grandes cidades dos cinco continentes se reúnem para a segunda fase e última do Congresso Internacional de Pastoral das Grandes Cidades. O primeiro encontro se realizou de 20 a 22 de maio passado, com a participação de especialistas em Sociologia, Pastoral e Teologia.

Do Brasil, participam o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, e o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Também estiveram representadas arquidioceses como Kinshasa, Buenos Aires, Monterrey, Santiago de Chile, Nápoles, Seul, Lisboa, Bordeaux, Zagreb, San Francisco, Madrid, Abuja,  Mumbai, entre outras.

Nesta quarta-feira, os Arcebispos vão elaborar um documento conclusivo, que será apresentado ao Papa Francisco na quinta-feira, 27, no Vaticano.

Papa: Igreja não é estática, caminha para o Reino dos Céus

Cidade do Vaticano, 26.novembro.2014 (RV) – Na catequese de hoje, Francisco se concentrou no Reino dos Céus, que levará cada coisa à sua plenitude.

Uma nova criação, que encontrará no Reino dos Céus a sua plenitude. Esse é o rumo para o qual a Igreja caminha. Essa foi a reflexão central da catequese do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 26, com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. O Pontífice mencionou a beleza da vida eterna, à qual todos são chamados.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,
Um pouco feio o dia, mas vocês são corajosos, parabéns! Esperamos rezar juntos hoje.

Ao apresentar a Igreja aos homens do nosso tempo, o Concílio Vaticano II tinha bem presente uma verdade fundamental, que não se pode nunca esquecer: a Igreja não é uma realidade estática, parada, com fim em si mesma, mas está continuamente em caminho na história, rumo à meta última e maravilhosa que é o Reino dos céus, do qual a Igreja na terra é a semente e o início (cfr. Conc. Ecum. Vat. II, Cost. dog. sobre a Igreja Lumen gentium, 5). Quando nos dirigimos para este horizonte, percebemos que a nossa imaginação bloqueia, revelando-se capaz apenas de intuir o esplendor do mistério que supera os nossos sentidos. E surgem espontaneamente em nós algumas perguntas: quando acontecerá esta passagem final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? O que será, então, da humanidade? E da criação que nos circunda? Mas estas perguntas não são novas, os discípulos já as haviam feito a Jesus naquele tempo: “Mas quando isso acontecerá? Quando será o triunfo do Espírito sobre a criação, sobre o criado, sobre tudo...” São perguntas.  humanas, perguntas antigas. Também nós fazemos estas perguntas.

1. A Constituição conciliar gaugium et spes, diante dessas interrogações que ressoam desde sempre no coração do homem, afirma: “Ignoramos o tempo em que terão fim a terra e a humanidade, e não sabemos o modo em que será transformado o universo. Passa certamente o aspecto desse mundo, deformado pelo pecado. Sabemos, porém, pela Revelação, que Deus prepara uma nova habitação e uma terra nova, em que habita a justiça e cuja felicidade saciará abundantemente todos os desejos de paz que surgem no coração dos homens” (n. 39). Eis a meta à qual tende a Igreja: é, como diz a Bíblia, a “Nova Jerusalém”, o “Paraíso”. Mais que um lugar, trata-se de um “estado” da alma em que as nossas expectativas mais profundas serão realizadas de modo superabundante e o nosso ser, como criaturas e como filhos de Deus, chegará à plena maturidade. Seremos finalmente revestidos pela alegria, pela paz e pelo amor de Deus de modo completo, sem mais limite algum, e estaremos face a face com Ele! (cfr 1 Cor 13, 12). É belo pensar nisto, pensar no Céu. Todos nós nos encontraremos lá, todos. É belo, dá força à alma.

2. Nesta perspectiva, é belo perceber como há uma continuidade e uma comunhão de fundo entre a Igreja que está no Céu e aquela ainda em caminho na terra. Aqueles que já vivem na presença de Deus podem, de fato, nos apoiar e interceder por nós, rezar por nós. Por outro lado, também nós somos sempre convidados a oferecer obras boas, orações e a própria Eucaristia para aliviar a tribulação das almas que ainda estão à espera da beatitude sem fim. Sim, porque na perspectiva cristã, a distinção não é entre quem já está morto e quem ainda não está, mas entre quem está em Cristo e quem não o está! Este é o elemento determinante, realmente decisivo para a nossa salvação e para a nossa felicidade.

3. Ao mesmo tempo, a Sagrada Escritura nos ensina que a realização deste desígnio maravilhoso não pode não interessar também a tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do coração de Deus. O apóstolo Paulo o afirma de modo explícito, quando diz que “também a mesma criação será libertada da escravidão da corrupção, para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21). Outros textos utilizam a imagem do “céu novo” e da “terra nova” (cfr 2 Pe 3, 13; Ap 21, 1), no sentido de que todo o universo será renovado e será libertado uma vez para sempre de todo traço do mal e da própria morte. Aquela que se prospecta, como cumprimento de uma transformação que na realidade já está em ação a partir da morte e ressurreição de Cristo, é então uma nova criação; não, portanto, o aniquilamento do cosmo e de tudo aquilo que nos circunda, mas um levar cada coisa à sua plenitude de ser, de verdade, de beleza. Este é o desígnio que Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, desde sempre quer realizar e está realizando.

Queridos amigos, quando pensamos nestas realidades maravilhosas que nos esperam, percebemos o quanto pertencer à Igreja é realmente um dom maravilhoso, que traz inscrita uma vocação altíssima! Peçamos, então, à Virgem Maria, Mãe da Igreja, para vigiar sempre sobre o nosso caminho e nos ajudar a ser, como ela, sinal alegre de confiança e de esperança em meio aos nossos irmãos.

No final da catequese, o Papa Francisco recordou sua viagem à Turquia, de sexta-feira, 28, até domingo, 30, por ocasião da festa de Santo André. Ele pediu que o fiéis rezem pelo êxito da visita.

“Convido todos a rezarem para que esta visita de Pedro ao irmão André produza frutos de paz, sincero diálogo entre as religiões e concórdia na nação turca.”

O Papa Francisco será o quarto Pontífice a visitar a Turquia e a motivação desta sua sexta viagem apostólica é, sobretudo, ecumênica. Tradicionalmente, no dia 29 de junho, por ocasião da Festa dos Apóstolos Pedro e Paulo, o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla envia uma delegação ao Vaticano. A Santa Sé retribui o gesto na festa litúrgica de Santo André (30 de novembro), irmão de São Pedro e Padroeiro do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

Além do encontro com o Patriarca Bartolomeu I, em Istambul, o Papa Francisco se reunirá com as autoridades turcas em Ankara, visitará o mausoléu de Ataturk (fundador e primeiro Presidente da República Turca), a Mesquita Azul e a Catedral latina do Espírito Santo. Também está previsto um encontro com o Grão-Rabino da Turquia. Com o Patriarca Bartolomeu, Francisco assinará um “Declaração Conjunta”.
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano

Papa: "Intolerável que Mediterrâneo se torne um grande cemitério"



Estrasburgo, 25.novembro.2014 (RV) - O primeiro pronunciamento público do Papa em sua visita à Estrasburgo foi na sede do parlamento Europeu. Diante de centenas de eurodeputados, Francisco leu um discurso preparado e longo.


Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vice-Presidentes,

Ilustres Eurodeputados,

Pessoas que a vário título trabalhais neste hemiciclo,

Queridos amigos!

Agradeço-vos o convite para falar perante esta instituição fundamental da vida da União Europeia e a oportunidade que me proporcionais de me dirigir, por vosso intermédio, a mais de quinhentos milhões de cidadãos por vós representados nos vinte e oito Estados membros. Desejo exprimir a minha gratidão de modo particular a Vossa Excelência, Senhor Presidente do Parlamento, pelas cordiais palavras de boas-vindas que me dirigiu em nome de todos os componentes da Assembleia.

A minha visita tem lugar passado mais de um quarto de século da realizada pelo Papa João Paulo II. Desde aqueles dias, muita coisa mudou na Europa e no mundo inteiro. Já não existem os blocos contrapostos que, então, dividiam em dois o Continente e, lentamente, está a realizar-se o desejo de que «a Europa, ao dotar-se soberanamente de instituições livres, possa um dia desenvolver-se em dimensões que lhe foram dadas pela geografia e, mais ainda, pela história» .

A par duma União Europeia mais ampla, há também um mundo mais complexo e em intensa movimentação: um mundo cada vez mais interligado e global e, consequentemente, sempre menos «eurocêntrico». A uma União mais alargada, mais influente, parece contrapor-se a imagem duma Europa um pouco envelhecida e empachada, que tende a sentir-se menos protagonista num contexto que frequentemente a olha com indiferença, desconfiança e, por vezes, com suspeita.

Hoje, falando-vos a partir da minha vocação de pastor, desejo dirigir a todos os cidadãos europeus uma mensagem de esperança e encorajamento.

Uma mensagem de esperança assente na confiança de que as dificuldades podem revelar-se, fortemente, promotoras de unidade, para vencer todos os medos que a Europa – juntamente com o mundo inteiro – está a atravessar. Esperança no Senhor que transforma o mal em bem e a morte em vida.

Encorajamento a voltar à firme convicção dos Pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro assente na capacidade de trabalhar juntos para superar as divisões e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do Continente. No centro deste ambicioso projecto político, estava a confiança no homem, não tanto como cidadão ou como sujeito económico, mas no homem como pessoa dotada de uma dignidade transcendente.

Sinto obrigação, antes de mais nada, de sublinhar a ligação estreita que existe entre estas duas palavras: «dignidade» e «transcendente».

«Dignidade» é a palavra-chave que caracterizou a recuperação após a Segunda Guerra Mundial. A nossa história recente caracteriza-se pela inegável centralidade da promoção da dignidade humana contra as múltiplas violências e discriminações que não faltaram, ao longo dos séculos, nem mesmo na Europa. A percepção da importância dos direitos humanos nasce precisamente como resultado de um longo caminho, feito também de muitos sofrimentos e sacrifícios, que contribuiu para formar a consciência da preciosidade, unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa humana. Esta tomada de consciência cultural tem o seu fundamento não só nos acontecimentos da história, mas sobretudo no pensamento europeu, caracterizado por um rico encontro cujas numerosas e distantes fontes provêm «da Grécia e de Roma, de substratos celtas, germânicos e eslavos, e do cristianismo que os plasmou profundamente» , dando origem precisamente ao conceito de «pessoa».

Hoje, a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia que visa promover a dignidade da pessoa, tanto no âmbito interno como nas relações com os outros países. Trata-se de um compromisso importante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objectos, dos quais se pode programar a concepção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados fora quando já não servem porque se tornaram frágeis, doentes ou velhos.

Realmente que dignidade existe quando falta a possibilidade de exprimir livremente o pensamento próprio ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade poderá ter um homem ou uma mulher tornados objecto de todo o género de discriminação? Que dignidade poderá encontrar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essencial para viver e, pior ainda, o trabalho que o unge de dignidade?

Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses económicos.

É preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equívocos que podem surgir de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos. De facto, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direitos individuais, que esconde uma concepção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico, quase como uma «mónada» (μονάς) cada vez mais insensível às outras «mónadas» ao seu redor. Ao conceito de direito já não se associa o conceito igualmente essencial e complementar de dever, acabando por afirmar-se os direitos do indivíduo sem ter em conta que cada ser humano está unido a um contexto social, onde os seus direitos e deveres estão ligados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade.

Por isso, considero que seja mais vital hoje do que nunca aprofundar uma cultura dos direitos humanos que possa sapientemente ligar a dimensão individual, ou melhor pessoal, à do bem comum, àquele «nós-todos» formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social . Na realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte de conflitos e violências.

Assim, falar da dignidade transcendente do homem significa apelar para a sua natureza, a sua capacidade inata de distinguir o bem do mal, para aquela «bússola» inscrita nos nossos corações e que Deus imprimiu no universo criado ; sobretudo significa olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difusa na Europa é a solidão, típica de quem está privado de vínculos. Vemo-la particularmente nos idosos, muitas vezes abandonados à sua sorte, bem como nos jovens privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro; vemo-la nos numerosos pobres que povoam as nossas cidades; vemo-la no olhar perdido dos imigrantes que vieram para cá à procura de um futuro melhor.

Uma tal solidão foi, depois, agravada pela crise económica, cujos efeitos persistem ainda com consequências dramáticas do ponto de vista social. Pode-se também constatar que, no decurso dos últimos anos, a par do processo de alargamento da União Europeia, tem vindo a crescer a desconfiança dos cidadãos relativamente às instituições consideradas distantes, ocupadas a estabelecer regras vistas como distantes da sensibilidade dos diversos povos, se não mesmo prejudiciais. De vários lados se colhe uma impressão geral de cansaço e envelhecimento, de uma Europa avó que já não é fecunda nem vivaz. Daí que os grandes ideais que inspiraram a Europa pareçam ter perdido a sua força de atracção, em favor do tecnicismo burocrático das suas instituições.

A isto vêm juntar-se alguns estilos de vida um pouco egoístas, caracterizados por uma opulência actualmente insustentável e muitas vezes indiferente ao mundo circundante, sobretudo dos mais pobres. No centro do debate político, constata-se lamentavelmente a preponderância das questões técnicas e económicas em detrimento de uma autêntica orientação antropológica . O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida – como vemos, infelizmente, com muita frequência –, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes terminais, dos idosos abandonados e sem cuidados, ou das crianças mortas antes de nascer.

É o grande equívoco que se verifica «quando prevalece a absolutização da técnica» , acabando por gerar «uma confusão entre fins e meios» , que é o resultado inevitável da «cultura do descarte» e do «consumismo exacerbado». Pelo contrário, afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente não podendo, por conseguinte, ser objecto de troca ou de comércio. Na vossa vocação de parlamentares, sois chamados também a uma grande missão, ainda que possa parecer não lucrativa: cuidar da fragilidade dos povos e das pessoas. Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade no meio dum modelo funcionalista e individualista que conduz inexoravelmente à «cultura do descarte». Cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos significa guardar a memória e a esperança; significa assumir o presente na sua situação mais marginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade .

Mas, então, como fazer para se devolver esperança ao futuro, de modo que, a partir das jovens gerações, se reencontre a confiança para perseguir o grande ideal de uma Europa unida e em paz, criativa e empreendedora, respeitadora dos direitos e consciente dos próprios deveres?

Para responder a esta pergunta, permiti-me lançar mão de uma imagem. Um dos mais famosos afrescos de Rafael que se encontram no Vaticano representa a chamada Escola de Atenas. No centro, estão Platão e Aristóteles. O primeiro com o dedo apontando para o alto, para o mundo das ideias, poderíamos dizer para o céu; o segundo estende a mão para a frente, para o espectador, para a terra, a realidade concreta. Parece-me uma imagem que descreve bem a Europa e a sua história, feita de encontro permanente entre céu e terra, onde o céu indica a abertura ao transcendente, a Deus, que desde sempre caracterizou o homem europeu, e a terra representa a sua capacidade prática e concreta de enfrentar as situações e os problemas.

O futuro da Europa depende da redescoberta do nexo vital e inseparável entre estes dois elementos. Uma Europa que já não seja capaz de se abrir à dimensão transcendente da vida é uma Europa que lentamente corre o risco de perder a sua própria alma e também aquele «espírito humanista» que naturalmente ama e defende.

É precisamente a partir da necessidade de uma abertura ao transcendente que pretendo afirmar a centralidade da pessoa humana; caso contrário, fica à mercê das modas e dos poderes do momento. Neste sentido, considero fundamental não apenas o património que o cristianismo deixou no passado para a formação sociocultural do Continente, mas também e sobretudo a contribuição que pretende dar hoje e no futuro para o seu crescimento. Esta contribuição não constitui um perigo para a laicidade dos Estados e para a independência das instituições da União, mas um enriquecimento. Assim no-lo indicam os ideais que a formaram desde o início, tais como a paz, a subsidiariedade e a solidariedade mútua, um humanismo centrado no respeito pela dignidade da pessoa.

Por isso, desejo renovar a disponibilidade da Santa Sé e da Igreja Católica, através da Comissão das Conferências Episcopais da Europa (COMECE), a manter um diálogo profícuo, aberto e transparente com as instituições da União Europeia. De igual modo, estou convencido de que uma Europa que seja capaz de conservar as suas raízes religiosas, sabendo apreender a sua riqueza e potencialidades, pode mais facilmente também permanecer imune a tantos extremismos que campeiam no mundo actual – o que se fica a dever também ao grande vazio de ideais a que assistimos no chamado Ocidente –, pois «o que gera a violência não é a glorificação de Deus, mas o seu esquecimento» .

Não podemos deixar de recordar aqui as numerosas injustiças e perseguições que se abatem diariamente sobre as minorias religiosas, especialmente cristãs, em várias partes do mundo. Comunidades e pessoas estão a ser objecto de bárbaras violências: expulsas de suas casas e pátrias; vendidas como escravas; mortas, decapitadas, crucificadas e queimadas vivas, sob o silêncio vergonhoso e cúmplice de muitos.

O lema da União Europeia é Unidade na diversidade, mas a unidade não significa uniformidade política, económica, cultural ou de pensamento. Na realidade, toda a unidade autêntica vive da riqueza das diversidades que a compõem: como uma família, que é tanto mais unida quanto mais cada um dos seus componentes pode ser ele próprio profundamente e sem medo. Neste sentido, considero que a Europa seja uma família de povos, os quais poderão sentir próximas as instituições da União se estas souberem conjugar sapientemente o ideal da unidade, por que se anseia, com a diversidade própria de cada um, valorizando as tradições individuais; tomando consciência da sua história e das suas raízes; libertando-se de tantas manipulações e fobias. Colocar no centro a pessoa humana significa, antes de mais nada, deixar que a mesma exprima livremente o próprio rosto e a própria criatividade tanto de indivíduo como de povo.

Por outro lado, as peculiaridades de cada um constituem uma autêntica riqueza na medida em que são colocadas ao serviço de todos. É preciso ter sempre em mente a arquitectura própria da União Europeia, assente sobre os princípios de solidariedade e subsidiariedade, de tal modo que prevaleça a ajuda recíproca e seja possível caminhar animados por mútua confiança.

Nesta dinâmica de unidade-particularidade, coloca-se também diante de vós, Senhores e Senhoras Eurodeputados, a exigência de cuidardes de manter viva a democracia dos povos da Europa. Não escapa a ninguém que uma concepção homologante da globalidade afecta a vitalidade do sistema democrático, depauperando do que tem de fecundo e construtivo o rico contraste das organizações e dos partidos políticos entre si. Deste modo, corre-se o risco de viver no reino da ideia, da mera palavra, da imagem, do sofisma... acabando por confundir a realidade da democracia com um novo nominalismo político. Manter viva a democracia na Europa exige que se evitem muitas «maneiras globalizantes» de diluir a realidade: os purismos angélicos, os totalitarismos do relativo, os fundamentalismos a-históricos, os eticismos sem bondade, os intelectualismos sem sabedoria .

Manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real – força política expressiva dos povos – seja removida face à pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraquecem e transformam em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos. Este é um desafio que hoje vos coloca a história.

Dar esperança à Europa não significa apenas reconhecer a centralidade da pessoa humana, mas implica também promover os seus dotes. Trata-se, portanto, de investir nela e nos âmbitos onde os seus talentos são formados e dão fruto. O primeiro âmbito é seguramente o da educação, a começar pela família, célula fundamental e elemento precioso de toda a sociedade. A família unida, fecunda e indissolúvel traz consigo os elementos fundamentais para dar esperança ao futuro. Sem uma tal solidez, acaba-se por construir sobre a areia, com graves consequências sociais. Aliás, sublinhar a importância da família não só ajuda a dar perspectivas e esperança às novas gerações, mas também a muitos idosos, frequentemente constrangidos a viver em condições de solidão e abandono, porque já não há o calor dum lar doméstico capaz de os acompanhar e apoiar.

Ao lado da família, temos as instituições educativas: escolas e universidades. A educação não se pode limitar a fornecer um conjunto de conhecimentos técnicos, mas deve favorecer o processo mais complexo do crescimento da pessoa humana na sua totalidade. Os jovens de hoje pedem para ter uma formação adequada e completa, a fim de olharem o futuro com esperança e não com desilusão. Aliás são numerosas as potencialidades criativas da Europa em vários campos da pesquisa científica, alguns dos quais ainda não totalmente explorados. Basta pensar, por exemplo, nas fontes alternativas de energia, cujo desenvolvimento muito beneficiaria a defesa do meio ambiente.

A Europa sempre esteve na vanguarda dum louvável empenho a favor da ecologia. De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Isto significa, por um lado, que a natureza está à nossa disposição, podemos gozar e fazer bom uso dela; mas, por outro, significa que não somos os seus senhores. Guardiões, mas não senhores. Por isso, devemos amá-la e respeitá-la; mas, «ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação, da exploração; não a “guardamos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar» . Mas, respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem. Penso sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem. Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. Por isso, a par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras.

O segundo âmbito em que florescem os talentos da pessoa humana é o trabalho. É tempo de promover as políticas de emprego, mas acima de tudo é necessário devolver dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua realização. Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro, significa fomentar um contexto social adequado, que não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos.

De igual forma, é necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam de acolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos.

Senhor Presidente, Excelências, Senhoras e Senhores Deputados!

A consciência da própria identidade é necessária também para dialogar de forma propositiva com os Estados que se candidataram à adesão à União Europeia no futuro. Penso sobretudo nos Estados da área balcânica, para os quais a entrada na União Europeia poderá dar resposta ao ideal da paz numa região que tem sofrido enormemente por causa dos conflitos do passado. Por fim, a consciência da própria identidade é indispensável nas relações com os outros países vizinhos, particularmente os que assomam ao Mediterrâneo, muitos dos quais sofrem por causa de conflitos internos e pela pressão do fundamentalismo religioso e do terrorismo internacional.

A vós, legisladores, compete a tarefa de preservar e fazer crescer a identidade europeia, para que os cidadãos reencontrem confiança nas instituições da União e no projecto de paz e amizade que é o seu fundamento. Sabendo que, «quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária» , exorto-vos a trabalhar para que a Europa redescubra a sua alma boa.

Um autor anónimo do século II escreveu que «os cristãos são no mundo o que a alma é para o corpo» . A tarefa da alma é sustentar o corpo, ser a sua consciência e memória histórica. E uma história bimilenária liga a Europa e o cristianismo. Uma história não livre de conflitos e erros, mas sempre animada pelo desejo de construir o bem. Vemo-lo na beleza das nossas cidades e, mais ainda, na beleza das múltiplas obras de caridade e de construção comum que constelam o Continente. Esta história ainda está, em grande parte, por escrever. Ela é o nosso presente e também o nosso futuro. É a nossa identidade. E a Europa tem uma necessidade imensa de redescobrir o seu rosto para crescer, segundo o espírito dos seus Pais fundadores, na paz e na concórdia, já que ela mesma não está ainda isenta dos conflitos.

Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade!

Obrigado!

Para conquistar o bem da paz é preciso educar para a paz: o Papa ao Conselho da Europa



Estrasburgo, 25.novembro.2014 (RV) - O Conselho da Europa existe há 65 anos, é composto pelos representantes da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, os representantes dos Países membros, os juízes do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e das várias instituições que compõem o mesmo Conselho. No seu discurso o Papa disse:

Senhor Secretário-Geral, Senhora Presidente,

Excelências, Senhoras e Senhores!

Sinto-me feliz por poder tomar a palavra nesta Sessão que vê reunida uma representação significativa da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, os representantes dos países membros, os juízes do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, bem como as diferentes instituições que compõem o Conselho da Europa. De facto, quase toda a Europa está aqui presente, com os seus povos, as suas línguas, as suas expressões culturais e religiosas, que constituem a riqueza deste Continente. De modo particular agradeço ao Secretário-Geral do Conselho da Europa, Senhor Thorbjørn Jagland, o convite gentil e as amáveis palavras de boas-vindas que me dirigiu. Saúdo também a Senhora Anne Brasseur, Presidente da Assembleia Parlamentar. De coração agradeço a todos o empenhamento profuso e a contribuição prestada à paz na Europa através da promoção da democracia, dos direitos humanos e do estado de direito.

Na intenção de seus Pais fundadores, o Conselho da Europa –que celebra este ano o seu sexagésimo quinto aniversário – dava resposta àquela tensão ideal para a unidade que tem animado, repetidamente, a vida do Continente desde a antiguidade. Ao longo dos séculos, porém, muitas vezes prevaleceram ímpetos particularistas conotados com as diversas vontades hegemónicas que se iam sucedendo. Basta pensar que dez anos antes daquele 5 de Maio de 1949, quando se assinou em Londres o Tratado que instituía o Conselho da Europa, tivera início o mais sangrento e dilacerante conflito que estas terras recordam e cujas divisões perduraram por muitos anos sucessivos com a chamada cortina de ferro que dividia em dois o Continente desde o Mar Báltico até ao Golfo de Trieste. O projecto dos Pais fundadores era reconstruir a Europa num espírito de mútuo serviço, que ainda hoje, num mundo mais inclinado a reivindicar do que a servir, deve constituir o fecho da abóbada da missão do Conselho da Europa em favor da paz, da liberdade e da dignidade humana.

Aliás o caminho privilegiado para a paz – para evitar que volte a acontecer o que sucedeu nas duas guerras mundiais do século passado – é reconhecer no outro, não um inimigo a combater, mas um irmão a acolher. Trata-se de um processo contínuo, que não se pode jamais dar como plenamente alcançado. Isto mesmo intuíram os Pais fundadores quando compreenderam que a paz era um bem que se devia conquistar continuamente e exigia uma vigilância absoluta. Estavam cientes de que as guerras se alimentam da vontade de apoderar-se dos espaços, cristalizar os processos e procurar detê-los; eles, ao invés, procuravam a paz, que se pode realizar apenas com a constante disposição de iniciar processos e levá-los por diante.

Afirmavam, assim, a vontade de caminhar maturando no tempo, porque é precisamente o tempo que governa os espaços, iluminando-os e transformando-os numa cadeia de crescimento contínuo que não volta atrás. Por isso, a construção da paz exige privilegiar as acções que geram novos dinamismos na sociedade e envolvem outras pessoas e grupos que hão-de desenvolvê-los até frutificar em importantes acontecimentos históricos[1].

Foi por esta razão que eles deram vida a este Organismo estável. Como recordava alguns anos depois o Beato Paulo VI, «as próprias instituições que, na ordem jurídica e no concerto internacional, têm a função e o mérito de proclamar e de conservar a paz, alcançam o seu próvido objectivo se estiverem a operar continuamente, se souberem a cada momento gerar a paz, fazer a paz»[2]. É preciso um caminho constante de humanização, pelo que «não basta conter a guerra, suspender as lutas, (...) não basta uma Paz imposta, uma Paz utilitária e provisória. É necessário tender para uma Paz amada, livre e fraterna, isto é, fundada sobre a reconciliação dos espíritos»[3]. Por outras palavras, é preciso levar por diante os processos sem ansiedade, mas certamente com convicções claras e tenacidade.

Para conquistar o bem da paz é preciso, antes de mais nada, educar para ela, desterrando uma cultura do conflito que visa amedrontar o outro, marginalizar quem pensa ou vive de forma diferente. É verdade que o conflito não pode ser ignorado ou dissimulado; deve ser aceitado. Mas, se ficamos bloqueados nele, perde-se perspectiva, os horizontes reduzem-se e a própria realidade fica fragmentada. Quando estagnamos na situação de conflito, perdemos o sentido da unidade profunda da realidade[4], paramos a história e caímos no desgaste interior de contradições estéreis.

Infelizmente, a paz é ferida ainda muitas vezes. Isto é verdade em muitas partes do mundo, onde enfurecem conflitos de diverso género. É verdade também aqui na Europa, onde não cessam as tensões. Quanto sofrimento e quantos mortos há ainda neste Continente, que anseia pela paz e contudo volta facilmente a cair nas tentações de outrora! Por isso, é importante e encorajador o trabalho do Conselho da Europa na busca de uma solução política para as crises em acto.

Mas a paz é posta à prova também por outras formas de conflito, como o terrorismo religioso e internacional que nutre profundo desprezo pela vida humana e ceifa, de forma indiscriminada, vítimas inocentes. Infelizmente este fenómeno é alimentado por um tráfico de armas, muitas vezes sem qualquer entrave. A Igreja considera que «a corrida aos armamentos é um terrrível flagelo para a humanidade e prejudica os pobres de uma forma intolerável»[5]. A paz é violada também pelo tráfico de seres humanos, a nova escravatura do nosso tempo que transforma as pessoas em mercadoria de troca, privando as vítimas de toda a dignidade. Depois, não raro damo-nos conta de como estão interligados estes fenómenos. O Conselho da Europa, através das suas Comissões e grupos de peritos, desempenha um papel importante e significativo no combate a tais formas de desumanidade.

A paz, porém, não é a simples ausência de guerras, conflitos e tensões. Na óptica cristã, é simultaneamente dom de Deus e fruto da acção livre e racional do homem, que se propõe perseguir o bem comum na verdade e no amor. «Esta ordem racional e moral assenta precisamente na decisão da consciência dos seres humanos de buscar a harmonia nas suas relações recíprocas sobre a base do respeito da justiça para todos»[6].

Então como perseguir este ambicioso objectivo da paz?

A estrada escolhida pelo Conselho da Europa é, antes de mais nada, a promoção dos direitos humanos, a que se liga o desenvolvimento da democracia e do estado de direito. É um trabalho particularmente precioso, com notáveis implicações éticas e sociais, já que, de um recto entendimento destes termos e de uma reflexão constante sobre eles, depende o desenvolvimento das nossas sociedades, a sua pacífica convivência e o seu futuro. Este estudo é uma das grandes contribuições que a Europa ofereceu e continua a oferecer ao mundo inteiro.

Por isso, nesta sede, sinto o dever de lembrar a importância da contribuição e responsabilidade europeias para o desenvolvimento cultural da humanidade. E gostaria de o fazer partindo de uma imagem que tomo dum poeta italiano do século XX, Clemente Rebora, que, numa das suas poesias[7], descreve um álamo com os seus ramos erguidos para o céu e movidos pelo vento, o seu tronco sólido e firme e as raízes profundas que penetram na terra. Em certo sentido podemos, à luz desta imagem, imaginar a Europa.

Ao longo da sua história, sempre se ergueu para o alto, para metas novas e ambiciosas, animada por um desejo insaciável de conhecimento, desenvolvimento, progresso, paz e unidade. Mas a elevação do pensamento, da cultura, das descobertas científicas só é possível graças à solidez do tronco e à profundidade das raízes que o alimentam. Se se perdem as raízes, o tronco lentamente se esvai e morre, e os ramos – antes vigorosos e direitos – dobram-se para a terra e caem. Aqui está talvez um dos paradoxos mais incompreensíveis para uma mentalidae científica isolada: para caminhar para o futuro serve o passado, são necessárias raízes profundas e serve também a coragem de não se esconder face ao presente e seus desafios. Servem memória, coragem e utopia sadia e humana.

Entretanto – observa Rebora - «o tronco penetra onde é mais verdadeiro»[8]. As raízes nutrem-se da verdade, que constitui o alimento, a seiva vital de toda e qualquer sociedade que queira ser verdadeiramente livre, humana e solidária. Por outro lado, a verdade faz apelo à consciência, que é irredutível aos condicionamentos e, por isso, é capaz de conhecer a sua própria dignidade e de se abrir ao absoluto, tornando-se fonte das opções fundamentais guiadas pela procura do bem para os outros e para si mesma e lugar duma liberdade responsável[9].

Além disso, é preciso ter presente que, sem esta busca da verdade, cada um torna-se medida de si mesmo e do seu próprio agir, abrindo a estrada à afirmação subjectivista dos direitos, de tal modo que o conceito de direito humano, que de per si tem valência universal, é substituído pela ideia de direito individualista. Isto leva a ser substancialmente descuidado para com os outros e favorecer a globalização da indiferença, que nasce do egoísmo, fruto duma concepção do homem incapaz de acolher a verdade e viver uma autêntica dimensão social.

Um tal individualismo torna-nos humanamente pobres e culturalmente estéreis, porque corta realmente aquelas raízes fecundas sobre as quais se enxerta a árvore. Do individualismo indiferente nasce o culto da opulência, a que corresponde a cultura do descarte onde estamos imersos. Na realidade, temos demasiadas coisas, muitas vezes desnecessárias, mas já não somos capazes de construir relações humanas autênticas, caracterizadas pela verdade e o respeito mútuo. E assim temos hoje diante dos olhos a imagem duma Europa ferida pelas inúmeras provações do passado, mas também pelas crises do presente que parece incapaz de enfrentar com a vitalidade e a energia de outrora; uma Europa um pouco cansada e pessimista, que se sente assediada pelas novidades provenientes dos outros Continentes.

À Europa, podemos perguntar: Onde está o teu vigor? Onde está aquela tensão ideal que animou e fez grande a tua história? Onde está o teu espírito de curiosidade e empreendimento? Onde está a tua sede de verdade, que comunicaste com paixão ao mundo até agora?

Da resposta a estas perguntas dependerá o futuro do Continente. Aliás, voltando à imagem de Rebora, um tronco sem raízes pode continuar a ter aparência de vida, mas por dentro esvai-se e morre. A Europa deve reflectir se o seu imenso património humano, artístico, técnico, social, político, económico e religioso é um simples legado de museu do passado, ou se ainda é capaz de inspirar a cultura e descerrar os seus tesouros à humanidade inteira. Na resposta a esta questão, tem um papel de primária importância o Conselho da Europa, com as suas instituições.

Penso particularmente no papel do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, que constitui de certo modo a «consciência» da Europa no respeito dos direitos humanos. A minha esperança é que esta consciência mature cada vez mais, não por um mero consenso entre as partes, mas como fruto da tensão para aquelas raízes profundas que constituem os alicerces sobre os quais escolheram edificar os Pais fundadores da Europa contemporânea.

Juntamente com as raízes – que é preciso procurar, encontrar e manter vivas com o exercício diário da memória, pois constituem o património genético da Europa –, existem os actuais desafios do Continente que nos obrigam a uma criatividade contínua, para que estas raízes sejam fecundas nos dias de hoje e se projectem para as utopias do futuro. Permitam-me mencionar dois apenas: o desafio da multipolaridade e o da transversalidade.

A história da Europa pode levar-nos a concebê-la ingenuamente como uma bipolaridade ou, no máximo, um tripolaridade (pensemos na antiga concepção: Roma - Bizâncio - Moscovo) e, dentro deste esquema fruto de reducionismos geopolíticos hegemónicos, movermo-nos na interpretação do presente e na projecção para a utopia do futuro.

Hoje as coisas não estão assim e podemos, legitimamente, falar de uma Europa multipolar. As tensões – tanto aquelas que constroem como as que desagregam – verificam-se entre múltiplos pólos culturais, religiosos e políticos. Hoje, a Europa enfrenta o desafio de «globalizar» de forma original esta multipolaridade. As culturas não se identificam necessariamente com os países: alguns deles têm várias culturas, e algumas culturas exprimem-se em vários países. E o mesmo acontece com as expressões políticas, religiosas e associativas.

Globalizar de forma original a multipolaridade implica o desafio de uma harmonia construtiva, livre de hegemonias que, embora pragmaticamente pareçam facilitar o caminho, acabam por destruir a originalidade cultural e religiosa dos povos.

Falar da multipolaridade europeia significa falar de povos que nascem, crescem e se projectam para o futuro. A tarefa de globalizar a multipolaridade da Europa não a podemos imaginar com a figura da esfera – onde tudo é igual e ordenado, mas redutora porque cada ponto é equidistante do centro –, mas sim com a do poliedro, onde a unidade harmoniosa do todo conserva a singularidade de cada uma das partes. Hoje, a Europa é multipolar nas suas relações e tensões; não se pode pensar nem construir a Europa sem assumir profundamente esta realidade multipolar.

O outro desafio que gostaria de mencionar é a transversalidade. Parto duma experiência pessoal: nos encontros com os políticos de vários países da Europa, pude notar que os políticos jovens encaram a realidade duma perspectiva diferente da dos seus colegas mais idosos. Talvez digam coisas aparentemente semelhantes, mas a abordagem é diferente. Isto verifica-se nos jovens políticos dos diferentes partidos. Este dado empírico indica uma realidade da Europa actual, de que não se pode prescindir no caminho da consolidação do Continente e da sua projecção futura: ter em conta esta transversalidade que se observa em todas as áreas. Isto não se pode conseguir sem recorrer ao diálogo, nomeadamente intergeracional. Se hoje quiséssemos definir o Continente, deveríamos falar duma Europa dialogante que faz com que a transversalidade de opiniões e reflexões esteja ao serviço dos povos harmoniosamente unidos.

Assumir este caminho de comunicação transversal implica não só empatia geracional, mas também metodologia histórica de crescimento. No mundo político actual da Europa, resulta estéril o diálogo circunscrito apenas aos organismos (políticos, religiosos, culturais) a que se pertence. Hoje, a história pede a capacidade de sair para o encontro a partir das estruturas que «contêm» a própria identidade a fim de a tornar mais forte e mais fecunda no confronto fraterno da transversalidade. Uma Europa que dialogue apenas dentro dos grupos fechados a que se pertence fica a meia estrada; há necessidade do espírito juvenil que aceite o desafio da transversalidade.

Nesta perspectiva, congratulo-me com a vontade do Conselho da Europa de investir no diálogo intercultural, incluindo a sua dimensão religiosa, através dos Encontros sobre a dimensão religiosa do diálogo intercultural. Trata-se de uma ocasião profícua para um intercâmbio aberto, respeitoso e enriquecedor entre pessoas e grupos de diferente origem, tradição étnica, linguística e religiosa, num espírito de compreensão e respeito mútuo.

Tais encontros parecem ser particularmente importantes no actual ambiente multicultural, multipolar, em busca de um rosto próprio para conjugar, sapientemente, a identidade europeia formada ao longo dos séculos com as solicitações que chegam dos outros povos que agora assomam ao Continente.

Nesta lógica, se deve entender a contribuição que o cristianismo pode proporcionar, actualmente, ao desenvolvimento cultural e social europeu no âmbito duma correcta relação entre religião e sociedade. Na óptica cristã, razão e fé, religião e sociedade são chamadas a iluminar-se reciprocamente, apoiando-se uma à outra e, se necessário, purificando-se mutuamente dos extremismos ideológicos em que podem cair. A sociedade europeia inteira só pode beneficiar de uma revitalizada conexão entre os dois âmbitos, tanto para enfrentar um fundamentalismo religioso que é inimigo sobretudo de Deus, como para obstar a uma razão «reduzida» que não honra o homem.

Estou convencido de que pode haver mútuo enriquecimento num grande número de temas actuais, em que a Igreja Católica – especialmente através do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) – pode colaborar com o Conselho da Europa e prestar uma contribuição fundamental. Em primeiro lugar, à luz do que disse anteriormente, temos o âmbito duma reflexão ética sobre os direitos humanos, acerca dos quais muitas vezes a vossa Organização é chamada a reflectir. Penso, em particular, nos temas relacionados com a protecção da vida humana, questões sensíveis que precisam de ser submetidas a um exame cuidadoso que tenha em conta a verdade do ser humano integral, sem se limitar a específicos âmbitos médicos, científicos ou jurídicos.

De igual modo são numerosos os desafios do mundo contemporâneo que necessitam de estudo e de um empenhamento comum, a começar pelo acolhimento dos imigrantes, que precisam primariamente do essencial para viver, mas sobretudo que lhes seja reconhecida a sua dignidade de pessoas. Temos depois o grave problema do trabalho em toda a sua amplitude, especialmente pelos altos níveis de desemprego juvenil que se registam em muitos países – uma real hipoteca que grava sobre o futuro – mas também pela questão da dignidade do trabalho.

Espero vivamente que se instaure uma nova cooperação social e económica, livre de condicionalismos ideológicos, que saiba encarar o mundo globalizado, mantendo vivo o sentimento de solidariedade e caridade mútua que tanto caracterizou o rosto da Europa, graças à obra generosa de centenas de homens e mulheres – alguns considerados Santos pela Igreja Católica – que, ao longo dos séculos, se esforçaram por desenvolver o Continente seja através da actividade empresarial seja com obras de educação, de assistência e de promoção humana. Especialmente estas últimas constituem um importante ponto de referência para os numerosos pobres que vivem na Europa. E há tantos nas nossas estradas! Pedem não só o pão para se sustentarem, que é o mais elementar dos direitos, mas também para se redescobrir o valor da sua vida, que a pobreza tende a fazer esquecer, e reencontrar a dignidade conferida pelo trabalho.

Por fim, entre os temas que requerem a nossa reflexão e a nossa colaboração, temos a defesa do meio ambiente, desta nossa amada Terra, o grande recurso que Deus nos deu e está à nossa disposição, não para ser deturpada, explorada e vilipendiada, mas para que, gozando da sua beleza imensa, possamos viver com dignidade.

Senhora Presidente, Senhor Secretário-Geral, Excelências, Senhoras e Senhores!

O Beato Paulo VI definiu a Igreja «perita em humanidade»[10]. No mundo, à imitação de Cristo, ela – apesar dos pecados dos seus filhos – nada mais procura que servir e dar testemunho da verdade[11]. Nada mais, à excepção deste espírito, nos guia no apoio dado ao caminho da humanidade.

Com esta disposição de espírito, a Santa Sé pretende continuar a colaborar com o Conselho da Europa, que desempenha actualmente um papel fundamental para forjar a mentalidade das futuras gerações de europeus. Trata-se de realizar, juntos, uma reflexão a todo o campo, para que se estabeleça uma espécie de «nova ágora», na qual cada instância civil e religiosa possa livremente confrontar-se com as outras, naturalmente na separação dos âmbitos e na diversidade das posições, animada exclusivamente pelo desejo de verdade e de construir o bem comum. De facto, a cultura nasce sempre do encontro mútuo, tendente a estimular a riqueza intelectual e a criatividade de quantos nele participam; e isto, além de ser a actuação do bem, é beleza. Os meus votos à Europa são de que, redescobrindo o seu património histórico e a profundidade das suas raízes, assumindo a sua viva multipolaridade e o fenómeno da transversalidade dialogante, encontre novamente aquela juventude de espírito que a tornou fecunda e grande.

Obrigado!

[1] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de Novembro de 2013), 223.
[2] Mensagem para o VIII Dia Mundial da Paz (8 de Dezembro de 1974).
[3] Ibidem.
[4] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 226.
[5] Catecismo da Igreja Católica, 2329. Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 81.
[6] JOÃO PAULO II, Mensagem para o XV Dia Mundial da Paz (8 de Dezembro de 1981), 4.
[7] «Vibra nel vento con tutte le sue foglie / il pioppo severo; / spasima l'aria in tutte le sue doglie / nell'ansia del pensiero: / dal tronco in rami per fronde si esprime/ tutte al ciel tese con raccolte cime: / fermo rimane il tronco del mistero, / e il tronco s'inabissa ov'è più vero»: «Il pioppo» in Canti dell'Infermità (ed. Vanni Scheiwiller, Milão 1957), 32.
[8] Ibidem.
[9] Cf. JOÃO PAULO II, Discurso à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (Estrasburgo, 8 de Outubro de 1988), 4.
[10] Carta enc. Populorum progressio, 13.
[11] Cf. Ibid., 13.

Doutrina Social da Igreja vem do Evangelho, disse Francisco aos jornalistas



Cidade do Vaticano
, 25.nov.2014 (RV) – O avião que trouxe o Papa Francisco de Estrasburgo aterrisou no Aeroporto de Ciampino, em Roma, pouco depois das 16 horas. Durante o voo, como costuma fazer, o Santo Padre conversou com os jornalistas, responden às perguntas sobre os temas tratados no Parlamento Europeu. Disse que a Doutrina Social da Igreja é inspirada no Evangelho, e interpelado sobre a expressão "identidado dos povos" contida no seu discurso e se o seu coração abrigava um “sentimento social-
democrata”, respondeu:

“Não ouso qualificar-me de uma ou de outra parte. Eu ouso dizer que isto vem do Evangelho. Esta é a mensagem do Evangelho que a Doutrina Social da Igreja contém. Eu nisto, concretamente, e em outras coisas – sociais ou políticas – não me afasto da Doutrina Social da Igreja. A Doutrina Social da Igreja vem do Evangelho, da Tradição cristã. Isto que disse – a identidade dos povos – é um valor evangélico”.

O Papa aprofundou, após, o seu convite para se abrir à verdade edificando o bem comum, a ser confiado também aos jovens políticos:

“Eu vi nos diálogos com os jovens políticos, aqui no Vaticano sobretudo, de diversos partidos e nações, que eles falam com uma música diversa que tende à transversalidade! Eles não têm medo de sair da própria pertença, sem negá-la, mas sair para dialogar. E são corajosos! E acredito que isto devemos imitá-los. E também o diálogo inter-gerações. Este sair para encontrar pessoas de outra pertença e dialogar: a Europa tem necessidade disto, hoje”.

Dentro do tema da paz “seguidamente ferida”, como afirmou em Estraburgo, o Papa Francisco assim respondeu aos jornalistas quando interpelado se seria possível o diálogo como o ‘Estado islâmico’:

“Eu nunca dou uma coisa por perdida, nunca! Talvez não se possa haver um diálogo, mas nunca fechar uma porta. É difícil, se pode dizer ‘quase impossível’, mas a porta está sempre aberta”.

