REVEJA OUTUBRO DE 2014


Papa: o amor abre as portas da esperança, não o rigor da lei

Na Missa desta sexta-feira, 31.outubro.2014, o Papa Francisco se concentrou na diferenciação entre os cristãos tão apegados à lei a ponto de negligenciar a justiça e os cristãos ligados ao amor que dão pleno cumprimento à lei.

No Evangelho do dia, Jesus pergunta aos fariseus se é lícito ou não curar de sábado, mas eles não respondem. Ele, então, curou um doente. Francisco explicou que os fariseus, diante da verdade, ficavam em silêncio, mas depois falavam pelas costas e procuravam fazer Jesus cair.

O Papa explicou que Jesus repreendia estas pessoas que eram tão apegadas à lei que tinham esquecido a justiça e negavam até ajuda aos pais idosos com a desculpa de ter dado tudo ao Templo. Mas o que é mais importante, perguntou o Papa: o quarto Mandamento ou o Templo?

“Este caminho de viver apegado à lei os afastava do amor e da justiça. Protegiam a lei, negligenciavam a justiça. Protegiam a lei, negligenciavam o amor. Eram modelos, eram os modelos. E para estas pessoas Jesus encontra somente uma palavra: hipócritas (…) Homens de fechamento, homens apegados à lei, ao pé da letra da lei, não à lei, porque a lei é amor”.

Citando a Carta de São Paulo aos Filipenses, Francisco explicou que o caminho para ser fiel à lei, sem negligenciar a justiça e o amor, é o caminho inverso: do amor à integridade, do amor ao discernimento, do amor à lei.

“Este é o caminho que Jesus nos ensina, totalmente oposto àquele dos doutores da lei. E este caminho do amor à justiça leva a Deus. Em vez disso, o outro caminho, de ser apegado somente à lei, ao pé da letra da lei, leva ao fechamento, leva ao egoísmo. O caminho que vai do amor ao conhecimento e ao discernimento, ao pleno cumprimento, leva à santidade, à salvação, ao encontro com Jesus. Em vez disso, o outro caminho leva ao egoísmo, à soberba de sentir-se justo, àquela santidade entre vírgulas, das aparências”.

Com pequenos gestos, Jesus faz entender esse caminho do amor ao pleno conhecimento e discernimento, disse o Papa. Jesus se aproxima e essa proximidade é justamente a prova de que o homem está no caminho certo.

“A carne de Jesus é a ponte que nos aproxima de Deus… não é o pé da letra da lei, não! Na carne de Cristo a lei tem o pleno cumprimento e é uma carne que sabe sofrer, que deu a sua vida por nós. Que esses exemplos, este exemplo de proximidade de Jesus, do amor à plenitude da lei, nos ajudem a nunca deslizar na hipocrisia: nunca. É tão ruim um cristão hipócrita. Tão ruim. Que o Senhor nos salve disso!”.


O diabo não é um mito e deve ser combatido com a arma da verdade – o Papa em Santa Marta

Santo Padre desmistifica a figura do diabo como uma “ideia do mal” e o considera um inimigo real, que deve ser combatido com a armadura da verdade.

A vida cristã é um “combate” contra o demônio, o mundo e as paixões da carne. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 30.outubro.2014, na Casa Santa Marta. Comentando um trecho da Carta de São Paulo aos Efésios, o Santo Padre reiterou que o diabo existe e é preciso lutar contra ele com a armadura da verdade.

Força e coragem. A homilia do Pontífice se concentrou nas palavras de São Paulo que, dirigindo-se aos Efésios, desenvolve em uma “linguagem militar” a vida cristã. Francisco destacou a necessidade de defender a vida em Deus para levá-la adiante e, para isso, é preciso ter força e coragem para resistir e anunciar.

Para seguir adiante na vida espiritual, disse, é preciso combater. E não se trata de um simples confronto, mas de um combate contínuo. O Papa citou os três inimigos da vida cristã: o demônio, o mundo e a carne. Ele recordou que a salvação dada por Jesus é gratuita, mas há o chamado para defendê-la.

“De quem devo me defender? O que devo fazer? ‘Vestir a armadura de Deus’, nos diz Paulo, isto é, aquilo que é de Deus nos ajuda a resistir às armadilhas do diabo. Não se pode pensar em uma vida espiritual, em uma vida cristã sem resistir às tentações, sem lutar contra o diabo, sem vestir essa armadura do Senhor, que nos dá forças e nos defende.”

São Paulo destaca que a batalha do homem não é contra coisas pequenas, mas contra o diabo e os seus. O Santo Padre explicou que fizeram muitas gerações acreditar que o inimigo fosse um mito, uma ideia do mal, mas ele existe e é preciso lutar contra ele. E a armadura de Deus, que deve ser usada nesse combate, à qual São Paulo se refere, é a verdade.

O diabo é mentiroso, disse o Papa, então, precisamos ter ao nosso lado a verdade, nos vestirmos com a couraça da justiça. O que ajudaria nesse processo, segundo Francisco, é cada um se perguntar sobre a própria crença, pois sem fé não se pode seguir adiante. Todos precisam desse escudo da fé. O Pontífice pediu, então, que os fiéis peguem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e rezem constantemente.

“A vida é uma milícia, a vida cristã é uma luta belíssima. Quando o Senhor vence, em cada passo da nossa vida, dá-nos uma alegria, uma felicidade grande: aquela alegria que o Senhor venceu em nós, com a Sua gratuidade de salvação. Mas, sim, todos somos um pouco preguiçosos na luta, e nos deixamos levar adiante pela paixão, por algumas tentações. É porque somos pecadores, todos! Mas não desanimemos! Coragem e força, porque o Senhor está conosco”.
Radio Vaticano

Esta foi a mensagem dada hoje pelo Papa Francisco em seu twitter:

30/10/2014
A missão principal da Igreja é evangelizar, levar a Boa Nova a todos.


Papa: "A Igreja somos todos nós. Quem é pecador, levante a mão!"

Cidade do Vaticano, 29.outubro.2014 (RV) – Nesta quarta-feira de outono romano, o Papa Francisco foi à Praça São Pedro receber os fiéis e turistas que o aguardavam para a audiência pública semanal. Atendendo, como sempre, às expectativas dos presentes, o Pontífice deu a volta na Praça com o papamóvel cumprimentando e sorrindo a todos, retribuindo o carinho e o entusiasmo da multidão.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia


Nas catequeses precedentes, tivemos a oportunidade de evidenciar como a Igreja tem uma natureza espiritual: é o corpo de Cristo, edificado no Espírito Santo. Quando nos referimos à Igreja, porém, imediatamente o pensamento vai para as nossas comunidades, às nossas paróquias, às nossas dioceses, às estruturas nas quais nos reunimos e, obviamente, também à componente e às figuras mais institucionais que a regem, que a governam. Esta é a realidade visível da Igreja. Devemos nos perguntar, então: trata-se de duas coisas diversas ou da única Igreja? E, se é sempre a única Igreja, como podemos entender a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual?

1. Antes de tudo, quando falamos da realidade visível da Igreja, não devemos pensar somente no Papa, nos bispos, nos padres, nas irmãs e em todas as pessoas consagradas. A realidade visível da Igreja é constituída por tantos irmãos e irmãs batizados que no mundo acreditam, esperam e amam. Mas tantas vezes ouvimos dizer: “Mas, a Igreja não faz isto, a Igreja não faz aquilo…”. “Mas, diga-me, quem é a Igreja?”. “São os padres, os bispos, o Papa…”. A Igreja somos todos, nós! Todos os batizados somos a Igreja, a Igreja de Jesus. De todos aqueles que seguem o Senhor Jesus e que, no seu nome, fazem-se próximos aos últimos e aos sofredores, procurando oferecer um pouco de alívio, de conforto e de paz. Todos aqueles que fazem aquilo que o Senhor nos ordenou são a Igreja. Compreendemos, então, que também a realidade visível da Igreja não é mensurável, não é conhecível em toda a sua plenitude: como se faz para conhecer todo o bem que é feito? Tantas obras de amor, tanta fidelidade nas famílias, tanto trabalho para educar os filhos, para transmitir a fé, tanto sofrimento nos doentes que oferecem os seus sofrimentos ao Senhor… Mas isto não se pode mensurar e é tão grande! Como se faz para conhecer todas as maravilhas que, através de nós, Cristo é capaz de operar no coração e na vida de cada pessoa? Vejam: também a realidade visível da Igreja vai além do nosso controle, vai além das nossas forças e é uma realidade misteriosa, porque vem de Deus.

2. Para compreender a relação na Igreja, a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual, não há outro caminho que não olhar para Cristo, do qual a Igreja constitui o corpo e do qual foi gerada, em um ato de infinito amor. Também em Cristo, de fato, em força do mistério da Encarnação, reconhecemos uma natureza humana e uma natureza divina, unidas na mesma pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isso vale de modo análogo também para a Igreja. E como em Cristo a natureza humana ajuda plenamente aquela divina e se coloca ao seu serviço, em função do cumprimento da salvação, assim acontece, na Igreja, pela sua realidade visível, nos confrontos da realidade espiritual. Também a Igreja, então, é um mistério, no qual aquilo que não se vê é mais importante que aquilo que se vê e pode ser reconhecido somente com os olhos da fé (cfr Cost. dogm. sulla Chiesa Lumen gentium, 8).

3. No caso da Igreja, porém, devemos nos perguntar: como a realidade visível pode colocar-se a serviço daquela espiritual? Mais uma vez, podemos compreender isso olhando para Cristo. Cristo é o modelo da Igreja, porque a Igreja é o seu corpo. É o modelo de todos os cristãos, de todo nós. Quando se olha Cristo não se erra. No Evangelho de Lucas, conta-se como Jesus, tendo voltado a Nazaré, onde havia crescido, entrou na sinagoga e leu, referindo-se a si mesmo, o trecho do profeta Isaías onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim; por isto me consagrou com a unção e me mandou para enviar aos pobres o bom anúncio, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista; para por em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano de graça do Senhor” (4, 18-19). Bem: como Cristo serviu-se da sua humanidade – porque era também homem – para anunciar e realizar o desígnio divino de redenção e de salvação – porque era Deus – assim deve ser também para a Igreja. Através da sua realidade visível, de tudo aquilo que se vê, os sacramentos e o testemunho de todos nós cristãos, a Igreja é chamada a cada dia a fazer-se próxima a cada homem, a começar por quem é pobre, por quem sofre e por quem está marginalizado, de modo a continuar a fazer sentir sobre todos o olhar compassivo e misericordioso de Jesus.

Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes, como Igreja, fazemos experiência da nossa fragilidade e dos nossos limites. Todos os temos. Todos somos pecadores. Ninguém de nós pode dizer: “Eu não sou pecador”. Mas se algum de nós sente que não é pecador, levante a mão. Todos o somos. E esta fragilidade, estes limites, estes nossos pecados, é justo que procurem em nós um profundo desprazer, sobretudo quando damos mal exemplo e nos damos conta de nos tornar motivo de escândalo. Quantas vezes ouvimos, nos bairros: “Mas, aquela pessoa lá vai sempre à Igreja, mas fala mal de todos…”. Isto não é cristão, é um mal exemplo: é um pecado. O nosso testemunho é aquele de fazer entender o que significa ser cristão. Peçamos para não sermos motivo de escândalo. Peçamos o dom da fé, para que possamos compreender como, não obstante a nossa pequenez e a nossa pobreza, o Senhor nos tornou realmente instrumento de graça e sinal visível do seu amor por toda a humanidade. Podemos nos tornar motivo de escândalo, sim. Mas podemos também nos tornar motivo de testemunho, dizendo com a nossa vida aquilo que Jesus quer de nós.

Após a catequese o Santo Padre fez um novo apelo pedindo que a Comunidade Internacional faça todo o esforço possível para acabar com o vírus do Ebola.

“Esta implacável doença está se alastrando sobretudo em meio às populações mais carentes”, advertiu.

“Estou próximo, com o meu carinho e minhas orações, das pessoas contagiadas, dos médicos, enfermeiros, voluntários, institutos religiosos e associações que se dedicam heroicamente na assistência a estes irmãos e irmãs doentes. Faço mais um apelo para que a Comunidade Internacional coloque na prática todos os esforços para debelar este vírus, aliviando concretamente as dificuldades e os sofrimentos de quem está sendo duramente atingido. Convido a rezar por eles e por todos os que perderam a vida”.

Antes de terminar o encontro, o Papa se dirigiu aos grupos presentes na Praça São Pedro, e saudou especialmente o grupo de sacerdotes do Rio de Janeiro e os membros das Comunidades “Canção Nova”, em festa pelo reconhecimento eclesial, e “Doce Mãe de Deus” e “Copiosa Redenção”, pelo jubileu de fundação.

Eles nos precederam

No próximo dia 2 celebraremos a memória dos fieis defuntos, dos nossos falecidos, daqueles que estiveram conosco e hoje estão na eternidade, os “finados”, aqueles que chegaram ao fim da vida terrena e já começaram a vida eterna. Portanto, não estão mortos, estão vivos, mais até do que nós, na vida que não tem fim, “vitam venturi saeculi”. Sua vida não foi tirada, mas transformada. Por isso, o povo costuma dizer dos falecidos: “passou desta para a melhor!”
     
Olhemos, portanto, a morte com os olhos da fé e da esperança cristã, não com desespero, pensando que tudo acabou. Uma nova vida começou eternamente. 


Para nosso consolo, ouçamos a Palavra de Deus: “Deus não criou a morte e a destruição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou todas as coisas para existirem... e a morte não reina sobre a terra, porque a justiça é imortal” (Sb 1, 13-15).

     
Os pagãos chamavam o local onde colocavam os seus defuntos de necrópole, cidade dos mortos. Os cristãos inventaram outro nome, mais cheio de esperança, “cemitério”, lugar dos que dormem. É assim que rezamos por eles na liturgia: “Rezemos por aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem no sono da paz”.

     
Os santos encaravam a morte com esse espírito de fé e esperança. Assim São Francisco de Assis, no cântico do Sol: “Louvado sejais, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual nenhum homem pode fugir. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Felizes dos que a morte encontra conformes à vossa santíssima vontade! A estes não fará mal a segunda morte”. “É morrendo que se vive para a vida eterna!”. S. Agostinho nos advertia, perguntando: “Fazes o impossível para morrer um pouco mais tarde, e nada fazes para não morrer para sempre?”

     
Quantas boas lições nos dá a morte. Assim nos aconselha São Paulo: “Enquanto temos tempo, façamos o bem a todos” (Gl 6, 10). “Para mim o viver é Cristo e o morrer é um lucro... Tenho o desejo de ser desatado e estar com Cristo” (Fl 1, 21.23). “Eis, pois, o que vos digo, irmãos: o tempo é breve; resta que os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não usassem, porque a figura deste mundo passa” (1 Cor 7, 29-31). Diz A Imitação de Cristo que bem depressa se esquecem dos falecidos: “Que prudente e ditoso é aquele que se esforça por ser tal na vida qual deseja que a morte o encontre!... Melhor é fazeres oportunamente provisão de boas obras e enviá-las adiante de ti, do que esperar pelo socorro dos outros” (I, XXIII). O dia de Finados foi estabelecido pela Igreja para não deixarmos nossos falecidos no esquecimento.

     
Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu, oposto ao reino das trevas que é o inferno. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que todos os que nos precederam descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém

Dom Fernando Rifan

Papa: "Cristão deve entrar na Igreja, e não parar na 'recepção'"

Quem faz a Igreja é Jesus, que não olha para o pecado do homem, mas para o seu coração, procurando curá-lo. Esta foi a reflexão do Papa Francisco, na homilia desta terça-feira, 28.outubro.2014, na Casa Santa Marta. O Santo Padre exortou os cristãos a se sentirem parte da Igreja, sem parar na porta.

O Papa explicou que o “trabalho” foi feito por Jesus há dois mil anos, quando escolheu doze colunas para construir a Igreja e colocou a si mesmo como base e pedra angular. Depois, abriu as portas da Igreja a todos, sem distinção, porque a Cristo interessa amar e curar os corações, não medir os pecados.

O Santo Padre refletiu em paralelo sobre o Evangelho do dia, que conta o nascimento da Igreja com o chamado dos apóstolos, e sobre a Carta de Paulo, que descreve a Igreja como um edifício que cresce bem ordenado sobre seu fundamento. Em particular, o Papa chamou a atenção para ações que marcaram a fundação da Igreja. Jesus se retira em oração, depois desce, vai até os discípulos, escolhe doze e acolhe e cura quem procura tocá-Lo.

“Jesus reza, Jesus chama, Jesus escolhe, Jesus envia os discípulos, Jesus cura a multidão. Dentro desse templo, esse Jesus, que é a Pedra angular, faz todo esse trabalho: é Ele quem leva adiante a Igreja assim. Como dizia Paulo, essa Igreja é edificada sobre o fundamento dos apóstolos. Estes que Ele escolheu aqui: escolheu doze; todos pecadores. Judas não era o mais pecador: não sei quem foi o mais pecador… Judas, pobrezinho, foi aquele que se fechou ao amor e, por isso, se tornou traidor. Mas todos escaparam no momento difícil da Paixão e deixaram Jesus sozinho. Todos são pecadores. Mas Ele os escolheu”.

Francisco enfatizou que Jesus quer o povo dentro da Igreja não como hóspedes ou estrangeiros, mas com o direito de cidadãos. Ele insistiu no fato de que os fiéis não estão na Igreja de passagem, mas são raízes, são cidadãos da Igreja.

“Se nós não entrarmos nesse templo e não fizermos parte dessa construção, a fim de que o Espírito Santo habite em nós, não estaremos na Igreja. Nós estamos na porta e olhamos: ‘Mas que bonito!’ Sim, isso é bonito. Cristãos que não vão mais adiante da recepção da Igreja: estão ali, na porta”.

Isso não tem sentido frente ao amor e à misericórdia totais que Jesus nutre por cada pessoa, ressaltou o Papa. A demonstração está na atitude de Cristo com relação a Pedro, que o colocou como líder da Igreja. Mesmo se a primeira das colunas traiu Jesus, Ele respondeu perdoando-a e conservando-a no seu lugar.

“A Jesus não importou o pecado de Pedro: procurava o coração. Mas para encontrar este coração e para curá-lo, rezou. Jesus que reza e Jesus que cura, também para cada um de nós. Nós não podemos entender a Igreja sem este Jesus que reza e este Jesus que cura. Que o Espírito Santo nos faça entender esta Igreja que tem a força na oração de Jesus por nós e que é capaz de curar todos nós”.
Radio Vaticano

Em seu tweet de hoje o Papa disse:

28/10/2014
Ajudemos as pessoas a descobrirem a alegria da mensagem cristã: uma mensagem de amor e de misericórdia.

"A Criação não é fruto de uma varinha mágica, mas do amor de Deus", afirma o Papa

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta segunda-feira, 27, os acadêmicos da Pontifícia Academia das Ciências, que inauguraram hoje um busto em homenagem ao Papa emérito Bento XVI. Francisco retomou o relato da criação e deixou suas palavras de gratidão a seu predecessor, que foi membro da Academia.

A sessão plenária da Academia concentrou-se na evolução no conceito de natureza. O Santo Padre não entrou na complexidade científica da questão, mas destacou que Deus caminha com o homem e está presente também na natureza.

Ele comentou que, ao ler o relato da Criação em Gênesis, há o risco de imaginar Deus como um mago, que criou todas as coisas com uma varinha mágica. Mas, na verdade, Deus deu autonomia a cada um dos seres que criou, deixando que chegassem à própria plenitude, ao mesmo tempo em que garantiu a eles sua presença contínua.

“O início do mundo não é obra do caos, deriva diretamente de um Princípio supremo que cria por amor. O Big-Bang, que hoje se coloca na origem do mundo, não contradiz a intervenção do criador divino, mas o exige. A evolução na natureza não contrasta com a noção de Criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que se evoluem”.

Francisco explicou que para o homem foi dada uma autonomia diferente daquela dada à natureza: a liberdade. A ação do homem participa do poder de Deus e é capaz de construir um mundo humano para todos, não para um grupo de privilegiados.

“Mas também é verdade que a ação do homem, quando a sua ação se torna autonomia – que não é liberdade, mas autonomia – destroi a criação e o homem toma o lugar do Criador. E este é o grave pecado contra Deus Criador”.

Francisco manifestou seu encorajamento ao progresso científico e à melhora das condições de vida do povo, especialmente dos mais pobres. Ele não deixou de se referir ao seu predecessor, Bento XVI, homenageado hoje.

“Bento XVI, um grande Papa. Grande pela força e penetração de sua inteligência, grande por sua relevante contribuição à teologia, grande por seu amor nos confrontos da Igreja e dos seres humanos, grande por sua virtude e religiosidade. O seu amor pela verdade não se limita à Teologia e à Filosofia, mas se abre às Ciências. (…) Agradeçamos a Deus pelo dom que deu para a Igreja e ao mundo com a existência e o pontificado do Papa Bento”.

Radio Vaticano
Papa: palavras revelam se o cristão é da luz ou das trevas

Na Missa desta segunda-feira, 27, o Papa Francisco refletiu sobre a importância do exame de consciência sobre as palavras utilizadas pelo cristão. Segundo ele, essa análise faz o cristão entender se ele é da luz, das trevas ou se é um “cristão cinzento”.

