REVEJA SETEMBRO DE 2014

Evitar "lamentação teatral" e rezar por quem sofre, pede Papa


O lamento também se torna oração nos momentos sombrios, mas é preciso se guardar das “lamentações de teatro”, disse o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 30.setembro.2014, na Casa Santa Marta. Ao falar de sofrimento, o Santo Padre recordou aqueles que vivem grandes tragédias, como os cristãos expulsos de suas casas por causa da fé, e reiterou a necessidade de rezar por eles.

O Pontífice concentrou sua homilia na Primeira Leitura, que mostra Jó amaldiçoando sua vida por ter perdido tudo. Diante dessa situação, Jó diz algumas palavras duras, que expressam a verdade do que ele está sentindo no momento. Essas lamentações podem parecer uma blasfêmia, mas, segundo o Papa, também constituem uma forma de oração.

“Jesus, quando se lamenta – ‘Pai, por que me abandonastes!’ – é uma blasfêmia? O mistério é este. Tantas vezes eu ouvi pessoas que estão vivendo situações difíceis, dolorosas, que perderam tanto ou se sentem sozinhas e abandonadas, e vêm se lamentar e fazem esta pergunta: ‘Por quê?’ Rebelam-se contra Deus. E eu digo: ‘Continue a rezar assim, porque também esta é uma oração’. Era uma oração quando Jesus disse ao seu Pai: ‘Por que me abandonastes!’”.

Da mesma forma, é uma oração a lamentação de Jó na Primeira Leitura, explicou o Papa Francisco, porque rezar é se tornar verdade diante de Deus. Jó rezou com a realidade, a verdadeira oração vem do coração, do momento que a pessoa vive, enfatizou. Esta é uma oração que surge nos momentos sombrios da vida, nos quais não há esperança.

“E tanta gente hoje está na situação de Jó. Tanta gente boa, como Jó, não entende o que aconteceu com elas, porque é assim. Tantos irmãos e irmãs que não têm esperança. Pensemos nas tragédias, nas grandes tragédias, por exemplo nestes nossos irmãos que, por serem cristãos, são expulsos de suas casas e ficam sem nada: ‘Mas, Senhor, eu acreditei em Ti. Por quê? Acreditar em Ti é uma maldição, Senhor?’”.

O Santo Padre também citou como exemplo os idosos deixados de lado, os doentes e pessoas sozinhas nos hospitais, lembrando que a Igreja toma para si esta dor e reza por eles. E muitas pessoas que não estão doentes, não passam fome nem têm necessidades importantes, quando passam por algum momento difícil, acreditam que são mártires e deixam de rezar.

Ainda há aqueles, segundo o Santo Padre, que ficam irritados com Deus e deixam de ir à Missa, e quando se pergunta o motivo de tal atitude, vê-se que é algo pequeno. Francisco mencionou o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que, nos últimos dias de sua vida, ouvia dentro de si uma voz que lhe dizia que o “nada” a esperava. Mas ela não deixava de rezar.

“Tantas vezes passamos por esta situação, vivemos esta situação. E tanta gente que somente pensa em terminar no nada. E ela, Santa Teresinha, rezava e pedia força para seguir adiante, na escuridão. Isso se chama entrar em paciência. A nossa vida é muito fácil, as nossas lamentações são lamentações de teatro diante dessas [lamentações] de tanta gente, de tantos irmãos e irmãs que estão na escuridão, que quase perderam a esperança, que vivem aquele exílio de si mesmos, são nada! E Jesus fez este caminho: da noite no Monte das Oliveiras até a última palavra da Cruz: ‘Pai, por que me abandonastes!’”.

Sua Santidade indicou duas coisas que podem servir para nos auxiliar nos momentos de lamentação. A primeira é preparar-nos para esses momentos, preparar o coração. A segunda é rezar, como o faz a Igreja, pelos irmãos que sofrem com o exílio de si mesmos, no sofrimento e sem esperança. “É a oração da Igreja por estes ‘Jesus sofredores’ que estão em todos os lugares”.
Radio Vaticano

29.setembro - Festa dos Santos Arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael
Papa destaca proteção dos anjos ao homem na luta contra o mal

O Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 29,setembro.2014, destacando na homilia a luta dos anjos contra o mal. Segundo Francisco, satanás nos apresenta coisas como se fossem boas, mas sua intenção é destruir o homem. Os anjos, porém, defendem o homem nessa luta.

Francisco focou-se nessa reflexão no dia em que a Igreja celebra a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. As leituras do dia apresentam imagens fortes, disse o Papa, como a visão da glória de Deus contada pelo profeta Daniel e a luta do arcanjo Miguel e seus anjos contra o diabo.

Em sua homilia o Santo Padre concentrou-se na luta que é travada entre o demônio e Deus, o que aconteceu depois que satanás tentou destruir a mulher que estava para dar à luz seu filho. E explicou que satanás sempre procura destruir o homem.

“Desde o início, a Bíblia nos fala disto: desta sedução de satanás para nos destruir. Talvez por inveja. Nós lemos no Salmo 8: ‘Tu fizeste o homem superior aos anjos’, e aquela inteligência tão grande do anjo não podia levar nos ombros esta humilhação, que uma criatura inferior fosse feita superior a ele; por isso procurava destruí-lo”.

O Pontífice destacou que os muitos projetos de desumanização do homem, exceto os próprios pecados, são obras de satanás, simplesmente porque ele odeia o homem. Citando o livro de Gênesis, o Papa recordou que satanás é astuto; apresenta as coisas como se fossem boas, no entanto, sua única intenção é a nossa destruição. E que o homem pode contar com o auxílio dos anjos.

“Os anjos nos defendem. Defendem o homem e defendem o Homem-Deus, o Homem superior, Jesus Cristo, que é a perfeição da humanidade. Por isso a Igreja honra os anjos, porque são aqueles que estarão na glória de Deus – estão na glória de Deus – porque defendem o grande mistério oculto de Deus, isto é, o Verbo que veio em carne”.

A tarefa do povo de Deus, segundo o Papa Francisco, é proteger em si o homem Jesus, porque é o homem que dá vida a todos os demais. Em vez disso, satanás inventa, em seus projetos de destruição, explicações humanistas que vão contra o homem, contra a humanidade de Deus.

A luta é uma realidade cotidiana na vida cristã, reconheceu o Pontífice, mas ele lembrou que Deus deu um ofício principal aos anjos: lutar e vencer. Francisco convidou os fiéis a rezarem aos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael para que continuem a lutar para defender o maior mistério da humanidade: o Verbo que se fez Homem, morreu e ressuscitou. “Este é o nosso tesouro. Rezemos para que eles continuem a lutar para protegê-lo”.
Radio Vaticano
Papa pede esforços para que todos os fiéis leiam a Bíblia

Na audiência com membros da Aliança Bíblica Nacional, Papa manifestou desejo de que todos os cristãos conheçam a Palavra de Deus

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta segunda-feira, 29, membros da Aliança Bíblica Universal para a apresentação da Bíblia em língua italiana “Palavra do Senhor – a Bíblia Interconfessional em língua corrente”.

Francisco manifestou seu desejo de que todos os cristãos possam aprender a “sublime ciência de Cristo” com a leitura assídua da Palavra de Deus. Isso porque, conforme ele destacou, o texto sagrado é alimento da alma e fonte pura e perene da vida espiritual.

“Devemos, então, fazer todo esforço para que cada fiel leia a Palavra de Deus, porque a ‘ignorância das Escrituras, de fato, é ignorância de Cristo’, como diz São Jerônimo”.

O Papa partilhou com os presentes um pouco de sua experiência, como a tradução preparada por evangélicos e católicos da Bíblia no idioma argentino. Trata-se de uma linguagem verdadeira e próxima ao povo, facilitando a compreensão por pessoas simples.

“Nas missões que fazíamos nas paróquias em Buenos Aires, íamos sempre à Sociedade Bíblica para comprar estas traduções. Davam-me um bom desconto! Entregávamos a Bíblia ao povo e o povo entendia. Entendia! Foi um esforço belo e me agrada que agora esteja disponível em italiano, porque assim o povo pode entender relatos e expressões que, se traduzidos literalmente, não podem ser entendidos”.

Francisco considerou a preparação de uma versão interconfessional como um esforço particular significativo, pensando em como os debates em torno da Escritura influíram nas divisões, de forma especial no ocidente. Segundo ele, este projeto interconfessional deu a oportunidade de traçar um caminho comum, confiando o coração aos outros companheiros de estrada, superando desconfianças.

O Santo Padre terminou seu discurso agradecendo e encorajando o trabalho feito pela Aliança Bíblica Universal. “Encorajo-vos a prosseguirem neste caminho percorrido, para fazer conhecer sempre melhor e para fazer compreender sempre mais profundamente a Palavra de Deus vivo”.
Canção Nova

No Angelus, Papa pede orações pelo Sínodo sobre família

Antes de concluir a Missa celebrada neste domingo, 28.setembro.2014, por ocasião da Jornada dos Idosos no Vaticano, Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis. Ele pediu orações pela próxima assembleia do Sínodo dos Bispos, sobre a temática da família.


Desejo saudar todos os peregrinos, especialmente vocês idosos, vindos de tantos países. Obrigado de coração!

Dirijo uma cordial saudação aos participantes do congresso-peregrinação “Cantar a fé”, promovida em ocasião do trigésimo aniversário do coro das dioceses de Roma. Obrigado pela vossa presença e obrigado por terem animado com o canto esta celebração. Continuem a desenvolver com alegria e generosidade o serviço litúrgico nas vossas comunidades!

Ontem, em Madri, foi proclamado beato o Bispo Álvaro del Portillo; o seu exemplar testemunho cristão e sacerdotal possa suscitar em muitos o desejo de aderir sempre mais a Cristo e ao Evangelho.

No próximo domingo terá início a Assembleia Sinodal sobre o tema da família. Está aqui presente o responsável principal, o Cardeal Baldisseri: rezem por ele. Convido todos, indivíduos e comunidades, a rezar por este importante evento e confio esta intenção à intercessão de Maria Salus Populi Romani.

Agora rezemos juntos o Angelus. Com esta oração, invoquemos a proteção de Maria para os idosos do mundo inteiro, de modo particular por aqueles que vivem situações de maior dificuldade.

Radio Vaticano


Papa: Remar na Barca de Pedro, também com o vento contrário

O Santo Padre presidiu a liturgia de ação de graças do 200º aniversário da restauração da Companhia de Jesus



Roma, 29 de Setembro de 2014 (Zenit.org) – O papa Francisco presidiu na tarde deste sábado, 27.setembro, na Igreja do Santíssimo nome de Jesus, em Roma, a liturgia de ação de graças pelo 200 º aniversário da restauração da Companhia de Jesus na Igreja universal. A reintegração foi autorizada pelo Papa Pio VII com a bula ‘Sollicitudo omnium ecclesiarum' do 7 de agosto de 1814. E em um 27 de setembro como hoje, mas de 1540, foi quando o Papa Paulo III aprovou pela primeira vez a Companhia".

No altar-mor da igreja 'Del Gesu' tinha sido colocada a imagem da "Madonna della Strada" (Nossa Senhora do caminho), à qual os jesuítas rezavam desde o início da Companhia, e as lâmpadas e bandeiras lembrando os cinco continentes.

Em suas palavras, o Papa Francisco recordou que "a Companhia que leva o nome de Jesus viveu tempos difíceis de perseguição" durante os quais "os inimigos da Igreja foram capazes de obter a supressão da Companhia pelo meu predecessor, Clemente XIV".

"Hoje, recordando a sua reconstituição – indicou o Santo Padre – somos chamados a recuperar a nossa memória, trazendo à memória os benefícios recebidos e os dons particulares."

E elogiou o então Geral da Companhia, o Padre Ricci, que ante as tentações "não se deixou enrolar" e propôs aos jesuítas em tempos de tribulação, “uma visão das coisas que os enraizava ainda mais na espiritualidade da Companhia”. Considerou que esta atitude levou os jesuítas a ter experiência da morte e ressurreição do Senhor, mesmo “diante da perda de tudo, até mesmo da sua identidade pública”.

"A Companhia – e isso é bonito, acrescentou o Papa – viveu o conflito até o fim, sem reduzi-lo: viveu a humilhação de Cristo humilhado, obedeceu". O fez sem buscar salvar-se, graças a “um compromisso fácil”, porque não se devem praticar “fáceis irenismos”. Por isso, o pe. Ricci, “privilegiou a história com relação a uma possível pequena cinza, sabendo que o amor julga a história, e que a esperança, mesmo na escuridão, é maior do que as nossas expectativas".

E o padre Ricci não se defende sentindo-se “uma vítima da história, mas pecador”. Porque “reconhecer-se pecador, evita colocar-se na condição de considerar-se vítima diante de um carrasco".

O Papa percorreu as principais etapas da perseguição: em 1759 os decretos do Marquês de Pombal que a destruiu em Portugal; em 1761 a tempestade que avançava na França; em 1760 a expulsão da Espanha; e em 1773 a assinatura do fechamento com o breve Dominus ac Redemptor. O geral disse que o importante para a Companhia era “ser fiel até o fim, fiel ao espírito da sua vocação, que é a maior glória de deus e a salvação das almas" e exortou a manter vivo o espírito de caridade, de união, de obediência, de paciência, de simplicidade evangélica, de verdadeira amizade com Deus. Todo o resto é mundanismo.

Francisco convidou a recordar a história de sua ordem religiosa, à qual "foi dada a graça não só de crer no Senhor, mas também de sofrer por ele".

E assim como a barca da Companhia foi sacudida pelas ondas, também a barca de Pedro pode ser hoje. Porque “a noite e o poder das trevas estão sempre próximos”. E convidou os jesuítas a remar, “Remem, sejam fortes, também com o vento contrário. Rememos ao serviço da Igreja, rememos juntos! Porque “também o Papa rema na barca de Pedro”. Convidou, por tanto, a rezar “Senhor, salvai-nos; Senhor, salva o seu povo”.

Recordou também que quando a Companhia foi reconstituída, se colocou à disposição da Santa Sé, e voltou à sua atividade com a pregação e o ensinamento dos ministérios espirituais, a investigação científica, a ação social, as missões e a atenção dos povos, dos que sofrem e dos que estão marginalizados.

"Hoje, a Companhia – continuou o Papa – enfrenta com inteligência e diligência também o trágico problema dos refugiados e das pessoas deslocadas, e se esforça com discernimento para integrar o serviço da fé e a promoção da justiça, de acordo com o Evangelho.

Recordando "que a bula de Pio VII, que reconstituía a Companhia, foi assinada no dia 7 de agosto de 1814, na basílica de Santa Maria Maior”, onde santo Ignácio celebrou a sua primeira missa no Natal de 1538. E concluiu: "Maria, nossa Senhora, Mãe da Companhia, estará comovida por causa dos nossos esforços por estar a serviço do seu Filho. Que ela nos guarde e nos proteja sempre”.

Não há futuro para um povo sem encontro de gerações, diz Papa

Papa Francisco celebrou a Santa Missa neste domingo, 28.setembro.2014, por ocasião da Jornada dos Idosos no Vaticano. Em sua homilia, ele destacou a riqueza do encontro de gerações, do aprendizado que se pode obter em um caminho de encontro entre jovens e idosos.

Homilia na íntegra:
O Evangelho que acabamos de ouvir é acolhido hoje por nós como o Evangelho do encontro entre os jovens e os idosos: um encontro cheio de alegria, cheio de fé e cheio de esperança.


Maria é jovem, muito jovem. Isabel é idosa, mas manifestou-se nela a misericórdia de Deus e há seis meses que ela e o marido Zacarias estão à espera de um filho.

Maria, também nesta circunstância, nos indica o caminho: ir encontrar a parente Isabel, estar com ela naturalmente para a ajudar mas também e sobretudo para aprender dela, que é idosa, a sabedoria da vida.

A primeira Leitura faz ecoar, através de várias expressões, o quarto mandamento: «Honra o teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te dá» (Ex 20, 12). Não há futuro para um povo sem este encontro entre as gerações, sem os filhos receberem, com gratidão, das mãos dos pais o testemunho da vida. E, dentro desta gratidão a quem te transmitiu a vida, entra também a gratidão ao Pai que está nos céus.

Às vezes há gerações de jovens que, por complexas razões históricas e culturais, vivem de forma mais intensa a necessidade de se tornar autónomos dos pais, a necessidade quase de «libertar-se» do legado da geração anterior. Parece um momento de adolescência rebelde. Mas, se depois não se recupera o encontro, se não se volta a encontrar um equilíbrio novo, fecundo entre as gerações, o resultado é um grave empobrecimento para o povo, e a liberdade que prevalece na sociedade é uma liberdade falsa, que se transforma quase sempre em autoritarismo.

Chega-nos esta mesma mensagem da exortação que o apóstolo Paulo dirige a Timóteo e, através dele, à comunidade cristã. Jesus não aboliu a lei da família e da passagem entre gerações, mas levou-a à perfeição. O Senhor formou uma nova família, na qual prevalece, sobre os laços de sangue, a relação com Ele e o cumprimento da vontade de Deus Pai. Mas o amor por Jesus e pelo Pai leva à perfeição o amor pelos pais, pelos irmãos, pelos avós, renova as relações familiares com a seiva do Evangelho e do Espírito Santo. E, assim, São Paulo recomenda a Timóteo – que é Pastor e, consequentemente, pai da comunidade – que tenha respeito pelos idosos e os familiares e exorta a fazê-lo com atitude filial: o idoso «como se fosse teu pai», «as mulheres idosas como se fossem mães» (cf. 1 Tim 5, 1). O chefe da comunidade não está dispensado desta vontade de Deus; antes, a caridade de Cristo impele a fazê-lo com um amor maior. Como fez a Virgem Maria, que, apesar de Se ter tornado a Mãe do Messias, sente-Se impelida pelo amor de Deus, que n’Ela Se está fazendo carne, a ir sem demora ter com a sua parente idosa.

E, deste modo, voltamos a este «ícone» cheio de alegria e de esperança, cheio de fé, cheio de caridade. Podemos pensar que a Virgem Maria, quando Se encontrava em casa de Isabel, terá ouvido esta e o marido Zacarias rezarem com as palavras do Salmo Responsorial de hoje: «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus, e a minha confiança desde a juventude. (…) Não me rejeites no tempo da velhice, não me abandones, quando já não tiver forças. (…) Agora, na velhice e de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, para que anuncie a esta geração o teu poder, e às gerações futuras, a tua força» (Sal 71/70, 5.9.18). A jovem Maria ouvia e guardava tudo no seu coração. A sabedoria de Isabel e Zacarias enriqueceu o seu espírito jovem; não eram especialistas de maternidade e paternidade, porque para eles também era a primeira gravidez, mas eram especialistas da fé, especialistas de Deus, especialistas da esperança que vem d’Ele: é disto que o mundo tem necessidade, em todo o tempo. Maria soube ouvir aqueles pais idosos e cheios de enlevo, aprendeu com a sabedoria deles, e esta revelou-se preciosa para Ela, no seu caminho de mulher, de esposa, de mãe.

Assim, a Virgem Maria indica-nos o caminho: o caminho do encontro entre os jovens e os idosos. O futuro de um povo supõe necessariamente este encontro: os jovens dão a força para fazer caminhar o povo e os idosos revigoram esta força com a memória e a sabedoria popular.

Na celebração, Papa Francisco se encontrou publicamente com Bento XVI e se saudaram afetuosamente


Boletim da Santa Sé


Levar a esperança cristã aos que se afastaram da Igreja – o Papa à Plenária dos Congressos Eucarísticos

No final da manhã deste sábado, 27.setembro.2014 o Papa Francisco recebeu na Sala Clementina no Vaticano os participantes na Assembleia Plenária do Comité Pontifício para os Congressos Eucarísticos Internacionais. Na sua mensagem o Santo Padre referiu-se aos preparativos do próximo Congresso Eucarístico Internacional que terá lugar em Janeiro de 2016 em Cebu nas Filipinas. “A Eucaristia tem um lugar central na Igreja porque é ela a fazer a Igreja” – observou o Santo Padre que considerou muito significativo o tema do próximo Congresso: “Cristo em vós, esperança da glória”. Segundo o Papa Francisco este tema coloca em destaque a ligação entre a Eucaristia, a missão e a esperança cristã.

“Hoje existe uma falta de esperança no mundo, por isso a humanidade tem necessidade de ouvir a mensagem da nossa esperança em Jesus Cristo.” – afirmou o Santo Padre que concluiu a sua intervenção desejando que a Igreja leve esta mensagem de esperança a todos, “especialmente àqueles que, sendo batizados, afastaram-se da Igreja e vivem sem fazer referência à vida cristã”.

Neste sábado o Papa Francisco twittou:

27/09/2014
Temos a tendência de nos colocar, a nós mesmos e às nossas ambições pessoais, no centro. Isso é muito humano, mas não é cristão.

O papa aos focolares: contemplar, sair e fazer escola

Cidade do Vaticano, 26 de Setembro de 2014 (Zenit.org) – O papa Francisco felicitou Maria Voce, presidente reeleita dos focolares, bem como os seus colaboradores, pelo "trabalho frutífero a serviço do movimento, que cresceu e se enriqueceu com novas obras e atividades". Francisco recebeu os participantes da assembleia geral dos focolares hoje de manhã. A assembleia acontece em Castel Gandolfo desde o dia 1º de setembro e reúne 500 pessoas de 137 países.

O papa dedicou algumas palavras a Chiara Lubich, fundadora do movimento, "que, em sua fecunda existência, levou o perfume de Jesus a tantas realidades humanas e a tantas partes do mundo".

"Fiel ao carisma em que nasceu e do qual se alimenta, o movimento dos focolares se encontra hoje diante da mesma tarefa de toda a Igreja: oferecer, com responsabilidade e criatividade, a sua contribuição peculiar para esta nova estação da evangelização".

Neste contexto, o Santo Padre indicou três diretrizes para os membros do movimento e para quem compartilha dos seus ideais: "contemplar, sair, fazer escola".

Contemplar, disse o papa, também significa viver em companhia dos irmãos e irmãs, compartilhar com eles o pão da comunhão e da fraternidade, cruzar com eles a porta que nos leva ao Pai, porque "a contemplação que deixa os outros de fora é um engano". Ele recordou que "é necessário engrandecer a própria interioridade à medida de Jesus e do dom do seu Espírito, fazer da contemplação a condição indispensável para uma presença solidária e uma ação eficaz, verdadeiramente livre e pura".

Por esta razão, o papa os encorajou a "permanecer fiéis a este ideal de contemplação, a perseverar na busca da união com Deus e no amor pelos irmãos e irmãs, a partir das riquezas da Palavra de Deus e da tradição da Igreja, neste desejo de comunhão e de unidade que o Espírito Santo suscitou em nosso tempo".

A segunda diretriz do pontífice é "sair". Sair como Jesus saiu do seio do Pai para anunciar a palavra do amor a todos, até se doar no lenho da cruz. Para isto, "é necessário ser especialistas nessa arte do diálogo, que não se aprende facilmente".

A propósito, o Santo Padre avisou que "não podemos nos contentar com medidas medíocres, não podemos parar; com a ajuda de Deus, temos que apontar para o mais o alto e ampliar o nosso olhar!".

Francisco observou que "machuca o coração quando vemos que, diante de uma Igreja, de uma humanidade tão ferida, com tantas feridas, feridas morais, feridas existenciais, feridas de guerra, os cristãos começam a fazer bizantinismos filosóficos, teológicos, espirituais... Isso não é bom. Hoje nós não temos direito à reflexão bizantinista. Temos que sair! Porque, como já disse outras vezes, a Igreja é parecida com um hospital de campanha: e quando se vai a um hospital de campanha, o primeiro trabalho é curar as feridas, não é fazer o teste do colesterol... Isso vem depois... Ficou claro?", perguntou o papa.

"Fazer escola" foi a terceira ideia desenvolvida pelo Santo Padre durante o seu discurso. É necessário formar, como exige o evangelho, "homens e mulheres novos; para isto, é necessária uma escola de humanidade na medida da humanidade de Jesus. Sem uma obra de formação adequada das novas gerações, é uma ilusão pensar em realizar um projeto sério e duradouro a serviço de uma nova humanidade".

Para finalizar, o Santo Padre desejou aos presentes que esta assembleia "traga frutos abundantes" e lhes agradeceu pelo "compromisso generoso".

É preciso carregar a cruz para entender Jesus, diz Papa

Papa fala aos fiéis sobre necessidade de assumir o peso da cruz para entender Cristo Redentor.

Um cristão não pode entender o Cristo Redentor sem a cruz, sem que esteja disposto a levá-la com Ele, disse o Papa Francisco na homilia desta sexta-feira, 26ss, na Casa Santa Marta.