Francisco convida então, a refletir sobre a resposta ao terrorismo:

“Cada Estado por conta própria sente ter o direito de massacrar os terroristas, e com os terroristas caem tantos inocentes. E esta é uma anarquia de alto nível que é muito perigosa. Com o terrorismo se deve lutar, mas repito aquilo que disse na viagem precedente: quando se deve deter o agressor injusto, se deve fazer com o consenso internacional”.

Hoje a paz, como ele mesmo afirmou ao Conselho da Europa, “é violada também pelo tráfico de seres humanos”, nova escravidão do nosso tempo, tema tratado em diversas oportunidades pelo Pontífice:

“A escravidão é uma realidade inserida no tecido social de hoje, mas há tempos. O trabalho escravo, o tráfico de pessoas, o comércio de crianças: é um drama. Não fechemos os olhos diante disto. A escravidão, hoje, é uma realidade; assim como a exploração das pessoas”.

A quinta viagem apostólica internacional do Papa Francisco é concluída com as perguntas dos jornalistas sobre os próximos compromissos: agora foi à Estrasburgo, como coração das instituições europeias; no futuro – perguntam – será a vez da França?

“O plano não foi feito”, disse, mas certamente “se deve ir a Paris”, “existe uma proposta” para Lourdes e – acrescentou – pediu para visitar “uma cidade onde nunca tenha ido nenhum Papa”.

Então, um pensamento final para a Europa:

“A Europa neste momento me preocupa; bom, para ajudar, que siga em frente. E isto como Bispo de Roma e sucessor de Pedro”.


Na Missa de hoje, Francisco voltou a pedir que a Igreja seja pobre; ela precisar brilhar não com luz própria, mas com a luz de Cristo



Na Missa desta segunda-feira, 24.novembro.2014, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco voltou a pedir uma Igreja pobre, que não se vanglorie de si mesma. Ele explicou que, quando a Igreja é humilde e pobre, então é fiel a Cristo; do contrário, é tentada a brilhar com luz própria em vez de doar ao mundo a luz de Deus.

As reflexões do Papa partiram do Evangelho do dia, que retrata as ofertas oferecidas ao Templo por pessoas ricas e por uma viúva. Trata-se de duas atitudes diferentes: doar muito e publicamente, ostentando a riqueza; e doar o pouco que se tem, atraindo a atenção apenas de Deus. Segundo o Papa, são duas tendências sempre presentes na história da Igreja: a Igreja tentada à vaidade e a Igreja pobre.

Francisco associou a figura da Igreja à da viúva, já que a Igreja espera a volta do seu Esposo. A viúva não era importante, seu nome não aparecia nos jornais, não brilhava com luz própria. “A grande virtude da Igreja deve ser de não brilhar com luz própria, mas brilhar com a luz que vem do seu Esposo. E nos séculos, quando a Igreja quis ter luz própria, errou”.

O Papa reconheceu que, algumas vezes, Deus pode pedir que a Igreja tenha um pouco de luz própria, mas isso se entende pelo fato de que, se a missão da Igreja é iluminar a humanidade, a luz doada deve ser unicamente aquela recebida de Cristo com humildade.

“Todos os serviços que nós fazemos na Igreja são para nos ajudar nisso, a receber aquela luz. E um serviço sem esta luz não é bom: faz com que a Igreja se torne ou rica, ou poderosa, ou que procure o poder, ou que erre o caminho, como aconteceu tantas vezes na história e como acontece nas nossas vidas, quando nós queremos ter outra luz que não é aquela do Senhor: uma luz própria”.

Quando a Igreja é fiel à esperança e ao seu Esposo, ela fica alegre de receber essa luz, reiterou o Papa. Fica feliz em ser, nesse sentido, “viúva” à espera, como a lua, do sol que virá.

“Quando a Igreja é humilde, quando a Igreja é pobre, mesmo quando a Igreja confessa as suas misérias – pois todos nós as temos – a Igreja é fiel. A Igreja diz: ‘Mas, eu sou escura, mas a luz vem dali!’ e isto nos faz tão bem. (…) Tudo para o Senhor e para o próximo. Humildes. Sem nos vangloriarmos de ter luz própria, procurando sempre a luz que vem do Senhor”.
Radio Vaticano
Papa convida fiéis indianos a imitar vida evangélica dos santos

Papa Francisco encontrou-se nesta segunda-feira, 24.novembro.2014, na Basílica Vaticana, com um grupo de fiéis de rito siro-malabar que foram a Roma por ocasião da canonização de novos santos neste domingo, 23, entre eles dois indianos.

Francisco manifestou seu desejo de que a vida evangélica dos novos santos seja um tesouro para os fiéis e que estes sigam os passos dos santos, imitando, em especial, o amor a Jesus Eucaristia e à Igreja, para progredir sempre no caminho da santidade.

Os indianos canonizados foram Kuriakose Elias Chavara da Sagrada Famiglia e Eufrasia Eluvathingal do Sagrado Coração. Francisco agradeceu à Igreja na Índia pela força apostólica e pelo testemunho dos fiéis.

Esses dias em Roma foram para os fiéis ocasião de fé e comunhão eclesial, disse o Papa, desejando que momentos de festa e de espiritualidade como esse ajude a contemplar as obras realizadas por Deus através da vida dos novos santos.

“Padre Kuriakose Elias Chavara e irmã Eufrasia Eluvathingal, religiosa do Instituto feminino por ele fundado, recordam a cada um de nós que o amor de Deus é a fonte e a meta e o apoio de cada santidade, enquanto o amor do próximo é a mais límpida manifestação do amor para com o Senhor”, disse o Papa.
Boletim da Santa Sé










SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO, ÚLTIMO DOMINGO DO ANO LITÚRGICO












Na Festa de Cristo Rei, A aproximação e a ternura são as regras da vida para nós

O Papa Francisco celebrou esta manhã às 10,30 horas de Roma na Praça de S. Pedro, dia 23.novembro.2014, a santa missa por ocasião da solenidade de Cristo Rei do Universo e durante a qual procedeu a canonização dos seguintes Beatos: Giovanni Antonio Farina (italiano), Kuriakose Elias Chavara (Indiano) da Sagrada Família; Ludovico Casoria italiano; Nicola Longobardi, italiano; Eufrasia Eluvathingal do sagrado Coração, indiana e Amato Ronconi, italiano.

Na homelia o Papa Francisco evidenciou o fato que as leituras deste domingo de Cristo Rei mostram claramente que o reino de Jesus é um reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz. As leitura mostram-nos por conseguinte, a maneira como Jesus realizou o seu reino, como o realiza no decurso da história e o que é que pede a cada um de nós hoje na realização do Reino de Deus no mundo.

Jesus é realmente o Grande Pastor cuja atitude em relação às suas ovelhas consistiu sempre em : procurar, riunir, conduzir, fazer repousar, procurar a ovelha perdida e curar a ovelha ferida, a ovelha doente, curar e apascentar sempre. Por conseguinte, todos aqueles que na Igreja são chamados a ser pastores, não podem destacar-se deste modelo, se, disse o Papa “não queremos transformarmo-nos em mercenários”.

Jesus não é um Rei como os reis deste nosso mundo. Para Ele reinar não é mandar, mas obedecer ao Pai, entregar-se à Ele para que seja realizado o Seu desígnio de amor e de salvação. Deste modo, existe uma plena reciprocidade entre o Pai e o Filho.

<<O Evangelho nos diz o que é que o Reino de Jesus nos pede hoje: recorda-nos que a aproximação e ternura são as regras de vida também para nós e é sobre isso que seremos julgados>>.

De fato, sublinhou o Santo Padre, a salvação não inicia mediante a confissão da regalidade de Cristo, mas pela imitação das obras de misericórdia através das quais Ele realizou o Reino. Quem as realiza mostra de ter acolhido a regalidade de Cristo, porque criou espaço no seu coração à caridade de Deus. Jesus, mediante a sua vitória sobre a morte, abriu-nos a porta do seu Reino. Mas cabe a cada um de nós fazer o seu ingresso neste Reino, já a partir desta vida, fazendo-nos próximos do irmão que nos pede pão, vestido, acolhimento, solidariedade. E se porventura amamos aquele irmão ou aquela irmã seremos levados a partilhar com ele ou com ela aquilo que consideramos de mais precioso na nossa vida, isto é o próprio Jesus e o seu Evangelho.

<<Hoje a Igreja coloca diante de nós como modelos os novos santos que mediante as obras de uma generosa dedicação a Deus e aos irmãos, serviram, cada um no próprio âmbito, o reino de Deus e do próximo. Dedicaram inteiramente a sua vida ao serviço dos últimos, assistindo os indigentes, os doentes, os idosos os peregrinos. A sua predileção para os últimos e os pobres era o reflexo da sua medida de amor incondicionado a Deus>>.

Finalmente, disse o Papa Francisco, mediante este rito de canonização nós confessamos o mistério do Reino de Deus e prestamos homenagem ao Cristo Rei, Pastor cheio de amor para com as suas ovelhas. Que os novos santos mediante os seus exemplos e a sua intercessão façam crescer em cada um de nós hoje a alegria de caminhar pelas vias do Evangelho assumindo-O como bússola para a nossa vida. E possa  a Mãe Maria, Raínha de todos os santos guiar-nos em direcção ao Reino dos Céus.

Ao término da Celebração de canonização dos quatro italianos e dois indianos, o Santo Padre, durante a Oração do Angelus, saudou todos que estiveram na Praça São Pedro para prestar suas homenagens aos novos Santos. Em modo particular, às delegações oficiais da Índia e da própria Itália, país ao qual fez uma menção especial a exemplo dos quatro Santos italianos, nascidos nas províncias de Vicenza, Napoli, Cosenza e Rimini:

“Ajude o querido povo italiano a reavivar o espírito de colaboração e de harmonia para o bem comum e olhar o futuro com esperança, confiando na proximidade de Deus que nunca abandona, inclusive nos momentos difíceis.”

O Santo Padre também pediu a intercessão dos dois Santos indianos, provenientes do Kerala, grande terra de fé e de vocações sacerdotais e religiosas, para que o Senhor concedesse um novo impulso missionário à Igreja que está na Índia. E, para que, inspirando-se no exemplo deles, de harmonia e reconciliação, os cristãos da Índia consigam prosseguir no caminho da solidariedade e da convivência fraterna.

As saudações de Papa Francisco também foram aos cardeais, bispos, sacerdotes, como às famílias, grupos paroquiais, associações e escolas que se fizeram presentes nesta manhã de domingo (23), na Praça São Pedro.
Radio Vaticano

Papa Francisco: Como Cristo ir ao encontro dos pobres, dos doentes, dos pecadores



No início da manhã desta sábado, 22.novembro.2014, Papa Francisco recebeu na Sala Paulo VI os partcipantes na IV Convenção Missionário Nacional promovida pela Conferência Episcopal Italiana. Na ocasião dirigiu-lhes palavras de apreço pela atividade desenvolvida, nomedadamente, por ser, feita em ambiente de profunda colaboração entre bispos, sacerdotes e leigos. O Santo Padre declarou que:

“As diversas realidade que vós representais na Igreja italiana indicam que o espírito da missio ad gentes deve tornar-se o espírito da Igreja no mundo: sair, escutando o grito dos pobres e dos que estão longe, encontrar todos e anunciar a alegria do Evangelho.”

Sair – continuou o Papa – significa superar a tentação de falarmos entre nós esquecendo os tantos que esperam de nós uma palavra de misericórdia, de consolação, de esperança.

O Papa Francisco recordou ainda que “o próprio Jesus Cristo foi um homem da periferia, daquela Galileia distante dos centros de poder do império romano e da Jerusalém. Encontrou os pobres, os doentes, pecadores, prostitutas, recolhendo à sua volta um pequeno número de discípulos e algumas mulheres que o ouviam e o serviam”.

E o Santo Padre concluiu o seu discurso à Convenção Missionária Italiana dizendo que “sair é não ficar indiferente à miséria, à guerra, à violência das nossas cidades, ao abandono dos idosos, ao anonimato de tanta gente necessitada”.
Radio Vaticano

Esta foi a mensagem do Papa Francisco deste sábado em seu twitter:

22/11/2014
Quando encontramos uma pessoa verdadeiramente necessitada, reconhecemos nela o rosto de Deus?
Frescura, acolhimento e comunhão – o Papa com os movimentos eclesiais



Na manhã deste sábado dia 22 de novembro de 2014 o Papa Francisco encontrou-se na Sala Clementina com os participantes no III Encontro Mundial dos Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades a decorrer em Roma subordinado ao tema: “A alegria do Evangelho, uma alegria missionária”. O Papa Francisco na sua intervenção abordou três aspetos fundamentais para a vida destes movimentos

Em primeiro lugar, preservar a frescura do carisma, ou seja, segundo o Papa Francisco a novidade das experiências destes movimentos “não consiste nos métodos e nas formas mas nas disposição a responder com renovado entusiasmo ao chamamento do Senhor.”

Em segundo lugar, o Santo Padre referiu-se ao modo de acolher e acompanhar os homens do nosso tempo, em particular os jovens e exortou todos a resistirem “à tentação de substituirem-se à liberdade das pessoas a dirigi-las sem atender a que maturem realmente”.

Um terceiro e último aspeto é aquele de não esquecer que o bem mais precioso é a comunhão “graça suprema que Jesus conquistou na Cruz” – afirmou o Papa Francisco que considerou que a verdadeira comunhão não pode existir num movimento ou numa comunidade se não se integra na comunhão maior que é a nossa Santa Madre Igreja.

O Santo Padre concluiu a sua alocução afirmando “a força para superar tentações e insuficiências vem da alegria profunda do anúncio do Evangelho”.

Sobre os trabalhos do III Encontro em Roma a Rádio Vaticano ouviu as declarações de Daniela Sironi da Comunidade de Santo Egídio, um dos movimentos presentes neste importante evento promovido pelo Conselho Pontifício para os Leigos:

“O clima que caracteriza estes dias é um clima de escuta, de encontro e de procura, porque a Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” abriu efetivamente o caminho para um relançamento missionário novo e para um novo encontro com os homens e com as mulheres de todos os continentes e sobre todas as estradas, para todos os movimentos. Porque nós encontramo-nos perante a um pensamento e a um testemunho de Papa Francisco, que interrogou e deu coragem, por um lado a todos nós, e por outro lado propôs novos horizontes, mais largos. Gostaria de dizer que nos restituiu uma vida cristã livre do medo e profundamente fraterna, mais sinceramente evangélica e também que pede a todos nós um olhar novo sobre nós e sobre o mundo.”

Radio Vaticano
Francisco: acabar com o isolamento de quem sofre com autismo



Cidade do Vaticano, 22.novembro.2014 (RV) – O Papa Francisco concluiu sua série de audiências, na manhã deste sábado, recebendo, na Sala Paulo VI, cerca de 7 mil participantes na XXIX Conferência internacional, promovida pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários, que se realiza, no Vaticano, desde quinta-feira, sobre o tema: “A pessoa com distúrbios de autismo: suscitar a esperança”.

Nas palavras que dirigiu a numeroso grupo de participantes, o Santo Padre cumprimentou e agradeceu os presentes, de modo particular os pacientes afetados pela síndrome do autismo, acompanhados de suas famílias e assistentes das várias Associações.

Aos presentes o Papa afirmou que "os distúrbios de autismo constituem uma das fragilidades que envolvem numerosas crianças e, de consequência, as suas famílias. Eles representam uma daquelas problemáticas que interpelam a responsabilidade dos Governos e das Instituições, sem esquecer as comunidades cristãs".

Por isso, disse o Pontífice, é preciso o esforço de todos para promover a acolhida, o encontro, a solidariedade e uma concreta obra de sustento e de renovada promoção da esperança, contribuindo, assim, para acabar com o isolamento e, em muitos casos, com as suas cicatrizes, que agravam o estado de saúde das pessoas afetadas pelos distúrbios do autismo e suas famílias.

Assim sendo, o Papa propôs, na assistência de tais pacientes, a criação de uma rede de apoio e de serviços, que envolva os pais, os avós, os amigos, os terapeutas, os educadores e a pastoral dos agentes sanitários. Estas presenças podem ajudar as famílias a superar a sensação de ineficácia e de frustração.

O Papa Francisco concluiu seu pronunciamento, encorajando o árduo trabalho dos estudiosos e pesquisadores, para que descubram, o mais rápido possível, terapias e instrumentos de sustento e de ajuda para curar e, sobretudo, para prevenir os distúrbios de autismo.

Porém, finalizou o Pontífice, tudo isso deve se desenvolver na devida atenção aos direitos dos pacientes, às suas necessidades e potencialidades, salvaguardando sempre a dignidade da pessoa.

Ao término desta audiência aos participantes da Conferência internacional, promovida pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários, o Papa Francisco comunicou o falecimento do Cardeal Fiorenzo Angelini, Presidente emérito deste organismo Vaticano, com a idade de 98 anos.

Papa: não deixemos nunca de aprender com Maria

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco enviou nesta quinta-feira, 20/11/2014, uma mensagem por ocasião da Sessão Pública das Pontifícias Academias 2014, realizada em Roma sobre o tema “Maria Ícone da infinita beleza de Deus”: o encontro foi preparado pela Pontifícia Academia Mariana Internacional. Presente, entre outros, o Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura. A Sessão quer recordar também a figura do novo Beato Papa Paulo VI e o documento Marialis Cultus, sobre Maria e o culto que a Igreja lhe dirige, passados 40 anos da sua publicação, em 2 de fevereiro de 1974. Durante os trabalhos o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin entregou, em nome do Santo Padre, o Prêmio das Pontifícias Academias para o âmbito da Mariologia.

Na sua mensagem - lida pelo Secretário de Estado - o Papa Francisco escreve: “não deixemos nunca de aprender com Maria, de admirar e contemplar a sua beleza, de nos deixarmos guiar por ela, que nos conduz sempre à fonte originária e à plenitude da beleza autêntica, infinita, a de Deus que se revelou em Cristo”. Francisco recorda que o Beato Paulo VI sempre se dirigiu à Virgem Maria “nos momentos cruciais e difíceis para a Igreja e para a humanidade”, para lhe pedir “proteção” e invocar o “dom da paz”.

Durante o encontro foi entregue o prêmio das academias, no valor de 20 mil euros, à Associação Mariológica Interdisciplinar Italiana, responsável pela publicação da revista ‘Theotokos’, e uma medalha do pontificado ao Centro Mariano de Difusão Cultural, no México.

A Sessão teve ainda a apresentação de um filme com a homilia pronunciada por Paulo VI a 8 de dezembro de 1965, no encerramento do Concílio Vaticano II, na qual o beato “confiava a Maria os destinos da Igreja, profundamente renovada nas sessões conciliares”, como assinalou o Papa Francisco.
Radio Vaticano

A salvação de Cristo é sempre gratuita, recorda Papa



Que as igrejas nunca se tornem casas de negócios, pois a redenção de Jesus é sempre gratuita. Esse foi o pedido do Papa Francisco, na Missa desta sexta-feira, 21.novembro.2014, na Casa Santa Marta, dia em que a Igreja celebra a apresentação da Virgem Maria no Templo.

A liturgia do dia propõe o Evangelho em que Jesus expulsa os mercadores do Templo, porque transformaram a casa de oração em um covil de ladrões. Esse foi um gesto de purificação, explicou o Papa, pois o Templo, bem como o povo de Deus, estava profanado com o pecado do escândalo.

O Papa recordou o episódio bíblico de Ana, mulher humilde, mãe de Samuel, que vai ao Templo para pedir a graça de um filho. Ela sussurrava suas orações em silêncio, enquanto o sacerdote e os seus dois filhos corruptos exploravam os peregrinos, escandalizavam o povo.

“Penso no escândalo que podemos fazer ao povo com a nossa atitude, com os nossos hábitos não sacerdotais no Templo: o escândalo do comércio, o escândalo da mundanidade. Quantas vezes vemos que, entrando em uma igreja, ainda hoje, há ali a lista dos preços para o batismo, a bênção, as intenções para a Missa. E as pessoas se escandalizam”.

Francisco deu como exemplo um episódio que presenciou quando ainda era sacerdote. Um casal de noivos queria se casar, mas queriam fazer isso com uma Missa. O secretário paroquial disse que não seria possível, porque não poderia ultrapassar 20 minutos e havia outros turnos. Para que pudessem se casar com a celebração da Santa Missa, teriam de pagar por dois turnos. Esse é o pecado do escândalo e a essas pessoas Jesus diz que é melhor que sejam atiradas ao mar.

“Quando aqueles que estão no Templo – sejam sacerdotes, leigos, secretários, mas que têm que gerir a pastoral do Templo – se tornam pessoas de negócios, o povo se escandaliza. E nós somos responsáveis por isso. Mesmo os leigos. Todos. Porque se eu vejo que na minha paróquia se faz isso, devo ter a coragem de dizê-lo na cara do pároco. E o povo sofre aquele escândalo”.

O Santo Padre falou de um fato curioso: a capacidade que as pessoas têm de perdoar seus padres quando têm uma fraqueza, escorregam em um pecado. Mas há duas coisas que o povo de Deus não sabe perdoar: um padre atraído ao dinheiro e um padre que maltrata o povo. Um escândalo quando o Templo, a Casa de Deus, torna-se uma casa de negócios, pois como aquele casamento alugava-se a igreja.

“A redenção é gratuita, ela vem nos trazer a gratuidade total do amor de Deus. E quando a Igreja ou as igrejas se tornam negociadoras, se diz que… Bem, não é tão gratuita a salvação. É por isso que Jesus pega o chicote na mão para fazer esse rito de purificação no Templo. Hoje, a liturgia celebra a apresentação de Nossa Senhora no Templo quando ainda pequenina. Que uma mulher simples como Ana ensine a todos nós, a todos os párocos, a todos aqueles que têm responsabilidades pastorais, a manter o Templo limpo, a receber com amor aqueles que vêm, como se cada um deles fosse Nossa Senhora”.
Radio Vaticano
Papa fala aos participantes de congresso sobre migrações



O Papa Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira, 21.novembro.2014, os participantes do VII Congresso Mundial da Pastoral das Migrações. Falando do fenômeno emigratório, o Santo Padre reiterou a necessidade de acolhimento e apoio para os que buscam um futuro melhor em outro lugar.

Francisco destacou que a emigração continua a ser uma aspiração à esperança, sobretudo nas áreas subdesenvolvidas do planeta. Há o desejo de buscar um futuro melhor em outro lugar, mesmo com o risco de desilusões e insucessos, provocadas em grande parte pela crise econômica que, de formas diferentes, atinge os países do mundo.

O Santo Padre mencionou os dois lados do fenômeno emigratório. Os países acolhedores recebem benefícios da utilização de imigrantes para as necessidades da produção e da riqueza nacional. Por sua vez, os países de origem dos migrantes atenuam o problema da escassez de emprego.