Os homens se reconhecem por suas palavras. São Paulo, afirmou o Papa, convidando os cristãos a se comportarem como filhos da luz e não das trevas, faz uma catequese sobre palavra. Segundo ele, há quatro palavras que podem indicar se o cristão é filho das trevas.

“É palavra hipócrita? Um pouco daqui, um pouco de lá para estar bem com todos? É uma palavra vazia, sem substância e cheia de vácuo? É uma palavra vulgar, trivial, isto é, mundana? Uma palavra suja, obscena? Essas quatro palavras não são dos filhos da luz, não vem do Espírito Santo, não vem de Jesus, não são palavras evangélicas”.

Francisco explicou que as palavras dos filhos da luz são aquelas que São Paulo recorda ao destacar a necessidade de imitar Deus, caminhando-O na caridade, na bondade, na mansidão, sabendo perdoar, assim como fez o próprio Senhor.

Ao mesmo tempo em que há cristãos luminosos, que procuram servir o Senhor com essa luz, há cristãos tenebrosos, disse o Papa, que conduzem uma vida de pecado e usam aquelas quatro palavras que são do maligno. Mas há ainda um terceiro grupo de cristãos:

“São os cristãos cinzentos. E estes, uma vez estão deste lado, outra vez do outro (…) Não são nem luminosos nem obscuros (…) ‘Eu sou cristão, mas sem exagerar!’, dizem, e fazem tanto mal, porque o seu testemunho cristão é um testemunho que no fim semeia confusão, semeia um testemunho negativo”.

O Papa pediu que os fiéis não se deixem enganar por palavras vazias, mas sim se comportem como filhos da luz. “Fará bem a nós pensarmos na nossa linguagem e perguntarmo-nos: ‘Sou cristão da luz? Sou cristão do escuro? Sou cristão do cinza?’ E assim podemos dar um passo adiante para encontrar o Senhor”.
Radio Vaticano
"Na precariedade, a esperança": a mensagem de Francisco aos jovens italianos desempregados

Cidade do Vaticano, 27.outubro.2014 (RV) – “Aonde não há trabalho, falta dignidade”: é o que escreve o Papa em uma mensagem enviada aos participantes do congresso “Na precariedade, a esperança”, promovido pela Conferência Episcopal Italiana, em andamento em Salerno (sul). Francisco exorta os jovens italianos a “não deixarem que lhes roubem a esperança em meio ao 'lodo’ da precariedade”.

“Nas visitas realizadas na Itália”, escreve Jorge Mario Bergoglio, “assim como nos encontros com as pessoas, eu pude sentir de perto a situação dos jovens desempregados, precários; mas este não é apenas um problema econômico, é um problema de dignidade. Aonde não há trabalho, falta dignidade”. A mensagem foi lida na abertura do encontro pelo bispo Presidente da Comissão Episcopal para problemas sociais e trabalho, Dom Giancarlo Bregantini.

Em seguida, o Papa fala deste momento definindo-o como “paixão dos jovens” e “cultura do descarte”, advertindo que “assim se descarta o futuro de um povo”.

“Devemos dizer ‘não’ a esta cultura do descarte; ela significa precariedade. Existe, no entanto, outra palavra: esperança”. O Papa se questiona, dirigindo-se aos jovens: “Como evitar que lhes roubem a esperança, em meio ao 'lodo' da precariedade? Com a força do Evangelho”, responde, concluindo: “Vocês são jovens que pertencem à Igreja, e com a força do Evangelho, serão testemunhas da esperança, na precariedade”.
Papa envia mensagem à Associação Internacional Exorcistas

Cidade do Vaticano, 27.outubro.2014 (RV) - Os exorcistas "no particular ministério exercido, em comunhão com seus bispos", manifestem "o amor e o acolhimento da Igreja àqueles que sofrem por causa da obra do maligno". É o que escreve o Papa Francisco numa mensagem enviada ao presidente da Associação Internacional Exorcistas (AIE), Pe. Francesco Bamonte, que nestes dias realizou seu primeiro Congresso após o reconhecimento jurídico por parte da Congregação para o Clero, em junho passado. O evento, que teve a participação de 300 exorcistas provenientes do mundo inteiro, tratou em particular da difusão e conseqüências do ocultismo, satanismo e esoterismo. A esse propósito, a Rádio Vaticano ouviu o porta-voz da Associação, o psiquiatra Valter Cascioli. Eis o que disse:

Valter Cascioli:- "Estas práticas, de certo modo, abrem o caminho para a singular atividade demoníaca. Certamente, o número de pessoas que se dirigem a essas práticas com graves danos sociais, psicológicos, espirituais e morais está em constante aumento e isso nos preocupa porque, consequentemente, temos também um singular aumento da atividade demoníaca, de modo particular, obsessões e, sobretudo, possessões diabólicas."

Amor a Deus e ao próximo: duas faces da mesma moeda, diz Papa

Na oração mariana do Angelus deste domingo, 26, o Papa Francisco refletiu sobre o  mandamento do amor, a partir do Evangelho que está em Mateus capítulo 22, versículos 34 a 40.

O Papa afirmou que toda a Lei divina se resume no amor a Deus e ao próximo. “O sinal visível com o qual os cristãos testemunham ao mundo o amor de Deus é o amor pelos irmãos”.

O Papa explicou que o mandamento do amor a Deus e ao próximo não é o primeiro porque está no topo da lista dos mandamentos. Ele disse que Jesus não o coloca no alto, mas no centro, porque é o coração de onde tudo deve começar e retornar, é a referência.

“Jesus não nos entregou fórmulas ou preceitos, não; ele nos confiou dois rostos, aliás, um só rosto, o de Deus que se reflete em muitos outros, pois no rosto de cada irmão, especialmente o menor, o mais frágil e indefeso, está presente a imagem de Deus”.

O Papa seguiu explicando que ao encontrar um destes irmãos, todos deveriam se perguntar se são capazes de avistar neles o rosto de Deus.

Respondendo, Francisco disse que “não se pode mais separar a vida religiosa do serviço aos irmãos, aos irmãos que encontramos concretamente; ser santos requer também cuidar das pessoas mais frágeis como o estrangeiro, o órfão, a viúva”. E completou: “o amor é a medida da fé e a fé é a alma do amor”.

O Papa ressaltou a “novidade” da mensagem de Jesus neste Evangelho: “Colocar juntos estes dois mandamentos, o amor a Deus e o amor ao próximo”, revelando que “eles são inseparáveis e complementares; são as duas faces da mesma medalha”, concluiu Francisco, citando um trecho da Encíclica ‘Deus é Amor’, de Bento XVI.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco recordou a beatificação de Madre Assunta Marchetti, que ocorreu neste sábado, 25 em São Paulo.

“Ela era uma religiosa exemplar no serviço aos órfãos e imigrantes italianos, via Jesus presente nos pobres, nos órfãos, nos doentes, nos migrantes. É a confirmação daquilo que dissemos antes sobre o rosto do irmão. Agradecemos o Senhor por esta mulher, modelo de incansável missionariedade e de corajosa dedicação no serviço da caridade”.

Depois de cumprimentar os grupos italianos, o Papa dirigiu palavras especiais à comunidade peruana de Roma, que estava na Praça com a imagem do Senhor dos Milagres. Muitos trajavam roupas típicas, de cor roxa.

Francisco também saudou os peregrinos do Movimento Schoenstatt, que celebraram com ele o centenário de fundação sábado, 25, e disse que de sua janela “via o ícone da Mãe”.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco neste sábado:

25/10/2014
A Cruz de Jesus demonstra toda a força do mal, mas também toda a omnipotência da misericórdia de Deus.
Papa se encontra com o Movimento de Schoenstatt



Muita alegria e comunhão no encontro do Papa Francisco com o Movimento de Schoenstatt neste sábado, 25, na Sala Paulo VI, no Vaticano. A audiência com o Santo Padre foi por ocasião de uma peregrinação a Roma que comemora o centenário do movimento, celebrado no último dia 18.

O encontro foi uma possibilidade de diálogo com o Sucessor de Pedro, fazendo a ele algumas perguntas sobre desafios atuais na Igreja. A primeira indagação foi sobre matrimônio. O Papa disse que a família e o matrimônio nunca foram tão atacados como agora, citando como exemplo os casamentos desfeitos, o relativismo na concepção do sacramento e a falta de consciência de muitos noivos sobre a importância do matrimônio.

Como orientação, o Papa destacou a necessidade de preparação dos noivos. “Podemos fazer um bom discurso, declaração de princípios (…) é preciso dizer coisas muito claras, mas a pastoral de ajuda tem que ser corpo a corpo, acompanhar, fazer um caminho juntos”.

A segunda pergunta foi sobre a figura de Maria. Francisco enfatizou que Maria é fundamentalmente mãe e tem um papel muito importante para o crescimento na fé. Logo em seguida, um casal de jovens perguntou ao Papa o que fazer para convidar os jovens a uma vida mais plena com Cristo. A resposta, segundo Francisco, é o testemunho de vida, recordando o que disse Bento XVI: “A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”.

“Um testemunho que também tenha dentro a capacidade de mover-nos, de fazer-nos sair, ir em missão, o que não é fazer proselitismo, mas ajudar, compartilhar (…) Não tenha medo, sair em missão, sair em caminho, somos caminhantes”.

Também perguntaram ao Papa qual é o seu segredo para manter a alegria e a esperança, apesar das dificuldades e das guerras, e como perseverar no serviço aos mais necessitados. Francisco brincou dizendo que não fazia a mínima ideia de qual era esse segredo, mas logo em seguida destacou a confiança em Deus. Ele resumiu o seu “segredo” como: ter uma sana consciência de que Deus faz as coisas, rezar, abandonar-se nas mãos de Deus, ter coragem, seguir adiante e sair às periferias.

Como ajudar na renovação da Igreja? Este foi outro questionamento apresentado ao Papa. “Fazer a renovação da Igreja” é a frase mais antiga que se ouve, disse o Papa, pois a Igreja tem que se renovar continuamente. O que Francisco pediu como ajuda foi a santidade, pois “não se tem nada sem uma vida de santidade”.

Ele explicou que renovar a Igreja não é fazer uma mudança “aqui e ali”. Isso também faz parte, disse ele citando como exemplo a reforma da Cúria Romana e do Banco do Vaticano, mas são renovações de fora. “Ninguém fala, por exemplo, da renovação de coração”, ressaltou. Ele também mencionou a necessidade de ter como centro de tudo Jesus Cristo e trabalhar pela cultura do encontro.

Ao final das perguntas, Francisco presidiu a oração de consagração a Nossa Senhora. Ele homenageou Maria com um arranjo de flores, colocado aos pés da imagem de Schoenstatt, e também foi presenteado com uma cruz, utilizada na mesma hora para conceder a benção apostólica a todos os presentes.
Radio Vaticano

Vou à Turquia para superar obstáculos com os ortodoxos – o Papa Francisco à Fundação “Lumen”

Na manhã desta sexta-feira, 24 de outubro, o Papa Francisco recebeu em audiência uma delegação da Fundação ‘Lumen’, que reúne os cristãos de tradição oriental nos Estados Unidos da América. Quarenta e cinco membros desta Fundação estão de passagem por Roma no âmbito de uma peregrinação ecuménica, liderados pelo Metropolita, Kàllistos de Diokleia. Nascido na Inglaterra há 80 anos, Kàllistos entrou na Igreja Ortodoxa aos 24 anos e tornou-se Metropolita em 2007. É muito ativo no campo do diálogo pela unidade dos cristãos.

No discurso que dirigiu aos membros desta instituição o Santo Padre referiu-se à sua próxima viagem à Turquia em novembro:

“A visita do bispo de Roma ao Patriarcado Ecuménico, e este novo encontro entre o Patriarca Bartolomeu e a minha pessoa serão sinal da profunda relação que une as sedes de Roma e Constantinopla e do desejo de superar, no amor e na verdade, os obstáculos que ainda nos dividem.”

O Papa Francisco referiu ainda que com esta viagem quer fazer memória de João XXIII e João Paulo II. O exemplo destes dois santos “é seguramente iluminante para todos nós, porque eles testemunharam sempre uma ardente paixão pela unidade dos cristãos” – afirmou o Papa Francisco que no final desta audiência pediu para que rezassem para que por intercessão dos seus dois santos predecessores, possa desenvolver o ministério de bispo de Roma “ao serviço da comunhão e da unidade da Igreja seguindo em tudo a vontade do Senhor”
Radio Vaticano

QUEM GANHA AS ELEIÇÕES?

Muitos consideram as eleições como expressão da verdadeira vontade popular, manifestada pela maioria. Chegam mesmo a dizer: “vox populi, vox Dei”, “a voz do povo é a voz de Deus”. Mas será mesmo assim? Será que realmente ganham os melhores os mais preparados para o cargo? Ganha a eleição quem tem mais sabedoria, prudência, competência, honestidade, ou ganha quem grita mais, quem foi melhor apresentado pelos marqueteiros e formadores de opinião, criadores de sonhos no imaginário popular?! Sem considerar muitos outros fatores, devemos dizer que nem sempre ganha quem merece.

É a grande discussão sociológica e filosófica sobre a verdadeira representatividade? Já foi dito com propriedade: “sufrágio universal, mentira universal!”. Sim, porque muitas vezes o povo vota influenciado pela propaganda, pelos formadores de opinião, sem muita reflexão e conhecimento pleno do que significa o seu voto.

           
Jesus foi condenado à morte, a pedido da maioria da população. Na eleição proposta pelo governador romano, Pôncio Pilatos, entre Barrabás e Jesus, este último foi fragorosamente derrotado, porque o povo sufragou Barrabás, revolucionário e homicida, condenando o inocente à morte.


Mas, por que Jesus perdeu essa eleição? A morte de Jesus foi realmente o desejo da maioria do povo? Jesus, tão querido por todos, cercado pelas multidões, aclamado pela população ao entrar em Jerusalém, foi condenado por esse mesmo povo, cinco dias depois?! Ou será que esse povo foi manobrado por uma minoria ruim, mas muito hábil? O Evangelho diz que os chefes, os manipuladores de opinião, influenciaram o povo a que pedisse Barrabás e condenasse Jesus. Ele mesmo, ao morrer na cruz, pediu por eles perdão ao Pai, dizendo que eles não sabiam o que faziam. Já não eram mais povo; tinham se tornado massa. O povo pensa. A massa é que é manobrada. Nem sempre podemos dizer que a eleição seja expressão da vontade do povo. Talvez seja só da massa.

Quando aconteceu a Ressurreição de Jesus, fato incontestável, diz o Evangelho de São Mateus (28, 11-15), que os sumos sacerdotes judeus, com os anciãos, “deliberaram dar bastante dinheiro aos soldados; e instruíram-nos: ‘Contai o seguinte: ‘Durante a noite vieram os discípulos dele e o roubaram, enquanto estávamos dormindo’. E se isso chegar aos ouvidos do governador, nós o tranquilizaremos, para que não vos castigue”. Eles aceitaram o dinheiro e fizeram como lhes fora instruído. E essa versão ficou divulgada entre os judeus, até o presente dia”. Vê-se que o suborno e a mentira são de longa data. Por analogia, quando da proposta da escolha entre Jesus e Barrabás, ao lerem os intérpretes a passagem “os sumos sacerdotes e os anciãos, porém, instigaram as multidões para que pedissem Barrabás e fizessem Jesus morrer” (Mt 27, 20), concluem que os inimigos de Jesus distribuíram dinheiro ao povo para que escolhessem Barrabás. A compra de votos também é de longa data.
Dom Fernando
Rifan

Santo Padre diz que cada cristão é chamado a trabalhar pela unidade da Igreja sob a condução do Espírito Santo

Cada cristão é chamado a trabalhar pela unidade da Igreja, disse o Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 24, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que é preciso deixar-se guiar pelo Espírito Santo, que faz a unidade da Igreja na diversidade das pessoas.

“Eu prisioneiro vos exorto a construir a unidade da Igreja”. O Santo Padre desenvolveu sua homilia a partir dessa exortação de São Paulo na Carta aos Efésios. Fazer essa unidade, segundo o Papa, é o trabalho da Igreja e de cada cristão durante a história. O apóstolo Pedro, recordou o Pontífice, quando fala da Igreja, fala de um templo feito de pedras vivas, que são os homens.

“Quando se deve construir um templo, um palácio, procura-se uma área edificável, preparada para isso. A primeira coisa que se faz é procurar as pedras de base, a pedra angular, diz a Bíblia. E a pedra angular da unidade da Igreja é Jesus, a pedra angular da unidade da Igreja é a oração de Jesus na Última Ceia: ‘Pai, que todos sejam um!’.”

O Pontífice destacou que não há unidade sem Jesus Cristo na base, e quem constrói essa unidade é o Espírito Santo, na diversidade dos povos. Por isso Jesus enviou o Espírito, para que a Igreja crescesse, para que fosse forte e una.

Para construir, então, essa unidade, Francisco citou como caminhos os conselhos de São Paulo que, segundo o pensamento humano, são fracos: humildade, mansidão, magnanimidade. Mas quanto mais frágil o homem é com essas virtudes, mais se torna pedra forte, disse o Papa, acrescentando que esse foi o caminho feito por Cristo.

Francisco concluiu a homilia falando da esperança de caminhar rumo a Deus e viver em uma Igreja viva, uma esperança à qual todos foram chamados e que leva adiante a unidade da Igreja. “Fomos chamados a uma esperança grande. Vamos para lá! Mas com a força que nos dá a oração de Jesus pela unidade; com a docilidade ao Espírito Santo, que é capaz de fazer de tijolos pedras vivas e com a esperança de encontrar o Senhor que nos chamou, encontrá-Lo quando vier a plenitude dos tempos”.
Radio Vaticano

Não se pode ser cristão sem a graça do Espírito, diz Papa Francisco



Não se pode ser cristão sem a graça do Espírito Santo, disse o Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 23.outubro.2014, na Casa Santa Marta. Segundo recordou o Papa, é o Espírito que dá a força de amar.

No centro da homilia de Francisco esteve a Carta aos Efésios, em que São Paulo descreve a sua experiência de Jesus, o que o levou a deixar tudo, porque estava “apaixonado por Cristo”. Seu ato é de adoração, usa uma linguagem sem limites, e pede ao Pai que todos sejam reforçados no homem interior, mediante o Espírito Santo.

“Pede ao Pai que o Espírito venha e nos reforce, nos dê força. Não se pode seguir adiante sem a força do Espírito. As nossas forças são frágeis. Não se pode ser cristão sem a graça do Espírito. É justamente Ele quem muda o nosso coração, que nos faz seguir adiante na virtude para cumprir os mandamentos”.

Paulo pede ainda a Deus a graça da presença de Cristo, explicou o Pontífice, a fim de que o homem possa crescer na caridade. O amor de Cristo, que supera toda consciência, não pode ser entendido senão por meio desse ato de adoração. Segundo Francisco, essa experiência de Paulo ensina a oração de louvor e de adoração.

“Diante da nossa pequenez, dos nossos interesses egoístas, Paulo irrompe nesse louvor, nesse ato de adoração e pede ao Pai que nos envie o Espírito para nos dar força e poder seguir adiante, que nos faça entender o amor de Cristo e que Este nos consolide no amor”.

O Santo Padre concluiu a homilia destacando que Paulo deixou tudo para ganhar Cristo e se encontrar n’Ele. Este é um bom pensamento para o cristão, disse o Papa: adorar Deus, louvar a Deus. “Assim, podemos seguir adiante no grande mandamento – o único mandamento, que é a base de todos os outros – o amor; amar Deus e amar o próximo”.
Radio Vaticano

Últimas mensagens deixadas pelo Papa Francisco em seu twitter:

23/10/2014
A família é o lugar onde nos formamos como pessoas. Cada família é um tijolo que constrói a sociedade.

21/10/2014
A fé, para ser sã e forte, deve alimentar-se constantemente da Palavra de Deus.
Ciúme e incompreensão desmembram a Igreja, diz Papa e recorda também São João Paulo II destacando herança espiritual



Pela primeira vez, Igreja celebra memória litúrgica do santo que foi Papa por quase 27 anos. Francisco recordou herança espiritual de seu predecessor na catequese desta quarta-feira, 22.outubro.2014.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Quando se quer evidenciar como os elementos que compõem uma realidade estão estreitamente unidos uns aos outros e formam juntos uma só coisa, usa-se muitas vezes a imagem do corpo. A partir do apóstolo Paulo, esta expressão foi aplicada à Igreja e foi reconhecida como o seu traço distintivo mais profundo e mais belo. Hoje, então, queremos nos perguntar: em que sentido a Igreja forma um corpo? E por que é definida como “corpo de Cristo”?