A fé, segundo Francisco, está nessa identificação da pertença a Cristo relacionada à Sua cruz. Do contrário, percorre-se um caminho aparentemente “bom”, mas não “verdadeiro”. As reflexões do Santo Padre se pautaram no Evangelho do dia, no qual Cristo pergunta aos discípulos o que o povo dizia sobre Ele.

O episódio, conforme observou o Papa, se enquadra no contexto do Evangelho que vê Jesus proteger de forma especial a Sua verdadeira identidade de Filho de Deus. Isso para que o povo não se equivocasse e pensasse no Messias como um líder que veio para expulsar os romanos. Somente aos doze apóstolos o Senhor fez essa revelação.

Jesus, como Ele mesmo disse, veio ao mundo para sofrer, morrer e ressuscitar; este é o caminho da libertação: a Paixão, a cruz. Embora os apóstolos não quisessem entender essa explicação, esta era a pedagogia de Jesus, enfatizou o Papa Francisco, usada para preparar o coração dos discípulos e do povo para entender este mistério de Deus.

“É tanto amor de Deus, é tão ruim o pecado, que Ele nos salva assim: com esta identidade na cruz. Não se pode entender Jesus Cristo Redentor sem a cruz: não se pode entender! Podemos até chegar a pensar que é um grande profeta, faz coisas boas, é um santo. Mas o Cristo Redentor sem a cruz, não podemos entendê-Lo. Mas o coração dos discípulos e do povo não estava preparado para entendê-Lo. Não tinham entendido as profecias d’Ele, não tinham entendido que Ele era o próprio Cordeiro para o sacrifício. Não estavam preparados”.

Somente no Domingo de Ramos, observou o Papa, que Cristo permitiu que o povo dissesse, mais ou menos, Sua identidade, como aquele “Bendito o que vem em nome do Senhor”. E somente após a morte, Sua identidade apareceu em plenitude e a primeira confissão foi do centurião romano.

O Papa Francisco concluiu dizendo que Jesus prepara o ser humano para entendê-Lo bem e para acompanhá-Lo com suas cruzes no caminho para a ressurreição. “Prepara-nos para sermos cirineus para ajudá-lo a levar a cruz. E a nossa vida cristã sem isso não é cristã. É uma vida espiritual, boa…Também a nossa identidade de cristãos deve ser protegida e não acreditar que ser cristão é um mérito, é um caminho espiritual de perfeição. Não é um mérito, é pura graça”.
Bento XVI participará do encontro do Papa Francisco com anciãos e avós

Cidade do Vaticano, 26.setembro.2014 (RV) - Convidado pelo Papa Francisco, Bento XVI aceitou de bom grado participar do encontro-diálogo com os anciãos e avós, que se realizará este domingo, dia 28 de setembro, na Praça São Pedro.

O Papa emérito estará presente das 9h30 às 10h30 locais, retirando-se antes da celebração da missa. A Rádio Vaticano estará transmitindo ao vivo – via-satélite, para todo o Brasil e demais países de língua portuguesa, cujas emissoras nos retransmitem – tanto o encontro como a celebração eucarística, presidida pelo Papa Francisco, a partir das 3h20 deste domingo, horário de Brasília.

As escolas católicas e a perenização das lendas negras antieclesiais.

Há uma impressionante cadeia de homens sábios e documentos em defesa da razão e da ciência produzidos numa única instituição, a Igreja Católica. Apesar disso, o ensino médio e superior brasileiro continua propagando lendas antieclesiais.

Brasília, 24 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Paulo Vasconcelos Jacobina

Na semana passada, meu filho adolescente me abordou com o texto de sua prova simulada nas mãos. Ele estuda numa escola católica, ressalte-se, o que não necessariamente torna mais fácil a luta para que ele não perca a fé diante da forma com que as disciplinas de história, literatura e ciências são muitas vezes apresentadas pelos professores. Mas as questões que narro a seguir teriam o mesmo viés, ainda que a escola não fosse católica.

No caso concreto, ele me interpelava com uma questão de história, que tinha exatamente o seguinte conteúdo:

“Enquanto as civilizações sarracena e bizantina desenvolveram amplos estudos de física, matemática, astronomia e medicina, as ciências, na sociedade europeia, não avançaram muito, devido à repressão da Igreja Católica a qualquer estudo que colocasse em risco a sua doutrina religiosa.”

Devido às conversas que temos em casa sobre questões históricas relacionadas à Igreja, ele respondeu na prova que a afirmativa estava errada. Lembrou-se de como eu lhe comentava sobre a verdade do incidente com Galileo Galilei, ou de como eu lhe mencionara o excelente livro “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, de Thomas Woods, ou mesmo a importância da reta razão na compreensão da fé, como ressaltado já por sábios como São Justino, do século II, pelos Padres Alexandrinos do século II e III, por homens como Santo Agostinho (século IV), Boécio (século V), Alcuíno (séc. VIII), Abelardo (séc. XII), Santo Anselmo Séc. XIII), para não mencionar Erasmo e Thomas Hume (séc. XVI), todos numa impressionante defesa da razão humana, reiterada em diversos concílios como o IV de Latrão (1215) e os Concílios Vaticano I (1870) e Vaticano II (1965), além da encíclica “Fides et Ratio”, de João Paulo II, a cujo respeito eu também eventualmente comentava com ele.

É uma impressionante cadeia de homens sábios e documentos em defesa da razão e da ciência produzidos numa única instituição, a Igreja Católica. Não se sabe de outra instituição com uma história assim. Mas, uma vez divulgado o gabarito pela escola, para sua surpresa (e a minha) a resposta correta, para a escola, é que a afirmativa estava certa. O que fez com que meu filho me questionasse com uma certa agressividade na voz, e não sem um certo ar de decepção com a confiabilidade da formação que eu lhe dava.

Resolvi entrar em contato com a direção da escola, por e-mail, e o fiz assim:

“Prezado diretor,

Sou pai de um aluno do ensino médio, e fiquei com uma dúvida grave sobre o simulado aplicado por vocês. Ele me mostrou a prova, e a questão 64 é manifestamente falsa. Mas pelo gabarito publicado, ela estaria verdadeira para a escola.

A questão afirma que a Igreja Católica manteve o ocidente na ignorância científica, repelindo as pesquisas e os avanços científicos, com medo de que o avanço da ciência ameaçasse a fé, que entretanto eram alcançados por sarracenos (muçulmanos) e bizantinos. Isto é manifestamente falso: basta olhar um noticiário de TV para perceber qual das duas esferas do mundo desenvolveu a tecnologia, se o ocidente católico ou o oriente bizantino e muçulmano.

Não é à toa que o renascimento Carolíngeo deu-se já no século IX no ocidente, mesmo sob a crise das invasões bárbaras, e já no século XII o sistema europeu de universidades estava firmemente estabelecido pela Igreja Católica, sem similar no mundo. Enquanto muçulmanos degolavam seus desafetos e bizantinos mantinham seu império sob um tacão de autoritarismo político.

Também não é à toa que o ocidente deu ao mundo, no século XIII, um Santo Alberto Magno, doutor em ciências, e que os monges inventaram os arreios de cavalo eficazes que renovaram a face da Europa durante a baixa idade média. Não é à toa que Galileo Galilei somente pode ter escrito o que escreveu porque era um professor de universidades católicas no século XVI, e que baseou seu estudo nas teorias de Copérnico, que era um padre católico. Há uma série de imbecilidades escritas sobre Galileo, inclusive a de que ele teria sido queimado na fogueira, e repetidas por professores de história de formação antirreligiosa por aí. É uma lenda negra. Galileo morreu de velho, em seu leito, cercado por suas cinco ou seis filhas freiras, confessou-se, recebeu a comunhão e a unção dos enfermos está enterrado numa igreja católica.

Note-se que a cientista Marie Curie era uma devota católica, e que seu trabalho repercutiu no Brasil com o padre Roberto Landell de Moura, que foi a primeira pessoa no mundo a transmitir voz por rádio, em 1903, e que seu professor marxista de história não deve conhecer, é claro, apesar das inúmeras patentes que este padre tem no Brasil e nos EUA.

Mesmo a Wikipedia, que muitas vezes não é confiável em suas informações, faz um interessante reconhecimento da importância da Igreja no fomento da razão através da história:

"Muitos clérigos da Igreja Católica ao longo da história fizeram contribuições significativas para a ciência. Dentre esses clérigos-cientistas estão nomes ilustres tais como Nicolau Copérnico, Gregor Mendel, Alberto Magno, Roger Bacon, Pierre Gassendi, Ruđer Bošković, Marin Mersenne, Francesco Maria Grimaldi, Nicole Oresme, Jean Buridan, Robert Grosseteste, Christopher Clavius, Nicolas Steno, Athanasius Kircher, Giovanni Battista Riccioli, William de Ockham, e muitos outros. Centenas de outros nomes têm feito contribuições importantes para a ciência desde a Idade Média até os dias atuais.

Na verdade, pode-se perguntar por que a ciência se desenvolveu em um ambiente majoritariamente católico. Esta questão é considerada pelo padre Stanley Jaki em seu livro “The Savior of Science”. Jaki mostra que a tradição cristã identifica Deus como racional e ordenado. Ele identifica os escolásticos da Alta Idade Média pela sua despersonalização da natureza.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_cl%C3%A9rigos-cientistas_cat%C3%B3licos, acesso em 15.09.2014)

O artigo da Wikipedia, que é um tanto longo, não deixa de ressaltar a importância dos jesuítas para a ciência moderna, e inclusive o fato de que nada menos do que trinta e cinco crateras lunares têm o nome de cientistas jesuítas. Isto parece deixar bem claro qual é a posição institucional da Igreja sobre a ciência, bem diferente daquela maldosamente exposta na referida afirmação da prova. É muito fácil para um jovem adolescente perder a fé – de fato, muitas vezes ocorre sem motivo; certamente fica muito mais fácil quando há uma colaboração externa deste tipo.

Gostaria de esclarecer esta dúvida, inclusive tendo acesso à fonte da qual o professor que elaborou a questão retirou a informação, que, das coisas que conheço, é manifestamente falsa e agressiva à fé católica - à qual a escola alega pertencer.

Mas não se trata de questão de fé, trata-se da necessidade de expor um erro acadêmico grave, que não consigo acreditar ter sido intencional. Não vejo nenhum problema em que se exponha publicamente os erros que historicamente os filhos da Igreja Católica cometeram, mas acho que, no ambiente acadêmico, existe o direito de saber o fundamento de uma afirmação tão grave, tão contrária à boa evidência histórica, e que parece apenas ser a repetição leviana, em meio acadêmico, de uma hostilidade propagada em meios anticlericais para minar a confiança na Igreja.”

A escola deu-me um retorno burocrático, através de uma assessora, que prometeu rever o assunto com a professora, mas ainda não fez nenhuma crítica sobre estas afirmações. Não posso evitar a sensação de ser minoria, mesmo dentro de uma escola católica. Mas é hora de não ter constrangimentos em lutar pela verdade, mormente quando a mentira propagada constitui, ademais, uma ataque à fé.

Papa pede que cristãos não se deixem levar pela vaidade



Tomar cuidado com a vaidade que afasta o homem da verdade e o faz parecer uma “bolha de sabão”. Esse foi o alerta deixado pelo Papa Francisco na Santa Missa desta quinta-feira, 25.setembro.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou em sua homilia que, mesmo quando fazem o bem, os cristãos devem fugir da tentação de aparecer, de fazer-se ver.

Partindo da Primeira Leitura, retirada do Livro do Eclesiastes, o Santo Padre falou sobre o perigo da vaidade, uma tentação não só para os pagãos, como também para os cristãos. Ele recordou que Jesus repreendia a todos que se vangloriavam e lhes dizia que não se deve rezar para que os outros vejam. O mesmo deve acontecer, afirmou o Papa, quando ajudamos os pobres: fazê-lo de forma oculta, pois é suficiente que Deus veja.

“O vaidoso vive para aparecer. ‘Quando você faz jejum – diz o Senhor – por favor não fique triste ali, para que todos percebam que você está jejuando; não, faça jejum com alegria; faça a penitência com alegria, que ninguém perceba’. E a vaidade é assim: é viver para aparecer, viver para fazer-se ver”.

Sua Santidade destacou que os cristãos que vivem assim – que vivem para aparecer – parecem “pavões”; são pessoas que se vangloriam de terem uma família cristã, de serem parentes de um padre ou de uma freira. E questionou como é a vida dessas pessoas nas obras de misericórdia, se, por exemplo, elas visitam os doentes.

O Santo Padre recordou, então, que Jesus sempre disse que é preciso construir a “casa”, ou seja, a vida cristã, sobre a rocha, sobre a verdade. Os vaidosos, em vez disso, constroem a “casa” sobre a areia e então a vida cristã cai, escorrega, porque eles não são capazes de resistir às tentações.

“Quantos cristãos vivem para aparecer. A vida deles parece uma bolha de sabão. É bela a bolha de sabão! Tem todas as cores! Mas dura um segundo, e depois? Também quando olhamos para alguns monumentos fúnebres, pensamos que é vaidade, porque a verdade é voltar para a terra nua, como diz o Servo de Deus Paulo VI. Espera-nos a terra nua, esta é a verdade final. Nesse meio de tempo, em me gabo ou faço alguma coisa? Faço o bem? Procuro o bem? Rezo? As coisas consistentes. E a vaidade é mentirosa, é fantasiosa, engana a si mesma, engana o vaidoso”.

Francisco explicou que é isso que acontecia com o tetrarca Herodes, como narra o Evangelho do dia. Herodes se perguntava com insistência sobre a identidade de Jesus. O Papa disse que a vaidade semeia inquietação ruim, tira a paz; é como aquela pessoa que coloca maquiagem demais e depois tem medo de tomar chuva e borrar tudo. “A vaidade não nos dá paz, somente a verdade nos dá paz”.

A única rocha sobre a qual se pode edificar a vida é Jesus, afirmou o Sumo Pontífice. O próprio Cristo foi tentado no deserto, lembrou o Papa, acrescentando que a vaidade é uma doença espiritual muito grave. “Peçamos ao Senhor a graça de não sermos vaidosos, de sermos verdadeiros com a verdade da realidade e do Evangelho”.
Radio Vaticano
Papa à ONU: que as Nações promovam paz e a dignidade humana



O Papa Francisco encoraja todas as nações a promoverem a dignidade de toda pessoa humana. A mensagem pontifícia à Assembleia da ONU foi lida nesta quarta-feira, 24.setembro.2014, pelo Observador Permanente da Santa Sé junto à ONU de Nova Iorque, Dom Bernardito Auza, na abertura da 69ª Sessão Plenária da Assembleia das Nações Unidas.

No documento, assinado pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, o Pontífice deseja que as soluções buscadas pela comunidade internacional “promovam a paz entre os povos” e que o problema da pobreza seja enfrentado através de um espírito de fraternidade, que partilhe alegria e sofrimento.

O Santo Padre assegura à Assembleia da ONU a sua proximidade espiritual e deseja que o encontro seja uma ocasião de “maior compreensão e cooperação entre as delegações” dos Estados para “o bem da comunidade global e a serviço de uma paz duradoura e da prosperidade de todos os povos”.
Radio Vaticano

Papa Francisco nesta quinta-feira em seu twitter:

25/09/2014
Jesus compreende as nossas fraquezas, os nossos pecados; e nos perdoa, se nós nos deixarmos perdoar.


O MÊS DA BÍBLIA
     
No próximo dia 28, último domingo de setembro, celebraremos o dia nacional da Bíblia, que coincide com a festa de São Jerônimo, o grande tradutor dos Livros Santos. Aliás, o mês de setembro é o mês da Bíblia, todo dedicado a despertar e promover entre os fiéis o conhecimento e o amor dos Livros Sagrados, a Palavra de Deus escrita, redigida sob a moção do Divino Espírito Santo, motivando-os para sua leitura cotidiana, atenta e piedosa.

    
É de São Jerônimo a célebre frase: “Ignorar a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”.  Portanto, o conhecimento e o amor às Escrituras decorrem do conhecimento e do amor que todos devemos a Nosso Senhor. 

     
O ponto central da Bíblia, convergência de todas as profecias, é Jesus Cristo. O Antigo Testamento é preparação para a sua vinda e o Novo, a realização do seu Reino. “O Novo estava latente no Antigo e o Antigo se esclarece no Novo” (Santo Agostinho).

     
Dizemos que a Bíblia foi inspirada por Deus, que vem a ser assim o seu autor principal, embora escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam.

     
A Bíblia não é um livro só, mas um conjunto de 73 livros, redigidos por autores diferentes em épocas, línguas e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos. Sua unidade se deve ao fato de terem sido todos eles inspirados por Deus, seu autor principal e garantia da sua inerrância.

     
É o livro sagrado por excelência, escrito para o nosso bem. “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (II Tim 3, 16-17).

    
Mas a Bíblia não é um livro de ciências humanas. Por isso a Igreja Católica reprova a leitura fundamentalista da Bíblia, que teve sua origem na época da Reforma Protestante e que pretende dar a ela uma interpretação literal em todos os seus detalhes, o que não é correto.

    
Além disso, a Bíblia não é um livro fácil de ser lido e interpretado. São Pedro, falando das Epístolas de São Paulo, nos diz que “nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (II Ped 3, 16).

    
Por isso, o mesmo São Pedro nos adverte: “Sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus” (2Pd 1, 20-21).  Assim, o ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita (a Bíblia Sagrada) ou transmitida oralmente (a Sagrada Tradição) foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo, que disse aos Apóstolos e seus sucessores “até a consumação dos séculos”: “Ide e ensinai a todos os povos tudo o que vos ensinei... quem vos ouve a mim ouve”.

Dom Fernando Rifan

Albânia: exemplo de pacífica convivência entre as religiões – o Papa na audiência geral

O Papa Francisco na audiência geral desta quarta-feira, 24.setembro.2014, dirigiu-se aos milhares de fieis presentes na Praça de S. Pedro falando-lhes sobre a Viagem Apostólica à Albânia realizada no passado domingo dia 21 de setembro. Com esta visita ao povo albanês o Santo Padre quis mostrar a solidariedade do Sucessor de Pedro para com um País que, após passar muito anos sob a opressão de um regime ateu e desumano, está a viver agora uma experiência de convivência pacífica entre as religiões.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje gostaria de falar da viagem apostólica que realizei à Albânia domingo passado. Faço isso antes de tudo como ato de agradecimento a Deus, que me concedeu realizar esta visita para demonstrar, também fisicamente e de modo tangível, a proximidade minha e de toda a Igreja a este povo. Desejo, depois, renovar o meu reconhecimento fraterno ao episcopado albanês, aos sacerdotes e aos religiosos e religiosas que trabalham com tanto empenho. O meu grato pensamento vai também às autoridades que me acolheram com tanta cortesia, bem como a quantos cooperaram para a realização da visita.

Esta visita nasceu do desejo de ir a um país que, depois de ter sido oprimido por longo tempo por um regime ateu e desumano, está vivendo uma experiência de pacífica convivência entre as suas diversas componentes religiosas. Parecia-me importante encorajá-lo neste caminho, para que o prossiga com tenacidade e aprofundem todos os aspectos em vantagem do bem comum. Por isto, no centro da viagem, esteve um encontro inter-religioso onde pude constatar, com viva satisfação, que a pacífica e frutífera convivência entre pessoas e comunidades pertencentes a religiões diversas não só é desejável, mas concretamente possível e praticável. Eles a praticam! Trata-se de um diálogo autêntico e frutuoso que evita o relativismo e leva em conta as identidades de cada um. Aquilo que as várias expressões religiosas têm em comum, de fato, é o caminho da vida, a boa vontade de fazer o bem ao próximo, não renegando ou diminuindo as respectivas identidades.

O encontro com os sacerdotes, as pessoas consagradas, os seminaristas e os movimentos leigos foi a ocasião para fazer grata memória, com momentos de particular comoção, dos numerosos mártires da fé. Graças à presença de alguns idosos, que viveram em sua carne as terríveis perseguições, ecoou a fé de tantos testemunhos heroicos do passado, os quais seguiram Cristo até extremas consequências. Foi justamente da união íntima com Jesus, do relacionamento de amor com Ele que surgiu para estes mártires – como para cada mártir – a força para enfrentar os acontecimentos dolorosos que os conduziram ao martírio. Também hoje, como ontem, a força da Igreja não é dada tanto pela capacidade de organização ou das estruturas, que são necessárias, mas a Igreja não encontra sua força ali. A nossa força é o amor de Cristo! Uma força que nos apoia nos momentos de dificuldade e que inspira a atual ação apostólica para oferecer a todos bondade e perdão, testemunhando assim a misericórdia de Deus.

Percorrendo a avenida principal de Tirana, que do aeroporto leva à grande praça central, pude ver os retratos dos quarenta sacerdotes assassinados durante a ditadura comunista e para os quais foi iniciada a causa de beatificação. Estes se somam às centenas de religiosos cristãos e muçulmanos assassinados, torturados, presos e deportados só porque acreditavam em Deus. Foram anos sombrios, durante os quais foi pisoteada a liberdade religiosa e era proibido acreditar em Deus, milhares de igrejas e mesquitas foram destruídas, transformadas em lojas e cinemas que propagavam a ideologia marxista, os livros religiosos foram queimados e os pais eram proibidos de colocarem nos filhos nomes religiosos dos antepassados. A recordação destes acontecimentos dramáticos é essencial para o futuro de um povo. A memória dos mártires que resistiram na fé é garantia para o destino da Albânia; porque o seu sangue não foi derramado em vão, mas é uma semente que levará a frutos de paz e de colaboração fraterna. Hoje, de fato, a Albânia é um exemplo não somente de renascimento da Igreja, mas também de pacífica convivência entre as religiões. Portanto, os mártires não são uns derrotados, mas vencedores: em seu testemunho heroico reflete a onipotência de Deus que sempre consola o seu povo, abrindo novos caminhos e horizontes de esperança.

Esta mensagem de esperança, fundada na fé em Cristo e na memória do passado, confiei a toda a população albanesa que vi entusiasmada e alegre nos lugares dos encontros e das celebrações, bem como nas ruas de Tirana. Encorajei todos a tirar energias sempre novas do Senhor ressuscitado, para poder ser fermento evangélico na sociedade e se empenhar, como já acontece, em atividades caritativas e educativas.

Agradeço mais uma vez ao Senhor porque, com esta viagem, deu-me a oportunidade de encontrar um povo corajoso e forte, que não se deixou dominar pela dor. Aos irmãos e irmãs da Albânia, renovo o convite à coragem do bem, para construir o presente e o amanhã do seu país e da Europa. Confio os frutos da minha visita à Nossa Senhora do Bom Conselho, venerada no homônimo Santuário de Scutari, a fim de que ela continue a guiar o caminho deste povo-mártir. A dura experiência do passado o enraize sempre mais na abertura para os irmãos, especialmente os mais frágeis, e o torne protagonista daquele dinamismo da caridade tão necessário no atual contexto sócio-cultural. Eu gostaria que todos nós hoje fizéssemos uma saudação a este povo corajoso, trabalhador e que em paz procura a unidade.

Um apelo a não esquecer as vítimas da epidemia do ébola em África foi dirigido pelo Papa Francisco à comunidade internacional durante a audiência geral. Garantindo a sua proximidade «às numerosas pessoas atingidas por esta terrível doença», o Pontífice convidou os trinta mil fiéis presentes na praça de São Pedro, não obstante a chuva, a rezar por quantos perderam a vida por causa do vírus.

É o segundo dia consecutivo que Francisco fala desta tragédia, depois de o ter feito na terça-feira 23 com os bispos de Gana em visita «ad limina». Mas o Papa não está preocupado só com a epidemia que está a atingir o continente: há outras situações de dor e de sofrimento que afligem diversas áreas do mundo. E assim nas saudações dirigidas aos vários grupos presentes, o Pontífice recordou os fiéis do Médio Oriente, convidando-os a viver com perseverança o testemunho a Cristo mesmo onde ele «parece difícil e perigoso, e poderia custar, nalguns momentos, até a vida».
Boletim da Santa Sé

O SANGUE DE SAN GENNARO

Nesta última sexta-feira, dia 19 de setembro às 10:12h ocorreu um dos eventos mais belos e extraordinários da Igreja. Não é um milagre como outros que conhecemos, mas um que acontece 3 vezes por ano.

Quando "San Gennaro" foi decapitado no ano 305, recolheram seu sangue em 2 ampolas, que foram encerradas numa teca de prata. O sangue passa a maior parte do tempo coagulado, o que é natural. Contudo, no sábado precedente ao primeiro domingo de maio, perdurando pelos oito dias sucessivos, no dia 19 de setembro, data do martírio do santo, estendendo-se por toda a oitava e durante uma semana em dezembro, iniciada no dia 16, o seu sangue se liquefaz (foto) tal como estivesse dentro de uma pessoa viva.