Sobre o trabalho pastoral da Igreja, Francisco enfatizou o empenho da comunidade cristã em acolher os migrantes e partilhar com eles os dons de Deus, em particular o dom da fé. Diante das dificuldades pelas quais passam os migrantes, a Igreja procura ser lugar de esperança, elaborando programas de formação, sensibilização e de assistência, bem como levantando a voz para defender os direitos deles.

“No encontro com os migrantes, é importante adotar uma perspectiva integral, capaz de valorizar as potencialidades em vez de ver somente um problema a enfrentar e a resolver. O autêntico direito ao desenvolvimento diz respeito a cada homem e todos os homens, em visão integral. Isto requer ser estabelecido para todos os níveis mínimos de participação na vida da comunidade humana. Tanto mais é necessário que isso se verifique na comunidade cristã, onde ninguém é estrangeiro e, então, cada um merece acolhimento e apoio”.

Canção Nova
Papa alerta sobre risco de indiferença diante das crises



Ir além, tomar a iniciativa e considerar o amor como verdadeira força para a mudança. Essas foram três ações destacadas pelo Papa Francisco em uma videomensagem enviada ao IV Festival da Doutrina Social da Igreja, que acontece em Verona, na Itália. O discurso do Papa focou em questões sociais e econômicas, abordando o que é preciso para promover mudanças e superar as crises. A videomensagem foi transmitida na noite desta quinta-feira, 20.novembro.2014, na abertura do evento.

O contexto de crises sociais e econômicas pode assustar, disse o Papa, desorientar ou dar uma sensação de impotência. Existe, então, o risco da indiferença, em que cada um pode querer curar as próprias feridas e encontrar nisso uma desculpa para não ouvir o grito dos pobres. “O risco é que a indiferença nos torne cegos, surdos e mudos, presentes somente em nós mesmos”.

Todos são chamados a ir além e responder às necessidades reais. E para ir além, é preciso tomar a iniciativa, disse o Papa, mesmo no âmbito econômico, porque o sistema tende a homologar tudo e o dinheiro atua como patrão. Tomar iniciativa, nesses casos, é ter a coragem de não se deixar aprisionar pelo dinheiro.

“O verdadeiro problema não é o dinheiro, mas sim as pessoas: não podemos pedir ao dinheiro aquilo que só as pessoas podem fazer ou criar. O dinheiro não cria desenvolvimento, para criar desenvolvimento é preciso pessoas que têm a coragem de tomar a iniciativa”.

Tomar a iniciativa, segundo o Papa, inclui também renovar as relações de trabalho, superar o assistencialismo. “Parar significa pedir ainda e sempre ao Estado ou a qualquer entidade de assistência, mover-se significa criar novos processos. E aqui está o segredo: criar novos processos e não pedir que nos deem novos espaços”.

Considerar o amor como a verdadeira força para a mudança também é uma forma de tomar iniciativa, ressaltou Francisco, que também falou da necessidade de utilizar os talentos que cada um leva consigo.

“Liberar os talentos é o início da mudança; esta ação faz superar invejas, ciúmes, rivalidade, contraposições, fechamentos, aqueles fechamentos pré-concebidos, e abre a uma alegria, à alegria do novo”.

E ao falar de talentos, Francisco não deixou de destacar o papel dos jovens, a quem esse tipo de discurso se dirige de forma especial. “Se queremos ir além devemos investir decisivamente no trabalho deles e dar a eles muita confiança”.
Canção Nova

Temos medo da conversão, porque se converter significa deixar que o Senhor nos conduza, diz Papa



Na Missa matutita, desta quinta-feira, 20, o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho do dia (cf. Lc 19,41-44), que narra o choro de Jesus ao se aproximar de Jerusalém. O Santo Padre explica que o Senhor chora pelo fechamento do coração da cidade eleita, do povo eleito.

“Não havia tempo para abrir-lhe a porta! Estava ocupada demais, satisfeita de si mesma. Jesus, então, continua batendo às portas, como bateu à porta do coração de Jerusalém: às portas de seus irmãos, de suas irmãs, às portas de nosso coração, às portas de sua Igreja. Jerusalém se sentia contente, tranquila com a sua vida e não precisava do Senhor: não havia percebido que necessitava da salvação. E por isso, fechou o seu coração ao Senhor. O pranto de Jesus sobre Jerusalém é o pranto sobre a Sua Igreja, hoje, sobre nós”, disse o Papa na homilia.

Mas por que Jerusalém não recebeu o Senhor?, indagou Francisco. E explicou que foi porque a cidade estava tranquila com o que tinha, “não queria problemas”.

O Santo Padre destacou o trecho do Evangelho no qual Jesus diz: “Se tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas não, isso está oculto aos teus olhos”. E afirmou que Jerusalém tinha medo de ser visitada pelo Senhor, tinha medo da gratuidade de sua visita. Ela estava segura nas coisas que podia administrar. “Nós estamos seguros nas coisas que podemos governar, mas a visita do Senhor, suas surpresas. Nós não podemos controlar”, enfatizou.

O Papa disse ainda que Jerusalém tinha medo de ser salva pelo caminho de surpresas do Senhor, tinha medo do seu Esposo. “Quando o Senhor visita Seu povo, leva a alegria, a conversão; nós não temos medo da alegria, mas sim da felicidade que o Senhor nos traz, porque não a podemos controlar. Temos medo da conversão, porque se converter significa deixar que o Senhor nos conduza”.

“Jerusalém era tranquila, feliz, o templo funcionava. Os sacerdotes faziam os sacrifícios, as pessoas vinham em peregrinação, os doutores da lei tinham organizado tudo, tudo! Tudo claro! Todos os mandamentos claros. Mesmo com tudo isso, Jerusalém tinha a porta fechada”.

Por sua vez, a cruz, “preço daquela rejeição”, mostra o amor de Jesus, o que O leva a “chorar também, hoje, tantas vezes, pela sua Igreja”, ressaltou o Pontífice.

Finalmente, Francisco afirmou se questionar se os pastores e os cristãos que conhecem a fé, o catecismo, que vão à Missa todos os domingos estão felizes com si mesmos e não precisam de novas visitas do Senhor.

“O Senhor continua a bater à porta de cada um de nós e da sua Igreja, dos pastores da Igreja. Sim, a porta do nosso coração, da Igreja, dos pastores não se abre. O Senhor chora também hoje”, explicou o Papa, convidando os presentes a um exame de consciência: “Pensemos em nós: como estamos neste momento diante de Deus?”.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco, hoje, quinta-feira:

20/11/2014
Procuremos viver de maneira sempre digna da nossa vocação cristã.
Falta de solidariedade é desafio no combate à fome, diz Papa



Papa Francisco discursou nesta quinta-feira, 20.novembro.2014, à conferência da FAO sobre nutrição e criticou a ganância que dificulta o combate à fome.

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores,

Com sentimento de respeito e apreço, apresento-me hoje aqui, na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição. Agradeço-lhe, senhor Presidente, a calorosa acolhida e as palavras de boas-vindas que me dirigiu. Saúdo cordialmente o Diretor-Geral da FAO, o Prof. José Graziano da Silva, e a Diretora-Geral da OMS, a Dra. Margaret Chan, e alegra-me a sua decisão de reunir nesta Conferência representantes de Estados, instituições internacionais, organizações da sociedade civil, do mundo da agricultura e do setor privado, com a finalidade de estudar juntos as formas de intervenção para garantir a nutrição, assim como as mudanças necessárias que devem ser acrescentadas às estratégias atuais. A total unidade de propósitos e de obras, mas, sobretudo, o espírito de fraternidade, podem ser decisivos para soluções adequadas. A Igreja, como vocês sabem, sempre procura estar atenta e solícita em relação a tudo o que se refere ao bem-estar espiritual e material das pessoas, primeiramente das que vivem marginalizadas e estão excluídas, para que sua segurança e dignidade sejam garantidas.

1. Os destinos de cada nação estão mais do que nunca entrelaçados entre si, como os membros de uma mesma família, que dependem uns dos outros. Porém, vivemos numa época em que as relações entre as nações estão demasiadas danificadas pela suspeita recíproca, que às vezes se converte em formas de agressão bélica e econômica, mina a amizade entre irmãos e rechaça ou descarta quem já está excluído. Conhece bem esta realidade quem carece do pão cotidiano e de um trabalho decente. Esta é a situação do mundo, em que é preciso reconhecer os limites de visões baseadas na soberania de cada um dos Estados, entendida como absoluta, e nos interesses nacionais, condicionados frequentemente por poucos grupos de poder. Isso está bem explicitado na leitura da agenda de trabalho dos senhores, para elaborar novas normas e maiores compromissos para alimentar o mundo. Nesta perspectiva, espero que, na formulação desses compromissos, os Estados se inspirem na convicção de que o direito à alimentação só será garantido se nos preocuparmos com o sujeito real, ou seja, com a pessoa que sofre os efeitos da fome e da desnutrição.

Hoje em dia se fala muito em direitos, esquecendo com frequência os deveres; talvez nos preocupemos muito pouco com os que passam fome. Além disso, dói constatar que a luta contra a fome e a desnutrição é dificultada pela «prioridade do mercado» e pela «preeminência da ganância», que reduziram os alimentos a uma mercadoria qualquer, sujeita à especulação, inclusive financeira. E enquanto se fala de novos direitos, o faminto está aí, na esquina da rua, e pede um documento de identidade, ser considerado em sua condição, receber uma alimentação de base saudável. Pede-nos dignidade, não esmola.

2. Estes critérios não podem permanecer no limbo da teoria. Pessoas e povos exigem que a justiça seja colocada em prática; não apenas a justiça legal, mas também a contributiva e a distributiva. Por isso, os planos de desenvolvimento e de trabalho das organizações internacionais deveriam levar em consideração o desejo, tão comum em meio às pessoas comuns, de ver que se respeitam em todas as circunstâncias, os direitos fundamentais da pessoa humana e, no nosso caso, da pessoa faminta. Quando isso acontecer, as intervenções humanitárias, as operações urgentes de ajuda ou de desenvolvimento – verdadeiro e integral – terão maior impulso e darão os frutos desejados.

3. O interesse pela produção, a disponibilidade de alimentos e o acesso a eles, as mudanças climáticas, o comércio agrícola, devem certamente inspirar regras e medidas técnicas, mas a primeira preocupação deve ser a própria pessoa, aquelas que carecem de alimento cotidiano e que deixaram de pensar na vida, nas relações familiares e sociais e lutam apenas pela sobrevivência. O Santo Papa João Paulo II, na inauguração desta sala na Primeira Conferência sobre Nutrição, em 1992, alertou a comunidade internacional para o risco do “paradoxo da abundância”: existe comida para todos, mas nem todos podem comer, enquanto o desperdício, o descarte, o consumo excessivo e o uso de alimentos para outros fins estão sob nossos olhos. Infelizmente, este “paradoxo” continua sendo atual. Poucos temas apresentam tantos sofismas como os que se relacionam à fome; e poucos assuntos são tão suscetíveis de ser manipulados por dados, estatísticas, exigências de segurança nacional, a corrupção ou lamentos melancólicos sobre a crise econômica. Este é o primeiro desafio a ser superado.

O segundo desafio que se deve enfrentar é a falta de solidariedade. Nossas sociedades se caracterizam por um crescente individualismo e pela fragmentação; isto termina privando os mais frágeis de uma vida digna e provocando revoltas contra as instituições. Quando falta a solidariedade em um país, todos ressentem. Com efeito, a solidariedade é a atitude que torna as pessoas capazes de ir ao encontro do próximo e fundar suas relações mútuas neste sentimento de fraternidade que vai além das diferenças e dos limites, e encoraja a procurarmos, juntos, o bem comum.

Se tomassem consciência de ser parte responsável do desígnio da Criação, os seres humanos seriam capazes de se respeitar reciprocamente, ao invés de combater entre si, danificando e empobrecendo o planeta. Também os Estados, concebidos como uma comunidade de pessoas e de povos, se fossem exortados a atuar de comum acordo, estariam dispostos a ajudar-se uns aos outros, mediante princípios e normas que o direito internacional coloca à sua disposição. Uma fonte inesgotável de inspiração é a lei natural, inscrita no coração humano, que fala uma linguagem que todos podem entender: amor, justiça, paz, elementos inseparáveis entre si. Como as pessoas, também os Estados e as instituições internacionais são chamadas a acolher e cultivar estes valores, no espírito de diálogo e escuta recíproca. Deste modo, o objetivo de nutrir a família humana se torna factível.

4. Cada mulher, homem, criança, idoso, deve poder contar em todas as partes com estas garantias. E é dever de todo Estado, atento ao bem-estar de seus cidadãos, subscrevê-las sem reservas, e preocupar-se com a sua aplicação. Isto requer perseverança e apoio. A Igreja Católica procura oferecer também neste campo sua contribuição, através de uma atenção constante à vida dos pobres em todos os lugares do planeta; nesta mesma linha se insere o envolvimento ativo da Santa Sé nas organizações internacionais e com seus múltiplos documentos e declarações. Pretende-se deste modo contribuir para identificar e assumir os critérios que o desenvolvimento de um sistema internacional equânime deve cumprir. São critérios que, no plano ético, se baseiam em pilares como a verdade, a liberdade, a justiça e a solidaridade; ao mesmo tempo, no campo jurídico, estes mesmos critérios incluem a relação entre o direito à alimentação e o direito à vida e a uma existência digna, o direito a ser protegidos pela lei, nem sempre próxima à realidade de quem passa fome, e a obrigação moral de partilhar a riqueza econômica do mundo.

Se se crê no princípio da unidade da familia humana, fundado na paternidade de Deus Criador, e na fraternidade dos seres humanos, nenhuma forma de pressão política ou econômica que se sirva da disponibilidade de alimentos pode ser aceitável. Mas, acima de tudo, nenhum sistema de discriminação, de fato ou de direito, vinculado à capacidade de acesso ao mercado dos alimentos, deve ser tomado como modelo das ações internacionais que se propõem a eliminar a fome.

Ao compartilhar estas reflexões com os senhores, peço ao Todo Poderoso, ao Deus rico em misericórdia, que abençoe todos aqueles que, com diferentes responsabilidades, se colocam a serviço dos que passam fome e sabem atendê-los com gestos concretos de proximidade. Peço também para que a comunidade internacional saiba escutar o chamado desta Conferência e o considere uma expressão da comum consciência da humanidade: dar de comer aos famintos para salvar a vida no planeta. Obrigado.
Radio Vaticano

Pequenos passos levam à santidade, diz Papa na catequese

A santidade foi o tema da catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 19.novembro.2014. O Santo Padre explicou que todos são chamados a ser santos e esse é um caminho que se percorre no dia a dia com pequenos passos e em união com a Igreja.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi aquele de ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e de ter interpretado também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto nos ajudou a entender melhor que todos os cristãos, enquanto batizados, têm igual dignidade diante do Senhor e têm em comum a mesma vocação, que é aquela à santidade (cfr Cost. Lumen gentium, 39-42). Agora nos perguntamos: em que consiste essa vocação universal a ser santos? E como podemos realizá-la?

1. Antes de tudo devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nós procuramos, que obtemos com as nossas qualidades e as nossas capacidades. A santidade é um dom, é o dom que nos dá o Senhor Jesus, quando nos toma consigo e nos reveste de si mesmo, torna-nos como Ele. Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que “Cristo amou a Igreja e deu a si mesmo por ela, para torná-la santa” (Ef 5, 25-26). Bem, realmente a santidade é a face mais bela da Igreja, a face mais bela: é nos recobrir em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Entende-se, então, que a santidade não é uma prerrogativa somente de alguns: a santidade é um dom que é oferecido a todos, ninguém excluído, pelo qual constitui o caráter distintivo de cada cristão.

2. Tudo isso nos faz compreender que, para ser santos, não é preciso necessariamente ser bispo, padre ou religioso: não, todos somos chamados a nos tornar santos! Tantas vezes, depois, somos tentados a pensar que a santidade seja reservada somente àqueles que têm a possibilidade de destacar-se dos assuntos ordinários, por dedicar-se exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de imagem. Não! Não é isto a santidade! A santidade é algo maior, mais profundo que Deus nos dá. Antes, é justamente vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a nos tornar santos. E cada um nas condições e no estado de vida em que se encontra. Mas você é consagrado, é consagrada? Seja santo vivendo com alegria a tua doação e o teu ministério. É casado? Seja santo amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. É um batizado não-casado? Seja santo cumprindo com honestidade e competência o seu trabalho e oferecendo tempo ao serviço aos irmãos. “Mas, padre, eu trabalho em uma fábrica; eu trabalho como contador, sempre com os números, ali não se pode ser santo…” – “Sim, pode! Ali onde você trabalha você pode se tornar santo. Deus te dá a graça de se tornar santo. Deus se comunica a você”. Sempre em cada lugar é possível tornar-se santo, isso é, pode-se abrir a esta graça que nos trabalha por dentro e nos leva à santidade. Você é pai ou avô? Seja santo ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é preciso tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó, é preciso tanta paciência e nesta paciência vem a santidade: exercitando a paciência. Você é catequista, educador ou voluntário? Seja santo tornando-se sinal visível do amor de Deus e da sua presença próxima a nós. Então: cada estado de vida leva à santidade, sempre! Na sua casa, na estrada, no trabalho, na Igreja, naquele momento e no teu estado de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimem de andar neste caminho. É o próprio Deus que nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que nós estejamos em comunhão com Ele e a serviço dos irmãos.

3. Neste ponto, cada um de nós pode fazer um pouco de exame de consciência, agora podemos fazê-lo, cada um responde a si mesmo, dentro, em silêncio: como respondemos até agora ao chamado do Senhor à santidade? Tenho vontade de me tornar um pouco melhor, de ser mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a nos tornar santos, não nos chama a algo de pesado, de triste… Tudo outra coisa! É um convite a partilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com alegria cada momento da nossa vida fazendo-o se tornar ao mesmo tempo um dom de amor para as pessoas que estão próximas a nós. Se compreendemos isso, tudo muda e adquire um significado novo, um significado belo, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia.

Um exemplo. Uma senhora vai ao supermercado fazer as compras e encontra uma vizinha e começam a falar e depois vem as fofocas e esta senhora diz: “não, não, não, eu não falarei mal de ninguém”. Isto é um passo para a santidade, ajuda-nos a nos tornar mais santos. Depois, na sua casa, o filho te pede para falar um pouco das suas coisas fantasiosas: “ah, estou tão cansado, trabalhei tanto hoje…” – “Você se acomode e escute o teu filho, que precisa disso!”. E você se acomoda, escute com paciência: isto é um passo para a santidade. Depois termina o dia, estamos todos cansados, mas tem a oração. Façamos a oração: também isto é um passo para a santidade. Depois chega o domingo e vamos à Missa, fazemos a comunhão, às vezes precedida de uma bela confissão que nos limpa um pouco. Este é um passo para a santidade. Depois pensamos em Nossa Senhora, tão boa, tão bela, e pegamos o rosário e o rezamos. Este é um passo para a santidade. Depois vou pelo caminho, vejo um pobre necessitado, paro, pergunto algo pra ele, dou algo a ele: é um passo para a santidade. São pequenas coisas, mas tantos pequenos passos para a santidade. Cada passo para a santidade nos tornará pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em si mesmo, e abertos aos irmãos e às suas necessidades.

Queridos amigos, na Primeira Carta de São Pedro é dirigida a nós esta exortação: “Cada um viva segundo a graça recebida, colocando-a a serviço dos outros, como bons administradores de uma multiforme graça de Deus. Quem fala, faça-o como com palavras de Deus; quem exercita um ofício, cumpra-o com a energia recebida de Deus, para que em tudo seja glorificado Deus por meio de Jesus Cristo” (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Vamos acolhê-lo com alegria e apoiando-nos uns aos outros, porque o caminho rumo à santidade não se percorre sozinho, cada um por contra própria, mas se percorre juntos, naquele único corpo que é a Igreja, amada e tornada santa pelo Senhor Jesus Cristo. Sigamos adiante com coragem neste caminho da santidade.

O Papa Francisco acompanha com preocupação o aumento da tensão em Jerusalém e outras regiões da Terra Santa. Após a catequese, ele renovou seu apelo em prol da paz, pedindo medidas corajosas para acabar com a violência.

Francisco disse que são episódios inaceitáveis de violência que não poupam nem os lugares de culto. Ele manifestou suas orações por todas as vítimas dessa situação dramática e por todos os que sofrem com as consequências dos conflitos.

“Do fundo do coração, dirijo às partes implicadas um apelo para que se coloque fim na espiral do ódio e violência e se tomem decisões corajosas para a reconciliação e a paz. Construir a paz é difícil, mas viver sem ela é um tormento”, enfatizou.

O último acontecimento que intensificou as tensões entre israelenses e palestinos foi o atentado a uma sinagoga de Jerusalém, nesta terça-feira, 18, deixando mortos e feridos.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

A conversão é certa quando chega ao “bolso”, diz Papa

Na Missa desta terça-feira, 18, o Papa Francisco advertiu os fiéis para não se tornarem ‘cristãos mornos, acomodados ou de aparência’. O Santo Padre destacou que os cristãos devem sempre atender ao chamado de Jesus à conversão, para não passarem de pecadores a corruptos.

“A conversão é uma graça, é uma visita de Deus”, disse meditando sobre a liturgia do dia, extraída do Apocalipse de João e do encontro entre Jesus e Zaqueu. Na primeira leitura, Deus pede aos cristãos de Laudiceia que se convertam, porque caíram na ‘tepidez’; vivem na ‘espiritualidade da comodidade’. Quem vive assim, afirmou, pensa que não lhe falta nada, que está bem, pois vai à missa aos domingos e reza de vez em quando. “Estou na graça de Deus e sou rico”, acreditam.

“Este estado de espírito é um estado de pecado. O Senhor não poupa palavras a estas pessoas e lhes aconselha a ‘vestirem-se’, porque os cristãos ‘acomodados’ são nus”.

Francisco também alertou sobre os cristãos que vivem de aparência. Ele disse que as aparências são o sudário desses cristãos que, na verdade, estão mortos. Deus sempre chama à conversão, então o Papa convidou os fiéis a refletirem se são ou não cristãos de aparência.

“Eu sou um destes cristãos das aparências? Sou vivo dentro, tenho uma vida espiritual? Sinto o Espírito Santo? Dou-lhe ouvidos? Ou… se parece que vai tudo bem, não me questiono? Tenho uma boa família, ninguém fala mal de mim, tenho tudo o que preciso, sou casado na Igreja… estou na graça de Deus, estou tranquilo. Estes são cristãos de fachada. Devemos procurar alguma coisa de vivo dentro, temos que nos converter: das aparências à realidade. Do torpor ao fervor”.