No Livro de Ezequiel, é descrita uma visão um pouco particular, impressionante, mas capaz de infundir confiança e esperança nos nossos corações. Deus mostra ao profeta um vale de ossos, separados uns dos outros e ressecados. Um cenário desolador.. Imaginem toda uma planície cheia de ossos. Deus lhe pede, então, para invocar sobre eles o Espírito. Naquele momento, os ossos se movem, começam a se aproximar e a se unir, sobre eles crescem primeiro os nervos e depois a carne e se forma assim um corpo, completo e cheio de vida (cfr Ez 37, 1-14). Esta é a Igreja! Recomendo hoje que peguem a Bíblia em casa, no capítulo 37 do profeta Ezequiel, não se esqueçam, e leiam isto, é belíssimo. Esta é a Igreja, é uma obra-prima, a obra-prima do Espírito, que infunde em cada um a vida nova do Ressuscitado e nos coloca uns próximos aos outros, um a serviço do outro e como apoio do outro, fazendo assim de todos nós um só corpo, edificado na comunhão e no amor.

A Igreja, porém, não é somente um corpo edificado no Espírito: a Igreja é o corpo de Cristo! E não se trata simplesmente de um modo de dizer: mas o somos realmente! É o grande dom que recebemos do dia do nosso Batismo! No sacramento do Batismo, de fato, Cristo nos faz seus, acolhendo-nos no coração do mistério da cruz, o mistério supremo do seu amor por nós, para nos fazer depois ressurgir com ele, como novas criaturas. Assim nasce a Igreja, e assim a Igreja se reconhece corpo de Cristo! O Batismo constitui um verdadeiro renascimento em Cristo, torna-nos parte dele, e nos une intimamente entre nós, como membros do mesmo corpo, do qual ele é a cabeça (cfr Rm 12, 5; 1 Cor 12, 12-13).

Aquela que surge, então, é uma profunda comunhão de amor. Neste sentido, é iluminante como Paulo, exortando os maridos a “amar as esposas como o próprio corpo” afirma: “Como também Cristo faz com a Igreja, porque somos membros do seu corpo” (Ef 5, 28-30). Que belo se nos recordássemos mais muitas vezes daquilo que somos, do que fez de nós o Senhor Jesus: somos o seu corpo, aquele corpo que nada e ninguém pode arrancar dele e que ele recobre de toda a sua paixão e de todo o seu amor, próprio como um esposo com a sua esposa. Este pensamento, porém, deve fazer surgir em nós o desejo de corresponder ao Senhor Jesus e de partilhar o seu amor entre nós, como membros vivos do seu próprio corpo. No tempo de Paulo, a comunidade de Corinto encontrava muitas dificuldades em tal sentido, vivendo, como muitas vezes também nós, a experiência das divisões, da inveja, das incompreensões e da marginalização. Todas essas coisas não  vão bem, porque, em vez de edificar e fazer crescer a Igreja como corpo de Cristo, fraturam-na em tantas partes, desmembram-na. E isto acontece também nos nossos dias. Pensemos nas comunidades cristãs, em algumas paróquias, pensemos nos nossos bairros quantas divisões, quanta inveja, como se fala pelas costas, quanta incompreensão e marginalização. E o que isso implica? Desmembra-nos entre nós. É o início da guerra. A guerra não começa no campo de batalha: a guerra, as guerras começam no coração, com incompreensões, divisões, inveja, com esta luta com os outros. A comunidade de Corinto era assim, eram campeã nisso! O apóstolo Paulo disse aos Coríntios alguns conselhos concretos que valem também para nós: não ser ciumento, mas apreciar nas nossas comunidades os dons e as qualidades dos nossos irmãos. O ciúmes: “Aquele comprou um carro”, e eu sinto aqui um ciúme; “Este ganhou na loteria”, e outro ciúme; “Este outro está indo bem bem nisso”, e um outro ciúme. Tudo isso desmembra, faz mal, não se deve fazer! Porque assim o ciúme cresce e enche o coração. E um coração ciumento é um coração ácido, um coração que em vez de sangue parece ter vinagre; é um coração que nunca está feliz, é um coração que desmembra a comunidade. Mas o que devo fazer então? Apreciar nas nossas comunidades os dons e as qualidades dos outros, dos nossos irmãos. E quando me vem o ciúme – porque vem a todos, todos somos pecadores – devo dizer ao Senhor: “Obrigado, Senhor, porque destes isto àquela pessoa”. Apreciar as qualidades, fazer-se próximo e participar do sofrimento uns dos outros e dos mais necessitados; exprimir a própria gratidão a todos. O coração que sabe dizer obrigada é um coração bom, é um coração nobre, é um coração que é feliz. Pergunto-vos: todos nós sabemos dizer obrigado sempre? Nem sempre, porque a inveja, o ciúme nos para um pouco. E, por último, o conselho que o apóstolo Paulo dá aos Coríntios e também nós devemos dar uns aos outros: não considerar ninguém superior aos outros. Quanta gente se sente superior aos outros! Também nós, tantas vezes dizemos como aquele fariseu da parábola: “Agradeço-te, Senhor, porque não sou como aquele, sou superior”. Mas isto é ruim, não é preciso nunca fazê-lo! E quando estás para fazê-lo, lembre-se dos teus pecados, daqueles que ninguém conhece, envergonhe-se diante de Deus e diga: “Mas tu, Senhor, tu sabes quem é superior, eu fecho a boca”. E isto faz bem. E sempre na caridade considerar-se membro uns dos outros, que vivem e se doam em benefício de todos (cfr 1 Cor 12-14).

Queridos irmãos e irmãs, como o profeta Ezequiel e como o apóstolo Paulo, invoquemos também nós o Espírito Santo, para que a sua graça e abundância dos seus dons nos ajudem a viver realmente como corpo de Cristo, unidos como família, mas uma família que é o corpo de Cristo, e como sinal visível e belo do amor de Cristo.

Após a catequese, Francisco saudou um grupo de peregrinos poloneses, recordando a figura do santo canonizado por ele no dia 27 de abril deste ano. “Hoje celebramos a memória litúrgica de São João Paulo II, que convidou todos a abrirem as portas a Cristo. Que sua herança espiritual não seja esquecida, mas nos impulsione à reflexão e ao agir concreto pelo bem da Igreja, da família e da sociedade.”
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano





Francisco no Angelus: Paulo VI, mariano e impulsionador das missões


Cidade do Vaticano, 19.outubro.2014 (RV) – Ao término da celebração conclusiva do Sínodo e de beatificação de Paulo VI, Francisco dedicou sua reflexão, que precede a Oração Mariana do Angelus, ao Papa Montini.


Queridos irmãos e irmãs,

Ao término desta solene celebração, desejo saudar os peregrinos provenientes da Itália e de vários países, com um pensamento atencioso para as delegações oficiais. Em particular, saúdo os fiéis das dioceses de Bréscia, Milão e Roma, ligadas de modo significativo à vida e ao ministério do Papa Montini. Agradeço a todos pela presença e exorto a seguir fielmente os ensinamentos e o exemplo do novo beato.

Ele foi um incansável apoiador da missão ad gentes; testemunha isso, sobretudo, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi, com a qual quis despertar o ímpeto e o empenho pela missão da Igreja. Esta exortação ainda é atual, conserva toda a sua atualidade! É significativo considerar este aspecto do Pontificado de Paulo VI, justamente hoje que se celebra a Jornada Missionária Mundial.

Antes de invocar todos juntos Nossa Senhora com a oração do Angelus, gostaria de destacar a profunda devoção mariana do Beato Paulo VI. A este Pontífice, o povo cristão será sempre grato pela Exortação apostólica Marialis cultus e por ter proclamado Maria ‘Mãe da Igreja’ em ocasião do fechamento da terceira sessão do Concílio Vaticano II.
Maria, Rainha dos Santos e Mãe da Igreja, ajude-nos a realizar fielmente na nossa vida a vontade do Senhor, assim como fez o novo beato.
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé
































Santa Missa por ocasião do fechamento da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos com o rito da beatificação do Papa Paulo VI



Neste domingo, 19.outubro.2014, o Papa Francisco celebrou a Missa na Praça São Pedro no fechamento da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, com o rito de beatificação do Papa Paulo VI. Na homilia, Francisco destacou a coragem do beato e seu incansável apostolado, sabendo dar a Deus o que é de Deus.

Homilia:
Acabamos de ouvir uma das frases mais célebres de todo o Evangelho: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

À provocação dos fariseus, que queriam, por assim dizer, fazer-Lhe o exame de religião e induzi-Lo em erro, Jesus responde com esta frase irônica e genial. É uma resposta útil que o Senhor dá a todos aqueles que sentem problemas de consciência, sobretudo quando estão em jogo as suas conveniências, as suas riquezas, o seu prestígio, o seu poder e a sua fama. E isto acontece em todos os tempos e desde sempre.

A acentuação de Jesus recai certamente sobre a segunda parte da frase: “E [dai] a Deus o que é de Deus”. Isto significa reconhecer e professar – diante de qualquer tipo de poder – que só Deus é o Senhor do homem, e não há outro. Esta é a novidade perene que é preciso redescobrir cada dia, vencendo o temor que muitas vezes sentimos perante as surpresas de Deus.

Ele não tem medo das novidades! Por isso nos surpreende continuamente, abrindo-nos e levando-nos para caminhos inesperados. Ele renova-nos, isto é, faz-nos “novos” continuamente. Um cristão que vive o Evangelho é “a novidade de Deus” na Igreja e no mundo. E Deus ama tanto esta “novidade”!

“Dar a Deus o que é de Deus” significa abrir-se à sua vontade e dedicar-Lhe a nossa vida, cooperando para o seu Reino de misericórdia, amor e paz.

Aqui está a nossa verdadeira força, o fermento que faz levedar e o sal que dá sabor a todo o esforço humano contra o pessimismo predominante que o mundo nos propõe. Aqui está a nossa esperança, porque a esperança em Deus não é uma fuga da realidade, não é um álibi: é restituir diligentemente a Deus aquilo que Lhe pertence. É por isso que o cristão fixa o olhar na realidade futura, a realidade de Deus, para viver plenamente a existência – com os pés bem fincados na terra – e responder, com coragem, aos inúmeros desafios novos.

Vimo-lo, nestes dias, durante o Sínodo Extraordinário dos Bispos: “sínodo” significa “caminhar juntos”. E, na realidade, pastores e leigos de todo o mundo trouxeram aqui a Roma a voz das suas Igrejas particulares para ajudar as famílias de hoje a caminharem pela estrada do Evangelho, com o olhar fixo em Jesus. Foi uma grande experiência, na qual vivemos a sinodalidade e a colegialidade e sentimos a força do Espírito Santo que sempre guia e renova a Igreja, chamada sem demora a cuidar das feridas que sangram e a reacender a esperança para tantas pessoas sem esperança.

Pelo dom deste Sínodo e pelo espírito construtivo concedido a todos, – com o apóstolo Paulo – “damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações” (1 Tes 1, 2). E o Espírito Santo, que nos concedeu, nestes dias laboriosos, trabalhar generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, continue a acompanhar o caminho que nos prepara, nas Igrejas de toda a terra, para o Sínodo Ordinário dos Bispos no próximo Outubro de 2015. Semeamos e continuaremos a semear, com paciência e perseverança, na certeza de que é o Senhor que faz crescer tudo o que semeamos (cf. 1 Cor 3, 6).

Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI, voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: “Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (…) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade” (Carta ap. Motu próprio Apostolica sollicitudo).

A respeito deste grande Papa, deste cristão corajoso, deste apóstolo incansável, diante de Deus hoje só podemos dizer uma palavra tão simples como sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja!

No seu diário pessoal, depois do encerramento da Assembleia Conciliar, o grande timoneiro do Concílio deixou anotado: “Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço não tanto por qualquer aptidão que eu possua ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades atuais, mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva” (P. Macchi, Paolo VI nella sua parola, Brescia 2001, pp. 120-121). Nesta humildade, resplandece a grandeza do Beato Paulo VI, que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor.

Verdadeiramente Paulo VI soube “dar a Deus o que é de Deus”, dedicando toda a sua vida a este “dever sacro, solene e gravíssimo: continuar no tempo e dilatar sobre a terra a missão de Cristo” (Homilia no Rito da sua Coroação, Insegnamenti, I, 1963, p. 26), amando a Igreja e guiando-a para ser “ao mesmo tempo mãe amorosa de todos os homens e medianeira de salvação” (Carta enc. Ecclesiam suam, prólogo).
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé



Papa no encerramento do Sínodo: "Esta é a Igreja, nossa mãe!"

Cidade do Vaticano (RV) – No final da tarde deste sábado, 18 de outubro de 2014, o Papa Francisco proferiu um discurso por ocasião do encerramento do Sínodo Extraordinário dos Bispos para a Família.

Eis a íntegra do pronunciamento:
“Queridas Eminências, Beatitudes, Excelências, irmãos e irmãs,
Com um coração pleno de reconhecimento e de gratidão, gostaria de agradecer, junto a vós, ao Senhor que nos acompanhou e nos guiou nos dias passados, com a luz do Espírito Santo!

Agradeço de coração Sua Eminência o senhor Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo, Sua Eminência Dom Fabio Fabene, Sub-Secretário, e com eles agradeço o Relator, Sua Eminência Cardeal Peter Erdö que trabalhou tanto, mesmo nos dias de luto familiar, e o Secretário Especial, Sua Eminência Dom Bruno Forte, os três Presidentes delegados, os escritores, os consultores, os tradutores e os anônimos, todos aqueles que trabalharam com verdadeira fidelidade nos bastidores e com total dedicação à Igreja, sem parar: muito obrigado de coração!

Agradeço igualmente a todos vocês, Padres Sinodais, Delegados Fraternos, Ouvintes e Assessores para vossa participação ativa e frutuosa. Levarei vocês na oração, pedindo ao Senhor para recompensar-vos com a abundância da graça dos seus dons!

Eu poderia tranquilamente dizer que – com um espírito de colegialidade e de sinodalidade – vivemos realmente uma experiência de “Sínodo”, um percurso solidário, um “caminho juntos”.

E tendo sido “um caminho” – e como em todo caminho -, houve momentos de corrida veloz, quase correndo contra o tempo prá chegar logo à meta; em outros, momentos de cansaço, quase querendo dizer basta; outros momentos de entusiasmo e de ardor. Houve momentos de profunda consolação, ouvindo os testemunhos dos pastores verdadeiros (cf. João 10 e Cann. 375, 386, 387) que levam no coração sabiamente as alegrias e as lágrimas dos seus fieis. Momentos de consolação e graça e de conforto escutando os testemunhos das famílias que participaram do Sínodo e partilharam conosco a beleza e a alegria de sua vida matrimonial. Um caminho onde o mais forte sentiu o dever de ajudar o mais fraco, onde o mais esperto se apressou em servir os outros, mesmo por meio dos debates. E sendo um caminho de homens, com as consolações houve também outros momentos de desolação, de tensão e de tentações, das quais se poderiam mencionar algumas possibilidades:

- Uma: a tentação de enrijecimento hostil, isto é, de querer fechar-se dentro do escrito (a letra) e não deixar-se surpreender por Deus, pelo Deus das surpresas (o espírito); dentro da lei, dentro da certeza daquilo que conhecemos e não daquilo que devemos ainda aprender e atingir. Desde o tempo de Jesus, é a tentação dos zelosos, dos escrupulosos, dos cuidadosos e dos assim chamados – hoje – “tradicionalistas” e também dos “intelectualistas”.

- A tentação do “bonismo” destrutivo, que em nome de uma misericórdia enganadora, enfaixa as feridas sem antes curá-las e medicá-las; que trata os sintomas contra os pecadores, os fracos, os doentes (cf. Jo 8,7), isto é, transformá-los em “fardos insuportáveis” (Lc 10,27).

- A tentação de descer da cruz, para acontentar as pessoas, e não permanecer ali, para realizar a vontade do Pai; de submeter-se ao espírito mundano ao invés de purificá-lo e submeter-se ao Espírito de Deus.

- A tentação de negligenciar o “depositum fidei”, considerando-se não custódios, mas proprietários ou donos ou, por outro lado, a tentação de negligenciar a realidade utilizando uma língua minuciosa e uma linguagem “alisadora” (polida) para dizer tantas coisas e não dizer nada”. Os chamavam “bizantinismos”, acho, estas coisas...

Queridos irmãos e irmãs, as tentações não devem nem nos assustar nem desconcertar e muito menos desencorajar, porque nenhum discípulo é maior do que seu mestre; portanto se Jesus foi tentado – ate mesmo chamado de Belzebu (cf. MT 12, 24) – os seus discípulos não devem esperar um tratamento melhor.

Pessoalmente, ficaria muito preocupado e triste se não houvesse estas tentações e estas discussões animadas; este movimento dos espíritos, como chamava Santo Inácio (EE, 6), se tudo tivesse sido de acordo ou taciturno em uma falsa e ‘quietista’ paz. Ao contrário, vi e escutei – com alegria e reconhecimento – discursos e pronunciamentos plenos de fé, de zelo pastoral e doutrinal, de sabedoria, de franqueza, de coragem: e de parresia. E senti que foi colocado diante dos próprios olhos o bem da Igreja, das famílias e a “suprema Lex”, a “salus animarum” (cf. Can. 1752). E isto sempre – o dissemos aqui, na Sala – sem colocar nunca em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a ‘procriatividade’, ou seja, a abertura à vida (cf. Cann. 1055, 1056 e Gaudium et Spes 48).

E esta é a Igreja, a vinha do Senhor, a Mãe fértil e a Mestra atenciosa, que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o óleo e o vinho nas feridas dos homens (cf. Lc 10, 25-37); que não olha a humanidade de um castelo de vidro para julgar ou classificar as pessoas. Esta é a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e formada por pecadores, necessitados da Sua misericórdia. Esta é a igreja, a verdadeira esposa de Cristo, que procura ser fiel ao seu Esposo e à sua doutrina. É a Igreja que não tem medo de comer e beber com as prostitutas (cf. Lc 15). A Igreja que tem as portas escancaradas para receber os necessitados, os arrependidos e não somente os justos ou aqueles que acreditam ser perfeitos! A Igreja que não se envergonha do irmão caído e não faz de conta de não vê-lo, ao contrário, se sente envolvida e quase obrigada a levantá-lo e a encorajá-lo e retomar o caminho e o acompanha para o encontro definitivo, com o seu Esposo, na Jerusalém celeste.

Esta é a Igreja, a nossa mãe! E quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se expressa em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é doado pelo Espírito Santo para que, juntos, possamos todos entrar no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida, e isto não deve ser visto como motivo de confusão e de mal-estar.

Tantos comentaristas, ou pessoas que falam, imaginaram ver uma Igreja em atrito, onde uma parte está contra a outra, duvidando até mesmo do Espírito Santo, o verdadeiro promotor e garante da unidade e da harmonia na Igreja. O Espírito Santo que ao longo da história sempre conduziu a barca através dos seus Ministros, mesmo quando o mar era contrário e agitado e os Ministros infiéis e pecadores.

E, como ousei dizer isto a vocês no início do Sínodo, era necessário viver tudo isto com tranqüilidade, com paz interior, mesmo porque o Sínodo se desenvolve cum Petro et sub Petro, e a presença do Papa é garantia para todos.

Falemos um pouco do Papa, agora, na relação com os bispos (risos). Assim, a missão do Papa é a de garantir a unidade da Igreja; é o de recordar aos fiéis o seu dever em seguir fielmente o Evangelho de Cristo; é o de recordar aos pastores que o seu primeiro dever é o de nutrir o rebanho – nutrir o rebanho – que o Senhor confiou a eles e de buscar acolhê-lo – com paternidade e misericórdia e sem falso medo – as ovelhas perdidas. Errei aqui. Disse acolher: ir buscá-las.

A sua missão é a de recordar a todos que a autoridade na Igreja é serviço (Cf. Mc 9, 33-35) como explicou com clareza Papa Bento XVI, com palavras que cito textualmente: “A Igreja é chamada e se esforça em exercer este tipo de autoridade que é serviço, e o exerce não em nome próprio, mas em nome de Jesus Cristo... através ods Pastores da Igreja, de fato, Cristo apascenta o seu rebanho: é Ele que o guia, o protege, o corrige, porque o ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor Supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o sucessor de Pedro... participassem desta missão de cuidar do Povo de Deus, de serem educadores na fé, orientando, animando e apoiando a comunidade cristã, ou, como diz o Concílio, “cuidando, sobretudo que cada fiel seja guiado no Espírito Santo a viver segundo o Evangelho a própria vocação, a praticar uma caridade sincera e ativa e a exercitar aquela liberdade com que Cristo nos libertou “ (Presbyterorum Ordinis, 6) ... é através de nós – continua o Papa Bento – que o Senhor atinge as almas, as instrui, as protege, as guia. Santo Agostinho, no seu Comentário ao Evangelho de São João diz: “Seja, portanto, esforço de amor apascentar o rebanho do Senhor” (123,5); esta é a suprema norma de conduta dos ministros de Deus, um amor incondicional, como aquele do Bom Pastor, pleno de alegria, aberto a todos, atento aos próximos e atencioso aos distantes (cf. Santo Agostinho, Discurso 340; Discurso 46, 15), delicado para com os mais fracos, os pequenos, os simples, os pecadores, para manifestar a infinita misericórdia de Deus com as palavras encorajadoras da esperança”. (Bento XVI, Audiência Geral, Quarta-feira, 26 de maio de 2010). Fim da citação.