Na foto, o Cardeal Crescenzio Sepe, Arcebispo de Nápoles, mostra as ampolas com o sangue liquefeito novamente.

Dom Crescenzio anunciou, também, neste mesmo dia, a primeira visita do papa Francisco à cidade no dia 21 de março de 2015.

A visita do Pontífice terá como destaque o almoço do Papa Francisco com detentos e o encontro com pessoas doentes. Ele também visitará a periferia da cidade e rezará uma missa na Catedral.

Texto – Duc in Altum!

Não compliquemos o Evangelho: escutemo-lo e pratiquemo-lo – o Papa em Santa Marta



A vida cristã é “simples”: escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática, não limitando-se a “ler” o Evangelho, mas perguntando-se de que modo as suas palavras falam à própria vida. Essa foi a reflexão do Papa Francisco na Missa celebrada nesta terça-feira, 23.setembro.2014, na Casa Santa Marta.

O Pontífice destacou que as palavras de Jesus eram novas e tocavam o coração; nelas muitos percebiam a força da salvação e por isso a multidão seguia Jesus. Havia também aqueles que seguiam Jesus por conveniência, sem pureza de coração, fato que acontece ainda hoje. Mas Jesus continuava a falar à multidão; para Ele, todos que escutam a Palavra de Deus e a colocam em prática são sua mãe e seus irmãos, como relata o Evangelho do dia.

“Estas são as duas condições para seguir Jesus: escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática. Esta é a vida cristã, nada mais. Simples, simples. Talvez nós a tenhamos feito um pouco difícil, com tantas explicações que ninguém entende, mas a vida cristã é assim: escutar a Palavra de Deus e praticá-la”.

Para escutar a Palavra de Deus basta abrir a Bíblia, explicou Francisco. Mas ele fez a ressalva de que as páginas do Evangelho não devem ser lidas, devem ser escutadas, o que significa ler o que está escrito e perguntar-se: “o que isto diz pra mim, para o meu coração? O que Deus está dizendo pra mim com esta Palavra?”. Trata-se de escutar a Palavra com os ouvidos e com o coração, uma atitude que, segundo o Papa, muda a vida.

“Abrir o coração à Palavra de Deus. Os inimigos de Jesus escutavam Sua Palavra, mas estavam próximos para procurar encontrar um erro, fazê-Lo deslizar e perder a autoridade. Mas nunca se perguntaram: ‘o que Deus me diz nesta Palavra?’. E Deus não fala só a todos: sim, fala a todos, mas fala a cada um de nós. O Evangelho foi escrito para cada um de nós”.

Francisco reconheceu que colocar em prática o que se escutou da Palavra não é tarefa fácil, porque é mais fácil viver tranquilamente sem preocupações com as exigências da Palavra de Deus. Mas pistas concretas para fazer isso são os Mandamentos, as Bem-Aventuranças, contando sempre com a ajuda de Jesus, mesmo quando o coração escuta, mas finge não entender.

“O Senhor sempre semeia sua Palavra, pede somente um coração aberto para escutá-la e boa vontade para colocá-la em prática. Por isto, então, a oração de hoje, que é aquela do Salmo: ‘Guiai-me, Senhor, no caminho de vossos preceitos!’, isso é, no preceito da tua Palavra para que eu aprenda com a tua condução a colocá-la em prática”.
Radio Vaticano


Papa Francisco escreveu, nesta terça-feira, um novo tweet:

23/09/2014
Quando falta Deus numa sociedade, mesmo a prosperidade aparece acompanhada por uma terrível pobreza espiritual.
Mensagem do Papa para Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Igreja sem fronteiras, mãe de todos

Queridos irmãos e irmãs!

Jesus é «o evangelizador por excelência e o Evangelho em pessoa» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 209). A sua solicitude, especialmente pelos mais vulneráveis e marginalizados, a todos convida a cuidar das pessoas mais frágeis e reconhecer o seu rosto de sofrimento sobretudo nas vítimas das novas formas de pobreza e escravidão. Diz o Senhor: «Tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me que vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36). Por isso, a Igreja, peregrina sobre a terra e mãe de todos, tem por missão amar Jesus Cristo, adorá-Lo e amá-Lo, particularmente nos mais pobres e abandonados; e entre eles contam-se, sem dúvida, os migrantes e os refugiados, que procuram deixar para trás duras condições de vida e perigos de toda a espécie. Assim, neste ano, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado tem por tema: Igreja sem fronteiras, mãe de todos.

Com efeito, a Igreja estende os seus braços para acolher todos os povos, sem distinção nem fronteiras, e para anunciar a todos que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8.16). Depois da sua morte e ressurreição, Jesus confiou aos discípulos a missão de ser suas testemunhas e proclamar o Evangelho da alegria e da misericórdia. Eles, no dia de Pentecostes, saíram do Cenáculo cheios de coragem e entusiasmo; sobre dúvidas e incertezas, prevaleceu a força do Espírito Santo, fazendo com que cada um compreendesse o anúncio dos Apóstolos na própria língua; assim, desde o início, a Igreja é mãe de coração aberto ao mundo inteiro, sem fronteiras. Aquele mandato abrange já dois milénios de história, mas, desde os primeiros séculos, o anúncio missionário pôs em evidência a maternidade universal da Igreja, posteriormente desenvolvida nos escritos dos Padres e retomada pelo Concílio Vaticano II. Os Padres conciliares falaram de Ecclesia mater para explicar a sua natureza; na verdade, a Igreja gera filhos e filhas, sendo «incorporados» nela que «os abraça com amor e solicitude» (Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 14).

A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável. A comunidade cristã, se viver efectivamente a sua maternidade, nutre, guia e aponta o caminho, acompanha com paciência, solidariza-se com a oração e as obras de misericórdia.

Nos nossos dias, tudo isto assume um significado particular. Com efeito, numa época de tão vastas migrações, um grande número de pessoas deixa os locais de origem para empreender a arriscada viagem da esperança com uma bagagem cheia de desejos e medos, à procura de condições de vida mais humanas. Não raro, porém, estes movimentos migratórios suscitam desconfiança e hostilidade, inclusive nas comunidades eclesiais, mesmo antes de se conhecer as histórias de vida, de perseguição ou de miséria das pessoas envolvidas. Neste caso, as suspeitas e preconceitos estão em contraste com o mandamento bíblico de acolher, com respeito e solidariedade, o estrangeiro necessitado.

Por um lado, no sacrário da consciência, adverte-se o apelo a tocar a miséria humana e pôr em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou, quando Se identificou com o estrangeiro, com quem sofre, com todas as vítimas inocentes da violência e exploração. Mas, por outro, devido à fraqueza da nossa natureza, «sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 270).

A coragem da fé, da esperança e da caridade permite reduzir as distâncias que nos separam dos dramas humanos. Jesus Cristo está sempre à espera de ser reconhecido nos migrantes e refugiados, nos deslocados e exilados e, assim mesmo, chama-nos a partilhar os recursos e por vezes a renunciar a qualquer coisa do nosso bem-estar adquirido. Assim no-lo recordava o Papa Paulo VI, ao dizer que «os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros» [Carta ap. Octogesima adveniens (14 de Maio de 1971), 23].

Aliás, o carácter multicultural das sociedades de hoje encoraja a Igreja a assumir novos compromissos de solidariedade, comunhão e evangelização. Na realidade, os movimentos migratórios solicitam que se aprofundem e reforcem os valores necessários para assegurar a convivência harmoniosa entre pessoas e culturas. Para isso, não é suficiente a mera tolerância, que abre caminho ao respeito das diversidades e inicia percursos de partilha entre pessoas de diferentes origens e culturas. Aqui se insere a vocação da Igreja a superar as fronteiras e favorecer «a passagem de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização (…) para uma atitude que tem por base a “cultura de encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 2014).

Mas os movimentos migratórios assumiram tais proporções que só uma colaboração sistemática e concreta, envolvendo os Estados e as Organizações Internacionais, poderá ser capaz de os regular e gerir de forma eficaz. Na verdade, as migrações interpelam a todos, não só por causa da magnitude do fenómeno, mas também «pelas problemáticas sociais, económicas, políticas, culturais e religiosas que levantam, pelos desafios dramáticos que colocam à comunidade nacional e internacional» [BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de Junho de 2009), 62].

Na agenda internacional, constam frequentes debates sobre a oportunidade, os métodos e os regulamentos para lidar com o fenómeno das migrações. Existem organismos e instituições a nível internacional, nacional e local, que põem o seu trabalho e as suas energias ao serviço de quantos procuram, com a emigração, uma vida melhor. Apesar dos seus esforços generosos e louváveis, é necessária uma acção mais incisiva e eficaz, que lance mão de uma rede universal de colaboração, baseada na tutela da dignidade e centralidade de toda a pessoa humana. Assim será mais incisiva a luta contra o tráfico vergonhoso e criminal de seres humanos, contra a violação dos direitos fundamentais, contra todas as formas de violência, opressão e redução à escravidão. Entretanto trabalhar em conjunto exige reciprocidade e sinergia, com disponibilidade e confiança, sabendo que «nenhum país pode enfrentar sozinho as dificuldades associadas a este fenómeno, que, sendo tão amplo, já afecta todos os continentes com o seu duplo movimento de imigração e emigração» (Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 2014).

À globalização do fenómeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação, a fim de se humanizar as condições dos migrantes. Ao mesmo tempo, é preciso intensificar os esforços para criar as condições aptas a garantirem uma progressiva diminuição das razões que impelem populações inteiras a deixar a sua terra natal devido a guerras e carestias, sucedendo muitas vezes que uma é causa da outra.

À solidariedade para com os migrantes e os refugiados há que unir a coragem e a criatividade necessárias para desenvolver, a nível mundial, uma ordem económico-financeira mais justa e equitativa, juntamente com um maior empenho a favor da paz, condição indispensável de todo o verdadeiro progresso.

Queridos migrantes e refugiados! Vós ocupais um lugar especial no coração da Igreja e sois uma ajuda para alargar as dimensões do seu coração a fim de manifestar a sua maternidade para com a família humana inteira. Não percais a vossa confiança e a vossa esperança! Pensemos na Sagrada Família exilada no Egipto: como no coração materno da Virgem Maria e no coração solícito de São José se manteve a confiança de que Deus nunca nos abandona, também em vós não falte a mesma confiança no Senhor. Confio-vos à sua protecção e de coração concedo a todos a Bênção Apostólica.

Vaticano, 3 de Setembro de 2014.

FRANCISCUS
Boletim da Santa Sé

Padre Lombardi conta bastidores da visita do Papa à Albânia

Em conversa com seu intérprete a caminho da capital da Albania, Francisco falou sobre juventude e Madre Tereza

O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, falou à Rádio Vaticano sobre vários aspectos da viagem do Papa Francisco à Albania, sua quarta viagem internacional. Para ele, a viagem teve “fortes” contribuições do Papa sobre questões como a convivência pacífica entre as religiões e não como ponto de tensão e conflito, sobre o tema da esperança, da fidelidade aos grandes valores, da coragem e da força do testemunho na construção do futuro.

Padre Lombardi destacou que o tema juventude chamou muito a atenção de Francisco, algo perceptível em seus discursos, seja na homilia, seja no momento do Angelus. O Papa falou a um povo jovem e neste contexto, realçou a esperança na construção do futuro e na contribuição positiva à Europa.

“Estava falando há pouco com o Padre David Djudja, que é um nosso colega da Rádio Vaticano, que foi o intérprete do Papa nesta viagem, e ele me dizia que, enquanto eles estavam juntos no carro, vindo do aeroporto em direção a Tirana, o Papa disse: ‘mas que população jovem! Quantos jovens!’ Pensando que estamos na Europa, que ao invés – frequentemente ele diz – está um pouco envelhecendo.”

A Albânia é conhecida como país das águias, símbolo que chamou a atenção do Papa e foi abordado em seus discursos. “O Papa, vendo todos os símbolos das águias ao longo do caminho, dizia a Padre David que a águia voa alto, mas não abandona seu ninho, sempre volta ao seu ninho, mesmo voando alto”.

Madre Tereza também foi tema da conversa do Papa com Padre David. Francisco a  conheceu no Sínodo de 1994 em que ambos participaram.

“Bergoglio tinha Madre Teresa atrás dele, perto, e a ouvia frequentemente intervir com muita força, sem deixar-se, minimamente impressionar diante de toda aquela assembléia de bispos. E tinha por ela uma grande estima, como uma mulher forte, como uma mulher capaz de dar um testemunho corajoso. Depois fez uma brincadeira: ‘Eu teria medo de tê-la como superiora, porque era uma mulher muito forte'”, comentou padre Lombardi.

No Palácio Presidencial, Francisco escreveu em um livro de honra, a pedido do presidente do país. “Ao nobre povo albanês, com o meu respeito e admiração pelo seu testemunho e sua fraternidade ao levar avante o país”.

Diante do conteúdo escrito pelo Papa, padre Lombardi chama a atenção para pontos que o pontífice já tinha destacado durante a preparação da viagem como a admiração e estima pelo povo, seja pelo testemunho de coragem,  seja pela fraternidade e a capacidade de convivência, apesar das diferenças.

“Disseram-me que também o colóquio com o presidente foi muito intenso, que o presidente estava muito emocionado, talvez até um pouco acanhado, mas certamente muito emocionado. O Presidente Bektashi é muçulmano e falou com o Papa, com muita gratidão, dizendo-lhe que de fato a harmonia entre as religiões, que se busca viver agora na Albânia, fortalece muito também a democracia e o desenvolvimento da nação. Por isso, é muito grato ao apoio que a Santa Sé dá e também o Papa com esta viagem, e disse que é uma bênção. Este tema da bênção, vemos que é fortemente sentido, também pelos muçulmanos. É uma palavra forte, e todos esperaram esta viagem como uma bênção do Santo Padre para o povo, para o país, para o seu futuro. Eu não sei se vocês perceberam, durante o seu discurso, o Papa em certo momento fez uma pequena pausa e disse a palavra ‘respeito’. A palavra ‘respeito’ aqui é uma palavra essencial.”
Radio Vaticano

Papa vai à Santa Maria Maior agradecer por viagem à Albânia

Na manhã desta segunda-feira, 22.setembro.2014, o Papa Francisco foi à Basílica de Santa Maria Maior para agradecer à Nossa Senhora por sua proteção e pelo sucesso da viagem à Albânia. Francisco visitou a Basílica por volta de 12h (horário local, 7h em Brasília), informou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, em nota à imprensa.

Como de costume, o Papa permaneceu em oração silenciosa na Capela da Salus Popoli Romani e fez uma homenagem à Nossa Senhora. Ele colocou diante da imagem um maço de flores recebido ontem à noite na Albânia durante o último encontro, no Centro Betânia.

Os fiéis presentes na Basílica se uniram no canto final da Salve Rainha. Francisco voltou ao Vaticano por volta de 12h30 (horário local, 7h30 e Brasília).



Papa comenta sua emoção com testemunho de mártires na Albânia

Durante seu retorno a Roma após a viagem à Albânia neste domingo, 21.setembro.2014, o Papa Francisco concedeu entrevista aos jornalistas que o acompanhavam no voo papal. Um dos pontos comentados pelo Pontífice, em resposta a um jornalista, foi sua comoção na celebração das vésperas, quando ele se comoveu ao ouvir dois testemunhos de sobreviventes da perseguição comunista.

“Ouvir um mártir falar do próprio martírio é forte! Creio que todos nós que estávamos ali ficamos comovidos. E aquelas testemunhas falavam como se falassem de um outro, com uma naturalidade, uma humildade. A mim fez bem isto!”.

A Albânia foi o primeiro país da Europa a ser visitado pelo Papa. Um dos jornalistas observou essa escolha de Francisco, de querer visitar um país da periferia, que não pertence à União Europeia. Quando perguntado sobre o que pode dizer àqueles que olham somente para a Europa dos “poderosos”, Francisco disse: “É uma mensagem, esta minha viagem, é um sinal: é um sinal que eu quero dar”.

Uma das perguntas foi sobre a emoção que Francisco sentiu ao ver os retratos dos mártires resultantes do regime comunista. O Papa contou que vinha estudando, há dois meses, a história deste período difícil na Albânia, destacando a beleza e força das raízes culturais. Tanto católicos como ortodoxos e muçulmanos deram testemunho de Deus, mesmo em meio às perseguições, e continuam dando testemunho de fraternidade, relatou o Papa.

Francisco também disse que as mensagens deixadas na Albânia não são uma exclusividade para o país, mas vão além e servem para o mundo como um todo. A Albânia pode ser um país de maioria muçulmana, como afirmou um dos jornalistas em sua pergunta, mas é um país europeu em sua cultura, observou o Papa.

Sobre as próximas viagens, Francisco comentou sua ida para Estrasburgo em 25 de novembro, ocasião em que fará um discurso ao Parlamento Europeu. Provavelmente em 28 de novembro ele irá para a Turquia, para já estar lá no dia 30, festa de Santo André, com o Patriarca Bartolomeu.

As perguntas foram feitas por três jornalistas albaneses, que trabalham em emissoras de TV locais.
Canção Nova

Visita ao Centro Betânia de Tirana: a fé se torna caridade concreta


Tirana (RV) - Ao término da celebração das Vésperas, na Catedral de São Paulo, na capital albanesa, o Santo Padre visitou o “Centro de assistência Betânia”, fundada, em 1999, por Antonietta Vitale, agora idosa, para a assistência às crianças necessitadas e com graves problemas familiares.

Aos numerosos presentes, entre crianças e representantes de outros institutos e centros de caridade da Albânia, o Papa agradeceu as palavras de saudação da Diretora da Fundação e os depoimentos de um jovem e uma moça, que cresceram no Centro de Assistência Betânia.

O Pontífice agradeceu a presença de todos, da idosa Fundadora, presente, e o entusiasmo das crianças, e disse: “Em lugares como este, todos somos confirmados na fé, todos nos sentimos ajudados a crer, porque vemos que a fé se torna caridade concreta, leva luz e esperança. Esta fé, que age na caridade, move as montanhas da indiferença, da incredulidade e da apatia e abre os corações e as mãos para fazer o bem. E, falando do Centro de Betânia, o Bispo de Roma afirmou:

“Este Centro testemunha que é possível uma convivência pacífica e fraterna entre pessoas de várias etnias e de diferentes confissões religiosas. Aqui as diferenças não impedem a harmonia, a alegria e a paz; pelo contrário, tornam-se ocasião de conhecimento profundo e de mútua compreensão. As diferentes experiências religiosas abrem-se ao amor respeitoso e eficaz para com o próximo; cada comunidade religiosa exprime-se através do amor e não da violência; não se envergonha da bondade”.

Por fim, o Santo Padre pediu a Nosso Jesus e à sua Mãe, a Virgem Maria, que abençoem o Centro Betânia e os outros Centros, que a caridade fez surgir e a Providência fez crescer. Abençoem todos os voluntários, os benfeitores e todas as crianças e adolescentes acolhidos. “Que o vosso Padroeiro Santo Antônio de Pádua – concluiu o Papa - os acompanhe neste caminho de serviço aos pobres e abandonados.

Com esta visita ao Centro Betânia, de Tirana, o Papa Francisco se dirigiu ao aeroporto internacional Madre Teresa, onde se realizou a cerimônia de despedida da Albânia. O Santo Padre manteve um breve encontro com o Primeiro Ministro albanês, na sala Vip, e por fim saudou e se despediu de todos os presentes.
Assim, o Papa Francisco concluiu a IV Viagem Apostólica internacional do seu Pontificado.

Discurso na íntegra
Francisco se sentiu tocado por testemunho de religiosos que sofreram perseguição por parte do comunismo

Papa Francisco reuniu-se com sacerdotes, religiosos, seminaristas e movimentos leigos na Catedral de Tirana, na Albânia, neste domingo, 21, para a celebração das vésperas. O Santo Padre deixou o discurso previamente preparado para falar aos presentes o que lhe veio ao coração no momento.

Um padre e uma religiosa que sofreram perseguição por parte do regime comunista deram seu testemunho ao Papa. Ambos já idosos relataram as situações difíceis que viveram e as experiências que tiveram com o anúncio do Evangelho nestas circunstâncias.

Tocado pelos testemunhos, Francisco resolveu apenas entregar o discurso preparado e falar espontaneamente. Ele disse que nos últimos dois meses se preparou para esta visita lendo a história de perseguição na Albânia. Para ele, foi uma surpresa, pois não sabia que o povo albanês avia sofrido tanto.

Ao percorrer o caminho do aeroporto até a Praça Madre Teresa, Francisco viu as fotos dos mártires e com isso constatou como o povo albanês ainda têm na memória o sofrimento deles. No início da celebração, ele se sentiu tocado pelo testemunho de duas dessas pessoas que sofreram tanto: o padre e a freira.

“O que eu posso dizer é o que eles disseram com a sua vida, com suas palavras simples…contaram as coisas com uma simplicidade…mas tão dolorosa! E nós podemos perguntar a eles: ‘mas como vocês fizeram para sobreviver a tantas tribulações?’ E nos dirão isso que ouvimos nesse trecho da Segunda Carta aos Coríntios: ‘Deus é Pai misericordioso e Deus de toda consolação. Foi Ele a nos consolar!’”.

O Pontífice mencionou o sofrimento físico e psicológico vivido pelo padre e pela freira naquela angústia da incerteza, mas Deus os consolava. Ele disse que se lembrou de Pedro, no cárcere, e de como a Igreja rezava por ele. O Papa destacou que Deus consola seu povo de forma humilde e escondida. “Consola na intimidade do coração e consola com a fortaleza”.

Tanto o padre quanto a freira não se vangloriam do que viveram porque sabem que foi Deus quem os levou adiante, disse Francisco. O Santo Padre acrescentou que o testemunho dos dois mostra a todos os que foram chamados pelo Senhor que o único consolo vem de Deus.

“Saibam bem que se vocês procuram consolo em outra parte, não serão felizes. E mais, não poderão consolar ninguém, porque o seu coração não foi aberto à consolação do Senhor (…) Bendito seja Deus Pai, Deus de toda consolação, que nos consola em toda tribulação, para que possamos também nós consolar aqueles que se encontram em qualquer tipo de aflição, com o consolo com que nós mesmos fomos consolados por Deus”.

Francisco conclui sua viagem à Albânia logo mais em um encontro com crianças do Centro Betânia e com representantes de assistidos de outros centros caritativos do país. Depois ele segue para o aeroporto para a cerimônia de despedida e embarca rumo a Roma, onde deve chegar por volta de 21h30 (horário em Roma, 16h30 em Brasília).
Canção Nova

Matar em nome de Deus é sacrilégio! Discriminar em nome de Deus é desumano! - Papa aos líderes religiosos

Em sintonia com o que afirmara já de manhã às Autoridades e ao Corpo Diplomático, de tarde, no encontro com os líderes das diferentes religiões, na Universidade Católica, o Santo Padre advertiu “não é digno de Deus nem do homem” qualquer “uso distorcido da religião”. “Matar em nome de Deus é sacrilégio. Discriminar em nome de Deus é desumano”.

O Papa começou por recordar que a Albânia foi testemunha das inúmeras violências e dramas que pode causar a exclusão forçada de Deus da vida pessoal e comunitária.

Quando se pretende, em nome duma ideologia, expulsar Deus da sociedade, acaba-se adorando ídolos, e bem depressa o próprio homem se sente perdido, a sua dignidade é espezinhada, os seus direitos violados.

É conhecida “a brutalidade a que pode conduzir a privação da liberdade de consciência e da liberdade religiosa – observou o Papa - e como desta ferida se gera uma humanidade radicalmente empobrecida, porque fica privada de esperança e de ideais de referimento.

As mudanças ocorridas nos últimos 25 anos – reconheceu o Papa – permitiram criar as condições para uma efectiva liberdade de religião, tornando possível a cada comunidade reavivar as próprias tradições e contribuir para a reconstrução moral do país. Neste contexto, o Papa Francisco recordou o que afirmou João Paulo II na sua visita à Albânia em 1993:
«a liberdade religiosa... não é apenas um precioso dom do Senhor para quantos têm a graça da fé: é um dom para todos, porque é garantia basilar de qualquer outra expressão de liberdade… Nada como a fé nos recorda que, se tivermos um único Criador, somos também todos irmãos! A liberdade religiosa é assim um baluarte contra os totalitarismos e um contributo decisivo para a fraternidade humana»

O mesmo João Paulo II recordou nessa ocasião que «a verdadeira liberdade religiosa protege das tentações da intolerância e do sectarismo, e promove atitudes de diálogo respeitoso e construtivo»
Não podemos deixar de reconhecer como a intolerância, com quem tenha convicções religiosas diferentes das próprias, seja um inimigo particularmente insidioso, que hoje infelizmente se está a manifestar em várias regiões do mundo.