O terceiro chamado à conversão aparece em Zaqueu, um corrupto que era como muitos dirigentes de hoje, disse o Papa: exploram o povo para servir a si mesmos. Mas Zaqueu sentiu algo dentro de si e procurou Jesus. “O Espírito Santo é sagaz, eh! E semeou a semente da curiosidade, e aquele homem para vê-lo se comporta de maneira um pouco ridícula. Pensem num dirigente importante, e também corrupto, um chefe dos dirigentes, mas sobe numa árvore para observar uma procissão: pensem nisso. Que ridículo!”

Francisco explicou que a Palavra de Deus entrou naquele coração e, com a Palavra, entrou a alegria. “Os da comodidade e da aparência tinham esquecido o que era a alegria; e este corrupto a recebe imediatamente, o coração muda, se converte”. E assim Zaqueu promete devolver quatro vezes o que roubou:

“Quando a conversão chega até o bolso, é certa. Cristãos de coração? Sim, todos. Cristãos de alma? Todos. Mas cristãos de bolso, poucos, eh! Poucos. Mas, a conversão … e aqui chegou logo: a palavra autêntica. Converteu-se. Mas diante desta palavra, havia outra, a dos que não queriam a conversão, que não queriam se converter”.

Segundo Francisco, a Palavra de Deus é capaz de mudar tudo, mas nem sempre o homem tem a coragem de acreditar na Palavra de Deus e recebê-la. A Igreja deseja que, nestas últimas semanas do Ano Litúrgico, os fiéis pensem muito seriamente na conversão, para que possam avançar no caminho da vida cristã.

“Recordar a Palavra de Deus, fazer apelo à memória, de protegê-la, de vigiar e também de obedecer à Palavra de Deus, porque começamos uma vida nova, convertida”.

Radio Vaticano

Papa Francisco em seu twitter:

18/11/2014
Há tanto barulho no mundo! Aprendamos a estar em silêncio dentro de nós mesmos e diante de Deus.
Vaticano dá detalhes das viagens do Papa à França e à Turquia

Na próxima semana, o Papa Francisco realizará duas viagens internacionais. No dia 25 de novembro, visitará o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, e de 28 a 30, realizará uma viagem apostólica à Turquia. As duas viagens foram apresentadas nesta segunda-feira, 17, pelo Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, num encontro realizado com jornalistas.

São duas viagens com características diferentes, porém semelhantes na rápida preparação. A viagem a Estrasburgo, a quinta viagem internacional de Francisco, foi organizada logo após a renovação do Parlamento Europeu, e portanto, em coincidência com uma assembleia parlamentar.

A viagem à Turquia, sexta internacional do pontificado, realiza-se após as eleições e a formação do novo governo, mas, sobretudo, por ocasião da data de 30 de novembro, Festa de Santo André e grande festa do Patriarcado Ecumênico. O caráter predominante, segundo padre Lombardi, será ecumênico, ao ver Francisco dividir com o Patriarca Bartolomeu momentos importantes em Istambul, inclusive a assinatura de uma declaração conjunta.

A viagem a Estrasburgo será a mais breve viagem papal da história – 3 horas e 50 minutos -, e será caracterizada pela ausência de qualquer evento pastoral, litúrgico ou religioso. O Papa preferiu manter-se restrito à finalidade da viagem que será somente às instituições europeias, em um momento de reflexão sobre a situação atual do continente que sofreu grandes transformações desde a última viagem de um pontífice a Estrasburgo, realizada em 1988 por João Paulo II.

“O contexto de hoje é realmente muito novo e isto justifica efetivamente uma nova viagem do Papa que com esta viagem fala a toda Europa, não somente à União, mas à Europa inteira com todos os seus povos”.

Padre Lombardi comentou ainda as polêmicas em relação à possível confusão entre chefe religioso e chefe de Estado. Ele falou da presença da figura do Papa no mundo das organizações internacionais, o que não é visto como um chefe político de Estado, com poderes militares, econômicos e interesses políticos particulares.

“A presença do Papa no mundo das organizações internacionais é a de uma grande autoridade reconhecida, a nível internacional e mundial, por séculos, como uma grande autoridade de caráter religioso e moral de uma comunidade muito numerosa, como o é a Igreja Católica, e também as instituições, os próprios Estados desejam, na sua grande maioria, ter relações com esta autoridade, ter também representantes junto a esta autoridade. Isto quer dizer que também as autoridades políticas no mundo reconhecem a importância da mensagem daquilo que o Papa representa e diz sobre os grandes problemas, os grandes valores da humanidade: a paz, a justiça, o bem-estar, a convivência entre os povos”.

A viagem à Turquia representa uma continuidade na tradição das visitas papais ao país e ao Patriarca de Constantinopla. Assim o fizeram, precedentemente, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, com diferentes motivações.

“Existe, naturalmente, a atenção pelo país hóspede, portanto, pela Turquia, que se encontra no Oriente Médio; existe o diálogo inter-religioso, pois a Turquia é um país de imensa maioria muçulmana; existe uma pequena comunidade católica que, como sempre quando o Papa viaja ao exterior, é levada em consideração para ser encorajada e visitada; e existe, como bem sabemos, a sede do Patriarcado Ecumênico com o Patriarca Bartolomeu, com quem se desenvolveu um diálogo de amizade fraterna há muito tempo”.

Uma das perguntas recorrentes sobre esta viagem foi sobre a eventualidade de um encontro do Papa com os refugiados dos conflitos em andamento na Síria e no Iraque e acolhidos na Turquia.

“Nos encontros de Istambul com os jovens e na catedral, certamente estarão pessoas que não são somente locais, mas que chegarão também, por vários motivos, de diversas outras partes. Portanto, seriam ocasiões em que certamente teremos presenças ou representantes que vão um pouco neste sentido”.

Papa reitera valor da família e diz não a conceitos ideológicos

O Papa Francisco participou nesta segunda-feira, 17.novembro.2014, da abertura de um congresso internacional sobre a complementaridade entre homem e mulher. Em seu discurso, o Santo Padre alertou para o perigo da armadilha de qualificar a família com conceitos de natureza ideológica, que só têm força em um momento da história. Ele reiterou o valor da família como fundamento social e destacou o direito da criança de crescer com a presença de um pai e de uma mãe.

“A família é um fato antropológico e, consequentemente, um fato social, de cultura. Nós não podemos qualificá-la com conceitos de natureza ideológica (…) Não se pode falar hoje de família conservadora ou família progressista: a família é família! A família tem uma força em si”.

A complementaridade entre o homem e a mulher está na base do matrimônio e da família, disse o Pontífice. No contexto familiar, essa complementaridade assume várias formas, já que cada homem e cada mulher têm sua própria contribuição para o casamento e a educação dos filhos.

Citando novamente a “cultura do provisório”, o Santo Padre admitiu que o matrimônio e a família estão em crise. A revolução nos costumes e na moral muitas vezes abanou a “bandeira da liberdade” e acabou levando devastação espiritual e material a tantas pessoas, especialmente as mais vulneráveis.

Francisco disse que a família permanece no fundamento da convivência e da garantia contra a desintegração social. Ele enfatizou que as crianças têm o direito de crescer em uma família, com um pai e uma mãe, capazes de criar um ambiente idôneo ao seu desenvolvimento.

“Possa este congresso ser fonte de inspiração para todos aqueles que procuram apoiar e reforçar a união do homem e da mulher no matrimônio como um bem único, natural, fundamental e belo para as pessoas, as famílias, as comunidades e as sociedades”, desejou o Papa.

O congresso internacional sobre complementaridade entre homem e mulher acontece no Vaticano. O evento é promovido pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Radio Vaticano

Papa Francisco confirma presença no Encontro Mundial das Famílias de Filadelfia em 2015

O Papa Francisco confirmou nesta segunda-feira dia 17 de novembro a sua presença no 8.º Encontro Mundial das Famílias que vai decorrer em setembro de 2015, na cidade norte-americana de Filadélfia. Foi no âmbito da 1ª sessão do Simpósio Inter-religioso internacional subordinado ao tema “A complementaridade entre homem e mulher”. Os trabalhos estão a decorrer na Sala Paulo VI e foram abertos pelo promotor do encontro, o Card. Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Dirigindo-se aos participantes, o Papa Francisco iniciou frisando que a complementaridade, base do matrimônio e da família, é uma grande riqueza, bem e beleza. Já na 1ª Carta de São Paulo aos Coríntios consta que homem e mulher são como ‘membros do corpo humano que se completam’.

“A meditação que vocês realizam abrange as ‘harmonias’ que estão no centro de toda a Criação. A ‘harmonia’ é a palavra-chave para entender a complementaridade”, frisou o Santo Padre.

“Lugar principal onde começar a respirar valores e ideais e realizar potenciais de virtude e caridade, a Família é também lugar de tensões, mas igualmente lugar onde resolver tensões. Hoje, matrimónios e famílias estão em crise. Cada vez mais pessoas renunciam ao matrimônio como compromisso público. Esta revolução do costume e da moralidade é frequentemente interpretada como ‘liberdade’, mas causa devastação espiritual e material a inúmeros seres humanos, especialmente os mais vulneráveis. E o declínio da cultura do matrimônio é associado ao aumento da pobreza e a uma série de problemas sociais que atingem de modo desproporcional mulheres, crianças e idosos. São sempre eles os que mais sofrem com esta crise, que originou a ‘crise da ecologia humana”.

A este ponto, o Papa fez uma crítica à lentidão da Igreja:

“A humanidade compreendeu a necessidade de enfrentar aquilo que constitui uma ameaça aos nossos ambientes naturais; somos lentos, inclusive em nossa cultura católica, em reconhecer que nossos ambientes sociais estão em risco. É necessário promover uma nova ecologia humana e fazê-la progredir”.

O Papa Francisco pediu aos relatores e participantes ressaltarem, no âmbito dos debates, a outra verdade sobre o matrimônio: “que o compromisso definitivo com a solidariedade, a fidelidade e o amor fecundo atende aos anseios mais profundos do coração humano”.

Improvisando, o Papa acrescentou que os jovens devem ser revolucionários e ter coragem de procurar um amor forte e duradouro; devem ir contra a corrente. E advertiu: “Não podemos ser rotulados com conceitos ideológicos. Não se pode falar hoje da ‘família conservadora’ ou de ‘família progressista’: família é família; tem uma força em si”.

“Que este encontro possa ser fonte de inspiração para todos os que sustentam e reforçam a união do homem e da mulher no matrimônio como um bem único, natural, fundamental e belo para as pessoas, as famílias, as comunidades e as sociedades”, concluiu o Papa Francisco
Radio Vaticano

Papa: Igreja não deve se isolar em "microclima eclesiástico"



Na Missa desta segunda-feira, 17.novembro.2014, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou dos cristãos que correm o risco de se isolar em um “microclima eclesiástico”, ou seja, que querem estar com Jesus, mas não com os pobres.

Para Francisco, a Igreja vive em todas as épocas a tentação de olhar para Jesus se esquecendo de ver n’Ele o pobre que pede ajuda, fechando-se em um “microclima eclesiástico”, em vez de se abrir aos excluídos sociais. A homilia foi inspirada em um trecho do Evangelho, cujo protagonista é o cego de Jericó.

O cego, explicou o Papa, representa a primeira classe de pessoas que povoa a narração do evangelista Lucas. Um homem que não contava nada, mas que tinha sede de salvação, de ser curado e que, portanto, grita mais forte do que o muro de indiferença que o circunda para bater à porta do coração de Jesus. A este homem se opõe o círculo dos discípulos, que querem calá-lo para evitar que incomode e, assim – afirmou o Papa – afastar “o Senhor da periferia”:

“Esta periferia não podia chegar ao Senhor, porque este círculo – mas com muita boa vontade, hein – fechava a porta. E isso acontece com frequência entre nós fiéis: quando encontramos o Senhor, sem que percebamos, cria-se este microclima eclesiástico. Não só os padres, os bispos, mas também os fiéis: ‘Mas nós somos os que estão com o Senhor’. E de tanto olhar para Ele, não olhamos para as suas necessidades: não olhamos para o Senhor que tem fome, que tem sede, que está na prisão, que está no hospital. ‘Aquele não, Senhor, pois é um marginalizado’. E este clima nos faz tão mal!”.

O Papa descreveu o grupo dos que se sentem eleitos pelo Senhor e que, por isso, querem afastar qualquer pessoa que possa incomodá-Lo – inclusive as crianças. Essas pessoas, observou, esqueceram e abandonaram o primeiro amor.

“Quando, na Igreja, os fiéis, os ministros se tornam assim… não eclesial, mas ‘eclesiástico’, de privilégio de proximidade ao Senhor, têm a tentação de esquecer o primeiro amor, aquele amor tão bonito que todos nós recebemos quando Ele nos chamou, nos salvou. Esta é uma tentação dos discípulos: esquecer o primeiro amor, ou seja, esquecer inclusive as periferias, onde eu me encontrava, e também me envergonhar disso”.

Há ainda o terceiro grupo nesta narração: o povo simples, que louva a Deus pela cura do cego. São pessoas simples, o povo fiel que sabe seguir Deus sem pedir nada em troca e não se esquece da “Igreja marginalizada” das crianças, dos doentes e dos prisioneiros.

“Peçamos ao Senhor a graça de que todos nós, que temos a graça de sermos chamados, de jamais nos afastar desta Igreja; de jamais entrar neste microclima dos discípulos eclesiásticos, privilegiados, que se afastam da Igreja de Deus, que sofre, que pede salvação, que pede fé, que pede a Palavra de Deus. Peçamos a graça de ser povo fiel de Deus sem pedir ao Senhor qualquer privilégio que nos afaste de Seu povo”.
Radio Vaticano



Colocar os talentos a serviço dos outros, pede Papa no Angelus

No Angelus deste domingo, 16, o Papa Francisco falou sobre a parábola dos talentos, presente no Evangelho do dia. Ele explicou que os dons recebidos de Deus devem ser colocados a serviço dos outros, e não guardados em um cofre.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

O Evangelho deste domingo é a parábola dos talentos, tirada de São Mateus (25, 14-30). Conta sobre um homem que, antes de partir para uma viagem, convoca os servos e confia a eles o seu patrimônio em talentos, moedas antigas de grande valor. Aquele patrão confia ao primeiro servo cinco talentos, ao segundo dois, ao terceiro um. Durante a ausência do patrão, os três servos devem fazer frutificar este patrimônio. O primeiro e o segundo servos dobram, cada um, o capital de partida; o terceiro, em vez disso, por medo de perder tudo, enterra o talento recebido em um buraco. No retorno do patrão, os dois primeiros recebem o louvor e a recompensa, enquanto o terceiro, que restitui somente a moeda recebida, é repreendido e punido.

É claro o significado disso. O homem da parábola representa Jesus, os servos somos nós e os talentos são o patrimônio que o Senhor confia a nós. Qual é o patrimônio? A sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celeste, o seu perdão… em resumo, tantas coisas, os seus bens mais preciosos. Este é o patrimônio que Ele nos confia. Não somente para ser protegido, mas para crescer! Enquanto no uso comum o termo “talento” indica uma qualidade individual – por exemplo talento na música, no esporte, etc., na parábola os talentos representam os bens dos Senhor, que Ele nos confia para que o façamos dar frutos. O buraco cavado no terreno pelo “servo mau e preguiçoso” (v. 26) indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do amor. Porque o medo dos riscos do amor nos bloqueia. Jesus não nos pede para conservar a sua graça em um cofre! Jesus não nos pede isso, mas quer que a usemos em benefício dos outros. Todos os bens que nós recebemos são para dá-los aos outros, e assim crescem. É como se nos dissesse: “Aqui está a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão: peguem-no e façam largo uso”. E nós, o que fazemos?  Quem ‘contagiamos’ com a nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com a nossa esperança? Quanto amor partilhamos com o nosso próximo? São perguntas que nos farão bem. Qualquer ambiente, mesmo o mais distante e impraticável, pode se tornar lugar onde fazer frutificar os talentos. Não há situações ou lugares incompatíveis com a presença e o testemunho cristão. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, é aberto, depende de nós.

Esta parábola nos exorta a não esconder a nossa fé e a nossa pertença a Cristo, a não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular na nossa vida, nas relações, nas situações concretas, como força que coloca em crise, que purifica, que renova. Assim também o perdão, que o Senhor nos dá especialmente no Sacramento da Reconciliação: não o tenhamos fechado em nós mesmos, mas deixemos que desencadeie a sua força, que faça cair muros que o nosso egoísmo levantou, que nos faça dar o primeiro passo nas relações bloqueadas, retomar o diálogo onde não há mais comunicação… E por aí vai. Fazer com que estes talentos, estes presentes, estes dons que o Senhor nos deu sejam para os outros, cresçam, deem frutos, com o nosso testemunho.

Acredito que hoje será um belo gesto que cada um de vocês peguem o Evangelho em casa, o Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículos de 14 a 30, Mateus 25, 14-30, e leiam isto, e meditem um pouco: “os talentos, as riquezas, tudo aquilo que Deus me deu de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus, como faço com que cresçam nos outros? Ou somente os protejo em um cofre?”.

E também o Senhor não dá a todos as mesmas coisas e no mesmo modo: conhece cada um de nós pessoalmente e nos confia aquilo que é certo para nós; mas em todos, em todos há algo de igual: a mesma, imensa confiança. Deus confia em nós, Deus tem esperança em nós! E isto é o mesmo para todos. Não o desiludamos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas vamos retribuir confiança com confiança! A Virgem Maria encarna esta atitude no modo mais belo e mais pleno. Ela recebeu e acolheu o dom mais sublime, Jesus em pessoa, e à sua volta O ofereceu à humanidade com coração generoso. A ela peçamos para nos ajudar a sermos “servos bons e fiéis” para participar “da alegria do nosso Senhor”.

Após o Angelus deste domingo, 16, o Papa Francisco comentou as recentes tensões que acontecem em Roma entre moradores e imigrantes. O Santo Padre destacou que, entre ambas as partes, deve ser promovido o encontro, o diálogo, de forma a rejeitar todo tipo de violência.

Esses conflitos acontecem em várias cidades da Europa, especialmente em bairros da periferia, marcados por outras necessidades. Francisco convidou as instituições de todos os níveis a assumirem como prioridade essa situação que constitui uma emergência social.

“A comunidade cristã se empenha de modo concreto para que não haja combate, mas encontro. Cidadãos e imigrantes, com os representantes das instituições, possam se encontrar, mesmo em uma sala da paróquia, e falar juntos sobre a situação. O importante é não ceder à tentação do combate, rejeitar toda violência. É possível dialogar, escutar, projetar juntos e, deste modo, superar a desconfiança e o preconceito e construir uma convivência sempre mais segura, pacífica e inclusiva”.
Radio Vaticano

Francisco fará a sétima viagem internacional de seu pontificado para as Filipinas, de 12 a 19 de janeiro de 2015

O Vaticano divulgou nesta sexta-feira, 14, a programação da viagem que o Papa Francisco fará às Filipinas de 12 a 19 de janeiro de 2015.

Esta será a sétima viagem internacional do Pontífice, que já visitou o Brasil (julho de 2013), a Terra Santa (maio de 2014), a Coreia do Sul (agosto de 2014) e a Albânia (setembro de 2014). Ainda este ano, Francisco vai à França em uma visita de um dia ao Parlamento Europeu, no dia 25 de novembro, e depois segue para a Turquia, onde ficará de 28 a 30 de novembro.

A viagem às Filipinas foi confirmada em julho desse ano, mas o próprio Papa já havia comentado sobre a visita durante o voo de retorno de sua viagem à Terra Santa. Os preparativos começaram ainda em julho, com uma campanha espiritual promovida pela Conferência Episcopal filipina.

Confira abaixo a programação da viagem:

  • Segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

19h – Partida do Aeroporto de Roma/Fiumicino para Colombo

  • Terça-feira, 13 de janeiro de 2015 

9h –  Chegada ao Aeroporto Internacional de Colombo
Cerimônia de boas-vindas

13h15  – Encontro com os Bispos do Sri Lanka no Arcebispado de Colombo

17h – Visita de Cortesia ao Presidente da República na Residência Presidencial

18h15 – Encontro Inter-religioso no Bandaranaike Memorial International Conference Hall

  • Quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

8h30 – Santa Missa e Canonização do Beato José Vaz no Galle Face Green em Colombo

14h –     Deslocamento em helicóptero para Madhu

15h30 – Oração Mariana no Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Madhu

16h45 – Deslocamento em helicóptero para Colombo

  • Quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

8h15 – Visita à Capela “Nossa Senhora de Lanka” em Bolawalana

8h45 –     Cerimônia de Despedida no Aeroporto Internacional de Colombo

9h00 –    Partida de Colombo para Manila

17h45 – Chegada à Base Aérea Villamor de Manila
Recepção Oficial

  • Sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

9h15 – Cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial
Visita de Cortesia ao Presidente

10h15 – Encontro com Autoridades e com o Corpo Diplomático na Sala de Cerimônias Rizal do Palácio Presidencial

11h15 – Santa Missa com os Bispos, Sacerdotes, Religiosas e Religiosos na Catedral da Imaculada Conceição em Manila

17h30 – Encontro com as Famílias no Mall of Asia Arena em Manila

  • Sábado, 17 de janeiro de 2015

8h15 – Partida em avião de Manila para Tacloban

9h30 – Chegada ao aeroporto de Tacloban

10h – Santa Missa junto ao Aeroporto Internacional de Tacloban

12h45 – Almoço com alguns sobreviventes do tufão Yolanda na Residência do Arcebispo de Palo

15h – Bênção do “Pope Francis Center for the Poor”

15h30 – Encontro com Sacerdotes, Religiosas, Religiosos, Seminaristas e famílias de sobreviventes na Catedral de Palo

17h – Partida em avião para Manila

18h15 – Chegada à Base Aérea Villamor de Manila

  • Domingo, 18 de janeiro de 2015

9h45 – Breve encontro com os Líderes religiosos das Filipinas na Universidade de São Tomás em Manila

10h30 – Encontro com os jovens no campo esportivo da Universidade

15h30 – Santa Missa no Rizal Park em Manila

Segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

9h45 –  Cerimônia de Despedida no Pavilhão Presidencial da Base Aérea Villamor em Manila

10h – Partida de Manila para Roma

17h40 – Chegada ao Aeroporto de Roma Ciampino
Boletim da Santa Sé

Tweet do Papa Francisco:

15/11/2014
Um cristão leva a paz aos outros. E não só a paz, mas também amor, bondade, fidelidade e alegria.

Dar às crianças exemplos de fé mais que palavras, pede Papa

Crianças e adolescentes de uma paróquia romana participaram da Missa celebrada pelo Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta sexta-feira, 14.novembro.2014. Na homilia, o Santo Padre se concentrou na transmissão da fé para esses jovens, processo em que os adultos devem oferecer mais exemplos do que palavras.