Portanto, a Igreja é de Cristo – é a sua esposa – e todos os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de custodiá-la e de servi-la, não como donos, mas como servidores. O Papa, neste contexto, não é o senhor supremo, mas sim um supremo servidor – o “servus servorum Dei”; o garante da obediência e da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo e à Tradição da Igreja, deixando de lado todo arbítrio pessoal, mesmo sendo – por vontade do próprio Cristo – o “Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis” (Can. 749) enquanto gozando “da potestade ordinária que é suprema, é plena, imediata e universal na Igreja” (cf. Cann. 331-334).

Queridos irmãos e irmãs, agora temos ainda um ano para amadurecer, com verdadeiro discernimento espiritual, as idéias propostas e encontrar soluções concretas às tantas dificuldades e inumeráveis desafios que as famílias devem enfrentar; dar respostas aos tantos desencorajamentos que circundam e sufocam as famílias.

Um ano para trabalhar na “Relatio synodi” que é o resumo fiel e claro de tudo aquilo que foi dito e discutido nesta sala e nos círculos menores. E é apresentado às Conferências episcopais como “Lineamenta”.

Que o senhor nos acompanhe e nos guie neste caminho, pela gloria do seu nome, com a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e de São José! E por favor, não esqueçam de rezar por mim! Obrigado.

(canto do Te Deum e bênção)

Muito obrigado e bom repouso agora, hein!
Radio Vaticano
Mensagem final do Sínodo é publicada: “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”

Cidade do Vaticano, 18.outubro.2014 (RV) – Os Padres Sinodais aprovaram, no decorrer da 14ª Congregação Geral na manhã deste sábado, a mensagem final da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. O documento conclusivo do Sínodo - Relatio Synodi - será divulgado posteriormente enquanto o documento final será provavelmente publicado na forma de uma Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, em 2015, após o Sínodo Ordinário.

Abaixo, a íntegra da mensagem:
Nós, Padres Sinodais reunidos em Roma junto ao Santo Padre na Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, nos dirigimos a todas as famílias dos diversos continentes e, em particular, àquelas que seguem Cristo Caminho, Verdade e Vida. Manifestamos a nossa admiração e gratidão pelo testemunho cotidiano que vocês oferecem a nós e ao mundo com a sua fidelidade, fé, esperança e amor.

Também nós, pastores da Igreja, nascemos e crescemos em uma família com as mais diversas histórias e acontecimentos. Como sacerdotes e bispos, encontramos e vivemos ao lado de famílias que nos narraram em palavras e nos mostraram em atos uma longa série de esplendores mas também de cansaços.

A própria preparação desta assembleia sinodal, a partir das respostas ao questionário enviado às Igrejas do mundo inteiro, nos permitiu escutar a voz de tantas experiências familiares. O nosso diálogo nos dias do Sínodo nos enriqueceu reciprocamente, ajudando-nos a olhar toda a realidade viva e complexa em que as famílias vivem. A vocês, apresentamos as palavras de Cristo: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Como costumava fazer durante os seus percursos ao longo das estradas da Terra Santa, entrando nas casas dos povoados, Jesus continua a passar também hoje pelos caminhos das nossas cidades. Nas vossas casas se experimentam luzes e sombras, desafios exaltantes mas, às vezes, também provações dramáticas. A escuridão se faz ainda mais densa até se tornar trevas, quando se insinuam no coração da família o mal e o pecado.

Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar. Se assiste, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício. Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência. Pensemos ao sofrimento que pode aparecer em um filho portador de deficiência, em uma doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que é doada a eles e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.
Pensemos às dificuldades econômicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas. Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.

Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões. Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade. “A cultura do bem-estar anestesia-nos e (...) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54). Fazemos apelo aos governos e às organizações internacionais para promoverem os direitos da família para o bem comum.

Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém. Somos, por isso, agradecidos aos pastores, fiéis e comunidades prontos a acompanhar e a assumir as dilacerações interiores e sociais dos casais e das famílias.

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas. Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, se acende com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Gênesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, em uma “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca. O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo. É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua...eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).

Para que este encontro seja autêntico, o itinerário inicia com o noivado, tempo de espera e de preparação. Realiza-se em plenitude no Sacramento onde Deus coloca o seu selo, a sua presença e a sua graça. Este caminho conhece também a sexualidade, a ternura, e a beleza, que perduram também além do vigor e do frescor juvenil. O amor tende pela sua natureza ser para sempre, até dar a vida pela pessoa que se ama (cf. João 15,13). Nesta luz, o amor conjugal único e indissolúvel persiste, apesar das tantas dificuldades do limite humano; é um dos milagres mais belos, embora seja também o mais comum.

Este amor se difunde por meio da fecundidade e do ‘gerativismo’, que não é somente procriação, mas também dom da vida divina no Batismo, educação e catequese dos filhos. É também capacidade de oferecer vida, afeto, valores, uma experiência possível também a quem não pode gerar. As famílias que vivem esta aventura luminosa tornam-se um testemunho para todos, em particular para os jovens.

Durante este caminho, que às vezes é um percurso instável, com cansaços e caídas, se tem sempre a presença e o acompanhamento de Deus. A família de Deus experimenta isto no afeto e no diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs. Depois vive isto ao escutar juntos a Palavra de Deus e na oração comum, um pequeno oásis do espírito a ser criado em qualquer momento a cada dia. Existem, portanto, o empenho cotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho, à santidade. Esta tarefa é, frequentemente, partilhada e exercida com grande afeto e dedicação também pelos avôs e avós. Assim, a família se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à família das famílias que é a comunidade eclesial. Os cônjuges cristãos são, após, chamados a tornarem-se mestres na fé e no amor também para os jovens casais.

O vértice que reúne e sintetiza todos os elos da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele se doa a todos nós, peregrinos na história em direção à meta do encontro último quando “Cristo será tudo em todos” (Col 3,11). Por isto, na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos pelos divorciados recasados.

Nós, Padres Sinodais, vos pedimos para caminhar conosco em direção ao próximo Sínodo. Em vocês se confirma a presença da família de Jesus, Maria e José na sua modesta casa. Também nós, unindo-nos à Família de Nazaré, elevamos ao Pai de todos a nossa invocação pelas famílias da terra:

Senhor, doa a todas as famílias a presença de esposos fortes e sábios, que sejam vertente de uma família livre e unida.

Senhor, doa aos pais a possibilidade de ter uma casa onde viver em paz com a família.

Senhor, doa aos filhos a possibilidade de serem signo de confiança e aos jovens a coragem do compromisso estável e fiel.

Senhor, doa a todos a possibilidade de ganhar o pão com as suas próprias mãos, de provar a serenidade do espírito e de manter viva a chama da fé mesmo na escuridão.

Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia.

Radio Vaticano

Papa Francisco: a cultura atual tem fome do anúncio do Evangelho

Cidade do Vaticano, 18.outubro.2014 (RV) - "Estudo, pesquisa, fronteira": são as três palavras que o Papa Francisco confia à Fuci, Federação Universitária Católica Italiana, por ocasião do Congresso extraordinário organizado em Arezzo – região italiana da Toscana – em vista da Beatificação do Papa Montini, este domingo, 19 de outubro.

O encontro, que quer recordar Paulo VI nos anos em que foi assistente central da Fuci (1925-1933), se realiza com o tema: "In spiritu et veritate. O testemunho de Giovanni Battista Montini na universidade e na cultura contemporânea".

A primeira palavra que o Papa confia aos jovens da Fuci é studium. "O essencial da vida universitária – escreve – reside no estudo, na fadiga e paciência do pensar que revela uma inclinação do homem à verdade, ao bem, à beleza." "Não se contentem com verdades parciais ou ilusões asseguradoras – exorta –, mas acolham no estudo uma compreensão sempre mais plena da realidade. Para fazer isso são necessárias a humildade da escuta e a perspicácia do olhar. Estudar não é apropriar-se da realidade para manipulá-la, mas deixar que ela nos fale e nos revele algo, muitas vezes também sobre nós mesmos; e a realidade não se deixa compreender sem uma disponibilidade a afinar a perspectiva, a olhá-la com olhos novos. Portanto, estudem com coragem e esperança."

A segunda palavra é pesquisa. "O método de estudo de vocês seja a pesquisa, o diálogo e o cotejamento. Que a Fuci experimente sempre a humildade da pesquisa, aquela atitude de silencioso acolhimento do desconhecido, do outro, e demonstre sua abertura e disponibilidade a caminhar com todos aqueles que são impelidos por uma inquieta inclinação à Verdade, crentes e não-crentes, estrangeiros e excluídos."

"A pesquisa se interroga continuamente, torna-se encontro com o mistério e se abre à fé: a pesquisa torna possível o encontro entre fé, razão e ciência, permite um diálogo harmônico entre elas, um intercâmbio fecundo que na consciência e na aceitação dos limites da compreensão humana permite uma pesquisa científica feita na liberdade da consciência. Através deste método de pesquisa é possível alcançar um objetivo ambicioso: recompor a fratura entre Evangelho e contemporaneidade através do estilo da mediação cultural, uma mediação itinerante que sem negar as diferenças culturais, aliás, valorizando-as, se coloque como horizonte de projetualidade positiva."

"A cultura de nosso tempo – recorda o Papa Francisco aos jovens – tem fome do anúncio do Evangelho, precisa ser reanimada por testemunhos firmes e fortes." Em seguida, cita as palavras de Montini: "É a idéia que guia o homem, que gera a força do homem. Um homem sem idéia é um homem sem personalidade".

A terceira palavra é fronteira. "A Universidade – escreve o Santo Padre na mensagem – é uma fronteira que cabe a vocês, uma periferia na qual acolher e cuidar das pobrezas existenciais do homem." "Procurem sempre encontrar o outro, colher o 'cheiro' dos homens de hoje, até ficarem impregnados de suas alegrias e esperanças, de suas tristezas e angústias. Jamais oponham barreiras que, querendo defender a fronteira, excluam o encontro com o Senhor."

Ao invés – exorta o Pontífice –, "levem esperança a abram o trabalho de vocês sempre aos outros, abram-se sempre à partilha e ao diálogo. Na cultura, sobretudo hoje, precisamos colocar-nos lado a lado de todos. Vocês poderão superar o confronto entre os povos somente se conseguirem alimentar uma cultura do encontro e da fraternidade. Exorto-os a continuar levando o Evangelho para a Universidade e a cultura para a Igreja!".

No apelo final: "tenham os olhos sempre voltados para o futuro. Sejam terreno fértil em caminho com a humanidade, sejam renovação na cultura, na sociedade e na Igreja. Para dar expressão à renovação é preciso coragem, humildade e escuta".

Papa Francisco twittou neste sábado:


18/10/2014
Para mudar o mundo, é preciso fazer bem a quem não tem possibilidades de retribuir.


Deus nos deu o Céu como penhor da eternidade, diz Papa



Pelo Espírito Santo, Deus deu aos cristãos o Céu como “penhor” da eternidade. Mas esse dom, às vezes, é negligenciado por uma vida “opaca” e hipócrita. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na homilia da Missa desta sexta-feira, 17.outubro.2014, na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Francisco definiu o Espírito Santo como o “selo” de luz com o qual Deus deu “o Céu em mãos” aos cristãos, que, muitas vezes, se esquivam dessa luz por uma vida de penumbra e, pior ainda, por uma luz simulada, que brilha na hipocrisia.

A homilia seguiu passo por passo as palavras de São Paulo, na Primeira Leitura, explicando aos cristãos de Éfeso que, por terem acreditado no Evangelho, receberam “o selo do Espírito Santo”. Com esse dom, afirmou o Papa, Deus não somente escolheu o homem, mas lhe deu um estilo, um modo de viver que não é somente um elenco de hábitos, é mais do que isso: é uma identidade.

“A nossa identidade é justamente esse selo, essa força do Espírito Santo que todos nós recebemos no batismo. E o Espírito Santo selou o nosso coração, mais do que isso, Ele caminha conosco. Esse Espírito que foi prometido – Jesus o prometeu – não somente nos dá a identidade, mas também o penhor de nossa herança. Com Ele começa o céu. Nós estamos vivendo esse céu, essa eternidade, porque fomos selados pelo Espírito Santo, que justamente é o início do céu, é o penhor, e o temos em mãos.”

Mas ter o céu como penhor de eternidade não evita que os cristãos deslizem em, pelo menos, um par de tentações, ressaltou o Papa. Primeiro, há o risco de tornar a identidade “opaca”. “É o Cristianismo morno. É Cristianismo, sim; vai à Missa aos domingos, sim; mas na sua vida não se vê a identidade. Vive como um pagão, mas é um cristão. É morno, torna opaca a nossa identidade”. Depois, há o risco da hipocrisia.

“E o outro pecado, aquele do qual Jesus falava aos discípulos e ouvimos: ‘Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’. ‘Fazer de conta: eu faço de conta que sou cristão, mas não o sou’. Não sou transparente, digo uma coisa – ‘sim, sou cristão’–, mas faço outra que não é cristã”.

O Papa destacou, por fim, que uma vida cristã vivida segundo aquela identidade criada pelo Espírito Santo traz outros dons.

“Amor, alegria, paz, magnanimidade, benevolência, bondade, brandura, autodomínio. E esse é o nosso caminho em direção ao céu, é a nossa estrada, do céu que já começa aqui. Porque temos essa identidade cristã, somos todos selados pelo Espírito Santo. Peçamos ao Senhor a graça de estarmos atentos a esse selo, a essa nossa identidade cristã, que não somente é prometida, mas já a temos em mãos como penhor”.
Radio Vaticano
Papa fala do problema da fome em mensagem à FAO



Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta quinta-feira, 16.outubro.2014, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, José Graziano da Silva. A mensagem foi divulgada nesta sexta-feira, 17, pelo Vaticano.

Neste ano, a data comemorativa teve como tema a agricultura familiar: “Alimentar o mundo, preservar o planeta”. O Papa pensa em quantas pessoas passam fome e, ao mesmo tempo, na realidade do desperdício de comida. Trata-se de “um dos paradoxos mais dramáticos do nosso tempo”, visto muitas vezes com indiferença.

O Santo Padre reconhece os progressos realizados em muitos países, mas diz que os dados recentes ainda não inquietantes. Indo além dos dados, o Papa alerta para um aspecto do problema que ainda não recebeu toda a consideração necessária: “os que sofrem de insegurança alimentar e de má nutrição são pessoas e não números, e justamente por sua dignidade de pessoas devem vir antes de todo cálculo ou projeto econômico”.

Em se tratando de propor novas formas de gestão dos diferentes aspectos da nutrição, Francisco destaca a necessidade de reconhecer o papel da família rural e desenvolver todas as suas potencialidades.

“A família, de fato, favorece o diálogo entre as diversas gerações e coloca as bases para uma verdadeira integração social, além de representar aquela desejada sinergia entre o trabalho agrícola e a sustentabilidade: quem mais que a família rural está preocupado em preservar a natureza para as gerações que virão?”.

Sobre o que é preciso para acabar com a fome, o Papa explica que não basta dar uma ajuda aos que vivem em situação de emergência. A solução é mais profunda, envolvendo, por exemplo, mudanças do paradigma das políticas de ajuda e desenvolvimento e a modificação das regras internacionais em matéria de produção e comércio de produtos agrícolas.

“Chegou o tempo de pensar e decidir partindo de cada pessoa e comunidade e não do andamento dos mercados. Por consequência, deveria mudar também o modo de entender o trabalho, os objetivos e a atividade econômica, a produção alimentar e a proteção do ambiente. Esta é, talvez, a única possibilidade para construir um autêntico futuro de paz, hoje ameaçado pela insegurança alimentar”.

O Santo Padre conclui a mensagem recordando a atividade caritativa da Igreja católica nos diversos continentes, com sua disponibilidade a oferecer, iluminar e acompanhar a elaboração das políticas ou sua atuação concreta.
Radio Vaticano

Papa diz que oração de louvor é mais difícil, mas dá alegria

Na Missa desta quinta-feira, 16.outubro.2014, o Papa Francisco dedicou a homilia à oração de louvor. Segundo ele, é fácil rezar para pedir graças, mas é mais difícil rezar para louvar. No entanto, esta é a oração da verdadeira alegria.

No centro da homilia do Papa está a Carta aos Efésios, em que São Paulo eleva com alegria a sua oração de louvor. Louvar a Deus, disse o Papa, é gratuidade pura e significa entrar em uma grande alegria.

“Nós sabemos rezar muito bem quando pedimos coisas, também quando agradecemos ao Senhor, mas a oração de louvor é um pouco mais difícil para nós: não é tão habitual louvar a Deus. E sentimos isso melhor quando fazemos memória das coisas que Ele fez na nossa vida: ‘Nele – em Cristo – escolheu-nos antes da criação do mundo’. Bendito seja o Senhor, porque tu me escolhestes! É a alegria de uma proximidade paterna e terna”.

Francisco pediu um esforço aos fiéis para que possam reencontrar a oração de louvor, que leva a uma felicidade diante do Senhor. O ponto de partida é justamente “fazer memória” desta escolha de Deus pelo homem antes mesmo da criação do mundo, algo que, segundo o Papa, não se pode entender nem imaginar.

“Esta é a verdade! Esta é a revelação! Se nós não acreditarmos nisso, não seremos cristãos. Talvez sejamos impregnados de uma religiosidade teísta, mas não cristãos! O cristão é um escolhido no coração de Deus antes da criação do mundo. Também esse pensamento enche de alegria o nosso coração: eu fui escolhido! E nos dá segurança”.

Para entender isso é preciso, segundo Francisco, entrar no Mistério de Jesus Cristo, que derramou o Seu sangue em abundância, com toda sabedoria e inteligência. “Quando celebramos a Eucaristia, entramos nesse mistério, que não se pode entender totalmente: o Senhor está vivo, está conosco, aqui, na Sua glória, na Sua plenitude, e doa uma vez mais a sua vida por nós. Devemos aprender, a cada dia, essa atitude de entrar no mistério. O cristão é uma mulher, é um homem que se esforça para entrar no mistério”.

Francisco concluiu reforçando que a oração de louvor é, antes de tudo, oração de alegria, depois oração de memória, recordando tudo o que Deus já fez pelo homem e, por fim, oração ao Espírito Santo, que dá a graça de entrar no mistério, sobretudo quando se celebra a Eucaristia.
Radio Vaticano

Nesta quinta-feira, o Santo Padre publicou um tweet:

16/10/2014
O cristão é necessariamente misericordioso; nisto está o centro do Evangelho.

15.OUTUBRO – SANTA TERESA DE ÁVILA – Dia do Professor

Hoje, dia 15, dia de Santa Teresa de Jesus, grande mestra da vida espiritual, e exatamente por isso, é comemorado o dia do professor. Deixo aqui consignada a minha saudação e gratidão a todos os que se dedicam a essa nobre e benemérita carreira, difícil, mas nem sempre reconhecida e condignamente gratificada. Mais do que uma profissão, educar é uma arte, uma vocação e uma missão: formar, conduzir crianças, jovens e adultos no caminho da verdade, sugerindo opiniões conscientes, aconselhando e tornando-se amigos e irmãos dos seus alunos. Que Deus os abençoe e lhes dê coragem, paciência e perseverança.

Ser professor é ser educador e mestre. E ser mestre é muito mais do que ensinar matérias, como bem escreveu o nosso ilustre poeta Antônio Roberto Fernandes, de saudosa memória: “Ser mestre não é só contar a história/ de um certo Pedro Álvares Cabral/ Mas descobrir, de novo, a cada dia,/ um mundo grande, livre, fraternal. - Ser mestre não é só mostrar nos mapas/ onde se encontra o Pico da Neblina/ Mas é subir, guiando os alunos,/ à montanha da vida que se empina... Ser mestre é ser o pai, a mãe, o amigo,/ mostrando sempre a direção da luz,/ pois a palavra Mestre – sobretudo –/ também é um dos nomes de Jesus.”

A melhor definição de educação nós a encontramos no Direito Canônico, conjunto de normas da Igreja (cânon 795): é a formação integral da pessoa humana, dirigida ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem comum da sociedade, de modo que as crianças e jovens possam desenvolver harmonicamente seus dotes físicos, morais e intelectuais, adquirir um sentido mais perfeito da responsabilidade e um uso correto da liberdade, preparando-se para participar ativamente da vida social. Que missão nobre, sublime e difícil a do professor-educador! Indicando aos alunos o sentido da vida, ele vai ajudá-los a dominar seus instintos e a dirigi-los pela razão, a desenvolver o conjunto de suas faculdades, a combater as más paixões e desenvolver as boas, a adquirir o domínio de si e a orientar seus sentimentos, levando em conta as diversas fases da vida e as características do seu temperamento, formando assim sua personalidade e seu caráter. Sendo assim, o mestre é cooperador da Graça de Deus, que, como Pai, só quer o bem dos seus filhos.
           
Mas, será que vale a pena tanto esforço por tão pouco reconhecimento e tão pouco salário? “Tudo vale a pena se a alma não é pequena” (Fernando Pessoa). Se o professor trabalha por vocação, sentir-se-á recompensado pelos frutos do seu trabalho, mesmo que não apareçam imediatamente.
           