Como crentes – observou ainda o Papa Francisco - há que estar particularmente vigilante para que a religiosidade e a ética que vivemos com convicção e que testemunhamos com paixão se exprimam sempre em atitudes dignas daquele mistério que pretendemos honrar, rejeitando decididamente como não verdadeiras – porque não são dignas de Deus nem do homem – todas as formas que constituem um uso distorcido da religião.

A religião autêntica é fonte de paz e não de violência. Ninguém pode usar o nome de Deus, para cometer violência. Matar em nome de Deus é um grande sacrilégio. Discriminar em nome de Deus é desumano.

A liberdade religiosa – fez notar o Papa - não é um direito que se possa garantir apenas pelo sistema legislativo, aliás necessário; “a liberdade religiosa é um espaço comum, um ambiente de respeito e colaboração que deve ser construído com a participação de todos, incluindo aqueles que não têm qualquer convicção religiosa.”

Neste contexto, recordou “duas atitudes que - disse - podem ser de particular utilidade na promoção desta liberdade fundamental.

A primeira é ver em cada homem e mulher – mesmo naqueles que não pertencem à tradição religiosa própria –, não rivais e menos ainda inimigos, mas irmãos e irmãs. Quem está seguro das próprias convicções não tem necessidade de se impor, de exercer pressões sobre o outro: sabe que a verdade tem a sua própria força de irradiação.

No fundo, todos somos peregrinos sobre esta terra e, nesta nossa viagem… não vivemos como entidades autónomas e auto-suficientes – quer se trate de indivíduos, quer de grupos nacionais, culturais ou religiosas – mas dependemos uns dos outros, estamos confiados aos cuidados uns dos outros.

Uma segunda atitude é o compromisso a favor do bem comum. Sempre que a adesão à própria tradição religiosa faz germinar um serviço mais convicto, mais generoso, mais altruísta à sociedade inteira, verifica-se um autêntico exercício e crescimento da liberdade religiosa.

Convidando a olhar ao redor, o Papa recordou "as inúmeras necessidades dos pobres" e "quanto precisam ainda as nossas sociedades de encontrar caminhos para uma justiça social mais ampla, para um desenvolvimento económico inclusivo!” Ora, “homens e mulheres inspirados pelos valores das próprias tradições religiosas podem oferecer uma contribuição não só importante mas insubstituível. Este é um terreno particularmente fecundo também para o diálogo inter-religioso.

Queridos amigos, exorto-vos a manter e desenvolver a tradição de boas relações, existente na Albânia, entre as comunidades religiosas e a sentir-vos unidos no serviço à vossa amada pátria. Continuai a ser sinal para o vosso país – e não só para ele – da possibilidade de relações cordiais e de fecunda colaboração entre pessoas de religiões diferentes. E rezai também por mim. Deus vos abençoe!
Radio Vaticano
Homilia do Papa Francisco em Missa celebrada na Albânia

Domingo, 21.setembro.2014


Hoje, o Evangelho diz-nos que, além dos Doze Apóstolos, Jesus chama outros setenta e dois discípulos e manda-os pelas aldeias e cidades a anunciar o Reino de Deus (cf. Lc 10, 1-9.17-20). Ele veio trazer ao mundo o amor de Deus e quer irradiá-lo através da comunhão e da fraternidade. Por isso, forma imediatamente uma comunidade de discípulos, uma comunidade missionária, e treina-os para a missão, para «ir» em missão. O método missionário é claro e simples: os discípulos entram nas casas, e o seu anúncio começa com uma saudação cheia de significado: «A paz esteja nesta casa!» (v. 5). Não se trata apenas duma saudação, mas é também um dom: a paz. Encontrando-me hoje no vosso meio, queridos irmãos e irmãs da Albânia, nesta praça dedicada a uma filha humilde e grande desta terra, a Beata Madre Teresa de Calcutá, desejo repetir-vos esta saudação: paz nas vossas casas, paz nos vossos corações, paz na vossa nação!

Na missão dos setenta e dois discípulos, revê-se a experiência missionária da comunidade cristã de todos os tempos: o Senhor ressuscitado e vivo envia não só os Doze, mas a Igreja inteira, envia cada batizado a anunciar o Evangelho a todos os povos. Ao longo dos séculos, nem sempre o anúncio da paz, trazido pelos mensageiros de Jesus, era acolhido; às vezes, as portas fecharam-se. Num passado recente, também a porta do vosso país se fechou, cerrada com o cadeado das proibições e prescrições dum sistema que negava Deus e impedia a liberdade religiosa. Aqueles que tinham medo da verdade e da liberdade tudo fizeram para banir Deus do coração do homem e excluir Cristo e a Igreja da história do vosso país, embora este tenha sido um dos primeiros a receber a luz do Evangelho. De fato, na segunda Leitura, ouvimos a referência à Ilíria, que, na época do apóstolo Paulo, incluía também o território da Albânia atual.

Repensando naqueles decênios de sofrimentos atrozes e duríssimas perseguições contra católicos, ortodoxos e muçulmanos, podemos dizer que a Albânia foi uma terra de mártires: muitos bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis leigos pagaram com a vida a sua fidelidade. Não faltaram testemunhos de grande coragem e coerência na profissão da fé. Muitos cristãos não cederam perante as ameaças, mas continuaram sem hesitação pelo caminho abraçado. Em espírito, dirijo-me até junto daquele muro do cemitério de Escutári, lugar-símbolo do martírio dos católicos onde se efetuavam as fuzilações, e, comovido, deponho a flor da oração e de grata e indelével lembrança. O Senhor esteve junto de vós, irmãos e irmãs muito amados, para vos sustentar; guiou-vos e consolou-vos e, por fim, ergueu-vos sobre asas de águia como um dia fez com o antigo povo de Israel (cf. primeira Leitura). Que a águia, representada na bandeira do vosso país, vos recorde o sentido da esperança, repondo a vossa confiança sempre em Deus: Ele não desilude mas está sempre ao nosso lado, especialmente nos momentos difíceis.

Hoje, abriram-se de novo as portas da Albânia e está amadurecendo uma estação de novo protagonismo missionário para todos os membros do Povo de Deus: cada batizado tem um lugar e um dever a desempenhar na Igreja e na sociedade. Que cada um se sinta chamado a comprometer-se generosamente no anúncio do Evangelho e no testemunho da caridade, a reforçar os laços da solidariedade a fim de promover condições de vida mais justas e fraternas para todos. Vim hoje aqui para vos encorajar a fazer crescer a esperança dentro de vós mesmos e ao vosso redor; a envolver as novas gerações; a alimentar-vos assiduamente da Palavra de Deus, abrindo os vossos corações a Cristo: o seu Evangelho indica-vos o caminho! A vossa fé seja jubilosa e radiante; mostre que o encontro com Cristo dá sentido à vida dos homens, de cada homem.

Em espírito de comunhão entre bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, encorajo-vos a dar impulso à ação pastoral e a continuar na busca de novas formas de presença da Igreja no seio da sociedade. Em particular, digo aos jovens: Não tenhais medo de responder com generosidade a Cristo, que vos convida a segui-Lo. Na vocação sacerdotal ou religiosa, encontrareis a riqueza e a alegria da doação de vós próprios para servir a Deus e aos vossos irmãos. Muitos homens e mulheres esperam a luz do Evangelho e a graça dos Sacramentos!

Igreja que vives nesta terra da Albânia, obrigado pelo teu exemplo de fidelidade ao Evangelho! Muitos dos teus filhos e filhas sofreram por Cristo até ao sacrifício da vida. O seu testemunho sustente os vossos passos de hoje e do futuro no caminho do amor, da liberdade, da justiça e da paz. Amém.
Boletim da Santa Sé

Apelo do Papa aos jovens no Angelus: sejam a nova geração da Albânia!

Tirana (RV) - Ao término da Santa Missa, celebrada na Praça Madre Teresa, em Tirana, ponto central da sua visita à Albânia, o Papa Francisco passou a rezar a oração mariana do Angelus.

Na sua alocução, o Pontífice cumprimentou todos os fiéis presentes, não só da Albânia, mas também dos países vizinhos, e os agradeceu pela participação e o testemunho da sua fé.

A seguir, o Santo Padre dirigiu-se, de modo particular, aos jovens, convidando-os a construir a sua vida em Jesus Cristo, a rocha, que é sempre fiel, mesmo quando a nossa fidelidade falha. Jesus nos conhece melhor que ninguém; quando erramos, Ele não nos condena. E o Papa acrescentou:
“Queridos jovens, vocês são a nova geração da Albânia. Com a força do Evangelho e o exemplo dos mártires, saibam dizer não à idolatria do dinheiro, não à falsa liberdade individualista, não às dependências e à violência; pelo contrário, saibam dizer sim à cultura do encontro e da solidariedade, sim à beleza inseparável do bem e da verdade; sim à vida gasta com ânimo grande, mas fiel nas pequenas coisas. Deste modo, construirão uma Albânia e um mundo melhores”.

Por fim, o Bispo de Roma convidou os fiéis a dirigir-se à Virgem Mãe, venerada na Albânia com “Nossa Senhora do Bom Conselho”. Por sua, vez, o Papa dirigiu-se, espiritualmente, ao seu Santuário, em Escútari, tão querido e frequentado, a fim de confiar-lhe toda a Igreja na Albânia e todo o povo albanês, especialmente as famílias, as crianças e os idosos.
Discurso do Papa no encontro com autoridades da Albânia

Senhor Presidente,

Senhor Primeiro-Ministro,

Ilustres Membros do Corpo Diplomático,

Excelências, Senhoras e Senhores!

Sinto imensa alegria por estar aqui convosco, na nobre terra da Albânia: terra de heróis, que sacrificaram a vida pela independência do país, e terra de mártires, que testemunharam a sua fé nos tempos difíceis de perseguição. Obrigado pelo convite para visitar a vossa pátria, chamada «terra das águias», e pela vossa recepção festiva.

Já passou quase um quarto de século desde que a Albânia reencontrou o caminho árduo mas emocionante da liberdade. Esta permitiu à sociedade albanesa empreender um percurso de reconstrução material e espiritual, pôr em movimento tantas energias e iniciativas, abrir-se à colaboração e a permutas com os países vizinhos dos Balcãs e do Mediterrâneo, da Europa e do mundo inteiro. A liberdade reencontrada permitiu-vos olhar para o futuro com confiança e esperança, iniciar projectos e tecer de novo relações de amizade com nações vizinhas e distantes.

Na realidade, o respeito dos direitos humanos, entre os quais sobressai a liberdade religiosa e a liberdade de expressão do pensamento, é condição preliminar para o próprio progresso económico e social de um país. Quando a dignidade do homem é respeitada e os seus direitos são reconhecidos e garantidos, florescem também a criatividade e a audácia, podendo a pessoa humana explanar suas inúmeras iniciativas a favor do bem comum.

Alegro-me de modo particular por uma característica feliz da Albânia, que deve ser preservada com todo o cuidado e atenção: refiro-me à convivência pacífica e à colaboração entre seguidores de diferentes religiões. O clima de respeito e mútua confiança entre católicos, ortodoxos e muçulmanos é um bem precioso para o país e adquire uma relevância especial neste nosso tempo em que é deturpado, por parte de grupos extremistas, o autêntico sentido religioso e são distorcidas e manipuladas as diferenças entre as várias confissões, fazendo daquelas um perigoso factor de conflito e violência, em vez de ocasião de diálogo aberto e respeitoso e de reflexão comum sobre o que significa crer em Deus e seguir a sua lei.

Ninguém pense em poder tomar a Deus por escudo, enquanto projecta e comete actos de violência e vexação! Ninguém tome a religião como pretexto para as suas acções contrárias à dignidade do homem e aos seus direitos humanos fundamentais, principalmente o direito de todos à vida e à liberdade religiosa!

O que está a acontecer aqui na Albânia demonstra, pelo contrário, que a convivência pacífica e fecunda entre pessoas e comunidades pertencentes a diferentes religiões é não só desejável, mas também concretamente possível e realizável. A convivência pacífica entre as várias comunidades religiosas é, efectivamente, um bem inestimável para a paz e o desenvolvimento harmonioso de um povo. Trata-se de um valor que deve ser defendido e incrementado, cada dia, através da educação para o respeito das diferenças e das identidades específicas abertas ao diálogo e à cooperação para o bem de todos, através do exercício do conhecimento e da estima de uns pelos outros. É um dom que se deve pedir, incessantemente, ao Senhor na oração. Que a Albânia possa continuar sempre por esta estrada, tornando-se um exemplo de inspiração para tantos países!

Senhor Presidente, depois do inverno do isolamento e das perseguições, veio finalmente a primavera da liberdade. Através de eleições livres e novos ordenamentos institucionais, consolidou-se o pluralismo democrático, e isto favoreceu também a retoma das actividades económicas. Muitos, especialmente no início, motivados pela busca de trabalho e de melhores condições de vida, tomaram o caminho da emigração e contribuem, à sua maneira, para o progresso da sociedade albanesa, enquanto outros redescobriram as razões para permanecer na pátria e construí-la a partir de dentro. As fadigas e os sacrifícios de todos cooperaram para a melhoria das condições gerais.

Por sua vez, a Igreja Católica pôde retomar uma existência normal, reconstituindo a sua hierarquia e reatando os fios duma longa tradição. Foram edificados ou reconstruídos lugares de culto, entre os quais sobressai o Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho em Escutári; foram fundadas escolas e importantes centros de educação e de assistência, postos à disposição de toda a população. Por isso, a presença da Igreja e a sua actividade são vistas, justamente, como um serviço à nação inteira, e não apenas à comunidade católica.

Com certeza, a Beata Madre Teresa juntamente com os mártires que testemunharam heroicamente a sua fé – para eles vai o nosso mais alto reconhecimento e a nossa oração – alegram-se no Céu pelo empenho dos homens e mulheres de boa vontade em fazer reflorescer a sociedade e a Igreja na Albânia.

Agora, porém, apresentam-se novos desafios a que se deve dar resposta. Num mundo que tende à globalização económica e cultural, é preciso fazer todo o esforço possível para que o crescimento e o progresso sejam postos à disposição de todos e não apenas de uma parte da população. Além disso, tal progresso só será autêntico se for também sustentável e equitativo, isto é, se tiver bem presente os direitos dos pobres e respeitar o meio ambiente. À globalização dos mercados é preciso que corresponda a globalização da solidariedade; o crescimento económico deve ser acompanhado por um maior respeito pela criação; e, juntamente com os direitos individuais, hão-de ser tutelados também os direitos das realidades intermédias entre o indivíduo e o Estado, sendo a primeira delas a família. Hoje a Albânia pode enfrentar estes desafios num quadro de liberdade e estabilidade, que hão-de ser consolidadas permitindo olhar o futuro com esperança.

Agradeço cordialmente a cada um de vós pela delicada hospitalidade e, como fez São João Paulo II em Abril de 1993, invoco sobre a Albânia a protecção de Maria, Mãe do Bom Conselho, confiando-Lhe as esperanças de todo o povo albanês. Deus derrame sobre a Albânia a sua graça e a sua bênção.
Boletim da Santa Sé

Francisco pede para rezar pela Europa, pela China e pelo próprio Papa - Três periferias

A velha Europa, a China e o próprio Papa são três periferias que, por diversos motivos, têm particular necessidade de orações. E estas orações Francisco pediu-as aos jovens bispos dos territórios dependentes da Congregação para a evangelização dos povos.

Encontrando na manhã de sábado, 20 de Setembro de 2014, os prelados ordenados no último ano que participam num seminário de actualização promovido por Propaganda Fide, o Pontífice entregou-lhes o discurso preparado e – improvisando algumas palavras em resposta às do cardeal prefeito Fernando Filoni – falou da Europa, como de «um continente um pouco envelhecido». Por isso afirmou que «as Igrejas novas devem» apoiá-la «com orações e com a ajuda, para que se recupere». A segunda periferia recordada pelo Pontífice é a China. «Devemos rezar também pela Igreja da China, pelos novos bispos da China. Rezemos para que as coisas possam correr bem e para que esta periferia possa vir a fim de nos encontrarmos todos». Por fim a última “periferia” é o próprio Papa. «Rezai também por mim», concluiu. Na tarde de sexta-feira o Santo Padre recebeu na Sala Paulo VI os participantes num encontro sobre o «projeto pastoral de Evangelii gaudium», frisando que a Igreja deve ser «sinal de proximidade, bondade, solidariedade e misericórdia».
L’Osservatore Romano


Palavras do Papa Francisco, hoje, sábado, em seu twitter:

20/09/2014
Queridos jovens, escutai dentro de vós! Cristo bate à porta do vosso coração.


Francisco cria uma Comissão Especial sobre o Matrimônio

Cidade do Vaticano (RV) - A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou neste sábado, 20.setembro.2014, que em 27 de agosto de 2014, o Santo Padre assinou o ato de criação da uma Comissão Especial de estudo para a reforma do processo matrimonial. Em relação a esta decisão, torna-se conhecido o que segue:

Esta Comissão será presidida por Dom Pio Vito Pinto, Decano do Tribunal da Rota Romana, e será composto pelos seguintes membros: Cardeal Francesco Coccopalmerio, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos; Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé; Dom Dimitrios Salachas, Exarca Apostólico para os católicos gregos de rito bizantino; o Rev. Mons. Maurice Monier, Leo Xavier Michael Arokiaraj e Alejandro W. Bunge, Prelados Auditores do Tribunal da Rota Romana; o Rev. Nikolaus Schöch, O.F.M., Promotor Substituto do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica; o Rev. P. Konštanc Miroslav Adam, OP, Reitor da Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum); o Rev. P. Espinoza Jorge Horta, OFM, Decano da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Università Antoniamum; e o Prof. Paolo Moneta, ex-professor de Direito Canon na Universidade de Pisa.

Os trabalhos da Comissão especial iniciarão o quanto antes e terão como objetivo elaborar uma proposta de reforma do processo matrimonial, procurando simplificar o procedimento, tornando-o mais ágil e salvaguardando o princípio da indissolubilidade do matrimônio.

Papa diz que a identidade cristã se realiza com a ressurreição

O caminho do cristão se realiza na ressurreição, afirmou o Papa Francisco na homilia desta sexta-feira, 19.setembro.2014, na Casa Santa Marta. Comentando as palavras de São Paulo na Primeira Leitura, o Pontífice destacou que os cristãos parecem ter dificuldade de acreditar na transformação do próprio corpo depois da morte.

O Santo Padre concentrou sua homilia na Primeira Leitura, que vê São Paulo empenhado em fazer uma “correção difícil”, aquela da ressurreição. O apóstolo dos gentios se dirige à comunidade dos cristãos em Corinto, a qual acreditava em Cristo ressuscitado, mas não entendia claramente que também os homens ressuscitariam; não conseguia entender essa passagem da morte para a vida por intermédio da ressurreição. Quando São Paulo foi para Atenas e começou a falar da Ressurreição de Cristo, os gregos sábios e os filósofos se assustaram.

“Mas a ressurreição dos cristãos é um escândalo, não podem entendê-la. E é por isso que Paulo faz este raciocínio, raciocina assim, de modo claro: ‘Se Cristo ressuscitou, como podem dizer alguns entre vocês que não há ressurreição dos mortos? Se Cristo ressuscitou, também os mortos serão ressuscitados’. Há resistência à transformação, a resistência para que a obra do Espírito que recebemos no batismo nos transforme até o final, à ressurreição. E quando falamos disso, a nossa linguagem diz: ‘Mas, eu quero ir para o Céu, não quero ir para o inferno’, mas paramos ali. Nenhum de nós diz: ‘Eu ressuscitarei como Cristo’: não. Também para nós é difícil entender isso”.

O Santo Padre disse que, muitas vezes, é mais fácil pensar em um “panteísmo cósmico”, porque há uma certa resistência em ser transformado, que é a palavra usada por Paulo, “vamos ser transformados”. Este é o futuro que espera pelo ser humano, fato que, segundo o Papa, é o que leva o homem a fazer tanta resistência: resistência à transformação do corpo e à identidade cristã.

“Direi mais: talvez não tenhamos tanto pavor do Maligno do Apocalipse, do Anticristo que deve vir primeiro; talvez não tenhamos tanto pavor. Talvez não tenhamos tanto pavor da voz do Arcanjo ou do som da trombeta: será a vitória do Senhor. Mas pavor de nossa ressurreição: todos seremos transformados. Será o fim de nosso percurso cristão, essa transformação”.

A tentação de não acreditar na ressurreição dos mortos começou nos primeiros dias da Igreja, explicou o Pontífice. Mas Paulo falou aos Tessalonicenses uma frase mais plena de esperança que está no Novo Testamento: “no fim, estaremos com Ele”. Esta é a identidade cristã, disse o Papa.

“Estar com o Senhor. Assim, com o nosso corpo e com nossa alma. Nós ressuscitaremos para estar com o Senhor, e a ressurreição começa aqui, como discípulos, se estivermos com o Senhor, se caminharmos com o Senhor. Isto é o caminho para a ressurreição. E se estivermos habituados a estar com o Senhor, este pavor da transformação do nosso corpo vai se afastar de nós”.

Segundo o Papa Francisco, a ressurreição será como um despertar. A identidade cristã, advertiu, não termina com um triunfo temporal, não termina com uma bela missão, mas se realiza com a ressurreição dos corpos.

“Este será o fim, para nos saciarmos com a visão do Senhor. A identidade cristã é um caminho no qual se encontra o Senhor; como os dois discípulos que ‘estiveram com o Senhor’ toda aquela tarde, também toda nossa vida é chamada a estar com o Senhor para – finalmente, depois da voz do Arcanjo, depois do som da trombeta – permanecer, estar com o Senhor”.
Radio Vaticano

Papa pede proteção de Nossa Senhora para sua viagem à Albânia

O Papa Francisco esteve na noite de quinta-feira, 18.setembro.2014, na Basílica de Santa Maria Maior, onde pediu a proteção de Nossa Senhora para sua visita pastoral que fará domingo, 21, à Albânia.

O Pontífice chegou à basílica por volta das 19h (horário local) e foi acolhido pelo arcipreste da Basílica, Abryl y Castillo. E rezou durante meia hora diante do ícone mais venerado em Roma, Salus Populi Romani.

Francisco repete este gesto sempre que viaja. Já o fez quando foi ao Rio de Janeiro, em julho de 2013; à Terra Santa, em maio passado, e um mês atrás, por ocasião da visita à Coreia do Sul.
Radio Vaticano

Admitir os pecados abre portas ao carinho de Jesus, diz Papa

A coragem de admitir os pecados abre as portas ao carinho de Jesus e ao Seu perdão. Essa foi a reflexão central do Papa Francisco na homilia da Santa Missa presidida por ele na manhã de quinta-feira, 18, na Casa Santa Marta.

A leitura do dia, extraída do Evangelho de Lucas, fala da pecadora que lava os pés de Jesus com suas lágrimas e os unge com perfume, enxugando-os com seus cabelos. Jesus havia sido convidado para ir à casa de um fariseu que queria conhecer Sua doutrina. O homem julgou dentro de si tanto a pecadora quanto Jesus, dizendo que se Jesus fosse um profeta saberia melhor que tipo de mulher estava tocando n’Ele. O fariseu não era mau, mas não entendia o gesto daquela mulher, explicou o Papa.

“Não conseguia entender os gestos elementares do povo. Talvez este homem tivesse esquecido como se acaricia uma criança, como se consola uma idosa. Em suas teorias, em sua vida de governante, não se lembrava dos primeiros gestos da vida, aqueles que nós todos, quando nascemos, recebemos de nossos pais”.

O Santo Padre destacou que Jesus repreendeu o fariseu com humildade e ternura. “A sua paciência, o seu amor e o desejo de salvar todos o levaram a lhe explicar o que fez a mulher e os gestos de cortesia que ele mesmo não fez. E em meio ao murmúrio de todos, disse à mulher: ‘Teus pecados estão perdoados! Tua fé te salvou; vai em paz!’”.

A mulher foi capaz de chorar por seus pecados e reconhecer-se pecadora, explicou o Papa Francisco. E Jesus disse que a salvação vem somente àquele que sabe abrir seu coração e se reconhecer pecador.

“O lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo são os seus pecados”. Isso pode parecer uma heresia, observou o Papa, mas também São Paulo dizia isso e se vangloriava de duas coisas apenas: dos seus pecados e de Cristo ressuscitado que o salvou.