Como se transmite a fé aos nativos digitais? Com o modo que, mais que os outros, atrai quem vive estimulado pelas imagens: o exemplo. Com a presença das crianças, que no início estavam tímidas, mas depois deslancharam em um momento de perguntas e respostas com o Papa, Francisco caiu no papel de catequista e, ao mesmo tempo, de formador dos catequistas. “Parece ser a ‘Missa das crianças’”, disse ele, acrescentando que olhar para as crianças é olhar para uma promessa, para um mundo que está por vir.

O Santo Padre convidou todos a pensar se o que é ensinado às crianças com as palavras é de fato vivido por quem transmite a fé. Ele destacou que os cristãos devem cuidar das crianças, transmitir a elas a fé, aquilo que se vive, aquilo que se tem no coração. Tudo depende da atitude que se tem para com elas: de irmão, de pai, de mãe ou uma atitude de distanciamento.

“Todos nós temos uma responsabilidade de dar o melhor que temos, e o melhor que temos é a fé: dá-la a eles, mas com o exemplo. Com as palavras não serve… Hoje, as palavras não servem! Neste mundo da imagem, todos estes têm telefone e as palavras não servem… Exemplo! Exemplo!”.

Neste momento da homilia, o diálogo decolou. O Papa perguntou às crianças o porquê de elas estarem naquela Missa, e uma criança lhe respondeu: “Para te ver”. “Eu também gosto de ver vocês”, retribuiu Francisco, que se informou sobre quantos ali já tinham recebido a Primeira Comunhão e a Crisma.

Ele reiterou, então, para as crianças que o batismo abre a porta para a vida cristã e depois inicia-se um caminho ao longo de toda a vida, um caminho na verdade e no amor.  O Papa lembrou que depois virão outros sacramentos, como o matrimônio, e é preciso saber viver esse caminho da vida como Jesus.

“Rezem ao Senhor, rezem a Nossa Senhora para que ajudem vocês neste caminho da verdade e do amor. Vocês entenderam? Vocês vieram aqui para me ver. Quem disse isso? Você. É verdade. Mas também para ver Jesus, de acordo? Ou deixamos Jesus de lado? (as crianças respondem: ‘não!’). Agora, vem Jesus no altar. E todos nós O veremos! Neste momento, devemos pedir a Ele que nos ensine a caminhar na verdade e no amor”.
Radio Vaticano

O Reino de Deus cresce em silêncio, sem espetáculo, diz Papa

Na Missa desta quinta-feira, 13.novembro.2014, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre o crescimento do Reino de Deus. Segundo o Santo Padre, o Reino cresce a cada dia graças a quem o testemunha sem fazer “barulho”, rezando e vivendo com fé os seus compromissos em família, no trabalho, na sua comunidade de origem, na santidade da vida cotidiana.

No silêncio, talvez de uma casa onde se chega ao fim do mês apenas com meio euro, mas não se deixa de rezar e cuidar dos filhos e dos avós: é ali que se encontra o Reino de Deus. A homilia do Santo Padre foi guiada por um trecho do Evangelho de Lucas, em que Jesus responde aos discípulos  quando virá o Seu Reino. Francisco destacou que o Reino não é um espetáculo.

“O espetáculo! Nunca o Senhor diz que o Reino de Deus é um espetáculo. É uma festa! Mas é diferente. É festa, certo, é belíssima. Uma grande festa! E o Céu será uma festa, mas não é um espetáculo. E a nossa fraqueza humana prefere o espetáculo”.

O Pontífice explicou que, tantas vezes, o espetáculo está em uma celebração de casamento, por exemplo, quando as pessoas, em vez de se apresentarem para receber o sacramento, vão fazer espetáculo da moda, do fazer-se ver, da vaidade. Em vez disso, o Reino de Deus é silencioso; o Espírito Santo o faz crescer com a disponibilidade do homem. Citando as palavras de Jesus, Francisco lembrou que também para o Reino chegará o momento da manifestação de força, mas será somente nos fins dos tempos.

“O dia em que fará barulho, o fará como uma esquadrilha de aviões que atravessa o céu de um lado ao outro. Assim fará o Filho do homem no seu dia. E quando se pensa na perseverança de tantos cristãos – homens e mulheres – que levam adiante a família, que cuidam dos filhos, que cuidam dos avós, que chegam ao fim do mês com meio euro no bolso, mas rezam, ali está o Reino de Deus; escondido na santidade da vida cotidiana, na santidade de todos os dias, porque o Reino de Deus não está longe de nós, está perto! Esta é uma das suas características: proximidade todos os dias”.

Também quando descreve o seu retorno numa manifestação de glória e poder, Jesus – insistiu o Papa – acrescentou que “antes é necessário que ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração”. Segundo o Papa, isso quer dizer que o sofrimento, a cruz cotidiana da vida, esta pequena cruz cotidiana, é parte do Reino de Deus.

Ele encerrou a homilia pedindo a Deus a graça de zelar pelo Reino de Deus que está dentro de cada um, com a oração, a adoração e o serviço da caridade, silenciosamente. “O Reino de Deus é humilde como a semente, mas cresce pela força do Espírito Santo. A nós cabe deixá-lo crescer em nós, sem nos vangloriar; deixar que o Espírito venha, nos transforme a alma e nos leve avante no silêncio, na paz, na serenidade, na proximidade a Deus, aos outros, na adoração a Deus sem espetáculos”.
Radio Vaticano

Papa Francisco em seu twitter nesta quinta-feira:

13/11/2014
A guerra destrói, mata, empobrece. Senhor, dai-nos a vossa paz!

O Muro de Berlim
        
Domingo passado, dia 9 de novembro, ao menos um milhão de alemães reuniram-se em Berlim para comemorar os 25 anos da derrubada do muro, erguido pelos comunistas, que, durante 28 anos, dividiu a Alemanha. Muitíssimos fugitivos, tentando escapar do regime comunista para o mundo ocidental, - é claro, pois ninguém quis passar de cá para lá - perderam a vida, na tentativa de atravessar a barreira de 154 km de extensão. Nos números oficiais, 137 alemães morreram tentando atravessá-la e outros 5.000 conseguiram furar o seu bloqueio. Na minha coleção de pedras, guardo como “relíquia” um pedaço do destruído muro de Berlim.
    
A queda do “muro da vergonha” simbolizou a falência do comunismo, como regime econômico e ideológico. Estavam presentes nas comemorações o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, o ex-presidente polonês Lech Walesa, considerados personagens-chave do processo que levou ao fim do comunismo europeu. Mas, ausentes em corpo, presentes, porém, na memória do mundo, deveriam ser homenageados outros personagens que contribuíram para isso, como Ronald Reagan, Margareth Thatcher e, especialmente, São João Paulo II.
           
S. João Paulo II, em 1991, fazia a pergunta: “Após a falência do comunismo, pode-se dizer que o sistema social vencedor é o capitalismo e que para ele se devem encaminhar os esforços dos países que procuram reconstruir as suas economias e a sua sociedade?” E ele mesmo responde: “Se por ‘capitalismo’ se indica um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no setor da economia, a resposta é certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de ‘economia de mercado’, ou simplesmente de ‘economia livre’”.
           
Mas então a Igreja aprova simplesmente o chamado “capitalismo liberal e selvagem”? O próprio João Paulo II ensina: “Se por ‘capitalismo’ se entende um sistema onde a liberdade no setor da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade, cujo centro seja ético e religioso, então a resposta é sem dúvida negativa” (Enc. Cent. Annus, 42).

        
Se despreza a Deus e sua lei na economia, o capitalismo se equivale na maldade ao comunismo: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes no último século, erro destrutivo, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como inclusive dos capitalistas. Falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundante, e por isso decisiva, que é Deus... O sistema marxista, onde governou, não só deixou uma triste herança de destruições econômicas e ecológicas, mas também uma dolorosa destruição do espírito. E o mesmo vemos também no ocidente, onde cresce constantemente a distância entre pobres e ricos e se produz uma inquietante degradação da dignidade pessoal com a droga, o álcool e as sutis miragens de felicidade” (Bento XVI, Aparecida, Discurso inaugural).

Dom Fernando Rifan

Papa indica “gramática básica” para os Pastores da Igreja

Acolhimento, sobriedade, paciência, mansidão, confiança e bondade. Essas foram as qualidades humanas indicadas pelo Papa Francisco como o “alfabeto”, a “ gramática de base” do ministério de bispos, padres e diáconos. O Santo Padre falou aos fiéis, na catequese desta quarta-feira, 12.novembro.2014, dando continuidade à reflexão da semana passada sobre o ministério episcopal.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Evidenciamos nas catequeses precedentes como o Senhor continua a apascentar o seu rebanho através do ministério dos bispos, coadjuvados pelos presbíteros e pelos diáconos. É neles que Jesus se faz presente, no poder do seu Espírito, e continua a servir a Igreja, alimentando nela a fé, a esperança e o testemunho da caridade. Estes ministros constituem, então, um grande dom do Senhor para cada comunidade cristã e para toda a Igreja, enquanto são sinais vivos da sua presença e do seu amor.
Hoje queremos nos perguntar: o que é pedido a estes ministros da Igreja, para que possam viver de modo autêntico e fecundo o próprio serviço?

1. Nas “Cartas pastorais” enviadas aos seus discípulos Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo se concentra com cuidado na figura dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos – também sobre a figura dos fiéis, dos idosos, dos jovens. Concentra-se em uma descrição de cada cristão na Igreja, delineando para os bispos, os presbíteros e os diáconos aquilo a que foram chamados e as prerrogativas que devem ser reconhecidas naqueles que são escolhidos e investidos nesses ministérios. Ora, é emblemático como, junto aos dotes inerentes a fé e a vida espiritual – que não podem ser negligenciados, porque são a própria vida – são elencadas algumas qualidades puramente humanas: o acolhimento, a sobriedade, a paciência, a mansidão, a confiança, a bondade de coração. É este o alfabeto, a gramática de base de cada ministério! Deve ser a gramática de base de cada bispo, de cada padre, de cada diácono. Sim, porque sem esta predisposição bela e genuína a encontrar, a conhecer, a dialogar, a apreciar e a se relacionar com os irmãos de modo respeitoso e sincero não é possível oferecer um serviço e um testemunho realmente alegre e credível.

2. Há depois uma atitude de fundo que Paulo recomenda aos seus discípulos e, por consequência, a todos aqueles que são investidos pelo ministério pastoral, sejam esses bispos, sacerdotes, presbíteros ou diáconos. O apóstolo exorta a reviver continuamente o dom que foi recebido (cfr 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Isto significa que deve estar sempre viva a consciência de que não se é bispo, sacerdote ou diácono se é mais inteligente, melhor que os outros, mas somente em força de um dom, um dom de amor dado por Deus, no poder do seu Espírito, para o bem do seu povo. Esta consciência é realmente importante e constitui uma graça a pedir todos os dias! De fato, um pastor que é consciente de que o próprio ministério surge unicamente da misericórdia e do coração de Deus não poderá nunca assumir uma atitude autoritária, como se todos estivessem aos seus pés e a comunidade fosse a sua propriedade, o seu reino pessoal.

3. A consciência de que tudo é dom, tudo é graça, também ajuda um Pastor a não cair na tentação de colocar-se no centro da atenção e de confiar apenas em si mesmo. São as tentações da vaidade, do orgulho, da suficiência, da soberba. Ai de um bispo, um sacerdote ou um diácono se pensassem saber tudo, ter sempre a resposta correta para cada coisa e não precisar de ninguém. Pelo contrário, a consciência de ser ele por primeiro objeto de misericórdia e da compaixão de Deus deve levar um ministro da Igreja a ser sempre humilde e compreensivo nos confrontos dos outros. Estando na consciência de ser chamado a proteger com coragem o depósito da fé (cfr 1 Tm 6, 20), ele se colocará em escuta do povo. É consciente, de fato, de ter sempre algo a aprender, mesmo com aqueles que podem ser ainda distantes da fé e da Igreja. Com os próprios irmãos, depois, tudo isto deve levar a assumir uma atitude nova, com o compromisso da partilha, da co-responsabilidade e com a comunhão.

Queridos amigos, devemos ser sempre gratos ao Senhor, porque na pessoa e no ministério dos bispos, dos sacerdotes e dos diáconos continua a guiar e a formar a sua Igreja, fazendo-a crescer ao longo do caminho da santidade. Ao mesmo tempo, devemos continuar rezando para que os Pastores das nossas comunidades possam ser imagem viva da comunhão e do amor de Deus.

Este foi o tweet mais rescente do Papa Francisco:

11/11/2014
Como é importante o trabalho… para a dignidade humana, para formar uma família, para a paz!

Papa diz que padres precisam ser moldados pelo Bom Pastor



Padres “clericais” e “funcionários” não servem, mas sim aqueles que são moldados pelo Bom Pastor. Essas foram palavras do Papa Francisco em uma carta enviada à Conferência Episcopal Italiana, que está reunida em assembleia de 10 a 13 de novembro sobre o tema da vida e da formação permanente dos presbíteros. A carta foi divulgada pelo Vaticano nesta terça-feira, 11.

“Somente quem se deixa amoldar ao Bom Pastor encontra unidade, paz e força na obediência do serviço; somente quem respira no horizonte da fraternidade presbiteral sai da falsificação de uma consciência que se pretende epicentro de tudo, única medida do próprio sentir e das próprias ações”, escreveu o Pontífice.

O Santo Padre falou que uma das principais responsabilidades dos bispos é confirmar, apoiar e consolidar o ministério dos presbíteros. É através deles, diz o Papa, que a maternidade da Igreja atinge todo o povo de Deus.

Francisco também destacou que os sacerdotes santos são pecadores perdoados e instrumentos de perdão. A existência dos padres fala a língua da paciência e da perseverança; eles sabem que estão nas mãos de Deus e esta consciência cresce com a caridade pastoral com a qual dão atenção às pessoas a eles confiadas.

Mas o tempo pode esfriar a generosa dedicação do início desse ministério, ressaltou o Pontífice. “A identidade do presbítero, justamente porque vem do alto, exige dele um caminho cotidiano de reapropriação, a partir daquilo que o fez um ministro de Jesus Cristo”.

O Santo Padre concluiu, então, que a formação desses presbíteros é algo contínuo, porque os sacerdotes nunca deixam de ser discípulos de Jesus, nunca deixam de segui-Lo.

“Desejo-vos dias de escuta e de confronto, que levem a traçar itinerários de formação permanente, capazes de conjugar a dimensão espiritual com aquela cultura, a dimensão comunitária com aquela pastoral; são estas as pilastras de vidas formadas segundo o Evangelho”.
Que os cristãos não transformem o serviço em poder, diz Papa



É preciso sempre lutar contras as tentações que nos levam para longe do próximo, enfatizou o Papa Francisco, na Missa desta terça-feira, 11.novembro.2014, na Casa Santa Marta. Ele destacou que, assim como Jesus, o homem é chamado a servir sem pedir nada em troca e reiterou que não se deve apropriar-se do serviço, transformando-o em uma estrutura de poder.

Francisco partiu do Evangelho do dia sobre o “servo inútil”, para se concentrar no que significa, para o cristão, servir. Ele explicou que Jesus fala deste servo que, depois de ter trabalhado o dia inteiro, chega em casa e, em vez de descansar, ainda precisa servir o seu senhor.

“Alguns de nós aconselharia esse servo que fosse ao sindicato procurar um bom conselho sobre o que fazer com um patrão assim. Mas Jesus diz: ‘Não, o serviço é total’, porque Ele fez caminho com esta atitude de serviço; Ele é o servo. Ele se apresenta como o servo, aquele que veio para servir e não para ser servido”.

Francisco afirmou que um cristão que recebe o dom da fé no batismo, mas não o leva adiante no caminho do serviço, torna-se um cristão sem força e sem fecundidade. No fim, torna-se um cristão para servir a si mesmo.

Ele também observou que o Senhor explicou a unicidade do serviço, ou seja, não se pode servir a dois patrões: a Deus ou à riqueza. O homem, às vezes, acaba se afastando dessa atitude de serviço por preguiça e, assim, torna-se morno de coração, uma pessoa acomodada.

“Tantos cristãos assim são bons, vão à Missa, mas o serviço vai até aí. Quando digo serviço, digo tudo: serviço a Deus na adoração, na oração, no louvor; serviço ao próximo, quando devo fazê-lo; serviço até o fim, porque nisso Jesus é forte: ‘Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis’. Serviço gratuito sem pedir nada”.

Outro fator que afasta da atitude de serviço é se apropriar das situações, disse o Papa, algo que aconteceu com os discípulos e com os próprios apóstolos. Os discípulos queriam se apropriar do tempo e do poder de Deus e tê-los somente para o ser grupo e depois se apropriavam desta atitude de serviço transformando-o em uma estrutura de poder.

Trata-se de um comportamento que acontece ainda hoje, observou Francisco, quando os cristãos se tornam patrões da fé, do Reino, da Salvação. É uma tentação para os cristãos, enquanto o Senhor fala de serviço na humildade, na esperança, e isso sim é a alegria do serviço cristão.

“Na vida devemos lutar tanto contra as tentações que procuram nos afastar dessa atitude de serviço. A preguiça leva à comodidade: serviço pela metade; e o apropriar-se da situação, e de servo tornar-se patrão, leva à soberba, ao orgulho, a tratar mal as pessoas, a sentir-se importante ‘porque sou cristão, tenho a salvação’ e tantas coisas assim. O Senhor nos dê estas duas grandes graças: a humildade no serviço, a fim de poder dizer ‘somos servos inúteis – mas servos – até o fim; e a esperança na espera da manifestação, quando o Senhor virá nos encontrar”.

Papa Francisco: os anos de seminário são aprendizado de fraternidade

Cidade do Vaticano, 9.novembro.2014 (RV) - O sacerdócio não é um ministério a ser vivido solitário e tampouco de modo individualista. O Papa Francisco aproveitou a ocasião de uma Mensagem aos seminaristas franceses que partiram na tarde deste domingo em peregrinação a Lourdes, para esclarecer os três pontos fundamentais sobre os quais todo futuro presbítero deve refletir para poder traduzi-los na prática.

O primeiro diz respeito à "fraternidade". A fraternidade dos discípulos "expressa a unidade dos corações, é parte integrante do chamado que vocês receberam", afirma o Santo Padre, que acrescenta logo em seguida: "O ministério sacerdotal não pode, de modo algum, ser individual e tampouco individualista".

No seminário, escreve o Pontífice, "vocês vivem juntos para aprender a se conhecerem, a estimar-se, a ajudar-se, por vezes também suportar-se", por isso – frisa –, "convido-os a aceitar este aprendizado da fraternidade com todo o ardor de vocês".

Segundo ponto, a "oração". A imagem evocada é a do Cenáculo, onde os discípulos rezam com Maria à espera do Espírito Santo. Disso, se deduz que na base da formação de vocês, ressalta o Papa Francisco, "está a Palavra de Deus, que chega ao íntimo de vocês, os alimenta, os ilumina".

Portanto, aconselha o Papa aos seminaristas, tenham "todos os dias longas horas de oração" e "deixem que a oração de vocês seja um convite ao Espírito", do qual depende a construção da Igreja, o guia dos discípulos e o dom da "caridade pastoral". Desse modo, assegura o Pontífice, indo àqueles aos quais são convidados, poderão ser aqueles "homens de Deus" que o povo quer que os sacerdotes sejam.

Por fim, o terceiro ponto, a "missão". Os anos de seminário, indica o Papa Francisco, não são senão uma preparação com o "único objetivo" de tornar-se discípulos "humildes" capazes de "preferência pelas pessoas mais marginalizadas", aquelas das "periferias".
"A missão é inseparável da oração, porque a oração abre ao Espírito e o Espírito os guiará na missão. E a missão – escreve ainda o Papa –, cuja alma é o amor, é a de levar aqueles que encontrarão a acolher a ternura" de Cristo, mediante os Sacramentos.

Precisamos de pontes, não de muros, diz Papa Francisco

Neste domingo, 9.novembro.2014, dia que recorda a queda do Muro de Berlim, há 25 anos, o Papa Francisco lançou um apelo no Angelus na Praça São Pedro, a fim de que caiam “todos os muros que ainda dividem o mundo”.

“25 anos atrás, 9 de novembro de 1989, caia o Muro de Berlim.” O Santo Padre ofereceu a sua leitura do que se deu com a queda do que definiu “símbolo da divisão ideológica da Europa e do mundo inteiro”:

“A queda deu-se inesperadamente, mas foi possível devido ao longo e cansativo empenho de tantas pessoas que lutaram, rezaram e sofreram por isso, até o sacrifício da vida. Entre esses, o santo Papa João Paulo II teve um papel de protagonista.”

Francisco aproveitou a ocasião para pedir o fim de todos os muros que ainda hoje dividem os povos com o cimento de outras formas de discriminação.

“Rezemos a fim de que, com a ajuda do Senhor e a colaboração de todos os homens de boa vontade, se difunda sempre mais uma cultura do encontro, capaz de derrubar todos os muros que ainda dividem o mundo, e não mais aconteça que pessoas inocentes sejam perseguida e até mesmo mortas por causa de seu credo e de sua religião. Onde há um muro, há fechamento de coração! Precisamos de pontes, não de muros!”

Dedicação da Basílica de São João de Latrão

A exortação do Papa está estreitamente unida à reflexão que fez antes da recitação do Angelus sobre a Dedicação da Basílica de São João de Latrão, celebrada pela Igreja neste domingo.

O Santo Padre ressaltou que o sentido espiritual desta festa está na “unidade” que tal Basílica representa para todas as comunidades cristãs enquanto sede originária “do Bispo de Roma”.

O Papa Francisco observou que justamente “a comunhão de todas as Igrejas por analogia nos estimula a empenhar-nos a fim de que a humanidade possa superar as barreiras da inimizade e da indiferença, a construir pontes de compreensão e de diálogo, para fazer do mundo inteiro uma família de povos reconciliados entre si, fraternos e solidários.”

São necessários tijolos para construir uma igreja, explicou ainda o Pontífice, mas é preciso uma alma para que esses “tijolos” tomem vida na vida dos cristãos, “pedras vivas” chamadas ao dever da “coerência”:

“E não é fácil – sabemos todos nós –, a coerência na vida entre a fé e o testemunho; mas devemos seguir adiante e fazer em nossa vida esta coerência cotidiana. ‘Este é um cristão!’, não tanto por aquilo que diz, mas por aquilo que faz, pelo modo como se comporta. Essa coerência, que nos dá vida, é uma graça do Espírito Santo que devemos pedir.”

A Igreja, concluiu o Papa, “é chamada a ser no mundo a comunidade que, radicada em Cristo por meio do Batismo, professa com humildade e coragem a fé n’Ele, testemunhando esta fé na caridade”. Mas o “essencial”, repetiu fazendo lembrar o Apóstolo Paulo, é “testemunhar a fé na caridade”.