A você, portanto, caro professor e querida professora, a nossa homenagem por ter recebido de Deus tão nobre e importante missão e a nossa gratidão reconhecida pelo seu trabalho, que não se mede pela produção imediata, mas por frutos, muitas vezes escondidos, que só vão aparecer ao longo da vida e que estarão escritos no livro da eternidade. “Os que educaram a muitos para a justiça brilharão como estrelas para sempre” (Dn 12,3).
Dom Fernando Rifan

Espera um pouco, filha, e verás grandes coisas” (Santa Teresa)


Esperança cristã não é simples otimismo, diz Papa na catequese



O Papa Francisco deu continuidade, nesta quarta-feira, 15.outubro.2014, ao ciclo de catequeses sobre a Igreja. Concentrado no tema “A Igreja esposa espera o seu esposo”, o Santo Padre explicou que os cristãos aguardam a volta de Jesus, e esse tempo de espera deve ser vivido com esperança cristã, que não é simples otimismo, mas uma espera fervorosa pela realização do mistério do amor de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Durante este tempo falamos da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica, o povo de Deus em caminho. Hoje queremos nos perguntar: no fim, o que será do povo de Deus? O que será de cada um de nós? O que devemos esperar? O apóstolo Paulo encorajava os cristãos da comunidade de Tessalônica, que se colocam estas perguntas, e depois de sua argumentação diziam estas palavras que estão entre as mais belas do Novo Testamento: “E assim para sempre estaremos com o Senhor!” (1 Ts 4, 17). São palavras simples, mas com uma densidade de esperança tão grande! É emblemático como, no livro do Apocalipse, João, retomando a intuição dos Profetas, descreve a dimensão última, definitiva, nos termos da “nova Jerusalém, que desce do céu, de Deus, pronta como uma esposa ornada para seu esposo” (Ap 21, 2). Eis o que nos espera! E então quem é a Igreja: é o povo de Deus que segue o Senhor Jesus e que se prepara dia após dia ao encontro com Ele, como uma esposa com o seu esposo. E não é só um modo de dizer: serão as verdadeiras e próprias núpcias! Sim, porque Cristo, fazendo-se homem como nós e fazendo de todos nós uma só coisa com Ele, com a sua morte e a sua ressurreição, esposou-se conosco e fez de nós como povo a sua esposa. E isto não é outra coisa que não o cumprimento do desígnio de comunhão e de amor tecido por Deus no curso de toda a história, a história do povo de Deus e também a história própria de cada um de nós. É o Senhor que leva isso adiante.

Há um outro elemento, porém, que nos conforta mais e que nos abre o coração: João nos diz que na Igreja, esposa de Cristo, torna-se visível a “nova Jerusalém”. Isto significa que a Igreja, além de esposa, é chamada a se tornar cidade, símbolo por excelência da convivência e do relacionamento humano. Que belo, então, poder já contemplar, segundo outra imagem sugestiva do Apocalipse, todos as pessoas e todos os povos reunidos juntos nesta cidade, como em uma tenda, “a tenda de Deus” (cfr Ap 21, 3)”! E nesta situação gloriosa não haverá mais isolamentos, prevaricações e distinções de gênero algum– de natureza social, étnica ou religiosa – mas seremos todos uma só coisa em Cristo.

Diante desse cenário inaudito e maravilhoso, o nosso coração não pode não se sentir confirmado de modo forte na esperança. Vejam, a esperança cristã não é simplesmente um desejo, não é otimismo: para um cristão, a esperança é espera, espera fervorosa, apaixonada pelo cumprimento último e definitivo de um mistério, o mistério do amor de Deus, no qual renascemos e já vivemos. E é espera por alguém que está para chegar: é o Cristo Senhor que se faz sempre mais próximo a nós, dia após dia, e quem vem para nos introduzir finalmente na plenitude da sua comunhão e da sua paz. A Igreja tem, então, a tarefa de manter acesa e bem visível a lâmpada da esperança, para que possa continuar a resplender como sinal seguro de salvação e possa iluminar toda humanidade no caminho que leva ao encontro com a face misericordiosa de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, eis então o que esperamos: que Jesus volte! A Igreja esposa espera o seu esposo! Devemos nos perguntar, porém, com muita sinceridade: somos realmente testemunhas luminosas e credíveis desta espera, desta esperança? As nossas comunidades vivem ainda no sinal da presença do Senhor Jesus e na espera calorosa da sua vinda, ou parecem cansadas, entorpecidas, sob o peso do cansaço e da resignação? Corremos também nós o risco de exaurir o óleo da fé e o óleo da alegria? Estejamos atentos!

Invoquemos a Virgem Maria, mãe da esperança e rainha do céu, para que nos mantenha sempre em uma atitude de escuta e de espera, de forma a poder estar já agora permeados pelo amor de Cristo e participar um dia da alegria sem fim, na plena comunhão de Deus e não se esqueçam, nunca esquecer: “E assim para sempre estaremos com o Senhor!” (1 Ts 4, 17).
Boletim da Santa Sé/Radio Vaticano
Seguir Teresa de Ávila pelo caminho da alegria, da oração, da fraternidade e do próprio tempo - Mensagem do Papa

Neste dia 15 de outubro, em que a Igreja celebra a memória litúrgica de Santa Teresa de Ávila, tem início um Ano Jubilar comemorativo do quinto centenário da Santa (que nasceu a 28 de março de 1515). Hoje mesmo o Papa Francisco enviou ao bispo de Ávila, D. Jesús García Burillo, uma mensagem em que encoraja os fiéis, nomeadamente espanhóis, a aplicarem-se em conhecer a vida e os escritos de Santa Teresa, que tanto podem ensinar aos homens e mulheres de hoje.

“Na escola da santa andarilha aprendemos a ser peregrinos” - escreve o Papa, que observa que “a imagem do caminho pode sintetizar muito bem a lição da sua vida e obra”, pois “ela entendeu a sua vida como caminho de perfeição através do qual Deus conduz o homem, de morada em morada, até Ele, e ao mesmo tempo, o põe em marcha em direcção aos homens”. Neste contexto, o Santa Padre aponta quatro caminhos nesta marcha teresiana, que todos poderemos imitar com proveito: o caminho da alegria, da oração, da fraternidade e do próprio tempo.

Antes de mais a alegria: “Teresa de Jesus convida as suas monjas a ‘viverem alegres servindo’. A verdadeira santidade é alegria porque – como ela dizia – ‘um santo triste é um triste santo’. Antes de serem valentes heróis, os santos são fruto da graça de Deus aos homens”.

Em segundo lugar, caminho de oração. “A Santa transitou também pelo caminho da oração, que definiu de um modo belíssimo como ‘tratar de amizade estando muitas vezes sozinhos com quem sabemos que nos ama’.” Rezar não é uma forma de fugir, nem de isolar, mas de avançar numa amizade que tanto mais cresce quanto mais se trata ao Senhor como "amigo verdadeiro" e fiel "companheiros" de viagem. Por muitos caminhos pode deus conduzir as alamas até si, mas é a oração "o caminho seguro". Estes conselhos - observa o Papa na sua mensagem - são de perene atualidade e valem especialmente para todos os membros da vida consagrada, aos quais dirige uma exortação: "Numa cultura do provisório, vivam a fidelidade - como dizia Teresa - 'para sempre, sempre, sempre'. Num mundo sem esperança, mostrem a fecundidade de um 'coração enamorado'. Numa sociedade com tantos ídolos, sejam testemunhos de que 'só Deus basta'."

Depois, fraternidade. “Este caminho, não o podemos fazer sozinhos, mas uns com os outros. Para a santa reformadora, o caminho da oração segue pela via da fraternidade no seio da Igreja Mãe. A sua providencial resposta… aos problemas da Igreja e da sociedade do seu tempo… foi fundar pequenas comunidades de mulheres que… vivessem com simplicidade o Evangelho apoiando a Igreja com uma vida feita oração”.

Finalmente, o caminho do próprio tempo: “Precisamente porque é mãe de portas abertas, a Igreja está sempre em caminho para levar aos homens a ‘água viva’ de que têm sede. A santa escritora e mestra de oração foi ao mesmo tempo fundadora e missionária pelos caminhos da Espanha. A sua experiência mística não a separou do mundo nem das preocupações das pessoas. Pelo contrário, deu-lhe novo impulso e coragem para a ação e para os deveres de cada dia”.
Radio Vaticano

Papa diz: o que vale é caridade concreta, não vida de aparência

A nossa vida é uma “vida cristã de cosmética, de aparência ou é uma vida cristã com a fé operante na caridade?”. Esse foi o questionamento do Papa Francisco, na homilia desta terça-feira, 14.outubro.2014, na Casa Santa Marta. O Santo Padre destacou que a fé não é somente recitar o Credo, mas desprender-se da avidez e da cobiça para saber doar aos outros, especialmente aos pobres.

A fé não tem necessidade de aparecer, mas de ser. Não tem necessidade de ser encoberta de cortesias, especialmente se hipócritas, mas de um coração capaz de amar de forma autêntica. O Papa se inspirou no Evangelho do dia – em que o fariseu se admira pelo fato de Jesus não lava as mãos, como prescrito, antes de comer – para repetir que Jesus “condena” esse tipo de segurança baseada no cumprimento da lei.

“Jesus condena essa ‘espiritualidade de maquiagem’, que parece boa, bonita, mas, na verdade, por dentro, é completamente outra coisa! Jesus condena as pessoas de boas maneiras, mas de más atitudes, aqueles comportamentos que não são vistos, mas feitos às escondidas. A aparência é correta; essas pessoas que gostavam de passear nas praças, para se fazer ver pregando, ‘maquiando-se’ com um pouco de fraqueza quando jejuavam. Por que o Senhor é assim? Vejam que são dois os adjetivos que Ele usa aqui, mas ligados entre si: avidez e maldade”.

“Sepulcros caiados”, dirá Jesus sobre eles no análogo trecho do Evangelho de Mateus, referindo-se a certos comportamentos por Ele definidos com dureza como imundícia, podridão. “Antes, dai esmola do que possuís”, é a sua contra-proposta. “A esmola sempre foi, na tradição da Bíblia, quer no Antigo como no Novo Testamento, uma pedra de medida de justiça”, disse o Papa. Também Paulo, na leitura do dia, discute com os Gálatas pelo mesmo motivo, o apego deles à lei. E idêntico é também o resultado, porque, conforme destacou o Pontífice, a Lei sozinha não salva.

“O que vale é a fé. Qual fé? A que ‘se torna operante por meio da caridade’. O mesmo discurso de Jesus ao fariseu, uma fé que não é somente recitar o Credo. Todos nós acreditamos no Pai, no Filho e no Espírito Santo, na vida eterna. Todos acreditamos! Mas essa é uma fé imóvel, não operante. O que vale em Cristo Jesus é a ação que vem da fé, ou melhor, a fé que se torna operante na caridade. Isso é, esmola, caridade. Esmola no sentido mais amplo da palavra: desprender-se da ditadura do dinheiro, da idolatria do dinheiro. Toda cobiça nos afasta de Jesus Cristo”.

O Papa Francisco recordou um episódio da vida do padre Arrupe, Prepósito Geral dos Jesuítas dos anos 60 aos 80. Um dia, uma rica senhora o convidou a ir a um local para doar-lhe dinheiro para a missão no Japão, pela qual o padre Arrupe estava trabalhando. A entrega do envelope ocorreu praticamente na porta, diante de jornalistas e fotógrafos. Padre Arrupe contou ter sofrido uma grande humilhação, mas aceitou o dinheiro “pelos pobres do Japão”. Quando abriu o envelope, havia dez dólares.

Diante do episódio, Francisco convidou cada um a pensar se tem uma vida cristã de aparência ou de fé operante na caridade. “Jesus nos aconselha isto: ‘Não toqueis a trombeta’. E nos fala daquela velhinha que deu tudo que tinha para viver. E louva aquela mulher por ter feito isso. E o fez um pouco escondida, talvez porque se envergonhava de não poder dar mais”.
Radio Vaticano

Em seu twitter, o Papa Francisco escreveu hoje:

14/10/2014
Senhor, concedei a vossa consolação a todos aqueles que sofrem, especialmente dos doentes, necessitados e desempregados.

Abrir-se às surpresas de Deus, pede Papa em homilia

Abrir-se às surpresas de Deus, não fechar-se aos sinais dos tempos. Foi o que pediu o Papa Francisco, na Missa desta segunda-feira, 13, na Casa Santa Marta. Comentando as Palavras de Jesus aos doutores da lei, o Papa exortou os fiéis a não permanecerem apegados às próprias ideias, mas a caminhar com o Senhor encontrando sempre coisas novas.

Jesus fala aos doutores da lei, que Lhe pedem um sinal e os define como “geração perversa”. O Papa Francisco partiu desse trecho do Evangelho para se concentrar no tema das “surpresas de Deus”. Tantas vezes, observou ele, esses doutores pediram sinais a Jesus e Ele lhes respondeu que não eram capazes de ver os sinais dos tempos.

“Por que esses doutores da lei não entendiam os sinais dos tempos e pediam um sinal extraordinário (Jesus deu a eles depois esse sinal)? Antes de tudo, porque eram fechados. Estavam fechados nos seus esquemas, haviam organizado a lei brilhantemente, uma obra de arte. Todos os judeus sabiam o que se podia ou não fazer, até mesmo onde se podia ir ou não. Tudo estava organizado. E eles estavam seguros ali”.

Para eles, acrescentou o Santo Padre, o que Jesus fazia “eram coisas estranhas”: andar com os pecadores, comer com os publicanos. A eles isso não agradava, era perigoso; colocava em perigo a doutrina, aquela doutrina da lei que eles, os teólogos, fizeram ao longo dos séculos.

O Papa reconheceu que a haviam feito por amor, para serem fiéis a Deus, porém, estavam fechados nisto, simplesmente haviam esquecido a história. Haviam esquecido que o Senhor é o Deus da lei, mas também das surpresas. Por outro lado, também para o Seu povo, Deus reservou surpresas tantas vezes, como quando o salvou da escravidão do Egito.

“Eles não entendiam que Deus é o Deus das surpresas, que Ele é sempre novo; nunca renega a si mesmo, nunca disse que o que havia dito era errado, nunca, mas nos surpreende sempre. E eles não entendiam e se fechavam naquele sistema feito com tanta boa vontade e pediam a Jesus: ‘Mas, dê um sinal!’. E não entendiam os tantos sinais que Jesus fazia e que indicavam que o tempo estava maduro. Fechamento! Segundo, haviam esquecido que eles eram um povo a caminho. A caminho! E quando se está a caminho, quando alguém está a caminho, sempre encontra coisas novas, coisas que não conhecia”.

Segundo Francisco, um caminho não é absoluto em si mesmo, é o caminho em direção “à manifestação definitiva do Senhor”; a vida é um caminhar rumo à plenitude de Jesus Cristo, quando virá pela segunda vez. Essa geração procurava um sinal, mas disse o Senhor: “Não lhes será dado nenhum sinal, senão o sinal de Jonas”, isto é, o sinal da Ressurreição, da Glória, daquela escatologia em direção à qual o homem está a caminho.

Os doutores da lei estavam fechados em si mesmo, reiterou o Papa, não abertos ao Deus das surpresas, não conheciam o caminho nem mesmo essa escatologia. Assim, quando no Sinédrio Jesus afirmou ser o Filho de Deus, escandalizaram-se, afirmando que Ele havia blasfemado.

Francisco explicou que eles não entenderam que a lei que eles protegiam e amavam era uma pedagogia em direção a Jesus Cristo. Se a lei não leva a Jesus, disse, não aproxima o homem d’Ele, é morta. E por isso Jesus os repreende por serem fechados, por não serem capazes de reconhecer os sinais dos tempos, de não serem abertos ao Deus das surpresas.

“E isso deve nos fazer pensar: eu sou apegado às minhas coisas e às minhas ideias? Sou fechado ou sou aberto ao Deus das surpresas? Sou uma pessoa parada ou uma pessoa que caminha? Eu acredito em Jesus Cristo – naquilo que Ele fez: morreu, ressuscitou e acabou a história? Acredito que o caminho segue em frente até um amadurecimento, para a manifestação da glória do Senhor? Eu sou capaz de entender os sinais dos tempos e ser fiel à voz do Senhor que se manifesta neles? Poderíamos hoje nos fazer essas perguntas e pedir ao Senhor um coração que ame a lei, porque ela é Deus; que ame também as surpresas do Pai e que saiba que esta lei santa não é o fim em si mesma”.
Radio Vaticano

Papa reflete sobre o convite de Deus feito aos homens

Após a celebração da Eucaristia na Basílica de São Pedro em ação de graças pela canonização dos dois evangelizadores do Canadá, e como de costume aos domingos, às 12 horas de Roma, o Santo Padre apareceu à janela do Palácio Apóstólico para a oração mariana do Angelus.

O Papa falou que no Evangelho deste domingo, Jesus nos fala da resposta que foi dada ao convite de Deus, representado na figura do Rei, para participar de um banquete das núpcias. O convite tem três características fundamentais: a gratuidade, a extensão e a universalidade.

O Papa destaca que são três características que revelam a bondade de Deus para conosco, a gratuidade da sua amizade, a alegria, a salvação, não obstante o fato que muitas vezes nós não acolhemos os seus dons e colocamos em primeiro lugar as nossas preocupações materiais, os nossos interesses.

“Fato surpreendente no Evangelho deste domingo é que nenhum dos escolhidos, dos convidados aceitou participar do banquete. Alguns alegaram ter outras coisas à fazer, outros demonstraram indiferença perante o convite, outros sentiram-se incomodados com este convite, outros chegaram até a maltratar e a matar os servos que tinham sido mandados pelo Rei para os convidar ao banquete das núpcias.”

Mesmo assim perante a recusa dos homens de aceitar e de aderir ao convite, o projeto de Deus não se interrompeu, explica o Papa. Perante a recusa dos primeiros convidados, Deus não se desencorajou, não suspendeu a festa, mas voltou a propô-la estendendo o convite a todos indistintamente sobretudo aos que vivem nas periferias, aos mais pobres, abandonados, bons e maus sem distinção. Eis que finalmente a sala do banquete se encheu dos “excluídos”. O Evangelho rejeitado por alguns encontrou acolhimento inesperado por outros.

A bondade de Deus, de fato, disse ainda o Papa, não tem confins, não discrimina ninguém e é por isso que os dons do Senhor são universais, são para todos; a todos é dado a possibilidade de responder ao chamado de Deus.

Francisco destacou que entretanto há uma condição essencial para participar deste banquete nupcial: vestir o hábito nupcial. Aquele hábito que nos recorda que em virtude da nossa fé, nós já tomamos parte do banquete do Senhor e beneficiamos dos seus dons que nos alimentam e nos guiam na nossa vida quotidiana. Mas não podemos afirmar de ter a veste nupcial se depois não vivemos o amor a Deus e ao próximo. Pois, a fé requer o testemunho da caridade a ser manifestada em gestos concretos de solidariedade e de serviço aos irmãos especialmente aos mais necessitados.

Ao concluir a sua reflexão, o Papa Francisco convidou aos presentes a confiarem por intercessão de Maria Santíssima, os dramas e as esperanças de tantos irmãos e irmãs que são vítimas da perseguição por causa da fé, ao mesmo tempo que invocamos a sua proteção para os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a família que estão a decorrer neste momento no Vaticano.

Após o Angelus

Depois do oração do Angelus, o Papa informou os peregrinos na Praça de São Pedro que esta manhã foi proclamado beato, na ilha italiana da Sardenha, o Padre Francesco Zirano, da Ordem dos Frades menores Conventuais: ele, disse o Papa, preferiu ser morto do que renegar a sua fé. Demos graças portanto a Deus por este sacerdote e mártir, testemunho do Evangelho. A sua corajosa fidelidade a Cristo, concluiu o Papa Francisco, é um ato de grande importância sobretudo para o contexto das perseguições a que são vítimas hoje os cristãos.

O Santo Padre aproveitou também a ocasião para manifestar a sua proximidade para com as populações da cidade italiana de Genova a braços com inundações e pediu oração para elas.
Radio Vaticano

Papa Francisco, Tweet de 11.outubro.2014:

O poder espiritual dos Sacramentos é imenso. Com a graça, podemos superar todos os obstáculos.
Papa agradece canonização dos fundadores da Igreja no Canadá

Neste domingo, 12.outubro.2014, o Papa Francisco presidiu, na Basílica de São Pedro, a uma Missa solene de agradecimento pela canonização, ocorrida no dia 3 de abril, de Francisco de Laval, primeiro Bispo do Quebeque (Canadá), que viveu entre 1623 e 1708 e de Maria da Incarnação, uma religiosa orsolina, francesa, falecida em 1672, com 73 anos de idade, considerados os fundadores da Igreja no Quebeque.

O Papa centrou a sua homilia na figura do missionário. Partindo das palavras do profeta Isaías, segundo as quais “O Senhor Deus enxugará as lágrimas em cada rosto”, o Papa disse que estas palavras de esperança indicam a meta em direção à qual caminhamos; palavras que delineiam a vocação dos missionários.

“Os missionários são aqueles que, dóceis ao Espírito Santo, têm a coragem de viver o Evangelho. Os missionários são aqueles que dirigiram o olhar a Cristo crucifixo, acolheram a sua graça e não a mantiveram só para si (…) com a força de Deus tiveram a coragem de ‘sair’ pelas vias do mundo com confiança no Senhor que os chama”.