“E por isso reconhecer os próprios pecados, reconhecer a nossa miséria, reconhecer o que somos e do que somos capazes de fazer ou ter feito é precisamente a porta que se abre à carícia de Jesus, ao perdão de Jesus, à Palavra de Jesus: ‘Vai em paz, a tua fé te salvou!’, porque você foi corajoso, você foi corajosa ao abrir o seu coração a quem é o único que pode salvar você”.

Jesus disse aos hipócritas: “as prostitutas e os cobradores de impostos irão preceder vocês no Reino dos Céus”. “E isso é forte!”, concluiu o Pontífice, incentivando aos que se sentem pecadores a abrirem o coração na confissão dos pecados, ao encontro com Jesus, que deu Seu Sangue por todos nós.
Radio Vaticano

Leia o Tweet de hoje do Papa Francisco:

18/09/2014
Maria, dai-nos a graça de sermos jubilosos na liberdade dos filhos de Deus.

Papa recebe novos bispos e pede: "nada de bispos pessimistas"

Um momento de colegialidade entre os novos bispos e o Santo Padre. Assim foi o encontro do Papa Francisco nesta quinta-feira, 18.setembro.2014, no Vaticano, com os bispos nomeados ao longo do último ano. Na ocasião, Francisco comentou aspectos necessários ao ministério episcopal e encorajou a missão desses pastores da Igreja.

O Santo Padre disse que nutre grandes esperanças no potencial dos novos bispos, constatando, assim, que Deus não deixa faltar à sua Esposa, a Igreja, os pastores escolhidos segundo seu coração.

Nesse primeiro encontro, Francisco pediu que os bispos nunca percam o estupor diante do desígnio de Deus. “Em alguma parte de si mesmo, é preciso conservar com proteção este dom recebido, evitando que se desgaste, impedindo que se torne vão”.

Francisco falou aos novos bispos sobre a inseparável ligação entre a estável presença do bispo e o crescimento do rebanho. Toda reforma autêntica, segundo ele, começa pela presença de Cristo, mas também pela presença do pastor que rege em nome de Cristo.

O ministério episcopal

A assiduidade, constância e paciência foram citadas pelo Papa como características pertinentes ao ministério dos bispos, chamados a servirem à Igreja de Cristo. Ele destacou que os bispos não podem ficar na superfície, mas cavar em profundidade para rastrear o que o Espírito continua a inspirar na Igreja.

“Por favor, não sejam bispos com data de vencimento, que tem necessidade de mudar sempre de endereço, como medicamentos que perdem a capacidade de curar, ou como aqueles alimentos que são jogados fora porque se tornaram inúteis. É importante não bloquear a força de cura que brota do dom que vocês receberam e isto vos defende da tentação de ir e vir sem meta (…) Nós aprendemos para onde vamos: vamos sempre para Jesus”.

O Santo Padre ressaltou ainda que, assim como permanece acesa a lâmpada do Tabernáculo nas catedrais, o rebanho não pode deixar de ver no olhar dos bispos a chama do Ressuscitado. “Portanto, nada de bispos apagados ou pessimistas”.

Francisco mencionou a existência de tantas pessoas que precisam ser levadas a Deus, inclusive os próprios sacerdotes. Segundo ele, há muitos deles que se esquecem da paternidade episcopal ou talvez se cansam de buscá-la. Então, Francisco pediu mais atenção no relacionamento com os sacerdotes.

“Exorto-vos a cultivarem em vós, padres e pastores, um tempo interior em que se possa encontrar espaço para os vossos sacerdotes: recebê-los, acolhê-los, escutá-los, orientá-los (…) E o acolhimento seja para todos, sem discriminação, oferecendo a firmeza da autoridade que faz crescer e a doçura da paternidade que gera”.

Não faltou no discurso do Papa uma menção ao povo de Deus que foi confiado aos bispos. Trata-se de um povo que precisa da paciência dos bispos para crescer e seu curado. Serve de exemplo, nesse sentido, a paciência de Moisés.

“Nada é mais importante que introduzir as pessoas em Deus! Recomendo a vocês sobretudo os jovens e os idosos. Os primeiros porque são as nossas asas e os segundos porque são as nossas raízes”.

Tendo em vista as dramáticas situações dos dias atuais, Francisco manifestou seu desejo de que, por meios dos bispos, ressoe em cada Igreja uma mensagem de encorajamento.

“Vejo em vocês sentinelas capazes de despertar as vossas Igrejas (…) Vejo em vocês homens capazes de cultivarem e fazerem amadurecer os campos de Deus (…) Vejo em vós, enfim, pastores capazes de recomporem a unidade, de tecer redes, de vencer a fragmentação”.

Os novos bispos que se encontraram com o Papa hoje participam nesses dias da reunião promovida pela Congregação para os bispos e a Congregação para as Igrejas Orientais.
Radio Vaticano

A Igreja é católica e apostólica – o Papa na audiência geral afirmou que a Igreja nasceu missionária

Audiência Geral do Papa Francisco nesta quarta-feira dia 17 de setembro. Uma Praça de S. Pedro completamente cheia de fieis que manifestaram efusivamente o seu entusiasmo e carinho para com o Santo Padre. O tema da catequese foi a Igreja Católica e apostólica.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Nesta semana continuamos a falar sobre a Igreja. Quando professamos a nossa fé, nós afirmamos que a Igreja é “católica” e “apostólica”. Mas qual é efetivamente o significado destas duas palavras, dessas duas notáveis características da Igreja? E que valor têm para as comunidades cristãs e para cada um de nós?

1. Católica significa universal. Uma definição completa e clara nos é oferecida por um dos Padres da Igreja dos primeiros séculos, São Cirilo de Jerusalém, quando afirma: “A Igreja sem dúvida é dita católica, isso é, universal, pelo fato de que é difusa de um a outro nos confins da terra; e porque universalmente e sem deserção ensina todas as verdades que devem alcançar a consciência dos homens, seja a respeito das coisas celestes, seja terrestres” (Catequese XVIII, 23).

Sinal evidente da catolicidade da Igreja é que essa fala todas as línguas. E isto não é outra coisa que não o efeito de Pentecostes (cfr At 2, 1-13): é o Espírito Santo, de fato, que tornou os apóstolos e toda a Igreja capazes de fazer ressoar a todos, até os confins da terra, a Bela Notícia da salvação e do amor de Deus. Assim a Igreja nasceu católica, isso é, “sinfônica” desde as origens, e não pode ser nada a não ser católica, projetada à evangelização e ao encontro com todos. A Palavra de Deus hoje é lida em todas as línguas, todos têm o Evangelho na própria língua, para lê-lo. E volto ao mesmo conceito: é sempre bom termos conosco um Evangelho pequeno, para levá-lo no bolso, na bolsa e durante o dia ler um trecho. Isto nos faz bem. O Evangelho é difundido em todas as línguas porque a Igreja, o anúncio de Jesus Cristo Redentor, está em todo o mundo. E por isto se diz que a Igreja é católica, porque é universal.

2. Se a Igreja nasceu católica, quer dizer que nasceu “em saída”, que nasceu missionária. Se os apóstolos tivessem permanecido ali no cenáculo, sem sair para levar o Evangelho, a Igreja seria somente a Igreja daquele povo, daquela cidade, daquele cenáculo. Mas todos saíram para o mundo, do momento do nascimento da Igreja, do momento que desceu sobre eles o Espírito Santo. E por isso a Igreja nasceu “em saída”, isso é , missionária. É aquilo que exprimimos qualificando-a como apostólica, porque o apóstolo é aquele que leva a boa notícia da Ressurreição de Jesus. Este termo nos recorda que a Igreja, no fundamento dos Apóstolos e em continuidade com eles, são os apóstolos que foram e fundaram novas igrejas, constituíram novos bispos e assim em todo o mundo, em continuidade. Hoje todos nós estamos em continuidade com aquele grupo de apóstolos que recebeu o Espírito Santo e depois foi “em saída”, para pregar, enviados a levar a todos os homens este anúncio do Evangelho, acompanhando-o com os sinais da ternura e do poder de Deus. Também isto deriva do evento de Pentecostes: é o Espírito Santo, de fato, a superar cada resistência, a vencer a tentação de fechar-se em si mesmo, entre poucos eleitos, e de se considerar os únicos destinatários da benção de Deus. Se por exemplo alguns cristãos fazem isso e dizem: “Nós somos os eleitos, somente nós”, no fim morrem. Morrem antes na alma, depois morrem no corpo, porque não têm vida, não são capazes de gerar vida, outras pessoas, outros povos: não são apóstolos. E é justamente o Espírito a nos conduzir ao encontro aos irmãos, também àqueles mais distantes em todo sentido, para que possam partilhar conosco o amor, a paz, a alegria que o Senhor Ressuscitado deixou de presente.

3. O que significa, para as nossas comunidades e para cada um de nós, fazer parte de uma Igreja que é católica e apostólica? Antes de tudo, significa levar no coração a salvação de toda a humanidade, não se sentir indiferente ou estranho diante da sorte de tantos irmãos nossos, mas abertos e solidários para com eles. Significa, além disso, ter o sentido da plenitude, da completude, da harmonia da vida cristã, repelindo sempre as posições parciais, unilaterais, que nos fecham em nós mesmos.

Fazer parte da Igreja apostólica quer dizer ser consciente de que a nossa fé é ancorada no anúncio e no testemunho dos próprios apóstolos de Jesus – é ancorada lá, é uma longa cadeia que vem de lá – e por isso sentir-se sempre enviado, sentir-se mandado, em comunhão com os sucessores dos apóstolos, a anunciar, com o coração cheio de alegria, Cristo e o seu amor a toda a humanidade. E aqui gostaria de recordar a vida heroica de tantos, tantos missionários e missionárias que deixaram sua pátria para ir e anunciar o Evangelho em outros países, em outros continentes. Dizia-me um cardeal brasileiro que trabalhava muito na Amazônia que quando ele vai a um lugar, a um país ou a uma cidade da Amazônia, vai sempre ao cemitério e ali vê os túmulos destes missionários, sacerdotes, irmãos, irmãs que foram pregar o Evangelho: apóstolos. E ele pensa: todos estes podem ser canonizados agora, deixaram tudo para anunciar Jesus Cristo. Demos graças ao Senhor porque a nossa Igreja tem tantos missionários, teve tantos missionários e precisa deles ainda mais agora! Agradeçamos ao Senhor por isto. Talvez entre tantos jovens, rapazes e moças que estão aqui, alguém tem a vontade de se tornar missionário: siga adiante! É belo isto, levar o Evangelho de Jesus. Que seja corajoso e corajosa!

Peçamos então ao Senhor para renovar em nós o dom do seu Espírito, para que cada comunidade cristã e cada batizado seja expressão da santa mãe Igreja católica e apostólica.

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Durante as saudações aos vários grupos presentes na Praça São Pedro, o Papa anunciou a todos que domingo próximo, 21 de setembro, fará uma viagem à Albânia.

“Decidi visitar este país porque sofreu muito em consequência de um terrível regime ateu e agora está realizando uma pacifica convivência entre suas várias componentes religiosas. Cumprimento desde já com carinho o povo albanês e agradeço pela preparação desta visita”.

Francisco pediu a todos que o acompanhem com a oração, com a intercessão de Nossa Senhora do Bom Conselho.

Enfim, lembrou que nesta quarta-feira, 17, celebra-se a memória de São Roberto Bellarmino, doutor da Igreja. “Que sua adesão ao Senhor indique a vocês que Ele é o caminho, a verdade e a vida”.
Radio Vaticano

Sem proximidade às pessoas, a pregação é vaidade, afirma Papa

“Podem-se fazer belas pregações, mas se você não está próximo às pessoas, se você não sofre com as pessoas e não dá esperança, essas pregações não servem, elas são vaidades”. Foi o que disse o Papa Francisco nesta terça-feira, 16.setembro.2014, na Missa diária na Casa Santa Marta.

Na liturgia de hoje, a Igreja recorda o Papa São Cornélio e o bispo São Cipriano, mártires do século III.

O Evangelho desta terça-feira lembra o dia em que Jesus se aproxima de um cortejo fúnebre: uma viúva de Naim perdeu seu único filho. O Senhor realiza o milagre de trazer à vida o jovem, mas faz muito mais, afirma Francisco: ele está próximo.

“Deus – dizem as pessoas – visitou o seu povo”. Quando Deus visita “há algo a mais, há algo de novo”, “quer dizer que a sua presença está especialmente ali”.

O Papa explicou que Deus está próximo e é capaz de entender o coração das pessoas, o coração do seu povo. “O Senhor vê aquele cortejo e se aproxima dele. Deus visita o seu povo, em meio ao seu povo, e se aproxima. Proximidade: é o modo de Deus”.

O Santo Padre chamou a atenção para uma expressão, contida neste texto, que se repete na Bíblia muitas vezes: “‘O Senhor, movido de grande compaixão’. A mesma compaixão que, diz o Evangelho, teve quando viu tantas pessoas como ovelhas sem pastor. Quando Deus visita o seu povo, Ele está próximo, Ele se aproxima e sente compaixão dele: comove-se”.

Francisco se lembrou também do episódio em que Jesus fica profundamente comovido diante do túmulo de Lázaro, assim como o pai do “filho pródigo” se comove ao vê-lo voltar para casa.

“Proximidade e compaixão: assim o Senhor visita o seu povo. E quando nós queremos anunciar o Evangelho, levar adiante a Palavra de Jesus, o caminho é esse”, indicou.

Segundo o Papa, o outro caminho é o dos mestres, dos pregadores do templo: os doutores da Lei, escribas e fariseus, que falavam e ensinavam bem, mas “afastados do povo”. “E isso não era um olhar do Senhor: era outra coisa. O povo não sentia isso como uma graça, porque faltava a proximidade, faltava a compaixão, isto é, sofrer com o povo.”

O Pontífice destacou que existe ainda outra palavra, própria de quando o Senhor visita o seu povo: ‘O morto se sentou e começou a falar, e ele [Jesus] o restituiu à sua mãe’”.

“Quando Deus visita o seu povo, restitui ao povo a esperança. Sempre. Pode-se pregar a Palavra de Deus brilhantemente: encontramos grandes pregadores na história. Mas se estes pregadores não conseguem semear a esperança, essa pregação não serve. É vaidade!”

Diante desse fato, no qual Jesus restituiu à mãe o filho vivo, o Papa Francisco afirmou que se pode “entender o que significa uma visita de Deus a seu povo. E pedir a graça que nosso testemunho de cristãos seja testemunho portador da visita de Deus ao seu povo, isto é, da proximidade que semeia a esperança.”
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco, terça-feira:

16/09/2014
O Senhor está sempre à nossa espera, para nos acolher no seu amor: é uma coisa maravilhosa que não cessa jamais de nos surpreender.

15.setembro – Nossa Senhora das Dores

Sem a Mãe Igreja, não se pode seguir adiante, diz Papa

Cidade do Vaticano, 15.setembro.2014 (RV) – Assim como sem Maria não haveria Jesus, sem a Igreja não é possível seguir adiante. Essa foi a reflexão proposta pelo Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 15, na Casa Santa Marta, dia em que a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores.

Francisco disse que a liturgia, depois de mostrar a Cruz gloriosa (Festa da Exaltação da Santa Cruz celebrada ontem), mostra a Mãe humilde e mansa. Na Carta aos Hebreus, São Paulo destaca três palavras fortes: diz que Jesus aprendeu, obedeceu e sofreu. Jesus humilhou-se, fez-se servo, destacou o Papa, e esta é a glória da Sua Cruz.

“Jesus veio ao mundo para aprender a ser homem e, sendo homem, caminhar com os homens. Veio ao mundo para obedecer, e obedeceu. Mas aprendeu esta obediência pelo sofrimento. Adão saiu do Paraíso com uma promessa, a promessa que seguiu adiante durante tantos séculos. Hoje, com esta obediência, com este aniquilar a si mesmo, humilhar-se, de Jesus, aquela promessa se torna esperança. E o povo de Deus caminha com esperança certa. Também a Mãe, ‘a nova Eva’, como Paulo chama, participa deste caminho do Filho: aprendeu, sofreu e obedeceu. E se tornou Mãe”.

O Evangelho do dia mostra Maria aos pés da Cruz e Jesus a apresenta a João como Mãe. O Pontífice disse que Maria foi ungida Mãe e este é um motivo de grande esperança, pois mostra que o homem não é órfão, mas tem duas mães: a Mãe Maria e a Mãe Igreja, a qual também está ungida ao fazer o mesmo caminho de Jesus e de Maria.

“Estas duas mulheres – Maria e a Igreja – levam adiante a esperança, que é Cristo, elas nos dão Cristo, geram Cristo em nós. Sem Maria, não haveria Jesus Cristo; sem a Igreja, não podemos seguir adiante”.

O Santo Padre concluiu dizendo que a alma do homem não se perderá jamais se continuar a ser próxima de Maria e da Igreja, que o acompanham na vida. “E como do Paraíso saíram os nossos pais com uma promessa, hoje nós podemos seguir adiante com uma esperança: a esperança que nos dá a nossa Mãe Maria, firme junto à Cruz, e a nossa Santa Mãe Igreja”.

14.setembro – EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

Papa Francisco explica porque os cristãos celebram a Festa da Exaltação da Santa Cruz



No Angelus deste domingo, 14.setembro.2014, o Papa Francisco destacou a Solenidade da Exaltação da Santa Cruz, celebrada hoje pela Igreja.

“Algumas pessoas não-cristãs podem se perguntar: por que ‘exaltar’ a cruz? Podemos responder que nós não exaltamos uma cruz qualquer ou todas as cruzes: exaltamos a Cruz de Jesus Cristo, porque é nela que foi revelado o máximo amor de Deus pela humanidade”, explicou o Pontífice.

O Santo Padre fez referência ao Evangelho de João na liturgia de hoje: ‘Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único’. O Pai ‘deu’ o Filho para nos salvar, e isso resultou na morte de Jesus e na morte na cruz.

Por que a cruz?

O Papa então questiona: “Por quê? Por que foi necessária a Cruz?” E explica que foi devido a “gravidade do mal que nos mantinha escravos”.

O Papa disse que a Cruz de Jesus exprime duas coisas: toda a força negativa do mal e toda a suave onipotência da misericórdia de Deus.

“A Cruz parece decretar o fracasso de Jesus, mas, na realidade, marca a sua vitória. No Calvário, aqueles que o injuriavam, diziam: ‘Se és Filho de Deus, desce da cruz’. Mas a verdade era o oposto: justamente porque era o Filho de Deus, Jesus estava ali, na cruz, fiel até o final ao desígnio do amor do Pai. E exatamente por isso Deus ‘exaltou’ Jesus, dando-lhe uma realeza universal”, afirmou.

Sinal do amor de Deus

O Pontífice, então, explicou que, quando olhamos para a Cruz onde Jesus foi pregado, contemplamos o sinal do amor infinito de Deus por cada um de nós e a raiz da nossa salvação.

“Daquela Cruz vem a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro. Através da Cruz de Cristo, se venceu o mal, a morte foi derrotada, a vida nos foi doada e a esperança restituída. A Cruz de Jesus é nossa única e verdadeira esperança!”, destacou o Santo Padre.

É por isso que a Igreja ‘exalta’ a Santa Cruz, disse o Papa, e complementou: “é por isso que, nós, cristãos, nos abençoamos com o sinal da cruz”.

Entretanto, a cruz não é um sinal ‘mágico’, alertou Francisco. Acreditar na Cruz de Jesus significa O seguir no Seu caminho. Dessa maneira, inclusive os cristãos colaboram com a Sua obra de salvação, aceitando com Ele o sacrifício, o sofrimento, como também a morte pelo amor de Deus e dos irmãos.

Perseguidos pela fidelidade a Cristo

Neste dia, enquanto a Santa Cruz é contemplada e celebrada, o Papa convida os cristãos e lembrar de tantos irmãos e irmãs que são perseguidos e mortos por causa da sua fidelidade a Cristo.

“Isso acontece, em particular, lá onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou plenamente realizada. Acontece, porém, mesmo nos países e ambientes em que, em princípio, protegem a liberdade e os direitos humanos, mas onde concretamente os fiéis e, especialmente, os cristãos, encontram limitações e discriminações. Por isso, hoje, recordamos e rezamos de modo todo especial por eles”.

Nossa Senhora das Dores

Nesta segunda-feira, 15, a Igreja celebra Nossa Senhora das Dores. O Papa também lembrou que era Ela quem estava no Calvário, aos pés da Cruz. “A Ela, confio o presente e o futuro da Igreja, para que todos sempre saibamos descobrir e acolher a mensagem de amor e de salvação da Cruz de Jesus”, finalizou Francisco.

Após o Angelus, o Papa Francisco recordou a República Centro-africana, onde, nesta segunda-feira, terá início “oficialmente a Missão desejada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para favorecer a pacificação do País e proteger a população civil, que está sofrendo gravemente as consequências do conflito em curso”.

“Enquanto asseguro o empenho e a oração da Igreja católica, encorajo o esforço da Comunidade internacional, que ajuda os centro-africanos de boa vontade. Que a violência ceda, quanto antes, o passo ao diálogo; que as facções opostas ponham de lado os interesses particulares e façam com que cada cidadão seja de que etnia ou religião for, possa colaborar para a edificação do bem comum”.

Em seguida, o Papa recordou sua visita, neste sábado, 13, ao cemitério de Redipuglia, no extremo norte da Itália. “Lá rezei pelos mortos devido à guerra”, disse Francisco.

“Os números são espantosos: fala-se de cerca de 8 milhões de jovens soldados tombados todos… e de cerca de 7 milhões de civis. Isto faz compreender quão a guerra seja uma loucura, uma loucura da qual a humanidade não aprendeu ainda a lição, porque depois dessa guerra, houve uma segunda a nível mundial, e tantas outras estão hoje em curso. Mas quando é que aprendemos, quando é que aprenderemos nós esta lição?”

E, ao concluir sua reflexão, o Santo Padre convidou todos a olhar para Jesus crucificado para compreender que o ódio e o mal derrotam-se com o perdão e o bem, para compreender que a guerra como resposta só faz aumentar o mal e a morte.
Radio Vaticano
Aos novos casais, Papa dá conselho para o casamento dar certo



Diante do deserto, muitos casais ‘não suportam o caminho’ da vida conjugal e familiar. Perdem o gosto do Matrimônio, pois deixam de buscar água na fonte do Sacramento. Papa Francisco aos novo casais, que casaram-se neste domingo, 14,setembro.2014, dia da Festa da Exaltação da Santa Cruz.

O Santo Padre celebrou a Santa Missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, onde testemunhou a união de 20 casais. A noiva mais jovem do casamento coletivo tinha 25 anos e o noivo mais velho, 56 anos.

Eis, na íntegra a sua homilia:

A primeira Leitura fala-nos do caminho do povo no deserto. Pensemos naquele povo em marcha, guiado por Moisés! Era formado sobretudo por famílias: pais, mães, filhos, avós; homens e mulheres de todas as idades, muitas crianças, com idosos que sentiam dificuldade em caminhar… Este povo lembra a Igreja em caminho no deserto do mundo actual; lembra o Povo de Deus que é composto, na sua maioria, por famílias.

Isto faz pensar nas famílias, nas nossas famílias, em caminho pelas estradas da vida, na história de cada dia… É incalculável a força, a carga de humanidade presente numa família: a ajuda mútua, o acompanhamento educativo, as relações que crescem com o crescimento das pessoas, a partilha das alegrias e das dificuldades… As famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os «tijolos» para a construção da sociedade.

Voltemos à narração bíblica… A certa altura, o povo israelita «não suportou o caminho» (Nm 21, 4): estão cansados, falta a água e comem apenas o «maná», um alimento prodigioso, dado por Deus, mas que, naquele momento de crise, lhes parece demasiado pouco. Então lamentam-se e protestam contra Deus e contra Moisés: «Porque nos fizestes sair do Egipto?» (Nm 21, 5). Sentem a tentação de voltar para trás, de abandonar o caminho.

Isto faz-nos pensar nos casais que «não suportam o caminho», o caminho da vida conjugal e familiar. A fadiga do caminho torna-se um cansaço interior; perdem o gosto do Matrimónio, deixam de ir buscar água à fonte do Sacramento. A vida diária torna-se pesada e, muitas vezes, «nauseante».

Naquele momento de extravio – diz a Bíblia – chegam as serpentes venenosas que mordem as pessoas; e muitas morrem. Este facto provoca o arrependimento do povo, que pede perdão a Moisés, suplicando-lhe que reze ao Senhor para afastar as serpentes. Moisés pede ao Senhor, que lhe dá o remédio: uma serpente de bronze, pendurada num poste. Quem olhar para ela, fica curado do veneno mortal das serpentes.