Santo Padre pediu mais uma vez que rezem por ele e a todos concedeu a sua Bênção apostólica.
Radio Vaticano

Ainda neste Domingo, o Santo Padre escreveu em seu twitter:

09/11/2014
Peço a todas as pessoas de boa vontade que contribuam para a criação de uma cultura do encontro, da solidariedade, da paz. #fotw25

Às irmãs salesianas, Papa pede missão com esperança e alegria



O Papa Francisco recebeu em audiência neste sábado, 8, um grupo de Filhas de Maria Auxiliadora, que participam do seu 23º Capítulo Geral. Ele encorajou o trabalho das religiosas salesianas, pedindo que elas sejam missionárias de esperança e alegria.

Francisco mencionou a miséria espiritual e material que permeia o contexto social e eclesial dos dias de hoje. Aos jovens, a quem as irmãs se dedicam de forma especial seguindo o estilo de Dom Bosco, elas são chamadas a oferecer a mensagem do Evangelho, que se resume no amor de Deus misericordioso por cada pessoa.

As Filhas de Maria Auxiliadora realizam esse trabalho com os jovens, saindo de si mesmas e transformando suas casas em ambientes de evangelização, evolvendo principalmente os jovens. O Papa encorajou essa linha de ação guiada pelo Espírito Santo e destacou que todo esse trabalho tem uma condição: colocar Cristo no centro sempre.

“É preciso deixar-se plasmar-se pela Palavra de Deus, que ilumina, orienta e apoia; é preciso alimentar o espírito missionário com a oração perseverante, com a adoração, com aquele ‘perder o tempo’ diante do Tabernáculo”, disse.

Francisco repetiu às irmãs salesianas o que havia dito a um outro grupo de religiosos, sobre a necessária unidade. Ele pediu que não haja inveja, ciúme, fofocas, mas sim um testemunho de unidade.

O Santo Padre concluiu seu discurso exortando as religiosas a testemunharem os valores da identidade salesiana, especialmente o encontro, que é um aspecto fundamental desse carisma. Ele também destacou o quanto a Igreja estima a vida consagrada.

“Essa, de fato, coloca-se no coração da própria comunidade e é elemento decisivo para a sua missão, à qual oferece uma contribuição específica mediante o testemunho de uma vida totalmente doada a Deus e aos irmãos”.

O 23º Capítulo Geral da ordem religiosa teve como tema “Ser, hoje, com os jovens casa que evangeliza”.
Radio Vaticano

Papa Francisco em seu twitter, neste sábado:

08/11/2014
A Igreja está sempre em caminho, à procura de vias novas para o anúncio do Evangelho.
Papa exorta escoteiros a caminhar com esperança no futuro



Traçar um caminho com esperança no futuro, foi a exortação do Papa Francisco aos membros do Movimento Adultos Escoteiros Católicos Italianos, recebidos em audiência neste sábado, 8, no Vaticano. O Santo Padre indicou três vias para os escoteiros realizarem sua missão: fazer caminho na família, junto à criação e na cidade, sempre testemunhando o amor de Jesus.

Representantes do movimento agradeceram ao Papa por estar presente nessa comemoração dos 60 anos de fundação. Francisco agradeceu pelo trabalho desempenhado pelo grupo na Igreja e na sociedade, testemunhando o Evangelho segundo o estilo próprio dos escoteiros, que têm “caminho” como terminologia típica.

“Façam caminho em família”, foi o primeiro pedido do Santo Padre. Ele recordou que a família sempre permanece a célula da sociedade, lugar onde todas as vocações dão os primeiros passos. Para movimentos como esse dos escoteiros, Francisco enfatizou que a educação em família é uma escolha prioritária e requer diálogo e escuta.

O segundo aspecto destacado por Francisco foi a necessidade de dar atenção à questão ecológica, que é vital para a sobrevivência do homem e não pode ser reduzida à questão meramente política. Ele lembrou que a criação é um presente confiado ao homem pelo Criador e merece respeito.

“Viver em contato mais estreito com a natureza, como vocês fazem, implica não só o respeito para com essa, mas também o empenho para contribuir concretamente para eliminar o desperdício de uma sociedade que tende sempre mais a descartar bens ainda utilizáveis e que podem ser doados a quantos precisam”.

A última mensagem deixada por Francisco foi que os escoteiros façam caminho também na cidade, onde são chamados a ser como o fermento que fermenta a massa, oferecendo uma sincera contribuição para realizar o bem comum.

“Em uma sociedade complexa e multicultural, vocês podem testemunhar com simplicidade e humildade o amor de Jesus por cada pessoa, experimentando também novos caminhos de evangelização, fiéis a Cristo e fiéis ao homem, que na cidade muitas vezes vive situações difíceis e às vezes corre o risco de se perder, de perder a capacidade de ver o horizonte, de sentir a presença de Deus”.

Após o discurso do Papa, os escoteiros renovaram sua promessa, tendo o coro liderado pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.
Radio Vaticano
O Papa aos Superiores Maiores: dar testemunho da fraternidade religiosa



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco concluiu sua série de audiências, na manhã desta sexta-feira, 7.novembro.2014, recebendo, na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 100 participantes na Assembleia nacional da Conferência Italiana de Superiores Maiores (CISM).

A 54ª Assembleia realiza-se em Tivoli, nas proximidades de Roma, de 3 a 7 do corrente, sobre o tema: “Missão da Igreja e Vida Consagrada: uma leitura da Evangelii Gaudium”.

Em seu pronunciamento aos presentes, o Santo Padre partiu das reflexões, que os Superiores Maiores estão fazendo na sua Assembleia, dizendo que “a vida religiosa ajuda a Igreja a realizar aquela “atração” que a faz crescer pelo testemunho de um irmão ou uma irmã, que vive a vida religiosa para além do horizonte mundano.

Todo cristão é chamado ao radicalismo evangélico da renúncia aos bens terrenos, do qual os religiosos devem dar testemunho profético. O testemunho da vida evangélica é o distintivo do discípulo missionário e, de modo particular, de quem segue o Senhor com a Vida consagrada.
Tal testemunho profético, disse o Pontífice, coincide com a santidade e é sinal de contradição, segundo o Evangelho, como o era Jesus. E o Papa acrescentou:

“Todo carisma, para ser vivido e fecundo, deve ser descentralizado, colocando somente Jesus ao centro. O carisma deve ser frutificado com coragem e confrontado com as realidades presentes, com as culturas e a história, como nos ensinaram os grandes missionários dos nossos Institutos religiosos”.

Trata-se de um sinal evidente, afirmou o Bispo de Roma, que a vida religiosa deve dar mediante a vida fraterna. Por isso, a vida consagrada pode ajudar a Igreja e toda a sociedade com seu testemunho de fraternidade na diversidade. Isso só pode ser possível com a oração, a Eucaristia, a adoração e o rosário.

O Santo Padre concluiu seu discurso aos Superiores Maiores, encorajando-os a prosseguir no caminho do testemunho fraterno e abençoando as comunidades religiosas, sobretudo as mais provadas e sofredoras.

Missa do Papa em Santa Marta-Cristãos envernizados



Existem pessoas que de cristãos têm só o nome, e de sobrenome chamam-se «mundanos». São «pagãos com duas pinceladas de verniz», e contudo perecem-nos cristãos quando nos cruzamos com eles na missa todos os domingos; na realidade escorregaram a pouco e pouco na tentação da «mediocridade», a ponto que olham «com orgulho e soberba» para as coisas terrenas mas não «para a cruz de Cristo». Foi precisamente esta tentação que o Papa frisou na missa celebrada na manhã de sexta-feira, 7 de Novembro de 2014, na capela da Casa de Santa Marta.

Partindo do trecho evangélico da carta de Paulo aos Filipenses (3, 17-4, 1), «os seus discípulos predilectos», na qual o apóstolo se dirige a eles chamando-os «meus caríssimos e tão amados irmãos, alegria e coroa minha». E exorta-os a «imitar alguns e não outros», aconselhando precisamente a «olhar para quantos se comportam segundo o exemplo que tendes em nós: imitai estes, os cristãos que vão em frente na vida de fé, de serviço, na Igreja. Mas não imiteis os outros!».

Pelo texto compreende-se bem, explicou o Papa, que Paulo já tinha falado deste problema em diversas ocasiões, porque acrescenta: «Já vo-lo disse várias vezes e agora, com as lágrimas nos olhos, repito-o. Aqueles comportam-se como inimigos da cruz de Cristo. Imitai estes, mas não aqueles!». Contudo, prosseguiu o Pontífice, «ambos os grupos estavam na igreja; todos juntos iam à missa dominical, louvavam ao Senhor, chamavam-se cristãos e baptizavam os filhos». Mas então «qual era a diferença?». Paulo é claro e recomenda aos Filipenses: «Para estes nem sequer olhar! Porquê? Porque se comportam como inimigos da cruz de Cristo! Cristãos inimigos da cruz de Cristo!». Lê-se na carta: «Orgulham-se do que deveriam envergonhar-se e só pensam nas coisas terrenas».

Em síntese, são «cristãos mundanos, cristãos de nome, com duas ou três coisas de cristão, mas nada mais». São «cristãos pagãos». Têm o nome cristão, mas uma vida pagã», ou, por outras palavras, «pagãos com duas pinceladas de verniz de cristianismo: assim parecem cristãos, mas são pagãos. Estas pessoas, irmãos nossos», não existiam só no tempo de Paulo. Também hoje há tantos. Por isso devemos estar atentos a não escorregar para aquele caminho de cristãos pagãos, cristãos na aparência». Na realidade, «a tentação de se habituar à mediocridade é a sua ruína, porque o coração se entorpece, tornando-se morno».

Dado que não se trata de uma questão circunscrita aos Filipenses do tempo de Paulo, o Papa propôs uma série de perguntas concretas a fazer-se a si mesmos para um exame de consciência: «A este ponto cada um de nós – e eu também – deve questionar-se: mas terei algo como estes? Terei algo da mundanidade dentro de mim? Algo de paganismo? Gosto de me gabar? Agrada-me o dinheiro? Gosto do orgulho, da soberba? Onde estão as minhas raízes, ou seja, de onde sou cidadão? Do céu ou da terra? Do mundo ou do espírito mundano?». A nossa cidadania está nos céus e de lá esperamos, como salvador, o Senhor Jesus Cristo». Mas qual é a cidadania dos inimigos da cruz? O apóstolo responde que «o seu destino final será a perdição». Portanto, esclareceu o Papa, «aqueles cristãos envernizados acabarão mal».

Mas Paulo aconselha os Filipenses a «permanecer firmes no Senhor segundo o exemplo que vos dei; e não permitais que se enfraqueça o vosso coração, a vossa alma e que acabe no nada, na corrupção». Esta – concluiu o Papa - «é uma graça bonita para pedir: permanecer firmes no Senhor: há toda a salvação, ali dar-se-á a transfiguração em glória. Será Tudo!» Portanto, a graça que devemos pedir hoje é a de permanecer «firmes no Senhor e no exemplo da cruz de Cristo: humildade, pobreza, mansidão, serviço aos outros, adoração, oração».
L'Osservatore Romano
Papa pede à vida religiosa testemunho de fraternidade



A vida religiosa ajuda a Igreja a crescer por atração, não por proselitismo, disse o Papa Francisco na audiência aos participantes da 54ª Assembleia Nacional da Conferência Italiana dos Superiores Maiores. O evento tem como tema “Missão da Igreja e vida consagrada à luz da Evangelii gaudium”.

Francisco disse que a vida religiosa ajuda a Igreja a realizar aquela “atração” que a faz crescer, pois desperta curiosidade sobre o que leva essas pessoas a viverem além do horizonte mundano. O chamado a ser discípulo de Jesus é para cada cristão, mas os religiosos são chamados a dar um testemunho de profecia, disse o Papa.

“A verdadeira profecia não é ideológica, não é ‘da moda”, mas é sempre um sinal de contradição segundo o Evangelho, assim como o era Jesus. Jesus por exemplo, foi um sinal de contradição para as autoridades religiosas do seu tempo: chefes dos fariseus e dos saduceus, doutores da lei”

Francisco também falou da necessidade de descentralização, em todo tipo de carisma, para que no centro de tudo esteja somente Jesus Cristo. Outro sinal claro que a vida religiosa é chamada a dar hoje, segundo o Santo Padre, é a vida fraterna. “Por favor, que não haja entre vós o terrorismo das fofocas! Joguem-no fora! Que haja fraternidade. E se você tem algo contra o irmão, diga na cara dele”.

A vida consagrada pode ajudar a Igreja e a sociedade dando testemunho de fraternidade, tendo em vista que, conforme recordou o Papa, a cultura dominante hoje é individualista e corrói a sociedade a partir da sua célula primária que é a família. As pessoas erram porque são pecadoras e, muitas vezes não conseguem viver como irmãs, disse o Papa. Mas nesses casos, é preciso reconhecer o erro e pedir e oferecer o perdão.

O Santo Padre destacou, por fim, que tal fraternidade pressupõe a paternidade de Deus e a maternidade da Igreja e da Mãe, a Virgem Maria. Com a oração, a Eucaristia, a adoração e o terço é possível que o homem se remeta cada vez mais a esta relação e renove o seu “estar” com Cristo e em Cristo.

“Se a nossa vida se coloca sempre novamente nestas relações fundamentais, então somos capazes de realizar também uma fraternidade autêntica, uma fraternidade testemunhal, que atrai”.
Radio Vaticano

Estes são os últimos tweets do Papa Francisco:

06/11/2014
A indiferença para com os necessitados é inaceitável para uma pessoa que se diz cristã.

04/11/2014
A humildade ajuda-nos a carregar o peso dos outros.
Responder à indiferença com solidariedade, pede Papa



O Papa Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira, 7, os participantes do encontro ecumênico dos bispos amigos do Movimento dos Focolares. O Santo Padre abordou a importância da unidade entre os cristãos, a fim de que ajam como irmãos para responder aos desafios atuais.

Francisco destacou a fraternidade como um sinal luminoso da fé em Cristo. Trata-se de uma atitude necessária para responder de forma incisiva às problemáticas do tempo atual. “É preciso falar e agir como irmãos, e de tal modo que todos possam reconhecer isso facilmente. Também é um modo de responder à globalização da indiferença com uma globalização da solidariedade e da fraternidade”.

O Santo Padre lembrou que a consciência do cristão é interpelada frente a desafios como a repressão da liberdade religiosa, o drama dos refugiados de guerra, o fundamentalismo e o secularismo. Para responder a isso, é preciso buscar a unidade e o caminho mestre nesse processo é a Eucaristia.

“Desde sua primeira carta aos Coríntios – em que o tema das divisões é prioritário – o apóstolo Paulo indica claramente a Ceia do Senhor como momento central na vida da comunidade, ‘momento da verdade': ali se verifica na medida máxima o encontro entre a graça de Cristo e a nossa responsabilidade”.

Antes de rezar o Pai Nosso para concluir o encontro, Francisco expressou votos de que esse congresso produza frutos de crescimento na comunhão e no testemunho da fraternidade.

O evento teve como tema “A Eucaristia, mistério de comunhão”, começou na segunda-feira, 3, e terminou hoje nesse encontro com o Papa. Segundo Francisco, esse encontro ecumênico é uma expressão do que o amor à Palavra de Deus produz e da vontade de conformar a existência ao Evangelho.
Radio Vaticano

Sem divisões, anúncio cristão seria mais eficaz, diz Papa

O anúncio cristão seria mais eficaz se os cristãos superassem suas divisões, afirmou o Papa Francisco a uma delegação da Aliança Evangélica Mundial, recebida por ele nesta quinta-feira, 6.novembro.2014, no Vaticano.

O Santo Padre mencionou o Batismo como um ponto comum entre católicos e evangélicos. Trata-se de um sacramento que recorda que Deus sempre precede a ação humana com o seu amor e a sua graça. O Reino de Deus precede o homem, enfatizou Francisco, da mesma forma que acontece com o mistério da unidade da Igreja.

Ao falar de unidade, o Santo Padre recordou as divisões entre os cristãos, que existem desde o início e ainda hoje permanecem rivalidade e conflitos nas comunidades. Tal situação enfraquece a capacidade do homem de pregar o Evangelho a todas as nações e deturpa a beleza da única túnica de Cristo, embora não destrua completamente a unidade gerada pela graça em todos os batizados.

“A eficácia do anúncio cristão seria certamente maior se os cristãos superassem suas divisões e pudessem celebrar juntos os sacramentos e juntos difundir a Palavra de Deus e testemunhar a caridade”, disse o Papa.

Francisco reconheceu as relações de fraternidade e colaboração estabelecidas entre católicos e evangélicos em vários países do mundo. Ele encerrou seu discurso com confiança no Espírito Santo para que se possa inaugurar uma nova etapa nas relações entre ambas as partes. “Uma etapa que permita realizar de maneira mais plena a vontade do Senhor de levar o Evangelho até os confins da terra”.
Radio Vaticano
Papa pede cristãos sem medo de sujar as mãos com pecadores

O verdadeiro cristão não tem medo de sujar as mãos com os pecadores nem de arriscar sua reputação, porque tem o coração de Deus e não quer que ninguém se perca. Essa foi a reflexão central do Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 6, na Casa Santa Marta.

A homilia do Santo Padre desenvolveu-se em torno das parábolas da ovelha e da moeda perdidas. Os fariseus e os escribas se escandalizaram, porque Jesus acolheu os pecadores e comeu com eles. Francisco recordou que Jesus veio justamente para procurar os que tinham se afastado de Deus. Essas duas parábolas, segundo ele, fazem ver como é o coração do Pai, que não para no meio do caminho da salvação, mas segue até o fim.

Já os fariseus e os escribas, explicou Francisco, pararam no meio do caminho; a eles importava que o balanço entre ganhos e perdas fosse favorável. Isso não entra na mente de Deus, porque Ele não é um negociador, mas o Pai que vai salvar até o fim. Este é o amor de Deus, enfatizou Francisco, e em contrapartida, ele disse que é triste quando um pastor para no meio do caminho.

“É triste o pastor que abre a porta da Igreja e permanece ali a esperar. É triste o cristão que não sente no seu coração a necessidade de ir e contar aos outros que o Senhor é bom. Mas quanta perversão há no coração daqueles que acreditam ser justos, como estes escribas, estes fariseus. Eles não querem sujar as mãos com os pecadores”.

Francisco enfatizou que ser um pastor pela metade do caminho é uma derrota. O verdadeiro pastor deve ter o coração de Deus e ir até o limite, porque não quer que ninguém se perca. Para isso, não tem medo de sujar as mãos, vai onde deve ir, arrisca a sua vida, a sua reputação, arrisca perder a sua comodidade, o seu status. Também os cristãos devem ser assim.

“É tão fácil condenar os outros, como faziam esses – os publicanos, os pecadores –, mas não é cristão, né? Não é dos filhos de Deus. Jesus vai ao limite, dá a vida, como a deu Jesus pelos outros. Não pode ser tranquilo, protegendo a si mesmo: a sua comodidade, a sua fama, a sua tranquilidade. Lembrem-se disso: pastores no meio do caminho não, nunca! Cristãos na metade do caminho, nunca!”.

O Papa enfatizou que o bom pastor, o bom cristão está sempre em saída de si mesmo, em saída rumo a Deus, na oração, na adoração. Está em saída rumo aos outros para levar a mensagem de salvação. E o bom pastor e o bom cristão conhecem o que é a ternura.

“Isto é belo, não ter medo que falem mal de nós por ir e encontrar os irmãos e as irmãs que estão distantes do Senhor. Peçamos essa graça para cada um de nós e para a nossa Mãe, a Santa Igreja”.

Radio Vaticano

Papa diz que ministério dos bispos é serviço, não prestígio

Na catequese desta quarta-feira, 5.novembro.2014, o Papa Francisco se concentrou no ministério episcopal. Ele voltou a afirmar que a vocação dos bispos é um serviço a toda a Igreja, e não posição de prestígio. Ele também enfatizou a necessidade de união da comunidade ao bispo, que é um sinal da presença do próprio Cristo na Igreja.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Escutamos as coisas que o apóstolo Paulo diz ao bispo Tito. Mas quantas virtudes devemos ter, nós bispos? Ouvimos todos, não? Não é fácil, não é fácil, porque nós somos pecadores. Mas confiamos na vossa oração, para que ao menos nos aproximemos destas coisas que o apóstolo Paulo aconselha a todos os bispos. De acordo? Vocês rezam por nós?

Já tivemos a oportunidade de destacar, nas catequeses anteriores, como o Espírito Santo enche sempre a Igreja dos seus dons, com abundância. Agora, no poder e na graça do seu Espírito, Cristo não deixa de suscitar ministérios, a fim de edificar as comunidades cristãs como seu corpo. Entre esses ministérios, se distingue o episcopal. No bispo, assistido pelos presbíteros e pelos diáconos, é o próprio Cristo que se faz presente e que continua a cuidar da sua Igreja, assegurando a sua proteção e a sua condução.

1. Na presença e no ministério dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos podemos reconhecer a verdadeira face da Igreja: é a Santa Mãe Igreja Hierárquica. E realmente, através desses irmãos escolhidos pelo Senhor e consagrados com o sacramento da Ordem, a Igreja exerce a sua maternidade: gera-nos no Batismo como cristãos, fazendo-nos renascer em Cristo; vigia sobre o nosso crescimento na fé; acompanha-nos entre os braços do Pai, para receber o seu perdão; prepara para nós a mesa eucarística, onde nos alimenta com a Palavra de Deus e o Corpo e o Sangue de Jesus; invoca sobre nós a benção de Deus e a força do seu Espírito, apoiando-nos por todo o curso da nossa vida e nos envolvendo com a sua ternura e o seu calor, sobretudo nos momentos mais delicados da provação, do sofrimento e da morte.

2. Esta maternidade da Igreja se exprime em particular na pessoa do bispo e no seu ministério. De fato, como Jesus escolheu os apóstolos e os enviou para anunciar o Evangelho e para apascentar o seu rebanho, assim os bispos, seus sucessores, são colocados na cabeça das comunidades cristãs, como fiadores da sua fé e como sinal vivo da presença do Senhor em meio a eles. Compreendemos, então, que não se trata de uma posição de prestígio, de uma honra. O episcopado não é uma honra, é um serviço. Jesus o quis assim. Não deve haver lugar na Igreja para a mentalidade mundana. A mentalidade mundana diz: “Este homem fez carreira eclesiástica, tornou-se bispo”. Não, não, na Igreja não deve haver lugar para esta mentalidade. O episcopado é um serviço, não uma honra para se vangloriar. Ser bispo quer dizer ter sempre diante dos olhos o exemplo de Jesus que, como Bom Pastor, veio não para ser servido, mas para servir (cfr Mt 20, 28; Mc 10, 45) e para dar a sua vida por suas ovelhas (cfr Jo 10, 11). Os santos bispos – e são tantos na história da Igreja, tantos bispos santos – mostram-nos que este ministério não se procura, não se pede, não se compra, mas se acolhe em obediência, não para se elevar, mas para se rebaixar, como Jesus que “humilhou a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e uma morte de cruz” (Fil 2, 8). É triste quando se vê um homem que procura esse ofício e que faz tantas coisas para chegar lá e, quando chega, não serve, se envaidece, vive somente para a sua vaidade.