Recordando depois que a missão evangelizadora da Igreja é essencialmente anuncio do amor, da misericórdia e do perdão de Deus, o Papa frisou que os missionários serviram a Missão da Igreja, levando a todos os mais pequenos e mais longínquos, o Pão da Palavra de Deus, o dom inexaurível do amor que brota do próprio coração do Salvador.

“Assim foram São Francisco de Laval e Santa Maria da Incarnação” – prosseguiu o Pontífice, deixando dois conselhos aos peregrinos canadenses: em primeiro lugar a fazerem memória daqueles que lhes anunciaram a Palavra de Deus, a olharem para o êxito da sua vida e a imitarem a sua fé, pois que são “testemunhos fecundos que geram vida”.

Em segundo lugar a recordarem-se daqueles primeiros dias em que depois de terem recebido a Palavra de Cristo, tiveram de suportar uma luta grande e penosa. O Papa exortou-os a perseverarem nesse caminho com franqueza, e recordou-lhe que prestar homenagem àqueles que sofreram para lhes levar o Evangelho, significa levar para a frente a boa batalha da fé, com humildade, sem alaridos e com a misericórdia na vida de cada dia.

“Memória daqueles que nos precederam, daqueles que fundaram a nossa Igreja, a Igreja fecunda do Quebec, fecunda em tantos missionários que foram por todo o lado; o mundo foi enchido de missionários canadenses como estes dois”.

Que esta memoria, aconselhou o Papa “não nos leve a abandonar a franqueza, a coragem, porque o diabo” – disse – “é invejoso e não tolera que uma terra seja tão fecunda de missionários”. E pediu orações a fim de que “o Quebec volte a percorrer o caminho da fecundidade, a dar ao mundo tantos missionários.

“E estes dois que fundaram, por assim dizer, a Igreja do Quebec nos ajudem como intercessores; que a semente que eles semearam cresça e dê frutos de novos homens e mulheres corajosos, clarividentes com o coração aberto ao chamado do Senhor”.

O Papa acrescentou ainda que é isto que se deve pedir hoje para o Quebec, que volte a ser aquela fonte de bons e santos missionários. E recordou aos canadenses que este é o significado da sua peregrinação: fazer com que essa memória dos missionários “nos sustente no caminho em direção ao futuro, em direção à meta quando o Senhor enxugará as lágrimas em cada rosto.”
Radio Vaticano

Papa fala do exame de consciência como proteção ao coração

Guardamos bem o nosso coração? Preservamo-lo das contínuas tentativas do demônio de entrar e permanecer nele? Perguntou o Papa durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de sexta-feira, 10.Outubro.2014, refletindo sobre o trecho litúrgico do Evangelho de Lucas (11, 15-26): «uma triste história», disse, que começa com Jesus que expulsa um demônio «e acaba no momento em que os demônios voltam à alma da pessoa da qual foram expulsos».

É uma situação que recorre na vida de cada homem porque, recordou o Pontífice citando o trecho de Lucas, «quando o espírito impuro sai do homem, paira por lugares desertos, procurando alívio, e não o encontrando diz: voltarei para a minha casa». E eis que o demônio, encontrando a alma em paz, «vai, toma outros sete espíritos piores do que ele, entram nela e habitam-na». E assim «a condição seguinte daquele homem torna-se pior que a anterior».

Com efeito o demônio, explicou o bispo de Roma, nunca desanima, «é paciente» e volta continuamente, até «no fim da vida» porque ele «não abandona o que quer para si».

Também Jesus experimentou esta realidade: no Evangelho de Lucas lê-se que «depois das tentações no deserto» o demônio o deixava em paz por um certo tempo, mas depois «voltava de novo». E os demônios «armavam-lhe ciladas» até ao fim, até à paixão, « até à Cruz», dizendo-lhe: «Se és o Filho de Deus... vem, vem conosco, assim acreditaremos». É – explicou Francisco – o que acontece também conosco quando alguém nos tenta perguntando-nos: «Mas você é capaz?». E maliciosamente desafia-nos dizendo: «Não, não é capaz». Por isso «Jesus fala de um homem forte, bem armado, que está de guarda em seu palácio, na sua casa», porque o coração de cada um de nós é como uma casa. E então, perguntou o Pontífice, «eu estou de guarda ao meu coração?».

Com efeito, é preciso «guardar este tesouro no qual habita o Espírito Santo, para que não entrem os outros espíritos». E é necessário fazê-lo «como se guarda uma casa, uma chave». De resto, disse o Papa, nas nossas casas utilizamos «tantos meios de segurança» para nos defendermos dos ladrões. Fazemos o mesmo com o nosso coração? Ou deixamos «a porta aberta»? É preciso «vigiar», recomendou Francisco, porque o demônio, mesmo se foi «expulso com o batismo, vai, procura outros sete piores do que ele, e volta».

Eis então que é necessária uma atenção contínua. É preciso questionar-se: «O que acontece ali», dentro de nós? «Sou a sentinela do meu coração?». Aprendamos, sugeriu o Pontífice, da nossa vida diária: «Quem de nós fica tranquilo, quando está em casa, em qualquer uma das partes da casa, se vir uma pessoa que não conhece? Ninguém!». E dirige-se imediatamente ao desconhecido: «Mas você quem é? Quem o deixou entrar? Por onde entrou?». Pode acontecer o mesmo também em nós. «Quantas vezes entram os maus pensamentos, as más intenções, os ciúmes, as invejas. Entram tantas coisas. E quem abriu a porta? Por onde entraram?». E se não nos apercebemos de quem deixamos entrar no nosso coração, ele «torna-se uma praça, onde todos entram e saem». Falta a intimidade. E ali «o Senhor não pode falar nem sequer ser ouvido».

Então acontece que, mesmo se o nosso coração «é o lugar onde receber o Espírito Santo», sem a justa vigilância «o Espírito acaba posto de lado», como se o fechássemos num armário». E ali o espírito fica «triste».

Como fazer então para evitar que isto aconteça? O Papa respondeu citando uma expressão usada por Jesus «que parece um pouco estranha: “Quem não recolhe comigo, dissipa”». Partindo da palavra “recolher”, Francisco explicou que é preciso «ter um coração recolhido», um coração no qual conseguimos estar cientes do «que acontece». Neste sentido é recomendável a prática, muito antiga «mas boa», do exame de consciência. «Quem de nós – perguntou o Papa – à noite permanece sozinho» e no silêncio «questiona-se: o que aconteceu hoje no meu coração? O que entrou no meu coração?».

É uma prática importante, uma verdadeira «graça» que nos pode ajudar a ser bons guardas. Porque, recordou o Papa, «os diabos voltam sempre. Até no fim da vida». E para cuidar que os demônios não entrem no nosso coração é preciso saber «estar em silêncio diante de si mesmos e diante de Deus», para verificar se na nossa casa «entrou alguém» que não conhecemos e se «a chave está no seu lugar». Isto, concluiu o Pontífice, «ajudar-nos-á a defender-nos de tantas maldades, também das que nós podemos fazer». Porque «estes demônios são muito astutos», e são capazes de enganar todos.

O Espírito Santo é o 'algo mais' que Deus dá, diz Papa

O maior dom que Deus pode dar é o Espírito Santo, disse o Papa Francisco na homilia desta quinta-feira, 9.outubro.2014, na Casa Santa Marta. O Santo Padre refletiu sobre o Evangelho do dia, destacando como Jesus quer despertar a confiança na oração.

Francisco explicou que, no Evangelho, há três palavras-chaves: o amigo, o Pai e o dom. Jesus mostrou aos discípulos o que é a oração: é como um homem que, à meia-noite, foi pedir alguma coisa a seu amigo. Na vida, observou o Papa, existem amigos ‘de ouro’, que realmente dão tudo, e outros ‘mais ou menos’ bons. Mesmo quando a pessoa é inoportuna e intrometida, o vínculo de amizade faz com que ela seja atendida naquilo que pede.

“Jesus disse ainda: ‘Quem de vocês, sendo pai, se o filho lhe pedir um peixe, em vez do peixe lhe daria uma serpente? Ou se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos, quanto mais o Pai do Céu!’”. Com isso, o pai disse que não só o amigo é um acompanhante no caminho da vida, mas também o Pai do Céu, que tanto ama o ser humano.

Jesus queria despertar a confiança na oração e disse: “Peçam e lhes será dado, busquem e achareis, batam e se abrirá, porque quem pede, recebe; quem procura, encontra; e a quem bate, será aberto”. Segundo Francisco, isso é a oração: pedir, tentar entender, bater à porta do coração de Deus. E o Pai dará o Espírito Santo a quem lhe pedir.

“Este é o verdadeiro dom, este é o ‘algo mais’ de Deus. O Senhor jamais lhe dará um presente assim, sem alguma coisa que o torne mais bonito. O que Ele nos dá ‘a mais’ é o Espírito, e o verdadeiro dom do Pai é o que a oração não ousa esperar”.

O Pontífice concluiu dizendo que a oração se faz com o Pai, no Espírito Santo, e com o amigo, que é Jesus. “É Ele quem nos acompanha e nos ensina a rezar; e a nossa oração deve ser assim, trinitária. Às vezes, dizem: ‘Você crê?’. ‘Sim! Sim’. ‘Em que você crê?’. ‘Em Deus!’. ‘Mas o que é Deus para você?’. ‘Deus é Deus!’. Mas assim Ele não existe. Não se escandalizem! Deus assim não existe! Existe o Pai, o Filho e o Espírito Santo: são pessoas, não uma ideia no ar. Esse ‘Deus-spray’ não existe! Existem pessoas! Jesus é o companheiro de caminho que nos dá o que pedimos; o Pai que cuida de nós e nos ama, e o Espírito Santo é o dom, é o ‘algo mais’ que o Pai nos dá, aquilo que a nossa consciência não ousa esperar”.

Papa Francisco, hoje, em seu twitter:

09/10/2014
Queridos jovens, Cristo conta convosco para serdes amigos dele e testemunhas do seu amor infinito.

Divisão entre cristãos fere a Igreja e Cristo, diz Papa

A divisão entre os cristãos fere a Igreja e fere Cristo, disse o Papa Francisco, na catequese desta quarta-feira, 8.outubro.2014. O Santo Padre prosseguiu a série de catequeses sobre a Igreja, desta vez falando sobre a necessidade de comunhão entre os cristãos.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas últimas catequeses, procuramos lançar luz sobre a natureza e a beleza da Igreja e nos perguntamos o que significa para cada um de nós fazer parte deste povo, povo de Deus que é a Igreja. Não devemos, porém, esquecer que há tantos irmãos que partilham conosco a fé em Cristo, mas pertencem a outras confissões ou a tradições diferentes da nossa. Muitos se resignaram a esta divisão – mesmo dentro da nossa Igreja católica se resignaram – que no curso da história muitas vezes foi causa de conflitos e de sofrimentos, também de guerras e isto é uma vergonha! Também hoje as relações não são sempre baseadas no respeito e na cordialidade… Mas, eu me pergunto: como nos colocamos diante de tudo isso? Somos também nós resignados, se não indiferentes a esta divisão? Ou acreditamos firmemente que se possa e se deva caminhar na direção da reconciliação e da plena comunhão? A plena comunhão, isso é, poder participar todos juntos do corpo e sangue de Cristo.

As divisões entre os cristãos, enquanto ferem a Igreja, ferem Cristo, e nós divididos provocamos uma ferida em Cristo: a Igreja, de fato, é o corpo do qual Cristo é a cabeça. Sabemos bem quanto esteve no coração de Jesus que os seus discípulos permanecessem unidos no seu amor. Basta pensar em suas palavras reportadas no capítulo 17 do Evangelho de João, a oração dirigida ao Pai na iminência da paixão: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós” (Jo 17, 11). Esta unidade já estava ameaçada enquanto Jesus ainda estava entre os seus: no Evangelho, de fato, recorda-se que os apóstolos discutiam entre eles sobre quem era o maior, o mais importante (cfr Lc 9, 46). O Senhor, porém, insistiu tanto sobre a unidade no nome do Pai, fazendo-nos entender que o nosso anúncio e o nosso testemunho serão tanto mais credíveis quanto mais por primeiro formos capazes de viver em comunhão e de nos querermos bem. É o que os seus apóstolos, com a graça do Espírito Santo, depois entenderam profundamente e levaram no coração, tanto que São Paulo chegará a implorar à comunidade de Corinto com estas palavras: “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento” (1 Cor 1, 10).

Durante o seu caminho na história, a Igreja foi tentada pelo maligno, que procura dividi-la e, infelizmente, foi marcada por separações graves e dolorosas. São divisões que às vezes duraram muito tempo, até hoje, por isso agora resulta difícil reconstruir todas as motivações e, sobretudo, encontrar possíveis soluções. As razões que levaram às fraturas e às separações podem ser as mais diversas: divergências sobre princípios dogmáticos e morais e sobre concepções teológicas e pastorais diferentes, motivos políticos e de conveniência, até discussões devido a antipatias e ambições pessoais… O que é certo é que, de um modo ou de outro, por trás destas lacerações estão sempre a soberba e o egoísmo, que são a causa de todo desacordo e que nos tornam intolerantes, incapazes de escutar e de aceitar que há uma visão ou uma posição diferente da nossa.

Ora, diante de tudo isso, há alguma coisa que cada um de nós, como membros da santa mãe Igreja, podemos e devemos fazer? Certamente não deve faltar a oração, em continuidade e em comunhão com aquela de Jesus, a oração pela unidade dos cristãos. E junto com a oração, o Senhor nos pede uma renovada abertura: pede-nos para não nos fecharmos ao diálogo e ao encontro, mas colher tudo aquilo de válido e de positivo que nos é oferecido também por quem pensa diferente de nós ou se coloca em posições diferentes. Pede-nos para não fixar o olhar sobre aquilo que nos divide, mas sim sobre aquilo que nos une, procurando melhor conhecer e amar Jesus e partilhar a riqueza do seu amor. E isto comporta concretamente a adesão à verdade, junto com a capacidade de perdoar-se, de sentir-se parte da mesma família cristã, de considerar-se um dom para o outro e fazer juntos tantas coisas boas e obras de caridade.

É uma dor, mas há divisões, há cristãos divididos, estamos divididos entre nós. Mas todos temos algo em comum: todos acreditamos em Jesus Cristo, o Senhor. Todos acreditamos no Pai, no Filho e no Espírito Santo e todos caminhamos juntos, estamos em caminho. Ajudemo-nos uns aos outros! Mas você pensa assim, você pensa assim… Em todas as comunidades há grandes teólogos: que eles discutam, que eles procurem a verdade teológica porque é um dever, mas nós caminhamos juntos, rezando uns pelos outros e fazendo obras de caridade. E assim fazemos a comunhão em caminho. Isto se chama ecumenismo espiritual: caminhar o caminho da vida todos juntos na nossa fé, em Jesus Cristo o Senhor. Diz-se que não se deve falar de coisas pessoais, mas não resisto à tentação. Estamos falando de comunhão… comunhão entre nós. E hoje, eu sou tão grato ao Senhor porque hoje faz 70 anos que eu fiz a Primeira Comunhão. Mas fazer a Primeira Comunhão todos nós sabemos que significa entrar em comunhão com os outros, em comunhão com os irmãos da nossa Igreja, mas também em comunhão com todos aqueles que pertencem a comunidades diferentes mas acreditam em Jesus. Agradeçamos ao Senhor pelo nosso Batismo, agradeçamos ao Senhor pela nossa comunhão e porque esta comunhão acaba por ser de todos, juntos.

Queridos amigos, seguimos adiante, então, rumo à plena unidade! A história nos separou, mas estamos em caminho rumo à reconciliação e à comunhão! E isto é verdadeiro! Devemos defender isso! Todos estamos em caminho rumo à comunhão. E quando a meta pode nos parecer distante, quase inatingível, e nos sentimos presos pelo desconforto, consola-nos a ideia de que Deus não pode fechar os ouvidos à voz do próprio Filho Jesus e não cumprir a sua e a nossa oração, a fim de que todos os cristãos sejam realmente uma só coisa.
Boletim da Santa Sé

O Papa Francisco twittou nesta terça-feira:

07/10/2014
Peçamos ao Senhor a graça de não falar mal dos outros, não criticar, nem fofocar, mas querer bem a todos.

Homilia em Santa Marta - Se perdermos a memória

Que significa rezar? «Fazer memória da nossa história diante de Deus. Porque a nossa história» é «a história do seu amor para conosco». Na missa celebrada na manhã de terça-feira, 7 de Outubro, em Santa Marta, o Papa Francisco escolheu como ideia-guia da própria homilia o «fazer memória».

Introduzindo a reflexão, iniciou explicando como muitas vezes a Bíblia recorda «que o Senhor escolheu o seu povo e o acompanhou durante o caminho no deserto, por toda a vida». Praticamente «Ele esteve próximo», tendo-o escolhido e prometido que «o levaria para uma terra de alegria e felicidade»; caminhou com este povo e com ele estipulou uma aliança.

Quanto «Deus fez com o seu povo – disse o Pontífice – atualizando o discurso – fê-lo e fá-lo com cada um de nós». De fato, prosseguiu, «nós fomos escolhidos».

Eis o convite a «fazer memória desta realidade» na oração diária, que para o Papa Francisco nasce da constatação de que esta atitude é «um hábito incomum entre nós. Vivemos o momento e depois esquecemos a história». E evidenciou que “não nos lembramos das coisas porque vivemos o momento e depois, esquecemos a história. cada um de nós tem uma história: de graças, de pecados, de caminhos, de tantas coisas...”.. Portanto, «faz bem rezar com a nossa história». Precisamente como «São Paulo, que narra um pouco da sua história», dizendo: «Ele escolheu-me. Chamou-me. Salvou-me. Foi o meu companheiro de caminho». A ponto que as pessoas que conheciam a sua vida repetiam: «Aquele que antes nos perseguia, agora anuncia a fé que outrora queria destruir».

Portanto, “Fazer memória da própria vida – explicou – é glorificar Deus. Recordar os nossos pecados, dos quais o Senhor nos salvou, é dar glória a Deus” – prosseguiu. “Paulo se envaidece apenas de duas coisas: dos próprios pecados e da graça de Deus Crucificado, de sua graça. Ele fazia memória de seus pecados e se vangloriava: ‘Fui pecador, mas Cristo Crucificado me salvou’ e se envaidecia de Cristo. Esta foi a memória de Paulo; esta é a memória que o próprio Jesus me convidou a fazer”.

“Quando Jesus disse a Marta: ‘Tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessário. Maria escolheu a melhor parte’: ouvir o Senhor e fazer memória. Não se pode rezar todos os dias como se não tivéssemos história; mas muitas vezes, nos deixamos levar, como Marta, pelos afazeres, pelos deveres do dia, e a esquecemos”.

Nossa relação com Deus – disse ainda – “não começa no dia do Batismo: ali ela é sigilada. Começa quando Deus, da eternidade, nos olhou e escolheu. Começa no coração de Deus”.

“Fazer memória de nossas escolhas, as que Deus fez para nós. Fazer memória do nosso caminho de aliança. Esta aliança foi respeitada ou não? Não... somos pecadores. Façamos memória da promessa feita por Deus e que não desilude, mas é a nossa esperança. Esta é a verdadeira oração”.

O Papa encerrou a homilia convidando a rezar com o Salmo 138: “Senhor, vós me perscrutais e me conheceis, sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos”.

“Isto é rezar – disse ainda Francisco – rezar é fazer memória de nossa história diante de Deus, porque a nossa história é a história do seu amor por nós”.
L’Osservatore Romano/Radio Vaticano


"O dia do Nascituro"

Por determinação da 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, celebra-se, ou deveria celebrar-se, em todo o Brasil, de 1 a 8 de outubro, a Semana Nacional da Vida e no dia 8 de outubro o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. Uma data esquecida, mas que, sobretudo hoje, vale a pena recordar. Nascituro, o que está para nascer, é o que todos nós fomos um dia, no útero de nossa mãe. Ali teve início nossa existência, graças a Deus.
 
Foi escolhido o dia 8 de outubro, por ser próximo ao dia em que se celebra a Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc. 1,39-45).
         
Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que nos maravilhamos com as atuais descobertas científicas sobre os meses iniciais de nossa vida, quando nossa afetividade e psicologia pessoais começam a ser formadas, constata-se a existência de ataques à vida humana nascente.
       
A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro, como bem nos ensina S. João Paulo II na Carta Encíclica "Evangelium Vitae" (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana): “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (n. 58). E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que... apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina - declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).
          
Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós fomos também, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom. Lutemos pela vida, contra o aborto.
Dom Fernando Rifan
     
Falar claro, com coragem evangélica e de coração aberto, e também escutar com humildade. Assim se exerce a sinodalidade - Papa Francisco, aos Padres sinodais

Cidade do Vaticano, 6.outubro.2014 (RV) – Com uma intervenção introdutória, metodológica, prática, do Secretário do Sínodo dos Bispos, cardeal Baldisseri, teve início, nesta segunda-feira de manhã, no Vaticano, a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo, tendo como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Esta primeira reunião ("congregação geral", como é chamada) foi coordenada por um dos três presidentes, nomeados pelo Papa - o cardeal VIngt-Trois, arcebispo de Paris, que saudou os presentes.