Que significa este símbolo? Deus não elimina as serpentes, mas oferece um «antídoto»: através daquela serpente de bronze, feita por Moisés, Deus transmite a sua força que cura – uma foça que cura –, ou seja, a sua misericórdia, mais forte que o veneno do tentador.

Como ouvimos no Evangelho, Jesus identificou-Se com este símbolo: na verdade, por amor, o Pai «entregou» Jesus, o seu Filho Unigénito, aos homens para que tenham a vida (cf. Jo 3, 13-17). E este amor imenso do Pai impele o Filho, Jesus, a fazer-Se homem, a fazer-Se servo, a morrer por nós e a morrer numa cruz; por isso, o Pai ressuscitou-O e deu-Lhe o domínio sobre todo o universo. Assim se exprime o hino da Carta de São Paulo aos Filipenses (2, 6-11). Quem se entrega a Jesus crucificado recebe a misericórdia de Deus, que cura do veneno mortal do pecado.

O remédio que Deus oferece ao povo vale também e de modo particular para os casais que «não suportam o caminho» e acabam mordidos pelas tentações do desânimo, da infidelidade, do retrocesso, do abandono… Também a eles Deus Pai entrega o seu Filho Jesus, não para os condenar, mas para os salvar: se se entregarem a Jesus, Ele cura-os com o amor misericordioso que jorra da sua Cruz, com a força duma graça que regenera e põe de novo a caminhar pela estrada da vida conjugal e familiar.

O amor de Jesus, que abençoou e consagrou a união dos esposos, é capaz de manter o seu amor e de o renovar quando humanamente se perde, rompe, esgota. O amor de Cristo pode restituir aos esposos a alegria de caminharem juntos. Pois o matrimónio é isto mesmo: o caminho conjunto de um homem e de uma mulher, no qual o homem tem o dever de ajudar a esposa a ser mais mulher, e a mulher tem o dever de ajudar o marido a ser mais homem. Este é o dever que tendes entre vós: «Amo-te e por isso faço-te mais mulher» – «Amo-te e por isso faço-te mais homem». É a reciprocidade das diferenças. Não é um caminho suave, sem conflitos, não! Não seria humano. É uma viagem laboriosa, por vezes difícil, chegando mesmo a ser conflituosa, mas isto é a vida!

E, no meio desta teologia que a Palavra de Deus nos oferece sobre o povo em caminho, mas também sobre as famílias em caminho, sobre os esposos em caminho, um pequeno conselho. É normal que os esposos litiguem: é normal! Acontece sempre. Mas dou-vos um conselho: nunca deixeis terminar o dia sem fazer a paz. Nunca. É suficiente um pequeno gesto. E assim continua-se a caminhar. O matrimónio é símbolo da vida, da vida real, não é uma «ficção»! É sacramento do amor de Cristo e da Igreja, um amor que tem na Cruz a sua confirmação e garantia. Desejo, a todos vós, um caminho lindo, um caminho fecundo. Que o amor cresça! Desejo-vos a felicidade. Existirão as cruzes… Existirão, mas o Senhor sempre estará lá para nos ajudar a seguir em frente. Que o Senhor vos abençoe!
Radio Vaticano/Boletim da Santa Sé

Tweet do Papa Francisco neste sábado

13/09/2014
Apesar dos nossos pecados, podemos repetir como Pedro: Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo.

Homilia na Missa de sufrágio pelos mortos de todas as guerras - Cemitério Militar de Redipuglia, 13.setembro.2014


Depois de ter contemplado a beleza da paisagem desta região inteira, onde homens e mulheres trabalham cuidando da sua família, onde as crianças brincam e os anciãos sonham… ao encontrar-me aqui, neste lugar, só me apetece dizer: a guerra é uma loucura.

Enquanto Deus cuida da sua criação e nós, os homens, somos chamados a colaborar na sua obra, a guerra destrói; destrói até mesmo o que Deus criou de mais belo: o ser humano. A guerra tudo transtorna, incluindo a ligação entre irmãos. A guerra é louca, propõe a destruição como plano de desenvolvimento: querer desenvolver-se através da destruição!

A ganância, a intolerância, a ambição do poder… são motivos que impelem à opção bélica. E tais motivos são muitas vezes justificados por uma ideologia; mas, antes desta, existe a paixão, o impulso desordenado. A ideologia é uma justificação e, mesmo quando não há uma ideologia, pensa-se: «A mim, que me importa?» Tal foi a resposta de Caim: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). A guerra não respeita ninguém: nem idosos, nem crianças, nem mães, nem pais… «A mim, que me importa?»

Por cima da entrada deste cemitério, campeia irônico o lema da guerra: «A mim, que me importa?» Todas as pessoas, cujos restos repousam aqui, tinham seus projetos, seus sonhos, mas as suas vidas foram ceifadas. A humanidade disse: «A mim, que me importa?» E mesmo hoje, depois do segundo falimento de outra guerra mundial, talvez se possa falar de uma terceira guerra combatida «por pedaços» com crimes, massacres, destruições…

Para ser honestos, os jornais deveriam ter como título da primeira página: «A mim, que me importa?» Caim diria: «Sou, porventura, guarda do meu irmão?»

Esta atitude é, exatamente, o contrário daquilo que Jesus nos pede no Evangelho que ouvimos: Ele está no mais pequeno dos irmãos; Ele, o Rei, o Juiz do mundo, é o faminto, o sedento, o estrangeiro, o doente, o encarcerado… Quem cuida do irmão, entra na alegria do Senhor; quem, pelo contrário, não o faz, quem diz, com as suas omissões, «a mim, que me importa?», fica fora.

Há aqui muitas vítimas. Hoje recordamo-las: há o pranto, há a tristeza. E daqui recordamos todas as vítimas de todas as guerras. Também hoje as vítimas são tantas… Como é possível isto? É possível, porque ainda hoje, nos bastidores, existem interesses, planos geopolíticos, avidez de dinheiro e poder; e há a indústria das armas, que parece ser tão importante!

E estes planificadores do terror, estes organizadores do conflito, bem como os fabricantes das armas escreveram no coração: «A mim, que me importa?» É próprio dos sábios reconhecer os erros, provar tristeza por eles, arrepender-se, pedir perdão e chorar.

Com esta disposição «a mim, que me importa?» que têm no coração, os negociantes da guerra talvez ganhem muito, mas o seu coração corrupto perdeu a capacidade de chorar. Aquele «a mim, que me importa?» impede de chorar. Caim não chorou. Hoje a sombra de Caim estende-se sobre nós aqui, neste cemitério. Vê-se aqui! Vê-se na história que vem de 1914 até aos dias de hoje; e vê-se também em nossos dias.

Com coração de filho, de irmão, de pai, peço a vós todos e para todos nós a conversão do coração: passar daquele «a mim, que me importa?» para o pranto. Por todos os mortos daquele «inútil massacre», por todas as vítimas da loucura da guerra de todos os tempos, a humanidade precisa de chorar; e esta é a hora do pranto.
Boletim da Santa Sé

Da mesma forma que não se pode fazer uma cirurgia sem anestesia, não se pode corrigir o erro do outro sem caridade, explicou Papa Francisco na homilia da Santa Missa na Casa Santa Marta, nesta sexta-feira, 12.setembro.2014



A verdadeira correção fraterna é dolorosa porque é feita com amor, verdade e humildade. Quando se sente o prazer de corrigir, isso não vem de Deus. Foi o que explicou o Papa Francisco na homilia desta sexta-feira, 12, na Casa Santa Marta, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica do Santíssimo Nome de Maria.

No Evangelho do dia, Jesus adverte aqueles que veem o cisco no olho do irmão e não percebem a trave que há no próprio olho. Ao comentar este trecho, o Pontífice voltou a falar da correção fraterna, indicando o modo como ela deve ser feita. Antes de tudo, segundo ele, o irmão que erra deve ser corrigido com caridade.

“Não se pode corrigir uma pessoa sem amor e sem caridade. Da mesma forma, não se pode fazer uma intervenção cirúrgica sem anestesia: não se pode, porque o doente irá morrer de dor. E a caridade é como uma anestesia que ajuda a receber a cura e a aceitar a correção”.

Em segundo lugar, é preciso falar a verdade, banir as fofocas, porque estas causam feridas. O Santo Padre reconheceu que não é bom ouvir a verdade, mas afirmou que, quando esta é dita com caridade e com amor, é mais fácil de aceitá-la.

O terceiro aspecto indicado pelo Papa, para que se faça uma verdadeira correção fraterna, é a humildade. Ele disse que, para corrigir um pequeno defeito do outro, a pessoa precisa pensar que ela mesma tem defeitos muito maiores.

“Se você não é capaz de fazer a correção fraterna com amor, com caridade, na verdade e com humildade, você fará uma ofensa e uma destruição ao coração daquela pessoa. Você fará uma fofoca a mais, que fere e, assim, você se tornará um cego hipócrita, como diz Jesus. ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho’”.

O Papa Francisco alertou, por fim, sobre a tentação que há de nos sentirmos fora do jogo do pecado, como se fôssemos anjos, e de termos prazer ao corrigir algo que o irmão fez de errado. E destacou que este comportamento não vem de Deus, pois o que vem d’Ele é o amor que leva à mansidão.

“Que o Senhor nos ajude neste serviço fraterno, tão bonito e tão doloroso, de ajudar os irmãos e as irmãs a serem melhores! E nos ajude a fazê-lo sempre com caridade, em verdade e com humildade”, concluiu Sua Santidade.

Radio Vaticano
Discurso do Papa a biblistas italianos: o valor da exegese

Audiência com a Associação Bíblica Italiana
Sexta-feira, 12 de setembro de 2014


Queridos amigos,


Encontro-vos ao término da Semana Bíblica Nacional, promovida pela Associação Bíblica Italiana. Esse vosso encontro inaugura as celebrações para o 50º aniversário da Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II. Devemos ser gratos pelas aberturas que, como fruto de um longo esforço de pesquisa, ofereceu-nos o Concílio, bem como pela abundância e facilidade de acesso à Sagrada Escritura. O cristão precisa dela hoje mais do que nunca, solicitado como é pelas contrastantes provocações culturais. A fé, para resplandecer, para não ser sufocada, deve ser alimentada constantemente pela Palavra de Deus.

Exprimo-vos a minha estima e o meu reconhecimento pelo trabalho precioso que vocês desenvolvem no vosso ministério de docentes e de estudiosos da Bíblia. Além disso, este encontro me oferece a oportunidade de confirmar, em continuidade com o Magistério da Igreja, a importância da exegese bíblica para o Povo de Deus. Podemos recordar o que foi afirmado pela Pontifícia Comissão Bíblica: “A exegese bíblica – cito – cumpre, na Igreja e no mundo, uma tarefa indispensável. Querer fazer menos dessa para compreender a Bíblia seria uma ilusão e demonstraria uma falta de respeito pela Escritura inspirada […] Para falar aos homens e às mulheres, deste o tempo do Antigo Testamento, Deus explorou todas as possibilidades da linguagem humana, mas ao mesmo tempo teve que submeter sua Palavra a todos os condicionamentos desta linguagem. O verdadeiro respeito pela Escritura inspirada exige que se realizem todos os esforços necessários para que se possa compreender bem o seu significado. Certo, não é possível que cada cristão faça pessoalmente as pesquisas de todo tipo que permitam compreender melhor os textos bíblicos. Esta tarefa é confiada aos exegetas, responsáveis, neste setor, pelo bem de todos” (A interpretação da Bíblia na Igreja, 15 de abril de 1993, Conclusão).

Justamente encontrando os membros da Pontifícia Comissão Bíblica, em ocasião da apresentação do Documento citado, São João Paulo II recordou que “para respeitar a coerência da fé da Igreja e da inspiração da Escritura, a exegese católica deve estar atenta a não se ater aos aspectos humanos dos textos bíblicos. É necessário que ela, também e sobretudo, ajude o povo cristão a perceber em um modo mais claro a palavra de Deus nesses textos, para melhor acolhê-la, para viver plenamente em comunhão com Deus” (L’Osservatore Romano, 25 de abril de 1993, p. 9). Para tal escopo, é necessário naturalmente que o mesmo exegeta saiba perceber nos textos a Palavra divina e isto é possível somente se a sua vida espiritual é férvida, rica de diálogo com o Senhor; do contrário a pesquisa exegética se torna incompleta, perde de vista o seu objetivo principal.

Na conclusão do Documento, há uma expressão muito eficaz: “A exegese católica não tem o direito de se assemelhar a um curso d’água que se perde nas areias de uma análise hipercrítica”

Por isso, além da competência acadêmica, ao exegeta católico é pedido também e sobretudo a fé, recebida e partilhada com todo o povo que crê, que na sua totalidade não pode errar. Refiro-me novamente às palavras de João Paulo II: “Para chegar a uma interpretação plenamente válida das palavras inspiradas pelo Espírito Santo, devemos nós mesmos sermos guiados pelo Espírito Santo, por isso é preciso rezar, rezar muito, pedir na oração a luz interior do Espírito e acolher docilmente esta luz, pedir o amor, que só nos torna capazes de compreender a linguagem de Deus, que é amor (1 Jo 4, 8.16)” (Oss. Romano, 25 de abril de 1993, p. 9).

O modelo é a Virgem Maria, da qual São Lucas nos refere que meditava no seu coração as palavras e os acontecimentos que se referiam ao seu Filho Jesus (cfr 2, 19). Nossa Senhora nos ensina a acolher plenamente a Palavra de Deus, não somente através da busca intelectual, mas em toda a nossa vida.

Queridos irmãos e irmãs, agradeço-vos mais uma vez, abençoo vocês e o vosso trabalho e vos peço o favor de rezarem por mim.
Boletim da Santa Sé

É preciso ser misericordioso para seguir Jesus, diz Papa

Somente com um coração misericordioso é possível seguir Jesus, disse o Papa Francisco durante a Santa Missa presidida por ele nesta quinta-feira, 11.setembro.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que a vida cristã não é autorreferencial, mas é doação até o fim, sem egoísmo. Somente assim será possível amar os inimigos, como Deus nos pede.

Francisco desenvolveu sua homilia a partir do Evangelho segundo Lucas, no qual Deus indica o caminho do amor sem limites. E destacou que Jesus pede que os homens rezem por aqueles que os tratam mal e colocou em ênfase os verbos utilizados pelo Senhor: “amai, façais o bem, bendizei, rezai, não rejeitais”.

“É justamente dar a si mesmo, dar o coração justamente para aqueles que nos querem mal, que nos fazem mal, para os inimigos. Esta é a novidade do Evangelho”, recordou o Santo Padre, lembrando que os cristãos são chamados a amar os seus inimigos, a fazer o bem sem esperar nada em troca.

Sua Santidade ressaltou que o Evangelho é uma novidade difícil de levar adiante, mas esse é o caminho cristão. E para seguir as vias indicadas por Jesus, fazendo o que Deus aconselha, é preciso ser misericordioso. “A vida cristã não é autorreferencial; é uma vida que sai de si mesma para dar-se aos outros. É um dom, é amor, e o amor não volta para si mesmo, não é egoísta: se dá”.

E recorda que a misericórdia é um pedido de Jesus, que também pede aos homens que não julgem uns aos outros, não condenem e saibam perdoar-se mutuamente. “Esta é a vida cristã”, resumiu o Santo Padre. “Pode parecer uma insensatez, disse, mas a vida cristã é, em certo sentido, insensata. É renunciar àquela astúcia do mundo para fazer tudo aquilo que Jesus nos pede para fazer”.

Este é o caminho de Jesus: o da magnanimidade, da generosidade, da doação de si mesmo. Francisco reconheceu que ser cristão não é fácil; é algo que só se pode conseguir com a graça de Deus, não com as forças humanas.

“E aqui aparece esta oração que devemos fazer todos os dias: ‘Senhor, dá-me a graça de me tornar um bom cristão, uma boa cristã, porque eu não faço isso. […] Peçamos ao Senhor a graça de entender o que é ser cristão e que Ele nos faça cristãos, porque nós não podemos fazer isso sozinhos”, conclui.
Radio Vaticano

Mensagem do Papa Francisco em seu twitter, hoje:

11/09/2014
Não podemos confiar nas nossas forças, mas apenas em Jesus e na sua misericórdia.

A misericórdia muda o coração e a vida, diz Papa na catequese

O Papa Francisco continuou nesta quarta-feira, 10.setembro.2014, o ciclo de catequeses sobre a Igreja. Desta vez, ele se concentrou em como a Igreja ensina aos fiéis as obras de misericórdia, o que deve ser feito com gratuidade, sem esperar nada em troca.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

No nosso itinerário de catequeses sobre a Igreja, estamos nos concentrando em considerar que a Igreja é mãe. Na última vez, destacamos como a Igreja nos faz crescer e, com a luz e a força da Palavra de Deus, nos indica o caminho da salvação e nos defende do mal. Hoje gostaria de destacar um aspecto particular desta ação educativa da nossa mãe Igreja, isso é, como ela nos ensina as obras de misericórdia.

Um bom educador aponta para o essencial. Não se perde nos detalhes, mas quer transmitir aquilo que realmente conta para que o filho ou aluno encontre o sentido e a alegria de viver. É a verdade. E o essencial, segundo o Evangelho, é a misericórdia. O essencial do Evangelho é a misericórdia. Deus enviou o seu Filho, Deus se fez homem para nos salvar, isso é, para nos dar a sua misericórdia. Jesus diz isso claramente, resumindo o seu ensinamento para os discípulos: “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36). Pode existir um cristão que não seja misericordioso? Não. O cristão necessariamente deve ser misericordioso, porque isto é o centro do Evangelho. E fiel a este ensinamento, a Igreja só pode repetir a mesma coisa aos seus filhos: “Sede misericordiosos”, como o é o Pai, e como o foi Jesus. Misericórdia.

E então a Igreja se comporta como Jesus. Não faz lições teóricas sobre amor, sobre misericórdia. Não difunde no mundo uma filosofia, uma via de sabedoria… Certo, o Cristianismo é também tudo isso, mas por consequência, reflexo. A mãe Igreja, como Jesus, ensina com o exemplo, e as palavras servem para iluminar o significado dos seus gestos.

A mãe Igreja nos ensina a dar de comer e de beber a quem tem fome e sede, a vestir quem está nu. E como faz isso? Com o exemplo de tantos santos e santas que fizeram isto de modo exemplar; mas o faz também com o exemplo de tantos pais e mães, que ensinam aos seus filhos que aquilo que sobra para nós é para aqueles a quem falta o necessário. É importante saber isso. Nas famílias cristãs mais simples, sempre foi sagrada a regra da hospitalidade: não falta nunca um prato e uma cama para quem tem necessidade. Uma vez uma mãe me contava – na outra diocese – que queria ensinar isto aos seus filhos e dizia a eles para ajudar e dar de comer a quem tem fome; ela tinha três filhos. E um dia, no almoço – o pai estava fora a trabalho, estava ela com os três filhos, pequenos, 7, 5 e 4 anos, mais ou menos – e bateram à porta: era um senhor que pedia o que comer. E a mãe lhe disse: “Espere um minuto”. Entrou e disse aos filhos: “Há um senhor ali que pede o que comer, o que fazemos?”. “Demos a ele o que comer, mãe, demos a ele!”. Cada um tinha no prato um bife com batatas fritas. “Muito bem – disse a mãe – peguemos a metade de cada um de vocês e demos a ele a metade do bife de cada um”. “Ah não, mãe, assim não é bom!”. “É assim, você deve dar do seu”. E assim esta mãe ensinou aos filhos a dar de comer da própria comida. Este é um belo exemplo que me ajudou muito. “Mas não me sobra nada…”. “Dai do teu!”. Assim nos ensina a mãe Igreja. E vocês, tantas mães que estão aqui, sabem o que devem fazer para ensinar aos seus filhos para que partilhem as suas coisas com quem tem necessidade.

A mãe Igreja ensina a estar próximo de quem está doente. Quantos santos e santas serviram Jesus deste modo! E quantos simples homens e mulheres, a cada dia, colocam em prática esta obra de misericórdia em um quarto de hospital, ou de uma casa de repouso, ou na própria casa, ajudando uma pessoa doente.

A mãe Igreja ensina a estar próximo a quem está preso. “Mas, padre, não, isto é perigoso, é gente má”. Mas cada um de nós é capaz… Ouçam bem isto: cada um de nós é capaz de fazer a mesma coisa que aquele homem ou aquela mulher que está na prisão fez. Todos temos a capacidade de pecar e de fazer o mesmo, de errar na vida. Não é pior que eu ou você! A misericórdia supera todo muro, toda barreira e te leva a procurar sempre a face do homem, da pessoa. E é a misericórdia que muda o coração e a vida, que pode regenerar uma pessoa e permitir a ela inserir-se de modo novo na sociedade.

A mãe Igreja ensina a estar próximo de quem está abandonado e morre sozinho. É aquilo que fez a beata Teresa pelos caminhos de Calcutá; e aquilo que fizeram e fazem tantos cristãos que não têm medo de estender a mão para quem está prestes a deixar este mundo. E também aqui a misericórdia dá paz a quem parte e a quem fica, fazendo-nos sentir que Deus é maior que a morte e que permanecendo Nele mesmo a última separação é um “até logo”… Beata Teresa havia entendido bem isto! Diziam a ela: “Madre, isto é perder tempo!”. Encontrava gente morrendo pelo caminho, gente que começava a ter o corpo comido por ratos das ruas, e ela os levava para casa para que morressem limpos, tranquilos, acariciados, em paz. Ela dava a eles o “até logo”, a todos estes… E tantos homens e mulheres como ela fizeram isto. E eles os esperam, ali [aponta para o céu], na porta, para abrir a porta do Céu. Ajudar as pessoas a morrer bem, em paz.

Queridos irmãos e irmãs, assim a Igreja é mãe, ensinando aos seus filhos as obras de misericórdia. Ela aprendeu este caminho com Jesus, aprendeu que isto é o essencial para a salvação. Não basta amar quem nos ama. Jesus diz que isso o fazem os pagãos. Não basta fazer o bem a quem nos faz o bem. Para mudar o mundo para melhor é necessário fazer o bem a quem não é capaz de nos retribuir, como o Pai fez conosco, doando-nos Jesus. Quanto pagamos pela nossa redenção? Nada, tudo de graça! Fazer o bem sem esperar nada em troca. Assim fez o Pai conosco e nós devemos fazer o mesmo. Faça o bem e siga adiante!

Que belo é viver na Igreja, na nossa mãe Igreja que nos ensina estas coisas que Jesus nos ensinou. Agradeçamos ao Senhor, que nos dá a graça de ter como mãe a Igreja, ela que nos ensina o caminho da misericórdia, que é o caminho da vida. Agradeçamos ao Senhor.
Radio Vaticano

Papa lamenta morte de missionárias italianas em Burundi



O Papa Francisco expressou pesar pela morte de três irmãs missionárias xaverianas italianas mortas no convento em Burundi, na missão de Kamenge, norte da capital africana Bujumbura. Trata-se das irmãs Olga Raschietti, Lucia Pulici e Bernardetta Boggian.

Francisco enviou dois telegramas, divulgados nesta segunda-feira, 8, pelo Vaticano. Um foi para o núncio apostólico em Bujumbura, Dom Evaristo Ngoyagoye, e o outro para a superiora geral das missionárias xaverianas, irmã Inês Frizza. Em ambas as mensagens, o Santo Padre se diz atingido pela trágica morte das religiosas.

“Ele (o Papa) deseja que o sangue derramado se torne semente de esperança para construir a autêntica fraternidade entre os povos”, escreve o secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, que assina a mensagem, informando ainda que Francisco assegura suas orações pelas generosas testemunhas do Evangelho.

O superior dos missionários xaverianos em Burundi, padre Mario Pulcini, trabalhava com as religiosas há muitos anos. Ele diz que todos estão em estado de choque com o acontecimento e não sabem o que pode ter acontecido.

“É uma coisa muito grosseira, pode ser uma vingança, pode ser que tenha acontecido alguma coisa com alguém… Mas, não conseguimos encontrar uma justificativa, uma motivação para crimes assim (…) Esta é realmente uma tragédia, que arrisca colocar em crise o povo e os trabalhadores, sobretudo os catequistas e outros que ajudam a paróquia”.

Sobre as religiosas, padre Mario informa que elas estavam no bairro de Kamenge há cerca de sete anos, depois de terem trabalhado no Congo. Ele contou um pouco do trabalho desempenhado por elas, destacando a grande perda que suas mortes significam.