3. Há um outro elemento precioso, que merece ser colocado em evidência. Quando Jesus escolheu e chamou os apóstolos, pensou neles não separados um do outro, cada um por conta própria, mas juntos, para que estivessem com Ele, unidos, como uma só família. Também os bispos constituem um único colégio, reunido em torno do Papa, que é o custódio e fiador desta profunda comunhão, que tanto estava no coração de Jesus e dos seus apóstolos. Como é belo, então, quando os Bispos, com o Papa, exprimem esta colegialidade e procuram ser sempre mais e melhor servidores dos fiéis, mais servidores na Igreja! Experimentamos isso recentemente na Assembleia do Sínodo sobre família. Mas pensemos em todos os bispos espalhados no mundo que, mesmo vivendo em localidade, cultura, sensibilidade e tradições diferentes e distantes entre eles, de um lado a outro – um bispo me dizia outro dia que para chegar a Roma eram necessárias, de onde ele estava, mais de 30 horas de avião – sentem-se parte um do outro e se tornam expressão da íntima ligação, em Cristo, entre suas comunidades. E na comum oração eclesial todos os bispos colocam-se juntos em escuta do Senhor e do Espírito, podendo assim colocar atenção em profundidade sobre o homem e os sinais dos tempos (cfr Conc. Ecum. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 4).

Queridos amigos, tudo isso nos faz compreender porque as comunidades cristãs reconhecem no biso um grande presente e são chamadas a alimentar uma sincera e profunda comunhão com ele, a partir dos presbíteros e dos diáconos. Não há uma Igreja sadia se os fiéis, os diáconos e os presbíteros não são unidos ao bispo. Esta Igreja não unida ao bispo é uma Igreja doente. Jesus quis esta união de todos os fiéis com o bispo, também dos diáconos e dos presbíteros. E isto o fazem na consciência de que é justamente no bispo que se torna visível a ligação de cada Igreja com os apóstolos e com todas as outras comunidades, unidas com os seus bispos e o Papa na única Igreja do Senhor Jesus, que é a nossa Santa Mãe Igreja Hierárquica. Obrigado.
Radio Vaticano
Papa pede empenho em agilizar processos de nulidade matrimonial










O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã desta quarta-feira, 5.novembro.2014, participantes de um curso canônico promovido pelo Tribunal da Rota Romana. Na saudação aos presentes, ele falou da necessidade de agilizar os procedimentos sobre nulidade matrimonial, tendo em vista que as pessoas envolvidas esperam uma resposta, seja ela sim ou não.


O Sínodo sobre família, realizado no último mês de outubro, abordou essa temática, atentando para a preocupação que existe em agilizar tais processos. Segundo Francisco, é uma questão de justiça com as pessoas que esperam.

Pouco antes do Sínodo, o Papa Francisco instituiu uma Comissão para ajudar a preparar diversas possibilidades em uma linha de justiça e caridade. “Há tanta gente que precisa de uma palavra da Igreja sobre sua situação matrimonial, para o sim ou para o não, mas que seja justa. Alguns procedimentos são tão longos ou tão pesados que não favorecem e o povo acaba deixando”, disse o Papa na audiência de hoje.

Como exemplo, Francisco citou o Tribunal interdiocesano de Buenos Aires, cuja diocese mais distante fica a 240 km. Para que as pessoas dessa diocese se dirijam ao tribunal é preciso fazer uma viagem, perder dias de trabalho e tantas coisas mais.

“Dizem: ‘Deus me entende, e sigo adiante assim, com este peso na alma’. E a mãe Igreja deve fazer justiça e dizer: ‘Sim, é verdade, o teu casamento é nulo. Não, o teu matrimônio é válido’. Mas justiça é dizê-lo. Assim eles podem seguir adiante sem esta dúvida, este escuro na alma”.

O Santo Padre ressaltou, porém, que é preciso ter cuidado para que os procedimentos não entrem no âmbito dos negócios. Ele contou que, há muito tempo, teve que demitir uma pessoa do Tribunal porque ela oferecia os dois procedimentos, civil e eclesiástico, em troca de dinheiro.

“Por favor, isto não! Quando o interesse espiritual está ligado ao econômico, isso não é de Deus! A mãe Igreja tem tanta generosidade para poder fazer justiça gratuitamente, como gratuitamente fomos justificados por Jesus Cristo. Este ponto é importante: separar as duas coisas”.
Radio Vaticano

O amor de Deus é gratuito e o maior presente, diz Papa

Na lei do Reino de Deus, “a recompensa não é necessária”, porque Ele doa com gratuidade, Seu amor é o maior presente. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa celebrada na manhã desta terça-feira, 4, na Casa Santa Marta. O Pontífice advertiu que, às vezes, por egoísmo ou sede de poder, o homem rejeita a festa para a qual Deus o convidou gratuitamente. Às vezes, disse ainda, o homem confia em Deus, mas não muito.

O Papa desenvolveu a sua homilia a partir da parábola narrada no Evangelho de Lucas: um homem dá um grande jantar, mas os convidados inventam desculpas para não ir. Francisco explicou que três dos convidados tinham preferência por si mesmos, havia um interesse por aquilo que Jesus explicava como “compensação”.

“Se o convite tivesse sido, por exemplo: ‘Venham, porque eu tenho dois ou três amigos de negócios que vêm de outro país, podemos fazer uma transação juntos’, certamente ninguém teria recusado. Mas o que os assustou foi a gratuidade. É muito difícil ouvir a voz de Jesus, a voz de Deus quando não se vê o horizonte, porque este é Ele mesmo. E por detrás disso, há outra coisa mais profunda: o medo da gratuidade; temos medo da gratuidade de Deus. É tão grande que nos assusta”.

Isso acontece, segundo o Papa, porque as experiências de vida muitas vezes fizeram o homem sofrer, como aconteceu com os discípulos de Emaús, que se afastaram de Jerusalém; ou com Tomé, que quis tocar as chagas de Jesus para acreditar. Quando ‘a esmola é demais, até o Santo desconfia’, disse o Papa retomando um provérbio popular. Então, quando Deus oferece um banquete como esse, o homem acaba pensando que é melhor não se meter.

“Ficamos mais seguros nos nossos pecados, nos nossos limites quando estamos em nossa casa. Sair de casa para ir ao convite de Deus, à casa d’Ele com os outros? Não. Sinto medo. E todos nós cristãos temos esse medo escondido. Católicos, mas não muito. Confiantes no Senhor, mas não muito. Este ‘mas não muito’ marca a nossa vida, nos faz pequenos, não?”.

Francisco comentou ainda o fato de que, quando o servo conta essa recusa ao seu senhor, este se enfurece, porque foi desprezado. E manda chamar todos os pobres, pede ao servo que obrigue as pessoas a participarem na festa. Muitas vezes, disse o Papa, Deus deve fazer isso com o ser humano diante das provações.

“Obrigá-los, porque aqui haverá festa. A gratuidade. Obrigar aquele coração, aquela alma a acreditar que há gratuidade em Deus, que o dom d’Ele é grátis, que a salvação não se compra: é um grande presente o amor de Deus… é nosso maior presente! Essa é a gratuidade. E nós temos um pouco de medo, por isso, pensamos que a santidade se faz com as nossas coisas, mas esta é gratuidade”.

O Pontífice evidenciou, por fim, que Jesus pagou a festa com a Sua humilhação até a morte de cruz. E esta é a grande gratuidade. Hoje, concluiu, “a Igreja nos pede para não termos medo da gratuidade divina. Devemos abrir o coração, fazer de nossa parte tudo o que pudermos; mas a grande festa será feita por Ele”.
Radio Vaticano
Homilia do Papa em sufrágio de bispos e cardeais falecidos

Esta celebração, graças à Palavra de Deus, é toda iluminada pela fé na Ressurreição. Uma verdade que se fez em caminho em cansaço no Antigo Testamento, e que emerge de maneira explícita justamente no episódio que escutamos, a coleta pelo sacrifício expiatório em favor dos defuntos (2 Mc 12, 43-46).

Toda a divina Revelação é fruto do diálogo entre Deus e o seu povo, e também a fé na Ressurreição está ligada a este diálogo, que acompanha o caminho do povo de Deus na história. Não admira que um mistério assim tão grande, tão decisivo, tão sobre-humano como aquele da Ressurreição tenha pedido todo o percurso, todo o tempo necessário, até Jesus Cristo. Ele pode dizer: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11, 25), porque Nele este mistério não somente se revela plenamente, mas tem lugar, acontece, torna-se pela primeira vez e definitivamente realidade. O Evangelho que escutamos, que une – segundo a redação de Marcos – o relato da morte de Jesus e aquele do túmulo vazio, representa o ápice de todo aquele caminho: é o acontecimento da Ressurreição, que responde à longa busca do povo de Deus, à busca de cada homem e de toda a humanidade.

Cada um de nós é convidado a entrar neste acontecimento. Somos chamados a estar primeiro diante da cruz de Jesus, como Maria, como as mulheres, como o centurião; a escutar o grito de Jesus e o seu último respiro e, enfim, o silêncio; aquele silêncio que se prolonga por todo o sábado santo. E depois somos chamados a ir ao túmulo, para ver que a grande pedra foi derrubada; para escutar o anúncio: “Ressuscitou, não está aqui” (Mc 16, 6). Ali está a resposta. Ali está o fundamento, a rocha. Não em “discursos persuasivos de sabedoria”, mas na palavra vivente da cruz e da ressurreição de Jesus.

Isto é aquilo que prega o apóstolo Paulo: Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Se Ele não ressuscitou, a nossa fé é vazia e inconsistente. Mas porque Ele ressuscitou, ou melhor, Ele é a Ressurreição, então a nossa fé está cheia de verdade e de vida eterna.

Renovando a tradição, nós hoje oferecemos o sacrifício eucarístico em sufrágio dos nossos irmãos cardeais e bispos falecidos nos últimos doze meses. E a nossa oração se enriquece de sentimentos, de recordações, de gratidão pelo testemunho de pessoas que conhecemos, com quem partilhamos o serviço na Igreja. Muitas de suas faces são presentes a nós; mas todos, cada um desses é olhado pelo Pai com o seu amor misericordioso. E junto ao olhar do Pai celeste está também aquele da Mãe, que intercede por estes seus filhos tão amados. Junto com os fiéis que serviram aqui na terra possam desfrutar da alegria da nova Jerusalém.
Boletim da Sé

Morte não é a última palavra, afirma Papa no Dia de Finados

No Angelus deste domingo, 2.novembro.2014, o Papa Francisco destacou que a celebração de finados e a Solenidade de Todos os Santos, celebrada neste sábado, são duas ocorrências intimamente ligadas entre si, do mesmo modo que a alegria e as lágrimas encontram em Jesus uma síntese que é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança:

“Por um lado a Igreja, peregrina na história, se alegra com a intercessão dos santos e beatos que a apoiam na sua missão de anunciar o Evangelho, e por outro lado ela, como Jesus, partilha as lágrimas daqueles que sofrem a separação dos seus entes queridos e, como Ele e com Ele, eleva o seu agradecimento ao Pai que nos libertou do domínio do pecado e da morte”.

Francisco explicou que o cemitério é um “lugar de repouso”, à espera do despertar final, e foi o próprio Jesus que revelou que a morte do corpo é como um sono do qual ele nos desperta. “É, pois, com esta fé que devemos olhar para os túmulos dos nossos entes queridos, daqueles que nos amaram e nos fizeram algum bem”, afirmou.

O Santo Padre disse que hoje os fiéis são chamados a recordar a todos, mesmo aqueles que ninguém se lembra. “Recordemos as vítimas da guerra e da violência; tantos ‘pequenos’ do mundo esmagados pela fome e pela pobreza. Recordemos os irmãos e as irmãs mortos por serem cristãos; e aqueles que sacrificaram a vida para servir aos outros. Confiemos ao Senhor especialmente aqueles que nos deixaram ao longo do último ano”.

A tradição da Igreja sempre exortou os fiéis a rezarem pelos falecidos, em particular, com o oferecimento de uma Missa, explicou o Papa. Segundo ele, a Celebração Eucarística é a melhor ajuda espiritual para dar às almas, especialmente às mais abandonadas.

E destacou que o fundamento desta oração pelos defuntos está na comunhão do Corpo Místico pois, como diz o Concílio Vaticano II, “a Igreja peregrina sobre a terra, bem ciente desta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, desde os primeiros tempos da religião cristã, tem honrado com grande piedade a memória dos mortos”.

“A memória dos defuntos, o cuidado pelas sepulturas e os sufrágios são o testemunho de confiante esperança, enraizada na certeza de que a morte não é a última palavra sobre o destino do ser humano, porque o homem está destinado a uma vida sem limites, que tem a sua raiz e a sua realização em Deus”.

Em seguida, Francisco fez uma oração pelos falecidos:

“Deus de infinita misericórdia, confiamos à tua imensa bondade aqueles que deixaram este mundo para a eternidade, onde Tu aguardas toda a humanidade redimida pelo sangue precioso de Cristo Teu Filho, morto para nos libertar dos nossos pecados.

Não olhes, Senhor, para as tantas pobrezas e misérias e fraquezas humanas quando nos apresentarmos diante do Teu tribunal, para sermos julgados, para a felicidade ou a condenação.

Dirige para nós o teu olhar misericordioso que nasce da ternura do teu coração, e ajuda-nos a caminhar na estrada e uma completa purificação. Não se perca nenhum dos teus filhos no fogo eterno do inferno onde já não poderá haver arrependimento.

Te confiamos, Senhor, as almas dos nossos entes queridos, das pessoas que morreram sem o conforto sacramental, ou não tiveram ocasião de se arrepender nem mesmo no fim da sua vida. Que nenhum tenha receio de te encontrar depois da peregrinação terrena, na esperança de sermos recebidos nos braços da tua infinita misericórdia.

Que a irmã morte corporal nos encontre vigilantes na oração e carregados de todo o bem realizado ao longo da nossa breve ou longa existência. Senhor, nada nos afaste de Ti nesta terra, mas tudo e todos nos apoiem no ardente desejo de repousar serena e eternamente em Ti. Amem”.

O Santo Padre concluiu sua reflexão convidando os presentes a se voltarem para a Virgem Maria, que sofreu sob a cruz o drama da morte de Cristo e participou depois na alegria da sua ressurreição, pedindo sua ajuda nessa peregrinação cotidiana aqui na terra, para não perderem de vista a meta última da vida, que é o Paraíso.


Perante a destruição do mundo só as bem-aventuranças levam a Deus – o Papa na Missa de Todos os Santos

O Papa Francisco neste dia 1º de novembro, solenidade de Todos os Santos, dirigiu-se na tarde deste dia ao Cemitério del Verano em Roma, onde celebrou a Eucaristia. O Papa Francisco na sua homilia referiu três aspetos fundamentais das leituras deste dia. E traduziu-as em três imagens:

A primeira imagem: a destruição. Referindo-se à primeira leitura retirada do Livro do Apocalipse, o Santo Padre recordou a voz do Anjo ao qual tinha sido concedido o poder de devastar a terra:

“… nós somos capazes de devastar a terra melhor do que os anjos; devastar a criação, a vida, as culturas, os valores, a esperança…”
“O ser humano pensa que é Deus” – observou o Papa – “e o Homem continua a semear destruição. Destruição daquilo que Deus nos deu para que seguíssemos em frente e dessemos frutos”. “É uma indústria da destruição” – afirmou ainda o Santo Padre.

Segunda imagem proposta pela Palavra de Deus: as vítimas. Na mesma leitura encontramos a multidão de tribos, povos e línguas – continuou o Papa:

“O povo que vive em tendas, sem medicamentos, esfomeados. Porque o Deus Homem apoderou-se de tudo. Quem paga a festa? Eles, os pequenos, os pobres.”

“Neste dia – sublinhou o Santo Padre - quero que pensemos nos tantos santos desconhecidos”, sobretudo “os que vêm da grande tribulação. O Senhor santifica este povo, que é pecador, mas santifica-o – afirmou o Papa Francisco.

Finalmente a terceira imagem: a imagem de Deus, ou seja, a esperança. O Senhor tem piedade do seu povo. E, desta forma, a santidade da Igreja avança com este povo que quer caminhar em direção ao Pai, neste mundo de guerra e de tribulação através das bem-aventuranças – declarou o Santo Padre.

A leitura do Evangelho neste Dia de Todos os Santos propõe o método das bem-aventuranças – disse o Papa Francisco que concluiu a sua homilia considerando serem as bem-aventuranças o único modo para termos esperança no nosso encontro com Deus.

“Só aquele caminho leva-nos a Deus…” Durante a celebração foram expostas à veneração dos fiéis, perto da estátua de Nossa Senhora, as relíquias dos últimos dois Papas canonizados: João XXIII e João Paulo II. Concelebraram o Cardeal Vigário Agostino Vallini, e entre outros, o vice-gerente Mons. Filippo Iannone e o bispo auxiliar para o Centro de Roma Dom Matteo Zuppi. Particulares orações foram feitas para cristãos perseguidos por causa da sua fé e ainda para os pobres, os sofredores e os de coração atribulado. No final da liturgia, o Santo Padre pronunciou uma oração de bênção dos túmulos.
Radio Vaticano

Na manhã de sábado, o Papa twittou:

01/11/2014
Quanto bem podemos fazer com o bom exemplo, e quanto mal com a hipocrisia!
Papa no Angelus: comunhão dos Santos

Cidade do Vaticano (RV) – Neste dia 1º de novembro de 2014, solenidade de Todos os Santos, o Papa Francisco rezou, ao meio-dia, a oração do Ângelus, com os numerosos fiéis presentes na Praça São Pedro.

Em sua alocução mariana, o Pontífice recordou que “os primeiros dois dias do mês de novembro constituem para todos um momento intenso de fé, de oração e de reflexão sobre as “últimas coisas” da vida.

De fato, celebrando todos os Santos e comemorando todos os fiéis Defuntos, a Igreja peregrina na terra vive e exprime, na Liturgia, o vínculo espiritual que a une à Igreja celeste. E o Papa acrescentou:

“Hoje, elevamos louvores a Deus pela multidão incontável de santos e santos de todos os tempos: homens e mulheres comuns, simples, às vezes considerados “últimos” pelo mundo, mas “primeiros” para Deus. Ao mesmo tempo, recordamos os nossos queridos defuntos com a visita aos cemitérios: é motivo de grande consolação pensar que eles estão em companhia da Virgem Maria, dos Apóstolos, dos mártires e de todos os santos e santas do Paraíso!”.

A Solenidade de, explicou o Papa, nos ajuda a considerar uma verdade fundamental da fé cristã, que professamos no “Credo”: a Comunhão dos Santos. Esta é a comunhão que nasce da fé e une todos aqueles que pertencem a Cristo, pela força do Batismo.

“Trata-se de uma união espiritual, que não é dividida pela morte, mas prossegue na outra vida. Com efeito, permanece um elo de união indestrutível entre nós, vivos, neste mundo e os que passaram pelos umbrais da morte. Nós, aqui na terra, juntamente com aqueles que entraram na eternidade, formamos uma única e grande família”.

Esta maravilhosa comunhão entre a terra e o céu realiza-se, de modo mais alto e intenso, na Liturgia e, sobretudo, na celebração Eucarística, que manifesta e atua a união mais profunda entre os membros da Igreja. De fato, na Eucaristia encontramos Jesus vivo e a sua força. Através dele entramos em comunhão com os nossos irmãos na fé: aqueles que vivem conosco aqui na terra e aqueles que nos precederam na outra vida, a vida sem fim. E o Pontífice continuou:

“Esta realidade da comunhão nos enche de alegria: é maravilhoso ter tantos irmãos na fé, que caminham ao nosso lado, nos sustentam com a sua ajuda e conosco percorrem o mesmo caminho para o céu. É consolador saber que há outros irmãos que já entraram no céu, que nos aguardam e rezam por nós, para que, juntos, possamos contemplar, eternamente, a face gloriosa e misericordiosa do Pai”.

Na grande assembleia dos Santos, afirmou o Papa, Deus quis reservar o primeiro lugar à Mãe de Jesus. Maria está ao centro da Comunhão dos Santos como protetora singular do vínculo da Igreja universal com Cristo. Para quem deseja seguir Jesus no caminho do Evangelho, ela é a guia segura, a Mãe carinhosa e atenciosa, a quem podemos confiar todos os nossos desejos e dificuldades.

O Bispo de Roma concluiu a sua alocução mariana, convidando todos a rezar, juntos, à Rainha de Todos os Santos, a fim de que ela nos ajude a responder a Deus, com generosidade e fidelidade, que nos chama a sermos santos como Ele é Santo.

Ao término da oração do Angelus, o Santo Padre afirmou ainda que a Liturgia de hoje fala da glória de Jerusalém celeste. Por isso, convidou os presentes a rezar para que a Cidade Santa, tão querida pelos hebreus, cristãos e muçulmanos, que nestes dias foi testemunha de diversas tensões, possa ser sempre mais sinal e antecipação da paz que Deus deseja para toda a família humana.

A seguir, o Papa recordou que, hoje, em Vitória, na Espanha, será proclamado Beato o mártir Pedro Asúa Mendía, sacerdote humilde e austero, que pregou o Evangelho com a santidade da vida, a catequese e a dedicação aos pobres e necessitados. Preso, torturado e assassinado, por ter manifestado o seu desejo de permanecer fiel ao Senhor e à Igreja, ele representa para nós um admirável exemplo de fortaleza na fé e de testemunho da caridade.

Enfim, saudou os peregrinos provenientes da Itália e de muitos outros países, de modo particular, os participantes na "Corrida dos Santos" e da "Marcha dos Santos", promovidas, respectivamente, pela Fundação Don Bosco no Mundo e pela Associação Família Pequena Igreja. O Pontífice se congratulou com estas iniciativas, que unem o esporte, o testemunho cristão e o compromisso humanitário.

E, antes de se despedir dos presentes na Praça de São Pedro, o Bispo de Roma, avisou que, na tarde de hoje, irá ao cemitério de Verano, onde celebrará a Santa Missa em sufrágio dos defuntos. Visitando o principal cemitério de Roma, o Papa se une espiritualmente àqueles que, nestes dias, visitarão os túmulos de seus entes queridos nos cemitérios do mundo inteiro.

Por fim, o Papa Francisco desejou a todos uma boa festa, na alegria de fazer parte da grande família dos Santos, pedindo aos fiéis para rezar por ele, aos quais abençoou de coração.