Também o Papa tomou brevemente a palavra, agradecendo todos os que trabalharam intensamente para a realização desta Assembleia e sublinhando a dimensão de colegialidade e de sinodalidade que caracteriza esta assembleia. Exercer a “sinodalidade” na assembleia que agora inicia – recordou o Papa – é uma grande responsabilidade: é importante “falar claro”. Dizer tudo com “parresia” – coragem e frontalidade evangélica. Sem respeito humano, com coração aberto.

Na sua breve intervenção – exortativa e metodológica – o Papa Francisco começou por observar que os Padres sinodais são portadores da voz das Igrejas particulares, congregadas em Conferências Episcopais, fazendo notar desde logo uma distinção: “A Igreja universal e as Igrejas particulares são de instituição divina, as Igrejas locais entendidas como tais são de instituição humana.” Trata-se de um exercício de “sinodalidade”.

É uma grande responsabilidade: trazer as realidades e as problemáticas das Igrejas, para as ajudar a caminhar naquela via que é o Evangelho da família. Uma condição geral de base é esta: falar claro. Ninguém diga: ‘Isto não se pode dizer, alguém pensará de mim isto ou aquilo…’ É preciso dizer com parresia (frontalidade) tudo o que se sente.

O Papa observou que, depois do último Consistório, de fevereiro passado, em que se falou da família, um Cardeal escreveu-me dizendo: é pena que alguns Cardeais não tenham tido a coragem de dizer algumas coisas, com receio que o Papa pensasse algo de diferente…

Isto não está certo, isto não é sinodalidade, porque há que dizer tudo aquilo que no Senhor cada um se sentir no dever de dizer: sem respeito humano, sem acanhamento.    E ao mesmo tempo, há que escutar com humildade e acolher de coração aberto o que dizem os irmãos.

É com estas duas atitudes que se exerce a sinodalidade. Por isso, peço-vos, por favor, estas duas atitudes de irmãos no Senhor: falar com parresia – clareza e coragem evangélicas – e escutar com humildade. Fazei-o com muita tranquilidade e paz, porque o Sínodo decorre sempre cum Petro et sub Petro e a presença do Pai é garantia para todos e custódia da fé. Caros irmãos, colaboremos todos para que se afirme com clareza a dinâmica da sinodalidade.

Após uma pausa, a meio da manhã, seguiu-se o chamado "Relatório antes do Debate" - ampla apresentação global da temática desta Assembleia Sinodal, da parte do Relator Geral, o cardeal Peter Erdo, arcebispo de Budapeste.

Nos 20 minutos que se seguiram, até às 12.30, foi dada a palavra aos presentes, para breves comentários às intervenções da manhã.
Radio Vaticano
Não desviar o olhar quando o irmão passa fome, pede Papa

Cidade do Vaticano, 6.outubro.2014 (RV) – O Papa Francisco gravou uma videomensagem para a Caritas Internacional, por ocasião da Campanha Mundial “Alimento para todos”. O Santo Padre exorta os fiéis a não olhar com indiferença para as pessoas que passam fome, mas levantarem a voz em defesa dos famintos.

“’Tive fome e me destes de comer.’ As palavras de Nosso Senhor hoje nos exortam, dizendo-nos de não desviar o olhar, de não olhar com indiferença quando vemos o nosso próximo passando fome. Encorajo todos os fiéis a participarem da campanha da Caritas ‘Alimento para todos’ e que levantem a voz em defesa dos famintos, em especial durante a Semana de Ação, que se realizará neste mês de outubro. Muito obrigado.”

Todas as 164 organizações membro da Cáritas são convidadas a participar da campanha. Isso inclui os membros nacionais, como a Cáritas Brasileira, e as Cáritas diocesanas e paroquiais que pertencem a essa grande rede. Cada Cáritas no mundo adaptou a temática da fome e da pobreza a partir das questões relacionadas com a realidade do próprio país. Por exemplo, no Brasil, questões como soberania alimentar e justiça social foram incluídas no debate por serem temas relevantes em uma sociedade que tanto sofre com as desigualdades sociais.
Radio Vaticano

Esta foi a mensagem deixada pelo Papa Francisco, hoje, em seu twitter:

06/10/2014
Vinde, Espírito Santo. Fazei descer sobre nós os vossos dons durante o Sínodo. #prayforsynod

Homilia do Papa Francisco durante a Santa Missa em Caserta  em 26.julho.2014, apresentada hoje na íntegra - clque aqui

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            
Família precisa ser alimentada pela Palavra de Deus, diz Papa no Angelus deste Domingo, 5.outubro.2014



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nesta manhã, com a celebração eucarística na Basílica de São Pedro, inauguramos a Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Os padres sinodais provenientes de toda parte do mundo, junto comigo, viverão duas intensas semanas de escuta e de diálogo, fecundados pela oração, sobre o tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.

Hoje, a Palavra de Deus apresenta a imagem da vinha como símbolo do povo que o Senhor escolheu. Como uma vinha, o povo requer tanto cuidado, requer um amor paciente e fiel. Assim faz Deus conosco, e assim somos chamados a fazer nós Pastores. Também cuidar da família é um modo de trabalhar na vinha do Senhor, para que produza os frutos do Reino de Deus (cfr Mt 21, 33-43).

Mas para que a família possa caminhar bem, com confiança e esperança, é preciso que seja alimentada pela Palavra de Deus. Por isto é uma feliz coincidência que justamente hoje os nossos irmãos Paulinos tenham desejado fazer uma grande distribuição da Bíblia, aqui na Praça e em tantos outros lugares. Agradeçamos aos nossos irmãos Paulinos! Fazem isso em ocasião do centenário de sua fundação, por parte do beato Tiago Alberione, grande apóstolo da comunicação. Então hoje, enquanto se abre o Sínodo para a família, com a ajuda dos Paulinos podemos dizer: uma Bíblia em cada família! “Mas, padre, nós temos duas, três…”. Mas onde vocês as esconderam?…  A Bíblia não é para ser colocada em uma prateleira, mas para tê-la em mãos, para lê-la sempre, todos os dias, seja individualmente seja juntos, marido e mulher, pais e filhos, talvez à noite, especialmente aos domingos. Assim, a família cresce, caminha, com a luz e a força da Palavra de Deus!

Convido todos a apoiarem os trabalhos do Sínodo com a oração, invocando a materna intercessão da Virgem Maria. Neste momento, associamo-nos espiritualmente a quantos, no Santuário de Pompeia, elevam a tradicional “Súplica” à Nossa Senhora do Rosário. Que obtenha a paz, às famílias e ao mundo inteiro!
Boletim da Santa Sé

Tweet do Papa Francisco neste Domingo:


05/10/2014
No momento em que começamos o Sínodo sobre a Família, peçamos ao Senhor que nos indique o caminho. #prayforsynod
Homilia do Papa na Santa Missa de abertura da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos



Basílica Vaticana, Domingo, 5 de outubro de 2014

Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados!

O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.

Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses.

Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.

A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4).

Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade.

Nós somos todos pecadores e também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Irmãos sinodais, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência» (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21, 43).
Boletim da Santa Sé
O Papa Francisco participou na tarde deste sábado, 4, da vigília de oração pelo Sínodo da família, que começa neste domingo, 5.



A vigília aconteceu na Praça São Pedro e foi promovida pela Conferência Episcopal Italiana (CEI), com o tema “Acende uma luz na família”.

Foram apresentados testemunhos de três casais italianos em diferentes fases da vida: o noivado, os filhos e a reconciliação depois de seis anos de separação. No final desta vigília, o Papa Francisco dirigiu-se aos cerca de 80 mil fiéis para ressaltar que “a família continua a ser escola incomparável de humanidade”.

“A comunhão de vida assumida pelos esposos, a sua abertura ao dom da vida, a atenção recíproca, o encontro e a memória das gerações, o acompanhamento educativo, a transmissão da fé cristã aos filhos… com tudo isto a família continua a ser escola incomparável de humanidade, contributo indispensável para uma sociedade justa e solidária.”

Papa fala da família como escola incomparável de humanidade / Foto: Reprodução CTV
Papa fala da família como escola incomparável de humanidade / Foto: Reprodução CTV

A família é uma escola que encontra no Evangelho a força e a ternura para enfrentar os momentos de infelicidade e de violência, observou o Santo Padre. “No Evangelho, está a salvação que preenche os desejos mais profundos do homem! Desta salvação – obra da misericórdia de Deus e Sua graça – como Igreja somos sinal e instrumento, sacramento vivo e eficaz.”

O Pontífice identificou três atitudes importantes com as quais se poderá renovar a Igreja e a sociedade, para assumir com responsabilidade pastoral as interrogações que esta mudança de época traz: a escuta e o confronto sobre a família, com o olhar de Cristo.

Segundo Francisco, para buscar aquilo que o Senhor pede à sua Igreja é preciso ouvir o pulsar desse tempo e sentir o ‘odor’ dos homens, até se impregnar de suas alegrias e esperanças, de suas tristezas e angústias. “A este ponto saberemos propor com credibilidade a boa notícia sobre a família.”

No final, o Pontífice fez votos de que o “vento de Pentecostes” sopre nos trabalhos sinodais, na Igreja e sobre a humanidade. “E desate os nós que impedem às pessoas de se encontrarem, cure as feridas que sangram, tanto, e reacenda a esperança. Nos conceda aquela caridade criativa que permite amar como Jesus amou. E o nosso anúncio reencontrará a vivacidade e o dinamismo dos primeiros missionários do Evangelho.”
Radio Vaticano

4.OUTUBRO – SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Este gigante da santidade era fisicamente de modesta estatura, tinha barbicha rara e escura. E, no plano cultural, ainda mais modesto. Conhecia o provençal, ensinado pelo pai, por ter feito algumas leituras de romances de cavalaria. Era um hábil vendedor de tecidos, ao lado de um pai que lhe enchia a bolsa de moedas. Nas alegres noitadas com os amigos, Francisco não media despesas. Participou das lutas entre as cidades e conheceu a humilhação da derrota e de um ano de prisão em Perúgia.

No regresso, fez-se armar cavaleiro pelo conde Gualtério e esteve a ponto de partir para a Apúlia; mas em Espoleto, “pareceu-lhe ver”, conta são Boaventura na célebre biografia, “um palácio magnífico e belo, e dentro dele muitíssimas armas marcadas com a cruz, e uma voz que vinha do céu: São tuas e dos teus cavaleiros”.

A interpretação do sonho veio-lhe no dia seguinte: “Francisco, quem te pode fazer mais bem, o senhor ou o servo?” Francisco compreendeu, voltou sobre seus passos, abandonou definitivamente a alegre companhia e enquanto estava absorto em oração, na igreja de São Damião, ouviu claramente o apelo: “Francisco, vai e repara a minha Igreja que, como vês, está toda em ruínas”.
O jovem não fez delongas e, diante do bispo Guido — a cuja presença o pai o conduzira à força para fazê-lo desistir —, despojou-se de todas as roupas e as restituiu ao pai.
Improvisou-se em pedreiro e restaurou do melhor modo possível três igrejinhas rurais, entre as quais Santa Maria dos Anjos, dita Porciúncula. Uma frase iluminante do Evangelho indicou-lhe o caminho a seguir: “Ide e pregai... Curai os enfermos... Não leveis alforje, nem duas túnicas, nem sapatos, nem bastão”.

Na primavera de 1208, 11 jovens tinham-se unido a ele. Escreveu a primeira regra da ordem dos frades menores, aprovada oralmente pelo papa Inocêncio III, depois que os 12 foram recebidos em audiência, em meio ao estupor e à indignação da cúria pontifícia diante daqueles jovens descalços e mal-vestidos.

Mas aquele pacífico contestador teve também a solene aprovação do sucessor, Honório III, com a bula Solet annuere, de 29 de novembro de 1223.

Um ano depois, na solidão do monte Alverne, Francisco recebeu o selo da Paixão de Cristo, com os estigmas impressos em seus membros. Depois, ao aproximar-se da “irmã Morte”, improvisou seu “Cântico ao irmão Sol”, como hino conclusivo da pregação de seus frades. Por fim, pediu para ser levado à sua Porciúncula e deposto sobre a terra nua, onde se extinguiu cantando o salmo "Voce mea", nas vésperas de 3 de outubro.
Paulinas

Esporte ajuda a superar barreiras, diz Papa a atletas paraolímpicos

O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã deste sábado, 4, os atletas com deficiência do Comitê Paraolímpico italiano.

Em seu discurso, o Santo Padre agradeceu pela presença numerosa e por cada um deles ser portador da própria experiência como desportista e, antes de tudo, como homem e mulher, trazendo consigo as conquistas, as realizações conseguidas com tanta fadiga e mesmo com todas as dificuldades que tiveram que enfrentar.

Francisco sublinhou que cada um deles é testemunha de como é importante viver estas alegrias e essas fadigas no encontro com os outros, e poder partilhar a própria “corrida”, encontrar um grupo de amigos que te dão uma mão e onde tu dás uma mão aos outros.

Em seguida,  reiterou que o esporte promove contatos e relações com pessoas de diferentes culturas e ambientes, nos habitua a viver acolhendo as diferenças e a fazer destas uma oportunidade preciosa para o enriquecimento e descoberta recíproco.

Sobretudo, salientou o Papa – o esporte torna-se ocasião preciosa para se reconhecer como irmãos e irmãs em caminho, para promover a cultura da inclusão e rejeitar a cultura do descarte.

Francisco ressaltou ainda a importância dos atletas, pois a deficiência que cada um deles experimenta em algum aspecto do seu físico, através da prática desportiva e a sã competição, se transforma em mensagem de encorajamento a todos os que vivem em situações semelhantes.

Além disso, torna-se “um convite a empenhar todas as energias para fazer coisas belas em conjunto, superando barreiras que se possam encontrar à volta, e antes de tudo aquelas que estão dentro de nós, para se tornar assim um sinal de esperança”.

Por fim, o Pontífice exprimiu o desejo que o esporte seja para todos um ginásio onde cada um possa treinar cotidianamente o respeito a si mesmo e aos outros, que seja ocasião para conhecer pessoas e ambientes novos e ajude a sentir-se parte ativa da sociedade.

Este é o tweet do Papa Francisco deste 1º sábado de outubro:

04/10/2014
Como Jesus aconselha a Marta no Evangelho, uma coisa é necessária: rezar. #praywithus

A salvação está em Jesus, não em preceitos humanos, diz Papa

O único desejo de Deus é salvar a humanidade, mas o problema é que, com frequência, o homem quer ditar as regras da salvação. Foi a este dilema que o Papa Francisco dedicou a homilia da Missa celebrada nesta sexta-feira, 3, na capela da Casa Santa Marta.

Francisco aprofundou o tema partindo do trecho do Evangelho em que Jesus expressa todo o seu desprazer ao ver-se hostilizado por sua própria gente, pelas cidades que viram as costas para a sua mensagem. “Se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito tempo teriam se convertido”, disse Jesus aos de Corazim e Betsaida.

Nessa comparação, observou o Papa, se resume toda a história da salvação. Assim como rejeitaram e mataram os profetas antes dele, “porque eram incômodos”, estavam fazendo o mesmo com Jesus. “É o drama da resistência em ser salvo”, provocado pelos líderes do povo.

“É justamente a classe dirigente aquela que fecha as portas ao modo com o qual Deus quer nos salvar. E assim se entendem os diálogos de Jesus com a classe dirigente do seu tempo: brigam, colocam-no à prova, pregam armadilhas para ver se cai, porque é a resistência em ser salvo. Jesus diz a eles: ‘Mas eu não os compreendo! Vocês são como aquelas crianças: tocamos a flauta e não dançaram; cantamos uma lamentação e não choraram. Mas o que querem?’; ‘Queremos fazer a salvação do nosso modo!’. É sempre este fechamento ao modo de Deus”.

Essa é uma atitude que o Papa Francisco difere daquela do “povo crente” que, segundo ele, entende e aceita a salvação trazida por Jesus. Salvação que, ao contrário, para os líderes do povo se reduz essencialmente à realização dos 613 preceitos criados, afirma o Papa, pela “febre intelectual e teológica deles”.

“Eles não acreditam na misericórdia e no perdão: acreditam em sacrifícios. Misericórdia eu quero, e não sacrifício. Eles acreditam em tudo ajustado, bem arrumado, tudo claro. Este é o drama da resistência à salvação. Também cada um de nós tem esse drama. Mas nos fará bem nos perguntarmos: como eu quero ser salvo? Do meu jeito? Do modo de uma espiritualidade, que é boa, que me faz bem, mas que é fixa, tem tudo claro e não há nenhum risco? Ou do modo divino, isto é, no caminho de Jesus, que sempre nos surpreende, sempre abre as portas para o mistério da Onipotência de Deus, que é a misericórdia e o perdão?”.

Segundo o Santo Padre, faz bem pensar que esse drama está presente no coração. É bom, disse, refletir sobre isso, em especial quando acontece de se confundir “liberdade com autonomia”, de escolher a salvação que se acredita ser a adequada.

“Eu creio que Jesus é o Mestre que nos ensina a salvação ou vou a todos os lugares para alugar um guru que me ensine outra? Um caminho mais seguro ou me refugio sob o teto das prescrições e dos muitos mandamentos feitos por homens? E então eu me sinto seguro com isso – é um pouco difícil dizer isso:  segurança –, compro a minha salvação, que Jesus dá de graça com a gratuidade de Deus? Vão nos fazer bem hoje essas perguntas. E a última: eu resisto à salvação de Jesus?”.
Papa: a formação do presbítero é permanente, um "diamante bruto" a lapidar

Cidade do Vaticano, 3.outubro.2014 (RV) – O Papa Francisco recebeu na manhã desta sexta-feira, no Vaticano, os participantes da Plenária da Congregação para o Clero. Em seu discurso, o Pontífice refletiu sobre três temas que correspondem à finalidade e às atividades deste Dicastério: vocação, formação e evangelização.

Falando sobre o primeiro tema, a vocação, o Papa afirmou que se trata de um “tesouro” que Deus coloca no coração de alguns homens, escolhidos e chamados por Ele a segui-Lo. Quem é chamado ao ministério não é “dono” de sua vocação, mas administrador de um dom que Deus lhe confiou pelo bem de todos os homens. Mas também nós devemos fazer a nossa parte, mediante a formação, que é a resposta da Igreja ao dom que Deus lhe faz através das vocações.

A vocação, afirmou o Papa, é como um “diamante bruto” a ser lapidado, para que brilhe em meio ao povo de Deus. A formação não é um ato unilateral, com o qual se transmitem noções teológicas ou espirituais, mas é colocar-se em caminho permanente na escola de Cristo. Este percurso nunca termina, pois seus discípulos jamais deixam de seguir o Mestre.

“Às vezes somos ágeis, outras vezes o nosso passo é incerto, ficamos parados e podemos inclusive cair, mas sempre permanecendo em caminho. Portanto, a formação enquanto discipulato acompanha toda a vida do ministro ordenado e diz respeito integralmente à sua pessoa, intelectualmente, humanamente e espiritualmente”, recomendou o Pontífice.

Este percurso de descoberta e valorização da vocação tem uma finalidade precisa: a evangelização. Nessa missão evangelizadora, os presbíteros são chamados a aprofundar sua consciência de serem pastores, convidados a estarem em meio ao rebanho. Para o Papa, devem evitar a tentação de se preocuparem com o consenso dos outros e com o próprio bem-estar, e buscar trabalhar animados pela caridade pastoral, para o anúncio do Evangelho até as periferias mais remotas.

“Trata-se de ‘ser’ padres, não se limitando a ‘agir’ como padres, livres de todo mundanismo espiritual”, advertiu por fim Francisco, recordando que a oração, o diálogo com Deus, é o coração da vida sacerdotal.

Estes são os últimos tweets do Santo Padre:

03/10/2014
As famílias felizes são essenciais para a Igreja e para a sociedade. #prayforsynod
02/10/2014
Sínodo é caminhar juntos, mas também rezar juntos. Peço a participação de todos os fiéis. #praywithus

"Anjos da guarda existem, ouçamos sua voz!”, diz Papa Francisco

Os anjos da guarda existem, não são uma doutrina fantasiosa, mas companheiros que Deus colocou ao lado do homem no caminho da vida. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia desta quinta-feira, 2, na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a memória dos Santos Anjos da Guarda.

As leituras do dia apresentam duas imagens: o anjo e o menino. Deus colocou um anjo ao lado do homem para protegê-lo. “Se alguém aqui acredita que pode caminhar sozinho, engana-se muito, cai no erro da soberbia, acredita ser grande e autossuficiente”.

Francisco explicou que Jesus ensinou aos apóstolos ser como as crianças. Os discípulos brigavam para ver quem era o maior entre eles, mas Jesus ensinava a atitude das crianças, que é a docilidade, a necessidade de conselho, de ajuda. Este é o caminho, não se trata de quem é maior, disse o Papa. Segundo ele, os que se aproximam dessa atitude de uma criança estão mais próximos da contemplação do Pai, escutam com o coração aberto e dócil o anjo da guarda.

“Todos nós, segundo a tradição da Igreja, temos um anjo conosco, que nos guarda, nos faz ouvir as coisas. Quantas vezes ouvimos: ‘Deveria fazer isso, assim não, tenho que ficar atento…’ Muitas vezes! É a voz do nosso companheiro de viagem. Temos de nos assegurar que ele nos levará até o fim de nossa vida com seus conselhos, temos de dar ouvidos à sua voz, não nos rebelar, pois a rebelião, o desejo de ser independente todos nós o temos: é a soberba”.