“Irmã Lúcia trabalhou, sobretudo, em nível de santidade: tinha tratado milhares de doentes. Fazia um trabalho extraordinário para a paróquia, para a Igreja, serviços simples… Era muito bem querida pelo povo. Olga tinha trabalhado por muitos anos no Congo na catequese, na pastoral do ensino… Porém, tinha uma grande sensibilidade pelos doentes. (…) E Bernardetta, que foi superiora por muitos anos, também na direção geral, dedicava-se, sobretudo, à escola de corte e costura pra meninas. Realmente, é uma grande perda para nós, para Kamenge, para a Igreja em Burundi e penso que também para o Congo”.

Radio Vaticano
Papa deseja sucesso pleno à Rede Eclesial Pan-Amazônica



Papa Francisco enviou mensagem aos participantes do encontro realizado esta semana em Brasília para discutir consolidação da Rede.

Em mensagem assinada pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, o Santo Padre deseja que esta iniciativa seja rica de humanidade:

Informado do encontro inaugural da Rede Eclesial Pan-Amazônica, que terá lugar em Brasília de 9 a 12 de setembro de 2014, o Santo Padre saúda os mentores, participantes e aderentes à iniciativa, que vem dar respostas ao importante desafio de “viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica das redes e demais instrumentos da comunicação humana que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada.

Assim, as maiores possibilidades e comunicação traduzir-se-ão em novas oportunidades de encontro e solidariedade entre todos. Como seria bom, salutar, libertador, esperançoso, se pudéssemos trilhar este caminho! Sair de si mesmo para se unir aos outros fez bem” (Evanglii gaudium, 87).

Alegrando-se por ver acolhido seu apelo na criação desta inovadora rede, voltada concretamente para as questões ecológicas na Amazônia, o Papa Francisco deseja-lhe pleno sucesso, lembrando porém a todos que a rede digital deve ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas.

Não basta circular pelas “estradas digitais”, é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro: não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos; temos de amar e ser amados, precisamos de ternura. Só assim o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais humanas, permitindo que o fermento cristão fecunde e faça progredir as culturas vivas da Amazônia e os seus valores. Com votos de que a fadiga quotidiana de quantos servirem na Rede Eclesial Pan-Amazônica, contribua para alargar os espaços da compreensão e da solidariedade entre os homens e os povos, refletindo constantemente aquela “Luz das nações” – Cristo – que resplandece no rosto da Igreja universal e das Igrejas locais, o Santo Padre concede-lhes, com amizade e confiança, a implorada Bênção Apostólica.

Cardeal Pietro Parolin
Secretário de Estado de Sua Santidade
Vaticano, 8 de setembro de 2014
Radio Vaticano

Missa em Santa Marta- Na lista de Jesus

O Senhor é «alguém que reza, que escolhe e que não tem vergonha de estar perto das pessoas». Comentando o trecho do Evangelho de Lucas (6, 12-19) durante a Missa celebrada em Santa Marta na manhã de 9 de Setembro de 2014, o Papa ressaltou estas três características que «descrevem bem a personalidade de Jesus» e que motivam também a nossa «confiança nele: confiamos nele porque reza, porque nos escolheu e porque está próximo de nós».

Ao aprofundar estes «três momentos da vida de Jesus», o Pontífice falou primeiro da oração. O Senhor, narra Lucas, «retirou-se a uma montanha para rezar, e aí passou a noite inteira orando a Deus». Assim, Ele «reza por nós. Parece um pouco estranho — observou Francisco — que Ele, que veio para nos salvar e que tem o poder», ore ao Pai. Contudo, «fá-lo com frequência, e também o diz», afirmou o Papa recordando a frase dirigida a Pedro na última Ceia: «Orei por ti!».

Jesus rezou e continua a rezar «por nós: é o intercessor. Também agora, que está diante do Pai no Céu, a sua tarefa — afirmou o bispo de Roma — é esta: interceder, rezar. Ele é o grande intercessor». Não é por acaso que «quando nós rezamos ao Pai, no início da Missa diária, no final da prece dizemos: “Nós vo-lo pedimos por nosso Senhor Jesus Cristo, que ali ora por nós”». Pois precisamente naquele momento, diante do Pai, o Filho «ora por nós».

Trata-se de uma verdade que «deve encorajar-nos». Pois nos momentos «de dificuldade ou necessidade», exortou o Papa, é preciso pensar: «Tu rezas por mim. Jesus ora ao Pai por mim». De resto, acrescentou, esta «é a sua tarefa de hoje: orar por nós, pela sua Igreja». E embora nos esqueçamos com frequência que Jesus reza por nós», esta é «a nossa força». A força de poder «dizer ao Pai: “Se Tu, Pai, não olhas para nós, olha para teu Filho que reza por nós!”. Jesus ora desde o primeiro momento: rezou quando estava na terra e continua a orar agora, por cada um de nós, pela Igreja inteira».

Depois, passando ao segundo momento descrito na cena evangélica — «Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze deles» — o Pontífice observou que «foi Ele quem escolheu; e di-lo claramente: “Não fostes vós que me escolhestes. Fui Eu que vos escolhi!”». Por conseguinte, esta atitude de Jesus anima-nos, porque temos uma certeza: «Eu sou escolhido, sou escolhida pelo Senhor. Ele escolheu-me no dia do Baptismo». São Paulo estava ciente disto e pensando, dizia: «Escolheu-me desde o ventre da minha mãe».

E por que somos «escolhidos» como cristãos? Para Francisco, a resposta está no amor de Deus. «O amor — observou — não olha se temos o rosto feio ou bonito: ama! Jesus faz o mesmo: ama e escolhe com amor. E escolhe todos». Na sua «lista» não há pessoas importantes «segundo os critérios do mundo: há pessoas comuns». O único elemento que caracteriza todos é que «são pecadores. Jesus escolheu os pecadores. Escolhe os pecadores. Esta é a acusação que lhe dirigem os doutores da lei, os escribas: “Ele vai comer com os pecadores, fala com as prostitutas”».

Mas Jesus é assim e portanto «chama todos», acrescentou o bispo de Roma, evocando a parábola das bodas do filho: «Quando os convidados não vêm, como reage o dono da casa? Envia os seus servos: “Ide e trazei todos! Bons e maus”, diz o Evangelho. Jesus escolheu todos. Escolheu os pecadores e por isso é repreendido pelos doutores da lei». O seu critério é o amor, como parece claro desde que «nós, no dia do nosso Baptismo, fomos escolhidos oficialmente». Em tal escolha «está o amor de Jesus». Ele, disse o Papa, «olhou para mim e disse-me: tu!». De resto, é suficiente pensar na escolha de «Judas Iscariotes, que se tornou o traidor, o maior pecador para ele. Mas foi escolhido por Jesus».

Finalmente, o terceiro momento, descrito pelo Evangelho com estas palavras: «Descendo com eles, parou numa planície. Aí encontrava-se um grande número dos seus discípulos e uma enorme multidão de pessoas vindas da Judeia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidónia, que tinham vindo para o ouvir e para ser curadas das suas enfermidades... Todas as pessoas procuravam tocá-lo». Em síntese, a cena apresenta um «Jesus próximo das pessoas. Não é um professor, um mestre, um místico que se afasta e fala da cátedra» mas, ao contrário, uma pessoa que «está no meio do povo e se deixa tocar, permitindo que as pessoas lhe peçam algo. Assim é Jesus: próximo das pessoas».

E esta proximidade, continuou o Papa Francisco, «não é algo novo para Ele: Jesus ressalta-a no seu modo de agir, mas é algo que deriva da primeira escolha de Deus para o seu povo. Deus diz ao seu povo: “Pensai, qual povo tem um Deus tão próximo como Eu em relação a vós?”». A proximidade de Deus ao seu povo – concluiu o Pontífice – «é a proximidade de Jesus em relação às pessoas. Toda a multidão procurava tocá-lo, porque Ele emanava uma força que curava todos, muito perto, no meio do povo».
L’Osservatore Romano

O Papa francisco twittou nesta terça-feira:


09/09/2014
A fidelidade de Deus é mais forte do que as nossas infidelidades e do que as nossas traições.


NATIVIDADE DA BEATA SEMPRE VIRGEM MARIA


Papa pede que fiéis sigam exemplo de Maria: caminhar com Deus



Cidade do Vaticano. 8.setembro.2014 (RV) – “Olhando para a história de Maria, perguntemos se deixamos que Deus caminhe conosco”. Esta foi a reflexão proposta pelo Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 8, na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a Natividade de Nossa Senhora. O Pontífice destacou que Deus está nas coisas grandes, mas também nas pequenas e tem paciência de caminhar com o ser humano, mesmo se este é pecador.

Na homilia, Francisco falou da Criação e do caminho que Deus faz com o homem na história. Ao ler o livro do Gênesis, há o perigo de pensar em Deus como um “mágico” que fazia as coisas com uma “varinha mágica”. Porém, advertiu o Papa, não foi assim, pois Deus fez as coisas e as deixou andar conforme leis internas; deu ao universo autonomia, mas não independência.

“Porque Deus não é um mágico, é criador! Quando, no sexto dia, daquela história, chega à criação do homem dá uma outra autonomia, um pouco diversa, mas não independente: uma autonomia que é a liberdade. E diz ao homem para seguir adiante na história, faz dele o responsável pela criação, também para que a levasse adiante e, assim, chegasse à plenitude dos tempos. E qual era a plenitude dos tempos? Aquilo que Ele tinha no coração: a chegada do seu Filho”.

Deus predestinou todos a serem conforme a imagem do seu Filho e este é o caminho da humanidade, explicou o Santo Padre. Ele dirigiu o pensamento, então, para o Evangelho do dia, que fala da genealogia de Jesus. Trata-se de um elenco que conta com santos e pecadores, mas de toda forma a história segue adiante porque Deus quis que os homens fossem livres. Quando o homem usou mal a sua liberdade, Deus o expulsou do Paraíso, mas fez uma promessa e, com isso, o homem pôde sair do Paraíso com esperança.

“O homem não faz seu caminho sozinho: Deus caminha com ele. Porque Deus fez uma opção: optou pelo tempo, não pelo momento. É o Deus do tempo, é o Deus da história, é o Deus que caminha com os seus filhos, caminha com justos e pecadores”.

Ao mesmo tempo em que é grande, Deus está também nas coisas pequenas e caminha com cada um com paciência, disse Francisco. E assim, chega-se a Maria, pequena, santa, escolhida para se tornar a Mãe de Deus.

“Hoje podemos olhar para Nossa Senhora e nos perguntarmos: ‘Como eu caminho na minha história? Deixo que Deus caminhe comigo ou quero caminhar sozinho? Deixo que Ele me ajude, me perdoe, me leve adiante para chegar ao encontro com Jesus Cristo?’ Este será o fim do nosso caminho: encontramo-nos com o Senhor. (…) E assim podemos louvar o Senhor e pedir humildemente que nos dê a paz, aquela paz do coração que somente Ele pode nos dar, que somente nos dá quando deixamos que Ele caminhe conosco”.

Papa: "A guerra nunca é necessária nem inevitável"



Cidade do Vaticano, 7.setembro.2014 (RV) - “A guerra nunca é necessária nem inevitável. Sempre é possível encontrar uma alternativa”: palavras do Papa Francisco contidas na mensagem aos líderes religiosos mundiais, reunidos em Antuérpia, na Bélgica, de 7 a 9 de setembro.

Promovido pela Comunidade de Santo Egídio, o Encontro Inter-Religioso deste ano tem como tema “A paz é o futuro”.

A mensagem do Pontífice foi lida na tarde deste domingo, durante a cerimônia de inauguração do encontro. No texto, o Papa faz referência aos conflitos que ensanguentam os nossos dias, partindo da lição tirada 100 anos atrás, com o início da Primeira Guerra Mundial.

“Este aniversário – diz Francisco – nos ensina que a guerra jamais é um meio satisfatório para reparar as injustiças. Pelo contrário, a guerra arrasta as pessoas numa espiral de violência que depois se torna incontrolável, destrói o trabalho de gerações e abre o caminho para injustiças e conflitos ainda piores. Toda guerra, reiterou Francisco citando o que disse Bento XV em 1917, “é uma matança inútil”.

O Papa não cita diretamente os locais de conflito, mas fala das guerras que hoje destroem a vida de jovens e idosos, envenenam a convivência entre grupos étnicos e religiosos, obrigando inteiras comunidades ao exílio. Eis então que "as diversas tradições religiosas podem, 'no espírito de Assis', contribuir para a paz com a força da oração e do diálogo".

“A guerra – acrescenta o Papa – nunca é necessária nem inevitável. Sempre é possível encontrar uma alternativa: é o caminho do diálogo do encontro e da sincera busca da verdade.

Francisco então convida os líderes religiosos reunidos na Bélgica a não ficarem passíveis diante de tanto sofrimento e a cooperarem eficazmente à obra de curar as feridas, de resolver conflitos e de buscar a paz.

"Os líderes das religiões são chamados a serem homens e mulheres de paz. São capazes de promover uma cultura do encontro quando outras opções falham ou vacilam. Devemos ser pacificadores e as nossas comunidades devem ser escolas de respeito e de diálogo com as de outros grupos étnicos ou religiosos."


Papa Francisco: "Insultar não é cristão"

Cidade do Vaticano, 7.setembro.2014 (RV) – Milhares de fiéis e peregrinos rezaram com o Papa Francisco, na Praça São Pedro, o Angelus neste domingo, 7.

Antes da oração mariana, o Pontífice comentou o Evangelho deste domingo, extraído do capítulo 18 de Mateus, que apresenta o tema da correção fraterna na comunidade dos fiéis.

O Papa explicou que Jesus nos ensina que se o meu irmão comete um pecado contra mim, eu devo ter caridade para com ele e, antes de tudo, falar pessoalmente com esta pessoa, explicando-lhe que o que disse ou fez não é bom. Se o irmão não me ouvir, Jesus sugere uma ação progressiva: primeiro, voltar a falar com ele com outras duas ou três pessoas; se, não obstante isso, ele não acolher a exortação, é preciso dizer à comunidade; e se não ouvir sequer a comunidade, é preciso fazer com que sinta a fratura e o distanciamento que ele mesmo provocou.

Francisco advertiu porém, que neste itinerário é preciso evitar a fofoca da comunidade, e que a atitude deve ser de delicadeza, prudência, humildade, atenção para com quem pecou, de maneira a evitar que as palavras possam ferir e matar o irmão.

“Vocês sabem que as palavras matam: quando falo mal, faço uma crítica injusta, isso é matar a fama do outro”.

O Papa disse que ao mesmo tempo, esta discrição tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. O objetivo é ajudar o irmão a perceber o que ele fez. Isso também nos ajuda a nos libertar da ira e do ressentimento que nos fazem mal e que nos levam a insultar e a agredir.

“Isso é feio. Nada de insultos. Insultar não é cristão.”

O Pontífice recordou que na realidade, diante de Deus somos todos pecadores e necessitados de perdão. “Jesus, de fato, nos disse para não julgar. A correção fraterna é um serviço recíproco que podemos e devemos fazer uns aos outros. E é possível e eficaz somente se cada um se reconhece pecador e necessitado do perdão do Senhor. A mesma consciência que me faz reconhecer o erro do outro, antes ainda me lembra que eu mesmo errei e erro tantas vezes.”

Francisco explicou que por isso, no início da Santa Missa, todas as vezes somos convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com as palavras e os gestos o sincero arrependimento do coração. “E dizemos: ‘Senhor, tende piedade de mim’, e não ‘Senhor, tende piedade dessa pessoa que está a meu lado’. Todos somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor”.

Entre as condições que são comuns dos que participam da celebração eucarística, duas são fundamentais, ressaltou o Papa: todos somos pecadores e a todos Deus doa a sua misericórdia. “Devemos nos lembrar sempre disso antes de corrigirmos fraternalmente o nosso irmão.”

Por fim, Francisco recordou que nesta segunda-feira, 8, celebra-se liturgicamente a Natividade de Nossa Senhora. O Papa pediu aos fiéis que, assim que acordarem, dirijam seu pensamento a Ela, como um filho cumprimenta sua mãe no dia do seu aniversário.

No final do Angelus, o Papa Francisco manifestou sua preocupação por três conflitos em andamento: Ucrânia, Lesoto e Iraque.

O Pontífice mencionou os “passos significativos” na busca de uma trégua na Ucrânia oriental, não obstante tenha ouvido hoje notícias pouco confortantes. “Todavia, faço votos de que possam provocar alívio à população e contribuir aos esforços por uma paz duradoura. Rezo para que, na lógica do encontro, o diálogo iniciado possa prosseguir e produzir o fruto esperado.”

Dirigindo-se ao continente africano, o Papa se uniu ao apelo de paz lançado pelos Bispos de Lesoto, depois do golpe militar de uma semana atrás. “Condeno todo ato de violência e peço ao Senhor para que no Reino de Lesoto se restabeleça a paz na justiça e na fraternidade.”

Por fim, Francisco manifestou seu apreço pela obra “generosa e concreta” da Cruz Vermelha Italiana, que neste domingo envia cerca de 30 voluntários para a região de Irbil, no Iraque, onde se concentram milhares de deslocados. “Abençoo todas as pessoas que buscam concretamente ajudar os nossos irmãos perseguidos e oprimidos.”

“UNO-ME A TODOS OS CUBANOS" Papa envia mensagem aos católicos de Cuba na festa da Padroeira.

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos católicos de Cuba, por ocasião da festa da Padroeira do país, Nossa Senhora da Caridade do Cobre, celebrada nesta segunda-feira, 8.

Em sua mensagem, o Pontífice recorda que alguns dias atrás uma imagem de Nossa Senhora do Cobre foi colocada nos Jardins Vaticanos. “Sua presença constitui uma lembrança que evoca o afeto e a vitalidade da Igreja que peregrina por essas luminosas terras do Caribe”, escreve Francisco.

No dia em que se celebra com fervor a festa de Maria Santíssima, “uno-me a todos os cubanos, que fixam seus olhos em seu Imaculado Coração, para pedir-lhe favores, confiar sob sua proteção seus entes queridos e imitá-La em sua humildade e entrega a Cristo”.

Aos pastores e aos fiéis cubanos, o Papa indica três verbos que o impressionam cada vez que lê as Sagradas Escrituras, nas passagens que falam de Nossa Senhora: alegrar-se, levantar-se e perseverar.

Como Maria, “também nós somos chamados a permanecer no amor de Deus e a permanecer amando o próximo. Manter a alegria e compartilhá-la com os que nos rodeiam, levantar o coração e não sucumbir diante das adversidades, permanecer no caminho do bem, ajudando incansavelmente os que estão oprimidos por provações e aflições: eis aqui as lições importantes que nos ensina Nossa Senhora da Caridade do Cobre, úteis para o hoje e o amanhã. Em suas maternas mãos, confio os pastores, comunidades religiosas e fiéis de Cuba, para que Ela alente seu compromisso evangelizador e sua vontade de fazer do amor o alicerce da sociedade. Assim, não faltará alegria para viver, ânimo para servir e perseverança nas boas obras”, conclui Francisco.
Radio Vaticano

Tweet do Papa Francisco neste sábado:

06/09/2014
Jesus é o Bom Pastor. Procura-nos e mantém-se junto de nós, mesmo se somos pecadores, sobretudo porque somos pecadores.

Abram o coração ao mandamento novo do amor, pede Papa



Papa explicou que os cristãos têm lei, mas devem ser obervadas à luz do mandamento do amor e das bem aventuranças / Foto: Arquivo
Papa explicou que os cristãos têm leis, mas estas devem ser observadas à luz do mandamento do amor e das bem aventuranças / Foto: Arquivo

Na Missa desta sexta-feira, 5.setembro.2014, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco destacou que o cristão não deve ser escravo de “tantas pequenas leis”, mas abrir o coração ao mandamento novo do amor.

Comentando o Evangelho do dia, Francisco recordou que os escribas queriam colocar Jesus em dificuldade, perguntando a Ele por que seus discípulos não jejuavam. O Senhor não cedeu à pressão deles e respondeu falando de festa e novidade.

“A vinhos novos, odres novos. A novidade do Evangelho. O que o Evangelho nos traz? Alegria e novidade. Esses doutores da lei estavam fechados em seus mandamentos, em suas prescrições. São Paulo, ao falar deles, nos diz que antes da fé – ou seja, de Jesus – todos nós estávamos protegidos como prisioneiros da lei. A lei dessas pessoas não era má: protegidos, mas prisioneiros, à espera que chegasse a fé. Aquela fé que teria sido revelada no próprio Jesus”.

O povo, observou o Papa, tinha a lei dada por Moisés e também muitos destes “hábitos e pequenas leis” que os doutores tinham codificado. “A lei os protegia, mas como prisioneiros! E eles estavam à espera da liberdade, da definitiva liberdade que Deus teria dado a seu povo com seu Filho”. A novidade do Evangelho, portanto, é esta: resgatar a lei.

“Alguém de vocês pode me perguntar: ‘Os cristãos não têm lei?’ Sim! Jesus disse: ‘Eu não venho mudar a lei, mas levá-la à sua plenitude’. A plenitude da lei são, por exemplo, as bem-aventuranças, a lei do amor, do amor total como o que Ele, Jesus, nos amou. Quando Jesus repreende os doutores da lei, o faz porque não protegeram o povo com a lei, mas o escravizou com tantas leis pequenas, pequenas coisas”.

O Evangelho, em vez disso, veio trazer a novidade, que é festa, alegria e liberdade, ressaltou o Pontífice. Jesus quer dizer ao povo que não tenha medo de mudar as coisas segundo a lei do Evangelho.

“Paulo distingue bem: filhos da lei e filhos da fé. A vinhos novos, novos odres; e por isso, a Igreja nos pede, a todos nós, algumas mudanças. Pede-nos que deixemos de lado as estruturas decrépitas: são inúteis! E usemos os odres novos, os do Evangelho. Não se pode entender a mentalidade destes doutores da lei, destes teólogos fariseus: não se pode entender a sua mentalidade com o espírito do Evangelho, são coisas diferentes. O estilo do Evangelho leva à plenitude da lei, sim, mas de um modo novo: é o vinho novo em odres novos”.

E para viver plenamente esse Evangelho, que é novidade, é preciso, segundo o Papa Francisco, um coração alegre e renovado. É preciso observar a lei de acordo com o mandamento do amor e das bem-aventuranças. “Que o Senhor nos dê a graça de ‘não permanecermos prisioneiros’, a graça ‘da alegria e da liberdade que nos traz a novidade do Evangelho’”.

Radio Vaticano

Hoje o Papa Francisco escreveu em seu Twitter:

05/09/2014
Rezo diariamente por todos os que sofrem no Iraque. Rezai comigo. http://t.co/KgSa4lmMOB
Tenham “asas” e “raízes”, pede Papa a jovens dos 5 continentes



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco encontrou-se na tarde desta quinta-feira, 4, no Vaticano, com os participantes do III Congresso das “Scholas Occurrentes”. Esta é uma rede mundial de escolas para o encontro, nascida a partir do impulso de Bergoglio, e que reúne realidades educativas de culturas e religiões diferentes.

Francisco contou aos diretores da rede de escolas um episódio de sua infância, quando certa vez desrespeitou sua professora. Sua mãe foi chamada na escola e, ali, o pequeno Bergoglio teve que pedir desculpa pelo ato que cometeu – dando o caso por encerrado. Todavia, a cena foi diferente ao chegar em casa, pois Francisco teve que acertar as contas com sua mãe, sem a professora por perto.

Já hoje, disse o Papa, quando um filho é repreendido na escola, os pais querem processar os professores, resultado do pacto educativo que se rompeu. “Nesse sentido, é muito importante fortalecer os vínculos sociais, familiares e pessoais, porque todos – especialmente as crianças e os jovens – necessitam de um habitat realmente humano, em que encontrem as condições para seu desenvolvimento pessoal harmônico e para sua integração na sociedade”.

Durante a audiência, o Pontífice lançou a plataforma tecnológica de rede das “Scholas Occurrentes”, que prevê a possibilidade de usar as novas tecnologias para favorecer os encontros e as trocas entre estudantes e escolas de diferentes países. Neste contexto, o Papa participou de uma vídeoconferência com estudantes que aderiram à rede. Os jovens eram provenientes de El Salvador, África do Sul, Turquia europeia, Israel e Austrália, representando, assim, os cinco continentes.

Bate-papo com o Papa

O primeiro estudante, da Austrália, perguntou ao Papa como as Escolas podem avançar nesta comunicação e construir pontes. “Vocês – respondeu o Papa – podem fazer duas coisas opostas: construir pontes ou levantar muros. Os muros separam, dividem; as pontes aproximam. Portanto, continuar a comunicar. Comunicar experiências”.

Ao responder à segunda pergunta, vinda de Israel, Francisco destacou como os estudantes sabem comunicar em diferentes línguas e com a identidade da própria religião. Já o estudante da Turquia falou sobre paz e diálogo inter-religioso, perguntando ao Papa se o futuro será melhor ou pior.