Assim sendo, ninguém caminha sozinho e não pode pensar que está só, porque pode contar com esse “companheiro”. Expulsá-lo é uma atitude perigosa, ressaltou Francisco, porque ninguém pode aconselhar a si mesmo.

“O Espírito Santo me aconselha, o anjo me aconselha. O Pai disse: ‘Eu mando um anjo diante de ti para guardar-te, para te acompanhar no caminho, para que não erres’. (…) Hoje eu pergunto: como está minha relação com o meu anjo da guarda? Eu o escuto? Digo-lhe ‘bom dia’? Peço-lhe para velar meu sono? Falo com ele? Peço conselhos? O anjo está ao meu lado!”.
Radio Vaticano

1º de outubro – SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Hoje a Igreja celebra a memória de Santa Teresinha, a pequenina grande santa do carmelo, proclamada Doutora da Igreja há 17 anos, no dia 19 de outubro de 1997 pelo Papa São João Paulo II.

Nascida há 140 anos, Santa Teresinha é especialmente venerada e amada pelos brasileiros. A primeira igreja no mundo construída em sua honra em 1924 está na cidade do Rio de Janeiro no bairro da Tijuca (foto) e a bela urna onde se encontra deposto seus restos mortais foi doada pelo Brasil (foto). 

"Para mim, a oração é um impulso do coração, um simples olhar dirigido para o céu, um grito de agradecimento e de amor, tanto do meio do sofrimento como do meio da alegria. Em uma palavra, é algo grande, algo sobrenatural que me dilata a alma e me une a Jesus." (Santa Teresinha)

"A santidade não está nesta ou naquela prática, ela consiste numa disposição do coração que nos torna humildes e pequenos nas mãos de Deus, conscientes de nossa fraqueza, e confiantes até a audácia na sua bondade de Pai." (Santa Teresinha)

"Eu sou aquilo que Deus pensa de mim." (Santa Teresinha)

"A Santíssima Virgem demostrou-me que nunca deixou de proteger-me. Logo quando a invoco, quando me vem uma incerteza, um aperto, imediatamente recorro a ela, e sempre cuida de meus interesses como a mais terna das Mães."(Santa Teresinha)

Apresentamos a seguir a homilia do Papa São João Paulo II por ocasião da proclamação de Santa Teresinha da Sagrada Face como Doutora da Igreja.

Querida Santa Teresinha, rogai por nós.

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

HOMILIA DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DA ATRIBUIÇÃO DO TÍTULO
DE DOUTORA DA IGREJA A SANTA TERESA
DO MENINO JESUS E DA SAGRADA FACE

Domingo, 19 de Outubro de 1997

1. «As nações caminharão à tua luz» (Is 60, 3). Nas palavras do profeta Isaías já ressoa, como expectativa ardente e esperança luminosa, o eco da Epifania. Precisamente a ligação a esta solenidade permite-nos perceber melhor o carácter missionário deste domingo. A profecia de Isaías, com efeito, alarga à humanidade inteira a perspectiva da salvação, e desse modo também o gesto profético dos Magos do Oriente que, ao irem adorar o Menino divino nascido em Belém (cf. Mt 2, 1-12), anunciam e inauguram a adesão dos povos à mensagem de Cristo.

Todos os homens são chamados a acolher na fé o Evangelho que salva. A Igreja é enviada a todos os povos, a todas as terras e culturas: «Ide... fazei com que todos os povos se tornem Meus discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28 19-20). Estas palavras, pronunciadas por Cristo antes de subir ao céu, juntamente com a promessa feita aos Apóstolos e aos sucessores de estar com eles até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20), constituem a essência do mandato missionário; na pessoa dos seus ministros, é Cristo mesmo que vai ad gentes, a quantos ainda não receberam o anúncio da fé.

2. Teresa Martin, Carmelita descalça de Lisieux, desejava ardentemente ser missionária. E foi-o, a ponto de poder ser proclamada Padroeira das Missões. O próprio Jesus lhe mostrou como haveria de viver essa vocação: praticando em plenitude o mandamento do amor, haveria de imergir-se no coração mesmo da missão da Igreja, sustentando os anunciadores do Evangelho com a força misteriosa da oração e da comunhão. Assim, ela realizava quanto é ressaltado pelo Concílio Vaticano II, quando ensina que a Igreja é missionária por sua natureza (cf. Ad gentes, 2). Não só aqueles que optam pela vida missionária, mas todos os baptizados são de algum modo enviados ad gentes.

Por este motivo eu quis escolher este domingo missionário para proclamar Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face Doutora da Igreja universal: uma mulher, uma jovem, uma contemplativa.

3. A ninguém passa despercebido, portanto, que hoje está a realizar-se algo de surpreendente. Santa Teresa de Lisieux não pôde frequentar uma Universidade e nem sequer os estudos sistemáticos. Morreu jovem: entretanto, a partir de hoje será honrada como Doutora da Igreja, qualificado reconhecimento que a eleva na consideração da inteira comunidade cristã, muito para além de quanto possa fazê-lo um «título académico ».

Com efeito, quando o Magistério proclama alguém Doutor da Igreja, tem em vista indicar a todos os fiéis, e de modo especial a quantos na Igreja prestam o fundamental serviço da pregação ou exercem a delicada tarefa da investigação e do ensino teológico, que a doutrina professada e proclamada por uma determinada pessoa pode ser um ponto de referência, não só porque está em conformidade com a verdade revelada, mas também porque traz nova luz acerca dos mistérios da fé, uma compreensão mais profunda do mistério de Cristo. O Concílio recordou-nos que, sob a assistência do Espírito Santo, cresce continuamente na Igreja a compreensão do «depositum fidei», e para esse processo de crescimento contribui não só o estudo rico de contemplação, a que são chamados os teólogos, nem só o Magistério dos Pastores, dotados do «carisma certo da verdade», mas também aquela «profunda inteligência das coisas espirituais» que é dada mediante a experiência, com riqueza e diversidade de dons, a quantos se deixam guiar com docilidade pelo Espírito de Deus (cf. Dei Verbum, 8). A Lumen gentium, por sua vez, ensina que nos Santos «Deus mesmo nos fala» (n. 50). É por isso que, em vista do aprofundamento dos mistérios divinos, que permanecem sempre maiores que os nossos pensamentos, é atribuído um valor especial à experiência espiritual dos Santos, e não é por acaso que a Igreja escolhe unicamente entre eles, a quantos quer atribuir o título de «Doutor».

4. Entre os «Doutores da Igreja», Teresa do Menino Jesus e da Santa Face é a mais jovem, mas o seu ardente itinerário espiritual demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas nos seus escritos são tão vastas e profundas, que a tornam digna de ser posta entre os grandes mestres espirituais.

Na Carta Apostólica que escrevi para esta ocasião, ressaltei alguns aspectos salientes da sua doutrina. Mas como não evocar aqui o que se pode considerar o ápice, a partir da narração da descoberta surpreendente que ela fez da sua particular vocação na Igreja «A caridade — escreve ela — ofereceu-me a chave da minha vocação. Compreendi que, se a Igreja apresenta um corpo formado por membros diferentes, não lhe falta o mais necessário e mais nobre de todos; compreendi que a Igreja tem um coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor fazia actuar os membros da Igreja e que, se o amor viesse a extinguir-se, nem os Apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho, nem os mártires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações... Então, com a maior alegria da minha alma arrebatada, exclamei: Jesus, meu amor! Encontrei finalmente a minha vocação. A minha vocação é o amor!» (Manuscritos autobiográficos). Eis uma página admirável que, por si só, é suficiente para mostrar que se pode aplicar a Santa Teresa a passagem do Evangelho que ouvimos na liturgia da Palavra: «Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos » (Mt 11, 25)

5. Teresa de Lisieux não só compreendeu e descreveu a profunda verdade do Amor como o centro e o coração da Igreja, mas viveu-a com intensidade na sua breve existência. É justamente esta convergência entre a doutrina e a experiência concreta, entre a verdade e a vida, entre o ensinamento e a prática, que resplandece com uma particular clareza nesta Santa, e que a torna um modelo atraente de forma especial para os jovens e para aqueles que estão em busca do verdadeiro sentido a dar à própria vida.

Diante do vazio de tantas palavras, Teresa apresenta outra solução, a única Palavra da salvação que, compreendida e vivida no silêncio, se torna uma fonte de vida renovada. A uma cultura racionalista e com muita frequência impregnada de um materialismo prático, ela opõe com uma desarmante simplicidade a «pequena via» que, retornando ao essencial, conduz ao segredo de toda a existência: o Amor divino que envolve e imbui a inteira aventura humana. Num tempo como o nosso, muitas vezes marcado pela cultura do efémero e do hedonismo, esta nova Doutora da Igreja mostra-se dotada duma singular eficácia, para esclarecer o espírito e o coração daqueles que têm sede de verdade e de amor.

6. Santa Teresa é apresentada como Doutora da Igreja no dia em que celebramos a Jornada Mundial das Missões. Ela teve o ardente desejo de se consagrar ao anúncio do Evangelho e quereria coroar o seu testemunho com o supremo sacrifício do martírio (cf. Manuscritos autobiográficos). Sabe-se também com que intenso empenho pessoal ela susteve o trabalho apostólico dos Padres missionários Maurício Bellière e Adolfo Roulland, um em África e outro na China. No seu impulso de amor pela evangelização, Teresa só tinha um ideal, como ela mesma diz: «O que Lhe pedimos, é para trabalhar pela Sua glória, amá-l’O e fazer com que seja amado» Carta 220).

O caminho que percorreu para chegar a este ideal de vida não é o dos grandes empreendimentos reservados a um pequeno número mas, ao contrário, uma via ao alcance de todos, a «pequena via», caminho da confiança e do abandono total de si mesma à graça do Senhor. Não se trata de uma via a ser banalizada, como se fosse menos exigente. Na realidade ela é exigente, como o é sempre o Evangelho. Mas é uma via impregnada do sentido do abandono confiante à misericórdia divina, que torna suave até mesmo o mais rigoroso empenho espiritual.

Por esta via, na qual recebe tudo como «graça», devido ao facto de pôr no centro de tudo a sua relação com Cristo e a sua escolha do amor, em virtude do lugar dado também aos impulsos do coração no seu itinerário espiritual, Teresa de Lisieux é uma Santa que permanece jovem, apesar dos anos que passam, e é proposta como um modelo eminente e uma guia no caminho dos cristãos para o nosso tempo, que chega ao terceiro milénio.

7. Grande é, por isso, a alegria da Igreja, neste dia que coroa as expectativas e as orações de tantos que intuíram, com a riqueza do Doutoramento, este especial dom de Deus e lhe favoreceram o reconhecimento e o acolhimento. Por isso, todos juntos desejamos dar graças ao Senhor, e de modo particular com os professores e os estudantes das Universidades eclesiásticas romanas, que precisamente nestes dias iniciaram o novo Ano académico.

Sim, ó Pai, nós Vos bendizemos, juntamente com Jesus (cf. Mt 11, 25), porque escondestes os Vossos segredos «aos sábios e aos entendidos» e os revelastes a esta «pequenina», que hoje propondes de novo à nossa atenção e à nossa imitação. Obrigado pela sabedoria que lhe destes, tornando-a para a Igreja inteira uma singular testemunha e mestra de vida!

Obrigado pelo amor que derramastes sobre ela, e que continua a iluminar e aquecer os corações, impelindo-os à santidade!

O desejo que Teresa exprimiu, de «passar o seu Céu fazendo o bem sobre a terra» (cf. ed. it. das Obras Completas, pág. 1050), continua a realizar-se de modo maravilhoso.

Obrigado, ó Pai, porque hoje a tornais próxima de nós a novo título, para louvor e glória do Vosso nome nos séculos.

Amém!


Papa fala dos carismas na Igreja: dons, não motivos de divisão 

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 1º de outubro de 2014, foi sobre os carismas na Igreja. O Santo Padre destacou que o carisma é um dom para a Igreja, não motivo de inveja ou divisão.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Desde o início, o Senhor encheu a Igreja com os dons do seu Espírito, tornando-a assim sempre viva e fecunda com os dons do Espírito Santo. Entre esses dons, distinguem-se alguns que resultam particularmente preciosos para a edificação e o caminho da comunidade cristã: trata-se dos carismas. Nesta catequese, queremos nos perguntar: o que é exatamente um carisma? Como podemos reconhecê-lo e acolhê-lo? E, sobretudo: o fato de que na Igreja haja uma diversidade e multiplicidade de carismas, é visto em sentido positivo, como uma coisa bela, ou como um problema?

Na linguagem comum, quando se fala de “carisma”, entende-se sempre um talento, uma habilidade natural. Diz-se: “Esta pessoa tem um carisma especial para ensinar. É uma talento que tem”. Assim, diante de uma pessoa particularmente brilhante e envolvente, se usa dizer: “É uma pessoa carismática”. “O que significa?”. “Não sei, mas é carismática”. E dizemos assim. Não sabemos o que dizemos, mas dizemos: “É carismática”. Na perspectiva cristã, porém, o carisma é mais que uma qualidade pessoal, que uma predisposição de que se pode ser dotado: o carisma é uma graça, um dom concedido por Deus Pai, através da ação do Espírito Santo. E é um dom que é dado a alguém não porque seja melhor que os outros ou porque o tenha merecido: é um presente que Deus lhe dá, para que com a mesma gratuidade e o mesmo amor possa transmiti-lo a serviço de toda a comunidade, para o bem de todos. Falando de modo um pouco mais humano, diz-se assim: “Deus dá esta qualidade, este carisma a esta pessoa, mas não para si, mas para que esteja a serviço de toda a comunidade”. Hoje, antes de chegar à praça, recebi tantas crianças portadoras de deficiência na Sala Paulo VI. Havia tantas com uma Associação que se dedica ao cuidado destas crianças. O que é? Esta Associação, estas pessoas, estes homens e estas mulheres, têm o carisma de cuidar das crianças portadoras de deficiência. Isto é um carisma!

Uma coisa importante que logo é destacada é o fato de que uma pessoa não pode entender sozinha se tem um carisma e qual. Tantas vezes nós ouvimos pessoas que dizem: “Eu tenho esta qualidade, eu sei cantar muito bem”. E ninguém tem a coragem de dizer: “É melhor que fique calado, porque atormenta todos quando canta!”. Ninguém pode dizer: “Eu tenho este carisma”. É dentro da comunidade que desabrocham e florescem os dons dos quais o Pai nos enche; e é no seio da comunidade que se aprende a reconhecê-los como um sinal do seu amor por todos os seus filhos. Cada um de nós, então, é bom que se pergunte: “Há algum carisma que o Senhor fez surgir em mim, na graça do seu Espírito, e que os meus irmãos, na comunidade cristã, reconheceram e encorajaram? E como me comporto em relação a este dom: vivo-o com generosidade, colocando-o a serviço de todos, ou o negligencio e termino por esquecê-lo? Talvez se torne em mim motivo de orgulho, tanto a ponto de lamentar-me sempre dos outros e a pretender que na comunidade se faça a meu modo?”. São perguntas que nós devemos nos fazer: se há um carisma em mim, se esse carisma é reconhecido pela Igreja, se estou contente com este carisma ou tenho um pouco de ciúme dos carismas dos outros, se queria, quero ter aquele carisma. O carisma é um dom: somente Deus o dá!

A experiência mais bela, porém, é descobrir de quantos carismas diversos e de quantos dons do seu Espírito o Pai enche a sua Igreja! Isto não deve ser visto como um motivo de confusão, de desconforto: são todos presentes que Deus dá à comunidade cristã, para que possa crescer harmoniosa, na fé e no seu amor, como um só corpo, o corpo de Cristo. O mesmo Espírito que dá esta diferença de carismas faz a unidade da Igreja. É sempre o mesmo Espírito. Diante desta multiplicidade de carismas, então, o nosso coração deve se abrir à alegria e devemos pensar: “Que coisa bela! Tantos dons diversos, porque somos todos filhos de Deus, e todos amados de modo único”. Ai de nós, então, se estes dons se tornam motivo de inveja, de divisão, de ciúme! Como recorda o apóstolo Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios, no capítulo 12, todos os carismas são importantes aos olhos de Deus e, ao mesmo tempo, ninguém é insubstituível. Isto quer dizer que na comunidade cristã, temos necessidade uns dos outros e cada dom recebido se realiza plenamente quando é partilhado com os irmãos, para o bem de todos. Esta é a Igreja! E quando a Igreja, na verdade dos seus carismas, exprime-se em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é dado pelo Espírito Santo a fim de que, juntos, possamos todos entrar no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida.

Hoje a Igreja festeja Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta santa, que morreu aos 24 anos e amava tanto a Igreja, queria ser missionária, mas queria ter todos os carismas e dizia: “Eu gostaria de fazer isto, isto e isto”, todos os carismas queria. Foi em oração, sentiu que o seu carisma era o amor. E disse esta bela frase: “No coração da Igreja eu serei o amor”. E todos temos este carisma: a capacidade de amar. Peçamos hoje a Santa Teresa do Menino Jesus esta capacidade de amar tanto a Igreja, de amá-la tanto e aceitar todos esses carismas com este amor de filhos da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica.

Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé
Papa convida fiéis a rezar o Rosário pelo Sínodo da família
















Outubro, além de ser o mês das missões, é também o mês do Santo Rosário. Após a catequese desta quarta-feira, 1º, o Papa Francisco convidou os fiéis a colocarem como intenção no Rosário o Sínodo dos Bispos sobre família, que começa neste domingo, 5.

“No início deste mês, dedicado à meditação da vida de Maria e do seu Filho nos mistérios do Rosário, convido todos vocês a rezarem segundo as intenções da Igreja, sobretudo pelo Sínodo dos Bispos dedicado à família. Rezem também por mim!”.

Esta será a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Eles se reunirão em torno do tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”. Este será o primeiro Sínodo a ser realizado em duas etapas, com a mesma temática: a primeira agora e a segunda, quando de fato haverá conclusões, em 2015, na 14ª Assembleia Geral Ordinária.
Radio Vaticano

O Santo Padre twittou nesta quarta-feira:

30/09/2014
A divisão numa comunidade cristã constitui um pecado gravíssimo; é obra do diabo.

Política e Virtudes
     
A política, como administração correta e honesta da coisa pública, é uma profissão necessária e de grande valor. Mas, transformada em politicagem, constitui-se no oposto das virtudes cristãs, que são a base da verdadeira civilização. E é isso o que leva muita gente a não ter esperança na política como solução para os problemas sociais nem nos políticos como leais condutores do povo. Daí a indecisão na hora de escolher um bom candidato.
        
Basta analisar algumas das virtudes cristãs. A virtude da humildade, por exemplo, essencial ao cristianismo e à pacífica convivência humana, é a que menos se vê na política. A humildade consiste no esquecimento de si mesmo, na ausência de egoísmo, no desprendimento, na modéstia com relação a si próprio. E o que se vê comumente no exercício da política é o contrário, é o império do "EU": "porque os outros são isso ou aquilo, mas EU não..."; "porque os outros não fizeram, mas EU fiz, Eu faço, EU farei, etc."... Exatamente o linguajar do fariseu do Evangelho, que foi reprovado por Deus: "Graças vos dou, ó Senhor, porque não sou como os outros homens... EU...".
       
A virtude da pobreza, isto é, do desprendimento, do desapego dos bens materiais e do dinheiro: sua ausência dispensa demonstração. Qual é hoje o político realmente despreocupado com o próprio bolso, que deseja trabalhar exclusivamente em benefício do seu próximo? Quem entrasse na política, que de si é um exercício de altruísmo e caridade, deveria sair do cargo que lhe foi confiado com a mesma condição financeira com que entrou. Conhece o leitor algum raro político dessa espécie?

E as virtudes da honestidade, da não acepção de pessoas, da caridade desinteressada, do comedimento nas palavras, do respeito para com o próximo, do amor pela verdade, da convicção religiosa, da constância, da fidelidade às promessas e à palavra dada?
      
Como nos aproximamos das eleições, gostaria de contribuir um pouco na escolha dos melhores candidatos, publicando as bem-aventuranças do político, feitas pelo Cardeal Van Thuân, então presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz:
            
1º - Bem-aventurado o político que tem consciência do próprio papel.
2º - Bem-aventurado o político de quem se respeita a honorabilidade.
3º - Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para o próprio bem.
4º - Bem-aventurado o político que se considera fielmente coerente e respeita as promessas eleitorais.
5º - Bem-aventurado o político que constrói a unidade e, fazendo de Jesus o seu centro, a defende.
6º - Bem-aventurado o político que sabe escutar o povo antes, durante e depois das eleições.
7º - Bem-aventurado o político que não tem medo, sobretudo da verdade.
8º - Bem-aventurado o político que não tem medo da mídia, porque no momento do julgamento deverá responder somente a Deus.

Você vai usar esse critério ou vai votar por interesse do seu próprio bolso ou sem critério algum?! Nesse caso, você mereceria o adjetivo antônimo de bem-aventurado.
Dom Fernando Rifan