“Os jovens não querem a guerra, querem a paz! E isto vocês devem gritar com o coração, de dentro: ‘Queremos a paz!’. Sabes onde está o futuro? Está no coração, está na tua mente e está em tuas mãos! (…) O futuro o tem os jovens! Porém atenção, jovens com duas qualidades: jovens com as asas e jovens com as raízes. Jovens que tenham asas para voar, para sonhar, para criar; e que tenham raízes para receber dos idosos o conhecimento que somente os maiores podem dar”.

Em seguida foi a vez de um estudante da África do Sul se dirigir a Francisco, falando do nascimento das ‘Scholas Occurrentes”. O Papa recordou que ‘Scholas’ nasceu em Buenos Aires como uma rede de escolas próximas para construir pontes entre as escolas da diocese.

“A juventude hoje tem necessidade de três pilares-chave: educação, esporte e cultura. Por isto ‘Scholas’ junta tudo: jogamos uma partida de futebol; se faz escola e se faz cultura. Educação, esporte e cultura. (…) Sigam em frente neste caminho da comunicação, de construir pontes e de buscar a paz através da educação, do esporte e da cultura”.

Neste ponto, Francisco fez uma advertência, pois também existe aquela comunicação que destroi. “Estejam bem atentos! Quando existem grupos que procuram a destruição, que buscam a guerra e que não sabem fazer um trabalho de equipe, defendam-se entre vocês como equipe, como grupo, defendendo-vos daqueles que querem ‘atomizar-vos’ e tirar-lhes a força do grupo”.

O Santo Padre concluiu exortando os jovens a não terem medo, a construírem pontes de paz, jogando em equipe para tornarem o futuro melhor. “Sonhem o futuro voando, mas não esqueçam a herança cultural, de sabedoria e religiosa que vos deixaram os anciãos. Em frente, com coragem! Construam o futuro!”.

Sobre a rede “Scholas”

A organização ‘Scholas’ pretende estabelecer uma rede de contatos entre escolas de diversas culturas, de diversos continentes, de diversos países no âmbito da responsabilidade educativa para a juventude no mundo globalizado, promovendo o encontro de culturas e de religiões diversas.

“Esta rede não pretende ser de escolas católicas ou especificamente cristãs, mas de religiões e culturas diferentes”, explicou o diretor da sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

Pecado é lugar privilegiado para encontrar Jesus, diz Papa

A força da vida cristã está no encontro entre os pecados do homem e Cristo que o salva. Onde não há este encontro, as igrejas são decadentes e os cristãos mornos. Estes foram os ensinamentos do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 4.setembro.2014, na Casa Santa Marta.

Francisco disse que em Pedro e Paulo o homem consegue entender que um cristão pode se vangloriar de duas coisas: dos próprios pecados e de Cristo crucificado. A força transformante da Palavra de Deus parte desta consciência, explicou. Assim, Paulo, na Primeira Leitura do dia, convida quem acredita ser sábio a reconhecer sua insensatez para se tornar sábio de verdade, já que a sabedoria do mundo é insensatez diante de Deus.

“Paulo nos diz que a força da Palavra de Deus, aquela que muda o coração, que muda o mundo, que nos dá esperança, que nos dá vida, não está na sabedoria humana. Isto é insensatez, diz ele. A força da Palavra de Deus vem de outro lado, passa pelo coração do pregador e por isto dizia àqueles que pregavam a Palavra: ‘Façam-se insensatos’, isso é, não coloquem a vossa segurança na vossa sabedoria, na sabedoria do mundo”.

Francisco explicou que o apóstolo Paulo não se gabava dos seus estudos, embora tivesse tido os professores mais importantes da época. Ele se vangloriava somente de seus pecados e de Cristo crucificado. O apóstolo dizia que a força da Palavra de Deus estava no encontro entre seus pecados e o sangue de Cristo salvador.

“Quando se esquece esse encontro que tivemos na vida nos tornamos mundanos, queremos falar das coisas de Deus com a linguagem humana, e não serve: não dá vida”.

Também Pedro, no Evangelho da pesca milagrosa, faz a experiência de encontrar Cristo vendo o próprio pecado. O Papa explicou que Pedro viu a força de Jesus e viu a si mesmo. Nesse encontro entre Cristo e os pecados está a salvação.

“O lugar privilegiado para o encontro com Jesus Cristo são os próprios pecados. Se um cristão não é capaz de sentir-se pecador e salvo pelo sangue de Cristo, este Crucifixo, é um cristão pela metade do caminho, é um cristão morno. E quando nós encontramos Igrejas decadentes, quando nós encontramos paróquias decadentes, instituições decadentes, seguramente os cristãos que estão ali nunca encontraram Jesus Cristo ou se esqueceram desse encontro”.

O Santo Padre enfatizou, então, que a força da vida cristã e a força da Palavra de Deus está justamente no momento em que o pecador encontra Jesus Cristo e esse encontro muda a vida, dando a força para anunciar a salvação aos outros.

Concluindo a homilia, Francisco convidou os fiéis a se perguntarem se eles se reconhecem pecadores diante de Deus. Ele também propôs que os fiéis pensem se realmente acreditam que o sangue de Cristo os salva do pecado e dá vida nova. “De que coisas um cristão pode se vangloriar? Duas coisas: dos próprios pecados e de Cristo crucificado”.
Radio Vaticano
Shimon Peres apresenta ao Papa ideia de "ONU das religiões"


Peres sugeriu a Francisco uma “ONU das religiões”, o que para ele seria a melhor forma de combater os terroristas que matam em nome da fé.


Cidade do Vaticano, 4.setembro.2014 (RV) – Shimon Peres e Papa Francisco novamente juntos no Vaticano. O encontro aconteceu nesta quinta-feira, 4, ocasião em que Peres apresentou a Francisco a ideia de uma ‘ONU das religiões’, segundo informou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

Francisco e Peres estiveram juntos pela última vez em 8 de junho, no encontro de oração pela paz realizado no Vaticano. Shimon Peres, na condição de presidente de Israel, uniu-se ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, ao patriarca de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu, e ao Papa Francisco para rezar pela paz.

Em entrevista à edição italiana da revista ‘Família Cristã’, Peres explicou a sua ideia de uma ‘Organização das Religiões Unidas’.

“No passado, a maior parte das guerras eram motivadas pela ideia de nação. Hoje, pelo contrário, as guerras desencadeiam-se sobretudo com a desculpa da religião”, disse o ex-presidente de Israel.

Para Peres, é necessária uma “ONU das religiões”, o que seria a melhor forma de combater os terroristas que matam em nome da fé.

Padre Lombardi disse que o encontro privado durou cerca de 45 minutos, na Casa Santa Marta, onde Francisco reside. A audiência foi após a Missa que o Papa celebra habitualmente pela manhã.

Ainda na manhã de hoje, Francisco teve um encontro privado com o príncipe  El Hassan bin Talal, da Jordânia.

Tweet do Papa Francisco:

04/09/2014
O nosso testemunho cristão é autêntico, se for fiel e incondicional.

A Igreja é mãe e tem como modelo Maria, diz Papa na catequese

Quarta-feira, 3.setembro.2014 – Radio Vaticano

O Santo Padre falou aos fiéis sobre a maternidade da Igreja, que alimenta seus filhos a cada dia com a Palavra de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Nas catequeses anteriores, tivemos a oportunidade de confirmar uma vez mais que não nos tornamos cristãos por si só, isso é, com as próprias forças, de modo autônomo, nem nos tornamos cristãos em laboratório, mas se gerados e feitos crescer na fé dentro daquele grande corpo que é a Igreja. Neste sentido, a Igreja é realmente mãe, a nossa mãe Igreja – é belo dizer assim: a nossa mãe Igreja – uma mãe que nos dá a vida em Cristo e que nos faz viver com todos os outros irmãos na comunhão do Espírito Santo.

1. Nesta sua maternidade, a Igreja tem como modelo a Virgem Maria, o modelo mais belo e mais alto que se pode ter. É o que as primeiras comunidades já colocaram à luz e o Concílio Vaticano II expressou de modo admirável (cfr Const. Lumen gentium, 63-64). A maternidade de Maria é certamente única, singular, e se realizou na plenitude dos tempos, quando a Virgem deu à luz o Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo. E, todavia, a maternidade da Igreja coloca-se propriamente em continuidade com aquela de Maria, como um prolongamento seu na história. A Igreja, na fecundidade do Espírito, continua a gerar novos filhos em Cristo, sempre na escuta da Palavra de Deus e na docilidade ao seu desígnio de amor. A Igreja é mãe. O nascimento de Jesus no seio de Maria, de fato, é o início do nascimento de cada cristão no seio da Igreja, do momento que Cristo é o primogênito de uma multidão de irmãos (cfr Rm 8, 29) e o nosso primeiro irmão Jesus nasceu de Maria, é o modelo, e todos nós nascemos na Igreja. Compreendemos, então, como a relação que une Maria e a Igreja é tão profunda: olhando para Maria, descobrimos a face mais bela e mais terna da Igreja; e olhando para a Igreja reconhecemos os traços sublimes de Maria. Nós, cristãos, não somos órfãos, temos uma mãe, temos uma mãe, e isto é grandioso! Não somos órfãos! A Igreja é mãe, Maria é mãe.

2. A Igreja é nossa mãe porque nos gerou no Batismo. Toda vez que batizamos uma criança, torna-se filho da Igreja, entra na Igreja. E daquele dia, como uma mãe atenta, nos faz crescer na fé e nos indica, com a força da Palavra de Deus, o caminho de salvação, defendendo-nos do mal.

A Igreja recebeu de Jesus o tesouro precioso do Evangelho não para retê-lo para si, mas para doá-lo generosamente aos outros, como faz uma mãe. Neste serviço de evangelização, manifesta-se de modo peculiar a maternidade da Igreja, empenhada, como uma mãe, em oferecer aos seus filhos o alimento espiritual que alimenta e faz frutificar a vida cristã. Todos, portanto, somos chamados a acolher com mente e coração abertos a Palavra de Deus que a Igreja a cada dia oferece, porque esta Palavra tem a capacidade de nos mudar de dentro. Somente a Palavra de Deus tem esta capacidade de nos mudar bem de dentro, das nossas raízes mais profundas. A Palavra de Deus tem esse poder. E quem nos dá a Palavra de Deus? A mãe Igreja. Ela nos amamenta desde criança com esta Palavra, ensina-nos durante toda a vida com esta Palavra e isto é grandioso! É justamente a mãe Igreja que, com a Palavra de Deus, nos muda de dentro. A Palavra de Deus que nos dá a mãe Igreja transforma-nos, torna a nossa humanidade não palpitante segundo a mundanidade da carne, mas segundo o Espírito.

Na sua solicitude materna, a Igreja se esforça em mostrar aos crentes o caminho a percorrer para viver uma existência fecunda de alegria e de paz. Iluminados pela luz do Evangelho e apoiados pela graça dos Sacramentos, especialmente a Eucaristia, nós podemos orientar as nossas escolhas para o bem e atravessar com coragem e esperança os momentos de escuridão e os sentimentos mais tortuosos. O caminho de salvação, através do qual a Igreja nos guia e nos acompanha com a força do Evangelho e o apoio dos Sacramentos, nos dá a capacidade de nos defendermos do mal. A Igreja tem a coragem de uma mãe que sabe ter que defender os próprios filhos dos perigos que derivam da presença de satanás no mundo, para levá-los ao encontro com Jesus. Uma mãe sempre defende os filhos. Esta defesa consiste também em exortar à vigilância: vigiar contra o engano e a sedução do maligno. Porque mesmo que Deus venceu satanás, este volta sempre com as suas tentações; nós sabemos disso, todos nós somos tentados, fomos tentados e somos tentados. Satanás vem “como leão que ruge” (1 Pt 5, 8), diz o apóstolo Pedro, e cabe a nós não sermos ingênuos, mas vigiar e resistir firmes na fé. Resistir com os conselhos da mãe Igreja, resistir com a ajuda da mãe Igreja, que como uma boa mãe sempre acompanha os seus filhos nos momentos difíceis.

3. Queridos amigos, esta é a Igreja, esta é a Igreja que todos amamos, esta é a Igreja que eu amo: uma mãe que tem no coração o bem dos próprios filhos e que é capaz de dar a vida por eles. Não devemos nos esquecer, porém, que a Igreja não é só os padres, ou nós bispos, não, somos todos! A Igreja somos todos! De acordo? E também nós somos filhos, mas também mães de outros cristãos. Todos os batizados, homens e mulheres, juntos somos a Igreja. Quantas vezes nas nossas vidas não damos testemunho desta maternidade da Igreja, desta coragem materna da Igreja! Quantas vezes somos covardes! Confiemo-nos, então, a Maria, para que Ela, como mãe do nosso irmão primogênito, Jesus, nos ensine a ter o seu mesmo espírito materno nos confrontos dos nossos irmãos, com a capacidade sincera de acolher, de perdoar, de dar força e de infundir confiança e esperança. É isto o que faz uma mãe.

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O Papa Francisco voltou a expressar a proximidade da Igreja aos cristãos indefesos e perseguidos. Na saudação aos povos de língua árabe, especialmente aos do Iraque, após a catequese desta quarta-feira, 3, o Santo Padre assegurou que, sendo mãe, a Igreja sabe acompanhar seus filhos mais necessitados.

“Hoje gostaria de assegurar aos indefesos e perseguidos a proximidade: vocês estão no coração da Igreja; a Igreja sofre com vocês e tem orgulho de vocês, orgulho de ter filhos como vocês; vocês são a sua força e o testemunho concreto e autêntico da sua mensagem de salvação, de perdão e de amor. Abraço todos vocês! O Senhor os abençõe e os proteja sempre”.

Anteriormente, na audiência geral, o Santo Padre havia falado justamente desse aspecto maternal da Igreja. Segundo ele, a Igreja tem como modelo Maria e é uma mãe que oferece a cada dia a Palavra de Deus, como alimento espiritual que frutifica a vida cristã.

SEMANA DA PÁTRIA

A Pátria amada
  
Estamos na Semana da Pátria, da nossa Pátria amada. Jesus, nosso divino modelo, amava tanto sua pátria, que chorou sobre sua capital, Jerusalém, ao prever os castigos que sobre ela viriam, consequência da sua resistência à graça divina. É tempo oportuno para refletirmos sobre nossa nação, na qual vivemos e da qual esperamos o nosso bem comum. Será que também não devemos chorar sobre nossa pátria, ao vermos tanta falta de ética em nossa política, ao sentirmos e pressentirmos a aprovação de leis iníquas, contra a Lei Divina, natural e positiva?

Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política, I, 1,9). Política vem do grego pólis, que significa cidade. E, continua Aristóteles, “toda a cidade é evidentemente uma associação, e toda a associação só se forma para algum bem, dado que os homens, sejam eles quais forem, tudo fazem para o fim do que lhes parece ser bom”. E Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado. “A comunidade política existe... em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. Quanto ao bem comum, ele compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, 74). Daí se conclui que a cidade – o Estado - exige um governo que a dirija para o bem comum. Não se pode separar a política da direção para o bem comum. Procurar o bem próprio na política é um contrassenso.
         
Parecia estar falando da política atual o notável Eça de Queirós, que, há muito tempo atrás, escrevera com sua verve inconfundível: “Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita... Ninguém crê na honestidade dos homens públicos... A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte, o país está perdido! Algum opositor do atual governo? Não!”. Falava ele assim em 1871!
        
Como cristãos, nós sabemos que a base da moral e da ética é a lei de Deus, natural e positiva, traduzida na conduta pelo que se chama o santo temor de Deus ou a consciência reta e timorata. Uma vez perdido o santo temor de Deus, perde-se a retidão da consciência, que passa a ser regida pelas paixões. Uma vez perdidos os valores morais e os limites éticos, a política fica ao sabor das paixões desordenadas do egoísmo, da ambição e da cobiça.
      
Pense nisso: seu voto é coisa séria, pois terá sérias consequências para a política!

Dom Fernando Rifan

Identidade cristã vem do Espírito Santo, explica Papa

Francisco explicou que não é a sabedoria humana que faz a identidade do cristão: “Você pode ter cinco diplomas em teologia e não ter o Espírito de Deus”, disse.

A autoridade do cristão vem do Espírito Santo, não da sabedoria humana ou das graduações em teologia, afirmou o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 2.setembro.2014, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que a identidade cristã é ter o Espírito de Cristo, não o “espírito do mundo”.

O povo ficava maravilhado com os ensinamentos de Jesus porque a sua palavra tinha autoridade. Francisco partiu desse trecho do Evangelho do dia para se concentrar na natureza da autoridade do Senhor e, consequentemente, do cristão.

“Jesus não era um pregador comum, pois a sua autoridade vinha da unção especial do Espírito Santo (…) Jesus é o Filho do Deus ungido e enviado para trazer a salvação, a liberdade. Algumas pessoas se escandalizavam com este estilo de Jesus, a sua identidade e liberdade”.

Francisco propôs uma reflexão sobre a identidade do cristão, partindo do exemplo de São Paulo, que não pregava por ter estudado em alguma universidade, e sim por ter tido a sabedoria vinda do Espírito Santo.

“Essa sabedoria lhe foi ensinada pelo Espírito. Ele dizia coisas espirituais em termos espirituais… mas o homem, com suas forças, não compreende o Espírito de Deus: o homem sozinho não pode entender isso!”.

Segundo o Papa, sem entender as coisas do Espírito não se pode oferecer testemunho, não se tem uma identidade.  Já o cristão é uma pessoa que tem o pensamento de Cristo, ou seja, do Espírito Santo.

“Esta é a identidade cristã; não ter o espírito do mundo, com seu modo de pensar, seu modo de julgar… Você pode ter cinco diplomas em teologia e não ter o Espírito de Deus! Pode até ser um grande teólogo, mas não ser um cristão, porque não tem o Espírito de Deus, aquele que dá autoridade, que dá identidade, a unção do Espírito Santo”.

Era justamente por isso que o povo não gostava das pregações dos doutores da lei, explicou Francisco, pois estes falavam de teologia, mas não tocavam o coração. Com suas palavras, o povo não encontrava a própria identidade, porque eles não eram ungidos pelo Espírito Santo.

“A autoridade de Jesus – e a do cristão – provém justamente desta capacidade de entender as coisas do Espírito, de falar a mesma língua do Espírito. Vem da unção do Espírito Santo. Muitas vezes, vemos entre nossos fiéis velhinhas simples, que nem terminaram o ensino fundamental, mas que sabem dizer as coisas melhor do que um teólogo, porque têm o Espírito de Cristo, o que São Paulo possuía e que todos devemos pedir”.
L'Osservatore Romano
Em vídeo, Papa saúda o 'Jogo da Paz' no estádio Olímpico

Cidade do Vaticano, 2.setembro.2014 (RV) – O Papa Francisco enviou segunda-feira, 01, sua mensagem de paz aos participantes da “Partida Inter-religiosa pela Paz”, jogada no Estádio Olímpico de Roma.

Minutos antes do início, foi projetado um vídeo em que, em castelhano, o Papa expressou sua alegria “ao ver tantas pessoas reunidas para celebrar esta partida tão simbólica, que ressalta a união dos times, a união dos que participam como espectadores e o desejo comum de paz”.

“O evento esportivo de hoje é um gesto simbólico para fazer compreender que é possível construir a cultura do encontro e um mundo de paz em que fiéis de diferentes religiões, mantendo sua identidade, convivam em harmonia e em mútuo respeito”, prosseguiu Francisco.

Bergoglio saudou a iniciativa da instituição educacional Scholas Occurrentes, uma das organizadoras do evento, cujos membros plantaram no estádio uma oliveira doada pelo próprio Pontífice como "símbolo de paz".

Finalmente, o Papa argentino se despediu pedindo desculpas por ter-se expressado em sua língua materna: “Peço desculpas por falar em castelhano, mas é o idioma do meu coração, e hoje quero lhes falar de coração”.

O jogo começou às 20h45, no horário de Roma, com os times treinados pelo atual técnico argentino, Gerardo Tata Martino, e o selecionador do Arsenal, o francês Arsene Wenger, e capitaneados por Zanetti e Gianluigi Buffon.

No final, a equipe Scholas Occurrentes perdeu para o Pupi, fundação criada pelo ex-lateral-esquerdo argentino Javier Zanetti, por 6 a 3.

O Papa Francisco deixou, hoje, uma mensagem em seu twitter:

02/09/2014
O cristão, que não sente a Virgem Maria como mãe, é um órfão.

Ex-presidente de Israel terá novo encontro com o Papa

Cidade do Vaticano, 1.setembro.2014 (RV) – Nesta quinta-feira, 4, o Papa Francisco receberá no Vaticano o ex-presidente de Israel, Shimon Peres. A audiência deverá se realizar na Casa Santa Marta, às 9h45min, após a Missa matutina celebrada na capela, segundo informações da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Em 8 de junho desse ano, no histórico encontro de oração pela paz convocado pelo Papa Francisco, Shimon Peres, na condição de presidente de Israel, reuniu-se também com o presidente Palestino, Mahmoud Abbas, e o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I.

Durante o voo de volta da Coreia, o Papa foi questionado pelos jornalistas se essa iniciativa pela paz havia fracassado, devido à explosão de violência que se seguiu em Gaza após o encontro. Francisco respondeu que “absolutamente não foi um fracasso” e explicou:

“Foi aberta a porta da oração. (…) Depois chegou o que chegou; mas isso é conjuntural. Ao contrário, aquele encontro não era conjuntural; é um passo fundamental do comportamento humano: a oração. Agora, a fumaça das bombas, das guerras não deixa ver a porta, mas a porta ficou aberta desde então. E, dado que eu creio em Deus, creio que o Senhor olha para aquela porta, e olha para quantos rezam e todos aqueles que Lhe pedirem para Ele nos ajudar”.

Francisco falou aos fiéis sobre a Palavra de Deus, destacando que ela deve ser acolhida com o coração aberto e humilde.

“Não se anuncia o Evangelho para convencer com palavras sábias, mas com humildade, porque a força da Palavra de Deus é o próprio Jesus. E somente quem estiver com o coração aberto pode acolhê-Lo”. Este foi o foco da homilia do Papa Francisco na manhã desta segunda-feira, 1º de setembro, quando ele voltou a presidir as Santas Missas diariamente na Casa Santa Marta. O Pontífice havia dado uma pequena pausa nessas celebrações no seu período de descanso durante o verão europeu.

Comentando as leituras do dia, o Santo Padre explicou o que é a Palavra de Deus e como recebê-la. E citou o exemplo de São Paulo, que recordou aos coríntios ter anunciado o Evangelho sem utilizar palavras eruditas.

“Paulo disse: ‘Eu não fui até vocês para convencê-los com argumentos, palavras, figuras bonitas… Não, eu fui de outro modo, com outro estilo; fui na manifestação do Espírito e na sua força, para que sua fé não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus’. Assim, a Palavra de Deus é uma coisa diferente, que não é igual à palavra humana, sábia, científica ou filosófica… Não! É outra coisa: vem de outra forma”.

O Papa recordou o momento em que Jesus comentou as Escrituras na Sinagoga de Nazaré, onde Ele havia crescido. Seus conterrâneos inicialmente O admiraram por Suas palavras, mas depois se enfureceram e tentaram matá-Lo. “Passaram de uma parte para outra – explicou o Papa – porque a Palavra de Deus é diferente da palavra humana”.

Com efeito, disse Francisco, Deus falou ao homem por meio do Seu Filho, de forma que a Palavra de Deus é o próprio Jesus, e Jesus é motivo de escândalo. A cruz de Cristo escandaliza e é a força da Palavra de Deus: Jesus Cristo, o Senhor.

Francisco se concentrou, então, sobre o modo como se deve receber a Palavra de Deus: como se recebe Jesus. A Igreja diz que Jesus está presente na Eucaristia e na Palavra, por isso é tão importante ler um trecho do Evangelho ao longo do dia, reiterou o Sua Santidade.

“Para que, para aprender? Não! Para encontrar Jesus, porque Ele está em Sua Palavra. Cada vez que lemos o Evangelho, encontramos Jesus. E como receber esta Palavra? Como se recebe Jesus, isto é, com o coração aberto, humilde, com o espírito das beatitudes, porque Jesus veio assim, em humildade; veio em pobreza, veio com a unção do Espírito Santo”.

O Papa concluiu a homilia convidando os fiéis a pensarem no modo como estão recebendo a Palavra de Deus. “Nós também, se quisermos ouvir e receber a Palavra de Deus, devemos rezar ao Espírito Santo e pedir a unção do coração, que é a unção das bem-aventuranças”.
Radio Vaticano